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Guido Mantega

08/05/2013

às 22:38

É ruim, hein!? Em reunião com Mantega, empresários já falam em crescimento de PIB de 2%, de 1,5%…

Por Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, no Estadão Online:
As revisões para baixo das projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, que ganharam força no mercado financeiro, contaminaram também o setor empresarial. Em reunião nesta quarta-feira com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dirigentes dos 30 maiores setores da economia previram que a alta do PIB este ano dificilmente passará de 1,5% a 2%, expansão bem abaixo dos 3,5% previstos pela equipe econômica.

Apesar dos sinais de retomada dos investimentos, os empresários aumentaram as críticas ao custo elevado da produção e pediram mais medidas para destravar a economia. Mesmo os dirigentes dos setores que foram beneficiados com redução de tributos, como as indústrias automobilística, têxtil e da construção civil, se disseram insatisfeitos com a ação do governo para enfrentar os entraves para a redução dos custos no Brasil.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, afirmou que o governo precisa reagir e que a expectativa de um PIB menor mostra que as medidas já adotadas não foram suficientes. “Um crescimento de 1,5% a 2% não é o pibinho do ano passado, mas é um PIB pequeno”, disse Safady.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

12/04/2013

às 15:30

Acuado pela inflação e pela pressão do mercado, Mantega acena com a elevação dos juros

Na VEJA.com:
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira, em São Paulo, que o controle da inflação é tão importante quanto a solidez fiscal e disse que o governo não titubeará em adotar medidas impopulares, como a alta da Selic, a taxa básica de juros. “Vamos tomar medidas, mesmo que não populares, como o ajuste na taxa de juros”, disse Mantega, durante evento na capital. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado na última quarta-feira mostrou alta de 0,47% e ultrapassou a meta de inflação no acumulado de 12 meses, chegando a 6,59%.

Em seu discurso, o ministro claramente jogou para escanteio a independência do Banco Central ao aventar a possibilidade de alta dos juros – dando a entender que se trata de uma decisão de governo, e não da autoridade monetária que, em teoria, deveria agir sem interferência de qualquer política econômica.

Questionado sobre a influência do cenário político e eleitoral nas medidas econômicas que vêm sendo tomadas, o ministro negou que o governo esteja postergando medidas impopulares até o final de 2014. “Se vocês olharem ao longo do tempo, nós elevamos juros em véspera de eleição. Por exemplo, em 2010 nós elevamos taxa de juros. Portanto, não nos pautamos por calendário político”, comentou Mantega durante palestra.

O ministro voltou a repetir o mantra de que a “inflação é passageira” e atribuiu ao real valorizado parte da culpa pela alta do IPCA. Sobre os juros, Mantega disse ainda que a Selic em alta levou o setor produtivo a fazer operações financeiras e que “quando se reduz juros, o setor produtivo investe”. “Está havendo uma transição de juros altos para aumento de produção”, disse.

Desonerações
O ministro voltou a citar o programa de desonerações implantado no país pelo governo como medida que deverá aliviar a alta dos preços. Segundo ele, as desonerações chegam a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e serão da ordem de 70 bilhões de reais em 2013. “Para 2014 está programada uma desoneração de 88 bilhões de reais, quase 2% do PIB”, disse o ministro, citando que 42 setores já estão sendo beneficiados pela desoneração da folha de pagamento e outros engrossarão o grupo.

Crescimento
Apesar do número desanimador divulgado nesta manhã pelo Banco Central, que mostra que a economia encolheu 0,52% em fevereiro, o ministro se mostrou – como sempre – otimista em relação ao crescimento da economia brasileira. Segundo ele, a previsão é que o crescimento do PIB seja de 3,5% neste ano e de 4,1% no ano que vem, “melhor do que em 2012, que foi ruim”.

O ministro avaliou que a passagem entre 2012 e 2013 foi marcada por um gradual crescimento, cenário que vai perdurar. “O investimento voltou a crescer; entre janeiro e fevereiro houve bom desempenho. A absorção de bens de capital cresceu 8,5% no trimestre, o que mostra que o investimento vai continuar a crescer em 2013.”

Mantega reafirmou que, depois que a crise acabar, os países serão mais competitivos e citou os investimentos do Brasil necessários para ampliar a competitividade. “No Brasil temos desvantagem, que é atraso na infraestrutura”, disse o ministro, dando como exemplo os investimentos feitos na China. “A diferença entre Brasil e a China é que a China faz investimentos e não tem demanda. E eu não quero criticar o programa da China, que é certo”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

01/03/2013

às 16:50

Mantega é uma piada!

A imprensa brasileira, com as exceções costumeiras, está virando o território da falta de memória. Há muitos fatores que concorrem pra isso. Um deles, sem dúvida, é a velocidade com que as informações — e desinformações — são produzidas e postas para circular. Fica difícil reter alguma coisa se as pessoas a tanto não se dispõem. Some-se a isso o fato de que o PT é mais do que um partido tentando implementar um programa de governo. O que era inicialmente um ajuntamento ideológico foi transformado em torcida. Por que eu sou corintiano? Sei lá! Porque meu pai era? Pode ser. Mas eu não tenho uma razão racional pra isso. E tendo a achar, claro!, que meu time é injustiçado pela conspiração dos não-corintianos, que o juiz não gosta muito da gente etc. Assim é o petismo, também o das redações sem memória: está sempre tentando a se defender dos “adversários”, e isso implica lidar mal com a verdade. O tema e amplo e fica para outros textos. Por que trago a questão agora? Porque esse PIB ridículo de 2012, de 0,9% tem história, tem um marco importante, que precisa ser lembrado.

Em junho do ano passado, o Credit Suisse — que já vinha desafiando a, como direi?,  ciência de Guido Mantega, prevendo um PIB de apenas 2% — baixou a sua projeção para 1,5%. O ministro ficou furioso. É que a Mãe Dinah havia inaugurado aquele ano prevendo uma expansão da economia de 4,5%, depois dos magros 2,7% de 2011. Ali pelo início do segundo trimestre, ele decidiu baixar 0,5 ponto e se contentou com 4%.  No fim de junho, já não era tão preciso a respeito, mas uma coisa o homem assegurava: seria superior a 2011 — logo, rondando a casa dos 3%.

Como o PT tem o “dom de iludir”, para lembrar a bela música em que Caetano Velosa responde à belíssima “Pra que mentir?”, de Noel Rosa e Vadico, a reação irada de Mantega ganhou mais visibilidade até do que a projeção do Credit Suisse. Cumpre lembrar as palavras do ministro, então, quando confrontado com aquela projeção:
“É uma piada. Vai ser muito mais que isso!”
Como vocês viram, foi quase a METADE DISSO.

