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PT

09/02/2012

às 18:27

PT trata os potenciais aliados Kassab e Fruet como “cães tolerados pela gerência”. Ou: Aqui está a razão de o Brasil ser um país rico com um povo ainda muito pobre

Vejam o post abaixo, em que petistas batem a cabeça por causa da eventual aliança com Gilberto Kassab, do PSD. Ali vai resumida uma boa parte dos desacertos do Brasil. A senadora Marta Suplicy (PT-SP) era o que se pode chamar de “candidata natural” do PT ao cargo. O que é um “candidato natural”? É aquele que representa a vontade da maioria do partido na esfera da disputa (nacional, estadual ou federal), que tem uma aceitação ao menos razoável do eleitorado (era o caso) e que tem experiência para o cargo (e Marta tem, o que não quer dizer gostar de suas opções). Minha simpatia por ela é negativa, abaixo de zero. Mas era a candidata natural. Ponto. Veio Lula e deu o dedaço: “Será Haddad”. Como o nome da “democracia interna” do PT é Lula, o candidato é o ex-ministro da Educação.

Os petistas, vocês sabem, são treinados para infernizar a vida dos adversários e para sabotar mesmo a sua administração. Mas também têm experiência em engolir brasa. Marta engoliu mais ou menos. Há dias, escreveu um artigo na Folha, um pouco em martês, um pouco em psicologês, sobre o ressentimento e a necessidade de superá-lo… Entendi. Ela ainda não superou.

Os petistas plantaram na imprensa que ela ainda não entrou na campanha, uma forma de tornar público o descontentamento com a sua atuação. Depois de esmagada por Lula, que foi lhe minando os apoios, querem-na agora disciplinada, fazendo campanha para aquele que tentou roubar dela até os CEUs — Haddad anda sugerindo que foi ele quem viabilizou a idéia. Até quando petista bate a carteira de petista trata-se de bateção de carteira, né? Eles não têm limites, todos sabem.

Muito bem! Uma ala considerável da direção do PT, a começar de Lula, quer a aliança com Gilberto Kassab. Todos os envolvidos nessa conversa devem saber por quê. Marta, pelo visto, considera difícil a composição. Compreendem-se com clareza os motivos objetivos: na esfera municipal, foram ela e sua turma que comandaram a operação de desgaste da gestão Kassab. Como justificar a aliança? Terão de subir no mesmo palanque, não? Atenção! Eu estou entre aqueles que acham a gestão de Kassab muito melhor do que a opinião que se consolidou a respeito dela, mas eu não sou petista, certo?

À sua maneira, nesse imbróglio, certamente discordando da opinião que Marta tem da administração de Kassab, ela me parece aquela que conserva ainda alguma coerência. Considero a aproximação de Kassab com o PT uma mudança de rumo, de lado ou o que quiserem. Não foi o eleitorado petista que lhe deu o mandato da maior cidade do país. Ao contrário: este o queria longe da Prefeitura. E os petistas lhe deram combate duro ao longo de seis anos.

Vejam o que diz o Jilmar Tatto, ex-secretário de Marta e novo líder da Câmara, agora discordando da antiga chefe:
“Se o Kassab fizer uma autocrítica, não vejo problema na aliança. Acho um pressuposto muito ruim a idéia de recusar apoio”.
ENTENDERAM? SEGUNDO TATTO, OS PETISTAS NÃO PRECISAM EXPLICAR A ALIANÇA COM KASSAB. É KASSAB QUEM TEM DE PEDIR DESCULPAS POR SEU PASSADO, CONFESSAR QUE ANDOU ERRADO, QUE ESTAVA NO MAU CAMINHO E QUE AGORA DESCOBRIU A VEREDA DA VIRTUDE. Segundo Tatto, Kassab pode se juntar àquela gente boa do PT desde que renegue a sua história. Aí, então, ele passa a ser defendido pelo partido. Que tal este texto: “Serra nunca foi meu pastor. Meu pastor é Lula!”
 Não foi, então, assim que o petismo passou a abraçar notórios inimigos? Já postei aqui dois vídeos com dois Lulas: um em que o Apedeuta trata Roseana Sarney e seu pai aos pontapés e outro em que a cobre de elogios, transformando-a em heroína.

Para os petistas, em suma, o único defeito que um político pode ter é não se subordinar ao petismo. Não é por acaso que Lula seja aliado hoje de Fernando Collor e do próprio Sarney, mas continue a hostilizar FHC. Certamente não é o critério moral que conta, certo?

Caso a aliança saia mesmo, não vejo a hora de ouvir Kassab fazendo seu ato de contrição e seu batismo de fogo, sendo considerado, então, um neoconvertido. Vamos ver as más companhias do passado que ele terá de conjurar e com quem estará de braços dados. O ato poderia ocorrer naquela região de São Paulo chamada Tattolândia. Ou naquele terreno que vai abrigar o “Memorial da Democracia”…

Finalmente, Fruet
A indignidade petista é de tal sorte que o deputado André Vargas (PT-PR) defendeu assim, para a banda paulistana do partido, a união do seu partido com o atual prefeito:
“É isso mesmo. Em Curitiba, nós fazemos aliança com Fruet e, em São Paulo, vocês aceitam Kassab”.
Vamos ver se deixo claro por que é um procedimento nojento. Fruet é um ex-tucano. Desentendeu-se com o grupo do governador Beto Richa e deixou o partido, migrando para PDT, que pertence à base do governo. Disputará a Prefeitura de Curitiba com o apoio petista. O que Vargas quer dizer é o seguinte:
“Eu sei que vocês, petistas paulistanos, desprezam Kassab; nós também desprezamos Fruet. Mas, assim como vamos apoiá-lo aqui, aceitem o apoio do outro lá. Afinal, o nosso único interesse é derrotar tucanos. E, para isso, vale tudo”.

Atenção! Eu não acho que a aliança de Kassab ou Fruet com o PT conspurque a moralidade petista porque penso que aliança nenhuma seria capaz de fazê-lo. Se alguém pode ter a honra manchada aí, certamente não serão os petistas, se é que me entendem…

Ocorre que os próprios petistas tratam os possíveis aliados como uma gente nojenta, que se tolera por questões meramente táticas, cuja presença incomoda, ainda que possa ser eventualmente necessária. Se curitibano, eu jamais votaria em Fruet, mesmo não tendo, até agora, nada contra ele. Ao contrário: sempre me pareceu um parlamentar correto. Se vai se juntar com petistas, bem, isso significa admitir um método — método que rejeito absolutamente. Se ele e Kassab não se importam em ser tratados pelos petistas como “cães tolerados pela gerência”, para usar uma imagem de Fernando Pessoa, não serei eu a me importar por eles; que se virem com sua própria reputação.

Logo, não escrevo este texto para que ambos mudem idéia. Sigam firmes no seu propósito, e que o eleitorado lhes seja leve. Eu escrevo este texto para evidenciar que esse tipo de procedimento, de todos os envolvidos nessa mistura, é o melhor retrato dos desacertos do Brasil. Isso explica em boa parte por que, com efeito, temos um país rico com um povo ainda muito pobre.

Eis a política vivendo o seu estado de miséria.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 6:33

Extrema esquerda é boca de aluguel do petismo; com um sindicato aqui, outro acolá e a verba do fundo partidário, seus dirigentes vivem uma confortável vida burguesa

Partidecos de extrema esquerda como PSTU, PCO, PSOL e bichos ainda mais exóticos — especialmente no meio universitário —, gostam de posar de independentes. Alguns deles têm a ousadia verdadeiramente revolucionária de chamar Dilma Rousseff de “direitista e neoliberal”. Em seus blogs e sites, distribuem pernadas a três por quatro. Alguns chegam a jurar que não vêem diferença entre o PSDB e o PT, ambos empenhados apenas em garantir a remuneração do capital, em detrimento dos trabalhadores que esses esquisitos supostamente representam. Os ditos trabalhadores, evidentemente, nem sabem que eles existem. Mas não nos enganemos: na prática, essa gente é boca de aluguel do petismo e, indiretamente, é financiada pela nave-mãe, de onde todos surgiram — ou, ao menos, por onde todos passaram.

O PSTU, na origem, era uma corrente que ajudou a criar o PT: a Convergência Socialista. Conheço bem porque fui um “convergente” quando criança. Vocês sabem: como dizia o apóstolo Paulo, “quando eu era menino, sentia como menino, falava como menino, discorria como menino…” Mas cresci. Se há velhos falando como meninos no que respeita à ideologia, ou são idiotas ou são pilantras. A CS se integrou ao partido e depois foi expulsa. O mesmo aconteceu com o PCO. Já o PSOL foi uma derivação heloíso-helêno-teratológica do partido, um ajuntamento esquisito que tinha um pé no marxismo e outro no cristianismo. Nem Heloísa Helena agüentou e deixou a legenda. Aí o partido decidiu ficar com os quatro pés no marxismo rudimentar mesmo.

Aqui e ali, esses partidos compram briguinhas com os petistas pelo controle de alguns sindicatos, de centros acadêmicos e coisa e tal. Se duvidar, disputam velório, festa de aniversário e baile de debutantes. Só o PSOL consegue alguma expressão parlamentar, mesmo assim ridícula. Mas ajudam a criar um clima favorável ao petismo — no fim das contas, é para onde todos convergem.

O PCO, por exemplo, tem o controle de uma parte do movimento sindical nos Correios. É quem estava por trás da greve que criou contratempos por uns dias para milhões de brasileiros e é hoje um dos grupelhos mais radicais da USP. O PSTU tem a sua própria central sindical — inexpressiva — e, pasmem!, até uma “UNE” alternativa, na qual a Arielli (aquela, sabem?, do close buco-ideológico) é manda-chuva. Para eles, hoje, o PT também é burguês — ou quase isso.

Lula é de uma estupenda ignorância, mas de uma rara inteligência. Já declarou mais de uma vez que esses grupos de extrema esquerda e os movimentos sociais mais radicais são importantes para que o PT lembre sempre de sua origem, para que o partido nunca perca de vista o seu horizonte utópico (socialista, claro…).

Os petistas não estiveram na linha de frente da baderna na USP, por exemplo. Nos seus fóruns de alunos e professores — tive a chance de ler algumas trocas de mensagens, que me foram enviadas —, deixavam claríssimo que os extremistas cumpriam um “importante papel para desmoralizar Rodas e o governo Alckmin”, como sintetizou um deles. E sem que eles próprios precisassem aparecer promovendo o quebra-quebra. O mesmo vale agora para o Pinheirinho.

Quem armou a confusão, impediu uma solução pacífica, criou até a sua própria tropa-de-choque? O PSTU! O PT ficou à beira do lago esperando as vítimas, como os crocodilos espreitando os gnus, naquele filme já clássico… Criado o confronto, então entraram em campo, com ordem unida, Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, Maria do Rosário, José Eduardo Cardozo… Todos para demonizar a Justiça, o governo de São Paulo e a Polícia Militar.

