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racismo

24/03/2013

às 5:41

Diretor anuncia que Funarte deixa de praticar discriminação racial, mas não agora… Ah, bom!

Escrevi ontem um post sobre reportagem da Folha que informava um absurdo praticado pela Funarte. A entidade recusou a inscrição de um trabalho para o Prêmio Funarte de Arte Negra porque o diretor da empresa a que estão ligados os bailarinos, todos negros, é… branco! É claro que se trata de discriminação racial, que fere a Constituição. Mas se é contra branco, tudo bem!

O presidente da Fundação, o ator e militante petista Antonio Grassi, admite, informa a Folha neste domingo, que o edital tem de mudar, mas só para uma próxima jornada do prêmio. Por enquanto, fica como está. Entendi. A Funarte diz que deixa de praticar discriminação racial, mas não agora… Segue texto da Folha. Volto depois.
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A Fundação Nacional das Artes, instituição ligada ao Ministério da Cultura, emitiu nota ontem assinada por seu presidente Antonio Grassi reconhecendo “necessidades de mudança” no “Prêmio Funarte de Arte Negra”, edital destinado ao incentivo da produção de artistas negros. A nota foi enviada após publicação de reportagem na edição de ontem da Folha, revelando que um projeto com direção do dançarino Irineu Nogueira, que se autodeclara negro, fora negado por ser representado pela Cooperativa Paulista de Dança, cujo presidente, Sandro Borelli, se autodeclara branco.

O texto do edital diz que, no caso de representações por pessoas jurídicas, só estão aptas a participar do prêmio “instituições privadas cujo representante legal se autodeclare negro”. “A Funarte reconhece a necessidade de mudanças e estará recebendo projetos representados por cooperativas e que atendam aos requisitos do regulamento”, diz a nota. “Como se trata de uma experiência inédita, as próximas edições iriam aperfeiçoar e corrigir esses detalhes”, prossegue Grassi.

Encerro
Já tinha ouvido muitas explicações esfarrapadas para a discriminação racial, mas não essa. Grassi inova. Como se trata de experiência inédita, então é possível ser um pouco racista, mas só um pouquinho… Santo Deus!

Vocês têm certeza de que o Brasil não acabou e de que isso que está aí é só um delírio coletivo de zumbis?

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2013

às 5:43

Discriminação racial na Funarte – 10 bailarinos negros têm espetáculo recusado por ente oficial porque diretor da pessoa jurídica que os representa é… branco!

Antes que vá ao caso, algumas considerações.

Eu já compro tanta briga, né? Às vezes, confesso, sinto certa preguiça. Mas vá lá… Quando a senadora Marta Suplicy (PT-SP), este monumento do pensamento político nacional — que ganhou o Ministério da Cultura para apoiar Fernando Haddad —, lançou o tal “Prêmio Funarte de Arte Negra”, escrevi o óbvio: “É discriminação racial!”. A portaria é de novembro do ano passado e tem a parceria da Sepir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial). Que se esclareça: não haveria nada de errado em haver um prêmio para manifestações artísticas que tivessem o negro ou a cultura negra como tema — ou, se quisessem, o racismo. Mas é evidente que ele deveria ser aberto a todos os artistas, com todas as cores de pele que há na raça humana. Qualquer coisa do gênero destinada só a brancos, mesmo promovida por entes privados,  terminaria na cadeia.

Aí os cretinos do politicamente correto vomitam: “Claro! Teria de prender mesmo! Estaria certo! Afinal, branco é maioria!”. Pra começo de conversa, diz o IBGE que já não é mais. Ainda que se queira lidar com o conceito de “minoria sociológica” — porque discriminada etc. e tal —, pergunto se não esta subjacente a essa proposta a ideia de gueto, de confinamento. Por que pretos devem concorrer só com pretos? Se a proposta de cotas nas universidades já não se sustenta moralmente, na arte, isso é um escândalo. E é claro que acabaria dando errado.

O primeiro prazo para a entrega de propostas era 4 de janeiro. Prorrogou-se para 4 de fevereiro e, depois, para o dia 25 de março, próxima segunda. Por quê? Por falta de projetos. Sabem por quê? Porque o Brasil, a despeito do que pretendem os racistas às avessas, é um país em que pretos e brancos convivem — nas artes, diga-se, mais do que em qualquer outra área.

Mas estava lá o edital bucéfalo. Branco está fora! Na Folha deste sábado, informa Gustavo Fioratti o que segue. Volto em seguida.

A Funarte, ligada ao Ministério da Cultura, recusou-se a receber o projeto de dez negros que, sob direção do dançarino Irineu Nogueira, tentaram inscrever o espetáculo “Afro Xplosion Brasil” no Prêmio Funarte de Arte Negra, cujo prazo de inscrição termina na segunda. Ana Claudia Souza, diretora do Centro de Programas Integrados (CEPIN) da Funarte, disse à Folha que o grupo foi vetado porque está sendo representado pela Cooperativa Paulista de Dança, cujo presidente, o bailarino Sandro Borelli, é branco.

O edital diz que, no caso de representações por pessoas jurídicas, só estão aptas a participar do prêmio “instituições privadas cujo representante legal, no ato da inscrição, se autodeclare negro”. Ela diz também que os proponentes podem se inscrever como pessoas físicas.

Nogueira considera “absurdo” o veto. “Não estou contra a Funarte, estou contra a concepção deste edital que, no afã de fazer uma reparação histórica, não tomou os cuidados para redigir o projeto com cuidado”, diz. Segundo ele, a opção de se inscrever pela cooperativa evitaria o desconto de IR de 27,5 %, que seriam abatidos do orçamento de R$ 150 mil. Segundo Souza, o texto do edital poderá ser rediscutido em suas próximas edições.

Voltei
Dizer o quê? É discriminação racial na veia! Os bananas acreditam que, assim, estão contribuindo, sei lá, para melhorar a condição do negro ou para elevar sua autoestima. Não estão, não! Isso é ruim para um país que tem de se integrar cada vez mais em vez de discriminar. Isso é ruim para a arte, que não pode se fechar num gueto. Isso é ruim para os negros — menos para os sindicalistas da causa —, que não podem se ver como um grupo apartado.

Acreditem: coisas assim não se dão nem na África do Sul, que se livrou do odiento apartheid há meros 19 anos. Mais uma contribuição de Marta Suplicy à política, às artes e ao pensamento. O que o Ministério Público fará nesse caso? Nada, ué! E isso também deveria nos cobrir de vergonha.

Por Reinaldo Azevedo

28/02/2013

às 18:44

“Fatos que não correspondem à verdade” impõem indenização

Da coluna Radar, de Lauro Jardim. Volto depois:

Ali Kamel, o número 1 do jornalismo da Globo, obteve ontem uma vitória na Justiça do Rio de Janeiro contra o blogueiro e apresentador de programa de variedades da Record, Paulo Henrique Amorim.

De acordo com a sentença, Amorim terá que pagar uma indenização de 50 000 reais a Kamel. Motivo: Amorim escreveu diversos textos associando Kamel ao racismo. Diz o juiz Rossidelio da Fonte, da 35ª Vara Cível:

“Quando um jornalista como réu divulga fatos que não correspondem à verdade, ou envolve cidadão sem averiguar a procedência de suas fontes e a veracidade das informações, levando os leitores a concluírem que o autor é racista ou apoia práticas racistas, há evidente responsabilidade passível da obrigação de indenizar.”

Ainda cabe recurso à decisão.

Voltei
Publico a informação com a área de comentários fechada. Não quero dar azo a especulações as mais variadas sobre sentenças judiciais. A Justiça não é campo para manifestações dessa natureza. O que me interessa, nesse caso, é o trecho da sentença do juiz que expressa, a meu ver, o necessário norte ético.

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2013

às 18:34

As falsas imputações de racismo não podem passar impunes, como o racismo

Não me impressiona que certas coisas aconteçam. O que é estupefaciente é que a antes chamada grande imprensa — cada vez menor na sua dimensão, digamos, democrática — lhes dê trela. A que me refiro?

Em dezembro, aconteceu um assalto na região do Taquaral, em Campinas. As testemunhas descreveram os bandidos. Eram pardos e negros. A PM determinou que grupos de jovens de cor parda e negra fossem alvos especiais da atenção da polícia para a apuração daquele caso em particular. O que há de errado nisso? Se os assaltantes fossem pernetas, a polícia diria: “Especial atenção com os pernetas”. Se fossem louros de olhos azuis, “Cuidado com os louros de olhos azuis”. Trata-se de mera caracterização.

Não para Frei Davi, o chefão de uma ONG chamada Educafro e notório criador de caso, chegado a ver racismo também onde não existe. 

Venham cá: então é legítimo que alguém se identifique como negro ou pardo para ter direito a cotas, por exemplo — e ninguém vê nisso racismo —, mas é um absurdo quando se diz: “Os ladrões eram negros, os ladrões eram pardos?”. A polícia deveria ter omitido esse dado?

Estão fazendo um barulho bucéfalo nas redes sociais. E, claro!, lá foi a diligente imprensa meter o gravador na boca do governador Geraldo Alckmin. Ele disse o óbvio. Lê-se no Estadão:
“O que houve foi um assalto ocorrido num bairro. Você tem um suspeito feito pelas características. É como se dizer: ‘Olha, teve um assalto aqui, e o suspeito é um loiro, uma pessoa loira, ou o suspeito é uma pessoa japonesa, asiática’. Enfim, o suspeito era uma pessoa de cor parda (…) Mas (esse foi) um caso específico, onde havia um suspeito. Não há nenhuma forma de discriminação”. Afirmou ainda que, caso se tratasse de preconceito, a punição seria “rigorosíssima”.

Quem poderia endossar uma ordem da PM para tomar especial cuidado com negros e pardos? Ora… A acusação é absurda! Chegará um momento em que será preciso responsabilizar judicialmente as acusações infundadas de preconceito. Isso demoniza as pessoas e as instituições, deixa-as marcadas. 

É evidente que a Educafro está atribuindo à polícia o que ela não fez. O caso é de tal sorte estúpido que nem deveria ser objeto de notícia — ou, então, que se evidenciasse a estupidez da coisa. O politicamente correto — e estúpido — dita a pauta. De agora em diante, quando a polícia tiver de caracterizar um eventual suspeito pardo ou negro, terá de dizer: “Suspeito não é branco, não é amarelo nem é vermelho”.

Essa é a intolerância dos tolerantes.

Por Reinaldo Azevedo

30/11/2012

às 19:04

O poeminha do canibalismo e sua ilustração. Ou: Barbosa veste ternos ingleses, não saiotes da caricatura colonialista

Sabem aquele poeminha publicado no site da tal Renajune (Rede Nacional da Juventude Negra) — aquele texto que faz a apologia do estupro das mulheres brancas (ver post)? Então… A obra de arte vem acompanhada de uma ilustração bastante eloquente. Esta.

 

“É só uma metáfora”, poderia dizer alguém. Basta ler o texto para constatar que não.

O que mais me encanta na ilustração acima é seu caráter passadista e descolado da história do Brasil. Vejam o branco com as botinas do explorador europeu na África do século… 19 — uma realidade que nada tem a ver com a história brasileira. Os “nativos” negros, por sua vez, traduzem a pior caricatura feita pelo colonialismo. Em nosso país, jamais envergaram essas vestes. Publica-se uma besteira como essa quando um negro que fala  inglês, francês e alemão preside a corte suprema no Brasil. Barbosa não veste esses saiotes. Prefere os ternos ingleses.

Os colonizadores portugueses dos séculos 16 e 17 não tinham botinas, não. Andavam descalços. Os pés, como o dos bandeirantes, eram cascão e carne viva. Sua alimentação, já demonstrou Gilberto Freire, era mais pobre do que a dos escravos negros. Nada disso torna a escravidão melhor do que foi. Apenas substitui a fantasia pela realidade.

Esse branco de botinas e esse negro barrigudo e tetudo, com esses saiote, são coisa dos gibis e dos filmes de Tarzan. O racialismo que se tenta implementar por aqui é, ele sim, produto passivo — e burro — da caricatura colonialista mais tonta. Importa-se uma história que não tivemos para alimentar a linguagem do ódio.

