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inflação

29/07/2015

às 22:03

BC se comporta como talibã dos juros para mostrar que é fiel

Lembro de um trecho de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis: “Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho”. É isto: melhor uma farpa nos olhos do que ser refém de saídas de manual que ignoram a realidade. É claro que eu sabia, e que todos sabiam, que o Copom elevaria a taxa básica de juros: a dúvida era se a elevação seria 0,25 ponto ou de 0,5 ponto. Deu meio ponto: agora está em 14,25%.

Eu sou contra ou sou a favor a elevações de juros? A pergunta, se fosse feita, seria imbecil. E a resposta, tautológica: sou a favor quando são necessárias e contra quando são desnecessárias. E o mesmo vale para a redução da taxa. A boa pergunta é outra: vai adiantar para conter a inflação? Digamos que, em algum momento, sim. Mas a que custo?

Repito aqui as indagações que fiz anteontem e ontem no programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan: a demanda está aquecida e, por isso, os preços dispararam? Há alguma condição estrutural que a elevação possa corrigir? Não que se saiba.

Assim, essa elevação — e talvez ainda haja outra — só acarretará um aumento brutal nas despesas do governo e terá pouca ou nenhuma influência na inflação, derivada dos preços administrados, que não baixarão.

“Ah, mas reduzindo a atividade, em algum momento, a inflação baixa…” Em que momento? Não há resposta para isso, e noto que o pensamento mágico está na base de algumas análises disfarçadas da mais fria racionalidade. Leio coisas como: “Ah, na próxima reunião, o Copom pode elevar ainda em mais meio ponto, e aí fica estável até o fim do ano”. Sei. Está escrito em algum lugar que a inflação cai quando os juros são de 14,75% ou de 14,5%? E se não cair? Administra-se mais do mesmo remédio?

Reitero: eu não tenho nada contra a elevação dos juros em si, como não tinha nada contra a redução. Eu só me oponho quando objetivos alheios à natureza das medidas entram em pauta. Agora ou antes.

Por que digo isso? O governo não tem credibilidade. O prestígio de Joaquim Levy ficou abalado depois da trapalhada protagonizada no caso do superávit primário. O BC precisa, assim, posar de talibã dos juros para demonstrar que ninguém por ali perdeu a fé na palavra — embora este governo se mostre incapaz de cortar gastos para valer. O que ele faz é cortar a previsão orçamentária, o que é coisa distinta.

A elevação dos juros quer dizer apenas o seguinte: “Ó, não estamos flertando mais com inflação, tá?”. Tá! Mas ela vai contribuir para baixar essa inflação que está aí? A resposta: até pode. De tal sorte se dá um tombo na economia que, em algum momento, cai…

Então tá!

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2015

às 15:39

Já foi o tempo em que a inflação empatava com popularidade de Dilma…

Já foi o tempo em que a inflação coincidia os índices de “ótimo/bom” do governo Dilma. Sendo o governo o que é, e sendo a economia o que é, aconteceu o óbvio: a inflação já é mais alta do que a popularidade de Dilma.

Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta, o IPCA-15, tido como uma prévia da inflação do mês, subiu 0,59% neste mês, maior taxa para o período desde 2008, quando atingiu 0,63%. No acumulado de 12 meses, o índice alcança 9,25%.

Nos primeiros seis meses, o IPCA-15 ficou em 6,9%, acima do teto da meta de inflação, que é de 6,5% para o ano todo. Boletim Focus de segunda estimou a inflação no ano em 9,15%.

Ah, sim: segundo dados da pesquisa CNT/MDA, divulgados nesta terça, apenas 7,7% acham o governo ótimo ou bom.

Há 7,7% de brasileiros ou generosos ou empedernidamente petistas.

Por Reinaldo Azevedo

13/07/2015

às 15:28

Mercado já prevê inflação acima do dobro do centro da meta: 9,12%. Que beleza, hein, Dilma?

O mercado financeiro voltou nesta segunda-feira a aumentar a estimativa da inflação para 2015, desta vez de 9,04% para 9,12%. Esta é a 13ª semana consecutiva em que a projeção é ajustada para cima. Com isso, consolida-se a perspectiva de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ultrapassará a barreira dos 9% neste ano, muito acima do teto da meta, de 6,5%, e mais longe ainda do centro dela, de 4,5%.

As informações constam do boletim Focus, que é divulgado semanalmente pelo Banco Central e é produzido a partir das estimativas de mais de cem instituições financeiras.

Para o próximo ano, o mercado, no entanto, voltou a apostar em uma ligeira redução da taxa de inflação de 5,45% para 5,44%. Uma das razões que fundamentaram essa expectativa é a projeção de aumento na taxa básica de juros (a Selic) de 12,06% para 12,25% em 2016. Para este ano, a previsão da Selic permaneceu em 14,50% como estava na semana passada.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), os analistas mantiveram a perspectiva de queda de 1,50%. Se ela for concretizada, será o pior desempenho da economia brasileira desde 1990, quando foi verificada retração de 4,35%.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA subiu 0,79% em junho, atingindo a casa dos 6,17% no primeiro semestre – o maior porcentual em doze anos. Segundo o instituto, o preço da conta de luz e dos alimentos foram os grandes responsáveis pela escalada da inflação.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2015

às 22:59

Equilibrando a bola na ponta do nariz. Ou: Não é o teto que define o centro; é o centro que define o teto

Não quero ser nem parecer desrespeitoso, mas pergunto: a equipe econômica vai também tentar equilibrar uma bola na ponta do nariz, como aquelas simpáticas focas? Por que pergunto isso? O Conselho Monetário Nacional decidiu reduzir a margem de tolerância para a inflação em 2017: o teto da meta passa a ser de 6%, não de 6,5%, como é hoje. O centro continua em 4,5%.

