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Ministério do Esporte

30/01/2012

às 6:35

Esporte pagou quase R$ 5 mi em 2011 por consultoria sobre estatal extinta

Por Fábio Fabrini e Iuri Dantas, no Estadão:
O Ministério do Esporte pagou R$ 4,65 milhões no ano passado, sem licitação, para a Fundação Instituto de Administração (FIA) prestar um serviço curioso de consultoria: ajudar no nascimento de uma estatal que foi extinta antes de funcionar. Criada em agosto de 2010 para tocar projetos da Olimpíada do Rio de Janeiro, a Empresa Brasileira de Legado Esportivo Brasil 2016 só durou um ano, no papel: há cinco meses foi incluída no Plano Nacional de Desestatização (PND), para ser liquidada.

 Conforme o Portal da Transparência, caberia à FIA desenvolver estudos para “apoiar a modelagem de gestão da fase inicial de atividades da estatal”. O Esporte fez os pagamentos do contrato em dez parcelas. A primeira e mais cara, de R$ 1,1 milhão, foi transferida à fundação em 4 de março do ano passado. Até 4 de agosto, quando o Conselho Nacional de Desestatização recomendou a inclusão da estatal no PND, foram mais quatro repasses, totalizando R$ 2,4 milhões.

Mesmo após a decisão e o anúncio de que a Brasil 2016 será extinta, a FIA recebeu mais R$ 1 milhão em cinco parcelas, as quatro últimas graças a dois aditivos ao contrato, firmado em 2010. Um deles prorrogou o contrato por quatro meses e o outro corrigiu o valor original em R$ 901 mil. Os desembolsos só cessaram em 27 de dezembro, quatro meses e 23 dias depois de iniciado o processo para dissolver a estatal. Segundo o Esporte, a prorrogação foi para cobrir serviços distintos, sem vinculação com os estudos para criar a empresa pública.

A decisão de extinguir a Brasil 2016 foi tomada após tratativas com o Ministério do Planejamento, com a justificativa de que já havia estrutura suficiente para cuidar da Olimpíada do Rio. Criada por decreto em agosto de 2010, a estatal nunca chegou a ter sede ou empregados, embora o conselho administrativo – formado por oito altos funcionários federais, entre eles a ministra Miriam Belchior (Planejamento) e o ex-ministro Orlando Silva (Esporte) – tenha se reunido algumas vezes.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

15/11/2011

às 6:37

Aldo muda cúpula do Esporte, mas alguns nomes citados em escândalos continuam na pasta, ainda que rebaixados

Por Eugênia Lopes, no Estadão:
Duas semanas depois de tomar posse no Esporte, o ministro Aldo Rebelo (PC do B) anunciou nesta segunda-feira, 14, os nomes da nova cúpula do Ministério. Apesar da faxina nos principais cargos da pasta, Aldo manteve parte dos antigos ocupantes ligados ao PCdoB no Ministério, até mesmo os suspeitos de envolvimento com irregularidades no Esporte. É o caso do ex-secretário Executivo, ex-número dois do ministério, Waldemar Manoel Silva de Souza, que será substituído pela economista do Banco Mundial Paula Pini. “Ele (Waldemar) vai continuar no Ministério, mas ainda não está definido em qual função”, disse Aldo, ao explicar que Waldemar ficará encarregado de passar as funções para a futura secretária Executiva da pasta. O nome de Waldemar surgiu no escândalo do esquema de convênios suspeitos de verbas do Esporte.

Além de Waldemar, o ministro vai manter Ana Prestes, no Esporte. Ela deixará a chefia da Assessoria de Relações Internacionais - será substituída pelo embaixador de carreira Carlos Henrique Cardim -, mas será rebaixada de posto. A neta de Luiz Carlos Prestes permanecerá na subchefia da assessoria.

Dos três substituídos por Aldo, apenas o ex-secretário nacional de Esporte, Educação. Lazer e Inclusão Social Wadson Ribeiro deixará a pasta. “Ele vai voltar para Minas Gerais onde tem função partidária”, afirmou Aldo. Wadson é suspeito de má gestão de contratos assinados com ONGs em programas sociais. Para o lugar do ex-secretário, Aldo escolheu um militar: o vice-almirante Afonso Barbosa, que deixará a iniciativa privada para ir para o Esporte.

Por Reinaldo Azevedo

06/11/2011

às 7:17

Aldo Rebelo: “Nada contra ONGs, mas vou buscar apoio na estrutura do Estado”

Por João Domingos, no Estadão:
Principal foco de irregularidades no Ministério do Esporte, o programa Segundo Tempo será mantido por Aldo Rebelo, o novo ministro, mas passará por radicais mudanças. Os convênios que vinham sendo fechados com ONGs para a execução do programa serão feitos agora com universidades, escolas técnicas e de educação física, Estados e municípios, disse o ministro ao Estado. Ele tomou posse na segunda-feira, em substituição a Orlando Silva, que saiu depois de uma série de denúncias de irregularidades. O novo ministro chamou a Controladoria-Geral da União (CGU) para examinar os principais programas da pasta e suspendeu o repasse de verbas a todos aqueles para os quais não havia ainda sido transferido dinheiro. Como Orlando, Aldo é do PC do B. Mas ele garantiu que o ministério não será transformado num aparelho do partido, porque o interesse maior é o do País e da sociedade. “Nunca tive dúvida sobre isso. Mesmo que numa atitude ou gesto você possa contrariar o partido.”

Aldo é uma figura peculiar. Comunista de carteirinha, costuma frequentar missas da Paróquia do Paraíso, em São Paulo. Para o gabinete, no sétimo andar do primeiro prédio da Esplanada dos Ministérios, ele levou estatuetas do líder comunista Mao Tsé-tung, de Frei Damião, do ex-senador Teotônio Vilella e de Dom Quixote, retratos dos familiares, um quadro a óleo de Simon Bolívar, comprado numa rua de Caracas, e cerâmicas com representações folclóricas brasileiras. Desde que o PT assumiu o governo, Aldo Rebelo transformou-se numa espécie de salvador da Pátria da administração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. Nas crises, foi chamado a assumir o cargo de líder do governo, ministro das Relações Institucionais quando o ex-ministro José Dirceu começou a perder poder, presidente da Câmara durante as suspeitas de envolvimento em irregularidades do então titular Severino Cavalcanti (PP-PE) e, agora, ministro do Esporte.

