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| Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino) |
| Sexta-feira, Maio 16, 2008 |
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A Alstom e os petralhas
Respondendo a uma questão de um petralha um tanto agressivo — mas, ao menos, sem palavrão —, respondo a um monte. Vamos lá, em vermelho. Respondo em azul: Sobre os R$ 556 milhões de contratos irregulares do Metro com a Alstom, você não fala nada, né? Todo o seu rigor só vale para o PT. Quando envolve o seu candidato à Presidência, o Serra, você cala esta sua grande boca. Ou o TCU serve quando é pra sacanear o Lula, mas o TCE não serve quando atinge o Serra?” Comento Ai, ai... Vamos lá. 1) Ainda que eu protegesse Serra — é falso, mas cada um ache o que quiser; não me deixo pautar por quem me detesta —, não seria nesse caso, não é, petralha? Os contratos com as estatais paulistas são anteriores à sua gestão: dizem respeito às administrações Covas e Alckmin. 2) Em segundo lugar, o TCE não apontou irregularidade porcaria nenhuma. Acabo de ver a entrevista do representante do tribunal no Jornal Nacional. Um dos conselheiros — um — pediu esclarecimentos à empresa. E informou: se a resposta for considerada adequada, arquiva-se tudo. Se insatisfatória, envia-se ao Ministério Público. Ao contrário, o TCE considerou regulares os aditivos para a compra de trens. 3) O Ministério Público Estadual está investigando os contratos da multinacional francesa com as empresas estatais paulistas. Atenção para o que diz o promotor Silvio Antonio Marques, que conduz a investigação: “NÃO DÁ PARA FALAR EM IRREGULARIDADE ATÉ O MOMENTO”. 4) A Alstom está sob investigação na Suíça. Até agora, há denúncias de que propinas teriam sido pagas. Fala de novo o promotor: “Estou esperando a chegada desses papéis. Eu quero saber quais foram as contratações e preciso das cópias dos contratos". 5) O Ministério Público Federal afirmou que também vai investigar as denúncias. Excelente! 6) A bancada petista na Assembléia Legislativa quer instalar uma CPI para investigar as “irregularidades” que, segundo o promotor, ainda não estão caracterizadas. O partido está na dele, não? É do jogo. Só não vale mentir sobre o relatório do TCE. 7) Com uma campanha eleitoral pela frente, os petistas estão pensando em empurrar Alckmin para alguma sinuca. Talvez devam tomar um pouco de cuidado, não? A Operação Castores, de 2006, da PF, encontrou papéis que sugerem que a Alstom pagou propina a Adhemar Palocci, diretor da Eletronorte e irmão do Palocci mais famoso. 8) E que se note: neste como em qualquer outro caso, que se investigue tudo e se punam os culpados, sejam petistas, tucanos ou corintianos. Satisfeito, petralha? |
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Por Reinaldo Azevedo | 21:10
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Por que Paulo Bernardo não se cala?
Paulo Bernardo, do Planejamento, nem está entre os ministros que mais falam, o que é uma sorte. O governo Lula poderia tomar uma decisão: só Tarso Genro (Justiça) pode disparar bobagem. Os demais ficam caladinhos. Observem, no post abaixo, que, bom petista, ele também está com medo da língua de José Aparecido. E, por isso, tenta arrastar um senador da oposição para o imbróglio. É claro que o bancário Paulo Bernardo sabe a diferença entre fazer uso de um dossiê e denunciar a sua existência. Ou não conseguiria distinguir uma fatura de uma duplicata. Quem tinha o dever funcional de resguardar eventuais documentos sigilosos era José Aparecido. Mas o nobre Bernardo acha que Salomão não estava brincando quando propôs dividir a criança: meio a meio. Ele sabe bem do que fala, não? Bernardo é um dos que faziam alusão aos gastos do governo FHC. Além dele, também se referiam a dispêndios daquele governo os ministros Jorge Hage e Dilma Rousseff — esta, então, anunciou aos empresários que vinha bomba; cantou a bola. E como é que Bernardo sabia? O leitor inteligente já deduziu, creio: o dossiê já estava sendo feito. Lembro reportagem de Por Christiane Samarco e Vera Rosa, no Estadão, no dia 29 de março (em azul): Na primeira semana de fevereiro, muito antes de a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Cartões ter sido instalada, no dia 11 de março, o Palácio do Planalto mobilizou toda a Esplanada dos Ministérios para coletar informações e montar um dossiê com dados sobre gastos do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) com cartões corporativos e contas tipo B. Supreendido com a divulgação da papelada, o governo deflagrou uma estratégia para despistar, dizendo que havia coletado as informações a pedido da CPI. A operação dossiê saiu de pelo menos duas reuniões realizadas no Planalto, sob comando da ministra Dilma Rousseff e com participação dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento), José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e Franklin Martins (Comunicação Social). Algumas vezes, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi ao Planalto consultar os ministros. Por que Bernardo não se cala? |
