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Petrobras

20/09/2014

às 5:10

Costa cita mais dois ex-diretores da Petrobras em esquema corrupto; um deles era homem de… José Dirceu na empresa! Ou: Uma empresa que fura poços e acha escândalos

Pois é… Reportagem da Folha deste sábado informa que Paulo Roberto Costa envolveu mais duas diretorias no esquema corrupto que vigorava na empresa: a Internacional, que era comandada pelo notório Nestor Cerveró, e a de Serviços e Engenharia, cujo titular era o petista Renato Duque. O PT está preocupado com os cadáveres que podem sair do armário. Faltam duas semanas para o primeiro turno das eleições, mas o segundo ainda está longe, só no dia 26 de outubro. Entre as irregularidades que atingem as duas diretorias, estão a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Segundo o Jornal Nacional, Costa admitiu ter recebido R$ 1,5 milhão de propina só nessa operação.

Duque, note-se, já aparece citado em outro inquérito da Polícia Federal para apurar irregularidades nos negócios da Petrobras. A polícia investiga sua relação com outros funcionários da estatal suspeitos de evasão de divisas.

Em abril, outra reportagem Folha informava que Rosane França, viúva do engenheiro da Petrobras Gésio França, que morreu há dois anos, acusou a empresa de ter colocado o marido na “geladeira” porque este se opusera ao superfaturamento do gasoduto Urucu-Manaus, na Amazônia. Para a sua informação, leitor amigo: esse gasoduto foi orçado pela Petrobras em R$ 1,2 bilhão e acabou saindo por R$ 4,48 bilhões.

A viúva de Gésio não citou nomes, mas em e-mails que vieram a público, ele reclamava justamente da diretoria de Serviços e Engenharia, que era comandada pelo petista Renato Duque, que negociava com as empreiteiras. Duque, aliás, é amigo de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, um dos nomes citados por Costa como parte do esquema corrupto, que recorria aos préstimos do doleiro Alberto Youssef.

Além de amigo de Vaccari, Duque sempre teve um padrinho forte no PT: ninguém menos do que José Dirceu. Quando Graça Foster assumiu a presidência da estatal, em 2012, ela o substituiu por Richard Olm. Mas isso não significa, é evidente, que a Petrobras está livre da politicagem. Lá está, por exemplo, José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT e outro peixinho de Dirceu: é diretor Corporativo e de Serviços. Não só ele. Também é da cota do ainda presidiário Dirceu o gerente executivo da Comunicação Institucional, Wilson Santarosa.

A estatal, diga-se, tornou-se um retrato dos desmandos do PT e da forma como o partido entende o exercício do poder. Como esquecer uma frase já antológica do então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, em 2005, em reunião com uma certa ministra das Minas e Energia chamada Dilma Rousseff? Ele cobrou uma promessa que lhe fizera Lula: “O que o presidente me ofereceu foi aquela diretoria que fura poço e acha petróleo”.

Era assim que Lula exercia o poder. E foi assim que a Petrobras passou a furar poço e a achar escândalos.

Por Reinaldo Azevedo

16/09/2014

às 6:05

Stedile, o maior pelego do Brasil, e Lula, o Mussolini de São Bernardo, querem golpear a democracia

Mussolini (centro) na "Marcha Sobre Roma", em 1922, que marca o golpe fascista

Mussolini (centro) na “Marcha Sobre Roma”, em 1922, que marca o golpe fascista

João Pedro Stedile, o dono do MST, esteve naquela patuscada promovida por Lula em frente à sede da Petrobras no Rio. E demonstrou que é mesmo o que sempre afirmei: mero esbirro do PT. No seu discurso, ameaçou: “Vamos estar todos os dias aqui em protesto [se Marina ganhar]”.

Cabe a pergunta: por quê? Por razões óbvias, ele não conhece as medidas de Marina na área do pré-sal pela simples razão de que ela ainda não venceu a eleição, ora essa. Não tendo vencido, não tomou posse. Não tendo tomado posse, ainda não governou.

Stedile, em companhia de Lula, deixa claro, assim, que não reconhece as instituições do regime democrático, coisa que, diga-se, eu também sempre soube. Gente como ele — a exemplo de Guilherme Boulos, o líder do MTST — só existe porque a democracia costuma ser tolerante com elementos que buscam solapar seus fundamentos.

O dito líder do MST é o maior pelego do Brasil. Dilma, na comparação com Lula e FHC, é a presidente que menos assentamentos fez. E nem acho que isso seja um problema em si, já que os sem-terra, de fato, não existem. O que existe é o MST, um aparelho que vive do dinheiro público. A grana que financia o movimento, na prática, tem origem nos recursos destinados à agricultura familiar.

A declaração de Stedile, para a surpresa de ninguém, tangencia o terrorismo político. Observem que ele nem mesmo diz que promoverá protestos ligados à sua área de atuação. Nada disso! Agora, o capa-preta do MST pretende também dar ultimatos no setor energético.

O que Lula e este senhor fizeram, nesta segunda, foi ameaçar o país. O Poderoso Chefão do PT está tentando alimentar temores que muita gente já expressou aqui e ali: se os petistas forem derrotados, o país se tornará ingovernável porque eles botarão a tropa na rua. Se, agora, diante do nada, brandindo um fantasma, uma invenção, uma fantasia, fazem esse escarcéu, imagine-se o que não fariam se, num eventual novo governo, tivessem seus interesses contrariados.

Lula está ameaçando o Brasil com uma “Marcha Sobre Roma” se o seu partido for apeado do poder, se o eleitor insistir em fazer o que ele não quer. O ato desta segunda foi a manifestação explícita e arreganhada de quem não tem a democracia como um valor universal. Para os petistas, uma eleição presidencial é aquele processo que só admite um resultado: a vitória.

É coisa de fascistas. Lula está pensando que o Brasil de 2014 é a Itália de 1922 e que ele é Mussolini.

Texto publicado originalmente às 19h41 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

15/09/2014

às 16:00

Lula não tem ódio a Marina; tem ódio é à democracia. Ou: Pantomima de chefão petista “em defesa do pré-sal e da Petrobras” vira um grande mico

Luiz Inácio Lula da Silva, ou simplesmente Lula, já foi um líder sindical de respeito. Depois, ele se tornou um político e subordinou os interesses dos trabalhadores, que então representava, a seus objetivos pessoais. Quem saiu ganhando? Ele e seu partido. Os direitos trabalhistas hoje vigentes, comparem, não são muito distintos dos que havia na década de 70, quando este senhor despontou para a celebridade. Já o homem se tornou o dono de uma legenda — cujos tentáculos se espalham em todas as esferas do estado brasileiro, nas estatais e nos fundos de pensão —, elegeu-se presidente da República duas vezes e fez a sua sucessora.

Os trabalhadores não têm muito mais poder do que tinham antes. Lula, no entanto, fez-se o político mais poderoso do Brasil.

Nesta segunda, este senhor decidiu se comportar como um arruaceiro, como um vândalo da democracia, como um prosélito vulgar. E deu com os burros n’água. O petista reuniu seus bate-paus no sindicalismo e nos movimentos sociais para fazer um ato em defesa da Petrobras e do pré-sal em frente à sede da empresa, no Rio. Queria juntar milhares de pessoas. Ocorre que esse tempo não existe mais. Mesmo com o poderoso chefão do petismo presente, o ato não chegou a juntar mil pessoas — segundo a PM, havia umas 600 no auge da concentração. Só compareceram representantes de aparelhos políticos e sindicais. O povo faltou à convocação.

