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Governo Dilma

29/08/2014

às 15:32

Brasil em recessão: o país à espera de Godot. Será que ele usa xale e colares indígenas?

O Brasil está em recessão técnica. Segundo o IBGE — que não é o PSDB, que não é Aécio Neves, viu, presidente Dilma? —, o PIB do segundo trimestre encolheu 0,6%. Como o Produto Interno Bruto revisado do primeiro trimestre havia caído 0,2%, então se tem esta chancela: recessão técnica. Por que esse nome? Porque, neste exato momento, o país já pode ter saído da recessão e voltado a crescer, mas o encolhimento da economia foi óbvio. Ainda que esteja aí a retomada da expansão, ela recomeça de um patamar, evidentemente, mesquinho.

E o que diz Guido Mantega, ministro da Fazenda? Segundo ele, trata-se de mero efeito estatístico, como se os números não estivessem assentados em dados da economia real. Parece piada! Nesta quinta, ele saiu atirando contra Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda de Aécio caso o tucano seja eleito presidente. Mantega o desqualificou de modo bronco, afirmando que, sob o comando de Armínio, a economia poderia entrar em… recessão! Parece piada, não? Ele e Dilma, afinal, produziram o quê? Ocorre que, junto com a retração da economia, temos a paralisação dos investimentos, o descontrole dos gastos, inflação alta e juros estratosféricos.

O país está parado. Como na extraordinária peça de Samuel Beckett — e aqui vai o meu abraço saudoso para o meu querido amigo Gerald Thomas, seu grande intérprete —, estamos “esperando Godot”. Ou, então, como no maravilhoso poema do grego Constantino Kaváfis, somos os romanos do fim do império, à espera dos bárbaros. Boa parte do país está na expectativa de este governo passe logo: com sua incompetência, com sua truculência, com sua inexperiência.

Inexperiência? É disso que se trata. Mantega e Dilma atribuem as dificuldades econômicas e a paralisia do Brasil ao cenário internacional. Mas, por acaso, esse cenário é diferente para os demais países da América Latina? Quem enfrenta severas dificuldades hoje na região? Curiosamente, Venezuela, Argentina e Brasil: uma ditadura, um regime aloprado e nós. A culpa não está nos outros. Está aqui dentro mesmo.

O país paga o preço de o governo de turno ter fechado os olhos e os ouvidos aos muitos chamados da realidade. A recessão técnica em que entrou a economia, o crescimento ridículo deste ano e a expansão mixuruca prevista para o ano que vem decorrem da inexperiência de Dilma Rousseff.

Na peça de Beckett, Godot é uma resposta que viria para tirar as pessoas da paralisia, de sua vida mesquinha. Só que ele não vem. Não dá as caras. Não se sabe quem ou o que é Godot. Somos mais carnavalizados e esperançosos do que o gigantesco Beckett. Por aqui, há quem ache que Godot — a grande saída — costuma usar xales nos ombros e exibir colares com sotaque indígena, além de ser hábil na glossolalia da natureza.

Será mesmo?

É a inexperiência de Dilma que conduziu o país à recessão. O Brasil tem de se perguntar: quem virá em seu lugar? O nosso Godot pode se dar ao luxo de nem mesmo saber fazer contas?

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 5:45

Com Franklin Martins no “Muda Mais”, Dilma não precisa de inimigos!

Por Naiara Infante Bertão e Gabriel Castro, na VEJA.com:
O site Muda Mais, mantido pelo PT e criado para divulgar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição, publicou um texto na noite de terça-feira com potencial de fazer tremer bancos, investidores, empresas e o próprio eleitor. O texto evidencia o que pensam as facções ideológicas mais perigosas do partido — e que, se afagadas, podem colocar em risco a estabilidade econômica numa hipótese de reeleição da presidente. Intitulado “Tem candidato que defende a autonomia do Banco Central: saiba por que isso é ruim para a sua vida”, o texto foi publicado justamente quando o tema da autonomia da autoridade monetária era colocado em discussão no debate entre os candidatos à Presidência, transmitido pela Band.

Propondo-se a explicar como isso interfere no cotidiano do brasileiro, o material discorre sobre o que é o BC e como ele atua na condução da política monetária. “A autonomia do Banco Central é uma medida fundamentalmente neoliberal. Os adeptos dessa teoria acreditam que o salário e o emprego se mantêm estáveis pela autorregulação do mercado, portanto é desnecessária (e eles acreditam ser prejudicial) a interferência do estado nas questões econômicas”, diz o texto.

O tema foi trazido à discussão eleitoral justamente porque, ao longo do governo Dilma, as decisões técnicas do BC sofreram interferência do Palácio do Planalto, com a presidente traçando meta de redução da taxa básica de juros num momento em que a inflação apresentava trajetória crescente. Em 2012, Dilma chegou a afirmar que a Selic seria reduzida a 9% até o fim daquele ano — o que, de fato, se concretizou sem que as condições macroeconômicas permitissem tal afrouxamento. A Selic caiu mais do que o previsto, a 7,25%. Mesmo diante da suspeita de ingerência, que causou danos à imagem do BC que ainda não foram reparados, o governo jamais reconheceu sua atuação junto ao presidente da autoridade, o economista Alexandre Tombini.

O texto, apesar de não ser de autoria do governo, pertence ao site mantido pelo partido justamente para comunicar aos jovens a opinião defendida por suas lideranças. “Pedir um BC autônomo hoje só acontece porque ele deixou de ser nos últimos anos. Havia o desejo expresso da presidente em derrubar a Selic a qualquer custo, sendo esse custo a inflação”, afirma Sérgio Vale, economista da MB Associados.

Independência
Apesar de os diretores do BC serem nomeados pelo governo, sua atuação deve ser independente e essencialmente técnica — por essa razão, o quadro não é composto de nomes ligados a partidos políticos. Há casos em que tal autonomia é garantida por lei, como ocorre na Grã-Bretanha, por exemplo — e esse é o projeto defendido pela candidata Marina Silva, do PSB. O tucano Aécio Neves também afirmou não descartar tal alternativa. Segundo o economista Otto Nogami, professor do Insper, a necessidade de se ter um BC independente, seja por lei ou por decisão do próprio governo, se deve ao fato de as políticas monetária e fiscal serem conflitantes. “Enquanto um defende gastos públicos para o crescimento da economia, o outro deve ter ação restritiva, pois os gastos públicos podem ser inflacionários. Daí a necessidade da independência do BC. Caso contrário, há conflito de interesses”, diz Nogami.

Já o PT pensa diferente. Diz o texto: “Dar autonomia completa ao Banco Central significa que o governo vai abrir mão de parte importante da gerência do país. O presidente do BC, que não será mais escolhido por uma figura que representa o povo, terá poder absoluto sobre as taxas de juros, crédito e valor da moeda”. A frase mostra um completo desconhecimento sobre a figura dos banqueiros centrais. Os técnicos escolhidos para gerir a autoridade não representam o povo. Por isso, não são políticos. Em teoria, são simplesmente profissionais de carreira capacitados para exercer a função, como ocorre nas demais democracias do mundo.

Inflação
Mais grave que a visão distorcida sobre a atuação do BC está a percepção sobre a inflação. Segundo o texto, “neoliberais defendem que o controle da inflação a níveis que atendam exigências dos mercados é a única prioridade, não importando os estragos no meio do caminho”. A inflação tem sido uma das maiores derrotas do governo Dilma, que, mesmo administrando preços como o da gasolina e o de energia, não consegue trazê-la ao centro da meta, de 4,5% ao ano. Ao cortar os juros em 2012, sem que houvesse um cenário propício para tanto, o BC tornou ainda mais distante o cumprimento da meta.

Agora, mesmo com a recente alta dos juros (a Selic está em 11% ao ano), o IPCA continua no teto do limite determinado pelo BC, deteriorando o poder de compra da população. O uso de instrumentos de política monetária para controlar a inflação é visto pelo partido (e tal visão também é atribuída a Dilma, segundo o texto) como forma de defender “os interesses do mercado”, e não a estabilidade econômica — ferramenta tão necessária para proporcionar um ambiente de crescimento e geração de emprego. “O Poder Executivo deve delegar parte de seu poder ao BC como faz com as agências reguladoras. Não tem nada a ver com o neoliberalismo e sim com a forma como o regime democrático funciona. Há diferenças entre Estado e governo, e partido e Estado. A dificuldade de quem escreveu o texto é entender isso. Confunde o partido com o governo e com o Estado”, afirma o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central.

Procurados pelo site de VEJA, integrantes da campanha de Dilma disseram estar constrangidos pelas afirmações publicadas pelo site do partido. Situação semelhante ocorreu quando o Muda Mais publicou críticas pesadas ao comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O primeiro episódio levou o PT a desvincular o site da campanha presidencial. A página, que é comandada pelo ex-ministro Franklin Martins, passou a ser ligada diretamente ao partido. Franklin entrou em confronto direto com a equipe mais próxima a Dilma porque aposta no conflito com adversários e em críticas ácidas. Com uma atuação presente nas redes sociais, o Muda Mais atua como uma espécie de porta-voz da campanha para um público mais jovem.

Oficialmente, a equipe de campanha disse ao site de VEJA que a página do Muda Mais não expressa a opinião da campanha e que Dilma não é contra a independência do Banco Central.