O PT botou pra fora essas tendências todas porque elas se negavam a obedecer às ordens do comando. São mais úteis fora da nave-mãe. Para todos os efeitos, os petistas hoje não promovem confrontos no Pinheirinho ou na USP. Os extremistas fazem isso por eles, que entram só na hora de colher dividendos.

Com um sindicato aqui, outro acolá mais a verba do fundo partidário, esses grande revolucionários fazem o trabalho sujo para o PT e podem garantir a seus próprios dirigentes uma confortável vida burguesa. A burguesia do capital e, se possível, do sangue alheios.

Por Reinaldo Azevedo

04/02/2012

às 5:45

Matarazzo, o retuíte, o ridículo e os hipócritas

Eu não fui propriamente petista - embora tenha sido, sim, filiado ao partido. Pertencia, como já contei, a uma corrente de esquerda e coisa e tal. Bem, uma das coisas que me fizeram mudar foi a sensação de vergonha mesmo, coisa que já percebia rara por lá no começo da década de 80.

Ontem, todos vocês viram, a conta no Twitter da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo retuitou uma mensagem em apoio a Andrea Matarazzo, pré-candidato tucano à Prefeitura - sim, eu gostaria muito de poder votar nele. É um homem competente e decente. Ponto! Matarazzo, obviamente, não autorizou o procedimento - e já digo por que escrevo “obviamente” - e fez o certo: chamou a Polícia para apurar responsabilidades, já que não é fácil saber quem usou a conta.

Ora, se alguém fez o que fez para “ajudá-lo, é um idiota - e a secretaria não é um bom lugar para trabalhar… Mas eu aposto em algo como sabotagem. Afinal, não havia como aquilo ser bom para ele. Os motivos? Estes que estamos vendo: a acusação de uso da estrutura da secretaria e coisa tal.  O evento, convenham, é quase bobinho. Não para o PT!

Só para que vocês percebam como o partido está babando, com sangue nos olhos para criar fatos em São Paulo, a bancada federal petista teve o desplante de emitir uma nota sobre este gravíssimo retuíte!!! Protocolou no Ministério Público Eleitoral um pedido de investigação de uso da máquina em favor de Matarazzo e ainda emitiu uma nota oficial em que se lê esta maravilha:
“Trata-se de grave irregularidade que requer a abertura de investigação judicial para apurar uso indevido, desvio ou abuso de poder econômico e de autoridade do secretário”.

Huuummm…

- A Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, a Secretaria-Geral da Presidência, o Ministério da Justiça e, ora vejam!, a própria Presidência da República se articulam hoje para atacar o governo de São Paulo. Mas um retuíte é algo sério demais para ser tolerado.
- A página da Presidência da República traz duas notas virulentas contra o governo de São Paulo e a Polícia Militar, assinadas pelo tal Conselho da Juventude. Mas um retuíte é coisa seria demais para ser tolerada.
- O site da revista de história da Biblioteca Nacional publica delinqüências contra o PSDB e um de seus líderes. Mas um retuíte e coisa séria demais para ser tolerada.
- A Agência Brasil entrevista um certo advogado que denuncia a falsa existência de corpos no Pinheirinho; a notícia se espalha. Era tudo mentira! Mas um retuíte é coisa séria demais para ser tolerada.
- A mesma Agência Brasil, dando seqüência ao proselitismo, explica por que reintegrações de posse feitas por um governo petista são diferentes (e mais sensatas, claro!) da que a feita pelo governo tucano, POR ORDEM DA JUSTIÇA. Mas um retuíte é coisa séria demais para ser tolerada.

Tenham a santa paciência! O que Matarazzo ganharia com aquele retuíte? Leva todo o jeito de ser sabotagem - pode, sim, ser decorrência da disputa interna do PSDB. Uma coisa é certa: gente que gosta dele é que não foi. Mas isso é o de menos agora.

Quero chamar a atenção de vocês é para a prontidão do PT. Vejam a rapidez da reação. Já estão em plena campanha: em Brasília, na cracolândia, no Pinheirinho, nos ministérios, na bancada federal, denunciando mortos inexistentes e estupros que não aconteceram.

Como sempre, o lobo está acusando o cordeiro de turvar as águas para justificar a própria delinqüência. Quem não tem moral não tem limites. É a moral dessa história.

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2012

às 22:11

Então vamos ver quem é que faz exploração político-partidária da desgraça…

Um bobalhão me acusa de fazer exploração “político-partidária” da greve de PMs na Bahia. Uma ova! Em primeiro lugar, seria impossível porque não tenho partido. Ou tenho: o da lógica e da coerência. Como, já disse, sou contra greve de policiais em qualquer estado, pouco importa o governo, critico a da Bahia como critiquei a de São Paulo. QUEM TEM DE SE EXPLICAR SÃO OS PETISTAS, QUE NÃO DÃO BOLA NEM PARA AS PESSOAS QUE SÃO CEGADAS PELA POLÍCIA EM ESTADOS GOVERNADOS PELOS COMPANHEIROS.

Eu não uso um critério para o governo com o qual concordo e outro para aquele de que discordo. Sou de uma coerência até aborrecida.

E já que é para falar tudo, vamos lá. Em 2006, o estado de São Paulo foi atingido pela onda criminosa do PCC. Os petistas se solidarizaram com o governo ou com a polícia? Ora… Como estava na cara que Geraldo Alckmin, então governador, seria o candidato do PSDB à Presidência, desceram o sarrafo na gestão paulista. No horário eleitoral, Lula, então presidente, respondendo por um país que mata mais de 50 mil pessoas por ano, meteu a língua na política de segurança pública do Estado. Não gostavam dela, é preciso informar, nem o PT nem o PCC.

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2012

às 19:28

Filiado tucano faz a coisa certa, convoca militantes do partido a defender o governo do Estado, mas imprensa paulistana empresta à coisa ares de escândalo. Tucano só pode apanhar, nunca se defender!

A imprensa paulistana, claro!, trata com certo esgar de escândalo (a que ponto chegamos!) um e-mail enviado por um militante tucano a outros militantes tucanos convidando-os a defender o governo de São Paulo e o governador Geraldo Alckmin.

Onde já se viu? É um absurdo! Como podem os tucanos, agora, começarem a se defender dos ataques da extrema esquerda? Isso não se faz ! Tucano tem de apanhar calado! Os únicos com direito a se manifestar são os “companheiros” e os “camaradas”, ora! Alguém aí acha que e-mail de petista convocando petista seria notícia? Pois bem…

Leiam o que informa Daniela Lima, na Folha Online. Volto em seguida.

Um membro da executiva municipal do PSDB de São Paulo convocou mais de 800 filiados do partido na zona leste da cidade a “defender” o governador Geraldo Alckmin de manifestantes neste sábado, quando ele cumprirá agenda na região. “Vamos todos pra lá, tucanada. Bateu, levou e não tem conversa”, afirma Edson Marques, o tucano que assina o e-mail.  Ele compara Alckmin a Covas. “Foi assim que acabamos com a patifaria contra o Covas em 2000. Nos juntamos, mobilizamos a velha e aguerrida tropa de choque e partimos pro pau”, descreve o militante no e-mail.

A mobilização é uma resposta aos protestos organizados nas últimas duas semanas contra ações do governo no Pinheirinho, em São José dos Campos, na cracolândia e na USP (Universidade de São Paulo).  Segundo Marques, tucanos do Jardim Helena souberam que integrantes do PSTU, PSOL e PT organizavam protesto para a agenda amanhã. “Eles podem protestar, mas não vamos permitir que encostem um dedo no nosso governador. Se o fizerem, terão resposta a alrura”, disse.

O presidente municipal do PSDB, Julio Semeghini, disse que o e-mail enviado por Marques não representa a posição do partido. “É uma manifestação pessoal dele. Somos contra qualquer tipo de incitação à violência. Não queremos esse tipo de coisa”, afirmou.

Voltei
Se o mais “agressivo” da mensagem é o que vai na reportagem da Folha Online, cadê a “incitação à violência”??? “Violência” é o que têm promovido as seitas de extrema esquerda. Violência e mentira!

Até porque, esse negócio de “bater neles na ruas e nas urnas” é divisa de petista, de José Dirceu. Entendo que Semeghini não queira confronto físico. É o certo. Mas deixe que os petistas e as seitas extremistas se encarreguem de censurar a mensagem.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 15:21

Atual diretor da Polícia Civil do DF disse em junho, quando era apenas delegado, que o petista Agnelo deixaria sede do governo num camburão. O camburão para Agnelo ainda não chegou, mas o delegado foi promovido

Na revista desta semana, reportagem de VEJA demonstrou como o PT atuou, de forma meticulosa, para destruir José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal. Não que não merecesse o destino que teve, depois de tudo o que se soube. A questão é outra: quem pune os ladrões do PT? Quem os investiga? Sempre soa eloqüente uma citação de Padre Antônio Vieira, no Sermão do Bom Ladrão. Vai de cabeça (se não for rigorosamente com estas palavras, vocês acham o preciso no Google: “De um chamado Seronato, disse com discreta contraposição Sidônio Apolinar: ‘Seronato está sempre ocupado em suas coisas: em castigar furtos e em os fazer’. Não era zelo de justiça senão inveja: [Sidônio] queria acabar com todos os ladrões do mundo para roubar ele só”.

Reproduzo abaixo uma reportagem do site do Correio Braziliense. O texto trata de um vídeo, GRAVADO EM JUNHO, em que o delegado Onofre Moraes conta a interlocutores ter dito a alguém — não fica claro a quem — que o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, ainda deixaria a sede do governo “num camburão”. Disse isso em junho, certo? EM NOVEMBRO, FOI PROMOVIDO A CHEFE DA POLÍCIA CIVIL DO GOVERNO AGNELO.

Leiam o texto do Correio. Ao fim, há o vídeo, longuíssimo, mas inequívoco. A gravação foi feita e divulgada por Edson Sombra, que atua como “jornalista”. Ele teve papel importante na queda de Arruda.
*
Um vídeo divulgado na noite desta quarta-feira (1º) compromete o diretor-geral da Polícia Civil, Onofre de Moraes. O jornalista Edson Sombra publicou em seu blog imagens gravadas, com data de 16 de junho de 2011, nas quais o delegado faz críticas à situação enfrentada na época pelo governador do DF, Agnelo Queiroz (PT). O petista era alvo de denúncias relacionadas a financiamento de campanha e à gestão dele no Ministério do Esporte. Onofre também critica a então diretora da corporação, Mailine Alvarenga, além de outros políticos.

As cenas foram gravadas por uma câmera oculta na sala da residência do jornalista, na Asa Norte. Também participam da conversa o delegado Mauro Cezar Lima, atual diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), um empresário e uma quinta pessoa. O grupo busca a publicação de reportagem com denúncias contra o governo. No decorrer da conversa, Onofre demonstra buscar suceder Mailine na chefia da Polícia Civil. Para tanto, ele afirma ter conversado com um interlocutor do governo, que ele chama de Cláudio.

