Blogs e Colunistas

Nestor Cerveró

08/09/2014

às 5:21

Petrolão – Cerveró, o homem que morava num apartamento de R$ 7,5 milhões com dono desconhecido…

As acusações de Paulo Roberto Costa não são a única história escabrosa que a edição desta semana da revista VEJA revela. Há outras coisas do balacobaco. Lembram-se de Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras e apontado pela própria presidente Dilma como o principal responsável por cláusulas da compra desastrosa da refinaria de Pesadena? Pois é…

Até o mês passado, Cerveró e sua mulher moravam num apartamento de cobertura em Ipanema avaliado em R$ 7,5 milhões. Estaria lá pagando… aluguel. Huuuummm… A história desse imóvel consegue ser mais enrolada do que a da refinaria.

Em 2008, no auge do imbróglio nos EUA, surgiu em Montevidéu, no Uruguai, uma empresa chamada Jolmey Sociedad Anónima, que pertenceria a um fundo de investimentos cujo representante é um certo Oscar Rachetti. Essa suposta empresa procurou um administrador brasileiro para fazer negócios aqui. Encontrou quem? O advogado Marcelo Oliveira Mello, conhecido de longa data de Cerveró porque já havia trabalhado numa subsidiária da Petrobras. Mais tarde, Mello se tornou sócio de um escritório de advocacia que virou parceiro de um outro que atuou no caso de… Pasadena! Não percam o fio.

Em 2009, a Jolmey comprou o tal apartamento em que estava morando Cerveró. Até hoje, acreditem, é o único investimento da dita empresa no Brasil.

Há cinco meses, com o caso de Pasadena pegando fogo, Mello transferiu a sede da empresa para Saquarema, no Rio. A única coisa que há lá é uma casa abandonada. O advogado entregou a sua cota a um homem chamado Selson Ferreira. VEJA o encontrou. Nervoso, ele não quis falar com a revista. Em junho, antes de o TCU determinar o bloqueio de seus bens, Cerveró transferiu três apartamentos para o nome dos filhos, mesmo movimento, diga-se, executado por Graça Foster, presidente da Petrobras. Reparem como essas pessoas nunca têm uma narrativa convencional, linear, que justifique seu padrão de vida.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 15:57

Graça Foster e Cerveró doaram imóveis em meio a imbróglio de Pasadena

No Globo:
A presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ex-diretor da Área Internacional da estatal Nestor Cerveró doaram imóveis a parentes após estourar o escândalo sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, como mostram registros em cartório obtidos pelo GLOBO no início da tarde desta quarta-feira. A movimentação envolve apartamentos em áreas valorizadas do Rio.

Os bens mudaram de mãos antes de o Tribunal de Contas da União (TCU) determinar o bloqueio do patrimônio de dez gestores da Petrobras apontados como responsáveis por um prejuízo de US$ 792,3 milhões na compra da refinaria. O bloqueio foi determinado no dia 23 de julho justamente para garantir que os bens não sejam movimentados pelos gestores e possam garantir o ressarcimento aos cofres da estatal.

Na sessão em plenário desta quarta, os ministros do TCU vão decidir se Graça também terá o patrimônio bloqueado, uma vez que ela acabou excluída da primeira decisão por conta de um erro. O Palácio do Planalto opera para que a presidente não seja atingida pela medida. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, que fez a defesa de Graça em plenário, já declarou que o bloqueio inviabilizaria a permanência de Graça no cargo.

Os documentos oficiais obtidos pela reportagem revelam que, em 20 de março deste ano, Graça doou “com reserva de usufruto” um apartamento em Rio Comprido a Flavia Silva Jacua de Araújo, tendo Colin Silva Foster como interveniente. No mesmo dia, a presidente da Petrobras fez uma doação semelhante a Flavia e a Colin de um imóvel na Ilha do Governador.

