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setor elétrico

24/01/2013

às 20:29

PSDB diz que Dilma usou pronunciamento para fazer campanha pela reeleição; PT reage

No Globo:
O PSDB atacou o pronunciamento em rede de TV e rádio feito pela presidente Dilma Rousseff na noite de quarta-feira, o que eles afirmam ser uso do poder público em favor de “uma candidatura e de um partido político”. Nesta quinta, o partido divulgou nota em que afirma que a presidente usou os oito minutos do pronunciamento para atacar a oposição. Após a divulgação da nota dos tucanos, a liderança do PT na Câmara dos Deputados reagiu e partiu ao contra-ataque. O líder do partido, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que a posição do PSDB mostra falta de propostas da oposição para o país.

“O conceito de República foi abandonado. A chefe da Nação, que deveria ser a primeira a reconhecer-se como presidente de todos os brasileiros, agora os divide em dois grupos: o “nós” e o “eles”. O dos vencedores e o dos derrotados. Os do contra e os a favor. É como se estivesse fazendo um discurso numa reunião interna do PT, em meio ao agitar das bandeiras e ao som da charanga do partido”, afirmou o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PE). Para os tucanos, houve o uso indevido do horário em rede de TV e rádio para “promoção pessoal e política da presidente”, o que seria uma afronta à democracia.

“No governo do PT, tudo é propaganda, tudo é partidarizado. Nada aponta para o equacionamento verdadeiro dos problemas do país ou para uma solução efetiva. Em vez de assumir suas responsabilidades de gestora, fazendo o governo produzir, o que se vê é o lançamento prematuro de uma campanha à reeleição, às custas do uso da máquina federal e das prerrogativas do cargo presidencial”, concluiu o PSDB, na nota.

Provável candidato do partido à Presidência, o senador Aécio Neves também divulgou nota na qual chamou de ‘inaceitável’ o uso feito pelo PT de estruturas do Estado para alcançar seus objetivos político-partidários. “Falou à Nação não a presidente da República, mas um partido político (…) registro meu pesar por este triste marco de quebra do princípio da impessoalidade no exercício da Presidência da República”.

PT reage e diz que tucanos não têm proposta para o país
O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE) divulgou nota após a manifestação do PSDB. Ele destacou o lado político da não adesão de três empresas geradoras de energia ao pacote anunciado por Dilma, todas em estados governados pelo PSDB, e disse que faltam propostas aos tucanos.

“A nota do PSDB divulgada nesta quinta-feira mostra claramente que faltam à oposição propostas para o país e sobra a surrada opção de distorcer e manipular os fatos. Antidemocrático é censurar a palavra da presidenta sobre as conquistas de seu governo e querer estabelecer inclusive o cenário e quando ela deve falar à nação”, afirmou Guimarães.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/01/2013

às 6:55

Custos do mau planejamento

Leia editorial do Estadão sobre setor elétrico:

Por falhas de planejamento, ineficiência de estatais e crônica incapacidade do governo de reagir com presteza aos problemas, empreendimentos privados que deveriam ser vitais para regularizar o fornecimento de energia elétrica – sobretudo em períodos de incertezas sobre a geração hidrelétrica, como o atual – não produzem o resultado desejado e ainda impõem ônus financeiros aos consumidores. Chegou-se à situação absurda na qual, quanto maior o êxito desses empreendimentos, maiores as perdas para o País em termos energéticos e maiores os custos para a população.

É o que mostra a situação dos parques eólicos concluídos desde meados do ano passado e dos que serão concluídos em 2013. No Rio Grande do Norte e na Bahia estão prontos 26 parques, com potência instalada de 622 megawatts (MW) e há outros seis em fase de conclusão no Ceará, com potência de 186 MW. Mas nada se produz, porque não há como transmitir a energia para os centros consumidores.

O problema ficará ainda mais grave ao longo de 2013. Está prevista a conclusão, neste ano, de mais 50 projetos de geração eólica, com potência de 1,4 mil MW. Isso representa 16% da capacidade instalada prevista para entrar em operação em 2013, de 9 mil MW (incluindo todas as formas de geração). Também essa energia não será gerada pelos parques eólicos porque, como a que podia estar sendo gerada desde o ano passado, não tem como ser levada aos consumidores.

