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USP

06/02/2013

às 5:10

MP de SP decide seguir a lei — VAMOS DAR UM “VIVA”!!! — e denuncia Remelentos & Mafaldinhas da USP por formação de quadrilha, dano ao patrimônio e desobediência

Em 2011, a Polícia Militar abordou alguns maconheiros na USP. “Maconheiro”, para quem não suporta o peso das palavras nem do dicionário, é aquele, segundo o Aurélio, “que é viciado em ou faz uso de maconha”. Não é nem uma categoria intelectual nem uma categoria moral. Define um vício ou hábito de consumo. E o consumo de drogas ilícitas, por óbvio, não está liberado em lugar nenhum, muito menos numa universidade. Bem, vocês conhecem a história. Houve lá um quiproquó, e uma turma decidiu invadir a reitoria da USP. A reivindicação: queriam que a PM não mais fizesse o policiamento da Cidade Universitária. Os Remelentos & Mafaldinhas, como chamo esses esquerdistas do sucrilho, renderam algumas imagens que entraram para a história… da luta de classe sem classe e fora da classe. Uma delas foi esta aqui, de autoria de Werther Santana, da Agência Estado: o revolucionário da GAP e óculos Ray-Ban.

Esses notáveis contestadores da ordem resolveram meter um capuz e dar início à revolução, ali às margens do Rio Pinheiros. Isso que vocês veem é a porta da garagem do prédio da Reitoria, que foi depredada, também numa foto de Werther Santana.

Antes de ocupar a reitoria, eles já tinham invadido o prédio da administração da FFLCH. Um cartaz foi afixado lembrando ao mundo que os policiais também eram “trabaliadores”. Por que depredadores da ordem democrática não seriam também depredadores da língua, mesmo dentro de uma universidade? Vejam a foto de Nelson Antoine (AE): 

Escrevi, então, muitos textos a respeito daquela invasão absurda. E alertei aqui: há combustível estocado na Reitoria. Fui atacado, achincalhado, hostilizado. Para não variar, setores consideráveis da imprensa paulistana e os professores da esquerda da USP se solidarizaram, claro!, com os baderneiros. Um repórter de TV chegou a chamar os truculentos de “os meninos”…

Ministério Público
Pois bem. O Ministério Público de São Paulo concluiu a sua apuração e resolveu denunciar 72 invasores por formação de quadrilha, por dano ao patrimônio público (três imputações) e descumprimento de ordem judicial.

Sim, ao entrar na Reitoria, a polícia encontrou material para a fabricação de coquetel molotov, conforme eu havia denunciado aqui — o que gerou protestos. “Como você sabe?” Pois é, eu sabia… “Esse material foi encontrado enfileirado, pronto para ser usado. É coisa de bandido. É um ato criminoso”, afirma a promotora Eliana Passarelli, chamando as coisas pelo nome que as coisas têm.

Ainda que condenados, como espero que sejam, dificilmente irão para a cadeia. A pena por formação de quadrilha e dano ao patrimônio é de, no máximo, três anos (para cada crime). No caso desse segundo, há três imputações (causa de aumento de pena). A reclusão para descumprimento de ordem judicial é de até seis meses. Tudo somado pelo máximo — três anos para quadrilha, três anos e seis meses para dano ao patrimônio (já com acréscimo de um sexto) e outros seis por descumprir ordem judicial, chega-se a sete anos. Sempre depende do juiz, mas dificilmente renderia regime fechado, obrigatório só a partir de oito anos. De resto, é pouco provável que pegassem as penas máximas.

Não que uma cadeia não pudesse fazer bem aos extremistas do sucrilho. Talvez lhes fortalecesse a têmpera com o conhecimento do mundo real. Já que gostam de se encapuzar, viveriam na prática a fantasia. Mas nem é preciso cadeia. A perda da primariedade já seria uma boa lição extracurricular. Seria muito bom que o estado brasileiro lhes dissesse — e aos demais brasileiros — que ninguém tem o direito de desrespeitar ordem judicial, de depredar o patrimônio público e de se associar com outros para cometer crimes.

A USP custa caro aos paulistas. É financiada com o dinheiro público. Como o estado não gera riqueza, quem a produz para que exista universidade são os trabalhadores — inclusive os trabalhadores empresários. É preciso que o estado democrático diga com clareza que repudia a confusão entre a reivindicação e o banditismo.

Uma democracia não pune ninguém apenas para ser exemplar. Mas pode e deve punir para ser didática NOS LIMITES DA LEI. A USP também é nossa, leitor. E nós não demos licença àqueles vândalos para invadir, quebrar e ameaçar.

Lei neles!

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2012

às 4:54

Em oito dias, PT chama a PM duas vezes para resolver conflito em universidade federal. O que disse mesmo Fernando Haddad em novembro sobre a desocupação da reitoria da USP?

Outro dia, um desses delinquentes intelectuais disfarçados de pesquisadores tentou demonstrar que opções ideológicas têm uma base fisiológica. Se não me engano — e não vou parar para pesquisar —, o vagabundo é de uma universidade canadense. Segundo ele, os esquerdistas tendem a ser mais inteligentes do que os conservadores. Huuummm… Vendo, nesta quinta, os petistas na CPI lutando bravamente contra a convocação de Fernando Cavendish, com o deputado Cândido Vaccarezza verdadeiramente inflamado, não duvidei: é mesmo uma questão de inteligência… A minha tese é outra e não se sustenta em nenhuma hipótese fisiológica.

Acho que se trata, em primeiro lugar, de uma questão moral, individual; em segundo, de uma questão ética, que diz respeito à nossa relação com os outros. Um esquerdista é, antes de tudo, uma relativista. Tudo o que serve a seus propósitos é naturalmente bom; tudo o que não serve, naturalmente mau. Ou por outra: é preciso uma boa dose de sem-vergonhice para ser esquerdista. Viram Marilena Chaui? Madame Mim, escrevi ontem a respeito,  voltou a dar vassouradas no “projeto neoliberal da USP” e não disse uma vírgula sobre as 55 universidades federais em greve. Falasse como militante do partido, vá lá… Mas não! Discursava na condição de professora, de alguém pago com o nosso dinheiro para pensar com independência. Mas vamos retomar a questão lá do título.

A reitoria da Unifesp, uma universidade federal, indicada pelo companheiro Fernando Haddad — este que tem soluções fáceis e erradas para todos os problemas difíceis de São Paulo —, recorreu à Justiça para retomar o prédio da administração do campus de Guarulhos, que havia sido tomado por alunos. Só para lembrar: a reitoria da USP foi invadida no ano passado por “revolucionários” de extrema esquerda que não querem a PM reprimindo o tráfico e o consumo de drogas no campus. A propósito: Marilena mentiu — sim, o verbo é esse — ao dizer que os policiais estão lá para espancar estudantes.

Já os alunos da Unifesp protestam porque o campus de Guarulhos está mais para um pardieiro do que para uma universidade. É apenas uma das unidades federais que não oferecem condições mínimas para uma vida acadêmica decente. Cursos estão funcionando em prédios improvisados — uma escola infantil…. Os sinais de deterioração e de decadência estão por todo canto. Ainda assim, deixo claro: sou contra invasões, intimidações etc. Há outras formas de protestar. Pois bem: como a Justiça determinou a reintegração de posse, a Polícia Militar teve de executar a ordem no dia 6 — e o fez junto com a Polícia Federal, aquela sob o comando do petista José Eduardo Cardozo. Tudo conforme manda a lei, a exemplo do que se viu na USP.

Os petistas saíram vociferando contra a o governo de São Paulo e contra a Polícia Militar quando houve a operação da USP. Fernando Haddad, o preclaro ex-ministro da Educação e pré-candidato a prefeito, responsável pelas péssimas condições de muitas universidades federais, resolveu tirar uma casquinha com uma frase de efeito: “Não se pode tratar a cracolândia como se fosse a USP e a USP como se fosse a cracolândia”. A tirada é duplamente preconceituosa. Como ele acusava a suposta violência da ação da PM — mentira!!! —, estava dizendo, na prática, que atos violentos contra viciados da cracolândia são até aceitáveis, mas não contra viciados da USP.

Eu estou entre aqueles que consideram a brutalidade inaceitável em qualquer caso. E me incluo entre os que acham que o consumo e tráfico de drogas devem ser reprimidos num lugar e noutro — ou a USP, de fato, vira uma cracolândia! Não que ela não tenha bolsões de consumo de drogas ideológicas… Está cheio de gente viciada em petismo por ali, especialmente no corpo “indocente“… O PT, note-se, está para o marxismo mais ou menos como o crack está para cocaína: é uma droga mais barata, de consumo mais popular, destrói os neurônios com muito mais rapidez e é oferecida por traficantes pé de chinelo. Sigamos.

Ontem, estudantes voltaram a protestar na Unifesp. Instalações foram ocupadas de novo, áreas da instituição foram pichadas, e a administração acusa os estudantes de terem impedido o diretor de sair do prédio, o que eles negam. Adivinhem o que fez a direção… Ora, chamou a velha e boa PM de São Paulo de novo — aquela, sabem?, que os petistas classificam de “a polícia do Alckmin”; aquela que a Madame Mim da Filosofia tacha de “polícia do neoliberalismo”. E os policiais, obviamente, atenderam ao chamado porque é sua obrigação. Parece que chegou a haver um princípio de confronto. Uma aluna diz ter sido atingida por uma bala de borracha. A ver…

Pois é… Polícia boa é aquela que atua quando os petistas pedem e quando dela precisam. Chamem o ministro Gilberto Carvalho, aquele que, por ocasião do cumprimento da lei no Pinheirinho, saiu afirmando que o PT “tem outro jeito de resolver as coisas”. Qual jeito? Sabem a tal sensação da vergonha alheia, que a gente experimenta em lugar do outro? Pois é…

É isto: o comando petista de uma universidade federal pediu o socorro da PM duas vezes em nove dias. E a Madame Mim lá, em silêncio, cuidando de misturar em seu caldeirão os morcegos, as baratas e as teias de aranha das ideias mortas. E Haddad? O que tem a dizer a respeito?

bruxa-caldeirao

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2012

às 7:59

Promotores de SP escarnecem da população que lhes paga o salário. E Marilena Chaui, a pensadora dos mensaleiros, volta a dar rasantes com sua vassoura filosófica. Ou: Eles querem é que a Cracolância seja considerada uma USP e que a USP vire uma Cracolândia!

Já deveria ter escrito a respeito, mas, como sabem, a agenda anda um tanto carregada. Quatro promotores do Ministério Público de São Paulo, capitaneados por Maurício Ribeiro Lopes, promotor da Habitação, entraram com uma ação civil pública contra o governo do estado cobrando uma indenização de R$ 40 milhões por “danos morais coletivos”. E o que o governo fez de tão grave? A operação na Cracolândia! Segundo o inquérito conduzido por Lopes, ela foi desastrosa e não cumpriu seus objetivos. Os preclaros pedem ainda uma liminar que impeça a Polícia Militar de dispersar os usuários de droga da região.

Desde que a operação começou, e a Secretaria de Justiça tem esses dados documentados, houve a internação voluntária de 660 dependentes. Foram enviadas para abrigos 11 mil pessoas, 121 presos foragidos foram recapturados, e 462 traficantes foram presos. Mas Lopes e seus colegas não estão contentes, não. Acusam agressão aos direitos humanos e dizem que a operação não cumpriu seus objetivos: “Começou de modo desastrado pela sua desarticulação, desenvolveu-se de modo violento e, se chegou ao final, chegou com resultado desastroso”, define o valente.

Sabem o que é pior? Essa gente pretende falar em nome do povo. Segundo pesquisa feita pelo Datafolha, 82% dos paulistanos apoiam a ação do governo e da prefeitura na cracolândia. Nem poderia ser diferente. Aquela era uma região da cidade que estava sitiada. O primeiro passo em casos assim é recuperar o território. Se estivesse no Rio, Lopes iria querer impedir a instalação das UPPs alegando que elas não conseguiram acabar com o tráfico. Eu sou crítico daquele programa, sim, mas por uma razão em particular: por não prender os traficantes.

É evidente que a operação na Cracolândia não fez com que viciados desaparecessem. Não existe com esse objetivo. Então vejamos: a internação compulsória é proibida por lei, e ninguém é preso por portar drogas apenas para consumo. Se a polícia estiver impedida de dispersar os consumidores, que tendem a tomar conta do espaço público e a criar um mundo particular, o resultado é um só: agressão aos direitos da população comum, que trabalha, que estuda, que trabalha e estuda, que gera, em suma, os impostos que pagam os salários de Lopes e de seus amigos.

Lembram-se dele?
Ah, Lopes é um velho conhecido de vocês. É aquele cinquentão que usa um brincão na orelha esquerda, talvez para ficar mais parecido com o filho… É claro que o que lhe dita o pensamento é o que tem entre as orelhas. E não é coisa boa. Fiz referência ao brinco, que lhe confere um ar, assim, de tiozão chacoalhando a pança em balada adolescente, porque me lembrei de São Paulo — no caso, o apóstolo que dá nome à cidade. “Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.” Lopes vive, certamente, a meninice da ideologia. Daria a outra orelha ao furo, estou certo, para invadir a reitoria da USP — já chego à Madame Mim da vassoura…

Mas é possível que vocês não tenham se lembrado do tiozão pelo brinco. Então eu lhes refresco a memória com outra ação detestável desse senhor. Em outubro do ano passado, a prefeitura decidiu transferir um albergue de uma área de Pinheiros (referência para quem não mora em Sampa: é um bairro de classe média, com alguns bolsões de pobreza) para outra mais residencial, na rua Cardeal Arcoverde. Um grupo de moradores resolveu se mobilizar contra a decisão e entregou ao Ministério Público Estadual um abaixo-assinado com 1,2 mil assinaturas. Mal sabiam que estavam caindo numa armadilha! Sabem o que fez Lopes? Não só indeferiu o pedido (até aí, tudo bem!) como associou os manifestantes a “higienistas do Terceiro Reich”. Foi explícito: “É de causar inveja a qualquer higienista social do Terceiro Reich a demonstração de tal insensibilidade”. Suas palavras já eram absurdas e persecutórias o bastante. Mas ele não se deu por satisfeito: encaminhou o nome de seis síndicos que assinaram a petição para a Delegacia de Polícia Especializada em Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

É coisa de fascista! É coisa de comunista da antiga Alemanha Oriental! Um dos direitos fundamentais de qualquer cidadão num estado democrático é encaminhar petições ao estado. Ninguém pode ser molestado por uma autoridade ou punido por isso. Ocorre que o nosso promotor “da habitação” não está nem aí para quem paga impostos. Ele é um justiceiro social — e, como se vê, faz justiça à custa do homem comum. Ao molestar os moradores de Pinheiros, quer impedir o cidadão de ser cidadão; ao tentar impedir a ação na Cracolândia, quer impedir o governo de ser governo.

Agora ela…
Marilena Chaui voltou a dar rasantes na USP com sua vassoura filosófica. Não é estranho que ressurja no noticiário neste momento. Eu a chamo de “a pensadora dos mensaleiros” porque ela foi a autora original — sim, foi ela! — da mentira estúpida de que a denúncia do mensalão foi só uma tentativa de dar um golpe em Lula. Num ato em favor da criação de uma Comissão da Verdade na USP (só para a USP…), a Madame Mim da filosofia ligou o reitor João Grandino Rodas à ditadura, o que é uma tolice, atacou indiretamente o governo do estado — “há uma hegemonia no Estado de São Paulo de um pensamento privatista e neoliberal, a USP está sendo regida por esses princípios por este reitor” — e MENTIU: afirmou que a Reitoria pôs a polícia no campus “para espancar estudantes”. As autoridades tendem a ser frouxas com gente assim. Não deveriam. No lugar do governo e da PM, eu processaria essa senhora para que ela mostrasse onde estão os estudantes espancados. Como pode mentir de forma tão miserável quem está num ato em favor de uma “Comissão da Verdade”?

Exagero ao associá-la a uma bruxa? Não deixa de ser um elogio. Quem recorre a um engodo, a uma farsa — como a história do suposto “golpe” — para tentar livrar a cara de mensaleiros ou minimizar seus crimes merece é epíteto pior. Há muito tempo essa funcionária pública paga para pensar com independência não passa de mero esbirro de um partido político. Atenção! Há 55 universidades federais em greve, boa parte delas funcionando em condições precárias. Em muitas, faltam laboratórios. Em algumas, não há nem esgoto nem água encanada. Mas Madame Mim quer é acabar com o “projeto neoliberal” da USP!!! Os petistas não descansam enquanto não reduzirem São Paulo ao tamanho de sua utopia.

A polícia está na USP, com o apoio da esmagadora maioria dos estudantes, para protegê-los. Esta Górgona do esquerdismo chulé tripudia sobre o corpo do estudante de ciências atuariais Felipe Ramos de Paiva, morto em maio do ano passado no campus, durante um assalto. Felipe era um rapaz de família pobre, morador de Pirituba. Dona Chaui não deve saber onde fica porque o público para o qual prega socialismo se concentra no Alto de Pinheiros, nos Jardins, na Vila Nova Conceição e em Higienópolis. Há mais comunistas nestes metros quadrados entre os mais caros do mundo do que em Pequim ou em Havana.

Felipe tinha origem pobre, sim, mas já havia coseguido um excelente emprego, trabalhava numa empresa de gestão de fundo de investimentos e era considerado pelos colegas um workaholic — talvez um “neoliberal”, diria a Górgona. Felipe, em suma, jamais seria  um deles: afinal, o rapaz era um… TRABALHADOR! Por que a USP deveria dar bola a gente como ele? Tem é de mimar os maconheiros!

Eis aí: no mundo de Lopes, a Cracolândia vira uma academia. No mundo de Marilena, a USP vira uma Cracolândia.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2012

às 5:45

Em reportagem, militante do PSTU é chamado apenas de “professor da USP” ao defender palavra de ordem do partido. Ou: Crime contra a inteligência

Eu faço um convite aos leitores! Ou melhor: eu lhes dou uma dica. Sempre que aparecer algum “professor universitário” opinando em favor de alguma tese, especialmente se for de esquerda, recorra ao Google para saber se ele não é um militante partidário. O caso de que vou tratar aqui é até besta e se refere a uma quase-bobagem, mas ilustra um método.

Escrevi ontem um post sobre a redação de um candidato da Fuvest que mandava um recadinho em letras em negrito. Nem me estendi muito sobre a coisa em si porque é uma bobagem. Lamentei, isto sim, a qualidade do texto, que foi, não obstante, considerado exemplar pelo examinador. Tanto é assim que estava no site da Fuvest entre os textos de destaque. O(a) estudante mandava um recado: “Fora Rodas” e “Fora PM”. A fundação, numa atitude correta, tirou o texto do ar — seja em razão do proselitismo fora de lugar, seja por causa da baixa qualidade, jamais deveria ter estado lá.

Muito bem. A Folha noticiou o assunto e decidiu ouvir um “especialista”. Por que não o professor Ruy Braga, do Departamento de Sociologia da USP? É mesmo, né? Por que não? Ele defendeu a postura do(a) estudante e ainda criticou a Fuvest. Leiam trecho. Volto em seguida.
*
O professor do Departamento de Sociologia da USP Ruy Braga elogiou a redação que trazia mensagens subliminares contra o reitor João Grandino Rodas e criticou o fato de a Fuvest ter suprimido o texto do seu site. “Se existe um mantra que é sistematicamente repetido pela Fuvest, é o de que eles desejam estudantes com formação crítica, que saibam pensar com a própria cabeça”, disse Braga. “Quando um jovem se manifesta politicamente, exatamente com base nesses parâmetros, eles tiram a redação do ar? Isso não faz sentido”, afirma o docente.

Braga criticou ainda a atitude da Fuvest, que qualificou o protesto presente na redação como uma “brincadeira indesejável” e retirou o texto de seu site. “Não é uma brincadeira, é uma atitude política. A Fuvest não pode simplesmente tapar os olhos, como se isso não tivesse acontecido.”
(…)

Voltei
Ruy Braga é um dos mais conhecidos militantes do PSTU na USP. É editor da revista “Outubro”, do partido. “Fora Rodas” e “Fora PM”, como ele mesmo diz, são, sim, “mantras”… do PSTU, também repetidos pelo PSOL. O que o ilustríssimo chama “pensar com a própria cabeça” se traduz em “pensar com a cabeça do PSTU”. Não é fabuloso?

Nem vou entrar no pensamento desses dinossauros. O que me incomoda é que o mestre, tudo indica, desconhece também o sentido das palavras. Quem repete um “mantra” — e esta é sua razão de ser — está fazendo tudo, menos “pensar com a própria cabeça”. Aliás, se Braga tivesse um pouco mais de apreço por seu ofício (e isso significaria uma construção compatível com a função), saberia que os mantras representam justamente o momento de suspensão do juízo e da consciência. Seu objetivo é limpar a mente de todo pensamento para o ser se integrar ao “Todo Universal”, tá ligado???

Logo, senhor professor, quem repete mantras não pensa! Ou alguém continuaria a ser do PSTU se pensasse um pouco? O repórter Dario de Negreiros poderia ter feito direito o seu trabalho. Bastaria informar: “Ruy Braga, professor da USP e militante do PSTU, partido que adotou o ‘Fora Rodas’ e o ‘Fora PM’, disse que…” E pronto! Tudo estaria no seu lugar. O leitor teria mais elementos para se posicionar.

Apresentar um militante ligado à causa que está na raiz da notícia só como um especialista corresponde a enganar o leitor. Infelizmente, e isto é cada vez mais comum na imprensa brasileira, militantes políticos são apresentados como analistas independentes, voluntários de redes sociais, cidadãos com vontade de participar…

“Por que, Reinaldo, o cara não pode ser militante do PSTU e professor da USP ao mesmo tempo?” Sim. Só que os leitores têm o direito de saber, e o jornalista, o dever de informar.

Nota — O meu “sim” acima diz respeito à questão legal apenas. Poder, ele pode. Mas acho que não deve. Tenho certas ideias românticas a respeito. Por mais que um mestre tenha uma posição política, uma ideologia, um conjunto de valores, uma moral, um aporte ético, jamais deveria ter um partido. Ou sua inteligência para ENSINAR estará, a meu ver, tisnada. Um mestre tem de pensar com desassombro. Se é procurador de um projeto de poder, por mais inviável que seja, seu lugar é a militância, não a sala de aula. Se milita em sala de aula, comete um crime contra a inteligência, o saber e, obviamente, os estudantes.

Texto pubicado originalmente às 3h47 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 19:59

Reação anuncia disposição de se manter unida e disputar eleição em 2013. Que assim seja!

O post anterior é o segundo — o primeiro foi na manhã de sábado — sobre o resultado da eleição para o DCE na USP. A chapa Reação, que ficou em segundo lugar, divulgou uma mensagem aos estudantes, que está em sua página na Internet. Seguem trechos. Volto em seguida.
*
Agradecemos aos 2.660 estudantes que acreditaram em nosso projeto e confiaram seu voto à Reação, fazendo história como o melhor desempenho de uma chapa apartidária concorrente ao DCE da USP até hoje. Principalmente manifestamos nossa admiração e gratidão às dezenas de estudantes de diversos cursos e unidades que, mesmo não estando inscritos na chapa, colaboraram passionalmente no esforço eleitoral em prol da Reação.
(…)
Obtivemos uma vitória moral em novembro de 2011.
Desde o ano passado a Reação denunciou o golpe do adiamento das eleições originalmente marcadas para o final de novembro. Essa manobra perpetrada por nossos opositores foi claramente uma atitude de desespero para impedir que a grande massa indignada de uspianos manifestasse sua oposição à então greve. Para vencer a Reação nas urnas, foi necessário adiar em 4 meses o pleito e trabalhar ferozmente para que a greve e os absurdos de 2011 caíssem no esquecimento.

Tem início hoje a campanha pelo DCE-USP 2013.
Todos que colaboraram para a Reação nesta eleição estão convidados para integrar, em novembro próximo, a chapa de continuidade do projeto da Reação para o DCE-USP 2013 (…) Esta eleição não é um fim, mas sim um começo de uma jornada da qual sairemos todos vencedores; é apenas uma questão de tempo.

VIVA REAÇÃO!

Voltei
Que assim seja. Lembrando o que escrevi no post anterior, é difícil manter a mobilização porque os membros da Reação não são estudantes profissionais — quadros partidários infiltrados na universidade. Espero que consigam. A maioria silenciosa da USP ainda tem de se manifestar. Ou continuará refém da minoria barulhenta.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 19:44

REAÇÃO – Há duas novidades no meio discente da USP: uma é chapa de não-esquerdistas; a outra é o fato de ela já ter mais votos do que a dos petistas

Caras e caros,

Há mais de 250 comentários ainda na fila, como sabem os missivistas. E sei que prometi mais um texto sobre Agnelo Queiroz (PT), o governador do Distrito Federal, que escreverei.  Tinha me destinado a cuidar deste outro assunto na madrugada, mas vai agora. Expressei, sim simpatia — eu, e não a VEJA — pela chapa “Reação”, única não-esquerdista que disputava o DCE da USP. Defendi que a “maioria silenciosa” da universidade fosse às urnas. Dada a história, sempre soube que era difícil. Afinal, qual é a tradição na USP?

A Reação ficou em segundo lugar. Venceu a “Não vou me Adapatar”, uma união entre PSOL e PSTU, que se odeiam, diga-se. E eles se odeiam por quê? Ah, divergências sobre a leitura correta da… herança trotskista!!! Como vocês imaginam, tem tudo a ver com as necessidades dos estudantes da USP, né? Pior: a maioria não deve ter lido nem o “Programa de Transição”, de Trotsky. A propósito: qualquer um com miolos e que entenda do riscado sabe que a existência do trotskismo sem o stalinismo — ou, vá lá, o modelo soviético — é, assim, como naquela música, o Piu-piu sem o Frajola… Publiquei o resultado da disputa já na manhã de sábado. A Não Vou Me Adaptar obteve 6.964 votos, bem à frente da Reação: 2.660.

Aquela turma que janta com o Zé Dirceu — e que o Zé Dirceu janta — anuncia: “A VEJA perdeu a eleição do DCE…” Pfui… Tontos! A VEJA não apoiou ninguém. Eu emprestei meu apoio — que é nada além de moral. Afinal, à diferença dos esquerdistas, não tenho dinheiro para financiar essas aventuras. Quem realmente perdeu a eleição na USP foi o PT, cuja chapa obteve menos votos do que a Reação, que não tinha o apoio de partido nenhum.

Refresco a memória: o pleito estava marcado para novembro. Os esquerdistas de todas as tendências se juntaram para dar um golpe. E deram! Adiaram o confronto para março. Conforme deixaram registrado em e-mails, tinham receio de que a Reação — “a direita”, como eles dizem — vencesse. Era um receio fundado. Em 2009, a chapa Reconquista, com ideário semelhante, ganhou, mas não levou. Também daquela vez os golpistas se juntaram para impugnar votos e fraudar o pleito.

Atenção! Neste 2012, houve um comparecimento considerado recorde: 13.134 alunos — 2.660 deles para votar na Reação! As esquerdas empreenderam, com os recursos de seus respectivos partidos, uma impressionante campanha de demonização da chapa “de direita”. Os lances de baixaria estão na Internet. Que recorressem ao primitivismo de suas convicções ideológicas, vá lá… Mas não! Optaram pelo crime pura e simplesmente. O PCO chegou a divulgar um falso e-mail que teria sido enviado pelo comando do PSDB pedindo votos à Reação.

Muito bem! Não tenho aqui detalhes dos números — não sei se esse total comporta brancos e nulos, por exemplo. Não imposta. Dou de barato que 2.660 pessoas votaram na não-esquerda, e 10.474 nas esquerdas. A USP tem mais de 80 mil alunos. Eu estou absolutamente convicto de que há mais esquerdistas lá do que esses 13%. Assim como estou certo de que existem mais não-esquerdistas do que aqueles 3,3%. A verdade insofismável é que o tal “recorde” de comparecimento representa apenas 16% dos alunos! Nada menos de 84% nem sequer compareceram para votar porque não reconhecem o DCE como uma instância que os represente.

Foi o que a esquerda contemporânea conseguiu fazer com o movimento estudantil. A sua “democracia” é a da minoria “mobilizada”. O resto que se dane! Infelizmente, só uma pequena parcela da maioria silenciosa compareceu. Se querem saber, a Reação acabou dando alguma vida à disputa, que era apenas um jogo travado entre os mortos, entre correntes que não têm a menor importância ou expressão na sociedade. Ou então vejam: em que outro lugar do país PSOL e PSTU, unidos, são “poder”? Só em alguins DCEs. Ainda assim, no ano passado, levaram um olé da extrema esquerda heavy metal — PCO e LER-QI — e tiveram de apoiar a invasão doidivanas da Reitoria.

As novidades na USP
Não sei se o núcleo que forma a chapa Ração se manterá unido. Para pessoas que não são estudantes profissionais, que não são quadros de partidos infiltrados na universidade, é sempre mais difícil. À diferença daquela turma, os estudantes da Reação são… estudantes mesmo! Muitos deles trabalham; não são sustentados pelo pai “burguês”, pela máquina partidária ou pela grana de sindicatos. As esquerdas profissionalizaram os seus quadros. Os que as enfrentam, como vocês sabem, não.

Um comunicado da Reação anuncia que, como é mesmo?, “a luta continua”! Tomara que assim seja. Expressei, sim, o meu apoio moral à chapa Reação e apoiarei qualquer movimento que, ABRAÇANDO OS VALORES LIBERAIS E DEMOCRÁTICOS, tente expulsar, por meio do voto, aquele cancro de velharias lá instalado.

Há duas novidades na USP se querem saber: 1) uma é a existência de uma chapa de alunos não-esquerdistas, o que deixa aquela gente furiosa; 2) a outra é o fato de essa chapa ter hoje, na Universidade, mais votos do que a chapa do PT. E sem máquina partidária!

Não deu em 2012? Que se tente de novo em 2013, em 2014, até o fim dos tempos. A luta contra esse esquerdismo vagabundo, mixuruca, ignorante e financiado não tem data de vencimento, não tem prazo de validade. É uma questão civilizacional, onde quer que se dê: na rua, na chuva, na fazenda, na USP ou numa casinha de sapé…

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2012

às 7:15

Esquerda vence disputa pelo DCE na USP; Reação fica em segundo

A chapa “Não Vou Me Adaptar”, formada por alunos do PSOL e do PSTU, com esse nomezinho esquerdo-afetivo, venceu a eleição para o DCE da USP: obteve 6.964 votos. A Reação ficou em segundo lugar, mas muito atrás: 2660 votos. Ao todo, votaram 13.134 estudantes — deve ser recorde nos últimos anos. Mesmo assim, representam uns 16% do total de alunos da USP, que passam de 80 mil. Ainda que com uma votação maior do que a de outros anos, a maioria silenciosa continua silenciosa. Em 2009, uma fraude hoje admitida até por estudantes de esquerda, tirou a vitória da Reconquista, com ideias próximas das da Reação. A chapa 27 de outubro, formada pela ala heavy metal do esquerdismo rombudo (PCO, LER-QI e assemelhados), não deve ter alcançado 500 votos.

Ao Estadão, Pilar Gomez, estudante de história, representante da Reação — a única chapa que não é extensão de um partido de esquerda — considerou o resultado justo: “Pelo menos, neste ano, foi limpo”, afirmou, numa alusão à fraude de 2009. Pode ter sido, sim, mas é o resultado que deriva de um golpe. Em novembro, alegando que a universidade estava em greve — E ELA NÃO ESTAVA!!! —, os esquerdistas suspenderam a eleição. Eles mesmos admitiam que, se o pleito fosse realizado na data prevista, a Reação venceria.

Os esquerdistas ganharam tempo para se organizar e iniciaram um impressionante trabalho de demonização da Reação. Foram bem-sucedidos em seu esforço, que começou com um golpe e terminou com uma eleição. A última pilantragem foi divulgada pelo PCO, que é imbatível em matéria de baixaria e trabalho sujo. O partido divulgou na USP, no primeiro dia da eleição, o texto que segue em vermelho, como se tivesse partido do PSDB:

Date: Tue, 27 Mar 2012 20:04:12 -0300
From:
secretariapsdb@psdb-sp.org.br
Subject: Eleição – USP
Começa hoje a eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP. REAÇÃO é o nome da chapa que está concorrendo com o apoio do PSDB.
Contamos com todos os filiados que mantém vínculo com a USP ou que conheçam amigos e parentes que estudem nesta instituição, para que auxiliem neste processo com votos e divulgação da chapa.
Vamos todos juntos vencer este novo desafio!
Voe alto, tucano!
Secretaria-geral do PSDB-SP

Não só isso. O partido sustentava também que os termos da mensagem teriam sido colados de um post que eu havia publicado aqui. Tudo mentira obviamente! Esse e-mail nem mesmo existe. O PCO, o partido revolucionário que vive às custas do Fundo Partidário burguês, já tirou a sua mentira do ar.

Encerrando
Bem, bem, bem… Se 84% não compareceram para votar, os 16% mandaram o seu recado e se distribuíram como vimos. Os dinossauros continuarão com a sua ladainha contra a Reitoria, contra a presença da PM no campus na USP e contra ainda o século… 20!!!  É claro que eu tenho cá um lado meio perverso — ele logo se aquieta porque me obrigo a ser racional — que tende a aconselhar a Reitoria e o governo: “Tirem a PM de lá; façam como querem os esquerdistas! Mas deixem bem claro aos estudantes que aquela é a vontade dos seus ‘representantes’”. Quem sabe dando todo o poder aos bolcheviques, para que pintem e bordem, aqueles 84% acordem.

A USP voltou a ser uma das universidades mais importantes do mundo (embora ainda precise avançar bastante), única latino-americana na lista das “100 mais”. E vai continuar com uma das representações estudantis mais atrasadas do mundo. O PSOL é aquele partido que quer juntar socialismo com liberdade, do qual até Heloísa Helena, a fundadora, desertou. E o PSTU é aquele partido que prega a destruição de Israel.

Isso, convenham, tem mais passado do que futuro! Que o PSOL e o PSTU comecem agora a cuidar da revolução… Daqui a pouco, coitados!, terão de enfrentar os porraloucas do PCO e da LER-QI, que se querem os verdadeiros bolchevistas. Uau! Logo a USP chega a 1917!

Por Reinaldo Azevedo

29/03/2012

às 12:01

Alô, Maioria Silenciosa da USP! Hoje é o último dia! Reaja! Substitua o Século 19 pelo 21! Chegou a hora de escolher: “Universidade ou socialismo?”

Alô, Maioria Silenciosa da USP! Hoje é o último dia para votar na chapa Reação e destituir o Século 19, substituindo-o pelo 21! Essa mudança já deveria ter acontecido em 2009, mas as eleições foram fraudadas. Até esquerdistas o admitem.

Está em suas mãos escolher uma representação estudantil independente, sim, da Reitoria, mas que saiba dialogar com ela, ou uma outra, que acredita que sua tarefa é preparar a universidade para o… socialismo!!!

Chegou a hora de fazer uma opção: Universidade ou socialismo?

Vote contra a rotina de depredação das instituições, das instalações e de tudo o que lembre qualidade. Afinal, “qualidade” é um valor “reacionário” e “burguês”.

Leve, com o seu voto, a contemporaneidade à representação estudantil!

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2012

às 5:41

DCE DA USP – Esquerdista admite que fraude. Ou: A chapa “Reação” e os reacionários vermelhos. Ou: “A esquerda não perde a eleição nem a pau”. Ou: Reagir é preciso!

Estudantes da USP decidem se qurem que os encapuzados continuem a dar as cartas no movimento estudantil; acima, Reitoria invadida e depredada (Foto: Werther Santana/Agência Estado)

Estudantes da USP decidem se qurem que os encapuzados continuem a dar as cartas no movimento estudantil; acima, Reitoria invadida e depredada (Foto: Werther Santana/Agência Estado)

 

Abaixo, tratarei da confissão de uma fraude e do risco de uma nova. Antes, algumas considerações.

Publiquei ontem um post sobre a eleição para escolher a nova diretoria do DCE da USP. Das cinco chapas que disputam, só uma não é de esquerda: a Reação. Chegou a hora de a maioria silenciosa da universidade decidir se o Século 21 chegará ou não à representação estudantil, ainda presa aos primórdios do século 20. Já há condições técnicas, hoje em dia, de envolver nas decisões da instituição seus mais de 80 mil estudantes. Os partidos de extrema esquerda que aparelham a universidade, no entanto, preferem manter seus esqueminhas de poder. Decisões são tomadas em conciliábulos, compostos exclusivamente de esquerdistas, cuja truculência afasta do movimento estudantil a esmagadora maioria dos alunos.

A “Reação” vai ganhar? Não sei! Eu não escrevo isso ou aquilo para ganhar ou perder. Até porque não disputo nada.

Acho que a USP tem tudo a ganhar se romper com velhas práticas, que fazem da representação estudantil coisa de iniciados. Nem o Congresso Brasileiro está tão distante do povo como o DCE está da massa de estudantes. Não por acaso, o comparecimento às urnas é sempre baixíssimo. Como cada estudante tem hoje um “Número USP”, por exemplo, a votação poderia ser feita até por celular. Mas quê…

ENTRE OUVIR O QUE A TOTALIDADE DOS ALUNOS TEM A DIZER E MANTER O PODER NAS MÃOS DE UMA MINORIA EXTREMA, adivinhem o que escolhem os esquerdistas.

Recado aos calouros
Os calouros em especial têm de saber que já houve uma fraude descarada na USP. Em 2009, uma chapa mais ou menos com o perfil da Reação — que também estava voltada para os problemas reais dos estudantes — quase venceu a disputa. Manobras e fraudes de última hora lhe arrancaram a vitória, o que hoje é admitido até por um esquerdista.

No dia 15 de março, informava o jornalista Cedê Silva no Estadão Online (segue em vermelho; volto depois).
Integrante do Território Livre, o estudante de Filosofia Murillo Magalhães, de 24 anos, disse hoje que a 27 de Outubro perdeu cerca de um terço dos membros. A carta do grupo tem 25 assinaturas, e restariam umas 50 pessoas na chapa. Murillo é da opinião de que a chapa Reconquista, que se candidatou em 2009 com membros e ideias semelhantes aos da Reação, foi a real vencedora das eleições e vítima de uma fraude (na contagem de votos a Reconquista perdeu por uma diferença pequena). “A vitória da direita seria muito ruim porque eles não reconhecem a legitimidade das assembleias de estudantes”, afirmou Murillo. “O mais importante é a esquerda deixar de lado as diferenças e construir a unidade nestas eleições contra a chapa do [reitor] Rodas”.

Esclarecendo
Esclarecimento aos não-iniciados. O tal Murilo pertence a um dos grupos mais radicais da USP chamando “Movimento Negação da Negação”. Eles estavam junto com os ultraesquerdistas PCO e LER-QI na chapa 27 de Outubro. Mas abandonaram a turma e decidiram apoiar a chapa “Não Vou Me Adaptar”, do PSOL e do PSTU, que comandam atualmente o DCE. Pois é… Ele próprio admite que houve fraude. E explica o motivo: “A vitória da direita seria muito ruim”. Entendi! Digamos que direita fosse mesmo: estaria ela proibida de vencer eleições?

Há coisas preocupantes em curso. Do leitor Luiz, recebo a seguinte mensagem sobre o primeiro dia de votação, nesta terça:
Neste primeiro dia de votação, o procedimento adotado ao menos na FFLCH, foi uma vergonha. Os alunos estão sendo constrangidos a votar na frente dos representantes das legendas radicais (não vi ninguém da “Reação” por lá). O mesário entrega a cédula e levanta a urna; enquanto isso, os representantes ao redor ficam com os olhos fixos na mão do aluno. Como a opção “Reação” é a última da cédula, mesmo que se proteja o papel com a mão, eles percebem quem votou na legenda pelo simples fato de que a pessoa fez o seu risco ali na parte de baixo da cédula. O resultado é que várias pessoas, sentindo-se pressionadas, votam nas chapas radicais por puro medo. É evidente que deveria ter sido instalado um biombo para assegurar privacidade dos votantes. Trata-se de uma agressão inaceitável.
*
O leitor Adriano aponta:
Faltaram cédulas para as eleições do DCE-USP nas urnas da FEA e na Poli.
*
Voltei
Todo cuidado é pouco! Há uma verdadeira blitz no processo eleitoral da tal chapa “Não Vou Me Adaptar”… ao mundo contemporâneo, provavelmente! Acima, vocês leem a confissão de uma fraude. E outras podem acontecer.