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Por Reinaldo Azevedo | 20:21
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Flagrante de como um petista vê o mundo
Leiam o que vai abaixo. Volto no post seguinte: Por Evandro Fadel, no Estadão On Line: O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, acusou, nesta sexta-feira, 16, em Curitiba, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) de ter supostamente vazado para a imprensa o levantamento sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso . "Quem passou para a imprensa foi o Álvaro Dias", afirmou. "Precisamos saber como o Álvaro Dias se explicou na Polícia Federal sobre esse episódio, porque aparentemente ele tinha informações. Hoje se sabe que quem passou para a imprensa de maneira reservada, clandestina, foi o senador", completou. Bernardo comentou o indiciamento, pela Polícia Federal, do ex-secretário de controle interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, por violação de sigilo funcional. Ele é apontado como responsável por passar dados sigilosos de seu computador para o do assessor de Dias no Senado, André Fernandes. "Acho que a trajetória normal das coisas é que o outro vazador seja também indiciado", opinou. "O assessor do Senado, que é o André, e também o chefe dele, que é o senador Álvaro Dias, precisam explicar. Portanto, se tiver penalização para um, tem para o outro também." |
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Por Reinaldo Azevedo | 20:00
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Voltei
Participei com os bambas abaixo, no programa Opinião Nacional, da TV Cultura, de uma conversa sobre a atuação da imprensa na cobertura do caso Isabella, a espetacularização da notícia, ética no trabalho jornalístico etc. Vai ao ar na próxima quinta-feira, às 22h40. Na quarta seguinte, é exibido de novo, às 2h. |
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Por Reinaldo Azevedo | 19:04
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Debate
Queridos, |
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Por Reinaldo Azevedo | 15:36
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Aparecido indiciado. Falta agora pegar a mandante
A PF indiciou o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires, acusado de violação do sigilo funcional. Ele depôs hoje por cerca de três horas para o delegado Sérgio Menezes, responsável pelo inquérito que investiga o vazamento do dossiê. |
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Por Reinaldo Azevedo | 15:02
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LEIAM ABAIXO
- Raposa Serra do Sol 1 - A terra onde brotam ouro, mistificação e cupidez; - Raposa Serra do Sol 2 – As riquezas da reserva e quem defende o quê; - Raposa Serra do Sol 3 - General Heleno não é voz isolada, afirma almirante; - Raposa Serra do Sol 4 - Líder arrozeiro acusa governo e ministro de fazerem; - "Esta parte do Brasil é importante demais para ser deixada aos brasileiros"; - "Não tenho planos para o Mangabeira"; - Expectativa não é boa, diz Maggi sobre Minc; - Procura-se emprego para Siba; - Na CPI, assessor dirá que Erenice coordenou dossiê; - Paulinho ficou "desesperado", revela grampo; - Alckmin confirma vaga de vice para o PTB; - Rentabilidade dos bancos nos seis anos do governo Lula é superior à dos oito anos do governo FHC; - BB vai absorver Banco Popular, após R$ 144 mi em prejuízos; - IGP-10 triplica neste mês e avança 1,52%; - BC já admite inflação de 5% neste ano; - Discurso de Bush em Israel é lido como crítica a Obama |
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Por Reinaldo Azevedo | 06:47
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Raposa Serra do Sol 1 - A terra onde brotam ouro, mistificação e cupidez
