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rolezinho

31/01/2014

às 14:01

Netinho de Paula filiou rolezeiros à União da Juventude Socialista, do PCdoB

Ai, ai, sinto vergonha até de transcrever um trecho de reportagem de Pedro Venceslau, publicada pelo Estadão. Netinho de Paula, o pagodeiro do PCdoB que é secretário da Igualdade Racial de Fernando Haddad, aproveitou a sua aproximação com os rolezeiros para atrair a molecada para o PCdoB. Ele só se esqueceu de avisar os jovens. Leiam trecho.
*
A polêmica em torno dos “rolezinhos” de jovens da periferia em shoppings de São Paulo começa a ganhar contornos partidários. Três dos principais organizadores dos encontros combinados pela internet que dividiram a opinião pública se filiaram anteontem à União da Juventude Socialista (UJS), entidade que representa a juventude do PC do B e dirige a União Nacional dos Estudantes (UNE).

A ponte entre os jovens e a organização, que foi fundada em 1984 pelo então líder estudantil Aldo Rebelo, atual ministro dos Esportes, foi feita pelo secretário de Igualdade Racial da prefeitura paulistana, Netinho de Paula, que integra o partido. Ele foi escalado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) para negociar um acordo entre os “rolezeiros” e os comerciantes que reclamam do movimento.

A filiação do trio ocorreu durante o seminário nacional de formação política da UJS. Também participaram do evento os ex-ministros Luiz Dulci e Orlando Silva, e Renato Rabelo, presidente nacional do PC do B. “A aproximação com eles reforça nossa atuação na periferia”, afirmou Camila Lima, presidente da UJS paulistana.

Apesar do entusiasmo da UJS, o principal líder dos “rolezeiros” demonstrou espanto ao ser informado pelo Estado que a entidade a qual se filiou é ligada a um partido político. “Eu não sabia que era um grupo político. Eles disseram que a UJS é um grupo de amigos e que ela não tem nada a ver com partido. Se tiver, eu vou me afastar”, disse o estudante Vinicius Andrade, de 17 anos, morador do Capão Redondo, zona sul de São Paulo.

Com quase cem mil seguidores no Facebook, ele afirma que os polêmicos encontros não têm o objetivo de fazer uma denúncia social. “Nosso objetivo é curtir, tirar umas fotos e dar uns beijos. Não queremos saber de política. A gente não queria essa polêmica toda”, disse Vinicius.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

29/01/2014

às 20:10

Em Brasília e em SP, o PT se ocupa de… rolezinhos! Ou: Tudo como era antes, mas com petistas no meio, atrapalhando

O PT, como se sabe, decidiu se meter com os rolezeiros. Nesta quarta, o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, esteve com o ministro Gilberto Carvalho, aquele que disse que a classe média se assusta com o “bando” (sic) de “negros e morenos” que passaram a frequentar os shoppings. Ele só se esqueceu de que os outros “negros e morenos” também não querem o troço. Sahyoun não deixou margem para ambiguidades: se houver rolezinhos marcados, os estabelecimentos fecharão as portas. E ponto. Foi inequívoco: “Nós estamos preocupados em ter uma Copa com muita paz, tranquila. A gente sabe que tem gente infiltrada para tentar criar problemas com a Copa do Mundo. Todo mundo pode fazer uma reivindicação sobre os problemas do Brasil. O que estamos preocupados é com pessoas com intenções de criar a quebradeira, a bagunça”. Ele tem razão.

Em São Paulo, deu-se outra reunião, esta entre o pagodeiro Netinho de Paula (PCdo B), secretário da Igualdade Racial de Fernando Haddad; Luiz Fernando Veiga, presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers); representantes do Shopping Metrô Itaquera e supostos porta-vozes dos rolezeiros — uma categoria criada pela mente divinal de Haddad.

Lembram-se daquele suposto acordo para fazer rolezinhos nos estacionamentos? Mais do que perigosa, a prática esbarraria em ilegalidades, como já observei aqui. Concentrações públicas requerem o cumprimento de normas e leis impostas pela própria … Prefeitura e pelo Corpo de Bombeiros. Sem contar que, obviamente, sabedores da possibilidade, os consumidores fariam o óbvio: dariam no pé.

Então se combinou o seguinte: os líderes de rolezinhos — pelo menos aqueles que a Prefeitura transformou em representantes do que foi transformado numa categoria — avisarão os shoppings com antecedência. Se houver a concordância do estabelecimento, tudo bem! Mas também não pode ser um grupo muito grande. Os eventos maiores ficam para as praças e outras áreas livres. Não me digam! Ah, sim: o representante dos shoppings deixou claro que os filiados não são obrigados a aceitar os eventos, mesmo com marcação prévia.

Quanta teoria sociológica vagabunda se produziu nesses dias, não é mesmo? É um caso clássico de muito barulho por nada. Netinho de Paula, aquele que anunciou uma espécie de privatização dos manos e das minas, foi mais realista nesta quarta, transferindo, claro!, o ônus de sua política de “integração” para os ombros alheios: “Quem vai dimensionar o evento e cuidar da segurança é o shopping”.

Não me diga!

Por Reinaldo Azevedo

29/01/2014

às 1:27

Prefeitura agora nega que rolezinhos vão ser feitos nos estacionamentos dos shoppings. Ah, bom! Haddad decide ainda estatizar os manos e as minas

Não fosse Fernando Haddad ter decidido estatizar os rolezinhos — o PT não suporta a ideia de que as pessoas, na sociedade, possam fazer as coisas por sua própria conta —, essa história já teria acabado. Mas não! Os petistas resolveram meter o bedelho, transformar o assunto num “case” sociológico. Para tanto, colaboraram alguns subintelectuais ainda atordoados pelo mito da luta de classes. E a coisa está aí, durando…

A tese mais original que está em curso, diga-se, assegura que os jovens da periferia expressam o seu protesto por meio da adesão à sociedade de consumo. Entendi. A derrota final da sociedade capitalista, então, se dá por meio da adesão dos pobres ao capitalismo. Uau! Muito interessante mesmo! Então tá bom! Mais original do que isso só mesmo aquele comando revolucionário suicida do filme “A Vida de Brian”, de Monty Python — do tempo em que não se compravam nem se vendiam humoristas… Sigamos com a piada.

Haddad pôs o pagoadeiro Netinho de Paula, seu secretário para a Igualdade Racial, para “negociar” com os rolezeiros e com os representantes de shopping. Negociar exatamente o quê e com quem? Existirá, por acaso, representação formal dos rolezeiros? Não que se saiba. Tudo bem! O PT inventa. Chegou-se a anunciar que os eventos seriam realizados nos… estacionamentos dos shoppings.

Escrevi a respeito. Estranhei a solução. Quem é que teria coragem de deixar o seu carro num estacionamento que vai receber rolezinhos? E os estabelecimentos com garagens subterrâneas? E muitos outros com garagens elevadas, com um parapeito, muitas vezes, não superior à cintura? E as condições de evasão de um local fechado, o que requer aprovação prévia do Corpo de Bombeiros?

A ideia é de uma supina estupidez. Nesta terça, a Prefeitura veio a público para dizer, então, que não é bem assim; que não há nenhuma decisão tomada a respeito. Na verdade, nesta quarta, haverá uma outra reunião com os rolezeiros. Na linguagem do “enrolation”, a secretaria de Netinho afirmou que “a intenção é potencializar a capacidade de mobilização destes jovens para promover ações e campanhas que alcancem positivamente esta parcela da sociedade”. Heeeinnn? Imaginem se algum mano e alguma mina vão a uma estrovenga como essa.

Estuda-se a possibilidade de o rolezinho ser comunicado com antecedência e estar sujeito à concordância das partes, sabem cumé? A Prefeitura quer, atenção, ser a “responsável cultural”, informa a Folha Online, pelos rolezinhos. O que é um “responsável cultural”? Não tenho a menor ideia.

Fico cá a imaginar a necessidade de se criar a “Subsecretaria para Assuntos de Rolezinhos”. Haveria uma agenda. Bom saber, né? Assim, no dia, os consumidores procuram um shopping em que não sejam importunados.

Gilberto Cavalho diria que eu me incomodo como “negros e morenos”. Errado! Os “negros e morenos” dos shoppings da periferia já deixaram claro, revelou o Datafolha, que eles não querem rolezinhos…

Haddad acha que governar é ceder sempre aos grupos de pressão e à gritaria das minorias e que as maiorias são autoritárias pela própria natureza. Até agora, é a figura mais patética que já sentou naquela cadeira. Foi eleito pela maioria dos que votaram.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2014

às 18:29

A antropóloga e o rolezinho. Ou: Caelum, non animum mutant, qui trans mare currunt

“Caelum, non animum mutant, qui trans mare currunt.” É do poeta latino Horácio (65 a.C.-8 a.C.), que disse quase tudo o que interessa saber ainda hoje. Os que atravessam o oceano mudam de céu, mas não de espírito. Eu mesmo, vejam bem, saí de Dois Córregos, mas Dois Córregos não saiu de mim, entendem? É a velha história: no fim das contas, tudo termina mesmo é no rio da nossa aldeia. Não acho isso ruim, não. É preciso descobrir o universo nos seus badulaques íntimos, leitor. Mas esse localismo também pode se manifestar de forma bem pouco virtuosa, sabem?

A Folha Online traz uma entrevista com a antropóloga, Rosana Pinheiro-Machado, professora de antropologia do desenvolvimento na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Com esse currículo, a gente fica até receoso de ter perdido alguma coisa na leitura. Rosana analisa os rolezinhos — ela andou estudando a coisa. Antropólogos costumam ser bem, como direi, focados. Leiam duas perguntas e duas respostas:

Você escreveu que “há contestação política nesse evento”. Ela é consciente?
Não, é implícita, ao menos no passado. Se vestir bem e ocupar um shopping é uma forma de reivindicar espaço e o “direito à cidade”. Uma forma implícita de protestar contra o racismo e discriminação de classe. Para os jovens, é importante “estar bonito” para ir para “o centro”. Porém, nos últimos dias, temos visto uma politização bastante interessante. Os jovens da periferia estão sendo protagonistas agora e esse é um momento muito especial na nossa história.

Você também escreveu que “adorar os símbolos de poder – no caso, as marcas – dificilmente remete à ideia de resistência que tanta gente procura encontrar nesse ato”. Assim sendo, qual o sentido da contestação política nos “rolezinhos”?
Simples: a exclusão que existe é social. Ao se usar de símbolos de marca, eles querem pertencer a essa sociedade de bem estar que só aparece na televisão. Afinal, na vida real, o cotidiano é marcado por “porradas” da polícia, escola sem professor e fila do SUS. Resistência é um ato de resistir às normas hegemônicas do poder. Mas não se pode ter ilusão de que aqueles meninos de 16 anos queriam fazer uma revolução, eles apenas querem se divertir, brincar, mas fazem isso de forma que acaba sendo quase subversiva. Afinal, é inesperado para muitos que jovens da periferia pobres queiram também a riqueza.
(…)

Retomo
Adorei o “simples”!!! Ah, lá estão as “porradas da polícia” — que parece existir com a finalidade precípua de reprimir os pobres. A impressão que se tem é que a elite rica e branca montou uma força militar só para se proteger daqueles que Gilberto Carvalho chama “negros e morenos”.

Entendi o triplo salto carpado dialético: os meninos querem resistir, mas é uma resistência, vejam bem, que se dá por intermédio da assimilação dos valores daqueles que eles contestam, ainda que sem saber, compreenderam? Não??? Como culpá-los? Os meninos podem não saber que são subversivos, mas a antropóloga sabe.

Deixem-me ver se entendi: se os garotos da periferia, então, estivessem articulando valores novos, trajes novos e hábitos novos, um antropólogo diria tratar-se, não tenho dúvida, de “resistência”. Como, ao contrário, eles querem calça de grife, boné de grife e tênis de grife, não pensem que isso é adesão aos valores dominantes, então, dessa “maldita” sociedade de consumo. É nada!!! Continua resistência mesmo assim. Tanto resistem os que fazem uma coisa como os que fazem o seu contrário.

Para os nossos “intelequituais”, estejam em Dois Córregos ou em Harvard, o mundo se divide em castas e ponto final. Um “pobre da periferia” será sempre um pobre da periferia, mesmo quando ele se veste como um rico, cultiva os valores do rico, consome as coisas do rico e, ó escândalo!, se torna um rico. Nessa visão, as pessoas carregam suas máculas de nascimento. Ela vai pensar mais um pouco:
O “rolezinho” é um fenômeno tipicamente contemporâneo ou poderia ter acontecido no passado?
É um fenômeno contemporâneo e antigo. Antigo porque os grupos populares periféricos sempre ocuparam espaços das elites desde a abolição da escravatura no Brasil. E sempre foram expulsos desses lugares por meio de políticas higienistas e por meio da força policial. Mas também é um fenômeno novo porque está imbuído de novos elementos: o funk ostentação, a globalização, as redes sociais e o próprio momento especial da sociedade brasileira que, desde o ano passado, tem participado de uma fase de maior reivindicação democrática de todas as ordens, bem como de maior intolerância quanto às injustiças sociais.