Mantega estava num hotel, na Barra, no Rio, onde se encontrava a delegação brasileira que participava da “Rio + 20”. Fazia-se acompanhar de Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Este senhor, nessa pasta, ainda renderá a Dilma Rousseff um Prêmio Jabuti na categoria “Ficção”. Ele foi um pouco mais ameno do Mantega. Deitou sobre a projeção do Credit Suisse um olhar caridoso, de latino-americano safo e superior, que encara com piedade e bonomia tupiniquins a ignorância dos bárbaros:
“Acho que a visão que os europeus têm é necessariamente negativa por ser influenciada pelo clima por lá. A situação do mercado financeiro na Europa é muito ruim. Não acompanho esse pessimismo do Credit Suisse. Acho que nós vamos crescer mais que isso”.

Ministros de estado não têm, claro!, de ficar fazendo previsões pessimistas. Mas também podem evitar o ridículo. Das duas, uma: ou Mantega e Pimentel ignoravam de forma absoluta a realidade brasileira — e isso é preocupante porque enseja decisões erradas — ou atuaram de forma consciente para enganar as pessoas.  O que é pior? A incompetência ou a mentira deliberada?

Mantega é uma piada!

Por Reinaldo Azevedo

01/03/2013

às 15:47

E o pibinho de 2012 não chega nem a 1%: fica em 0,9%

Na VEJA.com. Comento no próximo post.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente Dilma Rousseff encontraram-se na noite de quinta-feira para debater o fraco desempenho da economia brasileira no ano passado. Apesar de os dados oficias terem sido liberados apenas na manhã desta sexta-feira, Mantega afirmou que o resultado já não era novidade para ninguém – inclusive para a presidente, que cobrou da equipe econômica do governo um desempenho melhor a partir deste ano. O ‘pibinho’ de 0,9% confirmado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, segundo o ministro, é culpa do cenário externo. “O desempenho da economia, em momentos de crise, é fraco”, reforçou. “A crise toda foi produzida lá fora e a resposta do Brasil foi boa.”

O ministro tentou ficar imune às críticas pelo pífio desempenho da economia nos dois primeiro anos do atual governo. O biênio inicial de Dilma Rousseff só é melhor que o mesmo período de Fernando Collor de Mello, quando a economia brasileira estava em recessão. Para se defender, Mantega afirma que não é correto fazer comparação com o passado, principalmente porque desde 2003 os governos Lula e Dilma elevaram o patamar de crescimento médio da economia brasileira. “Criamos condições para que o crescimento volte ao patamar de 4%”, reforçou.

Bons ventos
Mantega demonstrou otimismo – em alguns momentos exagerado – com a situação atual da economia brasileira. Para ele, os dados preliminares do primeiro trimestre mostram um nível de atividade em recuperação, repetindo o desempenho do quarto trimestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,62% do terceiro para o quarto trimestre de 2012. O ministro espremeu os dados e reforçou que as vendas no varejo continuam em alta. O consumo foi o modelo de crescimento escolhido pelo governo para empurrar a expansão da economia brasileira nos últimos anos, mas a estratégia parece mostrar sinais de esgotamento. No segundo semestre do ano passado, houve uma perda constante no indicador, que aproximou-se de expansão de 0,5% em dezembro. Mesmo assim, fechou em 8,4% no ano, segundo o IBGE. Mas, como no início do ano passado, quando previu um crescimento robusto, o tal “pibão” que a presidente Dilma tanto cobra, Mantega repetiu o discurso agora. “O crescimento para este ano ficará entre 3 e 4%”, afirmou.

Para o consumidor, porém, a situação é oposta. O Índice de Confiança do Consumidor, da FGV, caiu pelo quinto mês consecutivo em fevereiro. Analistas do mercado financeiro e economistas também estão reticentes. A expectativa é de que o Copom promova uma alta na taxa Selic na reunião de abril. O juro básico da economia brasileira está em 7,25% ao ano. Além disso, a inflação é uma incógnita. Pressionada pelos preços, acumula 6,15% em 12 meses e tem dado sinais de resistência à queda. Alguns analistas aceditam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medidor oficial de inflação, fechará 2013 em 6,2%. Na última pesquisa Focus, a projeção do IPCA para este ano caiu para 5,7%.

Investimentos
A grande aposta de Mantega é na recuperação das taxas de investimento, que apresentaram forte queda no ano passado. Um primeiro sinal de recuperação, segundo ele, é o desempenho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no primeiro bimestre. Nesta semana, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, disse em Nova York que os desembolsos superaram a expectativa nos dois primeiros meses do ano. “Estamos criando mecanismos para os bancos privados participarem junto com os bancos públicos do aumento do crédito para investimentos no país”, garantiu Mantega.

Para conseguir elevar novamente a Formação Bruta de Capital Fixo, que no ano passado recuou 4% com a queda na produção interna de máquinas e equipamentos, Mantega formou uma blitze para atrair investimentos privados para o setor de infraestrutura. Nos últimos dias, o ministro e uma comitiva oficial participaram de viagens para a Europa e os Estados Unidos para atrair o capital estrangeiro para a concessão de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. “Estamos oferecendo uma demanda garantida para o investimento no Brasil, com uma série de regras favoráveis”, afirmou Mantega. “As taxas são elevadas e vamos atrair primeiro os investidores brasileiros e depois os internacionais.” No entanto, o site de VEJA apurou que o governo modificou a comunicação das taxas de retorno para os investimentos em infraestrutura sem alterar o retorno.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2013

às 22:05

Guido Mantega, o “fortão” do Bairro Peixoto da “Infraestrutura & Negócios”, continua a fazer lambança

Agora entendi por que começou essa história de Guido Mantega como suposto candidato ao governo de São Paulo… Dilma Rousseff deve estar torcendo para que o improvável aconteça para ver se consegue se livrar do provável: mais uma trapalhada de Mantega, o “fortão” do Bairro Peixoto do caderno “Infraestrutura & Negócios”, do Valor, aquele jornal que abriga textos que chacinam jornalistas não alinhados com a metafísica influente dos negócios, com ou sem infraestrutura. Leiam o que informa a VEJA.com:

Em apenas dois dias, o governo brasileiro conseguiu minar de maneira preocupante a credibilidade da economia aos olhos mercado num momento em que o Brasil tenta atrair investidores de longo prazo para os projetos de infraestrutura. Há duas razões primordiais para a piora da percepção externa em relação ao Brasil. Primeiro, a inflação de janeiro recém divulgada. E, em seguida, pela política de câmbio falsamente flutuante que está em curso. Não bastassem esses dois fatores, ainda há o desalinho de mensagens emitidas pelo Banco Central e o Ministério da Fazenda para justificar a deterioração dos pilares econômicos que sustentam a economia. O mercado não sabe o que esperar do Brasil. Segundo o jornal britânico Financial Times, o país se tornou “um enigma”. Já o Wall Street Journal publicou um artigo nesta sexta-feira afirmando ser impossível encontrar um meio termo entre as informações desencontradas enviadas pelas autoridades brasileiras.

