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Cristina Kirchner

16/03/2014

às 6:05

A Venezuela, Dilma, Mujica, o “Porco Fedorento” e um fundamento moral dos esquerdistas: pode matar pessoas nas ruas, desde que sejam as pessoas certas…

A artista gráfica venezuelana Calavera teve um ideia simples, objetiva, clara e eficiente: confeccionou cartazes que lembram o que diziam ontem alguns líderes latino-americanos e o que dizem hoje; o que chamavam, no passado, de “ditadura” e o que chamam, no presente, de democracia. Ainda que haja alguma imperfeição na análise (já explico por quê), as peças são poderosas. Expõem, de maneira desconcertante, a duplicidade moral das esquerdas. As estrelas dos cartazes são os presidentes Dilma Rousseff (Brasil), José “Pepe” Mujica (Uruguai) e Cristina Kirchner (Argentina). Vejam as imagens. Volto em seguida.

Ditadura -democracia - Dilma

Ditadura - democracia - Pepe

Ditadura-Democracia Cristina

Dilma e Mujica são ex-presos políticos. Na sua biografia oficial, consta que combateram a ditadura militar de seus respectivos países. É o passado que aparece em preto e branco, na metade à esquerda da montagem. Vemos ali forças de segurança reprimindo manifestações de rua. O tempo passou, os dois abandonaram a luta armada e se tornaram presidentes da República por intermédio do voto direto. E, ora vejam, são apoiadores incondicionais de uma ditadura, não exatamente militar, mas militaresca.

Que se note: mesmo os regimes militasres mais discricionários da América Latina não contaram com milícias civis armadas em larga escala, como as que atuam hoje na Venezuela. Havia, sim, grupos paramilitares assassinos — e isso é lixo político e moral, como sabe qualquer pessoa razoável. Mas tinham um alcance menor do que o esquema montado pelo chavismo na Venezuela. Em 21 anos, a ditadura militar brasileira fez, em números superestimados, 424 vítimas — incluindo os guerrilheiros do Araguaia. Por razões comprovadamente políticas, são 293 as vítimas. Houve tortura, assassinatos, desaparecimentos. Não se trata de dizer se é muito ou pouco. É só absurdo! Quem, já rendido, morreu nas mãos do estado foi vítima de um crime. Mas sigamos. Em pouco mais de um mês — os protestos na Venezuela começaram no dia 4 de fevereiro —, o próprio governo admite que já morreram 28 pessoas.

Não me surpreende: a esquerda sempre soube ser mais letal. Ora, como ignorar que os grupelhos extremistas no Brasil, meia dúzia de gatos pingados, mataram pelo menos 120 pessoas — nessa lista, não estão mortos em combate, não! Essas 120 pereceram em ataques terroristas. E aqui lembro a única imperfeição da arte de Calavera, embora isso não diminua a pertinência do seu trabalho: os que hoje protestam na Venezuela estão, de fato, pedindo democracia. Não era o caso de Dilma. Não era o caso de Mujica. Eles eram terroristas e pretendiam implementar em seus respectivos países uma ditadura comunista.

Assim, a luta do povo venezuelano, hoje, é muito mais moral do que eram a de Dilma e a de Mujica. Eles queriam ditaduras com sinal trocado. A população da Venezuela quer um regime democrático. No passado, era possível repudiar a “luta” da dupla também por bons motivos, Tratava-se do confronto de forças opostas em si, mas combinadas na malignidade. No caso venezuelano, no entanto, não: opor-se às reivindicações da população corresponde a renegar o regime de liberdades públicas. Ou por outra: Dilma e Mujica continuam a se alinhar com a ditadura.

A VEJA desta semana traz uma excelente reportagem sobre a Venezuela. Um dos textos, sobre Che Guevara, o “Porco Fedorento”, vai ao ponto. Ilustra de modo inequívoco, a farsa moral esquerdista. Observem como a linha de, vá lá, raciocínio de Che é a que orienta hoje a escolha de Dilma, Mujica, Cristina e outros “líderes” latino-americanos. Reproduzo o texto, publico um vídeo e volto para encerrar.
*
Imagine qual seria a reação se, em 1974, o general presidente do Brasil Emílio Garrastazu Médici ocupasse a tribuna diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e afirmasse: “Temos que dizer aqui o que é uma verdade conhecida. Torturas, sim! Temos torturado: torturamos e vamos continuar torturando enquanto for necessário”.

Médici seria, justamente, execrado como um ditador. Em dezembro de 1964, porém, o argentino Ernesto Guevara, que, com o apelido de “Che”, ajudou Fidel Castro no triunfo do golpe comunista em Cuba, foi à ONU e confessou: “Nosotros tenemos que decir aquí lo que es una verdad conocida: fusilamientos, sí, hemos fusilado; fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario”.

Já se passavam seis anos da tomada do poder pelos comunistas em Cuba, e Guevara confessava que continuava em plena operação e sem data para arrefecer sua máquina de assassinatos políticos na prisão de La Cabaña. Seis anos de execuções sumárias de vítimas que chegavam ao paredão exauridas, pois delas se tirava até parte do sangue para transfusões.

Seis anos, e dissidentes continuavam a ser fuzilados. Guevara foi o único guerrilheiro a matar muito mais gente de mãos atadas e olhos vendados do que em combate — que, ao contrário da lenda, ele evitava ainda mais do que o banho. Qual foi a reação naquele instante em que permaneciam na audiência uma maioria de representantes de países “não-alinhados”, eufemismo para “pró-soviético”? Guevara foi aplaudido por 36 segundos.

No New York Times do dia seguinte, o redator, mesmerizado, fingiu que não ouviu a confissão de assassinato de Guevara, descrito como “versátil”, “economista autodidata” e “revolucionário completo”. A duplicidade ética não é uma exclusividade das esquerdas. Apenas elas são inexcedíveis nesse truque que, apesar de velho, ainda funciona. O ensurdecedor silêncio enquanto jovens mártires venezuelanos são torturados e mortos nas ruas é prova disso.

Para encerrar
Vejam esta foto.

Raúl Castro

Este que está pondo a venda nos olhos do rapaz que vai ser executado é Raúl Castro quando jovem. O tarado moral é hoje presidente de Cuba. Era um dos mais eloquentes na solenidade que marcava um ano da morte de Chávez, há alguns dias. Foi nesse evento que Nicolás Maduro convocou as milícias armadas a sair às ruas.

Com o apoio de Dilma.
Com o apoio de Mujica.
Com o apoio de Cristina, entre outros.

Não é que esses gênios morais sejam contra matar gente. Eles se opõem a que se matem apenas as pessoas erradas, entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2013

às 17:38

Dinossauros no Brasil estão assanhadíssimos. Agora eles acham que vão conseguir pegar a Globo…

A liberdade de imprensa acaba de sofrer um golpe na Argentina. Ainda que houvesse motivos plausíveis para fazer uma revisão ou outra, a questão de fundo não é essa. Cumpre indagar por que Cristina Kirchner lutou tanto para mudar a lei. A resposta é simples e objetiva: porque não suporta uma imprensa independente. No Brasil, anotem aí, vai crescer a pressão contra a Globo. Já chego lá. Antes, algumas considerações.

Kirchner, o Néstor, o marido da atual mandatária, chegou ao poder em meados de 2003, quando a Argentina beijou a lona, numa sucessão de crises que parecia não ter fim, na esteira do vazio aberto com a deposição — oficialmente, ele renunciou — de Fernando de la Rúa, em dezembro de 2001. Néstor obteve apenas 22% dos votos no primeiro turno, ficando atrás de Carlos Menem, o pai da crise, com 24,3%. Disputariam o segundo, e a vitória do marido de Cristina era dada como certa. Menem renunciou à candidatura, e a Argentina, quebrada e beirando a anomia, elegeu um presidente com apenas 22% dos votos.

O país, inclusive a imprensa, se uniu. Era Kirchner ou o caos. O grupo Clarín deu apoio incondicional ao novo presidente. Não entrarei em minudências, mas o fato é que ele conseguiu tirar o país do buraco com medidas sensatas, dando sinais permanentes, no entanto, de certo, como posso dizer?, exotismo no exercício do poder. Fez Cristina, a própria mulher, sua sucessora. Ela se reelegeu e vinha tentando manobras legais para um terceiro mandato.

Com o tempo, a relação de Cristina com a imprensa foi azedando, em especial com o grupo Clarín. A presidente se tornou íntima dos “bolivarianos” do continente — uma mala de dólares foi ilegalmente enviada por Chávez à Argentina para financiar a sua primeira eleição — e passou a tratar a imprensa como inimiga. A crítica passou a ser encarada como sabotagem.

A presidente mobilizou a máquina do estado contra os controladores do Clarín. A maior acionista do grupo, Ernestina Herrera de Noble, tem dois filhos adotivos, Marcela e Felipe. Na Argentina, filhos de presos políticos que morreram nas masmorras foram, muitas vezes, adotados por militares ou por pessoas próximas do regime. Cristina não teve dúvida: passou a acusar Ernestina de ser uma das receptadoras das crianças. Chegou a haver uma batida policial para a coleta forçada de material para exame de DNA, o que os jovens acabaram fazendo por iniciativa própria. Não! Eles não eram filhos de militantes desaparecidos. A presidente tentou ainda estrangular a imprensa tomando o controle da única empresa fabricante de papel. Leiam a respeito.