Por Reinaldo Azevedo

30/11/2012

às 17:07

Um site que se diz antirracista publica texto que faz a apologia do estupro de brancas; as crianças “talvez” sejam poupadas…

A tal Renajune (Rede Nacional da Juventude Negra) tem uma página na Internet. Está no ar um, como direi?, “poema” intitulado “Antropofagia”. Só lendo para crer (segue conforme o original)

Antropofagia
Devorarei a tua carne

Devorarei pela minha carne
Pela carne arrancada a chicotadas

Devorarei tuas entranhas
Devorarei sim, essas porcas entranhas
Por sequestrar meu povo à terras estranhas

Devorarei a tua alma
Omissa
Quando fez a minha gente submissa

Comerei teus olhos cegos
Egos,
Covardes
Falsos ternos
Não me nego

Escalpelarei-te
Estriparei-te
Estuprarei-te
Minhas mulheres ainda lembra…

De suas crianças
quero apenas as consciências
Que é a unica parte que ainda tem pureza…

Talvez…

Voltei
Como se nota, o ideal de reparação da Renajune é a vingança — física mesmo! — contra os brancos, daí a apologia até do estupro. Por enquanto, o autor só consegue estuprar a mesóclise, a concordância, a crase e a acentuação. Mas a gente nota que não falta disposição para violar mais do que as normas da língua.

Na África subsaariana, os tutsis fazem com os hutus isso que o autor pretende fazer com brancas e brancos. Os hutus fazem com os tutsis Isso que o autor pretende fazer com brancas e brancos. As milícias islâmicas sudanesas fazem com os cristãos isso que o autor pretende fazer com brancas e brancos.

Hutus são negros.
Tutsis são negros.
Os estupradores sudaneses são negros.
Os estuprados sudaneses são negros.

Quando negros matam negros, os assassinos se tornam brancos? Quando negros estupram negros, os estupradores se tornam brancos? É a cor da pele que matou e mata ou são os indivíduos e suas relações de poder, antes como agora?

A mesma turma
A Renajune é aquela turma que fez um vídeo sobre cotas que prega abertamente o ódio racial. Contou com o apoio de uma ONG chamada Instituto Cultural Steve Biko, que é financiada por entidades que recebem doações de alguns potentados da economia mundial.

É evidente que um site de brancos que falasse linguagem parecida seria considerado, sei lá, coisa de “neonazistas”. Com razão, seus responsáveis seriam enquadrados pela Polícia e pela Justiça e legalmente responsabilizados pela boçalidade. “Ah, Reinaldo, isso é coisa de uma minoria e não representa o movimento negro”… Sei. E por que a imprensa e o Ministério Público fazem tanto estardalhaço quando se descobrem páginas de idiotas brancos que propagam o racismo? Também não são eles uma minoria? Também não eram uma minoria extrema os que espancavam gays na Paulista?

Qual intolerância é tolerável e qual não é? A mim me parece que toda intolerância e intolerável.

Manter essa barbaridade no ar incentiva o vale-tudo. Um crime racial não precisa ser influente para ser um crime racial — contra pretos, brancos, vermelhos, amarelos…

Para encerrar: notem que o “poeta” considera a hipótese de não estuprar ar crianças brancas — destas, ele diz, só quer a consciência, que ainda conteria pureza. Mas ele achou que isso poderia representar uma concessão inaceitável ao inimigo e resolveu relativizar a constatação: “talvez” exista pureza, só “talvez”… Afinal, sabem como é, trata-se de uma criança branca…

Por Reinaldo Azevedo

29/11/2012

às 6:47

Vídeo sobre cotas prega o confronto racial e de classes. Ou: Como estatais, potentados do capitalismo e igrejas cristãs financiam o ódio racial

Está no Youtube um vídeo detestável intitulado “Cotas. Essa conversa não é sobre você”. Trata-se, lamento dizer, de puro lixo racista. A linguagem apela ao confronto, à guerra racial e ao confronto de classe. E é mentiroso também porque omite um dado essencial da lei de cotas recentemente aprovada. O “outro” com o qual se confronta a atriz negra são os “queridos estudantes brancos, de classe média, que fazem cursinho pré-vestibular particular”. É preciso ver para crer. Num dado momento, somos apresentados a este texto:
“(…) Quando você diz que, na verdade, os seus pais pagam o curso somente porque trabalham tanto ou porque você ganha uma bolsa pelas boas notas que tira, eu não me comovo. Não me comovo mesmo! O que me comove é que muitos outros pais trabalham muito mais do que os seus e recebem muito menos por isso”. Assistam. Volto em seguida.

Nem vou me ater à caricatura que se faz dos “brancos de classe média com iates” porque há um limite da boçalidade que nem a crítica alcança. O que o vídeo omite de essencial é que a política de cotas estabelece uma hierarquia entre os pobres e transforma indivíduos e suas competências em categorias. Quando se decide que vagas destinadas a alunos da escola pública serão distribuídas segundo o perfil racial dos respectivos estados, cada indivíduo se torna ou vítima ou beneficiário de uma percentagem pela qual não pode responder. Acho, e todos sabem, a política de cotas um erro em si. Mas há, então, esse erro dentro do erro, que faz com que pobres sejam preteridos em favor de pobres em razão da cor da pele. O que esse texto espantoso não responde é por que um branco pobre seria mais culpado pelas desigualdades que há no Brasil do que um preto pobre. Tudo bem! O Supremo também não respondeu…

Eu me interessei pelo vídeo e decidi fazer algumas pesquisas. Fiquei encantado quando a garota listou, entre o desdém e a caricatura, os hábitos de seus “adversários”: um “mundinho de carros, festas, boates, viagens, iates, tablets, smartophones e muitas outras coisas”… Descobri, dedicando algum tempo à questão, que esse “mundinho” é quem, de fato, patrocina essa peça de propaganda movida pelo ódio. Eu explico.

O vídeo é assinado pela “Rede Nacional da Juventude Negra” (Renajune). Termina com um agradecimento ao Instituto Cultural Steve Biko, que participou de sua feitura. Esse tal instituto recebeu, em 1999, o “Prêmio Nacional de Direitos Humanos”. Bom! Tem, entre seus financiadores, a Chesf (uma estatal), a Worldfund, a Fundação Kellogg, a CESE e o Instituto Nextel. A Nextel, a Kellogg e a Chesf dispensam apresentações. A Worldfund é uma ONG americana que reúne, entre seus 69 financiadores, os seguintes inimigos do capitalismo e do “consumo da classe média” nojenta: Avon Products, Inc; Coca-Cola; Credit Suisse; Fundación Televisa; McDonald’s; Motorola Foundation; Santander e UBS. A CESE se define como “Coordenadoria Ecumênica de Serviços” e é sustentada por organizações católicas e protestantes ditas “progressistas”.

Esta é, aliás, a realidade de boa parte das ONGs que querem mudar, desinteressadamente, o Brasil: trata-se de entidades fartamente financiadas por alguns potentados do capitalismo — embora seus militantes costumem ser anticapitalistas fanáticos, não é mesmo? Tente saber, por exemplo, quem garante o pão e o circo das milhares de ONGs que defendem a natureza… A multinacional Nextel, a propósito, vai começar a concorrer com as grandes da telefonia. Logo estará disputando o mercado dos smartphones também — para os brancos desprezíveis de classe média…

É claro que é possível ser favorável a cotas com bons argumentos, ainda que eu discorde da tese. É claro que se pode ser contra cotas falando um monte de bobagem. A escolha de uma posição não condiciona a qualidade do argumento. Acima, o que temos é a mais clara e insofismável expressão do ódio. Parece uma guerra por território. Não por acaso, as últimas palavras da garota são estas: “Agora é tudo nosso! Tudo nosso!”. O objetivo é levar aqueles que eles consideram “o outro lado” a cometer um erro retórico qualquer para que possam, então, gritar: “racismo!”.

Um vídeo em que brancos se referissem a negros em termos parecidos seria denunciado, e o YouTube o retiraria do ar.  E os responsáveis ainda seriam denunciados pelo Ministério Público Federal por racismo. Alguma dúvida a respeito?

Aos leitores, um pedido: serenidade nos comentários. À turma do barulho, um recado: eu não me assusto com correntes na Internet. Ao ódio, respondo com a razão. E não vou desistir de criticar empulhações como essa.

Texto publicado originalmente às 5h50


Por Reinaldo Azevedo

29/11/2012

às 6:39

Racismo, combate ao racismo e covardias. Uma resposta a um militante que fala grosso comigo e fino com os petistas

Ai, ai…

Quando começo assim, a coisa é de lascar! Recebi uma mensagem de um representante de um grupo de militantes negros que é mesmo do balacobaco! É de uma espantosa covardia política. Já chego lá. Antes, algumas considerações.

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado ontem pelo STF a nove anos e quatro meses de cadeia, em uma “plenária” para, como definiu José Dirceu, “julgar o julgamento do Supremo”, referindo-se ao ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão e agora presidente do tribunal, indagou e respondeu: [Barbosa] Chegou [ao Supremo] por quê? Porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”. Considero essa fala uma manifestação asquerosa de racismo enrustido. Expus os motivos num texto que deu o que falar, publicado no dia 24. Resta evidente que João Paulo, o futuro presidiário — por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro —, está expropriando Barbosa de seus méritos intelectuais e atribuindo a sua ascensão à benevolência de Lula.

Protestei com dureza, como sabem. E escrevi um outro post perguntando se os movimentos negros continuariam com o seu silêncio covarde e ideologicamente orientado. Com que então um petista pode afirmar tal estupidez? E se a fala estivesse na boca de um político ou jornalista considerados “de direita” ou, sei lá, contrários às cotas raciais? Não foi a primeira vez que um profissional negro de primeira linha se tornou alvo de uma agressão em razão da cor da sua pele. Não faz tempo, o jornalista Heraldo Pereira foi classificado por um anão moral de “negro de alma branca”. O agressor teve de se retratar na Justiça. Os movimentos negros, também nesse caso, se calaram. Afinal, aquele que agredia tem a pretensão de ser um “inimigo da Globo” — logo, é visto como um “progressista”…

Pois bem! Eu não critico pessoas, mas ideias. Eu não me obrigo a concordar com A ou com B em razão de afinidades ideológicas, eletivas ou de qualquer natureza. O ministro Joaquim Barbosa sabe bem o que tenho escrito sobre o julgamento no STF e sua atuação. Também não ignora que temos, sim, divergências sobre vários assuntos. Como costumo dizer, digo “sim” quando acho que é “sim” e “não” quando acho que é “não”. Não sou militante de coisa nenhuma! A principal obrigação de quem está no debate público é dizer o que pensa. E é em busca desse pensamento que milhares de pessoas acessam este blog todos os dias.

Um dia antes de escrever aquele post sobre João Paulo, havia criticado aqui duramente uma resposta que Barbosa dera a um jornalista negro, que lhe indagara se estava “mais sereno” depois de presidir a primeira sessão do Supremo. Disse-lhe o ministro: “A cor da minha pele é igual à sua. Não siga a linha de estereótipos porque isso é muito ruim. Eles [os jornalistas brancos] foram educados e comandados para levar adiante esses estereótipos. Mas você, meu amigo?”.

Não vou demonstrar, mais uma vez, por que a fala é absurda para não repetir argumentos. Peço que notem, adicionalmente, que, assim como João Paulo pretendeu tirar de Barbosa o livre-arbítrio porque ele é negro (o que o obrigaria a votar como queria o PT), Barbosa expropriou os jornalistas brancos da consciência individual: todos teriam sido “educados e comandados para levar adiante os estereótipos”. Existiria, assim, uma categoria de pensamento: a dos “brancos”. Não protesto contra essa fala porque sou branco. Protesto porque ela é falsa.

É provável que Barbosa estivesse irritado, e não lhe faltariam motivos, com a pletora de comentários e especulações sobre como seria a sua gestão à frente do tribunal. Os que não concordavam com o seu voto tentavam caracterizá-lo como um destemperado, um doidivanas, um alucinado, um “Torquemada” — como chegou a citar Ricardo Lewandowski. Ora, ele deve ter clareza de que, se a cor da pele condicionasse pensamento, então o diálogo entre negros e brancos seria mesmo impossível. Sim, há gente dedicada a criar um arremedo de guerra racial no país (ver post a respeito). Não parece que seja o caso do ministro. Ele defende leis de reparação — algumas delas, a meu ver, erradíssimas —, mas é a prova contundente de que brancos ou pretos, ricos ou pobres, o desejável é que as pessoas vão à luta para realizar seus sonhos e suas ambições.

Muito bem! Eis que recebo uma mensagem de um senhor chamado “Reginaldo Bispo”, que se identifica como “Coordenador Nacional do MNU – Movimento Negro Unificado”. Escreve-me ele:
“Reinaldo, 07 em cada 10 militantes do MN, não petistas e não governistas, apoiam e diriam o mesmo que disse o ministro Joaquim Barbosa. E digo mais, deve ter mais que isso entre a população negra não militante e os não negros solidários e não racistas. Assim, reafirmo aqui, se não é pratica de todos, ao menos é pratica predominante entre a maioria dos jornalistas sem compromisso em extirpar o racismo, especialmente dos representantes da Revista VEJA.”

