Blogs e Colunistas

USP

02/04/2014

às 4:17

Ainda a violência na Faculdade de Direito da USP e a tolerância. Ou: A sabedoria que vem da guilhotina, do paredão e do fuzilamento

O que esta foto tem a ver com este texto? Ficará claro.

 

Noite histórica -  O jurista Goffredo da Silva Telles Jr. lê a Carta aos Brasileiros, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em que desafia a ditadura militar com o elogio ao estado de direito (foto: Pedro Martinelli)

Noite histórica - O jurista Goffredo da Silva Telles Jr. lê a Carta aos Brasileiros, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em que desafia a ditadura militar com o elogio ao estado de direito (foto: Pedro Martinelli)

Sim, eu vou voltar ao caso do ataque fascistoide de que foi vítima o professor de direito administrativo Eduardo Lobo Botelho Gualazzi na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. E acho, sinceramente, uma covardia inominável que alguns sugiram que eu leia o texto que ele escreveu, como se eventuais abominações lá presentes justificassem o ato covarde. É provável, dados os fragmentos que me chegaram, que eu discorde de absolutamente tudo. E daí? (segue de novo o vídeo)

Os interessados devem ler o que pensa, por exemplo, o professor Walter William, 78 completados neste 31 de março, que concedeu uma entrevista à VEJA em 2011. Sobre a liberdade de expressão, ele afirma: “É fácil defendê-la quando as pessoas estão dizendo coisas que julgamos positivas e sensatas, mas nosso compromisso com a liberdade de expressão só é realmente posto à prova quando diante de pessoas que dizem coisas que consideramos absolutamente repulsivas”.

William é um intelectual negro, ultraliberal — refiro-me ao liberalismo econômico —, que desafia os cânones do pensamento politicamente correto. Mas não o evoco por isso, não. O fato de ele ser negro não torna seu pensamento nem mais nem menos abalizado. É que sua síntese é muito boa. Se o outro diz aquilo com o que concordamos, por óbvio, nossa tolerância não está sendo provocada. De resto, até onde sei, Gualazzi não estava a defender a tortura — e não venham me dizer que “é tudo a mesma coisa” porque, obviamente, não é.

Se abomino e lastimo a brutalidade, não é menos verdade que a compreendo. Com raras exceções, a imprensa exerceu um papel lamentável nestes dias, dando corda a mistificadores. Que nenhum cretino venha tentar me provar que o golpe não era bacana — sei disso mais do que os radicais do Toddy & Sucrilho. Sei disso desde quando se opor ao regime era realmente perigoso. Hoje, o máximo de risco que essa gente corre é uma tia gostar do vídeo no YouTube.

Leio, ouço e vejo muita coisa por aí. A impressão que se tem é que havia no Brasil um presidente muito bom, corajoso e valente, que amava o povo. Aí chegaram os homens maus, financiados pelos Estados Unidos, e decidiram acabar com o reino da Justiça. Essa é também a história que é contada para essa garotada nas escolas. Essa é a mística criada pela tal Comissão Nacional da Verdade. Em 2014, passados 50 anos do golpe de 1964, entendemos menos hoje o que realmente aconteceu do que antes. Menos hoje do que há dez anos. Menos hoje do que há 20 anos.

E por que é assim? Porque estamos expostos ao peso de uma nova história oficial. No que concerne ao valor da narrativa, ela é ainda mais perniciosa do que todas as mentiras contadas pelo oficialismo golpista porque reivindica para si a condição de a “a história verdadeira”, que não estaria submetida a viés nenhum, a não ser o apego aos fatos. E, nesse caso, até contumazes assassinos como Marighella e Lamarca viram heróis. Afinal, eles só matavam e praticavam atentados terroristas por bons motivos, né? “Ah, mas defender o golpe é o mesmo que apoiar a tortura!” São futuros advogados a dizê-lo? Não é, não! Ou esses que invadiram a sala acham que um policial feito refém por um líder de esquerda, com as mãos amarradas, impossibilitado de fugir, deve mesmo ser morto a coronhadas de fuzil, até seu crânio e seu cérebro se misturarem numa massa pastosa? Foi o que Lamarca fez — na verdade, Yoshitani Fujimori, sob as suas ordens — com o tenente da Polícia Militar de São Paulo Alberto Mendes Júnior, de 23 anos.  Quando Dilma falou das vítimas, em seu discurso do dia 31, estou certo que pensou, entre outros, em Lamarca, de quem chegou a ser subordinada, mas não no tenente Mendes Júnior.

Como esquecer, santo Deus!, que estamos numa universidade? Como esquecer que, no espaço acadêmico, mormente num curso de direito, a divergência, por mais abominável que seja a tese, é o sal da vida? Mais constrangedor ainda é ver o passado a serviço da ignorância. Assistam ao vídeo de novo. Os alunos invadem a sala de aula cantando um trecho da música “Opinião”, de Zé Ketti, que assumiu um sentido muito particular durante a ditadura:
Podem me prender, podem me bater,/
podem até deixar-me sem comer/
que eu não mudo de opinião.
daqui do morro eu não saio não,/
daqui do morro eu não saio não.

Os dois últimos versos, dada uma reserva de ridículo, não foram entoados. Não havia por ali, digamos, “gente do morro”… Ora, quem vai bater nesses malcriados? Que vai prendê-los, quem vai deixá-los sem o seu Toddynho com sucrilho? Felizmente, os que comandaram a resistência pacífica ao golpe construíram os fundamentos de um regime que permite que todas as correntes de opinião se manifestem.

Honestidade intelectual
Qualquer pessoa intelectualmente honesta — sim, é uma questão de honestidade — há de reconhecer que isso só é possível porque as esquerdas radicais perderam a batalha.  Onde quer que tenham vencido, os mortos se contam aos muitos milhares, aos muitos milhões. Isso é apenas um fato. A Venezuela de hoje serve de ilustração patética do que afirmo aqui.

Qual será a próxima vítima dos agressores? Qual será o próximo professor a ser submetido ao Tribunal da Verdade, que terá a sua palavra tolhida, que será humilhado? A partir de agora, a São Francisco tem um comitê de censura. E, para pôr os pés naquela faculdade, será preciso pedir autorização aos donos do pedaço. A São Francisco, em breve, será um território menos livre do que o Complexo do Alemão. É isto: a São Francisco é agora o Complexo da Ideologia Alemã… Quem dera!  Nesse caso, haveria ao menos alguma leitura… Logo será preciso uma UPPI — Unidade de Polícia Pacificadora Ideológica — para que alguém tenha ao menos o direito de erguer a mão e fazer uma objeção sem ser ameaçado por um bumbo…

Goffredo da Silva Telles Jr.
Sinto muita vergonha ao ver essas coisas e lembrar que a São Francisco é a casa de um Goffredo da Silva Telles Jr., o ex-integralista — vejam só: ele tinha sido “de direita”! — que, em 1977, proclamou das Arcadas a “Carta aos Brasileiros” (foto no alto). E lá se podia ler:
“Reconhecemos que o Chefe do Governo é o mais alto funcionário nos quadros administrativos da Nação. Mas negamos que ele seja o mais alto Poder de um País. Acima dele, reina o Poder de uma Ideia: reina o Poder das convicções que inspiram as linhas mestras da Política nacional. Reina o senso grave da Ordem, que se acha definido na Constituição.
(…)
Proclamamos que o Estado legítimo é o Estado de Direito, e que o Estado de Direito é o Estado Constitucional. O Estado de Direito é o Estado que se submete ao princípio de que Governos e governantes devem obediência à Constituição”.

Este era o Goffredo que teve um primo assassinado, nas cercanias da faculdade, pelas forças de Getúlio, em 1943, que enfrentaram a tiros uma passeata dos estudantes da São Francisco.

Sim, eram tempos em que se podia bater, prender e matar para que alguém mudasse de opinião. Hoje não! Os que lutaram para construir a democracia no Brasil o fizeram para garantir a todos o direito de voz — e é só a voz dos que discordam de nós que testa a nossa tolerância.

Querem transformar a São Francisco num gueto, onde só se entra com atestado de bons antecedentes ideológicos? Será fornecido por quem? Quando é que esses rapazes e moças vão se reunir para definir um “código de ética” que estabeleça quem tem e quem não tem direito a advogado?

Escreveu-se um capítulo vergonhoso da história da São Francisco. Mais vergonhoso ainda é o silêncio que se seguiu à violência. Não se trata, insista-se, de concordar com o professor ou de discordar dele, mas de reconhecer a universidade segundo a sua vocação: o espaço da universalidade, da divergência, do dissenso. Ou então que se faça o Index das opiniões e dos temas proibidos.

Gene antigo
É claro que esses radicais do bumbo violam fundamentos da democracia que não construíram, mas que herdaram. Apontei no texto de ontem o rebaixamento do próprio pensamento da esquerda, cuja militância é hoje, em regra, de uma assombrosa ignorância de seus próprios textos de referência. Mas, de todo modo, o velho gene da intolerância está ali presente, sempre pronto a calar, a banir, a excluir, a higienizar a diferença.

São assim desde o Clube dos Jacobinos, não é? E continuarão. Quando já não têm mais inimigos a eliminar, então se voltam contra os aliados. A marca registrada dos regimes vitoriosos de esquerda, afinal, é engolir os próximos revolucionários, a exemplo de Saturno, que engolia os próprios filhos, como no quadro de Goya, que vocês veem abaixo. Mesmo quando a luta “pelo novo homem” seduzia os intelectuais de renome — e se distinguia um tanto do crime organizado —, a esquerda sempre banhou seus aliados em sangue, depois, é óbvio, de eliminar os adversários. A matriz — a política — do marxismo é a Revolução Francesa, notória por devorar os seus. Stálin transformou isso numa indústria (i)moral, com os Processos de Moscou.

saturno goya

O mal essencial desse pensamento, em 1964 ou agora, está na recusa em reconhecer que ainda não se inventou nada melhor para equacionar as divergências em sociedade do que a democracia, o regime de liberdades. Antes, as esquerdas tinham o que parecia ser um projeto totalizante para a civilização. Naufragaram. Onde a estupidez persiste e, eventualmente, dá as cartas, ou elas se dedicam à empulhação violenta à moda chavista ou se esforçam, a exemplo do lulo-petismo, para submeter as instituições a uma espécie de gerência, buscando substituí-las pelas instâncias do “partido”.

De resto, lá estava o professor, a ler a sua tese sem seguidores. Menos do que minoritário, é provável que estivesse solitário. E, mesmo assim, foi esmagado pelo ato boçal. Posso imaginar do que  seriam capazes essas pessoas se achassem que o adversário oferece, de fato, algum risco. A resposta é simples: fariam o que fizeram nos últimos duzentos e poucos anos: guilhotina, paredão, fuzilamento.

