Blogs e Colunistas

Síria

08/08/2014

às 18:15

Decapitações, crucificações, execuções sumárias: o horror imposto pelos jihadistas no Iraque e na Síria

Na VEJA.com:
Nem mesmo crianças são poupadas da fúria selvagem dos jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). O avanço do grupo terrorista obrigou os Estados Unidos a atacarem o território iraquiano pela primeira vez desde a retirada das tropas, em 2011. Execuções sumárias, decapitações, amputações e crucificações compõem um modus operandi de brutalidade incomensurável, que faz empalidecer até mesmo a violência da Al Qaeda.

Ao ordenar a ação, o presidente Barack Obama mencionou a necessidade de ajudar a minoria yazidi, que foi encurralada pelos terroristas em regiões montanhosas de Sinjar, onde estão morrendo de fome e sede. Essa minoria segue uma religião pré-islâmica que o EIIL vê como ‘demoníaca’. “Crianças estão morrendo de sede, enquanto isso, o EIIL pede a destruição sistemática de toda a população yazidi, o que constituiria genocídio”, disse Obama.

Em Raqqa, na Síria, o grupo expôs as cabeças de várias vítimas em postes. Em uma das gravações da selvageria postadas no YouTube, um cristão é forçado a se ajoelhar, cercado de homens mascarados que o forçam a se ‘converter’ ao Islã. A vítima é decapitada. Em outro vídeo, um narrador afirma que os corpos expostos são de soldados sírios.

Depois de proclamarem a criação de um Estado islâmico em um vasto território entre a Síria e o Iraque, extorquindo os que quiserem ‘proteção’, os jihadistas divulgaram uma lista de regras para moradores da província de Nínive, no noroeste iraquiano. O jornal The Washington Post reproduziu algumas delas: “todo muçulmano será bem tratado, a menos que esteja aliado com opressores ou ajude criminosos”; “qualquer pessoa que roube ou saqueie enfrentará amputações”; “rivais políticos ou armados não serão tolerados”; “policiais e militares podem se arrepender, mas quem insistir em apostasia será morto”; “a lei da sharia será implementada”; “sepulturas e santuários serão destruídos”; “as mulheres são informadas de que a estabilidade está no lar e, por isso, não devem sair sem necessidade. Elas devem estar cobertas com vestes islâmicas completas”. E ainda, um ‘conselho’: “seja feliz por viver em uma terra islâmica”.

A força mais incivilizada em ação no Oriente Médio usa a violência chocante também como apelo para recrutar radicais islâmicos ao redor do mundo. No Instagram, um jihadista britânico escreve, abaixo de uma foto em que um homem aparece ao lado de várias cabeças decepadas e um esqueleto falso: “Nosso Irmão Abu B do Isis posa com seus dois troféus depois da operação de ontem. O esqueleto não é real”.

A maioria dos recrutados são jovens. E uma nova geração de jihadistas está sendo preparada. A revista Vice divulgou um vídeo em sua página na internet no qual uma criança belga diz ser do Estado Islâmico e afirma que não quer voltar para a Bélgica porque lá há “infiéis que matam muçulmanos”. Ele fala de maneira relutante, ao lado do pai, membro do EIIL. “O que você quer ser, um jihadista ou executar uma operação suicida?”, pergunta o pai. “Jihadista”, responde o menino.

Por Reinaldo Azevedo

16/06/2014

às 16:56

Iraque – Quanto tempo vai demorar para o mundo se recuperar do desastre que é Obama na política externa?

Lá vou eu apanhar um pouquinho, inclusive de alguns amigos meus, mas não posso fazer nada. Comprar briga é da minha natureza, né? O desastre da política externa americana sob o comando do companheiro Barack Obama é um troço sem precedentes. E duvido que vá encontrar competidores no futuro. Deixem-me ver por onde começar.

Começo pela intervenção americana no Iraque na era Bush. Digamos que ela tenha sido errada e sem motivo, coisa com a qual não concordo, mas não entro nesse mérito agora. Posso até dar isso de barato. Se entrar lá foi um erro, sair e deixar os iraquianos entregues à própria sorte, como fez Obama, é de uma irresponsabilidade escandalosa. “Ah, os americanos estão cansados de guerra”, poderia dizer alguém. É verdade. É por isso que existem líderes políticos. Às vezes, cumpre-lhes discordar do povo, ora bolas! Qualquer estudioso do nível Massinha I sobre a situação iraquiana previa o caos. E o caos se instalou. Agora falo um pouco sobre a Síria e depois uno os dois fios.

Fui muito criticado, inclusive por leitores habituais meus, por jamais ter me empolgado com a dita Primavera Árabe e muito especialmente por ter apontado, desde o primeiro dia, que o comando das ações contra Bashar al Assad, na Síria, era de caráter terrorista. Tenho leitores lá — brasileiros de nascimento ou sírios que já moraram em nosso país. Desde o primeiro dia, alertaram-me que a dita oposição pacífica nunca esteve na cabeça das ações. “Ruim com Assad, um inferno sem ele”, asseguravam, especialmente os cristãos. Mesmo assim, EUA, Grã-Bretanha e outros países ocidentais resolveram dar seu apoio a uma suposta oposição síria que, de fato, nunca existiu — não com poder ao menos de tomar pé da situação. A Síria se transformou num campo de treinamento de jihadistas, especialmente na fronteira com o Iraque.

Em abril do ano passado, os terroristas do “Estado Islâmico do Iraque” anunciaram na Internet a sua parceria com a “Frente Al-Nusra”, que atuava na Síria. Da fusão, nasceu o “Estado Islâmico do Iraque e Levante”. Num áudio de 21 minutos, Abu Bakr Al-Baghdadi, o líder do autointitulado Estado Islâmico do Iraque,  afirmou que financiava, sim, os terroristas da Frente al-Nusra desde os primeiros dias da rebelião síria. O mundo deu de ombros. Obama fez de conta que nada havia acontecido. Segundo Al-Baghdadi, metade do seu orçamento era destinada aos terroristas que atuavam no outro país.

Assim, o diabo encontrou o ambiente propício: um Iraque largado à própria sorte; uma Síria com as Forças Armadas combatendo em várias frentes, à beira do colapso, e um grupo de celerados armados até os dentes, dispostos a se impor pelo terror. Parte da Síria e do Iraque já está nas mãos do tal grupo. Os líderes religiosos xiitas do Iraque conclamaram seus fiéis à resistência armada — e, ora vejam, o Irã se ofereceu para dar apoio. John Kerry, o pateta da hora que faz as vezes de Secretário de Estado dos EUA, já afirmou que a parceria é bem-vinda.

Então o buraco do inferno sempre pode ser mais embaixo. Uma intervenção iraniana no Iraque — com todo o rancor acumulado que sobrou da guerra entre os dois países — terá o condão de extremar as dissensões entre sunitas e xiitas, acabará aproximando mesmo os sunitas mais moderados dos grupos jihadistas e vai consolidar o Irã — nada menos! — como a força estabilizadora da região. Até porque não duvidem: se precisar, os iranianos mobilizam a sua máquina de guerra contra os terroristas que foram renegados até pela Al Qaeda.

Vejam como estava e como está o Oriente Médio desde a posse de Barack Obama. “Não havia nada que ele pudesse fazer…” Opa! Havia um monte de coisas que ele não deveria ter feito: puxar o tapete de Mubarak, no Egito, depois de duas semanas de protesto (vejam que maravilha de democracia há hoje por lá!); pôr a Otan a serviço dos terroristas na Líbia; deixar o Iraque entregue à própria sorte; ajudar a desestabilizar Assad quando até eu, que estou aqui em Higienópolis, sabia que o carniceiro de Damasco enfrentava gente pior do que ele próprio.

Agora, o presidente americano sempre poderá contar com uma ajudazinha do… Irã! É patético!

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2014

às 14:51

Terroristas sírios crucificam cristãos; papa chora

Pesssoas observam homem crucificado em Raqqa, na Síria

Pesssoas observam homem crucificado em Raqqa, na Síria, por terroristas islâmicos

O papa Francisco confessou ter chorado ao saber da notícia de que alguns cristãos tinham sido crucificados na Síria nos últimos dias, disse nesta sexta-feira durante a homilia da missa que realiza a cada manhã em sua residência no Vaticano. “Eu chorei quando vi nos meios de comunicação a notícia de que cristãos tinham sido crucificados em certo país não cristão”, explicou o papa em referência ao acontecimento durante a guerra civil síria.

Citando passagens da Bíblia e a perseguição dos primeiros cristãos, o papa acrescentou que “hoje também há gente assim, que, em nome de Deus, mata e persegue”. Em relação à perseguição, Francisco lembrou que “existem países em que você pode ser preso apenas por levar o Evangelho”. Há poucos dias, o site da Rádio Vaticano publicou as declarações de uma freira, a irmã Raghida, que tinha estado na Síria e denunciou que cristãos estavam sendo crucificados em povoados ocupados por grupos de muçulmanos extremistas.

Crucificados
Nesta quarta-feira o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, entidade civil sediada em Londres, divulgou imagens que seriam de cristãos crucificados publicamente na cidade de Raqqa, no norte da Síria. A imprensa internacional não conseguiu provar a autenticidade das fotos nem quando teriam ocorrido as crucificações. Também não está claro se os homens foram mortos antes ou durante a crucificação.

Segundo a entidade, as mortes teriam sido obra do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), um grupo extremamente radical que sofre ataques inclusive de outras milícias muçulmanas que não concordam com suas ações. Ainda segundo o Observatório Sírio, os homens crucificados teriam realizado ataques com granada contra um dos militantes do grupo no início deste mês. Em uma faixa amarrada em torno de um dos homens mortos há a mensagem em árabe: “Este homem lutou contra os muçulmanos e jogou uma granada neste lugar”.

No início deste ano, os cristãos de Raqqa foram informados pelos rebeldes extremistas de que eles teriam de começar a pagar um “imposto de proteção”. Sua liberdade de culto também foi controlada drasticamente pelos membros do EIIL, que proibiram os cristãos de exibir símbolos religiosos fora das igrejas, orar em público, badalar sinos em templos, entre outras restrições.

Por Reinaldo Azevedo

21/01/2014

às 5:43

Desastre sírio: a inútil conferência de paz e Assad candidato — que venceria mesmo com eleições limpas…

Começa nesta quarta, em Montreux, na Suíça, a tal conferência de paz que tem como tema a Síria. Depois de protestos oriundos de todo lado, inclusive dos EUA, a ONU desconvidou o Irã, hoje o principal esteio do regime de Bashar Al Assad. O objetivo do encontro seria debater um governo de transição, com a saída de Assad, que já disse que não vai embora. Fato: ele está vencendo a guerra. O campo adversário, hoje em dia, é comandado por facções terroristas ligadas à Al Qaeda, que, curiosamente, brigam até entre si.

É a velha história. Este senhor é um açougueiro? É, sim, mas, infelizmente, ele diz a verdade quando afirma estar enfrentando terroristas financiados pela Arábia Saudita e pelo Catar — um notório insuflador, diga-se, das revoltas batizadas de “Primavera Árabe”.

Em que vai dar o encontro? Muito provavelmente, em nada. Se Assad não for assassinado ou vítima de um golpe desfechado pelos militares, ficará no poder. A menos que as potências ocidentais decidiram tirá-lo de lá a bala. Mas aí será preciso convencer antes a Rússia. Não parece que ela vá concordar. Não sendo isso, a única saída é tentar negociar um acordo com o próprio presidente sírio para pôr fim ao morticínio. A oposição política, no exílio, rejeita essa alternativa, mas vamos ser claros: ela não tem e nunca teve o comando no campo de batalha, que está com os jihadistas.

Noticiou-se nesta segunda, em tom de escândalo, que Assad pretende concorrer em junho a um novo mandato de sete anos. Como uma tirania faz uma eleição decente num país conflagrado por uma guerra civil? Isso, no entanto, não deve nos impedir de constatar o óbvio — atestado até pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, emissário da ONU: ainda que se realizassem eleições limpas na Síria, Assad venceria com tranquilidade.

A razão é simples: seus opositores não usam métodos distintos dos seus; em muitos aspectos, são ainda piores; há relatos de que, nas áreas dominadas pelos rebeldes, vigora a lei do cão, com execuções sumárias, violência de toda sorte, especialmente contra mulheres, tortura contra pessoas consideradas aliadas do regime — e, para tanto, assegura-me um sírio, basta que o sujeito não tenha decidido pegar em armas para que seja visto como suspeito.

Entenderam o ponto? O regime de Assad é violento, sim; Síria afora, no entanto, há centenas de Assads locais “do lado de lá”, que não têm nem mesmo um compromisso com um simulacro de legalidade.

A única decisão “humanitária” sensata dos países que se dizem empenhados em construir a paz na Síria é negociar uma transição com Assad. Não é assim porque quero nem porque gosto. É assim porque é e porque os adversários do tirano são ainda piores do que ele próprio. Já morreram 130 mil pessoas. Isso tem de parar.

Por Reinaldo Azevedo

01/10/2013

às 0:01

Na Síria não há guerra civil, mas “guerra contra o terror”, diz chanceler

Na VEJA.com:
O ministro de Relações Exteriores da Síria comparou nesta segunda-feira os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos à invasão de terroristas estrangeiros ao país. Em discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova York, Walid al-Moualem disse que “terroristas de mais de 83 países estão engajados na morte de nosso povo”, disse o chanceler. Moualem foi além e negou que haja uma guerra civil na Síria. “É uma guerra contra o terror, que não reconhece valores, nem justiça, nem igualdade, e despreza qualquer direito ou lei”.

Segundo as Nações Unidas, mais de 100.000 pessoas já foram mortas no conflito que se prolonga há mais de dois anos e meio na Síria. Em agosto deste ano, um ataque químicodeixou mais de 1.400 mortos, segundo o governo americano, que ameaçou responder com uma intervenção ao território sírio. O ímpeto ofensivo foi refreado pela falta de apoio nos cenários interno e externo e por uma proposta apresentada pela Rússia para que a Síria entregasse suas armas químicas à comunidade internacional para serem destruídas.

No discurso desta segunda, o chanceler sírio fez críticas aos Estados Unidos. “As pessoas em Nova York testemunharam a devastação do terrorismo e foram queimadas com o fogo do extremismo e do derramamento de sangue da mesma forma que nós sofremos agora na Síria”, disse, em referência aos atentados de 2001. “Como alguns países, atingidos pelo mesmo terrorismo que nos atinge agora na Síria, declaram guerra ao terrorismo no mundo todo enquanto apoiam isso no meu país?”, provocou. Os Estados Unidos reagiram às declarações, classificando-as como falsas e ofensivas. “O fato de o regime sírio ter bombardeado escolas e hospitais e usado armas químicas contra seu próprio povo demonstra que foram adotadas as táticas mais terroristas que hoje foram censuradas”, rebateu Erin Pelton, porta-voz da missão americana na ONU.

O regime de Bashar Assad acusa Turquia, Arábia Saudita, Catar, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos de armarem, financiarem e treinarem forças rebeldes na Síria. E rejeitou a ideia de que há rebeldes moderados lutando contra o ditador. “As declarações sobre a existência de militantes moderados e militantes extremistas se tornaram uma piada ruim. Terrorismo significa terrorismo. Isso não pode ser classificado como moderado e extremista”.

Os Estados Unidos responsabilizam o regime sírio pelo ataque com armas químicas do dia 21 de agosto e afirmam que os “caras maus” representam entre 15% e 25% das forças anti-Assad. Extremamente fragmentados, os grupos que lutam contra o regime incluem alguns reconhecidos por países ocidentais, que negociam o recebimento de armas do exterior.

Por Reinaldo Azevedo

16/09/2013

às 20:15

Sem as esperadas bombas do Ocidente, rebeldes sírios intensificam massacres. Eram esses os “libertadores” que excitavam o imaginário ocidental. Ou: Um velho baiano e seu sarapatel em meio a uma chuva de balas e bombas

Naquele sarapatel para O Globo, escrito primeiro e pensado depois, como confessou o próprio autor, Caetano Veloso expõe também suas perplexidades sobre a guerra na Síria, afirmando não saber se foi no meu blog ou em outro lugar que teve acesso ao endereço de um vídeo-propaganda russo contra as forças que tentam depor Bashar Al Assad. Segundo ele, o trabalho é prefaciado por um comunista brasileiro. Será que há leitores deste blog recomendando perorações de comunas? Acho difícil, mas nunca se sabe. De toda sorte, vi lá no artigo que Caetano — com as notáveis exceções das questões que dizem respeito a Olavo de Carvalho e a mim — faz mesmo da dúvida um estilo de vida. Entendo. Sair da cadeia mental que aprisiona o pensamento a “um lado” E (atenção para o conectivo) ao “outro lado” é sempre o mais difícil. Sem pretensão nenhuma (e essa é a área de Olavo), Caetano deveria começar por Heráclito a organizar o seu pensamento, banindo esse jeito meio Anaximandro de ser, em que tudo termina sempre numa soma zero… Seu jeito de pensar chega a ser divertido. Mas é da Síria que quero falar agora.

Eu nunca tive dúvida, como vocês sabem, sobre o mal menor nesse caso, sem jamais deixar de considerar que Bashar Al Assad é um sujeito asqueroso. Tenho amigos com familiares que moram na Síria. Desde os primeiros dias, relataram-me que as ações dos chamados oposicionistas eram escancaradamente terroristas. E contei isso aqui. Mas não me fiei apenas nisso para ir formando um juízo a respeito. Também procurei, e procuro, ler o noticiário com cuidado, coisa que Caetano poderia fazer. Ainda que tenhamos todos um grande coração (é provável que o “velho baiano” também), não é ele que determina o rumo dos acontecimentos.

Rebeldes e massacres
Num despacho desta manhã da Reuters, pode-se ler o seguinte (em vermelho):
Rebeldes que incluem combatentes estrangeiros travando uma “jihad”, ou guerra santa, estão cometendo mais chacinas, crimes e outros abusos no norte da Síria, disseram investigadores de direitos humanos da ONU nesta segunda-feira. “Por todo norte da Síria, tem havido um aumento de crimes e abusos cometidos por grupos de extremistas armados antigoverno e também um fluxo de entrada de combatentes rebeldes estrangeiros “,d isse o chefe da equipe de investigação, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. “Brigadas inteiras são agora formadas por combatentes que entraram na Síria. O al-Muhajireen é uma das ativas”.
Os investigadores haviam dito anteriormente que combatentes estrangeiros de mais de 10 países, incluindo do Afeganistão e da região russa da Chechênia, assim como forças da al-Nusra, ligada à al-Qaeda, apoiam os rebeldes sírios. O Hezbollah, do Líbano, luta ao lado das forças do governo. “Agora deve haver mais. A questão é que esses elementos extremos possuem sua própria agenda e certamente não é uma agenda democrática que querem impor”, disse o membro da comissão Vitit Muntarbhorn.
Pinheiro, que relata sobre suspeitas de crimes de guerra desde 15 de julho, disse também que o governo do presidente Bashar al-Assad continua sua campanha implacável de bombardeios aéreos e de artilharia por todo o país. Uma bomba incendiária lançada por um avião de guerra do governo sobre uma escola no interior de Aleppo em 26 de agosto matou pelo menos 8 estudantes e 50 sofreram queimaduras horríveis em até 80% do corpo, disse ele, citando relatos de sobreviventes.