Em certo momento, Onofre diz: “Eu liguei para o (incompreensível) hoje e falei: ‘Quando o seu governador estiver saindo de camburão da Polícia Federal’. Aí ele falou: ‘Isso aí eu acho difícil’. Mas eu falei que o Arruda achava impossível e saiu. ‘Quando o seu governador tiver saindo do camburão da Polícia Federal e eu estiver aposentado e vendo, eu só vou falar: pede a diretora para tirar ele (sic)’. Foi o recado que eu mandei. Direto. ‘Não, o que é isso?’ [teria questionado o interlocutor]. ‘Cláudio, eu estou muito velho pra ficar com esse negócio de amanhã, ou depois’”.

O atual diretor-geral também avalia a situação de Agnelo, por conta das denúncias. “Maurinho (Mauro Cézar), você tem de entender o seguinte. Vai um bandido preso lá na DP e diz: ‘Aquele delegado é um corrupto porque me tomou isso e me tomou aquilo’. O juiz, primeiro, não vai acreditar. Aí vem o segundo bandido, o terceiro. Aí o juiz vai dizer: ‘Ele é bandido mesmo’. É o que vai acontecer com o Agnelo. Vem o primeiro processo, Polícia Federal, Ministério Público, pá, um processo, pá, outro, pá, outro. Sabe o fim dele qual é? Renúncia”, afirma Onofre na gravação.

E o diretor-geral prossegue: “Você é um delegado de plantão, mas faz os seus esquemas. Você é pintinho e ninguém vai querer te destruir. Pra quê?. Vira delegado-adjunto, vai fazendo seus negocinhos, ainda é pintinho. Delegado-chefe, já dá uma olhada. Vira diretor. Aí, nego fuça tudo. O problema do Agnelo foi esse. Enquanto ele era um deputado federal e ficava só no periférico, tudo bem. Foi para o Ministério do Esporte, já… Até como ministro ele nem se expôs tanto. Veio esse negócio, e se o Durval morresse, era pior para ele”. O delegado Mauro Cezar completa: “Quando o cara ganha poder fica cego”.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 6:51

O “Memorial da Democracia” de Lula é um acinte aos homens de memória! Ou: Será que eles podem privatizar a democracia e um pedaço de SP?

No dia em que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) decidiu ceder uma área de quatro mil metros quadrados ao Instituto Lula para que o Apedeuta crie o “Memorial da Democracia” — nada menos —, veio a público a informação de que o site da “Revista de História da Biblioteca Nacional” ataca de maneira grotesca o PSDB e um de seus líderes, o ex-governador José Serra, que disputou a eleição com Dilma Rousseff em 2010. O texto dá curso ao trabalho de caluniadores profissionais. A Biblioteca Nacional é vinculada ao Ministério da Cultura. A revista é patrocinada pelo próprio governo e pela Petrobras e traz no expediente os nomes de Dilma e de Ana de Hollanda, a ministra da Cultura. “O artigo é um posicionamento pessoal do repórter e contraria a linha editorial da revista, que não defende posições político-partidárias”, diz o presidente da Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, Jean-Louis de Lacerda Soares, que se desculpou. Entendi. Em nome pessoal, tudo pode… E quem autorizou a publicação? É só um exemplo da forma como o PT usa a máquina púbica para atacar seus adversários. Mas Lula, vejam vocês, vai reunir a história do seu governo no “Memorial da Democracia”. Vai privatizar uma área do centro de São Paulo e a democracia!

Lula terá quatro mil metros quadrados de terreno para erguer o seu memorial, que cantará as suas glórias e as de seu partido em defesa da democracia, mas o PT não viu nenhum problema em mobilizar a Secretaria Nacional de Direitos Humanos para tentar sabotar a operação na cracolândia — o que buscava atingir Kassab também, diga-se. Como não foi bem-sucedido, partiu para a demonização da Polícia Militar porque esta cumpriu uma ordem judicial de reintegração de posse. Perfilaram-se para a guerra contra o governo de São Paulo a presidente Dilma Rousseff, o ministro Gilberto Carvalho, o ministro José Eduardo Cardozo e, claro!, Maria do Rosário, aquela que, a exemplo de sua chefe, não vê transgressões aos direitos humanos em Cuba. Mas o Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Um dia antes da cessão do terreno, Dilma Rousseff preferiu atacar os EUA quando indagada sobre transgressões ao direitos humanos na propriedade privada dos Irmãos Castro. E daí? O Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Dois dias depois da desocupação do Pinheirinho, a Agência Brasil — oficial — publicou entrevista com um advogado de um movimento de invasores  que denunciou a existência de mortos na operação, uma mentira grotesca. O denunciante não precisou apresentar fatos, indícios, nada! Este blog, como sabem, chegou a entrevistar uma das “mortas”. No dia seguinte, uma segunda reportagem trazia as negativas, dando a entender que a existência ou não de cadáveres é uma questão de opinião, de “lado” e “outro lado”. Tudo bem! O Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

No site da Presidência da República, o Conselho Nacional de Juventude, uma entidade independente como um táxi, acusa a existência de “políticas militares” no governo de São Paulo e publica dois manifestos — um sobre o Pinheirinho e outro sobre a cracolândia —recheados de mentiras factuais sobre os dois eventos. Está lá, reitero, no site da Presidência! Que importa? O Instituto Lula terá uma área no Centro da Cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Todos vocês sabem, porque isso já é história, que coube a este blog denunciar, em primeira mão, a mais virulenta tentativa do petismo de controlar a imprensa, com o decreto que trazia o Plano Nacional de Direitos Humanos. Sucessivas conferências patrocinadas pelo Palácio do Planalto esforçaram-se para criar mecanismos para cercear a liberdade de expressão. Lula tentou impor o Conselho Federal de Jornalismo, de caráter policialesco. Nada prosperou porque a sociedade se mobilizou. Mas eles ainda não desistiram. Não tem importância! O Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Sites e blogs patrocinados por estatais atacam com impressionante virulência personalidades da oposição e membros do Poder Judiciário de maneira aberta, escandalosa, constituindo-se numa verdadeira rede de calúnia e difamação. É o dinheiro público — que é de todos, de quem vota e de quem não vota no PT — a serviço de um partido e de um projeto de poder, mobilizado para macular a reputação dos “inimigos do regime”. Não há nada parecido em nenhuma democracia do mundo. Mesmo assim, o Instituto Lula terá uma área no centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”. E a área será doada por todos, inclusive por aqueles que a máquina petista de enlamear biografias quer destruir. Sempre em nome da democracia, todos sabemos!

Em nove anos de poder petista, jamais se viu a máquina federal tão organizada e pronta para eliminar a divergência. Atenção! Como afirmo aqui há anos, os petistas também funcionam como lavanderia de biografias. Assim como eles sujam, eles lavam. Basta que se lhes façam as vontades.

Eles merecem ou não privatizar a democracia e um pedaço da cidade com um “memorial”???

Por Reinaldo Azevedo

01/02/2012

às 21:09

“PSD já é aliado em diversos Estados”, diz presidente do PT paulista ao defender acordo com Kassab

Daiene Cardoso, da Agência Estado:
Independentemente das negociações em torno da candidatura do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, PT e PSD avançam a passos largos em direção a uma convergência política que pode colocar os dois partidos no mesmo palanque em 2014. Embora os tucanos apelem para que o partido do prefeito Gilberto Kassab considere seu histórico de aliança com a legenda, PT e PSD aceleram o diálogo de aproximação não só nos municípios do interior do Estado, como estão próximos de fechar um acordo amplo na Grande São Paulo e no litoral paulista. “Se quisermos apresentar um projeto com condições de vitória (em 2014), nós temos de ampliar o campo político no Estado”, afirmou o presidente do diretório estadual do PT, deputado estadual Edinho Silva.

As conversas para uma aliança com o PSD acontecem de forma adiantada nas cidades do ABC paulista, mais precisamente em São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá e Santo André. No caso de São Bernardo do Campo, berço político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PSD vai apoiar a reeleição de Luiz Marinho, um dos entusiastas da criação da nova sigla na região. A parceria PT-PSD tem tudo para se concretizar também em Guarulhos e Carapicuíba, na Grande São Paulo. No litoral, petistas e pessedistas mantêm o diálogo em todas as cidades, mas um acordo deve acontecer primeiro em Praia Grande e São Vicente. “Política é a arte de aglutinar forças para que você possa ter um projeto político. O projeto se fortalece quando se aglutinam forças”, argumenta Edinho.

 

O partido de Kassab é peça fundamental no projeto do PT de tentar por fim, em 2014, à hegemonia de 20 anos do PSDB no Estado. Na visão de dirigentes petistas, PSDB e DEM se enraizaram em São Paulo, por isso é preciso ir além das alianças tradicionais para vencê-los. “Com campo político restrito, é muito difícil ganhar”, avaliou o dirigente. De olho neste potencial parceiro, Edinho conta que hoje a linha direta com Kassab é permanente.

 

Para Edinho, a visão tucana de que o PSD tem mais identidade com esse partido, mencionada na terça-feira, 31, pelo presidente municipal do PSDB, Júlio Semeghini, não condiz com a realidade, uma vez que o PSD nasceu descolado do bloco de oposição ao governo Dilma Rousseff. “O PSD já é aliado do PT em diversos Estados porque não se sente contemplado pelo PSDB. Ele busca um projeto político que tenha autonomia, identidade própria. Essa é a nossa leitura”, avaliou.

Por Reinaldo Azevedo

30/01/2012

às 22:17

Henrique Meirelles defende aliança de Kassab com o PT

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
Em reunião da cúpula do PSD em São Paulo, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles voltou nesta segunda-feira a defender que o partido do prefeito Gilberto Kassab apoie o pré-candidato do PT, Fernando Haddad. “Sempre manifestei minha simpatia pelo candidato do ex-presidente Lula e do PT. Mas vamos aguardar a decisão do partido”, afirmou.

Cotado para ser o vice de Haddad, Meirelles não descartou a possibilidade de integrar a chapa petista, mas disse não ter se filiado ao PSD para isso. “Não é o objetivo. Entrei para fazer o programa econômico do partido”, desconversou. Ele disse ainda que a sigla deve estar “sempre aberta a alianças”.