No dia 19 de março, um dia antes das transações feitas por Graça, veio a público um posicionamento da presidente Dilma Rousseff de que apoiou a compra da refinaria de Pasadena por conta de um “parecer falho” elaborado por Nestor Cerveró. Era o início de uma crise que resultou na instalação de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) no Congresso Nacional. Dilma, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras em 2006, votou a favor da aquisição da primeira metade da refinaria. No processo em curso no TCU, os ministros a eximiram de responsabilidade no negócio. Graça ainda fez uma “doação com reserva de usufruto” a Colin em 9 de abril deste ano. Trata-se de um imóvel na Praia de Manguinhos, com direito a uma vaga de garagem.

Cerveró, por sua vez, doou três apartamentos a parentes em 10 de junho, 45 dias antes de o TCU determinar o bloqueio de seus bens e de mais nove gestores da Petrobras. Cerveró doou um apartamento na Rua Prudente de Moraes a Raquel Cerveró; outro apartamento no mesmo prédio a Bernardo Cerveró; e um apartamento na Rua Visconde de Pirajá, também a Bernardo Cerveró.

Por Reinaldo Azevedo

16/04/2014

às 16:17

Depoimento de Cerveró também viola a lógica e é bom para o governo Dilma

Pois é… Havia certa expectativa de que o depoimento de Nestor Cerveró, diretor da Área Internacional da Petrobras quando a refinaria de Pasadena foi comprada, pudesse deixar o governo numa situação um pouquinho mais difícil. Nunca foi a minha. Para que assim acontecesse, seria preciso que ele confessasse ter cometido algum deslize, mas em parceria com o Planalto, o que, obviamente, não faria porque iria se complicar do mesmo jeito. Ainda que em lugares distintos da peleja e transformado, em certa medida, em vilão pela presidente Dilma Rousseff e por Graça Foster, atual chefona da Petrobras, Cerveró fez o óbvio e lógico para os três: assegurou a absoluta lisura da operação e, insistindo na tecla de José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, acha que, apesar do prejuízo contábil, fez-se, no fim das contas um bom negócio.

É hora de deixar a ingenuidade do lado de fora da sala, não? É claro que esses depoimentos estão sendo meticulosamente planejados por advogados — e não há nada de errado nisso. Veja-se no detalhe o depoimento de Graça Foster aos senadores na terça-feira: omissão culposa de Cerveró, que não incluiu as cláusulas Put Option e Marlim no resumo executivo, ela vê, sim — endossando discurso de Dilma, mas descarta a ação dolosa. Tudo se resumiu a um equívoco, que conduziu a um mau negócio.

Cerveró não aceita nem isso. Diz ter omitido as cláusulas porque elas não eram importantes. Você tem algum amigo que atua próximo dessa área? Pois é… A cláusula “put option” é mesmo comum. A “Marlim” — que garantia à Astra Oil rentabilidade de 6,9% ao ano independentemente das condições de mercado, não!

Em seu depoimento, Cerveró divide a responsabilidade com a direção executiva da empresa — não fez nada sozinho — e também tenta se esconder atrás do Conselho, a exemplo do que fez Dilma Rousseff. Pois é… Ocorre que esse mesmo conselho vetou a compra dos outros 50% da empresa, certo?, o que gerou a disputa judicial. E a Petrobras só teve de levar a refinaria, ao fim de tudo, por um valor superior a U$ 1,3 bilhão por causa de uma das cláusulas que o conselho desconhecia e que Cerveró julga sem importância. Essa coisa “sem importância” custou à Petrobras um desembolso superior a US$ 800 milhões, correspondentes à compra da segunda metade da refinaria. Infelizmente, a história não fecha.

A exemplo de Graça, Cerveró diz não ser verdade que a Astra Oil tenha comprado todos os ativos da refinaria de Pasadena por US$ 42,5 milhões. Teriam custado, na verdade, US$ 360 milhões ao grupo belga. Tá certo. US$ 360 milhões foi o que a Petrobras pagou por apenas 50% da refinaria. Não por acaso, os belgas comemoraram o resultado excepcional e inesperado da negociação. Talvez a tal situação do “mercado’, à época, explique, então, uma valorização de 100% em menos de um ano, já que não há mercado que explique o abacaxi de US$ 1,3 bilhão.

