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Petrobras

30/01/2015

às 16:51

Moody’s rebaixa Petrobras; ações da empresa voltam a derreter; Dilma, a muda, está perplexa

Consta que a presidente Dilma Rousseff deu os parabéns a Graça Foster por ter resistido à pressão dos fatos e não ter incorporado uma baixa nos ativos de quase R$ 90 bilhões. Não duvido. Imagino o que nasce do encontro das duas gigantes. Os efeitos do balanço falso, divulgado pela empresa, são mais desastrosos do que se imaginava.

Pronto! A Petrobras está à beira do grau especulativo. A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou os ratings globais da empresa. Agora a Petrobras é uma “Baa3”. É claro que tudo isso é reflexo da Operação Lava Jato, que, por sua vez, nasce da roubalheira. Mas não só. A Moody’s também reage à inação da presidente Dilma, que decidiu deixar tudo como está para ver como é que fica. Há muito deveria ter demitido toda a diretoria, a começar de Graça. Mas quê… Dilma deu os parabéns pela divulgação de um balanço fraudado.

A agência é explícita e afirma que o balanço nada esclareceu e aponta “a falta de progresso na revelação de ajustes aproximados”, afirmando não ser “um sinal encorajador para a entrega no prazo adequado dos informes financeiros anuais auditados”.

Resultado: as ações da Petrobras, que haviam caído mais de 14% em dois dias, voltaram a despencar nesta sexta: as ON tiveram recuo de 5,55%, e as PN, de 6,4%. A Petrobras derrete, e Dilma está apatetada, sem saber o que fazer.

 

Por Reinaldo Azevedo

30/01/2015

às 16:20

Assim não, juiz Sérgio Moro! Assim, o senhor ainda acaba ganhando uma estrelinha do PT! Ou: Nem um homem probo tem o direito de agredir o estado de direito

Alguns leitores têm de pôr um troço na cabeça: eu escrevo o que quero, não o que querem que eu escreva. Construí a liberdade de dizer tudo o que penso; não a ganhei de ninguém. E, por óbvio, ela está ancorada na Constituição. Critiquei, sim, ontem, o juiz Sérgio Moro, que, até onde sei, é um homem correto. A exemplo dele, quero os ladrões da Petrobras na cadeia. Mas isso não me impede de apontar seus erros. Quem não gostar que não leia.

Só para refrescar a memória: o juiz negou habeas corpus aos diretores presos da OAS, a menos que a empreiteira rompesse todos os seus contratos com órgãos públicos nas três esferas de administração. O juiz pode ser um valente, mas precisa tomar cuidado com a paixão pelos holofotes. Ele negue o que quiser, e a Justiça decida. Mas não lhe compete antecipar uma pena — antes da condenação — e fazer uma exigência, ainda que oblíqua, que prejudicaria não apenas os donos da OAS, mas milhares de pessoas. Por que a empreiteira romperia até contratos que não estão sob investigação? Isso é prática que demoniza o setor privado. E a Petrobras, o antro da roubalheira? Não tem de romper nada? Tenham paciência!

Agora leio no Estadão que o juiz reclamou da lista de testemunhas de defesa do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, apontado como uma espécie de coordenador do que foi chamado “Clube das Empreiteiras”. Entre os nomes arrolados por ele estão o ministro Jaques Wagner, da Defesa, ex-governador da Bahia; o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo; Arlindo Chinaglia, candidato do PT à Presidência da Câmara, e José Di Fillipi Jr., ex-tesoureiro das campanhas de Lula e Dilma e atual secretário da Saúde de São Paulo. Há ainda 18 outros nomes, de vários partidos. Mas é evidente que são estes os que chamaram a atenção.

E chamam a atenção, muito especialmente, porque Pessoa é autor de um manuscrito em que deixa claro que o PT era o coordenador da festança. Vai além e diz que o dinheiro que passou pela diretoria de Paulo Roberto Costa era “fichinha” perto do que realmente aconteceu. Mais: assegura que todas as empreiteiras colaboraram com a campanha de Dilma e que Edinho Silva, tesoureiro em 2014, devia estar “muito preocupado”. Em tom irônico, indaga se as contribuições ao PT têm ou não a ver com obras da Petrobras.

Muito bem. Leio agora no Estadão  que o juiz Sérgio Moro não gostou da lista de testemunhas de Pessoa. É mesmo? Ele quer saber por que aqueles nomes estão lá. Escreve: “Há a possibilidade de que tais testemunhas tenham sido arroladas apenas com propósitos meramente abonatórios, o que não seria justificável, pois testemunha é quem sabe fatos relevantes para o julgamento, ou seja, deve ter conhecimento sobre fatos que são objeto da imputação”. Vai além: “A oitiva de agentes públicos como ministros, deputados e secretários é sempre demorada e difícil em vista do procedimento do artigo 221 do Código de Processo Penal. (…) Além disso, tais agentes públicos servem a comunidade e não se afigura correto dispender o seu tempo, além do desse Juízo, ouvindo-os sem que haja real necessidade”.

Epa! Aí não! Nunca vi isso. O juiz pretende agora criar um departamento prévio de censura de testemunhas, definindo quais podem e quais não podem ser arroladas? Vetaria os nomes indicados com base em que lei? Estabelecer esse limite seria cercear o direito de defesa, é evidente. De resto, parece-me óbvio que um réu arrole testemunhas com “propósitos abonatórios”. Ele queria o quê? Que o empresário chamasse pessoas para atacá-lo em juízo?

Vamos ficar atentos! Não estou gostando do rumo que vêm tomando certas coisas. Queira o juiz ou não — não estou aqui a avaliar intenções porque não conheço o fundo das consciências —, ao criticar as indicações feitas por Pessoa — que remetem ao núcleo duro do PT —, Moro, na prática, tenta conduzir a investigação, afastando-a, curiosamente, do partido que está no poder.

Então uma empreiteira baiana não pode chamar o baiano Jaques Wagner, que conhece a empresa de perto, para ser testemunha? Por que não? “Ah, mas pode ser uma forma de chantagem e de recado…” É? Eis, então, algo a ser investigado. Por que chamar o ex-tesoureiro das campanhas de Lula e Dilma? Pois é… Talvez Fillipi Jr. e o próprio Pessoa conheçam os motivos.

Qual é o problema, doutor Moro? Será desagradável ver, sei lá, Jaques Wagner cobrir o réu de elogios? Wagner que, diga-se, vem do setor petroleiro e deu emprego a José Sérgio Gabrielli quando este foi chutado da Petrobras.

Assim não, doutor Moro! O senhor tem o direito de ter a sua tese. Mas é preciso tomar cuidado para que convicções mais profundas — como a eventual aversão ao setor privado — não turvem o seu juízo. A roubalheira na Petrobras tinha um centro nervoso, sim: era político! Caso se insista em que se tratava apenas de um bando de empresários tentando roubar a estatal, os bandidos estrelados acabarão sendo, uma vez mais, beneficiados, como já foram no caso do mensalão.

Por Reinaldo Azevedo

30/01/2015

às 7:39

Dilma só tem uma saída honrada e honrosa: anunciar a privatização da Petrobras depois da desratização. Mas não fará isso, é claro! Enterrará a estatal e o país

Dilma Rousseff poderia fazer um bem imenso ao Brasil e à Petrobras. Mas ela não vai. Já chego lá.

