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"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem"
Robert Musil em O Homem sem Qualidades

Sábado, Novembro 04, 2006

"Sim" à fidelidade partidária; "não" ao financiamento público e voto em lista

Lula andou falando a jornais estrangeiros (Le Figaro, La Repubblica e El País) e defendeu a fidelidade partidária, o voto em lista e o financiamento público de campanha. Explicarei a vocês, mais tarde, por que digo "sim" à primeira medida e um "não" radical às outras duas. Basicamente:
- Fidelidade partidária – sim, poria fim à orgia atual
- Financiamento público – só vai aumentar gastos e não vai impedir nem o financiamento privado nem o caixa dois. O dossiê que o diga.
- Voto em lista – Só reforça as obscuras burocracias partidárias. O que se quer é que o eleitor conheça mais o seu parlamentar e o vigie de perto, não o contrário. A lista faria com que pessoas tão conhecidas como os suplentes de senadores passassem a ser nossss representantes. Voltarei ao tema.

O bom governador não faz xixi na cama...

Lula já dá a sua primeira contribuição à “institucionalização” da política. Como a idéia, agora, é governar com a “bancada de governadores” – e lá vai o Congresso ser tratado, de novo, como patinho feio –, decidiu liberar R$ 1,95 bilhão para governadores como compensação à política de desoneração das exportações. É pouco ainda. O resto vem com bom comportamento. Como cantava Carequinha, o bom governador não faz xixi na cama...

Uma base militar com a bandeira de um partido

Muito charmoso o maiô branco de Marisa Letícia com aquela estrela vermelha. Algumas almas bondosas acharam que os fotógrafos é que estão invadindo a privacidade do primeiro-casal. É mesmo? Quer dizer que eles não sabiam que seriam fotografados? Por isso ela resolveu desfilar de outdoor na praia? Para que ninguém visse? Lamento. É uma gente inconveniente. Eles estão numa base naval. E base naval, assim como os jardins do Palácio da Alvorada, não tem partido. Eles não aprendem nada. Eles não esquecem nada.

Estado de Direito: líder do PFL lamenta pressão pró-Sader de MST, CUT e esquerdas

O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), emitiu nota ontem em que expressa o apoio ao presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), e à decisão judicial que condenou Emir Sader por crime de injúria. Todos vocês conhecem o caso, que vem sendo acompanhado por este blog. Maia também lamenta que entidades como o MST e a CUT, um partido político, o PSB, e “pretensos intelectuais” tenham contestado a decisão da Justiça.

Até ontem, sexta-feira, chegavam a 700 o número de e-mails em apoio à decisão judicial que condenou Sader. Para enviar a sua mensagem, escreva euapoioalei@pfl.org.br

Segue íntegra da nota do líder do PFL

O líder da bancada do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), vem a público afirmar que:

1) notas e informações divulgadas pelo MST, pela CUT, pelo PSB e por pretensos intelectuais de esquerda sobre o “Caso Emir Sader” mostram desrespeito à Justiça, ao Estado de Direito e às regras democráticas;

2) além disso, agridem, gratuita e injustamente, o senador Jorge Bornhausen, político que, no momento mais difícil de nossa história, teve papel fundamental para que o Brasil, sem a perda de uma única vida, retomasse o rumo democrático;

3) a conduta do senador Jorge Bornhausen é absolutamente irretocável em todos os momentos de sua vida pública;

4) referência para quem estava na política antes de mim, o senador Bornhausen influencia hoje e seguirá influenciando amanhã todos os jovens comprometidos com o avanço, a modernização e a conquista de um Brasil melhor para todos;

5) sobre o chamado “Caso Emir Sader”, cabe afirmar que, lastimavelmente, a máxima desleal dos dois pesos e das duas medidas, rotina do governo Lula, foi adotada por algumas entidades e até por um partido político, o PSB;

6) os dois pesos e as duas medidas fazem com que mensaleiros, vampiros e petistas do dossiê sigam impunes, investigados a passos de tartaruga. Ao mesmo tempo, ao arrepio da lei, autoridades do governo quebram, em tempo recorde, e de forma criminosa, o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa;

7) os dois pesos e as duas medidas fazem com que o mesmo governo que brada contra a imprensa silencie quando o assunto é o escândalo da compra de ônibus e de ambulâncias superfaturadas pelos Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia;

8) ao contrário do governo Lula, a Justiça é igual para todos, sem dois pesos e duas medidas. Emir Sader injuriou o senador Jorge Bornhausen chamando-o de “assassino”, “roubador” e “racista”. O senador bateu às portas da Justiça que condenou Sader por injúria. A despeito do atraso de algumas entidades públicas, o Brasil é uma democracia e tem leis que são cumpridas.

Rio de Janeiro, 3 de novembro de 2006

Rodrigo Maia

CPI e PF chegam a piloto que pode ter transportado dinheiro do dossiê fajuto

Por Sônia Filgueiras e Rodrigo Pereira no Estadão deste sábado: “A Polícia Federal e a CPI dos Sanguessugas identificaram, a partir da quebra dos sigilos telefônicos dos envolvidos na tentativa de compra do dossiê Vedoin, o piloto que teria sido contatado pelos petistas para transportar de São Paulo a Cuiabá o dinheiro da negociata. Segundo o vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), os dados repassados pela PF indicam troca de telefonemas entre o piloto Tito Lívio Ferreira da Silva Júnior e suspeitos de envolvimento na tentativa de compra do dossiê. O deputado diz que os telefonemas ocorreram principalmente nos dias 13 e 14 de setembro, às vésperas da prisão de Valdebran Padilha e Gedimar Passos com o R$ 1,75 milhão no Hotel Ibis Congonhas, em São Paulo. O rastreamento mostra ligações trocadas com Valdebran e com o hotel em que estavam os dois petistas. O piloto também ligou nesses mesmos dias para uma das divisões do Serviço Regional de Aviação Civil (Serac), órgão ligado à Aeronáutica e responsável pelo controle de empresas de táxi aéreo. Para Jungmann, Tito Lívio seria dono do avião que transportaria o dinheiro. 'A intensidade da troca de telefonemas faz supor que ele seria o transportador do dinheiro para Cuiabá. Ele certamente tem fatos a revelar sobre as pessoas envolvidas no transporte do dinheiro', diz Jungmann. 'É um elo entre os dois esquemas que precisa ser explorado', completa o deputado, que pediu a convocação de Tito Lívio para depor na CPI. Uma equipe da PF de Cuiabá vai a Campo Grande (MS) ouvir o piloto.” Assinante do Estadão lê mais aqui

A sunga e o Mercosul de tanga

Por Bruno Lima, na Folha: “‘Por que Lula não veio?’ A mesma pergunta foi feita à reportagem da Folha por jornalistas da Espanha, da Argentina, da Venezuela e do Uruguai no primeiro dia da 16ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo dos Países Ibero-americanos, que acontece até domingo, em Montevidéu. Em um momento crítico da crise entre Uruguai e Argentina, exatamente quando os dois países anunciam que foi interrompido o diálogo, Lula, presidente "pro tempore" do Mercosul, tornou-se motivo de piadas e críticas na televisão e nos jornais uruguaios por ter sido fotografado de sunga, descansando em uma praia. O questionamento estava também nos corredores da cúpula, segundo contaram diplomatas, e se tornou um dos principais assuntos do encontro. O presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, afirmou ter recebido telefonema de Lula em que ele teria alegado indicação médica para descansar, após o desgaste das eleições, e prometido uma visita ao Uruguai em um mês. Na imprensa uruguaia e argentina, porém, analistas afirmaram ontem que a ausência traria um custo político ao presidente, que teria ‘fugido a suas responsabilidades’ e, assim, beneficiaria a Argentina. A revista uruguaia Caras e Caretas, que tem um viés mais sensacionalista, colocou Lula em sua capa. O título: ‘Macaco velho não sobe em galho podre’.”
Assinante da Folha lê mais aqui

