Blogs e Colunistas

Petrobras

26/03/2015

às 16:10

O depoimento intelectualmente malandro de Graça Foster, a burocrata petista que tenta tapar o sol com a peneira. Ou: Golpistas são eles, além de ladrões!

Desde o começo da Operação Lava Jato, tenho contestado a tese do cartel. Há quem infira que é para proteger empreiteiras? Paciência! Cada um é dono das suas inferências. A história não acabou e não se está numa disputa de convicções. Há coisas que só o tempo corrige — mas não é fatal que aconteça. A história também é feita da “contribuição milionária de todos os erros”. Estudem a definição técnica de cartel e depois tentem demonstrar que ele é possível quando só existe uma fonte contratadora e uma fonte pagadora. Nesse caso, santo Deus, quem faz o preço? As empreiteiras ou a Petrobras? Ora…

Atenção! A inexistência do cartel não implica que as empreiteiras não tenham cometido crimes ainda piores, mais cabeludos. Quando contesto essa tese, estou sustentando, ao mesmo tempo, que ela é conveniente para o PT, para os petistas, para Dilma e, como veremos, para Graça Foster.

A ex-presidente da Petrobras está depondo na CPI. Entre ataques de modéstia fora de hora e inverossímeis (para quem a conhece) — “a empresa merecia gestor melhor do que eu” — e avaliações estupefacientes — “ estão interna da Petrobras é suficientemente boa” —, afirmou que o esquema investigado na Operação Lava Jato foi montado fora da Petrobras. É mesmo?

Eis aí! Essa é a tese do cartel? Montado “fora da Petrobras” por quem? No raciocínio de Graça, a resposta é óbvia: pelas empresas contratadas. Que estas tenham participado de um esquema criminoso, parece certo como a luz do dia. O importante é não distorcer a natureza do crime para que os bandidos realmente perigosos para a democracia não acabem impunes.

“Esquema montado fora?” A menos que Graça Foster esteja se referindo ao PT, à Presidência da República, a partir de 2003, ou mesmo ao consórcio de partidos que indicou os diretores ladrões, ela está falando exatamente do quê? Fica evidente o esforço da ex-presidente de transformar a estatal em vítima das empreiteiras. É uma tese para embalar idiotas.

Então os senhores do concreto armado metiam o pé na porta de Paulo Roberto Costa, de Renato Duque ou de Nestor Cerveró, entravam com uma faca nos dentes e os intimidavam: “Ou vocês aceitam receber a propina para repassar ao PT e a outros partidos, ou nós…”. Eis a pergunta: “Ou nós o quê?”. Quem detinha os instrumentos para determinar o preço, para fazer as escolhas, para definir a “margem da propina”, para punir quem eventualmente se negasse a participar do conluio?

“Ah, então havia apenas extorsão, e as empresas não passam de vítimas?” Uma ova! Onde está escrito isso aqui? Em casos assim, ninguém participa de um esquema criminoso se não quiser. Mas, reitero, identificar a natureza da tramoia é importante para que se puna com a devida severidade quem tem de ser punido e para que a safadeza não se repita.

Por mais que as empreiteiras tenham participado gostosamente da lambança, elas foram instrumentos empregados por uma máquina partidária para assaltar o estado brasileiro. Os que organizavam esse esquema não assaltaram apenas dinheiro público; assaltaram também a institucionalidade. Como já definiu Celso de Mello no processo do mensalão, são “marginais do poder”.

Mais: se triunfa a tese do cartel como o centro da vigarice e se a política se torna apenas uma extensão desse centro, uma mentira clamorosa estará sendo contada. Alguém acredita mesmo que o chefe do esquema era Ricardo Pessoa, da UTC, que seria uma espécie de porta-voz do tal Clube do Bilhão? Alguém acredita mesmo que era ele quem dava o murro na mesa quando os convivas se desentendiam? De que centro irradiador partiam as ordens para pagar a percentagem de cada contrato celebrado com a Petrobras? Quem mandava no circo?

Alguns cretinos inferem que, ao fazer considerações dessa natureza, estou buscando atacar o juiz Sérgio Moro. Não estou atacando ninguém. Não acho que ele esteja determinado a proteger o PT ou os petistas graúdos. Tal coisa, também, nunca escrevi. O que acho, sim, é que a tese do cartel, contra a evidência fática, concorre para isso. De resto, dá para punir com extrema severidade os empreiteiros com os crimes que foram efetivamente cometidos.

Graça pode ter razão, mas de outra maneira: a estrutura criminosa foi mesmo urdida fora da Petrobras, que era, certamente, apenas um dos lugares em que operava a máquina de assalto ao estado. Afinal, as mesmas empresas que prestavam serviços para a petroleira trabalham para outras estatais e para ministérios, onde, no mais das vezes, estão pessoas com moralidade idêntica à que vigia na Petrobras. E toda essa gente estava afinada num mesmo propósito.

É por isso que, quando as ruas acordam e pedem o fim da bandalheira, identificando-a com um partido político e com seus líderes mais importantes, começa a gritaria que acusa um suposto “golpismo”. O diabo que os carregue! Golpistas são eles. Além de ladrões.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 14:52

Moro libera transferência de 12 presos na Lava Jato para presídio

Na VEJA.com:
O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, autorizou nesta segunda-feira a transferência de doze presos da carceragem da Polícia Federal no Paraná para uma ala no Complexo Médico Penal em Curitiba. O pedido de transferência foi feito na sexta-feira pela Polícia Federal, sob a alegação de que a carceragem da PF já estava sem espaço por abrigar tantos presos da Lava Jato. O superintendente da PF no Paraná, delegado Rosalvo Ferreira Franco, argumenta que “está ficando inviável” acomodá-los.

“Com as novas prisões que ocorreram em 16 de março de 2015 e outras que por acaso possam ocorrem nos desdobramentos da Operação Lava Jato, já está ficando inviável ficarmos com todos os presos na nossa Custódia, tendo em vista que alguns presos não podem se comunicar entre si e fica difícil acomodá-los em apenas seis celas”, afirmou Franco na petição enviada à Justiça Federal do Paraná.

Moro liberou doze transferências sob o argumento de que a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná disponibilizou uma ala no Complexo Médico Penal especificamente para os presos na Lava Jato, onde os executivos não teriam contato próximo com outros presos. “De fato, a carceragem da Polícia Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu espaço reduzido, a manutenção de número significativo de preso”, afirma o juiz em sua decisão.

O contato com outros detentos em uma cadeia comum é um dos principais motivos pelos quais os executivos da Lava Jato não querem ser transferidos. “Não há que se presumir que os presos da Operação Lava Jato serão vítimas de alguma violência por parte de outros detentos. Entretanto, forçoso admitir que, pela notoriedade da investigação, há algum risco nesse sentido, o que justifica colocá-los, por cautela, em ala mais reservada”, avalia Moro. Em inspeção do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público Federal no Paraná, todos os executivos de empreiteiras disseram aos procuradores da república que preferiam permanecer detidos na carceragem da PF. Moro não autorizou a remoção do ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, apontado como chefe do clube do bilhão.

Vão para o novo presídio Fernando Soares, o “Fernando Baiano”, apontado como operador do PMDB; o doleiro Adir Assad; Mario Goes e o petista Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. Entre os empresários, serão transferidos Erton Medeiros Fonseca, diretor-presidente da Galvão Engenharia; João Ricardo Auler (diretor da Camargo Corrêa); Sergio Cunha Mendes, vice-presidente executivo da Mendes Júnior; Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix, e José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS. Dessa empresa, integram o grupo os diretores Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e José Ricardo Nogueira Breghirolli.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 5:33

Da Vaca Sagrada à Vaca Profanada. E com tosse. Ou: Será muito difícil Dilma mudar o ânimo das ruas

Não será fácil para a presidente Dilma Rousseff mudar o ânimo das ruas. E, a se levar em conta o que andam a sugerir alguns aloprados do PT, a coisa pode piorar. Os veículos e subveículos de comunicação que servem ao poder e ao partido decidiram que é hora de fazer novas listas negras de jornalistas. Esses caras não perceberam que esse tipo de prática milita contra a estabilidade da própria presidente. Agredir moralmente os que divergem do governo corresponde a dar um tiro no pé. Mas os valentes não abrem mão da linguagem do confronto.

A pesquisa Datafolha que captou os números desastrosos da popularidade da presidente — apenas 13% de ótimo e bom e 62% de ruim e péssimo — também quis saber se os entrevistados acham que Dilma sabia ou não das lambanças na Petrobras. Esse resultado consegue ser ainda pior do que o de sua popularidade.

Para 84%, Dilma sabia, sim, da corrupção na estatal. Desse total, 61% sustentam que ela sabia e nada fez; outros 23% avaliam que ela tinha conhecimento, mas nada poderia ter feito para impedir a sem-vergonhice. Ou por outra: 61% a veem como conivente, e 23%, como uma fraca. É difícil saber o que é pior.

