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Duda Mendonça

18/03/2013

às 21:01

STF mantém bens de Duda Mendonça bloqueados

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, negou pedido de liberação dos bens bloqueados pela Justiça do publicitário Duda Mendonça e da sócia dele, Zilmar Fernandes. Os dois foram absolvidos no julgamento do mensalãoRelator da ação penal do mensalão, Joaquim Barbosa afirmou em sua decisão que, embora remota, ainda existe a possibilidade de os dois publicitários poderem ser apenados na fase de recursos do julgamento do mensalão. O magistrado argumentou que o bloqueio dos bens ainda é necessário para garantir o eventual ressarcimento dos danos causados aos cofres públicos pelos crimes imputados a Duda e Zilmar Fernandes caso a absolvição seja revista.

Em dezembro do ano passado, o publicitário Duda Mendonça, responsável pela campanha que elegeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, foi absolvido dos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A acusação do Ministério Público apontava que ambos haviam recebido recursos do esquema do publicitário Marcos Valério de Souza. Conforme a Procuradoria-Geral da República, Duda utilizou a empresa offshore Dusseldorf, com sede nas Bahamas, para receber 10,4 milhões de reais como pagamento pelas campanhas publicitárias.

Na ocasião em que absolveram os publicitários, os ministros do STF entenderam ser fundamental que os réus soubessem claramente que a origem dos recursos recebidos pelos serviços prestados na campanha eleitoral era ilegal e, com isso, tivessem a intenção de lavar o dinheiro.

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2013

às 6:25

Onze anos depois, onde estão os ratos da propaganda do PT? A lógica elementar indica que estão no poder!

Um amigo enviou-me ontem um e-mail lembrando a propaganda política do PT em 2002, antes do início oficial da campanha eleitoral, que acabaria elegendo Lula presidente da República. Criada por Duda Mendonça, chamava-se “Xô Corrupção” e se dizia “Uma campanha do PT e do povo brasileiro”. Vale a pena rever.

Quase 11 anos depois, cumpre perguntar? O que foi feito daqueles ratos, hein? Estão mais viçosos do que nunca, não é mesmo? Há uma resposta ditada pela lógica elementar: a menos que todos os ratos do país estejam no PSDB, no DEM e no PPS, é forçoso admitir que a maioria está mesmo é no poder, certo? Afinal, é tudo “base aliada”… Rato, a gente sabe, é um bicho mau-caráter. Vai onde tem comida…

É… Duda Mendonça talvez tenha sido profético, a despeito das próprias intenções. A frase continua a valer: “Ou a gente acaba com eles, ou eles acabam com o Brasil”.

PS – Bem, preciso lembrar a ironia da história. Duda, o autor dessa peça publicitária impactante, foi o marqueteiro de Lula. Recebeu o pagamento ao longo de 2003, em dólares, numa conta no exterior. A origem do dinheiro é desconhecida.

Por Reinaldo Azevedo

15/10/2012

às 21:56

STF absolve Duda Mendonça de lavagem de dinheiro e evasão de divisas

Por Laryssa Borges e Gabriel Castro, na VEJA.com:
Responsável pela campanha que elegeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, o publicitário Duda Mendonça foi absolvido nesta segunda-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do mensalão. Ele respondia pelos crime de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, por ter recebido recursos do esquema do publicitário Marcos Valério de Souza.

Duda utilizou a empresa offshore Dusseldorf, com sede nas Bahamas, para receber 10,4 milhões de reais como pagamento pelas campanhas publicitárias. O veredicto foi firmado nesta segunda-feira com ampla maioria pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na 36ª sessão plenária convocada para julgar o processo do mensalão. Apenas os ministros Joaquim Barbosa, relator da ação penal, Luiz Fux e Gilmar Mendes consideraram Duda Mendonça e a sócia dele, Zilmar Fernandes, culpados por lavagem de dinheiro.

