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Petrobras

18/12/2014

às 4:27

Em vez de pedir demissão, Graça força um chororô decoroso e deixa claro que balanço da Petrobras não terá credibilidade nem em 700 dias. É espantoso!

Graça Foster, a presidente da Petrobras, concedeu nesta terça-feira uma entrevista patética a um grupo de jornalistas. Ele admite que a empresa não tem condições de estimar o rombo provocado pela roubalheira. Tentando afetar uma humildade decorosa, afirmou que ela própria e todos os diretores podem e devem ser investigados. Também acho. Mas, para tanto, ela tem de sair de lá. Ela e todos os parceiros de diretoria. Disse, no entanto, que seguirá no cargo enquanto contar com o apoio da presidente Dilma Rousseff. Ok. É a outra Luluzinha quem decide. Mas a confiança da amiga vale muito pouco diante da desconfiança do mercado. Enquanto isso, a Petrobras derrete.

Disse Graça: “Não há a menor segurança de que em 45 dias, 90 dias, 180 dias, 365 dias, 700 dias, de que virão todas essas informações [sobre os desvios] em sua plenitude, porque pode vir uma informação agora e, depois, três ou quatro anos… Não sei como vai ser isso”. Diga aí,  leitor, que empresa de auditoria aceitaria assinar um troço desses?

Graça concedeu a entrevista no dia em que a Controladoria Geral da União admitiu que, só na operação de compra da refinaria de Pasadena, a empresa teve um prejuízo de US$ 659 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão), menor do que os US$ 792 milhões (R$ 2,1 bilhões) apontado antes pelo TCU. Como esquecer que, há não muito tempo, a mesma Graça que fez ontem seu exercício de humildade, foi ao Congresso para defender a compra, dizendo que ela era justificada à época?

Não só isso. Também foi ela quem assegurou no fim de março que não havia sinais de pagamento de propina na relação da Petrobras com a empresa holandesa SBM Offshore, conforme havia noticiado a VEJA em fevereiro. No mês passado, ela confirmou que havia, sim, irregularidades, das quais ela saberia desde meados do ano. É mesmo? E ela contou isso pra quem?

Ah, sim: a CGU determinou que a Petrobras instaure processos para cobrar o prejuízo de 22 pessoas, apontadas como responsáveis pela compra da refinaria de Pasadena, incluindo o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli, os ex-diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada.

A sangria da Petrobras parece não ter fim e tende a piorar, com os processos que começam a pipocar no exterior. Mais: se a estatal não apresentar o seu balanço devidamente auditado até o primeiro semestre do ano que vem — e quem se atreve a fazer essa auditoria?, insisto na pergunta —, aquela que já foi a maior empresa brasileira passa a figurar na “lista de inadimplentes” da Comissão de Valores Mobiliários. Essa lista reúne as empresas que não cumprem suas obrigações com a comissão e funciona como uma advertência para afastar investidores.

A Petrobras, hoje, está condenada. E Dilma parece não ter se dado conta do tamanho do problema. É espantoso!

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:39

Graça Foster: “Eu e diretores precisamos ser investigados”

Na VEJA.com:
Em meio a denúncias de corrupção na Petrobras, a presidente da estatal, Graça Foster, reconheceu que ela e diretores da companhia precisam ser investigados. “Eu preciso ser investigada, nós precisamos ser investigados, isso leva tempo”, afirmou a jornalistas. Pressionada para deixar o cargo, a executiva admitiu que “existem pessoas dentro da companhia preparadas para substituí-la. “Há dentro e fora da companhia pessoas que podem assumir a cadeira da presidente, mas acreditamos em nós, na nossa moral”, disse, considerando também outros diretores.  A operação Lava Jato da Polícia Federal, que já resultou na aceitação de várias denúncias pela Justiça Federal nesta semana, investiga um esquema de desvios em obras da estatal, envolvendo empreiteiras e pagamentos ilegais a políticos, que levou auditores independentes a se negarem a assinar o balanço do terceiro trimestre.

“Hoje estou aqui presidente da Petrobras enquanto eu contar com a confiança da Presidência, e ela (Dilma Rousseff) entender que eu deva ficar”, disse Graça Foster. “Minha motivação é não travar a assinatura do balanço da Petrobras por conta da investigação”, acrescentou.  Na última sexta-feira, a Petrobras adiou novamente a divulgação das demonstrações contábeis não auditadas do terceiro trimestre de 2014 para até 31 de janeiro, devido a desdobramentos da operação Lava Jato. O novo adiamento foi possível porque os credores aceitaram mudanças nos termos contratuais dos bônus (covenants) que tratam dos prazos para a apresentação dos resultados, eliminando o risco de a empresa ter que pagar antecipadamente parte da dívida crescente.

Ainda segundo Graça, a atual diretoria precisa ter uma sinalização positiva de que está em condições de permanecer, do ponto de suas práticas de governança, e para isso necessita ser investigada, o que poderá atrasar ainda mais a divulgação do balanço. Segundo reportagens publicadas pela imprensa nos últimos dias, a presidente da Petrobras teria sido avisada sobre irregularidades na estatal. Entre as denúncias publicadas por jornais estão o pagamento de 58 milhões de reais para serviços que não foram prestados na área de comunicação, em 2008; superfaturamento de 4 bilhões de dólares para mais de 18 bilhões de dólares nos custos da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; e contratações de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 4:52

FHC não quebrou o Brasil, mas o PT quebrou a Petrobras. Ou: Perda de valor de mercado corresponde a mais de 25 anos de Bolsa Família. Dilma, no entanto, brinca com Graça de Clube das Luluzinhas Enfezadas

Graça Foster escarnece dos fatos, e Dilma Rousseff escarnece da razão. Em seis anos, o valor de mercado da Petrobras foi reduzido a quase um sexto: de R$ 737 bilhões em 2008 para R$ 135 bilhões agora e dívida de R$ 330 bilhões. Ou seja: quebrou! O patrimônio público está evaporando. É a incompetência alimentando a roubalheira, e a roubalheira alimentando a incompetência. Quando nos lembramos de que o PT fez terrorismo com a suposta intenção dos tucanos de privatizar a estatal em 2002, 2006 e 2010, nos damos conta da obra desses vigaristas. Se Dilma insistir em não fazer nada, daqui a pouco ninguém aceita a Petrobras nem de graça. A gente não precisa fazer muitos malabarismos: houvesse um regime parlamentarista, o gabinete já teria sido dissolvido, e Dilma não se elegeria mais nem vereadora.

Não dá! As evidências de que Venina Velosa da Fonseca advertiu Graça para os procedimentos heterodoxos vigentes na Petrobras são inquestionáveis. E ela o fez em 2009, 2011 e 2014. Observem que não entro no mérito das motivações da denunciante. Se há algo contra ela, que se investigue. Que Graça dispunha de elementos para agir, que lhe foram fornecidos por uma alta executiva, isso é inquestionável. E ela não fez nada. Como não fez em fevereiro deste ano, quando VEJA trouxe à luz o escândalo envolvendo a empresa holandesa SBM Offshore. Ou melhor, fez: negou que houvesse irregularidades.

As ações da Petrobras despencaram outra vez. Há uma conjunção de fatores externos negativos, sim, mas isso não justifica a pindaíba em que se encontra. A estatal brasileira é hoje sinônimo mundial do que não se deve fazer, de má governança. É preciso ser um rematado idiota ou dotado de incrível má-fé para ignorar o que se passou por lá. E a sangria está longe do fim, uma vez que a empresa é agora investigada nos EUA, na Holanda e na Suíça. Se o descalabro continua, sem uma resposta efetiva do governo, a Petrobras, prestes a perder a classificação de “grau de investimento”, pode até ser proibida de operar na Bolsa de Nova York. Aí, meus caros, é o fim da linha.

Mas não há horror que faça o comando da empresa descer de seu pedestal de arrogância. Nesta terça, em comunicado à dócil Comissão de Valores Mobiliários, a direção da estatal veio com a história de que Graça fora advertida por Venina para eventuais desvios de conduta apenas em novembro, como se isso fizesse alguma diferença a esta altura do jogo.

Dilma está vivendo um processo de alienação da realidade. Decidiu proteger sua “amiga” Graça Foster. Deve achar que há espaço para brincar de Clube das Luluzinhas Enfezadas. Não há. A Petrobras beija a lona, e a presidente da estatal brinca de desqualificar uma funcionária. Dilma não se deu conta de que o desastre decorrente da herança maldita do lulo-petismo na estatal está só no começo. O pior ainda está por vir.

E está mesmo. Com o preço do barril de petróleo no atual patamar, a exploração do pré-sal já é antieconômica. Pior: as regras de partilha definidas pelo petismo, com o seu nacionalismo de fancaria, impõem à Petrobras um desembolso de recursos de que ela não dispõe. Dilma estuda agora mudar as regras, que eram consideradas cláusulas pétreas da visão petista de mundo. Mas como? A turma ainda não sabe.