(…)
O Segundo Tempo vai mudar de rumo?
Em primeiro lugar, ele não muda de conteúdo. Continuará atendendo crianças mais pobres cujos pais não podem pagar clube nem um treinador particular. O Estado tem obrigação de assisti-las. Essa finalidade principal não muda. O que deve mudar é a execução do programa. Com todo respeito às ONGs, acho que o programa deve apoiar-se nas escolas, universidades, no Ministério da Educação, no CNPq, nas escolas de educação física. Há alguém mais preparado do que os professores de educação física? A faculdade de educação física vai existir permanentemente. O professor se aposenta e vem outro. A ONG tem um funcionamento mais precário. Pode cumprir uma função auxiliar, mas não pode ter a função principal.

O sr. já se debruçou em cima dos convênios do ministério?
Um por um, não. Tomei a decisão por atacado. Mas é preciso entender que o Ministério do Esporte tem poucos convênios se examinarmos do conjunto do governo. Dos convênios que foram pagos ou cujo pagamento está em andamento – são 28 ou 29 -, eu pedi ajuda ao ministro Jorge Hage (Controladoria-Geral da União), que enviou para cá um assessor e nós vamos fazer uma fiscalização convênio a convênio. Não vou suspender porque já tem dinheiro público. Ou já foi totalmente pagou ou parcialmente pago. Seria uma irresponsabilidade mandar suspender. Mas vai haver uma fiscalização in loco. E aqueles cujo pagamento não havia sido iniciado – em que havia apenas empenho, sem desembolso -, esses eu mandei suspender todos.

O sr. é um membro importante do PC do B. Esse turbilhão de denúncias atingiu a imagem do partido?
Claro. Nós temos o desafio de recuperar a imagem do partido. Escolhi o partido exatamente pelos compromissos com as mudanças, as transformações, a luta pela igualdade, o direito das pessoas mais simples. Acho que isso nós só vamos fazer na prática. Não adiantam discursos. Daqui a dois, três, quatro anos, com um dirigente, um quadro do partido à frente desse ministério, vamos mostrar que o PC do B é capaz de conduzir tarefas de elevada responsabilidade, com espírito público, compromisso com o povo e com o País. E também esforço de preservar nossos quadros. Tenho plena confiança na honestidade do ministro Orlando. É um rapaz de bem, de boa origem, como militante do movimento estudantil. Agora, na vida pública, somos muitas vezes tragados pelos acidentes e incidentes. Temos de enfrentar.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

05/11/2011

às 7:15

Suspeita no Esporte envolve cúpula do governo do DF

Por Filipe Coutinho e Renato Machado, na Folha:
O escândalo que derrubou o ex-ministro do Esporte Orlando Silva ( PC do B) envolve alguns dos principais assessores do governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. Três de seus seus secretários apresentam ligações com entidades ou pessoas investigadas por desvio de recursos de programas da pasta. Com a saída de Orlando do Ministério, a crise se concentra agora na capital federal. Agnelo (2003 a 2006) e Orlando (2006 a 2011) dividiram a titularidade do Esporte nos últimos anos, dentro da cota do PC do B. O hoje governador do DF, que depois ingressou no PT, é investigado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) sob a suspeita de que em sua gestão tenha se iniciado desvio de verbas de convênios do programa Segundo Tempo, um dos principais da pasta.
Após deixar o ministério, Agnelo se elegeu governador em 2010, já no PT. O seu atual secretário de Governo, Paulo Tadeu, é ligado à Cata-Ventos, que teve convênio de R$ 240 mil reprovado pelo próprio ministério. A entidade foi fundada pelo irmão do secretário, José Rosa Vale da Silva. Segundo a pasta, a Cata -Ventos apresentou várias inconsistências na comprovação da aplicação dos recursos. O ministério já pediu a devolução do dinheiro. A Folha apurou que pelo menos três pessoas que trabalhavam na organização agora têm cargos comissionados no governo, inclusive no gabinete do secretário.

Já o secretário de Saúde de Agnelo, Rafael Barbosa, deu parecer favorável a uma das ONGs do policial militar João Dias Ferreira, autor das acusações que derrubaram Orlando e que também é investigado como suposto participante do esquema. O secretário assinou, em 2006, o despacho considerando que o primeiro convênio com o policial não deveria ser renovado por conta de irregularidades. Mesmo assim, Barbosa assinou, seis meses depois, o segundo convênio com a entidade. Além da medida tomada pelo secretário, o governo de Agnelo apresenta outras ligações com o policial militar. O professor Ronaldo Carvalho Oliveira, vice-presidente de uma das ONGs de João Dias, ganhou um cargo comissionado na Companhia de Planejamento.

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

às 16:54

Gravações mostram Agnelo Queiroz prometendo ajuda a PM que acusou Orlando Silva

Vocês já devem ter lido, mas fica o registro. Por Jailton de Carvalho, no Globo:
Gravações da Polícia Civil mostram que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), prometeu ajudar o policial militar João Dias Ferreira, pivô da queda do ex-ministro Orlando Silva (PCdoB), a preparar a defesa no processo em que é acusado de desviar dinheiro do Ministério do Esporte. Os diálogos, divulgados nesta terça-feira pelo “DF TV”, da TV Globo, mostram intimidade entre o governador e João Dias. Numa das conversas, gravadas com autorização judicial, Agnelo chama o policial de “meu mestre!”.

Em outro trecho, Ana Paula, mulher de João Dias, pede a Agnelo que contrate advogados para defender o policial, que acabara de ser preso por conta das acusações de desvios de dinheiro do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Os diálogos foram gravados entre fevereiro e março de 2010. Ex-ministro do Esporte, Agnelo era na época diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Acossado pelas investigações, o policial recorreu a Agnelo, que, meses depois, seria eleito governador do Distrito Federal.

Numa das conversas, João Dias pede a Agnelo que oriente o professor Roldão Lima a ajudá-lo. Professor de uma escola em Sobradinho, Roldão poderia fornecer fichas de alunos para João Dias preencher o cadastro de crianças matriculadas no Segundo Tempo.

