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Governo Dilma

24/04/2015

às 6:14

Haddad recorre à Justiça contra o governo Dilma. A boa notícia: é o PT se desmanchando

Pois é… Até petista já está tentando tirar uma casquinha da impopularidade da presidente Dilma Rousseff. É o caso, por exemplo, do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Não que ele esteja, digamos, de bem com o povo, mas sabem como é… Brigar com a governanta, hoje em dia, pode render alguns pontinhos de admiração. Por que digo isso?

Haddad — petista como Dilma, prefeito da maior cidade do país e eleito com o apoio da presidente — decidiu recorrer à Justiça contra o governo federal para obrigá-lo a cumprir lei aprovada pelo Congresso no ano passado que renegocia — e reduz drasticamente — a dívida de Estados e municípios. A ação foi protocolada nesta quinta na Justiça Federal de Brasília.

Muito bem! O imbróglio é dos bons. O PLC (Projeto de Lei Complementar) 99/2013, que muda o indexador, é, originalmente, de inciativa do Executivo. O relator da proposta na Câmara foi o então líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), hoje presidente da Casa. Depois de sólido entendimento celebrado com o governo, ficou estabelecido que a indexação da dívida seria feita pelo IPCA ou pela taxa Selic (o que for menor) mais 4% ao ano, não pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) mais juros de 6%, 7,5% ou 9% ao ano (a depender do caso), como se faz desde 1997, quando as dívidas foram renegociadas pelo governo federal. Dilma sancionou a lei em novembro do ano passado.

Sancionou, mas não pôs em prática. Há exatamente um mês, a Câmara aprovou um projeto que dava 30 dias para o governo regulamentar e executar a nova lei. O texto seguiu para o Senado. Joaquim Levy entrou na parada e convenceu boa parte dos senadores de que o prudente seria pôr em prática a lei só a partir de 2016. A matéria continua parada na Casa.

Muito bem! Haddad vai disputar a reeleição no ano que vem. Precisa de dinheiro. Já percebeu que as generosidades com que Dilma acenou para a cidade de São Paulo não se cumprirão. Então fez o quê? Seguiu os passos do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e também recorreu aos tribunais.

Se for bem-sucedido, o prefeito espera economizar R$ 1,3 bilhão neste ano. O estoque da dívida da cidade também seria drasticamente reduzido: de R$ 62 bilhões para R$ 36 bilhões. A Prefeitura vinha negociando com Levy alguma forma de diminuir o impacto da dívida, mas as conversas não prosperaram.

É evidente que, em outros tempos, um petista que administra a maior cidade do país não recorreria à Justiça contra o governo federal, estando lá um “companheiro” — no caso, companheira. O petismo, no entanto, está se desconstituindo. Se, a exemplo do Rio, a cidade de São Paulo também for bem-sucedida, outros entes baterão às portas dos tribunais.

Haddad está pensando na disputa eleitoral do ano que vem. Sua popularidade não é muito melhor do que a de Dilma, e ele não tem tempo para pensar nela. Sabe, ademais, que os cofres do governo federal estão vazios. Decidiu apelar à Justiça em busca de dinheiro.

Isso que vocês estão vendo é o PT se desmanchando. Essa é a boa notícia.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 5:05

Dilma estuda agora terceirizar o estímulo ao panelaço!!!

Pois é… A presidente Dilma já terceirizou a economia. Está com Joaquim Levy. Está se esforçando para terceirizar a coordenação política: o vice, Michel Temer, tenta tomar pé da questão. Não por acaso, a revista “The Economist”, por exemplo, afirma que ela está no poder, mas não governa. Às vésperas do Primeiro de Maio, o Palácio estuda outra terceirização: o alvo do panelaço.

Explica-se: seus conselheiros, informa a Folha, avaliam que ela não deve fazer o tradicional pronunciamento em homenagem ao Dia do Trabalho — que nunca foi usado, diga-se, para tal fim; sempre serviu à politicagem. Como esquecer que, no ano passado, já na reta da eleição, ela foi à TV para anunciar um reajuste de 10% no Bolsa Família. Mas voltemos ao ponto.

O temor é que o pronunciamento provoque um novo panelaço. Aliás, convenham, não é preciso ser muito bidu para chegar a essa conclusão. É o que fatalmente vai acontecer. Aconselham a governanta a ficar longe da TV o marqueteiro João Santana, o ex-presidente Lula e o ministro da Secretaria de Comunicação, Edinho Silva. Dilma ainda não tomou a decisão. Teimosa como é, talvez queira falar. E, aí, haja panela velha para fazer a percussão da cidadania, né?

Uma das possibilidades em estudo é pedir que algum ministro fale em seu lugar. Huuummm… Talvez Manoel Dias, do Trabalho. Como não é um petista e como quase ninguém o conhece, talvez as pessoas escolham fazer outra coisa em vez de bater panelas.

É claro que a situação é um pouco humilhante para Dilma, mas é evidente que, por enquanto, para ela, o silêncio é o melhor discurso.

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2015

às 23:26

O HOSPÍCIO PETISTA – UMA RESOLUÇÃO ALOPRADA

O PT divulgou uma resolução absolutamente aloprada nesta sexta. Leiam abaixo a íntegra do documento. Voltarei a ele mais tarde. Aí está a evidência de por que não existe, para Dilma, saída virtuosa da crise.

*
RESOLUÇÃO POLÍTICA

O País assiste há semanas uma escalada das forças conservadoras. Esse movimento, de profundo caráter reacionário, se estende das instituições à disputa das ruas, da batalha de ideias e informações à manipulação de investigações policiais, da agenda econômica aos direitos civis. Seu propósito é indisfarçavel: derrotar a administração da presidenta Dilma Rousseff, revogar conquistas históricas do povo brasileiro e destruir o Partido dos Trabalhadores.

Esta ofensiva engloba os interesses políticos e de classe dos setores que perderam o comando do Estado em sucessivas batalhas eleitorais desde 2002, mas agora rearticulados para interromper o processo de mudanças iniciado pelo ex presidente Lula. Para tanto, tentam impor seu programa ao governo e ao país, banir a esquerda como alternativa de poder e criminalizar os movimentos sociais.

A oposição de direita, liderada pelo PSDB, busca fundir sua tática à ação dos grupos reacionários de caráter extraparlamentar, responsáveis pela convocação das camadas mais abonadas à mobilização contra o mandato constitucional da presidenta Dilma Rousseff. Cada dia fica mais clara a intenção golpista dessa política, encarnada por politicos aventureiros e bacharéis de plantão, que ensaiam processo de impeachment sem qualquer base jurídica ou legal.

A maioria conservadora no parlamento empenha-se na aprovação de contra-reformas que retiram direitos dos trabalhadores, preservam mazelas do atual sistema político e impõem retrocesso a avanços com relação a direitos civis, políticos e sociais. Além do caráter regressivo dessas medidas, revela-se a intenção de emparedar o governo e deixá-lo de mãos atadas em momento de gravidade da situação nacional.

Importantes empresas de comunicação, que efetivamente exercem o monopólio da produção e veiculação de informações, ocupam a linha de frente da empreitada restauradora. Abertamente, comandam a onda reacionária, estimulam o terrorismo econômico, convocam a ocupação das ruas contra o governo e procuram criar clima de condenação moral contra o PT a partir de notícias distorcidas sobre investigações de corrupção na Petrobrás. Corrupção nunca dantes combatida como nos governos do PT, que deve ser enfrentada implacavelmente nos marcos do Estado de Direito, mas não de forma seletiva, facciosa e espetaculosa. Por isso é que também exigimos a mais ampla e transparente investigação dos episódios envolvendo o HSBC e a chamada Operação Zelotes, de combate à corrupção e à sonegação fiscal.

Não faz parte da nossa história, da nossa tradição democrática, de nossa ética pública e de nossa prática na democracia brasileira a convivência e a conivência com a corrupção. Se algum dirigente ou filiado praticou corrupção não foi em nome dos petistas. E, se comprovadamente algum filiado incorreu em corrupção será expulso.

O PT liderou entre 2003 e 2014 as maiores e mais importantes iniciativas no combate à corrupção na história brasileira mais recentemente a Presidenta Dilma sintetizou e propôs ao parlamento cinco novas propostas que buscam cercar a impunidade dos corruptos no Brasil. Daí porque o PT luta pelo fim do financiamento empresarial das eleições, que renova na base os circuitos da corrupção no Brasil.

Ao mesmo tempo que lutamos pelo fim do financiamento empresarial decidimos que os Diretórios Nacional, estaduais e municipais não mais receberão doações de empresas privadas, devendo essa decisão ser detalhada, regulamentada e referendada pelos delegados(as) ao 5º. Congresso Nacional do PT.

O Partido revitalizará a contribuição voluntária, individual dos filiados, filiadas, simpatizantes e amigos. Tais definições são coerentes com nosso Estatuto, segundo o qual “arrecadação básica e permanente do Partido é oriunda de seus próprios filiados”. Ao mesmo tempo, condizem também coerentemente com a nossa defesa de uma reforma política democrática que ponha fim à interferência do poder econômico nas decisões políticas.

A prisão do companheiro João Vaccari, nas condições em que ocorreu, demonstra que o clima de ódio e revanche envolve também fatias da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário. Vamos assistindo, aos poucos, a transformação de indispensável processo de apuração e punição, relativo a desvios na principal estatal brasileira, em espetáculo de atropelos legais, politicamente manipulado a serviço das forças antipetistas. Mais que tudo, conforma-se um embrião de estado de exceção, violador dos mais elementares direitos fundamentais, cuja existência indigna, enoja e ofende a consciência democrática do País. E, por isso mesmo, antes que prospere, exige resposta corajosa da nossa militância.

O Partido dos Trabalhadores, diante deste cenário, concentrará o melhor de suas energias para construir, ao lado de outras correntes progressistas, junto com movimentos do campo e da cidade, uma frente político-social para a defesa da democracia, das pautas dos trabalhadores e das reformas estruturais.

Um novo pacto do campo democrático-popular é indispensável para disputar as ruas e as instituições contra o bloco conservador.

