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Governo Dilma

22/11/2014

às 6:08

A CAPA DE VEJA – E-mail de 2009 de Paulo Roberto Costa à então ministra Dilma defende uma “solução política” para manter fluxo de dinheiro para a quadrilha que operava na Petrobras. E a “solução” saiu da caneta de Lula

É, meus caros… As coisas podem se complicar bastante. Reportagem de capa da VEJA, que começa a chegar às bancas, traz um fato intrigante, com potencial de uma  bomba. Para chegar ao centro da questão, é preciso proceder a alguma memória.

As circunstâncias
Paulo Roberto Costa, como ele mesmo deixa claro em seus depoimentos, foi posto na direção de Abastecimento da Petrobras em 2003 para delinquir — ainda que lhe sobrasse um tempinho ou outro para funções regulares. Sua tarefa era mexer os pauzinhos para garantir sobrepreço em contratos, que depois seria convertido pelas empreiteiras em dinheiro e distribuído a uma quadrilha.

Costa, como também confessou, era o homem do PP no esquema — embora a maior parte da propina que passava por sua diretoria, assegurou, fosse mesmo enviada ao PT. Notem: ele nunca disse de si mesmo que era um só um sujeito honesto que foi corrompido pelo sistema. Ele confessou que tinha uma tarefa. Segundo seu depoimento e o do doleiro Alberto Youssef, o petista Renato Duque cumpria a mesma função na Diretoria de Serviços, operando para o PT, e Nestor Cerveró seria o homem do PMDB na diretoria da área Internacional.

O e-mail
Note-se: Costa começou a operar na Petrobras em 2003. E eis que chegamos, então, ao Ano da Graça de 2009. Não é que o diretor de Abastecimento da Petrobras resolve cometer uma ousadia? Atropelando a hierarquia da empresa, decidiu mandar um e-mail à então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também presidente do Conselho da Petrobras. Transcrevo trecho de reportagem da VEJA. Prestem atenção!

“Paulo Roberto Costa tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para alertar o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal — a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Assim como quem não quer nada, mas querendo, Paulo Roberto Costa, na mensagem à senhora ministra Dilma Vana Rousseff, lembra que nos anos de 2008 e 2007 houve ‘solução política’ para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.”

Por que diabos o diretor de Abastecimento da estatal enviaria uma mensagem à ministra sugerindo formas de ignorar as irregularidades nas obras apontadas pelo TCU? E, como fica claro, o tribunal já havia identificado problemas em 2007 e em 2008.

A síntese
Então façamos uma síntese deste notável momento em quatro passos, como está na reportagem:
1 - Um corrupto foi colocado na Petrobras para montar esquema de desvio de dinheiro para partidos aliados do governo Lula.

2 - Corrupto se mostra muito empenhado em seu ofício, o que lhe permite conseguir propinas para os políticos e, ao mesmo tempo, enriquecer.

3 - Corrupto se preocupa com a decisão do TCU e do Congresso de mandarem cortar os repasses de recursos para as obras das quais ele, o corrupto, tirava o dinheiro para manter de pé o esquema.

4 - Corrupto acha melhor alertar as altas autoridades do Palácio do Planalto sobre a iminência da interrupção do dinheiro público que alimentava o propinoduto sob sua responsabilidade direta na Petrobras.

VEJA encaminhou a questão ao Palácio do Planalto e, como resposta, recebeu a informação de que a Casa Civil, de que Dilma era titular, enviou à Corregedoria Geral da União todas as suspeitas de irregularidades. Certo! O Palácio, no entanto, preferiu não se manifestar sobre o e-mail enviado pelo agora delator premiado à então ministra.

Essa mensagem foi apreendida pela Polícia Federal nos computadores do Palácio do Planalto em operação de busca e apreensão relacionada à investigação sobre Erenice Guerra. Dilma não pode se calar sobre a mensagem em que um dos operadores do maior esquema de corrupção jamais descoberto no país sugere ao governo uma “solução política” que garantisse o funcionamento do propinoduto.

E o que aconteceu?
Eis o busílis. O então presidente Lula usou o seu poder de veto, passou por cima do TCU e do Congresso e mandou que o fluxo de dinheiro para as obras suspeitas fosse mantido. Era, como evidencia o e-mail de Paulo Roberto a Dilma, tudo o que queria o corrupto.

Leiam mais um parágrafo da reportagem:
“Durante oito meses, a equipe do ministro Aroldo Cedraz, que assume a presidência da corte [TCU] em dezembro, se debruçou sobre os custos de Abreu e Lima. A construção da refinaria estava ainda na fase de terraplenagem, mas os indícios de superfaturamento já ultrapassavam os 100 milhões de reais. A Petrobras, porém, se recusava a esclarecer as dúvidas.  O ministro chegou a convocar o então presidente da companhia, Sérgio Gabrielli, para explicar o motivo do boicote.  Depois de lembrado que poderia sofrer sanções se continuasse a se recusar a prestar esclarecimentos, Gabrielli entregou 10.000 folhas de planilhas ao tribunal. Para a surpresa dos técnicos, as informações não passavam de dados sem qualquer relevância.”

Se Dilma e Lula não sabiam, como dizem, da quadrilha que operava na Petrobras, quem, então, sabia? Como é que um diretor de Obras de uma estatal ousa sugerir saídas “políticas” a uma ministra para tornar sem efeito as apurações de um órgão de Estado?

A mensagem de Paulo Roberto a Dilma deixa claro, quando menos, que ela e Lula ignoraram os sinais de que uma máquina corrupta operava na maior empresa do país — uma estatal. Máquina corrupta que servia a três partidos da base: PT, PMDB e PP.

Yousseff disse em seu depoimento que Lula e Dilma sabiam de tudo. Isso, claro!, requer provas. Se provado, a presidente cairá. O e-mail de Paulo Roberto demonstra que, quando menos, a então ministra foi enganada. Mas enganada por quem? Então um diretorzinho da Petrobras propõe que o governo adote uma “solução política” para tornar sem efeito uma decisão do TCU e do Congresso, e a ministra achou isso tudo normal?

Pior: a “solução política” foi adotada, e Lula vetou a suspensão de repasse às obras com evidências de corrupção — o que está agora comprovado. Era o que Paulo Roberto queria: o fluxo normal de dinheiro para o propinoduto. Afinal, ele foi feito diretor em 2003 para isso.

Aguarda-se que Dilma diga o que fez com o e-mail que lhe foi enviado pelo agora corrupto confesso. VEJA já está nas bancas de São Paulo e, em breve, nas de todo o Brasil. Leiam a reportagem completa.

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2014

às 5:59

Procurador pede que firmas sejam declaradas inidôneas

Por Rubens Valente, Aguirre Talento e Gabriel Mascarenhas, na Folha:
O Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) requereu ontem (21) ao tribunal a declaração de inidoneidade de oito das principais empresas de construção civil do país, em decorrência das investigações da Operação Lava Jato. Na prática, a declaração impediria as empresas de participar de licitações ou fechar contratos com a administração pública federal por um prazo de até cinco anos. A proibição não atingiria as obras em andamento. O pedido foi endereçado pelo procurador junto ao TCU Júlio Marcelo de Oliveira ao ministro Augusto Sherman, responsável pelos casos no tribunal relativos à Petrobras.

Segundo a assessoria do TCU, Sherman deverá submeter o assunto à área técnica do órgão e pedir informações à Petrobras. Em casos de maior repercussão, os ministros costumam submeter a decisão ao plenário do tribunal. Não há prazo para uma decisão final. O procurador pediu que o TCU determine à Petrobras que abra um procedimento administrativo interno, num prazo máximo de 30 dias, para declarar inidôneas as empreiteiras Queiroz Galvão, Mendes Júnior Trading Engenharia, Iesa Engenharia, Galvão Engenharia, Grupo Camargo Corrêa, Engevix Engenharia S.A., UTC Engenharia e Grupo OAS.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2014

às 16:42

Kátia Abreu vai para a Agricultura; Armando Monteiro, para o Desenvolvimento. E aí?

A senadora reeleita Kátia Abreu (PMDB-TO) vai mesmo para o Ministério da Agricultura, informa Vera Magalhães na Folha, e acaba de confirmar a este blog. Kátia preside a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é líder inconteste do setor, e não lhe falta competência para fazer um bom trabalho na área. Refiro-me a competências pessoais e disposições subjetivas. Mas não será uma tarefa fácil, dado o momento político.

Combativa senadora da oposição ao governo Lula, eleita senadora pelo PFL em 2006, que depois virou DEM (e o partido luta hoje para sobreviver, a despeito do mérito de muitos que estão lá), Kátia migrou para o PSD, mas a aproximação com a presidente Dilma se deu logo nos primeiros meses do governo.

Ou, para ser mais exato, Dilma se aproximou de Kátia, e nasceu uma genuína amizade entre as duas. A senadora passou a ser uma espécie de “conselheira” da presidente em assuntos relativos a infraestrutura, logística e, claro!, agricultura e pecuária. Com quantos Dilma concordou e se pôde ou não seguir tais conselhos, bem, aí são outros quinhentos. De todo modo, registre-se: na área do agronegócio, propriamente, o governo se comportou bem. Os desastres se computaram em outros setores.

Vamos ver que perfil Dilma pretende dar ao novo governo. Para o Desenvolvimento, vai Armando Monteiro, ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria, o que pode sinalizar que a presidente vai prestar especial atenção à combalida indústria nacional. A questão será como fazê-lo. Com a simples política de desonerações em curso, dá para saber que não se chega muito longe.

Qual será o perfil do governo em outras áreas? Na secretaria-geral da Presidência será mantido alguém como Gilberto Carvalho, um fomentador de conflitos nas cidades e no campo, especialmente em áreas contestadas pelo neoindigenismo? É o que se vai ver.

Katia é muito competente em sua área e tem o respeito de boa parte do país que “votou azul” neste ano. É pouco provável que contribuísse para tornar vermelha essa região do mapa. Mas é possível que, com políticas adequadas à agricultura, diminua o contencioso com o governo.