O voto condutor da absolvição dos dois publicitários foi proferido pelo revisor do mensalão, ministro Ricardo Lewandowski. Para ele, é fundamental que os réus soubessem claramente que a origem dos recursos recebidos era ilegal e, com isso, tivessem a intenção de lavar o dinheiro. Segundo o magistrado, cujo entendimento foi seguido pelos ministros Rosa Weber, José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Marco Aurélio, Celso de Mello e Carlos Ayres Britto, não existem provas cabais de que os dois publicitários soubessem que o dinheiro recebido era resultado de crimes anteriores.

Conforme a acusação do Ministério Público Federal, Duda Mendonça e Zilmar Fernandes utilizaram duas técnicas para receber o pagamento pelas peças publicitárias da campanha vitoriosa “Lulinha paz e amor”, de 2002. Ora sacaram diretamente de uma conta corrente do Banco Rural, em São Paulo, recursos providenciados pelo publicitário mineiro Marcos Valério, operador do mensalão, ora receberam diretamente no exterior o restante do pagamento. Ao todo o MP identifica 53 operações de remessa de dinheiro para o exterior em favor de Duda e de sua sócia.

Embora não tenha havido contestação sobre a existência dos depósitos no exterior – o próprio publicitário admitiu o recebimento dos recursos em depoimento espontâneo na CPI dos Correios, em 2005, a maioria dos ministros considerou que os réus não tinham conhecimento de que os recursos eram resultado de crimes. Sem a ciência de que o dinheiro era criminoso, não haveria razão para lavá-lo.

Decano do STF, o ministro Celso de Mello se apegou a um aspecto temporal para defender que não há certeza de que Duda e Zilmar tinha conhecimento pleno da origem ilegal dos recursos. Ele lembrou, por exemplo, que a conta da empresa Dusseldorf foi aberta em 19 de fevereiro de 2003, período em que os contratos com o Banco do Brasil ou os empréstimos do Banco Rural, cujos recursos irrigaram o valerioduto, ainda não tinham sido firmados. 

“Como réus poderiam saber da existência de uma organização criminosa em processo de formação e destinada no futuro ao cometimento de crimes contra a administração pública e contra o sistema financeiro? Como os réus poderiam saber que em 31 de dezembro de 2003 seria assinado um contrato entre a Câmara dos Deputados e a (agência de publicidade) SMP&B e que seriam desviados valores? Como em 19 de fevereiro de 2003 os réus poderiam saber que em setembro de 2003 seria assinado contrato entre Banco do Brasil e a (agência de publicidade) DNA e que recursos seriam desviados?”, questionou Celso de Mello. “O crime antecedente verificou-se em momento posterior ao crime de lavagem”, resumiu ele.

“Os atos preparatórios, inclusive a abertura da conta, foram feitos sem a ciência de que o dinheiro provinha de atos criminosos”, completou o ministro Ricardo Lewandowski.

Evasão de divisas
Por nove votos a um (vencido o ministro Marco Aurélio), o STF também livrou os dois publicitários de uma condenação por evasão de divisas. Embora a acusação quisesse que Duda e Zilmar fossem apenados por retirar dinheiro do país sem declarar ao Fisco, os ministros entenderam que, para caracterizar o crime, deveria haver um saldo mínimo de 100 000 dólares em 31 de dezembro de cada ano. No caso de Duda e Zilmar, tanto em 2003 quanto em 2004, época de vigência do mensalão, havia menos de 600 dólares na conta Dusseldorf nesse dia.

Impunidade
Com um voto duro pela condenação dos publicitários, o ministro Gilmar Mendes questionou o fato de o crédito do publicitário Duda Mendonça junto ao PT ter sido pago também por um publicitário, e ainda mais concorrente do profissional baiano. Para o magistrado, nem o mais inocente cidadão admitiria que a prática heterodoxa de receber recursos por meio de uma offshore não tivesse como objetivo ocultar a prática de crimes.

“O ônus do pagamento transferido a um empresário do mesmo ramo, concorrente. Nem o mais cândido dos ingênuos admite isso. Um publicitário passa a fornecer recursos, ele vai pagar a dívida e não há razão para desconfiar?”, questionou o ministro sem, contudo, convencer os demais integrantes da corte.