Este blog se corrige: erro da torre no caso Gol foi noticiado antes por Veja

A Veja trata do apagão aéreo que assustou o Brasil. Mas o sentido desta nota é outro. Na quinta-feira, reportagem da Folha anunciava que a caixa-preta do Legacy traria a informação de que o jatinho foi autorizado a continuar voando a 37 mil pés. No dia seguinte, ficou claro que não era exatamente isso: a orientação tinha partido da torre. Eu e toda mídia omitimos um fato: a notícia já tinha sido publicada pela Veja. O que a revista informava na semana passada, em reportagem de Rafael Corrêa e Rosana Zakabi? Leia:
Nas investigações a respeito da queda do Boeing 737-800 da Gol, ocorrida em 29 de setembro, após o choque com um jatinho executivo Legacy, permanece o mistério sobre os motivos que levaram os dois aviões a trafegar na mesma altitude. Como as duas aeronaves entraram em rota de colisão a 37.000 pés sobre a selva amazônica? Por que o piloto do jatinho não desceu a 36.000 pés depois de passar por Brasília, em direção a Manaus, como previa seu plano de vôo original? As respostas podem estar no último diálogo travado pelo rádio entre a tripulação do Legacy e o centro de controle aéreo do Cindacta 1. O jatinho havia acabado de mudar de área no espaço aéreo, passando do setor de controle 4 para o setor 5, e encontrava-se a vinte minutos de Brasília. Seguindo procedimentos de rotina, o controlador do Cindacta 1 pediu ao piloto que trocasse a freqüência de rádio usada para sua comunicação. Seguiu-se o seguinte diálogo, em jargão aeronáutico:
Legacy – Brasília, N600 transfering.
Controlador – N600 squalk identification, maintaining flight level 370, under radar surveillance.
Legacy – Roger.
Traduzindo: na primeira frase, o Legacy (a sigla N600 refere-se ao prefixo do avião) confirma que mudou a freqüência de rádio. A seguir, o controlador pede ao piloto que identifique a aeronave por meio do transponder, aparelho que transmite os dados sobre altitude, velocidade e direção para o controle em terra. Na mesma frase, o controlador orienta o piloto a manter a altitude de 37.000 pés, sob o regime chamado em português de "vigilância radar". Ao responder "Roger", o piloto quis dizer que estava ciente das orientações
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Para ler a reportagem desta semana sobre o apagão aéreo, clique aqui se for assinante

Veja 4 - Depois de um primeiro mandato pífio, a segunda chance


Por Lucila Soares e Otávio Cabral: “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 58.295.042 votos – a segunda maior votação que um governante já obteve na história das democracias ocidentais. Além do formidável respaldo popular conquistado nas urnas, o presidente Lula terá a maioria dos governadores do país ao seu lado e sua base parlamentar será mais ampla do que no primeiro mandato. Com esse vasto leque de apoio, o segundo governo de Lula pode ter força política para fazer muito, mas isso não o coloca necessariamente no rumo certo para comandar um país moderno, democrático e com uma economia crescentemente globalizada como o Brasil. A boa notícia é que, logo depois de reeleito, Lula desceu do palanque, despiu-se da retórica eleitoral exibida em seus programas na televisão e mostrou que sabe com clareza o que precisa ser feito para entrar para a história como um presidente modernizador – e não como uma versão adocicada do venezuelano Hugo Chávez.
Para ganhar a eleição presidencial em 2002, Lula se viu obrigado a lançar a famosa Carta ao Povo Brasileiro, um documento no qual conseguiu espantar os receios de que um governo petista rasgaria contratos e destruiria os pilares da estabilidade econômica tão arduamente postos de pé pela sociedade brasileira. Na carta, comprometia-se a pagar as dívidas interna e externa, garantia manter as metas do superávit primário e prometia manter a política de controle da inflação. Desta vez, Lula não precisou lançar carta alguma, mas, mesmo assim, em suas intervenções públicas na semana passada acabou reafirmando uma série de princípios básicos – que, se forem cumpridos nos moldes apontados pelo presidente, proporcionarão um segundo mandato com chances reais de representar um avanço para o país. VEJA compilou os principais pontos abordados pelo presidente em seu pronunciamento à nação, transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão na terça-feira, e nas quatro entrevistas que concedeu às principais emissoras de televisão do país. Dali, emerge um guia bastante claro sobre o que pode ser o governo Lula segundo o próprio Lula.

A revista aborda em detalhes cada um dos sete pontos enunciados por Lula:
- Controle da inflação
- Estabilidade
- Abertura para o exterior
- Parceria com empresas
- Desburocratização
- Redução de impostos
- Ética
Assinante lê íntegra da reportagem aqui
Clique aqui e leia em Veja On Line “Todos os escândalos do governo Lula”

Veja 3 - Lula e a "bancada dos governadores"

Por Marcelo Carneiro: “O resultado das eleições deste ano foi duplamente positivo para Lula. Junto com a vitória sobre Alckmin, o presidente viu o PT conquistar cinco governos estaduais. Além disso, entre os 27 governadores eleitos, vinte tendem a se comportar mais como aliados do que como adversários do presidente. É um desempenho bem mais satisfatório do que o obtido em 2002, quando o petista elegeu apenas treze aliados no comando dos estados. Na semana passada, Lula deixou claro que será com base no apoio desses governadores que pretende driblar a trincheira oposicionista no Congresso. Nos primeiros dias seguintes à eleição, recebeu dois governadores aliados no Palácio do Planalto, telefonou para outros tantos e, a todos, propôs a mesma coisa: um encontro para discutir "uma agenda de interesse nacional" que "agilizasse a votação de matérias importantes que já estão no Congresso", como frisou em seu primeiro pronunciamento em cadeia nacional, na terça-feira passada.
A estratégia lulista é formar um bloco de pressão junto às bancadas estaduais na Câmara e no Senado, a fim de aprovar projetos de interesse do governo federal. "Como, na batalha pela reeleição, os canais do governo com a oposição no Congresso ficaram obstruídos, Lula partiu para uma via alternativa: a cooptação dos governadores", explica o cientista político Murillo de Aragão. A tática, no entanto, esbarra em dois problemas. O primeiro é de ordem institucional: ao trocar o diálogo com lideranças parlamentares pelo método da pressão de governadores aliados sobre suas bancadas, o governo federal mostra pouco respeito para com o Congresso. (...) O segundo problema é que nada indica que os governadores estejam preparados para liderar o processo que Lula almeja
.” Clique aqui se for assinante de Veja

Veja 2 - Diogo, o delegado Moysés e Celso Daniel

E já que, abaixo, se fala do delegado Moysés Eduardo Ferreira, você tem o direito de saber mais a seu respeito. Diogo Mainardi se interessou por este Moysés e quis saber como ele se comporta diante do Mar Vermelho. Leiam trechos da coluna: “O delegado Moysés perseguiu VEJA. Dei o troco. Persegui o delegado Moysés. Moysés Eduardo Ferreira é diretor da Polícia Federal de Piracicaba. O chefe da PF paulista, Geraldo Araújo, disse que ele foi trazido de Piracicaba para conduzir o caso Freud Godoy ‘justamente para fazer uma investigação isenta, distanciada’. Como assim? O delegado Moysés pode ser tudo, menos isento e distanciado. O prefeito de Piracicaba é Barjas Negri, ministro da Saúde tucano, acusado pelos fabricadores do dossiê Vedoin de receber propina da máfia dos sanguessugas. O delegado Moysés é encarregado de investigá-lo. Como ele pode ser isento? Como ele pode ser distanciado? Quando o delegado Moysés assumiu o comando da PF de Piracicaba, o prefeito da cidade era o petista José Machado. Um sempre apoiou o outro. Um sempre prestigiou o outro. José Machado é recordado sobretudo por sua sociedade com o antigo chefe de Freud Godoy, Celso Daniel, numa empresa de consultoria que foi denunciada pelo Tribunal de Contas do Estado por seus contratos irregulares com prefeituras petistas. José Machado é recordado também porque um dos principais operadores da máfia dos vampiros, o lobista Laerte Correa Júnior, foi preso pouco antes de pagar um fornecedor de sua campanha à prefeitura.” Assinante de Veja clica aqui

Veja 1 - O governo Lula e a liberdade de imprensa

Em texto intitulado “Nuvens escuras no horizonte”, Mario Sabino analisa as tensas relações entre o governo e a mídia tomando como exemplo o constrangimento a que foram submetidos três jornalistas da Veja. A revista também listou a reação de diversos órgãos de imprensa e de jornalistas à intimidação escancarada a que foi submetida a reportagem da revista: “As relações do governo Lula com a imprensa voltaram a entrar em temperatura crítica. Na segunda-feira da semana passada, munidos da convicção – calculadamente aloprada – de que a vitória nas urnas significou uma absolvição dos crimes de corrupção do PT, militantes do partido, com o duplo crachá de funcionários públicos, agrediram jornalistas à entrada do Palácio da Alvorada. No dia seguinte, a situação adquiriu contornos ainda mais graves: os repórteres de VEJA Julia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro, responsáveis pela apuração de reportagens que mostraram a participação de policiais federais em atos descritos pela revista como "uma operação abafa" no escândalo da compra do dossiê, foram constrangidos nas dependências da Polícia Federal, em São Paulo, pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira. Os repórteres haviam sido convocados para prestar esclarecimentos na condição de testemunhas, mas o delegado, utilizando meios ilegais, tentou transformá-los – e, por extensão, a VEJA – em réus. Como se a revista tivesse "fabricado" as reportagens que revelaram os movimentos de um grupo dentro da PF para apagar, no episódio investigado, as impressões digitais de gente ligada diretamente ao Palácio do Planalto.
Diante da arbitrariedade, VEJA divulgou no mesmo dia uma nota em seu site na qual relatou os abusos cometidos pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira (
veja a íntegra abaixo). A reação da sociedade foi imediata e vigorosa. Jornais, colunistas, políticos e entidades de classe protestaram contra as intimidações sofridas pelos repórteres da revista, numa demonstração ao mesmo tempo de solidariedade e indignação diante da ameaça, embutida na atitude do delegado da PF, à liberdade de imprensa.
Há duas formas de observar ambas as ocorrências – a dos jornalistas agredidos no Alvorada e a dos repórteres de VEJA constrangidos na PF. Na primeira, a mais benigna, pode-se enxergá-las como atos isolados, resultantes do fanatismo partidário e da vingança corporativa, respectivamente. Nesse caso, basta expressar a indignação e exigir a neutralização dos seus protagonistas, a ser encarados apenas na qualidade de agentes patogênicos que envenenam a
democracia e aos quais as instituições dispõem de instrumentos para expurgar. O segundo modo de examinar os acontecimentos, no entanto, comporta a inquietação maior de que eles são fruto de uma ação coordenada do governo do PT para controlar jornais, revistas e emissoras de televisão – e, por meio de tal controle, obstaculizar a missão da imprensa de fiscalizar o poder”. Assinante lê mais aqui
REAÇÃO DA SOCIEDADE – Veículos de imprensa, colunistas e a sociedade civil reagiram à agressão de que Veja foi vítima. “Manifesto preocupação com os estranhos e lamentáveis constrangimentos a que foram submetidos os repórteres da revista. (...) A imprensa não existe para apoiar ou discordar, mas para ser livre", disse, por exemplo, o governador eleito de São Paulo, José Serra. Assinante lê mais aqui