O que responder?
O tal Bispo, claro!, quer aparecer e nem se dá conta de que seu texto é uma aporia, uma impossibilidade, uma absurdo ditado pelos próprios termos. Deve ser um noviço da lógica. Como ele se considera dono de uma causa, dispensa-se de pensar com começo, meio e fim e tende a achar que a justeza de sua luta lhe perdoa as tolices. Atenção, Bispo! Se Barbosa estivesse certo naquela fala (duvido que não tenha se arrependido do que disse) e se todos os brancos fossem, então, “educados e comandados” para a discriminação racial, seria impossível haver “não negros solidários e não racistas” porque todos os “não negros” seriam, então, por definição, racistas já que “educados e comandados” para tanto. Entendeu, Bispo, ou quer um desenho?

Há mais, meu senhor! Que história é essa de definir os brasileiros, quem sabe a humanidade, em “negros” e “não negros”. Um branco que decidisse estabelecer a clivagem entre “brancos” e “não brancos”, parece-me, estaria sujeito à acusação de racismo. Quanto à referência à VEJA, Bispo só pretendeu ser sutil: ele estava se referindo a mim, acusando-me de não ter “compromisso em extirpar o racismo”. Não nos seus termos, que considero racistas! Já haviam me mandado certa feita um texto desse rapaz em que ele associa o racismo contra os negros… ao imperialismo. Então tá. Os maiores assassinos de negros no mundo são negros, como sabem a África subsaariana e o Sudão. Tutsis e hutus não se matam porque uns detestem a cor da pele dos outros. A “unificação dos negros” — para lembrar o nome do movimento a que pertence Bispo — é uma ilusão que só existe fora da África. As milícias sudanesas mataram mais de 500 mil pessoas em Darfur em razão de um conflito religioso. A “Mama África” é madrasta má para milhões de negros que pertencem a etnias perseguidas por outras etnias — todas negras. Na Irlanda do Norte, os brancos não se matavam até outro dia porque eram brancos. E também não viam motivos para se unir porque brancos. No Oriente Médio, os árabes não se matam porque são árabes. Mas também não veem motivos para se unir porque árabes…

Qualquer pessoa tem, hoje em dia, acesso a essas informações. Bispo também. O que me causa espanto não é a mensagem que ele me enviou. Estupefaciente, aí sim, é seu silêncio — e de grupos congêneres — diante da agressão de que foi vítima o ministro Joaquim Barbosa. Não é preciso grande esforço para entender o que disse João Paulo. Ele nem mesmo tentou ser sutil. Foi, aliás, de uma clareza arreganhada. Eu discordei de uma fala de Barbosa, mas não questionei suas credenciais para ser ministro do Supremo. Ao contrário: enfatizei o mérito que o conduziu até o topo da carreira do Judiciário. Mas e o petista? E o que anda pelos blogs sujos e “progressistas”?

Não obstante, o tal Bispo tem a boca torta pelo cachimbo. Em vez de reagir ao que disse um deputado federal, que já foi presidente da Câmara — terceiro da linha de sucessão do Executivo —, ele resolveu me atacar. Afinal, ainda que possa ter discordâncias episódicas com o PT e com um petista, trata-se de um militante que redigiu, em companhia de outros, um manifesto em defesa da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência em 2010. No texto, eles faziam algumas reivindicações (conforme a redação original):
“Que [Dilma] não mande mais dinheiro do Plano Nacional de Segurança Publica, para as polícias estaduais continuarem matando jovens negros, sem cobrar o respeito aos direitos humanos e da cidadania. Não precisando agradar mais os ruralistas;”
(…)
“Uma política salarial que resguarde uma diferença máxima de 12 vezes, entre o menor e maior salário recebido no pais, no setor privado e publico, inclusive entre as autoridades dos três Poderes;”

Pois é… A primeira foi cumprida à risca por Dilma e José Eduardo Cardozo, não é, Bispo? O resultado se conta em cadáveres — muitos deles são cadáveres de… negros! Quanto à segunda… Dizer o quê? Por que ele escolheu 12 e não, sei lá, 6 ou 18? Não tenho a menor ideia…

Encerrando
Pode vibrar, rapaz! Amanhã, logo cedo, sua caixa de e-mails, as redes sociais, o SMS… Vai ser aquele alvoroço: “O Reinaldo caiu no truque e respondeu à provocação!”. É…, de vez em quando, faço isso mesmo. Mas o faço, desta feita, para evidenciar a sua covardia intelectual. Você e muitos de seus pares militantes, não eu, estão permitindo que uma corrente de difamação ideologicamente orientada associe, de forma depreciativa, traços de comportamento de Barbosa à cor de sua pele. Pior: querem atribuir ao ministro, porque negro, uma pauta sobre a qual ele estaria impedido de opinar livremente.

E Bispo, livre como um táxi, resolve atacar… Reinaldo Azevedo!

Não o convido a ter vergonha, meu senhor, porque isso, definitivamente, é matéria que diz respeito a cada indivíduo, homem ou mulher, branco ou preto, gay ou hétero, corintiano ou palmeirense… Nesse ritmo, os movimentos militantes ainda concederão uma carteirinha a certas correntes ideológicas, facultando-lhes a licença para o racismo e a injúria racial. 

Vá lá, Bispo, pode correr para o abraço!

Texto publicado originalmente às 4h08
Por Reinaldo Azevedo

25/11/2012

às 5:47

O racismo e os analfabetos morais sustentados por estatais! Até quando, presidente Dilma Rousseff? Ou: É a gramática, petralhas!!! Ou ainda: Este silêncio ensurdecedor que ouço é o dos movimentos negros?

Ah, eu adoro uma boa briga. Quando a canalha se excita, eu fico ainda mais animado. Vamos lá.

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) organizou uma “plenária” para debater o julgamento do mensalão e esconjurar o Supremo Tribunal Federal. Uma das estrelas do evento foi José Dirceu, aquele que disse querer que se faça nas ruas “o julgamento do julgamento”, remetendo-nos, é inescapável, à China da Revolução Cultural, que julgava os juízes traidores, pondo-os de joelhos e submetendo-os a agressões e cusparadas — antes da execução, claro!, em nome do povo! No evento, referindo-se a Joaquim Barbosa, relator do processo e agora presidente do STF, afirmou João Paulo: [Barbosa] Chegou [ao Supremo] porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”.

O sentido das palavras do deputado é evidente. É também a gramática, não apenas o Reinaldo Azevedo, a qualificar moralmente o que ele disse.

João Paulo estabelece uma relação de subordinação causal — e, por isso, emprega a conjunção causal “porque” — entre a chegada de Barbosa ao Supremo e o “compromisso do PT”. Na sua fala, o tal compromisso do partido é a causa da ascensão de um negro — não outra qualquer, que guardasse relação com o caso em espécie: a competência do indicado, sua formação intelectual, sua independência etc. Alguns tenderiam a ver aí uma oração coordenada explicativa, coisa de que discordo (não vou me ater a isso agora). Uma coisa ou outra, no entanto, revelam a mesma baixeza política. Veja-se no “compromisso de Lula” a causa da ascensão do ministro ou se busque explicá-la por meio dele, e se estará operando a mesma vigarice: SUBTRAIR DO MINISTRO A SUA VONTADE, A SUA LIBERDADE E A SUA INDEPENDÊNCIA; FAZER DELE UM MERO ESBIRRO DE UMA CAUSA E DE UM PARTIDO. Posso ter restrições, e tenho, a certos rompantes de Barbosa, mas uma coisa é certa: ele frustrou a expectativa daqueles que o queriam, nas suas próprias palavras, um “negro servil, subserviente”.

Escrevi ontem um post sobre a fala de João Paulo que se espalhou rapidamente na rede, tornando-se um dos mais acessados e replicados dos últimos tempos. O título é este: “O PT rasga a fantasia: ‘Negro filho da mãe! Negro traidor! Negro que não carrega bandeira! Negro vira-casaca! Negro ingrato! Negro negro!’”. Basta ler o texto para constatar que não atribuí tais palavras, na sua literalidade, ao PT ou a João Paulo. O post é escancaradamente interpretativo-opinativo, a exemplo da esmagadora maioria das coisas que escrevo. É o que os leitores vêm buscar aqui — e são muitos milhares (quase 106 mil visitas ontem, num sabadão, com dezenas de coisas mais atraentes para fazer do que ler o Reinaldão, hehe…). Os invejosos roam os cotovelos, ué!

Interpretei o sentido das palavras do deputado à luz da política, da gramática, da história e, como sabe todo jornalista que cobre a área, do que alguns petistas andam dizendo no “breu das tocas” (né, Chico? Uma amiga me proibiu de chamá-lo de Chico Jabuti. Tá bom… O que a gente não faz por amor!!!). O que vai acima são palavras brandas no cotejo com o que realmente se fala. O ódio é muito maior. E, por isso, reitero a minha recomendação para que Barbosa tome cuidado com as esquinas e seus solertes fazedores de dossiês.

Releiam a fala de João Paulo.

Então não há a sugestão de uma traição?
Então não há a sugestão de uma ingratidão?
Então não há a sugestão de uma incoerência?
E tudo isso, na boca do próprio deputado, não está diretamente vinculado à cor da pele do ministro?
O meu título — extraído, literalmente, do texto — vai ao âmago do que está em debate e denuncia uma sordidez política.

A canalha sustentada por estatais — até quando dura essa vergonha, presidente Dilma? —, que é Reinaldo-dependente (os meliantes são viciados em mim; eu os ignoro, mas eles me amam; querem audiência), resolveu ignorar o que ia no texto para me atribuir o que obviamente não escrevi: “Vejam! O Reinaldo afirmou que o PT disse essas coisas…”. Errado! Escrevo para pessoas que sabem ler!!! Escrevo para pessoas dispostas, inclusive, a ler textos longos. O Reinaldo sustentou, sim (E SUSTENTA DE NOVO!!!), que o que vai no título (e no artigo) compõe o sentido político, ideológico e moral da fala de João Paulo — que expressa, de resto, o pensamento de boa parte dos petistas. Para eles, negro bom é negro que sirva à causa; gay bom é gay que sirva à causa; pobre bom é pobre que sirva à causa… Ou o negro tem alma branca, o gay é uma bicha reacionária, e o pobre é um sem-consciência política…

Os vigaristas só ficaram tão nervosos e deram início a uma campanha de satanização do Reinaldo Azevedo na rede porque sabem que eu os peguei no pulo. Sabem que a fala de João Paulo tem um sentido, como direi?, insanável. Sabem que o deputado expropriou Barbosa de todas as suas qualidades para transformá-lo em mero objeto da generosidade de Lula. Sabem que o petista estava atrelando a “nomeação de um negro” a atos posteriores de gratidão, o que colocaria o ministro, não há escapatória, na vexatória posição de devedor do Apedeuta, cujas vontades deveria, então, satisfazer.

Os canalhas assalariados — com dinheiro público — resolveram correr em socorro a João Paulo. Ora, por que eles não tentam, então, dar um sentido virtuoso à fala do parlamentar petista? “Ele quis dizer que…” Pois é. O que, afinal de contas, ele quis dizer, senão cobrar de um negro a gratidão, lastimando, por consequência, a ingratidão? De fato, o próprio João Paulo não é um ariano. Segundo os critérios lassos do racialismo, poderiam até dizê-lo um “negro”. E daí? Negros, mesmo quando negros de fato, podem ser racistas. Assim como judeus — e tratei disso na conversa com os leitores de Porto Alegre, com o que concordaram judeus presentes — podem expressar conceitos antissemitas. O racismo não é exclusivamente uma manifestação do “outro”, do “diferente”, não!

Cadê os movimentos negros?
Sou contra “cotas” — raciais ou outras — nas universidades ou em qualquer lugar, como sabe toda gente. Já expus aqui os meus motivos. O resultado do Enem, aliás, evidenciou, mais uma vez, o desastre da escola pública — não que a média das particulares seja um exemplo a ser aplaudido, é bom deixar claro, mas a distância é imensa. O sistema de cotas, por óbvio, empurra o país para a acomodação. Em vez de se melhorar o ensino público, aplicam-se medidas compensatórias. Mas deixo isso para outra hora. O ponto é outro.

A minha oposição às cotas tem me rendido, ao longo dos anos, protestos vários de militantes dos movimentos negros. A militância política é o sal da democracia. Mas todo partidário de uma causa tem de tomar cuidado com a cegueira que se pretende iluminada, que lhe diz que o “outro” só pode ser contrário ao seu ponto de vista porque movido por interesses subalternos ou por inarredável preconceito. As cotas não seriam, assim, uma escolha, mas uma imposição da natureza, uma espécie de bem imanente, não sujeito ao contraditório. Sempre que alguém me apresenta um pacote assim, é batata: eu digo “não!” Recuso-me, como é evidente, a acreditar que as minhas próprias escolhas estejam livres de contraditas. Mas sigo.

A minha opinião sobre o assunto gera muitos protestos — sim, claro, até de “racista” já fui chamado. Pergunto agora: não haverá um só movimento, uma só ONG, um só grupo de combate ao racismo, uma só entidade de defesa dos direitos dos negros para protestar contra a fala de João Paulo e contra a campanha desavergonhada que setores do petismo movem contra o ministro Joaquim Barbosa? Existe até uma “Associação dos Advogados e Advogadas Afrodescendentes”. Seus representantes consideram aceitável que se diga que um negro, com as credenciais de Barbosa, só chegou ao Supremo por causa da vontade de Lula e de um partido? Sim, senhores! A minha primeira tentação sempre é discutir o termo “afrodescendente”. Eu, que sou uma mistura de italiano com índio (e o índio, de verdade!, está bem pertinho, podem acreditar: bisavô) sou o quê? Eurodescendente e nativodescentente? Mas também isso fica pra lá. Só voltarei ao assunto quando reivindicar a parte que me cabe do Mato Grosso, de onde saiu o silvícola, à força… Quero alguns quilômetros de terra para cultuar Tupã, Jaci e Musil… O presidente da OAB diria que eu sou a expressão do multiculturalismo, hehe. Mas retomo.

Nenhum protesto? Nada? Vão repetir o silêncio cúmplice e covarde que se ouviu quando o jornalista Heraldo Pereira, um dos mais competentes e intelectualmente preparados do país, entre brancos ou pretos, foi chamado por certa canalha de “negro de alma branca”? Pior: atribuíram a sua ascensão profissional a seu suposto servilismo — um dos ataques mais asquerosamente racistas a que assisti. Quer dizer que o petismo e algumas moscas que voejam em torno, em busca de alimento, têm garantido o direito à injúria racial e ao racismo porque, afinal, estão situados no chamado “lado progressista” da sociedade? É só uma questão de fidelidade ideológica a um partido, ou estamos diante de coisa ainda pior, já que boa parte dos movimentos militantes — negros ou de quaisquer outras causas — está umbilicalmente ligada ao PT e dele dependem para existir? A causa tem um preço? A causa faz seleção político-partidária de seus alvos? A causa primeiro avalia QUEM está falando para só depois se dar conta DO QUE está sendo falado?

Não! Não estou tentando ensinar aos movimentos negros o seu ofício ou pautá-los. E me dispenso de fazê-lo não porque sou branco (quando escrevo, não tenho cor; ela só é relevante quando escolho o protetor solar) — se negro fosse, é provável que não o fizesse também. Não tento ensinar nada a ninguém porque a minha função é debater. Há muito tempo abandonei a sala de aula. Expresso o meu estranhamento porque me recuso a aceitar que um ente de razão — partido ou movimento ideológico — seja o senhor das vontades, o senhor das causas, o senhor das demandas, o senhor dos debates.

Na minha pátria, brancos, mestiços, negros, amarelos, vermelhos, héteros, gays, católicos, evangélicos, ateus, corintianos, palmeirenses, adoradores de comida japonesa, detratores de comida japonesa e até admiradores do Bolero de Ravel não se ajoelham diante de partidos, de aiatolás de causas, de chefes de quarteirão do pensamento.

Para encerrar
É bobagem achar que a gritaria da escória me intimida. No dia em que essa gente ao menos se financiar no mercado, não dependendo do dinheiro dos miseráveis para sustentar a pança e se comportar como mero esbirro de um partido, talvez eu lhes dê alguma atenção. Sempre precifico o lixo que fazem em residências do “Minha Casa Minha Vida”, em UPAs que Dilma não entrega, em creches que não são feitas, e só consigo vê-los como o que são: ladrões de dinheiro público. Não é por acaso que defendem com unhas, dentes e focinhos corruptores, quadrilheiros e peculadores. Enquanto não se financiarem por sua conta, são o que são: profissionais do nariz marrom. E não pensem que, caso haja alternância de poder, mudarão de profissão. Seu nariz continuará marrom, servindo, então, a novos senhores. Nem mesmo lhes posso dispensar certo respeito que dispenso à coerência estupidamente equivocada. De resto, esses caras, como se vê, não são de todo inúteis. Também eles me estimulam a escrever bons textos. Para que fique claro, ainda outra vez, quem são eles e quem somos nós.

Texto publicado originalmente às 3h15 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

24/11/2012

às 6:23

O PT rasga a fantasia: “Negro filho da mãe! Negro traidor! Negro que não carrega bandeira! Negro vira-casaca! Negro ingrato! Negro negro!”

A questão sempre rondou as más consciências, era enunciada de modo oblíquo, falada nos cantos, nos becos, nas bocas, nas tocas — como diria o sambista… Era sugerida, mas jamais pronunciada. Ontem, finalmente, o ainda deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, rasgou a fantasia e o verbo, revelou o que realmente pensa o PT, deixou aflorar seu [do partido] racismo asqueroso e primitivo. Inconformado com a atuação do ministro Joaquim Barbosa, que assumiu nesta quinta a presidência do STF, Cunha mandou ver: “[Barbosa] Chegou [ao Supremo] porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”.

Que nojo de João Paulo Cunha!

Já explico onde estava este senhor quando vomitou o racismo de seu partido. Quero me ater um pouquinho ao conteúdo de suas palavras porque elas provam, por A mais B, algumas considerações que andei fazendo neste blog, ao longo dos anos, sobre a questão racial.

No dia 11 de outubro de 2011, escrevi um texto sobre a relação que o PT mantém com as chamadas minorias. Lá se pode ler este trecho (em azul):
Será mesmo o PT um partido especialmente afeito à defesa das mulheres, dos negros, dos gays, dos direitos humanos  – de grupos e temas, enfim, que seriam discriminados pela sociedade “reacionária”? Uma ova! Essa gente tem é um desprezo solene por todas essas causas e só as utiliza como instrumento de sua luta pelo poder. O PT defende, sim, o negro, desde que esse negro carregue a bandeira do partido – se não for assim, o sujeito é acusado de “preto de alma branca”. O PT defende, sim, a mulher, desde que ela carregue a bandeira do partido – se não for assim, ela é acusada de agente de machismo. O PT defende, sim, os gays, desde que o gay carregue a bandeira do partido; se não for assim, ele será acusado de bicha reacionária.

Bingo!

Pensemos na enormidade da fala de João Paulo, que representa o pensamento da ampla maioria do PT e de Lula — que também já andou cochichando essa ignomínia por aí em versos, trovas e palavrões, como é de seu hábito.

Na formulação petista, Joaquim Barbosa não chegou ao Supremo por seus méritos, mas porque é preto. Assim, quem o nomeou ministro foi a vontade de Lula, que lhe teria prestado, então, um favor, fazendo uma concessão a uma “raça” — afinal, sabem como é, o PT é contra as injustiças… Mais: por ser negro, Barbosa estaria impedido de julgar segundo os autos, as leis e a sua consciência. A cor da pele lhe imporia, logo à partida, um determinado conteúdo. É por isso, ministro Joaquim Barbosa, que critiquei tão duramente a resposta que Vossa Excelência deu a um repórter. Ainda que ele pudesse estar fazendo uma provocação, condicionar a visão de mundo das pessoas à cor de sua pele é manifestação do mundo das trevas intelectuais, que é de onde parte a fala de João Paulo.

Lula, o PT e os petistas esperavam um negro grato, de joelhos, beijando a mãos dos nhonhôs. Queriam um Joaquim Barbosa doce como uma negro forro, que se desfizesse em amabilidades com o seu ex-senhor e se sentisse feliz por ter sido um dos escolhidos da senzala para receber o galardão da liberdade. Em vez disso, o que se tem, na visão dos petistas, é um negro ingrato, que decidiu olhar a lei, não quem o nomeou; que decidiu se ater aos crimes cometidos pelos réus, não à cor de sua própria pele; que decidiu seguir as regras do estado democrático e de direito, não o projeto de poder de um partido.

Negro filho da mãe!
Negro traidor!
Negro que não carrega bandeira!
Negro vira-casaca!
Negro ingrato!
Negro negro!

Não é de hoje, certamente, que Barbosa recebe pressões. Agora entendo com mais precisão uma resposta que deu numa entrevista concedida à Folha em 2008:
“Engano pensar que sou uma pessoa que tem dificuldade de relacionamento, uma pessoa difícil. Eu sou uma pessoa altiva, independente e que diz tudo que quer. Se enganaram os que pensavam que, com a minha chegada ao Supremo Tribunal Federal, a Corte iria ter um negro submisso. Isso eu não sou e nunca fui desde a mais tenra idade. E tenho certeza de que é isso que desagrada a tanta gente. No Brasil, o que as pessoas esperam de um negro é exatamente esse comportamento subserviente, submisso. Isso eu combato com todas as armas.”

Voltemos a João Paulo e aos petistas. Assim como um escravo dependia da boa vontade de seu dono para obter a alforria, esses meliantes morais estão a dizer que Barbosa dependeu da boa vontade de Lula para ascender ao Supremo. Como ele ousa jogar a lei na cara daquele que tem a certeza de que lhe fez um favor e uma concessão?

Raramente um negro foi tão ofendido por um partido! Raramente os negros como um todo foram tratados com tanto desdém. Que desastre moral para boa parte dos movimentos negros, que certamente se calarão porque funcionam como esbirros do petismo! Este, se querem saber, é o pior de todos os racismos. A besta ao quadrado que sai por aí a vomitar injúrias raciais de modo explícito não é, ao menos, cínica. Os que cobram de um negro a fatura por tê-lo nomeado para a corte suprema do país — onde a única coisa decente a fazer é ser independente — deixam claro que usam as causas apenas como instrumento de poder.

O PT é craque nisso! Lembrem-se que campanhas eleitorais de Lula e de Dilma reuniram cotistas e bolsistas do ProUni — um programa federal, que não pertence ao governo, mas ao Estado — para que expressassem a sua gratidão a seus “benfeitores”, a seus “donos”, a seus nhonhôs… O país do PT não é aquele dos homens livres. O partido só entende a linguagem da ordem e do pau-mandado, como sabe o relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), que entrega a redação do relatório ao comando de seu partido para que tente as suas vendetas.

Barbosa que se cuide! O ódio dessa gente não é pequeno. A qualquer momento a sua reputação pode ser alvo de um franco-atirador do mundo das denúncias.

Achincalhe da Justiça
João Paulo disse aquela enormidade numa “plenária” feita em Osasco para satanizar o STF e declarar a inocência dos mensaleiros, a que compareceram José Dirceu e José Genoino. Rui Falcão, presidente do PT, e os deputados Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara, e Arlindo Chinaglia (SP), líder do governo na Casa, faltaram.

Dirceu pregou abertamente o confronto com o Supremo. Mais do que isso: segundo entendi, quer o tribunal submetido a júri popular, à moda maoísta: segundo ele, o PT deve ir às ruas para “fazer o julgamento do julgamento”. Huuummm… Quanto mais trela lhe dá o jornalismo que lhe serve de porta-voz, mais valente ele fica. Daqui a pouco, o Marcola e o Fernandinho Beira-Mar também proporão formas de luta contra o Judiciário.

Dirceu deixou claro que não aceita as decisões da Justiça de seu país. Conclamou: “É preciso ir as ruas, discutir, debater o que esta acontecendo. Não aceitamos. Estamos revoltados e indignados e somos vítimas de um julgamento injusto”. É evidente que o homem ultrapassou a linha da crítica e do direito a manifestações. Está pregando abertamente a resistência a uma decisão da Justiça. E isso, como sabem, é crime!

Por Reinaldo Azevedo

20/11/2012

às 13:29

No Dia da Consciência Negra, Paulo Henrique Amorim teve de publicar isto

Vocês se lembram — recorram ao arquivo (aqui, há uma seleção de textos) — de todas as coisas asquerosas que Paulo Henrique Amorim já escreveu contra o jornalista Heraldo Pereira. Um acordo judicial obrigou o animador de TV e blogueiro a tornar pública uma retratação por conta das ofensas dirigidas ao jornalista. Ele o fez, mas de modo meio maroto, acrescentando considerações que torciam o sentido da decisão judicial.

Teve de retratar-se de novo — sem firulas. No Dia da Consciência Negra, aquele que chamou Heraldo Pereira de “negro de alma branca” teve de publicar nos jornais a seguinte retratação:

 

Encerro
Paulo Henrique Amorim achou que poderia ensinar a Heraldo como ser um bom negro. Afinal, por que não um branco para fazê-lo, não é mesmo? Heraldo resolveu ensinar-lhe como funciona o estado de direito para brancos, negros, altos, baixos, inteligentes, bobalhões…

Por Reinaldo Azevedo

06/10/2012

às 6:41

Marta Suplicy já deixa a sua primeira marca na Cultura: um edital só para negros!!!

