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FHC

01/05/2013

às 18:17

Leitora está inconformada com as críticas que fiz a FHC. Então falemos a respeito

Sou um crítico duro das opiniões de Fernando Henrique Cardoso sobre a descriminação das drogas. Recebo da leitora Ana de Almeida (o comentário está publicado) a seguinte mensagem. Leiam. Volto em seguida.

“Você também não precisa demonizar o Fernando Henrique por causa dessa questão. Esqueceu que ele é sociólogo? Pode ser que ele esteja errado nessa tese, mas não creio que ele tenha más intenções para com o país que ele tirou do atoleiro. Você está jogando no lixo a história política do Fernando Henrique por causa de um único tema.”

Voltei
Errado, minha cara Ana! Não estou jogando nada no lixo. No tempo em que FHC tinha virado quase um anátema na imprensa — e se falava alegre, gostosa e bucefalamente sobre a suposta herança maldita de seu governo ou sobre a “privataria” —, fui das poucas, bem poucas!, vozes a sair em sua defesa. E defendo ainda. E, por aqueles mesmos motivos e critérios, eu o defenderia e, se for o caso, defenderei de novo. É matéria de convicção. É matéria de fato.

Mas eu não pertenço a partido político nenhum. Também não sou adorador ou adulador de biografias por princípio. A melhor definição sobre o meu texto, acho, foi dada pelo crítico e poeta Nelson Ascher: se gosto, digo, sim; se não, então não! E pouco me importa quem está do outro lado do “sim” e do “não”. Se, ao longo da minha carreira de jornalista, mais falei bem de FHC do que mal; mais elogiei do que critiquei, é porque mais concordei com ele do que discordei dele. Não porque ele era ele, mas porque as ideias e as práticas eram aquelas.

Há mais: o equívoco de um homem inteligente é, considero, sempre mais grave do que o de um homem estúpido. As opiniões de FHC sobre as drogas são, a meu ver, desinformadas, rasas, antiquadas (com um certo sabor dos anos 1960) e não resistem a um confronto com os fatos e com a lógica. As dele e as dos que pensam como ele. E é sobre isso que tenho escrito.

Há, por exemplo, pessoas na tal Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia por quem tenho genuína admiração. Há gente lá com quem mantive — e, suponho, possa manter ainda — conversas amistosas e fraternas. Mas ninguém exigiria de mim, porque não obteria, um “sim” àquilo que deve, segundo o meu juízo, merecer um “não”.

FHC está entre aqueles que estão ajudando a demonizar o deputado Osmar Terra (PMDB-RS) por ter apresentado um projeto que endurece a lei de combate às drogas. Terra está sendo massacrado sem direito de defesa. Sempre que isso acontece, eu tendo a me solidarizar com quem está sendo alvo do achincalhe. Como me solidarizei com FHC no passado.

FHC talvez já seja o governante mais injustiçado do Brasil pela máquina de sujar reputações do petismo. Cobro dele que não ajude a fazer com um deputado o que a engrenagem petista fez com ele.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2013

às 22:06

Lula para a Academia Brasileira de Letras, pela obra de ficção, e também para a Academia Brasileira de Ciências

Xiii…

Agora o bicho vai pegar. Ou o PT mobiliza os seus simpatizantes para promover um quebra-quebra na Academia Brasileira de Letras, ou é grande a chance de FHC, candidato à cadeira nº 36, ser eleito. Essa cadeira diz alguma coisa de mais perto a este escriba. João de Scantimburgo, que morreu na sexta-feira, era de Dois Córregos. Onde fica? Procurem ali pelo centro do estado de São Paulo — todo o resto é periferia, não sei se me fiz entender, hehe.

E agora? FHC vai ter uma honraria que Lula não pode ambicionar… Em tese ao menos. Se a Academia busca distinguir a produção intelectual, literária ou não, poucos são tão merecedores da láurea como FHC, não é?, goste-se ou não do seu pensamento. A sua carreira política acabou deitando uma sombra na obra do intelectual.

Todo mundo que está lá ou que passou por lá merecia a distinção? Vamos ser francos: nem todos honraram ou honram Machado de Assis. Se a academia, no entanto, só distinguir os bons, acabará sendo um bom lugar.

Alguém conte a Lula, por favor, que é a obra de FHC que o autoriza a sentar lá, não a condição de ex-presidente. Como Sarney também é acadêmico, o Apedeuta pode começar a ter ideias.

Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é candidato a ocupar a cadeira de número 36 da Academia Brasileira de Letras, que ficou vaga em virtude da morte do jornalista João de Scantimburgo, na última sexta-feira. A formalização da candidatura foi feita na tarde desta quarta-feira, após a sessão da saudade em homenagem a Scantimburgo, que se encerrou por volta das 17 horas.

O acadêmico Celso Lafer levou de São Paulo a carta formalizando a candidatura de FHC. O secretário geral da academia, Geraldo Holanda Cavalcanti, no exercício da presidência da ABL, determinou à secretaria que considere oficialmente inscrito ex-presidente.

Conforme adiantou a coluna Radar on-line, de Lauro Jardim, a candidatura de FHC partiu de um convite feito por José Sarney, que levou o assuntos para análise dos demais acadêmicos. O ex-presidente já teria garantidos os votos de Eduardo Portellaos, Celso Lafer, Paulo Coelho, Merval Pereira, Geraldo Hollanda Cavalcanti, Antônio Carlos Secchin, Sergio Paulo Rouanet, Alberto da Costa e Silva, Sábato Magaldi, Hélio Jaguaribe, Marcos Villaça e José Murillo de Carvalho.

Voltei
Se bem que estou cá a pensar. Se é a obra do sociólogo FHC que o habilita a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, não merecerá também Lula a distinção por sua obra de ficção? Nunca antes na história destepaiz alguém inventou tantas histórias, não é mesmo? E imaginação não falta. Por esta intervenção (ver vídeos), ele deveria integrar também a Academia Brasileira de Ciências. Há dois vídeos: Lula por Lula e Lula por mim mesmo, hehe.

 


Por Reinaldo Azevedo

27/02/2013

às 7:29

Delacroix resolve pintar Lula: A Ignorância Guiando o Povo! Ou: O dia em que o Apedeuta e Collor mandaram seus adversários “calar a boca”

“Elite”, como grupo social a ser vencido, não é um conceito marxista. É só um chavão petista. E o petismo é uma derivação tardia, oportunista e rebaixada da teoria revolucionária. Já escrevi muito a respeito. Do bolchevismo, o PT herdou apenas a tara autoritária, que pode ser aplicada, e eles estão tentando, também num regime capitalista. “E se herdasse tudo? Seria melhor?” É claro que não! Mas isso seria impossível. O socialismo como alternativa econômica acabou, morreu. Restaram o amor pela ditadura e esses idiotas que saem por aí ameaçando desafetos nas ruas com sua mordida hidrófoba. Mas volto ao ponto.

Lula está cumprindo ao menos uma de suas promessas mirabolantes: acabar com a elite brasileira — com qualquer uma, em qualquer área. Está em curso uma evidente marcha do emburrecimento, da qual, nem poderia ser diferente, ele é o líder. Eu o imagino no quadro de Delacroix em lugar da Liberdade, que carrega uma bandeira, com os seios nus. Título: A Ignorância Guiando o Povo. O rebaixamento a que esse sujeito submete a política e a sua contribuição à deseducação democrática ainda não mereceram a devida atenção científica — dos cientistas sociais; daquela parcela que ainda resiste à ditadura intelectual do partido. Por que isso tudo?

Nesta terça, tivemos um dia realmente exemplar do espírito do tempo. As personagens de destaque foram o próprio Lula e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Vamos ver.

Numa manobra vexaminosa — contando com a pressurosa ajuda de seu aliado petista Tião Viana (AC), que presidia a Mesa —, Collor conseguiu aprovar, na quinta-feira passada, um requerimento para que o TCU investigue a compra de 1.200 iPads feita pela Procuradoria-Geral da República. O alvo, mais uma vez, é Roberto Gurgel. O impichado tenta vingar-se do procurador-geral, de quem é desafeto, fazendo a vontade também do PT, para quem opera hoje quando não está cuidando exclusivamente de questões pessoais ou paroquiais.

Em 1992, como todos sabem ou se lembram, os petistas ajudaram a incendiar o país contra “o caçador de marajás”, que não resistiu. Hoje, são companheiros de jornada, parceiros, amigos. Quem mudou? Nem um nem outro. Ambos seguem sendo o que sempre foram.

Pois bem. Gurgel, acusado por Collor, fez o óbvio: defendeu-se. Chamou de risíveis as suspeitas. E como reagiu aquele senhor que dava murros no peito na década de 90 e dizia ter “aquilo roxo”? Ora, saiu ofendendo e vociferando, como é de seu feitio. Arrancou a pistola retórica, que traz sempre na cinta — não deixa de ser um avanço moral no seu caso —, e disparou:
“Ele [Gurgel] tem que calar a boca. Ele e a sua trupe corporativista de êmulos [rivais]. Agora é o Senado que quer saber de tudo. Por isso, cale a boca e espere o TCU dar a palavra final. Só ele é capaz de dizer se o senhor prevaricou ou não. Se cometeu mais um ilícito a acrescentar ao seu portfólio criminoso”.

Collor é valentão assim porque tem a imunidade parlamentar. Age como um pivete inimputável, que traz de cor e salteado trechos do Estatuto da Criança e do Adolescente para cometer crimes impunemente. É, nesse caso, um pivete ético. Quais são os crimes, afinal, do procurador-geral da República? Que seja Collor a se comportar como o seu Catão, eis uma ironia macabra. Esse é mais um dos vampiros do republicanismo aos quais o PT garantiu farto suprimento de sangue. Por quê? Porque quiseram as circunstâncias históricas e políticas, não sem a colaboração de setores da oposição e, sim!, da imprensa, que o velho e o novo patrimonialismos se estreitassem, como disse o poeta, “num abraço insano”.

No mesmo dia, a mesma fala!
Collor não foi o único a mandar um desafeto calar a boca. Nesta mesma terça, referindo-se ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula afirmou:

“Eu acho que o Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto. O que ele deveria fazer é contribuir para a Dilma continuar a governar o Brasil bem, ou seja, deixa ela trabalhar.

