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Marta Suplicy

12/11/2014

às 16:02

Dilma nega reforma ministerial em bloco e minimiza “episódio Marta”

Então tá!

Dilma, pelo visto, teve uma boa noite de sono, numa suíte cuja diária custa R$ 30 mil. Ela não pagou nada. Foi um mimo do xeque do Catar. Vamos ver. A governanta negou que vá fazer uma reforma ministerial em bloco: “Não estabeleci prazo para ninguém sair. O Palácio não fala, é integrado por paredes mudas. Só quem fala sobre reforma é essa pessoa modesta que vos fala aqui”.

Dilma também minimizou o gesto de Marta, que se demitiu por carta enquanto a chefe estava fora do país: “A ministra Marta não fez nada de diferente, de errado, não teve atitude incorreta, seria uma injustiça [criticá-la]. Ela me disse o teor da carta antes de eu viajar. Logo depois da minha eleição, disse que sairia e eu aceitei. Ela me disse que enviaria uma carta”.

Ok. Até agora, ninguém entendeu por que a ministra da Cultura se demitiu fazendo críticas à política econômica.

Vá lá. Não é a única coisa nesse governo que não faz sentido.

 

Por Reinaldo Azevedo

11/11/2014

às 15:24

Marta, um pote até aqui de mágoa. Ou: Ministério pode voltar para as mãos de… Capilé!

Dilma vai devolver o capilé da Cultura ao Capilé? É bem possível!

Dilma vai devolver o capilé da Cultura ao Capilé? É bem possível!

Marta Suplicy, a agora ex-ministra da Cultura, continua um pote até aqui de mágoa. Mesmo tendo recebido a pasta como prêmio de consolação, o ressentimento por ter sido preterida na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2012, não passou. Mas há algo estranho. Foi Lula, não Dilma, quem impôs Fernando Haddad na base do dedaço. Ainda assim, Marta chegou a esboçar um movimento “Volta, Lula”, quando a presidente não ia muito bem das pernas. Aí quem ficou magoada foi Dilma.

A senadora se demitiu por carta, quando a presidente está fora do país, em viagem ao Catar. Não é um jeito muito elegante de agir. Em favor de Marta, tenho ao menos uma coisa positiva a dizer: ela não sabe fingir. Carrega, ademais, um traço, digamos, de classe, meio senhorial. Se é para demonstrar descontentamento, demonstra mesmo. Fim de papo!

O tom da carta também surpreende. Leiam este trecho:
“Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país. Isto é o que hoje o Brasil, ansiosamente, aguarda e espera”.

As palavras fazem sentido. Marta está dizendo que a atual equipe não é nem independente nem competente, no que tem razão — convenham! — e que a confiança e a credibilidade estão em baixa, o que não requer comprovação porque autoevidente.

Ela volta ao Senado para mais quatro anos de mandato. Qual será o seu papel? A esta altura, não está claro. Não vive às mil maravilhas com Rui Falcão, presidente do partido, que já foi seu aliado. Tem, sim, a pretensão de disputar com Fernando Haddad o lugar na chapa do PT para a Prefeitura em 2016 — e é evidente que ele vai concorrer à reeleição, já que conta com 98% dos votos nas redações e com o apoio arreganhado de amplos setores da imprensa, o que confere sempre uma boa largada. Jornalistas são bichos criativos e conseguem até achar bicicletas na sua única obra de vulto: as ciclofaixas…

Se Haddad parecia jogar a favor da renovação de quadros em São Paulo, Alexandre Padilha pode ter demonstrado o contrário. Marta vai tentar disputar cargos executivos, sim! Fossem outras as circunstâncias, poder-se-ia dizer que está voltando para o Senado para enfrentar uma dupla tucana de peso: José Serra e Aloysio Nunes. Mas não parece — não por enquanto ao menos — que ela esteja reassumindo seu posto com uma delegação de Dilma.

Fora do Eixo em ação
É grande a chance de Dilma devolver o Ministério da Cultura a Pablo Capilé, aquele notório rapaz que diz coisas incompreensíveis sobre assuntos a respeito dos quais não sabe nada, mas com grande eloquência. Ele é o chefão do tal “Fora do Eixo”, que recebe farto financiamento de estatais e, entre outras delicadezas, chega a confessar que explora uma modalidade de trabalho análogo à escravidão. No blog, vocês encontram farto material a respeito.

Capilé tem o que poderia ser definido como um “laranja político”: é Juca Ferreira, atual secretário da Cultura da cidade de São Paulo, que já foi ministro. O saliente Capilé apareceu na propaganda eleitoral de Dilma, é claro, revelando que nunca foi o que nunca foi: só um militante independente da cultura. É… A tal “Mídia Ninja” anda meio por baixo. Precisa mesmo do capilé estatal. Quanto a Ferreira, dizer o quê? Entre ele continuar secretário da Cultura de São Paulo e virar ministro em Brasília, prefiro a segunda alternativa. Assim, ele fica mais longe da cidade em que moro. Também tenho o meu lado egoísta.

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2014

às 16:27

O “templo” de Macedo e o dia em que Marta decidiu expropriar o Cristo Redentor!

Todos vimos autoridades federais, estaduais e municipais ao lado do autoproclamado bispo Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus, na inauguração do dito “Templo de Salomão”, em São Paulo. A obra não tinha sido liberada pelo Corpo de Bombeiros (exigência legal), e há severas suspeitas de irregularidades na concessão do alvará da Prefeitura. Mas, em tempos de eleição, os políticos gostam de se aproximar da religião. Mormente quando se trata de mais um empreendimento de Edir Macedo, que, a cada dia, força mais a semelhança com uma caricatura de profeta. E não venham me patrulhar. Os evangélicos sabem o respeito que tenho por eles. Sou um duro crítico da forma preconceituosa como são tratados pela imprensa. Mas não gosto quando uma igreja decide ser dona de um partido político e quando um líder religioso decide ser “governo” — pouco importando quem esteja no poder.

Muito bem! No caso do Templo de Salomão, as autoridades não quiseram saber em que estágio estava o cumprimento da lei. Também o Cristo Redentor, no Rio, foi peça de uma patranha política — esta de outra natureza. Leiam a coluna de Merval Pereira, publicada no Globo. Volto em seguida.

*

Cúria quase perde Cristo

Chega de Brasília uma informação que pode ser considerada bizarra, mas que também pode ter implicações mais graves. No impasse acerca do filme de José Padilha sobre o Rio, que a Cúria Metropolitana vetou inicialmente por considerar que a figura do Cristo Redentor havia sido desrespeitada, mas depois liberou, a ministra da Cultura Marta Suplicy fez chegar ao cardeal Dom Orani Tempesta uma ameaça de, através de um decreto presidencial que já estaria pronto, retirar da Igreja Católica a tutela sobre a imagem que está implantada no Parque Nacional da Tijuca, sob o controle da União.

O monumento foi erigido em área cedida pela União à Arquidiocese do Rio na década de 1930, mas o acesso à estátua é realizado pelo Parque Nacional da Tijuca, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Recentemente, a imagem do Cristo Redentor foi eleita, em votação pela internet no mundo todo, uma das modernas Sete Maravilhas do Mundo. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, que também atuou para liberar o filme, disse que chegou a conversar com Dom Orani tentando mostrar que a imagem do Cristo Redentor é um ícone da cidade do Rio, e que como tal também deveria ser tratada e não apenas como um santuário religioso. Mas garante que em nenhum momento soube de qualquer tentativa de retirar da Igreja Católica os direitos sobre a imagem.

Os direitos de uso comercial do Cristo no Corcovado pertencem desde 1980 à Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro, e em outubro de 2006, para comemorar seus 75 anos, a estátua foi transformada num santuário católico. Há também, na base do monumento, uma capela católica devotada a Nossa Senhora Aparecida.

A Arquidiocese do Rio de Janeiro não autorizou o uso da imagem do Cristo no filme Inútil paisagem, dirigido por José Padilha, por considerá-lo inicialmente desrespeitoso. Ele é um dos dez curtas que compõem o longa-metragem Rio, eu te amo, da franquia Cities of love.

Em uma sequência do curta, o personagem interpretado por Wagner Moura, durante um voo de asa-delta, conversa com a estátua do Cristo reclamando da vida, dos seus dissabores e da violência da cidade que ele deveria proteger.

O filme foi enviado para a apreciação da arquidiocese em março, tendo sido vetado. Segundo a assessoria de imprensa da Arquidiocese do Rio na ocasião, há cenas no filme em questão que foram consideradas ofensivas à imagem do Cristo e, consequentemente, à casa dos católicos. É uma prática absolutamente normal da Arquidiocese a não autorização de qualquer produto audiovisual que avance nesse caminho .

Dias depois, diante da reação negativa à decisão, considerada uma censura artística, o Vicariato para a Comunicação Social e a Assessoria de Imprensa da Arquidiocese anunciaram em nota a reversão da medida, pois haviam chegado à conclusão de que o episódio não visou interesse religioso no trato à imagem do Cristo Redentor, e portanto não houve desrespeito ao Cristo ou à religião católica .

O excesso de zelo dos encarregados pela imagem do Cristo, sem levar em conta o lado icônico não religioso da estátua que representa a cidade do Rio de Janeiro no mundo, pode levar a uma excessiva intervenção governamental que seria muito bem recebida em setores da sociedade contrários a esse controle da Igreja Católica sobre o monumento.

Retomo
Eis aí. Marta nega que tenha feito a ameaça. A Igreja Católica sabe que ela fez, sim. Não foi a pressão que levou a Cúria mudar de ideia. Mas o que vai acima dá uma medida de como essa gente gosta de encaminhar os debates. Vocês sabem que já defendi aqui que a Igreja não tem de ficar criando limites à forma como se usa a imagem do Cristo Redentor, especialmente numa obra de arte. Mas vamos com calma.

É a sociedade que tem de ter o controle do estado, não o contrário. Dona Marta Suplicy é aquela que decidiu, na prática, estatizar todas as obras de arte de autores brasileiros, mesmo as que estão em coleções privadas. À síndrome da prima-dona, herdada de outros carnavais, se soma o autoritarismo próprio do partido ao qual pertence. A mistura é explosiva.

Por Reinaldo Azevedo

17/01/2014

às 21:09

Marta é condenada em primeira instância por improbidade e tem direitos políticos suspensos

Por Lilian Venturini e Luciano Bottini Filho, no Estadão:
A ex-prefeita Marta Suplicy (PT) foi condenada pela Justiça de São Paulo por improbidade administrativa em razão de um contrato firmado sem licitação, durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo (2001-2004). Em decisão de primeira instância, o Juiz Alexandre Jorge Carneiro da Cunha Filho, da 1ª Vara de Fazenda Pública, condenou a ex-prefeita a suspensão dos direitos políticos por três anos e ao pagamento de multa no valor de 50 vezes a sua remuneração como prefeita.

Na decisão, da última quarta-feira, 9, o Justiça acatou a denúncia do Ministério Público de São Paulo, que apontou irregularidades na contratação, em 2002, de uma ONG para assessorar o desenvolvimento de ações referentes a planejamento familiar, métodos contraceptivos, questões de sexualidade nas subprefeituras de Cidade Ademar e Cidade Tiradentes. O juiz estende a condenação também a então secretária de Educação, Maria Aparecida Perez. A defesa de Marta Suplicy informou que vai recorrer, já que contrato semelhante foi considerado legítimo pela Justiça (leia abaixo). A defesa de Maria Aparecida não foi encontrada para comentar o caso.

 De acordo com a promotoria, o contrato de R$ 176,7 mil com o Grupo de Trabalho e Pesquisa de Orientação Sexual (GTPOS) é irregular por ter sido firmado sem a realização de licitação. A secretaria teria desconsiderado também os requisitos necessários para a dispensa da pesquisa de preços. “Houve infração do princípio da moralidade, já que a ré Marta Suplicy, prefeita de São Paulo à época da celebração do contrato, era intimamente ligada à entidade contratada”, acrescenta o juiz na sentença, de novembro de 2013.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

24/08/2013

às 15:26

A perua enlouqueceu! Ministério da Cultura, sob o comando de Marta Suplicy, concede R$ 2,8 milhões de incentivo da Lei Rouanet para estilista podre de chique desfilar em Paris

Vejam esta imagem. Volto em seguida.

 

Voltei
Marta Suplicy, hoje ministra da Cultura — com o integral apoio de Pablo Capilé —, tem, pode-se dizer, um eixo que a orienta: é podre de chique! Mesmo diante das maiores adversidades, jamais abriu mão de oferecer ao povo o que tem de melhor: seu guarda-roupa. Em 2004, um pequeno texto publicado na VEJA (imagem acima) fez história (link aqui).

A então prefeita tinha acabado de voltar de uma viagem a Londres e, mesmo assim, generosa, resolveu visitar uma área castigada pelas enchentes. Reproduzo trecho daquele texto:

“Com um bem cortado modelito verde, a mesma cor da pedra cravejada nos brincos que os cabelos loiros presos em coque deixaram à mostra, ao voltar de uma rápida viagem a Londres ela visitou uma das áreas mais atingidas pelas enchentes que castigaram a capital paulista durante vários dias. Elegantíssima, pisou com desenvoltura no lamaçal que tomou conta da região de Aricanduva, na Zona Leste, mas, contrariamente ao que costumava acontecer nessas aparições, deu-se mal. Moradores revoltados com as cheias partiram para hostilidades. Marta foi vaiada e chegaram a jogar lama em sua direção, sem atingi-la.”

Marta processou VEJA por causa do título. Lesse o dicionário, veria que “perua”, além de ser a fêmea do peru, também designa a mulher que “que se dá ares de elegante, mas que se veste espalhafatosamente”. Obviamente, a palavra foi empregada com esse sentido. Ela perdeu o processo.

Muito bem! O apreço da agora ministra pela moda, no entanto, é mesmo inquebrantável. Acabo de ler na VEJA desta semana que o estilista Pedro Lourenço poderá captar até R$ 2,8 milhões por intermédio da Lei Rouanet para participar da Semana de Moda em Paris.

Como???

Sim, sim, moda também é cultura e coisa e tal. Mas faz sentido a Lei Rouanet financiar um estilista? VEJA fez uma entrevista com o rapaz. Leiam trechos, com comentários.
VEJA – Por que você resolveu desfilar com dinheiro da Lei Rouanet?
LOURENÇO – É o começo de uma nova percepção do governo. Tem muita empresa quebrando no Brasil. Se o Cristian Lacroix quebrasse, teria um superincentivo na França. Ele é o que Clô Orozco (morta em março) era aqui. Quando ela quebrou, ninguém olhou.

Comento
Esse rapaz é filho de dois badalados estilistas brasileiros: Reinaldo Lourenço e Glória Coelho. Ele tinha, sei lá, uns sete anos, e já era considerado o Mozart do mundo fashion tupiniquim. Que eu saiba, os pais nunca precisaram de dinheiro público para fazer carreira. Esse cara tem, atenção!, VINTE E DOIS ANOS. Nas ideias, no entanto, tem a idade do atraso e da miséria brasileira. Ele acha que uma das tarefas do governo é socorrer empresas que quebram. Vamos lá: se Pedro Lourenço quebrasse, quantos empregos deixariam de ser gerados no Brasil? Qual seria o prejuízo efetivo dos brasileiros? A esmagadora maioria não poderia comprar as suas roupas ainda que quisesse. Eu sou contra qualquer lei de incentivo, já escrevi aqui, mesmo para a cultura propriamente. Mas vá lá: qualquer brasileiro pode, desde que tenha o gosto para tanto, ouvir um músico de vanguarda que eventualmente conte com apoio oficial. Mas quem pode comprar as roupas do janota enfatuado? Quem tem dinheiro para isso? ATENÇÃO! É LEGÍTIMO QUE OS ENDINHEIRADOS COMPREM O QUE LHES DER NA TELHA! Eu quero saber é por que esse rapaz vai participar de um evento da alta moda em Paris com o dinheiro dos desdentados. A perua enlouqueceu. 

Pedro Lourenço – Ele produz artigos de luxo para os muitos ricos e é bem-sucedido nisso. Por que precisa desfilar em Paris com o dinheiro dos desdentados?

 

Qual será o destino das peças dos seus desfiles financiados pela Lei Rouanet?
Serão destinadas a instituições brasileiras que as guardarão.
Quais?
Você pode entrar em contato com a Juliana aqui do marketing que ela lhe passa o contato da Didi, que está cuidando dessa parte.

Comento
Ah, esse descolamento da vida prática que exibem os gênios, né? Ele só vai ter acesso à grana, gente! É demais querer saber isso tudo. Aí é com a Juliana, que vai falar com a Didi, que… Imagino como era chato quando indagavam Rimbaud ou o jovem Mozart sobre coisas corriqueiras. Esses “enfants terribles” logo se entediam. Não é diferente com Pedrinho. Ele acabou perdendo a paciência com a repórter. Mais um pouco, pegava o seu bodoque. Acompanhem.

Sua roupa é relevante?
Peça de estilista que tem trajetória internacional vai se tornar história no futuro.
Por que acha que sua coligação será história?
Pode se tornar. Olhe, você disse que ia fazer três perguntas e já fez um monte.

Comento
Viram só? Ficou irritado! Quer usar o nosso dinheiro, mas acha que não tem de dar satisfações a ninguém. É, pensando bem, se a Marta aprova, que se dane o povo. Ora, ora… Por que, então, um “estilista de trajetória internacional” precisa do dinheiro público? Folga? Preguiça?

O cantor, compositor e escritor Lobão concede uma entrevista às Páginas Amarelas da VEJA desta semana (depois comento). Entre outras coisas, trata dos descaminhos da Lei Rouanet. Eu também acho que a intenção, na origem, pode até ter sido boa. Mas as consequências são desastrosas para a cultura e para a moralidade pública. A proteção do estado torna preguiçosos os criativos e permite toda sorte de desmandos. Ainda voltarei ao tema. De todo modo, convenham: ninguém esperava algo muito melhor de Marta Suplicy à frente do Ministério da Cultura, não é mesmo? E o pior é que essa nem é a coisa mais estúpida que ela fez na pasta.

A perua endoidou. Como diria Pedro, o estilista, “isso ainda vai se tornar histórico no futuro…”.

Ô se vai!

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2013

às 16:11

Lei Anti-Homofobia: Marta tenta dar truque nos cristãos, mas seu texto é um mimo do pensamento autoritário

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que vai pôr em votação a versão da senadora — ora ministra da Cultura Caxirola, Marta Suplicy — da PLC 122, apelidada de “Lei Anti-Homofobia”. Renan descobriu os benefícios da “pauta progressista”. Ajudam a dar uma ajeitada em sua biografia. Muito bem.

Marta fez a sua própria versão do texto, mais amena do que aquela que foi discutida na Câmara, o que não quer dizer que seja aceitável. A zerda no Brasil é que ninguém lê nada, nem bula de remédio — dia desses, se não tomo cuidado, teria entrado pelo cano… A esta altura, alguém estaria dizendo: “Ah, ele até que tinha algo de bom… Não muito, mas tinha…”. Pois é. Li e fiz a coisa certa.

O projeto da senadora Marta Suplicy existe e tem de ser lido. Já escrevi a respeito no dia 16 de maio de 2002. E NÃO! ELE NÃO É BOM, ELE NÃO É DEMOCRÁTICO, ELE NÃO É ACEITÁVEL. E vou demonstrar por quê.

Vocês perceberão que não se trata de matéria de opinião. Pouco me importa, neste caso, quem pensa o quê. Interessa-me saber como a alegada defesa dos gays e o alegado combate à homofobia se casam com os direitos assegurados na Constituição a TODOS OS INDIVÍDUOS. Prestem muita atenção! O que Marta espertamente tentou fazer foi dar um truque nas igrejas cristãs, que eram claramente perseguidas na primeira versão da proposta. Na segunda, o risco é amenizado, embora continue presente. O texto continua autoritário para cristãos e não cristãos, como verão..

A dita Lei Anti-Homofobia é um coquetel de inconstitucionalidades. Isso não quer dizer que, se submetida à análise do Supremo (caso aprovada no Congresso), não vá ser considerada mais um primor do direito criativo, uma área em que o Brasil está virando craque. Marta já afirmou que é preciso haver pressão da sociedade para aprovar a tal lei. “Pressão da sociedade” significa a organização de grupos da militância gay em favor da lei — e, obviamente, o silêncio de quem é contra. E é evidente que se pode ser contra não por preconceito contra os gays, mas porque a lei ofende o bom senso e cria uma casta de aristocratas sob o pretexto de combater a homofobia.

Como sempre faço, exponho a lei que está sendo discutida, em vez de escondê-la, como faz a maioria. Abaixo, segue em azul a proposta de Marta, que está no Senado. Atenção! O QUE VAI EM VERMELHO SÃO AS INOVAÇÕES PROPOSTAS POR MARTA. O QUE VAI EM AZUL JÁ ESTÁ NA LEI e remete a artigos do Código Penal. Eu decidi publicar a versão completa para que fique claro do que estamos falando. Se quiser, veja a íntegra antes de ler o comentário que faço.

PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 122, DE 2006

Define os crimes resultantes de preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero, altera o Código Penal e dá outras providências.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta Lei define crimes resultantes de preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.
Art. 2º Para efeito desta Lei, o termo sexo refere-se à distinção entre homens e mulheres; orientação sexual, à heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade; e identidade de gênero, à transexualidade e à travestilidade.
Art. 3º O disposto nesta Lei não se aplica à manifestação pacífica de pensamento decorrente da fé e da moral fundada na liberdade de consciência, de crença e de religião de que trata o inciso VI do art. 5º da Constituição Federal.

Discriminação no mercado de trabalho
Art. 4º Deixar de contratar ou nomear alguém ou dificultar sua contratação ou nomeação, quando atendidas as qualificações exigidas para o posto de trabalho, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem, durante o contrato de trabalho ou relação funcional, confere tratamento diferenciado ao empregado ou servidor, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

Discriminação nas relações de consumo
Art. 5º Recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Discriminação na prestação de serviço público
Art. 6º Recusar ou impedir o acesso de alguém a repartição pública de qualquer natureza ou negar-lhe a prestação de serviço público motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Indução à violência
Art. 7º Induzir alguém à prática de violência de qualquer natureza, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Art. 8º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 — Código Penal, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 61
São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:
I – a reincidência;
II – ter o agente cometido o crime:
a) por motivo fútil ou torpe;
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido;
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum;
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica;
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão;
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida;
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública,
ou de desgraça particular do ofendido;
l) em estado de embriaguez preordenada.
m) motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”

“Art. 121
Matar alguém:
Pena — reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos.
(…)
§ 2º
Se o homicídio é cometido:
I – mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II – por motivo fútil;
III – com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV – à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
V – para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
(…)
VI – motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

“Art. 129
Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena — detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

§ 12. Aumenta-se a pena de um terço se a lesão corporal foi motivada por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”

“Art. 136
Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:
Pena – detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1º – Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 2º – Se resulta a morte:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
§ 3º Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, ou é motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”

“Art. 140
Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
§ 1º – O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I – quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II – no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º – Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
Pena — detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa, além da pena
correspondente à violência.
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:

“Art. 286
Incitar, publicamente, a prática de crime:
Pena – detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa.
Apologia de crime ou criminoso

Parágrafo único. A pena é aumentada de um terço quando a incitação for motivada por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero”

Art. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Voltei
Muito bem! A lei já enrosca numa questão de linguagem no Artigo 2º. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa registra, sim, “transexualidade” e “travesti”, mas não abriga a “travestilidade”, seja lá o que isso queira dizer na linguagem militante ou no vocabulário da senadora.

Um homem que não seja habitualmente um “travesti” pode estar em “situação de travestilidade” transitória, por exemplo??? Deu na veneta do sujeito, ele vestiu um tubinho listrado e saiu por aí; em vez de Parati, resolveu tomar chá com torrada; em vez do canivete no cinto, um leque na mão… Lembram-se do cartunista Laerte, que é homem (sexo), diz-se bissexual (orientação) e, vestido de mulher, tentou usar um banheiro para mulheres (naquele dia, dividia o ambiente com uma criança do sexo feminino)? Aquilo era exercício de “travestilidade”? Sigamos.

O Artigo 3º — e os militantes xiitas já ficaram bastante irritados com ele — tenta minimizar a reação negativa da “bancada cristã” no Congresso. Especifica que o que vai na lei não se aplica à “manifestação pacífica do pensamento” em razão da crença, religião etc. Huuummm… A questão é saber quando um pensamento é considerado “pacífico” ou não. Quem decide isso? “Ah, é o juiz!” Certo! Com base em qual código, em qual receita, em qual bula? Ocorre que a agressão à liberdade religiosa, minimizada no texto do Senado, era apenas um dos problemas da lei. Os outros continuam.

Mercado de trabalho
Peguemos a questão da “discriminação no mercado de trabalho”. O diretor ou diretora de uma escolinha infantil, por exemplo, que rejeite um(a) professor(a) que se encaixe no grupo da “transexualidade” ou da “travestilidade” pode pegar até três anos de cadeia. Em caso de denúncia, o diretor ou diretora da escolinha teria de provar que só não contratou a tia Jehssyka — que, na verdade, era o tio Waldecyr — por motivos técnicos. A eventual consideração de que uma criança de quatro ou cinco anos não está, digamos, preparada para entender a “travestilidade” — que nem o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa abriga — não pode, evidentemente, ser levada em conta.

Nessa e nas demais situações previstas na “lei”, a pessoa acusada terá de produzir a chamada “prova negativa” — vale dizer, demonstrar que não agiu movido pelo preconceito. Vamos adiante.

Que tal pensar um pouquinho no Artigo 5º? Transcrevo:
“Art. 5º Recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.”

Leio e me contam que são cada vez mais frequentes as lojas de roupas femininas sem provadores. Como é um ambiente para mulheres, elas vão pondo e tirando peças por ali mesmo, entre as araras e os armários, ficando nuas ou seminuas (pare de ficar sonhando, leitor heterossexual reacionário e fascista e pouco afeito à diversidade, como acusou uma pesquisa da UFMG!!!!). Mas nada de impedir o Laerte (tomo-o como uma metonímia) — aquele que, em situação de travestilidade, quis dividir o banheiro feminino com uma mulher e uma criança — de fazer o mesmo, entenderam? Se ele quiser ficar pelado ali no meio da mulherada, expondo os seus balangandãs, estará protegido por uma lei! Ou é isso ou cana de três anos para a funcionária da loja que tentar impedi-lo de exercer a sua “travestilidade”! E se, por qualquer razão, o homem (sexo), bissexual (orientação) e travesti (identidade) tiver uma ereção, ainda que involuntária (vocês sabem, isso acontece), em meio a calcinhas e sutiãs? Um pênis, como a rosa de Gertrude Stein, é um pênis é um pênis. Nem Marta Suplicy, que, nos tempos de sexóloga, associava o dito órgão viril a uma varinha de fada, consegue mudar isso! O sujeito em situação de “travestilidade” poderá ser acusado de assédio, por exemplo, ou isso também seria discriminação de identidade? A lei não resiste às regras dos voos domésticos nos aviões brasileiros. Costuma-se reservar um dos banheiros só para mulheres. Digam-me: o homem que declara se sentir mulher pode usá-lo ou não? Estamos diante de um problema até filosófico: o que quer que um indivíduo pense sobre si mesmo altera efetivamente o mundo físico que o rodeia?

Código Penal
O texto muda ainda seis artigos do Código Penal. Se aprovada a proposta de dona Marta Suplicy, o Brasil estará dizendo ao mundo que matar um gay é coisa muito mais grave do que matar um heterossexual — ou, se quiserem, o contrário: matar um heterossexual é coisa muito menos grave do que matar um gay. 

Vejam lá: qualquer crime, segundo a redação proposta para o Artigo 61, terá pena agravada quando praticado em razão da orientação ou identidade sexual, valendo, com já disse, mesmo para o caso de homicídio (Artigo 121). Ofender a integridade ou a saúde de alguém (Art. 129) dá de três meses a um ano de cana. No caso de ser um gay, um terço a mais de pena. Ou mesmo vale para o caso de expor uma pessoa a riscos (Art. 136) ou injúria (Art. 140). Em suma, tudo aquilo que já é crime passa a ser “ainda mais crime” caso se acuse o criminoso de ter agido em razão do preconceito. 

Pressão
Marta pede a “pressão popular” — que, na verdade, é pressão da militância porque sabe que, caso a lei seja conhecida em seus detalhes e implicações, não seria aprovada de jeito nenhum. Os tempos são favoráveis a reparações dessa natureza. A imprensa é majoritariamente favorável ao texto e tende a satanizar os que o criticam, como se fossem porta-vozes do mundo das trevas — e não da velha e boa igualdade dos homens e mulheres perante a lei (pouco importa o que façam de sua sexualidade). Se há preconceito e discriminação, é preciso resolver a questão com educação, não com a aprovação de uma Lei de Exceção, que cria uma casta de indivíduos especialmente protegidos.

Fantasia estatística
Ocorre que a militância gay consegue vender fantasias como se fossem provas irrefutáveis de que o Brasil é o país mais homofóbico do mundo. Uma delas é o tal “número de homossexuais assassinados por ano”. Em 2010, segundo os próprios militantes, foram 260. Duvido que esse dado esteja correto! DEVE SER MUITO MAIS DO QUE ISSO. Sabem por quê? Em 2010, mais de 50 mil brasileiros foram assassinados. Dizem os militantes que são 10% os brasileiros gays. Logo, aqueles 260 devem ser casos de subnotificação. O que é um escândalo no Brasil é o número de homicídios em si, isto sim, pouco importa o que o morto fazia com o seu bingolim quando vivo.

Mas seria interessante estudar mesmo esse grupo de 260. Aposto que a larga maioria era composta de homens. O assassinato de lésbicas é coisa rara. Houvesse um preconceito tão arraigado a ponto de se matar alguém em razão de sua orientação, haveria um quase equilíbrio entre os dois grupos. Mas não há! A maioria é composta de homens homossexuais assassinados por… michês! Que também são homossexuais — ou, por acaso, não são? Muitos dos crimes atribuídos à chamada homofobia são praticados por… homossexuais. Eu diria que são ocorrências que se encaixam em outro escaninho da experiência humana: a prostituição. A propósito: um gay que matasse outro em razão de uma treta qualquer poderia ser enquadrado na Lei Anti-Homofobia? Outra ainda: o michê que matasse seu cliente teria a pena agravada, certo? E o contrário? E se o cliente matasse o michê? Esse crime não é de intolerância?

Reitero: o que é um escândalo, o que é inaceitável, o que é um absurdo é haver mais de 50 mil homicídios por ano no país, incluindo o de homossexuais, sim, que certamente não se limitam a 260, dado o número provável de gays no país. Mas convém não tomar como expressões do preconceito algumas ocorrências que decorrem do estilo de vida. Se a sexualidade não é uma escolha, o estilo é.

Não é correto tomar comportamentos que são marginais — que se situam à margem, entenda-se — como parâmetro para elaborar políticas públicas. A chamada lei de combate à homofobia constitui, isto sim, uma lei de concessão de privilégios. Não será pela via cartorial que se vai reeducar a sociedade. Seu efeito pode ser contraproducente: a menos que haja imposição de cotas nas empresas, aprovada a lei da homofobia, pode é haver restrições à contratação de homossexuais em determinados setores da economia — em alguns, eles já são maioria. Afinal, sempre que um homossexual for demitido, haverá o risco da acusação: “Homofobia”! E lá vai o acusado ter de provar que não é culpado.

Só as sociedades totalitárias obrigam os indivíduos a provar que não têm culpa!

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 15:16

Corajoso, juiz suspende projeto racista de Marta Suplicy, e Marta Suplicy chama a decisão de… racista!

Está de parabéns o juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão, que teve a coragem de defender a Constituição da República Federativa do Brasil. Vejam a que ponto chegamos: ter de parabenizar um juiz por… seguir a lei! O que Vale Madeira fez? Suspendeu editais do Prêmio Funarte de Arte Negra, do Ministério da Cultura, destinados apenas a projetos de “criadores negros”. Segundo o juiz, eles “abrem um acintoso e perigoso espectro de desigualdade racial”. Na mosca! O jornal O Globo não retrata a realidade ao afirmar que ele suspendeu os “editais de incentivo à cultura negra”. Errado! O problema não está em incentivar a cultura negra (na suposição de que ela exista, claro!, o que é falso). A odiosa discriminação — contra negros e não negros — está em restringir os projetos a pessoas que tenham uma determinada cor de pele.

A coisa é de tal sorte estúpida que a Funarte se recusou a receber o projeto de dez negros que, sob direção do dançarino Irineu Nogueira, também negro, tentaram inscrever o espetáculo “Afro Xplosion Brasil”. Ana Claudia Souza, diretora do Centro de Programas Integrados (CEPIN) da Funarte, informou que o grupo foi vetado porque está sendo representado pela Cooperativa Paulista de Dança, cujo presidente, o bailarino Sandro Borelli, é branco!!! Tratava-se de mera questão burocrática. O grupo apresentou a proposta por intermédio de uma pessoa jurídica para evitar o desconto de 27,5% do Imposto de Renda na verba pedida, de R$ 150 mil.

Marta Suplicy, a artífice genial da ideia, não teve dúvida: no programa “Bom Dia, Ministro”, desta quarta, classificou a decisão do juiz de “racista” e anunciou que o governo já recorreu. Essa grande pensadora institui um projeto que discrimina as pessoas pela cor da pele, em flagrante desrespeito à Constituição, mas chama de “racista” o ato que restabelece o império da lei.

O primeiro edital foi lançado no dia 20 de novembro do ano passado. O prazo teve de ser dilatado duas vezes porque os projetos não apareciam. No rádio, afirmou a preclara:
“No começo tivemos poucas pessoas apresentando projetos. Então nos demos conta de que os criadores negros não tinham acesso a esse edital. Quando pedimos para as regionais do Ministério da Cultura fazerem seminários, irem atrás das comunidades, das instituições negras, de 18 projetos chegamos a mais de dois mil (foram, no total, 2.827). Hoje temos o problema inverso, de selecionar para as poucas vagas que temos.”

É parolagem das grossas. Até os beneficiários do Bolsa Família (com suposta renda entre R$ 70 e R$ 140) têm acesso, como reconhece o governo, a telefone celular e redes sociais! São os excluídos sociais digitalmente incluídos, uma nova categoria criada pelo petismo, entendem?… Por que os “criadores negros” não teriam acesso aos editais? O que o governo fez foi buscar uma solução para o problema que ele próprio criou. Como os projetos não apareciam — e não porque negros sejam incapazes disso, é óbvio —, o ministério teve de dar um jeito de pari-los. E por que não apareciam? Porque o Brasil é menos racista do que o governo. País afora, apenas uma minoria extrema de criadores negros rejeita a presença de brancos.

De resto, “cultura negra”, assim como “cultura indígena” ou “cultura branca” são mistificações criadas pelo pensamento politicamente correto.  Não existem! Mas deixo para outro post.

Por Reinaldo Azevedo

11/05/2013

às 6:57

A caxirola de Carlinhos Brown, o povo de manual, e de Dilma, a búlgara da percussão

Decidi manter este texto no alto por mais algum tempo. Há posts da madrugada abaixo dele.

Junte a granada com o soco-inglês. Depois acrescente doses generosas de folclorização do subdesenvolvimento disfarçada de Metafísica Afro-Americana Transcendental. Submeta o conjunto a uma empresa de marketing para ver no que é que dá. Eis que surge, então, a caxirola, um suposto instrumento supostamente inventado pela suposta genialidade de Carlinhos Brown. Ele patenteou o que não passa de uma variação do caxixi, aquele chocalho de palha que acompanha o berimbau. Privatizou o apetrecho dos “irmãos” e firmou um contrato com a multinacional The Marketing Store. Tudo para emprestar cor local à Copa do Mundo. A ideia era produzir 50 milhões de caxirolas, a R$ 29,90 cada. Isto mesmo: algo, assim, como R$ 1.490.000.000,00. Um bilhão, quatrocentos e noventa milhões de reais. Brown receberia uma porcentagem a título de colaboração intelectual. A Brasken forneceria o plástico. Não estudei o caso a fundo para saber como a criação de Brown se diluiria, depois, na natureza. Eu agora estou nesta: só defendo produtos e ideias biodegradáveis, hehe. Fico cá a imaginar se a ideia pega… Imaginem o mundo vendo aquele monte de brasileiros chacoalhando aquela coisa nos estádios: “Ai, que coisa bonita! Que gente feliz! Mais feliz do que o povo do Butão!” . Só que deu tudo errado. 

Ilustração publicada na VEJA desta semana que termina: obra de Carlinhos Brown, o “designer” de nossa miséria intelectual

Brown privatizou o caxixi, patenteou e se associou a uma gigante do marketing. O suposto gênio é, indiscutivelmente, um esperto

Leiam o que informa a VEJA.com. Volto em seguida.
O músico Carlinhos Brown sofreu uma nova decepção na quinta-feira: a caxirola está proibida em seu próprio estado. De acordo com anúncio feito pela Polícia Militar da Bahia, o instrumento oficial da Copa do Mundo de 2014 não poderá ser usado pelos torcedores que forem à Arena Fonte Nova para acompanhar a primeira partida da final do Campeonato Baiano de 2013, no fim de semana. Por motivo de segurança, o torcedor que tentar entrar com o objeto terá de deixar a caxirola na porta — caso contrário, perderá o duelo entre Bahia e Vitória. A caxirola foi incluída numa lista de objetos proibidos nos estádios baianos —- uma relação que já inclui bebidas alcoólicas, armas e objetos pontiagudos, entre outros.

Há duas semanas, durante outra edição do clássico local, também pela competição estadual, torcedores do Bahia protestaram atirando no gramado as caxirolas que tinham sido distribuídas gratuitamente antes do jogo. Os jogadores do Bahia tiveram de retirar os objetos de plástico do campo para que a partida pudesse ter sequência, num episódio que acabou ficando conhecido como “a revolta das caxirolas”. A decisão de vetar o chocalho de plástico na partida foi tomada em uma reunião que contou com a participação de representantes da PM, da prefeitura, da Federação Baiana de Futebol, da Justiça e de torcidas organizadas. O uso das caxirolas como arma despertou a preocupação da Fifa e do Comitê Organizador Local da Copa de 2014 (COL), que estariam estudando banir o objeto das partidas do Mundial para evitar qualquer tipo de risco.

Voltei
Pois é… Vejam os dois vídeos abaixo. Um deles mostra Carlinhos Brown, o empresário, disfarçado de Carlinhos Brown, a entidade mística. O outro exibe os russos baianos, que não foram chamados para a combinação de Brown com a empresa de marketing, em ação. Retomo em seguida.

 

E não foi isso, é claro! Os mais afoitos descobriram que aquelas argolas por onde passam os dedos também servem para potencializar a contundência da chamada “porrada”. Carlinhos Brown queria brincar de pós-Carmen Miranda e acabou criando um soco-inglês com sotaque português. E é bom não esquecer: tudo isso contou com apoio do governo. Vejam, no vídeo abaixo, Marta Suplicy, especialista em chocalho desde os tempos em que estudava no Colégio Des Oiseaux, e a presidente Dilma Rousseff, conhecida pelo samba no pé e pelo apego às tradições nativistas, comportando-se como uma búlgara da percussão. Chocalho é instrumento de percussão? Sei lá eu. Deve ser. Um dia ainda estudo, como tese de doutorado, “A Relação Entre Água Encanada, Verminoses e Vacinas e a Quantidade de Instrumentos de Percussão nas Sociedades Contemporâneas — Uma Hipótese Explicativa”. Vou defender lá na Unicamp, onde Aloizio Mercadante conseguiu o doutorado dele, fazendo a apologia da “economia caxirola” do governo Lula…

Ensinando o povo a ser povo
Se vocês procurarem no arquivo do blog, encontrarão dezenas, talvez centenas, de textos em que critico essa mania dos “descolados” brasileiros de ensinar o povo a ser povo. É um hábito dos intelectuais do miolo mole e associados — vejam os sucessivos desastres que produz a Funai, por exemplo, quando tenta ensinar índio a ser índio. O índio quer roupa, e a fundação insiste em deixá-lo com a bunda de fora para satisfação de taras antropológicas que não ousam dizer seu nome… O que tem de ONG, por exemplo, que sobe o morro para ensinar funk e batuque para as crianças pobres que já sabem funk e batuque é uma enormidade! Aula de oboé, ninguém dá. Sobre Manuel Bandeira, ninguém fala. Povo tem é de bater lata e chacoalhar a caxirola do Carlinhos Brown. Mas será mesmo que isso é “coisa nossa”? Nossa? De quem?

A “caxirola”, até pelo nome, e uma apropriação obviamente indevida do caxixi. Além da Bahia, em que outro estado isso quer dizer alguma coisa? Aliás, mesmo nesse estado, estamos falando de um traço cultural de uma parcela da sociedade apenas — e é da minoria extrema! Por que a “caxirola” deveria nos representar? Deixem-me ver… A Bahia concentra 7% da população brasileira. Dos poucos mais de 14 milhões de baianos, para quantos o berimbau e suas derivações teratológicas (como a de Brown) têm alguma importância? Imagino os meus amigos Weimar e Cremilda com a caxirola na mão… Por que a estrovenga inventada pelo músico haveria de ser um símbolo do Brasil se ela não diz absolutamente nada para, deixem-me ver, uns 98% dos brasileiros? E olhem que chuto baixo. Fora das áreas destinadas ao folclore local da Bahia, ninguém quer saber de berimbau… A viola caipira é muito mais paulista, por exemplo, do que o berimbau é baiano. Ou ainda: a música de origem sertaneja, com todas as suas derivações não menos teratológicas, representa muito mais os brasileiros — se o critério fosse a representação democrática — do que as parlapatices culturais de Carlinhos Brown.

O governo petista da Bahia acaba de proibir, em nome da segurança dos baianos (que remédio?), o “instrumento” lançado por Dilma Rousseff, com aquele ar sempre encantado que fazem os políticos diante do alegre, primaveril e suposto primitivismo do povo…

Texto publicado originalmente às 19h18 desta sexta
Por Reinaldo Azevedo

23/03/2013

às 5:43

Discriminação racial na Funarte – 10 bailarinos negros têm espetáculo recusado por ente oficial porque diretor da pessoa jurídica que os representa é… branco!

Antes que vá ao caso, algumas considerações.

Eu já compro tanta briga, né? Às vezes, confesso, sinto certa preguiça. Mas vá lá… Quando a senadora Marta Suplicy (PT-SP), este monumento do pensamento político nacional — que ganhou o Ministério da Cultura para apoiar Fernando Haddad —, lançou o tal “Prêmio Funarte de Arte Negra”, escrevi o óbvio: “É discriminação racial!”. A portaria é de novembro do ano passado e tem a parceria da Sepir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial). Que se esclareça: não haveria nada de errado em haver um prêmio para manifestações artísticas que tivessem o negro ou a cultura negra como tema — ou, se quisessem, o racismo. Mas é evidente que ele deveria ser aberto a todos os artistas, com todas as cores de pele que há na raça humana. Qualquer coisa do gênero destinada só a brancos, mesmo promovida por entes privados,  terminaria na cadeia.

Aí os cretinos do politicamente correto vomitam: “Claro! Teria de prender mesmo! Estaria certo! Afinal, branco é maioria!”. Pra começo de conversa, diz o IBGE que já não é mais. Ainda que se queira lidar com o conceito de “minoria sociológica” — porque discriminada etc. e tal —, pergunto se não esta subjacente a essa proposta a ideia de gueto, de confinamento. Por que pretos devem concorrer só com pretos? Se a proposta de cotas nas universidades já não se sustenta moralmente, na arte, isso é um escândalo. E é claro que acabaria dando errado.

O primeiro prazo para a entrega de propostas era 4 de janeiro. Prorrogou-se para 4 de fevereiro e, depois, para o dia 25 de março, próxima segunda. Por quê? Por falta de projetos. Sabem por quê? Porque o Brasil, a despeito do que pretendem os racistas às avessas, é um país em que pretos e brancos convivem — nas artes, diga-se, mais do que em qualquer outra área.

Mas estava lá o edital bucéfalo. Branco está fora! Na Folha deste sábado, informa Gustavo Fioratti o que segue. Volto em seguida.

A Funarte, ligada ao Ministério da Cultura, recusou-se a receber o projeto de dez negros que, sob direção do dançarino Irineu Nogueira, tentaram inscrever o espetáculo “Afro Xplosion Brasil” no Prêmio Funarte de Arte Negra, cujo prazo de inscrição termina na segunda. Ana Claudia Souza, diretora do Centro de Programas Integrados (CEPIN) da Funarte, disse à Folha que o grupo foi vetado porque está sendo representado pela Cooperativa Paulista de Dança, cujo presidente, o bailarino Sandro Borelli, é branco.

O edital diz que, no caso de representações por pessoas jurídicas, só estão aptas a participar do prêmio “instituições privadas cujo representante legal, no ato da inscrição, se autodeclare negro”. Ela diz também que os proponentes podem se inscrever como pessoas físicas.

Nogueira considera “absurdo” o veto. “Não estou contra a Funarte, estou contra a concepção deste edital que, no afã de fazer uma reparação histórica, não tomou os cuidados para redigir o projeto com cuidado”, diz. Segundo ele, a opção de se inscrever pela cooperativa evitaria o desconto de IR de 27,5 %, que seriam abatidos do orçamento de R$ 150 mil. Segundo Souza, o texto do edital poderá ser rediscutido em suas próximas edições.

Voltei
Dizer o quê? É discriminação racial na veia! Os bananas acreditam que, assim, estão contribuindo, sei lá, para melhorar a condição do negro ou para elevar sua autoestima. Não estão, não! Isso é ruim para um país que tem de se integrar cada vez mais em vez de discriminar. Isso é ruim para a arte, que não pode se fechar num gueto. Isso é ruim para os negros — menos para os sindicalistas da causa —, que não podem se ver como um grupo apartado.

Acreditem: coisas assim não se dão nem na África do Sul, que se livrou do odiento apartheid há meros 19 anos. Mais uma contribuição de Marta Suplicy à política, às artes e ao pensamento. O que o Ministério Público fará nesse caso? Nada, ué! E isso também deveria nos cobrir de vergonha.

Por Reinaldo Azevedo

06/10/2012

às 6:41

Marta Suplicy já deixa a sua primeira marca na Cultura: um edital só para negros!!!

Sim, eu voltarei a este assunto. Fiquem agora com a informação da Folha:

O anúncio do lançamento de editais exclusivos para criadores e produtores negros, feito anteontem pelo Ministério da Cultura, dividiu opiniões entre acadêmicos e artistas brasileiros. Enquanto parte defende os editais, que devem ser lançados no Dia da Consciência Negra (20/11), outros os consideram preconceituosos. “É um absurdo. Se eu fosse negro, ficaria muito puto. É uma coisa de demência, ligada à culpa cristã de classe média branca. É só um passo a mais pelo ódio racial que está sendo potencializado desde que o PT entrou no poder”, disse o cantor Lobão.

Para o autor de “Cidade de Deus”, Paulo Lins, a medida anunciada pela ministra Marta Suplicy é boa e necessária. “O negro tem que ter privilégio e inclusão em tudo. Ele foi sacrificado durante 400 anos de escravidão no país.” KL Jay, do Racionais MC’s, concorda com Lins sobre a dívida que o Brasil tem com os descendentes de escravos. “O país me deve muito mais.” Já o cineasta Zelito Viana, que produziu “Terra em Transe” (1967) e “Cabra Marcado Para Morrer” (1985), considera a medida “racista”. “Agora haverá editais também para anão e para mulher?”

Para o professor de ciência política da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) João Feres Júnior, a medida é importante porque a cultura brasileira é “extremamente branco-cêntrica”. “Os produtores de narrativas são quase que exclusivamente brancos ou falam de uma perspectiva da qual a questão do racismo e da discriminação é invisível.” O compositor, pesquisador e escritor Nei Lopes concorda com Feres Júnior. “Há uma grande ‘invisibilização’ da produção do povo negro nos circuitos da ação cultural”, afirmou Lopes.

Danilo Miranda, diretor do Sesc-SP, disse ter inicialmente se assustado com o anúncio. “Achei que seria inadequado para um país que respeita a igualdade. Mas, depois, achei que se tratava de algo adequado para tornar o Brasil um país mais justo.”

LEGALIDADE
Para o sociólogo Demétrio Magnoli, a medida é discriminatória porque viola a igualdade constitucional entre os cidadãos, mas hoje “infelizmente” é legal graças à decisão do Supremo Tribunal Federal a favor das cotas raciais no vestibular da universidade de Brasília (UnB).

(…)

Encerro
Lobão acerta na indignação, mas erra no diagnóstico. O cristianismo não tem nada com isso, não! Até porque, na sua essência, não distingue os homens pela cor da pele. Faz justamente o contrário. 

Por Reinaldo Azevedo

02/10/2012

às 6:47

Marta Suplicy já produziu seu primeiro diagnóstico iluminado sobre a Cultura

A senadora Marta Suplicy (PT-SP), nomeada ministra da Cultura sem ter nenhuma outra credencial para o cargo que não a tentativa de fazê-la aderir à campanha de Fernando Haddad à Prefeitura, já produziu seu primeiro diagnóstico iluminado sobre a área: “É só confusão!”. Leiam o que informa a Folha:

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, que assumiu o cargo há 20 dias após a demissão de Ana de Hollanda, disse ontem, num debate sobre inclusão digital em São Paulo, que a pasta é “só confusão”. A declaração, que provocou risos da plateia na sede da organização não governamental Coletivo Digital, foi feita após críticas sobre a falta de repasses para iniciativas culturais no Tocantins.

Diante de mais reclamações sobre a gestão anterior, ela afirmou: “Gente, vamos esquecer minha antecessora. Precisamos olhar pra frente”. Ao ser cobrada por mais transparência, Marta criticou ainda a página oficial do ministério na internet. “Nunca vi um site tão ruim”, disse a ministra.

Por Reinaldo Azevedo

13/09/2012

às 6:49

Dilma, Marta e o rebaixamento da vida republicana

Confesso que senti um tantinho de vergonha — certa vergonha, vá lá, de natureza corporativa — ao ler o noticiário que se seguiu à indicação de Marta Suplicy para o Ministério da Cultura. Sim, falou-se do prêmio pela adesão à candidatura do petista Fernando Haddad; apontou-se a grande inteligência de Dilma, que estaria abrindo espaço para que o PR passasse a apoiar, na prática, Haddad na disputa pela Prefeitura de São Paulo, já que o suplente da senadora, Antonio Carlos Rodrigues, é desse partido; viu-se em Marta até aquela que deu a volta por cima, depois de humilhada por Lula durante a fase de escolha do candidato. Ele a tirou da disputa quase na porrada.

Muito bem! Só não se falou de uma coisa: por que Marta é um bom nome para o Ministério da Cultura? Não se tocou no assunto! Ao contrário até: chegou-se a tratar a operação como evidência de astúcia de Dilma, mas nada de falar sobre o cargo para o qual ela havia acabado de ser indicada. Pra quê? Isso não tem a menor importância.

Em cinco dias, Dilma jogou fora boa parte dos créditos daqueles que viam nela uma figura diferente de Lula, que não aposta no tudo ou nada, que tem apreço pelo valor institucional do cargo, que não usa a máquina para fazer baixa política e para atender a interesses partidários. Na quinta-feira, anunciou a redução da tarifa de energia elétrica, que só entrará em vigor no ano que vem. Ao incluir a “estabilidade” como uma das palavrinhas mágicas do Brasil dos “últimos 10 anos”, a criadora da Comissão da Verdade sequestrou a história. Em seguida, veio a nomeação de Marta. Tudo em meio à campanha eleitoral.

“Oh, vejam como Dilma está mesmo aprendendo a fazer política!”
“Oh, vejam como Dilma foi astuta!”
“Oh, Marta está sendo desagravada! É uma vencedora!”

Mas por que Marta na Cultura? Com que especial qualificação? Bem, sobre isso, não se disse nada, e ela própria confessou que precisa estudar o assunto, já que, disse, como membro da base do governo, está “à disposição” da presidente. E os ingênuos que achavam que, eleita senadora, estava à disposição da população de São Paulo.

A vida política e institucional brasileira anda rebaixada. Não raro, setores consideráveis da imprensa perdem seus referenciais e veem astúcia nesse rebaixamento.

Por Reinaldo Azevedo

13/09/2012

às 6:45

Marta diz que Lula é um deus!!!!!!!!!!!

Por Maria Lima, no Globo:
Na véspera de assumir o Ministério da Cultura, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) se despediu nesta quarta-feira do Senado elogiada pelos colegas. A petista garantiu que vai participar da campanha de Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo e destacou que o trio formado por ela, Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula pode levantar a candidatura petista.

“O trio Lula , Dilma, Marta é muito forte. O Lula é um deus! Dilma é bem avaliada e eu tenho o apelo de quem fez. Então, com a entrada desse trio, vai dar certo. Eu combinei que ia entrar na hora e agora estou entrando”, afirmou Marta. Marta negou que estivesse se sentindo vingada por ter sido preterida na disputa da capital paulista.

“Não passa por aí. Eu fiquei triste quando aconteceu e não escondi de ninguém. Mas disse: na hora que achar que faço a diferença eu entro. Eu falei com o Haddad: primeiro vai gastar sola de sapato, conhecer a cidade.” A senadora petista disse que vai tentar aumentar o orçamento da Cultura com emendas no Orçamento. Marta vai receber o ministério mais turbinado e não pretende fazer pedidos para mais verbas. “Teve um acréscimo substancial no orçamento (do Ministério da Cultura). Vou tentar ampliar, ver com emendas. Não me debrucei ainda sobre isso. É importante realçar que está satisfatório (o que veio do Governo). Vou ampliar não pedindo para a presidente, vou ampliar com emendas no orçamento.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2012

às 19:25

Marta não tem ideia do que vai fazer na Cultura. Ou: Ninguém criticará petista por abandonar Senado sem autorização dos eleitores, que ignoram quem ficará no seu lugar?

Marta nega que sua nomeação para o Ministério da Cultura faça parte do toma lá dá cá. Fernando Haddad também. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff não faz essas coisas. Como restam ainda nesgas de lógica à cobertura política, é mister, então, indagar que diabos ela vai fazer na pasta. E isso lhe foi perguntado hoje. A resposta sobre os seus planos para a Cultura foi esta:
“Não vou me pronunciar sobre nada, sem ter conhecimento. Vou ter que ter conhecimento profundo de todas as questões do ministério. Vou com muita humildade estudar, porque eu considero um ministério fantástico e temos muita coisa para fazer.”

Entendi. Ela foi nomeada para a Cultura, mas poderia ser também para a Pesca, para onde foi Marcelo Crivella, aquele que não sabia botar “uma minhoca no anzol”. Marta também não sabe. No que disse alguma coisa, deixou entrever a suspeita da bobagem. Considera o Ministério da Cultura “importante para a identidade brasileira”.

Sempre que alguém fala em “identidade brasileira”, eu me assusto. Faz supor que eu possa ter algo em comum com, sei lá, Paulo Maluf, Lula ou Emir Sader. Por falar no país mental chamado Emirados Sáderes — o primeiro a tentar derrubar Ana de Hollanda —, noto que ele ficou fora da pasta de novo!!! Vai ter de se contentar em ficar puxando o saco de Lula lá no tal instituto. Não será desta vez que ele vai “posar” no Ministério da Cultura; não será desta vez que ele vai “pousar” ao lado de Dilma como ministro do Estado.

O que tem sido uma constante no país é a nomeação de notórios incompetentes, que usam a pasta para aprender. Há momentos em que o senso comum e o bom senso se juntam em evidências palmares: no mundo inteiro, ministros são aqueles especialmente afeitos às áreas que ficam sob o seu controle. O sujeito nem precisa ter tido uma profissão compatível com a pasta; basta que tenha boas ideias, bons projetos e que seja operoso. No Brasil, não é assim! Áreas da administração são entregues a este ou àquela em razão de arranjos político-partidários ou para conter insatisfações.

Um trecho de reportagem da Folha é bastante revelador:
“Marta disse que o chamado para a Cultura foi ‘surpreendente’ e que ela ainda não tem planos para a pasta porque precisa estudar profundamente o ministério. Ela afirmou que não poderia dizer ‘não’ a um chamado da presidente porque é governo e está a disposição do Planalto.”

Ah, bom! Achei que estivesse à disposição, antes de mais nada, de seus eleitores, que a colocaram no Senado. Aliás, eis um caso interessante: o PT criou uma falsa e cretina questão — o inspirador é Gilberto Dimenstein —, acusando o tucano José Serra de ter “abandonado” a Prefeitura. A vigarice pegou e responde por algumas das dificuldades que ele enfrentou até aqui. Não houve abandono. Serra renunciou à Prefeitura para se candidatar ao governo do Estado e obteve mais votos para esse cargo do que para aquele. O ELEITOR AUTORIZOU A MUDANÇA.

Marta, eleita pelo povo, mas “à disposição” do Planalto, vai se afastar do Senado. Em seu lugar, assume o primeiro suplente, Antonio Carlos Rodrigues (PR) — vereador na cidade São Paulo, desconhecido da maioria dos paulistas — ou o segundo, Paulo Frateschi (PT), que quase ninguém sabe quem é. Sim, claro!, não há nada de ilegal nisso, como não havia no caso de Serra. Mas há uma diferença crucial: o tucano mudou de cargo com a autorização expressa do eleitor; Marta vai mudar apenas por vontade sua e de Dilma. Os eleitores que votaram nela que se danem. Terão como seu representante no Senado alguém de que nunca ouviram falar. Gilberto Dimenstein, a propósito, o autor original daquele obscurantismo contra Serra, deixou a questão de lado e ainda cantou as glórias da nova ministra, chamando-a de vencedora. Que ela não tenha intimidade com a Cultura ou uma remota noção do vai fazer na pasta, tudo isso é irrelevante. É uma “vencedora”.

 

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2012

às 17:17

Marta em lugar de Ana. Ou: O grande trabalho de ex-ministra foi garantir dinheiro para Kim Jong-Lula. Até a neta do estimado líder foi aquinhoada!

Ana de Hollada foi demitida do Ministério da Cultura. Em seu lugar, assume a senadora Marta Suplicy (PT-SP). Falemos primeiro da que sai. Deixa a pasta aquela que nunca deveria ter sido nomeada. Ao fazê-lo, Dilma escolheu um sobrenome — Buarque de Holanda (o “Hollanda” dela tem dois eles, não sei se por erro de registro ou questões numerológicas) —, não uma gestora para a pasta. Era uma espécie de medalha de reconhecimento pelos serviços prestados ao partido pelo irmão da maninha, o já decano do engajamento “esquerdosamente correto”. A causa mais recente de Chico Jabuti é a candidatura de Marcelo Freixo, a que aderiram 10 de cada 10 militantes de extrema esquerda de Copacabana, Leblon e Ipanema. Mas voltemos.

Ana foi um fiasco na pasta desde o começo. Ficava evidente que não tinha a mais remota ideia do que fazer por lá. Os próprios petistas não se entendiam a respeito. Boa parte do “engajamento cultural” no Brasil é, como sabem, financiada pelo “estado burguês” com o qual os engajados querem acabar. A ideologia mais influente no Brasil continua a ser a do assalto aos cofres públicos, seja com mensaleiros, seja com “artistas” que estão certos de que os desdentados são obrigados a financiar suas metáforas. Por inépcia política e administrativa, Ana não conseguiu ordenar a distribuição do leite de pata estatal para bocas sedentas. Estavam todos descontentes.

Não que sua passagem pela pasta tenha sido irrelevante! Nada disso! Kim Jong-Lula, nosso estimado líder, fará em São Paulo um “Memorial da Democracia”, como sabem. Em São Bernardo, o prefeito Luiz Marinho (PT), seu primeiro-estafeta, decidiu construir um “Museu da Greve”. É isso mesmo! A obra custará R$ 18 milhões. O município arcará com R$ 3,6 milhões. O resto virá do governo federal — parte do dinheiro, Ana prometeu, sairá do… Ministério da Cultura!

Só isso? Não! Ana assegurou que o tal memorial de Lula — o de São Paulo, não o museu de São Bernardo — também contará com recursos da Lei Rouanet. Entenderam, companheiros? Ana pode não ter sabido atender às demandas dos artistas sequiosos de uma verbinha pública, mas assegurou recursos para dois monumentos em homenagem ao Apedeuta! É um escracho!

O grupo de teatro amador a que pertence Bia Lula, neta do Apedeuta,  conquistou o direito de captar R$ 300 mil pela Lei Rouanet. A primeira a se apresentar para financiar o espetáculo foi a Oi, ex-Telemar — aquela que havia investido alguns milhões da Gamecorp de Lulinha, filho do Lulão e tio de Bia.

A obra dessa gigante ainda não está completa. Ana  aprovou outro projeto, se me permitem o vocábulo, “seminal” para a cultura, que envolve o livro “Leite Derramado”, de um tal Chico Buarque de Holanda. A Biblioteca Nacional decidiu financiar a tradução da obra para o coreano. Faz sentido? Claro que faz! Se queremos mimosear os coreanos — os do Sul; no Norte, comandando pelos comunistas, amigos de Chico, livros estrangeiros são proibidos — com o leite derramado pelo irmão de Ana, por que os brasileiros não haveriam de pagar por isso?

A ministra que entra
O esforço para tentar impedir a eleição de José Serra (PSDB) em São Paulo já custou dois ministérios: o da Pesca (o tiro, por enquanto, saiu pela culatra) e o da Cultura. Dilma meteu o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), sobrinho de Edir Macedo e bispo da Igreja Universal, no Ministério da Piaba. Ele confessou não saber pôr uma minhoca no anzol. Não era metáfora. Seus antecessores também não sabiam.

Dilma nomeou Crivella num esforço apara diminuir a rejeição a Haddad junto aos evangélicos. Ela o fez num momento em que o ministro Gilberto Carvalho (secretário-geral da Presidência) afirmou que os petistas deveriam disputar eleitores com os evangélicos, enfrentá-los mesmo. Houve mal-estar. A operação Crivella, em São Paulo, não deu tão certo assim. A Igreja Universal, por intermédio de seu partido, o PRB, sustentou a candidatura de Russomanno, e, por enquanto, ele tem tirado votos dos petistas na periferia. Seus obreiros estão encarregados de lembrar algumas das “obras” do ex-ministro da Educação — o kit gay é uma delas.

Agora Dilma faz uma segunda concessão à operação Haddad. Lula esmagou Marta em São Paulo. Tirou-a da disputa na base da brutalidade. Chamou os apoiadores de sua candidatura — que reunia a maioria do PT na cidade — e deu uma ordem: “o candidato é outro”. A senadora foi tratada como velha e ultrapassada. Ela ficou brava e resistiu a entrar na campanha. Finalmente, topou gravar mensagens de apoio ao candidato petista e andou chutando a canela de Serra — afinal, é só o que interessa — e ganhou, de presente, o Ministério da Cultura. Vamos ver se saberá se comportar com o devido decoro, agora que tem um cargo no Executivo e que é ministra de todos os brasileiros — também dos não petistas.

PS – Ah, sim: se vocês procurarem nos arquivos, encontrarão alguns textos antevendo o fiasco que seria Ana de Hollanda no Ministério da Cultura. Estava escrito nas estrelas — quero dizer, na estrela.

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2012

às 6:47

Marta Suplicy resolve falar bobagem, e eu resolvo lhe dar aula de matemática e lógica elementar! Nunca é tarde!

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) deu mostras de não entender nada sobre o petismo, apesar de militante antiga. Mas há coisas em que ela consegue ser ainda pior: matemática, por exemplo! No dia 4, ela publicou um espantoso artigo na Folha. Espantoso de vários modos. Como ela é chegada àquele estilo “deixa que eu chuto”, advertida do erro, ficou brava e emendou uma bobagem à outra.

Depois de pintar um quadro tétrico sobre a segurança pública em São Paulo, com aquela ligeireza e distração com que costuma comandar as sessões do Senado, escreveu isto:

“O Mapa da Violência 2012, do Instituto Sangari, mostrou que São Paulo é o Estado que teve mais casos de mulheres assassinadas no Brasil em 2010 (foram 663 vítimas).
Os números assustam e a questão continua desprezada. A Lei Maria da Penha, que completará seis anos no próximo dia 7, assim como em outros Estados, carece de implementação adequada por falta de recursos e de funcionários preparados. O pouco que tem vem da União. Inquéritos são devolvidos às delegacias, pois, de tão malfeitos, não podem ser aceitos pelo Ministério Público.”

Bem, essa história de que o “pouco que tem vem da União” é uma tolice. Mas não vou me perder nisso agora. O governo de São Paulo reagiu ao artigo. Enviou ao jornal esta resposta. Leiam (em azul)

É gravíssima a atrocidade estatística cometida pela senadora Marta Suplicy em sua última coluna (“Violência no Limite”, “Opinião”, 4/8). Segundo ela, São Paulo foi o Estado que teve mais casos de mulheres assassinadas no Brasil em 2010. A senadora diz usar como base o Mapa da Violência, do Instituto Sangari, mas o levantamento informa justamente o contrário.
São Paulo, com 3,1 assassinatos por 100 mil habitantes, é o Estado com o segundo menor índice do país. Aliás, trata-se do único ranking divulgado pelo instituto, o que compara a taxa por 100 mil habitantes em todas as 27 unidades da Federação. E São Paulo ocupa a 26ª posição, numa comparação dos mais violentos para os menos violentos.
E como foi, então, que a senadora chegou à conclusão diametralmente oposta? Ela comparou apenas os números absolutos de assassinatos, desprezando a brutal diferença entre as populações dos Estados. Na melhor das hipóteses, um erro primário. Nesse sentido, sua coluna desinforma e subestima a inteligência de todos. A senadora Marta Suplicy deveria admitir seu erro. Por uma questão de honestidade.
Marcio Aith, subsecretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo (São Paulo, SP)

Marta não seria Marta se, diante de uma argumentação razoável, dissesse: “É verdade! Que mancada!”. Que nada! Ela resolveu treplicar (em vermelho). Volto em seguida:

RESPOSTA DA COLUNISTA MARTA SUPLICY – Gravíssima e vergonhosa é essa reação! Os números são absolutos, como está claro no artigo. A perda de 663 vidas mostra a gravidade do caso e a inércia do Estado. A morte de mulheres é somente um dos aspectos do fracasso da política de combate ao crime em São Paulo. Ação!

Voltei

Fracasso uma pinoia! Fracassada é a política de segurança pública do governo federal, que não consegue diminuir os índices de violência. Fracassada é a política de segurança pública do PT na Bahia, estado que assistiu ao maior salto no número de homicídios do país. Dona Marta recorre ao Mapa da Violência para distorcer uma evidência. Vejam:

Penca de tolices
A realidade do Brasil é de tal sorte escandalosa que, mesmo com o assassinato de 4.297 mulheres em 2010 (um número absurdo!), isso representa 8,6% do total: 49.932! É claro que políticas públicas de combate à violência têm influência também nessas mortes — como evidencia São Paulo —, mas a violência contra a mulher traz particularidades, como sugere o estudo. Nada menos de 68,8% das agressões contra as mulheres, por exemplo, acontecem em casa e têm como agente marido, namorado, pai, alguém da família. Estamos lidando aí com dados que são também da cultura, da educação, da formação familiar. Também nesse caso, é óbvio, o fim da impunidade tem efeitos positivos.

Marta deveria saber que, em números absolutos, São Paulo tem mais mulheres mortas, mais homens mortos, mais gênios, mais idiotas, mais pessoas bonitas, mais pessoas feias, mais honestos, mais desonestos, mais ricos, mais pobres… Em números absolutos, São Paulo sempre terá mais do que quer que seja porque tem 42 milhões de habitantes — 22% da população do país. E só diminuiu drasticamente as mortes porque tem mais presos também — tanto em números relativos como em números absolutos: 40% do total do país.

São Paulo só não tem mais senadores que sabem matemática porque o número, infelizmente, é fixo, né? Não é proporcional à população. Continuaremos por um tempo com apenas um…

Deveria aplaudir
Marta deveria aplaudir os números de São Paulo. Se os homicídios do primeiro semestre se repetirem no segundo, o estado fechará o ano com 11,4 homicídios por 100 mil habitantes (mas acho que vai cair). Se o Brasil conseguisse chegar a esse índice, senhora senadora, em vez de 50 mil homicídios por ano, aconteceriam no país 21.698 — 28.302 vidas se salvariam segundo o “padrão São Paulo”. Ainda que se mantivesse a percentagem de 8,6% de mulheres assassinadas desse total, em vez de 4.297 ocorrências, elas seriam 1.865 — salvar-se-iam 2.432 mulheres.

Assim, se o seu intento é salvar vidas, especialmente as das mulheres, então comece a pedir que, no mínimo, o Brasil siga o modelo de São Paulo, que precisa, sim, ser aperfeiçoado. O que vai aqui são fatos. O que vai aqui, senadora, é matemática. Eu não tenho um jeito melhor de lhe ensinar as coisas. Infelizmente, não dá para desenhar.

Para encerrar
Como Marta parece falar primeiro e pensar depois, escreve ainda isto:
“Quanto aos homossexuais, pesquisa publicada pela Folha (“Cotidiano”, 23/7) traz uma surpresa, quando indica a família e os vizinhos em primeiro lugar como os mais violentos contra gays.O número de 62% dos ataques feitos por conhecidos mostra uma sociedade ainda preconceituosa e com muita dificuldade em aceitar o diferente. Mas, evidencia também, o descaso governamental com a educação nas escolas, que falham no ensino ao respeito à diversidade sexual.”

Surpresa para quem? A história de que gays são agredidos por aí a três por quatro, na rua, é uma invenção da militância, um mito que a senhora ajudou a criar. Por isso a sua PLC sobre a homofobia é um desvario. A questão é de outra natureza. Mais uma vez, estamos falando de questões que remetem à educação, sim (mas não com o aloprado kit gay), e à cultura do país. Não será com uma lei que viola direitos fundamentais. Ou a senhora pretende meter na cadeia mães, pais e irmãos de homossexuais? Ou, nesse caso, a violência será tolerada desde que doméstica?

A pesquisa mostra que a senhora está propondo o remédio errado para um mal que demonstra desconhecer — daí a sua “surpresa”.

Como se vê, além de Lula, também a atropelaram a realidade e a matemática. Advertida, no entanto, mandou a objetividade às favas. A senhora é senadora da República. Seja mais responsável mesmo no papel de colunista de jornal! 

Texto originalmente publicado às 5h38
Por Reinaldo Azevedo

17/06/2012

às 8:53

Marta diz que, ao lado de Maluf, “pesadelo” é maior

Por Anna Virginia Balloussier, na Folha:
A senadora Marta Suplicy (PT-SP) criticou as negociações entre seu partido e o PP de Paulo Maluf na eleição municipal. Segundo ela, seria um “pesadelo” maior do que ter o respaldo do PSD do atual prefeito Gilberto Kassab — cotado como aliado antes de Serra virar candidato dos tucanos.

“Acho que seria pesadelo com Kassab, imagina agora com o Maluf”, disse Marta ontem à noite, na primeira fila do desfile do estilista Samuel Cirnansck na São Paulo Fashion Week. Preterida pelo PT, que lançou Fernando Haddad, Marta resiste a apoiá-lo na campanha. Tem faltado a atos para promover a candidatura do petista e já declarou que “não basta o novo”.

Uma aliança com Maluf significa que Marta sepultará de vez qualquer chance de endossar a campanha de Haddad no futuro? “Nã-nã-ni-nã-não”, responde ela. “Eu não disse isso.” Em 2004, Maluf chegou a declarar apoio a Marta no segundo turno das eleições. A petista disse “ter muito respeito” por Luiza Erundina, vice de Haddad, mas a criticou por ter comparado a eleição à luta de classes.

Erundina disse que procuraria Marta pessoalmente para que ela participasse da campanha. Questionada se já foi procurada, a senadora aconselhou a pré-candidata a vice a “dar os braços para Haddad” e sair em campanha com ele.

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2012

às 7:29

Lula, uma criação das elites. Ou: Lula é uma invenção de Marta!

Todos vimos a sem-cerimônia com que Luiz Inácio Lula da Silva atropelou e esmagou a pré-candidatura de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo. Justo Marta, com tantos serviços relevantes prestados à causa do partido! E olhem que nem me refiro ao fato de que foi deputada, prefeita e é agora senadora — mais do que isso: sempre deu a cara ao tapa em defesa da legenda. Do que falo então? Já chego lá! Antes, algumas considerações.

Lula atuou como se Marta fosse uma das criaturas paridas em sua mente divinal. Na condição, então, de um invento seu, de algo que ele próprio deu à luz na política, poderia ser empurrada, encostada, submetida a tarefas humilhantes. Afinal, ao demiurgo tudo! Muito especialmente a honra! Marta, no entanto, por quem nunca tive simpatia — e continuo a não ter, antes que alguns bobocas infiram que passei a chamá-la de “minha loura” —, dá sinais de que não pretende se comportar como a mulher submissa que já não existia em 1980, quando TV Mulher foi ao ar, sob o comando de Marília Gabriela. Lá se vão 32 anos! Marta era titular de um quadro que falava sobre sexo, rompendo alguns tabus. Naquele ano, também era fundado o Partido dos Trabalhadores, para ser “diferente de tudo o que está aí”.

Pode haver algo mais igual ao pior Brasil do que um coronel que impõe na base do dedaço quem será o candidato a prefeito em São Paulo ou em Recife?

Goste-se ou não do que pensa Marta Suplicy — eu, por exemplo, não gosto —, ela tem uma história de autonomia, de altivez e até de certa coragem temerária. Certamente sabia que a separação de Eduardo Suplicy em 2001 teria um custo político. Encarou a situação. Ele se excedeu em entrevistas a respeito, o doce falastrão. Marta silenciou. Lula tentou reduzi-la a uma peça descartável, a mero peão no jogo político do partido, destituída de voz e de vontade. Agiu como os maridos que já eram uma caricatura naquele longínquo 1980. Eis o busílis. Estamos começando a chegar ao ponto.

Não foi Lula quem inventou Marta. Foi Marta quem inventou Lula. Explico. A agora senadora integra um setor da elite brasileira que criou um líder dos sonhos. Se ele se fez chefe de sindicato por sua própria conta e talento — é bem verdade que o general Golbery do Couto e Silva deu uma forcinha! —, só se tornou o demiurgo, o homem capaz de encarnar a redenção dos oprimidos, na imaginação de alguns intelectuais uspianos e com o apoio de uma fatia dos bem-pensantes, de que Marta é uma das expressões.

Na narrativa que inventou inicialmente para si, Lula era um homem da sua classe — daí que sua legenda trouxesse no nome a natureza restritiva de que era composta: “dos Trabalhadores”. Era, como diz de si mesmo hoje o PSTU (e sem sucesso!), um “partido sem patrões”. Não se esqueçam de que eu conheço esse troço desde a origem… Discutia-se, por exemplo, se o dono de um pequeno comércio de bairro poderia ser um petista autêntico. Alguém objetava: “Desde que sem empregado!”. Outro não se conformava: “Mas e o lucro? Petista pode viver do lucro?”. Marilena Chaui chegou a dizer numa entrevista que não tinha empregada doméstica para não “não levar a luta de classes pra dentro de casa”!!! Os grupelhos de extrema esquerda que se juntaram aos sindicalistas de Lula e aos setores ditos “progressistas” da Igreja Católica foram dando ao líder sindical meramente reivindicador a têmpera do “socialista” — aquele que perdia eleição após eleição.

Já o Lula acima das classes, hoje  “companheiro” do Eike Batista e dos catadores de papelão, para citar os Brasis extremos, é uma construção dos setores “conscientes” e “críticos” da elite brasileira. Marta nunca foi “socialista” evidentemente (nem Lula, diga-se!). Mas está, ao lado de Eduardo Suplicy, ex-marido, na raiz da popularização do PT. “Como, Reinaldo? O PT se popularizou à medida que atraiu alguns ricos?” Não há contradição nenhuma nisso! Ao deixar de ser um bicho-papão, rompia o isolamento inicial. Ainda hoje é mais fácil encontrar jovens petistas (ou socialistas) convictos nos colégios de São Paulo que cobram mensalidades acima de R$ 2 mil do que nas escolas públicas de Capão Redondo! “O que vale é a consciência!…” De resto, parece haver certa correlação entre o ócio e a adesão a teses de esquerda — ou “progressistas”, como se diz hoje em dia.

Lula criou o PT. Mas foram as elites críticas que criaram o “petismo”.

O Apedeuta está entre aqueles que têm menos ambição de mudar o mundo do que de dominá-lo. Isso faz uma grande diferença. Em larga medida, o pensamento realmente mudancista — ou, se quiserem, verdadeiramente revolucionário (pouco importa se boa ou má revolução) — nasce de utopistas pouco pragmáticos; trata-se de uma militância mais afeita ao cultivo de valores intelectuais, ainda que possam produzir grandes desastres. O negócio do Apedeuta é outro. É um caçador de oportunidades — era assim desde os tempos em que era líder sindical em São Bernardo. É bom lembrar que, nos estertores do regime militar, rejeitou a aliança com outras forças de oposição porque aquilo não servia à construção de sua liderança.

O que estou dizendo, meus caros, é que, ao atropelar Marta em São Paulo de maneira tão truculenta, Lula esmaga, por certo, uma parte da história individual da petista, mas também uma parte da história do seu próprio partido. E é até aritmeticamente injusto. O PT venceu na cidade uma única vez: e foi justamente com Marta — Luíza Erundina não conta porque era eleição em turno único. Atenção! Lula, ele mesmo, jamais ganhou uma eleição majoritária na cidade; sempre teve menos votos do que seus concorrentes: Montoro (quando disputou o governo de São Paulo, em 1982), Collor (1989), FHC (1994 e 1998), Serra (2002) e Alckmin (2006).

“Marta vai entrar na campanha de Haddad porque os petistas sempre acabam se arranjando”, dizem alguns. Pode ser. Não vou me meter a fazer previsões nesse caso. No petismo, outas pessoas humilhadas por Lula acabaram lhe prestando, mais tarde, vassalagem. Neste texto, limito-me a demonstrar, mesmo sem ter o menor apreço político por Marta, que a sua reação tem uma história, que não se limita a mero faniquito, como deu a entender um desses estafetas do lulismo, travestido de cientista político. Mas nada impede, é evidente, que a agora senadora sacrifique a sua história no altar do lulismo. Ele é fascinado por rituais de humilhação e rendição.

Por Reinaldo Azevedo

07/06/2012

às 16:12

Lula explica por que Marta não importa mais

Lula explicando a um interlocutor por que a senadora Marta Suplicy (PT-SP) não importa mais na disputa pela Prefeitura de São Paulo e por que não fará esforço pessoal para tê-la na campanha:

“Se o Haddad ganhar, é o Lula; se ele perder, é a Marta”.

Assim se fazem os heróis no petismo. Entenderam, não? O Babalorixá de Banânina está dizendo que, agora, pouco importa o que ela faça, não será sócia da eventual vitória, mas será a única dona da derrota.

Por Reinaldo Azevedo

05/06/2012

às 6:15

A “Operação Esmaga-Marta” mostra à senadora o que é ser alvo do petismo e ter a reputação moída

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) está vendo de perto o que é ser alvo da máquina de moer reputações do petismo. Ela só conhecia o outro lado, o de quem ataca. E toma pancada de todo lado, como quem tivesse jogado pedra na cruz. A Folha de hoje publica um artigo estupefaciente de Cláudio Gonçalves Couto, que é “cientista político, professor do curso de Administração Pública da FGV-SP”, segundo o pé biográfico que aparece no jornal. Segue o seu texto em vermelho. Lá vou em azul.

Se tudo der errado na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, culminando em sua derrota, o PT já sabe sobre quem descarregar a culpa.
Se tudo der certo e Haddad for eleito prefeito, o PT também já sabe a quem espezinhar. Nos dois casos, essa pessoa é Marta Suplicy.
Marta tinha uma única saída para não se dar mal: apoiar Haddad com entusiasmo, como quer Lula.  

É evidente o inconformismo da ex-prefeita com seu preterimento na escolha da candidatura petista, para a qual se via como uma escolha natural — tal qual a de Aécio Neves para o PSDB, no pleito presidencial, na visão de Fernando Henrique.
Marta, contudo, assemelha-se pouco a Aécio, no que concerne a esta “naturalidade”. Está para a Prefeitura de São Paulo e para o PT mais ou menos como o ex-governador José Serra está para a Presidência e o PSDB.
Em ambos os casos, os postulantes veem-se como o nome óbvio, não reconhecem correligionários à sua altura e pensam mais em seu projeto pessoal do que no do partido.
Com o devido respeito a Couto, que deve ser um homem honesto, o pensamento é vigarista. Fica por provar, além do opinionismo, por que Aécio é um candidato natural (tese que ele adota) e por que Serra e Marta não seriam. Como está a buscar paralelos, entende-se que a naturalidade, no caso do PT, estaria, então, com Fernando Haddad. A gente percebe que ele não tem simpatia pelos dois nomes “não naturais”. Com quais categorias intelectuais opera? Com as da futrica e da fofoca, dando relevo aos supostos maus bofes dos dois políticos: “não reconhecem correligionários à sua altura e pensam mais em seu projeto pessoal do que no do partido”. Suponho que, nessa formulação, Haddad e Aécio são destituídos de ambições pessoais e só pensam no projeto partidário, certo?  

A semelhança, porém, acaba por aí. Não só porque se trata de disputas de tamanho distinto, mas também porque PT e PSDB são muito diferentes.
A semelhança não acaba aí porque nunca começou.

Se no PSDB o serrismo conseguiu impor-se à máquina partidária para mais um malogro em 2010 (e continua a alentar nova aventura para 2014), no PT o peso da organização partidária se fez sentir na definição da disputa.
Couto não gosta de Serra, a gente vê. Num texto destinado a analisar o embate no PT, ele ataca o político tucano. A afirmação de que “continua a alentar nova aventura em 2014″ é obviamente mentirosa, peça de propaganda do petismo ou de coisa ainda pior. Não sei qual é a dele. Sei que não se sustenta. Mas atenção para o triplo salto carpado hermenêutico-dialético que vem agora.

Alguém replicará que é o peso do caciquismo lulista. Há um erro em tal avaliação.
Embora a unção de Lula tenha sido crucial na opção do PT por Haddad, ela opera em contexto organizacional e com significado muito distintos daqueles do PSDB. O PT é um partido em que a lógica da organização tende a prevalecer sobre caciquismos.
A unção de Lula funciona na indicação do candidato porque se coaduna com os interesses mais amplos e de longo prazo da organização.
Que coisa! Serra se fez candidato em 2010, sem prévias, porque Aécio Neves desistiu da corrida. Qualquer pessoa um pouquinho mais bem informada do que Couto sabe que o agora senador mineiro não era candidato pra valer à Presidência. E, a depender do andar da carruagem, é bom o tucanato ir pensando num nome alternativo — que não é Serra obviamente. Na disputa de agora, na cidade de São Paulo, os tucanos realizaram prévias. E prévias de verdade, como se viu. Mas “caciquista”, segundo este iluminado pensador, é o PSDB, não o PT!!!

E por que não? Ele dá a resposta: “A unção de Lula funciona na indicação do candidato porque se coaduna com os interesses mais amplos e de longo prazo da organização.” Entenderam? Lula é o grande “intérprete” da organização, conhece as suas vontades, sabe a forma do futuro, tem domínio sobre os seus “interesses mais amplos e de longo prazo”. Couto não é mesmo um gramsciano, que entendia ser o partido o “moderno príncipe”. Nada disso! O príncipe, para este pensador, é o demiurgo!

Assim, no triplo salto carpado hermenêutico-dialético deste gigante, o PSDB foi caciquista ao não sê-lo, e o PT, ao sê-lo, não o foi, compreenderam? Ao realizar prévias, o PSDB foi autoritário e caciquista. Ao atropelá-las, o PT demonstrou aquela vocação democrática resumida tão bem pela… vontade de Lula!!! Acompanhar as suas aulas deve ser mesmo uma grande aventura intelectual.

Coisa idêntica ele deve pensar sobre o PT de Recife. Por lá, as prévias chegaram a ser realizadas, o atual prefeito, João da Costa, venceu, mas Lula não aceita e quer Humberto Costa como candidato. E ele pode, certo, Couto? Afinal, “o contexto organizacional” permite qualquer coisa.

Em tal cenário, o beicinho de Marta, se mantido, tenderá a lhe causar um ostracismo interno. Organizações tão densas não costumam deixar barato esse individualismo.
Couto acha o PT uma “organização densa” e ameaça Marta com o “ostracismo” porque ela fez “beicinho”. Pior de tudo: teria cometido um pecado terrível! Foi muito “individualista”, coisa que, sabem vocês, não fica bem no petismo, esse partido de homens coletivistas…

A Folha chame quem quiser para escrever artigos. Não tenho nada com isso. Como leitor, digo se gostei ou não. Eu entendo que jornais e revistas devem recorrer a colaborações de “pensadores” e “cientistas políticos” quando estes produzem uma reflexão que opera com categorias e modelos de precisão que podem, eventualmente, estar além do instrumental manejado habitualmente pelos profissionais da redação (jornalistas formados ou não). Muito melhor na própria Folha eu já encontrei mais de cem, como naquele iê-iê-iê.

Agora vocês me dão licença que ficarei aqui a refletir sobre o caciquismo que não é porque é e é porque não é…

Por Reinaldo Azevedo
 

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