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Governo Dilma

26/03/2015

às 7:38

Uma boa entrevista de FHC e a questão do impeachment. E ainda: Dilma como refém

Gostei da entrevista de Fernando Henrique Cardoso à Folha. E concordo com boa parte do que vai lá. Escrevi neste blog, no dia 24, que a presidente Dilma Rousseff é refém de Joaquim Levy (texto aqui), afirmação que ele faz à Folha. É claro que ela segue sendo a chefe. Mas cabe a pergunta: pode demiti-lo? A Standard & Poor’s deixou claro que o país só não foi rebaixado porque confia no pacote fiscal do ministro…  Na atual situação, depois de Levy, só dilúvio.

Leiam essas duas perguntas, com suas respectivas respostas, sobre o impeachment:
Setores que defendem o impeachment dizem que o sr. poupa Dilma e reedita o que fez em 2005 por Lula…
Em 2005 havia possibilidade legal de pedir impeachment. Por que não teve? Porque a rua não estava nessa posição. O impeachment não é um ato simplesmente técnico. Cria um fosso, um mal-estar historicamente ruim. Agora, quem está processando a Dilma por algo que ela fez? Não tem. Quer dizer que não venha a acontecer? Não sei. Estamos numa situação de ponto de interrogação. Dependemos do calor da rua, do avanço do processo judicial e da mídia. Seria irresponsável nessa situação eu sair com uma bandeira fora de hora.

Mas o sr. acha que hoje um pedido de impeachment de Dilma teria o mesmo problema que viu no de Lula em 2005?
Não, é diferente. E vou dizer uma coisa arriscada: o Lula perde hoje. Hoje [se Dilma cai e fazem novas eleições], o Lula perde. Mas não penso eleitoralmente. Sou democrata. Não vou dizer: ‘Então vamos fazer o impeachment porque o Aécio [Neves] ganha, o Geraldo [Alckmin] ganha, ou eu ganho’. Não estou dizendo que nunca vai se chegar a tal ponto [do impeachment]. Não sei.

Comento
Eu estou entre aqueles que acham que existem elementos, com base na Lei 1.079, para fazer a denúncia à Câmara. Notem que o ex-presidente nem entra nesse mérito: diz apenas que inexiste esse processo, o que é fato. De resto, com efeito, isso não se faz da noite para o dia.

É claro que o PSDB poderia apresentar a petição à Câmara. Haveria o risco de ser rejeitada já na primeira comissão. Um dos requisitos — leiam a Lei 1.079 — é que a denúncia se faça acompanhar de provas. Será que, hoje, a Câmara daria andamento à denúncia com base apenas em testemunhos de pessoas em processo de delação premiada e tendo como premissa a quebra do decoro, conforme o Inciso 7º do Artigo 9º da referida lei? No atual estágio, a resposta é esta: muito provavelmente, não! Uma rejeição, nesse caso, tenderia a afastar do horizonte o impeachment, independentemente do que ainda virá pela frente.

Cumpre ler com cuidado o que disse FHC. Essa sua declaração me parece bem mais ajustada do que outras que deu a respeito. De resto, meus caros, é evidente que um processo de impeachment requer determinadas circunstâncias políticas, sim, além das jurídicas.

“Ah, mas você não disse achar que já existem motivos?” Sim, eu acho. Mas quem também precisa achar — além da maioria dos brasileiros, que pensa o mesmo — é a Câmara dos Deputados. É por isso que, nesse caso, a rua é a serventia da democracia. Entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

25/03/2015

às 15:44

Novo partido de Kassab: por que Dilma entra, mais uma vez, num jogo de “perde-perde”? Ou: PMDB e DEM vão à Justiça contra truque

As pessoas têm o direito de caminhar para o abismo. Dilma é uma pessoa. Logo, Dilma tem o direito de caminhar para o abismo. Se a “presidenta”, como eles dizem, quer ser vítima do silogismo perfeito, o que fazer a não ser assistir à sua queda espetacular?

Ela está numa enrascada em razão de escolhas que fez e de escolhas que não fez. Poderia fazer outras tantas para tentar se segurar no cargo enquanto der ou para evitar turbulências desnecessárias. Mas ela não é do ramo. Está na cara que, a esta altura, deveria chamar seu ministro das Cidades, Gilberto Kassab, e dizer: “Pare com esse negócio de criar o PL agora. Isso só me arruma confusão com o PMDB. Se essa gente quiser, acaba me empurrando para o impeachment, e não haverá Supremo que salve, até porque nem sei quantos capetas vão sair ainda da Operação Lava-Jato”.

Mas Dilma não faz isso. Ao contrário! Por tudo o que se sabe e se dá como certo em Brasília, Kassab está criando o PL sob a inspiração da… governanta. Para vocês terem uma ideia, entre 2007 e 2014, o famoso Cleovan Siqueira (conhecem?), o suposto chefão do suposto novo partido, havia conseguido apenas 80 mil assinaturas para criar a sigla. Aí a máquina kassabiana entrou na parada e se alcançaram as 500 mil, embora reportagem da Folha já tenha evidenciado a existência de fraudes. Nota para quem ainda não entendeu: parlamentares hoje na oposição ou no PMDB não poderiam migrar para siglas já existentes, inclusive o PSD, de Kassab, mas poderiam ir para uma nova: o tal PL.

Muito bem! O Congresso já aprovou medidas restritivas à criação de novas legendas: a fusão com outros partidos só poderá se dar depois de cinco anos, e os parlamentares migrantes não levarão a parte correspondente ao tempo na TV e ao Fundo Partidário. Espertamente (será que é esperto mesmo?), Dilma deixou para sancionar a lei só nesta quarta, um dia depois de o PL ter entrado com o pedido de registro, o que poderia se dar, em tese, pela lei antiga. Dilma vetou algumas minudências, o que também é do gosto dos que pretendem criar a nova legenda.

DEM e PMDB decidiram recorrer à Justiça Eleitoral. Mais uma vez, para Dilma, é um jogo de perde-perde, como foi o lançamento da candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara: se Eduardo Cunha fosse derrotado, ela teria contra si fatia considerável do PMDB. Se ganhasse, também! Bingo! Cunha, a propósito, já declarou guerra ao tal novo partido e vê na lambança o dedo do Planalto: “Tem um manancial de briga jurídica pela frente. Duvido que algum parlamentar vá poder se filiar a esse partido enquanto não tiver definição se alguém pretende disputar as eleições de 2016. Infelizmente, está se optando para sair do campo político para ir para o campo jurídico. Não são partidos com ideologia, com formação para disputar processo eleitoral normal. São partidos criados dentro da máquina do governo com o objetivo de tirar parlamentares de outro partido”.

O presidente da Câmara disse ainda que o Congresso irá derrubar o veto que a presidente Dilma fez ao projeto: “Acho que não deveria ter tido nenhum veto no projeto, aquilo não é matéria do Poder Executivo, é de partido político, não afeta a governabilidade. Nós vamos trabalhar com toda força para derrubar esse veto. Isso mostra mais uma vez que o governo estava empenhado na criação desse partido”, disse.

Agora, se a Justiça der um “ok” para a criação do PL — o que será um escândalo a céu aberto —, haverá, sim, a migração de alguns peemedebistas, o que vai indispor o partido com Dilma. Se a Justiça disser “não”, a indisposição está dada porque é evidente o dedo do Planalto na tentativa de quebrar as pernas do PMDB. Por que alguém entra numa operação como essa? Não sei.

Dilma desafia a lógica.

Dilma desafia o bom senso.