Mas devemos acreditar que só o fazem porque, afinal, são favoráveis à Justiça, à Igualdade, à Liberdade e à Verdade.

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2014

às 15:45

E agora? Ciclistas estão sendo assaltados na USP. Como vai bater o coração de alguns jornalistas?

ladrão de bicicleta

Ai, ai… Começou uma onda de assaltos a ciclistas na USP. Não me digam! Segundo levantamento da Jovem Pan, desde o dia 1º de janeiro, já são 14 ocorrências. Uma das vítimas é o promotor de Justiça Roberto Bodini, que relata a abordagem violenta dos marginais. Dizer o quê? Os ciclistas se transformaram, no Brasil, numa espécie de categoria de pensamento, adotada e adorada pela imprensa. Quem sabe, agora, se faça a coisa certa.

A USP é uma cidade de porte médio. Circulam por lá mais de 100 mil pessoas. A Polícia Militar tem de se comportar por ali de maneira quase invisível. As lideranças de extrema esquerda que tiranizam a universidade e os traficantes e consumidores de drogas, que são muitos, não querem saber da “repressão” . Sim, é preciso chamar as coisas pelo nome, e eu chamo.

Os mesmos traficantes, diga-se, tiranizam também a favela São Remo, que fica ao lado, separada da universidade por um muro, que foi vazado, num trabalho conjunto de militantes de extrema esquerda e vendedores de droga. A justificativa politicamente correta é que isso é feito para acabar com o apartheid social, entendem? Já houve um assassinato na USP. Mesmo assim, os “amigos do povo” querem a polícia longe.

Então ficamos assim: há uma cidade de porte médio, com policiamento precário, onde circula uma boa massa de endinheirados… Em que isso vai dar quando se sabe que o tráfico fez da Cidade Universitária o seu mercado? Atenção! Há bicicletas de endinheirados que podem custar até R$ 30 mil. Os assaltantes pegam a dita-cuja e se mandam pra favela.

Pior: ficamos sabendo agora que ciclistas contrataram escolta armada… Epa! Aí as coisas começam a ficar ainda mais perigosas. Avaliem o risco! A única saída sensata é parar com essa brincadeira estúpida de que a USP — e as universidades brasileiras — são territórios livres, onde a polícia não entra. A Guarda Universitária não vai poder se comportar como segurança privada de ciclistas, não é? É preciso que se faça lá policiamento ostensivo para reprimir qualquer forma de crime — inclusive, sim, o tráfico e o consumo de drogas.

Por mais que queriam transformar a USP num bunker, onde a PM não entra, as leis de mercado chegam pelo ar. Atrair bandidos para a universidade — em razão das drogas e da falta de policiamento — imaginando que eles não vão praticar banditismo é coisa de cretinos ou de gente de má-fé.

Sem a presença ostensiva da polícia, a alternativa para os ciclistas é levar Marilena Chaui como uma espécie de batedora, de ponteiro. Quando o bandido chegar com o tradicional “Perdeu, perdeu, passa a bicicleta para cá”, ela, a mais saliente crítica da presença da PM no campus, pode tentar convencê-lo de que se trata de um ato reacionário, que acabará concorrendo para a “militarização” da universidade, adicionando que ele, ladrão, mesmo sem saber, é, na verdade, um revolucionário em potencial, que está canalizando mal as suas energias redentoras… De resto, os dois “ODEIAM” a classe média…

Por Reinaldo Azevedo

12/11/2013

às 15:56

Eis a Reitoria da USP depois da invasão. A conversa é com o juiz Laroca, não com bandidos e ladrões

A minha conversa não é com delinquentes que invadem a USP. Não falo com bandidos.

A minha conversa não é com os delirantes de extrema esquerda, uma minoria que se alimenta da própria estupidez. Não falo com dinossauros.

A minha conversa não é com os que roubaram equipamentos públicos. Não falo com ladrões.

A minha conversa é com um juiz chamado Adriano Marcos Laroca. Ele se diz um “juiz para a democracia”. Ele pertence a uma associação chamada “Juízes para a Democracia”.

É ao juiz Laroca que eu apresento esta foto (todas as imagens são de autoria de Nelson Antoine, da Fotoarena).

educacao-reintegracao-reitoria-usp-20131112-04-original

É ao juiz Laroca que eu mostro esta outra foto.

Invasão USP 2013 5 - Nelson Antoine-Fotoarena

É ao juiz Laroca que eu exponho esta terceira foto.

Invasão USP 2013 4 - Nelson Antoine-Fotoarena

É ao juiz Laroca que eu exibo mais uma foto.

Invasão USP 2013 - 2 - Nelson Antoine-Fotoarena

É ao juiz Laroca que eu revelo uma quinta foto.

Invasão USP 2013 3 - Nelson Antoine-Fotoarena

Essa é a reitoria depois que os invasores do PSOL, do PSTU e de outros grupelhos de extrema esquerda a ocuparam. Já invadi a reitoria. O Demétrio Magnoli também — não custa lembrar, já que estamos na moda. Nunca largamos uma guimba no chão. Refiro-me ao conjunto dos militantes de então. Se o professor deixasse o comando de greve entrar na sala, bem, entrava-se e se dava o recado; se não, então era não. Havia um professor de alemão que não permitia nunca. A gente pedia sempre. Ele sempre dizia não. A gente não engrossava nunca: “Obrigado, professor!”. E ia embora. O Brasil era uma ditadura. Achávamos que era preciso acabar com a ditadura. Mas não com a hierarquia do saber. E para contestar o saber? Há os espaços que reservados pelo próprio… saber.

É com o juiz Laroca “para a democracia” que se tem de conversar. Ao negar uma liminar de reintegração de posse, ele escreveu:
“A ocupação de bem público (no caso de uso especial, poderia ser de uso comum, por exemplo, uma praça ou rua), como forma de luta democrática, para deixar de ter legitimidade, precisa causar mais ônus do que benefícios à universidade e, em última instancia, à sociedade. Outrossim, frise-se que nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem força de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal.”

Ao escrever “nenhuma luta que não cause”, maltratou a Inculta & Bela. Mas quem apanhou mesmo foram as ideias.

Dado o resultado, ele poderia dizer — será? — que o “ônus é maior do que os benefícios” e que isso é muito feio. A ressalva, em sua decisão, parece-me, é apenas prudencial. O certo é que o meritíssimo endossou um método de luta que afronta não uma ordem ditatorial, mas uma ordem democrática.

Quem vai pagar por isso, juiz Laroca?

Por Reinaldo Azevedo

07/11/2013

às 15:12

Conforme o previsto, vândalos mantêm invasão da Reitoria da USP. Querem a PM porque, assim, aparecerão como vítimas e heróis na TV, nos jornais e nos portais

Conforme se previu aqui, e era óbvio, os valentes invasores da Reitoria da USP decidiram permanecer no prédio. Há uma determinação judicial para que saiam. O PSOL e o PSTU não reconhecem essas frescuras de estado burguês — só se interessam por elas na hora de pegar o Fundo Partidário, por exemplo. Aí, sim! E, se não reconhecem o estado burguês, também dão de ombros para a sua Justiça.

Eles querem é que a Polícia Militar entre no prédio. Eles querem é a imagem de homens uniformizados “reprimindo” pobres estudantes, coitadinhos!, que só depredaram e ocuparam a Reitoria porque querem democracia. No caso, reivindicam eleições diretas para reitor. Certo! O Regimento da universidade dispõe a respeito do assunto. Não prevê o pleito direto. Isso pode ser mudado? Pode. Mas não com marreta na porta, truculência, quebra-quebra e mascarados ocupando a administração da universidade.

Ora, o PSOL em especial, que é quem realmente comanda a patuscada, sabe que não é assim que se constrói o socialismo. Não com rosas, não é? Isso é coisa ainda da Segunda Internacional. Os psóis da vida começaram pedindo a IV Internacional e já devem andar ali pela 25ª… O socialismo psolento tem um ritmo verdadeiramente frenético.

Esses caras comandaram uma das mais absurdas e surrealistas greves dos últimos anos no Brasil: a dos professores da cidade do Rio, contra um plano de carreira que é um dos melhores do país. Incorporaram a truculência dos black blocs como parte da luta. Os mascarados passaram a fazer parte da sua estratégia de ação.

Ano sim, ano também, a reitoria da USP é invadida. A esmagadora maioria da comunidade universitária dá de ombros para eles. Nesta quarta, consta que a manutenção da invasão venceu com pouco mais de 700 votos (não sei como se chegou a essa contagem), contra pouco mais de 500, que se opuseram. Digamos que a assembleia tenha reunido 1.300 estudantes (já digo por que isso é mentira escandalosa). A USP tem mais de 80 mil estudantes.

Números falsos
Atenção! As invasões e ocupações da USP contam com um grande número de militantes que não têm vínculo nenhum com a universidade. Qualquer repórter intelectualmente honesto que cubra o evento e não queira fazer embaixadinha para os trogloditas sabe disso. Lá comparecem representantes de sem-teto, de sem-terra, de sem-noção etc. — militantes profissionais, em suma — para votar em lugar dos estudantes.

Ocupação paramilitar
Consta que também existe uma greve de estudantes na USP. Falso. Cursos da FFLCH e da ECA estão parados porque esses nichos da universidade vivem sob uma espécie de ocupação paramilitar de partidecos de extrema esquerda, que não têm voto na sociedade, mas são muito influentes, em razão da força bruta, na universidade. A onda agora é fazer um tal “cadeiraço”. Entopem-se os corredores de cadeiras e carteiras e se impede a entrada de estudantes que querem estudar e de professores que querem professorar. Eles ainda existem tanto na FFLCH como na ECA…

Grevistas e demagogos costumam dar “aulas públicas”, em algum cantinho dos imensos gramados da universidade, financiada com o dinheiro dos pobres. É para simular, assim, aquele ambiente de “território livre”, sabem? Para esses “mestres” da própria estupidez, um pensamento sem fronteiras só pode ser exercitado ao ar livre. É o que liga Schopenhauer ao uga-uga das cavernas.

Imprensa
De resto, esses vândalos sabem que jamais contarão com uma apreciação crítica no que já chegou a ser chamado, um dia, “grande imprensa”. Ao contrário. Se a Polícia Militar for mesmo obrigada a entrar lá e a tirar os trogloditas, a PM será fatalmente tratada como vilã, e começará a circular um abaixo-assinado, liderado, de preferência, por Marilena Chaui, contra a “militarização da universidade”. Repórteres de TV, nessa fase “estamos com o povo”, vão se referir aos vândalos como “meninos” sonhadores, esmagados pela violência do estado repressor.