Kassab convocou reunião após dirigentes do PT manifestarem incômodo com a aproximação do PSD. Rui Falcão, presidente nacional do partido, disse que o PT “não cogita” uma aliança com o prefeito de São Paulo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/01/2012

às 17:04

Mais um pouco sobre a anunciada luta do PT com os evangélicos. Há teoria que explica a convocação de Gilberto Carvalho

Há gente que ficou um tanto surpresa com a intenção do PT, anunciada por Gilberto Carvalho — o homem mais poderoso no partido, depois de Lula — de disputar com os evangélicos a adesão da chamada “classe C”. Outros ainda dizem que estou forçando a barra e coisa e tal… Forçando a barra por quê? As palavras são de Carvalho, não minhas. De resto, tenho um certo histórico de acerto no que diz respeito ao partido, não é? Ainda me orgulho de ter escrito em 2002 que, se eleito, Lula seria mais, digamos assim, “conservador” na economia do que José Serra. Já disse que não acho que o PT seja “socialista” à moda antiga; ele é autoritário (à moda antiga ou moderna…). Mas sigamos.

Não há surpresa nenhuma! O objetivo do PT sempre foi se estabelecer como partido único. Isso não implica proibir ou exterminar pela via cartorial as outras legendas. O esforço é para torná-las irrelevantes. E tem sido bem-sucedido. Um de seus segredos é não ter princípios. Vale tudo para conquistar o poder e nele se manter. Querem um exemplo? Se os petistas fizerem uma aliança com Kassab, vão protegê-lo na campanha eleitoral. Se não fizerem, vão atacá-lo. Eles acham o prefeito bom ou mau? Depende… Ele estará de que lado?

Os entes políticos estão devidamente domesticados. Na imprensa, a presença já é grande, mas a crítica ainda resiste, daí o esforço de cooptação. Lula tentou o método da censura. Não deu certo. Então se vai por outro caminho: criar e sustentar a “imprensa amiga”. Está em curso. Não é o suficiente. É preciso, diz Carvalho, levar a “mídia independente” (leia-se: estatal) para os pobres que entram no mundo do consumo.

Ocorre que os evangélicos têm uma forte presença nessas fatias da população. Além da crença em Deus, há um conjunto de valores que constitui as igrejas, muitos deles opostos ao petismo. E isso explica por que, ainda que aliado a muitas correntes evangélicas hoje, o PT as considere, no médio prazo, forças a serem vencidas. Está tudo na teoria. Gramsci explicou direitinho. Ao explicar o que deve ser “O Partido” na sociedade, que ele chama “Moderno Príncipe”,  escreveu:
“O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.

Isso significa que também a religião só será virtuosa ou criminosa na medida em que servir para aumentar o poder do partido ou para se opor a ele. O cristianismo que se opõe ao aborto, por exemplo, se contrapõe ao PT, ao Moderno Príncipe. E é preciso vencê-lo. Uma das forças que movem a crença evangélica — o incentivo ao esforço pessoal, que não fica à espera das doações do estado — também é hostil ao “mercado de almas” onde o PT fisga os seus “fiéis”.

Há correntes evangélicas que se aproximaram do governo em busca de benefícios, especialmente na área de telecomunicações. Nesse caso, a religião é usada apenas como pretexto para bons negócios. Aquelas que realmente se ocupam da fé e dos valores cristãos estão na mira da turma que não pode admitir a existência de uma outra igreja que não “o partido”.  

Por Reinaldo Azevedo

26/01/2012

às 6:27

Presidente do PT descarta aliança com o prefeito

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
Após três semanas de negociações, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou ontem que o partido “não cogita” fechar uma aliança com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), na eleição municipal. Falcão disse que um apoio a Fernando Haddad (PT) seria a “terceira opção” de Kassab, associou o prefeito à ruína do legado petista na cidade e indicou que pode oferecer a vice ao PR.

Questionado sobre a dificuldade de manter o discurso em caso de aliança, disse que o prefeito prefere apoiar o ex-governador José Serra (PSDB) ou Guilherme Afif (PSD). “Em nenhum momento nós cogitamos isso [aliança]. Nem o prefeito Kassab está cogitando”, afirmou. “Temos feito oposição ao prefeito Kassab.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

25/01/2012

às 18:20

Eis o “democrata humanista”. Ou: Os nazistas de ontem e de hoje. Ou: Somos os judeus deles!

Um repórter do Estadão flagrou um dos “humanistas democratas” convocados pelo Coletivo Desentorpecendo a Razão murchando o pneu do carro do prefeito Gilberto Kassab. Vejam o vídeo. Notem a reação do rapaz. Volto em seguida.

Segundo os ministros petistas Gilberto Carvalho e Maria do Rosário; o candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, e Rui Falcão, presidente do PT, violenta é a PM.

Esse rapaz é um dos convocados pelo Coletivo Desentorpecendo a Razão, aquele que publicou uma montagem caracterizando Geraldo Alckmin como Hitler. Em sua convocatória, lê-se:
“Estão em jogo a capacidade de resolvermos nossos problemas através do diálogo, a implementação verdadeira da democracia, o direito à cidade e à políticas públicas efetivas, o respeito aos direitos humanos e à Constituição (…)”

Ele tem razão. Por isso mesmo, o lugar daquele coroa disfarçado de moleque, ameaçando o trabalho da imprensa, garantido pela Constituição, é a cadeia, não as ruas.  O crime está filmado e documentado.

Aliás, a referência ao nazismo vem bem a calhar. No dia 25 de outubro de 2010, publiquei aqui um post sobre a primeira grande manifestação convocada por Goebbels depois que Hitler chegou ao poder, no dia 19 de fevereiro de 1933. Referindo-se à imprensa, ele afirmava:
“Um dia nossa paciência vai acabar e calaremos esses judeus insolentes, bocas mentirosas! E se outros jornais judeus acham que podem, agora, mudar para o nosso lado com as suas bandeiras, então só podemos dar uma resposta: “Por favor, não se dêem ao trabalho!”

Nós, da imprensa livre, somos os “judeus” desses que decidiram partir para a pancadaria. É uma ironia que a violência tenha atingido um repórter do Estadão, justamente o jornal que hoje mais ataca a correta política de intervenção do governo do Estado e da Prefeitura na cracolância e que mais dá voz a esses “coletivos” que tratam a imprensa livre como inimiga.

Como lembrou Goebbels, os nazistas não aceitam quem “muda de lado” — lição que o próprio Kassab deveria levar em consideração.

Ah, sim: devemos todos dar os parabéns ao valente repórter, que não se deixou intimidar, honrando a sua profissão.

Por Reinaldo Azevedo

25/01/2012

às 6:41

Dilma e PT, Aécio e PSDB. Ou: O que falta à oposição? Um nome ou um conjunto de idéias?

Caras e caros,
Prometi um texto sobre a oposição e seu futuro. Ficou longo! Mas acho que saiu direitinho, redondo. Sim, alguns vão detestar. É do jogo. Penso o que penso — e jamais escondo —, mas o meu compromisso é com os fatos, ainda que o que eu vislumbre não seja do meu agrado. Para chegar ao ponto que quero, terei de falar um pouco do governo Dilma e da avaliação extremamente positiva que os brasileiros, segundo as pesquisas, têm dela. Vamos lá?

No domingo, a Folha trouxe a pesquisa Datafolha com a avaliação do governo. Desde o primeiro levantamento, feito em março, com 90 dias de gestão, consolidou-se um critério a meu juízo cretino e tecnicamente furado que consiste em comparar os números obtidos pela presidente com aqueles de igual período de seus antecessores, especialmente Lula e FHC. Para que isso fizesse algum sentido, seria preciso que:
a) a pesquisa fosse respondida pelas mesmas pessoas;
b) ainda que fosse possível, forçoso seria que o entrevistado tivesse como fazer a avaliação dos três governos.

Isso é uma besteira gigantesca que combina duas vertentes. Uma primeira é mesmo a paixão adesista que caracteriza boa parte da análise política no Brasil — afinal, Dilma sempre esteve à frente dos que a antecederam. Uma segunda não deixa de trair uma forma curiosa de viés anti-Lula!!! “Como, Reinaldo?” Sim, é isto mesmo: não são poucos os que consideram que reforçar a posição de Dilma é uma forma de manter afastado do poder — ao menos do poder formal — o fantasma lulista. Eu, vocês sabem, não lido com esse critério. Para mim, as diferenças pessoais entre os petistas são quase irrelevantes.

O que mais me interessa no petismo não são pessoas, mas o sistema. E não alimento a ilusão que vejo em alguns colegas de que existam contradições relevantes entre ambos. Ela, é bem verdade, à diferença do antecessor, não tentou até agora, por exemplo,  censurar a imprensa. Sim, ponto positivo. Se tentasse, não conseguiria, como ele não conseguiu. Só para encerrar este particular: se Dilma fosse muito diferente, poria um ponto final na prática indecorosa que consiste em financiar o gangsterismo disfarçado de imprensa, especialmente na Internet. Mas não o faz. Administração direta e estatais continuam a usar o dinheiro público para financiar campanhas de difamação contra líderes da oposição, contra ministros do Supremo e contra a chamada grande imprensa. Dilma é a chefe. Se deixa a coisa rolar, é a responsável. O pior é que nada disso seria necessário porque raramente se viu uma imprensa tão dócil com uma presidente. De maneira geral, o jornalismo consegue ser ainda mais “dilmista” do que era “lulista”. Não são os escroques que colaboram para a sua boa reputação. Ao contrário até… Volto ao curso.

Dilma superou Dilma; isso é o que conta
Quando afirmo que é uma besteira essa história de comparar o desempenho dela com o de antecessores em igual período, alguns tontos acreditam que o faço para tentar diminuir a conquista da presidente! Como petralha é burro! Ao contrário até! O DADO RELEVANTÍSSIMO DA PESQUISA DATAFOLHA DE DOMINGO, E AQUI COMEÇO A TANGER A CORDA DA OPOSIÇÃO, NÃO ESTÁ NO FATO DE AVALIAÇÃO POSITIVA DELA SER SUPERIOR À DE LULA, E SIM NO DE TER CRESCIDO 12 PONTOS DESDE MARÇO, 10 DELES SÓ NOS ÚLTIMOS SEIS MESES! Isso, sim, é importante!

Dilma não está muito bem junto à opinião pública porque com uma avaliação de “ótimo e bom” (59%) superior à do antecessor. Ela está muito bem porque, em comparação consigo mesma em início de mandato, quando os pontos ainda não eram seus, mas de Lula, ela cresceu. A sua grande conquista, até agora, É TER SUPERADO DILMA, NÃO TER SUPERADO LULA. Nota: existe uma forma burra e dilmista de ser antilulista; fazer aquela comparação é uma delas. Eu não sou “anti” coisa nenhuma! Só sou a favor de uma meia-dúzia de idéias não compartilhadas nem por ela nem por ele. Vamos continuar.