O Partido dos Trabalhadores reafirma que o programa para a unidade popular deve ter como eixos básicos a reforma política, com proibição do financiamento empresarial de campanhas; com a firme defesa dos direitos humanos com a criminalização da homofobia e a rejeição da PEC 215, que versa sobre a transferência da FUNAI para o Legislativo da responsabilidade pela demarcação das terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação; bem como da PEC 371, que pretende reduzir a maioridade penal; a defesa da Petrobrás e do regime de partilha e de conteúdo nacional; a reforma tributária de caráter progressivo, com adoção de impostos crescentes sobre renda, patrimônio e
ganhos financeiros; a democratização dos meios de comunicação, com o restrição dos monopólios de mídia; a expansão da reforma agrária; uma reforma urbana, com investimentos em mobilidade, moradia e saneamento; a adoção de um amplo programa de ampliação e melhoria dos serviços públicos.

Diante da tramitação da contra-reforma política (PEC 352), o PT reafirma sua posição congressual – em defesa de uma Assembléia Constituinte Exclusiva e Soberana, do financiamento público exclusivo, do voto em lista com paridade de gênero e da participação popular – e de sua objeção à constitucionalização do financiamento empresarial.

O Partido dos Trabalhadores apoia o empenho da presidenta Dilma Rousseff para enfrentar os problemas fiscais do Estado brasileiro, mas considera vital que a política econômica esteja voltada para impedir que os efeitos desse ajuste recaiam sobre as costas dos trabalhadores e tenham caráter recessivo. O Diretório Nacional, nesse sentido, considera fundamental o mais amplo diálogo do governo com a sociedade (sobretudo com os movimentos sociais e centrais sindicais).

O DN também orienta nossas bancadas no Congresso Nacional, que já vêm trabalhando nessa direção, a ajudar no aprimoramento das medidas propostas pelo Ministério da Fazenda, a partir do princípio de que o custo de retificação das contas públicas deve ser assumido pelos mais ricos. A este respeito orientamos todas nossas bancadas nos estados e municípios a serem porta-vozes desta política.

O Partido dos Trabalhadores considera que a principal batalha da conjuntura é a que está sendo travada contra o Projeto de Lei nº 4330, que expande a terceirização do trabalho para todas atividades econômicas, e se constituiu em um dos principais núcleos da política neoliberal. Sua aprovação definitiva representaria o mais rude golpe contra a classe trabalhadora desde a consolidação dos direitos trabalhistas em 1943. O Diretório Nacional recomenda, assim, que os parlamentares petistas continuem seu trabalho de resistência contra essa medida, buscando unidade com representantes de outros partidos, para impedir a aprovação deste projeto de lei.

O Diretório Nacional também considera fundamental a ampliação da mobilização sindical e popular contra a terceirização, nas ruas e nas redes, até que a pressão seja suficiente para estabelecer nova relação de forças nas duas casas legislativas.

A militância petista, em suas entidades ou através dos diretórios partidários, nos locais de estudo e trabalho, deve participar ativamente da organização e realização de todas as jornadas de luta convocadas pela CUT e demais organizações sindicais. Sobretudo, o engajamento e participação no 1o. de Maio unificado em todo o País, em defesa dos direitos da classe trabalhadora e da democracia. É um momento de cada diretório e núcleo do PT se organizarem para realizar discussões sobre a conjuntura e preparar cada militante para o debate e ação política.

É também o momento da militância participar das conferencias nacionais convocadas pelo nosso governo.

O Diretório Nacional conclama a presidenta Dilma Rousseff a assumir o papel de liderança na campanha contra a terceirização, como já tem agido na disputa contra a redução da maioridade penal, ao mesmo tempo que recomenda o veto presidencial caso o projeto de lei 4330 venha a ser acolhido pelo parlamento.

O Partido dos Trabalhadores reafirma apoio firme e decidido ao governo da companheira Dilma Rousseff, ressaltando que continuará, dentro do gabinete de coalizão, a representar os interesses das camadas populares e suas aspirações por mudanças. O Diretório Nacional convoca todos os companheiros à enérgica mobilização contra os agrupamentos empenhados em virar a mesa do jogo democrático e regredir ao modelo neoliberal.

O Diretório Nacional, ciente da necessidade de uma profunda avaliação sobre a orientação política praticada desde o governo Lula e da urgência de uma ampla reflexão sobre os desafios para a continuidade das reformas, conclama todos os militantes e amigos do PT ao máximo empenho nos debates do 5º Congresso Nacional e a transformá-lo em um grande momento de reafirmação da identidade e do vigor do principal partido da esquerda brasileira.

São Paulo, 17 de abril de 2015
Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores”

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2015

às 6:51

MINHA COLUNA DA FOLHA: “Governo fora das leis”

Leiam trechos:

A gente percebe a escalada da crise quando se estreita a distância entre um pico de tensão e outro.
(…)
Na terça, dia 14, Leandro Colon, desta Folha, detonava a bomba: a Controladoria Geral da União (CGU) amoitou informação e provas de que a SBM havia pagado propina a funcionários da Petrobras.
(…)
Raiou o dia 15, e lá estava na cadeia João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT. Há pouco mais de dois meses, ele e Dilma compareceram a um mesmo evento, aplaudindo os 35 anos de fundação do partido, que veio à luz em 1980 prometendo “mais ética na política”.
(…)
A notícia da prisão de Vaccari chegou pouco depois de o Planalto ter tomado ciência de que o ministro José Múcio, do Tribunal de Contas da União, decidira acatar parecer dos técnicos e recomendar que se investiguem as chamadas “pedaladas fiscais”, com o que concordaram os seus pares na própria quarta.
(…)
É crime de responsabilidade. Rodrigo Janot, com a anuência de Teori Zavascki, faz uma leitura rasa da Constituição e assegura que Dilma não pode ser processada por atos anteriores ao mandato em curso. É?
(…)
Que Janot mantenha a sua interpretação obtusa –ao menos até que um dos legitimados para tanto recorra contra ela com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Independentemente da Lei de Responsabilidade, a pedalada fiscal também atropelou a Lei da Improbidade Administrativa.

Dilma deve lamentar como nunca o malogro daquela sua lojinha de bugigangas. Poderia ser hoje uma próspera empresária. O negócio não deu certo. Virou presidente do Brasil. 
*
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2015

às 5:29

#prontofalei – Pedala, Dilma!

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2015

às 22:27

LEIA A ÍNTEGRA DA”CARTA DO POVO BRASILEIRO”, APRESENTADA EM BRASÍLIA

CARTA DO POVO BRASILEIRO

BRASILIA, 15 de abril de 2015

Às suas Excelências senhores Deputados Federais, senhores Senadores, senhor Presidente da Câmara dos Deputados e senhor Presidente do Senado.

A democracia brasileira está fragilizada. A República está em risco.  E o povo brasileiro está farto.

O povo cansou do desrespeito e da incompetência de alguns políticos e governantes brasileiros e exige mudanças já.

AS RAZÕES
Vivemos um quadro assustador de corrupção no seio dos poderes constituídos. A corrupção é histórica, sim, e nem por isso admissível. Há 12 anos, porém, ela se tornou sistêmica e se institucionalizou na máquina pública em níveis sem precedência, como nunca antes visto. Um câncer a comer as entranhas já podres do país. Os sucessivos escândalos nos órgãos e empresas públicas vêm à tona e envergonham a nação. Agravado pela impunidade reinante, nós, cidadãos brasileiros, vivemos uma sensação de desesperança. A justiça não consegue cumprir seu papel de forma neutra e sem interferências de outros Poderes. O Executivo, tentando proteger suas bases de apoio político, interfere no livre andamento das investigações que deveriam ser conduzidas imparcialmente pelo Judiciário. Quando passamos a acreditar que malfeitores pudessem ser penalizados, assistimos, incrédulos, ao tratamento privilegiado a políticos criminosos, que não mais se encontram onde deveriam estar: junto aos outros contraventores, presos. O Brasil, ao tratar de forma diferenciada políticos e trabalhadores, não conseguiu deixar de ser um país injusto.

A associação da corrupção com a impunidade impede o Brasil de se tornar um país desenvolvido.

O povo brasileiro, cansado e indignado, quer dar um BASTA nisso.

A ineficiência da gestão pública é outro tumor maligno que adoece o país. É responsável por fazer do Brasil um país desigual, mais pobre, e estagnado. O Brasil não suporta mais o inchamento, o amadorismo e o clientelismo das máquinas públicas, o conhecido “toma-lá-dá-cá”. No plano federal, as contas não fecham. A Lei de Responsabilidade Fiscal, depois de desrespeitada, foi alterada para acobertar o crime cometido pelo Governo Federal e pela Presidente.

Obras, quando finalizadas, são entregues a custos inaceitáveis, ofensivos para os reais financiadores, os contribuintes. O excesso de servidores comissionados agride os cofres públicos e a mínima decência. Programas sociais são descontinuados. Os que continuam têm um claro e explícito ar eleitoreiro. Os programas sociais condenam os mais carentes à escravidão em lugar de promover-lhes o crescimento. A lógica é da universalização dos benefícios e não das oportunidades. A saúde vive eternamente na UTI. Brasileiros morrem diariamente nas filas do SUS.

A violência urbana cresce em escalada incontida, principalmente nas periferias, matando principalmente crianças e adolescentes, que perdem a vida na guerra diária das drogas. Mais de 50.000 mortes violentas por ano denunciam a falência completa da ordem pública. É uma guerra não anunciada. O sistema público educacional não consegue cumprir sua função maior de formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Não forma alunos preparados para ingressar no ensino superior. Não capacita os jovens a ser profissionais qualificados. A economia enverga. Os empregos somem. A inflação cresce. A moeda se desvaloriza. Administra-se por contingências — em um eterno apagar de incêndios. Aumentam-se as tarifas, os preços controlados e os impostos. E o pior: para reparar seus maus feitos, o governo pede ao povo para pagar a conta da ineficiência.

Pagamos impostos a fundo perdido. Impostos que não voltam à sociedade na forma de serviços básicos de qualidade. Tributos, que deveriam servir aos interesses e necessidades do povo, principalmente dos mais carentes e necessitados, são desviados, via corrupção, para enriquecimento próprio, para o populismo, para a conquista e manutenção de poder.

O governo federal está sem rumo. O povo brasileiro, farto e escorraçado, quer dar um BASTA nisso.