A propósito: por que mesmo existe uma universidade?

Por Reinaldo Azevedo

06/11/2013

às 16:52

Justiça determina que tenha fim ação criminosa na USP; invasores farão “assembleia”. Ou: Para chocar Miriam Leitão

Leio na VEJA.com que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) notificou na manhã desta quarta os estudantes que invadiram a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) para que deixem o prédio imediatamente, sob pena de uso de força policial para realizar a desocupação do local. A decisão a favor da reintegração de posse foi proferida na terça-feira pelo desembargador Xavier de Aquino, do 1º Grupo de Direito Público do TJ-SP. Pois é…

A Reitoria da USP foi invadida no dia 1º de outubro por uma súcia, sob o comando do DCE, que é aparelhado pelo PSOL e pelo PSTU.

Miriam Leitão, a colunista das Organizações Globo que decidiu dar pitaco na Folha de S.Paulo, me chamou de cachorro e afirmou que a culpa é minha.  Segundo ela, eu provoco essa reação. Eu sou o culpado por ela ser malcriada. Por que seria? “Veja aí, você chama estudantes de súcia.” Não chamo, não! Súcia é quem faz isto, ó, como se vê em foto de Danilo Verpa, da Folhapress.

USP reitoria 1 - Marreta

Súcia esconde da democracia o seu rosto.
Súcia invade prédio público (e privado) com marreta.
Súcia não conversa. Súcia quebra.

Tirem-se as máscaras desses caras, e talvez se descubra que alguns deles nem estudantes são.

A USP já havia solicitado à Justiça a retomada do local no mês passado. No entanto, no dia 15 de outubro, uma decisão judicial deu prazo de 60 dias para que os manifestantes desocupassem o prédio. A universidade entrou com novo recurso e, desta vez, obteve decisão favorável. Aquino argumenta que o caso é “extremamente grave” e que “alunos e pseudoalunos” vêm atrapalhando o bom andamento da universidade.

Um pouco de luz nas trevas.
Antes dessa decisão, houve uma outra, do juiz Adriano Marcos Laroca, da 12ª Vara da Fazenda Pública. Ao negar a liminar de reintegração de posse, afirmou:

“A ocupação de bem público (no caso de uso especial, poderia ser de uso comum, por exemplo, uma praça ou rua), como forma de luta democrática, para deixar de ter legitimidade, precisa causar mais ônus do que benefícios à universidade e, em última instancia, à sociedade. Outrossim, frise-se que nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem força de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal.”

Laroca ainda aproveitou para dar um pito na vítima — no caso, a Reitoria. Ele é membro da Associação Juízes para a Democracia, a mesma a que pertence o seu colega de toga João Damasceno, aquele que participa de um vídeo de globais convocando uma passeata no Rio. Naquele vídeo, uma senhorita justifica as depredações feitas pelos black blocs.

Os invasores da reitoria vão fazer uma assembleia logo mais, a partir das 18h, para decidir, ai, ai, se acatam ou não a decisão da Justiça. Atenção! A comunidade uspiana, é evidente, não apoia a invasão. A dita “greve” da USP atinge uns dois ou três cursos — e, ainda assim, é imposta pela truculência dos militantes de partidos de extrema esquerda.

A chance de que decidam “resistir” é grande. O PSOL e o PSTU querem provar que o estado brasileiro é tirânico e reprime os paladinos da democracia e da liberdade como eles… Caso haja uma retirada forçada de invasores, sempre há a chance de a imprensa aparecer por lá e se solidarizar com os criminosos; sempre há a chance de um repórter se referir aos brucutus como “os meninos”…

“Criminosos”??? É, gente! Invadir prédio público é crime. Quem pratica crime é criminoso. Simples assim.

Por Reinaldo Azevedo

10/10/2013

às 5:36

A USP e a democracia do juiz Laroca

Caetano black bloc

O juiz Adriano Marcos Laroca, da 12ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, negou liminar de reintegração de posse à Reitoria da USP, E resolveu fazer uma espécie de manifesto em favor da invasão do prédio. Escreveu:

“A ocupação de bem público (no caso de uso especial, poderia ser de uso comum, por exemplo, uma praça ou rua), como forma de luta democrática, para deixar de ter legitimidade, precisa causar mais ônus do que benefícios à universidade e, em última instancia, à sociedade. Outrossim, frise-se que nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem força de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal.”

Então…

Ontem, os invasores e grevistas, uma minoria extrema da USP, decidiram promover o que chamam de “cadeiraço”. Lotaram com cadeiras os corredores da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), um verdadeiro ninhal de sectários do PSOL e do PSTU, para impedir que os estudantes — que não aderiram à greve — tivessem aula.

Essa é a democracia de Laroca. Afinal, para ele, é normal a luta social causar transtorno, alteração da normalidade e tal. Assim, o normal é que o PSOL e o PSTU se imponham pela força, mesmo quando a esmagadora maioria não quer a greve. Ah, sim: sugiro ao doutor que cuide melhor da inculta e bela. A sua tripla negação “nenhuma luta (…) que não cause (…) não tem” é de lascar!

Em seu despacho, como informei aqui, Laroca preferiu dar um pito na Reitoria, que acusou de intransigente. Jamais lhe ocorreria, pelo visto, admoestar os trogloditas do PSOL e do PSTU que impedem a entrada dos estudantes no prédio em que estudam, cassando-lhes um direito.

Para encerrar: desde quando invadir Reitoria a marretadas para exigir eleição direta para reitor é “luta social”?

Defina “luta social”, juiz Laroca!

Por Reinaldo Azevedo

09/10/2013

às 16:16

Justiça volta a negar reintegração de posse da Reitoria da USP. Está dado o recado: usem a marreta e o pé de cabra como argumento!

Caetano black bloc

Invasão da Reitoria a marretadas: método agora consagrado por juiz (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Invasão da Reitoria a marretadas: método agora consagrado por juiz (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Se vocês querem saber o que restou do tal “espírito das ruas”, eu vou lhes contar. O Tribunal de Justiça negou — é a segunda decisão judicial nesse sentido — a reintegração de posse da Reitoria da USP, que foi invadida com marreta e pé de cabra. Os invasores, sob o comando do PSOL, exigem a eleição direta para reitor.

Em sua decisão, o juiz Adriano Marcos Laroca, da 12ª Vara da Fazenda Pública, afirma em sua sentença:
“A ocupação de bem público (no caso de uso especial, poderia ser de uso comum, por exemplo, uma praça ou rua), como forma de luta democrática, para deixar de ter legitimidade, precisa causar mais ônus do que benefícios à universidade e, em última instancia, à sociedade. Outrossim, frise-se que nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem força de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal.”

Assim, o doutor não avalia a ocupação segundo a lógica dos fins, pouco importando os meios, certo? Se o juiz considerar que a invasão traz mais benefícios do que prejuízos, então está tudo bem. Para ele, é irrelevante que existam regras de ocupação daquele prédio ou de qualquer outro bem público; para ele, é irrelevante que existam regras para a eleição do reitor; para ele, é irrelevante que existam regras, inclusive, para mudar a forma de eleger o reitor.

Vamos aplicar o seu princípio. Uma usina hidrelétrica, por exemplo, gera energia para milhões de pessoas. Digamos que, no caminho, existam 200 índios. Segundo o raciocínio do doutor, se eles não saírem, que morram afogados. Afinal, a legitimidade de uma determinada ação, mesmo a sua legalidade, está sujeita à finalidade.

A propósito: a ocupação da Reitoria não causa alteração da normalidade? O resto da comunidade uspiana é obriga a se submeter à vontade de meia dúzia de invasores?

O doutor achou que era pouco. Ele resolveu entrar no mérito da coisa e, numa espécie de sentença — descabida, de resto, porque o mérito da reivindicação, que se saiba, não estava em julgamento —, acusou de intransigência sabem quem? A Reitoria! Escreveu:
“Desta forma — como pareceu ter ficado claro na audiência —, havendo ainda a possibilidade de retomada do prédio sem o uso da força policial, bastando a cessação da intransigência da Reitoria em dialogar, de forma democrática, com os estudantes, e, ainda, considerando, como dito acima, que, nesse momento, a desocupação involuntária, violenta, causaria mais danos à USP e aos seus estudantes do que a decorrente da própria ocupação, indefiro, por ora, a liminar de reintegração de posse”.

Corolário: doutor Laroca está legitimando o uso da marreta e do pé de cabra como instrumentos de luta política. Para ele, tudo indica, isso não caracteriza intransigência. Como sabe qualquer um da área: apenas duas considerações são cabíveis num despacho sobre liminar:
a: avaliar se a parte que a solicita tem ou não competência para tanto;
b: avaliar se está caracterizada a urgência. O texto do meritíssimo foi muito além disso e se constitui num libelo em favor da invasão e contra a Reitoria.

Espero que ninguém tenha a ideia de invadir o Tribunal de Justiça em nome de um Judiciário mais célere. Alguém poderia negar que se trataria de um fim meritório?

USP invasão pé de cabra

Nas duas fotos acima, de Leonardo Neiva, do G1, os "democratas" do juiz Laroca argumentam com a Reitoria, que o meritíssimo acusa de instransigência

Nas duas fotos acima, de Leonardo Neiva, do G1, os “democratas” do juiz Laroca argumentam com a Reitoria, que o meritíssimo acusa de instransigência

 

Por Reinaldo Azevedo

04/10/2013

às 20:30

No caso da Unicamp, Justiça cumpre a lei e determina reintegração de posse; direção da universidade faz o prudente e tenta negociar

Escrevi na manhã desta sexta um post sobre a decisão absurda de um juiz em São Paulo que se negou a conceder liminar de reintegração de posse à Reitoria da USP, cujo prédio foi invadido por um bando, que recorreu a marretas e pé-de-cabra. Segundo o doutor, a ação é semelhante a atos de “manifestação”. Ah, tá… Se os valentes estiverem reivindicando, estão vale tudo? Fim da picada.

Logo depois da recusa de concessão da liminar, aconteceu o quê? Invasão da Reitoria da Unicamp, também violenta, também com quebra-quebra. Nesse caso, no entanto, a a direção da universidade obteve uma decisão de bom senso da Justiça, que concedeu a liminar de reintegração de posse. Se necessário, o prédio será devolvido a seus legítimos usuários com o auxílio da Polícia Militar.