Dilma desafia o óbvio.

Acho que isso diz muito da qualidade do seu governo. Tudo compatível com quem tem nove coordenadores políticos — Kassab inclusive.

E o que deve fazer a Justiça Eleitoral? Os juízes já sabem tudo o que é preciso saber sobre o PL: quem o está criando; por quê; as suas especificidades, digamos, “ideológicas”; que mão balança o berço… Ficarão entre fazer a coisa certa e se desmoralizar.

Por Reinaldo Azevedo

25/03/2015

às 6:51

Câmara aplica nova derrota acachapante a Dilma e dá 30 dias para o governo regulamentar lei que já foi sancionada pela presidente. Ou: Essa gestão ainda será dissecada em laboratório

Atenção, leitor! O assunto parece um tanto árido, mas é um excelente emblema destes dias.

Pois é… Às vezes, ter memória pode ser um pouco exasperante. Mas útil. Sobretudo se ela é posta a serviço do leitor. Nesta terça, a Câmara dos Deputados aplicou uma nova derrota ao governo Dilma — ou, para ser mais exato, à presidente Dilma Rousseff em pessoa, o que revela o grau de desarticulação política do governo. A que me refiro? Contra a orientação do Planalto, a Casa aprovou um projeto que dá ao governo um prazo de 30 dias para regulamentar e executar a lei que alivia a dívida de Estados e municípios. O texto foi aprovado por 389 votos a favor e apenas duas abstenções e segue para o Senado. Agora vem a memória.

Sabem o que é o verdadeiramente fabuloso? O PLC (Projeto de Lei Complementar) 99/2013, que muda o indexador e diminui retroativamente a dívida de Estados e municípios é, originalmente, de inciativa do Executivo. Sim, leitor, a chefe do Executivo é a presidente Dilma. O relator da proposta na Câmara foi o então líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), hoje presidente da Casa.

Depois de sólido entendimento celebrado com o governo, ficou estabelecido que a indexação da dívida seja feita pelo IPCA ou pela taxa Selic (o que for menor) mais 4% ao ano, não pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) mais juros de 6%, 7,5% ou 9% ao ano (a depender do caso), como se faz desde 1997, quando as dívidas foram renegociadas pelo governo federal. A proposta só foi aprovada pelo Senado em novembro do ano passado e sancionada pela presidente. Faz, portanto, quatro meses.

A correção retroativa, explique-se, foi introduzida no texto pelos parlamentares, mas Dilma poderia ter vetado. Por que não o fez? Ao contrário até: acenou com a sua aprovação durante a campanha eleitoral porque, sabem como é…, para obter votos, pode-se prometer qualquer coisa.

O alívio para Estados e municípios é gigantesco. Um passivo de R$ 55 bilhões se reduz a R$ 9 bilhões. Quando a cidade de São Paulo renegociou a dívida, ela era de R$ 11 bilhões. Já se pagaram R$ 25 bilhões, mas o saldo é de R$ 62 bilhões. Com o novo indexador, cai para R$ 26 bilhões. Com a nova regra, a cidade do Rio zera o seu estoque, que despenca de R$ 6,2 bilhões para R$ 29 milhões, valor depositado em juízo. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) recorreu à Justiça e obteve liminar para fazer o pagamento segundo as novas regras.

Antes que continue, uma observação: embora criticado por muitos, defendi, sim, a renegociação e a redução da dívida — ainda que o prefeito Fernando Haddad, cuja gestão desprezo, possa ser um dos beneficiados. Na verdade, eu faço essa defesa desde 2010, como vocês podem ler aqui. A razão é simples: se o mecanismo criado 1997 era seguro em face das circunstâncias de então, a sua manutenção é um verdadeiro escândalo. Ora, o Tesouro corrige a dívida desses entes a taxas que já chegaram a 14% no caso dos municípios e a 12,5% no dos Estados, mas empresta dinheiro a apaniguados, por exemplo, por intermédio do BNDES, com juros na casa de 4% a 5%. Faz sentido? Trata-se de uma receita segura para quebrar os endividados.

Trapalhada
Pois bem… Aquilo que a Dilma de novembro de 2014 sancionou, a Dilma de março de 2015 já não podia garantir. Numa resposta ao prefeito do Rio, que recorreu à Justiça, a presidente cometeu a sandice de sair a falar contra a lei que ela própria sancionou. Disse: “Nós estamos fazendo um imenso esforço fiscal. Nós achamos importantíssimo tratar a questão da dívida dos Estados. Agora, não podemos fazer essa despesa. Não temos condições de fazer essa despesa. Obviamente, assim que melhorar, a primeira coisa a melhorar, nós teremos todo o interesse em resolver esse problema. Agora, o governo federal não pode dizer para vocês, porque seria uma forma absolutamente inconsequente da nossa parte, que nós temos espaço fiscal para resolver este problema. Estamos dentro da lei tentando resolver essa questão, em acordo com os Estados. Até porque isso é problema momentâneo”.

E seus coordenadores políticos, liderados por Aloizio Mercadante, saíram a campo para tentar impedir a aprovação do projeto na Câmara. A receita para a derrota era certa. E foi o que aconteceu. À tarde, numa palestra para empresários, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, já havia dito que o ajuste fiscal, da forma como está, não passa no Congresso.

O governo Dilma, definitivamente, ainda será matéria de curiosidade científica; ainda será dissecado num laboratório, com a mesma curiosidade com que um entomologista escarafuncha um inseto. Por que diabos a presidente da República defende um ponto de vista que, com certeza absoluta, será esmagado no Congresso, com os votos até de petistas, como aconteceu?

Se Dilma tivesse um coordenador político, eu faria a ele essa pergunta. Mas ela tem nove. Aí eu fico com preguiça. Eduardo Cunha ganhou mais uma. Mas essa, convenham, era fácil demais. Daqui a pouco, tomar o pirulito de uma criança será tarefa mais complexa.

Texto publicado originalmente às 4h55
Por Reinaldo Azevedo

25/03/2015

às 6:18

Brasil perde participação em 4 dos 5 maiores destinos de exportação

Por Álvaro Fagundes e Renata Agostini, na Folha:
O governo Dilma Rousseff aponta a crise global como culpada pelo mau momento da economia e do comércio externo brasileiros, porém os números mostram que a culpa não está só no exterior. No ano passado, as exportações brasileiras (que acumulam três anos de queda) perderam espaço em 4 de seus 5 principais mercados em relação 2013. Ou seja, o Brasil vem ficando para trás onde mais interessa. O levantamento considera os dados dos países parceiros, permitindo verificar o desempenho do país ante os rivais internacionais.

No grupo dos cinco maiores mercados, responsável por quase 60% do que o Brasil exportou em 2014, houve perda de participação na União Europeia, na China, na Argentina e no Japão. Somente nos EUA ocorreu aumento da fatia. Em discurso em rede nacional, no início do mês, Dilma citou a crise global entre os principais motivos para as dificuldades econômicas vividas pelo país, que pode entrar em recessão em 2015. Os números mostram, no entanto, que outros países têm aproveitado o momento para roubar espaço do Brasil em mercados estratégicos.

