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Recife

07/10/2012

às 20:28

PT amarga vexame histórico em Recife

O vexame do PT em Recife se confirmou. E por pouco não se tem por lá uma surpresa e tanto. Geraldo Júlio, do PSB, candidato ungido pelo governador, elegeu-se no primeiro turno, com 51,15% dos votos válidos. Daniel Coelho, do PSDB, ficou com 27,65% dos votos.  O petista Humberto Costa amargou o terceiro lugar, com 17,43%. Essa é, sem dúvida, a maior derrota de Lula na disputa.

O resultado é bem diferente da última pesquisa Datafolha, que atribuía 46% a Júlio, 26% a Coelho e 21% a Costa.

Não custa lembrar que o atual prefeito, João da Costa, que é petista, venceu a convenção para disputar a reeleição, mas foi descartado pelo comando partidário, que impôs, com as bênçãos de Lula, a candidatura de Costa.

O resultado é o que se vê.

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2012

às 0:57

Datafolha Recife – Petista fica à frente com 35%; candidato de Campos tem 7%

Por Fábio Guibu, na Folha Online:
 A primeira pesquisa Datafolha sobre a eleição para prefeito de Recife (PE) mostra que uma polarização entre os candidatos do PT e do PSB ainda está distante. Segundo o levantamento, o petista Humberto Costa lidera a corrida sucessória, com 35% das intenções de voto, enquanto o socialista Geraldo Júlio aparece na quarta colocação, com 7%. Mendonça (DEM) ocupa o segundo lugar, com 22%, à frente de Daniel Coelho (PSDB), com 8%, em situação de empate técnico com Geraldo.

Humberto Costa, que é senador, disputa a eleição por indicação do PT nacional, defendendo 12 anos de administração da sigla na cidade. Sua candidatura foi imposta após o partido intervir no processo sucessório, vetando a tentativa de reeleição do prefeito João da Costa (PT). O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, aproveitou a crise para romper a aliança com o PT e lançar seu próprio candidato. 
(…)

Por Reinaldo Azevedo

12/06/2012

às 19:42

Campos lança candidatura própria em Recife. Movimento combinado com direção do PT busca ameaçar atual prefeito com a solidão e a cristianização

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), informa Vera Magalhães na Folha Online, decidiu dar por encerradas as negociações com o PT em Recife e anunciou que o partido terá candidato próprio à Prefeitura. É para valer? É para valer se o PT local não resolver a sua crise. João da Costa, atual prefeito, que pertence ao partido, venceu as prévias na disputa com Maurício Rands, que era secretário de Campos e tinha o apoio do governador. A Executiva Nacional do partido interveio e decidiu que o candidato não seria nem Costa, o João, nem Rands, mas outro Costa, o Humberto, hoje senador. O prefeito não aceitou a solução e decidiu recorrer à direção nacional.

Já expus aqui os bastidores da disputa petista, que nasce de uma desavença por causa de contratos para a coleta de lixo. Mas não é só: o atual prefeito é um desafeto do governador, que não aceita apoiá-lo de jeito nenhum. Tanto a direção nacional quanto o líder do PSB têm seus motivos para querer João da Costa fora da disputa.

A decisão de Campos é pra valer? É pra valer a depender do que faça o PT. Se Costa vencer o braço de ferro no partido, o PSB terá candidatura própria. Nesse caso, o mais provável é que setores do PT acabem cristianizando o nome do partido em favor do escolhido pelo governador. Não esperem, por exemplo, Rands, o ex-prefeito João Paulo ou mesmo Humberto no palanque de João.

Esse, mais do que qualquer outro fator, pode levar o atual prefeito a desistir de sua postulação. Ainda que a máquina da Prefeitura seja forte, ele não teria como enfrentar a do Estado, ainda mais se estiver sendo sabotado por pessoas de sua própria legenda. Intuo até que o movimento de Campos seja combinado com a direção nacional do PT e com quem manda de fato: Lula.

Em São Paulo, por exemplo, o apoio do PSB é vital para a candidatura de Fernando Haddad (PT). Embora os socialistas sejam aliados de Gilberto Kassab na Prefeitura e de Geraldo Alckmin no governo do Estado, ficarão com o petista. Campos cede a um apelo pessoal de Lula. Em troca, em Recife, terá o suporte das fatias do petismo que não querem João da Costa, pouco importa quem seja seu candidato.

A movimentação do governador tem um objetivo imediato: ameaçar João da Costa com a solidão e a cristianização. E, se querem saber, são argumentos fortes o suficientes para que o prefeito pense em desistir de seu pleito, sendo, assim, esmagado por duas máquinas: a do governo do estado e a do seu próprio partido.

