Blogs e Colunistas

Mantega

06/02/2012

às 18:37

PSDB quer que Mantega se explique no Senado

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
Depois da demissão do ministro das Cidades, Mário Negromonte, que caiu na semana passada após cinco meses na corda bamba, Guido Mantega, da Fazenda, se transformou no pivô de mais um embate entre governo e oposição. O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), pediu nesta segunda-feira à Comissão de Assuntos Econômicos da Casa a convocação do ministro e do ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, demitido por suspeita de irregularidades no cargo. Mantega se transformou em alvo porque, embora tenha sido informado dos desvios em 2010, só exonerou o subordinado neste ano por ordem da presidente Dilma Rousseff.   “O ministro deu uma explicação confusa sobre o caso. De qualquer forma, ele confessou que a indicação é partidária. Ou seja, é o sistema de loteamento que desqualifica a atividade, porque esse é um cargo que exige qualificação técnica”, diz o líder tucano. Denucci, que foi indicado para o cargo pelo PTB, acabou perdendo o apoio dos correligionários durante sua gestão.

Embora tenha concordado com a ida de outros ministros ao Congresso, o governo não pretende aceitar a convocação de Mantega: o temor é que a exposição do petista gere instabilidade na economia. “Fica mal porque isso revela que o governo tem ministros de primeira classe e segunda classe”, afirma Alvaro Dias.

O episódio deve se transformar na nova batalha entre governo e oposição. Na Câmara, o PPS também vai pedir uma acareação entre Mantega, o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), e o presidente do PTB, Roberto Jefferson. Cada um apresentou uma versão diferente sobre o episódio. Os deputados tucanos também irão pedir a convocação de Mantega, mas isso só deve ocorrer depois do carnaval, quando as comissões estiverem funcionando.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

27/07/2011

às 14:53

Medida vai punir investidor que apostar na queda do dólar, diz Mantega

No Estadão Online. Comento em seguida:
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou na manhã dessa quarta-feira que a nova medida cambial para conter a queda do dólar tem o objetivo de controlar o mercado de derivativos - operações negociadas para o futuro e de balcão na BM&F -, evitando posições excessivas que apostem na desvalorização da moeda americana. Para isso, a medida, segundo Mantega, estabelece mais impostos e para o investidor que atua nesse mercado.

O ministro disse que incidirá 1% de IOF sobre a diferença entre a posição vendida e a posição comprada das empresas. Segundo ele, há um excesso de dólar vendido no mercado futuro, o que leva à valorização do real. O ministro informou que há entre US$ 24 bilhões e US$ 25 bilhões de dólares em posição vendida no mercado futuro.

“Estão ofertando dólar sem por dinheiro. Isso valoriza o real. Por isso, o IOF incidirá sobre a posição vendida que ultrapassar a posição comprada”, explicou. Mantega afirmou que o imposto será sobre a diferença das operações porque a compra do derivativo não necessariamente é especulativa. “No descasamento, incidirá 1% de IOF pela exposição nessa margem a maior sobre o valor nocional”, insistiu. “Estamos atuando para ajudar o real”, completou Mantega.

Mantega afirmou que todas as medidas foram feitas em acordo com o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Estamos de acordo e não há previsão de mudança de regras por enquanto”, disse. “De acordo com necessidade estaremos tomando as medidas”, completou.

Maior controle
Mantega explicou, durante entrevista coletiva, que a medida provisória publicada hoje no Diário Oficial da União autoriza a regulamentação do mercado de capitais e de derivativos. Segundo ele, a medida concede poderes adicionais para aumentar a regulamentação sobre o mercado futuro de derivativos.

Mantega destacou que vários países depois da crise de 2008, quando muitos fundos de hedge estavam alavancados, começaram a regulamentar melhor esses mercados. Segundo ele, a MP obriga o registro na BM&F e Cetip de todas as operações feitas nesse mercado, incluindo as negociações no balcão. Para ele, essa obrigatoriedade dará mais transparência no segmento de derivativos.

Mantega lembrou que, durante a crise de 2008, algumas empresas no Brasil estavam muito alavancadas nos chamados “derivativos tóxicos” e ficaram em situação complicada. “De lá para cá, tomamos várias medidas para diminuir a alavancagem e a exposição nesses derivativos”, disse. Conforme o ministro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) poderá determinar o valor do depósito da margem de garantia.

Mantega explicou que, por exemplo, hoje é possível com US$ 50 mil fazer operações no mercado futuro de US$ 1 milhão e, com US$ 1 milhão, realizar operações de US$ 10 milhões. “Essa é a alavancagem que pode expor o mercado a problemas”, avalia.

Empréstimos longos
O ministro afirmou que o governo brasileiro também está fechando uma brecha do mercado, que estava liquidando, antes do prazo, as operações de crédito tomadas no exterior, com prazo acima de 720 dias para fugir do pagamento de IOF.

A partir de agora, as liquidações antecipadas também pagarão 6% do imposto. “Quem liquidar a operação antes do tempo, vai ter de pagar IOF”, afirmou. “Isso é um aperfeiçoamento da medida anterior”, completou.

Comento
O conjunto de medidas tende a ser mais uma daquelas ações que desmoralizam as previsões de Mantega. As razões são simples. Os fatores estruturais que jogam o dólar para baixo continuam intocados, e os juros pagos pelo Brasil compensam com folga as punições.

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2011

às 6:29

Mantega provoca nova revolta na base e Dilma terá de liberar emendas em agosto

Por Tânia Monteiro e João Domingos, no Estadão:

Depois de ceder à pressão dos partidos aliados na Câmara e prorrogar por mais três meses o prazo para pagamentos de emendas parlamentares aprovadas em 2009, a presidente Dilma Rousseff teve de agir rápido para evitar nova crise entre seu governo e os parlamentares. Declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, feita por volta do meio-dia de ontem, vinculava o atendimento do pleito dos deputados à suspensão de novas liberações de emendas dos parlamentares. Isso deixou o Congresso em pânico e as reações logo começaram a fazer eco no Palácio do Planalto.

Cinco horas depois, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) foi acionada pela presidente para desfazer o mal-estar causado pelo titular da Fazenda.

Ideli assegurou que o governo vai fazer o empenho das emendas do ano passado. A expectativa é de que isso comece a ser posto em prática em agosto, embora a ministra não tenha precisado datas. Cinco horas antes, numa declaração em que evitou responder a qualquer pergunta, Mantega afirmou: “A liberação de novas emendas fica postergada para depois da validade do decreto (30 de setembro)”. Mantega havia liderado no governo o grupo contrário à prorrogação dos prazos para a liberação das emendas de 2009 ainda não pagas, em torno de R$ 4,5 bilhões, conforme cálculos do Planalto.

Na tentativa de acalmar ainda mais o Legislativo, Ideli informou que o governo está fazendo um levantamento das emendas dos parlamentares que não foram eleitos. A ideia é que os valores das emendas deles sejam repassados para atender a pedidos de congressistas novatos.

Essas emendas entrariam num pacote de obras nacionais e não em nome de um deputado específico. Para o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), um dos mais atuantes no movimento que exigiu a prorrogação do prazo para o pagamento das emendas de 2009, se o governo começar a empenhar os valores das de 2010 a partir de agosto ou setembro, a base aliada considera-se atendida. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/05/2011

às 6:31

Firme como Mantega - Ministro muda discurso e admite que preço da gasolina poderá subir

Por Eduardo Rodrigues e Renata Veríssimo, no Estadão:
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertou ontem que a Petrobrás poderá aumentar o preço da gasolina para adequar sua produção ao alto custo do barril de petróleo no mercado internacional. Em abril, no entanto, o ministro chegou a afirmar que o governo não cogitava aumentar o preço do combustível, contrariando a previsão do presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli.

“Se permanecer essa situação do barril elevado no exterior, pode ser que em algum momento a Petrobrás tenha que elevar o preço da gasolina”, disse Mantega em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado.

De acordo com o ministro, se o reajuste ocorrer - mesmo com o esperado alívio no preço da gasolina a partir deste mês em função da colheita da cana-de-açúcar e da consequente melhora na oferta de etanol -, o governo poderá diminuir a alíquota da Cide, imposto que regula o mercado de combustíveis.

“Aí nós podemos reduzir a Cide, de modo a não criar aumento no preço de gasolina, mas isso é um problema para o futuro”, acrescentou. Esse artifício já foi usado pelo governo durante a crise financeira mundial para evitar que o aumento da Petrobrás para as refinarias chegasse no preço do combustível na bomba.

Questionado por senadores da oposição, Mantega argumentou que o preço atual do petróleo estaria no mesmo patamar da crise do fim da década de 70. “Não é brincadeira. É um problema mundial, que afeta menos o Brasil que é autossuficiente, mas nos influencia porque compramos alguns derivados, como diesel”, afirmou.

Inflação. O aumento do petróleo no mercado internacional também seria um dos fatores por trás do crescimento da inflação no Brasil, assim como a alta das commodities alimentícias. Mantega garantiu que o governo tomará todas as medidas necessárias para conter a alta dos preços.

“Mesmo que o foco principal da inflação seja gerado fora do País, temos uma economia aquecida com alguns focos internos, como serviços. Por isso, temos que evitar que a inflação contagie outros setores da economia”, afirmou.

De acordo com Mantega, o governo também quer evitar que produtores passem adiante a inflação do passado, criando um “círculo vicioso”. Para o ministro da Fazenda, o Brasil encerrará o ano com a inflação dentro da meta, que tem como limite 6,5%.

Mantega disse ainda que o cenário permitirá um reajuste real do salário mínimo no próximo ano. “É coisa do passado essa mentalidade de que aumento de salário gera pressão inflacionária. Aumento do salário mínimo é mercado, é consumo, é estímulo à produção e ao investimento.”

O ministro disse que, se a economia estiver equilibrada, ela suportará o reajuste do piso salarial previsto entre 13% e 14% em 2012. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2011

às 20:55

Pô, Mantega, então pede pra sair… Ah, e sem bomba atômica, sim?

Xiii… Coitado do Guido Mantega! Está perdidaço mesmo! Ele é ministro da Fazenda, né? Uma das suas funções, vejam bem!, é mesmo compatibilizar câmbio e inflação numa equação. Mas ele diz que é difícil! Ué… Então pede pra sair, pô! Leiam o que informa a Reuters.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta quinta-feira o acerto da estratégia do governo para mitigar a valorização do real, mas admitiu que combinar isso com o combate à inflação é difícil. “Você não explode uma bomba nuclear porque senão os efeitos colaterais são piores que a medida em si”, disse à Reuters antes das reuniões do G-20 e do Fundo Monetário Internacional. “Temos tomado medidas severas.”

As declarações vêm num momento em que os índices de inflação se aproximam do teto da meta fixada pelo Banco Central para 2011, de 6,5%, enquanto o dólar segue numa trajetória cadente frente ao real. Segundo o ministro, sem as medidas tomadas pelo governo no câmbio, o dólar poderia estar agora entre R$ 1,35 e R$ 1,40 - nesta quinta, a moeda norte-americana fechou a R$ 1,579.

“Não é fácil conseguir conter a inflação, o que significa aumentar os juros, e, ao mesmo tempo, tomar medidas para conter a valorização do real”, disse o ministro. “Mas acho que temos conseguido.” Na semana passada, o governo dobrou para 3% a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente nas operações de crédito ao consumo, em mais um esforço para tentar desacelerar a economia.

Em dezembro, o BC havia adotado medidas macroprudenciais com o mesmo objetivo. Segundo Mantega, elas estão funcionando. Em outra frente, o BC elevou o juro básico em 1 ponto porcentual. Na semana que vem, os diretores do órgão devem adotar um aumento entre 0,25 ponto e 0,5 ponto, segundo estimativa do mercado.

O receio do governo e de vários economistas é de que juro mais alto intensifique a entrada de dólares no país que tem valorizado o real e prejudicado setores da economia brasileira. De acordo com Mantega, é preferível aumentar a taxação sobre a entrada de dólares do que impor restrições mais severas, como uma quarentena. Ele disse que o Brasil continua querendo capital de longo prazo. “Quando você cobra IOF, está simulando a mesma coisa. Preferimos fazer com taxação do que fazer com quarentena. Mas dá mais ou menos na mesma”, afirmou. O ministro disse ainda que o Brasil não aceitará qualquer restrição à capacidade de impor controles de capital que ameacem prejudicar a economia do país.

Metas para 2012
Mantega adiantou que o governo pretende estabelecer o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) como meta de superávit primário em 2012, dentro da expectativa de que a economia se expanda em 5% no período. Na sexta-feira, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, falará sobre o Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2012, encaminhado ao Congresso Nacional.

O ministro ainda voltou a criticar a política de juros baixos praticada por países desenvolvidos que, segundo ele, contribuem para a especulação com as commodities, cuja alta é um dos motores da inflação global.

Por Reinaldo Azevedo

25/11/2010

às 6:57

Guido Mantega já anuncia traição da promessa feita em campanha

Promessas de candidatos são afirmativas e são negativas. Há as coisas que eles juram que vão fazer, e há as que juram que não vão. Quando candidata, a agora presidente eleita, Dilma Rousseff, prometeu transformar a saúde num paraíso. Três dias depois da eleição, Lula testava a opinião pública ameaçando com a volta da CPMF, uma das coisas que ela rechaçara em campanha. A reação não foi boa, e, por enquanto, não se quer falar sobre o assunto. Mas ele voltará.

Dilma também negou com veemência que estivesse pensando num ajuste fiscal. Lembro três oportunidades:
“Com o país crescendo a 7%, com inflação sob controle, com o atual nível de reservas (internacionais)… Eu vou fazer ajuste fiscal para quê, hein? Eu não concordo que o Brasil tenha que se submeter sistematicamente, a cada fim de governo, a um ajuste fiscal”
(Dilma Rousseff em 7 de agosto de 2010)

*
“Eu não autorizo nenhuma avaliação a esse respeito. Eu vi as notícias, lamento, mas vou desmenti-las [sobre ajuste fiscal]. Não tem discussão neste sentido dentro da campanha. Ademais, o Brasil de hoje não é igual ao de 2002″
(Dilma Rousseff no dia 23 de agosto de 2010)
*
“Eu não vou fazer ajuste fiscal em hipótese alguma por um motivo: o Brasil não precisa mais de ajuste fiscal. Ajuste fiscal consiste em duas coisas: corte absolutamente linear de gastos, né? Vale de salário do funcionalismo a investimento público. Além disso, ele caracteriza também por um regime de caixa”
(Dilma Rousseff no dia 30 de agosto de 2010)

Muito bem. Agora vejam esta entrevista de Guido Mantega, ministro da Fazenda, que será mantido no cargo no governo Dilma. Ele revelou algumas coisinhas ao jornalista Heraldo Pereira, no Jornal da Globo:

Voltei
Ele está prometendo um… ajuste fiscal, aquele negado por Dilma, mas prefere um eufemismo: “Consolidação dos gastos de custeio”. E o salário do funcionalismo, está claro ali, será um dos fatores do ajuste. Segundo Mantega, já houve muito aumento ao longo de oito anos. Estava com a língua tão solta (por assim dizer) que só faltou considerar: “Pô, já ganhamos a eleição; agora é possível falar a verdade”. E os investimentos? Também serão cortados, segundo se pode entender. Agora, diz Guido, é hora de a iniciativa privada fazer a sua parte.

Pois é… Estamos diante de uma questão política que rende um bom debate. Em 2003 — faz tempo, né? —, escrevi um artigo para a revista da Fundação Teotônio Vilela, do PSDB, em que afirmava que a oposição precisava tomar muito cuidado com o PT porque, para o partido, coerência é uma cruz que deve pesar apenas sobre os ombros dos adversários. Eles não têm qualquer compromisso com a palavra empenhada. Vitoriosos, lembram-se, então que têm algumas obrigações, esperando contar com a “responsabilidade” daqueles que foram satanizados nas urnas como expressões do atraso, do retrocesso e tolices afins.

Querem um bom exemplo? A tal PEC 300, que cria o piso salarial para policiais e iguala os vencimentos às das polícias do Distrito Federal! Trata-se de um baita pepino para o futuro governo Dilma se aprovada. O PMDB quer porque quer. Já se comprometeu com a categoria. O PDT também. De onde o petismo espera socorro? Das oposições! Então vejam que mágica fabulosa: na hora de partir para o abraço, os petistas hostilizam abertamente seus adversários. Com as oposições, os petistas querem dividir apenas uma coisa: o ônus de algumas medidas impopulares.

É vital para a democracia que a oposição pense também na própria sobrevivência. Se o seu papel se resumir a dividir com o governo o ônus das responsabilidades e da governabilidade, estará lascada. Uma das formas de ser responsável com o país é não dando um tiro no próprio pé. O reajuste dos policiais é uma bomba fiscal? É, sim. Dilma não tem poder para vetar uma PEC, mas será poderosa o bastante para mobilizar suas forças no Congresso, onde terá uma larguíssima maioria, para rejeitá-la se assim decidir. A governabilidade é compromisso de todos. Governar é obrigação de quem venceu.

O mesmo se diga sobre o salário mínimo. Mantega está dizendo que o governo quer R$ 540. É um valor para negociar, mas não chegará a R$ 600 de jeito nenhum, proposta do então candidato tucano à Presidência, José Serra. O que deve fazer a oposição? Aquilo que faz em todo o mundo democrático: lutar por sua proposta.

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2010

às 17:55

Mantega, como Chacrinha, veio para confundir, não para explicar. A diferença é que ele é aborrecido…

Leiam o que vai no Estadão Online. Volto depois:
Mantega diz que governo editará MP para punir acessos imotivados

Por Adriana Fernandes, da Agência Estado:
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta terça-feira, 14, que o governo editará Medida Provisória que aumenta as penalidades para os servidores da Receita Federal que fizerem acessos imotivados a dados protegidos por sigilo fiscal. Segundo Mantega, o servidor que emprestar a sua senha será “imediatamente” demitido, num processo sumário. O servidor que fizer um acesso imotivado será, primeiro, suspenso e, depois, se de fato for comprovada alguma irregularidade, também será demitido. Mantega reconheceu que hoje as penalidades previstas na legislação são leves para o servidor, como suspensão e advertência.

Ele disse que, para aumentar as penalidades, é preciso mudança na legislação. Já as outras medidas de aperto no sistema de segurança de acesso a informações não serão incluídas nessa MP. Mantega não deu prazo para as medidas começarem as ser aplicadas, mas disse que a orientação dada ao secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, é para que sejam adotadas o mais rápido possível. Ele afirmou que as medidas podem ser feitas inclusive separadamente, assim que forem ficando prontas.

Mantega esclareceu que essas regras mais rígidas de punição aos servidores não poderão ser aplicadas aos funcionários envolvidos e já identificas nos casos recentes de quebra de sigilo indevida. Ele citou que são três os servidores já identificados. “A lei não pode retroagir”, justificou Mantega. O ministro destacou ainda que o desafio do governo é aumentar a segurança sem prejudicar a operacionalização dos sistemas da Receita.

Comento
Ai, ai… Como viram, Mantega entraria para valer no caso. Vejam aí quanta valentia. As medidas anunciadas buscam tirar o caráter obviamente político das violações de sigilo de tucanos e de familiares do presidenciável José Serra. Seria só falta de zelo e rigor de alguns funcionários. Vamos ver:
1 - E as mentiras contadas pela Receita?
2 - E a informação falsa fornecida pela própria Fazenda, segundo a qual o sigilo do genro de Serra não tinha sido violado?
3 - E a acusação feita pelo corregedor (o balcão de negócios), mas não enviada ao Ministério Público.

Dane-se isso tudo. Mantega, como Chacrinha, veio para confundir, não para explicar.

E noto uma tolice lógica dentro do diversionismo — uma verdadeira “manteguice”. Querem ver? O funcionário que emprestar a senha será sumariamente demitido. Certo! Já o que fizer um acesso imotivado — “imotivado” quer dizer sem motivo legal ou funcional, pura xeretice — , ah, esse será primeiro suspenso. Se houver irregularidade… E se alguém emprestar a senha para outro fazer acesso motivado?

Diversionismo ridículo
Trata-se de um diversionismo ridículo. Nenhuma dessas medidas impediria, por exemplo, na forma como se fez, a violação do sigilo da filha e do genro de Serra. Afinal, não foi o próprio Otacílio, o Cartaxo do PT, a afirmar que a funcionária do posto de Santo André só cumpriu a sua obrigação?

O mal da Receita Federal é o aparelhamento partidário. E não se trata de pegar os bagrinhos da base, não! Otacílio só é o secretário porque Mantega decidiu “petizar” o comando do órgão, o que é público e notório. E antes que alguém resolva vir com besteira,  como se tivesse uma grande idéia: “E Everardo Maciel? Não era próximo (não sei se era friliado) ao PFL?” Era, sim! Alguém se lembra de algum escândalo político na Receita em sua gestão? Ao contrário: a profissionalização do órgão avançou como nunca.

A questão não está em ter ou não ter filiação partidária, em ter ou não ter simpatia por esta ou aquela legendas. A questão é saber o que se faz com essa simpatia. Há quem acredite que um partido, para alcançar seus objetivos, não só pode como deve transgredir as leis democráticas; que essas leis são instrumentos que servem apenas aos interesses dos adversários. E, assim, cometem crimes em nome de princípios, entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2010

às 17:05

Mantega diz que Cartaxo fica. Ah, sim: Mantega também fica!

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse não “estar cogitando” demitir Otacílio Cartaxo, secretário da Receita. Entendo. Numa democracia convencional, o próprio Mantega, chefe do outro, estaria com o cargo em risco.

Só para que não reste a menor dúvida: fosse a Receita apenas um balcão de vender sigilos, Cartaxo já deveria estar na rua. Transformada em instrumento de luta polítco-partidária, sua demissão é imperiosa.

O post abaixo explica a fala de Mantega. Eles não precisam nem ser nem parecer.

Por Reinaldo Azevedo

24/08/2009

às 3:51

LINA, O CASO MANTEGA E O BLOGUEIRO PETISTA INDEPENDENTE…

Reportagens, quando cumprem o seu papel, não podem ser caracterizadas, na sua intenção, como contrárias ou favoráveis a quem quer que seja. Os fatos que elas relatam é que eventualmente contribuem para reforçar ou minar a credibilidade de um político — os fatos, eles sim, podem ser contrários ou favoráveis à reputação das personagens da notícia. A VEJA desta semana informa, com a confirmação do próprio Guido Mantega, que o ministro da Fazenda, ex-chefe imediato de Lina Vieira, pediu à então secretária da Receita informações sobre a investigação feita nas empresas da família Sarney. Desta feita, foi ela que negou ter conversado com Mantega a respeito —  provavelmente, para protegê-lo. Consta que, à diferença do que teria feito Dilma Rousseff, o ministro nada pediu. Quis dados da investigação e saber por que alguns deles haviam vazado.

Bom pra Mantega? Digamos que seja melhor para ele do que está sendo para Dilma. O ocorrido, no entanto, reforça a informação de que a cúpula do governo estava especialmente interessada no caso da família Sarney. É evidente que, do ponto de vista político, complica um tantinho mais a situação da ministra porque torna a acusação de Lina ainda mais verossímil.  Verossímil, mas também mais enrolada. Se a curiosidade de Mantega era absolutamente normal, corriqueira, não haveria razão para a ex-secretária negar o que o próprio ministro admite. Há coisas que não podem nunca se misturar. Um exemplo: polícia e política. Outro: fisco e política.

Há uma urgência óbvia do governo em desarmar esse caso. A resposta do Gabinete da Segurança Institucional ao pedido feito pelo DEM, por intermédio da Câmara Federal, para ter acesso às imagens do Palácio do Planalto e à ficha de registro de veículos prova uma de duas coisas: ou essa gente perdeu completamente o senso de ridículo, ou Lula deve transferir a sede do governo para o Complexo do Alemão, já que qualquer chefe da bandidagem deve estar mais seguro do que o presidente da República. Reitero: estamos falando daquele que deveria ser o prédio mais bem-guardado do país. Se é possível entrar ali sem que a placa seja nem sequer anotada — “carro de autoridade” — e se há sobreposição de imagens numa velocidade que não acontece nem em alguns prédios residenciais, a maior autoridade do país está correndo riscos. Um soldado do aparato de segurança dar um tiro no outro, como já aconteceu, é pinto perto do que seria o esquema de proteção ao chefe do Executivo.

O mecanismo para tentar desmoralizar Lina Vieira foi disparado. A conhecida máquina de sujar reputações espalhou, primeiro recorrendo aos que se prestam a fazer serviço sujo na Internet, que Lina é mulher do servidor Alexandre Firmino de Melo Filho, que foi ministro interino da Integração Nacional de 20 de agosto de 1999 a 17 de julho de 2000, na gestão FHC. E isso a tornaria, claro, naturalmente suspeita. Um dos que embarcam alegremente na versão é Ricardo Kotscho, que tem um blog. É uma gente mesmo sem limites. Vamos ver.

Lina não se casou com Melo Filho depois que foi nomeada secretária da Receita. Já era casada. Gente chamada para assumir um cargo como o dela tem a ficha analisada pela Abin — a considerar alguns nomes, convenham, suspeito que é preciso ter folha corrida em vez de biografia, mas vá lá… Todos sabiam com quem ela era casada. Mais: Mantega a chamou para o cargo, e o próprio governismo espalhou isto por aí, porque queria pôr a Receita sob controle do lulo-petismo. Procurem o noticiário da época. Lina contava com o apoio da corrente sindical da área. Kotscho ajuda a espalhar a versão vigarista de que Lina é suspeita de estar a serviço dos tucanos, quando a verdade é o exato oposto: ela só foi nomeada porque os petistas consideravam que a Receita era “tucana” demais.

Vejam que coisa espetacular: enquanto Lina não atrapalhava o PT, ter sido casada com ex-ministro interino era irrelevante; quando, ao que tudo indica, se negou a praticar uma ilegalidade, bem, aí ela se tornou suspeita.
COROLÁRIO - Se ela não fosse ligada aos tucanos, não faria a denúncia. Lido de outro modo: tivesse simpatia pelo PT, ela ficaria calada. É… O juízo que essa gente faz de si mesma é exato.

Kotscho, evidentemente, não se mede com a régua com que mede os outros. Se Lina, casada com um ex-ministro interino de FHC, era suspeita como secretária da Receita, por que ele próprio — ex-assessor de imprensa de Lula, seu amigo pessoal há décadas, com gente da família empregada na TV de Franklin Martins — é isento como jornalista? Em seu texto, ainda antevê o fim dos jornais porque, parece, ele suspeita dos seus (deles) critérios. Ah… Bons são os critérios de Ricardo Kotscho.

De volta à Receita
O que é que o governo queria na Receita? Um Cartaxo. E conseguiu. No sábado, informavam Leonardo Souza e Leandra Peres, na Folha:
“A pouco mais de um ano das eleições, o governo federal decidiu intervir na Receita e mudar o responsável por auditar o recolhimento de impostos das maiores empresas do país. Numa reunião tensa com a cúpula do órgão, o novo secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, avisou o subsecretário de Fiscalização “que não teria como segurá-lo” no cargo devido a pressões do ministro Guido Mantega (Fazenda).”

Eis aí o tipo de jornalismo que o “blogueiro” Kotscho não gosta e acha que está acabando. Talvez volte a ter utilidade se um dia o PT deixar o poder.
*
PS — Ah, sim: um leitor me mandou o link de sujeito se dizendo grato a mim e a Diogo porque, disse, fomos nós que lhe arrumamos emprego no governo. Segundo entendi, como uma de suas taras é nos atacar, isso virou critério de contratação. Não tem de quê.

Mas ele é só um galo velho e irrelevante. A gente já arrumou emprego até pra dinossauro.

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2009

às 16:22

Mantega: a lanterna na popa

Há quatro meses, Guido Mantega, ministro da Fazenda, dizia ainda acreditar num crescimento de 4% (!!!) neste ano, quando os muito otimistas afirmavam que não passaria de 1%, e os realistas ficavam mesmo com zero ou menos… Agora, o ministro diz que O PIB do primeiro trimestre será — porque já foi — “certamente negativo”. Corajoso!!! O IBGE divulga o número amanhã…

Este é Mantega. Não devemos acreditar em suas previsões sobre o futuro. Mas uma coisa é certa: ninguém prevê o passado como ele. É uma verdadeira lanterna na popa.

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2009

às 5:29

Fazenda e BC travam disputa sobre o câmbio

Na Folha:

O ministro Guido Mantega (Fazenda) levou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva seu diagnóstico de que a valorização do real em relação ao dólar só será contida por meio de uma redução acentuada na taxa de juros e pelo aumento das reservas internacionais do país via compra de dólares no mercado de câmbio.

O encontro estava marcado para o início da noite, em São Paulo, e é apenas o sinal mais recente da disputa que a Fazenda trava com o BC (Banco Central) sobre o comportamento do câmbio e o ritmo de queda dos juros.

Nas últimas semanas, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse publicamente que as taxas fixadas pelo BC não poderiam ser determinadas pelo comportamento do dólar. Segundo ele, isso faria com que a política monetária se transformasse numa “biruta”, instrumento que muda de direção de acordo com o sentido do vento.

Já no Ministério da Fazenda, a desvalorização do dólar para menos de R$ 2,00 indica a necessidade de reduzir a diferença entre os juros externos e aqueles praticados no Brasil. A distância entre as duas taxas, na visão da equipe de Mantega, aumenta a atratividade do país para investidores estrangeiros. Com a entrada desse dinheiro do exterior, a moeda brasileira acentua a valorização.

Sempre que isso acontece, as exportações encarecem e as empresas brasileiras perdem competitividade nas vendas ao exterior. Essa tendência reduz o saldo comercial e pode desequilibrar as contas externas do país.

A vantagem é que, em momentos de enfraquecimento do dólar, a inflação brasileira cai. Mais um argumento usado pela Fazenda para pedir ao presidente Lula que force uma queda maior nos juros.

O Banco Central, porém, tem a avaliação de que esse movimento não é explicado pelo diferencial de juros. O aumento de preço das commodities, como soja, teria uma relação muito mais próxima com o câmbio do que a taxa de juros.

Assinante lê mais aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/05/2009

às 11:12

VEJA 4 – Em busca do culpado

Por Camila Pereira:
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, protagonizaram cena de duvidosa alegria. Durante entrevista a jornalistas em Brasília, eles tentavam explicar por que as taxas de juros cobradas pelo Banco do Brasil estavam mais altas do que antes da demissão do antigo presidente do BB, Antonio Francisco de Lima Neto, que perdera o cargo havia 38 dias justamente porque parecia resistir a um corte nos juros. O fato, noticiado na coluna Radar, de VEJA, na semana passada, causou uma inversão também nas curvas de percepção política de Mantega e de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central. Como mostra a manchete do jornal O Globo reproduzida nesta página, Mantega se viu na contingência de defender juros altos e Meirelles aproveitou para manifestar preocupação com o potencial aumento das taxas de desemprego. Em geral, o que se vê é o contrário. O presidente do BC justifica os juros e o ministro da Fazenda recomenda menos garrote na política monetária. Não será fácil explicar ao público e ao presidente Lula por que Bendine segue o mesmo figurino do antecessor e continua cobrando alto pelos empréstimos que o BB concede.
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Por Reinaldo Azevedo

23/05/2009

às 10:53

Valorização do real é “preocupante”, diz Mantega

Na Folha:
A recente valorização do real ante o dólar -ocorrida principalmente com a volta do fluxo da moeda americana ao país, trazida por investidores estrangeiros- é “preocupante”, mas um sinal da “robustez” do país, disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em seminário sobre a crise econômica realizado em São Paulo.
O ministro disse que, após o “tombo” do último trimestre de 2008 (queda de 3,6% do PIB), a economia brasileira já dá bons sinais, com recomposição de crédito e melhora de indicadores -como o de emprego, com 106 mil vagas criadas em abril.
”Na primeira melhora que deu lá fora, você já tem um forte fluxo de capitais para o Brasil.” Resultado disso, afirma, é o fortalecimento do real ante o dólar -agora, fonte de preocupação, por “atrapalhar os setores produtivos, exportadores etc.”.
Para evitar maior desvalorização do dólar ante o real, Mantega disse que o Banco Central já atua na compra de dólares para recompor reservas internacionais e na manutenção da queda nas taxas de juros. A recomposição de crédito, apesar de já ter melhorado, “ainda não é a ideal”, ressaltou.
Apesar de “o pior da crise” já ter passado, segundo o ministro, o “spread” e a taxa de juros ainda são altos e é neles que as ações do governo devem se direcionar nos próximos meses.
“O BC tem sinalizado que vai dar continuidade à queda dos juros, creio que essa é a direção correta. Mas temos de reduzir mais fortemente o “spread” de todos os bancos, privados e públicos. E é o que vamos fazer nos próximos meses”, disse, sem detalhar planos.
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Por Reinaldo Azevedo


 

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