Sim, entre os que votaram em Aécio, é esmagador o percentual dos que afirmam que Dilma sabia de tudo: 94%. Ocorre que é também gigantesco entre os que declararam voto na presidente: 74%. Nada menos de 88% afirmam que a Petrobras será prejudicada pelos escândalos — para 51%, um prejuízo que vai durar muito tempo. A elite petista, no entanto, insiste na tecla suicida de que tudo não passa de uma conspiração de golpistas. É também o que afirmam os colunistas da grande imprensa que servem de esbirros do partido.

Sabemos como são as coisas, não? Se a presidente tivesse à mão um conjunto de instrumentos ou de política econômica maiúscula ou mesmo de generosidades pontuais com que acenar, talvez se pudesse apostar numa mudança do quadro num tempo razoável. Mas, como indagaria Noel Rosa, “com que roupa?” A margem de manobra é nenhuma. Ao contrário: o ciclo de dificuldades decorrente do ajuste recessivo — que tem de ser aplicado — ainda nem começou a surtir efeito.

O fator Petrobras
É claro que a crise econômica e as promessas obviamente não cumpridas de Dilma levam muitos milhares às ruas. Raramente se teve com tanta clareza a evidência do estelionato eleitoral. A própria Dilma sugeriu que, em 2003, Lula mocozeou o programa do PT e governou com outro. É verdade. Mas foi bom para os brasileiros. Se o Apedeuta tivesse destruído o Plano Real, aí, sim, teria havido um desastre. Desta feita, a vida piorou.

Entendo que a coisa vai além da crise, o que as pesquisas ainda não pegaram. O PT tratou a Petrobras como a Vaca Sagrada da nacionalidade nas campanhas de 2002, 2006 e 2010. E teria feito o mesmo em 2014, não fosse a Lava Jato. Propagava aos quatro ventos que os adversários queriam privatizar a empresa, que não tinham por ela nenhum respeito, que agrediam os interesses nacionais…

E eis que os brasileiros — que aprenderam com os petistas que a Petrobras era um altar de bênçãos — descobrem que os companheiros haviam transformado a empresa num antro de safadeza, de roubalheira e de rapinagem. A Vaca Sagrada foi profanada.

Queriam o quê? A bomba explodiu no colo de Dilma. Afinal, ela está no poder há 13 anos, não é mesmo?

Texto publicado originalmente às 3h02
Por Reinaldo Azevedo

16/03/2015

às 8:20

PF volta a prender Renato Duque, ex-diretor da Petrobras

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, apontado pelos investigadores da Lava Jato como um dos principais arrecadadores de propina do PT, voltou a ser preso nesta segunda-feira, na décima fase da operação, batizada de “Que país é esse?” – o título faz referência à frase que Duque teria dito a seu advogado em novembro passado, quando foi preso pela primeira vez. A prisão foi decretada depois que a força-tarefa da Lava Jato encontrou em Mônaco a fortuna que Duque limpou de contas na Suíça – documentos recebidos pelas autoridades brasileiras comprovam a movimentação do dinheiro no país europeu. Foram bloqueados 20 milhões de euros (67,8 milhões de reais) nas contas de Duque no principado. O Ministério Público verificou que, mesmo depois de deflagrada a operação, Duque seguiu desviando dinheiro de suas contas no exterior.

Relator dos processos Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zavascki havia concedido liberdade a Duque em dezembro por considerar que não era legítimo manter o investigado preso preventivamente com base em argumentos de que, em liberdade, ele poderia fugir para o exterior. A investigação apontou, ainda, registro de transferências para outras contas nos Estados Unidos e em Hong Kong, mas ainda fora do alcance das autoridades brasileiras. A nova prisão preventiva foi decretada, portanto, para evitar novos crimes de lavagem em relação ao dinheiro secreto ainda não bloqueado.

Afilhado do mensaleiro José Dirceu, por indicação de quem ocupou a Diretoria de Serviços, Duque foi preso em sua casa, no Rio de Janeiro, na nesta manhã. O mandado expedido contra ele é de prisão preventiva, ou seja, não há prazo estipulado para soltura. Ele é um dos principais alvos desta fase da Lava Jato, ao lado do empresário Adir Assad, apontado como verdadeiro dono de empresas utilizadas pelas empreiteiras para lavar dinheiro no esquema do petrolão. Assad é velho conhecido da Justiça: foi um dos investigados pela CPI do Cachoeira e também um dos alvos de inquérito da Polícia Federal nas investigações sobre a empreiteira Delta. Assad foi preso em sua casa em São Paulo.

Em dezembro de 2013, reportagem de VEJA mostrou que Adir Assad montou uma rede de empresas que não existem para prestar serviços de corrupção e financiamento clandestino de campanhas eleitorais. A contabilidade de suas empresas revela que elas receberam 1 bilhão de reais, entre 2006 e 2013, de 134 clientes, como empreiteiras, bancos, usinas de energia, empresas de logística, incorporadoras e concessionárias de rodovias. Quase metade dos clientes (cinquenta) são empreiteiras e empresas da construção civil, que juntas desembolsaram 750 milhões de reais. A evolução do faturamento de Assad acompanha a escalada da Delta no ranking de fornecedores da União. Em 2006, as firmas do empresário faturaram 660.800 reais. Em 2010, ano de eleições gerais, 379 milhões de reais.

Além dos dois mandados de prisão preventiva e quatro de temporária, os agentes cumprem doze mandados de busca e apreensão expedidos pela 13ª Vara Federal do Paraná. Os presos são investigados pela prática dos seguintes crimes: associação criminosa, uso de documento falso, corrupção passiva e corrupção ativa, além de fraude em processo licitatório e lavagem de dinheiro. Três alvos são laranjas de Assad e um é filho do operador Mário Goes, que está preso na carceragem da PF em Curitiba desde fevereiro e deve ser denunciado à Justiça nesta semana. Lucélio, filho de Goes, era sócio do ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco em uma lavanderia industrial. O próprio operador foi sócio de Barusco na JPA lavanderia industrial.

Delação – Em acordo de delação premiada, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, braço direito de Renato Duque na Petrobras, disse que o pagamento de propina na petroleira envolveu noventa contratos de obras de grande porte entre a estatal, empresas coligadas e consórcios de empreiteiras. Os contratos estavam vinculados às diretorias de Abastecimento, Gás e Energia e Exploração e Produção. No rateio da propina, era cobrado 2% do valor do contrato, sendo que 1% era administrado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, e o outro 1% era repartido entre o PT e diretores da Petrobras, incluindo Renato Duque e Jorge Zelada, da Área Internacional da petroleira. Segundo Barusco, na partilha do dinheiro sujo, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recebeu até 200 milhões de dólares, sendo que parte desta propina teria sido repassada ao caixa da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República em 2010.

Quando Renato Duque deixou a Diretoria de Serviços, em 2012, ele fez uma espécie de acerto de contas com o então braço direito para receber parte da propina que havia sido direcionada inicialmente ao auxiliar. No acordo, Barusco destinou valores de futuras propinas para o ex-chefe, já que, no acordo do chamado Clube do Bilhão, diversas empresas ainda precisavam confirmar o pagamento de dinheiro na trama criminosa. Apenas a Camargo Corrêa, por exemplo, devia 58 milhões de reais em propina na época.

Entenda – A participação de Renato Duque no esquema de cobrança de propina na Petrobras foi amplamente detalhada às autoridades da Lava Jato, em especial em acordos de delação premiada. Além das informações de Barusco, o diretor da Divisão de Engenharia Industrial da empresa Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, por exemplo, afirmou à Justiça que a empreiteira pagou 8,8 milhões de reais, de 2010 a 2014, em propina para um emissário da diretoria de Serviços da petroleira. O último repasse, segundo os comprovantes anexados pela empreiteira ao inquérito, são de junho de 2014, quando a Lava Jato já havia sido deflagrada.

Mais: o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, da empresa Toyo Setal, também informou à Justiça a participação de Renato Duque no escândalo do petrolão e disse que, no Clube do Bilhão, normalmente a propina a ser paga a Paulo Roberto Costa seria de 1% por contrato, e de Duque outros 2%, embora cada empresa pudesse negociar diretamente com os diretores, em uma espécie de barganha de propina. No caso da Toyo Setal, por exemplo, Duque recebeu 1,3% de propina por contrato celebrado com a Petrobras, enquanto Costa recebeu 0,6%.?

Por Reinaldo Azevedo

13/03/2015

às 22:12

Barusco para presidente da Petrobras? Acho que não iria dar certo…

 Piada excelente que está na rede e que me foi enviada pela querida jornalista Maria Helena Amaral:
“Pedro Barusco foi o melhor investimento da Petrobras nos últimos cinco anos. Roubou US$ 97 milhões a R$ 1,70 e devolveu a R$ 3,10”.

