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Petrobras

18/08/2015

às 21:40

Delator diz que fez reunião com Dirceu para direcionar licitação na Petrobras; propina paga a grupo, segundo ele, chegava a R$ 800 mil por mês

Por Felipe Bächtold,  Mario Cesar Carvalho, Graciliano Rocha e Flávio Ferreira, na Folha:
O delator da Operação Lava Jato Milton Pascowitch disse que o ex-ministro José Dirceu participou de uma reunião na casa dele junto com outros suspeitos presos em que foi discutido o direcionamento de licitações na Petrobras. As duas beneficiadas, segundo Pascowitch, são a Hope RH e a Personal, suspeitas de pagar mesadas de até R$ 800 mil para Dirceu e pessoas próximas ao ex-ministro. De acordo com o relato do delator, o ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra – à época diretor corporativo e de serviços da Petrobras – foi pressionado a fazer licitações de mão de obra na estatal que acabaram favorecendo empresas com relação com o ex-ministro José Dirceu.

A declaração consta em um depoimento do delator ao Ministério Público Federal, em junho. As informações prestadas pelo delator ajudaram a embasar o decreto de prisão do ex-ministro, decretada no início do mês. Pascowitch disse no depoimento que a reunião ocorreu em 2013 e teve a participação também do assessor de Dirceu, Roberto Marques, do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do ex-diretor da Petrobras Renato Duque. Dutra, o alvo da pressão, não estava no encontro.
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O depoimento afirma que a Hope fazia pagamentos de cerca de R$ 500 mil mensais, divididos entre ele, Dirceu, Duque e o lobista Fernando Moura, ligado ao ex-ministro. A Personal, diz, pagava cerca de R$ 300 mil. Os contratos dessas duas empresas com a Petrobras envolveram R$ 6,4 bilhões desde 2006. Em julho de 2014, a estatal contratou a Hope por R$ 1,4 bilhão, via carta-convite, para “prestação de serviços suplementares à gestão e projetos”.
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Pascowitch também cita na delação o nome de um outro gerente-executivo da Petrobras que continua no cargo e estaria, segundo ele, envolvido com recebimento de suborno por conta de contratos da estatal. De acordo o delator, o também gerente Pedro Barusco levou Maurício Guedes a um jantar na casa de Pascowitch no Rio, na qual acertaram o pagamento de US$ 260 mil por conta de um aditivo na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
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Outro lado
A defesa de José Dirceu diz que só tomou conhecimento do conteúdo da delação de Pascowitch nesta terça (18) e que irá se pronunciar posteriormente. A Folha não conseguiu localizar nenhum representante da Hope e da Personal para comentar as alegações do delator.
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Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 13:31

Justiça aceita denúncia, e Jorge Zelada e mais 5 tornam-se réus na Lava Jato

Na Folha:
O juiz federal Sergio Moro aceitou nesta segunda-feira (10) denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada e outras cinco pessoas suspeitas de envolvimento em corrupção na estatal. Os procuradores afirmam que houve o pagamento de propina de US$ 31 milhões na contratação de um navio-sonda pela Petrobras em 2008. De acordo com a denúncia, parte foi paga a Zelada e ao ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa, e outra parcela foi destinada ao PMDB. Como a Justiça aceitou a denúncia, os seis a partir de agora passam a ser réus. A abertura da penal não significa culpa, apenas o primeiro passo do processo, durante o qual o juiz ouvirá testemunhas e acusados apresentarão suas defesas.

Na decisão, Moro mencionou a descoberta de “duas contas secretas” do ex-diretor em Mônaco, que somam 10,3 milhões de euros (cerca de R$ 39,7 milhões, em valores de hoje). Indicado pelo PMDB ao cargo, o ex-diretor ficou à frente da área Internacional da Petrobras entre 2008 e 2012 e foi detido há um mês, na 15ª fase da Operação Lava Jato. Além de Zelada e Musa, João Rezende Henriques, suspeito de ser o operador do PMDB, e Raul Felippe Junior vão responder na ação por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O ex-diretor também é acusado de evasão de dividas.
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Por Reinaldo Azevedo

06/08/2015

às 20:01

Lucro da Petrobras recua 90% no segundo trimestre

Na VEJA.com:
A Petrobras anunciou na noite desta quinta-feira que seu lucro líquido no segundo trimestre foi de 531 milhões de reais, o que representa uma queda de 90% em relação ao resultado do primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período de 2014, a queda é de 89%, quando o lucro ficou em 4,95 bilhões de reais. A empresa diz, em comunicado, que o resultado reflete “o aumento das despesas financeiras” e o reconhecimento de despesas tributárias. No semestre, a estatal lucrou 5,86 bilhões de reais, montante 43% inferior ao do mesmo período de 2014. O resultado é o pior para um segundo trimestre desde 2012, quando a estatal teve prejuízo de 1,2 bilhão de reais. O endividamento total da empresa no final de junho estava em 415 bilhões de reais, alta de 18% em relação ao fim do último semestre, em dezembro de 2014.

O balanço do segundo trimestre mostra semelhanças em relação ao resultado dos três primeiros meses do ano. O petróleo em queda reduziu a receita da estatal e afetou a rentabilidade da área de Exploração e Produção (E&P), efeito mitigado pelo dólar mais favorável às exportações e pelo aumento da produção de petróleo e gás. Por outro lado, o petróleo mais barato tornou as operações de importação de derivados menos adversas, movimento percebido nos números da área de Abastecimento e mitigado pelo desaquecimento do mercado doméstico de combustíveis.

Como resultado, a receita líquida da Petrobras totalizou 79,94 bilhões de reais no segundo trimestre do ano, queda de 2,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado somou 19,77 bilhões de reais, alta de 21,7% em relação ao segundo trimestre de 2014. Esse último número foi considerado pelo presidente da empresa, Aldemir Bendine, como “ótimo”, em entrevista à imprensa.

Segundo Bendine, os resultados são bons diante da “nova realidade”, considerando a queda do preço do petróleo e a situação do país. “Temos uma nova realidade orçamentária. Diante disso, as medidas adotadas têm surtido efeito mais rápido do que esperávamos”, afirmou o executivo.

O lucro líquido trimestral ficou abaixo da estimativa dos analistas, que esperavam 4,17 bilhões de reais. Já o Ebitda ajustado, que é o lucro antes de impostos e juros, ficou acima do esperado entre abril e junho. Analistas estimavam resultado positivo de 18,06 bilhões de reais.

Despesas
O resultado foi impactado pelo pagamento de 1,6 bilhão de reais à Receita Federal devido auma autuação relativa a operações com controladas da companhia no exterior em 2008, após derrota da empresa no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). A empresa já havia estimado o impacto e informado o passivo ao mercado no mês de julho.

A companhia anunciou ainda perdas contábeis no valor de 1,28 bilhão de reais decorrentes da reavaliação no valor dos ativos (impairment) das áreas de Gás e Energia, Abastecimento e Exploração e Produção, em função da exclusão de projetos da carteira de investimentos contemplada no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019. Além disso, o resultado fnanceiro também foi desfavorável, com uma despesa líquida de 6,04 bilhões de reais no trimestre. Os investimentos de janeiro a junho totalizaram 36,2 bilhões de reais, 13% abaixo do 1º semestre de 2014.

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2015

às 18:45

Jorge Zelada, que comandou a diretoria Internacional da Petrobras, é indiciado pela PF

Na VEJA.com:
O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Zelada foi indiciado nesta sexta-feira pela Polícia Federal pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de capitais e evasão de divisas. Pouco antes, ele havia permanecido em silêncio durante depoimento aos investigadores em Curitiba. Zelada foi o último integrante da chamada “camarilha dos quatro” a ser preso. O quarteto de ex-diretores da Petrobras acusado de participar do desvio de pelo menos 6 bilhões de reais dos cofres da estatal é formado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, Renato Duque (Serviços) e Nestor Cerveró. Todos estão presos. Costa, que fechou acordo de delação premiada, cumpre pena em regime domiciliar.

Zelada, que comandou a área internacional da companhia entre 2008 e 2012, é acusado de ter tentado esconder as propinas recebidas e, assim, dificultar o rastreamento do dinheiro desviado no petrolão. Segundo o Ministério Público, Zelada transferiu cerca de 25 milhões de reais de uma conta bancária na Suíça, nunca declarada à Receita Federal, para outra em Mônaco, a fim de impedir o bloqueio dos valores. O dinheiro está bloqueado por determinação do juiz Sergio Moro.

O relatório de indiciamento se baseia na informação de que Zelada teria recebido propinas provenientes do aluguel de navios sonda para a Petrobras, entre eles o Titanium Explorer (Vantage), em 2009. Essas contratações, segundo auditoria da estatal, foram superfaturadas e deram prejuízo milionário. Detalhes do esquema foram dados pelo lobista Hamylton Padilha, que representava as empresas desse segmento junto à companhia petrolífera. Padilha agora passa a integrar o grupo de 23 delatores da Operação Lava Jato.

O indiciamento foi informado nesta semana pela PF a advogados do ex-diretor. O relatório com as conclusões do inquérito será agora analisado pelo Ministério Público, que decidirá se o denuncia à Justiça ou se cabe o aprofundamento das apurações.

O advogado de Zelada Renato de Moraes minimizou a decisão da PF. “O indiciamento não quer dizer nada. É aquilo que o delegado acha. Já vi vários indiciados não serem denunciados e vários que não foram indiciados ser denunciados”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2015

às 15:24

MP da Suíça abriu investigação para apurar indícios de pagamento de propina envolvendo a Odebrecht e a Petrobras

Na VEJA.com:
O Ministério Público da Suíça informou nesta quarta-feira que abriu investigação para apurar os indícios de pagamento de propina envolvendo a Odebrecht e a Petrobras – a estatal brasileira já estava na mira do MP suíço. As informações são do jornal Estado de S. Paulo. No comunicado, o órgão disse que “subsidiárias da Odebrecht são suspeitas de usar contas suíças para fazer o pagamento de propinas para ex-executivos da Petrobras”.

O país já congelou mais de 400 milhões de dólares (cerca de 1 bilhão de reais) e identificou mais de 300 contas relacionadas aos desvios no esquema do petrolão. Berna ainda devolveu 120 milhões de dólares (390 milhões de reais) ao Brasil e disse que trinta bancos no país foram usados por executivos da Petrobras e fornecedores para o pagamento do propinoduto.

O Ministério Público da Suíça abriu nove investigações contra a estatal por lavagem de dinheiro – os desvios correspondem a cerca de 1.000 transações bancárias. A meta é descobrir a origem dos recursos bloqueados e as empresas que pagaram propina – a Odebrecht está entre as suspeitas.

EUA
A diplomacia americana monitorou os negócios da empreiteira brasileira Odebrecht no exterior e apontou para suspeitas de corrupção em obras espalhadas pelo mundo na segunda gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2007-2010). Telegramas confidenciais do Departamento de Estado americano revelados pelo grupo WikiLeaks relatam ações da empresa brasileira e suas relações com governantes estrangeiros. Lula é citado em iniciativas para defender os interesses da Odebrecht no exterior.

Em 21 de outubro de 2008, a embaixada americana em Quito descreve a pressão imposta sobre as empresas brasileiras pelo presidente daquele país, Rafael Correa. O governo equatoriano ameaçava expulsar Odebrecht e Petrobras, alegando descumprimento de contratos.

A embaixada americana em Quito, porém, alerta ao Departamento de Estado dos EUA que o motivo da pressão seria outro: corrupção. “Alfredo Vera, chefe da Secretaria Anticorrupção do Equador, levantou questões sobre os preços e financiamento dos contratos da Odebrecht”, indicou o telegrama. “Apesar de não termos informações de bastidores no projeto San Francisco [usina], o posto ouviu alegações com credibilidade de corrupção envolvendo o projeto de irrigação da Odebrecht em Manabi de um ex-ministro de Finanças que se recusou a assinar os documentos do projeto diante de suas preocupações sobre a corrupção”, afirmaram os EUA.

Outro alerta se referia às condições do empréstimo do BNDES ao mesmo projeto. “O posto também ouviu preocupações de um funcionário do Banco Central sobre termos desfavoráveis nos empréstimos do BNDES que apoiariam o projeto de irrigação”, diz o telegrama. Segundo os EUA, ambos os problemas teriam ocorrido em 2006, no último ano do governo de Alfredo Palácio.

Lula
O ex-presidente é investigado pela Procuradoria da República no Distrito Federal por suspeita de favorecimento da Odebrecht no exterior por meio de financiamentos do BNDES. Lula nega.

Num telegrama de 5 de outubro de 2009, a embaixada americana no Panamá relata a Washington a situação delicada que vivia o então presidente local, Ricardo Martinelli. Numa conversa entre diplomatas e um ministro do governo, os americanos são alertados de que um escândalo de corrupção estaria prestes a eclodir, envolvendo a Odebrecht. “O administrador da campanha de Martinelli e hoje ministro, Jimmy Papadimitriu, disse à Emboff [sigla para "oficial da embaixada"] que estavam para ser divulgadas notícias de que Martinelli recebeu grande contribuição para sua campanha da construtora brasileira Odebrecht, que estava conduzindo várias grandes obras públicas no Panamá”, indicou o telegrama, que cita como Martinelli virou alvo de ataques quando deu à empreiteira contrato de 60 milhões de dólares para a construção de estrada “sem licitação”.

Em 30 de outubro de 2007, outro telegrama apontou para a relação da Odebrecht com políticos estrangeiros. O caso se referia à viagem de Lula a Angola, naquele ano. “A visita de Silva [Lula] ajudou a concluir um acordo entre a gigante construtora brasileira Odebrecht, a paraestatal angolana no setor do petróleo Sonangol e a Damer, até então desconhecida empresa angolana, para construir uma usina capaz de produzir não apenas etanol para exportação, mas gerar 140 megawatts de eletricidade por ano”, diz o texto.

O papel de Lula não é colocado em questão. Os EUA levantam questões sobre a parceria fechada pela Odebrecht: “O acordo, chamado na imprensa de um entendimento entre a Sonangol e a Odebrecht, aloca 40% das ações para a Odebrecht, 20% para a Sonangol e os restantes 40% para a Damer”. “Fontes na embaixada brasileira afirmaram que a Odebrecht foi ‘evasiva’ quando questionada sobre a Damer, enquanto outras fontes apontam que a Damer está conectada com o presidente angolano [José Eduardo] dos Santos”.

Odebrecht e Instituto Lula respondem
De acordo com a edição desta quarta-feira do jornal O Estado de S. Paulo, a Odebrecht disse, por meio de assessoria, que “nunca teve qualquer condenação judicial por irregularidades em contratos em nenhum dos países onde atua” e negou as suspeitas indicadas nos documentos da diplomacia americana. “A Odebrecht Infraestrutura não foi expulsa do Equador por acusações de corrupção. Em 2008, houve uma disputa de caráter técnico por problemas na fase de operação da hidrelétrica de San Francisco. O governo do Equador decidiu suspender todas as obras que a empresa estava executando naquele país”. A construtora disse também que o projeto de irrigação Carrazil Chone, em Manabi, ocorreu “por meio de um processo de licitação”.