Pois é… Parece que naquele conflito sobre a coleta de lixo, João da Costa escolheu o lado errado… Em matéria de lixo, é bom nunca duvidar da expertise da direção nacional do PT.

Por Reinaldo Azevedo

11/06/2012

às 23:43

João da Costa recorre à Direção Nacional do partido pedindo que indicação do senador Humberto Costa seja reavaliada. PT não voltará atrás

Na VEJA Online:
O prefeito do Recife, João da Costa, entrou na tarde desta segunda com recurso ao Diretório Nacional do PT, pedindo revisão da decisão da executiva nacional do partido que impôs o nome do senador Humberto Costa como candidato à prefeitura da capital. Ele quer ter seu nome homologado como candidato à reeleição.

O recurso foi enviado por e-mail, encaminhado por Sedex e seria protocolado por um representante na sede do partido, em São Paulo, para evitar problema de recebimento. De acordo com o ex-presidente estadual do PT, Jorge Perez, o recurso se baseia em dois principais argumentos: João da Costa seguiu todos os procedimentos regimentais para a definição do candidato petista à prefeitura – não havendo, portanto, motivo para a intervenção – e foi comunicado da decisão do partido sem direito a defesa. “Ele estava presente à reunião da executiva, em São Paulo, que decidiu impor o nome de Humberto, sem direito a se defender ou argumentar”, observou Perez.

“O prefeito participou e ganhou a primeira prévia (anulada pela executiva nacional por divergências das listas de filiados) e uma segunda prévia foi determinada pela direção nacional”, relembrou ele. “Como o outro pré-candidato, Mauricio Rands, desistiu, o prefeito deveria ter sido homologado, como determina o estatuto.” Para Perez, neste caso, a direção nacional passou por cima de sua própria decisão.

No âmbito político, o grupo de João da Costa destaca que a executiva nacional impôs o nome de Humberto Costa argumentando que, ao contrário do prefeito, o senador teria condições de unir o partido e as legendas aliadas da Frente Popular. “Não é isso o que vemos”, complementou Perez, ao citar o PSB, do governador Eduardo Campos. O governador exonerou, semana passada, quatro secretários estaduais de sua confiança como alternativas para o lançamento de candidato próprio caso o PT não consiga a união interna.

Humberto Costa é da tendência majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) e tem o apoio do ex-presidente Lula. Embora afirme estar tranquilo e confiante quanto à construção da unidade, o PT pernambucano continua rachado. Suas divergências internas foram cruamente expostas principalmente na realização das prévias – posteriormente anuladas -, quando discursos duros e acusações foram trocados. Os apoiadores do prefeito destacam, ainda, que ao ser preterido pela direção nacional, João da Costa tem conseguido conquistar a simpatia do eleitorado em geral.

Resolução
O recurso de João da Costa, no entanto, não deve alterar a decisão da cúpula petista, que recorreu à resolução aprovada há um mês, em reunião do Diretório Nacional do PT em Porto Alegre, para intervir na capital de Pernambuco e indicar o nome do senador Humberto Costa. De acordo com a medida, a escolha dos candidatos à prefeitura das cidades – onde o partido não chegar a um consenso –  com mais de 200 000 eleitores, que tenham emissoras de rádio e televisão locais ou que sejam polos econômicos, terá de ser homologada pela direção nacional do partido. 

Leim neste blog a respeito:
Chamem aquele “inteliquitual” para explicar! Direção do PT, sob o comando de Lula, esmaga João da Costa, prefeito de Recife, que estuda deixar o partido;

O racha do PT de Pernambuco - Como sempre acontece no partido, para chegar às causas, siga o lixo!

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2012

às 4:45

O PT de Recife grita: “Ô Lula, decepção; em Recife você não manda não”

Por Fábio Guibu, na Folha:
Cerca de 150 militantes do PT gritaram palavras de ordem contra o ex-presidente Lula em um protesto realizado ontem, no aeroporto de Recife, contra a decisão do partido de vetar a candidatura à reeleição do prefeito da cidade, João da Costa (PT). “Ô Lula, decepção; em Recife você não manda não”, diziam os manifestantes quando o prefeito desembarcou, vindo de São Paulo, onde foi avisado de que o PT não aceitaria sua candidatura e indicaria o senador Humberto Costa (PT-PE) para o posto. Lula, que é pernambucano, foi o avalista da intervenção na disputa eleitoral, que até então só envolvia o prefeito e o deputado licenciado Maurício Rands (PT-PE).