A estatal é um retrato do Brasil sob a era petista: gigante, depauperada, sucateada, com futuro incerto. Imaginem o que aconteceria se, nas campanhas eleitorais de 2006, 2010 e até 2014, um candidato do PSDB dissesse isto: “A Petrobras precisa redefinir o seu tamanho”. João Santana, aquele marqueteiro que só fala a verdade, iria para a TV acusar os tucanos de tentar privatizar a empresa. Pois foi o que falou nesta quinta, em teleconferência com analistas, a presidente da estatal, Graça Foster. Foi além: a gigante cambaleante terá de reduzir seus investimentos em exploração e refino ao mínimo necessário. Trata-se de uma medida preventiva para assegurar o caixa da empresa.

Como é que essa decisão se casa com a obrigação que tem a Petrobras de ser parceira da exploração do pré-sal? Ora, não se casa. Lembram-se daquela cascata da dupla Lula-Dilma em 2010 segundo a qual o óleo lá das profundezas era um bilhete premiado? Isso ficou para trás. O mais impressionante é que, no discurso proferido antes da reunião ministerial de terça-feira, a soberana mandou brasa: “Temos de apostar num modelo de partilha para o pré-sal, temos de dar continuidade à vitoriosa política de conteúdo local”. Nesta quinta, na prática, Graça estava dizendo que a fala da sua chefe é pura cascata.

Graça foi além. A Petrobras, que já estuda não pagar dividendos a seus acionistas, resolveu congelar as obras de Abreu e Lima, em Pernambuco, e da Comperj, no Rio — ambas com suspeitas de superfaturamento e no epicentro da roubalheira perpetrada pela quadrilha que comandou os destinos da empresa por mais de dez anos.

A Petrobras está no chão. Em dois dias, suas ações caíram praticamente 15%, consequência da patuscada protagonizada pela empresa, que divulgou um balanço de mentira. Na quarta-feira, a companhia destacou em seu balanço empreendimentos superavaliados em R$ 88,6 bilhões. Diante do número, Dilma fez aquilo que mais sabe fazer: ficou furiosa. Ela não suporta a conspiração dos fatos.

Então ficamos assim: aquela que já foi a maior empresa brasileira tem ativos superestimados em R$ 88,6 bilhões; já calcula em R$ 4 bilhões só o montante da roubalheira; pensa em não pagar dividendos; divulga um balanço não auditado; congela obras em andamento; reduz à sua expressão mínima a exploração e o refino de petróleo, suas principais áreas de atuação, e sua presidente diz que a apuração das falcatruas pode durar muitos anos.

E Dilma? Ah, Dilma Rousseff poderia fazer com que a empresa, que hoje deve valer pouco mais de R$ 100 bilhões na Bolsa, volte a valer quase R$ 400 bilhões. Bastaria ir à televisão e anunciar: “Assim que sanarmos as contas, vamos privatizar a Petrobras”. As ações subiriam de modo vertiginoso e contínuo. É certo que alguns vagabundos e larápios tentariam organizar alguns protestos… A população, cansada de ser roubada e de pagar a gasolina mais cara do mundo, certamente aplaudiria. Antes que as antas se levantem: todas as riquezas do subsolo brasileiro pertencem à União, pouco importa quem as explore.

Mas Dilma não vai fazer isso. O PT está decidido a enterrar o Brasil e a Petrobras, dois gigantes cambaleantes.

Texto publicado originalmente às 4h24
Por Reinaldo Azevedo

30/01/2015

às 5:33

Minha coluna na Folha: “Ordem na orgia, companheiros!”

Leiam trechos da minha coluna na Folha desta sexta.
*
É hora de pôr os pingos nos is. Deltan Dallagnol, procurador da República do Paraná, afirma que as empreiteiras “não são vítimas, mas protagonistas” do petrolão. Contesta, assim, a linha de defesa de empresários que acusam então diretores da Petrobras de extorqui-los. Antonio Figueiredo Basto, advogado de Alberto Youssef, por sua vez, diz que seu cliente não era chefe de nada e servia ao projeto de poder do PT. Vamos ver.

Os diretores das empreiteiras e Youssef cometeram crimes, e isso é inequívoco. Caso, no entanto, se perca de vista o principal, o rigor da Justiça acabará, mais uma vez, por endossar uma farsa. Explico.

Para evidenciar o protagonismo das empreiteiras, Dallagnol afirma que “a corrupção é praticada há tanto tempo por essas empresas que se tornou um modelo de negócio que objetivava majorar lucros”. Ok. É claro que a corrupção no Brasil e no mundo não começou com as gestões petistas. Vem lá do tempo da serpente, da maçã e… da proibição de comer maçãs.

É preciso distinguir, no entanto, a ilegalidade como desvio da norma –por obra de salafrários agindo sozinhos ou em bando– daquela outra, sistêmica, que se revela como forma de conquista do Estado, com a constituição de um governo paralelo, gerenciado por um ente de razão degenerado.

O emblema desse procedimento foi eternizado por reportagem de 2011 da “Veja”: câmeras flagraram autoridades da República se esgueirando nos corredores do hotel Naoum, em Brasília, para se encontrar com o “consultor” José Dirceu. Lá estavam, nuas e oferecidas, as autoridades de programa. De quanto terá sido o michê? Um dos convivas era o então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.
(…)
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

29/01/2015

às 3:26

É espantoso que Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, agora com os bens bloqueados, flane por aí livre, leve e solto

O petistaço José Sérgio Gabrielli é liso como um bagre. Presidente da Petrobras no período em que a empresa abrigou uma quadrilha nos postos mais importantes de comando, ele, até agora, flana por aí… Aqui e ali seu nome aparece, mas, até onde se sabe, não como protagonista. É um homem realmente notável. Entre outras delicadezas, ele negou, em depoimento à Justiça Federal, que tenha havido superfaturamento nas obras de Abreu e Lima. Depôs, no caso, apenas como testemunha.

Todos se lembram de qual era seu estilo à frente da empresa. Metaforicamente falando, andava sempre com uma garrucha na mão: arrogante, malcriado, autoritário. Se ladrão não for, a exemplo de alguns ex-subordinados seus, então é de uma espantosa incompetência. E não que essas duas coisas não possam andar juntas por aí. Todas as vezes que surgiram evidências de irregularidades na Petrobras e que a imprensa se interessou pelo assunto, ele armou uma operação de guerra, com jagunços virtuais encarregados de desmoralizar as investigações. Na campanha eleitoral de 2010, teve a cara de pau de afirmar que FHC tentara privatizar a Petrobras. Era coisa de pistoleiro político. Ele sabia tratar-se de uma mentira. Demitido da empresa, Jaques Wagner, agora ministro da Defesa, deu-lhe abrigo no governo da Bahia.

Pois bem… O ex-czar da Petrobras teve seus sigilos fiscal e bancário quebrados pela Justiça do Rio. Junto com ele nessa ação estão réus da Operação Lava-Jato, como o também petista Renato Duque, ex-diretor de Serviços, e Pedro Barusco, o gerente da área, que topou devolver, sozinho, a bagatela de US$ 97 milhões. Os bens de todos os acusados também foram bloqueados. O caso que motivou a ação é a investigação de um suposto superfaturamento de R$ 31,4 milhões em obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, executada pela Andrade Gutierrez. A construtora também teve seus sigilos quebrados. Nota: na Petrobras, o encarregado por essa obra era Duque. Orçada inicialmente em R$ 1 bilhão, custou R$ 2,5 bilhões.