— Vou estar encontrando agora, daqui a uns cinco minutos, o professor Roldão, e aquele assunto que a gente tratou, não sei se o senhor se lembra, ano passado… – diz João Dias.
— Lembro – responde Agnelo.
O policial vai direto ao assunto:
— Eu queria o seguinte: colocar o senhor na linha com ele. Falar só um “bom dia” mesmo.
O governador aceita a sugestão:
— Vou dar um toque nele só para reforçar ele (sic) – diz.
Em outra conversa, já na companhia de Roldão, João Dias liga novamente para Agnelo.
— Meu mestre! – responde Agnelo, referindo-se a João Dias.

Para Agnelo, fita não é prova suficiente
Na investigação, a Polícia Civil documentou um encontro em que Roldão entrega uma pasta a João Dias. Semanas depois, João Dias e mais quatro pessoas, todas acusadas de desviar dinheiro do Segundo Tempo, foram presas na Operação Shaolin, da Polícia Civil. Após a prisão, Ana Paula pediu ajuda a Agnelo: “A Polícia Civil está fazendo mandado de busca e apreensão aqui em casa e tá levando o João Dias preso. Então ele pediu que eu fizesse um contato com o senhor para que o senhor, se possível, já viabilizasse os advogados para poder ajudar”, diz Ana Paula, em mensagem deixada no telefone do governador.

Em outra gravação, após uma troca informal de cumprimentos, João Dias passa o telefone para que Agnelo fale com o professor: “Tô almoçando com um grande amigo aqui. Deixa eu passar pra ele aqui”, diz o policial.

Agnelo fala então com Roldão:
- Vou combinar, falar com o João, para ir tomar um café contigo. Viu?
- Será uma satisfação. E vamos conversar, porque tem muita coisa aí que a gente precisa conversar – responde Roldão.
Agnelo disse nesta terça-feira que a fita não é suficiente para incriminá-lo:
- Mostre alguma coisa de eu pedindo alguma ilegalidade!

A deputada distrital Celina Leão (PSD) disse que o teor dos diálogos reforçará o movimento pela criação da CPI do Segundo Tempo, na Câmara Legislativa. Ela informou que já tem cinco das oito assinaturas necessárias para pedir a CPI. Ao longo da tarde, porém, 19 dos 25 deputados distritais assinaram nota de apoio a Agnelo.

Por Reinaldo Azevedo

01/11/2011

às 6:21

Dinheiro do Esporte e do DF contratou empresa do PCdoB

Por Leandro Colon, no Aqui:

Dois dirigentes do PC do B receberam recursos públicos por meio de uma empresa de consultoria, a Casa de Taipa Comunicação Integrada. A empresa foi criada para atuar em projetos ligados ao Ministério do Esporte, a pasta que é comandado pelo partido.

Um dos donos da empresa é Júlio César Filgueira, ex-secretário do ministério e filiado ao PC do B. Seu sócio, Oswaldo Napoleão Alves, é também do partido e coordenador do núcleo de ensino e pesquisa da Escola Nacional da legenda comunista.

Em agosto passado, a consultoria dos dois comunistas recebeu R$ 825 mil da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU). Júlio Filgueira deixou o ministério em outubro de 2009. Em dezembro criou a Casa de Taipa com Oswaldo Napoleão. Em agosto deste ano a empresa foi contemplada com o contrato.

A Casa de Taipa pôs a mão nesse dinheiro ao ser contratada sem licitação para cuidar de um projeto do governador do Distrito Federal, o ex-PC do B e agora petista Agnelo Queiroz. O projeto, com total apoio do Ministério do Esporte, cuida da promoção da candidatura de Brasília para sediar a Universíade de 2017, que são os Jogos Mundiais Universitários – a última edição foi em Pequim, em agosto passado.

Em agosto, Agnelo Queiroz e o secretário nacional de Esporte Educacional do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro, estiveram nos Jogos Mundiais Universitários da China para defender a candidatura de Brasília para 2017. O ministério foi quem bancou, com R$ 2 milhões, a participação da delegação da CBDU no evento de Pequim. Desde 2005, pelo menos R$ 13,5 milhões do ministério foram parar na conta da entidade desportiva.

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2011

às 18:17

Dilma precisa parar de ser perversa e de demitir patriotas competentes e inocentes!

Cheguei à conclusão de que a presidente Dilma Rousseff é uma mulher má, perversa mesmo, que atua para prejudicar o povo brasileiro. E como é que faz isso? Ora, demitindo ministros competentes e inocentes, o que, convenham, é ruim para o Brasil. Foi a conclusão a que cheguei, mais uma vez, na solenidade de posse de Aldo Rebelo, novo ministro do Esporte. Todos discursam: a presidente, Rebelo e Orlando Silva, que jurou inocência ainda outra vez e foi aplaudido de pé!

Vênia máxima, a soberana estrelou uma solenidade vergonhosa. Estavam todos saudando ali, na prática, o comprovado — PELO PRÓPRIO GOVERNO — desvio de pelo menos R$ 40 milhões, as ONGs de fachada, as empresas de laranjas, o compadrio, o desperdício. Ou bem Dilma falava coisa com coisa, e a Controladoria Geral da República tem de ser demitida, do ministro ao contínuo, ou o poder fez, nesta segunda, o elogio da corrupção.

Nunca vi razão especial para criticar a ação de Aldo Rebelo. Foi um presidente da Câmara competente e equilibrado e teve uma atuação destemida no Código Florestal. Mas hoje fez um discurso ridículo. Afirmou que Orlando Silva, seu antecessor, também do PCdoB, pode ser “mais do que inocente”; talvez seja “vítima das lutas sociais”.

Ou Aldo explica como as lambanças das ONGs no programa Segundo Tempo ajudam os pobres, ou falou uma grande bobagem. Mais adiante, o ministro disse que seu partido não está acima da crítica. Que bom! Mas é onde tentou colocá-lo. Leiam texto do Globo Online. Volto para arrematar.
*
A posse do novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB), a quem a presidente Dilma Rousseff chamou, erroneamente, em duas citações de Aldo Rabelo, transformou-se numa sessão de rasgados elogios ao PCdoB, partido que ocupa o ministério há nove anos e que é alvo de denúncias de desvio de verbas de convênios do Ministério dos Esportes com ONGs. Dilma afirmou que a troca de comando no Esporte não estava em seus planos, mas, por causa da situação criada, teve de fazê-lo. Ela qualificou o trabalho de Orlando Silva à frente da Pasta como “excepcional” e disse que o ex-colaborador tem todo seu respeito.

“Esta cerimônia não estava nos meus planos, nos planos do governo. Muitas vezes somos conduzidos a situações inesperadas que temos de enfrentar. E enfrentar, muitas vezes, com tristeza, mas sempre com coragem e determinação. Foi o que fizemos neste caso sem abrir mão de construir o caminho que escolhemos”, discursou Dilma.

“Ele ganha plena liberdade para restituir a verdade e preservar sua biografia. Orlando Silva não perde meu respeito. Desejo-lhe muito sucesso em sua cruzada pela verdade. Perco um colaborador, mas preservo o apoio de um partido cuja presença no meu governo considero fundamental. O PCdoB tem sido, nos últimos nove anos, um parceiro leal e relevante do nosso projeto nacional de governo e de desenvolvimento”.

Na cerimônia, o novo ministro qualificou o seu antecessor como “mais que inocente” é “vítima”. “Talvez mais que inocente, talvez o senhor seja vítima das consequências da luta social e política.” Aldo disse ainda que seu partido não está acima das críticas nem da fatalidades humanas, mas recorreu aos 90 anos de fundação da legenda para dizer que o PCdoB luta por igualdades. Sobre o que fará no cargo, nada disse. De acordo com o novo ministro, o Programa Segundo Tempo, origem da crise que levou à queda de Orlando Silva, é elogiado internacionalmente. “Nas décadas que o Brasil precisou, ele (o PCdoB) defendeu a democracia e a liberdade.”

A presidente ressaltou que, apesar da mudança de comando, o trabalho do ministério permanecerá na mesma linha. Sem citar a Fifa, ou mesmo o nome do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que estava presente à cerimônia, Dilma ordenou a seu novo auxiliar que sejam estabelecidas bases claras para a organização da Copa. “Ele tem plenas condições de dar continuidade às políticas prioritárias do ministério que hoje está assumindo e estabelecer, desde logo, relações claras com todos os entes envolvidos na preparação da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Aldo Rabelo (sic), como nós podemos perceber por esse plenário, é rico em amigos e companheiros que conhecem seu caráter, suas convicções e seu respeito.”

Encerro
Não, assim não é possível! Já tinha ouvido essa ladainha na demissão de Antonio Palocci; agora, repete-se o padrão na de Orlando Silva. O curioso é que o ministro do PR e os dois do PMDB que deixaram seus respectivos cargos não mereceram tanta deferência. É que eles não são, nominalmente ao menos, de esquerda, né?

São discursos lamentáveis, que remetem a práticas desastrosas para o país. Dilma não precisava disso, não! É claro que eu não esperava que ela execrasse um ex-auxiliar. Há maneiras decorosas de não esmagar um aliado político sem, no entanto, condescender, na fala ao menos, com práticas notoriamente corruptas.

Dilma que mude, então, de postura! Quando a imprensa voltar a noticiar fatos patrióticos como os havidos no Esporte, ela deve chamar o titular da pasta e condecorá-lo com alguma ordem de mérito. Como sugeriu Lula na quinta-feira passada, quem não presta é a imprensa. Os ladrões de dinheiro público são só uma outra maneira, não reconhecida pelos reacionários, de exercitar o patriotismo.

Todos ali, nesta segunda, deram o seu pior ao país. PS – Há, ainda, uma questão que é de fundo institucional.

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2011

às 17:25

Posse do novo ministro do Esporte e discursos absurdos

Terminou há pouco a solenidade de posse do novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Todos discursaram: Dilma Rousseff, Orlando Silva (o ex) e o próprio Rebelo. Entendi, dado o conjunto da obra, que a gestão de Silva era tão boa que foi preciso trocar. Tenham paciência! Foi uma soma de absurdos. Volto ao ponto no próximo post. Assim não dá, Soberana!

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2011

às 6:37

Ministério favorece prefeitos do PC do B

Por Daniel Bramatti, no Estdaão:
Mais de um terço das prefeituras comandadas pelo PC do B estão na lista das atuais beneficiadas por recursos do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, pasta que é controlada pelo partido desde 2003. Em termos proporcionais ao desempenho eleitoral, o partido é o líder disparado do ranking de convênios.

Dos 41 prefeitos que os comunistas elegeram nas últimas eleições, 15 (37%) recebem recursos do Segundo Tempo, programa destinado a jovens e crianças “em situação de risco social”. Empatados, PT e PPS têm a segunda maior taxa de prefeitos atendidos – apenas 7%.

Em números absolutos, o número de convênios conquistados pelo PC do B é igual ao assinado por prefeitos dos oposicionistas PSDB e DEM – 15 cada um. Isso foi alardeado pelo Ministério do Esporte como prova de que os recursos são distribuídos de acordo com critérios técnicos, e não políticos. Mas PSDB e DEM elegeram, respectivamente, 18 e 11 vezes mais prefeitos que os comunistas – o fato de não haver uma proporção próxima a essa na assinatura dos convênios é evidência estatística que de que o favorecimento partidário é o que predomina.

Critérios. Os dados ressaltam o alcance do “esporteduto” montado pelo PC do B, que, conforme revelou o Estado em uma série de reportagens, também alimenta com verbas federais uma rede de militantes instalada em organizações não governamentais e secretarias municipais e estaduais de Esportes por todo o País.

Os números também demonstram que o “aparelhamento” das verbas federais não sofrerá impacto apenas com o fim dos convênios com ONGs e sua substituição por prefeituras, medida anunciada pelo novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, logo depois de ser indicado para o cargo. Rebelo, assim como o antecessor, Orlando Silva, é um dos líderes nacionais do PC do B.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2011

às 6:45

Afilhados lideram cargos de confiança no Esporte

Por Fernando Mello e Natuza Nery, na Folha:
Alvo de suspeitas de desvios de verbas para beneficiar o caixa do PC do B, o Ministério do Esporte lidera o ranking das pastas que mais nomearam pessoas sem nenhum vínculo com o funcionalismo público para seus cargos de confiança. Um levantamento feito pela Folha mostra que, do total de cargos de confiança desse ministério, 66% são ocupados por funcionários de fora dos quadros públicos.  O número supera o teto estipulado para a contratações de trabalhadores não concursados para órgãos federais. De acordo com o decreto 5.497, de 2005, editado pelo ex-presidente Lula, a maior parte dos cargos de livre nomeação (conhecidos pela sigla DAS) nos escalões inferiores devem ser preenchidos por funcionários públicos.

Nos cargos de nível de gerencial, 75% têm de ficar nas mãos de servidores de carreira. No Esporte, porém, eles são apenas 32%.  Para postos de assessoria, a regra é que 50% devem ser de servidores concursados. No Esporte, são 37%. Na pasta sob o comando do PC do B foram nomeados ex-presidentes e militantes da UNE (União Nacional dos Estudantes), como Wadson Ribeiro e Ricardo Capelli. Também ganharam cargos candidatos derrotados em eleições para deputado, como Andrea Alfama (AL), ou membros da direção partidária, como Maria Ivonete, secretária de formação no DF. O “desvio” do Esporte só não é proibido pela fiscalização porque é compensado por outros ministérios. Pastas como a Fazenda ou o Itamaraty têm 91% dos seus cargos de confiança ocupados por funcionários de carreira.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2011

às 6:43

Interesses eleitorais do PC do B são obstáculo para “faxina” no Esporte

Por Leandro Colon, no Estadão:
A “faxina” exigida pela presidente Dilma Rousseff no Ministério do Esporte obriga o novo titular da pasta, Aldo Rebelo, a mexer num “paredão” de comunistas, boa parte composta por ex-dirigentes da União Nacional dos Estudantes (UNE), alocados em áreas estratégicas e suspeitos de desvio de recursos públicos. Aldo vive um dilema. Recebeu a ordem da presidente para mudar o comando da pasta, mas sabe que as trocas em meio a um escândalo de corrupção respingam nas pretensões eleitorais do PC do B em 2012.

A tropa do partido dentro do ministério não é técnica, mas política e com objetivos concretos na disputa municipal do ano que vem. São dirigentes regionais e nacionais da legenda, homens de comando do PC do B nos Estados, que agora temem a exposição pública. Temem ainda ser demitidos a partir de amanhã, quando Aldo Rebelo toma posse, numa “faxina” semelhante à que ocorreu no Ministério dos Transportes em julho.

Por enquanto, Aldo Rebelo só confirmou a saída do secretário executivo, Waldemar Souza, do PC do B do Rio – uma espécie de número dois da pasta. Há pelo menos mais sete pessoas que podem entrar na forca após a queda de Orlando Silva: Wadson Ribeiro, Ricardo Capelli, Ricardo Gomyde, Alcino Reis Rocha, Fábio Hansen, Vicente José de Lima Neto e Antonio Fernando Máximo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2011

às 4:47

Esporte anula acordos com ONGs ligadas ao PC do B

Na Folha
O Ministério do Esporte cancelou ontem sete convênios do programa Segundo Tempo, alvo de acusações de irregularidades que acabaram levando à queda do ministro Orlando Silva. Os contratos suspensos somam R$ 9,4 milhões e alguns deles envolvem instituições ligadas ao PC do B citadas em escândalos nos últimos dias. A assessoria de imprensa do ministério informou que, por ter sido procurada às 17h20, não teria tempo para explicar o porquê dos cancelamentos dos convênios. Entre as entidades que tiveram a prestação de serviços cancelada está a Associação Ação Solidária e Inclusão Social, de Brasília. A organização recebeu R$ 372 mil para atender 1.182 crianças. A entidade funciona nos fundos de um lote localizado em uma cidade próxima a Brasília. Ela é comandada pelo casal Ronaldo Firmino da Silva e Gláucia Nunes. Os dois são ligados ao vice-presidente do PC do B no DF, Apolinário Rebelo, irmão do novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B-SP). Durante sua campanha para para deputado distrital em 2010, Apolinário, que não foi eleito, realizou um compromisso de campanha na casa de Silva e de Nunes.

A Folha revelou ontem que, em depoimento à Polícia Federal, o policial João Dias Ferreira envolveu Apolinário no suposto esquema de desvio de verbas no Esporte. O contrato com a ONG, cujo cancelamento foi anunciado ontem, seria prorrogado até fevereiro de 2012. A Folha não conseguiu contato com os responsáveis pelo órgão. A lista de cancelamentos da pasta inclui a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado da Bahia, que tinha um convênio de R$ 2 milhões. O órgão é dirigido por Cláudio Silva Bastos, militante do PC do B, que não foi localizado para falar. Outros três contratos cancelados receberam mais de R$ 2 milhões cada um.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2011

às 4:45

Pelo estatuto do PCdoB, cargos devem estar a serviço do partido, mas Aldo diz que será ministro de Estado

Por Adriana Vasconcelos e Maria Lina, no Globo:
O aparelhamento do Ministério do Esporte, com o qual o novo ministro Aldo Rebelo promete acabar, é amparado pelo estatuto do seu partido, o PCdoB. No artigo 59, o documento deixa claro que qualquer de seus filiados que esteja no exercício de cargos públicos deve estar “a serviço do projeto político partidário” definido pelo Comitê Central. Aldo, que na véspera dissera que não tem obrigação de manter pessoas do PCdoB na pasta , reafirmou nesta sexta-feira sua disposição: disse que é ministro do Estado, acima do partido. Caso lhe seja exigido pelos companheiros o cumprimento estrito do estatuto partidário, ele poderá ter problemas. O artigo 59 é claro: “A atuação dos(as) comunistas no exercício de cargos públicos, eletivos ou comissionados indicados pelo partido, ou em funções de confiança do Legislativo ou do Executivo, em todas as instâncias de governo de que o partido participe, constitui importante frente de trabalho e está a serviço do projeto político partidário, segundo norma própria do Comitê Central”.

Cargos para difundir orientações políticas
Os preceitos estatutários do PCdoB determinam ainda que os ocupantes desses cargos devem obedecer às normas do órgão público e também às do partido: “Nestes postos, os comunistas devem pautar a atividade de acordo com as normas e deliberações dos entes que integram, bem como das instâncias partidárias a que estejam subordinados, não podendo se sobrepor a elas”.

Mais à frente, na alínea “a” do mesmo artigo, o estatuto reforça que seus filiados em funções públicas defendam e difundam “a orientação política e as deliberações do partido”. O PCdoB está à frente do Ministério do Esporte há quase nove anos e teve que entregar a cabeça do ex-ministro Orlando Silva após denúncias de desvio de recursos públicos para o partido .

