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WikiLeaks

11/09/2012

às 17:50

Cai a máscara de Julian Assange, o pilantra que seduziu idiotas em penca mundo afora, muito especialmente no Brasil

Julian Assange, um dos grandes vigaristas da era cretinamente correta, nunca me enganou. E eu tenho o arquivo do blog a meu favor, não é? Dei a primeira porrada nele num texto intitulado Lamento dizer, mas também existe transparência antiética”, no dia 2 de dezembro de 2010. De lá para cá, foram muitas. Aqui vocês encontram a lista. Esse pilantra só se tornou uma referência positiva porque boa parte da imprensa, do Brasil e do mundo, perdeu os referenciais e passou a confundir ação criminosa com a apuração jornalística. Uma coisa, relembro, é conversar com bandidos ou mesmo divulgar documentos de interesse público que estejam sob sua guarda; outra, distinta, é patrocinar a bandidagem e a ilegalidade para obter esses documentos, como ele fazia e faz. O encantamento basbaque da imprensa ocidental com esse vigarista é fruto de uma crise ética.

Não por acaso, esse guardião da transparência está refugiado na embaixada do Equador, uma protoditadura, que exila e prende jornalistas independentes. Pretende montar naquele país o seu quartel-general. Assange responde a um processo por estupro na Suécia. Ele tenta, claro, convencer o mundo de que a Suécia é um tirania discricionária a serviço dos Estados Unidos. Pois bem… Leio agora na Veja.com que o grande libertário, o homem da transparência absoluta, quer censurar um filme sobre a sua trajetória. Considera-o difamatório. E resolveu recorrer à Justiça — instância que, fica claro, ele jamais reconheceu como válida – para tentar impedir a realização de um festival.

Cai a máscara do farsante. Não tenho claro até agora para quem trabalha o pilantrão. Uma coisa é certa: seus vazamentos sempre tiveram como alvo último os Estados Unidos. Para justificar sua ação em favor da censura, Assange diz que o documentário sobre ele é “unilateral” e “tendencioso”, como se o WikiLeaks tivesse dado alguma vez chance de defesa àqueles que se tornavam alvos de suas investidas.

O vigarista, como se nota, usou das conquistas das democracias ocidentais para cometer crimes em nome da liberdade de expressão e quer transformar em crime a maior de todas as conquistas da democracia ocidental: a liberdade de expressão!

Merece mesmo estar sentado ao lado de um tiranete xexelento como Rafael Correa, presidente do Equador.

Segue texto da VEJA.com:
*
O fundador do Wikileaks, Julian Assange, ameaçou entrar com uma ação judicial contra o festival de cinema South by Southwest (SXSW), nos Estados Unidos, caso seja exibido o documentário “Wikileaks: Secrets and Lies” (Wikileaks: Segredos e Mentiras), noticiou o jornal britânico The Guardian.

Assange, que está refugiado na embaixada do Equador em Londres, afirmou que o documentário é difamatório, injusto e que sua privacidade tinha sido invadida. As ameaças de um processo judicial foram feitas depois de a Ofcom, entidade responsável por regulamentar a mídia na Grã-Bretanha, ter rejeitado uma denúncia do australiano contra a exibição do filme.

Assange enviou um e-mail intitulado “Carta antes da ação”, ao qual o Guardian teve acesso, para os organizadores do festival solicitando informações sobre os procedimentos para realizar uma reclamação, acrescentando que “este último pedido é feito sem prejuízo a qualquer ação legal subsequente que eu possa tomar contra o SXSW pela exibição deste programa calunioso”.

Ele alegou ainda na mensagem que a Oxford Film & Television, a produtora independente responsável pelo documentário, estava “sob investigação pelo órgão regulador britânico Ofcom por múltiplas violações do Código de Radiodifusão”.

Patrick Forbes, chefe de documentários da Oxford Film & Television, saudou a decisão da Ofcom e elogiou o festival SXSW por não ceder à pressão do fundador do Wikileaks. “Julian Assange atacou este filme e nos acusou de sermos injustos com ele. Estou muito contente que a Ofcom tenha rejeitado suas queixas”, declarou Forbes ao Guardian.

Na noite de segunda-feira, Assange respondeu à decisão da Ofcom com uma longa declaração no site do WikiLeaks. Ele disse que a decisão “omite muitos pontos substanciais do fato” e acusou os produtores do programa de produzir um “documentário tendencioso e unilateral”.

Por Reinaldo Azevedo

16/08/2012

às 18:59

Enquanto isso, longe daqui… Por Assange, Equador cogita recorrer a órgãos internacionais

Na VEJA Online com France Press:

O governo do Equador considera a possibilidade de recorrer a organismos internacionais de justiça para fazer prevalecer o asilo diplomático concedido ao fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, informou disse nesta quinta-feira o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño. A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião de urgência para abordar a situação entre o Equador e a Grã-Bretanha, na sede em Washington, nesta quinta, a partir de 16h30 locais (17h30 de Brasília). 

Assange está refugiado na embaixada equatoriana em Londres desde 19 de junho para evitar que seja extraditado para a Suécia. “Não quero me antecipar ao que vem pela frente. Podemos levar a questão à Corte Internacional de Justiça da Haia”, afirmou Ricardo Patiño, chanceler equatoriano. O diplomata insistiu que o Equador tomará suas decisões depois que a Grã-Bretanha definir sua posição sobre o caso. Depois de Quito ter concedido o asilo diplomático, Londres manifestou a sua “decepção” e ressaltou que “cumprirá a obrigação de extraditar” Assange para a Suécia, que requer a sua presença por crimes de agressão sexual.

O jurista espanhol Baltasar Garzón, atual advogado de defesa do criador do WikiLeaks, também estuda acionar organismos internacionais. “O que o governo britânico deve fazer é aplicar as obrigações diplomáticas da Convenção dos Refugiados e deixá-lo sair, dando a ele um salvo-conduto. Caso contrário, iremos à Corte Internacional de Justiça (CIJ)”, disse Garzón em declarações publicadas na edição digital do jornal espanhol El País.

Ao conceder o asilo, Quito aceitou os argumentos de Assange, que denuncia uma perseguição política de vários países, principalmente dos Estados Unidos por causa da divulgação de centenas de milhares de comunicados diplomáticos e documentos de Washington sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão. Ele teme que a Suécia seja apenas uma etapa antes de sua transferência para os EUA, onde acusações de espionagem poderiam levá-lo à pena de morte. 

Relação promíscua
Analistas internacionais afirmam que, para se entender a decisão do governo equatoriano, é preciso ter em conta que Correa e Assange têm interesses comuns. “Os dois acreditam que os Estados Unidos são um ‘império’ que precisa ser controlado”, afirmou à rede CNN Robert Amsterdam, advogado especializado em direito internacional. A relação do presidente equatoriano e do criador da WikiLeaks é, aliás, estreita. Correa, por exemplo, já participou do show de TV comandado por Assange, “The World Tomorrow”, transmitido pelo canal de televisão russa R-TV. No programa, ambos trocaram elogios. O australiano definiu Correa como um “líder transformador”. “Sua WikiLeaks nos fez fortes”, respondeu Correa.

Para o analista político equatoriano Jorge Leon, a concessão do asilo a Assange está relacionada às eleições presidenciais, programadas para acontecer em fevereiro de 2013. Segundo ele, a presença de Assange no país pode ser “útil para reforçar a imagem de esquerda de Correa”. Não deixa de ser irônica essa aproximação entre um homem que se proclama defensor incondicional do direito de expressão, como Assange, com um dos grandes perseguidores da imprensa independente, como Correa. O presidente equatoriano é famoso por processar jornalistas e recomendar a ministros que não deem entrevistas. Para Amsterdam, Assange parece agora estar mais interessado em se salvar do que em defender a imprensa livre.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2012

às 17:55

O WikiLeaks, o Paraguai e a boçalidade conspiratória estimulada por um delinquente chamado Julian Assange, o homem que quer curtir a liberdade imprensa do… Equador!!!

Julian Assange, que é um delinquente, não poderia fazer outra coisa que não incentivar a cultura da delinquência, inclusive a intelectual. Já escrevi o que penso sobre os métodos do WikiLeaks, que seriam condenáveis ainda que fosse verdade o que o site diz de si mesmo: publica tudo o que sabe. Mas isso é falso como o amor de Assange pela verdade. Além de dar curso a informações colhidas de forma criminosa, existe uma seleção do que “interessa” e do que não interessa divulgar. Não por acaso, quem costuma se dar mal nas mãos de Assange e seus esbirros são as democracias. Hoje ele está refugiado na embaixada do Equador em Londres. Como se sabe, Rafael Correa é um notório apreciador da imprensa livre, não é mesmo? A independência em seu governo costuma ser recompensada com prisão, multa e exílio… Adiante.

Não são apenas os métodos criminosos que Assange estimula ou de que é beneficiário que me incomodam, não! Também a mentalidade que ele estimula, especialmente em jovens jornalistas, é uma das coisas mais perniciosas da imprensa moderna. A apuração rigorosa dos fatos, o pensamento, a análise, a reflexão, tudo isso é substituído por teorias conspiratórias as mais tresloucadas e exóticas. É a morte da inteligência!

Não só isso: também o pensamento lógico vai para o brejo. Porque um “Fato B” se deu depois de um “Fato A”, então B passa a ser, necessariamente, consequência de A. Trata-se de um erro lógico de que já tratei aqui algumas vezes, que tem uma expressão latina que o define: “Post hoc, ergo propter hoc“: ou “Depois disso, logo, por causa disso”. O latinório se deve ao fato de que essa era uma das falácias (pesquise sobre o termo quando houver tempo) estudadas pela escolástica (idem).

A caricatura, já brinquei aqui, de tal raciocínio é esta: o dia amanhece sempre depois que o galo canta. Há correlação entre esses dois eventos? É evidente. Os galos cantam ali pelo fim da madrugada (alguns tontos, geralmente os mais roucos, começam um pouco antes, como sabe quem é do mato, como eu), e isso quer dizer que não demora para o dia nascer. Mas não há, por óbvio, relação de causa e efeito entre os fatos. Se matarmos todos os galos do mundo (como já ambicionei…), o dia continuará a nascer mesmo sem o canto anunciador. Menino meio insone de sítio, míope, lutando com a luz da lamparina para entender as letrinhas impressas, os galos “tecendo a manhã” (a imagem é de João Cabral de Melo Neto) me punham irritado porque lembravam a chegada do dia e seus ofícios, tirando-me do alheamento. A queima do combustível deixava na pele do rosto uma oleosidade escura, de cheiro meio inebriante. Talvez colaborasse para o entorpecimento da razão a que se chama sono, sei lá. Foi tudo embora, consumiu-se como o querosene.