Então ficamos assim: o PT lança um livreto eivado de mentiras sobre o governo do antecessor, e Lula acha que ao agredido não cabe nem mesmo o direito de defesa. Notem: para ele, FHC deveria “no mínimo, ficar quieto”. Ou por outra: essa é a menor das coisas que ele espera do antecessor: o silêncio obsequioso. Imagino a noção que deve ter do “máximo”. Mais: o presidente de honra do partido de oposição, segundo o Apedeuta, tem é de “contribuir” com o governo. Claro! É o que Lula sempre fez quando estava na oposição, certo? Impressionante!

Impressionante, mas não inesperado. Se há alguém “nestepaiz” que tem defendido, ao longo dos anos, que a oposição diga a que veio, este alguém é este escriba. Mas me parece evidente que os tucanos cometeram um erro e morderam a isca ao responder ao embate de caráter eleitoral proposto por Lula desde agora. Esse é o ambiente do Apedeuta. Fica mais feliz do que pinto no lixo. Pode sair por aí, distribuindo suas caneladas e rearranjando precocemente as forças governistas (ver post a respeito). As ineficiências do governo perderam lugar no noticiário para o embate eleitoreiro com quase dois anos de antecedência. Quem ganha com isso? Não é o povo!

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2013

às 7:17

PSDB: O que começa errado vai se alimentando do erro para que os errados continuem ainda mais convictos

Não adianta! O que começa errado vai se alimentando do erro para que os errados continuem ainda mais convictos. Há, no PSDB, os que estão descontentes com a antecipação da campanha eleitoral, minueto que os lulistas e os tucanos decidiram dançar. Os jornalistas caracterizam esses descontentes como “aliados de Serra”… Ah, bom! Se são aliados de Serra, então é isso mesmo o que se espera deles? Setores do partido — jornalistas nunca fazem essas coisas sozinhos — continuam a ver virtudes nesse negócio de “Serra X Aécio”. Os tucanos sempre foram excelentes na intriga interna. Combater o adversário é que tem sido mais difícil.

Poucos se dão conta de que há situações verdadeiramente surrealistas em curso no PSDB. Leio no Estadão que já está tudo decidido: o partido decidiu antecipar do dia 25 para o dia 19 de maio a convenção que vai, segundo o jornal, escolher Aécio Neves presidente do partido. Assim os tucanos poderão usar imagens da convenção no programa eleitoral do partido, que vai ao ar no fim de maio.

Lê-se o noticiário e se verifica que isso tudo foi decidido, por exemplo, sem a participação ativa do novo líder do partido no Senado, Aloysio Nunes (SP). O líder anterior, reconhecido por amplas camadas do eleitorado oposicionista como um “autêntico” (e por bons motivos), Álvaro Dias (PR), foi completamente alijado das instâncias decisórias do partido. O próprio governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse, não faz tempo, que considerava precipitado tratar do assunto agora. E daí? Por que alguém daria bola a um Álvaro Dias ou a tucanos de São Paulo, estado governado pelo PSDB há 18 anos — 20 em 2014?

O avô de Aécio, Tancredo Neves, dizia que reuniões serviam apenas para referendar o  que já tinha sido combinado ao pé do ouvido, em conversas de coxia. O PSDB está esquecendo de fazer as devidas combinações. E, desta feita, FHC está colaborando para o atropelo. Lula jamais o esqueceu, mas me parece que ele também anda com certa vontade de emular com aquele que se quer o seu antípoda. Tudo caminha, e isso é óbvio, para que Aécio seja o candidato, a menos que ele não queira. Mas será mesmo esse o melhor procedimento para referendar o que já está certo? Mais: é uma boa ideia conciliar a presidência do partido com a condição de candidato oficioso?

Num momento em que os tucanos — e as oposições — precisam reunir forças, e isso é mais do que um clichê, há um risco razoável de revoada de algumas lideranças. Sinceramente, torço para que não aconteça porque não existe democracia de partido único. O que não parece razoável é que nove anos de quase letargia resultem agora num atropelo buliçoso, que mais divide do que soma. Quem viver verá.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2013

às 0:16

A mais recente grosseria de Lula: “FHC deveria ficar quieto”

Leiam o que vai na VEJA.com. Comentarei depois:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não mediu as palavras ao rebater as críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que na segunda-feira havia chamado a presidente Dilma Rousseff de “ingrata”.

“Eu acho que o Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto”, disse Lula, em São Paulo. “O que ele deveria fazer é contribuir para a Dilma continuar a governar o Brasil bem, ou seja, deixa ela trabalhar. Ela sabe o que faz. Não é todo dia que o País elege uma mulher presidente”, afirmou o petista.

Sobre uma possível candidatura do senador Lindbergh Faria (PT-RJ) à sucessão do governador Sérgio Cabral (PMDB), Lula desconversou. “Gente, como é que eu vou saber? Eu não acompanho nem a política do Estado de São Paulo. Eu, depois que deixei a Presidência, parei de acompanhar a política”, disse.

FHC x PT – A guerra verbal entre os ex-presidentes, que envolveu ainda a presidente Dilma Rousseff, começou há uma semana, quando o PT divulgou uma cartilha que celebrava os dez anos do PT no comando da Presidência. O texto, que continha exageros e omissões, traçava um retrato totalmente favorável ao governo petista e desdenhava da administração tucana (1995-2002).

Em 19 de fevereiro, Fernando Henrique reagiu, e disse que a postura do PT era “coisa de criança” e uma “picuinha”. No dia seguinte, foi a vez de Lula e Dilma atacarem novamente o ex-presidente tucano e seu partido durante o evento oficial que celebrava os dez anos do PT no poder. Lula disse que  “nós [do PT] não temos medo da comparação, inclusive no debate da corrupção”. Já Dilma afirmou que o PT não herdou nada do governo anterior. “Nós construímos”.

Na segunda-feira, foi a vez de Fernando Henrique reagir quando questionado sobre os ataques de Dilma e Lula. “O que a gente pode fazer quando a pessoa é ingrata? Nada. Cospe no prato em que comeu”, disse Fernando Henrique, ao ser questionado sobre o discurso de Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2013

às 22:30

FHC: Dilma é “ingrata”, e PT “usurpou” projeto tucano

Leiam o que vai na VEJA.com. Ainda voltarei a este tema, claro.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta segunda-feira que a presidente Dilma Rousseff é “ingrata” e que o PT “usurpou” o projeto tucano de governo. A declaração é uma resposta à recente afirmação de Dilma de que o governo petista, iniciado com Luiz Inácio Lula da Silva, “não herdou nada” da gestão tucana. “O que a gente pode fazer quando a pessoa é ingrata? Nada. Cospe no prato em que comeu”, disse Fernando Henrique, ao ser questionado sobre o discurso de Dilma, feito no palanque montado para celebrar dez anos da chegada do PT ao Planalto.

O ex-presidente afirmou que o PT “usurpou” o projeto tucano que começou a ser implantado em seus mandatos. “O que aconteceu no Brasil foi usurpação de projeto. Só que como ele é usurpado, não se faz direito. Vai e vem, recua. Não tem coragem de dizer que vai privatizar”, disse o tucano. “Eles [os petistas] tinham duas grandes metas. Uma ligada ao socialismo e outra à ética. De socialismo nunca mais ninguém falou. E ética, meu Deus, não sou eu quem vai falar a respeito do que está acontecendo no Brasil”, completou.

As declarações foram feitas em um evento promovido pelo PSDB mineiro, em Belo Horizonte. Intitulado “Minas Pensa o Brasil”, o evento é considerado o lançamento da candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência em 2014. Ao lado do parlamentar, FHC afirmou que “não é necessário” lançar a candidatura, mas adiantou que ela está sendo “construída”. “Quanto ao que penso do senador Aécio, é conhecido”, disse o ex-presidente, que em dezembro já havia defendido o nome do mineiro para a corrida presidencial.

Na semana passada, FHC já havia chamado de picuinha e “coisa de criança” as críticas que o PT havia feito ao seu antigo governo – desta vez por meio de uma cartilha que compara os últimos dez anos de Lula e Dilma Rousseff à frente da Presidência com a gestão tucana (1995 e 2002).

Candidatura – Aécio Neves evitou falar sobre a própria candidatura, mas respondeu bem humorado sobre as declarações de Ciro Gomes, de que o mineiro e os demais possíveis candidatos à eleição presidencial de 2014 “não têm nenhuma proposta para o Brasil”. “Ciro tem seu estilo e obviamente não vou polemizar com ele. Estou até com saudade das boas conversas que nós tínhamos no passado”, disse Aécio. “Se tiver oportunidade, vou convidá-lo para uma conversa. Talvez ele se surpreenda com o conjunto de boas ideias que temos para o Brasil, como tínhamos no passado”, completou.

O senador também preferiu não se estender sobre a possibilidade de o Ministério Público Estadual (MPE) de Minas reabrir investigação sobre repasses de recursos durante sua gestão no Executivo mineiro à Rádio Arco Íris, que tem como sócios o próprio Aécio e sua irmã Andrea Neves. O caso deve ser decidido nesta terça-feira pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). “Não sou a melhor pessoa para falar dessa questão. Conheço muito pouco disso. Mas acho que as explicações já foram dadas”, resumiu.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2012

às 16:38

As bobagens autoritárias de Gilberto Carvalho e a resposta de FHC: quase chega ao ponto!

Leiam esta declaração:
“Tenho 81 anos, mas tenho memória. Este senhor precisa pelo menos respeitar o passado, até o dele, para não continuar dizendo coisas levianas. Estou cansado de ouvir leviandades de quem está no governo. Aproveita posição do governo para jogar pedra no passado. Herança maldita está ai, recebida pela presidente Dilma”.

É uma reação, quase inteiramente correta, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a uma porção de bobagens ditas pelo espião de Lula no governo federal, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e segundo homem mais poderoso no partido, depois do próprio Barbalorixá. Os dois estavam em seminários. FHC fez essa declaração no início de um seminário que o PSDB promove em Brasília sobre as eleições municipais.