Aldo minimizou as exigências e recomendações do estatuto do PCdoB. Assegurou que, ao aceitar o convite da presidente Dilma Rousseff, assumiu o compromisso de defender os interesses do país acima de tudo:”Todos os partidos e mesmo empresas têm seus estatutos. Mas meu compromisso, como ministro do Estado brasileiro, tem de levar em conta, antes de mais nada, os interesses do país e de sua população”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2011

às 19:51

Gastos acumulados pelo Esporte sob o comando do PC do B beiram R$ 5 bilhões

Por Marta Salomon, no Estadão Online:
Emendas parlamentares que destinam dinheiro público para as bases políticas de deputados e senadores por meio de convênios – sobretudo para a construção de quadras esportivas – são o motor do Ministério do Esporte. Recém-separada do Ministério do Turismo, a pasta foi entregue ao PCdoB em 2003 e, desde então, seus gastos ultrapassam R$ 5 bilhões.

Projeções feitas pelo Ministério do Planejamento para o ano que vem mostram que os investimentos e despesas do Esporte vão se multiplicar, na carona de eventos mundiais. Só os jogos olímpicos receberão em 2012 R$ 835 milhões.

O ritmo de gastos nos últimos oito anos e nove meses desenha uma curva cujo ápice coincide com a realização dos jogos Pan Americanos de 2007. A explosão de gastos nos jogos aumentou as preocupações com realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, eventos que dão maior visibilidade ao ministério. Em 2007, os gastos estimados em R$ 409 milhões saltaram para R$ 3,7 bilhões, em meio a denúncias de superfaturamento nas obras do Pan.
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Por Reinaldo Azevedo

28/10/2011

às 6:23

Policial cita irmão de Aldo em suposto esquema no Esporte

Por Fernando Mello e Maria Clara Cabral, na Aqui.
Em depoimento de mais de oito horas à Polícia Federal na semana passada, o policial militar João Dias Ferreira envolveu Apolinário Rebelo, vice-presidente do PC do B-DF e irmão do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), no suposto esquema de desvios no Ministério do Esporte. O policial, que denunciou um suposto esquema de corrupção na pasta, disse que foi Apolinário quem indicou a pessoa que atuava como “responsável pela arrecadação” do dinheiro obtido pelo suposto esquema. Segundo o delator, essa pessoa é Fredo Ebling, que foi chefe de gabinete de Aldo na presidência da Câmara dos Deputados e atualmente trabalha na liderança do PC do B. Ebling não retornou aos contatos da Folha.
Apolinário nega as acusações do delator. Disse que não tem poder para fazer indicações no ministério e afirmou que pretende entrar na Justiça contra o policial.

Apolinário foi diretor de esporte estudantil do ministério por dois anos e meio. No cargo, trabalhou em projetos especiais do Programa Segundo Tempo, principal alvo das acusações. Em 2010, ele deixou o ministério para disputar a eleição para deputado distrital. Com 3.788 votos, consegui apenas a vaga de suplente. No depoimento, o delator citou duas etapas do esquema. Na primeira, de “captação de recursos”, Ebling seria ajudado pelo presidente de uma ONG, por um treinador de futebol e por um ex-funcionário do ministério.
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Por Reinaldo Azevedo

27/10/2011

às 15:41

Os barrigudos da UNE e do comando do PCdoB privatizaram o Esporte. Aldo vai reestatizar o ministério?

Orlando Silva transformou o Ministério do Esporte numa espécie de “Bolsa Barrigudo da UNE”. Reproduzo um trecho do texto de Rui Nogueira, publicado no post anterior, e retomo em seguida:
“(…) uma lupa sobre o organograma e o vaivém de secretários e assessores de Orlando revelou que o ministro havia transformado os cargos executivos da pasta em rodízio de trampolim eleitoral para os ‘meninos da UNE’. Eles abandonaram as universidades para ser empregados comissionados do ministério e ‘donos’ de orçamentos públicos bilionários – o próprio Orlando, Wadson Ribeiro, Ricardo Capelli e Ricardo Gomyde são exemplos de estudantes que não fizeram mais que ‘cursar cursos’.

Entenderam? Os comunistas do Brasil — estudantes profissionais que costumam assumir a direção da entidade quando os mortais comuns já estão com os primeiros cabelos brancos — transformaram o Ministério do Esporte numa espécie de Caixa de Pensões. Tão logo deixavam aquele aparelho, assumiam um posto neste outro.

Vale dizer: o PCdoB, cujo comunismo é mais tradicionalista do que embalagem de creme de arroz Colombo e de Emulsão Scott (com o único bacalhau com cabeça do mundo!!!), privatizou o Ministério do Esporte.

A questão é saber, então, se Aldo, o comunista, vai reestatizar o Ministério do Esporte ou se este continuará a ser propriedade privada dos pançudos da UNE e dos “revolucionários” sustentados com dinheiro público.

Por Reinaldo Azevedo

27/10/2011

às 15:21

O PCdoB, os “velhinhos da UNE” e os bolinhos com validade vencida de Laguna

No Estadão de hoje, Rui Nogueira escreve uma excelente síntese do que foi a gestão Orlando Silva, encerrando com uma historinha exemplar. Acho difícil que Aldo Rebelo consiga botar a máquina para funcionar, atendendo às necessidades dos brasileiros, não as do partido. Segue o texto de Nogueira.

*
Embora a gota d’água para tirar Orlando Silva do Esporte tenha sido a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela abertura de inquérito para investigar o ministro, a presidente Dilma Rousseff montou na semana passada uma pilha de argumentos para justificar a demissão. As reações e ameaças políticas do PC do B e o apoio do ex-presidente Lula à resistência de Orlando adiaram o desfecho, mas Dilma só usou o STF como carta final de um jogo que estava jogado desde o dia 20.

Em viagem à África, a presidente recebeu dos assessores informações de três tipos:

1) com base em auditorias da Controladoria-Geral da União, feitas em 2008 e 2009, e de relatórios de auditores do Tribunal de Contas da União, a “gestora” Dilma viu que o Esporte padecia de uma “congestão” de convênios com fraudes grosseiras;

2) uma radiografia política mostrou que as únicas ações sob controle do ministério eram os convênios-negócio de interesse direto do PC do B, como os da vereadora Karina Rodrigues (PC do B), dona da ONG Bola Pra Frente, de Jaguariúna (SP);

3) uma lupa sobre o organograma e o vaivém de secretários e assessores de Orlando revelou que o ministro havia transformado os cargos executivos da pasta em rodízio de trampolim eleitoral para os “meninos da UNE”. Eles abandonaram as universidades para serem empregados comissionados do ministério e “donos” de orçamentos públicos bilionários – o próprio Orlando, Wadson Ribeiro, Ricardo Capelli e Ricardo Gomyde são exemplos de estudantes que não fizeram mais que “cursar cursos”.

Com essas radiografias prontas, Dilma desembarcou na noite de quinta-feira em Brasília e, ao final da reunião com o “gabinete de crise”, no Alvorada, decidiu o óbvio: tirar Orlando porque estava diante de um “desgaste político irreversível”.

Um assessor da presidente leu o Anexo 1 ao Relatório 224.387/2009, da CGU, que descreve o que foi feito com R$ 170 milhões do programa Segundo Tempo. A auditoria atingiu convênios em 18 Estados. Até um leitor desatento tropeça nos “malfeitos”: fraudes grosseiras na compra de alimentos, notas frias a granel, dinheiro público depositado em contas privadas e cadastros em duplicidade para inflar o número de crianças atendidas.

O desmando era tão explícito que as crianças e adolescentes de Laguna (SC) chegaram a receber lanches duas vezes por semana, em vez de cinco vezes por semana. Pior: “Os lanches eram entregues por uma van que se deslocava de Brasília para fazer a entrega em todos os núcleos do Estado de Santa Catarina. Um bolinho (fornecido no lanche) chegou aos núcleos com prazo de validade vencido”. Assim como a groselha vencida descoberta pela reportagem do Estado, em fevereiro.

Orlando Silva era mesmo um ministro com prazo de validade vencido.

Por Reinaldo Azevedo

27/10/2011

às 15:14

PCdoB no Esporte: é uma questão de “pós-conceito”, não de preconceito

O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) é o novo ministro do Esporte. Não aceitou o meu conselho… Com alguma ironia (ultimamente, a gente precisa avisar quando é irônico…), diria que, no que concerne ao poder, ele faz bem em ignorar a minha recomendação. Aceitasse, não seria do PCdoB e, pois, hoje não estaria no ministério… No lulo-dilmismo-petismo, partidos são donos de latifúndios. Não tenho razão, por enquanto, para mudar a opinião que tenho sobre Rebelo. Até onde sei, é uma pessoa séria, que teve uma atuação respeitável como presidente da Câmara e corajosa como relator do novo Código Florestal, enfrentando alguns mitos e mistificações na área. Por isso mesmo, recomendei que ele recusasse esse cálice…

O problema do PCdoB no Esporte não é matéria de “preconceito”, como querem alguns, mas de “pós-conceito”. Se todos os partidos, dada a forma como ocorre a ocupação de cargos no país, lotam as pastas com os seus filiados, os comunistas do Brasil foram um pouco além disso: transformaram o ministério numa extensão do partido. Quer encontrar uma irregularidade? Siga o dinheiro, qualquer dinheiro; siga o convênio, qualquer convênio; siga a ONG, qualquer ONG. E se encontrará um “pecedobista” na outra ponta.

O comando do PCdoB sabe que Aldo tem uma reputação que está acima da do partido e pretende, com isso, estancar o noticiário negativo.  O ponto é outro. Com ironia (outra vez!), perguntei ontem qual era a proposta ao se insistir no nome do deputado: querem que ele seja o Krushev do Esporte? Mas o PCdoB ainda não aceitou o original…

Há coisas que Aldo não vai conseguir fazer: transformar em legais os convênios ilegais; em moral o que é imoral, em competente o que é incompetente. Ele vai conseguir? Como fazê-lo e, ao mesmo tempo, manter a pasta como um feudo do PCdoB? A dita “faxina” de Dilma está se transformando em algo muito suspeito: trocam-se os titulares e seus eventuais e respectivos braços-direitos para manter tudo como era antes.

Por Reinaldo Azevedo

27/10/2011

às 6:39

O poder está organizado no Brasil para extorquir quem trabalha e alijá-lo das decisões

Nunca antes na história destepaiz um(a) presidente demitiu tantos ministros em tão pouco tempo. Isso enfeixa algumas possibilidades. Pode-se afirmar que Dilma Rousseff é menos tolerante do que seu antecessor com a corrupção. Lembrem-se que há menos de uma semana Luiz Inácio Apedeuta da Silva convocou o PCdoB e Orlando Silva à resistência, num esforço óbvio para desautorizar a presidente da República. Mas também se pode inferir que ao ineditismo da degola corresponde o ineditismo da roubalheira.

Estamos diante de uma questão de lógica. Se a Soberana demitir todos os 8.759 ministros por corrupção, a exaltação de sua severidade não pode esconder o fato óbvio: então era um governo de ladrões. Parece-me que o mais sensato é considerar que o que estava podre no governo Lula começou a cheirar definitivamente mal na gestão de sua sucessora. E o talento dela para o ilusionismo é, sem dúvida, menor do que o dele. Isso, em si, é bom para a formação moral do povo brasileiro. Lula é um deseducador nato. Mas como ignorar que Dilma Rousseff é a beneficiária do modelo instituído por seu antecessor? Como ignorar que ela era a dita gerente de todas essas pessoas cuja permanência no governo se mostra impossível? A presidente ajudou a construir essa herança maldita.

Atenção, minhas caras e meus caros! A questão não diz respeito apenas a nomes, a pessoas, a partidos. O que precisa ser desmontado é um método! E esse, entendo, deveria ser o trabalho organizado das oposições — sem prejuízo de denunciar a corrupção, sim, e cobrar a demissão daqueles que fraudam a confiança da população avançando nos cofres públicos. Segundo o que se noticia, Dilma está disposta a manter o PCdoB no Ministério do Esporte, a exemplo do que se deu nos outros casos de corrupção: o PT continuou com a Casa Civil; o PR conservou os Transportes (embora o partido diga que não reconhece como indicação sua o atual titular); o PMDB manteve a Agricultura, e Sarney não abriu mão do Turismo. Logo, por que o PCdoB teria de deixar o Esporte?

Nessa indagação que eles mesmos se fazem e que reproduzo aqui vai a essência do mal. É preciso começar a mudar uma cultura, ou este continuará a ser o país da safadeza. Estima-se em R$ 85 bilhões anuais a conta da corrupção. O governo federal conta com 89.550 cargos e postos de confiança (números de março deste ano, segundo o site Transparência Brasil), que servem para satisfazer a fome dos partidos. Os EUA, aquele país em que certo articulista brasileiro detectou a falta de um PMDB (imaginem vocês!!!), há apenas 9 mil. Em todo o Reino Unido, são 300.