Com maioria na Câmara e no Senado, conseguiu, finalmente, aprovar uma lei que tem um objetivo claro e definido: fragmentar o grupo Clarín, entregando o controle de fatias da empresa a amigos seus. Não que a presidente argentina não disponha de uma rede de apoio. A exemplo do que fez o petismo no Brasil, o kirchnerismo financia com dinheiro público seus aliados na “mídia”.  O “Página 12”, por exemplo, que já chegou a ser um jornal interessante, ousado, que fez impiedosa oposição a Carlos Menem, se tornou mero esbirro dos delírios de poder de Cristina.

De volta ao Brasil
Cristina realiza, assim, o sonho dourado de alguns dinossauros daqui: meter uma canga na imprensa livre. Reitero: a exemplo do que fazem os petistas, Cristina também dispõe de sua rede de difamação na Internet, organizada por pistoleiros. Se quiserem mais detalhes, leiam a resenha que escrevi do livro “Aguanten Los K”. Mas não basta apenas financiar o oficialismo. Também é preciso calar quem diverge.

As relações das Organizações Globo com o petismo são cordialíssimas. Não guardam semelhança nem remota com as existentes entre Cristina e o Clarín. Ademais, os petistas são mais hábeis do que os brucutus da presidente argentina. Preferem um acordo a uma briga, desde que fique claro quem faz pender a espada do vencedor sobre o vencido. A presidente Dilma e o ministro Paulo Bernardo (Comunicações), que tem se comportado com correção no cargo, não costumam fazer digressões delirantes sobre o “controle”, a exemplo do que fazia e faz Lula. O debate no petismo, no entanto, continua.

Agora mesmo, há uma tremenda excitação nas hordas fascitoides que babam de satisfação ao pensar no “controle da mídia”. O tema voltará com tudo. Não sei se o grupo Clarín ainda tem espaço na Justiça para resistir. Caso o grupo seja mesmo obrigado a abrir mão de concessões, o assunto vai esquentar a campanha eleitoral no Brasil, sobretudo aquela que se dá nos bastidores e corredores, que costuma ser bem mais feia do que a do horário eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2013

às 5:51

A Argentina ainda respira! Cristina Kirchner é derrotada em Buenos Aires e outros distritos-chave; acaba risco de terceiro mandato

Viva! A Argentina ainda respira. O país realizou eleições para renovar metade dos assentos da Câmara e um terço dos do Senado. O governo mantem a maioria, sim, nas duas Casas, mas sofreu um grande derrota. Na província de Buenos Aires, que tem quase 40% do eleitorado do país (37,3%), Sergio Massa, da Frente Renovadora, abriu 12 pontos sobre o kirchnerista Martín Insaurralde (44% a 32%). Massa, prefeito da cidade de Tigre, se credencia par disputar a Presidência em 2015.

Há outras derrotas importantes, como informa a VEJA.com:
(…)
Na cidade de Buenos Aires, distrito da capital federal, o triunfo foi para a conservadora Proposta Republicana, liderada pelo prefeito Mauricio Macri, que aproveitou a vitória para formalizar sua candidatura presidencial.

Na província central de Córdoba, segundo distrito mais povoado do país, o governo ficou em terceiro lugar, com 15,2%, da mesma forma que na província de Santa Fé, terceiro maior distrito eleitoral, onde obteve 22,5%. Nesta última província o grande ganhador foi o socialista Hermes Binner, que obteve o segundo lugar nas presidenciais de 2011 e que poderia voltar a concorrer dentro de dois anos.

Já na província de Mendoza, o quinto maior distrito eleitoral, a Frente para a Vitória ficou em segundo lugar, com 27,03%, muito atrás da Unión Cívica Radical, que, com o ex-vice-presidente de Cristina em seu primeiro mandato, Julio Cobos, como principal candidato, obteve um arrasador 47,7% que também o deixa bem colocado para se projetar em nível nacional.

Mais importante
O mais importante: o resultado enterra de vez a possibilidade de Cristina Kirchner tentar um terceiro — e desastroso — mandato. Para conseguir mudar a lei, que lhe garantiria o direito de disputar de novo, precisaria contar com uma maioria de dois terços na Câmara e no Senado. Não terá.

Aplaudamos o que pode ser o começo do fim do kirchnerismo, um dos delírios de autoritarismo mixuruca da América Latina.

 

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2013

às 2:01

Justiça argentina diz “não” ao arroubo ditatorial de Cristina Kirchner e declara inconstitucional reforma da magistratura

Na VEJA.com
Uma decisão da Suprema Corte da Argentina, nesta terça-feira, mostrou que os magistrados do país resistem com bravura aos constantes ataques da presidente Cristina Kirchner à sua independência. A Corte declarou inconstitucional a lei que reforma o Conselho de Magistratura, órgão responsável por nomear, sancionar e destituir juízes. A lei previa a ampliação do número de integrantes de 13 para 19, que passariam a ser eleitos pelo voto popular. Seis dos sete magistrados da Corte votaram pela inconstitucionalidade.

Há uma semana, a juíza federal com competência eleitoral María Servini de Cubría havia declarado inconstitucional a eleição popular de integrantes do conselho. O governo recorreu da decisão, pedindo que a Corte Suprema se pronunciasse sobre a questão. Nesta segunda, a procuradora Alejandra Gils Carbó defendeu a lei, argumentando que ela inibe “interesses corporativos” e promove a participação dos cidadãos. Ministros também deram declarações a favor da reforma, cuja aprovação foi garantida pela maioria kirchnerista no Congresso. O capital político empregado pelo governo neste tema mostrou-se inócuo nesta terça. Restou ao ministro da Justiça, Julio Alak, criticar a decisão que, em sua opinião, “desconhece a vontade popular”.

Logo após a promulgação da lei, vários recursos foram apresentados contra sua aplicação, sob o argumento de que a eleição direta traria como consequência a politização dos membros do conselho. Até mesmo a relatora das Nações Unidas para investigar e informar sobre a independência de juízes e advogados, a brasileira Gabriela Knaul, questionou a reforma. “Ao possibilitar que partidos políticos proponham e organizem as eleições dos conselheiros, coloca-se em risco a independência do Conselho de Magistratura, o que compromete seriamente os princípios de separação de poderes e de independência do Judiciário, que são elementos fundamentais de toda democracia e de todo estado de direito”, declarou.

As mudanças no Conselho de Magistratura fazem parte de um pacote de medidas apresentado oficialmente pelo governo argentino com o objetivo de “democratizar” a Justiça. Na prática, contudo, as leis aprovadas pelo Legislativo servem para garrotear o Judiciário. Outra lei que passou pelo Congresso limita o uso de medidas cautelares contra o estado.

A relação da presidente Cristina Kirchner com os membros do Judiciário é conturbada. Os magistrados reclamam das frequentes pressões, acusações pessoais e perseguições. As tensões se intensificaram com a discussão sobre a controversa Lei de Mídia, que se transformou em uma queda de braço entre o governo e o grupo Clarín, que seria o mais prejudicado com a limitação do número de licenças para operar emissoras de rádio e TV.

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2013

às 22:00

Controlar o Judiciário é agenda do Foro de São Paulo; Cristina dá mais um passo na Argentina, sob o olhar atento de Dilma

Os petistas estão babando de inveja. Com a morte de Hugo Chávez, Cristina Kirchner virou a musa nº 1 da turma. A Louca de Buenos Aires conseguiu aprovar na Câmara a sua reforma judicial que, na prática, submete a Justiça aos bate-paus do kirchnerismo. Se vocês acham os petralhas insuportáveis aqui, não imaginam o que são “Los K” naquele país. “Los K” são os petralhas de lá, organizados em milícias. Atuam como os nossos: patrulham a imprensa, xingam, insultam, difamam, atuam em rede e têm também financiamento oficial.

A aprovação da proposta estúpida coincide com a chegada de Dilma Rousseff àquele país. Foi debater questões comerciais com Cristina. A Argentina aplica sucessivas humilhações ao Brasil nas relações bilaterais. Mas a nossa política externa segue Chico Buarque: fala grosso com Washington e fino com Buenos Aires, Caracas, La Paz… Evo Morales mantém 12 brasileiros sequestrados na Bolívia. Dilma não dá um pio. Se eu fosse tucano, estaria falando aos corintianos em vez de estar propondo o fim da reeleição. O PSDB precisa deixar de ser cartorial e descobrir o povo — não o mesmo “povo” do PT, que está mais para milícias de pensamento. Mas me desviei. Volto à Argentina.

Leiam o que vai no Estadão Online, com informações da Associated Press. Volto em seguida.
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou na manhã desta quinta-feira, 25, a reforma judicial impulsionada pelo governo da presidente Cristina Kirchner que, segundo ela, tem como objetivo democratizar a Justiça. Opositores acusam o governo de tentar, com o projeto, enfraquecer a independência do Poder Judiciário. Segundo os antikirchneristas, a presidência terá mais liberdade para apontar juízes dóceis ao governo.

A medida foi aprovada com uma vantagem de apenas sete votos na Câmara dos Deputados, com 130 votos a favor e 123 contra. Depois de horas de discussões, impasses e obstruções, a votação foi concluída às 5h30 da manhã. A lei deve voltar ao Senado para ser votada em segundo turno.