O caso mais drástico é o da Argentina, onde a fatia brasileira encolheu quatro pontos percentuais no ano passado. A crise econômica no país vizinho vem forçando-o a reduzir importações. Mas, enquanto as compras de produtos brasileiros tiveram queda de 25% em 2014, as de bens chineses caíram somente 5% e as do bloco Nafta, que reúne Estados Unidos, Canadá e México, subiram 4%. A China é quem mais avança sobre a histórica vantagem brasileira no mercado argentino –em 2005, os brasileiros chegaram a deter 36% das importações. Além de preço baixo, os chineses vêm oferecendo generosas linhas de crédito ao governo Kirchner.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

24/03/2015

às 5:19

Números são devastadores para Dilma, mas petistas continuam a escolher a saída mais burra. Se bem que cabe perguntar: eles sabem fazer diferente?

Se o Planalto havia gostado muito pouco dos números da pesquisa Datafolha, divulgados na quarta passada, apontando que apenas 13% dos entrevistados acham o governo Dilma “ótimo ou bom”, contra 62% que o têm por “ruim e péssimo”, gostou ainda menos dos dados do levantamento CNT/MDA que vieram à luz nesta segunda: são ainda piores. Apenas 10,8% dizem ser a gestão ótima ou boa. Nada menos de 64,8% a têm por ruim ou péssima. Se a eleição presidencial fosse hoje, aponta o levantamento, o tucano Aécio Neves venceria a disputa por folgados 55,7% a 16,6% — brancos e nulos somaram 22,3%, e 5,4% disseram não saber em quem votar.

O resultado é devastador. E pode piorar, querem ver? Nada menos de 59,7% se dizem favoráveis ao impeachment da presidente, contra 34,7% que se dizem contrários. Desaprovam a presidente 77,7% dos que responderam ao levantamento, contra uma aprovação de apenas 18,9%. Nem poderia ser diferente: 75,4% dizem que o segundo mandato de Dilma é pior do que o primeiro, e 68,9% acham que a presidente é culpada pelos escândalos na Petrobras.

Perceberam? Não há boa notícia possível. Não há como achar um número inspirador. Esses dados — e isso já tinha sido captado pelo Datafolha — explicam a indisposição das ruas com a presidente. Esses percentuais demonstram por que dois milhões lotaram os espaços públicos no domingo. Viram-se na sequência um governo assustado, acuado, e um partido — no caso, o PT — desesperado, a falar qualquer coisa. Rui Falcão, presidente da legenda, chegou até a imaginar um pacote de inspiração bolivariana contra a imprensa. Que se note: em política, adversários sempre são um problema. É o esperado. Um governante está lascado mesmo é quando seus aliados fazem bobagens em penca. É o caso hoje em dia.

A população, ademais, está solidária com os protestos. Dizem apoiá-los 83,2% dos entrevistados, que não são, à diferença do que afirmaram alguns ministros aloprados, apenas eleitores de oposição. Entre os que responderam a pesquisa, 41,6% declararam ter votado em Dilma nas eleições de outubro do ano passado, contra 37,8% que votaram em Aécio. Como se vê, os próprios eleitores da petista desertaram.

Até agora, registre-se, não se ouviu uma só palavra sensata oriunda do Planalto  e do PT. Quem não está perplexo desanda a falar bobagens pelos cotovelos. Todas as formas possíveis de desqualificar os manifestantes foram tentadas. Nenhuma funcionou. Ao contrário: a agressão a quem exerce o sagrado direito democrático de dizer “não” só agrava o quadro da crise. Ora, dados os desastres econômicos em série, as lambanças na Petrobras e as evidências de uma espécie de governo paralelo que estava lotado na estatal, o razoável seria que o governo definisse um interlocutor para tentar o diálogo com os divergentes. Na democracia, isso é comum e nada tem a ver com cooptação.

Mas quê! Eles continuam a sentar o braço nos adversários, a mover a máquina suja do subjornalismo contra alvos que consideram incômodos, a provocar ainda mais repúdio em razão de sua cultura autoritária. Pior: nunca se sabe quando um novo episódio da Operação Lava-Jato explode aos olhos dos brasileiros. A situação política de Dilma continua desesperadora. Hoje, a única esperança do Planalto é que, da Caixa de Pandora da Lava-Jato, surjam evidências contundentes contra alguns “aliados inimigos” — como Eduardo Cunha — e contra oposicionistas. O diagnóstico entre os palacianos é pessimista. Até porque Dilma não tem com que acenar.

O Boletim Focus prevê uma recessão de 0,83%, com inflação de 8,12% neste 2015. A Fiesp, num estudo inédito — e, parece-me, mais realista — acha que a economia encolherá 1,7%, com uma retração de 4,5% na indústria, que já deve ter encolhido 1,8% em 2014. Não sobraram a Dilma nem mesmo alguns caraminguás com que acenar para os pobres.

Dilma poderia ter ao menos o conforto espiritual de culpar a oposição por ter inflado a crise. Mas ela sabe que isso seria falso como nota de R$ 3. A oposição com a qual o governo não consegue nem diálogo nem contato está nas ruas, com o cidadão comum, permanentemente hostilizado pela tropa de choque petista. É a coisa mais burra a fazer. Mas parece que eles não sabem fazer de outro modo.

Texto publicado originalmente às 3h28
Por Reinaldo Azevedo

24/03/2015

às 3:43

Aqui Entre Nós: “Ponha a mão no fogo pelos petistas, Lula!”

Por Reinaldo Azevedo

24/03/2015

às 2:31

Standard & Poor’s aposta num Brasil que não depende nem do PT nem dos petistas. Resumo da ópera: hoje, eles atrapalham o país

É claro que a notícia não é boa apenas para a presidente Dilma Rousseff. É boa para o país. A agência de classificação de risco  Standard & Poor’s manteve a nota de crédito do Brasil, com perspectiva estável. Assim, na agência, o país permanece “BBB-”, que é o último patamar do grau de investimento. Havia um medo pânico de que viesse o rebaixamento, o que seria desastroso: o país teria mais dificuldade para se financiar, pagaria juros maiores e veria fugir investimentos de grandes empresas e fundos internacionais que não podem apostar em países no grau especulativo.

Mas o “x” da questão não está aí. A Standard & Poor’s deixou claro por que manteve o rating brasileiro: confiança no ajuste fiscal que está sendo implementado pelo governo, cuja personificação é Joaquim Levy, demonizado pelas esquerdas petistas. Não só isso: a agência também elogiou o que considerou “independência” com que o Ministério Público está fazendo o seu trabalho — o mesmo MP que é alvo permanente dos companheiros. “Você também já criticou o MP, Reinaldo!” E continuarei a fazê-lo sempre que achar necessário. A questão é saber qual é a crítica dos petistas e qual é a minha. Os leitores que me interessam e que quero sabem fazer a distinção.

Assim, vejam que mimo: Dilma só não entrou numa encalacrada dos diabos — e, com ela, todo o país — porque os dois principais alvos do petismo — Levy e o MP — concorreram para que a S&P mantivesse o rating do país. E o que isso quer dizer?

Que Dilma é hoje refém de Joaquim Levy, o que, sob certo ponto de vista, não deixa de ser uma boa notícia. Pior seria se fosse refém do PT e de outras forças retrógradas, eu sei. Mas é fato: hoje, o ministro da Fazenda tem mais poder no país do que a própria presidente da República. É para ele, não para ela, que se voltam os olhares.

A rigor, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, é uma figura política hoje com mais trânsito do que a presidente da República. E, como é sabido, nessa área, trânsito é sinônimo de… poder! O mesmo se diga de Michel Temer, vice-presidente da República, que consegue dialogar com forças com as quais Dilma não conversa.

É um movimento em muitos aspectos natural. O poder rejeita o vácuo. Como a presidente, no momento, está sem iniciativa política, outras figuras ocupam o espaço.

Dilma segue presidente, mas resta evidente que a Standard & Poor’s e os que conseguem manter o otimismo apostam no num Brasil que não depende nem do PT nem dos petistas. Hoje, eles atrapalham o país.

Texto publicado originalmente às 19h27 desta segunda e atualizado às 2h31 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

24/03/2015

às 0:46

#prontofalei – Uma pesquisa ruim para Dilma e um alento

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 17:20

Dilma chama um movimento que pratica crimes de “democrático” e trata como criminosos os que saem às ruas para cobrar decência

A presidente Dilma Rousseff foi nesta sexta a um assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, para participar da abertura da colheita de arroz ecológico. E ouviu uma aulinha de política do professor João Pedro Stédile.

O professor João Pedro Stédile é aquele que prometeu pôr seu “exército” a serviço da preservação do mandato de Dilma. O professor João Pedro Stédile é aquele que, há poucos dias, saudou um ato de terrorismo praticado por seus soldados mulheres, que invadiram um laboratório de pesquisas e destruíram mudas de eucalipto transgênico. O professor João Pedro Stédile é aquele que promove, com alguma frequência, bloqueio de estradas e que lidera, do gabinete, a indústria de invasão de propriedades rurais.

Se alguém ainda não entendeu, escrevo de outro modo, por meio de indagações. Se Dilma pode ir a um evento de um grupo cujos membros cometem crimes em penca — e o fazem de modo que não possam ser responsabilizados por isso —, com que outras forças criminosas também poderia se encontrar para demonstrar que gosta do diálogo? Se trabalhadores ditos “sem terra” têm licença para depredar laboratórios, que tipo de crimes seriam tolerados de trabalhadores com terra, presidente?

É, senhoras e senhores! Dilma não foi ao evento apenas para prestigiar o MST. Teve de ouvir um pito de Stédile, que cobrou humildade dos ministros. Mais do que isso: reivindicou que Joaquim Levy vá discutir as medidas fiscais com o MST. Acusou ainda o ajuste em curso de prejudicar programas sociais. Falou por 19 minutos. Dilma discursou por 33. Defendeu as medidas na área econômica, afirmou que não pode governar com os olhos de um “movimento social” e negou que os mais pobres estejam sendo prejudicados. A presidente, em suma, se justificava diante de Sua Excelência João Pedro Stédile.

Retrato, até aqui, como diria a poeta Cecília Meireles, “o patético momento” de Dilma. A coisa iria piorar muito, caminhando para o grotesco. Em entrevista depois da solenidade, afirmou a presidente:
“Acho absolutamente democrática a crítica dele. Agora, entre a crítica ser democrática e a gente aceitar a crítica, tem uma pequena distância”.

A presidente já tinha percorrido uma boa parte da trilha do erro. Poderia ter parado por aí. Mas, quando se é Dilma, sempre se dá mais um passo depois de chegar ao limite. Resolveu atacar a oposição, aqueles que seriam partidários do “quanto pior, melhor”. Mandou bala: “Tem gente no Brasil que aposta no quanto pior, melhor. São os chamados pescadores de águas turvas. O que querem não me interessa. O fato é que apostam contra o Brasil. Você não pode apostar contra o seu país”.

Dilma tem, agora, a obrigação de dizer quem aposta no quanto pior, melhor. Dilma tem agora a obrigação de dizer quem aposta contra o Brasil. Dilma tem agora a obrigação de dizer quem é o pescador de águas turvas.

Eu vou dizer por que o governo está perdido. Se a presidente tivesse ido à Avenida Paulista no domingo — ou a qualquer outra das mais de 200 cidades onde houve protesto —, não teria conseguido discursar. Nesta sexta, no assentamento do MST, ela foi aplaudida. Nas ruas, estavam pessoas comuns, que trabalham, que arrecadam impostos, que não praticam crimes, que não recorrem à violência. No assentamento do MST, os invasores contumazes de propriedade alheia e defensores de atos terroristas contra laboratórios de pesquisa. Não obstante, Dilma associa os que protestam ao “quanto pior, melhor” e deixa claro que não se interessa por aquilo que querem. Mas chama Stédile e sua turma de democratas.

Em larga medida, e ainda voltarei a este ponto em outros textos, Dilma lembra certo presidente chamado João Goulart: é fraca, atrapalhada, mal cercada e permite que o baguncismo se infiltre no governo. Felizmente, é outro o espírito do tempo, sem a crispação ideológica daqueles dias. E outra também é a consciência das Forças Armadas. Não querem ser governo e, por determinação constitucional, são garantidoras últimas da legalidade e na normalidade constitucional. Mais: ainda que os companheiros tenham tentado, não conseguiram quebrar as pernas das instituições.

O Brasil seguirá na trilha democrática, qualquer que seja o desfecho da gestão Dilma. Não porque eles queiram. Mas porque nós queremos.

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 11:17

Antes de defender Dilma em Goiás, governador criticou presidente em SP

Por Daniela Lima, na Folha:
Ao fazer uma defesa enfática da presidente Dilma Rousseff (PT) nesta quinta-feira (19), o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, disse o seguinte: “Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência”. Em Goiás não, mas em São Paulo… Há cerca de dez dias, Perillo participou de um evento promovido pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso, onde economistas e tucanos discutiram a crise do atual governo. O goiano estava na plateia e, durante o evento, fez uma intervenção. Segundo ele, “governadores e prefeitos não aguentam mais”. “72% de tudo o que arrecada no país fica com o governo federal para formar superavit, pagar dívidas e outros compromissos, para a corrupção”, asseverou.

Perillo avaliou que o resultado da gestão de Dilma será “educativo” pois vai levar ao “fim da hegemonia do PT”. “É muito doloroso para nós, tucanos, termos perdido essa eleição. Mas eu acho que essa vitória do PT, com todos os desdobramentos que a gente vê hoje, vai significar o fim da hegemonia do PT. Não tenho dúvida sobre isso. Vai acabar sendo educativo”, afirmou. Na ocasião, o governador disse ainda que Dilma estava sofrendo o que chamou de “efeito bumerangue”. “Mentiram e agora vão ter que tomar as medidas.” O tucano afirmou esperar que as manifestações do último dia 15 dessem uma “resposta” à gestão Dilma. “E a resposta virá no dia 15 e, certamente, virá dois meses depois. A situação vai se agravar cada vez mais porque as pessoas perderam a paciência”, afirmou.

Diante da petista, no entanto, em evento em Goiânia nesta quinta, Perillo fez um discurso diferente. “É dispensável dizer que recebi muitos conselhos, presidenta, para não estar aqui”, declarou, ao assumir o microfone. “Venho como governador legitimamente reeleito do Estado de Goiás para receber uma presidente da República que foi legitimamente reeleita e que tem o meu apoio à sua governabilidade.”

“O Brasil não pode ser vítima da intolerância, do desrespeito. Não pode ser vítima de minorias que não querem uma democracia onde o republicanismo possa prevalecer”, continuou o governador. Por fim, Perillo disse que, em muitos momentos, precisou de “coragem” para defender Dilma diante dos tucanos. “Sou de um outro partido, que às vezes faz oposição à senhora, mas eu não. Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência”, garantiu.

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 4:12

Enquanto PT alopra, PMDB testa caminhos da governabilidade. Ou: Temer e um certo ar presidencial…

Na quarta-feira, Michel Temer (PMDB), vice-presidente da República, concedeu uma entrevista a Roberto d’Avila, na GloboNews. Lembrava, assim, autoridade de antigamente. De quando? De antigamente! Não me refiro a um tempo histórico. Falava com cuidado, evitava inimigos, condescendia com os adversários, entendia as ruas, mantinha o tom sempre sereno. Temer, em suma, não parecia pertencer àquele suposto “país do caos”,  retratado num documento da Secom que recomenda à presidente que caia na ilegalidade.

O vice-presidente tem procurado líderes da oposição para conversar… Já falou com Aécio Neves, com José Serra, com Fernando Henrique Cardoso, com ACM Neto… Enquanto isso, Rui Falcão, presidente do PT, prefere lançar um grito de guerra contra a mídia e denuncia golpismo. Os auroproclamados “movimentos sociais” — meras franjas do próprio petismo — saem por aí a bloquear estradas e avenidas, a incitar Dilma a dar uma guinada à esquerda e a pedir a cabeça de Joaquim Levy. Em sua mente perturbada, querem aproveitar a crise para radicalizar.

Vale dizer: embora a presidente legal seja Dilma; embora o PT domine a quase totalidade da máquina pública; embora os companheiros estejam maciçamente aboletados no estado, é o PMDB que está se ocupando da governabilidade — dessa precária, que está aí, ou de outra que possa sucedê-la.

Temer tem conversado ainda com empresários. Nesta sexta, almoça no Secovi, o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo.  E, obviamente, ninguém deve supor — porque seria mesmo falso — que ele conjecture sobre qualquer outra possibilidade que não seja Dilma concluir o seu mandato. Ao contrário: o vice-presidente expressa a convicção de que a crise vai arrefecer. E conversa.

Dilma, com suas escolhas incompreensíveis, presta um favor imenso a seu vice: resolveu deixar claro que ele não é governo e pronto! A esta altura, convenham, só restaria a Temer um embevecido agradecimento, não é mesmo? Embora a “Lista de Janot” inclua Eduardo Cunha (RJ) e Renan Calheiros (AL) — presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente —, o PMDB não está no olho do furacão.

É bem verdade que Cunha ocupou, na legenda, parte do espaço que antes cabia ao vice. Há, e isto é inescapável, certa tensão no ar, mas nada que não se resolva com uma boa conversa. Erra quem apostar num curto-circuito nessa relação. De resto, o presidente da Câmara também tem buscado ampliar a sua interlocução.

Assisti à entrevista de Temer em companhia da minha mulher. Depois de alguns minutos de respostas monocórdias, pautada por um rigoroso decoro institucional, ela comentou, com alguma ironia: “Não é a isso que chamavam antigamente de ‘ar presidencial?”. Respondo: é, sim!

Não custa destacar que ninguém se lembrou do PMDB nas ruas. O nome do vice não foi pronunciado. Se Temer tivesse vestido uma camiseta amarela e gritado “Fora Dilma”, poucos o reconheceriam. A crise política tem sigla. A crise política tem cara.

Não estou sendo oblíquo, não. Não estou “batendo na cangalha para o burro entender”, como se diz na minha terra. Estou sendo até bem claro: no campo governista, alguém precisa fazer alguma política que não seja só a do desespero e da porra-louquice.
Não sei se Dilma vai ou fica. Com ela ou sem ela, o tão malhado PMDB, vejam que coisa!, começa a surgir como uma garantia contra o “caos”, aquele que, segundo a Secom, já estaria por aí.

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 4:11

MINHA COLUNA NA FOLHA – “O PT e os pistoleiros”

Leiam trechos:
Esse negócio de que, mesmo antigos, devemos conservar, diante de tudo, o olhar de surpresa e de novidade típico da juventude é conversa mole. Como é mesmo? O diabo é diabo porque velho, não porque sábio. Mas não sou do tipo que deixa cair as bochechas, com as retinas cansadas. Aos 53, é dever não se assustar nem se prostrar. Mas eis que os poderosos de turno, a seu modo, fazem com que me sinta um recém-nascido. Produzem o inédito, falam o inaudito, acenam com o inesperado. A companheirada tem me permitido vivenciar a tábula rasa. Meu cérebro não tem prescrição para o que está aí. É como se eu tivesse chegado ao mundo deles sem experiência anterior.

Cid Gomes, até quarta ministro da Educação (nada menos!) de um governo em crise, afirmou haver no Congresso 300 achacadores e foi chamado a se explicar na Câmara. Em vez de buscar uma forma decorosa de se desculpar, deu um piti ridículo, à moda dos Gomes, e foi demitido em seguida. Quem exibiu a sua cabeça foi Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Casa. Cid saiu de lá dirigindo o próprio carro e foi aplaudido por uma claque de cearenses. Há ou não os achacadores? Em setembro de 1993, um certo Lula disse que havia “300 picaretas no Congresso”. Em 2015, o PT é o protagonista do petrolão. “Boquirrotice” é lixo.

A cena momesca se deu um dia depois de ter vindo a público um documento da Secretaria de Comunicação da Presidência em que o governo reconhece usar os chamados blogs sujos para o serviço de pistolagem política. O documento prega a intensificação de uma parceria que parece ser comercial e criminosa. O texto sabe ser explícito: “A guerrilha política precisa ter munição vinda de dentro do governo, mas ser disparada por soldados fora dele”. Munição? Soldados? Disparo? O plano anuncia ainda a intenção de pôr órgãos do Estado a serviço do proselitismo rasteiro e de usar a verba oficial de publicidade para a promoção pessoal de políticos, o que afronta a Constituição.
(…)
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 2:59

#prontofalei – Sem rumo

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2015

às 15:08

Dilma diz que não fará reforma ministerial. Então tá…

Na VEJA.com:
Um dia depois de demitir Cid Gomes do Ministério da Educação, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira que o sucessor não será escolhido com base em questões partidárias e negou que promoverá uma reforma para tentar ajustar o ministério atrapalhado que montou para o segundo mandato. “Vocês [jornalistas] estão criando uma reforma no ministério que não existe. São alterações pontuais. Eu estou fazendo uma alteração pontual no MEC, não tenho perspectiva de alterar nada nem ninguém. Mas as circunstâncias às vezes nos obrigam a alterar, como foi o caso da Educação”, afirmou. “Não adianta vocês botarem que tem reforma ministerial, não tem e não vou fazer. Reforma ministerial é uma panaceia. Não resolve os problemas”, disse a petista em entrevista após cerimônia no Palácio do Planalto.

Apesar da afirmação, líderes dos partidos aliados, especialmente do PMDB, negociam uma troca de cadeiras no alto escalão. Nos bastidores, é dada como certo o embarque de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) no governo: ele recebeu a promessa de assumir o Ministério do Turismo caso não fosse investigado pela Supremo Tribunal Federal (STF) na Operação Lava Jato, o que se confirmou. A vaga reservada para Alves é o Ministério do Turismo, mas o PMDB apresentou a proposta para a presidente de colocá-lo na articulação política. Com a experiência de décadas no Congresso e trânsito com diferentes partidos, ele substituiria Pepe Vargas (PT-RS) nas Relações Institucionais.

No caso da pasta da Educação, uma saída possível é a volta de Aloizio Mercadante, hoje chefe da Casa Civil. O petista resiste à perda de prestígio, mas a solução acalmaria a base parlamentar no Congresso, que reclama de dificuldade para negociar com ele. Dilma disse nesta quinta que que o MEC “não é dado para ninguém” e que tem o compromisso de construir um caminho para a educação brasileira “dando mais saltos” de qualidade. “Nós temos de garantir que os professores sejam bem formados, capacitados, e tenham uma carreira sustentável. Portanto, eu vou escolher a pessoa boa para a educação, e não a pessoa desse, daquele ou de outro partido”, disse a petista.

Cid Gomes caiu depois de provocar a irritação de deputados governistas e de oposição, a quem chamou de “achacadores”, e de comprar briga com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com quem o Palácio do Planalto tenta reconstruir pontes.

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2015

às 7:05

Cid Gomes já vai tarde! Sai quem nunca deveria ter entrado

Um governo chega, às vezes, ao grau zero da articulação. Foi o que se viu nesta quarta-feira com o espetáculo patético protagonizado por Cid Gomes (PROS), em boa hora já ex-ministro da Educação. Numa palestra, o homem disse haver 300 achacadores no Congresso. Ainda que houvesse 400, na democracia, quando um ministro de estado diz algo assim, está obrigado a dar os nomes. Obviamente não tenho a menor simpatia por um ataque ao Legislativo bucéfalo como esse. Ele me remete aos “300 picaretas” que Lula dizia existirem no Parlamento brasileiro em 1993. Ganhou até uma música de um grupo de rock. Vinte e dois anos depois, o PT está no 13º ano de poder e já tem nas costas o mensalão e o petrolão.

Ademais, quem é Cid para falar? Não ocupava a pasta em razão de alguma especial inclinação para a área. Estava lá em razão de um acordo político. O ministério lhe foi dado para beneficiar o tal PROS, um partido surgido do nada — do troca-troca indecoroso que a legislação permite —, com o único propósito de participar dos despojos da balcanização que toma conta da política brasileira. O Cid que foi demitido nunca deveria ter sido convidado.

É evidente que o homem deveria se desculpar. Em vez disso, resolveu ter um chilique e enfiar o dedo na cara do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de quem ele tem o direito de não gostar. Mas deve respeito à função institucional do outro, ora essa! Daqui do meu conservadorismo, pouco me importam disposições subjetivas e esferas de opinião. A instituição tem de ser preservada. O fato de haver um pedido de inquérito para investigar Cunha não dá a um ministro de estado o direito se portar como um vândalo.

E aconteceu, então, o inédito. Tão logo Cid deixou o Congresso, com uma claque importada do Ceará a acompanhá-lo, Cunha foi ao Palácio do Planalto e voltou com o anúncio: o homem tinha sido demitido. Na verdade, ele sabia que já chegara com o emprego por um fio. Mas sabem como é… Os Gomes, do Principado de Sobral, nunca se dobram nem — ou muito especialmente — às regras do decoro.

Nunca se tinha visto nada parecido. Dilma ficou, obviamente, sem opção. O PMDB avisou: se Cid Gomes ficasse no cargo, o partido abandonaria o barco do governo. É evidente que Dilma não precisava de mais essa crise. Cid sai em meio à lambança no Fies, o programa que financia o terceiro grau em instituições privadas, que alcança agora cifras estratosféricas.

Foi um espetáculo patético. Cid foi demitido, na prática, por Cunha — e muito bem demitido, diga-se. Saiu de lá em seu próprio carro, aplaudido por aqueles que havia levado para aplaudi-lo. O Brasil é um país valente. É impressionante que sobreviva.

Texto publicado originalmente às 4h29
Por Reinaldo Azevedo

18/03/2015

às 15:21

GUERRA SUJA – PT quer radicalizar? É? Junte-se, então, aos aloprados da Secom, e todos contribuirão para abreviar o mandato de Dilma

A cada ano, a cada dia do ano, a cada hora do dia em que passou na oposição, o PT se dedicou não a opor-se ao governo de turno, mas a sabotá-lo. Não importava a proposta que estivesse em votação, boa ou má, o partido era contra e mobilizava as suas bases para marcar posição. Afinal, a lógica da diferenciação ajudava a construir a legenda. Seria preciso citar o “não” às reformas? O “não” às privatizações? O “não” à abertura da economia ao capital externo? O “não” à Lei de Responsabilidade Fiscal? Como esquecer, Deus do céu!, o “não” dito à Constituição e ao Colégio Eleitoral quando aquela era a única saída? Se todos os partidos tivessem feito, então, como o PT, o resultado teria sido um golpe de estado.

No poder, a tática haveria de mudar. Desde 2003, o partido demoniza sistematicamente a oposição, transforma seus adversários em inimigos da pátria, evoca heranças malditas que nunca houve, acusa-os de acalentar projetos que não têm ou nunca tiveram (privatização da Petrobras, por exemplo), esmaga os que divergem nas redes sociais e apela à rede suja da subimprensa para atacar juízes, ministros do Supremo, jornalistas não alinhados com o poder e a imprensa independente.

Mas eis que, ao cabo de 12 anos de poder, já avançando no 13º, tem-se um balanço de tanta sapiência: inflação na casa dos 8%, recessão que já beira -1% (e que será maior do que isso), juros a 12,75%, baixo investimento, emprego em queda e, compondo o caldo de cultura da crise, evidências de corrupção como jamais se viram. E não adianta buscar paralelos na história. Entre a incúria e a safadeza, a Petrobras está quebrada.

Certo de que tinha o povo na mão, certo de que detinha o monopólio da representação, certo de que se pode enganar quase todo mundo o tempo todo, o partido demorou um pouco para reagir, enquanto a espuma de sua agressiva publicidade ia se desfazendo. A popularidade de Dilma está no chão, segundo o Datafolha e segundo os levantamentos do próprio governo. Milhões saem às ruas para protestar.

E o PT faz o quê? Acusa um golpismo que não existe nem nunca existiu, ataca moralmente os manifestantes, chama-os a todos de “elite branca”, provoca, tripudia, sataniza, discrimina, agride. O resultado de tal escolha se mede em panelaços. E a gente descobre que os feiticeiros ainda não esgotaram seu caldeirão de maldades.

Da Secom, a Secretaria de Comunicação da Presidência, vaza um plano de mídia para enfrentar a crise eivado de ilegalidades escancaradas: o governo admite que municia — quanto custa? — os tais blogs sujos com “balas” que são disparadas pelo que se chama lá de “soldados de fora”. Vale dizer: o dinheiro do estado está sendo usado para fazer política partidária e para a difamação daqueles que são vistos como adversários. Admite que vai casar a publicidade federal com a figura do prefeito Fernando Haddad para “levantar a sua popularidade”, o que  agride frontalmente a Constituição. Planeja centralizar, como está lá, a serviço do poder, o que chama de “comunicação estatal” e submeter a Voz do Brasil e a Agência Brasil aos interesses do governo de turno.

Só isso? Não! A cúpula do PT se reúne, decide que vai investir pesado na Internet — e a gente sabe como o petismo atua na rede — e avisa que vai “radicalizar”, seja lá o que isso signifique. Há dias, Lula convidou o MST a pôr o seu exército na rua. O país vive uma das mais graves crises políticas de sua história, e parece que a presidente Dilma não conta com um só bombeiro eficiente à sua volta. Ao contrário: os que vêm a público, os que se manifestam, os que falam, todos preferem investir no confronto, na intimidação, na violência retórica — por enquanto ao menos. Começam errando ao atribuir à oposição a organização do descontentamento, como faz o documento da Secom.

Aliás, o texto vazado da Secretaria é uma espécie de “Plano Cohen” às avessas. Denuncia a existência de um fantasioso complô para conseguir licenças especiais. Quem quer que o tenha redigido não está em busca de resolver a crise, mas de aumentar o seu próprio poder no governo. Pretende ter uma vista mais aguda do que os outros para que possa ocupar mais espaço.

Já escrevi aqui e já disse em toda parte: o risco da radicalização, da violência, do confronto, não parte das ruas que vestem verde e amarelo, mas de um governo acuado, pressionado por um partido de aloprados, instigado por mentalidades estreitas, que só entendem a linguagem do confronto, que era eficiente quando estavam por cima. Agora, acuados, podem se tornar também violentos.

A única chance de Dilma minorar a crise — e o que vou dizer nada tem a ver com a possibilidade de ela ir ou ficar; esse é outro departamento — é diminuir o protagonismo do PT, exigir que o partido sirva ao governo, em vez de se servir dele; buscar um entendimento com o PMDB e, dentro do governo, as lideranças desse partido para que dialoguem com a sociedade. Isso salva mandato? Pensar tal solução não é tarefa minha. Essa, sim, deveria ser a agenda “deles”, em vez de se entregar à alopragem.

Os petistas e alguns que se querem especialistas em opinião pública estão, reitero, empurrando Dilma para a beira do abismo. No fundo, isso tem nome: ódio à democracia. E a prova é evidente. As manifestações do dia 13, orquestradas pelo PT e pela CUT, regadas a R$ 35 por cabeça, foram saudadas, ainda que malsucedidas, como evidência do Brasil democrático. As do dia 15, que reuniram dois milhões, foram, segundo os gênios, expressão do golpismo.

Eis o PT: o povo que está com eles é o portador da verdade; o que está contra precisa ser enfrentado numa guerra suja. Acreditem: esse é o caminho mais curto para Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2015

às 10:25

A guerra suja exposta em um documento da Secom. Governo admite que fornece munição para ser disparada por pistoleiros. Texto anuncia disposição de violar o Artigo 37 da Constituição. Pergunta direta: “Esse troço é de sua autoria, ministro Thomas Traumann?”

O conteúdo de um documento da Secom, a Secretaria de Comunicação do governo federal, cujo titular é Thomas Traumann, veio a público nesta terça, revelado pelo portal estadão.com.br. Não tem assinatura. Não dá para saber se o autor é ou não o ministro. O que dá para assegurar é que ali estão elencadas algumas propostas francamente ilegais e passos de uma guerra suja. Agora é para valer: o texto admite que os ditos “blogs progressistas”, popularmente conhecidos como “blogs sujos”, trabalham de maneira coordenada com o governo. Não é novidade, é claro! O que é novo é o governo admitir isso, ainda que em documento apócrifo. Assim, leitor, fique sabendo: sempre que, em uma das páginas dos puxa-sacos, aparecer um ataque a ministros do Supremo, juízes, jornalistas e imprensa independente, essa página está a serviço do governo.

É estupefaciente que um órgão oficial, que lida com dinheiro público, escreva isto. Leiam: “As responsabilidades da comunicação oficial do governo federal e as do PT/Instituto Lula/bancada/blogueiros são distintas. As ações das páginas do governo e das forças políticas que apoiam Dilma precisam ser muito melhor (sic) coordenadas e com missões claras. É natural que o governo (este ou qualquer outro) tenha uma comunicação mais conservadora, centrada na divulgação de conteúdos e dados oficiais. A guerrilha política precisa ter munição vinda de dentro do governo, mas ser disparada por soldados fora dele.”

Notaram? Os “blogueiros”, financiados por estatais e por propaganda do próprio governo, são considerados parte da “comunicação oficial”, bem como o Instituto Lula e o PT. E o texto deixa muito claro que a esses blogs não cabe a divulgação de “conteúdos e dados oficiais”. Não! O governo fornece a “munição”, mas quem dispara são os “soldados de fora”. É asqueroso!

Há um trecho ainda mais revelador. Helena Chagas, ex-titular da Secom, foi derrubada do cargo por Franklin Martins. Quando caiu, os ditos “blogueiros progressistas” — os blogs sujos — estavam em guerra com ela porque ela havia diminuído o repasse de dinheiro para a turma. Sem falar em valores, o documento elaborado pelo órgão sob os cuidados de Traumann admite (leiam com atenção): “O início do primeiro governo Dilma (…) foi de rompimento com a militância digital. A defesa ferrenha dos direitos autorais pelo Ministério da Cultura e o fim do diálogo com os blogues pela Secom geraram um isolamento do governo federal com as redes que só foi plenamente restabelecido durante a campanha eleitoral de 2014.”

Ô Thomas! Explique aqui para este blogueiro não progressista o que quer dizer “fim do diálogo com os blogues (sic) pela Secom”. Não peço que explique a gramática porque inexplicável. Só o conteúdo. O que quer dizer “diálogo”, Thomas? Os blogueiros sujos telefonavam em busca de uma informação, e a Secom não atendia? E o que significa o restabelecimento do “diálogo” em 2014, em pleno ano eleitoral? Quanto custa esse diálogo?

Sabem o que é impressionante? Quem quer que seja o autor dessa estrovenga pegou o problema pelo avesso. Os blogs sujos, que disparam com munição fornecida pelo governo, hoje mais prejudicam a presidente Dilma do que ajudam. E a Secom quer dobrar a dose de um remédio que está dando errado. Pergunto: é lícito um governo usar uma rede de difamadores? É lícito um governo financiar páginas destinadas a cantar seus feitos? É lícito um governo fornecer “munição” para pistoleiros?

Haddad O texto da Secom segue adiante, propondo ilegalidades escancaradas. Uma delas é esta: “A publicidade oficial em 2015 deve ser focada em São Paulo, reforçando as parcerias com a Prefeitura. Não há como recuperar a imagem do governo Dilma em São Paulo sem ajudar a levantar a popularidade do Haddad. Há uma relação direta entre um e outro.”

O que se tem aí é a disposição anunciada de violar o Parágrafo 1º do Artigo 37 da Constituição, que estabelece: “§ 1º – A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.” O texto da Secom deixa claro que o objetivo da publicidade FEDERAL será “ajudar a levantar” a popularidade do prefeito.

A coisa não para por aí, não. Prestem atenção a isto aqui: “É preciso consolidar o núcleo de comunicação estatal, juntando, numa mesma coordenação, a Voz do Brasil, as páginas de sites, twitter e Facebook de todos os ministérios, o Facebook da Dilma e a Agência Brasil.”

Como? O Facebook de Dilma, informa-se lá, é administrado pelo PT. A “Voz do Brasil” é uma imposição legal do estado brasileiro — infelizmente! —, não do governo. Que se saiba, a Agência Brasil diz atuar com neutralidade. De novo: como órgão estatal, não pode estar a serviço do poder de turno nem se confundir com a militância partidária.

Congresso Thomas Traumann tem de ser convidado a explicar a deputados e senadores o conteúdo desse documento. Algumas questões: a: quanto custa o diálogo do governo com os tais “blogs progressistas”, também conhecidos como “sujos”, que veiculam anúncios oficiais e servem para atacar adversários do PT e do governo?; b: o que quer dizer fornecer “munição” para “soldados de fora”?; c: como o governo federal pretende usar a publicidade para “levantar a popularidade” de Haddad?; d: como pretende submeter a uma mesma coordenação o Facebook de Dilma (que é do PT), a Voz do Brasil e a Agência Brasil?

Bobagem A imprensa tem dado relevo ao fato de que o texto admite o “caos político” no país. Grande coisa! Quem precisa da Secom para isso? Sem contar que acho a palavra “caos” um óbvio exagero. Não sei se o texto é de autoria do Traumann, mas me parece que o redator, ele ou outro, encarece o problema para tornar mais urgente as soluções erradas e ilegais que aponta. A esta altura, não tenho dúvida de que Dilma as acatará. Em matéria de tiro no pé, nunca antes na história destepaiz se viu algo parecido.