Voltei
Ou por outra: Os EUA e a França estiveram a um passo (ou estão ainda) de se aliar a esses humanistas. Tenham paciência! O Ocidente quer depor Assad porque ele é um facínora. E vai fazê-lo fortalecendo facínoras ainda mais perigosos? No dia 28 de novembro de 2011 — há, portanto, quase dois anos —, escrevi o que segue neste blog sobre a Síria e também sobre a Líbia. Leiam (em azul). Volto depois:
(…)
Kadafi foi encontrado num cano de esgoto, sodomizado e linchado. Um de seus filhos, preso com vida e em boas condições de saúde, apareceu depois, morto, com um rombo fabuloso na garganta. Foram muitas as evidências de barbárie cometidas também pelos chamados “rebeldes”. Mas se tornaram personagens das fantasias e anseios “progressistas” e “civilizados” da imprensa e dos intelectuais do Ocidente, que apostam no “modo Obama” de exportar democracia…

Assad lidera um regime brutal? Sim! Quem vai derramar uma lágrima de tristeza por ele? Eu é que não! Mas não me peçam uma lágrima de emoção e esperança por aqueles que o estão derrubando. A exemplo do que aconteceu com Kadafi, só que numa região muito mais delicada e literalmente explosiva, ele está enfrentando uma luta armada. Pacifistas que carregam ramos de oliveira não saem por aí matando.

E o relatório da ONU? É um roteiro de horrores, com relatos de tortura de crianças, execuções, tiros contra a multidão… Ocorre que a maioria dos depoimentos pertence a desertores do Exército, pessoas que fugiram da Síria — leiam o noticiário com atenção — ou que estão no exílio, membros de grupos que tentam depor o governo. Não estou dizendo que sejam falsos necessariamente. Só estou afirmando que se está, também nesse caso, ignorando que o país vive uma guerra civil e que isso supõe uma guerra de versões. A outra não interessa, como não interessou na Líbia.

A tal “Primavera Árabe” resultará em governos democráticos, que passarão a respeitar os direitos e as escolhas individuais, coisa que nunca se viu por lá? Tomara que sim! Tenho tantos amigos que acreditam nisso que quase me convenço… Por enquanto, essas revoluções passam por outro caminho: há um óbvio e inequívoco processo de islamização do estado em todos os países, sem exceção, que estão passando pela revolução.

Nego-me, em 2011, a ser o Michel Foucault da “Primavera Árabe”, como Foucault foi o Foucault da “primavera iraniana” de 1979…

Volto a setembro de 2013
É assim que se faz, Caetano Veloso, mesmo correndo o risco de errar. O que importa não são os seus (ou os meus) sentimentos confusos, ainda que piedosos. Fazer uma escolha analítica não implica se comprometer com uma das partes que estão em conflito, por mais doloroso que seja escrever a respeito. Opinião não é como orelha, nariz, braço ou traseiro… Como em regra, todo mundo tem, então todas são apreciáveis. Não! É legítimo que cada um tenha a sua. A desinformada não serve pra nada.

Eu nunca fiz questão de estar certo em relação à Síria — mais de uma vez, torci aqui para estar errado, até porque meu repúdio a Assad não poderia ser maior. Quem gostava dele, diga-se, eram os petistas. Pouca gente se lembra que, em 2007, os petistas firmaram convênio de cooperação com o partido Baath, do tirano. Caetano deveria estar assoviando alguma metáfora “progressista” enquanto o “direitista” aqui tratava do assunto. Nunca ficou claro, e tenho cobrado ao longo dos anos, como o PT poderia ajudar o Baath e, sobretudo, como o Baath poderia ajudar o PT. Que foram companheiros, ah, isso foram. Será que dei relevo a essa questão só porque sou “de direita”, como quer o nosso homem do sarapatel filosófico?

Não vem que não tem, meu “velho baiano”! Nessa área, não dá para “caetanear o que há de bom”. Não basta uma metáfora de salão para esgotar o assunto. É preciso dedicação — além de tempo, leitura, pesquisa. É preciso pensar antes. E escrever só depois.

PS: “Não vai parar de falar de Caetano, não?”, já indagou alguém. Só quando me der vontade. Ou quando ele pedir desculpas aos milhões de cariocas lesados pelas ações dos black blocs, pelas quais ele se tornou corresponsável moral.

Por Reinaldo Azevedo

12/09/2013

às 16:56

A Síria e os caminhos de uma análise. Ou: A saída é negociar a paz possível com Assad

Vamos, agora, tratar um tantinho de outra guerra. Quando faço referência a isso e àquilo que se escreveram aqui no blog, o expediente não serve à jactância. É que pretendo chamar a atenção para o fato de que o escrevinhador tem uma linha de pensamento. No caso da Síria, trabalhei com alguns dados de realidade, a saber: a) a oposição a Bashar Al Assad é tão sanguinária quanto ele próprio; b) a frente política da oposição síria nunca deu as cartas; desde o começo, a luta contra tirano teve características de ação terrorista — os civis eram os principais alvos de sua ação; c) mesmo nas escaramuças militares, a brutalidade era assombrosa; d) os EUA haviam perdido o tempo da intervenção; e) O ambiente interno (dos EUA) é hostil a uma ação militar; f) ela teria de ser feita sem o aval do Conselho de Segurança da ONU; g) uma expedição meramente punitiva apenas vitima os civis; h) que sentido faria bombardear a Síria e deixar Assad no poder, a exemplo de Bush pai, que tirou o Iraque do Kwait, mas deixou o tirano no poder? Não foi reeleito.

Por isso, ainda que parecesse improvável, à primeira vista, que o plano de controle de armas desse certo, achei que se estava diante de uma saída para todos os atores, ainda que não diante de uma solução — vamos ver se será mesmo implementado. Os EUA poderão dizer que a sua força e as ameaças levaram Assad a ceder; o tirano pode, por seu turno, afirmar que está colaborando, não se divorciando inteiramente do concerto internacional. Com os seus opositores continuarão a atacar, isso lhe dá, digamos, uma certa razão prática. O não-ataque significa também que os EUA e as forças ocidentais, definitivamente, não reconhecem os atuais inimigos de Assad como forças confiáveis.

Aliás, pensando em termos estritamente humanitárias e nas forças que estão de cada lado, o melhor que os EUA teriam a fazer seria pressionar a Arábia Saudita e o Catar a parar de financiar as ações armadas na Síria. A menos que Assad seja vítima de um golpe ou assassinado em alguma conspiração, parece que vai continuar lá, com a consequente matança. A esta altura, parece que a única coisa sensata  é negociar um a saída COM ASSAD, não sem ele. Desde, é claro, que o tiano não incida em novos e brutais crimes de guerra. Nesse caso, aos EUA só restará o ataque.

Por Reinaldo Azevedo

12/09/2013

às 15:55

Assad diz que aceita entregar controle de arsenal químico

Na VEJA.com:
O ditador sírio Bashar Assad confirmou nesta quinta-feira que vai entregar o controle do seu arsenal de armas químicas para uma comissão internacional, conforme previsto por um plano apresentado pela Rússia no início da semana. A declaração foi feita horas antes de o secretário de Estado americano, John Kerry, se reunir, em Genebra, na Suíça, com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, para discutir a situação na Síria e o plano russo. Representantes dos Estados Unidos disseram que o plano é “factível, mas difícil” e exigiram que o ditador revele o mais rapidamente detalhes sobre seu arsenal como forma de compromisso.

Assad disse que seu governo vai começar a repassar informações sobre o arsenal químico um mês após aderir à Convenção sobre Armas Químicas de 1993, que baniu esse tipo de material. A assinatura, que faz parte do plano russo, ainda não teve a data divulgada. “Quando virmos que os Estados Unidos realmente querem estabilidade na nossa região, e quando pararem de ameaçar (…) e suspenderem a entrega de armas para terroristas, então nós vamos acreditar que os processos necessários podem ser finalizados”, disse o ditador.

As declarações de Assad foram feitas em entrevista ao canal de televisão russo Rossiya 24. O ditador disse que sua decisão não foi tomada por causa da ameaça de uma intervenção militar por parte dos EUA – nas últimas semanas, o governo americano defendeu um ataque ao regime sírio como retaliação pelo uso de armas químicas contra a população do país árabe no dia 21 de agosto. A avaliação da Casa Branca é que Assad só aceitou o plano russo por causa das ameaças.

“As ameaças dos Estados Unidos não influenciaram na decisão de pôr as armas químicas sob controle”, afirmou Assad. A aceitação do plano por parte da Síria já havia sido divulgada na terça-feira, mas esta foi a primeira vez que o próprio ditador falou sobre o assunto. Assad disse ainda que seu governo adotou a medida “pela Rússia”, que é sua aliada. Ele afirmou também que Damasco enviará para a Organização das Nações Unidas (ONU) a documentação necessária para a assinatura da convenção de 1993.

