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Governo Dilma

22/05/2013

às 14:22

Governo anuncia corte de R$ 28 bilhões no Orçamento. E eleva previsão de inflação

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O governo federal anunciou, nesta quarta-feira, um corte de 28 bilhões de reais no Orçamento deste ano. A medida deve ajudar no cumprimento da meta fiscal deste ano, de 155,9 bilhões de reais. Com a redução, os gastos totais previstos caem para 937,9 bilhões de reais. O governo ainda elevou sua expectativa de inflação neste ano de 4,9% para 5,2%. Contudo, a expectativa de crescimento da economia foi mantida em 3,5%. O Ministério do Planejamento ainda prevê que os investimentos devem crescer de 3,5% de 2012, para 6% neste ano. Já a previsão de receita foi encurtada em 67,8 bilhões de reais, o que deixou o total atualizado em 1,18 trilhão de reais.

De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o contingenciamento tem como objetivo a preservação da geração de emprego e dos investimentos no país – o que, segundo o governo, serviria para impulsionar a retomada do crescimento econômico. “As contas estão e continuarão sólidas; continuaremos controlando despesas correntes dentro do governo e maximizando os investimentos do setor público, que estão crescendo ao longo do tempo”, afirmou Mantega, durante o anúncio do corte.

Os maiores cortes, em volume absoluto, atingiram os ministérios das Cidades (5 bilhões de reais) e da Defesa (3,6 bilhões). Outros 5 bilhões foram retirados do total destinado a operações de crédito. De acordo com o governo, foram integralmente poupados os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no Minha Casa, Minha Vida e nas áreas de Ciência e Tecnologia, Saúde e Educação. Os gastos relativos à Copa do Mundo de 2014, à Olimpíada de 2016 e ao programa Brasil Sem Miséria também foram poupados.

Segundo as contas federais, o corte de despesas não poderia ser muito grande, dado o fraco ritmo de arrecadação de tributos. Nos primeiros quatro meses deste ano, a Receita Federal recebeu 0,34% menos recursos, em termos reais, do que em igual período do ano passado.

Dos 155,9 bilhões de reais da meta fiscal, o governo pode, por lei, abater até 65,2 bilhões de reais – sendo 45,2 bilhões de reais em investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os 20 bilhões de reais restantes em desonerações tributárias.

Além disso, um outro esforço para a garantia de cumprimento do superávit primário vem sendo feito com base na “contabilidade criativa”. Na segunda-feira, foi publicada no Diário Oficial da União uma medida provisória que permitirá que o Tesouro faça uso antecipado de créditos de Itaipu.

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2013

às 19:15

Governo nega ao MPF acesso à sindicância sobre Rose

Na VEJA.com:
A Presidência da República negou ao Ministério Público Federal em São Paulo acesso aos documentos da sindicância instaurada para apurar a participação da Rosemary Noronha nas fraudes reveladas pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary foi denunciada em dezembro por falsidade ideológica, tráfico de influência, corrupção passiva e formação de quadrilha.

Segundo a assessoria do MPF, a subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil respondeu que “o chefe do gabinete pessoal da Presidência da República não tem competência para prestar a informação requisitada” e que a lei brasileira determina que pedidos enviados à Presidência da República devem ser feitos pelo procurador-geral da República. O ofício do MPF foi endereçado à chefia de gabinete da Presidência. Após a negativa, o MPF afirmou que “tomará as providências cabíveis” e que a recusa representa “sério obstáculo ao pleno conhecimento dos ilícitos”.

Coordenada pela Casa Civil, a apuração desvendou como a ex-funcionária usava a influência e a intimidade que desfrutava com o ex-presidente Lula para se locupletar do poder. Ao fim de dois meses de trabalho, os técnicos reuniram provas que resultaram na abertura de um processo disciplinar contra ela por enriquecimento ilícito. Porém, conforme revelou VEJA, a Secretaria-Geral da Presidência da República montou um processo paralelo com a falsa intenção de “acompanhar e orientar” a apuração da Casa Civil – mas que não passava de uma tentativa de sabotar o trabalho de investigação.

O MPF argumenta que a lei 8 112/90 obriga o órgão a encaminhar cópia da sindicância quando o relatório “concluir que a infração está capitulada como ilícito penal”. Procurada, a assessoria de imprensa da Casa Civil afirmou que ainda se pronunciará sobre o pedido negado ao MPF.

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2013

às 18:45

Criação de vagas em abril é a pior para o mês desde 2009

Na VEJA.com:
O Brasil criou 196.913 novos empregos com carteira assinada em abril, aumento de 0,49% em relação ao mês anterior, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Apesar da alta, é o pior resultado para o mês de abril desde 2009. O número divulgado pelo Caged corresponde à diferença entre as admissões e as demissões no período.

No acumulado do ano, o emprego cresceu 1,39%, acréscimo de 549.064 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses esse patamar alcança 1.087.066 novas vagas, expansão de 2,79% no número de empregos. Em abril, pela primeira vez no ano, os oito setores da economia tiveram crescimento na criação de emprego. Contudo, o setor de serviços liderou a criação de vagas, com 75.220 no período, alta de 0,46%. Em segundo lugar vem a indústria, com 40.603 novos postos (+0,49%), a construção civil com 32.921 (+1,03%) e a agricultura com 24.807 (+1,59%).

Regiões
O Sudeste foi a região com maior criação de emprego, com 127.210 vagas (+0,59%), e a Região Sul, com 39.294 (+0,54%). Também tiveram expansão as regiões Centro-Oeste, com 29.978 empregos (+0,98%), e Norte, com 2.059 (+0,11%). Já a região Nordeste foi a única em que foi registrada queda do número de vagas em abril, de 1.628 (-0,03%). De acordo com o MTE, a retração foi provocada pela sazonalidade do setor sucroalcooleiro no período. A variação percentual corresponde à diferença entre o saldo de criação de vagas de abril com o mês de março.

 “Os números são otimistas, pois demonstram crescimento em praticamente todos os setores da economia”, avaliou o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, em comunicado emitido pelo MTE. A expectativa do ministério é de que o país gere 1,5 milhão de vagas este ano.

Por Reinaldo Azevedo

15/05/2013

às 19:23

Governo negocia concessões ao PMDB em troca da aprovação da MP dos Portos

Por Laryssa Borges e Marcela Mattos, na VEJA.com:
Depois de constatar que o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está conseguindo protelar indefinidamente a sessão que tenta aprovar a MP dos Portos, governistas negociam fazer concessões ao peemedebista como forma de destravar a votação do texto. A MP redefine as regras que regularão o setor portuário brasileiro, mas enfrenta duras resistências de parlamentares. Alguns, acusados de trabalhar em favor de interesses privados, têm conseguido emplacar sucessivas manobras de protelação e evitar que seja concluída a votação do texto. Se não for votada também no Senado Federal, a MP perde a validade nesta quinta-feira.

O líder do governo na Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), admitiu que a discussão sobre a medida provisória dos portos faz parte de uma “guerra política”, mas disse ainda haver espaço para negociação. “Ando conversando com os líderes da base, tentando fazer algum tipo de negociação para que determinados destaques ou emendas possam ser retirados”, disse. “É óbvio que, depois de uma guerra política, no bom sentido, é minha obrigação tratar com todos os partidos da base”, completou.

Uma das hipóteses discutidas para um acordo com o PMDB é utilizar a Lei dos Portos, de 1993, como marco legal para todos os quesitos que não estiverem abarcados pela medida provisória. Em reunião entre Eduardo Cunha, o vice-presidente da República, Michel Temer, e a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, esta hipótese já havia sido aventada. A sessão plenária que discute alterações na MP dos Portos já ultrapassa sete horas de duração. Nesta terça-feira, os debates em plenário vararam a madrugada e chegaram a 18 horas de duração.

Senado
Para tentar que a MP possa ser apreciada também no Senado antes de perder a validade, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que os senadores estão a postos para começar a debater e aprovar a medida provisória. “O prazo é muito curto, mas a matéria faz com que a gente ultrapasse todas essas dificuldades pelo mérito. Até as 23h59 estaremos aqui de plantão”, afirmou ele.

Por Reinaldo Azevedo

15/05/2013

às 6:22

50 tons de fascismo – Em evento do PT a que Dilma comparece, Lula ataca e imprensa, e Falcão e Tarso Genro ameaçam o jornalismo livre; a presidente preferiu chutar a oposição e os pessimistas

É… Eles não estão para brincadeira. Se vão conseguir o que pretendem, isso não sei. Ontem foi a vez de Porto Alegre receber a caravana do PT para comemorar os 10 anos do partido no poder. A presidente Dilma Rousseff compareceu, o que é o fim da picada. Coisas assim, que eu saiba, são inéditas no mundo democrático. A razão é simples: como o pressuposto da democracia é a possibilidade de haver alternância no poder, partidos não comemoram a não alternância, ainda que tenha sido essa a vontade do eleitor. Mas vá lá. Isso é o de menos. Requer certo requinte teórico para ser percebido e um compromisso essencial e, ousaria dizer, ancestral com a democracia. Não era o caso ali de nenhum dos presentes. Lula discursou. E abusou da bobagem e da falta de lógica, mesmo quando se é Lula. Leiam esta fala, segundo transcreve Flávio Ilha, no Globo.

“Eles (a mídia e a oposição) vivem exilados dentro do Brasil. Não estão compreendendo o que está acontecendo no Brasil. Por isso estamos caminhando fortemente para que Vossa Excelência seja presidente por mais quatro anos”.

Lula se refere a Dilma. Leiam de novo. Ele não sabe o que é uma locução conjuntiva conclusiva. Mas as locuções conjuntivas conclusivas continuam a existir, a despeito de sua ignorância. Vejam lá. Para o Apedeuta, a “mídia” e a oposição não compreendem o que acontece no Brasil. E então conclui: “por isso” Dilma será reeleita. A constatação inescapável: caso mídia e oposição tivessem, então, a devida compreensão, a presidente estaria enfrentando mais dificuldades… Como expressão da realidade, isso não faz sentido. No terreno da vigarice política, a fala se explica: o chefão do PT quer empurrar a imprensa para o terreno dos “derrotados” eleitorais — exceção feita, é evidente, aos veículos que puxam o saco do partido.

Rui Falcão, presidente nacional do PT, com a graça habitual e o pensamento sofisticado que tão bem o caracteriza, exibiu ao menos uma virtude: não tentou enganar ninguém. Pregou abertamente o controle da imprensa:
“Nossa missão fundamental é a reeleição da presidente Dilma, para que consolidemos nosso segundo grande salto e tornemos determinadas conquistas irreversíveis. Considero que as opiniões não podem ser de pensamento único dos grandes meios (de comunicação) monopolizados. Não é censura, mas não há como aprofundar a democracia com os conceitos dos proprietários e dos acionistas de jornais”.

Voltei
Entendi. Se é impossível “aprofundar a democracia com os conceitos dos proprietários e acionistas dos jornais”, entendo que essa consolidação terá de se dar sem eles, certo? Talvez Falcão tenha em mente, assim, uma coisa à moda venezuelana, equatoriana ou argentina…

Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, o poeta do sêmen derramado, não se conteve:
“A oposição está sem rumo e sem projeto. E, quando a direita está sem projeto e se vê perdida, apela para a desconstituição da democracia até com atos de força ou para a manipulação da opinião pública por meio de grandes grupos monopolistas de mídia. Tenho certeza que vamos avançar porque estamos bem liderados”.

Comento
Alguém poderia me reportar algum ato “da direita” de “desconstituição da democracia” nos dias de hoje? Que eu saiba, quem está tentando cassar prerrogativas do Supremo Tribunal Federal é o PT. Quem saiu vociferando contra uma pobre blogueira cubana, impedindo-a de falar, foi o PT.

“Grupos monopolistas”? Onde está o monopólio? De quê? Especialmente em tempos da Internet, quem é dono da opinião? O PT, sim, se esforça par encabrestar a opinião. Todo mundo sabe que o dinheiro público, por meio de estatais e da administração direta, financia uma rede de difamação na Intenet, cuja tarefa é falar bem do partido e de seus aliados e difamar a oposição e a imprensa independente.

Digamos que a imprensa fosse mesmo antipetista… É mentira! Na média, vocaliza o pensamentos da esquerda, vamos dizer, “modernizada”. Insisto na hipótese: ainda que fosse, o PT ficará pelo menos 12 anos no poder, com boas chances de emplacar mais quatro anos. Ora, não é o próprio Lula a dizer que essa imprensa está “exilada”, a sustentar a sua irrelevância, a garantir que ela quer uma coisa, e o povo, outra? Logo, controlar o quê e pra quê?

É aí que bate o velho espírito totalitário, a única herança genuinamente esquerdista que os petistas conservaram: eles não querem crítica nenhuma. Eles querem silenciar os adversários — extingui-los se possível. Mas a imprensa é essa adversária? Ora, o jornalismo que se preza é inimigo não do PT, mas do autoritarismo.

Finalmente, Dilma
A presidente não fez bonito duas vezes: ao comparecer ao evento, absurdo em si, e ao fazer um discurso que ecoa, vejam que curioso!, a antiga linha dura do Regime Militar. Leiam a sua fala:
“Fazem o papel de pessimistas sistemáticos. Ao contrário deles, a visão sobre o Brasil é muito mais realista porque percebe o imenso potencial que temos. Fomos o país que durante a crise mais emprego criou no mundo, fato reconhecido pelo FMI. Um dos pratos prediletos de crítica é a fragilidade da Petrobras. Mas é extraordinário que (a estatal) tenha captado US$ 11 bilhões no mercado internacional a taxas baixas, o que é um reconhecimento à força da Petrobras.”

A presidente se referia às oposições daqui e à suposta visão que os estrangeiros têm do Brasil. Como esquecer o lema com que a linha dura militar tentou desmoralizar “os pessimistas” durante a ditadura? Vai a imagem:

Caminhando para a conclusão
Os petralhas me enviam dezenas de mensagens, todos o dias, me convidado cair fora do Brasil: “Se você não gosta do país, cai fora”.  Sim, sim, Dilma também reclamou da imprensa, com menos contundência.

Não, um evento dessa natureza não seria possível em nenhuma democracia do mundo. Tampouco um presidente se reuniria com seu antecessor e correligionário, em companhia da cúpula do partido, para demonizar a oposição e a imprensa, tratadas como sabotadoras do país.

É o comportamento desses luminares na democracia que nos dá uma pálida ideia do que teriam feito se tivessem sido bem-sucedidos (eles próprios ou seus antecessores ideológicos), no passado, em seu esforço de instaurar o Brasil uma ditadura comunista.

O fascismo, a exemplo do socialismo, não existe mais como ideia pura. Ambos foram ganhando, com o tempo, novos contornos. Acima, vão alguns dos tons do fascismo — ou do socialismo, tanto faz; eram irmão siameses.

Os donos de jornais que se cuidem. O presidente do PT está tornando a ameaça mais ampla. Se alguém acha que eles se contentariam apenas em dividir as Organizações Globo, eis um ótimo momento para renunciar à inocência. A famigerada Lei Falcão, aquele ministro do regime militar, seria brincadeira de criança perto de uma que seguisse os voos teóricos do Falcão do PT.