Por Reinaldo Azevedo

25/08/2014

às 5:47

Dilma, a má gerente

Por Ana Clara Costa e Gabriel Castro, na VEJA.com:
O ano de 2011 foi marcado por uma crise sem precedentes na Europa. Foi o período em que o peso das dívidas públicas de países como Grécia, Irlanda, Portugal e até mesmo a Itália chegou a ameaçar a existência do próprio euro. Com a missão de recobrar a confiança externa e a saúde de suas contas, alguns governos europeus — em especial Itália e Grécia — dispensaram grandes oligarcas da política, como Silvio Berlusconi, e colocaram no poder os chamados tecnocratas. Com perfil técnico e pouca paixão pela política, esse estrato da elite do capitalismo tende a propor saídas pragmáticas para problemas de gestão pública. Naquele ano, tecnocracia era o jargão da vez no mundo econômico — e a chanceler alemã Angela Merkel era sua principal expoente. Por obra da máquina de propaganda petista, não demorou para que Dilma Rousseff, antes mesmo de ser eleita, fosse alçada ao posto de técnica exímia. Nove entre dez artigos sobre a presidente em seus primeiros meses de mandato retratavam-na como gestora experiente e “gerentona” — características que a distanciavam de Lula, que nada sabia de gestão, mas mantinha notório apreço pela arte do conchavo. Após a “faxina ministerial” que Dilma se viu forçada a empreender no início de seu governo, além de tecnocrata, também passou a ser vista como “pouco tolerante” com a corrupção. Quase quatro anos depois, inúmeros são os fatos que mostram que avaliação que se tinha não passava de ilusão.

Ao acomodar todos os aliados nos 39 Ministérios da Esplanada, Dilma escolheu um time restrito que deveria cercá-la — e no qual concentraria todas as suas ordens. Trata-se de um perfil específico de petista que permitiria que ela exercesse seu papel de “gestora” sem grandes protestos. Miriam Belchior, ex-secretária do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), e Gleisi Hoffmann, que assumiu a Casa Civil após a queda de Antonio Palocci, se tornaram os dois nomes de confiança da presidente. Mais técnicas que políticas, reforçaram a imagem de um “novo” governo eficiente e livre (ou quase) de nomes perniciosos ligados ao mensalão. O problema é que, ano após ano, houve uma deterioração em praticamente todas as fronteiras do Executivo — sobretudo nas pastas ligadas à economia. O Planejamento, responsável pelo Orçamento engessado da União, foi praticamente reduzido a uma secretaria. A Casa Civil, departamento que outrora guardava poderes equivalentes ao da Presidência, como nos temos do mensaleiro José Dirceu, de Erenice Guerra ou da própria Dilma, tornou-se mera antessala. As decisões econômicas, discutidas em gabinete diretamente entre Dilma, Guido Mantega e Arno Augustin, passavam à margem de qualquer interferência técnica. Os próprios ministros, diante da palavra da gestora, funcionavam como executores de ordens. Por fim, o pragmatismo e a tecnocracia que se imaginava reinar por ali deram lugar a um emaranhado de decisões de cunho ideológico que fariam Merkel desfalecer.

Não por acaso, a economia se encontra em seu pior momento dos últimos 15 anos. Se, até meses atrás, os dados econômicos apontavam para o pior cenário fiscal e industrial desde 2009, período da crise financeira internacional, agora a régua está mais baixa. A criação de emprego de julho foi a pior desde 1999, apontou o Caged. Já o resultado primário de junho, que consiste na economia do governo para pagar os juros da dívida, foi o pior desde 2000, mostram os dados do Tesouro Nacional. O governo atribui os problemas domésticos à crise internacional — o que fica difícil de provar diante do crescimento da economia americana, que foi de 4% no segundo trimestre e deve fechar o ano com avanço de 3,5%. No caso do Brasil, como resultado das trapalhadas de gestão, o PIB não deve crescer mais que 0,5% — os analistas mais realistas apontam, na verdade, a recessão.

Faxina
No cenário político, a “pouca tolerância” com a corrupção também é contestável. É verdade que sete ministros caíram. Em julho de 2011, VEJA revelou como o PR havia transformado o Ministério dos Transportes em uma fonte de recursos para abastecer o caixa dois do partido. A presidente acabou demitindo o ministro Alfredo Nascimento. Antes disso, Palocci já havia caído por não conseguir explicar um espantoso e repentino aumento patrimonial. Outros cinco ministros seriam demitidos por causa de denúncias de corrupção em menos de um ano.

Merecidamente ou não, a presidente tentou vender a imagem de que não tolerava corruptos (apesar de ter sido responsável pela nomeação de todos eles). Mas nem mesmo o rótulo sobreviveu: conforme o período eleitoral se aproxima, o nível de exigência da presidente parece cair. Neste ano, ela demitiu César Borges do Ministério dos Transportes unicamente para agradar o PR, que pedia a volta de Paulo Sérgio Passos. O próprio Alfredo Nascimento deu o recado a Dilma, ou seja, o mesmo partido que havia sido retirado do comando da pasta pressionou – de forma bem sucedida – para que a presidente nomeasse alguém de seu interesse. Antes disso, Dilma havia negociado com o demitido da pasta do Trabalho, Carlos Lupi, do PDT, a indicação de Manoel Dias para o comando do Ministério. Em junho, no Rio de Janeiro, ela subiu no palanque do pedetista e fez elogios a seu ex-ministro, que disputa uma vaga no Senado. Em entrevista ao Jornal Nacional, no início da semana, a presidente se negou a opinar sobre a postura acolhedora do PT em relação aos mensaleiros presos — tratados como heróis pelo partido.

Ombro-amigo
Quando é a Petrobras quem está no centro de graves denúncias, Dilma também tem se mostrado um ombro-amigo. A presidente da estatal, Graça Foster, pode ter os bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por causa de irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Além disso, a executiva se encontra na delicada posição de ter de explicar porque doou seus bens aos filhos logo depois que o escândalo de Pasadena deu indícios de que acabaria no Congresso. Contudo, para Dilma, está tudo bem. “A presidente Graça Foster respondeu perfeitamente sobre a questão dos seus bens numa nota oficial. Eu repudio completamente a tentativa de fazer com que a Graça se torne uma pessoa que não possa exercer a presidência da Petrobras”, afirmou a petista, na quinta-feira. À defesa quase fraterna da presidente soma-se seu silêncio sobre a farsa da CPI da estatal, revelada por VEJA, que mostrou a articulação de nomes do alto escalão do Palácio do Planalto e da estatal para combinar com os investigados as respostas às perguntas dos parlamentares.

As imagens vendidas nas eleições de 2010 se perderam ao longo do caminho. Os números declinantes do cenário econômico, as más escolhas para postos-chave de sua equipe, o inchaço proposital da máquina pública e o fracasso na missão de dinamizar a economia tiraram de Dilma – que nunca foi uma boa política – um de seus principais trunfos de quatro anos atrás. Não há indícios, até o momento, de que um segundo mandato traga mudanças.

Com reportagem de Luís Lima

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 12:01

Leitores do Rio, amanhã é dia de “Não é a Mamãe – Para Entender a Era Dilma”, na Livraria da Travessa

convite FiuzaAlô, leitores do blog que moram no Rio! Coloquem aí na agenda: amanhã, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, a partir das 19h30, ocorre o lançamento de um livro delicioso: “Não é a Mamãe – Para Entender a Era Dilma”, do jornalista Guilherme Fiuza, um dos melhores, mais agudos, mais cultos e mais divertidos textos da imprensa brasileira.

O livro, publicado pela Editora Record, reúne 100 artigos de autoria de Fiuza publicados na revista “Época” e no jornal “O Globo”. As crônicas são separadas em cinco capítulos, cada um correspondendo a um ano da trajetória recente da “presidenta”, a partir de 2010, o da campanha eleitoral:
“2010 – DILMA É A MÃE”;
“2011 – A FAXINEIRA”;
“2012 – A BABÁ DE ROSEMARY”;
“2013 – A PLEBISCITÁRIA”;
“2014 – MAMÃE VOLTOU”.

O título é uma alusão ao bordão de Baby Sauro, da “Família Dinossauro”, seriado que fez muito sucesso na década de 90. Aliás, ele está de volta no canal Viva. E começa justamente nesta quinta. Dilma associada a dinossauros? A gente pode rir de sarcasmo ou melancolia. Não precisa de explicação.

Falarei do livro com mais vagar. Fiuza tem outra qualidade, ainda que involuntária: é um ilustre membro daquela lista negra de nove pessoas elaborada pelo PT, da qual também faço parte. Segundo os companheiros, somos o mal do Brasil. Se, um dia, eles conseguirem criar o “Estado Petista da Empulhação e do Levante”, vocês sabem o que acontecerá com as nossas respectivas cabeças… Enquanto não acontece, a gente se diverte.

Leia “Não é a Mamãe”. Ali está revelada a alma da era Dilma. Reproduzo, abaixo, um dos cem textos do livro.

*
Cadê a quadrilha que estava aqui?

Nelson Rodrigues foi novamente convocado por Dilma Rousseff. Sempre que tira os olhos do teleprompter, a presidente sofre em sua árdua missão de fazer sentido. Nelson foi o primeiro a satirizar essa esquerda parasitária escondida atrás de bandeirolas do bem. Hoje talvez o dramaturgo acrescentasse ao “padre de passeata” a “presidenta de teleprompter”. Alguém precisa avisar à assessoria de Dilma quem foi Nelson Rodrigues. Era mais honesto quando ela traficava a imagem de Norma Bengell.

Ao assinar contratos de concessão de rodovias, Dilma citou o companheiro Nelson para dizer que “os pessimistas fazem parte da paisagem, assim como os morros, as praças e os arruamentos”. Por que não acrescentar: assim como as estradas estouradas, os aeroportos em ruínas e o sistema elétrico em estado de coma. A paisagem da infraestrutura brasileira hoje é tão impactante que fica até difícil enxergar nela os pessimistas — mesmo que eles desfilem pelados contra a mentira da conta de luz barata, e o desfalque de 12 bilhões de reais do contribuinte para sustentá-la.