Mas volto a Assange, WikiLeaks e as tolices conspiratórias.

A imprensa de vários países, a nossa também, traz hoje a informação de que telegramas vazados pelo site dão conta de que os EUA trabalhavam com a hipótese de um “golpe” contra Fernando Lugo desde 2009. Mensagens enviadas pela embaixada americana em Assunção ao Departamento de Estado alertam que os adversários de Fernando Lugo, ATENÇÃO PARA ISTO!!!, só contavam com um “erro” dele para tentar depô-lo. É mesmo, é? Assim, como veio o impeachment, então tudo se encaixa na cabeça dos cretinos ou dos inocentes: se o impeachment chegou depois daqueles telegramas, então eles eram o anúncio e a evidência de uma tramoia.

Vamos ver. Que houvesse no Paraguai forças políticas interessadas na queda de Lugo, disso estou certo como dois e dois são quatro. Aliás, leitor amigo, se você ocupa um cargo de prestígio na sua empresa ou se, empresário, é líder no seu setor ou conseguiu um contrato apreciável, fique certo: há gente de olho no seu cargo ou concorrente tentando tomar o seu lugar. Sabem como é o ser humano, né? Ainda bem! Ou a vida seria um imenso cartório sem segredos. Haver quem estivesse interessado na queda de “Follando Lugo” (como muitos paraguaios chamam o bispo pegador; não traduzo porque é de baixo calão…) não implica que essa queda tenha sido tramada, compreendem? Como consta lá dos telegramas, seus adversários apostam que um “erro” poderia derrubá-lo. É o que os adversários costumam fazer.

E “Follando Lugo” não cometeu um, mas uma penca deles. O confronto entre supostos sem-terra que aderiram a táticas terroristas e policiais foi manifestação concreta do erro principal: manter relações especiais com um bando de lunáticos que, sob o pretexto de exigir e praticar justiça social com as próprias mãos, transformou o setor rural paraguaio num campo de guerra — e os brasileiros, diga-se, estão entre as vítimas principais.

“Ah, o general Lino Oviedo queria o impeachment…” É? Foi o general que matou seis policiais desarmados que cumpriam uma ordem da Justiça de reintegração de posse? Foi o general a manter relações especiais com um grupo de celerados, que jamais distinguiu propriedade regular e produtiva de terras griladas, mantendo, mesmo assim, interlocução privilegiada no governo? Foi o general que passou a mensagem de que um título de propriedade rural no Paraguai passou a valer menos do que uma bala? “Ah, mas eu li que a concentração de terras no país é terrível!” E daí? Vai se resolver com política ou com pistolagem?

A esta altura, deve haver mensagens de diplomatas americanos e europeus, enviadas a seus países de origem, dando conta de que Cristina Kirchner, a “Loca de Buenos Aires”, está num processo de contínuo desgaste, adotando medidas que deixam, no limite, sem saída a economia argentina e que isso pode levar o país, cedo ou tarde, para uma convulsão social. Um dos papéis da diplomacia é este mesmo: desenhar cenários possíveis — aliás, no Paraguai, tudo indica, os americanos estavam mais bem informados do que os brasileiros, que foram pegos com as calças na mão…  Muito bem! Se e quando “La Loca” vier a enfrentar uma crise séria (e isso vai acontecer), as eventuais mensagens poderão ser evocadas como prenúncio ou evidência de uma tramoia?

O que o “WikiLeakismo” faz de mais perverso à inteligência e ao jornalismo é transformar uma mera correlação em causa e conferir ao óbvio ares de conspiração. Afirmar que um grupo tentará se aproveitar dos erros do adversário, como se houvesse nisso algo de especioso, é uma boçalidade. É o que se faz até em jogo de botão.

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2012

às 22:31

Julian Assange: a última do delinquente com máscara de herói

Coloquem ali no mecanismo de procura do blog o nome de Julian Assange, o homem do WikiLeaks, e vocês verão o resultado. Esse delinquente nunca me enganou. Há uma enorme, uma gigantesca, uma brutal diferença entre divulgar informações que chegam a jornalistas e patrocinar ilegalidades para obtê-las; entre denunciar crimes e violar sigilos que, muitas vezes, protegem pessoas. Assange é a perversão da transparência. Ele patrocina práticas criminosas sob o pretexto de cuidar do interesse público; ele ignora prerrogativas dos estados democráticos em nome da democracia.

Leiam o que informa a VEJA Online. Volto em seguida.

Em estreia na TV russa, Assange entrevista líder do Hezbollah

A emissora estatal russa de TV Russia Today estreiou nesta terça-feira The World Tomorrow (O mundo amanhã, em tradução literal), programa de entrevistas encabeçado por Julian Assange, fundador do Wikileaks, responsável pelo vazamento de milhares de documentos secretos de empresas e governos. A escolha do primeiro convidado do programa – Hassan Nasrallah, líder do grupo terrorista Hezbollah, em atividade no Líbano – deixou claro que Assange está disposto a abraçar qualquer companhia para dar vazão a seu antiamericanismo.

O programa foi gravado na Grã-Bretanha, onde Assange é mantido em prisão domiciliar à espera de uma decisão sobre sua extradição à Suécia, país que o requer para interrogá-lo por quatro supostos crimes sexuais. Ele disse que esperava ser tratado como um “combatente inimigo, traidor, que dorme na cama do Kremlin e conduz entrevistas com terríveis (militantes) radicais”, segundo o site da Russia Today. É mais ou menos a esse papel que ele se prestou mesmo.

Em sua estreia, o fundador se limitou a criticar os Estados Unidos e optou por se calar quanto aos problemas enfrentandos pela própria Rússia. Em nenhum momento o fundador do Wikileaks deflagrou comentários sobre os altos índices de corrupção do país ou sobre a fortuna secreta de Vladimir Putin, citada em documentos da organização em 2010.

Para Luke Harding, colunista do jornal britânico The Guardian, a relação de Assange com a estatal Russia Today e a escolha do terrorista Nasrallah para a estreia do programa deve ser vista com desconfiança. O representante do Hezbollah foi oportunista ao aproveitar a chance e a repercussão da transmissão para reafirmar o seu apoio ao regime sírio, que reprime há mais de um ano um movimento de contestaçao. Não por coincidência, a Rússia defende a mesma posição.

“A estreia do fundador do Wikileaks na TV russa não concede a Assange o título de revolucionário destemido. Apenas comprova o contrário: ele não passa de um idiota útil”, afirma Harding na coluna.
(…)

Voltei
Eis aí. Isso é Assange. No dia 12 de janeiro de 2011, escrevi um texto sobre este senhor chamado “Herói dos esquerdopatas”. Leiam:

Vocês precisariam ficar um tantinho do lado de cá do laptop para perceber: Julian Assange se tornou o herói da corja que se quer “antiimperialista”, aquela gente esquisita e burra que chama os americanos de “estado-unidenses” para deixar claro que a “América pertence a todos nós” – vale dizer: a vocês, a mim, a Hugo Chávez e a Daniel Ortega… Aliás, catei um “estado-unidense” dia desses num livro didático de história de uma das minhas filhas, que abri por acaso. Fui ler com mais atenção o resto. Lixo esquerdopata em escola particular “dazalite”… Entendo. Quando não queimam livros, tentam queimar o cérebro das crianças.

Chega a me surpreender que alguns tantos bípedes, que andam com a coluna ereta e dão uma boa destinação ao cérebro, ainda não tenham percebido qual é a do tal Julian e o confundam com um paladino de uma sociedade “verdadeiramente democrática”, que seria aquela onde não há segredos.

Vênia máxima, isso não passa de uma grande bobagem. Sociedades sem segredos são as totalitárias. Quem ainda não compreendeu que o sigilo, dentro das regras pactuadas, também serve à proteção das liberdades públicas e individuais não sabe o que é democracia. O estado americano está submetido ao controle democrático, o que não é o caso de Assange.

Um delinquente, que vive sendo chutado daqui – mas volta sempre -, esquerdopata assumido, resolveu bordar suas boçalidades em defesa de Assange com uma frase que ele deve ter acariciado mais ou menos como Michelangelo fez com o seu Moisés, ao mirar a perfeição: “Liberdade só serve se for irrestrita”. Ulalá! Vai ver é por isso que ele se alinha com um governo que passa a mão na cabeça dos tiranos: já que a liberdade não pode ser irrestrita mesmo, então vamos dar vivas às ditaduras!

Assange e liberdade de imprensa não se confundem. Os jornalistas continuam a publicar o que ele vaza, sem restrições. Mas um estado que não se ocupasse de tentar punir a cadeia criminosa que resultou no vazamento teria de ser dissolvido. Ai dos americanos – e do mundo! – se o governo dos EUA desse de ombros para o fato!

Há mais: Assange usa as informações, de que se tornou monopolista – é mentira que o WikiLeaks seja hoje só um site de vazamentos, sem filtros -, para fazer uma espécie de chantagem branca. Ora anuncia que tem informações sobre um grande banco, ora promete acelerar os vazamentos, depois recua um pouquinho… O megalômano se quer o adversário nº 1 da Casa Branca, o “outro” a quem o governo americano deveria, de algum modo, se reportar em suas decisões.

Não dá! Assange faça um site para divulgar os segredos das ditaduras, e renderei a ele a minha homenagem. Enquanto ele servir para fazer com que os EUA pareçam um lugar pior do que a China, eu continuarei a tratá-lo segundo aquilo que acho que ele é: um vigarista que estimula outros vigaristas a cometer crimes contra a ordem democrática.

Não por acaso, tornou-se o herói dos esquerdopatas que pretendem derrotar os “estado-unidenses”….