Sim, eu voltarei a este assunto. Fiquem agora com a informação da Folha:

O anúncio do lançamento de editais exclusivos para criadores e produtores negros, feito anteontem pelo Ministério da Cultura, dividiu opiniões entre acadêmicos e artistas brasileiros. Enquanto parte defende os editais, que devem ser lançados no Dia da Consciência Negra (20/11), outros os consideram preconceituosos. ”É um absurdo. Se eu fosse negro, ficaria muito puto. É uma coisa de demência, ligada à culpa cristã de classe média branca. É só um passo a mais pelo ódio racial que está sendo potencializado desde que o PT entrou no poder”, disse o cantor Lobão.

Para o autor de “Cidade de Deus”, Paulo Lins, a medida anunciada pela ministra Marta Suplicy é boa e necessária. ”O negro tem que ter privilégio e inclusão em tudo. Ele foi sacrificado durante 400 anos de escravidão no país.” KL Jay, do Racionais MC’s, concorda com Lins sobre a dívida que o Brasil tem com os descendentes de escravos. “O país me deve muito mais.” Já o cineasta Zelito Viana, que produziu “Terra em Transe” (1967) e “Cabra Marcado Para Morrer” (1985), considera a medida “racista”. “Agora haverá editais também para anão e para mulher?”

Para o professor de ciência política da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) João Feres Júnior, a medida é importante porque a cultura brasileira é “extremamente branco-cêntrica”. ”Os produtores de narrativas são quase que exclusivamente brancos ou falam de uma perspectiva da qual a questão do racismo e da discriminação é invisível.” O compositor, pesquisador e escritor Nei Lopes concorda com Feres Júnior. ”Há uma grande ‘invisibilização’ da produção do povo negro nos circuitos da ação cultural”, afirmou Lopes.

Danilo Miranda, diretor do Sesc-SP, disse ter inicialmente se assustado com o anúncio. “Achei que seria inadequado para um país que respeita a igualdade. Mas, depois, achei que se tratava de algo adequado para tornar o Brasil um país mais justo.”

LEGALIDADE
Para o sociólogo Demétrio Magnoli, a medida é discriminatória porque viola a igualdade constitucional entre os cidadãos, mas hoje “infelizmente” é legal graças à decisão do Supremo Tribunal Federal a favor das cotas raciais no vestibular da universidade de Brasília (UnB).

(…)

Encerro
Lobão acerta na indignação, mas erra no diagnóstico. O cristianismo não tem nada com isso, não! Até porque, na sua essência, não distingue os homens pela cor da pele. Faz justamente o contrário. 

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2012

às 6:01

Paulo Henrique Amorim descumpre acordo judicial e terá de se retratar de novo com o jornalista Heraldo Pereira

Por Ricardo Zeef Berezin, do site Consultor Jurídico:

Por não cumprir integralmente o acordo que firmou judicialmente com o jornalista Heraldo Pereira, o apresentador e blogueiro Paulo Henrique Amorim foi condenado a publicar novamente termos de retratação pública nos jornais Folha de S.Paulo e Correio Braziliense e em seu blog. Se deixar de cumprir a decisão novamente, Amorim terá de pagar multa de R$ 10 mil por dia ao jornalista.

A briga começou em 2009, quando o blogueiro publicou textos afirmando, entre outras acusações, que Heraldo Pereira é um “negro de alma branca” e que seria empregado do ministro Gilmar Mendes. Depois que Pereira entrou na Justiça, o próprio Amorim propôs um acordo, no qual ele publicaria as retratações e a doaria R$ 30 mil a determinada instituição de caridade, em parcelas mensais de R$ 5 mil.

Amorim chegou a publicar os textos nos jornais, porém, na Folha de S.Paulo, a retratação foi publicada depois do prazo estipulado pela Justiça. Já o que foi publicado no Correio Braziliense não seguiu as especificações que constavam no acordo. Ele “acrescentou novas informações, com juízo de valor e nova tentativa de defesa”, segundo sentença do juiz Alex Costa de Oliveira, da 12ª Vara Cível de Brasília.

Entre as frases acrescentadas pelo blogueiro está uma conclusão que ele mesmo tirou e incluiu no texto: “Logo, Heraldo Pereira de Carvalho concorda: a expressão ‘negro de alma branca’ não foi usada com sentido de ofender, nem teve conotação racista”. Também seu blog, quando publicou a retratação, Amorim acrescentou o seguinte trecho: “Retratação não é reconhecimento de culpa. Não houve julgamento, logo não houve condenação”.

Porém, a sentença que homologou o acordo, já transitada em julgado, “exigia do réu apenas publicar a retratação, sem acréscimo algum”, diz o juiz Oliveira, em sentença datada do dia 30 de agosto.

Além de fazer comentários próprios nas retratações, Amorim pagou apenas duas das seis parcelas da doação para a instituição de caridade. 

Como a quarta cláusula do acordo previa que, se a obrigação da publicação não fosse cumprida no prazo, o réu terá de aumentar para duas o número das publicações, o juiz determinou que os textos sejam publicados nos dois jornais em até 20 dias e que, no blog, a retratação seja corrigida e deixada em destaque por 10 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, até o limite de R$ 100 mil.

Para o advogado Paulo Roque Khouri, que pediu a condenação de Amorim por descumprimento de acordo o problema Amorim “sempre foi com a Justiça Brasileira e foi ela própria quem lhe deu a resposta: decisão judicial deve ser cumprida e ponto final. Em qualquer democracia sai caro desafiar a própria Justiça”

Injúria racial
Na área criminal, foi reconhecido que Paulo Henrique Amorim praticou injúria racial contra Heraldo Pereira, mas não responderá pelo delito uma vez que o juiz substituto Valter André Araújo, da 5ª Vara Criminal de Brasília, entendeu que a queixa-crime contra ele foi apresentada fora de prazo. O promotor Libânio Alves Rodrigues, autor da ação, sustenta que houve equívoco na sentença em relação à contagem do prazo e anunciou que recorrerá da decisão. Anteriormente, a Justiça já determinara que as ofensas fossem raspadas do blog.

Em seu blog Conversa Afiada, Paulo Henrique Amorim chamou Heraldo Pereira de “negro de alma branca”, e disse que ele se portava como um “serviçal”, diante do diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel. “Não há mais espaço, na sociedade contemporânea, para tolerar expressões como ‘negro de alma branca’”, disse o juiz , ao julgar ação penal empreitada pelo Ministério Público de Brasília contra o blogueiro. Embora tenha declarado extinta a punibilidade, devido à decadência na apresentação da queixa-crime por crime de injúria racial, ele destacou que as palavras utilizadas pelo jornalista são “induvidosamente ofensivas”.

O autor do processo é o Ministério Público do Distrito Federal, e tem Heraldo como assistente da acusação. Amorim é acusado de dois crimes: racismo, pelo uso da expressão mencionada, e o de injúria racial, por ter qualificado o repórter como um “serviçal”.

A primeira denúncia teve a tipicidade alterada para o delito previsto no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, isso é, injúria com elementos referentes a cor. “A expressão proferida pelo acusado não pode ser encarada como preconceito, porque foi dirigida a uma pessoa em especial”, afirma Araújo. “Sendo assim, entendo que [ela] configura injúria, pois ofende a dignidade da vítima. E, por empregar elemento refere a cor, a conduta amolda-se ao tipo penal previsto”.

Sobre a segunda imputação, o MP afirma que ela “ganha contorno racial na medida em que, dentro do mesmo comentário [publicado em seu blog] e, portanto, no mesmo contexto, o denunciado faz alusão à figura de Ali Kamel, apontado por ele próprio como o diretor de jornalismo da Globo e feroz inimigo das cotas para negros nas universidades”.

Araújo, porém recusa a conclusão do órgão, pois “demanda um exercício de interpretação tão grande que chega a ser incompatível com a certeza que o Direito Penal exige”. Ele, no entanto, ressaltou ser “compreensível” tanto a postura do MP quando de Eraldo, que exigiu apuração. “Com efeito, não se tratava, mesmo, de um caso de rejeição da inicial, porque havia indícios da ocorrência de um delito”, diz.

“Ao contrário do texto analisado no primeiro tópico desta sentença, em que houve uma ofensa direta, o segundo texto reproduz a opinião do acusado a respeito de fatos e, por mais ácida que seja, não pode ser repreendida”, esclarece o magistrado. “Houve crítica, ainda que implícita, à posição assumida por Ali Kamel [diretor da Central Globo de Jornalismo], relacionando-a com o fato de Heraldo Pereira ser negro. Mas foi só. Não ficou demonstrada qualquer ofensa”. Diante disso, o desembargador absolveu Amorim da segunda imputação.

Quanto à acusação de racismo, transformada em injúria, embora Araújo concorde com o MP no sentido de que, sob qualquer interpretação, a expressão “negro de alma branca” insulte Heraldo — “seja por ter a dignidade e a distinção atinentes apenas aos brancos, seja por não se comportar como “deve” se comportar um negro” — ele declarou extinta a punibilidade. Isso porque a apresentação da denúncia ultrapassou o prazo de seis meses. Cabe recurso.

Ação Penal 2010.01.1.117388-3.

Clique aqui para ler a decisão na Ação Cível para cumprimento de sentença  
Clique aqui para ler a sentença na Ação Penal por injúria racial contra Paulo Amorim.

Por Reinaldo Azevedo

16/07/2012

às 18:57

Edir Macedo, racismo e misoginia: cadê os ministros da Igualdade Racial e das Mulheres?

Nunca subestimem o empresário Edir Macedo, dono da Rede Record e da Igreja Universal do Reino de Deus. Ele sempre pode se superar. Este homem de Deus já pisoteou o Eclesiastes para defender o aborto em livro e vídeo. Numa “aula” ministrada a seus colaboradores, diz como convencer as pessoas a doar dinheiro para a sua igreja: se preciso, jogue-se a Bíblia no chão, ensina, e se demonstre valentia até contra Deus! Deixou-se ainda filmar com um chicote na mão, expulsando o demônio do corpo de um gay. Os “progressistas” ficaram calados porque o empresário é hoje um dos principais aliados do lulo-petismo. A Record é apontada por patriotas como José Dirceu como um exemplo de isenção no jornalismo. Alguns dos grandes difamadores de lideranças da oposição, de ministros do Supremo e da própria imprensa são contratados da empresa comandada por este gigante moral. Ele é o patrão.

Muito bem! Na sexta-feira, Macedo publicou num site ligado à sua igreja um texto intitulado “Homem de Deus quanto à idade e à raça”. Trata-se de mais uma peça grotesca produzida por este teólogo de meia-pataca. Misoginia — repúdio às mulheres — e evidente discriminação racial se juntam num texto asqueroso. Até agora, não vi nenhuma reação da Secretaria das Mulheres, comandada por Eleonora Menicucci, parceira de Macedo na defesa intransigente do aborto. Até agora, não vi nenhuma reação da Secretaria da Igualdade Racial, que, não obstante, foi torrar a paciência de Alexandre Pires —  um negro! — por suposto racismo num vídeo que é apenas galhofeiro.

Leiam trechos do texto de Macedo (em vermelho). Volto depois.

O rapaz que deseja fazer a Obra de Deus não deve se casar com uma moça que tenha idade superior à dele, salvo algumas exceções, como por exemplo aquele que é suficientemente maduro e experiente na vida para não se deixar influenciar por ela. Mesmo assim, a diferença não deve ultrapassar dois anos.
Muitas pessoas não gostam quando fazemos estas colocações; entretanto, temos visto que quando a mulher tem idade superior à do seu marido, ela, que por natureza já tem o instinto de ser ‘mandona”, acaba por se colocar no lugar da mãe do marido.
E o pior não é isto. A mulher normalmente envelhece mais cedo que o homem, e quando ela chega à meia-idade, o marido, por sua vez, está maduro mas não tão envelhecido quanto ela. E a experiência tem mostrado que é muito mais difícil, mas não impossível, manter a fidelidade conjugal.
Para evitar este ou outros transtornos, oriundos da diferença de idade (a do marido inferior à da esposa), é preferível que não haja qualquer compromisso de casamento.
(…)
Quanto à raça
Não haveria nenhum problema para o homem de Deus se casar com uma mulher de raça diferente da dele, não fossem os problemas da discriminação que seus filhos poderão enfrentar nas sociedades racistas deste mundo louco.
É preciso que ambos estejam conscientes quanto aos riscos de traumas ou complexos que as crianças poderão absorver durante os períodos escolares, e, a partir daí, carregarem-nos por toda a vida.
Infelizmente, os pais não terão como evitar que aconteçam rejeições ou críticas por parte dos coleguinhas nas escolas nos países onde eles poderão estar pregando o Evangelho.
O homem de Deus precisa estar sempre preparado para servir a Deus onde quer que Ele assim determine, e, assim, nem sempre estará em um país onde não haja esse tipo de situação. Portanto, é necessário que o casal examine também esta questão, antes de qualquer compromisso mais sério.
(…)
Procuramos alertar sobre esta situação não porque a Igreja Universal do Reino de Deus tenha qualquer objeção quanto ao casamento envolvendo mistura de raça ou cor. Não, muito pelo contrário!
Temos vários homens de Deus casados com mulheres de raças diferentes. Não teríamos absolutamente nada a comentar a este respeito, mas temos visto este tipo de problema acontecendo com as crianças dentro das nossas igrejas, em outros países.
Procuramos, portanto, trazer à baila esta situação a fim de evitarmos transtornos no futuro do homem de Deus e na obra que está reservada para ele.

