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Governo Dilma

01/07/2015

às 20:37

Sugerir que Dilma renuncie é um ato de amor. Ou: Aécio: “Inflação ainda supera popularidade da presidente”

“A nação aguarda de forma atenta todos os desfechos dessas demandas do campo da justiça. E, para que o Brasil tenha seu sofrimento abreviado, renuncie, Dilma Rousseff”

A exortação foi feita pelo líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), nesta quarta. Leitores me perguntam se concordo. Bem, meus caros, a renúncia é um ato unilateral. Agora, se vocês querem saber se endosso a exortação, sim, eu a endosso. Até porque fiz exatamente isso no sábado, quando publiquei aqui uma síntese da reportagem da mais recente edição de VEJA, que traz o conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa. Aconselhei a presidente: “Renuncie, Dilma! Faça ao menos um bem ao Brasil. Ou aguarde o impeachment, o que vai custar mais caro aos pobres”.

E sabem por que eu acho que seria o melhor para o Brasil? Porque, com efeito, a economia vai muito mal, mas a crise política e a falta de liderança tornam tudo muito pior, não é? Vejam o caso do reajuste dos servidores do Judiciário. Só foi aprovado no Senado porque, na prática, a Presidência está vaga. Pior: no dia em que se votou aquele despropósito, ninguém menos do que Lula havia feito proselitismo entre senadores. Vale dizer: a presidente é fraca, e seu antecessor lhe faz sombra, embora seja hoje um líder em decadência. A simples substituição de Dilma já representaria um sopro de esperança.

Mas substituição por quem? Ora, pelo vice-presidente, Michel Temer.

Sim, há renúncias que podem agravar crises polítiaos, como aconteceu com a de Jânio Quadros, em 1961. Mas elas também podem ser a solução — e a de Dilma seria. Pelo caminho da denúncia em favor do impeachment, vimos um presidente mais popular do que Dilma (!!!), a atual, ser depost0. E o país melhorou, não é mesmo?

Espero que ninguém chame de “golpe” um conselho para que alguém renuncie, né? Aliás, qualquer dos três caminhos possíveis e hoje, de algum modo, abertos para Dilma ser deposta é legítimo: Lei 1.079 (crime de responsabilidade); Artigo 359 do Código Penal (lambança com as contas públicas) ou Justiça Eleitoral. A renúncia abreviaria sofrimentos. Mas isso é mesmo com ela.

Nesta quarta, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, ironizou os apenas 9% de ótimo e bom colhidos por Dilma na pesquisa CNI-Ibope: “Isso é o que temos no Brasil hoje: uma inflação que caminha para ser maior do que a popularidade da Presidente da República”.

E olhem que Aécio tem razão. O IPCA de 12 meses em maio ficou em 8,47%. A projeção do Boletim Focus para junho é de 0,72%. Ou por outra: a inflação vai acabar ganhando da popularidade de Dilma…

Nesse cenário, sugerir a renúncia, longe ser uma postura agressiva, não deixa de ser um ato de amor.

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 15:09

Ibope – Enfim, Dilma em um dígito! Pior do que Sarney e Collor

O momento era dado como certo. Eis aí um dos grandes institutos de pesquisa conferindo ao governo da presidente Dilma apenas 9% de ótimo/bom e 68% de ruim/péssimo. Em 29 anos, é o pior resultado colhido pelo Ibope. Ela “ganha” — ou seja, perde para — de José Sarney e Fernando Collor. Não é qualquer um que realiza tal prodígio. Só 20% dizem confiar na presidente. Nada menos de 78% não confiam. É feia a coisa. Abaixo, quadros publicados no Estadão Online

Faço uma análise mais detalhada daqui a pouco.

Ibope - avaliação Dilma julho

Avaliaçã- Ibope - confiança

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 6:41

MAIORIDADE PENAL 1 – Faltaram 5 votos para triunfar o bom senso: 303 votos a 184; questão ainda não acabou. Ou: O discurso vergonhoso do governo federal e das esquerdas

É cedo para a comemoração dos nefelibatas, preguiçosos e daqueles que, como artistas, são pensadores amadores e, como pensadores amadores, são artistas. Faltaram cinco votos para que a Câmara dos Deputados aprovasse ontem, em primeira votação, a PEC que reduz a maioridade penal para 16 anos para crimes como estupro, latrocínio, homicídio qualificado, lesão corporal grave ou seguida de morte e roubo com agravante. O texto obteve 303 votos a favor e 184 contra, com três abstenções. Uma Proposta de Emenda Constitucional precisa de pelo menos 60% dos votos em dois escrutínios em cada Casa: 308 deputados e 49 senadores.

O texto votado no fim da noite desta terça, relatado pelo deputado Laerte Bessa (PR-DF), não era a emenda original, mas aquele fruto de um acordo feito na Comissão Especial. Como avisou Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, a questão ainda não está liquidada. Disse ele: “Eu sou obrigado a votar a PEC original para concluir a votação ou o que os partidos apresentarem. No curso da votação, poderão ser apresentadas várias emendas aglutinativas. A votação ainda está muito longe de acabar, foi uma etapa dela”. Antes que alguém proteste e acuse manobra: ele está seguindo o Regimento Interno.

Para lembrar: inicialmente, Laerte Bessa havia acatado o texto original de Benedito Domingues (PP-DF), que reduzia a maioridade para todos os crimes. Um acordo feito com o PSDB restringiu os casos. No Senado, tramita uma proposta do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) que reduz a maioridade para crimes hediondos, desde que ouvidos previamente Ministério Público e um juiz da Infância e da Adolescência. Os tucanos haviam aceitado abrir mão dessa exigência se a emenda tivesse chegado — ou ainda chegar — ao Senado.

Mentiras e hipocrisias
A cadeia de mentiras e hipocrisias em que essa questão foi enredada impressiona e é a cara da vigarice intelectual e moral que toma conta de certos setores no Brasil. O governo se lançou contra a proposta argumentando, inicialmente, que menos de 1% dos crimes graves eram praticados por adolescentes. O número era, claro!, falso. Dados os casos de autoria conhecida, os jovens de 16 e 17 anos podem responder por até 40% deles.

Exposta a patacoada, Dilma inventou outra fantasia. Afirmou que a medida se mostrara inócua em países desenvolvidos que a haviam adotado. Eles não existem. É uma invenção. Até porque se desconhece outro país em que a impunidade esteja garantida em lei, como está no Brasil.

Na reta final, José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, pôs para circular um número bombástico: afirmou que 40 mil adolescentes entre 16 e 17 anos seriam enviados para o sistema prisional se a PEC fosse aprovada. É mesmo? Então o problema é grave, não? Então temos 40 mil pessoas que cometeram um daqueles crimes e que logo estarão nas ruas, é isso?

Bem, Cardozo é aquele que entrou nesse debate afirmando que a maioridade penal aos 18 anos é uma das cláusulas pétreas da Constituição, o que também é falso. As ditas-cujas estão no Artigo 60 da Carta, e a maioridade do 228. Cláusula pétrea não é.

Esse é o ministro que declarou que, caso tivesse de ficar no sistema prisional brasileiro, preferiria dar um tiro na cabeça. E com essa mesma retórica dramática, espalhava por aí que os adolescentes seriam enviados para escolas do crime — embora a emenda previsse que ficassem em alas especiais.

Na Câmara, deputados de esquerda, muito especialmente do PT, gritavam que os jovens criminosos precisam de escola, não de cadeia. Qualquer ser razoável sabe que precisam de escola os que querem estudar e de cadeia os que cometerem crimes graves. Escolas e cadeias só são termos permutáveis na retórica doentia das esquerdas, não é mesmo, deputada Maria do Rosário? Esta parlamentar petista continua a despertar em mim os adjetivos mais primitivos. Mas eu me contenho.

Há mais: o PT está no poder há 13 anos. Fez exatamente o quê para que a cadeia, então, passasse a recuperar as pessoas e deixasse de ser uma escola do crime? Se a violência é mesmo — não é; trata-se de uma tese tarada da esquerdopatia — uma razão direta da pobreza e da baixa qualidade da educação, cumpre indagar: o que os companheiros fizeram para mudar esse quadro?

É indecoroso, é vergonhoso, é inaceitável que um ministro da Justiça, a cuja pasta está subordinado o Departamento Penitenciário Nacional, trate o sistema prisional como uma escola de crime sem poder exibir uma só medida que tenha sido adotada em 13 anos para reverter tal quadro.

Contentar-se com a retórica de que os adolescentes assassinos precisam de escolas tranquiliza a consciência dos hipócritas e aponta uma arma contra a cabeça dos cidadãos.

Texto publicado originalmente às 4h03
Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 6:39

MAIORIDADE PENAL 2 – Planalto está se lixando para os adolescentes; comemorou o que considerou a “derrota de Cunha”

O Planalto não estava mais nem aí para os adolescentes. Queria mesmo era derrotar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, ainda que o placar tenha sido amplamente favorável à redução da maioridade: 303 votos a 184. A propósito: cinco tucanos ajudaram o Planalto a obter a sua vitoriazinha. Posicionaram-se contra a emenda e a orientação do partido os deputados Max Filho (ES), Mara Gabrilli (SP), João Paulo Papa (SP), Eduardo Barbosa (MG) e Betinho Gomes (PE).

Na reta final, o governo fez uma enorme pressão sobre alguns partidos da base e conseguiu virar alguns votos, embora tivesse quebrado a cara se os cinco tucanos não tivessem dado a sua forcinha. Aí vem a pergunta: é uma vitória que vale a pena?

O Planalto tem uma penca de interesses na Câmara que pode ser aprovada ou rejeitada por maioria simples. Nem tudo é uma PEC, não é mesmo?, que precisa de 60% dos votos. Comemorar a suposta derrota de Cunha nesse caso é de uma tolice sem-par. Até porque cumpre indagar: que vitória é essa de 184 contra 303?

O Planalto havia se comprometido a apoiar um projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP), que eleva o tempo máximo de internação do menor infrator de três para dez anos — máximo convertido em oito anos pelo relator do projeto, senador José Pimentel (PT-CE). É claro que se trata de uma mudança necessária no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que também é combatida pela esquerda e por boa parte dos petistas. Só para lembrar: ela não é incompatível com a redução da maioridade penal.

De resto, ainda que a maioridade seja mantida aos 18 anos, é preciso analisar que vitória a presidente Dilma vai comemorar. Basta ver o que pensa a esmagadora maioria da população. Assim que se tiver notícia de uma próxima ocorrência escabrosa — e quanto tempo vai demorar, infelizmente, para que isso ocorra? —, o peso da decisão de agora cairá no colo da presidente. Fazer questão de derrotar Cunha nesse caso é mais um tiro no pé. É a vitória que é derrota.

E encerro assim: pelo tempo que o PT continuar no poder, fiquemos atentos às medidas que esses patriotas adotarão, então, para que as cadeias passem a recuperar presos e para que caiam os crimes hediondos e violentos cometidos por adolescentes.

O esquerdismo é uma fraude intelectual — porque geralmente ancorado em números falsos — que se complementa com a fraude moral: está pouco se importando com a realidade e com os homens que existem se as respostas necessárias não coincidirem com seus preconceitos ideológicos.

Os brasileiros perderam. A Justiça perdeu. Mas Dilma também perdeu. E isso logo vai ficar claro.

Texto publicado originalmente às 4h
Por Reinaldo Azevedo

30/06/2015

às 22:16

Lula foi a Brasília antecipar o impeachment de Dilma

Não duvidem de uma verdade universal. A democracia não admite exotismos. Sempre que alguém tenta explicar uma particularidade nativa do regime democrático, faz um esforço é para justificar o injustificável. O que se viu com a presença desassombrada de Lula nesses dois dias em Brasília foi a falência de um governo — e, em certa medida, de um partido. E que se revela do único modo como o PT sabe fazer as coisas: pelo caminho da desinstitucionalização.

Na segunda, Lula se encontrou com as bancadas do PT no Senado e na Câmara. Nesta terça, foi a vez de se reunir com Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Estavam presentes ao encontro os senadores Edison Lobão (PMDB-MA), Romero Jucá (PMDB-RR), Eunício Oliveira (PMDB-CE) e os petistas Jorge Viana (AC) e Delcídio Amaral (MS). Compondo a plêiade, o ex-senador e ex-presidente da República José Sarney.

Ainda que Dilma soubesse e tenha sido previamente avisada das andanças de Lula, é claro que a ação concorre para rebaixar a presidente, como se ela fosse carta fora do baralho. Ou por outra: Lula tenta decretar por conta própria o impeachment da sua sucessora. Adicionalmente, marca conversa com figurões do PMDB, ao arrepio de Michel Temer, presidente do partido, vice-presidente da República e coordenador político do governo.

Como explicar a ação de Lula? Não tentem. É inexplicável. Ele está é cuidando de si mesmo, não de Dilma. Na reunião, ouviu um rosário de críticas ao governo, à sua paralisia, à sua pouca disposição para o diálogo. A questão, no entanto, é esta: diálogo em torno do quê? Os petistas perderam o pulso do país.

Renan resumiu assim o encontro, segundo a Folha:
“Ele [Lula] acha que a presidente deveria reunir os Poderes, conversar permanentemente na busca de saídas para o Brasil. Foi uma conversa boa. Ele definitivamente veio em missão de paz, defendeu pontos de vista com relação à reforma política, uma conversa produtiva”.

Entendi. Lula foi dizer “nada” aos peemedebistas, como “nada” disse aos petistas, deixando como saldo uma presidente com ainda menos autoridade, posando uma vez mais de condestável da República, o que, a esta altura, também é falso.

E não deixa de haver algo de simbólico que, no encontro, estivessem dois ex-presidentes da República: Sarney e Lula. Um era a expressão do que o PT chamava o velho Brasil, das elites que precisavam ser vencidas por uma força nova, encarnada pelo PT. O tal novo chegou. Depois de 13 anos, o Babalorixá de Banânica foi apelar ao que resta da seiva de Sarney para ver se consegue se levantar da obsolescência.

Mas não vai.

Walking Dead.

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2015

às 17:02

Oposição aciona PGR contra Dilma e seu ministro-tesoureiro por extorsão

Por Laryssa Borges,  na VEJA.com:

Os partidos de oposição decidiram nesta terça-feira entrar com uma representação na Procuradoria-Geral da República contra a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva (PT). A oposição acusa Dilma e Edinho de praticar crime de extorsão contra o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia. O empresário, réu na Operação Lava Jato, fechou um acordo de delação premiada e disse aos investigadores que doou 7,5 milhões de reais desviados da Petrobras à campanha à reeleição da petista em 2014 por pressão de Edinho.

Apesar da ofensiva contra o governo federal junto ao Ministério Público, os oposicionistas, que reuniram suas principais lideranças na manhã desta terça, não chegaram, mais uma, vez a um acordo sobre um eventual pedido de impeachment da presidente.

Conforme revelou VEJA, o dono da UTC Engenharia afirmou em depoimento aos investigadores que usou dinheiro do petrolão para bancar despesas de dezoito políticos, entre eles os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Edison Lobão (PMDB-MA) e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e que repassou dinheiro desviado da Petrobras para as campanhas do ex-presidente Lula, em 2006, e da presidente Dilma, no ano passado.

No caso da campanha de Dilma, os recursos foram entregues depois de uma abordagem de Edinho Silva, então tesoureiro da campanha presidencial, que insinuou que a UTC poderia perder contratos com a Petrobras se não ajudasse na arrecadação eleitoral, segundo relato do empreiteiro. Edinho nega e afirma que a delação “não expressa a verdade dos fatos”. Dilma rechaçou o depoimento e disse que “não respeita delator”.

“Há ali, explicitado por ele, uma clara chantagem. Ou ele aumentava as doações ao Partido dos Trabalhadores e à campanha da presidente da República ou ele não continuava com suas obras na Petrobras”, disse o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014.

Pedaladas
Em outra frente de atuação contra o governo, os partidos de oposição também anunciaram que vão recorrer ao Tribunal de Contas da União (TCU) com a acusação de que as chamadas pedaladas fiscais ocorreram também em 2015. As chamadas “pedaladas” fazem parte da estratégia do governo de segurar pagamentos devidos a bancos públicos com o intuito de registrar gastos menores.

Com isso, o governo conseguia melhorar artificialmente suas contas para engordar a meta de superávit primário – que é a economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública. A operação, no entanto, é considerada irregular, pois fere a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Atualmente, o TCU já analisa o uso das pedaladas em 2014. No último dia 16, por unanimidade, a Corte decidiu abrir prazo de trinta dias para que a presidente Dilma explique a manobra e as diversas irregularidades encontradas pelo órgão de controle nas contas do governo referentes ao ano passado.

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2015

às 0:37

Em nota dura, Aécio critica Dilma por fazer comparação despropositada

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, divulgou uma nota com uma dura crítica à presidente Dilma Rousseff ter comparado os delatores da operação Lava Jato com presos políticos do regime militar. Leiam o texto.
*
As novas declarações da presidente Dilma Rousseff, dadas hoje, em NY, atestam o que muitos já vêm percebendo há algum tempo: a presidente da República ou não está raciocinando adequadamente ou acredita que pode continuar a zombar da inteligência dos brasileiros.

Primeiro, ela desrespeitou seus próprios companheiros de resistência democrática ao compará-los aos atuais aliados do PT acusados de, nas palavras do Procurador Geral, terem participado de uma “corrupção descomunal”.

A presidente chega ao acinte de comparar uma delação feita, dentro das regras de um sistema democrático, para denunciar criminosos que assaltaram os cofres públicos e recursos pertencentes aos brasileiros, com a pressão que ela sofreu durante a ditadura para delatar seus companheiros de luta pela democracia.

A presidente realmente não está bem.

É preciso que alguém lhe informe rapidamente que o objeto das investigações da Polícia Federal, do MPF e da Justiça não são doações legais feitas de forma oficial por várias empresas a várias candidaturas, inclusive a minha, mas sem qualquer contrapartida que não fosse a alforria desses empresários em relação ao esquema de extorsão que o seu  partido institucionalizou no Brasil. 

O que se investiga — e sobre o que a presidente deve responder — são as denúncias feitas em delação premiada pelo Sr. Ricardo Pessoa que registram que o tesoureiro da sua campanha e atual ministro de Estado Edinho Silva teria de forma “elegante” vinculado a continuidade de seus contratos na Petrobras à efetivação de doações à campanha presidencial da candidata do PT.

Ou ainda a afirmação feita pelo mesmo delator de que o tesoureiro do seu partido, o Sr. João Vacari, hoje preso, sempre o procurava quando assinava um novo contrato para cobrar o que chamou de “pixuleco”.

Não será com a velha tentativa de comparar o incomparável que a Sra. Presidente vai minimizar sua responsabilidade em relação a tudo o que tem vindo à tona na Operação Lava Jato.

O fato concreto é que, talvez nunca na história do Brasil, um Presidente da República tenha feito uma visita oficial a outro país numa condição de tamanha fragilidade. E afirmações como essa em nada melhoram sua situação.