A cada dia fica mais evidente a maluquice do governo Lula ao tentar transformar a região de Raposa Serra do Sol numa área contínua de reserva indígena. Não fosse a história demonstrar que a presença do branco na área remonta ao século 19; não fossem as evidências de fraude no tal laudo antropológico que dá amparo técnico à decisão; não fossem as provas factuais de que os índios já não vivem mais como seus antepassados, há a questão, sim, estratégica — e não diz respeito apenas ao controle das fronteiras. A região é rica em ouro, diamante e especialmente nióbio. O mapa das riquezas minerais tem uma exata coincidência com o mapa das reservas — tanto a ianomâmi como, agora, a Raposa Serra do Sol. O qüiproquó todo se deu por causa dos arrozeiros, que resolveram resistir. Mas eles ocupam uma área ridiculamente pequena: apenas 0,7% de toda a reserva, onde se produzem 159 mil toneladas de arroz. Os índios vivem da agricultura, da pecuária e, como ficou evidente na reportagem do Jornal da Globo, do garimpo, uma atividade proibida por ali. A reportagem surpreendeu dois índios — falando com todos os esses e os erres de quem domina o português há gerações — na beira do rio. Duas ou três mergulhadas da batéia na água, e o ouro aparece. É grotesco que essa questão esteja em debate quando há uma crise no Ministério do Meio Ambiente e se fale em desenvolvimento sustentável da Amazônia. Ora, o que se entende por isso? Fechar os índios num jardim zoológico? Esse é o sonho de alguns antropólogos desmiolados. Tão logo os “brancos” saiam dali — se tiverem de sair —, há, isto sim, o risco de uma guerra civil entre os índios. Esqueçam: a noção de propriedade já chegou à região. Eles estão em busca de atividades que rendam lucro, como em qualquer economia capitalista. Não se vai realizar ali o sonho edênico da propriedade coletiva. E vão, como qualquer ser humano, buscar as atividades mais rentáveis. A verdade é que a “causa” Raposa Serra do Sol vocaliza a militância de uma único grupo: o Conselho Indígena de Roraima (CIR), que é financiado por ONGs — duas em especial: a Fundação Ford, como já demonstrei aqui, e a The Nature Conservancy, que recebe dinheiro dos governos dos Estados Unidos, Reino Unido e França. Sua representante falou ao Jornal da Globo. A ONG auxilia os índios a encontrar áreas para a agricultura, pecuária e, pasmem!, mineração. Só que, por enquanto, o governo brasileiro proíbe a mineração na região. Mas e daí? O governo brasileiro proíbe, e as ONGs estimulam. E como é que o Planalto resolveu tomar conta, enfim, do seu território? Ora, expulsando de Raposa Serra do Sol os não-índios. É uma estupidez. Ademais, a própria CIR diz reunir pouco mais de sete mil indivíduos — dos 19 mil que vivem lá. Como já é um organismo político, é bem possível que tenha muito menos gente. Mas que se dê de barato: ainda assim, trata-se de uma minoria. Não adianta tentar dourar a pílula. O Brasil é signatário da tal Declaração dos Povos Indígenas, da ONU. Isso quer dizer que o governo está de acordo com os seus pressupostos (se quiser ler íntegra da declaração, está aqui). Se está, concorda, então, com isto: Artigo 3 Os povos indígenas têm direito à livre determinação. Em virtude desse direito, determinam livremente a sua condição política e perseguem livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural. Artigo 4 Os povos indígenas no exercício do seu direito à livre determinação, têm direito à autonomia ou ao autogoverno nas questões relacionadas com seus assuntos internos e locais, assim como os meios para financiar suas funções autônomas. Artigo 30 “Não se desenvolverão atividades militares nas terras ou territórios dos povos indígenas, a menos que as justifiquem uma razão de interesse público pertinente, ou que as aceitem ou solicitem livremente os povos indígenas interessados”. Não há ambigüidade nenhuma aí. As coisas são o que são. Essa é a causa das ONGs da região, em parceria com o Conselho Indigenista Missionário, a facção da Igreja Católica ligada ao que chamo de “Escatologia da Libertação”. Vocês sabem, não? Se deixássemos a agricultura por conta dos “padres progressistas”, a fome certamente já teria matado uns três quartos da humanidade. A delimitação da reserva Raposa Serra do Sol nasce de uma fraude técnica. A causa alimenta-se do equívoco, quiçá da cupidez. E o país não terá um bom futuro se continuar a jogar brasileiros contra brasileiros, pouco importa a sua origem. Ou a cor de sua pele. Que o STF aja com sabedoria! |