É isso aí! Se esses caras fossem tão eficientes para governar quanto eles são para roubar, o Brasil já seria uma superpotência!

Ocorre que, para que possam governar com a mesma eficiência com que roubam, a ética do partido teria de ser outra. E outra haveria de ser a moral de seus integrantes.

Daí se deduz, então, que a eficiência não é um bem em si, não é? Ela só faz sentido e se define quando aplicada.

Por Reinaldo Azevedo

13/03/2015

às 20:25

Ata revela clima de guerra no conselho da Petrobras

Por Malu Gaspar, na VEJA.com:
Apesar de nunca divulgar seus documentos internos, a Petrobras tornou pública na última quarta-feira, dia 11 de março, um extrato da ata da reunião do conselho de administração que escolheu Aldemir Bendine para a presidência da companhia. O documento, disponível no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tem cinco páginas e é apenas um resumo do que se passou nas quatro horas em que estiveram reunidos os conselheiros e diretores da empresa, no último dia 6 de fevereiro. Sua leitura, porém, é suficiente para entender que a indicação de Bendine foi tensa e aconteceu em clima de guerra conflagrada entre os conselheiros independentes e os representantes do governo, que controla a empresa. Em bom português, o pau quebrou. Acusações de manipulação política e desrespeito às regras de governança da empresa foram várias vezes reiteradas, e até um pedido de renúncia dos conselheiros ligados à Dilma Rousseff foi feito. Como se sabe, apesar dos protestos, o ex-presidente do Banco do Brasil assumiu o cargo. Dos nove conselheiros da Petrobras, seis são nomeados pelo governo. A reunião aconteceu em São Paulo. Os diretores demissionários e a presidente Graça Foster participaram por teleconferência, do Rio de Janeiro, de parte dela.

O nome de Bendine foi indicado pela presidente Dilma em meio à crise provocada pela renúncia de cinco dos sete diretores da empresa e da presidente, Graça Foster. Eles se rebelaram depois que o governo vetou a inclusão, no balanço da companhia, de um cálculo de perdas derivadas do petrolão que chegava a 88,6 bilhões de reais. Embora tivesse sido feito por consultorias independentes contratadas por ordem do próprio conselho — que concordou inclusive com o método de cálculo. Dilma não gostou do número, considerado muito grande, e simplesmente o vetou. Em sua fala, o conselheiro José Monforte apoiou a diretoria demissionária e disparou: “A forma como são conduzidos assuntos críticos para a companhia, por parte do acionista controlador, fere os princípios mais comezinhos da boa governança. (…) Fiquei sabendo pela imprensa de supostas reuniões entre conselheiros indicados pelo acionista controlador, reservadamente. Mais uma vez, submeteu-se o conselho de administração ao constrangimento de ir se informando através de relatos da imprensa.” Segundo Monforte, além de ilegal, o movimento do governo foi temerário, porque deixou a companhia “acéfala”.

Os conselheiros reclamaram também do fato de o comitê de remuneração e sucessão da empresa, a quem em tese cabia escolher não só o presidente como os diretores, ter sido excluído da decisão a respeito do novo presidente. O comando desse comitê é o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia, Márcio Zimmerman. Monforte, que fazia parte dele, renunciou alegando sua total inoperância. De fato, o governo ignorou de tal forma o conselho da Petrobras que o nome de Bendine já estava na imprensa antes mesmo de os conselheiros terem sido apresentados a ele. O conselheiro Mauro Cunha, que é também presidente da da Associação dos Investidores do Mercado de Capitais, também não economizou em sua revolta: “O que estamos vendo aqui é uma piada ruim e um desrespeito ao Conselho de Administração”.

Cunha demonstrou estar preocupado com o fato de a Petrobras não ter até agora um balanço auditado para o ano de 2014. A empresa precisa publicá-lo até junho deste ano, se não quiser ver a cobrança de suas dívidas antecipadas por credores. Essa circunstância poderia causar sérias dificuldades financeiras à Petrobras, já que ela não tem no caixa recursos suficientes para pagar os títulos que poderiam vencer antecipadamente. Por isso, Cunnha radicalizou: “Se não quisermos ficar na mão dos ditos fundos abutres, eu proponho que os conselheiros indicados pelo acionista controlador apresentam suas renúncias e que nós convoquemos uma assembléia geral extraordinária.” A ata da Petrobras não registra a reação dos conselheiros indicados pelo governo aos protestos dos independentes, mas fica óbvio que o clima foi de total constrangimento. Entre as críticas feitas por Cunha estavam ainda uma ironia com o fato de a Petrobras ser “uma empresa de petróleo em que nenhum conselheiro é especialista em petróleo”.

A ata não registra a reação dos conselheiros do governo. A divulgação do documento foi uma exigência de Cunha e dos outros dois conselheiros, que têm feito oposição permanente ao governo na cúpula da Petrobras. Ainda assim, a companhia primeiro divulgou um comunicado, e depois foi obrigada pela CVM a colocar pelo menos o resumo da ata em seu site. A lei diz que as empresas com ações em bolsa devem tornar públicas todas as atas de reuniões de administração cujas decisões que ” gerem efeitos perante terceiros” — traduzindo, qualquer decisão que afete os acionistas minoritários, o público ou o mercado.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2015

às 17:55

ESPANTOSO! Era impossível detectar corrupção na Petrobras, diz petista que presidiu a empresa por 12 anos

Ainda voltarei ao tema. Leiam o que informa  Gabriel Castro, na VEJA.com:
Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli afirmou nesta quinta-feira que não era possível detectar o esquema de corrupção desvendado pela Operação Lava Jato. Ele justificou que isso era “impossível” pelo grande volume de recursos movimentados em contratos da estatal e pela forma de ação dos responsáveis diretos pelos desvios. 
“É impossível identificar esse tipo de comportamento internamente. Isso é um caso de polícia”, afirmou aos parlamentares. Ele argumentou que, apesar dos desvios, os contratos onde havia pagamento de propina tinham valores dentro dos parâmetros da estatal.

Gabrielli é o segundo depoente convocado pela CPI para falar sobre o petrolão. O primeiro foi o ex-gerente de Serviços Pedro Barusco, que falou aos parlamentares na terça-feira. Além deles, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi ouvido nesta quinta-feira porque se voluntariou a comparecer. Quando o relator Luiz Sérgio (PT-RJ) perguntou sobre as indicações políticas para diretorias da Petrobras, Gabrielli foi evasivo: disse apenas que o governo tem seus “próprios critérios”. O depoimento de Gabrielli, que presidiu a Petrobras entre 2005 e 2012, começou por volta das 14h30 e segue em andamento.

Gabrielli também afirmou que a elevação no preço da refinaria pernambucana de Abreu e Lima, tratada como superfaturamento de mais de 600 milhões de reais pelo Tribunal de Contas da União (TCU), é efeito de três fatores: a alta do dólar, uma revisão no projeto inicial e a falta de infraestrutura adequada na região da refinaria. O relator Luiz Sérgio (PT-RJ) evitou perguntas mais específicas sobre os casos de corrupção. Gabrielli, por sua vez, fez uso de respostas longas, o que irritou a oposição. “Estamos assistindo a uma palestra sobre petróleo”, reclamou o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT). Quando os demais parlamentares passaram a fazer perguntas, Gabrielli admitiu que partiu da estatal a indicação de Pedro Barusco para uma diretoria da Sete Brasil, empresa construtora de sondas que tinha 5% de participação acionária da Petrobras. Na Sete, Barusco manteve seu esquema de cobrança de propina em parceria com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Gabrielli já afirmou, em entrevista ao Jornal Nacional, que a indicação não partia da Petrobras. Agora, reconhece: “Foi um equívoco”. De acordo com ele, a indicação foi feita pela diretoria da estatal. Ainda assim, o ex-presidente diz que a decisão não passou por ele. “Não é uma indicação pessoal minha”. Ele provocou risos no plenário da CPI ao dizer que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que deixou um prejuízo de mais de um bilhão de dólares, foi um bom negócio: “Com certeza. Não tenho dúvida quanto a isso”.

Por Reinaldo Azevedo

11/03/2015

às 4:43

Petrobras monta força-tarefa para incluir propinas no balanço

Por Raquel Landin e Renata Agostini, na Folha:
Com pouco tempo para fechar as contas e publicar o balanço de 2014 auditado, a nova diretoria da Petrobras decidiu calcular só o prejuízo com propinas pagas a ex-funcionários e políticos e deixar de fora o sobrepreço causado pelo suposto cartel. Sob o comando de Ademir Bendine, a estatal montou uma força-tarefa para analisar todos os depoimentos dos delatores da Operação Lava Jato e cruzar com informações internas para chegar à propina a ser contabilizada. A avaliação dos diretores é que a empresa não tem meios para calcular o sobrepreço nas obras antes da conclusão das investigações do Ministério Público sobre o conluio.