Em seu voto, Mendes ainda afirmou que a diversidade de operações para o pagamento e recebimento desses recursos revela práticas alheias ao senso comum, delineando uma “confiança muito grande na impunidade”. “É um todo intrincado de uma ousadia quase que incomensurável quando se conhece todo o entrelaçamento das operações. É uma confiança muito grande na impunidade”, disse ele.

Na mesma sessão, o STF também condenou cinco réus por evasão de divisas: três do núcleo publicitário (Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Simone Vasconcelos) e dois do núcleo financeiro (Kátia Rabello e José Roberto Salgado) e absolveu Geiza Dias, Cristiano Paz e Vinícius Samarane (ligados a Marcos Valério e ao Banco Rural) das mesmas acusações.

Por Reinaldo Azevedo

15/10/2012

às 17:03

Barbosa condena Duda e Zilmar por uma das imputações de lavagem e os absolve de evasão de divisas

A coisa está um pouco atrapalhada, mas vamos lá. Joaquim Barbosa absolveu Duda Mendonça e a sócia, Zilmar Fernandes, de parte das imputações de lavagem de dinheiro, relativas a cinco saques no Banco Rural. Há pouco, no entanto, ele condenou os dois por esse crime em razão de outras operações. Os publicitários também foram absolvidos do crime de evasão de divisas, mas Barbosa deixou claro que pode mudar o seu voto a depender do entendimento do colegiado. Segue trecho de reportagem do Portal G1:

Por Fabiano Costa, Mariana Oliveira e Nathalia Passarinho:
O relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, condenou nesta segunda-feira (15) o publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, pelo crime de lavagem de dinheiro. Antes, os dois haviam sido absolvidos de uma outra acusação de lavagem e do delito de evasão de divisas. 

A primeira acusação de lavagem, pela qual eles foram absolvidos, se refere a cinco retiradas de agência do Banco Rural que totalizaram R$ 1,4 milhão em espécie. A segunda acusação de lavagem de dinheiro, que resultou na condenação, se refere a 53 operações de envio de recursos para o exterior por meio da offshore Dusseldorf, de propriedade de Duda Mendonça.

Marcos Valério, seu sócio Ramon Hollerbach, além de Simone Vasconcelos, ex-diretora das agências do grupo, foram condenados por evasão de divisas. Também foram condenados pelo delíto a ex-presidente do Banco Rural Kátio Rabello, e o ex-vice-presidente José Roberto Salgado. Foram absolvidos dos crime de evasão de divisas Cristiano Paz, Vinicius Samarane e Geiza Dias.

A lavagem de dinheiro é delito que consiste em tentar dar aparência de legalidade a dinheiro proveniente de atividade criminosa, enquanto evasão de divisas significa realizar operação de câmbio não autorizada com o objetivo de tirar dinheiro do país. 

De acordo com o Ministério Público, os dez réus no item da denúncia que trata de evasão de divisas enviaram de modo ilegal para Miami R$ 11 milhões recebidos do PT por Duda Mendonça. O publicitário foi responsável pela campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva  em 2002. De acordo com o Ministério Público, o pagamento pelo serviço teria sido feito por meio de mecanismos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Duda e sócia
Ao ler o voto, o ministro Joaquim Barbosa ressaltou que a sócia de Duda Mendonça, Zilmar Fernandes, sacou em cinco vezes  o valor  de R$ 1,4 milhão em espécie no Banco Rural.

Barbosa citou depoimento de Marcos Valério, apontado como o operador do esquema de compra de votos no Congresso, no qual Valério destaca que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares determinou que ele fizesse repasse de recursos a Duda Mendonça.

O relator afirmou, contudo, que não há provas de que o publicitário e Zilmar Fernandes sabiam da ocultação de dinheiro. Por conta disso, absolveu-os da acusação de lavagem de dinheiro. “Entendo que há dúvida razoável sobre se Duda Mendonça e Zilmar Fernandes tinham conhecimento dos crimes antecedentes [praticados pelo grupo de Marcos Valério e pela cúpula do Banco Rural].”