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Por Reinaldo Azevedo | 06:33
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Raposa Serra do Sol 2 – As riquezas da reserva e quem defende o quê
O Jornal da Globo levou ao ar, na noite de ontem, a terceira e última reportagem da série sobre a reserva Raposa Serra do Sol. Leiam com atenção. Para assistir ao vídeo, clique aqui. Comento no post seguinte: * Na Raposa Serra do Sol, o horizonte parece infinito e a riqueza sem limite. “Tem muito ouro e diamante, então é mais por isso que querem essa área”, diz a wapixana Maria Antonia dos Santos. E quem não quer um pedaço dessa terra? Planícies ideais para o cultivo de arroz, sobra espaço no lavrado para a criação de gado e basta percorrer estradas, perto de belíssimos rios e cachoeiras, para encontrar outras riquezas. No banho do Paiuá, um dos pontos turísticos do município do Uiramutã., recentemente, o serviço geológico do Brasil fez furos nas rochas a procura de minerais. E dias atrás, garimpeiros foram retirados da areia, eles estavam à procura de ouro. Na praia, usada nos fins de semana por moradores de Uiramutã, foi aberto um grande buraco. “Estavam lavando essa terra e pegando ouro, bastante ouro. Foi preciso que a gente viesse aqui e conversasse com eles que esse aqui é o banho da cidade e não poderia ser degradado dessa forma”, conta Miguel da Silva Araújo, secretário de Agricultura de Uiramutã. Em outro lugar, perto de onde cristais brotam do chão, encontramos equipamentos usados no garimpo, atividade proibida na reserva. Procuramos um pouco mais e finalmente, descendo a ladeira, vemos dois homens trabalhando dentro d´água. Observamos com paciência e alguns minutos depois surgem vários pontos dourados brilhando no fundo da batéia. “Todo dia, tem vezes que a gente faz dois gramas, três gramas. Tem semana que é assim 10, 14, 15 gramas”, conta o índio macuxi Edson da Silva. Um mapa de Roraima feito pelo serviço geológico do Brasil, do Governo Federal, mostra que as principais reservas minerais do estado ficam localizadas sobre as reservas Yanomami e Raposa Serra do Sol. Tem ouro, diamante, nióbio e outros minerais nobres. Com a demarcação em área contínua, fazendeiros e não índios terão que sair da reserva. Fato que preocupa o governador de Roraima. José de Anchieta Filho acredita que a fronteira ficará desprotegida. “Nós temos aqui cerca de 960 quilômetros de fronteira com a Venezuela e mais 960 quilômetros com a Guiana Inglesa. Se permitirmos que isso aconteça, o que vai acontecer? Daqui a pouco toda a fronteira está demarcada como área indígena, tirando toda a presença de não índio, de militares dessa área e deixando apenas sob a jurisdição apenas dos índios de manter a soberania e a vigilância dessa fronteira. Esse é o perigo”, afirma o governador. “Não é ameaça à soberania nacional. Lá na reserva Raposa Serra do Sol existem três pelotões onde o exército deve cumprir seu dever constitucional. Então, por aí, não é uma ameaça porque nós acreditamos na nossa instituição legalmente criada que é o exército”, diz o líder indígena, Júlio Macuxi. O governo de Roraima quer um plano de desenvolvimento econômico sustentável dentro da reserva, que inclui a construção de uma hidrelétrica no rio Cotingo. Índios ligados a Sodiur, associação que defende a permanência de arrozeiros e comerciantes, apóiam a idéia. “Uma área imensa, que dá para nós trabalhar, dá para nossos filhos trabalhar, dá para outros não índios trabalhar porque são parceiros”, defende o líder indígena Adelino Pereira. A exploração das riquezas também está nos planos do CIR, o Conselho Indígena de Roraima, que exige a saída de todos os não índios dali. Desde 2003, a maior ONG ambientalista do mundo, a The Nature Conservancy, que recebe dinheiro dos governos dos Estados Unidos, Reino Unido e França financia o CIR em projetos para identificar áreas de agricultura, pecuária e até de mineração - atividade ainda não aprovada por lei. “Nós acreditamos que é possível, assim como existe em outros lugares do mundo, que os indígenas participem de atividades minerarias, desde que isso seja muito bem regulamentado pelo governo brasileiro”, defende a representante da ONG no Brasil. Ana Cristina Barros. O trabalho de ONGs e igrejas é visto com desconfiança por militares, que temem a influência de estrangeiros sobre os índios. Outra preocupação é o contrabando de ouro e pedras preciosas. Apesar da presença de pelotões dentro