O cálculo do custo da corrupção é importante para convencer a auditoria independente PwC a aprovar o balanço. Desde novembro, a auditoria têm feito ressalvas à contabilidade da estatal. O balanço do terceiro trimestre e o do resultado anual têm que ser publicados no máximo até 31 de maio. Caso contrário, os credores poderão pedir a antecipação do pagamento das dívidas. Segundo a agência de classificação de risco Moody’s, a empresa pode ser obrigada a pagar de uma vez US$ 110 bilhões, ou um terço de tudo o que deve na praça. Diante do prazo apertado, o diretor financeiro da empresa, Ivan Monteiro, foi escalado para entrar em contato com os principais credores e tranquilizá-los. A Folha apurou que, apesar de não se comprometer com uma data de divulgação do balanço, o executivo tem dito que haverá tempo hábil para apresentá-lo.
(…)
Segundo a Folha apurou, o balanço da Petrobras vai mostrar, além do pagamento de propina, quanto os principais ativos da companhia, como a Refinaria Abreu e Lima e o Comperj, valem hoje. A perda, no entanto, deve ser menor que os US$ 88,6 bilhões estimados pela gestão anterior de Graça Foster. Serão alterados parâmetros técnicos para chegar a um valor inferior.

Por Reinaldo Azevedo

07/03/2015

às 9:27

Algumas das acusações que embasaram pedidos de abertura de inquérito

Algumas das acusações que embasam os pedidos de abertura de inquérito, segundo levantamentos da Folha.

Palocci e a campanha eleitoral de Dilma em 2010
Palocci está entre os 50 da lista divulgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na noite desta sexta-feira (6), que traz os nomes de políticos envolvidos em inquéritos referentes à operação. O pedido de inquérito contra o ex-ministro foi remetido para a primeira instância da Justiça Federal em Curitiba, já que Palocci, que era coordenador da campanha de Dilma de 2010 e depois seu ministro da Casa Civil, não tem foro privilegiado. “O Procurador-Geral da República requer a remessa do expediente à 13ª Vara Federal de Curitiba para que seja em mais detalhes apurada a conduta eventualmente praticada por Antônio Palocci”, diz a petição. O ex-ministro Antonio Palocci Filho se prepara para votar em seção do colégio Otoniel Mota, em Ribeirão Preto O nome de Dilma foi citado em um dos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público. Ele contou que foi procurado pelo doleiro Alberto Youssef em 2010. Na ocasião, segundo Costa, Youssef disse ter recebido um pedido de Palocci para que fossem doados R$ 2 milhões do caixa do PP, abastecido com recursos desviados da Petrobras, à campanha de Dilma. Costa admitiu ter autorizado a contribuição e relatou que, posteriormente, Youssef confirmou que repassou à quantia solicitada. Não esclareceu, no entanto, se o pedido foi feito por Palocci ou por um algum assessor dele. (aqui)

Outro mensalão
“Segundo os depoimentos, os agentes políticos responsáveis pela indicação de Paulo Roberto Costa para Diretoria de Abastecimento da Petrobras recebiam, mensalmente, um percentual do valor de cada contrato firmado pela diretoria, outra parte era destinada a integrantes do PT responsáveis pela indicação de Renato Duque para Diretoria de Serviços” (aqui).

Renan Calheiros
O pagamento de propina das obras da Petrobras para o PMDB foi decidido numa reunião envolvendo caciques do PMDB na casa do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), atualmente presidente do Senado. A acusação foi feita por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras num de seus depoimentos para os procuradores da Operação Lava Jato. Esse depoimento foi base para a abertura de um dos inquéritos que investiga o presidente do Senado juntamente com o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE). Os dois são acusados de corrupção e formação de quadrilha. Calheiros divulgou nota oficial em que diz que suas relações com o poder público nunca “ultrapassaram os limites institucionais”. O peemedebista afirma ainda que nunca autorizou o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) a falar em seu nome. O peemedebista disse que o processo de investigação é o único “instrumento capaz de comprovar” que ele não tem envolvimento no esquema. (aqui)

Eduardo Cunha
O doleiro Alberto Youssef vinculou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao suposto recebimento de propinas pagas ao PMDB pelo executivo Julio Camargo em torno de contratos fechados na diretoria internacional da Petrobras para fornecimento de navios-sondas à estatal do petróleo. A pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o ministro relator dos casos derivados da Operação Lava Jato no STF, Teori Zavascki, determinou a abertura de inquérito para investigar o presidente da Câmara. Segundo o depoimento prestado em outubro passado no acordo de delação premiada, cujo conteúdo foi divulgado nesta sexta-feira (6), Youssef afirmou que os pagamentos de Julio Camargo para Eduardo Cunha eram feitos por meio do lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, que “representava” Cunha, segundo o doleiro, e também “representava ao PMDB no âmbito da Petrobras, isto é, era o operador do PMDB” tanto quanto o próprio Youssef era “o operador do PP”. (aqui)

Roseana Sarney
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse ter repassado R$ 2 milhões em 2010 e R$ 1 milhão em 2008 à ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Segundo Costa, os dois pagamentos ilícitos foram solicitados pelo ex-ministro das Minas e Energia do governo de Dilma Rousseff, Edson Lobão. No primeiro depoimento sobre o pagamento de R$ 2 milhões a Roseana, Costa afirmou que Lobão fez o pedido em seu gabinete no ministério. Ele disse também que esteve com Roseana no Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, e que a governadora tratou da propina em uma reunião entre os dois “de forma rápida”. Ainda segundo Costa, a propina tinha relação com a refinaria Premium 1, que a Petrobras estava construindo no Maranhão, mas decidiu paralisar a obra no último mês. Em um novo depoimento, o relato aparece recheado de dúvidas. O ex-diretor da Petrobras disse não se recordar se a reunião com Lobão haviam ocorrido na casa do ministro ou no ministério. Ele cita que os repasses foram feitos pelo doleiro Alberto Youssef, que não confirma nenhum dos pagamentos a Roseana. (aqui)

Edison Lobão
Um dos executivos da empreiteira Camargo Corrêa que passou a colaborar com as investigações da Operação Lava Jato disse a procuradores que o senador Edison Lobão (PMDB-MA) pediu e recebeu cerca de R$ 10 milhões de propina da empresa em 2011, quando ela foi contratada para participar da construção da usina de Belo Monte. À época, Lobão era ministro das Minas e Energia do governo de Dilma Rousseff. O nome do então ministro já havia sido citado nas delações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Youssef dizia na carceragem da PF em Curitiba que Lobão era o “chefe” do esquema de desvios na Petrobras, segundo advogados ouvidos pela Folha. O advogado do ex-ministro, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que “palavra de delator tem credibilidade zero” e que irá esperar as provas. O executivo da Camargo, Dalton Avancini, fez o relato sobre a suposta propina paga a Lobão durante as negociações com procuradores para o acordo de delação. Ele também citou que houve tratativa sobre suborno na contratação da Camargo para fazer a usina atômica Angra 3. (aqui)

Antonio Anastasia
O nome do congressista foi citado em novembro, no depoimento do policial federal afastado Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca. Ele era encarregado de transportar valores a mando de Youssef e afirmou ter levado a quantia para uma pessoa em em Belo Horizonte (MG). Na ocasião, os investigadores apresentaram-lhe uma foto de Anastasia, perguntando se a imagem era do destinatário dos recursos. Careca afirmou que “era parecido”. O policial federal disse também que, posteriormente, constatou que “o candidato que ganhou a eleição em Minas era a pessoa para quem levei o dinheiro”, conforme trecho de seu depoimento. Youssef, quando ouvido pela força-tarefa da Lava Jato, confirmou ter enviado valores para Belo Horizonte. Não soube dizer, porém, quem seria o beneficiário. Anastasia disse, via assessoria, que só se manifestará após seu advogado analisar o inquérito (aqui)

Por Reinaldo Azevedo

06/03/2015

às 21:02

Renan, Cunha e Roseana estão na “Lista de Janot”; você ficará com a impressão, leitor, de que o PP é o partido que manda na República. Você acredita nisso? O PT fica só em 3º lugar…

Está confirmado. Os respectivos presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estão mesmo na lista, integrada também por Roseana Sarney, ex-governadora do Maranhão, e Edison Lobão (PMDB), ex-ministro das Minas e Energia. Lendo a lista, leitor, você ficará com a impressão que o partido que realmente comanda a República é o PP. O único membro de um partido de oposição é o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). Você acha que é? Leia a lista dos políticos que serão alvos de inquérito, reunidos por partido.

