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inflação

12/08/2014

às 2:31

Mercado prevê PIB fraco e inflação alta até o final de 2018

Por Eduardo Cucolo, na Folha:
Durante os próximos quatro anos, o Brasil deve crescer abaixo da média da última década, com inflação superior à meta de 4,5% e juros acima de 10%. O próximo presidente terminará o período de governo, no entanto, com números melhores do que os verificados em 2014. Essas previsões fazem parte da pesquisa semanal Focus, do Banco Central, que reúne as projeções para a economia de cerca de cem analistas de instituições do setor público e privado.

Essas previsões olham, desde 2001, para um cenário de até quatro anos. Em seu relatório mais conhecido, o BC só divulga estimativa para o ano atual e o seguinte, mas as projeções de longo prazo podem ser obtidas no site da instituição. Nesta segunda-feira (11), as projeções de crescimento para 2014 e 2015 foram reduzidas novamente, para 0,81% e 1,2% -uma semana antes, elas eram de, respectivamente, 0,86% e 1,50%.

No cenário traçado pela pesquisa, o próximo governo começa com algumas medidas impopulares que não constam no discurso dos principais candidatos. Haveria forte reajuste de tarifas e preços controlados, de 7% no ano, e pequeno aumento da taxa básica de juros, dos atuais 11% para 12%. Esses ajustes, segundo as previsões, não representam um choque capaz de derrubar rapidamente a inflação, com efeito recessivo sobre a atividade econômica.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2014

às 15:09

BC eleva previsão de inflação e indica: alta dos juros pode seguir

Na veja.com:
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou sua previsão de inflação para 2014 e acredita que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará acima do centro da meta do governo não apenas neste ano, como também em 2015. É o que mostra a ata da última reunião do colegiado, divulgada nesta quinta-feira, em que os membros do Copom explicam por que optaram, por unanimidade, por elevar a taxa básica de juros do país, a Selic, em 0,5 ponto porcentual, para 10,50% ao ano. A resistência da inflação é o motivo pelo qual o BC indica no mesmo documento que seguirá com sua política de aperto monetário, ou seja, novas elevações da taxa de juros não estão descartadas. “O Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”, diz o texto.

A decisão tem por objetivo, segundo o documento, evitar “danos” que possam ser causados pela elevação dos preços, especialmente sobre o consumo e investimentos. Na visão do Copom, nos últimos doze meses a inflação está superando as expectativas, permanecendo acima do centro da meta do governo, de 4,5%, o que deve ser visto ainda em 2014 e 2015. “O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava.”

Para 2015, o documento traz apenas que “em ambos os cenários, a projeção de inflação se posiciona acima da meta” e não detalha se houve um movimento de alta ou de baixa em relação à perspectiva anterior. Vale lembrar que, no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado ao final de dezembro do ano passado, o BC havia informado que, no cenário de referência, sua expectativa era de uma inflação em 5,6% ao final de 2014 e de 5,4% no encerramento do ano que vem. Já no cenário de mercado, a projeção do Copom é de IPCA encerrando 2015 em 5,3% – a mesma taxa de 5,6% é aguardada para o acumulado deste ano.

Em 2013, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 5,91%, pressionado pelo preço dos alimentos e acima do visto em 2012 (5,84%). O colegiado destaca, porém, que os preços das commodities nos mercados internacionais devem se acomodar, “bem como de focos de tensão e de volatilidade nos mercados de moeda”. Além disso, o BC projeta estabilidade nos preços da gasolina para o acumulado de 2014, indicando que a Petrobras poderá ficar sem reajustes no período. Com isso, a inflação pode ficar um pouco mais controlada no ano.

No cenário internacional, o Copom projeta riscos ainda elevados, inclusive com mudanças na inclinação da curva de juros em importantes economias desenvolvidas. O colegiado ainda vê baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, mas lembra que o ambiente externo permanece complexo.

Diante disso, o Comitê reafirmou que a “política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária”. Indicou, assim, que novas elevações nos juros podem vir nas próximas reuniões. Mas, faz a ressalva de que os efeitos das ações de política monetária para a inflação ocorrem com defasagens. O Copom se reunirá novamente em 25 de fevereiro.

No comunicado após a decisão do Copom e que foi repetida na ata, a inclusão da expressão “neste momento” foi vista por analistas como um sinal de que o BC poderia reduzir o ritmo ou até mesmo encerrar o ciclo em breve, após sete altas seguidas na Selic. O atual ciclo de aperto monetário foi iniciado em abril passado, quando a Selic estava na mínima histórica de 7,25%. Pesquisa Focus do BC mostra que a projeção dos analistas é de que o IPCA encerre 2014 a 6,01%, enquanto a Selic iria a 10,75%.

 

Por Reinaldo Azevedo

10/01/2014

às 14:19

IPCA de dezembro veio “nervosão”: o maior em 10 anos

O IPCA subiu 0,92% em dezembro. É o mais alto em 10 anos para o período. Certo, leitor amigo, há fatores sazonais e coisa e tal. Há o Natal… Mas sabem como é: se há uma constante na economia, a gente poderia dizer que são as sazonalidades, né? Natal, então, nem se diga: também houve nos nove anos anteriores e faço aqui uma previsão: haverá Natal neste 2014…

A inflação do ano ficou em 5,91%, bem acima, de novo, do centro da meta. E vamos ser claros, não? O índice só não furou o teto de 6,5% porque o governo decidiu reprimir as tarifas. Assim, esses 5,95% foram conquistados de modo artificial; não refletem a realidade da economia.

A presidente Dilma pode até achar que eu estou “nervosinho”, mas asseguro que não. Nervosinhos estão alguns preços da economia, né? Segundo economistas especialistas ouvidos por VEJA.com, a inflação não dará trégua neste ano. Leiam texto publicado na VEJA.com.
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2013 com alta de 5,91%, pressionado pelo preço dos alimentos. O dado fica dentro da meta oficial do governo, cujo teto é 6,5%, mas acima do centro da meta (4,5%) e maior do que a inflação do ano anterior, de 5,84%.

O indicador divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) veio também acima do esperado por analistas. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira previa alta de 5,74%. A expectativa de especialistas ouvidos pela Reuters era de que o indicador avançasse 5,82% segundo a mediana de 22 projeções que foram de 5,73% a 5,88%. Só em dezembro, o IPCA subiu 0,92%,o maior resultado mensal desde abril de 2003 (0,97%), segundo o IBGE. Com isso, 2013 marcou o quarto ano seguido em que a inflação brasileira fica próxima ou acima de 6%, repetindo a marca de 2010. Em 2011, a inflação no ano acelerou a 6,50%, para depois enfraquecer a 5,84% em 2012.

Alimentos
De acordo com o IBGE, em 2013 o principal impacto veio de Alimentação e Bebidas, com alta acumulada de 8,48%. Embora tenha desacelerado ante 2012 (9,86%), o grupo ainda teve impacto de 2,03 pontos porcentuais no índice do ano passado.

O resultado do IPCA no ano só não foi pior porque, em janeiro, o governo promoveu forte redução no valor das tarifas de energia elétrica e, em meados do ano, o aumento dos preços do transporte público foi revogado em várias capitais após intensas manifestações populares.

Os preços de energia elétrica residencial fecharam o ano passado com queda de 15,66%, tendo impacto negativo de 0,52 ponto porcentual no IPCA, segundo o IBGE. Já Transportes, apesar da revogação da alta das tarifas, ainda subiu 3,29% no ano, ante 0,48% em 2012, com impacto de 0,64 ponto porcentual no IPCA fechado em 2013.

O IBGE informou ainda que, na variação mensal, o maior destaque do IPCA em dezembro coube ao grupo Transportes, com alta de 1,85%, ante 0,36% em novembro.

Juros — Sem conseguir colocar a inflação na trajetória para a meta, o governo acabou assumindo o discurso de que entregaria o IPCA do ano passado abaixo do visto em 2012. Em agosto passado, por exemplo, o próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, chegou a afirmar que esse era o objetivo.

Para tanto, em abril o BC deu início a um ciclo de aperto monetário que não terminou ainda e tirou a Selic da mínima histórica de 7,25% para o atual patamar de 10%. A expectativa de economistas era de que a taxa básica de juros vá a 10,50% no final deste ano segundo última pesquisa Focus do BC.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC fará sua primeira reunião de 2014 e as estimativas são de que haverá alta de 0,25 ponto porcentual na Selic.

Por Reinaldo Azevedo

07/08/2013

às 16:05

Dilma diz que IPCA de julho mostra inflação sob controle; comemoração é precoce

Na VEJA.com:
Em entrevista a rádios do sul de Minas Gerais, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho mostra uma inflação “bastante sob controle”. “A inflação vem sistematicamente caindo”, comentou. Ela ressaltou também que o resultado de julho é um dos mais baixos para o período e que o preço da cesta básica caiu em todas as dezoito capitais pesquisadas. Nesta manhã, o IBGE informou que o IPCA ficou praticamente estável em julho, em 0,03%, com alta acumulada de 6,27% em 12 meses.

A comemoração vem em momento pouco oportuno. A desaceleração do índice de julho é fator sazonal e ocorre devido à queda dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional somada à redução das tarifas de transporte público após os protestos que varreram o país. Para se ter uma ideia, em 2009, 2010 e 2011, anos de inflação alta, o indicador esteve próximo de zero nos meses de julho. Em 2012, teve comportamento atípico e ficou em 0,33%, oscilação considerada alta para o período, devido às quebras de safra ocorridas no Brasil e nos Estados Unidos.

Apesar do otimismo da presidente nas declarações desta manhã, economistas continuam céticos. No último relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, a previsão para o IPCA no final de 2013 se mantém em 5,75%, bem acima do centro da meta de 4,5%. Já para 2014, o cenário piora: a estimativa para o indicador é de 5,87%.

Os comentários feitos pela presidente apenas reforçam a percepção do mercado de que o governo culpa o cenário externo quando a inflação sobe, mas toma para si os louros quando o indicador recua – comportamento que dificulta a retomada da credibilidade da economia brasileira. Dilma segue: “a inflação está completamente sob controle, atingindo os valores mais baixos do período, e você detecta isso em todos os quesitos, tanto na alimentação quanto no setor de serviços e de transportes. É um fenômeno que está se espalhando por todos os preços”, afirmou. A presidente disse ainda que houve “um estardalhaço” desnecessário com a inflação.
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Por Reinaldo Azevedo

06/06/2013

às 16:01

Dilma, o dólar, os juros e a síndrome do “conosco ninguém podemos”

Há textos curtos, informativos, aparentemente até singelos, que valem por um pequeno tratado sobre economia ou, como direi?, sobre a tolice humana. Admirável esta síntese publicada nesta quinta na Folha. Volto em seguida.

Por Toni Sciarretta e Mariana Carneiro:
O dia era de baixa do dólar, após o governo zerar na véspera o IOF (Imposto de Operações Financeiras) para estrangeiros, mas eis que surgem o ministro Guido Mantega e depois a própria presidente Dilma Rousseff para falar que o governo não adota medidas para conter a taxa de câmbio e que o dólar não será usado contra a inflação.

“Eu queria informar que este país adota o regime de câmbio flexível”, afirmou Dilma, durante um evento sobre o ambiente. Bastou para a cotação do dólar subir de R$ 2,13 para R$ 2,15, em 20 minutos. Isso levou o Banco Central a intervir para frear a alta do dólar, com operações que equivalem à venda de dólar no mercado futuro. O discurso também elevou as taxas de juros negociadas no mercado de títulos.

Para analistas, a sinalização é que, se o governo não pretende usar o câmbio como instrumento para baixar a inflação, a saída será elevar ainda mais os juros, hoje em 8% ao ano. As taxas negociadas para janeiro de 2014 saltaram de 8,45% para 8,5% ao ano, e as de janeiro de 2017, de 8,69% para 9,84% ao ano. “Não me lembro de o presidente Lula falar sobre câmbio num dia como esses. Ele tinha o bom senso de não se pronunciar nesses momentos. A impressão que passa é que o governo está com o discurso completamente desafinado”, disse Mario Batistel, gerente de câmbio da corretora Fair Trade.
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Comento
A presidente Dilma tem uma síndrome que me lembra uma antiga personagem de humor que tinha um bordão: “Conosco ninguém podemos!”. E aí mete os saltos pelas mãos. O texto dá conta dessas tolices, dessas desnecessidades arrogantes, que só trazem prejuízo. Então não foi ela que que disse lá na reunião dos Brics que o governo não sacrificaria o crescimento elevando os juros? Então…

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2013

às 19:36

BC projeta inflação ainda mais distante da meta em 2014

Da VEJA.com:
Depois de ter perdido a chance de controlar a inflação em 2013, o Banco Central está alerta para o risco de alta dos preços no ano que vem. É o que indica a ata da reunião em que os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiram elevar a taxa básica de juros a 7,5% ao ano, na semana passada. O documento, divulgado nesta quinta-feira, mostra que a decisão de elevar a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual tem como objetivo neutralizar os riscos de alta da inflação, principalmente em 2014. Segundo as projeções do Copom, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode se distanciar ainda mais da meta no ano que vem.

Mesmo considerando o cenário de referência, que leva em conta dólar a 2 reais e taxa Selic a 7,25% ao ano, o BC admite que, para 2014, “a projeção de inflação aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de março e se encontra acima do valor central da meta”. A ata mostra que a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) no cenário de mercado passou de 5,50% para 5,70% em 2014, enquanto que, em 2013, desacelerou para 5,68% ante 5,7% em março.

O Copom também avalia que “o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária”. Diante disso e da perspectiva de um cenário externo nebuloso, o BC ainda pondera que é necessário cautela. “O Comitê pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela”.

O tom do discurso deve levar os economistas a apostarem em continuidade da alta da Selic, mas em ritmo menor. Eles já haviam revisado sua previsão para a taxa básica de juros após a decisão do Copom. O relatório Focus de segunda-feira mostrou que os analistas consultados pelo BC esperam agora que o ano termine com a Selic em 8,25% e não mais 8,5% como estavam prevendo até então. Ainda assim, em sua ata, o Copom prevê uma melhora no crescimento econômico do país tanto em 2013 quanto em 2014.

O BC também admitiu que, a despeito do poder que têm as políticas macroeconômicas de mudar a trajetória dos preços, é a política monetária que deve ficar “vigilante” para “garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos”.

A decisão de elevar em 0,25 ponto porcental (p.p.) os juros básicos na semana passada contou com os votos de seis diretores, de acordo com a ata. A Selic, então, passou para 7,5%. Dois membros do BC queriam a manutenção dos juros básicos. Votaram pela elevação da taxa Selic: Alexandre Antonio Tombini (presidente do BC e do Copom), Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. Votaram pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a.: Aldo Luiz Mendes e Luiz Awazu Pereira da Silva.

Cenário

Em sua ata, o Copom manteve as projeções já apresentadas em março para o comportamento de preços de todos os itens monitorados ou administrados pelo governo e que constam do documento. A projeção de reajuste no preço da gasolina para 2013, por exemplo, foi mantida em 5%. Para a tarifa residencial de eletricidade, a expectativa é de um recuo de aproximadamente 15% este ano já levando em conta reajustes e revisões de preços assim como reduções de encargos setoriais anunciadas pelo governo.

O BC ponderou que, apesar de limitações da oferta, o ritmo da atividade doméstica se intensificou no primeiro trimestre e destacou que informações recentes apontam para a retomada do investimento e para uma trajetória de crescimento, “no horizonte relevante”, mais alinhada com o crescimento potencial.

Na avaliação do Comitê, a demanda doméstica continuará a ser impulsionada pelos efeitos defasados de ações de política monetária implementadas recentemente. Também auxiliará nesse processo a expansão moderada da oferta de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas.

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2013

às 20:21

BC agiu tarde para conter inflação, diz “The Economist”

Na VEJA.com:
O Banco Central (BC) agiu tarde para controlar a inflação, de acordo com uma reportagem publicada na nova edição da revista britânica The Economist desta quinta-feira. Com o título “Atrás da curva”, a reportagem diz que o BC “age tardiamente para trazer os preços de volta ao controle”. “Um banco central sabe que perdeu o controle das expectativas de inflação quando o aumento de preços vira motivo de piada. No Brasil, as piadas foram com o tomate, que ficou muito caro após inundações, secas e o aumento nos custos do frete”, diz o texto.

“Mas os números publicados em 10 de abril (IPCA) mostram que o problema da inflação vai muito além da salada”, de acordo com a publicação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou março com alta de 6,59% em 12 meses, acima da meta do governo, de 6,5% – e mais de dois terços dos preços consultados para o cálculo da inflação subiram em março.

