Blogs e Colunistas

Governo Dilma

31/07/2015

às 5:36

Minha coluna na Folha: “O colapso irrecuperável do petismo”

Leiam trecho:
O “petrolão” já tem uma derivação: o “eletrolão”. Com mais algumas enxadadas, novas minhocas podem brotar. Quem sabe o “estradão”, “meu casão meu vidão”, “saudão”, “escolão”, “pacão”… E quantos outros aumentativos vocês queiram rimar aí para indicar um estado que foi literalmente assaltado pelo crime e que não tem solução.

O governo desapareceu. Dilma se alimenta de algumas esperanças que, embora plausíveis, têm pouco efeito prático para ela. Pensemos em Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. A sua situação vai, por desdobramento óbvio, se agravar –afinal, é certo que será denunciado por Rodrigo Janot.

Digamos, só por hipótese, que Cunha saísse de cena. Dilma ficaria rigorosamente onde está. Seu discurso dialoga cada vez mais com os rinocerontes que batem à porta. A mais recente contribuição da presidente, todos vimos, foi anunciar que, tão logo cumpra no ProUni a meta que faz questão de não ter, pretende dobrá-la. Fez tal raciocínio especioso uma vez. Achou pouco. Repetiu-o. A claque aplaudiu.
(…)
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2015

às 2:05

#prontofalei – Conversa sobre o nada

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2015

às 16:14

Os governadores sob pressão de dois dígitos de inflação e um dígito de popularidade

A presidente Dilma Rousseff resolveu liberar, até o fim do ano, R$ 4,9 bilhões em emendas parlamentares, numa tentativa de unir a base. Encontra-se hoje com governadores para, em tese, fechar uma pauta mínima, na esperança de que eles possam interferir em votações na Câmara.

Dilma quer evitar a chamada aprovação da pauta-bomba — que arromba os cofres públicos — ou a derrubada de vetos já feitos, como o reajuste aos servidores do Judiciário, ou que fará: a correção de todas as aposentadorias segundo o índice que vai reajustar o salário mínimo, por exemplo. Em troca, vai discutir a unificação do ICMS — o que nunca unifica os governadores — e condescender com um drible de corpo na Lei de Responsabilidade Fiscal: promete sancionar projeto de lei que permite a estados e municípios o uso, como receita, de parte dos depósitos judiciais.

É claro que isso corresponde a, vamos dizer, estimular que seja considerado dinheiro bom o que essencialmente não é. Trata-se de uma deterioração nas contas públicas.

Olhem aqui: ninguém pode condenar um governo por tentar unir a sua base ou conquistar ou, ao menos, buscar o apoio da oposição em temas pontuais: a questão é saber em torno de quais propostas se fazem esses esforços. E aí está o busílis. O governo não tem agenda, reitero, nem para atrair os seus.

Os parlamentares, como se nota, estão sendo cooptados com os instrumentos de sempre: emendas. Assim entende esse governo a questão política: é como ir à feira. No caso dos governadores, acena-se com um freio de arrumação no ICMS, medida para evitar a guerra fiscal. É claro que a questão é relevante. Mas será mesmo esse o melhor momento? Isso não deveria ser parte de uma agenda de longo prazo, estruturada, num debate organizado?

Mas quê… É tudo da mão para a boca. Até porque se sabe que, não estivesse nas cordas, não haveria interlocução nenhuma. Essa questão do ICMS, por exemplo, poderia ser nova, mas não é.

Ocorre que essa agenda a ser debatida com os governadores é tão falsa como nota de R$ 3. Não é com esse propósito que Dilma os chamou. Trata-se de uma medida de desespero, na esperança de que eles consigam interferir nas bancadas federais de seus respectivos estados, mas não apenas em relação à chamada pauta-bomba. O Planalto está mesmo preocupado é com a votação do relatório do TCU: ainda hoje, dá como certo que o tribunal recomendará a sua rejeição. Pretende, então, contar com eles como instrumentos de pressão.

Já escrevi aqui e reitero: política de governadores nunca deu certo no país. Não há exemplos na história. As bancadas se organizam segundo outros fundamentos, muitos deles acima até dos interesses das respectivas legendas.

Podem-se preparar. Daqui a pouco, a reunião acaba, e os governadores serão ouvidos pela imprensa. E então constataremos o maior desfile de palavras ocas do ano. A razão é simples: o motivo por que Dilma os chamou lá não terá sido dito, e o que se disse não corresponde ao motivo. Então se estabelece um diálogo literalmente sobre o nada.

Insisto: não estou aqui a censurar Dilma porque faz, afinal de contas, um esforço para não cair. O que se lamenta e ver o desperdício de um a oportunidade de diálogo, que só está em curso porque o governo está acuado.

Ah, sim: de resto, não há como ignorar a tentativa de atropelar o comando da oposição, tentando atrair os governadores, que, prudentemente, já escrevi aqui, tentarão não se contaminar com os dois dígitos de inflação de Dilma e com o seu dígito único de popularidade.

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 16:35

Dilma vai vetar regra de reajuste da aposentadoria que quebra o país. Está certa, mas vai apanhar

A presidente Dilma Rousseff vai vetar texto aprovado pelo Congresso que reajusta, segundo os critérios de valorização do salário mínimo, todos os vencimentos dos aposentados, mesmo daqueles que recebem acima de um mínimo.

No mérito, ela está certa! Tem de vetar mesmo! Não existe dinheiro pra isso. Leva as contas para o buraco. O diabo é saber por que foi aprovado. E só foi aprovado porque a presidente já não exerce a necessária liderança para estar no comando.

O veto pode ser derrubado no Congresso? Pode! E, por óbvio, a decisão desgasta ainda mais a relação da mandatária com a sua base.

Em momento assim, o ruim se junta ao pior. A voz das ruas tende a ser esta: “Ah, dinheiro pra aposentado não tem, mas pra roubalheira, aí tem”. É claro que as coisas não são tão simples assim, mas o arranjo fecha uma equação na cabeça das pessoas. Aí, meus caros, é popularidade morro abaixo.

Mais uma razão para ela renunciar. Já não governa. É governada pelos fatos.

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 16:23

Desemprego na Grande São Paulo sobe para 13,2% em junho. Governo Dilma funciona!!!

Como se nota, às vezes, dá para perceber que o governo existe. Infelizmente.

Na VEJA.com:
A taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo subiu para 13,2% em junho ante 12,9% em maio, informou o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) nesta quarta-feira. Segundo a entidade, foi o quinto mês consecutivo de alta, um comportamento “não usual” para o período, no qual costuma ocorrer “estabilidade ou redução” do desemprego. A taxa de junho também ficou acima da verificada em igual mês de 2014, quando alcançou 11,3%.

No mês passado, o total de desempregados foi estimado em 1,4 milhão de pessoas, 32.000 a mais do que em maio. Esse resultado decorreu da redução do nível de ocupação, estimado em 9,6 milhões de pessoas, com a eliminação de 42.000 postos de trabalho (queda de 0,4% ante maio); e da “relativa estabilidade” da População Economicamente Ativa (PEA), após 10.000 pessoas saírem da força de trabalho na região (recuo de 0,1% na margem).