PP
– Senador Ciro Nogueira (PI)
– Senador Benedito de Lira (AL)
– Senador Gladson Cameli (AC)
– Deputado Aguinaldo Ribeiro (PB)
– Deputado Simão Sessim (RJ)
– Deputado Nelson Meurer (PR)
– Deputado Eduardo da Fonte (PE)
– Deputado Luiz Fernando Faria (MG)
– Deputado Arthur Lira (AL)
– Deputado Dilceu Sperafico (PR)
– Deputado Jeronimo Goergen (RS)
– Deputado Sandes Júnior (GO)
– Deputado Afonso Hamm (RS)
– Deputado Missionário José Olímpio (SP)
– Deputado Lázaro Botelho (TO)
– Deputado Luis Carlos Heinze (RS)
– Deputado Renato Molling (RS)
– Deputado Renato Balestra (GO)
– Deputado Lázaro Britto (BA)
– Deputado Waldir Maranhão (MA)
– Deputado José Otávio Germano (RS)
– Ex-deputado e ex-ministro Mário Negromonte (BA)
– Ex-deputado João Pizzolatti (SC)
– Ex-deputado Pedro Corrêa (PE)
– Ex-deputado Roberto Teixeira (PE)
– Ex-deputada Aline Corrêa (SP)
– Ex-deputado Carlos Magno (RO)
– Ex-deputado e ex-vice governador João Leão (BA)
– Ex-deputado Luiz Argôlo (BA) (filiado ao Solidariedade desde 2013)
– Ex-deputado José Linhares (CE)
– Ex-deputado Pedro Henry (MT)
– Ex-deputado Vilson Covatti (RS)

PMDB
– Senador Renan Calheiros (AL), presidente do Senado
– Senador Romero Jucá (RR)
– Senador Edison Lobão (MA)
– Senador Valdir Raupp (RO)
– Deputado Eduardo Cunha (RJ), presidente da Câmara
– Deputado Aníbal Gomes (CE)
– Ex-governadora Roseana Sarney (MA)

PT
– Senadora Gleisi Hoffmann (PR)
– Senador Humberto Costa (PE)
– Senador Lindbergh Farias (RJ)
– Deputado José Mentor (SP)
– Deputado Vander Loubet (MS)
– Ex-deputado Cândido Vaccarezza (SP)

PSDB
– Senador Antônio Anastasia (MG)

PTB
– Senador Fernando Collor (AL)

Por Reinaldo Azevedo

06/03/2015

às 16:01

QUEM PAGA O PATO DA CRISE E DA PARALISIA – Estaleiro Atlântico Sul demite 2.400 pessoas em Pernambuco

Por Malu Gaspar, na VEJA.com:
O Estaleiro Atlântico Sul, de Pernambuco, iniciou hoje um programa de demissões em massa, que vai dispensar 2.400 pessoas. A medida é consequência do rompimento do contrato entre o estaleiro e a Sete Brasil, empresa formada pela Petrobras e sócios privados para administrar o aluguel de sondas para o pré-sal. A Sete enfrenta grave crise financeira e está à beira da dissolução. Não paga os fornecedores nem os bancos desde novembro, e tenta sem sucesso conseguir um aporte de 3,1 bilhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para garantir sua sobrevivência.

A falta de pagamento levou o estaleiro pernambucano a rescindir unilateralmente o contrato com a Sete. A empresa é um dos alvos da Lava-Jato. Seu diretor operacional até 2013 era Pedro Barusco, um dos delatores do esquema. Ele confessou ter cobrado, junto com o ex-presidente da Sete, João Carlos Ferraz, propina de 1% por contrato de sonda. Dos estaleiros contratados pela Sete, cinco tem como sócias empreiteiras envolvidas no escândalo do petrolão – incluindo o Atlântico Sul, que tem como sócios a Queiroz Galvão e a Camargo Correia. Um sexto, o da Keppel, também está sendo investigado.

As demissões realizadas nesta sexta-feira em Pernambuco vão reduzir o número de funcionários de 4.900 para 2.500. Mas o estrago na região do porto de Suape, onde fica o estaleiro, pode ser ainda maior, uma vez que para cada emprego direto, quatro outros são criados. Além do prejuízo econômico para a região, haverá ainda uma perda em equipamentos, uma vez que os blocos para a montagem dos navios-sonda, com os respectivos equipamentos eletrônicos, estão prontos, a céu aberto, esperando o dinheiro para o final da montagem.

O próprio estaleiro calcula ter gasto 2 bilhões de dólares na obra. Não se sabe agora como o dinheiro poderá ser recuperado e nem se os navios poderão ter a montagem finalizada, uma vez que todo o equipamento pertence à Sete, que não tem recursos para isso. “Era inimaginável há até muito pouco tempo que a Petrobras e a Sete não teriam condições de pagar por esses blocos”, afirmou um executivo do Atlântico Sul. Os funcionários que permanecem no estaleiro vão trabalhar na finalização de navios para a Transpetro. Dos dez já contratados, quatro foram entregues e três devem ser finalizados até dezembro.

O Atlântico Sul é o terceiro entre os grandes estaleiros a demitir funcionários e reduzir atividades em consequência da crise na Sete. Antes dele, o Ecovix, do Rio Grande do Sul (que é da construtora Engevix), e o Enseada de Paraguaçu, da Odebrecht e da UTC, já realizaram demissões e cortes severos de custos. Na prática, o abalo desses estaleiros representa o fracasso da política de conteúdo nacional criada no início do governo Lula, com o propósito de impulsionar o setor naval brasileiro. Tal política exige que pelo menos 60% dos equipamentos para a indústria de petróleo sejam fabricados no Brasil. Mal elaborada e – sabe-se agora — minada pela corrupção na Petrobras. ela acabou elevando os custos dos equipamentos e não produziu um parque industrial naval forte.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/03/2015

às 14:30

Ser burro ou mau-caráter deve ser gostoso… Ou: O PCC do B — Partido dos Companheiros com Cagaço de Banânia

Santo Deus! Ser burro deve ser gostoso, ou não haveria tantos. A espécie humana é a única que parece fazer a seleção às avessas. Multiplicam-se os menos aptos. Ou não: os idiotas são mais adaptados e adaptáveis à cultura em voga, a segunda natureza. Vai ver a falta de sorte da nossa espécie está justamente nessa segunda pele. Dependemos pouco da natureza bruta. Aí se multiplicam os cretinos e os carentes de caráter. Por que o desabafo inicial?

As ações da Petrobras subiram nesta terça, depois que a empresa anunciou a venda de mais de US$ 15 bilhões em ativos. Esculhambei o PT por isso, ironizei, lembrei a quantidade de besteiras e safadezas que os companheiros fizeram por lá. Mas era evidente que as ações subiriam.

Aí alguns seres relinchantes, do PCC (Partido dos Companheiros com Cagaço de Banânia), vieram encher meu saco: “Ah, tá vendo? Você criticou a venda, mas as ações subiram…”. Até algumas bestas que pensam ser liberais — um tipo que vem se multiplicando, estranhamente — vieram me patrulhar, como se eu estivesse contra a venda dos ativos por princípio.

É próprio da besta ao quadrado tirar as patinhas do chão e agitá-las nervosamente antes de ler um texto até o fim. Relembro como termina aquele meu post:
“Já tracei o meu plano para a Petrobras. Anunciaria a privatização de toda a empresa em 2017. As ações disparariam. Em vez da privatização petista a preço de banana, teríamos uma a peso de ouro”.

A Petrobras quer que as ações subam ainda mais? Basta anunciar novos “desinvestimentos”. Se, por exemplo, o regime de partilha do pré-sal mudasse para o de concessão, a exemplo do que vigora no pós-sal, e a estatal não fosse obrigada a ser sócia de todos os campos, haveria novo ciclo de valorização.

Sim, meus caros: a Petrobras não está na pindaíba apenas por causa da roubalheira. Não desprezem o peso que tem a tacanhice ideológica quando aliada à incompetência.

Por Reinaldo Azevedo

03/03/2015

às 4:53

Corrupção e gestão temerária levarão os companheiros do PT, quem diria?, a privatizar parte da Petrobras. E, DESTA VEZ, É VERDADE: A PREÇO DE BANANA!!! Os brucutus do petismo e da CUT ficarão calados? Vão se acovardar? E o meu plano para a estatal

Ah, como esquecer os brucutus do PT e da CUT nas ruas contra as privatizações de estatais, que teriam sido vendidas “a preço de banana”, o que sempre foi uma mentira escandalosa? Como esquecer as campanhas eleitorais de 2002, 2006 e 2010, quando a petezada acusava os tucanos, outra mentira suja, de querer privatizar a Petrobras? Na primeira campanha eleitoral de Dilma, José Sérgio Gabrielli, este monumento moral, concedeu uma entrevista à Folha em que assegurava que FHC tentara, sim, a privatização. Nunca aconteceu! Eis que, agora, os companheiros anunciam que vão abrir mão de ativos da Petrobras no valor de US$ 13,7 bilhões — R$ 39 bilhões pela atual cotação.