Comento
A tese poderia, ao menos, não ser desmoralizada, de saída, pelo mais elementar de todos os fatos: os rolezinhos foram feitos em shoppings da periferia, construídos para os moradores dessa periferia e por eles frequentados. Aquele ambiente já é deles.

Eu sempre fico fascinado quando um “especialista” junta funk ostentação, globalização, redes sociais e reivindicações por mais democracia. Isso desperta na gente a sensação de estar diante de um pensamento mais profundo do que o jornal é capaz de registrar. Como a Internet está aí, e é possível escrever textos de 200 quilômetros sem gastar papel, eu fico à espera do desenvolvimento da tese. Interessa-me, sobretudo, a articulação entre o funk e a globalização. E também fiquei curioso em saber como a apropriação dos, vá lá, hábitos do “opressor” (o consumismo…) tem um caráter subversivo.

“Caelum, non animum mutant, qui trans mare currunt.” Com todo o respeito, a professora atravessou o oceano, mas o oceano não mudou a professora. Repete a bobajada que a esquerda nativa anda a dizer, em sua própria terra, sobre os rolezinhos porque vê o pobre segundo o manual da luta de classes.

Diga-me cá, ó mestra: quando o moleque põe um boné da John-John, ele não pode apenas estar querendo, genuinamente, um boné da John-John, além de estar dizendo para si mesmo que vai lutar, por seus próprios meios, para sair da pobreza? Se, um dia, ele chegar a ser presidente de uma multinacional, segundo o seu ponto de vista — o da incorporação do consumo como ato de resistência —, ele será o quê? Um Che Guevara?

É impressionante como todas as teses das esquerdas, sem exceção, são desmoralizadas pelos fatos, o que as torna, então, ainda mais convictas. Entendo. Deve ser terrível ver os “negros e morenos” (by Gilberto Carvalho) da periferia a desmoralizar anos de ideologia vertidas em antropologia da reparação.

Por Reinaldo Azevedo

25/01/2014

às 6:07

Uma suruba ideológica no Leblon

Leitores me convidam a escrever sobre um vídeo que já circulou muito por aí. O busílis é o seguinte. No domingo, haviam marcado um rolezinho no Shopping Leblon — um desses de protesto. O shopping fechou as portas, e os “conscientes da Zona Sul” ficaram do lado de fora, falando em nome dos “pobres”, que não compareceram ao evento. Entre os rolezeiros, estava um rapaz fantasiado de Batman, figura frequente nos protestos no Rio desde junho.

Sempre chega a hora em que o Batman tem de enfrentar o Pinguim, materializado, no caso, na figura corpulenta do cineasta Dodô Brandão, que decidiu bater boca com o mascarado. Aí outras pessoas entraram no embate. Era uma verdadeira suruba de conceitos políticos e ideológicos mal compreendidos — tudo ali, na esquina das avenidas Ataúlfo de Paiva e Afrânio de Melo Franco, no Leblon. Com câmera na mão, a equipe de uma TV francesa tentava entender por que o representante dos jacobinos e o dos girondinos estavam brigando…

Segue o vídeo. Volto depois.

Vamos entender Dodô Brandão
É a encarnação da esquerda do Leblon. Como ele mesmo confessa, “ganha muito dinheiro” — se for numa atividade privada e à custa do seu talento, devemos aplaudi-lo por esse particular. Mesmo bem-sucedido no regime capitalista brasileiro, ele é um homem consciente, certo? Não gosta do capitalismo e menos ainda do “capitalismo americano”, do qual o Batman, segundo ele, seria um “símbolo”.

Dodô certamente vem daquele tempo em que fazia sucesso entre as esquerdas um livreco chamado “Para Ler o Pato Donald”, escrito por Ariel Dorfman e Armand Mattelard, que denunciava as terríveis manipulações ideológicas nas personagens de Walt Disney. Para ele, pois, tudo o que vem daquele país está carregado de uma carga de ideologia imperialista.

É claro que Dodô não estava bravo com o Batman da hora por causa disso. A sua preocupação é outra. Trata-se, como fica claro, de um governista entusiasmado. Assim, protestos que, para ele, acabarão por desestabilizar o governo são negativos. E, ora, ora, além de chamar o outro de “idiota”, não lhe ocorreu ofensa maior do que classificá-lo de “direita”. Uma senhora reagiu. “Não é direita, não”. Falo dela daqui a pouco.

Vamos entender o Batman
O Batman certamente pertence à mesma classe social de Dodô, percebe-se pelo vocabulário e pela sintaxe, mas não tem os mesmos compromissos intelectuais que tem o adversário da hora — embora também ele fale em nome do povo. Leiam o que diz: “Eu venho para as ruas combater. A quantos protestos você veio? Quantas vezes você para as ruas lutar PELA população? Eu luto PELO meu povo. E você, luta por quem?”.

O Batman integra a categoria dos “conscientes” da zona Sul que avaliam que basta sair às ruas e declarar seu amor à justiça social para fazer a sua parte.

“Eu sou de direita”
O Batman rolezeiro não estava fazendo sucesso. Uma senhora, com uma, digamos, dignidade conservadora lhe diz: “O Carnaval ainda está longe, rapaz, e você está com essa palhaçada!”. Enquanto o bate-boca avançava, outra mulher gritava contra o Batman: “Manipulado, manipulado, manipulado!”. Será que ela estava com Dodô? Não exatamente.

Ao tentar se explicar à equipe de TV Francesa, o cineasta começou a recitar a cartilha do PT: “Esses caras são uns caras de direita, que não querem ver que o país avançou, que tem emprego…”.

Aí a que gritava o: “Não é de direita, não!”. Responde Dodô: “De direita, fascista!”. Ela retoma: “Fascista, sim, mas de direita, não! Porque eu sou de direita e não faria isso.” Alguém pergunta, também com uma câmera na mão: “Por que ele é manipulado, senhora?”. E ouve a seguinte resposta: “Porque esse movimento já foi desmascarado. Existe, sim, um plano comunista, totalitarista no país. Será que ninguém vê isso?”.

Talvez fosse a única com alguma razão. Enquanto isso, ao fundo, ouve-se o petista: “Eu lutei contra a ditadura, eu lutei pela democracia neste país, continuo lutando… Tem que ter conteúdo. Esse cara vem dizer que o Batman vai salvar o Brasil? Esse merda vestido de Batman?”.

Aí se dá um momento muito interessante. Um dos franceses, justificando o rolezinho, diz que, no Rio, há discriminação contra as pessoas das “comunidades [leia-se: favelas], que querem fazer coisas como qualquer um”. Dodô e a mulher que se diz “de direita” negam. Ela reage primeiro: “Só na cabeça de estrangeiro mal informado, tá? Estão fomentando o ódio entre irmãos aqui”. O dilmista concorda: “Não tem discriminação nenhuma! O que esse cara faz é fomentar a separação. Não tem discriminação nenhuma! Muito pelo contrário”.

Aí Dodô deu o seu entendimento da integração de classes: “Eu moro aqui… Se você for ali em frente à delegacia, tem a Cruzada [um conjunto habitacional popular da região]. Nós estamos ali, bebendo, tudo junto. Eu sou um cara que ganhou muito dinheiro, eu sou um cineasta, eu faço cinema, eu sou bom assalariado. Eu estou bebendo ali com os caras que moram na Cruzada, são nossos amigos”.

O outro francês quer saber se ele não acha que o dinheiro da Copa deveria ser investido na favela, não numa infraestrutura que vai beneficiar os ricos. Dodô diz que isso é uma “grande besteira”. E se atrapalha ao tentar explicar que a grana da Copa e a do Orçamento não se misturam. Ao fundo, grita a mulher de direita: “O legado será dívida”. O governista segue adiante, afirmando que o mundial será financiado por um certo “dinheiro da Fifa”. Sabem como é… Cineastas costumam ter muitas ideias na cabeça mesmo quando outros estão com uma câmera na mão.

O Batman se aproxima, sem máscara, e ainda tenta responder. Recebe uma sonora vaia dos presentes. Um homem afirma: “Vai procurar emprego!”. Alguém pergunta com ironia se um rolezinho só de gente de classe média e classe alta seria aceitável. Um senhor presente diz a coisa certa e óbvia: “shopping não é lugar para isso”.

Querem saber?
Essa história de Dodô de que o Batman é um símbolo do imperialismo é uma grande tolice. O mascarado até brinca: “Queria que fosse um Supertupã?”. Suas explicações sobre a separação dos dinheiros é também capenga — há, sim, uma montanha de recursos públicos na Copa do Mundo, embora ele tenha razão ao dizer que são orçamentos distintos. O que não diz é que o governo incompetente que ele defende é incapaz de gastar de forma eficiente até a grana que está à disposição porque faltam projetos e capacidade operacional.

Mas não está de todo errado quando aponta o caráter estúpido dos rolezinhos — não os originais, que a molecada fazia em São Paulo e eram apenas imprudente —, mas esses outros, de protesto, que são uma invenção das esquerdas cretinas e dos descolados que se querem conscientes e pretendem falar em nome do povo.

Aliás, a gente nota, parte do “povo” parou para ouvir. E vaiou o Batman. Esse militantismo doidivanas, que se diverte atrapalhando a vida alheia, criando dificuldades para que as pessoas organizem sua rotina, seu cotidiano, já começa a provocar fastio também nos pobres.

Um tanto certa está aquela senhora que aponta a existência de um “plano” — só não digo que ele seja comunista; totalitário é. Não sei qual é do “Batman”. Mas não creio que ele seja, como acusa Dodô, um agente do Garotinho. Acho que não. Ele é filho, isto sim, da cultura petista da reclamação, que sempre estimulou esse tipo de manifestação.

Dodô, como bom petista (simpatizante, ao menos, com certeza, ele é), classifica como “de direita” tudo aquilo de que ele não gosta e tudo aquilo que ele não entende. É claro que está errado. Os rolezinhos políticos — não os originais — são, ao contrário, um fruto da cultura de esquerda, que nunca viu mal nenhum em atropelar a legalidade em nome de uma “causa”. Antes de os amigos de Dodô chegarem ao poder, faziam exatamente isso. E atenção! Ainda fazem quando a baderna é útil à sua causa. Os ditos sem-teto — um movimento umbilicalmente ligado ao PT — tem feito rolezinhos violentos São Paulo afora dia sim, dia também. E não estão usando a máscara do Batman. Será que, nesse caso, Dodô acha a ação “progressista”? Quanto ao tal Batman, dizer o quê? Rolezinho no Leblon??? O senso de ridículo, até onde sei, também pode ser desenvolvido por mascarados.

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2014

às 19:45

Carvalho no Fórum Social: em junho, governo achou que o povo foi “ingrato”. Ou: Os sem-cura

Gilberto Carvalho, o Gravata-Vermelha, não se emenda

Gilberto Carvalho, o Gravata-Vermelha, não se emenda

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e segundo homem mais importante no PT, falou, mais uma vez, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Desta feita, na verdade, o evento se chama “Fórum Social Temático”, mas se trata apenas de uma derivação do FSM. Em sua intervenção de 2012, no dia 27 de janeiro, no mesmo evento, este senhor fez declarações que geraram um quiproquó danado. Segundo ele, o PT deveria:
a: disputar a chamada “Classe C” com os evangélicos para impedir que ela migrasse para o conservadorismo. O “raciossímio” de Carvalho era este: o PT tirou essa gente da pobreza e agora não pode permitir que ela faça suas próprias escolhas. Mais: este gênio da razão, obviamente, tomava a política como uma religião e seu partido como uma igreja.
b: defendeu também que se criasse uma “mídia estatal” para a tal Classe C. Segundo disse, “essa gente não pode ficar à mercê da ideologia disseminada pelos meios de comunicação”.

Eis Carvalho. Os evangélicos foram pra cima dele. O homem teve de recuar, dizer que era tudo um mal- entendido. Marcou reuniões com lideranças religiosas e coisa e tal para assegurar que não era bem daquele jeito. Nota: do jeito como andam as coisas, o PT não precisa criar uma “mídia estatal” porque já tem uma.

Neste 2014, Carvalho foi menos confiante do que há dois anos e resolveu chamar o povo de “ingrato”. Afirmou, segundo informa a Folha: “Quando acontecem as manifestações de junho, da nossa parte, houve um susto. Ficamos perplexos. Quando falo ‘nós’, é o governo e também todos os nossos movimentos tradicionais. [Houve] uma certa dor, uma incompreensão, e quase um sentimento de ingratidão. [Foi como] dizer: ‘fizemos tanta por essa gente e agora eles se levantam contra nós’.”