Por que a fala de FHC é QUASE inteiramente correta? Já chego lá. Vamos ao que afirmou Carvalho, segundo a Folha, para ter provocado uma reação mais dura do ex-presidente – alguns tons acima da entrevista ruim que concedeu à Folha.

Disse o chefão petista:
“Os órgãos todos de vigilância, fiscalização, estão autorizados e com toda liberdade garantida pelo governo. Eu quero insistir nisto: não é uma autonomia que nasceu do nada, porque, antes, não havia essa autonomia. Nos governos Fernando Henrique, não havia autonomia; agora há autonomia, inclusive quando cortam na nossa própria carne (…)”Antes havia engavetador geral da República. Com o presidente Lula nós começamos a ter um procurador com toda liberdade”.

Estupidez
Carvalho confunde a República com uma monarquia absolutista. Não é o “governo que garante” a autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público, mas a lei. O secretário-geral da Presidência pretende transformar numa generosidade do lulo-petismo aquilo que a Constituição nos assegura. É uma piada! Quanto ao passado, notem que ele se refere especificamente ao governo FHC. Certamente nas gestões dos agora aliados Collor e Sarney, a República andava nos eixos, certo?

É impressionante que um ministro de estado, que exerce um dos cargos mais importantes da República, se dê a tal desfrute, especialmente quando se descobre um cancro corruptor no coração do governo. Tanto mais constrangedor quando o caso envolve alcovistas, alcoviteiros, alcovitagem, alcovetas, alcovetos… O PT tanto respeitou a autonomia do procurador-geral da República que tentou destruir a sua reputação com uma CPI, que é um instrumento de Estado, já que se trata trata de prerrogativa de um Poder: o Legislativo.

A reação de FHC
A reação do ex-presidente foi mais contundente do que a sua entrevista meio boba à Folha (ver post a respeito), mas ainda está eivada de senões e considerandos, que se combinam com a dificuldade que tem o PSDB de fazer oposição. Voltemos a dois trechos de sua resposta:
“(…) Este senhor precisa pelo menos respeitar o passado, até o dele, para não continuar dizendo coisas levianas (…). Herança maldita está ai, recebida pela presidente Dilma”.

Duas coisas
Que “passado” respeitável tem Gilberto Carvalho, que o próprio petista deveria ter honrado agora? Ter sido braço-direito de Celso Daniel? Que herança Dilma terá recebido que não tenha ajudado a construir, de sorte que o governo que tem também é fruto do governo ao qual serviu como “gerenta”?

O PSDB precisa começar por redescobrir o vocabulário da oposição. Se vai ganhar eleição, eu não sei. Mas ao menos se diz a coisa certa. É melhor do que perder dizendo a coisa errada.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2012

às 8:05

Entrevista de FHC é mais um sintoma de que o PSDB está perdido e de que pode não ser mais alternativa de poder

A Folha publica nesta segunda uma entrevista concedida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a Fernando Rodrigues. Reputo o tucano, todo mundo sabe, o governante mais importante do Brasil em muitas décadas. Em razão de valores que nem são os dele, mas são os meus, ele ocupa um lugar superior na minha galeria ao de Getúlio Vargas. Não aplaudo políticos que põem o país em risco quando matam ou quando se matam. Não tolero nem ditadores nem mártires porque as instituições sempre pagam o pato. O grande valor de FHC foi ter deixado instituições melhores do que encontrou. E há, claro!, o Plano Real, que teria naufragado sem a sua habilidade política.

Não gosto da obra de alguns políticos, mas gosto de sua visão de futuro e de suas prefigurações. De FHC, prefiro a obra. Ainda que seja notavelmente inteligente – e é, como poucos –, acho que erra bastante quando faz análise de conjuntura e quando pensa os próximos passos da oposição. É um erro pessoal que reflete as indecisões e indefinições do seu partido, o PSDB. Vai aqui uma constatação e uma mirada de futuro: ou esse partido se dá conta das suas dificuldades e de seus erros (que não são, a meu ver, os que ele aponta) e cria um fato político novo – QUAL??? –-, que corresponda uma real mudança interna, ou as coisas ficarão muito difíceis.

Deu-se de barato, até as eleições presidenciais de 2010, que é o PSDB a alternativa de poder ao PT. Não são poucos os que consideram, e essa questão começa a tomar corpo também para mim, que a chance de o PT ser apeado do poder está não numa candidatura tucana, mas num racha do bloco hoje governista. E a entrevista de FHC explica por que, a cada dia, menos gente aposta que os tucanos terão condições de desalojar os petistas do poder. Comento em azul alguns trechos de sua entrevista, que seguem em vermelho. No fim, volto para arrematar.

Folha/UOL – A crise econômico-financeira internacional colocou na defensiva as ideias liberais. Essa onda muda a abordagem de partidos como o PSDB?
Fernando Henrique Cardoso
 - Os que estão no governo passaram a ter uma espécie de perdão para utilizar recursos públicos para reativar a economia.

O PSDB nunca foi um partido que tivesse muito amor pelo mercado. Como todos os partidos brasileiros, as pessoas gostam mesmo é de governo, é de Estado. Isso desde Portugal, da Península Ibérica. O grande ator, querido, é o governo.
Estamos de volta a “Os Donos do Poder”, de Raymundo Faoro, e a “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda. O “amor” dos brasileiros pelo estado teria sido herdado. É inegável, mas incompleto. Acho que FHC deveria ter sido mais explícito, deixando claro que os tucanos nunca foram (e aqui digo eu: infelizmente!) liberais. Nem ele próprio. A privatização de algumas estatais nunca significou opção pelo neoliberalismo. O ex-presidente perdeu a chance de apontar a grande fraude intelectual petista. Cumpria destacar ainda as privatizações recentemente feitas por Dilma, não é? São diferentes daquelas do passado num única aspecto: o improviso.
(…)
O PSDB nasceu de centro-esquerda. Em eleições recentes, abordou temas morais e religiosos. Deslocou-se para a centro-direita. Por quê?
Por engano eleitoral. Esses temas são delicados. Acho que você tem que manter a convicção. Você pode ganhar, pode perder. Em termos de comportamento e de valores morais, o PSDB tem que se manter progressista. Quando não se mantém, não tem o meu apoio. Eu não vou nessa direção.

Há vários equívocos aí, a começar da pergunta. Se eu pedir a Fernando Rodrigues que aponte uma só peça de propaganda eleitoral do PSDB que toque nos tais problemas morais e religiosos, ele não conseguirá apontar. Não existe. Em 2010 e neste 2012, quem primeiro se ocupou dessas questões, e de maneira preventiva, foi o PT. Isso é apenas um fato. A tática é quase infantil, mas dá certo, como se nota.
FHC endossa a inverdade e segue adiante com esta formulação que dá pano pra manga: “Em termos de comportamento e de valores morais, o PSDB tem que se manter progressista”. É mesmo? E em que o partido poderia ser, sei lá, “conservador”? Em economia?
O ex-presidente não se dá conta de que tenta a quadratura do círculo – ele e os tucanos todos. Foi Dilma quem primeiro levou a questão do aborto para a disputa em 2010. Foi Fernando Haddad quem primeiro levou a questão do kit gay para a eleição neste 2012. O ERRO DO PSDB, NOS DOIS CASOS, FOI TER FUGIDO DO DEBATE.
Questões chamadas nesta entrevista de “morais e religiosas” são tema de disputa eleitoral em todo o mundo democrático – ou será que minto, presidente? E jamais ocorreria a alguém tentar deslegitimá-las. Uma das perdições dos tucanos está, justamente, em tentar fazer um campeonato de “progressismo” com o PT.

O sr. tem dito que o PSDB tem que se aproximar mais “do povo”. Como fará isso?
Os partidos, por causa de uma mudança tão rápida no Brasil, ainda continuam com uma visão de sociedade anterior à atual. A atual é essa do UOL, da pessoa que fica aí navegando o tempo todo, que tem informação fragmentada. Minha tese é a seguinte: é preciso ouvir. Não é pregar. É ouvir. É reconectar com o que está acontecendo com o país.

Não entendi nada! Na entrevista, o ex-presidente cita até a novela Avenida Brasil, a tal nova classe média, o Elio Gaspari, o andar de baixo, o andar de cima… Fiquei com a impressão de que o ex-presidente está tateando a escuridão.
(…)
Como é a capacidade gerencial do atual governo?
Alguém me perguntou a respeito de o PIB ter crescido pouco: ‘Isso quer dizer que a presidente Dilma é má administradora?’. Não. O PIB cresceu pouco por mil razões. O erro, que eu acho que houve, é que o governo se colou ao PIB. Não precisava. Não acho que se deva colar na presidente Dilma [a queda do PIB]. Ela é que pode se colar nisso. Aí fica mal para ela.

Como se cantaria em Avenida Brasil, “Oi, oi, oi…” Se vocês notarem bem, FHC fala como conselheiro de Dilma, não como representante da oposição. Nem mesmo admite que ela é uma má administradora. Bem, se não é, então tudo bem! Trocar pra quê? Na sequência, o entrevistador indaga se a crítica à incompetência gerencial do governo é um bom discurso para a oposição. FHC responde: “A governança está falha. Mas campanha é outra coisa. Isso [falar da governança] pega quem? Por enquanto, não pega o povo.”
(…)

O sr. conviveu com alguns dos réus que foram condenados no mensalão. José Genoino, José Dirceu. O que o sr. achou dessas condenações?
Eles não foram condenados pelo que eles são. Mas pelo que eles fizeram. Uma coisa é você ser um bom homem. De repente, eu fico com raiva, dei um tiro e matei alguém. O que eu vou fazer? Vou para a cadeia.

Nunca vi nada do Genoino. É uma pessoa bastante razoável. O José Dirceu é um quadro. Eu respeito as pessoas que têm qualidade de quadro. Acho um episódio triste. Porque essa gente ajudou muito o Brasil no passado.
Taí! Dirceu estava esculhambando FHC ontem em seu site, mandando, na prática, o tucano ficar calado. Notem: nessa resposta e naquela sobre costumes e religião, quem fala é sociólogo que já foi de esquerda e que, em muitos aspectos, continua a sê-lo, ainda que os anos de governo o tenham empurrado para o pragmatismo. Dirceu e Genoino movem campanhas públicas contra o STF, como todo mundo sabe. O que quer dizer o trecho “José Dirceu é um quadro, e eu respeito pessoas que têm qualidades de quadro?” É próprio de um quadro se reunir com autoridades do governo em quartos de hotel? É próprio de um quadro articular uma CPI para perseguir jornalistas e o procurador-geral da República?

