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Humberto Costa

03/09/2012

às 15:21

Eduardo Campos já está à frente de Lula em Recife; o Apedeuta prometeu a jihad petista na cidade e está perdendo

Vejam vocês! O candidato do governador Eduardo Campos (PSB) à Prefeitura de Recife, Geraldo Júlio, já aparece à frente de Humberto Costa (PT), candidato de Luiz Inácio Apedeuta da Silva. Leiam o que informa Fábio Guibu, na Folha Online. Volto em seguida.

O candidato do PSB à Prefeitura de Recife, Geraldo Júlio, ultrapassou o petista Humberto Costa e, pela primeira vez, lidera a corrida eleitoral na capital pernambucana, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (03). De acordo com o levantamento, Júlio, candidato apoiado pelo governador de Pernambuco Eduardo Campos, passou de 16% para 33% das intenções de voto, entre a pesquisa divulgada no dia 16 de agosto e a desta segunda. No mesmo período, o candidato petista caiu de 32% para 25%. Em terceiro lugar aparece agora Daniel Coelho (PSDB), com 15%, cinco pontos percentuais acima do que indicava a pesquisa anterior.

O candidato do DEM, Mendonça Filho, que ocupou o segundo lugar nos três primeiros levantamentos, perdeu oito pontos percentuais e caiu para a quarta colocação. Ele tem agora 8% das intenções de voto, segundo o Ibope. Esteves Jacinto (PRTB), Edna Costa (PPL) e Roberto Numeriano (PCB) foram citados por 1% dos entrevistados cada um. Jair Pedro (PSTU) não pontuou. Votos em branco ou nulos somam 8%. Entre os entrevistados, 8% não souberam opinar ou não responderam.

A pesquisa Ibope foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de Pernambuco”. Foram ouvidas 805 pessoas entre os dias 31 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, sob o número 00094/2012.

Voltei
Escrevi um texto nesta manhã sobre o que chamei “greve da oposição” e comentei a disposição do governador Eduardo Campos (PSB) de ganhar musculatura. Pra quê? Lembrando o poeta, também pernambucano, Ascenso Ferreira, certamente NÃO SERÁ “pra nada”. Se não tentar voo solo em 2014, pode ousar em 2018. Os petistas já estão em franco trabalho de queimação de Campos, afirmando que ele vai se juntar ao PSDB.

“Está dizendo que se juntar aos tucanos é ‘queimação’, Reinaldo?” Na boca de petistas, obviamente, é. Nas franjas da campanha, os chefões petistas, a começar de Lula, tentam caracterizar Campos como um traidor. A operação parece meio desastrada. O governador ainda é relativamente desconhecido do grande eleitorado fora de Pernambuco. Em seu próprio estado, a ação está dando com os burros nas águas do Capibaribe. No establishment político, dá-se o contrário do pretendido: cresce a fama do chefão do PSB de político hábil, que está sabendo enfrentar a máquina petista.

Em Recife, como vocês podem notar, aconteceu com Geraldo Júlio, depois de duas semanas de campanha, o que os petistas esperavam que fosse acontecer com Fernando Haddad em São Paulo: a disparada do candidato. E bastou, para tanto, que um político relativamente desconhecido fosse identificado com Eduardo Campos.

Lula, com a arrogância costumeira, referiu-se ao governador em tom de ameaça: “Eu vou enfrentá-lo em Recife”. Como se vê, está enfrentando e perdendo. Se continuar a crescer nesse ritmo, não é impossível Júlio ser eleito no primeiro turno, embora seja difícil. A simples derrota já seria uma humilhação para os petistas.

O clima está ficando pesado entre os dois partidos. O PSB também tem o candidato favorito em Belo Horizonte. Márcio Lacerda lidera a corrida com 46% das intenções de voto, contra o petista Patrus Ananias, que tem 30%. Lacerda, do PSB, é também aliado de Aécio Neves, potencial candidato à sucessão de Dilma.

Numa entrevista publicada no Estadão de hoje, Rui Falcão, presidente do PT, já começa a tratar Campos como um adversário, sugerindo que ele está sendo desleal. O petismo começou a enfrentar concorrência no âmbito do próprio governismo, o que faz sentido, especialmente quando a oposição está em greve (ver texto desta manhã). Observe-se, finalmente, que Humberto Costa não é um qualquer do PT. É membro do núcleo duro do partido. Foi líder da legenda no Senado e ministro — desastrado! — da Saúde no primeiro mandato de Lula. 

 

Por Reinaldo Azevedo

11/06/2012

às 23:43

João da Costa recorre à Direção Nacional do partido pedindo que indicação do senador Humberto Costa seja reavaliada. PT não voltará atrás

Na VEJA Online:
O prefeito do Recife, João da Costa, entrou na tarde desta segunda com recurso ao Diretório Nacional do PT, pedindo revisão da decisão da executiva nacional do partido que impôs o nome do senador Humberto Costa como candidato à prefeitura da capital. Ele quer ter seu nome homologado como candidato à reeleição.

O recurso foi enviado por e-mail, encaminhado por Sedex e seria protocolado por um representante na sede do partido, em São Paulo, para evitar problema de recebimento. De acordo com o ex-presidente estadual do PT, Jorge Perez, o recurso se baseia em dois principais argumentos: João da Costa seguiu todos os procedimentos regimentais para a definição do candidato petista à prefeitura – não havendo, portanto, motivo para a intervenção – e foi comunicado da decisão do partido sem direito a defesa. “Ele estava presente à reunião da executiva, em São Paulo, que decidiu impor o nome de Humberto, sem direito a se defender ou argumentar”, observou Perez.