No campo da moralidade, a ética e a decência desapareceram. A mentira passou a ser procedimento costumeiro nos pronunciamentos do governo federal à nação. A trama da manipulação de dados é um aliado habitual para justificar os consecutivos erros. Contabilidade criativa é o eufemismo que se usa para explicar o injustificável. Não existe transparência nos atos e nas contas. Não existe por parte do governo o reconhecimento dos equívocos e de suas fragilidades. Não existe pudor.

A falta de vergonha com que se diz a mentira como se fosse verdade é cínica e abusiva. Assustadoramente, criamos uma geração de crianças e jovens que assistem à mentira como padrão de comportamento de governantes, geralmente acompanhado de enriquecimento pessoal. Exemplo maior ocorreu nas eleições de 2014, quando a presidente Dilma Rousseff deflagrou o mais escancarado estelionato eleitoral da história do Brasil. O partido do governo, além de ser conivente com estas práticas, trata seus membros criminosos como ídolos e continua a lhes atribuir poder. O Partido dos Trabalhadores teve 13 anos de poder para mudar o Brasil, conforme prometeu em sua carta ao povo brasileiro em 2002. Ele recebe agora, do mesmo povo, uma carta que repudia a situação na qual o país foi deixado.

O povo brasileiro, desrespeitado e inconformado, quer dar um BASTA nesse estilo ilegal, ilegítimo e antiético de fazer política.

Escondem-se do povo inaceitáveis associações internacionais que ameaçam a democracia. O governo brasileiro patrocina, através de supostos investimentos e aberta ideologia partidária, países totalitários e populistas, organizados através do Foro de São Paulo. Este clube reúne todos os partidos de extrema esquerda da América Latina e Caribe, além de possuir visíveis indícios da participação de organizações criminosas e terroristas, como as FARC. O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, com forte influência no atual governo para o qual fez campanha, vem há anos, neste clube, idolatrando as práticas de líderes totalitários, entre outros da Venezuela, como Hugo Chávez e Nicolas Maduro.

O povo brasileiro não mais ignora este projeto e educa-se politicamente para discernir o certo do errado.

Quem deveria resolver estes graves problemas do Brasil?

A REPRESENTATIVIDADE
Como representantes constituídos pela sociedade, resta a Suas Excelências o DEVER de atuar na solução destes problemas.

A trágica realidade brasileira, agravada por um sistema político com fortes traços populistas, e que não tem a sociedade como principal beneficiária, vem há uma década indignando o povo brasileiro, que não mais aceita ser apenas um coadjuvante no projeto do governo.

E O POVO ACORDA
Cansados deste cenário frustrante, ao longo dos últimos anos, vários movimentos democráticos e apartidários lideram nas redes sociais campanhas maciças de conscientização do povo para as grandes questões políticas e sociais. Em 2013, grupos saíram às ruas em protesto contra atos do governo federal, da classe política e do judiciário. Diante da situação que passou de grave a inaceitável, a partir de outubro de 2014 movimentos passaram a sair às ruas de forma consistente e organizada. Até fevereiro de 2015, foram seis manifestações de massa, e vários atos públicos simbólicos em dezenas de cidades por todo o país.

Diante da ausência de resposta do governo e do Congresso, em março e abril de 2015, num espaço de quatro semanas, o povo saiu às ruas nas duas maiores manifestações espontâneas da história da América Latina. Elas ocorreram em mais de 450 cidades por todo o Brasil, em todas as regiões. Trouxeram às ruas mais de três milhões de brasileiros de todas as classes sociais, indignados com o desrespeito do governo e da classe política.  A voz das ruas é uníssona: desaprovação ao governo federal; solicitação de julgamento neutro e condenação de todos os envolvidos em crimes de corrupção; repúdio e revolta às manobras descomprometidas com a justiça e a verdade, protagonizadas por membros da mais alta corte da justiça brasileira.

Os históricos protestos, mesmo envolvendo milhões de pessoas, foram pacíficos, democráticos, cívicos e ordeiros. O povo vai às ruas na esperança de ter sua voz e seus pleitos ouvidos por aqueles que constitucionalmente estão na condição de representantes de seus interesses. Verdade legal que, hoje, desperta dúvida real, uma vez que o próprio representante que não dá a devida atenção a tais pleitos, põe em questionamento tal legitimidade.

Note-se que para cada uma das grandes manifestações de março e abril o Governo Federal e o Partido dos Trabalhadores também chamaram, em datas próximas, seus simpatizantes para virem às ruas. Em março, o número de pessoas pró-governo foi 40 vezes menor que os manifestantes contra o governo. Em abril foi 100 vezes menor e acompanhado de violência.

A proporção entre os movimentos de rua pró e contra governo demonstra o sentimento e o posicionamento da sociedade diante da grave situação política, econômica e ética do país.  Diante disso, os representantes do povo devem agir.

PROPOSTAS CONCRETAS
Atendendo a urgência que o momento exige, viemos, neste instante, apresentar ao Congresso Nacional a primeira pauta de reivindicações da agenda construtiva para um novo Brasil:

1) Enfrentamento real da corrupção através do fim da impunidade:
a) aprovar, prioritariamente, as 10 medidas de combate à corrupção apresentadas pelo MPF;

b) submeter os acordos de leniência à anuência do Ministério Público;

c) apoiar incondicionalmente o Juiz Sergio Moro, o Ministério Público Federal, e a Polícia Federal nas investigações da Operação Lava Jato;

d) agravar as penas para corrupção, aprovando-se o projeto de lei 915, que cria o crime de Lesa Pátria;

e) fortalecer a Polícia Federal para combater a corrupção;

f) indicar servidores concursados, de carreira, idôneos, com amplo reconhecimento e competência comprovada, para os cargos do STF, STJ, TCU, STM, MPF e TSE, com prazo de mandato definido e com posterior quarentena;

g) Senado exercer papel de controle efetivo da capacidade dos indicados acima, por meio de sabatina, com critérios objetivos de imparcialidade, convidando técnicos da OAB, CNJ e MPF para compor o grupo avaliador;

h) Implementar eleições diretas por entidades representativas para escolha dos Procuradores-Gerais, com o fim de listas tríplices e escolhas arbitrárias pelo chefe do Executivo;

g) afastar o ministro Dias Toffoli do STF e TSE por não atender ao critério de imparcialidade;

2) Sobre a Presidência da República
a) Pedir ao STF e ao Procurador Geral da República a abertura de investigação por crime comum da cidadã Dilma Vana Roussef;

b) apreciar com transparência os pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Roussef apresentados ao Congresso;

3) Choque de ordem e transparência na gestão pública:
a) Abertura total dos contratos de empréstimos realizados pelo BNDES, fim de empréstimos do BNDES a outros países e a empresas doadoras em eleições. Rejeição da MP 661;

b) reduzir o número de ministérios, o número de cargos comissionados e o tamanho da máquina pública;

c) transparência nas contas de todas as empresas públicas ou com participação societária do estado brasileiro;

d) total transparência e redução dos gastos de parlamentares e governantes, incluindo os cartões de crédito governamentais;

e) “Revalida” para todos os médicos estrangeiros atuando no Brasil;

f) redução e simplificação dos impostos.

4) Educação
a) Qualidade total na educação básica, sendo a mesma universal e meritocrática;

b) fim da doutrinação ideológica e partidária nas escolas. Aprovação do PL 867/2015, “Escola Sem Partido”.

5) Ajustes no processo político eleitoral
a) Maior justiça, legitimidade e representatividade nas eleições pela implantação do Voto Distrital;

b) Eleições com registro eletrônico e impresso do voto, auditáveis por empresa idônea e partidos;

c) revisão do financiamento público de campanhas. O Estado não suporta mais patrocinar a atual farra eleitoral;

d) Mandato único – Fim de reeleição para todos os cargos executivos.

É importante frisar que novas pautas serão apresentadas e outras complementadas, nas próximas semanas, vindas do diálogo com as ruas, e conduzidas pelos vários movimentos democráticos, ressaltando que repudiamos qualquer tipo de controle da mídia ou limitação na liberdade de expressão irrestrita de todo e qualquer brasileiro.

O POVO QUER AÇÕES, NÃO PROMESSAS
A expectativa do povo brasileiro é que o Congresso Nacional não os abandone em seu dever moral e constitucional, encaminhe e execute essas demandas do povo brasileiro.  Cada parlamentar, individualmente, deve se comprometer publicamente com o povo a promover esta execução de forma sistemática e organizada, com agenda e pauta e encaminhar as demandas com a rapidez que o momento exige. Não queremos discursos nem promessas. Queremos ação efetiva em busca de soluções que signifiquem avanços políticos e sociais para o Brasil através dessas demandas.  Queremos proatividade, rapidez, objetividade e determinação em executá-las.

As bases para a construção de um novo presente e futuro para nossa nação estão lançadas. Elas levarão nosso país para onde os brasileiros já mereciam estar há muito tempo.

Acabou-se o tempo do conformismo. Os trabalhadores brasileiros não mais tolerarão políticos que governam para causas próprias.  Não mais assistirão impassíveis às manobras que visam à manutenção do poder. Não mais aceitarão um governo mentiroso.

BASTA de desrespeito.

Estaremos atentos às ações do Congresso a partir de hoje, para observarmos qual a prioridade que ele dará à execução expressa das reivindicações das ruas. Estaremos igualmente atentos às ações do Executivo e do Judiciário, que têm papel de protagonismo em várias das reivindicações apresentadas. Os resultados efetivos que os três poderes atingirem na execução das demandas apresentadas levarão os brasileiros a decidir como proceder daqui para frente.

Os Movimentos de rua, que aglutinaram milhões de brasileiros indignados, continuarão a atuar quando necessário, seja em caráter de massa ou local, sempre de forma ordeira, constitucional e incisiva.

Exigimos um país politicamente mais ético, economicamente mais forte, socialmente mais justo. Não aceitaremos nada menos do que isso.

Um Brasil do qual seu povo, nesta e nas próximas gerações, possa finalmente se orgulhar.