O descasamento dos cronogramas das obras das usinas geradoras e das linhas de transmissão, já notório no sistema hidrelétrico – a Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, ficou pronta para operar cinco meses antes do prazo, mas sua produção não chega aos centros de consumo, porque as linhas de transmissão só ficarão prontas neste ano -, é particularmente grave no caso da energia eólica.

Por todas as suas vantagens ambientais – utiliza fonte renovável, não polui e tem pouquíssimo impacto sobre o meio ambiente -, a energia eólica vem sendo apontada como a mais adequada para o abastecimento no futuro e sua utilização tem crescido no mundo. No Brasil, empresas nacionais e estrangeiras têm feito grandes investimentos no setor, e os resultados só não são mais notáveis porque parte do que se produz, ou se poderia produzir, não tem como chegar aos centros de consumo.

Neste período em que os reservatórios das usinas hidrelétricas estão com o nível muito baixo, forçando a utilização das usinas termoelétricas – de custo operacional bem mais alto e impacto ambiental maior do que o de outras fontes -, a energia gerada pelas eólicas do Nordeste, se já contasse com as linhas de transmissão, seria muito bem-vinda pelos gestores do sistema elétrico nacional e, sobretudo, pelos consumidores.

Ironicamente, a potência das eólicas paradas é equivalente à da usina termoelétrica de Uruguaiana, de 639 MW, que o governo às pressas tenta recolocar em operação – estava desativada desde abril de 2009 – para compensar a redução das operações das hidrelétricas devido ao baixo nível dos reservatórios. Também por ironia, a tentativa do governo de acionar essa termoelétrica esbarra em sua incompetência: por problemas de planejamento e de burocracia, não está conseguindo fazer chegar o combustível à usina – o gás natural liquefeito procedente da Argentina.

O que impede o pleno funcionamento das eólicas também é mau planejamento. Um programa adequadamente planejado decerto não resultaria no descompasso entre a obra de geração e a de transmissão. A empresa que venceu a licitação das linhas de transmissão alega questões ambientais e de proteção do patrimônio para justificar o atraso. Como previsível, trata-se de uma estatal, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), controlada pela Eletrobrás. Algumas linhas estão com seu cronograma atrasado em 6 meses; outros, em até 17 meses.

Contratualmente, as empresas geradoras são remuneradas desde o momento em que estão aptas a gerar energia, independentemente de ela estar sendo gerada ou não. Assim, paga-se por uma energia que não chega ao consumo. E neste ano se pagará mais, pois mais energia deixará de ser transmitida.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2012

às 22:15

Ideli Salvatti, a grosseira sincera, prova que eu estava certo: plano elétrico de Dilma está de olho nas urnas, não no país

A canalha petralha aproveita para me atacar até quando escrevo uma obviedade sobre Oscar Niemeyer porque sabe que eu conheço a sua natureza. E isso os deixa um pouco irritados. Se eu não tivesse leitores, tudo bem pra eles… Ocorre que são muitos milhares, né? Nesta sexta, lá vai o blog passar de 200 mil acessos de novo…

Na quarta-feira, escrevi um texto cujo título era este: Populismo Elétrico de Dilma agora está claríssimo, se combina com plano para aniquilar a oposição. Demonstro no texto que a presidente havia preparado uma armadilha para os governos tucanos de São Paulo, Minas e Paraná. Ou as grandes geradoras desses estados aderiam ao “plano” de barateamento da energia de Dilma e quebravam, ou faziam o certo, resistiam e seriam acusadas de estar contra o povo. Desde o início, o plano tinha laivos de aberta conspiração contra a economia desses três estados, de olho em 2014.

Fui acusado, claro!, de paranoico, de alimentar teorias conspiratórias infundadas (porque existem as com fundamento, é evidente!), de deixar o meu antipetismo subir à cabeça, essa bobajada… Quem é que vem a público para provar que eu estava certo? Quem é que vem a público para demonstrar – lamento, desafetos! – que Tio Rei enxerga longe e com aguda vista (apesar da miopia)? Quem é que vem a público para provar a cobertura vergonhosa que setores consideráveis da imprensa dispensam ao tema?