Sexta-feira, Novembro 03, 2006

Sunga, ética e moral

A petralhice é engraçada. Eu não tentei proibir o Lula de se expor de sunga. “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”, lembram-se disso? Basta ler o post. É o que distingue, em termos muito sucintos, a ética da moral. A primeira é sempre coletiva: é o conjunto de valores de um grupo. A moral é individual. Por isso, quando os petistas, na oposição, cobravam “mais ética na política”, eu sempre ria às escâncaras. Eles queriam, sim, mais ética: eles queriam “mais ética petista” na política. E conseguiram. O que é que me distingue dos jornalistas, a grande maioria, que condenam o fato de o PT ter deixado de ser fiel a seus princípios? O fato de que acho que eles estão sendo fidelíssimos. O petismo é isso aí: Waldomiro Diniz, mensalão, cuecão, dossiê... Reparem como o petismo jamais pediu “mais moral na política”. Ao contrário: quando têm de atacar os adversários, criticam justamente o que chamam de “moralismo udenista”. Podem ver: os intelectuais petralhas escrevem textos às dezenas a respeito. Ainda que a ética coletiva permita determinados comportamentos – sei lá: beijo de língua, com a boca cheia, na praça de alimentação do shopping center –, você só se entrega a tal desfrute gastronômico-sexual se quiser, se a sua moral pessoal considerar que, sendo-lhe permitido tal ato, ele também lhe convém. Eu proibir Lula de se deixar fotografar de sunga? Não. Deve ser proibido? Também não. Mas convém? Do ponto de vista simbólico, acho que ele até presta um favor à elucidação política do seu governo: essa mistura de Estado balofo com eficiência mínima.

Petralhas querem me dar aula de... sexo!!!

Eu fico realmente muito impressionado. Escrevi abaixo um texto – “Sunga, decoro, Mann e Musil” – que trata do que eu chamaria de “senso de adequação” das pessoas, das relações, das circunstâncias e até das artes. É o “est modus in rebus” (há uma medida para as coisas) horaciano. E a petralhada manda e-mails perguntando se vou à praia de ceroula, se tiro as meias para fazer sexo, se faço sexo... Aliás, noto a obsessão que essa gente tem por debater esse assunto. Ou melhor: debater, não. Eles querem expor a sua suposta superioridade nessa área.

Santo Deus! Alguém cujo imaginário, em política, não lhe permite ir além do petismo seria criativo no sexo por quê? Pode até ser que aconteça. Mas as qualidades do todo costumam estar representadas nas partes. Como seria a vivência erótica do “roubo social”? Fazer sexo forçado em albergue? Um “orgasmo não contabilizado” é aquele obtido sozinho? O prazer do caixa dois é aquele conseguido com o vizinho? O gozo do mensalão é o sexo pago com “recepcionistas”? A transa do dossiê envolve chantagem? É isso o que vocês acham que têm a me ensinar?

Vou à praia, que está longe de ser meu esporte predileto, embora adore o mar, com short de futebol. É o que acho decoroso para um adulto de 45 anos. Aliás, é o que acho decoroso para um adulto acima dos 15 anos. E não custa observar: garotas e garotos têm sido mais decorosos em seus trajes de praia – ao menos numa do Litoral Norte de São Paulo, que costumo freqüentar. Noto uma certa tendência à, como é mesmo?, “desrepressão” em coroas de ambos os sexos que ignoram ter menos amor próprio do que ousadia.

Mas a petralhada está certa. O prazer do recato não é para qualquer um e exige certo cultivo. Deve ser terrível a suposição de que possa haver um mundo superiormente interessante além dessas viseiras, dessa escuridão. Por isso vocês tentam destruir tudo aquilo que ignoram ou que se lhes mostre diferente e assumidamente individualista.

Vocês podem ganhar eleições. Mas a guerra não ganham. Garanto.

Enquete nova

Colaborem com a "inculta e bela".

FMI, pobreza e triunfalismo da miséria

Estamos chegando a um estágio interessante: é o chamado “triunfalismo da miséria”. E com o apoio do FMI, o que deixa o governo Lula podre de orgulho. Anteontem, ficamos sabendo que diminuiu o número de leitos hospitalares no país. Estamos abaixo do que recomenda a OMS. (Organização Mundial da Saúde). Está comprovado que aumentou o número de crianças trabalhando. Mas o relatório do FMI aponta a redução da miséria do país, atribuindo o feito a programas como o Bolsa Família. A redução da miséria, entenda-se, significa fazer com que as pessoas subam um degrau e estejam acima da linha de quem vive com menos de US$ 1 por dia. Ah, claro: o mesmo FMI já prevê que o Brasil crescerá de novo menos do que a América Latina. O país está estagnado. Mas os fundamentos são uma beleza.

Como e por que o governo Lula fez aumentar o trabalho infantil "nestepaiz" depois de 14 anos consecutivos de queda

Então. O trabalho infantil vinha caindo havia 14 anos consecutivos, inclusive nos oito da gestão do “neoliberal, conservador e reacionário” FHC. Aliás, foi o período de maior queda, com a universalização do ensino básico e a exigência de contrapartida – criança na escola – para que as famílias recebessem benefícios. Criou-se o PETI: Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Foi preciso que um "progressista" e visionário como Luiz Inácio Lula da Silva chegasse ao poder, com seus programas sociais que tanto encantam os “intelequituais”, para que, vejam só!, o número voltasse a subir. E a razão é uma só: o Bolsa Família, que nada mais é do que a unificação dos vários programas assistenciais que existiam no governo anterior, deixou de exigir do beneficiado qualquer contrapartida. Não existe fiscalização. O que era um programa assistencial ou uma medida compensatória – cada um classifique de acordo com a sua visão de mundo – passou a ser, inquestionavelmente, um programa eleitoreiro.

Segundo os números do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2004 para 2005, o número de crianças entre 5 e 15 anos que trabalham cresceu em 120 mil pessoas, alcançando aproximadamente 2,9 milhões de pessoas. O Piauí, governado pelo petista Wellington Dias, reeleito, lidera a lista, com uma taxa de ocupação de 17,11% nessa faixa etária. Claro, sabemos, isso é decorrência da pobreza. O Piauí é um dos Estados mais pobres do Brasil. Mas é também o efeito de políticas públicas equivocadas. Se um programa doa dinheiro, e, para manter a doação, nada exige em troca, o normal, o natural, o óbvio é que os beneficiados, que já têm tão pouco, tentem conseguir um pouco mais.

O sentido de um programa de Bolsa Escola é, claro, responder à situação emergencial da miséria absoluta e da fome, mas também significa um compromisso com o futuro, reforçando a educação. O governo Lula só tem presente.

Aliás, uma sociedade totalitária, pensem bem, vive no presente eterno. O mundo que há será sempre o melhor. Sem memória nem esperança.

Sai daí, Waldir Pires. Deixa com os milicos

Há coisas sobre as quais a única opinião razoável é a lógica, ainda que você nada entenda sobre o assunto. Eu não sei distinguir uma tela de radar da tela de um micro pessoal. O que sei é que os aviões começaram a sair do chão quando o ministro Waldir Pires, da Defesa, deixou de atrapalhar, e a Aeronáutica resolveu agir. Aquartelou a moçada e ordenou: “Faz funcionar essa birosca”. E a birosca funcionou. Waldir Pires quer a desmilitarização do setor. Eu quero militarizar. Ok. Que a função seja uma carreira, com salários compatíveis com a expertise dos profissionais etc. O que não dá é para ficar refém da sindicalização do setor. Aí teremos ao menos uma operação-padrão por ano, comandada pelos companheiros controladores. Sem essa: a Aeronáutica que trate de se responsabilizar pra valer pela tarefa, treinando os profissionais. E o governo que dê um jeito de pagar a essa gente salários decentes. É bem mais barato do que torrar dinheiro na Petrus.