O Instituto Lula disse que “os documentos revelam a atenção e interesse da diplomacia americana na disputa de mercado internacionais com o Brasil e suas empresas. Os autores dos documentos que têm que explicar o que escreveram neles”. Sobre a investigação que apura se o ex-presidente cometeu tráfico de influência, o instituto disse que Lula “é alvo de um conjunto de manipulações e arbitrariedades”.

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 7:43

PF prende ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada na 15ª fase da Lava Jato

Por Flávio Ferreira e Gabriel Mascarenhas, na Folha:
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (2) mais uma fase da Operação Lava Jato, na qual foi preso o ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Zelada. Também estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, três deles no Rio de Janeiro e um em Niterói (RJ). A 15ª fase foi intitulada Conexão Mônaco, em referência a operações financeiras do ex-diretor no principado de Mônaco. Zelada foi preso sob a suspeita de envolvimento em crimes de corrupção, fraude em licitações, desvio de verbas públicas, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O ex-diretor da estatal será levado para a sede da Polícia Federal em Curitiba Como a Folha revelou em maio, autoridades de Mônaco investigaram Zelada e descobriram a ligação dele com o consultor Raul Schmidt Felippe Júnior, que trabalhou para o estaleiro coreano Samsung num contrato em que surgiram indícios de pagamento de propina.

O ex-diretor da área internacional da Petrobras mantém negócios particulares com Raul. Documentos localizados pela Folha na junta comercial da Suíça mostram que Zelada passou a integrar o quadro de diretores da companhia TVP Solar, baseada em Genebra, em março de 2013, pouco depois de sair da Petrobras. Schmidt investe na companhia desde 2010. A TVP Solar vende sistemas de armazenamento e uso de energia solar e tem capital de 2,66 milhões de francos suíços (R$ 8,9 milhões). Também em maio, com base em documentos remetidos pelas autoridades de Mônaco ao Brasil, a Folha apontou indícios de que Schmidt atuou como intermediário de uma complexa operação financeira que resultou num depósito de US$ 2 milhões (R$ 6,3 milhões) para outro ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, em Mônaco. A origem do dinheiro foi a Samsung, beneficiada por um contrato que, segundo auditoria da Petrobras, teve sobrepreço de R$ 118 milhões. Duque está preso desde março em Curitiba. Zelada é o único ex-diretor da Petrobras suspeito de ter integrado o esquema de corrupção na estatal que ainda não foi preso ou denunciado à Justiça.

Em fevereiro deste ano, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, delator que assumiu ter desviado milhões de dólares da Petrobras, afirmou que Zelada também era beneficiário do esquema. Na época, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, pediu à Justiça de Mônaco uma apuração sobre possíveis contas de Zelada e Duque no principado. A investigação resultou no bloqueio de uma conta em nome da offshore Rockfield International, onde estavam os 10,8 milhões (R$ 32,8 milhões) atribuídos a Zelada, no banco Julius Baer. De Duque foram congelados; 18,7 milhões no mesmo banco.
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Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 3:01

Presidente da Petrobras não descarta novo reajuste da gasolina ainda em 2015

Por Natuza Nery, na Folha:
Em sua
primeira entrevista após anunciar uma “dieta” drástica nos investimentos, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, 51, não descartou um reajuste no preço da gasolina neste ano. Mas não enxerga a necessidade de um aumento agora. “Não dá para garantir que não haverá”, disse ele à Folha nesta quarta (1º). O reajuste mais recente da Petrobras foi em novembro –3% na gasolina e 5% no diesel nas refinarias. Neste ano, houve aumento em razão da volta da cobrança de tributo. Apesar de vitórias na condução da pior crise da petroleira brasileira, ainda pairam dúvidas sobre a imunidade da empresa em relação à interferência do Planalto contra reajustes, intervenção que afeta a situação financeira da companhia. “Não nos sujeitamos nem a um [mercado] nem a outro [governo].”

Criticado pela antecessora Graça Foster por não entender do setor de óleo e gás, Bendine devolve com provocação: “E você acha que o problema da Petrobras é de petróleo?”. Ele prometeu não pôr à venda ativos do pré-sal e condenou mudanças no regime de partilha no momento. Uma solução intermediária, contudo, pode ser o caminho.

Folha – Como a Petrobras saiu do estado de euforia, com o pré-sal, para o de decepção?
Aldemir Bendine - Acho que o grande componente foi a reversão no mercado de petróleo. Tínhamos preços de barril acima de US$ 100. Mas o mercado despenca e, em 2014, o barril caía a menos de US$ 50 diante de excesso de oferta e da baixa demanda. Assim, não há o que segure.

Não foi também por incompetência? O balanço mostrou isso.
Difícil falar de passado. Não sou engenheiro de obra pronta. Temos um quadro de funcionários de grande excelência e operamos hoje uma das melhores reservas de petróleo do mundo, o pré-sal. Estamos nos reposicionando. Não vamos olhar para o retrovisor. Farei uma busca frenética por eficiência e redução de custos internos.
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Por Reinaldo Azevedo

20/06/2015

às 7:49

Tática de Lula: gritar que é o próximo para ver se não é o próximo. Ou: Lula está com medo!

Escrevi ontem um post cujo título é este: “Primeira pergunta já tem resposta: ‘Quando vão pegar a Odebrecht?’. A segunda segue sem resposta: ‘Quando vão pegar Lula?’”. Leio agora na Folha que Lula diz a aliados que é ele o próximo alvo da Lava-Jato. O alarme soou no Palácio do Planalto. Se “pegarem” Lula, é claro que o governo Dilma vai junto. O ex-presidente está recorrendo a uma tática: ao anunciar que pretendem atingi-lo, denuncia uma suposta perseguição, buscando, então se proteger. Será que vai ser bem-sucedido? Vamos ver.

A Operação Lava-Jato segue, afinal, com o seu mistério, não é? Os políticos mais graduados que estão sob investigação são o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), hoje, respectivamente, presidentes da Câmara e do Senado. À época em que teriam cometido as irregularidades de que são acusados, nem exerciam essa função.

Se a Lava-Jato fosse um romance policial, seria de péssima qualidade porque o roteiro é inverossímil a mais não poder. Que se cometeram crimes em penca, não há a menor dúvida. Um simples gerente de Serviços se dispôs a devolver US$ 97 milhões. Naquele ambiente de esbórnia, dá para imaginar o que não terão feito os que tinham o mesmo caráter que ele, mas com mais poder.

Quando se olha a lista das pessoas sob investigação, os leitores desse romance seriam convidados a acreditar que um esquema multibilionário de fraudes foi urdido por uns dois ou três políticos à época de médio porte, um monte de parlamentares de terceira linha — a maioria ligada ao PP, um partido que é periferia do poder, um grupo enorme de empreiteiros malvados mais alguns diretores larápios. E pronto! Desde que a operação começou, em março do ano passado, pergunto: CADÊ O PODER EXECUTIVO? Não existe. É impressionante, mas nem José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras no período daquela soma de desatinos, é investigado. E olhem que poucos presidentes da estatal foram tão autocráticos como este senhor.

É evidente que essa história não fecha! Então as empreiteiras teriam se unido num cartel para assaltar a Petrobras. Para que prosperassem no seu intento, tinham de contar com a colaboração de diretores safados. Eis que os safados estão lá, do outro lado do guichê, devidamente nomeados pelo… Poder Executivo, certo? Tudo coincidência, né? As empreiteiras cartelizadas teriam tido a sorte de os políticos terem nomeado justamente os larápios de que precisavam. Tenham paciência! Aí se descobre que boa parte dos desvios era carreada para partidos políticos. Mas nada de o Executivo entrar na história.