O PSDB está com o discurso afinado para 2014?
Não. Falta o que na esquerda costuma-se dizer “fazer a autocrítica”.

***Xiii, Marquim!!! Autocrítica? Talvez falte. Mas falta mesmo é fazer oposição. O PSDB entrou em greve em 2005, quando decidiu recuar e não articular o impeachment de Lula – estratégia que contou com o apoio de FHC – e não voltou mais ao trabalho.

(…)
Aécio deveria acelerar a busca do discurso? Está na hora?
Acho. [Deve] assumir mais publicamente posições. Falar, fazer conferência, viajar. Nossos políticos precisam voltar a tomar partido em bola dividida. A busca das coisas consensuais mata a política. E mesmo se for o caso de ser candidato, que diga que é. Acho que ele deve assumir.

Pois é… Com isso, concordo. Se Aécio será o candidato, tem de ir já à luta já. Com efeito, “a busca das coisas consensuais mata a política”, mas o que vi nessa entrevista foi um FHC em busca das… coisas consensuais!!!

Cadê a polarização?
Em praticamente todas as democracias do mundo, tem-se, na prática, o bipartidarismo. “Progressistas” disputam as eleições com “conservadores”, em confrontos realmente  polarizados. Também o Brasil da redemocratização foi assim. Se o PSDB, em 1994 e 1998, não vestia o figurino conservador – ainda que contasse com o apoio do então PFL –, o PT se encarregava de falar a língua das esquerdas, e o confronto seguia, vamos dizer, o molde corriqueiro dos demais regimes democráticos.

A partir de 2002 (e com mais ênfase de 2006 para cá), o petismo renunciou à cascata socialista, associou o estado às demandas do grande capital – daí que seja hoje o preferido dos potentados da indústria e da área financeira – e acelerou os tais “programas sociais”, que se transformaram em verdadeiras máquinas caça-votos. Atenção! Não há grande novidade nisso, não! Os partidos ditos “progressistas” fazem escolhas semelhantes no mundo inteiro. A rigor, poderíamos dizer que o próprio PT jogou a pá de cal naquele antigo partido de esquerda!

A jabuticaba brasileira é outra. O “partido progressista” está aí. Mas pergunto: onde está o partido conservador? A entrevista de FHC deixa claro, mais uma vez, que não é e que não será o PSDB. Existem conservadores no Chile, na França, na Alemanha, no Reino Unido, nos EUA, na Colômbia, na Índia… Até na Venezuela, no Equador e na Bolívia eles disputam eleições – por enquanto… No Brasil, todo mundo, inclusive o PSDB, é, como se nota, “progressista”… No Brasil, até Paulo Maluf canta “Lu-lá; Lu-lá” em festas do PT!

Caminhando para a conclusão
A quem fala o PSDB e em nome de quais valores? Hoje, pensando no partido em escala nacional, não dá para saber. Eis um erro brutal de FHC: a maioria da população brasileira, em costumes, é conservadora. Se um dos principais formuladores dos tucanos acredita que se deve fugir desse debate como o diabo, da Cruz, então esqueçam. Os republicanos chegaram perto, sim, de fazer de Barack Obama um dos poucos presidentes da história americana a não ser reeleito – a chance de um republicano suceder o democrata é gigantesca. Por lá, conservadores falam com clareza.

A inexistência de uma alternativa conservadora no Brasil – infelizmente, o PSDB ocupa esse lugar estrutural, mas que não lhe pertence – está começando a pôr em risco a própria ideia de alternância de poder. É claro que é ruim para a democracia. Até porque o PT não é mais socialista, mas está longe de ter se convertido à democracia, como estamos cansados de saber.

Conclusão
A única chance de o PSDB se tornar viável eleitoralmente, com Aécio Neves ou outro qualquer, é mandar uma mensagem nova ao eleitorado brasileiro. Que novidade seria essa? Entendo que ela deveria ter dois pilares: a) o primeiro é a efetiva unidade, o que não se tem, é evidente, desde 2002; quais autores se apresentam para construí-la?; b) o segundo pilar é a crítica organizada, estruturada e clara às disfunções do modelo petista de gestão. Sem o primeiro, não se tem o segundo; sem o segundo, pra que o primeiro? Eu me atreveria a sugerir ainda um terceiro, com chances reduzidíssimas de ser erigido: c) o PSDB não deveria ter medo dos eleitores conservadores, mas tem. Afinal, como é mesmo?, os tucanos “têm que se manter progressistas”…

texto publicado originalmente às 5h37
Por Reinaldo Azevedo

29/11/2012

às 16:13

Kassab fez aliança com PT antes mesmo da eleição, diz FHC

Por Daniela Lima, na Folha:
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse na manhã desta quinta-feira que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) havia se aliado ao PT em São Paulo antes mesmo do resultado das eleições, em outubro. Kassab apoiou José Serra (PSDB) durante a disputa, mas no dia seguinte a sua derrota para Fernando Haddad (PT), iniciou a aproximação com o petista. ”Eu não posso concordar com isso, mal termina a campanha vai se aliar com o outro. Na verdade é que ele [Kassab] já tinha se aliado antes. Acho que aí foi o PSDB que calculou mal”, disse FHC, após dar uma palestra a prefeitos eleitos do PSDB de São Paulo.

Durante seu discurso, o ex-presidente criticou o que chamou de “alianças tortas” durante o período eleitoral. Depois, disse que não vale tudo para acumular tempo de propaganda na TV nas eleições. FHC não foi o único a criticar Kassab. O presidente estadual do PSDB paulista, deputado Pedro Tobias, disse que o prefeito fez diversas exigências para fechar uma aliança com os tucanos em São Paulo e “assim que acabou a eleição, Kassab estava com o PT”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2012

às 19:43

Eduardo Campos elogia FHC após ser cortejado por tucanos

Por Fábio Guibu, na Folha:
O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, elogiou nesta segunda-feira (8) o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e disse que seu governo “deixou um legado que foi importante para o Brasil, inclusive para o êxito do governo Lula”.

O afago de Campos vem um dia depois de FHC defender a aproximação dos tucanos com os socialistas para as eleições de 2014 e após declarações no mesmo sentido feitas pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Cotado para a sucessão presidencial, o governador disse que os dois partidos têm posições divergentes no plano nacional, mas que isso não impede que o PSB reconheça o papel que o PSDB teve na vida pública nacional.

“Posso falar da estabilidade econômica, que houve avanços importantes na educação, como a universalização do acesso ao ensino, uma série de questões que, no calor da disputa, a velha política não permitiu que houvesse esse reconhecimento”, afirmou.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2012

às 0:28

FHC, Dilma, Lula, um artigo equivocado e uma nota grosseira e absurda

É claro que existem diferenças entre Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Eu mesmo já abordei algumas aqui. A questão é saber se elas são relevantes para a oposição. Não me parece que sejam. No domingo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou um artigo no Estadão e no Globo abordando a “herança pesada” que o antecessor deixou à atual presidente da República (íntegra aqui). Seguem alguns trechos do texto. Volto em seguida.

A presidenta Dilma Rousseff recebeu uma herança pesada de seu antecessor.
(…)
Comecemos pelo mais óbvio: a crise moral. Nem bem completado um ano de governo e lá se foram oito ministros, sete dos quais por suspeitas de corrupção. Pode-se alegar que quem nomeia ministros deve saber o que faz. Sem dúvidas, mas há circunstâncias. No entanto, como o antecessor desempenhou papel eleitoral decisivo, seria difícil recusar de plano seus afilhados.
(…)
Mas não foi só isso: o mensalão é outra dor de cabeça. De tal desvio de conduta a presidenta passou longe e continua se distanciando. Mas seu partido não tem jeito. Invoca a prática de um delito para encobertar outro: o dinheiro desviado seria “apenas” para o caixa 2 eleitoral, como disse Lula em tenebrosa entrevista dada em Paris, versão recém-reiterada ao jornal The New York Times.
(…)
Mas não foi só isso que Lula deixou como herança à sucessora. Nos anos de bonança, em vez de aproveitar as taxas razoáveis de crescimento para tentar aumentar a poupança pública e investir no que é necessário para dar continuidade ao crescimento produtivo, preferiu governar ao sabor da popularidade. Aumentou os salários e expandiu o crédito, medidas que, se acompanhadas de outras, seriam positivas. Deixou de lado as reformas politicamente custosas: não enfrentou as questões regulatórias para acelerar as parcerias público-privadas e retomar as concessões de certos serviços públicos.
(…)
Foi preciso que novo passo fosse dado pelo governo atual para reduzir, no futuro, o déficit da Previdência. Que dizer, então, de modificações para flexibilizar a legislação trabalhista e incentivar o emprego formal? A proposta enviada pelo meu governo com esse objetivo, embora assegurando todos os direitos trabalhistas previstos na Constituição, foi retirada do Senado pelo governo Lula em 2003. Agora é o próprio Sindicato Metalúrgico de São Bernardo do Campo que pede a mesma coisa…

Mas o “hegemonismo” e a popularidade à custa do futuro forçaram outro caminho: o dos “projetos de impacto”, como certos períodos do autoritarismo militar tanto prezaram. Projetos que não saem do papel ou, quando saem, custam caríssimo ao Tesouro e têm utilidade relativa. O exemplo clássico foi a formação a fórceps de estaleiros nacionais para produzirem navios-tanque para a Petrobrás (pagos, naturalmente, pelos contribuintes, seja por meio do BNDES, seja pelos altos preços desembolsados pela Petrobrás).
(…)
O que mais pesa como herança é a desorientação da política energética. Calemos sobre as usinas movidas “a fio d’água”, cuja eletricidade para viabilizar o empreendimento terá de ser vendida como se a produção fosse firme o ano inteiro, e não sazonal. Foi preciso substituir o companheiro que dirigia a Petrobrás para que o País descobrisse o que o mercado já sabia, havendo reduzido quase pela metade o valor da empresa.
(…)
É pesada como chumbo a herança desse estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais sensíveis para o futuro da Nação.

Voltei
As críticas feitas por FHC estão certíssimas. Ocorre que Dilma ajudou a construí-la. Se o tucano faz bem em apontar a “herança pesada” de Lula, fez mal em tentar opor a atual presidente a seu padrinho porque esse, simplesmente, é um papel que não lhe cabe.  A criatura faria, como fez, o óbvio: negar o conteúdo do artigo, reafirmando sua fidelidade ao criador. Mas aí, claro!, exagerou. Emitiu uma nota para contestar o artigo, o que é, francamente, ridículo. Leiam:

“Citada de modo incorreto pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado neste domingo, nos jornais “O Globo” e “O Estado de S. Paulo”, creio ser necessário recolocar os fatos em seus devidos lugares.
Recebi do ex-presidente Lula uma herança bendita. Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob a ameaça de apagão.
Recebi uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambiais recordes.
Recebi um país mais justo e menos desigual, com 40 milhões de pessoas ascendendo à classe média, pleno emprego e oportunidade de acesso à universidade a centenas de milhares de estudantes.
Recebi um Brasil mais respeitado lá fora graças às posições firmes do ex-presidente Lula no cenário internacional. Um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse. O ex-presidente Lula é um exemplo de estadista.
Não reconhecer os avanços que o país obteve nos últimos dez anos é uma tentativa menor de reescrever a história. O passado deve nos servir de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento. Aprendi com os erros e, principalmente, com os acertos de todas as administrações que me antecederam. Mas governo com os olhos no futuro.
Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil”

Voltei
Como se vê, Dilma recheou sua nota de grosserias e tolices contra FHC. O Brasil, por exemplo, nunca esteve sob intervenção do FMI. A afirmação é cretina. O país, como se sabe, é sócio do fundo, que continua a socorrer países em dificuldades — e não é com “intervenção” nenhuma!

Não cabia a Dilma emitir uma nota de caráter claramente político-partidário. O PT dispõe de quadros para fazê-lo, contestando, se fosse o caso, o artigo de FHC. O próprio Lula, se quisesse, poderia fazê-lo. Lamentável!

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2012

às 6:01

FHC: “Isso é bazófia do Lula; é do estilo dele”

No dia 7 de maio, escrevi aqui um dos posts mais comentados do blog. O título era é enorme: “LULA ESTÁ COM ÓDIO E ABRAÇADO A SEU RANCOR! ELE É HOJE O ÚNICO RISCO QUE ENFRENTA O GOVERNO DILMA. OU: AINDA QUE A GRITARIA SUGIRA O CONTRÁRIO, OS TOTALITÁRIOS JÁ PERDERAM“.

Escrevi então:
“A presidente Dilma Rousseff, cujo governo não é do meu gosto – e há centenas de textos dizendo por que não – já deve ter percebido (e, se não o percebeu, então padece de uma grave déficit de atenção política): o risco maior de desestabilização de seu governo não vem da oposição ou do jornalismo que leva a sério o seu trabalho. O nome do risco é Lula.”

Lembrei-me do texto ontem ao ler uma declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Indagado sobre a afirmação de Lula, feita no Programa do Ratinho, de que poderá disputar a eleição em 2014 para evitar que um tucano volte ao poder, respondeu: “Quem tem de se preocupar não são os tucanos, mas a presidente Dilma. É ela que tem de se preocupar com a disposição de Lula.” Para ele, quem decide isso é o eleitor. “Essa é uma bazófia do Lula; é do estilo dele”.

Por Reinaldo Azevedo

14/05/2012

às 6:41

Biblioteca do Congresso dos EUA dá prêmio a FHC por obra acadêmica e vida pública

Na Folha:
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 80, venceu o prêmio Kluge, concedido pela Biblioteca do Congresso dos EUA a personalidades que se destacam pela produção acadêmica na área das ciências humanas não contempladas pelo Nobel.

A premiação, de US$ 1 milhão, destaca o papel de FHC “na transformação do Brasil de uma ditadura militar com alta inflação em uma democracia includente, com forte crescimento econômico”.

O ex-presidente afirmou à Folha ter recebido o prêmio com “alegria e surpresa”. “Reconhecer uma obra científica produzida na América Latina não é usual”, disse.

Ele credita a escolha a sua produção “inovadora”. “Nunca fui exclusivamente sociólogo, cientista político ou economista. Fiz uma ligação entre várias áreas, uma produção de ciência social no seu conjunto. Isso me ajudou também a ter uma visão mais integral na vida pública.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2012

às 17:56

FHC visita Lula no hospital. E daí? Então vamos lá!

fhc-lula-hospital

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso visitou no hospital o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme se vê na foto acima, de Ricardo Stuckert, do Instituto Lula. E daí?

A boa resposta deveria ser esta: “Daí nada!” Política não é inimizade pessoal, e FHC é uma pessoa civilizada. Eu prefiro ver um tucano visitando um paciente de câncer a ver um paciente de câncer tucano sendo espancado por petistas, como aconteceu com Mário Covas. Acho que os companheiros obedeciam a uma chamamento de José Dirceu, conforme se vê abaixo. Volto depois.

Voltei
Espantoso é o que se vê acima. A visita de FHC não deveria causar espécie a ninguém, não fosse o fato de que os petistas usam a doença de Lula para fazer política. Fernando Haddad, o candidato imposto por Lula na porrada ao PT, afirmou ontem, conforme se noticiou aqui, que haveria gente descontente com a recuperação do ex-presidente.

É o que se chama canalhice moral reflexa. Seria o fim de picada — e acho mesmo! — alguém dar graças ao céus pela doença de Lula porque isso o deixaria temporária ou permanentemente fora de combate. Mas o objetivo oposto também é canalhice moral porque tem a mesma raiz: considerar que a doença é uma janela de oportunidades para fazer política. E isso está acontecendo.

FHC comete um gesto civilizado ao fazer o que faz.

Mas, parafraseando aquele poema do Drummond, civilidade não há mais. É apenas uma foto na parede.

Uma foto de Ricardo Stuckert, é claro!

O resto é pauleira, dossiê, desqualificação do adversário, perseguição, enxovalho.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2012

às 22:47

As declarações de FHC à Economist e o futuro

Na madrugada, escreverei um texto sobre o trinômio “oposições-avaliação do governo Dilma-imprensa”. Como escrevi naquele texto sobre a pesquisa Datafolha, a situação dos partidos que se opõem ao governo é, de fato, difícil.

FHC concedeu uma entrevista à revista Economist que poderia implicar uma aceleração no processo decisório do PSDB. Mas “processo decisório” para exatamente o quê? O que é que falta à oposição? Um candidato ou um conjunto de valores? Ainda voltarei a este assunto.

A julgar pela entrevista dada por FHC, ele deve acreditar que é preciso definir o candidato. E falou o que falou à Economist. Vai, com isso, unir o partido, pacificá-lo, levá-lo à tranqüilidade? Bem, o tempo dirá.  Eu acho que não. Até porque acredito que o problema da oposição, um dia, será o nome, claro!, mas, por enquanto, é a falta de idéia mesmo. Leiam o que vai no Estadão Online:

FHC: Aécio é “candidato natural” do PSDB à Presidência

Por Bruno Boghossian:
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apontou o senador mineiro Aécio Neves como “candidato natural” do PSDB à Presidência em 2014. Em entrevista à publicação britânica The Economist, FHC prevê uma “luta interna muito forte” entre Aécio e o ex-governador de São Paulo, José Serra, pela indicação do partido nas eleições nacionais.

Em uma conversa com a jornalista Helen Joyce, chefe do escritório da revista em São Paulo, realizada no dia 12 de janeiro, o ex-presidente destaca a importância de unidade dentro do PSDB para a escolha de seu candidato daqui a três anos. Questionado sobre quem seria o “candidato natural”, FHC respondeu sem rodeios: “Aécio Neves”.

O tucano não retira Serra da disputa, indicando que “as coisas ficarão mais claras depois das eleições municipais”. No entanto, FHC indica que o ex-governador pode desistir da disputa para promover a renovação do partido e chega a compará-lo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputou a Presidência diversas vezes.

“No caso do PSDB, o ex-governador Serra desempenha o papel do Lula: ele tem coragem, ele gosta de competir. Eu não sei até que ponto ele vai estar convencido de que isso não é para ele, que deve abrir espaço para os outros”, avaliou o ex-presidente.

Por Reinaldo Azevedo

11/12/2011

às 6:47

FHC tinha tudo para NÃO ser o presidente do Brasil na virada do século

Na VEJA desta semana, Augusto Nunes escreve sobre o livro “A Soma e o Resto”, de Fernando Henrique Cardoso. Leia trecho:
*
Desde que a carranca de Jânio Quadros substituiu o sorriso de Juscelino Kubitschek, em 1961, o gabinete do presidente da República já hospedou napoleões de hospício, generais de exército de salvação, perfeitas cavalgaduras, messias de gafieira, gatunos patológicos, vigaristas provincianos e outros exotismos da fauna brasileira. A rotina da anormalidade — retomada pelo triunfo de Lula, um ex-operário metalúrgico que acha leitura pior que exercício em esteira, e mantida pela eleição de Duma Rousseff, primeira mulher a chefiar o governo (e provavelmente a primeira figura a governar um país sem conseguir expressar-se de modo inteligível) — só foi interrompida entre 1° de janeiro de 1995 e 31 de dezembro de 2002, quando o Palácio do Planalto abrigou Fernando Henrique Cardoso. “A Soma e o Resto – Um Olhar sobre a Vida aos 80 anos” (Civilização Brasileira; 195 páginas; 29,90 reais) confirma que foi FHC o ponto fora da curva desenhada pela saga republicana.

Lula e Dilma são duas formidáveis singularidades, mas parecem à vontade na galeria de retratos que os tornou vizinhos de parede de Jânio, João Goulart, Emílio Medici, João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor ou Itamar Franco. Todos executam harmoniosamente a partitura da ópera do absurdo. O acorde dissonante é Fernando Henrique, constata quem ouve as mais de dez horas de confissões, lembranças, reflexões e desabafos reunidas no livro organizado por Miguel Darcy de Oliveira.

Eleitos pelo voto popular ou impostos pelo regime militar, quase todos os ex-presidentes têm tudo a ver com o Brasil dos 14 milhões de analfabetos, dos 33 milhões que não compreendem o que acabaram de ler nem conseguem somar dois com dois, imensidão de miseráveis embrutecidos pela ignorância. Tal paisagem ajuda a entender por que tantos brasileiros se dobraram sem perguntas a populistas sedutores, ou foram dobrados sem resistência por autoritários fardados. E torna especialmente intrigante a passagem pela Presidência de um intelectual brilhante, exemplarmente democrata, que escreveu muitos livros e fala sem espancar a língua portuguesa. A leitura de “A Soma e o Resto” explica alguma coisa, mas acentua a suspeita de que FHC tinha tudo para não ser o presidente do Brasil da virada do século.

Leia a íntegra na revista

Por Reinaldo Azevedo

09/12/2011

às 22:48

Tucanos poderiam ser hoje a ala esquerda do PT!

Todos sabem o que penso sobre a passagem de FHC pela Presidência da República. Não retiro uma só palavra do que escrevi até hoje. Eu o considero mais importante para a história do Brasil do que Getúlio Vargas — pelos menos para os meus valores. Não vou repisar argumentos. De resto, a engenharia econômica do Plano Real, que esteve sob o seu comando, foi única no mundo e responde, em essência, pela relativa estabilidade do país num mundo em crise. Se temos alguns problemas sérios, e temos, deve-se ao que não se fez depois. Assim, viva FHC!, homem de notável inteligência. Mas também tenho discordâncias severas, algumas já expressas aqui mais de uma vez.

Hoje foi um dia um tanto infeliz para o PSDB, menos pelos episódios em si do que pelo futuro para o qual acenam. Em Minas, vemos o governador Antonio Anastasia e o senador Aécio Neves acenando explicitamente para Fernando Pimentel. No caso do governador, a justificativa toca as raias do absurdo. Além de “amigo”, diz, “Pimentel é mineiro”. Bem, ser mineiro não é, que se saiba, atestado de inocência. “Ah, olhem o Reinaldo, um serrista, falando…” Esse tipo de consideração, acho, já está desmoralizada.

O principal partido de oposição deveria ter claro que o PT, o maior partido do país, tem plenas condições de defender um dos seus, ainda que as duas legendas tenham se unido na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte para eleger Márcio Lacerda. Há uma diferença óbvia de comportamento entre esses tucanos e o conjunto dos petistas no trato com os adversários. Ah, sim: sou especialista em enfrentar “correntes na Internet”. Não adianta vir com aquela cascata contra paulistas que não dou a mínima. Agora a sabatina.

A Folha “sabatinou” hoje FHC, que está lançando o livro “A Soma e o Resto – Um Olhar sobre a Vida aos 80 Anos” (editora Civilização Brasileira). Não li ainda. Lerei e estou certo de que vou gostar de muita coisa. Mas, definitivamente, não gosto do que leio sobre a sua entrevista. O ex-presidente fez, sim, críticas à forma como o PT conduz o governo, atacou o aparelhamento, apontou o que não funciona etc. Nesse particular, repetiu a parte virtuosa de sua entrevista ao programa Roda Viva.

Ocorre que, e o próprio ex-presidente tocou nesse aspecto ( insuficientemente tratado até onde li, mas não posso assegurar porque não estava lá), o PT bateu a carteira da agenda social-democrata e, se querem saber, mesmo do que havia de mais “liberal” na atuação do PSDB. E o fez sem qualquer movimento propriamente de conversão ideológica. Para todos os efeitos — eis um escândalo, se me permitem, ideológico —, os petistas ainda se dizem socialistas etc. e tal. Não são, obviamente. Como tenho escrito aqui reiteradas vezes, do socialismo mesmo, eles só conservam a visão autoritária da política, quiçá totalitária.

Mensalão
FHC gosta de pensar com largueza. Antes de ser político, é um intelectual, que faz reflexões ainda inacabadas em voz alta, erro que os “intelequituais” do petismo não cometem. Sempre atuam como… políticos! Ao comentar o episódio do mensalão, o ex-presidente afirmou que o ex-deputado Roberto Jefferson “teatralizou” a denúncia. Está, obviamente, se referindo a certos e inegáveis dons histriônicos de Jefferson, que, suponho, nem ele próprio negue. Ocorre que FHC é presidente de honra do PSDB. Eu corto as duas mãos se a frase não for incorporada à defesa dos réus do mensalão. “Teatralização” será entendida como “falsificação”, “exagero”, “mera representação”. E não foi um “deles” a dizê-lo, mas uma voz da oposição. Em uma palavra e um ponto: desastroso!

O tucano também afirmou o que já se sabia: recebeu o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, quando parecia inexorável que se caminhasse para o pedido de impeachment. Negou que tenha havido um acordo, mas deixou claro, sim, que o PSDB tirou o pé do acelerador. Insiste ainda hoje que o eventual impeachment de Lula teria cindido um país, teria sido um trauma político etc. Trata-se, temos de ser fiéis à história das idéias, do FHC de formação esquerdista a falar, não aquele que escolheu tirar o país do atraso econômico-institucional. A tese é ruim de doer. Em primeiro lugar, não dá para adivinhar o que seria. Em segundo lugar, ofensa à democracia foi a tentativa de comprar o Congresso e a compra efetiva de partidos com porteira fechada. Mais: ao sobreviver ao mensalão, o PT se colocou como um partido acima do bem e do mal. Os critérios morais passaram a ser ainda mais lassos.

FHC sugere que se fez ali uma escolha. Ora, não escapará a ninguém que essa escolha comporta uma boa dose de paternalismo. Em nome, então, da não-cisão, uma suposição, escolheu-se um caminho que ignorava as leis. Ruim! Lula sobreviveu, sim, ao mensalão, mas não exatamente para soldar uma fratura. Ao contrário: nascia ali, de forma decidida, a guerra do “nós” contra “eles”. E o próprio FHC era a besta-fera do passado. “Ora, se ele não se importa, Reinaldo, por que você vai se importar?” Ele sabe o que faz de si. Ocorre que foi transformado numa espécie de símbolo do não-petismo. O governo petista passou a usar a estrutura do estado para liquidar a divergência.

Confronto de valores
Ao responder ontem a um subintelectual falastrão, lembrei um texto que texto que escrevi na última edição de VEJA do ano passado sobre aquela que considero ser a saída das oposições. Não é “a” resposta, claro! É só a “minha” resposta. Ou o Brasil reinventou a democracia ou está com algum problema. No mundo inteiro, existem partidos chamados “conservadores” que disputam o poder em igualdade de condições com os ditos “progressistas”. É esse equilíbrio que tem garantido as boas conquistas do regime democrático.

Não no Brasil. FHC falou na sabatina da Folha, na prática, ainda que com um volteio retórico aqui e ali, em favor da descriminação das drogas e do aborto, agenda que nem o PT assume claramente porque sabe que ela se choca com a opinião da maioria do povo brasileiro. Notem bem: se é isso o que FHC pensa como intelectual, que diga! Não serei eu a cobrar dele que afirme o contrário do que pensa. Uma coisa é certa: ele é uma das principais referências do PSDB, e a esmagadora maioria da parcela da população afinada com esse discurso vota no… PT!!!

No que respeita ao ordenamento propriamente econômico, não há diferenças entre PSDB e PT. Eu diria mesmo que, personalidade a personalidade, há pessoas no partido de Lula que estão muito, só para ficar em termos consagrados, “à direita” de alguns tucanos. No que diz respeito à agenda dos costumes, bem mais importante para a democracia e para a disputa eleitoral do que parece, um FHC — e ele não seria o único — se posiciona, para ficar na nomenclatura consagrada, à esquerda do próprio PT ou, quem sabe, do Apedeuta. Procurei: não há uma só declaração do Babalorixá que flerte com a descriminação do aborto, por exemplo, ainda que a política do partido caminhe nesse sentido. A própria Dilma, que fazia a defesa aberta dessa agenda, teve de mudar durante a campanha.

Nessa toada, esses que estão hoje na oposição não voltarão ao poder — a não ser que haja um desastre na economia, o que ninguém quer — enquanto insistirem em disputar o mesmo espaço do PT. A conversa de que “eles roubaram a nossa agenda” é inútil. É verdadeira, sim! A verdade na qual poucos acreditam costuma ser de uma danada ineficiência, não é? Vejam o caso da Cassandra, coitada!, que saiu da mitologia para ser difamada na metáfora. Sempre que alguém faz uma previsão meio catastrofista, dizem: “Esse é uma Cassandra”. Ocorre que a coitada sempre estava certa; sempre previa o que iria acontecer. Mas uma maldição de Apolo fazia com que não acreditassem nela… Era a chamada verdade inútil. Se os troianos a tivessem ouvido, não teriam levado aquele cavalo dos gregos para dentro da cidade. Mas levaram…

PSDB ocupa espaço da direita
Tenho, sim, grande admiração por alguns tucanos, FHC entre eles. Mas nunca fui um deles, como muitos deles, aliás, fazem questão de também deixar claro. Na extinta revista Primeira Leitura, e o PSDB ainda estava no poder, escrevi um texto em que afirmava que o Plano Real, e só ele, tinha dado duas eleições presidenciais aos tucanos. A população votou, basicamente, no fim da inflação. Aloizio Mercadante e Maria da Conceição Tavares fizeram ao país o favor de convencer Lula e a cúpula petista de que o plano seria um desastre. Assim, queridos, vamos homenagear os dois com um pequeno aplauso: ao convencerem o Apedeuta a se colocar contra o sentimento da maioria, impediram o PT de chegar ao poder. Graças a Deus!

Quando o PT mudou o discurso e passou a atuar com a agenda econômica do adversário, mas investindo pesado no confronto de valores, o comando do PSDB se perdeu e não se encontrou até agora. Vivemos hoje uma situação estranhíssima. Se notarem, o PSDB ocupa o espaço que, nas democracias consolidadas, é ocupado por partidos conservadores, que o mundo chama, sem qualquer carga de preconceito, “de direita”. Ocorre que o PSDB não é… de direita! Resultado: ficam todos embolados no meio de campo, fazendo um discurso dito “progressista”, com a diferença de que os petistas, e nisso continuam esquerdistas, dominam os aparelhos dos ditos “movimentos sociais”.

Os conservadores acabam, com freqüência, fazendo “voto útil” nos tucanos, embora, na prática, estes acabem se confundindo com os petistas. E as coisas ficaram piores depois que os petistas decidiram se confundir com os tucanos. Nessa toada, o PSDB nem se torna uma alternativa de poder nem permite que surja uma alternativa de poder.

Lá vem pancada
Aviso aos navegantes: os encapuzados da USP estão bravos e me xingam.; os amigos dos encapuzados estão bravos e me xingam; os petistas estão bravos e me xingam… E sei que agora virão os tucanos bravos, especialmente os de Minas. Não me importo. Tampouco me constranjo. Não escrevo para agradar tucanos, petistas ou sei lá quem. Escrevo o que acho que tem de escrito. Se acho que FHC, que tenho em altíssima conta, errou, então digo: “errou!”.

Às vezes, tenho a impressão de que os tucanos, se aceitos, poderiam se integrar ao PT. Comporiam hoje a sua ala… esquerda!

Por Reinaldo Azevedo

06/12/2011

às 18:18

A CONSPIRAÇÃO DOS MENTIROSOS NO RODA VIVA, A “EMISSORA TUCANA” A SERVIÇO DO PT

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi o entrevistado ontem do programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Na bancada de entrevistadores, os jornalistas Ricardo Gandour (Estadão), Sérgio Dávila (Folha) e Ancelmo Gois (O Globo). Pode-se gostar ou não do grupo, mas faz sentido, é evidente! Estavam também presentes a professora de história da USP Lilia Schwarcz — o sentido já começa a falecer — e a militante petista Maria Rita Kehl, que é a ausência completa de sentido.

Curioso! Há dias, Fernando Haddad, virtual candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, foi entrevistado no mesmo programa. Noticiou, então, o Painel, da Folha:
Chamada a entrevistar Haddad hoje no “Roda Viva”, Maria Helena Castro foi posteriormente desconvidada pela TV Cultura. A emissora disse à tucana, presidente do Inep na gestão FHC e secretária da Educação no governo de José Serra, que optou por ter apenas jornalistas na bancada.

Sim, isso aconteceu. E olhem que os petistas costumam acusar a Cultura de ser uma “TV tucana”, o que é uma piada grotesca. Não por acaso, como se vê na imagem abaixo, o site dos “Amigos do Presidente Lula” comemorou a decisão. Vejam. Volto em seguida.

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Para Haddad, só jornalistas. Para FHC, Lilia Schwarcz e Maria Rita Kehl. Adiante! E pouco me importa se ele concordou previamente com a bancada ou não. Por temperamento, se avisassem  que haveria um porco espinho na bancada, não faria restrição.

Jornalistas, tenham lá a visão de mundo que tiverem, têm de ter compromisso com os fatos. É a sua matéria-prima. Há muito tempo, no Brasil, setores da academia estão comprometidos com uma ideologia, uma visão de mundo. Se preciso, fraudam a história para justificar suas escolhas ou, eventualmente, para puxar o saco de uma corporação. Foi o que fez Lilia. No caso de Maria Rita, a coisa é mais grave. Ela é psicanalista, a “lacaniana” de plantão dos “descolados” do circuito Jardins-Vila Madalena. Com freqüência, e demonstrou isso outra vez no Roda Viva, não diz coisa com coisa, atrapalha-se na articulação de estruturas binárias. A razão é simples: quase sempre está militando e quase nunca está pensando. Estrelou o grande momento de “lacanagem” do Roda Viva.

Sigamos. Jornalistas ou não, as pessoas têm lá, reitero, sua visão de mundo, sua ideologia, suas convicções. É legítimo. Um mesmo fato pode ser visto segundo valores distintos. MAS MENTIR NÃO É ACEITÁVEL. Maria Rita e Lilia, no entanto, resolveram ignorar os fatos, atropelar a verdade, fraudar a história ao comentar os episódios da USP. A íntegra da entrevista está aqui. O trecho que vou transcrever (em vermelho) se encontra entre 1h20min e 1h23min.

Mário Sérgio Conti (mediador) – Ainda na questão “Educação”, mas menor (?), a Maria Rita quer fazer uma pergunta…

Curiosidade: como Mário Sérgio Conti sabia qual seria o tema da pergunta de Kehl? Estava previamente combinado?

Maria Rita – É uma pergunta dupla. Vamos ver se eu consigo juntar as pontas. A polícia de São Paulo, enfim, estado governado pelo seu partido, tem sido muito violenta e há muito tempo. Há uma certas apatia. Para dar um exemplo, que todo mundo conhece, depois dos ataques do PCC em maio de 2006, houve extermínio de gente, e crimes não esclarecidos até hoje, intimidação das famílias, enfim… Aí, de uma maneira um pouco mais banal, manifestações populares são reprimidas de uma maneira injustificada… Manifestações contra o aumento de ônibus com aposentados e estudantes… e muito reprimidas, sem necessidade. Então eu queria ver se dá para perguntar duas coisas paralelas: em primeiro lugar, como é que o senhor vê o movimento dos estudantes da USP, que não é exatamente contra a presença da polícia no campus, mas o modo como a polícia desrespeita direitos. E é universal a manifestação; não é que eles querem pra eles respeito, e não para a favela de São Remo, ali do lado. Mas tá sendo muito divulgava como uma manifestação de garotos mimados, ricos, que querem privilégios. Isso é um lado. Por outro lado, parece que não tem a ver, mas acho que tem, como é que o senhor encara a criação da Comissão da Verdade e os limites… E como é que é essa Comissão da Verdade e o que se pode esperar dela. Porque a polícia brasileira… O Brasil é o único país da América Latina que não apurou os crimes da ditadura militar e cuja polícia, hoje, mata mais do que matou durante a ditadura militar. Então tem aí alguma ligação…

Comento
Raramente assisti a tamanha manifestação de desonestidade intelectual. Maria Rita recorre à mentira em sentido clássico mesmo: os fatos dizem uma coisa, e ela, o avesso. E também mente por aquilo que omite, aí já é um troço um pouco mais elaborado. Num programa em que fez uma análise correta, serena, firme do governo Dilma, FHC deu uma péssima resposta porque essencialmente desinformada. Não vou transcrevê-la porque levaria tempo demais. Com ressalvas aqui e ali, acabou concordando com Maria Rita e, pois, endossando uma coleção de fraude factuais.

Vamos lá. Maria Rita está mentindo, e espero que ela não perca seu tempo me processando porque tenho aqui uma pilha de panfletos dos invasores da USP. A primeira reivindicação é “a PM fora do campus”, SIM, SENHORA!!! “Fora”, dona Maria Rita, mesmo no mundo da lacanagem, quer dizer “fora”; e “dentro”, “dentro”. Quem precisa negar um fato para justificar sua análise não passa de um picareta intelectual. Há outros absurdos em sua fala. Já chego lá. Quero agora me fixar um pouquinho em seu modo de pensar.

Além de militante petista — e era nessa condição que estava no Roda Viva —, Maria Rita é psicanalista. Consta que é lacaniana. Huuummm… A linguagem exerce, assim, papel importante no seu ofício. Releiam a sua fala. Diz que vai fazer uma “pergunta dupla”, seja lá o que isso signifique, para, depois, “juntar as duas pontas”. Em seguida, afirma que são “perguntas paralelas”. Maria Rita, então, tentará o que ninguém ousou até hoje: O CRUZAMENTO DAS PARALELAS. A primeira pergunta é sobre a USP; a segunda — “por outro lado, parece que não tem a ver, mas acho que tem” — é sobre a Comissão da Verdade. Entenderam??? “Por outro lado, parece que não tem a ver, mas tem…” É o que chamo linguagem da “lacanagem”. Estamos no meio de um tumulto mental, mas o propósito, é evidente, é atacar a polícia.

Volto ao conteúdo de sua fala. Notem que há uma introdução que é mero discurso contra a polícia, que deveria processá-la. Ela está acusando uma instituição de ter cometido execuções extrajudiciais. Isso é coisa diferente de apontar grupos que cometem desmandos. Eles existem e estão sendo identificados e punidos. Para ela, existe uma ação deliberada. Está obrigada a provar, acho eu. “Extermínio de gente” uma ova! Houve o enfrentamento do crime organizado. Entre os dias 12 e 21 de maio de 2006, foram sumariamente executados nada menos de 59 policiais, com ataques a carros da PM, delegacias, postos policiais etc. Como se vê, essa grande humanista não disse uma vírgula a respeito. Na campanha eleitoral de 2006, como vocês se lembram, Luiz Inácio Apedeuta da Silva usou os ataques para tentar provar que a segurança em São Paulo estava fora do controle. Na prática, então, usava o PCC como um aliado eleitoral objetivo. O PCC, diga-se, já tinha mostrado simpatia pelo petismo (ver próximo post).

Maria Rita mente também quando afirma que a PM ataca “manifestações populares” de maneira injustificada — de resto, mero juízo de valor. Os confrontos que eventualmente acontecem se dão quando os manifestantes resolvem obstruir vias públicos ou quando, eles sim!, atacam a polícia. No dia 23 de maio de 2007, por exemplo, a tropa de choque da Apeoesp, os amigos de Maria Rita Kehl, entrou em confronto com PMs. Saldo: 22 feridos. Todos eram policiais.

A petista Kehl, na emissora que dizem “tucana”, transformou a Polícia Militar mais eficiente do Brasil — responsável direta por uma queda no índice de homicídios considerada exemplar até pela ONU — numa instituição assassina e repressora. Na sua fala, releiam, a PM sai como vilã, e o PCC como vítima.

No que diz respeito à USP, finalmente, não há um só direito sendo desrespeitado. Agora vamos à fala de Lilia Lilia Schwarcz.

Lilia Schwarcz (1h22min) – Essa também não é uma questão de linguagem, ou seja, o que a imprensa pegou foi só o lado… A discussão de quais são… a autoridade da polícia no campus também é importante, né?

Acho que entendi essa soma de anacolutos e explícito espancamento da concordância verbal. A autoridade da PM no campus está clara. Dois policiais, apenas dois, flagraram três alunos fumando maconha e com uma quantidade da droga que não caracterizava apenas consumo. Ainda que assim fosse, é ilegal. Ponto! O problema é que essa gente fica divulgando a mentira de que PMs estão revistando a mochila de estudantes. Todos os que fazem essa “denúncia” são militantes de organizaões de extrema esquerda e estão comprometidos com a invasão da reitoria.

Lilia Schwarcz (1h24min) – O sr. não acha que teve uma questão de performance, também? Ou seja, porque em todos os lugares, não estou dizendo que deve se liberar na USP, mas que foi um contingente militar pra pegar dois garotos…

Pergunto: será que essas pessoas falam assim quando dão aula? Como é que os alunos acompanham o raciocínio? O sujeito e o predicado vivem em permanente divórcio. É mentira, professora Lilia! Dois soldados abordaram três maconheiros e pretendiam conduzi-los para fazer o termo circunstanciado. Até a direção da faculdade já havia sido acionada, e os próprios rapazes já haviam decidido acompanhar os policiais. Mas aí chegou a tropa de choque da extrema esquerda, inicialmente liderada pelo Sintusp, e os policiais foram cercados. ATENÇÃO! HÁ IMAGENS QUE COMPROVAM: A AGRESSÃO PARTIU DOS MANIFESTANTES. Mais: há sérios indícios de que o próprio flagrante fez parte de uma armação para criar um casus belli na USP. Os policiais receberam uma denúncia anônima de que os rapazes fumavam e portavam maconha. Cumpriram o seu dever. Mas o circo já estava preparado. Do nada, os “militantes” foram brotando.

Aí acontece outra coisa inusitada. Demonstrando certo enfado, falando como quem argumenta ab absurdo, Mario Sérgio Conti, o mediador do programa, procura arrematar a discussão, desqualificando até mesmo a resposta do entrevistado, que já ia mal, reitero, porque tendente a concordar, embora com reservas, com as empulhações que tinham sido ditas até ali pelos entrevistadores.

Mario Sérgio Conti - Uma invasão da PM num campus da USP! O senhor foi professor lá!

Invasão???
O povo de São Paulo paga o salário de Mário Sérgio Conti para que ele declare que a PM “invade” a USP, como se tivesse cometido alguma ilegalidade? É mentira! Havia uma determinação judicial para que se restabelecesse o estado de direito na universidade. Invasores eram os encapuzados; invasores eram aqueles que impediam o trabalho normal na USP; invasores ainda são os que impedem, com piquetes, que alunos e professores possam exercer o seu ofício.

Cada um tenha, reitero, sobre o episódio a opinião que quiser. Mas não dá para condescender com a mentira. Assim como a população não paga imposto para que a USP seja privatizada por meia-dúzia de vagabundos, também não sustenta a TV Cultura para que se minta no ar de forma tão escandalosa. Uma das funções do mediador, diga-se, é sempre zelar pela verdade. No caso, Conti resolveu engrossar o caldo da mistificação.

Ah, sim, dona Maria Rita! O estado de São Paulo tem hoje menos de 10 homicídios por 100 mil habitantes, realidade reconhecida até pelo governo do seu partido, o PT. Em 12 anos, a redução do número é de quase 80%. Chegou-se a esse número fazendo mais policiamento preventivo, prendendo mais e, em último caso, matando bandidos. Na Bahia, por exemplo, governada pelo seu partido, o índice de homicídios teve uma elevação escandalosa.

PS - Aviso dirigido: é inútil rosnar e mobilizar braços de aluguel para me atacar. Não dou a mínima. Nem me intimido. Podem vir quente que eu estou fervendo, hehe. De resto, eu tenho números que provam que estou certo (e ainda voltarei a eles) e que provam que vocês estão errados.

Por Reinaldo Azevedo

25/10/2011

às 6:41

FHC volta ao Alvorada para receber “The Elders” com Dilma

Por Valdo Cruz e Ana Flor, na Folha:
Quase nove anos depois de deixar a Presidência, Fernando Henrique Cardoso voltará hoje ao Palácio da Alvorada como convidado da presidente Dilma Rousseff. Ela receberá para jantar o grupo conhecido como The Elders (os anciãos, em português), que reúne líderes mundiais em torno de uma agenda de promoção da paz. Estão confirmados o arcebispo sul-africano Desmond Tutu; o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter; o ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari; a ex-primeira-ministra da Noruega Gro Brundtland; e a ex-alta comissária da ONU para Direitos Humanos Mary Robinson.

O grupo foi criado em 2007 pelo ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, que não participará do jantar por motivos de saúde. Em fevereiro, FHC pediu a Dilma que os recebesse em audiência. À época, a presidente confirmou o desejo de encontrar os líderes. Eles estão reunidos no Rio. Será a primeira vez que FHC voltará ao Alvorada, residência oficial da Presidência, desde o final de seu governo (1994-2002).
(…)

Por Reinaldo Azevedo

06/10/2011

às 5:41

“Centro-direita não tem a ver com PSDB”, diz FHC

Todos sabem o que penso de FHC, o presidente mais importante que o Brasil já teve. E Getúlio Vargas? Importantíssimo! Mas nos deixou um pesado legado mental, que considero estar na raiz de muitos atrasos. Minha admiração por FHC é imensa, mas não concordo sempre com ele. Já aconteceu antes e acontece agora. Leiam trechos de uma entrevista sua ao Estadão de hoje. Existem direita e esquerda no mundo inteiro, ainda que elas jamais tenham estado tão próximas no ideário como nesses dias. Por que não existiriam no Brasil?

Na segunda-feira, lembrei aqui um texto que escrevi no fim do ano passado sobre o futuro das oposições — em particular do PSDB. Lá estão os detalhes da minha divergência. Creio que, se o PSDB não assumir seu lugar à direita no espectro ideológico, acabará sem lugar nenhum. Não é o que pensa o ex-presidente.

Por Gabriel Manzano, no Estadão:
Direita, esquerda, centro, socialistas ou neoliberais “são apenas rótulos, coisas externas à vida real dos partidos”, e não faz sentido pedir que uma sigla vá para a “centro-direita” ou para a “centro-esquerda”. Essa é a resposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à avaliação feita pela acadêmica norte-americana Frances Hagopian, em entrevista ao Estado, segundo a qual o PSDB “devia assumir-se como partido de centro-direita”. Diferentemente do informado pelo Estado domingo passado, FHC não concorda com Hagopian nesse aspecto político-ideológico, externado por ela em entrevista exclusiva antes de palestra no Centro Ruth Cardoso, em São Paulo.

O que o ex-presidente endossa é a avaliação feita pela especialista americana, durante a palestra, de que os tucanos devem defender os seus feitos do passado: as reformas adotadas no País nos anos 90, as privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que trouxeram a estabilidade política e econômica ao Brasil. Ainda sobre o aspecto ideológico, o ex-presidente alega que, teorias à parte, “a dinâmica dos partidos no Congresso é bem outra”. “Na prática, há uma base que sustentou o governo Lula, sustentou o meu, e antes dele o governo Sarney”, afirmou FHC. “Concordo com a Hagopian quando diz que o PSDB tem de se diferenciar, assumir o que fez. Mas falar em centro-direita não tem nada a ver com o PSDB nem com outros partidos. Não é por aí.” O ex-presidente lembrou que “até Paulo Maluf já se definiu como social-democrata”.

Que lhe parece a avaliação da americana Frances Hagopian de que o PSDB deveria “assumir-se como de centro-direita?
Acho que ela tem uma contribuição positiva, mas exagera a programatização dos partidos. A tese dela é que os partidos se tornaram mais programáticos e isso permitiu a aprovação das reformas. Quando fala em programatização, tem essa visão de que o PSDB fez aliança com o centro, com a centro-direita. E o PT, que era de esquerda, acabou vindo para a centro-esquerda etc. Isso é uma visão dos rótulos dos partidos. A dinâmica no Congresso é bem outra. Essas caracterizações tipo centro, centro-esquerda, centro-direita, neoliberal, socialista são externas à prática real. O que há é uma base, que sustentou o governo Lula. Que também sustentou a mim, ao Sarney.

Não se deve, então, falar em esquerda e direita ?
Há uma insistência nessa dicotomia. Isso se deve à falta de analisar os processos reais, o mundo concreto. Não é que inexista uma esquerda, mas… o que significa a esquerda hoje? Ninguém mais pensa como no passado, coisas como coletivização dos bens privados, feita por um partido que dominasse o Estado em nome de uma classe. Isso não ocorre mais.
(…)
E as tarefas do PSDB?
Esse foi o ponto em que eu concordei com a análise da Hagopian, o PSDB tem que se diferenciar, assumir o que fez. Mas qual a diferença, neste momento? O PT está privatizando aeroportos, privatizando estradas, fez um Proer recentemente para salvar alguns bancos pequenos… E veja, antes isso era herança maldita… Essas diferenças entre os petistas e o que eles chamavam de neoliberalismo não existem mais. O que existe é a maior ou menor ingerência dos partidos na gestão da coisa pública. No nosso tempo, havia menos ingerência.

Quando Gilberto Kassab disse que o PSD “não é de centro, nem esquerda, nem de direita”, foi um sinal da desimportância da ideologia nos partidos brasileiros?
Provavelmente, sim. Como não estão se desenhando alternativas ao que aí está, fica difícil dizer o que é esquerda, o que é direita. Não se esqueça que, há um bom tempo, o Paulo Maluf se declarou social-democrata.
(…)
O lulismo pode ser chamado de uma ideologia?
Não. É um estado de espírito, um sentimento. Não é ideologia. Não está propondo nada.

O que o sr. diz da direita?
Quem defende a direita no Brasil? Ninguém. Mas na prática ela existe – mas a nossa direita é muito mais o atraso, o clientelismo, fisiologismo, esse tipo de questão, do que a defesa dos valores intrínsecos da propriedade, da hierarquia. Não tem muito essa defesa.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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