O depoimento de Cerveró não poderia ser melhor para o governo. Ele só discorda de Dilma e Graça numa coisa: essa é uma história sem culpados. Só há inocentes nesse fabuloso prejuízo. A culpa é do mercado.

Por Reinaldo Azevedo

16/04/2014

às 15:25

“Cláusulas omitidas não eram importantes”, diz Cerveró

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges, na VEJA.com. Volto no próximo post.
Isolado no governo e defenestrado da Petrobras após ser responsabilizado pelo “parecer falho” que levou a estatal a comprar a refinaria de Pasadena, o ex-diretor da Área Internacional da empresa, Nestor Cerveró, disse que as cláusulas Marlim e Put Option não eram importantes para a diretoria e o conselho de administração. Cerveró, que depõe nesta quarta-feira na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados, redigiu o resumo técnico que embasou a compra da refinaria de Pasadena e omitiu as duas cláusulas do documento.

Aos deputados, ele disse que, ao omitir as cláusulas, “não enganou” a presidente Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras, ou qualquer conselheiro, e tentou dividir as responsabilidades afirmando que quaisquer decisões são tomadas de forma coletiva. Para Cerveró, as cláusulas omitidas no documento não eram relevantes e, por isso, não precisavam ser mencionadas. A cláusula Marlim previa à belga Astra Oil, parceira inicial da Petrobras, um lucro de 6,9% ao ano, independentemente das condições de mercado, enquanto a cláusula de Put Option obrigava a empresa brasileira a comprar a outra metade da refinaria caso houvesse desentendimento com a parceira da Bélgica.

“Essas cláusulas, na avaliação que fizemos, não têm representatividade no negócio. A apresentação que foi feita busca destacar os principais aspectos do negócio que estava sendo submetido. Não era importante do ponto de vista negocial e da valorização do negócio”, disse. “De forma nenhuma [enganei Dilma]. Apresentei um trabalho desenvolvido ao longo de mais de um ano para essa refinaria. Não houve nenhuma intenção de enganar ninguém. Não há nenhum sentido de enganar a ninguém. A posição [sobre a compra] não é só minha, é da diretoria, e o conselho aprovou esse projeto. Não existem decisões individuais nem na diretoria nem no conselho. Foi tudo baseado em uma série de consultorias e trabalhos técnicos ao longo de mais de um ano”, completou.

Em março, ao justificar por que votou pela compra da refinaria, a presidente da República afirmou que se baseou em um parecer “técnico e juridicamente falho” da Diretoria Internacional da Petrobras, que era comandada por Cerveró na época da compra de Pasadena. Dilma se referia às cláusulas Put Option e Marlim.

Para Cerveró, a cláusula Put Option é “mais do que comum” em grandes transações e sociedades, como a compra de refinaria de Pasadena. “Em qualquer sociedade, principalmente naquelas em que a proporção é de 50-50 [50% para cada empresa, como o caso da Petrobras e da Astra Oil]. Elas são usadas para estabelecer defesa para evitar que sócio imponha condições prejudiciais aos outros. Nossos contratos de aquisição e de desenvolvimento sempre têm a cláusula de saída [Put Option]. Não tem nenhuma relevância nessa cláusula de saída”, explicou. “Não é um aspecto importante porque ninguém faz uma sociedade para depois sair dessa sociedade. Elas são normais e para proteção dos sócios. Não têm essa relevância toda”.