É claro que recorro aqui a uma licença. É claro que sei a diferença entre venda de ativos e venda de uma parte das ações. A diferença é de natureza jurídica, não é de essência. Mas, numa coisa, tem-se algo de essencialmente distinto: os petistas estão tendo de abrir mão de parte da Petrobras porque conduziram a empresa à lona, ao caos, à falência técnica. Só não se pode dizer que a empresa está quebrada porque o fundo de uma estatal é sempre um… buraco sem fundo.

Sim, caros, a venda dos ativos se dará na bacia das almas. Agora, sim, os ativos serão passados adiante pelo preço de banana. A razão é simples: o vendedor que está com a corda no pescoço tem menos poder de negociação. E essa é, precisamente, a situação da Petrobras.

A gestão Graça Foster previa livrar-se de US$ 3 bilhões em ativos. Depois que a Moody’s deu um tombo no rating da Petrobras, passando para o segundo nível do grau especulativo, a empresa deu adeus às captações no exterior. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, a estatal anunciou que 40% desses ativos pertencem à área de Gás e Energia; 30%, à de Exploração e Produção, e 30%, à de Abastecimento. Excetuando-se esse último grupo, conclui-se, então, que 70% dos ativos dos quais a Petrobras abrirá mão vêm de suas duas principais atividades-fim. É a confissão de um desastre.

O objetivo do “desinvestimento”, conforme está no comunicado da empresa, “visa à redução da alavancagem, preservação do caixa e concentração nos investimentos prioritários, notadamente de produção de óleo & gás no Brasil em áreas de elevada produtividade e retorno”. Ou por outra: a Petrobras precisa cuidar do seu caixa e reduzir a sua estúpida dívida, hoje de quase R$ 262 bilhões.

Segundo apurou O Globo, a Petrobras pretende “vender campos de petróleo no pós-sal da Bacia de Campos, áreas maduras com produção em terra, participações em blocos no exterior e algumas plataformas de petróleo. Na lista, destacou uma fonte, está ainda a venda de parte das atividades na Argentina, onde a estatal tem diversos ativos, como campos de petróleo e postos de gasolina. A empresa, disse outra fonte, ainda pretende se desfazer da refinaria de Okinawa, no Japão, e de pequenas centrais hidrelétricas”.

Pois é, leitor amigo! Agora coloque nessa equação o modelo que foi aprovado para a exploração do pré-sal, que obriga a Petrobras a ser parceira da exploração, arcando com 30% dos investimentos necessários. Uma exploração que, dado o preço do barril de petróleo — que despencou para não mais subir —, já é antieconômica.

Fabio Rhein, professor de finanças corporativas do Ibmec-RJ, antevê em entrevista ao Globo: A empresa vai ter dificuldade para vender seus ativos no momento atual, pois atravessa uma fase de falta de credibilidade. Mesmo que consiga, vai vender os ativos abaixo do preço, e isso vai prejudicar seu fluxo de caixa”.

Parte da Petrobras foi, digamos assim, privatizada pelos ladrões. Outra parte, agora, vai para o ralo para tapar os buracos provocados pelos larápios e pelos incompetentes. Os companheiros conseguiram. Agora, com efeito, a gente pode dizer: nunca antes na história deste país se viu privatização assim. O lulo-petismo, de fato, está fazendo algo inédito.

A propósito: os brucutus do PT e da CUT ficarão calados desta vez? Eu, convenham, não tenho por que protestar. Já tracei o meu plano para a Petrobras. Anunciaria a privatização de toda a empresa em 2017. As ações disparariam. Em vez da privatização petista a preço de banana, teríamos uma a peso de ouro. Mas isso é sensato demais para ser feito pelos companheiros, né?

Às ruas, brucutus!

Texto publicado originalmente às 3h28
Por Reinaldo Azevedo

02/03/2015

às 6:00

PMDB rechaça manobra petista e quer manter o eixo da CPI da Petrobras. A propósito: chegou a hora de investigar o roubo de que a estatal foi vítima na Bolívia, durante a parceria Lula-Evo Morales

O requerimento que criou a nova CPI da Petrobras na Câmara estabelece que a finalidade da comissão é “investigar a prática de atos ilícitos e irregulares no âmbito da empresa de Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras) entre os anos de 2005 e 2015”. O petista Luiz Sérgio (RJ), no entanto, relator, já deixou claro que pretende estender a apuração ao governo FHC. Deixada por conta do PT, chegar-se-ia às capitanias hereditárias. Sabem como é… Um bom jeito de não investigar nada é propor investigar tudo.

Segundo informa a Folha na edição desta segunda, o PMDB decidiu dar um chega pra lá na estratégia petista e se organiza para concentrar a investigação no período estabelecido pelo requerimento. Afinal, foi ele que mereceu a assinatura dos deputados.

Sérgio usa como pretexto para desvirtuar a investigação o depoimento do ex-gerente Pedro Barusco, que declarou ter começado a receber propina da empresa holandesa SBM Offshore entre 1997 e 1998. A própria presidente Dilma Rousseff recorreu a esse depoimento para afirmar que a corrupção começou no governo FHC, fala que logo caiu no ridículo e gerou uma penca de memes na Internet.

Barusco, de fato, fez essa declaração. Mas já resta mais do que evidente que, no caso, um funcionário da estatal se deixava corromper; tratava-se, digamos, de um empreendimento individual. Já abordei esse assunto aqui. Mundo afora, empresas são flagradas corrompendo quadros técnicos do estado e de outras empresas. No Brasil — e em países marcados pelo estatismo —, as falcatruas costumam ser conduzidas por políticos, por homens públicos.

Caso o PMDB não ceda à patranha de Luiz Sérgio, a CPI começa o seu trabalho no rumo: é preciso investigar as safadezas entre 2005 e 2015 porque, nesse período, o que se viu foi a organização de uma máquina para assaltar o estado em benefício de um projeto de poder. É aí que está o centro da questão. Ninguém duvida de que tenham existido antes ladrões na Petrobras ou que outros possam existir depois. Têm de ser exemplarmente punidos. Mas não se pode usar uma CPI para tentar mudar a natureza do crime investigado.

Ainda segundo a Folha, os peemedebistas combinaram com Hugo Motta (PB), presidente da comissão, a criação de uma sub-relatoria para tentar recuperar ativos da Petrobras no exterior. Teria havido irregularidades sobretudo na África.

Bolívia
A propósito: a CPI tem de aproveitar a oportunidade para saber que fim levaram os ativos da Petrobras na Bolívia, expropriados por Evo Morales em maio de 2006. O índio de araque tomou duas refinarias da empresa de arma na mão. Ou melhor: eu sei que fim levaram os ativos; o que nunca ninguém descobriu é se a estatal brasileira foi ressarcida.

Depois do ato hostil, o BNDES andou financiando obras na Bolívia. Só para a construção da rodovia Santo Ignácio de Moxos-Villa Tunari, o banco estatal brasileiro assinou contrato de US$ 332 milhões, uma obra executada pela construtora OAS.

Em 2013, a Petrobras voltou a investir naquele país. As iniciativas fazem parte do pacote de generosidades do petismo com governantes com os quais mantém afinidade ideológica. Só que faz isso com o nosso dinheiro.

Encerro
Vamos ver. A CPI, como é sabido, foi instalada sob o signo da desconfiança em razão do fiasco das duas comissões criadas no ano passado, a do Senado e a mista. Os petistas são os primeiros a espalhar que o PMDB quer usar a investigação para pôr a faca no pescoço do governo e negociar cargos e vantagens.

Caberá basicamente ao PMDB provar que isso é mentira.

Por Reinaldo Azevedo

28/02/2015

às 20:07

CARDOZO E AS CONVERSAS IMPRÓPRIAS – Ou: Quanto mais mexe, mais fede

Lá em Dois Córregos e, suponho, em quase todo o país, é bastante conhecida a frase, cuja origem não requer grandes voos interpretativos, que assegura: “Quanto mais mexe, mais fede”.

É o que me ocorre ao ler reportagem de Robson Bonin na VEJA desta semana. Apareceu um novo personagem nas, digamos, “conversas” que José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, andou mantendo com advogados de empreiteiras. Leiam texto publicado na VEJA.com:
*
Flagrado em conversas impróprias com advogados das empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tornou-se alvo de um processo na Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Os integrantes do órgão deram dez dias para que explique seus encontros fora da agenda com advogados de empreiteiros presos no escândalo de corrupção na Petrobras. Na edição passada, VEJA revelou que Ricardo Pessoa, dono da UTC, preso em Curitiba, ouviu de seus advogados que partiu do ministro a iniciativa de chamar os defensores para uma conversa reservada, ocasião em que foram alertados de que havia uma reviravolta no processo.