A indicação do senador faz parte da estratégia do PT para atrair o apoio do PSB à candidatura do ex-ministro Fernando Haddad, em São Paulo. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que também é presidente do PSB, é contra a reeleição do prefeito João da Costa em Recife. Usando as camisas da campanha da prévia, exibindo bandeiras vermelhas e faixas de repúdio à decisão da cúpula, os manifestantes bloquearam por cinco minutos a passagem de veículos na área de desembarque, provocando congestionamento e irritação dos motoristas.

Os militantes respondiam ao buzinaço com apitos e coros contra Lula e a direção do partido: “O golpe é covardia, respeitem a democracia” e “Ô nacional, que arrogância, o PT é da militância”. Assim que deixou a sala de entrega de bagagens, o prefeito foi em direção ao grupo e foi abraçado e agarrado como um ídolo pop. Um grande tumulto se formou no saguão do aeroporto, assustando alguns passageiros.

Costa voltou a criticar a decisão do PT e afirmou que não se submeterá ao que classificou de “ato de força” da cúpula petista. “Eu faço política com outros objetivos além do cargo eleitoral”, declarou. “Enquanto não houver argumentos políticos que me convençam, não vou me submeter a um ato de força apenas para que eu declare um apoio”, declarou o prefeito.
(…)
Leia a respeito neste blog:
— Chamem aquele “inteliquitual” para explicar! Direção do PT, sob o comando de Lula, esmaga João da Costa, prefeito de Recife, que estuda deixar o partido;

— O racha do PT de Pernambuco — Como sempre acontece no partido, para chegar às causas, siga o lixo!

Por Reinaldo Azevedo

07/06/2012

às 4:11

Falcão confirma o óbvio: Lula deu aval a golpe em Recife. Que dúvida!!!

No Globo:
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, reconheceu nesta quarta-feira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu respaldo à decisão da Executiva Nacional do PT de intervir no cenário eleitoral de Recife e justificou a imposição do nome do senador Humberto Costa como uma maneira de conter o “clima de fratricídio” na capital pernambucana. Em entrevista na sede nacional do partido, na capital paulista, o dirigente petista minimizou a reação do atual prefeito, João da Costa, que chamou de antidemocrática a intervenção em Recife, e afirmou não acreditar em sua eventual saída do PT. O prefeito de Recife pleiteava a reeleição e foi o vencedor da convenção.

 

Ao deixar na terça-feira a reunião da direção nacional do partido, não descartou a hipótese de sair da legenda. João da Costa será o primeiro prefeito de Recife a não disputar a reeleição.

“Nós consultamos o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que respalda a decisão. O prefeito saiu indignado, dizendo que ia sair, mas depois voltou atrás. É natural que nos processos de alta tensão política, como nas últimas semanas, as emoções tomem conta das pessoas. O agir toma o lugar do pensar. Hoje, ele já está com o pensar antes do agir”, afirmou Rui Falcão.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

05/06/2012

às 20:13

Chamem aquele “inteliquitual” para explicar! Direção do PT, sob o comando de Lula, esmaga João da Costa, prefeito de Recife, que estuda deixar o partido

Chamem correndo aquele “cientista político” da Fundação Getúlio Vargas que escreveu nesta terça um artigo para a Folha… Como é mesmo nome dele? Esperem aí. Achei! É Cláudio Gonçalves Couto. Ele tem uma tese interessantíssima sobre Lula e o PT. Não importa a imposição que Lula faça ao partido, jamais se estará diante de um caso de caciquismo porque “o PT é um partido em que a lógica da organização tende a prevalecer sobre caciquismos. A unção de Lula funciona (…) porque se coaduna com os interesses mais amplos e de longo prazo da organização.Compreenderam?

Estou chamando o concurso de Couto para que ele aplauda e justifique mais um ato genial do Babalorixá de Banânia. O prefeito de Recife, João da Costa, esteve em São Paulo nesta terça para discutir com a direção nacional do partido uma saída para o impasse que o partido vive na capital pernambucana. Ele era candidato à reeleição e venceu as prévias contra Maurício Rands, candidato de Lula, da cúpula do partido e do governador Eduardo Campos, que é do PSB e não se dá com o prefeito. Muito bem! Lula bateu o porrete na mesa — sabem como são esses homens cuja vontade se “coadunam com os interesses da organização…” — e decidiu que o candidato seria um tertius: Humberto Costa, hoje líder do PT no Senado.