O que aconteceu e o que não aconteceu
A avaliação positiva da presidente disparou justamente no período das crises que colheram seus vários ministros — seis deles demitidos sob suspeita de corrupção. E olhem que a lista poderia ser de nove! Nesse caso, talvez ela já andasse ali pelos 65% de ótimo e bom… À medida que Dilma demitia, à esteira de denúncias feitas pela imprensa, conquistava o apoio popular. É bem verdade que a grande imprensa lhe deu uma ajuda fabulosa. Nesse caso, aliás, os escroques financiados tentaram empurrar a presidente para o lado errado — e Lula também… Convidaram-na a resistir, a não demitir ninguém. Se o fizesse, diziam o Apedeuta e o subjornalismo a soldo, ela ficaria refém da grande imprensa e das denúncias etc e tal… É claro que os petralhas sempre estão de um lado, e a verdade, de outro. À medida que as evidências de corrupção foram punidas ao menos com a demissão (e não haverá outra pena), a presidente consolidou a fama de moralizadora.

Deu-se um fenômeno estranho, algo talvez possível só nestas terras: a presidente passou a ser tratada como ombudsman no próprio governo, como ouvidora. Parecia que estava apenas corrigindo erros alheios, pelos quais não tinha a menor responsabilidade. Ora, não tinha sido ela própria a nomear aquela gente, tão cedo defenestrada porque com um padrão moral incompatível até mesmo com os elásticos costumes políticos brasileiros? O fato é que ali estava a Dilma que caía nas graças do povo: enérgica!

Sua gestão, já demonstrei aqui tantas vezes, é muito ruim. O Brasil vai relativamente (e só relativamente) bem porque mudanças estruturais feitas nos últimos 20 anos, especialmente o Plano Real, forneceram condições para sair de atoleiros históricos. O fato é, no entanto, que a infra-estrutura é lastimável, a máquina é cara e ineficiente, os serviços são precários, e as promessa solenes feitas por Dilma para o primeiro ano de mandato se frustraram todas. Já coloquei aqui a verdade em números — das casas às creches. Chega a ser constrangedor. No atual ritmo, o governo entregará, por exemplo, três milhões de casas (um milhão de Lula e mais dois milhões de Dilma) só daqui a 22 anos! Para realizar parte das obras previstas para a Copa (e será parte mesmo!), foi preciso violar a legislação e alargar ainda mais os já alargados critérios de moralidade no uso do dinheiro público. Para mais detalhes sobre as ruindades, leia-se um texto que publiquei aqui no dia 26 de setembro do ano passado.

Se o governo é ruim, o povo é bobo?
Não, o povo não é bobo. O modelo petista está fortemente ancorado no consumo, e isso não mudou, ainda que algumas âncoras de manutenção desse arranjo acenem para severas dificuldades no futuro. E daí? O eleitor avalia o seu presente. Com uma economia estável e com uma cobertura das ações presidenciais que beira, em alguns casos, a hagiografia, é compreensível que tantos considerem o governo Dilma “ótimo ou bom”. Mais: a despeito das não-casas, das não-creches, das não-UPAs, das não-quadras, do atraso vexaminoso nas obras da Copa, das trapalhadas nas privatizações dos aeroportos, das estradas federais miseráveis, da roubalheira das ONGs incrustadas no governo, apesar de tudo isso, 72% a consideram “competente”. Desde quando era ministra, já escrevi aqui, a maior competência de Dilma é fazer os outros acreditarem que ela é competente. Um de seu segredos era o ar sempre enfezado; eleita, um de seus segredos é fazer-se de enfezada generosa…

Cadê a oposição?
“Pô, Reinaldo, você afirmou que falaria da oposição, mas cadê?” É de caso pensado, queridos! Meu texto reflete o que foi a oposição nesse tempo. Sim, vimos líderes a protestar no Parlamento, esmagados, coitados!, por uma maioria avassaladora. Um senador como Álvaro Dias (PSDB-PR) merece o reconhecimento por um trabalho sério e dedicado na tentativa de apontar desmandos. Mas é evidente que isso não basta. Repete-se, no primeiro ano de gestão de Dilma, o que foi uma constante no governo Lula, muito especialmente depois que o petista se recuperou da crise do mensalão: teme-se enfrentar um governo popular. O grande discurso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que viria para ser a bússola da oposição, foi pouco mais do que nada. A sua síntese poderia ser esta: “Nós não somos como o PT”. Claro que não! Ocorre que a maioria do eleitorado escolheu justamente o… PT!

Não custa lembrar que um texto recente escrito por Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, com críticas severas ao governo Dilma passou por uma plástica quando caiu nas mãos de Sérgio Guerra, presidente do partido, e do próprio Aécio. Escrevi a respeito no dia 13 de janeiro. Ontem, diga-se, na presidência interina do PSDB, Goldman emitiu uma nota dura e sensata sobre a exploração vagabunda que o petismo faz da desocupação do Pinheirinho. Os leitores deste blog até estranharam: “Nossa! Há quanto tempo o PSDB não fala assim!” E alguns atribuíram o tom mais duro ao fato de que Sérgio Guerra está fora do país…

O curioso é que não seria difícil demonstrar que o PSDB parece sem agenda não exatamente porque jamais teve uma, mas porque o PT lhe tomou a que tinha. Ou alguém conseguiria demonstrar que os petistas estão executando seus programas históricos? Ora… São bem poucos os acertos em curso que fazem parte de seu estoque intelectual. E daí? Quem tem de ser convencido não são os historiadores honestos, mas os eleitores.

Nome ou idéias?
O noticiário nacional está ainda carregado pela entrevista — calculada e, a meu ver, desastrada e contraproducente — que FHC concedeu à Economist, em que classificou Aécio Neves de “nome óbvio” do PSDB para 2014 e teceu considerações que creio impertinentes sobre a candidatura de José Serra em 2010. Que bem faz ao partido a sua fala? Se ele souber, que diga. O que eu digo? Acho que há aí um erro de análise fundamental — e nada tem a ver com o nome de Aécio em princípio. A pergunta que faço é outra: o problema do PSDB (e das oposições) está na definição do nome ou na definição do conjunto de valores com o qual se vai enfrentar a disputa eleitoral?

Os aecistas do PSDB já tratam a entrevista como a unção — e ponto final! Eis o PSDB que jurou, desta feita, acabar com decisões de cúpula… Mas nem entro nesse particular. Digamos que, sim, a entrevista de FHC consolide desde já: “Será Aécio é pronto!” E aí? O que isso significa? Que conjunto de valores ele representa que se distingue, de maneira essencial, daquele representado por Dilma Rousseff, que disputará a reeleição? Digamos que eu soubesse a resposta… Ocorre que eu não represento a maioria ou a média do eleitorado. Há coisas que chegam mesmo a ter uma graça particular. O PSDB aecista tem no PT, em Minas, um parceiro antigo. Como bem lembrou o governador Antonio Anastasia quando as “consultorias”de Fernando Pimentel vieram a público, o petista era “amigo e mineiro”… Por que o eleitorado tem de ser convencido de que o PT, bom para governar Belo Horizonte junto com os tucanos, com a mediação do PSB, não é bom para governar o Brasil? Digamos que uma campanha se encarregue de esclarecer… A minha pergunta segue sendo a mesma: seja candidato Aécio, Serra ou qualquer outro, qual será a mensagem levada ao eleitor? Não adianta os tucanos virem com retórica oca: terão de dizer por que eles merecem um “sim” do eleitor e por que o PT merece um “não”.

Por quê?

Eu sei parte da resposta
Parte da resposta, ao menos, eu conheço. Posso não saber hoje por que “sim PSDB”, mas sei muito bem “por que não PT”. E, de novo, as minhas respostas não são as mesmas dos tucanos que conheço. Na verdade, vênia máxima, eu os vejo fazer rigorosamente o contrário do que entendo que seria o certo. Há algum tempo, a cúpula do PSDB debateu o resultado de uma pesquisa sobre a reputação do partido — usada, para não variar, para fazer guerrilha contra Serra — e constatou que o PSDB tinha imagem de “elitista”, que precisaria se aproximar mais do povo, ter seu braço sindical mais ativo, ser mais popular, sei lá eu…

Entendo isso tudo como o caminho da perdição. Nas próprias entrevistas de FHC, um dos presidentes mais corajosos que o país já teve, noto certas inflexões à esquerda — e outras fracamente doidivanas, como o debate sobre a maconha — que evidenciam o esforço para emular com o PT no, como vou chamar?, campo do progressismo. É tão impressionante constatar que os tucanos ainda não perceberam que jamais tomarão a bandeira do “social” das mãos dos petistas! Se existe alguma saída para o partido, é evidente que essa saída só pode se dar pela — à falta de melhor palavra, vai esta —  direita. Falo em termos relativos: à direita do PT.

Escrevi dia desses, e muitos tucanos ficaram bravos — paciência! —, que os tucanos ocupam hoje o lugar que, em todas as democracias do mundo, é ocupado por partidos conservadores. Só que o PSDB não é um partido “conservador”, mas não consegue ser um “partido progressista” — ou, se quiserem, de esquerda. Então é o quê?

Na entrevista que concedeu à Economist, agarrado à tese errada de que é preciso logo definir um nome e partir pra luta, FHC arriscou alguma sociologia: à diferença de Serra, Aécio viria de uma política mais tradicional, mais afeita a alianças etc… Huuummm… Digamos que sim! Dado o andar da carruagem, quem terá mais condições de assegurar as alianças em 2014? Ou alguém conta que o prestígio de Dilma vai se esfarelar por obra do Espírito Santo?

Medo do eleitor e do conservadorismo
A verdade é que o PSDB tem medo do eleitor, especialmente do eleitor que não é “progressista”. Teme, em suma, o conservadorismo da sociedade brasileira — o bom conservadorismo, deixo claro! Isso ficou evidente na campanha eleitoral de 2010, por exemplo. O debate sobre o aborto — é mentira que tenha sido feito pelos tucanos; essa foi uma invenção dos petistas e da imprensa patrulheira —, por exemplo, deixou foi o partido assustado.

Ontem, Alberto Goldman, como já informei, emitiu uma nota dura sobre a exploração vigarista que o PT faz da desocupação da tal área do Pinheirinho. Falou em nome da direção do partido! Mas que demora, não? As grandes lideranças do PSDB — quais? — já deveriam ter-se manifestado a respeito. Deveriam ter feito o debate político também por ocasião da retomada da cracolândia — afinal, eis um assunto que não diz respeito apenas a São Paulo. Mas quê!!! Fez-se um silêncio sepulcral a respeito. Para ser preciso, o governo tucano de Minas até entrou na guerra de propaganda oferecendo uma suposta abordagem alternativa a respeito…

Caminhando para a conclusão
Ok, os aecistas do PSDB podem se regozijar. Hoje, e tudo o mais constante, o nome do PSDB para disputar a Presidência da República é Aécio Neves. Digamos que a questão interna esteja mais do que precocemente resolvida. E daí? Com que eleitor, e sobre quais temas, os tucanos pretendem conversar? Como é que vão convencer os brasileiros, COM QUAIS VALORES?, de que Dilma não merece uma segunda chance? FHC parece apostar que um “político tradicional”, aliancista, tem mais chances. Pode ser. Desde que a equação não ignore o eleitor…

Para encerrar: que os tucanos e seus eventuais aliados não caiam na esparrela de  disputar em 2014 “só para fazer nome”, deixando a esperança de vitória mesmo para 2018, quando, então, nem Lula nem Dilma estiverem no páreo… O PT tem como fazer novos candidatos até lá. Para o bem e para o mal — sobretudo para o mal —, trata-se de um partido — isto é, de um sistema que aprendeu como dobrar “elites tradicionais”.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2012

às 6:49

Pinheirinho – Petistas sentiram cheiro de sangue de pobre e resolveram apostar no confronto e na violência. Ou: Dilma vai ordenar que ministros seus parem de tentar promover o baguncismo em SP ou é conivente com ação deletéria?