Segundo Barbosa, Zilmar sacou o dinheiro porque era beneficiária dos valores. “Valores sacados por Zilmar Fernandes, em última análise, também lhe pertencia. Ela, portanto, não era terceira pessoa, subalterna, utilizada pelo beneficiário direto para retirar esses valores diretos e esconder a identidade do real beneficiário.”

O relator destacou, porém, que, “ao que tudo indica, o objetivo final de Duda e Zilmar era, tão somente”, recorrente da dívida dos serviços que prestaram ao PT.”

O relator disse ainda que Zilmar e Duda podem ter praticado sonegação de tributos, mas não lavagem. “Assim, analisando todo esse contexto, não há como afirmar que ambos integraram a quadrilha a que se referem esses atos. É até possível dizer que Duda e Zilmar tinham o objetivo de sonegar tributos, porém, eles foram denunciados nesse ponto tão somente por lavagem de dinheiro, mas não por sonegação.”

Em relação ao crime de evasão de divisas, o relator afirmou que “impõe-se também a absolvição de Duda Mendonça e Zilmar Fernandes”. Segundo ele, os autos mostram que os réus mantiveram valores superiores a 100 mil dólares na conta no exterior, valor que, por lei, deve ser declarado para o Banco Central. No entanto, disse Barbosa, no dia em que deveriam ter declarado os valores ao BC, o saldo era de apenas 573 dólares.

O relator afirmou que existe uma circular do Banco Central que determina que os valores a serem declarados devem ser os constantes no dia 31 de dezembro. Para ele, isso abre brecha para que brasileiros mantenham recursos no exterior sem que isso seja crime. Embora tenha votado pela absolvição, Joaquim Barbosa disse que o plenário deve decidir.

“Eu submeto essa questão ao plenário para deliberação. [...] Não há dúvida de que mantiveram valores superiores a 100 mil dólares no exterior de maneira sem declaração. Acontece que há circulares, que são normas em aberto, normas que fixam balizas, dizem quais datas para parâmetro de observação se a pessoa deteve valores no exterior.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

15/08/2012

às 15:18

Duda não é mensaleiro, diz advogado

Luciano Feldens abre sua defesa afirmando que as acusações que pesam contra outros mensaleiros não dizem respeito a seus clientes, Duda Mendonça e Zilmar Fernandes, sua sócia. Estes receberam dinheiro, diz, por seu trabalho, não para votar com o governo.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2012

às 5:20

Lembrem-se deste depoimento de Duda Mendonça e saibam por que ele expressa a essência do que está em julgamento

Vejam estes dois vídeos com trechos do depoimento de Duda Mendonça, marqueteiro de Lula em 2002, à CPMI dos Correios. No primeiro, ele conta como recebia dinheiro em espécie de Marcos Valério. Grana viva mesmo, papel. E revela que lhe foi pedido que abrisse uma conta no exterior.

No segundo, ele vai listando os depósitos que eram feitos. Lá estava, claro!, o infalível Banco Rural — Márcio Thomaz Bastos é advogado de um dos seus diretores. Assistam. Volto em seguida.

 

Voltei
Lula deveria ter caído ali. “Tá vendo, Reinaldo, como era tudo caixa de campanha?” Não!

Estou vendo é que dinheiro de origem ilícita transitou no PT durante e depois da campanha eleitoral, já que o esquema estava em plena vigência ainda em 2005, quando foi denunciando, no terceiro ano do governo Lula.

Estou vendo é que o dinheiro, que tinha origem criminosa, saído, de fato, dos cofres públicos — segundo aponta a acusação da Procuradoria Geral da República —, era usado, sim, para cobrir gastos de campanha também, o que torna tudo muito pior.

Os depósitos na conta de Duda Mendonça —R$ 10.8 milhões — foram feitos ao longo de 2003! O último depósito é de novembro. Lula, portanto, estava devidamente instalado na Presidência da República.  