Costa não havia aceitado a decisão. Tentou resistir. Marcou a reunião com a cúpula, mas a abandonou no meio, atropelado pelos chefões. Deixaram claro que não havia a menor hipótese de ele ser candidato e que a decisão já estava tomada. Até porque a sua cabeça é um dos preços que Eduardo Campos cobra para o PSB fechar um acordo com Haddad em São Paulo. A conta de Lula é de chegada: aposta que Humberto Costa se elege em Recife e precisa desesperadamente do tempo do PSB na capital paulista. Que isso custe atropelar o prefeito de Recife e as prévias, bem… Couto diria que isso é o de menos para um líder que encarna com tanta grandeza a vontade da “organização”!

João da Costa jogou a toalha. Interrompeu o encontro e já sabe que o candidato será o outro Costa, o Humberto. Só não tem a certeza se vai aceitar ou não decisão. Acenou com a possibilidade de deixar o PT: “Não disse que estou acatando [a decisão]. Mas também posso não acatar e sair do partido”.

É uma democracia como nunca antes se viu na história destepaiz!!!

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 19:01

A pornográfica disputa no PT de Recife. Ou: O que ocorre quando a herança leninista é interpretada por Lula e Humberto Costa, sob os auspícios de Eduardo Campos

Escrevi um post na sexta passada sobre o confronto no PT de Recife. A direção nacional e estadual do partido e o governador Eduardo Campos, que é do PSB, querem  o atual prefeito, João da Costa, fora da disputa. Ele venceu as prévias disputadas contra Maurício Rands, mas a Executiva Nacional do PT anulou o processo, embora tenha negado ter havido fraude. Anulou, então, por quê? João começou a se indispor com o establishment petista de Pernambuco por causa do contrato milionário de coleta de lixo. O primeiro a puxar o seu tapete foi o antecessor, João Paulo, que o fez candidato. Observei, então, que não é raro que os confrontos nesse partido comecem no lixo – e quase sempre acabam lá também.

Muito bem! Ao anular as prévias, é claro que João foi vítima de um golpe, desfechado pela direção nacional, com o endosso de Lula — curiosamente, a coisa tem franjas até em São Paulo, já digo como. Mas o imbróglio ainda não estava completo. Depois de um encontro com o Babalorixá de Banânia, Rands decidiu renunciar à pré-candidatura. O pressuposto era que o prefeito fizesse o mesmo — e tal intenção chegou a ser anunciada à sua revelia — em benefício de outro Costa, o Humberto. O golpe completo, então, é este: os dois postulantes caem fora em benefício do senador Humberto Costa, que surgiria como um tertius — um estranho tertius, já que sempre esteve ao lado de Rands. O senador é um que sempre atuou contra o prefeito de seu próprio partido. Como é bastante influente no Estado e tem “contatos” na imprensa local, a vida do prefeito, que já não faz uma administração brilhante, virou um inferno.

Isso é o que o PT faz com aliados incômodos. Dá uma medida de como costuma tratar adversários. Não tenho a menor simpatia pelo atual prefeito. Embora seja certamente uma falha, confesso saber pouco da política recifense em particular. Mas entendo que um prefeito, no exercício do mandato, havendo reeleição, tem a prerrogativa de disputar o cargo novamente, a menos que pese contra ele uma séria acusação ou de desvio de conduta ou de desvio dos objetivos partidários. O PT não acusa o atual prefeito nem de uma coisa nem de outra. A sua gestão, diga-se, é uma das financiadoras de uma página que abre seus comentários para os ataques mais abjetos contra mim — é o chorume do lixo. Não estou nessa atividade para praticar vinganças pessoais. Interessam-me os procedimentos institucionais.

O PT está associado ao PSB do governador Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco e em muitos outros estados e cidades. Campos não aceita apoiar o atual prefeito. Queria Rands, que foi seu secretário e com quem tem alguns laços familiares. A intervenção em Recife era uma das exigências para o PSB apoiar Fernando Haddad em São Paulo. Lula entrou na parada com a delicadeza habitual, com aquela mesma com que esmagou a pré-candidatura de Marta, que agora, pelo menos, vai ter tempo de ler Maquiavel…

Faz algum tempo, ironizei alguns “politicólogos” supostamente independentes, mas que, na verdade, são petistas. Sustentavam esses valentes que o PT é mais moderno que os outros partidos porque aposta na renovação e na novidade. O método empregado em São Paulo e em Recife, na base do dedaço, indica bem que modernidade é essa. A direção nacional do PT, saibam, tem a prerrogativa de referendar ou vetar as candidaturas em cidades com mais de 200 mil habitantes. É uma herança, ainda, do “Centralismo Democrático” leninista, esse delicioso oximoro, dos antigos partidos comunistas. Segundo o centralismo, “a base” pode decidir o que bem entender, desde que o Comitê Central do partido concorde.