A inflação (de 0,86% em janeiro) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira mostrou-se acima das estimativas, elevando a preocupação do mercado em relação à capacidade de o governo conseguir domar a alta dos preços. No acumulado de 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 6,15%, o que mostra que o governo deixou de mirar o centro da meta de inflação, que é de 4,5%, e tem admitido porcentuais maiores na expectativa de impulsionar o crescimento econômico. “Há uma clara tolerância em relação à inflação no Brasil. Já começa pelo nível alto que está no centro da meta (de 4,5%), enquanto em países como o Chile, Colômbia e México, é de 3%, e no Peru, 2%”, afirmou o economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, em comunicado enviado na última semana.

Na mesma quinta-feira, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, demonstrou inquietação com a alta persistente do indicador, mas avisou que não prevê utilizar a taxa de juros como forma de equalizar esse mal. “A inflação nos preocupa a curto prazo, está mostrando uma resiliência forte, mas não é o caso de descontrole inflacionário. A nossa expectativa é que ela continue pressionada no primeiro semestre”, disse Tombini em entrevista à jornalista Miriam Leitão.

Com a queda da Selic descartada no curto prazo, uma forma lógica de viabilizar a desaceleração do IPCA seria a desvalorização do dólar – ideia que ganhou força em meados de janeiro quando o BC começou um movimento intensivo de venda de contratos de câmbio no mercado futuro, fazendo com que a moeda americana saísse do patamar de 2,10 e recuasse para menos de 2 reais em duas semanas. Na manhã desta sexta-feira, após a fala de Tombini sobre a Selic e a inflação, o dólar chegou a bater 1,95 real (menor cotação em mais de nove meses), incomodando o ministro da Fazenda, Guido Mantega – indivíduo que, em teoria, não tem como função atuar na política cambial, e sim na fiscal.

Mantega, em seguida, veio a publico dizer que não deixará o dólar cair para algo próximo de 1,85 real – ignorando que a flutuação cambial é a política oficial adotada pelo governo desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso. O ministro ameaçou ainda retomar todas as medidas de protecionismo alicerçadas no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que fizeram o capital estrangeiro fugir do Brasil no último ano e que estavam sendo desfeitas pelo próprio governo devido, justamente, ao baixo nível de investimento verificado na economia brasileira em 2012. “O ideal é que não houvesse intervenção, mas isso é sonho. Agora, se houver de novo uma tendência especulativa, se o pessoal se animar: ‘vamos puxar esse câmbio para 1,85′, aí estaremos de novo intervindo”, disse o ministro. “Posso comprar mais reservas e posso reconstituir os IOFs (que foram reduzidos)”.

Segundo o analista da Economist Intelligence Unit (EIU), Robert Wood, tal movimentação desconexa amedronta ainda mais o investidor estrangeiro – exatamente quando o governo quer estimular o oposto. “As empresas que estavam esperando um período de estabilidade na taxa de câmbio em torno de 2 reais, agora se deparam com incertezas. E os últimos dados de inflação também devem atrasar ainda mais as decisões de investimento no Brasil”, afirma.

Por Reinaldo Azevedo

31/01/2013

às 22:59

Dilma vai, pouco a pouco, aderindo à contabilidade criativa que faz a fama de sua colega argentina, Cristina Kirchner…

Ninguém mais conhece direito os números das contas públicas no Brasil. A nossa sorte é que a institucionalidade avançou o bastante no país. O governo pode manipular os dados, mas a gente fica sabendo. Fosse na Argentina, a nossa governanta, pelo visto, faria o que faz a deles: maquiaria até os números de inflação.

A gestão de Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda é, cada vez, mais uma realidade de papel. A cada novo procedimento, a realidade diz uma coisa, e o papelório de Guido, outra. Leiam o que informa Lu Aiko Otta, no Estadão. É mesmo uma sorte a Soberana não governar os EUA, não é?, e Guido não ser o chefão da economia naquele país atrasado, coalhado de republicanos. Por aqui, como lembram o vice-presidente da República, Michel Temer,  e Renan Calheiros (AL), provável novo presidente do Senado, o PMDB “garante a estabilidade”… Maquiagem de contas naquele país atrasado daria demissão; no Brasil, rende fama de esperteza e habilidade. Leiam:
*
O governo adicionou mais um item ao seu kit de maquiagem do resultado das contas públicas de 2012. Além de sacar recursos do Fundo Soberano, receber antecipadamente dividendos das estatais e inflar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Tesouro Nacional empurrou cerca de R$ 5 bilhões em despesas de dezembro para janeiro. Dessa forma, reduziu os gastos e engordou o saldo do ano.

Técnicos da Fazenda admitem que houve um “remanejamento” de despesas, mas não informaram o valor. O cálculo de R$ 5 bilhões foi feito pelo economista-chefe da corretora Convenção Tullet Prebon, Fernando Montero. O economista chegou a essa conclusão analisando o comportamento dos gastos ao longo de 2012. Ele verificou que, em comparação ao ano anterior, as despesas vinham crescendo a um ritmo de 6,9% até novembro, mas deram uma freada em dezembro, fechando o ano com uma alta de 5,4%. Isso é justo o contrário do que ocorre tradicionalmente. Normalmente os gastos, principalmente os de investimento, dão um pulo em dezembro.

Outras despesas
Analisando mais a fundo os principais componentes do gasto, ele verificou que as despesas com pessoal subiram 3,8%, os gastos com a previdência subiram 12,5%, puxados pelo aumento do salário mínimo. A contração das despesas ocorreu em dezembro e ficou concentrada nas chamadas “outras despesas de custeio e capital”.

Elas incluem investimentos e compra de material de escritório, por exemplo, que não seguem um calendário rígido como o dos salários e aposentadorias. Por isso, são os alvos preferenciais dos economistas do governo quando é necessário fazer cortes e outros ajustes nas contas públicas.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

07/01/2013

às 18:32

PSDB quer que Mantega e Miriam Belchior expliquem maquiagem nas contas

Se o governo fosse uma empresa privada, estaria sem crédito no mercado. Motivo: maquiagem no balanço. Não é a primeira vez que os petistas tentam esconder a realidade manipulando a contabilidade. Desta feita, no entanto, Guido Mantega, ministro da Fazenda, foi menos sutil.