O projeto, que já tinha sido aprovado no Senado, impõe limites a concessão de liminares para cidadãos e empresas contra o Estado e facilita a instauração de processos disciplinares contra juízes. Isso impediria cenários desvantajosos para o governo, como quando a Justiça barrou a aplicação total da Lei de Mídia no caso do Grupo Clarín, salvando a holding da venda compulsória de suas empresas de comunicação.

O projeto de lei também tem o objetivo de ampliar o número de integrantes do Conselho da Magistratura. O conselho, organismo que define quais serão os novos juízes, também tem a capacidade de destituí-los. Cristina quer ainda que os participantes desse conselho ampliado passem a ser eleitos diretamente pelo povo.

Além disso, a reforma de Cristina determina a realização de concursos públicos para a designação de secretários de Justiça – até agora escolhidos por um grupo de juízes. A reforma também contempla a publicação da declaração de bens dos juízes na internet, bem como o andamento dos processos.

Voltei
Entenderam? Cada um dos governos ditos “progressistas” da América Latina tenta conter o Judiciário à sua maneira. Chávez foi o pioneiro. A ele se seguiram Evo Morales, Rafael Correa, Daniel Ortega… A questão chegou ao Brasil.

É importante destacar: o debate sobre o Judiciário como um entrave à “revolução popular” é uma agenda do “Foro de São Paulo”, a entidade supranacional que reúne partidos de esquerda da América Latina. O PT é uma das estrelas da turma, sem trocadilho. O Foro foi fundado por Lula e Fidel Castro. O partido está na direção da entidade. As Farc, comprovadamente narcoterroristas, faziam parte da turma. Oficialmente, não fazem mais. Foi lá que Chávez conheceu, o que ele mesmo confessou num de seus programas de TV, Raúl Reyes, que celebrizei aqui como o “terrorista pançudo”. O assassino foi morto no Equador pelo Exército Colombiano. Mensagens em seus laptops revelavam sua lista de contatos, inclusive com brasileiros.

Será que Dilma deu os parabéns a Cristina? Imagino assim: “É isso mesmo, companheira! Quebre a espinha desse Judiciário reacionário. No Brasil, também estamos tentando fazer a nossa parte…” O que me faz especular a respeito? O governo brasileiro impôs uma condição para suspender a punição ao Paraguai e aceitar que volte a participar do Mercosul: que aquele país aprove a entrada da Venezuela.

Em suma: Dilma só retira a punição a uma democracia se essa democracia fizer a vontade de uma ditadura. É isso aí, companheira!

Por Reinaldo Azevedo

19/04/2013

às 4:35

Milhares vão às ruas contra Cristina Kirchner e a “domestikação” da Justiça

Cartazes mostram insatisfação de manifestantes com o governo de Cristina Kirchner  (Foto: Daniel Garcia/AFP)

Na VEJA.com:
Milhares de manifestantes saíram às ruas de Buenos Aires nesta quinta-feira para protestar, mais uma vez, contra o governo de Cristina Kirchner. Um dos principais alvos das reclamações é a reforma judicial enviada ao Congresso na semana passada, que é vista pela oposição como uma tentativa do governo de controlar o Poder Judiciário. Os manifestantes de diferentes setores de oposição seguiram até a Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do Poder Executivo.

Muitos cartazes com mensagens como “2015 sem Cristina”, “Não ao autoritarismo” e “DiKtadura”, podiam ser vistas no meio da multidão, que também realizou o tradicional panelaço. Nas imediações do Obelisco, que fica na principal avenida da capital, também havia cartazes com as frases: “Corruptos fora”, “O povo está vivo, o modelo está morto” e “Não domestiKar a Justiça”, informou o jornal La Nación. Outros pontos de reclamação dos manifestantes são a insegurança, a inflação, as dificuldades para a compra de dólares e o uso abusivo da rede nacional para pronunciamentos oficiais.

Esta é a terceira mobilização popular em menos de um ano contra o governo Kirchner – as outras foram realizadas em 13 de setembro e 8 de novembro. Nesta, ao contrário das anteriores, partidos de oposição participam de forma ativa. “Agradeço a Deus por este povo ter saído a defender a liberdade. Precisamos não ter medo”, disse a deputada Elisa Carrió, da Coalizão Cívica.

A ideia da passeata havia nascido há mais de um mês, mas só foi difundida nas redes sociais depois das mortes em razão das inundações em La Plata, informou o jornal Clarín. Os manifestantes reclamam da falta de investimento do governo em infraestrutura. Ao longo da marcha, ouviu-se o hino nacional e foi aberta uma enorme bandeira da Argentina, com uma faixa negra em sinal de luto.

Além de Buenos Aires, o protesto também ocorre em outras localidades do país, como La Plata, Cordoba, Mendonza, Santa Fe, Rosario e Salta. Também houve protestos fora do país. Em frente à embaixada argentina em Londres, uma centena de argentinos levaram cartazes com os dizeres: “Argentina sem Cristina”, “Basta de corrupção”, “Honestidade”, “Respeito à Constituição”. Entre os manifestantes, ex-exilados políticos, advogados, aposentados, estudantes, turistas.

Uma das participantes, a deputada Patricia Bullrich, da União por Todos, disse que a oposição argentina deveria tentar se unir, usando como exemplo o setor anti-governista da Venezuela, liderado por Henrique Capriles. “Temos que fazer como na Venezuela, nos unir o máximo para frear o governo”.

Cristina Kirchner, aliás, não está no país. Ela viajou a Lima, para participar da reunião extraordinária convocada pela Unasul exatamente para discutir a delicada situação política na Venezuela. E nesta sexta, acompanhará em Caracas o juramento de Nicolás Maduro como presidente venezuelano.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2013

às 21:11

“Essa velha é pior que o vesgo”, diz Mujica sobre Cristina Kirchner e Néstor

Na VEJA.com:
O presidente do Uruguai, José Mujica, caiu nesta quinta-feira em uma armadilha que já pegou vários mandatários imprudentes. Sem perceber que seu microfone estava ligado, fez um comentário que ganhou repercussão contra a vontade do presidente. “Essa velha é pior que vesgo”, disse Mujica, em referência à presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e a Néstor Kirchner, marido de Cristina, que morreu em 2010.

“Essa velha é pior que o vesgo … O vesgo era mais político, ela é teimosa”, disse Mujica, após fazer referências às difíceis relações de seu país com a Argentina. O áudio foi divulgado pela imprensa uruguaia pouco depois.

Segundo Mujica, o “Gatão Uruguaio”, ela é a velha…

... e ele era “o vesgo”

Ele conversava com o governador de um distrito uruguaio, depois de conceder uma entrevista coletiva. O assunto era a relação com os governos da Argentina e do Brasil. Mujica disse que para conseguir algo com o governo argentino, era preciso se inclinar um pouco para o Brasil.

Mais tarde, o presidente uruguaio tentou negar suas declarações. “Publicamente, nunca falei da Argentina”, disse. Segundo ele, a conversa era sobre o ex-presidente Lula e o Brasil. “Eu não vou dar bola nem atravessar o mundo esclarecendo nada. Inventem o que quiserem”, esbravejou.

Mujica não foi o primeiro presidente uruguaio a se colocar em uma situação incômoda com a Argetina. Em 2002, o ex-presidente Jorge Batlle também não percebeu que estava sendo gravado por uma câmera de televisão e disse que os argentinos eram “um bando de ladrões, do primeiro ao último”. Depois do incidente, Batlle viajou a Buenos Aires para pedir desculpas ao então presidente Eduardo Duhalde. “Por que fui pedir perdão? Eu não era um cidadão, era o presidente da República e os 3 milhões de uruguaios podiam sofrer muito por um erro meu”, explicou.

Ah, sim, quase me esqueço: esse é José Mujica.

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2013

às 16:01

Depois de comandar difamação do papa, Cristina, a Louca, tenta transformá-lo num chavista

Estamos acostumados à falta de limites de Luiz Inácio Lula da Silva. Com frequência, vai muito além do razoável — ou do “rasoavel”, segundo a ortografia ora consagrada pela Escolinha do Professor Mercadante (ver post) —, escalando a montanha na megalomania com incrível agilidade. Mas ainda não é páreo para Cristina Kirchner, a presidente da Argentina. Resisto a ver traço de loucura em governantes; quase sempre, agem por método mesmo. No caso desta senhora, no entanto, a suspeita de patologia — progressiva — se mostra a cada dia mais plausível.

Ela esteve com o papa Francisco, depois de seus arruaceiros na Internet, liderados por Horacio Verbtisky, terem tentado difamar, inutilmente, o Sumo Pontífice. Como jogar o povo argentino contra o papa? O jornalista-pistoleiro Verbitsky já havia dado a senha em um de seus textos, ao lembrar o caso das Malvinas. Cristina cobrou a intermediação do papa na questão, a favor, é evidente, do pleito argentino. Quando apenas cardeal, Jorge Bergoglio chegou a dizer que as ilhas pertencem a seu país de origem.

Mas ele é agora um pastor universal. E certamente tem mais o que fazer do que se ocupar dessa questão. O papa pode, e até deve, se oferecer como mediador de conflitos. Mas a mediação, por definição, não tem lado. Cristina, a Louca, pretende agora usar as Malvinas como uma espécie de teste para o novo papa. O resultado é conhecido: o Reino Unido não vai abrir mão do controle das ilhas. Venceu, inclusive, uma guerra, provocada por uma ditadura moribunda e violenta.

O governo argentino soltou uma nota oficial sobre o encontro. É um tijolaço, que reproduzo, na íntegra, no pé deste texto. Destaco dois trechos que remetem àquela loucura à qual me referi.

Papa transformado num chavista
Nas palavras de Cristina, o papa foi transformado, assim, numa espécie de chavista com  o sumo manto sacerdotal:
“(…) O papa me falou da Pátria Grande, da América Latina e do papel que estão cumprindo os diferentes governantes da América Latina. Disse que era formidável o que estavam fazendo esses governantes, trabalhando unidos para a Pátria Grande — empregou esse termo, o que definitivamente me comoveu. Era o termo que empregavam San Martín e Bolívar”.

Comento
É possível que, até por gentileza, o papa realmente tenha se referido aos esforços dos vários governos e coisa e tal ou mesmo à tal “Pátria Grande”, mas certamente não para endossar violências institucionais dos tiranetes bolivarianos. Que “Pátria Grande bolivariana” é essa? O que Bolívar ou San Martín dizem ao Brasil, por exemplo?, que ocupa 47% da América do Sul e 40% da América Latina?

Curioso! Segundo os vagabundos que Cristina mobilizou para atacar o papa, Francisco pertenceria a um grande complô para dominar a América Latina e enfraquecer esses magníficos governantes. Agora, depois da visita, segundo entendi, o papa já começou a falar com sotaque chavista. A loucura segue adiante. Cristina decidiu se comportar como a sua psicóloga ou juíza:
“Eu o vi sereno, eu o vi seguro, eu o via em paz, tranquilo, e poderia dizer que eu o vi ocupado e preocupado com a imensa tarefa de conduzir o Estado do Vaticano, com o compromisso de mudar as coisas (…)”

Cristina, que não tem problema nenhum, como se sabe, sugere que o papa está com uma imensa tarefa pela frente. Não se duvide! Ela própria, que está com os ombros leves e a alma tranquila, pelo visto, se ofereceu para ser sua confessora.

Minha solidariedade ao povo argentino. É claro que isso não vai acabar bem. Abaixo, a íntegra do aloprado comunicado oficial do governo.
*
La Presidenta pidió al Papa su intermediación en la cuestión Malvinas

La presidenta Cristina Fernández de Kirchner afirmó que solicitó al papa Francisco “su intermediación para lograr el diálogo entre las partes” y que “se cumplan las múltiples resoluciones de las Naciones Unidas”. Dijo que le impactó que el Papa le habló de la Patria Grande.

La presidenta Cristina Fernández de Kirchner afirmó que solicitó al papa Francisco su intermediación para lograr el diálogo en la cuestión Malvinas, “un tema muy sentido para nosotros, los argentinos”, acotó.

La Jefa de Estado brindó una declaraciones a los periodistas tras ser recibida en audiencia por el Papa Francisco,  y luego de compartir un almuerzo a solas con su Santidad, en la residencia Santa Marta, lugar que habita el Santo Padre hasta que  se reacondicione el albergue oficial destinado a los papas.

Recordó además “lo que nos tocó vivir, mucho más dramático, en 1978, entre la Argentina y Chile” que tenían dos dictaduras, la de Pinochet y de Videla y que llevó “a punto de un enfrentamiento bélico por el Canal Beagle”.

 “En aquel momento por la intermediación de Juan Pablo II, a través del cardenal (Antonio) Samoré se llegó a un entendimiento que fue plebiscitado en democracia, que fue el Acuerdo del Beagle”.

Ahora, destacó la Presidente hay “una oportunidad histórica diferente, más favorable” pues el Reino Unido y la Argentina tienen gobiernos democráticos. “No hay peligro de ninguna naturaleza bélica, más allá de la militarización del Reino Unido en el Atlántico Sur” dijo y puso de relieve quela Argentina “es un país más que pacífico”.

Explicó que la solicitud es “que se  cumplan las múltiples resoluciones de las Naciones Unidas para sentarnos al dialogar, le pedimos su intermediación para lograr dialogo entre las partes”, precisó.

La Jefa de Estado señaló la necesidad en un mundo globalizado, complejo, que “comencemos todos los que tenemos responsabilidades en el mundo, que se cumplan las resoluciones de las Naciones Unidas, organismo madre que agrupa a todos los países del mundo”. Se deben cumplir las más de veinte resoluciones de la ONU, del Comité de descolonización, de los foros internacionales como la Celac, la Unasur, la de los países africanos en su Declaración de Malabo.

“Estamos reclamando el diálogo  y le hemos pedido a Francisco que interceda para que ese diálogo entre el Reino Unido y la Argentina pueda llevarse a cabo”.

Luego la Presidenta sostuvo que el propio Papa sacó un tema de conservación que “me impactó mucho y muy bien. Me habló de la Patria Grande, de Latinoamérica y del rol que están cumpliendo los distintos gobernantes de América Latina. Dijo que era formidable lo que estaban cumpliendo los distintos gobernantes, trabajando unidos para que la Patria Grande –utilizó ese término-,  me conmovió definitivamente, era el término que utilizan san Martin y Bolívar, me dijo”.

“Veo muy bien unidad de ustedes trabajando por la Patria Grande” le expresó el Sumo Pontífice.

La Presidenta comentó que quería trasmitir a los periodistas europeos lo que significa el término Patria Grande, “para un argentino y un latinoamericano escuchar en boca del Papa el término Patria Grande  y sobre todo quienes pensamos de determinada manera; me impresiono mucho”, así que “redoblarte esfuerzos para seguir en estas dirección”, afirmó.

Luego explicó que otro tema de conversación durante el almuerzo a solas en la residencia Santa Marta fueron temas que “él siempre se interesó y nosotros también, porque son puntales en política en materia laboral: la  trata de persona en general y especialmente la esclavitud. Le expliqué la política que desarrollamos; somos querellantes en muchas causas de trabajo esclavo. Hay una gran compromiso de Francisco en la lucha contra el trabajo esclavo y trata de personal con la cual nos sentimientos absolutamente identificados”.

Sostuvo que en ese punto coincidieron en que “no es un fenómeno contemporáneo; hace a la condición humana el hecho de que haya gente que tengan es actitud hacia su prójimo. Debemos combatir fuertemente los que tenemos responsabilidad; él también ha dicho que ha sido constante”, en su vida.

La Presidenta dijo que además lo invitó a visitar la Argentina, teniendo en cuenta, además, que no  solamente es el jefe de la Iglesia católica, apostólica y romana; es el jefe de Estado Vaticano” y explicó que para concretar la visita requiere de dos invitaciones: por parte del Estado que lo invitó y su representante, en este caso la Presidenta, y de  la conferencia Episcopal del país al cual lo ha invitado. “Todos sabemos en julio estará en Brasil en el encuentro mundial de la juventud” y además tiene adelante una multiplicad de tareas. “Quedamos en que vamos a seguir trabajando sobre esa fecha”  para la visita a la Argentina.

Luego la presidenta brindó su impresión personal por el encuentro con el Papa, que dijo, resume en tres palabras:  “lo vi sereno, lo vi seguro, lo vi en paz ,tranquilo,  y podría decirle lo vi ocupado y preocupado por lo que va a hacer la inmensa tarea de conducción el Estado Vaticano, con el  compromiso de cambiar las cosas que él sabe , que son las demandas que ha interpretado; se ha empezado en ver y se verán en políticas que el oportunamente decidirá. Lo vi rtanquilo, sereno en paz”, afirmó.

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2013

às 16:19

Ex-ditador, atual cadáver e futura múmia. Mas procria!

Vejam esta foto (AFP).

É a Frente Unida do Atraso. Ali se veem Cristina Kirchner, presidente da Argentina; José Mujica, presidente do Uruguai, e Evo Morales, o índio de araque, presidente da Bolívia, com uma jaqueta que traz a imagem de Che Guevara — aos 54 anos, com os cabelos mais negros do que as asas da graúna, nem a cor da cabeleira desse farsante é verdadeira. Indígena que usa Hené Maru! O menos dolosos no que concerne à democracia é o pançudo do meio, cuja iniciativa mais vistosa foi tentar estatizar a maconha… Coitada da América Latina! Alinham-se diante do corpo de Hugo Chávez, ex-ditador, atual cadáver e futura múmia, que procria. Na Venezuela, com o “comandante” vivo ou morto, uma ilegalidade vai gerando outra; uma violação à Constituição dá à luz a seguinte. O Tribunal Superior de Justiça, um dos cartórios do bolivarianismo — não existe Poder Judiciário independente no país —,  decidiu que Nicolás Maduro poderá se candidatar na próxima eleição.

É um esculacho. Maduro ficou no comando do país porque o tribunal entendeu que, sendo vice (ele não era!!!), substituía interinamente o presidente. Fraude: Chávez não chegou a tomar posse desse mandato. Se não tomou, como é que Maduro poderia ser vice? O tribunal fraudou a Constituição, inventando a tese da “continuidade administrativa”.

Muito bem! Só porque o tribunal entendeu que Maduro era o vice legal é que ele ficou no comando do país. Seguisse o que vai na Constituição, deveria ter assumido interinamente Deosdato Cabello, presidente da Assembleia Nacional. Também é um bolivariano xexelento (de um hospício diferente), mas é a lei. E daí? Os togados do chavismo (Deus meu!) declararam: “Maduro é o vice”. É? Então vamos ver o que diz agora o Artigo 229 da Constituição, feita pelos próprios aloprados:
“No podrá ser elegido Presidente o Presidenta de la República quien esté en ejercicio del cargo de Vicepresidente Ejecutivo o Vicepresidenta Ejecutiva, Ministro o Ministra, Gobernador o Gobernadora y Alcalde o Alcaldesa, en el día de su postulación o en cualquier momento entre esta fecha y la de la elección.”

Eis aí. É evidente que Maduro não poderia ser candidato exercendo o cargo porque esse mesmo tribunal decidiu que ele era “vice-presidente executivo” — e só por isso assumiu o comando. O que fazer? Ora, mudar o nome da sua função. Ele passa a ser “vice-presidente interino”. Como não existe no Artigo 229 óbice a que um “vice-presidente interino” se candidate, então é isso o que ele é. Se houvesse, inventariam outra designação qualquer.

Para não passar o poder ao presidente da Assembleia, como determinada a Constituição, inventaram que Maduro era o vice; para que possa concorrer à Presidência, dizem agora que não é mais vice. Na Venezuela, a legalidade é aquilo que os bolivarianos dizem ser a legalidade. Não seguem nem mesmo as leis que eles próprios criam.  Vejam esta outra foto (Reuters). Volto em seguida.

 

As personagens principais são conhecidas, não é mesmo? Poderia ser só o ar compungido típico dos velórios. Existe, na nossa língua, a expressão “fazer cara de enterro”. Ocorre que vai nessa compunção algo mais do que a solidariedade humana com a dor alheia. Há ali o endosso a um regime que viola as regras mais elementares da convivência democrática. Não custa lembrar que Dilma Rousseff e Cristina Kirchner deram um verdadeiro golpe no Mercosul para abrigar a Venezuela ditatorial de Hugo Chávez e suspender os direitos do Paraguai, uma democracia.

O flagrante, no entanto, está a nos lembrar que “eles” passam, ainda que tentem se preservar como múmias.

Por Reinaldo Azevedo

04/02/2013

às 22:15

E lá vai a Argentina rumo ao abismo: Cristina congela preços por dois meses

Em meio a uma pendenga com o FMI, que acusa o governo do país, sem meias palavras, de fazer o que todo mundo sabe que ele efetivamente faz — manipular os índices de inflação —, Cristina Kirchner, a Louca de Buenos Aires, decidiu congelar os preços. A medida vale até abril. Lógica elementar: quem toma uma medida como essas por dois meses está num mato sem cachorro. Dá para ter uma ideia da urgência da questão.

O congelamento de preços é um clássico de quem já tentou de tudo e não sabe mais o que fazer. Que tristeza! Lá vai a Argentina morro abaixo, direto para o abismo. Leia trecho da reportagem de Ariel Palacios, no Estadão:

O secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, anunciou nesta segunda-feira, 4, o fechamento de um acordo com a Associação de Supermercados Unidos (ASU), que reúne as principais redes de supermercados do país, para congelar os preços dos produtos durante dois meses. As empresas – entre as quais Carrefour, Disco, Jumbo, Walmart, Coto, La Anônima e Vea – retrocederão os preços àqueles que estavam vigentes no dia 1º de fevereiro, e os manterão até 1 de abril. O presidente da ASU, Juan Vasco Martinez, afirmou que o compromisso dos empresários foi o de manter os preços congelados de “todos os produtos dos supermercados” durante os dois meses.

Paradoxalmente, o acordo foi fechado quando o governo da presidente Cristina Kirchner voltou a negar a existência da escalada inflacionária. Há poucos dias o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) anunciou que a inflação de 2012 foi de apenas 10,8%. No entanto, economistas independentes sustentaram que a inflação real superou amplamente a oficial, já que o ano passado teria sido encerrado com uma taxa de 25,6%.

“A inflação mínima de 2013 oscilará entre 25% a 30%. Pensar em um porcentual mais baixo é impossível”, afirmou o economista-chefe da consultoria Management & Fit, Matías Carugatti.

A Argentina conta com um longo histórico de congelamento de preços, desde os tempos do primeiro governo do general e presidente Juan Domingo Perón nos anos 40 e 50 e novamente na década de 70. Em 1985, a implementação do Plano Austral, da equipe econômica do presidente Raúl Alfonsín, implicou em um novo congelamento.

Passaram-se duas décadas sem tentativas de congelamentos até que o presidente Nestor Kirchner tentou em 2005 e 2006 aplicar essa modalidade a supermercados e outros setores da economia. No entanto, o sistema foi à pique. O resultado desse fracasso foi uma guinada na política de combate à inflação por parte do governo Kirchner, que optou – na impossibilidade de conter a alta de preços – por maquiar o índice.

Os analistas destacam que o acordo de congelamento é um aceno aos líderes sindicais argentinos, que estão em plena negociação salarial tripartite com empresários e o governo Kirchner.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2013

às 21:36

Acordo de Cristina Kirchner com o Irã é uma indignidade e um tapa na cara da comunidade judaica argentina e mundial

Cristina Kirchner, a “Louca de Buenos Aires”, pode ser pior do que parece. E olhem que a competição consigo mesma é das mais severas. Ela é daquelas pessoas determinadas, que podem ser hoje piores do que foram ontem e melhores do que serão amanhã… Até o desastre — que é para onde ela tenta empurrar o seu país! Não sem antes multiplicar a riqueza da família com impressionante celeridade. Qual é a última estupidez desta senhora? Celebrou um acordo com o Irã para empreender uma investigação conjunta do atentado praticado contra a entidade judaica Amia (Associação Mutual Israelita Argentina), em 1994, em Buenos Aires. Morreram 85 pessoas, a maioria crianças.

A polícia e os órgãos de segurança argentinos já investigaram o caso e descobriram as patas do governo iraniano no atentado. Nenhuma surpresa. O país patrocina ações terroristas em Israel, no Irã e no Líbano, só para começo de conversa. A Justiça argentina pede a extradição de oito iranianos envolvidos na ação. Entre eles, estão o atual ministro da Defesa, Ahmad Vahidi, e o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani. O regime dos aiatolás nega, claro!, o envolvimento no episódio e não prende ninguém. Ao contrário: como se vê, eles ocupam os mais altos postos do país.

Agora, dona Cristina Kirchner decidiu formar uma comissão conjunta com aqueles que são formalmente acusados pelo atentado para “investigar” o caso. É um escárnio! É um acinte! A troco de quê, dona Cristina, e com que propósito? É impressionante o mergulho vertical desta senhora na delinquência política, externa e interna. O Irã tem um amigo íntimo na América Latina: o ditador Hugo Chávez. Lula entrou na fila para ser parceiro, mas não conseguiu ir tão longe quanto pretendia. A presidente argentina, agora, resolveu entrar de cabeça nessa “relação”.

Segundo o acordo, representantes da Justiça argentina ouvirão os acusados em Teerã, naquele paraíso de liberdade e independência. A coisa é uma farsa em si e nem mesmo se ocupa em criar uma fachada de decência. “Não poderíamos estar menos consternados. Isso é ilegal e ignora o trabalho da Justiça nesses últimos 18 anos. Tomar os depoimentos em Teerã é inconstitucional”, reagiu Guillermo Borger, presidente da AMIA.

Em março de 1992, um atentado à embaixada de Israel em Buenos Aires já havia matado 29 pessoas e deixado 200 feridos.

Ah, sim…
Antes que comece o papo-furado, vamos deixar claras algumas coisinhas. Cristina Kirchner é de origem judaica. Héctor Timerman, ministro das Relações Exteriores, que ajudou a costurar esse acordo com o Irã, é judeu. O porra-louca Axel Kicillof, homem forte de Cristina e da economia (e seus desastres), também. E daí?

Isso não muda uma vírgula do que escrevi nem a natureza do acordo. Não estou dizendo que seja o caso da turma, mas o fato é que, como bem sabe a comunidade judaica, judeu também podem tomar decisões pautadas pelo antissemitismo. Infelizmente, nem isso é uma garantia absoluta contra esse mal. 

Haver judeus no governo de Cristina e o fato de ela própria ter origem judaica não tornam moral seu acordo com o Irã. Não se pede a assassinos que ajudem a investigar as circunstâncias em que morreram suas vítimas. É simples assim. Esse acordo cheira mal, e Cristina não tem um passado político abonador. É bom lembrar que, na campanha à sua primeira eleição, recebeu uma mala de dólares ilegais enviados por Hugo Chávez.

Por Reinaldo Azevedo

12/12/2012

às 6:33

Fascistoides de Cristina Kirchner atacam sucursal do jornal Clarín em Mar del Plata; há três dias, PT emitiu nota elogiando política da mandatária argentina para o setor

Há três dias, o PT soltou uma nota de apoio à presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que luta bravamente contra a liberdade de imprensa e de expressão. O PT gosta disso. Assim como Cristina sustenta que o jornalismo independente inventa os índices de inflação em seu país, os companheiros estão convictos de que, por aqui, a imprensa inventa petistas corruptos.

Pois é… A Argentina é o modelo do PT para a imprensa. Ontem, os vândalos de Cristina atacaram uma sucursal do Clarín. É o quem alguns pretendem fazer por aqui. Como eles acham que ainda não é hora de sair botando pra quebrar, contentam-se em atacar as pessoas que não rezam segundo a sua cartilha.

Leiam trecho de reportagem de Ariel Palácios, no Estadão:
“Fora monopólio”, era uma das várias frases pichadas nas paredes e portas da sucursal do jornal Clarín na cidade de Mar del Plata, 400 quilômetros a sudeste da capital argentina. A instalação do jornal também foi alvo de ovos podres arremessados por agressores anônimos na madrugada de ontem.

Foi o segundo ataque contra estabelecimentos do Grupo Clarín – qualificados de “monopólio” pela presidente Cristina Kirchner – desde que, na semana passada uma centena de manifestantes de associações de piqueteiros e organizações sociais subsidiadas pela Casa Rosada cercaram as instalações do canal Trece (onde também funcionam os estúdios do canal de notícias de TV a cabo Todo Noticias) e jogaram sacos cheios de tinta vermelha nas paredes.

Na ocasião, a polícia observou impassível os manifestantes, enquanto estes, aos gritos, ameaçavam os trabalhadores e executivos da empresa. Ontem, nenhum integrante do governo Kirchner havia condenado os ataques aos estabelecimentos do Grupo Clarín, principal holding multimídia da Argentina, considerado inimigo do Estado, pela presidente Cristina.

De manhã, o governo prosseguiu sua batalha jurídica contra o Grupo Clarín para conseguir a aplicação total da Lei de Mídia, aprovada em 2009, que restringe a atuação das empresas de comunicação, ao apresentar um recurso extraordinário à Câmara Civil e Comercial Federal.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

09/11/2012

às 4:21

Começou a derrocada da Louca de Buenos Aires – 700 mil nas ruas contra Cristina

Na VEJA.com:
Cerca de 700.000 pessoas, segundo cálculo do governo provincial de Buenos Aires, lotaram as ruas centrais da capital argentina na noite desta quinta-feira para protestar contra o governo Cristina Kirchner. Houve ainda concentrações populares em Córdoba, Mendoza, Rosário e Bariloche. Convocada pelas redes sociais, a mobilização tem o mesmo espírito do protesto realizado em 13 de setembro, último grande “panelaço” contra as políticas do governo argentino.  

Leia também:
Apagão provoca caos nas ruas de Buenos Aires;
Deputados opositores rejeitam reeleição de Cristina;
Maioria dos argentinos é contra reforma constitucional

A manifestação desta quinta foi apelidada de 8N, uma referência ao dia 8 de novembro – e uma ironia ao 7D, sigla escolhida pela presidente para se referir a 7 de dezembro, data que ela impôs para que as empresas de comunicação se adaptassem à nova legislação do setor, a chamada “Lei de Meios”. 

Os protestos interromperam o trânsito em uma das principais avenidas da capital, a 9 de Julho, onde fica o Obelisco, informou o jornal La Nación. Os cartazes exibiam críticas à alta inflação, situação da economia, falta de segurança, aos casos de corrupção e à proposta de permitir que a presidente se candidate mais uma vez à reeleição, o que daria a ela a possibilidade de um terceiro mandato, atualmente vedado pela Constituição

Oposição Antes da data marcada para o protesto, grupos ligados ao governo acusaram a imprensa e a oposição, que governa a província de Buenos Aires, de incentivar a marcha. A maior parte dos políticos opositores deu seu aval à manifestação, mas resolveu não participar para não tirar a legitimidade popular do movimento, segundo o jornal Clarín.

Citando fontes do governo, o jornal informou que a segurança foi reforçada na Praça de Maio, onde fica a Casa Rosada, sede do poder Executivo, e na residência presidencial de Olivos, na província de Buenos Aires, de onde Cristina Kirchner acompanhou o movimento. Milhares de manifestantes também se concentraram em frente à residência oficial em Olivos. 

“Piores momentos” A presidente, que participou de dois eventos nesta quinta, evitou falar especificamente sobre o “panelaço”. Durante o dia, o mais perto que chegou de mencionar a manifestação foi ao inaugurar um espaço cultural que leva o nome do seu marido Néstor Kirchner, morto em 2010. Ela disse que Néstor lhe deixou a lição de que é preciso lutar sempre, mesmo nos “piores momentos”.

“É nos piores momentos que se conhecem os verdadeiros dirigentes de um país”, declarou a presidente, que ainda ressaltou o fato da Argentina viver uma “democracia total” e “uma liberdade de expressão nunca vista antes” – uma conclusão contrariada pelas atitudes de seu governo, que persegue a imprensa independente. 

Além dos protestos em Buenos Aires e outras grandes cidades, argentinos residentes em outros países também realizaram manifestações nesta quinta-feira em lugares como Itália, França, Austrália, Holanda, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Azerbaijão, Canadá e Áustria.

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2012

às 17:35

A escalada autoritária da Doida da Casa Rosada

Na VEJA.com:
A criatividade do governo de Cristina Kirchner em encontrar táticas para fiscalizar e impedir a entrada e saída de recursos da Argentina chegou a um patamar assustador. Segundo resolução publicada nesta sexta-feira no Boletín Oficial (similar argentino do Diário Oficial do União), as agências de turismo terão de apresentar ao governo uma ficha detalhada de todos os argentinos que viajam ao exterior. As declarações deverão ser juramentadas em cartório antes de serem enviadas ao órgão de controle de fluxo de capitais argentino, a AFIP (Administración Federal de Ingresos Públicos).

De acordo com o jornal argentino Clarín, as agências deverão informar ao governo os detalhes da passagem, hotéis, duração da viagem e até mesmo o valor que cada turista gastará durante sua viagem. A medida vale para agências e operadoras turísticas que atuam na Argentina. Após o envio da declaração, a medida prevê que caberá à AFIP decidir se permitirá ou não a compra de dólares para pagar a viagem. 

A medida deverá entrar em vigor no dia 5 de novembro, segundo informação adiantada pelo jornal El Cronista. O objetivo do governo argentino é estancar a saída de dólares que tem ocorrido por meio do turismo – e que já soma 5,5 bilhões de dólares em 2012.

Os argentinos continuam sem poder comprar dólares livremente. Para comprar passagens, estadias em hotéis ou qualquer tipo de passeio em moeda estrangeira, é preciso autorização do Banco Central argentino.

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2012

às 4:22

Cristina Kirchner, a “Loca”, mobiliza agora presidiários para sua tropa de choque fascistoide

Em maio deste ano, a VEJA publicou uma reportagem de Tatiana Gianini sobre o Grupo La Cámpora, criada por Máximo,  filho de Cristina e Néstor Kirchner, para atuar, literalmente, como tropa de choque do governo. Trata-se de uma organização de caráter fascitoide que tem o claro objetivo de intimidar opositores e a imprensa e de mobilizar fanáticos para perseguir os “inimigos”. Cristina, é visível, caminha para o buraco. E vai arrastando junto o país. Agora se descobre que sua administração está mobilizando presidiários para participar de manifestações governistas. Leiam trecho de texto de Janaina Figueiredo no Globo Online. Volto em seguida:

Apanhada no centro de um escândalo desencadeado pela divulgação de vídeos que mostram presos participando de atos políticos organizados por grupos vinculados ao kirchnerismo, a Casa Rosada tentou nesta segunda-feira minimizar o impacto de uma denúncia que já chegou aos tribunais portenhos. O ministro da Justiça, Julio Alak, assegurou que os presos obtiveram autorização judicial para presenciar “eventos culturais”. Porém, imagens divulgadas pelo jornal “Clarín” provam que os detentos estiveram em reuniões políticas convocadas por movimentos de jovens kirchneristas.

Nesta segunda-feira, partidos opositores anunciaram a decisão de apresentar uma denúncia penal contra o chefe do Serviço Penitenciário Federal, Víctor Hortel. No Congresso, a bancada opositora exigiu que o ministro da Justiça dê explicações.
(…)
As informações publicadas pelo “Clarín” foram confirmadas pelo ex-dirigente kirchnerista Sergio Schoklender, que este ano passou quase dois meses detido por um caso de fraude ao Estado. Segundo ele, até pouco tempo um forte aliado do governo, o movimento La Cámpora — fundado e liderado por Máximo, filho mais velho da presidente Cristina Kirchner — tem cada vez mais poder em prisões de Buenos Aires, onde “está organizando forças de choque”. Deputados da oposição confirmaram ainda a realização de inspeções nas principais penitenciárias da capital para averiguar a influência dos jovens K.

O caso que provocou mais debate foi o do músico Eduardo Vázquez, ex-baterista do grupo Callejeros, condenado a 25 anos de prisão pela morte da mulher. Em 24 de junho, pouco tempo após o fim de seu julgamento, ele tocou num encontro do polêmico Vatayón Militante, grupo cujos integrantes se dizem peronistas e soldados de Cristina. Contrariando a versão oficial, o próprio advogado do músico negou ter solicitado permissões para que ele pudesse presenciar encontros políticos ou culturais.

Segundo o “Clarín”, nos últimos meses dezenas de presos foram vistos em atos políticos kirchneristas. A Casa Rosada argumentou que todos contaram com a devida autorização e que se tratava de eventos culturais. O governo e seus aliados acusaram o “Clarín” e setores da direita de estarem por trás de uma nova “operação” contra a presidente. “Tudo faz parte de uma política de reinserção dos presos na sociedade, que tem resultados positivos”, argumentou o senador e ex-chefe de Gabinete Aníbal Fernández.
(…)

Voltei
Assim caminha a democracia em nosso continente. Ontem, o Estadão trouxe um artigo de Juan Forrero, publicado originalmente no Washington Post, cujo título é “Novos autoritários na América Latina”. Trata justamente da prática de governos latino-americanos que, embora tenham chegado ao poder por intermédio das urnas, sabotam a democracia de modo sistemático. O texto observa que as duas democracias mais “vibrantes” do continente, a dos EUA e a do Brasil, não estão nem aí; são omissas a respeito.

Bem, “omissa” certamente é a americana, com Barack Obama, o “progressista” de manual. O governo brasileiro é bem mais do que isso: é conivente com todos os arreganhos autoritários desses tiranetes. Hugo Chávez veio ao Brasil para tratar de seu ingresso no Mercosul, patrocinado justamente por Dilma Rousseff e Cristina, a “Loca”, que agora passou a mobilizar presidiários para a sua tropa de choque.

Não por acaso, todos os autoritários se mobilizaram em defesa de Fernando Lugo quando foi deposto, segundo as regras da Constituição, pelo Parlamento. Afirmei então que os autoritários do continente estavam, na verdade, atuando em defesa própria. Reivindicam, na prática, o direito de sabotar a democracia.

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2012

às 7:39

QUEM SÃO E O QUE QUEREM OS PETRALHAS DE CRISTINA KIRCHNER

Não deixem de ler a reportagem de Tatiana Gianini na VEJA desta semana sobre o grupo “La Cámpora”, que poderia ser definido, deixem-me ver, como os… “petralhas” de Cristina Kirchner, presidente da Argentina. Não por acaso, os blogs do JEG e da BESTA são grandes admiradores da truculência com que o governo daquele país trata a imprensa, por exemplo.

Cristina chegou muito mais longe do que o petismo na intimidação ao jornalismo independente. Mas há mecanismos semelhantes. Alfredo Scoccimarro, um político já veterano, mas que decidiu se ligar aos fascistóides do La Cámpora, é o Secretário de Comunicação Pública. Junto com Máximo Kirchner, filho da presidente e criador do grupo, comanda uma verba oficial de publicidade de 1,5 bilhão de pesos — o equivalente a R$ 650 milhões. O dinheiro é distribuído segundo, vamos dizer, a fidelidade do veículo de comunicação ao governo. No Brasil, verbas públicas e de estatais financiam um troço parecido com jornalismo, cujo objetivo é puxar o saco do poder, atacar políticos da oposição, ministros do Supremo que não são considerados “fiéis” e, obviamente, a imprensa independente. Trata-se, evidentemente, nos dois países, de práticas que agridem a democracia.

O La Cámpora mobiliza ainda uma vasta rede de “militantes” nas ruas e na Internet — procurem no arquivo a resenha que escrevi sobre o livro “Aguantem Los K”. Também na Argentina a esgotosfera oficialista é muito ativa. Como não disse Marx, a classe dos vigaristas é internacional.

A Argentina é a prova de que a degradação institucional é possível mesmo depois de um país atingir a democracia plena. Desde o fim da ditadura militar, sob o pretexto de readicalização do regime democrático, numa a liberdade de expressão e de opinião foi tão agredida. Que o Brasil preste atenção ao que se passa por lá.

Leiam trecho da reportagem:

Na Roma antiga, a guarda pretoriana era responsável pela segurança dos imperadores. Na Argentina de hoje, tornou-se epíteto de um grupo de jovens responsáveis pela imposição da ideologia da presidente Cristina Kirchner e da perpetuação de sua família no poder. Os membros do La Cámpora, como se chama a agrupação, são liderados por Máximo, de 35 anos, filho da governante. Não há ministério ou repartição pública argentina em que eles não estejam infiltrados. No ano passado, mais de 7000 novos empregos estatais foram oferecidos a membros do La Cámpora ou a pessoas indicadas por eles. Desses, pelo menos quarenta são cargos-chave do governo. Os camporistas gerenciam algumas das principais empresas estatais, como a Aerolíneas Argentinas e a agência de notícias Télam, e conquistaram dez cadeiras no Congresso. Máximo e seus amigos estão por trás das medidas recentes mais truculentas da Presidência de Cristina, como os ataques à imprensa independente e a expropriação da petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados.

O La Cámpora surgiu como uma alternativa aos órgãos de sustentação do peronismo tradicional. Em 2003, após ser eleito presidente com parcos 22% dos votos. Néstor Kirchner concluiu que necessitava de um instrumento para exercer o populismo, um mal atávico da política argentina, com total controle. Os sindicatos, que no peronismo costumam exercer essa função, não lhe pareciam suficientemente confiáveis. O presidente pediu ao filho, Máximo, que reunisse seus amigos para criar uma agremiação leal ao kirchnerismo
(…)
A cúpula é composta de Máximo e seis subordinados. Três são deputados nacionais: Andrés Larroque, Eduardo de Pedro e a única mulher (e musa) da liderança, Mayra Mendoza. Mariano Recalde preside as Aerolíneas Argentinas. Os outros dois, Juan Cabandié e José Ottavis são deputados provinciais. O camporista mais comentado das últimas semanas é Axel Kiccilof, vice-ministro da economia, um dos responsáveis por coordenar o confisco da YPF e o principal conselheiro da presidente em matéria econômica.
(…)

Leiam a íntegra na edição impressa

Por Reinaldo Azevedo

01/05/2012

às 7:17

Dilma e os bancos: presidente resolveu dar uma de “presidenta Cristina Kirchner”. Certamente um mau momento

Levante a mão quem não acha os juros bancários no Brasil escandalosamente altos! Creio que nem os banqueiros se dignaram a mover o braço. São, sim! Quais as razões? Os especialistas se dividem quanto às causas. Deve haver, porque é da natureza, certa cupidez dos “companheiros banqueiros” etc e tal. Apelo a alguma ironia porque esse é um debate antigo, que nunca chegou a um consenso. Costuma marcar fronteiras entre pensamentos econômicos. Sem me alinhar com grupos, alinho-me com aqueles, no entanto, que não veem motivos técnicos para o estratosférico spread vigente no país. Muito bem! Governos interferem, sim, nessas coisas. Afinal, são também a autoridade monetária, e suas ações são decisivas na formação dos preços — muito especialmente do preço do próprio dinheiro. Dito isso, quem era aquele que vimos ontem na TV? Parecia Dilma, mas se comportava como Cristina Kirchner.

O governo vem de uma escalada de pressão contra os bancos, tentando forçar a queda do spread. Dilma não quer ver repetido em 2012 o baixo crescimento do ano passado. Considera que o governo está fazendo a sua parte (não é bem verdade), inclusive por intermédio dos bancos públicos, mas que os privados estão sabotando esse esforço. Muito bem! Digamos que tudo isso fosse assim mesmo. Será que cabe à presidente, abusando de sua altíssima popularidade (segundo as pesquisas), satanizar os bancos em rede nacional? Ora, nem bancos nem setor nenhum da economia ou da sociedade!

Tratou-se de um discurso completamente fora do lugar. Claramente, o que se via ali era a líder conclamando o povo a pressionar os bancos. “Por que, Reinado, bancos não podem ser pressionados?” Ora, claro que sim! Para tanto existem os partidos, as lideranças políticas, as entidades sindicais, os tais “movimentos sociais”… Escolham aí os agentes. Uma coisa eu sei: não cabe ao governante fazer uma intervenção daquela natureza, muito especialmente no discurso do Dia do Trabalho. A mensagem foi clara: trabalhador de um lado (e ela junto) contra banqueiros do outro.

Não deixa de ser uma ironia da história. Em 2010, escrevi aqui, o PT usou o “discurso do medo” contra o então adversário, José Serra. Nos bastidores, o partido explorou a valer, num recado aos banqueiros, o suposto viés intervencionista do tucano. Por irônico que possa parecer, o partido de Lula dizia aos “companheiros” do sistema financeiro, ainda que com outras palavras, o seguinte: “Cuidado! Serra é muito… esquerdista!!!” Nao é segredo para ninguém que os bancos fizeram uma escolha: Dilma! Um pragmático poderia dizer que eles fizeram muito bem, do seu ponto de vista, em escolher o PT: vivem nove anos verdadeiramente dourados.

Mas sabem como é… O PT, cedo ou tarde, sempre volta à sua natureza. E Dilma foi para o confronto, na hora errada, com uma fala errada. “Tá com peninha dos banqueiros, Reinaldo Azevedo?” Eu? Como disse uma conhecida certa feita, em matéria financeira (em outras áreas tudo bem!), é indecente ter pena de alguém mais rico do que você… O que estou criticando é a inoportunidade do discurso, o tom, a escolha. Qual é efetividade daquilo?