Dilma tem razão: não há motivo para pessimismo. Basta olhar a situação dos seus amigos mensaleiros. Eles montaram um duto de dinheiro público para o partido governista, na maior engenharia já vista para roubar o Estado de dentro do Palácio do Planalto. Mas o otimista, ao contrário do pessimista, sempre espera pelo milagre. E ele veio: rasurando a sua própria decisão, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o bando do mensalão, famoso pela monumental arquitetura do valerioduto, não era uma quadrilha.

O esquema que envolvia ministro de Estado, tesoureiro e presidente de partido, banqueiro, funcionário público graduado e outros companheiros fiéis, todos ligados por um mesmo despachante e uma mesma base operacional, agindo de forma orquestrada e sistemática para o mesmo e deliberado fim, não constituía uma quadrilha. Agora o Brasil já sabe: só há quadrilha quando os criminosos que fazem tudo isso juntos são pessimistas perdidos na paisagem.

O discurso épico do ministro Luís Roberto Barroso, inocentando os otimistas do crime de formação de quadrilha — e liberando-os da prisão em regime fechado —, é um marco de esperança para os bandoleiros solidários, que abominam as trampolinagens individualistas e neoliberais. E assim chega ao fim o julgamento do mensalão, com a sentença histórica prenunciando os novos tempos: agir em bando com estrelinha no peito não é quadrilha, é socialismo.

Foi emocionante ver os ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli — os já famosos Batman e Robin do PT no Supremo — voando com suas capas em defesa de Barroso e do seu Direito lírico. Todo esse otimismo permitia antever a chegada da sobremesa: a absolvição de João Paulo Cunha (o Mandela brasileiro) do crime de lavagem de dinheiro. A tese vencedora, mais uma vez esgrimida com arte por Barroso, foi de que o então presidente da Câmara dos Deputados participou da corrupção sem saber que o dinheiro que recebia era sujo. Era o dinheiro do mensalão, operado por seus companheiros de cúpula do PT, mas ele, assim como Lula, não sabia. Os otimistas são distraídos mesmo.

O ministro Luís Roberto Barroso chegou a dizer que João Paulo não sabia da origem ilícita do dinheiro porque não fazia parte da quadrilha. Logo retificou, dizendo que o réu não fora denunciado por formação de quadrilha. Nem precisava esclarecer, todo mundo já sabe que quadrilha não existe. Inclusive o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, considerando-se o seu rolezinho na prisão da Papuda para visitar José Dirceu, o chefe da ex-quadrilha.

Disse Agnelo: “Eu sou governador, vou ao presídio a qualquer hora e visito quem eu quiser.” Está certo. Se Deus e a quadrilha não existem, tudo é permitido. Agnelo deve ter ido levar umas palavras cruzadas a Dirceu.

O companheiro Nelson Rodrigues dizia que a única forma possível de consciência é o medo da polícia. A desinibição da ex-quadrilha mostra que, para o PT, Nelson está definitivamente superado.

O recado de Dilma aos pessimistas servia também como resposta às críticas feitas à sua política econômica no aniversário de 20 anos do Plano Real. Os autores do plano disseram que esse negócio de esconder inflação com tarifas inventadas e esconder déficit público com maquiagem de contas não vai acabar bem. Mas depende do ponto de vista.

As pesquisas apontam a reeleição de Dilma em primeiro turno, com toda a política monetária do crioulo doido, a infraestrutura em petição de miséria, a pilhagem do mensalão e do pós-mensalão, a contabilidade criativa, as ONGs piratas penduradas na floresta de ministérios, a sangria do BNDES para a Copa dos malandros e grande elenco de jogadas solidárias.

Isso não vai acabar bem para a paisagem brasileira. Mas não tem problema, porque os companheiros otimistas estão a salvo dela.

Guilherme Fiuza, autor de "Não é a Mamãe"

Guilherme Fiuza, autor de “Não é a Mamãe”

 

Por Reinaldo Azevedo

15/08/2014

às 7:41

Minha coluna na Folha: Chute a santa, mas adore Dilma

No Brasil, é permitido chutar a santa.

No Brasil, é permitido dizer que Jesus Cristo era um banana.

No Brasil, é permitido sacanear com igual ignorância ou sabedoria o sagrado e o profano.

E não esperem ler aqui a defesa de alguma forma de censura. Cada um diga o que quiser. E arque com as consequências aceitáveis na democracia. É a natureza do jogo.

Mas um território se pretende verdadeiramente divino e imune à crítica: o do petismo, incluindo os espaços que ele diviniza. Os quatro analistas do Santander, como sabemos, foram para a fogueira em razão de um texto sacrílego.

Nesta semana, mais uma não-notícia ganhou ares de escândalo, inflamando o espírito jihadista. A consultoria Rosenberg Associados, numa síntese notável, considerou que Dilma ainda é a favorita, mas emendou: “O cenário mais provável é a continuidade da mediocridade, do descompromisso com a lógica, do mau humor prepotente do poste que se transformou em porrete contra o senso comum”.

É só a opinião de uma consultoria. Fez-se uma gritaria danada na imprensa. Alberto Cantalice, vice-presidente do PT e autor da lista negra de jornalistas (estou lá, o que me honra), afirmou que o partido iria ignorar a avaliação. Mas o seu exército pediu que se queimassem as bruxas.
(…)
O tucano Aécio Neves está padecendo nas mãos do espírito miliciano deste tempo. Um candidato de oposição, Santo Deus!, é constrangido a evitar críticas ao governo, ou pesará sobre ele a suspeita de que, se eleito, vai punir os pobres. Não era diferente com Eduardo Campos, tornado agora um respeitável sonhador morto. Quem o viu no “Jornal Nacional” pode ter ficado com a impressão de que era candidato à Presidência não porque tivesse algo a dizer, mas porque não tinha como escapar dos entrevistadores. Outro elogia o homem “que buscava o sonho”. Huuummm… Só não conseguia aceitar o político que buscava outra… realidade! Admiro o decoro com cadáveres, desde que se respeitem os vivos.
(…)
Íntegra da coluna aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/08/2014

às 6:26

Guerra da Água: nos corredores do governo Dilma, fala-se até em intervenção federal em SP! Uau! Com o voto, eles não tomam o Estado; quem sabem com tanques…

O governo Federal decidiu deflagrar a “Guerra da água contra São Paulo”. Com a ajuda de setores da imprensa, está promovendo uma lambança dos diabos, fazendo baixa exploração política da crise hídrica e mobilizando órgãos federais para fazer política eleitoral. Vamos lá. A crise hídrica que afeta o Estado — pela qual, segundo a presidente Dilma, Alexandre Padilha e Paulo Skaf, o culpado é o governador Geraldo Alckmin — também afeta a produção de energia elétrica. E, nesse caso, todos esses valentes dizem que o culpado é Deus.

Há uma verdadeira torcida, muito mal disfarçada, pelo colapso de abastecimento de água em São Paulo. A ideia é ver se saem votos contra Alckmin das torneiras secas. Mas, até agora, o colapso não veio. E isso está deixando muita gente nervosa. Mas há, sim, o risco de uma outra crise: a de energia elétrica. Dilma está começando a vislumbrar o fantasma do apagão. Entendam: as chuvas que faltam para encher os reservatórios de São Paulo também faltam para as hidrelétricas. E como fica a promessa da governanta? Pois é…

Agora vamos aos fatos… político-hídricos. A água liberada pela usina do Rio Jaguari para o rio Paraíba do Sul sempre foi de 10 m³/s. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) mandou elevar esse volume primeiro para 42 m³/s. Depois, baixou para 30 m³/s. Seguindo ordens do governo do Estado, a Cesp não obedeceu à determinação. E por que não? Há o risco de desabastecer cidades de São Paulo que dependem dessa água.

Mas por que é preciso elevar a vazão? Porque Dilma quer gerar energia elétrica com ela; quer mais água para a Light — sim, leitores, é o medo do apagão; aquele que ela sempre tratou como se fosse coisa de lunáticos ou de sabotadores. Vale dizer: a presidente não quer rolo para o seu lado e resolveu jogar a batata quente no colo alheio. Ocorre que, para crise de abastecimento de energia, existem as termelétricas; para a de abastecimento de água, não.

É incrível a máquina mobilizada para demonizar o Estado de São Paulo. Ela começa ignorando a lei e termina na franca utilização do aparelho de Estado em favor da baixa política. Existe a Lei 9.433, de 1997, que é claríssima, a saber:
Art. 1º A Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos:
I – a água é um bem de domínio público;
II – a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;
III – em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais;

Fim de papo. Mas estamos na era dos leitores criativos de leis. Na Folha, o professor da Unicamp Antonio Carlos Zuffo afirma o seguinte. “Isso depende de cada município decretar estado de emergência. Enquanto eles não fazem isso, a situação é tida como normal”. Segundo o raciocínio, parece, não caberia, então, aplicar a lei. Ora, o texto legal está aqui. Procurem aí onde está escrito que a lei só se aplica mediante uma “decretação oficial de escassez” — seja lá o que isso signifique. Tenham paciência! De resto, que os municípios que hoje dependem da água do Jaguari decretem, então, a emergência, ora bolas!