De acordo com Cerveró, a Petrobras pagou, ao todo, 1,23 bilhão de dólares por Pasadena. Assim como fez a presidente da estatal Graça Foster, em depoimento no Senado nesta terça-feira, o ex-diretor tentou relativizar os prejuízos da petroleira no investimento da refinaria e afirmou que o valor real pago pela belga Astra Oil à americana Crown, antiga dona da unidade de Pasadena não foi 42,5 milhões de dólares, cifra que amplificaria o disparate do prejuízo da empresa brasileira. “O total da aquisição é de 360 milhões de dólares, muito distante dos 42 milhões de dólares colocados e divulgados no mercado”, disse.

Cenário internacional
Ele iniciou sua fala aos deputados tentando justificar a compra de Pasadena. De acordo com o ex-diretor, a aquisição atendia uma necessidade de expansão da Petrobras no mercado internacional. Segundo Cerveró, o valor pago pela refinaria ficou abaixo da média de mercado mesmo após a companhia brasileira desembolsar 1,23 bilhão de dólares na transação. Para ele, mesmo com prejuízo contábil, a aquisição da unidade de Pasadena era um bom negócio em 2006, antes da “mudança drástica” provocada pela crise econômica mundial de 2008.

Emocionado, ele defendeu a Petrobras. “Esse projeto causou prejuízo contábil. Não obteve rendimento esperado e tem que ser feito um lançamento contábil entre a diferença que foi gasta e o resultado obtido, mas o projeto em si não foi malfadado. Era um bom projeto na época. É muito fácil [falar agora]. Houve mudança de prioridades e eu não posso condenar”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

03/04/2014

às 15:45

Petrobras: advogado de Cerveró muda versão

Por Daniel Haidar, na VEJA.com. Volto no próximo post.
O advogado Edson Ribeiro, que defende o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, admitiu nesta quinta-feira não ter como provar que os integrantes do conselho de administração da empresa receberam a documentação completa sobre a compra da refinaria de Pasadena. Ele também não tem depoimentos ou documentos que sustentem, como havia dito na quarta-feira, que o material foi encaminhado com antecedência de quinze dias. Segundo VEJA apurou, a versão, na verdade, tem uma séria inconsistência. É praxe na Petrobras que as deliberações da diretoria e do conselho sejam de fato separadas pelo intervalo médio de uma quinzena. No caso de Pasadena, contudo, a diretoria fez seu voto pela compra da refinaria americana apenas um dia antes da reunião do conselho, que ocorreu em 3 de fevereiro de 2006. O negócio deu prejuízo de 1 bilhão de reais à Petrobras e é investigado pelo Ministério Público Federal, pelo Tribunal de Contas da União e pela Polícia Federal.

“Eu não tenho como atestar se o conselheiro A, B ou C recebeu algum documento sobre o caso específico. Se tiver necessidade, vou buscar provas”, disse Ribeiro ao site de VEJA.

Segundo Ribeiro, a afirmação feita nesta quarta-feira sobre a entrega “com quinze dias de antecedência” foi baseada em informações passadas por funcionários da Petrobras, e não pelo seu cliente – Cerveró. O advogado também admitiu que esse era o procedimento habitual, e não necessariamente o do caso de Pasadena. Cerveró, segundo seu representante, não confirmou a informação sobre o prazo.

“Quando falei quinze dias de antecedência no envio da documentação, foi porque esse era o procedimento comum. Não foi nem o Cerveró quem me disse isso. Foram outros funcionários”, afirmou Ribeiro, que alega não ter contato com Cerveró desde o último domingo.

Ribeiro não tem, hoje, como especificar quais foram os documentos disponibilizados ao conselho de administração. Já se sabe que estudos enviados à direção faziam ressalvas ao negócio, mas o advogado desconhece se essas análises foram enviadas aos conselheiros. De acordo com reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, a direção da Petrobras recebeu análise da consultoria BDO sobre a situação contábil e financeira de Pasadena em que foram apontados quarenta pontos questionáveis da avaliação contábil da empresa. A BDO ressaltava que não se conhecia o valor específico de cada equipamento da refinaria, e questionava o valor atribuído ao estoque de óleo. Um documento do Citigroup também fazia ressalvas ao negócio, pois o banco somente havia tido acesso a demonstrações financeiras enviadas por diretores da própria Petrobras. Ribeiro não sabe informar se a presidente Dilma Roussef teve acesso aos pareceres da BDO e do Citigroup. “Não tenho essa informação. Só quem sabe é o Cerveró”, afirmou.