Assim, já está claro que os invasores são usurpadores de um direito; estão agredindo garantias estabelecidas em lei. A direção da Unicamp, no entanto, fez uma escolha prudente. Considerando que o uso da força, ainda que legal e legítimo no caso, nunca é coisa muito bonita de se ver, está chamando os invasores para uma conversa. Se vai dar certo, bem, isso eu não sei. Esses malucos sempre lucram com o conflito. Está cheio de Mafaldinhas & Remelentos por lá querendo bancar os heróis da luta contra… Bem, só se for da luta contra a democracia. Invadi prédios públicos e tomei borrachada. Não me orgulho da coisa em si. Mas, ao menos, lutávamos contra uma ditadura de fato.

Se as partes em conflito querem negociar, não será um braço do Estado, a Justiça, a impedi-las. O que é inaceitável é que essa mesma Justiça reconheça, na prática, como aconteceu no caso da USP, uma espécie de direito prévio à invasão em nome do “direito à manifestação”.

Por Reinaldo Azevedo

04/10/2013

às 5:58

O mau espírito das ruas chegou à Justiça. Ou: Segundo um juiz, o que se vê abaixo é “manifestação”

O mau espírito das ruas chegou aos tribunais. Como vocês leram aqui, a Justiça de São Paulo negou pedido da Reitoria da USP de reintegração de posse e marcou uma “audiência de conciliação” para a próxima terça-feira, dia 8. Segundo o juiz Marcos Pimentel Tamassia, da 12ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, não se poderia efetuar uma reintegração convencional porque a ação dos invasores se assemelha a um “ato de manifestação”. Ah, bom, agora entendi tudo!

Vamos ver alguns “atos” que o doutor considera “semelhantes a manifestação”. Abaixo, os invasores quebram a porta da Reitoria com uma marreta, em fato de Danilo Verpa, da Folhapress.

Nas duas imagens seguintes, de Leonardo Neiva, do G1, primeiro eles tentam arrombar a porta do Conselho Universitário com uma placa arrancada do estacionamento, que indicava a vaga de deficientes. Como não conseguiram, recorreram, então, a um pé de cabra e, de novo, à marreta.

Fico cá a pensar: o que será que os extremistas de esquerda da USP precisam fazer para que o doutor Tamassia considere tratar-se de depredação do patrimônio público, por exemplo? Ainda que essa gente não tivesse recorrido à violência, cabe a pergunta: é lícito que uma minoria proíba a administração da universidade de exercer suas funções?

“Audiência de conciliação”, doutor? Conciliar quem com quem? Quê com o quê? Quem recorre a marretas e pés de cabra, meritíssimo, espera que o outro lado apresente que tipo de argumento? Qualquer concessão que a universidade pudesse fazer — ou venha a fazer, sei lá… — significaria o endosso a um método, a uma forma de luta, a um jeito de fazer política estudantil.

Não é de hoje que grupelhos extremistas agem assim dentro da USP e das universidades públicas — nas privadas, a PUC costuma assistir a atos parecidos. Nesse sentido, não se pode dizer que esses brucutus estejam se inspirando nas jornadas de junho. Já a Justiça… Pergunto: quando um grupo recorre à violência para ocupar uma área pública ou privada, impondo-se pela força, é papel da Justiça proceder a uma espécie de exame de mérito dos motivos da mobilização para só então decidir se devolve ao agravado os direitos que lhe foram surrupiados? Acreditem: não se condescende com um comportamento como esse em lugar nenhum do mundo.

Não por acaso, como já escrevi (ver post), no mesmo dia em que a Justiça negou a liminar, vândalos repetiram a operação na Unicamp para protestar contra a “presença da PM no campus”. No dia 21 de setembro, um aluno foi linchado e morto por uma gangue de punks nas instalações da universidade. Mas os extremistas de esquerda não querem a PM lá. Privatizaram as universidades públicas; acreditam que podem impor a sua vontade ao conjunto da comunidade universitária.

Vê-se agora que não estão sozinhos nessa crença. Também a Justiça começa a condescender com os motivos dos vândalos e dos violentos. É possível até que o governo de São Paulo tenha erguido as mãos para o céu. Reintegrações de posse não costumam ser coisas muito suaves. A imprensa se esbalda com as fotos dos policiais “reprimindo” esses poetas. Na USP, quem comanda a bagunça é o PSOL — o partido de doces de coco como Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Randolfe Rodrigues, Chico Alencar, todos eles tratados quase como ídolos por certos setores da imprensa. Ah, sim: também é a legenda de Janira Rocha, aquela senhora que admitiu ter usado dinheiro de um sindicato na construção do partido e na disputa eleitoral… Uma verdadeira constelação de éticos.

“O que você tem contra a conciliação? É um recurso de que dispõe a Justiça!” Não tenho nada. Desde que seja, de fato, matéria de conciliação. Quem, num regime democrático, regido pelo direito, recorre a marretas e pés de cabra para argumentar, impondo-se pela violência, não precisa de conciliação, mas de polícia. Pergunto ao juiz: em que outras circunstâncias o meritíssimo acha descabida uma reintegração de posse? Diga-me cá, doutor: se um grupo de paulistanos invadir a sala do prefeito Fernando Haddad com uma pauta de reivindicações e se lhe for dado decidir sobre uma liminar de reintegração de posse, Vossa Excelência faz o quê? Marca uma audiência de conciliação entre o prefeito e os invasores?

Encerro
É claro que os vândalos que ocuparam a USP estão empenhados em produzir imagens para a campanha eleitoral. Nesse sentido, o despacho do juiz é até positivo. Ocorre que não penso decisões judiciais segundo conveniências políticas. Se a Justiça marca uma audiência de conciliação entre invasores e aqueles que tiveram seus direitos agravados, está dizendo que, entre eles, existe, quando menos, uma equivalência moral. Não dá para aceitar.

Por Reinaldo Azevedo

03/10/2013

às 22:25

Ao negar liminar à Reitoria da USP, Justiça de SP estimula isto aqui, ó!

Vejam esta foto de Lucas Sampaio, da Folhapress.

A Justiça, em São Paulo, negou liminar de reintegração de posse à Reitoria da USP, que foi invadida por um grupo de estudantes. Como disse, ainda escreverei a respeito. Qualquer que seja a justificativa, o fato é que a Justiça está dando um endosso, voluntário ou não, para o que se vê acima.

O que se vê ali é um grupo de 150 estudantes invadindo a reitoria de outra universidade, a Unicamp, em Campinas. As paredes foram pichadas com a expressão “Fora PM”. Na USP, nesta quarta, usaram uma marreta. Na Unicamp, nesta quinta, recorreram a uma lixeira para quebrar os vidros e arrombar a porta. Os invasores aderiram à estética e à ética Caetano-Black Blocs, cobrindo o rosto com camisetas. No mundo dessa gente, a vontade e o poder se impõem sem identidade e na base da brutalidade.

A Reitoria autorizou a entrada na PM nos campi da Unicamp (Campinas, Limeira, Piracicaba e Paulínia) depois do assassinato do estudante Denis Papa Casagrande, esfaqueado nas dependências da universidade, durante a realização de uma festa, no último de 21, que ocorria sem autorização.

Os grupos de extrema esquerda são contrários à presença da PM nos campi — e contam, é bom lembrar, com o apoio entusiasmado de traficantes. Essa mesma questão já foi arduamente debatida na USP. E os valentes não abrem mão do seu “princípio” nem diante da morte.

Escreverei mais tarde sobre a violência protagonizada por esses grupos minoritários nas universidades, o contexto em que se dá e o que está em jogo, especialmente em face da decisão tomada pela Justiça de São Paulo.

Por Reinaldo Azevedo

03/10/2013

às 21:14

USP – Justiça nega pedido de reintegração de posse da Reitoria, que foi invadida

Leiam este absurdo. Voltarei ao caso mais tarde.

Na VEJA.com:
A Justiça de São Paulo negou nesta quinta-feira pedido de reintegração de posse solicitado pela Universidade de São Paulo (USP). O objetivo era retirar os estudantes que ocupam o prédio da reitoria desde terça-feira. Decisão da 12ª Vara da Fazenda Pública determinou que seja realizada uma audiência de conciliação entre as partes — o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a administração da universidade. A audiência foi marcada para a próxima terça-feira, às 14h30.

Na terça-feira, um grupo de estudantes da USP ocupou a reitoria da instituição reivindicando eleições diretas para a cúpula da universidade, a serem realizadas no dia 19 de dezembro. O grupo também pede a anulação das decisões tomadas pelo Conselho Universitário (CO), instância máxima da USP, que aprovou mudanças no sistema de escolha de reitor e vice-reitor, como a redução do número de turnos e a realização de consulta informativa à comunidade acadêmica antes do processo eleitoral.

Os estudantes querem ainda uma nova reunião do CO, além do adiamento das eleições e realização de plebiscito sobre as propostas de mudança no sistema de escolha. O mandato do atual reitor, João Grandino Rodas, vai até 25 de janeiro de 2014. O DCE convocou para 18 horas desta quinta-feira uma assembleia geral para decidir os rumos da ocupação e da greve.

Por Reinaldo Azevedo

02/10/2013

às 7:19

Fascistas invadem de novo a Reitoria da USP de marreta na mão. E um pouco de didatismo com uma diretora do DCE que resolveu privatizar a universidade

Vejam agora esta foto de Danilo Verpa, da Folhapress.

Sabem o PSOL, aquele partido de doces de coco como o deputado federal Jean Wyllys (RJ), o senador Randolfe Rodrigues (AP) e o deputado estadual Marcelo Freixo (RJ), todos eles tornados verdadeiros bibelôs de parte considerável do jornalismo? Então… O partido manda no DCE da USP. E o faz com tal graça e apuro democrático que, em 2011, na iminência de perder a eleição “para a direita”, os valentes deram um golpe, adiaram o pleito e prorrogaram o próprio mandato. Huuummm… Ninguém pode acusá-los de querer democracia, não é? Eles são, afinal de contas, socialistas!

Muito bem! Voltemos à foto. São estudantes — ou que nome tenham, já que não vejo livros ali — da USP quebrando a porta da Reitoria da universidade com uma marreta. Cerca de 400 deles invadiram o prédio nesta terça e prometem manter a ocupação, sem prazo para sair. As paredes internas foram pichadas. São todos amantes do pensamento…

Os invasores, liderados pelo DCE, querem que a eleição do reitor, prevista para o fim do mês, seja direta. Informa a Folha:
“No fim da tarde, a USP divulgou mudanças nas eleições. A escolha caberá a uma Assembleia Universitária, formada pelo Conselho Universitário, por conselhos centrais (das unidades), conselhos dos institutos e museus e outros. O processo também passou de dois turnos para turno único e haverá uma consulta em caráter apenas informativo à comunidade da USP (o que inclui alunos e funcionários). A lista tríplice –um dos pontos de crítica dos alunos– não sofreu alterações. Nesse sistema, os nomes dos três candidatos mais votados passam pelo Conselho Universitário, que os envia ao governador do Estado. Ou seja: cabe ele a escolha do reitor. O atual, João Grandino Rodas, era o segundo na lista de 2008.”