Aécio Neves
Presidente nacional do PSDB

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2015

às 0:27

Na VEJA.com: “Para de tomar cauim, Dilma!”

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2015

às 0:16

#prontofalei – “Volta a comer carboidrato, Dilma!”

Por Reinaldo Azevedo

29/06/2015

às 7:21

O nome da crise é o “Custo PT”. Enquanto essa gente estiver por aí, o país não sai da lama

O conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa, da UTC, que veio a público na edição de VEJA desta semana, é de estarrecer. O que se viu ali é a expressão da privatização não de estatais, com regras transparentes, mas do estado brasileiro. O PT se organizou, e já escrevi isso aqui tantas vezes, para ser uma espécie de gerente do capitalismo nacional. O partido, que sempre foi autoritário, posando de socialista, se juntou a um setor do empresariado, que sempre foi autoritário, posando de capitalista, e, juntos, promoveram o aggiornamento do patrimonialismo. Luiz Inácio Lula da Silva já é o maior coronel da história do Brasil. E isso, é óbvio, nada tem a ver com suas raízes nordestinas. Até porque ele é um coronel urbano.

O que a Operação Lava Jato, nos seus aspectos virtuosos — e há muitos aspectos viciosos também —, revela? Um partido que operou e opera com extrema intimidade com os potentados nacionais. Atenção! Estão sendo desvendadas as relações do partido com as empreiteiras — um setor que nunca gozou de boa reputação na imprensa porque constituiu, sem trocadilho, um dos pilares do regime militar, com a sua conhecida propensão para o concreto armado. A má fama, justa ou injusta, vem de lá.

E se fôssemos desvendar as outras intimidades? Será que as relações do PT com o setor financeiro sempre foram as mais republicanas? E com algumas expressões da agroindústria? E com alguns eleitos da área industrial propriamente?

A verdade é que, sob as vestes de um partido socialista e igualitário, o PT se aproveitou para tomar de assalto não apenas o estado, mas também o capital privado. Lula percebeu a fragilidade teórica dos nossos empresários. Lula percebeu que, com raras exceções, eles se deixam conduzir por um pragmatismo bronco e viam e continuam a ver o estado como extensão de seus interesses. Então o PT olhou para esses senhores e disse: “O estado financiador de grandezas é o caminho, e nós somos o pedágio”. E o empresariado topou pagar. Notem que todo o grande capital brasileiro estava “petista” até anteontem.

Nota à margem: é por isso que o PT odeia tanto a classe média — o que já foi vocalizado por Marilena Chaui e sua vassoura teórica. Lula não se conformava que os banqueiros gostassem tanto dele, que os empreiteiros gostassem tanto dele, que muitos empresários do setor industrial e agroindustrial gostassem tanto dele, mas não as camadas médias. Daí o ódio que petistas no geral têm ao Estado de São Paulo.

A origem
De onde vem isso? É claro que o PT assustava parte do empresariado brasileiro. Sabem como é… As pessoas levavam Lula a sério, embora ele próprio não se levasse — o que, felizmente, descobri quando tinha 16 anos. Contei aqui: já fui de esquerda, sim! Lulista, nunca! Sempre foi uma fraude como convicção. É um falastrão que contou com circunstâncias favoráveis, dono, isto sim, de notável inteligência para entender o jogo político. Ainda bem que é preguiçoso. Tivesse se instruído também, teria sido um perigo maior. Adiante.

O PT teve de assinar a tal “Carta ao Povo Brasileiro” em 2002, na qual se comprometia com os fundamentos da economia de mercado. Funcionou como um primeiro chamariz para empresariado. Aos poucos, setores do capital perceberam que Lula queria apenas ter a sua máquina no controle — e a muitos isso pareceu positivo, desde que pudessem fazer negócios. Um empresário realmente liberal tem, sim, por objetivo o lucro e a expansão dos seus negócios, mas segundo valores. Um empresário sem valores se contenta com o lucro e não vê mal nenhum em contar com um ente de razão como sócio — no caso, o PT.

O que é que a delação de Ricardo Pessoa revela senão isto? O PT se tornou um parceiro dos empresários, e, juntos, se apropriaram do estado. Não é que essa comunhão não renda benefício nenhum ao país. De tudo, como diria o poeta, sempre fica um pouco, também para os pobres. Aos trancos e muitos barrancos, o país avançou em alguns indicadores. Posso apostar que há muita gente que achava a tal parceria muito “natural”. Mas atenção: dentro das regras e sem roubalheira, teríamos avançado muito mais.

A conversão do PT à economia de mercado, em suma, tinha um preço. E amplos setores do empresariado brasileiro decidiram pagar apenas porque parecia positivo para os negócios. E tudo teria ido muito bem — porque, afinal, não há mal nenhum em que um governo mantenha uma interlocução com o capital — se essa parceria não tivesse se dado à custa da degradação institucional, da ilegalidade, do compadrio e da mais descarada e aloprada corrupção.

Não existe mais crise mundial. A crise é brasileira. E o nome da crise é o “Custo PT”. Enquanto essa gente estiver no poder, o país está condenado ao atraso. E ponto.

Texto publicado originalmente às 5h
Por Reinaldo Azevedo

29/06/2015

às 7:17

A saída parlamentarista. Cunha diz estar debatendo a questão com vários partidos. Ou: Vamos aposentar os zumbis!

No dia 25 de maio, escrevi aqui um post em que se podia ler: “Penso, aliás, que se deveria aproveitar o período [da reforma política] para propor um novo plebiscito sobre parlamentarismo. Mas reconheço que a chance de isso prosperar é quase igual a zero.”

Parlamentarismo

Muito bem! Leio agora a entrevista que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), concede à Folha, e me parece que a chance passou a ser bem superior a zero. Talvez a ruindade do governo Dilma e do petismo nos deixe ao menos este legado positivo: o fim do presidencialismo.

Reproduzo trecho de uma resposta de Cunha:
“O tema tem ganhado força. Tenho conversado com quase todos os agentes políticos, PSDB, DEM, PPS, PMDB, PP, PR, com todos os partidos. Com José Serra (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG), Tasso Jereissati (PSDB-CE). Com certeza, vamos tentar votar na minha presidência.”

O presidente da Câmara afirma que o parlamentarismo seria apenas para o sucessor de Dilma, ou, diz ele, tratar-se-ia de um “golpe branco”. No modelo que tem em mente, o presidente da República seria um chefe de estado, e o primeiro-ministro, chefe de governo. Afirma Cunha: “Se a gente não evoluir para o sistema parlamentarista, vamos ficar sujeitos a crises”.

Mas há uma dificuldade: o presidencialismo venceu um plebiscito em 21 de abril de 1993, com 69,2% dos votos válidos, contra 30,8% dados ao parlamentarismo. Caso o Congresso aprove o novo sistema, um referendo será necessário, penso eu. A depender de como a mudança seja transmitida à população, há, sim, o risco de rejeição, já que o Parlamento não tem lá a melhor reputação do mundo, não é mesmo?

Dizem que este jornalista jamais admite um erro ou arrependimento. Não é verdade. Já fiz aqui o mea-culpa. Defendi o presidencialismo, sim. Errei. Não tem jeito. Ele tem se mostrado uma usina de crises. O presidente concentra muito poder, mas a nossa Constituição tem um sotaque parlamentarista, e a anuência do Congresso para governar é necessária, o que transforma a política num mercadão.

As democracias mais avançadas do mundo — e os EUA são uma exceção — são parlamentaristas. Ainda não se inventou um sistema melhor de governo para absorver e amortecer crises. O gabinete cai, mas sem risco de crise institucional.

Bastidores
Cunha, evidentemente, não defende a solução parlamentarista agora porque, de fato, não seria uma boa ideia. Já se fez essa opção como remendo uma vez, em 1961, e o resultado não foi bom.

De toda sorte, saibam: mesmo essa possibilidade passou a ser debatida, sim, entre lideranças políticas graúdas de Brasília. São poucos os que hoje apostam que Dilma possa concluir o mandato, e há quem veja o parlamentarismo como uma solução menos traumática do que um eventual impeachment. Mesmo nessas circunstâncias, acho inaceitável a saída para este mandato.

Para a sucessão de Dilma, no entanto, a aprovação de uma emenda parlamentarista seria um alento, mantendo-se a eleição direta de um presidente da República para ser um chefe de estado. Quanto antes fosse votada e aprovada a emenda, melhor. Se querem saber, isso ajudaria a dar uma esfriada na crise política e condenaria alguns zumbis que andam por aí à aposentadoria.

Por Reinaldo Azevedo

29/06/2015

às 6:16

Lula vai a Brasília brincar de presidente. A decadência do mito custa caro ao Brasil

A presidente Dilma Rousseff está nos EUA, e Lula vai a Brasília nesta segunda para discutir com os petistas a crise política. Ou por outra: enquanto a titular viaja, ele se dirige ao centro do poder para se comportar como uma espécie de presidente informal da República. Finge não ser ele próprio parte da crise. Aliás, em certa medida, é um dos seus protagonistas. Neste fim de semana, reportagem da Folha informou que o ex-presidente estimulou José Múcio Monteiro, ministro do TCU, a cobrar Dilma pelas pedaladas fiscais. Vale dizer: comporta-se como sabotador.

O Babalorixá de Banânia vai se encontrar com as bancadas do partido na Câmara e no Senado. Na pauta, uma reação à Operação Lava Jato e as relações do PT com o PMDB. Mas qual reação? Na sexta passada, ele e Rui Falcão, presidente da legenda, se encontraram. O resultado foi uma resolução da Executiva Nacional que se insere entre as mais alopradas da história.

O encontro estava marcado antes de vir a público parte da delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da UTC e ex-amigo pessoal de… Lula! O homem confessou ter doado R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma do ano passado depois de se sentir ameaçado por Edinho Silva e afirmou ter doado R$ 250 mil, por fora, para a campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo em 2010. Edinho e Mercadante estão entre os ministros considerados fortes de Dilma.

É evidente que é um despropósito Lula viajar a Brasília quando Dilma está fora do país. Evidencia, sim, que os dois estão distantes, mas também dá conta da bagunça institucional que o PT promove no país. Por mais que se queira dizer que ele pode cuidar dos interesses do partido, enquanto ela se atém às questões nacionais, todos sabem que não é assim que as coisas funcionam na prática.

De resto, cumpre indagar: quais são as orientações que Lula tem dado ultimamente ao petismo? Elas têm concorrido para facilitar ou para dificultar a vida da presidente Dilma? A resposta, como sabemos, é óbvia. O chefão petista ajudou a mobilizar o partido contra o ajuste fiscal e praticamente forçou a presidente a enterrar o fator previdenciário, uma conta que fatalmente será paga pelos brasileiros.

Lula vai conversar com os petistas como se ele fosse um elemento capaz de solucionar a crise, o que é falso. As suas intervenções têm servido, ao contrário, para potencializar os problemas e para reforçar a imagem de uma presidente fraca, incapaz de governar o país e de dar uma resposta eficiente à crise política.

A decadência do mito Lula está custando caro ao Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

28/06/2015

às 8:42

Lula mobilizou ministro do TCU contra… o governo Dilma! Ação é parte de sua tentativa de se descolar do governo

Vejam isto.

Lula sabotador

No dia 4 de março, escrevi um post em que afirmava que Lula era o principal agente sabotador do governo Dilma. Voltei ao ponto no dia 27 de maio. 

Leio em reportagem de Marina Dias, na Folha, que o Babalorixá de Banânia, em pessoa, estimulou José Múcio Monteiro, o ministro do TCU que é o relator das contas do governo Dilma, a cobrar explicações sobre as pedaladas fiscais. Múcio foi líder de Lula na Câmara e depois ministro das Relações Institucionais. Quando o ministro se manifestou sobre as manobras contábeis, muita gente estranhou. Houve até quem comentasse que o ex-conservador, convertido ao lulismo, já estava mudando de barco. Parece que a coisa não era bem assim.

Sim, é claro que as pedaladas existiram e que Dilma tem de se explicar. Mais: pedisse Lula a Múcio ou não que enroscasse com as contas, o ministro tinha o dever funcional de fazê-lo. Mas que tenha estimulado… Ah, meus caros, aí é sabotagem da brava mesmo.

Não é a primeira vez que ele puxa o tapete de Dilma, mas é, sim, a primeira que o faz por puro sentimento de vingança. Lula comandou a reação dos petistas ao ajuste fiscal e à terceirização e estimulou as alas sindicais do partido a votar pelo fim do fator previdenciário. Vá lá: ainda que estivesse sabotando Dilma, pode-se argumentar que ele estava tentando recuperar um pouco do espírito do velho petismo.

Nesse caso da pedalada, é diferente. O PT não ganha nada com isso. A sugestão não serve de grito de guerra a unir as esquerdas. Então pra quê? Ora, isso faz parte do esforço de se descolar do governo, procurando circunscrever as dificuldades de Dilma à sua própria gestão. Segundo informa a Folha, ao perceber que a questão tomou uma proporção muito maior do que um simples susto, Lula recuou. Mas o estrago já estava feito.

O Poderoso Chefão do petismo também estimula a formação de uma frente de esquerda. Neste sábado, reuniram-se em São Paulo partidários do PT, do PSOL e do PCdoB e representantes de movimento sociais. Segundo consta, trata-se de uma tentativa de articular uma reação ao suposto avanço de forças conservadoras no país. Na prática, é Lula tentando viabilizar a sua candidatura em 2018, descolado tanto quanto possível de Dilma — na hipótese, claro!, de que ela fique até o fim, coisa na qual muita gente não aposta.

Ora, criada tal frente, é claro que um dos alvos acabará sendo o próprio governo. Eis aí: o criador agora quer matar a sua criatura.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2015

às 6:55

Resolução do PT depois de reunião de Falcão com Lula expõe um partido ainda mais atrasado, rancoroso e obtuso. Que bom! Marcha para o abismo!

Queridos leitores, fiquem tranquilos. O PT não recobrou o juízo, o que é uma boa notícia. Quanto mais doidos os companheiros, menos enxergam a realidade. Melhor para o Brasil. A Executiva Nacional do partido divulgou nesta quinta uma resolução com 16 pontos.

A redação saiu depois de uma conversa de Rui Falcão, presidente da legenda, com Lula. Para alguns tolinhos que haviam se encantado com autocrítica do companheiro, segundo quem o PT só pensa em poder em emprego, um recado: ele já retirou a crítica. Admitiu ter exagerado. Segundo Falcão, vai atuar para unir o PT e já marcou reunião com a bancada federal do partido.

A resolução aloprada, com seus 16 pontos, foi acertada, nas suas linhas gerais, com o Babalorixá de Banânia. Traz à luz um partido definitivamente sem cura. É uma espécie de samba-do-petista-doido, misturando alhos, bugalhos e outras ervas daninhas.

O texto começa, em tom acusatório, anunciando a existência de uma “ofensiva conservadora”. Bem, ainda que existisse, pergunta-se: na democracia, ela seria menos legítima do que uma “ofensiva progressista”? E, claro, vem uma pancada na “mídia monopolizada” — aquela que o PT quer controlar. O partido só não revela quem exerce o monopólio.

O item 2 do texto precisa de camisa de força. Leiam:
“Tão grave quanto as tentativas de reduzir a maioridade penal, de realizar uma contrarreforma do sistema político-eleitoral e de comprometer o sentido progressista do Plano Nacional de Educação, é a ação ilegal, antidemocrática e seletiva de setores do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal no âmbito da Operação Lava-Jato.”

Como um texto de meras 51 palavras, incluindo preposições, artigos e conectivos começa com a maioridade penal, passa pela reforma política e chega à Lava Jato? É preciso, como diria Dilma, ser um “homo sapiens petista” para entender. Não é para esse formato usual de crânio.

Sim! Há notas involuntárias de humor, como quando se diz que o partido está na vanguarda da luta contra a corrupção. É mero pretexto para atacar a Lava Jato e para fazer a defesa de João Vaccari Neto. Eu também tenho críticas à operação. Como escrevo na minha coluna de hoje da Folha, não são da mesma natureza. O PT teme que Lula seja preso. Eu apenas peço rigor legal.

A pedido de Lula, o PT se diz preocupado com o prejulgamento das empresas nacionais e seus efeitos na economia. Daqui a pouco, os companheiros começam a acusar a Lava Jato pela recessão…

Em meio a alguns elogios a medidas para retomar o crescimento, o partido defende a redução da meta do superávit, pede a imediata reversão da elevação da taxa de juros e resolve investir um tantinho no arranca-rabo de classes, defendendo a taxação das grandes fortunas, das grandes heranças e dos ganhos financeiros.

O auge da abjeção está no item 8. Lá está escrito:
“A Comissão Executiva Nacional reafirma sua reprovação à manobra antidemocrática perpetrada por excursionistas brasileiros na Venezuela, frustrada na tentativa de acuar o governo do Presidente Nicolás Maduro e de implicar a diplomacia brasileira, sempre obediente aos princípios da autodeterminação, não-intervenção e defesa da paz e da resolução de conflitos através do diálogo e da negociação.”

Que fique claro! Uma comissão de parlamentares brasileiros visitou a Venezuela, com prévio aviso e com a promessa daquele governo de que sua segurança seria garantida. Foram expostos à fúria de milicianos fascistoides, tiverem obstado o seu caminho e foram oficialmente hostilizados pelo governo.

O PT reitera, no entanto, seu apoio a uma ditadura homicida e liberticida, que agrediu não senadores de oposição, mas senadores do Brasil.

Vamos aplaudir a resolução petista (íntegra aqui, no site do partido). Enquanto forem essas as escolhas dos companheiros, podemos nos sentir mais seguros. Eles marcham para o abismo, e o país para um futuro melhor.

Por Reinaldo Azevedo

24/06/2015

às 19:31

Dilma, a poética da mandioca e a “mulher sapiens” – O vídeo!

Por Reinaldo Azevedo

24/06/2015

às 15:45

Governo lança Plano Nacional de Exportações sem meta de desempenho

Da VEJA.com:
O Plano Nacional de Exportações (PNE), anunciado pelo governo nesta quarta-feira, em Brasília, prevê uma série de medidas para estimular, facilitar e expandir as exportações brasileiras, mas não apresenta uma meta de desempenho para o resultado comercial do país. O programa possui cinco diretrizes fundamentais: acesso a mercados, promoção comercial, facilitação de comércio, financiamento e garantias e aperfeiçoamento de instrumentos e regimes tributários. Apesar de prever a ampliação de recursos, o plano não traz uma estimativa sobre a contribuição dada às exportações brasileiras. Apesar de ser a sétima maior economia do mundo, o Brasil ocupa o 25º lugar no ranking de principais países exportadores, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A ofensiva comercial proposta pelo governo coloca como prioridades os mercados de Estados Unidos, China, União Europeia (UE) e os membros da Aliança do Pacífico (Chile, México, Colômbia e Peru). “O plano tem o objetivo de (ter) mais empresas exportando, mais competitividade e crescimento”, disse o ministro Desenvolvimento, Armando Monteiro, destacando que o governo apresenta o plano com “estreita colaboração com o setor privado”.

No lançamento, a presidente Dilma Rousseff explicou que a intenção é não apenas consolidar os mercados em que o Brasil já está presente, como é o caso de dos membros do Mercosul (Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela) e outros países da América Latina, mas ampliar os horizontes para fortalecer a presença dos produtos e serviços brasileiros exportáveis. “O plano é parte estratégica da nossa agenda para voltar a crescer”, disse Dilma.

Entre as principais medidas, consta o aumento em cerca de 30% dos recursos do Programa de Financiamento à Exportação (Proex), com a dotação prevista para 2015 de 1,5 bilhão de reais, ante 1,1 bilhão em 2014. Nesta modalidade, o apoio às exportações se dá por meio da equalização da diferença dos juros das empresas brasileiras que vendem ao exterior em relação aos juros das empresas estrangeiras concorrentes, tornando os encargos financeiros equivalentes aos praticados no mercado internacional.

Também foram ampliados para 2,9 bilhões de dólares, ante 2 bilhões de dólares, os recursos do BNDES Exim, de apoio à exportação de bens e serviços que podem ser apoiados pelo banco de investimento. Além disso, foi elevado em 15 bilhões de dólares o limite para aprovação de novas operações do Fundo de Garantia às Exportações (FGE).

Estratégia
Para dar suporte ao avanço das exportações, o Plano estabelece um mapa com 32 mercados prioritários para as exportações brasileiras. Nesse grupo figuram Estados Unidos, China, Argentina, Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e Índia. Entre as principais ações para ampliar acesso a mercados internacionais o plano também prevê a implementação do acordo de facilitação de comércio com a Organização Mundial de Comércio (OMC). Em outra frente, o governo disse que reduzirá, até o ano de 2017, o prazo de exportação para 8 dias ante os atuais 13 dias e de importação para 10 dias ante os atuais 17 dias.

Em outro conjunto de ações previsto no plano, o governo se compromete a reduzir o acúmulo de crédito dos tributos PIS e Cofins das exportadoras, mas indicou que isso ocorrerá somente a partir de janeiro de 2016. Em uma análise do plano, Monteiro disse que os efeitos do programa não serão vistos de imediato. “Esperamos resultados no segundo semestre, mas as medidas serão sentidas de maneira mais efetiva no próximo ano.”

Mesmo com as exportações ainda fracas, o Ministério do Desenvolvimento estima para este ano superávit comercial entre 5 bilhões e 8 bilhões de dólares. Se confirmado, será um desempenho melhor que o registrado no ano passado, quando o país registrou déficit comercial de 3,9 bilhões de dólares, o primeiro saldo negativo desde o ano 2000.

 

Por Reinaldo Azevedo

24/06/2015

às 8:09

Dilma encheu a cara de cauim? Ou: Presidente exalta a mandioca e as “mulheres sapiens”. Ah, se Tupã se zanga com ela… Ou ainda: Nasce o “Homo sapiens stultus”

Dilma Rousseff espalhou sobre si mesma, ou alguém o fez por ela, a fama de leitora voraz. Lula, ao contrário, nunca quis se misturar com os livros. “Ler dá sono”, ele sentenciou certa feita. Depois do discurso que fez a presidente nesta terça, na cerimônia de lançamento da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas,  tenho de concluir que é melhor um petista dormindo do que ministrando aula de antropologia amadora. Os tais jogos ocorrerão em Palmas, no Tocantins, entre 20 de outubro e 1º de novembro. A presidente estava mesmo com Anhangá no corpo.

A mulher já cansou dessa conversa de ter de governar o Brasil. Joaquim Levy cuida da economia, e os peemedebistas têm de tourear os petistas na política. A ela sobrou o quê? O vasto terreno da reflexão. E ela mandou brasa nesta terça, na cerimônia havida no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Cantou as glórias da mandioca. Destaco um trecho transcrito em reportagem da Folha: “Nenhuma civilização nasceu sem ter acesso a uma forma básica de alimentação, e, aqui, nós temos uma, como também os índios e os indígenas americanos têm a deles. Temos a mandioca, e aqui, nós estamos e, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu tô saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil”.

Tudo isso saiu, assim, de repente, num supetão, em reflexão certamente originalíssima. Um índio que estivesse com a cara cheia de cauim, a bebida de mandioca fermentada que deixava os nativos doidões, não teria produzido nada melhor. Ela não parou por aí, não. Resolveu evocar a Grécia antiga, relata o Estadão:
“Foi em torno da paz que se recompôs aquilo que era a tradição grega que é transformar os jogos em um momento de união. Transformamos em um momento especial uma fase difícil do mundo que foi o entre guerras”. O barão Pierre de Coubertin se revirou no túmulo, né? Os primeiros jogos olímpicos da era moderna se deram em 1894, não no período entre guerras.

Que diferença faz? Anhangá estava no comando. Dilma discursou segurando uma bola feita de folha de bananeira. Havia chegado a hora da poesia antropológica. Refletiu então:
“Aqui tem uma bola, uma bola que eu acho que é um exemplo. Ela é extremamente leve, já testei aqui, testei embaixadinha, meia embaixadinha… Bom, mas a importância da bola é justamente essa, é símbolo da capacidade que nos distingue”.

Não entendeu nada, leitor amigo? Vem a explicação:
“Nós somos do gênero humano, da espécie sapiens, somos aqueles que têm a capacidade de jogar, de brincar, porque jogar é isso aqui. O importante não é ganhar e sim celebrar. Isso que é a capacidade humana, lúdica, de ter uma atividade cujo o fim é ele mesmo, a própria atividade. Esporte tem essa condição, essa bênção, ele é um fim em si. E é essa atividade que caracteriza primeiro as crianças, a atividade lúdica de brincar. Então, para mim, essa bola é o símbolo da nossa evolução. Quando nós criamos uma bola dessas, nós nos transformamos em homo sapiens ou mulheres sapiens”.

Por Tupã! Nós, os humanos modernos, somos do gênero “Homo”, da espécie “Homo sapiens”, da subespécie “Homo sapiens sapiens”. Dilma fez uma salada taxinômica que resultou no que só pode ser um gracejo, a “mulher sapiens”, já que “homo” de “Homo sapiens sapiens” não se refere nem a homem nem a mulher — na verdade, nem ao ser humano como o conhecemos, que pertence ao gênero “homo”, mas não é o único. Antes houve o Homo neanderthalensis, o Homo habilis, o Homo erectus, que ainda não cultivava a mandioca…

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que tem o apelido de “Índio”, estava entre os presentes. Dilma resolveu exaltar as suas qualidades adivinhatórias, já que meio indígena: “Se ele pular uma janela, pode pular atrás porque pode ter certeza de que ele achou alguma coisa absolutamente fantástica”.

A humanidade estava preparada para tudo, menos para o surgimento de uma derivação teratológica do “Homo sapiens sapiens”, que é o “Homo sapiens stultus”, o humano tipicamente petista, capaz de dizer e de fazer as mais grotescas estultices.

Texto publicado originalmente às 4h10
Por Reinaldo Azevedo

23/06/2015

às 19:37

Está com vontade de ouvir falar mal do governo Dilma? Fale com Lula. Está com vontade de ouvir falar mal de Lula, fale com o governo Dilma

Dilma Rousseff reagiu assim às críticas que Lula lhe fez nesta terça, durante uma conferência no Instituto Lula:
“Todo mundo tem o direito de criticar, mais ainda o presidente Lula, que é muito criticado por vocês”

O “vocês” da frase são os jornalistas. Sempre sobra pra nós, né? O que a gente tem com isso? A fala de Dilma nem errada é. Quer dizer que a gente critica Lula, segundo ela diz, e ele critica o governo? Que sentido isso faz?

De resto, uma informação: se alguém hoje quer ouvir um interlocutor descer o sarrafo em Lula, basta falar com algum ministro do PT fiel a Dilma. Se você quer ouvir alguém descer o sarrafo em algum petista fiel a Dilma, basta falar com Lula ou com os lulistas.

Dou um exemplo: você está com vontade de falar mal do Aloizio Mercadante ou de ouvir alguém que fale, é só ir ao Instituto Lula.

Por Reinaldo Azevedo

20/06/2015

às 20:27

DATAFOLHA 1 – Desde Collor, ninguém fazia o milagre de unir o Brasil. O governo do PT conseguiu: todos estão contra — de todas as classes, escolaridades, regiões e idades. Parabéns, companheiros! O futuro do Brasil agradece!

popularidade de dilma

Sim, voltarei ao assunto com mais vagar. Dou uma palinha agora. Não vou dizer que os números da pesquisa Datafolha são devastadores para o governo Dilma porque é o contrário: o governo Dilma é que é devastador para o Brasil, e isso se reflete nas pesquisas, não é? Afinal, não é o Datafolha que faz o governo ser ruim, como podem pensar os petistas; é o governo ruim que faz o Datafolha ser o que é.

Consideram o governo ruim ou péssimo nada menos de 65% dos que responderam à pesquisa. Apenas 10% dizem ser ótimo ou bom, e 24%, regular. Dilma está mal em todas as classes. Acham-na ruim ou péssima 62% dos que ganham até dois mínimos; 69% dos que ganham de 2 a 5; 65%, entre 5 e 10, e 66% acima de 10. Não, PT! Não é coisa de rico.

Por região, a coisa não é melhor: o Nordeste é o mais generoso, com “apenas”  58% de ruim ou péssimo, e a coisa evolui assim na rejeição: 63% nas regiões Norte e Sul; 69% no Sudeste e 70% no Centro-Oeste.

Por idade, os jovens têm um pouco mais de paciência com Dilma: “só” 59% consideram seu governo ruim ou péssimo entre 16 e 24 anos. E o índice negativo avança assim: 62% entre os que tem 60 ou mais; 64% entre os de 45 a 59; 68% entre os de 35 a 44, e nada menos de 70% entre os de 25 a 34.

Dilma também uniu as diferentes escolaridades: avaliam o seu governo como ruim ou péssimo 64% dos que têm ensino fundamental; 66% dos com ensino médio, e 65% com ensino superior.

Temos aí muitos elementos para reflexão. E nós a faremos. Mas, de saída, noto: desde Fernando Collor ninguém unia o Brasil como o governo do PT: UNIÃO CONTRA!

Datafolha expectativas

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2015

às 19:58

Pedaladas fiscais – A tentativa de acusar o mordomo. Ou: Augustin se oferece ao sacrifício em lugar de Dilma. Ou: A confissão

Calma lá! Est modus in rebus! Há um limite nas coisas. O governo Dilma sabe que as pedaladas fiscais são uma coisa grave e que infringem as leis — no caso, leis mesmo, no plural. O procedimento é punido pela Lei 1.079, que define crime de responsabilidade, e pelo Artigo 359 do Código Penal, que tipifica e pune os crimes contra as finanças públicas.

As lambanças aconteceram. E agora? Pois é… Em documento, assinado a 30 de dezembro do ano passado, último dia de trabalho, Augustin assumiu a responsabilidade por tudo. Curioso, não? Então havia a consciência da tramoia com os números. Considerasse o próprio governo que era tudo regular, pra que assumir isso ou aquilo? Não faria sentido. Ou vocês já viram alguém deixar registrado num documento algo como: “Confesso que segui a lei?”.

Era só o que faltava. O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, apontou o óbvio: estão querendo usar Augustin como bode expiatório para livrar a cara de Dilma.

Em direito, conhece-se a figura do mau direito que é a “responsabilização objetiva”: acusa-se alguém de alguma irregularidade simplesmente porque estava na chefia ou no comando. É claro que isso não é bom nem correto. Um chefe nem sempre sabe o que faz seu subordinado. Vá lá: Dilma até pode dizer que ignorava as safadezas na Petrobras perpetradas por aqueles que ela nomeou ou manteve no cargo.

Em matéria de Orçamento? Aí não dá! Dilma, a dita centralizadora, vai dizer que não sabia o que seu secretário do Tesouro fazia com as contas públicas? Bem, então o presidente era ele, não ela. Não se trata aqui de afirmar: “Ah, não tem como não saber…”. O ponto é outro: as decisões que estão sob contestação no TCU apelam às mais altas responsabilidades que pode ter um presidente da República. Ainda que não conheça as minudências, é ele quem autoriza os procedimentos.

Dilma alegar que não sabia que tipo de negociação Nestor Cerveró havia feito com a Astra para comprar a refinaria em Pasadena, vá lá… Se ela não tem noção nem das operações macro do Tesouro, aí, então, é caso de acusá-la de prevaricação.

Reitero: Augustin ter assinado tal documento vale como confissão das irregularidades cometidas. Só que o responsável não é ele.

Por Reinaldo Azevedo
 

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