Jamais percam isto de vista: “mensalão” não é crime tipificado no Código Penal. “Mensalão” é o apelido que Roberto Jefferson deu ao esquema criminoso. Corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, formação de quadrilha — PRÁTICAS A QUE SE RECORREU PARA CONSEGUIR O DINHEIRO — é que são crimes. E com esse dinheiro se fez de tudo, até cobrir rombo da campanha, o que só agrava o problema. Porque se frauda o processo democrático também. A cousas como essas o Supremo estará dizendo “sim” ou “não”.

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2012

às 5:57

Duda Mendonça omite destino de milhões recebidos no mensalão

Por Francisco Leal, no GLobo:
Acusado de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o publicitário Duda Mendonça assumiu publicamente que recebeu recursos no exterior do mensalão, mas, no Supremo Tribunal Federal (STF), não deu explicações sobre o que fez com os R$ 10,8 milhões depositados pelo chamado valerioduto. Depois do alarde que promoveu na CPI dos Correios, quando revelou que montou a empresa Dusseldorf, nas Bahamas, um paraíso fiscal, para receber dinheiro enviado por Marcos Valério, Duda passou a adotar uma estratégia de defesa tentando se livrar dos crimes pelos quais responde e também de um eventual processo por sonegação fiscal.

Esse último, o publicitário cuidou de enfrentar ainda em 2006. Pagou R$ 4,3 milhões à Receita Federal por não ter declarado o recebimento dos recursos no seu Imposto de Renda. E depois fugiu do assunto. Ao ser oficialmente interrogado sobre o tema, em janeiro de 2008, já na qualidade de réu do mensalão, afirmou que “os recursos depositados na conta Dusseldorf não voltaram ao Brasil”.

Três anos antes, ainda na fase policial da investigação, Duda dissera que, encerrados os depósitos na Dusselforf, ainda em novembro de 2003, passou a utilizar o dinheiro, mas não sabia explicar como, nem onde gastou a bolada. Laudo pericial comprovou que os US$ 3,6 milhões (R$ 10,8 milhões na época) que a conta da Dusseldorf recebeu entre fevereiro de 2003 e janeiro de 2004 não permaneceram na conta. O saldo final encontrado foi de apenas US$ 175,10.

Cruzando dados de outras investigações sobre remessa ilegal de recursos ao exterior, arquivos do Banestado e documentos remetidos pelo governo americano com autorização judicial, os peritos destrincharam o fluxo do dinheiro. Segundo eles, as remessas foram feitas por doleiros e empresas registradas em paraísos fiscais que operavam junto ao Bank Boston e ao Banco Rural. Cada remessa costumava usar contas diferentes. Na lista estão nomes como Deal Financial, SM Import, SM Comex, GD International, Kanton, Radial Enterprise, Banco Rural Europa e Trade Link Bank. Os dois últimos, segundo a perícia oficial, eram operados pelo Banco Rural brasileiro, que nega envolvimento. O dinheiro que entrou na Dusseldorf de Duda Mendonça saiu para contas operadas no Bank Boston International, no Chase Manhattan e no Credit Suisse First Boston. Mas as investigações não comprovaram que tenha voltado para o Brasil.

Além de não dar explicações sobre o que fez com o dinheiro, Duda Mendonça não quis admitir o que o Ministério Público comprovou: a Dusseldorf não foi sua única conta no exterior. Indagado na fase judicial se já teve outras contas, invocou o direito de ficar em silêncio. Em janeiro de 2006, o Ministério Público recebeu um ofício do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informando da existência de três contas em nome de José Eduardo Cavalcanti Mendonça: Dusseldorf Company 10012977; Jose Eduardo Mendonça 61122642; e Pirulito Company 10017249.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2011

às 6:01

Duda Mendonça diz ao STF que pode ter recebido dinheiro de caixa dois

Por Carolina Brígido, no Globo:

Os publicitários Duda Mendonça e Zilmar Fernandes admitiram, perante o Supremo Tribunal Federal (STF), que podem ter recebido dinheiro de caixa dois do PT. A afirmação foi feita nas alegações finais que integram o processo do mensalão, que investiga a compra de apoio político de parlamentares por parte do governo federal. Ambos são acusados de evasão de divisas, por terem mantido conta não declarada no exterior, e de lavagem de dinheiro.