Por Reinaldo Azevedo

13/05/2013

às 6:15

Empreiteiras pressionam, e governo aceita pagar mais por grandes obras

Por José Ernesto Credendio e Dimmi Amora, na Folha:
Chamada de “adicional de risco”, essa elevação é uma forma de compensar os tradicionais aditivos, que foram praticamente extintos em 2011 após uma série de suspeitas de desvio de recursos por meio de acréscimos feitos após a contratação. A restrição a aditivos nasceu quando o governo criou o RDC (Regime Diferenciado de Contratações), hoje adotado nas obras rodoviárias -R$ 8 bilhões em contratos-, aeroportos e ferrovias. No lobby contra o fim dos adicionais, as empreiteiras dizem que o governo deixou de pagar mais pela obra mesmo quando os custos subiam muito acima do contratado. O “adicional de risco” foi acordado em reunião com a presença da ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Ela disse que “o RDC veio para ficar”, mas considera que são necessários ajustes.

A partir de agora, o governo insere, já no orçamento do edital, um valor extra para compensar custos que eventualmente surjam durante a execução obra. Esse valor extra, que varia de acordo com o risco estimado pelo governo, é adicionado ao custo da obra e é desembolsado independentemente da ocorrência dos obstáculos. No Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), primeiro órgão a adotar a novidade, o extra vai girar em torno de 17%, percentual que é uma média histórica dos aditivos anteriores. Sem isso, empresas ameaçavam não participar de licitações de obras de alto risco. O principal exemplo é o terminal 3 do aeroporto de Confins (MG), que foi licitado duas vezes sem sucesso porque as empresas acharam o preço baixo demais.

Abandono
No modelo do RDC, as licitações são feitas com projeto básico -que é preliminar e contempla aspectos genéricos da obra. A empresa deve complementar o projeto e executá-lo sem aditivos para reequilibrar valores. Caso abandone a obra, fica impedida de ser contratada por cinco anos. O diretor de infraestrutura de logística do Ministério do Planejamento, Marcelo Bruto, diz que o adicional de risco oferece maior solidez ao contrato e evita atrasos. A mudança foi adotada na licitação para a obra em 300 quilômetros da rodovia BR-381, em Minas Gerais, cuja “matriz de riscos” lista desapropriações imprevistas, cumprimento de obrigações ambientais e aumento elevado e inesperado de insumos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

13/05/2013

às 6:07

Indústria brasileira tem o pior desempenho entre emergentes

Por Érica Fraga e Mariana Carneiro, na Folha:
A queda de 2,6% na produção industrial do país foi, de longe, a mais acentuada do grupo. O Egito, segundo pior colocado, registrou contração de 1,9%. A indústria brasileira como componente do PIB (Produto Interno Bruto) -que, além da produção de manufaturados, inclui setores como construção civil e energia elétrica- também amargou a maior contração no mundo emergente. A queda desse indicador foi de 0,8%. Os dados são da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit) e mostram que o retrato de crise no setor é renitente. Em 2011, o resultado da produção industrial brasileira já figurava entre os três piores do grupo analisado.

Segundo especialistas, os números confirmam que problemas domésticos têm exercido maior influência sobre a trajetória da indústria do que a crise externa. ”Esses dados causam muita preocupação. A crise externa existe e afetou todos, mas fomos piores do que os demais”, afirma Flávio Castelo Branco, gerente de política econômica da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

09/05/2013

às 22:17

Ainda nos envergonharemos disto, tenho fé! Maduro presenteia Dilma com imagem de Chávez e elogia Lula

Leiam o que informa Claudia Andrade na VEJA.com. Mais tarde, comento:

Os resultados da eleição presidencial de 14 de abril estão sendo contestados pela oposição venezuelana, mas Nicolás Maduro não esperou para buscar apoio dos aliados Uruguai, Argentina e Brasil, em um giro pelos países do Mercosul. Nesta quinta-feira, em Brasília, Maduro foi recebido com honras militares por Dilma Rousseff, presenteada com uma imagem do caudilho Hugo Chávez.

Maduro aproveitou seu giro para “passar o pires” e garantir o abastecimento de alimentos e itens de higiene pessoal. Na Venezuela é comum faltar nos supermercados produtos como farinha e óleo de milho, açúcar, frango, papel higiênico, guardanapos, detergente.

Tentando se defender das críticas da oposição depois de vencer Henrique Capriles com pouco mais de 200.000 votos de diferença, ele disse que, ao longo dos anos de Hugo Chávez, a Venezuela realizou eleições e referendos que construíram um sistema eleitoral “quase perfeito”. Ao longo de 14 anos no poder, o coronel usou a ferramenta democrática sempre a seu favor, manobrando para garantir resultados favoráveis e acabando com as instituições. Ele disputou o último pleito na condição de presidente interino, seguindo os passos de seu padrinho político, com presença constante nas redes de rádio e TV, enquanto ao adversário era relegado um espaço insignificante.

A campanha presidencial de Maduro contou com a participação direta de Lula, que gravou um vídeo em apoio ao governista. Em retribuição, o venezuelano encontrou-se com o ex-presidente em Brasília – encontro longo – que atrasou ainda mais a agenda com Dilma. Em sua fala oficial à imprensa, não poupou elogios ao petista. Ressaltou a “sabedoria” de Lula e os “conselhos” que lhe deu no encontro. “Nós o vemos como um pai dos homens de esquerda, das mulheres de esquerda, dos homens e mulheres progressistas da América Latina. Que sorte que temos, dos três gigantes que iniciaram o processo (de unificação regional), Chávez, Néstor Kirchner e Lula, nos resta Lula. Nós, quando assumirmos a presidência do Mercosul, vamos assumir com essa missão de crescimento, de fortalecimento”, discursou Maduro.

A entrada da Venezuela no bloco ocorreu a partir de um golpe contra o Paraguai, único país que se opunha à adesão. O processo que resultou no impeachment de Fernando Lugo, em junho do ano passado, respeitou a Constituição paraguaia, mas serviu como desculpa para a suspensão do Paraguai e consequente entrada da Venezuela. Um ano depois da suspensão do Paraguai, o Mercosul se prepara para assumir o comando temporário do bloco, no dia 28 de junho.

Abastecimento
Assim como fez nos outros países que visitou, também com o Brasil o venezuelano fechou acordos para garantir o abastecimento em seu país. “Pedimos mais apoio ao Brasil para o desenvolvimento de uma revolução agroalimentar na Venezuela. Nós próximos anos, uma das grandes metas é produzir todos os alimentos que consumimos, e nos converter em uma potência produtora de alimentos. Vamos desenvolver um novo modelo, uma nova fórmula produtiva, com a ajuda do Brasil, de suas técnicas de produção”.

Ele acrescentou que na Venezuela, “houve uma mutação com a chegada do petróleo. Mais que uma mutação, uma amputação. Amputaram a cultura produtiva do campo. Mas estamos recuperando”.

Na Argentina, ao anunciar o convênio fechado com o governo de Cristina Kirchner para “garantir e fortalecer a reserva alimentar por três meses”, Maduro admitiu que a Venezuela enfrenta “problemas severos de abastecimentos”, mas os atribuiu não as falhas do governo em conduzir a economia, à incapacidade de conter a inflação, mas sim a “sabotagem econômica”.

A agenda do Venezuelano na Argentina incluiu ainda um ato político em um ginásio lotado de kirchneristas, e falou em “renascimento de forças de direita fascistoides” que “ameaçam a democracia”.

Oposição
Enquanto Maduro se reunia com Cristina Kirchner, opositores venezuelanos estavam no Congresso argentino para denunciar as irregularidades nas eleições de 14 de abril. Os parlamentares argentinos analisam uma série de projetos apresentados pelo governo de Cristina Kirchner como “democratização” do judiciário mas que, na verdade, em muitos aspectos cerceiam o trabalho dos juízes. “Se posso dar um alerta é: lutem pela autonomia judicial”, disse o deputado Leopoldo López ao jornal argentino Clarín. Na Venezuela, o Judiciário é dominado por chavistas, que endossam as decisões do Executivo.