Confirmado o nome de Kátia, Dilma marca, sim, um tento. Espero é que a senadora tenha condições de fazer adequadamente o seu trabalho, sem ser muito perturbada pelos, como é mesmo?, “movimentos sociais” industriados pelo PT.

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2014

às 16:11

Depois da trapalhada, a escolha de Dilma. Ou: É preferível a hipocrisia escolhendo a racionalidade à irracionalidade escolhendo a coerência

A presidente Dilma Rousseff pode anunciar, a qualquer momento, o nome do futuro ministro da Fazenda, que, na prática, poderá ser considerado o atual ministro, uma vez que Guido Mantega não está mais entre nós. Agora, ele chegou à fase de dizer coisas incompreensíveis, a exemplo de sua leitura otimista da economia, feita há dois dias. O estoque de piadas nessa área já se esgotou e ninguém mais ri.

Tudo indica que o trio que vai cuidar da economia será Nelson Barbosa, ex-secretário-geral da Fazenda; Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro, na gestão Lula; e Alexandre Tombini, que continuaria à frente do Banco Central. Este já demonstrou que pode ser, como é mesmo?, “independente” na medida certa. Barbosa foi chamado hoje ao Palácio. Tem mais o perfil de um formulador de política econômica. O que parece, em princípio, não se encaixar muito no figurino é Levy como ministro do Planejamento. Vamos ver.

De qualquer modo, essa possível configuração se dá depois de uma lambança dos diabos, envolvendo o nome de Luiz Carlos Trabuco, presidente executivo do Bradesco. Era um nome que agradava tanto a Dilma como a Lula, mas se dava como certo no mercado que Lázaro Brandão, presidente do Conselho de Administração do banco, não concordaria com a solução ainda que Trabuco quisesse, o que também não era líquido e certo. O atual presidente executivo do Bradesco está sendo preparado para assumir o lugar de “Doutor Brandão”, comandante inconteste do gigante.

A trapalhada foi enorme e indica que a área política de Dilma não é melhor do que a econômica. É claro que as sondagens deveriam ter sido feitas com a devida discrição — e não foi Trabuco quem vazou, que fique claro —, para evitar que a presidente tivesse de ouvir um “não”. Era um trabalho para Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil. Mas ele continua a ser mais o problema do que a solução.

O mercado reagiu bem à possibilidade de Dilma indicar Barbosa ou Levy para a Fazenda. O primeiro é considerado um técnico prudente; o segundo conta, vamos dizer, com o entusiasmo ideológico da turma.

Não deixa de ser curioso: na economia, Dilma acena com uma saída mais ortodoxa. No Ministério do Desenvolvimento, deve ficar com Armando Monteiro (PTB-PE), ex-presidente da CNI. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil), será a ministra da Agricultura. Para quem liderou uma campanha que procurou radicalizar à esquerda, tem-se uma guinada e tanto, não é mesmo?

Convenham: é preferível a hipocrisia escolhendo a racionalidade à irracionalidade escolhendo a coerência.

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2014

às 4:24

O “não” de Trabuco a Dilma é só mais uma evidência da falta de jeito do governo

A capacidade que tem a presidente Dilma Rousseff de errar, especialmente quando se esforça para acertar, chega a ser comovente. É a sua falta de jeito. E também está muito mal cercada. Eu sou do tempo em que presidentes recusavam pessoas que se candidatavam a ministérios, mas o contrário jamais acontecia. E a razão era simples: antes que um convite fosse tornado público, fazia-se uma sondagem para saber se o indicado aceitava a empreitada; se não, então o chefe do Executivo não pagava o mico. Mas eis o governo Dilma.

Luiz Carlos Trabuco, presidente executivo do Bradesco, rejeitou o convite para assumir o Ministério da Fazenda. Não está se fazendo de rogado, não. Ele nunca disse que queria o cargo. As especulações surgiram primeiro nos círculos palacianos. Ainda que fosse um desejo pessoal seu, e não consta que fosse, o que mais se ouvia nos bastidores é que “Doutor Brandão não vai deixar”. “Doutor Brandão” é Lázaro Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco e comandante inconteste do potentado.

Dilma conversou com os dois, que lhe devem ter dito que Trabuco está destinado a ser o sucessor de Brandão. Sabem como é… O governo Dilma passa, o Bradesco fica. Os governos petistas passam — os sensatos torcem por isso —, e o banco fica. A menos que Trabuco estivesse tocado pela chama militante, a troca parecia improvável. “Ah, mas é pelo bem do Brasil?” Fiquem certos: ele colabora mais com o Brasil no comando do… Bradesco. De resto, seria trocar uma posição em que é especialista por outra em que seria amador: um formulador de política econômica. Por mais capaz que ele seja em sua área, governo é outra coisa.

É evidente que Dilma não precisava dessa recusa em seu currículo, não num momento como este, evidenciando a dificuldade para formar uma equipe econômica. Para tanto, bastaria que tivesse um ministro da Casa Civil que fizesse as devidas consultas prévias. Ocorre que seu articulador político é Aloizio Mercadante. Esperar o quê? Sim, antes dele, já foi Ideli Salvatti. Mas não fique com a sensação, leitor, de que o mundo não presta.

O novo nome da economia pode sair ainda nesta sexta. Alexandre Tombini é cotado para permanecer na presidência do Banco Central. Nelson Barbosa, ex-secretário-geral da Fazenda, e Joaquim Levy, secretário do Tesouro no governo Lula e hoje administrador dos fundos de investimento do Bradesco, podem assumir a Fazenda e o Planejamento — ainda seria preciso, nessa hipótese, definir quem faria o quê.

Ironias
Pois é… Nem parece que a Dilma que apela ao presidente de um banco e que tende a ficar com um alto executivo dessa mesma instituição é aquela senhora que demonizou o setor bancário durante a campanha eleitoral e que associou a independência do Banco Central à cupidez dos banqueiros e à consequente fome dos brasileiros. Que vexame!

Campanhas eleitorais mundo afora comportam um tanto de farsa, sim. No Brasil, elas se transformaram em estelionatos escancarados.

Por Reinaldo Azevedo

19/11/2014

às 22:41

Os nomes para a Fazenda: “Ô Dilma, liga pra mim; não, não liga para ele!”

Fico realmente impressionado ao saber que Dilma Rousseff se reuniu com Luiz Inácio Lula da Silva na terça à noite para definir nomes de seu futuro ministério e debater a crise da Lava Jato. Por que ela se encontrou com ele? Ele é presidente do PT? É autoridade na República? Tem ainda algum poder institucional. Por quê?

Não há resposta a não ser o Brasil patrimonialista, patriarcal e, sim, senhores!, machista, que remanesce e de que o PT é a perfeita expressão contemporânea. Nessas horas, as feministas oficiais do PT ficam de boca bem fechada, não é? Eis aí um bom momento para queimar sutiãs metafóricos. Vocês acham que um macho petista se submeteria à supervisão de uma mulher se a sequência fosse invertida, e Lula fosse o sucessor de Dilma? Uma ova! E não apenas porque, afinal, o Poderoso Chefão é ele, mas porque Lula sempre a tratou como uma café com leite. Vejam as vezes em que ele já a chamou, em comícios, docemente, de “a Bichinha”…

A ele falta pudor. A ela falta decoro. A ele falta semancol. A ela falta a solenidade do cargo. A ele falta senso de ridículo. A ela falta… senso de ridículo. Se o Brasil fosse uma empresa, você confiaria numa presidente incapaz de escolher seus próprios subordinados? “Ah, mas o Brasil não é uma empresa…” Ainda bem, se é que me entendem!

Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil, e Rui Falcão, presidente do PT, participaram do encontro, o que ajudou a tornar tudo mais cinzento. Fico cá a pensar: Deus do céu! Nem a “Bichinha” merece esse destino. Mercadante foi aquele senhor que sugeriu que os ministros pedissem demissão coletiva quando a presidente ainda não tinha alternativas. Gênio mesmo!

A turma de Lula não dá muita bola para Dilma e vaza que ele preferiria mesmo Henrique Meirelles, ex-presidente do BC, na Fazenda. Mas Dilma acha que ele é “mercado demais”, entendem? Dilma e seu antecessor concordariam com o nome de Luiz Carlos Trabuco, presidente-executivo do Bradesco, mas parece que é Trabuco quem não está disposto a virar alvo de ansiedades coletivas. Alexandre Tombini, que comanda o Banco Central, estaria entre as opções, o que me parece piada. Se ele não conseguiu a confiança dos agentes econômicos como presidente do BC, por que deveria assumir a Fazenda? Vai saber com quais critérios lida essa gente. Também teria entrado na lista Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro no Governo Lula e hoje presidente da Bradesco Asset Management, o braço de fundos de investimento do Bradesco. E há ainda a hipótese Nelson Barbosa, ex-secretário-geral da Fazenda.

O único com perfil para o ministério aí, que tem alguma intimidade com formulação de política econômica — e se é ministro dessa pasta para isso, não apenas para cuidar da política monetária —, é Barbosa. Minha observação nada tem a ver com a competência dos demais. Acho que o Brasil sai ganhando se Trabuco continuar no Bradesco, um banco importante. E ganhará muito menos se ele for para a Fazenda.

Dilma deveria me ouvir e parar com soluções extravagantes. Chame Murilo Portugal, atual presidente da Febraban. Ele é bom. Sabe das coisas e tem uma visão abrangente de economia. É tecnicamente capaz e tem o tal respeito dos mercados.

Presidente, liga pra mim; não, não liga pra ele!

Por Reinaldo Azevedo

19/11/2014

às 22:31

Projeto que dribla meta fiscal só será votado na semana que vem

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A base aliada fracassou na tentativa de acelerar a tramitação do projeto que permite ao governo driblar a meta de superávit primário. Em votação, os governistas não conseguiram apoio mínimo para que o texto fosse apreciado ainda nesta quarta-feira pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), como pretendia o Executivo. O projeto, que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), chegou a ser dado como aprovado em uma sessão tumultuada da CMO na noite de terça-feira. A oposição protestou, apontando que a votação se dera de forma irregular, sem a comprovação de que havia maioria a favor do texto. Depois de uma reunião entre líderes partidários nesta quarta, fechou-se acordo pela realização de uma nova votação para evitar questionamentos.

Para reavaliar o projeto, entretanto, seria preciso respeitar o regimento do Congresso, que exige um prazo de duas sessões regulares entre uma votação e outra de uma mesma matéria. É o chamado interstício. Encurtar esse prazo exige o aval dos integrantes da CMO. Mas tal manobra tampouco foi aprovada. Em votação para definir se haveria ou não quebra do interstício, o resultado foi de 15 votos a favor e 7 contra. O governo precisava da maioria absoluta dos 40 integrantes da comissão – ou seja, 21 votos.

Após a proclamação do resultado, o presidente da CMO, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), e a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) chegaram a afirmar que bastava a maioria dos presentes para a quebra do interstício. Mas a oposição chamou a atenção para o regimento comum do Congresso, que exige a maioria absoluta. Devanir acatou. O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), provocou o Planalto: “O governo precisa aprender a fazer mobilização nesta Casa”, disse ele. Apesar da vitória temporária da oposição, a tendência é que o projeto seja aprovado.

O texto proposto pelo governo permite abater do resultado fiscal deste ano todos os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as desonerações tributárias. Com isso, o governo praticamente se livra da obrigação de cumprir qualquer objetivo fiscal neste ano. A meta de superávit primário do setor público estabelecida na LDO é de 167,4 bilhões de reais ou cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas, com os descontos, o governo pode estabelecer uma meta de 99 bilhões de reais neste ano, equivalente a 1,9% do PIB. 

Os gastos com o PAC somaram 47,2 bilhões de reais e as desonerações chegaram a 75,7 bilhões de reais entre janeiro e setembro, de acordo com dados do Tesouro. O resultado primário do setor público consolidado, que inclui governo central, Estados, municípios e estatais, também ficou negativo em 15,3 bilhões de reais no acumulado de nove meses, o primeiro na série histórica do Banco Central iniciada em 2002.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2014

às 4:03

Faz hoje um mês que Dilma admitiu pela primeira vez a possibilidade de haver desvios na Petrobras; antes, ela acusava mera conspiração dos que queriam privatizar a empresa. Vejam o que está em curso! Ou: Dilma vai criar galinhas, como o último imperador romano?

O tempo passa, e as coisas só pioram na Petrobras e no Brasil. A presidente Dilma se comporta como o último imperador romano, que, no fim da linha, preferia cuidar de galinhas. Ocorre que esta senhora, que encerra melancolicamente o seu mandato, terá mais quatro anos — caso cumpra o calendário e não seja atropelada pela lei. A entrevista concedida nesta segunda por Graça Foster, presidente da estatal, evidencia que o governo perdeu o pé da situação. Raramente se viu soma tão robusta de sandices. Para piorar, as denúncias chegam à atual diretoria da empresa: segundo Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, José Carlos Cosenza, atual diretor de Abastecimento e substituto do próprio Costa, também recebeu propina. Ele nega. E tudo pode sempre piorar: surgiram sinais de que o esquema criminoso pode ter atuado também na Eletrobras, cujas ações despencaram nesta segunda.

Obviamente, não vou eu aqui afirmar a culpa de Cosenza. Denúncias precisam ser provadas para que possam ter consequência penal. Ocorre que esse caso tem mais do que a esfera puramente criminal. Será que a Petrobras aguenta ter um alto membro da atual diretoria sob suspeita? Não é o mais recomendável para uma empresa que não consegue divulgar números de seu balanço trimestral e que já enfrenta sinais de que terá dificuldades para se financiar no mercado externo em razão da falta de credibilidade.

Cosenza estava ontem no evento-entrevista que Graça organizou, compondo a mesa da diretoria da Petrobras. Que a roubalheira comeu solta na empresa — seja ou não para financiar partidos —, isso já está comprovado. Um único gerente, Pedro Barusco, fez acordo de delação premiada e aceitou devolver US$ 97 milhões — o correspondente a R$ 252 milhões. Seu chefe, no entanto, Renato Duque, homem de José Dirceu na empresa e ex-diretor da cota do PT, afirma não saber de nada e se nega a colaborar com as investigações. Assim, se formos nos fiar nas palavras de Duque, devemos acreditar que seu subordinado conseguiu a proeza de amealhar R$ 252 milhões fazendo falcatruas às escondidas do chefe.

O processo será longo. Estamos só no começo. Pensem, por exemplo, que o caso vai mesmo esquentar quando aparecerem os nomes dos políticos, que estão se acumulando lá no STF. Aí é que vocês verão a barafunda.

Desde o começo da crise, tenho chamado atenção para o óbvio: por que a prática seria diferente nas demais estatais se os atores são os mesmos, se a política é a mesma, se os critérios são os mesmos? Surgiu o primeiro elemento que pode indicar que os criminosos atuaram também na Eletrobras — e sabe-se lá onde mais. A presidente brinca com o perigo.

Para começo de conversa, deveria intervir já — e não mais tarde — na Petrobras. Está na cara que Graça Foster perdeu a condição de presidir a empresa. Cosenza tem de ser afastado não porque esteja comprovada a sua culpa, mas porque a estatal não pode conviver com desconfiança. Evidenciada a sua inocência, que volte.

Um mês
Vejam vocês: hoje, 18 de novembro, faz exatamente um mês que Dilma admitiu pela primeira vez a possibilidade de haver desvios na Petrobras. E ainda o fez daquele modo rebarbativo. Disse então: “Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não; houve, viu?”. Até o dia anterior, ela atribuía as críticas aos desmandos na empresa à pressão dos que quereriam privatizá-la.

Dilma terá dias bem difíceis pela frente. O show de horrores está só no começo. Imaginem quando começarem a sair do armário os esqueletos das contas secretas no exterior, onde foi depositada parte da propina. Uma única conta de Barusco da Suíça teve bloqueados US$ 20 milhões. Na delação premiada, Youssef se prontificou a ajudar a PF a chegar inclusive a contas que pertenceriam ao PT. Se elas existem ou existiram, a cobra vai piar.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2014

às 2:42

Delatores implicam atual diretor da Petrobras em esquema

Na VEJA.com:
Por Daniel Haidar, na VEJA.com:O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef acusaram o atual diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, de participação no esquema de cobrança de propinas a fornecedores da petrolífera. As acusações serviram de base às perguntas feitas durante os interrogatórios dos diretores presos das empreiteiras suspeitas de participar do petrolão, como ficou conhecido o esquema de desvio de recursos dos cofres da estatal para o bolso de políticos e partidos. Os depoimentos vieram a público nesta segunda-feira.

“Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef mencionaram a existência de pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras, tendo como beneficiários além deles próprios, os diretores Duque, Cerveró e Cosenza, bem como alguns agentes políticos. Tem conhecimento destes pagamentos e de quem eram seus beneficiários?”, perguntou o delegado Agnaldo Mendonça Alves aos executivos interrogados no fim de semana.

Othon Zanoide de Moraes Filho e Ildefonso Colares Filho, diretores da Queiroz Galvão, e Newton Prado Júnior e Carlos Eduardo Strauch Aubero, diretores da Engevix, negaram o pagamento de propina a qualquer pessoa ou a participação em cartel para fraudar licitações e combinar propostas à estatal. Eles responderam às perguntas da Polícia Federal de forma evasiva, confirmaram que mantinham contatos com Youssef, mas não explicaram repasses feitos pelas empresas às firmas do doleiro. Prado Júnior chegou a afirmar que os contratos com o doleiro foram firmados pelos sócios da Engevix: “Foi um contrato que foi orientado pelos sócios. O objeto do contrato é consultoria em nível estratégico e empresarial que foi prestada no nível dos sócios, ou seja, seria prestada diretamente aos sócios”.

Interrogados nesta segunda-feira, José Adelmário Pinheiro Filho, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, José Ricardo Nogueira Breghirolli, Alexandre Portela Barbosa e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretores da OAS, preferiram ficar em silêncio. Os executivos serão ouvidos até terça-feira, quando vencem os prazos de prisão de 17 presos.

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2014

às 7:32

Quando se tem um ministro da Justiça como José Eduardo Cardozo, a gente entende por que a Petrobras afunda num mar de lama. Este senhor perdeu o senso de ridículo!

Sou crítico de muitos ministros deste governo, mas há dois sobre os quais sinto certa vergonha de escrever: Gilberto Carvalho e José Eduardo Cardozo. São duas figuras patéticas, bisonhas, ridículas. Carvalho é candidato a qualquer coisa no PT — restando algum juízo a Dilma, ela o chuta do Palácio. Já Cardozo tem a ambição de ocupar um lugar no Supremo, uma piada grotesca, eu sei, mas verdadeira. Muito bem! Nesta sexta, todos percebemos a terra tremer com a prisão de um monte de empreiteiros e assemelhados, num dia apelidado por policiais federais de “Juízo Final”. É claro que a temperatura da crise subiu muito. Cardozo resolveu, então, conceder neste sábado uma entrevista coletiva. E meteu, como sempre, os pés pelos pés.

A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça, mas tem autonomia garantida em lei para efetuar suas investigações. O ministro não pode e não deve ser previamente avisado. Segundo disse, ficou sabendo da operação no fim da madrugada, quando já tinha sido deflagrada. Aí, então, teria telefonado para a presidente Dilma, que está em viagem, e recebido instruções. Certo. Cabia a Cardozo dar uma entrevista? Acho que sim.

Mas para dizer o quê? O que seria óbvio numa democracia convencional: que a PF tem autonomia no seu ofício, que o governo espera que tudo tenha sido feito dentro das regras, que tem a esperança de que as acusações dos advogados de que seus clientes tiverem direitos agravados não precedam etc. Mas foi isso o que fez o ministro de Dilma que acha que se pode trocar facilmente a canga pela toga? Não!

Resolveu vociferar impropérios contra adversários políticos. E disparou: “A oposição não pode usar as prisões para criar um terceiro turno eleitoral”. Mas quem é que está agindo assim? Ele não disse. É impressionante que um ministro da Justiça faça uma acusação com esse peso sem citar nomes. O que Cardozo pretende?

Quer dizer que ou a oposição aplaude a ação do governo ou será tentativa de disputar o “terceiro turno”? Eu estou errado ou esse que se pretende futuro ministro do Supremo acha que, ao vencer uma eleição, um partido também retira dos derrotados o direito de se comportar como adversários? A afirmação é de uma irresponsabilidade impressionante, sobretudo porque um ministro da Justiça não acusa, mas age.

Cardozo — não posso ver a sua figura sem me lembrar da doce metáfora que Dilma lhe dispensou: um dos “Três Porquinhos… — está acostumado a não ter limites. Afirmou a jornalistas que Dilma deu sinal verde para levar adiante as investigações… Como, excelência? Quer dizer que, se ela tivesse dado sinal vermelho, aí tudo seria paralisado? Ela nem dá nem deixa de dar sinal verde. A PF não obedece a esse tipo de comando.

Cardozo deu outra resposta deliciosa quando indagado sobre a suposta participação de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, nos escândalos da Lava Jato: “Eu não faço isso com amigos, não faço com inimigos. Vamos olhar os fatos e investigá-los”. Bem… Inimigo do ministro Vaccari não é. Só restou o papel de “amigo”…

A entrevista de Cardozo foi um despropósito. Chega a ser estarrecedor que, um dia depois daquela penca de prisões — incluindo a de Renato Duque, ex-operador do PT —, este senhor venha a público para tentar passar um pito na… oposição!!! É espantosa a solenidade com que ignora a importância do cargo que ocupa.

Disputar terceiro turno, meu senhor? O que o Brasil se pergunta é quanto do dinheiro roubado da Petrobras foi parar no primeiro e no segundo turnos, não é mesmo?

Comporte-se de modo mais decoroso, meu senhor!

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2014

às 6:53

Pela primeira vez desde a redemocratização, jornalismo trata com desdém protestos de milhares de pessoas, que só cobram… decência! É que os brasileiros que trabalham não têm pedigree militante

Vivemos realmente dias interessantes. Desde a redemocratização do país, é a primeira vez que milhares de pessoas saem às ruas tendo de enfrentar a franca hostilidade da maioria da imprensa e até de humoristas chapas-brancas — como se fosse possível fazer humorismo a favor sem que o palhaço se comporte como mero áulico. Até o bobo da corte, como é sabido, tinha mais independência do que a pletora de engraçadinhos patrocinados. Afinal, o bobo era o único que podia fazer piada com o rei… Os de hoje em dia só sabem ironizar os… inimigos do rei.

Sim, uns poucos tolos pediram intervenção militar. Já disse o que penso a respeito em dois posts bastante longos. Mas a esmagadora maioria foi à rua cobrar a apuração de crimes contra o patrimônio público, exigir o impeachment de Dilma (se ficar provado que ela sabia das falcatruas) e, oram vejam, protestar contra o controle da mídia — que vem a ser justamente a pauta oposta à dos esquerdistas que marcharam na quinta-feira, sob a liderança da CUT e de Gilherme Boulos, chefão do MTST — a entidade e o movimento são vermelhos por fora, mas têm a chapa branca por dentro.

Os que defendem abertamente a censura à imprensa, no entanto, foram tratados com reverência e delicadeza pela… imprensa! Os que se opõem a controles, bem, estes estão sendo francamente hostilizados, com uma abordagem jocosa, com esgares óbvios de preconceito. Sugiro aos manifestantes, no entanto, que ignorem a patrulha e deixem os jornalistas em paz. Seus respectivos leitores saberão fazer a coisa certa. O único controle admissível para a imprensa é o público. A liberdade de imprensa não é um bem que se defenda em benefício de jornalistas. A gente defende a liberdade de imprensa é em benefício do país. Adiante.

Manifestações de defensores da ordem democrática também são meio chatas, não é?, para certo jornalismo. A turma não quebra nada, nem bem público nem bem privado; não busca o confronto físico com a Polícia Militar — ao contrário: até a aplaude, o que deixa os esquerdistas da imprensa, digamos, “absurdados”. Também não se trata, assim, de um desfile de culturas alternativas, de tribos, de comportamentos de exceção, de minorais, de militantes profissionais.

Nada disso! Nas ruas, estavam aquelas pessoas que a Marilena Chaui e boa parte da imprensa odeiam: gente comum, que trabalha, que estuda, que é obrigada a ganhar o próprio sustento — e, por essa razão, tem especial predileção para protestar aos sábados. São pessoas que não têm as mesmas facilidades dos militantes da CUT ou do MTST. Estes podem armar o circo em plena quinta-feira porque o pão já está mesmo garantido pelas tetas públicas.

Onde já se viu gente comum; que não pertence a nenhum movimento social; que não se organiza em nome de nenhuma minoria influente; que, percebe-se, nem tem muito traquejo em manifestação porque costuma estar empenhada demais em prover o próprio sustento, sem tempo para se comportar como esbirro de grupelhos militantes; que recolhe seus impostos; que faz funcionar a máquina perdulária do estado… Onde já se viu gente assim ousar sair às ruas?

Cumpre ridicularizá-la; tratá-la como um bando de primitivos; tirar o sarro de sua agenda; evidenciar o seu reacionarismo; hostilizá-la como expressão do atraso. Não é porque essa gente é a parcela do Brasil que financia o circo do estatismo; não é porque essa gente é diariamente espoliada por marginais do poder; não é por isso tudo que essa gente, agora, vai achar que deve ter também o direito de voz. Como quer o ainda ministro Gilberto Carvalho, a obrigação do governo é conversar com os movimentos sociais de esquerda. Os indignados com a roubalheira que se danem.

Vem coisa por aí
Os histéricos — e vou escrever daqui a pouco sobre o ministro José Eduardo Cardozo — que se acalmem! A Operação Lava Jato, até agora, ainda não chegou aos políticos. Vai chegar. É possível que a penca de prisões acabe resultando em novos processos de delação premiada.

Ainda que amplos setores da imprensa só reconheçam a legitimidade de protestos que carregam a bandeira vermelha, terão de aceitar, cedo ou tarde (pior se for tarde), que os que pagam a conta têm o direito de reclamar da qualidade do serviço.

Para esclarecer
Há gente fazendo uma lambança dos diabos. Tenho escrito aqui que o eventual impeachment de Dilma precisa de provas. Aí alguns insistem: “Mas elas já existem…”. Ainda não são do nosso conhecimento. VEJA noticiou — assim como os demais veículos de comunicação — que Alberto Youssef afirmou que Lula e Dilma sabiam de tudo. É fato que ele tenha dito isso. Mas é preciso que venha à luz a materialidade dessa afirmação, entenderam? “Ah, Reinaldo, mas o que você acha?” Eu acho que não havia como eles não saberem. Mas um processo requer mais do que, digamos, essa obviedade lógica.

E, ficando provado que a presidente sabia, ela vai se aposentar mais cedo. Sem traumas institucionais. Não adianta Cardozo ter faniquito. Os cretinos que chamam de “golpista” a manifestação em favor do impeachment precisam saber que o impedimento tem prescrição legal. Logo, não pode ser golpe o que se ancora na legalidade democrática. Quando alguém fala em “impeachment” fala também em legalidade. É elementar!

A crise é de fôlego, estejam certos. Quanto à hostilidade de parte considerável da imprensa, dizer o quê? Jornalistas não podem ser molestados. Que façam o seu trabalho, bom ou mau. É o leitor, o telespectador, o ouvinte ou o internauta que escolhem este ou aquele veículos. A melhor forma de protestar contra áulicos ou maledicentes é mudando de jornal, de revista, de canal, de blog, de rádio…

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2014

às 5:50

Ainda a intervenção militar e os que tentam me dar algumas aulas… Ou: Eu não combato petralhas porque eu aceite ditaduras, eu os combato porque não as aceito!

Sou imensamente grato a alguns defensores da “intervenção militar” que resolveram me contar “como é de fato o Brasil”, me dar aulas (!?!?!) sobre o “Foro de São Paulo” (pra mim?) e me advertir sobre a minha “ingenuidade”… Um deles, fazendo piada involuntária, escreveu: “Você não sabe como são os petralhas, Reinaldo…”. Ninguém deve ter lhe contado que eu sou o criador da palavra. Agradeço, mas dispenso as lições. Não! Gente defendendo ou justificando intervenção militar não escreve no meu blog nem na área de comentários. Se alguma opinião assim escapou, vou cortar.

O blog é meu! É feito para defensores da democracia, das liberdades civis, dos direitos individuais — tudo aquilo que governos militares, em qualquer tempo e em qualquer lugar, jamais garantiram. É claro que um regime civil não significa a certeza desses fundamentos. Mas só regimes civis podem provê-los. E não porque militares sejam homens maus. É que eles são treinados para a guerra, não para a política. Há gente com vontade de defender “intervenção militar ou golpe?” À vontade!!! Há milhares de blogs desesperados para ter leitores. No meu, não! “Ah, mas as pessoas têm o direito de ter essa opinião…” E eu disse que não têm??? Só não quero na minha casa. É simples.

Ora, ora… Eu não combato os petralhas com tanta energia porque aceite ditaduras… Eu os combato justamente porque não as aceito. Mas notem: não é que eu rejeite só a ditadura dos petralhas e de outros esquerdistas. Eu rejeito todas as ditaduras, inclusive a dos petralhas e de outros esquerdistas.

Eu escrevi ontem dois textos sobre a manifestação. No primeiro, em que lastimo a estupidez dos que pedem intervenção militar, afirmei que ainda escreveria um outro, destacando os aspectos virtuosos do protesto. Alguns tontos me acusam de querer me comportar como dono da agenda. Uma ova!

Se eu me sentisse assim, iria atuar de modo político, fazendo vista grossa para aquele carro de som só para não criticar um “aliado”. Ocorre que um defensor de intervenção militar é tão meu adversário intelectual como um petralha. Não tenho apreço nem por um nem por outro. Gente que vai à rua pedir a ação dos quartéis é, lamento!, aliada objetiva do PT e das esquerdas. Estudem o conceito de “aliado objetivo”. Não quero ser dono de nada nem me sinto líder de coisa nenhuma. Eu sou apenas dono da minha opinião. E eu a expresso. E ponto.

Tolices
Há pessoas me recomendando obsessivamente que leia o Artigo 142 da Constituição, como se eu já não o tivesse citado dezenas de vezes no blog. Há um arquivo nesta página, santo Deus! Mas lhes faço a vontade e reproduzo o caput:

“Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”

Sim, as Forças Armadas podem ser convocadas para a garantia da ordem interna, desde que sua presença seja solicitada por um dos Poderes da República. Aliás, aconteceu durante a Copa do Mundo, não é mesmo? Não cabe aos militares brasileiros cuidar da política.

Também deixem os bobalhões de conversa mole. Já fiz duas palestras no Comando Militar do Sudeste e duas no Clube Militar. Mantenho diálogo sereno e profissional com militares, mas não sou carpideira. Os generais que conheço estão empenhados em garantir que as Forças Armadas cumpram o seu papel constitucional e devem encarar com um profundo tédio essa bobajada.

Há ainda aqueles que juram que nunca mais voltarão a me ler porque critiquei esses delírios golpistas. A democracia existe para isso. Se eu não sirvo, certamente encontrarão uma página do seu agrado. As minhas opiniões sempre são claras, inequívocas e com zero de ambiguidade. O fato de eu criticar as tolices ilegais da Comissão da Verdade ou a conversão em heróis de facínoras como Carlos Lamarca ou Carlos Marighella, por exemplo, não autoriza ninguém a inferir que eu ache que a política e o poder devam ser exercidos por fardados. Acaba de ser lançado meu quinto livro. Há milhares — literalmente — de textos meus neste blog. Não há um só, um único que seja, que autorize essa leitura. ISSO É O QUE OS PETRALHAS GOSTARIAM QUE EU ESCREVESSE. Porque são golpistas, pretendem que seus adversários intelectuais ou morais também o sejam, mas do outro lado.

Comigo, não! Eu defendo uma democracia liberal-conservadora — avessa, portanto, tanto a petralhas e seus asseclas como a intervenções e golpes militares. Há quem nunca mais queira visitar meu blog por isso? Paciência!

Agora os Bolsonaros
Não ataquei a moralidade de ninguém. De novo: o arquivo do blog está aí, e qualquer um pode pesquisar o que escrevi, inclusive sobre aquela bobagem do kit gay. É bem provável que eu tenha cuidado do assunto antes do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Critiquei, sim, uma fala ambígua de outro Bolsonaro, Eduardo (deputado eleito), segundo quem “não é o momento de pedir intervenção militar”. De fato, não é. Nem agora nem depois!!! Não há esse momento a não ser segundo o que prescreve a Constituição, não é mesmo? E também lamentei que tenha se deixado fotografar com um revólver — e pouco me importa a sua profissão. Numa manifestação política, há coisas que são descabidas. E ponto!

Eu não sou político nem faço política. Quando gosto, digo “sim”; quando não gosto, digo “não”. E jamais pergunto se o meu “sim” ou o meu “não” atendem a esse ou àquele interesses, a essa ou àquela perspectivas.

Os dias vindouros serão densos. Já bastam as hostes da desqualificação petralha e esquerdopata, de que boa parte da imprensa se faz porta-voz, para tentar inibir os que defendem valores como decência e ética. Se os zumbis querem defender intervenção ou golpe militar, que marquem seus próprios atos e não conspurquem a marcha dos que estão nas ruas pedindo democracia, não golpe.

“Ah, os petralhas vão gostar de ler você criticando parte dos manifestantes…” Os petralhas que se danem! Não são meus juízes. Ainda que me aplaudissem, eu continuaria a ter por eles o mesmo desprezo que tenho quando me atacam.

Em matéria de princípios, não tergiverso nem negocio. Se alguém quer ditadura, é meu adversário, pouco me importa se é comuna ou anticomuna. Quem ainda não entendeu isso, deixo claro, ainda não me entendeu.

#prontofalei

Por Reinaldo Azevedo

15/11/2014

às 21:05

PROTESTO – O Brasil não aceita mais ser um país de pessoas honradas molestadas por ladrões. Golpistas da Petrobras e de outras estatais na cadeia!!! Ou: “Fora, petralhas!”

A esmagadora maioria tomou a rua em nome de boas causas, como o repúdio ao controle da mídia (Arquivo Pessoal)

A esmagadora maioria tomou a rua em nome de boas causas, como o repúdio ao controle da mídia (Arquivo Pessoal)

Dez mil pessoas pelo menos — segundo estima a Polícia Militar — participaram de um ato de protesto contra os desmandos do governo Dilma, que teve como epicentro a Paulista, em frente ao Masp, e se espalhou depois pela avenida. Para quem viu a coisa a muitos andares do solo, o cálculo parece modesto. Os organizadores falam em 50 mil, e, nesse caso, certamente há exagero. Quem sabe a média… Mas isso, já escrevi aqui ontem, importa menos: o protesto seria legítimo ainda que houvesse 10 pessoas. Mas havia, no mínimo, 10 mil. Assim, prova-se que o senhor Guilherme Boulos, o chefão da esquerda barra-pesada, estava errado. Os que cobram um governo decente, o que parece ofender o rapaz, são bem mais do que meia dúzia. E também podem ocupar as ruas. E, como se sabe, ninguém estava na Paulista para responder a uma lista de chamada do MTST, sob o risco de punição.

A esmagadora maioria das palavras de ordem se inscreve absolutamente dentro do leque democrático. E nem poderia ser diferente. Quem está saindo às ruas para protestar é gente decente e ordeira, que respeita as regras do jogo democrático, que acata os fundamentos do Estado de direito, que se subordina aos primados de uma sociedade plural. Golpistas, como sabemos, são os ladrões que se apoderaram da Petrobras em nome de um projeto de poder. Uns bobalhões pediram intervenção militar (ler post anterior)? Pediram, sim! E foram repudiados pela maioria, tanto é que sua caravana de ideias mambembes teve de marchar sozinha.

A imprensa, como destacou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) — presente ao ato como cidadão, sem subir em carro de som —, dá a essas pessoas um peso que não têm. E o faz por viés ideológico. Parece ofender a sensibilidade de certo jornalismo que alguém possa ocupar as ruas portando a bandeira do Brasil e cartazes com as cores pátrias. Parece que protesto sem bandeiras vermelhas já nasce ilegítimo.

"Fora, Petralhas" já é um clássico nos protestos dos defensores da democracia. Sinto orgulho! (Arquivo Pessoal)

“Fora, Petralhas” já é um clássico nos protestos dos defensores da democracia. Sinto orgulho! (Arquivo Pessoal)

Petralhas
A palavra “petralhas” já é um clássico nos protestos contra o PT e contra as esquerdas. É claro que isso se explica, não é? Criei o vocábulo, que foi parar em dicionário, e a história me dá razão. Chamei “petralhas”, desde o primeiro momento, os petistas que justificavam o roubo de dinheiro público em nome de um projeto de poder, como se avançar contra o erário em nome de uma suposta causa fosse moralmente superior a roubar para enriquecer. Não é! Eu diria que é até pior porque mais cínico.

Desde o início, já lá se vão 12 anos (!!!), alertei que nem todo petista é petralha, mas só petistas são petralhas. Há pessoas que levam a sério a, digamos, metafísica partidária e não se contentam com o rumo que as coisas tomaram? Há, sim! Mas não têm nem voz nem vez no partido. E por que continuam? Não sou especialista em comportamento humano nem me aventuro a especular sobre motivações subjetivas.

Há gente que se torna dependente de uma causa e que não consegue pensar fora de um enquadramento coletivo. Lamento muito por elas porque acho isso triste. Vejo muitos jovens capazes — rapazes e moças — abduzidos por seitas. Estou certo de que isso atende a alguma causa que é de fundo psíquico. Quando tomo conhecimento de que até o Estado Islâmico abriga hoje mais de dois mil ocidentais, oriundos, na maioria das vezes, de países ricos da Europa, eu me dou conta do poder que têm os vigaristas de vampirizar os sonhos de justiça dos jovens. Mas não vou me perder nisso agora.

Justiça
Os que foram às ruas cobram justiça e punição para os ladrões que assaltam a República. Os desmandos e o cinismo tomaram tal proporção que é preciso dizer um “Basta!”. Nos dias que correm, um protesto que reúne 10 mil pessoas é, sim, muito bem-sucedido. E, reitero, à diferença da patuscada armada pelo MTST e pela CUT na quinta-feira, ali não havia relações de subordinação e de chefia. Eram pessoas que se juntavam espontaneamente, obedecendo apenas ao comando da própria vontade. Um dos cartazes me parece especialmente bom, exibido por um garoto. Este:

Eis aí uma boa palavra de ordem: um partido não é a sociedade (Marcelo Gonçalves/FolhaPress)

Eis aí uma boa palavra de ordem: um partido não é a sociedade (Marcelo Gonçalves/FolhaPress)

É isto: “Mais Brasil, menos PT”. A sociedade está começando a se cansar de ver um partido tomar o seu lugar. O que é a roubalheira na Petrobras senão a consequência de uma ação política que substituiu os interesses da empresa, do Brasil e de seus acionistas — a esmagadora maioria formada de trabalhadores — pelos interesses de uma legenda e de seus sócios no poder? É crescente o número de pessoas que não aceita mais trocar a eficiência e a dignidade pelas migalhas que o petismo se orgulha de distribuir para 50 milhões de miseráveis — sim, MISERÁVEIS — que dependem do Bolsa Família para, ao menos, comer. O país quer, sim, que o programa de assistência aos muito pobres se transforme numa política de Estado, não na suposta benesse de um partido.

Chega da mentira escandalosa de que, para distribuir alguma renda — bem pouca! —, é preciso conviver com os assaltantes do poder. Não é, não! Desde 2002, os petistas vinham com a ladainha falsa de que seus adversários queriam privatizar a Petrobras, o que sempre foi mentira. Eis aí: quem mesmo tratou a Petrobras como se fosse o quintal de um lupanar?

Manifestante pede impeachment de Dilma. Não há nada de errado nisso desde que haja as provas

Manifestante pede impeachment de Dilma. Não há nada de errado nisso desde que haja as provas

Impeachment de Dilma
Os falsos democratas fingem se assustar com a palavra de ordem “impeachment de Dilma”, como se fosse expressão de um golpismo. É mesmo? Então quero ver a tese desenvolvida. Golpismo por quê? Já escrevi aqui muitas vezes e reitero no ponto: IMPEACHMENT, SIM, SE FICAR PROVADO QUE ELA SABIA DA ROUBALHEIRA EM CURSO NA PETROBRAS. Mas, para que se chegue lá, é preciso que se investigue, que se colham as provas e que se proceda ao devido processo legal. É certamente esse o pressuposto dos que pedem a saída de Dilma.

Quando se fala e se escreve a palavra “impeachment”, está-se falando de um procedimento legal, previsto na ordem democrática brasileira e que integra o conjunto de possibilidades de um Estado de Direito. A lei que permite a deposição de um chefe de Estado por crime de responsabilidade, a 1.079, não é nova; é de 1950, a mesma que afastou Collor do poder quando a Câmara aceitou a denúncia.

Se ficar provado que a presidente Dilma Rousseff sabia de tudo — ou, ao menos, de parte da lambança —, ela terá de deixar o poder porque lhe faltará autoridade para governar o país. “E se isso acontecer?” O vice assume, ora! Não é inédito nem segredo para nós. E se a denúncia tragar também o vice? Aí o presidente da Câmara assume interinamente e se marcam novas eleições — se o duplo impedimento ocorrer nos dois primeiros anos —, ou o Congresso indica o novo chefe do Executivo na hipótese de ocorrer no biênio final. Em qualquer hipótese, esse mandato termina no dia 31 de dezembro de 2018; em outubro desse ano, haverá eleições presidenciais, com ou sem impeachment.

É isso mesmo: notem que dou tratamento meramente burocrático a essa possibilidade porque, afinal, o Estado de Direito prescreve as saídas para o impedimento presidencial. Impeachment sem provas? Aí, obviamente, não!

Na manifestação deste sábado na Paulista, em São Paulo, houve caravanas de pessoas de outras cidades e até de outros Estados. O Brasil não quer ser mais um país de pessoas honradas submetidas à vontade de ladrões.

Golpistas na cadeia!

Por Reinaldo Azevedo

15/11/2014

às 19:29

Canalha minoritária e golpista macula protesto legítimo e democrático contra desmandos do governo petista. Mas ficou claro: trata-se de uma minoria repudiada por todos, inclusive pelas Forças Armadas

Pelo menos 10 mil pessoas pediram democracia; uns poucos idiotas é que pregaram golpe (Felipe Rau/Estadão)

Pelo menos 10 mil pessoas pediram democracia; uns poucos idiotas é que pregaram golpe (Felipe Rau/Estadão)

Os imbecis conseguiram.
Os idiotas chegaram lá.
Os zumbis se impuseram sobre os vivos.
Os estúpidos ganharam a ribalta.
A escória da democracia mostrou a fuça.

Pelo menos dez mil pessoas, segundo cálculos que me parecem modestos — e ainda farei outro post a respeito — participaram e participam ainda de um ato de protesto contra o governo Dilma. A esmagadora maioria pede a efetiva apuração dos casos de corrupção, cobra a punição aos larápios que assaltam o estado, repudia as ameaças de controle da mídia.

Leio, no entanto, o título da homepage da Folha Online:
“Pedido de ação militar racha protesto contra Dilma na Paulista”.

No Estadão Online:
“Pedido de intervenção militar racha protesto anti-Dilma na Paulista”.

No Globo Online:
“Defensores de intervenção militar dividem ato contra Dilma”

No UOL:
“Lobão abandona ato após pedido de ação militar”.

Retomo
Eis aí. Na manifestação anterior, um único cartaz de um único sujeito — coincidentemente entrevistado pelas respetivas reportagem de Folha e Estadão — bastou para que o protesto fosse tratado como manifestação golpista. Desta feita, havia um carro de som de um tal “Movimento Brasileiro de Resistência” — cuja existência desconheço, com muito gosto —, que pedia a intervenção militar no país.

As democracias não podem proibir a estupidez, ou democracias não seriam. As pessoas têm o direito de ser ignorantes. Mas eu também tenho o direito de repudiar a sua burrice. Se um único cartaz bastou para enviesar a cobertura jornalística do ato anterior, é evidente que um carro de som ganharia ainda maior saliência. Desta vez, ao menos, informa-se a coisa correta: o pedido de intervenção militar era coisa de uma minoria, que acabou marchando sozinha, por sua própria conta, até o Comando Militar do Sudeste.

Quem vai bater à porta de quartel é carpideira ou gente com vontade de lamber botas. Falaram para ninguém. Conheço generais da ativa que tratam essa gente por aquilo que é: um bando de trouxas, de oportunistas, que se aproveitam da justa indignação de pessoas decentes para lançar seu ridículo grito de guerra.

Por que esses celerados não dão ao menos um exemplo contemporâneo de governo militar que seja democrático e decente? Existem ditaduras militares no continente americano hoje? Sim. Qualquer pessoa informada sabe que a Venezuela, na prática, é uma. Cuba também. As fachadas socialista e comunista só escondem a real natureza do regime: são camarilhas militares que garantem a opressão.

Apanhei durante a ditadura. Fui perseguido com meros 16 anos. Repudio de modo absoluto esses asquerosos, que não sabem o que é democracia; que acabam, porque burros, legitimando o regime corrupto e de desmandos em curso. Se querem pedir ditadura, que marquem suas próprias manifestações.

Essa gente me dá nojo!

O ato da esquerda
Se o ato não é de esquerda, a imprensa tem especial predileção por dar destaque às bandeiras dos aloprados, em detrimento da expressão legítima e pacífica dos indignados? E claro que sim! E não há novidade nenhuma nisso. Todos conhecem os motivos. Jornalistas, na média, são preguiçosamente esquerdistas — no mais das vezes, por falta de informação, de leitura, de conhecimento da história e até por complexo de culpa mal resolvido. São muito poucos, se é que existem, os que deitaram os olhos em alguma teoria ou capazes de citar alguma obra de referência. Nada! Trata-se de um deserto de ideias, ornado por supostas boas intenções. Já tentei debater. É impossível. É de Wikipédia para baixo. Mas esse não e um dado novo na equação.

Querem ver? Este panfleto estava sendo distribuído na manifestação organizada na quinta por Guilherme Boulos. Leiam:

panfleto Grande Cuba

E aí? O que lhes parece? Como se sabe, isso aí não mereceu nem sequer menção na grande imprensa e jamais iria parar num título. Por que não se publicou algo assim: “Em ato em defesa do governo Dilma, manifestantes pedem que Brasil vire uma grande Cuba”. Seria uma manchete mentirosa? Tão mentirosa e tão verdadeira quanto a informação de que, na semana passada, os que marcharam contra Dilma pediam intervenção militar. Talvez ainda haja uma diferença: caso se pergunte aos reais orgnizadores dos atos de protesto se apoiam um golpe, a resposta será “não”. Mas pergunte a Boulos se ele realmente não gostaria que o Brasil virasse uma Cuba continental.

Como vai piorar…
A situação política no Brasil está se deteriorando. As consequências dramáticas da Operação Lava Jato estão apenas no começo. Deixo aqui uma recomendação aos que organizam protestos: que, doravante, defensores de intervenção militar sejam literalmente isolados em manifestações assim. Que se crie uma espécie de cordão sanitário em torno dessa escória política, que odeia a democracia.

O Artigo 5º garante que alguém expresse a opinião de que uma intervenção militar é a saída para o Brasil? Garante! Mas que seja longe das pessoas decentes.

O bolsonarismo só é bom para os Bolsonaros
Leio, finalmente, no Estadão isto aqui:
“Não é o momento de pedir intervenção militar”, disse ao Estado o deputado eleito por São Paulo Eduardo Bolsonaro, um dos líderes mais celebrados do ato. Em um evento similar há duas semanas, ele foi fotografado portando um revólver. Dessa vez ele garante que está desarmado. “Tem gente armada por mim por aí”, afirmou.

Não sei o que esse cara que dizer com “Tem gente armada por mim”, mas suponho. E não me parece coisa boa. Bolsonaro pai ou Bolsonaros flhos sabem que nunca mais haverá intervenção militar no Brasil. Esse discurso barulhento, ambíguo e tendente à truculência que alimentam só serve para lhes render votos — e, portanto, as benesses correspondentes aos cargos públicos que ocupam.

Para eles, esse tipo de discurso agressivo e bronco é uma maravilha. Terão cada vez mais votos de uma minoria de extremistas sem importância. Mas esses senhores acabam é conspurcando a causa da democracia. Quem gosta de bolsanarismo é Jean Wyllys (PSOL-RJ), que sai gritando “fogo na floresta!” e multiplica seus votos por dez. Uma coisa é o oposto simétrico da outra. Wyllys arruma voto para os Bolsonaros, e os Bolsonaros arrumam votos para Wyllys. Sem Bolsonaro para praguejar sandices contra os gays, aquele rapaz seria só um ex-BBB em busca de notoriedade. Com a colaboração do discurso homofóbico do outro, virou celebridade “progressista”. Não caiam em truques vulgares assim. Se existe “gente armada por Eduardo Bolsonaro”, espero que seja ao menos dentro das regras legais — ou é prática similar ao banditismo.

E deixo claro: não adianta enviar para cá um bando de cachorros loucos para encher o meu saco porque não tenho medo de patrulha. Tenho asco de petralhas que assaltam os cofres públicos disfarçados de amigos do povo — e sei como combatê-los — e asco idêntico de oportunistas que se aproveitam da boa vontade alheia para colher benefícios e votos.

Meu amigo Lobão fez muito bem ao soltar os cachorros contra a canalha minoritária e golpista. E ainda escreverei um post aplaudindo a esmagadora maioria que estava na rua, composta de pessoas lúcidas.

Por Reinaldo Azevedo

15/11/2014

às 7:28

LAVA-JATO – O “Dia do Juízo Final” e o Apocalipse do petismo

Diga-se pela enésima vez: o PT não inventou a corrupção. É claro que não! O que o partido fez foi transformá-la num sistema e alçá-la à categoria de uma ética de resistência. Nesse particular, sem dúvida, inovou. Se, antes, a roubalheira generalizada era atributo de larápios, de ladrões, de safados propriamente, ela se tornou, com a chegada dos companheiros ao poder, uma espécie de imperativo do “sistema”. Recorrer às práticas mais asquerosas, contra as quais o partido definiu o seu emblema na década de 80 — “Ética na política” —, passou a ser chamado de “pragmatismo”.

Observem que o partido não se tornou “pragmático” apenas nessas zonas em que a ação pública se transforma em questão de polícia. Também a sua política de alianças passou a ter um único critério de exclusão: “Está do nosso lado ou não?”. Se estiver, pouco importa a qualidade do aliado. Inimigos juramentados de antes passaram à condição de fiéis aliados. O símbolo dessa postura, por óbvio, é José Sarney. No ano 2000, Lula demonizava Roseana nos palanques; em 2003, os petistas celebraram com a família uma aliança de ferro.

Os demônios que vão saindo das profundezas da Petrobras são estarrecedores. Não se trata, como todos podemos perceber, de desvios aqui e ali, como se fossem exceções a regras ancoradas no rigor técnico. Não! A corrupção era, tudo indica, sistêmica; não se tratava de um corpo estranho; era ela o organismo. E, convenham, parece que não havia valhacouto mais acolhedor e seguro do que a estatal. A Petrobras, com a devida vênia, nunca foi exatamente um exemplo de transparência, já antes de Roberto Campos ter-lhe pespegado a pecha de “Petrossauro”.

Em nome do nacionalismo mais tosco — antes, meio direitoso, com cheiro de complexo burocrático-militar; depois, com o viés esquerdoso, tão bocó como o outro, só que ainda mais falsificado —, há muitos anos a empresa se impõe ao país, não o contrário. Não foram poucas as vezes em que mais a Petrobras governou o Brasil do que o Brasil, a Petrobras. Com a chegada do PT ao poder, o que já era nefasto ganhou ares de desastre.

A empresa passou a ser o “bode exultório” — que é o oposto do “bode expiatório” — da esquerdofrenia petista. E porque o partido é esquerdofrênico? Porque o estatismo advogado pelos “companheiros” só pode ser exercido, como é óbvio, com o concurso do capital privado, com o auxílio de alguns potentados da economia, com o amparo de quem reúne a expertise para tocar a infraestrutura. E o resultado é o que se tem aí.

Não vou livrar a cara das empreiteiras, não. Quem não quer não corrompe nem se corrompe. Mas não dá para esquecer o depoimento de Alberto Youssef ao juiz Sérgio Moro, em que sobressaem duas informações importantes:
1) o doleiro afirmou que era pegar ou largar; ou as empreiteiras aceitavam pagar o preço — ou melhor, incluir a propina no preço —, ou estavam fora do jogo; e boa parte preferiu jogar;
2) indagado por Moro se as empreiteiras costumavam cumprir a sua parte no acordo, Youssef disse que sim. E explicou os motivos: elas tinham muitos interesses em outras áreas do governo, não apenas na Petrobras. Afinal, também constroem hidrelétricas, estradas, infraestrutura de telecomunicações etc.

Assim, duas conclusões se fazem inevitáveis:
1) as empreiteiras, tudo indica, atuaram como corruptoras, sim, mas é razoável supor que falavam a linguagem que o outro lado queria ouvir;
2) não há por que o padrão de governança das demais estatais e órgãos públicos federais ser diferente. Como já afirmei neste blog muitas vezes, estamos diante de um método, não de um surto ou de um lapso da razão.

Governo em parafuso
Já está mais do que evidente, a esta altura, que Lula e Dilma foram suficientemente advertidos para parte ao menos dos descalabros. Os que se lançaram a tal empreitada, talvez ingenuamente, imaginavam que a dupla não sabia de nada. A questão, meus caros, desde  sempre, é outra: havia como não saber? Tendo a achar que não. O TCU alerta, por exemplo, para os desvios da refinaria Abreu e Lima desde 2008.

Recorram aos arquivos. A partir de 2010, o então presidente Lula começou a atacar os órgãos de fiscalização e controle, muito especialmente o TCU. No dia 12 de março daquele ano, foi ao Paraná inaugurar a primeira etapa das obras de modernização e ampliação da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. O Tribunal de Contas havia recomendado a suspensão de verbas para a Repar justamente por suspeita de fraude e superfaturamento. Lula não deu pelota e ainda atacou o TCU. Leiam:
“Sou favorável a toda e qualquer fiscalização que façam, até 24 horas, via satélite. Acontece que as coisas são complicadas. Muitas vezes, as pessoas levantam suspeitas de uma obra, paralisam a obra e, só depois da obra paralisada, chegam à conclusão de que está correta. Quem paga o prejuízo da obra paralisada? Não aparece. O povo brasileiro paga porque não tem obra”.

Pois é… Vejam quanto “o povo brasileiro” está pagando pelo método Lula de fazer política.

O terremoto que está em curso abalou as empreiteiras, aquelas que ou pagavam a propina ou ficavam fora do negócio. Pesos pesados do setor estão na cadeia, alguns em prisão preventiva, e outros em prisão provisória. Mas estamos bem longe do topo na escala. Estima-se que o esquema possa enredar nada menos de 70 políticos, muitos deles com mandato. A delação premiada pode devastar parte considerável da classe política brasileira. E, aí sim, talvez saibamos o que é a terra a tremer.

E a gente se espanta ao constatar que o segundo mandato de Dilma ainda não começou. Talvez só em janeiro muita gente se dê conta de que pode haver mais quatro anos de mais do mesmo, só que num cenário à beira do abismo.

Policiais federais chamaram esta sexta de “Dia do Juízo Final”, que é apenas uma passagem do Apocalipse!

Por Reinaldo Azevedo

14/11/2014

às 16:27

Boulos, a CUT e outros esbirros do poder marcharam contra “a direita”; quem for neste sábado marchará a favor do “estado de direito”

Manifestações de protesto contra o governo Dilma estão sendo marcadas pelas redes sociais em várias cidades do país para este sábado, aniversário da Proclamação da República. Como costuma acontecer nesses casos, nunca se sabe quantas pessoas serão efetivamente mobilizadas. Podem aparecer alguns poucos entusiasmados; podem ser muitos os indignados. Não importa! Protestar contra o governo de turno, desde que segundo as regras da civilidade, é um dos atributos dos regimes democráticos. Observe-se que os que hoje se levantam contra a roubalheira e os desmandos não dispõem de uma clientela, como a do sr. Guilherme Boulos, o chefão do MTST, que saiu ontem a vomitar impropérios em defesa do governo. Também não contam com as facilidades da CUT, o sindicalismo chapa-branca que se ancora no dinheiro de um imposto, sobre o qual não precisa nem prestar contas.

Se, neste sábado, houver 10 ou 10 mil indivíduos nas ruas, lá eles estarão por conta própria. Não estarão ocupando o espaço público para ganhar uma casinha do movimento do sr. Boulos. Tampouco serão meros contínuos de um partido político, financiados com capilé oficial. Os protestos marcados para este sábado, reúnam 10 ou 10 mil, são expressões da cidadania sem cabresto, da cidadania que não se deixa capturar por um partido político, por um ente de razão, por uma ideologia redentora que precisa alimentar o ódio para ganhar musculatura.

O país vive um dos momentos mais delicados de sua história. Esquerdistas de fancaria, nababos alimentados com dinheiro público, burguesotes do capital público e alheio, pilantras que mamam nas tetas do governo, essa escória política resolveu inventar que existe um movimento golpista no país, mesmo truque empregado em 2005, quando explodiu o escândalo do mensalão. Uma cobertura irresponsável dos protestos antigovernistas tentou pespegar essa pecha em pessoas comuns, justamente indignadas com o fato de que o fruto do seu trabalho é hoje, na prática, expropriado por bandidos.

Golpista uma ova! Golpistas são os assaltantes da Petrobras. Golpistas são os ladrões de dinheiro público. Golpistas são os que usam o estado brasileiro a serviço de seu projeto de poder. Golpistas são aqueles que se consideram os donos da agenda, os donos da história, os donos do Brasil. Não sei, reitero, se haverá nas ruas 10 ou 10 mil, mas que todos estejam imbuídos de um único propósito: fazer valer a Constituição; fazer valer as leis; fazer valer o estado de direito. Um único homem pedindo justiça já pode ser o início da revolução da decência.

Repudiem, insisto neste aspecto, os imbecis que eventualmente comparecerem a atos públicos cobrando intervenção militar. Ou são idiotas ou, o que é mais provável, agentes provocadores, que alimentarão o jornalismo da distorção.

Vai triunfar a lei no país, queiram eles ou não. Se ficar comprovado que Dilma não sabia da roubalheira em curso na Petrobras, ela não perderá seu mandato — não por isso ao menos. Se ficar comprovado que sabia, então será deposta. Não por um golpe, mas pela Constituição. Já aconteceu antes, e o país se fortaleceu.

A melhor palavra de ordem para quem quer ocupar as ruas não é o “impeachment de Dilma”. Que a banda boa da Política Federal, da Justiça e do Ministério Público se encarreguem da questão. A boa palavra de ordem é a defesa das leis e do estado de direito.

Guilherme Boulos, a CUT e seus truculentos disseram marchar nesta quinta contra a direita. Errado! Eles foram às ruas contra o estado de direito. E vão perder. Não! O Brasil não pede uma intervenção militar. O Brasil pede a intervenção da sociedade civil, lúcida, democrática, aberta ao futuro, sorridente, esperançosa e feliz.

Esses mortos-vivos que tentam impedir o Brasil de se expressar vão perder.

Texto publicado originalmente às 15h46
Por Reinaldo Azevedo

14/11/2014

às 6:23

Minha coluna na Folha: “Que bom que Dilma perdeu!”

Convenham: um governo que só esperou o desligamento das urnas para elevar a taxa de juros, corrigir a tarifa da energia e aumentar o preço dos combustíveis merecia mesmo perder a eleição. Um governo que retardou a divulgação de dados sobre o desastre fiscal e sobre o aumento da miséria tinha mais era de ser derrotado, ora essa! Que resultado poderia esperar, senão o desastre eleitoral, um governo que leva a economia à paralisia, os juros à estratosfera e a inflação para o teto da meta?

Teria como colher a vitória um governo que fabricou o pior PIB de um quadriênio, quando os seus vizinhos no continente e economias congêneres cresceram muito mais e com menos pressão inflacionária? Que sorte, afinal, poderia ambicionar um governo que não entendeu os novos sinais da economia mundial; que insistiu no exaurido modelo ancorado no consumo interno; que viu, inerme, minguar a indústria; que leva, a passos largos, o país de volta à condição de economia primário-exportadora? É claro que um governo como esse não tinha mesmo como ganhar a eleição.

E, no entanto, ele ganhou! E agora? Agora sei lá! Sabe lá a própria Dilma. Sabe lá o Mercadante. Sabe lá o diabo. Sabe lá o jegue que nos derrube, já que não há cavalo que nos carregue, como diria Gil Vicente.
(…)
Leia a íntegra da coluna aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/11/2014

às 15:58

“Mercadante”, a melhor rima para “desastre ambulante”. É impressionante!!! Ô rima sem solução!!!

“Mercadante” rima com “desastre ambulante”. A capacidade que tem este senhor de colher resultados contraproducentes é um troço espantoso!

Infelizmente para ela, Dilma não ouve conselhos dos seus críticos, só de seus aliados. Se lesse Santo Agostinho, saberia que é melhor a crítica que corrige do que o elogio que corrompe — “corromper”, nesse caso, em sentido mais elevado do que o corriqueiro no Brasil.

Mais do que anunciar quem vai ser ministro, a presidente precisaria anunciar quem não vai ser. Vejam o caso de Guido Mantega: convenham, até houve certa pacificação. Se, amanhã, a governanta chegasse e dissesse, por exemplo, que Gilberto Carvalho e Aloizio Mercadante serão enviados para embaixadas em “países ignotos”, como se escrevia antigamente, o clima melhoraria sobremaneira. Tenho sugestões para isso também, hehe…

Qual é o busílis com Mercadante? Ele não tem a menor noção de tudo aquilo que não sabe. É um perigo público! Se lhe pedirem que dê aula de búlgaro antigo, ele dá. E não porque seja um picareta deliberado. Mas porque ele será o primeiro a se convencer de que sabe búlgaro antigo.

Como ele virou um homem forte de Dilma? Acho que nem Deus sabe. Eles têm algo em comum. Estão sempre meio enfezadinhos, passando a impressão de que pensaram horas a fio sobre o inédito, o que acaba intimidando os timoratos. E são também meio truculentos.

Mercadante teve a ideia estúpida de, em meados de novembro, articular a demissão coletiva de ministros quando a presidente não tem ainda quem nomear porque a base está, no momento, em desalinho. É de uma estupidez portentosa!

Com o poder que tem o Executivo no Brasil, é preciso ser muito xucro em política para fazer uma porcaria dessas, Santo Deus! Cria o que está criado: uma sensação de vazio, de fim de festa, de copinhos de plástico tombados sobre toalhas com manchas de gordura; de resto de cerveja quente onde alguém deixou uma guimba. E ele é chefe da Casa Civil, candidato a Rasputin do segundo mandato. Pior: a exemplo da chefe, ele também tem a ambição de saber economia. Corrijo: ele acredita saber tudo de economia.

Não havia a menor possibilidade de aquela ideia estúpida dar certo. E, como é evidente, não deu. Lula é supinamente ignorante sobre quase tudo, mas sempre foi notavelmente inteligente, especialmente em política. Que pasta ministerial mesmo Mercadante ocupou nos oito anos de mandato do Apedeuta? Nenhuma, né? Lula é ignorante, mas não é burro.

Siga um bom conselho, presidente, de quem não pretende corrompê-la: diga já quem não será ministro. A senhora vai ver como as nuvens ao menos se aclaram…

Por Reinaldo Azevedo

13/11/2014

às 15:36

Assistiremos, infelizmente, à necrose do PT. É uma pena que não sejam apenas os “companheiros” a pagar o pato

É do balacobaco!

O governo pediu regime de urgência para o projeto que elimina qualquer meta fiscal; que joga as contas no mais absoluto escuro; que viola a Constituição e que leva a presidente a infringir a Lei 1.079, que define os crimes de responsabilidade. Rui Falcão, presidente do PT, aquele que gosta de comandar resoluções que transformam a oposição em demônios a serem esconjurados, se saiu com a seguinte fala, prestem atenção:
“Acho que o clima é favorável à aprovação. O Congresso é responsável. Eu imagino que, pela importância desse assunto, os deputados vão se pronunciar favoravelmente. Ninguém vai ficar jogando contra os interesses do país”.

De tal sorte a verdade está no oposto do que ele diz que a declaração chega a ser uma caricatura. E explico o motivo.

O interesse do país é não virar alvo da desconfiança generalizada. Já basta o espantoso clima de pessimismo do empresariado nacional. O governo fabricou déficit, e não apenas primário. Isso tem de estar espelhado na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Irresponsável, isto sim, é levar o Congresso Nacional a aprovar uma farsa, uma conta que não existe, um arranjo de números que não espelha a verdade das contas públicas. É politicamente ruim para a Dilma e para o PT a admissão do déficit? Entra para a sua história? É, sim! Entra, sim. Mas não é a reputação de um partido político que está em jogo; é a do país.

Esse governo, com toda a sua impressionante coleção de desastres, ganhou, por razões que não elencarei agora, direito a mais quatro anos. Até agora, não encontrei ninguém que consiga ser, digamos, ao menos neutro sobre o futuro. O pessimismo é generalizado, inclusive entre os petistas responsáveis. São poucos, mas existem.

Os únicos que vibram com o atual quadro são os esquerdistas delirantes, aquela gente que tem a cabeça num banho de sangue redentor. Acham que a crise pode, como eles dizem, fazer “avançar a luta”.

Infelizmente, assistiremos à necrose do PT no poder. Ainda vivo, o organismo começou a apodrecer. É uma pena que não sejam apenas os “companheiros” a pagar o pato.

Por Reinaldo Azevedo

13/11/2014

às 15:08

Governo pede urgência para projeto que dribla meta fiscal

Na VEJA.com:
O governo enviou nesta quinta-feira ao Congresso Nacional um pedido para que seja votado em regime de urgência o projeto de lei que muda a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a fim de facilitar o cumprimento da meta fiscal deste ano. A proposta, publicada no Diário Oficial da União, faz parte da estratégia do Planalto para encontrar uma saída política que acelere sua tramitação e viabilize a mudança na LDO.

O projeto de lei acaba com o limite de abatimento com os gastos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as renúncias de receitas com desonerações tributárias da meta de superávit primário. Pela LDO em vigor, há um limite de 67 bilhões de reais para o desconto, mas, se o projeto for aprovado, os abatimentos poderiam ultrapassar a meta fiscal para o ano.

Até setembro, as desonerações e os gastos com o PAC já somam 122,9 bilhões de reais. Esse valor deve aumentar substancialmente até dezembro, o que pode garantir margem para o governo reverter até mesmo um resultado desfavorável nas contas públicas. Até setembro, as contas do setor público acumulam um déficit de 15,3 bilhões de reais.

O pedido para a apreciação do projeto em regime de urgência acontece dois dias após o envio da proposta incial ao Congresso, na terça-feira. O “esquecimento” do governo deve atrasar a votação.

A falha impediu a apresentação, na quarta-feira, do parecer do senador Romero Jucá (PMDB-RR) à Comissão Mista de Orçamento. Jucá foi surpreendido ao saber que não havia o “carimbo” de urgência no projeto, o que encurtaria prazos e evitaria a apresentação de emendas de parlamentares na comissão. Coube a ele avisar o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, solicitar ao governo a retirada do projeto e pedir o envio de outro texto com pedido de urgência. Sem uma ação rápida do governo, a oposição pode começar a apresentar emendas e impedir a substituição da proposta.

O senador Romero Jucá disse que a retirada do projeto e o envio de nova proposta em regime de urgência é o mecanismo mais rápido para aprovação da alteração. Segundo ele, a tentativa de aprovar um requerimento de urgência no plenário geraria novo embate no Congresso.

Por Reinaldo Azevedo
 

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