De volta a Lula
É claro que essa narrativa não para em pé, Santo Deus! E é justamente essa inverossimilhança que deixa Lula em pânico. Ele sabe que ninguém com um mínimo de miolos aposta que tudo não passou de um conluio entre empreiteiros, servidores corruptos e políticos sem importância. Algo da magnitude do petrolão não se faz sem a colaboração de alguém — ou “alguéns” — com efetivo poder no governo e na Petrobras.

Por Reinaldo Azevedo

20/05/2015

às 3:35

Deputados vão pedir prisão de lobista que intermediou propina

Por Leandro Colon, na Folha:
A CPI da Petrobras anunciou nesta terça (19) que decidiu pedir a prisão do lobista brasileiro Julio Faerman, intermediário do esquema de propina entre a Petrobras e a holandesa SBM Offshore. A decisão foi divulgada após uma comitiva de oito deputados ouvir o ex-diretor da SBM Jonathan Taylor, delator do caso, em um hotel na cidade de Farnborough, nos arredores de Londres. “A CPI vai pedir a prisão do Faerman porque ele virou fundamental após a reunião com o Taylor”, informou o vice-presidente da CPI, Antonio Imbassahy (PSDB-BA). O paradeiro de Faerman é incerto desde fevereiro de 2014, quando o caso veio à tona –há a especulação de que estaria morando em Londres.

Convocado para depor à CPI em março, ele não foi encontrado. A CPI pretende requerer que a Justiça acione a Interpol para localizá-lo. Taylor entregou documentos e gravações que detalham a atuação de Faerman na SBM, informação que a CPI não dispunha já que a empresa não tem colaborado com as investigações. Recebeu, por exemplo, papéis mostrando que ao menos US$ 31 milhões da Petrobras foram parar numa conta do lobista em empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal. Segundo os deputados, será dado prazo até terça (26) para Faerman comparecer à comissão, apenas como formalidade antes de emitir o pedido de prisão. “Vamos dar esse prazo por termos o ouvido o Taylor e, depois, requerer a prisão no mesmo dia”, disse Efraim Filho (DEM-PB). O depoimento de Taylor ocorreu depois de entrevista dele à Folha no mês passado. Ele foi ouvido como colaborador de maneira reservada, a pedido dele. O encontro durou sete horas e meia.

A CPI quer que Faerman se manifeste, entre outras coisas, sobre a versão do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco de que a SBM deu US$ 300 mil à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010 –o valor não aparece na prestação de contas. Como representante da SBM no Brasil, Faerman recebeu US$ 139 milhões de 2007 a 2011 –Barusco já confessou que recebeu parte disso como propina na Suíça.

CGU
A CPI informou ainda que pretende convocar o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Valdir Simão, para dar mais explicações sobre possível atraso na abertura de processo contra a SBM. Taylor voltou a acusar a CGU de esperar a reeleição de Dilma para abrir o processo, mais de dois meses após ter recebido dele um dossiê.

(…)

Por Reinaldo Azevedo

18/05/2015

às 17:08

O pior de Dilma não está no dolo, mas no que ela considera sabedoria, cálculo e estratégia

Têm razão todos aqueles que dizem que os governos petistas conseguem ser ainda mais incompetentes do que corruptos. E que se note: a incompetência não os torna menos corruptos; a corrupção não os torna menos incompetentes. A falha moral alarga a falha técnica, e a má técnica torna ainda mais deletérios os efeitos da corrupção. É o casamento do roto com o rasgado, do ruim com o pior, do mau princípio com a circunstância infeliz, da má ideia com a pessoa errada. Não se leva à lona, por exemplo, uma gigante como a Petrobras da noite para o dia.

Por que digo isso?

A Petrobras enviou à SEC, o órgão dos EUA que regula o mercado de capitais, um relatório devastador sobre o seu futuro de médio prazo. Se você é um investidor e quer fazer aposta no longuíssimo prazo, talvez a Petrobras seja uma boa opção. Mas põe longo prazo nisso… Se tem uma expectativa de ganho, sei lá, na próxima década, aí convém ter cuidado. O que a estatal diz de si mesma é um retrato da desolação.

A empresa admite à SEC que não terá recursos para arcar com o desembolso necessário na exploração do pré-sal. Ao elencar seus fatores de risco, uma obrigação diante daquele órgão, a empresa admite que terá dificuldades para se financiar no mercado, e tanto pior será se as agências de risco rebaixarem o rating da empresa. A estatal admite também dificuldade no fluxo de caixa, o que pode dificultar o pagamento de credores.

Mais dificuldades? Sim, há uma tendência, em razão da demanda, da elevação dos equipamentos de perfuração, o que pode acarretar custos inesperados. E a coisa vai por aí.

Pois é… O que faria um governo que fosse a um só tempo corajoso e prudente? Reconheceria o tamanho do problema, cederia aos apelos da realidade e mudaria o rumo de uma prosa que está acarretando prejuízos efetivos à Petrobras. Mas Dilma não seria Dilma se não adorasse dar murro em ponta de faca. O relatório enviado à SEC é a prova definitiva do erro do sistema de partilha, como foi concebido, especialmente a exigência de que a Petrobras participe com pelo menos 30% da exploração do pré-sal. Está na cara que não funciona. Está na cara que não dá certo. Está na cara que isso virou um peso absurdo para a empresa.

Mas quem faz Dilma se mover do lugar? Ela é uma mulher de ideias fixas e não é do tipo que se deixa convencer pela realidade, pouco importa o quanto isso possa custar para si mesma e até para o país. Querem ver? Todos se espantavam quando a czarina da energia decidiu tabelar a taxa de retorno das empresas que participassem, por exemplo, de Belo Monte. Ela não abriu mão. As empresas privadas caíram fora. Quando a doutora decidiu que a privatização das estradas federais deveria obedecer ao critério do pedágio mais barato, advertiram: “Não vai dar certo!”. Mas a mulher, sabem como é, acha que empresários são gananciosos e que pedágio a preços realistas, que ela considera altos, é coisa de tucano. Deu tudo errado. Nas estradas federais, há hoje pedágios e buracos.

Quando decidiu lançar Arlindo Chingalia (PT-SP) para a presidência da Câmara, foi advertida por Deus e o mundo  — inclusive por Chinaglia — de que seria um desastre. Ela considerou a prudência coisa de sabotadores e fez tudo como quis. Cito casos de áreas distintas para evidenciar um estilo. Dilma é uma espécie de João Figueiredo da era democrática. Ela odeia ouvir “não” e não se importa com a qualidade do “sim”.

Agora, Eduardo Braga, ministro de Minas e Energia, já andou flertando com a possibilidade de a Petrobras não participar de todos os campos do pré-sal e com a flexibilização da tal política de conteúdo nacional. A chefona desautorizou seu ministro, deitou falação e considera conspiração contra os interesses nacionais debater algo diferente.

À SEC, no entanto, a Petrobras é obrigada a falar a verdade. Ao Brasil, Dilma prefere ficar com a mentira. Nem é por dolo. Ela imagina que é por cálculo, sabedoria e sagacidade. 

Por Reinaldo Azevedo

18/05/2015

às 7:42

Petrobras admite a órgão americano o que Dilma esconde dos brasileiros

Ora vejam que graça! Reportagem de Fernanda Nunes e Mariana Sallowicz, no Estadão de hoje, dá conta de que a Petrobras fornece ao mercado externo — até porque passou a ficar sob estrita vigilância — informações que a presidente Dilma Rousseff sonega aos brasileiros

Em relatório enviado à SEC, a agência reguladora do mercado financeiro nos EUA, a estatal admite que as dificuldades financeiras pelas quais passa podem atrapalhar a exploração e produção do pré-sal. No documento, a estatal lista os obstáculos que terá de enfrentar para cumprir as obrigações com as reservas que já tem no pré-sal e ainda com as que deverá adquirir no futuro.

Pois é… O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, justiça se faça, em seminário recente sobre petróleo nos EUA, já havia afirmado que não vê mal nenhum em entregar áreas do pré-sal a empresas estrangeiras, mesmo sem a participação obrigatória da Petrobras, que, segundo o regime de partilha, tem de ser titular de pelo menos 30% da exploração. Na fórmula do ministro, bastaria à Petrobras ter a licença para recusar a participação.

Dilma não gostou e o desautorizou. Na semana passada, a governanta reafirmou as qualidades do regime de partilha — que impõe à Petrobras um custo com o qual ela não pode arcar — e a obtusa e contraproducente política de conteúdo nacional na área. E, de quebra, ainda aproveitou para atacar FHC. Ao mercado externo, no entanto, a estatal brasileira tem de dizer a verdade, especialmente nesses tempos em que se transformou num exemplo de tudo o que uma petroleira não pode ser.

No relatório, que é de preenchimento obrigatório, a empresa é explícita: admite que poderá ter problemas de caixa para enfrentar os desembolsos necessários para o pré-sal e antevê dificuldades para se financiar no mercado externo, especialmente se as agências de classificação de risco rebaixarem o seu rating.

O relatório é bastante realista. A estatal admite ainda que terá dificuldades para realinhar a política de preços para compensar as perdas acumuladas entre 2010 e 2014, quando o governo usou os combustíveis para fazer política econômica mixuruca.

E por que a Petrobras conta tudo, assim, de maneira tão clara? Porque, a esta altura, qualquer suspeita de que pode estar tentando dar um truque no mercado lhe seria fatal.

A Petrobras não pode enganar os mercados, mas o governo acha que pode continuar enganando os brasileiros. Vamos ver até quando, Dilma!

Por Reinaldo Azevedo

15/05/2015

às 16:55

Querem saber por que é preciso privatizar a Petrobras? Eu conto! Ou: Graça teve medo de ser presa. Ou ainda: O que disse Dilma para matar uma CPI

A Folha traz um áudio de uma reunião do Conselho de Administração da estatal de 23 de janeiro em que Graça Foster, então presidente da empresa, revela o temor de perder seus bens, até a casa em que mora, e de ser presa. Justiça se faça, a fala revela honestidade de propósitos e genuína perplexidade. Não é uma bandida quem se pronuncia, mas alguém que está no comando de um troço fora do controle. Vamos ver.

O conselho conversava sobre a baixa de ativos de R$ 88,6 bilhões a que chegou um levantamento feito pela Deloitte e pelo BNP Paribas. Um conselheiro quis saber foram estimados os riscos de ações judiciais no Brasil e no exterior. Graça, então, diz com um misto de desconsolo e ironia amarga:
“Se eu vou ser presa ou não, não entrou na metodologia. Se eu vou ter que entregar a casa que moro por conta desses valores, não entrou na metodologia. Fizemos as contas como as contas são.”

Ou por outra: a orientação passada para os avaliadores parece ter sido esta: sejam realistas. Dilma não aceitou os números e os cortou pela metade. Como se sabe. Ao comentar reunião da diretoria executiva do dia anterior, Graça desabafou, perplexa:
“Não é possível que essa diretoria, durante três anos, no meu caso e do (Almir) Barbassa, durante outros quatro anos, deixamos que tal coisa acontecesse. Eu posso dizer: ‘Não, mas eu era diretora de Gás e Energia e, na área de Gás e Energia, as coisas estão acomodadas. Mas eu, como diretora e presidente, não poderia ter deixado chegar aonde chegou.”

Pois é… Não poderia. A questão é saber se é possível controlar a Petrobras enquanto ela for uma gigante estatal — tem ações na Bolsa, eu sei; oficialmente, é de economia mista, mas a gente sabe quem manda lá.

Depois da perplexidade, o receio fica mais claro:
“Aí até fala [sic] em prisão. Até fala em prisão.  Tem aqui. Eu estou falando de uma metodologia ‘by the book’. Agora, o que vai acontecer com meu emprego? Com a minha carreira? Com a minha vida pessoal? Eu não sei, tenho os advogados que vão dizer. A metodologia tem que ser imune aos meus medos e meus receios.”

O que isso revela
As falas revelam, sim, uma Graça muito provavelmente honesta. Honesta, inclusive, ao admitir que, mesmo como presidente, não tinha o que fazer porque a máquina estatal está aparelhada por um ente que nada tem a ver com petróleo ou com eficiência.

Ao ler as falas da então presidente da Petrobras, eu me lembro da entrevista de uma certa ministra Dilma Rousseff, cantando as glórias do sistema de transparência da gestão da estatal. Isso explica tudo. Depois do vídeo, transcrevo a fala dela.

“Eu acredito que a Petrobras é uma empresa tão importante do ponto de vista estratégico, no Brasil, mas também por ser a maior empresa, a maior empregadora, a maior contratadora de bens e serviços e a empresa que, hoje, vai ocupar cada vez mais, a partir do pré-sal, espaço muito grande, né?, ela é uma empresa que tem de ser preservada. Acho que você pode, todos os objetos, pelo menos os que eu vi da CPI, você pode investigar usando TCU e o Ministério Público. Essa história de falar que a Petrobras é uma caixa-preta… Ela pode ter sido uma caixa-preta em 97, em 98, em 99, em 2000. A Petrobras de hoje é uma empresa com um nível de contabilidade dos mais apurados do mundo. Porque, caso contrário, os investidores não a procurariam como sendo um dos grandes objetos de investimento. Investidor não investe em caixa-preta desse tipo. Agora, é espantoso que se refiram dessa forma a uma empresa do porte da Petrobras. Ninguém vai e abre ação na Bolsa de Nova York e é fiscalizado pela Sarbanes-Oxley e aprovado sem ter um nível de controle bastante razoável”.

 Nota: Sarbanes-Oxley é o nome de uma lei dos EUA (formado a partir dos respectivos sobrenomes de um senador e de um deputado), de 2002, que estabelece mecanismos de transparência contábil para as empresas que operam na Bolsa dos EUA.

O medo de Graça de ser presa mostra como Dilma estava falando a verdade, né?

Por Reinaldo Azevedo

11/05/2015

às 15:36

Petrobras como vítima de empreiteiras? É tese para confortar idiotas e estatistas. Ou: A santinha do lupanar

Olhem aqui: uma coisa é as empreiteiras pagarem uma multa pesada — decida-se quanto na instância adequada; não é problema meu — em razão das malandragens que foram feitas em parceria com a Petrobras. Outra, muito distinta, é a estatal recorrer à Justiça cobrando ressarcimento das empreiteiras. Aí, tenham a santa paciência, não é mesmo?

Isso só acontece, assim, com essa desfaçatez, porque se inventou a tese absurda, falsa, mas verossímil para os cretinos, de que a estatal é apenas vítima da sem-vergonhice.

Vocês sabem muito bem que não me conformo com essa tese desde o primeiro dia. Ela é a filha bastarda e supostamente virtuosa do estatismo mais xucro.  Sustentar que a Petrobras foi vítima de alguma coisa corresponde, no terreno da ética política, a isentar o modelo que fez — e faz — com que a empresa seja campo de manobra de um partido político.

Se eu fosse um dos empreiteiros da Lava Jato, recorreria à Justiça, acusando a Petrobras de chantagem e de extorsão. Sei, os empreiteiros não vão fazer isso… Passaram tanto tempo grudados nos países baixos do petismo que acabaram perdendo a moral — e o moral — para reagir.