Vocês conhecem uma parte do que vou relatar sobre a tal área chamada “Pinheirinho”. Mas há outra que vocês não conhecem. Vamos lá?

No Estado democrático e de direito, respeitam-se as várias esferas de competência da Justiça. No Estado democrático e de direito, as determinações judiciais são cumpridas. No Estado democrático e de direito, o governo federal não procura fazer uma espécie de intervenção branca na área de segurança numa unidade da federação governada por um partido adversário só porque adversário — especialmente quando essa unidade pode dar lições a esse mesmo governo federal. A presidente Dilma Rousseff deveria chamar seus ministros de Estado e sugerir que parem de incentivar o baguncismo em São Paulo — a menos que ela seja conivente com essas ações deletérias. Refiro-me, obviamente, AO CUMPRIMENTO DE UMA DETERMINAÇÃO JUDICIAL, de que a Polícia Militar não pode declinar, que resultou na desocupação da chamada “Área do Pinheirinho”, em São José dos Campos, em São Paulo.

Na operação, 18 pessoas foram presas e depois liberadas, houve três feridos, e oito carros foram incendiados, entre eles um veículo da TV Vanguarda, afiliada da Globo. Vou tratar do imbróglio — ou do falso imbróglio — judicial. Quero arrematar este parágrafo lembrando que, na retomada da antiga área da cracolândia, armou-se na Secretaria dos Direitos Humanos, cuja titular é a petista Maria do Rosário, o bunker de resistência contra a lei. Neste domingo, os petistas Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e José Eduardo Cardozo, ninguém menos do que o ministro da Justiça, decidiram investir na desinformação e no proselitismo para tentar caracterizar como ato autoritário ou intempestivo o que é CUMPRIMENTO DA LEI. Se dois dos principais auxiliares da Presidência da República entendem que a lei, em particular as determinações judiciais, não devem ser cumpridas, então que a Soberana, popular como é, vá à TV, em rede nacional, e declare o triunfo da anarquia. Faremos a luta de todos contra todos, e os vencedores, ao término da luta, refazem o Brasil desde o fim.

Qual é o ponto?
Mil e quinhentas famílias — estima-se que houvesse lá cinco mil pessoas — ocupavam ilegalmente uma área reclamada na Justiça desde 2004. Ela pertence à massa falida do grupo Selecta, do investidor Naji Nahas. A juíza Márcia Faria Mathey Loureiro, da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, havia emitido a ordem de reintegração de posse da área, atenção!, em julho de 2011. PETISTAS SENTIRAM CHEIRO DE SANGUE DE POBRE EM ESTADO ADVERSÁRIO, E ISSO SEMPRE LHES ASSANHA A SEDE. Passaram a acompanhar o caso de perto — até porque pretendem usá-lo também na eleição municipal. A hipocrisia do governo federal é tal que poderia, por exemplo, ter apelado, então, à Justiça Estadual para tentar mudar a decisão. Não o fez. Preferiu convocar a imprensa e declarar que tinha interesse numa solução pacífica… Não me digam!

Na terça passada, a ação de reintegração foi suspensa pela juíza federal Roberta Monza Chiari. A liminar, no entanto, foi cassada no mesmo dia pelo também juiz federal Carlos Alberto Antônio Júnior, substituto da 3ª Vara Federal em São José dos Campos. Na sexta, o desembargador federal Antonio Cedenho revalidou a decisão de Monza Chiari. E aí? Reproduzo abaixo a mensagem enviada à juíza Márcia Faria Methey (a que tinha determinado a reintegração de posse) e ao comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Alvaro Camilo. Leiam com atenção:

MMª. Juíza de Direito e Ilmo. Sr. Comandante Geral da Polícia Militar de São Paulo
Por determinação do Excelentíssimo Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça, transmito-lhes, para integral cumprimento, a ordem por ele proferida em relação à consulta formulada pelo juízo da 6ª. Vara Cível de São José dos Campos.
Rodrigo Capez
Juiz Assessor da Presidência
*
“A decisão proferida pelo juízo da 6ª Vara Cível de São José dos  Campos, ora em fase de execução, somente pode ser suspensa por ordem deste Tribunal de Justiça, do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal. Decisões que tais não existem, mesmo porque negada a liminar no agravo de instrumento contra ela interposto perante este Tribunal de Justiça.

Então, o ato judicial concorrente do Tribunal Regional Federal não tem qualquer efeito para esta Justiça do Estado de São Paulo, que é absolutamente independente e não tem relação com aquele outro ramo do Judiciário.

Também não houve manifestação de interesse jurídico da União neste feito, de modo que fosse deslocada a competência para a Justiça Federal. Por isso que sem nenhum valor o processo concorrente naquela Justiça em oposição ao presente.

Nesse contexto, e para preservar a autoridade da decisão deste Tribunal de Justiça, instruo V. Exa. a prosseguir na execução do decisório estadual, por conta e responsabilidade desta Presidência.

Autorizo, para tanto, requisição ao Comando da Polícia Militar do Estado, para o imediato cumprimento da ordem da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, repelindo-se qualquer óbice que venha a surgir no curso da execução, inclusive a oposição de corporação policial federal, somente passível de utilização quando de intervenção federal decretada nos termos do art. 36 da Constituição Federal e mediante requisição do Supremo Tribunal Federal, o que inexiste.

Designo o juiz de direito assessor da Presidência Rodrigo Capez para, em nome desta Corte, prestar todo o auxílio necessário a V. Exa., com vistas ao cabal cumprimento de sua determinação”.
IVAN RICARDO GARISIO SARTORI
PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Voltei
O governo de São Paulo e a Polícia Militar não podem escolher cumprir ou não o que determina a Justiça. Se pudessem, seriam entes soberanos —- na verdade, ditatoriais. O STJ decidiu que a competência era mesmo da Justiça estadual e que a Federal se equivocou. Logo, os invasores do Pinheirinho teriam de sair. E a PM atuou. Dentro da lei.

Chamo a atenção de vocês para um trecho da decisão de Garisio Sartori: “Também não houve manifestação de interesse jurídico da União neste feito, de modo que fosse deslocada a competência para a Justiça Federal. Por isso que sem nenhum valor o processo concorrente naquela Justiça em oposição ao presente.” Ou por outra: o governo federal escolheu fazer proselitismo contra a desocupação, mas sem mover uma palha no terreno jurídico: ficou só na conversa mole. Eu provo o que digo com outra evidência.

A juíza Márcia Faria Methey, a que decidiu pela reintegração, enviou ao presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo uma consulta, a saber:
Informalmente, tomei ciência de que, nesta data, foi proferida decisão pelo Desembargador Federal Antonio Cedenho, no agravo de instrumento nº 2012007143, tirado contra decisão do Juiz Federal Carlos Alberto Antonio Junior, da 3ª Vara Federal de São José dos Campos, restabelecendo a liminar da Juíza Federal Substituta que, em regime de plantão, às 4h20m do dia 17 de janeiro p.p., “deferiu liminar em ação cautelar inominada para determinar que a Polícia Civil e Militar do Estado de São Paulo e a Guarda Municipal de São José dos Campos se abstenham de efetivar qualquer desocupação na gleba de terras do Pinheirinho”, desocupação esta deferida por mim na Ação de Reintegração de Posse que a Massa Falida Selecta moveu contra Esbulhadores ligados ao Movimento dos Sem Teto (Processo nº 0273059-82.2005.8.26.0577), ajuizada em 19.8.2004.

Esclareço que a reintegração foi deferida por mim em julho de 2011, desafiou agravo de instrumento nº 0276288-25.2011.8.26.0000, recebido apenas no efeito devolutivo pelo Excelentíssimo Desembargador Relator Cândido Alem, da 16ª Câmara de Direito Privado do Egrégio Tribunal de Justiça, em 11.11.2011.

Outrossim, informo que em nenhum momento houve intervenção da União nos autos do processo da reintegração, manifestando interesse ou solicitando o deslocamento da competência para a Justiça Federal.

Diante da manutenção da minha ordem pelo Egrégio Tribunal de Justiça, consulto Vossa Excelência, se haverá suporte para a execução da liminar de reintegração na posse da área denominada “Pinheirinho”, haja vista que no dia 17 p.p., a Polícia Militar, comandada pelo Coronel Manoel Messias, teve que recuar sua tropa composta de mais de 1.700 homens, diante da dúvida que a liminar da Juíza Federal Substituta causou sobre a validade da minha ordem.

Márcia Faria Mathey Loureiro
Juíza de Direito da 6ª Vara Cível
São José dos Campos

Retomo
Também na mensagem da juíza a evidência de que, desde julho do ano passado, quando foi determinada a reintegração de posse, a União não moveu uma palha no terreno jurídico para, então, tentar impedir a reintegração de posse. A movimentação dos petista se deu apenas na área política. Mais do que isso: na prática, investiram num confronto de competências da Justiça, como se houvesse uma relação de subordinação entre a Justiça Federal e a Justiça de São Paulo.

Proselitismo
Eis que, uma vez em curso a desocupação, vem a público Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, responsável, como dizem lá, pela “interlocução com os movimentos sociais” para afirmar que a ação da PM “atropelou” negociações feitas com o governo federal para a desocupação pacífica da área. Quais negociações?

Uma pergunta ao senhor Carvalho: a “interlocução” era feita só com os invasores, mas não com a Justiça de São Paulo, que é quem tinha a competência para decidir? Gilberto Carvalho emprenha os jornalistas pelo ouvido, sustentando que a desocupação era desnecessária porque os moradores estão lá há oito anos… Nem vou entrar no mérito de tão formidável entendimento sobre a propriedade privada agora. Eu me pergunto por que a União não tentou, então, convencer disso a Justiça. Que alternativa aponta este homem de Estado? Mandar a decisão judicial às favas?

Ele não foi o único a pescar em águas turvas. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, saiu-se com uma declaração estupefaciente, depois de ter dito aos jornalistas que havia conversado com o governador Geraldo Alckmin: “O Alckmin me disse que tinha de atender a decisão judicial e que a tropa era preparada.” COMO??? O “Alckmin disse que tinha de atender”??? É questão de opinião, de gosto? Por quê? Cardozo acha que o governador a tanto não estaria obrigado? Alckmin disse que tem de se cumprir. E Cardozo, o que diz?