O sistema, pois, é ruim. E será tanto pior quando o próprio governante estimula a lambança. O Esporte foi um ministério entregue de porteira fechada ao PCdoB. Nota-se ali uma verticalização, não? Do ministro ao laranja que finge ser dono de uma empresa fantasma para justificar gastos inexistentes, passando por ongueiros vigaristas, todos comungam da mesma legenda, são “vermelhos” — jamais de vergonha. Já o Ministério da Saúde é mais “democrático”: o PT fica com a Anvisa, o PMDB com a Funasa, um outro pedaço é dividido entre os dois… Na Agricultura, também há a convivência de partidos distintos. Esses ministérios estão longe de ser exemplos de virtude — e têm muito mais dinheiro do que o Esporte. Não é a porteira aberta ou fechada que faz a corrupção, mas a forma como se organiza o poder.

Para angariar apoios, para demonstrar que “nunca antes na história destepaiz” um governo foi tão democrático, tão camarada, tão amigo dos amigos, Lula criou um sistema que rigorosamente entregou aos partidos o comando da máquina pública. Não se trata daquela “entrega” para que executem um programa. Ao contrário! O governo, o dinheiro público, o aparelho estatal, tudo é posto a serviço de causas que nada têm a ver com as necessidades da população. Uns roubam para si e para os de sua corriola, e outros roubam em nome de uma causa.

A canalhice perpetrada por esquerdistas tem seu lado tragicômico porque, pegos com a boca na botija, eles tentam encontrar justificativas morais para a sua canalhice e logo se apressam em pregar “controle dos meios do comunicação”, como fez há dias um editorial do PCdoB em seu site. As evidências de corrupção derrubaram dois ministros do PMDB: Pedro Novais e Wagner Rossi. Em seu encontro nacional, o partido recusou peremptoriamente qualquer forma de controle da informação. Também não se viu nada parecido no PR, por exemplo.

Que desvio de dinheiro é melhor? Os do PMDB e do PR, que não querem censurar a imprensa, ou os do PT e do PCdoB, que atribuem tudo a uma conspiração da mídia? Ora, perguntem aos desdentados, aos miseráveis, aos pobres. A resposta, obviamente, é uma só: NENHUM! Deveriam estar todos na cadeia. Apenas destaco que os ladrões de esquerda têm o mau-caratismo adicional de tentar transformar a apropriação do bem público numa categoria política superior.

E por que o fazem? Respondi hoje a uma entrevista feita por estudantes universitários para um trabalho de conclusão de curso. Afirmei que o relativismo é a essência do pensamento da esquerda, o que Trotsky deixou consubstanciado no livro “Moral e Revolução” (que vivo citando aqui), mais especificamente no texto “A Nossa Moral e a Deles”. Ele diz algo terrível, que reproduzo literalmente. Fazendo a si mesmo a pergunta se tudo é permitido na luta revolucionária, ele responde:
“É permitido tudo aquilo que leve realmente à libertação dos homens. Já que este fim não pode ser atingido senão por via revolucionária, a moral emancipadora do proletariado tem necessariamente um caráter revolucionário. Como aos dogmas da religião, esta moral se opõe a todos os fetiches do idealismo, gendarmes filosóficos da classe dominante. Ela deduz as normas de conduta das leis do desenvolvimento social, isto é, antes de tudo, da luta de classes, que é a lei das leis.”

Eis aí. Ele afirma que a luta revolucionária tem compromisso apenas com a moral revolucionária. Todos os outros valores são inferiores e são meros “gendarmes” do idealismo burguês. Mas o que é a moral revolucionária? Quem define o seu conteúdo? O partido! Assim, aquilo que o partido decidir está automaticamente certo, qualquer coisa — inclusive a morte.  Lênin mandou matar o czar e sua família, também as crianças, sem processo, numa operação secreta, que ele escondeu até do comando do partido. Como o Partido Comunista tinha o chamado “centralismo democrático” — a direção decide em nome do coletivo —, a decisão nem pôde ser contestada.

A esquerda dinheirista de hoje evoca essa antiga moral revolucionária para se locupletar e se quer diferente dos demais ladrões. Mas não é! Se diferença há, ela está apenas em seu escandaloso cinismo.

Por Reinaldo Azevedo

27/10/2011

às 6:23

Mais uma prova da sem-vergonhice – ONG preencheu cheque e nota fiscal do suposto “fornecedor”. É a moral reta do PCdoB em ação!

Por Leandro Colon, no Estadão:
Uma perícia técnica nas prestações de contas de um convênio no Ministério do Esporte indica que o representante de uma organização não governamental (ONG) fez o cheque e também preencheu a nota fiscal em nome de quem vendeu à entidade o produto destinado ao projeto do governo.

A pedido do Estado, o perito criminal federal Maurício José da Cunha, professor de criminalística e documentoscopia da Academia Nacional do Departamento de Polícia Federal, analisou os documentos. Ele apontou que o mesmo punho escreveu os valores e datas em cheques do Instituto Pró-Ação e notas fiscais de empresas fornecedoras do Projeto “Pintando a Cidadania”.

Ou seja, quem pagou fez a nota fiscal de quem vendeu. “Conseguiu-se detectar as características dos grafismos não só quanto ao aspecto formal como quanto a sua formação genética em vários algarismos, letras isoladas e em palavras completas indicando um mesmo punho para os preenchimentos de cada cheque pesquisado com sua respectiva nota fiscal”, diz o laudo.

Na segunda-feira, o Estado revelou que pelo menos R$ 1,3 milhão em cheques da conta corrente do convênio do Instituto Pró-Ação com o Ministério do Esporte foi parar em contas de empresas fantasmas. O convênio foi assinado pelo secretário nacional de Esporte Educacional, Wadson Ribeiro. Há cheques de R$ 364 mil, R$ 311 mil, R$ 213 mil, R$ 178 mil, R$ 166 mil e R$ 58 mil. O dono de uma empresa disse que “arranjou” a nota fiscal para um amigo.

As cópias dos cheques e das notas fiscais extraídas do convênio do ministério são referentes às empresas Contemporânea Comércio e Serviços e Guerreiro Comércio e Serviços, que aparecem como contratadas. A primeira recebeu R$ 817 mil, e a segunda, R$ 178 mil. Ambas não têm endereço fixo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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