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Glenn Greenwald

17/12/2013

às 6:21

Pois é… Snowden agora quer asilo no Brasil… E deixa claro que é para continuar lutando contra os EUA. Que vá para Caracas!

Snowden: ele prefere Banânia, embora Venezuela, Nicarágua e Bolívia já tenham se oferecido

Snowden: ele prefere Banânia, embora Venezuela, Nicarágua e Bolívia já tenham se oferecido

O pilantra Edward Snowden, o delator do chamado “esquema de espionagem” da NSA, a agência americana, agora quer asilo no Brasil. Bolívia, Nicarágua e Venezuela já lhe ofereceram guarida. Mas ele prefere Banânia. Deve gostar de caipirinha, jabuticaba e pororoca.

Redigiu uma carta, que fará parte de uma campanha do site de petições Avaaz, mais uma das organizações multinacionais criadas pelo multibilionário George Soros — aquele que financiou a campanha em favor da legalização da maconha no Uruguai. Segundo informa Fábio Zanin na Folha de hoje, Glenn Greenwald, o jornalista americano, ex-correspondente do Guardian, que mora no Rio, vai liderar a campanha. Foi ele o primeiro a divulgar os documentos roubados — o nome é esse — por Snowden.

Na carta, afirma:
“Muitos senadores brasileiros pediram minha ajuda com suas investigações sobre suspeita de crimes contra cidadãos brasileiros. Expressei minha disposição de auxiliar, quando isso for apropriado e legal, mas infelizmente o governo dos EUA vem trabalhando muito arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo”.

Ou por outra: ele se oferece abertamente para, tendo asilo no Brasil, fazer proselitismo contra um país com o qual mantemos relações diplomáticas. Talvez ignore as nossas leis. Asilados e refugiados não podem participar de manifestações políticas em nosso território. Aliás, todos os países do mundo têm legislação parecida.

Snowden, é bom que fique claro, é um traidor de sua própria pátria. Ele trabalhava para uma agência de Inteligência. Imaginem se outros países estimulassem agentes brasileiros a entregar segredos do Brasil. Tipos assim são párias internacionais. Ele foi recebido na Rússia por razões óbvias. Em muitas décadas, os EUA não ficavam numa situação tão difícil com seus aliados. E isso é tudo o que queria o prtoditador Vladimir Putin.

Espero, sinceramente, que o governo Dilma não ceda à tentação, embora tenha cá meus temores. A política externa brasileira, sob o comando do PT, padece de um antiamericanismo primitivo, tosco e mixuruca, que já se revelou mais de uma vez.

O que o Brasil ganharia dando abrigo a Snowden? Apenas relações mais tensas com os EUA. A troco de quê? Mas é compreensível que o espião faça essa essa aposta: “Pô, vou pra lá; eles recebem até terroristas!”. Deve esperar o mesmo tratamento de herói dispensado a Greenwald, que vai liderar a campanha, em parceria com o brasileiro David Miranda, seu namorado.

O jornalista americano já usou o Brasil como plataforma de sua luta contra o governo dos EUA. Agora, quer que o país dê guarida a um espião traidor. É o fim da picada! A Venezuela de Nicolás Maduro o que quer. Ele que vá para Caracas!

Texto publicado originalmente às 5h25
Por Reinaldo Azevedo

18/09/2013

às 14:01

Espero que Dilma resista à tentação de decretar um bloqueio continental contra os EUA…

A quantidade de professores de “relações internacionais” que saíram em defesa do gesto soberano da Soberana, que teria dado uma banana para Obama, é de assustar. Como dirá Lênin, “eu, hein, Rosa?!” E são apresentados como “especialistas”. Se fossem amadores, acho que proporiam, sei lá, que Dilma decretasse o bloqueio continental para isolar os EUA do mundo…

Como apontei ontem aqui, pela via da ironia — dá para levar a sério? —, trata-se de demagogia eleitoreira. Sem contar que as relações bilaterais com os EUA, agora, estariam na dependência de Glenn Greenwald tirar de seu computador mais alguma “informação secreta” fornecida por Edward Snowden, que é um delinquente e um protegido de Vladimir Putin… Entendo: de agente secreto para agente secreto. A diferença é que Putin, o ex-KGB, não traiu o seu país…

Dilma também encomendou estudos para tentar isolar a Internet brasileira dos EUA. Ai, meu Deus! Existe agora o risco da jabuticaba do ciberespaço. E tudo isso por que mesmo? “Ah, porque os EUA espionaram a presidente e a Petrobras!” É mesmo? Que tipo de espionagem? Que dado foi invadido? Que vantagem obtiveram nisso? Não há nada além de teorias conspiratórias.

Imaginemos que Dilma tivesse algo de útil ou de importante a fazer nos EUA. Em vez de conversar ou de negociar, estaria a bater o pezinho? Agora imaginemos, como é provável, que não tinha mesmo o que fazer por lá. Bem, então a gente deve aplaudir a economia.

Sem a ajuda de Greenwald, esse Itamaraty petista já era um celeiro impressionante de bobagens pomposas e irrelevantes. Com esse auxílio luxuoso, estamos danados. 

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2013

às 16:11

“Pre-pa-ra que a-go-ra é a ho-ra do show da po-de-ro-sa…” Ou: Solta o som que é pra ver Dilma dan-çan-do…

A presidente Dilma Rousseff cancelou a visita oficial que faria no fim de outubro aos EUA. Depois do barulho — ridículo em si, mas cheio de cálculo eleitoral — que o Planalto fez em razão das “reportagens” de Glenn Greenwald, não restava alternativa. O governo condicionou a visita a um pedido de desculpas da Casa Branca — ou qualquer coisa que soasse dessa maneira para o público interno. O pedido, obviamente, não veio, e aí foi preciso tomar a decisão mais tola para ser coerente. Depois do escarcéu e de a governanta ter exigido que os americanos explicassem “everything”, fez-se necessário manter a pose. Convenham: tudo caminhava para o “show da poderosa”, não é mesmo? Só restou à nossa “Anitta” do funk petista cantar para Barack Obama:
“Meu exército é pesado e a gente tem poder/
Ameaça coisas do tipo: Você!”

Vocês conhecem aquele poeminha de Ascenso Ferreira, chamado “Gaúcho”? Reproduzo:
Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
— Para que?
— Pra nada!

É isto. Dilma fez o que fez pra quê? Pra nada! É só mais uma manifestação tolinha de afirmação da soberania nacional e de aplicação prática do “Princípio Chico Buarque de Política Externa”. Os historiadores brasileiros não devem desprezar a importância que têm os cantores da MPB na formação da mentalidade brasileira. Foi ele quem disse, num evento em favor da então candidata Dilma, em 2010, que o governo petista não era do tipo que “falava fino com Washington e grosso com a Bolívia”. Não mesmo! Agora a gente evoluiu: fala grosso com Washington e fino com a Bolívia — e com todas as ditaduras do planeta, desde que elas exercitem um discurso antiamericano.

Não sei o que Dilma iria fazer em Washington. Muito provavelmente, nada. Vista a questão por esse ângulo, convenham, o Brasil economiza alguns trocados. O nosso Dario de tailleur — o mais, digamos, emblemático é aquele vermelho… — não precisa mobilizar a corte de eunucos do império persa e sair torrando dólares por aí. Mas que é ridículo, ah, isso é!

Nas mãos de Snowden e Greenwald
As relações do Brasil com os EUA estão hoje nas mãos de um vagabundo chamado Edward Snowden e de Glenn Greenwald, seu porta-voz, que escolheu o Brasil para morar. O primeiro é um ex-agente da CIA que roubou — o verbo é esse — documentos secretos do governo americano e escolheu como refúgio a Rússia de Vladimir Putin, um iluminista que era, santo Deus!, agente da KGB. O outro, Greenwald, é um advogado convertido em jornalista, que, segundo a versão oficial, decidiu morar no Brasil em razão das tramas do coração. Encontrou aqui o seu Orfeu — o que leva parte da nossa imprensa a evocações as mais líricas.

Greenwald, sem prova nenhuma de que houve invasão a dados da comunicação privada da presidente ou a segredos industriais da Petrobras (ou me digam onde estão as evidências), pode elaborar as teorias conspiratórias que bem entender. Se, amanhã, decidir pinçar mais meia dúzia de conjecturas, lá vai o país ficar a reboque de seus recalques (na melhor das hipóteses) anti-imperialistas…

E a coisa não vai parar por aí. Dilma vai faturar um pouco mais. Na Assembleia Geral da ONU, fará um discurso contra a espionagem e coisa e tal. Enquanto isso, Snowden continuará na Rússia, protegido por Putin, transformado, a esta altura, numa espécie de guardião dos direitos individuais e da soberania dos países… É patético!

Mas isso é só o que eu acho. Convém aguardar agora a opinião de Caetano Veloso. Em matéria de pensamento estratégico, a última palavra tem de estar com um cantor de MPB. Sempre há a possibilidade de Veloso encontrar a verdade ao cruzar as ideias de Joaquim Nabuco com as de Pablo Capilé, tendo como instrumento de intervenção a ética e a estética dos black blocs…

E segue o show da Poderosa:
“Solta o som, que é pra me ver dançando
Até você vai ficar babando
Para o baile pra me ver dançando
Chama atenção à toa
Perde a linha, fica louca”

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2013

às 18:00

Governo brasileiro e serviço de Inteligência verde-amarelo são beneficiários da espionagem feita pelos americanos; escarcéu com casos Dilma e Petrobras está mais voltado para a política doméstica do que para a externa

Será que o governo brasileiro está mesmo “surpreso” com a espionagem feita pelos americanos? Será que não se beneficia, em nenhum momento, dos dados colhidos pela agência americana encarregada do assunto, a NSA? Já chego lá. Antes, algumas considerações.

Até agora, as denúncias bombásticas feitas por Glenn Greenwald sobre a terrível espionagem que os EUA teriam feito contra a presidente Dilma e a Petrobras não vão além de hipóteses. O barulho é espantosamente superior à gravidade dos fatos evidenciados.  Se os documentos são mesmo secretos, e parece que são, por que não há detalhes sobre invasões? Em post publicado nesta manhã, evidencio onde estão os evidentes pés de barro dessa história. Denúncias como essas, Greenwald deve ter aos milhares. Basta que selecione da montanha de dados de que dispõe aqueles que dizem respeito ao Brasil, e pronto! Vai parecer que vivemos sob a permanente vigilância dos EUA, temerosos dos perigos que representam nosso “je ne sais quoi”…

A menos que Greenwald esteja escondendo o ouro (negro!), não vi a menor evidência de que a “espionagem” estivesse ligada às questões do pré-sal, nada, nenhuma vírgula. São só conjecturas, levantadas para, sei lá, demonstrar por que podemos ser alvos da cobiça internacional, já que os espiões não poderiam estar interessados nos métodos de gestão da Petrobras. Se a empresa produzisse linguiça, seria o caso de especular se estariam cobiçando nossos rebanhos. O governo federal, no entanto, faz um estardalhaço danado com isso. Nem poderia ser diferente. Tem um filezão também eleitoral nas mãos.

A VEJA desta semana traz uma entrevista de Thomas Shannon, que foi embaixador dos EUA no Brasil até o último dia 6. Votou aos EUA para ser assessor especial do secretário de estado, John Kerry. Liliana Ayalde foi nomeada para ocupar o seu lugar. Na conversa com o jornalista Diogo Schelp, Shannon faz algumas considerações que merecem reflexão — sim, claro!, ele tem todo o interesse em diminuir a tensão — e, entendo, faz também o que pode ser considerado uma revelação, embora de escandalosa obviedade. Comecemos pelo mais importante.

Será que o Brasil também se beneficia das informações colhidas pela agência americana, especialmente com uma Copa do Mundo e uma Olimpíada pela frente? Será que o nosso país teria condições de oferecer a devida segurança a esses eventos sem a colaboração da espionagem americana? Reproduzo (em azul) um trecho da conversa, notando que o Ministério da Justiça e o Itamaraty, que estão vestidos de indignação verde-amarela, poderiam vir a público para dizer que não é assim ou, então, recusar a colaboração. Leiam. Volto em seguida.

(…)
Por monitorarem também o fluxo de informação fora dos Estados Unidos, esses programas não ferem as leis internacionais ou de outros países?
Infelizmente não sou especialista em direito internacional, por isso não posso responder nem que sim. Nem que não. Pode-se, no entanto, argumentar que a segurança nacional é um direito primordial de um país. Imagino que a espionagem tenha pouco respaldo no direito internacional, mas existe muita cooperação entre os países para o compartilhamento das informações conseguidas. Temos a convicção de que a segurança nacional não é só nossa. Vivemos em um mundo globalizado e conectado. Temos aliados e prezamos sua segurança, e também a de instituições multilaterais como a ONU. A ideia é cooperar e compartilhar da maneira que podemos.

A Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) se beneficiam dessa coleta de dados feita pela NSA?
É melhor perguntar a elas. Kerry disse, em sua visita, que essas informações foram compartilhadas com autoridades brasileiras em várias instâncias. Temos um diálogo importante com a Polícia Federal e com a Abin sobre temas de interesse mútuo.

Quais temas?
Infelizmente, não posso entrar em detalhes, mas posso dizer que o Brasil, sendo o país que é hoje, importante, globalizado e que vai sediar a Copa do Mundo e a Olimpíada, teve de desenvolver a capacidade de se proteger e de garantir a segurança das pessoas que vão frequentar esses eventos. Para isso, o Brasil está se aproveitando de relações com diferentes países, não apenas com os Estados Unidos, para melhorar a troca de informações e a sua capacidade de inteligência.