Ela! A musa da delicadeza, do pensamento sofisticado, da elegância de argumentos, do charme do convencimento: IDELI SALVATTI, que vem a ser ministra das Relações Institucionais. Eu adoro o nome dessa pasta. Faz supor que existam as “relações não institucionais”. Bem, existem, né? São aquelas de que cuidavam ou cuidam José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Rosemary Noronha, Paulo Vieira… Leiam o que informa a Folha Online. Negrito algumas coisas por minha conta.

Prestem atenção ao vocabulário de beira de estrada de Ideli. Vejam como se comporta, entre os seus, uma ministra de Estado. Reparem como ela confessa que o plano de Dilma para o setor elétrico é, sim, eleitoreiro e como se trata de uma ação deliberada para ferrar a oposição. Volto depois:
*
Por Daniela Roncaglia:
A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) admitiu, nesta sexta-feira (7), que a presidente Dilma Rousseff poderá enfrentar na eleição de 2014, além da oposição, um candidato da base aliada. “Nós não devemos estar desatentos a candidaturas alternativas, que começam a se desenhar”, afirmou a ministra. Nesta semana, o governador Eduardo Campos (PSB-PE), que é apontado como presidenciável, fez duras críticas à política econômica de Dilma.
Segundo Ideli, a eleição de 2014 já está na rua. “Dizem que a Dilma já subiu no palanque. Ora, a Dilma não saiu do palanque. A Dilma é a nossa candidata e tenta a reeleição em 2014, obviamente”, afirmou a ministra. Questionada quem seria esse possível candidato, a ministra disse que ainda é cedo. Ideli discursou de um evento do PT paulista com prefeitos e vereadores eleitos, que acontece em um hotel em Embu das Artes (Grande SP).
Chumbo
Na sua fala, a ministra relacionou à eleição presidencial a decisão da Cemig e da Cesp, companhias energética de Minas Gerais e São Paulo, de não renovar concessão de todas as suas geradoras. Ambos os Estados são governados pelo PSDB. Na quarta, Dilma atacou a “falta de sensibilidade” dos governos tucanos e sinalizou que está disposta a bancar a redução de 20,2% da tarifa de energia. De forma indireta, Ideli criticou também o senador Aécio Neves (MG), provável candidato do PSDB à Presidência, pela decisão da estatal mineira. “O cara parece mais o presidente da Cemig do que candidato a presidente do Brasil”, disse. Segundo ela, a presidente deu uma “chapuletada” no senador tucano.

Para a ministra, os tucanos irão tomar “chumbo” do PT na eleição. “A eleição já está na rua. E eles já tomaram chumbo em 2002, 2006 e 2010. E neste modelito, tucano bico longo, em 2014 tem a possibilidade bastante grande de tomar chumbo”, disse. Ideli ainda afirmou que o PT não pode ficar desatento aos ataques da “direita e seus adeptos”.

“Eles não vão dar trégua. É muito importante saber com quem conta, onde está, porque está. E saber também quem é que vai nos atacar. Nós vamos ser permanentemente atacados”, disse.

Voltei
Eis aí. Segundo a ministra de estado, a presidente nunca desceu do palanque. Se é assim, então não governa, mas apenas faz política eleitoreira. Mais: ela própria se encarrega de deixar claro que a questão elétrica serve para o confronto partidário. Não se trata de pensar no bem do país, mas no resultado das urnas. Ideli fala a verdade. Como se pensaria no país tentando quebrar três empresas, né?

Com Ideli é assim: a oposição não vai perder, mas “levar chumbo”, expressão que vem do mundo dos pistoleiros.  Um possível candidato do PSDB à Presidência é chamado de “o cara”. Dilma não critica, mas dá “chapuletada”. Um dos partidos adversários é nada menos do que “modelito tucano bico longo” – seja lá o que isso signifique, ela não acha bom.

Ideli é, de hábito, grosseira esteja falando a verdade ou não. No caso em questão, a grosseria vem acompanhada da sinceridade. Dilma já está em plena campanha eleitoral, e seu plano de energia será seu cavalo de batalha. Ela esperava que os tucanos fizessem a coisa certa (e eles fizeram), resistindo ao desmonte das geradoras de energia para ter, então, um palanque.

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2012

às 19:55

Cemig vai à Justiça para renovar concessões sob regra atual, diz Anastasia

Na VEJA.com:
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) recorrerá à Justiça para tentar renovar as concessões de três de suas maiores usinas nos mesmos termos dos atuais contratos. Foi o que afirmou nesta quarta-feira o governador do estado, Antonio Anastasia (PSDB), a quem a empresa está subordinada. De acordo com ele, os contratos das usinas de Jaguara, São Simão e Miranda foram “violentados” pelas novas normas definidas pelo governo federal que levaram à renovação antecipada dos ativos de geração e transmissão de energia do Brasil.

“Evidentemente (a Cemig) vai a juízo”, disse o governador, lembrando que os contratos das três hidrelétricas preveem uma nova renovação “nos termos e nos moldes atualmente vigentes”. “Pela medida provisória (579) isso não está sendo respeitado. Então, é claro que a Cemig vai tomar as medidas necessárias a salvaguardar seus direitos”, salientou.

Nesta terça-feira – prazo final para as empresas assinarem as concessões antecipadas –, a estatal mineira renovou contratos de cerca de 5 mil quilômetros de linhas de transmissão, mas desistiu da renovação pelos novos termos de outras 18 hidrelétricas, além das que vão ser discutidas na Justiça, cujas concessões também vencem até 2017. “Num exemplo hipotético, o custo de operação é 40 e a remuneração seria dez”, justificou.

Segundo Anastasia, no caso desses outros ativos, a Cemig ainda tem esperança de negociar com o governo federal antes do fim dos contratos – a maior parte termina em 2015. “Nenhum dos lados encerrou o diálogo. Se não houver mudança, a Cemig participa das licitações normalmente”, observou, ressaltando uma possível vantagem nessas disputas devido à “expertise” da empresa.

Decisão técnica
Durante encontro com a imprensa no Palácio da Liberdade nesta quarta, Anastasia negou qualquer influência política na decisão da Cemig de desistir da renovação das concessões dos ativos de geração. Além da estatal mineira, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) também se negaram a renovar contratos. No caso da última, a Justiça concedeu liminar permitindo o adiamento da decisão.

Três das quatro estatais são comandadas por governadores de partidos de oposição ao governo federal – os tucanos Geraldo Alckmin, em São Paulo, e Beto Richa, no Paraná, além de Anastasia. A exceção é Raimundo Colombo (PSD), em Santa Catarina. O mineiro admitiu que manteve diálogos a respeito da questão com Alckmin (com quem disse “conversar sempre”) e “com a Copel”, mas afirmou que as decisões foram estritamente “técnicas”. “Querem politizar uma questão técnica”, declarou.

De acordo com Anastasia, é uma “coincidência” o fato de as recusas terem partido de empresas ligadas a opositores da presidente Dilma Rousseff. “Os valores propostos pelo governo federal são muito baixos. Foi demonstrada a inviabilidade de adesão, o que aconteceu também com outras empresas. Que, por uma coincidência, são estatais de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina”, ressaltou.

“Mas como não há nenhum critério político nisso, nós aderimos à transmissão. Se houvesse qualquer questão de ordem política, não haveria adesão. Aderimos integralmente porque o governo federal reconheceu a necessidade de melhorar a proposta”, concluiu o tucano, salientando ainda que a renovação dos ativos de transmissão foi feita “na confiança” porque “as normas não foram aprovadas ainda”.

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2012

às 4:43

Dilma quer arrombar os cofres de São Paulo, Minas e Paraná com o seu “populismo elétrico”, e boa parte da imprensa lhe serve de porta-voz! É o fim da picada!

Dilma Rousseff, sedizente especialista em energia, juntou seus mágicos em torno do caldeirão e inventou um modelo de intervenção no setor elétrico que resultaria numa queda de 20% no valor das tarifas. A Soberana foi à TV e anunciou a novidade à tigrada.  O dado nada irrelevante, nesse caso, é que a presidente deveria ter negociado o seu pacote com geradoras estaduais de energia, como Cesp (São Paulo), Cemig (Minas) e Copel (Paraná). Eu sei que não parece, mas ainda estamos numa federação. Não houve negociação. A “especialista” Dilma não quis conversar com ninguém.