“Aos acusados sempre pareceu que os valores recebidos por seu lícito trabalho eram oriundos, na pior das hipóteses, de infração prevista na legislação eleitoral (caixa dois mantido no Brasil e no exterior). Afinal, a relação dos acusados com o Partido do Trabalhadores já vinha desde 2001 e todos os pagamentos sempre foram autorizados e aprovados por Delúbio Soares, diretor tesoureiro do partido”, diz o texto, assinado pelos advogados Tales Castelo Branco e Frederico Crissiúma de Figueiredo.

Duda já havia admitido a possibilidade de ter recebido recursos de caixa dois em depoimento à CPI dos Correios, no Congresso Nacional, em 2005.

Duda afirma desconhecer origem ilícita do dinheiro
No documento, a dupla alega que não pode ser condenada por manter conta no exterior sem declarar porque o Banco Central expedira normas em 2004 e em 2005 isentando de declaração quem tivesse movimentação bancária anual no exterior inferior a US$ 100 mil. Segundo os advogados, o saldo da conta que eles movimentavam em Miami tinha US$ 573,19 em dezembro de 2003. Um ano depois, US$ 175,10.

Os dois também dizem que não podem ser condenados por lavagem de dinheiro porque, para cometer o crime, o acusado precisaria ter conhecimento prévio da origem ilícita do dinheiro, o que não teria ocorrido. Outra hipótese seria se os dois tivessem cometido um crime anterior. “O mero depósito de valores em contas no exterior não caracteriza, per si, o crime de lavagem de dinheiro”, diz o texto.

Até ontem, oito dos 38 réus do mensalão haviam apresentado alegações finais em defesa própria. O prazo final dado pelo relator, ministro Joaquim Barbosa, é 8 de setembro. Depois disso, Barbosa vai elaborar seu voto. A expectativa é de que os réus sejam julgados no plenário da Corte no início de 2012.

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2010

às 20:44

Skaf faz dumping de emoção em vídeos e põe assessora para correr

Minha Nossa Senhora de Forma Geral!

Duda Mendonça perdeu a mão ou perdeu o senso de ridículo? Espero que o TSE não se zangue com a minha crítica e não tente me obrigar depois, por isonomia e equilíbrio, a desgostar de vídeos de Geraldo Alckmin, Aloizio Mercadante, Celso Russomano…

Do que estou falando? No site de Paulo Skaf, candidato do PSB ao governo de São Paulo, há vídeos com depoimentos seus sobre vários temas. Segue aquela estética de uma câmera no tripé, nenhuma idéia na cabeça, mas tudo em tom confessional e emocionado.

Duda fez isso com Lula em 2002. No horário eleitoral, ele foi convidado a falar de sua primeira mulher, que morreu no parto. Lula chorou espontaneamente para milhões de telespectadores…

Ao falar de sua infância, com texto mal decorado, Skaf tentou repetir a fórmula, sem que tenha ficado claro por que ele se emocionou tanto. Parece que o “empresário” faz, sei lá, uma espécie de “dumping” de emoção. Vejam:

Em seguida, Skaf decide falar sobre a família. De novo, na ausência de história triste, ele resolveu chorar por tanta felicidade. Vejam:

Ameacei rolar de rir quando este ser humano superior, que seria capaz de chorar até encomendando uma pizza, dá aqueles dois toquezinhos senhoriais no copo d’água vazio, e uma das suas assessoras sai, como se dizia na crônica policial de antigamente, em “desabalada carreira” para atender ao chefe.

Não é uma crítica isso. É até um favor que presto a Skaf. Os vídeos são patéticos. Nem todo mundo tem o direito técnico de chorar. É preciso que a choro, se não for verdadeiro, seja, ao menos, verossímil. Os vídeos são quase clandestinos. Agora, ao menos, serão vistos por milhares de pessoas. Sou um homem bom.