O relato feito pelo advogado tem outra imprecisão: na quarta-feira, Ribeiro sustentou que os documentos encaminhados ao conselho haviam chegado às mãos do corpo técnico que assessorava os conselheiros. O site de VEJA apurou que apenas a presidência do conselho, na época ocupada por Dilma Rousseff, contava com um corpo de assessores técnicos. Nesta quinta, Ribeiro assumiu que não sabe informar quem seriam esses funcionários.

Desde que o jornal O Estado de S. Paulo divulgou que Dilma havia dado aval à compra de Pasadena, em 19 de março, a presidente sustenta que só aprovou a transação porque recebeu um “resumo falho” elaborado por Cerveró sobre o negócio. O resumo não relatava, por exemplo, a cláusula Marlim, de garantia de dividendo mínimo à sócia belga da Petrobras, Astra Oil, mesmo em caso de prejuízo da refinaria.

A defesa de Cerveró tentou desmentir Dilma na quarta-feira. Ao dar declarações no sentido de defender o ex-diretor, Ribeiro chegou a afirmar que seu cliente estaria disposto a passar por uma acareação com a presidente. Dilma, no entanto, voltou a negar que tenha recebido a documentação completa: “Como presidente do conselho de administração da Petrobras, a presidente Dilma Rousseff não recebeu previamente o contrato referente à compra da refinaria de Pasadena”, disse o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann. O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que integrava o conselho em 2006, também negou que tenha recebido o processo completo.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2014

às 10:35

Cerveró, o diretor acusado e demitido por Dilma, se oferece para falar sobre Pasadena ao Congresso

Por Eduardo Bresciani, no Estadão:
O ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró se ofereceu, por meio de cartas, a prestar esclarecimentos no Congresso Nacional, na Polícia Federal e perante o Ministério Público sobre a compra da refinaria de Pasadena. Cerveró participou da negociação e foi apontado como autor do resumo executivo que balizou a aprovação da transação pelo Conselho de Administração da Petrobras em 2006. A estatal teve um prejuízo bilionário no negócio.

A compra, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, teve o voto favorável da presidente Dilma Rousseff, que comandava o Conselho. Ela disse que o resumo tinha “informações incompletas” e era “técnica e juridicamente falho”. Cerveró foi exonerado da diretoria financeira da BR Distribuidora no dia 21 de março, após a repercussão negativa do caso, que leva agora o Congresso a debater a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para realizar a investigação.

As cartas de Cerveró, ao que o Estado teve acesso, datam de 31 de março e são assinadas pelo ex-diretor e por seu advogado, Edson Ribeiro. Elas foram encaminhadas ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra. O protocolo foi feito nesta quarta-feira, dia 1º de abril.

As duas correspondências endereçadas ao Congresso tem igual teor: “Venho informar a Vossa Excelência que estou à disposição da Câmara dos Deputados para prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários sobre minha participação, à época, como diretor internacional da aludida estatal, bem como sobre toda a tramitação do processo aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras e, ainda, demais fatos que atestam a lisura do meu procedimento”, diz o ex-diretor. O tom é o mesmo nas encaminhadas à PF e ao MP. A estes órgãos, requer a designação de datas para oitivas.

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Imbassahy (BA), disse que recebeu o advogado de Cerveró na tarde desta quarta-feira e ouviu dele a reiteração do desejo do cliente de prestar depoimento. Imbassahy observou que a Comissão de Fiscalização e Controle já fez um convite ao ex-diretor e incumbiu o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) de levar cópia da carta para a sessão da comissão para que seja marcado o depoimento. “Ele vem há algum tempo mandando sinais e agora tem a carta. Espero que a comissão marque já para a próxima semana”, disse o líder tucano.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

26/03/2014

às 11:29

Com a ajuda do PMDB, oposição consegue aprovar pedido para ouvir Cerveró, ex-diretor da Petrobras

Por Márcio Falcão, na Folha Online:
Com apoio de parte da base governista, a oposição conseguiu aprovar nesta quarta-feira (26) convite para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró prestar esclarecimentos na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados sobre a compra da refinaria de Pasadena (EUA), que envolve a presidente Dilma Rousseff. O convite foi aprovado por 8 votos a 6. PT, PP, Pros e PR votaram contra. A oposição conquistou apoio de parlamentares governista, especialmente do PMDB. Segundo oposicionistas, Cerveró sinalizou que está disposto a dar a sua versão sobre o polêmico negócio de US$ 1,18 bilhão, investigado pelo Tribunal de Contas da União, Polícia Federal e Ministério Público por suspeita de ter causado prejuízo aos cofres da Petrobras.

 Considerado personagem-chave no polêmico negócio, Cerveró foi afastado da diretoria de Finanças da BR Distribuidora, uma subsidiária da Petrobras, na semana passada, dias depois de a presidente Dilma Rousseff apontá-lo como responsável por um parecer “falho” que teria induzido o Conselho de Administração da Petrobras a aprovar o negócio, em 2006. Ele estava em férias na Europa quando foi demitido e deve voltar ao país no dia 5.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

25/03/2014

às 21:30

Exonerado por Dilma, Cerveró ganhou elogios de conselho presidido por… Dilma!

Por Andréia Sadi e Valdo Cruz, na Folha:
Pivô da crise da Petrobras, Nestor Cerveró ganhou um prêmio de consolação e recebeu elogios do Conselho de Administração da Petrobras, presidido pela então ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), no mesmo dia em que ela diz ter tomado conhecimento de cláusulas omitidas na aprovação da compra da refinaria de Pasadena, em 2006. Em março de 2008, os conselhos de administração da Petrobras e de sua subsidiária, BR Distribuidora, que têm a mesma composição, reuniram-se para promover uma troca de diretores. Primeiro, os conselheiros da petroleira decidiram exonerar Cerveró da diretoria internacional, nomeando para seu lugar Jorge Zelada.

O registro da reunião, de número 1.301, diz que o conselho “resolveu consignar em ata os agradecimentos do colegiado ao diretor [Cerveró] que ora deixa o cargo pelos relevantes serviços prestados à companhia, ressaltando sua competência técnica e o elevado grau de profissionalismo e dedicação demonstrados no exercício do cargo”. Naquele mesmo dia, segundo nota divulgada na semana passada pelo Palácio do Planalto, o conselho da Petrobras “tomou conhecimento da existência das referidas cláusulas [put option e Marlim] e, portanto, que a autorização para a compra dos primeiros 50% [da refinaria] havia sido feitacom base em informações incompletas.

Dilma revelou que, se soubesse da existência das cláusulas no contrato de compra pela estatal da refinaria de Pasadena, “seguramente” não as teria provado e rediscutiria a operação. A cláusula put option determina que um sócio compre a parte do outro em caso de divergências. A Marlim definia uma rentabilidade mínima garantida para a Astra Oil, parceira da Petrobras no negócio. Ex-diretor da área internacional da Petrobras, Cerveró é apontado como o responsável pelo resumo “técnica e juridicamente falho”, que não trazia a informação das duas cláusulas, apresentado na reunião do conselho de administração, em 2006, que aprovou a compra da refinaria.

Cerveró acabou nomeado, no mesmo dia 03 de março de 2008, pelo conselho de administração da BR Distribuidora para ocupar o cargo de diretor financeiro, do qual foi demitido apenas na última sexta-feira, oito anos depois da aprovação da polêmica operação. Indagado pela Folha sobre o motivo de Cerveró não ter sido demitido à época quando Dilma soube das cláusulas e, sim, realocado para a subsidiária, o Palácio do Planalto disse que “ele perdeu a diretoria da holding Petrobras e foi transferido para uma subsidiária” naquela data.