Ainda que o tom de fala indique que aquele era um sentimento a ser superado, eis aí a revelação plena da relação que o PT mantém com o povo: o partido vê os brasileiros como seus devedores. A exemplo de todo partido de esquerda, não se conforma em ser uma força política que, de vez em quando, vence eleições para governar segundo os marcos institucionais que herdou — e, se for para mudá-los, apelar ao Congresso para isso. Não, não! O partido, para eles, substitui a sociedade, toma o seu lugar. Assim, um movimento de protesto que se volte contra o governo que eles lideram só poder ser visto como ingratidão ou traição.

Esse era o mesmíssimo sentimento que tinha um Stálin ou um Mao Tsé-tung. A sorte da brasileirada é que Carvalho e seus amigos são obrigados a governar segundo as regras da democracia — com as quais, de todo modo, eles não se conformam, daí coisas como o mensalão, por exemplo.

Ingratidão?
Ingratidão, é? Sei. Certamente esse foi o sentimento, mas só quando os protestos atravessaram as fronteiras paulistas, saltando rapidamente para o Rio, dali para toda parte, inclusive Brasília. Aí os petistas se deram conta da besteira que haviam feito quando, na prática, insuflaram os protestos em São Paulo, com a preciosa colaboração de José Eduardo Cardozo — e do próprio Carvalho, é bom deixar claro. Enquanto parecia que tudo não passava de uma disputa entre jovens líricos e a polícia de São Paulo, o PT estava lá, atiçando as ruas.

Na minha coluna na Folha de hoje, comento uma outra declaração infeliz deste senhor, segundo quem a reação negativa aos rolezinhos partiria da classe média racista, que não se conforma em ver um “bando de meninos negros e morenos”. Sim, ele usou a palavra “bando”.

Em Porto Alegre, voltou a se referir aos rolezinhos, de modo especialmente esquizofrênico. Reconheceu que os estabelecimentos já são espaços de lazer dos rolezeiros e falou em oferecer “alternativas”. Sim, sim… Alternativa de quê? O shopping não poderá dar uma boa escola. O shopping não poderá dar uma boa saúde. O shopping oferece o que lhe cabe oferecer: espaços de consumo e lazer — que têm de ser ocupados segundo regras que os frequentadores habituais, inclusive os agora rolezeiros, já conheciam e respeitavam.

Não tem jeito, não. Essa gente não tem cura. Não há remédio para certas doenças do espírito. Ah, sim: o pau voltou a comer nas ruas de Porto Alegre nesta quinta. A polícia assistiu a tudo, pacificamente. Fica para outro post.

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2014

às 6:17

O “bando de negros e morenos”

Segue trecho da minha coluna na Folha de hoje:
*
O pânico voltou a bater às portas do Palácio do Planalto, que dá como inevitáveis novos protestos durante a Copa. O PT já convocou o seu braço junto às massas, uma tal Central de Movimentos Populares (CMP), para monitorar o povaréu.

Os pelegos do CMP integram a Ancop, ou “Comitês Populares da Copa”. Estão lá para amansar a brasileirada. As designações têm um ranço entre o jacobinismo e o sovietismo: “central”, “comitês”, “coletivos”… O “comissariado” fica na Secretaria-Geral da Presidência, do camarada Gilberto Carvalho. Uma nova onda de protestos poderia pôr em risco a reeleição de Dilma. Uma estrepitosa vaia durante o discurso da presidente na abertura daria o tom do resto do torneio. O Planalto, o que é uma tolice, viu nos “rolezinhos” o sinal de advertência. O PT começa a ser também vítima, não apenas beneficiário, de sua natureza. Explico.
(…)
Já sabemos o que eram os “rolezinhos” e no que tentam transformá-los as esquerdas, inclusive os petistas. De novo, confessam, a aposta era que se limitassem a São Paulo. Carvalho mandou ver no pensamento tarja-preta: “Da mesma forma que os aeroportos lotados incomodam a classe média. Da mesma forma que, para eles, é estranho certos ambientes serem frequentados agora por essa ‘gentalha’ (…). O que não dá para entender muito é a carga do preconceito que veio forte. (…) As pessoas veem aquele bando de meninos negros e morenos e ficam meio assustadas. É o nosso preconceito”.

“Nosso preconceito” uma ova! Esse é o preconceito de Carvalho, que chama “negros” e “morenos” de “bando”. Então só a classe média reage à incompetência do governo na gestão aeroportuária? Pobre gosta de humilhação? Nota: a pesquisa Datafolha sobre os “rolezinhos”, especialmente a opinião de “negros e morenos”, desmoraliza Carvalho, seu partido, as esquerdas, a vigarice sociológica, a tolice jornalística e o colunismo fácil.
(…)
Ínegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2014

às 18:28

Fernando Haddad vira líder dos rolezinhos em São Paulo

Haddad: agora é ele o líder dos rolezinhos em São Paulo

Haddad: agora é ele o líder dos rolezinhos em São Paulo

Ai, ai… A pesquisa Datafolha já revelou o que os paulistanos pensam dos rolezinhos, e os mais críticos são justamente os mais pobres. Nem a hipótese do racismo, na qual o PT investiu, se confirmou. Assim como essa coisa toda começou, iria esmorecer.

Mas aí apareceu o prefeito Fernando Haddad no meio do caminho. Escolheu o pagodeiro Netinho de Paula, seu secretário da Igualdade Racial, para negociar com “rolezeiros”, como se fosse possível estabelecer uma representação formal em casos assim.

Depois de uma reunião com a molecada e com representantes de shoppings, ficou acordado que os rolezinhos poderão ser feitos nos… estacionamentos. É mesmo, é? Em quais? Haverá carros no local? Os rolezeiros se espalharão entre os automóveis? Mais: isso vale também para as garagens subterrâneas, sem janelas nem outra área de escape para as ruas?

Assim, a Prefeitura de São Paulo decidiu dar sobrevida a uma prática que estava em declínio e que conta com a antipatia da esmagadora maioria dos paulistanos. Tudo porque o prefeito Haddad não resistiu à tentação de se comportar como um populista vulgar. Aliás, mais de uma vez eu já apontei as características que fazem dele um Jânio Quadros de esquerda. E, como de costume, Haddad tenta ser popular enfurecendo o povo. Um gênio!

Quanto tempo vai durar essa solução que não resolve nada? Se o estacionamento de um determinado shopping passar a ser palco de rolezinhos permanentes, das duas uma: ou se impede a entrada dos carros — e, pois, se espantam clientes — ou se expõem os donos dos automóveis ao risco do prejuízo. E eles desaparecerão do mesmo jeito. Em qualquer dos casos, lojistas e consumidores estarão sendo punidos.

É nisso que dá emprestar uma visão política, ideológica, ao que não passava de uma manifestação mais ou menos irresponsável de quem só queria se divertir, optando por uma prática obviamente incompatível com o lugar escolhido.

O prefeito Fernando Haddad está fazendo um esforço danado para que os rolezinhos sejam mais uma das heranças malditas que ele pretende deixar em São Paulo. O pagodeiro Netinho já conversou com supostos líderes de rolezeiros da Zona Norte. Nesta sexta, é o dia dos da Zona Sul.

Depois virão os da Zona Leste, que concentra as regiões mais pobres da cidade. É lá que os rolezinhos têm o menor apoio da população: apenas 8% segundo o Datafolha.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2014

às 6:25

O Datafolha e os subintelectuais decepcionados com o povo: 82% dos paulistanos são contra rolezinhos, e 73%, a favor da ação da polícia. Larga maioria de negros e pardos não vê discriminação

Datafolha 1 rolezinho

Pois é… Nesta quinta, muito esquerdista endinheirado encontrará motivos para se decepcionar com o povo. Eles lá, dedicando-se a um frenético exercício de antropologia criativa para ver nos rolezinhos uma espécie de grito primal dos deserdados do capitalismo, e os pobres cobrando o fim desses eventos para poder frequentar os shoppings em paz.

Os racialistas também ficarão amuados. Insistem que os negros e pardos são discriminados nesses centros comerciais, e a maioria dos negros e pobres diz que… não! A população de São Paulo — ESPECIALMENTE OS MAIS POBRES — gosta é de ordem e de polícia cumprindo a sua função. Quem gosta de bagunça é subintelectual do miolo mole, militantes de esquerda e, infelizmente, alguns coleguinhas.

Segundo pesquisa Datafolha, publicada hoje na Folha, nada menos de 82% dos paulistanos são contra os rolezinhos, impopulares até entre os jovens — Reprovam as manifestações 70% das pessoas entre 16 e 24 anos e 85% dos que estão entre 25 e 34. Alguns vigaristas sustentavam que os rolezinhos são o grito dos pobres. Será? São contra esses eventos 80% dos que ganham até 2 salários mínimos. Entre os que recebem de 2 a 5, a reprovação chega a 87%. A aceitação cresce um pouquinho entre os mais endinheirados, mas o “não” é ainda esmagador: 71% (veja quadros publicados pela Folha reproduzidos neste post).

O Datafolha quis saber ainda se a população aprova que os shoppings recorram à Justiça para impedir rolezinhos. 80% disseram que sim. Para 77%, esse tipo de coisa não passa de “tumulto”. E a polícia? Será que deve ser acionada? A esmagadora maioria dos paulistanos aprova: 73%. E nada menos de 72% disseram que não existe preconceito de cor na reação dos shoppings. Atenção, entre os negros, só 32% afirmaram ver preconceito de cor; ente os pardos, apenas 25%. Logo, os negros e pardos não endossam as tolices ditas pelos ministros Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e Luíza Bairros, da Igualdade Racial.

Sabem, leitores, qual é a região da cidade que menos apoia os rolezinhos? A Zona Leste, justamente a que concentra o maior número de pobres. Apenas 8% disseram concordar com esses eventos. Conforme escrevi aqui muitas vezes, os shoppings que estão situados na periferia são também áreas de lazer das comunidades carentes. São elas as principais prejudicadas por aquela bagunça.

Essas manifestações contam com um pouco mais de apoio, embora pequeno, entre os mais ricos, que ganham acima de 10 mínimos. É nessa faixa que se concentra boa parte das pessoas de esquerda. Vocês leram direito: no Brasil, socialistas costumam ser os endinheirados — embora, como é sabido, eles não deem aos pobres nem um miserável pirulito.

Contra a seleção
Ah, sim: 73% dizem que os shoppings não têm o direito de discriminar quem pode e quem não pode entrar. Não sei como a pergunta do Datafolha foi feita, mas é certo que ninguém reivindicou essa licença.

Datafolha 3 rolezinho

Datafolha 4 Rolezinho

Civilização
Na segunda, escrevi o que segue em azul:
Shoppings são experiências que criam um padrão aceitável de civilização que acaba por mitigar particularismos de classe (e outros) em nome de alguns denominadores comuns de convivência. É assim que se constroem as sociedades. Os comportamentos que ficam à margem — ou porque muito requintados ou porque muito grosseiros — acabam não encontrando lugar para se expressar. Isso é um sinal de avanço das sociedades. Concorre para a elevação do padrão médio. O shopping center constrói um superego com muito mais eficiência do que um pai — se for um pai relapso, então, nem se fale… Sim, é preciso proibir que se toque e se dance funk nos corredores. Mas se deve vetar igualmente que alguém saque o seu aparelho de som para ouvir “A Flauta Mágica” no último volume. Posso achar o funk um lixo, e acho. Posso achar Mozart uma maravilha, e acho. Em locais públicos, o que conta é uma média dos “achares” e dos “quereres”.

Fui adiante e explicitei qual é a relação das comunidades pobres com os shoppings (em azul):
Nunca caí no conto (…) de considerar que os rolezinhos são, na verdade, protestos que ainda não têm plena consciência de si mesmos. Isso é restolho dos escombros do marxismo aprendido de orelhada. O Shopping Campo Limpo é frequentado pelos moradores de… Campo Limpo e adjacências. Muita gente é pobre. Heliópolis, em São Paulo, está entre as dez maiores favelas do Brasil — hoje, os próprios moradores preferem chamá-la de bairro, mas, tecnicamente, é uma favela. Segundo o Censo de 2010, contava com 41.118 moradores. Creio que esteja hoje beirando os 45 mil. Eles frequentam em massa o Central Plaza Shopping, que fica bem perto.
Falo o que sei, falo o que conheço, falo o que vi. Já fui lá várias vezes (…). Pobres, pretos, mestiços — ou que outra categoria queiram criar para brandir a bandeira da discriminação — jamais foram discriminados por ali porque isso significaria, na prática, expulsar boa parte dos… consumidores. A praça de alimentação, nos fins de semana, recebe a população pobre ou remediada que quer “jantar fora”. Os bairros contíguos abrigam moradores de classe media e classe média baixa. Atenção! É um shopping gigantesco, vive apinhado, o ambiente é asseado, e os consumidores e visitantes não se comportam de modo distinto dos que frequentam o Iguatemi, o JK, o Villa-Lobos ou o Higienópolis.