Então os pedidos de explicações aos Estados Unidos sobre os programas de espionagem não são justificados, já que o próprio governo brasileiro se beneficia diretamente das informações coletadas?
Entendemos as preocupações do governo brasileiro, e as levamos a sério. Por isso estamos construindo esse processo de diálogo entre os nossos governos. Eu não vou dizer que não são preocupações justificadas. Essa é uma avaliação que só o Brasil pode fazer. O que estou dizendo é que há algumas informações obtidas por nossos programas de monitoramento que estamos dispostos a compartilhar, e é o que temos feito.
(…)

Voltei
Ah, bom! Então o Brasil também é beneficiário da necessária espionagem feita pelos EUA, não é isso? Então não procede a conversa de Luiz Inácio Apedeuta da Silva, que andou dizendo por aí que não precisamos dos americanos pra nada…

Não sou especialista em espionagem. Que eu saiba, por aí, ninguém é. Os que são costumam estar prestando serviços para governos ou para bandidos — em qualquer caso, não falam. Mas os indícios de que estamos diante de um caso que está sendo hipertrofiado pela ignorância de causa — não de Edward Snowden ou de Glenn Greenwald, que sabem muito bem o que fazem — parecem evidentes.

Será mesmo?
Mas será mesmo o Brasil um dos principais alvos da espionagem? Pois é. Vale a pena ler mais uma pergunta e mais uma resposta.
O que são, então, X-Keyscore, Fomsat e outros programas de espionagem que, segundo os documentos secretos vazados pelo ex-analista de inteligência Edward Snowden, funcionam dentro das embaixadas americanas?
Até agora, o meu governo falou publicamente desses programas de maneira bem cautelosa. Eu não vou além. porque essa é uma conversa entre governos. Foi por isso que o Brasil enviou um time de técnicos para conversar com membros dos nossos serviços de inteligência e que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. foi recebido em Washington pelo vice-presidente Joe Biden e pelo secretário de Justiça Eric Holder. Ressalto, porém, que o jornal O Globo (que divulgou documentos sobre a atuação da espionagem americana no Brasil) apresentou essa informação de maneira sensacionalista e fora de contexto. Ele não captou bem a realidade dos nossos programas, especialmente no que se refere ao Brasil. O país não é o alvo desses programas, mas sim um dos mais importantes centros de conectividade para o mundo. O Brasil é o quarto ou quinto hub (centro que recebe e redistribui dados) de comunicações do mundo. Diferentes organizações e grupos que são de interesse do meu e de outros governos usam esses hubs para se comunicar. para esconder e para compartilhar seus planos de ação. Nós desenvolvemos a capacidade de medir o fluxo de informação, especialmente aquela que parte de organizações ou de países sensíveis.

Voltei
De fato, o país é o quarto ou quinto hub do mundo. Qualquer programa daquela natureza, do qual o governo brasileiro é beneficiário, poderá fornecer a impressão, assentada ou não na realidade, de que o país é alvo por excelência da espionagem.

“Ah, o Reinaldo agora acredita no embaixador americano…” Não! Estou apenas pondo as coisas em perspectiva. Fosse matéria de crença, em quem eu deveria apostar as minhas velas? Num ex-agente da CIA que rouba documentos, refugia-se na Rússia e arruma como vazador das informações roubadas um jornalista notadamente antiamericano (ainda que nascido nos EUA), que sustenta, com base em coisa nenhuma, que a maior parte da espionagem feita nada tem a ver com terrorismo?

Eu não estou acreditando ou deixando de acreditar. Eu estou aqui chamando a atenção para uma informação fornecida pelo agora assessor especial da Secretaria de Estado dos EUA Thomas Shannon: o Brasil é beneficiário da espionagem feita pelos americanos, e há troca regular de informações.

O escarcéu com os casos Dilma e Petrobras está mais voltado para o público nacional do que internacional; diz mais respeito à política doméstica do que à externa. Se Obama disser qualquer coisa que possa ser entendida como um “desculpem a nossa falha”, bingo! Teremos vencido finalmente o gigante do norte. Mal posso esperar para ver Lula na televisão: “A gente devia dinheiro para o FMI e agora é credor; ninguém ligava para o Brasil, e agora eles ficam espionando a gente, com medo do nosso sucesso”.

Um bom antídoto a isso seria trazer à luz as informações que os americanos forneceram aos serviços de segurança do Brasil para evidenciar que as coisas não são bem assim. Mas isso não vai acontecer porque, às vezes, ocorre de os serviços de segurança terem de ser mais prudentes do que a imprensa.

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2013

às 14:17

Chanceler pede explicações a embaixador dos EUA sobre espionagem

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Volto no próximo post.
O ministro de Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, recebeu na manhã nesta segunda-feira o embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon. O chanceler brasileiro pediu explicações do diplomata sobre revelação de que a presidente Dilma Rousseff e alguns de seus auxiliares foram espionados pelo governo dos Estados Unidos.

A presidente Dilma Rousseff, que ainda não se falou sobre o caso, se reúne nesta segunda-feira com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em encontro marcado para as 15 horas. Ainda durante a manhã, a presidente recebe o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, também para tratar do tema. O governo pretende dar uma resposta à denúncia, embora saiba que a postura do governo americano dificilmente mudará.

Espionagem
O caso foi mostrado pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo. Segundo a reportagem, o nome de Dilma aparece em uma apresentação produzida internamente para funcionários da NSA e intitulada “Filtragem inteligente de dados: estudo de caso do México e do Brasil”. De acordo com o material, o objetivo do monitoramento ao Brasil seria “melhorar a compreensão dos métodos de comunicação” entre a presidente e seus assessores.

A denúncia foi baseada em um documento secreto obtido pelo jornalista americano Glenn Greenwald, do jornal inglês The Guardian. Greenwald foi um dos primeiros a revelar o esquema de espionagem eletrônica da agência americana e do governo Obama, delatado pelo ex-analista da NSA Edward Snowden. As revelações surgem cerca de um mês antes de uma viagem de Dilma Rousseff para Washington, onde vai se encontrar com o presidente dos EUA, Barack Obama.

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2013

às 5:17

Dilma teria sido espionada por agência americana, segundo reportagem

Na VEJA.com:
Reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida na noite deste domingo afirma que as comunicações da presidente Dilma Rousseff foram alvo de espionagem por parte da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. A acusação foi baseada em um documento secreto obtido pelo jornalista americano Glenn Greenwald, do jornal inglês The Guardian. Greenwald foi um dos primeiros a revelar o sistemático esquema de espionagem eletrônica da agência americana e do governo Obama delatado pelo ex-analista da NSA Edward Snowden. O jornalista é namorado do brasileiro David Miranda, que foi detido no mês passado em Londres, quando transportava papéis entregues por Snowden. Greenwald disse que o material sobre a vigilância ao governo brasileiro também foi repassado a ele pelo ex-analista.