Não, senhores! Não há santos nessa história. A Petrobras posar agora de moça virtuosa e traída é dessas coisas que condenam não o presente, mas o futuro do Brasil. Era só o que faltava: a Petrossauro, agora, como São Jorge de lupanar…

Leiam texto da VEJA.com.
*
A Petrobras vai entrar com ação cívil contra cinco empreiteiras e alguns de seus executivos envolvidas na Operação Lava Jato, pedindo ressarcimento de cerca de 1,3 bilhão de reais, disse a estatal nesta sexta-feira.

O valor pode ser ainda maior se acrescido de multas e danos morais. Apesar de ter sido parte atuante no polo passivo da corrupção do petrolão, a estatal insiste na tese de que é vítima na investigação e, por isso, continuará entrando com ações na Justiça.

A companhia já havia acionado individualmente na Justiça as construtoras Engevix e a Mendes Junior e alguns dos seus executivos, e deverá entrar com ação contra outras três empresas pedindo o ressarcimento total de cerca de 452 milhões de reais. O montante considera reparos por danos materiais e multa, além de pedido de indenização por danos morais, cujos valores serão quantificados no decorrer do processo.

Nas próximas semanas, a Petrobras ingressará, também como coautora, em outras três ações, envolvendo contratos com as empresas Camargo Corrêa, OAS e Galvão Engenharia, totalizando pedido de reembolso de aproximadamente 826 milhões de reais.

“Essas ações se somam a um conjunto de medidas que estão sendo adotadas para garantir o ressarcimento integral dos prejuízos sofridos pela companhia, inclusive aqueles relacionados à sua reputação, e reforçam o compromisso da Companhia em cooperar com as investigações”, disse a estatal, em nota.

A Operação Lava Jato da Polícia Federal e do Ministério Público investiga um esquema bilionário de corrupção envolvendo contratos da Petrobras com as maiores empreiteiras do país, e que teria desviado recursos para partidos políticos, políticos, operadores e ex-executivos da Petrobras.

Nesta semana, a Justiça Federal do Paraná autorizou a devolução de 157 milhões de reais à Petrobras dos recursos repatriados de contas no exterior do ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco.

Por Reinaldo Azevedo

11/05/2015

às 7:53

Graça, o valor da corrupção e aquele tuíte do “enfia o dedo e rasga”

O Estadão de hoje traz a seguinte manchete: “Graça pôs em xeque cálculo de desvios da Petrobras”. A reportagem se refere a uma reunião de 12 de dezembro do ano passado. A então presidente da Petrobras afirmou: “Essa de dizer que eu só posso mostrar para o mercado a certeza absoluta dessa questão da Operação Lava Jato é uma inverdade porque jamais acontecerá. Só daqui a três, cinco ou dez anos. Quando tudo isso for julgado e sair o valor dessa operação toda”.

Sabem o que é especialmente ruim nessa fala? Ela é tristemente verdadeira. No fim do ano passado, a diretoria da estatal estudava assumir um prejuízo da ordem de R$ 4 bilhões. O mercado não aceitaria valor tão baixo. Graça caiu quando condescendeu com uma baixa patrimonial de R$ 88,6 bilhões, o que deixou Dilma furiosa. Com Aldemir Bendini na presidência da estatal, a admissão do prejuízo decorrente da corrupção saltou para R$ 6,194 bilhões — um chute! —, e aqueles R$ 88,6 bilhões foram convertidos numa perda de ativos de R$ 44,6 bilhões.

Os números — todos aleatórios — dão conta da aluvião que colheu a Petrobras na gestão da companheirada. É visível que diretores e conselheiros, deflagrada a Operação Lava Jato, estavam complemente perdidos.

Pois é…

A memória sempre deve nos socorrer nessas horas, não é? Em abril de 2013, a Petrobras estava à mercê, agora sabemos com clareza, de uma quadrilha. Os desastres estavam sendo lá meticulosamente planejados. E veio à luz uma pesquisa CNI/Ibope que conferia à presidente Dilma 77% de ótimo e bom.

José Eduado Dutra, então ex-presidente do PT, ex-presidente da Petrobras e exercendo o cargo de “Diretor Corporativo e de Serviços”, pôs a seguinte mensagem no Twitter:
“Como se diz no Sergipe, enfia o dedo e rasga. Aprovação de Dilma chega a 77%, mostra pesquisa CNI/Ibope”.

Dutra - ataque

Lembro-me de que, à época, cobrei que Graça Foster o demitisse, o que ela, obviamente, não fez. Indaguei se cabia a um dirigente de uma estatal, nomeado pelo governo, manifestar-se naqueles termos. Perguntei QUE OUTRA DEMOCRACIA DO MUNDO ACEITARIA COMO REGULAR UM PROCEDIMENTO COMO aquele. Ocorre, minhas caras e meus caros, que não há democracia no mundo em que o estado tenha o tamanho que tem no Brasil, com a sua consequente onipresença.

Por que há tanta corrupção no Brasil? O tuíte desbocado de Dutra explicava tudo: aqueles que assumem cargos públicos, a direção de estatais, de autarquias etc. conferem a si mesmos todos os direitos. Não se sentem obrigados a seguir nem as regras mínimas do decoro e da boa educação.

Se Dutra podia, na condição de homem de empresa, dizer aquilo, então outros diretores, considerei em abril de 2013, podiam muitas outras coisas que não constavam do rol de procedimentos oficiais da Petrobras. A corrupção de fato, aquela que rouba dinheiro público, é só a segunda etapa de um processo maior: a corrupção de valores. Antes de roubar o nosso dinheiro, eles roubam a nossa capacidade de nos indignar.

Um ano e 11 meses depois daquele tuíte, estourou a Lava Jato. E a gente conheceu um pouco da Petrobras por dentro — esta, cujo prejuízo decorrente da corrupção, só conheceremos, se o conhecermos, em 10 anos.

Texto publicado originalmente às 6h53
Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 5:07

Paulo Roberto põe Renan entre mentores do esquema. Ou: A síntese de um depoimento confuso

Vou aqui tentar fazer uma síntese do longo depoimento de Paulo Roberto Costa à CPI do Petrolão, por temas. É evidente que o que ele diz tem de ser investigado, sempre destacando que o homem não é um professor de educação moral e cívica ou de ética. Comecemos pelas acusações mais graves.

Campanha de Dilma em 2010
Paulo Roberto Costa reafirmou que Antonio Palocci lhe pediu R$ 2 milhões para a campanha de Dilma em 2010. Alberto Youssef teria ficado de repassar o dinheiro, mas o doleiro, que também fez delação premiada, diz não ter feito isso. Um inquérito investiga Palocci. Dilma não é investigada.

Renan e Humberto Costa entre os mentores
Indagado por um deputado sobre quem era o mentor do esquema, Costa lista uma série de políticos: “Do PP, começou com o deputado José Janene (PR); prosseguiu depois com o deputado Mário Negromonte (BA); prosseguiu depois com o senador Ciro Nogueira (PI). Do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), deputado Aníbal Gomes (CE). Do PT, tive contato e ações com o senador Lindbergh (Farias) (RJ), com o senador Humberto Costa (PE)… O senador Romero Jucá (RR), tivemos contato com ele, e também o [ex]ministro Edson Lobão [Minas e Energia]”.

A tese do cartel
Paulo Roberto Costa construiu o seu discurso para transformar a Petrobras em vítima da ação do suposto cartel das empreiteiras, embora ele fizesse parte da equipe que determinava preços, distribuía obras e decidia o valor da propina. Mais de uma vez, cantou as glórias da empresa e a sua seriedade, exaltando seus mecanismos de controle. Santo Deus!

O bom ladrão
Reproduzindo uma conta que está na imprensa, afirmou que pelo menos R$ 60 bilhões da dívida da Petrobras se devem à defasagem do preço dos combustíveis. O corrupto preocupado com os destinos da empresa diz ter apresentado proposta para corrigir a defasagem, com o apoio de José Sérgio Gabrielli, então presidente da Eetatal, mas sem sucesso.

Consciência culpada
O homem que lucrava milhões com o que chama cartel diz ter pensado em chamar outras empreiteiras para tocar as obras, mas afirmou que as que já estavam no negócio diziam que elas não conseguiriam fazer o trabalho.

Os políticos
O engenheiro culpou os maus políticos pela lambança na Petrobras. É claro que ele tem razão. A estatal serviu a um esquema de poder. Isso é evidente. Acontece que essa tese se choca justamente com a do cartel, não é? Ou bem este existe, e a estatal é uma de suas vítimas; ou bem a Petrobras era parte ativa na roubalheira, por meio de seus diretores — e era —, e o que se tem pode até ser formação de quadrilha, mas não cartel.

A propina
Paulo Roberto Costa já deu três versões para o valor da propina, embora insista que são uma só. Na primeira, afirmou que as empresas punham um sobrepreço nas obras para pagar os larápios; na segunda, disse que o dinheiro da sem-vergonhice saía do próprio lucro das empreiteiras; na última, veiculada nesta terça, tentou fundir as duas outras: o dinheiro dos corruptos sairia, sim, do lucro dos empreiteiros, mas, como eles formavam um cartel, então os preços já seriam naturalmente mais altos. O que não fecha na sua história? O óbvio: eram as empreiteiras que impediam a Petrobras de realizar uma real concorrência, ou era a Petrobras, por intermédio de seus diretores, que impedia uma competição honesta?

O reformador
Paulo Roberto estava à vontade no seu papel de conselheiro da República e, quem sabe, consultor. Vituperou contra o financiamento de campanha por empresas, abraçando uma tese que o PT levaria ao horário político pouco tempo depois. Segundo disse, se é para passar o Brasil a limpo, as doações têm de ser proibidas porque as empresas sempre procurarão um modo de recuperar o dinheiro.

Qualquer um que preste atenção à narrativa de Paulo Roberto vai acabar concluindo que há linhas contraditórias no seu depoimento, e isso, anotem aí, acabará sendo importante nos tribunais: ou bem a Petrobras tinha uma gestão política, que atendia a interesses partidários — e, a partir daí, os esquemas de corrupção operavam, inclusive das empreiteiras; ou bem essas empreiteiras se organizaram para tomar de assalto a Petrobras. Em qualquer dos dois casos, todos cometeram crimes. Mas a diferença não é irrelevante.

Caso se conclua que o núcleo da safadeza é político, então a estatal passa a ter uma gestão profissional, independente de quaisquer injunções que não sejam técnicas, e seus diretores não saberão distinguir senador, deputado ou tesoureiro partidário de um Zé Mané qualquer. Caso se conclua que a origem está num cartel, como querem Ministério Público e Justiça Federal do Paraná, então a Petrobras fica na mesma, e as empreiteiras de agora serão substituídas por outras, que entrarão na fila do guichê da delinquência.

É isso que alguns bocós não entenderam até agora. Ah, sim: a hipótese do cartel interessa aos tarados pelo estatismo. A hipótese do uso da empresa por um esquema de poder — que é fato — interessa a quem quer pôr bandidos na cadeia e a Petrobras nos trilhos.

Quanto ao financiamento de campanha, acho que o Brasil tem pensadores mais competentes do que Paulo Roberto.

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2015

às 21:47

Ah, se Padre Vieira fosse vivo, faria agora o “Sermão do Bom Ladrão – Versão 2.0” em homenagem a Paulo Roberto

Sim, ainda farei outro texto sobre o depoimento de Paulo Roberto Costa, mas há coisas que são mesmo do balacobaco. Aos deputados da CPI, ele fez a seguinte declaração, que quase me leva às lágrimas:

“Sabíamos do cartel? Sabíamos! Não tomamos nenhuma ação? Não tomamos nenhuma ação. Aí que nós erramos.”

Como assim? Eles “sabiam” do cartel??? Mas esperem aí: então eles foram conquistados pelo tal cartel, é isso? Não fosse o dito-cujo, seriam homens probos? E que história é essa de “erramos”? O erro é algo involuntário, que a pessoa comete sem querer, geralmente percebido quando as consequências desagradáveis se mostram.

Paulo Roberto Costa errou ou delinquiu?

Ah, mas o corrupto confesso tinha consciência, tá, pessoal? Afirmou que, num dado momento, ele se indignou e pensou em “convidar” outras empreiteiras para tocar as obras. Disse: “As empresas do cartel me falaram que eu ia quebrar a cara porque as empresas não iam dar conta de fazer o serviço”.

Perceberam? Nessa versão, não eram Paulo Roberto e os outros corruptos que atuavam na empresa que cobravam propina; as empreiteiras é que se impunham.

Ora, Paulo Roberto afirmar que “errou” ao não fazer nada é uma pilantragem retórica. Por que ele faria? Não era justamente a existência disso a que ele chama “cartel” — que cartel não era — que lhe garantia os ganhos milionários?

Aliás, ele próprio confessou que só chegou ao posto a que chegou com o compromisso de fazer safadezas:
“Não posso dizer que eu não tinha aspiração de um dia chegar ao cargo de diretor. Tinha. Eu tinha sonhos. (…) Eu, como engenheiro, tinha sonhos de chegar à diretoria. Obviamente, sabia que ia ter problemas, não sabia a extensão do problema. Na primeira conversa que eu tive com o deputado José Janene [à época do PP, morto em 2010], ele falou ‘nós vamos te apoiar e você vai ajudar o partido’.”

Preço dos combustíveis
Paulo Roberto, em suma, tentou demonstrar que é um homem rousseauniano à sua maneira: era essencialmente bom; os maus homens é que o corromperam. Tanto é assim que, mesmo se dedicando a falcatruas, eles se preocupava com os destinos da empresa. Mas disse, sim, uma coisa verdadeira: a pindaíba em que está a Petrobras não se deve principalmente à corrupção.

Leiam esta declaração:
“A Lava Jato é repugnante, não deveria ter acontecido. Com certeza, eu tava errado. Mas o maior problema da Petrobras, que arrebentou a Petrobras, é a defasagem dos preços dos derivados que o governo segurou. O governo segurou o preço do diesel, o preço da gasolina, e esses valores possivelmente deram rombo de R$ 60 bilhões, R$ 80 bilhões. Vamos imaginar que seja R$ 60 [bilhões]. A Lava Jato, com R$ 6 bilhões, dá 10% do rombo da Petrobras, que o governo manteve os preços congelados e arrebentou com a empresa. A Lava Jato é um problema? É. É o maior problema? Não é. O maior problema da Petrobras é a gestão política que fazem da companhia.”

Nesse particular, ele está certíssimo, mas essa conta já está na imprensa faz tempo, não é? Eu gostei mesmo foi de saber que ele, pessoalmente, defendeu o reajuste dos combustíveis entre 2010 e 2012, mas nunca foi ouvido.

E o depoente livrou, então, a cara de José Sérgio Gabrielli: “Vale aqui colocar também que o presidente Gabrielli, nesses assuntos todos que eu levava ajuste de preços, sempre me apoiou nos termos de me ajudar nos argumentos do ajuste de preços, mas, infelizmente, tanto eu como o presidente Gabrielli fomos votos vencidos”.

Que homem bom! Paulo Roberto ajudou a fraudar a Petrobras em alguns bilhões, mas pensava no seu futuro: queria ajustar o preço dos combustíveis. Cobrava propina das empreiteiras do grupo a que ele chama cartel, mas, indignado, pensava em chamar empresas de fora.

Olhem aqui: no meu blog, bandido é tratado como bandido. Não há espaço para heroísmos dessa espécie, ainda que o homem ajude a prender um monte de outros… bandidos!

A Justiça pode lhe conceder os benefícios de sua tortuosa delação premiada. Felizmente, eu não preciso.

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2015

às 20:25

PT e corrupto confesso têm a mesma receita para “passar o país a limpo”. Quem se surpreende?

Não posso fazer nada se entendo certas coisas com um pouquinho mais de rapidez do que alguns bocós arrogantes. O post em que digo que Paulo Roberto Costa agora virou especialista em reforma política e defende a mesma tese do PT foi publicado às 16h42. Às 17h58, a Folha publica esta pérola:
“O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) questiona a Paulo Roberto Costa se todos os recursos de doações estão contaminados por propina, ao que o ex-diretor responde que ‘sim’. Pergunta também se Costa é a favor do fim das doações privadas de campanha. ‘Eu acho que pra passar esse país a limpo, sim’, disse o ex-diretor.”

Entenderam? O PT — e as esquerdas no geral — e Paulo Roberto Costa acham que só se passa o país a limpo com o fim da doação de empresas a campanhas eleitorais.

Não! Eu não penso que o sujeito está lá a serviço do PT — é que há alguns trouxas que não sabem ler ironia. Eu estou apontando apenas a identidade de ponto de vista. Tanto o partido como o corrupto confesso pensam em “passar o país a limpo” com a mesma medida. Que todas as acusações que ele faz sejam investigadas, sim. Mas tomá-lo como conselheiro? Tenham paciência!

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2015

às 15:53

CVM abre investigação contra ex-conselheiros da Petrobras

Na VEJA.com:
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo contra ex-conselheiros da Petrobras para apurar se eles induziram os investidores ao erro ao concordarem com medidas que prejudicavam o caixa da empresa, contrariando os termos do plano de negócios da estatal aprovado pelo próprio Conselho. O órgão regulador do mercado de capitais cita como exemplo a ingerência do governo – chancelada pelo ex-conselheiros – na política de preços de combustíveis repassados ao consumidor abaixo do valor comercializado no mercado internacional. O mecanismo, que visava conter a pressão inflacionária, trouxe grandes prejuízos para a companhia.

Entre os investigados estão o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, a ex-ministra do Planejamento e atual presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o ex-secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia e atual presidente da Eletrosul, Marcio Zimmermann. Além deles, também são citados Sérgio Quintella, Jorge Gerdau, José Maria Ferreira Rangel e Francisco Roberto de Albuquerque. Desses, apenas Coutinho continua no Conselho.

Segundo a CVM, os ex-conselheiros são suspeitos de terem descumprido o artigo 155 da Lei nº 6.407/76, que diz que “o administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios”. O processo visa “apurar a responsabilidade” dos ex-conselheiros da estatal, que, “ao aprovar o Planos de Negócios 2014-2018 e a política de preços divulgada em 29 de novembro de 2013 com a finalidade de atingir níveis objetivos de endividamento em datas pré-definidas”, optaram “por conduzir a política de preços da referida companhia, de maneira a tornar o cumprimento dessas metas improvável”. A ação foi aberta no dia 20 de março de 2015.

Se forem confirmadas as práticas irregulares, os investigados poderão ser multados em até 500.000 reais, suspensos do cargo e impedidos de assumi-lo novamente em até vinte anos.

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2015

às 13:23

Delator do petrolão afirma que Dilma é responsável por Pasadena

Na VEJA.com:

Em defesa apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU), o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que depõe hoje à CPI que investiga esquema de corrupção na estatal, responsabilizou a presidente Dilma Rousseff pela compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, em 2006.

O documento entregue pelos advogados do ex-executivo, que é um dos delatores da Operação Lava Jato, lembrou que coube à então chefe da Casa Civil do governo Lula e presidente do Conselho de Administração da estatal assinar, em 2006, a aquisição da planta de refino. “É claro e evidente que a decisão de compra dos 50% da PRSI [Refinaria de Pasadena, na sigla em inglês] foi tomada pelo Conselho de Administração de 2006, da Petrobras, assinada pela então presidente do conselho, Dilma Vana Rousseff”, afirma a defesa.

Costa é pelo menos o terceiro ex-dirigente da Petrobras a responsabilizar a presidente da República pela compra danosa da refinaria, que se revelou um péssimo negócio, conforme admitido pela ex-presidente da estatal Graça Foster. O ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró e o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli também haviam suscitado ao TCU que todo o Conselho de Administração da petrolífera – Dilma, inclusive – era responsável pelas perdas.

O TCU apontou prejuízo de 792 milhões de dólares no negócio, feito em duas etapas, entre 2006 e 2012. A corte bloqueou bens de dez dirigentes e ex-dirigentes da empresa, entre eles Costa.

O ex-diretor é responsabilizado por parte das perdas, no valor de 580 milhões de dólares, por ter aprovado em valor superior ao que seria justo e desconsiderando riscos. Nos depoimentos prestados ao Ministério Público Federal, em acordo de delação premiada, ele admitiu ter recebido propina para “não atrapalhar o negócio”.

A indisponibilidade patrimonial determinada pelo TCU não alcança integrantes do Conselho de Administração, responsável por aprovar, em última instância, os investimentos da estatal. Mas o tribunal ressalvou que, a depender das provas apuradas no decorrer do processo, eles ainda podem ser implicados.

Falha – Dilma chefiou o colegiado de 2003 a 2010. Em março do ano passado, a presidente disse que, ao aprovar a compra de Pasadena, se embasou em parecer “técnico e juridicamente falho” sobre o negócio, apresentado pelo então diretor Internacional da companhia, Nestor Cerveró, atualmente preso por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. O documento omitia cláusulas do contrato consideradas prejudiciais à estatal.

A linha de culpar o Conselho de Administração por Pasadena é a mesma adotada por outros executivos com bens bloqueados, como Cerveró, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli e o ex-diretor de Serviços Renato Duque, também preso na Lava Jato. “O conselho era o único competente para aprovar a compra, com ou sem as cláusulas”, afirma Costa na defesa entregue ao TCU.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 6:33

Minha coluna na Folha: “Paixões escravas”

Leiam trechos:
A Petrobras teve um prejuízo em 2014 de R$ 21,587 bilhões. O espeto da corrupção, segundo os valores admitidos pela empresa –não se trata de contrapropaganda da oposição–, ficou em R$ 6,194 bilhões. Os ativos sofreram uma correção para baixo de R$ 44,345 bilhões. E, ora vejam!, nada disso era necessário; nada disso era parte de uma ordem inexorável, sem a qual não haveria amanhã.
(…)
É evidente que as responsabilidades individuais e partidárias devem ser buscadas e que os envolvidos em tramoias têm de arcar com o peso de suas escolhas. Mas estou mais interessado na criação de um sistema que cerque as margens de erro e de safadeza –para que os desmandos não voltem a ocorrer– do que em cortar cabeças, ainda que eu não vá chorar por aquelas que eventualmente rolarem.
O passado da Petrobras é matéria da Justiça, mas o futuro da empresa é matéria de eficiência.
(…)
O misto de má-fé e de má-consciência do petismo contribuiu, sim, para levar a Petrobras à lona, mas é importante termos claro que os valentes teriam quebrado a empresa ainda que fossem puros como as flores.
(…)
Informa o Datafolha que 61% dos entrevistados são contrários à privatização da Petrobras. Segundo Oscar Wilde, todo homem mata aquilo que ama. É um gesto de terrível altanaria senhorial. O sentimento moralmente escravo faz o contrário: ama aquilo que o mata.
Leia a íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo
 

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