Quando se deu o golpe nas eleições, no ano passado, dada a então provável vitória da Reação, veio a público um e-mail do estudante Gabriel Landi Fazzio, ligado à UNE e membro da “Fórum de Esquerda”, que perdeu a eleição no XI de Agosto, da Faculdade de Direito. Comentando a possibilidade de adiar as eleições, ele escreveu:
“A esquerda não perde essas eleições nem a pau”.

“A pau”, na porrada, eles não perdem. É preciso derrotá-los no voto! A maioria silenciosa da USP vai decidir se quer uma representação estudantil do século 21 ou uma outra, que ainda recorre a paus e pedras.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2012

às 17:25

USP – Ao leitor inconformado. Ou: A porta da rua é a serventia da casa

Recebo um comentário interessante de um rapaz chamado Fernando. Ele está inconformado porque dei visibilidade à eleição do DCE na USP. Escreve.

Gostaria de saber qual o seu interesse na cobertura das eleições do DCE da USP, sendo que nunca essa coluna fez campanha para nenhum grupo estudantil.
O que você ganha com o DCE ou com essa chapa? Tem algum filho seu lá?
Acho que tem assuntos mais importantes para serem debatidos, como questões nacionais e internacionais por exemplo? Será que vai comentar também eleições na 3ºB, vai ter eleição de representante de classe amanhã… Vai ter, inclusive, debate, será que a VEJA vai abordar, ou tem algum interesse por trás de tudo isso?

Respondo
Em primeiro lugar, não é a VEJA; sou eu.

Em segundo lugar, mas sem hierarquia, é você que me lê, não o contrário. Não está contente, já sabe…

Em terceiro lugar, não, ainda não! A minha filha mais velha ficou entre os melhores treineiros da Fuvest, mas ainda não está na USP. Se estará um dia, não sei.

Em quarto lugar, a USP é uma universidade estadual pública. Quer dizer que pertence ao conjunto dos paulistas. E as questões que dizem respeito à universidade dizem respeito ao interesse público.

Para encerrar: “Interesse por trás disso?” Ah, deixe-me ver. Assim como o PCO e a LER-QI querem que a USP seja o marco zero da revolução comunista, eu pretendo declarar a independência da Cidade Universitária, instalar ali a monarquia absolutista e me declarar rei: será o reinado do Rei Naldo.

Fernando, você conhece aquela expressão popular que diz assim: “A porta da rua é a serventia da casa?”

 Então…

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2012

às 13:01

Sabem quem realmente não pertence à USP? O PSOL, o PT, o PSTU, o PCO… Estes, sim, são “agentes externos”

Num debate entre as chapas da USP (ver post desta manhã), representantes da extrema esquerda me atacaram, afirmando que tenho vínculos com a chapa Reação. É uma tolice e uma mentira! Não conheço ninguém. Dois membros do grupo já foram a lançamentos de livros meus. O crime deles, então, é frequentar livrarias. Um bom crime!!! Melhor do que queimar livros, como as esquerdas andaram fazendo em São Paulo.

Isso é uma tentativa boboca de me acusar de ser uma influência externa ao processo de decisório da USP. Errado!

Externo à USP ao PSOL.
Externo à USP é o PT.
Externo à USP é o PSTU.
Externo à USP é o MNN.
Externo à USP é o PCO.

Eu sou apenas um indivíduo com algumas opiniões e que votaria na Reação se aluno ainda fosse.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2012

às 6:55

DCE DA USP – Alô, maioria silenciosa e democrática da USP! Chegou a hora de REAGIR ao fascismo, à violência, à mediocridade e aos estudantes profissionais que corroem a instituição. Uspiano, diga não ao passado que oprime o cérebro dos vivos! Ou: CADA ESTUDANTE TEM DE VALER UM VOTO!!!

Chega de minorias barulhentas decidindo em lugar da maioria silenciosa!

CHEGOU A HORA DE CADA ESTUDANTE DA USP VALER UM VOTO!
CHEGOU A HORA DE DIZER “SIM” OU NÃO” A ESTA PERGUNTA: ISTO QUE VOCÊ VÊ ABAIXO, ESTUDANTE DA USP, REPRESENTA O SEU PENSAMENTO, A SUA VONTADE?

usp-depredada

De hoje até quinta-feira, caso os extremistas de esquerda não deem um novo golpe, O DCE da USP, ora gerido por golpistas, realiza eleições para definir a nova direção. Cinco chapas se enfrentam nas urnas;
- Reação;
- Não Vou Me Adaptar;
- 27 de Outubro;
- Universidade em Movimento;
- Quem Vem Com Tudo Não Cansa.

Apenas uma chapa, a REAÇÃO, não representa partidos de extrema esquerda e não está empenhada em usar as demandas e problemas dos estudantes da USP como mero trampolim para as necessidades e anseios dos seus respectivos partidos.

Apenas uma chapa, a REAÇÃO, entende que a Universidade de São Paulo tem de ser a melhor universidade que o Brasil pode fazer — e uma das boas instituições do mundo —, dentro de um regime democrático, que garanta as liberdades individuais e as liberdades públicas e a valorização do estudo, da ciência, da pesquisa. AS DEMAIS CHAPAS ESTÃO EMPENHADAS, CADA UMA ATENDENDO, REITERO, AOS FUNDAMENTOS DE SEUS GRUPELHOS POLÍTICOS, em construir o socialismo. O socialismo, para quem não liga o nome à coisa, é aquele regime que matou 70 milhões na China, uns 35 milhões na União Soviética, uns três milhões do Camboja — só para citar os mais eficientes na arte de matar.

Apenas uma chapa, a REAÇÃO, defende a INTERLOCUÇÃO MADURA E AUTÔNOMA com a reitoria da USP e não tem como palavra de ordem o ridículo chamamento golpista (eles adoram um golpe!!!) “Fora Rodas!” João Grandino Rodas é o principal responsável por ter levado a universidade a figurar entre as 100 melhores do mundo, única instituição da América Latina a integrar esse grupo. Ainda é muito pouco. Por isso, é preciso avançar, não recuar.

Apenas uma chapa, a REAÇÃO — a carta-programa está aqui) tem uma pauta voltada para as necessidades efetivas dos mais de 80 mil estudantes da Universidade, opondo-se à permanente depredação das instituições, das instalações, da democracia e do bom senso no espaço acadêmico.

Apenas uma chapa, a REAÇÃO, tem como proposta o que sintetizo assim: “um estudante, um voto”.

É preciso dar um basta à rotina de violência na universidade!
É preciso dar um basta à sanha de grupos delirantes que já não distinguem suas convicções do crime.
É preciso dar uma basta à ação de extremistas que não reconhecem, no ambiente universitário, os mais comezinhos e básicos direitos assegurados pela Constituição.

É preciso pôr um fim ao permanente sequestro da maioria por minorias que nunca representaram mais do que 2% ou 3% dos alunos da USP, mas que se comportam como se fossem suas donas ou seus capitães do mato.

É preciso, enfim, que os alunos da USP se libertem de seus algozes!

Eles querem brincar de revolução? Que não seja com dinheiro público!
Eles querem viver a primavera juvenil do radicalismo? Que não seja com o seu tempo, com o seu curso, com a sua vida, com o seu futuro!
Eles querem viver viagens interessantes? Que não seja atrapalhando a sua vida estudantil!

Que os verdadeiros estudantes da USP tenham muito claro: ou escolhem o caminho que faz com que a USP avance ainda mais no grupo das melhores do mundo ou escolhem o caminho do retrocesso. Ou escolhem um Brasil que precisa crescer, progredir, se desenvolver — para corrigir as desigualdades — ou escolhem os “companheiros” e “camaradas” que pretendem instituir o socialismo no Brasil a partir da… USP!!!

A maioria silenciosa, composta de gente que estuda e de gente que estuda e trabalha, tem de escolher entre o caminho que leva à premiação do esforço e o que consagra os delírios pseudorrevolucionários de radicais “PAItrocinados”, que um dia deixarão essas tolices de lado para cuidar do dinheiro da família — depois de terem comprometido o futuro alheio com greves, depredações, invasões, violência.

Quem é quem
Abaixo, segue a configuração ideológica das chapas.
Reação – É a única não-esquerdista, mas é balela que seja uma chapa “de direita”. A extrema esquerda tenta usar a palavra como um bicho-papão. Ainda que possa haver pessoas filiadas a partidos (falo em tese), não é a chapa de um partido. Sua pauta está voltada para temas que dizem respeito ao universo estudantil e acadêmico. Para ficar numa questão que ganhou grande visibilidade: defende, sim, a presença da PM no campus da USP — o que é apenas matéria de bom senso. Todas as outras são contra.

Não Vou Me Adaptar - É a chapa do continuísmo, liderada pela turma do PSOL e do PSTU. Esse nome ranhetinha, coisa de adolescente malcriado, expressa seu inconformismo com a gestão do excelente reitor João Grandino Rodas. Assim, aluno da USP, saiba que votar nessa chapa corresponde a escolher o caminho da decadência.

27 de Outubro – É a chapa da extremíssima esquerda, que junta PCO e LER-QI, que comanda o sectário Sindicato dos Funcionários da USP. O grupo lidera as ações mais violentas da universidade. Foram eles que decidiram, contra a votação da assembleia, invadir a reitoria da universidade. Estão em desintegração. O tal “Movimento Negação da Negação”, também notável por seu sectarismo, desertou das hostes e decidiu se juntar à “Não Vou Me Adaptar”. E o nome? Vem de onde? Essa é a data em que três alunos foram detidos pela PM portando maconha no campus, o que gerou o tal protesto e, depois, as invasões. Antigamente, as esquerdas homenageavam seus mártires; agora, homenageiam seus maconheiros. Faz sentido…

Quem Vem Com Tudo Não Cansa - É a turma do PT (parece que há também gente do PC do B, mas não estou muito certo disso). O partido perdeu espaço na universidade para o PSOL e o PSTU (por incrível que pareça). E todos eles, juntos, perderam o controle do processo que resultou na invasão da reitoria, comandado pela turma que se juntou na 27 de Outubro. “Perder o controle significa o quê?” Que o movimento estudantil, já minoritário, ficou entregue a meia-dúzia de sectários, que decidiram tomar a Reitoria e brincar de fazer barricadas.