O resumo da ópera é o seguinte: os petistas não moveram uma palha para evitar a remoção, mobilizaram seus estafetas para fazer proselitismo, investiram num choque de competências entre as várias esferas da Justiça e agora tentam obter dividendos políticos jogando com a sorte dos miseráveis. E isso ainda não é tudo.

Reitero: Ou Dilma puxa as orelhas de seus ministros ou se mostra conivente com a promoção do baguncismo. Ao menos enquanto os petistas não vencerem as eleições, vai vigorar em São Paulo o estado democrático e de direito. Nesse modelo, as leis e as decisões da Justiça podem e devem ser debatidas, mas são sempre cumpridas. Se e quando eles ganharem, então que tentem um modo alternativo de governar.

Ah, sim: para a decepção de muitos, o sangue não jorrou. A polícia também não cegou, felizmente, nenhum manifestante, a exemplo do que aconteceu no Piauí, governado por PSB-PT, sob o silêncio de Gilberto Carvalho, José Eduardo Cardozo, Maria do Rosário, Paulo Teixeira, Eduardo Suplicy e, bem…, Dilma Rousseff.

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2012

às 6:21

Petralhas acham que eu é que tenho de explicar eventual aliança de Kassab com o PT? Eu??? Ora, eles é que devem explicações!!!

Petistas, em especial na sua versão petralha, são mesmo seres muito especiais. Se lógica fosse grama, eles seriam carnívoros. Como não é, os herbívoros se fartam, mas não conseguem, por óbvio, ficar mais inteligentes. O comando do partido, para o bem e para o mal, não reflete, acreditem, a estupidez da base. É “para o bem” porque seria temerário ter no poder tal grau de idiotia política. É “para o mal” porque o comando é mais “esperto” do que muitos admitem. Muito bem!

Os herbívoros estão assanhadíssimos. Enviam-me comentários às pencas com questões como as que seguem:
“E aí, Reinaldo, como é que você vê o Kassab querendo se juntar aos petistas? Você o defendeu tanto; não se sente traído? Como você explica que o prefeito esteja mudando de lado?”
E não poderiam faltar as onomatopéias em que cacarejam, relincham, guincham, zurram, grunhem, latem, grasnam: “quá-quá-quá, oinc-oinc, hauahdshshha…” — e por aí afora.

Kassab faça o que quiser, ora essa! O que eu tenho com isso? Eu defendi, sim, a sua gestão quando achei que era o caso de defender. E apontei algumas perseguições que eram fruto do mais escancarado preconceito ideológico de setores da imprensa. O que escrevi, como sempre, está em arquivo. Dito isso, adiante!

Ele que se explique com a opinião pública e com o eleitorado se fizer mesmo um acordo com o PT. E os petistas que façam o mesmo, já que passaram boa parte de seus cinco anos de mandato tentando sabotar a administração. Eu não tenho de explicar coisa nenhuma! Fui eu que decidi piscar para o PT, por acaso? Estou onde sempre estive: quando gosto aplaudo; quando não gosto, vaio. Eu é que tenho de fazer perguntas.

Então pergunto aos petistas, em especial aos petralhas:
CASO KASSAB SE JUNTE MESMO AO PT, QUAL A ALTERNATIVA CORRETA?
a:
ele era bom, e vocês não percebiam;
b:
você percebiam que era bom, mas o atacavam mesmo assim porque sempre sabotam quem não é da turma;
c:
ele só começou a ficar bom quando decidiu se juntar ao PT.

No episódio mais recente, o da cracolândia, por exemplo — atuação conjunta entre Prefeitura e governo do Estado —, eu, mais uma vez, não preciso explicar nada. Defendo que se faça o que está sendo feito há pelo menos 15 anos! Os petistas é que decidiram, a exemplo de Fernando Haddad, atacar as medidas. Caso estejam todos juntos na disputa, dirão o quê? O candidato a prefeito do PT continuaria a ser um crítico feroz da ação das administrações municipal e estadual (porque, afinal, é de esquerda), e o representante de Kassab na aliança iria defendê-la (porque, afinal, é de centro)?

Eu, definitivamente, não tenho nada a explicar. Continuarei a fazer o de sempre: quando gosto, aplaudo; quando não gosto, vaio.

Por Reinaldo Azevedo

19/01/2012

às 19:22

Ministra segue exemplo de Lula e protesta contra números sobre a desigualdade brasileira

Uma coisa a gente tem de convir: eles têm método, e sua noção de pudor é muito particular. Em novembro do ano passado, o PNUD divulgou o IDH do Brasil — de 0,715 em 2010 para 0,718 em 2011. O país andou apenas uma posição. Saiu do 85º lugar para o 84º. Lula ficou furioso. Achou pouco. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência — da Presidência de Dilma, bem entendido — não se constrangeu em revelar:
“Lula nos deu um telefonema iradíssimo hoje, disse que (o resultado) era injusto e que a gente tinha de reagir”.

Muito bem. Agora Leiam o que informa o Portal G1. Volto em seguida:

A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, rebateu nesta quinta-feira (19) a divulgação de um estudo da Oxfam (entidade de combate à pobreza e a injustiça social presente em 92 países) que coloca o Brasil em segundo lugar no ranking de desigualdade nos países do G20, atrás apenas da África do Sul. Campello argumentou que é preciso fazer uma análise da evolução do país ao longo dos anos. “Uma coisa é a gente olhar a situação hoje, outra coisa é a gente olhar a evolução que nós tivemos”, afirmou a ministra, que participou, nesta terça, de uma reunião sobre o plano Brasil Sem Miséria com a presidente Dilma Rousseff.

“O Brasil reconhecidamente por todas as instituições internacionais é o pais que mais vem reduzindo desigualdade, agora, nós temos 500 anos de história, então temos que olhar o filme. Nós conseguimos retirar 28 milhões de pessoas da pobreza, 40 milhões de pessoas entraram na classe média, temos ainda uma meta de incluir 16 milhões de brasileiros. Achamos que é possível exatamente porque estamos partindo desse patamar”, disse ela.

Pesquisa
De acordo com a pesquisa “Deixados para trás pelo G20″, apenas a África do Sul fica mais mal colocada que o Brasil em termos de desigualdade. Como base de comparação, a pesquisa também examina a participação na renda nacional dos 10% mais pobres da população de outro subgrupo de 12 países, de acordo com dados do Banco Mundial. Neste quesito, o Brasil apresenta o pior desempenho de todos, com a África do Sul logo acima.

A pesquisa afirma que os países mais desiguais do G20 são economias emergentes. Além de Brasil e África do Sul, México, Rússia, Argentina, China e Turquia têm os piores resultados. Já as nações com maior igualdade, segundo a Oxfam, são economias desenvolvidas com uma renda maior, como França (país com melhor resultado geral), Alemanha, Canadá, Itália e Austrália.

Voltei
Isso é método. Se um determinado resultado serve para o petismo demonstrar que seus adversários são homens perversos, maus, que não dão bola para a desigualdade, eles o alardeiam como verdade universal. Se, no entanto, os dados são ruins para o PT, eles questionam a régua, como fez Lula (que nem presidente era mais) e como faz agora a ministra Teresa Campello.

Nos tempos do governo FHC, por exemplo, os petistas não queriam saber do “processo”. Eles vieram a descobri-lo só em 2003. A resposta da ministra não deixa dúvida: se há ainda algo a ser corrigido no Brasil, deve-se aos 503 anos anteriores à chegada do PT ao poder. O que eventualmente houver de bom, bem, aí é coisa do PT, é evidente. Notem que o Plano Real, por exemplo, desapareceu de sua equação.

Tal método seria ridicularizado em qualquer país democrático do mundo. Por aqui, não são poucos os que começam a achar que o PNUD e a Oxfam não estão fazendo justiça ao PT. Afinal, o partido acha que suas intenções também têm de entrar na equação.

Por Reinaldo Azevedo

18/01/2012

às 20:30

ONG petista acostumada a mistificar volta a produzir números sobre SP para servir à campanha eleitoral e é tratada como entidade isenta

Existe uma ONG chamada Nossa São Paulo, da qual já falei aqui algumas vezes. É comandada pelo petista e ex-empresário Oded Grajew, que já foi assessor especial de Lula e é um dos fundadores do Fórum Social Mundial. É um daqueles ricos que só querem ser amados pelas esquerdas, o que conseguiu. Mas não vou aqui me dedicar a seu perfil, que vocês encontram por aí. O fato é que ele criou a tal ONG, agora “Rede Nossa São Paulo”, obteve o apoio de dezenas de empresas e entidades - de modo a conferir à coisa certo ar suprapartidário - e serve, com denodo, ao PT. Volta e meia, especialmente em ano eleitoral, a Nossa São Paulo produz uma montanha de dados que serve ao proselitismo petista. Seus números, depois, são alardeados nos jornais e nas rádios, sempre se omitindo quem é Grajew. O que é um trabalho partidário se confunde com a verdade.

Dou um exemplo do rigor com que essa gente opera. Em janeiro de 2008 - sim, ano eleitoral!!! -  Oded e sua turma vieram a público com uma pilantragem intelectual e matemática, que foi comprada inteiramente, daquela vez, pelo Portal UOL, que escreveu:
“Uma pesquisa realizada pela ONG Movimento Nossa São Paulo e divulgada nesta quinta-feira (24) traduz em números a desigualdade econômica e social entre as diferentes regiões da capital paulista. O estudo, feito com dados oficiais, fornecidos pela Prefeitura de São Paulo, revela que enquanto bairros de classe média como os de Pinheiros e Jardins têm serviços de saúde, educação e cultura semelhantes aos de países desenvolvidos, bairros da periferia da capital apresentam total carência de serviços essenciais.
O estudo revela quanto a Prefeitura efetivamente investe em cada uma das 31 subprefeituras da cidade. Ao analisar o orçamento de cada subprefeitura em 2006 e dividi-lo pelo número de habitantes atendidos, a ONG conseguiu detectar que o volume de recursos que chega aos bairros ricos é em média 4 vezes maior que chega aos bairros pobres.”

O leitor tinha todo o direito de ficar revoltado, né? Ocorre que eles usavam dados reais para contar uma falácia, para fazer uma conta de energúmenos ou de malandros. Sabem por quê? O orçamento das Subprefeituras CORRESPONDE A MENOS DE 4% DO ORÇAMENTO DA CIDADE. Pegar uma fatia ínfima desse Orçamento e tratá-lo como se representasse 100% é uma estupidez.

Nas contas perturbadas dessa turma, simplesmente não entram os investimentos das outras secretarias, prioritariamente voltados para as áreas pobres da cidade. O Hospital do M’Boi Mirim, por exemplo, entra na conta ou não? Não! E as AMAs que eram construídas nas periferias? E os novos CEUs? Ora, era e é absolutamente razoável que uma verba destinada basicamente à zeladoria seja maior em bairros já consolidados, onde bem pouco se pode investir.