da reserva, oficiais dizem que estrangeiros podem circular sem controle na terra indígena e atravessar livremente o rio Maú, que faz divisa com a Guiana, onde o barqueiro faz a viagem sem qualquer fiscalização. O general Heleno Ribeiro, comandante militar da Amazônia, criticou a política indigenista do governo e por isso foi repreendido pelo presidente Lula. “É só ir lá olhar as comunidades indígenas para ver que essa política é lamentável, para não dizer que é caótica”, disse o general em abril. “O que está em jogo é o fato de se estar criando uma situação de risco, que pode vir a se transformar numa ameaça concreta a soberania do país”, acredita o general Alberto Cardoso. O general, ex-chefe do gabinete militar da presidência, reflete uma corrente de opinião dentro do exército. Assim como muitos oficiais, ele acredita que num cenário de radicalização, os índios possam ser estimulados a criar um estado independente. “Basta que se decida, que ali tem um território, tem uma nação, vamos criar um estado e transformar esse estado em algo independente. Um ente político independente e aí já se foi a nossa soberania e vai se criar uma situação conflituosa”, dia o general. Para ONGs, a Igreja Católica e os índios do CIR, a preocupação dos militares não faz sentido. “Se a igreja tem algum pecado é de trabalhar pela promoção da vida e da dignidade das pessoas e esse pecado nós não temos medo de confessar”, diz o bispo de Roraima, Dom Roque Paloschi. “Nós acreditamos que dizer que os povos indígenas são ameaça à soberania nacional é crime de racismo contra os povos indígenas", diz o líder indígena, Júlio Macuxi. Nas próximas semanas, o Supremo Tribunal Federal vai decidir se a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, de forma contínua, será mantida como quer a Funai ou se será feita uma revisão do processo, como pede o governo do estado de Roraima. O julgamento não definirá o caso de Roraima, mas não resolve uma questão ainda maior: o que queremos fazer com a Amazônia e como vamos tratar nossos índios? |
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Por Reinaldo Azevedo | 06:29
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Raposa Serra do Sol 3 - General Heleno não é voz isolada, afirma almirante
Na Folha: O chefe do Estado Maior de Defesa, almirante-de-esquadra Marcos Martins Torres, afirmou que o general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, não é o único nas Forças Armadas em suas críticas à demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol (RR). Indagado especificamente se Heleno era uma "voz isolada", Torres respondeu "não", enfaticamente, mas evitou fazer comentários sobre as observações do general -ele causou polêmica ao classificar a demarcação contínua da reserva como ameaça à soberania nacional. Após anos de impasse, a demarcação foi decidida pelo governo Lula após laudos técnicos da Funai demonstrarem a necessidade do terreno para a sobrevivência da etnia macuxi. A reserva possui área de cerca de 1,68 milhão de hectares e faz fronteira com a Guiana, o que incomoda os militares. Além disso, a savana da região é propícia à plantação de cereais, o que levou arrozeiros a se instalarem na área. O Supremo Tribunal Federal já recebeu ao menos 33 ações que contestam a demarcação contínua da terra, mas não decidiu sobre o caso. Assinante lê mais aqui |
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Por Reinaldo Azevedo | 06:23
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Raposa Serra do Sol 4 - Líder arrozeiro acusa governo e ministro de fazerem "terrorismo"
Por Lucas Ferraz, na Folha: Assinante lê mais aquiPersonagem principal da polêmica envolvendo a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, o líder arrozeiro e prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero (DEM), 55, acusou o governo federal e o ministro Tarso Genro (Justiça) de fazerem terrorismo na terra indígena. Segundo ele, o confronto entre índios e funcionários de sua fazenda, na semana passada, foi "orquestrado". FOLHA - O sr. disse que o confronto na reserva se agravaria se a política do governo fosse mantida. Isso acontecerá mesmo se o STF confirmar a demarcação contínua? PAULO CÉSAR QUARTIERO - Com certeza, a questão é emblemática. Só 7% de Roraima pode ser utilizada por qualquer atividade econômica. É condenar a população ao aniquilamento. FOLHA - E a convivência com os índios? QUARTIERO - Nós defendemos os índios! Quem condena é essa política. Há áreas demarcadas há 20, 30 anos, nenhuma produtiva. Alguns índios sobrevivem com cesta básica. Por que temos que condená-los a viver como antigamente? (...) FOLHA - E o ataque dos funcionários de sua fazenda aos índios? QUARTIERO - Foi orquestrado. Aqueles índios foram levados pela Funai, em veículos da missão católica, que tem interesse em retirar os evangélicos da região. Tudo com o apoio da PF. Eles sabiam que se entrassem haveria confronto. Esses feridos foram a pior coisa para nós. Eles buscam um mártir, como Dorothy Stang e Chico Mendes. Empurraram os índios como bucha de canhão para que se transformem em mártires. |