Por Reinaldo Azevedo

09/05/2013

às 16:13

Entrevista de Afif é uma coleção de despropósitos e, no limite, acena para a ditadura dos supostos homens virtuosos

O vice-governador Guilherme Afif Domingos e o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (News Free/Folhapress)

No post anterior, vocês leem a entrevista que, atenção!, o vice-governador de São Paulo e ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, concedeu à VEJA.com. É função demais para um nome só, não é? Afif renunciou ao salário do primeiro cargo e escolheu o do segundo. Embora não precise de dinheiro — é um homem rico —, fez uma escolha pragmática nesse caso: escolheu o maior. Não quis correr o risco de ficar com o menor e ser acusado de demagogo, acho… Pragmático.

A imprensa pode usar o seu exemplo e dispensar, doravante, o “vice”, chamando-o apenas pelo cargo para o qual é pago. O surrealismo da política brasileira andava a precisar de um emblema: por que não Afif, membro daquele partido que Gilberto Kassab já definiu como “nem de esquerda, nem de direita nem de centro”? O agora ministro acha essa clivagem ultrapassada. Ele deve ter razão: o Brasil tem uma democracia única no mundo porque, por aqui, as pessoas ou estão no governo ou estão fora dele. Se estão, elas tentam nos convencer de que é só para nos ajudar e para promover o bem geral. Que bom!

Afif acha que “política não se faz com o fígado”. Não, não! É preciso ser, ele ensina, “pragmático e raciocinar com a cabeça”. Tá. Segundo entendi, raciocinar com o fígado é ser de oposição; raciocinar com a cabeça é ser de situação. O bilioso se opõe; o pensador é poder. Dá para compreender por que Afif já foi malufista, por exemplo. Raciocinava com a cabeça. E é com a cabeça que o próprio Maluf raciocina quando, ex-ícone de certa direita brucutu, se transforma em aliado do PT. Aliás, se há coisa que os poderosos sempre souberam fazer no Brasil é “raciocinar com a cabeça”. O país pode ir à breca, mas eles se dão bem.

Olhem para a educação, para a saúde, para a infraestrutura, para a segurança pública… De tanto raciocinar com a cabeça, o país ficou assim…

O, digamos, “pensamento” de Afif tem desdobramentos realmente muito interessantes se transformamos a sua “opção pragmática” num conceito, numa forma de ver a política. Ora, ele aceitou o ministério, a gente entende, porque acredita que pode colaborar com o governo petista — embora não tenha sido essa a vontade do eleitor. Se a presidente se mostra disposta a abraçar as suas ideias, bem…

Digamos que todos os políticos fizessem assim… Afif se transforma num apóstolo do fim da democracia. Assim, não só as ideologias seriam coisa do passado, como também o regime democrático. No seu modelo, não há espaço para oposição — pra quê? Ainda que esse governante viesse a se revelar um déspota, mais pragmático seria virar conselheiro do tirano, tentando melhorá-lo, do que se opor a ele, tentando derrubá-lo.

Junto com a democracia, no modelo de Afif, morre também a política como organização da sociedade para interferir nas políticas de estado. Ela se torna uma arte dos senhores da guerra, daqueles que detêm os instrumentos — porque sempre o detiveram — para intervir. A única forma possível do “ser político” é a adesão.

Aliás, essa constatação não deriva de nenhum voo interpretativo deste escriba. Ele próprio revela ser essa a leitura. Posto diante da pressão para renunciar ao cargo de vice em São Paulo, ele recusa de pronto a hipótese e diz ser isso mera questiúncula da rixa entre o PSDB e o PT, da qual ele não participaria porque, afinal de contas, é um “construtor de pontes”. Assim, desaparecem os partidos e os políticos como reservas ou depositários de valores em torno dos quais a sociedade se organiza.

Ora, é claro que isso é inédito no mundo. E já disse alguém que coisa que não floresceria em nenhum outro solo ou é jabuticaba ou é besteira. Poderia o autor da frase ter oferecido uma terceira hipótese: oportunismo.

Participei certa feita de um longo debate, que avançou por alguns horas, noite adentro. Tentava me convencer o interlocutor de que, na verdade, os “conservadores” é que estão mudando o PT à medida que resolveram ter uma postura colaborativa com o partido, tirando-o da tacanhice esquerdista e empurrando-o para o terreno do pragmatismo.

Dizer o quê? Noto que essa leitura também parte do princípio de que a política morreu — e, portanto, toda divergência seria falta de inteligência. Observo que essa leitura de certa “direita” supostamente pragmática coincide com a extrema esquerda: o PSOL e o PSTU, por exemplo, não pertencem à base do governo porque o consideram, creiam, ou dominado ou muito influenciado pela direta. Leitura que dá razão prática e conceitual tanto à direita como ao PSOL deve estar errada por princípio. E, finalmente, observo que o que interessa nas disputas políticas é saber quem detém a hegemonia do processo, como bem lembrou Gilberto Carvalho quando indagado sobre o apoio de Maluf a Fernando Haddad em São Paulo. E é claro que a hegemonia dessas alianças de gato com rato está com o gato.

Finalmente, noto que nada disso sai barato para o país. Ao contrário: custa caríssimo. Eis aí: temos uma presidente popular, liderando um país emperrado, que tem feito escolhas danosas. Não obstante, ao verificar o tamanho da base governista, a gente tem a impressão de ser governado por uma burocracia de eficiência chinesa, mas liderada por um misto de Schopenhauer com Palas Athena.

A entrevista de Afif, com quem já tive breves e cordiais conversas — é um homem inteligente e nada sei (nem mesmo ouvi falar) que o desabone moralmente —, é uma coleção de despropósitos. Sua visão de mundo, levada ao limite de suas potencialidades, resulta numa ditadura de homens virtuosos.

E toda ditadura é necessariamente viciosa. E a mais viciosa delas é a ditadura do suposto consenso.

Para encerrar
Vejam a foto lá no alto. À frente, o novo ministro; atrás, meio desfocado, o operador desta “nova política”: Gilberto Kassab. O PSD foi o principal beneficiário da decisão do Supremo que garantiu tempo de TV e verba do fundo partidário a novas legendas. Agora que conseguiu o queria, Kassab é um dos patrocinadores do projeto indecoroso que coíbe a formação de novos partidos e quase garante a Dilma o monopólio no horário eleitoral gratuito. Pragmatismo? Nada disso, novo ministro! Trata-se é de um golpe moralmente mixuruca. Pragmatismo não é sinônimo de oportunismo. E para arrematar: ainda que Afif venha a fazer um bem imenso às micros e pequenas empresas, está fazendo um mal imenso à democracia.

Por Reinaldo Azevedo

08/05/2013

às 21:39

Ex-presidente Lula cumpre agenda de chefe de Estado em Brasília

Por Felipe Coutinho, Catia Seabra e Natuza Nery, na Folha:
Em viagem de dois dias à capital federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda típica de chefe de Estado. O roteiro inclui vistoria em obras públicas e audiências com presidentes de outros países, além de encontro com a própria presidente Dilma Rousseff.

Nesta quarta-feira, Lula já era esperado na base aérea pelo governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz ao desembarcar na base aérea de Brasília. De lá, foram ao estádio Mané Garrincha. É o início de uma série de visitas que deve fazer aos estádios da Copa. Na visita, conheceu as dependências do estádio, tirou fotos e conversou com operários da obra. Questionado por um deles se o estádio de Brasília era melhor que o Maracanã, o ex-presidente elogiou a arena da capital, mas disse que a do Corinthians, ainda em construção na zona leste de São Paulo, é melhor.

“Esse estádio [de Brasília] deixa o torcedor mais perto do jogador. A impressão que tenho é que é um pouco mais inclinado e vai permitir que o torcedor esteja mais próximo do jogador. Mas ainda tem muitos outros estádios que eu quero visitar e depois vou fazer uma avaliação. Ainda não está pronto, mas eu penso que o melhor vai ser o do Corinthians”, disse o corintiano Lula, que arrancou algumas risadas.

No fim da tarde, conversou com o presidente do Egito, Mohammed Mursi, que participou de solenidade com Dilma mais cedo. No encontro, de 45 minutos, Lula convidou Mursi para encontro da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) em junho na Etiópia. Amanhã, encontra-se com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Antes, se reunirá com Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2013

às 21:08

Dilma anuncia Afif, do partido de Kassab, para comandar a Secretaria da Micro e Pequena Empresa

Por Felipe Frazão e Gabriel Castro. Na madrugada, comento o fato à luz da geleia geral brasileira.
A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta segunda-feira a escolha do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), para comandar a nova Secretaria de Micro e Pequena Empresa, que tem status de ministério. A posse está marcada para as 10h de quinta-feira. A nomeação de Afif para o ministério é parte da articulação de Dilma para atrair o apoio – na prática, os minutos de propaganda política na televisão – do PSD para sua campanha à reeleição no ano que vem. A bancada do PSD é a quarta maior da Câmara, com 48 deputados. No Congresso, os integrantes das bancadas do partido têm votado com o governo.

Nesta segunda, a presidente havia elogiado publicamente Afif durante a cerimônia de posse Rogério Amato, reeleito presidente da Associação Comercial do Estado de São Paulo. “Queria aproveitar essa cerimônia para homenagear um brasileiro que colocou na pauta do país, na nossa pauta, o apoio às pequenas e microempresas, fazendo com que reconhecêssemos que esta é uma questão estratégica”, disse.

Após aceitar o convite da presidente, Afif conversou com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) sobre sua decisão. Ele afirmou que não pretende renunciar ao cargo, mas se comprometeu a não assumir o Palácio dos Bandeirantes quando Alckmin precisar viajar ao exterior – nesse caso, ele também terá de deixar o país. Na ausência do governador e do vice, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Samuel Moreira (PSDB), chefiará o governo.

“Quero agradecer o governador Geraldo Alckmin pela compreensão com minha nova incumbência e pela missão que muito me honrou, que foi presidir o Conselho Gestor das Parcerias Público-Privadas. Nesta nova jornada tenho certeza de que faremos um grande trabalho de cooperação entre governo de São Paulo e governo federal, pois em nosso estado está o maior contingente das micro e pequenas empresas de todo o Brasil”, afirmou Afif, em nota divulgada na noite desta segunda.

39ª pasta
Com a nomeação de Afif, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, criada em março, passa a funcionar de fato – é o 39º ministério do governo. Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que Afif “tem tido papel relevante em todos os processos que, nos últimos anos, resultaram no estímulo e na valorização das micro e pequenas empresas no país”. A pasta representará gasto anual de 7,9 milhões de reais e terá mais de 60 cargos.

Afif, de 69 anos, foi presidente da Associação Comercial de São Paulo e candidatou-se à Presidência da República em 1989 pelo PL (hoje PR). Na década de 1980, foi secretário da Agricultura de Paulo Maluf no governo paulista. Em 2006, disputou a eleição para o Senado pelo oposicionista DEM, mas acabou derrotado por uma pequena margem de votos por Eduardo Suplicy (PT). Em 2010, pelo mesmo partido, foi eleito vice-governador de São Paulo na chapa do tucano Geraldo Alckmin. No ano seguinte, migrou para o PSD de Gilberto Kassab.

Por Reinaldo Azevedo

30/04/2013

às 4:29

Populismo na veia – Governo concederá subsídio em “kit mobília” para baixa renda

Por Natuza Nery, na Folha:
Quem for beneficiário do Minha Casa, Minha Vida terá direito a financiamento mais barato para comprar móveis, micro-ondas, máquina de lavar, geladeira e fogão. Trata-se de um subsídio exclusivo aos mutuários do programa, bandeira social da presidente Dilma Rousseff. Desde 2012, o governo trabalha para oferecer financiamento com juros menores para famílias de baixa renda adquirirem produtos da linha branca (eletrodomésticos). Agora, segundo a Folha apurou, os ministérios das Cidades e da Fazenda querem conceder subsídio também na compra de móveis, como sofá, guarda-roupas e armários de cozinha. Técnicos do Executivo discutem como colocar de pé linhas de financiamentos mais atrativas ao que é oferecido atualmente pela Caixa Econômica Federal.

O governo avalia duas hipóteses: escalonar o subsídio para móveis e produtos da linha branca, como já é feito no financiamento das unidades habitacionais (três faixas de renda) do Minha Casa, Minha Vida, ou dar o mesmo subsídio a todos os mutuários, independentemente da renda mensal familiar. Lançado em 2009, o Minha Casa, Minha Vida já entregou 1,2 milhão de moradias. Para famílias com ganho mensal de até R$ 1.600,00, o mutuário paga no máximo 5% da sua renda durante dez anos.Para famílias com renda de até R$ 3.275,00, há financiamento com juros reduzidos e subsídio complementar limitado a R$ 25 mil. As duas faixas concentram a maior parte do programa. A terceira faixa foca famílias com ganho mensal superior a R$ 3.275,00, limitado a R$ 5.000. Nessa faixa, os juros são de 7,16%.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2013

às 5:01

Mais sucessos de Erenice, essa batalhadora incansável da eficiência e da ética

Na edição que começou a chegar aos leitores no dia 7 deste mês, VEJA demonstrou que Erenice Guerra voltou com tudo. Esteve em Fortaleza no mesmo dia em que lá despachava a presidente da República, Dilma Rousseff, sua ex-chefe, amiga de fé, irmã, camarada. É tratada por empresários como ministra ainda e tida como poderosa no Planalto.

O Globo também se interessou pelas atividades dessa batalhadora incansável da eficiência e da ética. Leiam trecho da reportagem de Fernanda Krakovics e Danilo Fariello:

Pouco mais de dois anos e meio após ser demitida da Casa Civil em meio a denúncias de tráfico de influência, a ex-ministra Erenice Guerra tem defendido interesses de grandes multinacionais que buscam conquistar negócios junto ao governo federal, inclusive em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O escritório Guerra Advogados, do qual é sócia, está representando empresas do setor de energia. Erenice era consultora jurídica do Ministério de Minas e Energia quando a presidente Dilma Rousseff era titular da pasta.

Ex-braço-direito de Dilma, de quem foi secretária-executiva na Casa Civil no governo Lula, Erenice assumiu o comando da pasta quando a petista saiu para disputar a Presidência em 2010. A ex-ministra foi prestigiada pela antiga chefe mesmo após ser defenestrada do governo Lula. Erenice estava na ala dos convidados especiais do Palácio do Planalto na cerimônia de transmissão da faixa presidencial de Lula para Dilma. Também foi à festa da posse no Palácio do Itamaraty.

Com experiência na administração pública e uma rede de contatos no governo federal, Erenice foi contratada, por meio de seu escritório, pela multinacional Isolux Corsán, com sede na Espanha. Ela atua, por exemplo, em processo administrativo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para rever as condições da concessão de trecho de linhas de transmissão de Tucuruí, sob controle da empresa espanhola.

A Isolux afirmou que contratou o Guerra Advogados e outros dois escritórios de advocacia de Brasília “com atuação administrativa junto à Aneel, para a discussão e o encontro de soluções em relação ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão de linhas de transmissão — Linhão de Tucuruí.” Área que Erenice conhece profundamente.

Na França, está o controlador de outro megaempreendimento do setor elétrico com a participação de Erenice, segundo fontes credenciadas do setor. A ex-ministra atua na disputa de bilhões de reais entre as usinas de Jirau e Santo Antônio pela alteração do nível do Rio Madeira, duas obras do PAC. Ela, segundo essas fontes, presta consultoria para a Energia Sustentável do Brasil (ESBR), que administra Jirau. A ESBR, que é controlada em 60% de suas ações pela francesa GDF Suez, disse que não se pronuncia sobre o tema da reportagem.

Segundo políticos que atuam na área de energia, Erenice está intermediando a negociação para venda de ativos da Petrobras na Argentina. E trabalhando para o grupo argentino Indalo, que fez uma oferta de compra. Procurado, o grupo Indalo não se manifestou. Já a Petrobras disse, em um primeiro momento, que não comentaria o assunto. Duas horas e meia depois, informou desconhecer qualquer ligação de Erenice com o grupo Indalo e esse tema.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2013

às 4:55

STF deve vetar lei pró-Dilma, prevê governo

Por Renato Andrade e Valdo Cruz, na Folha:
O governo Dilma reconhece reservadamente que o projeto de lei que inibe a criação de partidos pode ser derrubado no Supremo Tribunal Federal (STF) caso venha a ser aprovado no Congresso. A discussão da proposta foi suspensa no meio da semana passada por uma decisão provisória do ministro do Supremo Gilmar Mendes. Para interlocutores do Palácio do Planalto, a tendência do tribunal é considerar a lei inconstitucional.

A proposta tira das novas siglas a possibilidade de amplo acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV, dois elementos fundamentais para o funcionamento dos partidos. Com apoio velado do Planalto, mas sustentada de forma aberta por PT e PMDB, a medida passou na Câmara e está parada no Senado. A aprovação da lei prejudicaria o movimento da ex-senadora Marina Silva, que corre para criar a Rede Sustentabilidade para disputar as eleições presidenciais de 2014.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2013

às 19:36

BC projeta inflação ainda mais distante da meta em 2014

Da VEJA.com:
Depois de ter perdido a chance de controlar a inflação em 2013, o Banco Central está alerta para o risco de alta dos preços no ano que vem. É o que indica a ata da reunião em que os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiram elevar a taxa básica de juros a 7,5% ao ano, na semana passada. O documento, divulgado nesta quinta-feira, mostra que a decisão de elevar a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual tem como objetivo neutralizar os riscos de alta da inflação, principalmente em 2014. Segundo as projeções do Copom, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode se distanciar ainda mais da meta no ano que vem.

Mesmo considerando o cenário de referência, que leva em conta dólar a 2 reais e taxa Selic a 7,25% ao ano, o BC admite que, para 2014, “a projeção de inflação aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de março e se encontra acima do valor central da meta”. A ata mostra que a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) no cenário de mercado passou de 5,50% para 5,70% em 2014, enquanto que, em 2013, desacelerou para 5,68% ante 5,7% em março.

O Copom também avalia que “o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária”. Diante disso e da perspectiva de um cenário externo nebuloso, o BC ainda pondera que é necessário cautela. “O Comitê pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela”.

O tom do discurso deve levar os economistas a apostarem em continuidade da alta da Selic, mas em ritmo menor. Eles já haviam revisado sua previsão para a taxa básica de juros após a decisão do Copom. O relatório Focus de segunda-feira mostrou que os analistas consultados pelo BC esperam agora que o ano termine com a Selic em 8,25% e não mais 8,5% como estavam prevendo até então. Ainda assim, em sua ata, o Copom prevê uma melhora no crescimento econômico do país tanto em 2013 quanto em 2014.

O BC também admitiu que, a despeito do poder que têm as políticas macroeconômicas de mudar a trajetória dos preços, é a política monetária que deve ficar “vigilante” para “garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos”.

A decisão de elevar em 0,25 ponto porcental (p.p.) os juros básicos na semana passada contou com os votos de seis diretores, de acordo com a ata. A Selic, então, passou para 7,5%. Dois membros do BC queriam a manutenção dos juros básicos. Votaram pela elevação da taxa Selic: Alexandre Antonio Tombini (presidente do BC e do Copom), Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. Votaram pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a.: Aldo Luiz Mendes e Luiz Awazu Pereira da Silva.

Cenário

Em sua ata, o Copom manteve as projeções já apresentadas em março para o comportamento de preços de todos os itens monitorados ou administrados pelo governo e que constam do documento. A projeção de reajuste no preço da gasolina para 2013, por exemplo, foi mantida em 5%. Para a tarifa residencial de eletricidade, a expectativa é de um recuo de aproximadamente 15% este ano já levando em conta reajustes e revisões de preços assim como reduções de encargos setoriais anunciadas pelo governo.

O BC ponderou que, apesar de limitações da oferta, o ritmo da atividade doméstica se intensificou no primeiro trimestre e destacou que informações recentes apontam para a retomada do investimento e para uma trajetória de crescimento, “no horizonte relevante”, mais alinhada com o crescimento potencial.

Na avaliação do Comitê, a demanda doméstica continuará a ser impulsionada pelos efeitos defasados de ações de política monetária implementadas recentemente. Também auxiliará nesse processo a expansão moderada da oferta de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2013

às 4:01

Primeiro escalão de Dilma utiliza jatinhos da FAB em viagens de agenda ‘maquiada’

Por Débora Bergamasco, Fábio Fabrini e Mariângela Gallucci, no Estadão:

Integrantes do primeiro escalão da presidente Dilma Rousseff usam jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) para viagens de agenda “maquiada”, onde misturam compromissos oficiais e eventos não relacionados às suas atividades no governo. Também recorrem às aeronaves privê para voltar para casa no fim de semana, quando poderiam optar por voos comerciais disponíveis nos mesmos horários.

Em pouco mais de dois anos de governo Dilma, os voos em jatinhos do primeiro escalão somam uma distância equivalente a dez vezes o caminho de ida e volta à Lua. Foram 5,8 mil voos, com custo estimado de R$ 44,8 milhões, segundo cálculo feito pelo professor Fernando Martini Catalano, chefe do Departamento de Engenharia Aeronáutica da USP em São Carlos, a pedido do Estado – a FAB não divulga o número por considerá-lo “estratégico”. No início do mandato, Dilma recomendou parcimônia no uso dos jatinhos. Isso não impediu que os pousos e decolagens aumentassem 5% de 2011 para 2012 e o tempo de voo crescesse 10%.

O decreto presidencial 4.244, de 2002, define as prioridades de utilização das aeronaves: emergências de segurança ou médica têm preferência. Depois, vêm as viagens a serviço. Recorrer ao táxi aéreo público para deslocamento às residências nos Estados aparece apenas como terceiro item de prioridade de uso.

São 18 aeronaves à disposição de ministros, vice-presidente da República e presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal. Dilma tem dois jatos, exclusivos da Presidência.

Agendas. O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, recorreu a um Embraer ERJ 145, com capacidade para ao menos 36 passageiros, para visitar, em 22 de agosto de 2011, uma segunda-feira, o ex-presidente Lula no Instituto Cidadania, em São Paulo. A preços de hoje, a viagem nessa aeronave custaria cerca de R$ 6,6 mil, ante R$ 700 em trecho de carreira, cotado, para o mesmo horário, com três dias de antecedência. Apesar de estar entre as atribuições da AGU cuidar de casos envolvendo ex-presidentes, a agenda oficial de Adams não registrou o evento.

O então ministro da Educação, Fernando Haddad, também participou do encontro com Lula. Discutiu sua futura candidatura à Prefeitura de São Paulo. Ele havia chegado ao interior de São Paulo, também de jatinho público, na sexta-feira anterior para eventos do governo em São José dos Campos. Justificou sua permanência na capital paulista dizendo que teria de dar uma entrevista, como ministro, a uma rádio na segunda-feira. Horas depois estava com Lula falando da eleição municipal.

Vice
Em 16 de janeiro deste ano, o vice-presidente Michel Temer, chefe do PMDB, solicitou um Embraer ERJ 135 para decolar de Brasília para São Paulo, às 18h. Na manhã seguinte, passou o dia a serviço do partido, negociando a candidatura do deputado peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN) ao comando da Câmara. À noite, participou de jantar de apoio ao parlamentar num restaurante dos Jardins. “É a vez do PMDB”, disse o vice-presidente no evento. Sua agenda não registra nenhuma tarefa de governo na data.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

12/04/2013

às 19:45

Serra: Três motivos para Lula entrar no Guinness Book e o Brasil no chão

José Serra, ex-governador de São Paulo, pode se preparar para a artilharia petista. Ele participou, nesta sexta, do seminário “A esquerda que pensa o Brasil”, promovido pelo PPS. Ontem, quem falou no mesmo evento foi os senador Aécio Neves (PSDB-MG). Serra bateu firme no governo Dilma e, à diferença de algumas análises que andam por aí (inclusive no PSDB), ele não o coloca em contradição com a herança lulista; ao contrário: vê os desacertos da economia sob a gestão Dilma como desdobramentos lógicos de opções feitas antes. E eu acho que ele está correto. Haver diferenças de operação aqui e ali não significa mudança de rumo.

O tucano afirmou que o governo está no chão e que a eventual reeleição de Dilma implica descer além desse limite. Afirmou também que Lula merecer entrar para o Guinness Book por três motivos. Leiam o que informa Erich Decat, na Folha:

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) defendeu nesta sexta-feira (12) a união das forças de oposição ao governo Dilma Rousseff e declarou que trabalhará por essa unidade na disputa presidencial de 2014.

“Eu vou trabalhar para que essas forças estejam agrupadas”, disse. “Se será em torno de um ou mais candidatos, é uma decisão para depois”, referindo-se a uma possível candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), além de Aécio Neves (PSDB), o nome mais cotado para representar os tucanos. Serra afirmou que vai apoiar a candidatura de Aécio à presidência do PSDB. “Claro que apoiarei”, afirmou. Sobre a candidatura do mineiro para a Presidência da República, entretanto, disse apenas que era “um bom nome”.

Questionado se poderá voltar a concorrer em 2014, o tucano negou a possibilidade. “Não disse isso. Disse que estou a disposição para o trabalho de união e acho que tenho credencial para isso”, disse Serra, que foi derrotado na eleição passada para presidente pela petista Dilma Rousseff.

Em uma referência velada ao governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, Serra considerou que uma das melhores estratégias da oposição para vencer Dilma no próximo ano é atrair integrantes da base aliada.

“[Para] ganhar eleição, somar, ter um movimento vitorioso, nós precisamos trazer gente que está no outro lado. Isso é essencial”, afirmou o tucano, que também defendeu que a hipótese de múltiplas candidaturas é a mais plausível para se vencer no próximo ano.

Herança
Ainda em clima de campanha, Serra disparou críticas contra a condução do governo Dilma, que, segundo ele, deixará uma das heranças mais adversas já vivenciadas no país.

“Vamos encontrar um país no chão. Essa é a realidade. Imaginem se tem a reeleição [de Dilma], ai realmente vai ser abaixo do nível do chão”, ironizou. “Foi torrada toda a bonança externa que o Brasil teve no período Lula. Foi torrada em desperdício, em consumo, a custa, alias, da própria produção nacional”, acrescentou.

Serra também fez críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar que o petista poderia ser incluído no Guinness Book, o livro dos recordes. “Por três motivos: ele tem origem operária, mas trouxe a desindustrialização, acabou com a indústria; defendia o nacionalismo, mas acabou com a Petrobras; e, num momento de bonança externa, provocou a estagnação da economia no Brasil”, resumiu.

Por Reinaldo Azevedo

07/04/2013

às 6:33

Erenice, ex-braço-direito de Dilma, demitida por causa de lambanças da Casa Civil, está de volta. E continua poderosa! Ninguém vaia, ninguém protesta, ninguém dá selinho…

Erenice, demitida da Casa Civil depois de um escândalo, torna-se poderosa lobisa e já segue agenda de Dilma (foto: Dida Sampaio/13.07.2010/Estadão Conteúdo)

No Brasil em que um deputado evangélico se transforma no inimigo público nº 1 da imprensa e dos descolados — ele pode não ser a voz de Deus, mas os que querem linchá-lo não são a voz do povo! — porque é contra o casamento gay (“Oh! Como pode? Que escândalo!”), os que trataram e tratam os cofres públicos como se fossem assunto privado não têm com que se preocupar. Vejam lá João Paulo Cunha e José Genoino, condenados e cassados (questão de tempo), na Comissão de Constituição de Justiça. São tratados pelo jornalismo como príncipes, como pensadores. Setenta e três milhões de reais só do Banco do Brasil foram para o ralo dos larápios. Mas Genoino diz que não houve dinheiro público naquela sem-vergonhice. Nem Ricardo Lewandowski acreditou. Assim, não é de estranhar que Erenice Guerra — ex-braço-direito da então ministra Dilma e depois ela própria chefe da Casa Civil, demitida na esteira de um escândalo — esteja de volta. E mais poderosa do que nunca!

Reportagem publicada na edição de VEJA desta semana mostra que Erenice montou um escritório de lobby numa mansão de Brasília, desfila num carrão avaliado em R$ 200 mil, reúne-se com empresários e agentes públicos e continua, atenção!, INFLUENTE NO PALÁCIO DO PLANALTO. Mais do que isso: ela lida também com questões que dizem respeito à campanha eleitoral de 2014.

Não é a primeira que foi defenestrada do governo e que volta com força. Dilma devolveu os ministérios do Trabalho e dos Transportes a prepostos dos ex-ministros Carlos Lupi e Alfredo Nascimento, respectivamente. Os dois saíram do governo tangidos por escândalos. Como Dilma quer contar com o PDT e com PR na eleição do ano que vem, como quer o seu tempo de TV, fez o que estava a seu alcance para contentar as duas legendas: entregou-lhes cargos públicos; deu-lhes uma fatia da administração. Eles, naturalmente, ficaram gratos, vão apoiar a campanha pela reeleição de Dilma e dirão que o fazem em defesa do povo.

Como só um homem mexe com o senso de justiça da imprensa — Marco Feliciano! —, essas negociações, assim, meio pornôs no que respeita à moralidade pública, foram feitas a céu aberto. Ninguém espera que o PDT ou o PR apresentem uma bula de princípios éticos para Dilma, não é mesmo?

Com Erenice, no entanto, é um pouco diferente. Ela não tem votos no Congresso nem tem minutos na TV. Mas, pelo visto, tem um lugar no coração de Dilma. Na Casa Civil, conheceu as entranhas do Palácio. Voltou, assim, meio nas sombras, mas atuando já nas altas esferas. Leiam trechos da Reportagem de Rodrigo Rangel e Adriano Ceolin. Volto em seguida.
*
Braço-direito de Dilma no governo passado, Erenice foi demitida em setembro de 2010, duas semanas antes da eleição, depois de VEJA revelar que ela integrava um bem articulado esquema de corrupção montado no Palácio do Planalto. Com a vitória de Dilma, reconstruiu a carreira longe dos holofotes. Hoje, ela atua como lobista de sucesso – que recebe em seu escritório autoridades de primeiro escalão para negociar projetos bilionários — e participa até mesmo das articulações eleitorais em curso. Na semana passada, Erenice esteve em Fortaleza com Dilma e a comitiva da presidente, que cumpriu agenda oficial na cidade. Erenice se hospedou no mesmo hotel reservado para a equipe presidencial e agiu como se ainda fosse, formalmente, uma das estrelas do time. Ela conversou com políticos e cobrou deles empenho na campanha pela reeleição da petista. Apresentou-se sempre como uma interlocutora do Planalto e quis saber quem simpatizava com Eduardo Campos (PSB), o aliado que pode virar adversário na corrida presidencial. Há mais do que mera lealdade à amiga Dilma nesse tipo de trabalho. Há. isso sim, uma boa dose de estratégia comercial. Erenice ganha para fazer lobby de interesses privados junto ao governo do PT, no qual tem uma extensa rede de contatos.

No Ceará, a ex-ministra teve uma audiência com o vice-governador Domingos Filho (PMDB) para tratar de um projeto de exploração de energia solar tocado no estado pelo empresário Eike Batista. Mas a base de operações dela é mesmo em Brasília, numa luxuosa casa no Lago Sul, um dos endereços mais exclusivos da capital. Ali, funciona o escritório Guerra Advogados Associados, que Erenice mantém em sociedade com os irmãos. O escritório é de advocacia apenas no nome. Erenice não aparece como advogada em nenhum processo novo sequer, nem na Justiça local nem nos tribunais superiores de Brasília. Não sem razão. A especialidade da casa é outra: fazer lobby. Utilizando-se das boas relações que tem no governo federal e entre políticos petistas e de partidos aliados, Erenice bajula e é bajulada por autoridades — de senadores da República a funcionários do alto escalão do governo — e fecha negócios valiosos envolvendo o setor público. Na quarta-feira, ela recebeu o secretário executivo do Ministério da Previdência, o petista Carlos Gabas. “Foi um almoço de amigos. Conversamos sobre a vida e o que estamos fazendo para manter nossa sanidade mental”, disse Gabas, que chegou ao escritório em carro oficial e é quem manda de fato na pasta. “Até onde eu sei, nada foi provado contra ela.” Não é bem assim.

No Ministério Público, após uma investigação sumária e repleta de falhas, o procedimento destinado a apurar as peripécias da ex-ministra de fato foi arquivado. Mas um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), órgão do próprio governo, acusou Erenice de irregularidades graves quando esteve no comando da Casa Civil. Entre elas, ter usado o cargo para viabilizar negócios de empresas que contratavam os serviços de consultoria de seu filho Israel. Erenice agiu ainda para favorecer a Unicel, companhia de telefonia que tinha seu marido, José Roberto Camargo, como representante. Esse lobby rendeu frutos num primeiro momento, mas o grande negócio — que era a venda da Unicel para a Nextel – foi barrado pela Anatel depois de revelado por VEJA.

(…)

Voltei
Este blog publicou com exclusividade, no dia 1º de novembro do ano passado, a operação que havia sido montada para vender a Unicel, uma empresa falida, à Nextel. Curiosamente, informei então, coisas desse fantástico mundo das coincidências em que transitam os petistas, a Nextel estava sendo beneficiada por uma decisão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que tinha tido o dedo — ou a mão inteira — de Erenice. A operação de compra e venda transitava na surdina. Revelada, a Anatel teve de intervir e impediu a operação. Legalmente ao menos, com certeza, ela não se realizou…

Encerro
Convenham, não é? O Brasil tem coisas mais importantes e urgentes, como punir as pessoas por delito de opinião.

Texto publicado originalmente às 4h05 deste domingo

Por Reinaldo Azevedo

05/04/2013

às 16:28

“O céu do meu Brasil tem mais estrelas, lará-lá-la; o sol do meu país, mais esplendor, lará-lá-la…”

O lulo-petismo, por intermédio agora da Comissão da Verdade, nomeada por Dilma, tenta caminhos para promover a revanche com o regime militar, quase 50 anos depois de instalado. Já escrevi e reitero: imaginem se, em 1995, em vez de cuidar do Plano Real, FHC tivesse se empenhado em se vingar de Getúlio Vargas…

Os petistas querem alimentar a revanche, mas é impressionante a forma como mimetizam a parte mais cafona do regime militar: a patacoada do Brasil Grande, do “ninguém segura este país”.

Em 1970, a dupla Dom e Ravel, cuja obra acabou adotada pela ditadura, compôs a música “Eu te amo, meu Brasil”. Era, na verdade, uma marcha militar. A gravação que fez mais sucesso foi a do grupo “Os Incríveis”, que acrescentaram um caco à letra: “Escola, marche!”. Segue um vídeo que está no Youtube. Volto depois.

Voltei

Muito bem! Dilma resolveu refletir sobre o Brasil grande nesta sexta. A música de Dom e Ravel é de 1970. O Brasil havia acabado de ganhar a Copa do Mundo, tornando o único tricampeão. Entre 1968 e 1973, a taxa média de crescimento do país ficou acima de 10%. No ano passado, crescemos abaixo de 1%, mas o que importa é a mística, né? Segundo Aloizio Mercadante, o PIB não tem muita importância… Segue texto publicado na VEJA.com. Volto para encerrar.

Brasil é “insuperável dentro e fora de campo”, afirma Dilma

A presidente Dilma Rousseff se empolgou ao dar o pontapé inicial na inauguração da Arena Fonte Nova, em Salvador, nesta sexta-feira. Em tom ufanista, Dilma ignorou os atrasos nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e disse que o Brasil está provando que tem não apenas o melhor futebol do mundo, mas também a melhor organização de grandes torneios. “Somos um país conhecido por ser insuperável no campo, mas estamos mostrando que somos insuperáveis também fora de campo”, discursou. A inauguração da nova versão do mais tradicional estádio baiano é, para Dilma, sinal de que “estamos dando um passo importante para transformar a preparação da Copa do Mundo em um legado para o país”. Dilma fez uma rápida vistoria nas instalações antes da cerimônia de inauguração, que contou com a presença dos operários envolvidos na construção.

O estádio baiano deverá receber três jogos da Copa das Confederações, em junho deste ano, e outros seis na Copa do Mundo, em 2014. A presidente estava acompanhada do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, do governador da Bahia, Jaques Wagner, além do prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto. O primeiro jogo da Arena Fonte Nova acontecerá no domingo e reunirá os dois principais times do estado: Bahia e Vitória. Salvador é a terceira cidade-sede a ter seu estádio inaugurado para a Copa das Confederações – as outras são Fortaleza (Castelão) e Belo Horizonte (Mineirão). As obras na capital baiana começaram em junho de 2010 e incluíram a demolição do antigo estádio, a construção de uma nova arena e a criação de um novo edifício garagem. A Arena Fonte Nova tem capacidade para 55.000 pessoas. O empreendimento foi realizado por meio de uma parceria público-privada entre o governo e uma concessionária formada pelas empresas Odebrecht e OAS.

Concluo
Os petistas ainda vão reeditar o lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Atenção! A rede suja da Internet já faz isso. Todos os dias, chegam a este blog centenas de mensagens conclamando este jornalista a deixar o Brasil: “Já que você não gosta do nosso (?) país, por que não vai embora?”.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2013

às 5:41

Quem manda – Empreiteiras levam reclamação a Lula, e Dilma muda taxa de lucro para grandes obras

Por Valdo Cruz e Dimmi Amora, na Folha:
Pressionado pelas empresas, o governo Dilma Rousseff cedeu e não vai mais limitar a 5,5% ao ano a taxa interna de retorno dos investimentos nos projetos de concessão de rodovias ao setor privado. “A taxa de retorno de 5,5% nos projetos de rodovias não existe mais, foi calculada com base em estudos ultrapassados”, disse à Folha o ministro Guido Mantega (Fazenda) por meio de sua assessoria.

Segundo a Folha apurou, a expectativa, agora, é que haja uma taxa de retorno específica para cada projeto de concessão, mas sempre superior a 5,5%. Os empresários defendem pelo menos 8%. Nos últimos dias, pelo menos três empreiteiras avisaram o Palácio do Planalto que não iriam participar dos leilões, previstos para julho, caso a taxa interna de retorno continuasse em 5,5%.

A principal reclamação dos empresários, repassada ao ex-presidente Lula e com quem a presidente Dilma se reuniu ontem em São Paulo, é que o governo queria tabelar a taxa de retorno, o que iria afugentar os investidores das licitações. Os estudos dos sete trechos de rodovias, com previsão de leilão em julho, foram feitos com base na taxa de retorno de 5,5% fixada pelo Tesouro. Ou seja, essa seria a taxa usada nos parâmetros do edital de licitação e que foi alvo de protestos dos empresários.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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