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CPI do Cachoeira

18/12/2012

às 15:56

CPI do Cachoeira: Impunidade, picaretagem e vexame. Ou: Instituições um pouco mais rebaixadas do que antes

O deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do Cachoeira, mesmo sendo um petista — e essa escolha implica certas obrigações de caráter, digamos, religioso, como jamais contestar “O Profeta” e os aiatolulas que falam em seu nome —, até que tentou, inicialmente, se portar com decoro. Foi pescado pelo governo Dilma para ser relator de uma CPI que o PT queria que fosse da vingança: contra a oposição, contra o Ministério Público Federal, contra o STF, contra a oposição, contra a imprensa…

Bastaram os primeiros movimentos, e ficou claro que Carlinhos Cachoeira era apenas o Carlinhos Cachoeira de Goiás, a, vamos dizer assim, sucursal menos rentável de um esquema gigantesco. Ele era só um operador menor. Quem seria, por exemplo, o Carlinhos Cachoeira do Rio de Janeiro? Quem seria o Carlinhos Cachoeira dentro do governo federal? Sim, estava e está patente: o nome do grande esquema criminoso é Delta, com seu impressionante laranjal.

O furor investigativo diminuiu muito, não custa lembrar, quando vieram a público as folias físicas e metafísicas da “Turma do Lenço” de Paris, vocês devem lembrar. As cenas do governador Sérgio Cabral dançando “Na Boquinha da Garrafa” com Fernando Cavendish entrarão para a história de quem decidir contar a história a sério. Quase todo mundo passou a olhar para o outro lado, inclusive setores consideráveis da imprensa.

Não custa lembrar: um senador da República foi cassado, E MUITO BEM CASSADO!!!, porque flagrado criando facilidades a um contraventor, mas um alto executivo do Dnit, Luiz Antonio Pagot, afirmou com todas as letras que, no cargo, atuou para fazer caixa para a campanha de Dilma Rousseff em 2010. E ficou tudo por isso mesmo.

Em suma: a CPI que o PT criou para melar o processo do mensalão, para “pegar” a imprensa, o STF, o procurador-geral e ministros do STF (e valia tudo para isso, muito especialmente a mentira) começava a acumular explosivos nos subterrâneos do Palácio do Planalto. Então foi preciso mudar o rumo da prosa.

Aquele fiozinho de independência que Cunha parecia ter de início desapareceu, e ele se tornou mero esbirro da máquina de sujar reputações. O PT, como sabem, é assim: oferece a sua lavanderia de biografias para tipos como José Sarney e Fernando Collor e acusa Cristo de charlatanismo se isso, num dado momento, lhe parecer conveniente.

O resultado é este que se vê: tudo devidamente pesado, a coisa para eles está de bom tamanho considerando o que ficou escondido na Caixa de Pandora: um senador da oposição foi para o brejo, um governador tucano saiu lanhado, e a Al Qaeda eletrônica aproveitou para satanizar um pouco mais a imprensa independente. Não conseguiram o objetivo principal, aquele prometido por Lula, que era sacudir a República e interferir no placar do STF no julgamento do mensalão. Mas até isso ficou em segundo plano quando se descobriu o potencial explosivo do esquema Delta — a empresa segue sendo a terceira que mais recebe do PAC.

O fim da CPI é mais do que melancólico. Trata-se do triunfo escancarado da impunidade, ao menos no ambiente do Congresso. A comissão não podia, por si, punir ninguém, mas lhe cabia dizer o que, por ali, se considera inaceitável. E tudo, como se nota, parece… aceitável. O que se reuniu, e é muito pouco, vai para o Ministério Público.

Note-se, adicionalmente, que as instituições saem um pouco mais rebaixadas — escrevi nesta manhã sobre a lenta e contínua deterioração institucional. Pela primeira vez na história, a maioria decidiu fazer uma CPI para perseguir a minoria, o que já é um assombro. Instalada a comissão, essa mesma maioria começou, involuntariamente, a produzir fatos contra si mesma. Então decidiu dar um golpe dentro do golpe, selecionando alguns alvos no relatório final. A iniciativa soou tão escandalosa que não prosperou.

A Odair Cunha não restou outra alternativa que não o vexame do relatório nenhum. Eis o PT contribuindo para um Brasil mais justo, mais sóbrio e mais digno.

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2012

às 15:25

Relatório da CPI do Cachoeira é rejeitado no Congresso

Por Tai Nalon, na VEJA.com. Comento no post seguinte.
Em sua última sessão, integrantes da CPI do Cachoeira rejeitaram nesta terça-feira, por 18 votos a 16, o relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG). Após quase oito meses de duração, a CPI terminou sem um relatório oficial. Antes de encerrar os trabalhos, os parlamentares aprovaram um parecer paralelo de duas páginas, redigido pelo deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF), que não pede o indiciamento de nenhum suspeito e apenas encaminha a investigação para o Ministério Público Federal.

O fiasco da CPI é resultado das sucessivas manobras da base governista, que tentou usar a comissão para atacar a oposição e desviar o foco do julgamento do mensalão. Pressionado pela ala radical do PT e por parlamentares como o senador Fernando Collor (PTB-AL), o relator tentou montar um parecer com ataques ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a jornalistas e políticos dos partidos de oposição. Em seguida, acabou ficando isolado e fez mudanças no texto, mas terminou sem credibilidade nem apoio suficiente para conseguir aprovar um relatório oficial.

“Não há como não registrar a frustração ao término desta CPI. (…) O que está ausente deste relatório tem maior relevância do que o que consta. O que consta já está encaminhado ao Ministério Público Federal. O Ministério Público já adota procedimentos específicos em relação aos que possuem notoriedade pública, como governadores. Em linguagem popular, poderia afirmar que estamos chovendo no molhado, estamos requentando providências que já foram tomadas”, disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).

Odair Cunha chegou a receber apoio de parlamentares classificados como independentes na CPI, como o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e os deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Rubens Bueno (PPS-PR). Em troca, acatou sugestões que constavam do relatório paralelo apresentado por ambos ao Ministério Público no mês passado, como a inclusão das 21 empresas que repassaram mais de 548 milhões de reais da empreiteira Delta Construções. O apoio, entretanto, não foi suficiente. Parlamentares imputaram a derrota governista ao PMDB e ao PSD, que teriam manobrado para blindar a Delta.

“Ele (o relatório de Odair) pode ter a crítica que tiver, mas sobretudo tem que ter um relatório. Esta comissão não pode fazer um trabalho de meses em um relatório de página e meia”, disse o deputado Rubens Bueno, em referência ao voto em separado do deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF). Foi exatamente esse voto que, após mais de uma hora de sessão, foi aprovado para ser encaminhado ao Ministério Público Federal. Na reunião anterior, Pitiman, os senadores Alvaro Dias e Randolfe Rodrigues e os deputados Rubens Bueno e Onyx Lorenzoni encaminharam documento contra a versão do relator, em que tecem críticas principalmente aos desdobramentos das investigações sobre os tentáculos da Delta.

Indiciamentos – Sem pedir indiciamentos nem citar o esquema da Delta, Pitiman diz em seu voto que, ao longo dos trabalhos da comissão, “a circunstância da coincidência desta CPI com as eleições municipais não apenas diminuiu o tempo de dedicação ao tema, como acabou por impregnar os trabalhos de uma inevitável partidarização dos assuntos tratados, em prejuízo da investigação isenta”. “Peço a Deus que [as pessoas suspeitas de ligação com a organização criminosa] sejam condenadas com prisão. As investigações vão continuar. Porque o relatório absolvia alguns muito culpados e várias empresas que não tiveram seus sigilos quebrados e vários políticos que não tiveram sigilo quebrado”, disse Pitiman.

Idas e vindas
Apresentado pela primeira vez no último dia 21, o relatório oficial da CPI já deixava claro que não avançaria substancialmente em relação às investigações que a Polícia Federal havia feito na Operação Monte Carlo, no início do ano. Expôs, na verdade, apenas a atuação da construtora Delta em Goiás, sem abordar as ramificações do laranjal da empreiteira, irrigado por caixas de estados comandados pela base aliada ao governo.

Nas últimas quatro semanas, Odair disse que recomendaria indiciamentos do procurador-geral da República e até suspeitos de serem usados como laranja em negócios. Recuou e retirou os nomes de jornalistas e de Gurgel da lista de suspeitos de omissão ou de manter alguma relação com a quadrilha de Cachoeira. A “cortina de fumaça”, como os parlamentares chamaram a manobra do relator, serviu apenas para esvaziar o relatório e levá-lo a inevitável derrota. A bancada do PMDB queria a retirada do nome de Fernando Cavendish do texto final.

Deixaram de ser investigados, por exemplo, os caminhos pelos quais circularam cerca de 10 bilhões de reais movimentados por mais de 20 empresas fantasmas, e pelo menos 7 bilhões de reais recebidos pela Delta Construções ao longo de cinco anos. As investigações indicam que a construtora pode ter alimentado caixas de campanhas em todo o país, além de ter usado laranjas para pagamento de propina em troca de favores no governo federal e nos estados.

Oficialmente, a CPI investigou apenas sete empresas fantasmas ligadas à Delta, que teriam movimentado 148 milhões reais em quatro anos – a maior parte desse valor em CNPJs de Goiás. Quanto às empresas que não tiveram o sigilo quebrado, estima-se que receberam da Delta 265 milhões de reais, segundo o próprio relator da CPI.

Por Reinaldo Azevedo

28/11/2012

às 14:15

CPI do Cachoeira – Falcões do PT são derrotados, e, isolado, relator é obrigado e retirar do texto perseguição à imprensa e ao procurador-geral

Tai Nalon, na VEJA.com:
Após ser coagido por falcões petistas a incluir no relatório da CPI do Cachoeira ataques ao Ministério Público e à imprensa, o deputado Odair Cunha apresentou o documento nesta quarta-feira – e optou por tirar do texto os trechos em que recomendava o indiciamento de cinco jornalistas e pedia ao Conselho Nacional do MP uma investigação sobre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Cunha foi, portanto, na contramão das ordens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do PT, Rui Falcão. O relatório original, que servia apenas ao revanchismo de Lula, foi duramente criticado por parlamentares. E dificilmente seria aprovado em plenário.

A decisão de Cunha foi acatada pela bancada do PT na comissão minutos antes da reunião da CPI. Marcada originalmente para as 10h15 desta quarta, a sessão começou com mais de 45 minutos de atraso, após reunião entre parlamentares e o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da comissão. Cunha modificou seu relatório apenas nos pontos que tratam de Gurgel e dos jornalistas, trechos que classificou como “elementos não essenciais” no documento. “Quem discordar do meu relatório, retirada essas duas partes, terá de votar contra ele inteiro”, disse.

A intransigência do relator provocou protestos entre os parlamentares. “O relator está invocando para si mesmo a condição de ditador?”, questionou o deputado Vaz de Lima (PSDB-SP), em momento tenso da sessão. Também, sem efeito. Os parlamentares terão agora cinco dias para propor mudanças ao texto. Todas as propostas passarão pelo crivo do relator. Em sessão que já dura cerca de 90 minutos, Cunha lê um resumo do relatório preliminar, de mais de 5.000 páginas. A reunião chegou a ser interrompida por 15 minutos, para a distribuição do sumário lido em plenário a todos os deputados.

Nova versão
Pela nova versão do texto, agora são 29 os pedidos de indiciamento e 12 os responsabilizados pela CPI. Entre eles, o governador Marconi Perillo (PSDB-GO), que, segundo o texto, deve ser responsabilizado pelo Ministério Público Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelos crimes de formação de quadrilha, advocacia administrativa, tráfico de influência, formação de quadrilha e falso testemunho. As suspeitas contra o governador ainda incluem a prática de sonegação fiscal, de caixa dois de campanha e de improbidade administrativa.

Também consta o pedido de indiciamento de Fernando Cavendish pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Desdobramentos das atividades criminosas da Delta, segundo Cunha, devem ser investigados por autoridades policiais, pelo Ministério Público e pela Receita Federal. O ex-senador Demóstenes Torres, a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, e o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Claudio Abreu compõem também o núcleo central do esquema, segundo o relator.

Justificativas oficiais
A justificativa oficial para a inserção do nome de Gurgel no texto é que o procurador não deu continuidade às investigações da Operação Vegas, da Polícia Federal. A oposição, entretanto, imputa à bancada do PT a tentativa de usar o relatório como instrumento de vingança política, devido à atuação do procurador durante o
 julgamento do mensalão.

Atingir a credibilidade da imprensa livre pelo papel que teve na revelação do escândalo do mensalão foi o motivo da tentativa de indiciamento de jornalistas pela CPI – entre eles o do diretor da sucursal de Brasília de VEJA, Policarpo Júnior. Nota de esclarecimento de VEJA, publicada na última quinta-feira, mostra que o relatório, redigido sob pressão da ala radical do PT, suprimiu provas de que os contatos entre Policarpo e Cachoeira jamais extrapolaram os limites do trabalho de um repórter em busca de informações.

Por Reinaldo Azevedo

28/11/2012

às 2:32

CPI do Cachoeira – Relator admite que pode mudar alguns pontos de texto desvairado

O deputado Odair Cunha (PT-MG), o relator que entregou a radicais do PT a tarefa de redigir o relatório da CPI do Cachoeira, nem leu ainda seu texto, e outro escândalo já mesmeriza o noticiário. E por boas razões. A disposição do governismo de investigar as falcatruas é a mesma demonstrada pelo relator: nenhuma. Em seu texto escandaloso, como é sabido, Cunha se encarregou de proteger o amigos e alvejar os “inimigos” – imprensa e procurador-geral da República. Nesta terça, ele admitiu que pode fazer algumas mudanças… Sei, sei…

Deixo claro que mesmo o pedido de indiciamento de Fernando Cavendish é só o vício fingindo que homenageia a virtude. A comissão, na prática, se negou a investigar as relações da empresa com o governo federal e com o governo “na-boquinha-da-garrafa” do Rio. Leiam o que informa Tai Nalon na VEJA.com:

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou nesta terça-feira que poderá fazer mudanças no relatório preliminar antes mesmo de tentar novamente ler o documento nesta quarta em reunião da comissão. Ele reuniu-se agora à noite com deputados da ala governista para discutir pontos controversos do texto – entre eles o pedido de investigação pelo Conselho Nacional do Ministério Público do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, cuja retirada do texto está, segundo Odair, sendo negociada. 

Questão de dissenso mesmo entre aliados, a justificativa oficial para a inserção do nome de Gurgel no texto é que o procurador não deu continuidade às investigações da Operação Vegas, da Polícia Federal. “Eu reafirmei [na reunião] as razões que me levaram a incluir este tema no relatório, por convicção sobre uma dúvida existente na conduta do procurador-geral. Mas isso não é uma questão central no debate do relatório”, disse Odair. 

As questões centrais, segundo ele, seriam a organização criminosa capitaneada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, o seu modus operandi e o seu sistema de financiamento. A retirada de nomes como o de Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta Construções, e o de Marconi Perillo, governador de Goiás pelo PSDB, portanto, na avaliação dele, é inegociável. “Temas não centrais do nosso relatório podem sim ser negociados”, disse. “Eu quero usar o prazo que eu tenho [para negociar mudanças] até antes da leitura amanhã.”

As negociações, para Odair, no entanto, não devem incluir o pleito de parlamentares, que pedem sobretudo a inclusão do nome do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), que teve as investigações sobre sua relação com Cavendish barradas. Odair disse que, ao menos até agora, não houve qualquer sugestão de inclusão no texto que pudesse ser acatada. “A questão do governador é uma conduta que não foi investigada pela CPMI. Exatamente por isso não deve ser analisada sob ponto de vista de indiciamento”, afirmou.

Odair admitiu também que pode retirar do relatório o pedido de indiciamento de jornalistas, entre eles o do diretor da sucursal de Brasília de VEJA, Policarpo Júnior. Nota de esclarecimento de VEJA, publicada na última quinta-feira, mostra que o relatório, redigido sob pressão da ala radical do PT, suprimiu provas de que os contatos entre Policarpo e Cachoeira jamais extrapolaram os limites do trabalho de um repórter em busca de informações. Segundo Odair, o tema não é questão central no relatório.

A CPI do Cachoeira se reúne nesta quarta-feira para nova tentativa de leitura do relatório. Na semana passada, entre bate-bocas e questões de ordem, o relator pediu o adiamento da apreciação para negociar com parlamentares o conteúdo do documento.

Por Reinaldo Azevedo

23/11/2012

às 6:51

Odair Cunha, o estafeta da turma da vendeta, está isolado; só petistas aceitam aprovar suas insanidades

O relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), está de parabéns! Raramente se viu tamanho isolamento de alguém na sua função. Exceção feita aos petistas, ninguém aceita aprovar o seu relatório insano. Entre servir ao país e se comportar como mero estafeta dos petistas que querem vingança, fez a escolha errada — ou “certa”, quando se é do partido…

Nunca se viu nada assim. O pedido de indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, da VEJA, por exemplo, foi decidido pelo comando do PT — por gente que nem mesmo participou da comissão. Júnior não foi nem investigado nem ouvido. O partido também exigiu que Roberto Gurgel fosse incluindo no relatório. Nos bastidores, Cunha admite que se comporta mesmo como pau-mandado. É um escracho e um acinte.

Leiam o que informa Chico Gois, no Globo:

A CPI do Cachoeira corre o risco de chegar ao fim sem ter um relatório aprovado. Integrantes da comissão, de todos os partidos, demonstram, em público e nos bastidores, que se sentem incomodados com o texto final preparado pelo relator, o deputado Odair Cunha (PT-MG). Alguns argumentam que não concordam com o indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, da “Veja”, nem com investigação sobre atos do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Outros, sem alarde, discordam do indiciamento de Fernando Cavendish, ex-dono da construtora Delta, embora, publicamente, digam o contrário. Líderes do PMDB diziam que o partido votará contra o relatório.

Nesta quinta-feira, Odair Cunha — que acrescentou os pontos polêmicos em seu parecer após sofrer pressão da cúpula do PT — percebeu que uma maioria se formava na CPI contra seu texto. Por isso, pediu o adiamento da leitura para a próxima quarta-feira. Disse que desejava dialogar com seus colegas para que o relatório reflita o pensamento da maioria da comissão. Mas observou: “Tenho limites no diálogo”.

Disse que está disposto a retirar nomes ou incluir outros, sem citar nomes. A decisão do adiamento da leitura do relatório final surpreendeu os parlamentares. Ao chegar à CPI, Odair Cunha disse que leria o documento. Depois, ausentou-se por cerca de 20 minutos e, na volta, anunciou sua intenção.

“Estamos trabalhando para derrotar o parecer do relator. Este relatório não dá para salvar”, disse o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) já adiantou que votará contra o parecer de Odair Cunha: “Devíamos aprofundar as investigações, a quebra de sigilos. É um relatório insano”.

Na avaliação de alguns parlamentares, mesmo que Odair Cunha retire as menções ao jornalista e ao procurador-geral, haverá dificuldades para votar o parecer. Um deputado, que não quis se identificar, disse que alguns de seus colegas viram no indiciamento de Policarpo e no pedido de investigação contra Gurgel a desculpa para votar contra o relatório, embora o que desejam impedir é o indiciamento de Cavendish.

Os parlamentares que conversaram com o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), foram orientados a não apoiar o relatório. A alegação é que o partido foi surpreendido pelo teor do texto e não foi consultado sobre o indiciamento do ex-dono da Delta. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) discordou do adiamento: “A investigação foi pessoal, direcionada e restrita. Só foram poupados os aliados, e atacados com veemência aqueles que a sanha persecutória do ex-presidente Lula determinou. Vamos adiar por quê? Não tem segurança para lê-lo?”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2012

às 15:06

Relator admite mudanças e adia leitura de parecer da CPI do Cachoeira

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Depois de apresentar nesta quarta-feira seu relatório com as conclusões sobre os trabalhos da CPI do Cachoeira, o deputado petista Odair Cunha (PT-MG) pediu na manhã desta quinta novo adiamento da leitura do texto. Aos parlamentares, disse que pretende “dialogar” sobre o conteúdo do relatório, o que inclui a possibilidade de alterar as propostas de responsabilização de políticos, como o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e empresários, como o ex-presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish.

Segundo o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a leitura do relatório ocorrerá na próxima quarta-feira. Até lá, o relator Odair Cunha poderá promover as alterações que considerar necessárias e acatar sugestões dos demais parlamentares. “Quero pedir que adiemos a leitura do relatório para a próxima semana na medida em que estou dialogando com os pares sobre o conteúdo do nosso relatório. Quero ultimar todos os esforços necessários de diálogo possível”, disse Odair Cunha, no início da sessão plenária.

“Quero dialogar muito porque entendo que o parecer que fizemos é do relator, mas o relatório será da comissão. Vou continuar perseguindo o objetivo de fazer um relatório que espelhe o pensamento da maioria da comissão. Não jogarei fora o que escrevi, mas quero dialogar em conjunto com os membros da comissão”, afirmou Cunha.

Além de políticos e empresários, o parecer distribuído por Odair Cunha também pede o indiciamento de jornalistas, entre eles o redator-chefe e diretor da sucursal de Brasília de VEJA, Policarpo Júnior. Nota de esclarecimento de VEJA, publicada nesta quinta-feira, mostra que o relatório, redigido sob pressão da ala radical do PT, suprimiu provas irrefutáveis de que os contatos entre Policarpo e Cachoeira jamais extrapolaram os limites do trabalho de um repórter em busca de informações.

O deputado petista deixou temporariamente o plenário da CPI após o pedido de novo adiamento – a leitura estava originalmente marcada para a última terça-feira – e não estava presente quando a maior parte dos integrantes da comissão de inquérito direcionaram novas críticas à proposta de documento final apresentada por ele.

Pelo relatório de Odair Cunha, o Ministério Público Federal e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) devem buscar a responsabilização do governador Marconi Perillo, entre outros ilícitos, pelos crimes de formação de quadrilha, advocacia administrativa, tráfico de influência, formação de quadrilha e falso testemunho. O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que como Perillo, também prestou depoimento ao colegiado, foi completamente poupado por Odair Cunha. “Não existem elementos que possam vincular a pessoa do governador Agnelo Queiroz com a organização criminosa liderada por Carlos Cachoeira, não havendo de nossa parte a indicação de qualquer responsabilidade em face do Chefe do Poder Executivo Distrital”, justificou o parlamentar ao não pedir responsabilização de Queiroz.

Reinaldo Azevedo: Relatório demonstra a vocação do PT para o estado policial

Oposição
“O deputado está constrangidamente cumprindo uma missão partidária”, resumiu o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). “Esse relatório foi produzido por membros do PT. Temos que corrigir os rumos não para salvar esse inquérito, mas pelo menos preservar minimamente a instituição Comissão Parlamentar de Inquérito”, completou.

“Na medida em que o relator apresenta um relatório circunstanciado, atacando pessoas e poupando outras, (…) o relatório é incorrigível. A investigação foi pessoal, direcionada e restrita. Só foram poupados os aliados e atacados com veemência aqueles que a sanha persecutória que o ex-presidente Lula determinou. Há um descompromisso com seu conteúdo”, afirmou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), engrossando o coro de críticas a Odair Cunha.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que recorrentemente tem acusado a CPI de estar produzindo “uma pizza maior que o forno”, encaminhou as primeiras sugestões de mudanças no relatório de Cunha. Entre elas, pediu a retirada do pedido de apuração de eventuais irregularidades cometidas pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Odair Cunha havia citado, entre as recomendações no relatório, pedido para que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) investigasse porque Gurgel não deu continuidade às investigações da Operação Vegas, da Polícia Federal. As apurações da Polícia Federal da Vegas revelaram as primeiras informações das relações promíscuas de políticos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

