01/05/2013
às 18:17Leitora está inconformada com as críticas que fiz a FHC. Então falemos a respeito
Sou um crítico duro das opiniões de Fernando Henrique Cardoso sobre a descriminação das drogas. Recebo da leitora Ana de Almeida (o comentário está publicado) a seguinte mensagem. Leiam. Volto em seguida.
“Você também não precisa demonizar o Fernando Henrique por causa dessa questão. Esqueceu que ele é sociólogo? Pode ser que ele esteja errado nessa tese, mas não creio que ele tenha más intenções para com o país que ele tirou do atoleiro. Você está jogando no lixo a história política do Fernando Henrique por causa de um único tema.”
Voltei
Errado, minha cara Ana! Não estou jogando nada no lixo. No tempo em que FHC tinha virado quase um anátema na imprensa — e se falava alegre, gostosa e bucefalamente sobre a suposta herança maldita de seu governo ou sobre a “privataria” —, fui das poucas, bem poucas!, vozes a sair em sua defesa. E defendo ainda. E, por aqueles mesmos motivos e critérios, eu o defenderia e, se for o caso, defenderei de novo. É matéria de convicção. É matéria de fato.
Mas eu não pertenço a partido político nenhum. Também não sou adorador ou adulador de biografias por princípio. A melhor definição sobre o meu texto, acho, foi dada pelo crítico e poeta Nelson Ascher: se gosto, digo, sim; se não, então não! E pouco me importa quem está do outro lado do “sim” e do “não”. Se, ao longo da minha carreira de jornalista, mais falei bem de FHC do que mal; mais elogiei do que critiquei, é porque mais concordei com ele do que discordei dele. Não porque ele era ele, mas porque as ideias e as práticas eram aquelas.
Há mais: o equívoco de um homem inteligente é, considero, sempre mais grave do que o de um homem estúpido. As opiniões de FHC sobre as drogas são, a meu ver, desinformadas, rasas, antiquadas (com um certo sabor dos anos 1960) e não resistem a um confronto com os fatos e com a lógica. As dele e as dos que pensam como ele. E é sobre isso que tenho escrito.
Há, por exemplo, pessoas na tal Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia por quem tenho genuína admiração. Há gente lá com quem mantive — e, suponho, possa manter ainda — conversas amistosas e fraternas. Mas ninguém exigiria de mim, porque não obteria, um “sim” àquilo que deve, segundo o meu juízo, merecer um “não”.
FHC está entre aqueles que estão ajudando a demonizar o deputado Osmar Terra (PMDB-RS) por ter apresentado um projeto que endurece a lei de combate às drogas. Terra está sendo massacrado sem direito de defesa. Sempre que isso acontece, eu tendo a me solidarizar com quem está sendo alvo do achincalhe. Como me solidarizei com FHC no passado.
FHC talvez já seja o governante mais injustiçado do Brasil pela máquina de sujar reputações do petismo. Cobro dele que não ajude a fazer com um deputado o que a engrenagem petista fez com ele.
Tags: descriminação das drogas, FHC




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