E já que o patético não tem limites, os petralhas deram início a uma corrente na Internet estimulando a companheirada a comprar ações da Petrobras. Ocorre que não se deve confundir mau-caratismo com burrice. Parece que a campanha não vai emplacar.

É fácil Dilma fazer a Petrobras voltar a valer R$ 700 bilhões no mercado. Basta anunciar que, depois de saneada, a empresa será privatizada. O mercado lerá nisso o sinal de que os ladrões e os petistas — e também os petistas ladrões — serão definitivamente chutados de lá. Os brasileiros não mais serão roubados — não na estatal ao menos —, e o Brasil efetivamente sairá ganhando.

FHC não quebrou o Brasil nem uma, nem duas, nem três vezes, à diferença do que disse Dilma na campanha eleitoral. Mas o PT quebrou a Petrobras.

Para encerrar: em 2013, o Bolsa Família repassou aos miseráveis R$ 24,5 bilhões. De fato, é uma merreca. Só o que a Petrobras perdeu em valor de mercado em seis anos corresponde a mais de 24 anos de Bolsa Família. Se a gente acrescentar o valor roubado com superfaturamento, chega-se perto da eternidade. Abreu e Lima, por exemplo, estava orçada em US$ 2,5 bilhões e, hoje, já está custando US$ 20 bilhões.

Os ladrões no Brasil perderam a modéstia e o senso de proporção.

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 15:31

É o fim da picada o jornalismo do nariz marrom falar de Lula candidato antes do fim de 2014, enquanto a Petrobras, sua herança maldita, afunda!

Chega a ser asqueroso. Enquanto somos informados de que as ações da Petrobras caíram 25% em uma semana, temos também a notícia de que Luiz Inácio da Silva — sim, ele mesmo! — já está em franca movimentação com dois propósitos: a) interferir o máximo possível no governo Dilma e b) preparar uma nova candidatura à Presidência em 2018.

O futuro pertence mais a Deus — ou ao indeterminado, a depender das crenças de cada um — do que à vontade dos homens, isso é certo. O próprio Lula deve saber disso. Não creio, para ser franco, que, hoje, em 2014, ele próprio leve tão a sério a possibilidade de voltar a concorrer. Mesmo assim, constate-se: é de uma arrogância sem-par o grande maestro do descalabro que aí está autorizar o pré-lançamento de seu nome à Presidência como uma espécie de ameaça ao jogo político.

Lula sabe bem o que faz. Os dois primeiros anos do segundo mandato de Dilma não serão nada fáceis. Para 2015, já está contratado um crescimento inferior a 1% — e há pessoas muito racionais falando até em recessão. É claro que a oposição tende a crescer em momentos assim — ao menos é o que se espera, para o bem do país e da democracia. Ao se colocar como o grande fantasma de 2018, o imbatível, Lula pretende congelar o jogo político e desestimular os apetites. Ai das oposições se caírem nessa conversa!

Agora e nos meses e anos vindouros é hora, mais do que nunca, de apontar a nudez do rei. Dilma é, sim, corresponsável pelo colapso da Petrobras — quando menos porque não fez nada do que poderia ter feito em quatro anos de mandato para mudar a rotina de descalabros. Mas é evidente que ela não é autora da equação. O modelo que faz da estatal apenas uma franja de um partido político e instrumento da tomada do Estado por esse partido não é dela, é do PT.

Quem transformou a Petrobras numa engrenagem macabra e corrupta para conquistar a base de apoio por intermédio da compra de parlamentares foi o lulo-petismo. O homem  que “ameaça” voltar é o responsável último pela situação pré-insolvente da empresa, que só não quebrou ainda — nem vai quebrar — porque majoritariamente pública.

O jornalismo que se dedica à fofoca desse universo em que transita Lula, que o transforma numa espécie de grande pensador desse maquiavelismo de botequim e que, mesmo de forma mitigada, canta suas glórias de grande estrategista se dedica a uma variante nada edificante do culto à personalidade. Lula tem de ser visto, sim, como o maestro, mas de um modelo que entrou em falência e que tende a condenar o Brasil a mais alguns anos de atraso.

Nunca — e nunca quer dizer precisamente isto: nunca — a Petrobras se viu na situação em que está agora. E sempre cabe lembrar que essa gente tem um método, não uma tara especial por esta ou por aquela empresa. Repita-se o óbvio: a Petrobras tem um grau de profissionalização de seu corpo técnico superior ao de outras estatais e ao da administração direta — refiro-me aos ministérios, que manipulam verbas do Orçamento. Se o padrão de governança por lá é o que vemos, dá para imaginar como se passam as coisas em ambientes menos controlados.

A despeito de sua movimentação frenética, Lula deveria, isto sim, é ser visto como uma página virada da história, a não ser pela herança maldita de um modelo. Em vez disso, está sendo tomado como o grande fator da eleição de 2018.

Com a devida vênia, esse tipo de “jornalismo”, se é que assim pode ser chamado, é mesmo falta de vergonha na cara. 

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 3:25

Inação de Dilma no caso Petrobras já beira o crime de responsabilidade

A presidente Dilma Rousseff, abraçada a seus dois mandatos — o que ela já tem e o que ela ainda terá —, vê a Petrobras virar pó e não consegue sair do lugar. É impressionante! Parece estar em transe. A situação não faz senão piorar, e a presidente que há e a que haverá se estreitam num abraço insano. Os papéis preferenciais da estatal (PN, sem direito a voto) caíram 9,20%, maior queda diária desde 27 de outubro deste ano, para R$ 9,18 reais. Os ordinários (ON, com direito a voto) recuaram 9,94%, a R$ 8,52, as menores cotações, respectivamente, desde 20 de julho de 2005 e 15 de setembro de 2004. O desempenho da empresa jogou o Bovespa para baixo, frechando em queda de 2,05%, aos 47.019 pontos.

A conjuntura internacional explica parte do desastre? Explica. O preço do barril do petróleo não é nada estimulante para a petroleira; a economia americana se recupera, o que provoca uma migração de papéis dos países emergentes para os EUA, parte do movimento de aversão ao risco etc. Assim, ainda que as ações da gigante brasileira estivessem nas nuvens, é justo inferir que teriam caído um pouco — quem sabe tivessem despencado.

O problema é que as ações já estavam no fundo do poço em razão de fatores que nada têm a ver com a economia mundial. O que conduziu a Petrobras à beira do colapso foi a roubalheira. Juntam-se, assim, fatores que não dependem de escolhas feitas pelo governo brasileiro com outros que dependem, sim. Até quando Dilma pretende empurrar com a barriga a necessária substituição de toda a diretoria da empresa? A governanta tem alguma esperança de que Graça Foster, presidente da estatal, recupere a credibilidade? De que modo?

A mais recente notícia escabrosa saída daquele hospício de malfeitores informa que, ora vejam, a diretoria da estatal subscreveu um contrato em branco com a empresa holandesa SBM Offshore para a construção do navio-plataforma P-57. Isso aconteceu na sexta-feira, 1º de janeiro de 2008. O contrato de construção da P-57 (nº 0801.0000032.07.2), que chegou à CPMI da Petrobras, não contém “informação expressa sobre seu valor”, relataram os técnicos, por escrito, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Só para lembrar: mesmo assim, o relator, Marco Maia (PT-RS), não viu nada de errado.

Voltemos à Petrobras. Dilma está esperando o quê? A inação já beira o crime de responsabilidade, conforme o expresso na alínea 3 do Artigo 9º da Lei 1.079: “Não tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição”. A melhor maneira que Dilma tem de cobrar a responsabilidade desses subordinados é demitindo-os.

Texto originalmente publicado às 22h33 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

15/12/2014

às 21:59

Petrobras assinou contrato em branco com empresa holandesa

Esta reportagem foi publicada no Globo, circula desde hoje de manhã na página eletrônica do jornal e tem de ficar registrada aqui. Eis o padrão de governança que vigia na Petrobras na gestão dos companheiros. Já deveria ter tratado antes do assunto, mas o dia foi meio confuso, hehe. Adiante. Trato da Petrobras no próximo post,
*
Por José Casado, Ramona Ordoñez, Bruno Rosa, Karla Mendes, Antonio Werneck e Thiago Herdy:
Bruno Chabas resolveu atualizar a correspondência quando viu um recado de Zoe Taylor-Jones, advogado da SBM, empresa holandesa que possui US$ 27,6 bilhões em contratos de navios e plataformas marítimas com a Petrobras. Eles lideravam a equipe que há meses revolvia os arquivos da diretoria recém-demitida. Rastreavam pagamentos de US$ 102,2 milhões em propinas a dirigentes da Petrobras, intermediados pelo agente da companhia no Brasil Julio Faerman. “Cavalheiros, sinto muito, mas esta é a última cereja do bolo”, ele escreveu a Chabas, presidente da SBM, e a mais quatro diretores, acrescentando: “Nós pagamos também a conta de telefone e de internet de Faerman”. Anexou uma fatura pendente de R$ 1.207,00 da operadora Sky. Era 1h35m da madrugada de terça-feira, 17 de abril de 2012. Com a agenda da manhã seguinte sobrecarregada pela auditoria, Chabas mandou uma resposta irônica antes de dormir: “Essa relação nunca pára de me surpreender”.