O plano russo prevê quatro etapas. Na primeira, a Síria deve assinar a Convenção sobre Armas Químicas de 1993 e se juntar à organização internacional responsável por administrar o acordo. Na segunda etapa, a Síria deve revelar o local onde estão estocadas suas armas. Na terceira, permitir o acesso dos locais aos inspetores internacionais e, por fim, deve destruir o arsenal.

EUA
Antes de se reunirem com russos nesta quinta-feira, representantes do governo dos Estados Unidos pediram que o regime sírio revele o mais rápido possível o tamanho e as características de seu arsenal químico. Os americanos ainda avaliam a proposta russa com cautela e a Casa Branca já disse estar cética quanto ao plano. “É factível, mas difícil”, declarou uma fonte americana sobre o plano antes da reunião entre o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o ministro das Relações exteriores russo, Sergei Lavrov. A mesma fonte disse que o governo americano espera que o regime sírio “declare o mais rápido possível todo seu arsenal”, como demonstração de compromisso.

“O objetivo é ver se realmente há uma via confiável para avançar, se os russos são sérios no que dizem e, mais importante, se Assad é sério no que diz”, disse a mesma fonte. Já o ministro russo, Sergei Lavrov, defendeu antes da reunião a necessidade de resolver a crise síria pela via diplomática. “Existe uma possibilidade para a paz na Síria e não podemos deixá-la passar.”

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2013

às 22:09

Relatório da ONU sobre a Síria endossa o que aqui se escreveu seguidamente. Ou: A Al Jazeera como assessoria de imprensa

Raramente apanhei tanto como nestes dias em que venho afirmando que a intervenção dos EUA na Síria poderia ser desastrosa porque, afinal de contas, as forças que lutam contra Bashar Al Assad são igualmente brutais, com a diferença de que estão à margem de qualquer concerto internacional. Assad é um carniceiro? É, sim! Mas quem luta contra ele? Escrevi em seguidos textos sobre essas ditas forças oposicionistas, afirmando que a deposição do tirano pode deixar o país entregue aos extremistas. Mas não só isso: no dia a dia, na prática, nos atos da guerra civil, os que enfrentam o ditador não são diferentes dele, com a diferença de que, reitero, são forças marginais a qualquer forma de controle.

Nesta quarta, veio à luz o relatório da ONU. Está tudo lá: os dois lados se entregam a massacres, a execuções sumárias, ao ataque indiscriminado às populações civis. Tudo igual!

“Ah, mas Assad tem armas químicas.”. Lembro que a suspeita de que seus inimigos já recorreram a esse expediente foi levantada pela própria ONU. O reatório diz ainda que um ataque militar das forças ocidentais, a essa altura, acabaria prejudicando a própria população, tornando a vida ainda mais difícil. Os meus textos estão todos em arquivos. Acho curioso que notórios críticos da intervenção americana no Iraque estivessem ou estejam, desta feita, mais do que discretamente, torcendo pela guerra. A que atribuir essa mudança de humor? Afinal, Saddam Hussein havia matado pelo menos 200 mil no Iraque, não é? E os serviços americanos diziam que tinha armas químicas, que não foram encontradas. O que mudou?

Não foi a brutalidade com o próprio povo, o uso de métodos bárbaros e internacionalmente condenados, nada disso. Sabem o que mudou? Os rebeldes na Síria contam hoje com uma eficiente assessoria de imprensa chamada Al Jazeera. A emissora comandada pelo ditador que manda no pequenino Catar se encarrega de espalhar mundo afora os vídeos produzidos pelos rebeldes sobre as barbaridades perpetradas por Assad. É bem provável que seja tudo verdade. Mas cadê a carniçaria promovida também pelos terroristas que enfrentam o tirano? Não há! Se existem as imagens, elas não ganham o mundo. Os fatos, no entanto, estão no relatório da ONU.

A pressão americana pode ter um efeito positivo se contribuir para diminuir o arsenal químico da ditadura síria e se Assad tomar como certo que esse é o limite. “Ah, mas o ditador continuará lá…” Sim, como teria continuado Saddam, não é? Com uma diferença: no Iraque ao menos, ainda que com resultados nada favoráveis, os EUA se comprometeram com o pós-guerra. Esse negócio de bombardear e cair fora me parece a insanidade moral a serviço do desastre.

Por Reinaldo Azevedo

10/09/2013

às 6:15

Obama estava em busca de um motivo para não agir; encontrou. Agora depende de Assad

Mais de uma vez afirmei aqui que Barack Obama estava doido para achar um pretexto para não atacar a Síria. Se o fizesse, estaria na contramão do que querem — ou não querem — 70% dos americanos. Ontem, para quem lê nas entrelinhas, ele quase implorou que o Congresso não lhe dê licença para agir. Não gostaria, ele disse, de abrir o precedente de contrariar a vontade do Parlamento nessa matéria. Afinal, ele próprio lembrou, os EUA não foram atacados. Assim, a proposta feita pela Rússia — a partir de uma sugestão do próprio John Kerry — viria bem a calhar: a Síria entrega seu arsenal químico (ou parte dele, já que não há como avaliar), Assad se compromete a não mais recorrer a esse expediente, e pronto! Os EUA se livram de uma guerra, ou de uma ação militar, que quase ninguém quer.

O presidente americano tergiversou um pouco, mas teve de ser claro: se Bashar Al Assad entregar armamentos químicos, o ataque está suspenso. O que vai fazer o tirano sírio? Se tiver o mínimo de juízo, aceita a proposta sem titubear. Até porque a Rússia, ao endossá-la, também emite um sinal: chegou ao limite do que pode ser feito. Sem um gesto de, digamos, boa vontade do ditador, lava as mãos. Continuará a votar contra a intervenção no Conselho de Segurança da ONU, mas é só.

E Assad? Fica no poder enquanto se segurar. Os jihadistas estão fazendo esse favor involuntário a ele. A rejeição de muitos países ao ataque se deve aos mais variados motivos, mas um dos principais é o fato de que praticamente não há interlocução com a vanguarda armada que quer depor o presidente sírio. Os terroristas é que estão no comando; eles sequestraram a luta na Síria. A sobrevida do tirano é um presente que lhe dão seus principais inimigos.

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2013

às 19:02

Proposta russa para Assad entregar arsenal pode parecer maluca, mas não é inócua

A Rússia fez uma proposta: Assad entrega seu arsenal químico, e os EUA e eventuais aliados desistem de uma ação militar punitiva. Vamos ver.

Setenta por cento dos americanos não querem que os EUA intervenham na Síria. Boa parte da comunidade internacional acredita que a ação seria um erro. Outro tanto não endossa o ataque sem o consentimento da ONU — não é só o Brasil que assume essa posição legalista. Os EUA e os países ocidentais não têm nem mesmo interlocutores de confiança no país, coalhado de terroristas, e isso é fato. John McCain, um republicano dito moderado e hoje um fanático defensor da ação, não tem receio nem mesmo de parecer um pouco ridículo. Indagado sobre o fato de que os “guerreiros” anti-Assad gritam “Alá é grande” a cada vez que acertam um alvo, respondeu que não se trata de jihadistas ou radicais islâmicos, indagando se há algum problema a cada vez que americanos dizem “Graças a Deus”. Para quem acha o ataque urgente, um “graças a Deus” no Ocidente equivale a um “Alá é grande” na Síria. É uma afirmação estúpida!  A propósito: quantas vezes se viu um ocidental gritar “Graças a Deus” com uma estrovenga assassina nas mãos? Isso não acontece há já uns bons séculos, não é mesmo? Nos EUA de hoje, é a chamada “direita radical” do Parlamento que não quer o ataque ou a guerra — a exemplo de 70% dos americanos, ainda que os motivos sejam distintos. O povo está cansado, e os ultraconservadores acham que a) os EUA não têm de se meter porque não é um problema americano: b) seria grande a chance de haver uma colaboração objetiva com terroristas — risco que o “moderado” McCain despreza. 

Olho para aquela cara de fuinha de Bashar Al Assad e lembro do seu histórico e do de seu pai, ditador como ele, e acho que ele é, sim, capaz de usar armas químicas e mais um pouco. Mas, até agora, as provas de que foi mesmo ele que ordenou a ação não apareceram. E é sabido que os rebeldes têm capacidade também para fazê-lo. Organizações humanitárias já levantaram essa suspeita. De todo modo, é um troglodita. A mim me soa imoral, indecente, que os EUA e eventuais aliados optem por uma simples expedição punitiva. Em nome do quê? Quem vai pagar o pato?

Se for para agir, tem de ser com o propósito de derrubar Assad. Se os EUA tivessem sido atacados, bem; se alvos americanos estivessem sendo vitimados pelas forças do tirano, ok. Países têm direito à retaliação quando atacados — e até sobre esse tipo de reação há, digamos assim, um decoro internacional. Mas, no caso, os americanos e franceses (e mais alguns outros) agiriam em nome de quem? Alguém dirá: “Em nome do povo sírio”. Certo! Mas quem vai morrer? Suponho que seja… o povo sírio. E para quê? Pra nada? Para que Assad continue lá, a empregar os métodos de sempre?