Segundo a reportagem exibida no programa, o nome de Dilma aparece em uma apresentação produzida internamente para funcionários da NSA e intitulada “Filtragem inteligente de dados: estudo de caso do México e do Brasil”. De acordo com o material, o objetivo do monitoramento ao Brasil seria “melhorar a compreensão dos métodos de comunicação” entre a presidente e seus assessores. No documento, o presidente mexicano Enrique Peña Nieto também é mencionado como alvo de vigilância. Datada de 20 de junho de 2012, quando Peña Nieto ainda era candidato, a apresentação mostra mensagens de texto interceptadas do celular do futuro presidente. Nelas, ele aparece especulando quais seriam os seus ministros caso viesse a ser eleito.

No caso de Dilma, o material exibido pelo Fantástico não indica o conteúdo de qualquer conversa ou texto que eventualmente tenha sido alvo de bisbilhotagem pela agência. Os trechos que citam a presidente mostram apenas organogramas de sua rede de assessores, que aparecem com os nomes apagados. A apresentação detalha que a coleta de dados para espionar os governantes seria feita pelo monitoramento de números de telefone, e-mails e IP (a identificação do computador).

Método
“Ficou muito claro, com esses documentos, que a espionagem já foi feita, porque eles não estão discutindo isso só como alguma coisa que eles estão planejando. Eles estão festejando o sucesso da espionagem”, analisa Greenwald na reportagem.

A apresentação interna termina explicando que o método de monitoramento consiste em uma filtragem de dados “simples e eficiente” e que sua execução pode vir a ser repetida. Segundo as conclusões da reportagem, a indicação de que o monitoramento pode vir a ser repetido significa que ele já foi usado uma vez. A reportagem do Fantástico afirmou que tentou entrar em contato com Snowden, mas o ex-analista, que atualmente está asilado temporatiamente na Rússia, disse que o governo local exigiu que ele não comente o conteúdo dos documentos.

Reação
A denúncia foi tema de reunião realizada domingo entre Dilma e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ficou decidido que o Itamaraty vai convocar o embaixador dos Estados Unidos para cobrar explicações e que o governo brasileiro irá recorrer à ONU e a outros órgãos internacionais contra ações de espionagem. “Se forem comprovados os fatos, estaremos diante de uma situação inadmissível”, disse Cardozo ao Fantástico.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2013

às 21:50

Patriota muda radicalmente de tom e diz que mal-estar com Reino Unido está superado. Não me diga!

Ai, ai que gente engraçada, pitoresca mesmo, não é?

Antonio Patriota, ministro das Relações Exteriores, estava falando grosso até ontem. A turma politicamente correta e os petralhas, no geral, babavam de satisfação. Voz quase isolada, ou isolada mesmo, afirmei aqui que o governo do Reino Unido havia apenas cumprido a lei ao reter o brasileiro David Miranda, marido do jornalista americano Glenn Greenwald, que se impôs a missão, parece, de destruir o império americano — ou algo assim… E justo na hora em que este começa a recuperar a sua força, não é mesmo? Mas Glenn não abre mão e sua vocação messiânica. 

Pois é… Da braveza de terça à lhaneza de quarta, não houve escala. O ministro das Relações Exteriores deu o episódio por superado, afirmou que está tudo certo, que nada afeta as boas relações entre os dois países e coisa e tal. Ah, bom! Achei que ou o governo britânico se desculpava ou o Brasil ameaçava sapatear sobre as próprias vestes.

Patriota pode fazer “el saludo a la bandera” petista — afinal, também é um servidor da causa —, mas não é burro. O tom mudou radicalmente porque ele sabe que:

a: Edward Snowden roubou documentos secretos do governo americano;

b: David Miranda transportava em arquivos eletrônicos parte desses documentos roubados;

c: o brasileiro foi detido com base numa legislação que está em vigor naquele país;

d: foi oferecida a Miranda a devida assistência jurídica durante a sua retenção;

e: Greenwald é um jornalista americano que mora no Brasil e trabalha para o Guardian. Nem mesmo é correspondente daquele jornal neste país;

f: o Brasil está servindo como base de operação de uma causa;

g: enviar um brasileiro para transportar documentos roubados corresponde a, na prática, tentar meter o Brasil num imbróglio internacional. O fato de ele ser marido de Greenwald não muda nada;

h: levar as relações do Brasil com o Reino Unido a um estremecimento por conta de questões que não lhe dizem respeito é um despropósito;

i: “Como não dizem respeito? Consta que o Brasil também era espionado!” Essa é outra questão, distinta do roubo de documentos ou da traição de um técnico que trabalhava para a CIA.

Em suma: a política externa do Brasil não tem de se deixar pautar por agentes secretos que decidem desertar e por práticas jornalísticas heterodoxas que pretendem atribuir a ações criminosas um caráter heroico.

Os vagabundos que me atacaram porque sustentei que não havia nada de excepcional nessa história deveriam agora voltar suas baterias contra Patriota. Aquele que agora diz que tudo está superado. Tudo o quê? Resposta: nada! Muito barulho por nada. Daí que Patriota dá tudo por superado sem nem receber um pedido de desculpas. Desculpas, diga-se, que seriam mesmo indevidas. 

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2013

às 19:31

Petralha a soldo finge indignação com o que escrevo sobre brasileiro retido em Londres para, no fundo, defender seu novo marido: José Dirceu!

Recebi aqui alguns ataques bucéfalos, vazados numa língua que lembra o português — não está em letão! —, por conta do que andei escrevendo sobre a retenção do brasileiro David Miranda, marido do jornalista americano Glenn Greenwald, “correspondente do Guardian que mora no Brasil” — e não exatamente “correspondente do Guardian no Brasil”. Depois entendi de onde partia a coisa. Quem estava excitando a fúria boçal era um desses representantes do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista), sustentado com o leite de pata das estatais. É aquele dinheiro que, em vez de cuidar dos pobres desdentados, alimenta a boa vida de pançudos. Para receber a bufunfa, eles têm duas tarefas, cumpridas com determinação: a) defender o PT e o governo; b) atacar a oposição, a imprensa e alguns jornalistas que não são amados por José Dirceu. Vocês conhecem muito bem a espécie pelo cheiro. Sigamos.

“Oh, Reinaldo chamou Miranda de marido de Greenwald! Que coisa mais homofóbica!” Por quê? Na sexta, o Globo Repórter mostrou as novas famílias brasileiras, todas elas incrivelmente felizes. Só faltava o pote de Doriana à mesa do café. Era tudo muito alegre, primaveril e progressista. Só não se mostrou, vamos dizer, a tal “família tradicional” (homem, mulher e filhos). Por contraste, a gente era levado a supor que a fonte de todos os dissabores dos indivíduos é mesmo a aborrecida família papai-e-mamãe. Vai ver é assim, né? Pois bem. Nesse programa, aplaudiam-se decisões da Justiça que consideram que uma criança pode ter “dois pais” e “duas mães” no registro civil.

A palavra “pai” vem de “pater”,  um conceito social, a exemplo de “mater” (mãe). Para o pai ou mãe biológicos, havia a palavra “parens” — ou “genitor”, no caso do homem. A palavra “marido” vem de “maritus”. Em latim, como adjetivo, quer dizer “casado”, “unido”, “emparelhado”. Como substantivo, significa “esposo”, “pretendente”. Existe também a “marita”, a mulher casada. O verbo desssa família vocabular é “marito”, que significa, literalmente, casar. Em português, não se formaram as palavras “marida” e “maritar” — mas temos, por exemplo, o advérbio “maritalmente”, que pode designar uma forma de convivência de um homem e uma mulher, de dois homens ou de duas mulheres.

Ora, se é possível dar de barato que uma criança possa ter dois pais socialmente definidos, por que uma dupla não pode ser composta de dois maridos, também socialmente definidos? “Se Miranda é marido de Greenwald, este e o quê? A mulher?”, indaga o nervosinho. Não! Até onde sei, para ser mulher, há certas precondições que Greenwald não reúne. É “marido” também. “Ah, você tentou ser jocoso, homofóbico…” Tentei? Se eles decidirem adotar uma criança, segundo a avançada Justiça brasileira, poderão registrá-la como portadora de dois pais, certo? Mas não podem ser dois maridos?

“Ah, você está querendo ser irônico.” Cada um entenda como quiser. O que não vou fazer é me submeter à patrulha politicamente correta, ou homoafetivamente correta, que exige, e obtém, na Justiça que uma criança possa ter dois pais, mas que estrila quando esses “parceiros” ou “namorados” são chamados de “maridos”. Daniela Mercury anunciou para o Brasil — e também para a Bahia — que tinha uma “esposa”, e isso foi considerado uma revolução da família brasileira ainda mais profunda do que o axé na música. Se eu tivesse escrito que Miranda é “esposo” de Greenwald, tudo estaria bem? Ou certas palavras da língua portuguesa, doravante, serão de uso restrito de determinados grupos sociais ou grupos militantes?

Agora o mérito
Parece que o boçal ressentido (coitado! Vejam aonde foi ganhar o pão!) que excita os furiosos não se conforma também com o fato de eu ter dito que a Scotland Yard não fez nada demais e que se está a fazer muito barulho por nada. Digo, repito e reitero quantas vezes se fizerem necessárias:

a: Edward Snowden, o homem que vazou documentos a que teve acesso porque fazia parte da sua profissão guardar sigilo, é um criminoso;

b: o ex-técnico que trabalhava para a CIA está pondo em risco um trabalho essencial no combate ao terrorismo;

c:  Greenwald tem o direito de publicar o que quer que chegue às suas mãos — e está publicando. Isso não está em debate;

d: às forças de segurança do Reino Unido não cabe colaborar com o vazamento; se puderem evitá-lo, estão cumprindo o seu papel;

e: Miranda, o marido do marido Greenwald, não estava, até onde se sabe, fazendo trabalho jornalístico. Ou estava? Confessadamente, trazia arquivos com novos documentos que Snowden obteve sob a condição de que secretos permaneceriam;

f: o brasileiro foi retido na Inglaterra segundo os termos de uma lei, e, informa a Scotland Yard, lhe foi oferecida a devida assistência legal, o que Miranda não desmente.

g: o rapaz não está sendo acusado de terrorismo — a inferência é ridícula. O que se considera, e é um fato evidente, é que estava contribuindo para que o sistema de vigilância antiterror fosse fragilizado;

h: é fácil chegar à questão estrutural, para, então, tentar ter mais clareza sobre seu conteúdo. Um jornalista tem o direito de entrevistar o número 1 da Al Qaeda. Se, no entanto, houver uma certeza razoável de que porta um material que servirá à causa da organização terrorista, jornalista ou não, tem de ser interceptado pelas forças de segurança. Jornalistas não estão acima da lei — tampouco seus maridos e mulheres. Snowden não é da Al Qaeda, mas representa um risco para parte importante do sistema de combate ao terror.

Há uma diferença, ademais, entre reportar o que se sabe e aderir a uma campanha de caráter quase messiânico, como aquela a que Greenwald se dedica hoje. Para maiores esclarecimentos, leia-se o texto em que este senhor praticamente justifica os ataques terroristas havidos em Boston.

Encerro
Os militantes do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista) estão pouco se lixando para o que eu escreva ou deixe de escrever sobre esse caso: zero! Isso é só para excitar a turba. Eles não gostam mesmo é do que escrevo sobre José Dirceu, o marido de todos eles — no sentido social da palavra, é claro!, já que Dirceu, segundo sei, jamais aceitaria outra coisa.

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2013

às 19:07

Reino Unido avisou os EUA sobre a retenção do brasileiro David Miranda? É o mínimo que lhe cabia fazer. Por que tantos “ooohhhsss” de indignação?

Ai, ai…

Depois de ficar escandalosamente claro que o governo britânico apenas cumpriu sua obrigação ao reter o brasileiro David Miranda, a nova onda para tentar gerar a indignação mundial é outra: o Reino Unido informou o governo americano sobre a retenção. Os EUA, assim, souberam do episódio antes mesmo do governo brasileiro.

“Ohhhh!!!”

Mais um milhão de “Ohhsss!!!”

Mais dois milhões de “Ohhhsss!!!”

Avisaram, é? Fizeram bem. Considerando a lei que autoriza o governo do Reino Unido a fazer o que fez e considerando o que Miranda foi fazer na Alemanha, era a coisa certa. Aqui e ali, leio a sugestão de que o governo britânico estaria sendo servil aos EUA ao proceder assim. Bobagem. Manifestação de ignorância. Quem quiser um pouco mais de detalhes a respeito de como cada um desses países cuida de sua política externa, sugiro a leitura de “Reagan e Thatcher – Uma Relação Difícil”, de Richard Aldous, publicado no Brasil pela Editora Record. Vejam lá como o presidente americano tentou demover a primeira-ministra britânica de mandar a esquadra para as Malvinas e o que lhe respondeu Thatcher. Em certos assuntos, o Reino Unido ainda se considera a nação onde o sol nunca se põe. Ideologia só se cura com o tempo. Não há tempo que cure a ignorância. Nesse caso, é preciso ler livros — pode ser em versão eletrônica para quem, como dona Reinalda, virou fanática. Eu ainda preciso de papel e de lápis.

Se vocês quiserem a íntegra da legislação que autorizou a retenção de David Miranda, ela está aqui. “Mas essa é uma lei antiterrorismo!” Eu sei. Edward Snowden está tornando públicos documentos e procedimentos que interferem diretamente na coleta de informações que convergem para o combate ao terror — logo, está fragilizando esse sistema, o que é bom para o terrorismo. E, confessadamente, o brasileiro levava e trazia informações diretamente relacionadas ao traidor americano. Não há uma referência na lei do Reino Unido que permita tal retenção; há uma penca.

O Reino Unido certamente avisou os EUA porque os serviços de Inteligência colaboram entre si em casos assim. Ainda bem.

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2013

às 13:42

O Brasil não tem nada a ver com as escolhas feitas pelo marido de jornalista americano. Ou: EUA fazem o papel de madrasta má nessa história de Cinderela da era politicamente correta

Nesses dias em que o jornalismo que deve se levar a sério tem o sotaque, muitas vezes, de um garoto ou de uma garota manejando suas opiniões no Facebook ou no Twitter, virou moda travestir opinião de informação, ignorar fatos relevantes e transformar a adesão a uma determinada tese em apuração objetiva dos fatos. Procuro (não sou o único, mas um dos poucos) fazer o contrário:
a) não escondo do leitor o que penso; se ele quiser se mandar daqui e não ler o que tenho a dizer, nada a fazer;
b) opino, no entanto, sobre fatos, sobre dados objetivos, e considero que as pessoas têm de arcar com o peso de suas escolhas, sem esperar que o Estado e as instituições sejam seus cúmplices, em especial quando estão em luta contra… o estado e suas instituições.

Voltemos ao caso da retenção — não foi prisão nem detenção — do brasileiro David Miranda em Londres. Considero Edward Snowden um traidor asqueroso e creio que não sabemos da missa a metade. Gente com esse perfil não se faz do nada. Um rapaz que denuncia a suposta vocação ditatorial dos EUA e se refugia na Rússia se define. Para mim, basta. Com um pouco mais de ousadia, ele pediria abrigo à China… Glenn Greenwald — o jornalista americano, correspondente do Guardian, que mandou seu marido (o David Miranda) numa missão especial — não é, a meu juízo, flor que se cheire. Pronto! Se o leitor quiser ler o resto, e vou me ater apenas aos fatos, continua. Se decidir que não, ok; não perderá seu precioso tempo comigo.

Leio na VEJA.com que Miranda quer que o Senado brasileiro tome alguma providência. É? Qual? Por que um dos Poderes da República no Brasil tem de se meter na história de sua retenção? Por acaso a Scotland Yard o reteve só porque é brasileiro? Ou, sei lá, porque é brasileiro, gay e negro? Não! Como confessou Greenwald, Miranda levou informações sobre Snowden para a documentarista Laura Poitras, que estava na Alemanha, e trazia consigo novos vazamentos (ou que nome tenham) fornecidos pelo ex-agente americano. Laura e Greenwald receberam juntos, em Hong Kong, as primeiras informações secretas passadas pelo vira-casaca.

O correspondente do Guardian está longe de ser um sujeito ingênuo. Ao meter seu marido na história, sabia muito bem que havia riscos de ele ser detido em algum ponto dessa trajetória. Ousaria mesmo dizer que ele (quem sabe ambos; não sei quão articulado é o tal Miranda) contava com isso, porque é visível a determinação do jornalista de provar que os EUA são uma potência autoritária, que policia o mundo. Nesta segunda, voltou à carga, com suas teorias conspiratórios, meio paranoicas: “Eles quiseram mandar uma mensagem sobre intimidação. De que eles têm poder, e, se continuarmos fazendo a nossa reportagem, publicando os segredos deles, que eles não vão ficar só passivos mas vão atacar a gente com mais intensidade”.

“Intimidação” seria empreender alguma ação à socapa para mostrar que Greenwald está na mira. Uma retenção no aeroporto, feita segundo a lei — sim, segundo a lei —, não é intimidação. Especialmente quando se trata de uma reação esperada, com a qual ele certamente contava. Burro, como já está evidenciado, não é. A propósito: falando como o militante de uma causa, não como jornalista, o americano anunciou que vai fazer novas denúncias. Vênia máxima, jornalista não ameaça publicar o que tem; publica apenas. Uma vez publicado o texto, não fica fazendo proselitismo sobre a própria reportagem nem se transforma numa celebridade mundial: deixa que outros se encarreguem da repercussão.

Reparem no óbvio: Greenwald não publicou uma só evidência de que os EUA monitorem também o conteúdo das trocas de mensagens que interceptam. Mas ele, pessoalmente, sustenta que sim. Também não publicou uma só evidência de que o país tenha interesses outros que não combater o terrorismo, mas ele, em várias entrevistas e no depoimento prestado ao Senado brasileiro, sustenta que sim. Não publicou, reitere-se, uma só evidência de que a “espionagem” de brasileiros tivesse objetivos comerciais, mas ele sustenta que sim… Esse tipo de prática caracteriza militância política, não jornalismo.

Snowden teve acesso a segredos do monitoramento feito pelos EUA em seu trabalho de combate ao terror. Insisto que não temos como saber quantos atentados deixaram de ser praticados por isso. Ou temos? Tivessem acontecido, o mundo seria hoje não só mais inseguro como mais paranoico; é bem provável que as liberdades individuais estivessem ainda mais reduzidas. Sim, senhores! Snowden é um criminoso — e não porque demonstrou que o suposto Grande Satã espiona todo mundo. Mas porque foi treinado e era pago, como funcionário de estado, para manter sigilo sobre as operações de segurança. Imaginem se isso vira moda…

Não por acaso, seu maior aliado é ninguém menos do que o delinquente Julian Assange, um amigo de tiranos que, inicialmente, divulgava os documentos que chegavam ao seu site. Depois de algum tempo, ele passou a tramar a invasão a dados sigilosos de governos — decidindo pessoalmente o que vazar ou não. Isso não tem nada a ver com transparência ou jornalismo: é crime de espionagem revestido de interesse público.

Greenwald precisa escolher uma profissão: jornalista ou militante político. David Miranda precisa escolher uma condição: marido, com atividade e renda próprias (tem?), ou parceiro dessa militância política — nesse caso, tem de arcar com o peso de suas opções, em vez de tentar transformar num caso de soberania nacional o que é nada mais do que uma escolha individual. Uma coisa é certa: ele não tinha ido à Alemanha para conhecer a Floresta Negra ou para comer chucrute.

Setores majoritários da imprensa se mostram preguiçosa e ativamente solidários porque o coquetel politicamente correto se lhes mostra irresistível: Glenn, americano, bem de vida, branco e gay, casa-se com um brasileiro negro, pobre e oriundo da favela. É uma fábula da Cinderela adaptado aos tempos modernos. Nesse caso, há, adicionalmente, o ingrediente político: os EUA fazem o papel da madrasta má. Trata-se de uma fábula politicamente infantiloide, como é, diga-se, o pensamento politicamente correto.

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2013

às 4:33

Gritaria por causa de prisão de marido brasileiro de jornalista americano é muito barulho por nada. A Scotland Yard cumpriu o seu dever. Fico mais tranquilo

O brasileiro David Miranda, marido do jornalista americano Glenn Greenwald, que é correspondente do jornal britânico Guardian e que mora no Brasil, foi retido pela Scotland Yard no Aeroporto de Heathrow, em Londres, neste domingo. A decisão foi tomada com base na Lei de Combate ao Terrorismo, aprovada no Reino Unido em 2000. Ela permite que as autoridades detenham um suspeito para interrogatório por até nove horas. Miranda ficou em poder das autoridades por oito horas e 55 minutos. Uma quase precisão… britânica! Já se faz por aí um barulho dos diabos. Muito barulho por nada!

Vi primeiro a notícia no Fantástico, anunciada em tom de escândalo, como se Miranda tivesse sido vítima de uma arbitrariedade, da ação discricionária de algum estado ditatorial. Lá vou eu. É chato dizer, contraria as teses politicamente corretas e bate de frente com antiamericanismo rombudo que até parte da grande imprensa resolveu assumir, nesta fase em que pretende ser mais “moderninha” do que as redes sociais, mas o fato é que a polícia britânica seguiu a lei, cumpriu o seu papel e demonstrou estar atenta. Fico mais tranquilo que assim seja. Ou então vejamos.

Eu mesmo, acompanhando a narrativa do Fantástico, de início, pensei: “Pô, que absurdo! Prenderam o cara só porque é marido do jornalista que divulgou os documentos de Edward Snowden, o vira-casaca americano”… Mas constatei, em seguida, que não era bem assim. O que Miranda foi fazer na Europa? Ele voltava da Alemanha. Havia passado uma semana em companhia da documentarista Laura Poitras, que estava em Hong Kong com Glenn Grenwald quando Snowden forneceu ao jornalista as “provas” da espionagem que os EUA estriam fazendo mundo afora. Segundo o próprio Greenwald, a viagem do marido foi financiado pelo Guardian. Ele havia levado documentos sobre o caso para Laura avaliar e trazia outros vazados por Snowden, que estavam, informou, em arquivo protegido por senha.

Então deixem-me ver se entendi direito. Snowden é um traidor, que trabalhava no serviço de inteligência dos EUA e decidiu passar adiante informações a que só teve acesso em razão da sua condição. No momento, goza de um refúgio temporário de um ano na Rússia, aquela democracia exemplar… E tem convite para se estabelecer em outras ainda mais edificantes, como Venezuela, Bolívia, Nicarágua… Felizmente, para o bem geral do… mundo, os serviços secretos britânico e americano trocam informações. É uma boa notícia saber que essa comunicação funciona. Greenwald, certamente, já é um sujeito visado. Afinal, ele se tornou o divulgador das informações surrupiadas por Snowden (a propósito: este rapaz vive de quê? De luz?). Houve por bem, então, usar o marido para o, digamos, tráfego de documentos do Brasil para a Alemanha e da Alemanha para o Brasil, contendo, sabemos agora, novos vazamentos.

Qual é o motivo do espanto? “Ah, a policia aprendeu telefone, computador, câmera, cartões de memória, DVDs e até jogos eletrônicos que estavam com David.” Bem, dada a natureza da questão, é o mínimo que se espera, não é mesmo? Snowden é um criminoso, ora. O jornalista americano tem o direito de publicar o que bem entender — e conseguir — do que está em poder daquele rapaz. Mas não deve esperar que os serviços de inteligência dos EUA ou do Reino Unido colaborem. Se puderem evitar que um traidor desse quilate seja bem-sucedido, fará isso.

A gritaria é a escandalização do nada. Já disse o que penso sobre Snowden e também sobre algumas opiniões de Greenwald embora americano, é de um antiamericanismo delirante. Escreveu, por exemplo, um texto asqueroso sobre o atentado de Boston, praticamente justificando o ocorrido — a rigor, sua cantilena justifica qualquer terror. Em recente depoimento no Senado brasileiro, pintou os EUA como um grande satã, que estaria menos interessado em combater o terror do que em cuidar de seus interesses. Ao Fantástico, o jornalista americano acusou o que seria um ato de intimidação.

O Itamaraty se manifestou em nota: “Trata-se de medida injustificável por envolver indivíduo contra quem não pesam quaisquer acusações que possam legitimar o uso de referida legislação”. Por que não? Snowden tornou público justamente o sistema destinado ao combate ao terror. Parte do material, como é sabido, estava sendo transportando pelo marido de Greenwald.

Para encerrar: só não vale acusar a polícia britânica de racismo e homofobia, né? O governo que Snowden atingiu em cheio é o do negro Barack Obama. E o país que deu abrigo ao amigão de Greenwald, a Rússia, é aquele onde proselitismo gay rende cadeia… Para fechar: não há lei que impeça o jornalista de divulgar informações repassadas por um traidor. Mas não vejo por que ele deva ficar bravo de a Scotland Yard não colaborar com ele. Só faltava isso.

Ah, sim: no Brasil, que não tem uma lei de combate ao terrorismo, a coisa seria diferente. Tanto é assim que, em Banânia já libertou terrorista de verdade. Mas fica para outro post.

Por Reinaldo Azevedo

08/07/2013

às 23:23

#prontofalei! Se ninguém quer, então falo: caso Snowden está sendo superestimado, e jornalista que denuncia “complô” exercita teorias conspiratórias e faz, quando menos, juízos delinquentes sobre os EUA e o terrorismo

Já deixei clara aqui a minha falta de paciência com Edward Snowden, o rapaz que namora uma dançarina de pole dance, o espião com vontade de virar celebridade no Facebook. “O tempora o mores!” Já vi gente com essa profissão desertar para cair no colo do inimigo, revelar que era agente duplo, passar as informações e ficar na moita… Contar tudo porque tomado de pruridos cidadãos? Isso, nunca vi. Mas os tempos andam sensíveis a picaretinhas como esse rapaz. Afinal, a imprensa ocidental acredita em todo mundo que encoste “o imperialismo” contra a parede, certo? Chegou a chamar a Irmandade Muçulmana de “grupo moderado” !!! Se o sujeito não tinha uma bomba amarrada à volta da cintura, então era “moderado”… No texto cujo link vai acima, lembro que o tipinho à-toa ajudou a trazer para o chão a figura de Barack Obama, que muitos pretendiam vagar no éter das boas intenções. Como nunca acreditei nisso, não me escandalizo que os EUA estivessem monitorando as comunicações mundo afora na luta contra o terror.

Como não sou candidato a ser o Príncipe que pretende unificar a Itália, não tendo por que ser temido, também não busco ser amado. Então lá vai: os EUA monitoram quem liga pra quem — que se saiba, nesse caso, não se conhece o conteúdo — mundo afora, especialmente no Ocidente? Que bom!!! Alguém tem de fazer isso. Antes eles do que a China; antes eles do que a Rússia; antes eles do que alguma central do terror.