Brasília-DF, 15/04/2015

Movimentos signatários:

Avança Brasil – Mudança Já

Basta Brasil

Brava Gente Brasileira

Chega de Impostos

Diferença Brasil

Eu Amo o Brasil

Instituto Democracia e Ética

Movimento 31 de Julho

Movimento Acorde

Movimento Brasil Contra a Corrupção

Movimento Cariocas Direitos

Movimento Cidadania Brasil

Movimento Fora Dilma

Movimento Jovens Transformadores

Movimento Guarulhos Livre

Movimento Muda Brasil

Movimento Pró Brasil

Movimento Quero Me Defender

Movimento Voz do Brasil

Muda Brasil

Nação Digital

Nas Ruas

Organização de Combate à Corrupção

Pátria Livre

Reage Brasil

Vem Pra Rua

*

Atenção, o que segue não está na Carta. Acrescento ao post, a título de esclarecimento, as 10 medidas sugeridas pelo Ministério Público para combater a corrupção.

Propostas
Veja abaixo um resumo das propostas apresentadas pelo Ministério Público:

1) Maior transparência para Judiciário e MP
- Regras para prestação de contas por parte de tribunais e procuradorias, além de investimento mínimo em publicidade de combate à corrupção, com ações de conscientização e educação;
- Testes de integridade: um agente público disfarçado poderá oferecer propina para uma autoridade suspeita; se ela aceitar, poderá ser punida na esfera administrativa, penal e cível;
- Manter em segredo a identidade de um delator que colaborar com as investigações, dando maior segurança ao informante.

2) Criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos
- Posse de recursos sem origem comprovada e incompatível com a renda do servidor se tornaria crime, com pena de 3 a 8 anos de prisão.

3) Crime hediondo para corrupção de altos valores e aumento de penas
- Punição mínima por corrupção (recebimento de vantagem indevida em troca de favor) passaria de 2 para 4 anos de prisão. Aumenta também o prazo de prescrição (quando se perde o direito de punir), que passaria de 4 para 8 anos;
- Quanto maior o volume de dinheiro envolvido, maior a pena. Até R$ 80 mil, pena varia de 4 a 12 anos. Se a propina passar de R$ 80 mil, pena será de 7 a 15 anos. Se for maior que R$ 800 mil, prisão será de 10 a 18 anos. Caso seja superior a R$ 8 milhões, punição será de 12 a 25 anos de prisão.

4) Eficiência dos recursos no processo penal
- Trânsito em julgado (declarar a decisão definitiva) quando o recurso apresentado for protelatório ou for caracterizado abusivo o direito de recorrer;
- Mudança nas regras para apresentação de contrarrazões em segunda instância, revogação dos embargos infringentes, extinção da revisão do voto do relator no julgamento da apelação, mudança na regra dos embargos de declaração, do recurso extraordinário e dos habeas corpus em diversos dispositivos;
- Possibilidade de execução provisória da pena após o julgamento na instância superior.

5) Celeridade nas ações cíveis de improbidade administrativa
- Acaba com fase preliminar da ação de improbidade administrativa e prevê agravo retido contra decisão que receber a ação.
- Criação de turmas, câmaras e varas especializadas no âmbito do Poder Judiciário;
- Instituição do acordo de leniência para processos de improbidade administrativa – atualmente existente apenas em processos penais, na forma de delação premiada; e administrativos, na apuração dos próprios órgãos públicos;

6) Reforma do sistema de prescrição penal
- Fim da “prescrição retroativa”: pela qual o juiz aplica a sentença ao final, mas o prazo é projetado para o passado a partir do recebimento da denúncia.

7) Ajustes nas nulidades penais
- Restringir as nulidades processuais a casos em que são necessários;
- Introduzir o balanço de custos e benefícios na anulação de um processo.

8) Responsabilização dos partidos políticos e criminalização do caixa 2
- Responsabilidade objetiva dos partidos políticos pelo caixa 2. Com isso, o partido poderá ser punido mesmo se não ficar provada culpa do dirigente partidário, mas ficar comprovado que a legenda recebeu recursos não declarados à Justiça Eleitoral;
- Quanto mais grave, maior a punição: além de multas maiores, o partido poderá também ter o funcionamento suspenso se for reincidente ou mesmo ter o registro cancelado.

9) Prisão preventiva para assegurar a devolução do dinheiro desviado
- Possibilidade de prisão preventiva (antes da condenação, por tempo indeterminado), caso se comprove que o suspeito mantenha recursos fora do país.

10) Recuperação do lucro derivado do crime
- Confisco alargado: obriga o criminoso a devolver todo o dinheiro que possui em sua conta, exceto recursos que comprovar terem origem lícita;
- Ação civil de extinção de domínio: possibilita recuperar bens de origem ilícita, mesmo que não haja a responsabilização do autor do fato ilícito, em caso de morte ou prescrição, por exemplo

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2015

às 5:45

Dilma indica o preferido do MST para o STF. Se a lei não mudar, ela ainda poderá escolher o preferido do MTST, o da CUT, o do Jean Wyllys, o das abortistas, o da esquadrilha da fumaça… Aí é só importar o Nicolás Maduro!

Vamos dizer tudo para aborrecer um monte de gente? Vamos. O Brasil cobra de nós essa clareza.

A presidente Dilma Rousseff indicou mesmo o nome do jurista Luiz Edson Fachin para a vaga aberta no Supremo. Ele tem de ser agora sabatinado pelo Senado. Se acontecer, e deve acontecer, o que se deu das outras vezes, trata-se de mera formalidade, e um Poder da República deixa de exercer a sua prerrogativa, alheio aos destinos do Judiciário e aos interesses do país.

Só para que vocês saibam: o Planalto usou táticas de despiste. Dilma fez essa escolha há mais de um mês. Outros nomes que andaram frequentando a lista eram puro jogo de cena. Nem os candidatos sabiam que estavam sendo enganados. E isso é uma informação, não um chute.

Fachin pode chegar lá e fazer um belo trabalho? Até pode. Se acontecer, farei o óbvio: vou elogiá-lo aqui. Militância política, contexto e circunstâncias, no entanto, nos levam a ficar com um pé atrás. Vamos ver.

Fachin é o candidato de João Pedro Stedile — sim, eu estou me referindo ao chefão do MST. O próprio Lula pensou em indicar o professor em 2010, com a vaga aberta com a aposentadoria de Eros Grau. Desistiu depois de uma conversa com ele. Considerou-o, na linguagem sindical, “basista demais”. Traduzo: deixava-se levar excessivamente pelo alarido dos movimentos de esquerda.

Há uma semana, escrevi aqui que o coração de Dilma pulsava por Fachin. Destaquei naquele texto um artigo pavoroso que ele escreveu para o site Consultor Jurídico.

Num dado momento, afirma ele: “Se o conselho que se dava aos juízes antigos da Itália era ‘não use a testa, use o texto’, hoje a máxima pode ser reinventada para ‘use a testa, não esquecendo do texto e seu contexto’”. É ruim. Se alguém invade a minha propriedade, por exemplo, da qual sou dono legítimo, o texto — que ou está em primeiro lugar ou se abre a chance para o arbítrio — diz que o invasor tem de sair. Segundo Fachin, um juiz deve, claro, levar isso em conta, mas, em primeiro lugar, ele tem de usar a “testa” — isto é, a opinião idiossincrática que, originalmente, independe do texto — para, só então, voltar-se ao que está escrito. E isso ainda não será o bastante. Haverá que ver também o contexto. Mais: Fachin se mostra excessivamente preocupado em criticar o juiz do “Estado Liberal” — sim, ele fala do liberalismo propriamente, com o sotaque de quem considera tratar-se de uma etapa superada da história da humanidade.

De resto, como lembrei num post de ontem, Fachin se transformou também no candidato de Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo, mas enfrentava a resistência do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que agora se comprometeu a trabalhar em favor do seu nome no Senado. Cumpre-me, então, lembrar:

1. Renan foi denunciado ao Supremo por Roberto Gurgel, então procurador-geral da República, em 2013, por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso. A investigação deriva de 2007. Ele é acusado de ter comprado notas frias para provar que tinha renda para arcar com a pensão de um filho que teve fora do casamento.

2. O relator do caso no Supremo é o ministro Lewandowski, que, até agora, não se pronunciou sobre o caso.  Nem aceitou nem rejeitou a denúncia. E Lewandowski é aquele que passou a fazer lobby escancarado em favor de Fachin.

3. Quando ministros chegam à presidência do Supremo, costumam deixar casos dessa natureza. Lewandowski manteve com ele o de Renan.

4. O que estou inferindo? Estou apenas dizendo que assim são as coisas.

Caso o indicado de Dilma seja aprovado pelo Senado e se torne ministro do Supremo, a ponta esquerda do tribunal deixa de ser ocupada por Roberto Barroso. A toga rubra passa para os ombros de Fachin. Se a lei não mudar, Dilma tem mais cinco indicações para fazer até o fim de seu mandato, se ela chegar lá. Huuummm… Ainda falta indicar o preferido de Guilherme Boulos, do MTST; o de Vagner de Freitas, presidente da CUT; o de Jean Wyllys, do movimento LGBTXYZ,  o de alguma líder aborteira ensandecida e o dos “coletivos”, como eles se denominam, em favor da descriminação das drogas.

Aí é só importar o Nicolás Maduro…

Pode ser inútil, mas digo mesmo assim: que os senadores tenham juízo. Depois não adianta ficar choramingando quando o Supremo decidir legislar. Sabem como é…O ativismo judicial costuma ser fruto do passivismo legislativo, entendem? É aquele papo de côncavo e convexo…

 

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2015

às 19:52

Nesta terça, a Aliança Nacional de Movimentos expõe, às portas do Congresso, as suas reivindicações. Ou: O dever da política

A Aliança Nacional de Movimentos, integrada, entre outros grupos, pelo Vem Pra Rua, está em Brasília. Ela torna pública nesta quarta-feira uma carta aberta, especialmente dirigida ao Congresso Nacional, com uma pauta de reivindicações ligada ao combate à impunidade e ao aprimoramento da democracia. A Procuradoria-Geral da República também é chamada à interlocução. A Aliança deve reivindicar que Rodrigo Janot, procurador-geral, solicite ao Supremo a abertura de inquérito para investigar a atuação da presidente Dilma Rousseff no petrolão.