Corrupção
Dilma também aproveitou o pronunciamento para demonstrar que o governo está acima das lambanças da política — que ela voltou a chamar de “malfeitos”; os corruptos e corruptores foram tratados como “malfeitores”. Com a popularidade nas nuvens — e é evidente que as lambanças no Congresso contribuem para isso —, tratou aquele rolo como “coisa dos outros”, como se a Delta não fosse  um problema do governo federal. Tanto é  que os petistas e o próprio governo se esforçam para tirá-la da CPÌ, do noticiário, do mundo se possível…

Terá Dilma inaugurado ontem uma nova fase, mais — não vai dar para evitar a palavra — populista? Uma liderança política com elevadíssima popularidade que vai à TV, por ocasião do Dia do Trabalho, e decide satanizar banqueiros e atacar os “malfeitores”  pode estar fazendo uma escolha política. Uma má escolha. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

20/04/2012

às 6:37

EUA se unem à Espanha nas críticas à Argentina

Por Sylvia Colombo, na Folha:
O governo dos EUA respaldou a Espanha no atrito com a Argentina desencadeado pela intervenção estatal na petrolífera YPF e pelo projeto de nacionalizá-la, anunciados na última segunda pela presidente Cristina Kirchner. A expropriação atinge os 51% de ações da YPF que pertencem à espanhola Repsol. A Argentina acusa a empresa de não investir o necessário, gerando riscos de desabastecimento; a Repsol nega.

“Esse tipo de ação pode afetar de forma adversa o clima de investimentos para os negócios dos EUA e empresas de outros países”, disse Mark Toner, porta-voz adjunto do Departamento de Estado. O principal assessor da Casa Branca para a América Latina, Dan Restrepo, ecoou Toner e instou os argentinos a cumprirem com as suas “obrigações internacionais”.

Após discutir o tema com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o chanceler espanhol, José Manuel García-Margallo, disse que Hillary qualificou a nacionalização da YPF como “violação” do direito internacional. Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, chamou de “erro” a decisão e disse ser preciso vigiar atos nacionalistas e protecionistas. O ministro do interior argentino, Florencio Randazzo, disse que a Casa Rosada “toma decisões pensando nos argentinos, e não no que pensam os EUA ou os espanhóis”.
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Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 19:29

UE estuda suspensão de vantagens tarifárias à Argentina

Na VEJA Online:
O Parlamento Europeu finaliza uma resolução sobre a decisão da Argentina de expropriar 51% do capital da companhia petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, na qual proporá que a União Europeia suspenda parcialmente as vantagens tarifárias que concede ao país. A última versão da resolução, que tem o apoio de quase todas as forças parlamentares -com exceção da Esquerda Unitária e dos Verdes – condena com veemência a medida do Executivo de Cristina Kirchner e pede para a Comissão Europeia e para o Conselho da UE  “estudar e adotar, em defesa dos interesses europeus, quantas medidas forem necessárias para evitar que se reproduzam situações como as atuais”.

Entre outras ações, os parlamentares pedem a inclusão de uma “possível suspensão parcial” da Argentina do Sistema de Preferências Generalizadas (SGP), que beneficia as exportações do país para o mercado comunitário. A Comissão já tinha programado excluir a Argentina deste esquema em 2014, junto de outros países, por considerar que seu nível de riqueza é suficientemente elevado para continuar tendo esse tipo de vantagem.

Decisão
Segundo fontes da Comissão Europeia, no entanto, a lista de países beneficiados com essas medidas, concedidas àqueles que preencham requisitos relacionados com o respeito aos direitos humanos e ao estado de direito para ajudar seu desenvolvimento, “não é decidida de um dia para outro”.

A resolução, que será votada em sessão plenária na cidade francesa de Estrasburgo na próxima sexta-feira, “deplora a decisão tomada pelo Governo argentino, sem levar em conta uma solução negociada, de proceder à desapropriação da maior parte das ações de uma companhia europeia, já que representa uma decisão unilateral e arbitrária”.

A resolução também considera que a nacionalização da YPF representa um “ataque ao exercício da livre empresa e ao princípio de certeza legal, deteriorando assim o clima empresarial para os negócios da UE no país”. Os parlamentares também constatam que a decisão do Governo argentino “se refere a uma só empresa do setor e apenas a uma parte de seu conjunto de acionistas, o que poderia ser considerado discriminatório”.

Cordialidade
A resolução assinala que medidas como a tomada pelas autoridades do país podem diminuir o clima de cordialidade e entendimento necessários para fechar as negociações em curso para um acordo de associação UE-Mercosul. “Para que essas negociações sejam um êxito, as duas partes têm que conversar em um espírito de abertura e confiança mútua”, apontam. 
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Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 16:25

Time convida Cristina, a Neovermelha da Casa Rosada, para escrever sobre Dilma. O resultado é patético!

A presidente Dilma Rousseff está na lista das 100 personalidades mais influentes do mundo segundo a revista Time. Não se trata de menosprezo, mas de fato: o chefe do Executivo do Brasil, qualquer que fosse, estaria fatalmente numa lista assim a esta altura. Essas eleições têm sempre um quê, ou muitos quês, de ridículo. Neste ano, integra o grupo, por exemplo, Manal al-Sharif. Quem é ela? Aquela mulher saudita que decidiu desafiar a lei e dirigir um carro! Um ato corajoso, sem dúvida! Mas cadê a “influência mundial”? O mundo muçulmano, pra começo de conversa, está se tornando progressivamente menos laico, e isso quer dizer mais hostil às mulheres, como demonstra o Egito “pós-revolução”. Os outros dois brasileiros do grupo são o empresário Eike Batista e a presidente da Petrobras, Graça Foster. Sigamos.

A Time sempre convida alguma personalidade para escrever uma minibiografia dos eleitos. A de Dilma é assinada pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner — a Neovermelha da Casa Rosada. O artigo original está aqui.

Cristina abre o texto comentando a já famosa foto em que  Dilma, presa, participa de uma auditoria militar. Os militares escondem o rosto com as mãos. Para Cristina, era a Dilma quem exibia o ar de desafio, acusando, então seus acusadores. Dá curso à fantasia criada pelos “dilmófilos” no Brasil segundo a qual os próprios militares estariam com vergonha de seu ato. É uma bobagem monumental! É ler o passado com os olhos do presente. Aquela não era uma sessão clandestina de tortura, tanto que estava sendo documentada. Eles escondiam o rosto por medo mesmo. Sabiam que corriam o risco de ser assassinados pelos grupos de extrema esquerda se a foto fosse tornada pública. E sem julgamento ou auditoria…

Cristina emenda: “A mulher que conheci em 2003, quando ela se tornou ministra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem o mesmo compromisso da menina da foto”. Tomara que não! A menina da foto lutava para instaurar uma ditadura comunista no Brasil. Dilma jurou defender a Constituição democrática.

Sabem como é… Cristina é quem é… E sempre será uma questão controversa, para os argentinos ao menos, decidir quem foi o melhor: Pelé ou Maradona. No momento, diga-se, eles querem desbancar Pelé com Messi, que atua na Espanha; Mas não por muito tempo se depender de Cristina e de seu garotão de costeletas grandes, o tal Axel Kicillof (ver post desta manhã)… A dupla pensa em enviar a Barcelona um comando especial para resgatar o jogador argentino. Kicillof já avisou: não pagarão um centavo pela “nacionalização” de Messi. Ele já sabe como explicar a decisão: dando um murro na mesa e chamando todo mundo de imbecil. Mas volto.

Com essa mania de jamais querer ficar atrás, de nunca perder para os “macaquitos”, Cristina resolveu ombrear a sua própria biografia com a de Dilma. Segundo ela, ambas compartilham “muitas experiências pessoais”, a saber: a herança imigrante, o ativismo, a militância juvenil e, claro, o desafios próprios das mulheres que “tentam crescer num espaço dominado por homens”. A presidente argentina estava dizendo que Dilma foi escolhida o Pelé da turma, mas que ela é Maradona… Não há um só registro de que Cristina ou Néstor tenham arriscado um fio de cabelo na luta contra a ditadura do seu país — de uma brutalidade assombrosa: 30 mil mortos. O casal começou a fazer fortuna atuando na advocacia. Mas a condição de milionários graúdos só veio mesmo com a política, especialmente depois que Néstor chegou à Presidência.

Cristina encerra seu texto de forma meio marota. Diz que, historicamente, o interesse de cada país da América Latina era sempre usado contra o do vizinho — inferindo, entendo, que isso concorreria para a desunião do continente. Agora, diz a Neovermelha da Casa Rosada, sob a liderança de Dilma, “vemos um Brasil convencido de que o interesse nacional está absolutamente ligado aos interesses de seus vizinhos”.

Huuummm…

Quando dá na telha, os argentinos impõem taxas a produtos brasileiros e mandam princípios do Mercosul às favas. Cristina e seu garotão das costeletas grandes simplesmente cancelaram uma concessão da Petrobras para exploração de petróleo. E passaram, vejam só, a cobrar mais investimento da empresa brasileira no país.

Cristina Kirchner assina, enfim, um perfil de Dilma para falar bem de si mesma e para defender ações de seu governo que lembram atos de pistolagem internacional.

Por Reinaldo Azevedo
 

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