Como informa VEJA.com, “a decisão é da juíza Roseli Nalim, da 5ª Vara da Fazenda Pública, que acolheu pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro feito em dezembro do ano passado, em ação civil pública. A investigação reúne quatro inquéritos civis da promotoria do Rio”. 

A origem da ação é um levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União que constatou que as obras foram realizadas com “valores superiores aos praticados no mercado, além de firmados por preços superiores aos valores orçados pela própria estatal que, por sua vez, já traziam embutidos os sobrepreços”. O tribunal apontou ainda que “a ausência de publicidade e observância do devido processo licitatório subtraiu da estatal a oportunidade de selecionar a melhor proposta”.

O festival de contas secretas no exterior reveladas pela Operação Lava-Jato indica que a quebra de sigilos fiscal e bancário, embora necessária, pode não ser assim tão eficaz. Vamos ver. Esse caso está fora da Operação Lava-Jato. Eu continuo fascinado com o fato de o chefão da Petrobras no período do grande descalabro ter saído, até agora ao menos, ileso. E olhem que ele é um homem ousado, capaz de negar até que tenha havido superfaturamento em Abreu e Lima, aquela refinaria orçada em US$ 2,5 bilhões e que já custou US$ 19 bilhões.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 23:01

Fundo “abutre” Aurelius diz que Petrobras não cumpre exigências para emitir títulos nos EUA

Por Bruno Rosa, no Globo:
A Petrobras, que divulgou seu balanço não auditado do terceiro trimestre do ano passado sem as baixas contábeis relativas aos casos de corrupção, está sob pressão do fundo de investimento Aurelius Capital Management, um dos donos de títulos emitidos pela estatal nos Estados Unidos.

Em nota enviada ao GLOBO, Mark Brodsky, presidente do Aurelius, diz que a estatal brasileira não está seguindo as regras do International Accounting Standards Board (IASB, uma organização que determina normas internacionais de contabilidade). Segundo Mark, a emissão de títulos (bonds) nos EUA exige que os balanços divulgados pelas empresas estejam de acordo com as regras contábeis internacionais. Para o fundo abutre, um dos detentores de títulos da dívida da Argentina, a Petrobras está em calote.

“Apesar das recentes garantias, a Petrobras permanece em calote de seus títulos que seguem a legislação de NY. Esses títulos requerem que a Petrobras divulgue balanços financeiros que estejam de acordo com as regras de IASB”, disse Mark Brodsky, presidente da Aurelius Capital Management.A própria Petrobras admite ainda que há a existência de erros nos valores de determinados ativos imobilizados, que não puderam ser corrigidos pela companhia, já que as investigação da Operação Lava-Jato estão em curso.

Por isso, a estatal diz que esses “erros” não estão de acordo com as regras do International Accounting Standards Board (IASB, uma organização que determina normas internacionais de contabilidade).O Aurelius é um fundo abutre (que investe em empresas e governos em dificuldade) e liderou no fim de dezembro uma campanha entre donos de outros títulos para que a estatal fosse notificada sobre irregularidades em seu balanço.Procurada, a Petrobras ainda não se pronunciou. O Aurelius, por sua vez, não informou se tomará alguma medida legal contra a Petrobras.
Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 22:54

Justiça do Rio quebra sigilos bancário e fiscal de Gabrielli

Na VEJA.com:
A Justiça do Rio de Janeiro decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, do ex-diretor de Serviços Renato Duque e do ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco em investigação sobre superfaturamento de 31,4 milhões de reais em obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, executada pela Andrade Gutierrez. A construtora também seus sigilos quebrados. A busca nas movimentações financeiras e dados tributários de Gabrielli, Duque, Barusco, outros cinco servidores da estatal e da empreiteira alcança período de 2005 a 2010.

A decisão é da juíza Roseli Nalim, da 5.ª Vara da Fazenda Pública, que acolheu pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro feito em dezembro do ano passado, em ação civil pública. A investigação reúne quatro inquéritos civis da promotoria do Rio. Os promotores pediram ainda o arresto dos bens dos investigados, mas a Justiça não acolheu agora esse pedido.

Segundo o Ministério Público, as irregularidades consistiram em “sucessivas e superpostas contratações em benefício da Andrade Gutierrez”, “sobrepreço e superfaturamento praticado nos contratos”, “ausência de transparência” na seleção da empreiteira para prosseguir como cessionária de obrigações firmadas entre a Petrobras e a empresa Cogefe Engenharia Comércio e Empreendimentos.

A apuração teve origem em levantamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) em todas as obras do Cenps, inclusive as relacionadas à ampliação e modernização do Centro. Os auditores identificaram contratos com “valores superiores aos praticados no mercado, além de firmados por preços superiores aos valores orçados pela própria estatal que, por sua vez, já traziam embutidos os sobrepreços”.

O TCU concluiu que “a ausência de publicidade e observância do devido processo licitatório subtraiu da estatal a oportunidade de selecionar a melhor proposta, aquela que trouxesse maior vantajosidade para a empresa”.

A decisão atinge ainda Sérgio Arantes, ex-gerente Setorial de Estimativas de Custos e Prazos, José Carlos Amigo, ex-gerente de Implementação de Empreendimentos para o Cenpes, Alexandre da Silva, ex-gerente Setorial de Construção e Montagem do Cenpes, Antônio Perrota, e Guilherme Neri, da área de orçamentos e contratos.

Os quatro contratos sob suspeita que envolvem a Andrade Gutierrez e a Cogefe. São serviços de descarte de resíduos, de terraplenagem, fundações, edificações, pavimentação nas obras do Cenpes.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 21:01

Em quatro anos, Petrobras perde o correspondente a 2,3 vezes o seu atual valor

Então… Sabem quanto custou, em valor de mercado, só nesta quarta, a despencada das ações da Petrobras? R$ 13,9 bilhões. Caiu de R$ 128,7 bilhões para R$ 114,8 bilhões. Em 2010, segundo a Bloomberg, a estatal valia R$ 380,2 bilhões. Querem pôr a coisa de outro modo? Pois não! Em quatro anos, R$ 265,4 bilhões foram para o ralo, o que corresponde a 2,3 vezes o que a empresa vale hoje. Parece-me que isso diz muito do modo petista de fazer as coisas.

A operação de divulgação do balanço não poderia ter sido mais desastrada. A expectativa no mercado era imensa. As apostas sobre as perdas variavam de US$ 5 bilhões a US$ 20 bilhões. O comando da empresa, sob a liderança de Graça Foster, resolveu não fazer nada e ainda acusar, o que soou como acintoso, lucro.

Se a empresa tivesse admitido o prejuízo pelo topo, talvez as ações tivessem caído, como consequência, algo em torno de 11%. Como a direção da estatal resolveu enfiar a cabeça no buraco e fazer de conta que nada aconteceu, as ações… caíram algo em torno de 11%.

R$ 265,4 bilhões, até agora, só na Petrobras. É o custo PT.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 15:33

O balanço da Petrobras vale o discurso de Dilma, e o discurso de Dilma vale o balanço da Petrobras. Ou: Brasil já foi antes governado por um doido…

Com a devida vênia, sempre achei Dilma Rousseff incompetente. Como ministra e como presidente. E sempre acrescentei a essa constatação uma outra: ela é competente em criar a fama de que é competente. Esse mal, admito, é uma espécie de marca registrada do PT. Mas, na soberana, é especialmente saliente. E, para arremate dos males, ela tem como homem forte do governo Aloizio Mercadante. Aí, meus caros, a contribuição ao erro não tem como não ser bilionária.