Sunga, decoro, Mann e Musil

O general João Batista Figueiredo foi o primeiro presidente a se deixar fotografar de sunga. A ditadura já tinha virado uma pantomima. Certo, dirão, melhor ficar pelado do que comandar um governo de torturadores, a exemplo de ditadores anteriores, tão mais sóbrios, tão mais vetustos. Vistas as coisas por esse ângulo, o melhor rei seria o que governasse nu.

Lula sabe que está sendo fotografado, mas se expõe de uma forma que eu, um senhor conservador e bem mais jovem do que ele, considero um tanto indecorosa. Falo de “decoro” em sentido, vá lá, literário: seguir as regras da harmonia, da proporção, do recato. Não, não acho que só corpos olímpicos devam se exibir. De fato, com tamanho desassombro, nem eles. As belezas guardadas me atraem mais. Ainda hoje, encantam-me as pessoas que ficam coradas. As praias, nesse sentido, são lugares um tanto indecorosos.

Mesmo a educação da moderna classe média me parece, por notícias que tenho, espantosamente “liberal”. No ponto extremo do simbolismo, lembro-me da punição bíblica a quem vê a nudez do pai. Meu mundo ainda tem um eixo formado de interdições que acho absolutamente necessárias: na relação ente amigos, na relação entre marido e mulher, na relação com os filhos (no meu caso, filhas), nas relações de trabalho. Por que você deve ver quem você ama escovando os dentes? Pra quê? Há intimidades que degradam. Evitemo-las.

A exemplo de São Paulo, o meu predileto da Bíblia, na Primeira Epístola aos Coríntios, “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (I Cor 6,12). Volto, dia desses, a falar de literatura e das coisas que realmente me comovem. O poeta latino Horácio está entre os meus prediletos: porque tinha, ao escrever, uma moderação, um recato, uma economia, que são admiráveis. Coisas que, infelizmente, não tenho. Sei que sou barroco às vezes; outras vezes, borrascoso mesmo. Espero que o tempo me confira serenidade, amanse a minha fúria. Nem que seja já ali, bem perto do fim. A esperança, a minha, há de morrer comigo.

Numa entrevista que fiz com Contardo Calligaris — e não estou dizendo, com isso, que ele endossaria este texto —, ele me contou uma passagem admirável. Ele, Contardo, um jovem comunista, indagou severamente seu pai: “Como o senhor pode ser um militante antifascista e não ser comunista?” O pai lhe respondeu: “Sabe o que é? Eu era contra os fascistas porque eu os achava tão vulgares!” Assim que for tecnicamente possível, publicarei aqui essa entrevista.

A resposta é encantadora. Trata-se de uma aposta na civilização. A sunga de Lula, ainda que ele fosse o nosso Péricles, é vulgar. Nenhuma outra palavra a define. Neste estrito sentido, sem que ela seja causa de nada, torna-se um emblema de uma falta mais geral de decoro, de harmonia, de proporção. Na novela Tonio Kröger, o grande Thomas Mann escreve: “A beleza engendra o pudor” — cito de memória, mas deve ser isso. Em nome de uma suposta reparação social, tornada magnífica pelos “intelectuais do regime”, o país está ficando a cada dia mais vulgar, feio, despudorado.

Ladrões descarados evocam em sua defesa uma espécie de amor à causa; querem que sejamos cúmplices morais de sua concupiscência.

Um contemporâneo de Mann, Robert Musil, o meu predileto, vocês sabem, define uma nova era: “Algo imponderável. Um presságio. Uma ilusão. Como quando um ímã larga a limalha, e esta se mistura toda outra vez. Como quando fios de novelos se desmancham. Quando um cortejo se dispersa. Quando uma orquestra começa a desafinar. (...) Idéias que antes possuíam um magro valor engordavam. Pessoas antigamente ignoradas tornavam-se famosas. O grosseiro se suaviza. (...) havia apenas um pouco de ruindade demais misturada ao que era bom, engano demais na verdade, flexibilidade demais nos significados (...)” Está em O Homem Sem Qualidades.

Então, queridos, é isso. Acordei no dia 2, Finados, e ainda não fui dormir. Vou daqui a pouco. Pensei no meu pai, morto há quase sete anos. Na lógica dele, homem que era homem não perdia “um dia de serviço” alegando qualquer mal que considerasse menor: dor de cabeça, diarréia, indisposição, sei lá. Não era patrão. Era empregado. Alguns diriam que ele houvera assimilado a lógica do dominador. Não. Era senhor de suas necessidades. E não aceitava, de jeito nenhum!, depender da boa vontade de estranhos.

Os homens só existem para que, ao fim da vida, possam honrar seus pais. Pensem nisso. Até mais tarde.

Delegado deu detalhes ao MP da Operação Limpeza

Deixei passar — uma vacilada e tanto — uma reportagem importante publicada no Estadão de ontem. O jornal teve acesso ao depoimento que o delegado Edmilson Pereira Bruno prestou ao Ministério Público Federal sobre a prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, os petistas pegos com a dinheirama que compraria o dossiê fajuto contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra. O depoimento foi prestado no dia 23 de outubro. Quem não leu tem de ler. Bruno dá detalhes da Operação Limpeza, denunciada por Veja. Leia o texto na íntegra, que segue em azul.

No depoimento que prestou ao Ministério Público Federal sobre a prisão dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha - com R$ 1,75 milhão destinados à compra de um dossiê contra candidatos tucano -, o delegado Edmilson Pereira Bruno disse que seus superiores tinham grande preocupação com o modo como conduziria o caso. E afirmou que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, mostrou-se apreensivo com a eventual menção, nos depoimentos, de qualquer coisa que pudesse sugerir uma ligação entre os presos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O depoimento ao MPF, ao qual o Estado teve acesso, foi tomado em 23 de outubro. O delegado, tratado no documento como interrogando, foi ouvido pelos procuradores Roberto Diana, Melissa Garcia Abreu e Elizabeth Kobayashi. Ele conta que em 15 de setembro, pouco antes de sair rumo ao Hotel Ibis Congonhas, onde foram feitas as prisões, recebeu do diretor da PF em São Paulo, Severino Alexandre, uma advertência: “Olha bem o que você vai fazer. Está mexendo com peixe grande. Tudo o que fizer será responsabilidade sua.”

Esse teria sido o primeiro de uma série de cuidados que lhe foram cobrados. Outros se seguiram quando todos se dirigiram à sede da PF, onde foram recebidos por Severino e pelo superintendente regional, Geraldo José Araújo.

Ele afirmou que pouco antes das 11 horas daquele dia, quando as prisões já estavam feitas e se aguardava a chegada do dossiê, Severino Alexandre “mandou que todos fossem para a PF imediatamente”. Chamado ao 9º andar da sede, na sala onde estavam Araújo e o diretor, “só neste momento o superintendente Geraldo ficou sabendo da detenção de Gedimar”. Da mesma forma, só então ele soube “que os detidos alegavam que o dinheiro era oriundo do PT”. O superintendente e Severino “ficaram surpresos com a participação de Gedimar nos fatos, demonstrando serem amigos dele e dizendo ‘é gente nossa, de confiança’ por várias vezes”.

‘PREOCUPAÇÕES COM LULA’

Bruno disse que em seguida o superintendente entrou em contato com Thomaz Bastos, que perguntou “se os detidos falavam do presidente Lula, o que o superintendente, após consultar o interrogando, responde que não, apenas mencionando o Diretório Nacional do PT”. E acrescentou: “O superintendente, respondendo a indagações do ministro, afirma que não haveria prisão nem seriam tiradas ou divulgadas fotos do dinheiro apreendido.”

O delegado contou que ainda no 9º andar recebeu de Severino instruções num canto da sala. Mandou “que fosse cumprido estritamente” a ordem de prisão. Ele “devia ser ‘curto e grosso’ nas perguntas a Gedimar e Valdebran, devendo agir como ‘um macaco, que não fala, não ouve e não vê’”. Quando Valdebran passava outras informações, o superintendente “mandou parar tudo e que os celulares fossem desligados”.

Ele dá conta, ainda, do empenho de Gedimar e Valdebran em alterar as informações que haviam dado à polícia no momento da prisão. Eles “não quiseram que tudo o que haviam dito no hotel constasse das declarações colhidas formalmente” e “fizeram com que as declarações fossem alteradas algumas vezes”.

Além disso, durante o depoimento dos detidos, o superintendente “conversou reservadamente com o interrogando, dizendo que o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, ligara opinando pela feitura do flagrante, mesmo procedimento do famoso caso de dólares na cueca”. E acrescentou: “O superintendente deixou claro que o ministro Thomaz Bastos demonstra preocupação política e com a figura do presidente Lula, por isso, não queria o flagrante, nem fotos; enquanto o diretor-geral Lacerda preocupava-se com a imagem da PF como instituição”.

Por fim, o delegado disse que só em casa lembrou-se “do circuito de TV do hotel, cujas imagens permitiram identificar o doleiro do PT mencionado no depoimento de Gedimar”. Bruno contou que acertou a busca do material com a gerência do hotel, mas na segunda-feira, dia 18, soube que para isso dependia de autorização de Severino. “Foi até Severino, o qual negou autorização, dizendo que o interrogando não tinha mais nada a ver com o caso e a diligência competia à PF/Cuiabá”.