Uma das razões para o BC ter mantido o juro estável por tanto tempo, de acordo com a reportagem, era a leitura de que a inflação era alimentada por pressões transitórias, como a moeda mais fraca e o pico da comida. Diante do cenário, a The Economist diz que o aumento do juro anunciado nesta quarta-feira foi “tardio” e num momento em que a economia não dá sinais de força. “Menos empregos estão sendo criados. A produção industrial e o Índice de Atividade Econômica caíram em fevereiro. O núcleo das vendas no varejo caiu pela primeira vez em quase uma década, um sinal particularmente preocupante, dado que apenas o consumo doméstico manteve o Brasil fora da recessão em 2012.”

De acordo com a revista, ainda que atrasado, o aumento do juro “sugere que o BC reconhece que precisa recuperar alguma credibilidade perdida”. “Sua independência operacional tem sido questionada desde agosto de 2011, quando cortou as taxas mesmo com a inflação em 7,1% – e manteve os cortes mesmo com a inflação acima da meta”, diz. “A presidente Dilma Rousseff tem alardeado, desde então, que as taxas de juros mais baixas são uma ‘conquista’ do governo.” A reportagem diz ainda que a inflação alta tem atingido, especialmente, as famílias de menor renda, o que pode prejudicar Dilma nas eleições de 2014.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2013

às 21:00

Com a economia claudicando, governo reduz proposta de salário mínimo para 2014

Na VEJA.com:
O Projeto de Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) elaborado pelo governo prevê que o salário mínimo passe dos atuais 678 reais para 719,48 reais em 2014. No projeto do ano anterior, o salário previsto era de 729,20 reais para o período. O governo também reduziu a projeção do mínimo para 2015, de 803 para 778,17 reais. Já a previsão para 2016 ficou em 849,78 reais.

As perspectivas econômicas previstas pelo governo na LDO para 2013 e 2014 continuam mais otimistas que o mercado. De acordo com o texto, divulgado pelo Ministério da Fazenda nesta segunda-feira, o crescimento do PIB ficará em 4,5% no próximo ano – a estimativa para este ano manteve-se em 3,5%. O governo vai enviar a LDO ainda nesta tarde para ser votada no Congresso Nacional.

Inflação
Como era de se esperar, o governo também manteve o tom positivo no que se refere à inflação. Contudo, as projeções beiram o delírio. O Ministério do Planejamento, responsável pela elaboração do texto, prevê que a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 4,5% em 2014 e que os juros permaneçam no patamar de 7,25%. Ou seja, depois de derrapar o teto da meta em março deste ano, o governo ainda espera conseguir controlar o indicador no ano que vem – período de gastos elevados devido não só à Copa do Mundo, mas também às eleições presidenciais.

O boletim Focus, que relata semanalmente as expectativas de mercado para os principais indicadores econômicos, mostra que a mediana das expectativas aponta para o não-cumprimento do centro da meta de inflação no ano que vem. A projeção do último boletim é de 5,7% em 2014 e 5,68% para este ano. Já o governo prevê o IPCA em alta de 5,2% em 2013. O texto da LDO mostra ainda que o câmbio deverá permanecer em patamar elevado de 2,04 reais em 2014.

Contabilidade criativa
A meta do superávit primário foi fixada em 167,4 bilhões de reais, segundo o documento. O governo trabalha, como tem se tornado regra, com a possibilidade de abatimento do PAC e de desonerações em tributos da meta fiscal. Esse abatimento pode chegar a 67 bilhões de reais “Se o sistema permite que o governo entenda que deva incentivar, também deve permitir que seja abatido da meta. Não estamos dizendo que a meta vai ser abatida, mas sim que a LDO permite que isso ocorra”, disse o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, durante o anúncio do documento.

Ainda que os dados mostrem o contrário – a economia encolheu em fevereiro -, o secretário do Tesouro não poupou elogios ao desempenho do país. “A economia brasileira vem retomando o crescimento, de forma que as projeções são bem melhores do que as de 2012”, afirma Arno Augustin. “Esse é um processo de crescimento importante, assim como ao longo desse ano o crescimento continuará a ter um quadro de melhoria depois de uma crise internacional que tivemos no ano passado”, disse.

O texto prevê que, se o orçamento não for aprovado até o último dia de 2013, algumas despesas poderão ser executadas tomando por base o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). São elas: bolsas de estudos, ações de prevenções a desastres, despesas obrigatórias, investimentos do PAC e outros de caráter emergencial. Neste ano, com o atraso na aprovação do orçamento, o governo teve de editar uma medida provisória de 42,5 bilhões de reais para abrir crédito extraordinário para setores que precisavam de recursos emergenciais.

Por Reinaldo Azevedo

12/04/2013

às 19:24

No rali da inflação, leite poderá ser o novo tomate

Por Naiara Infante Bertão, na VEJA.com:
Depois de a salada de tomates ter ficado mais cara nos últimos meses, agora é o leite que começa a pesar no bolso do consumidor. Na última quinta-feira, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apurou que o leite em pó (embalagem 400-500g) foi o produto da cesta básica que mais se valorizou na semana de 5 a 11 de abril, na faixa de 3,66%, na cidade de São Paulo – o grupo alimentação teve inflação de 0,97% e a cesta básica, de 0,82% no mesmo período. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na quarta-feira, mostram ainda que a inflação do leite em pó passou de 0,30% em fevereiro para 1,63% em março, enquanto a do leite longa vida variou de -0,01% para 1,76% no mesmo período. Os itens acumularam altas respectivas de 2,78% e 2,49% no primeiro trimestre do ano e de 12,71% e 8,81% em 12 meses.

A consultoria agropecuária MB Agro alerta que os produtores brasileiros estão aumentando os preços para acompanhar o mercado internacional. A Nova Zelândia, o maior produtor de leite em pó do mundo (responde por um terço da produção mundial), teve a pior seca dos últimos 70 anos no verão passado. A fartura do pasto para alimentar as vacas leiteiras neozelandesas teve que ser reduzida, o que provocou uma queda na produtividade do rebanho.

Apesar de os dados oficiais sobre a produção da Nova Zelândia no primeiro trimestre do ano serem preliminares, é consenso entre analistas que haverá um salto nos valores praticados no mercado internacional. Eles tomam por base os últimos resultados dos leilões quinzenais da DPA (joint venture entre a Nestlé e a Fonterra no país), considerados referência mundial no preço do leite em pó. Enquanto a média de preço girava em torno de 3,5 mil dólares por tonelada do produto no ano passado, os preços dispararam desde fevereiro. No último leilão, no início deste mês, o preço da tonelada já estava em 5,1 mil dólares – um aumento de 45,7% entre o início de fevereiro e abril.

A queda da oferta já refletiu no índice de preços divulgado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) na última quinta-feira. Os preços internacionais dos alimentos subiram 1% em março ante fevereiro, puxados, especialmente, pela elevação de 11% dos laticínios, que têm peso de 17% no cálculo do indicador. “O leite em pó brasileiro, que antes era considerado caro no mercado internacional, agora já está bem mais competitivo que o neozelandês”, diz César de Castro Alves, analista de leite e carne da MB Agro. “Isso pode fazer com que produtores nacionais que deixaram de exportar nos últimos anos voltem a buscar o mercado internacional”, completa ele.

Atualmente, o preço do leite in natura no Brasil custa 0,92 real o litro, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Já o quilo do leite em pó está cotado em 7,82 reais. Com a cotação do dólar próxima de 2 reais, a tonelada de leite em pó brasileiro sairia por cerca de 3,91 mil dólares – sem contar os custos com importação. Segundo a MB Agro, é essa competitividade externa que vai atrair os produtores brasileiros nos próximos meses – o que poderá reduzir a oferta e, consequentemente, elevar os preços no mercado interno.

Por Reinaldo Azevedo

12/04/2013

às 15:30

Acuado pela inflação e pela pressão do mercado, Mantega acena com a elevação dos juros

Na VEJA.com:
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira, em São Paulo, que o controle da inflação é tão importante quanto a solidez fiscal e disse que o governo não titubeará em adotar medidas impopulares, como a alta da Selic, a taxa básica de juros. “Vamos tomar medidas, mesmo que não populares, como o ajuste na taxa de juros”, disse Mantega, durante evento na capital. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado na última quarta-feira mostrou alta de 0,47% e ultrapassou a meta de inflação no acumulado de 12 meses, chegando a 6,59%.

Em seu discurso, o ministro claramente jogou para escanteio a independência do Banco Central ao aventar a possibilidade de alta dos juros – dando a entender que se trata de uma decisão de governo, e não da autoridade monetária que, em teoria, deveria agir sem interferência de qualquer política econômica.

Questionado sobre a influência do cenário político e eleitoral nas medidas econômicas que vêm sendo tomadas, o ministro negou que o governo esteja postergando medidas impopulares até o final de 2014. “Se vocês olharem ao longo do tempo, nós elevamos juros em véspera de eleição. Por exemplo, em 2010 nós elevamos taxa de juros. Portanto, não nos pautamos por calendário político”, comentou Mantega durante palestra.

O ministro voltou a repetir o mantra de que a “inflação é passageira” e atribuiu ao real valorizado parte da culpa pela alta do IPCA. Sobre os juros, Mantega disse ainda que a Selic em alta levou o setor produtivo a fazer operações financeiras e que “quando se reduz juros, o setor produtivo investe”. “Está havendo uma transição de juros altos para aumento de produção”, disse.

Desonerações
O ministro voltou a citar o programa de desonerações implantado no país pelo governo como medida que deverá aliviar a alta dos preços. Segundo ele, as desonerações chegam a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e serão da ordem de 70 bilhões de reais em 2013. “Para 2014 está programada uma desoneração de 88 bilhões de reais, quase 2% do PIB”, disse o ministro, citando que 42 setores já estão sendo beneficiados pela desoneração da folha de pagamento e outros engrossarão o grupo.

Crescimento
Apesar do número desanimador divulgado nesta manhã pelo Banco Central, que mostra que a economia encolheu 0,52% em fevereiro, o ministro se mostrou – como sempre – otimista em relação ao crescimento da economia brasileira. Segundo ele, a previsão é que o crescimento do PIB seja de 3,5% neste ano e de 4,1% no ano que vem, “melhor do que em 2012, que foi ruim”.

O ministro avaliou que a passagem entre 2012 e 2013 foi marcada por um gradual crescimento, cenário que vai perdurar. “O investimento voltou a crescer; entre janeiro e fevereiro houve bom desempenho. A absorção de bens de capital cresceu 8,5% no trimestre, o que mostra que o investimento vai continuar a crescer em 2013.”

Mantega reafirmou que, depois que a crise acabar, os países serão mais competitivos e citou os investimentos do Brasil necessários para ampliar a competitividade. “No Brasil temos desvantagem, que é atraso na infraestrutura”, disse o ministro, dando como exemplo os investimentos feitos na China. “A diferença entre Brasil e a China é que a China faz investimentos e não tem demanda. E eu não quero criticar o programa da China, que é certo”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

11/04/2013

às 16:31

De novo a inflação, as causas e a volta do leitor economista

Outro dia recebi uma bronca de um leitor economista. Está aqui. Hoje, ele envia outra mensagem. Naquele caso, observei que ele me dava bronca porque concordava comigo. Agora, não. É discordância mesmo. Não conheço nenhuma economia do mundo, do Chile, aqui pertinho, à União Europeia, passando pelos EUA e chegando à China para ir parar no Japão, em que os bancos centrais e agências reguladoras tenham a autonomia de que ele fala.

Acho que os nossos liberais, e pode não ser o caso de Cláudio — estou apenas divagando um pouco —, se tornaram um tanto fetichistas em relação a alguns temas. Não parece razoável supor que vamos dar “aula de liberalismo” ao resto do mundo, que intervém no câmbio, sim; que regula a política de juros pensando em outros fatores da economia, sim; que não se entrega, passivamente, às flutuações de mercado. A questão é outra: fazem-no com competência ou sem?

Mas não quero polemizar agora, não, porque é o momento do Cláudio. Segue, em itálico, o seu comentário, conforme chegou. Um abraço pra ele, e viva o debate!

Caro Reinaldo,
Tome cuidado com o que você diz sobre economia. Outro dia, você me citou, não tive tempo de responder e a discussão passou.

Ao contrário do que você diz, a situação da economia brasileira é bastante esperada devido ao forte populismo da área nos últimos anos (se existe um puzzle, é por que a situação não é pior).
O país vêm crescendo nos últimos anos devido à estratégia do governo de incentivar a demanda através de políticas fiscais e monetárias espansionistas ao mesmo tempo que incentivava o endividamento privado (já estamos precisando de 3% do PIB anualmente de dinheiro externo para fechar nossas contas). A demanda cresceu fortemente, não acompanhada pela oferta durante este tempo. Parte deste excesso foi absorvido por importações. Parte virou inflação.

Por que estas políticas expansionistas afetariam o preço do tomate? Esta é bastante fácil. Deve-se separar variações do preço relativo do tomate (ou seja, variações deste não observadas nos outros preços) das variações ocorridas em todos os preços simultaneamente. Inflação é esta segunda parte, não a primeira. Ao restringir o aumento da demanda combate-se esta segunda parte (diminui a demanda POR TODOS OS BENS, não somente do tomate), não a primeira.

Agora, políticas restritivas implicariam em altos custos no curto-prazo atualmente? Não! A economia está sobre-aquecida. O mercado de trabalho está ótimo para os trabalhadores (exatamente devido a este incentivo ao aumento da demanda agregada). Um esfriamento da economia não apresentaria grandes custos sociais devido a isto.

Mas, não estamos crescendo!!! Mas isto é outra coisa. Crescemos quando acumulamos fatores de produção e aumentamos nossa produtividade. Infelizmente, mesmo com a economia muito aquecida, ninguém está querendo investir no país. E isto se deve muito a este intervencionismo grotesco (inclusive nas políticas do Banco Central) que estamos assistindo (como ninguém investe, estes claramente acreditam que este boom da demanda é muito temporário). Ao mesmo tempo, este intervencionismo torna muito incerto o retorno dos investimentos. De quebra, este intervencionismo provavelmente está derrubando também nossa produtividade.
Por fim, Banco Central independente. Na boa, as pessoas tem que ter humildade. Não é porque existe independente no nome que significa que o BC teria autonomia para tudo. Parece o sujeito que diz que Einstein provou que tudo é relativo enquanto a Teoria da Relatividade é um modelo físico complexo específico que em nada leva a esta conclusão.

Quando se diz Banco Central independente (tal qual agências regulatórias independentes) refere-se a uma teoria específica que gera arcabouço institucional específico para resolver um problema específico conhecido como “Inconsistência Intertemporal dos Governos”. Qualquer governo, em diversas áreas, tem todos os incentivos do mundo a se comprometer com determinada política. Entretanto, caso os agentes acreditem neste comprometimento, o governo ganha enormes incentivos para não cumprir sua política (explicando de forma ultra-simplificada. É fácil fazer milhares de ironiazinhas erradas sobre minha frase).

Assim, caso os agentes acreditem na meta de inflação anunciada pelo governo, este tem muitos incentivos a implementar uma inflação maior. Caso os investidores acreditem que não serão tungados (e invistam), o governo ganha todos os incentivos para tungá-los.
Como os agentes não são bobos, estes não são enganados. No primeiro caso, ninguém acredita e ficamos com uma inflação maior (sem impacto sobre o produto). No segundo caso, os investimentos simplesmente não acontecem (mesmo de forma simplificada, não parece a situação de um país bastante conhecido pela gente?).

Como resolver isto? É fácil. O governo define a política a ser implementada mas sua implementação se dá por agência independente do executivo sujeita a contrato de gestão para aplicação da política proposta e subordinada ao legislativo (mas nosso legislativo é ruim – qual a alternativa? Nosso executivo, tão ruim quanto? Isto é um discurso autoritário?). Note que esta é exatamente a racionalidade para termos um judiciário independente.
Saudações

Por Reinaldo Azevedo

10/04/2013

às 18:53

Inflação – Não terá chegado a hora de os economistas dizerem um “Deixem-me pensar…”? Ou, então, de chamarem as coisas pelo nome?

Escrevi outro dia aqui sobre inflação e juros e levei algumas porradas, especialmente porque não sou economista. O jornalismo é mesmo uma função ingrata. Se não existe, é evidência de que se vive numa ditadura; existindo, leva chapuletada (emprego a grafia do “Grande Dicionário Sacconi; palavra estranhamente ausente nos outros dicionários) de todo lado: dos economistas (sempre), dos advogados (quase sempre), do PT (que quer chamar a polícia), do Caetano Veloso… Mas a gente segue firme, né?, “empobrecendo a teoria” (como acusou um crítico), mas ajudando a garantir a democracia. Então vamos ver.

Os alimentos continuam a pressionar a inflação, como informa reportagem da VEJA Online. Fosse só isso, tudo certo. Mesmo uma economia em deflação, como a do Japão, pode sofrer um choque de oferta — se não de tomate, daquela raiz-forte insuportável que se deve comer junto com outras coisas insuportáveis… Passa. Caso a inflação “tomatística” persista, o jeito é parar de comer tomate. O preço vai cair.

O problema é que a elevação de preços se espalhou em alguns setores da economia. É só o tomate ou a cebola? Não! O índice de 12 meses, em março, chegou a 6,59%, acima, portanto, da banda superior da meta. Nove desses 12 meses referem-se ao ano de 2012, quando o PIB brasileiro cresceu modestíssimos 0,9%. Tem-se, portanto, uma situação indesejável de baixo crescimento com inflação alta. Ou não se tem?

Agora eu volto lá aos economistas. Desafio os especialistas da Casa das Garças (que reúne muita gente boa e intelectualmente honesta), da Casa dos Tucanos, da Casa dos Falcões, da Casa dos Canarinhos a me demonstrar que a receita para baixar a inflação que está aí é a elevação de juros.

Notem bem: eu não estou contestando que elevação de juros concorra para baixar a inflação, como não contesto que um dos efeitos do antibiótico é baixar febre quando o paciente contraiu uma infeção bacteriana — a febre cai porque se mata o agente patogênico, e o corpo não precisa mais se proteger dele com a elevação da temperatura. Mas não traz esse efeito no caso da infecção virótica. Sim, esta pode debilitar o paciente e facilitar o ataque bacteriano, e o antibiótico pode ser um elemento apenas associado ao tratamento.

Eu leio com muita atenção o que dizem os economistas que sustentam que o governo não tem usado adequadamente o instrumento que tem à mão para baixar inflação: a elevação de juros. Mas aí eu tento entender como os juros altos concorreriam para baixar o preço do tomate — o fato conjuntural — ou para baixar aqueles outros preços que se insinuaram numa economia que cresce uma merreca, E NÃO ENCONTRO A EXPLICAÇÃO.

A única coisa que conseguem dizer é que a elevação dos juros demonstraria que o governo “é intolerante com a inflação e está atento”. Perfeitamente! Esse governo até poderia ganhar uma medalha de Honra o Mérito por sua intolerância e civismo, mas não baixaria inflação — não a que está aí. Um país que cresce 0,9% está, por acaso, com a economia muito aquecida, precisando dar uma desaceleradinha? Se, numa trajetória de juros declinantes, o país quase fica no zero a zero, qual é, exatamente, a receita que se está propondo?

Problema novo
Quando menos, seria preciso admitir que se está diante de uma situação se não inédita, pouco corriqueira na economia brasileira. E ninguém sabe direito o que fazer — nem garças, nem tucanos, nem falcões. Coisa boa não é. País que cresce 0,9%, com inflação alta e baixo investimento está precisando do antibiótico dos juros? Vamos prender, como o policial Louis do filme “Casablanca”, os suspeitos de sempre?

Fora do universo dos tomates e das cebolas, parece que a política contínua de reajuste dos salários mais baixos acima da inflação — a rigor, isso vem lá do governo FHC, com o início da política de recuperação do mínimo — estimulou, como era o esperado, o consumo. E todos aplaudiram e exclamaram: “Isso é bom!”. O serviço da empregada que virou manicure, como diz Delfim Netto, ou que vai à manicure, é atingido pela elevação da taxa de juros? Resposta: pode até ser, mas seria preciso elevar a taxa Selic em, sei lá, 500 pontos, criando uma recessão brutal e pronto! Aí as pessoas perdem a vontade de comer tomate e de abrir salão de cabeleireiro.

E, como nota um especialista com quem acabei de falar, a sorte é que o Brasil dispõe de mecanismos que limitam a taxa de inadimplência — os Serasas da vida. Não fosse assim, a coisa teria saído do controle há muito tempo.

Houve barbeiragem? Houve. Numa economia alavancada no consumo, o governo atuou para desvalorizar o real, taxando a entrada de dólares no país, o que é, em princípio, desejável para a indústria e para a preservação dos empregos. Tudo certo, tudo bem. A questão é que essa variável não é inócua e encarece, por exemplo, os insumos agrícolas. Passado algum tempo, a indústria se encontra na mesma areia de antes e se ficou com um passivo inflacionário. 

O governo se encalacrou, perdeu a noção de conjunto e não sabe como intervir. Ocorre que tenho notado que boa parte de seus críticos também não tem a resposta, não para o curto prazo ao menos. Se a saída for a elevação de juros, aí tem de ser um troço assim troglodita, carnificina mesmo, jogando a economia na recessão. Quero ver quem vai ter a coragem de fazer isso ou mesmo de propor isso.

“Qual é a resposta, Reinaldo?” Ah, eu não sei. Ainda estou em busca de uma boa. O que não dá mais é para considerar que “inflação alta se combate com elevação dos juros”. É fato! Quando ela tem características que responderão à elevação dos juros. Ninguém consegue demonstrar que é o caso da nossa. “Mas e se a gente induzir o paciente ao coma enquanto se tenta descobrir a causa da febre?” Ah, aí eu acho que a temperatura cai. Mas quem vai combinar com os russos? Paciente em  coma não grita nem protesta. Já os russos…

Encerro assim: continuo a esperar que alguém evidencie o liame lógico entre a elevação de juros e a queda da inflação para a economia que está aí, não para aquela dos livros-texto. Sim, eu também acho que o Banco Central tem de atuar de modo independente, pensando principalmente na inflação. Mas cumpre não ideologizar essa questão, porque também está para ser demonstrado que um BC só é independente quando eleva juros, não é? Ele não poderia ser independente para, por exemplo, olhar o cenário e constatar: “Elevar a taxa agora, apesar dos pedidos, é inócuo”? Afinal, pessoas e instituições também podem ser independentes quando não fazem aquilo que nós consideramos ser o certo, certo?

Prepare-se para apanhar, Reinaldão! Se duvidar, até do Caetano Veloso!

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2013

às 18:42

Economista resolve me dar uma bronca porque concorda comigo!

Um leitor de nome Cláudio, certamente economista — “o teu vocabulário não nega…”, adaptando a musiquinha —, resolveu me esculhambar, de modo até elegante, num comentário, afirmando que, mais uma vez, eu me meti em trapalhadas naquele post sobre a taxa de juros. O que afirmei? Que a elevação da Selic será irrelevante para combater a inflação em curso. Leiam o que ele escreveu. Sabem o que é mais fabuloso? Eu concordo com ele em quase tudo — e direi a exceção.

*
Meus caros,

Mais uma vez, o Reinaldo se mete em trapalhadas devido a teoria econômica. Existem milhões de críticas a serem feitas, mas não a do post. Já escreveram aí embaixo respondendo parte da pergunta, mas eu faço um (pequeno) avanço:

1- Inflação é descompasso entre oferta agregada e demanda agregada. Como investimento faz parte da demanda agregada, um crescimento forte deste pode gerar inflação. Mas este não é o único canal que pode desequilibrar esta relação oferta-demanda. O outro componente é o consumo. E o governo vem, há muitos anos, incentivando o crescimento tanto do consumo público quanto privado (através de endividamento) e gerando o quadro atual. Mas a situação é tão insustentável (ninguém acredita que isso pode se manter) que o investimento vem despencando há bastante tempo (explicando este crescimento medíocre). Usando o comentário sobre tomates passado. É a situação onde a demanda por tomates aumentou de forma claramente transitória. Eu aumento meus preços, mas não busco aumentar a produção porque sei que, no futuro, não existirá esta demanda. Isto explica a situação de estagflação que temos hoje e porque isto claramente não é sustentável.

2- Políticas anti-inflacionárias, portanto, deveriam focar na diminuição do consumo (público e privado) ao mesmo tempo em que o governo deveria estimular o lado da oferta (estimulando tanto o aumento da produtividade quanto dos investimentos). O governo é muito confuso e incompetente para fazer esta segunda parte. A primeira, porém, deveria contar não só com este aperto monetário, mas, principalmente, com uma política fiscal mais restritiva. Mas o que o governo está fazendo? Ele busca desonerar produtos específicos que impactem os índices de preços pontualmente. Isto é uma burrice muito grande. Não só não ajuda como BOTA LENHA NA FOGUEIRA (a política fiscal está cada vez mais expansionista). Ao mesmo tempo, os esquemas de empréstimos via BNDES diminuem muito a eficácia da política monetária, o que é péssimo para nós.

3- Olhe só como são as expectativas. Se acho que a inflação vai comer solta e o governo não liga para isto, vou brigar por maiores salários, não vou me preocupar tanto em dar aumentos salariais aos meus empregados e por aí vai. Caso eu realmente acredite que o governo não vai deixar a inflação subir, eu já começo a achar um aumento de 5% muito bom, já não sou tão condescendente assim com pedido de aumento de preços de fornecedores ou empregados etc. Infelizmente, as expectativas estão muito deterioradas, e nada que o governo disser vai mudar isto (falar é fácil e todos sabem disto). Uma possível mudança (que não vai ocorrer) é uma mudança institucional que dê independência ao BC e caso coloquem na presidência alguém de reputação sólida. Ou seja, é necessário um fato concreto que efetivamente mude as expectativas.

4- Por fim, o desastre desta fala do Tombini. Ao contrário do que pensam as pessoas, um aumento da taxa de juros é ruim para os bancos e investidores. Isto porque o preço atual dos títulos tem que cair para a taxa de juros subir. Ou seja, um aumento da taxa de juros requer queda do preço dos títulos e, portanto, diminuição do valor das riquezas dos investidores. Quando eu anuncio que vou fazer isto daqui a um mês, eu só favoreço os especuladores. Isto é péssimo para a economia. Isto aumenta a instabilidade da economia. E o pior é que o Tombini sabe disto!!! E mesmo assim ele faz isto!!!

Cansei de escrever.
Saudações

Comento
Que é isso, Cláudio? Não se canse tão depressa! Lembre-se de que as massas, nas quais me incluo, precisam de esclarecimento.

Agradeço a sua colaboração porque endossa o que escrevi. O Cláudio parece ser do tipo que não gosta de aliados. Pensa com mais energia quando pensa contra. É um estilo. Tenho até certa admiração por ele. Num país viciado em concordar, é bom que alguns sejam adeptos da discordância sistemática. Eu escrevi um post demonstrando por que a elevação de 0,25 ponto na Selic seria irrelevante para a inflação. E Cláudio está demonstrando por que a elevação de 0,25 da Selic será irrelevante para combater a inflação. Qual é o ponto?

Eu fiz aqui um desafio: que alguém tentasse me provar como o aumento da Selic teria impacto positivo na inflação. Ninguém conseguiu. O Cláudio tenta me dar uma esculhambadinha afirmando que estou certo.

O seu tratado sobre as “expectativas” vai além da minha modesta contribuição naquele post. É claro que, se os agentes econômicos não confiam no governo, vão fazer suas apostas com base nessa avaliação. Eu tratava de algo bem mais prosaico: o mercado passou, digamos, a exigir uma elevação da taxa de juros para testar a seriedade do BC no combate à inflação. E vai ganhá-la de presente. Uma elevação irrelevante para o propósito, mas com efeitos perversos na economia. Só isso.

Cláudio diz ainda que a elevação da taxa de juros, ao contrário do que se acredita por aí, é ruim para os bancos. Bem, eis uma tese a ser demonstrada contra todos os fatos. Mas pode ser. Espero que o nosso economista se dedique com mais afinco à exposição de motivos. Todos sairemos ganhando com isso.

Sim, Claudio, ambos concordamos no diagnóstico dos fatores que convergem para uma situação de inflação alta, crescimento baixo e baixos investimentos. Ambos concordamos — se você discordou, não percebi — que a elevação do Selic em 0,25 ponto será irrelevante para a inflação que aí está. Nem mesmo no que respeita às expectativas, existe discordância, já que tratávamos de coisas diferentes.

Quanto a quem gosta de juros altos, faço um acordo com você. Ok, gostar, os bancos não gostam. Digamos que não são eles os que sofrem. Ah, sim: também essa conversa de “independência de Banco Central”, lamento dizer, não passa de mero clichê do liberal de manual. “Independente de quem?”, Cláudio?  Deem-me uma burocracia estável, formada por funcionários graduados do Banco Central, que deixarão o cargo e voltarão a trabalhar regularmente para o estado, e então começo a pensar no assunto.

Não estou supondo má-fé ou safadeza de ninguém. Apenas tenho apreço pelo significado das palavras. “Independência” quer dizer… independência. A propósito: um presidente independente do BC poderia, suponho, ser destituído pelo Congresso ao menos, não? Ou nem assim? Será a independência do Banco Central uma instância superior da democracia? Um presidente da República que conduzisse um país ao desastre poderia ser destituído, mas não o chefão do BC? Nesse caso, deveríamos caminhar com ele, sorridentes, para o abismo?

Lamento, Claúdio, isso é só retórica. Na prática, não quer dizer nada! Acho simpática a ideia de um presidente do BC com mandato. Mas teria de prestar contas a alguém, não? Se não for ao presidente do Executivo, terá de ser ao Poder Legislativo. Você entregaria o controle último do BC ao Senado, à Câmara ou às duas Casas reunidas? Quer mais poderes, nessa área, para Renan Calheiros, para Henrique Eduardo Alves ou para os dois?

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2013

às 15:56

Aguardo que entusiastas da elevação de juros expliquem por que a elevação de 0,25 ponto na Selic baixaria a inflação. Tenham ousadia teórica, senhores!

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participou de uma audiência pública no Senado e demonstrou grande preocupação com a inflação. Deu a entender — e não falava aos senadores, mas ao “merrrcado” — que o BC vai elevar a taxa de juros para combater a escalada de preços. Tentava corrigir, assim, a bobagem dita por Dilma Rousseff na reunião dos Brics na semana passada. Segundo a presidente — depois ela tentou culpar a imprensa por uma síntese supostamente errada de sua fala —, ela não prejudicaria o crescimento econômico em nome do combate à inflação. Como esses termos não são permutáveis, ninguém entendeu direito o que quis dizer a soberana. Restou apenas a impressão de… tolerância com a inflação. No Senado, Tombini tentou demonstrar o contrário. Hoje, já se deva como certo nos mercados (pronuncia-se “merrrcadoshshsh”) que, em maio, o BC elevará a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa em 7,5% ao ano.

Quando um governo não sabe direito para onde e vai e quando perde o pé da situação, a medida proposta pelos lobbies mais influentes se confunde com a melhor saída. No caso da inflação, os “merrrcadoshshsh” têm papel relevante. Como se diz por lá, o governo tem de saber regular as “expectativas” (pronuncia-se “eshshshshpectativas”).

No post anterior, reproduzo um post da VEJA.com informando que a produção industrial brasileira teve a maior queda de um mês para outro (fevereiro em relação a janeiro) desde dezembro de 2008, no auge da crise financeira internacional: 2,5%. O número praticamente anula o avanço de 2,6% registrado em janeiro ante dezembro. Na comparação com fevereiro do ano passado, a queda é de 3,2%.

Não sou economista, como é sabido. Não me apresento nem mesmo como um estudioso da área — dedico parte do meu tempo à leitura de teoria política, gostem ou não do que escrevo. Mas tenho certo apreço pela lógica. Se esta começa a ser estranha às escolhas feitas por políticos e também por economistas, então estamos com problema.

Se alguém conseguir escrever um texto explicando por que um aumento de 0,25 ponto na taxa de juros contribuirá para baixar a inflação renitente, sairemos todos ganhando:
a) porque será, certamente, uma inovação na teoria econômica;
b) porque demonstrará que a economia é infensa à lógica.

Países que crescem acima de sua capacidade geram pressão inflacionária. É uma síntese brevíssima de uma operação complexa. Pergunto: é o caso do Brasil? A inflação foi se insinuando na economia ao longo do ano passado, e o país cresceu 1%, abaixo de países ricos que entraram em crise.

Ah, não! Na minha ignorância específica, não estou afirmando que juros são irrelevantes para baixar a inflação. De jeito nenhum! Mas não é nunca será com 0,25 ponto.  Deem logo uma porrada de 3 ou 4 pontos, mandem o paciente para o UTI, e se vai conseguir baixar a temperatura.

Ainda que os juros cheguem a 8,5% no fim do ano, como defendem alguns, não há a menor razão, tudo o mais constante, para a inflação recuar. E INSISTO QUE GOSTARIA DE LER UM TEXTO DEMONSTRANDO POR QUE ELA RECUARIA. A elevação da taxa só atende, reitero, ao lobby mais influente. Como o governo não tem resposta nenhuma e não pode passar a impressão de que é tolerante com a inflação, então escolhe a resposta mais fácil. Bom para quem negocia com títulos públicos. Só.

“Pô, o Reinaldo se diz liberal, mas não gosta da receita clássica dos liberais.” Eu cansei é desse tipo de bobagem. A elevação de juros não é “receita de liberais”. É uma resposta adequada quando um país precisa desacelerar o crescimento, conter a febre de consumo, adequar a produção à real capacidade do país. Nada disso está em curso no Brasil. Ou está? Elevar juros, no atual quadro, não é resposta “de liberais”. É resposta dos espertos — ou dos “eshshshperrrtos” influentes.

“Se a inflação recuar, quero ver o que você vai dizer.” Se acontecer, continuarei a esperar um texto teórico explicando por que terá sido em razão da elevação dos juros. Alguma explicação certamente haverá, mas não essa. Fica aqui o desafio. 

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2013

às 0:11

Dilma tenta minimizar os efeitos da bobagem que falou e culpa a… imprensa!

Ai, ai…

Dilma também recorreu à desculpa-padrão de governantes falastrões. Diante da constatação de que as bobagens que dizem produzem efeitos indesejados, tentam culpar a imprensa. Cristina Kirchner, por exemplo, é craque nisso. Sim, a presidente Dilma afirmou, à sua moda, que não sacrificaria o PIB  para controlar a inflação. E acusou de superados os que não pensam como ela. Já escrevi a respeito: afirmei que superada, tola mesmo!, é a suposição de que alguém tem gosto especial por um PIB mesquinho; superada é a falsa dicotomia entre crescimento e inflação.

Não se trata de escolhas excludentes. Quem opta por crescer sem dar bola para a inflação não escolheu o crescimento, mas a crise e a desorganização da economia. “Mas como vamos combater? Elevando os juros nos cornos da Lua?” Olhem aqui: ele já não são baixos hoje. A inflação brasileira deriva de um superaquecimento? Superaquecimento de economia que cresce 1% ao ano? A questão não é saber se elevar juro é bom ou ruim, mas saber se é necessário ou não é. Crescendo essa mixuruquice, parece que não.

A fala da presidente só é sintoma da confusão mental que vigora lá no reino de Guido Mantega. Leia texto na VEJA.com:
*
Que o governo tenha optado por estimular o crescimento da economia em detrimento do controle da inflação, isso não é novidade. Nesta quarta-feira, no entanto, foi a primeira vez que a presidente Dilma Rousseff deixou escapar sua heterodoxa preferência pelo Produto Interno Bruto (PIB) quando confrontado com a questão inflacionária. Aconteceu durante conversa com jornalistas em Durban, na África do Sul, onde esteve para o encontro dos Brics. O que há de heterodoxo nessa fala? Não faz sentido considerar crescimento e inflação como opções excludentes. Uma coisa não pode existir em relação de oposição com a outra. Dilma afirmou que não concorda com políticas de combate à inflação que mirem a redução do crescimento econômico. A fala repercutiu como pólvora – o que fez o blog do Planalto divulgar uma nota feita pela presidente desmentindo sua frase. “Foi uma manipulação inadmissível de minha fala. O combate à inflação é um valor em si mesmo e permanente do meu governo”, afirmou a presidente.

Dilma também pediu que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, conversasse com jornalistas para desfazer o “mal entendido”. À Agência Estado, Tombini afirmou que era preciso que o “mal entendido fosse desfeito e que não há tolerância em relação à inflação”. Ele até usou o expediente da insubordinação para consertar a frase de Dilma. “De inflação fala a equipe econômica. Em relação à política de juros, fala o Banco Central”, disse.

Mercado entendeu o recado
De acordo com a nota, Dilma decidiu se pronunciar após “tomar conhecimento de que agentes do mercado financeiro estavam interpretando erroneamente seus comentários como expressão de leniência em relação à inflação”. As declarações da presidente reduziram as apostas de elevação da Selic, a taxa básica de juros da economia. As taxas futuras, que já caíam desde a abertura do mercado, acentuaram o movimento imediatamente após as palavras da presidente.

Com as declarações de Dilma, os analistas entenderam que o governo acredita que a inflação no Brasil seja algo temporário e que o Banco Central poderá adiar o início do aperto monetário. As palavras de Dilma, na véspera da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, também foram criticadas por alguns agentes, porque atrapalharia o esforço do presidente do BC, Alexandre Tombini, em ancorar as expectativas do mercado.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2013

às 21:45

Inflação em alta pode brecar novos reajustes na gasolina

Na VEJA.com:
A aceleração da inflação em janeiro acima das expectativas do governo torna o cenário ainda mais difícil para novos reajustes da gasolina e do diesel ao longo deste ano, reduzindo as esperanças de um novo – e necessário – aumento dos combustíveis para o caixa da Petrobras, avaliam especialistas. O IBGE divulgou nesta quinta-feira alta de 0,86% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em janeiro, a maior variação mensal em quase 8 anos. “A janela de oportunidade para o reajuste dos combustíveis é a que se abriu com a queda nos preços de energia. Se mesmo com a redução nas tarifas o IPCA veio pressionado, é improvável um novo aumento da gasolina e do diesel”, disse Lucas Brendler, analista da corretora Geração Futura.

Para o analista, o temor do governo com a escalada da inflação é maior do que as preocupações com o caixa da Petrobras, que vem tendo prejuízo com a venda de combustíveis no país nos últimos dois anos, por importar a preços mais altos que os de revenda no mercado interno. O preço da gasolina foi reajustado em 6,6% na refinaria, em 30 de janeiro, enquanto o diesel subiu 5,4%.

Cálculos do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (Cbie), feitos nesta quinta-feira, mostram que a gasolina nas refinarias no Brasil é vendida com defasagem de 13,8% ante os preços dos Estados Unidos, e o diesel, de 21,7%, mesmo após os reajustes concedidos no fim de janeiro. O governo estima uma alta menor para o consumidor, de cerca de 4 por cento para a gasolina na bomba. Para cada 1 por cento de alta no posto, o impacto da alta da gasolina no IPCA é de 0,03 ponto percentual, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Segundo o IBGE, apenas um quarto da queda da tarifa de energia elétrica foi captada em janeiro. Em fevereiro, a contribuição da energia deve ser de menos 0,40 ponto percentual no IPCA.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2013

às 16:15

Inflação de janeiro é a maior para o mês desde 2003

Na VEJA.com:
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação no país, registrou aceleração de 0,86% em janeiro, alta de 0,07 ponto porcentual ante dezembro (0,79%), de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior alta mensal desde abril de 2005, quando o indicador acelerou 0,87%. O índice de janeiro é também o maior para o mês desde 2003, quando a taxa de inflação ficou em 2,25%.

O grande vilão da inflação no mês passado foi o grupo alimentação e bebidas, cujos preços aceleraram a 1,99% ante alta de 1,03% em dezembro. Só esse item contribuiu para elevar em 0,48 ponto porcentual o índice. Assim, o grupo foi responsável por 56% do IPCA em janeiro. No acumulado de 12 meses até janeiro, o IPCA avançou 6,15% na comparação aos 12 meses encerrados em dezembro (5,84%). Analistas esperavam alta de 0,84% da inflação no mês passado.

Na segunda-feira, o relatório Focus do Banco Central mostrou que economistas esperam uma inflação de 5,68% para o IPCA neste ano. Contudo, a cada semana essa projeção vem subindo e se afastando do centro da meta do governo, de 4,5% ao ano.

Além dos alimentos e bebidas, os preços do grupo de Despesas Pessoais também continuaram pressionando o indicador, segundo informou o IBGE, ao registrarem avanço de 1,55% em janeiro. Apesar de ter desacelerado em relação a dezembro (1,60%), o IBGE ressaltou que o grupo respondeu por 0,16 p.p. do índice.

Há três anos, a inflação oficial brasileira tem ficado na parte superior da meta e o cenário atual pode ser determinante para definir uma possível mudança na Selic. O mercado futuro de juros já vem precificando as maiores preocupações com a inflação, embora ainda veja estabilidade da taxa básica de juros ao longo deste ano.

O resultado do IPCA de janeiro veio um pouco abaixo de sua prévia, o IPCA-15, que no mês passado registrou alta de 0,88% também pressionado pelos preços de Despesas pessoais e de Alimentos.

Por Reinaldo Azevedo

17/01/2013

às 6:21

Copom decide manter Selic em 7,25% ao ano

Na VEJA.com:
Em sua primeira reunião de 2013, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 7,25% ao ano. Trata-se da segunda decisão consecutiva de manutenção da taxa neste patamar, considerado o mais baixo da série histórica do BC. O ciclo de cortes da Selic, iniciado em agosto de 2011, quando a taxa estava em 12,5% ao ano, teve sua última queda em outubro, quando foi anunciada diminuição dos juros de 7,5% para 7,25%.

Em comunicado que acompanhou a decisão, o BC reforçou a percepção de que esse patamar de juros veio para ficar, ainda que a inflação esteja alta – o IPCA fechou em 5,84% em 2012. “Considerando o balanço de riscos para a inflação, que apresentou piora no curto prazo, a recuperação da atividade doméstica, menos intensa do que o esperado, e a complexidade que ainda envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta”, diz o anúncio.

Votaram pela manutenção dos juros os seguintes membros do Comitê: Alexandre Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.

O resultado era amplamente esperado pelo mercado. O último Boletim Focus – levantamento feito pelo BC junto a economistas- aponta juros de 7,25% até o final de 2013. Ainda segundo o relatório, o governo só deve voltar a aumentar a Selic em meados de 2014. Tal expectativa, contudo, não é vista com otimismo por especialistas, que acreditam que os seguidos cortes na taxa de juros sejam agravantes para o cenário de inflação alta observado atualmente. “Provavelmente a mudança começará no inicio de 2014, justamente porque a inflação não cederá nem neste ano, nem no ano que vem. Há ainda a possibilidade de a inflação subir ainda mais devido aos efeitos do crescimento”, afirma o economista da MB Associados, Sérgio Vale.

Crescimento com inflação
A divulgação do IBC-Br na manhã desta quarta-feira, indicador considerado uma prévia do PIB, deu certo alívio ao mercado no que se refere ao crescimento. O índice mostrou expansão de 0,4% em novembro – maior do que o esperado pelo mercado. Segundo o BC, a alta foi acarretada pela aceleração do setor de serviços, já que a produção industrial e as vendas do varejo não ajudaram. Contudo, junto com o crescimento, há expectativa de mais inflação. “O IBC-Br mais forte que o projetado aumentou as apostas do mercado na alta dos preços”, diz o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos.

A política monetária do BC tem priorizado o crescimento do PIB em detrimento do controle inflacionário. Ao longo de todo o governo Dilma, houve excessiva leniência da equipe econômica para chancelar índices de inflação acima da meta ante a expectativa de ver a economia deslanchar. Em 2011, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em alta de 6,5% – no teto da meta de inflação admitida pelo BC. À época, o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, garantiu que a convergência do índice para o centro da meta (de 4,5%) era questão de tempo. Mas esse tempo não veio. Em 2012, o IPCA cravou alta de 5,84%. Já o PIB cresceu míseros 2,7% em 2011 e deverá avançar algo em torno de 1% em 2012.

Após a divulgação do IPCA de 2012, na última sexta-feira, Tombini admitiu a resistência da inflação em ceder. O discurso é um pouco distinto do que vinha sendo adotado nos últimos meses: o manjado mantra de que o índice estaria convergindo para o centro da meta. Contudo, a leve mudança de tom ainda não é indício forte o suficiente de que o BC esteja acordando para a realidade. “Até certo ponto, o BC precisa assumir o problema da inflação e reconhecer que apenas manter a política monetária no piloto automático pode não ser o suficiente para trazer o índice em direção ao centro da meta”, afirmou Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, em relatório divulgado ao mercado.

Os bancos Bradesco e Itaú Unibanco divulgaram relatórios com apostas um pouco menos favoráveis no que se refere ao controle inflacionário no curto prazo. Os analistas das instituições acreditam que a tendência é que o BC ignore o repique inflacionário e corte ainda mais os juros ao longo do semestre. “A atividade econômica continua fraca, o que, na nossa avaliação, levará o Copom a reduzir a Selic novamente nos próximos seis meses”, informou o Itaú Unibanco.

“Novo centro informal”
As apostas para os próximos meses, contudo, são divergentes. Na pesquisa semanal feita pelo Banco Central, o Boletim Focus, a estimativa do mercado para a Selic é de que ela permaneça inalterada ao longo de todo o ano, com previsão de alta (para 8,25%) apenas em 2014. O mais preocupante, contudo, é que esse cenário para os juros ocorre em meio a um ambiente de alta inflacionária. O mercado crê – tendo o Focus como base – que o IPCA pouco cederá em 2013, ficando em 5,5% e que o BC fechará os olhos para isso, já que a expectativa da maioria é de que manterá os juros intactos. Em 2014, a previsão de inflação é a mesma, ainda que com ligeira alta da Selic.

Com isso, cristaliza-se a mensagem de que os dois pontos porcentuais tolerados acima do centro da meta de inflação, que é de 4,5%, tiveram seu sentido modificado. Se antes serviam como espaço limite para alguma situação de emergência, como o choque de preços no mercado internacional, atualmente são levados com tranquilidade como “novo centro informal” do regime de metas de inflação – algo parecido ao que o BC tem feito com a taxa de câmbio a 2,10 reais, considerada a “nova banda informal” do dólar. Porém, no caso da inflação, tal arbitrariedade pode ser perigosa.

Por Reinaldo Azevedo

10/01/2013

às 5:09

Inflação fica acima da meta pelo 3º ano seguido

Por Denise Abarca, Maria Regina Silva e Flávio Leonel, no Estadão:
Pesquisa do serviço AE Projeções, da Agência Estado, com 46 instituições do mercado financeiro, indica que a taxa oficial de inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve ter fechado 2012 entre 5,68% e 5,84%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado nesta quinta-feira, 10.

Se a estimativa for confirmada, a taxa será menor que a de 2011 (6,5%), quando o índice ficou no teto da meta perseguida pelo Banco Central. A inflação “oficial” do País tem ficado persistentemente acima do centro da meta – de 4,5% – desde 2010, quando atingiu 5,9% depois de ter subido apenas 4,3% no ano anterior. As justificativas para o avanço dos preços em 2012 devem ser muito parecidas com as de 2011. O aumento da renda e a queda na taxa de desemprego continuaram a estimular o consumo, especialmente no setor de Serviços.

Seca nos EUA
Outro fator que pressionou novamente o IPCA foi a elevação nos preços dos alimentos. Só que, em 2012, o incômodo relacionado ao grupo Alimentação foi influenciado pelo aumento das matérias-primas agrícolas no segundo semestre. O motivo decisivo foi a forte seca que atingiu as lavouras de grãos (soja, milho e trigo) nos Estados Unidos e encareceu os preços desses produtos e seus derivados no exterior e no Brasil.

Em contrapartida, segundo analistas ouvidos pelo AE Projeções, as medidas de estímulo à economia, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da linha branca e veículos, devem ter dado grande contribuição para um IPCA menor em relação a 2011. A ausência de aumentos de preços administrados, como a tarifa de ônibus urbano nas grandes cidades, também vai favorecer um índice mais baixo, de acordo com os profissionais.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

10/09/2012

às 14:39

O Brasil-potência de Dilma – Mercado eleva projeção de inflação e reduz a do PIB

Na VEJA.com, com Reuters:
O mercado manteve a projeção de que a Selic encerrará este ano a 7,25%, após o Banco Central (BC) reiterar em ata que, se houver espaço, uma nova redução dos juros será feita com “máxima parcimônia”, mostrou a pesquisa Focus, da autoridade monetária, divulgada nesta segunda-feira. 

Em agosto, o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 7,5%, e na ata de sua última reunião, divulgada na semana passada, demonstrou maior preocupação com os preços no curto prazo por conta da alta dos produtos agrícolas.

Inflação
O BC não vê mais a inflação convergindo para a meta neste ano. A expectativa dos analistas para 2012 também está longe do centro da meta de 4,5%, uma vez que eles agora preveem que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2012 em 5,24%, ante 5,20% na semana anterior
Essa foi a nona vez seguida em que a projeção para a inflação foi elevada na pesquisa realizada pelo Banco Central.

Na semana passada, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto reforçou ainda mais a expectativa de que o ciclo de redução da taxa de juros está chegando ao fim ao registrar avanço de 0,41%, acelerando a alta no acumulado em 12 meses para 5,24%.

Crescimento
A expectativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 foi reduzida no Focus pela sexta vez, passando a 1,62% após 1,64% na semana anterior. Para 2013, a projeção foi mantida em 4%.

A economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre deste ano, quando comparada com o primeiro trimestre, com destaque positivo para a agropecuária e preocupante queda dos investimentos e recuo da indústria, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa Focus desta segunda-feira indicou também que o mercado manteve a previsão de que o dólar encerrará este ano a 2 reais.

Projeções para 2013
O Focus mostrou ainda que, para o fim de 2013, a projeção sobre a Selic foi reduzida para 8,25%, contra 8,50% anteriormente. Para a inflação no ano que vem, a projeção foi elevada a 5,54%, ante 5,51%. 
O Boletim Focus é uma pesquisa semanal feita pelo BC ouvindo economistas e analistas de mercado. 

Por Reinaldo Azevedo
 

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