Eu fico cá me perguntando que espírito ruim fez com que a Petrobras divulgasse, praticamente no dia em que a presidente realiza a primeira reunião do segundo mandato, o seu balanço de mentira, o seu balanço falso, o seu balanço de vento. E com uma nota perversa: a peça de ficção veio a público na calada da noite. O principal demonstrativo daquela que já foi a maior empresa do país — antes da rapinagem petista — ganhou ares de peça clandestina. Seus subscritores se esgueiram nas sombras, como marginais.

Dilma faz o seu discurso anunciando novas auroras, e a mulher que escolheu para comandar a Petrobras, Graça Foster, lidera uma patuscada. Aqui e ali, sei lá com que base material, fala-se de um prejuízo de R$ 88 bilhões apenas. A estimativa do mercado é bem outra: de US$ 5 bilhões, valor muito subestimado, já digo por quê —  a US$ 20 bilhões. Sim, de dólares. Só Abreu e Lima, o cálculo é da própria Petrobras, conta com um prejuízo irreversível de US$ 3,2 bilhões. A propósito: R$ 88,6 bilhões correspondem aos ativos que estariam superavaliados. É outra conta.

As ações da empresa entraram em queda livre nesta quarta. O Brasil não é a Venezuela. O Brasil tem mercado. Às 14h30, os papéis preferenciais (PN) da companhia, sem direito a voto, caíam 9,83%, para R$ 9,16. Durante a manhã, chegaram a despencar 10,17%,  para R$ 8,66. Já as ações ordinárias (ON), com direito a voto, registravam queda de 9,44%, em R$ 8,73  — na mínima, chegaram a valer R$ 8,46.

Reitero: é impressionante que os dois eventos tenham se dado quase ao mesmo tempo: a reunião ministerial e a divulgação dos números da empresa. É inescapável concluir: sabem quanto vale o discurso de Dilma? O que vale o balanço da Petrobras. Sabem quanto vale o balanço da Petrobras? O que vale o discurso de Dilma.

Pergunta-se: é essa a presidente que precisa inspirar confiança dos agentes econômicos? Qual será o comportamento daqueles que deveriam apostar no Brasil? Investir no país ou se proteger do seu governo e dos irresponsáveis que hoje comandam o seu destino? Pior: a decisão de divulgar um balanço não auditado, que ignora o prejuízo, passa a informação de que, sim!, essa gente que nos governa é capaz de qualquer coisa.

Em seu discurso de ontem, Dilma citou a palavra “Petrobras” oito vezes. Destaco dois trechos: “A Petrobras já vinha passando por um rigoroso processo de aprimoramento de gestão; a realidade atual só faz reforçar nossa determinação de ampliar na Petrobras a mais eficiente estrutura de governança e controle que uma empresa estatal, ou privada já teve no Brasil”. E mais adiante: “Temos que continuar acreditando na mais brasileira das empresas, a Petrobras”.

Santo Deus! Não é possível acreditar nem no balanço da empresa! Eu me pergunto, e não estou fazendo ironia, se Dilma está bem da cabeça. O conjunto da obra, nesta terça e madrugada de quarta, pode indicar que não.  Nem seria inédito. O Brasil já foi governado por um doido clínico, Delfim Moreira, entre 15 de novembro de 1918 e 28 de julho de 1919. Na prática, quem tocava o país era o ministro de Viação e Obras Públicas, Afrânio de Melo Franco. Em 2015, temos Aloizio Mercadante.

Eu poderia encerrar assim: “Que Deus tenha piedade da gente, já que o eleitor não teve”. Mas Deus, definitivamente, não tem nada com isso. Deus não corrige o voto. Só os eleitores brasileiros podem fazer isso.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 6:15

Perda com roubalheira pode chegar a 50% do valor de mercado da Petrobras. Empresa divulga, na calada da noite, balanço sem auditoria, no qual ninguém acredita, e omite corrupção

E a Petrobras divulgou, na calada da noite, o seu balanço trimestral. Sem incorporar as perdas decorrentes da corrupção. Sem pôr na conta a roubalheira, a estatal registrou lucro de R$ 3,087 bilhões no terceiro trimestre do ano passado, uma queda de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e setembro, o ganho acumulado foi de R$ 13,4 bilhões, recuo de 22% ante o ano anterior.

E as safadezas? O documento, assinado por Graça Foster, explica: “Concluímos ser impraticável a exata quantificação destes valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da companhia”.

E por que divulgar um balanço no qual ninguém acredita? A empresa explica: “A divulgação das demonstrações contábeis não revisadas pelos auditores independentes do terceiro trimestre de 2014 tem o objetivo de atender obrigações da companhia em contratos de dívida e facultar o acesso às informações aos seus públicos de interesse, cumprindo com o dever de informar ao mercado e agindo com transparência com relação aos eventos recentes que vieram a público no âmbito da Operação Lava-Jato”.

O que se estima é que a empresa teria de incorporar uma perda de US$ 20 bilhões — ou R$ 52 bilhões. Sabem o que isso significa? Praticamente a metade do que ela vale hoje na Bolsa de Valores — R$ 107 bilhões no começo deste mês.

Dilma comandou nesta terça, como se sabe, a maior reunião ministerial do planeta. No discurso, ela disse não haver contradição entre o que diz e faz. Num grupo de 192 palavras, repetiu “Petrobras” oito vezes, segundo ela, a “mais estratégica empresa do Brasil”. Defendeu que se investiguem as irregularidades, mas sem enfraquecer a estatal. E seguiu com outras platitudes.

Enquanto a governanta, em suma, anunciava amanhãs sorridentes, a Petrobras, depois de 12 anos sob os cuidados da companheirada, é obrigada a publicar um balanço na calada da noite, sem auditoria, no qual ninguém acredita. É a suprema desmoralização.

Que ironia! Houve um tempo em que o PT fazia terrorismo eleitoral, acusando os adversários de querer vender a Petrobras, o que sempre foi mentira. Se a estrovenga fosse posta à venda hoje, haveria o risco de ninguém querer comprar…

Texto atualizado às 7h05
Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 13:31

Conselho da Petrobras: o que era uma distinção virou um fardo

O governo já consultou vários executivos e ex-executivos para integrar o conselho da Petrobras. O que antes era uma distinção, um reconhecimento, virou um fardo. Eles já avisaram que só aceitam conversar depois que a estatal divulgar o seu balanço reconhecendo as perdas decorrentes dos atos de corrupção. Na mira do governo estão Henrique Meirelles, Josué Gomes da Silva, Beto Sicupira, Nildemar Secches, Rodolfo Landim e Antonio Maciel Neto. Todos eles são oriundos do setor privado e substituiriam políticos com cargo. Isso concorreria, aposta-se, para a recuperação da credibilidade da estatal. O atual conselho, diga-se, reúne-se nesta terça para divulgar o balanço referente ainda ao terceiro trimestre de 2014.

Que coisa, não? Já houve um tempo em que a Petrobras é que era um galardão a altos executivos da iniciativa privada. Era quase como integrar um grupo de sábios. Hoje em dia, as pessoas estão querendo garantias de que seus respectivos nomes não serão tisnados pela politicagem. Jamais ocorreria, mas deixo claro: se me convidassem, não aceitaria nem que um assento no Conselho viesse junto com um pote de ouro, dado “por dentro” e com recibo.  A legislação que fez da Petrobras uma arapuca e um valhacouto segue sendo a mesma. Com os marcos legais atuais, não toparia a função nem que em sua diretoria estivessem apenas monges franciscanos, especialistas em petróleo, mas com voto de pobreza.

Por Reinaldo Azevedo

26/01/2015

às 15:06

Petrobras nega favorecimento ao BTG na África e defende parceria

Na Folha:
A Petrobras divulgou, neste domingo (25), nota em que justifica a escolha do banco BTG Pactual como sócio na África pela necessidade de reduzir o risco do negócio e de obter fundos para desenvolver uma nova reserva nigeriana. O texto diz, ainda, que a associação era “a melhor alternativa para a Petrobras, assegurando sua permanência estratégica” no continente. A nota responde à coluna do jornalista Elio Gaspari, publicada pela Folha no domingo (25), na qual as condições de venda de 50% dos ativos de exploração e produção em sete países africanos ao banco brasileiro, em 2013, são criticadas.

De acordo com Gaspari, a negociação foi fechada pelo valor estipulado em uma avaliação do próprio banco, de US$ 3,04 bilhões para todos os ativos, e assim, o banco pagou US$ 1,52 bilhão por 50% do negócio, por meio da criação de uma “joint venture”, a empresa PO&G, criada para reunir os direitos antes exclusivos da estatal brasileira no continente. Segundo o artigo, outra avaliação estimava valores entre US$ 3,4 bilhões, caso uma lei negativa para investidores entrasse em vigor na Nigéria, onde estão as duas reservas mais produtivas, e US$ 4 bilhões, sem a lei. Um terceiro avaliador estipulou como US$ 3,6 bilhões o valor de somente o de um campo, Akpo, um dos dois nigerianos de alta produção.

A lei ainda não entrou em vigor, de acordo com a Petrobras. A empresa alega, também, que o contexto em que os investimentos foram feitos, no final da década de 90, eram totalmente diferentes do atual, em que a prioridade é o pré-sal, “situação oposta a que levara a companhia à internacionalização”. A Petrobras disse, ainda, que a produção dos campos nigerianos Akpo e Abgami não corresponde a 60% do que importa e 25% do que refina, mas, sim, 14% e 2,5%, respectivamente.

Segundo a estatal, o principal motivo de associação com o BTG foi explorar o campo de Egina, também na Nigéria, que ainda não produz e exigia “investimentos da ordem de US$ 3 bilhões”. Sem sócio, defende a estatal, a alternativa para viabilizar Egina era sair da outra reserva em produção no país, Agbami. Não foi informado em que estágio do desenvolvimento o campo se encontra nem quais investimentos foram realizados até o momento. De acordo com a empresa, os ativos na África envolve “também ativos exploratórios de alto risco”, em Benin, Gabão, Namíbia, Angola e Tanzânia. Diz, também, que desde a formação da sociedade, foram gastos US$ 250 milhões em perfuração de poços em que não se encontrou petróleo. A Petrobras justifica a venda pelo pior preço porque a lei potencialmente prejudicial a seus negócios, usada para jogar as avaliações para a baixo, ainda está em tramitação na Nigéria.

O artigo de Gaspari afirma, ainda, que, no primeiro ano, o BTG já fez jus a parte dos dividendos gerados pelo negócio. De US$ 1 bilhão distribuídos, banco e estatal embolsaram US$ 150 milhões, cada. O resto foi usado para reforçar o caixa da sociedade e em aplicações financeiras. A Petrobras alega, neste caso, que a associação já era lucrativa, tendo confirmado o valor pago ao BTG. Outro ponto levantado pelo artigo foi relacionado ao processo de escolha do BTG. Uma das questões era o fato de o banco ter sido a única instituição financeira na lista de selecionados pela Petrobras como interessados no negócio. A Petrobras informou que outros bancos estavam no páreo, mas não informou quais. Disse apenas que um fundo de investimento controlado por uma empresa de óleo e gás chegou a enviar proposta, mas também não a detalhou.

Na coluna, Gaspari diz que a Petrobras não ofereceu à petroleira americana “o direito de preferência a que teria direito”. A estatal afirma que chegou a consultar a americana Chevron, sócia da Petrobras em Agbami, sobre o interesse de “aumentar a posição nos ativos na África”, e que a Chevron teria se recusado a ampliar os investimentos. Negou, ainda, que o direito de preferência valesse para todos os ativos africanos, alegando que só se restringia a Agbami.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2015

às 6:43

Costa confirma que levou propina para não atrapalhar compra de Pasadena. Quem pagou? Fernando Baiano, um amigo do amigão do homem…

Em depoimento à Polícia Federal, Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras que fez acordo de delação premiada, foi inequívoco: só ele recebeu US$ 1,5 milhão em propina para não criar dificuldades na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Como era o titular de uma diretoria poderosa, tinha como dificultar os trâmites. E com quem ele acertou a canalhice? Segundo disse, com o lobista Fernando Baiano. O pagamento foi feito no exterior, no Vilartes Bank, no paraíso fiscal de Liechteinstein. Baiano, assegurou, era um operador do PMDB, mas também trabalhava para outros partidos. Segundo Costa, o homem era muito próximo do empresário José Carlos Bumlai. Quem é Bumlai? Clique aqui para saber. Trata-se de um dos maiores e mais fiéis amigos pessoais de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2011, reportagem de VEJA começou a desvendar essa figura. Leio trechos:
“É um dos maiores pecuaristas do país, amigo do peito do ex-presidente Lula e especialista na arte de fazer dinheiro – inclusive em empreendimentos custeados com recursos públicos. Até o ano passado, ele tinha trânsito livre no Palácio do Planalto e gozava de um privilégio sonegado à maioria dos ministros: acesso irrestrito ao gabinete presidencial. Essa aproximação excepcional com o poder credenciou o pecuarista a realizar algumas missões oficiais importantes. Ele foi encarregado, por exemplo, de montar um consórcio de empresas para disputar o leilão de construção da hidrelétrica de Belo Monte, uma obra prioritária do governo federal, orçada em 25 bilhões de reais. (…)

Seus filhos também se tornaram amigos dos filhos de Lula. Amizade daquelas que dispensam formalidades, como avisar antes de uma visita, mesmo se a visita for ao local de trabalho. Em 2008, após saber que o serviço de segurança impusera dificuldades à entrada do pecuarista no Planalto, o presidente Lula ordenou que fosse fixado um cartaz com a foto de Bumlai na recepção do palácio para que o constrangimento não se repetisse. O pecuarista, dizia o cartaz com timbre do Gabinete de Segurança Institucional, estava autorizado a entrar “em qualquer tempo e qualquer circunstância”.

Há mais coisas sobre o homem. Vejam lá depois. Empreiteiras reclamavam, por exemplo, de suas intromissões na… Petrobras.

Aviso que dava a Bumlai aceso irrestrito a Lula, a qualquer hora. Um amigão!

Aviso que dava a Bumlai aceso irrestrito a Lula a qualquer hora. Um amigão!

Mas voltemos a Costa. Segundo seu depoimento, quem apareceu com o negócio de Pasadena foi Nestor Cerveró, e o que se comentava é que a propina, possivelmente paga pela Astra, a empresa belga que era dona da refinaria, foi de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões.

