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Governo Dilma

27/02/2015

às 20:20

Conta de luz vai subir 23,4% para bancar repasses à CDE

Na VEJA.com. Volto em seguida.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta sexta-feira revisões extraordinárias de tarifas para 58 distribuidoras de eletricidade do país, com impacto nacional médio de 23,4%. As novas tarifas entram em vigor na próxima segunda-feira.

Para a Eletropaulo, o aumento médio das tarifas será de 31,9%, enquanto a Cemig terá elevação de 28,8%. Para a Light, o aumento será de 22,5%. O aumento foi necessário para custear o repasse da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), uma vez que o Tesouro não fará aportes na conta esse ano, e também para fazer frente ao reajuste da energia de Itaipu. A Aneel aprovou o orçamento da CDE para 2015, que exigirá repasses de 18,92 bilhões de reais.

A proposta inicial de orçamento da CDE para este ano estipulava em 21,80 bilhões de reais o repasse para todos os consumidores em 2015, mas durante a fase de consulta pública o órgão regulador reviu seus cálculos iniciais e reduziu em 2,88 bilhões de reais os valores da cotas a serem cobertas pelas contas de luz.

Além do reajuste de 23,4%, parte dos consumidores do país ainda pagará mais 3,13 bilhões referentes à primeira parcela da devolução da ajuda do Tesouro às distribuidoras em 2013. A proposta inicial previa o pagamento de apenas 1,4 bilhão de reais nessa rubrica este ano. Somente os clientes das empresas beneficiadas pagarão essa parte da tarifa.

Somando a cota a ser paga por todos os consumidores do país mais a cota a ser cobrada de quem recebeu ajuda do Tesouro há dois anos, o impacto tarifário total da CDE este ano será de 22,05 bilhões de reais — ou 1,05 bilhão menor que a previsão inicial.

O total de despesas da CDE deste ano é de 25,24 bilhões de reais e inclui 3 bilhões em despesas de anos anteriores que ficaram para 2015, ou seja, restos a pagar. A maior parte, no entanto, são gastos correntes previstos para este ano, que incluem indenizações para empresas que aderiram ao pacote de renovação antecipada das concessões, subsídios para irrigantes, produtores rurais e carvão mineral, Tarifa Social da Baixa Renda, Luz pra Todos e despesas com combustível para as térmicas da Região Norte do país. “Os valores no orçamento representam as melhores estimativas para despesas e receitas. Mas o valor final tem incertezas que dependem do próprio mercado de energia elétrica, se ele vai crescer ou não, se vai chover ou não, e das próprias atividades de fiscalização da Aneel”, afirmou o relator do processo, Tiago de Barros Correia.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 20:13

Dilma, pelo visto, terceirizou o governo; o arrendatário da hora é Joaquim Levy

Eu nunca fui fã, por motivos óbvios, de desonerações. Eu defendo é um regime tributário não confiscatório, que deixe mais dinheiro para a sociedade, que sabe geri-lo melhor do que o estado. O mal essencial da  política de desonerações é sua seletividade. Mas sigamos.

Num cenário de crescimento do desemprego e de baixa geração de postos de trabalho, o governo resolveu pôr fim a desonerações da folha de pagamento. A Fiesp, por exemplo, alerta que a medida pode gerar mais desemprego, o que parece lógico. Quando menos, desestimula novas contratações, não é mesmo?

O ministro Joaquim Levy afirma: “Você aplicou um negócio que era muito grosseiro. Essa brincadeira nos custa R$ 25 bilhões por ano, e estudos mostram que ela não tem criado nem protegido empregos”. O ministro diz que o governo gasta R$ 100 mil para manter cada emprego e que isso “não vale a pena”. E emenda: “É por isso que a gente está reduzindo, pela relativa ineficiência dela [dessa política]. Ela não tem alcançado os objetivos para que foi desenhada. É saber ajustar quando uma coisa não está dando resultado. A intenção era boa, a execução foi a melhor possível, mas temos de pegar as coisas que são menos eficientes e reduzir”.

Ah, bom! Então tá. Nem vou polemizar com o ministro. Até dou de barato que esteja falando a verdade, que o tal estudo exista, que tudo se passe como ele diz. Mas esperem: ele é hoje a principal figura do governo Dilma e está desfazendo uma política adotada pelo governo… Dilma! Um juízo convencional afirmaria que Dilma admite o erro e está voltando atrás.

Mas cadê a admissão do erro? Não há. Parece que Dilma terceirizou o governo. Cabe a Levy desfazer as bobagens perpetradas no… governo Dilma. Às vezes, a gente tem a impressão de que o ministro é uma espécie de interventor. Não que isso seja necessariamente mau. É que a presidente é a petista, e isso é mau.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 15:51

A crise chegou ao emprego. E para ficar! Vai-se a última âncora da empulhação petista

A geração de emprego sempre foi uma espécie de âncora da empulhação petista. Por razões várias, a crise demorou um pouco para chegar ao setor. Mas chegou. E isso contribui também para o mal-estar que anda nas ruas. A equação é complexa. Fechamento de postos de trabalho ou baixa criação de empregos não se refletem automaticamente na taxa de DESEMPREGO porque há o fator “desalento”, que os governantes adoram ignorar. Como o sujeito DEIXA DE PROCURAR EMPREGO, então não aparece nas estatísticas como desempregado.

Leiam o que vai na VEJA.com:
O Brasil fechou 81.774 vagas formais de trabalho em janeiro, o pior resultado para o mês desde 2009, quando haviam sido eliminados 101.748 postos, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho, nesta sexta-feira. Pesquisa da Reuters feita com analistas mostrou que a mediana das expectativas era de fechamento de 20.000 empregos. Em janeiro do ano passado, o saldo líquido havia sido positivo em 29.595 vagas.

Este foi o segundo mês consecutivo de redução de postos de trabalho formais no Brasil, após o fechamento em dezembro de 555.508 posições com carteira assinada, sem ajustes.

No primeiro mês deste ano, o comércio varejista fechou 97.887 postos de trabalho, enquanto o comércio atacadista mostrou estabilidade com a criação de apenas 87 vagas. Já a área de serviços registrou perda de 7.141 postos de trabalho. Por outro lado, a indústria de transformação voltou a contratar em janeiro após oito meses perdendo vagas, com 24.417 postos de trabalho criados. A agricultura teve geração de 9.428 vagas.

A alta do desemprego no início deste ano também foi confirmada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Conforme divulgou nesta semana o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desocupação subiu de 4,3% em dezembro (mínima histórica) para 5,3% em janeiro, refletindo a baixa confiança na economia brasileira.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 7:52

Governo que negocia com black blocs e com truculentos que invadem a propriedade alheia não tem mesmo de negociar com caminhoneiros. Afinal, eles são uma gente muito esquisita: TRABALHAM E NÃO SÃO BASE DO PT!

Curioso este governo Dilma: negocia com bandidos, recebe invasores que partem para a porrada, deixa-se fotografar com seus líderes, mas endurece o jogo com quem trabalha e tem demandas que são, sim, justas.

Explico-me. Gilberto Carvalho, ex-secretário-geral da Presidência, confessou em entrevista que se encontrou com black blocs depois das tais jornadas de junho de 2013. Numa das conversas, ele revelou, um deles atirou um rolo de papel higiênico contra a autoridade. Carvalho continuou conversando. Entendo.

No dia 12 de fevereiro do ano passado, uma manifestação do MST na Esplanada dos Ministérios deixou, atenção!, 30 policiais militares feridos. Carvalho foi bater um papinho com eles, e Dilma, ela mesma, os recebeu em palácio no dia seguinte. Afinal, como se sabe, eis um governo que dialoga.

Com os caminhoneiros, que são trabalhadores, a postura é bem outra. São as primeiras vítimas da recessão em curso do governo da companheira. A categoria está na lona. A equação que junta elevação dos combustíveis, preço do frete e queda das commodities quebrou as pernas da turma, que se manifesta Brasil afora bloqueando as estradas.

Já escrevi aqui e já disse no programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan: não endosso manifestações que cassam das pessoas o direito de ir e vir. Acho que é possível fazer de outro modo. Mas compreendo a justeza das reivindicações e acho que o governo tem de negociar. Houve, sim, uma reunião com lideranças dos caminhoneiros. Ocorre que são sindicalistas pelegos, que não representam os que estão efetivamente parados.

Jose Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, resolveu endurecer o jogo, a mando de Dilma. Afirmou que os nomes dos motoristas multados por infração de trânsito nos bloqueios de estradas serão enviados aos juízes para viabilizar a cobrança das multas por descumprimento das ordens judiciais de desbloqueio. As multas da Justiça estão fixadas entre R$ 5.000 e R$ 10 mil por hora para cada caminhoneiro. O ministro afirmou, ainda, que pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar crimes cometidos ao longo dos protestos, inclusive a suspeita de que empresas estariam por trás das manifestações.

Pois é… Pelo visto, o que falta aos caminhoneiros que estão bloqueando as estradas é um selo de qualidade ideológica. Pertencessem a um dos aparelhos que estão na rede de apoio ao petismo, não estariam sendo perseguidos pelo governo. Ou vocês já viram o MST, liderado por João Pedro Stedile, e o MTST, liderado por Guilherme Boulos, arcar com o peso das ilegalidades que promovem? Ao contrário: Dilma se deixa fotografar ao lado desses patriotas.

No fim das contas, o mal dos caminhoneiros é trabalhar, é pagar impostos. Fossem meros invasores da propriedade alheia, mas com pedigree ideológico, estariam sendo abraçados por Dilma e Cardozo.

Dilma está em maus lençóis. A companheira é hoje a principal promotora do protesto do dia 15 de março.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 6:25

MEU ARTIGO NA FOLHA – Já dá para ouvir o 15 de março

Leiam trecho:

“Soc, poft, pow! Coxinha. Golpista!”

Eis o som presente do mar futuro de gente nas ruas no próximo dia 15. Ali vão as onomatopeias e vitupérios produzidos pelos milicianos petistas contra pessoas comuns, que pagam impostos e estão cansadas de ser roubadas. Pois é… Os companheiros acham que chegou a hora de nos pegar na porrada.

Na segunda, enquanto Lula e seus “tontons macoute” faziam um ato “em defesa da Petrobras”, no Rio –o que supõe distribuir sopapos didáticos para ensinar a essa brasileirada o valor do patriotismo–, a Moody’s anunciava o rebaixamento da nota da estatal. Bastava que caísse um degrau para passar do azul para o vermelho, do grau de investimento para o especulativo. Mas a agência empurrou a empresa escada abaixo: a queda foi logo de dois –e ainda com viés negativo.

A presidente Dilma Rousseff, com a clarividência habitual, atribuiu a decisão “à falta de conhecimento”. É verdade. A agência, o mercado e todo mundo desconhecem, por exemplo, o balanço da empresa. O que se dá como certo é que o governo indicou uma diretoria para o exercício da contabilidade criativa, com Aldemir “Hellôôô” Bendine à frente. A crise, no Brasil, também é brega.
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 19:05

The Economist: Brasil está no atoleiro e Dilma é fraca

capa economist passista

Na VEJA.com:

Pela terceira vez em menos de dois anos, a revista britânica The Economist volta a dedicar sua capa ao Brasil — e, novamente, não é por razões animadoras. Na edição latino-americana que chega às bancas, uma passista de escola de samba está em um pântano coberta de gosma verde com o título ‘O atoleiro do Brasil’. A reportagem que foi veiculada nesta quinta-feira foi produzida por uma equipe de editores e jornalistas da publicação que passou uma temporada no Brasil para tomar pé da situação econômica. Os jornalistas estiveram em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Nas duas últimas capas que a Economist havia feito sobre o país (uma em setembro de 2013 e outra em outubro de 2014), a principal crítica até então recaía sobre a equipe econômica e a presidente Dilma Rousseff, que juntas haviam conseguido minar a credibilidade das contas públicas. Outra crítica recorrente era a política protecionista. Na edição recente, a revista poupa o novo ministro Joaquim Levy — mas não Dilma: “Escapar desse atoleiro seria difícil mesmo para uma grande liderança política. Dilma, no entanto, é fraca. Ela ganhou a eleição por pequena margem e sua base política está se desintegrando”, diz a revista.
Em editorial, a revista se refere ao Brasil como “antiga estrela da América Latina” e afirma que o país vive seu pior momento desde o início da década de 1990, período de instabilidade política, com o impeachment de Fernando Collor, e derrocada econômica, com a hiperinflação. “A economia do Brasil está uma bagunça, com problemas muito maiores do que o governo admite ou investidores parecem perceber”. Além da ameaça de recessão e da alta inflação, a revista cita como grandes problemas o fraco investimento, o escândalo de corrupção na Petrobras e a desvalorização cambial que aumenta a dívida externa em real das empresas brasileiras.
Segundo a publicação, Dilma Rousseff “pintou um quadro cor-de-rosa” sobre o Brasil durante a campanha eleitoral. A revista critica o fato de a presidente ter usado o discurso de que a oposição iria retirar as conquistas adquiridas nos últimos anos, como o aumento da renda e os benefícios sociais. “Apenas dois meses do novo mandato e os brasileiros estão percebendo que foi vendida uma falsa promessa”.
A Economist nota que boa parte dos problemas brasileiros foi gerada pelo próprio governo que adotou uma estratégia de “capitalismo de Estado” no primeiro mandato. Isso gerou fracos resultados nas contas públicas e minou a política industrial e a competitividade, diz. A revista destaca que Dilma Rousseff reconheceu parte desses erros ao convidar Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. “No entanto, o fracasso do Brasil em lidar rapidamente com distorções macroeconômicas deixou o senhor Levy com uma armadilha de recessão”.
Entre as medidas para que o Brasil retome o caminho do crescimento sustentado, a revista diz que “pode ser muito esperar uma reforma das arcaicas leis trabalhistas”. “Mas ela deve pelo menos tentar simplificar os impostos e reduzir a burocracia sem sentido”, diz o texto, ao citar que há sinais de que o Brasil pode se abrir mais ao comércio exterior.
O editorial termina lembrando que o Brasil não é o único dos Brics em apuros. A Rússia está em situação pior ainda. A publicação ainda sugere que ainda é tempo para agir: “Mesmo com todos os seus problemas, o Brasil não está em uma confusão tão grande como a Rússia. O Brasil tem um grande e diversificado setor privado e instituições democráticas robustas. Mas seus problemas podem ir mais fundo do que muitos imaginam. O tempo para reagir é agora”.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 12:01

PMDB ignora Dilma e o PT no horário político

Vai ao ar nesta quinta o horário político de 10 minutos do PMDB. O lema que resume o espírito do programa é “O Brasil é a nossa escolha”. Embora seis ministros da legenda — Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura), Edinho Araújo (Portos), Helder Barbalho (Pesca), Eliseu Padilha (Aviação Civil) e Vinicius Lages (Turismo) — façam alusão a programas em curso, a presidente Dilma Rousseff e o PT são ignorados. Ou nem tanto. Como informa a Folha, logo na abertura, um narrador diz que “não serão as estrelas” que guiarão o partido e o país, as escolhas é que apontarão um caminho. Ninguém precisa ser muito bidu para lembrar que a estrela é o símbolo do PT.

Que o partido esteja descontente com o governo, isso é evidente. Na terça-feira, Michel Temer telefonou para Dilma e avisou que estava difícil conter a rebelião. “Certo”, dirão alguns, “mas nada que não se resolva com cargos.” Pode ser. Parece, no entanto, haver certa disposição para o descolamento. Há uma possibilidade de que o PMDB comece a se organizar para disputar a Presidência, não mais como vice de alguém. Aonde quer que vá, quando indagado a respeito, Eduardo Cunha, presidente da Câmara, responde: “Time que não disputa não tem torcida”.

No programa, aliás, Cunha fará a defesa da reforma política. A que está em tramitação na Câmara é repudiada pelos petistas, mas terá o endosso de Temer. O vice-presidente dirá ainda que as investigações na Petrobras não podem paralisar o país e reforçará o compromisso do partido com a liberdade de expressão. Como é sabido, os petistas pressionam Dilma a fazer a tal “regulação da mídia” — já repudiada por Cunha, ainda que seja a tal “regulação econômica” de que fala a presidente, cujo sentido ninguém conhece.

O PMDB parece buscar, assim, se descolar do PT e dos aspectos mais deletérios do governo. Nos bastidores, a companheirada já reclamou. Ocorre que, hoje em dia, os aliados já não dão mais bola quando petistas protestam. 

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 3:34

Cunha derrota Kassab e Dilma, e ministro talvez não entre no Guinness

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aplicou mais uma derrota às pretensões do Palácio do Planalto. Uma boa derrota, note-se. Por votação simbólica, a Casa aprovou o projeto do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que cria uma carência de cinco anos para que uma legenda possa se fundir a outras. Mas não e só isso. A proposta proíbe também que um novo partido seja aquinhoado com o tempo de TV e a fatia do Fundo Partidário correspondente aos parlamentares que mudarem para a nova sigla. O texto segue para o Senado, onde não deve enfrentar resistências.

A mudança atinge em cheio as pretensões de Gilberto Kassab (PSD), ministro das Cidades. Ele vem se movimentando freneticamente nos bastidores para criar o PL (Partido Liberal). Com a legislação ora em vigor, seria mel na sopa. O PL abrigaria parlamentares das mais diversas siglas — mas ele está de olho, mesmo, é no PMDB —, levaria tempo de TV e verba e, uma vez constituído, haveria a fusão com o PSD. Kassab sonha em ter um PMDB para chamar de seu. A pretensão não era pequena, não! Ele queria formar o maior partido da Câmara.

O texto aprovado, depois de receber emendas, acabou ficando até mais duro do que o original. Segundo a lei atual, é preciso que o correspondente a 0,5% do eleitorado que votou na eleição anterior para a Câmara apoie a criação de nova legenda. Hoje, isso significa 500 mil assinaturas. Pois bem: na proposta ora aprovada na Casa, essas pessoas não poderão ter filiação partidária. As mudanças também podem trazer dificuldades para a Rede, de Marina Silva.

O que eu acho do texto? Apoio integralmente. Não deixa de ser uma piada que o governo que diz querer fazer a reforma política se lance, ao mesmo tempo, numa patuscada  que incentiva o troca-troca partidário de maneira desavergonhada. De resto, vamos torcer para Kassab entrar para o livro dos recordes como, deixem-me ver, o político que mais contribuiu para tirar brasileiros de áreas de risco. Que tal? Ficaria bem a um ministro das Cidades. E seria um ganho aos brasileiros. O que não ficaria bem seria entrar para o Guinness como o maior criador de partidos do mundo, não é? Não parece sério. E não é sério.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 22:53

Governo propõe a caminhoneiros segurar preço do diesel por seis meses

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Ainda voltarei ao assunto.
O governo apresentou na noite desta quarta-feira sua proposta para os caminhoneiros que estão bloqueando estradas em todo o país. A oferta não contempla as duas principais demandas dos grevistas: a redução no preço do diesel e o estabelecimento de um valor mínimo para o frete.

O Planalto informou que o diesel não deve sofrer novos aumentos pelos próximos seis meses e ofereceu apenas outras duas garantias: a primeira é uma carência de 12 meses para os caminhoneiros autônomos ou microempresas que tenham adquirido caminhões por meio de dois programas do governo, o Finame e o Procaminhoneiro. A segunda é a sanção integral da Lei do Caminhoneiro, aprovada pelo Congresso neste mês. A medida atualiza as regras sobre carga de trabalho, horas de descanso e pagamento de pedágios pelos caminhoneiros.

O governo também se comprometeu a criar uma mesa de negociação com a participação de motoristas de caminhão, empresários e representantes do poder público. O principal objetivo do grupo seria elaborar uma tabela de preços para balizar o valor do frete. 

O Executivo condicionou as propostas à interrupção imediatada da paralisação, mas ainda não obteve uma resposta da categoria. “Essas propostas serão mantidas na medida em que houver a suspensão do movimento”, disse o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, em entrevista coletiva concedida na noite desta quarta. O Executivo aguarda a resposta dos caminhoneiros.

Um dos prolemas da negociação é que a mobilização não foi organizada por nenhum sindicato ou associação legalmente constituídos: a articulação dos caminhoneiros se deu aos poucos, inclusive com o uso de redes sociais. Por isso, os sindicalistas recebidos por representantes do Executivo nesta quarta-feira disseram que não poderiam dar garantias em nome dos motoristas de caminhões.

Por outro lado, o motorista Ivar Schmidt, que não é vinculado a sindicatos mas lidera uma associação de caminhoneiros com influência direta sobre a maioria dos pontos de bloqueio, não participou das reuniões desta quarta-feira. O gabinete de Rossetto chegou a informar que Schmidt seria recebido pelo ministro em separado, no fim do dia, mas a informação foi negada na entrevista coletiva concedida pelo próprio chefe da Secretaria-Geral da Presidência: “Desconheço esse tema”, disse ele. Mais cedo, o caminhoneiro havia dito que somente uma redução imediata no preço do diesel poderia levar ao fim da paralisação.    

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 21:18

Youssef pretende desvelar, em novo depoimento, a real natureza do jogo: tratava-se de servir a um esquema de poder; o centro do petrolão está na política. É coisa dos “marginais do poder”  

Alberto Youssef pode atrapalhar uma pizza bastante sofisticada que alguns estão tentando assar na Operação Lava-Jato. Ele pode agir assim por precisão, não por boniteza, como o sapo do Guimarães Rosa, mas isso não tem a menor importância. O que interessa é que se revele, já escrevi aqui tantas vezes, a natureza do jogo. Por que isso?

Youssef entrou com um pedido na Justiça para prestar um novo depoimento. Ele quer ser ouvido outra vez pelo juiz Sérgio Moro em um dos processos de que é réu, acusado de ter participado de uma organização criminosa para tirar do país R$ 444,6 milhões. A ação aguardava a homologação da delação premiada.

Aquele que é considerado peça central nas investigações da Lava-Jato deverá deixar claro — desta feita, mais do que nunca — que atuou a serviço de uma engrenagem, de uma organização de poder. Youssef pretende demonstrar como esse esquema não dependia nem mesmo de pessoas; se uma saísse, outra poderia entrar no lugar sem mudar a, escrevo de novo a expressão, “natureza do jogo”.

Youssef julga ter conhecimento e experiência o bastante para afirmar que as três últimas eleições presidenciais foram marcadas por um forte desequilíbrio econômico em razão do poder que essa “máquina” exercia. Tudo indica que o braço político do escândalo do mensalão não vai gostar do que ele tem a dizer.

Lembro aqui trechos de voto proferido pelo ministro Celso de Mell0 no julgamento do mensalão, na sessão do dia 1º de outubro de 2012. Leiam com atenção. Volto em seguida.

“Quero registrar, neste ponto, Senhor Presidente, tal como salientei em voto anteriormente proferido neste Egrégio Plenário, que o ato de corrupção constitui um gesto de perversão da ética do poder e da ordem jurídica, cuja observância se impõe a todos os cidadãos desta República que não tolera o poder que corrompe nem admite o poder que se deixa corromper. Quem transgride tais mandamentos, não importando a sua posição estamental, se patrícios ou plebeus, governantes ou governados, expõe-se à severidade das leis penais e, por tais atos, o corruptor e o corrupto devem ser punidos, exemplarmente, na forma da lei.
Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental de interesses governamentais e de desígnios pessoais.
(…)
Esses vergonhosos atos de corrupção parlamentar, profundamente lesivos à dignidade do ofício legislativo e à respeitabilidade do Congresso Nacional, alimentados por transações obscuras idealizadas e implementadas em altas esferas governamentais, com o objetivo de fortalecer a base de apoio político e de sustentação legislativa no Parlamento brasileiro, devem ser condenados e punidos com o peso e o rigor das leis desta República, porque significam tentativa imoral e ilícita de manipular, criminosamente, à margem do sistema constitucional, o processo democrático, comprometendo-lhe a integridade, conspurcando-lhe a pureza e suprimindo-lhe os índices essenciais de legitimidade, que representam atributos necessários para justificar a prática honesta e o exercício regular do poder aos olhos dos cidadãos desta Nação.
Esse quadro de anomalia, Senhor Presidente, revela as gravíssimas consequências que derivam dessa aliança profana, desse gesto infiel e indigno de agentes corruptores, públicos e privados, e de parlamentares corruptos, em comportamentos criminosos, devidamente comprovados, que só fazem desqualificar e desautorizar, perante as leis criminais do País, a atuação desses marginais do Poder.”

Retomo
Alberto Youssef deve depor de novo. E se espera, com delação premiada, que apresente as evidências de que, mais uma vez, os “marginais” atuaram no “controle do aparelho de estado, transformando a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder”.

É essa a natureza do jogo, sem que se deixem de considerar os demais crimes, cometidos pelos agentes não políticos.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 14:08

Dilma, a anti-Sócrates, a Moody’s e a Teoria do Conhecimento

Dilma Rousseff afirmou nesta quarta que “rebaixar a nota é falta de conhecimento do que está acontecendo na Petrobras”. Que coisa! Quem está cuidando da, vá lá, “comunicação” da governanta? A presidente vir a público para acusar “falta de conhecimento” da Moody’s quando a estatal não consegue nem fechar o seu balanço é piada involuntária, não é mesmo? Aliás, ela não costuma se dar conta das pilhérias que diz. Como pode acusar a agência de “falta de conhecimento” se o rebaixamento se dá, entre outros motivos, porque nem a Moody’s nem ninguém conhecem o balanço da empresa?

É Dilma! Esta senhora nunca foi socrática. Ela nunca soube o que não sabe.

A propósito: a piada que circula há tempos na Internet ainda acaba virando a realidade. Como é mesmo? Eike Batista dizia que as ações da sua petroleira ainda valeriam tanto quanto as da Petrobras. Pois é…

Por Reinaldo Azevedo

24/02/2015

às 14:39

Em fevereiro de 2003, a inflação alta refletia as incertezas sobre governo Lula; em 2015, a inflação alta reflete as certezas sobre o governo Dilma

O IPCA-15, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15, tomado como uma prévia da inflação oficial, alcançou 1,33% em fevereiro, depois de uma elevação de 0,89% em janeiro. É a maior taxa mensal desde fevereiro de 2003, quando chegou a 2,23%. A economia, há 12 anos, refletia, então, as incertezas sobre o governo Lula. Agora, reflete as… certezas sobre o governo Dilma. Que bom, né? O PT é o caminho mais longo e penoso entre o baixo crescimento com inflação alta e… o baixo crescimento com inflação alta.

A gente pode dar uma de Poliana lesa e comemorar. “Ah, sabe o que foi? É que o grupo Transporte pesou demais, com o reajuste dos ônibus. Ele responde por 0,37 ponto percentual desse 1,33%. E há também o grupo Energia, que responde por 0,23 ponto percentual. Sabem como é… Coitada da Dilma! Teve de baixar o tarifaço… Se a gente tira esses dois itens, a elevação cai para 0,73%…”

Bem, 0,73% já não é número que se comemore, como sabe qualquer pessoa prudente. Mas o raciocínio é supinamente estúpido porque cada mês tem a sua própria agonia, não é? Eu sempre parto do princípio de que, se a gente tirar as más notícias da realidade ruim, ela, então, fica boa. Ora…

De resto, há que notar que transporte e energia tiveram de incidir ao mesmo tempo na inflação por causa de barbeiragens feitas anteriormente nos dois setores, por obra, sim, do governo federal. No caso da energia elétrica, dispensam-se explicações. No dos transportes, é preciso lembrar que o governo federal pressionou os prefeitos a represar as tarifas no ano passado para… conter a inflação. Adiantou?

Foram duas das “escorregadinhas”, como disse Joaquim Levy, dadas pelo governo Dilma. Ah, sim: esse tipo de inflação não se corrige com elevação da taxa de juros.

O PT chegou lá: recessão, inflação nas estrelas e juros na estratosfera. Tem o seu charme. É preciso ser singularmente incompetente para obter esse resultado.

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2015

às 15:43

Joaquim Levy: só o eufemismo nos salvará! Ou: “A escorregadinha”

Pois é, leitores! Quem sabe a gente seja salvo pelos eufemismos de Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Ele é um bom homem, tem honestidade de propósitos e leva a sério o seu trabalho. Mas convém não “mantegar” — não me refiro ao conteúdo, mas à forma. Ele concedeu uma palestra na Câmara de Comércio França-Brasil e afirmou que o Brasil deu uma “escorregadinha” no equilíbrio fiscal.

Não sou bobo. Sei que não cabe ao ministro da Fazenda afirmar que o país está à beira do abismo. Mas também não dá para fazer o papel de nefelibata. Aconselho Levy a dizer que, claro!, existe saída para a economia; que o caminho será árduo; que, no fim, vai dar tudo certo etc. Mas sem pagar pau para o passado, que isso depõe contra a sua inteligência. E contra a nossa. Leiam texto publicado na VEJA.com.
*
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu que o governo pode ter falhado no compromisso de zelar pela estabilidade fiscal do país nos últimos anos. “Pode ter tido uma ‘escorregadinha’, mas a realidade aflora”, afirmou, durante palestra da Câmara de Comércio França Brasil, em São Paulo. O ministro ponderou, no entanto, que nos últimos 15 anos o controle das contas públicas passou a ser percebido como “extremamente importante”. 

Levy também disse que o ajuste fiscal que o país precisa exigirá “certa imaginação” e “esforço”, mas salientou que não há nada de problemático na economia. “O ajuste que vamos fazer agora está absolutamente dentro da nossa capacidade”, disse. “Tenho certeza que temos capacidade de fazer reengenharia da nossa economia sem grande dificuldade”, afirmou. 

O ministro também reafirmou a importância de rever alguns benefícios fiscais – 100 bilhões de reais de benefícios fiscais por ano é muito dinheiro, disse. Para o ministro, o seguro-desemprego, por exemplo, é uma proteção contra o inesperado, não um sistema de suporte. “Mudanças foram feitas para tornar estes instrumentos mais focados e mais fortes.”

Desde que se assumiu a liderança da equipe econômica, Levy começou a reverter desonerações tributárias, que em 2014 atingiram 104 bilhões de reais. Uma das medidas foi o retorno da cobrança da Cide Combustível, do PIS/Cofins sobre produtos importados e a volta da cobrança do IOF em operações de crédito a pessoas físicas. Na palestra, Levy sinalizou mais mudanças no PIS, Cofins e ICMS. “Estamos com intenção de fazer ajustes, começando pelo PIS/Cofins”, disse Levy, sem dar mais detalhes.

O ministro da Fazenda reiterou que o desequilíbrio fiscal de 2014 tem sido corrigido. Disse que déficit fiscal de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) não é sustentável e que 2% do PIB de superávit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) é um nível aceitável. Para este ano, a meta de superávit é de 1,2% do PIB. Para os próximos, a intenção é alcançar 2%.

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2015

às 4:43

Presidente de uma das maiores e mais influentes consultorias do mundo, que costuma ser prudente sobre o Brasil, diz que país está à beira do precipício  

Ian Bremmer, presidente da Eurasia, uma das consultorias políticas mais importantes e influentes do mundo, com escritório também no Brasil, escreveu um artigo para a revista Time em que afirma que o país vive a “tempestade perfeita”. Ele elenca cinco motivos que apontam para um futuro sombrio. Titulo do texto: “Cinco razões que conduzem o Brasil à beira do precipício”. Abaixo, faço uma síntese do que ele escreve, mas, antes, quero chamar atenção para um dado importante.

A Eurasia não se deixa impressionar facilmente e não pode ser acusada de fazer análises só para deixar o PT amuado. Nada disso! Querem um exemplo? Para o seleto grupo de clientes que recebiam suas análises durante todo o processo eleitoral, a consultoria jamais deixou de apontar Dilma Rousseff como a franca favorita. E assim foi até nos momentos mais difíceis da campanha. Eu mesmo vivia torcendo para que chegasse o dia em que me diriam: “Ó, a Eurasia está dizendo que Dilma deve perder…”. Isso nunca aconteceu.

São cinco os fatores que empurram o país para perto do abismo, segundo Bremmer:
1 – Economia: O autor destaca que o real perdeu um décimo do seu valor ante o dólar nos dez primeiros dias de fevereiro, que a inflação está em alta e que o país deverá crescer apenas 0,3% neste ano. Nota à margem: com dados mais atualizados, Bremer teria destacado que o país terá é recessão em 2015, o que já deve ter acontecido também no ano passado.

2 – Seca: O Brasil passa por uma seca histórica, que poderá acarretar racionamento de água e luz, num país em que 70% da energia derivam de matriz hídrica. A decisão do governo de cortar os subsídios do setor deve levar a um aumento de 40% na tarifa — na verdade, esse reajuste já aconteceu.

3 – Mal-estar: Bremmer destaca que, desde a virada do século, milhões de pessoas passaram para a classe média, com redução considerável da pobreza extrema. Não obstante, no ano passado, o governo teve de anunciar um aumento do número de pessoas que vivem na indigência. Mais: a classe média passou a reclamar da qualidade dos serviços públicos. O autor cita os protestos de 2013 e os de 2014, contra a Copa do Mundo, lembrando que, em 2016, o Rio sedia os Jogos Olímpicos. Parece sugerir que novas ondas de descontentamento vêm por aí.

4 – Corrupção: A corrupção toma conta do país, e o escândalo da Petrobras se agiganta a cada dia. O Ministério Público aponta o pagamento de pelo menos US$ 730 milhões em propina; segundo um dos delatores, 3% dos contratos eram destinados ao PT e aliados, havendo 232 empresas sob investigação. A corrupção é endêmica no país, e pagar propina é uma prática comum entre aqueles que precisam negociar com o setor público. Bremer observa que, no país,  há 20 mil cargos federais de confiança, contra apenas 5.500 nos EUA, por exemplo.

5 – Dilma nocauteada : O presidente da Eurasia diz que esses fatos nocautearam Dilma e que, desde a eleição, ela perdeu metade da popularidade. Ele cita os números do Datafolha, segundo os quais, em três meses, os que consideram seu governo ruim ou péssimo saltaram de 24% para 44%. Nota que os brasileiros estão perdendo a fé na petista, já que 60% acreditam que ela disse mais mentiras do que verdades na campanha e que 77% acham que ela sabia da corrupção na Petrobras.

Eis aí. Esse é o presidente de uma consultoria que costuma ser bastante prudente. Dá para imaginar o que andam dizendo a seus clientes os mais afoitos.

Texto publicado originalmente à 1h07
Por Reinaldo Azevedo

23/02/2015

às 4:41

Até que enfim, o PT está unindo o Brasil! Contra o PT! Ou: O quilo de músculo a R$ 23! Ou: Até eu virei um meme

Vejam esta imagem.

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O que faço conduzindo um táxi, no Rio? Explico. Houve um tempo em que a desculpa dos petistas para todas as bobagens que eles próprios faziam colava. Ao menor sinal de contratempo, lá vinha uma dessas frases: “Foi o FHC que começou!”; “No governo FHC era pior”; “É herança maldita do FHC”.

Pois é… O tempo passou na janela, como diria o petista Chico Buarque, e só as Carolinas Vermelhas, e com os bolsos cheios de dinheiro roubado, não viram. Essa última parte, é certo, o Chico não diria. Não deu tempo de ler o noticiário lá em Paris.

Na primeira e desastrada entrevista que concedeu depois de um adorável silêncio de 60 dias, Dilma não teve dúvida: segundo disse — e é mentira! —, a corrupção na Petrobras começou no governo FHC. A ela, coitadinha!, teria cabido a tarefa de combater a roubalheira.

Não colou!

Não só não colou como a coisa caiu no ridículo. A Internet, especialmente as redes sociais, foi invadida por uma avalanche de memes ironizando a bobagem dita pela governanta. Há o do cachorrinho que faz lambança na casa, segurando na boca uma plaquinha: “Foi o FHC”. É a resposta que um garotinho dá ao pai ao levar uma bronca por ter feito xixi no tapete. Em outro, um tiranossauro rex lamenta, ao perceber que um meteoro gigante atingiu a Terra: “Porra, FHC!”. O mesmo FHC é detectado por um satélite russo pulando de paraquedas pouco antes de o segundo avião atingir as Torres Gêmeas.

Tiranossauro - FHC

cachorro culpa FHCIMG_2827IMG_2829Eis aí. Acabou a condescendência. Ninguém mais tem saco para aguentar os petistas e suas desculpas. A reputação do partido se esfarelou. Há um fastio crescente nas ruas, que não distingue mais classes sociais.

Comentava a questão ontem com a minha mulher, que disparou uma frase que me parece sintetizar admiravelmente o momento: “Pois é… Uma coisa era esse papo furado no auge daquele modelo que incentivava o consumo, outra, bem diferente, é tentar essa desculpa quando o quilo do músculo está a R$ 23”. Na mosca!

E olhem que sedizentes intelectuais como Marilena Chaui (que ocaso triste vive esta senhora!), Emir Sader e Leonardo Boff (o pensador que escreve livros sobre galinhas…) se esforçam: resolveram lançar em manifesto em defesa da Petrobras, como se a empresa estivesse sob ameaça. Quer dizer: está! Mas quem corrói seu patrimônio e sua reputação é a companheirada petista. Nada mais dá certo! Se o PT passar a defender a Lei da Gravidade, haverá uma onda de desconfiança sobre a efetividade da dita-cuja.

Até este que vos escreve virou meme. No Rio, em São Paulo e em toda parte, é você entrar no táxi, e o motorista senta a pua no PT, na Dilma, na companheirada… Aí um gaiato brincou: “Acho que o Reinaldo Azevedo anda a fazer a cabeça dos motoristas de táxi…”. E eu, que nem dirijo, apareço conduzindo um bólido, hehe…

É bem verdade que este blog e também o programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan, fazem um sucesso danado entre os motoristas, os porteiros, os operários, os intelectuais de verdade (não entre as bruxas e suas vassouras teóricas), os empresários… O PT, finalmente, cumpre aquele que era um de seus anunciados propósitos: unir o Brasil! Os petistas estão unindo o Brasil contra o PT!

Texto publicado originalmente às 14h41 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

22/02/2015

às 16:40

Submetê-los ao ridículo é uma das formas de resistência e ação…

Circula na Internet:

Por Reinaldo Azevedo

21/02/2015

às 5:58

Dilma diz que prisão de oposicionista é assunto interno da Venezuela… Será que Nicolás Maduro não está disposto a financiar o desfile dos Unidos da Cara de Pau do Palácio do Planalto? Nota do Itamaraty é pusilânime!

Eu poderia começar este post afirmando que a presidente Dilma Rousseff deveria, ao menos, ter senso de ridículo. Mas seria uma contradição nos próprios termos. Se tivesse, não estaria onde está, fazendo o governo que faz. Depois da cerimônia em que recebeu os novos embaixadores — inclusive María Lourdes Urbaneja Durant, representante da Venezuela —, a governanta concedeu aquela entrevista desastrada. E comentou a crise no país vizinho.

Afirmou não se sentir nem um pouco constrangida com a presença de María Lourdes, um dia depois de o tirano Nicolás Maduro ter mandado prender Antonio Ledezma, prefeito da grande Caracas. Refletiu, então: “Eu não posso receber um embaixador baseada em questões internas do país. Eu recebo os embaixadores baseada nas relações que eles estabelecem com o Brasil”.

É mesmo?

Em 2012, o Senado paraguaio depôs, de acordo com as leis do país, Fernando Lugo, aquele misto de esquerdista e reprodutor de batina. A deposição foi absolutamente legal, amparada na Constituição. Dilma não reconheceu o novo governo. Em companhia de Cristina Kirchner e José Mujica, suspendeu o Paraguai do Mercosul, abrigando em seguida justamente a… Venezuela, que já era uma ditadura. Desrespeitou o protocolo do bloco quando puniu um país e beneficiou o outro.

Em 2009, também de acordo com a Constituição do país, Manuel Zelaya, o psicopata que governava Honduras, foi deposto. Lula e Hugo Chávez tentaram derrubar o governo interino, incitando a guerra civil. Mais: Zelaya se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa e, de lá, tentou comandar a reação.

Vale dizer: os petistas se metem, sim, na realidade interna dos demais países da América Latina, desde que seja para proteger seus aliados ideológicos. Pode cometer indignidades as mais variadas. Em 2008, forças colombianas atacaram um acampamento dos terroristas das Farc que ficava em território equatoriano. O governo Lula não deu um pio sobre o absurdo de o Equador abrigar terroristas. Preferiu censurar a Colômbia e tentou arrancar na OEA uma censura ao país.

Em 2009, o Exército colombiano apreendeu com as Farc armamento pesado oriundo da… Venezuela. Celso Amorim, então ministro das Relações Exteriores, teve a indignidade de dizer que não havia provas a respeito. Uma semana depois, o próprio Chávez admitiu que era verdade. Afirmou que os equipamentos tinham sido roubados, o que era, obviamente, mentira.

E Dilma vem agora dizer que seu governo não se mete na realidade interna de outros países. Na noite desta sexta, o Itamaraty soltou uma nota pusilânime. Leiam. Volto em seguida.
O Governo brasileiro acompanha com grande preocupação a evolução da situação na Venezuela e insta todos os atores envolvidos a trabalhar pela paz e pela manutenção da democracia. O Brasil reitera seu compromisso em contribuir, sempre que solicitado, para a retomada do diálogo político amplo e construtivo na Venezuela e, nesse sentido, saúda o anúncio do Secretário-Geral da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) sobre a preparação de visita à Venezuela da Comissão de Chanceleres da UNASUL formada pelos Ministros de Relações Exteriores de Brasil, Colômbia e Equador

É infame! Nem mesmo faz referência  à prisão arbitrária de Ledezma. Eis Dilma Rousseff! Não é que esta senhora não goste de ditadura. Ela só é contra ditaduras em mãos que considera erradas.

Por Reinaldo Azevedo

20/02/2015

às 16:18

Dilma como oradora: “Nunca deixamos de esconder que [a correção da tabela do IR] era 4,5%”. Santo Deus!

Falando o dilmês castiço, uma língua derivada do javanês arcaico, a presidente Dilma Rousseff afirmou em sua entrevista que vai mandar ao Congresso uma nova proposta de correção da tabela do IR de pessoa física em 4,5%. Os parlamentares, como sabem, votaram uma atualização de 6,5%, correspondente à inflação do ano passado. A presidente vetou.

Ocorre que vetos podem ser derrubados. Bastam a metade mais um dos deputados — 254 — e dos senadores: 41. Na eleição para a Presidência da Câmara, ficou claro que Dilma pode mesmo contar é com 136 valentes. Há, pois, o risco de que seja, sim, derrubado.

Falando sobre o índice de correção, afirmou: “Eu sinto muito. Nós não estamos vetando porque queremos. Estamos vetando porque não cabe no Orçamento. Nunca deixamos de esconder (sic) que era 4,5%. Já mandei por duas vezes e vou chegar a terceira vez. Mandei novamente e vetei. Vetei não porque não queira fazer, vetei porque não tem recursos para fazer”.

É… Justiça se faça. A presidente nunca deixou de esconder muita coisa. Não deixou de esconder a situação fiscal desastrosa; não deixou de esconder a inflação renitente; não deixou de esconder o desastre na Petrobras…

No caso da tabela do IR, com efeito, ela deixou de esconder…

Espero não ter dado um nó na cabeça de vocês. Afinal, estamos falando de Dilma…

Por Reinaldo Azevedo

20/02/2015

às 14:30

Dilma atrasa pagamentos de R$ 17,9 bilhões em quatro áreas 

Na VEJA.com:
As dificuldades de caixa enfrentadas no ano passado fizeram o governo “empurrar”, de 2014 para 2015, 17,9 bilhões de reais em contas a pagar de custeio nas áreas de Saúde, Trabalho, Educação e Assistência Social. É o que mostra levantamento realizado pelo consultor Mansueto Almeida no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), onde são registrados os gastos do governo federal. Os atrasados englobam desde gastos com administração até itens como bolsas de estudo, assistência hospitalar e ajuda a deficientes e idosos.

Também são afetados programas como abono e seguro-desemprego, alvo de medidas de ajuste que estão em análise no Congresso Nacional. A quitação dos atrasados tem sido lenta, segundo mostram os números. Por um lado, porque o Orçamento da União deste ano não foi ainda aprovado pelo Congresso. O governo tem aproveitado a demora para executar seu ajuste, pagando o correspondente a 1/18 por mês para custeio e transferências, ao contrário do que faz em condições semelhantes, quando desembolsa 1/12. Por outro lado, porque a arrecadação tem se mantido fraca.

O adiamento de despesas em Educação chegou a 6,6 bilhões de reais, segundo levantamento. O Pronatec está entre os programas prejudicados. Como revelou na quinta-feira o jornal Folha de S. Paulo, o governo federal deixou de repassar verbas a 500 escolas particulares. Embora o MEC tenha admitido os atrasos e informado que foram liberados 119 milhões de reais para regularizar os pagamentos, ainda estão pendentesl 700,7 milhões de reais de 2014 para 2015. Na educação básica, os restos a pagar somam 1,194 bilhão de reais. Durante a campanha eleitoral do ano passado, a então candidata à reeleição Dilma Rousseff costumava enaltecer o Pronatec como o grande programa profissionalizante que o Brasil vinha mostrando ao mundo. E, ao tomar posse, prometeu fazer do Brasil uma “Pátria educadora”. Na área de Saúde, as contas de custeio adiadas chegam a 5,4 bilhões de reais. Só na área de assistência hospitalar e ambulatorial, foi 1,278 bilhão de reais. A vigilância epidemiológica teve adiados gastos de 810 milhões de reais.

Custeio – Há até mesmo um atraso documentado, segundo constatou a ONG Contas Abertas. No dia 29 de dezembro, o Fundo Nacional de Saúde (FNS) informou que adiaria para janeiro o pagamento de 30% da parcela de dezembro do Teto Financeiro da Média e Alta Complexidade, paga aos Estados, municípios e ao Distrito Federal. “É preocupante que os restos a pagar em custeio tenham crescido tanto”, comentou Mansueto, um estudioso da política fiscal brasileira.

Os gastos de custeio passados de um ano para o outro em toda a administração, que eram de 28,2 bilhões de reais em 2010, atingiram 98,8 bilhões de reais em 2015, um salto de quase 20 bilhões de reais sobre o ano anterior. E essa é só uma parte das despesas que passaram de um ano para o outro.

No total, os restos a pagar herdados pela atual equipe somaram 226 bilhões de reais, se forem adicionados os gastos com pessoal e investimentos. Dados preliminares indicam também que o governo é lento em colocar essas contas em dia. Procurado, o Ministério da Fazendo não respondeu ao pedido de entrevista.

Por Reinaldo Azevedo

19/02/2015

às 6:47

Dilma não paga o Pronatec desde outubro. Ou: De como jaqueira não dá caju. Ou: “Faz Pronatec, Elisabete!”

Vejam este vídeo.

Entrou para o terreno do folclore eleitoral a estupefaciente resposta que a então candidata Dilma Rousseff (PT) deu à economista Elisabete Maria no último debate eleitoral de 2014, promovido pela Rede Globo. Desempregada, com 55 anos, Elisabete quis saber que proposta tinha a soberana para as pessoas na sua condição, com qualificação profissional, mas com dificuldades para arranjar emprego em razão da idade.

Falando o dilmês castiço, um idioma derivado do javanês, a soberana não teve dúvida: mandou a mulher buscar qualificação profissional no Senai e no Pronatec. A resposta era tão absurda que nem errada era. Tratava-se apenas de dizer qualquer coisa. Elisabete olhava pra ela perplexa.

Pois bem. Reportagem de Fábio Takahashi, na Folha desta quinta, informa que as 500 escolas privadas que aderiram ao programa não recebem o repasse do governo desde outubro. Sim, senhores: o Pronatec — programa que Dilma surrupiou do seu adversário de 2010, José Serra, mas vá lá   — e o tal “Mais Especialidades”, na área de saúde, foram os dois carros-chefes da campanha da reeleição.

Informa o jornal: “Diretores de escolas ouvidos pela Folha dizem que a explicação do governo é que os recursos estão contingenciados (bloqueados). A União enfrenta situação que combina alta de gastos nos últimos anos com arrecadação abaixo do previsto em 2014. O Ministério da Educação afirmou à reportagem que o repasse de janeiro não foi feito devido ao atraso na aprovação do Orçamento de 2015. Mas não explicou o problema dos meses de 2014”.

Eis aí. Já não se trata agora de apontar apenas os estelionatos eleitorais em relação ao que Dilma disse que faria e que, certamente, não fará. Descobre-se que programas que estavam em curso começam também a ir para o vinagre. As escolas dizem que, se não receberem logo o dinheiro, sairão do programa.

Está começando a ficar tão fácil bater no governo Dilma que preciso ficar me segurando aqui para não tentar fazer o difícil — na verdade, o impossível —, que é falar bem.

Revejam o vídeo. Dilma manda dona Elisabete fazer o Pronatec alegando que falta ao Brasil mão de obra qualificada. A mulher é economista, santo Deus! E assim vamos: do improviso para a falta de noção e da falta de noção para o improviso. Não é por acaso que o país terá dois anos seguidos de recessão. Por enquanto. Jaqueira não dá caju.

Texto publicado originalmente às 4h41

Por Reinaldo Azevedo
 

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