Vamos corrigir algumas coisas. O movimento Vem Pra Rua não foi recebido em audiência por parlamentares do PSDB e do DEM. O que se deu foi outra coisa. Representantes da Aliança estiveram com tucanos e democratas — e com parlamentares de outros partidos, inclusive do PSOL — para convidá-los para a leitura da carta, que se dará na Praça dos Três Poderes, do lado de fora do Congresso. A turma já encaminhou um pedido de audiência a Janot, mas, até agora, não obteve resposta.

Olhem aqui: esses movimentos que estão em Brasília integram o grupo que colocou nas ruas, em duas manifestações, uns três milhões de pessoas. Suas reivindicações são justas, são legítimas, são honestas, são legais. Mais: eles se expressam segundo os melhores padrões de uma sociedade civilizada: em paz, sem agressões, sem ameaças, sem depredação do patrimônio público e privado.

As autoridades da República têm o dever moral e político de recebê-los e de prestigiar a sua pauta, o que não implica concordar com tudo. Estamos falando de política maiúscula, que passa pela interlocução, sem cooptação.

A Aliança Nacional de Movimentos, que reúne vários grupos, o Movimento Brasil Livre, o Revoltados Online e outros tantos não são franjas de partidos políticos, não são meras extensões da política formal, não estão atrelados a estruturas do poder. Aí está a sua força — vocalizam reivindicações e angústias da sociedade civil —, mas pode estar aí também a sua fraqueza caso não consigam estabelecer canais de conversação.

O Brasil é uma democracia — ainda é ao menos. Não vive, ademais, um período de conflagração revolucionária. Assim, é preciso que as forças se organizem para reivindicar, não para eliminar ou subjugar o outro. Isso é prova de força, de altivez, não de fraqueza.  Digamos que os canais institucionais se fechem a seus reclamos: eis um bom motivo para organizar a batalha com ainda mais afinco; digamos que esses movimentos consigam fazer triunfar ao menos parte de sua pauta, eis um bom motivo para organizar a batalha com ainda mais afinco. Entenderam o ponto?

Esses grupos não estão acostumados à militância profissional, a exemplo das esquerdas, e, por isso,  têm algo a aprender com elas:  planejar a próxima, qualquer que seja o resultado da batalha em curso. O nome disso é política, que não se dá apenas no Parlamento e nos partidos. Tampouco é, ou deve ser, monopólio das esquerdas.

Que as portas das instituições se abram para ouvir a voz da maioria silenciosa.

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2015

às 4:49

CGU esperou eleição de Dilma para abrir processo mesmo tendo em mãos provas de corrupção, diz delator; escândalo volta a bater à porta da presidente

Atenção! Surgiu aquela que é, entendo, a denúncia mais grave desde que o escândalo do petrolão começou a vir à luz. E, desta vez, pega em cheio a Controladoria-Geral da União (CGU), órgão subordinado à Presidência da República. Mais uma vez, o descalabro se aproxima perigosamente da presidente Dilma Rousseff. Mas, suponho, Rodrigo Janot, procurador-geral da República, não vai pedir ao Supremo Tribunal Federal nem mesmo a abertura de um inquérito. A que me refiro?

Em entrevista a Leandro Colon, da Folha, Jonathan David Taylor, ex-diretor da SBM Offshore, afirmou que entregou à CGU, durante a campanha eleitoral do ano passado, provas de que a empresa holandesa havia pagado propina a agentes da Petrobras. O órgão, no entanto, só abriu sindicância em novembro, depois da eleição. Segundo Taylor, ele entregou à CGU mil páginas de documentos entre agosto e outubro de 2014.

O ex-diretor diz que foi ele quem teve a iniciativa de procurar a CGU. No dia 27 de agosto, afirma, entregou ao órgão o relatório de uma auditoria interna da SBM, mensagens eletrônicas, contratos com o lobista Júlio Faerman — a quem ele pagou US$ 139 milhões para obter contratos com a Petrobras —, extratos de depósitos em paraísos fiscais, a gravação de uma reunião da empresa e uma lista com nomes da Petrobras…

Mesmo assim, a CGU foi abrir sindicância só em novembro, 17 dias depois de realizado o segundo turno. Para lembrar. A VEJA publicou reportagem em fevereiro do ano passado informando que auditoria interna da SBM havia encontrado indícios de pagamento de propina a funcionários da Petrobras. Lá já se podia ler:
“O esquema de corrupção no Brasil, de acordo com a investigação interna, era comandado pelo empresário Julio Faerman, um dos mais influentes lobistas do setor e dono das empresas Faercom e Oildrive. Ele assinava contratos de consultoria com a SBM que serviam para repassar o dinheiro de propina para diretores da Petrobras. Essas consultorias previam o pagamento de uma ‘comissão’ de 3% do valor dos contratos celebrados entre a SBM e a Petrobras – 1% era destinado a Faerman e 2% a diretores da petrolífera brasileira.”

Em março do ano passado, um mês depois da reportagem, a então presidente da Petrobras Graça Foster anunciou que uma auditoria interna não encontrara nada de errado. Nesse mês, foi deflagrada a Operação Lava Jato. No começo de novembro, o Ministério Público da Holanda anunciou que a SBM havia sido multada naquele país em US$ 240 milhões em razão de propinas pagas mundo afora, INCLUSIVE NA PETROBRAS.

Só no dia 17 de novembro Graça Foster veio a público para admitir que, de fato, havia indícios de corrupção. Segundo ela, estava com essa informação desde meados do ano… E não falou pra ninguém. Agora se descobre que a CGU também amoitou a informação. A mesma CGU que negocia com a SBM um acordo de leniência…

Prestem atenção a este trecho da entrevista (em azul).

O sr. esteve com Faerman?
Várias vezes. Julio Faerman não era um agente independente. Ninguém da Petrobras falava com a SBM sem ele. Era altamente íntimo do esquema no Brasil, e atuava com seu filho Marcello e o sócio Luiz Eduardo Barbosa.

CGU, SBM e Petrobras admitiram irregularidades somente em 12 de novembro.
A única conclusão que posso tirar disso é que essas partes queriam proteger o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma ao atrasar o anúncio dessas investigações para evitar um impacto negativo nas eleições. Para a SBM, era importante ter uma sobrevida com os contratos no Brasil. É minha opinião.

O sr. aceitaria colaborar com a CPI no Congresso?
Claro. Provavelmente, se tudo isso tivesse sido descoberto mais cedo, Dilma Roussef não seria presidente.

Que tipo de documentos o sr. tem e entregou?
Tenho, por exemplo, uma gravação de Hanny Tagher (ex-dretor da SBM) de uma reunião de 27 de março de 2012. Quando perguntado por Bruno Chabas (CEO) sobre Julio Faerman, Tagher explica quem é e o que fazia. Disse que, dos pagamentos feitos pela SBM para comissões, 1% ficava com o Faerman, e a outra parte, 2%, iria para a Petrobras. E eu perguntei então para ele, na gravação: “Petrobras?”. Ele responde “Sim”.

Volto
Para encerrar: segundo Pedro Barusco, a SBM doou US$ 300 mil para a campanha de Dilma, em 2010, de forma irregular. Faerman teria sido o intermediário. O mais impressionante é que a CGU confirma a versão de Taylor, inclusive a data da entrega dos documentos. Para ela, no entanto, aqueles ainda não constituíam os “indícios mínimos”. Reitero: a Controladoria-Geral da União é um órgão subordinado à Presidência da República. Dilma tenta se afastar da crise, mas a crise não se afasta dela porque é perseguida pelos métodos a que seu partido recorreu, inclusive para elegê-la e reelegê-la.

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2015

às 3:35

Aqui entre nós – As instituições têm de ouvir as ruas

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2015

às 1:39

#prontofalei – Rumo a Brasília

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2015

às 1:35

Governo admite negociar mudanças no ajuste fiscal

Na VEJA.com:
Pressionado por centrais sindicais e parlamentares da própria base aliada, o governo admitiu nesta segunda-feira que está disposto a negociar mudanças nas medidas provisórias que alteram as regras de concessão de direitos trabalhistas e previdenciários – as MPs 664 e 665. As propostas fazem parte do ajuste fiscal que o Planalto tenta passar no Congresso.

“Nós aceitamos discutir tudo”, reconheceu o ministro da Previdência Social, Carlos Gabas, depois de reunião convocada pelo vice-presidente e articulador político do governo Michel Temer. “A reunião foi marcada, fomos convidados pelo vice-presidente Temer, para debater o tema da 664 e da 665, das duas medidas provisórias, não há nada definido ainda. Não há nada fechado. Todos os temas estão em debate, são passíveis de modificação e aperfeiçoamento”, completou Gabas. Os ministros da Fazenda, Joaquim Levy; da Casa Civil, Aloizio Mercadante; do Planejamento, Nelson Barbosa; e da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams também participaram do encontro.

Questionado se o Planalto aceitava recuar na nova regra de primeira solicitação do seguro-desemprego – cujo prazo saltou de 6 para 18 meses –, o ministro indicou que pode fazer concessões para conseguir a aprovação do pacote fiscal. “Isso está incluído no tudo, tudo são todos os itens. Esperamos que a medida provisória seja no seu conjunto aprovada. Se tiver itens que podem aperfeiçoá-la, vamos acatar, para que esse ajuste fiscal seja aprovado no seu conjunto.”

Segundo o ministro, a ideia do governo é aprovar as medidas do ajuste fiscal “o mais rápido possível, conversando com centrais sindicais e partidos”. “Queremos preservar o conjunto da MP, agora, se vai ser aperfeiçoada ou não, vai depender do Congresso”, afirmou.

Prazos
Ao deixar a reunião, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), comunicou que o relatório da MP 665 deve ser apresentado na comissão mista até esta quarta-feira. Segundo Guimarães, a expectativa é que a proposta seja votada ainda esta semana na comissão. Numa rápida fala sobre a reunião da coordenação política que ocorreu pela manhã, o petista disse que a presidente Dilma Rousseff se mostrou “otimista” com a situação da Petrobras, o ajuste fiscal e o cenário político no encontro.

Por Reinaldo Azevedo

13/04/2015

às 16:20

Os reacionários de esquerda, inclusive da grande imprensa, podem ladrar à vontade. A caravana vai passar

Movimentos que convocaram as duas grandes manifestações de protesto contra o governo Dilma decidiram iniciar uma segunda fase de sua luta: o caminho agora é Brasília. Já demonstraram que estão em conexão com a larga maioria do povo brasileiro, conforme atesta pesquisa Datafolha. É chegada a hora de — atenção para este verbo — tensionar as instituições. Isso supõe um diálogo altivo com elas. O Movimento Brasil Livre (MBL) dará início, no próximo dia 17 a uma Marcha — sim, a pé — a Brasília. O objetivo é chegar à capital federal um mês depois e lá promover uma grande manifestação. O Vem pra Rua pretende apresentar, no próximo dia 15, uma pauta que reúne reivindicações de 50 organizações que se opõem ao atual estado de coisas.

Esse é o caminho natural. Falei há pouco com Kim Kataguiri, um dos coordenadores do MBL. Perguntei se a pauta principal da marcha é o impeachment de Dilma, como foi noticiado por aí. Ainda que o movimento veja razões para tanto — e elas existem —, a moçada não é ingênua. É evidente que ninguém marcha para Brasília para pedir “o impeachment ou nada”. Os coordenadores do MBL reconhecem que o impedimento é uma questão jurídica e política. Logo, depende das leis e das circunstâncias. Assim, chegou a hora de esses movimentos exigirem uma interlocução com as instituições, que não pertencem ao governo do PT, mas ao estado brasileiro.

O mesmo vale para o Vem pra Rua. Na entrevista que concedeu ao programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, Rogério Chequer já havia falado da necessidade de articular as dezenas de grupos que hoje se organizam cobrando mudanças efetivas no país. Isso tem de virar uma pauta. Assim, esses movimentos se preparam para o diálogo dos fortes, não para a cooptação.

E, à diferença do que pretendem os reacionários de esquerda, inclusive os incrustados na grande imprensa, eles já avançaram bastante até aqui. Organizaram, em menos de um mês, duas grandes manifestações. E o fizeram contra a máquina oficial de propaganda e contra a incredulidade de analistas políticos e uma safra de colunistas intelectualmente safados como raramente se viu.

Sou antigo nesse troço de manifestação. Sei bem o que é participar de um movimento com a imprensa unanimemente a favor. Foi assim nas Diretas- Já. Era moleza! Parecia que o mundo inteiro estava com a gente. No impeachment de Collor, eu já era jornalista. Aí posso falar, vamos dizer, da adesão “por dentro”. Ainda que houvesse, e havia, o cuidado para não distorcer os fatos em prejuízo do então presidente, era evidente que a seleção da pauta se dava em favor do impeachment.

Agora, a coisa é bem diferente. Há, sim, jornalistas simpáticos aos que se manifestam. Mas, na média, a chamada grande imprensa vê movimentos como o Vem pra Rua, o Brasil Livre e o Revoltados Online com o pé atrás. Jornalistas têm certa compulsão por aquilo que julgam ser o “progressismo”. Se os que se manifestam não adotam a pauta que consideram universal — geralmente ligada à área de costumes —, tendem a entortar o nariz e a colar na turma a pecha de “reacionária”.

O que estou dizendo, com todas as letras, é que a imprensa, nas décadas de 80 e 90, respectivamente, turbinava os atos em favor das Diretas e do impeachment de Collor. Desta feita, faz o contrário. As manifestações de rua se impuseram apesar do jornalismo, não com a sua ajuda. A primeira tentação, basta olhar os arquivos, foi ver nas ruas a pressão da elite branca.

A moçada venceu o pelotão de fuzilamento moral e a barreira da desqualificação. O fel do colunismo de esquerda e o jogo pesado dos blogs sujos se mostraram irrelevantes. A patrulha do petismo nas redes sociais chamou atenção mais pelo seu lado patético do que por sua eficiência.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recomendou que os partidos de oposição não se confundam com esses movimentos da sociedade civil. Ele está certo. Como estão certos esses movimentos ao criticar o que consideram frouxidão das oposições. É preciso não confundir os papéis. As democracias avançam — e não estou dizendo nenhuma novidade; há sólida teoria a respeito — quando indivíduos, organizados em grupos, levam adiante a bandeira da convicção; às forças institucionais, cabem os limites da responsabilidade. É a tensão desses dois vetores que produz avanços. Nem a convicção deve sair por aí a cortar cabeças, como um Robespierre mais ensandecido do que o original, nem a responsabilidade deve engessar as demandas vivas da sociedade, congelando o statu quo e imobilizando os atores sociais.

É saudável que grupos de pressão na sociedade tenham uma pauta mais ousada e avançada — dados seus pressupostos e seus valores — do que as oposições institucionais. É assim que tem de ser. A pauta do Vem pra Rua, do Movimento Brasil Livre ou do Revoltados Online não se resume ao impeachment de Dilma, que pode acontecer ou não. Caso se dê, é preciso ter um amanhã; caso não se dê, também. E, é claro!, se as oposições que temos não souberem ler a realidade, serão superadas pelos fatos.

Os reacionários de esquerda, em especial alguns colunistas do nariz marrom, estão expelindo sua baba hidrófoba contra esses movimentos. Acham um absurdo e uma violência que uma de suas palavras de ordem seja “Fora PT”, mas viam uma verdadeira poesia quando os petistas gritavam “Fora Sarney”, “Fora Collor” e “Fora FHC”.

Podem ladrar à vontade. A caravana vai passar.

Por Reinaldo Azevedo

13/04/2015

às 6:17

12 DE ABRIL 1 – MUITOS MILHARES VÃO ÀS RUAS, NO BRASIL INTEIRO, CONTRA O GOVERNO DILMA, O PT E AS ESQUERDAS. CONSTA QUE PLANALTO SUSPIRA ALIVIADO. ENTÃO É MAIS BURRO DO QUE PARECE!

A Avenida Paulista tomada por milhares de brasileiros: green and yelow blocs

A Avenida Paulista tomada por milhares de brasileiros: green and yelow blocs

Há mais de uma semana o governo decidiu pautar a cobertura da imprensa, que, com raras exceções, aceitou gostosamente a orientação. Com variações, destaca-se que há menos pessoas nas ruas neste 12 de abril do que naquele 15 de março. Assim, fica estabelecido, dada essa leitura estúpida, que um protesto político só é bem-sucedido se consegue, a cada vez, superar a si mesmo. Isso é de uma tolice espantosa, na hipótese de não ser má-fé. A população ocupou as ruas em centenas de cidades Brasil afora. Mais uma vez, PT, CUT, ditos movimentos sociais e esquerdas no geral levaram uma surra também numérica. Mais uma vez, o verde-e-amarelo bateu o vermelho da semana passada. E é isso o que importa.

De resto, é impossível saber o número de manifestantes deste domingo. Algum veículo de imprensa mandou jornalista cobrir o protesto em Januária, em Minas; em Orobó, em Pernambuco, ou em Ourinhos, em São Paulo? Haver menos gente na Avenida Paulista ou na orla de Copacabana, no Rio, não tem nenhuma importância. Dá para afirmar, sem medo de errar, que o “Fora Dilma” foi ouvido em todas as unidades da federação. E — daqui a pouco chego lá — contem com o PT para turbinar os próximos protestos.

Consta que o governo respirou aliviado com o número menor, embora o Palácio do Planalto, ele mesmo, tenha, desta vez, resolvido se calar. Parece que não haverá Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo para cutucar a onça com a vara curta. A boçalidade ficou por conta da militância virtual e paga (farei um post a respeito). Respirou aliviado por quê?

Protesto em Belém: faixa do Movimento Brasil Livre pede a saída da Presidente Foto: Jairo Marques/Folhapress)

Protesto em Belém: faixa do Movimento Brasil Livre pede a saída da presidente (Foto: Jairo Marques/Folhapress)

Respirou aliviado no dia em que o “Fora Dilma” se faz ouvir de norte a sul do país?
Respirou aliviado no dia em que o Datafolha aponta que 63% apoiam o impeachment da presidente?
Respirou aliviado no dia em que a pesquisa revela que 60% consideram o governo ruim ou péssimo?
Respirou aliviado no dia em que essa mesma pesquisa evidencia que 83% acreditam que Dilma sabia da roubalheira da Petrobras e nada fez?
Respirou aliviado no dia em que esse mesmo levantamento demonstra que a crise quebrou as pernas de Lula, pesadelo com o qual o petismo não contava nem nos momentos mais pessimistas?

Por que, afinal de contas, suspira aliviado o governo? Com que jornada futura de boas notícias e diminuição dos sintomas da crise ele espera contar? Sim, a indignação com a roubalheira é um dos principais fatores de mobilização dos milhares de brasileiros que foram às ruas. Mas há muito mais do que isso. Há a crise econômica propriamente dita e a sensação, que corresponde à realidade, de que o governo está paralisado.

Acontece que esse mal-estar só vai aumentar porque o pacote recessivo ainda não surtiu todos os seus efeitos. Mais: ninguém nunca sabe quando a operação Lava Jato vai chegar a um fio desencapado, como é o caso de André Vargas, por exemplo. Consta que o ex-vice-presidente da Câmara e petista todo-poderoso, ora presidiário, está bravo com o partido, do qual havia se desligado apenas formalmente.

Acabo de chegar da Avenida Paulista. Havia menos gente do que no dia 15 de Março? Sem dúvida! Mas também sei, com absoluta certeza, que, desta feita, o protesto se deu num número maior de cidades no Estado. No dia 15, encontrei verdadeiras caravanas oriundas de cidades do interior e de outras unidades da federação. Aquele foi uma espécie de ato inaugural. Havia nele a vocação de grito de desabafo, era um enorme “Chega!”. A partir deste dia 12, a tendência é que haja mesmo uma diminuição de pessoas em favor de uma definição mais clara da pauta.

Mas é evidente que se trata de um erro cretino imaginar que menos gente na rua implique que está em curso uma mudança de humor da opinião pública. Não está, não! E que se note: se o protesto do dia 15 tivesse reunido o número de pessoas deste de agora, muitos teriam, então, se surpreendido. Acontece que aquele superou expectativas as mais otimistas. Tomá-lo como régua de um suposto insucesso dos atos deste dia 12 é coisa de tolos ou de vigaristas. Mas o governo e o PT têm direito ao auto-engano.