Essas empresas negociam ações na Bolsa de Valores;  têm investidores. Só isso recomendaria cuidado. Os maiores acionistas são os respectivos governos estaduais. O prejuízo que seria imposto à CESP, por exemplo, seria gigantesco: da ordem de R$ 5 bilhões. Há mais: o faturamento da empresa despencaria e seria inferior a seu custo operacional. As três empresas não aderiram ao programa. A redução de tarifa tende a ficar abaixo dos 20% (pode ficar em 16,7%), e o governo federal, sob o silêncio cúmplice de boa parte da imprensa, já encontrou os culpados: os respectivos governos tucanos de São Paulo, Minas e Paraná. Não por acaso, as ações da CESP, que haviam despencado quase 40%, a exemplo do que aconteceu com as demais elétricas, subiu mais de 9% diante da recusa.

Atenção! As contas feitas pela CESP são matemática, não feitiçaria. O governo federal não tem o direito legal – como está óbvio – de impor uma solução. É um disparate que Dilma tenha ido à TV, como se fosse a Kim Jong-un (aquele ser estranho que governa a Coreia do Norte) do setor, anunciar seu populismo elétrico com o chapéu alheio. Com que então, para baratear a energia, o governo federal decide quebrar três empresas e mandar o espeto para os governos estaduais – curiosamente, ou nem tanto, geridos por um partido de oposição!? A determinação do governo petista de explodir São Paulo chega a ser comovente pela obsessão.

O secretário executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, numa fala espetacular pela delinquência intelectual e política que revela, resolveu fazer política partidária aberta, arreganhada: “A decisão dessas empresas, principalmente as companhias de São Paulo e Minas Gerais, de não renovar seus contratos sob novas bases, é a causa de, hoje, não podermos anunciar o corte na conta de luz pretendido pelo governo federal”. Não se deu por satisfeito: “Essas companhias privilegiaram seus acionistas, e não a população brasileira”.

É estupefaciente! A melhor maneira que empresas têm de cuidar do povo brasileiro, enquanto empresas, é, sim, cuidar dos interesses de seus acionistas. Essa oposição é coisa de vigaristas. Se as geradoras estaduais de energia quebram – como parece ser a proposta de Zimmerman e Dilma –, quem vai pagar o pato é Tesouro dos respectivos estados e, por consequência, a sua população.

Isso já é campanha eleitoral antecipada. O petismo já anuncia uma das “pegadas” da campanha de 2014: “tucanos impediram a queda da tarifa de energia elétrica”. Até uma parcela de mineiros, paulistas e paranaenses, que seriam, indiretamente roubados pelo projeto do governo federal, tenderá a acreditar na mentira.

Até outro dia – o primeiro mandato de Lula –, esse tipo de procedimento contaria com o repúdio quase unânime da imprensa. Mas houve mudanças importantes em vários veículos de comunicação, que resolveram cair de boca no populismo – e não só o elétrico. Não sei, não… Tenho a impressão de que, hoje em dia, o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal correriam riscos… Leiam o noticiário: as evidências – matemáticas, reitero – de que a CESP, por exemplo, quebraria são tratados apenas como versão de um dos lados. Contabilidade virou agora matéria de mera opinião! O que foi parar nas manchetes é mesmo a acusação feita pelo governo federal.

E se essas empresas topassem e fossem para o buraco? Ora, nesse caso, bastaria acusar a incúria dos governos tucanos na gestão do setor, não é mesmo?

Mas que fique a lição ensinada por Zimmerman: empresas que pensam em seus acionistas devem ser satanizadas, levadas ao paredão, desmoralizadas. Seu papel é quebrar para que Dilma possa impor suas generosidades.

Para encerrar
Quando ministra das Minas e Energia, depois da Casa Civil e posteriormente candidata, Dilma parecia ter a receita mágica para o setor elétrico. Falou-se muito e se fez muito pouco. A sua grande ideia para a área, vê-se agora, era quebrar três geradoras estaduais de energia e, por meio de Zimmerman, fazer proselitismo político da pior espécie.

As três empresas deveriam se cotizar para comprar tempo na televisão, em horário nobre, informando, com todas as letras, o que de fato está em curso. Se continuarem no meio do ringue, tomando porrada, ainda acabarão sendo consideradas as culpadas pela lambança que o governo federal está fazendo no setor.