A proposta russa
A proposta russa — Assad entrega seu arsenal químico, e o ataque será, então, suspenso — foi recebida com ceticismo nos EUA. Chegou-se mesmo a falar em “piada”. Hillary Clinton, antecessora de John Kerry, disse um troço estranho: considerou a eventual entrega um passo positivo, mas afirmou que tal proposta não deveria servir de desculpa para “demora”. O que terá querido dizer? Primeiro se ataca Assad e, depois, ele entrega o arsenal? Não parece que vá dar certo…

Um tirano vagabundo encalacrou a ação americana no Oriente Médio, espantosamente desastrada na gestão Barack Obama. O atual status decorre de uma penca de erros. A, digamos assim, “Primavera síria” já veio com alguns espinhos de origem, que não estavam presentes na Tunísia e no Egito — o terror explícito. Bashar Al Assad não estava tão fraco, lá junto a seus brucutus, como se imaginava e resistiu muito mais do que as apostas inicialmente feitas. Se era para intervir — e a guerra civil não começou ontem —, então que se tivesse feito isso há mais tempo.

Notem os caminhos sutis por onde passam as coisas. A proposta russa parece meio maluca, mas não é inócua. Se Assad aceita entregar parte ao menos de seu arsenal químico, os EUA podem ter uma desculpa algo honrosa para não atacar. Se Assad não aceita, aí é a Rússia que pode dizer que cumpriu a sua parte e não tem mais como se opor à ação dos países ocidentais — resta saber o que faria a China. Assad talvez diga “sim” — ele não precisa do arsenal químico para sustentar sua posição na guerra civil — apostando, no entanto, que será atacado mesmo assim, o que lhe conferiria certa superioridade moral, jogando boa parte da opinião pública mundial contra os EUA, o que não é difícil.

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2013

às 19:53

EUA: comissão aprova texto autorizando intervenção na Síria

Na VEJA.com:
A Comissão de Relações Exteriores do Senado americano aprovou nesta quarta-feira uma resolução autorizando o uso da força militar na Síria. A ação é uma resposta ao ataque químico do governo sírio que deixou mais de 1 400 mortos há duas semanas, segundo a Casa Branca. O texto deverá ser analisado na próxima semana pelo plenário do Senado – e também precisará ser aprovado pela Câmara dos Deputados. A aprovação mostrou que os parlamentares estão divididos: foram 10 votos a favor e 7 contra.

Amplamente debatida pelos integrantes da comissão, a resolução prevê que a intervenção ocorrerá pelo prazo máximo de 90 dias e impede o envio de tropas à Síria. É uma ação mais limitada do que a proposta originalmente pelo presidente, mas atende ao objetivo da administração Obama de realizar uma ação punitiva na Síria. Muitos congressistas, no entanto, temem que esta ação leve os EUA a mais uma guerra prolongada.

Os termos da resolução foram divulgados na noite de terça. A aprovação, nesta quarta, veio depois de ter sido acrescentado um trecho indicando que a meta dos EUA é “alterar a dinâmica no campo de batalha” da guerra civil, no sentido de forçar Bashar Assad a concordar em negociar uma solução para o fim do conflito e uma transição para a democracia. A emenda foi promovida pelo republicano John McCain e pelo democrata Chris Coons, que também defenderam que o governo amplie seus esforços para fornecer apoio letal e não letal aos rebeldes, informou o Wall Street Journal.

Com maioria democrata, o Senado deverá passar a resolução na próxima semana. No entanto, o debate sobre a crise na Síria tem se mostrado uma questão bipartidária no Congresso americano. Na comissão, a maioria dos que votaram a favor foi democrata, mas também houve votos de republicanos. O grupo dos contrários à resolução também reuniu congressistas dos dois partidos.

Os líderes da comissão, o democrata Robert Menendez, presidente do colegiado, e o republicano Bob Corker, pressionaram por um texto limitando a duração e a natureza dos ataques. Enquanto nomes como McCain defendiam que o escopo da ação fosse mais amplo, para atingir o regime.

Uma alteração proposta pelo republicano Rand Paul, que liderava a oposição aos ataques, não avançou. Ela declarava que a autoridade do presidente para agir unilateralmente teria efeito apenas quando a nação fosse atacada, informou o jornal The New York Times. A aprovação ocorreu horas depois de o presidente Barack Obama afirmar que o mundo “não pode se calar diante da barbárie na Síria” e ressaltar que a ‘linha vermelha’ para o conflito não foi traçada por ele, mas pela comunidade internacional. “O mundo estabeleceu a linha vermelha quando os governos que representam 98% da população mundial assinaram um tratado proibindo o uso de armas químicas em guerras”.

Rebeldes
O secretário de Estado John Kerry esteve na Câmara dos Deputados nesta quarta para defender a intervenção. Ele afirmou que os extremistas correspondem a aproximadamente 15% a 25% dos cerca de 100 000 opositores ao regime. Apesar da imprecisão, a estimativa parece apontar para um cenário mais preocupante do que o demonstrado pelo secretário na terça, quando falou com senadores e afirmou que a oposição a Assad estava se tornando mais moderada.

Kerry disse ainda que a chance de o ditador sírio usar armas químicas de forma rotineira é de “100%”, a menos que o Congresso endosse a ação militar americana. Obama reafirmou mais cedo que ele pode ordenar um ataque contra a Síria mesmo sem a autorização do Congresso, mas ponderou que o apoio dos congressistas vai tornar a resposta americana mais forte. O chefe do Pentágono, Chuck Hagel, também conversou com os deputados e defendeu que um ataque reduziria a capacidade militar da Síria. Disse ainda que os custos da operação seria de “dezenas de milhares” de dólares.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2013

às 19:46

Ban Ki-moon questiona legitimidade de ação militar dos EUA na Síria sem aval da ONU. Ou: Os sírios não podem ficar entregues ao diabo-dará

Na VEJA.com. Volto no fim do post:
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, questionou nesta terça-feira a legitimidade da ação militar que os Estados Unidos preparam para a Síria, ao afirmar que o uso da força só é legal quando ocorre em defesa própria ou tem autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ban Ki-moon disse que se os inspetores da ONU confirmarem o uso de armas químicas na Síria, os países que integram o Conselho de Segurança deverão superar suas diferenças para agir. “Se for confirmado, qualquer uso de arma química por qualquer um, sob quaisquer circunstâncias, será uma violação grave da lei internacional e um crime de guerra ultrajante”, disse o secretário-geral, em entrevista coletiva, acrescentando que os responsáveis devem ser levados à justiça. “Não deve haver impunidade”.

A questão é que dois dos cinco países com direito a veto no Conselho de Segurança são aliados de Assad, a Rússia e a China, o que inviabilizaria a aprovação de qualquer intervenção. Os Estados Unidos minimizaram o trabalho da equipe de investigadores da ONU ao afirmar que já têm provas de que o ataque de 21 de julho envolveu armamento químico e foi perpetrado pelas forças do regime de Bashar Assad. Em resposta, Barack Obama propôs uma ofensiva limitada, sem o envolvimento de tropas. O presidente americano busca apoio do Congresso para a intervenção. Nesta terça, ele conseguiu aliados importantes, como o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, que anunciou apoio à proposta do presidente.

No entanto, Ban Ki-moon ressaltou que qualquer ação militar “punitiva” contra a Síria criaria ainda mais conflito. “Devemos evitar uma militarização mais profunda do conflito e restaurar a busca por uma solução política. Eu levo em consideração o argumento da necessidade de uma ação para evitar novos usos de armas químicas. Ao mesmo tempo, devemos considerar o impacto de qualquer medida punitiva sobre os esforços para evitar mais derramamento de sangue e facilitar uma solução política. O conflito na Síria e na região não interessa a ninguém”.

Ele defendeu que se espere o resultado da inspeção realizada na última semana no local dos ataques – as amostras colhidas pelos investigadores devem chegar aos laboratórios de análise nesta quarta. “O Conselho de Segurança tem a missão de ir além do impasse atual e demonstrar liderança. Esta é uma questão mais ampla que o conflito na Síria. Tem a ver com nossa responsabilidade coletiva em relação à humanidade”.

França
O presidente François Hollande, que apoia o plano americano, insistiu nesta terça na necessidade de união entre os países europeus sobre a intervenção. Ele ponderou, no entanto, que se o Congresso americano for contra a ofensiva planejada por Obama, a França “não vai agir sozinha”. “Quando um massacre químico é realizado, quando o mundo é informado sobre isso, quando os indícios são entregues, quando as partes culpadas são conhecidas, então deve haver uma resposta”, ressaltou.

Nesta segunda, autoridades francesas afirmaram que o ataque deixou “ao menos 281 mortos”, número muito inferior às mais de 1.400 vítimas citadas pelo governo americano na última semana. Mas a França afirmou que o ataque foi lançado a partir de zonas controladas pelo regime Assad.

Voltei
Todos aprendemos, desde a guerra contra o Iraque, que um ataque sem a aprovação de o Conselho de Segurança da ONU constitui, como é mesmo?, uma evidência de “unilateralismo”. Acho que minha memória não me trai. É bem verdade que as provas sobre a existência de armas químicas não apareceram; a ONU não as tinha. Até agora, no caso da Síria, a ONU não as tem. Mais uma vez, os especialistas americanos (secundado pelos franceses) é que asseguram a culpa de Bashar Al Assad — e não que ele não faça o figurino e não possa ser mesmo o culpado.