Encerro
Os subintelectuais não têm cura. Mas ponho fé no jornalismo. As redações deveriam enviar seus repórteres para fazer um treinamento intensivo com o “povo” — mas povo mesmo, de verdade, o que exclui as entidades e ONGs de militantes usurpadores, que pretendem falar em seu lugar.

A pesquisa Datafolha põe fim a uma farsa ridícula. Os subintelectuais do miolo mole terão de procurar outra causa.

Por Reinaldo Azevedo

20/01/2014

às 5:11

Shoppings querem atuação federal contra rolezinhos. Ou: Se Dilma NÃO manda sua turma se calar, que então resolva, ora! Ou ainda: PT perde o pelo, mas não o vício

Lojistas de Shopping pedem a atuação da Dilma do "coraçãozinho". Seus ministros não param de falar bobagem

Lojistas de shopping pedem a atuação da Dilma do “coraçãozinho”. Seus ministros não param de falar bobagem

A associação que reúne os lojistas de todos os shoppings do país, a Alshop, decidiu cobrar ajuda federal para que os tais “rolezinhos” sejam coibidos. Não há exagero nenhum nisso.  Ao contrário: a Alshop está, sim, se dirigindo à pessoa certa. Até porque, em parceria com setores da imprensa, o PT é responsável pela politização do que não não passava de um “movimento em favor do beijo na boca”. Ocorre que em um dos shoppings, o evento chegou a reunir seis mil pessoas. Não é possível.

E por que a presidente Dilma é a pessoa certa? Ora, porque ela chegou a convocar uma reunião com ministros para tratar do assunto, emprestando ao caso uma gravidade que não tinha. A partir dali, passou a ser assunto federal.

Ministros seus, como Gilberto Carvalho, que é secretário-geral da Presidência, e Maria do Rosário, a equivocada permanente que comanda a Secretaria de Direitos Humanos, vieram a público para criticar, direta ou indiretamente, a polícia, os shoppings e a Justiça. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad, também petista, pediu a seu secretário da Igualdade Racial que iniciasse conversações com supostos líderes de rolezinhos. Ao fazê-lo, passou a emprestar à coisa um caráter que nunca teve: discriminação da cor da pele. Isso é uma fantasia.

As Polícias Militares estão, como vimos, mais ou menos de mãos atadas. Caso se mexam, lá vem pancadaria da imprensa. Vão intervir, sim, sempre que eventuais manifestações se transformarem em vandalismo e coisa e tal, mas já perceberam que a máquina das esquerdas para desqualificar a ordem e exaltar a bagunça opera com força total. O que restou aos lojistas?

Eu mesmo já sugeri aqui que Dilma deveria dar uma ordem a seus ministros: que calassem a boca a respeito do assunto. Como se percebe, ela não fez isso.

Neste fim de semana, militantes políticos — e não jovens da periferia — decidiram promover protestos, e não rolezinhos, em shoppings ditos de luxo de São Paulo, Rio e Porto Alegre. Esses eventos já não guardam nenhuma relação com as manifestações originais. São, reitero, promovidos por entidades de esquerda e extrema esquerda que confundem seu próprio rancor e, acima de tudo, a sua ignorância com a causa popular.

A coisa é tão patética que, no Shopping Leblon, no Rio, que estava fechado — enquanto alguns bananas promoviam gritaria do lado de fora —, um grupo de cinco moradores da Rocinha apareceu para fazer seu rolezinho — aquele outro, o passeio… Eram dois maiores e três menores. Ricardo Israel, de 22 anos, comentou, informa a Folha: “Eu vim para dar um rolé com a minha gata no shopping, conhecer gente nova, mas pelo visto é manifestação. Vou dar rolé na praia de skate mesmo”. Ele se mandou, e os esquerdistas da Zona Sul que, em tese, falam em nome de Israel ficaram lá se esgoelando.

Olhem que o Brasil, em matéria de bobagem, parece ser um manancial inesgotável. Como essa, acho que nunca vi. E não estou me referindo aos rolezinhos originais, não, que tinham, sim, de ser coibidos porque põem em risco a segurança de milhares de pessoas — inclusive a dos próprios rolezeiros.

Eu me refiro é ao rolezinho ideológico de grupelhos de extrema esquerda, de subintelectuais do miolo mole, de setores da imprensa e, agora dos petistas, que resolveram adotar o movimento. Como alertei aqui, esses irresponsáveis acharam que a coisa ficaria restrita a São Paulo — e toda a bagunça que puderem fazer no estado lhes parece boa porque estão de olho nas urnas. Pois é… Nunca é assim! A petezada resolveu apoiar o quebra-quebra do Passe Livre, e a gente viu aonde a coisa foi dar.

Mas não tem jeito. Como os lobos, os petistas podem até perder o pelo, mas não perdem o vício.

Por Reinaldo Azevedo

20/01/2014

às 4:49

Juízos atordoados sobre rolezinho, manifestações de junho, a sociedade democrática e o estado de direito

Suzana Singer, ombudsman da Folha, escreveu neste domingo sobre a cobertura que o jornal dispensa aos rolezinhos, elogiando-o por ter condenado a ação da polícia e do Judiciário ao tentar coibir as manifestações. Não é, com sabem os leitores deste blog e da Folha, a minha opinião. Os centros comerciais têm compromissos legais firmados com os frequentadores e com os lojistas, e a atividade requer precondições para que possa ser exercida — a exemplo de qualquer outra, inclusive o jornalismo. Com rolezinhos, na forma como se deram, é impossível. Quando um grupo agrava direitos de terceiros, a Justiça tem de ser acionada. É assim que funciona nas democracias. Mas seu erro mais feio está relacionado às manifestações de junho, o que atordoa, embora menos, o seu entendimento dos eventos nos shoppings. Já chego lá. Antes, terei de fazer outras considerações, uma digressão apenas aparente, que nos aproximam da questão.

Começo da digressão
Nunca caí no “Conto de Kehl” (ver post na home) de considerar que os rolezinhos são, na verdade, protestos que ainda não têm plena consciência de si mesmos. Isso é restolho dos escombros do marxismo aprendido de orelhada. O Shopping Campo Limpo é frequentado pelos moradores de… Campo Limpo e adjacências. Muita gente é pobre. Heliópolis, em São Paulo, está entre as dez maiores favelas do Brasil — hoje, os próprios moradores preferem chamá-la de bairro, mas, tecnicamente, é uma favela. Segundo o Censo de 2010, contava com 41.118 moradores. Creio que esteja hoje beirando os 45 mil. Eles frequentam em massa o Central Plaza Shopping, que fica bem perto.

Falo o que sei, falo o que conheço, falo o que vi. Já fui lá várias vezes — duvido que Maria Rita Kehl ou Suzana Singer tenham ideia de onde fica sem o auxílio do Google Maps. Pobres, pretos, mestiços — ou que outra categoria queiram criar para brandir a bandeira da discriminação — jamais foram discriminados por ali porque isso significaria, na prática, expulsar boa parte dos… consumidores. A praça de alimentação, nos fins de semana, recebe a população pobre ou remediada que quer “jantar fora”. Os bairros contíguos abrigam moradores de classe media e classe média baixa. Atenção! É um shopping gigantesco, vive apinhado, o ambiente é asseado, e os consumidores e visitantes não se comportam de modo distinto dos que frequentam o Iguatemi, o JK, o Villa-Lobos ou o Higienópolis.

Shoppings — assim como o metrô (já explico!) — são experiências que criam um padrão aceitável de civilização que acaba por mitigar particularismos de classe (e outros) em nome de alguns denominadores comuns de convivência. É assim que se constroem as sociedades. Os comportamentos que ficam à margem — ou porque muito requintados ou porque muito grosseiros — acabam não encontrando lugar para se expressar. Isso é um sinal de avanço das sociedades. Concorre para a elevação do padrão médio. O shopping center constrói um superego com muito mais eficiência do que um pai — se for um pai relapso, então, nem se fale… Sim, é preciso proibir que se toque e se dance funk nos corredores. Mas se deve vetar igualmente que alguém saque o seu aparelho de som para ouvir “A Flauta Mágica” no último volume. Posso achar o funk um lixo, e acho. Posso achar Mozart uma maravilha, e acho. Em locais públicos, o que conta é uma média dos “achares” e dos “quereres”. 

Explico a alusão ao metrô. Em 1980, para chegar à USP, eu recorria, nesta ordem, aos seguintes meios: ônibus-trem-metrô-ônibus. E depois havia os quatro para o caminho de volta. Saía às 5h45, voltava às 16h. Começava a dar aula às 19h e ia até as 23h05. Retornava do trabalho 23h45 — dez conduções por dia. Dormia um pouco e lá ia de volta… É, amigo!, a vida era dura. Aprendi a ler mesmo com solavancos, em pé, meio esmagado. Em vez de despertar a piedade da Maria Rita Kehl, preferi cuidar dos meus assuntos. Viver da boa vontade de estranhos nunca foi o meu forte, e, se fosse obrigado a escolher (nunca fui!) entre provocar piedade ou rancor, vocês já adivinharam a resposta. Mas prefiro, como toda gente, que me amem, hehe… Só não escreverei um maldito adjetivo para isso, entendem? Adiante. Em 1980, o único desses meios com padrão civilizado era o metrô — já frequentado por todas as classes (só havia as linhas azul e laranja). Percebi rapidamente por quê. Era um papel de bala cair no chão, e aparecia um funcionário para limpar. Os vagões e as estações estavam sempre impecáveis — ainda hoje é assim. Em Roma ou em Nova York, o metrô, com frequência, fede. Num dia de sorte, o cheiro de alguma coisa entre a creolina e a naftalina pode se sobrepor ao do xixi… Sigo.

Mantenha um ambiente de uso coletivo em ordem, pouco importa se público ou privado, e a esmagadora maioria dos frequentadores, independentemente a origem social, se esforçará para conservá-lo. A deterioração de espaços públicos decorre de falhas de zeladoria. Quando um prefeito deixa a cidade emporcalhada, por exemplo, como sabe Fernando Haddad, a tendência é que se a emporcalhe ainda mais. A sujeira torna sujos os limpos; a limpeza, limpos os sujos. Vale para o JK ou para o Central Plaza.

Assim, à diferença do que andou sugerindo a má consciência militante — dos petistas aos ditos movimentos negros que tentaram pegar carona no rolezinho da molecada que só queria, e quer, beijar na boca (viva o beijo na boca!) —, os tais eventos não nasceram da exclusão, do preconceito, do apartheid social, do arranca-rabo de classes, da frustração com isso ou com aquilo. Não! Eles eram apenas manifestações indesejáveis — porque perigosas — de jovens num espaço que, a rigor, já era deles, frequentado por suas famílias. Como demonstrei na coluna de sexta na Folha, “jovens que aderem a eventos por intermédio do Facebook não são excluídos sociais, mas incluídos da cultura digital, que já é pós-shopping, pós-mercadoria física e pós-racial. O que mais se troca nas redes sociais são bens simbólicos, são valores, que definem tribos e grupos com pautas cada vez mais específicas”.

Fim da digressão. De volta a Suzana Singer
Suzana preferiu abrir seu texto com um clichezaço para comentar o que chamou de “cautela” da imprensa com os rolezinhos. Sem medo de ser feliz, mandou ver: “Gato escaldado tem medo de água fria”. Nota: todo gato tem medo de água — fria ou quente. Eis uma frase que, por ser clichê, não diz mais nada; se dissesse, informaria um erro. Depois de elogiar a crítica que a Folha fez à polícia e ao Judiciário no caso dos rolezinhos — com a qual não concordo —, Suzana escreveu: “É um tom completamente diferente do adotado no editorial ‘Retomar a Paulista’, de junho de 2013, quando os ativistas foram definidos como ‘jovens predispostos à violência por uma ideologia pseudorrevolucionária’”.

Obviamente, eu concordo com o editorial de junho — justamente aquele de que a ombudsman não gostou. E terei de recorrer à própria Folha para dizer por quê — já publiquei essas evidências em post de outubro do ano passado. Vejam. Volto em seguida.