Voltei
Nem vou entrar no mérito sobre o casamento com mulheres mais velhas. A recomendação de Macedo a seus pastores é de tal sorte cretina que não comporta considerações. O que é espantoso é, sim, o juízo que ele faz do sexo feminino. A mulher é uma espécie de agente desestabilizador do homem, sempre pronto a influenciá-lo de modo nefasto. Afinal, diz o sábio, a mulher, “por natureza, já tem o instinto de ser mandona”. Se mais velha, acaba virando “mãe do marido”. O “bispo”, então, decide ser o coautor de um novo Levítico, criando leis: a diferença deve ser de, no máximo, dois anos… Por que dois? Vai ver o Altíssimo revelou essa verdade a este grande profeta!

Note-se ainda que Macedo não aposta na fidelidade ao casamento. Se a mulher é mais velha, diz ele, fica difícil não trair. Esse homem que converte almas parece acreditar que há forças superiores às quais mesmo os convertidos não conseguem resistir. E dá um conselho: “é preferível que não haja qualquer compromisso de casamento”.

Discriminação racial
Macedo é um revolucionário também da biologia. Descobriu a existência de novas “raças”, além da humana. Gostaria de saber quais são. Segundo o Censo do IBGE de 2010, os brancos são 47,73% do país; 7,61% são negros; os pardos formam o segundo maior grupo: 43,13%. Vale dizer: quase a metade do Brasil é formada por mestiços, fruto do que o Macedo chamaria de mistura de “raças diferentes”. É um acinte e um despropósito que o líder de uma igreja, concessionário de uma rede de televisão, se manifeste nesses termos — especialmente quando se sabe que muitos de seus pastores são… mestiços!

Mas este grande homem de Deus, vocês sabem, é uma alma caridosa. Naquele vídeo nojento em que defende o aborto, ele tenta nos convencer de que só o faz por amor à humanidade e até em defesa do próprio feto assassinado. Segundo ele, melhor esse destino do que uma criança solta por aí… Entenderam? Em defesa, então, da vítima, por que não matá-la? Age do mesmo modo quando recomenda o não casamento de pessoas de “raças ou cores diferentes”. Seria para o bem das criancinhas…

Espantosamente, ele aponta a existência de discriminação racial dentro da sua própria igreja: “(…) temos visto este tipo de problema acontecendo com as crianças dentro das nossas igrejas, em outros países”. Que coisa! O homem que aparece de chicotinho na mão enfrentando ninguém menos do que o demônio deixa claro que não pretende combater o racismo nem dentro dos templos de sua igreja. Ao contrário: já que o racismo existe, melhor se adaptar a ele e evitar a mistura. Tudo para proteger as criancinhas…

É isso aí… A título de registro, deixo aqui alguns vídeos sobre a trajetória deste homem santo e suas afinidades eletivas. Volto depois dos filmes para encerrar.

Aqui, na posse da “mandona” Dilma Rousseff, com  direito a conversa ao pé do ouvido e mão no ombro:

Macedo, de chicote na mão, expulsa demônio do corpo de um gay:

Macedo defende que se expulse o feto do corpo da mãe:

Encerro
Eis aí… Edir Macedo é hoje a mais cara joia do “progressismo” dos companheiros. Os petistas o consideram um verdadeiro exemplo a ser seguido. Pouco mais de um ano depois daquela conversa ao pé do ouvido com Dilma, o senador Marcelo Crivella, sobrinho do “bispo”, levou o Ministério da Pesca.

Cadê a Secretaria das Mulheres?
Cadê a Secretaria da Igualdade Racial?

Por Reinaldo Azevedo

08/05/2012

às 7:23

Vídeo com os suecos Neymar, Alexandre Pires e Mr. Catra está sendo investigado por “racismo”! E isso, como o pum dos dinossauros, não é linguagem figurada!

Tá bom, tá bom… Tio Rei só trata aqui de determinados assuntos porque, como diz aquela escória que se quer “progressista”, é mesmo um sujeito reacionário pra chuchu. Eu, do meu lado, acho que só estou tentando proteger os cofres públicos. Uma das maneiras de fazê-lo e estimular alguns representantes do Ministério Público Federal a não jogar nosso dinheiro no lixo. Li uma notícia no site do jornal O Estado de Minas e cheguei a pensar que fosse uma brincadeira. Mas nem é 1º de Abril! Constato: a polícia do politicamente correto ainda vai transformar o Brasil numa Coreia do Norte tropical, de dimensões continentais. Quase tivemos o nosso Kim Jong-Lula, né? Mas o projeto deu com os burros n’água. Qual é o caso?

Alexandre Pires, um pagodeiro, gravou um clipe em janeiro de uma música chamada “Kong”. Além do cantor, são estrelas do filmete o jogador Neymar e o cantor Mr. Catra. Eu não posso fazer nada. Terei de apresentar o vídeo aqui, acessado, só neste arquivo, 3.3408.902 vezes. O mundo vai acabar, eu sei. E ninguém precisa de dinossauro peidorrento. Quem conseguir ver até o fim merece ir pra cafua. Mas é preciso assistir a um pouquinho.

Viram?

O que temos ali? Os arianos Alexandre Pires, Neymar e Mr. Catra, cercados de ninfas também arianas, ridicularizando a “raça negra”, certo?, que estaria sendo associada a macacos. Não é isso??? Pois o Ministério Público Federal, acreditem, abriu uma investigação para apurar se há  racismo no clipe. Segundo o procurador em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Frederico Pelluci, a denúncia partiu da Ouvidoria Nacional.

O órgão identificou, sim, conteúdo racista no vídeo. Um processo administrativo foi aberto no município para apurar o caso. Informa o Estado de Minas: “Na última quinta-feira, o procurador ouviu Alexandre Pires, mas o conteúdo do depoimento não foi revelado. Segundo o procurador, novas testemunhas ainda serão intimadas a depor”.

Está se instaurando no país uma cultura policialesca. Dois dos protagonistas do vídeo são negros; um é mestiço (para a militância racialista, negro também). A maioria das beldades que aparece rebolando em torno da piscina também é negra. É evidente que o “Kong” da letra — olhem a que me obriga a defesa democracia! — não tem nada a ver com a cor da pele. A referência é outra (vou ter de transcrever):
Prestem atenção, meninas
O bagulho é desse jeito
O bonde do kong não vacila
É instinto de leão
Com pegada de gorila

Remete ao filme, claro!, do bruto que amolece a coração da bela e também à tal “pegada” sexual. Pois é. A metáfora nem é tão boa sob certo ponto de vista. Li em algum lugar, pesquisem aí, que o gorila é um mal dotado, coitado! Tem uma coisinha de nada! O leão já é dotado de um mérito ao menos: quando a fêmea está no cio, copula mais de 50 vezes num único dia!!! Devem vir daí tanto o ar enfezado do gorila quanto aquela cara preguiçosa no leão, hehe…

É claro que apelo para a galhofa. Tento fazer de conta que isso não é sério. Mas é. Outro dia, uma dessas polícias raciais que estão se criando no Brasil, o Conselho Estadual dos Direitos do Negro, do Rio, cismou de apurar por que uma coitada da feira hippie de Ipanema vendia bonecas pretas por um preço inferior ao das bonecas brancas… Fico cá a imaginar o sr. Pelucci a perguntar a Alexandre Pires: “O senhor não acha que foi desrespeitoso com a raça negra?…” Pergunto: preconceituoso não foi justamente quem associou os macacos aos negros, em vez de se ater à letra mais do que explícita? Essa gente, além de tudo, não tem nem senso de humor nem senso do ridículo.

Para encerrar
Quem assistiu aos últimos jogos de Neymar sabe por que há muitos anos, muitos mesmo — tudo indica que desde Pelé —, não surgia um jogador com o seu talento no Brasil. Uns eram bons nisso, outros naquilo, ele vai se desenhando como o jogador completo. Eu o vi desarmando um atacante do Guarani na lateral esquerda do seu campo defensivo, saindo com a bola no pé e tentando armar o contra-ataque. É talentoso, simpático, o querido das mocinhas e o ídolo dos meninos.

Mas está produzindo um desastre de proporções ainda não mensuradas no gosto musical da massa. Mas como parar Neymar, não é mesmo? Só faltava ele dizer que fica ouvindo A Flauta Mágica nas horas vagas. O mundo nunca é assim tão bom…

Assim, lá está ele:
Tem base e tem a mão
A pulseira dessa mina algemou meu coração
Tem base é pra acabar
É no pelo do macaco que o bicho vai pegar

Não entendi nada, mas deve fazer sentido para muitos. Mas não quero explicação de Neymar. Troco por gols — se der pra não ser contra o Corinthians, ficarei grato.

Doutor Pelluci, vá pentear macaco! Use melhor o nosso dinheiro, por favor!

Post publicado originalmente às 4h49 desta terça

Por Reinaldo Azevedo

08/05/2012

às 7:21

Morgan Freeman e o “Mês da Consciência Negra”

Publico hoje um post sobre uma investigação ridícula que o Ministério Público Federal decidiu fazer para saber se há racismo num vídeo estrelado pelo pagadeiro Alexandre Pires, pelo jogador Neymar e pelo cantor Mr. Catra. 

Vejam a resposta que deu o grande ator Morgan Freeman quando lhe perguntaram se era favorável à criação do “Mês da Consciência Negra”. Não é um vídeo popular no nosso Supremo.

Post publicado originalmente às 5h43 desta terça

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2012

às 6:07

Um editorial contra a decisão do STF, que oficializou a discriminação racial no Brasil

Excelente o editorial do Estadão de hoje, criticando a absurda decisão do Supremo sobre as cotas raciais.

A discriminação racial no Brasil é constitucional, segundo decidiram por unanimidade os ministros do Supremo Tribunal (STF), num julgamento sobre a adoção de cotas para negros e pardos nas universidades públicas. Com base numa notável mistura de argumentos verdadeiros e falsos, eles aprovaram a reserva de vagas para estudantes selecionados com base na cor da pele ou, mais precisamente, na cor ou origem étnica declarada pelo interessado. Mesmo enfeitada com rótulos politicamente corretos e apresentada como “correção de desigualdades sociais”, essa decisão é obviamente discriminatória e converte a raça em critério de ação governamental. Para os juízes, a desigualdade mais importante é a racial, não a econômica, embora eles mal distingam uma da outra.

O ministro Cezar Peluso mencionou as diferenças de oportunidades oferecidas a diferentes grupos de estudantes. Com isso, chamou a atenção para um dos maiores obstáculos à concretização dos ideais de justiça. Todos os juízes, de alguma forma, tocaram nesse ponto ou dele se aproximaram. Estabeleceram, portanto, uma premissa relevante para o debate sobre a formação de uma sociedade justa e compatível com os valores da democracia liberal, mas perderam-se ao formular as conclusões.

O ministro Joaquim Barbosa referiu-se à política de cotas como forma de combater “a discriminação de fato”, “absolutamente enraizada”, segundo ele, na sociedade. Mas como se manifesta a discriminação? Candidatos são reprovados no vestibular por causa da cor? E os barrados em etapas escolares anteriores? Também foram vítimas de racismo?

A ministra Rosa Weber foi além. “A disparidade racial”, disse ela, “é flagrante na sociedade brasileira.” “A pobreza tem cor no Brasil: negra, mestiça, amarela”, acrescentou. A intrigante referência à cor amarela poderia valer uma discussão, mas o ponto essencial é outro. Só essas cores identificam a pobreza no Brasil? Não há pobres de coloração diferente? Ou a ministra tem dificuldades com a correspondência de conjuntos ou ela considera desimportante a pobreza não-negra, não-mestiça e não-amarela.

Mas seus problemas lógicos são mais amplos. Depois de estabelecer uma correspondência entre cor e pobreza, ela mesma desqualificou a diferença econômica como fator relevante. “Se os negros não chegam à universidade, por óbvio não compartilham com igualdade das mesmas chances dos brancos.” E concluiu: “Não parece razoável reduzir a desigualdade social brasileira ao critério econômico”. A afirmação seria mais digna de consideração se fosse acompanhada de algum argumento. Mas não é. O fator não econômico e estritamente racial nunca foi esclarecido na exposição da ministra nem nos votos de seus colegas.

Nenhum deles mostrou com suficiente clareza como se manifesta a discriminação no acesso à universidade ou, mais geralmente, no acesso à educação. O ministro Celso de Mello citou sua experiência numa escola pública americana sujeita à segregação. Lembrou também a separação racial nos ônibus escolares nos Estados Unidos. Seria um argumento esclarecedor se esse tipo de segregação – especificamente racial – fosse no Brasil tão normal e decisivo quanto o foi nos Estados Unidos.

Talvez haja bons argumentos a favor da discriminação politicamente correta defendida pelos juízes do STF, mas nenhum desses foi apresentado. Brancos pobres também têm dificuldade de acesso à universidade, mas seu problema foi menosprezado.

Se um negro ou pardo com nota insuficiente é considerado capaz de cursar com proveito uma escola superior, a mesma hipótese deveria valer para qualquer outro estudante. Mas não vale. Talvez esse branco pobre também deva pagar pelos “danos pretéritos perpetrados por nossos antepassados”. Justíssimo?

Como suas excelências poderão ser envolvidas em outras questões de política educacional, talvez devam dar uma espiada nos censos. Os funis mais importantes e socialmente mais danosos não estão na universidade, mas nos níveis fundamental e médio. Países emergentes bem-sucedidos na redução de desigualdades deram atenção prioritária a esse problema. O resto é demagogia.

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2012

às 6:53

SUPREMO RETOMA HOJE JULGAMENTO SOBRE COTAS RACIAIS. NÓS, OS ANTIRRACISTAS, TEMOS O DEVER DE COMBATER A RACIALIZAÇÃO DO BRASIL

O Supremo Tribunal Federal deve retomar hoje o julgamento sobre as cotas raciais nas universidades públicas. Eis mais um tema que desperta paixões e que se abre a todo tipo de feitiçaria interpretativa da Constituição. Não há juízo neste mundo, NÃO À LUZ DA CONSTITUIÇÃO AO MENOS, que consiga dar sentido alternativo ao que vai no caput do Artigo 5º da Constituição, uma cláusula pétrea:
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (…)”

Causa finita est. Ou deveria ser ao menos. “Todos” quer dizer “todos” — brancos, mestiços, pretos, amarelos, vermelhos…  Se as circunstâncias, em razão de uma gama enorme de fatores, torna desiguais os homens, desiguais eles são na vida social. E a política existe justamente para que se organizem e busquem viver na prática essa igualdade. Não será DESIGUALANDO-OS DIANTE DA LEI E JOGANDO FORA A CONSTITUIÇÃO que se vai produzir igualdade. O resto é o que chamo feitiçaria interpretativa. Em 2008, o ministro Ayres Britto, agora presidente do tribunal, fez uma afirmação de apelo supostamente poético, que seria endossada por qualquer representante de modelos totalitários do século 20, a saber:
“A verdadeira igualdade consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais”.

Não! Essa é só a verdadeira desigualdade. O jogo de palavras esconde um conceito terrível: alguns homens estão — os considerados, em princípio, “desiguais” — acima ou fora das leis. Repete, assim, na prática, o primado daquela tal Associação Juízes para a Democracia. O que precisa ser melhorado no Brasil é a escola pública. Ainda que fosse verdade — existem a respeito mais mistificações do que dados — que o regime de cotas amplia o número de negros nas universidades, isso não poderia se dar suprimindo direitos de terceiros, tenham que cor tiverem. Há três ações no Supremo. Uma delas destroça o aspecto supostamente virtuoso da frase da Britto. Explico.

O estudante Giovane Pasqualito Fialho, branco, foi reprovado num vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, embora tenha tido nota superior à de alunos que ingressaram pelo regime de cotas. A frase do ministro Britto, que pretende chamar de “desiguais” os negros, sugerindo que a “desigualdade” de tratamento é necessária para torná-los, então, iguais, ignora que uma outra desigualdade perante a lei se produziu: gente como Fialho teve seu direito suprimido. Entender que um negro ou mestiço tem direito especial a uma vaga, mesmo com nota inferior ao candidato em questão, faz de Fialho, que é branco, o responsável por uma desigualdade que não foi produzida nem por ele nem pelo vestibular da UFRGS, certo? Por que Fialho deveria pagar pessoalmente por isso? Porque é branco? Isso é democracia racial, ministro Britto?

Só há uma resposta para isso, a saber: o bem geral que a lei de cotas produziria, infelizmente, faria mesmo algumas injustiças pontuais no meio do caminho. É outro mimo do pensamento totalitário: alguns terão de pagar pela grandeza e pelo triunfo de algumas ideias,  ainda que com seus direitos individuais. Não há como respeitar a Constituição e aceitar as cotas raciais ao mesmo tempo.

Lembram-se do casamento gay
Embora a Constituição seja explícita AO ESPECIFICAR que união civil é aquela celebrada entre homem e mulher — e, salvo engano, homem é homem, e mulher e mulher, pouco importando a destinação que deem àquilo que Britto chamou o “seu regalo” —, o que fez o Supremo (e por unanimidade)? Apelou ao Artigo 5º da Constituição e determinou que o fundamento da igualdade obrigava a reconhecer a união civil também entre homossexuais. E o próprio Britto foi entusiasta dessa tese.

Muito bem! Mesmo contra a letra explícita de um artigo, apela-se ao fundamento geral da igualdade para aceitar a união civil homossexual. Na hora de decidir sobre as cotas, o que é igualdade no artigo 5º deve ser entendido como “tratar desigualdade os desiguais”? Vale para um caso (mesmo contra a literalidade de um artigo), mas não vale para outro? Muito bem: no argumento de Britto, recorre-se ao tratamento desigual diante da lei para tornar, então, nas suas palavras, os negros iguais aos brancos. Ocorre que esse raciocínio tem uma sobra lógica: os brancos preteridos, embora com nota maior, são, então, iguais a quem ou quê? Ainda que todo branco fosse herdeiro dos escravocratas — inclusive os descendentes de imigrantes que vieram de lascar nas lavouras de café ou na nascente indústria brasileira, enfrentando uma vida maldita de privações —, deveriam pagar as, vá lá, faltas de seus ancestrais? Que diabo de conceito jurídico é esse?

Manifesto antirracialista
Em abril de 2008, 113 pessoas enviaram um manifesto aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Sou um dos signatários. O título é este: “Cento e treze cidadãos antirracistas contra as leis raciais”. Abaixo, transcrevo alguns trechos. A íntegra está
aqui. Que fique claro: não tenho a menor esperança de que se vá fazer a coisa certa. Essa é uma das questões que integram o rol das ações politicamente corretas. Ter a ousadia de debatê-la já arma espíritos. É a “democracia” segundo o entendimento de alguns… Bem, não será assim aqui, como vocês sabem muito bem. Seguem trechos do manifesto.

(…)
Nós, intelectuais da sociedade civil, sindicalistas, empresários e ativistas dos movimentos negros e outros movimentos sociais, dirigimo-nos respeitosamente aos Juízes da corte mais alta, que recebeu do povo constituinte a prerrogativa de guardiã da Constituição, para oferecer argumentos contrários à admissão de cotas raciais na ordem política e jurídica da República.

Na seara do que Vossas Excelências dominam, apontamos a Constituição Federal, no seu Artigo 19, que estabelece: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. O Artigo 208 dispõe que: “O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”.
(…)
Apresentadas como maneira de reduzir as desigualdades sociais, as cotas raciais não contribuem para isso, ocultam uma realidade trágica e desviam as atenções dos desafios imensos e das urgências, sociais e educacionais, com os quais se defronta a nação. E, contudo, mesmo no universo menor dos jovens que têm a oportunidade de almejar o ensino superior de qualidade, as cotas raciais não promovem a igualdade, mas apenas acentuam desigualdades prévias ou produzem novas desigualdades:

- As cotas raciais exclusivas, como aplicadas, entre outras, na Universidade de Brasília (UnB), proporcionam a um candidato definido como “negro” a oportunidade de ingresso por menor número de pontos que um candidato definido como “branco”, mesmo se o primeiro provém de família de alta renda e cursou colégios particulares de excelência e o segundo provém de família de baixa renda e cursou escolas públicas arruinadas. No fim, o sistema concede um privilégio para candidatos de classe média arbitrariamente classificados como “negros”.

- As cotas raciais embutidas no interior de cotas para candidatos de escolas públicas, como aplicadas, entre outras, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), separam os alunos proveniente de famílias com faixas de renda semelhantes em dois grupos “raciais” polares, gerando uma desigualdade “natural” num meio caracterizado pela igualdade social. O seu resultado previsível é oferecer privilégios para candidatos definidos arbitrariamente como “negros” que cursaram escolas públicas de melhor qualidade, em detrimento de seus colegas definidos como “brancos” e de todos os alunos de escolas públicas de pior qualidade.
(…)
Raças humanas não existem. A genética comprovou que as diferenças icônicas das chamadas “raças” humanas são características físicas superficiais, que dependem de parcela ínfima dos 25 mil genes estimados do genoma humano. A cor da pele, uma adaptação evolutiva aos níveis de radiação ultravioleta vigentes em diferentes áreas do mundo, é expressa em menos de 10 genes! Nas palavras do geneticista Sérgio Pena: “O fato assim cientificamente comprovado da inexistência das ‘raças’ deve ser absorvido pela sociedade e incorporado às suas convicções e atitudes morais Uma postura coerente e desejável seria a construção de uma sociedade desracializada, na qual a singularidade do indivíduo seja valorizada e celebrada. Temos de assimilar a noção de que a única divisão biologicamente coerente da espécie humana é em bilhões de indivíduos, e não em um punhado de ‘raças’.” (“Receita para uma humanidade desracializada”, Ciência Hoje Online, setembro de 2006).

Não foi a existência de raças que gerou o racismo, mas o racismo que fabricou a crença em raças. O “racismo científico” do século XIX acompanhou a expansão imperial europeia na África e na Ásia, erguendo um pilar “científico” de sustentação da ideologia da “missão civilizatória” dos europeus, que foi expressa celebremente como o “fardo do homem branco”.
(…)
A meta nacional deveria ser proporcionar a todos um ensino básico de qualidade e oportunidades verdadeiras de acesso à universidade. Mas há iniciativas a serem adotadas, imediatamente, em favor de jovens de baixa renda de todas as cores que chegam aos umbrais do ensino superior, como a oferta de cursos preparatórios gratuitos e a eliminação das taxas de inscrição nos exames vestibulares das universidades públicas. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Programa de Cursinhos Pré-Vestibulares Gratuitos, destinado a alunos egressos de escolas públicas, atendeu em 2007 a 3.714 jovens, dos quais 1.050 foram aprovados em concursos vestibulares, sendo 707 em universidades públicas. Medidas como essa, que não distinguem os indivíduos segundo critérios raciais abomináveis, têm endereço social certo e contribuem efetivamente para a amenização das desigualdades.
(…)
A propaganda cerrada em favor das cotas raciais assegura-nos que os estudantes universitários cotistas exibem desempenho similar ao dos demais. Os dados concernentes ao tema são esparsos, contraditórios e pouco confiáveis. Mas isso é essencialmente irrelevante, pois a crítica informada dos sistemas de cotas nunca afirmou que estudantes cotistas seriam incapazes de acompanhar os cursos superiores ou que sua presença provocaria queda na qualidade das universidades. As cotas raciais não são um distúrbio no ensino superior, mas a face mais visível de uma racialização oficial das relações sociais que ameaça a coesão nacional.

A crença na raça é o artigo de fé do racismo. A fabricação de “raças oficiais” e a distribuição seletiva de privilégios segundo rótulos de raça inocula na circulação sanguínea da sociedade o veneno do racismo, com seu cortejo de rancores e ódios. No Brasil, representaria uma revisão radical de nossa identidade nacional e a renúncia à utopia possível da universalização da cidadania efetiva.
*

Eis alguns dos 113 signatários da carta:

Aguinaldo Silva, Alba Zaluar, Antonio Cícero, Bolivar Lamounier, Caetano Veloso, Demétrio Magnoli, Edmar Lisboa Bacha, Eduardo Giannetti, Eduardo Pizarro Carnelós, Eunice Durham, Ferreira Gullar, Gerald Thomas, Gilberto Velho, João Ubaldo Ribeiro, José Augusto Guilhon Albuquerque, José de Souza Martins, Lourdes Sola, Luciana Villas-Boas, Lya Luft, Maria Sylvia Carvalho Franco, Nelson Motta, Reinaldo Azevedo, Roberto Romano da Silva, Ruth Correa Leite Cardoso, Wanderley Guilherme dos Santos e Yvonne Maggie.