“O prefeito participou e ganhou a primeira prévia (anulada pela executiva nacional por divergências das listas de filiados) e uma segunda prévia foi determinada pela direção nacional”, relembrou ele. “Como o outro pré-candidato, Mauricio Rands, desistiu, o prefeito deveria ter sido homologado, como determina o estatuto.” Para Perez, neste caso, a direção nacional passou por cima de sua própria decisão.

No âmbito político, o grupo de João da Costa destaca que a executiva nacional impôs o nome de Humberto Costa argumentando que, ao contrário do prefeito, o senador teria condições de unir o partido e as legendas aliadas da Frente Popular. “Não é isso o que vemos”, complementou Perez, ao citar o PSB, do governador Eduardo Campos. O governador exonerou, semana passada, quatro secretários estaduais de sua confiança como alternativas para o lançamento de candidato próprio caso o PT não consiga a união interna.

Humberto Costa é da tendência majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) e tem o apoio do ex-presidente Lula. Embora afirme estar tranquilo e confiante quanto à construção da unidade, o PT pernambucano continua rachado. Suas divergências internas foram cruamente expostas principalmente na realização das prévias – posteriormente anuladas -, quando discursos duros e acusações foram trocados. Os apoiadores do prefeito destacam, ainda, que ao ser preterido pela direção nacional, João da Costa tem conseguido conquistar a simpatia do eleitorado em geral.

Resolução
O recurso de João da Costa, no entanto, não deve alterar a decisão da cúpula petista, que recorreu à resolução aprovada há um mês, em reunião do Diretório Nacional do PT em Porto Alegre, para intervir na capital de Pernambuco e indicar o nome do senador Humberto Costa. De acordo com a medida, a escolha dos candidatos à prefeitura das cidades – onde o partido não chegar a um consenso –  com mais de 200 000 eleitores, que tenham emissoras de rádio e televisão locais ou que sejam polos econômicos, terá de ser homologada pela direção nacional do partido. 

Leim neste blog a respeito:
Chamem aquele “inteliquitual” para explicar! Direção do PT, sob o comando de Lula, esmaga João da Costa, prefeito de Recife, que estuda deixar o partido;

O racha do PT de Pernambuco - Como sempre acontece no partido, para chegar às causas, siga o lixo!

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 19:01

A pornográfica disputa no PT de Recife. Ou: O que ocorre quando a herança leninista é interpretada por Lula e Humberto Costa, sob os auspícios de Eduardo Campos

Escrevi um post na sexta passada sobre o confronto no PT de Recife. A direção nacional e estadual do partido e o governador Eduardo Campos, que é do PSB, querem  o atual prefeito, João da Costa, fora da disputa. Ele venceu as prévias disputadas contra Maurício Rands, mas a Executiva Nacional do PT anulou o processo, embora tenha negado ter havido fraude. Anulou, então, por quê? João começou a se indispor com o establishment petista de Pernambuco por causa do contrato milionário de coleta de lixo. O primeiro a puxar o seu tapete foi o antecessor, João Paulo, que o fez candidato. Observei, então, que não é raro que os confrontos nesse partido comecem no lixo – e quase sempre acabam lá também.

Muito bem! Ao anular as prévias, é claro que João foi vítima de um golpe, desfechado pela direção nacional, com o endosso de Lula — curiosamente, a coisa tem franjas até em São Paulo, já digo como. Mas o imbróglio ainda não estava completo. Depois de um encontro com o Babalorixá de Banânia, Rands decidiu renunciar à pré-candidatura. O pressuposto era que o prefeito fizesse o mesmo — e tal intenção chegou a ser anunciada à sua revelia — em benefício de outro Costa, o Humberto. O golpe completo, então, é este: os dois postulantes caem fora em benefício do senador Humberto Costa, que surgiria como um tertius — um estranho tertius, já que sempre esteve ao lado de Rands. O senador é um que sempre atuou contra o prefeito de seu próprio partido. Como é bastante influente no Estado e tem “contatos” na imprensa local, a vida do prefeito, que já não faz uma administração brilhante, virou um inferno.

Isso é o que o PT faz com aliados incômodos. Dá uma medida de como costuma tratar adversários. Não tenho a menor simpatia pelo atual prefeito. Embora seja certamente uma falha, confesso saber pouco da política recifense em particular. Mas entendo que um prefeito, no exercício do mandato, havendo reeleição, tem a prerrogativa de disputar o cargo novamente, a menos que pese contra ele uma séria acusação ou de desvio de conduta ou de desvio dos objetivos partidários. O PT não acusa o atual prefeito nem de uma coisa nem de outra. A sua gestão, diga-se, é uma das financiadoras de uma página que abre seus comentários para os ataques mais abjetos contra mim — é o chorume do lixo. Não estou nessa atividade para praticar vinganças pessoais. Interessam-me os procedimentos institucionais.

O PT está associado ao PSB do governador Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco e em muitos outros estados e cidades. Campos não aceita apoiar o atual prefeito. Queria Rands, que foi seu secretário e com quem tem alguns laços familiares. A intervenção em Recife era uma das exigências para o PSB apoiar Fernando Haddad em São Paulo. Lula entrou na parada com a delicadeza habitual, com aquela mesma com que esmagou a pré-candidatura de Marta, que agora, pelo menos, vai ter tempo de ler Maquiavel…

Faz algum tempo, ironizei alguns “politicólogos” supostamente independentes, mas que, na verdade, são petistas. Sustentavam esses valentes que o PT é mais moderno que os outros partidos porque aposta na renovação e na novidade. O método empregado em São Paulo e em Recife, na base do dedaço, indica bem que modernidade é essa. A direção nacional do PT, saibam, tem a prerrogativa de referendar ou vetar as candidaturas em cidades com mais de 200 mil habitantes. É uma herança, ainda, do “Centralismo Democrático” leninista, esse delicioso oximoro, dos antigos partidos comunistas. Segundo o centralismo, “a base” pode decidir o que bem entender, desde que o Comitê Central do partido concorde.