Ato em defesa da Petrobras e do pré-sal? Eles estão sendo ameaçados? Estão, sim! Mas não é por Marina Silva. Não é por Aécio Neves. Quem ameaça o patrimônio público é a roubalheira. Quem estava sangrando os cofres da Petrobras era uma quadrilha que lá estava instalada, servindo aos interesses de partidos políticos, inclusive aos do PT. Quem lesou a maior empresa brasileira foram os que promoveram a compra de Pasadena, por exemplo. Segundo o TCU, houve um prejuízo de US$ 792 milhões.

Ao ato convocado pelo chefão compareceram os chefinhos da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). João Pedro Stedile, que comanda o MST, também estava lá. Todos fizeram discursos enraivecidos contra Marina Silva. Distribuía-se aos montes um adesivo em que se podia ler: “Fora Marina e leve o Itaú junto”. Lindbergh Farias, candidato do PT que amarga o quarto lugar na disputa pelo governo do Rio, escoltava Lula.

Era a reunião dos burgueses do capital alheio. Era a reunião dos burgueses do capital estatal. Era a reunião dos burgueses do que não lhes pertence. Todos esses caras têm um medo pânico de que haja uma troca de guarda no governo porque não querem perder seus privilégios. Vai que sejam obrigados a voltar a trabalhar. Isso, afinal de contas, não pega bem no Partido dos Trabalhadores.

Eis aí o sr. Luiz Inácio Lula da Silva: um simples baderneiro e o maior reacionário da República. Ele não quer a alternância de poder. Ele criminaliza a ação dos adversários. Ele move seus sicários de reputações do sindicalismo e dos movimentos sociais para manter o poder nas mãos de seu grupo.

Lula estava vestindo a jaqueta laranja da Petrobras, como se estivesse lá para defender a empresa. Sob aquele manto, larápios e incompetentes se juntaram para promover o maior assalto à estatal de que se tem notícia. Ele não estava lá para defender uma causa. Querendo ou não, estava lá para tentar varrer uma penca de crimes para baixo do tapete e para, uma vez mais, ameaçar os brasileiros com um fantasma.

Ninguém queria acabar com a Petrobras em 2002. Ninguém queria acabar com a Petrobras em 2006. Ninguém queria acabar com a Petrobras em 2010. Ninguém quer acabar com a Petrobras em 2014. É a quarta vez que o PT recorre a essa mentira com o propósito único de vencer a eleição. Nas outras três, deu certo. O resultado é a roubalheira que vemos.

Para encerrar: não pensem que o PT estaria se portando de modo diferente se o tucano Aécio Neves estivesse em segundo lugar. O partido não tem ódio a Marina em particular. Esse tipo de manifestação é ódio à democracia.

Por Reinaldo Azevedo

15/09/2014

às 4:43

Delinquência política envolvendo perfis da Wikipédia chega à Petrobras

Pois é… O perfil na Wikipédia do engenheiro Paulo Roberto Costa — que está preso e fez um acordo de delação premiada — também foi alterado. Na versão que chegou a ir ao ar e depois foi retirada, algum delinquente político, intelectual e moral tentou ligar o homem ao governo… FHC! É, leitores, é isto mesmo! Alguém tentou transformar o cara que servia aos interesses do PMDB, do PT e do PP numa cria tucana!!! E o computador em que a alteração foi feita está na… Petrobras! A gente pode ficar escandalizado, claro!, e deve. Mas surpresos, convenham, não estamos.

Aliás, se um dia a polícia decidir rastrear as fontes de difamação de políticos da oposição e de outros “inimigos do regime”, dá para apostar que as fontes irradiadoras da baixaria estão em órgãos públicos, onde os companheiros se aboletam aos muitos milhares. Imaginem o medo que essa gente tem de perder a boquinha.

Leiam o que informa O Globo:
*

A Petrobras confirmou a informação que o perfil de Paulo Roberto Costa na enciclopédia virtual Wikipédia foi alterado em um dos computadores da sede da empresa. Como o GLOBO revelou em matéria deste sábado, as modificações afirmam que Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal e um dos denunciados na operação “Lava-Jato” da Polícia Federal, é uma “cria” do governo tucano de Fernando Henrique e que foi demitido porque estava “muito soltinho”. Segundo nota divulgada, a Área de Tecnologia da Informação está rastreando os acessos à internet para identificar o computador em que o artigo foi reescrito.

As alterações destacam que a demissão ocorreu após a posse da atual presidente da estatal Graça Foster, e com aprovação da presidente da República e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT). A publicação ocorreu às 16h16min e foi retirada do ar seis minutos depois.

O rastreamento que identificou a origem da alteração foi feito pelo serviço de monitoramento @BRwikiedit. A página, originalmente monitorava somente a rede do Congresso, mas, há cerca de um mês, passou a também fiscalizar as modificações que usuários da Procuradoria Geral da República, Dataprev, Petrobras, Banco Central, Banco do Brasil, Caixa e mais 40 entidades produzem na enciclopédia on-line.

O texto liga o crescimento profissional do ex-diretor ao governo Fernando Henrique. Uma parte dedicada especialmente a isto, intitulada “Ex-diretor começou no governo de FH”, diz que não é verdade que Paulo Roberto Costa começou sua carreira em 2004, durante o governo Lula, e que suas primeiras indicações políticas ocorreram em 1995, durante o mandato de FH.

“Tem sido divulgado à opinião pública que Paulo Roberto Costa, agora no epicentro de um escândalo de corrupção, teria começado sua carreira na Petrobras em 2004 – portanto, no governo Lula –, quando foi nomeado diretor de Abastecimento. Isso não é verdade. Ele entrou na Petrobras muito antes, em 1979, quando participou da instalação das primeiras plataformas de petróleo na Bacia de Campos (RJ). Suas primeiras indicações políticas dentro da estatal ocorreram quando o PSDB ganhou a presidência da República.”, afirma o perfil modificado.

As informações sobre as posições que Costa assumiu na estatal desde que entrou em 1979 até seu desligamento correspondem ao que o próprio declarou em junho deste ano durante sessão na CPI da Petrobras no Senado, antes de ser preso.

“Em 1995, logo no primeiro ano da presidência de FHC, ele foi indicado como gerente geral do poderoso Departamento de Exploração e Produção do Sul, responsável pelas Bacias de Santos e Pelotas.Nos anos seguintes, sempre sob gestão dos tucanos, Paulo Roberto Costa foi beneficiado por várias indicações políticas internas da Petrobras. Em 1996 foi gerente geral de Logística. De 1997 a 1999 respondeu pela Gerência de Gás. De maio de 1997 a dezembro de 2000 foi diretor da Petrobras Gás – Gaspetro. De 2001 a 2003 foi gerente geral de Logística de Gás Natural da Petrobras. E de abril de 2003 a maio de 2004 (agora, sim, no início do governo Lula), foi diretor-superintendente do Gasoduto Brasil-Bolívia”.

Parte das modificações foi copiada de um outro texto publicado pelo blogueiro Miguel do Rosário no site “Tijolaço”. Miguel foi um dos nove entrevistadores escolhidos para conversar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril deste ano. A escolha dos blogueiros foi feita pelo instituto do petista. No texto inserido no perfil do Wikipedia, a escolha de Paulo Roberto da Costa é justificada como “caminho natural”.

A alteração foi realizada dois dias após o Planalto exonerar o responsável pela alteração das páginas de jornalistas na Wikipédia. A investigação da comissão de sindicância da Casa Civil da Presidência da República identificou o servidor Luiz Alberto Marques Vieira Filho um mês após o início da apuração. Funcionário de carreira do Ministério da Fazenda, mas na época lotado na Secretaria de Relações Institucionais (SRI), o servidor fez mudanças nos perfis de Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg. O servidor vai responder a processo administrativo disciplinar (PAD).