Por Reinaldo Azevedo

05/04/2012

às 22:47

ULTRAPASSANDO O LIMITE DO RIDÍCULO – O Conselho Estadual dos Direitos do Negro, agora, está empenhado em combater a discriminação racial na venda de bonecas. E, vejam só!, acabará punindo o consumidor negro!!!

Chegará o dia em que o mais prudente será ficar trancado em casa. Meter o nariz fora da porta será um risco imenso. Você pode esbarrar em algum amigo da humanidade pronto a mandá-lo para a cadeia. Um leitor me enviou um reportagem que eu não havia lido, publicada no Globo Online. Li. E me pergunto se não é uma pegadinha de 1º de abril, só que publicada no dia 3. Leiam. Volto em seguida.

Conselho vai investigar caso de bonecas em feira
O Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine) enviará três representantes à Feira Hippie de Ipanema, no domingo, para checar a diferença de preço entre bonecas de pano negras e brancas. Como noticiou na terça-feira Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, uma barraca cobra R$ 85 pelas brancas e R$ 65 pelas negras, embora as duas sejam praticamente iguais.

Presidente da entidade, Paulo Roberto dos Santos disse que os conselheiros tentarão conseguir com a dona da barraca uma explicação para a diferença de preços. Se os argumentos não forem convincentes, e se a proprietária se recusar a rever os valores, o conselho poderá encaminhar ao Ministério Público uma denúncia de discriminação: “Nós resolvemos que, antes de qualquer atitude, vamos lá no domingo ver de perto essa situação, se tem a ver com algum preconceito. E vamos, primeiramente, convencer a pessoa a tratar com isonomia, com igualdade (brancas e negras). Se ela se recusar, vamos fazer uma denúncia formal ao Ministério Público e procurar a Defensoria Pública”, disse Paulo.

A decisão de ir à feira foi tomada em reunião do Cedine, à qual estiveram presentes representantes do Conselho de Entidades Negras do Interior do Estado do Rio e da Associação das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio.

Voltei
Sim, eu sei qual é a suposição: se a boneca negra é mais barata, isso poderia traduzir um preconceito da vendedora. Mas esperem. Nem a suposta discriminação racial conseguiria anular uma evidência da lei de mercado, não é? Um produto similar ao outro, só que mais barato, pode ser mais atraente ao bolso, ora essa! E isso, afinal, concorre, por óbvio, para facilitar a venda. Logo, não sendo abolida a lei de mercado pelas suposições racialistas, a vendedora em questão poderia estar concorrendo para diminuir a discriminação racial — tanto quanto se possa aplicar esse conceito às… bonecas!
Mas eu pretendo contribuir com o rigor absoluto com essa importante causa do tal conselho. Segundo os dados de 2010 do IBGE, é esta a distribuição dos brasileiros segundo a cor da pele.

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A boneca tem a cor preta. Logo, em princípio, seria de interesse precípuo da parcela negra da população brasileira, que compõe 7,61% dos brasileiros. Os 43,13% dos mestiços, parece, mereceriam uma boneca também — que, segundo entendi, nem está à venda, né? Seria o caso de apontar “preconceito”?

Qualquer um desses especialistas em combate ao racismo diriam que as crianças negras devem ter o direito de comprar bonecas negras, nas quais possam se reconhecer. Francamente, acho isso uma besteira porque significa analisar o mundo da fantasia segundo critérios do mundo real. O procedimento destrói o universo das fábulas, dos desenhos animados e da HQ, não é? Nessa esfera, patos falam, cordeiros filosofam, lobos são tristemente cínicos, e Bob Esponja faz fogueira no fundo do mar… Mas os tais especialistas dizem que meninas negras devem ter bonecas negras. Então tá.

Suponho que as brancas, então, fiquem com as brancas. Dada a cor da pele do brasileiro, é forçoso inferir que a demanda por bonecas negras seja menor do que a demanda por bonecas brancas. Isso pode ter um efeito perverso ou benéfico para o comprador. O perverso: como a saída do produto é pequena, manter a opção em estoque custa dinheiro, o que eleva o preço final. O benéfico: para incentivar a venda, baixa-se o preço.

Venham cá, senhores conselheiros: se a dona da banca vender as duas versões da boneca por R$ 85, os potenciais compradores da boneca negra sairão ganhando? Apelando de novo ao IBGE, constata-se que a renda dos negros, na média, é inferior à dos brancos. Assim, em nome do combate à discriminação racial, torna-se a boneca negra um produto mais caro!!!

“Ah, Reinaldo, tem é de baixar o preço das bonecas brancas!” Entendi! Em nome do combate à discriminação racial, o Brasil tem agora de tabelar… as bonecas! Vamos criar o CIPB: Conselho Interministerial de Preços… das bonecas!!!

E agora o ridículo final
Vejam que coisa: se a tal vendedora da feira hippie não tivesse a boneca negra como opção, a questão simplesmente não existiria. Ou será preciso criar agora o CPGDVB (Comissariado do Povo para a Garantia da Diversidade da Venda de Bonecas)?

A verdade nua e crua é esta: o conselho gasta o dinheiro de brancos, mestiços e negros com uma questão ridícula.

Havendo alguma falha lógica na minha argumentação, terei todo o prazer em me retratar.

CORREÇÃO – Eu atualizei o texto às 2h27 desta sexta. Havia dirigido a minha crítica ao Ministério Público, que ainda não se manifestou. A bobagem é do Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine).

Por Reinaldo Azevedo

26/03/2012

às 7:47

Racismo – Site do PSTU prega a destruição do Estado de Israel em benefício da humanidade e diz que judeus colaboraram com o nazismo. Tem de ser posto na ilegalidade já!

pagina-do-pstu-israel

Dois delinquentes foram presos por manter um site que prega, abertamente, a violência contra negros, gays, mulheres, meninas, judeus, cristãos, esquerdistas etc. Trata-se de uma festival de horrores e boçalidades. É evidente que a liberdade de expressão não é um direito absoluto, que se sobreponha a qualquer outro valor. Desde sempre, é preciso não cair na armadilha do paradoxo: a liberdade de expressão, um dos pilares do estado de democrático e de direito, deve suportar uma pregação contra a própria liberdade de expressão e o estado democrático e de direito? Eu entendo que não. O debate é longo. Se dois meliantes merecem estar na cadeia, e acho que merecem, por terem escrito o que escreveram, que punição cabe a um PARTIDO POLÍTICO que prega abertamente a extinção de um país? É o que faz o PSTU.

No site no partido, um estupefaciente artigo assinado por um certo Fábio José C. de Queiroz, colaborador habitual da página, não deixa a menor dúvida: Israel tem de ser destruído. E ela deixa bem claro: não está entre aqueles que defendem a existência dos dois estados, não! O valente chama da “capitulação” o fato de a antiga OLP (Organização para a Libertação da Palestina) ter aceitado a existência do “estado judeu”. Queiroz está com Ahmadinejad, com o Hamas e com o Hezbollah. Nota: ele integra a direção estadual do PSTU no Ceará.

Já fiz um PDF da página. É uma vergonha que um texto como aquele esteja no ar. Se, a partir de agora, o Ministério Público nada fizer, se a Polícia Federal deixar por isso mesmo, se os demais partidos não reagirem, estarão sendo cúmplice de uma violação da Constituição, da Lei dos Partidos (9.096/95) e da lei que pune o racismo.

Estabelece o Artigo 4º da Constituição:
A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I – independência nacional;
II – prevalência dos direitos humanos;
III – autodeterminação dos povos;
IV – não-intervenção;
V – igualdade entre os Estados;
VI – defesa da paz;
VII – solução pacífica dos conflitos;
VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo.

 

No Artigo 5º, encontramos com todas as letras:
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

Nos artigos 1º e 20 da Lei 7.716, a do racismo, lemos:
“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”
“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.

Se isso tudo lhes parecer pouco, temos a Lei 9096, dos Partidos Políticos, cujos dois primeiros artigos são claros a mais não poder:
Art. 1º O partido político, pessoa jurídica de direito privado, destina-se a assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema representativo e a defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal.
Art. 2º É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos cujos programas respeitem a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana.

Pregar a destruição de um país viola, pois, como é óbvio, também essa lei. Eis o PSTU, composto de notáveis defensores da liberdade, que saem por aí acusando de “fascistas” quem simplesmente ousa divergir de seus postulados. Vocês sabem: quando esquerdistas querem varrer nações do mapa, eles têm bons motivos… E isso, claro!, não tem nada a ver com preconceito!!! O tal texto foi publicado em 5 de fevereiro de 2009. A data não muda seu conteúdo. ATENÇÃO! É MENTIRA QUE ESSA SEJA A POSIÇÃO DO MILITANTE, NÃO DO PARTIDO. O TEXTO O PROVA, DE MODO INEQUÍVOCO:

“Fechou-se um ciclo, mas não o processo de enfrentamento dos palestinos contra o Estado sionista, racista e terrorista de Israel. O PSTU se orgulha de se posicionar frontalmente pela destruição de um Estado gendarme cuja vocação histórica tem sido a de servir aos interesses imperialistas (…)”

Será que o PSTU estaria disposto a dar ao menos uma chance a Israel? Não! Leiam:
Assim como não havia meio termo no embate frente ao nazi-fascismo, não há possibilidade de posição contemporizadora no que toca esse problema que não é do Oriente Médio, mas diz respeito a toda humanidade.”

Você entenderam direito: o PSTU quer destruir Israel em benefício da humanidade!

Seria o partido apenas crítico do governo de Israel, mas defensor da existência do país,  vá lá, em outros moldes?  Não! Trata-se de  ”um estado que surgiu expelindo sangue e lama por todos os poros”. O articulista deixa claro por que advoga a solução final. Israel corresponderia à “formação de uma máquina estatal artificial, militarista e confessadamente racista.” Assim, “imaginar que é possível solucionar a grave questão palestina ignorando esse aspecto essencial é atirar às calendas gregas uma real solução para um drama que se arrasta deixando finíssimas partículas de sangue coaguladas pelo chão.”

E qual é a real solução? A destruição de um Estado gendarme”. O PSTU não quer que se tenha a menor dúvida sobre o seu pensamento: “Nunca é demasiado lembrar: os sionistas que estiveram na base do banho de sangue com que se adubou a terra roubada dos palestinos não são os herdeiros das vítimas dos fornos crematórios nazistas, mas, inversamente, não deixaram de colaborar com os carrascos hitleristas, como enfatizou Schoenman (vide A história oculta do sionismo).”

O texto se refere ao americano de origem judaica Ralph Schoenman, militante de esquerda e crítico severo do estado de Israel. Esta é uma das flores do anti-semitismo: usar palavras de um judeu contra todos os judeus. Canalhice intelectual implícita: “Por que um judeu mentiria ao criticar Israel?” Pressuposto: um judeu só mentiria quando defende o país!. É asqueroso! Em tempo: Schoenman, no máximo, pede o fim da ajuda internacional a Israel, não a sua destruição.

O partido não poupa Yasser Arafat ou Mohamed Abbas. Eles teriam capitulado!!! Leiam:
“A esquerda majoritária está frente uma encruzilhada: ou supera as suas cartas programáticas ou ignora a realidade. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) surgiu sem reconhecer o Estado de Israel. No seu ato de criação, a OLP adotou uma Carta em que proclamava a luta armada contra o Estado judaico, não reconhecido por Arafat e seus correligionários. A capitulação dos anos 1990 marcou a crise da direção histórica dos palestinos, especialmente de Yasser Arafat. À época, [Edward] Said se manifestou profeticamente: “A dificuldade adicional é que todos os seus possíveis sucessores são figuras menores, que provavelmente tornarão as coisas piores”. Sem dúvida, o papel nefasto e cúmplice cumprido por Mahmoud Abbas, líder do Fatah, herdeiro político de Arafat, ratifica o prognóstico do intelectual palestino.”

Caminhando para a conclusão, há a exortação inequívoca:
“Assim, para a pergunta ‘o que fazer com o Estado colonial sionista’, só há uma resposta: a sua destruição. Os atalhos apenas nos levam a um ponto mais longínquo de uma sociedade definitivamente pós-sionista, portanto, laica, democrática e não-racista.

Por alguma razão, intuo que esses bravos nem contam com a possibilidade de que Israel possa se defender, né?

Entenderam? Prega-se ali um não-racismo sem judeus! É o que quer o PSTU. Parece que o tal Mohammed Merah, na França, queria a mesma coisa.

 O autor e a direção do partido ainda estão soltos. Por quê?

Por Reinaldo Azevedo
 

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