Nossa São Paulo de volta
O ano eleitoral chegou, e a Nossa São Paulo está aí de novo para dizer quão detestável é São Paulo até mesmo num quesito em que a cidade é um “case” internacional. Leiam, em vermelho, trecho do que escreve Jair Stangler no Estadão Online. Volto em seguida.

A população deu notas baixas para Transparência e participação política em São Paulo (3,5)  e honestidade dos políticos (2,9), segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 18, pela Rede Nossa São Paulo.  O evento de lançamento da pesquisa Ibope sobre os Indicadores de Referência de Bem-Estar do Município (Irbem) contou com a participação dos pré-candidatos a prefeito de São Paulo Gabriel Chalita (PMDB), Netinho de Paula (PCdoB) e Soninha Francine (PPS),  além de representantes dos demais partidos. O PT enviou o vereador Antonio Donato no lugar de Fernando Haddad, que cumpria agenda como ministro; o PSOL, que ainda não definiu candidato, mandou o presidente municipal da legenda, Maurício Costa, e o PV, também sem candidato, mandou Luiz Carlos Bosio, da executiva municipal. PTB e PSDB não mandaram representantes.
(…)
A pesquisa mostrou ainda crescimento de insegurança na cidade. De 24% que consideravam a cidade nada segura em 2010, o número passou para 35% em 2011. Os pré-candidatos aproveitaram o dado para linkar com a questão da cracolândia, que vem pautando o debate na cidade nos últimos dias.

O Irbem constatou, entre outros dados, que 56% se mudariam da cidade se pudessem, 51% mais que no ano passado. Das 25 áreas, 19 receberam notas abaixo da média, que é 5,5. A nota geral para a qualidade de vida teve leve queda, passando de 5 para 4,9. A pior nota foi para Transparência e participação política, com 3,5. Acessibilidade para pessoas com deficiência ficou em 3,9 e Desigualdade Social com 4.

O levantamento apontou ainda preocupação dos paulistanos com o tempo de espera para ônibus - 22 minutos - e no tempo de espera para atendimentos de saúde - 52 dias para realização de consultas no serviço público, 65 para realização de exames e 146 dias para procedimentos complexos. Os números apresentaram melhoras, mas ainda são considerados altos.

30% consideram a atual administração municipal ruim ou péssima, contra 21% em 2010. Também houve queda no grau de confiança em instituições. A Câmara Municipal teve as piores respostas de desconfiança, com 69%, seguida pelo Tribunal de Contas do Município (63%) e pela Prefeitura (64%).
(…)

Voltei
A Nossa São Paulo faz alarde da pesquisa, certamente, na expectativa de que Kassab se aliará a tucanos na disputa pela Prefeitura. Não contava, creio, com a hipótese de que possa estar junto com Fernando Haddad…

Releiam este trecho do texto do Estadão: “A pesquisa mostrou ainda crescimento de insegurança na cidade. De 24% que consideravam a cidade nada segura em 2010, o número passou para 35% em 2011.” Que coisa! Nem mesmo se opta pela expressão “sensação de segurança”. Nada disso! Afirma-se que houve “crescimento de insegurança”. Não houve, não! A cidade nunca foi tão segura, com índice de homicídios, por exemplo, abaixo dos 10 por 100 mil habitantes. São Paulo é hoje a capital em que menos se mata. A redução de homicídios é de tal ordem que passou a ser um caso estudado internacionalmente.

Mas e daí? Observem que a capital que tem, inegavelmente, na média, os melhores serviços urbanos - é claro que há áreas mais ricas e áreas mais pobres - é caracterizada como um verdadeiro inferno. Está à espera do quê? Ora, do Godot com a estrela vermelha. Ou, então, quem sabe?, à espera dos bárbaros.

Diferenças
Outro dia um leitor indagou por que intervenção em cracolândia, no Rio, contava com o apoio da imprensa, das esquerdas, das ONgs etc. Respondi o óbvio: porque o PT é situação. Então não há crítica possível. Em São Paulo, como a gente sabe, “eles” estão na oposição.

O Estadão deu especial destaque para as notas aos políticos. É… Vai ver precisamos de uma cidade gerenciada por aquela inigualável ética petista. Algum espírito de porco poderia indagar, tentando ser sarcástico: “Não seria ruim, Reinaldo! Seria a ética que demitiu seis ministros acusados de corrupção”. Ao que eu responderia: “Não! Seria a ética que nomeou os seis acusados de corrupção!”

A Nossa São Paulo, independente como um táxi, produziu mais uma vez uma cartilha com arsenal para ser empregado pelo PT. Se o partido estiver unido a Kassab, aí a turma dá um jeito de dizer que é tudo culpa do PSDB e que, sem Kassab, poderia ter sido ainda pior…

Por Reinaldo Azevedo

18/01/2012

às 18:16

Se não existe memória, então tudo é permitido

A ação anticrack do governo federal em São Paulo também é evidência de um rebaixamento: o da qualidade da mentira. Houve um tempo em que ainda havia  disposição de boa parte da imprensa e dos agentes públicos para confrontar os petistas com a realidade. De adesão em adesão, as coisas foram mudando. E o Planalto já nem se ocupa mais em mentir direito. “Ah, qualquer coisa serve mesmo!”

Assim, um ministro de Estado, como Alexandre Padilha, vai à cracolândia, afirma que o governo federal pretende, em 2012, investir R$ 6,4 milhões no programa de combate à droga. Mas, até 2014, serão R$ 500 milhões, hein!!!. Ulalá: 1,28% agora e os demais 98,72% nos dois anos seguintes. Muito bem!

Na inauguração de uma creche - Dilma deveria ter construído 1.695 só no ano passado (fez quantas?), Fernando Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, discursa como se fosse o pai do Fundeb. Seu partido combateu este fundo, quando ele ainda se chamava Fundef.

Desmemoriados
Qual é o benefício que encontram os picaretas quando falam a desmemoriados ou a serviçais da causa? Não precisam jamais se explicar nem se ocupar com a coerência e com a história.

Se não existe memória, então tudo é permitido.

Por Reinaldo Azevedo

18/01/2012

às 6:33

Kassab procura Haddad e aumenta assédio a petistas

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
Depois de propor uma aliança ao ex-presidente Lula na eleição municipal de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) lançou uma ofensiva para tentar dobrar as resistências do PT ao acordo e atrair o pré-candidato do partido, Fernando Haddad. Nos últimos dias, ele ligou para o ministro e para vereadores e deputados petistas em busca de apoio à ideia. Prometeu negociar a adesão de outras siglas e de igrejas evangélicas e sugeriu seu secretário de Educação, Alexandre Schneider (PSD), como candidato a vice-prefeito.

A tese da aliança divide o PT, mas ganhou o apoio do Diretório Estadual e de parte das bancadas na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa. Petistas procurados por Kassab passaram a defender abertamente o acordo. “Nosso diálogo com Kassab não é artificial, irreal ou fora de contexto. O PT não pode mais ser um partido sectário”, afirma o vereador Francisco Chagas, que conversou anteontem com o prefeito.

“O PSD integra a base do governo Dilma e já apoia o PT em outros Estados e municípios paulistas”, argumenta. O deputado estadual João Antonio, ex-aliado da senadora Marta Suplicy que também foi procurado por Kassab, diz que a proposta de aliança deve ser discutida “sem preconceitos” no PT.

“O importante para nós é eleger o Haddad. As alianças têm que ser negociadas com este objetivo”, afirma. O presidente estadual do PT, Edinho Silva, é visto como um dos principais defensores da aliança com o PSD. A resistência à negociação é maior no Diretório Municipal e na Câmara, onde os petistas fazem oposição ao prefeito desde que ele sucedeu José Serra (PSDB), em 2006.

Haddad conversou com Kassab na quinta-feira. Nos relatos que fez a aliados, o ministro evitou expressar opinião sobre a proposta. Até o carnaval, o PT deve promover uma série de consultas a dirigentes locais para medir a aceitação da aliança com o PSD. O líder do partido na Câmara, Italo Cardoso, quer reunir os vereadores no dia 1º para discutir o tema. “Mas a decisão será tomada em Brasília ou em São Bernardo”, disse, numa referência ao Palácio do Planalto e à cidade onde mora Lula.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

13/01/2012

às 16:55

Uma boa candidata para o PSDB em 2014: Dilma!

No post abaixo, comento as, por assim dizer, relações entre PSDB, ou parte dele, e o PT - ou parte dele. O Globo de ontem trouxe informações significativas. Alberto Goldman, ex-vice-governador de São Paulo e vice-presidente do PSDB, escreveu um texto de análise sobre o governo Dilma para ser assinado pelo partido. A análise passou por uma cirurgia plástica quando submetida à direção nacional, comandada por Sérgio Guerra, sob a supervisão da ala mineira.

Goldman havia classificado o governo Dilma de “medíocre, amorfo e insípido”. Os adjetivos foram vetados. É um sinal de que os tucanos - os que mudaram o texto ao menos - discordam. Acham que o governo Dilma não é medíocre, amorfo ou insípido.

O vice-presidente do PSDB se referiu à gestão da presidente como “nono ano do governo Lula”, numa crítica à sua, segundo ele, falta de identidade política. Nem pensar! Os que mudaram o texto discordaram e devem achar, pois, que a presidente tem, sim, sua própria marca, daí porque rejeitaram também a caracterização, para Dilma, de “fantoche”. Goldman lembrou as palavras da própria petista, segundo quem Palocci, por exemplo, deixou o governo porque quis, e a classificou de “tolerante com a corrupção”. Isso também não passou.

Goldman fez o elenco de insucessos do governo, chamando-os de “constrangedora sucessão de fracassos”. De jeito nenhum! Depois de submetido à linguagem tucanamente correta, o texto identificou  apenas “sérios problemas em diversas áreas”.

Excelente!

Vejam bem: todo mundo tem o direito de achar o que bem entender do governo Dilma, inclusive o PSDB, principal partido de oposição - por enquanto ao menos. O texto de Goldman pode ter sido reescrito ou porque os tucanos realmente não compartilham daquela visão crítica ou porque, o que é até mais provável, acham que é besteira ser duro com um governo popular, ainda que discorde dele.

Eis um problema interessante: se a oposição, mesmo discordando, não discorda nem quando discorda, quem haverá de fazê-lo? Em tese, não será a situação, né? O Brasil, no entanto, é tão, vamos dizer, esquisito, que o PMDB acaba criando mais dificuldades ao governo do que o próprio PSDB… Era assim na gestão Lula.

Depois de tantos cuidados, os tucanos deveriam considerar seriamente a hipótese de uma coligação com Dilma em 2014. O duro vai ser convencer o PT. Se não lhe for permitido malhar o Judas bicudo e de vôo pesado, sobra o quê?

Por Reinaldo Azevedo

 

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