Nos corredores do governo Dilma, fala-se até em uma intervenção do governo federal, já que os rios são propriedades da União. Uau! Convenham: há gente doidinha para botar a mão em São Paulo, não é mesmo? Como é difícil fazê-lo pelo voto, com a concordância do eleitor, quem sabe com tropas… Os petistas, afinal, gostam de mimetizar Getúlio Vargas…

Sim, é preciso parar com a exploração e com a vigarice política em torno dessa questão. Dilma não quer apagão, e Alckmin não quer desabastecimento de água. Como ele não está explorando o risco de parte do país ficar às escuras, ela deveria recomendar a seus companheiros que parem de fazer proselitismo sobre a crise hídrica. Afinal, não fica bem à presidente da República tentar punir São Paulo porque ela está com medo dos efeitos eleitorais de uma possível falta de energia elétrica.

Sem dúvida, os rios são federais. Mas os paulistas pertencem a um dos entes federados, governanta!

Por Reinaldo Azevedo

06/08/2014

às 20:59

Assessor do Palácio admite atuação na CPI, mas acha o absurdo normal… Ou: Um Zé Mané arrogante acha que pode dar pito na oposição; Dilma perdeu o controle!

Que gente exótica. Luiz Azevedo, braço-direito do ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, veio a público por meio de uma nota oficial para admitir que atuou, sim, na tramoia para fraudar qualquer resultado eventualmente honesto que pudesse ter a CPI da Petrobras no Senado. A VEJA revela a conspirata na sua mais recente edição. A Folha desta quarta informa que Azevedo fez parte da linha de frente do imbróglio. O governo tentou negar que estivesse envolvido até o pescoço no rolo. A presidente Dilma disse a respeito coisas incompreensíveis (vejam post). Mas não dava mais para disfarçar.

E não é que Azevedo, em sua nota,  parece ungido por Deus para cumprir uma missão? É… O homem não trabalha na Petrobras. O homem não trabalha no Senado. O homem não é assessor de parlamentar petista. Mesmo assim, ele revela o que parece ser uma tarefa passada pelo próprio Deus na sarça ardente da empulhação petista: “evitar o uso político eleitoral da CPI”. Quem é esse para se considerar protagonista de tal missão? A sua nota é o retrato de um tempo. Eu a reproduzo na íntegra. Volto em seguida.

Presidência da República
Secretaria de Relações Institucionais
Sobre matéria publicada na Folha de São Paulo – Ação na CPI da Petrobras foi combinada com assessores do Planalto
A respeito da matéria publicada nesta quarta-feira (6), no jornal Folha de São Paulo, esclareço: enquanto funcionário da Secretaria de Relações Institucionais, possuo duas atribuições fundamentais no tocante à CPI da Petrobras – relação com a estatal, para que a mesma atenda de forma organizada as demandas da Comissão com transparência e eficiência; e com os parlamentares da base e da liderança do governo.
Atuo em ambas as frentes para que todos os esclarecimentos, dados e fatos sejam prestados pela empresa, visando assegurar a qualidade das informações, evitando, dessa forma, o uso político eleitoral da CPI.
Por se tratar de uma ação investigativa do parlamento envolvendo uma empresa estatal, evidentemente a articulação política do governo não deve se omitir de participar dos debates com parlamentares, inclusive para a formação do roteiro e da estratégia dos trabalhos. Trabalhos esses que foram, desde o início, boicotados pela oposição, que agora se utiliza de oportunismo para explorar politicamente o factoide criado.
Em nenhum momento nossa atuação feriu as atribuições e soberania do parlamento, que preserva suas prerrogativas com denodo e independência.
Luiz Azevedo
Secretário Executivo da Secretaria de Relações Institucionais

Volto
Trata-se de uma notável coleção de absurdos. A nota já começa estupidamente errada quando este senhor afirma: “enquanto funcionário da Secretaria de Relações Institucionais, possuo duas atribuições fundamentais no tocante à CPI da Petrobras”. Como é que é? Este cara não tem de ter papel nenhum na comissão. Se tem dois, então é uma barbaridade duplicada.

Sem vergonha, sem constrangimento, ele diz quais são esses papéis:
1: atuar pra que a empresa forneça todos os dados;
2: fazer uma articulação com a base de apoio.

Eis um caso notável em que não se distinguem partido, empresa, Estado e governo. Tudo acaba submetido à mesma lógica e à mesma hierarquia. Ainda que ele estivesse bem intencionado, a Petrobras tem de fornecer as informações porque deve satisfações ao público, mormente porque é uma empresa de capital aberto. Um dos papéis de um secretário-executivo de Relações Institucionais é manter uma interlocução com o Congresso, com o Poder Legislativo, não apenas como uma fatia dele. Até porque não se trata de um trabalho de convencimento em favor de um projeto de lei ou de uma medida do Executivo. Ao contrário: o que se fez, de forma clara, arreganhada, explícita, foi tentar encabrestar o Parlamento.

Essa gente perdeu a noção do ridículo. Agora, assessor de segundo escalão se acha no direito de emitir nota pública com críticas à oposição… Alguém elegeu esse cara para alguma coisa? Ele já se submeteu ao crivo popular? Além de ser pego fora do lugar, fazendo o que não deve, arvora-se também em ombudsman da oposição.

Vai levar muitos anos para que o país se recupere da degradação institucional a que o submeteu o PT. Mas será preciso começar em algum momento. Antes tarde do que nunca. Um Zé Mané arrogante acha que pode dar pito na oposição. Dilma perdeu o que nunca teve: o controle do governo.

Por Reinaldo Azevedo

05/08/2014

às 2:35

Obra de Dilma – Conta de luz pode subir 14% para dar socorro às distribuidoras

Por Machado Costa, na Folha:
Documento interno da Aneel indica que o aumento da conta de energia provocado pelos empréstimos às distribuidoras será maior do que a agência reguladora tem afirmado publicamente. Segundo o documento, de 2013, assinado pelo então diretor Edvaldo Santana, a cada R$ 1 bilhão devido pelo setor, as tarifas de energia crescem 0,8 ponto percentual. Como os empréstimos totalizam R$ 17,7 bilhões, o impacto na tarifa será de exatos 14,16%. A lógica foi confirmada pela área técnica da Aneel. “Entretanto, vale lembrar que o repasse se dá durante dois ciclos tarifários, que ocorrem a partir de 2015″, afirmou a agência, em nota.

Na terça-feira da semana passada (29), o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, afirmou que o impacto na tarifa seria de apenas 8%, divididos em dois anos. “O reajuste [das tarifas] nunca é exclusivamente ligado ao valor do empréstimo”, disse. Algumas estimativas do setor sugerem que os reajustes possam chegar a 25% no próximo ano. A TR Soluções, por outro lado, indica reajuste de 13,42% em 2015, em uma visão otimista.

Na quarta (30), o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann, apresentou uma outra conta. Segundo ele, o impacto seria escalonado em três anos, com aumentos de 2,6% nas tarifas em 2015, de 5% em 2016 e de 1,4% em 2017. O governo corre para fechar a segunda parcela do empréstimo, de R$ 6,5 bilhões, que será feito às distribuidoras. Segundo o Ministério da Fazenda, a operação deve ser apresentada até sexta-feira (15).

As distribuidoras precisam dos recursos para cobrir a chamada “exposição involuntária”, situação criada pelo término de contratos entre distribuidoras e geradoras em 2013 e que não foram repostos nos leilões organizados pelo governo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2014

às 19:50

Consultor do PT chama candidato tucano de “Satanécio” e afirma que pessoas que se opõem a Dilma latem

Há dias, a presidente Dilma Rousseff afirmou que faria uma campanha sem ofensas e xingamentos, ainda que tenha acusado a oposição de apostar no “quanto pior, melhor”, o que é, claro!, umas das piores formas de… xingamento!

Desde a campanha de 2010, o PT adotou o perfil “Dilma Bolada”, criado por um tal Jeferson Monteiro, como uma espécie de voz oficiosa da presidente — é, assim, a sua versão bem-humorada. Jeferson chegou a anunciar a morte do perfil, alegando que estava cansado de apanhar dos adversários da petista. O PT correu em seu socorro, e o rapaz foi contratado como “consultor do partido” — segundo ele, sem dinheiro. É… Vai ver os companheiros estão interessados apenas na sua inteligência…

Pois bem, o agora “consultor” do PT publicou a seguinte mensagem no Twitter na noite de domingo, informa a Folha: “O pai do menino deveria ter levado o Aécio pra fazer carinho no tigre e não o filho”.

Dilma Bolada 1

Como se vê, o cara se aproveita de uma tragédia para fazer o que deve considerar uma coisa engraçada. Pessoas que já fizeram piada com o fato de Lula não ter o mindinho da mão esquerda foram esmagadas pelas patrulhas petistas. Era como se tocassem numa figura santa. Fazer blague, no entanto, com uma criança que perdeu um braço, que mal há, não é mesmo?

O dito consultor achou que era pouco. Diante da reação negativa, emendou: “As forças das trevas reclamando porque eu disse que o tigre tinha que comer o Satanécio. Não vai pq o tigre não merece. Podem latir!!!”.

Dilma Bolada 2

Entenderam? O PT contratou um consultor que considera os adversários “forças das trevas”, que associa o nome de um candidato de oposição a “Satã” e que afirma que milhões de eleitores da oposição “latem”.

Alguém poderia dizer que não é o caso de se dar grande importância a esse cara, que está longe de ser a voz do partido etc. Será mesmo? Ora, por que ele recorre a tais baixarias? Porque lhe disseram que pode, ora essa! Porque foi informado que esse é o caminho. Porque esse é o ambiente no partido ao qual ele serve.

Tudo bem pensando, acusar a oposição de defender o “quanto pior, melhor” não é muito distinto de afirmar que ela late. São considerações que estão na mesma frequência.

Eis o alto nível…

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2014

às 15:42

TSE multa Mercadante por propaganda eleitoral para Dilma

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta sexta-feira multar o ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante por propaganda eleitoral antecipada em favor da presidente Dilma Rousseff (PT). A multa aplicada ao ministro é de 7.500 reais. Em 15 de junho – três semanas antes do início da campanha eleitoral – Mercadante utilizou-se da estrutura do Planalto para responder a críticas do tucano Aécio Neves sobre a organização da Copa do Mundo – e defender Dilma como a mais preparada para o cargo de presidente da República.

 O ministro decidiu convocar para um domingo uma coletiva a pretexto de realizar um balanço do monitoramento da Copa. Para o Ministério Público Eleitoral (MPE), Mercadante, durante o evento, “passou-se a ação de cunho político-eleitoral, com manifesta propaganda eleitoral extemporânea em favor de Dilma Rousseff”. A manifestação de Mercadante contrária ao que classificou como o “governo tucano” é irregular, segundo o MPE, porque “que leva ao conhecimento geral, ainda que de forma dissimulada”, a defesa da recondução de Dilma Rousseff ao cargo de presidente.

Na sessão desta sexta-feira, o TSE ainda rejeitou recurso do PSDB que questionava Dilma por o que os tucanos consideraram propaganda eleitoral antecipada no pronunciamento em rede nacional de rádio e TV durante o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março. Apesar de a petista ter feito referências a programas de qualificação técnica ou de inserção ao ensino superior, não diretamente relacionados às comemorações pelo Dia da Mulher, a maioria dos ministros entendeu que não houve propaganda antecipada ou irregular.

O plenário da corte também aprovou o registro de oito candidatos à Presidência da República, entre os quais os de Dilma Rousseff (PT), Pastor Everaldo (PSC) e Eduardo Jorge (PV). Os ministros não apreciaram nesta sexta a documentação para registro das candidaturas do senador Aécio Neves (PSDB), do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) e da ex-deputada Luciana Genro (PSOL). O caso dos três deverá ser definido nas próximas sessões do TSE.

A análise dos pedidos de registro dos candidatos à Presidência leva em consideração, por exemplo, se os políticos têm condenações que os enquadrem na Lei da Ficha Limpa e se apresentaram todos os documentos exigidos por lei. Para estarem aptos a concorrer às eleições de outubro, os candidatos e seus respectivos vices devem apresentar à Justiça Eleitoral declaração de bens, certidões criminais, certidão de quitação eleitoral, entre outros dados. Até o momento, o TSE aprovou o registro das candidaturas de Levy Fidelix (PRTB), José Maria Eymael (PSDC), Dilma Rousseff (PT), Mauro Iasi (PCB), Eduardo Jorge (PV), Rui Costa Pimenta (PCO), Zé Maria (PSTU) e Pastor Everaldo (PSC).

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2014

às 5:53

Mais um ato escandalosamente ilegal: desta feita, a protagonista é Dilma

Mais um ato ilegal na CUT. Mais uma vez a Lei Eleitoral, a 9.504, foi escandalosamente afrontada. Mais uma vez, um dinheiro de origem pública, coletiva, foi posto a serviço de uma candidatura, de um partido, de um grupo de políticos. Desta feita, a protagonista da agressão ao estado democrático e de direito é ninguém menos do que a presidente Dilma Rousseff. Ela é uma das estrelas daquele partido, o PT, que exigiu — e obteve — a cabeça da funcionária de um banco privado que ousou dizer a verdade aos clientes: quando o mercado avalia que Dilma melhora nas pesquisas, os indicadores econômicos pioram. Que coisa! Uma mulher, de uma empresa privada, porque diz uma verdade, tem a cabeça entregue a Lula na bandeja. A presidente da República, jogando a lei na lata do lixo, não é molestada por ninguém.

A que me refiro? Nesta quinta, foi a vez de Dilma discursar num evento da CUT, central sindical que é financiada, entre outras fontes, pelo imposto sindical, pago compulsoriamente por todos os trabalhadores formalizados, sejam sindicalizados ou não. Lula já tinha discursado lá. Os dois usaram o encontro da central para fazer proselitismo eleitoral em favor do PT e, ainda mais escandaloso, para satanizar a oposição. Dilma deu mostras, mais uma vez, de que, pressionada, pode tirar do fundo do baú o pensamento da velha militante da VAR-Palmares, aquela que não tinha adversários, mas inimigos políticos, que tinham de ser eliminados. E os grupos aos quais ela pertenceu mataram inocentes. Sigamos.

Em franca campanha eleitoral, a presidente afirmou que seus adversários querem acabar com os benefícios sociais. Num momento em que a retórica resvalou no chão, mandou brasa: “Nós vamos fazer uma campanha respeitosa, não precisamos xingar ninguém. Agora, é uma campanha que vai confrontar a verdade ao pessimismo que querem implantar no Brasil, que querem criar o ambiente de quanto pior melhor. Nós queremos um Brasil de quanto mais futuro melhor”.

Não existe xingamento maior, ofensa maior, agravo maior, na política, do que atribuir a adversários o jogo do “quanto pior, melhor”, especialmente quando estes disputam o poder, como é o caso, segundo as regras do jogo. Por quê? Que grande programa do governo Dilma os oposicionistas sabotaram? Contra que grande benefício social eles se opuseram? A pecha valeria, sim, é para aquele PT que votou contra o Plano Real e que tentou derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Apelando ao drama vulgar, afirmou:
“Não fui eleita nem serei reeleita para colocar nosso país de joelhos diante de quem quer que seja. Isso significa também reconhecer para vocês que eu não sou uma pessoa pretensiosa. Posso não acertar sempre, como qualquer outro ser humano, posso não agradar a todos, aliás acho que desagrado alguns. Eu não traio meus princípios, meus compromissos, não traio minha parceria…”.

Quem pôs o país de joelhos antes dela? Contra a vontade do PT, o país se levantou, isto sim, da hiperinflação, por exemplo. Ainda voltarei ao assunto, é claro! Não deixa de ser fascinante que alguém faça um discurso tão tonitruante no momento em que atropelava princípios básicos do republicanismo. Tem de ter muita cara de pau.

Ah, sim, claro, claro! Consta que o PT vai pagar o custo do evento. É mesmo? Quer dizer, então, que os três dias da 14ª Plenária da CUT serão custeados por um partido político? Bem, nesse caso, nem é preciso investigar se houve a ilegalidade: já há uma confissão.

Texto publicado originalmente às 21h29 desta quinta

 

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 6:53

Dilma na sabatina da CNI: uma presidente pra lá de “Fugujima”

Na sabatina de que participou na Confederação Nacional da Indústria, a presidente Dilma Rousseff voltou a atacar o que chamou de “surtos de pessimismo”, afirmando, para certo espanto geral, que uma das marcas de sua gestão foi ter “resgatado a política industrial, superando preconceito dos que, durante muito tempo, disseram que o Brasil não precisava de política industrial”. Huuummm… Quais são exatamente as medidas do governo Dilma que podem ser consideradas uma “política industrial”? A rigor, com uma administração um pouquinho mais competente das políticas monetária e cambial e com outras prioridades, nem seria necessário ter uma “política industrial”.

A fala da presidente Dilma indica que o governo perdeu a capacidade de enxergar o que vem adiante. Administram-se dificuldades contingentes, com incentivos aqui, desonerações ali… Não é, obviamente, política industrial. Na verdade, não chega a ser nem política econômica.

A presidente falou coisas que afrontam escandalosamente a verdade. Referindo-se à crise de 2008, afirmou a nossa soberana: “Preparamos a base para a retomada do crescimento. Não desorganizamos a economia, como se fazia no passado. Não recorremos sistematicamente ao FMI”. Ah, presidente! Esse tipo de conversa pode funcionar para outro público; pode servir para a retórica palanqueira… Mas na CNI? O partido que votou contra o Plano Real e recorreu ao STF contra a Lei de Responsabilidade Fiscal vem dizer que “não desorganizamos a economia como no passado”? E não custa lembrar: o país só recorreu ao FMI em 2002 por causa do risco PT. O mercado levava o partido a sério e acreditava que ele iria fazer o que prometia. Ou por outra: apostou que o PT fosse intelectualmente honesto e praticasse o que pregava. Felizmente, os petistas não acreditavam no seu próprio credo.

Num dado momento de sua exposição, Dilma se atrapalhou toda: subtraiu 4 de 13 e encontrou 7. Corrigiu-se em seguida e chegou a 9. Tentou falar do furacão Katrina, mas se atrapalhou e se referiu “àquilo” — cujo nome não se lembrava (era o tsunami) — que aconteceu, segundo ela, em Fugujima, seja lá onde fique essa cidade. Ninguém entendeu nada. Mas, creiam, não foi o momento mais confuso de sua exposição. Foi apenas o mais engraçado.

Dilma participava da sabatina no dia em que veio a público a informação de que a economia americana cresceu acima da expectativa. No horizonte de curto prazo, estão a elevação dos juros americanos e a possível fuga do Brasil de investimentos de curto e de médio prazo. Nesta terça, o FMI anteviu que essa é uma das precondições que podem jogar a economia brasileira numa nova crise. Guido Mantega tentou desancar o FMI. Os fatos pendem para o lado do Fundo. O que Dilma tem a dizer a respeito?

Na década de 70, Caetano lançou a música “Qualquer Coisa”, em que se ouve: “Você tá pra lá de Teerã”… Dilma está pra lá de “Fugujima”!!!

Texto publicado originalmente às 20h04 desta quarta

 

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2014

às 15:38

Terror petista – Cabe perguntar: a partir de hoje, as análises que bancos fazem a seus clientes buscarão atender aos interesses de quem?

Muito bem! A analista que foi considerada a responsável por ter anexado a extrato de correntistas uma análise sobre o comportamento dos indicadores econômicos vis-à-vis à posição de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais foi demitida. Lula pediu a cabeça da moça a seu amigão, Emilio Botín, presidente mundial do Santander, e o banqueiro deu o que ele queria. Vale dizer: o chefão petista investiu e obteve os devidos dividendos eleitorais. A partir de agora, uma questão está criada — e não só para o banco que troca cabeças por gentilezas do petismo.

Bancos também atuam como consultores de investimentos. Não são meros lugares em que se deposita o dinheiro. Em qualquer democracia do mundo, um episódio como esse nem mesmo seria notícia. Por aqui, virou um escândalo em razão da mistura sempre explosiva de ignorância com má-fé política. Não só isso. Somos também um país viciado em arranca-rabo de classes. Os que receberam a tal avaliação eram correntistas com contas acima de R$ 10 mil. Foram tachados de “ricos” por setores da imprensa. Ricos? Bem, num país em que uma família com renda per capita de R$ 300 já é considerada pelo governo “classe média”, tudo é possível.

Pergunto: doravante, as análises que o Santander e os demais bancos oferecerem a seus clientes têm alguma validade ou serão redigidas pelo medo e pela patrulha? Quando os consultores das instituições financeiras emitirem as suas opiniões, estas terão sido, antes, submetidas ao Comitê de Censura do Petismo? Se uma opinião considerada incômoda a um partido rende pedido de desculpas e demissão, devo entender que as que não rendem podem até estar em desacordo com a realidade, mas adequadas àquilo que pensam os poderosos de turno?

De resto, insisto num aspecto: a moça demitida do Santander não disse nada que não tenha sido dito na Folha, na VEJA, no Estadão, no Globo, na Globo ou na Jovem Pan. Aí o idiota grita: “Ah, mas essa é a mídia golpista”. Errado! A bancária demitida não afirmou nada além do que o próprio Lula vem afirmando, com uma única diferença: ao fazê-lo, ele usa o episódio para exaltar Dilma. A ex-analista do Santander se limitou a fazer uma constatação.

Esse episódio é vergonhoso e dá conta da cultura autoritária de um partido político, incapaz de conviver com a divergência. A presidente Dilma, numa avaliação tacanha, considerou que a análise enviada aos correntistas era uma tentativa de o mercado interferir nas ações de governo. É mesmo? Ainda que assim fosse, o que haveria de errado? Quando a CUT, o MST, o MTST e um sem-número de siglas tentam interferir nas políticas públicas, tal inciativa é ou não legítima? E olhem que há uma diferença brutal: com alguma frequência, esses entes que cito não se manifestam apenas por meio de notas, mas da ação direta, que cassa direitos de terceiros sob o pretexto de defender… direitos.

Nesta quarta, por exemplo, falaram na Confederação Nacional da Indústria os presidenciáveis Eduardo Campos, Aécio Neves e Dilma Rousseff. Já no evento da CUT — uma entidade financiada com dinheiro público, dos trabalhadores, forçados a financiá-la por meio do imposto sindical —, só o petismo tem voz; só o petismo é convidado a se manifestar, numa afronta escancarada à Lei Eleitoral.

A síntese é a seguinte: a analista do Santander foi demitida sem ter descumprido um milímetro da lei. Dilma será aplaudida amanhã, em evento da CUT, transgredindo a lei. Ou tentem me provar que estou errado.

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2014

às 3:06

O CIRCO DE HORRORES – Dilma volta a falar sobre conflito israelo-palestino e mete, de novo, a política externa brasileira no lixo, agora sob os auspícios do regime bolivariano, francamente antissemita

A presidente Dilma Rousseff participou nesta terça de um troço impossível: uma reunião de cúpula do Mercosul. A questão é simples: ou bem alguma coisa é de cúpula ou bem é do Mercosul. As duas palavras não podem compor uma unidade semântica. Convenham: reúnam-se Dilma, Cristina Kirchner, Nicolás Maduro e José Mujica… Tinha de tudo: anã diplomática, mulher transformista, domador com chicote e palhaço… O Mercosul é aquela estrovenga que impede o nosso país de firmar acordos bilaterais e que está ajudando a enterrar a indústria brasileira. O encontro aconteceu na Casa Amarilla, no Centro de Caracas. Os jornalistas foram proibidos de chegar perto do circo. Ninguém por ali gosta de liberdade de imprensa.

Entre as muitas irrelevâncias, houve, claro, espaço para dizer delinquências políticas sobre o conflito israelo-palestino. E tal honraria coube a Dilma, que não se dispensou de manchar mais uma vez a diplomacia brasileira. Disse ela: “Desde o princípio, o Brasil condenou o lançamento de foguetes e morteiros contra Israel e reconheceu o direito israelense de se defender. No entanto, é necessário ressaltar nossa mais veemente condenação ao uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças”.

“Desde o princípio”, quando? A nota oficial do Itamaraty, junto com a ordem para o retorno do embaixador brasileiro em Tel Aviv, ignorava os ataques do Hamas. Sucessivos governos do PT, que puxam o saco de todas as ditaduras islâmicas, têm condenado Israel de forma sistemática.

Dilma nunca soube direito o que dizer sobre a maioria dos assuntos. Então candidata a presidente, em 2010, ela participou, no dia 14 de maio, em Brasília, da “Missa dos Excluídos”, que encerrou o 16º Congresso Eucarístico Nacional. Foi indagada sobre a legalização do aborto, à qual ela era francamente favorável. Disse o seguinte:
“Não é uma questão se eu sou contra ou a favor, é o que eu acho que tem que ser feito. Não acredito que mulher alguma queira abortar. Não acho que ninguém quer arrancar um dente, e ninguém tampouco quer tirar a vida de dentro de si”.

Entenderam. Na cabeça de Dilma, não havia diferença entre um feto e um dente estragado. É com essa propriedade que ela reflete sobre assuntos graves. E não foi diferente ao se pronunciar sobre a criação de um Estado palestino, segundo ela, uma “precondição para a paz”. Uau! Dilma acha que, primeiro, Israel deve permitir que os palestinos criem o seu estado, mesmo debaixo de foguetes e sob ataques terroristas. Aí, então, é só cuidar da paz. A diplomacia israelense foi suave ao chamar o Brasil de anão diplomático. O Mercosul divulgou uma nota no mesmo tom.

É uma ironia patética que essa declaração tenha sido feita na Venezuela. O bolivarianismo é francamente antissemita. Em 2009, Chávez expulsou o embaixador de Israel de Caracas sob o pretexto de protestar contra a incursão de então à Faixa de Gaza. Foi fartamente elogiado pelos terroristas do Hamas, do Hezbollah e pelo governo do Irã. Em 2012, um estafeta do chavismo publicou um artigo no site da Rádio Nacional da Venezuela com um ataque bucéfalo ao candidato da oposição, Henrique Caprilles Radonski, cuja família é de origem judaica, chamando-o de “porco”. Foi além e escreveu: “Este é o nosso inimigo, o sionismo que Capriles Radonski hoje representa, que não tem nada a ver com uma força nacional e independente”. O artigo incitava os venezuelanos a rechaçar “o sionismo internacional, que ameaça com a destruição do planeta que habitamos”. E, claro!, pedia votos para Chávez. É pouco? Os chamados círculos bolivarianos são infiltrados por militantes ligados ao Hezbollah, o movimento terrorista que governa o sul do Líbano. E o Irã segue sendo um dos principais parceiros do governo Maduro, como era de Chávez.

E nessa lata de lixo que a presidente Dilma mete a política externa brasileira.

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2014

às 14:28

Dilma e a Faixa de Gaza – Não é nem genocídio nem massacre, presidente. É só ignorância!

Volto à sabatina a que se submeteu a presidente Dilma Rousseff, promovida pela Jovem Pan, pela Folha e pelo SBT. Mesmo em condições especiais na comparação com outros candidatos — afinal, ela estava em sua casa, ainda que temporária (o Palácio da Alvorada), e sem público —, e com entrevistadores, no geral, benevolentes, seu desempenho foi pífio. Já escrevi a respeito (leiam post). Volto ao assunto.

Começo pela questão israelo-palestina. Contrariando a avaliação de um dos gênios que ela tem na assessoria, Marco Aurélio Garcia — este milagre às avessas da natureza! —, Dilma avalia que não há “genocídio” na Faixa de Gaza. Ah, bom! Não deixa de ser um avanço. Mas ela vê um “massacre”. Está igualmente errada. Massacre é o que as milícias árabes fizeram em Darfur, presidente, no Sudão, sob o silêncio cúmplice do PT. Foram mais de 500 mil mortos, e o governo brasileiro se negou a condenar o ditador Omar al-Bashir. Massacre é o que praticou Bashar al-Assad em algumas cidades da Síria, sob o mesmo silêncio pusilânime do seu governo. Em Gaza, por mais dramática que seja a situação — e é —, trata-se, sim, de uma guerra. E o grande número de vítimas civis se deve à forma como o Hamas organiza a sua milícia, usando a população como escudo, o que é franca e escancaradamente admitido pelos terroristas. Um “massacre”, soberana, não é mera questão subjetiva.

Uma presidente da República não pode falar o que lhe dá na telha, especialmente sobre política externa. Afinal, representa o conjunto dos brasileiros. Dilma deu vexame. Afirmou que o Brasil foi o primeiro país a reconhecer o estado de Israel. Provavelmente, lembrou-se de que o brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a sessão da ONU que decidiu a partilha do antigo protetorado britânico entre os estados de Israel e a Palestina. Os  árabes não aceitaram, e vocês conhecem o resto da história. Precederam o Brasil no reconhecimento oficial de Israel — o que se deu em 1949 — os EUA e a antiga União Soviética. Imagino um candidato à Presidência dos EUA dizendo uma batatada dessa natureza. A coisa seria fartamente explorada pela imprensa. Por aqui, passa como graça.

Economia e pessimismo
Dilma não se saiu melhor quando se referiu à economia. Estava mesmo num dia infeliz. Referindo-se ao que considera ser apenas “pessimismo” infundado, a soberana resolveu estabelecer um paralelo com as expectativas negativas que muitos tinham em relação à Copa do Mundo. Parece que a equipe de marketing achou que essa é uma boa ideia.

Ocorre que os dados ruins da economia  — juros de 11%, crescimento na casa de 1% e inflação, no momento, acima do teto da meta (6,5%), para citar alguns números — são uma realidade presente, não um sentimento, uma aposta ou um presságio ruim. Dilma chegou a dizer que “nenhum país se recuperou” da crise, o que é uma piada — ainda que involuntária. A maior economia do planeta, os EUA, vão crescer 1,7% neste ano (o Brasil deve ficar abaixo de 1%) e 3% no ano que vem (a previsão, por aqui, está em torno de 2%). O Brasil cresce a uma taxa muito inferior à da maioria dos países latino-americanos e de economias ricas da Europa.

Dos três principais candidatos, ela foi, de longe, a que teve o pior desempenho, embora esteja na Presidência da República e disponha de instrumentos que lhe permitem fazer agora o que diz que pretende fazer um dia.

Por Reinaldo Azevedo

28/07/2014

às 20:58

A sabatina com Dilma: três momentos patéticos

Ah, Dilma Rousseff, Dilma Rousseff… Vou comentar aqui ao menos três momentos da sabatina a que se submeteu a presidente, nesta segunda, promovida pela Jovem Pan, pela Folha e pelo SBT. Os meus destaques são um pouquinho diferentes dos que estão por aí. Vamos lá.

A presidente foi indagada sobre a tal cartinha enviada pelo Santander a um grupo de clientes afirmando que a sua ascensão ou estabilização nas pesquisas eleitorais provocariam uma deterioração dos índices econômicos. Dilma chamou a atenção para a suposta gravidade do fato — e não há nenhuma — e disse que o governo não pode aceitar esse tipo de interferência. Ficou no ar a sugestão de que uma instituição estrangeira tentou se meter nos assuntos nacionais. Alguém chegou a indagar, ridiculamente, se a presidente pretenderia processar o banco. Ela não descartou de maneira peremptória a hipótese absurda. Até parece que isso seria possível!

Em primeiro lugar, não houve interferência de ninguém em coisa nenhuma. O Santander estava falando com os seus clientes. Mais: não há distinção entre empresa nacional e estrangeira, banco ou não. Processo? Os bancos funcionam mediante uma carta de concessão, que pode ser cassada. Por que Dilma não diz que lei o Santander desrespeitou?

Segundo momento
O segundo momento, que beirou o patético, avançando para o involuntariamente cínico, diz respeito ao dinheiro que ela confessou guardar no colchão: R$ 152 mil. Em 2010, eram R$ 113 mil. Os jornalistas tentaram saber por quê. Ela evocou os tempos de clandestinidade, quando ter bens, digamos, carregáveis, poderia ser até uma questão de sobrevivência. Ninguém, obviamente, entendeu nada. Disse ainda que dá dinheiro à sua filha. Huuummm… E se aplicasse a grana no… Santander?

Um dos jornalistas lembrou que, investido, esse dinheiro renderia R$ 10 mil num ano. Dilma, então, mandou ver: “O que é (sic) R$ 10 mil?”. Percebeu a mancada e tentou se corrigir: “R$ 10 mil são muito; eu não jogo fora nenhum dinheiro”. Como se nota, joga!

A memória histórica agora entra quase como piada, mas é óbvia. Dilma, sob o codinome Estella, foi a mentora de um roubo milionário. Em julho de 1969, três carros com 11 guerrilheiros da VAR-Palmares estacionam em frente à casa no bairro carioca de Santa Teresa, onde morava um irmão de Ana Capriglioni, notória amante do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. Lá, executando uma operação minuciosamente planejada por “Estella”, que não tomou parte na ação, a VAR-Palmares roubou um cofre de chumbo pesando 300 kg, recheado com uma bolada de US$ 2,16 milhões.

Pouco tempo depois, a VAR-Palmares se desintegra, por desentendimentos entre “Estella” e Carlos Lamarca. A maior parte do grupo seguiu a agora presidente — na época, Cláudio, seu primeiro marido, partira para Cuba a bordo de um avião sequestrado, e Dilma já se enamorava de Carlos, o gaúcho da VAR-Palmares — com quem veio a se casar e com quem teve Paula, a única filha, hoje procuradora do Trabalho em Porto Alegre — de quem se separou já depois da redemocratização.

Parte do dinheiro — US$ 1 milhão — teria sido doada aos rebeldes argelinos. O resto teria sido usado para financiar a guerrilha. Seja como for, uma das guardiãs da grana era… Dilma! Virá daí a sua fixação por dinheiro em moeda sonante?

Mensalão
O terceiro momento grotesco da presidente diz respeito aos mensalões petista e mineiro. Ela acusou tratamento desigual dispensado aos respectivos: “dois pesos e umas 19 medidas”. Bem, trata-se apenas de uma mentira. O mensalão mineiro ainda não chegou ao estágio do julgamento porque foi admitido pela Justiça bem depois do petista. Não há condescendência nenhuma da Justiça, do Ministério Público ou da imprensa! Muito pelo contrário. Insiste-se em dar tratamento igual ao que é desigual. No caso de Minas, sim, tratou-se, tudo indica, de caixa dois, mas não da compra de parlamentares, que é o aspecto mais grave da malandragem petista.

De resto, não ficou claro a quem Dilma estava se referindo. Sim, ela é candidata à reeleição. E isso evidencia que é presidente e que na Presidência está. Aliás, só fez sabatina em condições especiais — no Palácio da Alvorada e sem público — por isso. Não cabe à chefe do Executivo fazer considerações que sugiram que a Justiça age de modo partidário e discricionário, o que também é falso.

A sabatina demonstrou que, no seu quarto ano de governo, Dilma continua sem ter o que dizer. E olhem que ela contou com interlocutores bastante brandos.

Por Reinaldo Azevedo

28/07/2014

às 19:35

Dilma admite efeitos de crise financeira: “Todos nós erramos”

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Comento no próximo post.
A presidente-candidata Dilma Rousseff admitiu nesta segunda-feira que o Brasil sofre os efeitos da crise financeira internacional e afirmou que a avaliação do então presidente Lula, que se referiu à turbulência como “marolinha”, foi equivocada. “Todos nós erramos, sabe por quê? Porque a gente não tinha ideia do grau de descontrole que o sistema financeiro internacional tinha atingido”, disse ela. Dilma participou de sabatina promovida pela Folha de S. Paulo, peloUOL, SBT e pela rádio Jovem Pan. ”Nós minimizamos os efeitos da crise sobre a economia brasileira”, disse a presidente, quando tentava explicar os números acanhados do crescimento econômico em seu governo. Ela também afirmou que “nenhum país se recuperou” até agora.

Mensalão
Durante a sabatina, que durou cerca de uma hora e meia, Dilma também respondeu sobre o episódio do mensalão e, apesar de dizer que não comenta decisões judiciais, afirmou que falta critério à Justiça. “Nessa história da relação com o PT, tem dois pesos e umas dezenove medidas, porque o mensalão foi investigado, agora o mensalão mineiro, não”, afirmou ela, esquecendo-se que o valerioduto mineiro foi investigado, porém ainda não foi julgado porque o processo mudou de instância no Judiciário. “No nosso caso, tomamos todas as providências. Nós não tivemos nenhum processo de interromper a Justiça, não pressionamos juiz, não falamos com procurador, não engavetamos processo”, continuou.

Ainda falando sobre corrupção, Dilma admitiu que, para atender a um pedido do PR, trocou o ministro dos Transportes, César Borges, por Paulo Sérgio Passos – que ela havia demitido do mesmo ministério em 2011, em meio a denúncias de desvio de recursos. Dilma negou, entretanto, que o episódio tenha caracterizado chantagem em troca do apoio do PR nas eleições – e dos minutos do partido na propaganda eleitoral na TV. “Eu me sentiria chantageada se eu colocasse no Ministério dos Transportes uma pessoa na qual eu não confio e que não conheço”, disse.

A petista também se enrolou ao comentar por que voltou a se aliar a Carlos Lupi, demitido do cargo de ministro do Trabalho após recomendação do Comitê de Ética Pública da própria Presidência. “Não vou concordar em chamar o ex-ministro Lupi de um cara que fez malfeitos. O ministério pode ter cometido falhas administrativas que vários ministérios (sic), nem um, nem dois, nem três…”, declarou, sem completar a frase.

No final, Dilma cometeu uma gafe e tentou corrigi-la a tempo: tentando explicar a mania de guardar dinheiro vivo em casa (152.000 reais, segundo a declaração entregue ao Tribunal Superior Eleitoral). Ela lembrou os tempos em que foi perseguida pela ditadura, mas não conseguiu apresentar uma explicação convincente: “Tenho essa mania com esses meus 150.000 reais que não vou mudar”. Um dos entrevistadores afirmou que, se investisse esse montante na poupança, Dilma ganharia pelo menos 10.000 reais por ano. Dilma respondeu: “O que que é 10.000?”. Segundos depois, ela percebeu o potencial negativo da frase e emendou: “Eu acho que 10.000 são muito, eu não jogo fora nenhum dinheiro”.

Por Reinaldo Azevedo

28/07/2014

às 19:27

“Sou pago para falar o que penso”, diz analista de consultoria cerceada pelo PT

Por Ana Clara Costa, na VEJA.com:
Na última sexta-feira, toda a artilharia petista se armou contra o banco Santander depois que um relatório enviado a clientes de alta renda previa mais dificuldades para a economia brasileira se a presidente Dilma Rousseff se reeleger. Temendo represália, o banco enviou nota ao mercado desculpando-se pelo texto da equipe de análise e assegurando que medidas haviam sido tomadas em relação aos responsáveis. No mesmo dia, o partido silenciosamente protocolou uma representação contra a consultoria de investimentos Empiricus Research no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A justificativa foi a mesma que a usada pelo presidente do PT, Rui Falcão, para recriminar o banco Santander na sexta-feira: “terrorismo eleitoral”. Ou, de forma mais sofisticada, “fazer manifestações que interfiram na decisão de voto”.

Segundo a representação, a Empiricus estaria vinculada ao candidato tucano Aécio Neves, à coligação Muda Brasil e ao Google numa campanha com o intuito de manchar a imagem da presidente Dilma por meio de propaganda paga. A consultoria, conhecida no mercado pela forma dinâmica e descomplicada com que produz suas análises, anunciou alguns de seus textos por meio da ferramenta Google Ads. Ao longo do último mês, permaneceram em evidência no Google os anúncios mais clicados por leitores, que eram justamente os textos intitulados: Como se proteger de Dilma e E se Aécio ganhar. O ministro Admar Gonzaga, do TSE, acatou o pedido protocolado em nome de Dilma e concedeu liminar impedindo a Empiricus de propagandear suas análises no Google. O gigante da internet também foi alvo de representação, assim como o candidato do PSDB e sua coligação. Em entrevista ao site de VEJA, o autor dos textos, Felipe Miranda, afirmou que a medida não intimidará seu trabalho. “O que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso”, afirma. Confira trechos da conversa.

O TSE informou a consultoria sobre a representação do PT?
Não, ainda não recebemos nenhum comunicado oficial. Ficamos sabendo pela internet. Mas a situação é absurda, pois não há campanha eleitoral da nossa parte. Podem não gostar do que escrevemos, mas nos colocar ali é absurdo.

Estão impedidos de produzir análises com foco eleitoral?
Não. Há uma liminar que nos obriga a tirar aqueles textos do ar. Mas não existe a possibilidade de alguém nos proibir de fazer nossas análises críticas, pois aí seria censura explícita. Já seria um ato institucional contra a liberdade de expressão. Além disso, o que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso.

Como o Google distribuiu os anúncios dos textos produzidos pela Empiricus?
Os dois textos são muito claros: tratam de uma tese econômica que não é nova e que mostra que a bolsa cai quando a Dilma sobe nas pesquisas, e sobe quando o Aécio melhora. O objetivo é simples: nossos clientes devem se proteger desses solavancos. Os anúncios dos textos chegam de forma idêntica ao Google, mas, de acordo com a métrica de distribuição desses anúncios, ficam mais expostos os que são mais clicados. Diante disso, podemos escolher tirar do Google Ads os anúncios menos rentáveis. O que não foi o caso dos anúncios sobre as perspectivas econômicas num cenário de vitória da Dilma e do Aécio.

A consultoria sofreu algum tipo de represália fora a representação no TSE?
Tirando esse clima de caça às bruxas, de perseguição, nada foi feito. Há, claro, a militância. Desde a semana passada recebo xingamentos e ameaças de toda a natureza por email e por meio das redes sociais. Nosso site já caiu várias vezes e tentaram invadir nossos emails.

Desde a repercussão do caso Santander, o mercado está mais amedrontado?
Não posso falar pelo mercado, pois não estou a par. Mas o que é certo é que estão tentando cercear nossa liberdade e nosso dever fiduciário de prover boas dicas. Nós estamos pessimistas em relação à economia e não posso ignorar isso em minhas análises. No caso do Santander, entendo que ficou feio para o banco ter de voltar atrás na opinião de um analista. Mas não me surpreende, pois os grandes bancos não querem romper relações com o governo. Mas nós somos independentes e só temos compromisso com nossos clientes.

Por Reinaldo Azevedo

25/07/2014

às 4:43

Carvalho, por enquanto, vence braço de ferro, com auxílio de Lula, e fica no governo, sabotando-o. Então que fique!

Gilberto Caralho: Lula vence batalha e mantém seu espião no governo

Gilberto Carvalho: Lula vence batalha e mantém seu espião no governo

Dedico nesta sexta, na Folha, mais uma coluna a Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, vejam lá. A presidente Dilma Rousseff já percebeu que ele não é exatamente alguém que lute para que ela se reeleja. Em certa medida, pode até fazer o contrário: Carvalho é o tipo de militante que, caso considere que a doutrina partidária está sendo contrariada, prefere a derrota que purifica à vitória que não honra os fundamentos.

A luta dos que tentam botar Carvalho para fora do Ministério continua, a começar de Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil. Mas não será fácil. E, por enquanto ao menos, os seus adversários internos foram derrotados. A razão é simples. Luiz Inácio Lula da Silva, o chefão nº 1 do PT, entrou em ação para manter no Planalto o chefão nº 2 do partido — justamente Carvalho, que atua como seus olhos, mãos e ouvidos. Segundo a família de Celso Daniel, prefeito assassinado de Santo André, as mãos de Carvalho carregaram bem mais do que um destino.

Carvalho é o Savonarola do PT e do Planalto, aquele que se apresenta como o chefe da doutrina e o purificador, o que lhe rende também simpatias em amplos setores da imprensa, que o veem como um homem sem ambições pessoais. Quem quiser que se comova. Tomem o caso do Decreto 8.243, aquele que disciplina a participação dos movimentos sociais no governo federal. É claro que a presidente Dilma não foi obrigada a assinar aquela porcaria. Por sua própria vontade, no entanto, isso seria deixado pra lá. Quem forçou a mão foram setores do PT e, evidentemente, Carvalho. Diante da resistência da Câmara — na verdade, do Congresso —, em vez de buscar a conciliação, o convencimento, o entendimento, ele anuncia uma “guerra” e uma “luta até o fim”.

De junho do ano passado a esta data, a Carvalho cabia o chamado “diálogo” com os movimentos sociais — ou por outra: a sua função era justamente desarmar o gatilho das manifestações violentas, que acabaram caindo no colo de Dilma Rousseff. E o que se sabe hoje? Este senhor resolveu bater um papinho com black blocs. Sob a sua gestão, a questão indígena se tornou, literalmente, um assunto que se debate com arco, flecha e balas. Carvalho tentou até mesmo, como esquecer?, transformar os rolezinhos numa guerra racial.

Este senhor não é exatamente um homem, mas uma personagem. Num romance como “O Nome da Rosa”, por exemplo, de Umberto Eco, ele seria um daqueles obcecados que se moveriam nas sombras, com convicção inquebrantável, em nome de alguma doutrina morta. Se estivesse em “Criação”, de Gore Vidal, caber-lhe-ia o papel de um dos eunucos da corte persa, defendendo valores nos quais o próprio imperador não acredita.

Lula agiu para Carvalho continuar no governo. Dilma que se vire com os seus sabotadores.

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2014

às 19:41

Previsão de crescimento do governo é o dobro da do mercado. Adivinhem quem está mais próximo da verdade…

Ai, ai… A previsão do mercado, que acerta mais do que o governo, aponta um crescimento neste ano de 0,9%. Não se trata de um chute; não se trata de uma impressão; não se trata de uma avaliação política: ela é feita com base em dados da economia. Pois bem. Até esta terça, oficialmente ao menos, a perspectiva oficial era de uma expansão da economia de 2,5% — quase o… triplo! Aí, então, decidiram fazer a correção: agora o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, vejam vocês!, reviu o dado para baixo e já admite um crescimento de 1,8%. Se a gente coloca os números em termos percentuais, a maluquice fica mais clara. Querem ver?

O mercado fala em crescimento de 0,9%, e o governo, de 1,8% — diferença: 100%. A perspectiva oficial era de 2,5%; da noite para o dia, houve uma redução de 28%. Também houve correção da projeção de alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo): os 5,6% viraram 6,2% (o mercado prevê 6,44%…) — uma elevação de 11%. Só para cotejo: no primeiro relatório de 2014, a previsão de inflação era de 5,3%; ou seja, uma diferença de 17% em relação ao índice de agora.

Por que faço essas contas? Ou temos um governo que mente para nós, o que é ruim; ou um governo que perdeu o pé da realidade e qualquer possibilidade de antever os lances futuros da economia, e isso é ainda pior. Flagrado, um mentiroso pode até se corrigir. A incompetência costuma não ter remédio.

Há em tudo isso um lance patético adicional. Os agentes econômicos não costumam dar a menor bola para o que diz o governo porque partem do princípio de que está falando para omitir a realidade. O incrível é que, nos bastidores, nem os assessores mais fanáticos admitem que o país possa crescer 1,8%. Então qual é a razão da pantomima? Eu, sinceramente, não sei.

As pessoas envolvidas com a campanha eleitoral de Dilma insistem que, caso ela seja reeleita, tudo vai mudar. Até agora, ninguém sabe como.

Por Reinaldo Azevedo
 

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