Apagão aéreo 3 - Pires em crise com militares

Por Marcelo Godoy e Bruno Tavares no Estadão desta sexta: “A reunião do ministro da Defesa, Waldir Pires, com o sindicato dos controladores de vôo civis, anteontem, provocou contrariedade, para dizer o mínimo, no Comando da Aeronáutica. Há dois motivos para isso: a ausência do brigadeiro Luiz Carlos Bueno, comandante da Força Aérea Brasileira e responsável pelo tráfego aéreo no País, e a falta de uma postura dura do ministro contra pessoas que, no entender dos oficiais, estão criando problemas para conseguir vantagens. 'Estamos diante de uma crise artificial', disse ontem um brigadeiro que não quis se identificar. Apesar disso, o ministro, segundo os oficiais, preferiu encontrar-se com representantes de seis entidades de controladores civis, entre eles Jorge Botelho, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Proteção de Vôo. 'Um notório criador de casos', disse um oficial. E o que lhes pareceu pior: fez concessões, como promessa de aumento e de redução de jornada de trabalho. Para eles, foi preciso que o brigadeiro Bueno tomasse as rédeas da crise e fosse ao Cindacta-1 para mobilizar todo o efetivo. A estratégia é simples. Dos 2.759 controladores de vôo do pais, só 571 são civis. 'O rabo não podia continuar abanando o cachorro', disse um oficial sobre o papel dos civis na crise.” Assinante do Estadão lê mais aqui

Tudo limpeza: Lula vai à praia

Por Leonecio Nossa, no Estadão desta sexta: “Em seu primeiro dia de descanso depois de se reeleger, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia - aproveitou o sol na manhã de ontem para tomar banho na praia de Inema, área privativa da Marinha, a 40 quilômetros do centro de Salvador. Ao chegar anteontem à cidade, Lula disse ao aliado e governador eleito da Bahia, Jaques Wagner (PT), que precisava 'sumir' até domingo. (...) A base está localizada numa área poluída da Baía de Todos os Santos. O esgoto das favelas e os resíduos industriais da região são despejados no mar sem tratamento. Um muro separa a praia da base da comunidade de São Thomé de Paripe, um lugar tomado por ambulantes, carros com volume de som elevado e barracas de bebidas e comidas. A sujeira predomina nas areias da praia de Paripe. Já dentro da base, marinheiros passam o dia fazendo limpeza. Toda a movimentação de Lula e da comitiva na base foi acompanhada por fotógrafos e cinegrafistas, que fizeram registros de imagens dele de um píer, a dois quilômetros dali. O píer é usado pelos passageiros das barcas que fazem o transporte até as ilhas de Itaparica, dos Frades e da Maré.” Assinante do Estadão lê mais aqui

Apagão aéreo 2 - Aeronáutica admite erro do controle, que está gravado na própria fita da torre. E por que só sabemos disso agora?

Prestem atenção ao que vai a seguir: a autorização errada — ou concordância — da torre para que o Legacy voasse a 37 mil pés está gravada na fita da própria torre, e não na caixa-preta do Legacy. Bem, então é tudo pior do que parecia. A única coisa a concluir é que se sabia do fato desde o primeiro dia. E por que se omitiu a informação? E por que toda a presepada? Por Eliane Cantanhêde e Fábio Amato na Folha desta sexta: “A Aeronáutica confirmou ontem que o controlador da torre de controle de tráfego aéreo de São José dos Campos (SP) autorizou o jato Legacy, que veio a se chocar com o Boeing da Gol, matando 154 pessoas, a voar na altitude errada de 37 mil pés até o aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus. Segundo a Força Aérea, essa autorização está gravada nas fitas da própria torre, que dá o ‘clearance’ (autorização) para a decolagem dos aviões, e não na caixa-preta do Legacy, que era pilotado pelos americanos Joe Lepore e Jean Paladino. Pela fita da torre, que está em poder do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), o controlador foi específico na sua conversa em inglês com os pilotos do jatinho, ao falar em 37 mil pés até Manaus, apesar de o plano de vôo prever três alturas diferentes. A partir da fala do controlador, Lepore e Paladino acionaram o piloto automático e seguiram sempre na mesma altura, na qual bateram com o Boeing da Gol, que vinha de Manaus em sentido contrário. Pelo plano de vôo original, eles deveriam sair em 37 mil pés, passar para 36 mil a partir de Brasília e, já sobre Mato Grosso, a 480 km de Brasília, subir para 38 mil. Em entrevista, pela manhã, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, não confirmou nem desmentiu a informação do erro da torre de São José dos Campos, que pode ser um dado fundamental nas investigações e foi publicada ontem pela Folha. Ele observou, porém, que, se houve erro da torre, ele não justificaria, isoladamente, o choque das aeronaves. ‘O piloto, quando perde a comunicação, deve seguir o plano de vôo.’ Bueno evitou relacionar a redução da atividade dos controladores de tráfego aéreo em Brasília a uma eventual culpa de colegas no acidente. ‘Não acredito que essa operação seja desencadeada com o objetivo de disfarçar alguma coisa.’” Assinante lê mais aqui

Apagão aéreo 1 - Nem aquartelamento de controladores consegue pôr fim a caos nos aeroportos

Na Folha desta sexta: "No sétimo dia de crise da aviação, feriado de Finados, os aeroportos do país literalmente pararam. Na madrugada de ontem, controladores de vôo de Brasília decidiram ampliar a operação-padrão. O tráfego aéreo ficou completamente paralisado.A Força Aérea Brasileira decidiu intervir. A equipe do turno da madrugada não pôde deixar o trabalho ao final do expediente e os 149 profissionais do setor foram convocados, sob pena de prisão. Mesmo assim, a situação continuou caótica durante todo o dia. Revoltados com os longos atrasos -em alguns casos de mais de 20 horas-, passageiros provocaram tumultos. No Galeão (RJ), houve quebra-quebra. Em Confins (MG), tentaram invadir um avião. Em Cumbica (SP), duas pessoas foram detidas por desacato. Em meio à confusão, quem queria descansar acabou tendo de transformar a mala em travesseiro nas salas de embarque."
AQUARTELAMENTO - "A decisão do comando da FAB (Força Aérea Brasileira) de impedir que alguns controladores de vôo deixassem o trabalho ontem foi um aquartelamento na opinião do fundador da associação dos controladores de vôo e ex-presidente da entidade, Ulisses Fontenele. Para a Aeronáutica, porém, houve só uma convocação. ‘Com essa atitude de aquartelamento, o governo federal deu demonstração de que quer fazer dos militares que atuam como controladores de vôo em Brasília uma tropa de soldados comuns, sem nenhum tipo de amparo emocional.’ Segundo relatos repassados a Fontenele por alguns dos controladores no Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa e Controle de Tráfego Aéreo), em Brasília, todos foram informados que só poderiam deixar a sede do 6º Comar (Comando Aéreo Regional) no domingo. Somente após a notícia se espalhar pelo país, segundo ele, é que a FAB resolveu pôr fim ao aquartelamento." Assinante da Folha lê mais aqui, aqui e aqui

Contato com a oposição já começa torto

Por Fernanda Krakovics, na Folha desta sexta: “Ao procurar senadores isoladamente, e não os partidos de forma institucional, o governo Luiz Inácio Lula da Silva estaria repetindo um erro na relação com o Congresso cometido no primeiro mandato, segundo integrantes da oposição. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) ligou na manhã de anteontem para os senadores Heráclito Fortes (PFL-PI) e Sérgio Guerra (PSDB-PE) e pediu apoio para a votação de projetos. ‘Ele disse que precisava conversar sobre as reformas, mas essa discussão tem que ser tratada via partido’, afirmou Heráclito, que orientou Tarso a procurar o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e o líder do partido no Senado, José Agripino (RN). No primeiro mandato, o então ministro José Dirceu (Casa Civil) se aproximou dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO), que chegaram a se aliar ao governo, apesar de integrarem partidos de oposição. No caso do PMDB, a interlocução do Palácio do Planalto é feita até hoje com o presidente do Senado, Renan Calheiros, (AL) e José Sarney (AP). O partido ficou rachado, com seu presidente, o deputado Michel Temer (SP), na oposição. Após a reeleição, o partido caminha para aderir ao governo Lula de forma majoritária. ‘Não sei se é inabilidade ou salto alto. Eles procuram isoladamente pessoas influentes do partido para promover a divisão interna’, disse Agripino.” Assinante da Folha lê mais aqui

Alencar vai aos EUA tratar de um novo tumor

Na Folha desta sexta: “O vice-presidente da República, José Alencar, vai viajar na semana que vem para os Estados Unidos, onde fará tratamento contra um novo tumor encontrado em seu abdome. Segundo a assessoria da vice-presidência, Alencar será internado no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Nova York. Não foi confirmado se o vice sofrerá uma nova cirurgia. O novo tumor teria sido diagnosticado na segunda-feira passada, depois de exames feitos no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Em julho deste ano, Alencar já havia sido submetido a uma cirurgia para a retirada de um sarcoma (tumor maligno) localizado também na região do abdome.” Assinante lê mais aqui

Mensaleiros conseguem arrecadação milionária

Por Letícia Sander e Silvio Navarro na Folha desta sexta: “(...) a maior parte dos chamados mensaleiros teve arrecadação quase milionária, segundo dados divulgados ontem pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Dos 7 que conseguiram a reeleição, 2 tiveram arrecadações superiores a R$ 1 milhão e outros 4 arrecadaram montantes de, em média, R$ 700 mil. (...) O campeão de arrecadação entre os chamados mensaleiros é o deputado Sandro Mabel (PL-GO). Suas doações somam R$ 1.677.699. Ele gastou ainda mais -R$ 1.788.812-, valor superior ao da maioria das campanhas ao Senado. (...) Em segundo lugar no ranking das arrecadações aparece o petista João Paulo Cunha (SP), com um total de R$ 1.359.044. Mesmo com o valor expressivo que conseguiu trazer para o caixa de campanha, João Paulo terminou com déficit: gastou R$ 1.594.209. Já Paulo Rocha (PT-PA) foi o que conseguiu menos dinheiro para a campanha entre os chamados mensaleiros reeleitos. Ele juntou R$ 594.172. E gastou cerca de R$ 140 mil a mais. Outro petista que teve arrecadação quase milionária foi José Mentor (PT-SP), R$ 914.040. O deputado Professor Luizinho (PT-SP) gastou R$ 861.875, mas não conseguiu se reeleger. Entre os que não foram reeleitos, ele é o líder de arrecadação: conseguiu exatos R$ 848.560.” Assinante da Folha lê mais aqui

PF investiga telefonemas entre Lorenzetti e o então assessor de Mercadante

Por Leonardo Souza e Maurício Simionato na Folha desta sexta: “O ex-petista Jorge Lorenzetti, apontado pela Polícia Federal como o ‘articulador’ do dossiê antitucanos, trocou quatro ligações de sua casa, em Florianópolis, com o celular ‘frio’ que teria sido usado por Hamilton Lacerda durante a negociação do material com a máfia dos sanguessugas, de acordo com dados obtidos pela Folha. Ao todo, incluindo celulares e um telefone fixo do comitê de campanha do PT usado por Lorenzetti, foram 33 ligações com o suposto número de Lacerda. Segundo a Folha apurou, o delegado que cuida do caso, Diógenes Curado, acredita que Lorenzetti não terá como negar que falou com Lacerda por meio do número ‘frio’, registrado em nome de Ana Paula Cardoso Vieira. Além das ligações para Lorenzetti, há 43 telefonemas trocados por outros números do comitê de campanha do presidente Lula com o celular em nome dela. A PF suspeita que Ana Paula tenha sido usada como "laranja" na aquisição do aparelho. Assim, na avaliação da PF, Lorenzetti não saberia explicar a relação dela com o PT. Curado pretende ouvir Lorenzetti novamente.” Assinante da Folha ou do UOL lê mais aqui

Nos Emirados Sáderes

Houaiss não aceita “escorchante”, Aurelião passou a admitir, e encontrei outros exemplos que endossam o uso, inclusive bem antigo, do vocábulo. Muito bem. Mas a petralhada não precisa ficar assanhada: "oprobio” e “expoliação”, como escreve Sader, não existem. Fiquei só nos vocábulos. Poderia ter ido mais longe. Então vou. Os exemplos de delinqüência gramatical do texto em que ele ataca Bornhausen são de assustar.

(...) embora no seu meio – de fascistas e banqueiros – sabe-se que é usual (...)
O “embora” exige aí o modo subjuntivo: “embora se saiba”;

“Ele merece processo por discriminação, embora no seu meio – de fascistas e banqueiros – sabe-se que é usual referir-se ao povo dessa maneira – são “negros”, “pobres”, “sujos”, “brutos”, - em suma, desprezíveis para essa casa grande da política brasileira que é a direita – pefelista e tucana -, que se lambuza com a crise atual, quer derrotar a esquerda por 30 anos, sob o apodo de “essa raça”.
Isso não é um texto, mas uma sopa Campbell’s de vírgulas e travessões. Cadê o sujeito do verbo “quer”?

“Não, senhor Bornhausen, nosso ódio a pessoas abjetas como a sua, não os deixará livre de novo para governar o Brasil como sempre fizeram – roubando, explorando, assassinando trabalhadores.”
Heeeinnn? É difícil encontrar um aluno da 6ª ou 7ª série capaz disso. Como é mesmo? “Nosso ódio a pessoas abjetas como a sua, não os deixará livre de novo”??? Há três erros aí: um de pontuação e dois de concordância:
1) Há um vírgula entre o sujeito e seu pobre verbo;
2) ou o representante dos Emirados Sáderes (como disse um leitor) escreve “Nosso ódio a pessoas abjetas como a sua não a deixará”, concordando com pessoa ("a sua pessoa" é uma construção horrível, eu sei, mas quero manter o estilo), ou “não as deixará”, concordando com “pessoas abjetas”;
3) Se escolheu o pronome no plural (“os”), ainda que com gênero errado (deveria estar no feminino), então o predicativo do objeto — “livre” — deveria estar no plural: “livres”.

E esses são exemplos pegos, digamos, na sintonia grossa. Na sintonia fina, o país mental de Emir Sader é mesmo intraduzível, inexplicável.

Para apoiar a sentença do juiz que condenou Sader no processo de injúria, mande um e-mail para euapoioalei@pfl.org.br

O Caso Veja e os blogs de política

Na quarta-feira, às 4h da manhã (o blog registra 5h porque o Blogger já está em horário de verão), publiquei a seguinte nota:

Entre blogs voltados para a cobertura política e/ou mídia, ignoraram as agressões de que foram vítimas os repórteres da Veja: Observatório da Imprensa, Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Franklin Martins, Tereza Cruvinel, Ilimar Franco, Jorge Bastos Moreno e Paulo Moreira Leite.

Como se vê, não fiz juízo de valor. Entrei nessas páginas, procurei a notícia, não achei e registrei o fato. Como costumam ser páginas atualizadas diariamente e como o caso diz respeito à liberdade de imprensa, o tema me pareceu relevante. Mas é claro que cada um tem seu ritmo, seu tempo, suas ocupações. Por isso, visitei de novo cada uma das páginas.

Paulo Moreira Leite – às 15h31 do dia 1º, publicou o texto “Interrogatório de jornalistas é um insulto à liberdade de imprensa”. Ontem, dia 2, estava lá: “A Polícia Federal interroga jornalistas, mas não contesta a notícia. Estranho? Não”. Os dois textos estão, a meu juízo, corretíssimos. E é certo que o jornalista não postou a notícia no próprio dia 31 porque tem outros afazeres na reportagem. Já concordei com muita coisa que Paulo escreveu e discordei de outras tantas. Mas certamente não temos nenhuma divergência quanto à liberdade de imprensa. Fica aqui o abraço do leitor.

Observatório da Imprensa – No dia 31, o site ignorou o caso. Mas o assunto foi debatido naquela noite no programa de TV. Publicou o texto de Veja explicando o caso no dia seguinte e tem abordado a questão da relação conflituosa do governo Lula com a imprensa.

Jorge Bastos Moreno – Entrou no assunto no dia 1º, censurando a ação da PF e também Marco Aurélio Garcia.

Tereza Cruvinel – Tratou do assunto no dia 1º. Escreve ela o que vai em azul: “Se o depoimento dos jornalistas da Veja transcorreu mesmo sob climade intimidação, é lamentável. Um equívoco da PF, que prefiro atribuira seus excessos enquanto organização que opera com tanta autonomia, não a uma orientação do governo. Os sinais são contraditórios, pois o presidente agora está disposto a conceder mais entrevistas, e começou fazendo isso logo depois de reeleito. Pelo que sei, a intenção é construir uma relação melhor com a imprensa. Seria estupidez comprar esta briga, partir para este confronto agora.” Eu e Tereza, definitivamente, temos maneiras distintas de escrever e, quero crer, de ler também. Abrir o texto botando em dúvida o relato dos jornalistas, dados o conjunto da obra e a guerra do governo contra a mídia, me parece excesso de boa vontade com o poder e falta de boa vontade com os jornalistas. Segundo ela, os “excessos” devem ser atribuídos à PF, “que opera com autonomia”. Marco Aurélio Garcia é da PF? Diz ainda que isso é contraditório porque “o presidente agora está disposto a conceder entrevistas”. Eu acho que é uma forma muito sutil de humor que nem todos captam. Eu estou entre eles.

Franklin Martins – Continuou a ignorar solenemente o assunto. Está preocupado com outra coisa. “As primeiras 48 horas posteriores ao segundo turno mostraram que estavam equivocados aqueles que apostavam num recrudescimento da crise política no caso da reeleição de Lula. A expressiva votação do presidente e sua forte recuperação no Sudeste, onde venceu, e no Sul, onde perdeu por pouco, sepultaram as teses aventureiras do 'terceiro turno' e da 'eleição sub judice'. Nota: “terceiro turno” é uma expressão inventada por Fernando Collor de Mello. Em tempo: sou um aventureiro. Sou a favor do terceiro turno. No tempo de Collor, eu também era. Franklin certamente estava comigo naquele caso. Já neste...

Ilimar Franco – Continuou a ignorar o assunto. No dia 31, preferiu dar destaque ao que intitulou “A morte de um patriota”. Escreve: “Acabo de receber uma ligação do jornalista Luiz Carlos Azedo, do Correio Braziliense. Emocionado ele me conta que Geraldão, o estivador Geraldo Rodrigues dos Santos, morreu na noite de segunda-feira no Rio de Janeiro. Geraldão foi o principal dirigente do PCB, do Comitê da Guanabara, durante o regime militar, de 1970 a 1987”. Interessante. O que caracterizava antes o comunismo era o internacionalismo. Comunismo patriótico é uma coisa bem nossa, como jabuticaba a pororoca.

Mino Carta – Entrou no assunto no dia 1º. Para apoiar a Polícia Federal e atacar Veja, é claro. Mino, como a gente sabe, jamais verga a coluna aos poderosos. Tem joelhos resistentes.

Paulo Henrique Amorim – Continuou ignorando. Era o esperado. Paulo Henrique está para Mino Carta mais ou menos como Evo Morales está para Fidel Castro. Cada um entenda como quiser.

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

A palavra "escorchante" e ProUni para Sader

A respeito do post sobre o texto de Emir Sader: não sei se a mais recente edição do Aurelião aceita a palavra “escorchante”. O Houaiss não aceita. A edição do Aurélio que tenho aqui também não (13ª impressão da 1ª edição). É claro que a língua é dinâmica. Sei bem que pode — e até deve — incorporar derivações que vão sendo consagradas pelo uso. Por aí, escreve-se muito mais “escorchante”, que está errado, do que “escorchador”, que é o correto. De acadêmicos, exijo que escrevam com correção. Eles devem deixar os erros de linguagem para nós, jornalistas, uns pobres coitados. Eles têm de nos corrigir, com olhar superior, em vez de cometer barbaridades. Eu sei que esse particular é uma picuinha. Mas seu autor também escreve “opróbio” e “expoliação”. Aí já é muita inguinorança. Emir Sader deveria pleitear uma vaga do ProUni. E isso não é ofensa nenhuma. Eles adoram o ProUni.

Caindo do andaime, mas lendo Tolstoi. É Marco Aurélio Garcia na área

Diogo Mainardi quis fazer um podcast com Marco Aurélio Garcia, o presidente do PT, que decidiu abrir guerra contra a mídia. Comprometeu-se a divulgar na íntegra o que ele dissesse. A assessoria poderia ter dito “não”. Exigiu um pedido por escrito. Diogo enviou. E recebeu o “não”, também por escrito. Com alguns muxoxos de ressentimento e tentativa de olímpico desprezo. Até aí, nada. Muito típico. Só que tanto o pedido de Diogo como a resposta foram parar na rede. Estão circulando. Deve fazer bem à vaidade de Garcia supor que desprezou Diogo, que acha irrelevante ser desprezado por Garcia. O que só fala a respeito de ambos...

O presidente do PT fala de novo hoje. Em entrevista ao Terra Magazine, volta a atacar a mídia: “Tenho o direito de dizer de público - e estou dizendo - que recebo informações sobre o mal-estar que está se passando em redações, que tenho recebido informações de pessoas que estão cancelando ou anunciando o cancelamento de assinaturas de jornais e revistas, e isso não é uma campanha minha. Não temos nada com isso, mas me dou o direito de propor a auto-reflexão, que a mídia fará ou não. É uma decisão que não me cabe.” Isso é, sim, uma campanha.

Mas voltemos a Diogo. Vá lá, compreendo o ressentimento de Marco Aurélio, coitado! Ele já ganhou de presente dois textos do colunista da Veja. O primeiro é de 24 de outubro de 2001, e o segundo, de 7 de novembro de 2001. Reparem só: um ano antes de Lula conquistar o primeiro mandato... Divirtam-se
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O guru de Lula. Ai de nós

O historiador Marco Aurélio Garcia é considerado o guru de Lula. Como tudo indica que Lula será eleito presidente da República, Marco Aurélio Garcia se tornará, ainda que indiretamente, o guru de todos os brasileiros. É por isso que acompanho com interesse tudo o que ele diz. Suas palavras têm um valor profético, revelando como será o país assim que o PT assumir o poder.
Em recente entrevista, Marco Aurélio Garcia traçou os planos do futuro governo petista. Antes de mais nada, descartou qualquer forma de continuidade ou continuísmo com a política econômica do atual governo. Para ele, o melhor é "fazer como se fez no passado", quando "tivemos a capacidade de nos voltar para dentro". O passado que Marco Aurélio Garcia evoca com tanta nostalgia é o do regime militar, com sua doutrina de substituição de produtos importados por equivalentes nacionais. Marco Aurélio Garcia deu um exemplo iluminante de como isso funcionaria: "Nós não temos tecnologia, mas importamos 8 bilhões de reais por ano em eletroeletrônicos. É melhor pegar esse dinheiro e investir". Parece um silogismo perfeito. Tudo muito simples. Tudo muito razoável. O problema é um só: esses 8 bilhões de reais não saem do bolso do governo, mas dos consumidores que compram telefones celulares ou aparelhos de DVD. Quando Marco Aurélio Garcia fala em "pegar esse dinheiro e investir", portanto, é lícito perguntar onde ele pretende pegá-lo, visto que não lhe pertence. Dos consumidores? E de que maneira? Por meio de impostos, de empréstimos compulsórios, de confiscos? E para investi-los onde, exatamente? Nas multinacionais que produzem eletroeletrônicos em território nacional?
Marco Aurélio Garcia é um dos principais teóricos do PT light. Essa história de PT light sempre me deixou meio desconfiado. Refrigerante light engorda menos, mas também engorda. Cerveja light embriaga menos, mas também embriaga. Cigarro light mata menos, mas também mata. A maior representante do PT light é a prefeita Marta Suplicy, que agraciou Marco Aurélio Garcia com o cargo de secretário da Cultura de São Paulo. Uma de suas propostas à frente da Secretaria da Cultura foi a obrigatoriedade de exibição de curtas-metragens nacionais antes dos longas-metragens. Mais um sinal de continuidade com o regime militar. Agora só falta o cinejornal de Jean Manzon. Marco Aurélio Garcia também tem incentivado o movimento hip hop. E dá grande espaço a empreendimentos como audiovisuais sobre o MST: de uma reportagem com um líder camponês de Buriticupu a um videoclipe do cantor Chico César, no acampamento Dom Hélder Câmara. Recentemente, a Secretaria da Cultura se notabilizou pela limpeza da estátua de Borba Gato e pelo projeto de montar bibliotecas em canteiros de obras, a fim de que os operários possam ler Tolstoi em seus andaimes periclitantes.
Para abastecer essas bibliotecas, a Secretaria da Cultura teve a idéia de oferecer ingressos para um espetáculo de dança da companhia Cisne Negro, no Teatro Municipal, em troca de livros. A construtora SBN doou 200 livros e levou 100 operários ao balé. Quem disse que cultura não serve para nada? Serve para fazer demagogia. Será duro agüentar o nosso guru por quatro anos.
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O Marquês guru

Duas semanas atrás escrevi um artigo sobre o guru de Lula, Marco Aurélio Garcia. Ele não gostou. Disse que devo estar sem assunto para ter dedicado uma coluna inteira a alguém desimportante como ele. Tem razão: sempre sinto falta de assunto. Tanto que, no passado, já tratei até da esteira rolante do Aeroporto de Cumbica. Não creio que Marco Aurélio Garcia seja menos importante que a esteira rolante do Aeroporto de Cumbica. Além disso, eu gostaria de tranqüilizá-lo recordando que também sou pouca coisa. Como ele próprio diz, não passo de uma versão farsesca de Paulo Francis. Um pseudo-Paulo Francis. Um arremedo de Paulo Francis. Estamos todos no mesmo nível, portanto: eu, Marco Aurélio Garcia e a esteira rolante de Cumbica.
Marco Aurélio Garcia não aceita a definição de "guru de Lula". Não fui eu que dei a definição. Copiei-a de uma entrevista que ele concedeu à Folha de S.Paulo. Não vejo nada de errado em ter um guru. Paulo Francis foi meu guru. Se Lula tivesse um bom guru, sem dúvida seria muito melhor. Marco Aurélio Garcia acusa-me de ser preconceituoso. Ele acha que eu acho que "um simples metalúrgico não pode ter sozinho uma visão aprofundada da realidade brasileira". Não é verdade. A falta de visão de Lula independe da profissão que exerceu no passado. O fato de ter sido um metalúrgico não é um problema, assim como não é um mérito. O primeiro-ministro italiano, por exemplo, é o homem mais rico de seu país, mas não há ninguém mais abominavelmente impróprio que ele para governar.
Para Marco Aurélio Garcia, sou um "Ezra Pound tupiniquim". Suponho que ele não me atribua o talento literário do poeta americano. O termo "tupiniquim", então, é pejorativo. Significa pobre, de araque, de terceira categoria. Concordo com ele. O Brasil é mesmo o fim da picada. Por isso não reclamo apenas de Lula, mas de todos os políticos que este país já teve, dos índios tupiniquins em diante. Não faço como Marco Aurélio Garcia, que sente nostalgia da política econômica do regime militar. O mesmo regime militar que o prendeu, condenou e obrigou ao exílio. É a velha Síndrome de Estocolmo, que faz com que seqüestrados acabem por se identificar com seus carcereiros.
Além de guru de Lula, Marco Aurélio Garcia também é secretário da Cultura de São Paulo. Ele defende sua gestão dizendo que não limpou a estátua de Borba Gato e que abriu bibliotecas em lugares improváveis, como canteiros de obras, para servir aos peões. Marco Aurélio Garcia diz que essas bibliotecas permitem conhecer "eternas promessas da nossa literatura", referindo-se ironicamente a mim. Bobagem. Se as pessoas não me lerem, não estarão perdendo nada.
Marco Aurélio Garcia começa com a afirmação de que é desimportante, "um pobre marquês", mas logo muda de idéia, não me reconhecendo estatura moral para julgá-lo. Esses petistas são esquisitos. Em menos de cinco minutos vão do vitimismo pauperista ao delírio de onipotência. Por causa de meu artigo, ele ameaçou me processar. Se levar adiante a ameaça, provavelmente serei julgado durante a presidência Lula, com Marco Aurélio Garcia no cargo de ministro da Cultura. Como sou muito covarde, acho que será melhor não colocar mais os pés no Brasil.

Intelectuais, relembrem o texto de Sader. E esqueçam a sua ortografia

Intelectuais são pessoas muito ocupadas e nem sempre lêem aquilo que assinam. O deputado cassado, sob a acusação de corrupção, José Dirceu está liderando um manifesto de intelectuais (não, ele não subscreve...) contra a sentença judicial que condenou Emir Sader por crime de injúria num processo movido pelo senador Jorge Bornhausen.

Bornhausen recorreu à Justiça contra um texto de Sader. Os intelectuais brasileiros que assinarem o tal manifesto — opondo-se, então, à decisão judicial — estarão endossando as palavras do condenado e julgando-as compatíveis com a luta política. A partir daí, estarão escolhendo um padrão. Esses papeluchos chegam às salas de professores, aos departamentos das universidades, e vão ganhando adesões. Logo, é preciso saber, senhores intelectuais, o que é que vocês estariam assinando.

Reproduzo abaixo, em vermelho, o artigo de Sader, entremeado de comentários meus, em azul. O título é “O ódio de classe da burguesia brasileira”. Ah, sim: este notório intelectual, articulista profícuo e valente, comete coisas como “opróbio”, “expoliação” e “escorchante”.
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"A gente vai se ver livre desta raça (sic), por, pelo menos, 30 anos."
(Jorge Bornhausen, senador racista e banqueiro do PFL)

A frase entre aspas é uma espécie de epígrafe. Bornhausen disse mesmo o que está ali. Você pode discordar. Pode achar imprópria a expressão. Mas é óbvio que ele não emprega a palavra “raça” como etnia. Basta consultar o dicionário. Um dos sentidos do vocábulo é “grupo de pessoas”. Até porque, vamos convir: para ser “racista”, seria necessário que o petismo compreendesse, ao menos, um grupo de características genéticas, transmitidas aos descendentes. Hoje em dia já se sabe que nem mesmo existe “raça”. O que diferencia um negro, um branco ou um japonês são traços absolutamente irrelevantes. Existe a “raça humana”. E ponto. Logo, descarte-se a “raça petista” — a não ser naquela acepção empregada pelo senador.
Já na caracterização que ele faz de Bornhausen, há dois crimes, não um. Injúria: é claro que chamar alguém de racista, sendo o racismo um crime, ofende a honra subjetiva dessa pessoa. Mas há também calúnia — não sei se o juiz percebeu. Ao classificar o político de “senador racista”, está dizendo que Bornhausen é ativo no crime, é militante do crime. A coisa funciona mais ou menos assim: se eu o chamo de “ladrão”, estou sendo injurioso, claro. Se digo que você roubou a minha carteira e se isso é mentira, trata-se de uma calúnia. Volto ao ponto: “racista”: é injúria. “Senador racista”: é calúnia.
Assinar o manifesto de Dirceu, simbolicamente, é se tornar co-autor da acusação e dos dois crimes. Sigamos com Sader.

O senador Jorge Bornhausen é das pessoas mais repulsivas da burguesia brasileira. Banqueiro, direitista, adepto das ditaduras militares, do governo Collor, do governo FHC, do governo Bush, revela agora todo o seu racismo e seu ódio ao povo brasileiro com essa frase, que saiu do fundo da sua alma - recheada de lucros bancários e ressentimentos.
Acho que não preciso apontar onde está a reiteração da injúria. Há também uma mentira. Bornhausen não é banqueiro.

Repulsivo, não por ser loiro, proveniente de uma região do Brasil em que setores das classes dominantes se consideram de uma raça superior, mas por ser racista e odiar o povo brasileiro. Ele toma o embate atual como um embate contra o povo - que ele significativamente trata de "raça".
Sader costuma ser um “intelectual” de textos longos e idéias curtas. Reparem que ele não sai do lugar. Mas reparem também que há uma ofensa dirigida a todas as pessoas do Sul do Brasil. É inescapável: cada loiro da classe dominante daquela “região do Brasil” — só Santa Catarina ou toda a região Sul, professor? — tem o direito de se sentir injuriado. Sader afirmou que todos eles “se consideram de uma raça superior”. Cada catarinense pode entrar na Justiça com um processo individual contra Sader.
Há uma outra mentira no artigo. Afirma que Bornhausen chamou “raça” — aquela da qual precisamos nos livrar por 30 anos — “o povo”. Não! Referia-se ao PT. E o PT, ainda que Sader possa se escandalizar com isso, não é todo o povo. Felizmente, não é. Não é nem mesmo a maioria. Lula foi eleito com pouco mais de 46% dos votos do eleitorado brasileiro, que é de quase 126 milhões. E nem todo mundo que votou nele é petista.


Ele merece processo por discriminação, embora no seu meio - de fascistas e banqueiros - sabe-se que é usual referir-se ao povo dessa maneira - são "negros", "pobres", "sujos", "brutos", - em suma, desprezíveis para essa casa grande da política brasileira que é a direita - pefelista e tucana -, que se lambuza com a crise atual, quer derrotar a esquerda por 30 anos, sob o apodo de "essa raça".
Vejam como ele se trai. No trecho, fica claro que ele reconhece que Bonhausen se referia a um grupo de pessoas, que Sader chama “a esquerda”. Ainda assim, é inexato. A referência era ao PT. A injúria continua, agora de forma mais agressiva. O senador também se oporia aos "negros", "pobres", "sujos" e "brutos"


É com eles que anda a "elite paulista", ultra-sensível com o processo de sonegação contra a Daslu, mas que certamente não dirigirá uma palavra de condenação a seu aliado estratégico (da mesma forma que a grande mídia privada). São os amigos de FHC e de seus convivas dos Jardins, aliados do que de mais atrasado existe no Brasil, ferrenhamente unidos contra a esquerda e o povo.
Bom, é o delírio habitual. Bornhausen, Daslu, FHC... Ele quer atacar seus inimigos. Nesse caso, cada morador dos Jardins, em São Paulo, também tem o direito se sentir injuriado e processar Sader. Fica claro, no contexto do artigo, que são também “racistas” e, pois contra "negros", "pobres", "sujos", "brutos".

Mas não se engane, senhor Bornhausen, banqueiro e racista, muito antes do que sua mente suja imagina, a esquerda, o movimento popular, o povo estarão nas ruas, lutarão de novo por uma hegemonia democrática, anti-racista, popular, no Brasil. Muito antes de sua desaparição definitiva da vida pública brasileira, banido pelo opróbio (sic), pela conivência com a miséria do país mais injusto do mundo, enquanto seus bancos conseguem os maiores lucros especulativos do mundo, sua gente será definitivamente derrotada e colocada no lugar que merece - a famosa "lata de lixo da história".
Imaginem um professor universitário, dotô, que escreve “opróbio” em vez de “opróbrio”. Está assim mesmo no site Carta Maior, juro. Até que não corrijam, clique aqui e confira.

Não, senhor Bornhausen, nosso ódio a pessoas abjetas como a sua, não os deixará livre de novo para governar o Brasil como sempre fizeram - roubando, explorando, assassinando trabalhadores. O seu sistema , o sistema capitalista, se encarrega de reproduzir cotidianamente os que se opõem a ele, pelo que representa de opressão, de expoliação (sic), de desemprego, de miséria, de discriminação - em suma,