No dia 6 de junho do ano passado, durante a baderna organizada pelo Movimento Passe Livre, não houve a chamada “violência policial”. Só os manifestantes botaram para, literalmente, quebrar e queimar. No dia 7, informava a Folha:
“Em protesto contra a elevação da tarifa de ônibus, metrô e trens em São Paulo, manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar, interditaram vias e provocaram cenas de vandalismo ontem à noite na região central. O ato levou à interdição de vias como 23 de Maio, Nove de Julho e Paulista na hora de pico. Estações de metrô foram depredadas e fecharam. No centro e na Paulista, quebraram placas, picharam muros e ônibus, atearam fogo, provocaram danos a um shopping e ao Masp. Os manifestantes são ligados ao Movimento Passe Livre, liderado por estudantes e alas radicais de partidos.”

Jornais 7 de junho

O Passe Livre não deu trégua. No dia 7, promoveu outro quebra-quebra, também notavelmente violento. Mais uma vez, a Polícia Militar evitou o confronto. Novas depredações, incêndios, quebra-quebras, aí com o fechamento das marginais, causando um colapso na cidade. Os mascarados já estavam lá, atuando junto com o Passe Livre. Os jornais do dia 8 de junho traziam o devido registro.

Jornais 8 de junho

Estava na cara que havia algo estranho no ar. Muito bem! No dia 9 de junho, o Estadão de domingo chega às bancas com uma estranha entrevista de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, tornada manchete. O alvo principal: o governador Geraldo Alckmin, em particular a política de segurança pública. Era um domingo.

Estadão 9 de junho

Na terça-feira, dia 11 de junho, o Passe Livre e os black blocs voltaram às ruas. A violência chegava ao paroxismo. Coquetéis Molotov foram lançados contra a polícia. Um policial foi linchado. Assim evidenciavam os jornais no dia 12.

Jornais do dia 12

policial ferido 2

Estão acompanhando?
Até aqui, três de seis dias dedicados à depredação e à violência, com a Polícia Militar fazendo um trabalho praticamente de contenção. Entre esses dias, uma entrevista do ministro da Justiça atacando o governador. Observem que estou documentando tudo.

Aí veio a tragédia do dia 13. O Passe Livre voltou às ruas ainda mais disposto ao confronto e à pauleira. Aqui e ali já se colhiam na imprensa sinais de simpatia pelos vândalos. Mas como endossar as práticas terroristas? Era preciso que um valor mais alto se alevantasse. Jornalistas, no geral, têm mais ódio da polícia do que de bandidos com uma “boa causa”. Sei que frases como essa não me rendem uma boa fama. Escrevo o que quero. Não devo satisfações a aiatolás do pensamento. Pois bem: nesse dia, a tropa de choque combinou com “os meninos” (como diria um repórter de TV…) que eles não romperiam o cordão de policiais rumo à Avenida Paulista. Não adiantou. Eles romperam. E o pau comeu. A Polícia Militar reagiu com bombas de gás e de efeito moral e balas de borracha. Jornalistas foram alvejados. Aí a coisa toda mudou de figura, como se via no dia 14.

jornais do dia 14

Uma imprensa que já estava doida para aderir encontrou ali o pretexto de que precisava. E que se note: não estou endossando a ação da PM naquele dia. Foi exagerada, atabalhoada, desorganizada. Mas não muda a moral da história.

A PM passava a ser a vilã. E os protagonistas da truculência dos dias 6, 7 e 11 eram tratados como heróis que estivessem lutando contra um estado autoritário. As TVs, em especial, passaram a dar aos trogloditas a grandeza de resistência civil. A GloboNews, por exemplo, entrou em rimo de AL Jazeera cobrindo a Primavera Árabe. A diferença nada ligeira é que o Brasil é um estado democrático.

CARDOZO DE NOVO!
Naquele mesmo dia 13, com a cidade tomada pelo caos — eu voltava de uma palestra no Rio e fiquei quase cinco horas preso no Aeroporto de Congonhas porque meu bairro estava sitiado por vândalos —, Cardozo concedeu uma entrevista aos portais oferecendo “ajuda” ao governador Geraldo Alckmin. Não telefonou, não conversou, não procurou nem foi procurado. Falava pela imprensa. Tirava uma casquinha. Fazia de conta que o problema era de São Paulo.

No dia 17, marca-se outra manifestação em São Paulo. A Polícia aceita as condições dos trogloditas que haviam vandalizado a cidade no dias 6, 7, 11 e 13: nada de tropa de choque, nada de bala de borracha, nada de bombas e nada de restrição a áreas de protesto. Qualquer lugar é lugar. Tudo pode e tudo vale. Os petistas aderiram ao protesto. Já não era mais pelos 20 centavos, dizia-se, mas por cidadania, sei lá o quê. Algo começava a sair do planejado: em São Paulo, a convocação reuniu 65 mil pessoas. A do Rio, que seria apenas em solidariedade, juntou mais de 100 mil… Epa!!!

No dia 18 de junho, aí era a Folha que trazia outra entrevista de José Eduardo Cardozo, também contra o governo de São Paulo, com ataques diretos à polícia.

Folha 18 de junho - cardozo

Concedida no dia 17, antes do término das manifestações, este gênio usou como exemplo bem-sucedidos as polícias do Rio e do Distrito Federal:
“O que vi em SP, e as câmeras mostraram, é de uma evidência solar que houve abuso. Vi o que aconteceu no Distrito Federal e no Rio. Padrões de comportamento bem diferentes”.

Patético! Naquele dia 17, não houve violência em São Paulo. Alguns bananas tentaram invadir os jardins do Palácio dos Bandeirantes, mas nada muito grave. No Rio, no entanto, um dos bons exemplos de Cardozo, assistiu-se ao caos, como isto aqui:

Brasília
O ministro da Justiça que “ofereceu” ajuda a Alckmin no dia 13, que já o havia atacado no dia 9 e que censurou a polícia de São Paulo no dia 17, tinha tudo para organizar, então, com o seu aliado Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal, uma ação preventiva exemplar quando o protesto chegou ao Distrito Federal, certo?

Pois bem! No dia 20, o caos se instalou em Brasília. Meteram fogo no Itamaraty. E ninguém ouviu a voz de Cardozo, o chefe da Polícia Federal e o homem que pode acionar a Força Nacional de Segurança. Vejam.

Setores importantes da imprensa, as esquerdas de modo geral e o governo federal promoveram a demonização da Polícia Militar de São Paulo, que logo virou a demonização de qualquer polícia. Também se inventou a mentira estúpida de que manifestantes eram uma coisa, e baderneiros, outra. Chegou a ser por um brevíssimo período. Logo, os chefes dos protestos deixaram claro que os mascarados eram a sua tropa de choque e que eles estavam juntos.

Retomo
Não havia, pois, nada de errado com aquele editorial da Folha sobre as manifestações de junho. Certo estavam o jornal e QUASE toda a imprensa até ali. Erraram depois, quando passaram a condescender com a agressão aos mais comezinhos fundamentos da democracia e do estado de direito.

Ao comentar os rolezinhos, Suzana, reconheça-se, põe em dúvida a sociologice oca que tenta atribuir caráter de contestação às manifestações ou relacioná-la à falta de espaços de lazer na periferia — afinal, ela é capaz de reconhecer que a garotada andou se reunindo em shoppings da periferia, justamente em seu espaço de lazer, e não numa galeria de arte dos Jardins ou num museu… Depois o texto segue com perguntas, dúvidas, sugestões, coisa e tal, mas insistindo no que seria o caráter enigmático dos rolezinhos… Onde está o enigma? A meninada já falou por que faz, o que quer, qual é o objetivo — e passa muito distante da apropriação vigarista que as esquerdas tentaram operar depois. Sobre isso, Suzana nada escreveu.

Notem, a propósito, que, nos descalabros de junho, uma figura sobressai: José Eduardo Cardozo. Enquanto o caos parecia restrito a São Paulo, ele ficou tirando suas casquinhas. Agora, no caso dos rolezinhos, os petistas, mais uma vez, foram os primeiros a tentar emprestar um “caráter” político à coisa — Fernando Haddad quer os rolezeiros até como  interlocutores…

Ou por outra: nas manifestações violentas de junho — que acabaram se voltando até contra o PT — ou nos rolezinhos de agora, há uma constante: a exploração política promovida por vigaristas, e o encantamento basbaque de supostos bem-pensantes que confundem depredação de ônibus com ímpeto revolucionário e rolezinho em shopping com a tomada do Palácio de Inverno. 

Por Reinaldo Azevedo

19/01/2014

às 6:55

Que pena! Sai a estética Osklen-John John dos “excluídos”; entra o estilo sujinho-ensebado-universitário das Mafaldinhas & Remelentos incluídos. Sem o povo, os rolezinhos ficaram mais feios e mais burros

boné John John

Tênis da Osklen e bonés da John John: eis os fuzis dos revolucionários de Maria Rita Kehl

Tênis da Osklen e bonés da John John: eis os fuzis dos revolucionários de Maria Rita Kehl

Os playboys vermelhos do Complexo Pucusp e da imprensa acabaram com o barato da meninada. O rolezinho nunca mais será o mesmo. Era para fazer umas fotos, beijar na boca, botar depois no Instagram, causar… Mas a Maria Rita Kehl não quer que seja assim. A psicanalista de esquerda (isso é possível? Se um analisando mostra tendências de direita ela faz o quê? Tira o cara do divã a pontapés ou exorciza?), percebi por uma declaração sua à Folha, acha que pobre em shopping está reivindicando. Declarou o seguinte:
“Toda inclusão econômica exige, em um segundo momento, o reconhecimento da pertença a uma nova classe social. Claro que os jovens da periferia não pertencem a essa classe que compra nos shoppings, mas chegaram mais perto dela. E muitos deles hoje podem comprar algumas mercadorias que estão ali. A performance dos rolezinhos funciona como denúncia da discriminação, mas não sei se eles fazem isso conscientemente ou apenas movidos pelo mal-estar de saber que não são bem-vindos nos templos do consumo de uma sociedade que, até o momento, só promoveu inclusão via consumo — e não via cultura, acesso a serviços públicos de qualidade etc.”

Quando um especialista diz “etc.”, sempre penso que ele não deu o melhor de si ao argumentar. Vai ver não aposta na nossa inteligência. Petista militante, notem que Maria Rita precisa reconhecer a “inclusão econômica” ou estará negando um dos pilares da campanha de seu partido, certo? Aí ela avança com aquela ignorância desassombrada de que só psicanalistas falando sobre economia são capazes… Mentira! Os jornalistas são ainda mais capazes… Releiam esta enormidade: Claro que os jovens da periferia não pertencem a essa classe que compra nos shoppings, mas chegaram mais perto dela!”.

Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Campo Limpo.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Aricanduva.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Center Norte.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Metrô Itaquera.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Center Penha.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Center Lapa.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Center Ipiranga.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Center Mooca.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Pirituba.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Metrô Tucuruvi.

Maria Rita Kehl acha que todos os shoppings do Brasil são o Iguatemi, o JK Iguatemi e o Higienópolis. A razão é simples. Maria Rita Kehl só conhece pobre de ouvir falar e, quando tem de ir a um shopping, vai ao Iguatemi, ao JK ou ao Higienópolis — igualmente abertos, diga-se, para receber pobres, ricos, brancos, pretos, homens, mulheres, gays, crianças… Cadê o histórico de discriminação praticado por esses centros de compras?

Maria Rita Kehl nunca conversou com Renilda Pereira dos Santos. Quem é Renilda? É uma senhora que integrou um “rolezão” organizado pelas extremistas do MTST no Shopping Campo Limpo (que fechou a porta antes que eles conseguissem entrar para fazer bagunça lá dentro). A mulher deu a seguinte declaração: “É um absurdo eu não poder entrar no shopping hoje. Eu sempre venho, assim como meus filhos, e a gente gasta muito dinheiro. O direito de entrar no shopping é de todo mundo, não só dos ‘filhinhos de papai’”. Ela só estava na manifestação porque mora numa área invadida e quem manda no lugar é o… MTST.

Mas eu quero seguir com Maria Rita. Kehl. Esta senhora sempre aguça os meus instintos. Disse ela: “A performance dos rolezinhos funciona como denúncia da discriminação, mas não sei se eles fazem isso conscientemente ou apenas movidos pelo mal-estar de saber que não são bem-vindos nos templos do consumo de uma sociedade que, até o momento, só promoveu inclusão via consumo — e não via cultura, acesso a serviços públicos de qualidade etc.”

Mentira! Os meninos e meninas já deixaram claro! Não era denúncia de nada. Também não há mal-estar nenhum. Quando os shoppings chegaram a Campo Limpo, Itaquera, Penha, Mooca, levaram mais opções de lazer — em áreas em que, muitas vezes, essas coisas são escassas. Se o empreendedores que criaram esses centros de compra não quisessem pobres no estabelecimento, não teriam investido dinheiro naquelas regiões.

Na sexta, na minha coluna na Folha, escrevi o seguinte: “Os shoppings, chamados de ‘templos de consumo’ por bocós dos clichês superlativos, seriam a expressão mais evidente e crua do ‘fetichismo da mercadoria’ (…)”. No dia seguinte, Maria Rita Kehl chama esses empreendimentos de… “templos do consumo”! Que coisa! Eu faço a caricatura, crio o estereótipo, e ela vai lá e cumpre a agenda dos bocós dos clichês superlativos…

Maria Rita Kehl, como toda esquerdista rosa-chique, que aprendeu, no conforto, a desprezar os bens materiais, despreza também a inclusão pela via do consumo — ela acha isso uma coisa menor e, no fundo, meio reacionária. Repete, assim, Marilena Chaui, sua colega de partido, aquela que “odeia a classe média”. Maria Rita Kehl só valoriza a integração por intermédio da cultura, entendem? Por que esta senhora não tenta convencer a molecada a invadir museus, galerias de arte, bibliotecas? Maria Rita Kehl acha que os meninos só vão ao shopping pra beijar na boca porque não têm acesso a Dostoiévski.

O que escrevi
Fui dos primeiros na imprensa a dar um tratamento sério a essa história de rolezinhos — aqui e na Rádio Jovem Pan. E quem leu o que andei escrevendo e ouviu o que andei comentando sabe que sempre considerei que esses eventos não passam de uma diversão meio perigosa da molecada, que tem de ser coibida. E tem de ser desestimulada por múltiplas razões de segurança. Só isso. Todos os meus comentários, desde o início, se voltavam contra cretinismos como os de Maria Rita Kehl.

Para ela e gente como ela, gozo é para os ricos; a tarefa do pobre é reivindicar. A meninada, confessadamente, organizava aquelas jornadas para se divertir, mas Maria Rita Kehl, a iluminada, julga que “a performance dos rolezinhos funciona como denuncia da discriminação”. E emenda: “mas não sei se eles fazem isso conscientemente”. Entenderam? Ainda que um rolezeiro diga para dona Maria Rita que não se trata de protesto — e é o que estão dizendo nas redes sociais e à imprensa —, esta pensadora responderá: “É que você não tem consciência do que está fazendo; eu a tenho por você”.

Desprezo pelo povo
Uma das razões — há uma penca — que me afastaram da esquerda é o profundo desprezo, beirando o nojo, que esquerdistas têm do povo. Eles, no geral, consideram a população um lixo, incapaz de fazer escolhas morais certas, escolhas políticas certas, escolhas estéticas certas… O povo, em nome do qual falam, não é esse que está aí, mas outro, é o “novo homem”, que tem de ser construído para substituir este que conhecemos, que já foi corrompido pelos valores do capitalismo, entendem? Não é nada surpreendente que os tiranos comunistas tenham matado e ainda matem com desassombro.

O “humano” de que eles gostam é aquele que foi iluminado pela consciência revolucionária, pela consciência da libertação. O humano com o qual se importam é aquele que serve a uma causa, que carrega bandeira. Vejam lá o texto que escrevi sobre a ministra Maria do Rosário. Mais de 50 mil pessoas são assassinadas todo ano no Brasil. Ela não diz nada. Um garoto gay, infelizmente, aparece morto — muito provavelmente, jogou-se de um viaduto. Sem esperar perícia, nada!, ela saiu acusando “crime de homofobia” e tentou faturar politicamente com o cadáver. Nojo. Por que é assim? Porque aqueles 50 mil não são nada, não têm pedigree, não permitem proselitismo — ao contrário: eles só provam a falência do governo nessa área.

Da mesma sorte, Maria Rita Kehl e outros que pensam desse modo têm um profundo desprezo pelos meninos e meninas que fazem rolezinhos por rolezinhos. Para eles, isso é coisa da sociedade de consumo, entendem? Maria Rita Kehl deixa claro, ainda que não diga com todas as letras: ela só se interessa pela coisa porque vê nela “a denúncia da discriminação”. Para dona Maria Rita Kehl, pobre tem de carregar bandeira ou não merece respeito. É assim que interpreto a sua fala.

E de igual modo atuam todos os militantes que falam em nome de “minorias”. Ou não é verdade que Joaquim Barbosa, ministro do Supremo, chegou a ser chamado de branco e feitor de escravos só porque condenou os pistoleiros do mensalão? “Ora, como um negro ousa condenar esquerdistas? Então não é um bom negro!” Atenção! Um ex-ministro da Igualdade Racial, Edison dos Santos, um negro, disse algo semelhante sobre o ministro do STF. Aquele garoto que caiu do viaduto ganhou visibilidade porque era gay e negro. Fosse branco e hétero, seria mais um dos mortos anônimos. Maria do Rosário ignoraria o caso solenemente.

Esses subintelectuais não gostam do povo que há, não, senhores! Na verdade, odeiam! O povo que reverenciam é outro, saído dos manuais revolucionários do fim do século retrasado.

De resto, reparem: os rolezinhos, tudo indica, tendem mesmo a arrefecer. As meninas e meninos, os “excluídos” de Maria Rita Kehl, que compravam blusas e bermudas novas para se exibir; que marcavam manifestações para mostrar seus tênis da Osklen, suas camisetas da Hollister e seus bonés da John-John foram substituídos pela turma que conserva aquela estética sujinho-universitária. Sai a molecada com vistosas correntes no pescoço e cabelos cuidadosamente desenhados, e entram os Remelentos & Mafaldinhas que fazem a linha “pensador ensebado”.

Por Reinaldo Azevedo

19/01/2014

às 6:49

Vou marcar um “rolezinho” de míopes e depois vou à polícia denunciar preconceito contra os… míopes!

Vou marcar uma “rolezinho” de míopes no Shopping JK Iguatemi. Chegaremos em grupo, gritando, com bandeiras na mão. Se o shopping impedir a nossa entrada, a gente vai até a polícia e denuncia preconceito contra míopes.

Vou marcar um “rolezinho” no Shopping JK de pessoas alérgicas a gergelim e derivados e contra a mania que se espalhou Brasil afora de meter essa maldita semente em tudo o que é comida, doce ou salgada. Se o shopping impedir a nossa entrada barulhenta, a gente vai até a polícia e denuncia preconceito contra pessoas alérgicas a gergelim.

Vou um marcar um “rolezinho” no Shopping JK de pessoas que admiram Mozart. Se etc., a gente denuncia o preconceito contra os admiradores de Mozart.

Ironizo? Ora, foi o que aconteceu neste sábado. Uma tal UNEafro resolveu fazer um “rolezinho” nesse shopping. Chegaram com megafone, bandeira, botando os bofes pra fora. A direção do estabelecimento mandou fechar as portas — tinha obtido, diga-se, uma liminar na Justiça contra manifestações dessa natureza.

O que fizeram os valentes? Foram à polícia e denunciaram, atenção!!!, racismo. Convenham: é uma manifestação da mais escancarada vigarice intelectual e política. A acusação de “racismo” virou, agora, instrumento de intimidação de quem pretende desrespeitar até decisões judiciais.

Por Reinaldo Azevedo

19/01/2014

às 6:45

Os rolezinhos devem ser coibidos? Sim!

No sábado, a Folha publicou um excelente artigo de Andrea Matarazzo (PSDB), vereador em São Paulo, explicando por que os rolezinhos devem ser coibidos. Reproduzo.
*
Os “rolezinhos” tornaram-se o assunto deste verão. Os encontros de um número expressivo de jovens em shoppings de São Paulo são considerados por muitos como uma espécie de continuação das manifestações de desencanto e indignação de junho passado. Há, de fato, aspectos em comum. Como as passeatas a céu aberto contra a péssima gestão do Estado brasileiro, os “rolezinhos” reúnem participantes que marcam o encontro previamente pelas redes sociais. Em ambos, grupos oportunistas de vários matizes ideológicos procuram pegar carona na notoriedade desses movimentos. No caso dos “rolezinhos”, comerciantes e frequentadores dos shoppings e, depois, a sociedade foram pegos de surpresa. Pois, assim como as manifestações de inverno, a moda do verão surgiu inesperadamente e se tornou o tema predominante das últimas semanas.

Mas há diferenças que não podem ser desprezadas. O rastilho de pólvora das manifestações foi o aumento do preço do transporte urbano e, depois, o movimento ganhou corpo com outras reclamações difusas. Não há, no caso atual, um discurso unificado de reivindicações. Não há sequer uma reivindicação expressamente declarada. Recentemente, jovens marcaram um “rolê” em Itaquera a pretexto de diversão. Houve reação dos proprietários de shoppings e das autoridades. Isso acendeu o debate com vezos políticos e ideológicos. Muitos a favor, muitos contra. A sensação que fica é que apoiar os “rolês” é de esquerda e condená-los é de direita. Isso é ridículo, pois interdita o debate, não traz solução. Aliás, é o que vem ocorrendo em diversas frentes: o debate morre, reduzido a ideologia de almanaque ou a meras disputas entre quem é o “bonzinho” e quem é o “mauzinho”.

Não faz sentido ideologizar ou politizar os “rolezinhos”. Ser ou não ser politicamente correto não é nem deve ser a questão. O que temos de defender é a integridade física das pessoas que frequentam locais públicos ou privados de uso coletivo. Também não se pode deixar de lado evidências como o fato de que grupos de mil jovens ou mais (independentemente da classe social, credo ou bairro) em espaços inadequados podem provocar se não depredações e agressões, como já ocorreu, sustos, correrias e atropelos.

A sociedade demanda códigos e padrões de comportamento para que os direitos de todos sejam assegurados. Da mesma forma que não se deve andar de skate em hospitais nem conversar durante um espetáculo, não é aceitável superlotar casas de eventos para não se repetirem tragédias como a da boate Kiss. Em recintos fechados, não é razoável dar margem a tumultos que ponham em risco a segurança das pessoas.

A liberdade de marcar encontros pela internet é uma novidade que demanda cuidados. Uma chamada pode reunir 20 ou 20 mil pessoas. Como controlar uma multidão sem um mínimo de planejamento e organização? Em São Paulo, qualquer evento que reúna determinada quantidade de pessoas, por lei, exige ação da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), do Corpo de Bombeiros, do Samu (Serviço Atendimento Médico de Urgência) e da Polícia Militar.

Eventos sem as medidas de cautela necessárias podem provocar desastres. Como esvaziar um shopping lotado em caso de incêndio? Em caso de tumulto, como evitar acidentes com pessoas mais velhas ou com alguma deficiência? Como proteger as crianças? Como prevenção, é preciso, com bom senso, coibir aglomerações e correrias em qualquer local sem a estrutura necessária.

Ou seja: seu “rolezinho” termina onde começa o do outro, pois a liberdade de cada cidadão é delimitada pela dos demais.

Por Reinaldo Azevedo

18/01/2014

às 5:41

Os rolezinhos e a Justiça. Ou: Para que existem os juízes? Ou: Se o direito de se manifestar é absoluto, então o manifestante é o novo tirano. Ou ainda: Dois juízes do Rio

Que tal um texto looongo? Vamos nessa?

Eu vou comentar aqui duas decisões da Justiça do Rio: num caso, concedeu-se uma liminar contra um rolezinho num shopping; no outro, a liminar foi negada. Mas preciso fazer considerações prévias porque, menos do que os casos em particular, interessa-me tratar de uma tendência. Vamos lá.

Juízes só existem — desde o momento em que o homem percebeu que o simples estado da natureza não era exatamente um bom modo de viver — porque a aplicação das leis não é uma operação aritmética. Especialmente nas democracias, há fundamentos que, na superfície ao menos, parecem colidir. Ao juiz cabe uma escolha que tem de ser fiel, no limite do possível, ao que está escrito, buscando preservar ou construir a paz social, mas sem ferir prerrogativas asseguradas em lei. Por isso mesmo, o que poderia ser sopa — aplique-se a lei — costuma ser uma operação bastante complexa. Infelizmente, tem se fortalecido no Brasil a tendência de os juízes confundirem esse espaço de arbítrio, facultado pelas muitas faces da legislação, com arbitrariedade idiossincrática, gosto pessoal, escolhas ideológicas e afinidades eletivas. Mais: em certas áreas do Judiciário, há, parece, a determinação de o juiz fazer com a própria toga o que ele julga que a sociedade, o Legislativo e o Executivo deveriam ter feito antes. Ou por outra: ele próprio decide encarnar, a um só tempo, a vontade do povo, a vontade do Legislativo e a vontade do Executivo — além, claro, de atuar em nome do Judiciário. E, então, falando em nome da democracia, ele não vê mal nenhum em encarnar os Três Poderes e ainda se considerar a fonte da legitimidade originária: o povo. É um momento glorioso, pois, em que um tirano decide falar em nome da democracia. Esse pensamento torto já chegou ao Supremo Tribunal Federal, e sua expressão máxima se chama Luís Roberto Barroso — não por acaso, destaque-se, o mais cultuado do tribunal pelas esquerdas.

É certo que a Constituição assegura o direito à manifestação e à livre associação. Não menos certo é que a mesma Carta garante a liberdade de expressão. São fundamentos da democracia gravados em nossa Lei Maior, e, pois, não cabem especulações sobre a sua pertinência. O direito que está impresso em letra fria é o conceito, é o valor abstrato que nos orienta. A sua efetividade só é provada a quente, na vida. Assim, cumpre indagar: o direito à livre manifestação e associação é de tal sorte absoluto que deve ser garantido mesmo quando uma minoria se impõe a ponto de impedir que a maioria igualmente se manifeste? É plausível que, em nome dessa liberdade, um grupo de 100, 200, 500 ou mil pessoas impeça o direito de ir e vir de milhares, pondo, adicionalmente, a sua segurança em risco?

Sim, pensemos no caso dos shoppings, espaços privados de uso público. Os que respondem juridicamente pelo empreendimento têm obrigações firmadas com entes do estado brasileiro — e tem de ser assim — para que possam abrigar pessoas. Entre outras coisas, precisa garantir a sua segurança, o seu bem-estar, condições adequadas de higiene, até a salubridade do ar que se respira por lá. Se os frequentadores sofrerem algum prejuízo em razão da incúria dos administradores, estes responderão judicialmente pelo dano.

Há mais: esses centros comerciais, que abrigam uma vasta gama de comércio e serviços, mantêm obrigações contratuais com lojistas, que respondem, por sua vez, por milhares de empregos. E, como sabe a Justiça do Trabalho, também os patrões arcam com obrigações que dizem respeito à segurança dos seus funcionários.

Os arquivos
Escarafunchemos os arquivos, o noticiário. Quantas são as notícias, ao longo dos últimos, sei lá, 40 anos dando conta de que grupos — seja em razão de sua renda, cor de pele ou sexualidade — foram proibidos de entrar em shoppings? Ao contrário: espalhados também nas periferias, especialmente em São Paulo, eles são exemplos de convivência democrática. Como confessou uma senhora que protestava em frente ao shopping Campo Limpo, ela e sua família são frequentadoras do estabelecimento.

Acrescente-se: em muitos casos, os shoppings acabam oferecendo o que o Poder Público nunca conseguiu oferecer: opções de lazer aos mais pobres: lanchonetes, miniparques de diversão, lojas de games, o simples “footing” para a paquera, em áreas bem mais seguras do que a conflagrada periferia das cidades brasileiras.

Os shoppings também exercem um certo poder civilizatório. Ainda que se possam perceber inconveniências aqui e ali, o comportamento dos frequentadores, pouco importa o grupo social, costuma ser aceitável. Funciona a tal lógica do serviço eficiente. Se os administradores do empreendimento se esforçarem para manter sempre limpo o ambiente, dá-se o ciclo virtuoso: é mais difícil jogar lixo no chão quando esse chão está limpo; intimidado, o sujeito acaba buscando o cesto mais próximo. Se sujo estiver, aí que se dane.

O melhor código de conduta que pode haver é o da razoabilidade. Está escrito em algum lugar que é proibido fazer “rolezinho”, com este nome, num shopping? É claro que não! Mas é aceitável que se faça “rolezinho” ou “rolezão” nesses lugares? A resposta é a mesma: é claro que não!

É o momento em que se deve, então, aplicar a letra fria da lei à prática quente da vida. A segurança desses ambientes — do espaço físico disponível às brigadas anti-incêndio — foi planejada para isso? Não! E nem deveria. É possível assegurar, a um só tempo, manifestações como essas e o direito dos demais frequentadores de ir e vir? Não! A administração de um shopping pode responder pela segurança dos seus frequentadores, em meio a rolezinhos, com a eficiência e a responsabilidade com que se comprometeram diante de órgãos legais? É claro que não!

A Justiça não tem de coibir rolezinhos em razão de algum juízo de valor sobre a qualidade da manifestação. Isso tudo é bobagem. Eles têm de ser coibidos porque incompatíveis com aquele ambiente; porque o exercício da vontade dessa minoria — e é uma minoria! — colide com direitos da maioria e impede que obrigações contratuais, disciplinadas por lei, sejam cumpridas.

Agora as decisões da Justiça do Rio
Foi marcado pelas redes sociais um “rolezinho” no Plaza Shopping, em Niterói, para este sábado às 18h30. Se vai mesmo acontecer, isso eu não sei. O Plaza recorreu à Justiça para tentar impedir o evento. O juiz Alexandre Duarte Scisinio, da 9ª Vara Cível, decidiu ignorar essa ordem de considerações que faço acima — o que há de errado com ela? —, negou a liminar e ainda deu uma má aula do que ele entende ser democracia e direitos, com considerações francamente hostis aos postulantes.

Escreveu:
“A prevalecer o estranho desejo dos autores de obter ordem judicial, como assim deduzido nesta ação, para proibir esse ou aquele indivíduo ou grupo, de ingressar no seu shopping, que é aberto ao público em geral, se estaria conquistando uma medida inaceitável de dar ao particular a absurda discricionariedade de agir dessa ou daquela forma, rejeitando os mais diversos consumidores, pelos mais variados motivos, sempre que assim lhe conviesse. Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei e é livre a manifestação de pensamento, dogmas contidos na nossa Carta Magna”.

O doutor me perdoe, mas se trata de um texto absurdo e preconceituoso. Em primeiro lugar, não há nada de “estranho” na solicitação, que não é um mero “desejo”, sempre lembrando, meritíssimo, que encaminhar petições ao poder público é um direito constitucional. O senhor, por favor, trate com respeito os que procuram o seu saber, para cujo exercício é pago — e os peticionários colaboram com impostos para esse pagamento. Adiante.

O Plaza quis impedir o “rolezinho”, e o juiz, ao negar a liminar, resolveu contestar o que não foi pedido. A direção do shopping não está reivindicando nenhuma “absurda discricionariedade” para impedir que este ou aquele entrem no prédio. Quer apenas barrar uma manifestação para o qual aquele ambiente não foi pensado, planejado, organizado. De fato, ninguém é obrigado a fazer ou não fazer determinada coisa senão em virtude da lei. Mas esperem: o doutor nega que exista um penca de leis que coíbem que indivíduos ponham em risco a segurança de terceiros. A propósito, doutor Scisinio: quando “roleiros” cassam direitos de frequentadores, é em virtude da lei que o fazem? Ora…

O doutor resolveu ainda avançar para a poesia. Definiu assim os rolezinhos: “atividade artística e cultural, eis que os jovens criativamente apresentam-se com figurinos interessantemente diferenciados, pontuando um modismo próprio de sua época e idade, e é certo que se compreende por arte toda forma de expressão e manifestação estética, de ideias, pensamentos, etc. São estas acepções que compõem o vasto e complexo conceito de atividade cultural”.

A compreensão do juiz do que seja arte chega a ser cômica, mas deixo pra lá. A questão é outra: quando foi que o Plaza ou outro shopping qualquer impediram a livre manifestação de quem quer que seja? De resto, o doutor tem de responder a uma questão. Se tiver uma boa resposta, publico. MAIS PÚBLICOS DO QUE OS SHOPPINGS, MAIS “DO POVO” DO QUE OS ESTABELECIMENTOS PRIVADOS, SÃO OS TRIBUNAIS BRASIL AFORA, NÃO? SÃO AS REPARTIÇÕES DA JUSTIÇA. O DOUTOR ALEXANDRE DUARTE SCISINIO ABRIGARIA ROLEZINHOS NO SEU GABINETE? Se “jovens criativos” decidirem impedir o funcionamento normal da Justiça, deve-se fazer o quê? Creio que ele chamaria a polícia e daria voz de prisão aos transgressores. O juiz pode dizer o que quiser, mas, numa sociedade organizada, tanto o juiz como o vendedor de sanduíche têm de ter assegurado o seu direito ao trabalho e à segurança.

O juiz diz ainda que os excessos devem ser coibidos pela Polícia. Claro! Imaginem se uma manifestação em ambiente fechado, com escadas rolantes e grades nem sempre muito altas, foge do controle. De resto, cumpre indagar: o que foi feito da praça pública quando o assunto é manifestação?

A boa decisão
Mas exalto aqui, também, a boa decisão. Andou bem a juíza Isabela Pessanha Chagas, da 14ª Vara Cível do Rio, que concedeu liminar contra o rolezinho ao Shopping Leblon. Ela lembrou que os direitos à livre manifestação e de ir e vir não devem colidir com “os direitos de locomoção de outros, bem como o direito de trabalho, assegurado pela Carta Magna.” Observou ainda o óbvio: “os shoppings são prédios privados, havendo que se garantir o direito de propriedade (…) coibindo-se a ação de possíveis manifestantes que pretendem causar desordem pública, facilitando a prática de atos de depredação, bem como a ocorrência de furtos de bens, violando o direito de lojistas”.

Volto ao outro doutor: o que há de errado nas considerações da juíza Isabela Pessanha Chagas? Mais: ela se refere a episódios que de fato aconteceram em rolezinhos anteriores; não está sendo meramente preventiva. Escreveu com absoluta pertinência: “Frise-se, ainda, que a admitir-se tal manifesto, estar-se-ia colocando em risco a integridade física de eventuais consumidores que possam estar no local, sobretudo ante a possibilidade da presença de famílias que, no desfrute do seu lazer, se façam acompanhar de suas crianças e/ou idosos, como se verifica nos shoppings em finais de semana”.

Ainda há juízes na Berlim tropical!

Ela foi adiante na sua prudente decisão, informa o Estadão: “determinou que pelo menos dois oficiais de Justiça permaneçam de plantão no shopping, a partir das 15h, para identificar os manifestantes a fim de aplicar multa no valor de R$ 10 mil para cada um. Até as 15h desta sexta-feira, 17, mais de 8,7 mil pessoas haviam confirmado presença na página do evento no Facebook.”

Retomo
Notem: pode até ser que o evento se realize e coisa e tal. E, não há como, se a coisa sair do controle, a Polícia Militar terá de ser acionada. O que elogio na decisão da juíza é a sua disposição de não condescender com a demagogia e com o discurso fácil. Digam-me cá: deve-se permitir um rolezinho numa sessão de cinema ou de teatro em nome da “liberdade de expressão”? Não me parece que alguém possa dizer “sim” ao despropósito. E por que, então, deveriam ser permitidos em shoppings? Não se está, da mesma forma, afrontado direitos de terceiros?

A questão vai mesmo às raias do absurdo. Entender que a liberdade de organização e a de expressão são direitos absolutos confere àquele que age em nome desses fundamentos a discricionariedade de um tirano. Na demagogia nossa de casa dia — que, com frequência assustadora, tem exibido uma toga —, essa “absolutização”, no entanto, não vale para todo mundo. Só podem exercitá-la aqueles que falam em nome dos pobres e dos excluídos. Na maioria das vezes, trata-se de militantes políticos que não são nem uma coisa nem outra. O povo mesmo, aquele que gosta de ir aos shoppings, prefere se divertir em paz.

Texto publicado originalmente às 19h08 desta sexta
Por Reinaldo Azevedo

17/01/2014

às 6:31

Rolezinho e mistificações baratas — minha coluna na Folha desta sexta

Leia trecho da minha coluna na Folha:
Setores da imprensa e alguns subintelectuais, com ignorância alastrante, tentaram ver o “rolezinho” como manifestação da luta de classes. Os shoppings, chamados de “templos de consumo” por bocós dos clichês superlativos, seriam a expressão mais evidente e crua do “fetichismo da mercadoria”, uma estrovenga que “sedizentes” marxistas não conseguem definir sem engrolar incongruências e abstrações inanes. Deu errado. Boa parte dos shoppings está nas periferias e é frequentada por pobres. Quando a luta de classes falha, é o caso de convocar a guerra racial.

Mais uma vez, a PM é vista como algoz, e “jovens pobres, negros e da periferia”, como arautos de um novo tempo. Os deserdados da “modernização conservadora” teriam decidido invadir o espaço privado do capitalismo excludente: o shopping! Quanto besteirol, Santo Deus!

O “rolezinho”, na sua atual configuração, é uma criação da imprensa. Os “brancos da nossa classe” fazem “flash mobs”. Já os pobres negros, vistos com curiosidade antropológica, fazem “rolezinhos”, que são exaltados em nome da diversidade. O pobrismo racialista é a mais vistosa manifestação de vigarice intelectual do jornalismo e da academia. Esse olhar que supostamente defende os “excluídos” acaba por confiná-los num gueto conceitual, numa jaula de boa-consciência.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

16/01/2014

às 16:56

Um absurdo sem Gilberto Carvalho nunca está completo. Ou: A fala irresponsável do ministro insuflador

Carvalho, o Gravata Vermelha: aposta na guerra racial e de classe

Carvalho, o Gravata Vermelha: aposta na guerra racial e de classes

Pronto!

Apareceu quem faltava: Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. Mais uma vez, os petistas tentam criar o caos e o tumulto em São Paulo na esperança de obter, com isso, vantagens eleitorais. Assim nasceu o “junho”, que se espalhou Brasil afora e acabou caindo no colo da presidente Dilma. Ela nunca mais recuperou os índices de popularidade que tinha até então.

Sim, as jornadas de junho nasceram de uma tentativa de petistas e outros à sua esquerda de instaurar o caos em São Paulo. O movimento se espalhou Brasil afora. O Globo traz um texto com falas impressionantes de Carvalho. Reproduzo em vermelho e volto em seguida.

Em Pernambuco para o 3° Encontro da Juventude Camponesa, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, defendeu o movimento denominado “rolezinhos” e criticou a repressão policial aos atos e a postura inadequada dos proprietários de lojas e shopping centers. Para o ministro, a ação da polícia tem sido inadequada e coloca “gasolina no fogo”. “A ação inadequada da polícia acaba colocando gasolina no fogo”, disse Carvalho, que defendeu o acesso dos jovens de periferia ao lazer: “Esses jovens de periferia também têm direito à diversão e lazer. Se trata de mais um desses passos que a sociedade vai dando”, disse para logo em seguida criticar também a inadequada postura dos empresários de querer bloquear a entrada desses jovens de periferia nos shopping centers.

“Eu não tenho dúvida que isso está errado. Para mim é, no mínimo, inconstitucional. Qual o critério que você vai selecionar uma pessoa da outra? É a cor, é o tipo de roupa que veste? Tudo isso implica no preconceito, no pré-julgamento de uma pessoa e fere a Constituição e o Instituto da Criança e do Adolescente ao lazer”, defendeu Carvalho.

Irresponsável!
É uma fala irresponsável. Ele que aponte um só estabelecimento que pratica discriminação racial ou de classe. O que poderia ser efêmero vai, agora, durar além da conta porque foi politizado por petistas e movimentos sociais.

Mas esse é Gilberto Carvalho. Um assessor seu, Paulo Maldos, estava lá no Pinheirinho, em São Paulo, quando houve a “resistência” à ordem judicial. O mesmo Maldos é a mão que balança o berço da radicalização dos movimentos indígenas contra os proprietários rurais. No Maranhão, este senhor chamou agricultores pobres, desalojados de suas terras, de plantadores de maconha. Não há uma só ação da Polícia em São Paulo contra a qual este senhor não exerça o mais odioso proselitismo oportunista.

Os shoppings não se mobilizaram contra pobres e negros, mas conta a baderna. Tentar emprestar um corte racial ou de classe a isso é coisa de vigaristas.

Em ano eleitoral, autoridades petistas decidiram insuflar uma guerra racial e outra de classes. É vã a esperança de que coisas assim se limitem a São Paulo. Acabam se espalhando Brasil afora. Dá para saber como começa, mas não como termina.

Por Reinaldo Azevedo

16/01/2014

às 16:33

Correção

No post anterior, eu havia atribuído à atual ministra da Igualdade Racial, Luíza Bairros, uma afirmação feita por Matilde Ribeiro, uma antecessora sua, a saber: o racismo de negros contra brancos é natural… Não foi Bairros, reitero, quem disse essa besteira perigosa. Disse outras… O texto original já está corrigido. Agradeço aos leitores que chamaram a atenção para o meu erro. É assim que se faz! Corrijam mesmo! O sucesso deste blog se deve, em grande parte, a vocês.

 

 

Por Reinaldo Azevedo

16/01/2014

às 15:37

Agora a questão subiu de patamar: petistas estão tramando uma “guerra racial” na boca da urna. E o tal “racismo natural contra os brancos”!

Luíza Bairros: ela acha "natural" o racismo de negros contra brancos...

Luíza Bairros: ela atribuiu a um senador da República o que ele não disse…

A irresponsabilidade de alguns petistas graúdos nessa questão dos rolezinhos impressiona. São capazes de tudo. A presidente Dilma precisa decidir se vai permitir que subordinados seus brinquem com fogo. Mais: ela terá de deixar claro em que medida está de acordo com a irresponsabilidade ou a estimula.

O prefeito Fernando Haddad — que não é subordinado da presidente, mas é uma estrela do partido — cometeu a insanidade de pedir a seu secretário da Igualdade Racial que convocasse os “líderes” dos rolezinhos, como se houvesse, nesse caso, uma representação formal. Poderia ter pedido tal coisa ao secretário de Segurança, ao de Assistência Social, a algum outro… Mas não! Quis dar à coisa um apelo racial.

Agora, à Folha, a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, ultrapassa em muito a linha da responsabilidade. Segundo ela, a reação dos shoppings aos rolezinhos é coisa de brancos inconformados com a presença de negros naqueles ambientes. É MENTIRA, MINISTRA! Quem representa os “brancos” inconformados? Onde estão seus porta-vozes? Boa parte, talvez mais da metade, dos participantes dessas manifestações são… brancos!

À Folha, esta senhora afirmou:
“De um lado está a percepção de grande parcela da juventude de que não tem direito a todos os espaços da cidade. Através dessa manifestação, eles reivindicam participação e presença nesses lugares, que foram reservados a pessoas de mais alta renda, majoritariamente branca.
A manifestação dos jovens revela, por outro lado, aquilo que eles leram muito bem: existe uma parcela da sociedade que não quer a presença deles em determinados lugares. Então você vê manifestação de discriminação racial muito explícita em relação a esses movimentos.
Em muitos sentidos, a liminar que proíbe a entrada dos jovens nos shoppings, ou pelo menos dá o direito de selecionarem quem entra ou não, é uma situação racista. A liminar consagra um processo de segregação racial do espaço, o que esses jovens conseguiram perceber muito nitidamente.”

Trata-se de um discurso asqueroso e falso. Quando e em que lugar um negro, ou negros, ainda que em grupos, foi impedido de circular livremente nos shoppings e de usufruir de seus serviços? Quantas notificações ou casos existem no seu ministério a respeito, minha senhora? Quantos são os inquéritos? Cadê as ocorrências?

A fala da ministra é, além de irresponsável, oportunista. Bairros tem de dizer se concorda com os rolezinhos e se acha que eles são procedimentos seguros, inclusive para aqueles que deles participam. Ultrapassada a linha da prudência e da responsabilidade, aí tudo é possível. A ministra ataca também a PM:
“A PM, infelizmente, ao cumprir decisão judicial, de certa forma recebe respaldo para fazer algo que já fazia e faz cotidianamente. Que é criar um perfil de criminoso associado à pessoa negra, e mais particularmente ao jovem negro.”

A repórter da Folha Andréia Sadi retira do contexto uma observação do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) no Twitter, dirige duas perguntas à ministra, e se tem, então, um momento de notável mistificação. Reproduzo:
O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) chamou os jovens dos “rolezinhos” de “cavalões”. Há o que temer nas manifestações?
Eu acho que haverá o que temer se as pessoas, e determinados parlamentares, continuarem a dar declarações que confirmam a desumanização das pessoas negras. Esse tipo de resposta pode acirrar, entende? Existe uma postura e uma intenção absolutamente pacífica nessas movimentações. Os problemas que têm havido são derivados da reação das pessoas brancas que se assustam com essa presença [dos jovens nos shoppings].
O senador relatou ter levado os netos ao Shopping Morumbi e escreveu no Twitter: “Imagino como eu e demais avós reagiríamos caso um bando de cavalões cismassem de dar um rolê por lá”. O que a senhora tem a dizer?
O racismo desumaniza a pessoa negra. Ele não vê um ser humano, vê um animal potencialmente perigoso. Mas acho que você tem que reforçar o seguinte: conversei com a secretária de Justiça de São Paulo e ela me assegurou que a disposição do governador é fazer com que a atuação da policia seja a mais correta possível e qualquer abuso seja repudiado. Acho que esse é o tom que temos que dar a esse fenômeno.

Retomo
Com o devido respeito à ministra, sua fala é de uma vigarice intelectual como raramente se viu. Começo com a repórter Andreia Sadi. Não sei a sua origem. No interior de São Paulo, de onde vem Aloysio, e de onde venho também, “cavalão” não é ofensivo, não, Andréia! “Cavalão” é sinônimo de rapaz saudável, forte, corpulento. Aliás, procure aí no Houaiss, oferecido pelo UOL, e você vai encontrar essa acepção. Sim, “cavalão” também pode ser “indivíduo rude e grosseiro”, segundo o dicionário. Em São Paulo, nunca! Também se diz da moça muito forte, saudável, ser “uma cavalona”, feminino no aumentativo impossível, segundo a norma culta . Note, diligente Andréia, que, se a intenção fosse associar as pessoas aos animais propriamente, não se diria da jovem ser uma “cavalona”, mas uma “eguona”. Quando se diz de um homem ser “um touro”, não se está a dizer que ele tem chifres, mas que é muito forte. Dica, Andréia: se você for um dia  a Dois Córregos e, numa roda de truco, um jogador chamar o outro de “lazarento!”, é grande a chance de ser um elogio. Sinônimo: sagaz, inteligente, ousado — em suma, uma “lazarento!” Como explicar? Bem, primeiro é preciso entender.

As respostas da ministra são intelectualmente delinquentes, ao acusar o senador de estar associando “negros” a animais. Ele deveria acionar a senhora ministra na Justiça por calúnia. Ou, então, cobrar que ela se desculpe.

Não é a primeira vez que ministros dessa pasta dizem barbaridades. Numa entrevista à BBC, Matilde Ribeiro, uma antecessora sua, meteu os pés pelas mãos:
BBC Brasil – No Brasil tem racismo também de negro contra branco, como nos Estados Unidos?
Matilde Ribeiro – Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou”.

Em 2011, a própria Luíza Bairros já via fantasmas: “Isso [ocupação de espaço pelos negros] provoca reação. Para muitas pessoas, parece perda de espaço. Isso demonstra como ser branco, na sociedade brasileira, implica determinados privilégios em detrimento dos direitos dos negros em geral”.

Chegou a hora de cobrar responsabilidade. Da presidente Dilma! E da imprensa!
*
PS: Eu havia atribuído, numa versão anterior deste texto, à atual ministra a fala de Matilde Ribeiro, uma antecessora sua na pasta. Faço a correção e me desculpo com os leitores. Luíza Bairros não falou aquelas besteiras. Falou outras.
Por Reinaldo Azevedo

15/01/2014

às 21:21

Shoppings bloquearam páginas de rede social para evitar rolezinhos

Por Giba Bergamin Jr, na Folha Online:
Shoppings da capital paulista conseguiram bloquear páginas no Facebook de convocação para “rolezinhos”. A informação foi confirmada pelo presidente da Abrasce (associação que reúne shoppings do país), Luiz Fernando Veiga. O presidente disse nesta tarde em entrevista a jornalistas que os shoppings estão tomando medidas individualmente para conter futuros eventos. Ele não soube informar quais são os shoppings que conseguiram retirar as páginas.

Ele afirmou que não há orientação da entidade para, por exemplo, o ingresso de liminares na Justiça para barrar os ‘rolezinhos’ sob pena de multa, como foi feito pelos shoppings Metrô Itaquera, JK e Campo Limpo. “Escutei isso [sobre o bloqueio de páginas] de dois ou três associados que pediram a retirada de informações”, disse Veiga, sobre o bloqueio das páginas. Ele não soube dizer se a retirada das páginas foi por meio da Justiça ou através do próprio Facebook.

Segundo ele, as postagens de participantes tinham conotações que falavam em uso de droga e crimes. “Você leva a tua maconha que eu levo a minha e a gente fuma no shopping”, dizia um dos textos, segundo o presidente.

Whatsapp
Segundo ele, mesmo sem as páginas no Facebook, é muito difícil evitar os atos. “Porque eles saem do Facebook e vão para o Whatsapp. São atitudes de prevenção e eu costumo dizer o seguinte: pelo menos são obstáculos. Havia ameaças concretas de ilegalidade [das pessoas que escreviam na rede social] ” explicou. Ele afirmou que, embora as informações contábeis de shoppings sejam sigilosas, os centros comerciais já estimam prejuízos.

Questionado sobre se houve preconceito de alguns seguranças, que pediram RG de clientes na entrada do shopping JK e sobre truculência de seguranças em Itaquera, Veiga disse que não é verdade. “Não há discriminação. Filhos de amigos meus que são de classe A também mostraram RG”, disse.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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