Por Reinaldo Azevedo

29/02/2012

às 22:03

O WikiLeaks, os franceses, a “aposentadoria” de Lula e o JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista)

Já deveria ter comentado texto publicado na VEJA Online na segunda-feira sobre um dos vazamentos do WikiLeaks. Olhem aqui: eu não costumo mudar de opinião sobre isso ou aquilo a depender de quem esteja sendo prejudicado ou beneficiado. Não tenho simpatia pelo WikiLeaks, não! Já escrevi a respeito algumas vezes. Não aprovo os métodos a que o site e sua turma recorrem. Leiam ou releiam o que foi publicado na segunda. Volto em seguida.

WikiLeaks: compra de aviões seria ‘aposentadoria’ de Lula

Um dos milhões de e-mails divulgados nesta segunda-feira pelo site WikiLeaks da empresa de inteligência e análise estratégica Stratfor diz respeito à compra de equipamentos militares pelo Brasil durante o governo Lula. Um funcionário do governo americano alocado no Brasil conversa sobre o negócio com um Stratfor chamado Marko Papic.

Um dos milhões de e-mails da empresa de inteligência e análise estratégica Stratfor que o site WikiLeaks começou a divulgar nesta segunda-feira diz respeito a negócios para a aquisição de equipamento militar pelo Brasil durante o governo Lula.

Em outubro de 2010, um funcionário do governo americano alocado no Brasil conversa sobre o negócio com um consultor da Stratfor chamado Marko Papic. Embora afirme não ter provas, ele é devastador no seu parecer: “A compra de submarinos é tão sem sentido que só pode ter a ver com propina. Lula provavelmente está cuidando do seu plano de aposentadoria. E veja só: a compra acontece ‘curiosamente’ no fim de seu mandato. O mesmo vale para os jatos. Nosso Departamento do Tesouro é vingativo quando se depara com subornos. Não podemos fazer nenhum negócio real num lugar corrupto como o Brasil. Os franceses não têm esses problemas”.

O servidor americano finaliza: “Desculpe-me não ter mais informações no que diz respeito à estratégia brasileira. A nossa avaliação é de que isso é puramente suborno. A única diferença é que agora o Brasil tem dinheiro, muito dinheiro, e pode de fato adquirir os equipamentos. Quero dizer, seria mera coincidência eles comprarem tanto equipamento militar da França? Os franceses sabem como realizar subornos”.

Estratégia
Ambos os negócios representam a disposição do governo brasileiro de modernizar suas Forças Armadas. A decisão envolve diplomacia e questões de estratégia militar. Em dezembro de 2008, por exemplo, o Brasil e a França firmaram acordo para construção de quatro submarinos da classe Scorpène, uma base naval e um estaleiro dedicado à produção das embarcações. O tratado de 6,7 bilhões de reais também previa a transferência de tecnologia para a produção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear. Em julho do ano passado, a presidente Dilma Rousseff participou da cerimônia em Itaguaí (RJ) que marcou o início da construção dos submarinos. O primeiro modelo deve ficar pronto em 2016 e ser entregue em 2017. Os demais serão disponibilizados entre intervalos de um ano e seis meses. O estaleiro e a base naval devem ser inaugurados em 2014 e o submarino nuclear, ficar pronto apenas em 2023.

O processo de aquisição de caças para a Força Aérea Brasileira, avaliado entre 4 bilhões e 6,5 bilhões de dólares, ainda está aberto. O assunto voltou a ganhar fôlego em 2012 depois de anos de avanço lento e adiamentos. Na “batalha dos caças”, os fabricantes têm oferecido ao Palácio do Planalto diferentes combinações de preço e políticas de transferência de tecnologia. Há cerca de dois anos, a Saab, fabricante do Gripen, foi a companhia que obteve a melhor avaliação da Força Aérea Brasileira (FAB).

Só que a opinião do órgão não se mostrou determinante. A venda quase foi fechada em 2009 para a francesa Dassault, que produz o Rafale, porque o ex-presidente Lula vivia uma lua de mel diplomática com o presidente Nicolas Sarkozy. No final de 2010, depois da data em que ocorreu a troca de e-mails entre o consultor da Stratfor e um funcionário do governo americano, as conversas entre ambos azedaram – e os franceses foram parar no ‘fim da fila’.

A Boeing, que participa da licitação com seus F-18 Super Hornet, intensificou seu lobby desde então. Neste ano, outra reviravolta. Em 31 de janeiro, a notícia da negociação para venda de 126 Rafales à Índia, por 12 bilhões de dólares, desviou o foco novamente para Paris. Desde então, fontes do Palácio do Eliseu e do Planalto dão como certo o fechamento do negócio com os franceses. Depois de dezesseis anos de adiamento, a presidente Dilma Rousseff parece estar disposta a fechar o negócio neste primeiro semestre.

Vazamento
A mensagem faz parte de Os Arquivos de Inteligência Global, com mais de 5 milhões de e-mails da companhia Stratfor, no Texas, EUA, divulgados nesta segunda-feira pelo WikiLeaks. Os e-mails datam de julho de 2004 a dezembro de 2011. Entre os clientes da Stratfor estão o Departamento de Segurança Pública dos Estados Unidos, a Marinha americana e grandes empresas.

Voltei
É evidente que o que se tem é quase nada para dar curso à desconfiança de que Lula recebeu propina dos franceses, como afirma o tal funcionário. Por mais que as negociações com os franceses tenham trilhado caminhos um tanto heterodoxos — eu mesmo escrevi bastante a respeito —, é o suficiente para dar início à campanha “Lula recebeu bola dos franceses”? Acho que não.

Mas agora peço que vocês ponderem: imaginem o que o JEG — Jornalismo da Esgotosfera Governista — não estaria fazendo, E COM PATROCÍNIO DE ESTATAIS, se os alvos da desconfiança fossem FHC, Serra ou outro tucano qualquer… Ora, fariam o que se pode ver todos os dias em suas páginas — os que têm estômago para aquilo ou são tolos o bastante para acreditar em penas de aluguel.

Chamo atenção, insisto, para este aspecto do problema: quem patrocina a campanha que esses caras fazem contra lideranças da oposição, autoridades do Judiciário e jornalistas e veículos de comunicação independentes são as estatais. Usa-se descaradamente o Estado para financiar uma guerra suja de natureza política.

Eles, que gostam tanto do WikiLeaks, silenciaram desta vez. Não só eles, é bom destacar. A própria grande imprensa, que se registre, teria dado muito mais visibilidade à acusação se o alvo não fosse Lula.

Por Reinaldo Azevedo

11/11/2011

às 6:33

WikiLeaks nunca vazou documento mostrando que William Waack foi informante dos EUA; já Zé Dirceu e Greenhalgh… Um deu pau em Lula; outro passou aos americanos bastidores do PT e do MST

William Waack é um dos mais competentes, sérios e cultos jornalistas do país. Concordamos em muita coisa.  Mas eu gosto mesmo é quando discordamos, o que não é tão raro assim,  porque ele fica ainda mais sabido, e sempre tenho a chance de refinar meus argumentos. Pra que ter amigo que torna a gente pior, não é mesmo? Vocês sabem: independência, talento e competência… Essas coisa mexem com os piores rancores dos sabujos, dos bisonhos e dos incompetentes.

Todos vocês sabem que circulou a valer, especialmente na esgotosfera — e até em alguns veículos que aspiram à seriedade —, o boato de que o âncora da TV Globo seria “informante” da embaixada dos EUA no Brasil. As evidências estariam em documentos vazados pelo WikiLeaks. Ignorei solenemente o assunto porque a abordagem era de tal sorte vagabunda que o mero desmentido ajudaria a propagar a ignomínia. Agora é diferente.

Em um artigo publicado nesta quinta no site Observatório da Imprensa, as jornalistas Marina Amaral e Natalia Viana negaram a existência de qualquer documento que indique que Waack tenha atuado como “informante”. Ele foi, sim, algumas vezes, interlocutor de diplomatas americanos, a exemplo de muitos outros jornalistas. E daí? Escrevem: “Nada mais normal. Culpar um jornalista por ter conversado com um embaixador é como punir um mecânico por estar com as mãos sujas de graxa.”  Nas moscas!

Natália, como informa o próprio artigo, “foi responsável pela publicação e distribuição dos documentos diplomáticos referentes ao país, cujo conteúdo foi parcialmente relatado pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo, de novembro de 2010 a fevereiro deste ano. ”

Bem, eu sempre soube que William é tão informante dos EUA quanto eu sou agente do Mossad — é o que diz certa canalha! Um medalhão do esquerdismo aloprado, metido a intelectual, figura até outro dia influente no Itamaraty, já assegurou em artigo que sou contratado da CIA para fazer agitação e propaganda. Notem: não é que ele intui ou acha isso. Ele disse ter informações seguras a respeito!!! Eu e William conversamos por códigos! Quando um diz ao telefone “alô”, o outro responde: “Ah, entendi…” Grana mesmo, até agora, nada!!!

Bem, William nunca foi “informante” dos americanos, já José Dirceu e Luiz Eduardo Greenhalgh… Leiam trechos do artigo das duas jornalistas (íntegra aqui):

“O fato de alguém ir ou não à embaixada só é notícia se o conteúdo da conversa é importante – uma informação de bastidor sobre o governo, por exemplo – ou se a própria visita à embaixada for algo que o público em geral jamais imaginaria.
(…)
o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu criticou Lula e o PT em um encontro com o ex-assessor do Departamento de Estado americano Bill Perry, isentando-se de responsabilidade pelo esquema que ficou conhecido como mensalão; e o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT, notório crítico da atuação americana e advogado de diversos integrantes do MST, contou bastidores do PT e do MST ao cônsul americano em São Paulo.”

É mesmo, é?

Quer dizer que esses notórios patriotas, esquerdistas até debaixo de outros esquerdistas, comportam-se assim no escurinho do cinema com “os gringos”? Dirceu, aquele que teria chorado pela primeira vez em anos ao saber do câncer de Lula, deu pau no Apedeuta. E Greenhalgh, esse emessetista juramentado e advogado e porta-voz de Cesare Battisti, contou bastidores do PT e do MST.

A gente ainda vai acabar descobrindo que Dirceu sempre foi agente da CIA e sempre atuou para desmoralizar a esquerda no Brasil. Convenham: o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR) até que saiu bem na tarefa, né?

Por Reinaldo Azevedo

04/03/2011

às 5:17

O WikiLeaks, o Opus Dei e o esforço determinado para abrir uma crise no governo de São Paulo. Começou a “Operação Caça-Alckmin”

Bem, bem, bem, vamos lá!

Ninguém que me lê ignora o que penso sobre o site WikiLeaks e Julian Assange. Quem não sabe a diferença entre transparência e crime ainda acaba tomando o crime por transparência. Acho a prática do site delinqüente. A minha crítica não é nova nem recente. Mais: é mentira que o site publica o que tem. O material está submetido a edição. Assange chega ao requinte de mandar recados, com fez no caso do Bank of America. Se ele é estuprador ou não, isso não sei. Que é um criminoso político, não tenho dúvida. Avancemos mais um pouco.

Só um “líder mundial” saiu em defesa de Assange. Quem? Lula, ora essa! Apoiou o rapaz em nome da liberdade de imprensa. A partir daí, coisas interessantes começaram a acontecer. O WikiLeaks, que tinha escolhido a Folha de S. Paulo como o veículo que divulgaria seus vazamentos, passou a dividir o material com a revista petista Carta Capital. Depois que Lula pediu a liberdade de Assange, nunca mais vieram a público “telegramas” que pudessem deixar constrangidos os petistas. Ao contrário até: tudo bem analisado, só passaram a vazar coisas a favor.

A Carta Capital foi a primeira a publicar — e também está na Folha desta quinta — que Andrea Matarazzo, hoje secretário de Cultura do Estado de São Paulo, teria dito a diplomatas americanos, em 2006, que o então candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, pertencia ao Opus Dei, uma prelazia católica subordinada diretamente ao papa: “Obviamente Alckmin é um membro da (sic) Opus Dei, apesar das suas negativas, opinou Matarazzo”— que era, então, secretário de subprefeituras da cidade de São Paulo. Ele teria tecido ainda comentários negativos sobre aliados do candidato e dito que Alckmin só conseguia ver o mundo “da perspectiva de São Paulo”.

Conversei com Matarazzo ontem à noite. Ele nega que a conversa tenha existido. “É uma aberração! Eu não teria por que fazer um comentário naquele tom sobre uma prelazia católica; até porque sou católico também e, ainda que fosse verdade, eu não veria nisso nada de exótico. Jamais tive essa conversa!”

Vamos ver
Há crimes no Brasil que fazem a fama e a simpatia de muita gente, não é mesmo? Pertencer ao (e não “à”) Opus Dei não está nessa lista porque a) não é crime; b) a prelazia sofre uma acirrada patrulha da militância anticatólica. Sei do que falo porque vivo sendo “acusado” de pertencer ao grupo. Se fosse, diria. Qual o problema? Não seria acusação nenhuma!  Mas não sou. Nem Alckmin! Matarazzo sabe disso? É claro que sim! O que ele ganharia afirmando a um diplomata americano o que saberia ser uma inverdade? Vamos ver como essa questão em particular se desdobra. Mas ela está longe de ser a mais importante ; a fofoca de 2006 já é velha demais. A questão relevante é outra: de 2011 e 2014.

Começou a ‘Operação Caça-Alckmin”
Ainda que isso fosse verdade — vamos pensar por hipótese —, qual a relevância desse documento neste momento? É evidente que, ao pinçar essa mensagem em meio a centenas de outras, o objetivo é um só: abrir uma crise no governo de São Paulo. É fácil saber a quem interessa. Como é fácil saber para quem trabalha a Carta Capital. O WikiLeaks é hoje uma fonte seletiva de desestabilização de governantes, segundo a vontade de Julian Assange e daqueles a que sem associa.

Matarazzo é próximo de Serra, antecessor de Alckmin e uma das lideranças do PSDB. As relações entre “serristas” e “alckmistas” já foram muito mais tensas. Tenta-se, a todo custo, abrir uma guerra entre as duas correntes no Estado. Revisões normais de contratos feitas pela gestão Alckmin, por exemplo, foram tratadas como se o atual governo tivesse decidido fazer uma devassa no anterior. A gestão Dilma determinou um pente fino no governo federal, e a decisão foi considerada normal, saneadora até.

Dia desses, Alckmin se encontrou com Dilma e, indagado sobre a conversa, a elogiou  — o que é, no mínimo, uma obrigação de gente educada. Queriam que ele dissesse o quê? Foi o bastante para que a fala fosse tomada como um confronto com Serra… É evidente que o alvo dessa história não é Matarazzo ou Serra. O alvo é Alckmin. O objetivo é criar uma crise no governo. Onde estão, afinal de contas, os telegramas que constrangem Lula e os petistas? Não há nada?

Vamos ver
Quem divulgou a mensagem espera só uma coisa: a crise. O PT montou o maior “paulistério” da história porque o objetivo declarado é “tomar” o Palácio dos Bandeirantes. Para tanto, é preciso partir para a tática do sufoco — se possível, não deixar o governo de São Paulo um só dia sem uma notícia negativa.

Espero que o PSDB não forneça o copo de sangue aos canibais.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2011

às 16:26

Então tá… WikiLeaks é indicado para o Prêmio Nobel da Paz

Por Wojciech Moskwa, da Reuters:
O site WikiLeaks foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz de 2011, disse nesta quarta-feira o parlamentar norueguês Snorre Valen, autor da proposta, um dia depois de encerrado o prazo para as candidaturas.

O Comitê do Nobel norueguês aceita até 1o de fevereiro as indicações para o prêmio considerado por muitos como a principal honraria do mundo, embora os cinco membros do painel tenham até o fim do mês para fazer as suas propostas.

Valen disse que o WikiLeaks é “uma das contribuições mais importantes para a liberdade de expressão e transparência” no século XXI.

“Ao divulgar informações sobre corrupção, violações dos direitos humanos e crimes de guerra, o WikiLeaks é um candidato natural ao Prêmio Nobel da Paz”, afirmou Valen.

Parlamentares, professores de direito ou de ciência política e laureados pelo prêmio em anos anteriores estão entre os que podem fazer indicações. O comitê não quis fazer comentários sobre a indicação do WikiLeaks nem de outras nomeações.

O governo dos EUA está furioso com o WikiLeaks e com o seu fundador, Julian Assange, pela divulgação de dezenas de milhares de documentos secretos e telegramas diplomáticos que, segundo Washington, prejudicou os interesses norte-americanos no exterior, incluindo os esforços de paz.

O australiano Assange pode ser extraditado da Grã-Bretanha para a Suécia para ser interrogado num caso de suposto abuso sexual que, segundo ele e seus simpatizantes, é uma campanha destinada a fechar o WikiLeaks, uma organização sem fins lucrativos fundada por grupos de direitos humanos e pela sociedade civil.

Uma premiação do WikiLeaks provavelmente provocaria críticas ao Comitê do Nobel, que já causou polêmica com suas duas escolhas mais recentes – o ativista chinês pró-democracia Liu Xiaobo e o presidente dos EUA, Barack Obama, alguns meses após ter vencido a eleição.

O prêmio foi criado pelo sueco Alfred Nobel, o inventor da dinamite, que disse em seu testamento que o laureado deveria ser aquele “que fez o melhor e maior trabalho para a fraternidade entre as nações, para a abolição ou redução dos Exércitos existentes e para a manutenção e promoção dos congressos da paz”.

Por Reinaldo Azevedo

12/01/2011

às 12:42

Herói dos esquerdopatas

Vocês precisariam ficar um tantinho do lado de cá do laptop para perceber: Julian Assange se tornou o herói da corja que se quer “antiimperialista”, aquela gente esquisita e burra que chama os americanos de “estado-unidenses” para deixar claro que a “América pertence a todos nós” – vale dizer: a vocês, a mim, a Hugo Chávez e a Daniel Ortega… Aliás, catei um “estado-unidense” dia desses num livro didático de história de uma das minhas filhas, que abri por acaso. Fui ler com mais atenção o resto. Lixo esquerdopata em escola particular “dazalite”… Entendo. Quando não queimam livros, tentam queimar o cérebro das crianças.

Chega a me surpreender que alguns tantos bípedes, que andam com a coluna ereta e dão uma boa destinação ao cérebro, ainda não tenham percebido qual é a do tal Julian e o confundam com um paladino de uma sociedade “verdadeiramente democrática”, que seria aquela onde não há segredos.

Vênia máxima, isso não passa de uma grande bobagem. Sociedades sem segredos são as totalitárias. Quem ainda não compreendeu que o sigilo, dentro das regras pactuadas, também serve à proteção das liberdades públicas e individuais não sabe o que é democracia. O estado americano está submetido ao controle democrático, o que não é o caso de Assange.

Um delinqüente, que vive sendo chutado daqui – mas volta sempre -, esquerdopata assumido, resolveu bordar suas boçalidades em defesa de Assange com uma frase que ele deve ter acariciado mais ou menos como Michelangelo fez com o seu Moisés, ao mirar a perfeição: “Liberdade só serve se for irrestrita”. Ulalá! Vai ver é por isso que ele se alinha com um governo que passa a mão na cabeça dos tiranos: já que a liberdade não pode ser irrestrita mesmo, então vamos dar vivas às ditaduras!

Assange e liberdade de imprensa não se confundem. Os jornalistas continuam a publicar o que ele vaza, sem restrições. Mas um estado que não se ocupasse de tentar punir a cadeia criminosa que resultou no vazamento teria de ser dissolvido. Ai dos americanos – e do mundo! – se o governo dos EUA desse de ombros para o fato!

Há mais: Assange usa as informações, de que se tornou monopolista – é mentira que o WikiLeaks seja hoje só um site de vazamentos, sem filtros -, para fazer uma espécie de chantagem branca. Ora anuncia que tem informações sobre um grande banco, ora promete acelerar os vazamentos, depois recua um pouquinho… O megalômano se quer o adversário nº 1 da Casa Branca, o “outro” a quem o governo americano deveria, de algum modo, se reportar em suas decisões.

Não dá! Assange faça um site para divulgar os segredos das ditaduras, e renderei a ele a minha homenagem. Enquanto ele servir para fazer com que os EUA pareçam um lugar pior do que a China, eu continuarei a tratá-lo segundo aquilo que acho que ele é: um vigarista que estimula outros vigaristas a cometer crimes contra a ordem democrática.

Não por acaso, tornou-se o herói dos esquerdopatas que pretendem derrotar os “estado-unidenses”…

Por Reinaldo Azevedo

11/01/2011

às 20:32

Assange: muito além do ridículo

Leiam o que vai no Estadão Online. Volto em seguida:

Assange pode ser executado ou ir para Guantánamo, dizem advogados

Os advogados de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, disseram que seu cliente corre “sério risco” de ser condenado à morte ou de se tornar um prisioneiro em Guantánamo caso seja extraditado para a Suécia, onde é acusado de delitos sexuais, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian.

Os representantes legais de Assange, apresentando um resumo de como defenderão o australiano no caso da extradição, argumentam que é provável que os EUA tentem sua extradição assim que ele for enviado à Suécia. Sob custódia dos americanos, Assange “correria sério risco de ser detido em Guantánamo ou algum outro lugar”.

A prisão de Guantánamo é usada pelos EUA para abrigar presos considerados perigosos, como terroristas e fundamentalistas. Os defensores de Assange e o próprio fundador do WikiLeaks acreditam que os EUA planejem indiciá-lo por conspiração e espionagem. O vice-presidente americano, Joe Biden, chegou a chamá-lo de “ciberterrorista”.

“Se Assange for levado aos EUA sem garantias de que não seria condenado à morte, há um grande risco de que essa seja sua pena. É de conhecimento de todos que figuras proeminentes, se não disseram diretamente, insinuaram que ele deveria ser executado”, diz o documento dos advogados de Assange.

Assange está em liberdade condicional. Ele permaneceu preso por nove dias em Londres, mas foi libertado após pagar fiança de 200 mil libras (R$ 533 mil) e depois que um recurso da promotoria sueca contra sua libertação foi rejeitado.

Atualmente ele está hospedado em uma mansão a nordeste de Londres, propriedade de um colega. Ele havia sido detido pelos britânicos por conta de um mandado de prisão internacional expedido por Estocolmo.

O australiano compareceu à corte nesta terça para uma audiência, a primeira do ano sobre o caso de sua extradição, que será definida no início de fevereiro. Após a sessão, ele afirmou que “o trabalho do WikiLeaks continua”.

Assange é acusado pela Justiça sueca de delitos sexuais contra duas mulheres. Elas o acusam de coerção ilegal, estupro e de tê-las. Ele nega as acusações e diz que “há evidências bem sugestivas” de que as mulheres foram motivadas por vingança, por dinheiro e por pressão policial para dar queixa.

Comento
Quanto mais leio sobre esse rapaz, mais vou sendo tomado por aquela desagradável sensação da vergonha alheia, sabem como é? Chego a achar impressionante que não tenham percebido que Assange é um misto de mitômano com megalômano, e sua patologia, pelo visto, está contaminando também seus advogados. A história de que ele pode ir parar em Guantánamo ou ser condenado à morte é espantosamente ridícula. É parte do esforço para mantê-lo na mídia.

Já escrevi tudo o que penso sobre esse cara. Essa síntese que vai acima, do Estadão, é obviamente exagerada. O que foi divulgado, até agora, sobre a diplomacia americana não constrangeu ninguém. Nem haveria motivos para isso. Ao contrário até: o que se viu foi um corpo diplomático muito disciplinado, atento a detalhes, dedicado a relatar em minúcias a seus chefes aquilo que vê, ouve e, eventualmente, fala.

Assange, ele sim, andou enfiando os pés pelas mãos quando decidiu se comportar como chantagista no caso do Bank of America. Até agora, mantém a ameaça de divulgar documentos devastadores etc e tal. Vocês já conhecem a história. Desconfio, às vezes, que ele é uma espécie de Truman Burbank, do filme The Truman Show, estrelado por Jim Carrey e dirigido por Peter Weir. Está mais para personagem do nosso tempo do que para uma pessoa real.

Nunca caí na conversa. Essa história de hoje diz bem com que – ou com quem – o mundo está lidando. Não sei quem é o diretor desse filme. Uma coisa é certa: ele odeia os EUA.

Por Reinaldo Azevedo

20/12/2010

às 6:17

Assange, herói do nosso tempo: o que diz o inquérito sobre agressão sexual

Na Folha. Comento em seguida:
Julian Assange, o próprio, foi vítima de um vazamento. Na Inglaterra, onde está sob custódia da polícia, o criador do WikiLeaks recebeu ontem a notícia de que o inquérito sigiloso sobre seus supostos crimes sexuais na Suécia chegou à imprensa. E por dois dos jornais que contam com acesso antecipado aos papéis secretos da diplomacia americana, “Guardian”, da Inglaterra, e “New York Times”, dos EUA.

Assange é acusado de coerção sexual e estupro contra duas suecas. A Suécia quer que ele seja ouvido no país. Ele alega que fez “sexo consentido” e, após ficar preso por dez dias em Londres, por ordem da Interpol, aguarda em liberdade uma decisão sobre a extradição. O relatório, de 68 páginas, dá a versão da polícia sueca para os quatro dias da visita de Assange ao país, em agosto. Segundo a investigação, os encontros do australiano com as suecas realmente começaram de forma “amigável”. Mas se tornaram violentos quando elas se negaram a fazer sexo sem preservativo. O documento, extenso e repleto de interrogatórios, é um baque na defesa de Assange, que alega que tudo foi montado de última hora como parte de uma conspiração comandada pelos EUA.

Por outro lado, é um alento: as suecas continuaram conversando com o australiano e só decidiram procurar a polícia depois que uma soube que a outra também havia se relacionado com ele.

PISTAS Elas são identificadas só como “A” e “W”. “A” tem 30 anos e é uma ativista da esquerda na Suécia. “W”, 25, trabalhou no Museu de Estocolmo e é descrita como “forte apoiadora” do WikiLeaks. No relatório, “A” diz que recebeu golpes nas pernas e que teve as roupas rasgadas. “Tentava colocar as roupas, mas ele as arrancava novamente”, declarou à polícia.”W” relata que os dois se conheceram num jantar, após um palestra dele em Estocolmo, e que depois viajaram juntos para Enkoping, a cidade dela, a 50 km da capital. Lá, ele tentou fazer sexo enquanto ela dormia -o que motivou a Promotoria a acusá-lo de estupro. Ontem, seguindo a rotina dos últimos dias, Assange se apresentou a uma delegacia perto da casa onde se hospeda. Não comentou o caso.Comento
Pode-se considerar que o regime discricionário sueco está mentindo! Vocês sabem como são essas ditaduras militares nórdicas… Nunca dá para confiar nas autoridades, certo?

O que se lê acima parece ir um pouquinho além do “negar-se a usar camisinha”. As moças também não têm exatamente o perfil de testemunhas plantadas para prejudicar o nosso “herói”. Parece que ele passou da conta mesmo para uma militante de esquerda e para um fá do WikiLeaks, certamente críticas do império americano…

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2010

às 7:15

EUA tentarão processar Assange por conspiração

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
O Departamento de Justiça dos EUA pretende processar o australiano Julian Assange, fundador e responsável pelo site WikiLeaks, por conspiração. Procuradores investigam a hipótese de Assange ter estimulado o soldado americano Bradley Manning a entregar-lhe os documentos militares secretos sobre a Guerra do Afeganistão, em julho, e os arquivos confidenciais do Departamento de Estado.

Essa versão teria como base um depoimento de Manning e as mensagens trocadas por ele com o ex-hacker Adrian Lamo, hoje em poder do FBI.

Em princípio, Assange poderá ser processado por conspiração com base na Lei de Espionagem, de 1917, e também responder por violação da Lei de Fraude e Abuso em Informática, de 1986. Se a operação for bem-sucedida, os EUA poderão pedir sua extradição à Grã-Bretanha, onde a Justiça libertou ontem o fundador do WikiLeaks sob fiança. Assange ficará sob liberdade vigiada enquanto a Justiça britânica avalia um pedido de extradição da Suécia, onde ele é acusado de ter abusado sexualmente de duas mulheres.

Segundo o jornal The New York Times, o esforço do Departamento de Justiça será provar que Assange não foi apenas um receptor passivo da documentação vazada pelo site. Um dos materiais em poder dos procuradores traz a transcrição de uma conversa online de Manning, na qual ele teria afirmado manter comunicação direta com Assange por meio de um serviço de conferência criptografado. Manning teria declarado ainda contar com acesso ao servidor do WikiLeaks para despachar os arquivos com a documentação do Pentágono e da diplomacia americana.

Até o momento, Manning é o principal suspeito dos quatro vazamentos de material secreto do governo americano. Mas, no caso da liberação dos 92 mil documentos sobre a Guerra do Afeganistão, em julho, o Pentágono acredita haver outros envolvidos. Manning, de 22 anos, foi acusado como responsável pela entrega de um vídeo ao WikiLeaks com cenas de um ataque de soldados americanos em Bagdá que resultou na morte de 12 civis iraquianos e de 2 jornalistas, há três anos. O vídeo foi exposto pelo site em abril. Desde o mês seguinte, Manning está preso no Kuwait. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2010

às 20:17

Openleaks, rival do WikiLeaks, “chegará em breve”, diz site

Da Reuters, na Folha Online:
O antigo assistente de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, promete lançar em breve um site rival que, segundo ele, será mais transparente que o original. Batizado de “Openleaks” (www.openleaks.org) e dirigido por Daniel Domscheit-Berg, antigo segundo em comando de Assange no WikiLeaks , o site no momento não oferece conteúdo além do logotipo e da mensagem “chegaremos em breve”.

Em entrevista ao site de tecnologia OWNI, Domscheit-Berg se recusou a entrar em detalhes sobre sua disputa com o WikiLeaks, mas sugeriu que o site original se havia desviado de sua missão. “Nos últimos meses, a organização deixou de ser aberta, se afastou de sua promessa quanto ao conceito de fonte aberta”, disse, acrescentando que o Openleaks planejava oferecer meios para que informações vazadas sejam publicadas, sem ele mesmo publicá-las.

As autoridades dos Estados Unidos e de outros países adotaram medidas repressivas contra o WikiLeaks e Assange desde que o site começou a publicar milhares de cabogramas diplomáticos confidenciais dos Estados Unidos, que causaram embaraços aos interesses norte-americano e a outras partes em todo o mundo. O australiano Assange, 39, fundou o WikiLeaks em 2006, e está sob a custódia da polícia britânica em fundação de um mandado europeu de prisão expedido pela Suécia, onde ele está sendo procurado para interrogatório sobre alegações de crimes sexuais, que ele nega.

Domscheit-Berg, que no passado era parte do grupo de hackers alemães Chaos Computer Club, disse que o Openleaks começaria a operar em modo experimental no começo de 2011, e ganharia dimensões maiores no futuro. No momento, o site conta com uma equipe de 10 pessoas.”Já estamos nos afogando em aplicativos”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2010

às 17:07

O vazamento mais importante produzido até agora

É preciso dizer, certo? Eu bem que avisei, lá no comecinho, a que tipo de coisa se prestava a saga mitômana de Julian Assange… Agora já sabemos: os EUA não eram tão bons quanto diziam. E a China e o Irã não eram tão maus.

Ainda não conseguimos enxergar o que há de democracia no apedrejamento, mas já conseguimos vislumbrar o que há de apedrejamento na democracia. Esses regimes todos fazem presos políticos, ensinam Sérgio Augusto e o editor do caderno Aliás, do Estadão (ver posts abaixo).

O vazamento mais importante produzido por Assange até agora foi o da delinqüência moral, ética e política.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2010

às 17:01

Lula já se prepara para ser o grande líder dos protestos a favor do governo

leia primeiro o post abaixo

Lula, o libertário — aquele que pretende que uma comissão decida no Brasil quando um veículo de comunicação deve ser punido por, sei lá, excesso de liberdade de expressão!!! — está praticamente convocando uma manifestação pública em defesa do WikiLeaks. Ele é bom de fora.

Antiamericanos locais e globais o convenceram de que há aí uma boa causa. Ao se manifestar certa feita sobre a sentença da “Justiça” do Irã que condenara Sakineh ao apedrejamento (agora, é só a forca…), um Lula muito pudoroso ponderou que não era correto a gente ficar se metendo nas leis de um outro país. Também foi esse o conselho que deu sobre os dissidentes cubanos, aproveitando para comparar presos de consciência de lá a bandidos comuns de cá. Nos três casos, bem pensado, seus inimigos eram um só. Apoiar Irã, Cuba ou o WikiLeaks significa satanizar os EUA.

Lula só se mete com as leis suecas e americanas. Dessas, ele não gosta, não! Na semana passada, ao afirmar, como se fosse protesto, que não via manifestações em favor de Assange e da liberdade de imprensa, fazia um abordagem um tanto irônica, como a dizer: “Pô, vocês enchem tanto o saco do meu governo com isso! E o ‘whiskyleaks”? Convenham: ele nada mais fazia do que explorar uma confusão que originalmente nem é dele. Como já disse, se a imprensa não consegue distinguir crime de liberdade de expressão, Lula se sente à vontade para não distinguir liberdade de expressão de crime, na melhor escola Franklin Martins…

Ele já anuncia a sua trajetória de palanqueiro em defesa de causas: “Podem estar certos que nos encontraremos em algum lugar desse país, em alguma assembléia, em alguma passeata, em algum protesto, não contra a Dilma, mas em algum protesto contra alguma coisa.”

Está combinado! Lula passa a ser o grande líder dos protestos a favor do governo, entenderam? A rigor, continuará a fazer o que fez nos últimos oito anos. Se, do lado de lá, estiver um governo da oposição, tanto melhor.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2010

às 15:52

Tudo vai ficando muito claro: Lula, o grande democrata, quer participar de ato público em favor do WikiLeaks

Abaixo, escrevo um texto demonstrando como os adversários da democracia ocidental dos mais variados matizes estão se aproveitando do caso WikiLeaks, que conflui para um único objetivo: desmoralizar a democracia americana e transformar os EUA no grande vilão do mundo. Recomendo a leitura. Pois bem. Leiam o que segue. Comento no post seguinte:

Por Simone Iglesia, na Folha Online:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que, ao deixar o governo, não ficará dentro de uma “redoma de vidro” e que participará de protestos. Brincou que só não participará de manifestações contra sua sucessora,Dilma Rousseff. Segundo ele, o primeiro evento nas ruas pós-governo poderá ser pela liberdade de imprensa e pela defesa do site WikiLeaks.

“Podem estar certos que nos encontraremos em algum lugar desse país, em alguma assembléia, em alguma passeata, em algum protesto, não contra a Dilma, mas em algum protesto contra alguma coisa. Um protesto porque censuraram o WikiLeaks, vamos fazer manifestação, porque a liberdade de imprensa não tem meia cara, tem que ser total e absoluta, não pode desnudar só um lado. Tem que desnudar tudo”, disse Lula durante entrega do Prêmio Direitos Humanos 2010.

Dizendo que apanhou até cair no chão durante a crise do mensalão, em 2005, o presidente disse que deveria ter sido atendido, naquele período, pela Comissão de Direitos Humanos. “O governo precisava da Comissão de Direitos Humanos para defendê-lo porque a linha de ataque era violenta, raivosa, aquele negócio de que é hora de acabar com o governo e bater no governo até cair no chão”, afirmou. Lula disse que pediu ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que entregue nos próximos dias relatório da situação da busca de corpos no Araguaia.

A cerimônia de premiação foi interrompida duas vezes por manifestantes. Primeiro, um grupo aproveitou uma brecha em que ninguém estava discursando e gritou em coro “Abertura dos arquivos já”. Em seguida, quando Lula discursava, uma manifestante parou em sua frente e abriu uma faixa pedindo audiência com ele ou com a presidente eleita, Dilma Rousseff.

A manifestante, Ana Elisabeth Faria Costa, disse depois do evento que um irmão e outras quatro pessoas estão presas por índios dentro de uma reserva no Pará. Ela disse correr risco de morte por vir a Brasília protestar. Depois das duas saias-justas, Lula fez elogios à atuação de Paulo Vannuchi na Secretaria de Direitos Humanos e acabou cometendo uma gafe que logo tentou minimizá-la. O presidente disse à deputada Maria do Rosário (PT-RS), que assumirá a secretaria no governo Dilma, que ela poderá se esforçar ao máximo, mas que nunca irá superar Vannuchi na área, no máximo, terá seu trabalho igualado a ele. Ao perceber o mal estar causado por sua frase, Lula remendou que não se deve nunca duvidar do potencial das mulheres.

“Acho, Maria do Rosário, que você pode fazer o máximo que fizer, mas vai apenas fazer igual [a Vannuchi]. Mais do que foi feito nesse período, acho impossível. Se bem que na política nada é impossível. E como as mulheres estão galgando mais espaço na política, o que parece impossível para os homens pode ser baba para as mulheres”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2010

às 15:41

O diabo na alma do Ocidente

A capa do caderno Aliás do Estadão deste domingo trouxe o seguinte título: “Liberdade à sombra”. E se pode ler ali uma síntese do que vai no miolo:
“Sakineh Ashtiani? Presa. Liu Xiaobo? Preso, Julian Assange? Preso. São três personagens diversos, a desafiar establishments. Nesta edição, Mohammad Mostafaei, de seu exílio na Noruega, conta como o caso de sua cliente mais famosa, a iraniana condenada ao apedrejamento, é tratado pelo governo de Teerã. O escritor e dissidente chinês Ma Jian analisa por que Pequim quer apagar da história o Nobel de Xiaobo. E Sérgio Augusto percorre o labirinto de acusações que hoje cerca Assange, o polêmico criador do site WikiLeaks.”

Todos sabem: não participo do culto a Julian Assange; não acho que sua “missão” seja virtuosa para a democracia; acredito que o trabalho do WikiLeaks, da forma como se dá, flerta abertamente com a delinqüência. E já expus aqui fartamente os meus motivos. Isso nada tem a ver com liberdade de imprensa. Que ela publique o que quiser já que se sente confortável em ser parte de uma cadeia que, na origem, é criminosa. Roubar dados sigilosos é crime, e um estado que não procurasse coibi-lo e punir os responsáveis estaria renunciando a seu papel.

“Eu só cheiro o pó; não faço o tráfico”, poderá dizer um homem honrado. “Eu só compro relógios e carros roubados; não sou eu quem os rouba”, poderia dizer outro homem honrado… Comparação exagerada? Ora, então me digam onde está a diferença. “No interesse público!”, responde alguém de imediato. Sei… Isso, por acaso, quer dizer que o sigilo das políticas de estado nunca é de interesse da coletividade? A derrota da Alemanha nazista talvez deva pôr tal juízo em perspectiva! Qual é a tese? Quando elegemos governos, segundo leis e regras democráticas conhecidas, nós lhes atribuímos a função de arbitrar o que pode e o que não pode ser tornado público, segundo leis. É uma das regras do jogo. Mesmo esse aspecto perde um pouco de relevância agora.

Já escrevi aqui algumas vezes que o WikiLeaks, mesmo com esses vazamentos irrelevantes, estava servindo para desmoralizar a democracia mais importante do mundo, alimentando, assim, o antiamericanismo tosco. Lula, como sempre, esteve entre aqueles que perceberam o mal com antecedência, e, por isso, ele pôde falar besteira primeiro. A “síntese” do caderno Aliás, do Estadão, não poderia ser mais reveladora; as palavras fazem sentido, e o que vai na página do jornal é claro: Julian Assange, Sakineh e Liu Xiaobo são figuras equivalentes; os três lutam contra “establishments” e estão presos. Tal consideração poderia ser publicada num jornal de Teerã ou distribuída pela Irna, a agência de notícias do governo.

Trata-se de um raciocínio escandaloso, ideologicamente orientado, ainda que a motivação do editor tenha sido outra.

No miolo do caderno, conforme se anuncia, há três textos. Andrei Netto faz uma boa entrevista com Mohammad Mostafaei, advogado de Sakineh. Ma Jian, um dissidente chinês, detalha a Carolina Rossettti a rotina de um regime em que a modernização é imposta no porrete. E coube a Sérgio Augusto, num texto intitulado “Candidatos a ‘homens do ano’”, forçar a mão para demonstrar que Assange, Liu Xiaobo e Sakineh são prisioneiros políticos de regimes distintos, mas vítimas de um mesmo mal que, não obstante, assume faces diversas. Suas palavras não deixam margem para interpretações alternativas. Leiam um trecho:

Liu Xiaobo não pôde ir a Oslo, Julian Assange pode estar indo para Estocolmo. Liu ganhou o Nobel da Paz, periga de Assange levar o próximo (indicado pelos russos já foi). Ambos estão atrás das grades: Liu na China, cumprindo pena de 11 anos, Assange na Inglaterra, desde terça-feira. Liu é um preso político, Assange também, a despeito dos esforços das autoridades britânicas e suecas para enquadrá-lo como um reles delinquente sexual. Mesmo com o vulcão Eyjafjallajökull adormecido, o norte da Europa está pegando fogo. Liu e Assange foram os “homens do ano”, junto com a iraniana Sakineh (o sexo é de somenos nessa categoria): três vítimas de diferentes formas de autoritarismo, três exemplos de coragem e resistência.

Pronto! Todo o resto, no fim das contas, é desnecessário. Sérgio Augusto decretou o empate entre estas três ditaduras: os EUA, a China e o Irã. Tudo o que a delinqüência política e intelectual busca mundo afora é provar a hipocrisia e a falência da democracia ocidental. Se pensarem bem, é essa a motivação da rede terrorista Al Qaeda: “Queremos provar que são eles [os ocidentais, os decadentes, os americanos e seus asseclas] a fazer aquilo de que nos acusam”. A partir do texto se Sérgio Augusto, sabemos que viver é muito perigoso: em Londres, Nova York, Pequim ou Teerã. Osama Bin Laden tem procurado demonstrar isso de modo mais evidente desde a derrubada das Torres Gêmeas e do atentado ao prédio do Pentágono. Qual é o problema desse rapaz? Bem, ele é um tanto exagerado, não é?, e acaba militando contra a causa.

Como percebemos — e Sérgio Augusto não está sozinho nesta abordagem —, Julian Assange conseguiu disseminar esse ponto de vista sem explodir uma única bomba ou fazer verter uma gota de sangue. Americanos (e seus sequazes em Londres ou Estocolmo) não seriam menos autoritários do que chineses ou iranianos quando os interesses dos respectivos “establishments” (assim mesmo, no plural e, na verdade, num singular que a todos englobaria) estão em causa. Se for preciso, os EUA demonstram a sua face chinesa ou iraniana. O que Sérgio Augusto e nenhum outro articulista conseguiria explicar, se acordo com seu próprio raciossímio, é por que o Irã e a China não conseguem exibir o seu lado americano.

Que diferença faz o fato de o Irã ser um país notório por suas farsas jurídicas, agora incrementadas com filminhos de suspense na TV em que a vítima é obrigada a atuar como atriz da própria desgraça, horror que nem Goebbels, o mais articulado das facínoras da “comunicação de massas”, imaginou? O que importa que, na China, a tirania do Partido Comunista seja vista como base necessária da modernização capitalista? Nem e noutro casos, dissidentes vão para a cadeia ou são eliminados em praça pública. Criticar tais países já se tornou quase uma rotina burocrática do humanista padrão.  Sérgio Augusto e o editor do Aliás estão certos de que coragem grande mesmo é denunciar os Estados Unidos e a Suécia…

Porrada nos conservadores
O Ocidente, como vemos, não é  flor que se cheire. Mas nem todos devem apanhar igualmente. É claro que a “direita” e os “conservadores” têm de tomar mais porrada. Sérgio Augusto escreve que Obama ainda não tomou providências contra Assange e o WikiLeaks — falso: seu governo se mobilizou contra o site, no que faz bem
, mas seu bicho papão, como de hábito, são os sanguinários republicanos… Como vocês sabem, esses “fundamentalistas cristãos” não são muito diferentes de terroristas islâmicos…

Ocorre que Assange está preso na Inglaterra sob a acusação de estupro na Suécia. Ao contrário do que vende aquela chamada na capa do caderno, Sérgio Augusto NÃO “percorre os labirintos da acusação” coisa nenhuma! Limita-se a endossar as restrições feitas por Glenn Greenwald, para quem a história não está bem-contada, pondo sob suspeição o sistema legal sueco. Vocês sabem como Estocolmo pode se confundir com Teerã… Como faltam elementos para endossar as suspeitas de condução política, resta ao jornalista brasileiro repetir Greenwald: provar que a “lei do estupro” na Suécia é absurda, exagerada, “porta aberta para uma próspera indústria do (falso) estupro, mão na roda para mulheres levianas e advogados inescrupulosos”. Posso até concordar com isso.  Mas cadê a evidência de condução política? Ademjais, um dia Sérgio Augusto deveria refletir sobre a lei brasileira, país que, não sendo, assim, uma Suécia, pode considerar, a depender das circunstâncias, o beijo uma variante do estupro…

Sergio Augusto parece ter ainda um outro argumento definitivo em favor de Assange. Leiam:
O WikiLeaks não divulgou de roldão 250 mil sigilosas mensagens diplomáticas. De tão explorada, essa balela corre o risco de virar “verdade”, no sentido que o dr. Goebbels dava à palavra. Dos 251.297 documentos que tem guardados, o WikiLeaks divulgou, até o momento, cerca de mil. E só o fez depois de se aconselhar com as cinco organizações jornalísticas (The Guardian, The New York Times, El País, Le Monde, Der Spiegel) que aos vazamentos se associaram e por eles são corresponsáveis.

Goebbels é lembrado com propriedade nesse trecho. O jornalista considera que o fato de Assange ter anunciado 251.297 documentos e divulgado apenas mil até agora conta a seu favor, como se isso não pudesse caracterizar uma forma de chantagem, a exemplo do que ele já fez com as informações que diz ter sobre um “grande banco americano”, que todos sabem ser o Bank of America. Vejam com que tranqüilidade Sérgio Augusto dá de barato que seja de Assange a prerrogativa de divulgar dados sigilosos obtidos de modo criminoso. Açambarcou uma prerrogativa do estado. Mais: para o jornalista, o “aconselhamento” de cinco organizações jornalísticas elimina qualquer resquício de crime. Por quê? O WikiLeaks ter chamado esses veículos para lavar a origem criminosa dos dados vazados muda a sua essência moral?

Desde o primeiro texto que escrevi a respeito desse caso, eu queria chegar justamente a este ponto, sintetizado com tanta percuciência por Sérgio Augusto. Pouco importam suas intenções, que não sei quais são — mas não cheiram bem —, Julian Assange é hoje um pretexto para a desmoralização dos regimes democráticos e de seus mecanismos de mediação e controle de conflitos. Eis aí. Essa abordagem, reitero, não é só do jornalista brasileiro, não. Neste fim de semana, por algumas horas, fiquei zapeando TVs dos EUA, da França, de Portugal… Essa bobagem vai se repetindo mundo afora.

Se há um empate entre EUA, China e Irã, devemos supor que esses “analistas” queiram o desempate, não é? E ele só se realizariam, vejam que desdobramento lógico fabuloso!, se americanos (e ocidentais) deixassem de punir até os crimes para que seus algozes, do outro lado, continuassem a punir inocentes — ou “criminosos” de consciência; só saberíamos defender a superioridade do nosso regime deixando impunes os nossos criminosos.

O terrorismo começa a ser o vitorioso moral da batalha. Quem não sabe a diferença entre o crime e a liberdade de expressão acaba, fatalmente, condescendendo com quem não distingue a liberdade de expressão do crime. Na China e no Irã, uma coisa e outra se equivalem. E, estamos vendo, de modo espelhado, mas guardando a malignidade essencial da equivalência, o mesmo se dá entre nós. Os principais adversários da democracia não usam turbante. O mal está dentro de nós.

Por Reinaldo Azevedo

11/12/2010

às 4:47

A outra mensagem da embaixada americana em Honduras que diz bem quem era Zelaya: bolivariano, maluco e mafioso! Chamem Celso Amorim!

Num dos telegramas vazados pelo WikiLeaks, o embaixador americano em Honduras, Hugo Llorens, classifica de “golpe” a queda de Manuel Zelaya. Celso Amorim aproveitou para tirar uma casquinha – o Brasil é um país que fala grosso com Tegucigalpa!!! -, ironizando setores da imprensa (eu!) que negavam o golpe. E, de fato, não houve! Segundo o Megalonanico, Llorens deixava claro que o governo brasileiro se comportara bem na crise. Sei… Nota à margem: a mensagem do embaixador tem zero de novidade. A Casa Branca também chamou de golpista a deposição e pediu a reinstalação de Zelaya no poder. Não conseguiu e mudou de idéia.

Pois bem. Há outra mensagem da embaixada americana em Honduras, esta de 2008, também vazada pelo WikiLeaks. O antecessor de Llorens, Charles Ford, explica ao sucessor quem é Zelaya, que ainda estava no poder. Traduzo a reportagem do jornal espanhol El País, publicada nesta sexta. Vale a pena ler. Em nenhum momento a embaixada fala em depor o presidente, é claro. O diplomata trata, sim, das ligações de Zelaya com Chávez, mas sua preocupação central é outra: o vagabundo havia levado o crime organizado para dentro do governo.

Essa mensagem da embaixada americana, parece, Celso Amorim não vai comentar. Leiam o texto. Ford faz um relato fascinante. É pena não ter sido embaixador no Brasil. Eu adoraria ler a sua descrição do Babalorixá de Banânia.

*
Por Maite Rico

Caricatura de latifundiário. Adolescente rebelde. Errático em suas opiniões e comportamento. Desconfiado. Encantador nas conversas pessoais. Mas também sinistro. E corrupto. Um mês após deixar o cargo em Honduras, em abril de 2008, o embaixador dos EUA Charles Ford deixou por escrito suas impressões sobre o presidente Manuel Zelaya, que seria deposto e expulso do país em 28 de junho de 2009, episódio que virou de cabeça para baixo a política regional. Esse é o retrato severo e irônico que Ford faz de Zelaya para instruir seu sucessor no trato com a personagem, sugerindo que mantenha com ele uma conversação direta na “esperança de  de minimizar os danos à democracia e à economia hondurenhas”.

O relato, datado de 15 de maio de 2008, é classificado como secreto. Zelaya estava no poder havia dois anos e meio, eleito como representante do Partido Liberal. Até que se deu sua insólita reviravolta rumo a Hugo Chávez e ao eixo bolivariano, o que deixou intrigados seus correligionários e a comunidade internacional.

Ford é claro: “O objetivo principal de Zelaya é enriquecer a si mesmo e a família” e se exibir como um “mártir”, que “tenta fazer justiça social para os pobres”, mas é impedido por “poderosos interesses ocultos”.

O presidente evidencia características autoritárias. “Zelaya se dá bem com os militares e com a Igreja Católica, mas o incomoda a simples existência do Congresso, do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal”, escreve Ford. Seus ataques à imprensa puseram em perigo vários jornalistas críticos de seu governo. Sua estratégia é ” a intimidação,  a perseguição”. O pior, porém, é que está “cada vez mais cercado por pessoas envolvidas com o crime organizado”.

Educado e charmoso
O embaixador demonstra ter conhecido bem Zelaya, que definiu como educado e encantador em seus freqüentes encontros, “disposto”, explica Ford, “a dizer o que ele supõe que eu queira ouvir num dado momento.” Seus argumentos, no entanto, mudam de um encontro para outro, seja para explicar suas relações com Hugo Chávez ou a nomeação do embaixador de Honduras na ONU. E isso confunde o embaixador dos EUA. “É como se ele não se lembrasse de nossa conversa de pouco antes”, escreve ele. “As opiniões de Zelaya mudam de um dia para outro, de uma hora para outra, dependendo de seu humor ou da pessoa com quem esteve por último”.

Exemplo de seu comportamento errático, diz Ford, é o seu relacionamento com os EUA. Apesar de sua retórica violenta, que o levou a qualificar a política de imigração norte-americana de “fascista”, mostrava-se disposto a se reunir com o presidente George W. Bush “a qualquer momento’. Zelaya, recorda o embaixador Ford, “não só permitiu a primeira visita de um navio de guerra dos EUA a Honduras em 22 anos, como fez um inflamado discurso no convés, exaltando as relações bilaterais.” Para, em seguida, expressar seu orgulho pelo papel desempenhado por Honduras “na captura e execução do intervencionista americano William Walker” (pirata e aventureiro do século 19, fuzilado em 1860).

Essa dicotomia deixa Ford perplexo: “Sempre desconfiado das intenções dos Estados Unidos, submeteu-se inexplicavelmente a um perfil psicológico em minha casa. Duas vezes”. A ambigüidade se reflete também em sua atuação no governo. Incentiva manifestações de rua contra políticas de seu próprio governo para resolver o conflito”. Isso serve “para ganhar aceitação popular”.

O crime organizado
“Mas há também o Zelaya sinistro, cercado por uns poucos conselheiros, ligados tanto à Venezuela e a Cuba como ao crime organizado “, afirma Ford. Isso o torna uma pessoa muito pouco confiável. “Sou incapaz de pôr Zelaya a par das ações dedicadas à segurança e à luta contra o narcotráfico por temer pôr em perigo a vida de funcionários americanos”.

O embaixador confirma, por outro lado, a imagem que Zelaya construiu de “filho de Orlancho” [sua terra natal], apegado à terra e a seu chapéu de cowboy. “Ao contrário da maioria dos presidentes hondurenhos, para Zelaya, uma viagem a uma grande cidade significa ir a Tegucigalpa, não a Miami ou a Nova Orleans.” “É um retorno a uma outra época na América Central, quase uma caricatura de caudilho, por seu estilo de liderança”. Fora de sua família, Zelaya não tem amigos porque maltrata as pessoas próximas. “Em um almoço, afirmou que não confiava em ninguém do seu governo”.

Ford se mostra pessimista com o futuro político de Honduras e as relações com os EUA. “Seu esforço para garantir imunidade a várias atividades do crime organizado perpetradas em sua administração o converterá numa ameaça ao estado de direito e à estabilidade institucional”. A recomendação que deixa o embaixador Ford é esta: “Você encontrará o espaço para trabalhar, mas devemos ser muito diretos com ele”. É preciso atraí-lo o máximo possível “para proteger nossos interesses vitais” e “minimizar os danos à democracia e à economia hondurenhas”.

Em junho de 2009, Zelaya foi deposto pelo Supremo Tribunal Federal, acusado de graves violações à Constituição – que pretendia reformar para se reeleger – e foi expulso de Tegucigalpa. A crise aberta pelo golpe terminou com as eleições presidenciais, que foram vencidas por Porfirio Lobo, do Partido Nacional, de oposição. Zelaya refugiou-se na República Dominicana e, na condição de ex-presidente, tem um assento no Parlamento Centro-Americano.

Por Reinaldo Azevedo

10/12/2010

às 17:34

Embaixador dos EUA trata o irrelevante como… irrelevante!

Leia o que informa o Estadão Online. Volto em seguida:

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, disse hoje que seu país tem uma relação “positiva e de longo prazo” com a presidente eleita, Dilma Rousseff. Ao visitar nesta manhã a sede da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional São Paulo (OAB-SP), Shannon citou várias ocasiões em que Dilma visitou os Estados Unidos como secretária de Energia do Rio Grande do Sul nos anos 90 e como ministra de Minas e Energia e da Casa Civil no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele negou que os Estados Unidos possuam qualquer tipo de informação sobre a participação de Dilma em ações terroristas durante o regime militar, conforme divulgou o site WikiLeaks.

Na edição de hoje, o jornal Folha de S.Paulo publica que o WikiLeaks teve acesso a telegrama confidencial de 2005 da diplomacia dos Estados Unidos que afirma que Dilma “organizou três assaltos a bancos” e “planejou o legendário assalto popularmente conhecido como ”roubo ao cofre do Adhemar” durante o regime militar.

“Como eu falei ontem, o governo dos Estados Unidos não têm informação alguma sobre essas informações”, disse Shannon. “É importante indicar que a nossa relação com a presidente eleita é positiva e de longo prazo.” De acordo com ele, após a eleição de Dilma, ela já foi convidada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para visitar a Casa Branca. “Essa série de experiências com ela mostra claramente nossa confiança nela e as relações excelentes que temos com a presidente eleita.”

Shannon também fez comentários sobre a entrevista concedida na semana passada por Dilma ao jornal Washington Post. Para ele, a entrevista foi “excelente” e foi muito bem-recebida por Washington. Nela, a presidente eleita afirmou que se sentia desconfortável, como mulher, com a violação de direitos humanos no Irã e a condenação à morte por apedrejamento de Sakineh Ashtiani.

“A entrevista mostra a habilidade de Dilma de separar uma política com o Irã e o problema de direitos humanos que existe no país. Isso é muito importante e mostra uma área em que muitos países e organizações não-governamentais querem aprofundar e construir um espaço em que podemos colaborar de maneira importante”, afirmou o embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

Comento
Uma informação sem importância não passa a ser importante porque, secreta na origem, acaba chegando à imprensa. Qual é a novidade no comunicado passado pela diplomacia americana sobre Dilma Rousseff? Ela não pertenceu mesmo a grupos que assaltaram bancos? Não era membro da organização que roubou o famoso “cofre do Adhemar”? Não era, segundo vários testemunhos, quadro dirigente da VAR-Palmares? Não chegou, como diria Camões, a “arrostar co’o sacrílego gigante” (para as esquerdas ao menos) Carlos Lamarca para manter a VAR-Palmares, quando ele decidiu refundar a VPR? Seu marido não ficou responsável por parte da grana do tal cofre? Ela não cuidou de uma fatia das finanças da organização? Então…

Os “vazamentos”, na forma como chegam ao público, alimentam fanfarronices, como a de Lula, segundo quem a diplomacia americana foi flagrada fazendo o que não devia. E isso é uma grossa besteira. A tarefa corriqueira de diplomatas assume ares de conspiração. A embaixada americana não foi flagrada propondo alguma maneira de evitar a eleição de Dilma Rousseff. Fez um resumo, até bastante sintético, de sua biografia. Cadê o pecado? Também nesse caso, o crime está no vazamento.

Por Reinaldo Azevedo

10/12/2010

às 16:59

WikiLeaks e ONU: O meu mundo continua a distinguir tirania de democracia

Não dá! As coisas têm de ter proporção. Reproduzi nesta madrugada trecho da reportagem da Folha em que Navi Pillay, Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, expressa a sua preocupação com a suposta perseguição de que estariam sendo vítimas o site WikiLeaks e Julian Assange. No título, empreguei a expressão “Antiamericanismo na ONU”. Houve quem reclamasse. Então vamos lá.

Hoje é o dia internacional dos Direitos Humanos. Em seu pronunciamento, Navi chamou de “heróis” aqueles que defendem a causa no mundo. E citou o chinês Liu Xiaobo, vencedor do Nobel da Paz, condenado a 11 anos de cadeia. A China ficou furiosa com a premiação. Navy lembrou que a mulher de Xiaobo e seus amigos também estão sendo perseguidos.

Muito bem! Navy cumpre a sua obrigação. Ocorre que, em seguida, engatou uma fala em defesa do WikeLeaks, expressando a sua preocupação com o fato de que empresas estariam sendo pressionadas a não colaborar com o site. Segundo a comissária, a liberdade de expressão pode estar sendo ameaçada. Pondera que, se transgressões foram cometidas, que sejam punidas dentro do sistema legal.

Aí eu acho que dona Navy está falando uma língua de outro pleneta, dos Na’vi talvez… Expressar preocupação com o WikiLeaks no mesmo pronunciamento em que se refere à China, uma tirania, onde se pode ficar uns bons anos na cadeia por discordar de uma medida do governo? Onde inexiste liberdade de expressão, de organização, de religião, de consciência? Aí se trata de mistificação!

Qual foi a transgressão legal cometida pelos EUA até agora? Buscar mecanismos para punir — e ninguém tentou impedir a publicação de nada até agora — o vazamento criminoso de dados sigilosos?

A ONU tem dessas coisas não é de hoje. Comissões e comissariados ligados a direitos humanos e afins estão coalhados de antiocidentais no geral e antiamericanos em particular. Se o australiano Julian Assange está para os EUA como Liu Xiaobo está para China, Navi Pillay está para a Justiça como estaria um Salomão que estivesse falando a sério quando propôs  dividir ao meio a criancinha…

E daí que quase ninguém mais critique essa gente ou se importe com isso? Meu mundo tem valores e hierarquia. Eu ainda sei distinguir uma tirania de uma democracia. Não me importo em ser um dos primeiros de um eventual renascimento dos valores ocidentais ou um dos últimos de um mundo em extinção. Quem junta EUA e China numa mesma censura está, necessariamente, tornando uma democracia pior do que é uma tirania melhor do que é. Melhor para os tiranos.

Sendo assim, eu censuro a língua Na’avi de Navy!

Por Reinaldo Azevedo
 

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