Mais surpreendidos ficaram, dias atrás, os auditores e advogados do Tribunal de Contas da União, da Receita Federal e do Banco Central que analisaram para o Congresso a documentação dos negócios da Petrobras com a SBM. Comprovaram, por exemplo, que a diretoria da estatal subscreveu um contrato em branco para a construção do navio-plataforma P-57. Isso aconteceu na sexta-feira 1º de janeiro de 2008. O contrato de construção da P-57 (nº 0801.0000032.07.2), que chegou à CPMI, não contém “informação expressa sobre seu valor”, relataram os técnicos, por escrito, à Comissão Parlamentar de Inquérito.

Na cláusula específica (“Quinta — Preço e Valor”), os campos simplesmente não foram preenchidos. Ficaram assim:
“5.1 O valor total estimado do presente CONTRATO é de R$ xxxxx (xxxx), compreendendo as seguintes parcelas:
5.1.1 R$ xxxxx (xxxx), correspondente aos serviços objeto do presente CONTRATO, sendo R$ _____ ( ) referente a serviços com mão-de-obra nacional e R$ _____ ( ), referente a serviços com mão de obra não residente;
5.1.2 R$ xxxxx (xxxx), correspondente aos reembolsos contratualmente previstos”.

Quase um ano depois
Somente 207 dias depois — ou seja, passados sete meses — é que “esses valores foram ‘preenchidos’”, registraram os assessores da CPMI. O “Aditivo nº 1” foi assinado na terça-feira 26 de agosto de 2008, mas ainda sem especificar os valores completos dos serviços nacionais e estrangeiros. A plataforma P-57 foi vendida por US$ 1,2 bilhão à Petrobras. Por esse negócio, a SBM pagou US$ 36,3 milhões em propinas — o maior valor entre seus casos de corrupção no Brasil, como admitiu, em acordo de leniência com a promotoria da Holanda e o Departamento de Justiça dos EUA.

A empresa holandesa confessou ter distribuído US$ 102,2 milhões em subornos a dirigentes da Petrobras, entre 2005 e 2011. Assim, obteve 13 contratos de fornecimento de sistemas e serviços à estatal. Foram suas operações mais relevantes no país, durante os últimos cinco anos da administração Lula e no primeiro ano do governo Dilma Rousseff.

As propinas foram “para funcionários do governo brasileiro”, constataram a Receita e o Ministério Público da Holanda. Os pagamentos, segundo eles, fluíram a partir de empresas criadas pelo agente da SBM no Rio, Julio Faerman, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Faerman controlava três (Jandell Investiments Ltd., Journey Advisors Co. Ltd. e Bien Faire Inc.) e partilhava outra (Hades Production Inc.) com o sócio carioca Luis Eduardo Barbosa da Silva. Quem assinou o contrato da P-57 foi Pedro José Barusco Filho, que, na época, era gerente executivo da Diretoria de Engenharia e Serviços, comandada por Renato de Souza Duque.

No mês passado, Barusco se apresentou à procuradoria federal. Entregou arquivos, contas bancárias e se comprometeu a fazer uma confissão completa em troca da atenuação de penalidades. Informou possuir US$ 97 milhões guardados no exterior, dos quais US$ 20 milhões na Suíça já estão bloqueados. Duque foi preso e depois liberado. Agora, enfrenta acusações de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência com políticos do Partido dos Trabalhadores. Ele nega tudo.

A comissão parlamentar de inquérito identificou outros sete funcionários da Petrobras envolvidos no processo de compra da P-57. Eles são: Márcio Félix Carvalho de Bezerra; Luiz Robério Silva Ramos; Cornelius Franciscus Jozef Looman; Samir Passos Awad; Roberto Moro; José Luiz Marcusso e Osvaldo Kawakami. Um ano depois da assinatura do contrato, a P-57 entrou no projeto de propaganda eleitoral do governo. Foi em outubro de 2009, quando Lula preparava Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, para disputar a eleição presidencial de 2010.

O então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que é filiado ao PT, formatou um calendário de eventos. Escolheu o período entre o primeiro e o segundo turnos, em outubro de 2010, para o “batismo” da plataforma, sob a justificativa do 57º aniversário da estatal. Era preciso, no entanto, garantir a entrega antecipada do equipamento. O diretor Duque e seu gerente Barusco recorreram ao agente da SBM no Rio. Faerman informou ser possível, mas a custos extras. Seguiu-se uma negociação com os funcionários Mario Nigri Klein, Ricardo Amador Serro, Antonio Francisco Fernandes Filho e Carlos José do Nascimento Travassos.

Em abril de 2010, Duque aprovou a despesa extraordinária pela antecipação da entrega da plataforma, apoiado por Barusco e outro gerente, José Antônio de Figueiredo. Lula comandou o “batismo” da plataforma em comício em Angra dos Reis (RJ), na quinta-feira 7 de outubro. A antecipação da entrega para o evento, em meio à disputa presidencial, custou à Petrobras um extra de US$ 25 milhões. A SBM enviou US$ 750 mil líquidos para empresas de Faerman nas Ilhas Virgens Britânicas.

Tendo trabalhado por seis anos na estatal, nos anos 60, o agente da SBM no Rio conhecia como poucos os chefes, suas carreiras e as áreas de decisão na sede da Avenida Chile, no Centro. Mantinha encontros semanais com alguns. Havia um padrão de abordagem, relata um engenheiro da Petrobras, evitando citar nomes. Iniciante na estatal, nos anos 90, passou a receber sucessivos elogios de um executivo da SBM no Rio, por seu desempenho nas avaliações dos projetos de afretamento de sondas e plataformas, etapa decisiva na rotina pré-contratual. “Fiquei empolgado. Afinal, era um simples funcionário, estava começando e já recebia elogios de executivo de empresa de porte”, contou. Um dia foi convidado para um jantar na Zona Sul.

A conversa suave, regada a vinho, derivou para seu trabalho na seção de custos de afretamentos. Depois de escolher o prato, o funcionário da Petrobras escutou uma proposta do representante, conhecido como o “homem forte” da SBM: “Quero compartilhar com você parte da minha comissão”, disse-lhe, apontando o dedo indicador para o alto, em alusão a eventuais lucros.

O incômodo à mesa é inesquecível: “Não dormi naquela noite. Depois me convidaram várias vezes para trabalhar, até que desistiram. No início de 2012, quando rastreava propinas pagas no Brasil, o advogado da empresa holandesa Zoe Taylor-Jones perguntou a Faerman sobre sua rotina de contatos, presentes e propinas a funcionários da Petrobras. Ele negou, dizendo que se limitava a “enviar cartões de Natal”.

É certo que o agente da SBM no Rio mantinha uma rede de informantes no centro de decisões da estatal. Em junho de 2009, enviou a um dos chefes da companhia holandesa o projeto da Petrobras para criação de estações de liquefação de gás em alto-mar. “É informação muito confidencial nesse estágio e tem implicações muito sérias se alguma coisa vazar”, advertiu.

A cúpula em Amsterdã recebeu, também, uma cópia do “Plano Diretor do Pré-Sal”, classificado como “confidencial”, um mês antes de sua aprovação pela diretoria-executiva da Petrobras. O documento foi copiado com a senha “SG9W”, pertencente a Jorge Zelada, diretor Internacional. Ele admitiu, em audiência no Congresso, a propriedade, mas negou o repasse do plano do pré-sal. “A senha é como uma assinatura digital”, lembrou o gerente de segurança da estatal, Pedro Aramis, em outra audiência.

Neste domingo, a Petrobras divulgou nota lembrando que, há dez meses, “tem se empenhado em apurar todas as relações entre representantes da empresa e representantes da SBM Offshore, buscando evidenciar eventuais desvios de conduta”. Acrescentou que, nesse período, “uma Comissão Interna investigou todos os empregados que tiveram participação direta ou indireta nos processos de contratação com a SBM, independente da posição gerencial ou técnica, passada ou presente, na companhia”.

“Mesmo sem encontrar evidências de suborno” — prossegue — recomendou-se a continuidade da apuração “de indícios de atos impróprios”. As informações obtidas “foram encaminhadas às autoridades”, conclui a Petrobras

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2014

às 5:55

Graça ataca autora das denúncias para continuar com o nariz fora d’água. Ou: Querem saber como seria o país comandado pelo PT e sem oposição? Olhem para a Petrobras!

Graça Foster, presidente da Petrobras, tenta se manter com a cabeça fora d’água. Se conseguir, pior para a estatal. As ações voltaram a despencar nesta sexta-feira. Sim, caiu o preço do barril do petróleo, como é sabido. É a razão da hora. A questão é saber onde estava a empresa brasileira quando veio esse fator conjuntural. Resposta: no fundo do poço. A agonia parece não ter fim, e Dilma, a nefelibata, finge que não é com ela. Só que é.

Nesta sexta, o comando da estatal resolveu agir como de costume. Diante das evidências — e evidências são — de que fora advertida das lambanças como diretora e como presidente da empresa, Graça mobilizou a sua turma para desqualificar a acusadora, Venina Velosa da Fonseca — que teria até ameaçado seus chefes porque perdeu um posto importante.

A questão aí não é “de quem”, mas “do quê”. Sim, é sempre bom saber o nome do autor de uma denúncia. A pessoa pode ter interesse objetivo quando faz uma acusação. Se uma grave ilegalidade está sendo apontada, no entanto, é ainda mais relevante saber se estamos diante de uma verdade ou de uma mentira.

Fato 1: a roubalheira na Petrobras aconteceu.

Fato 2: Venina advertiu Graça (pouco importam as suas intenções).

Fato 3: Graça não tomou nenhuma providência.

Nem ela nem o presidente que a antecedeu, José Sérgio Gabrielli, que vai se agigantando, a cada dia, como o chefe de uma casa de horrores. Que ironia! A Petrobras serviu de cavalo de batalha dos petistas nas eleições de 2002, 2006 e 2010. Lá vinha, invariavelmente, a mentira em tom de ameaça: “Os tucanos querem privatizar a Petrobras…”. Eis aí: essa Petrobras que temos é aquela privatizada pelo PT. O que lhes parece?

Se o preço do barril de petróleo cair mais um pouco — ou, vá lá, se vier a se estabilizar no atual patamar, a Petrobras estará ainda mais encalacrada do que hoje. Todo o chamado “Plano de Negócios” do pré-sal vai para a cucuia. Os males que o PT causou ao setor de energia no Brasil não serão corrigidos num tempo curto. O partido errou no diagnóstico, errou no prognóstico, errou na operação. E coroa a falta de competência com a evidência de que comandou, com certeza, a gestão mais corrupta da história da empresa. Procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato esperam ouvir Venina nos próximos dias.

Ainda não há uma data agendada para o depoimento.

Balanço
A situação é de tal sorte difícil para a empresa que ela teve de adiar de novo o balanço do terceiro trimestre. Estamos a 18 dias do fim do quatro trimestre. A PwC (PricewaterhouseCoopers), como se sabe, se negou a assinar os demonstrativos em razão das sem-vergonhices que vieram à luz. A empresa teria de dar baixa em seus ativos dos valores carreados para a corrupção. Mas quanto? Eis o busílis. A estatal anunciou que recorreria a outros auditores. Mas, pelo visto, a coisa não anda fácil. O novo prazo agora é 31 de janeiro.

Cabeça erguida?
Lula pede que seus “companheiros” ergam a cabeça e estufem o peito de orgulho. Mas a Petrobras não deixa. A rigor, a empresa é a síntese e o sumo da forma como esses patriotas governaram o Brasil.

Encerro com uma provocação àquela banda — ou àquele bando — do jornalismo que deu agora para demonizar políticos e eleitores de oposição. Na maior estatal brasileira, o PT foi senhor absoluto por 12 anos. O resultado é o que se vê.

Ou por outra: se vocês querem saber como é um governo petista sem resistência, olhem para a Petrobras. É o que os companheiros gostariam de fazer com o Brasil.

Texto publicado originalmente às 5h09
Por Reinaldo Azevedo

12/12/2014

às 19:21

Justiça aceita denúncia contra Costa, Youssef e mais sete

Na VEJA.com:
O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, aceitou nesta sexta-feira denúncia contra o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e outras sete pessoas, entre elas o vice-presidente da construtora Engevix, Gerson de Mello Almada, dois diretores da empreiteira, Newton Prado Júnior e Carlos Eduardo Strauch Albero, e Enivaldo Quadrado, que já havia sido condenado por lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão. Com a decisão do juiz, também passam a ser réus Waldomiro de Oliveira (laranja de Youssef na MO Consultoria), Carlos Alberto Pereira da Costa (gestor de empresas de Youssef) e Luiz Roberto Pereira (ex-diretor da Engevix).

Nesta quinta-feira, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra 36 pessoas, 22 delas ligadas a empreiteiras. Desse total, nove pessoas tiveram as denúncias aceitas hoje, e as demais ainda serão analisadas pelo juiz nos próximos dias. Esta foi a primeira acusação contra uma empreiteira acolhida pela Justiça no escândalo do petrolão.

Em sua decisão, Moro afirma haver indícios de crimes como o de organização criminosa e lavagem de dinheiro, justifica a manutenção das prisões de executivos da empreiteira Engevix e determina o agendamento, para o próximo ano, dos primeiros depoimentos para que testemunhas revelem detalhes do petrolão. Ele também relata o funcionamento do cartel de empreiteiras, conhecido como “Clube do Bilhão”, que atuava na fraude e combinação de licitações na Petrobras e no pagamento de propina a ex-funcionários da estatal.

“Os agentes públicos, entre eles o ex-Diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, tinham o papel relevante e não turbar o funcionamento do cartel e ainda de tomar as providências para que a empresa definida pelo Clube de empreiteiras para vencer a licitação fosse de fato escolhida para o contrato”, diz o magistrado.

Engevix
Ao receber a denúncia e transformar os suspeitos em réus, Moro descreve como a construtora Engevix tentou burlar a Justiça com a apresentação de contratos e notas fiscais falsas ao longo da Lava Jato e diz que depoimentos de réus que assinaram acordos de delação premiada e documentos apreendidos pelos policiais federais apontam que Gerson de Mello Almada, vice-presidente da construtora, seria na empreiteira “o principal responsável pelo esquema criminoso”. No escritório do executivo, a polícia apreendeu documentos que apontam a existência do “Clube do Bilhão” e de papéis que corroboram os acertos para fraudar licitações da Petrobras.

“Em relação aos agentes da Engevix Engenharia, há diversas razões especificadas na denúncia para a imputação, como o depoimentos dos colaboradores, o  envolvimento deles na celebração dos contratos fraudulentos, o fato de figurarem em comunicações eletrônicas com o grupo dirigido por Alberto Youssef ou o próprio resultado da busca e apreensão”, diz o juiz. Em decorrência do esquema criminoso, os dirigentes da Engevix pagavam pelo menos cerca de 1% sobre o valor dos contratos e aditivos à Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, comandada à época por Paulo Roberto Costa.

Testemunhas
Na decisão em que confirma o recebimento da denúncia, o juiz Sergio Moro determinou que o dia 3 de fevereiro de 2015 seja reservado para os primeiros depoimentos de testemunhas de acusação envolvendo a Engevix. Na data deverão ser ouvidos Leonardo Meirelles, apontado como testa de ferro do doleiro Alberto Youssef; João Procópio, considerado pelos policiais como “laranja” do doleiro; e a ex-contadora Meire Poza, que, conforme revelou VEJA, deu detalhes à justiça sobre como as empreiteiras que tinham negócios com a Petrobras forjavam a contratação de serviços para desviar dinheiro. Em fevereiro também serão ouvidos Augusto Ribeiro, da empresa Toyo Setal e que revelou, em acordo de delação premiada, que parte da propina recolhida pela quadrilha foi repassada para o caixa do PT por meio de doações oficiais entre 2008 e 2011; e Júlio Gerin Camargo, que afirmou em depoimento à Justiça Federal que o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como o operador do PMDB no escândalo do petrolão, exigiu, em 2005, propina de 40 milhões de dólares para conseguir um contrato para a sul-coreana Samsung.

Ao todo, já haviam sido propostas dez ações penais resultantes da operação Lava Jato. O Ministério Público Federal contabiliza que, no megaesquema de corrupção desvendado pela Operação Lava Jato, havia pelo menos três núcleos de atuação da organização criminosa: dirigentes das empreiteiras, empregados de alto escalão da Petrobrás e profissionais de lavagem de dinheir

Por Reinaldo Azevedo

12/12/2014

às 16:13

Vá embora, Graça! Deixe em paz o patrimônio do povo brasileiro!

Há mais de quatro meses venho cobrando aqui, sistematicamente, a demissão de Graça Foster, presidente da Petrobras. Ainda que nenhuma suspeita houvesse contra ela; ainda que tivesse um passado impoluto como as flores; ainda que fosse um verdadeiro gênio da raça na área administrativa, esta senhora deveria ter caído no começo de agosto, quando ficou evidente que tivera acesso prévio a perguntas que lhe seriam feitas na CPI. Mais do que isso: ficou comprovado que um grupo se reuniu no gabinete da presidência da estatal para combinar a maneira de fraudar a legitimidade da Comissão Parlamentar de Inquérito. Há um vídeo a respeito. É inquestionável. Trata-se de um fato comprovado, não de uma suspeita.

De agosto a esta data, Graça tem visto minguar a sua reputação; de agosto a esta data, o passado de Graça tem sido reescrito por fatos nada abonadores; de agosto a esta data, a técnica com fama de competente e irascível tem-se mostrado apenas mais um quadro do PT na Petrobras, lá instalado não com a missão de moralizar a empresa, mas de salvar a pátria dos companheiros.

Nesta sexta, ficamos sabendo que uma executiva da Petrobras — seu nome: Venina Velosa da Fonseca — denunciou tanto à diretoria anterior da estatal como à atual a existência de um esquema de roubalheira na empresa (leia posts anteriores). E o que fez a diretoria anterior? Nada! E o que fez a atual? Nada também! De quebra, as acusações de Venina atingem, e com bastante verossimilhança, o governador da Bahia, Jaques Wagner, candidato a ser um dos homens fortes do governo Dilma.

A presidente da República não pode assistir, inerme, à desconstituição da Petrobras sem tomar uma medida drástica. É preciso, e com urgência, criar uma espécie de gabinete de crise — composto, também, de técnicos sem vinculações com a estatal — para enfrentar a turbulência.

Se o episódio da CPI não fosse grave o bastante para inviabilizar a permanência de Graça, há o caso, escandaloso por si, da empresa holandesa SMB Offshore. Em fevereiro, VEJA denunciou que a gigante havia pagado propina a intermediários na Petrobras em operações de aluguel de navios. Em março, a presidente da estatal concedeu entrevista negando quaisquer irregularidades; no mês passado, ela as admitiu, afirmando que tinha conhecimento das falcatruas desde meados do ano. Graça só se esqueceu de que a Petrobras é uma empresa de economia mista e de que seus acionistas merecem satisfação. Esse seu comportamento servirá de prova contra a empresa em ações múltiplas nos EUA contra a estatal, que pode assumir proporções bilionárias.

Não! Graça não é a moralizadora de que a Petrobras precisa. Graça é apenas a moralizadora de que o PT precisa. E, a esta altura, está muito claro que os interesses do PT e da Petrobras não se misturam. Ao contrário: a cada dia fica mais claro que o que é bom para a Petrobras é ruim para o PT e que o que é ruim para o PT é bom para a Petrobras.

Vá embora, Graça! Deixe em paz o patrimônio do povo brasileiro.

Por Reinaldo Azevedo

12/12/2014

às 15:07

É BOM PARAR ANTES DE COMEÇAR, DILMA! Denúncias atingem Jaques Wagner, candidato a ser um dos homens fortes de Dilma no futuro governo

O governador da Bahia, Jaques Wagner, candidato a ser um dos homens fortes do segundo governo Dilma, pode ser engolfado pelo caso Petrobras. Não custa lembrar que ele é originário do sindicalismo petroleiro. Reproduzo trecho de texto da Folha sobre as denúncias feitas por Venina Velosa da Fonseca (leia posts anteriores).
*
A ex-gerente também alertou a atual presidente da estatal, Graça Foster, e o atual diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza — que substituiu o delator Paulo Roberto Costa —, de acordo com mensagens internas da Petrobras a que o “Valor” teve acesso. Venina prestará depoimento ao MPF (Ministério Público Federal) em Curitiba, no âmbito na Operação Lava Jato, na próxima semana.

A Petrobras divulgou nota nesta sexta-feira em que afirma que todas as informações enviadas pela funcionária foram apuradas. A empresa não confirma se Foster e Cosenza receberam os e-mails publicados pelo jornal. Os alertas são referentes a desvios em três áreas da empresa.

Relembrando
Conforme a Folha publicou na ocasião, Venina denunciou naquele ano [em 2009] que o então gerente de Comunicação da área de Abastecimento, Geovane de Morais, havia autorizado irregularmente gastos milionários sem qualquer comprovação da efetiva prestação de serviços, com fortes indícios de desvio de recursos. Baiano de Paramirim, Morais é ligado ao grupo político petista oriundo do movimento sindical de químicos e petroleiros do Estado, do qual fazem parte Wagner e Rosemberg Pinto, então assessor especial do presidente de Sérgio Gabrielli, que também é da Bahia.

Após as denúncias divulgadas pela Folha, uma auditoria interna realizada na Petrobras constatou as suspeitas de fraudes e desvio de recursos nos pagamentos autorizados por Morais. Duas produtoras de vídeo que trabalharam nas campanhas do ex-governador Jaques Wagner e de duas prefeitas do PT receberam R$ 4 milhões da Petrobras em 2008, sem licitação, em projetos autorizados por Morais.

Como gerente de Comunicação da área de Abastecimento, Morais era subordinado ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, delator e pivô do atual escândalo de corrupção na Petrobras.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

12/12/2014

às 14:55

Oposição pede afastamento de Graça Foster da Petrobras

No Estadão:
A revelação de que uma ex-gerente executiva da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás alertou a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, sobre irregularidades na estatal fez com que líderes da oposição pedissem a substituição imediata do comando da empresa. Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), “é inadmissível que não se promova uma mudança radical na Petrobrás”. “Se não há participação direta (no esquema), há o crime de omissão, de conivência e de cumplicidade”, afirmou nesta sexta-feira, 12. “Não há como tolerar essa passividade do governo com relação aos gestores da Petrobrás”.

Reportagem do jornal Valor Econômico (leia post anterior) publicada nesta sexta afirma que a atual diretoria da Petrobrás foi informada de irregularidades em contratos da petroleira antes do início da Operação Lava Jato, que apura um esquema de desvio de recursos para o pagamento de propina a políticos. Segundo a publicação, a geóloga Venina Velosa da Fonseca, que entre 2005 e 2009 foi subordinada ao ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal e em acordo de delação premiada com a Justiça, apresentou denúncias de malfeitos à diretoria da petroleira, inclusive com e-mails encaminhados a Graça Foster. Em nota, a estatal afirmou ter apurado as informações fornecidas pela funcionária e encaminhado o resultado das investigações internas aos órgãos de controle.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

12/12/2014

às 14:52

Gerente da Petrobras alertou Gabrielli e Graça Foster sobre desvios. Ou: O retrato de Lula na parede

Na VEJA.com:
Os diretores da Petrobras tanto da gestão de José Sérgio Gabrielli quanto de de Graça Foster foram alertados por uma gerente sobre as irregularidades em contratos firmados pela estatal com prestadoras de serviço, segundo reportagem do jornal Valor Econômico publicada nesta sexta-feira. Venina Velosa da Fonseca era gerente da diretoria de Abastecimento comandada por Paulo Roberto Costa e começou a suspeitar de superfaturamento nos idos de 2008. Desde que começou a fazer alertas e a juntar documentos, foi expatriada para a Ásia e, mais recentemente, afastada do cargo juntamente com os funcionários suspeitos de envolvimento na Operação Lava Jato. Em email a Graça, a gerente relata que chegou a ser ameaçada com uma arma e que suas filhas também corriam perigo.

Venina, que é geóloga na estatal desde a década de 1990, começou a suspeitar que havia problemas quando percebeu que os gastos com pequenos contratos de prestação de serviços avançaram de 39 milhões para 133 milhões de reais em 2008, sem razão aparente. Em sua apuração interna, a gerente detectou que a estatal estava pagando por serviços de comunicação que nem sequer estavam sendo prestados. Sua primeira atitude foi informar Paulo Roberto Costa, seu superior direto, e pedir mais rigor na fiscalização dos contratos. Costa, relata Venina, apontou para o retrato de Lula em sua sala e perguntou: “Você quer derrubar todo mundo?”. A gerente então encaminhou as denúncias ao presidente Gabrielli, que, depois de auditoria interna, acabou demitindo o diretor de comunicação, Geovanne de Morais. 

A gerente prosseguiu com suas investigações e apurou o que viria a ser um braço do esquema de desvio de dinheiro e cartel de empreiteiras mostrados hoje pela Lava Jato. Em e-mail a Graça, que ainda era diretora de Gás e Energia, a funcionária aponta irregularidades em contratos bilionários referentes a Abreu e Lima, além de questionar o fato de acordos de tão alto valor serem firmados com dispensa de licitação. Em retorno, obteve o silêncio de Graça.

O desgaste interno fez com que Venina fosse transferida para o escritório da Petrobras em Cingapura, em 2009, onde ela foi afastada da área operacional e direcionada a um curso de especialização. Em 2011, já de volta ao Brasil, tornou a escrever para Graça, a quem confidenciou que sentia vergonha de trabalhar na empresa. “Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais”, escreveu. Em 2012, depois de ficar cinco meses no Rio sem nenhuma atribuição, voltou ao escritório da estatal em Cingapura. Foi então que levantou novas suspeitas de superfaturamento de compra de combustível que a Petrobras fazia no país asiático. Venina informou a sede sobre suas descobertas, mas novamente foi ignorada.

De volta ao Brasil em 2014, a gerente fez uma apresentação sobre as irregularidades apuradas na Ásia e sugeriu a criação de uma área de controle interno para conter perdas nos escritórios internacionais, mas nada foi feito. Em 19 de novembro, Venina foi afastada da empresa juntamente com outros funcionários suspeitos de envolvimento na Lava Jato. Ficou sabendo sobre seu afastamento por meio da imprensa. No dia seguinte, escreveu um e-mail à presidente da estatal. “Desde 2008, minha vida se tornou um inferno. (…) Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive Jurídico e Auditoria, o que foi em vão. (…) Voltei a me opor ao esquema que parecia existir no projeto Rnest (Abreu e Lima). Novamente fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, fui expatriada, e o diretor hoje preso levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida”.

Em nota, a Petrobras informou que aprimorou processos de compra e venda de combustível em seus escritórios internacionais e que, em auditoria, não encontrou “nenhuma não conformidade” nas operações entre 2012 e 2014. Sobre Abreu e Lima (Rnest), a empresa afirma que realizou apurações e enviou relatório aos órgãos de controle e autoridades competentes. A empresa não se posicionou sobre a razão do afastamento da funcionária.

Por Reinaldo Azevedo

12/12/2014

às 5:21

A Petrobras no inferno – Justiça obriga Petrobras a pagar R$ 135 milhões a funcionários de Abreu e Lima

Por Luís Lima, na VEJA.com: A Petrobras terá de pagar 135 milhões de reais em rescisões e multas contratuais a funcionários da Alumni (antiga Alusa), que presta serviços para a estatal na refinaria de Abreu e Lima. A decisão foi tomada após audiência na 191ª Vara do Trabalho de Ipojuca, em Pernambuco, conduzida pela juíza Josimar Mendes da Silva. Com o acordo, a estatal arcará com os encargos trabalhistas de funcionários que deixaram de receber porque a estatal parou de pagar os fornecedores da obra. Na quarta-feira, a Petrobras fez um depósito de 44 milhões de reais para o pagamento parcial dos encargos, o que deve aliviar a situação de cerca de 4.800 trabalhadores da refinaria.

A ação foi movida pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem de Pernambuco (Sintepav), que representa os mais de 40.000 funcionários que já passaram pela obra. A Petrobras tem até o dia 17 deste mês para depositar os 89 milhões de reais restantes. Caso contrário, a juíza poderá entrar com uma sentença responsabilizando a petroleira pelo atraso na concessão dos benefícios. 

A Petrobras bloqueou os pagamentos de todos os seus contratos em refinarias no Brasil e no exterior. Como consequência, começa a ser alvo de ações judiciais. A última delas foi protocolada pela Odebrecht e envolve os serviços prestados pela empreiteira à operação chilena da estatal. No caso da Alusa, o Ministério Público do Trabalho (MPT) entende que a Petrobras não agiu como mera dona da obra. Segundo o MPT, a estatal gerenciou todos os contratos e documentos provam que cabia a ela escolher quem entrava e saía das obras. “Isso se aplica às regras de terceirização. A estatal, neste caso, foi uma tomadora de serviços de todas as empresas e consórcios envolvidos”, disse a procuradora Débora Tito, do MPT de Pernambuco. 

Para o presidente do Sintepav, Aldo Amaral, os 44 milhões de reais depositados amenizam a situação desalentadora à qual muitos trabalhadores se submeteram. Segundo ele, houve casos de funcionários que passaram fome e saques em supermercados de Ipojuca. “Além disso, as carteiras de trabalho já estão sendo liberadas, bem como o seguro-desemprego e os próprios crachás da Petrobras, para que os trabalhadores possam buscar outro emprego”, afirmou.

Segundo o Sintepav, o principal temor é que as demais empresas sigam o caminho da Alusa e deixem de pagar os salários, fundo de garantia, ou as rescisões. 

Por Reinaldo Azevedo

11/12/2014

às 15:40

Marco Maia humilha o Congresso. Ou: O PT degrada até a corrupção!

A oposição decidiu fazer um relatório paralelo, alternativo, ao apresentado pelo deputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPI Mista do Petrolão. Vai sugerir o indiciamento de ao menos um deputado e de ex-diretores da Petrobras. Em si, vamos ser claros, também esse documento não tem grande importância. Os petistas desmoralizaram de tal sorte as comissões de inquérito que elas já não investigam mais nada.

Ainda que haja lá pessoas com bons propósitos, fica impossível fazer um trabalho relevante. Não se enganem: com o padrão petista de apuração, a CPI do PC, que acabou, na prática, derrubando Fernando Collor, teria terminado numa enorme festa, com o então presidente carregado em triunfo. É que o PT é profissional naquelas artes em que Collor não passa de um amador.

O texto apresentando por Marco Maia é um acinte, é uma provocação, especialmente depois de tudo o que já se sabe da Operação Lava Jato. Mais: a Petrobras é objeto de investigação na Holanda e nos EUA. A estatal brasileira se prepara para uma dura batalha na Justiça americana, com potencial para lhe quebrar as pernas. Mas Maia não viu nada de errado.

O seu relatório é de tal sorte indecoroso que, ao se referir à compra de Pasadena, ele considera que, ainda que tenha havido corrupção, a compra estava adequada a valores de mercado, donde se extrai um norte moral: havendo compatibilidade entre o roubo e o valor de mercado, então não existe nada de errado. Nem o defensor mais tresloucado do mercadismo afirmaria tal indecência. Isso não é economia de mercado; é banditismo.

Mas tudo está adequado ao discurso de Lula. Ao participar nesta quarta de um evento ligado ao 5º Congresso do PT, o poderoso chefão do partido, o “capo di tutti i capi” da legenda, conclamou seus sequazes a andar com a cabeça erguida, a ter orgulho de sua história, a estufar o peito.

Lula está indignado que haja gente no Brasil que queira investigar a roubalheira ocorrida em governos petistas. Segundo ele, tudo não passa de uma tramoia envolvendo a imprensa — que seu partido quer censurar — e as elites, que ele diz combater. Combate mesmo?

O PT foi o partido, reitero, que recebeu mais recursos dos bancos e das grandes empresas, algumas delas com empréstimos bilionários feitos pelo BNDES. Atenção, leitores: só em 2013, um ano não eleitoral, o PT recebeu, em doações, do capital privado, R$ 79,8 milhões, 71,6% a mais do que a soma de três partidos: PSDB, PMDB e PSB. E é este senhor que vem lançar a sua glossolalia boçal contra as elites?

Mentira! Lula adora as elites econômicas de verdade, aquelas que movimentam bilhões, que lidam com dinheiro de gente grande. Ele detesta e ataca é a classe média que trabalha e não suporta ser espoliada por vagabundos. Ele nos detesta. A elite realmente endinheirada é sua aliada. E a melhor prova é o dinheiro que dá a seu partido. Querem mais? Em números oficialmente declarados, a campanha de Aécio Neves arrecadou R$ 201 milhões neste ano; a de Dilma Rousseff, R$ 350 milhões. Quem é o preferido das elites, senhor Lula?

Mas volto ao eixo, que é o relatório do deputado Marco Maia: ele entrará para a história como um momento deprimente do Parlamento brasileiro. O texto humilha o Poder Legislativo e o põe de joelhos diante de uma súcia, diante de uma quadrilha, diante de um bando que tomou conta da maior empresa brasileira. O texto do senhor Marco Maia chega a inventar o conceito da “corrupção virtuosa”, que seria aquela adequada aos valores de mercado.

O PT degrada até a corrupção, cuja essência é ser clandestina! O partido, tudo indica, defende agora uma corrupção “por dentro”, como parte da vida. É um lixo!

Por Reinaldo Azevedo

10/12/2014

às 15:10

Mais um escritório americano abre ação contra Petrobras

Na VEJA.com:
Mais um escritório de advocacia dos Estados Unidos foi à Justiça contra a Petrobras. O Rosen Law Firm anunciou nesta terça-feira que entrou com uma ação coletiva para recuperar perdas de investidores que aplicaram em papéis da companhia na Bolsa de Nova York (os chamados ADR) entre 20 de maio de 2010 e 21 de novembro deste ano.

É o segundo processo do tipo que a Petrobras enfrenta em dois dias. Na noite de segunda-feira, o escritório Wolf Popper já havia entrado com uma ação coletiva contra a Petrobras pedindo o ressarcimento aos investidores que compraram ações da companhia. Assim como o Wolf Popper, o escritório Rosen Law alega que a empresa brasileira divulgou informações financeiras enganosas e falsas para seus investidores, deixando de obedecer as leis do mercado de capitais dos EUA.

“A Petrobras falhou em divulgar um alto nível de corrupção na empresa, incluindo um multibilionário esquema de corrupção e lavagem de dinheiro”, destaca o comunicado do Rosen Law, que tem sede em Nova York. Na ação coletiva, a empresa brasileira é acusada de superfaturar o valor de propriedades e equipamentos em seu balanço, por causa do pagamento de propina a terceiros.

O escritório cita ainda a prisão recente de ex-executivos importantes da petroleira e a possibilidade de que a empresa tenha que fazer ajustes em seu balanço para reconhecer o valor inflado de contratos de construção. O documento destaca que, em função da divulgação das denúncias de corrupção na estatal, os ADRs tiveram queda de 46% na Bolsa de Nova York desde setembro, o que prejudicou os investidores. Na segunda-feira, o site de VEJA adiantou que ao menos dez fundos estrangeiros e brasileiros já se preparavam para entrar no processo movido pela Wolf Popper. Cerca de 30% das ações da Petrobras estão listadas nos Estados Unidos.

Antes das ações coletivas, a estatal brasileira já havia protagonizado dois episódios envolvendo a Justiça americana. Em novembro, a Securities and Exchange Comission (SEC), que regula o mercado de capitais nos EUA, abriu uma investigação para apurar irregularidades na empresa. Em seguida, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos deu início a uma investigação criminal para apurar fraudes em seus contratos.

Por Reinaldo Azevedo

10/12/2014

às 4:27

Dilma ainda não se deu conta da gravidade da ação contra a Petrobras nos EUA e manda seu ministro da Justiça conceder entrevistas patéticas

A presidente Dilma Rousseff, tudo indica, não está se dando conta de que, como diria o poeta, o dano pode ser maior do que o perigo. Está começando a sapatear à beira do abismo. Nesta terça, o procurador-geral da República prometeu agir com dureza contra os desmandos na Petrobras e cobrou a substituição de toda a diretoria. Estava num seminário, a que comparecera também José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, que assegurou que nada há contra a atual direção da empresa.

A presidente achou sua defesa tímida e o fez, pateticamente, convocar uma entrevista coletiva para reiterar que Graça Foster e equipe gozam da sua confiança. É evidente que isso não é tarefa para o titular da Justiça — afinal, existem, para tanto, um ministro das Minas e Energia e um chefe da Casa Civil. Ao mandar Cardozo pagar o mico, Dilma queria emprestar certa gravidade, digamos, “judicial” à prova de confiança. Há o risco de ninguém ter explicado a ela que ministro da Justiça não é… Poder Judiciário. Adiante!

O processo movido nos EUA por investidores que detêm ações da Petrobras tem potencial para levar a empresa à lona — a uma lona pior do que aquela em que está hoje. E notem: qualquer um que tenha os papéis, negociados entre 10 de maio de 2010 a 21 de novembro deste ano pode se juntar aos reclamantes até o dia 6 de fevereiro do ano que vem.

Sim, os fundos de pensão brasileiros que compraram papéis da Petrobras — Petros, Previ e Funcef — podem aderir. O governo fará de tudo para impedi-lo, mas eles têm autonomia para fazê-lo. É possível que eles tomem a decisão política de não agir contra a Petrobras. Mas aí as respectivas direções terão de prestar contar a seus sócios. E se os demais forem bem-sucedidos?

Dois escritórios movem as ações: o americano Wolf Popper, com sede em Nova York, e o brasileiro Almeida Law Advogados. Em entrevista a Geraldo Samor, da VEJA.com, o advogado André Almeida faz uma conta simples e, ao mesmo tempo, aterradora para a estatal brasileira. O valor de mercado da Petrobras caiu R$ 104 bilhões no período compreendido pela ação. Admitindo-se que 30% do capital da Petrobras esteja na forma de ADRs (as ações), o prejuízo a ser ressarcido poderia chegar a R$ 31 bilhões. Ocorre que, nos EUA, isso não é tudo: também há uma multa pelos chamados “danos punitivos”.

Sim, investimento em ações comporta riscos. A questão é o que fazer quando os exemplos de má governança se tornam tão escandalosamente evidentes e quando fica claro que uma quadrilha operava dentro da empresa. Faltaram advertências? Ao contrário. Não nos esqueçamos. Em 2009, foi instalada uma CPI para apurar lambanças na estatal. Entre os fatos apontados no requerimento, podia-se ler:
“a) indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo, apontadas pela operação ‘Águas Profundas’ da Polícia Federal; b) graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontadas pelo Tribunal de Contas da União; c) indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União”

O governo e o comando da empresa, presidida, então, pelo petista José Sérgio Gabrielli, fizeram questão de enterrar a investigação, afirmando que se tratava apenas de “guerra política”. Foi também em 2009 que o TCU recomendou a suspensão de repasses para obras da Petrobras, medida aprovada pelo Congresso. Mas Lula vetou e mandou soltar a dinheirama. Antes ainda, em 2007, o então advogado da estatal junto ao tribunal, Claudismar Zupiroli, enviou um e-mail à então secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, advertindo para o fato de que a empresa abusava do expediente de dispensar a Lei de Licitações.

Vale dizer: advertências e razões para investigar não faltaram. Com alguma competência e bom propósito, a roubalheira teria sido estancada. A chance de a Petrobras se meter numa encalacrada bilionária é gigantesca.

Mas Dilma prefere fazer de conta que nada está acontecendo e manda seu ministro da Justiça conceder entrevistas patéticas. “Ah, mas a atual diretoria da Petrobras não tem nada com isso!” Não importa! Ninguém está pedindo que seus integrantes sejam presos. Apenas se cobra que o comando da empresa seja entregue a técnicos, sem quaisquer vinculações políticas. Ou a sangria vai continuar.

Como se tem lembrado com propriedade, a Enron e a WordCom quebraram justamente na esteira de uma ação dessa natureza. Cuidado, Dilma!

Por Reinaldo Azevedo

09/12/2014

às 7:01

Acionistas que processam a Petrobras têm em Graça Foster e Dilma Rousseff as suas principais testemunhas; agonia da empresa parece não ter fim! Privatize a estatal, governanta! Salve o patrimônio dos brasileiros!

 A agonia da Petrobras parece não ter fim. E não terá até que a presidente Dilma Rousseff tome uma providência drástica, que acene com alguma seriedade no trato da cadeia de descalabros que tomou a empresa. Toda a diretoria — toda, sem exceção — tem de ser demitida. É preciso também substituir, com as desculpas antecipadas aos que nada têm a ver com a bandalheira, os cargos executivos de gerência. Não custa lembrar que Pedro Barusco, o homem que fez, até agora, o maior acordo para a devolução de dinheiro, era mero gerente. Ah, sim: estamos falando de US$ 97 milhões. E por que se cobra aqui essa atitude?

O escritório americano de advocacia Wolf Popper, em parceria com o Almeida Law, no Brasil, entrou na Justiça americana contra a petroleira brasileira. Eles representam um grupo de investidores — já falo a respeito deles — que compraram ações na Bolsa de Nova York (as chamadas ADRs) entre maio de 2010 e novembro de 2014. Pois bem: a alegação é que a estatal brasileira mentiu aos acionistas e omitiu dados importantes, ferindo cláusulas da “Securities Exchange Act”, legislação que regula as empresas de capital aberto dos EUA.

E quais fatos são relacionados para caracterizar a mentira e a omissão? As evidências de corrupção. E os escritórios estão com um trunfo nas mãos, dado por Graça Foster, presidente da Petrobras — e podem apresentar outro, dado por Dilma Rousseff, que preside nada menos do que a República. Vamos ver. No dia 11 de novembro deste ano, escrevi aqui um texto apontando um absurdo dito por Graça naquela terça-feira, numa conferência com investidores, quando anunciou, então, que adiaria a divulgação do balanço trimestral. O que afirmou a mulher que preside a estatal?

Antes de reproduzir a sua fala, tenho de lembrar alguns fatos. Em fevereiro, reportagem de VEJA informou que a empresa holandesa SBM havia pagado propina a funcionários da Petrobras em operação envolvendo plataformas de petróleo. No fim de março, Graça concedeu uma entrevista em que negou solenemente que houvesse alguma irregularidade. No mês passado, eis que esta senhora diz o seguinte (reproduzo entre aspas):
“Passadas algumas semanas, alguns meses [da investigação interna da Petrobras], eu fui informada de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobras. Imediatamente, e imediatamente é ‘imediatamente’, informamos a SBM que ela não participaria de licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, o nome de pessoas que estão se deixando subornar na Petrobras. E é isso que aconteceu, tivemos uma licitação recente, para plataformas nos campos de Libra e Tartaruga Verde, e a SBM não participou.”  

Escrevi naquele dia 11: “É pouco e errado, minha senhora! Quem estava informado sobre tudo isso? A Petrobras não é patrimônio seu, mas do povo brasileiro”. Mas as coisas não param por aí. Graça se esqueceu de que a Petrobras é uma empresa de economia mista, com ações negociadas em bolsas de valores, inclusive nos EUA, onde esse negócio é levado a sério.

Atenção! Os dois escritórios, por enquanto, representam investidores institucionais, como fundos de pensão, por exemplo. E isso quer dizer que se pode estar a falar de uma montanha de dinheiro. Mas fica claro que qualquer investidor pode aderir ao processo. Só para que vocês tenham em mente: os preços das ADRs da companhia caíram de US$ 19,38, em 5 de setembro deste ano, para US$ 10,50, em 24 de novembro, uma queda de 46%.

Os escritórios estão com uma penca de evidências nas mãos. Uma das maiores foi fornecida pela própria Dilma, quando afirmou que, na condição de presidente do Conselho, fora enganada pela diretoria da Petrobras na operação que resultou, por exemplo, na compra da refinaria de Pasadena. Pergunta óbvia: os acionistas foram advertidos? É claro que não!

Nesta segunda, com queda de mais de 6% na Bolsa, as ações preferenciais da Petrobras tiveram sua menor cotação em quase dez anos: R$ 11,50, pouco acima do piso de R$ 11,39 de janeiro de 2005, antes das descobertas supostamente fabulosas do pré-sal. A queda do petróleo no mercado internacional — o que começa a tornar antieconômica a exploração do óleo em águas profundas — foi o principal fator do dia. Ocorre que essa má notícia para a Petrobras colhe a empresa quando ela está no fundo do poço moral. É claro que o processo dos acionistas, nos EUA, não ajuda.

Num mundo de decisões puramente racionais, Dilma anunciaria a privatização da Petrobras, as ações disparariam, a empresa recuperaria boa parte do seu valor de mercado, e o país sairia ganhando, podendo cobrar os tubos pela exploração do petróleo, sem ter de arcar com essa estrovenga. Afinal, por determinação constitucional, tudo o que está no subsolo pertence à União. Ninguém vai roubar o nosso petróleo de canudinho.

Mas nem Dilma nem presidente nenhum farão isso. Pior para a Petrobras. Pior para o Brasil. Pior para os brasileiros. Seguiremos sendo roubados, mas cantando o Hino Nacional, cheios de orgulho.

Texto publicado originalmente à 1h27
Por Reinaldo Azevedo

08/12/2014

às 23:32

NA VEJA.com: “Privatiza a Petrobras, Dilma!”

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2014

às 22:37

Investidores entram com ação nos EUA contra a Petrobras

Por Ana Clara Costa, na VEJA.com. Comento daqui a pouco.
Investidores protocolaram, nesta segunda-feira, uma ação civil pública contra a Petrobras nos Estados Unidos. Há mais de dez investidores envolvidos na ação, cujos nomes são mantidos em sigilo, representados pelos escritórios de advocacia Wolf Popper, com sede nos Estados Unidos, e Almeida Law, no Brasil.

Os escritórios representam apenas investidores institucionais (como fundos, por exemplo) que compraram ações da companhia na Bolsa de Nova York (a chamada ADR) entre maio de 2010 e 21 de novembro de 2014. Contudo, sugerem que qualquer investidor pessoa física ou jurídica que tenha comprado ADRs em Nova York também se junte ao processo. O prazo para a adesão é o dia 6 de fevereiro do ano que vem.

Na ação, investidores alegam que a Petrobras violou artigos da “Securities Exchange Act”, legislação que regula as empresas de capital aberto dos Estados Unidos. Segundo o processo, a Petrobras enganou os investidores ao emitir “material falso” e não informar seus acionistas sobre o esquema de corrupção que se espalhou sobre a empresa desde 2006. Um dos inúmeros fatos que embasam a ação ocorreu há cerca de duas semanas, quando a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que foi informada pela empresa holandesa SBM que funcionários da estatal haviam recebido propina da companhia. O comunicado foi feito há cerca de 5 meses, sem que a empresa tenha informado seus acionistas. A omissão fere um dos artigos da “Securities and Exchange Act”.

Os investidores acusam a estatal de ter penalizado seus acionistas ao superfaturar o valor de propriedades e equipamentos, usando os valores excedentes para desvio. O Wolf Popper cita ainda que, após as denúncias sobre a investigação do esquema, os preços das ADRs da companhia caíram de 19,38 dólares em 5 de setembro de 2014 para 10,50 dólares em 24 de novembro, queda de 46%.

Segundo o advogado André Almeida, do escritório brasileiro que participa da ação, há clientes brasileiros e americanos envolvidos. “Os investidores que possuem ADRs têm o benefício de usar a lei americana, onde a empresa pode sofrer danos punitivos, como o pagamento de indenização aos acionistas, algo que não acontece no Brasil”, afirma.

A escolha do intervalo entre 2010 e 2014 para a compra de ações da empresa se deve, segundo Almeida, ao fato de a oscilação das ações da Petrobras ter se descolado, a partir de 2010, do restante das petroleiras. Enquanto as principais concorrentes se valorizaram, a estatal perdeu valor de mercado no período. “Isso mostra que, ou os preços das ações da Petrobras estavam inflados ou as ações poderiam ser muito mais valiosas do que realmente eram”, afirma. Nesta segunda-feira, a ação da Petrobras atingiu seu menor valor desde 18 de novembro de 2005, cotada a 11,50 reais.

Trata-se do terceiro episódio envolvendo a Justiça americana que a Petrobras protagoniza. Em novembro, a Securities and Exchange Comission (SEC), que regula o mercado de capitais, abriu uma investigação judicial para apurar irregularidades na empresa no cumprimento à legislação. Em seguida, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos deu início a uma investigação criminal para apurar fraudes em contratos da empresa.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2014

às 19:12

Petrobras tem a menor cotação na Bolsa em 10 anos

Na VEJA.com:

Na corrida pelas maiores empresas da Bolsa de Valores, a Petrobras acaba de amargar o quarto lugar. Com a queda de mais de 6% na Bolsa, as ações preferenciais da estatal tiveram, nesta segunda-feira, sua menor cotação em quase dez anos: 11,50 reais. O piso anterior foi registrado em janeiro de 2005, mais de dois anos antes da descoberta do pré-sal, quando as ações da estatal estavam cotadas a 11,39 reais. Também pela primeira vez, o Bradesco superou a estatal em valor de mercado. Levantamento da consultoria Economatica mostrava que, até sexta-feira, as duas empresas estavam empatadas. Contudo, com a queda de mais de 6% das ações da Petrobras nesta segunda, a estatal foi superada pelo banco.

Dados da BM&FBovespa mostram que, às 17h17, o valor de mercado da Petrobras estava em 144 bilhões de reais, enquanto o do Bradesco estava em 146,6 bilhões de reais. A diferença só não se aprofundou mais porque também os papéis do banco despencavam na Bolsa, com queda de 5%.

Com a recente queda, a Petrobras está atrás não só do Bradesco, mas também do Itaú e da Ambev. A fabricante de bebidas e o banco ocupam, respectivamente, primeiro e segundo lugar entre as maiores empresas listadas na Bolsa. O Ibovespa fechou em queda de 3,31% nesta segunda-feira, impactado pelo desempenho das ações da estatal e também das instituições financeiras.

Uma das principais causas do desempenho ruim da Bolsa de Valores nesta segunda é queda do preço do petróleo, Em Londres, o Brent chegou a ser negociado abaixo de 66 dólares o barril. Além disso, investidores montam posições na expectativa do balanço não auditado da companhia, que deve ser divulgado na sexta-feira.

A Petrobras é o centro das investigações da Operação Lava Jato, conduzida pela Polícia Federal, e que apura o desvio de recursos da empresa para caixas de partidos políticos, por meio de contratos com empreiteiras. Desde que o esquema foi trazido à luz, os papéis da estatal vêm sendo castigados na Bolsa. No aspecto dos negócios, as principais obras da estatal estão paralisadas, como a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, e o Comperj, no Rio de Janeiro. Neste fim de semana, uma área de Abreu e Lima começou a funcionar. Mas as obras para a conclusão da refinaria estão paradas.

A Petrobras perdeu 72% de seu valor de mercado entre maio de 2008, quando o preço da ação da empresa atingiu seu auge, e os dias de hoje. Isso significa que o brasileiro que investiu 1.000 reais em papéis da empresa em 2008 tem, hoje, apenas 280 reais.

Durante o período eleitoral, as ações da empresa chegaram a subir na esteira da perspectiva de que Dilma não se reelegesse. O mercado entendia que a permanência do PT na Presidência se traduz em maior ingerência política na empresa. Com a vitória da presidente e o aprofundamento das investigações, as ações da estatal despencaram. Entre 27 de outubro e esta segunda-feira, a queda chega a 28,6%.

Por Reinaldo Azevedo
 

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