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2010

às 7:13

Ele agora cobra 12 milhões

Réu por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o marqueteiro Duda Mendonça retorna à arena eleitoral assediado por todos e mais valorizado do que nunca


Por Alexandre Oltramari, na VEJA:

Cristina Gallo/Bg Press
BRUXO DAS URNAS
Duda Mendonça elegeu 2010 como o ano de sua volta ao marketing político:
depois do escândalo do mensalão, ele disse que se afastaria das campanhas

Desde que ajudou a eleger o presidente Lula, em 2002, uma maldição se abateu sobre o publicitário baiano José Eduardo Cavalcanti de Mendonça, o Duda Mendonça. Supersticioso e excêntrico, mas celebrado como um mago das urnas até pelos adversários mais críticos, Duda foi preso dois anos depois da eleição acusado de participar de um campeonato de briga de galos – hobby ilegal que ele praticava no Rio de Janeiro, mas que era pinto diante do que estava por vir. Em 2005, em depoimento à CPI que investigou o escândalo do mensalão, Duda admitiu a participação em um crime muito mais grave. Ele confessou ter recebido 10,5 milhões de reais do PT em uma conta clandestina nas Bahamas, como parte do pagamento pelo trabalho na campanha do presidente Lula. Supostamente decepcionado com a sujeira na política e réu por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Duda, na época, prometeu abandonar as campanhas eleitorais, mas logo mudou de ideia. Após ensaiar um retorno como consultor em 2006, o marqueteiro elegeu 2010 o ano de sua volta ao mundo das refregas eleitorais. Duda já se insinuou para dois presidenciáveis (Dilma Rousseff e Ciro Gomes), negocia com sete candidatos a governador e já está trabalhando para um deles. Entre os que pagarão pelos seus talentos deve figurar até mesmo o presidente da CPI que o investigou, o senador petista Delcídio Amaral. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

10/09/2009

às 5:09

Skaf contrata Duda Mendonça como consultor da Fiesp

Por Catia Seabra, na Folha:
Sob comando de Paulo Skaf, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) contratou o publicitário Duda Mendonça com a tarefa de padronizar a comunicação das cinco entidades que compõem o sistema. Segundo a assessoria da federação, Duda é, há dois meses, consultor da Fiesp.
Apontado no meio político como postulante à cadeira de governador de São Paulo, Skaf é ainda garoto-propaganda de uma campanha de R$ 8 milhões para a promoção do Sesi/Senai. A cargo da agência Ogilvy & Mather Brasil, essa campanha foi custeada pelo Sesi (Serviço Social da Indústria) e pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).
A missão de Duda é unificar a linguagem do sistema Fiesp, que inclui, além de Sesi e Senai, o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e o Instituto Roberto Simonsen.
Feita pela Fiesp, a contratação não exigiu licitação. O valor não foi informado.
Coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, o publicitário foi alvo do escândalo do mensalão.
Desde o dia 1º, Skaf protagoniza campanha na TV, onde diz que o Sesi é “o maior sistema de educação básica do Brasil”. Sua imagem também está em ônibus e metrô. A campanha será veiculada até o dia 15.
O prazo para filiação a partidos políticos vence em setembro, a um ano da eleição. O comando do PV discute a hipótese de filiação de Skaf.
Embora Sesi e Senai sejam alimentados por contribuição compulsória, a assessoria da Fiesp alega que as duas entidades têm receita própria. Segundo a assessoria, o custo dessa campanha representa 2% da arrecadação do Senai.
Ano passado, uma campanha também protagonizada por Skaf consumiu R$ 5,2 milhões dos cofres de Sesi e Senai.
A intenção, segundo a Fiesp, é informar que Sesi e Senai são mantidos com recursos das indústrias e ressaltar o papel das entidades.”Quem melhor que Skaf para apresentar uma campanha cujo objetivo é fazer quem assiste entender que o Sesi e o Senai são da Fiesp?”, diz Ricardo Viveiros, assessor de imprensa da federação. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

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