Mas, então, ou se tem o aval ou não se faz nada? Basta um veto para que os carniceiros ajam à vontade? Não é bem assim. A ação tem de ter um propósito. Quando os EUA asseguram que não vão enviar homens à Síria, estão dizendo que farão ataques aéreos, para eventualmente enfraquecer posições de Assad. De novo, é preciso pensar nas consequências. Reitero o que escrevi: se comprovado que o carniceiro recorreu a armas químicas, tem de haver uma resposta — mas aí há de se fazer a coisa certa. E a coisa certa não é jogar umas bombas sobre posições militares do governo, facilitar o avanço dos rebeldes, sendo eles quem são, e deixar os sírios entregues ao diabo-dará. Será preciso cuidar do que virá depois, e essa sempre é a parte mais difícil.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2013

às 14:59

Foi-se a última esperança que Obama tinha de não agir. Ou: Uma guerra com a assessoria de imprensa da Al Jazeera, a primaveril emissora de um tirano

O presidente dos EUA, Barack Obama, talvez alimentasse a esperança secreta de que os republicanos acabariam por criar problemas, negando-lhe a licença para atacar a Síria. Assim, a exemplo dos britânicos, ele teria um bom motivo interno para não fazê-lo e não iria à guerra (“guerra” não, “resposta”, como querem em democratês…) sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU, o que ele não terá porque China e Rússia têm direito de veto e não apoiam o ataque. Só para lembrar: quando Gerge W. Bush (e aliados) atacou o Iraque, tinha a autorização do Congresso, como terá Obama, mas não o sinal verde da ONU. Tudo igual. Só que, desta feita, prefere-se chamar a guerra de não guerra. Saddam não tinha as armas químicas, é verdade — ou, ao menos, não foram encontradas. Mas, àquela altura, entre outras delicadezas, tinha eliminado bem uns 200 mil curdos, inclusive com… armas químicas. A guerra ao Iraque é considerada, até hoje, quase por unanimidade, um dos maiores erros cometidos pelos EUA.

Se o Congresso resistisse, talvez Obama encontrasse uma desculpa para não agir. Agora, terá de atacar. Respondam: a Líbia está pior ou melhor, sob o comando dos carniceiros atuais, do que estava sob o comando do antigo carniceiro? Pois é. O país está coalhado de terroristas. EUA e França dizem ter a certeza de que o ataque químico foi perpetrado pelas forças de Bashar Al Assad. É o que confere a licença moral para atacar. O primado moral tem de lidar, sem dúvida, com as causas, mas também tem de levar em conta as consequências.

Quais serão? O ataque, que será chamado de “reação”, a esta altura, é certo. Se for para depor o tirano, muito bem! Aí, então, será preciso cuidar do tempo pós-Assad. Na hora do famoso “leve-me a seu líder”, quem vai aparecer à mesa para o diálogo? Os “moderados” foram os primeiros a ser postos fora do jogo no Egito. A realidade é outra, sei muito bem. O que estou a indagar é onde se encontra o espaço da moderação. A Síria, a exemplo da Líbia, vive uma guerra civil. As posições tendem a se extremar ainda mais.

Um ataque pontual, que só enfraqueça Assad, pode ter consequências catastróficas. Enquanto ele não cair — e muita gente imaginava (Obama também) que isso aconteceria rapidinho, o que se revelou um erro grave —, vai virar cachorro louco. Convém ainda não confundir — apesar do ódio que os sunitas devotam ao ditador sírio — a repulsa do establishment dos governos árabes a Assad com o sentimento das ruas árabes. Tão logo comecem a vir a público as primeiras fotos das vítimas dos ataques das forças americanas e, suponho, francesas, mais uma vez, repete-se aquela lógica do “martírio de um povo” imposto pelas forças do “mal”.

É bem verdade que Assad não é lá muito bom de mídia, o que não é o caso de seus adversários. Como é mesmo? Na guerra, a primeira vítima é sempre a verdade. E as versões triunfantes podem ter um impacto definitivo. Os rebeldes contam com uma máquina de propagada fantástica, que atende pelo nome de Al Jazera, a emissora do Catar, propriedade de um tirano, que se tornou porta-voz da dita “Primavera”. Alguns vídeos escandalosamente montados, como o reencontro de um pai com seu filho — enquanto, ao fundo, homens gritam que “Alá é Grande” e satanizam Assad —, têm milhões de acessos em coisa de horas e circulam mundo afora. Até agora, não se viram atrocidades cometidas pelas forças de oposição. Os terroristas que integram as forças que querem derrubar Assad devem ser como professores de educação moral e cívica.

De volta ao ponto: só pode haver um sentido moral no sofrimento adicional — porque haverá — que Obama vai impingir aos sírios: derrubar Bashar Al Assad, arrancá-lo de lá, dar-lhe um pé no traseiro, prendê-lo se possível. Depois, é preciso se organizar para impedir que milícias assassinas de apoderem do aparelho de estado. Sim, porque é preciso levar isto em conta: a Síria tinha, ao menos, um estado razoavelmente organizado. Sem ele, a vida vira um inferno permanente. Uma simples retaliação vai punir o povo, não Assad. Derrubá-lo e entregar a população à sanha dos grupos armados corresponde a eliminar um Assad para multiplicá-lo por 100. Por isso repudio essa história de uma guerra que não ousa dizer seu nome. Melhor que as coisas sejam feitas às claras: EUA e França estão aderindo a um lado da guerra civil. Ponto final. Se isso estiver claro e for admitido com clareza, podem e devem se responsabilizar por aquilo que vier depois.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2013

às 14:09

Republicano que preside a Câmara dos Deputados apoia ataque à Síria

Na VEJA.com. Volto no próximo post:
O presidente da Câmara dos Deputados nos Estados Unidos, o republicano John Boehner, afirmou nesta terça-feira que vai “apoiar o chamado do presidente por uma ação militar na Síria” e encorajou seus colegas deputados a fazerem o mesmo. A afirmação foi feita depois de um encontro com Barack Obama na Casa Branca, e dá ao democrata um aliado crucial na busca de votos no Congresso. “O uso dessas armas deve ter uma resposta. Somente os Estados Unidos têm como parar Assad e advertir outros ao redor do mundo que esse tipo de comportamento não será tolerado”, disse Boehner.

O líder da maioria, Eric Cantor, não tardou em seguir o presidente da Câmara e dizer que também apoia Obama. “Eu pretendo votar no sentido de dar ao presidente dos Estados Unidos a opção de usar a força militar na Síria”, disse, em comunicado, acrescentando que os EUA “têm um interesse de segurança nacional que obriga a responder ao uso de armas de destruição em massa, principalmente em um estado terrorista como a Síria, e a evitar mais instabilidade em uma região de vital interesse” para o governo americano.

A democrata Nancy Pelosi, líder da minoria na Câmara, disse que o ataque químico do dia 21 de agosto, que, segundo a Casa Branca, deixou mais de 1 400 mortos, “ultrapassou os limites de um comportamento civilizado”. Ela pontuou que a autorização do Congresso é algo positivo, apesar de não ser necessária. Afirmou ainda esperar que o povo americano “vai se convencer” da necessidade de intervenção. “O presidente Obama não escreveu a ‘linha vermelha’, a história escreveu este limite décadas atrás”, disse, referindo-se ao limite apontado por Obama para o conflito na Síria, que seria exatamente o uso de armas químicas.

Obama reuniu-se com lideranças parlamentares na Casa Branca, nesta terça, para buscar apoio para a ofensiva contra o regime do ditador Bashar Assad. No início do encontro, salientou que o plano de ação na Síria está dentro de uma “estratégia mais ampla” que prevê o fortalecimento da oposição. Ele voltou a ressaltar que a ação será “limitada, proporcional, e não envolve o envio de tropas”. “Isso não é o Iraque, não é o Afeganistão”.

Integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Senado devem ouvir nesta terça o secretário de Estado, John Kerry, o secretário de Defesa, Chuck Hagel, e o general Martin Dempsey sobre os planos de ação militar na Síria. A votação sobre o tema deverá ocorrer apenas na semana que vem. Na segunda, Obama e seu vice Joe Biden tiveram uma reunião com o senador John McCain, que faz parte da ala republicana favorável a uma ação militar. “Se o Congresso rejeitar uma resolução como esta, depois de o presidente ter expressado seu apoio, as consequências serão catastróficas”, disse McCain.

Divisão republicana
O voto no Congresso mostrará que lado do Partido Republicano tem vantagem nos debates – se a tradicional ala que defende o uso da força militar ou se o crescente bloco não intervencionista. As divisões entre os republicanos já foram demonstradas em relação ao uso de drones, ajuda ao Egito, e também sobre as operações de vigilância das agências de inteligência, destacou o New York Times.

Para os republicanos preocupados com a disputa eleitoral, as divisões internas sobre a Síria deveriam dar lugar a temas de maior interesse ao eleitorado americano, como impostos e gastos, por exemplo. “Mas a Síria também tem implicações importantes para a disputa presidencial em 2016. Quem quiser brigar pelo comando da Casa Branca terá de escolher entre as vontades dos ativistas do Tea Party, que se opõem a um ataque, e a vontade dos republicanos mais tradicionais, grupo que inclui alguns dos maiores doadores e apoiadores de Israel, com os quais os candidatos à Presidência estão geralmente alinhados”, explicou o jornal.

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2013

às 20:11

Se os EUA têm as provas da culpa de Assad, então têm de agir, mas para derrubá-lo, não só para puni-lo

Em um de seus posts sobre a Síria, meu amigo Caio Blinder escreve: “O batalhão de ‘realpoltiikeiros’ adverte que a opção mais prudente é cruzar os braços e evitar desastres da escala iraquiana. Mas como tolerar as ações do meliante?” Leitores perguntam se ele me inclui — eu, que tenho me mostrado muito cético sobre os benefícios de uma intervenção — entre os “realpolitikeiros”. Acho que não. Meu querido Caio se ocupa de gente mais relevante do que eu — deve se referir àqueles especialistas todos que cercam Obama… Então vamos ver.

Segundo o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, não há mais dúvida, por remota que seja, de que Assad é mesmo o culpado. E não teria sido a primeira vez. A BBC diz ter presenciado o atendimento a vítimas de bomba incendiária, que teria sido jogada por forças leais ao regime. O vídeo é devastador. Eu nunca acho que os fins justificam os meios. Mas eu sempre acho que os meios qualificam os fins.

Não me parecia que havia evidências suficientes de que o tirano fosse o responsável pelo ataque — e, que eu saiba, certeza ninguém tinha, até porque desafiava a lógica, mas alertei também para os critérios muito particulares com que lidam os facínoras (e empreguei essa palavra para me referir a Assad). Ora, na possibilidade de que não fosse ele a responder pelo ataque, então seria o outro lado. E, por óbvio, não me parecia correto, então, que os EUA, ou uma coalizão ocidental, entrassem numa guerra para favorecer — porque seria isto a acontecer objetivamente — forças rebeldes que recorrem a estes expedientes. E se sabe que a vanguarda armada que tenta depor Assad é hoje composta de jihadistas.

Aí volto à pergunta de Caio: “Como tolerar as ações do meliante?” Ora, não havendo dúvidas de que as ações são mesmo do” meliante” — e Kerry diz não ter nenhuma; e a BBC está certa de que a bomba incendiaria partiu da turma de Assad —, a resposta é uma só: não tolerar as ações do meliante. Ponto final! Então é preciso intervir, mas não com uma expedição punitiva, só “para que não fique sem resposta”. Essa é, de três possibilidades — as outras duas são nada fazer e entrar para derrubá-lo — a pior. Escrever e pensar sobre guerra corresponde sempre a fazer cálculos que envolvem vidas humanas — ou, para ser mais cru e cruento: a morte de pessoas.

Qual seria o feito de uma expedição punitiva? Sanguinários da qualidade de Assad não têm o menor pudor em transformar parte da população em alvo. Não lhe custa nada transferir mulheres, crianças e idosos para instalações militares manjadas, alvos certos ou prováveis de bombardeios aéreos, e exibir depois para o mundo o produto da ação americana, açulando ainda mais rancores e ódios. Por mais cirúrgicos que sejam esses ataques, a chance de atingir populações civis é gigantesca. E tudo isso para quê? Para que Assad continue no poder, ainda que enfraquecido, o que lhe dará a chance de matar ainda mais gente?

Não sou um dos “realpolikeiros” a que se refere Caio também porque, em relação a acasos assim, ao contrário, eu pretendo misturar pragmatismo com uma questão que é de fundo moral, que tem de permanecer no horizonte. Havendo as provas — Bush também tinha as suas sobre Saddam, e não estou sendo irônico; lembro que também aquele meliante usava armas químicas contra os curdos —, acho que não resta alternativa, não. Com jihadistas ou sem eles, com Al Qaeda ou sem ela, com terroristas ou sem eles, então é preciso derrubar Bashar Al Assad. Prova é prova. E não existe alguma coisa que seja “meio inaceitável”. Ou é ou não é. As provas que Kerry diz ter, sendo verdadeiras, caracterizam o inaceitável, o que enseja uma daquelas três possibilidades: depor o “meliante”.

“Isso não é assim tão simples; uma guerra de longa duração passa por uma negociação com o Congresso e tal”. Sei de tudo isso. Ma tem de ser tentado. Entre o Assad sem armas químicas e o terror, Assad é o mal menor. Entre Assad usando armas químicas e o terror, Assad passa a ser o mal maior (ao menos ali na Síria), o que não quer dizer escolher o terror (também já escrevi sobre isso). Uma intervenção de longa duração terá de enfrentar também esse inimigo.

Não estou comparando os dois casos, apenas as circunstâncias: Bush estava convicto de que derrubar Saddam Hussein era vital para a segurança do mundo e para os interesses americanos. Foi lá e fez. Ele não era mais manso do que Assad nem mais humano — a menos que se considere que matar curdos com armas químicas e convencionais não tem a mesma gravidade que tem matar sírios. Ele tinha mais de 200 mil mortes nas costas. Não obstante, houve e há poucos defensores da ação dos EUA no Iraque, a guerra considerada inútil. om feito, o Iraque está lá, entregue ao terror e às traças.  Obama vive também seu momento de solidão — conta com o apoio da França.

Sendo verdade o que diz John Kerry — e estou dando de barato que seja —, é preciso agir. Mas para depor Assad, não para fazer mais alguns milhares de mortos só para que ele saiba com quem está lidando e para que aprenda que esse negócio de arma química é uma coisa muito feia. Em qualquer caso, muito mais gente vai morrer. Mortes, em si, nunca valem a pena. Se existe algum sentido moral nas guerras, ele aponta para os vivos do futuro.

Ah, sim: para que seja assim nas consequências, tem de ser assim nas causas. Os EUA têm as provas, certo? Se não as tiverem, então é preciso voltar a fita….

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2013

às 18:58

EUA dizem que mais de 1 400 morreram em ataque químico na Síria e que têm provas irrefutáveis de que Assad é o responsável

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
O secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou nesta sexta-feira que pelo menos 1 429 sírios foram mortos no ataque químico da última semana, incluindo ao menos 426 crianças. Em mais um pronunciamento sobre a crise na Síria, Kerry voltou a dar fortes indicações de que os Estados Unidos pretendem realizar uma intervenção no país – independentemente do aval das Nações Unidas. Depois de destacar o “grande respeito” do governo americano pela ONU e seus inspetores, o secretário americano lembrou que a investigação que está sendo conduzida nos locais dos ataques não tem a responsabilidade de apontar culpados, apenas de dizer se houve mesmo o uso de armas químicas. “Pela definição de seu próprio mandato, a ONU não pode nos dizer nada que nós já não saibamos”, ponderou.

Kerry disse que os EUA estão determinados a tomar “suas próprias decisões, em seu próprio tempo”. “Vamos continuar consultando o Congresso, nossos aliados e o povo americano”, acrescentou.

Referindo-se ao ditador Bashar Assad como “matador” e “assassino”, o secretário afirmou que os Estados Unidos sabem que o governo sírio usou armas químicas várias vezes neste ano. Segundo Kerry, três dias antes do ataque do dia 21, o pessoal de armas químicas do governo já estava preparando o ataque no subúrbio de Damasco. As equipes foram avisadas que deveriam se preparar, “usando máscaras de gás” e tomando outras precauções. Além disso, completou, a inteligência americana sabe que os ataques partiram de áreas controladas pelo regime e foram lançados apenas contra posições controladas por opositores. “Agora que sabemos o que sabemos, a questão é o que vamos fazer?”

Outras guerras
Kerry afirmou ainda que nada do que os EUA vierem a fazer na Síria será uma repetição do que ocorreu nas intervenções no Iraque, no Afeganistão ou na Líbia. “Nós sabemos que depois de uma década de conflito, o povo americano está cansado de guerra. Acreditem, eu também estou. Mas o cansaço não nos isenta de nossa responsabilidade”, ressaltou. “Esse crime contra a consciência, esse crime contra a humanidade, isso importa para nós”.

Obama
Pouco depois do pronunciamento de Kerry, o presidente Barack Obama também voltou a se manifestar sobre a crise na Síria, dizendo que o ataque químico ameaçou interesses de segurança nacional dos EUA. “Esse tipo de ataque é um desafio para o mundo. Não podemos aceitar um mundo onde mulheres e crianças são atingidas por gases”.

O presidente voltou a dizer que ainda não decidiu qual será a resposta americana aos ataques, e reforçou que tem consultado aliados e o Congresso a respeito. “Não estamos considerando qualquer compromisso de duração ilimitada. Não estamos considerando nenhuma aproximação com tropas”.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2013

às 23:06

Entre dois males e sem um terceiro caminho, a única escolha ética e moral é o mal menor

No post anterior, informa-se que o Parlamento britânico, prudentemente, negou-se a dar uma autorização ao governo para participar de um ataque miliar à Síria. A rigor, David Cameron poderia mandar as forças britânicas numa espécie de expedição punitiva, mas preferiu ter a chancela do Parlamento — e não foi bem-sucedido. Como se vê, a questão é bem menos simples do que faz crer certa imprensa. E, desde o primeiro dia, tenho chamado a atenção de vocês para essa complexidade. Raramente fui tão criticado por aquilo que não escrevi — e eu jamais sugeri (afirmar então…) que Bashar Al Assad é alguém em que se deva confiar. Não! É um carniceiro. Ocorre que, entre dois males, quando inexiste uma terceira opção, a única escolha ética e moralmente aceitável é o mal menor. Escolha, note-se bem, não para um engajamento na causa desse mal menor. Isso nunca!

Também o Parlamento britânico tem fundadas dúvidas se foram mesmo as forças de Assad que determinaram o ataque químico. A ONU ainda não tem as provas — os EUA dizem que já fizeram a sua própria investigação e concluíram que sim. Já vi “provas irrefutáveis” sendo desmoralizadas depois. Como esquecer o caso de Richard Goldstone (leia aqui), que fez um relatório condenando Israel no caso da incursão em Gaza, admitindo, mais tarde, o erro?

Assad é carniceiro, mas não é burro. Pode até ser que gente da sua laia tenha feito o ataque, mas duvido que seja uma tática de guerra — ele sabia que esse era o limite que poderia efetivamente derrubá-lo.

O tirano, infelizmente para os sírios e para o Oriente Médio, ainda é o mal menor no país. Seus adversários armados — e que não vão entregar as armas se ele cair — são os terroristas da Al Qaeda, são os jihadistas. Se Assad for deposto, as forças militares regulares vão se decompor. Os alauitas, que estão no comando, vão dar o fora — ou correm o risco de morrer. Um arsenal químico — que, então, os EUA e a Europa admitem existir — estará ao alcance dos terroristas.

O país tem 90% de muçulmanos e 10% de cristãos — quase 2 milhões de pessoas. Mais de 70% do total são sunitas. Os alauitas, que governam o país (minoria muçulmana à qual pertence Assad), ficam em torno de 10% também. Os principais grupos terroristas que atuam hoje no país são sunitas e incitam o ódio contra as duas outras comunidades. Os cristãos, particularmente, já enfrentam um clima de terror.

Assim, a queda de Assad não traz consigo apenas o risco de o país ficar à mercê dos terroristas — a menos que Obama esteja disposto a ter o seu próprio Iraque; há também o perigo de uma guerra religiosa. Os cristãos ficarão entre a fuga em massa e a perseguição implacável dentro do país. Aqui e ali são censurados porque dariam apoio ao ditador. Não é bem assim: estão entre Assad, que sempre lhes garantiu a necessária segurança, e o jihadismo, que os quer mortos ou fora da Síria. Qual seria a sua escolha, leitor?

Isso, obviamente, não implica que Assad possa sair por aí usando armas químicas e matando quem lhe der na telha porque, afinal, o terror seria muito pior. Se usou ou autorizou as tais armas, alguma sanção há de haver. Derrubá-lo, no entanto, para garantir que seus atuais adversários cheguem ao poder seria uma prova de estupidez.

Autorização da ONU para atacar, enquanto China e Rússia não mudarem de ideia, os EUA não terão. A Grã-Bretanha, por enquanto, ficará fora de uma possível intervenção. Isso é muito menos do que foi concedido à Otan no ataque à Líbia.

Obama, nesse caso, junta imprudência e hesitação. Por imprudente, seu governo anuncia ter as provas; hesitante, não quer atacar sozinho — ou fora de um arco mais amplo. A ação, dizem os EUA, não é para derrubar Assad. Mas, se não é, então serve a que propósito que não seja a ainda mais sofrimento? A confusão encontraria uma solução natural se, do outro lado, houvesse ao menos forças aptas a participar do concerto internacional. Ocorre que estamos falando de terroristas.

Creio que a maioria do Parlamento britânico andou operando com os mesmos critérios que me pautaram até aqui.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2013

às 22:09

Parlamento britânico vota contra a participação de seu país na intervenção militar na Síria

Na VEJA.com. Comento no próximo post.
Após um debate que se estendeu por toda a quinta-feira, o Parlamento britânico rejeitou uma possível intervenção militar da Grã-Bretanha na Síria. A votação foi apertada: 285 contra 272. Os Estados Unidos ainda podem decidir lançar uma ofensiva unilateral contra o regime do ditador Bashar Assad, mas a tarefa fica mais difícil sem o apoio britânico.

O que os parlamentares britânicos rejeitaram foi uma moção preliminar proposta pelo premiê David Cameron, que, se tivesse sido aprovada, funcionaria como uma autorização prévia para o uso da força, “se necessário”. Mesmo assim, ainda seria exigida uma segunda votação. No entanto, o fracasso em fazer avançar até mesmo uma votação em grande medida simbólica demonstrou a grande oposição aos planos do governo britânico de integrar qualquer plano de intervenção.

O primeiro-ministro David Cameron reconheceu a derrota e disse que vai respeitar a decisão. No fim da votação, os parlamentares pediram a Cameron uma garantia de que ele não usará nenhuma prerrogativa para agir sem o aval do Parlamento. O primeiro-ministro consentiu, dizendo que respeita a vontade dos políticos e que havia “entendido” o recado. “Está claro para mim que o Parlamento britânico, refletindo a opinião da população, não aprova uma intervenção do Exército britânico. Eu entendi e o governo agirá de acordo com esta decisão”, afirmou.

“Estamos sendo empurrados rápido demais para uma ação militar sem que o devido processo tenha sido seguido. O objetivo tem mais a ver com punição do que com proteção”, disse Ed Miliband, líder do opositor Partido Trabalhista. “Seria errado usar a força antes de as provas estarem diante de nós”.

Vale ressaltar que, tecnicamente, o premiê britânico não precisaria do apoio do Parlamento para realizar uma ação na Síria. Esse tipo de ação pode se desenvolver somente a partir de uma ordem do primeiro-ministro.

A Casa Branca afirmou que “continuará a consultar o governo britânico”, um de seus aliados mais próximos, mesmo depois do resultado da votação desta quinta. “A decisão do presidente Obama será baseada pelos interesses dos Estados Unidos. Ele acredita que há interesses fundamentais em jogo para os EUA e que países que violam normas internacionais relacionadas a armas químicas precisam ser responsabilizados”, disse a porta-voz Caitlin Hayden, indicando que a possibilidade de intervenção não está descartada.

O Parlamento britânico interrompeu o recesso para realizar uma sessão extraordinária após o massacre perpetrado na periferia de Damasco, na semana passada. Os sinais de que as mortes foram causadas por forças ligadas ao governo, com uso de armas químicas, levaram Cameron a cobrar do Ocidente uma ação rápida, independentemente do Conselho de Segurança da ONU, onde o ditador Assad ainda conta com o apoio de China e Rússia. A Grã-Bretanha chegou a apresentar uma resolução ao conselho para pedir uma intervenção, mas russos e chineses impediram a negociação.

Na quarta-feira à noite, o presidente americano Barack Obama responsabilizou o regime do ditador Bashar Assad, mas disse que ainda não tinha tomado nenhuma decisão sobre qual resposta daria aos ataques. Os planos dos EUA consistem em realizar uma ação rápida por meio do lançamento de mísseis, sem um envolvimento direto de tropas e sem ter como objetivo forçar a queda de Assad. Navios de guerra já foram deslocados para a região.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2013

às 21:58

EUA repetem o discurso empregado para atacar a Líbia. Ou: E se o arsenal químico cai nas mãos da Al Qaeda?

Ai, ai, que preguiça! A ONU ainda não concluiu se foi mesmo Bashar Al Assad quem usou as armas químicas, mas o porta-voz da Casa Branca, Jay Carny, assegurou que os a administração Obama não precisa disso porque já dispõe da certeza de que foi o tirano, sim, o responsável. Resta torcer que as fontes da informação não sejam aquelas mesmas que asseguraram a George W. Bush que Saddam Hussein escondia um arsenal químico no Iraque, não é? Leiam a síntese do que anda pensando o governo americano em texto publicado na VEJA.com. Quem acompanha o noticiário internacional e lida um tantinho com a lógica se espanta.

Nos EUA, o presidente precisa pedir autorização ao Congresso para entrar em guerra com outro país. Foi o que fez, por exemplo, o demonizado Bush antes de atacar o Iraque. E se corrija uma vez mais uma mentira: a ONU não vetou a ação americana, como se diz. Ela não autorizou, o que é diferente — até porque não houve essa votação. Barack Obama é chegado a dar um by pass nas instituições — ele, sim, não seu antecessor. Muito bem! Carny firmou que o presidente, mais uma vez, não pedirá autorização, agora para eventualmente atacar a Síria. Por que “mais uma vez”? Porque Obama já ignorou o Congresso por ocasião do ataque à Líbia. Para todos os efeitos, não entrou em guerra com aquele país. FORAM DIAS SEGUIDOS DE COMBATE NUMA NÃO-GUERRA.

O governo Obama repete também o discurso empregado naquela ocasião. Também se dizia que o objetivo não era derrubar Muamar Kadafi, mas “libertar” a Líbia. Com essa justificativa, Obama pode atacar quem quiser e não precisa prestar contas a ninguém — mas, sabem vocês, terrível mesmo era o demônio Bush. As bombas de Obama salvam e curam.

Os americanos, assim, a exemplo do que fizeram na Líbia, só jogariam algumas bombas em alvos militares. A depender da intensidade, a consequência é óbvia: as forças oficiais ficam debilitadas, e os rebeldes avançam. Para a similaridade ser perfeita, só falta decretar uma Zona de Exclusão, mas apenas para as forças de Assad… Mais uma vez, parece, os ESTADOS UNIDOS VÃO JOGAR UMAS BOMBAS NUMA NÃO-GUERRA.

Agora a lógica
Então há armas químicas na Síria, certo? Estão com ditador Assad. Embora o objetivo não seja derrubar o governo, a chance de que ele caia é gigantesca. Nesse caso, o arsenal químico, que não tem como ser destruído sem o risco de um desastre de proporções inimagináveis, pode cair nas mãos dos jihadistas da Al Qaeda. Tudo ali, bem ao lado de Israel e bem perto dos inimigos xiitas do Hezbollah, que estão no sul do líbano.

Mas Obama, a gente sabe, está sendo de uma formidável habilidade no Oriente Médio, não é mesmo? Por que erraria agora?

Eu sei que vocês conhecem o mapa. Mas vá lá. A Síria vai ali em rosa. Aquela tripinha verde é Israel. Aquela coisinha bege ao Norte é o Líbano, coalhado de xiitas (no Sul). É um pedacinho do mundo. Mas explode e mata.

Por Reinaldo Azevedo
 

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