Sob a ótica setorial, o avanço do desemprego foi influenciado pelos cortes nos setores de serviços (-1,1%, correspondente a eliminação de 63.000 postos de trabalho) e, em menores proporções, na indústria de transformação (-0,5%, ou 7.000 vagas eliminadas) e na construção (-0,4%, ou 3.000 fora da força de trabalho). Essas retrações não compensaram o aumento de 2,5% na quantidade de vagas no setor de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, após a criação de 41.000 postos de trabalho.

Por Reinaldo Azevedo

28/07/2015

às 5:10

Governadores adorariam fugir, mas Dilma quer dar “um abraçaço” neles, como diria Caetano…

Ai, ai…

Há coisas, como costumo escrever aqui, que nem erradas são. Apenas não existem. A “política de governadores”, que Dilma pretende ressuscitar, foi enterrada junto com a República Velha. E todas as tentativas de retomá-la, desde aquele tempo, deram em nada. Como dará de novo agora.

A presidente pretende reunir os 27 chefes de Executivos estaduais na quinta-feira para que eles conversem com as respectivas bancadas federais de seus Estados, tentando impedir a aprovação da chamada “pauta-bomba” — medidas que provocariam um rombo no caixa, a exemplo do tal aumento de 56%, em média, concedido ao Judiciário, que ela teve de vetar.

Qual é a justificativa para o encontro, tecnicamente procedente, mas politicamente inócua? Reajustes concedidos a funcionários federais e gastos impostos à União acabam, invariavelmente, impactando nos Estados. É verdade. A questão é saber qual é o real poder de fogo dos governadores nas bancadas federais. Os alinhamentos que se dão no Parlamento são de outra natureza. Nem mesmo o Senado está sujeito a uma influência muito forte dos governadores. A orientação partidária e as afinidades por setor da economia ou por convicção acabam tendo mais influência.

De resto, a tal pauta-bomba é mero pretexto. Dilma está querendo é dar uma demonstração de força política num momento em que se considera que cresceu a possibilidade de ter sequência uma denúncia contra ela na Câmara, já que, por enquanto ao menos, o governo avalia que é altíssimo o risco de o TCU recomendar a rejeição das contas. Também esse tema ficará fora da pauta, mas, como se sabe, presente.

Os governadores estão numa saia-justa. É provável que compareçam. Por outro lado, prefeririam ficar longe desse cálice. Nenhum chefe de Executivo estadual é hoje tão impopular como Dilma. O receio óbvio é que a impopularidade dela os acabe contaminando e que, vistos todos juntos, sejam considerados corresponsáveis pelo momento notavelmente ruim por que passa a economia.

A presidente pretende fazer a reunião na quinta, dia 30, quase antevéspera de ir ao ar o programa político do PT, no qual ela vai falar. O panelaço, apitaço, buzinaço e outros superlativos do descontentamento pátrio já estão convocados. Dez dias depois, há o protesto, que já se aposta gigante, do dia 16 de agosto. Ninguém estava disposto a posar agora ao lado de Dilma, mas sabem como é… No federalismo à moda brasileira, em que presidente da República é quase imperador absolutista, fica difícil recusar.

Já dá para antever o desânimo. Os governadores adorariam fugir, mas Dilma faz questão de dar “um abraçaço” neles, como diria Caetano…

Por Reinaldo Azevedo

28/07/2015

às 3:54

Na VEJA.com – Dilma não aprende nada nem esquece nada

Por Reinaldo Azevedo

26/07/2015

às 8:00

FHC afasta o cálice da impostura e se nega a ajudar a salvar “o que não tem de ser salvo”. Agenda de consenso na democracia é a Constituição

“O momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim com o povo. Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo.”

O texto acima é da lavra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e foi publicado no Facebook. Na mosca! É precisamente disto que se trata: qualquer conversa que não seja pública será mesmo conchavo. O governo Dilma não “tem de ser salvo”. O statu quo não “tem de ser salvo”. Nenhum governo “tem de ser salvo”. As instituições, estas sim, têm de ser preservadas, com tudo o que há nelas, inclusive as hipóteses em que o chefe do Executivo pode ser afastado.

Tão logo Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, anunciou seu rompimento com o governo, os petistas, com medo do que possa acontecer no Congresso, passaram a gritar: “Fogo! Fogo na floresta! Crise institucional!”. Cadê? Quem está em crise é o governo Dilma. Sim, o Brasil também está, e sua única saída está nas instituições.

O PT, que sempre se alimentou da luta do “Nós” (eles) contra “Eles” (todos os que não se ajoelham diante do partido), agora decidiu que é hora de fazer um grande acordo nacional. É mesmo? Para salvar quem? Para salvar o quê? Autoridades fazem proselitismo contra o impeachment até quando explicam as pedaladas fiscais, a exemplo do que fez Luís Inácio Adams, numa das falas mais ridículas dos últimos tempos. Ameaçou recorrer ao Supremo caso o TCU recomende a rejeição das contas, como se um tribunal constitucional tivesse o poder de impedir um ministro de tribunal de contas de rejeitar os números oficiais.

Isso, sim, caracteriza um evidente desprezo pelas leis. O que o STF tem a ver com isso? Caso a Câmara decida dar sequência a uma denúncia contra a presidente por crime de responsabilidade, o que poderá fazer a instância máxima do Judiciário além de nada?

Os únicos a acreditar e a sustentar que uma eventual deposição, pela via legal, da presidente é golpe são os petistas e as esquerdas que lhes servem de satélites. Na verdade, até eles próprios sabem que se trata de uma farsa. No dia 14 de julho, numa manifestação de esquerdistas em defesa de Dilma e do PT, Rui Falcão, presidente do partido, deixou escapar:
“Não se esqueçam, companheiros e companheiras, que gritamos ‘Fora Collor’ e gritamos ‘Fora FHC’. E o ex-presidente Collor saiu da Presidência num processo legal, dentro da democracia, e é isso que eles pretendem fazer agora: expelir a Dilma dentro de um processo democrático”.

É isso mesmo! Desconhece-se força relevante no país que defenda uma saída que não esteja contemplada pelo “processo democrático”. Aliás, quando ministros de estado, como José Eduardo Cardoso e Pepe Vargas, insistem na tese de que um eventual processo de impeachment é golpe, temos de deixar claro com todas as letras: golpista é querer deslegitimar a Constituição e as leis.

Sem agenda
Que curioso!

O governo não tem agenda nem para manter unida a base aliada. Qual é? Se você perguntar a qualquer petista o que pretende Dilma nos próximos três anos e meio, ninguém saberá responder. Ela tampouco sabe. Quem abriu o ano prometendo economizar R$ 66,3 bilhões a título de superávit primário e, sete meses depois, baixa a expectativa para R$ 8,5 bilhões, anunciando um corte adicional no Orçamento de R$ 8,6 bilhões, não sabe, como se diz em Dois Córregos, nem “fazer o ‘O’ com o copo”.

Se Dilma não tem agenda para segurar os seus, quer conversar com a oposição precisamente o quê? A resposta: “Nada!”. Ela só tem a intenção de impedir o avanço de um eventual processo de impeachment, como se a sua deposição trouxesse consigo o risco de uma grave crise institucional. Ou, nas palavras de FHC, ela quer salvar “o que não tem de ser salvo”.

Consta que alguns tucanos se viram tentados a cair na conversa… Quais? Se existe tucano defendendo o diálogo, que diga publicamente, ora essa! E que exponha as suas razões. Se falta coragem para dizer com clareza o que quer, vai ver está tentando salvar “o que não tem de ser salvo”.

É isso aí, FHC! Afaste esse cálice! O melhor serviço que a oposição pode prestar ao Brasil é cobrar o cumprimento das leis e da Constituição.

Por Reinaldo Azevedo

25/07/2015

às 6:21

Lula se diz “cansado de mentira e safadeza”. Nós também!!! Ah, sim: Dilma e “Zé do Breu” serão estrelas do megapanelaço do dia 6 de agosto

O "hater" Zé de Abreu,  que era o chefe do lixão na novela "Avenida Brasil", vai apresentar o programa do PT

O “hater” Zé de Abreu, que era o chefe do lixão na novela “Avenida Brasil”, vai apresentar o programa do PT

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, diz estar “cansado de mentiras e safadezas”. Uau! E nós, então, né? E o Brasil? É isto mesmo, Lula! Chega de mentiras e safadezas! Ele fez essa declaração insólita na posse do novo presidente do Sindicado dos Bancários do ABC, informa Andréia Sadi, na Folha deste sábado. Que diabos Lula fazia lá? Ora, o tal sindicato é um braço do PT e atua segundo seus interesses. Essa mistura entre partido e sindicalismo, diga-se, está na raiz de muita… mentira e safadeza!!!

Lula repetiu o conteúdo de vídeo indigno que circula nas redes sociais, feito pelos “companheiros”, que associa antipetismo a nazismo. Já escrevi a respeito. Com aquela capacidade de ler a história que só ele demonstra, afirmou:
“Tenho a impressão de que. muitas vezes. a gente vê na televisão e parece os nazistas criminalizando o povo judeu. Parece os romanos criminalizando os cristãos, parece os fascistas criminalizando o povo italiano, parece tantas outras perseguições.”

Não sei o que é mais chocante: se a arrogância, se a ignorância abissal.

Pois é… Na quinta e na sexta, ficamos sabendo que os petistas estão querendo bater um papinho com os tucanos para ver se conseguem impedir o impeachment de Dilma. O próprio Lula estaria disposto a falar com FHC. Ironizei aqui o esforço e evidenciei tratar-se de uma tolice. Vejam como tenho razão. No discurso que fez no sindicato, o Babalorixá de Banânia voltou a espumar. Referindo-se claramente aos tucanos, afirmou que as pessoas que dizem que o país vai quebrar “já quebraram o Brasil duas vezes”.

Eis o Lula do diálogo… É uma fala muito instrutiva para tucanos que estejam eventualmente pensando em dar uma namoradinha com o PT…

Dilma
A presidente Dilma também estaria interessada numa conversa com a oposição. Entendo. E, ora vejam, tomou uma decisão realmente sábia!!! Participará do programa do horário político do PT, que vai ao ar no dia 6, com panelaço garantido país afora. Como já escrevi aqui, mais do que fascinada pela mandioca como conquista verdadeiramente nacional, Dilma é mesmo atraída pela casca de banana. É ver uma, e não resiste: lá vai ela com, aqueles seus passinhos em ângulo de mais ou menos 60º, pisar da dita-cuja.

O PT e a própria Dilma estão de tal sorte alheios à realidade que o conteúdo do programa, comandado por João Santana, vai se dedicar à defesa do partido e do governo, estreitando ainda mais essa relação, que será, então, um exemplo acabado de massa negativa, de soma que diminui: ao grudar do PT, Dilma fica ainda mais por baixo; ao grudar em Dilma, o PT passa a ser ainda mais rejeitado. Mas fazer o quê?

Aquela que também diz, por intermédio de ministros, querer um papo com FHC vai participar de um programa que deve sustentar que, apesar das dificuldades, o país ainda vive numa situação bem melhor do que antes da chegada do PT ao poder — estará se referindo, é óbvio, aos oito anos de mandato tucano. Sabem como é, gente… Ela quer o diálogo…

O PT está lendo de forma tão enviesada a realidade que o apresentador do programa será o ator José de Abreu, um petista que é visto como um caricato até por… petistas! Chamar o do “Zé do Breu” — como é conhecido das redes — para tal tarefa corresponde a optar por um “hater”, por um “odiador” contumaz, por um polemista grosseiro. Aliás, se a gente for considerar os artistas que o partido mobilizava antes e os que mobiliza agora, tem-se uma clara noção da decadência da legenda. Nos tempos de glória,”Zé do Breu” lutava para ser alguma coisa na legenda. Foi até papagaio de pirada em comício. Era desprezado. Se agora o chamaram para ser uma estrela, adivinhem como está o partido… Zé de Abreu, como sabem, deu o que falar na novela “Avenida Brasil” pela verossimilhança que conferiu ao personagem “Nino”, chefe mafioso de um lixão.

Não tem jeito, não! Essa gente já não aprende mais nada. O ciclo de despetização do Brasil teve início. Infelizmente, será um processo lento. Mas inexorável. E deem uma coisa como certa: eles quebraram a cara no esforço de instituir, na prática, um regime de partido único, em torno do qual se multiplicariam irrelevâncias.

O projeto do PT já era, felizmente! E, como se nota, os petistas não aprenderam nada e ainda esqueceram as suas táticas mais eficazes de manipulação. Pior para eles. Bom para o país.

Por Reinaldo Azevedo

24/07/2015

às 6:05

Com aprovação na casa dos 7%, Dilma quer conversar com oposição para barrar impeachment. Como era quando tinha quase 70%? Ou: O único pacto possível é com a lei!

Leio na Folha que também o Palácio do Planalto — deve ser a presidente Dilma Rousseff — estimula, a exemplo de Lula, a aproximação com a oposição. Deixem-me ver se entendi direito o modelo: o PT vence a eleição afirmando que o adversário pretende elevar juros, aumentar tarifas e provocar recessão. Uma vez vitorioso, eleva juros, aumenta tarifas e produz recessão. Certo. O PT vence a eleição transformando a oposição no Belzubu do atraso social e dizendo-se, ele próprio, a voz do povo. Uma vez vitorioso, vê-se obrigado a cortar benefícios com os quais comprou uma parte do eleitorado. Entendo. O PT vence a eleição sustentando que qualquer outro resultado que não o triunfo do partido implicaria uma marcha à ré na história. Uma vez vitorioso, acuado por suas próprias contradições, demonizado nas ruas, cobrado por suas promessas não cumpridas, eis que o partido descobre as virtudes de um “entendimento” com a.. oposição.

O ministro Edinho Silva, da Comunicação Social, diz que, “em todos os países democráticos, é natural que ex-presidentes conversem e, muitas vezes, que sejam chamados pelos presidentes em exercício”. E acrescenta: “Essa é uma prática comum nos Estados Unidos, por exemplo”. É verdade… No primeiro programa do segundo turno da campanha do ano passado, Dilma se referiu assim ao tucano Aécio Neves: “Ele representa um modelo que quebrou o país três vezes, que abafou todos os escândalos de corrupção, que provocou desemprego altíssimo, recessão, que esqueceu os mais pobres”.

É mesmo, Dilma? E está querendo conversar com “eles” por quê? Mais interessante ainda: os petistas decidiram agora distinguir os “bons tucanos” dos “maus tucanos” — e os “maus”, claro!, são aqueles que não querem bater um papinho em nome do entendimento. Na lista dos tucanos mauzinhos do PT está o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, o que é, claro!, uma distinção e tanto. Espero que o presidente do maior partido de oposição continue persona non grata aos petistas.

O Instituto Lula, que, num primeiro momento, negou que estivesse em curso uma tentativa de diálogo, resolveu mudar de posição por intermédio de seu presidente, Paulo Okamotto, que afirmou à Folha: “Minha opinião é que tanto o presidente Lula como o presidente Fernando Henrique são políticos importantes, com responsabilidades e capacidade de analisar o que o Brasil está enfrentando. Sempre fui a favor de que a gente converse com quem faz política”.

Ah, que bom que Okamotto pensa isso, não é? Na campanha eleitoral, a candidata à reeleição Dilma Rousseff afirmou o seguinte: “Está em jogo o salário mínimo. O candidato dele — ela se referia a Aécio —, o ministro da Fazenda (estava falando de Armínio Fraga) acha alto demais e tem que reduzir. Nós não vamos permitir que o Brasil volte para trás”.

Por que Dilma iria querer um entendimento com gente tão má?

Jaques Wagner, ministro da Defesa e candidato de sempre à Casa Civil, reconhece que isso pode não ter sido muito elegante e diz:
“Apesar da última campanha dura, não podemos deixar consolidar na alma brasileira, e na política brasileira, uma dicotomia que não se conversa. Essas posições, governo e oposição, a gente troca. O que não pode perder é o norte do país”.

Que bom! Segundo a candidata Dilma, como se evidencia acima, não tem essa de alterar oposição e governo. Ou o PT vence, ou se trata de retrocesso.

Acho que chega, não é mesmo? Essa conversa já foi longe demais. Se há tucanos querendo bater um papinho, o PT sempre será um lugar quentinho para abrigar o diálogo. Basta se bandear. Eu estou enganado ou a população elegeu o PSDB para liderar a oposição? Não! Eu não estou enganado. Sendo assim, que cada um honre o voto que recebeu.

Querer um diálogo com a oposição, como agora quer Dilma, com 7,7% de ótimo e bom, segundo a mais recente pesquisa, é um coisa. Os petistas deveriam ter se lembrado de dialogar quando a presidente tinha quase 70% de aprovação. Ah, a minha memória não falha: eles não queriam conversa. A ordem, então, era destruir até o PMDB, já que davam o PSDB por liquidado.

Vamos fazer um pacto, gente, em favor da governabilidade? Todos seguiremos as leis e a Constituição, que contemplam até o impeachment. Que tal?

Texto originalmente publicado às 5h16
Por Reinaldo Azevedo

22/07/2015

às 20:41

Dilma veta, e está certo, o reajuste do Judiciário. Ou: Mais um desatino fruto da incompetência política

Olhem a situação das contas públicas. A presidente Dilma Rousseff fez a única coisa sensata — e já me manifestei aqui a respeito — que lhe cabia: vetar o reajuste do Poder Judiciário aprovado pelo Congresso Nacional. Se o veto vai cair ou não, bem, isso não sei, em período de notável desarranjo político.

Aprovou-se um reajuste médio de 59,5% para a categoria nos próximos quatro anos, podendo chegar, em certos casos, a 78,6%. Segundo o Ministério do Planejamento, trata-se de uma bomba de R$ 25,7 bilhões até 2018. O governo argumenta, e nã0 vejo por que mentiria a respeito (não fiz as contas), que o gasto médio por funcionário do Judiciário é de R$ 15,1 mil por mês, o maior dos Três Poderes.

A presidente vetou o reajuste com base no Inciso XII do Artigo 37 da Constituição — “XII – os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo;” — e em dois Incisos, o I e o II, do Parágrafo 1º do Artigo 169, que estabelece que a concessão de reajustes só pode ser feita:
I – se houver prévia dotação orçamentária suficiente para atender às projeções de despesa de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes;
II – se houver autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas e as sociedades de economia mista.

Muito bem: o aumento aprovado pelo Congresso para o Poder Judiciário — e logo virá o do Ministério Público — agridem frontalmente esses três dispositivos constitucionais.

“Ah, você não acha que os servidores do Judiciário merecem ganhar mais?” Olhem aqui, meus caros: acho que todo mundo merece ganhar mais, inclusive eu. Mas é preciso ver se existem as condições objetivas para isso.

Eu não sei se notaram: o país não está quebrado, mas o governo está. Vale dizer: como ente, o Brasil tem recursos para arcar com suas obrigações internacionais, mas a conta no Orçamento doméstico está no vermelho, foi pro vinagre. Houvesse recursos para conceder um reajuste desse tamanho, realmente não sei se seria o caso de conceder. Seria preciso examinar as razões. Ocorre que o dinheiro não existe — e um dinheiro que, quando há, não pertence ao governo, mas ao conjunto dos cidadãos.

Aliás, o reajuste só foi aprovado porque a base política da presidente Dilma é uma bagunça e porque falta tudo por ali, de liderança política a competência técnica.

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2015

às 15:39

Já foi o tempo em que a inflação empatava com popularidade de Dilma…

Já foi o tempo em que a inflação coincidia os índices de “ótimo/bom” do governo Dilma. Sendo o governo o que é, e sendo a economia o que é, aconteceu o óbvio: a inflação já é mais alta do que a popularidade de Dilma.

Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta, o IPCA-15, tido como uma prévia da inflação do mês, subiu 0,59% neste mês, maior taxa para o período desde 2008, quando atingiu 0,63%. No acumulado de 12 meses, o índice alcança 9,25%.

Nos primeiros seis meses, o IPCA-15 ficou em 6,9%, acima do teto da meta de inflação, que é de 6,5% para o ano todo. Boletim Focus de segunda estimou a inflação no ano em 9,15%.

Ah, sim: segundo dados da pesquisa CNT/MDA, divulgados nesta terça, apenas 7,7% acham o governo ótimo ou bom.

Há 7,7% de brasileiros ou generosos ou empedernidamente petistas.

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2015

às 7:21

PERTO DO DÉFICIT PRIMÁRIO – Dilma já renunciou a tudo. Agora, só falta renunciar ao mandato. Coragem, Coração Valente!

Ai, ai… Dilma já renunciou às promessas do que faria, às promessas do que não faria, já renunciou ao comando da política, já renunciou ao comando da economia e, agora, vai renunciar à meta de superávit fiscal. Santo Deus! Dilma só não renuncia mesmo é ao mandato, o que seria um bem imenso ao país.

Por que escrevo isso? Atenção! O senador Romero Jucá (PMDB-RR) decidiu apresentar uma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2015 baixando o superávit primário de 1,1% do PIB para 0,4%. Já seria reduzir o dito-cujo a 36,36% do original, certo?

Mas ainda é muito. Não vai ter dinheiro para economizar o que, percentualmente, já seria uma mixuruquice. Notem: aquele 1,1% correspondia a R$ 66,3 bilhões; o 0,4% de Jucá já baixaria a economia para o pagamento da dívida para R$ 24,1 bilhões. Mas ainda é estupidamente mais do que o governo vai conseguir fazer.

Nesta quarta, informa a Folha, o Planalto vai sugerir a Jucá que baixe o número de sua emenda para 0,15% do PIB. Os números, assim, podem enganar. Em relação à proposta feita no começo do ano, a meta, então, será reduzida a meros 13,6% do original. Vamos botar em reais: o governo que dizia, há cinco meses, que iria economizar R$ 66,3 bilhões diz, agora, que a economia será de apenas R$ 9,01 bilhões. Não vai nem fazer cosquinha na amortização da dívida.

O curioso é que, há coisa de três dias, o ministro Joaquim Levy se mostrava contrário até mesmo a que se baixasse a meta de 1,1% para 0,4%. Considerava que já contribuiria para desmoralizar um pouco o governo. Ora, a desmoralização será bem maior. E atenção! Mesmo para economizar a merreca de R$ 9 bilhões, Dilma terá de fazer novos cortes no Orçamento.

Um dos fatores que pesaram na decisão foi a queda real de 2,9% da receita no primeiro semestre. Pois é… A recessão tem seu ciclo: elevam-se juros, cortam-se gastos, derruba-se a atividade econômica, e a arrecadação… cai. Caindo a arrecadação, piora a situação fiscal do governo, que está obrigado a cortar gastos, que vai derrubar a atividade econômica, que deteriora a situação fiscal…

Como se chegou a esse ciclo do capeta? Perguntem aos 13 anos de gestão petista. Sim, caros, cabe indagar: como é que se pode cometer em tão pouco tempo um erro de imodestos R$ 57,29 bilhões?

Lá vou eu. Sou lógico: quem opera com essa margem de imprecisão e promete agora economizar apenas R$ 9 bilhões está a um passo de produzir déficit primário, não superávit, certo? A menos que se dedique a novas pedaladas. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) resumiu assim esse imodesto ajuste no superávit: “A mistura de incompetência com descrédito é mortal”. Bingo!

Nos EUA, Michel Temer deu a entender que, se chegar ao trono de Dilma, mantém Joaquim Levy. Huuummm… Então teria de trocar todo o resto, né?

Para encerrar: as agências de classificação de risco deixaram claro que a situação fiscal do país teria um peso definidor na avaliação que fazem da nossa economia. Disparou o alarme.

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2015

às 21:19

Google/Tradutor – Temer diz nos EUA que, se Dilma cair e se ele assumir, Joaquim Levy fica na Fazenda

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) está nos EUA. Falou a investidores. Seu discurso tem de ser interpretado e vale mais por aquilo que está apenas sugerido do que por coisas que disse, mas nas quais certamente não acredita — sem querer ser adivinho. Comentou, por exemplo, os apenas 7,7% de ótimo e bom do governo Dilma na pesquisa CNT/MDA: “Isso é cíclico, né? Aconteceu em muitos governos, e a avaliação depois melhora. Vamos aguardar o futuro”. Pode ocorrer, de fato, de um governante reverter a avaliação a seu respeito, mas Temer sabe que isso depende de circunstâncias objetivas — por exemplo, uma melhora na economia. Vai acontecer? Não tão logo! O vice sabe que a imagem do Brasil entre investidores se deteriorou terrivelmente. E tentou se apresentar, e ao PMDB, como âncora da estabilidade. E ele o fez na base do “Fica Levy”. Explico.

Temer afirmou que, caso seja candidato à Presidência em 2018 e vença a disputa, Joaquim Levy permanecerá no Ministério da Fazenda. Na verdade, foi indagado a respeito dessa hipótese e respondeu: “Claro, claro! Ele está fazendo um belo trabalho”.

Não existe ainda um “Google/tradutor” que verta a linguagem dos políticos para o português claríssimo. Se houvesse, a resposta do programa seria esta: “Caso Dilma caia e eu assuma a Presidência, Levy fica. Afinal, se estou dizendo que eu mesmo o levaria se fosse eleito, por que não o manteria se assumisse a cadeira de Dilma?”. Ou por outra: Temer, mui respeitosamente, admite que os investidores se importam menos com quem ocupa a cadeira da Presidência do que com quem ocupa a do Ministério da Fazenda.

Cumprindo seu papel institucional, defendeu o governo no caso das chamadas “pedaladas fiscais” e disse ter a certeza de que o Planalto está juridicamente amparado. Vamos ver.

Antes, em palestra a advogados, afirmou que, em algum momento, o PMDB deixará o governo porque pretende disputar a Presidência da República em 2018. Vai mesmo? Sei lá eu. Parece que tudo caminha para isso. De novo, é preciso interpretar: se o partido teria de deixar os cargos que ocupa, é um sinal de que, qualquer que seja o seu destino, não estará em companhia do PT.

Temer fez considerações sobre a oposição:
“No Brasil, sempre foi assim. Quem perdeu a eleição acha que tem que contestar. [A oposição] deve se opor por uma questão de mérito, não simplesmente porque perdeu. O sistema jurídico impõe que a oposição fiscalize, critique, observe, contrarie e controverta, precisamente para ajudar a governar”.

O vice-presidente fez questão de deixar claro que se tratava de uma crítica genérica ao comportamento das oposições, não a esta que está aí. Disse: “Tenho colegas jornalistas brasileiros aqui e não estou fazendo nenhuma crítica à oposição lá do Brasil. Os que foram oposição hoje foram situação no passado e poderão vir a ser situação no futuro. A coisa é sempre a mesma. Enquanto você não mudar os costumes políticos, ninguém vai ter esse conceito jurídico positivo de situação e oposição”.

É… Parece-me um bom retrato de como o PT se comportou desde a sua fundação, em 1980, até a chegada ao poder, em 2003.

O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, respondeu à analise do vice e afirmou que os oposicionistas brasileiros defendem as instituições e que, como quer Temer, atuam em função do mérito do governo, em defesa das instituições e da população brasileira: “Somos oposição porque respeitamos o Brasil e os brasileiros”.

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2015

às 16:42

Quase dois terços querem o impeachment de Dilma; povo tá doido pra dar uma surra eleitoral em Lula; só 7,7% aprovam o governo; presidente é rejeitada por 79,9%; 69,2% a culpam por corrupção na Petrobras

Escrevi nesta manhã um post indagando por que diabos, afinal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, se tornou o principal inimigo do governo. Ele fez a crise econômica? Ele fez a crise política? Ele fez a crise de confiança? Convenham: ele é uma das figuras mais influentes do país hoje, mas ainda é desconhecido da esmagadora maioria dos brasileiros. A sua pauta nem mesmo contamina o país com mau humor. Ao contrário até: como a sua agenda está bem mais próxima da do povo em geral, os que o conhecem até depositam nele algumas esperanças. O governo está encalacrado é por sua própria conta, por sua própria incompetência. E sua reputação tende a piorar. Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça não traz uma só boa notícia para o governo, para Dilma Rousseff, para o PT e para Lula.

Vou inverter o lead que anda por aí. Como Lula, o amigão de Dilma, era tido até outro dia por petistas como reserva estratégica para que o partido possa se manter no poder a partir de 2019, vamos ver como anda a reputação do rapaz. Se ele disputasse hoje um segundo turno, perderia para qualquer um dos três tucanos que podem ocupar a vaga à Presidência em 2018. Na disputa, com Aécio Neves, apanharia por 49,6% a 28,5%; com José Serra, por 40,3% a 31,8%; com Geraldo Alckmin, por 39,9% a 32,3%. Lula se disse no volume morto. Errado! Ele é o volume morto.

Ainda assim, está um pouco melhor do que Dilma, não é? Quem não estaria? Consideram o seu governo bom ou ótimo apenas 7,7% dos entrevistados, contra 70,9% que o veem como ruim ou péssimo. Dizem ser regular 20,5% dos entrevistados. A que consequência isso leva? Se Dilma sofresse hoje um processo de impeachment, quase dois terços dos brasileiros veriam realizado o seu desejo: defendem que a presidente perca o seu mandato 62,8% dos entrevistados; apenas 32,1% se mostram contrários. Quantos sairiam às ruas em sua defesa? Garanto que bem menos do que isso.

Sabem quantos aprovam o desempenho pessoal de Dilma? Apenas 15,3%, contra 79,9% que o reprovam. É um desastre. Aquela foto em que ela e Lula aparecem agarrados ganha agora uma nova legenda: abraço de afogados.

O brasileiro, finalmente, começa a ligar os nomes às coisas. Para 53,4%, a corrupção é um dos principais problemas do país — para 37,1%, é o principal. Já ouviram falar da Lava Jato 73,8%. Nem Dilma nem Lula conseguem escapar do peso da lambança. E a situação dela é ligeiramente pior do que a dele, embora ambos apareçam na lama: 69,2% dizem que a presidente é culpada pela roubalheira na Petrobras, e 65% pensam o mesmo de Lula. Livram a cara da presidente só 23,7%; 27,2% no caso do ex-presidente.

A população, de certo modo, tem uma percepção da realidade mais correta do que a de boa parte da imprensa: 40,4% dizem que o culpado pela corrupção é o governo; 30,4% apontam os partidos políticos; 14,2% indicam os funcionários da empresa, e apenas 3,5% dizem ser as empreiteiras. A maioria, no entanto, não acredita que os culpados serão punidos: 67,1%.

Os brasileiros descobriram também que a corrupção tem um preço: para 86,8%, ela prejudica a economia do país, e isso certamente ajuda a alavancar a brutal rejeição a Dilma. Os entrevistados estão mais realistas do que pessimistas: 55,5% apontam que a situação do emprego vai piorar — e eles estão certos: vai mesmo!

Encerro
Pois é… Digamos que Cunha viesse a deixar de ser uma pedra no sapato de Dilma. E daí? Ele nada tem a ver com esse cenário, produzido pela histórica incompetência dos petistas e por sua brutal arrogância no trato com a realidade.

Como é mesmo, Lula? “Olhem que eu volto!!!”

Ah, volta, Lula! Volta!!!

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2015

às 2:48

Dilma e Lula tiram o sarro do país com foto no “Dia do Amigo”; afinal, aquela é a imagem de um estelionato

A presidente Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor, postaram em suas páginas no Facebook uma foto do dia 26 de outubro, em que ambos aparecem abraçados, comemorando a reeleição. Homenageavam, assim, um tal “Dia do Amigo” — aquele que, segundo música de Milton Nascimento, deve ser guardado “debaixo de sete chaves”. Nem diga! No caso da dupla, se der para jogar a chave fora, melhor. Eu não posso reclamar da parceria. Basta ter um pouquinho de talento e um tanto de esforço, e os textos já nascem prontos. Eles os escrevem por nós com suas barbaridades.

Dia do amigo - foto

Comecemos do óbvio: a foto marca o dia da consolidação de um estelionato eleitoral sem par na história do país — e talvez das democracias ocidentais. Dilma venceu naquele 26 de outubro, por estreita margem, assumiu no dia 1º de janeiro, e, desde a posse, faz coisas que disse que não faria e diz coisas que certamente não fará. Tudo o que ela imputou às intenções de seu adversário, Aécio Neves, e que reputou como os males do mundo compõe hoje a sua agenda. É por isso que, sete meses depois da sua posse, amarga índices inéditos de impopularidade.

Uma foto nunca retrata apenas o momento em que o flagrante é congelado. Ela pode servir para iluminar e redefinir tanto o passado como o futuro. Vamos lá: se a economia estivesse crescendo a taxas aceitáveis, se a gestão fosse um exemplo de moralidade, se o país estivesse no rumo, então aquele abraço significaria mais do que a amizade pessoal. A legenda poderia ser: “É isso aí, companheiro! Estamos mudando o Brasil. A nossa luta é vitoriosa”. Mas olhem aí o que temos — e por responsabilidade exclusiva dos governos Lula e Dilma. Aí, meus caros, não tem jeito. Só cabe uma legenda para aquele instante: “Conseguimos. Enganamos os trouxas”.

E não vai exagero nenhum nessa leitura. Tanto Dilma sabia parte do que tinha de ser feito — e tinha e tem — e tanto havia a clareza que não seria bom para os brasileiros, porque remédio não costuma ser gostoso, que ela expôs, sim, a agenda: afirmou que Aécio elevaria as tarifas, que os juros subiriam, que o desemprego cresceria, que haveria corte de benefícios sociais, que o país estraria em recessão. É o que ela previa se seu adversário vencesse. Dilma, a amiga, venceu, com o apoio de Lula, o amigo e elevou tarifas, aumentou os juros, cortou benefícios sociais, levou o país à recessão aberta e fez crescer o desemprego. Vale dizer: eles enganaram os trouxas.

A foto não deixa de ter um caráter acintoso, dado o contexto. Obviamente, tratou-se de uma ação combinada entre as duas assessorias, tanto é assim que a mesma imagem apareceu, ao mesmo tempo, em suas páginas no Facebook. Publicada no primeiro dia útil depois do fim de semana em que a máquina oficial tentou decretar a morte política de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente da Câmara, a legenda também poderia ser esta: “Vencemos! Conseguimos tirar aquela pedra do nosso caminho”. Aliás, um dos memes que ganhou o país no “Dia do Amigo” foi justamente um foto em que Cunha e Dilma aparecem juntos…  Uma ironia mais do que eloquente.

Pois é… Aquele que está sendo abraçado pela presidente poderia, ao menos, não ser ele também um investigado hoje, num procedimento que está na Procuradoria da República no Distrito Federal. Mais ainda: dois ministros de Dilma estão rigorosamente na mesma situação em que se encontra Eduardo Cunha: Ricardo Pessoa, em delação premiada, diz ter repassado R$ 500 mil em dinheiro vivo a Aloizio Mercadante (Casa Civil) e afirma ter doado R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma, por intermédio de Edinho Silva (Comunicação Social), que lhe teria lembrado os vários contratos que a UTC mantinha com a Petrobras… Convenham: para bom entendedor, meia ameaça basta.

O Congresso entrou em recesso. Por alguns dias, não saberemos se o governo realmente conseguiu retomar a inciativa. Eu, sinceramente, me pergunto: iniciativa do quê e para quê? Por enquanto, vejo apenas a celebração daqueles que julgam ter derrotado seus inimigos, sem saber com que propósito venceram, como naquele 26 de outubro de 2014.

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2015

às 1:31

#prontofalei – Conversa par embalar cretinos

Por Reinaldo Azevedo

20/07/2015

às 7:37

Crise institucional uma ova! Ou: A única conspiração em curso é aquela para manter no poder o PT, que está caindo de podre! Ou: Crise é a continuidade do governo Dilma!

Aqui e ali se diz que o rompimento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) com o governo elevou a temperatura para uma “crise institucional”. Só pode ser piada! A crise institucional existe quando as ditas instituições já não podem exercer as suas prerrogativas sem uma consequente convulsão social. Ou, então, quando a força da lei está manietada pela lei da força.

É o caso no Brasil? Quem impede as instituições de se exercer plenamente? Alguns ilustres só não põem em prática todo o poder que têm, que lhes assegura a Constituição, por covardia mesmo ou coisa pior. Peguemos o caso de Rodrigo Janot. Motivos não faltam para que ele peça ao menos a abertura de um inquérito contra a presidente da República. É uma prerrogativa do Ministério Público. Se ele o fizesse, qual seria o trauma? Nenhum! O Supremo poderia aquiescer ou não! Se aquiescesse, qual seria o terrível desdobramento? Nenhum também! Só poderia fazer bem ao país.

Crise institucional porque um presidente da Câmara se declarou na oposição? Ora, tenham um pouco de noção do ridículo! Só advoga essa tese quem está querendo criar uma redoma que proteja Dilma de si mesma e de seu governo. Agora virou música: se Cunha rompe com o governo, fala-se em crise institucional; se o TCU recomendar a rejeição das contas e se o Congresso acatar, vê-se o risco de crise institucional; se o TSE cassar a diplomação da presidente, ameaça-se com a… crise institucional.

Ora, vamos fazer, então, o seguinte: assegurar, desde já, a inimputabilidade da presidente, por atos cometidos antes, durante e, se possível, até depois do exercício da Presidência. A gente não toca mais nesse assunto. O petrolão se consolida, então, como uma grande tramoia urdida por empreiteiros, por Cunha, por Renan, por alguns funcionários larápios e por outros parlamentares de segunda linha. É bem verdade que João Vaccari, o ex-tesoureiro do PT, está lá, mas era só para fazer caixa de campanha, que, claro!, nada tem a ver com a presidente. Ou é assim, ou é… crise institucional!

Vão caçar sapo barbudo na beira do brejo! Pra cima de mim, não! No discurso que fez na sexta-feira para aquela seleta plateia que incluía o assassino Nicolás Maduro, o protoditador Evo Morales e Cristina Kirchner, a presidente do país em que um promotor foi suicidado, Dilma Rousseff demonstrou o seu amor pelas urnas e disse que só elas legitimam um governante.

É verdade. Urnas são condição necessária, mas não suficiente, da democracia. A presidente só se esqueceu de dizer que eleições não conferem aos eleitos o direito de cometer crimes ou de tolerá-los. Não lhe ocorreu lembrar, naquele ambiente viciado, que governantes podem se deslegitimar e que todos os regimes democráticos, inclusive o nosso, apontam a porta de saída caso isso aconteça.

Não há crise institucional nenhuma em curso no país. Não há conspiração de nenhuma natureza. A única que está por aí, muito visível, é aquela que pretende usar as urnas como tribunal de absolvição da má gestão — na hipótese benigna — e da gestão condescendente com o crime, na hipótese intermediária. Com rigor, há que se examinar se não se trata, efetivamente, de uma gestão criminosa.

Crise institucional uma ova! A única conspiração em curso, enfim, é aquela para manter no poder o PT, que está caindo de podre! E, para tanto, chama-se de “golpista” qualquer um que ouse brandir a lei contra o governo Dilma Rousseff. Então era um ato de legítima democracia impichar Collor — com Lula liderando as manifestações —, mas é um crime cobrar a responsabilidade do governo petista?

Quem sai agora gritando “risco de crise institucional” está apenas tentando, pela via do terrorismo político, silenciar as vozes contrárias ao governo. É para assustar o PMDB. É para assustar a oposição. É para assustar o Congresso. É para assustar a imprensa. É para assustar a nação.

Lamento! A cara da crise, hoje, de todas as crises, é a continuidade do governo Dilma. As alternativas, desde que de acordo com a lei, são apenas soluções.

Texto publicado originalmente às 6h35
Por Reinaldo Azevedo

20/07/2015

às 7:35

Com Cunha acuado, Dilma ressurge mais forte nesta segunda. Pra quê? Pra nada! Ou: Máquina do mal continua ativa e operante

Se a vida fosse como sonham os petistas, esta segunda começaria sob novos auspícios. Aquele que o governo tinha como seu principal inimigo está, obviamente, acuado pela acusação do lobista Julio Camargo e pela avalanche de notícias negativas que a ela se seguiu. Refiro-me obviamente a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. Antes que siga, uma nota.

É evidente que o principal inimigo do governo nunca foi Cunha — ele acabou se tornando, mas não era. As forças que mais atuam contra Dilma são a herança maldita do PT, que durará gerações, a incompetência política do governo e, num outro plano, Luiz Inácio Lula da Silva, que desestabiliza a presidente em seu próprio terreno.

Querem um exemplo? Se Dilma não tivesse atravessado a rua só para ser derrotada por Cunha na eleição para a presidência da Câmara, as relações certamente teriam sido outras. Mas a mulher não quis conversa com a realidade.

Vamos seguir. Na quinta, Camargo muda a versão de uma série de depoimentos anteriores e diz ter pagado, sim, propina a Cunha. No sábado, já é manchete de jornal uma investigação que busca ligar o deputado a algumas contas secretas no exterior — e olhem que se trata de investigação, em tese, sigilosa. Como esse tipo de especulação não vem à luz da noite para o dia, quem preparou esse segundo material para ser divulgado só estava à espera do primeiro. Ou por outra: estava tudo pronto para ser vazado, só aguardando que Julio Camargo fizesse a denúncia. Eis aí.

Os jornalistas se divertem associando a figura de Cunha ao sinistro Frank Underwood, da série “House of Cards”. Pois é… A julgar pelo que está em curso — e na hipótese de que a associação faça algum sentido —, então ele não está só, não é mesmo? Há mais “Franks” à solta, como se pode ver. O boato que circula é que as contas podem estar relacionadas a Cunha. “Podem”… E se não estiverem? Bem, isso não importa. O trabalho já está feito.

Retomo
Volto ao ponto. Ainda que não se diga alto e com todas as letras, os magos do Palácio já dão Cunha como carta fora do baralho. Agora, para arremate, só aguardam que Rodrigo Janot ofereça denúncia contra ele. Se o Supremo aceitar, avança-se um pouco mais. O procurador-geral pode dar uma ajuda final com uma ação cautelar para que ele se afaste da presidência da Casa. O que quer que faça Cunha agora será tratado como coisa de gente ressentida, que foi pega com a boca na botija. Aliás, CPIs que, pela regra, têm de ser instaladas já entraram na lista das retaliações. Frank Underwood pode assumir várias faces e estar em vários lugares, não é mesmo?

Ainda é cedo para decretar, como fazem os petistas e alguns analistas, a morte de Cunha, mas é fato que o Planalto cravou um tento e tanto, há muito buscado, há muito esperado. Voltemos a esta segunda-feria: seria o dia de Dilma anunciar o novo amanhecer. Mas com o quê?

O que o governo tem a oferecer? É evidente que a hipótese do impeachment ficou um pouco mais distante, ao contrário do que supõem muitos. Sem a prova material, inequívoca, de que Ricardo Pessoa foi coagido a fazer doações ao PT, é difícil que o TSE casse a diplomação de Dilma Rousseff. E Janot, até aqui, não demonstra interesse em pedir que se abra ao menos um inquérito para apurar a atuação da presidente, conforme autoriza jurisprudência do Supremo.

Assim, o que sai reforçada até agora é a possibilidade de Dilma permanecer mais três anos e meio no poder. Pra quê? Como diria Ascenso Ferreira, o poeta pernambucano, “pra nada!”.

Há uma possibilidade de a investigação sobre Cunha, ao fim e ao cabo, depois de muito tempo, dar em nada? É claro que há. Vai que Camargo estivesse falando a verdade antes de ser ameaçado, não depois… É que a natureza do jogo não é distinguir culpados de inocentes, mas manter o controle da máquina do estado.

Dilma ressurgirá mais forte nesta segunda.

Pra quê?

Pra nada!

Texto publicado originalmente às 17h32 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

18/07/2015

às 6:23

É claro que Dilma se fortalece por enquanto. Ou: Camargo foi ameaçado, como acusou Cunha. Ou ainda: Torça pelos fatos. Mais uma: E Dilma, Janot?

Há muitas formas de torcer voluntária ou involuntariamente pelo fortalecimento, ainda que dentro do possível, de Dilma Rousseff. Uma delas é aplaudir a eventual derrocada de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, e o notável trabalho de proteção à presidente executado até agora por este incrível Rodrigo Janot, procurador-geral da República. Ah, sim: seria dispensável dizer para bons entendedores, mas também os há maus, a serviço sabe-se lá do quê: se Cunha cometeu crime, tem de pagar. Mas onde estão os responsáveis ligados ao Poder Executivo no petrolão? Faço essa pergunta há mais de um ano. Janot não me dá uma resposta. Sergio Moro também não.

A Folha traz neste sábado um texto muito esclarecedor de Graciliano Rocha e Bela Megale. Explica por que o delator Julio Camargo mudou de ideia. No âmbito da delação premiada, havia negado o pagamento de propina a Eduardo Cunha. Depois, disse o contrário. No depoimento prestado ao juiz Sergio Moro, ele afirmou que negara porque tinha medo do poder do deputado. A reportagem esclarece:
“Sua [de Camargo] guinada começou a ser produzida na última semana de junho, quando foi chamado pelos procuradores da Lava Jato para uma reunião em Curitiba. Os investigadores mostraram a Camargo que tinham evidências de que ele vinha escondendo informações comprometedoras sobre políticos, e lembraram ao lobista que isso poderia levar ao rompimento do acordo de delação, que garante redução de pena e outros benefícios.”

Ah, bom! Na nota divulgada ontem, em que nega ter recebido propina, Cunha havia acusado o seguinte: “Após ameaças publicadas em órgãos da imprensa, atribuídas ao Procurador-Geral da República, de anular a sua delação caso não mudasse a versão sobre mim, meus advogados protocolaram petição no STF alertando sobre isso”.

Nem vou entrar no mérito se Camargo mentiu antes ou agora, o que fica evidente é que o conteúdo da nota de Cunha e o da reportagem coincidem, com uma ligeira diferença: o presidente da Câmara atribui a ação a Janot. Então ameaça houve, certo?

Resta, ademais, uma questão de natureza técnica, a ser decidida nestas e em delações premiadas em casos futuros: valerá sempre a última versão contada pelo delator, ainda que ela desminta a anterior? Outra questão para os tribunais: se não houver a prova material do pagamento de propina Cunha — há? —, a qual versão se deve dar o status de verdade? Os que querem Cunha fora do caminho certamente escolherão a segunda; os que preferem Dilma fora do caminho optarão pela primeira. Com qual devem ficar os que preferem os fatos? Respondo: com as provas.

Impeachment
Há certa excitação no ar, indevida a meu ver — mas nada como o tempo, não é? —, com o fato de que o deputado mandou fazer uma espécie de revisão dos pedidos de impeachment que foram protocolados na Câmara. Tenho dificuldade para pensar fora de parâmetros lógicos. Se essa era uma hipótese distante antes, mais distante está agora. Não há mágica nessas coisas. Já escrevi aqui e reitero: num cenário em que a Operação Lava Jato encosta na parede os presidentes da Câmara e do Senado, quem sai fortalecida, ainda que abaixo da linha da mediocridade, é Dilma. Para aceitar uma denúncia, são necessários 342 deputados. Não há milagres nessas coisas.

Armação ilimitada
Alguns tontos inferem que defendo que Cunha devesse ser intocável só porque perturba o PT. É uma boçalidade. Não é isso, não. Mas não reconheço como coisa regular que, no âmbito da delação, Julio Camargo negue o pagamento de propina ao deputado e, depois de pressionado pelos procuradores, admita o pagamento, mas aí num depoimento que está fora da delação — tanto é que esta terá, agora, de ser corrigida. Isso pode ser tudo, meus caros, menos… regular! É claro que tem cheiro de cama de gato e jeito de cama de gato. E é cama de gato. Nota à margem: Camargo mudou de advogado e agora está com o mesmo que defende Alberto Youssef, que o lobista antes contestava com veemência.

Presidência da Câmara
Fragilizado, Cunha passou agora a ser alvo de certa campanha terrorista. Nesta sexta, vazavam da Procuradoria-Geral da República boatos de que Janot — aquele que não toca em Dilma — pretende entrar com uma ação cautelar para afastá-lo da presidência da Câmara. Usaria para tanto testemunhos de pessoas que se dizem ameaçadas pelo deputado.

Caso Janot opte mesmo por isso — duvido um pouco porque me parece que escancararia a natureza do jogo: tirar Cunha do caminho —, o pedido tem de ser apresentado ao Supremo. O ministro Teori Zavascki, relator, poderia decidir sozinho, mas o mais provável é que recorresse ao pleno do tribunal. Se a tanto se atrever Janot, acho que o STF recusaria uma interferência desse teor com o que se tem até agora.

Então ficamos assim: que Julio Camargo foi ameaçado, como afirmou Cunha, foi. Se a ameaça se deu mediante supostas provas que os procuradores teriam de que pagou propina ao deputado, então elas certamente virão à luz. Mas e se não vierem?

Ah, sim, não posso encerrar este post sem perguntar: e Dilma, Janot? 

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados