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FHC

10/10/2014

às 16:31

FHC diz que Lula está mentindo e que o povo não é bobo

Por Gustavo Uribe e Marina Dias, na Folha:
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou nesta sexta-feira (10) um vídeo (assista abaixo) para rebater a crítica indireta de seu sucessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de que ele teria criticado a população nordestina por ter votado na presidente Dilma Rousseff no primeiro turno da sucessão presidencial. O tucano acusou o petista de ter mentido e lamentou que a presidente tenha, “embarcado nessa”. O material foi feito por colaboradores da campanha do presidencial Aécio Neves (PSDB) para ser divulgado em grupos de WhatsApp, aplicativo de mensagens instantâneas de celular. “O Lula mentiu. Eu não falei de Nordeste, nordestino, nada disso. E lamento que a presidente Dilma Rousseff, sem saber, tenha embarcado nessa. Não é verdade, o povo não é bobo”, disse.

 O tucano acusou ainda o PT de fazer “demagogia” e de querer jogar o PSDB contra o povo brasileiro. Segundo ele, a sociedade sabe que foi o partido quem fez o Plano Real, que controlou a inflação no país. “É assim que se combate a pobreza, não é deixando a inflação voltar e depois aconselhando o povo a não comer carne e a comer tomate, frango e ovo. Não é assim que se resolve. Nós, do PSDB, fizemos o que dissemos. E deu certo”, afirmou.

 Na quarta-feira (8), o petista divulgou comentário nas redes sociais lamentando o ódio contra os nordestinos depois do resultado do primeiro turno da disputa presidencial. O texto foi publicado dois dias depois do tucano ter dito, em entrevista ao portal UOL, empresa do Grupo Folha, que edita a Folha, que o PT está “fincado nos menos informados”. “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados”, afirmou.

 Lula voltou a atacar a declaração de FHC sobre os eleitores do PT na noite desta quinta-feira (9) diante de uma plateia de sindicalistas, políticos e membros de movimentos estudantis.
 “Aquilo não é o pensamento dele. Aquilo é uma cultura deles, de dizer que quem não vota neles é mais burro porque não vota neles e quem vota neles são os sabidos e quem vota em nós são os ignorantes”, discursou, acrescentando que “na cabeça dele, o Nordeste brasileiro e a periferia ainda hoje é como era no tempo em que ele era o presidente da República”.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 17:53

“É preciso restabelecer a decência no Brasil”, diz FHC

Por Luís Lima, na VEJA.com:
Em almoço com empresários promovido pelo Grupo Lide nesta segunda-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) cobrou responsabilidade do governo federal em relação aos escândalos de corrupção na Petrobras. O ex-presidente manifestou indignação com as denúncias envolvendo diretores e partidos políticos — e a indiferença do governo federal em relação ao material revelado pela imprensa. “Ou (o governo) é conivente ou é incompetente”, disse o ex-presidente. “(O governo) Tem de ser cobrado, pela razão de que é preciso restabelecer a decência do Brasil. Acredito na decência da presidente Dilma Rousseff, mas isso não a exime de sua responsabilidade”, disse.

Questionado sobre possível apoio do PSDB a Marina no segundo turno, caso o tucano Aécio Neves não avance na disputa, FHC desconversou: “Uma coisa aprendi na política. Cada passo na sua hora. E o passo agora é Aécio”, afirmou. Depois de recuar ao longo do mês de agosto, o candidato tucano vem recuperando pontos nas pesquisas de intenção de voto. No últimolevantamento do Datafolha, Aécio tinha 17% das intenções, diminuindo a distância em relação á segunda colocada, Marina Silva, que se manteve com 30 pontos.

FHC também aproveitou a oportunidade para alfinetar Dilma Rousseff. Ele lembrou as críticas que a candidata à reeleição fez de que o governo FHC quebrou duas vezes por causa de ter pedido empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). “Dilma não sabe economia, por isso que não foi doutora pela Unicamp”, disparou.

O ex-presidente voltou a criticar o conhecimento de Dilma na área econômica. Questionado sobre a fala da presidente de que o Brasil não cresce tanto por conta do cenário de desaceleração da atividade econômica dos Estados Unidos, dada em entrevista à TV Globo na manhã desta segunda, ele afirmou: “Os EUA já estão se recuperando. Há cinco anos os EUA vão para frente e o Brasil vai para trás. Não sei como Dilma é economista”, rebatou.

Segundo FHC, o Brasil está, aos poucos “perdendo o rumo”, ou seja sua “visão estratégica”, e que o país já não sabe mais onde está. “No âmbito da política externa, perdemos a noção de que pertencemos a um lado, do Ocidente. Hoje, o país não sabe onde está”, afirmou. “Escolhemos o ‘sul’, mas não tem razão para escolher ficar de um lado só. Esquecemos o Ocidente e fomos nos isolando”, afirmou, exemplificando sua fala com a falta de acordos comerciais do Brasil. Ainda de acordo com FHC, hoje há um “mal marketing” por parte do governo, que pinta um cenário perfeito”O governo cria uma ilusão de que está tudo maravilhoso”, concluiu.

Para tentar recuperar espaço na corrida, o PSDB tem lançado mão do discurso de indignação, sobretudo em relação aos acontecimentos envolvendo a Petrobras e outros escândalos de corrupção no governo. Sobre isso, o ex-presidente disse que é preciso dramatizar alguns fatos para que a população entenda o que está acontecendo no âmbito do poder. “O que acontece na Petrobras é passível de dramatização. Ela exemplifica o que acontece em muitos outros lugares (da política). A gente, que está informado da vida pública, sabe disso. Então é preciso mais indignação”, disse.

Para o ex-presidente, ou o Brasil passa a limpo casos como o da estatal, ou os mesmos erros se repetirão no futuro. “Pessoalmente não gosto de atacar ‘A’, ‘B’ ou ‘C’, mas é o Brasil que está em jogo. Houve um assalto aos cofres públicos”, disse. Segundo ele, os recursos desviados da estatal estão sendo usados, no mínimo, para fins político-partidários, e, na pior das hipóteses para fins pessoais. Ele lembra que Dilma foi presidente do conselho da Petrobras e ministra de Minas e Energia e disse que ela também deve se mostrar indignada com o caso. “Tem que apurar, se não passa para história uma dúvida”, finalizou.

Em coletiva após o evento, FHC foi questionado sobre a importância da “dramatização” no discurso, como forma de captar a atenção do eleitor. “Não sou marqueteiro, eu não sei. A dramatização é um modo de comunicação, que é importante”, afirmou, usando como exemplo a resposta de Marina ao PT sobre um possível fim do Bolsa Família. Em propaganda veiculada desde a semana passada na TV, a candidata falou sobre ter passado fome quando criança. “Por que o Aécio não pode também? Pode!”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

16/07/2014

às 16:05

“Não leio FHC”, diz Lula, que já confessou que a leitura lhe dá sono. Entendo!

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu num artigo que Lula, que o sucedeu na Presidência, promove “baixarias e falsas acusações” em suas andanças políticas e que é incapaz de “fazer autocrítica”. Afirmou ainda que, na viagem que fizeram juntos ao funeral de Mandela, no avião presidencial, em companhia de Dilma, ele sugeriu ao petista que virasse a página do mensalão. “Mas não, Lula insiste em continuar distorcendo fatos para dizer que todos fizeram algo parecido. Eu não caio nessa cilada.” Escreveu mais: “Em nenhum momento Lula explicou de forma detalhada os acontecimentos que levaram ao maior escândalo de corrupção da história republicana”.

Nesta quarta, o jornalistas quiseram saber o que Lula pensava a respeito do artigo de seu antecessor. O petista não respondeu. Ou respondeu apenas o seguinte: “Eu não leio o Fernando Henrique Cardoso”.

Huuummm… Se não lesse apenas FHC, não seria tão grave. Eu tenho memória. Em 2009, ele confessou em conversa com jornalistas que lia muito pouco: “Me dá sono”. E o que fazia num tempo livre ou outro? “Vejo bobagens na televisão”. À época, estava lendo, disse, o livro “Leite Derramado”, de Chico Buarque. Concordo: vale por uma cartela de Stilnox, hehe.

Lula não reconhece até hoje o papel central que teve o Plano Real no país. Poderia ser apenas falta de leitura. Mas aí já se trata de algo ainda mais grave: é falta de apreço pela verdade.

Por Reinaldo Azevedo

16/06/2014

às 15:59

Lula deveria é ser grato a FHC, que o livrou de uma ação de impeachment

Lula soltou os cachorros ontem, no evento petista que oficializou a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Acusou a oposição de fazer a campanha do ódio e dirigiu um ataque específico a FHC, seu antecessor. Na convenção do PSDB, no dia anterior, o ex-presidente tucano havia falado que queria os corruptos longe da política.

Muito bem! Neste domingo, Lula acusou FHC de ter comprado votos que garantiram a reeleição. Não contente, afirmou que o tucano não aprendeu a ter sentimentos na universidade. Ai, ai… Lula acha que só alguém com o seu próprio grau de ignorância — que nada tem a ver com burrice (inteligente ele é) — é capaz de ter coração.

Nesta segunda, FHC emitiu uma nota a respeito. Leiam. Volto em seguida.
“Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos. Na convenção do PSDB, não acusei ninguém; disse que queria ver os corruptos longe de nós. Não era preciso vestir a carapuça. A acusação de compra de votos na emenda da reeleição não se sustenta: ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça. Não é verdade que a oposição pretendesse derrubar o presidente Lula em 2005. Na ocasião, pedimos justiça para quem havia usado recursos públicos e privados na compra de apoios no Congresso, o que foi feito pelo Supremo Tribunal Federal. Apelo às lideranças responsáveis, do governo e da oposição, para que a campanha eleitoral se concentre na discussão dos problemas do povo e nos rumos do Brasil.”

Retomo
É a fala de uma pessoa sensata. Cumpre lembrar um fato que é de amplo conhecimento da imprensa e dos políticos. FHC cometeu, sim, a meu ver, um erro em 2005. Ele foi uma das lideranças que desaconselharam a oposição a pedir o impeachment de Lula, o que até os petistas julgaram que estava na iminência de acontecer. Cabeças coroadas do partido chegaram a debater a hipótese da renúncia. O momento mais dramático se deu quando Duda Mendonça confessou na CPI que o PT pagara por seus serviços com dinheiro do caixa dois. Pior: o depósito havia sido feito numa conta que ele mantinha no exterior.

E quem foi que desaconselhou a oposição a seguir na trilha do impeachment? Justamente FHC! Acreditava — e, até hoje, muitos críticos do PT acham que ele estava certo; não é o meu caso — que a deposição de um presidente que havia sido operário um dia e que ainda contava com apoio considerável na sociedade seria ruim para a democracia.

Assim, à diferença do que diz Lula, a oposição nunca tentou derrubá-lo, a não ser por intermédio das urnas. Ao contrário: quando condescendeu com a sua permanência no poder, acabou lhe dando a chance de o PT obter mais dois mandatos.

Lula deveria ser grato a seu antecessor. Mas quê… Até hoje não perdoa o fato de que o outro o venceu duas vezes nas urnas — e no primeiro turno. De resto, é preciso deixar claro: a disputa em 2014, no que diz respeito aos dois partidos, é entre Dilma e Aécio, não entre Lula e FHC.

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2014

às 15:36

PSDB oficializa a candidatura de Aécio à Presidência da República

Aécio Neves e José Serra, juntos na convenção do PSDB: união

Aécio Neves e José Serra, juntos na convenção do PSDB: união

No Globo. Comento no próximo post.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve sua candidatura à Presidência da República oficialmente formalizada na manhã deste sábado, durante convenção nacional do PSDB, realizada no Pavilhão Azul do Expo Center Norte, em São Paulo. A candidatura foi aprovada por 447 dos 451 delegados da legenda. Aécio chegou de mãos dadas com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, acompanhado pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin e por José Serra. Ele disse ter chegado a hora do “reencontro com a decência no país” e afirmou acreditar que uma “tsunami” poderá tirar o PT do governo em outubro:

“A cada dia que passa, a cada região por onde ando, percebo não só uma brisa, mas uma ventania por mudanças. Um tsunami que vai varrer do governo federal aqueles que lá não têm se mostrado dignos e capazes de atender às demandas da população brasileira”, disse Aécio.

Na convenção, Fernando Henrique foi tratado como um dos principais cabos eleitorais da campanha tucana. Logo após sua chegada, foi exibido um vídeo exaltando conquistas de seu governo, como o Plano Real e o início de programas sociais de combate à pobreza. O mesmo filme afagou José Serra (…). Foram mencionadas conquistas de seu período à frente do Ministério da Saúde, como a política de combate à Aids e de fomento aos medicamentos genéricos. Os dois temas foram citados no discurso do candidato.

O ex-presidente e avô de Aécio, Tancredo Neves, morto em 1985, também foi lembrado no encontro: no meio do discurso de Aécio, foi exibido um vídeo com imagens do poeta Ferreira Gullar lendo texto escrito em homenagem a Tancredo. “Se o presidente Juscelino (Kubitschek) permitiu 60 anos atrás o reencontro do Brasil com o desenvolvimento e a modernidade, coube a Tancredo, 30 anos depois, permitir que a gente se reencontrasse com a democracia e a liberdade. Outros 30 anos se passaram, e vamos conduzir o Brasil ao reencontro com a decência”, afirmou Aécio, que defendeu a paternidade do PSDB em programas sociais e fez duras críticas à atuação do governo federal na área econômica.

“Quem foi contra o Plano Real é quem hoje permite a volta da inflação”, disse o tucano, que acusou o PT de aniquilar “o mais valioso patrimônio construído por gerações de brasileiros, a Petrobras”, e convocou a militância para ir às ruas “por um tempo novo”.

Para Aécio, a história do país ainda será revisitada: “Pelo menos numa coisa nossos adversários mantiveram a coerência. Quem foi contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal é quem hoje permite a volta da inflação e assina a maldita contabilidade criativa. São os que dividem o Brasil de forma perversa entre nós e eles”, discursou Aécio.

O tucano afirmou ver no governo “inegável pendor autoritário e intervencionista”, elementos que seriam motivo de desalento para a população. Disse que o povo teria acreditado no discurso da ética, defendido no passado pelos adversários. Para ele, hoje o PT e o governo protagonizam os mais “vergonhosos casos de corrupção” no país. “O Governo do PT vive da propaganda daquilo que não fez”, disse Aécio.

FHC
Em um dos discursos mais aguardados da convenção, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o país está cansado de “empulhação” e fez um chamamento ao PSDB para que se aproxime do povo. “As urnas clamam, querem mudança. Elas cansaram de empulhação, corrupção, mentira e distanciamento entre o governo e o povo. Nós temos que ouvir o povo, estar mais próximos do povo. Ganhar a confiança do povo. A caminhada do Aécio será essa – afirmou o tucano que usou palavras fortes para se referir ao PT, como “ladrões” e “farsantes”.

Para FH, “não dá mais” para lidar com os adversários à frente do governo: “Não dá mais. Ninguém aguenta mais isso. Chega. A gente sente que não adianta mais. Não adianta mais repetir o que sabemos que não é certo. A mudança está começando a se concretizar. Não são ideias só, são ideias encarnadas em pessoas. Hoje é Aécio o futuro presidente”, disse Fernando Henrique, para quem Aécio seria “um líder jovem” para sentir “de perto o pulsar das ruas e se dedicar de corpo e alma ao povo”.

O líder tucano tocou também num tema que já custou muito caro ao PSDB em eleições passadas e acusou o PT de mentir quando acusa os tucanos de serem privatistas. “O povo quer respeito e consideração. O povo cansou de comiseração. Quantas vezes ouvi que eu queria privatizar a Petrobras. Mentira. Eles sabem que é mentira. Nos queríamos transformar a Petrobras de uma repartição pública numa empresa dos brasileiros. O que eles fizeram? Nós queremos de novo que as estatais sejam em benefício do povo “, afirmou.

Serra
O ex-governador de São Paulo José Serra chamou Aécio de “futuro presidente do Brasil” e garantiu que partido está unido em torno da candidatura do senador. “O Aécio sempre a qualidade de juntar as melhores pessoas para seu governo. Damos aqui um passou muito importante para a vitória. O PSDB e seus aliados chegam unidos para essa disputa. Quanto mais mentiras eles disseram sobre nós, mais verdades diremos sobre eles”.

Serra disse que o país vive um “milagre perverso” com o governo do PT e, ao final de seu pronunciamento, foi recebido por Aécio, que levantou-se e foi até o púlpito onde ele estava para agradecer com um abraço e poses para fotos. “Economia estagnada, inflação aumentando e investimento caindo. Vamos convir que para, se chegar a isso tudo, é preciso que o governo atue com incompetência metódica, convicta e com muito talento”, criticou Serra.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2014

às 19:00

FHC emite nota em que defende a instalação da CPI da Petrobras

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso emitiu uma nota neste domingo em que defende a instalação de uma CPI para investigar os malfeitos na Petrobras. Inicialmente, o tucano afirmou que a apuração poderia ser conduzida por outros órgãos competentes do Estado, mas mudou de ideia. Leia íntegra da nota.
*
Os acontecimentos revelados pela imprensa sobre malfeitos na Petrobras são de tal gravidade que a própria titular da Presidência, arriscando-se a ser tomada como má gestora, preferiu abrir o jogo e reconhecer que foi dado um mau passo no caso da refinaria de Pasadena. Pior e fato único na história da empresa: um poderoso diretor está preso sob suspeição de lavagem de dinheiro.

Sendo assim, mais do que nunca se impõe apurar os fatos. Embora, antes desse desdobramento eu tivesse declarado que a apuração poderia ser feita por mecanismos do Estado, creio que é o caso de ampliar a apuração. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, conduzirá o tema, em nome do partido, podendo mesmo requerer, com meu apoio, uma CPMI.

Afinal é preciso saber por que só depois de tudo sabido foi demitido o responsável pelo parecer que induziu a compra desastrada da refinaria nos Estados Unidos e que relações havia entre o diretor demitido e o que está preso. Afinal, trata-se da Petrobras, empresa símbolo de nossa capacidade técnica e empresarial.

Fernando Henrique Cardoso

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2014

às 21:36

FHC como vice de Aécio? Não! Esta tem de ser uma disputa sobre o futuro, não sobre o passado

O pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse o óbvio nesta terça-feira: seria uma honra ter o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como vice em sua chapa, “mas isso não se cogita, pelo menos por enquanto”. E cabe a pergunta: por que se cogitaria?

A imagem de FHC, nem é preciso ter pesquisa para constatá-lo, está em franca recuperação — e, estou certo, quanto mais passar o tempo, maior se tornará, até que chegue ao tamanho que realmente tem. A máquina de destruir reputações do PT está perdendo eficiência, mas ainda é muito forte.

Ocorre que a “mudança” — por enquanto, ainda intransitiva e sem um objeto muito definido — será um dos valores dessa eleição. Uma insatisfação ainda difusa, mas muito presente, é o que hoje mais incomoda a presidente Dilma Rousseff e o petismo.

Se o PSDB fizer de FHC vice na chapa de Aécio, estará eliminando esse fator de indeterminação do presente, mais perigoso para quem já está no poder, e caindo na armadilha petista: uma disputa sobre o passado, mais uma vez, pela quarta vez!

Ora, dada a ruindade do governo Dilma e considerando-se as muitas insatisfações acumuladas, tudo o que o PT mais quer é uma disputa não entre Dilma e Aécio — sim, considere-se também o fator Eduardo Campos —, mas uma disputa entre Lula e FHC. E o ex-presidente petista, no caso, nem precisaria figurar como vice.

Nada disso! A disputa deste 2014 tem de ser sobre o futuro — aquele mesmo que foi ignorado pelo PT em 2010, o que tornou o Brasil que aí está bem mais frágil do que estava então.

 

Por Reinaldo Azevedo

10/12/2013

às 6:17

Dilma desce a ripa em antecessores antes de viajar com eles. Ou: Um sanguinário numa cerimônia fúnebre

Ai, ai… Escrevi neta segunda um post afirmando que a viagem da presidente Dilma Rousseff, acompanhada de quatro ex-presidentes, era só material de propaganda para ofuscar a truculência política interna. E, claro, levei algumas bordoadas. Eu seria, entre outras coisas, muitas impublicáveis, um sujeito de maus bofes, incapaz de reconhecer atos de grandeza… É? Então… Leio na Folha que, antes da viagem, a petista desceu o sarrafo nos governos que antecederam os do PT, em especial no de FHC. E na presença do tucano. Falava no seminário promovido pela fundação liderada pelo ex-presidente americano Bill Clinton, num hotel do Rio. E ainda fez uma, digamos, reflexão sobre a América Latina. Reproduzo trecho da Folha:
Ela afirmou que os países do continente foram vítimas de ditaduras e, em seguida, de governos “conservadores” que os “infelicitaram”. “Frearam nosso crescimento, aumentaram a desigualdade social e provocaram desequilíbrios macroeconômicos”, afirmou.

Pois é… Certamente a presidente não acha que o Chile, a Colômbia e o Peru (governado por um esquerdistas, mas sem mudar um milímetro do que herdou) sejam experiências bem-sucedidas. Bacanas mesmo, hoje em dia, são os governos companheiros da Venezuela, da Bolívia, do Equador e da Argentina,  certo? Não tem jeito! São quem são. E vocês podem aguardar mais falação, digamos, redentora e de resistência…

Cerimônia fúnebre
Seis presidentes vão discursar na cerimônia fúnebre de Mandela. Dilma está entre eles. Também falarão os presidente de Cuba, Raúl Castro; dos EUA, Barack Obama; da própria África do Sul, Jacob Zuma, além dos da Namíbia e Índia. Por que Dilma? Porque o Brasil é, efetivamente, um país regionalmente relevante, pouco importa quem o governe.

África do Sul, Brasil e Índia integram, por exemplo, o chamado BRICS, o grupo de emergentes. Barack Obama discursará por razões óbvias, e o presidente da Namíbia é convidado porque o país só se tornou independente da África do Sul em 1990, mesmo ano em que Nelson Mandela deixou a prisão. Dá para entender perfeitamente bem por que pelo menos cinco mereceram a deferência. Mas e o sexto? O que faz lá o ditador sanguinário  Raúl Castro?

Cuba é o único país das Américas que mantém, oficialmente, presos de consciência. Até os regimes protoditatoriais bolivarianos procuram inventar uma acusação criminal contra alguns adversários para poder persegui-los. Já é imoral, já é indecente. Cuba nem se dá esse trabalho. Prende os opositores quando julga necessário e pronto. Há na ilha presos políticos, como Mandela foi. Nos últimos três anos, dois deles morreram na cadeia em greve de fome: Orlando Zapata Tamayo, em 2010, e Wilman Villar Mendoza, em 2012. A liberdade pela qual Mandela lutou é tudo o que não existe no país. Eis aí um dos aspectos detestáveis do Congresso Nacional Africano — que nunca repudiou a companhia de ditadores.

Volto a Dilma
Lamento por aqueles que ficaram bravinhos com o meu primeiro texto, não é? Fazer o quê? Os que me leem esperam, como diria Padre Vieira, que eu veja a realidade “com mais aguda vista” do que o amor pelo oficialismo que anda em alta em certas esferas da imprensa; esperam que eu enxergue um tantinho além da fotografia.

É claro que eu não serviria para ser político. Sou muito primitivo para certas coisas, sabem? Não tenho aquela sofisticação da hipocrisia, que a política parece exigir. Que “estadista” é essa que usa um seminário internacional para desmerecer a obra alheia, para fazer proselitismo político vulgar e, em seguida, viaja em companhia do agravado em nome dos interesses da nação?

Por Reinaldo Azevedo

09/12/2013

às 19:11

Planalto usa a morte de Mandela para propaganda e para ofuscar a truculência política do Brasil real

Bem, a morte de Nelson Mandela anda a produzir mistificações, como escrevi há pouco, mundo afora. E serve até ao proselitismo interno. Vejam esta foto, divulgada pelo Palácio do Planalto.

Dilma com ex-presidentes

A presidente Dilma e os quatro ex-presidentes embarcam para a África do Sul para o velório do líder sul-africano. Todos com um ar, assim, sorridente mesmo. Tenho cá as minhas desconfianças se o decoro não pediria outra coisa. Afinal, não estão rumando para a posse de Mandela, não é? — não, ao menos, aqui na terra; parece que um trono o aguarda no Reino dos Céus; se é que já não chegou a hora de depor Aquele Lá, né?

No Twitter, a equipe de marketing de Dilma aproveita para fazer proselitismo político. Vejam:

Dilma Twitter Mandela 

Que engraçado!!!

Lula e Dilma foram adversários políticos dos três outros ex-presidentes que aparecem na foto, né? O Babalorixá de Banânia esculhambou impiedosamente cada um deles.  E acabou se compondo politicamente com todos eles, menos com… FHC!

Sim, senhores! Vejam a foto. Todos ali, exceto FHC, fazem parte da base aliada. Não por acaso, o tucano é o único que representa um partido que pode ser uma alternativa real de poder. O PT decidiu incorporar as qualidades de Sarney. O PT decidiu incorporar as qualidades de Collor. O PT só não quer saber das qualidades de… FHC!

Eu sou chato mesmo! Acho que sempre é tempo de pensar. Essa gente unida e sorridente da foto não espelha o Brasil real. Acaba de vir a público uma história escabrosa sobre a forma como o PT usa a estrutura do estado para destruir adversários. Até Ruth Cardoso, mulher de FHC, foi alvo da baixaria. Há dois ou três dias, num evento público, Lula se referiu à cocaína encontrada no helicóptero da família Perrella como “coisa do lado de lá” — como se fosse um problema da oposição.

Dilma diz no Twitter que a viagem é um exemplo de que “as divergências do dia-a-dia não contaminam as questões de Estado”. Com a devida vênia, não caio nessa. Fazer dossiê contra adversários e vazá-los não é coisa de “divergência do dia-a-dia”; sugerir que os adversários estão ligados ao tráfico de drogas também não. Nesse caso, seria melhor não fazer a viagem coletiva e ter mais respeito pelos adversários.

A morte de Mandela não me impede de ver o que acontece na África do Sul.

A morte de Mandela não me impede de ver o que acontece no Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

17/06/2013

às 16:37

FHC e os protestos: uma mensagem no Facebook com uma penca de equívocos, que ajudam a explicar por que o PSDB está na areia

Vejam esta foto da Praça da Sé, de 25 de janeiro de 1984. Volto em seguida.

A turma que faz o Facebook do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu emprestar ao Passe Livre e a seus associados um viés sociologizante, ligando a manifestação, acreditem!, às Diretas-Já. Lê-se lá o seguinte:

“Os governantes e as lideranças do país precisam atuar entendendo o porquê desses acontecimentos nas ruas. Desqualificá-los como ação de baderneiros é grave erro. Dizer que são violentos nada resolve. Justificar a repressão é inútil: não encontra apoio no sentimento da sociedade. As razões se encontram na carestia, na má qualidade dos serviços públicos, na corrupção, no desencanto da juventude frente ao futuro”.

Comento
Enquanto o Anonymous e o Passe Livre não mandarem no Brasil, as pessoas são livres para escrever a besteira que lhes der na telha, e eu sou livre para apontar: “É besteira!”.

Vamos ver:
1: Associar o protesto às Diretas-Já é uma tolice. Ainda que esculhambada, para todos os efeitos, o Brasil vivia, em 1984, sob uma ditadura. As eleições diretas, por exemplo, só seriam restauradas cinco anos depois;

2: Não houve um só ato de depredação e de vandalismo nas manifestações em favor das Diretas.

3: O movimento era feito em praças públicas, de preferência em feriados (como 25 de janeiro, Dia de São Paulo) e fins de semana. Havia a preocupação de não levar as cidades que abrigavam os protestos ao colapso.

4: O movimento das Diretas-Já reivindicava um direito fundamental, pilar de qualquer regime democrático: o direito de eleger seus governantes.

5: Quem lutava pelas Diretas-Já pedia que se recriassem os instrumentos institucionais de interlocução democrática. Era um movimento contra a ditadura.

6: Os que estão nas ruas agora, na prática, descartam justamente os instrumentos democráticos de negociação. Não reconhecem a autoridade de pessoas eleitas legitimamente pelo povo.

7: FHC — quem quer que tenha escrito esse texto por ele, já que não o imagino sentadinho, cuidando de sua página no Facebook… — está emprestando ao movimento uma pauta que ele não tem.

8: O ex-presidente endossa o equívoco de entender o protesto — liderado por um grupo político chamado “Passe Livre”, com o apoio de partidos de extrema esquerda como PSOL, PSTU e PCO — como uma espécie de mal-estar ainda difuso, que acabará revelando a sua real natureza: “carestia, na má qualidade dos serviços públicos, na corrupção, no desencanto da juventude frente ao futuro”. Antes fosse assim. A atual oposição estaria mais perto do poder…

9: Então FHC acha que “dizer que [os atos] são violentos nada resolve”? Pergunto: nos protestos havidos em São Paulo e Brasil afora, há ou não violência? O que quer dizer “justificar a repressão é inútil”? Não se deve reprimir quem vai às ruas com coquetéis molotov?

10: FHC acha legítimo que uma minoria — nem que fosse uma minoria de 200 mil pessoas — paralise a cidade e imponha a sua vontade a 11,5 milhões de pessoas?

11: Os petistas estão apoiando o protesto de hoje em São Paulo. Noto que FHC gostaria que os tucanos fizessem o mesmo. Então está certo. Vou resgatar dois versinhos dos meus tempos de Libelu: “Se estamos todos juntos/ contra quem vamos lutar?”.

12: Trata-se de um texto infeliz e oportunista.

13: Estes que hoje lideram esse protesto estiveram com o PT nas eleições recentes (no primeiro, no segundo ou nos dois turnos). E voltarão à nave-mãe quando a eleição virar “isso ou aquilo”.

14: Mais: confundem-se duas realidades distintas, fenômenos diferentes, mas combinados: os que protestam contra o uso de dinheiro público na Copa do Mundo não têm a mesma origem e a mesma motivação do Passe Livre e associados.

15: Essa mensagem, atribuída a FHC, explica por que, sem a força do Real, os tucanos perderam três eleições seguidas — e podem perder mais 10 (sempre dependerá da fadiga de material do petismo): o partido tenta disputar com o PT um eleitorado que jamais será deles, ignorando aquele que jamais será petista. Ao agir assim, o PSDB não gera valores de resistência à ordem vigente nem estabelece vínculos fortes com seu eleitorado.

16: Pior: na forma como aparece a mensagem, ela acaba resultando meio hostil ao governo Geraldo Alckmin, a quem coube e cabe manter a ordem na cidade.

17: Finalizo lembrando que ninguém precisa justificar eventuais excessos da polícia. Mas cumpre lembrar que a democracia é o regime em que nem tudo é permitido. Só nas ditaduras o único limite é não haver limites.

Para encerrar: “Pô, você já falou tão bem de FHC aqui…” Já! E o farei de novo sempre que achar necessário e merecido. Mas eu não tenho compromisso com o equívoco de ninguém. Nesse e em outros casos, discordo do ex-presidente e deixo isso claro. Se eu fosse militante partidário, sentir-me-ia impelido a justificar as considerações do “líder”. Ocorre que, por mais que os detratores tentem me impor essa pecha, eu não tenho partido. Tenho valores, convicções, crenças etc., que não estão, no seu conjunto, representados por nenhuma legenda — muito menos pelo PSDB. Quando o petismo faz a coisa certa — e raro, mas acontece —, aplaudo. Se um homem admirável como FHC diz — ou assina — a coisa errada, só me resta dizer “não”. Esse é um compromisso com os leitores deste blog, tanto com os que gostam da página como com os que a odeiam.

Por Reinaldo Azevedo

01/05/2013

às 18:17

Leitora está inconformada com as críticas que fiz a FHC. Então falemos a respeito

Sou um crítico duro das opiniões de Fernando Henrique Cardoso sobre a descriminação das drogas. Recebo da leitora Ana de Almeida (o comentário está publicado) a seguinte mensagem. Leiam. Volto em seguida.

“Você também não precisa demonizar o Fernando Henrique por causa dessa questão. Esqueceu que ele é sociólogo? Pode ser que ele esteja errado nessa tese, mas não creio que ele tenha más intenções para com o país que ele tirou do atoleiro. Você está jogando no lixo a história política do Fernando Henrique por causa de um único tema.”

Voltei
Errado, minha cara Ana! Não estou jogando nada no lixo. No tempo em que FHC tinha virado quase um anátema na imprensa — e se falava alegre, gostosa e bucefalamente sobre a suposta herança maldita de seu governo ou sobre a “privataria” —, fui das poucas, bem poucas!, vozes a sair em sua defesa. E defendo ainda. E, por aqueles mesmos motivos e critérios, eu o defenderia e, se for o caso, defenderei de novo. É matéria de convicção. É matéria de fato.

Mas eu não pertenço a partido político nenhum. Também não sou adorador ou adulador de biografias por princípio. A melhor definição sobre o meu texto, acho, foi dada pelo crítico e poeta Nelson Ascher: se gosto, digo, sim; se não, então não! E pouco me importa quem está do outro lado do “sim” e do “não”. Se, ao longo da minha carreira de jornalista, mais falei bem de FHC do que mal; mais elogiei do que critiquei, é porque mais concordei com ele do que discordei dele. Não porque ele era ele, mas porque as ideias e as práticas eram aquelas.

Há mais: o equívoco de um homem inteligente é, considero, sempre mais grave do que o de um homem estúpido. As opiniões de FHC sobre as drogas são, a meu ver, desinformadas, rasas, antiquadas (com um certo sabor dos anos 1960) e não resistem a um confronto com os fatos e com a lógica. As dele e as dos que pensam como ele. E é sobre isso que tenho escrito.

Há, por exemplo, pessoas na tal Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia por quem tenho genuína admiração. Há gente lá com quem mantive — e, suponho, possa manter ainda — conversas amistosas e fraternas. Mas ninguém exigiria de mim, porque não obteria, um “sim” àquilo que deve, segundo o meu juízo, merecer um “não”.

FHC está entre aqueles que estão ajudando a demonizar o deputado Osmar Terra (PMDB-RS) por ter apresentado um projeto que endurece a lei de combate às drogas. Terra está sendo massacrado sem direito de defesa. Sempre que isso acontece, eu tendo a me solidarizar com quem está sendo alvo do achincalhe. Como me solidarizei com FHC no passado.

FHC talvez já seja o governante mais injustiçado do Brasil pela máquina de sujar reputações do petismo. Cobro dele que não ajude a fazer com um deputado o que a engrenagem petista fez com ele.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2013

às 22:06

Lula para a Academia Brasileira de Letras, pela obra de ficção, e também para a Academia Brasileira de Ciências

Xiii…

Agora o bicho vai pegar. Ou o PT mobiliza os seus simpatizantes para promover um quebra-quebra na Academia Brasileira de Letras, ou é grande a chance de FHC, candidato à cadeira nº 36, ser eleito. Essa cadeira diz alguma coisa de mais perto a este escriba. João de Scantimburgo, que morreu na sexta-feira, era de Dois Córregos. Onde fica? Procurem ali pelo centro do estado de São Paulo — todo o resto é periferia, não sei se me fiz entender, hehe.

E agora? FHC vai ter uma honraria que Lula não pode ambicionar… Em tese ao menos. Se a Academia busca distinguir a produção intelectual, literária ou não, poucos são tão merecedores da láurea como FHC, não é?, goste-se ou não do seu pensamento. A sua carreira política acabou deitando uma sombra na obra do intelectual.

Todo mundo que está lá ou que passou por lá merecia a distinção? Vamos ser francos: nem todos honraram ou honram Machado de Assis. Se a academia, no entanto, só distinguir os bons, acabará sendo um bom lugar.

Alguém conte a Lula, por favor, que é a obra de FHC que o autoriza a sentar lá, não a condição de ex-presidente. Como Sarney também é acadêmico, o Apedeuta pode começar a ter ideias.

Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é candidato a ocupar a cadeira de número 36 da Academia Brasileira de Letras, que ficou vaga em virtude da morte do jornalista João de Scantimburgo, na última sexta-feira. A formalização da candidatura foi feita na tarde desta quarta-feira, após a sessão da saudade em homenagem a Scantimburgo, que se encerrou por volta das 17 horas.

O acadêmico Celso Lafer levou de São Paulo a carta formalizando a candidatura de FHC. O secretário geral da academia, Geraldo Holanda Cavalcanti, no exercício da presidência da ABL, determinou à secretaria que considere oficialmente inscrito ex-presidente.

Conforme adiantou a coluna Radar on-line, de Lauro Jardim, a candidatura de FHC partiu de um convite feito por José Sarney, que levou o assuntos para análise dos demais acadêmicos. O ex-presidente já teria garantidos os votos de Eduardo Portellaos, Celso Lafer, Paulo Coelho, Merval Pereira, Geraldo Hollanda Cavalcanti, Antônio Carlos Secchin, Sergio Paulo Rouanet, Alberto da Costa e Silva, Sábato Magaldi, Hélio Jaguaribe, Marcos Villaça e José Murillo de Carvalho.

Voltei
Se bem que estou cá a pensar. Se é a obra do sociólogo FHC que o habilita a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, não merecerá também Lula a distinção por sua obra de ficção? Nunca antes na história destepaiz alguém inventou tantas histórias, não é mesmo? E imaginação não falta. Por esta intervenção (ver vídeos), ele deveria integrar também a Academia Brasileira de Ciências. Há dois vídeos: Lula por Lula e Lula por mim mesmo, hehe.

 


Por Reinaldo Azevedo

27/02/2013

às 7:29

Delacroix resolve pintar Lula: A Ignorância Guiando o Povo! Ou: O dia em que o Apedeuta e Collor mandaram seus adversários “calar a boca”

“Elite”, como grupo social a ser vencido, não é um conceito marxista. É só um chavão petista. E o petismo é uma derivação tardia, oportunista e rebaixada da teoria revolucionária. Já escrevi muito a respeito. Do bolchevismo, o PT herdou apenas a tara autoritária, que pode ser aplicada, e eles estão tentando, também num regime capitalista. “E se herdasse tudo? Seria melhor?” É claro que não! Mas isso seria impossível. O socialismo como alternativa econômica acabou, morreu. Restaram o amor pela ditadura e esses idiotas que saem por aí ameaçando desafetos nas ruas com sua mordida hidrófoba. Mas volto ao ponto.

Lula está cumprindo ao menos uma de suas promessas mirabolantes: acabar com a elite brasileira — com qualquer uma, em qualquer área. Está em curso uma evidente marcha do emburrecimento, da qual, nem poderia ser diferente, ele é o líder. Eu o imagino no quadro de Delacroix em lugar da Liberdade, que carrega uma bandeira, com os seios nus. Título: A Ignorância Guiando o Povo. O rebaixamento a que esse sujeito submete a política e a sua contribuição à deseducação democrática ainda não mereceram a devida atenção científica — dos cientistas sociais; daquela parcela que ainda resiste à ditadura intelectual do partido. Por que isso tudo?

Nesta terça, tivemos um dia realmente exemplar do espírito do tempo. As personagens de destaque foram o próprio Lula e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Vamos ver.

Numa manobra vexaminosa — contando com a pressurosa ajuda de seu aliado petista Tião Viana (AC), que presidia a Mesa —, Collor conseguiu aprovar, na quinta-feira passada, um requerimento para que o TCU investigue a compra de 1.200 iPads feita pela Procuradoria-Geral da República. O alvo, mais uma vez, é Roberto Gurgel. O impichado tenta vingar-se do procurador-geral, de quem é desafeto, fazendo a vontade também do PT, para quem opera hoje quando não está cuidando exclusivamente de questões pessoais ou paroquiais.

Em 1992, como todos sabem ou se lembram, os petistas ajudaram a incendiar o país contra “o caçador de marajás”, que não resistiu. Hoje, são companheiros de jornada, parceiros, amigos. Quem mudou? Nem um nem outro. Ambos seguem sendo o que sempre foram.

Pois bem. Gurgel, acusado por Collor, fez o óbvio: defendeu-se. Chamou de risíveis as suspeitas. E como reagiu aquele senhor que dava murros no peito na década de 90 e dizia ter “aquilo roxo”? Ora, saiu ofendendo e vociferando, como é de seu feitio. Arrancou a pistola retórica, que traz sempre na cinta — não deixa de ser um avanço moral no seu caso —, e disparou:
“Ele [Gurgel] tem que calar a boca. Ele e a sua trupe corporativista de êmulos [rivais]. Agora é o Senado que quer saber de tudo. Por isso, cale a boca e espere o TCU dar a palavra final. Só ele é capaz de dizer se o senhor prevaricou ou não. Se cometeu mais um ilícito a acrescentar ao seu portfólio criminoso”.

Collor é valentão assim porque tem a imunidade parlamentar. Age como um pivete inimputável, que traz de cor e salteado trechos do Estatuto da Criança e do Adolescente para cometer crimes impunemente. É, nesse caso, um pivete ético. Quais são os crimes, afinal, do procurador-geral da República? Que seja Collor a se comportar como o seu Catão, eis uma ironia macabra. Esse é mais um dos vampiros do republicanismo aos quais o PT garantiu farto suprimento de sangue. Por quê? Porque quiseram as circunstâncias históricas e políticas, não sem a colaboração de setores da oposição e, sim!, da imprensa, que o velho e o novo patrimonialismos se estreitassem, como disse o poeta, “num abraço insano”.

No mesmo dia, a mesma fala!
Collor não foi o único a mandar um desafeto calar a boca. Nesta mesma terça, referindo-se ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula afirmou:

“Eu acho que o Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto. O que ele deveria fazer é contribuir para a Dilma continuar a governar o Brasil bem, ou seja, deixa ela trabalhar.

Então ficamos assim: o PT lança um livreto eivado de mentiras sobre o governo do antecessor, e Lula acha que ao agredido não cabe nem mesmo o direito de defesa. Notem: para ele, FHC deveria “no mínimo, ficar quieto”. Ou por outra: essa é a menor das coisas que ele espera do antecessor: o silêncio obsequioso. Imagino a noção que deve ter do “máximo”. Mais: o presidente de honra do partido de oposição, segundo o Apedeuta, tem é de “contribuir” com o governo. Claro! É o que Lula sempre fez quando estava na oposição, certo? Impressionante!

Impressionante, mas não inesperado. Se há alguém “nestepaiz” que tem defendido, ao longo dos anos, que a oposição diga a que veio, este alguém é este escriba. Mas me parece evidente que os tucanos cometeram um erro e morderam a isca ao responder ao embate de caráter eleitoral proposto por Lula desde agora. Esse é o ambiente do Apedeuta. Fica mais feliz do que pinto no lixo. Pode sair por aí, distribuindo suas caneladas e rearranjando precocemente as forças governistas (ver post a respeito). As ineficiências do governo perderam lugar no noticiário para o embate eleitoreiro com quase dois anos de antecedência. Quem ganha com isso? Não é o povo!

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2013

às 7:17

PSDB: O que começa errado vai se alimentando do erro para que os errados continuem ainda mais convictos

Não adianta! O que começa errado vai se alimentando do erro para que os errados continuem ainda mais convictos. Há, no PSDB, os que estão descontentes com a antecipação da campanha eleitoral, minueto que os lulistas e os tucanos decidiram dançar. Os jornalistas caracterizam esses descontentes como “aliados de Serra”… Ah, bom! Se são aliados de Serra, então é isso mesmo o que se espera deles? Setores do partido — jornalistas nunca fazem essas coisas sozinhos — continuam a ver virtudes nesse negócio de “Serra X Aécio”. Os tucanos sempre foram excelentes na intriga interna. Combater o adversário é que tem sido mais difícil.

Poucos se dão conta de que há situações verdadeiramente surrealistas em curso no PSDB. Leio no Estadão que já está tudo decidido: o partido decidiu antecipar do dia 25 para o dia 19 de maio a convenção que vai, segundo o jornal, escolher Aécio Neves presidente do partido. Assim os tucanos poderão usar imagens da convenção no programa eleitoral do partido, que vai ao ar no fim de maio.

Lê-se o noticiário e se verifica que isso tudo foi decidido, por exemplo, sem a participação ativa do novo líder do partido no Senado, Aloysio Nunes (SP). O líder anterior, reconhecido por amplas camadas do eleitorado oposicionista como um “autêntico” (e por bons motivos), Álvaro Dias (PR), foi completamente alijado das instâncias decisórias do partido. O próprio governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse, não faz tempo, que considerava precipitado tratar do assunto agora. E daí? Por que alguém daria bola a um Álvaro Dias ou a tucanos de São Paulo, estado governado pelo PSDB há 18 anos — 20 em 2014?

O avô de Aécio, Tancredo Neves, dizia que reuniões serviam apenas para referendar o  que já tinha sido combinado ao pé do ouvido, em conversas de coxia. O PSDB está esquecendo de fazer as devidas combinações. E, desta feita, FHC está colaborando para o atropelo. Lula jamais o esqueceu, mas me parece que ele também anda com certa vontade de emular com aquele que se quer o seu antípoda. Tudo caminha, e isso é óbvio, para que Aécio seja o candidato, a menos que ele não queira. Mas será mesmo esse o melhor procedimento para referendar o que já está certo? Mais: é uma boa ideia conciliar a presidência do partido com a condição de candidato oficioso?

Num momento em que os tucanos — e as oposições — precisam reunir forças, e isso é mais do que um clichê, há um risco razoável de revoada de algumas lideranças. Sinceramente, torço para que não aconteça porque não existe democracia de partido único. O que não parece razoável é que nove anos de quase letargia resultem agora num atropelo buliçoso, que mais divide do que soma. Quem viver verá.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2013

às 0:16

A mais recente grosseria de Lula: “FHC deveria ficar quieto”

Leiam o que vai na VEJA.com. Comentarei depois:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não mediu as palavras ao rebater as críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que na segunda-feira havia chamado a presidente Dilma Rousseff de “ingrata”.

“Eu acho que o Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto”, disse Lula, em São Paulo. “O que ele deveria fazer é contribuir para a Dilma continuar a governar o Brasil bem, ou seja, deixa ela trabalhar. Ela sabe o que faz. Não é todo dia que o País elege uma mulher presidente”, afirmou o petista.

Sobre uma possível candidatura do senador Lindbergh Faria (PT-RJ) à sucessão do governador Sérgio Cabral (PMDB), Lula desconversou. “Gente, como é que eu vou saber? Eu não acompanho nem a política do Estado de São Paulo. Eu, depois que deixei a Presidência, parei de acompanhar a política”, disse.

FHC x PT – A guerra verbal entre os ex-presidentes, que envolveu ainda a presidente Dilma Rousseff, começou há uma semana, quando o PT divulgou uma cartilha que celebrava os dez anos do PT no comando da Presidência. O texto, que continha exageros e omissões, traçava um retrato totalmente favorável ao governo petista e desdenhava da administração tucana (1995-2002).

Em 19 de fevereiro, Fernando Henrique reagiu, e disse que a postura do PT era “coisa de criança” e uma “picuinha”. No dia seguinte, foi a vez de Lula e Dilma atacarem novamente o ex-presidente tucano e seu partido durante o evento oficial que celebrava os dez anos do PT no poder. Lula disse que  “nós [do PT] não temos medo da comparação, inclusive no debate da corrupção”. Já Dilma afirmou que o PT não herdou nada do governo anterior. “Nós construímos”.

Na segunda-feira, foi a vez de Fernando Henrique reagir quando questionado sobre os ataques de Dilma e Lula. “O que a gente pode fazer quando a pessoa é ingrata? Nada. Cospe no prato em que comeu”, disse Fernando Henrique, ao ser questionado sobre o discurso de Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2013

às 22:30

FHC: Dilma é “ingrata”, e PT “usurpou” projeto tucano

Leiam o que vai na VEJA.com. Ainda voltarei a este tema, claro.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta segunda-feira que a presidente Dilma Rousseff é “ingrata” e que o PT “usurpou” o projeto tucano de governo. A declaração é uma resposta à recente afirmação de Dilma de que o governo petista, iniciado com Luiz Inácio Lula da Silva, “não herdou nada” da gestão tucana. “O que a gente pode fazer quando a pessoa é ingrata? Nada. Cospe no prato em que comeu”, disse Fernando Henrique, ao ser questionado sobre o discurso de Dilma, feito no palanque montado para celebrar dez anos da chegada do PT ao Planalto.

O ex-presidente afirmou que o PT “usurpou” o projeto tucano que começou a ser implantado em seus mandatos. “O que aconteceu no Brasil foi usurpação de projeto. Só que como ele é usurpado, não se faz direito. Vai e vem, recua. Não tem coragem de dizer que vai privatizar”, disse o tucano. “Eles [os petistas] tinham duas grandes metas. Uma ligada ao socialismo e outra à ética. De socialismo nunca mais ninguém falou. E ética, meu Deus, não sou eu quem vai falar a respeito do que está acontecendo no Brasil”, completou.

As declarações foram feitas em um evento promovido pelo PSDB mineiro, em Belo Horizonte. Intitulado “Minas Pensa o Brasil”, o evento é considerado o lançamento da candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência em 2014. Ao lado do parlamentar, FHC afirmou que “não é necessário” lançar a candidatura, mas adiantou que ela está sendo “construída”. “Quanto ao que penso do senador Aécio, é conhecido”, disse o ex-presidente, que em dezembro já havia defendido o nome do mineiro para a corrida presidencial.

Na semana passada, FHC já havia chamado de picuinha e “coisa de criança” as críticas que o PT havia feito ao seu antigo governo – desta vez por meio de uma cartilha que compara os últimos dez anos de Lula e Dilma Rousseff à frente da Presidência com a gestão tucana (1995 e 2002).

Candidatura – Aécio Neves evitou falar sobre a própria candidatura, mas respondeu bem humorado sobre as declarações de Ciro Gomes, de que o mineiro e os demais possíveis candidatos à eleição presidencial de 2014 “não têm nenhuma proposta para o Brasil”. “Ciro tem seu estilo e obviamente não vou polemizar com ele. Estou até com saudade das boas conversas que nós tínhamos no passado”, disse Aécio. “Se tiver oportunidade, vou convidá-lo para uma conversa. Talvez ele se surpreenda com o conjunto de boas ideias que temos para o Brasil, como tínhamos no passado”, completou.

O senador também preferiu não se estender sobre a possibilidade de o Ministério Público Estadual (MPE) de Minas reabrir investigação sobre repasses de recursos durante sua gestão no Executivo mineiro à Rádio Arco Íris, que tem como sócios o próprio Aécio e sua irmã Andrea Neves. O caso deve ser decidido nesta terça-feira pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). “Não sou a melhor pessoa para falar dessa questão. Conheço muito pouco disso. Mas acho que as explicações já foram dadas”, resumiu.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2012

às 16:38

As bobagens autoritárias de Gilberto Carvalho e a resposta de FHC: quase chega ao ponto!

Leiam esta declaração:
“Tenho 81 anos, mas tenho memória. Este senhor precisa pelo menos respeitar o passado, até o dele, para não continuar dizendo coisas levianas. Estou cansado de ouvir leviandades de quem está no governo. Aproveita posição do governo para jogar pedra no passado. Herança maldita está ai, recebida pela presidente Dilma”.

É uma reação, quase inteiramente correta, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a uma porção de bobagens ditas pelo espião de Lula no governo federal, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e segundo homem mais poderoso no partido, depois do próprio Barbalorixá. Os dois estavam em seminários. FHC fez essa declaração no início de um seminário que o PSDB promove em Brasília sobre as eleições municipais.

Por que a fala de FHC é QUASE inteiramente correta? Já chego lá. Vamos ao que afirmou Carvalho, segundo a Folha, para ter provocado uma reação mais dura do ex-presidente – alguns tons acima da entrevista ruim que concedeu à Folha.

Disse o chefão petista:
“Os órgãos todos de vigilância, fiscalização, estão autorizados e com toda liberdade garantida pelo governo. Eu quero insistir nisto: não é uma autonomia que nasceu do nada, porque, antes, não havia essa autonomia. Nos governos Fernando Henrique, não havia autonomia; agora há autonomia, inclusive quando cortam na nossa própria carne (…)”Antes havia engavetador geral da República. Com o presidente Lula nós começamos a ter um procurador com toda liberdade”.

Estupidez
Carvalho confunde a República com uma monarquia absolutista. Não é o “governo que garante” a autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público, mas a lei. O secretário-geral da Presidência pretende transformar numa generosidade do lulo-petismo aquilo que a Constituição nos assegura. É uma piada! Quanto ao passado, notem que ele se refere especificamente ao governo FHC. Certamente nas gestões dos agora aliados Collor e Sarney, a República andava nos eixos, certo?

É impressionante que um ministro de estado, que exerce um dos cargos mais importantes da República, se dê a tal desfrute, especialmente quando se descobre um cancro corruptor no coração do governo. Tanto mais constrangedor quando o caso envolve alcovistas, alcoviteiros, alcovitagem, alcovetas, alcovetos… O PT tanto respeitou a autonomia do procurador-geral da República que tentou destruir a sua reputação com uma CPI, que é um instrumento de Estado, já que se trata trata de prerrogativa de um Poder: o Legislativo.

A reação de FHC
A reação do ex-presidente foi mais contundente do que a sua entrevista meio boba à Folha (ver post a respeito), mas ainda está eivada de senões e considerandos, que se combinam com a dificuldade que tem o PSDB de fazer oposição. Voltemos a dois trechos de sua resposta:
“(…) Este senhor precisa pelo menos respeitar o passado, até o dele, para não continuar dizendo coisas levianas (…). Herança maldita está ai, recebida pela presidente Dilma”.

Duas coisas
Que “passado” respeitável tem Gilberto Carvalho, que o próprio petista deveria ter honrado agora? Ter sido braço-direito de Celso Daniel? Que herança Dilma terá recebido que não tenha ajudado a construir, de sorte que o governo que tem também é fruto do governo ao qual serviu como “gerenta”?

O PSDB precisa começar por redescobrir o vocabulário da oposição. Se vai ganhar eleição, eu não sei. Mas ao menos se diz a coisa certa. É melhor do que perder dizendo a coisa errada.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2012

às 8:05

Entrevista de FHC é mais um sintoma de que o PSDB está perdido e de que pode não ser mais alternativa de poder

A Folha publica nesta segunda uma entrevista concedida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a Fernando Rodrigues. Reputo o tucano, todo mundo sabe, o governante mais importante do Brasil em muitas décadas. Em razão de valores que nem são os dele, mas são os meus, ele ocupa um lugar superior na minha galeria ao de Getúlio Vargas. Não aplaudo políticos que põem o país em risco quando matam ou quando se matam. Não tolero nem ditadores nem mártires porque as instituições sempre pagam o pato. O grande valor de FHC foi ter deixado instituições melhores do que encontrou. E há, claro!, o Plano Real, que teria naufragado sem a sua habilidade política.

Não gosto da obra de alguns políticos, mas gosto de sua visão de futuro e de suas prefigurações. De FHC, prefiro a obra. Ainda que seja notavelmente inteligente – e é, como poucos –, acho que erra bastante quando faz análise de conjuntura e quando pensa os próximos passos da oposição. É um erro pessoal que reflete as indecisões e indefinições do seu partido, o PSDB. Vai aqui uma constatação e uma mirada de futuro: ou esse partido se dá conta das suas dificuldades e de seus erros (que não são, a meu ver, os que ele aponta) e cria um fato político novo – QUAL??? –-, que corresponda uma real mudança interna, ou as coisas ficarão muito difíceis.

Deu-se de barato, até as eleições presidenciais de 2010, que é o PSDB a alternativa de poder ao PT. Não são poucos os que consideram, e essa questão começa a tomar corpo também para mim, que a chance de o PT ser apeado do poder está não numa candidatura tucana, mas num racha do bloco hoje governista. E a entrevista de FHC explica por que, a cada dia, menos gente aposta que os tucanos terão condições de desalojar os petistas do poder. Comento em azul alguns trechos de sua entrevista, que seguem em vermelho. No fim, volto para arrematar.

Folha/UOL – A crise econômico-financeira internacional colocou na defensiva as ideias liberais. Essa onda muda a abordagem de partidos como o PSDB?
Fernando Henrique Cardoso
 - Os que estão no governo passaram a ter uma espécie de perdão para utilizar recursos públicos para reativar a economia.

O PSDB nunca foi um partido que tivesse muito amor pelo mercado. Como todos os partidos brasileiros, as pessoas gostam mesmo é de governo, é de Estado. Isso desde Portugal, da Península Ibérica. O grande ator, querido, é o governo.
Estamos de volta a “Os Donos do Poder”, de Raymundo Faoro, e a “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda. O “amor” dos brasileiros pelo estado teria sido herdado. É inegável, mas incompleto. Acho que FHC deveria ter sido mais explícito, deixando claro que os tucanos nunca foram (e aqui digo eu: infelizmente!) liberais. Nem ele próprio. A privatização de algumas estatais nunca significou opção pelo neoliberalismo. O ex-presidente perdeu a chance de apontar a grande fraude intelectual petista. Cumpria destacar ainda as privatizações recentemente feitas por Dilma, não é? São diferentes daquelas do passado num única aspecto: o improviso.
(…)
O PSDB nasceu de centro-esquerda. Em eleições recentes, abordou temas morais e religiosos. Deslocou-se para a centro-direita. Por quê?
Por engano eleitoral. Esses temas são delicados. Acho que você tem que manter a convicção. Você pode ganhar, pode perder. Em termos de comportamento e de valores morais, o PSDB tem que se manter progressista. Quando não se mantém, não tem o meu apoio. Eu não vou nessa direção.

Há vários equívocos aí, a começar da pergunta. Se eu pedir a Fernando Rodrigues que aponte uma só peça de propaganda eleitoral do PSDB que toque nos tais problemas morais e religiosos, ele não conseguirá apontar. Não existe. Em 2010 e neste 2012, quem primeiro se ocupou dessas questões, e de maneira preventiva, foi o PT. Isso é apenas um fato. A tática é quase infantil, mas dá certo, como se nota.
FHC endossa a inverdade e segue adiante com esta formulação que dá pano pra manga: “Em termos de comportamento e de valores morais, o PSDB tem que se manter progressista”. É mesmo? E em que o partido poderia ser, sei lá, “conservador”? Em economia?
O ex-presidente não se dá conta de que tenta a quadratura do círculo – ele e os tucanos todos. Foi Dilma quem primeiro levou a questão do aborto para a disputa em 2010. Foi Fernando Haddad quem primeiro levou a questão do kit gay para a eleição neste 2012. O ERRO DO PSDB, NOS DOIS CASOS, FOI TER FUGIDO DO DEBATE.
Questões chamadas nesta entrevista de “morais e religiosas” são tema de disputa eleitoral em todo o mundo democrático – ou será que minto, presidente? E jamais ocorreria a alguém tentar deslegitimá-las. Uma das perdições dos tucanos está, justamente, em tentar fazer um campeonato de “progressismo” com o PT.

O sr. tem dito que o PSDB tem que se aproximar mais “do povo”. Como fará isso?
Os partidos, por causa de uma mudança tão rápida no Brasil, ainda continuam com uma visão de sociedade anterior à atual. A atual é essa do UOL, da pessoa que fica aí navegando o tempo todo, que tem informação fragmentada. Minha tese é a seguinte: é preciso ouvir. Não é pregar. É ouvir. É reconectar com o que está acontecendo com o país.

Não entendi nada! Na entrevista, o ex-presidente cita até a novela Avenida Brasil, a tal nova classe média, o Elio Gaspari, o andar de baixo, o andar de cima… Fiquei com a impressão de que o ex-presidente está tateando a escuridão.
(…)
Como é a capacidade gerencial do atual governo?
Alguém me perguntou a respeito de o PIB ter crescido pouco: ‘Isso quer dizer que a presidente Dilma é má administradora?’. Não. O PIB cresceu pouco por mil razões. O erro, que eu acho que houve, é que o governo se colou ao PIB. Não precisava. Não acho que se deva colar na presidente Dilma [a queda do PIB]. Ela é que pode se colar nisso. Aí fica mal para ela.

Como se cantaria em Avenida Brasil, “Oi, oi, oi…” Se vocês notarem bem, FHC fala como conselheiro de Dilma, não como representante da oposição. Nem mesmo admite que ela é uma má administradora. Bem, se não é, então tudo bem! Trocar pra quê? Na sequência, o entrevistador indaga se a crítica à incompetência gerencial do governo é um bom discurso para a oposição. FHC responde: “A governança está falha. Mas campanha é outra coisa. Isso [falar da governança] pega quem? Por enquanto, não pega o povo.”
(…)

O sr. conviveu com alguns dos réus que foram condenados no mensalão. José Genoino, José Dirceu. O que o sr. achou dessas condenações?
Eles não foram condenados pelo que eles são. Mas pelo que eles fizeram. Uma coisa é você ser um bom homem. De repente, eu fico com raiva, dei um tiro e matei alguém. O que eu vou fazer? Vou para a cadeia.

Nunca vi nada do Genoino. É uma pessoa bastante razoável. O José Dirceu é um quadro. Eu respeito as pessoas que têm qualidade de quadro. Acho um episódio triste. Porque essa gente ajudou muito o Brasil no passado.
Taí! Dirceu estava esculhambando FHC ontem em seu site, mandando, na prática, o tucano ficar calado. Notem: nessa resposta e naquela sobre costumes e religião, quem fala é sociólogo que já foi de esquerda e que, em muitos aspectos, continua a sê-lo, ainda que os anos de governo o tenham empurrado para o pragmatismo. Dirceu e Genoino movem campanhas públicas contra o STF, como todo mundo sabe. O que quer dizer o trecho “José Dirceu é um quadro, e eu respeito pessoas que têm qualidades de quadro?” É próprio de um quadro se reunir com autoridades do governo em quartos de hotel? É próprio de um quadro articular uma CPI para perseguir jornalistas e o procurador-geral da República?

O PSDB está com o discurso afinado para 2014?
Não. Falta o que na esquerda costuma-se dizer “fazer a autocrítica”.

***Xiii, Marquim!!! Autocrítica? Talvez falte. Mas falta mesmo é fazer oposição. O PSDB entrou em greve em 2005, quando decidiu recuar e não articular o impeachment de Lula – estratégia que contou com o apoio de FHC – e não voltou mais ao trabalho.

(…)
Aécio deveria acelerar a busca do discurso? Está na hora?
Acho. [Deve] assumir mais publicamente posições. Falar, fazer conferência, viajar. Nossos políticos precisam voltar a tomar partido em bola dividida. A busca das coisas consensuais mata a política. E mesmo se for o caso de ser candidato, que diga que é. Acho que ele deve assumir.

Pois é… Com isso, concordo. Se Aécio será o candidato, tem de ir já à luta já. Com efeito, “a busca das coisas consensuais mata a política”, mas o que vi nessa entrevista foi um FHC em busca das… coisas consensuais!!!

Cadê a polarização?
Em praticamente todas as democracias do mundo, tem-se, na prática, o bipartidarismo. “Progressistas” disputam as eleições com “conservadores”, em confrontos realmente  polarizados. Também o Brasil da redemocratização foi assim. Se o PSDB, em 1994 e 1998, não vestia o figurino conservador – ainda que contasse com o apoio do então PFL –, o PT se encarregava de falar a língua das esquerdas, e o confronto seguia, vamos dizer, o molde corriqueiro dos demais regimes democráticos.

A partir de 2002 (e com mais ênfase de 2006 para cá), o petismo renunciou à cascata socialista, associou o estado às demandas do grande capital – daí que seja hoje o preferido dos potentados da indústria e da área financeira – e acelerou os tais “programas sociais”, que se transformaram em verdadeiras máquinas caça-votos. Atenção! Não há grande novidade nisso, não! Os partidos ditos “progressistas” fazem escolhas semelhantes no mundo inteiro. A rigor, poderíamos dizer que o próprio PT jogou a pá de cal naquele antigo partido de esquerda!

A jabuticaba brasileira é outra. O “partido progressista” está aí. Mas pergunto: onde está o partido conservador? A entrevista de FHC deixa claro, mais uma vez, que não é e que não será o PSDB. Existem conservadores no Chile, na França, na Alemanha, no Reino Unido, nos EUA, na Colômbia, na Índia… Até na Venezuela, no Equador e na Bolívia eles disputam eleições – por enquanto… No Brasil, todo mundo, inclusive o PSDB, é, como se nota, “progressista”… No Brasil, até Paulo Maluf canta “Lu-lá; Lu-lá” em festas do PT!

Caminhando para a conclusão
A quem fala o PSDB e em nome de quais valores? Hoje, pensando no partido em escala nacional, não dá para saber. Eis um erro brutal de FHC: a maioria da população brasileira, em costumes, é conservadora. Se um dos principais formuladores dos tucanos acredita que se deve fugir desse debate como o diabo, da Cruz, então esqueçam. Os republicanos chegaram perto, sim, de fazer de Barack Obama um dos poucos presidentes da história americana a não ser reeleito – a chance de um republicano suceder o democrata é gigantesca. Por lá, conservadores falam com clareza.

A inexistência de uma alternativa conservadora no Brasil – infelizmente, o PSDB ocupa esse lugar estrutural, mas que não lhe pertence – está começando a pôr em risco a própria ideia de alternância de poder. É claro que é ruim para a democracia. Até porque o PT não é mais socialista, mas está longe de ter se convertido à democracia, como estamos cansados de saber.

Conclusão
A única chance de o PSDB se tornar viável eleitoralmente, com Aécio Neves ou outro qualquer, é mandar uma mensagem nova ao eleitorado brasileiro. Que novidade seria essa? Entendo que ela deveria ter dois pilares: a) o primeiro é a efetiva unidade, o que não se tem, é evidente, desde 2002; quais autores se apresentam para construí-la?; b) o segundo pilar é a crítica organizada, estruturada e clara às disfunções do modelo petista de gestão. Sem o primeiro, não se tem o segundo; sem o segundo, pra que o primeiro? Eu me atreveria a sugerir ainda um terceiro, com chances reduzidíssimas de ser erigido: c) o PSDB não deveria ter medo dos eleitores conservadores, mas tem. Afinal, como é mesmo?, os tucanos “têm que se manter progressistas”…

texto publicado originalmente às 5h37
Por Reinaldo Azevedo

29/11/2012

às 16:13

Kassab fez aliança com PT antes mesmo da eleição, diz FHC

Por Daniela Lima, na Folha:
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse na manhã desta quinta-feira que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) havia se aliado ao PT em São Paulo antes mesmo do resultado das eleições, em outubro. Kassab apoiou José Serra (PSDB) durante a disputa, mas no dia seguinte a sua derrota para Fernando Haddad (PT), iniciou a aproximação com o petista. “Eu não posso concordar com isso, mal termina a campanha vai se aliar com o outro. Na verdade é que ele [Kassab] já tinha se aliado antes. Acho que aí foi o PSDB que calculou mal”, disse FHC, após dar uma palestra a prefeitos eleitos do PSDB de São Paulo.

Durante seu discurso, o ex-presidente criticou o que chamou de “alianças tortas” durante o período eleitoral. Depois, disse que não vale tudo para acumular tempo de propaganda na TV nas eleições. FHC não foi o único a criticar Kassab. O presidente estadual do PSDB paulista, deputado Pedro Tobias, disse que o prefeito fez diversas exigências para fechar uma aliança com os tucanos em São Paulo e “assim que acabou a eleição, Kassab estava com o PT”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2012

às 19:43

Eduardo Campos elogia FHC após ser cortejado por tucanos

Por Fábio Guibu, na Folha:
O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, elogiou nesta segunda-feira (8) o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e disse que seu governo “deixou um legado que foi importante para o Brasil, inclusive para o êxito do governo Lula”.

O afago de Campos vem um dia depois de FHC defender a aproximação dos tucanos com os socialistas para as eleições de 2014 e após declarações no mesmo sentido feitas pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Cotado para a sucessão presidencial, o governador disse que os dois partidos têm posições divergentes no plano nacional, mas que isso não impede que o PSB reconheça o papel que o PSDB teve na vida pública nacional.

“Posso falar da estabilidade econômica, que houve avanços importantes na educação, como a universalização do acesso ao ensino, uma série de questões que, no calor da disputa, a velha política não permitiu que houvesse esse reconhecimento”, afirmou.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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