O ministro também argumentou sobre a inadequação de levar em frente o acordo de delação que Ricardo Pessoa negocia com a Justiça. O empresário é guardião de segredos letais para muitos figurões do governo. Dirigentes da empreiteira confirmaram que, apenas no ano passado, Pessoa entregou 30 milhões de reais para as campanhas do PT e da presidente Dilma Rousseff, dinheiro obtido por meio de propinas de contratos superfaturados da Petrobras.

A conversa com os advogados em Brasília criou constrangimentos ao ministro porque, se admitida, caracterizaria uma interferência ilegal de uma autoridade no processo judicial. Cardozo, primeiro, negou. Depois, admitiu o encontro, que teria sido “casual”, mas não confirmou ter falado sobre delações ou investigações da Operação Lava-Jato. Há um novo personagem nessa história. Segundo executivos da UTC, para estabelecer um canal direto e seguro com os defensores da empreiteira, o ministro Cardozo recorreu a Flávio Caetano, secretário nacional de Reforma do Judiciário, que foi coordenador jurídico da campanha de Dilma Rousseff no ano passado.

Caetano é velho conhecido dos advogados da UTC, Sérgio Renault e Sebastião Tojal, com quem chegou a trabalhar. Nos dias que antecederam o misterioso encontro de Sérgio Renault com Cardozo em Brasília, Caetano telefonou para Tojal para avisar que o ministro desejava encontrá-los. Procurado por VEJA, o secretário confirmou a ligação, mas negou que tenha repassado recados do ministro. “Flávio Caetano é amigo há mais de quinze anos do doutor Sebastião Tojal, com quem tem mantido ao longo do tempo parceria acadêmica. O telefonema em questão se deveu a um trabalho acadêmico a ser publicado que ainda está em curso”, informou o secretário por meio de uma nota.   

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 7:12

#prontofalei – Sobre encontros imprudentes

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 15:37

É para você, leitor! E só para você! O que se noticiou aqui num domingo e o que está em toda parte nesta quinta. Ou: A dupla Cardozo-Janot e a natureza do jogo

Caros leitores,

Este blog foi criado em junho de 2006, depois que a política — a informal, claro! — do PT ajudou a fechar a revista “Primeira Leitura”. A intenção dos companheiros era me tirar no debate. Contribuíram, na prática, para ampliar a minha voz. ELES CONTINUAM SE ESFORÇANDO ATÉ HOJE PARA QUE OS MEUS PATRÕES ME DEEM UM PÉ NA BUNDA. Não gostam de mim, e, quanto a esse particular, não posso censurá-los. Inaceitável é que usem instrumentos de pressão do Estado para silenciar aqueles de que discordam.

Nesses anos, vi muita coisa, passei por muita coisa. Um período difícil foi a Operação Satiagraha, estrelada por um tal delegado Protógenes, que depois virou deputado pelo PCdoB, para sumir na poeira do tempo. Havia naquilo uma formidável coleção de ilegalidades e fantasias. No fim das contas, Daniel Dantas, que nunca foi santo, era só personagem da guerra de facções do PT. Se alguém se atrevia a apontar a verdade, era logo tachado de “agente do Dantas”. O banqueiro acabou se entendendo com os petistas, e os companheiros não quiseram mais saber dele. Sim, eu e outros tantos fomos acusados de estar a serviço do banqueiro. Nunca estive com ele. Nunca falei com ele. Não sei o que pensa e o que quer. Tampouco me interessa.

Desqualificar o trabalho alheio é a mais fácil de todas as tarefas.

No domingo — sim, no domingo —, concluí uma apuração que havia iniciado na terça-feira da semana anterior e escrevi um post depois de obter a terceira confirmação inequívoca de um fato, que sintetizei (ou espichei; meus títulos costumam ser enormes) neste título: “A NATUREZA DO JOGO 2 –  A FRASE PERTURBADORA DE JANOT E SUAS CONVERSAS FREQUENTES COM CARDOZO. OU: DENÚNCIA DO MP VAI OU NÃO REVELAR O VERDADEIRO CRIME, JÁ CONFESSADO POR PAULO OKAMOTTO, O FAZ-TUDO DE LULA?”

JANOT CARDOZO

Fui severamente atacado nos comentários por alguns leitores. Como tenho afirmado aqui que as coisas caminham para que empreiteiros tenham penas severas e políticos, uma vez mais, saiam livres, leves e soltos, alguns tolos resolveram me acusar de estar a serviço dos companheiros do concreto armado — os mesmos que, ao longo de 13 anos, têm financiado largamente os petistas. Mas não só eles: também os banqueiros, os industriais, os comerciantes… O PT é hoje um conglomerado de interesses privados que só tem um adversário: o povo que trabalha e arrecada impostos.

Pois bem. Leio, agora, na Folha, o seguinte título:

Janot cardozo folha

 No texto, Vera Maglhães e Bruno Boghossiam informam:
“O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o procurador-geral da Republica, Rodrigo Janot, se reuniram na noite desta quarta-feira (25) no gabinete da PGR. O encontro não constou da agenda de nenhuma das duas autoridades. A reunião ocorreu às vésperas da apresentação, por Janot, da denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra políticos no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras.”

Aí volto ao meu texto de domingo.

Lá eu informo que Cardozo anda se encontrando com Janot:
janot cardozo 4

Lá eu afirmo que Janot não pode estar preocupado em administrar a denúncia para amenizar a crise política:

 janot cardozo 2

Lá eu informo que Janot deu graças a Deus por, segundo ele, não ter encontrado nada contra Lula e Dilma:.

 janot cardozo 4

Lá eu informo a possibilidade de triunfar a mentira escandalosa de o petrolão ser considerado apenas mais um esquema de assalto aos cofres públicos, eliminando-lhe o caráter político, que diz respeito a uma forma de conquista do Estado.

 Janot cardozo 6

Os que cometeram crimes que paguem, respeitado o devido processo legal, sejam políticos, empreiteiros, açougueiros, sei lá o quê. Não conheço empreiteiros. Não sou nem nunca fui amigo de nenhum deles. Vou continuar a fazer o meu trabalho. Sempre que eu achar que o estado de direito está sendo agredido — e pouco me importa se o objeto dessa agressão é um santo ou um canalha —, vou continuar a denunciar, a manifestar meu inconformismo. O estado de direito existe para freiras e para putas. Para inocentes e para culpados. O que não é certo é tomar a freira por puta e a puta por freira. Aí não! Não entender isso corresponde a ignorar um princípio fundamental da civilização. Não entender isso é ser um súdito moral do Estado Islâmico.

Os que vieram aqui me atacar anunciando que não vão mais ler o blog, em razão do post sobre Janot ou de outro qualquer, me farão um grande favor se não voltarem. Outros insatisfeitos podem e devem fazer a mesma coisa. Sugiro que usem o meu critério: ou leio coisas que me dão prazer ou que, mesmo desagradáveis, são úteis ao meu trabalho. Se o blog nem dá prazer nem é útil, pra que perder tempo comigo?

Escrevo o que apuro, escrevo o que penso, escrevo o que acho certo. Durante a Operação Satiagraha, as “vanguardas do não” eram mais poderosas do que agora. E não me fizeram mudar de ideia. Procuravam jogar na lama o nome de pessoas decentes, que só se ocupavam de fazer o seu trabalho.

Para encerrar
O Ministério Público vai ou não fazer o acordo de delação premiada com Ricardo Pessoa? Ele tem como evidenciar que doou R$ 30 milhões clandestinamente ao PT, R$ 10 milhões dos quais para a campanha de Dilma Rousseff. Janot está ou não interessado no que ele tem a dizer? Até quando a prisão preventiva de Pessoa — e dos demais empreiteiros — será usada como instrumento de pressão para esconder a verdadeira natureza do jogo e para provar uma tese que livra a cara dos petistas?

Não gostou do que leu, leitor? Vá embora daqui! Vá procurar o que o faz feliz. Não gostou, mas considera útil a seu trabalho e a seu pensamento? Aí é com você.

Continuarei a dizer o que penso. E a tratar da natureza do jogo.

Obrigado!

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 14:08

Dilma, a anti-Sócrates, a Moody’s e a Teoria do Conhecimento

Dilma Rousseff afirmou nesta quarta que “rebaixar a nota é falta de conhecimento do que está acontecendo na Petrobras”. Que coisa! Quem está cuidando da, vá lá, “comunicação” da governanta? A presidente vir a público para acusar “falta de conhecimento” da Moody’s quando a estatal não consegue nem fechar o seu balanço é piada involuntária, não é mesmo? Aliás, ela não costuma se dar conta das pilhérias que diz. Como pode acusar a agência de “falta de conhecimento” se o rebaixamento se dá, entre outros motivos, porque nem a Moody’s nem ninguém conhecem o balanço da empresa?