Além disso, o Planalto disse em resposta à reportagem que, “em reunião posterior, em 20/06/2008, a diretoria executiva esclareceu ao conselho de administração que cláusulas contratuais referentes à compra da refinaria de Pasadena não constaram do resumo executivo que orientou a decisão de aquisição em 2006. As cláusulas, portanto, não haviam sido aprovadas pelo Conselho”. A saída de Cerveró da Petrobras em 2008, porém, estava mais relacionada a negociações políticas, segundo a Folha apurou. Para atender a pressões do PMDB da Câmara dos Deputados, o governo decidiu nomear para a diretoria internacional Jorge Zelada.

Daí a decisão de realocar Cerveró na BR Distribuidora. Um assessor que acompanhou as negociações na época destaca que o ex-diretor ganhou elogios exatamente porque estava saindo, naquele momento, mais por questões políticas do que técnicas. E que ele ganhou um posto importante dentro do grupo Petrobras como compensação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

25/03/2014

às 15:27

Senado chama Lobão e Foster para explicar compra de refinaria pela Petrobras

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Duas comissões do Senado aprovaram nesta terça-feira convites para realizar audiências com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e com a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster. Eles serão ouvidos em sessão conjunta das comissões de Fiscalização e Controle e a de Assuntos Econômicos. Como os requerimentos são “convites” – e não convocações –, as datas serão negociadas.

Nos requerimentos, os senadores pedem explicações sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, que causou prejuízo bilionário para a Petrobras. O negócio é investigado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por suspeita de superfaturamento e evasão de divisas.

Na semana passada, Lobão e Foster já haviam sido chamados por comissões da Câmara dos Deputados para falar sobre o assunto. Agora, com o agravamento da crise, a base governista negocia audiências no Congresso para evitar o desgaste da aprovação de convocações, cujo comparecimento é obrigatório. O governo também articula para que tanto Foster quanto Lobão sejam ouvidos preferencialmente no Senado, onde o ambiente é considerado mais amistoso pelo tamanho reduzido das bancadas de oposição e pela distância da ala rebelde do PMDB da Câmara.

Também nesta manhã, a base aliada conseguiu adiar a aprovação de requerimento para ouvir o ex-diretor financeiro da BR Distribuidora Nestor Cerveró, apontado como o responsável pela produção do relatório que levou o Conselho de Administração da Petrobras a aprovar, em 2006, a compra da refinaria no Texas. Um acordo costurado pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), postergou pelo menos até a semana que vem a votação de convites para que Cerveró e o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli sejam chamados no Congresso.

Apesar do sucesso da operação no Senado, a blindagem a Cerveró e Gabrielli não está assegurada na Câmara. Partidos de oposição trabalham para votar nove convites em comissões da Câmara.

Por Reinaldo Azevedo

21/03/2014

às 20:33

“Minha única alternativa é o silêncio”, diz o agora demitido Cerveró

No Estadão Online:
“Do jeito que as coisas foram postas, minha única alternativa é o silêncio”. O desabafo foi feito nesta sexta-feira, 21, ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, pelo ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, apontado pela presidente da República, Dilma Rousseff, como responsável pelo relatório que subsidiou a compra da refinaria de Pasadena (EUA).
(…)
Ao lado de Cerveró, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, preso na quinta-feira no Rio pela Polícia Federal (PF), participou da elaboração do negócio que garantia vantagens à empresa belga Astra Oil em detrimento da Petrobrás na operação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). A acusação foi feita quinta por Sílvio Sinedino, que já foi conselheiro, deixou o cargo em 2013, e reassume agora para novo mandato de um ano. Em entrevista à Globo News, Carveró confirmou que está em férias no exterior, sem precisar o local, e disse que ainda tem duas semanas antes de retornar ao Brasil. Ele afirmou que as férias já estavam agendadas desde antes da divulgação da notícia do envolvimento da presidente Dilma Rousseff com a aprovação da compra da refinaria.