Pois é…

Luísa Davola, estudante de Letras e diretora do DCE, achando que estava tendo uma grande sacada, resolveu falar ao jornal: “A gente escolhe até o presidente da República, por que não podemos escolher o reitor da USP, que é pública?”.

A pergunta é triste porque expressa uma deficiência de formação e informação democráticas cuja cura não é simples nem é rápida. Requer leitura, estudo, reflexão, bibliografia, coisas para as quais os socialistas de hoje não têm tempo, ocupados que estão em ter ideias e invadir prédios…

Vamos ver se consigo ser didático com a moça. Justamente porque a USP é pública, moça, ela não é privada — e isso quer dizer que não pertence aos estudantes, aos professores e aos funcionários. Os “donos” da USP são todos os moradores do estado de São Paulo, que aqui trabalham e recolhem seus impostos.

As democracias delegam ao conjunto dos cidadãos a escolha dos governantes e do Poder Legislativo justamente porque os países, a exemplo das instituições públicas, pertencem a todos e não pertencem a ninguém em particular. Atenção, dona Luísa Davola! O colégio eleitoral do estado de São Paulo tem 31 milhões de eleitores, que escolhem aquele que governa mais de 40 milhões de pessoas. Quando os votantes vão às urnas, estão escolhendo também o homem que vai indicar o reitor das três universidades públicas que lhes pertencem.

É a senhora, dona Luísa, que está tentando usurpar um direito; é a senhora que está tentando cassar de 40 milhões, representados pelos 31 milhões com direito a voto, a competência legal para cuidar dos destinos das instituições universitárias. A USP deve ter perto de 100 mil alunos, 15 mil funcionários e uns 6 mil professores. Esse colégio é inferior ao número total de votos obtidos pelos dois vereadores mais votados da cidade de São Paulo — faço essa lembrança só para lhe dar uma noção de grandeza.

Uma universidade, moça, não é uma corporação, um modelo muito próprio dos regimes fascistas — sim, eu sei que a diferença entre o fascismo e o socialismo é só de inflexão, não de essência. Outra foto de Danilo Verpa, da Folhapress, chamou a minha atenção. Vejam.

“Quem tem medo da democracia”? Não se trata de medo, mas de ódio. Os que recorrem à marreta como argumento certamente a odeiam. Os que querem cassar de 41 milhões um direito em nome dos interesses de uma minoria certamente a odeiam.

Ah, sim: os 400 invasores também decretaram uma “greve geral”. Isto mesmo: 400 decidiram que mais de 120 mil pessoas vão parar. Não vão, é claro! É só a minoria barulhenta se aproveitando do excesso de tolerância da maioria silenciosa. É só a truculência dos maus ocupando o espaço deixado pela omissão dos bons.

Por Reinaldo Azevedo

28/05/2013

às 15:39

Petralhas prometem fazer alguma coisa: USP é a 1ª no ranking das universidades latino-americanas; Unicamp é a 3ª; veja por que lista é a crônica dos desacertos brasileiros na área

Os petralhas não se conformam e prometem fazer alguma coisa. Pelo terceiro ano consecutivo, a USP é considerada a melhor universidade da América Latina. Claro, claro, fosse a primeira do mundo, melhor! Mas aí seria preciso ter outro país no entorno. Embora alguns aloprados imaginem que as universidades são territórios autônomos, a gente sabe que não são. Bem, num ranking mundial, a Universidade de São Paulo se manteve entre as 100 melhores do mundo no ano passado — entre a 61ª e a 71ª posições. Depois do 50º lugar, as instituições são apresentadas em grupos de 10..

Outra universidade estadual de São Paulo aparece na listada América Latina: a Unicamp ficou com a terceira posição. Duas Federais aparecem entre as 10: a do Rio de Janeiro (8º) e a da Minas Gerais (10º). Eis a lista.

1º – USP
2º – Pontifícia Universidade Católica do Chile
3º – Unicamp
4º – Universidade dos Andes (Colômbia)
5º – Universidade do Chile
6º – Universidade Nacional Autônoma do México
7º – Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey (México)
8º – Universidade Federal do Rio de Janeiro
9º – Universidade Nacional da Colômbia
10º – Universidade Federal de Minas Gerais

Leiam o que informa a VEJA Online. Volto em seguida.
A Universidade de São Paulo (USP) encabeça, pelo terceiro ano consecutivo, o ranking de melhores instituições de ensino superior da América Latina. A lista, elaborada pela Quacquarelli Symonds (QS), consultoria britânica especializada em educação superior, foi divulgada nesta terça-feira. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aparece na 3ª colocação, atrás da Pontifícia Universidade Católica do Chile. O ranking completo pode ser acessado no site da QS.

Entre as dez primeiras colocadas na lista, há outras duas instituições brasileiras: a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na 8ª posição, e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na 10ª. O ranking 2013 da QS analisa 300 universidades – cinquenta a mais do que a edição anterior -, e considera sete critérios, que incluem de reputação acadêmica à proporção de professores com título de doutorado. Além da opinião de acadêmicos e profissionais de todo o mundo, a avaliação considera um banco de dados com mais de 18.000 títulos de mais de 5.000 editoras internacionais para assegurar a relevância das publicações oriundas das universidades.

O Brasil é disparado o país com a maior representatividade, com 81 instituições incluídas na lista. Em seguida, aparecem México (50), Colômbia (42) e Argentina e Chile, com 30 universidades no ranking cada. “Com duas universidades entre as três primeiras e 11 no ‘top’ 30, a dominação do Brasil neste ranking é ainda maior do que no anterior. O tamanho do sistema de ensino superior e os recentes investimentos no setor fazem com que o país fique bem a frente de seus rivais”, afirmou John O’Leary, um dos editores do ranking.

Voltei
Pois é… Com quatro universidades entre as dez, isso parece uma grande conquista… Será mesmo? A verdade, lamento constatar, é que a USP e a Unicamp fazem bonito aí no ranking regional. Mas o conjunto é muito ruim para o Brasil. E explico sem muita dificuldades por quê.

Voltem à lista: há duas instituições chilenas, duas colombianas e duas mexicanas na lista. Então vamos comparar. O pequenino Chile tem 17 milhões de habitantes e um PIB de US$ 248, 602 bilhões. O Brasil tem 200 milhões de habitantes e um PIB de US$ 2,4 trilhões. Com 46 milhões de habitantes, o PIB colombiano, sempre em número de 2012, é de US$ 328,422 milhões. O México conta com pouco mais da metade da população brasileira (117 milhões), com um PIB de US$ 1,7 trilhão. Vale dizer: o Brasil, sozinho, tem PIB e população superiores à soma dos outros três. Se quiserem fazer a conta pelo PIB per capíta, no grupo dos quatro, o Brasil (US$ 12.078) só perde para o Chile (US$ 17.380), ficando à frente do México (US$ 9.489) e da Colômbia (US$ 10.248). O Chile é um caso notável: tem quase 1/12 da população brasileira e um décimo do nosso PIB. Não obstante, há duas instituições chilenas entre as cinco primeiras.

Outra nota: não há uma só universidade privada brasileira entre as dez melhores — e foi justamente esse ramo o que mais se expandiu no lulismo, financiado pelo Tesouro, via ProUni. Três da lista das 10 melhores são privadas: 2º – Pontifícia Universidade Católica do Chile; 4º – Universidade dos Andes (Colômbia) e 7º – Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey (México).

O que parece ser um sucesso — quatro instituições brasileiras na lista de 10 — reflete, na verdade, mais um dos desacertos do Brasil na Educação. São Paulo pode até comemorar. O Brasil, no conjunto, não!

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2013

às 5:10

MP de SP decide seguir a lei — VAMOS DAR UM “VIVA”!!! — e denuncia Remelentos & Mafaldinhas da USP por formação de quadrilha, dano ao patrimônio e desobediência

Em 2011, a Polícia Militar abordou alguns maconheiros na USP. “Maconheiro”, para quem não suporta o peso das palavras nem do dicionário, é aquele, segundo o Aurélio, “que é viciado em ou faz uso de maconha”. Não é nem uma categoria intelectual nem uma categoria moral. Define um vício ou hábito de consumo. E o consumo de drogas ilícitas, por óbvio, não está liberado em lugar nenhum, muito menos numa universidade. Bem, vocês conhecem a história. Houve lá um quiproquó, e uma turma decidiu invadir a reitoria da USP. A reivindicação: queriam que a PM não mais fizesse o policiamento da Cidade Universitária. Os Remelentos & Mafaldinhas, como chamo esses esquerdistas do sucrilho, renderam algumas imagens que entraram para a história… da luta de classe sem classe e fora da classe. Uma delas foi esta aqui, de autoria de Werther Santana, da Agência Estado: o revolucionário da GAP e óculos Ray-Ban.

Esses notáveis contestadores da ordem resolveram meter um capuz e dar início à revolução, ali às margens do Rio Pinheiros. Isso que vocês veem é a porta da garagem do prédio da Reitoria, que foi depredada, também numa foto de Werther Santana.

Antes de ocupar a reitoria, eles já tinham invadido o prédio da administração da FFLCH. Um cartaz foi afixado lembrando ao mundo que os policiais também eram “trabaliadores”. Por que depredadores da ordem democrática não seriam também depredadores da língua, mesmo dentro de uma universidade? Vejam a foto de Nelson Antoine (AE): 

Escrevi, então, muitos textos a respeito daquela invasão absurda. E alertei aqui: há combustível estocado na Reitoria. Fui atacado, achincalhado, hostilizado. Para não variar, setores consideráveis da imprensa paulistana e os professores da esquerda da USP se solidarizaram, claro!, com os baderneiros. Um repórter de TV chegou a chamar os truculentos de “os meninos”…

Ministério Público
Pois bem. O Ministério Público de São Paulo concluiu a sua apuração e resolveu denunciar 72 invasores por formação de quadrilha, por dano ao patrimônio público (três imputações) e descumprimento de ordem judicial.

Sim, ao entrar na Reitoria, a polícia encontrou material para a fabricação de coquetel molotov, conforme eu havia denunciado aqui — o que gerou protestos. “Como você sabe?” Pois é, eu sabia… “Esse material foi encontrado enfileirado, pronto para ser usado. É coisa de bandido. É um ato criminoso”, afirma a promotora Eliana Passarelli, chamando as coisas pelo nome que as coisas têm.

Ainda que condenados, como espero que sejam, dificilmente irão para a cadeia. A pena por formação de quadrilha e dano ao patrimônio é de, no máximo, três anos (para cada crime). No caso desse segundo, há três imputações (causa de aumento de pena). A reclusão para descumprimento de ordem judicial é de até seis meses. Tudo somado pelo máximo — três anos para quadrilha, três anos e seis meses para dano ao patrimônio (já com acréscimo de um sexto) e outros seis por descumprir ordem judicial, chega-se a sete anos. Sempre depende do juiz, mas dificilmente renderia regime fechado, obrigatório só a partir de oito anos. De resto, é pouco provável que pegassem as penas máximas.

Não que uma cadeia não pudesse fazer bem aos extremistas do sucrilho. Talvez lhes fortalecesse a têmpera com o conhecimento do mundo real. Já que gostam de se encapuzar, viveriam na prática a fantasia. Mas nem é preciso cadeia. A perda da primariedade já seria uma boa lição extracurricular. Seria muito bom que o estado brasileiro lhes dissesse — e aos demais brasileiros — que ninguém tem o direito de desrespeitar ordem judicial, de depredar o patrimônio público e de se associar com outros para cometer crimes.

A USP custa caro aos paulistas. É financiada com o dinheiro público. Como o estado não gera riqueza, quem a produz para que exista universidade são os trabalhadores — inclusive os trabalhadores empresários. É preciso que o estado democrático diga com clareza que repudia a confusão entre a reivindicação e o banditismo.

Uma democracia não pune ninguém apenas para ser exemplar. Mas pode e deve punir para ser didática NOS LIMITES DA LEI. A USP também é nossa, leitor. E nós não demos licença àqueles vândalos para invadir, quebrar e ameaçar.

Lei neles!

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2012

às 4:54

Em oito dias, PT chama a PM duas vezes para resolver conflito em universidade federal. O que disse mesmo Fernando Haddad em novembro sobre a desocupação da reitoria da USP?

Outro dia, um desses delinquentes intelectuais disfarçados de pesquisadores tentou demonstrar que opções ideológicas têm uma base fisiológica. Se não me engano — e não vou parar para pesquisar —, o vagabundo é de uma universidade canadense. Segundo ele, os esquerdistas tendem a ser mais inteligentes do que os conservadores. Huuummm… Vendo, nesta quinta, os petistas na CPI lutando bravamente contra a convocação de Fernando Cavendish, com o deputado Cândido Vaccarezza verdadeiramente inflamado, não duvidei: é mesmo uma questão de inteligência… A minha tese é outra e não se sustenta em nenhuma hipótese fisiológica.

Acho que se trata, em primeiro lugar, de uma questão moral, individual; em segundo, de uma questão ética, que diz respeito à nossa relação com os outros. Um esquerdista é, antes de tudo, uma relativista. Tudo o que serve a seus propósitos é naturalmente bom; tudo o que não serve, naturalmente mau. Ou por outra: é preciso uma boa dose de sem-vergonhice para ser esquerdista. Viram Marilena Chaui? Madame Mim, escrevi ontem a respeito,  voltou a dar vassouradas no “projeto neoliberal da USP” e não disse uma vírgula sobre as 55 universidades federais em greve. Falasse como militante do partido, vá lá… Mas não! Discursava na condição de professora, de alguém pago com o nosso dinheiro para pensar com independência. Mas vamos retomar a questão lá do título.

A reitoria da Unifesp, uma universidade federal, indicada pelo companheiro Fernando Haddad — este que tem soluções fáceis e erradas para todos os problemas difíceis de São Paulo —, recorreu à Justiça para retomar o prédio da administração do campus de Guarulhos, que havia sido tomado por alunos. Só para lembrar: a reitoria da USP foi invadida no ano passado por “revolucionários” de extrema esquerda que não querem a PM reprimindo o tráfico e o consumo de drogas no campus. A propósito: Marilena mentiu — sim, o verbo é esse — ao dizer que os policiais estão lá para espancar estudantes.

Já os alunos da Unifesp protestam porque o campus de Guarulhos está mais para um pardieiro do que para uma universidade. É apenas uma das unidades federais que não oferecem condições mínimas para uma vida acadêmica decente. Cursos estão funcionando em prédios improvisados — uma escola infantil…. Os sinais de deterioração e de decadência estão por todo canto. Ainda assim, deixo claro: sou contra invasões, intimidações etc. Há outras formas de protestar. Pois bem: como a Justiça determinou a reintegração de posse, a Polícia Militar teve de executar a ordem no dia 6 — e o fez junto com a Polícia Federal, aquela sob o comando do petista José Eduardo Cardozo. Tudo conforme manda a lei, a exemplo do que se viu na USP.

Os petistas saíram vociferando contra a o governo de São Paulo e contra a Polícia Militar quando houve a operação da USP. Fernando Haddad, o preclaro ex-ministro da Educação e pré-candidato a prefeito, responsável pelas péssimas condições de muitas universidades federais, resolveu tirar uma casquinha com uma frase de efeito: “Não se pode tratar a cracolândia como se fosse a USP e a USP como se fosse a cracolândia”. A tirada é duplamente preconceituosa. Como ele acusava a suposta violência da ação da PM — mentira!!! —, estava dizendo, na prática, que atos violentos contra viciados da cracolândia são até aceitáveis, mas não contra viciados da USP.

Eu estou entre aqueles que consideram a brutalidade inaceitável em qualquer caso. E me incluo entre os que acham que o consumo e tráfico de drogas devem ser reprimidos num lugar e noutro — ou a USP, de fato, vira uma cracolândia! Não que ela não tenha bolsões de consumo de drogas ideológicas… Está cheio de gente viciada em petismo por ali, especialmente no corpo “indocente“… O PT, note-se, está para o marxismo mais ou menos como o crack está para cocaína: é uma droga mais barata, de consumo mais popular, destrói os neurônios com muito mais rapidez e é oferecida por traficantes pé de chinelo. Sigamos.

Ontem, estudantes voltaram a protestar na Unifesp. Instalações foram ocupadas de novo, áreas da instituição foram pichadas, e a administração acusa os estudantes de terem impedido o diretor de sair do prédio, o que eles negam. Adivinhem o que fez a direção… Ora, chamou a velha e boa PM de São Paulo de novo — aquela, sabem?, que os petistas classificam de “a polícia do Alckmin”; aquela que a Madame Mim da Filosofia tacha de “polícia do neoliberalismo”. E os policiais, obviamente, atenderam ao chamado porque é sua obrigação. Parece que chegou a haver um princípio de confronto. Uma aluna diz ter sido atingida por uma bala de borracha. A ver…

Pois é… Polícia boa é aquela que atua quando os petistas pedem e quando dela precisam. Chamem o ministro Gilberto Carvalho, aquele que, por ocasião do cumprimento da lei no Pinheirinho, saiu afirmando que o PT “tem outro jeito de resolver as coisas”. Qual jeito? Sabem a tal sensação da vergonha alheia, que a gente experimenta em lugar do outro? Pois é…

É isto: o comando petista de uma universidade federal pediu o socorro da PM duas vezes em nove dias. E a Madame Mim lá, em silêncio, cuidando de misturar em seu caldeirão os morcegos, as baratas e as teias de aranha das ideias mortas. E Haddad? O que tem a dizer a respeito?

bruxa-caldeirao

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2012

às 7:59

Promotores de SP escarnecem da população que lhes paga o salário. E Marilena Chaui, a pensadora dos mensaleiros, volta a dar rasantes com sua vassoura filosófica. Ou: Eles querem é que a Cracolância seja considerada uma USP e que a USP vire uma Cracolândia!

Já deveria ter escrito a respeito, mas, como sabem, a agenda anda um tanto carregada. Quatro promotores do Ministério Público de São Paulo, capitaneados por Maurício Ribeiro Lopes, promotor da Habitação, entraram com uma ação civil pública contra o governo do estado cobrando uma indenização de R$ 40 milhões por “danos morais coletivos”. E o que o governo fez de tão grave? A operação na Cracolândia! Segundo o inquérito conduzido por Lopes, ela foi desastrosa e não cumpriu seus objetivos. Os preclaros pedem ainda uma liminar que impeça a Polícia Militar de dispersar os usuários de droga da região.

Desde que a operação começou, e a Secretaria de Justiça tem esses dados documentados, houve a internação voluntária de 660 dependentes. Foram enviadas para abrigos 11 mil pessoas, 121 presos foragidos foram recapturados, e 462 traficantes foram presos. Mas Lopes e seus colegas não estão contentes, não. Acusam agressão aos direitos humanos e dizem que a operação não cumpriu seus objetivos: “Começou de modo desastrado pela sua desarticulação, desenvolveu-se de modo violento e, se chegou ao final, chegou com resultado desastroso”, define o valente.

Sabem o que é pior? Essa gente pretende falar em nome do povo. Segundo pesquisa feita pelo Datafolha, 82% dos paulistanos apoiam a ação do governo e da prefeitura na cracolândia. Nem poderia ser diferente. Aquela era uma região da cidade que estava sitiada. O primeiro passo em casos assim é recuperar o território. Se estivesse no Rio, Lopes iria querer impedir a instalação das UPPs alegando que elas não conseguiram acabar com o tráfico. Eu sou crítico daquele programa, sim, mas por uma razão em particular: por não prender os traficantes.

É evidente que a operação na Cracolândia não fez com que viciados desaparecessem. Não existe com esse objetivo. Então vejamos: a internação compulsória é proibida por lei, e ninguém é preso por portar drogas apenas para consumo. Se a polícia estiver impedida de dispersar os consumidores, que tendem a tomar conta do espaço público e a criar um mundo particular, o resultado é um só: agressão aos direitos da população comum, que trabalha, que estuda, que trabalha e estuda, que gera, em suma, os impostos que pagam os salários de Lopes e de seus amigos.