Por Reinaldo Azevedo

28/02/2011

às 4:53

Grandes apagões viram rotina no Brasil

Por Renée Pereira, no Estadão:
Dez anos depois de mergulhar no maior racionamento da história, o Brasil volta a conviver com problemas no setor elétrico. Mas, desta vez, a crise não está na falta de energia, como ocorreu em 2001, mas na dificuldade de fazer o produto chegar até o consumidor final. Nos últimos meses, uma série de apagões e blecautes regionais causaram transtornos e prejuízos aos brasileiros.

Só neste ano, até o dia 22, foram 14 grandes ocorrências, conforme relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A maior delas deixou o Nordeste sem luz por até cinco horas. O incidente — ainda sem explicações precisas — garantiu ao Brasil o título de país com o maior número de blecautes de grandes proporções. Das seis maiores ocorrências registradas no mundo desde 1965, três são do Brasil: em 1999 (97 milhões de pessoas), 2009 (60 milhões) e 2011 (53 milhões), segundo a consultoria PSR. O maior ocorreu na Indonésia, em 2005, atingindo 100 milhões de pessoas.

Além dos grandes apagões, que normalmente ocorrem por falhas no sistema de transmissão, a população também tem convivido com uma série de desligamentos na rede de distribuição, de responsabilidade das concessionárias. Nesses casos, os cortes estão limitados às áreas de concessões das empresas, cidades ou bairros. As companhias alegam que a culpa é de São Pedro e que as redes não têm suportado as fortes chuvas.

Os constantes blecautes estão traduzidos na piora do indicador de qualidade do fornecimento de eletricidade, medido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nos últimos três anos, o tempo médio que o brasileiro ficou sem luz subiu quatro horas. “Hoje temos energia e não conseguimos entregá-la com a qualidade necessária. O problema é que o governo nunca explica o real motivo dos apagões”, afirma o diretor-presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria.

Para especialistas, a origem dos apagões está em investimentos menores que a necessidade da rede de transmissão e distribuição. “Houve um descompasso entre os investimentos da geração e transmissão”, afirma o presidente da Compass Energia, Marcelo Parodi. Mas o problema não é a falta de novos empreendimentos, já que a Aneel tem feito leilões contínuos de linhas de transmissão e as distribuidoras, ampliado o número de clientes. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

05/02/2011

às 14:01

Um apagão de vergonha na cara

Ontem, republiquei aquele vídeo impagável em que Dilma Rousseff tenta explicar o apagão de 2009. Ninguém entendeu nada, e ela própria, como ficou óbvio ali, não tinha a menor idéia do que tinha acontecido. Veio a público 21 horas depois para engrolar aquelas palavras. No fim da contas, culparam um certo raio que nunca aconteceu. E tudo ficou por isso mesmo.

Ficou claro que o ministro Edison Lobão, o mesmo de 2009, não sabe do que fala. Chega a dar pena! Histérica, Dilma insistia que “blecaute, minha filha, não é apagão; apagão é coisa de incompetentes”. Vai ver a rotina de blecautes, então, é coisa de… competentes!

Olhem aqui: a agora rainha Dilma Primeira manda no setor elétrico há oito anos. É a gerentona, a poderosa, a que sabe tudo, a que manda soltar e prender na área. Não obstante, um setor de fato estratégico – este sim! – foi terceirizado e está entregue à oligarquia mais bocó e mais atrasada do país: a da família Sarney.

Tentando explicar o ocorrido, Lobão resolveu tomar emprestado a Delúbio Soares a inclinação para os eufemismos e declarou que “não houve apagão, mas uma interrupção temporária no fornecimento de energia”. Entendi: a “interrupção temporária” é um “apagão não-contabilizado”.

Aí o marketing da Dilma Primeira entrou em campo – e a imprensa repete bovinamente o ardil – para deixar claro que ela ficou muito preocupada, chamou o ministro e cobrou uma explicação. Huuummm… Ele, convenham, saiu-se um pouquinho melhor do que ela em 2009. Ademais, coitado!, está lá apenas como estafeta da família Sarney. Poderia dizer à presidente: “É pra mim que a senhora vem perguntar o que aconteceu? E desde quando eu estou aqui para cuidar de energia? Eu cuido é do latifúndio de Sarney no governo federal.” Estaria só falando a verdade.

Não deixa de ser irônico que parte do país tenha ficado às escuras no dia em que a presidente nomeou Flávio Decat, mais um afiliado de Sarney, para a presidência de Furnas.

Assim que o jornalismo parar de se comportar, com as exceções de sempre, como castelão de Dilma Primeira, talvez volte a seu trabalho e ilumine os gargalos na infraestrutura da economia brasileira. É um escárnio que o setor elétrico esteja entregue a tipos como Lobão e Sarney, tendo um Eduardo Cunha no banco de reservas…

O apagão no Brasil é de vergonha na cara!

Por Reinaldo Azevedo

13/11/2010

às 7:23

Eleita cogita desalojar o PMDB de Minas e Energia

Por Leila Coimbra, na Folha:
A presidente eleita Dilma Rousseff quer aumentar o seu poder no setor elétrico -que ela julga ser estreitamente ligado à sua imagem. Segundo a Folha apurou, a petista estaria até disposta a desalojar o PMDB da pasta, colocando o petista Maurício Tolmasquim, seu braço direito no setor elétrico e presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), como o ministro de Minas e Energia. Também cotada para a Casa Civil, Maria das Graças Foster é outra opção de Dilma para o ministério.

O PMDB, que dá como certa a nomeação de Edison Lobão (PMDB-MA) para a pasta, teria de se contentar com cargos de segundo e terceiro escalão nas estatais do setor (Eletrobras, Furnas, Eletronorte e Chesf), hoje com o PT. Em contrapartida, cinco diretorias importantes das estatais poderiam passar para a cota do PMDB, com exceção da de Engenharia da Eletrobras, que seria mantida com o petista Valter Cardeal.

A Folha apurou que a presidente eleita tem ciência das dificuldades de emplacar um petista em um ministério tradicionalmente comandado pelo PMDB, e do desgaste político que isso pode provocar. Mas ela confidenciou a assessores que gostaria de pessoas de sua mais absoluta confiança para ter mais controle sobre temas polêmicos que terão que ser definidos no início do mandato. São decisões que envolvem interesses de quase todas as empresas do setor elétrico e que implicarão reflexos nas tarifas de energia. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/11/2010

às 5:45

Rachadura em turbina de Itaipu gera temor de apagão

Por Leila Coimbra, na Folha:
A hidrelétrica de Itaipu, segunda maior do mundo, apresentou rachaduras de mais de 50 centímetros na estrutura de uma de suas 20 turbinas. As trincas foram descobertas na revisão periódica da máquina número 6, que opera desde 1987. Ela entrou em manutenção em 22 de setembro e deveria ter voltado a funcionar na segunda-feira.Como esse tipo de conserto nunca foi feito antes, o equipamento poderá ficar parado por um período de seis meses a um ano. A questão preocupou técnicos da usina e especialistas do setor elétrico.

A peça de 23 anos de uso é uma gigante de sete toneladas e capacidade de gerar sozinha 700 megawatts -maior que a maioria das hidrelétricas do país. Um dos temores é que outras turbinas de Itaipu venham a apresentar rachaduras devido ao tempo de uso, o que comprometeria o abastecimento nacional de energia. A usina é responsável por 20% do abastecimento nacional e fornece energia para as concessionárias das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Uma pane na gigante deixaria mais da metade do país no escuro mais uma vez. Problemas nas linhas que levam a energia de Itaipu ao resto do país, em 10 de novembro do ano passado, deixaram 18 Estados brasileiros no escuro.

Para o especialista em geração elétrica Silvio Areco, diretor da consultoria Andrade & Canellas, o desgaste das partes metálicas, criando rachaduras, é previsível em um equipamento com 23 anos de funcionamento que vive constantes vibrações com a passagem de água e peixes em sua estrutura. O importante, na avaliação de Areco, é o grau de severidade dessas trincas: se são superficiais ou fendas profundas, que poderiam gerar outros estragos. Ele acredita que é preciso avaliar cuidadosamente as causas das rachaduras, mas descarta risco de apagão: “Há sempre um processo cuidadoso de manutenção e avaliação constante dos equipamentos em uma usina como Itaipu”.