Vejo a coisa de outro modo: os eventos deste domingo, 12 de abril, comprovam o que chamo de emergência de uma nova consciência. Até torço para que o Planalto e o petismo insistam que os atos deste domingo foram malsucedidos. É o caminho mais curto da autodestruição. Esses caras ainda não perceberam que os que agora protestam não querem apenas o impeachment de Dilma. Essa é a pauta contingente. Eles falam em nome de uma pauta necessária, que é apear as esquerdas do poder, ainda que esse esquerdismo, hoje em dia, não passe de uma mistura de populismo chulé com autoritarismo.

Tenham a certeza, petistas e afins: a luta continua!

Texto publicado originalmente às 18h03 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

13/04/2015

às 4:49

12 DE ABRIL 2 – As quantidades que interessam. Ou: O legalismo que irrita as esquerdas

 Vejam esta foto de Alexsandro Quadros. Volto a ela depois.

Protesto Jacareí

Qual é o número de manifestantes que conforta a presidente Dilma? A resposta é esta: não existe.

Se a questão é lidar com quantidades, só duas interessam: o movimento de hoje reuniu algumas vezes mais gente do que aquele convocado pela CUT, PT e movimentos sociais, tendo Lula como um de seus incentivadores. Quando movimentos que acabaram de nascer — como Vem pra Rua, Brasil Livre e Revoltados Online — juntam mais gente do que os aparelhos tradicionais do estatismo-esquerdismo, dá para apostar que algo de novo está em curso. E olhem que esses grupos são formados basicamente por jovens, que despertaram e despertam para a política livres do assédio moral das esquerdas.

Mais uma vez, no Brasil inteiro, vimos pessoas de verde-e-amarelo se manifestando em paz, com alegria, com entusiasmo. Nem sombra de violência, nada! Os protestos se dão num clima de absoluto respeito aos patrimônios público e privado. As Polícias Militares apenas acompanham os atos, entre um selfie e outro, porque não precisam recorrer ao uso legal e legítimo da força para conter baderneiros.

Sei que esse clima de respeito às leis, à institucionalidade e à Constituição mexe com os piores instintos dos esquerdistas, que fazem do rancor, da violência e do ódio o combustível de suas mui particulares concepções de justiça social.

Contra os fatos e contra a história, as esquerdas reivindicavam o monopólio do humanismo, da alegria e até do bom humor. Hoje, escondem-se atrás do teclado para demonizar o povo, pelo qual sempre nutriram profundo desprezo.

A foto
A foto lá do alto foi enviada à Folha por Alexsandro Quadros. Trata-se de um flagrante da manifestação de protesto na cidade de Jacareí, no interior de São Paulo, que tem pouco mais de 200 mil habitantes. Um Brasil de todas as raças, que compõem a raça humana (a única que existe), ali se manifesta. E come coxinha para tirar uma onda da cara dos petistas.

Jacareí acabará não entrando na conta do Palácio do Planalto. Mas Jacareí e outras centenas de cidades existem e abrigam brasileiros que foram às ruas.

As vozes se multiplicam país afora, e o PT, felizmente, se nega a reconhecer o óbvio. Que continue a errar. O Brasil agradece.

Texto publicado originalmente às 19h04 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

13/04/2015

às 4:45

12 DE ABRIL 3 – A “Marcha a Brasília” e a “Pauta dos 50”. A oposição surgida na sociedade se manifesta e cobra a outra, a do Parlamento  

Kim Kataguiri  (no protesto do dia 15): ele anuncia a "Marcha a Brasília"

Kim Kataguiri (no protesto do dia 15): ele anuncia a “Marcha a Brasília”

Rogério Chequer (no dia 15 passado): o próximo passo é a "Pauta dos 50"

Rogério Chequer (no dia 15 passado): o próximo passo é a “Pauta dos 50″

O Movimento Brasil Livre anunciou neste domingo que dará início, no próximo dia 17, a uma “Marcha a Brasília”. A turma sairá da Praça Panamericana, em São Paulo. Segundo Kim Kataguiri, 19 anos, um dos coordenadores do MBL, o objetivo é chegar à capital federal no dia 17 de maio e lá promover uma grande manifestação.

O “Vem Pra Rua” também vai para o Planalto. Rogério Chequer, um dos coordenadores, diz que representantes de 50 movimentos que se opõem, vamos dizer, ao “statu quo” apresentarão a pauta das ruas ao Congresso Nacional nesta quarta, dia 15.

Tenho insistido neste aspecto, como sabem: uma das novidades, desta feita, é haver um “depois”. Tão logo se desocupam as ruas, há pessoas planejando o momento seguinte. E uma das boas notícias é que elas não se orientam segundo a lógica da oposição formal. Esse não formalismo, no entanto, não esbarra em práticas ilegais e violentas, como é o corriqueiro entre as esquerdas.

Neste domingo, note-se, a oposição também foi alvo de críticas na Paulista. Kataguiri disse que ela não pode continuar com uma “postura frouxa”. Renan Santos, também do MBL, cobrou uma presença maior do senador Aécio Neves (PSDB-MG) no debate e disse que ele “sumiu”. Os manifestantes exortaram ainda os senadores tucanos Aloysio Nunes e José Serra, ambos de São Paulo, e os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL), a encaminhar o pedido de impeachment de Dilma.

Eis mais um sinal da, como posso chamar?, salubridade desses movimentos de protesto. Sua pauta tem mesmo de ser mais ampla e mais radical do que a das oposições formais. Eles têm de ser para o oposicionismo, em alguma medida, o que os ditos “movimentos sociais” são para o petismo, mas com uma diferença: os grupos militantes são meras franjas do PT ou de partidecos de esquerda; dependem, para existir, do suporte dessas legendas e, com frequência, do estado. Já as forças que se organizam contra o lulo-petismo são, de fato, independentes. Não têm nenhum vínculo formal e doutrinário com os tucanos.

“Ah, então o MBL ou o Vem Pra Rua não reconhecem o papel institucional da oposição?” Tolice! Se não reconhecessem, não estariam fazendo cobranças. O que eles estão dizendo é que fatias crescentes do Brasil têm um nível de urgência que ainda não foi percebido pela oposição institucional.

Tratei desse assunto na minha coluna de sexta na Folha, que segue abaixo, reproduzida na íntegra. Notem ali que afirmo que o PSDB também terá de se reinventar se não quiser ser tragado junto com o PT.
*
Trabalhadores sem partido, uni-vos!

Um amigo, Felipe Nogueira, me sugeriu o tema desta coluna. Há uma nova consciência se formando no país. Ela não sabe direito quais são os pressupostos do PT. Também não tem muito claros os fundamentos do PSDB. Uma coisa é certa: essa turma não é mais refém dessa dualidade que, a seu modo, só interessava aos litigantes, como em “Os Duelistas”, o excelente filme de estreia de Ridley Scott. As personagens de Harvey Keytel e Keith Carradine passam a vida tentando matar um ao outro. Até o dia em que o desequilíbrio acontece, e um deles morre.

Bem, e aí? Aí o filme acaba em melancolia. Não estou dando spoiler nenhum. Por óbvio, haveria a hora em que um dos dois cometeria um erro. Aconteceu. E o outro pôde experimentar, então, a verdadeira solidão.

Há um novo lugar na política brasileira que, até agora, não foi ocupado por ninguém. Os milhares, ou milhões, que saíram às ruas no dia 15 de março são órfãos de partido, são órfãos de representação, são órfãos de porta-vozes. A maioria conservadora do país –que excita o tédio e a fúria pretensamente elegantes e inequivocamente persecutórios da revista “Piauí”– não encontra seus representantes na política institucional.

É crescente o número de pessoas dessa maioria a perceber que os tucanos, por exemplo, continuam, com as exceções de praxe, com medo “do povo que há” porque demasiadamente preocupados “com o povo a haver”. Peessedebistas, em suma, ainda privilegiam em seu discurso uma população, digamos, escoimada de suas supostas impurezas.

Vários movimentos que se opõem ao atual estado de coisas convocaram um protesto para este domingo, dia 12. Talvez reúna menos gente do que o do dia 15 de março. Superar aquele marco não é relevante. Nenhuma sociedade, a menos que viva uma convulsão pré-revolucionária, se mantém permanentemente na rua contra o “statu quo”.

O sintoma que interessa ao futuro é outro. Mesmo liderando uma máquina ainda poderosa e organizada, CUT e PT protagonizaram um vexame na terça passada. Nem os companheiros compareceram ao enterro da última quimera de Luiz Inácio Lula da Silva. Quem apostaria, até outro dia, que a prontidão de mulheres e homens comuns, sem o abrigo de bandeiras, superaria a da militância organizada? Mas hoje é assim.

Os procuradores da velha ordem ainda insistem em ouvir no alarido dessa rua sem pedigree o sotaque daquela dualidade que interessava a oportunistas e picaretas. Acabou. Não há mais. Quando a esquerda financeira da revista chique para botocudo faz pouco caso da direita-sem-banco que produz, bate panelas e se nega a financiar o PT, a gente tem de concluir que algo de efetivamente novo está em curso no país. Para a tristeza dos dinossauros de punhos de renda.

E essa novidade não depende nem da adesão nem da bênção daqueles que se queriam os donatários da legitimidade das causas. A tão sonhada, pelas esquerdas, “democratização” dos meios de comunicação se realiza na prática e leva à praça a voz dos que trabalham e arrecadam impostos. E isso parece insuportável aos ouvidos dos distributivistas do fruto do trabalho alheio –desde que o spread bancário financie a boa consciência, é claro!

Tucanos versus petistas? Que coisa velha, santo Deus! Também o PSDB terá de se reinventar, e haverá de ser à direita, se não quiser ser banido, junto com o PT, do universo de referências desses que ora despertam. 

Texto publicado originalmente às 19h53 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

13/04/2015

às 4:43

12 DE ABRIL 4 – A população na Paulista: segundo a PM, 275 mil; segundo o Datafolha, 100 mil

Huuummm. Diminuiu a desproporção entre os números da Polícia Militar e do Datafolha em relação ao protesto da Paulista. No dia 15 de março, a PM apontou um milhão, e o Datafolha, 210 mil — 21%. Desta feita, a mesma PM fala em 275 mil; se o instituto mantivesse a proporção, apontaria 57.750. Mas não. Viu quase o dobro: 100 mil. Atenção! A petezada, já chego lá, está berrando na Internet que, fiquemos com o número menor, 100 mil pessoas só na Paulista são um índice de insucesso. É mesmo? Por que o PT e a CUT, então, não tentam colocar ao menos 101 mil? Ora…

Comparações com protestos em favor das diretas ou mesmo com atos não políticos, como a marcha evangélica ou a parada gay são despropositadas. Os primeiros só existiram no centro-sul do país, e, atenção!, uma única cidade — São Paulo, Rio ou Belo Horizonte — juntava brasileiros oriundos de todo os lugares. O mesmo se diga sobre as outras duas manifestações.

Agora, é diferente! Estima-se que houve protestos em pelo menos 400 cidades.

Texto publicado originalmente às 20h43 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

13/04/2015

às 4:39

12 DE ABRIL 5 – Desafio o PT, a CUT e Lula a pôr nas ruas 240.001 pessoas de verdade; Ou: Mobilizar fantasmas, picaretas e robôs nas redes sociais é fácil

Eu adoro a frase com que Talleyrand definiu os Bourbons, e eu a vivo repetindo para sintetizar a prática dos petistas: “Não aprenderam nada, não esqueceram nada”. Por que digo isso? Se o Planalto, desta feita, se comportou com prudência e não mobilizou ministros para falar besteira sobre as manifestações, os petistas, como de hábito, não se contiveram.

Enquanto milhares de pessoas estavam nas ruas para protestar contra o governo e para pedir o impeachment de Dilma, a militância paga do partido emplacava no Twitter o “#AceitaDilmaVez”. É… Não deixa de ser uma ótima provocação para excitar os próximos protestos. Na sua página na Internet, o PT nacional publicava um texto verdadeiramente estupefaciente, intitulado: “Protestos regridem e militância toma as redes sociais”. Reproduzo um trecho em vermelho.

Enquanto os protestos minguavam nas ruas, neste domingo (12), simpatizantes de Dilma Rousseff e militantes do PT mobilizaram as redes sociais e tornaram a hashtag #AceitaDilmaVez a mais comentada no País. O tema ocupou lugar de destaque nos trending topics (TT) do Twitter no Brasil a partir das 13h e chegou a ser o segundo tema mais debatido no mundo.
A mobilização dos internautas foi tão intensa que, no fim da tarde, cerca de 100 novos tweets por minuto foram lançados ao microblog em apoio à presidenta. Por outro lado, nas ruas a mobilização reuniu cerca 240 mil pessoas, segundo estimativas das polícias militares. O total representa um décimo do número de pessoas registradas pelas polícias militares em 15 de março.
O vice-presidente nacional e coordenador das redes sociais do Partido dos Trabalhadores, Alberto Cantalice, parabenizou em seu perfil os usuários que apoiaram o partido pelo microblog. “Militância do PT e apoiadores do Governo Dilma deram uma grande contribuição à democracia atuando intensamente nas redes”, afirmou.”
(…)

Retomo
O texto acima demonstra que, felizmente, o PT realmente está perdido. Tudo indica, para o bem do Brasil, que o quadro é mesmo irreversível. Ou, então, vejamos:
a: ainda que o número divulgado pelo partido — 240 mil — estivesse certo, isso colocaria os atos deste domingo entre as maiores manifestações do país;

b: comparar o berreiro na Internet com a população real, gente de carne e osso, que está efetivamente nas ruas, que dedica o dia de descanso ao protesto político, é sinal de desespero;

c: o protesto deste domingo deve ter reunido, deixem-me ver, umas 15 vezes mais pessoas do que o organizado pela CUT, pelo PT e por Lula no dia 7;

d: em São Paulo, só para se ter um ideia, os vermelhos mobilizaram 400 pessoas no dia 7; a turma do verde-e-amarelo, 275 mil (segundo a PM) ou 100 mil (segundo o Datafolha);

e: o PT nunca admitiu que os protestos do dia 15 juntaram 2,4 milhões; agora, assume esse número para dizer que os atos deste domingo reuniram um décimo daquele total;

f: o PT, como se vê, pretende enfrentar a população real, de carne e osso, com a turma treinada no chamado “MAV”: Mobilização em Ambientes Virtuais, uma das maneiras empregadas pela legenda para aparelhar também a Internet.

Ao aderir a esse tipo de provocação, das mais tolas que há, o PT dá um estímulo e tanto a futuros protestos.

Pois é… Os petistas sempre se orgulharam de estar ao lado do tal “povo”, que eles decidiram privatizar. Digamos que tenham sido mesmo 240 mil os manifestantes deste domingo em todo o país. Desafio o PT, a CUT e Lula a pôr nas ruas 240.001 pessoas em defesa do governo e do partido.

Mobilizar fantasmas e robôs na Internet é fácil. Basta ter muito dinheiro e pouco caráter. Quero ver é o partido juntar muitos milhares de mulheres e homens reais, a exemplo do que se fez neste domingo. O protesto não custou quase nada. Exigiu pouco dinheiro e muito caráter.

Texto publicado originalmente às 21h24 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

13/04/2015

às 4:27

12 DE ABRIL 6 – Temer faz a coisa certa e, à diferença dos petistas, não demoniza manifestantes

Então vamos lá. O peemedebista Michel Temer, vice-presidente da República e novo coordenador político do governo, compareceu neste domingo ao velório de Paulo Brossard (é claro que ainda escreverei a respeito), no Rio Grande do Sul. E falou sobre os protestos. Em vez de hostilizar os manifestantes, como é prática no petismo, fez o contrário, informa a Folha:
“Nós temos que estar muito atentos a essas manifestações. O governo está prestando atenção a essas manifestações. Elas revelam, em primeiro lugar, e vou dizer o óbvio, uma democracia poderosa. Em segundo lugar, o governo precisa verificar quais exatamente são as várias reivindicações e atender a essas reivindicações. E é isso que o governo está fazendo.”

Nem vou entrar no mérito se está fazendo ou não — acho que não, mas essa é outra questão. Estamos de tal sorte desacostumados a manifestações de massa contra o governo central que não nos escandalizamos quando partidos políticos, autoridades e jornalistas as tratam como se fossem pregação golpista.

Temer ainda fez uma boa associação entre Brossard e o protesto deste dia 12: “Ele representa aquilo que hoje está nas ruas. A democracia foi devolvida, em grande parte, pela atuação extraordinária do professor, do ministro Paulo Brossard, no PMDB, no MDB de antigamente.”

É isso. Um governante responsável, numa democracia, não demoniza o povo, quando este se manifesta, como tem sido o caso, nos limites estritos da democracia e do estado de direito.

Se Temer tivesse dito alguma porcaria, iria apanhar aqui. Como disse a coisa certa, então eu o elogio. É assim que funciona.

Ah, sim: ainda escreverei um texto comparando o comportamento da imprensa em três momentos: campanha das diretas, impeachment de Collor e protestos contra Dilma e o PT. Daqui a pouco.

Texto publicado originalmente às 22h27 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

12/04/2015

às 7:37

Datafolha 1 – Pesquisa evidencia o naufrágio de Lula. Ou: Lembram-se do tempo em que Gilberto Carvalho dizia que o PT contava com “um Pelé” no banco de reservas? Ou ainda: Abaixo do capeta!

Datafolha abril Lula-Aécio

Aí, ai… No terceiro dia do primeiro mandato de Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, nomeado, então, secretário-geral da Presidência, concedeu uma entrevista à Folha. Com a modéstia habitual que caracteriza os petistas quando julgam estar acima da carne-seca, afirmou
“(…) Acho que o governo da Dilma será de muita competência. Se Deus quiser, faremos um belíssimo governo, e ela será reeleita. É evidente que, se não der certo, temos um curinga. Estou dizendo para a oposição: ‘Calma. Não se agitem demais. Temos uma carga pesada. Não brinca muito que a gente traz. É ter o Pelé no banco de reservas’”.

Carvalho estava se referindo, claro!, a Lula. E olhem que, reitero, a entrevista foi publicada no terceiro dia do primeiro mandato. Nem se sabia ainda que comportamento adotaria, então, a oposição. Mas o chefete petista já estava lá, ameaçando com a  “volta do Lula”… Pois é. Parece que o Super-Homem se encontrou com a kryptonita da realidade, não é mesmo? Segundo pesquisa Datafolha publicada na Folha deste domingo — os infográficos que aparecem nos posts foram extraídos do jornal —, se a eleição fosse hoje, este seria o resultado do primeiro turno.

Como se vê, o tucano Aécio Neves largaria na frente, com 33% dos votos. Lula, acostumado a ver o seu nome liquidar os adversários logo no primeiro turno (embora ele não tenha logrado esse feito nas duas vezes em que venceu), agora amarga um segundo lugar, com 29%. Marina Silva e Joaquim Barbosa obteriam, cada um, 13%; deram outras respostas 9%, e 3% disseram não saber. Dada essa distribuição, é evidente que o Apedeuta perderia numa simulação de segundo turno.

Sim, é bem verdade que ele ainda é apontado como o melhor presidente do Brasil, com 50% das menções, seguido por FHC, com 15%. Getúlio Vargas obtém 6%. A importância desse ranking é próxima de zero. O que sabem os atuais eleitores sobre presidentes do passado remoto? Espantoso, isto sim, é que, na lista, Dilma obtenha os mesmos 2% de Juscelino e Sarney…

A crise e a roubalheira, e isto preocupa os petistas de modo especial, estão sendo desastrosas também para a imagem e a reputação de Lula. Não por acaso, nos protestos de rua, ele é tão execrado como Dilma. E, mais do que a ambos, há o repúdio ao PT.

Faz sentido? Faz, sim! Tanto o partido como o Babalorixá de Banânia reagiram de modo furioso e desastrado ao descontentamento das ruas. Vejam, por exemplo, o incrível João Vaccari Neto. Afogado num mar de denúncias, o homem continua nada menos do que tesoureiro do PT. É ele quem cuida das finanças do partido. E só continua no posto porque, até agora, Lula banca a sua permanência.

Para lembrar: um terço do eleitorado é o que o PT costuma ter no país, ainda que o capeta seja o candidato. Lula ficou um pouco abaixo: 29%. Abaixo do capeta.

Por Reinaldo Azevedo
 

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