Blogs e Colunistas

Marta Suplicy

19/06/2015

às 21:54

O PT ofereceu ou não a Marta a candidatura ao governo em 2018?

O presidente do PT de São Paulo, Emídio de Souza, negou que o partido tenha oferecido à senadora Marta Suplicy a vaga de candidata ao governo do Estado para permanecer na legenda. “Isso nunca aconteceu, até porque ela se negou a dialogar com o partido.”

Marta fez tal afirmação no programa “Os Pingos nos Is”, nesta quinta, quando perguntei a ela se teria deixado o PT caso o partido lhe tivesse oferecido a vaga de candidata à Prefeitura no ano que vem. Ela afirmou que sairia em qualquer circunstância e emendou: “Podem ter proposto outras coisas, que não vale eu falar aqui”. Insisti para saber o que era. Ela, então, respondeu: “Sugeriram de eu ter candidatura ao governo”.

Se não foi a dificuldade para se candidatar a este ou àquele cargo o motivo da saída, então foi o quê? Ela respondeu:
“É o acúmulo, não é só a questão de candidatura. O partido não corresponde mais a nada do que eu acredito. Você vai vendo as coisas, vai vendo os malfeitos e vai vendo também sua história no partido. Eu não tenho nada a ver com essas coisas erradas, não comungo com essa política econômica. (…) Junta tudo, veio o óbvio”.

O PT está furioso com Marta, que passou a ser um dos principais alvos da Al Qaeda eletrônica e dos blogs sujos, que já começaram, como de hábito, a patrulhar a grande imprensa, que estaria dando bola pra ela só porque saiu do PT…

Que gente asquerosa! Vejam que modo delicado de pensar. Eles acham que a “mídia” deve dar mais espaço aos petistas porque petistas. E deve banir os que não são petistas porque antipetistas. Logo, na democracia companheira, só o PT fala.

Mas o PT ofereceu ou não ofereceu o cargo? Emídio diz que não. Marta diz que sim. Não é um daqueles casos em que se faz necessária uma acareação, né? Até porque a oferta pode não ser sido feita por Emídio. Só por hipótese: assim como Lula decidiu que Dilma disputaria a Presidência, e Fernando Haddad, a Prefeitura, poderia ter dito a Marta: “Fique, e você disputará o governo…”.

Se o próprio Emídio, no entanto, diz que ela não conversou com o partido, então parece verdadeira a afirmação da senadora de que não haveria oferta que a fizesse ficar.

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2015

às 21:09

Marta: “PT me ofereceu candidatura ao governo para ficar no partido”; “Recebi convite para ir para o PSDB”; “O primeiro erro da Prefeitura é o próprio Haddad”

A senadora Marta Suplicy, que deixou o PT, concedeu uma entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan (ouça a íntegra). Segundo Marta, ao deixar o PT, recebeu convite de “todos os partidos”, inclusive do PSDB — teria sido feito pessoalmente por Aécio Neves. Mas deixou claro que o mais provável é que vá mesmo para o PSB. Marta afirmou ainda que o PT lhe ofereceu a candidatura ao governo de São Paulo em 2018 para não deixar o partido.

Deu essa resposta quando indaguei se ela teria saído do PT caso o partido lhe garantisse a candidatura à Prefeitura. Segundo a senadora, ela deixou a legenda porque já não concordava com a prática dos “companheiros”.

Perguntamos a Marta por que ela aceitou ser ministra de Dilma se a considerava tão ruim. Segundo disse, ela só se deu conta dos descalabros da economia no fim de 2013 e não tinha, em 2012, dimensão dos escândalos. Lembrei a Marta que a crítica aos erros na condução da política econômica eram frequentes e partiam de todo lado. Ela não sabia? O PT não se dava conta? Respondeu: “O PT não faz debate. As coisas não são de verdade”.

E por que Marta ensaiou o movimento “Volta Lula”? “Porque eu percebi que ela [Dilma] seria um desastre”. Interrompi: “Por que a senhora não bate no Lula? A senhora tem medo de bater Lula?”. Leiam o que ela disse:
“Medo? Nenhum! Eu me pergunto isso também… Mas tenho de bater, sim. Lula errou duas vezes. A primeira foi quando escolheu Dilma para ser candidata à Presidência e depois quando escolheu Haddad para ser prefeito de São Paulo. Os dois não estão fazendo bem nem para o Brasil e nem para a cidade. E depois ele errou outra vez, quando ele a ajudou a se reeleger. Deveria ser ele o candidato e não teve coragem de ser”.

Interrompi: “Aí eu discordo, a coisa não começou a ficar ruim no governo dele?”

Marta respondeu: “Naquele momento, na minha avaliação, ele seria melhor do que ela, e estaríamos numa situação melhor”.

Ah, sim: ouçam o programa. Indagada sobre os principais erros de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, ela começa assim: “O primeiro erro é ele próprio”…

Por Reinaldo Azevedo

27/05/2015

às 20:18

STF decide: Marta vai conservar o seu mandato; votos de eleitos pelo sistema majoritário não pertencem ao partido. Como afirmei aqui!

Acreditem em mim, hehe, não porque eu sou eu, mas porque opino sempre com base na lei ou na lógica. Digo sempre qual é o meu gosto, mas não costumo confundir os domínios.

Escrevi neste blog nesta madrugada um post sobre a decisão do PT de pedir o mandato da senadora Marta Suplicy, que resolveu deixar o partido, o que segue:
Marta STF 1

Marta STF 2

Pois é…

Por unanimidade, o STF decidiu que os votos de alguém eleito pelo sistema majoritário lhe pertencem, não ao partido, à diferença do que ocorre com os eleitos pelo sistema proporcional. Logo, a senadora Marta Suplicy, que deixou o PT, está livre de qualquer punição em razão disso. O partido decidiu recorrer ao TSE, reivindicando seu mandato. Já era! A questão está liquidada.

O STF só se pronunciou a respeito porque a Procuradoria Geral da República havia recorrido contra uma resolução do TSE que estendia esse aspecto da fidelidade partidária também aos eleitos por voto majoritário. Luís Roberto Barroso, relator, fez uma conta interessante: apenas 7% dos deputados seriam eleitos com os seus próprios votos, sem a ajuda do partido.

Já os que estão em cargos majoritários dependem apenas do que conseguem nas urnas. E tanto esses votos não são do partido, argumentou, que, se um senador renuncia ou se afasta para exercer algum cargo, pode abrir a vaga a um suplente de outra legenda.

Marta comemorou:
“O Brasil tem sólidas instituições. A histórica decisão do Supremo Tribunal Federal, referendando que na eleição majoritária deve se respeitar a soberania popular e as escolhas dos eleitores, coloca fim a polêmicas, prevalecendo o principal instrumento da democracia: o voto”.

Por Reinaldo Azevedo

26/05/2015

às 21:43

PT decidiu pedir o mandato de Marta; não creio que prospere

O PT decidiu mesmo recorrer à Justiça Eleitoral para reivindicar o mandato da senadora Marta Suplicy (SP), que deixou o PT. O pedido foi protocolado no TSE nesta terça. Num requerimento de 19 páginas, Marta é severamente criticada pela direção da legenda, o que foi sintetizado numa nota do partido. Leiam:

O Partido dos Trabalhadores, através de seu Diretório Estadual de São Paulo e de seu Diretório Nacional, protocolou nesta terça-feira (26), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ação de decretação de perda de cargo eletivo da senadora Marta Suplicy, por desfiliação partidária sem justa causa.
Apesar dos motivos enunciados em sua carta de desfiliação, as reais razões da saída se devem à ambição política da senadora e a um oportunismo eleitoral, por isso, a senadora resolveu buscar espaços em outros partidos.
Ao contrário do que diz em sua carta, nunca o PT a isolou, estigmatizou ou cerceou suas atividades partidárias ou parlamentares. Sucessivamente prestigiada, com o apoio da militância e das direções petistas, Marta Suplicy foi deputada federal, prefeita, senadora e duas vezes ministra de Estado.
Lamentavelmente, a senadora retribui com falta de ética e acusações infundadas, a confiança e apoio que o PT lhe conferiu ao longo dos anos. Ao renegar a própria história e desonrar o mandato de senadora que exerce pelo PT, Marta Suplicy desrespeita a militância que sempre a apoiou. Ao se demitir do dever de servir ao partido pelo qual foi eleita, a senadora incidiu em renúncia tácita de mandato, renúncia lógica e auto-evidente.
Diante dos fatos, o Partido dos Trabalhadores tem inegável legitimidade para reivindicar judicialmente o cargo eletivo de Marta Suplicy, concedendo o mandato ao segundo suplente, representante do partido.
São Paulo, 26 de maio de 2015.

Vamos ver.

Em dezembro do ano passado, o PR pediu o mandato do senador Vicentino Alves (TO), que deixou o partido. Gilmar Mendes, relator, afirmou que a fidelidade partidária valia também para o voto majoritário, mas negou o pleito porque os dois suplentes eram de outras legendas.

Entendo que a decisão do STF, segundo a qual o mandato pertence aos partidos, vale para o voto proporcional, não para o majoritário. Imaginar que um senador possa perder o mandato porque deixou uma legenda implicaria que um presidente da República que fizesse a mesma coisa, ainda que para manter a governabilidade, deveria ter seu mandato cassado. Acho que seria um afronta à vontade do eleitor.

No modelo proporcional, afinal, o número de deputados é determinado pelo peso eleitoral do partido — nesse caso, parece-me certo que o mandato pertence à legenda. Numa votação majoritária, não me parece fazer sentido.

O TSE vai decidir.

Por Reinaldo Azevedo

29/04/2015

às 6:59

PT decide pedir o mandato de Marta; não creio que vá conseguir. E a carta-pancada

O PT decidiu recorrer à Justiça Eleitoral para reivindicar o mandato da senadora Marta Suplicy, que encaminhou nesta terça ao partido um pedido de desfiliação. A decisão inicial da cúpula da legenda era não se meter nessa seara. Mudou de ideia, no entanto, depois de ler a tal carta.

Marta abre o documento com uma pancada forte. Diz ela: “É de conhecimento público que o Partido dos Trabalhadores tem sido o protagonista de um dos maiores escândalos de corrupção que a nação brasileira já experimentou, sendo certo que, mesmo após a condenação de altos dirigentes, sobrevieram novos episódios a envolver sua direção nacional”.

Em seguida, Marta alega que o partido abandonou seus princípios e seu programa, razão abrigada pela lei para que um político eleito peça a sua desfiliação. Rui Falcão, presidente da legenda — um ex-martista, secretário de administração quando ela foi prefeita —, reagiu com dureza. Disse que a desfiliação de sua ex-chefe se deve a “ambição eleitoral” e “personalismo desmedido”.

Mas será que o PT obterá sucesso na empreitada? Bem, duvido! Não será difícil provar que o partido se distanciou dos princípios que estão em seus estatutos, não é mesmo? De resto, não creio que o tribunal casse o mandato de alguém eleito pelo voto majoritário. O primeiro suplente de Marta é Antônio Carlos Rodrigues, que nem petista é. É do PR. Assim, o partido nem mesmo poderia afirmar que está reivindicando votos que são seus. Rodrigues teria de abrir mão do mandato para, então, dar posse a Paulo Frateschi, o segundo suplente — este, sim, um companheiro.

Acho que não vai acontecer. Leiam a íntegra da carta de Marta ao PT

“É de conhecimento público que o Partido dos Trabalhadores tem sido o protagonista de um dos maiores escândalos de corrupção que a nação brasileira já experimentou, sendo certo que mesmo após a condenação de altos dirigentes, sobrevieram novos episódios a envolver sua direção nacional.

No meu sentir e na percepção de toda a nação, os princípios e o programa partidário do PT nunca foram tão renegados pela própria agremiação, de forma reiterada e persistente.

Para mim, como filiada e mandatária popular, os crimes que estão sendo investigados e que são diária e fartamente denunciados pela imprensa constituem não apenas motivo de indignação, mas consubstanciam um grande constrangimento.

Aqueles que, como eu, acreditaram nos propósitos éticos de sua carta de princípios, consolidados em seu programa e em suas resoluções partidárias, não têm como conviver com esta situação sem que esta atitude implique uma inaceitável conivência.

Ao tentar empenhar-me numa linha de providências, fui isolada e estigmatizada pela direção do partido. Percebi que o Partido dos Trabalhadores não possui mais abertura nem espaço para diálogo com suas bases e seus filiados dando mostras reiteradas de que não está interessado, ou não tem condições, de resgatar o programa para o qual foi criado, nem tampouco recompor os princípios perdidos.

Hoje o PT se distanciou completamente dos fundamentos que há 35 anos nos levaram a construí-lo com entusiasmo e envolvimento.”

Por décadas, acreditei e dei o melhor de mim na perseguição de ideais que, com seus acertos e erros, não se distanciavam de um norte ético indiscutível e intransigente.

Hoje, entretanto, não me sinto mais em condições de cooperar com o que não faz mais sentido a mim e a milhões de brasileiros.

A direção do Partido dos Trabalhadores vem restringindo, cerceando e limitando a atuação e desempenho de minhas atividades partidárias e, o que é mais grave, da minha atividade parlamentar oriunda da representação política de meu mandato.

Os fechamentos de espaços são muitos, com acontecimentos e constrangimentos públicos que envolvem situações e ações que, no passado recente, chegaram ao limite de colocar em risco minha eleição como Senadora pelo Estado de São Paulo nas eleições de 2010.

Vivencio o mais difícil e o pior momento de minha vida política. Como membro do PT, encontro-me em situação completamente constrangedora na bancada e no Plenário do Senado. Tenho me furtado a discursar e emitir minhas opiniões por me negar a defender um partido que não mais me representa, assim como a milhões de brasileiros que nele um dia acreditaram. Situação sem sentido que não tenho mais condições de deixar perdurar.

Serei fiel ao meu mandato e permanecerei depositária dos valores defendidos por aqueles que votaram em mim, hipotecaram sua confiança pessoal, e abraçaram as ideias que defendo desde a época em que me tornei pessoa pública em programa diário de TV onde sempre me pautei por princípios éticos inegociáveis.

Até onde pude, tentei reverter esta situação. Não fui ouvida. Não tenho compromisso com os reiterados desvios programáticos e toda sorte de erros cometidos.

Minha atuação como Senadora não pode ser isolada. Todo parlamentar precisa de um partido e o partido se expressa por meio de seus representantes eleitos.

Para quem é mandatária, como sou, eleita legitimamente com mais de 8 milhões de votos, resta-me a certeza de que minha prioridade é a fidelidade ao mandato que me foi outorgado pelo povo do Estado de São Paulo.

Como o exercício do meu mandato vem sendo claramente cerceado, em seu nome e em sua defesa, como representante popular sinto-me na responsabilidade e no dever de agir neste sentido.”

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2015

às 7:47

Marta deixa hoje o PT. E um vídeo feito há 32 anos sobre “o prazer da política”

A senadora Marta Suplicy deixa hoje o PT. Na carta que enviará ao partido, dirá que a legenda se afastou de seus princípios. É um dos motivos que justificam que um político com mandato deixe uma legenda sem correr o risco de perdê-lo, embora eu duvide que a Justiça Eleitoral pudesse cassar alguém eleito por voto majoritário.

A coisa tem, claro, o seu simbolismo. Há 33 anos, a adesão do casal Eduardo-Marta Suplicy ao PT foi lida como um reconhecimento, por parte de uma fatia da elite brasileira, “a consciente”, das iniquidades sociais do Brasil.

E aí vocês precisam assistir a um vídeo de 1983, Macelo Tas, na pele da personagem Ernesto Varela, que costumava fazer perguntas aparentemente ingênuas, foi a um comício do PT em favor das eleições diretas, realizado na praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo.

O que se vê é um PT ainda meio mambembe e socialista, lotado de barbudos, que vendiam livros de Karl Marx em barraquinhas improvisadas. No meio da turma, “os bonitos e ricos” Eduardo e Marta. Ele, já deputado federal, tinha sido atropelado na noite anterior e, ferido, era conduzido por ela numa cadeira de rodas. Tudo doce, amoroso e plácido.

Varela a todos fazia uma pergunta: “Qual é o prazer da política?” Eduardo tentou, com a precisão habitual: “Eu acho que é… uma missão, que eu sinto como uma coisa dentro de mim. Uma coisa em busca da verdade. E buscar a verdade é uma coisa humana”. Sim, leitor, já não fazia sentido.

O repórter fez a mesma pergunta a Marta, então conhecida em razão de seu quadro sobre sexo no programa TV Mulher, da Globo. “Qual é o prazer da política?”, pergunta Varela aos 7min55s. E ela: “Olha, eu não sei qual é. Eu gostaria de entender, viu?, porque eu concorro com ela todo o tempo, e, muitas vezes, ela vence”. Marta, então, estava mais ocupada, e era uma luta justa, da política do prazer, não do prazer da política.

Ela só foi descobri-lo 11 anos depois, quando se candidatou a deputada federal. E gostou da coisa. Nunca mais largou. Se o agora ex-marido só fez carreira no Parlamento, ela ocupou cargos executivos, como prefeita e ministra. Deixa o PT para se candidatar à Prefeitura, mais uma vez, provavelmente pelo PSB.

Trinta e dois anos depois daquele comício, vamos convir, rico mesmo, tudo indica, é Lulinha, o filho de Lulão. E sem o discreto charme daquilo que o PT chamava “burguesia”. O casal Suplicy se desfez. O sonho de uma adesão generosa das elites ao socialismo bocó resultou no conluio do partido com as empreiteiras.

E nem se pode dizer que o sonho acabou porque o PT se mostrou igual aos outros. Convenham: o assalto à Petrobras evidencia que nada é igual ao PT.

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 15:03

Para disputar a prefeitura, Marta avisa ao PSB que deixará o PT até maio

Por Gustavo Uribe e Marina Dias, na Folha:

Com a intenção de disputar a sucessão à prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) avisou ao PSB que se desfiliará do PT até maio.

 A informação foi repassada à cúpula estadual do partido pelo empresário Márcio Toledo, namorado da petista e principal articulador de sua candidatura no ano que vem.

Além do PSB, o empresário informou a intenção de Marta ao governo de São Paulo, de Geraldo Alckmin (PSDB), que deu aval ao movimento político.

Tucanos e pessebistas são aliados no Estado e os planos de Alckmin são os de disputar a Presidência da República em 2018.

Para ser candidata em 2016, Marta precisa estar filiada ao PSB em outubro, um ano antes da eleição municipal.

 Antecipar a decisão, portanto, tem como objetivo dar mais tempo à senadora para articular uma candidatura competitiva, com o apoio de siglas como PPS, PV e Solidariedade.

A filiação de Marta ao PSB conta com o apoio da cúpula nacional do partido, mas ainda encontra resistências entre lideranças da legenda em São Paulo.

O receio é de que, ao ser filiada, a petista transfira ao PSB parte da rejeição ao PT no Estado.

Entre os petistas, a avaliação majoritária é de que é pouco provável que Marta recue da decisão e continue na sigla.

As investidas do comando do partido para “reconquistar” Marta não tiveram até o momento resposta da senadora, que tem intensificado as críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

O PT em São Paulo tem monitorado o ânimo da militância nos diretórios zonais diante dos ataques que a senadora tem feito ao governo federal.

Os resultados apontam um descontentamento dos eleitores da petista, que gostam da senadora, mas a têm achado “agressiva”. (…)

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 4:05

Em artigo, Marta praticamente rompe com PT e com Dilma. Partido tentará esmagá-la hoje nas redes sociais. Ou: Um texto que serve como réquiem de uma farsa

Tudo indica que a senadora Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo e da Cultura, fundadora do PT e egressa daquela fatia da elite brasileira que se deixou encantar pelo lulismo, é, hoje, uma sem-partido. Para onde ela vai? Ainda não está claro! O que se dá como certo é que tentará se candidatar à Prefeitura de São Paulo. Até a semana passada, afirmava-se que o partido tentaria segurar as pontas e, quem sabe, fazê-la candidata ao governo do Estado em 2018. Não parece mais que isso seja possível.

Marta publicou um duríssimo artigo na Folha desta terça, com críticas contundentes ao governo Dilma e ao PT. Não evitou nem mesmo certa, digamos assim, personalização. O título está lá com todas as letras: “O diretor sumiu”.

Segundo Marta, prestem atenção, “se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro”. Se as palavras fazem sentido, e fazem, a ainda senadora petista afirma que:
a: a situação é de descalabro;
b: Dilma não fez um governo transparente;
c: a ruindade vem de antes, é anterior a essa gestão.

A senadora elenca o que não lhe parece bem e ainda ironiza a presidente. Leiam: “o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir”.

O espaço para uma eventual reconciliação parece ter desaparecido. Isso, obviamente, é linguagem de oposição, não de quem pertence ao partido que está no poder.

Marta parece insatisfeita com as medidas adotadas, mas, ao mesmo tempo, há a sugestão de que reconhece a sua necessidade, lamentando o que seria a ambiguidade de Dilma: “Imagina-se que a presidenta apoie o ministro da Fazenda e os demais integrantes da equipe econômica. É óbvio que ela sabe o tamanho das maldades que estão sendo implementadas para consertar a situação que, na realidade, não é nada rósea como foi apresentada na eleição. Mas não se tem certeza. Ela logo desautoriza a primeira fala de um membro da equipe. Depois silencia. A situação persiste sem clareza sobre o que pensa a presidenta”.

Se entenderam bem, Marta acusa também o estelionato eleitoral. Num dos momentos mais duros de seu diagnóstico, a senadora aponta:
“Nada foi explicado ao povo brasileiro, que já sente e sofre as consequências e acompanha atônito um estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança. É o que o mercado tem vivido e, por isso, não investe. O empresariado percebe a situação e começa a desempregar. O povo, que não é bobo, desconfia e gasta menos para ver se entende para onde vai o Brasil e seu futuro.”

Entendo ser este um texto de rompimento. Como refazer pontes depois disso? Fica evidente que suas reservas não se dirigem apenas a Dilma. Afirmei ontem em TVeja (aqui) que o governo e o PT perderam o eixo. Eis aí. Marta, goste-se ou não dela, é uma figura histórica do PT. Na mística partidária, encarnava aquela fatia dos privilegiados do país que, indignados com as injustiças sociais, resolveram aderir à luta dos oprimidos.

Aguardem. Nesta terça, o PT procurará fazer picadinho de Marta nas redes sociais. Vai tachá-la de dondoca deslumbrada, de riquinha enjoada, de perua descompensada. As características que antes eram vendidas como virtudes serão vistas como vícios. Mais do que se juntar a antigos adversários, o PT sabe mesmo é enlamear a reputação dos dissidentes.

O artigo da senadora, de algum modo, serve como o réquiem de uma farsa.

Por Reinaldo Azevedo

13/01/2015

às 4:43

Marta, o PT, Juca, machismo vigarista, Haddad, Kassab, Chalita, a “pedagorreia”  do amor e a miséria política da cidade de São Paulo  

Mas o que quer a senadora petista Marta Suplicy (SP)? Sabe Deus! Freud tentou uma pergunta mais simples: “O que querem as mulheres?”. Estou entre aqueles que consideram que ele foi malsucedido no esforço de dar uma resposta. Sim, que ela queira ser candidata à Prefeitura, parece fora de dúvida. Que não o será pelo PT, isso também é certo. Eis aí um ponto de atrito. Que eventualmente possa trocar o descontentamento por uma candidatura ao governo do Estado pelo partido em 2018, quando termina seu mandato no Senado, essa me parece uma possibilidade. Ocorre que o caminho está congestionado. Há muita gente querendo a mesma vaga. Também é verdade que suas bases no partido foram minadas. Seus homens fortes debandaram. Ela tinha bastante força na periferia da cidade. Hoje, desconfio, isso também se perdeu.

Na entrevista concedida ao Estadão, soltou os cachorros contra o PT — “ou muda ou acaba”, segundo ela — e contra Juca Ferreira, que assumiu o Ministério da Cultura. No PT, consta, ninguém pensa num ato de força contra ela, como a expulsão, mas a queimação de sua reputação, em termos politicamente sórdidos, já começou. Marta, é verdade, fez duras críticas a Ferreira e apontou irregularidades em sua gestão. É crítica política, goste-se ou não dela. E como respondeu o petista?

Disse ter levado “uma bolsada na cabeça da Louis Vuitton”, numa referência à marca francesa que distingue, vamos dizer, as ricas e famosas. Marta passou a ser tratada por seu colega de partido como uma dondoca deslumbrada, uma riquinha meio inconsequente, que não aceita ser contrariada. Não faltaram à resposta do novo ministro da Cultura traços explícitos de machismo: “A madame que se cuide, que, uma hora dessas, eu vou responder plenamente a ela. Eu tinha admiração por ela, e tenho. Via ela defendendo o direito ao orgasmo da mulher na televisão. Depois foi uma boa prefeita de São Paulo. Agora, ela não foi uma boa ministra, pra falar a verdade. [...] Ela pegou algumas coisas que a gente fez e deu prosseguimento”.

O que o orgasmo na televisão tem a ver com isso? O propósito de tentar caracterizar Marta como uma doida, que se dedica a irrelevâncias fesceninas e malandrinhas, como o orgasmo feminino, fica evidente. E esse, sem dúvida, é um sintoma importante de decadência do PT. Afinal de contas, simboliza também a perda de um discurso. E tanto pior quando se trata do governo de uma mulher: Dilma Rousseff. Na resposta de Ferreira, não faltou nem a tolice mais infantiloide. Afirmou: “É que fui mais aplaudido que ela num evento cultural. Paciência, não posso ser punido pela popularidade que vocês viram aí”. Santo Deus!

Marta chegou a conversar sobre a possibilidade de se candidatar à Prefeitura pelo PMDB. As portas se fecharam. Fernando Haddad levou Gabriel Chalita para a Secretaria da Educação — agora, a “pedagorreia do amor” dará as cartas na Prefeitura. Haddad e Chalita juntos podem levar a uma intoxicação por excesso de coxinha.

Em que vai dar? Não dá para saber. A turma de Gilberto Kassab, agora ministro das Cidades, contra quem Haddad ganhou a eleição em 2012, também se prepara para desembarcar na Prefeitura. Nunca tive simpatia por Marta, e todo mundo sabe disso. De todo modo, bem ou mal, ela vem de um tempo em que os partidos ainda tinham alguma identidade. No momento, a cidade de São Paulo está sendo administrada pelo PPSC, Partido do Poder sem Caráter. E é o desastre que todos conhecemos.

Faltavam à receita apenas algumas pitadas de discurso incompreensível, mas dito com aquela mansidão de que só a falsa profundidade é capaz. Agora não falta mais nada. Chalita chegou!

E ele ameaça escrever mais 357 livros sobre a sua experiência — amorosa e fofa, é claro! — à frente da Secretaria Municipal de Educação. Tomara que Deus tenha piedade dos paulistanos. Os políticos, como a gente vê, não têm nenhuma.

Por Reinaldo Azevedo

12/01/2015

às 5:57

Ex-ministra da Cultura, Marta Suplicy envia à CGU documentos contra Juca Ferreira, atual ministro

Por Fábio Fabrini, no Estadão:
A ex-ministra da Cultura Marta Suplicy (PT-SP) enviou à Controladoria-Geral da União (CGU) documentos sobre supostas irregularidades em parcerias de R$ 105 milhões, firmadas pela pasta na gestão de Juca Ferreira, com uma entidade que presta serviços à Cinemateca Brasileira – órgão vinculado ao ministério com sede em São Paulo. O uso dessa verba está entre os “desmandos” que a petista alega terem sido cometidos pelo antecessor na Cultura, que reassume hoje o cargo. Em entrevista publicada ontem [domingo] pelo Estado, Marta chamou a administração de Juca de “muito ruim” e disse ter mandado ao órgão de controle interno do governo “tudo sobre irregularidades e desmandos” da primeira passagem dele pela Cultura.  Auditorias da CGU apontaram problemas no uso de recursos do ministério pela Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC). A entidade atua como irmã siamesa da instituição, dando apoio aos projetos de preservação da produção audiovisual.

 A SAC recebeu R$ 111 milhões do Ministério da Cultura entre 1995 e 2010. Desse total, 94% referem-se a um termo de parceria executado na gestão de Juca. Um dos relatórios da CGU diz que a entidade foi contratada por escolha do ministério, sem consulta a outros interessados, e que projetos foram aprovados sem avaliação adequada dos custos.

Os auditores constataram que a SAC dispensava irregularmente licitações para compra de materiais e contratação de serviços. Orçamentos para as compras eram genéricos, diz o relatório, não permitindo comparação com preços praticados no mercado e, em consequência, a avaliação de eventual superfaturamento.  O relatório diz também que a entidade cobrava uma taxa para cobrir suas despesas com a administração dos projetos. Para a CGU, que determinou o ressarcimento, não foi devidamente demonstrada a composição dessa cobrança, que seria irregular. Para atividades de R$ 49 milhões, a taxa era de R$ 2,6 milhões. Houve favorecimento de funcionários da Cinemateca na execução dos projetos, segundo o relatório. A auditoria diz que o dono de uma empresa contratada pela SAC para coordenar atividades era servidor do órgão vinculado à Cultura. Segundo a CGU, a SAC não apresentou prestação de contas de despesas e o ministério não tomou providências. “Não houve apresentação, por parte do parceiro, de demonstração dos gastos e receitas executados nas ações pactuadas.”

As constatações da CGU já haviam sido fonte de crise no ministério. Em 2012, após tomar conhecimento do conteúdo do relatório, Marta demitiu a então secretária de Audiovisual, Ana Paula Santana, e outros dirigentes da área sob o argumento de que perdera a confiança na equipe.  Ana Paula foi diretora de Programas e Projetos Audiovisuais na gestão de Juca. Em fevereiro de 2011, na gestão de Ana de Hollanda, ascendeu ao comando da secretaria. Também é atribuída aos problemas apontados pela CGU a exoneração do ex-diretor executivo da Cinemateca, Carlos Magalhães, em 2013. 

Defesa
Procurado, Juca Ferreira informou que não se pronunciaria. O Estadonão localizou ontem dirigentes da Cinemateca e da SAC. Nos relatórios da CGU, o ministério refuta irregularidades. Num dos trechos, diz que a entidade tem ações de compliance e auditoria interna e que seu balanço contábil e financeiro é apresentado anualmente ao Ministério da Justiça. 

Por Reinaldo Azevedo

12/11/2014

às 16:02

Dilma nega reforma ministerial em bloco e minimiza “episódio Marta”

Então tá!

Dilma, pelo visto, teve uma boa noite de sono, numa suíte cuja diária custa R$ 30 mil. Ela não pagou nada. Foi um mimo do xeque do Catar. Vamos ver. A governanta negou que vá fazer uma reforma ministerial em bloco: “Não estabeleci prazo para ninguém sair. O Palácio não fala, é integrado por paredes mudas. Só quem fala sobre reforma é essa pessoa modesta que vos fala aqui”.

Dilma também minimizou o gesto de Marta, que se demitiu por carta enquanto a chefe estava fora do país: “A ministra Marta não fez nada de diferente, de errado, não teve atitude incorreta, seria uma injustiça [criticá-la]. Ela me disse o teor da carta antes de eu viajar. Logo depois da minha eleição, disse que sairia e eu aceitei. Ela me disse que enviaria uma carta”.

Ok. Até agora, ninguém entendeu por que a ministra da Cultura se demitiu fazendo críticas à política econômica.

Vá lá. Não é a única coisa nesse governo que não faz sentido.

 

Por Reinaldo Azevedo

11/11/2014

às 15:24

Marta, um pote até aqui de mágoa. Ou: Ministério pode voltar para as mãos de… Capilé!

Dilma vai devolver o capilé da Cultura ao Capilé? É bem possível!

Dilma vai devolver o capilé da Cultura ao Capilé? É bem possível!

Marta Suplicy, a agora ex-ministra da Cultura, continua um pote até aqui de mágoa. Mesmo tendo recebido a pasta como prêmio de consolação, o ressentimento por ter sido preterida na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2012, não passou. Mas há algo estranho. Foi Lula, não Dilma, quem impôs Fernando Haddad na base do dedaço. Ainda assim, Marta chegou a esboçar um movimento “Volta, Lula”, quando a presidente não ia muito bem das pernas. Aí quem ficou magoada foi Dilma.

A senadora se demitiu por carta, quando a presidente está fora do país, em viagem ao Catar. Não é um jeito muito elegante de agir. Em favor de Marta, tenho ao menos uma coisa positiva a dizer: ela não sabe fingir. Carrega, ademais, um traço, digamos, de classe, meio senhorial. Se é para demonstrar descontentamento, demonstra mesmo. Fim de papo!

O tom da carta também surpreende. Leiam este trecho:
“Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país. Isto é o que hoje o Brasil, ansiosamente, aguarda e espera”.

As palavras fazem sentido. Marta está dizendo que a atual equipe não é nem independente nem competente, no que tem razão — convenham! — e que a confiança e a credibilidade estão em baixa, o que não requer comprovação porque autoevidente.

Ela volta ao Senado para mais quatro anos de mandato. Qual será o seu papel? A esta altura, não está claro. Não vive às mil maravilhas com Rui Falcão, presidente do partido, que já foi seu aliado. Tem, sim, a pretensão de disputar com Fernando Haddad o lugar na chapa do PT para a Prefeitura em 2016 — e é evidente que ele vai concorrer à reeleição, já que conta com 98% dos votos nas redações e com o apoio arreganhado de amplos setores da imprensa, o que confere sempre uma boa largada. Jornalistas são bichos criativos e conseguem até achar bicicletas na sua única obra de vulto: as ciclofaixas…

Se Haddad parecia jogar a favor da renovação de quadros em São Paulo, Alexandre Padilha pode ter demonstrado o contrário. Marta vai tentar disputar cargos executivos, sim! Fossem outras as circunstâncias, poder-se-ia dizer que está voltando para o Senado para enfrentar uma dupla tucana de peso: José Serra e Aloysio Nunes. Mas não parece — não por enquanto ao menos — que ela esteja reassumindo seu posto com uma delegação de Dilma.

Fora do Eixo em ação
É grande a chance de Dilma devolver o Ministério da Cultura a Pablo Capilé, aquele notório rapaz que diz coisas incompreensíveis sobre assuntos a respeito dos quais não sabe nada, mas com grande eloquência. Ele é o chefão do tal “Fora do Eixo”, que recebe farto financiamento de estatais e, entre outras delicadezas, chega a confessar que explora uma modalidade de trabalho análogo à escravidão. No blog, vocês encontram farto material a respeito.

Capilé tem o que poderia ser definido como um “laranja político”: é Juca Ferreira, atual secretário da Cultura da cidade de São Paulo, que já foi ministro. O saliente Capilé apareceu na propaganda eleitoral de Dilma, é claro, revelando que nunca foi o que nunca foi: só um militante independente da cultura. É… A tal “Mídia Ninja” anda meio por baixo. Precisa mesmo do capilé estatal. Quanto a Ferreira, dizer o quê? Entre ele continuar secretário da Cultura de São Paulo e virar ministro em Brasília, prefiro a segunda alternativa. Assim, ele fica mais longe da cidade em que moro. Também tenho o meu lado egoísta.

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2014

às 16:27

O “templo” de Macedo e o dia em que Marta decidiu expropriar o Cristo Redentor!

Todos vimos autoridades federais, estaduais e municipais ao lado do autoproclamado bispo Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus, na inauguração do dito “Templo de Salomão”, em São Paulo. A obra não tinha sido liberada pelo Corpo de Bombeiros (exigência legal), e há severas suspeitas de irregularidades na concessão do alvará da Prefeitura. Mas, em tempos de eleição, os políticos gostam de se aproximar da religião. Mormente quando se trata de mais um empreendimento de Edir Macedo, que, a cada dia, força mais a semelhança com uma caricatura de profeta. E não venham me patrulhar. Os evangélicos sabem o respeito que tenho por eles. Sou um duro crítico da forma preconceituosa como são tratados pela imprensa. Mas não gosto quando uma igreja decide ser dona de um partido político e quando um líder religioso decide ser “governo” — pouco importando quem esteja no poder.

Muito bem! No caso do Templo de Salomão, as autoridades não quiseram saber em que estágio estava o cumprimento da lei. Também o Cristo Redentor, no Rio, foi peça de uma patranha política — esta de outra natureza. Leiam a coluna de Merval Pereira, publicada no Globo. Volto em seguida.

*

Cúria quase perde Cristo

Chega de Brasília uma informação que pode ser considerada bizarra, mas que também pode ter implicações mais graves. No impasse acerca do filme de José Padilha sobre o Rio, que a Cúria Metropolitana vetou inicialmente por considerar que a figura do Cristo Redentor havia sido desrespeitada, mas depois liberou, a ministra da Cultura Marta Suplicy fez chegar ao cardeal Dom Orani Tempesta uma ameaça de, através de um decreto presidencial que já estaria pronto, retirar da Igreja Católica a tutela sobre a imagem que está implantada no Parque Nacional da Tijuca, sob o controle da União.

O monumento foi erigido em área cedida pela União à Arquidiocese do Rio na década de 1930, mas o acesso à estátua é realizado pelo Parque Nacional da Tijuca, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Recentemente, a imagem do Cristo Redentor foi eleita, em votação pela internet no mundo todo, uma das modernas Sete Maravilhas do Mundo. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, que também atuou para liberar o filme, disse que chegou a conversar com Dom Orani tentando mostrar que a imagem do Cristo Redentor é um ícone da cidade do Rio, e que como tal também deveria ser tratada e não apenas como um santuário religioso. Mas garante que em nenhum momento soube de qualquer tentativa de retirar da Igreja Católica os direitos sobre a imagem.

Os direitos de uso comercial do Cristo no Corcovado pertencem desde 1980 à Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro, e em outubro de 2006, para comemorar seus 75 anos, a estátua foi transformada num santuário católico. Há também, na base do monumento, uma capela católica devotada a Nossa Senhora Aparecida.

A Arquidiocese do Rio de Janeiro não autorizou o uso da imagem do Cristo no filme Inútil paisagem, dirigido por José Padilha, por considerá-lo inicialmente desrespeitoso. Ele é um dos dez curtas que compõem o longa-metragem Rio, eu te amo, da franquia Cities of love.

Em uma sequência do curta, o personagem interpretado por Wagner Moura, durante um voo de asa-delta, conversa com a estátua do Cristo reclamando da vida, dos seus dissabores e da violência da cidade que ele deveria proteger.

O filme foi enviado para a apreciação da arquidiocese em março, tendo sido vetado. Segundo a assessoria de imprensa da Arquidiocese do Rio na ocasião, há cenas no filme em questão que foram consideradas ofensivas à imagem do Cristo e, consequentemente, à casa dos católicos. É uma prática absolutamente normal da Arquidiocese a não autorização de qualquer produto audiovisual que avance nesse caminho .

Dias depois, diante da reação negativa à decisão, considerada uma censura artística, o Vicariato para a Comunicação Social e a Assessoria de Imprensa da Arquidiocese anunciaram em nota a reversão da medida, pois haviam chegado à conclusão de que o episódio não visou interesse religioso no trato à imagem do Cristo Redentor, e portanto não houve desrespeito ao Cristo ou à religião católica .

O excesso de zelo dos encarregados pela imagem do Cristo, sem levar em conta o lado icônico não religioso da estátua que representa a cidade do Rio de Janeiro no mundo, pode levar a uma excessiva intervenção governamental que seria muito bem recebida em setores da sociedade contrários a esse controle da Igreja Católica sobre o monumento.

Retomo
Eis aí. Marta nega que tenha feito a ameaça. A Igreja Católica sabe que ela fez, sim. Não foi a pressão que levou a Cúria mudar de ideia. Mas o que vai acima dá uma medida de como essa gente gosta de encaminhar os debates. Vocês sabem que já defendi aqui que a Igreja não tem de ficar criando limites à forma como se usa a imagem do Cristo Redentor, especialmente numa obra de arte. Mas vamos com calma.

É a sociedade que tem de ter o controle do estado, não o contrário. Dona Marta Suplicy é aquela que decidiu, na prática, estatizar todas as obras de arte de autores brasileiros, mesmo as que estão em coleções privadas. À síndrome da prima-dona, herdada de outros carnavais, se soma o autoritarismo próprio do partido ao qual pertence. A mistura é explosiva.

Por Reinaldo Azevedo

17/01/2014

às 21:09

Marta é condenada em primeira instância por improbidade e tem direitos políticos suspensos

Por Lilian Venturini e Luciano Bottini Filho, no Estadão:
A ex-prefeita Marta Suplicy (PT) foi condenada pela Justiça de São Paulo por improbidade administrativa em razão de um contrato firmado sem licitação, durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo (2001-2004). Em decisão de primeira instância, o Juiz Alexandre Jorge Carneiro da Cunha Filho, da 1ª Vara de Fazenda Pública, condenou a ex-prefeita a suspensão dos direitos políticos por três anos e ao pagamento de multa no valor de 50 vezes a sua remuneração como prefeita.

Na decisão, da última quarta-feira, 9, o Justiça acatou a denúncia do Ministério Público de São Paulo, que apontou irregularidades na contratação, em 2002, de uma ONG para assessorar o desenvolvimento de ações referentes a planejamento familiar, métodos contraceptivos, questões de sexualidade nas subprefeituras de Cidade Ademar e Cidade Tiradentes. O juiz estende a condenação também a então secretária de Educação, Maria Aparecida Perez. A defesa de Marta Suplicy informou que vai recorrer, já que contrato semelhante foi considerado legítimo pela Justiça (leia abaixo). A defesa de Maria Aparecida não foi encontrada para comentar o caso.

 De acordo com a promotoria, o contrato de R$ 176,7 mil com o Grupo de Trabalho e Pesquisa de Orientação Sexual (GTPOS) é irregular por ter sido firmado sem a realização de licitação. A secretaria teria desconsiderado também os requisitos necessários para a dispensa da pesquisa de preços. “Houve infração do princípio da moralidade, já que a ré Marta Suplicy, prefeita de São Paulo à época da celebração do contrato, era intimamente ligada à entidade contratada”, acrescenta o juiz na sentença, de novembro de 2013.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

24/08/2013

às 15:26

A perua enlouqueceu! Ministério da Cultura, sob o comando de Marta Suplicy, concede R$ 2,8 milhões de incentivo da Lei Rouanet para estilista podre de chique desfilar em Paris

Vejam esta imagem. Volto em seguida.

 

Voltei
Marta Suplicy, hoje ministra da Cultura — com o integral apoio de Pablo Capilé —, tem, pode-se dizer, um eixo que a orienta: é podre de chique! Mesmo diante das maiores adversidades, jamais abriu mão de oferecer ao povo o que tem de melhor: seu guarda-roupa. Em 2004, um pequeno texto publicado na VEJA (imagem acima) fez história (link aqui).

A então prefeita tinha acabado de voltar de uma viagem a Londres e, mesmo assim, generosa, resolveu visitar uma área castigada pelas enchentes. Reproduzo trecho daquele texto:

“Com um bem cortado modelito verde, a mesma cor da pedra cravejada nos brincos que os cabelos loiros presos em coque deixaram à mostra, ao voltar de uma rápida viagem a Londres ela visitou uma das áreas mais atingidas pelas enchentes que castigaram a capital paulista durante vários dias. Elegantíssima, pisou com desenvoltura no lamaçal que tomou conta da região de Aricanduva, na Zona Leste, mas, contrariamente ao que costumava acontecer nessas aparições, deu-se mal. Moradores revoltados com as cheias partiram para hostilidades. Marta foi vaiada e chegaram a jogar lama em sua direção, sem atingi-la.”

Marta processou VEJA por causa do título. Lesse o dicionário, veria que “perua”, além de ser a fêmea do peru, também designa a mulher que “que se dá ares de elegante, mas que se veste espalhafatosamente”. Obviamente, a palavra foi empregada com esse sentido. Ela perdeu o processo.

Muito bem! O apreço da agora ministra pela moda, no entanto, é mesmo inquebrantável. Acabo de ler na VEJA desta semana que o estilista Pedro Lourenço poderá captar até R$ 2,8 milhões por intermédio da Lei Rouanet para participar da Semana de Moda em Paris.

Como???

Sim, sim, moda também é cultura e coisa e tal. Mas faz sentido a Lei Rouanet financiar um estilista? VEJA fez uma entrevista com o rapaz. Leiam trechos, com comentários.
VEJA – Por que você resolveu desfilar com dinheiro da Lei Rouanet?
LOURENÇO – É o começo de uma nova percepção do governo. Tem muita empresa quebrando no Brasil. Se o Cristian Lacroix quebrasse, teria um superincentivo na França. Ele é o que Clô Orozco (morta em março) era aqui. Quando ela quebrou, ninguém olhou.

Comento
Esse rapaz é filho de dois badalados estilistas brasileiros: Reinaldo Lourenço e Glória Coelho. Ele tinha, sei lá, uns sete anos, e já era considerado o Mozart do mundo fashion tupiniquim. Que eu saiba, os pais nunca precisaram de dinheiro público para fazer carreira. Esse cara tem, atenção!, VINTE E DOIS ANOS. Nas ideias, no entanto, tem a idade do atraso e da miséria brasileira. Ele acha que uma das tarefas do governo é socorrer empresas que quebram. Vamos lá: se Pedro Lourenço quebrasse, quantos empregos deixariam de ser gerados no Brasil? Qual seria o prejuízo efetivo dos brasileiros? A esmagadora maioria não poderia comprar as suas roupas ainda que quisesse. Eu sou contra qualquer lei de incentivo, já escrevi aqui, mesmo para a cultura propriamente. Mas vá lá: qualquer brasileiro pode, desde que tenha o gosto para tanto, ouvir um músico de vanguarda que eventualmente conte com apoio oficial. Mas quem pode comprar as roupas do janota enfatuado? Quem tem dinheiro para isso? ATENÇÃO! É LEGÍTIMO QUE OS ENDINHEIRADOS COMPREM O QUE LHES DER NA TELHA! Eu quero saber é por que esse rapaz vai participar de um evento da alta moda em Paris com o dinheiro dos desdentados. A perua enlouqueceu. 

Pedro Lourenço – Ele produz artigos de luxo para os muitos ricos e é bem-sucedido nisso. Por que precisa desfilar em Paris com o dinheiro dos desdentados?

 

Qual será o destino das peças dos seus desfiles financiados pela Lei Rouanet?
Serão destinadas a instituições brasileiras que as guardarão.
Quais?
Você pode entrar em contato com a Juliana aqui do marketing que ela lhe passa o contato da Didi, que está cuidando dessa parte.

Comento
Ah, esse descolamento da vida prática que exibem os gênios, né? Ele só vai ter acesso à grana, gente! É demais querer saber isso tudo. Aí é com a Juliana, que vai falar com a Didi, que… Imagino como era chato quando indagavam Rimbaud ou o jovem Mozart sobre coisas corriqueiras. Esses “enfants terribles” logo se entediam. Não é diferente com Pedrinho. Ele acabou perdendo a paciência com a repórter. Mais um pouco, pegava o seu bodoque. Acompanhem.

Sua roupa é relevante?
Peça de estilista que tem trajetória internacional vai se tornar história no futuro.
Por que acha que sua coligação será história?
Pode se tornar. Olhe, você disse que ia fazer três perguntas e já fez um monte.

Comento
Viram só? Ficou irritado! Quer usar o nosso dinheiro, mas acha que não tem de dar satisfações a ninguém. É, pensando bem, se a Marta aprova, que se dane o povo. Ora, ora… Por que, então, um “estilista de trajetória internacional” precisa do dinheiro público? Folga? Preguiça?

O cantor, compositor e escritor Lobão concede uma entrevista às Páginas Amarelas da VEJA desta semana (depois comento). Entre outras coisas, trata dos descaminhos da Lei Rouanet. Eu também acho que a intenção, na origem, pode até ter sido boa. Mas as consequências são desastrosas para a cultura e para a moralidade pública. A proteção do estado torna preguiçosos os criativos e permite toda sorte de desmandos. Ainda voltarei ao tema. De todo modo, convenham: ninguém esperava algo muito melhor de Marta Suplicy à frente do Ministério da Cultura, não é mesmo? E o pior é que essa nem é a coisa mais estúpida que ela fez na pasta.

A perua endoidou. Como diria Pedro, o estilista, “isso ainda vai se tornar histórico no futuro…”.

Ô se vai!

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2013

às 16:11

Lei Anti-Homofobia: Marta tenta dar truque nos cristãos, mas seu texto é um mimo do pensamento autoritário

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que vai pôr em votação a versão da senadora — ora ministra da Cultura Caxirola, Marta Suplicy — da PLC 122, apelidada de “Lei Anti-Homofobia”. Renan descobriu os benefícios da “pauta progressista”. Ajudam a dar uma ajeitada em sua biografia. Muito bem.

Marta fez a sua própria versão do texto, mais amena do que aquela que foi discutida na Câmara, o que não quer dizer que seja aceitável. A zerda no Brasil é que ninguém lê nada, nem bula de remédio — dia desses, se não tomo cuidado, teria entrado pelo cano… A esta altura, alguém estaria dizendo: “Ah, ele até que tinha algo de bom… Não muito, mas tinha…”. Pois é. Li e fiz a coisa certa.

O projeto da senadora Marta Suplicy existe e tem de ser lido. Já escrevi a respeito no dia 16 de maio de 2002. E NÃO! ELE NÃO É BOM, ELE NÃO É DEMOCRÁTICO, ELE NÃO É ACEITÁVEL. E vou demonstrar por quê.

Vocês perceberão que não se trata de matéria de opinião. Pouco me importa, neste caso, quem pensa o quê. Interessa-me saber como a alegada defesa dos gays e o alegado combate à homofobia se casam com os direitos assegurados na Constituição a TODOS OS INDIVÍDUOS. Prestem muita atenção! O que Marta espertamente tentou fazer foi dar um truque nas igrejas cristãs, que eram claramente perseguidas na primeira versão da proposta. Na segunda, o risco é amenizado, embora continue presente. O texto continua autoritário para cristãos e não cristãos, como verão..

A dita Lei Anti-Homofobia é um coquetel de inconstitucionalidades. Isso não quer dizer que, se submetida à análise do Supremo (caso aprovada no Congresso), não vá ser considerada mais um primor do direito criativo, uma área em que o Brasil está virando craque. Marta já afirmou que é preciso haver pressão da sociedade para aprovar a tal lei. “Pressão da sociedade” significa a organização de grupos da militância gay em favor da lei — e, obviamente, o silêncio de quem é contra. E é evidente que se pode ser contra não por preconceito contra os gays, mas porque a lei ofende o bom senso e cria uma casta de aristocratas sob o pretexto de combater a homofobia.

Como sempre faço, exponho a lei que está sendo discutida, em vez de escondê-la, como faz a maioria. Abaixo, segue em azul a proposta de Marta, que está no Senado. Atenção! O QUE VAI EM VERMELHO SÃO AS INOVAÇÕES PROPOSTAS POR MARTA. O QUE VAI EM AZUL JÁ ESTÁ NA LEI e remete a artigos do Código Penal. Eu decidi publicar a versão completa para que fique claro do que estamos falando. Se quiser, veja a íntegra antes de ler o comentário que faço.

PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 122, DE 2006

Define os crimes resultantes de preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero, altera o Código Penal e dá outras providências.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta Lei define crimes resultantes de preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.
Art. 2º Para efeito desta Lei, o termo sexo refere-se à distinção entre homens e mulheres; orientação sexual, à heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade; e identidade de gênero, à transexualidade e à travestilidade.
Art. 3º O disposto nesta Lei não se aplica à manifestação pacífica de pensamento decorrente da fé e da moral fundada na liberdade de consciência, de crença e de religião de que trata o inciso VI do art. 5º da Constituição Federal.

Discriminação no mercado de trabalho
Art. 4º Deixar de contratar ou nomear alguém ou dificultar sua contratação ou nomeação, quando atendidas as qualificações exigidas para o posto de trabalho, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem, durante o contrato de trabalho ou relação funcional, confere tratamento diferenciado ao empregado ou servidor, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

Discriminação nas relações de consumo
Art. 5º Recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Discriminação na prestação de serviço público
Art. 6º Recusar ou impedir o acesso de alguém a repartição pública de qualquer natureza ou negar-lhe a prestação de serviço público motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Indução à violência
Art. 7º Induzir alguém à prática de violência de qualquer natureza, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Art. 8º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 — Código Penal, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 61
São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:
I – a reincidência;
II – ter o agente cometido o crime:
a) por motivo fútil ou torpe;
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido;
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum;
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica;
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão;
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida;
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública,
ou de desgraça particular do ofendido;
l) em estado de embriaguez preordenada.
m) motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”

“Art. 121
Matar alguém:
Pena — reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos.
(…)
§ 2º
Se o homicídio é cometido:
I – mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II – por motivo fútil;
III – com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV – à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
V – para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
(…)
VI – motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

“Art. 129
Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena — detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

§ 12. Aumenta-se a pena de um terço se a lesão corporal foi motivada por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”

“Art. 136
Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:
Pena – detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1º – Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 2º – Se resulta a morte:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
§ 3º Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, ou é motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”

“Art. 140
Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
§ 1º – O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I – quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II – no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º – Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
Pena — detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa, além da pena
correspondente à violência.
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:

“Art. 286
Incitar, publicamente, a prática de crime:
Pena – detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa.
Apologia de crime ou criminoso

Parágrafo único. A pena é aumentada de um terço quando a incitação for motivada por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero”

Art. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Voltei
Muito bem! A lei já enrosca numa questão de linguagem no Artigo 2º. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa registra, sim, “transexualidade” e “travesti”, mas não abriga a “travestilidade”, seja lá o que isso queira dizer na linguagem militante ou no vocabulário da senadora.

Um homem que não seja habitualmente um “travesti” pode estar em “situação de travestilidade” transitória, por exemplo??? Deu na veneta do sujeito, ele vestiu um tubinho listrado e saiu por aí; em vez de Parati, resolveu tomar chá com torrada; em vez do canivete no cinto, um leque na mão… Lembram-se do cartunista Laerte, que é homem (sexo), diz-se bissexual (orientação) e, vestido de mulher, tentou usar um banheiro para mulheres (naquele dia, dividia o ambiente com uma criança do sexo feminino)? Aquilo era exercício de “travestilidade”? Sigamos.

O Artigo 3º — e os militantes xiitas já ficaram bastante irritados com ele — tenta minimizar a reação negativa da “bancada cristã” no Congresso. Especifica que o que vai na lei não se aplica à “manifestação pacífica do pensamento” em razão da crença, religião etc. Huuummm… A questão é saber quando um pensamento é considerado “pacífico” ou não. Quem decide isso? “Ah, é o juiz!” Certo! Com base em qual código, em qual receita, em qual bula? Ocorre que a agressão à liberdade religiosa, minimizada no texto do Senado, era apenas um dos problemas da lei. Os outros continuam.

Mercado de trabalho
Peguemos a questão da “discriminação no mercado de trabalho”. O diretor ou diretora de uma escolinha infantil, por exemplo, que rejeite um(a) professor(a) que se encaixe no grupo da “transexualidade” ou da “travestilidade” pode pegar até três anos de cadeia. Em caso de denúncia, o diretor ou diretora da escolinha teria de provar que só não contratou a tia Jehssyka — que, na verdade, era o tio Waldecyr — por motivos técnicos. A eventual consideração de que uma criança de quatro ou cinco anos não está, digamos, preparada para entender a “travestilidade” — que nem o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa abriga — não pode, evidentemente, ser levada em conta.

Nessa e nas demais situações previstas na “lei”, a pessoa acusada terá de produzir a chamada “prova negativa” — vale dizer, demonstrar que não agiu movido pelo preconceito. Vamos adiante.

Que tal pensar um pouquinho no Artigo 5º? Transcrevo:
“Art. 5º Recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.”

Leio e me contam que são cada vez mais frequentes as lojas de roupas femininas sem provadores. Como é um ambiente para mulheres, elas vão pondo e tirando peças por ali mesmo, entre as araras e os armários, ficando nuas ou seminuas (pare de ficar sonhando, leitor heterossexual reacionário e fascista e pouco afeito à diversidade, como acusou uma pesquisa da UFMG!!!!). Mas nada de impedir o Laerte (tomo-o como uma metonímia) — aquele que, em situação de travestilidade, quis dividir o banheiro feminino com uma mulher e uma criança — de fazer o mesmo, entenderam? Se ele quiser ficar pelado ali no meio da mulherada, expondo os seus balangandãs, estará protegido por uma lei! Ou é isso ou cana de três anos para a funcionária da loja que tentar impedi-lo de exercer a sua “travestilidade”! E se, por qualquer razão, o homem (sexo), bissexual (orientação) e travesti (identidade) tiver uma ereção, ainda que involuntária (vocês sabem, isso acontece), em meio a calcinhas e sutiãs? Um pênis, como a rosa de Gertrude Stein, é um pênis é um pênis. Nem Marta Suplicy, que, nos tempos de sexóloga, associava o dito órgão viril a uma varinha de fada, consegue mudar isso! O sujeito em situação de “travestilidade” poderá ser acusado de assédio, por exemplo, ou isso também seria discriminação de identidade? A lei não resiste às regras dos voos domésticos nos aviões brasileiros. Costuma-se reservar um dos banheiros só para mulheres. Digam-me: o homem que declara se sentir mulher pode usá-lo ou não? Estamos diante de um problema até filosófico: o que quer que um indivíduo pense sobre si mesmo altera efetivamente o mundo físico que o rodeia?

Código Penal
O texto muda ainda seis artigos do Código Penal. Se aprovada a proposta de dona Marta Suplicy, o Brasil estará dizendo ao mundo que matar um gay é coisa muito mais grave do que matar um heterossexual — ou, se quiserem, o contrário: matar um heterossexual é coisa muito menos grave do que matar um gay. 

Vejam lá: qualquer crime, segundo a redação proposta para o Artigo 61, terá pena agravada quando praticado em razão da orientação ou identidade sexual, valendo, com já disse, mesmo para o caso de homicídio (Artigo 121). Ofender a integridade ou a saúde de alguém (Art. 129) dá de três meses a um ano de cana. No caso de ser um gay, um terço a mais de pena. Ou mesmo vale para o caso de expor uma pessoa a riscos (Art. 136) ou injúria (Art. 140). Em suma, tudo aquilo que já é crime passa a ser “ainda mais crime” caso se acuse o criminoso de ter agido em razão do preconceito. 

Pressão
Marta pede a “pressão popular” — que, na verdade, é pressão da militância porque sabe que, caso a lei seja conhecida em seus detalhes e implicações, não seria aprovada de jeito nenhum. Os tempos são favoráveis a reparações dessa natureza. A imprensa é majoritariamente favorável ao texto e tende a satanizar os que o criticam, como se fossem porta-vozes do mundo das trevas — e não da velha e boa igualdade dos homens e mulheres perante a lei (pouco importa o que façam de sua sexualidade). Se há preconceito e discriminação, é preciso resolver a questão com educação, não com a aprovação de uma Lei de Exceção, que cria uma casta de indivíduos especialmente protegidos.

Fantasia estatística
Ocorre que a militância gay consegue vender fantasias como se fossem provas irrefutáveis de que o Brasil é o país mais homofóbico do mundo. Uma delas é o tal “número de homossexuais assassinados por ano”. Em 2010, segundo os próprios militantes, foram 260. Duvido que esse dado esteja correto! DEVE SER MUITO MAIS DO QUE ISSO. Sabem por quê? Em 2010, mais de 50 mil brasileiros foram assassinados. Dizem os militantes que são 10% os brasileiros gays. Logo, aqueles 260 devem ser casos de subnotificação. O que é um escândalo no Brasil é o número de homicídios em si, isto sim, pouco importa o que o morto fazia com o seu bingolim quando vivo.

Mas seria interessante estudar mesmo esse grupo de 260. Aposto que a larga maioria era composta de homens. O assassinato de lésbicas é coisa rara. Houvesse um preconceito tão arraigado a ponto de se matar alguém em razão de sua orientação, haveria um quase equilíbrio entre os dois grupos. Mas não há! A maioria é composta de homens homossexuais assassinados por… michês! Que também são homossexuais — ou, por acaso, não são? Muitos dos crimes atribuídos à chamada homofobia são praticados por… homossexuais. Eu diria que são ocorrências que se encaixam em outro escaninho da experiência humana: a prostituição. A propósito: um gay que matasse outro em razão de uma treta qualquer poderia ser enquadrado na Lei Anti-Homofobia? Outra ainda: o michê que matasse seu cliente teria a pena agravada, certo? E o contrário? E se o cliente matasse o michê? Esse crime não é de intolerância?

Reitero: o que é um escândalo, o que é inaceitável, o que é um absurdo é haver mais de 50 mil homicídios por ano no país, incluindo o de homossexuais, sim, que certamente não se limitam a 260, dado o número provável de gays no país. Mas convém não tomar como expressões do preconceito algumas ocorrências que decorrem do estilo de vida. Se a sexualidade não é uma escolha, o estilo é.

Não é correto tomar comportamentos que são marginais — que se situam à margem, entenda-se — como parâmetro para elaborar políticas públicas. A chamada lei de combate à homofobia constitui, isto sim, uma lei de concessão de privilégios. Não será pela via cartorial que se vai reeducar a sociedade. Seu efeito pode ser contraproducente: a menos que haja imposição de cotas nas empresas, aprovada a lei da homofobia, pode é haver restrições à contratação de homossexuais em determinados setores da economia — em alguns, eles já são maioria. Afinal, sempre que um homossexual for demitido, haverá o risco da acusação: “Homofobia”! E lá vai o acusado ter de provar que não é culpado.

Só as sociedades totalitárias obrigam os indivíduos a provar que não têm culpa!

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 15:16

Corajoso, juiz suspende projeto racista de Marta Suplicy, e Marta Suplicy chama a decisão de… racista!

Está de parabéns o juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão, que teve a coragem de defender a Constituição da República Federativa do Brasil. Vejam a que ponto chegamos: ter de parabenizar um juiz por… seguir a lei! O que Vale Madeira fez? Suspendeu editais do Prêmio Funarte de Arte Negra, do Ministério da Cultura, destinados apenas a projetos de “criadores negros”. Segundo o juiz, eles “abrem um acintoso e perigoso espectro de desigualdade racial”. Na mosca! O jornal O Globo não retrata a realidade ao afirmar que ele suspendeu os “editais de incentivo à cultura negra”. Errado! O problema não está em incentivar a cultura negra (na suposição de que ela exista, claro!, o que é falso). A odiosa discriminação — contra negros e não negros — está em restringir os projetos a pessoas que tenham uma determinada cor de pele.

A coisa é de tal sorte estúpida que a Funarte se recusou a receber o projeto de dez negros que, sob direção do dançarino Irineu Nogueira, também negro, tentaram inscrever o espetáculo “Afro Xplosion Brasil”. Ana Claudia Souza, diretora do Centro de Programas Integrados (CEPIN) da Funarte, informou que o grupo foi vetado porque está sendo representado pela Cooperativa Paulista de Dança, cujo presidente, o bailarino Sandro Borelli, é branco!!! Tratava-se de mera questão burocrática. O grupo apresentou a proposta por intermédio de uma pessoa jurídica para evitar o desconto de 27,5% do Imposto de Renda na verba pedida, de R$ 150 mil.

Marta Suplicy, a artífice genial da ideia, não teve dúvida: no programa “Bom Dia, Ministro”, desta quarta, classificou a decisão do juiz de “racista” e anunciou que o governo já recorreu. Essa grande pensadora institui um projeto que discrimina as pessoas pela cor da pele, em flagrante desrespeito à Constituição, mas chama de “racista” o ato que restabelece o império da lei.

O primeiro edital foi lançado no dia 20 de novembro do ano passado. O prazo teve de ser dilatado duas vezes porque os projetos não apareciam. No rádio, afirmou a preclara:
“No começo tivemos poucas pessoas apresentando projetos. Então nos demos conta de que os criadores negros não tinham acesso a esse edital. Quando pedimos para as regionais do Ministério da Cultura fazerem seminários, irem atrás das comunidades, das instituições negras, de 18 projetos chegamos a mais de dois mil (foram, no total, 2.827). Hoje temos o problema inverso, de selecionar para as poucas vagas que temos.”

É parolagem das grossas. Até os beneficiários do Bolsa Família (com suposta renda entre R$ 70 e R$ 140) têm acesso, como reconhece o governo, a telefone celular e redes sociais! São os excluídos sociais digitalmente incluídos, uma nova categoria criada pelo petismo, entendem?… Por que os “criadores negros” não teriam acesso aos editais? O que o governo fez foi buscar uma solução para o problema que ele próprio criou. Como os projetos não apareciam — e não porque negros sejam incapazes disso, é óbvio —, o ministério teve de dar um jeito de pari-los. E por que não apareciam? Porque o Brasil é menos racista do que o governo. País afora, apenas uma minoria extrema de criadores negros rejeita a presença de brancos.

De resto, “cultura negra”, assim como “cultura indígena” ou “cultura branca” são mistificações criadas pelo pensamento politicamente correto.  Não existem! Mas deixo para outro post.

Por Reinaldo Azevedo

11/05/2013

às 6:57

A caxirola de Carlinhos Brown, o povo de manual, e de Dilma, a búlgara da percussão

Decidi manter este texto no alto por mais algum tempo. Há posts da madrugada abaixo dele.

Junte a granada com o soco-inglês. Depois acrescente doses generosas de folclorização do subdesenvolvimento disfarçada de Metafísica Afro-Americana Transcendental. Submeta o conjunto a uma empresa de marketing para ver no que é que dá. Eis que surge, então, a caxirola, um suposto instrumento supostamente inventado pela suposta genialidade de Carlinhos Brown. Ele patenteou o que não passa de uma variação do caxixi, aquele chocalho de palha que acompanha o berimbau. Privatizou o apetrecho dos “irmãos” e firmou um contrato com a multinacional The Marketing Store. Tudo para emprestar cor local à Copa do Mundo. A ideia era produzir 50 milhões de caxirolas, a R$ 29,90 cada. Isto mesmo: algo, assim, como R$ 1.490.000.000,00. Um bilhão, quatrocentos e noventa milhões de reais. Brown receberia uma porcentagem a título de colaboração intelectual. A Brasken forneceria o plástico. Não estudei o caso a fundo para saber como a criação de Brown se diluiria, depois, na natureza. Eu agora estou nesta: só defendo produtos e ideias biodegradáveis, hehe. Fico cá a imaginar se a ideia pega… Imaginem o mundo vendo aquele monte de brasileiros chacoalhando aquela coisa nos estádios: “Ai, que coisa bonita! Que gente feliz! Mais feliz do que o povo do Butão!” . Só que deu tudo errado. 

Ilustração publicada na VEJA desta semana que termina: obra de Carlinhos Brown, o “designer” de nossa miséria intelectual

Brown privatizou o caxixi, patenteou e se associou a uma gigante do marketing. O suposto gênio é, indiscutivelmente, um esperto

Leiam o que informa a VEJA.com. Volto em seguida.
O músico Carlinhos Brown sofreu uma nova decepção na quinta-feira: a caxirola está proibida em seu próprio estado. De acordo com anúncio feito pela Polícia Militar da Bahia, o instrumento oficial da Copa do Mundo de 2014 não poderá ser usado pelos torcedores que forem à Arena Fonte Nova para acompanhar a primeira partida da final do Campeonato Baiano de 2013, no fim de semana. Por motivo de segurança, o torcedor que tentar entrar com o objeto terá de deixar a caxirola na porta — caso contrário, perderá o duelo entre Bahia e Vitória. A caxirola foi incluída numa lista de objetos proibidos nos estádios baianos —- uma relação que já inclui bebidas alcoólicas, armas e objetos pontiagudos, entre outros.

Há duas semanas, durante outra edição do clássico local, também pela competição estadual, torcedores do Bahia protestaram atirando no gramado as caxirolas que tinham sido distribuídas gratuitamente antes do jogo. Os jogadores do Bahia tiveram de retirar os objetos de plástico do campo para que a partida pudesse ter sequência, num episódio que acabou ficando conhecido como “a revolta das caxirolas”. A decisão de vetar o chocalho de plástico na partida foi tomada em uma reunião que contou com a participação de representantes da PM, da prefeitura, da Federação Baiana de Futebol, da Justiça e de torcidas organizadas. O uso das caxirolas como arma despertou a preocupação da Fifa e do Comitê Organizador Local da Copa de 2014 (COL), que estariam estudando banir o objeto das partidas do Mundial para evitar qualquer tipo de risco.

Voltei
Pois é… Vejam os dois vídeos abaixo. Um deles mostra Carlinhos Brown, o empresário, disfarçado de Carlinhos Brown, a entidade mística. O outro exibe os russos baianos, que não foram chamados para a combinação de Brown com a empresa de marketing, em ação. Retomo em seguida.

 

E não foi isso, é claro! Os mais afoitos descobriram que aquelas argolas por onde passam os dedos também servem para potencializar a contundência da chamada “porrada”. Carlinhos Brown queria brincar de pós-Carmen Miranda e acabou criando um soco-inglês com sotaque português. E é bom não esquecer: tudo isso contou com apoio do governo. Vejam, no vídeo abaixo, Marta Suplicy, especialista em chocalho desde os tempos em que estudava no Colégio Des Oiseaux, e a presidente Dilma Rousseff, conhecida pelo samba no pé e pelo apego às tradições nativistas, comportando-se como uma búlgara da percussão. Chocalho é instrumento de percussão? Sei lá eu. Deve ser. Um dia ainda estudo, como tese de doutorado, “A Relação Entre Água Encanada, Verminoses e Vacinas e a Quantidade de Instrumentos de Percussão nas Sociedades Contemporâneas — Uma Hipótese Explicativa”. Vou defender lá na Unicamp, onde Aloizio Mercadante conseguiu o doutorado dele, fazendo a apologia da “economia caxirola” do governo Lula…

Ensinando o povo a ser povo
Se vocês procurarem no arquivo do blog, encontrarão dezenas, talvez centenas, de textos em que critico essa mania dos “descolados” brasileiros de ensinar o povo a ser povo. É um hábito dos intelectuais do miolo mole e associados — vejam os sucessivos desastres que produz a Funai, por exemplo, quando tenta ensinar índio a ser índio. O índio quer roupa, e a fundação insiste em deixá-lo com a bunda de fora para satisfação de taras antropológicas que não ousam dizer seu nome… O que tem de ONG, por exemplo, que sobe o morro para ensinar funk e batuque para as crianças pobres que já sabem funk e batuque é uma enormidade! Aula de oboé, ninguém dá. Sobre Manuel Bandeira, ninguém fala. Povo tem é de bater lata e chacoalhar a caxirola do Carlinhos Brown. Mas será mesmo que isso é “coisa nossa”? Nossa? De quem?

A “caxirola”, até pelo nome, e uma apropriação obviamente indevida do caxixi. Além da Bahia, em que outro estado isso quer dizer alguma coisa? Aliás, mesmo nesse estado, estamos falando de um traço cultural de uma parcela da sociedade apenas — e é da minoria extrema! Por que a “caxirola” deveria nos representar? Deixem-me ver… A Bahia concentra 7% da população brasileira. Dos poucos mais de 14 milhões de baianos, para quantos o berimbau e suas derivações teratológicas (como a de Brown) têm alguma importância? Imagino os meus amigos Weimar e Cremilda com a caxirola na mão… Por que a estrovenga inventada pelo músico haveria de ser um símbolo do Brasil se ela não diz absolutamente nada para, deixem-me ver, uns 98% dos brasileiros? E olhem que chuto baixo. Fora das áreas destinadas ao folclore local da Bahia, ninguém quer saber de berimbau… A viola caipira é muito mais paulista, por exemplo, do que o berimbau é baiano. Ou ainda: a música de origem sertaneja, com todas as suas derivações não menos teratológicas, representa muito mais os brasileiros — se o critério fosse a representação democrática — do que as parlapatices culturais de Carlinhos Brown.

O governo petista da Bahia acaba de proibir, em nome da segurança dos baianos (que remédio?), o “instrumento” lançado por Dilma Rousseff, com aquele ar sempre encantado que fazem os políticos diante do alegre, primaveril e suposto primitivismo do povo…

Texto publicado originalmente às 19h18 desta sexta
Por Reinaldo Azevedo

23/03/2013

às 5:43

Discriminação racial na Funarte – 10 bailarinos negros têm espetáculo recusado por ente oficial porque diretor da pessoa jurídica que os representa é… branco!

Antes que vá ao caso, algumas considerações.

Eu já compro tanta briga, né? Às vezes, confesso, sinto certa preguiça. Mas vá lá… Quando a senadora Marta Suplicy (PT-SP), este monumento do pensamento político nacional — que ganhou o Ministério da Cultura para apoiar Fernando Haddad —, lançou o tal “Prêmio Funarte de Arte Negra”, escrevi o óbvio: “É discriminação racial!”. A portaria é de novembro do ano passado e tem a parceria da Sepir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial). Que se esclareça: não haveria nada de errado em haver um prêmio para manifestações artísticas que tivessem o negro ou a cultura negra como tema — ou, se quisessem, o racismo. Mas é evidente que ele deveria ser aberto a todos os artistas, com todas as cores de pele que há na raça humana. Qualquer coisa do gênero destinada só a brancos, mesmo promovida por entes privados,  terminaria na cadeia.

Aí os cretinos do politicamente correto vomitam: “Claro! Teria de prender mesmo! Estaria certo! Afinal, branco é maioria!”. Pra começo de conversa, diz o IBGE que já não é mais. Ainda que se queira lidar com o conceito de “minoria sociológica” — porque discriminada etc. e tal —, pergunto se não esta subjacente a essa proposta a ideia de gueto, de confinamento. Por que pretos devem concorrer só com pretos? Se a proposta de cotas nas universidades já não se sustenta moralmente, na arte, isso é um escândalo. E é claro que acabaria dando errado.

O primeiro prazo para a entrega de propostas era 4 de janeiro. Prorrogou-se para 4 de fevereiro e, depois, para o dia 25 de março, próxima segunda. Por quê? Por falta de projetos. Sabem por quê? Porque o Brasil, a despeito do que pretendem os racistas às avessas, é um país em que pretos e brancos convivem — nas artes, diga-se, mais do que em qualquer outra área.

Mas estava lá o edital bucéfalo. Branco está fora! Na Folha deste sábado, informa Gustavo Fioratti o que segue. Volto em seguida.

A Funarte, ligada ao Ministério da Cultura, recusou-se a receber o projeto de dez negros que, sob direção do dançarino Irineu Nogueira, tentaram inscrever o espetáculo “Afro Xplosion Brasil” no Prêmio Funarte de Arte Negra, cujo prazo de inscrição termina na segunda. Ana Claudia Souza, diretora do Centro de Programas Integrados (CEPIN) da Funarte, disse à Folha que o grupo foi vetado porque está sendo representado pela Cooperativa Paulista de Dança, cujo presidente, o bailarino Sandro Borelli, é branco.

O edital diz que, no caso de representações por pessoas jurídicas, só estão aptas a participar do prêmio “instituições privadas cujo representante legal, no ato da inscrição, se autodeclare negro”. Ela diz também que os proponentes podem se inscrever como pessoas físicas.

Nogueira considera “absurdo” o veto. “Não estou contra a Funarte, estou contra a concepção deste edital que, no afã de fazer uma reparação histórica, não tomou os cuidados para redigir o projeto com cuidado”, diz. Segundo ele, a opção de se inscrever pela cooperativa evitaria o desconto de IR de 27,5 %, que seriam abatidos do orçamento de R$ 150 mil. Segundo Souza, o texto do edital poderá ser rediscutido em suas próximas edições.

Voltei
Dizer o quê? É discriminação racial na veia! Os bananas acreditam que, assim, estão contribuindo, sei lá, para melhorar a condição do negro ou para elevar sua autoestima. Não estão, não! Isso é ruim para um país que tem de se integrar cada vez mais em vez de discriminar. Isso é ruim para a arte, que não pode se fechar num gueto. Isso é ruim para os negros — menos para os sindicalistas da causa —, que não podem se ver como um grupo apartado.

Acreditem: coisas assim não se dão nem na África do Sul, que se livrou do odiento apartheid há meros 19 anos. Mais uma contribuição de Marta Suplicy à política, às artes e ao pensamento. O que o Ministério Público fará nesse caso? Nada, ué! E isso também deveria nos cobrir de vergonha.

Por Reinaldo Azevedo

06/10/2012

às 6:41

Marta Suplicy já deixa a sua primeira marca na Cultura: um edital só para negros!!!

Sim, eu voltarei a este assunto. Fiquem agora com a informação da Folha:

O anúncio do lançamento de editais exclusivos para criadores e produtores negros, feito anteontem pelo Ministério da Cultura, dividiu opiniões entre acadêmicos e artistas brasileiros. Enquanto parte defende os editais, que devem ser lançados no Dia da Consciência Negra (20/11), outros os consideram preconceituosos. “É um absurdo. Se eu fosse negro, ficaria muito puto. É uma coisa de demência, ligada à culpa cristã de classe média branca. É só um passo a mais pelo ódio racial que está sendo potencializado desde que o PT entrou no poder”, disse o cantor Lobão.

Para o autor de “Cidade de Deus”, Paulo Lins, a medida anunciada pela ministra Marta Suplicy é boa e necessária. “O negro tem que ter privilégio e inclusão em tudo. Ele foi sacrificado durante 400 anos de escravidão no país.” KL Jay, do Racionais MC’s, concorda com Lins sobre a dívida que o Brasil tem com os descendentes de escravos. “O país me deve muito mais.” Já o cineasta Zelito Viana, que produziu “Terra em Transe” (1967) e “Cabra Marcado Para Morrer” (1985), considera a medida “racista”. “Agora haverá editais também para anão e para mulher?”

Para o professor de ciência política da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) João Feres Júnior, a medida é importante porque a cultura brasileira é “extremamente branco-cêntrica”. “Os produtores de narrativas são quase que exclusivamente brancos ou falam de uma perspectiva da qual a questão do racismo e da discriminação é invisível.” O compositor, pesquisador e escritor Nei Lopes concorda com Feres Júnior. “Há uma grande ‘invisibilização’ da produção do povo negro nos circuitos da ação cultural”, afirmou Lopes.

Danilo Miranda, diretor do Sesc-SP, disse ter inicialmente se assustado com o anúncio. “Achei que seria inadequado para um país que respeita a igualdade. Mas, depois, achei que se tratava de algo adequado para tornar o Brasil um país mais justo.”

LEGALIDADE
Para o sociólogo Demétrio Magnoli, a medida é discriminatória porque viola a igualdade constitucional entre os cidadãos, mas hoje “infelizmente” é legal graças à decisão do Supremo Tribunal Federal a favor das cotas raciais no vestibular da universidade de Brasília (UnB).

(…)

Encerro
Lobão acerta na indignação, mas erra no diagnóstico. O cristianismo não tem nada com isso, não! Até porque, na sua essência, não distingue os homens pela cor da pele. Faz justamente o contrário. 

Por Reinaldo Azevedo
 

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