Convenham: não dá para ser sério e esquerdista ao mesmo tempo. O que não quer dizer, é claro, que todos os direitistas liberais sejam sérios. Quer dizer apenas que eles têm, ao menos, alguma chance!

Por Reinaldo Azevedo

25/05/2012

às 13:01

O racha do PT de Pernambuco – Como sempre acontece no partido, para chegar às causas, siga o lixo!

A direção nacional do PT anulou as prévias do partido feitas para decidir quem será o candidato à Prefeitura de Recife. O atual prefeito, João da Costa, venceu Maurício Rands, que acusa irregularidades na composição do colégio eleitoral (ler posts abaixo). O comando do PT nega que tenha havido fraude, mas cancelou o processo mesmo assim, o que é fabuloso.

Quem encostar o peito no coração do PT de Recife vai entender direitinho o PT nacional. De cabo a rabo. O ex-prefeito por dois mandatos João Paulo fez o seu sucessor em 2008, João da Costa, contra a vontade de lideranças graúdas do estado — o atual senador Humberto Costa entre eles. Poucos meses depois, criador e criatura estavam rompidos. Na origem, como é frequente no PT desde os primórdios, estava uma empresa de coleta de lixo. É incrível como petismo e lixo costumam se estreitar num abraço insano.

Quando Costa assumiu, o contrato com a empresa Qualix, que fazia o serviço desde 1985, estava vencendo. Ele prorrogou emergencialmente o contrato para ter tempo de fazer nova licitação. O problema, e aí a convivência com o ex começou a desandar, é que resolveu dar uma xeretada nos valores. O que circulou nos meios políticos da cidade é que não gostou muito do que viu. Havia o que poderia se chamar, como direi?, sobrepreço… Depois de um barafunda legal,  a coleta terminou com a Queiroz Galvão. A partir daí, a cúpula do PT — João Paulo, o antecessor; Humberto Costa e Maurício Rands — começa o trabalho sistemático de desestabilização do “companheiro”.

De fato, a popularidade de João da Costa não anda lá essas coisas. Não é exatamente o preferido do governador Eduardo Campos (PSB) e enfrenta a oposição interna aberta dos petistas graúdos, embora todos eles tenham aliados e cupinchas pendurados na Prefeitura. Há até rancores que nascem de assuntos mais subalternos, como a negativa do prefeito de demitir uma certa funcionária que havia sido contratada em razão de talentos extracurriculares de que desfrutava um figurão do partido. Quando o casal rompeu, o gajo pediu a cabeça da moça. O prefeito não entregou. Por que não dou nomes? Porque sei que é verdade, mas não posso provar. Por que conto mesmo assim? Porque envolve dinheiro público. Sigamos.

É evidente que João da Costa tinha o direito natural de disputar a reeleição, a exemplo do que acontece com todos os que estão em primeiro mandato. A justificativa oficial para haver a troca é a sua impopularidade, que não é maior do que era a de João Paulo ao fim do primeiro mandato, e ninguém tentou defenestrá-lo por isso. A briga, que começou no lixo, se estendeu a outros interesses envolvendo os grupos petistas na cidade.

Rands ganhou uma pasta no governo de Eduardo Campos, que não esconde a simpatia por seu nome e dá a entender que a frente que mantém com o PT pode se desfazer na cidade caso o candidato seja mesmo João da Costa. Rands tentou impugnar alguns delegados na votação das prévias, que obtiveram na Justiça o direito de votar. Ele acusa, então, o adversário interno de ter “judicializado” a disputa, atropelando a instância partidária. Vocês sabem, né? Para o PT, o partido está acima do Poder Judiciário…

Então se chegou a esta situação esdrúxula: queimado desde sempre muito cedo com os caciques do partido em razão do… lixo!, João da Costa passou a ser hostilizado. Tentaram convencê-lo a desistir da disputa e entregar de mão beijada da vaga a Rands, candidato da cúpula do PT de Pernambuco, do PT Nacional e de Campos. Ele se negou a ir para o sacrifício e decidiu disputar as prévias. Venceu. A direção do PT nega que tenha havido fraude, mas cancelou o processo mesmo assim. Se for legal, cancelou por quê?

Desde as primeiras administrações municipais petistas, uma pista continua válida para chegar ao coração do partido: siga o lixo!

PS: No debate das prévias, sobrou baixaria para todo lado. A única coisa que os petistas deixaram de debater foram os problemas de Recife.

Por Reinaldo Azevedo

 

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