Universidade em Movimento - Também reúne membros do PSOL, mas que não conseguiram se compor com aqueles do “Não Vou Me Adaptar”, que hoje representa o continuísmo na USP.

Século 21
O século 21 precisa chegar ao movimento estudantil da USP. Não é possível que a universidade de 2012 tenha uma representação estudantil com a cabeça na década de 60 — ou em tempos ainda mais obscuros. Só para você terem noção do atraso, vejam o que o PCO escreveu sobre a eleição para o DCE:
O processo eleitoral nada mais pode ser do que um reflexo, ainda que distorcido, em geral muito distorcido e, no caso do DCE da USP, extremamente distorcido, da correlação de forças que existe no mundo real ou, como dizia Lênin, um recenseamento das tropas. Quem acredita em algo diferente ou tem a ilusão de que o processo eleitoral é fundamental para a luta das massas sofre da típica doença da social-democracia e dos oportunistas pequeno-burgueses, a qual Karl Marx denominou tão certeiramente de cretinismo parlamentar.”

Entenderam? Para desancar uma simples eleição de DCE na USP — afinal, o PCO é “revolucionário” e não acredita nesses processos burgueses… —, apela à literatura leninista. É o Parque dos Dinossauros. Esse partido poderia levar a sério o que diz — um mínimo de vergonha na cara!!! — e devolver o dinheiro do Fundo Partidário, que recebe todo ano do “estado burguês”. É nojento!

Encerrando
A USP já dispõe hoje de condições técnicas — e também cada aluno — de instaurar a verdadeira democracia na universidade nas questões que dizem respeito ao movimento estudantil. Já não faz mais sentido realizar assembleias — dominadas por meia-dúzia de extremistas — para decidir isso ou aquilo. Cada aluno dispõe de seu “Número-USP”, e o DCE pode realizar plebiscitos e referendos para saber o que pensam TODOS OS ESTUDANTES da universidade, não apenas aqueles que se especializaram em expulsar das assembleias os não-engajados em partidos de esquerda.

A REAÇÃO é a única chapa que se mostra disposta a levar adiante a ideia de envolver, de fato, todos os alunos da USP nas decisões que dizem respeito à USP! Afinal, você não preciosa ser do PC do B, do PT ou do PSOL para dar a sua opinião. Um celular basta. É preciso tirar esses dinossauros do caminho!

A REAÇÃO, em suma, é a única chapa verdadeiramente contrária à privatização da USP. Hoje, ela é propriedade privada de PT, PSOL, PSTU, LER-QI etc. Essa gente representa a sua vontade, alunos da USP?

Vejam esta foto e prestem atenção ao cartaz. Que USP você quer? A que chegou entre as melhores do mundo ou a que se traduz nesta ortografia muito original?

Hora de escolher. Hora de votar.

Aluno da USP, isso que você vê acima o representa?

Aluno da USP, isso que você vê acima o representa?

Por Reinaldo Azevedo

28/02/2012

às 18:29

Golpistas vão tentar adiar de novo eleição na USP porque sabem que vão perder; cadê o Ministério Público? Hora de ter vergonha na cara!

Os extremistas de esquerda, que formam a extrema minoria da USP, teriam perdido as eleições para a chapa não-esquerdista Reação se a disputa tivesse se realizado na data prevista. Então deram um golpe e formaram a Junta Paramilitar que usurpa o poder no DCE.

Para todos os efeitos, os estudantes da universidade estão em greve. É mentira! Não estão! As eleições deveriam ter sido realizadas entre os dias 22 a 24 de novembro. Foram adiadas. A data prevista agora é de 27 a 29 de março. Ocorre que a Reação continua a ser a favorita.

Os golpistas já inventaram de tudo e, fiéis à tradição esquerdista, tentaram difamar e desmoralizar seus adversários de todas as maneiras. Em vão! Boa parte dos mais de 80 mil estudantes da USP acordou para a rotina de desmandos, de violência e de autoritarismo desses caras e os quer fora dos postos de comando da entidade estudantil. E o que eles pretendem fazer? Leiam o que informa Cedê Silva no Estadão:
*
O grupo Território Livre, que apóia a chapa 27 de Outubro, pode propor novo adiamento das eleições para o DCE da USP. Segundo Murilo de Souza, estudante de Geografia de 22 anos, como as eleições foram adiadas por causa da greve de alunos, deverão ser postergadas mais uma vez caso a próxima assembléia geral decida pela continuidade da greve. A reunião acontecerá em 8 de março  (quinta-feira), na FAU.

“Não dá para achar que vivemos uma normalidade do funcionamento das eleições diante do tamanho das assembléias que tivemos no ano passado”, diz Murilo, ele mesmo membro do comando de greve. “Caso a greve continue, não há necessidade nenhuma de eleições, porque a gestão é substituída pelo comando de greve e pelas assembleias”. Murilo ressalta, porém, que os delegados que compõem o comando são eleitos por assembleias de seus respectivos cursos.

Voltei
“Tamanho das assembléias”? É uma piada”! Nunca reuniram mais de 3% dos estudantes da USP! Pior! Há naquele meio muita gente que não tem qualquer vínculo com a universidade. Percebam a natureza do golpe:
a) Uma minoria declara greve;
b) a greve não existe;
c) forma-se o comando da greve inexistente;
d) o comando da greve que não existe assume também o controle da Junta Provisória Paramilitar que toma o DCE.

Atenção! A universidade é autônoma, mas não é soberana. A USP é uma instituição pública, e a representação estudantil tem uma dimensão também pública porque de caráter sindical. Lida, aliás, com recursos e aparelhos que pertencem à comundiade uspiana. Hora de o Ministério Público ter vergonha na cara e agir para resguardar direitos coletivos que estão sendo agravados.

Por Reinaldo Azevedo

28/02/2012

às 15:49

Luta de classes na USP – Os filhos de empresários e desembargadores chamam de “reacionária” a estudante de origem pobre. Ou: A saudável reação dos estudantes que… estudam!!!

Eu não tinha lido, daí o destaque dado com atraso. Quantas almas vão se salvar? Eis que um veículo da grande imprensa brasileira publica uma reportagem sobre estudantes universitários que não são de esquerda! E SEM AGREDIR OS MOÇOS. O autor é Cedê Silva. Foi publicada no Estadão Online de ontem. Cedê é um bom repórter, e o tema certamente renderia muito mais e mereceria mais destaque no jornal liberal de antes. Nas mãos da Musa das Galochas, os jovens não-esquerdistas seriam tratados como bandidos. O repórter do Estadão os tratou como o que são: gente de bem, que procura fazer direito aquilo a que se propõe: ESTUDAR! Leiam trechos da reportagem.
*
“Não! Não! Não nos representa!”, repetem estudantes em coro. Registrado em vídeo no Youtube, o grito de guerra começou segundos após a vitória da chapa Aliança pela Liberdade nas eleições para o DCE da UnB, em outubro. A recusa de radicais em aceitar o resultado de eleições definidas pelos estudantes que eles dizem representar ilustra um desafio do universitário brasileiro: enfrentar a esquerda mais estridente.

Irina Cezar, de 22 anos e prestes a concluir o curso de Ciências Sociais na USP, conta que não fala mais nas assembléias estudantis. “Uma vez peguei o microfone e defendi o fim da greve na frente de umas 1.500 pessoas. Os militantes ficaram loucos, vaiaram. Eles se dizem a favor da liberdade de expressão, mas se você pensar diferente eles são os primeiros a jogar pedra”, reclama ela, que também se considera de esquerda.

Certo dia, Irina deixou no saguão um cartaz anunciando um evento da empresa júnior. À noite, flagrou uma menina do grupo radical LER-QI tentando tirar o cartaz. “Eu não deixei, aí ela me xingou e chamou mais dois rapazes. Disseram que eu era reacionária”, conta. “É engraçado, porque vim para a USP por ser bolsista numa escola particular. Eles me xingam mas são filhos de empresários, desembargadores.”
(…)
Mariana Sinício, de 19 anos, conta que já teve sua época de querer salvar o mundo. “Na escola tive um professor de esquerda, que dizia ‘isso é ruim’, ‘isso é bom’. Aí você cresce e vê que as coisas não são bem assim.” Hoje integrante do DCE da UnB, ela acredita que os termos esquerda e direita não se aplicam mais. Gosta de Adam Smith e Keynes: “Todos têm algo a acrescentar.”

Fábio Ostermann, de 27 anos, é diretor do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), que organiza em Porto Alegre o Fórum da Liberdade. Mas, segundo ele próprio, fazia a linha “esquerdista ingênuo” no começo do curso de Direito na UFRGS. “Tive a sorte de fazer amigos que começaram a ler Milton Friedman, Frédéric Bastiat (economistas). Aos poucos fui me convencendo que eles faziam mais sentido do que (o linguista Noam) Chomsky, Boaventura (de Sousa Santos, autor português), esses cânones do Fórum Social Mundial”, relata. Foi o evento de 2005, aliás, o divisor de águas para Fábio. “Percebi que não era para mim. Sempre fui cético em relação a ditaduras, e lá havia gente louvando Cuba e a URSS.”
(…)
Marina Gladstone, de 22, apóia a chapa Reação para as eleições do DCE da USP, que serão realizadas de 27 a 29 de março. “Quando entrei na faculdade, não tinha a menor motivação para participar do movimento estudantil”, conta ela, que estuda Ciências Atuariais. Até que perdeu um colega de sala – Felipe Paiva, morto com um tiro no câmpus em 2011. “Era uma tragédia anunciada, havia muitos seqüestros e roubos na época. Eu fazia o mesmo curso, usava o mesmo estacionamento. Pensei: se não fizer nada, posso ser a próxima.”

A Reação é a única chapa a favor da presença da PM na universidade. “Quando você é de direita e vai a uma assembléia, é uma grande vaia, não há respeito pela opinião diferente”, diz. Mesmo assim, Marina persiste. “Se você não cuida do que é seu, quem vai cuidar?”

Por Reinaldo Azevedo

18/01/2012

às 6:35

A mentira como arma política na USP

Acima, escrevo um texto cujo tema não é política exatamente, mas civilidade. Os extremistas da USP estão com medo. Buscam um mecanismo para impedir que a maioria silenciosa da universidade vote nas eleições para o DCE. Sabem que o risco de perder para a chapa “Reação”, composta de não-esquerdistas, é grande. Por isso abusam da violência física e retórica e da mentira.

Um bobalhão está espalhando na rede, por exemplo, que Flavio Morgenstern, que integra a chapa “Reação”, é secretário do “Instituto Millenium” e, pasmem!, “secretário do Reinaldo Azevedo”. Uau! Morgenstern é tradutor competente e tem um ótimo texto, mas, infelizmente, não trabalha pra mim. E também não é “secretário” do Millenium. Não que uma coisa ou outra depusesse contra ele.

Eu quase pergunto uma tolice, a saber: “Por que um esquerdista precisa mentir?” Ora, se não mentisse, seria outra coisa. Nem todo mentiroso é esquerdista, mas não há esquerdista que não seja mentiroso. Pra começo de conversa, precisa sempre negar a montanha de mais de 100 milhões de cadáveres sobre a qual discursa.

Por Reinaldo Azevedo

17/01/2012

às 6:27

Invasores da USP tinham um bar em área ilegalmente ocupada!!! E o dia em que Nicolas, o “agredido”, chamou a PM. Ou: A disputa entre os que querem erguer e os que querem DERRUBAR a USP

Bem, queridos, se “eles” lá gostam de mim ou não, isso me é absolutamente irrelevante. Também é inútil me xingar e ficar imprimindo panfletos. Contestem, se conseguirem, os fatos. E é sobre fatos que venho falar aqui.

Chegou a hora de rever estas cenas. Volto em seguida.

Voltei
Não mudei de idéia. Continuo a achar que o PM foi além do razoável e fez muito mal em dar um “chega pra cá” em Nicolas Menezes Barreto, o aluno “matriculado” (sic) em Ciências da Natureza do campus da USP da Zona Leste. Além de sua reação não ter sido adequada, acabou dando um discurso a um grupo que promovia a aberta ilegalidade no campus na Zona Oeste da universidade. Setores da grande imprensa se encarregaram de transformar transgressores em heróis. Bem, chegou a hora de botar os pontos nos “is”.

E então?

É preciso dizer quem é este rapaz de coque na cabeça, que gosta do diálogo… Trata-se de um velho (literalmente para um estudante de graduação) conhecido do “movimento”. Trata-se de Rafael Alves. Publiquei aqui o seu perfil num post intitulado O Menino Rafael Alves, 29, e seus cinco processos”. Reproduzo um trecho:
“Essa criança ficou sete anos na USP sem concluir o curso de Letras, morando de graça no Crusp e comendo no bandejão a R$ 1,90. A classe operária não tem essa regalia, como sabem. Ela subsidia a pança dos folgados. A Universidade oferece almoço, janta e café da manhã. Tudo pago pelo contribuinte. Esse infante acabou jubilado. O “menino” fez o quê? Prestou vestibular de novo e voltou ao primeiro ano e agora tenta recuperar o “seu” apartamento. Quem sabe para passar os próximos oito anos na USP, morando e comendo quase de graça.”

Esse garotinho radical de 29 anos foi uma das estrelas da invasão da Reitoria e, como se nota, não mudou nem de ramo nem de perfil. Mas, afinal, o que aqueles caras faziam na área invadida? É agora que as coisas começam a se complicar um tantinho mais. Atenção! Notem que Nicolas está distante do policial, ao fundo, e lhe diz algo inaudível, ao menos para nós. Seja lá o que tenha sido, o fato é que o militar ficou furioso e acusou desacato. Mas o que era, afinal de contas, aquele local de onde o rapaz se manifestava?

O BALCÃO DE UM BAR! Isto mesmo! Naquela área invadida funcionava um troço chamado DERRUBAR. O trocadilho fica por conta da profundidade intelectual dos empreendedores. E quem apostou, vamos dizer, na livre iniciativa? Justamente Rafael Alves, aquela criança de 29 anos, sete de USP e um jubilamento, de volta à universidade em razão de um novo vestibular.

Vocês entenderam direito. Observem que, na sua conversa com o policial, Rafael argumenta que o espaço é dos estudantes… Huuummm… Naquele momento, convenha-se, pertencia ao empreendedor Rafael. E Nicolas? Ora, Nicolas trabalhava no DERRUBAR. Em seu benefício e de seu amigo, prefiro considerá-lo sócio, e não empregado, do empreendimento.

PODE NÃO PARECER, E ISSO A GRANDE IMPRENSA SONEGOU DE TELESPECTADORES E LEITORES, MAS QUEM ALI REPRESENTA O PÚBLICO É A POLÍCIA, NÃO OS “MATRICULADOS”. Pouco me importa se o “DERRUBAR” reverte o lucro para o bolso dos empreendedores ou para alguma causa nobre; em qualquer caso, o espaço público foi duplamente privatizado: a) pela invasão em si e b) pela atividade comercial ali instalada. Ah, claro! Um “bar” numa área invadida, ao arrepio da lei e de qualquer controle, não vende suco de laranja…

Quem é Nicolas
Nicolas, todos vimos, foi personagem de uma reportagem do Jornal Nacional em que, ora vejam, exige (!!!) a demissão dos dois policiais. É caracterizado como o “aluno negro” agredido por um policial. À diferença do que diz o militante de uma ONG, no entanto, não era o único do grupo segundo critérios da própria militância que chamo “racialista”. E isso é relevante. Antes, no entanto, de debater esse aspecto, quero chamar a atenção para outras coisas.

O rapaz não é um qualquer. Tanto é assim que, “matriculado” no curso de Ciências da Natureza no campus da Zona Leste, estava “trabalhando” no DERRUBAR, no campus da Zona Oeste. Trata-se de um “matriculado” comprometido com a causa. Até aí, vá lá… Mas há mais.

Lembram-se do episódio em que o aluno Rodrigo Souza Neves, membro da chapa “Reação” (que reúne não-esquerdistas e iria ganhar a eleição para o DCE, o que motivou um golpe dado pelas esquerdas), foi acusado de portar uma arma? Contei o caso aqui num post intitulado USP – Espalhem: extrema esquerda golpista cria a farsa da arma para incrimidar adversários. Pois é… Um dos protagonistas daquele episódio foi justamente Nicolas. Foi ele quem incitou alguns estudantes a tomar uma câmera das mãos de Neves, segundo o relato do próprio. Disseram-lhe que só sairia dali se a entregasse, o que caracteriza cárcere privado. Para não apanhar, o rapaz afirmou que estava armado. Vejam, então, que ironia: um companheiro de Nicolas, chamado Cesar Buno, não teve dúvida: CHAMOU A POLÍCIA!!! Vocês entenderam direito. Estes que tentam escorraçar os PMs da USP chamaram os… PMs contra seus adversários políticos. Neves e seu carro foram meticulosamente revistados. Não havia arma nenhuma, é claro! Ninguém pode ser acusado por ter recorrido a uma estratégia para não apanhar.

Racismo
Já deixei claro aqui quão ridícula é a acusação de racismo contra o policial. Nicolas não era, à diferença do que afirmou o tal Frei Davi, o único mestiço (que os militantes chamam “negro”) do grupo coisa nenhuma! O próprio Rafael se encaixaria nesse perfil, além de outro rapaz que acusa, em altos brados, o policial de racista. Por que isso é relevante? Porque parece evidente que não foi a cor da pele de Nicolas que levou, e continua injustificável, o PM a perder o controle. Ainda não sabemos o que ele disse, lá do balcão, ao soldado. Não justifica o destempero, mas circunstancia.

Golpe e eleição democrática
O DCE da USP está sendo governado por uma junta golpista.  Como as esquerdas perderiam a eleição para a chapa Reação, resolveram adiar a disputa. Assim como o episódio original do confronto entre policiais e três maconheiros tem cheiro de armação, este outro está sendo usado como peça de propaganda.

A chapa “Reação”, com certeza, vai se apresentar para a disputa. Haverá, até onde sei, uma outra, liderada pela extremíssima esquerda (PCO, Movimento Negação da Negação, LER-QI etc). Não sei se as demais correntes de esquerda se juntarão aos extremistas para fazer um fla X flu. O fato é que a “agressão a Nicolas” passou a ser uma peça de propaganda.

Bem, ninguém pode proibi-los de usar o episódio. A nossa obrigação é contar tudo para que os estudantes da USP decidam – caso não lhes seja cassado o direito de votar, como fez o DCE, liderado pelo PSOL.

É ISTO: TRATA-SE DE UMA DISPUTA ENTRE OS QUE QUEREM ERGUER E OS QUE QUEREM DERRUBAR A USP!

Decidam, uspianos!

Texto publicado originalmente às 19h15 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

16/01/2012

às 17:01

Tenho novidades sobre aquele caso envolvendo um policial e um “matriculado” da USP

Vocês se lembram daquele episódio da USP, em que um policial pega um “matriculado” da USP pelo colarinho? O PM foi afastado. Pois é… Tenho alguns dados novos a respeito. Espero que os setores da imprensa que deram abrigo à tese ridícula de que houve até racismo não soneguem essas novas informações, em benefício de seus leitores e telespectadores.

Por Reinaldo Azevedo

11/01/2012

às 19:27

Alunos da USP, chamem o 190 se necessário

Da Agência Estado:
Dois estudantes da Universidade de São Paulo (USP) foram assaltados e um deles agredido com um soco, às 21h30 de ontem, após saírem do câmpus pela portaria da Avenida Corifeu de Azevedo Marques, na região do Rio Pequeno, zona oeste da capital. As vítimas caminhavam de volta para uma república.

Após terem livros acadêmicos, celulares, iPod, carteira, dinheiro e documentos levados por dois criminosos, os jovens, alunos de Letras e Ciências da Natureza, ligaram para o 190. Policiais militares do 16º Batalhão localizaram os bandidos na Rua na Rua Doutor Artur Neiva, na mesma região.

Um dos assaltantes, adolescente de 17 anos, portando uma falsa arma de fogo, foi retido. O outro fugiu. Os objetos roubados dos estudantes foram recuperados. O caso foi registrado no 14º Distrito Policial, de Pinheiros.

Por Reinaldo Azevedo

11/01/2012

às 14:28

No Jornal Nacional, “invasores” viram “ocupantes” e, impunes, fazem exigência ao poder público, que já puniu seus faltosos

escrevi o que penso sobre o episódio da USP envolvendo o confronto entre um policial militar e alguns invasores. O assunto voltou a esquentar por causa de reportagem de ontem do Jornal Nacional, o que assanhou de novo os petralhas. É uma tolice tentar me patrulhar. Mas eu volto ao assunto, sem problemas.

Vamos àquilo que já escrevi. O policial errou e já sofreu uma primeira punição: foi afastado das ruas, medida que atingiu também seu colega. Uma sindicância vai agora apurar o caso. A reação do Comando da PM e do governador Geraldo Alckmin foi imediata. A canalha pare de encher no meu saco! Por que eu endossaria violência gratuita? Só porque eu seria mau, e os meus adversários, bonzinhos? Ora, vão plantar batatas (só não invadam a plantação de batatas alheias!).

Agora vamos ao Jornal Nacional. Quando um grupo — seja de freiras carmelitas ou de meliantes, não importa — “ocupa” um espaço público ao arrepio da lei, isso não é “ocupação” coisa nenhuma, essa palavrinha mágica que esconde um crime: ISSO É INVASÃO. Revejam a reportagem do Jornal Nacional. Em nenhum momento fica claro que aqueles “estudantes” estão lá CONTRA A LEI. Fala-se em “desocupação”.

O comportamento do policial é inaceitável? É! Isso eu já disse desde o primeiro dia. Ele já foi punido? Já! Faz sentido ouvir Nicolas Menezes Barreto, o estudante em questão, para que expresse seu inconformismo? Faz, sim! Mas daí a dar curso ao proselitismo de um invasor de espaço público, como faz o JN, aí já é um pouco demais. Diz o rapaz:
“Eu quero a exoneração dos dois policiais da Polícia Militar e quero também a exoneração do guarda universitário que ajudou a ação da polícia naquele dia”.

Muito bem! Queremos Nicolas para comandante da PM, para juiz e para reitor da USP! O invasor de um espaço público está cheio de “quereres”. Numa das muitas entrevistas que deu, ele se referiu ao “pessoal” que o ajuda na empreitada. Agora se tem um caso político. Um deles aparece no Jornal Nacional. É Frei David Raimundo dos Santos, da ONG Educafro. Diz o homem: “É um grupo grande de estudante, só tem um negro. Por que justamente o policial foi em cima do negro? Porque para a cabeça do policial, o negro não estava no espaço dele”.

A lógica parece cristalina, mas é pura mistificação. No vídeo conhecido, não há uma só ofensa racial ou coisa do gênero. O julgamento deste homem de Deus é, por enquanto, pura arbitrariedade. Sempre que alguém cometer uma eventual injustiça ou violência contra um negro estará caracterizado racismo? E quando é contra um branco? Qual seria a motivação secreta? Tenham paciência! Não basta punir o policial por aquilo que ele fez? é preciso apertar o “botão quente” do racismo? É moral atribuir a uma pessoa, mesmo estando ela errada, aquilo que ela não fez?

Volto ao meu ponto. O policial que foi além do que lhe era permitido já sofreu uma primeira punição. Nicolas e os demais invasores — “invasores”, não “ocupantes” —, ora vejam!, seguem impunes e a fazer “exigências”.

Não! A reportagem do Jornal Nacional não mudou em nada a narrativa do caso; tampouco mudou a minha convicção. Ao contrário: esta saiu reforçada. Quanto ao mais, o episódio, lamentável, será devidamente explorado pelos autoritários que deram um golpe na USP e suspenderam as eleições do DCE. Também alimentará a cantilena contra a presença da PM na USP, como querem a extrema esquerda e os traficantes de drogas.

Algo mais a dizer?

Por Reinaldo Azevedo

10/01/2012

às 5:55

Comando da PM, submetida ao controle democrático, já puniu exagero de policial. E fez bem! Agora eu quero saber quem vai punir os invasores que agem ao arrepio da lei e os caluniadores

Há um alarido, vindo daqueles de sempre, para que eu me manifeste sobre o mais recente episódio USP envolvendo a relação de invasores de espaço público e policiais militares na USP. O vídeo circula no Youtube. “E agora? O que você vai dizer?” Ora, o óbvio: ninguém tem razão! Mas não pensem que será desta vez que vou subir no muro e optar pela crítica “nem-nem”, o famoso “nem isso nem aquilo, muito pelo contrário”… Este não sou eu. Há uma questão de circunstância: o sargento André Luiz Ferreira, o policial que pegou pelo colarinho Nicolas Menezes Barreto — é este o nome do rapaz matriculado no curso de Ciências da Natureza — errou. Não consegui ouvir o que o matriculado disse ao PM, mas a reação da autoridade fardada foi obviamente destemperada. E há uma questão de fundo: uma minoria de extremistas tenta, por todos os meios e a qualquer custo, provocar um caso que inviabilize a presença da Polícia Militar no campus. Se for com sangue, melhor. Sempre haverá idiotas úteis dispostos a oferecer o próprio couro à causa dos capitães do mato das ideologias.

Abaixo, segue o vídeo que está no Youtube. A área de comentários deste site, como vocês poderão constatar, foi devidamente aparelhada pela “turma”. Volto em seguida.

Voltei
Assim como os invasores do espaço público não representam, da ética à estética, a maioria dos alunos da USP, também o comportamento do policial não reflete a relação da Polícia Militar com os estudantes. São duas excepcionalidades. Os policiais que participaram da abordagem já foram afastados de suas funções pelo comando da PM. E cabe, então, a pergunta: que punição receberão aqueles que ocupam, de modo ilegal, um espaço da universidade? Resposta: nenhuma! Eis uma diferença importante: a PM está submetida ao controle do estado democrático; os invasores agem ao arrepio da lei.

A conversa evoluía bem até o momento em que o sargento perdeu o controle, o que não poderia ter acontecido. Fosse um debate, ele estaria vencendo de lavada até o momento que fez bobagem. Reproduzo trecho do diálogo.

Policial - É o seguinte: eles tem reformar isso, e vocês têm de sair.
Invasor - Para reformar isso aqui, ou tem de ter um acordo entre a Reitoria e o Diretório Central dos Estudantes ou tem de ter uma ação legal. Não tem nenhuma das duas coisas…
Policial - E a ação de vocês é legal?
Invasor - É o espaço dos estudantes…
Policial - É o espaço dos estudantes, e vocês atrapalham a reforma…

Vamos pôr os pontos nos “is”. “Espaço dos estudantes” uma ova! Já foi, não é mais! Hoje, é apenas um prédio abandonado, que estava ocupado por um grupo de punks sem qualquer vínculo com a universidade até outro dia. Ainda que fosse um “espaço dos estudantes”, então é “dos estudantes”, e isso não confere a um grupo o direito de invadi-lo. O invasor que dialoga com o policial falsifica a verdade ao afirmar que a Reitoria só pode reformar o espaço depois de “um acordo com o DCE” ou depois de uma “ação legal”. A Reitoria tem autoridade sobre o prédio.

A indagação do sargento vai ao ponto: “E a ação de vocês é legal?” Não, não é! Um bem público não quer dizer “sem donos”, sujeito à ocupação. Um bem público pertence ao… público! Eis um dos traços detestáveis da cultura brasileira: considerar que aquilo que é de todos não é de ninguém. Por isso tanta gente faz xixi em praças e túneis, põe os pés sobre os bancos nos trens, ouve música num volume ensurdecedor nas ruas, joga aquele maldito frescobol na praia… “Já que o espaço é público…” Sem essa! Ainda que aquela fosse mesmo, ainda hoje, uma área de TODOS OS ESTUDANTES, ela não poderia ter sido invadida por ALGUNS ESTUDANTES!

Reitero: a PM, submetida ao controle democrático, puniu preventivamente os dois policiais com o afastamento e abriu uma sindicância. Com os invasores, nada vai acontecer.

Acusação de racismo
Não deu para ouvir o que disse Nicolas, o estudante matriculado no curso de Ciências da Natureza, momentos antes do descontrole do policial. Seja o que for, reitero, o PM agiu mal, e o comando tomou as devidas providências. Acusar, no entanto, o sargento de racismo, como fizeram os invasores, porque o rapaz é “negro” (segundo a linguagem da militância; de fato, ele é mestiço, como uma larguíssima parcela da população brasileira) é um despropósito. Seria necessário dispor de provas, de evidências, de que o policial só agiu daquele modo por causa da cor da pele do estudante.

Atenção! Racismo é crime imprescritível e inafiançável. Acusar alguém de tal prática sem a devida prova constitui um outro crime: calúnia! Mais do que isso: o vídeo foi parar no Youtube, o policial está sendo demonizado por correntes organizadas nas redes sociais, e aqueles que o acusam mostram a cara. Bem, em boas democracias do mundo, o sargento tiraria até as calças de seus acusadores num tribunal. Um erro ou mesmo a eventual prática de abuso de autoridade são coisas muito diferentes de racismo.

Sei que invasores da USP e democracia não são coisas compatíveis, mas faço o alerta mesmo assim: também o policial foi vítima de um crime — no caso, de calúnia. A menos que seus acusadores apresentem as provas do racismo. Brigar com um negro, por si, não configura tal crime. Ou, por outra, seria preciso admitir que a mesma ação, do mesmo policial, seria menos grave e mais aceitável contra um… branco! Seria? Tal consideração seria, sem dúvida, uma manifestação… racista!

Encerro
Parte das coisas já está em seu devido lugar. O policial que foi além do aceitável já sofreu a primeira conseqüência de seu ato. E uma sindicância vai apurar a questão. Os que invadem ilegalmente um espaço público seguem impunes.

PS – Ter carteirinha da USP, convenham, não quer dizer ser efetivamente estudante da USP. Um estudante, como quer este substantivo derivado do particípio presente, estuda efetivamente. Torço para que seja o caso de Nicolas. Estará fazendo um bem a si mesmo e a nós todos, que financiamos o seu curso com os impostos que pagamos. Que ele use esse benefício da melhor maneira possível! Talvez ele seja uma boa exceção. A regra entre profissionais da invasão é usar o “número USP” apenas para a “militância”, desperdiçando o próprio tempo e o nosso dinheiro.

Texto originalmente publicado às 23h08 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo
 

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