Não, meus caros! Dilma nunca cumpriu o centro da meta, cujos números são estes, de 2011 a 2014: 6,5%, 5,84%, 5,91% e 6,41%. O prudente, obviamente, teria sido buscar o centro. À medida que o governo passou a trabalhar na margem, em vez de 6,5%, vai fazer mais do que 8%.

O CMN é formado pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e pelo presidente do Banco Central. Olhem aqui: eu não sou economista e me dedico muito menos à economia, como jornalista, do que me dedico à política. Mas sei alguma coisinha de lógica.

Acho que a equipe econômica — e o Banco Central em particular — tem de ter credibilidade para fazer uma coisa como essa. O que me parece é que se está fazendo a operação contrária: reduzindo o teto da meta em busca da credibilidade. E, meus queridos, nesse caso, ninguém acredita.

Digamos que o governo Dilma tivesse feito até aqui um esforço realmente brutal para cumprir os 4,5%. Ainda que tivesse escapado um pouquinho, todos compreenderiam e saudariam o novo teto de 2017. O que se viu nos quatro anos anteriores, no entanto, foi um dar de ombros para os 4,5%. Para que reduzir de 6,5% para 6% o limite de 2017?

CARAMBA! NÃO É O TETO QUE DEFINE O CENTRO, É O CENTRO QUE DEFINE O TETO.

Consta que o maior defensor da redução do limite de 6,5% para 6% é o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que não é um mau sujeito. Acho, sinceramente, que é um homem bem-intencionado e que quer acertar. Todo indivíduo racional tem um quê de místico, de supersticioso. Levy deve considerar que, assim, aumenta a confiança, passa a imagem de seriedade e, quem sabe, alterando as expectativas, baixe a inflação.

Sabendo muito menos de economia, tendo a achar que, se o governo realmente demonstrar compromisso com as contas, tomar as medidas corretas, não flertar com a inflação, aí acho que ela cai. Quando, mantendo o centro da meta em 4,5%, o governo entregar 4%, aí o teto poderia ser de 5,5% — um teto para não ser atingindo, e não aquele no qual se sobe para supostamente vislumbrar um futuro brilhante, como fizeram Guido Mantega e Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2015

às 16:39

A incompetência metódica da companheirada. Ou: Elogiei Dilma, mas ela não gostou!

O PT realiza neste fim de semana o seu 5º Congresso. As tendências mais à esquerda vão lá disparar vitupérios contra Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Os ditos moderados do lulismo não vão atacar Levy, mas apresentarão um documento defendendo que o partido faça a sua conversão à esquerda. Que coisa linda! Lula, o palestrante milionário, certamente terá a chance de explicar como é que o Brasil do petismo, no 13º ano de governo, consegue conciliar a taxa de juros mais alta do mundo com uma inflação que chegou a 8,47% em maio, no acumulado de 12 meses, e 5,34% nos cinco primeiros. As duas taxas são recordes desde 2003. Ah, sim: tudo isso no quadro de uma recessão que deve chegar perto de 2%.

É a isso que chamo incompetência metódica. Não pensem que se chega a essa equação da noite para o dia. É preciso que um erro vá se somando a outro; que cada um desses erros seja corrigido com um novo erro. E a tudo isso se deve acrescentar o molho da arrogância, salpicando a estupidez com a discurseira da justiça social. E pronto!

Um governo obtém esse resultado quando incentiva o consumo, forçando a mão, por exemplo, para que os salários cresçam acima da produtividade, de sorte que haverá mais vontade de comprar e contratar serviços do que a capacidade que tem o país de oferecer as duas coisas. Quando alguém acender o sinal vermelho e disser que isso vai acabar em crise, basta adornar a barba com os perdigotos da baba populista e proclamar, ciciando, enquanto espanca a gramática: “Eles num gosta quando a classe trabalhadora começa a consumir; eles num gosta quando a classe trabalhadora anda de avião; eles num gosta quando a classe trabalhadora vai ao cabeleireiro”.

Não! Eles “gosta”, sim! Ocorre que eles também acham que é preciso criar as condições para que esse acesso ao consumo seja permanente; eles acham que é preciso fazer com que o poder de compra seja mantido. E isso se consegue criando os marcos para que o país aumente a produtividade, seja mais competitivo, cresça, em suma, de forma sustentável e sustentada. Para tanto, é preciso atrair investimento; é preciso que não se veja o Tesouro como um saco sem fundo. É preciso que os gastos não cresçam a uma taxa muito superior à arrecadação. É preciso que uma guia genial dos povos não tenha a ideia iluminada pelas trevas de baixar, no porrete, a tarifa de energia sob o pretexto de que vai incentivar a economia.

Ah, sim, presidente Dilma: segundo o IBGE, o brasileiro está pagando, em média, neste ano, 41,94% a mais de energia do que no ano passado.

Pior de tudo: houve, sim, uma tolerância descarada com a inflação. Ora, meus caros, não precisamos ir muito longe. Nos debates do dia 15 de outubro (Jovem Pan-UOL-SBT) e do dia 20 do mesmo mês (Band-UOL), a então candidata à reeleição afirmou com todas as letras que seu adversário, Aécio Neves, pretendia levar a inflação a 3%, sim, mas só o faria triplicando o desemprego e com um choque de juros… Pois é… Dilma escolheu outro caminho: já deu um choque de juros, vai ao menos dobrar o desemprego, e a inflação está muito longe dos 3%.

Podemos, no entanto, ficar tranquilos. Em seu congresso neste fim de semana, correntes petistas vão espancar Joaquim Levy, que vem a ser o homem chamado para tentar arrumar a barafunda. Mais: a corrente lulista vai incentivar as franjas do PT que são contrárias ao ajuste da economia e anunciar a sua futura conversão à esquerda, deixando claro que o partido não se conforma só com os erros cometidos até agora: quer muito mais do que isso.

A presidente Dilma Rousseff tinha decidido não participar da abertura do congresso. Eu a elogiei por isso. Mas agora mudou de ideia. Sai de Bruxelas e volta diretamente para Salvador, a tempo de participar, sim, do encontro. Pergunta: o partido vai pagar o custo adicional que implica essa paradinha na capital baiana?

Como se vê, não me acusem, né?, de jamais fazer um elogio a Dilma. Até fiz. Mas o motivo durou pouco. É claro que, dado o andar da carruagem, a presidente deveria se manter distante daquele evento, cujo ideário ajudou a levar a economia para o buraco. E mais distante ainda deveria se manter quando se descobre que uma empreiteira repassou R$ 3 milhões ao Instituto Lula e mais R$ 1,527 milhão à empresa privada do ex-presidente.

Mas fazer o quê? Dilma continua a não ser senhora de sua agenda. Decidiu pacificar o petismo e vai contribuir para espalhar incertezas entre os não petistas. Eis a mulher. Eis a obra.

Por Reinaldo Azevedo

25/05/2015

às 19:05

Mercado aumenta projeção da inflação pela 6ª vez seguida

Na VEJA.com:
O mercado financeiro elevou pela sexta vez consecutiva a projeção da inflação para este ano. Segundo o boletim semanal Focus, divulgado nesta segunda-feira, a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2015 passou de 8,31% para 8,37% em uma semana. Se for concretizada, a taxa chegará ao maior nível desde 2003, quando atingiu 9,3%.

Além disso, o resultado está muito acima do centro da meta definida pelo governo para este ano, de 4,5%, e do teto dela, de 6,5%. Para 2016, no entanto, a projeção dos analistas é que o IPCA permaneça estável em 5,5%. Parte disso é reflexo da expectativa de aumento na taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para junho. O relatório previu uma elevação nos juros, de 13,5% para 13,75% em relação à semana passada.

Atrelado ao aumento da inflação, os analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central também apontaram uma piora no comportamento da economia brasileira, com um recuo de 1,20% para 1,24% no resultado do Produto Interno Bruto (PIB). Se for confirmado, este será o pior desempenho do indicador desde 1990, quando foi verificada uma queda de 4,35%.

O boletim é produzido pelo Banco Central com mais de cem instituições financeiras.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 4:35

DILMA, A ALGOZ DE DILMA – Corte no Orçamento deve ser de R$ 69 bilhões; governo vai aumentar imposto de bancos; líder do governo diz que, sem ajuste, país “quebra”

Finalmente um petista empregou o verbo que traduz a urgência do pacote fiscal proposto pelo governo, já em processo de desfiguração: “quebrar”. É isto. José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, foi claro: “O Brasil quebra caso o Senado não aprove as medidas”. Creio que os senadores petistas Lindbergh Farias (RJ) e Paulo Paim (RS) não compartilhem da ideia, não é? Ambos assinaram um manifesto contra a política econômica e anunciaram voto contrário ao pacote. Ao jornalista Heraldo Pereira, da Globo, o parlamentar do Rio foi mais longe e pediu a saída do ministro Joaquim Levy (Fazenda). A presidente Dilma não topou, e Levy, claro!, fica. Não só fica como impõe a sua agenda.

O governo anuncia nesta sexta um corte no Orçamento que deve ficar em torno de R$ 70 bilhões — fala-se em R$ 69 bilhões. Pelo menos R$ 49 bilhões sairão dos gastos discricionários. E não haverá área poupada, incluindo saúde, educação e desenvolvimento social. Outros R$ 20 bilhões teriam origem nas emendas parlamentares. Mas só o corte não dá conta de fazer o superávit de 1,2% do PÌB.

O governo decidiu também emitir uma MP que eleva de 15% para 20% a alíquota da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos. Seria, como se andou dizendo nos bastidores, uma forma de demonstrar que os ricos também pagam… A síntese é ligeira, mas certa: isso, no fim das contas, encarece o dinheiro e acabará sendo pago por quem precisa dele. Aumento de impostos, a menos que seja confiscatório, sempre acaba sendo pago pelos pobres. Não caiam nessa conversa.

Para chegar a esse valor no corte do Orçamento, o Planalto trabalha, informa a Folha, com uma recessão de 1,2% e com inflação de 8,26% neste ano. Lembram-se do tempo em que o centro era 4,5%, e o teto, 6,5%? Não foi a natureza que conduziu o país a esse ponto, mas escolhas feitas pela petelândia.

O Senado vota na semana que vem as medidas provisórias do ajuste fiscal. Caso haja mudanças na Casa, o texto precisa voltar para a Câmara. Só que há um busílis: as MPs perdem vigência no dia 1º de junho se não forem votadas. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, afirmou que, se for necessário, suspende a tramitação da reforma política para votar eventuais mudanças feitas pelo Senado nas MPs. Um dos caminhos possíveis para ganhar tempo é o Planalto acertar com as lideranças políticas eventuais vetos de Dilma que deixem os textos como quer a maioria dos parlamentares.

Eis aí: desemprego em ascensão, renda em baixa, arrecadação em queda, recessão e inflação em alta, megacorte no Orçamento e elevação de impostos. Se Dilma tivesse sucedido a um presidente tucano, ela certamente vituperaria contra a herança maldita. No 13º ano de governo petista, eis o legado dos 12 anteriores.  

Seria essa uma herança bendita?

Por Reinaldo Azevedo

08/04/2015

às 15:01

Os recordes da inflação de março

Na VEJA.com:
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,32% em março, atingindo o maior nível desde fevereiro de 2003, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Esta é também a maior variação para meses de março em vinte anos – mais elevada foi 1,55% em 1995. Com isso, no acumulado de doze meses, a inflação está em 8,13%, maior patamar desde dezembro de 2003, e bem distante do teto da meta do Banco Central, de 6,5%. Vale lembrar que o centro da meta, número que deve ser perseguido, é de 4,5%.

Mesmo assim, o resultado de março veio um pouco abaixo da mediana de estimativas de analistas ouvidos pela agência Reuters, de alta de 1,39%. Para os doze meses até março, a expectativa era de avanço de 8,20% na mediana de trinta projeções. Em fevereiro, o índice havia avançado 1,22%. No primeiro trimestre de 2015, os preços já subiram 3,83%, de acordo com o IBGE, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em março, o grupo Habitação respondeu, sozinho, por 0,79 ponto porcentual de 1,32% de alta do IPCA ante fevereiro. A conta de luz foi o grande vilão: aumento médio foi de 22,08% no mês. Sem a conta de luz, o IPCA geral aumentaria apenas 0,61%. Com a entrada em vigor, a partir de 2 de março, da revisão das tarifas aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) ocorreram aumentos extras, fora do reajuste anual, para cobrir custos das concessionárias com a compra de energia. Na mesma data, houve reajuste de 83,33% sobre o valor da bandeira tarifária vigente, a vermelha, passando de 3,00 reais para 5,50 reais.

No Rio de Janeiro, a variação da energia refletiu, também, o reajuste anual de 34,91% em uma das concessionárias, que entrou em vigor em 15 de março. À exceção de Recife, que apresentou variação de 0,65% em razão de redução de impostos, as demais regiões pesquisadas tiveram aumentos significativos na energia.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 14:36

Focus: Inflação acima de 8% neste ano e recessão já perto de -1%

Na VEJA.com:
Nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar o resultado da economia no quarto trimestre do ano passado e do ano cheio. As perspectivas são pessimistas, mas 2015 não compensará o prejuízo. Segundo economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) para o relatório semanal Focus, a perspectiva para o Produto Interno Bruto (PIB) ao fim deste ano é de queda de 0,83%. Na semana anterior, a mediana das projeções apontava para um recuo um pouco menor, de 0,78%. Para 2016, porém, as estimativas caíram, de 1,30% para 1,20%, mas ainda são de crescimento da atividade econômica.

De acordo com o Focus, a expectativa do mercado para a inflação também piorou nesta semana. No relatório anterior, economistas previam alta de 7,93% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2015. Agora, essa projeção passou para 8,12%. Se confirmada, essa será a maior inflação anual desde 2003, quando o IPCA subiu 9,30% em doze meses até dezembro. Para 2016, os preços ao consumidor devem subir 5,61%, quase a mesma projeção da semana passada (5,60%).

Na sexta-feira, o IBGE divulgou a prévia da inflação (IPCA-15) de março, que subiu 1,24% ante fevereiro e 7,9% em doze meses. A projeção para o câmbio também mudou: os economistas ouvidos pelo BC esperam que, ao fim do ano, o dólar fique em 3,15 reais ante 3,06 reais esperados na semana passada. Para 2015, a valorização da moeda americana deve ser ainda maior. O mercado espera, para o fim do ano que vem, dólar a 3,20 reais, contra 3,11 da semana passada.

Por Reinaldo Azevedo

09/03/2015

às 15:50

Íbis do D faz dólar disparar; expectativas do Boletim Focus… pioram!

Pois é… O dólar foi para um novo umbral: passou a linha dos R$ 3,10. Às 15h29, era negociado a R$ 3,1200 para compra e R$ 3,1207 para venda. Reflexo dos desacertos na economia, é claro — é o que está na base —, mas também efeito da tensão política. Essa gente é ruim demais, né? Depois do panelaço da noite deste domingo, convenham, o governo deveria ter vindo a público para dizer algo assim: “As manifestações são democráticas, e tudo faremos para que as pessoas se expressem em ordem e em paz…”. Que nada! Aloizio Mercadante preferiu vir com os seus tanques verbais: “não existe terceiro turno”; “nós ganhamos pela quarta vez…”.

De resto, as perspectivas econômicas voltaram a se deteriorar segundo o Boletim Focus: de uma semana para outra, a antevisão da recessão neste 2015 passou de 0,58% para 0,66%. Parece pouco? É uma piora de 13%.

Em uma miserável semana, a mediana do IPCA para este ano passou de 7,47% para 7,77%. Há um mês, era de 7,15%. Ou por outra: em 30 dias, saltou 0,62 ponto. Essa é a previsão otimista. No chamado Top 5 — os cinco economistas que mais acertam —, a antevisão do índice pulou de de 7,51% para 7,97%. A expectativa para a Selic segue em 13%, e o dólar, para a turma ouvida pelo Focus, termina o ano em R$ 2,95 — na semana passada, R$ 2,91.

E olhem que a gente tem a impressão de que a crise apenas começou. Dilma está há apenas três meses no exercício do novo mandato.

Por Reinaldo Azevedo

02/03/2015

às 16:02

Os números aloprados da economia: recessão, déficit, juros… Ou: 13 na cabeça!

Qual notícia ruim sobre a economia você prefere, leitor amigo? A expectativa do mercado de que o país terá o pior desempenho econômico em 25 anos? Segundo os agentes de mercado ouvidos pelo Boletim Focus, a retração em 2015, agora, está projetada em 0,58%, pior do que a de 2009, quando houve encolhimento de 0,3% em razão da crise global. É a nona piora consecutiva de expectativas. E continuará a piorar.

Mas você pode escolher uma outra. Que tal o pior desempenho da balança comercial no mês de fevereiro em 21 anos, com déficit de US$ 2,842 bilhões? As exportações somaram US$ 12,092 bilhões, e as importações, US$ 14,934 bilhões. No acumulado de 2015, a conta está no vermelho em US$ 6,016 bilhões. As vendas externas foram de US$ 25,796 bilhões, e os gastos no exterior atingiram US$ 31,812 bilhões.

Notem: não estamos apenas com um quadro de encolhimento da economia. Ele também é marcado pela crescente deterioração das contas externas. E a situação só não foi pior porque a retração econômica contribui para diminuir as importações. Houve queda de 20,3% no item “combustíveis e lubrificantes” e de 8% no de bens de capital — o que é particularmente preocupante porque indica o declínio da indústria.

Nas exportações, houve queda nas commodities, que têm segurado a peteca: 72,2% de grãos, 35,7% de ferro e 19,9% de açúcar refinado. A indústria foi a lástima costumeira.

13 na cabeça!
Ah, bem… Então voltemos às projeções. Agora, os analistas acham que o ano termina com a Selic a 13%, não mais a 12,75%. A projeção para a inflação também cresceu: de 7,33% na semana passada para 7,47%.

Fora isso, vai tudo bem…

Por Reinaldo Azevedo

24/02/2015

às 14:39

Em fevereiro de 2003, a inflação alta refletia as incertezas sobre governo Lula; em 2015, a inflação alta reflete as certezas sobre o governo Dilma

O IPCA-15, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15, tomado como uma prévia da inflação oficial, alcançou 1,33% em fevereiro, depois de uma elevação de 0,89% em janeiro. É a maior taxa mensal desde fevereiro de 2003, quando chegou a 2,23%. A economia, há 12 anos, refletia, então, as incertezas sobre o governo Lula. Agora, reflete as… certezas sobre o governo Dilma. Que bom, né? O PT é o caminho mais longo e penoso entre o baixo crescimento com inflação alta e… o baixo crescimento com inflação alta.

A gente pode dar uma de Poliana lesa e comemorar. “Ah, sabe o que foi? É que o grupo Transporte pesou demais, com o reajuste dos ônibus. Ele responde por 0,37 ponto percentual desse 1,33%. E há também o grupo Energia, que responde por 0,23 ponto percentual. Sabem como é… Coitada da Dilma! Teve de baixar o tarifaço… Se a gente tira esses dois itens, a elevação cai para 0,73%…”

Bem, 0,73% já não é número que se comemore, como sabe qualquer pessoa prudente. Mas o raciocínio é supinamente estúpido porque cada mês tem a sua própria agonia, não é? Eu sempre parto do princípio de que, se a gente tirar as más notícias da realidade ruim, ela, então, fica boa. Ora…

De resto, há que notar que transporte e energia tiveram de incidir ao mesmo tempo na inflação por causa de barbeiragens feitas anteriormente nos dois setores, por obra, sim, do governo federal. No caso da energia elétrica, dispensam-se explicações. No dos transportes, é preciso lembrar que o governo federal pressionou os prefeitos a represar as tarifas no ano passado para… conter a inflação. Adiantou?

Foram duas das “escorregadinhas”, como disse Joaquim Levy, dadas pelo governo Dilma. Ah, sim: esse tipo de inflação não se corrige com elevação da taxa de juros.

O PT chegou lá: recessão, inflação nas estrelas e juros na estratosfera. Tem o seu charme. É preciso ser singularmente incompetente para obter esse resultado.

Por Reinaldo Azevedo

09/02/2015

às 15:19

Dólar dispara; boletim Focus antevê crescimento zero e inflação ainda mais alta

Na VEJA.com:
O dólar dispara frente ao real nesta segunda-feira. Após abrir o pregão em alta de 0,27%, a moeda americana chegou a ser negociada 2,7929 reais na venda, alta de 0,53% no fim da manhã. Por volta de 14h45, ela estava sendo vendida por 2,7841. Na sexta-feira, o dólar fechou a 2,77 reais, maior valor em dez anos, desde 10 de dezembro de 2004. Internamente, o foco continuava nos riscos crescentes de crescimento negativo da economia brasileira, com inflação alta. A insatisfação com a escolha de Aldemir Bendini para a presidência da Petrobras também ajudou a pressionar a busca por dólares, moeda considerada mais segura.

A pesquisa Focus, do Banco Central, trouxe piora nas projeções das instituições do mercado financeiro para a inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB). Pela primeira vez, a mediana das projeções do mercado financeiro para a atividade brasileira deste ano ficou em zero, ante uma ligeira expansão de 0,03% no levantamento da semana passada. Para 2016, a expectativa de 1,50% foi mantida. Já a mediana das previsões para o IPCA deste ano subiu de 7,01% para 7,15%. Para o final de 2016, a projeção foi mantida em 5,60%.

No exterior, as preocupações eram renovadas com China e Grécia. O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, insistiu domingo que Atenas não vai pedir uma prorrogação do atual programa de resgate do país aos credores internacionais, mas sim um empréstimo-ponte, podendo deixar as partes envolvidas incapazes de chegar a um acordo de curto prazo, o que trouxe de volta o temor em relação à permanência ou não do país na zona do euro. Na China, a balança comercial registrou superávit recorde em janeiro, com as exportações caindo 3,3% ante estimativa de alta de 4,0% e as importações recuando 19,9% ante previsão de queda de 3,3%.

Ações
Na BM&FBovespa, o Ibovespa opera com volatilidade. O principal índice da bolsa de valores brasileira chegou a cair 0,76% (48.423 pontos) no meio da manhã, mas, por volta de 13h30, operava em sua máxima do pregão, alta de 1,41% (49.481pontos).

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2015

às 15:14

Inflação acima de 7% e economia a caminho da recessão! Chamem o Cumpádi Uóshito! Não sabe de nada, inocente!

O mercado já está chegando lá. E onde é lá? Fica no território do óbvio: o país caminha para uma recessão. E olhem que as medidas da presidente Dilma Rousseff contra o crescimento ainda não começaram a surtir efeito. “Medidas contra o crescimento?” É claro que o propósito não é esse. Mas essa é uma das consequências. No Boletim Focus divulgado nesta segunda, o mercado prevê uma expansão da economia neste ano  de, atenção!, 0,03%.

Sim, leitor amigo, entre zero e qualquer coisa diferente de zero, há infinitos números. Mas isso, vocês sabem, é outro território: é o da matemática. Em matéria de crescimento econômico, 0,03% é igual a zero. E pode ser inferior a zero quando se constata que, na semana passada, o mesmo boletim apontava 0,13%. Sabem o que isso significa? De uma semana para a outra, a previsão baixou 77%. Há um mês, a antevisão era expansão de 0,5%. Logo, em 30 dias, a previsão sofreu uma baixa de 94%. É que, em matéria de crescimento, quando os números ficam à direita da vírgula, o mercado já desiste de fazer conta.

Mas essa não é a única má notícia. Mesmo com a pancada já havida nos juros, prevê-se agora que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fique em 7,01% — há um mês, a mediana estava em 6,56%. Vale dizer: vem por aí uma recessão, com os juros nos cornos da lua —12,25% ao ano hoje — e inflação alta. Eis as consequências das escolhas feitas pelo petismo na economia.

Se alguém quiser ficar um tantinho mais irritado, tendo uma dura aula prática de política, basta entrar na internet e comparar o que está em curso com o que a Soberana disse na campanha. Não! Ela não é uma presidente que prometeu mundos e fundos sem saber direito como um antecessor deixou o governo. Dilma é a sucessora de Dilma. Logo, a então presidente Dilma sabia que a candidata Dilma estava contando um monte de mentiras para ganhar a eleição. Isso, acho eu (ainda vou ler o livro), João Santana não deve ter contado em sua entrevista.

“Ah, Reinaldo, então, depois do desastre, vem um crescimento vigoroso em 2016, certo?” Chamem o Cumpádi Uóshito! Não sabe de nada, inocente! Para o ano seguinte, projeta-se a merreca de 1,5% — e a expectativa está em queda: era de 1,54% na semana anterior. Há um mês, antevia-se 1,8%. Ou por outra: em 30 dias, a queda é de 17%. Não é por acaso. Os analistas preveem a Selic a 12,5% no fim do ano — os analistas que mais acertam falam em 13%. Para o fim de 2016 — sim, o ano seguinte —, aposta-se em 11,5%. Não há país que cresça de modo decente com o juro nesse patamar.

Tudo isso porque eles são maus? Não! Tudo isso porque os petistas são incompetentes para gerir a economia. Com o vento a favor, eles promovem a farra. Com o vento contrário, recessão. O PT é sempre, digamos, “pró-cíclico” — o ciclo da estupidez. Então vamos lá. O país cresceu 2,7% em 2011, 0,9% em 2012 e 2,3% em 2013. Em 2014, fala-se em 0,3%. Com boa vontade, neste ano será ZERO e 1,5% em 2016. Assim, em seis anos, que é até onde a vista alcança, a gestão Dilma terá produzido um crescimento médio de 1,28%, o que é, sem favor, um desastre histórico.

 

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2014

às 15:15

IPCA acelera para 0,51% em novembro, diz IBGE; em 12 meses, fica acima da meta. De novo! 

Na VEJA.com:
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,51% em novembro, ante 0,42% registrados no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. O resultado ficou abaixo do esperado por analistas consultados pela agência Reuters, que projetavam uma alta de 0,54% no mês passado.  Em doze meses, o IPCA acumula avanço de 6,56% até novembro, contra 6,59% em outubro, mantendo-se pelo quarto mês seguido acima do teto da meta do governo, de 6,50%. Já no acumulado do ano, o IPCA teve alta de 5,58%

Mais uma vez, o segmento Alimentação e Bebidas teve a maior contribuição para a alta do IPCA no mês, com contribuição de 0,19 ponto percentual (37% do IPCA do mês) para o resultado de novembro. O item carnes permaneceu, pelo terceiro mês consecutivo, na liderança do ranking dos principais impactos, com 0,09 ponto percentual. Além das carnes, outros alimentos ficaram bem mais caros de um mês para o outro, com destaque para a batata-inglesa, cujos preços aumentaram 38,71%. 

Outro grupo que pressionou o índice foi o de Transportes (impacto de 0,08 ponto porcentual), principalmente por conta da alta do item combustíveis. O preço do litro da gasolina ficou quase 2% mais caro, refletindo, nas bombas, parte do reajuste de 3% nas refinarias, em vigor a partir de 7 de novembro. A energia elétrica também figura entre os principais impactos, com contribuição de 0,05 ponto percentual no índice.

Juros
Diante da inflação pressionada, o Banco Central (BC) intensificou o ritmo de aperto monetário nesta semana e elevou a taxa básica Selic em 0,50 ponto percentual, a 11,75% ao ano. Mas, embora o BC tenha indicado que pode reduzir a intensidade da alta em breve, o movimento reforçou as sinalizações dadas pela nova equipe econômica - com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini mantido no BC – de maior rigor fiscal e combate à inflação.

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2014

às 23:14

Dilma, o crescimento, os juros, a amoxicilina e o clavulanato de potássio

O governo divulgou a expectativa de crescimento da economia para o ano que vem. O número despencou de 2% para… 0,8%. Eis aí: de repente, pimba! E temos uma projeção 60% menor. É que a anterior ainda estava sob a esfera de influência — ou a metafísica — de Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento), que foram se tornando, com o tempo, sinônimos de piada, uma menos engraçada do que o outro. Mas a notícia importante do dia, nesse particular, nem é essa.

O governo desistiu — alvíssaras! — de fazer suas próprias projeções de crescimento e de anunciá-las para a crença de ninguém. Agora, deixa claro, ele vai apostar no que apostar o boletim Focus, que traduz o consenso de mercado. Mantega passou boa parte do tempo afirmando que as expectativas dos agentes econômicos eram muito pessimistas. Pois é…

Ocorre que eles sempre estavam certos, e ele, sempre errado. Com um pouco mais de esperteza e ginga, o ministro demitido teria feito o quê no passado? Ora, adotado o número que ele achava “pessimista”. Caso fosse surpreendido, ótimo! Caso o número se cumprisse, ele não teria passado por, digamos, ligeiro… Mas admito que é uma operação mental de alguma complexidade.

Ajustar a previsão de crescimento aos números de mercado é um dos itens da “Operação Credibilidade” que está em curso. Na parte mais substantiva desse esforço, está a elevação da taxa de juros, o que deixa muita gente pacificada, ainda que a eficácia de tal medida seja viciosa, com risco de matar o paciente (já explico). Acontece que o governo passou muito tempo fingindo que tudo ia bem e achando que poderia renunciar à alopatia, numa conversão, digamos assim, à homeopatia doidivanas. Agora, precisa mostrar seu lado de fanático alopata para parecer sério.

Só pra constar: eu não estou negando, no parágrafo anterior, que elevação de juros concorra para a queda da inflação. É um dos remédios, assim como a amoxicilina mata uma porção de bactérias, entendem? Só que há aquelas que se tornam resistentes à substância — sem que esta deixe de ser antibiótica. Aí é preciso ministrar junto o clavulanato de potássio. Vejam bem: o Brasil já vinha tomando amoxicilina em doses cavalares, né? Os juros já eram os mais altos do mundo. E a inflação resistiu. Sinal de que o paciente não precisa só de mais amoxicilina. Qual será o clavulanato para contornar a infecção?

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 16:24

Inflação acelera em setembro e marca 6,75% em 12 meses

Na VEJA.com:
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou 0,57% em setembro, depois de ficar em 0,25% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. O indicador prévio (IPCA-15) do mês havia desacelerado para 0,39%. Em setembro do ano passado, a inflação variou 0,35%.

Com isso, o acumulado em doze meses é de 6,75%, acima dos 6,51% registrados no mesmo período até agosto e a maior variação nessa base de comparação desde outubro de 2011, quando o indicador acelerou 6,97% em 12 meses. O indicador também ultrapassou, pela terceira vez em 2014, o limite da inflação “aceitável” pelo governo, cuja meta vai de 2,5% (mínimo) a 6,5% (máximo), com centro de 4,5%. Em junho, ele já havia batido 6,52% na mesma base de comparação. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a alta é de 4,61%. O resultado de setembro ficou acima da mediana de estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, de 0,48%. Para 12 meses, eles projetavam alta de 6,65% do IPCA.

Pesos pesados
A inflação em setembro foi muito impactada pelo preço dos Alimentos e Bebidas, que, depois de caírem três meses consecutivos, voltaram a subir 0,78%. carne, sozinha, foi responsável por 0,08 ponto porcentual do IPCA cheio (0,57%). No grupo de Transportes também subiu 0,63%, contra 0,33% em agosto. Somente as passagens aéreas subiram 17,85% entre os dois meses, respondendo por 0,07 ponto porcentual do IPCA.

Por Reinaldo Azevedo

12/08/2014

às 2:31

Mercado prevê PIB fraco e inflação alta até o final de 2018

Por Eduardo Cucolo, na Folha:
Durante os próximos quatro anos, o Brasil deve crescer abaixo da média da última década, com inflação superior à meta de 4,5% e juros acima de 10%. O próximo presidente terminará o período de governo, no entanto, com números melhores do que os verificados em 2014. Essas previsões fazem parte da pesquisa semanal Focus, do Banco Central, que reúne as projeções para a economia de cerca de cem analistas de instituições do setor público e privado.

Essas previsões olham, desde 2001, para um cenário de até quatro anos. Em seu relatório mais conhecido, o BC só divulga estimativa para o ano atual e o seguinte, mas as projeções de longo prazo podem ser obtidas no site da instituição. Nesta segunda-feira (11), as projeções de crescimento para 2014 e 2015 foram reduzidas novamente, para 0,81% e 1,2% -uma semana antes, elas eram de, respectivamente, 0,86% e 1,50%.

No cenário traçado pela pesquisa, o próximo governo começa com algumas medidas impopulares que não constam no discurso dos principais candidatos. Haveria forte reajuste de tarifas e preços controlados, de 7% no ano, e pequeno aumento da taxa básica de juros, dos atuais 11% para 12%. Esses ajustes, segundo as previsões, não representam um choque capaz de derrubar rapidamente a inflação, com efeito recessivo sobre a atividade econômica.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2014

às 15:09

BC eleva previsão de inflação e indica: alta dos juros pode seguir

Na veja.com:
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou sua previsão de inflação para 2014 e acredita que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará acima do centro da meta do governo não apenas neste ano, como também em 2015. É o que mostra a ata da última reunião do colegiado, divulgada nesta quinta-feira, em que os membros do Copom explicam por que optaram, por unanimidade, por elevar a taxa básica de juros do país, a Selic, em 0,5 ponto porcentual, para 10,50% ao ano. A resistência da inflação é o motivo pelo qual o BC indica no mesmo documento que seguirá com sua política de aperto monetário, ou seja, novas elevações da taxa de juros não estão descartadas. “O Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”, diz o texto.

A decisão tem por objetivo, segundo o documento, evitar “danos” que possam ser causados pela elevação dos preços, especialmente sobre o consumo e investimentos. Na visão do Copom, nos últimos doze meses a inflação está superando as expectativas, permanecendo acima do centro da meta do governo, de 4,5%, o que deve ser visto ainda em 2014 e 2015. “O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava.”

Para 2015, o documento traz apenas que “em ambos os cenários, a projeção de inflação se posiciona acima da meta” e não detalha se houve um movimento de alta ou de baixa em relação à perspectiva anterior. Vale lembrar que, no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado ao final de dezembro do ano passado, o BC havia informado que, no cenário de referência, sua expectativa era de uma inflação em 5,6% ao final de 2014 e de 5,4% no encerramento do ano que vem. Já no cenário de mercado, a projeção do Copom é de IPCA encerrando 2015 em 5,3% – a mesma taxa de 5,6% é aguardada para o acumulado deste ano.

Em 2013, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 5,91%, pressionado pelo preço dos alimentos e acima do visto em 2012 (5,84%). O colegiado destaca, porém, que os preços das commodities nos mercados internacionais devem se acomodar, “bem como de focos de tensão e de volatilidade nos mercados de moeda”. Além disso, o BC projeta estabilidade nos preços da gasolina para o acumulado de 2014, indicando que a Petrobras poderá ficar sem reajustes no período. Com isso, a inflação pode ficar um pouco mais controlada no ano.

No cenário internacional, o Copom projeta riscos ainda elevados, inclusive com mudanças na inclinação da curva de juros em importantes economias desenvolvidas. O colegiado ainda vê baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, mas lembra que o ambiente externo permanece complexo.

Diante disso, o Comitê reafirmou que a “política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária”. Indicou, assim, que novas elevações nos juros podem vir nas próximas reuniões. Mas, faz a ressalva de que os efeitos das ações de política monetária para a inflação ocorrem com defasagens. O Copom se reunirá novamente em 25 de fevereiro.

No comunicado após a decisão do Copom e que foi repetida na ata, a inclusão da expressão “neste momento” foi vista por analistas como um sinal de que o BC poderia reduzir o ritmo ou até mesmo encerrar o ciclo em breve, após sete altas seguidas na Selic. O atual ciclo de aperto monetário foi iniciado em abril passado, quando a Selic estava na mínima histórica de 7,25%. Pesquisa Focus do BC mostra que a projeção dos analistas é de que o IPCA encerre 2014 a 6,01%, enquanto a Selic iria a 10,75%.

 

Por Reinaldo Azevedo

10/01/2014

às 14:19

IPCA de dezembro veio “nervosão”: o maior em 10 anos

O IPCA subiu 0,92% em dezembro. É o mais alto em 10 anos para o período. Certo, leitor amigo, há fatores sazonais e coisa e tal. Há o Natal… Mas sabem como é: se há uma constante na economia, a gente poderia dizer que são as sazonalidades, né? Natal, então, nem se diga: também houve nos nove anos anteriores e faço aqui uma previsão: haverá Natal neste 2014…

A inflação do ano ficou em 5,91%, bem acima, de novo, do centro da meta. E vamos ser claros, não? O índice só não furou o teto de 6,5% porque o governo decidiu reprimir as tarifas. Assim, esses 5,95% foram conquistados de modo artificial; não refletem a realidade da economia.

A presidente Dilma pode até achar que eu estou “nervosinho”, mas asseguro que não. Nervosinhos estão alguns preços da economia, né? Segundo economistas especialistas ouvidos por VEJA.com, a inflação não dará trégua neste ano. Leiam texto publicado na VEJA.com.
*
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2013 com alta de 5,91%, pressionado pelo preço dos alimentos. O dado fica dentro da meta oficial do governo, cujo teto é 6,5%, mas acima do centro da meta (4,5%) e maior do que a inflação do ano anterior, de 5,84%.

O indicador divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) veio também acima do esperado por analistas. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira previa alta de 5,74%. A expectativa de especialistas ouvidos pela Reuters era de que o indicador avançasse 5,82% segundo a mediana de 22 projeções que foram de 5,73% a 5,88%. Só em dezembro, o IPCA subiu 0,92%,o maior resultado mensal desde abril de 2003 (0,97%), segundo o IBGE. Com isso, 2013 marcou o quarto ano seguido em que a inflação brasileira fica próxima ou acima de 6%, repetindo a marca de 2010. Em 2011, a inflação no ano acelerou a 6,50%, para depois enfraquecer a 5,84% em 2012.

Alimentos
De acordo com o IBGE, em 2013 o principal impacto veio de Alimentação e Bebidas, com alta acumulada de 8,48%. Embora tenha desacelerado ante 2012 (9,86%), o grupo ainda teve impacto de 2,03 pontos porcentuais no índice do ano passado.

O resultado do IPCA no ano só não foi pior porque, em janeiro, o governo promoveu forte redução no valor das tarifas de energia elétrica e, em meados do ano, o aumento dos preços do transporte público foi revogado em várias capitais após intensas manifestações populares.

Os preços de energia elétrica residencial fecharam o ano passado com queda de 15,66%, tendo impacto negativo de 0,52 ponto porcentual no IPCA, segundo o IBGE. Já Transportes, apesar da revogação da alta das tarifas, ainda subiu 3,29% no ano, ante 0,48% em 2012, com impacto de 0,64 ponto porcentual no IPCA fechado em 2013.

O IBGE informou ainda que, na variação mensal, o maior destaque do IPCA em dezembro coube ao grupo Transportes, com alta de 1,85%, ante 0,36% em novembro.

Juros — Sem conseguir colocar a inflação na trajetória para a meta, o governo acabou assumindo o discurso de que entregaria o IPCA do ano passado abaixo do visto em 2012. Em agosto passado, por exemplo, o próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, chegou a afirmar que esse era o objetivo.

Para tanto, em abril o BC deu início a um ciclo de aperto monetário que não terminou ainda e tirou a Selic da mínima histórica de 7,25% para o atual patamar de 10%. A expectativa de economistas era de que a taxa básica de juros vá a 10,50% no final deste ano segundo última pesquisa Focus do BC.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC fará sua primeira reunião de 2014 e as estimativas são de que haverá alta de 0,25 ponto porcentual na Selic.

Por Reinaldo Azevedo
 

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