Costa dá a entender que os que conheciam o assunto sabiam ser um mau negócio, mas aprovado pelo Conselho de Administração — presidido à época pela então ministra Dilma Rousseff — e também pela diretoria. O presidente da empresa era José Sérgio Gabrielli. Segundo disse, as obras de adequação da refinaria ficaram a cargo do petista Renato Duque, que seria o arrecadador das propinas do PT. Ele, então, escolheu para o serviço a Odebrecht e a UTC Engenharia, ambas investigadas na Operação Lava-Jato.

Sei não… Mas é possível que a importância de Fenando Baiano ainda cresça nessa narrativa.

Por Reinaldo Azevedo

21/01/2015

às 16:09

Petrobras indica que pode incluir perdas com corrupção em balanço

Na VEJA.com:
A Petrobras indicou, em comunicado enviado ao mercado nesta quarta-feira, que os desdobramentos da Operação Lava Jato poderão implicar no “reconhecimento de perdas” em seu balanço do terceiro trimestre, que deve ser divulgado na próxima terça-feira. A previsão inicial para a apresentação dos resultados financeiros era novembro, mas teve que ser adiada duas vezes devido às denúncias de corrupção, que inclui o superfaturamento de contratos e ativos da petroleira. 

No documento, a estatal disse que está fazendo análises necessárias para o fechamento e divulgação das demonstrações contábeis, “incluindo a avaliação individual de ativos e projetos cuja constituição se deu por meio de contratos de fornecimento de bens e serviços firmados com empresas citadas na Operação Lava Jato”. 

A estatal também mencionou possíveis impactos provocados por contratos de fornecimento de bens e serviços envolvendo negócios da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco. A divulgação do balanço da Petrobras, na terça-feira, ainda não contará com o aval da auditoria independente PricewaterhouseCoopers (PwC).

Por Reinaldo Azevedo

19/01/2015

às 6:49

A “petistite” é uma doença grave e, se nada for feito, letal. O agente patogênico, o “Petralha”, da estirpe “VS”, continua empestando o ar

A refinaria Abreu e Lima é o sintoma mais agudo de uma infecção: a “petistite”. Antes dela, claro!, o país passou por outros perrengues, mas, como já resta evidente com o pouco que se sabe até aqui, nunca houve nada tão grave —  e dificilmente haverá. A doença é perversa pelo estrago que provoca no organismo Brasil, mas não só por isso. O agente patogênico, o Petralha, pertence à cepa dos micro-organismos que enganam o sistema imunológico da sociedade: é a estirpe VS — Vigarice Socialista. A VS, de que o Petralha é uma derivação mais agressiva, se insinua no organismo saudável com o discurso da igualdade, da reparação social, da generosidade e da distribuição de renda. Aos poucos, vai debilitando o organismo saudável, que vai tendo o tecido necrosado por suas toxinas. Já hoje, há males provocados pela petistite que são permanentes. Sim, meus caros: há tecidos que estão necrosados, que já não têm recuperação. Nota à margem: o vírus “Petralha” é formado por duas proteínas — o petismo e o quadrilhismo Metralha.

Neste fim de semana, ficamos sabendo de uma coisa estarrecedora. Estudos técnicos da Petrobras, revelados por reportagem da Folha, informam que a refinaria Abreu e Lima não tem mais cura. Seu prejuízo será de, no mínimo, US$ 3,2 bilhões. Orçada em 2005 em US$ 2,4 bilhões, já está em US$ 18,5 bilhões. Trazendo a valores presentes, o que a refinaria poderá gerar de benefícios ao longo de sua vida útil, chega-se àquele prejuízo de US$ 3,2 bilhões.

Diante da evidência, o que fez a Petrobras neste domingo? Responsabilizou pelo descalabro Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento que fez acordo de delação premiada. Sim, ele já admitiu superfaturamento em obras. Mas será que um homem, sozinho, é capaz de tal estrago? Segundo a nota da estatal, “testes realizados pela companhia até 2013 não indicaram a necessidade de reconhecimento de perdas de investimentos realizados na refinaria de Abreu e Lima”. Ocorre que a direção admite que os tais testes não tinham como objeto apenas a refinaria, mas o conjunto das obras da estatal.

Segundo informa a Folha, “estudos técnicos da empresa já apontavam as perdas quando membros de seu Conselho de Administração aprovaram a continuidade das obras da refinaria, em junho de 2012. Entre eles, estavam a atual presidente da estatal, Graça Foster, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, e os empresários Jorge Gerdau e Josué Gomes da Silva”.

Atenção! A Petrobras só criou uma comissão interna para avaliar o desastre de Abreu e Lima em abril de 2014, depois da Operação Lava Jato. Todas as vezes em que se tentava saber que diabo se passava na Petrobras, as toxinas produzidas pelo vírus Petralha acusavam uma conspiração contra a empresa. Não custa lembrar que, nas campanhas eleitorais de 2006 e 2010, o PT inventou uma suposta intenção do PSDB de privatizar a estatal. Ainda em 2014, a candidata Dilma Rousseff tangenciou esse discurso.

Eis aí. Abreu e Lima já é um mal permanente. Mas há outros estragos provocados pela petistite, como revela reportagem da VEJA, de que trato em outro post.

Por Reinaldo Azevedo

19/01/2015

às 6:32

Ou o Brasil acaba com a petistite, ou a petistite acaba com o Brasil: o caso de Pasadena

A petistite é a doença provocada pelo agente patogênico “petralha” — um vírus que engana o sistema imunológico da sociedade, tentando convencê-la de que ser assaltada por pilantras que se fingem de amigos do povo é uma coisa boa. Já escrevi um post demonstrando o estrago provocado pela refinaria de Abreu e Lima. Mas, como sabemos, não é a única consequência da grave infecção provocada pelo vírus “Petralha”, da estirpe “VS” — Vigarice Socialista.

Na VEJA desta semana, os repórteres Malu Gaspar e Robson Bonin informam que uma auditoria interna da Petrobras sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, produziu um relatório de 113 páginas. A revista teve acesso ao documento. Pois bem: entre as pessoas que concorreram para que se fizesse a operação desastrosa — que, segundo o Tribunal de Contas da União, gerou um prejuízo de US$ 792 milhões — estão, claro!, Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional; Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento; Renato Duque, ex-diretor de Serviços, e José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal.

Atenção! O relatório, produzido sob os auspícios da atual direção, comandada por Graça Foster, aponta apenas “falhas”. É, leitores! Mais uma vez, as toxinas produzidas pelo vírus petralha impedem que as coisas sejam chamadas por seu devido nome. É espantoso. O relatório aponta, por exemplo, que Nestor Cerveró, o principal executivo que conduziu então as negociações, ofereceu por metade da refinaria americana 80% a mais do que a avaliação feita pela consultoria Muse Stancil, contratada pela própria Petrobras.

Só isso? Não! Ceveró ofereceu ainda US$ 25 milhões de bônus a serem divididos entre funcionários da Petrobras e da belga Astra, então dona da refinaria americana, à qual adiantou outros US$ 10 milhões antes mesmo do fechamento do negócio. Leiam a reportagem: há incríveis, digamos, maquinações protagonizadas também por Costa, Duque e pelo próprio Gabrielli. Não obstante, o relatório produzido sob, se me permitem, as graças de Graça Foster, não fala a palavra “irregularidade” em nenhuma de suas 113 páginas. Fica parecendo que esse time de patriotas atuou de forma escandalosamente lesiva aos cofres da Petrobras apenas por distração. Nota: Costa já admitiu que recebeu propina também nessa operação.

A petistite corrói os cofres públicos, compromete o futuro do país e, se não for combatida, tira da sociedade a sua capacidade de reagir. O organismo não morre porque, como provam o Haiti e o Sudão, países não morrem; de algum modo, sobrevivem. Mas podem se inviabilizar para sempre. Ou o Brasil acaba com a petistite, ou a petistite acaba com o Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

16/01/2015

às 6:05

O MOMENTO DE PORNOGRAFIA EXPLÍCITA DO CAPITALISMO — OU DO SOCIALISMO — À MODA PETISTA: Dilma quer que bancos públicos socorram empresa privada do setor naval com R$ 10 bilhões. O probleminha é que há alguns réus na Lava-Jato no meio do caminho…

Está em curso um troço realmente do balacobaco, que a Folha traz em sua manchete de hoje. Eu poderia dizer que é a cara do PT. E é. Mas também é a cara das piores práticas da ditadura militar. E o PT, como é sabido, mimetiza muitos procedimentos daquele período. O emblema talvez seja Delfim Netto, guru econômico da linha dura fardada e de Lula. Mas vamos ao ponto, que sintetizo em tópicos.

1: O governo petista decidiu estimular a indústria naval brasileira. Que bom!  A companheirada é assim mesmo: executa uma política econômica que liquida os setores competitivos para estimular aqueles em que o país não conseguirá ser eficiente.

2: Sob os auspícios de Lula e Dilma, criou-se a Sete, empresa para construir e alugar 28 sondas de perfuração, um projeto orçado em US$ 25 bilhões. São sócios do empreendimento a Petrobras, o Bradesco, o BTG Pactual, o Santander e os fundos de pensão das estatais.

3: Se a Petrobras recorresse a empresas estrangeiras para esse serviço, corrupção à parte, o país sairia ganhando porque gastaria menos. Mas sabem como é: é preciso lustrar o nacionalismo brucutu.

4: A Sete está em apuros, informa a Folha. A dívida, em setembro, era de R$ 800 milhões, e a empresa parou de pagar os estaleiros.

5: Aí Dilma teve uma ideia. É, isso é sempre um perigo. Não é fácil, leitores, sustentar esse nacionalismo chulé. Custa caro. A presidente chamou os presidentes do BNDES e do Banco do Brasil — Luciano Coutinho e Aldemir Bendine, respectivamente — para viabilizar um empréstimo de, atenção, R$ 10 bilhões à Sete.

6: Informa a Folha: “A reunião de Dilma com Coutinho e Bendine ocorreu no fim da tarde de quarta (14), no Planalto, para analisar principalmente como ‘resolver pendências’ referentes a empréstimo de US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 9,2 bilhões) para contratação de oito sondas.” Vale dizer: sem uma solução, não há sonda.

7: Mas não só: a presidente quer que o BB lidere um consórcio de bancos para emprestar outros R$ 800 milhões à empresa para resolver seus problemas imediatos de caixa.

8: Viram como essa política de desenvolvimento da indústria naval é boa para os brasileiros que são escolhidos para… desenvolver a indústria naval? Esse é o capitalismo à moda da casa: socialização do prejuízo.

9: Ocorre que há algumas dificuldades:
a: o primeiro diretor de operações da Sete foi Pedro Barusco, aquele ex-gerente de serviços da Petrobras, que fez acordo de delação premiada e aceitou devolver a fantástica soma de US$ 97 milhões;
b: a maioria dos estaleiros contratados pela Sete pertence a empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato;
c: tanto o BNDES como o Banco do Brasil querem que a Petrobras e os estaleiros enviem uma carta afirmando que não houve atos ilícitos nos processos de licitação. Considerando as personagens envolvidas…

10: Vejam, então, que coisa fabulosa: o governo decide incentivar a indústria naval, e a empresa criada, tendo a Petrobras como sócia, vai quebrar se não receber a injeção de alguns bilhões de bancos públicos, a juros módicos.

11: A operação de socorro tem esbarrado em algumas dificuldades porque parte das personagens envolvidas na história está sendo investigada pela Polícia Federal.

Assim se fazem as coisas na República petista: incentiva-se a indústria naval nativa batendo a carteira dos brasileiros, e os escolhidos para a empreitada têm a garantia, claro!, de que não vão quebrar. A única atrapalhação é haver nesse meio alguns réus do maior escândalo de que se teve notícia no país até agora.

Não obstante, Joaquim Levy está de olho naqueles que, tudo indica, são os verdadeiros inimigos do Brasil: os trabalhadores que hoje são pessoas jurídicas. O ministro quer a carteira deles.

É o capitalismo à moda petista — ou socialismo, tanto faz — na sua fase de pornografia explícita.

Texto publicado originalmente às 3h37
Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 4:27

Em vez de pedir demissão, Graça força um chororô decoroso e deixa claro que balanço da Petrobras não terá credibilidade nem em 700 dias. É espantoso!

Graça Foster, a presidente da Petrobras, concedeu nesta terça-feira uma entrevista patética a um grupo de jornalistas. Ele admite que a empresa não tem condições de estimar o rombo provocado pela roubalheira. Tentando afetar uma humildade decorosa, afirmou que ela própria e todos os diretores podem e devem ser investigados. Também acho. Mas, para tanto, ela tem de sair de lá. Ela e todos os parceiros de diretoria. Disse, no entanto, que seguirá no cargo enquanto contar com o apoio da presidente Dilma Rousseff. Ok. É a outra Luluzinha quem decide. Mas a confiança da amiga vale muito pouco diante da desconfiança do mercado. Enquanto isso, a Petrobras derrete.

Disse Graça: “Não há a menor segurança de que em 45 dias, 90 dias, 180 dias, 365 dias, 700 dias, de que virão todas essas informações [sobre os desvios] em sua plenitude, porque pode vir uma informação agora e, depois, três ou quatro anos… Não sei como vai ser isso”. Diga aí,  leitor, que empresa de auditoria aceitaria assinar um troço desses?

Graça concedeu a entrevista no dia em que a Controladoria Geral da União admitiu que, só na operação de compra da refinaria de Pasadena, a empresa teve um prejuízo de US$ 659 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão), menor do que os US$ 792 milhões (R$ 2,1 bilhões) apontado antes pelo TCU. Como esquecer que, há não muito tempo, a mesma Graça que fez ontem seu exercício de humildade, foi ao Congresso para defender a compra, dizendo que ela era justificada à época?

Não só isso. Também foi ela quem assegurou no fim de março que não havia sinais de pagamento de propina na relação da Petrobras com a empresa holandesa SBM Offshore, conforme havia noticiado a VEJA em fevereiro. No mês passado, ela confirmou que havia, sim, irregularidades, das quais ela saberia desde meados do ano. É mesmo? E ela contou isso pra quem?

Ah, sim: a CGU determinou que a Petrobras instaure processos para cobrar o prejuízo de 22 pessoas, apontadas como responsáveis pela compra da refinaria de Pasadena, incluindo o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli, os ex-diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada.

A sangria da Petrobras parece não ter fim e tende a piorar, com os processos que começam a pipocar no exterior. Mais: se a estatal não apresentar o seu balanço devidamente auditado até o primeiro semestre do ano que vem — e quem se atreve a fazer essa auditoria?, insisto na pergunta —, aquela que já foi a maior empresa brasileira passa a figurar na “lista de inadimplentes” da Comissão de Valores Mobiliários. Essa lista reúne as empresas que não cumprem suas obrigações com a comissão e funciona como uma advertência para afastar investidores.

A Petrobras, hoje, está condenada. E Dilma parece não ter se dado conta do tamanho do problema. É espantoso!

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:39

Graça Foster: “Eu e diretores precisamos ser investigados”

Na VEJA.com:
Em meio a denúncias de corrupção na Petrobras, a presidente da estatal, Graça Foster, reconheceu que ela e diretores da companhia precisam ser investigados. “Eu preciso ser investigada, nós precisamos ser investigados, isso leva tempo”, afirmou a jornalistas. Pressionada para deixar o cargo, a executiva admitiu que “existem pessoas dentro da companhia preparadas para substituí-la. “Há dentro e fora da companhia pessoas que podem assumir a cadeira da presidente, mas acreditamos em nós, na nossa moral”, disse, considerando também outros diretores.  A operação Lava Jato da Polícia Federal, que já resultou na aceitação de várias denúncias pela Justiça Federal nesta semana, investiga um esquema de desvios em obras da estatal, envolvendo empreiteiras e pagamentos ilegais a políticos, que levou auditores independentes a se negarem a assinar o balanço do terceiro trimestre.

“Hoje estou aqui presidente da Petrobras enquanto eu contar com a confiança da Presidência, e ela (Dilma Rousseff) entender que eu deva ficar”, disse Graça Foster. “Minha motivação é não travar a assinatura do balanço da Petrobras por conta da investigação”, acrescentou.  Na última sexta-feira, a Petrobras adiou novamente a divulgação das demonstrações contábeis não auditadas do terceiro trimestre de 2014 para até 31 de janeiro, devido a desdobramentos da operação Lava Jato. O novo adiamento foi possível porque os credores aceitaram mudanças nos termos contratuais dos bônus (covenants) que tratam dos prazos para a apresentação dos resultados, eliminando o risco de a empresa ter que pagar antecipadamente parte da dívida crescente.

Ainda segundo Graça, a atual diretoria precisa ter uma sinalização positiva de que está em condições de permanecer, do ponto de suas práticas de governança, e para isso necessita ser investigada, o que poderá atrasar ainda mais a divulgação do balanço. Segundo reportagens publicadas pela imprensa nos últimos dias, a presidente da Petrobras teria sido avisada sobre irregularidades na estatal. Entre as denúncias publicadas por jornais estão o pagamento de 58 milhões de reais para serviços que não foram prestados na área de comunicação, em 2008; superfaturamento de 4 bilhões de dólares para mais de 18 bilhões de dólares nos custos da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; e contratações de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 4:52

FHC não quebrou o Brasil, mas o PT quebrou a Petrobras. Ou: Perda de valor de mercado corresponde a mais de 25 anos de Bolsa Família. Dilma, no entanto, brinca com Graça de Clube das Luluzinhas Enfezadas

Graça Foster escarnece dos fatos, e Dilma Rousseff escarnece da razão. Em seis anos, o valor de mercado da Petrobras foi reduzido a quase um sexto: de R$ 737 bilhões em 2008 para R$ 135 bilhões agora e dívida de R$ 330 bilhões. Ou seja: quebrou! O patrimônio público está evaporando. É a incompetência alimentando a roubalheira, e a roubalheira alimentando a incompetência. Quando nos lembramos de que o PT fez terrorismo com a suposta intenção dos tucanos de privatizar a estatal em 2002, 2006 e 2010, nos damos conta da obra desses vigaristas. Se Dilma insistir em não fazer nada, daqui a pouco ninguém aceita a Petrobras nem de graça. A gente não precisa fazer muitos malabarismos: houvesse um regime parlamentarista, o gabinete já teria sido dissolvido, e Dilma não se elegeria mais nem vereadora.

Não dá! As evidências de que Venina Velosa da Fonseca advertiu Graça para os procedimentos heterodoxos vigentes na Petrobras são inquestionáveis. E ela o fez em 2009, 2011 e 2014. Observem que não entro no mérito das motivações da denunciante. Se há algo contra ela, que se investigue. Que Graça dispunha de elementos para agir, que lhe foram fornecidos por uma alta executiva, isso é inquestionável. E ela não fez nada. Como não fez em fevereiro deste ano, quando VEJA trouxe à luz o escândalo envolvendo a empresa holandesa SBM Offshore. Ou melhor, fez: negou que houvesse irregularidades.

As ações da Petrobras despencaram outra vez. Há uma conjunção de fatores externos negativos, sim, mas isso não justifica a pindaíba em que se encontra. A estatal brasileira é hoje sinônimo mundial do que não se deve fazer, de má governança. É preciso ser um rematado idiota ou dotado de incrível má-fé para ignorar o que se passou por lá. E a sangria está longe do fim, uma vez que a empresa é agora investigada nos EUA, na Holanda e na Suíça. Se o descalabro continua, sem uma resposta efetiva do governo, a Petrobras, prestes a perder a classificação de “grau de investimento”, pode até ser proibida de operar na Bolsa de Nova York. Aí, meus caros, é o fim da linha.

Mas não há horror que faça o comando da empresa descer de seu pedestal de arrogância. Nesta terça, em comunicado à dócil Comissão de Valores Mobiliários, a direção da estatal veio com a história de que Graça fora advertida por Venina para eventuais desvios de conduta apenas em novembro, como se isso fizesse alguma diferença a esta altura do jogo.

Dilma está vivendo um processo de alienação da realidade. Decidiu proteger sua “amiga” Graça Foster. Deve achar que há espaço para brincar de Clube das Luluzinhas Enfezadas. Não há. A Petrobras beija a lona, e a presidente da estatal brinca de desqualificar uma funcionária. Dilma não se deu conta de que o desastre decorrente da herança maldita do lulo-petismo na estatal está só no começo. O pior ainda está por vir.

E está mesmo. Com o preço do barril de petróleo no atual patamar, a exploração do pré-sal já é antieconômica. Pior: as regras de partilha definidas pelo petismo, com o seu nacionalismo de fancaria, impõem à Petrobras um desembolso de recursos de que ela não dispõe. Dilma estuda agora mudar as regras, que eram consideradas cláusulas pétreas da visão petista de mundo. Mas como? A turma ainda não sabe.

E já que o patético não tem limites, os petralhas deram início a uma corrente na Internet estimulando a companheirada a comprar ações da Petrobras. Ocorre que não se deve confundir mau-caratismo com burrice. Parece que a campanha não vai emplacar.

É fácil Dilma fazer a Petrobras voltar a valer R$ 700 bilhões no mercado. Basta anunciar que, depois de saneada, a empresa será privatizada. O mercado lerá nisso o sinal de que os ladrões e os petistas — e também os petistas ladrões — serão definitivamente chutados de lá. Os brasileiros não mais serão roubados — não na estatal ao menos —, e o Brasil efetivamente sairá ganhando.

FHC não quebrou o Brasil nem uma, nem duas, nem três vezes, à diferença do que disse Dilma na campanha eleitoral. Mas o PT quebrou a Petrobras.

Para encerrar: em 2013, o Bolsa Família repassou aos miseráveis R$ 24,5 bilhões. De fato, é uma merreca. Só o que a Petrobras perdeu em valor de mercado em seis anos corresponde a mais de 24 anos de Bolsa Família. Se a gente acrescentar o valor roubado com superfaturamento, chega-se perto da eternidade. Abreu e Lima, por exemplo, estava orçada em US$ 2,5 bilhões e, hoje, já está custando US$ 20 bilhões.

Os ladrões no Brasil perderam a modéstia e o senso de proporção.

Por Reinaldo Azevedo
 

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