É Dilma! Esta senhora nunca foi socrática. Ela nunca soube o que não sabe.

A propósito: a piada que circula há tempos na Internet ainda acaba virando a realidade. Como é mesmo? Eike Batista dizia que as ações da sua petroleira ainda valeriam tanto quanto as da Petrobras. Pois é…

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 6:47

Enquanto Lula vomitava sobre a Petrobras, a história do Brasil e a democracia — fazendo, inclusive, a defesa de Saddam Hussein (!!!) —, Moody’s rebaixava a nota da estatal; agora, ela está no grau especulativo; ações devem voltar a derreter nesta quarta. Eis o legado do fanfarrão, que estava cercado por milicianos

Enquanto Lula vomitava no ato em defesa da impunidade, com elogios ao genocida Saddam Hussein, a Moody's rebaixava a Petrobras ( Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo)

Enquanto Lula vomitava no ato em defesa da impunidade, com elogios ao genocida Saddam Hussein, a Moody’s rebaixava a Petrobras ( Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo)

Parecia roteiro de filme barato, mas era verdade. Nesta terça, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva, cercado por milicianos truculentos, comandava um ato no Rio contra a Operação Lava Jato, contra a imprensa e contra a decência, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixava uma vez mais, a exemplo do que fizera em janeiro, a nota da estatal, que já estava em Baa3, o último patamar do chamado grau de investimento. Agora, na Moody’s, a estatal está no grau especulativo — ou por outra: a agência está dizendo aos investidores do mundo inteiro que pôr dinheiro na Petrobras não é seguro. A agência está dizendo ao mundo inteiro que emprestar dinheiro para a Petrobras é arriscado.

Desta feita, não foi uma queda qualquer: a Moody’s botou a Petrobras dois degraus abaixo de uma vez só. Em vez de cair para Ba1, o que já seria catastrófico, a empresa despencou para Ba2, e a agência ainda cravou um viés negativo no caso de uma futura avaliação. Só para vocês terem uma ideia: acima dessa nota, há outras… 11. Abaixo dela, apenas 9. Na Fitch e na Standard & Poor’s, a Petrobras está também a um rebaixamento apenas de passar para o grau especulativo.

A partir de agora, tudo se torna mais difícil para a empresa. A maioria dos fundos proíbe investimento em empresas nessa categoria. Pior: em alguns casos, a ordem é se desfazer dos papéis, ainda que amargando prejuízos. Para se financiar dentro e fora do Brasil, a Petrobras terá de pagar juros mais elevados. E isso se dá num momento em que a empresa já teve de reduzir ao mínimo seus investimentos na área de exploração e refino de petróleo, suas atividades principais.

O mais impressionante é que o rebaixamento veio duas semanas depois de Dilma trocar toda a diretoria da Petrobras. Isso reflete a confiança do mercado na nova equipe. A operação foi desastrada. Com ou sem razão — e nós veremos —, o juízo unânime é que a governanta escolheu um presidente para maquiar no balanço as perdas bilionárias decorrentes da corrupção e da gestão ruinosa do PT.

E não se enganem: atrás do rebaixamento da nota da Petrobras, pode vir o rebaixamento da nota do Brasil. Na própria Moody’s, já não é grande coisa. O país é “Baa2”. Ainda é “grau de investimento”, mas bem modesto. Se o país cair mais dois, vai para a categoria dos especulativos. O mesmo acontece na Fitch (BBB): um próximo rebaixamento (BBB-) poria o país a um passo da zona vermelha. Na Standard & Poor’s, a posição do país é mais preocupante: rebaixado em março, caiu de “BBB” para “BBB-“, mesma nota da Petrobras. Nessa agência, uma próxima queda conduziria o país para “BB+”, primeiro nível do grau especulativo. Foi o que já fez a agência britânica Economist Intelligence Unit na semana retrasada:  o rebaixamento, de BBB para BB, lançou o Brasil no grupo dos potenciais caloteiros.

Não obstante, naquele espetáculo de pornografia desta segunda, Lula vituperou contra a investigação e contra a imprensa e conclamou João Pedro Stedile a pôr seu exército na rua — sim, ele empregou a palavra “exército”. Aquele que a ex-filósofa Marilena Chaui disse “iluminar o mundo” quando fala ainda encontrou tempo para especular sobre a situação no Iraque. E disparou: “Já tem gente lá com saudade do Saddam Hussein, porque no tempo dele se vivia em paz”.

Lula, este celerado, tem uma noção muito particular de paz. Pelo menos 300 mil pessoas, árabes, foram assassinadas pelo regime de Saddam. Nessa conta, não estão pelo menos 100 mil curdos, vítimas dos gases mostarda, sarin e tabun. É o que Lula chama de “viver em paz”.

Foi o regime criado por esse cara que quebrou a Petrobras. Agora os brasileiros começam a pagar a conta de sua irresponsabilidade, de sua ignorância e de sua estupidez.

Texto publicado originalmente às 4h13
Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 6:43

Milicianos petistas partem pra porrada. Ou: Lula é um irresponsável. Lula é um aproveitador. Lula é um oportunista. Lula é um vampiro da institucionalidade. Lula é sanguessuga na nacionalidade. Ou: Marilena Chaui sentiu prazer ao ver o povo apanhando?

Quando petistas resolvem promover um ato “em defesa da Petrobras”, sabendo tudo o que sabemos sobre a roubalheira na estatal, é claro que estão procurando o confronto; é claro que estão provocando o adversário — que, no caso, é o povo brasileiro. O PT, encarnado por Luiz Inácio Lula da Silva, a CUT e a FUP (Federação Única dos Petroleiros) resolveram organizar uma patuscada nesta terça, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio. Os valentes dizem defender a punição dos corruptos — só faltava anunciar o contrário —, mas denunciam uma suposta campanha contra a empresa. O que é, obviamente, mentira.

Pois bem. Muitos brasileiros, vítimas do assalto institucionalizado, decidiram protestar nas proximidades da ABI. E aí aconteceu o que os trogloditas estão querendo há muito tempo. Vestidos com camisetas vermelhas, com a sigla do partido, demonstrando que estão especialmente treinados para o confronto, os brutamontes partiram pra cima dos que protestavam contra a roubalheira na base da porrada.

Atenção! Vocês lerão por aí que houve troca de socos e pontapés. Sim! Mas que fique claro: quem partiu pra cima dos opositores foram os petistas, inconformados com as pessoas que gritavam “Fora PT” e que cobravam o impeachment de Dilma. Mais: os que protestavam contra o partido não passavam de duas dezenas. Os que queriam espancá-los eram mais de 300. E assim era n não porque há mais petistas do que antipetistas. É que não se tratava de militantes organizados. Os que repudiavam o petismo eram pessoas comuns, que apenas passavam por ali e viam a companheirada.

Lula é um irresponsável.

Lula é um aproveitador.

Lula é um oportunista.

Lula é um vampiro da institucionalidade.

Lula é um sanguessuga da nacionalidade.

É claro que um ato com essas características jamais poderia ter sido marcado — não a esta altura dos acontecimentos. Todo mundo sabe ser mentira que existam pessoas interessadas em prejudicar ou em vender a Petrobras.

Quem destruiu a empresa foi o PT.

Quem nomeou os ladrões foi o PT.

Quem está no comando da empresa nos últimos 13 anos é o PT.

Escrevi aqui anteontem que o partido não está se dando conta da gravidade dos problemas que se conjugam. Perdeu a leitura da realidade. É impressionante que um ex-presidente da República, líder inconteste do maior partido do país, incentive manifestações que fatalmente terminarão em confronto. E assim é porque o povo está indignado.

Com a baixaria desta terça-feira, o que Lula e seus tontons macoutes estão fazendo é incentivar as manifestações de protesto marcadas para o dia 15 de março. Dilma deveria chamar o seu antecessor e lhe passar uma descompostura. Mas, ora vejam, para tanto, seria necessário que ela fosse, no momento, a chefe política dele. Ocorre que ele a considera nada menos do que sua subordinada.

Lula está com inveja da Venezuela.

Lula está com inveja de Nicolás Maduro.

Lula acha que chegou a hora de rachar algumas cabeças.

Se Dilma não tomar cuidado, o seu mentor (ainda é? ) vai ajudar a apeá-la do Palácio. Aos brasileiros indignados, uma dica: não cedam à provocação dos reacionários, aproveitadores e bandidos vestidos de vermelho.

Ah, sim: Marinela Chaui disse que estaria lá. Estava? Ela, que tanto escreveu sobre democracia, ao ver o povo apanhando dos milicianos petistas, sentiu o quê? Vergonha? Comichão intelectual? Prazer?

Texto publicado originalmente às 20h31 desta terça
Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados