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Governo Dilma

17/12/2014

às 16:37

Oposição vai à luta. É o caminho! Cada um no seu quadrado

O papel da oposição é opor-se. Cabe ao governo governar. Cada um no seu quadrado, como dizia a molecada até outro dia. Quando um governo quer ser oposição e quando uma oposição quer ser governo, é o eleitor que está sendo traído. Está em curso no Brasil, sim, há muitos anos, um projeto que busca a hegemonia política, segundo as iluminações malignas do teórico comunista Antonio Gramsci, que busca fazer com que um partido tome o lugar da sociedade e se instale como um imperativo categórico, de modo que se torne impossível pensar fora dos parâmetros que ele define.

Muito bem! Esse partido — no caso, o PT — pode ter os delírios que quiser. Cabe a quem se opõe a ele resistir, cumprindo o seu papel, exercendo o mandato que lhe conferiu a sociedade. Sim, meus caros leitores, a oposição também ganha a eleição, também ganha um mandato: passa a ter o privilégio de representar a voz dos descontentes. E só assim a democracia é democracia. Desde, é claro, que todos aceitem jogar as regras do jogo, sem aventuras extralegais.

O PSDB decidiu apresentar ao TSE, nesta quarta, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral que, a depender do desdobramento, pode resultar no pedido de cassação do próximo mandato da presidente Dilma Rousseff. Tentativa de golpe? Inconformismo com as regras da democracia? Sabotagem? Não! Apenas o exercício da lei. Se ficarem comprovadas irregularidades, que se siga o que está escrito.

Há uma novidade em curso no Brasil, considerados os últimos 12 anos. Os que se opõem ao lulo-petismo também descobriram as ruas. A exemplo dos ditos movimentos sociais, que são apenas franjas do PT e seus satélites, que pareciam ser a única voz do país até outro dia, não são milhões de pessoas, mas apenas alguns milhares os que ocupam o espaço público. Mas vocalizam descontentamentos de verdadeiras legiões.

Numa democracia, respeitados os parâmetros legais, todo pleito é legítimo, inclusive, sim, o pedido para que Dilma seja alvo de um processo de impeachment. Para tanto, terá de ficar evidenciado que ela sabia das lambanças da Petrobras e nada fez para pôr um fim à bandalheira — ou, pior ainda, que foi beneficiária da sem-vergonhice.

A oposição também vai fazer um relatório paralelo à peça de surrealismo explícito de Marco Maia (PT-RS), o relator da CPMI da Petrobras, e deve incluir a responsabilização de Dilma Rousseff. É evidente que o texto não será aprovado, mas os que elegeram o PSDB como o porta-voz de suas esperanças e de suas aflições terão uma satisfação.

Um partido de oposição deve dizer “não” a tudo aquilo que propõe o governo, mesmo quando as alternativas apresentadas são boas para o povo e para o país? A resposta é negativa. Essa é a oposição de padrão petista, que se opôs ao Plano Real, à Lei de Responsabilidade Fiscal, às privatizações, à necessária reforma da Previdência. Uma oposição qualificada age de outra maneira e analisa o mérito do que está sendo proposto.

Ocorre que, quando o PSDB pede a investigação de ilícitos eleitorais ou quando cobra a responsabilidade da presidente Dilma no descalabro da Petrobras, não está apostando no “quanto pior, melhor”. Ao contrário: está exigindo que o Poder cumpra as leis. E, convenham, sempre que os homens públicos são chamados às suas responsabilidades, melhor. Exigir que tudo venha às claras é apostar no “quanto melhor, melhor”.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 4:52

FHC não quebrou o Brasil, mas o PT quebrou a Petrobras. Ou: Perda de valor de mercado corresponde a mais de 25 anos de Bolsa Família. Dilma, no entanto, brinca com Graça de Clube das Luluzinhas Enfezadas

Graça Foster escarnece dos fatos, e Dilma Rousseff escarnece da razão. Em seis anos, o valor de mercado da Petrobras foi reduzido a quase um sexto: de R$ 737 bilhões em 2008 para R$ 135 bilhões agora e dívida de R$ 330 bilhões. Ou seja: quebrou! O patrimônio público está evaporando. É a incompetência alimentando a roubalheira, e a roubalheira alimentando a incompetência. Quando nos lembramos de que o PT fez terrorismo com a suposta intenção dos tucanos de privatizar a estatal em 2002, 2006 e 2010, nos damos conta da obra desses vigaristas. Se Dilma insistir em não fazer nada, daqui a pouco ninguém aceita a Petrobras nem de graça. A gente não precisa fazer muitos malabarismos: houvesse um regime parlamentarista, o gabinete já teria sido dissolvido, e Dilma não se elegeria mais nem vereadora.

Não dá! As evidências de que Venina Velosa da Fonseca advertiu Graça para os procedimentos heterodoxos vigentes na Petrobras são inquestionáveis. E ela o fez em 2009, 2011 e 2014. Observem que não entro no mérito das motivações da denunciante. Se há algo contra ela, que se investigue. Que Graça dispunha de elementos para agir, que lhe foram fornecidos por uma alta executiva, isso é inquestionável. E ela não fez nada. Como não fez em fevereiro deste ano, quando VEJA trouxe à luz o escândalo envolvendo a empresa holandesa SBM Offshore. Ou melhor, fez: negou que houvesse irregularidades.

As ações da Petrobras despencaram outra vez. Há uma conjunção de fatores externos negativos, sim, mas isso não justifica a pindaíba em que se encontra. A estatal brasileira é hoje sinônimo mundial do que não se deve fazer, de má governança. É preciso ser um rematado idiota ou dotado de incrível má-fé para ignorar o que se passou por lá. E a sangria está longe do fim, uma vez que a empresa é agora investigada nos EUA, na Holanda e na Suíça. Se o descalabro continua, sem uma resposta efetiva do governo, a Petrobras, prestes a perder a classificação de “grau de investimento”, pode até ser proibida de operar na Bolsa de Nova York. Aí, meus caros, é o fim da linha.

Mas não há horror que faça o comando da empresa descer de seu pedestal de arrogância. Nesta terça, em comunicado à dócil Comissão de Valores Mobiliários, a direção da estatal veio com a história de que Graça fora advertida por Venina para eventuais desvios de conduta apenas em novembro, como se isso fizesse alguma diferença a esta altura do jogo.

Dilma está vivendo um processo de alienação da realidade. Decidiu proteger sua “amiga” Graça Foster. Deve achar que há espaço para brincar de Clube das Luluzinhas Enfezadas. Não há. A Petrobras beija a lona, e a presidente da estatal brinca de desqualificar uma funcionária. Dilma não se deu conta de que o desastre decorrente da herança maldita do lulo-petismo na estatal está só no começo. O pior ainda está por vir.

E está mesmo. Com o preço do barril de petróleo no atual patamar, a exploração do pré-sal já é antieconômica. Pior: as regras de partilha definidas pelo petismo, com o seu nacionalismo de fancaria, impõem à Petrobras um desembolso de recursos de que ela não dispõe. Dilma estuda agora mudar as regras, que eram consideradas cláusulas pétreas da visão petista de mundo. Mas como? A turma ainda não sabe.

E já que o patético não tem limites, os petralhas deram início a uma corrente na Internet estimulando a companheirada a comprar ações da Petrobras. Ocorre que não se deve confundir mau-caratismo com burrice. Parece que a campanha não vai emplacar.

É fácil Dilma fazer a Petrobras voltar a valer R$ 700 bilhões no mercado. Basta anunciar que, depois de saneada, a empresa será privatizada. O mercado lerá nisso o sinal de que os ladrões e os petistas — e também os petistas ladrões — serão definitivamente chutados de lá. Os brasileiros não mais serão roubados — não na estatal ao menos —, e o Brasil efetivamente sairá ganhando.

FHC não quebrou o Brasil nem uma, nem duas, nem três vezes, à diferença do que disse Dilma na campanha eleitoral. Mas o PT quebrou a Petrobras.

Para encerrar: em 2013, o Bolsa Família repassou aos miseráveis R$ 24,5 bilhões. De fato, é uma merreca. Só o que a Petrobras perdeu em valor de mercado em seis anos corresponde a mais de 24 anos de Bolsa Família. Se a gente acrescentar o valor roubado com superfaturamento, chega-se perto da eternidade. Abreu e Lima, por exemplo, estava orçada em US$ 2,5 bilhões e, hoje, já está custando US$ 20 bilhões.

Os ladrões no Brasil perderam a modéstia e o senso de proporção.

Por Reinaldo Azevedo

09/12/2014

às 4:47

CONTAS DE DILMA – Tem um motorista no meio do caminho; no meio do caminho tem um motorista

Bem, bem, bem… Então vamos ver. Técnicos do Tribunal Superior Eleitoral que analisaram a prestação de contas da candidata do PT à Presidência em 2014, Dilma Rousseff, recomendaram a sua rejeição. O parecer foi enviado a Gilmar Mendes, ministro do STF que é o relator do caso no TSE. Ele remeteu o parecer ao Ministério Público Eleitoral e estipulou um prazo de 48 horas para que o órgão se manifeste. Nesta quarta, o ministro deve apresentar o relatório. O gabinete de Mendes também andou encontrando coisas estranhas. Já chego lá. Antes, é preciso destacar que tem um motorista no meio do caminho. No meio do caminho tem um motorista.

Segundo informam Andréia Sadi, Ranier Bragon e Gustavo Uribe na Folha, vejam vocês, “a segunda maior fornecedora da campanha de Dilma Rousseff tem como um dos sócios administradores uma pessoa que, até o ano passado, declarava o ofício de motorista como profissão”.

É… Uma empresa chamada Focal Confecção e Comunicação Visual recebeu a bolada de R$ 24 milhões da campanha. Só o marqueteiro João Santana levou mais: R$ 70 milhões. A Focal fica em São Bernardo, e um dos seus donos, no papel ao menos, é Elias Silva de Mattos, um rapaz que é motorista e , até o ano passado, recebia R$ 2 mil por mês. Ele se tornou sócio em novembro do ano passado, com participação de R$ 3 mil na composição da empresa. A outra sócia é Carla Regina Cortegoso, com cota de R$ 27 mil.

A reportagem da Folha falou com Mattos. Sua reação? Esta, prestem atenção:
“Eu sabia que ia virar transtorno na minha vida. Eu não posso dar entrevista, não estou preparado para falar. Eu não sou nada, vai lá conversar com eles”. Mattos se referia à empresa.

Quem falou em nome “deles” foi Carlos Cortegoso, pai de Carla Regina, que nem sócio da empresa é. Ele preferiu emprestar à coisa um sotaque sociológico, de luta de classes talvez: “Todo mundo tem o direito de ascender na escala social mediante o trabalho e competência”. Nisso, claro!, estamos de acordo, né? Em 2005, com outra composição societária, sem o motorista, a Focal foi apontada por Marcos Valério — aquele do mensalão — como uma das destinatárias de recursos do esquema, por indicação do PT.

Voltemos à prestação de contas. As notas fiscais apresentadas pela Focal, que teria atuado na área de montagem de eventos, integram o lote dos problemas apontados pelos 16 técnicos do TSE, que afirmam ter encontrado irregularidades em 4% da arrecadação de campanha (R$ 319 milhões) e em 14% das despesas — ao todo, R$ 350 milhões.

O ministro Gilmar Mendes solicitou ainda à Receita dados complementares sobre cinco empresas que colaboraram com a campanha de Dilma: a Saepar Serviços, a Solar BR, a Gerdau Aços Especiais, a Ponto Veículos e a Minerações Brasileiras Reunidas. O total doado por essas companhias ultrapassa os R$ 10,6 milhões. A lei estabelece que cada empresa pode doar, no máximo, 2% do seu faturamento. Segundo cálculo feito pelo gabinete de Mendes, o limite foi ultrapassado. Em despacho à Receita com data de sexta, o ministro cobra os números com “máxima urgência”, dados os “fortes indícios de descumprimento do limite para doação”.

E agora?
Mendes deve apresentar seu relatório na quarta. Pode acatar o parecer dos especialistas do TSE — e vamos ver o que diz o Ministério Público Eleitoral — ou rejeitá-lo. Em 2010, Lewandowski ignorou a opinião dos técnicos, que recomendavam a rejeição das contas de Dilma, e as aprovou, no que foi seguido por seus pares. Ele chegou, acreditem!, a omitir a avaliação técnica em seu texto final.

Mesmo que as contas sejam rejeitadas pelo TSE, Dilma pode ser diplomada. Mas a oposição terá em mãos um trunfo para pedir uma investigação judicial, que pode resultar até na cassação do diploma da presidente e na consequente perda do mandato. O caso do motorista que ganhava R$ 2 mil e agora é sócio de um empreendimento que está em segundo lugar no item das despesas do PT não ajuda muito, né? Sobretudo porque, tudo indica, o rapaz não está à vontade na pele de um dos donos de uma empresa que fatura R$ 24 milhões com um único cliente.

Para arrematar: pensemos nesse caso. Alguns tontos dizem que os males do Brasil são as doações de empresas a campanhas. É mesmo? Se o financiamento fosse público, será que não existiriam mais assalariados de R$ 2 mil como sócios de empreendimentos de faturamento milionário?

Tem um motorista no meio do caminho, PT!

No meio do caminho, tem um motorista!

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2014

às 13:57

Ministro da CGU entrega carta de demissão a Dilma

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:

O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, disse nesta segunda-feira que entregou à presidente Dilma Rousseff sua carta de demissão. Após oito anos à frente do órgão responsável pelo controle e transparência do uso de recursos públicos, o ministro afirmou que não pretende seguir na CGU no segundo mandato de Dilma. “Eu apresentei à presidente Dilma Rousseff, nos primeiros dias de novembro, uma carta, pedindo para que ela me dispense do próximo mandato. A minha pretensão é não ter a minha nomeação renovada. Já estou há doze anos nessa tarefa. Já cumpri com o meu dever, já dei a minha contribuição. São 12 anos na Controladoria, sendo nove deles como ministro. Está na hora de descansar”, afirmou o ministro.?

Na semana passada, Hage determinou a abertura de processos contra oito empresas envolvidas na Operação Lava Jato – Camargo Correa, Engevix, Galvão Engenharia, Iesa, Mendes Junior, OAS, Queiroz Galvão e UTC-Constran. Ao falar sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato, Hage afirmou que a CGU pediu formalmente ao juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações, a planilha de obras públicas de outros setores além da Petrobras que também seriam alvo de desvios. Moro afirmou na semana passada que existem indícios de que os crimes de corrupção e propinas “transcenderam a Petrobras”.

Hage participou na manhã desta segunda-feira, em Brasília, de evento de abertura do Dia Internacional contra a Corrupção ao lado de representantes do Ministério Público Federal, entre outras autoridades. “É preciso trazer as estatais para o foco do controle porque atualmente elas têm sistema de licitações próprio, no caso da Petrobras, não utilizam o sistema corporativo do governo, o que faz com que fique fora do alcance dessas atividades”, ressaltou o ministro após a palestra. No discurso, Hage defendeu a ampliação do sistema de controle interno do Poder Executivo considerado por ele como “incompleto”. “Essa ampliação e complementação do sistema demanda, é certo, uma decisão política de investir mais em controle e prevenção da corrupção, com uma mudança de patamar nas dimensões do sistema de controle, hoje ainda acanhado e limitado”, ressaltou o ministro.

Hage é formado em direito pela Universidade Federal da Bahia. O ministro foi prefeito de Salvador, deputado estadual e federal e, em 1991, ingressou na magistratura por meio de concurso público. Ele chegou à CGU em 2003, como secretário-executivo do órgão, e, em 2006, foi nomeado ministro-chefe pelo ex-presidente Lula. ?

O pedido de demissão se dá às vésperas da CGU passar a integrar um grupo de trabalho, que deve ser formado ainda nesta semana, para discutir acordos de leniência com as empresas investigadas na Lava Jato. Nos moldes da delação premiada, as empreiteiras, se colaborarem com a Justiça, podem ser beneficiadas com penas mais brandas, como o pagamento de multas. Vão integrar o grupo o Ministério Público, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Em recente entrevista ao site de VEJA, Hage afirmou que, sem um acordo de leniência com cada uma das empreiteiras, o caminho inevitável será proibi-las de firmar contratos futuros com a administração pública. E salientou: isso não seria o fim do mundo. “Seguramente dizer que é o fim do mundo interessa muito a essas empresas”, avaliou.

Petrobras e SBM – Há cerca de um mês a CGU concluiu que ocorreram graves irregularidades no relacionamento entre as Petrobras e a holandesa SBM Offshore, que firmou acordo na Holanda para pagar 240 milhões de dólares por supostos pagamentos de propina em vários países no mundo, incluindo o Brasil. As investigações iniciadas em abril apontam que seis funcionários da estatal, entre ex-diretores e empregados que ainda trabalham na empresa, estão envolvidos com negociatas feitas com a companhia holandesa, que fornece navios-plataforma e tem contratos com a estatal brasileira que somam aproximadamente 27 bilhões de dólares.

A apuração aponta obtenção de vantagens indevidas e o pagamento de propina a agentes públicos federais, como revelou reportagem de VEJA em fevereiro deste ano. A comissão interna montada pela Petrobras para apurar o caso concluiu seus trabalhos em março, sem encontrar fatos ou documentos que evidenciassem pagamento de propina a empregados da estatal.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2014

às 6:29

Dilma e a corrupção na Petrobras: presidente viverá dias mais difíceis do que sugerem analistas do Datafolha. E quem me diz isso é o… Datafolha!

Em alguma medida, Delúbio Soares acertou. O mensalão, diante do petrolão, acabou mesmo virando, como ele previu, “piada de salão”. É claro que por motivos diferentes dos antevistos pelo ex-tesoureiro do PT. Certo da impunidade e de que estava “tudo dominado”, Delúbio fez a ironia arrogante para indicar que aquela coisa toda não daria em nada. Não foi bem assim, embora ele próprio já esteja flanando por aí. Mas houve punição. Pode-se, no entanto, afirmar que aquele crime acabou perdendo importância relativa. Uma única personagem do petrolão, Pedro Barusco, aceitou devolver aos cofres públicos US$ 97 milhões — ou R$ 253 milhões —, bem mais dos que os R$ 141 milhões que puderam ser identificados naquele escândalo. Lembrança importante: Barusco era subordinado do petista Renato Duque; não passava de personagem menor no esquema. Imaginem quanto dinheiro não foi movimentado pela organização criminosa só na estatal. Por que isso tudo? Vou falar aqui da pesquisa Datafolha divulgada neste domingo e discordar de uma afirmação feita pelos comandantes do instituto.

Neste domingo, a Folha traz os números que revelam como os brasileiros enxergam o escândalo da hora. São muito ruins para a presidente Dilma, embora alguns possam achar, por erro ou interesse político, que a coisa não é assim tão grave para a petista. Para 43% dos que responderam à pesquisa, a presidente tem “muita responsabilidade” na roubalheira; afirmam que ela tem “um pouco de responsabilidade” outros 25%. Assim, nada menos de 68% entendem que a governanta, em algum grau, tem de responder pelos desmandos. Só 20% acham que a mandatária não tem nada com isso, e 12% não souberam responder. A Folha ouviu 2.896 pessoas em 173 municípios, no dias 2 e 3 de dezembro, com margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos.

A despeito dos esforços do governo e da campanha eleitoral do PT para transformar em vilões os que apontam a ladroagem, o escândalo da Petrobras “pegou”. Dizem ter ouvido falar do assunto 84%: 28% se consideram bem informados; 42%, “mais ou menos bem informados”, e 14%, mal informados; só 16% ignoram o assunto. Sigamos. Apesar disso, o efeito negativo da sem-vergonhice na imagem do governo ainda é limitado — mas pode vir a preocupar (já chego lá). A gestão Dilma segue sendo ótima ou boa para 42%, número idêntico ao do dia 21 de outubro. Cresceram de 20% para 24% os que a tomam como ruim ou péssima, e caíram de 37% para 33% os que a veem como regular.

As coisas podem piorar para a presidente? Há sinais de que sim. No dia 21 de outubro, às vésperas do segundo turno, 44% achavam que a situação do país iria melhorar; agora, só 33%; 15% diziam que iria piorar, número que saltou para 28% em pouco mais de um mês; e permanece praticamente igual o índice dos que opinam que vai ficar na mesma: de 33% para 34%. Pois é… O caso Petrobras está longe do fim, e os dias futuros não são exatamente sorridentes para Dilma. O pessimismo, aponta a pesquisa, cresceu bastante.

Há um texto na Folha assinado por Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, e Alessandro Janoni, diretor de pesquisas, em que se afirma o seguinte, prestem atenção: “No caso de corrupção na Petrobras, apesar de a grande maioria ter ouvido falar do tema e ver a responsabilidade da presidente no episódio, efeitos mais expressivos na imagem da petista são anulados pelo reconhecimento por parte dos entrevistados de que, no seu governo, há investigação e punição dos envolvidos”.

Pois é… O que leva a dupla a afirmar que uma coisa anula a outra, o que me parece não ter fundamento nenhum? Vamos ver. Indagados em qual governo houve mais corrupção, os que responderam a pesquisa puseram o de Dilma em segundo lugar, com 20% — só perdendo para o de Collor: 29%. Mas 46% afirmam que a gestão da governanta é aquela em mais se investiga, e 40% sustentam que é aquela em que mais se pune. Será que isso anula mesmo a percepção de que Dilma é a responsável pelos desmandos na Petrobras, como querem os comandantes do Datafolha? Acho que não.

E por quê? Porque, obviamente, expressiva maioria ou não tem memória de governos passados — alguns eram bebês, crianças ou nem tinham nascido — ou simplesmente não se lembram de punições porque os casos de corrupção não eram tão presentes. Querem um exemplo? Só 1% afirmou que a gestão Itamar foi aquela em que mais se puniu; esse mesmo 1% entende que foi o governo em que mais se investigou, mas também ficou em 1% os que afirmaram que foi o governo mais corrupto.

Assim, uma coisa não anula outra. A estarem certos os números — e não entendi por que nem a Folha nem o Datafolha deram visibilidade aos dados —, no dia 21 de outubro, era de 29 pontos o saldo favorável ao governo entre os que achavam que a situação econômica do país iria melhorar (44%) e os que achavam que iria piorar: 15%. Agora, os dois grupos estão bem próximos, e o saldo caiu para 5 pontos: apenas 33% dizem que vai melhorar, mas 28%, que vai piorar. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, é quase empate técnico. Tudo o mais constante — as notícias sobre a roubalheira e o mau desempenho da economia —, é só uma questão de tempo para que os dois fatores incidam negativamente na popularidade da presidente.

Dilma viverá, fiquem certos, dias mais difíceis do que sugerem os comandantes do Datafolha.

Texto publicado originalmente às 2h46
Por Reinaldo Azevedo

05/12/2014

às 20:08

Em Quito, Dilma culpa de novo a “crise internacional” pelos problemas no Brasil

Na VEJA.com:
A presidente Dilma Rousseff voltou a culpar a crise internacional pela desaceleração da economia brasileira durante a cúpula da Unasul, em Quito, no Equador. A afirmação vem depois de a presidente fazer alterações drásticas na equipe econômica de seu segundo governo, justamente em resposta aos efeitos colaterais das decisões tomadas no primeiro mandato. A presidente disse, nesta sexta, que  a recuperação mundial ainda é “tênue”, o que exigirá mais esforços da região para garantir a manutenção dos ganhos sociais obtidos nos últimos anos.

Em discurso de 14 minutos durante a sessão plenária presidencial na Cúpula Extraordinária da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), a presidente fez questão de elogiar os processos eleitorais na região este ano, em que também foram reeleitos os presidentes Evo Morales, na Bolívia, Michele Bachelet, no Chile, Juan Manuel Santos, na Colômbia, e José Mujica, no Uruguai. Segundo Dilma, dessas eleições “saiu vitoriosa a agenda da inclusão social, do desenvolvimento com distribuição de renda e, portanto, do combate à desigualdade e da garantia de oportunidades, que caracteriza a nossa região nos últimos anos”.

O discurso da presidente derrapou até mesmo para algumas incorreções. Diz ela: “O Brasil se dispôs a, nesse período, avançar no combate à desigualdade, assegurando o crescimento com inclusão social. Nós, nessa eleição, mostramos que diante da crise, que nos afetou profundamente, defendemos sobretudo o emprego e, por isso, mantivemos uma das menores taxas de desemprego de toda a nossa história”. A última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostrou estagnação da desigualdade, enquanto a análise social dos dados da pesquisa, feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), evidenciou aumento no número de brasileiros abaixo da linha da pobreza. A presidente lançou mão do emprego para justificar o “sucesso” de seu governo. Mas não mencionou que a criação de vagas em 2014 teve  o pior desempenho em mais de 10 anos.

Apesar da troca de sua equipe econômica, que agora terá o economista Joaquim Levy no comando da Fazenda, Dilma voltou a defender as políticas de seu governo, afirmando que foram as mais acertadas. Em período de vacas magras, com arrecadação desacelerando e despesas subindo, o país não conseguirá cumprir o superávit primário de 2014. Mas, diz a presidente, não há o que temer. Segundo ela, o governo está disposto a ampliar o investimento em infraestrutura logística, energética, social e urbana, além de impulsionar o desenvolvimento tecnológico e a inovação.

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2014

às 22:04

É mentira! O governo federal não repassou R$ 2,6 bilhões para sistema de água de SP. Isso é só distorção do jornalismo “petizado”

Não deixa de ser encantadora a capacidade que tem a máquina petista de fazer com que a versão — falsa! — se imponha aos fatos. Ao longo desta quinta, leitores, ouvintes, telespectadores e internautas foram bombardeados por uma “notícia” de que se esqueceu de acontecer. Reproduzo abaixo alguns títulos publicados por aí, todos falsos, prestem atenção!

“Dilma repassa R$ 2,6 bilhões a São Paulo para obras contra falta de água”

 “Governo de São Paulo receberá R$ 2,6 bilhões da União para obras contra seca”

 “União vai repassar R$ 2,6 bilhões para obras em sistema de água em São Paulo”

Vamos ver. Começo pelo menos importante. Não existe obra “contra falta de água” ou “contra seca”. Faz-se uma obra é para abastecer com água, certo? Nesse particular, só o terceiro título listado acima está certo. De fato, trata-se de uma “obra em sistema de água em São Paulo”.

No mais, os três estão errados. Dilma não está “repassando” nada. São Paulo não está recebendo coisa nenhuma! Vamos lá.

O Estado fechou uma PPP — uma parceria público-privada — para a construção do chamado Sistema Produtor São Lourenço. Esse contrato foi celebrado com um consórcio firmado pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Elas têm a obrigação de entregar a obra. Como irão financiá-la? Bem, isso é problema delas. No caso, essas empresas — e não o governo — fecharam um contrato de financiamento com a Caixa Econômica Federal.

Digam-me cá: se, em vez da CEF, esse contrato fosse com o Bradesco ou com o Itaú, qual seria o título? “Bradesco repassa R$ 2,6 bilhões para São Paulo”??? Ou: “Governo de SP receberá R$ 2,6 bilhões do Itaú para obras”???

Aí alguém pode perguntar: “Mas o que haveria de errado, Reinaldo, se o governo federal tivesse repassado R$ 2,6 bilhões para São Paulo?” Nada, ué! Não faria mais do que a obrigação, dado o quanto se arrecada de impostos federais no Estado. Ocorre que isso não é verdade, ora essa! Qual é o problema, afinal de contas, em dizer o que de fato aconteceu? No acordo feito com o governo de São Paulo, o consórcio anunciou que faria a obra com recursos próprios. Mas decidiu recorrer a financiamento e fez um acordo com a Caixa em dezembro de 2013.

O governo federal liberou, aí sim, R$ 500 milhões do Orçamento da União para a expansão da Linha 9 de trens da CPTM, no trecho Grajaú-Varginha. Nesse caso, é verdade, a União investe em São Paulo não mais do que alguns tostões, dada a riqueza gerada pelo Estado e pelos trabalhadores que usam os trens.

E isso tudo é apenas um fato.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2014

às 23:06

Quando o “Vai pra Cuba” vira “vagabunda!”. É… Cuidado, senhores congressistas! Algo está mudando

É… Como é mesmo que dizia Camões? Lembrei: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,/ Muda-se o ser, muda-se a confiança:/ Todo o mundo é composto de mudança,/ Tomando sempre novas qualidades”. É, PT…! É, Renan Calheiros…! Já não dá mais para fazer do Congresso a casa da mãe joana, a casa da mãe Dilmona ou o fundo do quintal de interesses menores. Ou melhor: até dá! Mas já não é sem protesto. A que me refiro?

Renan teve de suspender nesta terça a sessão destinada a votar o projeto de lei que dá ao governo um cheque em branco para fazer o que bem quiser com a LDO, a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Pouco importa se vai produzir déficit ou superávit. Trata-se de uma agressão ao Artigo 165 da Constituição e, entendo, de uma agressão à Lei 1.079, que define crime de responsabilidade. Como o governo decidiu ir às compras, na sexta, o Diário Oficial da União publicou um decreto em que Dilma amplia o limite de recursos para emendas individuais dos parlamentares em R$ 748 mil por cabeça, mas só se eles aprovarem a LDO. Coisa igual nunca se viu.

As galerias estavam tomadas por manifestantes contrários ao projeto. Uma confusão, digamos sonora, gerou a balbúrdia. Quando a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) discursava, parte das galerias gritava: “Vai pra Cuba!”. Era, claro!, uma referência ao fato de a parlamentar ser membro do PCdoB, um partido alinhado com o regime cubano e que participou ativamente das hostilidades à blogueira Yoani Sánchez, quando esteve no Brasil. Ocorre que a também comunista do Brasil Jandira Feghali, deputada do Rio, entendeu que Vanessa estava sendo chamada da “vagabunda!”. Ela protestou contra a suposta agressão, e Renan, vermelho como uma bacante, mandou a Polícia Legislativa esvaziar as galerias, suspendendo a sessão por um tempo. Depois de muito empurra-empurra, agarra-agarra, cotovelada pra lá e pra cá, envolvendo manifestantes, parlamentares e policiais, não houve jeito. Renan, então, encerrou a sessão e remarcou a próxima para esta quarta, às 10h.

Referindo-se aos manifestantes, o presidente do Senado afirmou: “Essa obstrução é única em 190 anos do Parlamento: 26 pessoas presumivelmente assalariadas obstruindo os trabalhos do Congresso Nacional”. O também senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) emendou: “Todos nós sabemos que é o pessoal que veio trazido pelo deputado Izalci. Todo mundo conhece, todo mundo sabe quem são. Se são pagas ou não, não sei”. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), rebateu: “Isso é uma bobagem, é mais um equívoco. A população brasileira acordou. As pessoas estão participando do que está acontecendo no Brasil. E algumas querem vir [ao Congresso]. Nós vamos fechar as galerias?”.

Renan deveria ter mais respeito com a divergência. Quantas vezes aquelas galerias foram ocupados por manifestantes levados por parlamentares de esquerda, disfarçados de movimentos sociais, para defender isso e aquilo? Quando o presidente do Senado concorda com a gritaria, é um caso de direito à manifestação e, quando ele não concorda, de pressão ilegítima?

Foi patético assistir, por exemplo, ao líder do governo na Câmara, o petista Henrique Fontana (RS), a vituperar contra a presença de manifestantes nas galerias. Aos brados, dizia que o Parlamento estava impedido de trabalhar. Justo ele, um homem do PT, cujo partido se notabilizou por lotar a Casa com os ditos movimentos sociais para impor a sua vontade no berro. Ah, sim: ele também sugeria haver constrangimento ilegal. Nem parecia que Fontana era um dos comandantes da tropa que queria estuprar a Constituição!

Quórum para a votação, bem, este havia. Estavam em plenário 370 deputados e 54 senadores. Para que a votação tivesse prosseguimento eram necessários, respectivamente, 257 e 41 (metade mais um de cada uma das Casas). Sim, meus caros, é bem possível que Constituição e moralidade sejam violadas por um Congresso que, então, perderá um pouco mais do que a independência. Estará entregando também a honra. Por isso, os que não querem se confundir que deixem clara a sua posição.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2014

às 0:50

Na TVeja: A política sob o signo da chantagem

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2014

às 21:14

Governo faz chantagem para garantir aprovação de nova manobra fiscal

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A troca de interesses entre o Executivo e o Congresso ganhou cores explícitas e a chancela do Diário Oficial: em ato publicado em edição extra na última sexta-feira, o governo anunciou a liberação de mais 444 milhões de reais em emendas – desde que os parlamentares aprovem a mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que permite ao governo se livrar da meta de superávit primário prevista para 2014. A meta é a economia feita pelo governo para o pagamento dos juros da dívida. Diante do aumento dos gastos públicos em 2014, sem que houvesse também a elevação da arrecadação, o governo se encontra numa encruzilhada: se não mudar a LDO, não conseguirá cumprir a meta.

Para conseguir mobilizar o Congresso em prol da mudança na lei, o Executivo adotou expediente controverso, que se enquadra perfeitamente na definição de ‘chantagem’. A ordem vinda do Palácio do Planalto foi promover um aumento proporcional nas emendas parlamentares: isso significa 444 milhões a mais para as emendas individuais, ou aproximadamente 750 000 reais a mais por deputado e senador. Com isso, o total previsto para 2014 passa a 9,607 bilhões de reais em emendas.

As emendas são usadas como moeda de troca porque interessa aos parlamentares realizar obras nas áreas onde têm mais votos – obtendo, assim, créditos políticos. O valor a que cada um tem direito anualmente é de 15 milhões de reais, mas o montante sempre acaba sendo cortado pelo governo. “A distribuição e a utilização do valor da ampliação a que se referem os artigos 1 e 2 deste decreto ficam condicionadas à publicação da lei resultante da aprovação do PLN 36/2014″, diz o texto publicado no Diário Oficial.

Em resumo, é isso: se o Congresso não aprovar a manobra fiscal, os parlamentares não receberão o acréscimo nas emendas. A votação da lei que altera a LDO e, na prática, abole a meta de superávit primário está marcada para esta terça-feira.
Manobra – A mudança proposta pelo governo no início do mês permite que sejam abatidos da meta todos os gastos com o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e as desonerações de impostos concedidas à indústria. Tal manobra, feita por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), dá ao governo a chance de acumular um primário muito pequeno, ou até mesmo déficit, sem que tais números fiquem evidentes nas contas do Tesouro.

O Planalto aguardava a aprovação da mudança na LDO para anunciar nesta quinta-feira a nova equipe econômica – e, até o momento, não há informações sobre o cancelamento deste anúncio. Mas a falta de quórum no Plenário do Congresso inviabilizou a votação da proposta. Uma nova sessão foi convocada apenas para a terça-feira da semana que vem.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2014

às 20:07

Monteiro cita falhas e quer aumentar competitividade

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:

Em sua primeira fala após ser confirmado como o próximo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE) disse o que o mercado queria ouvir e traçou objetivos ambiciosos. No discurso – lido e sucedido por uma rápida entrevista coletiva no Palácio do Planalto –, ele afirmou que chega ao cargo para melhorar o diálogo do governo com a indústria. “A nossa escolha pretende contribuir para que haja uma interlocução mais efetiva com o setor produtivo nacional, que precisa ser convocado a participar desse esforço de ampliação das exportações”, afirmou.

O Planalto não costuma organizar entrevistas coletivas ou pronunciamentos de ministros recém-nomeados, antes da posse. Mas, assim como aconteceu na semana passada com os novos nomes da equipe econômica, a intenção do governo era dar um sinal imediato ao mercado.

Armando Monteiro apontou o que, em sua visão, são falhas do modelo atual de desenvolvimento: “Nosso país ainda apresenta elevados custos, com um sistema tributário complexo que onera os investimentos e as exportações, deficiências na capacitação do capital humano e na qualidade da infraestrutura e um excesso de regulamentações e de procedimentos burocráticos que desestimulam o desenvolvimento da atividade produtiva”.

O futuro ministro defendeu uma ação em cinco eixos para retomar a competitividade da indústria: a realização de reformas microeconômicas, como a tributária, o crescimento do comércio exterior, o fortalecimento do parque fabril, a adoção de um marco legal que favoreça a competitividade e o aperfeiçoamento no atual sistema de governança.

Armando Monteiro também afirmou que o real está valorizado, o que, na avaliação dele, prejudicou as exportações na última década. Por outro lado, disse que as mudanças no câmbio precisam ser graduais: “Os processos artificiais de correção cambial conduzem sempre a situações perigosas”, disse ele.

O petebista se disse preocupado com a queda nas exportações de manufaturados, que deve ser de aproximadamente 10% em 2014. Ele falou em reduzir os “custos sistêmicos” e deixou claro que vai atuar em consonância com o novo trio formado por Joaquim Levy na Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central: “Essa agenda está em consonância com os objetivos gerais da política econômica anunciada pelos futuros ministros Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini. O reequilíbrio macroeconômico é condição fundamental para o fortalecimento da confiança dos agentes econômicos e da retomada de um crescimento mais vigoroso”, afirmou.

O novo ministro, cuja nomeação foi anunciada em nota na tarde desta segunda-feira, vai começar a despachar de imediato com o atual ministro, Mauro Borges. Mas a posse deve ser feita apenas em janeiro de 2015.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2014

às 5:25

Dilma insiste na falácia de que financiamento privado de campanha é a origem da corrupção. Ou: Os três motivos do PT

Há coisas que são vergonhosas por sua própria natureza, que não dependem de circunstâncias. Na sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff participou do encontro do Diretório Nacional do PT, em Fortaleza. Foi lá acender algumas velinhas ao capeta da esquerda, depois de indicar Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. E insistiu na tese falaciosa de que a origem da corrupção está no financiamento privado de campanha, que ela classificou de “semente de um processo incontrolável”, acrescentando: “Temos um compromisso com este país: a reforma política. Nada desse combate [à corrupção] se tornará efetivo se nós não fizermos uma verdadeira reforma política no nosso país”.

Então tá. Entendemos, assim, que ou o Brasil passa a ter financiamento público de campanha, ou continuará a ser assaltado por larápios. É espantoso que asnices desse naipe sejam ditas assim, com tanta sem-cerimônia.

Vamos ver. A VEJA desta semana traz uma reportagem informando que, em 29 de maio de 2007, o então advogado da Petrobras junto ao TCU, Claudismar Zupiroli, enviou um e-mail à então secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. Ele relatava sua preocupação com o fato de o TCU estar no pé da Petrobras pelo uso abusivo de um decreto que permite gastos sem licitação na estatal. Zupiroli informava que havia um “voa barata” entre os gestores da Petrobras, que estavam “com medo do recrudescimento do tribunal em cima deles” por causa das contratações sem licitação.

Erenice era o braço-direito — e o esquerdo também — de certa ministra chamada Dilma Rousseff. Vale dizer: a mensagem deixava claro que a Petrobras já estava fora do controle. Caixa de campanha apenas? Uma ova! Quem obrigava a Petrobras a jogar no lixo a Lei de Licitações? Em 2009, um simples diretor de área — Paulo Roberto Costa!!! — enviou e-mail à ministra Dilma incitando o governo a mandar o TCU às favas. Ou por outra: ele queria que o governo continuasse a abastecer o esquema de corrupção. E assim foi feito. O tribunal recomendou a suspensão de repasse para obras com evidências de corrupção, o Congresso aprovou essa suspensão, e Lula a vetou — com o endosso de Dilma, é claro!

O que isso tudo tem a ver com financiamento público ou privado de campanha? Nada! É indecoroso Dilma insistir nessa falácia.

Mais: levantamento feito pela Folha mostra que as eleições de 2014 custaram R$ 5 bilhões — e olhem que se está a falar das doações declaradas. Querem uma perspectiva realista? Podem multiplicar isso por dois. Quanto dinheiro o Tesouro terá de repassar para eleições? Aí, sim, teríamos uma explosão de caixa dois. O pior é que boa parte da imprensa comprou tal tese por ignorância.

Mais: Sérgio Machado, presidente licenciado da Transpetro, deve deixar o cargo definitivamente nesta semana. Mas o governo já disse a Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, que ele continuará dono do cargo. Por que um senador tem de ter o privilégio de indicar o presidente de uma subsidiária da Petrobras?

E Dilma vem falar que a mãe da corrupção é a doação de empresas privadas a campanhas? É piada!

E por que o PT insiste tanto no financiamento público? Ora, é simples: o dinheiro teria de ser distribuído segundo um critério: ou número de votos para a Câmara ou número de deputados eleitos. Hoje, a legenda receberia a maior fatia. Ou vocês acham que petistas apoiariam essa tese se formassem, sei lá, a quarta bancada?

Em segundo lugar, todas as doações privadas teriam de ser feitas por baixo do pano — tanto para o governo como para a oposição. É claro que o risco para as empresas aumentaria muito. Pergunta óbvia: vocês acham que elas prefeririam correr perigo financiando o caixa dois do oposicionismo ou do governismo? Em terceiro lugar, o PT domina boa parte dos sindicatos e de outros organismos corporativistas do país, que fazem campanha indireta para o partido. A lei proíbe, sim, mas quem dá bola?

Assim, o financiamento público é bom para o PT porque ele lucra três vezes:
a: seria o partido com mais recursos do Tesouro;
b: seria o partido que mais receberia do caixa dois;
c: seria o partido que continuaria a receber o financiamento privado dos sindicatos.

A tese é só um golpe vigarista.

Dilma afirmou ainda em Fortaleza que pretende fazer a reforma com a participação popular. Ela e seu partido insistem nos plebiscitos. É mesmo? Plebiscito sobre o quê? Se é para convocar o povo, isso tem de ser feito por meio de um referendo: a população diz se aceita ou não a mudança. Referendo à parte, ideias esdrúxulas como Constituinte exclusiva ou plebiscitos prévios, antes de o Parlamento votar uma proposta, são apenas investimentos no baguncismo.

Texto publicado originalmente às 2h27
Por Reinaldo Azevedo

30/11/2014

às 6:07

Um espectro ronda a questão indígena no Brasil: Gilberto Carvalho!!! Caso Dilma mande mesmo o homem para a Funai, é muito mais imprudente do que parece!

O Brasil corre o risco de continuar a contar com os préstimos imprestáveis de Gilberto Carvalho no serviço público — um risco adicional, note-se, para a estabilidade do próprio governo. Dilma Rousseff já decidiu apeá-lo da Secretaria-Geral da Presidência. Vai mandar para o lugar Miguel Rossetto, atual ministro do Desenvolvimento Agrário. Carvalho, acreditem, é agora cotado para assumir a presidência da Funai. Se assim for, Dilma pode se preparar para o incêndio.

A Secretaria-Geral da Presidência é o órgão encarregado de “dialogar” com os ditos movimentos sociais. Dilma largou nas mãos de Carvalho a tarefa de comandar a questão indígena, e o que já era difícil se tornou explosivo. O braço-direito de Carvalho na empreitada é Paulo Máldos, secretário nacional de Articulação Social. É ele quem faz o “diálogo” com os índios.

Foi Carvalho quem indicou, por exemplo, em abril de 2012 Marta Maria do Amaral Azevedo para a presidência da Funai, onde ela ficou até junho de 2013, no período mais conturbado da fundação. E quem é Marta Maria? Ex-mulher de… Paulo Maldos! Como vocês podem notar, trata-se de uma verdadeira… tribo!!!

Sim, eu já mostrei o vídeo que seguirá abaixo várias vezes, mas não canso de republicá-lo porque é um sinal do modo como trabalham Carvalho e Máldos.  Vejam. Volto em seguida.

Como já informei aqui, Máldos foi o coordenador-geral do grupo de trabalho criado pelo governo federal para promover a desocupação de uma região chamada Marãiwatséde, em Mato Grosso.

Na área, havia uma fazenda chamada Suiá-Missú, que abrigava, atenção, um povoado chamado Posto da Mata, distrito de São Félix do Araguaia. Moravam lá 4 mil pessoas. O POVOADO FOI DESTRUÍDO. Nada ficou de pé, exceto uma igreja — o “católico” Gilberto Carvalho é um homem respeitoso… Nem mesmo deixaram, então, as benfeitorias para os xavantes, que já são índios aculturados. Uma escola que atendia a 600 crianças também foi demolida. Quem se encarregou da destruição? A Força Nacional de Segurança. Carvalho e Máldos foram, depois, para a região para comemorar o feito.

Loucura
Dilma fará mesmo essa loucura? Não sei! No partido, Carvalho é que é o chefe dela, não o contrário. E ele não faz questão nenhuma de esconder tal condição. Ele a exibe! Ou não concedeu uma entrevista, há algum tempo, puxando a orelha da presidente por sua suposta falta de diálogo com os movimentos sociais?

Na sexta, numa entrevista, disse coisas espantosas. Sobre a possível nomeação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura, afirmou: “De 2003 até agora, quem ocupou o Ministério da Agricultura não tem nenhum perfil de progressista. É um ministério cuja função, quase que culturalmente, está voltada para um representante do setor do agronegócio. O que nos interessa é o que vai ser no Ministério do Desenvolvimento Agrário, no Ministério do Desenvolvimento Social”.

Eis aí… Em 2013, o agronegócio salvou bem mais do que a lavoura: o setor gerou um superávit de US$ 82,91 bilhões — para comparação: o déficit da indústria foi de US$ 105 bilhões. Mas Carvalho acredita que o setor não é “progressista” e diz que o que realmente interessa são o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério do Desenvolvimento Social.

Na quarta, Carvalho já havia surpreendido muita gente ao afirmar que Joaquim Levy, o futuro ministro da Fazenda, aderira, vamos dizer, à metafísica petista. É claro que é mentira. Anteontem, ele voltou ao assunto com mais uma declaração espantosa:
“Tem que ser uma coisa muito clara isso: quem governa é a presidenta, não é o ministro. O ministro não tem autonomia para fazer uma política própria. Ele faz uma política dirigida pela presidenta, discutida com a presidenta e resolvida pela presidenta”.

Não me diga! Então chegamos à fase em que é preciso deixar claro que é a presidente quem está no comando? Quando isso se faz necessário, eis um sinal de que aquele que governa já não comanda.

Por Reinaldo Azevedo

30/11/2014

às 4:06

Advogado alertou o governo Lula, inclusive a Casa Civil, onde estava Dilma, para os riscos que a Petrobras corria. Sabem o que aconteceu? Nada!

Por Robson Bonin e Hugo Marques, na VEJA:
Na semana passada, VEJA mostrou que mensagens eletrônicas encontradas pela Polícia Federal nos computadores do Palácio do Planalto revelavam que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff tiveram, em 2009, a oportunidade de interromper a ação dos corruptos que atuavam no coração da Petrobras — e a desperdiçaram. Chefe da Casa Civil do governo Lula, Dilma recebeu do então diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, um e-mail alertando para o risco de que obras sob sua responsabilidade fossem paralisadas por recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU).

Cérebro da quadrilha que desviou bilhões dos cofres da companhia, Paulo Roberto estava preocupado com a ação dos auditores que começaram a farejar pistas da existência do cartel de empreiteiras que superfaturava contratos na estatal. Para impedir que o dinheiro parasse de jorrar no bolso dos corruptos, o diretor sugeriu que o governo agisse politicamente para neutralizar as denúncias do tribunal. E assim foi feito. Logo depois de receber a mensagem, Dilma se pôs a criticar a iniciativa do TCU, e Lula vetou a decisão do Parlamento de interromper as obras suspeitas, entre elas a de construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Na esteira da apuração da reportagem, VEJA perguntou à presidente, que também comandava o Conselho de Administração da Petrobras na ocasião, se era comum um diretor desconsiderar a hierarquia, dirigir-se diretamente ao Palácio do Planalto e tomar a liberdade de oferecer sugestões políticas para um problema administrativo. Dilma não respondeu. A presidente também não explicou por que o governo, em vez de atuar para sanar as irregularidades apontadas pelo tribunal, fez exatamente o contrário. Depois da publicação da reportagem,

Dilma Rousseff preferiu, em nota oficial, atacar o mensageiro. Ela acusou VEJA de manipulação. A revista só relatou fatos produzidos pelos governos de Lula e Dilma. Não foi VEJA que colocou Paulo Roberto Costa na Petrobras com o objetivo de montar um esquema de corrupção para obter recursos a ser entregues a políticos e partidos aliados do governo. Não foi VEJA que colocou o doleiro Alberto Youssef a serviço do esquema de Costa na Petrobras. Quem disse que Lula e Dilma sabiam de tudo foi Youssef. VEJA apenas revelou a fala do doleiro. Portanto, não adianta esbravejar contra o mensageiro, quando é a mensagem que fere.
Em 29 de maio de 2007, o então advogado da estatal junto ao TCU, Claudismar Zupiroli, enviou um e-mail à então secretária ¬executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. Ele relatou sua preocupação com o fato de o TCU estar no pé da Petrobras pelo uso abusivo de um decreto que permite gastos sem licitação na estatal. Zupiroli informa que há um “voa barata” entre os gestores da Petrobras, que estavam “com medo do recrudescimento do tribunal em cima deles”, por causa das contratações sem licitação.

Editada em 1998 no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a norma foi idealizada com uma finalidade nobre: agilizar a contratação de serviços prioritários e urgentes a fim de evitar que a estatal perdesse competitividade no mercado. Nas mãos de Paulo Roberto Costa e de outros diretores corruptos da estatal, no entanto, o decreto passou a ser usado indiscriminadamente para dispensar a licitação em praticamente todas as obras, servindo de biombo para acobertar as maiores atrocidades patrocinadas com o dinheiro público.

É da natureza dos corruptos não se intimidar diante de leis e decretos que dificultam sua ação. Assim, não se pode ver na dispensa de licitação a única causa da transformação das obras da Refinaria Abreu e Lima no maior assalto aos cofres públicos já registrado na história do Brasil. De 2,5 bilhões de dólares, o custo da refinaria saltou para 20 bilhões. Uma parte considerável desse dinheiro foi desviada pelo esquema de corrupção liderado por Paulo Roberto na Petrobras. No relatório de 2009, o TCU alertava para a existência de superfaturamento. Informava que os negócios suspeitos eram planejados em uma sala secreta, localizada no 19º andar do edifício-sede da Petrobras. Era lá que Paulo Roberto dava expediente como diretor de Abastecimento. Dali ele redigiu a mensagem a Dilma Rousseff sugerindo a bem-sucedida intervenção do governo para que nada fosse investigado.

Zupiroli também achou por bem advertir Erenice: “Cresce a corrente dos que se recusam a assumir cargos de responsabilidade, como cresce a disposição daqueles que acham que devem ligar ‘o f.’ no sentido de aplicar a Lei de Licitações, independentemente das consequências. A água está chegando ao pescoço”. Não há registro de que a principal conselheira de Dilma tenha tomado alguma providência no sentido de ao menos averiguar se havia algo errado. O que se viu foi que as contratações sem licitação continuaram a todo o vapor.

O primeiro e-mail revelado por VEJA mostrou que o Planalto foi acionado por Paulo Roberto Costa para não deixar o TCU interromper as obras e, claro, a dinheirama sem licitação. A mensagem do advogado, bem mais explícita e eloquente, mandara o mesmo recado dois anos antes. Na semana passada, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) apresentou requerimento pedindo a convocação de Dilma e Lula para prestar esclarecimentos na CPI mista da Petrobras. “A presidente disse que está disposta a aprofundar toda a investigação. Nada mais justo do que ela ir à CPI para esclarecer, em primeiro lugar, a acusação do doleiro e, agora, a ligação com esse diretor corrupto.”

O parlamentar também quer que o ex-presidente e sua sucessora expliquem como a quadrilha conseguiu se instalar na Petrobras sem que o governo percebesse. Quadrilha que, segundo os depoimentos colhidos pela polícia, também ajudou a financiar a própria campanha presidencial de Dilma em 2010 e alimentou o caixa do PT e de seus aliados.

 

Por Reinaldo Azevedo

28/11/2014

às 4:24

Minha coluna na Folha: “A Galinha Pintadinha de Vermelho”

Leiam trecho da minha coluna na Folha:
A presidente Dilma Rousseff recebeu na quarta-feira dois representantes de ninguém, que lhe foram cobrar isso e aquilo. Refiro-me a Leonardo Boff e a Frei Betto, expoentes da “Escatologia da Libertação”. No dia anterior, eles tinham assinado um manifesto contra as indicações de Joaquim Levy e Kátia Abreu (ainda por fazer) para, respectivamente, os ministérios da Fazenda e da Agricultura. A imprensa, sempre generosa com os autores de uma obra seminal chamada “A Galinha e a Águia”, os chamou de “intelectuais do PT”, um oximoro delicioso. Outro “scholar” a assinar o tal manifesto é João Pedro Stedile. Eis um trio que nunca invadiu o terreno produtivo das ideias.

Guilherme Boulos, o dono da maior imobiliária de São Paulo, não estava junto? Que pena! Eis um “intelectual” que tem os dois pés no chão. E as duas mãos também, como diria Ivan Lessa. Ele me quer no ministério da Dilma e diz que só preciso de um afago para “me abrir como uma flor” para o governo. O psicanalista Boulos acredita que tudo se resolve na base da sedução e do “abrir-se em flor”. Metáforas denunciam. Esse rapaz foi molestado na infância e acabou ficando assim?

É evidente que os autores da “Galinha Pintadinha de Vermelho” não têm a menor importância. Sempre rezo três ave-marias, diga-se, a cada vez que escrevo o nome “Frei Betto”, especialmente depois de ter descoberto que, num texto, ele fez Santa Tereza D’Ávila engravidar de Che Guevara para dar à luz a América Latina. Que medo! Coitada da Santa! Depois de martirizada pelo “Chancho”, ainda viu nascer o bebê-diabo. Faço essa nota à margem só para qualificar o tipo de gente reconhecida por nosso jornalismo como… “intelectual”!!!
(…)
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

28/11/2014

às 1:28

Levy promete cortar a farra dos bancos públicos. Ou: Só o estelionato salva o governo de Dilma Rousseff

Joaquim Levy e Nelson Barbosa foram, nesta quinta, extraoficializados — e vejam como Dilma Rousseff força o estropiamento da língua portuguesa — como futuros ministros da Fazenda e do Planejamento. Mas ainda não tomaram posse. Estarão numa equipe de transição do governo Dilma para o… governo Dilma. Vale dizer: Levy e Barbosa aplanarão o terreno para a posse de… Levy e Barbosa. Parece uma maluquice? É uma maluquice.

O futuro titular do Planejamento não disse nada de aproveitável. Limitou-se a agradecer a confiança e coisa e tal. Levy não! Este falou. E com clareza. Fez um discurso apropriado a um governo, digamos, liberal. E o centro de sua fala poderia ser considerado explosivo se alguém estivesse hoje empenhado em cobrar coerência da presidente Dilma. Mas já ninguém se ocupa disso. Se o futuro ministro conseguir evitar o pior, já está de bom tamanho. Explico.

Levy falou, basicamente, sobre recuperar a credibilidade — o que significa admitir que credibilidade não há. E como fazê-lo? Ele deu a entender que essa confiança nasce da previsibilidade, o que demanda o cumprimento do que se promete. Curiosamente, para que se atinja tal objetivo, a Dilma presidente terá de desmentir a Dilma candidata.

O futuro ministro defendeu que se faça um superávit, no ano que vem, de 1,2% do PIB e, nos anos seguintes, de 2%. Mas não dourou a pílula. Agora vem o centro de sua fala: “Para se realizar essa trajetória para a relação dívida PIB, o superávit primário do setor público consolidado deve alcançar o valor de, no mínimo, 2% do PIB ao longo do tempo (…) desde que não haja ampliação do estoque de transferência do Tesouro Nacional para instituições financeiras públicas”.

Sintetizo: ele está falando, principalmente, sobre o BNDES, sim, senhores! Está afirmando que é preciso pôr um limite à farra que permite ao Tesouro repassar dinheiro ao banco como quem diz “hoje é sexta-feira”. Mas que mal há nisso? Bem, o Tesouro capta dinheiro no mercado pela Selic (11,25%) e empresta a alguns eleitos a 5%. Tanto Marina Silva (PSB) como Aécio Neves (PSDB) falaram da necessidade de impor um limite à esbórnia. A candidata Dilma os acusou, então, de ser inimigos dos bancos públicos — e não apenas do BNDES: também do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Levy falou o que aqueles que os petistas chamam “conservadores” queriam ouvir. Como esquecer que, durante a campanha, Lula bateu no peito e se orgulhou de, segundo disse, ganhar eleições contra o mercado? É, diga-se de passagem, mentira. De todo modo, pode-se até ganhar uma eleição contra o dito-cujo, mas certamente não se governa contra ele.

“Então é uma ditadura de mercado, Reinaldo?” Não! As regras a que me refiro são apenas as de bom senso: não gastar mais do que arrecada; não permitir que as despesas cresçam a um ritmo maior do que o das receitas; não tratar o Tesouro como a casa da mãe joana.

Não foi uma fala subserviente. Nesta quinta (ver post), o inefável Gilberto Carvalho, ainda secretário-geral da Presidência e, espera-se, futuro desempregado (ao menos em cargo público), afirmou que, ao entrar no governo, Levy aderia ao paradigma petista de governança. Trata-se, claro!, de uma sandice. É o petismo quem se rende às críticas feitas pelos adversários.

Que coisa! Só o estelionato salva o governo Dilma Rousseff.

Por Reinaldo Azevedo

27/11/2014

às 16:37

Gilberto Carvalho, temendo o desemprego, entra no ramo da comédia

Danilo Gentili que se cuide! Outros grandes do stand up ponham as barbas de molho. O meu amigo Carioca, o maior humorista e imitador do Brasil — porque bem informado, o que faz toda a diferença —, que se prepare para a batalha. Eduardo Sterblitch, que conferiu método ao nonsense, não mais dormirá em paz. Há um novo competidor na praça. Perto de ficar desempregado, o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, está no mercado. Depois de ter respondido por alguns dos maiores desastres do governo Dilma, ele resolveu entrar no ramo da graça. Agora ele decidiu ser piadista.

Vamos ver. O modelo tipicamente petista para a economia produz inflação no teto da meta, juros cavalares de 11,25% ao ano, déficit na balança comercial, déficit em transações correntes, déficit no governo central e déficit nas contas públicas. Não só isso: ainda que a estatal não tivesse sido vítima de um assalto organizado, os companheiros teriam levado a Petrobras, a maior empresa do país, à beira do abismo, uma vez que usaram o preço dos combustíveis para fazer política econômica das mais vagabundas.

O sistema tributário brasileiro virou um samba-do-petismo-doido, com um festival de desonerações e incentivos que não conseguiram impedir que a indústria vivesse o pior momento de sua história. O país está de mãos atadas, preso a um Mercosul que virou um fardo. O modelo petista, em suma, tem, em razão da conjuntura internacional, um breve passado de atenuação da miséria — chamar o modelo de “distribuição de renda” é mais do que falta de rigor técnico; é falta de vergonha na cara — e não tem futuro nenhum.

Com a falência do modelo petista, revelada pela saída melancólica do ministro Guido Mantega, Dilma teve de chamar aquele que os petistas e as esquerdas no geral consideravam o satã de um tal “neoliberalismo”, uma corrente de pensamento econômico inventada pela mente perturbada de esquerdistas. Seu nome é Joaquim Levy, oficializado hoje como futuro ministro da Fazenda e homem da transição. A presidente fará a transição de Dilma para Dilma, e Levy prepara o terreno para a posse de Levy. A concorrência no mundo da comédia é grande. Mesmo os humoristas a favor — uma categoria asquerosamente crescente no Brasil — acabarão enfrentando dificuldades. Mas sigamos.

Nesta quinta, vendo-se na contingência de explicar o nome de Levy como ministro da Fazenda, afirmou o comediante involuntário Gilberto Carvalho: “Sinceramente só vejo com bons olhos a nomeação do Levy. E é evidente que, ao aceitar ser ministro desse projeto, ele está aderindo a esse projeto e à filosofia econômica desse projeto. O nome dele é importante porque, pela trajetória dele, ele traz uma credibilidade, ele contribui com o nosso projeto”.

Uau! É verdade! Então podemos esperar de Levy um modelo que produza déficits crescentes, que fraude a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que faça os gastos subir a um ritmo muito superior à arrecadação, que avance no caixa como se não houvesse amanhã, que capte dinheiro no mercado a 11,25% ao ano para emprestar a alguns nababos a 5%. Já cheguei a achar que Carvalho não batesse bem dos pinos. Hoje, me vi tentado a ter a certeza disso. Mas não! Como diria Polônio, a personagem de Hamlet, de Shakespeare, não se trata de loucura, mas de método.

Segundo a metafísica campanheira, tudo cabe no PT: uma tese e também o seu contrário. Imaginem Aécio vitorioso e se vendo obrigado a reajustar os combustíveis e a tarifa de energia elétrica, elevando a taxa de juros, anunciando, adicionalmente a diminuição do papel do BNDES na economia… É claro que os petistas botariam o bloco na rua, não é mesmo? Como são eles a implementar tais medidas, então estas passam a ser legítimas e encaradas como progressistas.

Não me espanta que essa gente trate corruptos comprovados como “heróis do povo brasileiro”.

Por Reinaldo Azevedo

26/11/2014

às 20:32

A LDO que enxovalha Constituição e a lei e a lógica da chantagem. Ou: na relação Dilma-PMDB, quem chantageia quem?

Entendo — mas o Supremo dará a última palavra — que é simplesmente inconstitucional o que o governo Dilma pretende fazer com a Lei de Diretrizes Orçamentárias. O projeto de lei, com ou sem a anuência do Congresso, fere o Artigo 165 da Constituição.

O governo tem de ter uma meta estabelecida, não importa qual — nem que seja a admissão do déficit. O que não pode é não ter meta nenhuma, como, curiosamente, está no tal projeto. Mais: se um presidente da República, de forma deliberada, desrespeita a lei orçamentária, comete crime de responsabilidade — está na Lei 1.079 —, o que dá ensejo a um processo de impeachment. Será que exagero? Levo a interpretação do texto legal ao limite? Não! Exponho a legislação. Apenas isso.

A votação do projeto, prevista para esta quarta, foi adiada para a semana que vem. A despeito da determinação de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e do Congresso, de atropelar o Regimento para manter em curso uma sessão sem quórum, a base não conseguiu reunir o número de parlamentares necessário da Câmara e do Senado para a sessão conjunta. Como não poderia deixar de ser, os próprios petistas começaram a espalhar o boato de que o PMDB estava enfiando a faca no pescoço de Dilma: o partido estaria cobrando mais espaço no governo em troca da aprovação do projeto.

É possível que isso seja verdade? É claro que é. Ou assim não se fazem as coisas na República? Para que tem servido, ao longo de 12 anos, o PMDB? Sozinho ou mesmo com a ajuda de outras legendas, o PT nada pode no Congresso. Quem lhe garante a maioria necessária são os peemedebistas. Podemos dar uma de inocentes, embarcar na canoa petista e sair por aí a vituperar apenas contra o PMDB.

Mas esperem: quem chantageia quem na relação governo-PMDB? São os peemedebistas que dizem ao governo “só aprovamos tal medida se tivermos tal cargo”, ou é o governo que diz aos peemedebistas “só lhes dou tal cargo se vocês aprovarem tal medida?”. Afinal, convenham: o partido ganhou a eleição junto com o PT. A rigor, não precisa brigar por espaço. É natural que o tenha. Pergunto, em suma, quem comanda essa relação perversa de troca. E a resposta me parece óbvia: dá o tom da convivência quem pode mais e quem tem a caneta. No caso, é Dilma.

De resto, o PT sabe como a fidelidade do PMDB lhe foi importante em momentos cruciais, não é? E este é, sim, um deles. Não tivesse o governo se exposto, em razão das múltiplas bobagens que fez na área orçamentária e fiscal,  à pressão dos parlamentares de sua base, não haveria por que ser chantageado agora.

É claro que o PMDB sabe que estará quebrando um galhão para Dilma. O partido impõe um preço para endossar o descalabro. E Dilma impõe um preço para lhe conceder fatias do poder.

Por Reinaldo Azevedo

26/11/2014

às 16:17

Governo sofre derrota, e votação de manobra fiscal é adiada

Por Laryssa Borges e Macela Mattos, na VEJA.com:
Em meio às discussões sobre a formação da nova equipe ministerial para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, a base aliada à petista e parlamentares de oposição impuseram nesta quarta-feira ao governo uma derrota na sessão conjunta do Congresso Nacional, adiando para a próxima semana a votação do projeto que altera o cálculo da meta de superávit fiscal de 2014, que é a economia que deve ser feita pela União para o pagamento dos juros da dívida. A mudança proposta pelo governo no início do mês permite que sejam abatidos da meta todos os gastos com o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e as desonerações de impostos concedidas à indústria. Tal manobra, feita por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), dá ao governo a chance de acumular um primário muito pequeno, ou até mesmo déficit, sem que tais números fiquem evidentes nas contas do Tesouro.

O Planalto aguardava a aprovação da mudança na LDO para anunciar nesta quinta-feira a nova equipe econômica – e, até o momento, não há informações sobre o cancelamento deste anúncio. Mas a falta de quórum no Plenário do Congresso inviabilizou a votação da proposta. Uma nova sessão foi convocada apenas para a terça-feira da semana que vem.

Nos bastidores, os próprios aliados da presidente reconhecem que os gargalos na negociação sobre a formação da nova equipe ministerial têm sido usados para dar um recado ao governo e evidenciar que, sem negociação sobre cargos e sobre o papel de cada partido aliado a partir de 2015, poderá haver dificuldades na aprovação do texto da manobra fiscal. Nesta quarta-feira, em uma demonstração de força contra o governo, o maior partido aliado de Dilma, o PMDB, colocou apenas 29 dos 71 deputados de sua bancada em Plenário. O líder da sigla e provável candidato à presidência da Câmara, Eduardo Cunha, também não compareceu. Curiosamente, na semana passada, Cunha havia explicitado sua posição favorável ao projeto do governo. Assim que o projeto foi apresentado, pouco antes da viagem da presidente Dilma ao encontro do G-20, na Austrália, o vice-presidente Michel Temer havia reunido líderes da base para garantir o apoio à nova LDO. De lá pra cá, ao que parece, tudo mudou.

“O adiamento não foi uma cochilada da base. Podemos dizer que há um cochilo planejado. Não posso imaginar que o que aconteceu foi fruto só do peso da oposição, até porque a gente não tem maioria em uma situação como essa”, disse o líder do Democratas, deputado Mendonça Filho (DEM-PE). “Não tenho dúvidas de que toda essa insatisfação está relacionada à composição do novo governo. Demonstra que os parlamentares aliados querem ser ouvidos”, completou.

Ânimos exaltados
Desde o início, foi tumultuada a sessão conjunta do Congresso Nacional convocada para votar o projeto de flexibilização do superávit, com o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), novamente disposto a ‘tratorar’ o regimento da Casa e aprovar a toque de caixa o projeto. Com o auxílio do senador peemedebista Romero Jucá (PMDB-RR), a sessão foi aberta com o quórum do dia anterior, quando foram votados os vetos presidenciais. A artimanha provocou bate-boca e gritaria em Plenário. Calheiros cortou o microfone do líder do DEM, deputado Mendonça Filho, enquanto ele protestava contra a matéria. Ainda assim, o parlamentar elevou a voz e continuou o discurso, questionando a atitude do presidente do Congresso. Nervoso e com o dedo em riste, Renan apenas respondeu: “Cale-se”. Neste momento, Mendonça Filho deixou a tribuna e subiu à Mesa Diretora onde o comandante da Casa estava. A gritaria continuou.

Outros parlamentares de oposição também se manifestaram contra Calheiros: “Ditador. Prepotente. O senhor apoia essa farsa”, gritou Rubens Bueno (PR), líder do PPS. “Ninguém me cala nesta Casa. O Renan faz o que quer, aprova o que quer, no tempo que quer. Agora existe um novo regimento, que é o regimento de Renan, que decide com a sua conveniência o que deve ser feito”, disse Mendonça Filho. Com os ânimos mais acalmados, Calheiros pediu desculpas ao deputado e fez um “apelo pelo bom senso e equilíbrio”. A essa altura, o quórum continuava aquém do previsto: apenas 222 deputados e 32 senadores presentes. Para votar, seriam necessários no mínimo 257 deputados e 41 senadores.

Apelo
Antes da sessão plenária, Renan Calheiros havia admitido que o resultado das contas públicas refletia um “momento difícil” do governo e dizia que o projeto que permite flexibilizar a meta de superávit, ainda que não seja necessariamente o ideal, deveria ser aprovado porque “é a solução que está posta”. “Nós vamos flexibilizar porque é uma solução que está posta. E dessa forma vai preponderar o interesse nacional. O Congresso, que nunca faltou com o Brasil, não vai dar as costas para o Brasil nesse momento difícil”, disse ele, afirmando não haver qualquer “constrangimento” do Congresso em dar aval à manobra. Após a confirmação do adiamento, o senador minimizou o desgaste da sessão e se recusou a comentar a dificuldade do governo de aprovar o projeto. “Era evidente a falta de quórum e sem isso a maioria não tem como se manifestar. Não sou nem líder do governo nem representante da oposição. Cabe a mim colocar em prática o regimento”, disse.

Projeto
Ao final da sessão, parlamentares oposicionistas voltaram a criticar a proposta de manobra fiscal. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) com as metas de execução orçamentária para 2014 estabelecia originalmente patamar de superávit primário de 116,07 bilhões de reais e permitia abatimento máximo de 67 bilhões de reais para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e desonerações tributárias. Com o novo projeto, não haveria mais teto para abatimento, abrindo espaço para que a União não economizasse um centavo sequer para pagar juros da dívida.

“Esse projeto que a presidente Dilma apresentou para poder gastar à vontade e sem nenhuma limitação legal terá consequências muito graves para o brasileiro, para aquele que vai precisar fazer um financiamento e vai pagar juros mais caros, para o empresário que precisa de capital de giro e vai pagar juros mais caros, para as próprias contas do governo, que precisa captar recursos para rolar sua dívida”, disse o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). “Isso vai agravar a situação de recessão e de paralisia do governo para livrar a presidente Dilma de um eventual problema que ela terá na justiça por ter desrespeitado o orçamento”, afirmou.

Justiça
Em mais um front de embate contra o projeto, líderes da oposição na Câmara dos Deputados recorreram nesta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da tramitação do projeto que modifica a LDO. Recurso semelhante havia sido protocolado nesta terça-feira pelo PSDB.

No novo recurso, os oposicionistas alegam, entre outros pontos, que a presidente Dilma Rousseff deve enviar novo relatório à Comissão Mista de Orçamento caso pretenda alterar as metas de economia para pagar juros da dívida.

Por Reinaldo Azevedo

24/11/2014

às 5:46

Joaquim Levy e Kátia Abreu, futuros ministros de Dilma, começam bem: as esquerdas ficaram furiosas! Sem dúvida, é um bom sinal!

Senadora Kátia Abreu, futura ministra da Agricultura: as esquerdas preferem colher desinformação e preconceito

Senadora Kátia Abreu, futura ministra da Agricultura: as esquerdas preferem colher desinformação e preconceito

Joaquim Levy: ele já serviu com correção aos governos FHC e Lula. PT, agora, não o quer no governo Dilma

Joaquim Levy: ele já serviu com correção aos governos FHC e Lula. PT, agora, não o quer no governo Dilma. Será por excesso de seriedade?

Vou tratar aqui de um assunto muito sério. Muito mesmo! Coitada da presidente Dilma Rousseff! “Como assim, Reinaldo?”, há de me perguntar muita gente, que sabe o que eu penso. Eu explico. Há no que escrevo um tanto de objetividade e um tanto de ironia. Por que me compadeço da governanta?

Porque está na cara que, quando ela erra, acaba sendo mais bem tratada por certos setores da imprensa do que quando acerta. E não são apenas setores do jornalismo que veem o mundo pelo avesso: também no seu partido, a estupidez costuma ser aplaudida com entusiasmo, e o acerto, vaiado. Pergunto: se Dilma não for atropelada pela Operação Lava-Jato — e o risco sempre existe —, ela tem a possibilidade de fazer um governo até virtuoso, no limite do possível? A resposta é “sim”. Mas teria, para tanto, de se livrar do peso do PT — ou, ao menos, de torná-lo irrelevante. Não é coisa fácil. Mas volto ao ponto.

Até o momento em que escrevo este comentário, conhecemos os nomes de cinco ministros do futuro governo Dilma: Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Alexandre Tombini (Banco Central), Kátia Abreu (Agricultura) e Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

Não houvesse mais ninguém a nomear, Dilma estaria com uma boa equipe. Mas é claro que vai piorar bastante a qualidade média a partir de agora. Não deixa de ser divertido ver o chororô de alas do petismo, especialmente com as indicações ainda por fazer, mas dadas como certas, de Joaquim Levy e Kátia Abreu, e a gritaria depõe a favor de ambos. A decepção de setores à esquerda da imprensa, que têm a pretensão de ser a consciência crítica de Dilma, chega a ser hilariante e certamente depõe a favor da dupla. Se há coisa que Levy e Kátia têm a comemorar, é essa rejeição.

Não acho que Levy seja exatamente um formulador de política econômica, como requer a Fazenda. Entre os sensatos, Murilo Portugal se enquadrava melhor nos pré-requisitos do cargo. De todo modo, a exemplo de Portugal, Levy atende a uma necessidade urgente de Dilma: seu governo precisa de credibilidade técnica, que foi agredida mês após mês, ano após ano, e Levy serve a esse propósito. Não é nem faroleiro nem desonesto. Em tempos de Operação Lava-Jato, é um diferencial importante.

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que fez forte oposição a Lula, se aproximou de Dilma sem abrir mão de suas convicções — daí ter entrado, de novo, na mira dos setores esquerdistas e populistas do jornalismo. Lutou por um Código Florestal decente, é líder do setor que produziu um superávit de US$ 82,91 bilhões em 2013 e tem uma agenda voltada, sim, para a produção e o crescimento da economia. Não precisou fingir o que não pensa para ver aprovado o que pensa.

É legítimo que se pergunte se os nomes escolhidos até agora são compatíveis com a campanha esquerdista de Dilma. A resposta, obviamente, é “não”. Representam uma espécie de estelionato ideológico — um, digamos assim, bom estelionato. Sempre que um governo do PT joga suas convicções no lixo, o país deve ficar feliz.

E Dilma, convenham, não inova. Foi para ter Henrique Meirelles no Banco Central e o próprio Joaquim Levy no Tesouro que Lula venceu a eleição em 2002? Era o que prometia em sua campanha? Levy, não custa lembrar, tinha sido secretário-adjunto de Política Econômica e economista-chefe do Ministério do Planejamento do governo FHC, aquele que teria deixado, segundo Lula, numa mentira escandalosa, uma herança maldita.
E o que se viu? O presidente eleito em 2002 jogou o programa do PT no lixo, governou com a agenda de FHC, cujo governo havia sido derrotado nas urnas, e acabou se consagrando e sendo reeleito. Se as esquerdas estão furiosas, e estão, com os primeiros movimentos de Dilma, então há uma boa possibilidade de que eles sejam bons.

Por Reinaldo Azevedo
 

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