06/02/2013
às 5:10MP de SP decide seguir a lei — VAMOS DAR UM “VIVA”!!! — e denuncia Remelentos & Mafaldinhas da USP por formação de quadrilha, dano ao patrimônio e desobediência
Em 2011, a Polícia Militar abordou alguns maconheiros na USP. “Maconheiro”, para quem não suporta o peso das palavras nem do dicionário, é aquele, segundo o Aurélio, “que é viciado em ou faz uso de maconha”. Não é nem uma categoria intelectual nem uma categoria moral. Define um vício ou hábito de consumo. E o consumo de drogas ilícitas, por óbvio, não está liberado em lugar nenhum, muito menos numa universidade. Bem, vocês conhecem a história. Houve lá um quiproquó, e uma turma decidiu invadir a reitoria da USP. A reivindicação: queriam que a PM não mais fizesse o policiamento da Cidade Universitária. Os Remelentos & Mafaldinhas, como chamo esses esquerdistas do sucrilho, renderam algumas imagens que entraram para a história… da luta de classe sem classe e fora da classe. Uma delas foi esta aqui, de autoria de Werther Santana, da Agência Estado: o revolucionário da GAP e óculos Ray-Ban.
Esses notáveis contestadores da ordem resolveram meter um capuz e dar início à revolução, ali às margens do Rio Pinheiros. Isso que vocês veem é a porta da garagem do prédio da Reitoria, que foi depredada, também numa foto de Werther Santana.
Antes de ocupar a reitoria, eles já tinham invadido o prédio da administração da FFLCH. Um cartaz foi afixado lembrando ao mundo que os policiais também eram “trabaliadores”. Por que depredadores da ordem democrática não seriam também depredadores da língua, mesmo dentro de uma universidade? Vejam a foto de Nelson Antoine (AE):
Escrevi, então, muitos textos a respeito daquela invasão absurda. E alertei aqui: há combustível estocado na Reitoria. Fui atacado, achincalhado, hostilizado. Para não variar, setores consideráveis da imprensa paulistana e os professores da esquerda da USP se solidarizaram, claro!, com os baderneiros. Um repórter de TV chegou a chamar os truculentos de “os meninos”…
Ministério Público
Pois bem. O Ministério Público de São Paulo concluiu a sua apuração e resolveu denunciar 72 invasores por formação de quadrilha, por dano ao patrimônio público (três imputações) e descumprimento de ordem judicial.
Sim, ao entrar na Reitoria, a polícia encontrou material para a fabricação de coquetel molotov, conforme eu havia denunciado aqui — o que gerou protestos. “Como você sabe?” Pois é, eu sabia… “Esse material foi encontrado enfileirado, pronto para ser usado. É coisa de bandido. É um ato criminoso”, afirma a promotora Eliana Passarelli, chamando as coisas pelo nome que as coisas têm.
Ainda que condenados, como espero que sejam, dificilmente irão para a cadeia. A pena por formação de quadrilha e dano ao patrimônio é de, no máximo, três anos (para cada crime). No caso desse segundo, há três imputações (causa de aumento de pena). A reclusão para descumprimento de ordem judicial é de até seis meses. Tudo somado pelo máximo — três anos para quadrilha, três anos e seis meses para dano ao patrimônio (já com acréscimo de um sexto) e outros seis por descumprir ordem judicial, chega-se a sete anos. Sempre depende do juiz, mas dificilmente renderia regime fechado, obrigatório só a partir de oito anos. De resto, é pouco provável que pegassem as penas máximas.
Não que uma cadeia não pudesse fazer bem aos extremistas do sucrilho. Talvez lhes fortalecesse a têmpera com o conhecimento do mundo real. Já que gostam de se encapuzar, viveriam na prática a fantasia. Mas nem é preciso cadeia. A perda da primariedade já seria uma boa lição extracurricular. Seria muito bom que o estado brasileiro lhes dissesse — e aos demais brasileiros — que ninguém tem o direito de desrespeitar ordem judicial, de depredar o patrimônio público e de se associar com outros para cometer crimes.
A USP custa caro aos paulistas. É financiada com o dinheiro público. Como o estado não gera riqueza, quem a produz para que exista universidade são os trabalhadores — inclusive os trabalhadores empresários. É preciso que o estado democrático diga com clareza que repudia a confusão entre a reivindicação e o banditismo.
Uma democracia não pune ninguém apenas para ser exemplar. Mas pode e deve punir para ser didática NOS LIMITES DA LEI. A USP também é nossa, leitor. E nós não demos licença àqueles vândalos para invadir, quebrar e ameaçar.
Lei neles!
Tags: invasão da USP, USP









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