O PSDB decidiu cumprir seu papel e cobrar explicações. É o mínimo que se espera de um partido eleito para vigiar o poder. Sim, meus caros, nas democracias, é esse o papel das oposições. Como, por vontade da maioria, não podem ser governo, tornam-se fiscais de quem governa por decisão de todos os eleitores — inclusive e muito especialmente daqueles que se alinharam com os vitoriosos. Leiam trecho de reportagem publicada na Folha Online, que reproduz texto do Valor:
*
O PSDB na Câmara vai protocolar um requerimento de convocação dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, para que eles expliquem o uso de “manobras contábeis” para o cumprimento da meta fiscal em 2012 na Comissão Representativa do Congresso.

Segundo a assessoria da sigla, o documento deve ser apresentado na terça ou na quarta-feira. Os tucanos querem que os ministros prestem informações sobre as medidas adotadas para aumentar receitas e cumprir a meta de superavit, como a antecipação de dividendos para a União por parte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e da Caixa Econômica Federal e a compra de títulos pelo BNDES.

O partido aponta que as despesas que não foram pagas no exercício anterior e que são transferidas para o ano seguinte, os chamados restos a pagar, são estimadas em R$ 200 bilhões neste ano. Segundo o PSDB, esse valor é dez vezes maior do que em relação a 2002.

O líder da sigla na Câmara, deputado Bruno Araújo (PE), afirmou que o assunto é urgente já que se configura como uma “alteração na política econômica com graves riscos para o país”. “Essas manobras podem ter reflexos altamente nocivos para o país e, além disso, revelam que as contas públicas estão se deteriorando. O governo precisa ser mais transparente e dar explicações ao Congresso sobre o que está ocorrendo”, disse em nota divulgada nesta segunda-feira.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/11/2012

às 18:27

Deu no Financial Times: “Guido Mantega errou feio”. Pois é… Eu já sabia!

Pois é… Não sou só eu que anda incomodado com o lado “Mãe Dinah” de Guido Mantega. Leiam o que informa a VEJA.com:

Em reportagem publicada na tarde desta quarta-feira, o jornal britânico Financial Times afirmou que o desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre – com alta de apenas 0,6%, abaixo da expectativa do mercado e do próprio Banco Central – foi, no mínimo, frustrante. O diário destacou que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) nacional ficou aquém do crescimento de todos os países emergentes e que o ministro Guido Mantega “errou feio”.

Duas foram as principais falhas do economista: em primeiro lugar, o fato de ter espalhado aos “quatro ventos” que a atividade estava em franca recuperação e, em segundo lugar, por ter afirmado a jornalistas, poucos dias antes do anúncio do IBGE, que o crescimento do PIB anualizado entre julho e setembro seria de cerca de 4%. “Os números apresentados hoje fazem com que as afirmações do ministro Mantega tenham um caráter desconcertante”, afirma o FT.

O diário reconhece que há uma leve retomada em curso no país. “Em números anualizados, a economia está crescendo 2,4%”, afirma. Contudo, a economia não está se recuperando num ritmo acelerado. “Talvez, Mantega tenha prestado excessiva atenção à projeção de PIB divulgada pelo boletim Focus, do Banco Central, em 14 de novembro, que previa um crescimento de 1,15% no terceiro trimestre – e uma taxa de crescimento anualizada de 4,6%”, diz o jornal.

Protecionismo
FT ainda apontou que o Brasil pode estar combatendo o inimigo errado ao criar inúmeras medidas protecionistas, como o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados e a fixação do Palácio do Planalto por enfraquecer o real. “Muito da retórica do governo tem foco na taxa de câmbio, com Mantega acusando os Estados Unidos de inflarem o valor do real contra o dólar por meio de uma política monetária expansionista. Mas economistas argumentam que muito mais precisa ser feito”, afirma o FT. “Esse desempenho fraco abre espaço para a presidente Dilma introduzir medidas de urgência nas tão necessárias reformas que empurrarão o investimento em infraestrutura no país”, acrescenta.

México
O jornal comparou novamente o desempenho do Brasil com o do México. “O México, por exemplo, tem uma economia muito mais aberta ao comércio internacional e está crescendo muito mais rápido que o Brasil.” “É preciso ver o que o México fez em termos de contenção de custos”, disse ao FT o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs. “Ao não conter gastos, o Brasil é precificado fora da economia global. O país não tem problema cambial, e sim um problema de competitividade”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

30/11/2012

às 16:10

Xiii… Comecei a me preocupar com o PIB de 2013! Mantega prevê 4%; sua margem de erro anda em 3 pontos para menos!

Xiii… Comecei a ficar preocupado com o crescimento de 2013. Nesta sexta, o ministro Guido Mantega manteve a sua previsão: 4% para o ano que vem. E o fez num dia em que foi obrigado a declarar a sua decepção com o PIB do terceiro trimestre, apesar de toda a intervenção do governo para vitaminá-lo. Em 6 de março deste ano, eis o título e o lead de uma reportagem da Agência Brasil (em vermelho):
PIB brasileiro crescerá entre 4% e 4,5% em 2012, estima Mantega
Apesar de o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no País, ter sido menor do que o esperado pelo governo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve o tom otimista e prevê, para 2012, um crescimento médio próximo a 4,5%.

Notem bem: no fim do primeiro trimestre deste ano, Guido Mantega fez uma previsão que viria a se mostrar errada em quase três pontos… Dois mil e doze ainda está em curso, e ele já crava os 4% de 2013! Não acho que seja papel de um ministro da Fazenda ficar fazendo previsão pessimista. Mas também cumpre não se deixar desmoralizar permanentemente pela realidade. Leia texto publicado hoje na VEJA.com. Volto para encerrar.

Mantega se diz surpreso com mau desempenho do PIB

Mesmo dizendo-se “surpreso” com o mau desempenho da economia no trimestre passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira que a economia está em trajetória de recuperação e deve fechar 4% ano que vem, uma vez que as medidas de estímulo adotadas pelo governo ainda não surtiram pleno efeito.

“Ninguém acertou (o resultado do PIB no trimestre passado). Acho que todo mundo se descuidou do setor de serviços. Mas posso afirmar que economia está em trajetória de aquecimento, embora não tanto como gostaríamos”, afirmou Mantega a jornalistas.

A economia brasileira cresceu apenas 0,6% no terceiro trimestre deste ano quando comparada com o segundo trimestre, metade do esperado pelo mercado, com a pior retração dos investimentos em mais de três anos e estagnação no setor de serviços. Para piorar, o crescimento do PIB no segundo trimestre ante o primeiro trimestre foi revisado para baixo, a 0,2%, ante os 0,4% divulgados anteriormente.

Estímulos
Mantega disse ainda que o governo deverá continuar com a adoção de medidas para estimular a economia. “Vamos continuar com a desoneração da folha de pagamento em 2013″, destacou. As novas ações oficiais devem ser anunciadas na próxima semana. Entre elas, estaria a redução de juros para financiamentos, mas o ministro não deu mais detalhes sobre as medidas.