Dia desses, assistindo a uma reportagem de TV, a moça, com aquele ar indignado a que a ignorância sempre confere convicção, observou que, a despeito de tanto monitoramento, o serviço secreto americano não conseguiu impedir o atentado terrorista de Boston. É uma raciocínio estúpido. A eficiência de um monitoramento não se mede pelos atentados que ocorrem, mas por aqueles que não ocorrem. E parte do serviço de segurança consiste justamente em omitir essas informações para não gerar pânico e garantir a segurança de algumas operações. Mesmo assim, alguns casos vieram a público. Já se impediu um facínora, por exemplo, que levava um dispositivo explosivo no salto do sapato, de explodir um avião. Quantos ataques o monitoramento já evitou no país que teve o 11 de Setembro e mundo afora? Ninguém jamais saberá.

As autoridades brasileiras estão tomadas de pruridos nacionalistas; falam em violação da soberania nacional… É. Nada como um escorregão dos grandes para que os pequenos fiquem cheios de razão. É claro que há aí um exagero, e os EUA tentam se explicar. É evidente que o Brasil tem de fazer cobranças e tal, mas é bem possível que o grande número se supostas ocorrências em nosso país se deva ao fato de que essa é uma área de trânsito de dados. De toda sorte, se houver gente em certas áreas do país recebendo um número considerável de ligações do Irã ou do Sul do Líbano, por exemplo, dominado pelo Hezbollah, prefiro que os EUA saibam… Ou vocês acham que devemos deixar isso para José Eduardo Cardozo, o Garboso? O Brasil nem tem uma lei para punir o terrorismo. O PT não deixa que seja votada. Facínoras já foram presos e já foram soltos por aqui.

Teorias conspiratórias
O caso da dita espionagem foi denunciando por Glenn Greenwald, jornalista americano, correspondente do jornal inglês The Guardian, que mora no Brasil, onde tem visto permanente em razão da união estável com um brasileiro. O Globo já contou essa história. O texto começa assim: “A história de amor entre Glenn Greenwald, um americano colunista do jornal inglês ‘The Guardian’, e um jovem brasileiro oriundo da favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, lembra um conto de fadas”. Se quiserem saber mais do conto de fadas, cliquem ali. Volto à realidade.

Greenwald concedeu uma longa entrevista ao Fantástico neste fim de semana, vejo na Internet. Num dado momento, ele afirma:
“É um pouco irônico, porque o problema foi que eles [o governo americano] tiveram informação demais, e eles não podem conectar essa informação. Porque eles não conseguiram ler todas as coisas. Você tem bilhões de e-mails todos os dias, como eles estão gravando agora. É impossível saber exatamente o que você está coletando. E, para mim, é muito claro que o objetivo não é para impedir o terrorismo, mas para aumentar o poder de governo americano.”

Releiam se for o caso. Se Greenwald repetir isso em sua língua pátria, continuará sem sentido. Então ele mesmo reconhece que são bilhões de mensagens, que os próprios americanos têm dificuldades para processar tudo, que chega a ser impossível saber o que está sendo coletado, mas ele tem uma certeza, saída sabe-se lá de onde: NÃO É PARA COMBATER O TERRORISMO, MAS PARA AUMENTAR O PODER DO GOVERNO AMERICANO. Poder sobre o quê? Sobre quem? Com qual propósito? Qual é a hipótese deste senhor? Não estranhem haver americanos fanaticamente antiamericanos. Também nessa matéria, poucos conseguem superá-los. Se tiverem dúvidas, perguntem a um intelectual que se quer refinado, como Noam Chomsky, ou a um delinquente que se sabe delinquente, como Michael Moore…

Delinquência intelectual filoterrorista
Sem dúvida, Greenwald deu um furo mundial ao trazer à ribalta o namorado da dançarina. Mas eu não confio nos seus juízos de valor. De jeito nenhum! Quando ocorreram os atentados de Boston, este senhor escreveu o seguinte lixo em seu jornal:

“Independentemente de seu ponto de vista sobre a justificativa e a intenção [dos atos terroristas]; qualquer que seja a raiva que você esteja sentindo do autor do ataque a Boston, essa é a justificável raiva que as pessoas sentem dos EUA mundo afora por estes matarem inocentes em seus respectivos países. Qualquer que seja a tristeza que você sinta por causa das vítimas de ontem, o mesmo nível de tristeza é devido às pessoas inocentes cujas vidas chegaram ao fim por causa das bombas americanas. Por mais profunda que você reconheça ser a perda sofrida pelos pais e familiares das vítimas, é a mesma perda experimentada pelas vítimas da violência dos EUA. É natural que não se sinta isso tão intensamente quando as vítimas estão longe e são quase invisíveis, mas sentir essas mesmas coisas em relação aos atos de agressão dos EUA corresponderia a percorrer um longo caminho que leva a uma melhor compreensão do que eles são e dos resultados que produzem”.

Retomo
Sabem o que é particularmente asqueroso nesse texto? Os atentados foram praticados no dia 15 de abril deste ano. No dia 16. Greenwald já apontava o dedo para os culpados: no caso, as vítimas!!! Esse é o mesmíssimo raciocínio que faz a Al Qaeda e todos aqueles que justificam atos terroristas.

A realidade se encarregou de provar a estupidez de Greenwald. Os atentados foram cometidos pelos irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, de origem chechena. Os EUA nunca se meteram por lá. O grande algoz da Chechênia é a Rússia, onde hoje, muito provavelmente, Edward Snowden, o herói do jornalista do Guardian, está refugiado, à espera de um país que lhe dê guarida.

Os juízos um pouco perturbados de Greenwald sobre a política externa americana estão sendo omitidos do público, e se está dando corda a suas conjecturas conspiratórias. Nem poderia ser diferente: ele reúne um verdadeiro coquetel de clichês do heroísmo politicamente correto: é americano, mas crítico feroz dos EUA; é um gay com educação refinada, mas casado com “jovem” da comunidade do Jacarezinho; não apoia, claro!, atos terroristas, mas considera que eles são, no fim das contas, uma reação às ações dos americanos mundo afora.

“O que isso tem a ver com a reportagem dele?” Estou expondo o ambiente intelectual em que essas coisas se produzem e ganham vulto. É uma obrigação intelectual fazê-lo. De resto, mesmo as informações que ele colheu não o habilitam a afirmar que o “objetivo do monitoramento não é impedir o terrorismo, mas aumentar o poder do governo americano”. É mero chute de quem ataca os EUA no dia seguinte a um atentado terrorista contra os… EUA”.

 Snowden e Greenwald podem ser os heróis de muita gente. Não são os meus.

#prontofalei!

Por Reinaldo Azevedo

 

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