O texto da Secom, além das óbvias ilegalidades que propõe, flerta com a guerra suja. Acredite, presidente Dilma: é o caminho para o abismo. Além, suponho, de custar caro. Mas, nesse caso, sei, quem paga é a população, né?

texto publicado originalmente às 3h47

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2015

às 9:37

Popularidade de Dilma derrete: 62% de ruim e péssimo contra apenas 13% de ótimo e bom; o Nordeste e os mais pobres desistiram da petista. Pior: há aloprados querendo piorar tudo

Datafolha março 1
A Secretaria de Comunicação do governo, cujo titular é Thomas Traumann, elaborou um documento aloprado sobre a situação política do país, propondo um conjunto de ações eivado de ilegalidades. Acredita-se na possibilidade de reverter o desgaste de Dilma na base da “guerrilha” de propaganda, como está lá. Leiam post a respeito. Entre as propostas, está intensificar a relação com os chamados “blogs sujos”, que seriam os “soldados de fora” que atirariam com munição fornecida pelo governo.  Pois é…

Se a receita fosse mesmo essa, a Secom teria que, literalmente, chafurdar no mar de lama. Por quê? Dilma Rousseff derreteu. Em pouco mais de um mês, os que consideravam seu governo ótimo e bom despencaram de 44% para 13%. Os que o avaliam como ruim ou péssimo saltaram de 23% para 62%, e caíram de 35% para 24% os que o veem como regular. Os números são do Datafolha e estão na edição da Folha desta quarta. O instituto entrevistou 2.842 pessoas entre os dias 16 e 17. Pode-se argumentar que os dados estão sob o impacto dos protestos do dia 15. Mas também é possível considerar que os protestos do dia 15 só foram tão bem sucedidos porque esses sãos os números, não é mesmo?

Datafolha março 2

Não há boa notícia possível para Dilma. Pela primeira vez, desde que o PT está no poder, a reprovação ao governo no Nordeste encosta nos números do Sudeste, onde a presidente conta com apenas 10% de ótimo e bom e 66% de ruim e péssimo. Entre os nordestinos, esses números são, respectivamente, 16% e 55%. A região mais severa com a presidente é o Centro-Oeste: 75% de ruim e péssimo e só 10% de ótimo e bom. No Sul, estes números são, na ordem, 64% e 13%. Só a Região Norte destoa um pouco, mas ainda com números francamente hostis à presidente: 51% de ruim e péssimo e 21% de bom e ótimo.

Datafolha março 3

Dilma, como eu já havia apontado aqui na pesquisa de fevereiro, viu desabar a sua popularidade entre os pobres: acham seu governo ruim ou péssimo 60% dos que ganham até dois salários mínimos; 66% dos que recebem de dois a cinco; 65% entre os que ganham entre cinco e dez e mais de dez. O seu mais alto índice de ótimo e bom, bem mixuruca, está na faixa de até dois mínimos: 15%; o mais baixo, na de dois a cinco: 10%.

Se os números são ruins, as expectativas podem ser piores. Sessenta por cento acreditam que a situação econômica vai piorar, e só 15%, que vai melhorar. Para 77%, a inflação vai subir, e só 6% acreditam que vai cair. Creem que o desemprego vai aumentar 69% dos entrevistados, contra apenas 12% que pensam o contrário. Segundo o Datafolha, é o maior pessimismo registrado no país desde 1997.

O governo e os petistas deveriam parar com essa bobagem de que os protestos contra o governo são coisa de rico, não é mesmo? Como se nota, os pobres formam hoje um formidável público potencial para as manifestações. Ainda que não tenham aderido em massa à mobilização do dia 15, parece que podem fazê-lo a qualquer momento. Se a tática desesperada da Secom for posta em prática, aí é que o bicho pode mesmo pegar. A nota atribuída pelos entrevistados a Dilma também caiu: de 4,8 em fevereiro para 3,7 agora.

O Congresso não merece avaliação melhor em tempos de petrolão: só 9% dizem que seu trabalho é ótimo ou bom, contra 50% que o têm como ruim e péssimo. Os números são péssimos, sim, mas é evidente que a crise política não tem origem no Parlamento.

Como Dilma sai das cordas? Uma coisa é certa: não é alimentando a guerra suja, como sugere um documento da Secom. Talvez um primeiro passo fosse se cercar de gente capaz de entender a natureza da crise. Até agora, não há ninguém com esse perfil. O petismo aloprado só a aproxima ainda mais do abismo.

texto publicado originalmente às 5:37

Por Reinaldo Azevedo

17/03/2015

às 4:36

Carvalho, homem de Lula, critica o governo Dilma e diz sentir “vergonha”. Ele quer ver a presidente errando ainda mais!

Gilberto Carvalho, ex-ministro da secretaria-geral da Presidência, olhos, ouvidos e braço esquerdo de Lula, resolveu sair da toca política para, ainda que com modos de sacristão, atacar o governo que ele integrava até outro dia. Agora com um empregão no Sesi — presidente do Conselho de Administração —, ele falou nesta segunda à noite, em Fortaleza, a uma plateia de 500 pessoas ligadas a sindicatos.

O chefão petista deixou clara a sua ideia de governo e a que ele resume a sociedade brasileira. Disse, segundo o Estadão: “Eu tenho vergonha de dizer: nós erramos. Nós tivemos uma eleição que só foi ganha pela luta de vocês, pela luta da nossa militância. Aqueles três milhões de votos que nos salvaram, nós sabemos que foram graças à luta da militância. E a gente, quando acabou a eleição, em vez de chamar o pessoal para discutir — ‘olha pessoal, vamos fazer um programa para valer, popular’ —, nós esquecemos”.

Um dia depois de o país ter assistido à maior manifestação de sua história, com um repúdio claro ao PT e às suas táticas, Carvalho considerou:

“Levou um mês para ser chamada a CUT lá no Palácio (do Planalto). Um mês para o MST ser chamado lá no Palácio. E viemos com um pacote que só penalizou o lado dos trabalhadores, sem nenhuma comunicação. Devo dizer que fiquei muito triste com isso. Esse foi um erro imperdoável que nós cometemos. Não tem como negar. Porque assim você não faz alianças estratégicas”.

Esse “nós” é só uma forma de esconder a esculhambada que está dando em Dilma. E, como ele é Gilberto Carvalho, está, obviamente, dizendo uma bobagem gigantesca. Por ele, a presidente erraria ainda mais do que está errando. Notem: a única pauta que interessa a este senhor é aquela levada pelos petistas no dia 13. Na fala de Carvalho, o dia 15 não existiu.

Esse foi o caminho que levou Dilma à ruína. Este senhor tentou transformar a presidente da República numa chefe de facção.

Black blocs
Uma das páginas de black blocs anunciava ontem que eles vão tentar botar pra quebrar nas próximas manifestações. Os bravos chamam pessoas que não depredam nem incendeiam nada de “golpistas”. Pois é… Acho que o assunto interessa à Polícia Federal. Sugiro à PF que fale com Gilberto Carvalho. Ele afirmou em entrevista que fez várias reuniões com aqueles patriotas. Deve conhecer seus líderes, não é mesmo?

Só para registro: Carvalho não existe. Quem existe é Lula, o principal fator de desestabilização de Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

17/03/2015

às 3:12

Na TVeja: “Livre-se do PT, Dilma!”

Por Reinaldo Azevedo
 

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