Há especialistas que cogitam que o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) poderá ter mudanças em breve. Nesse programa, o BNDES concede financiamentos para a compra de máquinas e equipamentos com taxas nominais de 2,5% ao ano, o que significa uma taxa real negativa.

Serviços
Ao comentar o comportamento do PIB no terceiro trimestre, o ministro destacou a menor oferta de crédito feita pelos bancos privados e os efeitos sobre o segmento de serviços. De acordo com ele, o governo reduziu a taxa de juros e forçou a redução do spread bancário, mas os bancos ofertaram menos crédito. “O crédito não compensou a queda de juros com mais empréstimos e afetou os serviços”, disse.

De acordo com Mantega, a redução de juros e a do spread bancário são duas coisas positivas, mas que no curto prazo podem parecer negativas. No entanto, o ministro mantém a expectativa de que o crédito será retomado a partir do último trimestre deste ano.

Encerro
Mantega, por alguma razão, ainda decide mangar dos outros: “Ninguém acertou o PIB do trimestre passado…” Epa! Se há alguém que não pode falar de erro sem fazer um mea-culpa, esse alguém é o próprio Mantega, não? Quando, em meados do ano, surgiu a primeira projeção de um crescimento abaixo de 2%, ele estrilou e tentou desmoralizar os dados. Há nove meses, fazia previsões que, como escreveu o jornalista Sandro Vaia, operavam com margem de erro de três pontos para menos… 

Pois é…

Por Reinaldo Azevedo

24/08/2012

às 20:30

Fazenda perdida: pasta não tem projeção para o PIB de 2012

Na VEJA Online, com Agência Estado:
Minutos depois de informar, por meio da 16ª edição do boletim ”Economia Brasileira em Perspectiva”, a redução da projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano, o Ministério da Fazenda voltou atrás. Em e-mail enviado por sua assessoria de comunicação, a pasta afirmou que as informações da página 35 (referentes a investimentos e Produto Interno Bruto) ainda estão em revisão e que devem ser desconsideradas.

A Fazenda havia comunicado nesta tarde de sexta-feira que o PIB do país encerraria este ano com alta de apenas 3%, contra 4,5% da projeção anterior. Com o novo número, a projeção do ministério empatava com a da pasta do Planejamento, cuja expansão da atividade esperada é também de 3%, conforme o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do terceiro bimestre.

Após recuar e ser questionada pela reportagem se a projeção anterior (4,5%) ainda estava valendo, a assessoria da Fazenda reiterou a sinalização que já foi dada pelo governo federal, via Ministério do Planejamento, de que a economia não deve crescer mais de 4% neste ano. Afirmou ainda que o novo número do MF será comunicado em outro momento. Em resumo, a projeção anterior está em revisão e a estimativa atual não está fechada.

A previsão ‘errada’ do MF era mais otimista que a do Banco Central e do mercado. O BC trabalha com uma expansão de somente 2,5% neste ano – a autoridade monetária revisou seu número, anteriormente de 3,5%, no Relatório Trimestral de Inflação de junho. Dados do boletim Focus desta segunda-feira – levantamento realizado junto a consultorias, corretoras e bancos brasileiros – apontam que os economistas têm uma expectativa de PIB ainda pior, com alta de 1,75% no ano.

A Fazenda projetou ainda que o PIB de 2013 crescerá 5,5% – exatamente o porcentual que constava na edição anterior do boletim.

Inflação
O boletim revisou também a previsão de inflação medida pelo IPCA de 2012 para 4,7%, ante os 4,4% apontados anteriormente. O documento destaca, contudo, que as pressões sobre os preços têm se dissipado progressivamente, ainda que assuma que houve impacto da alta das commodities no exterior sobre os custos no país.

Desonerações tributárias
O documento destacou ainda que as desonerações tributárias neste ano até julho somaram 35,9 bilhões de reais. Desse total 10,9 bilhões de reais referiram-se a desonerações de investimentos. “Com o intuito de impulsionar a atividade econômica, o governo tem concedido benefícios fiscais para diversos setores, que totalizaram pelo menos 97,8 bilhões de reais entre 2007 e 2011″, informou o boletim. Nesse período, conforme o documento, 32% do total, ou cerca de 31 bilhões de reais, foram incentivos aos investimentos.

O documento apontou ainda que “a manutenção das baixas taxas de desemprego e o aumento do rendimento real das famílias permitem inferir que está em curso uma normalização nas captações e empréstimos”. A equipe econômica projeta que, no segundo semestre deste ano, o mercado de crédito será mais benigno e contribuirá para a aceleração da atividade econômica. O boletim informou que, em junho deste ano, o mercado de crédito no Brasil atingiu montante superior a 2,2 trilhões de reais, alcançando o equivalente a 50% do PIB.

Por Reinaldo Azevedo

20/07/2012

às 20:04

Tirem Guido Mantega da Fazenda e coloquem no lugar uma cartomante; ela tem 50% de chance de acertar

E se Guido Mantega, ministro da Fazenda, fosse cartomante? Seus clientes estariam lascados! Mas, para sorte dos consulentes, ele é apenas ministro do Fazenda. Sendo assim, pode fazer previsões nas quais ninguém acredita, e tudo bem! Como não se leva a sério o que ele diz, então ninguém perde dinheiro, entenderam? Mas isso também me leva a crer que, caso tivéssemos uma cartomante no Ministério da Fazenda, a chance de acertar seria maior — de 50% ao menos. Por quê? Esperta, ciente de sua ignorância — coisa que um economista nunca é… —, ela se limitaria a prever se a economia em 2012 cresceria menos ou mais do que em 2011, sem pagar o mico de fazer previsões com a precisão de quem tem uma espingarda com a mira fora do lugar e o cano torto…

Há míseros quatro meses — e não no ano retrasado! —, o ministro previa um crescimento da economia para 2012 que poderia chegar a 4,5%. Transcrevo, em vermelho, trecho de um texto publicado numa página oficial, a “Brasil.gov”… É de 6 de março. Vejam que maravilha:

PIB brasileiro crescerá entre 4% e 4,5% em 2012, estima Mantega

Apesar de o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no País, ter sido menor do que o esperado pelo governo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve o tom otimista e prevê, para 2012, um crescimento médio próximo a 4,5%.