Convenham: não dá para ser sério e esquerdista ao mesmo tempo. O que não quer dizer, é claro, que todos os direitistas liberais sejam sérios. Quer dizer apenas que eles têm, ao menos, alguma chance!

Por Reinaldo Azevedo

12/01/2012

às 21:17

Um senador petista e a verdade como categoria inútil

Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado, decidiu contar um fato mentiroso no Congresso, ainda que, claro!, ele seja um homem que não mente jamais. E, ora vejam!, aproveitou para secretar seu ódio contra São Paulo, prática muito corriqueira hoje em dia. Tenho a certeza de que São Paulo é o estado com o segundo maior número de pernambucanos do país, como é, se não me engano, o segundo com o maior número de nordestinos, só perdendo para a Bahia. Mesmo assim, tudo indica, este valente acredita que eventuais verbas federais enviadas ao estado só beneficiam… paulistas! São Paulo, se não me engano, é a terra onde um ilustre conterrâneo de Costa, um certo Luiz Inácio Lula da Silva, fez carreira política, elegendo-se presidente da República…

Costa, diga-se, me processa. Não vou ficar aqui fazendo proselitismo sobre questões judiciais, não! É só para que o leitor saiba. Adiante.

Segundo este valente senador, o ministro Fernando Bezerra, da Integração, só está sendo criticado porque é nordestino. Diz ele que, se as verbas para as enchentes tivessem sido enviadas quase todas para São Paulo (seguiram para Pernambuco), ninguém estaria dizendo nada. Logo, tudo não passaria de preconceito antinordestino. Costa é um homem sem dúvida corajoso, mas a acusação é covarde porque ele sabe que há algumas franjas do eleitorado que acabam acreditando nessa mentira. Ao acusar discriminação regional e preconceito, é evidente que está apelando ao… preconceito antipaulista! Esse tipo de procedimento, entendo, é asqueroso.

Vamos lá. Já caíram, sob a suspeita de corrupção, os seguintes ministros: Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Pedro Novais, Wagner Rossi, Orlando Silva e Carlos Lupi. Há nesse grupo nada menos de três… PAULISTAS: Palocci, Rossi e Lupi. Alguém ouviu, por acaso, a menor menção de que se tratava de preconceito contra… São Paulo???

Fator Eduardo Campos
Costa está desesperado porque o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, líder inconteste do PSB, estrela ascendente da política (não é do meu gosto, mas há quem aprecie), detectou as pegadas do PT no que considera campanha contra Bezerra. Bem, existe, sim, é o bom o PSB saber. Isso é verdade. Ocorre que, é raro, mas acontece, o PT, às vezes, conta verdades sobre os outros, ainda que seja para esconder as verdades sobre si mesmo. Bezerra, até agora, não conseguiu dar uma explicação convincente.

Dilma Rousseff decidiu blindar o ministro quando sentiu cheio de carne queimada. O PSB começou a dar piscadelas para a oposição na formação de palanques da eleição municipal. Não é segredo pra ninguém que Campos, em seu segundo mandato, anseia bem mais do que o governo de Pernambuco.  Eu o chamei aqui, dia desses, de “o Aécio Neves que deu certo” porque ele, de fato, está conseguindo criar uma rede de influências no Congresso e fora dele que, imaginavam muitos, seria criada pelo político mineiro. Conseguiu até nomear a mãe para o Tribunal de Contas da União.

Costa inventa um problema que não existe para criar uma cortina de fumaça no problema que existe: boa parte do PSB está convicta de que é o PT quem municia a imprensa com informações contra Bezerra, ainda que verdadeiras.

Costa tem de dizer se a demissão de três ministros paulistas é ou não preconceito contra São Paulo. Mas ele não vai responder. Há pessoas para as quais a verdade não é nem boa nem má; é apenas inútil.

Mas sempre será útil para os leitores.

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2011

às 6:01

Vocês se lembram da voz de Humberto Costa? Continua a mesma. Os cabelos mudaram um pouco. As idéias continuam péssimas! Ou: Ele quer um regime que fale grosso!

Os que têm a minha idade, e até um pouco menos, se lembram de uma propaganda na TV que virou um clássico. Reproduzo-a abaixo. Volto em seguida.

Então…

A voz do senador Humberto Costa (PT-PE) continua a mesma. O seu cabelo está um pouco diferente da época do escândalo dos sanguessugas, por exemplo. Mas as idéias que vão abaixo deles continuam detestáveis, como sempre.

Humberto Costa não pode ser contrariado. É só ele se chatear com alguém e logo pede uma regime que fale grosso. Parece que está com saudade da dita dura. Na quinta-feira, ele ficou bravo com o senador Mário Couto (PSDB-PA) e pediu abertamente uma punição a seu colega. O crime do tucano? Falou mal do PT. Costa acredita que um “crime” dessa natureza não está coberto pela liberdade de expressão nem pela imunidade parlamentar. Este gigante do pensamento político acha que as pessoas são livres pra dizer o que bem entendem desde que elas concordem com ele. Alguém está surpreso?

O homem é psiquiatra. Mandando a ética médica para o escambau, chamou seu adversário de “débil mental”, na forma de um xingamento mesmo. Nota: no dia 11 de agosto, Costa comandou uma sessão no Senado para comemorar o fim dos hospitais psiquiátricos no Brasil. Segundo ele, “a lei trouxe avanços significativos; trouxe um atendimento mais humanizado, não mais voltado para aquele modelo centrado em hospitais (…)”. Nós sabemos como é fácil obter  atendimento nessa área no Brasil… Santo Deus! Adiante.