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Por Reinaldo Azevedo | 06:19
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"Esta parte do Brasil é importante demais para ser deixada aos brasileiros"
Por Gabriel Manzano Filho, no Estadão: "Uma coisa tem que ficar clara. Esta parte do Brasil é importante demais para ser deixada aos brasileiros. Se perdermos as florestas perderemos a batalha contra as mudanças climáticas." É assim, num texto curto e direto, que o jornal londrino The Independent fecha o seu editorial de ontem, em que critica duramente o governo brasileiro pela saída da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Sob o título Salvem os Pulmões do Planeta, o jornal diz ainda que a Amazônia "é um recurso precioso para o mundo inteiro, pelo qual todos temos de assumir a responsabilidade". Além do editorial, o jornal dedica duas páginas à saída da ministra. Porta-voz de causas ambientais, The Independent define a renúncia da ministra como "um tapa no futuro do planeta". E repete as críticas aos fazendeiros e madeireiros da Amazônia. Acusa o governo de ceder aos lobbies do agronegócio e compara: "Quase 25% do total de emissões de carbono do planeta hoje se devem ao processo de desmatamento - superando de longe os 14% produzidos por aviões, carros e fábricas". Assinante lê mais aqui |
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Por Reinaldo Azevedo | 06:11
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"Não tenho planos para o Mangabeira"
Por Andrei Netto, no Estadão:
Trinta e seis horas se passaram entre o contato do Estado com o então secretário de Ambiente do Rio, Carlos Minc, e o novo ministro do Meio Ambiente, o mesmo Minc. Na primeira entrevista, na quarta-feira, ele descartava a hipótese de assumir o posto aberto pela saída de Marina Silva. Ontem, Minc voltou a falar, dessa vez na condição de ministro "em tese". Confirmou que aceitou o convite após as pressões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador do Rio, Sérgio Cabral. E justificou a mudança de idéia alegando ter "carta verde" para desenvolver seus projetos à frente do ministério. Por que a mudança de opinião? No dia de ontem, as coisas começaram a mudar com os vários telefonemas do Sérgio Cabral. Ele dizia que era uma questão do Lula, uma questão do País, que eu não poderia negar. Criou-se uma circunstância na qual a minha recusa seria encarada como uma covardia política. Somem-se a isso as garantias que o Lula me deu. Essas foram as condições de o não virar sim. (...) O senhor cogita o nome do ex-governador Jorge Viana para a coordenação-executiva do PAS. Qual seria a relação entre Viana e o ministro Roberto Mangabeira Unger, nos seus planos? Veja, eu não tenho planos para o Mangabeira porque quem tem planos para o Mangabeira é o presidente da República. Entendo que o presidente pensou em alguém mais fora da disputa por verbas. O ministério do Mangabeira não disputa verbas com Cidades, Integração, Agricultura. É mais de formulação. Eu penso em uma pessoa, independente de quem seja o ministro formulador, que seja o executor. Seria uma pessoa que conhece a Amazônia. No caso, Jorge Viana conhece a Amazônia, conhece os prefeitos, os governadores, tem uma política muito proativa de desenvolvimento sustentável, com a qual me identifico. Assinante lê mais aqui |
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Por Reinaldo Azevedo | 06:09
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Expectativa não é boa, diz Maggi sobre Minc