Por Reinaldo Azevedo

12/09/2014

às 16:20

Os absurdos da fala de Dilma na entrevista ao Globo

A presidente Dilma Rousseff disputa um segundo mandato, como sabemos, mas ainda dá mostras de primarismo no trato com a coisa pública. Na entrevista concedida ao Globo nesta sexta, ela afirmou, claro!, que desconhecia a roubalheira que estava em curso na Petrobras. Reafirmou, para o espanto de qualquer pessoa lógica, que a empresa dispõe de mecanismos de controle para se prevenir de larápios. E continuou a afrontar o bom senso. Leiam o que ela disse:
“Há corrupção em todas as empresas públicas ou privadas. A Petrobras tem órgãos internos e externos de controle. Mas quem descobriu foi a Polícia Federal. Se eu tivesse sabido qualquer coisa sobre o Paulo Roberto, ele teria sido demitido e investigado. Eu tirei o Paulo Roberto com um ano e quatro meses de governo. Eu não sabia o que ele estava fazendo. Eu tirei, porque não tinha afinidade nenhuma com ele.”

Então vamos quebrar essa fala absurda em miúdos. Sim, pode haver corrupção na empresa privada também. Ocorre que, nesse caso, o prejuízo é do dono, não do público. Quando descoberto, o sujeito perde o emprego e pode ir preso. Em estatais, o bandido pode ser promovido.

Se, com órgãos internos e externos de controle, a enormidade aconteceu, somos obrigados a concluir que os larápios já andaram mais depressa e aprenderam a driblá-los. Logo, esses mecanismos estão atrasados e são ineficientes.

Mas ainda não chegamos ao pior. Dilma afirmou que demitiu Paulo Roberto porque faltava afinidade entre ambos. Ainda bem! Afinidade houvesse, ele teria continuado lá por mais tempo, roubando mais, não é?

Eis o problema da Petrobras e de todas as estatais: seus comandantes são escolhidos ou se mantêm no cargo em razão da afinidade com os poderosos de plantão. Segundo o raciocínio de Dilma, estivesse no posto um homem probo e competente, teria ido para a rua do mesmo jeito. Por quê? Ora, por falta de afinidade.

Como é que a maior empresa pública do país pode estar sujeita ao gosto pessoal do governante de turno? Ao tentar se livrar de qualquer responsabilidade por tudo o que se deu na empresa, Dilma assumiu culpas novas e expôs as piores entranhas do estatismo.

Para encerrar, esta mesma presidente deu a Nestor Cerveró, que ela diz ser o principal responsável pelo imbróglio de Pasadena, um empregão: diretor financeiro da BR Distribuidora. A sua fala não para em pé, presidente!

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2014

às 16:02

Marina: “PT colocou diretor para assaltar cofres da Petrobras”

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
Alvo principal dos ataques da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT), a presidenciável do PSB, Marina Silva, deu sequência nesta quinta-feira ao fogo cruzado com a rival. Em referência ao megaescândalo de corrupção na Petrobras – detalhado à Polícia Federal por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal -, afirmou: “Os partidos perderam o vínculo com a sociedade. Não consigo imaginar que as pessoas possam confiar em um partido que coloca por doze anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobras. É isso que estão reivindicando? Que eu faça do mesmo jeito? Espero que pessoas virtuosas possam renovar seus partidos para que voltem a se interessar pelo que de fato são as demandas das pessoas. Hoje criamos uma anomalia no Brasil que é a classe politica”. Marina participou nesta quinta de sabatina promovida pelo jornal O Globo. A declaração se deu quando ela foi questionada sobre como governar com as “melhores pessoas”, sem negociar com partidos.

A presidenciável afirmou que os ataques petistas e as insinuações de que pretende desacelerar os investimentos na exploração de petróleo da camada de pré-sal, um tema caro ao Estado do Rio de Janeiro, são uma “cortina de fumaça” para encobrir a revelação dos desmandos na Petrobras. “Vamos explorar recursos do pré-sal e utilizar o dinheiro para investir de fato em saúde e educação. É preciso entender que o que está ameaçando o pré-sal é exatamente o que está sendo feito com a Petrobras. Existe uma cortina de fumaça lançada para desviar o debate. O Brasil tem de entender que a exploração de riquezas naturais é uma safra que só dá uma vez e que precisa ser bem utilizada e não drenada pela corrupção, como a gente vê dentro da Petrobras”, afirmou.

Marina voltou a se dizer vítima de boatos espalhados pelo PT e PSDB. “É um batalhão de Golias contra David, em artilharia pesada de dois partidos que se uniram temporariamente para fazer artilharia pesada. Cada um espalhando boatos”, afirmou.

A presidenciável respondeu genericamente a diversas perguntas, especialmente ao questionamento sobre a verdadeira história da contratação e propriedade da aeronave que caiu no mês passado, matando o então cabeça de chapa Eduardo Campos. A Polícia Federal investiga possível crime eleitoral no uso do jato e apura quem era o verdadeiro dono da aeronave. Há suspeitas de que a aquisição tenha sido feita por intermédio de laranjas. “Não temos como esclarecer o que é responsabilidade dos empresários. Eduardo buscou o serviço, fez pagamento na forma legal e as investigações estão sendo feitas”, afirmou.

Ela também defendeu Campos contra a acusação, feita pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, de que ele estaria envolvido no balcão de negócios instalado na Petrobras. “Doa a quem doer. Nós queremos a verdade, porque a simples citação não é suficiente. Vi Eduardo ligando para o secretário do seu partido, pedindo para senadores assinarem a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Sou testemunha disso. Ele queria CPI (para investigar a Petrobras)”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2014

às 6:43

O petrolão e as falácias de Dilma Rousseff. Ou: Uma presidente que promete que tomou todas as providências contra a invasão dos marcianos. Ou ainda: Dilma admite sangria na Petrobras. E ela fez o quê?

O conteúdo da fala da presidente Dilma Rousseff na entrevista — chamada “sabatina” sei lá por quê — concedida ao Estadão nesta segunda não faz sentido. Entre muitas outras razões porque afronta a lógica. Eu sei que a presidente não chega a ser, assim, um Cícero da retórica, mas o fato é que as palavras fazem sentido mesmo para ela. Leiam o que disse sobre a roubalheira na Petrobras: “Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso te garantir que todas, vamos dizer assim, as sangrias que eventualmente pudessem existir estão estancadas”.

Como é que a presidente pode dar por resolvido um problema cuja existência ela assegurou ignorar e, ainda hoje, diz não ter a certeza se existiu? Vou empregar a mesmíssima estrutura a que ela recorreu para demonstrar o absurdo da fala: “Leitores, se houve alguns marcianos tentando ocupar a Terra, e tudo indica que houve, eu posso lhes assegurar que todas, vamos dizer assim, as ameaças que eventualmente pudessem existir estão eliminadas”. Pergunto: vocês confiariam em mim?

E, assim, vocês podem ir mudando o conteúdo da fala a seu bel-prazer. Sempre fará sentido e nunca fará sentido. Sabe o que isso quer dizer? Nada! Mas podemos avançar um pouco mais. Até agora, quem começou a investigar só um pouquinho da caixa-preta da Petrobras foi a Polícia Federal. Dilma disse ter estancado a sangria. Cadê os demitidos? Onde estão os punidos? Uma sangria, para ser estancada, tem de ter existido. Cadê o resultado da apuração? A Petrobras é uma empresa mista, com ações na Bolsa. O que ela está escondendo dos acionistas? Não por acaso, ontem, as ações ON da estatal caíram 4,79%, e as PN, 4,91%. Chega a ser espantoso que uma presidente da República faça raciocínio tão especioso.

Segundo Paulo Roberto Costa, a compra da refinaria de Pasadena rendeu ganhos à máfia e fez parte do esquema que acabou privilegiando os partidos políticos. Muito bem! Dilma afirmou que o conselho tomou decisões sobre a refinaria ancorado em informações falhas, deficientes, imprecisas. Certo. Revelado o desastre, já na Presidência da República, ela fez o quê? Nomeou Nestor Cerveró, considerado o principal responsável pela aquisição da empresa americana, para a direção financeira da BR Distribuidora.

Não, senhores! Ninguém está querendo “culpar’ Dilma Rousseff só porque ela é presidente da República. Ou porque, antes, ocupava a presidência do Conselho da empresa. Ou porque, desde 2003, era tida como a grande chefe do setor energético. Não se trata de um processo de responsabilização objetiva. Estamos a falar de outra coisa: chama-se responsabilidade política, presidente! A sua inação ao longo desse tempo dá testemunho, quando menos, da inapetência para o cargo que ocupa.

De resto, não dá para ignorar a pesada máquina oficial mobilizada para impedir qualquer forma de investigação — máquina esta que não poupou o Congresso ou o TCU. Diante das evidências escancaradas de malfeitos na empresa, a presidente preferiu ficar lançando suspeitas sobre fatos passados — e voltou a fazê-lo na entrevista ao Estadão. Falou de novo sobre o afundamento da plataforma P-36, da Petrobras: “Você acha que é tranquilo uma plataforma que custa US$ 1,5 bi afundar? E ninguém investigar? A plataforma de US$ 1,5 bi, quero lembrar, é duas vezes Pasadena.”

Bem, se a conta fosse essa, lembro que só o custo adicional da refinaria de Abreu e Lima — foi orçada em US$ 2,5 bilhões e já está em US$ 18 bilhões — corresponde a dez plataformas. Mas a questão, obviamente, não é essa. Dilma vive sugerindo que um grande crime aconteceu em março de 2001. É mesmo? Então o PT está no poder há 12 anos; Dilma foi ministra das Minas e Energia, gerentona da infraestrutura e presidente do conselho da Petrobras e não fez nada? Das duas uma: a) ou crime houve, e ela prevaricou; b) ou crime não houve, e ela fala só com o ânimo de atacar gratuitamente o governo FHC. Adivinhem qual é a resposta.

A presidente, não a candidata, está agora obrigada a vir a público para esclarecer onde estavam “as sangrias” (sic) da Petrobras, quais foram as medidas que ela tomou e que tipo de punição aplicou aos responsáveis. Ou ela nos explica, ou seremos obrigados a concluir que falou o que lhe deu na telha, sem nenhum compromisso com os fatos. E isso é muito ruim para quem comanda o país.

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2014

às 5:44

“Tem de privatizar a Petrobras e até escolinha de jardim da infância”

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2014

às 4:23

PF abre inquérito para apurar vazamento. É mesmo? Ou: Um peso e duas medidas

A Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para apurar as circunstâncias do vazamento do conteúdo do depoimento que Paulo Roberto Costa concedeu à própria PF e ao Ministério Público, dentro de um acordo de delação premiada que pode vir a beneficiá-lo se as informações que forneceu forem úteis à investigação.

Reportagem de capa da revista VEJA desta semana informa que o engenheiro da Petrobras, que está preso, já gravou 42 horas de depoimento e, até agora, implicou no esquema criminoso que vigorava na empresa dois ex-governadores — Eduardo Campos (PSB-PE) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) —, a governadora Roseana Sarney (PMDB-MA); um ministro de Estado, Edison Lobão, das Minas e Energia; seis senadores, 25 deputados e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Nada contra! Que se apure! Uma das tarefas da imprensa é fazer o que fez a VEJA: publicar o que apurou e o que sabe. Se a PF acha que pode chegar à origem do vazamento, que vá adiante. Mas é claro que, em nome da precisão, obrigo-me a fazer aqui uma observação: quanta agilidade para tentar apurar esse vazamento, né?

Durante meses, fragmentos de informações que estavam no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) foram cotidianamente publicados na imprensa sobre o tal cartel de trens em São Paulo. O órgão, como todo mundo sabe, é comandado por um militante petista e está sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça. O governo de São Paulo não tinha acesso à apuração decorrente do acordo de leniência, mas nomes iam sendo vazados para a imprensa a conta-gotas.

Como o principal atingido era o PSDB, ninguém no governo federal se mobilizou para apurar a origem dos vazamentos. Ao contrário! Se a minha memória não falha — e não falha —, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, veio a público para sugerir que as críticas ao vazamento eram só uma espécie de cortina de fumaça para cobrir as denúncias. Na sabatina promovida pelo Estadão, nesta segunda, a presidente Dilma disse ser “inadmissível” a imprensa ter informações sobre o depoimento de Paulo Roberto se o próprio governo federal não tem ideia do que está sendo acusado.

Pois é… É uma pena que a presidente diga coisas assim apenas quando o seu governo está na berlinda, mas se cale quando um órgão federal se transforma numa fonte de produção de notícias e factoides contra um partido de oposição. E isso aconteceu. De resto, como é sabido, a operação Lava Jato não nasceu de uma manobra de um órgão ligado a um partido de oposição só para prejudicar o PT.

O Palácio do Planalto, o PT, o PSB e a CPI Mista da Petrobras cobram que o Ministério Público forneça as informações de que dispõe até aqui. Receio que não seja possível porque a investigação ainda está em curso. De resto, as duas CPIs da Petrobras que estão instaladas nada investigam não porque não possam, mas porque não querem.

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2014

às 0:26

Dilma pediu ao MP e à PF íntegra de depoimento de Paulo Roberto Costa

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
A presidente-candidata Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que solicitou à Polícia Federal e ao Ministério Público a íntegra do depoimento à Polícia Federal do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Preso em Curitiba, ele aceitou acordo de delação premiada e entregou nomes de parlamentares, governadores e um ministro como beneficiários do balcão de negócios montado na estatal, como revelou VEJA desta semana. “Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso garantir que todas as sangrias estão estancadas”, disse a petista em sabatina do jornal O Estado de S. Paulo, no Palácio da Alvorada, em Brasília.

Dilma disse que “não tinha a menor ideia” das irregularidades que aconteciam dentro da empresa, reveladas na edição desta semana de VEJA – mas não negou as denúncias. Ela afirmou que “nunca houve desconfiança” sobre a gestão de Paulo Roberto, principalmente pelo fato de ele ser um servidor de carreira, e que o caso “não é típico” dos quadros da Petrobras. Ela pediu informações à PF e ao Ministério Público e disse que já obteve posicionamento do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, citado por Costa como um dos beneficiados no esquema de corrupção. “Ele deu as explicações para mim, por escrito, e nega veementemente tais fatos. Mas eu tomei uma medida: determinei ao ministro José Eduardo Cardozo [Justiça] que fizesse um ofício à PF, porque se houver algum funcionário do governo, nós gostaríamos de ter acesso a essa informação para poder tomar todas as providências e tomar essas medidas baseadas em informações oficiais”, afirmou a presidente. “Os processos estão criptografados e dentro do cofre. Vazamento pode significar não validade das provas. Eu fiz o ofício ao procurador-geral da República para ter essas informações.”

Volta, Lula
Dilma também foi questionada sobre a sua relação com o ex-presidente Lula. Nos bastidores, a ala descontente de partidos aliados e do próprio PT trabalhavam para que o petista a substituísse nestas eleições. “Todo mundo que apostou em algum conflito entre mim e o Lula errou. Eu tenho uma relação fortíssima, pessoal, com ele. Eu convivi com o Lula de junho de 2005 até o dia em que eu saí do governo. Eu tenho uma relação de imensa amizade. Eu gosto do Lula, gosto muito, e tenho absoluta certeza de que ele tem o mesmo afeto por mim”, disse a presidente. Ela ressaltou ainda que apoiaria um retorno do ex-presidente não apenas em 2018, mas “em qualquer circunstância”. “O que ele quiser eu apoiarei”, disse.

Collor
Dilma também tentou amenizar as comparações que sua campanha fez entre a adversária Marina Silva (PSB) e os ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor de Melo – este último, aliado do governo petista. Mas manteve a mesma linha do discurso de terrorismo eleitoral contra a rival. “Eu acho a Marina bem intencionada. Não estou fazendo uma comparação pessoal. A comparação com Jânio e Collor é que ambos governaram sem apoio. Quem acha que vai negociar com notáveis, que é possível governar sem partido, geralmente ocorre alguma coisa muito perigosa”, afirmou. “Que o governo Collor não teve base de sustentação é um dado da história. Eu respeito o Collor, mas discordo das políticas. Por isso comecei falando que acho a Marina bem intencionada.”

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2014

às 16:03

O escândalo cada vez mais perto de Eduardo Campos

Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, vai depor na CPI mista na próxima quarta, dia 10. Ele tem muitas coisas a explicar, entre elas o fato de que morava num apartamento avaliado em R$ 7,5 milhões, que pertencia a uma offshore que, nitidamente, tem um laranja no Brasil (leia post). Mas há muito mais.

Segundo depoimento prestado por Cerveró à Justiça Federal do Paraná, informa o Estadão, foi Paulo Roberto Costa quem indicou os membros da comissão de licitação da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, uma das obras com evidências escancaradas de superfaturamento. Não custa lembrar que, entre os beneficiários de propina, o engenheiro inclui justamente Eduardo Campos, que era, então, governador de Pernambuco.

A refinaria de Abreu e Lima, construída pela Petrobras, talvez seja um emblema da falta de limites da turma. Orçada inicialmente em US$ 2,5 bilhões, ela já custou, até agora, US$ 18 bilhões. Estima-se que o esquema a que pertenciam Costa e o doleiro Alberto Youssef tenha desviado, só nesse empreendimento, algo em torno de R$ 400 milhões.

Há mais: segundo informa O Globo, “Costa concedeu vantagens financeiras, dilatou prazos e suprimiu compromissos assumidos por Pernambuco num acordo firmado diretamente com Campos”. Documentos obtidos pelo jornal revelam que Costa e Campos “assinaram um termo de adiantamento de tarifas da Petrobras ao Porto de Suape por conta do futuro uso do porto no transporte de produtos da refinaria Abreu e Lima, cuja inauguração está prevista para novembro”.

O jornal revela que “o termo foi assinado pelos dois em 18 de agosto de 2008 e cita repasses de R$ 475,7 milhões da estatal ao governo pernambucano. Pernambuco descumpriu um termo de compromisso assinado no ano anterior, o que levou a um aditivo validado por Costa e Campos. A transação começou a ser investigada pela Controladoria-Geral da União em junho deste ano. Até agora, a estatal já repassou R$ 783 milhões a título de antecipação de tarifas.”

É impressionante como a Petrobras atuava — e talvez atue, vai saber — como se fosse mesmo um governo independente. A cada dia, fica mais claro por que o tal engenheiro preso havia arrolado Eduardo Campos como uma testemunha de defesa.

Para encerrar, é bom não esquecer: à Polícia Federal e ao Ministério Público, Costa afirmou que esteve várias vezes com Lula, dando a entender que o ex-presidente da República sempre soube o que se passava por lá.

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2014

às 15:30

Marina muda o tom e agora diz que não haveria delação premiada sem fundamento

Como todos sabemos, a revista VEJA desta semana traz parte do que Paulo Roberto Costa confessou à Polícia Federal e ao Ministério Público sobre a quadrilha que operava na Petrobras. Ele já gravou 42 horas de depoimento. Nesta segunda, Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, mudou um pouco o tom de sua fala. Ela estava sendo bastante rebarbativa a respeito do assunto, até porque um dos acusados é justamente Eduardo Campos, antigo cabeça de chapa do PSB, morto num acidente aéreo no dia 13 de agosto.

Durante visita a uma creche, em São Paulo, afirmou Marina, segundo informa a Folha: “Quem manteve toda essa quadrilha que está acabando com a Petrobras é o atual governo, que, conivente, deixou que todo esse desmando acontecesse em uma das empresas mais importantes do país”. Marina, no entanto, aliviou um pouco a barra para a presidente Dilma Rousseff: “A presidente [Dilma] tem responsabilidades políticas. Eu não seria leviana em dizer que ela tem responsabilidade direta pessoalmente”.

Marina, que vinha afirmando que, por enquanto, só havia “ilações”, mudou o tom e afirmou sobre as denúncias: “É uma delação premiada. Com certeza o Ministério Público não iria premiar aquilo que não tenha base de realidade”.

Só para lembrar: segundo Paulo Roberto Costa, a lista dos que teriam recebido propina do Petrolão inclui, entre outros, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB).

O engenheiro acusa ainda Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, e atinge o coração do Congresso: estão no rol o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e o do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). PT, PMDB e PP seriam os três beneficiários do esquema, que teria também como contemplados os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), e os deputados João Pizzolatti (PP-SC) e Cândido Vaccarezza (PT-SP), além de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2014

às 15:01

Os desavergonhados

É o feitiço do tempo.

É o passado que não quer passar

É o peso das gerações mortas, como diria um pensador que os petistas apreciavam antigamente, oprimindo o cérebro dos vivos.

É a miséria moral se fingindo de resistência.

É o assalto ao Estado brasileiro e às suas instâncias.

É o novo patrimonialismo roubando o futuro dos brasileiros.

Enquanto o país se espantava com a bandalheira do mensalão — aquele esquema em que um partido, banqueiros e altos funcionários da administração se organizavam numa quadrilha para criar um Congresso paralelo —, outra maquinaria criminosa, em tudo semelhante e com boa possibilidade de ter movimentado quantidade ainda maior de dinheiro, vigorava na Petrobras, a principal empresa brasileira.

Não, senhores! Seus promotores e operadores não se intimidaram. Talvez escarnecessem do país: “Vejam lá aqueles se estapeando por causa de pouco dinheiro, e nós, aqui, a operar uma máquina de corrupção bilionária”.

Sim, leitores, por mais que o mensalão petista tenha movimentado uma fábula, o valor é troco de pinga na comparação com os recursos que passaram pelo “Petrolão”. Só a compra da refinaria de Pasadena — uma das operações da máfia que tomou conta da Petrobras, segundo Paulo Roberto Costa — gerou aos cofres da empresa um prejuízo de US$ 792 milhões nas contas do TCU — ou R$ 1,8 bilhão.

Segundo o engenheiro da Petrobras Paulo Roberto Costa, que está preso, ao contratar obras de empreiteiras, a Petrobras pagava propina a um grupo de políticos do PT, do PP e do PMDB. Entre os principais nomes implicados na lambança, está o de João Vaccari Neto, homem que cuida das finanças do petismo.

O esquema da Petrobras, que chamo aqui de Petrolão, em tudo reproduz o mensalão. Não é diferente nem mesmo a postura do Poder Executivo, da Presidência da República. Dilma repete, ainda que de modo um tanto oblíquo, o conteúdo da frase célebre de seu antecessor: “Eu não sabia”, ainda que, no comando da Petrobras, durante os oito anos de governo Lula e em quase dois da atual gestão, estivesse José Sérgio Gabrielli, um medalhão do PT, o principal responsável pela compra da refinaria de Pasadena.

Nada, nada mesmo, lembra tanto a velha política como a gestão miserável que tomou conta da Petrobras. Infelizmente para o país, o nome de Eduardo Campos, antecessor de Marina Silva na chapa presidencial do PSB, aparece no centro do escândalo. As falas de petistas e peessebistas se igualavam na desconversa até ontem. Nesta segunda, Marina Silva mudou um pouco o tom (ver post seguinte),

Para arremate da imoralidade, um ministro como Gilberto Carvalho (ver post) vem a público para atribuir a corrupção desavergonhada ao sistema de financiamento de campanha. Segundo ele, caso se acabem com as doações privadas, isso desaparecerá. Trata-se de uma falácia espantosa. Ao contrário: se e quando as doações de empresas forem extintas, mais as estatais estarão entregues à sanha dos partidos.

Escreverei isto aqui pela enésima vez: é claro que o PT não inventou a corrupção. Os larápios já aparecem em textos bíblicos; surgem praticamente junto com a civilização. Mas nenhum outro partido na história da democracia (e até das ditaduras), que eu me lembre, buscou naturalizar a prática corrupta como mera necessidade, como uma imposição dos fatos, como tática de sobrevivência.

Até quando?

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2014

às 14:02

Suíça confirma investigação de contas de pessoas ligadas à Petrobras

Na VEJA.com:
O procurador-geral da Suíça, Michel Lauber, confirmou nesta segunda-feira, em Genebra, que a Justiça do país europeu continua investigando contas bancárias de pessoas ligadas à Petrobras. “A investigação está em andamento”, declarou Lauber, sem informar nomes nem dar detalhes da apuração.

Em maio, a Justiça suíça entregou ao Brasil informações apontando que um colaborador do doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava-Jato, mantinha no país uma conta de 5 milhões de dólares – o dinheiro foi bloqueado. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o próximo alvo da Lava-Jato são empreiteiras que detêm contratos com a petroleira.

As investigações rastrearam repasses ao exterior realizados por uma subcontratada das obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Outros depósitos partiram de empreiteiras com sede em Salvador (BA). Já foi decretado o embargo de outros 23 milhões de dólares em 12 contas ligadas ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A Suíça abriu processo penal contra ele por lavagem de dinheiro. Em coletiva de imprensa, o presidente da Suíça, Didier Burkhalter, afirmou que as investigações sobre o caso vão continuar, independentemente das considerações políticas e eleitorais no Brasil que o caso possa ter: “Na Suíça há uma lei e se cumpre”.

“Há uma colaboração judicial que está ocorrendo, e na Suíça existe uma separação de Poderes”, disse Burkhalter. “A lei é aplicada sem levar em conta o contexto e não vamos mudar nossa política.”

Petrolão
Preso em março pela Polícia Federal, Paulo Roberto Costa aceitou recentemente os termos de um acordo de delação premiada – e começou a falar, conforme revelou a edição desta semana de VEJA. No prédio da PF em Curitiba, ele vem sendo interrogado por delegados e procuradores – os detalhes dos depoimentos podem jogar o governo no centro de um escândalo de corrupção de proporções semelhantes às do mensalão. Os depoimentos são registrados em vídeo — na metade da semana passada, já havia pelo menos 42 horas de gravação. Paulo Roberto acusa uma verdadeira constelação de participar do esquema de corrupção.

Entre eles estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado, Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR), o eterno líder de qualquer governo. Já no grupo de deputados figuram o petista Cândido Vaccarezza (SP) e João Pizzolatti (SC), um dos mais ativos integrantes da bancada do PP na casa. O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP, é outro citado por Paulo Roberto como destinatário da propina. Da lista de três “governadores” citados pelo ex-diretor, todos os políticos são de estados onde a Petrobras tem grandes projetos em curso: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), atual governadora do Maranhão, e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência da República morto no mês passado em um acidente aéreo.

Paulo Roberto também esmiúça a lógica que predominava na assinatura dos contratos bilionários da Petrobras – admitindo, pela primeira vez, que as empreiteiras contratadas pela companhia tinham, obrigatoriamente, que contribuir para um caixa paralelo cujo destino final eram partidos e políticos de diferentes partidos da base aliada do governo.

Sobre o PT, ele afirmou que o operador encarregado de fazer a ponte com o esquema era o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, cujo nome já havia aparecido nas investigações como personagem de negócios suspeitos do doleiro Alberto Youssef.

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2014

às 5:24

Petrolão – PT e PSB fazem uma discreta parceria para desqualificar denúncia

A candidata Dilma Rousseff falou neste domingo sobre o petrolão, o mensalão da Petrobras, e, como de hábito, disse coisas um tanto confusas, meio incompreensíveis. Afirmou que, por enquanto, não pode fazer nada porque ainda não conhece direito as denúncias e não sabe o grau de comprometimento de cada acusado, se tudo é mesmo verdade etc. Até aí, vá lá, tudo bem. Mas exagerou: segundo a presidente-candidata, o imbróglio não envolve o seu governo. Epa! Como assim, governanta? Um dos acusados é seu atual ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, pasta à qual está afeita a Petrobras. Outro que está na lista é Mário Negromonte, seu ex-ministro das Cidades. Mas isso ainda é pouco, né? A dinheirama, segundo o denunciante, serve para manter abastecida a base aliada — sim, base aliada do governo Dilma. E um dos peixes graúdos do esquema, segundo Paulo Roberto Costa, é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, partido ao qual pertence a digníssima e pelo qual disputa a reeleição.

Dá para ir adiante: o esquema vigorou, segundo a acusação, durante todo o governo Lula. Podemos apimentar a narrativa: a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, teria alimentado o esquema criminoso. A presidente do conselho, no período, era uma certa… Dilma Rousseff, que, já instalada no Palácio do Planalto, garantiu a Nestor Cerveró, o principal executivo da compra da refinaria, o cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora. Como não atinge o seu governo, presidente? A senhora até pode pedir prudência, mas a história de que sua gestão não tem nada com isso é bobagem.

A reação do PSB foi, digamos, calculadamente ambígua. Marina Silva, a candidata a presidente, e Beto Albuquerque, a vice, concederam uma entrevista coletiva neste domingo. Marina atacou os desmandos na Petrobras; afirmou que a empresa precisa ter um comando técnico e respondeu a ataques dos petistas: “Sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada, a Petrobras é destruída pelo uso político, o apadrinhamento e a corrupção”.

Pois é… Na hora, no entanto, de comentar o fato de que Eduardo Campos compõe a lista de políticos que teriam recebido propina, Marina se calou e passou a bola para Albuquerque, que, curiosamente, não deu uma resposta muito diferente da oferecida pelos petistas: haveria motivação eleitoral na denúncia. O candidato a vice de Marina disse estranhar o fato de que Paulo Roberto já tivesse, antes, indicado Campos como uma de suas testemunhas.

É mesmo? Eu estranho é o seu estranhamento. Está na cara que o engenheiro mandava um recado ao ex-governador de Pernambuco. Parecia dizer: “Você me conhece; fale sobre mim para a polícia…”. Não custa lembrar que os três governadores ou ex citados como beneficiários de propinas — além de Campos, Roseana Sarney (PMDB-MA) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) — pertencem a estados onde há grandes empreendimentos da Petrobras. PT e PSB cobram acesso aos depoimentos. OK. Que o façam! Mas é preciso ter um pouco mais de pudor com as respostas ridículas.

O tucano Aécio Neves fez o esperado — afinal, queriam o quê? Cobrou investigação e advertiu que já ninguém aguenta essa história do “eu não sabia”. Em entrevista à VEJA, afirmou: “As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comandado pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras, os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos à Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comandado pela atual presidente da República.”

Alguém tem de cobrar a investigação e alertar o país para a gravidade do assunto. Dadas as falas, tudo indica que Dilma e Marina, apesar da retórica, preferem que não se vá até o fim nessa história. Convenham: tramoia será fugir da verdade só porque há eleições. A ser assim, “estepaiz”, como diz aquele, só prende vagabundos que roubam o dinheiro público em ano ímpar, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

06/09/2014

às 17:06

O QUE ELES DIZEM SOBRE O PETROLÃO 3 – Aécio: “É mensalão 2″!

Por Laryssa Borges, de Brasília, e Bruna Fasano, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou neste sábado que as revelações de distribuição de propina a parlamentares e aliados do governo federal, detalhados com exclusividade na edição de VEJA deste fim de semana, equivalem a um novo mensalão, até então o maior esquema de corrupção desde a redemocratização. “O Brasil acordou hoje perplexo com as mais graves denúncias de corrupção na nossa história recente. Está aí o mensalão 2. É o governo do PT patrocinando o assalto às nossas empresas públicas para a manutenção do seu projeto de poder”, disse Aécio em um vídeo publicado em seu canal de campanha no YouTube.

Ao participar de ato público na cidade de Presidente Prudente, em São Paulo, Aécio afirmou que a presidente Dilma Rousseff, que já ocupou o Ministério de Minas e Energia e foi presidente do Conselho de Administração da estatal, não pode alegar que desconhece o megaesquema de corrupção na Petrobras. A tese do “eu não sabia” foi utilizada pelo ex-presidente Lula para tentar se desvincular do escândalo do mensalão. “A atual presidente da República controlou com mão de ferro essa empresa ao longo dos últimos 12 anos. Foi ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho da Petrobras. Foi ministra da Casa Civil. É inadmissível ela alegar desconhecimento sobre isso, a exemplo do que fez seu antecessor com o mensalão”, declarou o candidato.

“Durante os últimos 9 anos, o mensalão continuou a existir nesse governo. Agora ele é financiado pela principal empresa pública do país, a Petrobras. Poucas vezes na história deste país assistimos a tanta desfaçatez. É algo extremamente vergonhoso”, afirmou ele em Presidente Prudente.

Até o momento, o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, em um acordo de delação premiada, que três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. Entre os nomes elencados por Costa estão os ex-governadores Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, Eduardo Campos, de Pernambuco, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Os nomes das autoridades com foro privilegiado já foram encaminhados ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável por levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em vídeo postado na internet, Aécio Neves cobrou investigações profundas sobre o caso. No Congresso Nacional, a oposição vai pressionar por uma convocação extraordinária da CPI mista da Petrobras para analisar as novas denúncias. “É fundamental que essas investigações possam ir ainda mais a fundo para que os verdadeiros responsáveis pelo assalto às empresas brasileiras sejam punidos de forma exemplar. Estamos disputando essas eleições contra um grupo que utiliza dinheiro sujo da corrupção para manter-se no poder. Por isso eu acredito que chegou a hora, de forma definitiva, de darmos um basta nisso e tirarmos o PT do poder”, afirmou Aécio Neves no vídeo em que comenta a reportagem de VEJA.

Além da campanha do tucano, as equipes da petista Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva passaram a noite desta sexta-feira em reuniões internas para analisar os efeitos das denúncias de corrupção. Eduardo Campos, citado por Costa, era o cabeça de chapa de Marina Silva antes de morrer em um acidente aéreo no dia 13 de agosto e, por isso, o partido avalia ser inevitável que as acusações respinguem na nova candidata. No bunker petista, o ministro da Comunicação Social, Thomas Traumann, acompanha de perto os desdobramentos do caso e também entre aliados de Dilma a avaliação é a de que, por envolver aliados diretos do governo federal, parlamentares alinhados ao Palácio do Planalto e até um ministro de Estado, as revelações do homem-bomba da Petrobras causará danos à campanha da presidente-candidata.

Por Reinaldo Azevedo

06/09/2014

às 17:02

O QUE ELES DIZEM SOBRE O PETROLÃO 2 – Dilma: depoimento de Paulo Roberto Costa é só “especulação”

 Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
A presidente-candidata Dilma Rousseff chamou de “especulação” as revelações de distribuição de propina a parlamentares e aliados do governo federal, detalhados com exclusividade na edição de VEJA deste fim de semana. Em ato de campanha em São Paulo, ela afirmou que “tomará as providências cabíveis” sobre o depoimento do ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, que aceitou negociar os termos de um acordo de delação premiada com a Justiça.

“Acredito que precisamos ter dados oficiais dessa questão. A própria revista que anuncia este fato diz que o processo está criptografado, guardado dentro de um cofre e que irá para o Supremo. Eu gostarei de saber direitinho quais são as informações prestadas nessas condições e te asseguro que tomarei as providências cabíveis. Não com base em especulação. Eu quero as informações. Acho que elas são essenciais e são devidas ao governo, porque, caso contrário, a gente não pode tomar medidas efetivas”, disse Dilma.

Até o momento, Costa afirmou que três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da Petrobras. Entre os nomes elencados por Costa estão os ex-governadores Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, Eduardo Campos, de Pernambuco, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Os nomes das autoridades com foro privilegiado já foram encaminhados ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável por levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A equipe da campanha de Dilma à reeleição, assim como a de seus principais rivais, Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), passaram a noite desta sexta-feira discutindo o impacto das denúncias de corrupção. Entre aliados de Dilma, a avaliação é a de que, por envolver aliados diretos do governo federal, parlamentares alinhados ao Palácio do Planalto e até um ministro de Estado, as revelações do ex-diretor da Petrobras causarão danos à campanha da presidente-candidata.

Por Reinaldo Azevedo

06/09/2014

às 16:59

O QUE ELES DIZEM SOBRE O PETROLÃO 1 – Marina: citação do nome de Campos seria só “ilação”…

Na VEJA.com:
Em campanha em Brumado, cidade baiana a 555 quilômetros ao sul de Salvador, Marina Silva classificou de “ilação” a citação ao ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em 13 de agosto, no depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, que aceitou negociar os termos de um acordo de delação premiada com a Justiça.

Segundo Marina, “o fato de haver um investimento da Petrobras em Pernambuco não dá o direito, a quem quer que seja, de colocar Campos na lista dos que cometeram irregularidades” na estatal. “Todo o Brasil aguarda as investigações dos desmandos da Petrobras, que estão ameaçando o futuro da empresa e do pré-sal”, disse Marina. Para ela, o governo deve explicar a má governança na Petrobras, “levando a empresa que foi sempre exitosa e respeitada dentro e fora do Brasil a quase uma total falência.”

Marina ainda ironizou os recentes ataques de Dilma Rousseff (PT), presidente da República e candidata à reeleição, que critica a suposta falta de prioridade que Marina dá à exploração de petróleo. “Quem está ameaçando o pré-sal não somos nós. Vamos manter a exploração no pré-sal e usar os recursos para a saúde e educação. Quem ameaça o pré-sal é a corrupção que está assolando a Petrobras.”

O candidato a vice-presidência na chapa de Marina, Beto Albuquerque, também defendeu Campos das acusações. “Repudio as ilações e a vilania que estão tentando fazer contra Eduardo Campos depois que ele morreu. Quando ele estava vivo, não tinham coragem de enfrentá-lo. Agora, começam a levantar acusações, como se ele pudesse se defender.”

Por meio de comunicado, a assessoria do PSB afirmou que não se manifestará sobre a menção a Campos no depoimento do ex-diretor da Petrobras. Dentro do partido, a avaliação é a de que Paulo Roberto Costa não apresentou provas concretas contra o ex-governador de Pernambuco. “Apenas jogaram no ar o nome de uma pessoa que já morreu, é um absurdo”, comentou um auxiliar.

Até o momento, Costa afirmou que três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da Petrobras. Entre os nomes elencados por Costa estão os ex-governadores Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, Campos, de Pernambuco, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Os nomes das autoridades com foro privilegiado já foram encaminhados ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável por levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Por Reinaldo Azevedo

06/09/2014

às 6:37

Petrolão – A lista de Paulo Roberto: esquema corrupto lotado na Petrobras distribuiu propina durante os governos Lula e Dilma; compra de Pasadena foi fraudulenta; Lula sabia de tudo. Eduardo Campos era um dos beneficiários. E Dilma? Pois é…

Paulo Roberto conta como funcionava o propinoduto que atuava na Petrobras e dá os nomes

Paulo Roberto conta como funcionava o propinoduto que atuava na Petrobras e dá os nomes

Entre 2004 e 2012, Paulo Roberto Costa foi diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras. Ocupou, portanto, esse cargo, em sete dos oito anos do governo Lula e em quase dois do governo Dilma. Ao longo desse tempo, comandou o que pode ser chamado de “Petrolão” — ou o mensalão da Petrobras. As empreiteiras que faziam negócio com a estatal pagavam propina ao esquema e o dinheiro era repassado a políticos. A quais? Paulo Roberto já entregou à Polícia Federal e ao Ministério Público, num acordo de delação premiada, os nomes de três governadores, de um ministro de estado, de um ex-ministro, de seis senadores, de 25 deputados e de um secretário de finanças de um partido. Segundo o engenheiro, Lula sempre soube de tudo. E, até onde se pode perceber por seu depoimento, talvez a presidente Dilma — que era a chefona da área de energia do governo Lula e presidente do Conselho da Petrobras — não vivesse na ignorância. Paulo Roberto diz que a compra da refinaria de Pasadena foi, sim, fraudulenta e serviu para alimentar o esquema.

Paulo Roberto começou a prestar seu depoimento no dia 29 de agosto. Já gravou 42 horas de conversa. E, tudo indica, está apenas no começo. O Ministério Público Federal e o STF acompanham a operação, já que a denúncia envolve uma penca de autoridades com direito a foro especial. O esquema que ele denuncia é gigantesco. Ainda voltaremos muitas vezes a esse tema. Mas notem como é ridícula toda aquela conversa sobre financiamento público de campanha. Ainda que isso existisse, o mecanismo não serviria para impedir que máquinas criminosas se instalassem em estatais. Se o Brasil quer acabar com boa parte da roubalheira, deve começar privatizando as empresas públicas. Quais? Todas!

VEJA teve acesso a parte do depoimento de Paulo Roberto e traz reportagens exclusivas na edição desta semana, com a lista dos nomes citados por Paulo Roberto. Entre eles, estão cabeças coroadas da política brasileira, como o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB). Paulo Roberto acusa ainda Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, e atinge o coração do Congresso: estão em sua lista os presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

PT, PMDB e PP seriam os três beneficiários do esquema, que teria também como contemplados os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), e os deputados João Pizzolatti (PT-SC) e Candido Vaccarezza (PT-SP), que já havia aparecido como um dos políticos envolvidos com o doleiro Alberto Youssef, que era quem viabilizava as operações de distribuição de dinheiro. Mas há muitos outros, como vocês poderão constatar nas reportagens de VEJA, como Mário Negromonte, ex-ministro das Cidades, do PP da Bahia.

O esquema começou no governo dele, que, segundo Paulo Roberto, sabia de tudo...

O esquema começou no governo dele, que, segundo Paulo Roberto, sabia de tudo…

...e continuou no governo dela. Será que não sabia? O engenheiro está magoado a presidente...

…e continuou no governo dela. Será que não sabia? O engenheiro está magoado com a presidente…

Lula e Dilma não quiseram se pronunciar a respeito. Os demais negam envolvimento com Paulo Roberto. Alves, o presidente da Câmara, chega a dizer ao repudiar a acusação: “A Petrobras é petista”. Que o PT estivesse no centro do esquema, isso parece inegável. Um dos nomes da lista feita pelo engenheiro é João Vaccari Neto, o homem que cuida do dinheiro do PT. É secretário de Finanças do partido. Ele é, vejam a ironia da coisa, o substituto de Delúbio Soares. Não é a primeira vez que seu nome frequenta o rol de envolvidos em escândalos.

Paulo Roberto tem noção da gravidade de suas acusações. Tanto é que, quando ainda hesitava em fazer a delação premiada, cravou a frase: “Se eu falar, não vai ter eleição”.

E por que falou? A interlocutores, ele diz que não quer acabar como Marcos Valério, que ficará por muitos anos na cadeia, enquanto os chefões políticos do mensalão já se preparam para viver dias felizes fora do xadrez. O homem também está muito magoado com a presidente Dilma. Até agora, ele não fez nenhuma acusação direta à candidata do PT à reeleição — Lula não escapou —, mas deixa claro que ela foi, sim, politicamente beneficiada pelo propinoduto, que mantinha feliz a base aliada.

Qual vai ser o desdobramento político disso? Vamos ver. Uma coisa é certa: as revelações de Paulo Roberto atingem em cheio as duas candidatas que lideram a disputa pela Presidência da República: Dilma, por razões óbvias, e Marina, por razões menos óbvias, mas ainda assim evidentes. Ela é a atual candidata do PSB à Presidência. Confirmadas as acusações de Paulo Roberto, é de se supor que o esquema ajudou a financiar as ambições políticas de Campos, de que ela se tornou a herdeira.

A situação de Dilma, obviamente, é mais grave: afinal, ela era a czarina do setor energético, ao qual pertence a Petrobras. Presidia também o seu conselho. Deu um empregão para Nestor Cerveró, o homem que ajudou a viabilizar a compra de Pasadena, que Paulo Roberto agora diz ter sido fraudulenta. O chefão das finanças de seu partido é um dos implicados no esquema.

Paulo Roberto ainda está preso. Ele se comprometeu a abrir mão dos bens que acumulou em razão do esquema fraudulento e a pagar uma multa. As pessoas que atuam na investigação têm agora de confrontar suas informações com outras provas colhidas, com o objetivo de verificar se suas informações são procedentes. Se forem e se ele realmente ajudar a desbaratar um esquema de falcatruas bilionárias, pode até ganhar a liberdade.

A República treme.

Por Reinaldo Azevedo

05/09/2014

às 20:55

A tensão provocada pelo “Petrolão” e o impacto eleitoral

Já falo sobre Dilma e o agronegócio, mas faço este pequeno post antes. No Twitter, já se fala em “Petrolão”, que é o mensalão da Petrobras. Há muita gente, a esta altura, experimentando uma altíssima ansiedade. Uma coisa é certa, viu? Quase ninguém vai comemorar… “Pode haver algum impacto de natureza eleitoral, Reinaldo?” Ô se pode!!!

Por Reinaldo Azevedo
 

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