Nesta segunda, Costa foi à tribuna defender alguma punição para a revista VEJA porque  — ohhh!!! — a revista evidenciou que José Dirceu mantém um governo clandestino em Brasília. Costa não teve dúvida. Segundo texto da Agência Senado,  o senador, que é líder do PT, acredita que a reportagem de VEJA “evidenciou a necessidade de se discutir os limites de iniciativas de órgãos de imprensa danosas à imagem de pessoas públicas”. Está entre aspas. Não sei se o erro de concordância é de Costa ou da Agência. Tanto faz. Mais grave aí é o erro moral.

Entendi. Depois de pedir o fim da imunidade parlamentar para quem fala mal do PT, Costa que debater o fim da liberdade de imprensa para quem provar que petista anda fazendo coisa errada. Rafael Correa conseguiu aprovar uma lei no Equador que pune quem fala mal do governo. Chávez e Evo Morales já fizeram a mesma coisa. Aqui, como sabem, os petistas já tentaram. Ainda não deu certo.

Costa, como se vê, não se contenta com a sua comprovada incompetência ao tempo em que era ministro da Saúde. Ele também tem uma alma, assim, autoritária mesmo! E porque jornalismo também é memória, relembro, posts abaixo, uma reportagem de VEJA de 26 de julho de 2006, que fala um tanto de sua biografia. Costa, o sanguessuga da democracia.

Texto publicado originalmente às 23h21 de segunda
Por Reinaldo Azevedo

29/08/2011

às 23:30

Memória: De caso com os sanguessugas

O senador Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado, não entende nada de democracia ou de imunidade parlamentar. Então vamos lembrar a sua obra na Saúde, em reportagem da VEJA de 26 de julho de 2006.
*
O caso da máfia dos sanguessugas já era, na semana passada, um dos maiores escândalos de corrupção descobertos no país. Nada menos do que 57 parlamentares estavam sob suspeita de ter recebido suborno de uma empresa de ambulâncias, a Planam, para destinar recursos do Orçamento federal a prefeituras compradoras dos veículos. Na quinta-feira passada, porém, descobriu-se que tanto o número de envolvidos no esquema quanto o seu alcance haviam sido subestimados. Os parlamentares acusados de participar da máfia dos sanguessugas ultrapassam uma centena – o número exato é 112 -, e o Legislativo não é o único poder atingido por ela. O rastro do suborno e do tráfico de influência alcança também o Executivo federal – mais precisamente a porta do gabinete do ex-ministro da Saúde Humberto Costa, hoje candidato ao governo de Pernambuco pelo PT. As revelações foram feitas pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, um dos sócios da Planam, ao longo de uma série de depoimentos sigilosos prestados à Justiça Federal nas duas últimas semanas.

VEJA apurou que, nessa série de depoimentos, Vedoin contou que, no início de 2003, quando o presidente Lula baixou um decreto restringindo o pagamento de débitos contraídos na gestão anterior, a Planam ficou sem ter como receber uma dívida de 8 milhões de reais da qual era credora no Ministério da Saúde. Assim, Vedoin e seu pai, Darci Vedoin, também sócio da Planam, procuraram o então ministro da Saúde Humberto Costa para tentar uma solução para o problema. Por meio de um amigo comum, que fez a aproximação, os Vedoin encontraram-se com Costa, em seu gabinete, em fevereiro daquele ano. O ministro, segundo Vedoin, disse que não poderia liberar a verba, mas, no fim da reunião, apresentou aos empresários seu chefe-de-gabinete, Antônio Alves de Souza, hoje secretário de Gestão Estratégica do Ministério da Saúde. Segundo contou Vedoin, Costa disse que Souza poderia estudar a possibilidade de conseguir a liberação do pagamento.

No mês seguinte, o dono da Planam foi procurado por um certo José Caubi Diniz. Na conversa, que aconteceu durante uma feira de negócios em Brasília, Diniz disse ter sido informado por Souza, o chefe-de-gabinete de Costa, de que a Planam estava tentando obter seu pagamento do governo federal. Afirmou que poderia conseguir a liberação do dinheiro. Para isso, contaria com a ajuda do petista José Airton Cirilo, que, segundo ele, teria grande influência junto ao ministro Humberto Costa. Cirilo, integrante do Diretório Nacional do PT, foi presidente do partido no Ceará, duas vezes prefeito da cidade de Icapuí e candidato a governador do Ceará em 2002. Por indicação do presidente Lula, também participou do governo federal: ocupou um dos postos de direção da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Dias depois do encontro na feira de negócios, Vedoin e o pai – acompanhados de Diniz e Cirilo – desembarcaram na ante-sala do gabinete de Humberto Costa, no Ministério da Saúde. Lá, Cirilo despachou sozinho com o ministro por cerca de duas horas. Ao fim da audiência, o petista disse aos presentes que havia conseguido a liberação do dinheiro da Planam, em quatro parcelas. No dia 1º de abril, assim que os Vedoin receberam o primeiro pagamento, repassaram a Cirilo, conforme havia sido combinado, 35.000 reais – a primeira parte de uma “comissão” que totalizou 400.000 reais. O dinheiro, afirmou Vedoin, foi depositado na conta de um sobrinho de Cirilo, chamado Raimundo Lacerda. Os comprovantes dos depósitos foram entregues à Justiça. O esquema montado pela quadrilha deu tão certo que Cirilo e Vedoin decidiram ampliá-lo. Segundo o empresário, o dirigente petista disse que havia combinado com o próprio ministro Humberto Costa a liberação de 30 milhões de reais de recursos extra-orçamentários que seriam destinados à aquisição de equipamentos hospitalares para municípios do interior. Para que a Planam lucrasse com o negócio, bastaria ganhar fraudulentamente as licitações, com a ajuda dos prefeitos, e, ao fim do processo, pagar 15% de propina a Cirilo. A empresa de Vedoin chegou a efetuar algumas vendas, mas o processo foi interrompido assim que começaram a ser presos os primeiros envolvidos no esquema dos sanguessugas.

De acordo com os depoimentos de Vedoin, o número de parlamentares suspeitos de participar dos negócios escusos – que, segundo a Polícia Federal, teriam movimentado pelo menos 110 milhões de reais desde 2001 – chega a quase 20% do Congresso. VEJA reproduz nesta edição a lista completa dos deputados e senadores apontados pelo empresário como participantes daquele que é, provavelmente, o mais bem documentado escândalo de corrupção da história do Brasil. Vedoin, em seus depoimentos, não se limitou a indicar, um a um, os deputados e senadores que recebiam propina de sua empresa – em geral, 10% do valor de cada emenda ao Orçamento aprovada e liberada pelo governo federal. O empresário forneceu à Justiça mais de uma centena de cópias de transferências bancárias e depósitos – feitos ora em conta corrente de “laranjas”, ora diretamente na conta de parlamentares e prefeitos. Sessenta prefeitos foram acusados por Vedoin  de participação no esquema dos sanguessugas.

Entre os 112 parlamentares acusados de integrar a máfia, há deputados que ganharam sua propina em dinheiro vivo, outros que usaram parentes e funcionários para ocultar o suborno e até os que receberam carros a título de “comissão”. Um dos nomes que mais chamam atenção na relação apresentada à Justiça por Vedoin é o do ex-deputado paulista pelo PPS Emerson Kapaz – tanto pela robustez das provas apresentadas contra ele quanto pelo espanto que causa a presença, numa lista como essa, de alguém que sempre foi um defensor da ética na política e no mundo empresarial. Hoje presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), Kapaz, empresário do ramo de plásticos, elegeu-se em 1998. O dono da Planam contou que o então deputado apresentou emendas ao Orçamento destinando 1,6 milhão de reais para compra de ambulâncias em dez municípios. Desse montante, o governo liberou cerca de 1 milhão. Segundo Vedoin, Kapaz tratou diretamente com os prefeitos beneficiados para que as licitações para compra de ambulâncias tivessem como vencedora a Planam. Vedoin apresentou à Justiça os números de dois cheques que teriam sido usados para pagar a propina ao então deputado, totalizando 52.000 reais. Segundo Vedoin, Kapaz pediu a ele que o dinheiro fosse repassado por meio de uma operação triangular: num primeiro momento, o dinheiro circulou em contas de empresas do próprio Vedoin, por meio de cheques. Em seguida, foi transferido, segundo Vedoin, a pedido de Kapaz, para cinco outras contas, em nome de firmas e pessoas indicadas pelo ex-deputado, entre elas Laura Mosiasson, na ocasião mulher de Kapaz. “Não tenho idéia de como meu nome possa estar envolvido nessa história”, disse o ex-deputado. “Pelo que me lembro, minhas emendas nem chegaram a ser liberadas”, afirmou a VEJA. Outro nome que causa surpresa é o de Érico Ribeiro (PP-RS). Maior produtor de arroz do Brasil, Ribeiro também foi acusado por Vedoin de cobrar propina em troca de emendas. É curioso que um multimilionário possa ter arriscado sua reputação em troca de alguns milhares de reais.

O esquema dos sanguessugas só pôde alcançar essa dimensão depois de se infiltrar no Ministério da Saúde. Para isso, contou com uma peça-chave: a ex-funcionária da Planam Maria da Penha Lino, que, em agosto de 2005, conseguiu ser nomeada assessora do ex-ministro Saraiva Felipe, então titular da Saúde. Uma vez dentro do gabinete, Maria da Penha tratou de agilizar a aprovação dos projetos da Planam e a execução de emendas que interessavam à empresa. Como uma lobista foi nomeada tão facilmente para assessora do ministro da Saúde? Em seu depoimento, o empresário Luiz Antônio Vedoin explicou. De acordo com ele, o deputado José Divino e o senador Ney Suassuna – citados na primeira lista de suspeitos de envolvimento com a máfia das ambulâncias – chegaram a fazer ofícios ao ministério recomendando a nomeação de Maria da Penha para o cargo. Ainda segundo Vedoin, Saraiva Felipe foi receptivo à idéia. A nomeação de Maria da Penha foi feita dentro da “cota” do ministro.

Vedoin relatou todo o esquema à Justiça, com nomes, quantias e provas materiais, em troca do benefício da delação premiada – que prevê redução de pena para criminosos que colaborarem com as investigações. Ele foi solto há duas semanas, depois de abrir o bico. Seus depoimentos causam assombro ao revelar o grau de capilaridade que a máfia dos sanguessugas alcançou, assim como a extensão do assalto que ela perpetrou contra o Estado e o número de parlamentares acusados de envolvimento nela. As revelações levam à triste constatação de que a corrupção parece ter se instalado no Congresso como um cupinzal subterrâneo. Ele se dissemina em velocidade atordoante, contaminando e corroendo cada centímetro sadio que encontra pela frente. Em vez de extingui-lo, cada nova eleição parece fortalecê-lo. Os cupins apenas se revezam – e surgem com fôlego renovado. Pobre Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

25/08/2011

às 5:51

Humberto Costa está cansado de ser petista; pelo visto, deveria renunciar também à medicina. Será que o doutor vai tentar me censurar?

Humberto Costa, senador pelo PT de Pernambuco, já não agüenta mais ser petista. É, gente, é sério! Segundo entendi, esse negócio de ser do PT acaba lhe rendendo algumas palavras duras, que ele considera insultos. Como um petista pode trocar de pêlo, mas não de vício, o jeito é proibir as pessoas de falar mal de seu partido. É onde todo “progressista” como Costa termina: tentando esmagar a liberdade alheia. E não é uma liberdade qualquer, não! Ele acha que “ofender o PT” é uma coisa tão séria, mas tão séria, que quer acabar com a imunidade parlamentar para proteger, deixe-me ver, patriotas como Delúbio Soares, José Dirceu, José Genoino, Erenice Guerra, aquele cara da cueca… Costa deveria pegar o boné e ir para casa em vez de tentar censurar seus colegas e o debate público. E cobro aqui um posicionamento público da Associação Brasileira de Psiquiatria e da Associação Médica Brasileira. Vocês verão por quê. Leiam o que informa o Estadão Online. Volto em seguida.

Tucano e líder do PT trocam insultos no Senado

Por Rosa Costa:
Um bate-boca entre o senador tucano Mário Couto (PA) e o líder do PT, Humberto Costa (PE), quase transforma o plenário e o cafezinho do Senado num ringue. Faltou pouco para eles se atracarem. O confronto esquentou quando o líder petista afirmou que a CPI da oposição só serve para “dar palanque àqueles que não têm compromisso com o Brasil, mas apenas com o histrionismo para aparecerem na televisão defendendo coisas que nós sabemos que são absolutamente indefensáveis”. Couto tinha acusado a presidente Dilma Rousseff de sugerir a seus aliados que “roubem” porque não demitirá ninguém.

“A Ideli, Brasil! Aquela Ideli, senadora que vocês viam aqui, aquela Ideli diz que o governo vai assegurar a liberação de R$ 1,7 bilhão para os deputados calarem a boca”, disse Couto. E continuou: “É, Brasil grandioso e querido! Olha como caminhas. Ó Pátria querida, olha o que os teus filhos fazem contigo, pátria, te abandonaram; pátria, dizem para ti: te lixa! Ninguém assina a CPI da Corrupção, ó pátria amada!”.

Humberto Costa retrucou, do meio do plenário, que a Mesa Diretora precisa tomar uma posição. “Aqui, nosso partido já foi chamado de partido de bandidos, de vagabundos e a Mesa não faz nada porque dizem: “Não, trata-se de um louco, de um débil mental. E a quantidade de agressões que são feitas aqui? O Regimento precisa ser atualizado, modernizado, para impedir que todos os dias se repitam aqui as agressões a pessoas, a partidos. E muitos não querem comentar porque acham que se trata de discursos folclóricos. Estou apresentando neste momento uma solicitação ao presidente, ao corregedor da Casa.”

A ida do líder petista para o cafezinho transferiu a troca de insultos para lá. Humberto Costa dava entrevista quando Couto chegou e tocando-o no ombro, retrucou: “Débil mental, não”. Ao que Costa respondeu: “Débil mental, sim, você deve aprender a respeitar as pessoas”. “Moleque”, acrescentou. “Você é um safado”, contra atacou Couto. “Safado é você”. Os assessores de Humberto Costa tentaram contê-lo, enquanto Mário Couto deixava o cafezinho gritando: “Corrupto tem de acabar no pau, mesmo. Não pode dar trégua. Você acorda e vê, é corrupto a toda hora, tem de acabar.”

Voltei
Não endosso o estilo deste ou daquele. Couto tem seu jeito de se manifestar. Há quem aprove. Há quem reprove. Mas está amparado pela imunidade parlamentar para dizer o que bem entender. O senhor Humberto Costa, formando em medicina, também estudou jornalismo e faz mestrado em ciência política. Uau! E ainda não sabe o que é liberdade de expressão! Na pendenga entre Rosa Luxemburgo e Lênin, no pós-1917, ele estaria com o careca assassino: “A liberdade é a liberdade dos meus amigos”. O facinoroso não disse essa frase. Estou expressando o espírito de sua tese.

Couto pode até ser “exagerado” na expressão, como querem alguns, mas está amparado na lei. Quem está cometendo uma penca de desatinos é Humberto Costa. Este senhor é formado em medicina, com especialização em psiquiatria. Qualquer psiquiatra que empregue a expressão “débil-mental” para desqualificar um adversário está desrespeitando os valores contidos no Código de Ética Médica. Um psiquiatra deve se encarregar de minorar os sofrimentos dos que têm alguma forma de debilidade mental, jamais usar a doença como pecha.

Os malefícios causados por uma eventual debilidade mental podem, quase sempre, ser minorados com remédio. O que não tem remédio é a debilidade moral.  Costa não agüenta mais críticas? Por que não vai se juntar a Bashar Al Assad, um dos amigos que o PT tem no mundo?

Ah, sim: o médico Costa foi o pior ministro da Saúde da história destepaiz; como especialialista em liberdade de expressão, a gente vê do que ele é capaz.

Texto publicado originalmente às 20h38 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

02/06/2011

às 20:30

“Uns tomam éter, outros cocaína. Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria”. Ou: Que médico receitará pílulas de vergonha ao PT?

O senador Humberto Costa (PT-PE) é médico. Para o bem da medicina e dos pacientes, decidiu ser político. Para má sorte da Saúde, já foi ministro da Pasta. Conduziu uma gestão notavelmente desastrada. Hoje, é líder do PT no Senado.

Costa tentou justificar a bagunça protagonizada por Marta Suplicy no Senado (ver posts abaixo) afirmando que a oposição sofre de “síndrome bipolar” e “precisa tomar antidepressivo para se acalmar”. E mandou ver:
“Na fase maníaca, a oposição está pensando que é tão grande quanto foi no passado, e não é. Do lado depressivo, faz a bagunça que fez ontem e ainda quer culpar a base”.

Ele é psiquiatra, o que torna a sua fala particulrmente estúpida, além de eticamente condenável. A bipolaridade é coisa séria, atinge milhões de pessoas e, sem o tratamento adequado, faz muitas pessoas infelizes. Usar doença como metáfora, quando se é médico, vale menos do que o cocô do cavalo do bandido em filme B. Trata-se de um exemplo escandaloso de falta de ética profissional.

Costa ainda acusou um clima de “histeria coletiva” na oposição. Pelo menos daquela caracterizada por Freud, quem mais parecia próxima do quadro, na sessão, era Marta Suplicy. De resto, mesmo sendo ele o psiquiatra, não eu, informo que antidepressivos não são a melhor prescrição para acalmar as pessoas, se é isso o que ele pretendia sugerir.

Em matéria de tomar coisas, prefiro ouvir a voz de outro Pernambucano, o grande poeta Manuel Bandeira:
“Uns tomam éter, outros cocaína./ Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.”
Talvez a oposição devesse até tomar um antidepressivo, a questão é saber que médico há de prescrever algumas drágeas de vergonha ao PT.

Humberto Costa não vale um post, mas Bandeira vale todos. Reproduzo o poema “Não sei dançar”, do livro “Libertinagem”, de 1925, de onde tirei aqueles versos. Há, houve, um Brasil não-boçal. Cumpre recuperá-lo sempre que tivermos oportunidade.

Não sei dançar

Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria…
Abaixo Amiel!
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.

Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que eu sinto como ninguém o ritmo do jazz-band.

Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.

Mistura muito excelente de chás…
Esta foi açafata…
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
Tão Brasil!

De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil…
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugêlê banzai!

A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Pra crioula imoral.
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros…
Mas ela não sabe…
Tão Brasil!

Ninguém se lembra de política…
Nem dos oito mil quilômetros de costa…
O algodão de Seridó é o melhor do mundo?… Que me
importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.

A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!

Por Reinaldo Azevedo

19/04/2011

às 14:57

Se eu chamar “maconheiro” de “chincheiro”, tudo bem? Ou: Comunidades maconheiras viram tema do PT e… do governo!

Ninguém pode negar que eles não sejam ao menos transparentes em algumas das suas intenções, não é mesmo? Há dias, falando a estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o governador Tarso Genro (PT), ex-ministro da Justiça, sugeriu que a maconha não é assim tão maléfica para a saúde, o que é mentira, e comentou: “Dizem que é muito saboroso”. Agora, vemos o líder do partido na Câmara, Paulo Teixeira (SP), a defender o “cultivo comunitário” da droga e a conceder entrevista para um site de maconheiros.

A propósito: muita gente está reclamando da palavra “maconheiro”. Por quê? Cultivam o “hábito”, mas têm receio da palavra? No Houaiss: “1- traficante de maconha; 2 que ou aquele que é viciado em ou faz uso de maconha; chincheiro.” Eu não preciso dourar o vício de ninguém com os eufemismos com que pretendem esconder até de si mesmos o que praticam. Considerando que o tráfico da droga é ilegal e que 99% dos consumidores obtêm o produto com traficantes, além de “maconheiros”, são também elos de uma cadeia criminosa. “Ah, mas se fosse legal…” Pois é! Não é! Adiante.

Humberto Costa, líder do PT no Senado (PE), que é médico e que já foi ministro da Saúde, — numa gestão ruinosa, é verdade —, disse ontem que a opinião de Teixeira (PT-SP), aquele que quer criar as comunidades para o plantio da maconha, é “individual”. Sempre é… Mas pensa alto:
“Sou favorável à idéia de debater. A legalização seria uma maneira de combater o tráfico, mas isso não tem unanimidade. São argumentos muito fortes, mas não tenho opinião. Em tese, a legalização pode ajudar a combater o tráfico, mas os desdobramentos precisam ser estudados (…). Nunca discutimos o plantio, mas o PT defende que o problema não é o usuário, é o traficante. A opinião do Paulo Teixeira é individual e pode ser a melhor opinião, mas isso não foi discutido no PT. O debate sobre a legalização das drogas leves faz parte da discussão.”

Ah, entendi! O PT pretende resolver o problema do narcotráfico aumentando a oferta do produto. Saquei a genialidade da tese. Essa gente está tão à frente do seu tempo que o alcance de suas propostas, muitas vezes, nos escapa. Se isso é verdade para a maconha, deve ser também para a coca, o crack e a mais nova modalidade de homicídio/suicídio: o oxi — um outro derivado da cocaína,  bem mais viciante, degradante e letal (ver post da madrugada de domingo).

Já Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, pensa um pouquinho diferente:
“Tenho uma posição muito diferente, mas vamos discutir isso no PT. O deputado tem fundamentos para a discussão e, como líder, tem sido muito correto nos debates com o governo”.

Entendi! Então, agora, as “comunidades verdes” passaram a ser um tema de debate no partido e no governo!

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2011

às 19:04

Sobre o confronto FHC X Lula

Depois de receber uma grana preta da Telefonica para dar uma palestra em Londres — sinal de que sabe ganhar dinheiro nas chamadas relações Norte-Norte —, Lula resolveu pegar carona na polêmica criada por vigaristas a partir do texto em que FHC faz uma critica muito consistente ao comportamento da oposição. Já escrevi bastante sobre o assunto. Em resposta, o tucano afirmou que talvez o petista estivesse querendo numa nova disputa entre os dois, lembrando que venceu as duas havidas — e no primeiro turno, o que é verdade.

Lideranças petistas, que hoje não sabem se falam em defesa do governo Dilma ou da herança maldita deixada pelo Apedeuta, resolveram tomar as dores de seu líder. Leiam o que informa a Folha Online. Volto em seguida.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), disse hoje que não teria graça uma nova eleição entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A afirmação do petista é uma espécie de resposta a FHC, que desafiou Lula a disputar uma eleição contra ele. “Acho que não teria graça fazer essa eleição porque FHC é passado, e Lula ainda é uma coisa extremamente presente. Embora acredite que os planos dele [Lula] não passem por mais uma eleição”, afirmou Costa ao chegar a uma reunião com dirigentes e parlamentares petistas no Instituto da Cidadania, em São Paulo, para discutir temas da reforma política. Lula participará da reunião.

Costa também criticou o artigo de FHC sobre o papel da oposição. No artigo, FHC disse que a oposição precisa conquistar a classe média. “Acho que ele fez uma declaração infeliz e agora está tentando se remendar”, disse Costa sobre as críticas do tucano a Lula. Já o senador Jorge Viana (PT-AC) ironizou as declarações de FHC sobre Lula. “Eu penso que o ex-presidente fez uma declaração que de alguma maneira reflete a verdade. O PSDB e outros partidos fizeram a opção, desde o início, de lidar com a elite do Brasil. O PT e o presidente Lula sempre fizeram a opção de estar junto com o povo e de construir um outro Brasil.”

Comento
Humberto Costa consegue ser mais feliz, imaginem só!, ao defender um debate sobre a maconha enquanto parte da agricultura familiar (já falo a respeito) do que ao tratar do confronto entre FHC e Lula. Então o tucano é passado? Espero para breve um tratado deste grande senador evidenciando que as condições estruturais da estabilidade econômica — há o risco de PT detoná-la, é verdade — foram dadas por seu Apedeuta, não pelo tucano.

Quanto a Jorge Viana… Esse rapaz, há dias, cobriu o ex-presidente de elogios ao apartear o  senador Aécio Neves (PSDB-MG), que tentou marcar a sua estréia como “líder” da oposição. Colocou-se entre os que reconheciam a obra do antecessor de Lula, apresentando-se como o homem moderado, do diálogo, que não endossa a falsa clivagem entre “elite” e “povo”.

A propósito: quando o engenheiro florestal Jorge Viana foi para a cúpula da empresa privada Avibras — que fabrica de foguetes a veículos militares blindados e tem o governo como um de seus clientes —, ele assumiu aquele cargo representando o “povo” ou a “elite”? Tome tenência, senador!

Por Reinaldo Azevedo

18/01/2011

às 17:02

A briga do PT com o PMDB pelo controle da Funasa: sem-vergonhice na fundação começou em 2003 com o PT. Espalhem a verdade

Vivemos a era da mentira influente, não é? Certo jornalismo parece fazer questão de não ter memória, embora a Internet esteja aí. Nem faz tanto tempo assim, em 1992, este escriba subia até o arquivo da Folha, munido de uma requisição, para pegar pastas empoeiradas sobre este ou aquele assunto. Hoje, basta saber pesquisar — e, insisto, ter memória ou não estar abduzido pelo “partido”.

Na sua guerra com o PMDB para controlar a saúde, o PT denuncia — lavando a fonte da denúncia, como sempre — um desvio de R$ 500 milhões da Funasa (Fundação Nacional da Saúde) nos últimos quatro anos. Querem saber? Provavelmente, é verdade. A questão é saber de quem é a culpa. A resposta é simples: é do PT!!!

Em maio de 2000, um decreto do então presidente, Fernando Henrique Cardoso, estabeleceu que TODOS OS COORDENADORES REGIONAIS DA FUNDAÇÃO TINHAM DE SER FUNCIONÁRIOS DE CARREIRA, COM PELO MENOS CINCO ANOS DE EXPERIÊNCIA EM CARGOS DE DIREÇÃO. Se a exigência não zerava o risco de aparelhamento do órgão e de práticas não-republicanas, era certo que a dificultava tremendamente. O ministro da Saúde era José Serra.

Lula presidente, Humberto Costa, futuro líder do PT no Senado, assumiu o Ministério da Saúde. Não havia companheiros em número suficiente que cumprisse aquela exigência. O que fez, então, o digníssimo? Propôs um novo decreto, assinado com gosto pelo Babalorixá, acrescentando uma palavrinha ao texto que abriu as portas da Funasa à sem-vergonhice: as coordenadorias regionais seriam preenchidas “preferencialmente” pelos funcionários de carreira — mas não mais exclusivamente. Sabem o que aconteceu? Em 2003, das 27 coordenadorias, 14 estavam nas mãos de petistas, e outras 13 tinham sido loteadas entre partidos da base aliada. E a Funasa, que funcionava, virou a bagunça que é hoje. Trata-se do órgão mais aparelhado da República.

Costa cravou, então, uma fase que definia bem quem ele é e quem são eles: “Só trabalho com gente do meu lado”. O “lado”, no caso, quer dizer “companheiro”. Ninguém governa, claro!, com adversários. A questão é saber quais cargos comportam uma seleção prioritariamente política e quais devem ter na exigência técnica o seu critério de corte. Quem começou destruir a Funasa foi o PT, o que não isenta o PMDB de nada. Só estou tentando evidenciar que a carga dos petistas contra os peemedebistas não é zelo, senão inveja. Querem tirar os aliados do caminho para que possam cuidar sozinhos do butim. Eis a verdade. Por que ela está sendo escondida dos leitores? É uma boa questão.

Por Reinaldo Azevedo

 

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