“O importante é que começamos 2012 com a economia se aquecendo. Isso pode ser visto pelo desempenho de novembro e dezembro. Essa trajetória continuará no primeiro e no segundo semestre de 2012, e [o crescimento do PIB] será maior do que o do ano passado, atingindo o ápice no segundo semestre de 2012, quando a economia estará crescendo mais de 5%. A média deverá ficar entre 4% e 4,5%”, disse Mantega nesta terça-feira (6), durante coletiva de imprensa.
(…)

Leiam, agora, o que publica nesta sexta a VEJA Online. Volto em seguida:
O governo reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 de 4,5% para 3%, de acordo com informações do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério do Planejamento. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia revelado as novas estimativas do Planalto. Contudo, o número não havia sido oficializado em nenhum relatório até esta sexta-feira. O número, apesar de menor, continua otimista em relação a outras previsões de mercado. Segundo o Banco Central e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia brasileira não deve avançar mais de 2,5% este ano. Já o mercado financeiro aguarda expansão de apenas 1,9% no período. Em 2011, o PIB cresceu 2,7% – bem abaixo das expectativas do governo, sobretudo no primeiro semestre, que apontavam para alta de 5%.

O governo atribui o crescimento fraco à crise que persiste na Europa, nos Estados Unidos – e agora também resulta em desaceleração das economias emergentes, como a China. “No cenário internacional, as mais recentes decisões dos líderes europeus afastaram a possibilidade de uma crise bancária no curto prazo, mas a falta de crescimento e o encolhimento do comércio continuam a predominar nas economias avançadas”, informou o relatório.

A crise tem sido usada como justificativa pelo governo desde o segundo semestre de 2011 – período em que o crescimento começou a desacelerar. Em 2012, após inúmeras medidas de estímulo propostas pelo governo, a economia tampouco deslanchou. No primeiro trimestre do ano, houve expansão de apenas 0,2%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Indicadores
Os novos parâmetros presentes no relatório também consideram o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,7% neste ano, mesma projeção divulgada no relatório orçamentário de maio. A projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em 2012 passou de 4,9% para 6,19%.

O governo trabalha com uma taxa Selic média de 8,86% ao ano, abaixo dos 9,86% ao ano utilizados na revisão anterior. O Orçamento também considera câmbio médio de 1,95 real no final de 2012, ante 1,76 real utilizados em maio. A projeção de crescimento da massa salarial nominal passou de 12,01% para 12,51%. A previsão para o preço médio do petróleo em 2012 subiu 2%, de 111,64 dólares para 113,87 dólares.

“A alteração dos parâmetros reflete a redução da projeção da taxa de crescimento real do PIB para 3,0%, da taxa de juros Selic e o aumento da Massa Salarial Nominal. Além disso, indica manutenção da projeção para o IPCA e depreciação cambial, que afeta as projeções para o IGP-DI e para o preço médio do petróleo”, diz o Ministério do Planejamento em nota.

Comento
Como se informa acima e vocês estão carecas de saber, Guido Mantega é o único a falar em 3%… Para o FMI, fica abaixo dos 2,5%; para boa parte dos operadores do mercado financeiro, abaixo de 2%. O cartomante amador já errou feio, não é? Acho que está errando de novo.

Reitero algo que já escrevi aqui. Não é papel de Mantega sair por aí baixando o astral da turma. Mas também não tem de atuar como animador de auditório. Um ministro não precisa fazer previsões pessimistas e certas, mas também deve evitar as otimistas e erradas. Num caso, passa por um realista desagradável; no outro, por um pândego bobalhão.

Essa história de que governos manejam, na verdade, expectativas é uma verdade relativa. Afinal, existe a realidade. Querem um exemplo? Boa parte da indústria está com os estoques abarrotados, sinal de que não se deve estimular a produção. Imagino Mantega a discursar no pátio da fábrica: “Vocês vão acreditar em mim ou nos seus estoques?”

Adivinhem qual seria a resposta.

Por Reinaldo Azevedo

27/06/2012

às 18:58

Do Paraguai ao pibinho, Dilma e seus maus conselheiros:

A presidente Dilma Rousseff, com alguma frequência, parece ser mais ponderada e, atenção para esta palavra, “pudorosa” do que seu antecessor. Pudor, no poder, é uma coisa importante. Mas não quer dizer que não tenha uma natureza política. E esta também se revela. No caso do Paraguai, mal instruída pelo Itamaraty e sofrendo, certamente, banzo de outros carnavais, tomou decisões estupidamente erradas, fazendo do Brasil mero caudatário da “diplomacia” de Cristina Kirchner. O Planalto trata o Paraguai como a 28ª unidade da federação, que tivesse decidido se rebelar. Além de sua natureza e de sua memória, Dilma também é assombrada por maus conselheiros — na política externa, ainda Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia; puro descalabro. E na economia?

Nesta quarta, Dilma lançou mais um pacote para tentar levantar o pibinho. O real já se desvalorizou, os juros caíram, houve certa elevação do crédito, o governo desonerou alguns setores da produção, mas o crescimento patina… O mentor da economia, por óbvio, é o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Reconhecendo algumas dificuldades, mas comemorado o que considera conquistas, afirmou: “Tudo isso significa que a crise internacional é conhecida pela população apenas por meio dos jornais e do noticiário. Na prática, a população não está se defrontando com ela”.

Quem falou? O economista ou o marqueteiro João Santana? Uma coisa é a crise ainda não estar sendo percebida por boa parte da população, o que é verdade; outra, distinta, é sustentar que ela só existe na tal “mídia”. Isso é coisa de mau conselheiro também.

É evidente que não cabe a Dilma ou a Mantega fazer declarações alarmistas. Mas não dá para aceitar cretinismos dessa natureza. Uma das características da crise mundial em curso, depois da grande explosão, é sua lenta e contínua espiral negativa — que chegou ao Brasil por vários caminhos: baixo crescimento dos EUA, barafunda na Europa, desaceleração da China… Parece que a capacidade de o mercado interno fazer frente às dificuldades se esgotou. Os brasileiros estão perigosamente endividados.

O debate sobre as responsabilidades corre o risco de ser interminável. Uma coisa é certa: quem dá a notícia não tem nada com isso. A imprensa brasileira, especialmente a área que cobre a economia, costuma é ser muito generosa com as versões oficiais. Atenção! Guido Mantega dizia, no começo do ano, que a economia cresceria 4,5% em 2012 – já que o Brasil, em razão da genialidade do governo, estaria imune à crise. Procurem no Google. Vocês vão achar: no dia 22 de maio — há míseros 35 dias — o ministro ainda anunciava 4%!!! E todo mundo lhe dava crédito.

Não, não! O jornalismo não tem, com a área econômica (e com os economistas de maneira geral, é bom deixar claro), metade do rigor que tem com os políticos. Costuma triunfar aquela máxima de que, em economia, realismo é igual a pessimismo, e cumpre à gente torcer para ver se as palavras se transformam em fatos.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2012

às 21:22

Mantega cria o “realismo fantástico” do câmbio

Por Carolina Freitas, na VEJA Oline:
Desde quando o dólar bateu na casa dos 2 reais, em 15 de maio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, só quer saber de comemorar o câmbio “conveniente”, nas palavras dele, para o Brasil. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça, ele retorceu dados e saiu-se com uma pérola do reducionismo: “Quando há uma valorização de 20% do dólar, significa que o Brasil está 20% mais competitivo”.   Em suma, na visão do ministro, basta uma mudança no câmbio para o país, como que por mágica, ter produtos melhores e mais baratos para brigar nos mercados internacionais.

Um real enfraquecido, de fato, tem o poder de estimular exportações e coibir importações, mas não transforma a capacidade produtiva, nem gera eficiência. Por outro lado, um câmbio apreciado apenas escancara o grau de competitividade de uma nação. Se ele é baixo, ficará ainda pior com uma moeda forte. Ao reiterar sua comemoração do dólar mais forte, Mantega apenas mostra sua disposição em não fazer nada para atacar as profundas deficiências que, essas sim, minam a competitividade do país.

Autoelogio
O ministro associou a valorização do dólar às medidas econômicas lançadas pelo governo nos últimos meses, como, por exemplo, a extensão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% sobre os empréstimos externos para captações com vencimentos em três anos. Ainda que o mercado reconheça a influência dessas ações, a recente alta da divisa também responde à apreciação global da moeda americana e à especulação no mercado doméstico.

Na versão de Mantega, o dólar responde tão somente à atuação destemida do Planalto: “Muitos países, sobretudo a China, vinham manipulando seu câmbio havia mais de vinte anos. Como eles eram pobres, nós tolerávamos. Mas agora tivemos de reagir”, gabou-se.

Indústria
O ministro da Fazenda minimizou os impactos negativos da alta do dólar para alguns setores da indústria. “Todo remédio tem seu efeito colateral, mas não é por isso que você deixa de tomar o remédio”.

Mantega deu, por fim, sua visão particular sobre o processo de desindustrialização do Brasil, que, para ele, não existe. “Há um enfraquecimento da indústria no mundo; um processo natural de terceirizar atividades da indústria e fazer com que elas virem serviço.”

O movimento, de fato, existe no mercado internacional há muitos anos. Basta ver que os Estados Unidos e a Europa transferiram boa parte da capacidade de produção industrial ao Sudeste Asiático. Esse movimento, entretanto, não justifica por inteiro o atual quadro lamentável da indústria brasileira.

Existem fatores a penalizar o setor industrial que ele, há muitos anos, faz questão de ignorar. São deficiências que minam a competitividade da economia brasileira e que caberia ao governo atacar por meio de reformas, tais como a infraestrutura deficiente, baixa qualificação da mão de obra, uma carga tributária pesada, juros altos, entre outros fatores.

Por Reinaldo Azevedo

15/05/2012

às 19:05

Dólar acima de R$ 2 e a fala boba de Guido Mantega

O dólar fechou acima de R$ 2, o que não acontecia desde o dia 8 de julho de 2009, valorização de 0,58% só nesta terça. Não há muito o que fazer. Nenhum país é uma ilha. Nem a Grécia nem o Brasil. Estranha foi a reação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar ontem o assunto. Fez digressões sobre como isso pode ser positivo para as exportações brasileiras e para a nossa indústria, que se torna mais competitiva e coisa e tal.

Bacana… Olhem aqui: embora a presidente Dilma tenha tentado dar umas lições a Angela Merkel dia desses, não há muito o que Mantega possa fazer, além de, não tendo o que dizer, ficar calado. Que o real supervalorizado (nem entro no mérito sobre os motivos) é ruim para a economia brasileira, isso é evidente. A questão é saber se a valorização do dólar é fruto de corcovos e solavancos da economia mundial em crise ou se decorre da ação do governo brasileiro para impedir a valorização excessiva do real.

Evidentemente, trata-se da primeira hipótese, não da segunda. Evidentemente, essa valorização é fruto da crise europeia, não da ação do governo brasileiro. Também evidentemente, isso concorre para desorganizar a nossa economia, não o contrário. Assim, Mantega poderia optar pelo silêncio em vez de dizer coisas que ele e todo o mercado sabem ser destituídas de sentido.

Por Reinaldo Azevedo

03/04/2012

às 7:35

Mantega recorre ao STF e MP suspende investigação

Da Agência Estado:
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reclamou para o Supremo Tribunal Federal (STF) e conseguiu suspender uma investigação por suspeita de improbidade administrativa. Na tarde desta segunda, o Ministério Público Federal chegou a anunciar a abertura de uma investigação para apurar se Mantega foi omisso em relação a um suposto esquema de corrupção na Casa da Moeda. Em meio às suspeitas, o então presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, foi demitido em janeiro.

No entanto, no início da noite, a Procuradoria Geral da República divulgou uma nota informando que a pedido da Advocacia Geral da União (AGU) o ministro Luiz Fux, do STF, concedeu uma liminar determinando que a investigação fique a cargo do procurador-geral, Roberto Gurgel. Atos de improbidade administrativa são investigados em procedimentos civis. A legislação brasileira garante a autoridades como ministros de Estado o direito de investigação criminal perante o STF. No entanto, as matérias civis, como as investigações por improbidade administrativa, ficam normalmente a cargo da 1a. Instância.

O Supremo deverá analisar em breve pedidos para que o foro privilegiado previsto para os inquéritos e as ações criminais também seja estendido aos processos civis. Enquanto não for tomada a decisão, a situação de Mantega fica em suspenso, informou a Procuradoria. No último dia 16, Roberto Gurgel tinha seguido a orientação tradicional no Judiciário e no Ministério Público e encaminhado aos procuradores da República que atuam na 1a. Instância uma representação na qual senadores pediam uma investigação contra Mantega.

Por Reinaldo Azevedo

17/03/2012

às 4:53

MP decidirá se investiga Mantega por improbidade

Por Ricardo Brito, no Esdtadão Online:
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou à Procuradoria da República no Distrito Federal um pedido feito por seis senadores para investigar se o ministro da Fazenda, Guido Mantega, cometeu improbidade administrativa por causa das suspeitas que levaram à demissão do ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci. No dia 14 de fevereiro, seis senadores pediram a Gurgel que apurasse se Mantega teria sido omisso em manter Denucci no cargo, mesmo diante de denúncias de corrupção levantadas contra ele pela Receita e pela Polícia Federal.

O ex-presidente da Casa da Moeda foi demitido no final de janeiro no momento em que a Folha de S.Paulo preparava uma reportagem sobre ele. O jornal revelou depois que Denucci teria uma conta em offshore por meio da qual receberia propina. Mantega sempre disse que não sabia das suspeitas que pairavam sob seu ex-subordinado, sustentando que a sugestão do nome coube ao PTB em 2008. O partido nega tê-lo indicado.

Gurgel repassou a representação para a Justiça de primeira instância porque é o foro competente para julgar casos de improbidade supostamente cometidos por ministros de Estado. Segundo o procurador-geral, ele só tem competência para investigar Mantega criminalmente, o que não é o caso. Caberá a um procurador da República avaliar a representação. Entre os caminhos, ele poderá decidir se abre inquérito civil contra o ministro, move ação de improbidade (o que pode, em caso de condenação, suspender seus direitos políticos) ou arquivar o pedido.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

15/02/2012

às 5:35

Senadores pedem inquérito contra Mantega na PGR

Por Rosa Costa e Ricardo Britto, no Estadão:
Com o apoio de dois senadores da base aliada, a oposição encaminhou ontem ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, representação contra o ministro da Fazenda, Guido Mantega, por omissão diante de denúncias apuradas pela Receita e PF contra o ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci.

A representação pede a instauração de inquérito civil público para cobrar responsabilidade de Mantega pela permanência de Denucci no cargo mesmo após alertado sobre a existência de indícios de corrupção contra ele. “O ministro manteve Denucci no comando da Casa da Moeda, com isso dando causa à continuidade dos atos lesivos ao interesse público”, sustentam os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Demóstenes Torres (DEM-GO), Randolph Rodrigues (PSOL-AP), mais Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Taques (PDT-MT).

Eles alegam que Mantega “não foi imparcial nem leal à instituição à qual está vinculado, além de ter falhado com seu dever de ofício”. Afirmam, ainda, que “nem se cogita levantar a hipótese de que o ministro da Fazenda não sabia do esquema de corrupção na Casa da Moeda, visto que ele próprio admitiu ter sido alertado acerca da situação”. Os senadores pedem que Mantega seja punido com a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e ressarcimentos aos cofres públicos de eventuais danos causados por Denucci.

Blindagem. Ontem, o governo comandou o esvaziamento da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado que votaria requerimento de convite ao ministro para prestar esclarecimentos. Depois de esperar mais de uma hora por quórum, o presidente da CAE, Delcídio Amaral (PT-MS), encerrou os trabalhos, remarcando novo encontro para o dia 28, após o carnaval.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 23:07

Maia descarta convocar Mantega para falar de Casa da Moeda

Por Nathalia Passarinho, no Portal G1:
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, descartou nesta terça-feira (7) convocar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a prestar explicações no plenário da Casa sobre denúncias envolvendo a Casa da Moeda. O ex-presidente da estatal, Luiz Felipe Denucci, foi demitido no final de janeiro após denúncias de irregularidades, como recebimento de propina.

Nesta manhã, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) protocolou requerimento para que o ministro preste esclarecimentos no plenário. No entanto, para Marco Maia, o plenário da Câmara é lugar para discussão de “temas nacionais”. “O plenário é o espaço nobre para fazer grandes debates de grandes temas nacionais. A Casa da Moeda não é um grande tema. É um tema específico que deverá ser remetido às comissões para avaliação”, afirmou Maia.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que “não há motivo” para Mantega se explicar no Congresso. Mais cedo nesta terça, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a orientação à base do governo é evitar a aprovação de convite ou convocações ao ministro da Fazenda. O PSDB protocolou, na segunda-feira (6), requerimento de convite para que o ministro preste explicações na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2012

às 18:05

Empresário deve depor sobre transações de ex-chefe da Casa da Moeda

Por Maria Clara Cabral, José Erneto Credendio e Andreza Matais, na Folha Online:
José Martins, presidente da empresa responsável por fazer o relatório sobre as movimentações financeiras das “offshores” de Luiz Felipe Denucci, ex-presidente da Casa da Moeda, deve prestar esclarecimentos ao Congresso Nacional.

O DEM prepara requerimento para convidar o empresário a detalhar na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara a movimentação bancária de Denucci. A reportagem apurou que Martins está disposto a comparecer. Ele afirmou à Folha que toda a movimentação da financeira está registrada em sua contabilidade.

A WIT, companhia de Martins especializada em transferência de dinheiro com sede em Londres, registrou em documento que movimentou para Denucci e familiares U$ 25 milhões nos últimos três anos, quando ele já estava no comando da Casa da Moeda. O dinheiro, segundo o relatório, teria como origem “comissões” pagas por empresas fornecedoras da estatal.

Denucci foi exonerado no último sábado após ter chegado à Fazenda informação de que a Folha preparava reportagem sobre o caso. “É fundamental convidar o José Martins para trazer esclarecimentos sobre todo esse processo”, afirmou o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA).

Partidos da oposição já avisaram que vão apresentar também requerimentos de convocação e de pedido de informação ao ministro Guido Mantega (Fazenda). Reportagem da Folha revela que a Casa Civil e o PTB avisaram Mantega em agosto passado de que Denucci havia aberto “offshores” em paraísos fiscais. Antes disso, em 2010, o ministro também foi avisado de outras irregularidades envolvimento Denucci, mas o manteve no cargo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2012

às 6:29

Ação de Mantega na Casa da Moeda preocupa Planalto

Na Folha:
As recentes acusações na Casa da Moeda jogaram o ministro Guido Mantega (Fazenda) no centro de um escândalo político que preocupa o Palácio do Planalto. Uma ala do PMDB cobrou explicações sobre por que o ministro manteve Luiz Felipe Denucci na chefia da estatal após alertas sobre o envolvimento do servidor em suposto esquema de corrupção. É justamente isso o que perturba o Palácio do Planalto: setores do PMDB insatisfeitos com a perda de espaço prometem usar o episódio para dar o troco.

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, revelou ontem que o partido só indicou Denucci para a Casa da Moeda atendendo a um pedido do ministro. “Mantega chamou Jovair [Arantes, líder do PTB na Câmara], e pediu um aval. Denucci não é do PTB, é do Mantega. Fizemos um favor ao Mantega e nos demos mal.”

Denucci tem a mesma versão. “Se o ministro Mantega pediu o aval do PTB para minha indicação, não é de minha alçada. Fui chamado por minha experiência com crise. Apoio partidário não tive.” As pessoas próximas ao ministro têm dito o contrário: que foram apresentadas a Denucci pelo líder do PTB. Sem uma manifestação oficial de Mantega desde sábado, quando Denucci foi demitido, a Fazenda soltou ontem uma nota para dizer que “o ministério decidiu instaurar comissão de sindicância investigativa para apurar as informações mencionadas”.

Denucci foi demitido às pressas por um funcionário do terceiro escalão após tomar conhecimento de que a Folha preparava reportagem sobre irregularidades na Casa da Moeda. Ele montou “offshores” em paraísos fiscais que teriam recebido U$ 25 milhões, segundo relatório de uma empresa especializada em transferências internacionais. O documento da WIT relata que os depósitos eram oriundos de comissões pagas por fornecedores da estatal.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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