Lembram-se dele?
Ah, Lopes é um velho conhecido de vocês. É aquele cinquentão que usa um brincão na orelha esquerda, talvez para ficar mais parecido com o filho… É claro que o que lhe dita o pensamento é o que tem entre as orelhas. E não é coisa boa. Fiz referência ao brinco, que lhe confere um ar, assim, de tiozão chacoalhando a pança em balada adolescente, porque me lembrei de São Paulo — no caso, o apóstolo que dá nome à cidade. “Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.” Lopes vive, certamente, a meninice da ideologia. Daria a outra orelha ao furo, estou certo, para invadir a reitoria da USP — já chego à Madame Mim da vassoura…

Mas é possível que vocês não tenham se lembrado do tiozão pelo brinco. Então eu lhes refresco a memória com outra ação detestável desse senhor. Em outubro do ano passado, a prefeitura decidiu transferir um albergue de uma área de Pinheiros (referência para quem não mora em Sampa: é um bairro de classe média, com alguns bolsões de pobreza) para outra mais residencial, na rua Cardeal Arcoverde. Um grupo de moradores resolveu se mobilizar contra a decisão e entregou ao Ministério Público Estadual um abaixo-assinado com 1,2 mil assinaturas. Mal sabiam que estavam caindo numa armadilha! Sabem o que fez Lopes? Não só indeferiu o pedido (até aí, tudo bem!) como associou os manifestantes a “higienistas do Terceiro Reich”. Foi explícito: “É de causar inveja a qualquer higienista social do Terceiro Reich a demonstração de tal insensibilidade”. Suas palavras já eram absurdas e persecutórias o bastante. Mas ele não se deu por satisfeito: encaminhou o nome de seis síndicos que assinaram a petição para a Delegacia de Polícia Especializada em Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

É coisa de fascista! É coisa de comunista da antiga Alemanha Oriental! Um dos direitos fundamentais de qualquer cidadão num estado democrático é encaminhar petições ao estado. Ninguém pode ser molestado por uma autoridade ou punido por isso. Ocorre que o nosso promotor “da habitação” não está nem aí para quem paga impostos. Ele é um justiceiro social — e, como se vê, faz justiça à custa do homem comum. Ao molestar os moradores de Pinheiros, quer impedir o cidadão de ser cidadão; ao tentar impedir a ação na Cracolândia, quer impedir o governo de ser governo.

Agora ela…
Marilena Chaui voltou a dar rasantes na USP com sua vassoura filosófica. Não é estranho que ressurja no noticiário neste momento. Eu a chamo de “a pensadora dos mensaleiros” porque ela foi a autora original — sim, foi ela! — da mentira estúpida de que a denúncia do mensalão foi só uma tentativa de dar um golpe em Lula. Num ato em favor da criação de uma Comissão da Verdade na USP (só para a USP…), a Madame Mim da filosofia ligou o reitor João Grandino Rodas à ditadura, o que é uma tolice, atacou indiretamente o governo do estado — “há uma hegemonia no Estado de São Paulo de um pensamento privatista e neoliberal, a USP está sendo regida por esses princípios por este reitor” — e MENTIU: afirmou que a Reitoria pôs a polícia no campus “para espancar estudantes”. As autoridades tendem a ser frouxas com gente assim. Não deveriam. No lugar do governo e da PM, eu processaria essa senhora para que ela mostrasse onde estão os estudantes espancados. Como pode mentir de forma tão miserável quem está num ato em favor de uma “Comissão da Verdade”?

Exagero ao associá-la a uma bruxa? Não deixa de ser um elogio. Quem recorre a um engodo, a uma farsa — como a história do suposto “golpe” — para tentar livrar a cara de mensaleiros ou minimizar seus crimes merece é epíteto pior. Há muito tempo essa funcionária pública paga para pensar com independência não passa de mero esbirro de um partido político. Atenção! Há 55 universidades federais em greve, boa parte delas funcionando em condições precárias. Em muitas, faltam laboratórios. Em algumas, não há nem esgoto nem água encanada. Mas Madame Mim quer é acabar com o “projeto neoliberal” da USP!!! Os petistas não descansam enquanto não reduzirem São Paulo ao tamanho de sua utopia.

A polícia está na USP, com o apoio da esmagadora maioria dos estudantes, para protegê-los. Esta Górgona do esquerdismo chulé tripudia sobre o corpo do estudante de ciências atuariais Felipe Ramos de Paiva, morto em maio do ano passado no campus, durante um assalto. Felipe era um rapaz de família pobre, morador de Pirituba. Dona Chaui não deve saber onde fica porque o público para o qual prega socialismo se concentra no Alto de Pinheiros, nos Jardins, na Vila Nova Conceição e em Higienópolis. Há mais comunistas nestes metros quadrados entre os mais caros do mundo do que em Pequim ou em Havana.

Felipe tinha origem pobre, sim, mas já havia coseguido um excelente emprego, trabalhava numa empresa de gestão de fundo de investimentos e era considerado pelos colegas um workaholic — talvez um “neoliberal”, diria a Górgona. Felipe, em suma, jamais seria  um deles: afinal, o rapaz era um… TRABALHADOR! Por que a USP deveria dar bola a gente como ele? Tem é de mimar os maconheiros!

Eis aí: no mundo de Lopes, a Cracolândia vira uma academia. No mundo de Marilena, a USP vira uma Cracolândia.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2012

às 5:45

Em reportagem, militante do PSTU é chamado apenas de “professor da USP” ao defender palavra de ordem do partido. Ou: Crime contra a inteligência

Eu faço um convite aos leitores! Ou melhor: eu lhes dou uma dica. Sempre que aparecer algum “professor universitário” opinando em favor de alguma tese, especialmente se for de esquerda, recorra ao Google para saber se ele não é um militante partidário. O caso de que vou tratar aqui é até besta e se refere a uma quase-bobagem, mas ilustra um método.

Escrevi ontem um post sobre a redação de um candidato da Fuvest que mandava um recadinho em letras em negrito. Nem me estendi muito sobre a coisa em si porque é uma bobagem. Lamentei, isto sim, a qualidade do texto, que foi, não obstante, considerado exemplar pelo examinador. Tanto é assim que estava no site da Fuvest entre os textos de destaque. O(a) estudante mandava um recado: “Fora Rodas” e “Fora PM”. A fundação, numa atitude correta, tirou o texto do ar — seja em razão do proselitismo fora de lugar, seja por causa da baixa qualidade, jamais deveria ter estado lá.

Muito bem. A Folha noticiou o assunto e decidiu ouvir um “especialista”. Por que não o professor Ruy Braga, do Departamento de Sociologia da USP? É mesmo, né? Por que não? Ele defendeu a postura do(a) estudante e ainda criticou a Fuvest. Leiam trecho. Volto em seguida.
*
O professor do Departamento de Sociologia da USP Ruy Braga elogiou a redação que trazia mensagens subliminares contra o reitor João Grandino Rodas e criticou o fato de a Fuvest ter suprimido o texto do seu site. “Se existe um mantra que é sistematicamente repetido pela Fuvest, é o de que eles desejam estudantes com formação crítica, que saibam pensar com a própria cabeça”, disse Braga. “Quando um jovem se manifesta politicamente, exatamente com base nesses parâmetros, eles tiram a redação do ar? Isso não faz sentido”, afirma o docente.

Braga criticou ainda a atitude da Fuvest, que qualificou o protesto presente na redação como uma “brincadeira indesejável” e retirou o texto de seu site. “Não é uma brincadeira, é uma atitude política. A Fuvest não pode simplesmente tapar os olhos, como se isso não tivesse acontecido.”
(…)

Voltei
Ruy Braga é um dos mais conhecidos militantes do PSTU na USP. É editor da revista “Outubro”, do partido. “Fora Rodas” e “Fora PM”, como ele mesmo diz, são, sim, “mantras”… do PSTU, também repetidos pelo PSOL. O que o ilustríssimo chama “pensar com a própria cabeça” se traduz em “pensar com a cabeça do PSTU”. Não é fabuloso?

Nem vou entrar no pensamento desses dinossauros. O que me incomoda é que o mestre, tudo indica, desconhece também o sentido das palavras. Quem repete um “mantra” — e esta é sua razão de ser — está fazendo tudo, menos “pensar com a própria cabeça”. Aliás, se Braga tivesse um pouco mais de apreço por seu ofício (e isso significaria uma construção compatível com a função), saberia que os mantras representam justamente o momento de suspensão do juízo e da consciência. Seu objetivo é limpar a mente de todo pensamento para o ser se integrar ao “Todo Universal”, tá ligado???

Logo, senhor professor, quem repete mantras não pensa! Ou alguém continuaria a ser do PSTU se pensasse um pouco? O repórter Dario de Negreiros poderia ter feito direito o seu trabalho. Bastaria informar: “Ruy Braga, professor da USP e militante do PSTU, partido que adotou o ‘Fora Rodas’ e o ‘Fora PM’, disse que…” E pronto! Tudo estaria no seu lugar. O leitor teria mais elementos para se posicionar.

Apresentar um militante ligado à causa que está na raiz da notícia só como um especialista corresponde a enganar o leitor. Infelizmente, e isto é cada vez mais comum na imprensa brasileira, militantes políticos são apresentados como analistas independentes, voluntários de redes sociais, cidadãos com vontade de participar…

“Por que, Reinaldo, o cara não pode ser militante do PSTU e professor da USP ao mesmo tempo?” Sim. Só que os leitores têm o direito de saber, e o jornalista, o dever de informar.

Nota — O meu “sim” acima diz respeito à questão legal apenas. Poder, ele pode. Mas acho que não deve. Tenho certas ideias românticas a respeito. Por mais que um mestre tenha uma posição política, uma ideologia, um conjunto de valores, uma moral, um aporte ético, jamais deveria ter um partido. Ou sua inteligência para ENSINAR estará, a meu ver, tisnada. Um mestre tem de pensar com desassombro. Se é procurador de um projeto de poder, por mais inviável que seja, seu lugar é a militância, não a sala de aula. Se milita em sala de aula, comete um crime contra a inteligência, o saber e, obviamente, os estudantes.

Texto pubicado originalmente às 3h47 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 19:59

Reação anuncia disposição de se manter unida e disputar eleição em 2013. Que assim seja!

O post anterior é o segundo — o primeiro foi na manhã de sábado — sobre o resultado da eleição para o DCE na USP. A chapa Reação, que ficou em segundo lugar, divulgou uma mensagem aos estudantes, que está em sua página na Internet. Seguem trechos. Volto em seguida.
*
Agradecemos aos 2.660 estudantes que acreditaram em nosso projeto e confiaram seu voto à Reação, fazendo história como o melhor desempenho de uma chapa apartidária concorrente ao DCE da USP até hoje. Principalmente manifestamos nossa admiração e gratidão às dezenas de estudantes de diversos cursos e unidades que, mesmo não estando inscritos na chapa, colaboraram passionalmente no esforço eleitoral em prol da Reação.
(…)
Obtivemos uma vitória moral em novembro de 2011.
Desde o ano passado a Reação denunciou o golpe do adiamento das eleições originalmente marcadas para o final de novembro. Essa manobra perpetrada por nossos opositores foi claramente uma atitude de desespero para impedir que a grande massa indignada de uspianos manifestasse sua oposição à então greve. Para vencer a Reação nas urnas, foi necessário adiar em 4 meses o pleito e trabalhar ferozmente para que a greve e os absurdos de 2011 caíssem no esquecimento.

Tem início hoje a campanha pelo DCE-USP 2013.
Todos que colaboraram para a Reação nesta eleição estão convidados para integrar, em novembro próximo, a chapa de continuidade do projeto da Reação para o DCE-USP 2013 (…) Esta eleição não é um fim, mas sim um começo de uma jornada da qual sairemos todos vencedores; é apenas uma questão de tempo.

VIVA REAÇÃO!

Voltei
Que assim seja. Lembrando o que escrevi no post anterior, é difícil manter a mobilização porque os membros da Reação não são estudantes profissionais — quadros partidários infiltrados na universidade. Espero que consigam. A maioria silenciosa da USP ainda tem de se manifestar. Ou continuará refém da minoria barulhenta.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 19:44

REAÇÃO – Há duas novidades no meio discente da USP: uma é chapa de não-esquerdistas; a outra é o fato de ela já ter mais votos do que a dos petistas

Caras e caros,

Há mais de 250 comentários ainda na fila, como sabem os missivistas. E sei que prometi mais um texto sobre Agnelo Queiroz (PT), o governador do Distrito Federal, que escreverei.  Tinha me destinado a cuidar deste outro assunto na madrugada, mas vai agora. Expressei, sim simpatia — eu, e não a VEJA — pela chapa “Reação”, única não-esquerdista que disputava o DCE da USP. Defendi que a “maioria silenciosa” da universidade fosse às urnas. Dada a história, sempre soube que era difícil. Afinal, qual é a tradição na USP?

A Reação ficou em segundo lugar. Venceu a “Não vou me Adapatar”, uma união entre PSOL e PSTU, que se odeiam, diga-se. E eles se odeiam por quê? Ah, divergências sobre a leitura correta da… herança trotskista!!! Como vocês imaginam, tem tudo a ver com as necessidades dos estudantes da USP, né? Pior: a maioria não deve ter lido nem o “Programa de Transição”, de Trotsky. A propósito: qualquer um com miolos e que entenda do riscado sabe que a existência do trotskismo sem o stalinismo — ou, vá lá, o modelo soviético — é, assim, como naquela música, o Piu-piu sem o Frajola… Publiquei o resultado da disputa já na manhã de sábado. A Não Vou Me Adaptar obteve 6.964 votos, bem à frente da Reação: 2.660.

Aquela turma que janta com o Zé Dirceu — e que o Zé Dirceu janta — anuncia: “A VEJA perdeu a eleição do DCE…” Pfui… Tontos! A VEJA não apoiou ninguém. Eu emprestei meu apoio — que é nada além de moral. Afinal, à diferença dos esquerdistas, não tenho dinheiro para financiar essas aventuras. Quem realmente perdeu a eleição na USP foi o PT, cuja chapa obteve menos votos do que a Reação, que não tinha o apoio de partido nenhum.

Refresco a memória: o pleito estava marcado para novembro. Os esquerdistas de todas as tendências se juntaram para dar um golpe. E deram! Adiaram o confronto para março. Conforme deixaram registrado em e-mails, tinham receio de que a Reação — “a direita”, como eles dizem — vencesse. Era um receio fundado. Em 2009, a chapa Reconquista, com ideário semelhante, ganhou, mas não levou. Também daquela vez os golpistas se juntaram para impugnar votos e fraudar o pleito.

Atenção! Neste 2012, houve um comparecimento considerado recorde: 13.134 alunos — 2.660 deles para votar na Reação! As esquerdas empreenderam, com os recursos de seus respectivos partidos, uma impressionante campanha de demonização da chapa “de direita”. Os lances de baixaria estão na Internet. Que recorressem ao primitivismo de suas convicções ideológicas, vá lá… Mas não! Optaram pelo crime pura e simplesmente. O PCO chegou a divulgar um falso e-mail que teria sido enviado pelo comando do PSDB pedindo votos à Reação.

Muito bem! Não tenho aqui detalhes dos números — não sei se esse total comporta brancos e nulos, por exemplo. Não imposta. Dou de barato que 2.660 pessoas votaram na não-esquerda, e 10.474 nas esquerdas. A USP tem mais de 80 mil alunos. Eu estou absolutamente convicto de que há mais esquerdistas lá do que esses 13%. Assim como estou certo de que existem mais não-esquerdistas do que aqueles 3,3%. A verdade insofismável é que o tal “recorde” de comparecimento representa apenas 16% dos alunos! Nada menos de 84% nem sequer compareceram para votar porque não reconhecem o DCE como uma instância que os represente.

Foi o que a esquerda contemporânea conseguiu fazer com o movimento estudantil. A sua “democracia” é a da minoria “mobilizada”. O resto que se dane! Infelizmente, só uma pequena parcela da maioria silenciosa compareceu. Se querem saber, a Reação acabou dando alguma vida à disputa, que era apenas um jogo travado entre os mortos, entre correntes que não têm a menor importância ou expressão na sociedade. Ou então vejam: em que outro lugar do país PSOL e PSTU, unidos, são “poder”? Só em alguins DCEs. Ainda assim, no ano passado, levaram um olé da extrema esquerda heavy metal — PCO e LER-QI — e tiveram de apoiar a invasão doidivanas da Reitoria.

As novidades na USP
Não sei se o núcleo que forma a chapa Ração se manterá unido. Para pessoas que não são estudantes profissionais, que não são quadros de partidos infiltrados na universidade, é sempre mais difícil. À diferença daquela turma, os estudantes da Reação são… estudantes mesmo! Muitos deles trabalham; não são sustentados pelo pai “burguês”, pela máquina partidária ou pela grana de sindicatos. As esquerdas profissionalizaram os seus quadros. Os que as enfrentam, como vocês sabem, não.

Um comunicado da Reação anuncia que, como é mesmo?, “a luta continua”! Tomara que assim seja. Expressei, sim, o meu apoio moral à chapa Reação e apoiarei qualquer movimento que, ABRAÇANDO OS VALORES LIBERAIS E DEMOCRÁTICOS, tente expulsar, por meio do voto, aquele cancro de velharias lá instalado.

Há duas novidades na USP se querem saber: 1) uma é a existência de uma chapa de alunos não-esquerdistas, o que deixa aquela gente furiosa; 2) a outra é o fato de essa chapa ter hoje, na Universidade, mais votos do que a chapa do PT. E sem máquina partidária!

Não deu em 2012? Que se tente de novo em 2013, em 2014, até o fim dos tempos. A luta contra esse esquerdismo vagabundo, mixuruca, ignorante e financiado não tem data de vencimento, não tem prazo de validade. É uma questão civilizacional, onde quer que se dê: na rua, na chuva, na fazenda, na USP ou numa casinha de sapé…

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2012

às 7:15

Esquerda vence disputa pelo DCE na USP; Reação fica em segundo

A chapa “Não Vou Me Adaptar”, formada por alunos do PSOL e do PSTU, com esse nomezinho esquerdo-afetivo, venceu a eleição para o DCE da USP: obteve 6.964 votos. A Reação ficou em segundo lugar, mas muito atrás: 2660 votos. Ao todo, votaram 13.134 estudantes — deve ser recorde nos últimos anos. Mesmo assim, representam uns 16% do total de alunos da USP, que passam de 80 mil. Ainda que com uma votação maior do que a de outros anos, a maioria silenciosa continua silenciosa. Em 2009, uma fraude hoje admitida até por estudantes de esquerda, tirou a vitória da Reconquista, com ideias próximas das da Reação. A chapa 27 de outubro, formada pela ala heavy metal do esquerdismo rombudo (PCO, LER-QI e assemelhados), não deve ter alcançado 500 votos.

Ao Estadão, Pilar Gomez, estudante de história, representante da Reação — a única chapa que não é extensão de um partido de esquerda — considerou o resultado justo: “Pelo menos, neste ano, foi limpo”, afirmou, numa alusão à fraude de 2009. Pode ter sido, sim, mas é o resultado que deriva de um golpe. Em novembro, alegando que a universidade estava em greve — E ELA NÃO ESTAVA!!! —, os esquerdistas suspenderam a eleição. Eles mesmos admitiam que, se o pleito fosse realizado na data prevista, a Reação venceria.

Os esquerdistas ganharam tempo para se organizar e iniciaram um impressionante trabalho de demonização da Reação. Foram bem-sucedidos em seu esforço, que começou com um golpe e terminou com uma eleição. A última pilantragem foi divulgada pelo PCO, que é imbatível em matéria de baixaria e trabalho sujo. O partido divulgou na USP, no primeiro dia da eleição, o texto que segue em vermelho, como se tivesse partido do PSDB:

Date: Tue, 27 Mar 2012 20:04:12 -0300
From:
secretariapsdb@psdb-sp.org.br
Subject: Eleição – USP
Começa hoje a eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP. REAÇÃO é o nome da chapa que está concorrendo com o apoio do PSDB.
Contamos com todos os filiados que mantém vínculo com a USP ou que conheçam amigos e parentes que estudem nesta instituição, para que auxiliem neste processo com votos e divulgação da chapa.
Vamos todos juntos vencer este novo desafio!
Voe alto, tucano!
Secretaria-geral do PSDB-SP

Não só isso. O partido sustentava também que os termos da mensagem teriam sido colados de um post que eu havia publicado aqui. Tudo mentira obviamente! Esse e-mail nem mesmo existe. O PCO, o partido revolucionário que vive às custas do Fundo Partidário burguês, já tirou a sua mentira do ar.

Encerrando
Bem, bem, bem… Se 84% não compareceram para votar, os 16% mandaram o seu recado e se distribuíram como vimos. Os dinossauros continuarão com a sua ladainha contra a Reitoria, contra a presença da PM no campus na USP e contra ainda o século… 20!!!  É claro que eu tenho cá um lado meio perverso — ele logo se aquieta porque me obrigo a ser racional — que tende a aconselhar a Reitoria e o governo: “Tirem a PM de lá; façam como querem os esquerdistas! Mas deixem bem claro aos estudantes que aquela é a vontade dos seus ‘representantes’”. Quem sabe dando todo o poder aos bolcheviques, para que pintem e bordem, aqueles 84% acordem.

A USP voltou a ser uma das universidades mais importantes do mundo (embora ainda precise avançar bastante), única latino-americana na lista das “100 mais”. E vai continuar com uma das representações estudantis mais atrasadas do mundo. O PSOL é aquele partido que quer juntar socialismo com liberdade, do qual até Heloísa Helena, a fundadora, desertou. E o PSTU é aquele partido que prega a destruição de Israel.

Isso, convenham, tem mais passado do que futuro! Que o PSOL e o PSTU comecem agora a cuidar da revolução… Daqui a pouco, coitados!, terão de enfrentar os porraloucas do PCO e da LER-QI, que se querem os verdadeiros bolchevistas. Uau! Logo a USP chega a 1917!

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados