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crise na Europa

16/06/2012

às 6:45

Dilma não vê “luz no fim do túnel” da crise

Na Folha:
Diante de 23 governadores, a presidente Dilma Rousseff traçou um cenário preocupante para a crise internacional ao afirmar que ela tende a “se agravar” e que ainda não há luz no fim do túnel.”A luz no fim do túnel não está acesa. Isso tudo nós devemos à Zona do Euro e também à não recuperação dos Estados Unidos. É isso que leva o governo a aumentar as medidas para enfrentar a crise”, disse a presidente. Dilma chamou atenção para a eleição de amanhã na Grécia, que pode levar o país a deixar o euro.

“A crise é profunda e pode se aprofundar mais ainda com a eleição”, afirmou ela durante a reunião no Palácio do Planalto em que anunciou uma linha de crédito de R$ 20 bilhões para investimentos nos Estados — mais uma medida para alavancar a economia brasileira. O ministro Guido Mantega (Fazenda) falou, em tom de brincadeira e de alerta, que havia, sim, luz no fim do túnel, mas que poderia ser uma locomotiva vindo no sentido contrário devido à posição não cooperativa de bancos e países desenvolvidos.

Dilma afirmou ainda que o país não pode crescer “por soluços” e que está tomando medidas para garantir a retomada do crescimento, como a redução das taxas de juros. Ela aproveitou para citar frase do ex-ministro Delfim Netto para tentar mostrar que, apesar da crise, o Brasil está numa posição mais favorável. “Nós somos o último peru com farofa de Ação de Graças do mundo. Como ainda temos uma elevada taxa de juros, temos massa de manobra, que é a nossa ferramenta de enfrentamento dessa crise.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2012

às 20:18

A ESPANHA PEDE SOCORRO! PODE LEVAR 100 BILHÕES DE EUROS!

 

Na VEJA Online:
O ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos, anunciou neste sábado que o país vai pedir um empréstimo ao Eurogrupo – instituição que reúne os ministros das Finanças da zona do euro – para recapitalizar seu sistema bancário. Segundo Guindos, será uma quantia “alta e com uma grande margem de segurança”, mas cujo valor exato ainda será definido após análise de “auditores independentes”. Mesmo sem especificar o valor, o ministro disse que o teto é de 100 bilhões de euros. A quantia será emprestada pelo Eurogrupo e administrada pelo FROB – Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária, órgão do governo espanhol criado pela recapitalizar o sistema bancário local após o estouro da bolha imobiliária em 2008 e 2009 – que repassará recursos aos bancos que necessitem de ajuda.

A Espanha é o quarto país europeu a receber ajuda do Eurogrupo. Irlanda, Portugal e Grécia já tiveram dinheiro injetado em suas economias pela instituição, com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI).  Guindos evitou falar, porém, em “resgate”. “É um apoio financeiro e nada tem a ver com resgate. O dinheiro será dirigido ao FROB para que ele injete nas instituições que pedirem ajuda. Nem todas as entidades precisam de recapitalização – 70% do sistema financeiro espanhol pode resistir às piores condições possíveis, segundo relatório do FMI”, disse.

Punida pelo mercado
“É um empréstimo que se recebe em condições muito favoráveis, mais favoráveis que as do mercado e que do FROB. Por isso não falamos em resgate.” De fato, o maior problema da Espanha hoje é o esgotamento de recursos próprios para resgatar seu sistema bancário, cujas estimativas de perdas crescem dia a dia. Madri teria de ir a mercado captar recursos para evitar uma crise sistêmica – com potencial para contagiar bancos de todo o continente. Contudo, o prêmio de risco do país, que baliza os juros cobrados pelos agentes financeiros, bateu recorde na semana passada. Na prática, os investidores praticamente viraram as costas para a Espanha.

Guindos também evitou falar no prazo para pagar o empréstimo. “A única coisa que posso dizer é que a quantidade é suficientemente elevada para haver uma grande margem de segurança.”

Sem ajustes – Guindos disse que a ajuda financeira não está vinculada a pacotes de austeridade ou cortes nos gastos públicos. “Claro que existem condições para receber o dinheiro, mas não há nenhum tipo de condição fiscal nem de política macroeconômica, mas existem sim condições que as instituições deverão cumprir se quiserem receber o dinheiro.”

Sobre o papel do FMI (Fundo Monetário Internacional) no programa, Guindos afirmou que estará restrito à assessoria do setor financeiro e de apoio e implementação do programa.  De acordo com Guindos, o empréstimo também servirá para diminuir a pressão sobre a dívida pública espanhola. “Nos próximos dias se verá menor pressão sobre a dívida”, disse.

Guindos afirmou que “o governo espanhol está ciente da volatilidade dos mercados de capitais, e por isso decidimos fazer este anúncio porque se considera que é bom para a economia espanhola e para a Zona do Euro. Queremos afugentar os temores sobre o futuro da zona do Euro.”

Leia mais:
-
Grécia, Irlanda e Portugal – o trio já beneficiado por resgates da Europa;
-
Obama diz que reformas de Espanha e Itália são ‘inteligentes e necessárias’

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 20:01

Bovespa tem a maior baixa desde setembro de 2011

Na VEJA Online:
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve mais um dia de perdas generalizadas nesta quinta-feira, com seu principal índice sofrendo o maior tombo desde setembro do ano passado e recuando ao menor patamar em quase sete meses. A queda ganhou força após a agência de classificação de risco Fitch ter rebaixado o rating da Grécia, agravando o pessimismo dos mercados sobre os impactos de uma eventual saída do país da zona do euro.

O Ibovespa amargou o oitavo pregão seguido no campo negativo, caindo 3,31%, a 54.038 pontos. Foi a maior baixa diária desde 22 de setembro, quando a queda foi de 4,8%. O índice também atingiu a menor pontuação de fechamento desde 20 de outubro, aos 54.009 pontos. O giro financeiro do pregão somou 8,35 bilhões de reais.

Grécia
“Acho que é um movimento um pouco exagerado, já virou um efeito manada”, disse Eduardo Dias, analista na Omar Camargo Corretora. “Ibovespa a 55 mil pontos já era exagero; a 54 mil pontos, então, nem se fala. Para mim já chegou em ponto de compra.”

A crise política na Grécia e um possível contágio de países como Espanha e Itália seguem impondo forte clima de cautela. Nesta tarde, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou o rating da Grécia de “B-” para “CCC”, citando o elevado risco de o país ter de sair da zona do euro.

“Essa questão da Grécia assusta investidores e pode provocar, em um primeiro momento, uma situação de retração dos fluxos de capitais de certa forma comparável a 2008″, disse Newton Rosa, economista-chefe na Sul América Investimentos.

Bancos espanhóis
Mais cedo, também pesou sobre os mercados a preocupação com a situação dos bancos na Espanha e com os dados mais fracos que o esperado nos Estados Unidos. Indicadores da atividade econômica americana tiveram queda pela primeira vez em sete meses. Em Wall Street, o Dow Jones fechou em queda de 1,24%.

Dentre as ações com maior peso no Ibovespa, a preferencial da Petrobras devolveu os ganhos da véspera e fechou em queda de 4,46%, a 18,43 reais, enquanto a preferencial da Vale caiu 3,66%, a 34,78 reais. OGX recuou 5,59%, a 10,97 reais. Papéis de bancos também se destacaram entre as baixas do pregão, com Banco do Brasil recuando 4,9%, a 19,40 reais, e Bradesco com queda de 4,38%, a 26,88 reais.

Apenas dois dos 68 ativos que compõem o índice fecharam em alta: CCR Rodovias subiu 2,09%, a 15,62 reais, e MRV Engenharia avançou 1,66%, a 9,81 reais.

Por Reinaldo Azevedo

17/01/2012

às 16:13

Economia mundial está à beira de nova recessão, diz Unctad

Na VEJA  Online:
A economia mundial está à beira de uma nova recessão, disse a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) em seu relatório Situação e Perspectivas da Economia Mundial, divulgado nesta terça-feira. A organização prevê a deterioração do cenário econômico caso os governantes não consigam frear o aumento do desemprego ou evitem a escalada dos riscos gerados pela crise da dívida soberana e a fragilidade do setor financeiro.

“A economia mundial está oscilando e muito perto de uma nova recessão. Espera-se crescimento anêmico nos anos de 2012 e 2013. Os problemas que assolam a economia mundial são múltiplos e interligados. Entre os maiores desafios está a luta contra a crise do emprego e o declive das perspectivas de crescimento, especialmente no mundo desenvolvido”, diz o relatório.

O texto define o desemprego como “calcanhar de Aquiles” da recuperação econômica na maior parte dos países desenvolvidos e ressalta que o “déficit global de 64 milhões de empregos deve ser eliminado”. Com a projeção de recessão, no entanto, o déficit de empregos no mundo se elevaria para 71 milhões, 17 milhões somente nos países ricos, prevê a organização.

Além disso, a Unctad revela que, se a recessão ocorrer, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial deve alcançar 0,5% em 2012, número que pode chegar a 2,6% no caso de “a crise da dívida soberana ficar concentrada a uma ou algumas poucas pequenas economias”.

Para os autores do relatório, no entanto, as recentes medidas adotadas pelos governos europeus para conter a crise não são suficientemente eficazes. “O contágio da dívida soberana poderia achatar o crédito no mundo, e provocar uma quebra nos mercados financeiros, em um cenário com reminiscências do ocorrido em setembro de 2008 com o colapso do Lehman Brothers”, diz o texto.

EUA – O texto considera que as novas medidas de austeridade fiscal nos Estados Unidos levariam a uma recessão, por isso sugere ao Federal Reserve (Fed, banco central americano) que responda adotando medidas monetárias mais agressivas. O relatório prevê aumento do PIB da União Europeia em 2012 de 0,7%, e de 1,7% em 2013. Para os Estados Unidos, a Unctad estima avanço de 1,5% em 2012 e de 2% em 2013.

A respeito dos riscos globais se as economias dos Estados Unidos ou da União Europeia entrassem em recessão, o relatório é taxativo: “Uma recessão na Europa ou nos Estados Unidos pode não ser suficiente para induzir uma recessão global, mas o colapso de ambas as economias seguramente teria força para tal”.

Diante dessa situação, o relatório considera que, no curto prazo, é preciso estímulo fiscal, coordenado internacionalmente, para gerar empregos. “Os países desenvolvidos deveriam ser mais cautelosos em não embarcar prematuramente em políticas de austeridade fiscal, diante do ainda frágil estado da recuperação e os elevados níveis de desemprego”.

A principal preocupação das nações em desenvolvimento terá de ser evitar que o aumento dos já voláteis preços das matérias-primas e a instabilidade das taxas de câmbio contamine o crescimento.

Brasil e América Latina
O PIB da América Latina e do Caribe crescerá 3,3% em 2012 e 4,2% em 2013, segundo o relatório da Unctad. O texto considera que a região teve um ‘crescimento robusto’ em 2011 – aumento de 4,3% do PIB -, uma melhora que, no entanto, representou uma ‘desaceleração’ com relação aos 6% obtidos em 2010.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

14/01/2012

às 6:07

…E a França não é mais “AAA”

Na VEJA Online:
A agência de classificação Standard and Poor’s (S&P) reduziu nesta sexta-feira a nota da dívida soberana da França, a segunda maior economia da zona do euro, em um grau, de ‘AAA’ para ‘AA+’. A informação foi confirmada pelo ministro da Economia, François Baroin, em entrevista ao jornal das 20 horas (horário de Paris) do canal 2. Ele declarou que o Palácio do Eliseu recebeu a notificação nesta tarde. “É uma meia surpresa”, admitiu.

Segundo fontes da diplomacia europeia e do governo francês, que pediram anonimato, Alemanha, Holanda, Bélgica e Luxemburgo não tiveram sua classificação alterada. A S&P já havia advertido, em meados de dezembro, que poderia rebaixar rapidamente a nota de vários países europeus. Sobre a França, especificamente, a agência alertou que o rebaixamento poderia ser em dois graus a partir de seu atual “triplo A”, a máxima nota de solvência.

A redução do rating pode ainda atingir outras nações. “Outros países (que também possuem essa classificação) podem ter a mesma sorte”, disse uma das fontes ouvidas, sem precisar quais países poderiam também ser rebaixados.

Para ministro francês, nada mudará
Ao canal 2, o ministro afirmou que a queda da nota francesa não foi uma catástrofe. Baroin frisou que o país está na direção certa para deter os impactos da crise e criticou a avaliação da agência de classificação de risco. “Não são as agências que fazem a política da França”, disse. Ele acrescentou que o governo francês não pretende anunciar um terceiro plano de austeridade fiscal.

Baroin também falou sobre a extensão da crise da dívida na zona do euro, que, segundo ele, é consequência das crises financeiras de 2008 e 2009. “Para salvar a economia mundial, há três anos, os estados colocaram em suas costas todo o fardo do déficit”, disse o ministro. Ele também afirmou não acreditar que a França reagiu tarde demais ante os indícios de uma crise generalizada – e disse que o país continuará colocando em prática as medidas de contenção de gastos já adotadas.

Oposição
Na tarde desta sexta-feira, políticos de oposição ao presidente Nicolas Sarkozy, como François Bayrou, Hervé Morin e Dominique Villepin, atacaram diretamente a política governamental da França. O ministro Baroin criticou essa resposta e retirou a responsabilidade de Sarkozy. “A questão da dívida é um problema europeu. A resposta vai ser europeia”, disse.

Fundo Europeu em risco
A agência de classificação de risco não comentou a redução da nota francesa. Segundo especialistas, a mudança da nota francesa pode ter um efeito dominó na zona do euro e afetar, inclusive, seu mecanismo de resgate, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), cujo triplo A é sustentado pela nota de seis países da união monetária: Alemanha, Áustria, Finlândia, França, Luxemburgo e Holanda. Em dezembro de 2011, a S&P já havia sinalizado que poderia rebaixar a nota do próprio fundo em até dois graus.

Euro desaba
O euro acelerou sua queda ante o dólar, chegando ao seu valor mínimo em 16 meses. Às 15h24 GMT (13h24 de Brasília), a moeda única europeia recuou para 1,2624 dólar, sua mínima desde agosto de 2010, contra 1,2816 dólar na quinta-feira às 22 horas GMT (20 horas de Brasília). Em meados de dezembro, a agência Moody’s reduziu em dois níveis a nota da dívida da Bélgica, para “Aa3″, sendo que o país manteve sua classificação “AA” pela Standard and Poor’s e “AA+” pela Fitch.

Por Reinaldo Azevedo

14/01/2012

às 6:05

Standard & Poor’s rebaixa notas de nove países europeus

Na VEJA Online:
A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou, nesta sexta-feira, os ratings de longo prazo das dívidas soberanas de nove países da União Europeia. A decisão foi anunciada em comunicado da agência enviado aos mercados e à imprensa internacional. Chipre, Itália, Portugal e Espanha tiveram suas notas reduzidas em dois graus – a avaliação da dívida portuguesa atingiu, inclusive, a categoria apelidada de ‘lixo’.

Foram cortadas em um grau as notas de Malta, Eslováquia, Eslovênia, Áustria e França – estes dois últimos países perderam o chamado ‘triplo A’, que é a melhor nota de solvência que existe. A S&P manteve os ratings de longo prazo da Bélgica, Estônia, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo e Holanda – mas os manteve em perspectiva negativa. O restante dos países saiu da zona de observação, onde estavam desde 5 de dezembro do ano passado.

O que esperar
A agência disse ainda que alguns países que foram rebaixados podem ter suas notas reduzidas mais uma vez em 2012 ou 2013. “Em nossa visão, as iniciativas tomadas pelos líderes europeus nas últimas semanas podem ser insuficientes para acabar completamente com o stress sistêmico na zona do euro”, apontou a S&P.

Reação
O Eurogrupo – que congrega os ministros das Finanças da zona do euro – reafirmou nesta sexta-feira sua firme determinação de fazer tudo o que for necessário para superar a crise da dívida, garantir finanças públicas sólidas e voltar ao caminho do crescimento e da criação de empregos.

Por Reinaldo Azevedo

29/11/2011

às 6:21

Europa e EUA às portas da recessão

No Globo:
A recuperação econômica global está perdendo fôlego, deixando a zona do euro presa a uma leve recessão e os Estados Unidos com risco de seguir esse caminho, afirmou, nesta segunda-feira, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) ao reduzir suas projeções para a economia global. O organismo prevê que esta cresça 3,8% este ano e 3,4% em 2012 — contra projeções anteriores de 4,2% e 4,6%, respectivamente. Ainda assim, as bolsas de valores fecharam em alta de até 5%, devido à expectativa de que os ministros de Finanças da zona do euro, que se reúnem hoje, cheguem a um acordo sobre a implementação do fundo de resgate do bloco.

Fazendo eco à OCDE, a agência de classificação de risco Moody’s afirmou que todos os ratings soberanos da zona do euro — e, possivelmente, os da União Europeia (UE) — estão em risco se não forem tomadas medidas de curto prazo para lidar com a crise da dívida. A Moody’s disse que essa análise deve ser completada no primeiro trimestre de 2012.

E, no início da noite desta segunda-feira, a Fitch informou ter revisado a perspectiva dos EUA de estável para negativa, o que implica um possível rebaixamento. A agência atribuiu sua decisão ao fracasso do Supercomitê em reduzir o déficit do país. Pela Fitch, a nota americana ainda é “AAA”.

A revisão da Fitch eleva a pressão sobre Barack Obama, que, nesta segunda, se reuniu com os presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. Obama teme o contágio da crise europeia. “Eu disse a eles que os Estados Unidos estão prontos para ajudá-los a resolver essa questão. Isso é de enorme importância para nossa economia”, disse Obama à imprensa, depois do encontro, na Casa Branca.

Ele não especificou que tipo de ajuda os EUA poderiam dar, já que o país enfrenta problemas com seu déficit orçamentário. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que o Fundo Monetário Internacional (FMI) já tem recursos suficientes para ajudar a Europa, sugerindo que os EUA não entrariam com dinheiro.

Durão Barroso garantiu que a Europa está tomando medidas para resolver a crise. Mas ressaltou que as economias de EUA e União Europeia (UE) são interdependentes: “Enfrentamos o desafio comum de controlar o endividamento ao mesmo tempo em que retomamos o crescimento e criamos empregos. Não é uma tarefa fácil em qualquer lado do Atlântico”, afirmou.

Bolsas sobem 5,5% em Paris e 2% em SP
Segundo a OCDE, a zona do euro já entrou em recessão e praticamente não crescerá em 2012, tendo expansão de apenas 0,2%. Os EUA cresceriam 1,7% este ano e 2% em 2012. Já a expansão da Alemanha, a maior economia da Europa, despencaria de 3% para 0,6% no ano que vem.

O relatório da OCDE ressalta que haverá algum impulso graças aos emergentes, mas, mesmo assim, a queda no comércio global vai afetar a China. O crescimento da economia chinesa deve desacelerar de 9,3% este ano para 8,5% em 2012. As projeções para o Brasil são de expansão de 3,4% este ano e 3,2% em 2012, abaixo da economia global.

A OCDE advertiu que um “evento negativo” na zona do euro (como a desintegração da moeda única) poderá provocar uma contração global. O economista-chefe da organização, Pier Carlo Padoan, disse que o cenário pode melhorar “se forem tomadas medidas decisivas rapidamente”, como o aumento da capacidade do fundo de resgate da região e uma atuação maior do Banco Central Europeu (BCE).
(…)

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2011

às 22:29

Risco de contágio coloca em xeque atuação do BCE

Por Ana Clara Costa e Beatriz Ferrari, na VEJA Online. Volto depois:

A crise da dívida europeia já começa a respingar em campos antes considerados imunes. A taxa de retorno sobre os títulos da dívida de países como Áustria, Holanda, Finlândia e até mesmo a França disparou nos últimos dias. O prêmio de risco dos títulos franceses com vencimento em 10 anos passou de 2,5% em setembro para 3,68% nesta quarta-feira. Os números não são alarmantes, se comparados aos da Itália – cujo prêmio pago aos compradores dos títulos de 10 anos ultrapassa 7%. Contudo, a situação revela que o mercado não está disposto a confiar nem mesmo naqueles que são considerados “confiáveis”.

A pressão sobre os títulos significa que os investidores estão desconfiados e exigem um prêmio muito maior para comprar os papéis dos países europeus. Dependendo do aumento das taxas de retorno, algumas economias poderão ter dificuldades em captar e rolar suas dívidas no futuro, o que complica ainda mais o quadro de endividamento. Com esse movimento de desconfiança em cadeia, o mercado quer passar uma mensagem clara de que as taxas só deixarão de subir quando o Banco Central Europeu (BCE) resolver intervir e garantir as emissões feitas pelos países da zona do euro que estão em dificuldades. “O mercado está exigindo uma atuação mais eficaz do BCE. Ele precisa acreditar que o BCE vai impedir a piora da crise”, afirma Bob Baur, economista-chefe da Principal Global Investors, gestora de recursos sediada em Nova York.

No entanto, o BCE não prometeu, até o momento, que tomará qualquer atitude de proteção aos títulos europeus. O que a autoridade monetária fez foi comprar, na última semana, cerca de 5 bilhões de euros em emissões italianas – um volume pequeno se comparado à dívida total do país, que é de 120% do Produto Interno Bruto (PIB). “O único jeito de sair desse círculo vicioso é o BCE fazer o que o banco central americano fez nos Estados Unidos: virar credor de última instância”, afirma o economista Robert Wood, da Economist Intelligence Unit (EIU). Ser credor, nesse caso, significa comprar uma ampla parcela (ou a totalidade) dos títulos da dívida dos países em crise.

Se, por um lado, o mercado pressiona o banco para que ele se torne credor quase que universal da dívida europeia, por outro, o BCE pressiona os países endividados a aplicar reformas internas para conseguir honrar o compromisso de suas dívidas. “O BCE mostra que não vai intervir comprando títulos enquanto os países não começarem as reformas. É a forma que o banco encontrou de pressionar as economias periféricas”, afirma Baur, da Pincipal Global Investors. E, neste ponto, está o grande impasse. O mercado não acredita que os países consigam aplicar as reformas se não tiverem sua captação externa garantida pelo BCE. “O BCE hoje compra títulos de maneira muito limitada, e não a um nível que daria folga para esses países introduzirem reformas eficazes”, afirma Wood, da EIU.

Uma das principais discussões na Europa é justamente se o BCE deve ampliar seu leque de atuação para além do mero controle da inflação. Alemanha e França são contra. A versão oficial é que a autoridade já está quase ultrapassando seu limite de compra de títulos estabelecido pelas leis que regem a União Europeia. “Da forma como enxergamos os acordos na União Europeia, o BCE não pode resolver os atuais problemas”, afirmou a chanceler alemã Angela Merkel. O mercado terá uma noção maior da disposição do BCE em comprar títulos a partir desta quinta-feira, quando França e Espanha realizarem as emissões previstas, de 8,2 bilhões de euros e 4 bilhões de euros, respectativamente.

Os Estados Unidos e a Inglaterra tomaram para si os anseios do mercado e vêm falando abertamente sobre a necessidade de uma atuação mais próxima da autoridade monetária europeia. Segundo o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, a Europa não está fazendo o suficiente para superar a crise. “Há muitas formas de o BCE atuar de maneira mais eficaz, apoiando mais a economia europeia”, afirmou Geithner ao Wall Street Journal. Segundo ele, é preciso que haja uma atuação em conjunto da autoridade monetária e dos governos dos países. Já na Inglaterra, a descrença em relação ao BCE é tão grande que o Tesouro inglês já está até mesmo traçando um plano de contingência para caso o euro não suporte a pressão da crise e comece a ruir.

Comento
Meu comentário, na verdade, é uma sugestão de leitura. Poucos políticos brasileiros têm formação intelectual e condições de debater com competência a situação européia – e, convenham, também a brasileira… Já sei que lá vem patrulha (e todos sabem a importância que dou pra isso, não?), mas sugiro: leiam o que José Serra andou escrevendo em seu blog e em artigos de jornal a respeito da crise. Hoje, em seu blog, há um Decálogo da crise européia. No dia 27 de outubro, Decifra-me ou te devoro, publicado originalmente no Estadão. No dia 11 de agosto, já tinha abordado os efeitos das turbulências na Zona do Euro na economia brasileira em O Brasil e a crise: estresse, não catástrofe. Serra tem uma outra particularidade na comparação com a esmagadora maioria dos políticos: ele realmente escreve os textos que assina.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2011

às 6:15

Alívio e desconfiança com pacote da UE

Por Jamil Chade, no Estadão:
A Europa fechou ontem um acordo para cortar em 100 bilhões a dívida da Grécia com os bancos privados. Ainda incompleto, com muitas questões a serem resolvidas, o plano provocou euforia no mercado financeiro internacional e muitas dúvidas e receios entre os analistas econômicos. A Bolsa de Frankfurt subiu 5,35%; a de Paris, 6,28%; e a de Londres, 2,89%. Mesmo com o acordo prevendo que os bancos aceitem abrir mão de 50% das dívidas da Grécia, foram eles os destaques do mercado financeiro ontem. Em Paris, Crédit Agricole disparou 22%, Société Générale avançou quase 23% e BNP Paribas subiu quase 17%.

Além do corte na dívida com os bancos, a Europa ainda prevê elevar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), criado para socorrer os países em dificuldade e recapitalizar bancos, de 440 bilhões para mais de 1 trilhão. A principal preocupação é ter caixa para blindar a Itália. Uma das principais dúvidas em relação à viabilidade do plano é a capacidade de a União Europeia (UE) arrecadar tanto dinheiro para o Feef. Uma missão da UE começa hoje a percorrer os países emergentes em busca de recursos e coloca as fichas, principalmente, na China.

Os bancos europeus terão ainda de buscar 106 bilhões para reforçar o capital. Quem não conseguir os recursos necessários, poderá ser socorrido pelo governo de seu país. O que não se sabe é como atingir isso sem que os bancos simplesmente fechem as torneiras e deixem de emprestar. O resultado poderia ser mais recessão. Entre os chefes de Estado, a ordem era de mostrar que a crise começou a ser derrotada. “Evitamos uma catástrofe que atingiria o mundo”, disse o presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Mas analistas e políticos alertam que os líderes europeus apenas ganharam tempo, já que questões críticas continuam em aberto. O entendimento ainda terá um preço alto para a Grécia, que praticamente perde a soberania econômica. Uma das condições impostas pela chanceler alemã, Angela Merkel, era de que Atenas passaria a ser monitorada por uma delegação permanente da UE na Grécia.

Por Reinaldo Azevedo

04/10/2011

às 20:37

Texto reproduzido no Financial Times ironiza mania do governo brasileiro de sair distribuindo conselhos ao mundo

Pois é… Nem todo mundo cai na conversa, não é? E certa saliência arrogante já começa a chamar a atenção. A Reuters publicou uma espécie de editorial, reproduzido no site do Financial Times, que ironiza os conselhos da “Tia Dilma” (aqui, em inglês) para a União Européia: “Dilma: agony aunt to the EU”. Mais ou menos isso: “Dilma: os conselhos da tia”.

Logo no primeiro parágrafo, uma paulada: o texto lembra que a líder do país que está em 152º no ranking do Banco Mundial (do melhor para o pior…) das nações com o pior e mais pesado sistema tributário tenta dar conselho aos outros. Pois é… A carga deve fechar 2011 em 36,5% do Produto Interno Bruto (PIB). E a Rousseff do Brasil já avisou: mais dinheiro pra saúde só com mais impostos.

O texto lembra que tem sido prática constante do governo brasileiro distribuir conselhos ao mundo. E cita o caso do ministro Guido Mantega: “Depois de ter sido alçado à fama graças a seu discurso sobre ‘guerra cambial’, Mantega propôs, no mês passado, um plano meio maluco de resgate da Zona do Euro pelos BRICs”. E o texto emenda: “O problema é que ele não consultou os outros países, como a China, que detém a maior parte dos títulos da dívida”. Segundo o texto da Reuters, até os nativos por aqui ficaram surpresos que o Brasil se oferecesse para salvar economias como a da Itália, cujo PIB per capta é o triplo do seu próprio…

O conselho, afirma o editorial, “além de irrealista, soou hipócrita”, uma vez que Dilma falou “sobre a necessidade de combater o protecionismo” uma semana depois de ter elevado o IPI de carros estrangeiros em “gritantes 30 pontos percentuais”. Também ironiza a censura do Brasil aos países que mantêm desvalorizadas sua moeda, lembrando as constantes intervenções do Banco Central no mercado de câmbio.

O texto até dá uma colher de chá ao governo. Lembra que, embora seja fácil zombar desses conselhos, eles vêm num momento de estabilidade do país. Conclui: “Com um dos sistemas financeiros mais saudáveis do mundo, grande capacidade para implementar medidas anticíclicas de estímulo à economia e reservas cambiais sólidas, não é de estranhar que o Brasil se sinta no direito de sair dando conselhos por aí, ainda que malucos”.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2011

às 17:42

Dólar atinge R$ 1,90 no fechamento; Bovespa cede 5,48%

Por Epaminondas Neto, na Folha Online. Comento no post seguinte:

O dólar comercial, utilizado para o comércio exterior, foi negociado por R$ 1,895 após as 16h (hora de Brasília), em forte alta de 1,60% nesta quinta-feira. Somente neste mês, o preço da divisa americana já acumula um aumento de 18,96%. Ainda operando, a Bovespa sofre perdas de 5,48%, aos 52.915 pontos. O giro financeiro é de R$ 6,66 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York recua 4,45%.

No caso da moeda americana, trata-se da maior cotação de fechamento desde setembro de 2009, mas ainda não foi o “pico” do dia. Logo pela manhã, a taxa de câmbio bateu R$ 1,963 por volta das 9h30 (hora de Brasília. Pouco depois, pouco depois das 10h, o Banco Central anunciou uma operação inédita desde 2009: uma venda de dólar no mercado futuro de moeda (via um leilão de “swap” cambial), mas que não altera o volume das reservas internacionais do país.

Dos 112.290 contratos oferecidos pelo BC, os agentes de mercado tomaram pouco mais de 55 mil, numa operação calculada em US$ 2,7 bilhões. Em nota à imprensa, a autoridade monetária afirmou que “poderá voltar a atuar, a qualquer momento, de modo a assegurar condições apropriadas de liquidez nos mercados de câmbio”. “Temos que lembrar que o Banco Central não entra somente para comprar, ele pode vender também. Acho que quando o dólar bateu R$ 1,95, tocou num preço além do tolerável [para as autoridades econômicas]“, diz Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora.

“Creio que o mercado interpretou a alta de hoje não como uma tendência mas como um movimento pontual. Como eu já disse para alguns clientes hoje de manhã, e muita gente no mercado tem dito, os fundamentos econômicos [do Brasil] não mudaram e, sinceramente, acho qualquer comparação com [a crise de] 2008 descabida”, acrescenta. A disparada dos preços da moeda já é comparada por alguns à volatilidade de 2008, quando a cotação da moeda americana oscilou em torno de R$ 2,40.

Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi vendido por R$ 2,07 (alta de 5,6%) e comprado por R$ 1,870. E na BM&F, o contrato futuro de dólar para dezembro apontou uma taxa de R$ 1,910 (número preliminar). Mais aqui

Por Reinaldo Azevedo

14/08/2011

às 6:05

“O governo brasileiro terá de se dobrar à realidade”

Por Leandro Modé, no Estadão:

O ex-presidente do Banco Central (BC) Affonso Celso Pastore mal conseguiu dormir nas noites que se seguiram ao rebaixamento da nota de crédito do governo dos EUA. A perda de sono resultou não apenas das preocupações com a piora do cenário global após a decisão da agência Standard & Poor”s, mas, principalmente, da dedicação para entender a complexa conjuntura global. Em momentos como o atual, consultores econômicos como ele são demandados como nunca pelos clientes.

Por mais complicada que seja a situação, eles precisam dar respostas que ajudarão bancos, empresas e até mesmo pessoas físicas a embasar decisões que movimentam cifras enormes. Ainda de olhos vermelhos, fruto das noites quase em claro, Pastore conversou com o Estado em seu escritório, na zona oeste de São Paulo, na tarde de quinta-feira. “Essa foi a primeira das últimas noites em que realmente dormi bem, de tão cansado que estava.” Para Pastore, o que ocorre hoje é parte da crise iniciada em 2008. E o cenário básico traçado por ele não é dos mais animadores, inclusive para o Brasil. “No quadro que vejo hoje da economia mundial, o Brasil vai crescer menos. E o governo vai ter de se dobrar à realidade. Não há o que fazer. Se tentar escapar disso, vai gerar desequilíbrios”, afirmou. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O que significa a diminuição da nota dos EUA para a economia global?
O rebaixamento da nota dos EUA é um episódio menor. Se só ele tivesse ocorrido, o dólar teria se desvalorizado e teria havido uma subida da taxa de juros americana. Só que ocorreu o contrário. Ou seja, há algo mais. No caso, a Europa, cuja percepção de risco cresceu mais que a americana. Para ter um entendimento completo disso, é preciso olhar para duas crises paralelas. A dos EUA, que já vem de algum tempo, mostra que a capacidade de o país crescer é muito menor do que o mercado pensava.

Por quê?
A crise de 2008 – esta, aliás, é a continuidade daquela – produziu uma destruição de riqueza que nunca aconteceu. Quando a riqueza cresceu durante a bolha, as famílias se endividaram gastando renda futura. Em outras palavras, o grau da alavancagem atingiu níveis sem precedentes – 130% da renda disponível. O estouro da bolha e a crise de 2008 fizeram a riqueza das famílias voltar ao nível em que estava antes de a bolha se formar. Só que o grau de endividamento ficou muito mais alto. Significa que é preciso poupar para pagar as dívidas. É o chamado processo de desalavancagem. (Kenneth) Rogoff, ex-economista-chefe do FMI, chamou a atenção para isso, ao falar em grande contração, e não grande recessão. O erro das pessoas foi achar que se tratava de uma recessão como as passadas.

E quando elas se deram conta de que não era?
Houve três episódios que fizeram essa percepção aumentar. O primeiro foi quando Obama teve de negociar o limite da dívida dos EUA. Ficou patente que ele perdeu o grau de liberdade na execução da política fiscal. O segundo ponto foi o fim do QE2 (quantitative easing, na sigla em inglês, que na prática significa injeção de dinheiro na economia por meio do banco central). Na sequência desses dois episódios, veio a revisão dos dados do Produto Interno Bruto (PIB), que mostrou que a recuperação havia sido muito frágil. A rigor, o PIB dos EUA ainda não voltou ao nível pré-crise. Se não houvesse a questão da Europa, isso deveria ter produzido uma mudança nos preços das ações, que deveriam ter caído.

E a Europa?
A crise europeia é, ao mesmo tempo, uma crise de dívida soberana e um potencial de crise bancária. As duas coisas sempre vêm juntas, como mostra um livro de Rogoff e Carmen Reinhart (Oito Séculos de Delírio Financeiro: Desta Vez é Diferente). Há vários tipos de contágio envolvidos. Há países insolventes, como Grécia, Irlanda e talvez Portugal, e países com dívidas grandes, casos de Espanha e Itália, que começaram a receber contágio dos menores. Segundo Rogoff, esse tipo de crise se resolve de três formas: ou se faz uma reestruturação ordenada das dívidas, ou se tem inflação ou acaba em default (calote).
(…)
E o Brasil?
Deve olhar isso tudo com muita cautela. Pode acontecer no mundo uma coisa extrema. Se houver a solução crítica, desordenada, será reproduzido, em tese, o que houve na fase pós-quebra do Lehman Brothers. Cai comércio mundial, desabam preços das commodities, PIB do mundo e do Brasil caem. Nesse caso, o Brasil terá de reagir de forma semelhante a 2008. Semelhante, frise-se, não igual. Teremos de usar dinheiro das reservas para financiar exportações e comprar recebíveis, reduzir compulsórios se houver empoçamento de liquidez nos bancos. Podemos usar melhor o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para evitar prejuízos. Ainda assim haverá desaceleração mais forte. Em um caso desses, seria preciso baixar a taxa de juros. Mas não é preciso fazer isso no pressuposto de que pode acontecer. Tem de fazer se acontecer.

(…)
E a China?
Não adianta dizer que a China vai salvar o mundo porque é um país que está neste globo, não em Marte ou em Vênus. Se EUA e Europa desaceleram, a China desacelera, por mais que a gente ache que a China é um fenômeno inexplicável. Em resumo, desacelera todo mundo e desacelera o Brasil. Com isso, há uma força desinflacionária aqui. Tudo o mais constante, a primeira providência será o Banco Central interromper a alta dos juros e ficar em compasso de espera. Se tiver de baixar, baixa. Independentemente da velocidade que baixe, quando o mercado perceber que entrou em um ciclo de queda, a curva de juros já inclina negativamente, de forma que o BC não pode e não deve ser precipitado nessa redução. Deve ir com cautela. Digo isso explicitamente para não dizerem que estou defendendo redução amanhã. Como, aliás, um bando de gente tem feito.

(…)
Como deve reagir o governo?
Nesse cenário, por que eu defendo que uma reação do governo se dê no campo monetário, e não no fiscal? Em primeiro lugar, porque o campo fiscal já está suficientemente desarrumado. E ficou provado no mundo que a tal reação keynesiana, que muitos economistas têm defendido também no Brasil, provocou tudo isso que estamos vendo nos EUA e na Europa. (John Maynard) Keynes (considerado o mais importante economista do século 20) nunca escreveu que essas políticas levariam ao aumento da dívida pública. Ele nunca prestou atenção a esse fato. O mundo provou depois que déficits aumentam a dívida.

Em se confirmando esse cenário, o Brasil vai crescer menos. Só que o governo brasileiro tem a meta de crescer 4,5% ao ano. Não dá para cumprir essa meta nos próximos anos?
Não vou dizer que vai ou não vai, porque lá pelas tantas a Europa pode resolver seu problema. Mas, no quadro que vejo hoje da economia mundial, o Brasil vai crescer menos. E o governo vai ter de se dobrar à realidade. Não há o que fazer. Se tentar escapar disso, vai gerar desequilíbrios. Ou na conta corrente ou na inflação ou no endividamento. De alguma forma, será algo que trará custos mais adiante.
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/08/2011

às 13:58

Não haverá catástrofe nenhuma na economia brasileira

José Serra, presidente do Conselho Político do PSDB, publica um artigo no Estadão de hoje intitulado “O Brasil e a crise: estresse, não catástrofe”. Ele faz uma análise dos efeitos da atual crise na Europa, nos EUA e no Brasil e afirma que o nosso país certamente sofrerá o impacto das dificuldades que enfrentam os países ricos, mas que não há nenhum desastre à vista. Segundo Serra, existem fragilidades na economia brasileira que já estavam dadas, e elas estão relacionadas a escolhas feitas aqui dentro. Seguem trechos.

*
Não é possível prever a extensão e a profundidade do mergulho das economias da Europa e dos EUA, mas se pode esperar, no mínimo, uma estressante instabilidade financeira, ao lado da inflexão para baixo no crescimento da economia mundial. No caso dos EUA, o impasse político sobre os limites do endividamento público ocorreu quando a economia apresentava sinais de fraqueza. A política monetária frouxa e a desvalorização do dólar nos últimos anos mostraram-se incapazes de reativar a demanda e o crescimento de maneira sustentada.

Paralelamente, o governo Obama não conseguiu promover uma expansão do gasto público que tivesse efeitos multiplicadores poderosos sobre os investimentos e o emprego, como num modelo keynesiano básico. O aumento do déficit e da dívida desde 2008 resultou em grande medida da absorção da dívida do setor privado. Agora, a simples perspectiva de cortes (suaves) naquele gasto piorou as expectativas em todo o mundo. Note-se que a guerra política no Congresso vai piorar até o fim do ano eleitoral de 2012.

Na Europa, a crise é pior do que nos EUA e é diretamente proporcional às vicissitudes causadas pela implantação da moeda comum. A política monetária tornou-se única, nas mãos do Banco Central Europeu (BCE). No entanto, a mobilidade de capital e trabalho na área é baixa, o que exigiria um grande orçamento (ou fundo de estabilidade) para amortecer os possíveis choques assimétricos nos países-membros. Mas a política fiscal (impostos, gastos e dívida pública) não foi unificada e continuou sendo um assunto de cada país.
(…)
E o Brasil? Sua economia, nos últimos anos, exibiu um crescimento dentro da média da América Latina, abaixo da Ásia e acima dos centros desenvolvidos. Isso foi conseguido devido à excepcional performance das exportações de matérias-primas e alimentos, na quantidade e, principalmente, nos preços. Nunca antes na história deste país os preços das exportações brasileiras cresceram tanto durante um período tão prolongado.

O estilo de desenvolvimento brasileiro tem combinado aspectos curiosos. O sistema financeiro privado é relativamente sólido. A taxa de juros é a mais alta do mundo, não obstante os riscos de crédito e câmbio terem declinado. A enorme diferença entre os juros domésticos e os internacionais apreciou a taxa de câmbio como em nenhum outro país, prejudicando as exportações de manufaturados e favorecendo suas importações. A carga tributária é a maior dos países emergentes, mas a poupança governamental é baixa. A taxa de investimentos é pequena em razão dessa reduzida poupança e da falta de oportunidades (rentáveis) de investimentos do setor privado, principalmente na indústria. O consumo se expandiu a um ritmo bem superior ao do PIB. Há uma marcha forçada de desindustrialização em razão do câmbio e da carga tributária. O saldo da balança comercial tem caído apesar do “boom” de preços, e o déficit em conta-corrente cresceu rapidamente, junto com o passivo externo do país. Devido aos juros muito altos e ao real supervalorizado, vão se multiplicando os subsídios fiscais ao setor privado, sem planejamento nem controle da eficácia. Em suma, trata-se de um “modelo” de crescimento que não é sustentável por muito tempo, embora, a curto prazo, exiba indicadores razoáveis de emprego, renda e consumo, além de bons negócios nas áreas financeira e de commodities.

Os atuais transtornos das economias no Norte vão estressar esse modelo, mas não necessariamente se afigurarão catastróficos para a economia brasileira. Tanto quanto é possível prever, pode haver retração, mas não colapso, numa variável-chave, que são os preços das commodities, indexados ao dólar. O compromisso do Federal Reserve de manter a taxa de juros no chão por mais dois anos manterá o dólar fraco. O imenso diferencial de juros continuará atraindo dólares e pressionando o valor do real para cima, talvez com mais força, em razão do encolhimento adicional de oportunidades nas economias centrais. A agressividade dos países exportadores de manufaturados deve tornar-se mais feroz ainda, competindo com as exportações brasileiras e assediando nosso mercado interno. Em suma, haverá a manutenção ou reforço de algumas das condições do estilo de desenvolvimento acima esboçado – para mim, frágil – num contexto de menor dinamismo do crescimento.
Para ler a íntegra, clique
aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/08/2011

às 6:33

Mais uma vez, o fim do capitalismo está próximo!

Ah, a esperança das esquerdas é a última que morre — e, naturalmente, muita gente, muitos milhões, morre primeiro, é claro! Elas nunca mediram nem esforços nem vidas para fundar o “novo homem”. Desta vez,  o capitalismo estaria mesmo caminhando para seu epílogo. Se não isso, ao menos o sistema estaria frente a frente com a sua miséria moral.

Na Folha de hoje, por exemplo, embora não revele a origem, o colunista Ricardo Mello citou um trecho do “Programa de Transição”, do socialista russo Leon Trostky, publicado em 1938, para retratar o drama a que o mundo estaria assistindo. Calma, Ricardo! Menos! Ele achou que este trecho sintetiza bem a realidade que vivemos:
“As crises conjunturais, nas condições da crise social de todo o sistema capitalista, sobrecarregam as massas de privações e sofrimentos cada vez maiores. O crescimento do desemprego aprofunda, por sua vez, a crise financeira do Estado e mina os sistemas monetários estremecidos. Os governos, tanto democráticos quanto fascistas, vão de uma bancarrota a outra.”

Não que eu não tenha certa nostalgia do tempo em que os jornalistas citavam Trotsky em vez de Luiz Inácio Apedeuta da Silva… Até tenho. Mas não cabe. Ainda que Trotsky realmente tivesse tido um delírio antecipatório, teria sido, assim, uma coincidência. Recomendo que Ricardo releia a Quarta Bucólica, do poeta latino Virgílio. Não foram poucos os que asseveraram, ao longo dos séculos, que Virgílio anteviu a vinda do Messias. Pois é. Em vez de poeta, seria um profeta! Virgílio morreu no ano 19… ANTES de Cristo. Ao ler um trecho do seu poema, tenho certeza de que Ricardo vai considerar que ele era um adivinho mais agudo do que Trotsky. Querem ver (na tradução de Pércles Eugênio da Silva Ramos)?

Também já volta a Virgem, volta o reino de Saturno;
uma nova progênie desce dos mais altos céus.
Casta Lucina, ampara, que já reina o teu Apoio,
o menino que está nascendo: a geração de ferro
com ele findará, ao mundo vindo a raça de ouro
.
Sendo tu cônsul surgirá a glória dessa idade,
Pólio; sob teu poder começarão os grandes meses.
Se o nosso crime deixou traços, nada valem eles,
que de um terror perpétuo livrar-se-ão todas as terras.

Terá a vida dos deuses o menino, que os verá
no meio dos heróis, e será visto em meio a eles,
regendo com as virtudes de seu pai um mundo em paz.
Sem trato algum, menino, a terra te oferecerá
como primícia as heras que se alastram, mais o bácar,
e as colocásias misturadas ao ridente acanto.
Por si, cheias de leite, as cabras voltarão ao aprisco,
e os rebanhos não mais terão pavor dos grandes leões.
Teu próprio leito cobrir-te-á de cariciosas flores;
morrerá a serpente, e a planta de falaz veneno
morrerá;
e aqui e ali há de crescer o amorno assírio.
Assim que as proezas dos heróis e os feitos de teu pai
puderes ler, e discernir o que a virtude seja,
o campo dourar-se-á, aos poucos, com a tenra espiga,
dos incultos silvados penderá, vermelha, a uva,
e os duros robles suarão um orvalhado mel.
Mas do delito antigo restarão poucos vestígios (…)

Se isso não era o anúncio da vinda do Messias,  o que poderia ser? E, no entanto, não era!!! O monumental poeta só estava puxando o saco de Marco Antônio e Otávio, os litigantes do Segundo Triunvirato. Otávio levou a melhor no fim da história.

Apesar de tanto sofrimento no mundo, que levou o colunista a associar o mundo de 2011 àquele de 1938, às vésperas da Segunda Guerra, é preciso dizer: os homens nunca viveram tanto e tão bem, e as conquistas tecnológicas jamais chegaram às massas com tanta rapidez. “Mas como pode haver ainda tanta iniqüidade?” Essa é a pergunta que nos fazemos desde que o mundo é mundo, e isso não quer dizer que tenhamos, como espécie, ficado na pura perplexidade. Ao contrário: a democracia (não o socialismo) e a luta por liberdade (não por igualdade) têm criado, a cada dia, um mundo… melhor! A liberdade induz o homem à justiça.

O “modelo” que aí está — que agora parece tão perverso — financiou um formidável avanço técnico; nunca se caminhou tanto em tão pouco tempo. Estamos, de fato, assistindo a uma revolução. Milhões de pessoas foram retiradas da miséria na Ásia, na América Latina e até na África. Nos países em que não se pôde avançar mais, o freio veio do déficit de liberdade, não da pouca vontade de implementar a “igualdade”. Quando, em nome desta, tolhe-se aquela, produzem-se ditadura e miséria.

A “crise” do sistema capitalista é só uma crise de liderança. Indivíduos fazem a diferença na história. A safra de líderes dos EUA e da Europa é a pior em muitas décadas. O capitalismo sobreviverá e continuará a tirar milhões da miséria. Precisamos é tomar cuidado com a democracia. Esta, sim, vive dias de crescente desprestígio.

Por Reinaldo Azevedo

09/08/2011

às 6:27

Bolsas asiáticas têm novo dia de perdas

No Estadão Online:
As bolsas asiáticas enfrentaram mais um dia de perdas nesta terça-feira, 9, após fortes quedas nos mercados europeus e em Wall Street na véspera. A alta de 6,5% do índice de preços ao consumidor da China em julho, acima do esperado pelos economistas, ajudou a acelerar as perdas dos índices na abertura. Ao longo do dia, porém, os mercados conseguiram se recuperar, o que não impediu que algumas bolsas da região encerrassem com baixas relevantes.

Os investidores seguem receosos de que uma nova desaceleração afete a economia dos Estados Unidos. Na semana passada, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou os títulos de dívida de longo prazo norte-americanos. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 chegou a cair mais de 4% após a abertura, mas recuperou parte das partes e encerrou o pregão em baixa de 1,7%.

Em Seul, o pregão chegou a ser interrompido, quando a bolsa acumulava perdas próximas de 10%. O índice Kospi terminou o pregão com queda 3,6%, ainda assim o pior resultado desde setembro de 2010. A Bolsa da Sydney também oscilou fortemente, saindo de uma perda de cerca de 5% no início do pregão para um ganho de 1,2% no fechamento.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou a segunda-feira em queda de 8,08%, mas chegou bem perto de ter os negócios interrompidos, o chamado circuit breaker. Isso aconteceria se o Ibovespa – índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa – batesse em uma perda de 10%. No pior momento do dia, a queda chegou a 9,73%.

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 18:46

Após cair 9,7%, Bovespa fecha em queda de 8,08%, maior queda desde outubro de 2008

Na VEJA Oneline:
Em dia de grande tensão nas bolsas internacionais, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou o pregão com queda de 8,08%, para 48.668 pontos. Das 61 ações que compõem a carteira do Ibovespa, nenhuma encerrou os negócios desta terça-feira no terreno positivo. As ações ordinárias do frigorífico Marfrig recuaram 24,83%, cotadas a 9,02 reais, liderando as maiores baixas da bolsa. Na sequência, vieram os papéis da OGX Petróleo, do empresário Eike Batista, com declínio de 16,36%, a 9,20 reais. Em Nova York, os índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 recuaram 5,5%, 6,9% e 6,6%, respectivamente.

O principal indicador da bolsa brasileira reagiu negativamente ante o pânico instalado nos mercados internacionais com o anúncio do rebaixamento da nota da dívida soberana americana, na última sexta-feira, pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s. Analistas ouvidos pelo site de VEJA apontaram que a notícia escancarou uma realidade que muitos preferiam ignorar: o de que a crise veio para ficar e que as maiores economias do planeta, às voltas com enormes dificuldades para administrar suas dívidas, crescerão pouco e por período prolongado.

Ações desabam – As operações no pregão estiveram perto de serem suspensas, pois, às 15:20, o Ibovespa chegou a atingir queda de 9,73%, a 47.793 pontos – a maior queda desde 22 de outubro de 2008. Caso o índice chegasse a -10%, as negociações teriam de ser paralisadas. É que um mecanismo de proteção chamado de circuit breaker estabelece a parada da bolsa por trinta minutos quando as perdas atingem esse patamar.

A Bovespa abriu o pregão desta quinta-feira já com acentuada retração de 4%. As perdas se avolumaram ao longo do dia, mas as quedas mais acentuadas se verificaram logo após o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em cadeia de televisão, quando reafirmou que a economia local é livre de risco, apesar do rebaixamento promovido pela S&P.

Risco menor
O vice-presidente do Itaú Unibanco, Marcos Lisboa, comentou nesta quinta-feira o pânico nos mercados. Na avaliação dele, não há risco de a turbulência “transbordar” para a economia real. “Já tivemos movimentos como esse em 2008. O Brasil está preparado”, afirmou em seminário sobre a nova classe média, em Brasília.

O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Luiz Awazu, também procurou tranqüilizar os investidores. “Estamos 200% atentos ao desenvolvimento (dos mercados). Estamos monitorando isso há algum tempo e o BC tem alertado sobre riscos da conjuntura internacional. O Brasil está mais preparado que em 2008″, declarou.

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 16:32

Sarney aproveita a aula de Arnaldo Jabor sobre a crise americana e dá a moral da história

Quando um colunista da Folha Online chegou à conclusão de que o que faltou a Barack Obama foi um PMDB, Sarney esfregou as suas mãos antediluvianas e pensou: “Eu sabia! Um dia o meu trabalho em favor da estabilidade seria reconhecido…” E aí o homem pôs para funcionar aquela mente aguda, capaz de análises realmente surpreendentes, que nos conduz a paisagens ignotas do pensamento. Leiam o que informa Gabriela Guerreiro, na Folha Online. Volto em seguida.

Sarney diz que negociações da dívida dos EUA foram “vergonhosas”
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), classificou nesta segunda-feira de “vergonhosas” as negociações nos Estados Unidos que resultaram na elevação do limite da dívida do governo americano. Sarney disse que o país deu um “péssimo exemplo” ao usar politicamente o episódio na disputa entre Democratas e Republicanos. “No momento de uma luta política visivelmente destinada já com olhos nas eleições do ano que vem, eles ofereceram ao mundo esse vergonhoso exemplo de que os partidos políticos sacrificam (…). Foi um exemplo nada construtivo e eles estão pagando caro por isso”, afirmou.

Segundo Sarney, a crise nos EUA é “artificial” e provocou consequências em todo o mundo. “A Europa está com problemas sérios. Em alguns países, há problemas de liquidez, como a Grécia, a Irlanda começa a ter esses problemas, Itália, a Espanha. Isso tudo os Estados Unidos tomando a decisão que tomaram tem repercussão na Europa.” O presidente do Senado disse que a disputa política em meio à crise ganhou força com o crescimento do Tea Party – a corrente mais conservadora do Partido Republicano – nos EUA.

O peemedebista disse não acreditar em impactos imediatos no Brasil nem no Congresso Nacional. “Em todos os momentos de dificuldades do país, temos encontrado um terreno comum no qual protegemos os interesses do país e abandonamos essa luta dilacerante de partidos. Assim foi na Independência, assim foi na República, assim foi em 1930 e assim foi em 1985.” Sarney disse que o Brasil está preparado para enfrentar a turbulência no mercado internacional. “Estamos absolutamente preparados. Isso não significa que não tenha conseqüência no Brasil qualquer grande crise mundial. Mas até o momento, essa crise ainda não está configurada”, afirmou.

Voltei
Sarney concorda com Arnaldo Jabor: “É tudo culpa do Tea Party”. O que faltou a Barack Obama? Ora, um Michel Temer, um Wagner Rossi, um Renan Calheiros, um Romero Jucá, essas expressões do “pensamento moderado” brasileiro, que tanto bem têm feito ao chamado “presidencialismo de coalizão”, com suas disposições para a negociação.

O presidente do Senado e do Congresso brasileiro nem mesmo sabe — talvez finja não saber; de fato, eu acredito na ignorância e no cinismo conjugados de Sarney — que a crise européia tem vida própria e não decorreu da americana, não. Os desacertos são coordenados, sim, mas o Tea party não tem nada a ver com a forma como a Grécia, a Espanha ou a Itália resolveram conduzir suas respectivas economias.

Quanto ao rebaixamento da nota dos EUA, decidida pela S&P, quem leu o relatório sabe que a agência — que também não é a voz de Deus, tanto que os títulos continuaram a ser negociados normalmente — considerou que o corte de gastos aprovado pelo Congresso, no acordo possível entre republicados e democratas, foi considerado pequeno, tímido, insuficiente. Ora, os democratas queriam cortar ainda menos… Ou por outra: se a turma de Obama tivesse vencido a parada e aprovado a sua proposta original, as razões para o rebaixamento seriam ainda mais evidentes. Ademais, na reta final, quem radicalizou o discurso e a posição foram os democratas.

Eu sei que Sarney parece desimportante. Sob muitos aspectos, é mesmo! Mas é o homem que preside o Congresso brasileiro. Ao investir nessa vigarice política e intelectual de acusar o confronto político dos EUA como o responsável pela crise mundial — e, nesse sentido, acaba endossando a análise de muitos bestalhões no Brasil —, investe, se querem saber, contra a VIRTUDE da política americana, não contra o DEFEITO.

De fato, tivesse Obama uns ministérios e umas estatais para distribuir; vigorasse nos EUA o “presidencialismo de coalizão” à moda brasileira, talvez não se chegasse àquela crise da dívida… A corrupção é que já teria levado a economia americana para o buraco. A propósito: foi o excesso de consenso na economia, que vem lá do governo Clinton e vigorou em boa parte do governo Bush, que levou os EUA à beira do precipício. Não fosse o Tea Party uma conseqüência da crise, eu diria que ele apareceu tarde demais. Faltou confronto. De certo modo, a esquerda republicana e a direita democrata, que  estão, na prática, no comando desde o governo Clinton, fizeram o papel de “PDMB”… Deu no que deu!

A fala de Sarney é menos inocente do que parece. Nosferatu está alertando para a importância de ser “prudente”, de se manter o ambiente da “negociação”, de evitar “radicalizações”… Os EUA estariam perdidos, mas o Brasil teria encontrado o caminho, sem “lutas dilacerantes”: na Independência, na República, em 1930… Foi assim que nos tornamos um país governado por uma casta de vampiros.

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 6:19

Pérsio Arida: “Crise pode forçar queda nos juros”

Por David Friedlander, no Estadão:
Se a crise da dívida dos países ricos piorar e avançar para um movimento de aversão generalizada ao risco, o Brasil precisará baixar juros em vez de aumentar o gasto público. A opinião é do economista Persio Arida, sócio do Banco BTG Pactual, e ex-presidente do Banco Central e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Um dos economistas mais admirados do País, Arida diz que ainda é preciso avaliar melhor o cenário nebuloso em que se dá o repique da crise mundial, que envolve as dificuldades dos países europeus com suas dívidas e ganhou mais lenha na fogueira na sexta-feira, quando a agência de classificação de risco Standard & Poor”s rebaixou a nota da dívida dos Estados Unidos.

Caso essa onda se transforme num movimento global de aversão ao risco, e as chances existem, a atividade econômica tenderá a diminuir no mundo, afetando o Brasil. “Se isso de fato acontecer, na minha opinião tem que contra-arrestar o efeito negativo diminuindo a taxa de juros e não aumentando o gasto público”, diz Arida. Em 2008, o país fez as duas coisas: baixou os juros e jogou um caminhão de dinheiro na economia.

Quais as consequências do rebaixamento da nota da dívida dos Estados Unidos?
Primeiro há uma questão técnica sobre a nota, que é saber se houve um erro da Standard & Poor”s (S&P), como diz o governo americano, ou não. Do ponto de vista das expectativas dos mercados, a avaliação sobre esse possível erro faz uma grande diferença. Por outro lado, a longo prazo é de se esperar uma piora na qualidade da dívida soberana tanto dos Estados Unidos quanto dos países europeus. A consequência desse fenômeno deve se traduzir numa aversão generalizada ao risco, o que tende a implicar no desaquecimento da economia global.

Então, mesmo que o Brasil não esteja no centro da crise, ela deverá transbordar para cá...
Todo episódio de aversão ao risco afeta a propensão a investimento e, portanto, tem consequência de desaceleração. No Brasil, parte disso já está de alguma forma precificado no mercado futuro de juros. Mas, se de fato houver uma percepção de mercado muito negativa, é de imaginar que se passe a ter no Brasil um impacto negativo na atividade que poderia ser contra-arrestado ou por política fiscal ou por política monetária. O ideal para o País é que fosse contra-arrestado exclusivamente por política monetária.

O sr. está falando em baixar os juros?
Do nosso ponto de vista, o efeito da turbulência de curto prazo é sempre uma aversão generalizada ao risco e a atividade econômica tende a cair. Nesse sentido, entendo que a resposta ideal de política econômica é exclusivamente via política monetária e não via política fiscal, e muito menos de crédito. Tem que contra-arrestar o efeito negativo diminuindo a taxa de juros e não aumentando o gasto público.

É o oposto do que o governo vem fazendo…
O que estou dizendo é o seguinte: se de fato houver uma aversão generalizada ao risco, porque o que houve até agora foi queda de bolsa, muito forte, mas não necessariamente uma aversão generalizada ao risco, como é que o País deveria responder? Na minha opinião, via política monetária e não via política fiscal.

O sr. vê risco de rebaixamento de dívidas em cascata na Europa?
Ao longo do tempo é de se imaginar que toda dívida soberana desses países que resolveram o problema de excesso do endividamento privado transferindo parte da dívida para o setor público tenda a resultar em ratings (avaliações) piores. Portanto, não me surpreende como processo, como tendência de longo prazo. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 6:17

BCE tenta blindar Itália e Espanha

Por Jamil Chade e Andrei Netto, no Estadão:
Em uma tentativa de evitar novas quedas nas bolsas hoje como ocorreu na semana passada, o Banco Central Europeu e BCs de todo o continente tentarão dar uma demonstração de força. Eles prometem uma “intervenção decisiva” nos mercados para blindar a Europa depois do rebaixamento da nota de risco dos EUA na sexta-feira. BCs comprarão títulos da dívida da Itália e da Espanha e injetarão recursos no mercado para evitar uma paralisia de créditos entre os bancos. Já o G-7 disse que garantirá liquidez para os mercados.

Investidores temem que a medida pode ter vindo tarde demais. A medida foi tomada depois de uma frenética série de reuniões entre BCs, ministros de Finanças do G7 e do G20, que passaram o fim de semana mobilizados e pressionados a encontrar uma estratégia para acalmar os investidores. Os ministros corriam contra o relógio, para anunciar medidas antes da abertura dos mercados da Ásia, que já abriram em queda hoje.

A atenção esteve direcionada especialmente para a Itália e a Espanha, terceira e quarta maiores economias da zona euro. O risco país – taxa de juros cobrada pelos investidores para comprar títulos da dívida – dessas economias havia batido recordes na sexta-feira.

A decisão do BCE foi reiniciar a partir de hoje a compra de papéis do tesouro italiano e espanhol. Dezessete BCs nacionais de toda a Europa farão o mesmo, em uma ação coordenada para tentar mostrar força ao mercado. Em seu comunicado, o BCE não diz que comprará os títulos. Mas garante que agirá de forma “ativa” e elogiou Roma e Madri por seus esforços. Para os investidores, esse é um sinal claro que o banco voltará a comprar títulos dos dois países. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 6:15

G-7 promete liquidez para mercados

Por Jamil Chade e Andrei Netto, no Estadão:

Governos do G-7 e do G-20 (grupos dos países mais influentes do mundo) prometem uma queda de braço com os mercados diante de um verdadeiro dia de teste de estresse para a economia mundial. Após uma conferencia telefônica durante o fim de semana e conversas entre os principais líderes, o G-7 tentou dar sinais de que está pronto para agir. Prometeu liquidez aos mercados, coordenação em taxa de câmbio para não deixar o dólar desabar e indicou que não está disposto a ceder à especulação. Governos tentaram dar sinais de que continuam a apostar nos títulos da dívida dos Estados Unidos e que vão se armar para recuperar a estabilidade.

O G-7 também indicou que irá coordenar posições para evitar volatilidade nas moedas, em um sinal de que irá agir para manter o valor do dólar, como ocorreu nos últimos dias. Mas ontem mesmo, o dólar já perdia 1% em relação ao franco suíço e ao iene.

Temor
Os primeiros dados da economia asiática desta segunda-feira confirmaram os temores dos investidores de que um novo ciclo negativo aconteça a partir de hoje. Na semana passada, os mercados perderam em torno de US$ 2,5 trilhões. Para reverter o cenário, o G7 prometeu ontem adotar “todas as medidas necessárias para apoiar a estabilidade financeira e o crescimento”. “Estamos determinados a agir de forma coordenada cada vez que for necessário para garantir a liquidez e garantir o bom funcionamento dos mercados”, disse o bloco.

Em 2008, foi o congelamento de crédito dos bancos que acelerou a recessão depois da quebra do Lehman Brothers, que deu origem a crise global. Apesar das promessas, o grupo não indicou com clareza quais seriam essas medidas e apenas prometeu manter contato entre os ministros de Finanças “para garantir a liquidez e estabilidade dos mercados”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
 

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