Funcionário da Petrobrás desde 1975 e com formação em engenharia química, Cerveró assumiu o posto de diretor internacional da companhia no início de 2003, primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi indicado pelo senador Delcídio Amaral (PT), dentro da cota petista de cargos na estatal. Também recebeu a bênção de José Dirceu, que naquele ano chefiava a Casa Civil. Em 2008, em meio a uma disputa política entre PT e PMDB na Petrobrás, Delcídio perdeu a queda de braço e Cerveró teve de deixar o cargo, que foi depois ocupado por Jorge Zelada. O seu substituto seria indicado do PMDB. O ex-diretor foi então deslocado para a diretoria financeira da BR Distribuidora.

Delcídio negou na quarta ser o responsável pela indicação de Cerveró. “Em 2003 fui consultado pelo governo sobre o nome de Cerveró para a diretoria e não vi nenhum óbice, era um funcionário de carreira da empresa”, afirmou o petista, que também é ex-diretor da Petrobras. “No que se refere à tramitação de projetos, acho pouco provável que algum processo chegue ao conselho sem estar devidamente instruído para liberação dos diretores e conselheiros”, afirmou o senador.

Por Reinaldo Azevedo

21/03/2014

às 20:04

Dilma manda demitir Cerveró. É pouco! Isso é tática do bode expiatório

Tentaram queimar um fusível para ver se conseguem interromper os desastres causados pelo curto-circuito. Nestor Cerveró, que era diretor da Área Internacional da Petrobras em 2006 e agora respondia pela Direção Financeira da BR Distribuidora, foi exonerado. É mesmo, é? Estamos diante de um caso clássico, emblemático, de bode expiatório. Por que só agora?

Ao mandar botar Cerveró na rua, Dilma reforça a versão de que os conselheiros foram enganados por um memorial executivo manco, que não trazia as informações completas sobre a natureza do contrato da Petrobras com a Astra. Ok.

Mas isso só reforça o óbvio: a decisão de Dilma tem pelo menos sete anos de atraso, não é mesmo? Em 2007, ano seguinte à compra, quando a Astra entrou na Justiça americana, a então presidente do Conselho ficou sabendo da natureza do contrato. Quando assumiu a Presidência, em 2011, a empresa brasileira ainda lutava para não ter de pagar quase US$ 1 bilhão pela outra metade da refinaria. Em 2012, a causa chegou ao fim. A Petrobras perdeu. E lá se foram US$ 820,5 milhões pelo ralo.

Quase dois anos depois, até este dia 21 de março, lá estava Cerveró — cujo resumo executivo manco, então, Dilma conhece, no mínimo, desde 2007 — como diretor financeiro da BR Distribuidora, divisão da Petrobras comandada pelo PT. 

Vai ficar só nisso? Dilma manda demitir Cerveró porque admite, então, que ele fez um resumo executivo que foi lesivo à Petrobras, mas não ordena que Graça Foster, presidente da Petrobras, mobilize a área jurídica da empresa contra José Sérgio Gabrielli, então presidente da estatal (ou melhor: empresa de economia mista; há acionistas que foram lesados)? Gabrielli deixou claro que sabia de tudo e ainda sustenta que se tratou de operação corriqueira.

Das duas uma: a) ou bem se trata mesmo de uma burla, como parece que é, e isso justifica a demissão de Cerveró — o que implica que se busque punir também Gabrielli; b) ou bem não foi uma burla, e a demissão é, então, injusta. Qual é a alternativa correta, soberana?

Mais: ao mandar demitir Cerveró, Dilma admite que só esse “negocinho” na gestão Lula-Gabrielli provocou um prejuízo bilionário à Petrobras.

Por Reinaldo Azevedo

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados