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"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem"
Robert Musil em O Homem sem Qualidades

Sábado, Janeiro 13, 2007

Veja 8 - Diogo declara guerra a Lula. Dormindo

John Lennon, certa feita, resolveu ser pacifista na cama. Diogo, ao contrário, resolveu declarar guerra a Lula. Só que, desta feita, dormindo. É o que ele conta na coluna O Gandhi do Dormonid, de que segue um trecho:

– O Diogo está dormindo.
Quem me telefonou nas últimas semanas ouviu essa frase. Tenho dormido muito. Durmo antes do almoço. Durmo depois do almoço. Cochilo meia hora no fim da tarde. Durmo profundamente a noite toda.
A idéia é transcorrer os quatro anos do segundo mandato lulista na cama. A lógica é simples: uma hora a mais de sono significa uma hora a menos de Lula. Minha resposta particular ao petismo é a narcolepsia. No primeiro mandato, antagonizei o regime com um monte de palavras, um monte de artigos, um monte de denúncias. No segundo mandato, pretendo trocar o teclado do computador pelo pijama, o discurso inflamado pelo zunido do aparelho de ar refrigerado, os perdigotos coléricos pelo fiozinho de baba escorrendo delicadamente pelo canto da boca.
Clique aqui para ler íntegra da coluna

Disputa na Câmara: Executiva do PSDB vai se reunir para tomar uma decisão

O senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, afirmou, nesta sexta, que vai convocar a Executiva do partido para decidir o que fazer no caso da disputa pela presidência da Câmara, sinal evidente de que o apoio a Arlindo Chinaglia (PT-SP), anunciado por Jutahy Jr., está longe de ser consensual. É o correto. Tem de convocar mesmo. Tasso pode aproveitar a oportunidade para negar, por exemplo, a possibilidade de trair seu partido em 2010, conforme anunciou num programa Roda Viva. Bom, traição anunciada é traição? Há coisas que só acontecem no PSDB. Bem, voltemos ao centro da questão. Vamos ver.
- FHC não foi avisado;
- Tasso não foi avisado;
- Jutahy disse em entrevista à Folha que José Serra e Aécio Neves não tiveram nada com isso.
Que mal pergunte:
- quem, então, sabia da decisão?
- Não tendo havido um acordo, quer dizer que o apoio a Chinaglia foi de graça? Os tucanos só escolheram a pior parte?

Havendo a revisão, que se faça a coisa certa. Que apoio a Aldo o quê!!! Se me perguntarem se o considero ligeiramente melhor do que Chinaglia, direi que sim. Eu acho até o capeta – para lembrar Churchill – ligeiramente melhor do que o PT... Mas não basta. Aldo é um serviçal de Lula. Está chateado. Passa logo. Bastam alguns agrados. Em sua nota, FHC, que defendia, de forma também equivocada, o apoio ao candidato do PC do B, abre a possibilidade de ficar com um candidato da Terceira Via..

A esta altura, é a única coisa razoável a fazer.

A crise tucana: verdades, mistificações e saída

Se eu fosse político e dependesse de apoio entre meus pares, saudaria qualquer um que acabasse vindo para as minhas fileiras. Como não sou e não tenho causa, a não ser a direção para a qual aponta o meu nariz, encho o saco dos outros. Assim como gosto que lembrem o que escrevi – aliás, dizem que eu próprio adoro fazer isso... -, também gosto de lembrar o que os políticos andaram fazendo no verão passado. Muito bem-vinda a adesão do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) ao “não” a Arlindo Chinaglia (PT-SP). Mas não custa lembrar que ele foi o primeiro tucano de rica plumagem a defender o entendimento com Lula. Chegou até a marcar uma reunião entre o Apedeuta e FHC - sem nem avisar o ex-presidente... Defendeu conselho de ex-presidentes. Deu apoio entusiasmado ao reajuste de 91% dos parlamentares. E agora está com Aldo Rebelo (PC do B-SP), o que não chega a ser, assim, uma causa virtuosa. Nem corajosa. Mas a confusão do PSDB não é de agora.

No dia 11 de dezembro, Tasso Jereissati, presidente do PSDB – nada menos –, foi ao programa Roda Viva e disse o inimaginável: se o agora deputado Ciro Gomes (PSB-CE) se lançar candidato à Presidência em 2010, ele, Tasso, pode estar, sim, com o quase conterrâneo (Ciro veio à luz na Pinda de Alckmin), e não com um candidato de seu partido. Tudo vai depender do que lhe pedir o povo do Ceará. Era o mesmo Tasso que, em 2002, abandonara o candidato do seu partido à Presidência e que, em 2006, repetiria a dose, aí em escala regional, deixando de apoiar o nome do PSDB no Ceará. Mais do que isso: forneceu secretários para Cid Gomes. Quem acompanhava Tasso no Roda Viva? Os deputados Paulo Renato e José Aníbal, ambos de São Paulo. Tentaram dourar a pílula, dizer que o outro não havia dito bem aquilo. Havia, sim.

A indignação em política é coisa boa. A indignação seletiva pode ter cheiro de esperteza – a má esperteza. Nenhum dos tucanos que agora protestam soltou um pio contra a afirmação. Ora, tratava-se apenas do presidente do partido dizendo que não era certo que votasse no candidato de sua legenda. A parte da cúpula tucana que decidiu o apoio a Chinaglia, entendo, está errada no mérito, na circunstância e na forma. Um desastre só. E poucos poderão afirmá-lo com tanta legitimidade analítica quanto este escriba. Todos sabem o que sempre pensei das candidaturas de Aldo e Chinaglia. Mas convém que tucanos que estão dedicados apenas a uma guerrilha interna não passem como ardorosos defensores da Terceira Via ou como militantes juramentados da coerência. Apoiar Arlindo Chinaglia é pior do que condescender com um presidente de partido que anuncia que pode trair a legenda? Não é.

Sabem o que falta ao PSDB? Comando! A crise dos tucanos até pode ser de identidade – e acho que, em boa parte, é -, mas é também uma crise de liderança. Na madrugada do dia 11 para o dia 12, escrevi neste blog (vejam lá) o seguinte sobre o caso Tasso Jereissati – e notem que Jutahy já era personagem (segue trecho em azul):

Tasso tenha a opinião que quiser sobre a vida, o mundo, a política, o consumo de bacon etc. Mas é presidente de um partido que, malgré lui même, reuniu os votos dos que se opunham ao governo Lula — e a Ciro Gomes, um dos principais esbirros do petismo nestes quatro anos. Ele pode, como diz, não querer descontentar os cearenses que o elegeram. Pois que escolha um lugar em que possa fazer a vontade de suas bases sem trair o voto de quase 40 milhões de pessoas.
O caso Azeredo contribuiu de forma definitiva para conduzir o PSDB a uma derrota que foi, em muitos aspectos, vexaminosa. Jamais um arranjo tão corrupto recebeu tal endosso nas urnas. Isso também qualifica a alternativa apresentada. No manche do principal partido de oposição, o próprio Tasso diz que a nave que ele conduz não é de confiança. “De confiança” para quem? Para quem apostou numa legenda de oposição.
As escolhas em política sempre têm um custo. O da permanência de Azeredo no PSDB teve o seu. Com a de Tasso, tudo o mais constante, não será diferente. Arremato observando que não deixa de ser irônico que tenha sido ele a cobrar de Jutahy Jr. (BA) coerência oposicionista na Bahia, uma vez que se chegou a flertar com a possibilidade de os tucanos indicarem um secretário no governo do petista Jaques Wagner. É claro que o PSDB não tem de indicar ninguém. É claro que Jutahy precisa considerar que o adversário principal da legenda que ele lidera é o PT, não ACM. Mas não será, como se vê, Tasso a lhe cobrar coerência.
Quem concedeu a entrevista que o senador cearense concedeu não pode mais cobrar nada de ninguém, o que o impede, pois, de presidir o PSDB. Na verdade, ele disse o bastante para se declarar ou ser declarado impedido de continuar no partido. Chegou a hora de ele voltar a se unir aos irmãos Gomes (Ciro e Cid). No Ceará.
PS: Pífia, até ontem ao menos, a reação do PSDB. Se não reagir agora, reagirá quando? Noto que Tasso não se ocupou de tentar corrigir ou modular a fala. O PSDB, no seu antigo formato, acabou. Ou os tucanos acordam para a realidade ou morrem.

Vejam só. Não era difícil antever o desastre. É isto: ou os tucanos acordam para a realidade ou morrem. Por enquanto, como partido, estão morrendo. A constância com que ignoram a opinião pública é uma coisa formidável. Não custa lembrar, por exemplo, que alguns que estão protestando contra o apoio a Chinaglia – e fazem bem neste particular – foram defensores entusiasmados da candidatura de Alckmin, embora o eleitorado insistisse em dizer que preferia outro nome. Parece uma sina e uma vocação a deste partido: desprezar o que seu eleitorado lhe recomenda. Desde a definição do candidato à Presidência, estava claro que o partido estava à deriva, refém de imposições e diktats de quem acha que tem condições de impor aos demais a sua vontade.

Querem saber? Acho que a casa caiu. Hora de mudar. E só uma pessoa tem autoridade política para tanto: FHC. E duvido que ele não saiba disso. Geraldo Alckmin assumiu uma posição que considero correta nesse episódio todo: até onde entendi, é contra o apoio do PSDB a Arlindo Chinaglia. Mas não tem condições de presidir o partido, não. A tarefa é bem mais delicada do que parece. Já começaria tendo de provar que não está cuidando das próprias ambições políticas. E ele as tem. O que é justo. O momento pede alguém com mais musculatura teórica e mais repertório.

Nota final
Não passa de bobagem verossímil a conversa de que o apoio do PSDB a Chinaglia passa por grandes maquinações envolvendo pactos entre Serra, Aécio Lula e a Casa da Noca. Foi tudo muito mais simples, despretensioso e atrapalhado. Minas defendeu a proporcionalidade porque queria Nárcio Rodrigues como primeiro-secretário da Câmara, e São Paulo houve por bem que assim estaria bom, com Antonio Carlos Pannunzio na liderança do partido na Casa.

E aí ninguém botou os ouvidos na porta para ouvir os ecos que chegavam da opinião pública e o que pensavam aqueles 40 milhões de eleitores a que me referi quando censurei Tasso Jereissati por sua entrevista absurda. Tudo assumiu o ar de uma terrível conspiração, logo aplaudida pelos esbirros do petismo, que resolveram chamar o imbróglio da mais perfeita tradução da democracia plena. Deve ser a primeira vez na história que a democracia abre uma grande crise num partido... democrático.

FHC pode não querer. Mas não dá mais para adiar.

Veja 7 – Disputa na Câmara III – O bonde do Chinaglia inclui José Dirceu e Roberto Jefferson

Por Otávio Cabral:
Não é por acaso que a confraria que partilha cargos e verbas públicas aparece no epicentro de todos os escândalos de corrupção. Em uma eleição, seja para a Presidência da República, seja para síndico de prédio, podem-se discutir idéias e projetos ou interesses e conveniências. Na semana passada, o petista Arlindo Chinaglia se transformou em franco favorito. (...) O deputado Ciro Nogueira, do PP, é coordenador da campanha de Aldo Rebelo. Na tentativa de convencer o colega a trair Aldo, o deputado João Pizzolatti, do PP de Santa Catarina, usou um argumento poderoso e assustador: "O esquema está operante de novo", anunciou empolgado o parlamentar. Estavam presentes à reunião, além de Ciro e Pizzolatti, os deputados Mário Negromonte e Pedro Corrêa, cassado no escândalo do mensalão.
(...)
O empenho do governo em eleger um petista na Câmara tem ressuscitado práticas antigas (...). Em busca de apoio, o governo sempre acena com a possibilidade de liberação de dinheiro das emendas parlamentares. Na terça-feira passada, dia em que o PMDB resolveu apoiar Chinaglia, ao menos cinco deputados do partido estiveram no Palácio do Planalto e saíram de lá satisfeitos com a celeridade na liberação do dinheiro para obras em sua base eleitoral. Entre eles estavam André Zacharow, do Paraná (1,1 milhão de reais), o gaúcho Darcísio Perondi (1,75 milhão de reais) e o fluminense Eduardo Cunha (1,1 milhão de reais). Muitos dos deputados que vão eleger o presidente da Câmara, porém, só tomam posse no mês que vem. Portanto, não podem ser cooptados com esse tipo de oferta. Problema? Não. O governo criou o "vale-emendas", uma espécie de mercado futuro de liberações.
(...)
O ex-chefe da Casa Civil José Dirceu (...) deixou de lado suas atividades de consultor privado e mergulhou na campanha petista. (...) O ex-deputado está obstinado com a possibilidade de ser perdoado. Ele quer conseguir 1 milhão de assinaturas para entrar no Congresso com um projeto popular de anistia política. (...) Chinaglia já avisou que, se eleito, põe o projeto em votação. Mesma pretensão ainda tem Roberto Jefferson, que também terá o apoio de Chinaglia, desde que o PTB o ajude a ser eleito, é claro.
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Futuro líder do PSDB diz que convocará nova bancada para decidir o que fazer na Câmara

Por Carlos Marchi, João Domingos e Expedito Filho, no Estadão deste sábado:
O futuro líder do PSDB, Antonio Carlos Pannunzio, disse ontem ao Estado que convocará uma reunião da nova bancada do partido, na semana que vem, para decidir qual a posição dos tucanos na sucessão da Câmara. Pannunzio, que está em férias em Buenos Aires, afirmou ter recomendado ao atual líder, Jutahy Júnior, que defendesse a tese da proporcionalidade mas evitasse falar em nomes. “Nomes levam a conflitos”, advertiu Pannunzio, como se adivinhasse a torrente de protestos pelo apoio a Chinaglia.O deputado Nárcio Rodrigues (MG), escolhido para ser o futuro 1º vice-presidente da Câmara, condenou a discordância pública: “A discussão aberta é um prejuízo para o partido”, disse. Ele tentou explicar que Jutahy consultou a bancada e recebeu dela a concordância com a tese da proporcionalidade das bancadas, pacífica no partido. “O PSDB não apoiou Chinaglia, apoiou a tese. Chinaglia é que puxou o apoio para ele”, disse, explicando a tortuosa lógica de Jutahy.
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Jutahy - Entrevista ruim para causa ainda pior

O deputado Jutahy Jr. (PSDB-BA), líder do PSDB na Câmara, concede a Eliane Cantanhêde, da Folha, uma entrevista e tenta justificar o apoio do PSDB à candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Casa. Os argumentos são óbvios — eu mesmo os usei no meu texto falso (edição de ontem) em apoio ao acordo — e fracos. O que já era ruim vai ficando pior. Jutahy diz, por exemplo, que os governadores nada tiveram a ver com a decisão. Ah, não? Se fosse verdade, Jutahy, então a coisa seria ainda pior do que parece. Vamos ver: FHC não foi consultado ou avisado (este não foi mesmo). Serra não foi consultado ou avisado. Aécio Neves não foi consultado ou avisado. Tasso Jereissati não foi consultado ou avisado. Convenhamos: isso já não é independência da bancada. É uma verdadeira rebelião!!!

Os argumentos ruins de Jutahy dão conta da decisão desastrada, ruim mesmo. Eles diz, por exemplo, que o apoio a Chinaglia diiminui o fisiologismo. Só se tucano, além de aderir, ainda o faz de graça, Jutahy. Porque os peemedebistas estão cobrando muito caro do governo, conforme está nos jornais e na Veja desta semana (ler nesta página). Seria muito mais fácil os tucanos admitirem a besteira, inclusive na forma — aquela coletiva desastrada com Jutahy e Chinaglia —, a tentar pagar o mico de justificar o injustificável. Seguem trecho das entrevista e link:

FOLHA - Por que a bancada tucana decidiu apoiar o Chinaglia?
JUTAHY JÚNIOR -
As pessoas não entendem a importância da proporcionalidade, que é o princípio que garante o direito da minoria de participar da Mesa, das comissões. Não é novidade o PSDB apoiar o PT. Apoiou o João Paulo Cunha em 2003.
FOLHA - E o inverso?
JUTAHY
- Não, mas nós não somos o PT. Eles são eles, nós somos nós.
(...)
FOLHA - E por que Chinaglia?
JUTAHY -
Quando você apóia o Chinaglia, você baixa o preço do fisiologismo. A candidatura agora é institucional e os que votariam nele por corporativismo, em troca de vantagens, numa negociação caso a caso, não terão mais essa brecha.
FOLHA - Ou seja: o PSDB foi camarada com o Planalto e livrou o o Lula desse tipo de negociação?
JUTAHY -
Não. Estamos pensando na Casa, no que é melhor institucionalmente.
(...)
FOLHA - O que os governadores tiveram com isso, especialmente o Serra e o Aécio?
JUTAHY -
Absolutamente nada. Cada deputado pode ter consultado seu governador. Cada um tem sua posição. Foi decisão da bancada.
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Veja 6 - Disputa na Câmara II - Discursos cínicos

Na edição desta semana de Veja:
No fim do ano passado, os deputados decidiram reajustar o próprio salário em 91%. Apesar dos protestos generalizados e da indignação da sociedade com o abuso, o aumento só não foi homologado graças a uma decisão da Justiça que considerou ilegal a forma como ele foi concedido. Pergunte agora aos candidatos Arlindo Chinaglia e Aldo Rebelo qual a opinião deles sobre o reajuste. O petista Chinaglia vai responder, no máximo, que precisa estudar o caso. O comunista Rebelo vai acabar dizendo algo parecido, talvez de uma forma mais rebuscada. Nos bastidores, porém, ambos usam a promessa do superaumento como uma poderosa arma para atrair o voto dos colegas. Chinaglia, que está despontando como favorito, tem, inclusive, feito da promessa salarial uma de suas principais bandeiras de campanha. Na terça-feira passada, o petista jantou com vinte deputados do PT e do PMDB em um restaurante de Brasília. Entre uma taça de vinho e outra, declarou, alto e bom som, que, se eleito, independentemente das críticas, dará o aumento. Foi fervorosamente aplaudido. Depois, foi aconselhado pelo presidente do PMDB, Michel Temer, e pelo líder de seu partido, Henrique Fontana, a não explicitar essa posição em público, para evitar um desgaste desnecessário. Ele aceitou o conselho. Episódios como esse revelam o tamanho do fosso que existe hoje entre as ações dos políticos e os desejos da sociedade.
Aldo Rebelo usa a mesma estratégia do rival. Sem coragem para defender publicamente o aumento, escala sua tropa de choque para fazer o serviço. Um dos coordenadores da campanha do comunista é Ciro Nogueira, do PP do Piauí e segundo vice-presidente da Câmara. Nogueira tem experiência em produzir embustes. Conhecido pela defesa do nepotismo – ele já teve doze parentes empregados na Câmara –, o deputado pepista foi um dos mentores da bem-sucedida campanha que elegeu Severino Cavalcanti, o ex-presidente da Câmara flagrado recebendo propina. (...) - Otávio Cabral
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Veja 5 - Disputa na Câmara I - O grupo que cobra ética e quem já pulou fora por causa de promessas oficiais

Na Vea desta semana:
O novo Congresso Nacional toma posse no próximo dia 1º de fevereiro. Os parlamentares que saem levarão consigo o fardo de ter participado daquela que foi considerada a pior legislatura da história, marcada por escândalos de toda ordem de grandeza, flagrantes de corrupção e pela descoberta da existência de uma horda de deputados movidos a dinheiro. (...) Um grupo de parlamentares resolveu insurgir-se contra essas práticas e lançou um candidato que se propõe a representar o resgate da imagem do Legislativo. É uma iniciativa importante mais pelo que ela simboliza do que pelo resultado imediato que pode vir a apresentar.

Os deputados do grupo pertencem a oito partidos, alguns de apoio ao governo, como o PMDB e o PT, o que afasta a pecha de grupelho oposicionista. (...) "A Câmara já chegou ao fundo do poço, mas a vitória de Arlindo ou de Aldo aprofundará a vassalagem, a servidão e o imobilismo do Legislativo", afirma o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), outro líder do movimento.
(...)O próprio grupo, porém, tem sido vítima das ações que tenta abolir. O deputado Walter Pinheiro, do PT baiano, era um dos mais contundentes críticos do atual cenário. Calou-se depois de ser sondado para ocupar o Ministério do Desenvolvimento Agrário. José Eduardo Cardozo, do PT de São Paulo, chegou a ser cogitado como o candidato alternativo, mas sumiu das reuniões do grupo depois de receber a promessa de presidir uma comissão na Câmara. Júlio Delgado, do PSB de Minas, também desertou, seduzido pela promessa de cargos federais. (...) - OC
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Veja 4 - A tecnologia como exercício da liberdade


Ok. Meu blog está hospedado na Veja, e eu escrevo na revista. Diria o que vai a seguir ainda que não fosse assim — e não estou nem aí se acreditam ou não: é uma sorte ter uma revista como esta. Na semana em que o país foi surpreendio pela censura ao YouTube, Veja traz na capa uma matéria sobre economia da informação e os avanços da tecnologia na área. Falou de ciência sem deixar de falar de política, de costumes, de sociedade, de democracia. Civilizou. É isso aí. Faz sentido que a revista seja tão amada por milhões de leitores. Faz sentido que alguns poucos militantes do ódio e do obscurantismo a detestem. Ou ela não seria o que é. Seguem trecho da reportagem e link:

As tecnologias refinadas, dizia Carl Sagan, funcionam como mágica. O iPhone, o telefone celular da Apple com acesso à internet e música de qualidade, é um exemplo. Passa-se o dedo levemente sobre a superfície da tela e as imagens deslizam na mesma direção como que impulsionadas por uma força invisível. Movam-se os dedos indicador e polegar como uma pinça que se abre sobre a tela e a imagem imediatamente é ampliada. O movimento contrário encolhe a imagem. Nenhuma peça se move. Nenhum botão ou interruptor suja a superfície lisa do aparelho. O que se enxerga do seu interior através da cobertura transparente são ícones feitos de luzes e cores. Cada um deles reage ao toque de uma maneira, produzindo os efeitos desejados do equipamento. A apresentação do iPhone na semana passada entroniza o americano Steve Jobs, de 51 anos, líder da Apple, como o Henry Ford do século XXI, o empreendedor que está criando não apenas as máquinas mais extraordinárias mas fazendo-o de modo que elas sejam acessíveis, se não às massas, a milhões de pessoas. Como Ford, Jobs não é uma usina de idéias julio-vernianas. Ele é um fazedor, um gestor com uma visão e com os meios de torná-la realidade, recrutando e mantendo a seu lado as pessoas certas – e, claro, no lugar certo, no tempo certo, com a remuneração certa... A idealização e a produção do iPhone geraram 200 novas patentes – mais que o dobro do que o Brasil registrou em todo o ano de 2005 nos Estados Unidos.
Chega a ser patético que, na semana em que o iPhone foi lançado, o Brasil rivalizava com o aparelho da Apple nas páginas de tecnologia dos jornais em todo o mundo. Nosso feito? Tentar tirar do ar o YouTube, um serviço de internet de alcance mundial que hospeda pequenos vídeos digitais colocados ali pelos próprios usuários. A idéia de um juiz brasileiro era impedir que fosse visto o vídeo em que uma modelo brasileira, Daniella Cicarelli, aparece em vias de fato com o namorado em uma praia da Espanha. O juiz mandou, com o perdão da expressão, cortar o mal pela raiz. Como não se conseguia impedir apenas a exibição do vídeo, a solução que ocorreu foi tirar do ar o site inteiro. O lançamento do iPhone e a tentativa de proibição do YouTube são símbolos de duas culturas, de dois ambientes antagônicos de negócios, de duas visões de mundo. Feliz o país cuja cultura, cujo ambiente de negócios e cuja visão de mundo produzem o iPhone e o YouTube. Pobre do país que proíbe o YouTube.
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Veja 3 – Armínio Fraga: somos viciados em Estado


Armínio Fraga, ex-presidente do BC (foto Oscar Cabral)
Por Giuliano Guandalini:
Faz parte da nossa cultura ibérica gostar do afago do Estado. Mas, como escreveu Eça de Queiroz, a mãe governo é pobre; como é pobre, paga pouco, e essa pobreza vai se perpetuando." Com essa constatação, o economista Armínio Fraga defende que os brasileiros cortem seus laços de dependência de favores, subsídios e esmolas do Estado. Só assim, segundo ele, serão livres para gerar riquezas e a economia perderá a apatia que já dura duas décadas. Fraga presidiu o Banco Central (BC) de 1999 a 2002, quando ajudou a escrever um capítulo decisivo da história econômica recente do país. À frente do BC, introduziu o sistema de metas de inflação e o câmbio flutuante, peças centrais da engrenagem que hoje permite ao Brasil amortecer as intempéries financeiras. Aos 49 anos, ele teme que o governo atual perca, neste início de segundo mandato e em meio a um momento raro de prosperidade mundial, sua última oportunidade para concluir a segunda geração de reformas – justamente a que, ao reduzir o tamanho do Estado, tornaria o país mais independente da "mãe governo". Atualmente, Fraga administra 2,8 bilhões de dólares no fundo Gávea de investimentos, empresa que abriu depois de deixar o governo.
Veja – O mundo vive a maior fase de prosperidade econômica em mais de trinta anos. Até quando o cenário externo soprará a favor?
Fraga – A incorporação de bilhões de novos consumidores ao mercado global com o despertar da China e da Índia é um evento auspicioso e histórico, capaz de sustentar por um bom tempo essa fase de expansão. Portanto, não vejo sérios riscos em um cenário mais amplo. Mas existem algumas nuvens no horizonte, sobretudo nos Estados Unidos, por causa do enorme déficit na balança comercial e da bolha de preços no mercado imobiliário. Uma eventual recessão americana teria repercussões em todo o mundo.
(...)
Veja – Apesar da bonança internacional, o PIB brasileiro tem avançado pouco. O governo Lula deverá anunciar um plano para acelerar seu crescimento – o PAC. Vai funcionar?
Fraga – Espero que sim. Mas, pelo que foi divulgado até o momento, acho que não. Crescimento duradouro requer melhora na educação, eficiência nos gastos públicos e mais investimentos. Em resumo, precisa ocorrer um ganho de produtividade e de competitividade. Não vejo o atual governo debruçando-se sobre as reais questões que estimulam os investimentos e levam ao desenvolvimento. Não se fala em reduzir o tamanho do Estado, que sufoca a iniciativa privada. Outro passo fundamental, também ignorado até agora, seria promover as reformas que aprimorariam o ambiente de negócios, como a tributária e a trabalhista. Sem isso podemos ter um ou outro ano bom, mas isso não pode ser confundido com desenvolvimento. (...)
Veja – Entidades empresariais e economistas ligados ao PT dizem que basta reduzir os juros e depreciar o câmbio para a economia decolar.
Fraga – Discordo. O crescimento não virá por decreto e os juros não cairão por vontade política. Essa proposta "desenvolvimentista" não faz sentido. Aliás, quem é contra o desenvolvimento? Essa corrente não se preocupa com as reais fontes do crescimento. É desejável, sim, que tenhamos juros mais baixos. Mas, se isso for feito de forma súbita e desancorada da realidade da economia, vamos crescer por alguns trimestres e depois virão a ressaca inflacionária e a recessão. Não dá para crescer sem poupar e investir. Não dá para crescer sem educar. Não dá para crescer com a economia desordenada.
(...)
Veja – O senhor já foi do governo. Por que é difícil transformar diagnósticos como esse em ações?
Fraga – Porque no governo não basta capacidade técnica. É preciso convencer a sociedade e, em particular, os políticos a tomar decisões difíceis e que muitas vezes não dão frutos a curto prazo. É preciso enfrentar interesses particulares que se contrapõem ao bem do país como um todo. Em política as coisas não são tão nítidas quanto no mercado financeiro. Há pressões de todos os lados. São pequenos grupos, às vezes não tão pequenos assim, que buscam defender os seus interesses de maneiras visíveis e invisíveis. É uma briga inglória. A maioria é silenciosa, ao passo que esses grupos esperneiam, fazem lobby, ganham espaço na mídia e com isso abocanham fatias do Orçamento e postergam reformas.
(...)
Veja – Quais seriam essas revoluções?
Fraga – Uma delas já começou a pegar, mas ainda de forma incipiente: a idéia de que é bom fazer parte do mundo. Hoje o brasileiro pensa em exportar e vê isso como oportunidade. A revolução mais urgente, no entanto, é cultural. Requer uma mudança de atitude em relação ao Estado. Os brasileiros e suas empresas precisam aprender a depender menos do governo. Ainda vejo essa mentalidade que é própria das raízes ibéricas, de esperar que a mãe governo cuide de todos os nossos problemas. Mas, como escreveu Eça de Queiroz, a mãe governo é pobre; como é pobre, paga pouco, e essa pobreza vai se perpetuando. O triste é que, ao que parece, estamos retrocedendo nesse item. A campanha eleitoral para o segundo turno, por exemplo, foi marcada pela crucificação das privatizações. A agenda de reformas liberais apanhou muito.
Veja – A que o senhor atribui esse retrocesso?
Fraga – A agenda liberal sempre apanha porque ela melhora a vida de muitos, de maneira difusa, e prejudica grupos organizados. Quem usa o celular deveria se lembrar de que só tem o aparelho graças às privatizações. O mesmo vale para a internet. Quantos pequenos negócios não foram viabilizados por causa dos celulares e da internet? Mas não tenho ilusões. Não acredito num modelo liberal radical para o Brasil, não combina muito com o que vejo por aí. O brasileiro gosta de Estado. É da nossa cultura, e eu mesmo não acho razoável pensar num Estado minimalista. Mas isso não quer dizer que alguns aspectos de uma agenda liberal não possam ser implementados. Deveríamos ter um governo mais enxuto e eficiente, com uma economia mais livre e mais bem regulada. Não dá para imaginar que o país vá crescer sem que essas questões sejam abordadas. A riqueza não brota da terra, mesmo quando brota da terra. Senão o petróleo resolveria os problemas sociais do Rio de Janeiro.
Assinante da Veja lê íntegra aqui

A inflação, o cretino desenvolvimentista e o cretino neoliberal

Serei rápido.
Todos os jornais trazem hoje em destaque a inflação que ficou em 3,1% no ano passado, mais baixa desde 1998
Muito bom!
Inflação de Primeiro Mundo com crescimento de Quarto.
- Um desenvolvimentista cretino veria nisso relação de causa e efeito.
- Um neoliberal cretino diria que uma coisa não tem nada a ver com a outra.
- Uma pessoa razoável diria que é preciso pensar essa correlação.

Veja 2 – E o que Deus tem a ver com isso?


O "apóstolo" Hernandes, no momento da prisão, ao lado dos dólares: até a Bíblia havia sido corrompida pelo vil metal - quer dizer, papel...
Por Marcelo Carneiro:
Habituados aos ares de Miami, onde têm casa, os líderes da Renascer, Sonia e Estevam Hernandes, estão passando uma temporada diferente nos Estados Unidos desta vez. No lugar de desfrutar o conforto de sua residência – comprada há seis anos por 465.000 dólares e localizada em um condomínio de luxo no bairro de Boca Raton –, a auto-intitulada bispa e o auto-nomeado apóstolo passaram a semana no Federal Detention Center, complexo prisional localizado no centro de Miami que abriga presos acusados de cometer delitos federais. O casal foi detido na madrugada da última terça-feira, vindo da primeira classe de um vôo que partiu de São Paulo. Acompanhados de dois filhos e três netos, traziam 56.000 dólares escondidos em uma mala, uma mochila, um porta-CDs e um exemplar da Bíblia. Foram detidos sob a acusação de ter cometido dois crimes: inserção de declaração falsa em documento público e lavagem de dinheiro (pela legislação americana, a entrada de quantias não declaradas no país é um dos delitos que caracterizam o crime). Por esse último crime, pagaram 100.000 dólares cada um de fiança. Foi o primeiro delito, no entanto, o da falsa notificação, que levou a dupla para trás das grades, sem direito a fiança.
Sonia e Hernandes estão em celas separadas. A bispa divide a sua com apenas uma presa, a quem cabe o andar de cima do beliche. Além da cama, há na cela uma pia e um vaso sanitário. Os chuveiros são coletivos. Ao acordar, Sonia recebe um café-da-manhã composto de cereais, mingau, café e suco. No almoço, é servida uma carne acompanhada de vegetais e, de sobremesa, frutas. O jantar repete o cardápio do almoço, acrescido de sopa. Durante o dia, os presos estão autorizados a circular por uma área livre do complexo. A bispa, assim como seu marido, é obrigada a usar o uniforme da prisão: calça comprida e camiseta na cor cáqui. O Federal Detention Center, um prédio de dezessete andares, abriga 1.500 presos, entre os quais um terrorista acusado de ter ligações com a Al Qaeda e membros mafiosos da família Gambino, uma das mais antigas dos Estados Unidos. Também já ficaram detidos lá integrantes do cartel de Cali, que comanda o narcotráfico na Colômbia.
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Líderes da Renascer vão a júri popular nos EUA

Por Vinícius Queiroz Galvão, na Folha desta sábado:
Estevam Hernandes Filho, 52, e Sonia Haddad Moraes Hernandes, 48, líderes da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, vão a júri popular federal, que decidirá na próxima semana se aceita ou não a denúncia pelas acusações de lavagem de dinheiro, contrabando de papel-moeda e depoimento falso à polícia.Se for aceito o indiciamento, o casal passará à condição de réu perante a Justiça norte-americana e irá a julgamento. A primeira audiência com a juíza Andrea M. Simonton está prevista para o dia 24 deste mês.O procedimento de júri popular para crimes de ofensa federal com pena superior a um ano é comum nos EUA e está previsto na Constituição. Só o contrabando de dinheiro prevê cinco anos de detenção."As pessoas têm direito a júri em quase todas as situações nos EUA", diz o advogado americano Joel Stewart, que atende a comunidade brasileira e o consulado do Brasil em Miami: "O fato de colocar um processo criminal em andamento contra o cidadão é extremamente importante, não pode ser deixado nas mãos da polícia, sem verificação da possibilidade de que o fato possa ter sido forjado".Entre seis e 12 jurados são convocados para decidir se aceitam ou não a denúncia, a depender da seriedade do caso.
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Veja 1 – Quem é contra a limpeza?

Na Veja desta semana:
Aprovada três meses atrás, a lei municipal que proíbe cartazes de propaganda nas ruas de São Paulo foi recebida com ceticismo. Medidas urbanísticas não costumam prosperar no Brasil caso contrariem interesses privados bem organizados. Desta vez, por enquanto, não está sendo assim. A lei entrou em vigor na virada do ano e, há duas semanas, a prefeitura iniciou a retirada das peças proibidas. "Foi uma rara vitória do interesse público sobre o privado, da ordem sobre a desordem, da estética sobre a feiúra, da limpeza sobre a sujeira", escreveu a respeito Roberto Pompeu de Toledo em sua coluna em VEJA. (...)
O projeto paulistano, chamado Cidade Limpa, prevê a eliminação nas próximas semanas de todo tipo de propaganda do espaço público – outdoors, faixas, painéis eletrônicos, banners – e redimensiona letreiros e totens dos estabelecimentos comerciais. "A medida é pra valer e nós não vamos recuar", diz o prefeito Gilberto Kassab. (...)
Nenhuma metrópole mundial está livre de conflitos entre o bem comum e os interesses comerciais. Isso não se resume a anúncios publicitários, mas também à restauração e à padronização da altura de prédios, de praças e espaços públicos. Não por coincidência, vive-se melhor onde há regras rígidas para o mobiliário urbano. (...)
Medidas drásticas como a adotada pela prefeitura de São Paulo costumam ter efeito multiplicador. Ao perceberem que há uma política de valorização do espaço público, a tendência é os cidadãos começarem a se identificar com o local onde vivem e se sentirem responsáveis pela preservação desse ambiente.
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Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

Enquete...

... no ar. Votem.

O Apedeuta e o Silogismo

Lula mandou um recadinho ao PT: não quer que Aldo Rebelo seja humilhado. Como é magnânimo este homem! Já escrevi aqui: De Gaulle afirmou que o primeiro dever do Estadista é a ingratidão. Lula é ingrato. Logo, Lula é um estadista.

Virgílio de volta à cena e problemas

Leiam trecho de reportagem da Folha On Line. Volto em seguida:

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), condenou a decisão do líder do partido na Câmara, deputado Jutahy Júnior (BA), de anunciar apoio da bancada à candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) à Presidência da Câmara. Segundo ele, a vitória de Chinaglia significa "a absolvição dos aloprados" e a "negação do mensalão".
Em nota, Virgílio afirma que irá pedir à Executiva nacional do PSDB uma reunião ampla, com a presença dos deputados e senadores e "das figuras mais representativas do partido", para reavaliar o apoio a Chinaglia.
O senador ainda declara apoio à reeleição do presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), e alerta que a eleição de Chinaglia significará a "reintrodução de Ricardo Berzoini ao comando do PT, a futura anistia de José Dirceu, a absolvição dos aloprados, a negação do mensalão e a absolvição dos sanguessugas".
Os escândalos citados pelo tucano envolveram petistas e partidos aliados ao governo, que hoje estão com Chinaglia, como PL, PP e PTB.

Eu concordo inteiramente com este Arthur Virgílio, não com outro, de há algumas semanas, que passeou no Aerolula e chegou a defender que FHC integrasse um conselho de ex-presidentes. A reação demonstra a que grau de descoordenação chegou o PSDB. Lendo as palavras acima, acredita-se num Virgílio a favor de uma candidatura independente, certo?
Nada! Ele defende Aldo Rebelo, como fica patente no segundo trecho da reportagem. Leiam e depois retomo:

O senador observou que, embora o assunto seja restrito à Câmara, "por suas implicações políticas transcende o âmbito das decisões da liderança daquela Casa".
"Todos devem ser ouvidos, a começar pelo presidente de honra, Fernando Henrique Cardoso", acrescenta.
"Se fosse deputado, votaria em Aldo Rebelo, com uma única exigência --a de pôr a instituição acima de tudo. E a quem quer que seja candidato, faço a advertência para não levar avante a proposta de aumento da remuneração parlamentar em nível incompatível com a realidade econômica, social e política do país", diz ele.

Bem-vindo, nesse caso, à sensatez de questionar o apoio a Chinaglia, mas também que não se veja em Aldo um antípoda daquilo que o petista representa. Infelizmente, não é verdade. Lembro que a eleição de Aldo Rebelo custou R$ 1,5 bilhão em liberação de verbas do Orçamento para a dita base aliada. O erro do PSDB vem de longe. E Virgílio é parte dele. Tanto é que o apoio dos tucanos a Agripino Maia (PFL-RN) no Senado é mais retórico do que real.
Ok. Arthur Virgílio de volta à cena com palavras fortes. Mas não há como negar que ele também andou um tanto zonzo ultimamente, não é mesmo? O segredo de aborrecer é dizer tudo. Está dito. Infelizmente, com raras exceções, os tucanos hoje batem boca porque acham as seus respectivos motivos para aderir são melhores do que os dos outros. Crise instalada.

Dissidentes tucanos querem Fruet como candidato da Terceira Via

Por Expedito Filho, no Estadão On Line:

A eventual retirada do apoio do PSDB ao candidato Arlindo Chinaglia (PT) passou a ser a principal esperança dos parlamentares de oposição que defendem a chamada terceira via. Cerca de 20 deputados tucanos decidiram criar uma dissidência e, na próxima terça-feira, vão discutir o lançamento da candidatura do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).
Formada por deputados que defendem a moralização da Câmara, com reestruturação do Conselho de Ética, redução de medidas provisória e o fim de aumentos salariais absurdos para parlamentares, o grupo tem ainda como possíveis candidatos para o posto máximo da Câmara os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Luiza Erundina (PSB-SP).
Embora estejam em sintonia com a voz rouca das ruas, a terceira via tende mais a marcar posição de protesto do que ameaçar a vitória dos candidatos governistas na disputa da Câmara. Além de não contarem com o apoio integral do PSDB, o movimento moralizador não conseguiu convencer o PFL a integrar suas fileiras.

Sobrinhos

Como diria Lecy Brandão (hehe), “Alô, pessoal da comunidade!”

É perfeitamente possível escrever comentários contundentes sem palavrões, trocadilhos de mau gosto ou acusações que podem render processos. Quem recorre a um desses expedientes perde o seu tempo, toma o meu, obrigado a excluí-los, e nada acontece. Pior: muitos vêm sem identificação, como “Anônimo” - vale dizer: nem mesmo estão escrevendo para me dar ciência do que pensam.
Quanto às dúvidas existenciais de outros tantos, que chegam na forma de desafio, se publico elogios a Lula e ao governo... Huuummm. Se tiverem apenas os pés no chão, mas não as mãos (para lembrar o Ivan Lessa citado pelo Diogo), a resposta é “sim”. Mas é proibido, por exemplo, justificar criminosos aqui, se é que me entendem. O famoso “fizemos o que todo mundo sempre fez” não passa.
Colaborem com o Tio Rei, acionando sempre a tecla do bom senso (xiii, hehe). Ah, sim, há uns idiotas que não se conformam com esse negócio de “Tio Rei”. Nem sei como começou. Acho que, certa feita, achando que estava sendo aborrecidamente didático, referi-me a mim mesmo assim, e a brincadeira pegou. “E ainda quer parecer sério”, me diz um que escreve todo dia para ser chutado todo dia. Pois é. Para ter aula sobre Schopenhauer, é mais caro, bobão. Não ignoro que, entre os blogs políticos, sou o que escreve textos mais longos, sem jamais deixar de lado a teoria política, gostem ou não, considerem ou não as minhas formulações corretas ou adequadas.
Um blog é uma espécie de correspondência pessoal. No caso, este trata de política e até de um pouco de afeto. A petralhada costuma fazer ilações de natureza sexual com o “Tio Rei”. Vai ver é gente que ficava excitada lendo o Pato Donald... Aliás, a minha estréia universitária como “crítico da cultura” (ufa!) foi descascando (ops!) dois rematados idiotas: Ariel Dorfman e Armand Mattelart do Para Ler o Pato Donald. E olhem que eu ainda era esquerdista... Lukács é muito melhor. Quer dizer, muito pior...
Sem essa petralhas, larguem do meu pé.

FHC, uma nota, a crise, um partido sem comando

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou uma nota em que contesta o anunciado apoio do PSDB à candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. Não há como negar: trata-se, evidentemente, de uma crise. Aliás, convenha-se: ela decorre do fato de não haver, na prática, um presidente no partido. Já deixei clara a minha opinião: acho que o nome é FHC. Se não quer assumir a parte burocrática, executiva, da tarefa, que escolha um grupo. Mas que ele seja o norte político. O risco de não faze-lo é a balcanização da legenda, conforme estamos vendo.

Há uma nota de um nome graúdo do partido contra o entendimento, mas ninguém para defender publicamente o acordo. A figura de maior expressão que deu cara ao apoio foi o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Jr. (PSDB-BA). O que começou torto continua torto. Leia íntegra da nota:

A respeito do apoio precipitado à candidatura do deputado Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara de Deputados tenho a dizer que:
1. Quando estava em férias em Natal, Maceió, fui informado pelo deputado Aldo Rabelo de sua disposição de se candidatar à presidência da Câmara. Respondi que, se ele se mantivesse candidato, não veria como o PSDB pudesse votar no candidato do PT.
2. Havendo uma cisão na base governista, à qual, pela lógica política, caberia a Presidência da Câmara, abrir-se-ia, uma alternativa para a oposição. Aliás, mais de uma, penso, pois o anúncio posterior de eventual candidato de outros agrupamentos oposicionistas amplia o espaço para um diálogo político mais conseqüente na linha da independência do Congresso nas questões institucionais e do não comprometimento com as tantas "pizzas" do passado recente.
3. Dei ciência ao governador de São Paulo e ao líder do partido na Câmara da conversa que mantivera com o deputado Aldo Rabelo, à qual esteve presente também o governador de Alagoas, Teotônio Vilela. Por isso, me surpreendeu a decisão, que considero precipitada, assegurar ao PT os votos do PSDB, sem discussão política mais profunda sobre as implicações e conseqüências do gesto. Ainda há tempo para as lideranças pensarem na opinião pública e nos milhões de brasileiros que esperam do PSDB uma posição construtiva, mas oposicionista, para que possamos manter a esperança de dias melhores.
Fernando Henrique Cardoso

Enquete

Sempre que eu tenho uma dúvida grave, apelo às massas. Sou assim mesmo, igual ao Hugo Chávez do Zé Dirceu. E transformo minhas dúvidas em enquetes. Daqui a pouco, vocês serão chamados a opinar. A questão será a que segue:

Depois do apoio do PSDB ao PT na disputa pela Presidência da Câmara, que outros antípodas você espera ver de braços dados?

( ) O Coiote e o Papa-Léguas
( ) Scooby Doo e o fantasma do armário
( ) Homer Simpson e o Sr. Burns
( ) Malvina Cruela e os dálmatas
( ) Bob Esponja e o Plâncton

Não parece coisa séria? Sei. Sérios são Arlindo Chinaglia e Zé Dirceu.

Dirceu explica Chávez. Tremei, penhas!

Leiam com cuido o que segue em azul. Depois eu volto:

Sobre as medidas anunciadas pelo presidente Hugo Chávez na sua posse, dando seqüência à nacionalização, com indenização, das empresas de telecomunicações e energia, não devemos ter nenhuma dúvida: na Venezuela o processo político se aprofunda, muda de qualidade e, mais do que isso, inicia uma nova fase.
Sem entrar no mérito, porque isso exige uma análise com mais informações e com mais tempo, fica claro que o presidente e a direção do processo político venezuelano optaram por avançar rumo à permanência de Chávez no poder (permitindo a reeleição permanente), expandir a presença do Estado na economia (além das telecomunicações e da energia elétrica, também o gás será nacionalizado), introduzir o conceito de propriedade coletiva, extinguir a autonomia do Banco Central e colocar limites à atuação da iniciativa privada nas áreas da educação e saúde.
O governo solicitará – e conseguirá, já que tem maioria no Parlamento, porque a oposição boicotou as eleições de dezembro de 2005 – poderes para governar em determinadas matérias por decreto, a chamada Lei Habilitadora. Tudo será submetido a referendo, segundo o próprio presidente.
É bom lembrar que Hugo Chávez foi eleito, venceu uma Constituinte e um referendo sobre seu mandato e foi reeleito no ano passado com uma grande votação. Também vale o registro que a oposição, quase toda, apelou para um golpe de Estado ilegal, imoral e inconstitucional – e fracassou, graças o apoio do povo venezuelano e de parte importante das Forças Armadas do país. Já nas últimas eleições, por outro lado, aceitou as regras do jogo e reconheceu a reeleição de Chávez sem problemas, o que foi uma novidade importante.
Não se trata apenas da nacionalização de setores estratégicos da economia da Venezuela, mais sim de uma nova fase do processo político venezuelano, com novas e tensas agendas. Como reagirão as classes sociais e os interesses econômicos afetados e a própria comunidade internacional é a primeira questão, ainda mais porque há setores francamente contrários à nacionalização. A segunda é como se organizará o processo de mobilização social e política que apóia o presidente Chávez. A terceira é saber como reagirá a oposição, que, como se sabe, reorganizou-se para a disputa política institucional.
Do ponto de vista interno, fica uma indagação principal: quais impactos terão essas medidas no já vigoroso crescimento da economia venezuelana, dependente do petróleo, e principalmente no combate à pobreza e desigualdade social, tão profundas lá como cá?

Voltei
Sabem quem escreveu o que vai acima? José Dirceu, aquele consultor de empresas da iniciativa privada... O titereiro da candidatura no Arlindo Chinaglia. Olhem que mimo. O homem reconhece que Chávez se organiza para se perpetuar no poder, faz um elenco de suas medidas antimercado, diz que não vai entrar no mérito – ah, por que não? – e atribui a responsabilidade pelo conjunto da obra às oposições: golpistas, imorais etc. Mais ainda: lembra que todas as mudanças operadas pelo venezuelano se deram por meio de referendos e plebiscitos. Logo, são democráticas, certo? Encerra chamando a atenção para o vigoroso crescimento da economia Venezuela – que, como se sabe, é praticamente uma monocultura e se sustenta hoje na alta do preço do petróleo.

Aquele que volta ao centro da cena do petismo não disfarça, não esconde, não edulcora a sua simpatia pelo ditador. Aliás, convenha-se: muitas acusações podem ser feitas a José Dirceu, mas que se reconheça: ele nunca fingiu ser um democrata. Nem ele nem muitas outras lideranças do PT. Cai na conversa dele quem quer ou, pior, quem concorda.

Freio de arrumação

De vez em quando, aquele freio de arrumação com leitores. Vamos lá:

TUCANOS NÃO TE DÃO BOLA Petistas em festa mandam mensagens supostamente desaforadas: “KKK, os tucanos não te dão bola, idiota”. Ué, mas é de hoje? Faz tempo que eles não me dão bola. Se dessem, Lula estaria curtindo a sua segunda aposentadoria em São Bernardo. Isso na hipótese mais benigna para ele. É isto mesmo: não só não dão bola como costumam fazer o contrário do que recomendo. Por isso o PT caminha para oito anos de poder, ré, rá, rá. Ah, sim: risada eu reproduzo como “rá, rá, rá”, e não “kkk”...E um riso discreto, quase melancólico, é só “hehe”. Vejam vocês: os petistas estão começando a achar que eu, de fato, não sou tucano... Ou estaríamos todos do mesmo lado agora, certo? Do trotskismo, à parte os livros, que nunca são demais, só me restou um lema, com o qual enchíamos o saco do Partidão: “Se estamos todos juntos, contra quem vamos lutar?” Não estamos todos juntos. Hehe.

JUNGMANN – Não tenho receio de queimar a língua? Não com o que sei. Não tomo posição com base no que eu não sei. Sei, por exemplo, que a doutora Raquel Branquinho acusou, em 2003, o senador Jorge Bornhausen de ter lavado modestos US$ 5 bilhões no exterior. É preciso não saber o que são US$ 5 bilhões para considerar que um só homem pode fazê-lo. A acusação era assinada em conjunto com o sr. Luiz Francisco – lembram-se dele? O Torquemada da moralidade pública? O Savanarola dos bons costumes? Não deu em nada. Bornhausen não havia lavado US$ 5 bilhões.
E se Jungmann tiver feito algo que desconheço? Com a devida vênia, eis uma dúvida que pode ser posta a respeito de qualquer pessoa. Por enquanto, o que sei é que ele não fez nada de irregular e que José Dirceu, o PT e um qualquer do PL estão aplaudindo a acusação.

ESTÁ TUDO PERDIDO? Tudo o quê? A luta política não termina com a eleição da Mesa da Câmara. A acomodação de PSDB e PT não implica, necessariamente, a cessação de todas as tensões. Os oposicionistas terão chance de nos dizer se há algo de mais profundo nesse acordo. Sim, há quem, no PSDB e no PT, sonhe com uma espécie de aliança, que isolaria a “direita” brasileira, supostamente representada pelo PFL. Trata-se de um delírio. Contem com o próprio PT para detonar essa perspectiva. Esmagaram o sabujo Aldo Rebelo (PC do B-SP). Por que não fariam o mesmo com qualquer tucano? No caso de São Paulo, é preciso considerar que Gilberto Kassab, figura importante no PFL nacional, é aliado para valer de Serra.

SÓ HÁ ÉTICOS CONTRA CHINAGLIA? Ora, é claro que não. Há reputações as mais duvidosas dos dois lados. Ou dos três: também entre aqueles da chamada Terceira Via. Política não é obra de santos. Nada no mundo é, a não ser a vida dos santos. A questão de fundo diz menos respeito a trajetórias individuais sem mácula do que ao horizonte político da força hegemônica no país. E a hegemonia está com o PT. E o que o PT quer, entendo eu, não é bom para a democracia. Fechado numa sala com qualquer dos três grupo, e bom estar com a mão na carteira. A questão não é de polícia, mas de Estado policial.

O "aecismo" está bravo comigo. Lamento!

Não sei se é ou não coisa organizada, mas recebo dezenas de mensagens de, como chamarei?, “aecistas” me esculhambando, dizendo que estou perseguido o governador de Minas e defendendo a candidatura de Serra à Presidência. É mesmo? Leram direito o que escrevi sobre o apoio do PSDB a Chinaglia, por exemplo? Não persigo nem ele nem ninguém. Mas que não acho de bom tom costurar o acordo que foi costurado — e Aécio foi um dos protagonistas — e viajar em seguida, ah, isso não acho mesmo. Como também não me parece próprio ausentar-se do Estado com a avalanche de lama que invadiu uma cidade mineira, num desastre ambiental e social de proporções gigantescas e inéditas no Estado.

É claro que não espero ver o governador com a pá na mão, tirando lama das casas. Isso é demagogia. Mas a presença no local do acidente, ah, isso é desejável, sim. Tem de estar lá. No mínimo, aquela barragem que rompeu contava com uma licença pública, fornecida pelo Estado. Em 1997, o então governador, Eduardo Azeredo, viajou em férias para a Europa e deixou Minas entregue às chuvas, que mataram 79 pessoas. Na volta, declarou: “É importante que o Brasil entenda que existem estruturas de governo que têm funcionado e que não existem super-homens". Como sabem, o brasileiro é um povo muito sentimental. Não entende razões de Estado. Acho importante que o Brasil entenda que o homem público tem de estar onde o problema está.

Também pegaram no meu pé porque reproduzi notícia da Folha On Line informando que o advogado Maurício de Oliveira Campos Júnior, secretário de Defesa Social de Minas, era advogado de pessoas envolvidas com o valerioduto e de outras acusadas de pertencer ao grupo de Fernandinho Beira-Mar. Informei, não critiquei. Todo mundo tem direito a um advogado. Ainda bem. Um criminalista não se confunde com a causa do seu cliente, também sei disso. Se não há nada demais nisso, não haverá em noticiar o fato, certo?

Mas também é fato que um advogado pode rejeitar causas se quiser. Ser advogado de quem quer que seja não compromete ninguém. Tanto é assim que, se o indivíduo não tem um constituído, o Estado indica. É bom que assim seja! O mundo do direito está inserido na democracia, mas não é toda a democracia. Do ponto de vista político, a proximidade pode trazer algum incômodo. Afinal, convenha-se: o establishment mineiro se tornou próximo demais daquele senhor que se diz publicitário. De A a Z, certamente há dezenas de outros mineiros capazes de fazer um bom trabalho na secretaria de Defesa Social.

Podem mandar mensagem à vontade. Eu as publicarei, desde que respeitadas certas regras. Se for só para me ofender ou para me atribuir intenções que não tenho, aí não publico mesmo. Façam um blog para vocês. O bom da sociedade que ainda não foi corrompida ou seqüestrada pelo petismo é que todo mundo tem direito a uma opinião. Mais do que isso: pode torná-la pública se quiser. E de graça.

Ilusões tucanas e o apparatchik

Há uma ilusão — também teórica — subjacente ao acordo PSDB-PT: a de que a história ficará congelada pelos próximos quatro anos. Assim, quanto menos mudança houvesse no statu quo, melhor. Os atores que hoje guardam posições para o embate de 2010 chegariam incólumes até o ano da eleição, e o embate seria apenas interno. Nos três anos que se seguem, os alinhamentos políticos não obedeceriam à lógica dos partidos, mas de visões de mundo. Os críticos da política econômica do PSDB, por exemplo, teriam mais semelhanças com seus congêneres do PT.

Supõe-se, nesse caso, que haja idéias e homens fora do lugar. Lula, nesse contexto, seria uma espécie de dado da realidade, que iria ficando de plantão, até que se chegasse ao embate que realmente interessa. Compreendo a hipótese, mas discordo. Para que ela fizesse sentido, forçoso seria que o PT não tivesse um projeto de poder. E tem. Mais do que projeto: tem o poder, de que a Presidência da República — atenção! — nem é a expressão mais importante.

Acho razoável que o apparatchik petista, inclusive o seu braço na mídia, esteja aplaudido o evento como uma grande e formidável novidade. Se eu fosse petista, faria isso também. É a maior vitória do PT desde que chegou ao poder e uma das maiores de sua história. Chama a atenção o fato de que, por contraste, nada se diga entre os tucanos. O site do PSDB, por exemplo, reproduz um belo editorial do Estadão: “O governo sumiu ou é isso aí?” É isso aí. E os tucanos devem achar bom, não é mesmo?

No site do PT, ó escândalo!, o acordo com o PSDB é noticiado de forma envergonhada — é, os petistas não querem ser confundidos, entendem? Petistas que são, noticiam com certo júbilo a acusação contra o arquiinimigo Raul Jungmann e antepõem ao título uma rubrica: “GESTÃO TUCANA”.

Bem, lamento: a história não vai parar enquanto o PSDB ajeita a meia na entrada da área defensiva.

Gip-Gip Nheco-Nheco

O mais encantador do acordo PSDB-PT é prestar atenção aos argumentos do suposto realismo político. Há uma verdadeira escolástica firmada sobre os entendimentos entre a corda e o pescoço. Política é mesmo a arte do possível. No Brasil tão bem retratado por Ivan Lessa em Gip-Gip Nheco-Nheco (ver nota sobre o Podcast do Diogo), quase sempre é o contrário...

República Soviética Petista

Alguém tinha alguma dúvida? Se tinha, a resposta está aqui. Leiam:

"O Raul Jungmann matou a terceira via. Ele era o porta-voz da terceira via e agora não tem mais como defender a alternativa do grupo ético", disse o líder do PL na Câmara, deputado Luciano Castro (SP)"É preciso deixar claro que Jungmann nunca deu o direito de defesa a ninguém. Pelo contrário, prejulgou e linchou todos os investigados no caso dos sanguessugas e em outras denúncias, como se fosse um Torquemadade plantão", escreve José Dirceu em seu blog.

Pronto! Viram aí? Castro é do PL, aquele antro moral para o qual Marcos Valério diz ter repassado, em espécie, R$ 10,8 milhÕes. Valdemar Costa Neto, o moralista-chefe, negou indignado. “Foram apenas R$ 6,5 milhões”, garante. E Dirceu é quem é, além de chefe de Arlindo Chinaglia, o Cavalo de Tróia de sua tentativa de volta triunfal à cena política. Hoje é Jungmann. Amanhã será os que fazem acordo com José Dirceu.

É a República Soviética Petista.

Um exercício

O texto abaixo só faz sentido se lido até o fim:

O mundo é de quem pode conquistá-lo, não de quem sonha fazê-lo. A frase, com alguma adaptação da memória, é de Fernando Pessoa e deveria servir de divisa do realismo político, coisa em que o Brasil é ruim para chuchu. Entre nós, incompetência passa por utopia; desarticulação é oferecida como alternativa política; visão de curto prazo costuma ser confundida com tática.

O que querem os defensores da chamara Terceira Via? Não é justamente a independência entre os Poderes, já que tão pomposamente apelam a Montesquieu para ocultar a falta de proposta política de sua postulação? Pois o Legislativo é independente quando consagra, e transforma em prática, o princípio da proporcionalidade. Que mal pode nos advir de seguir o que se faz nas democracias consolidadas? Fiquemos no exemplo mais evidente, o dos EUA: não se tinha a menor dúvida sobre que partido presidiria a Câmara e o Senado tão logo se conheceu o resultado das urnas.

O PT, é verdade, em passado remoto e recente, prática que se espalhou em Assembléias Legislativas, foi useiro e vezeiro em dar um peteleco na proporcionalidade e se lançar na disputa. Mas é o modelo petista de oposição o que se espera dos partidos que hoje não formam a base de apoio a Lula? Não é justamente a diferença o que se cobra? Não custa lembrar que o petismo que mereceu o voto de milhões de brasileiros é aquele que renegou suas bandeiras históricas, aquele que renunciou a si mesmo. O PSDB não mudou. Está onde sempre esteve. Quem procura um lugar na política é o PT. Acabará aderindo a uma agenda social-democrata? Tanto melhor se o fizer.

A oposição está honrando os milhões de votos que recebeu nas urnas, sim, senhores! Os eleitores fizeram do PSDB o terceiro partido da Câmara para que ele participasse dos mecanismos decisórios; para que não ficasse alijado da Mesa; para que pudesse, com a força da representação, fazer valer a voz daqueles que se opõem ao PT e ao governo do presidente Lula. Os tucanos não conquistaram a confiança de 40 milhões de eleitores para ser um partido marginal no Parlamento, para se comportar como uma força que nega a política.

Ninguém, que eu saiba, abriu mão de sua convicção. Mas foi necessário atuar com responsabilidade. São hoje os propagandistas da Terceira Via que dizem: “Aldo ou Arlindo, o resulto é o mesmo; tanto faz”. Sendo isso verdadeiro, é o pragmatismo – útil à voz das oposições – que aponta o óbvio: a forma que o PSDB tem de fazer valer o peso de sua bancada e a esperança que nele depositaram milhões de eleitores é avançar nos espaços institucionais em que se pode e se deve fazer política: o próprio Parlamento e as Assembléias Legislativas. Entre o pragmatismo que serve ao avanço da democracia e supostos princípios ventilados de forma estridente, é óbvio que o PSDB fez a escolha certa: é aquela que lhe garante o justo lugar na Mesa da Câmara e que lhe permite encaminhar acordos regionais no melhor interesse dos eleitores – e jamais contra eles.

Manifestação de subserviência ao Executivo seria, por outra, deixar que a oposição ao governo Lula tisnasse as regras da convivência no Poder Legislativo. Manifestação de subserviência – e subserviência do pior tipo, porque rancorosa, ressentida – seria ser banido dos mecanismos decisórios da Casa, numa admissão implícita, porém evidente, de que a política é, por natureza, uma coisa suja, deixando que apenas os governistas ocupassem os espaços institucionais que também pertencem à oposição. E pertencem por direito. Direito adquirido nas urnas.

O que estão querendo provar? Que o melhor acordo possível é ruim porque não é aquele eventualmente do agrado dos que ambicionam ter o comando do Parlamento mesmo sem terem vencido eleições para tanto? Não custa evocar aqui o famoso par de que trata Maquiavel em O Príncipe, a Virtù e a Fortuna. Ora, não há um modo de proceder único, alerta-nos o florentino. Não existe um modelo cristalizado a moldar os homens e as gerações. Há na história, lembrava o autor, os que alcançaram o sucesso usando sempre o ímpeto, e os que haviam chegado ao mesmo lugar apelando somente à prudência. E também é fato que se danaram muitos prudentes e muitos impetuosos. Vale dizer: além das características eventualmente pessoais do político, há as circunstâncias. Acomodar a ação às condições históricas é um ato de sabedoria, e não o contrário. É o que faz o PSDB. Ainda que certa crônica política, tomada de tentações finalistas, esperasse dos tucanos que, não podendo casar o melhor dos mundos da Fortuna e da Virtù, ignorasse a primeira ou tentasse mudá-la a unha.

Ademais, o desafio que milhões de eleitores fizeram ao PSDB é praticar governos virtuosos nos Estados, que possam servir de modelo e de referência para o país. Isso tem um alcance eleitoral, que chega a 2010? É claro que sim. A menos que se cassem os direitos políticos de líderes da oposição que são candidatos naturais à sucessão do presidente Lula. Mas também aqui o desafio não é simples. Quanto mais o PT se integra à rotina da vida democrática, mais se torna refém de seu excesso de más idéias pretéritas e de sua absoluta falta de idéias sobre o futuro. O resultado desse conflito tem sido um governo de um conservadorismo intelectualmente modesto, sem imaginação, que condena o país a um crescimento medíocre, conforme se tem visto à farta. Não é um governo dos pobres, mas do pobrismo.

Ao se ler certa crítica, no entanto, fica-se com a impressão de que o PSDB aderiu ao governo Lula, decidindo ser sua terceira força de apoio, atrás apenas do PMDB e do próprio PT. Até onde se percebe, as divergências são muitas e evidentes. Os tucanos tão-somente acataram um princípio vigente nos Parlamentos da maioria das democracias do mundo. Se a proporcionalidade, no entanto, não parece ser um argumento forte ou eficiente, que se considere o dado politicamente mais relevante: o partido recebeu um mandado – e um mandato – dos eleitores para participar do jogo político democrático, não para apenas denunciá-lo.

A luta que se anuncia é de longo prazo. Nos primeiros 18 meses, será praticamente impossível encontrar eco na sociedade para uma atuação de oposição mais agressiva. A política só voltará a dividir posições e a reunir seus protagonistas para a batalha quando voltar a viver o clima de disputa eleitoral, em 2008. Até lá, há uma agenda que não é exatamente do interesse do PSDB ou do PT, mas do país.

O jornalista H. L. Mencken dizia que o pior governo é também o mais moralista. Talvez se possa dizer o mesmo de certos “principistas” que acabam criminalizando a ação política.

*

Leitor,
o que vai acima é o texto que eu escreveria caso defendesse o apoio de setores do PSDB ao PT. Mas eu não acredito em uma vírgula do que vai ali. Fui eu que escrevi, mas não é de minha autoria. Eu o fiz só para provar que é possível fazer uma defesa política do acordo PSDB-PT, trabalho a que os tucanos nem mesmo se deram. Não se preocuparam em convencer seus eleitores. É como se a decisão não lhes dissesse respeito. Parece que Aécio Neves até saiu de férias.

Como vêem, dá até para evocar, entre outros, algum Maquiavel. E não acredito na análise acima (e em outras piores e melhores do que esta, mas de igual teor) porque se trata de uma resposta convencional de um partido convencional a um adversário idem. Ocorre que o PT é tudo, menos adepto do convencionalismo.

Ao contrário. Nos quatro anos à frente do governo, tentou mudar a natureza das instituições, mobilizou-se para comprar o Congresso e organizou um grupo de aloprados para dar um golpe nas eleições, isso para ficar nos crimes mais evidentes e de maior repercussão. Estamos lidando com um partido gramsciano (Chávez citou Gramsci em sua posse), o que as oposições se negam a ver – uns por teimosia, outros por falta de informação -, que não aceita os limites do Estado democrático de direito.

Considero ainda que boa parte dos setores formadores de opinião que apostaram nas oposições experimenta uma sensação de grande frustração. Estes altos desígnios da representação política tornaram-se uma forma de conforto. É como se soprassem aos ouvidos dos líderes um mau conselho: “Esqueçam. O jogo do Parlamento é muito complexo para ser submetido ao escrutínio do homem comum”. Trata-se de um erro terrível.

O que me parece é que os tucanos, na hipótese de Chinaglia se sagrar vencedor, serão sócios de todo o passivo do petismo, sem, no entanto, se tornar parceiros de alguns de seus “sucessos”. Explico-me: boa parte do eleitorado de classe média (urbano e mais crítico) repudiou as práticas petistas e lastima essa proximidade. Já os esquerdistas e filoesquerdistas e os beneficiários das prebendas sociais jamais migrarão para as fileiras tucanas. O PSDB perde o que tem para continuar sem aquilo que já não tem.

Isso é o que eu realmente acho. Mas saberia justificar o acordo com mais argumentos do que os que ele mereceu. Na verdade, o mais gritante de tudo foi o silêncio.

Há sete meses...

Escrevi em 24 de junho do ano passado, há sete meses, quatro antes das eleições de outubro. Era o dia de estréia deste blog:

O PT continua a ser o que sempre foi. Apenas incorporou o cinismo em seu discurso oficial. José Dirceu, por exemplo, continua a se mover, mais poderoso do que antes, porque agora ninguém lhe dá bola, o que é ótimo no seu ramo. O partido está e continuará incrustado nas estatais, nos Três Poderes da República, nos fundos de pensão e nas festinhas de aniversário. Lula é apenas uma personalização midiática do Moderno Príncipe. (...) Nessa marcha, [as oposições] serão engolidas pelo PT. Uma prova a mais de estupidez, de falta de clareza, de falta de método.”

Acordos PSDB-PT não se restringiram a SP e MG

Por João Domingos e Silvia Amorim, no Estadão desta sexta:
Os arranjos locais com a participação de Chinaglia e do PT ocorreram por toda parte. Em São Paulo, os petistas acenaram com a possibilidade de dar 20 votos ao tucano Vaz de Lima, candidato à presidência da Assembléia. Em troca, pediram o apoio a Chinaglia e fecharam acordo para ter a primeira secretaria da Mesa Diretora. Na Bahia, onde PT e PSDB são aliados contra Antonio Carlos Magalhães (PFL), o governador Jaques Wagner (PT) decidiu apoiar Marcelo Nilo (PSDB), da confiança do líder tucano Jutahy Júnior, à presidência da Assembléia. O líder quis desvincular os movimentos. “A decisão de apoiar a candidatura de Chinaglia não tem nada a ver com a questão da Bahia, porque há mais de três meses o governador Wagner tinha se decidido pelo PSDB, faltando apenas o nome. E ontem à tarde foi decidido que será Marcelo Nilo, realmente muito ligado a mim”, disse Jutahy. Por coincidência, ontem Jutahy divulgou o resultado da consulta que fez e que indicou a preferência do PSDB por Chinaglia. Também no Ceará houve negociações entre tucanos e petistas. Tanto é que o governador Cid Gomes (PSB), aliado do PT, pôs no seu secretariado três representantes do PSDB, um deles, o deputado Bismarck Maia, da confiança do senador Tasso Jereissati, presidente da legenda. Em Minas, o governador tucano Aécio Neves orientou o PSDB a respeitar a proporcionalidade partidária, o que fortaleceu Chinaglia. Em Sergipe, o governador Marcelo Déda (PT) fez aliança com os tucanos para combater os partidários de João Alves (PFL).
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O eixo SP-MG-BA do acordão

Por Expedito Filho, no Estadão desta sexta:
O inusitado apoio do PSDB a Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara foi articulado pelo governador de São Paulo, José Serra, com a cumplicidade do de Minas, Aécio Neves. Em contrapartida a essa manobra, Serra não teria dificuldade de fazer o presidente da Assembléia Legislativa paulista. E Aécio levaria a vice-presidência da Câmara, indicando Nárcio Arruda (PSDB-MG). O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), não ficaria de fora do acordão. Ele contou com o apoio do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), para indicar um tucano para a presidência da Assembléia baiana.Tudo isso foi costurado sem o conhecimento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). Fernando Henrique soube do acordo pelo presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Até então , ele estava em campanha para reeleger Aldo Rebelo (PC do B-SP) presidente da Câmara, na linha do ruim com ele, pior sem ele. (...)
Serra e Aécio também já perceberam que a era FHC chegou ao fim e é hora de iniciar um movimento à esquerda, ainda que signifique uma reaproximação com o PT de Lula. Isso irrita Fernando Henrique, que considera a jogada precipitada e pouco inteligente. (...)
Até ontem de manhã, Jutahy ainda acenava ao líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), com a possibilidade de apoiar Aldo no caso de o governo continuar com dois candidatos.
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Alckmin: “O governo vai mal. E a oposição também”

Na Folha desta sexta:
Deixando evidente a disposição de concorrer à presidência do PSDB, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin fez ontem críticas à atuação da oposição no segundo mandato do governo Lula.Reclamando da paralisia do governo diante da disputa pela presidência da Câmara, Alckmin disse que "o governo vai mal. E a oposição também"."Chamo atenção para isso. É preocupante. Se o governo vai mal, a oposição precisa ir bem. Precisa ter alternativa", afirmou Alckmin em palestra organizada pela Divisão de Clínica Urológica do Hospital das Clínicas, dirigida pelo professor Miguel Srougi. A fala ocorreu após Alckmin ser provocado por Srougi sobre seu candidato à Presidência em 2010. Candidato derrotado no ano passado, o tucano não respondeu.Durante a palestra, Alckmin insistiu para que a oposição adote uma atitude mais vigorosa num momento em que o presidente, reeleito com o slogan "deixe o homem trabalhar", "pendura as chuteiras antes de começar a partida"."Quem perde a eleição é oposição. É tão patriótico ser oposição como ser governo, e a oposição precisa cumprir esse papel. Oposição corajosa, firme, audaciosa", pregou.
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Irmão de Lula vira peça do marketing presidencial

Só não vou afirmar que o tal Germano, irmão de Lula, foi plantado pela equipe do marketing presidencial porque o Apedeuta deixou o rapaz esperando por oito horas. Isso não se faz nem com irmão... Lula está muito desocupado para poder ser mais rápido... O rapaz foi pedir um emprego bacana. O petista disse que não pode dar porque é nepotismo. Boa, Germano! Cobre pela informação. Ou se filie ao PT, rapaz. E tudo estará resolvido.
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Por Flávia Marreiro, na Folha desta sexta:
Após oito horas de espera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, anteontem, por 30 minutos, seu irmão Germano, 41, e seu sobrinho Nathan, 10, no Forte dos Andradas, no Guarujá, onde passa férias.Mas o principal pedido do irmão -"um emprego digno", de preferência com estabilidade-, não foi atendido."Como ele me explicou, isso ele não pode fazer, é nepotismo. Tem de ser mediante concurso público. Vou me inscrever, vou batalhar para eu mesmo conseguir."O irmão de Lula por parte de pai é marítimo, trabalha para uma prestadora de serviços da Petrobras e disse que pretend