A turbina, de fabricação da alemã Voith Siemens, está sendo analisada pela companhia fabricante, que ainda não tem um diagnóstico sobre as causas das trincas. As previsões para a produção de energia de Itaipu neste ano já estavam pessimistas antes do incidente. Em 2010 a usina irá registrar uma de suas menores produções da década, de 82 milhões a 84 milhões de megawatts-hora (MWh). O recorde, de 2008, é de 94.684.781 MWh. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2010

às 16:57

PSDB e DEM pedem que Procuradoria Geral da República investigue ações de Dilma e de seu homem forte no setor elétrico

O PSDB e o DEM recorrem hoje à Procuradoria Geral da República pedindo que se abra uma investigação para apurar se Dilma Rousseff e Valter Cardeal, um de seus homens de confiança (é diretor de Engenharia e Planejamento da Eletrobras), tinham mesmo conhecimento de fraude milionária no setor elétrico, conforme acusa o banco alemão KFW, que entrou com uma ação na Justiça contra a CGTEE (companhia de geração térmica de energia do governo federal).

Segundo a revista Época, o grupo que comandava a estatal forjou um aval em nome da CGTEE para ajudar uma empresa privada — a Winimport — a obter empréstimo de 157 milhões de euros para erguer sete usinas de biomassa. Só duas foram feitas. A CGTEE foi usada como fiadora do negócio. Empresas públicas são proibidas de dar garantias internacionais a empresas privadas. O banco sustenta que Dilma e Cardeal sabiam da lambança. Neste fim de semana, a Folha noticiou que Edgar Luiz, irmão de Valter, atua como consultor de empresas interessadas em investir em energia eólica, cobrando, claro!, uma “taxa de sucesso” quando consegue ser bem-sucedido.

PSDB e DEM já haviam entrado com uma outra representação, esta contra a ex-ministra Erenice Guerra, por conta do, digamos assim, conjunto da obra na Casa Civil. Num adendo, os dois partidos pedem que sejam investigadas também as ações da uruguaia Maria Cristina de Castro, a “Tupamara”, amiga de Dilma nomeada como assessora especial do Ministério das Minas e Energia. Segundo o TCU, conforme revelou a revista VEJA, Maria Cristina celebrou um contrato de R$ 14 milhões sem licitação, dos quais R$ 5 milhões teriam simplesmente desaparecido.

Por Reinaldo Azevedo

05/09/2010

às 11:44

Consumidor de luz pagou R$ 1 bilhão por falha de Dilma

Na Folha Online:
Falhas no cálculo da chamada tarifa social de energia, criada no governo FHC, provocaram gastos indevidos de um fundo de consumidores de todo o país, informa reportagem de Rubens Valente, publicada neste domingo pela Folha
(íntegra
disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Segundo o Tribunal de Contas da União, o desperdício foi de R$ 989 milhões no tempo em que Dilma Rousseff era ministra de Minas e Energia (2003-2005).

O TCU alertou Dilma três vezes sobre o erro, mas ela não tomou providências.

Um dos critérios para definir o benefício era o baixo consumo. O TCU concluiu que o domicílio que gastava pouco não era necessariamente pobre. Podia ser uma casa de praia, por exemplo.

Em 2006, só depois de a ministra ir para a Casa Civil, houve providências. A lei mudou em 2010.

Outro lado
A candidata Dilma Rousseff (PT) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “desde 2003″ o MME (Ministério de Minas e Energia), a Aneel e o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) realizaram estudo para propor mudanças no cálculo da tarifa social.

Segundo a assessoria, tais estudos resultaram na lei sancionada pelo presidente Lula em janeiro deste ano, que alterou os cálculos.

Indagada sobre quais estudos do ministério teriam sido esses, não encontrados nos levantamentos do TCU entre 2003 e 2005, a assessoria respondeu: “Lembramos apenas que a ex-ministra saiu do MME — onde foram iniciados estudos sobre o assunto — e foi para a Casa Civil, onde coordenou todas as ações de governo, incluindo as discussões com o Congresso que resultaram na aprovação das mudanças legais”.

(…)
O MME alegou que “adotou as orientações e recomendações do TCU em abril de 2003″. “Ao longo desses anos, foram promovidas diversas ações pelo MME para construir propostas de alteração nos atuais critérios”.

Por Reinaldo Azevedo

 

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