Por João Carlos Magalhães, na Folha: O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), afirmou ontem à Folha que não tem uma boa expectativa sobre a futura gestão de Carlos Minc à frente do Ministério do Meio Ambiente, no lugar de Marina Silva, que se demitiu. "Ele não me conhece, não conhece o Estado, não conhece a região. A expectativa, posso dizer, é, por enquanto, não boa", afirmou o governador. Mato Grosso é o recordista histórico no desmatamento da floresta. Um dos maiores sojicultores do mundo, Maggi se firmou, desde que foi eleito pela primeira vez, em 2002, como a principal liderança dos produtores rurais da região. Em entrevista à TV Globo antes de aceitar o convite para o ministério, Minc declarou que, "se deixar", Maggi plantaria soja "até nos Andes". "Achei muito preconceituoso", respondeu Maggi. "Me senti surpreendido por ter sido metralhado assim. Conheço muito o Brasil; ele, não. Mas o convido, desde já, para vir aqui e conhecer nosso trabalho." Em nota, o governo mato-grossense classificou de "descabidas, inoportunas, extemporâneas e impróprias" as declarações do novo ministro. Assinante lê mais aqui |
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Por Reinaldo Azevedo | 06:07
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Procura-se emprego para Sibá
Por Leandro Colon e Tiago Pariz, no Correio Braziliense: Sibá Machado (PT-AC) não é mais senador. E está atrás de um bom emprego. Algo que lhe dê visibilidade para voltar ao Congresso nas próximas eleições. Desta vez, com votos. Ontem, ele passou o dia limpando as gavetas e acertando os últimos detalhes de sua saída. Sem o salário de R$ 16,5 mil e todas as regalias de um mandato, Sibá sonha agora com uma secretaria no governo do Acre. Ele negocia com o governador Binho Marques (PT) a criação de um órgão ligado à produção energética. Sibá quer levar adiante a proposta de estimular o estudo para retirar etanol da mandioca. “É a linha que mais se aproxima de mim”, afirma. Nos próximos dias, deve ter uma resposta sobre seu futuro. (...) Ontem, Ideli [Salvatti] tentou segurá-lo em Brasília. Queria emplacá-lo em alguma diretoria ligada ao biocombustível, mas foi avisada que, por enquanto, não há uma vaga para abrigar Sibá. “Vamos ver o que fazer. O ideal seria mantê-lo em Brasília.” Sibá agradece, mas quer voltar ao Acre. (...) Se uma nova secretaria no Acre não vingar, há ainda a possibilidade de o governo estadual concretizar uma velha demanda dos petistas: a criação do Instituto de Pesquisa Econômica do Acre. Sibá presidiria o órgão. (...) A troca de cadeiras terá um reflexo que já preocupa o PT: Sibá era um senador disciplinado e seguia à risca a cartilha petista. Marina, não. Assinante lê mais aqui |
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Por Reinaldo Azevedo | 06:05
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Na CPI, assessor dirá que Erenice coordenou dossiê
Por Sônia Filgueiras e Vera Rosa, no Estadão: O assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Eduardo Fernandes, vai sustentar em seu depoimento na terça-feira, na CPI dos Cartões, que o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires lhe disse que Erenice Guerra coordenou a coleta de informações e a montagem do dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Erenice é secretária-executiva da Casa Civil e braço direito da ministra Dilma Rousseff. André Fernandes também vai apresentar à CPI uma cópia dos e-mails trocados com Aparecido - que deixou o cargo na quarta-feira -, além da planilha remetida pelo ex-secretário. O assessor de Dias deixará o material à disposição dos parlamentares da CPI para eventual exibição no plenário da comissão. Conforme apuração do Estado, o arquivo remetido por Aparecido a André não traz em seus registros o nome do autor da planilha com os dados do dossiê. Tem somente a identificação "Casa Civil". A menção ao nome de Erenice na CPI abre uma brecha para que a bancada oposicionista tente estender as investigações à principal assessora de Dilma, levando a própria ministra a se expor. A oposição já tentou convocar Dilma para depor, mas viu seus requerimentos barrados. A expectativa é de que na terça, além do depoimento de André, a CPI também ouça Aparecido, conforme compromisso firmado por seu novo advogado, Luiz Maximiliano Telesca, com a comissão. O ex-secretário foi apontado por integrantes do próprio governo como suspeito de ter divulgado o dossiê. Laudo preliminar do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), responsável pela perícia nos computadores da Casa Civil indicou que o arquivo foi remetido a André a partir de uma troca de e-mails entre ele e Aparecido. Assinante lê mais aqui |
| Por Reinaldo Azevedo | 06:03 | |