“Não pode constar da proposta do relator qualquer coisa relativa à procuradoria-geral da República, como se estivessem aqui tentando incriminar o procurador-geral. Em nenhum momento desses debates essa comissão votou qualquer coisa, insignificante que fosse, que se aproximasse da suspeita contra o procurador-geral”, disse Miro Teixeira no plenário da CPI.

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2012

às 6:43

Relatório de petista demonstra a vocação do PT para o estado policial. Ou: Relator de CPI se torna, à sua maneira, um mensaleiro

Há quem não tenha se dado conta da gravidade dos atos praticados pelo deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do Cachoeira. Seu relatório tem mais importância do que parece. Ele revela a vocação do PT para construir, se não for devidamente enfrentado, um estado policial no país. Não estou exagerando, não! Ao contrário! Estou dando à coisa o nome que ela tem. Se as palavras, os conceitos e a instituições fazem sentido, então é isto mesmo: os petistas, se julgarem necessário, transformam instâncias do estado em instrumento de perseguição dos adversários.

Não é de hoje que os petistas desmoralizaram as CPIs. A dos Correios — ou do Mensalão — já exibia figuras grotescas, que lá estavam para sabotar as investigações, não para apurar o eventual cometimento de crimes contra a ordem do estado. Quem não se lembra da voz maviosa e bela da agora ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) tentando impedir, a todo custo, que se chegasse à verdade dos fatos? Coube a dois parlamentares da base governista — o senador e presidente daquela comissão, Delcídio Amaral (PT-MS), e o deputado e relator, Osmar Serraglio (PMDB-PR) — zelar pela dignidade possível da comissão. Se, por causa das chicanas, não avançaram tanto quanto deveriam, fizeram, é fato, um trabalho digno.

Desde o início, como é sabido, a CPI do Cachoeira prometia se transformar em mero palco de vingança. Como esquecer aquele vídeo em que Rui Falcão, presidente do PT, afirmava: “As bancadas do PT na Câmara e no Senado defendem uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”.

A fala, em si, era uma sandice. Afinal, qual era a relação entre Cachoeira e o escândalo do mensalão? Nenhuma! Mas Falcão estava lá a anunciar que a comissão seria usada para um ajuste de contas. No radar do partido, políticos da oposição, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel; ao menos um ministro do Supremo — Gilmar Mendes — e, evidentemente, a imprensa independente.

A CPI já começou torta, convenham! No mundo inteiro, comissões parlamentares de inquérito são instrumentos da minoria para enfrentar eventuais desmandos perpetrados pela maioria. A razão para que seja assim é óbvia: quem está no comando do estado dispõe dos instrumentos para conduzir investigações policiais, aplicar punições administrativas, exonerar malfeitores… A oposição é que tem pouca coisa. Diante de uma eventual irregularidade impune, apela, então, ao Poder Legislativo para que a investigue. Atenção, meus caros! Uma CPI proposta pela minoria, se instalada, costuma ser instrumento de aperfeiçoamento da democracia. E assim é porque a minoria não tem como esmagar a maioria. Quando, no entanto, se dá o contrário, aí a gente começa a sentir o fedor dos fascistoides. E é precisamente esse o caso.

Cunha pede, por exemplo, o indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, da VEJA (leia nota da revista) e de outros. Polícia Federal e Ministério Público investigaram as lambanças de Cachoeira. Nem um órgão nem outro falaram em indiciamento de Policarpo porque, como deixa claro o conjunto dos fatos, nada havia de irregular na relação do jornalista com uma de suas fontes. Na raiz desse pedido — e o relatório de Cunha nem procura esconder — está o rancor contra aquilo que os petistas e os blogs e sites sujos chamam “a mídia”.

Os próprios parlamentares da base do governo — os não petistas — deram sinais claros de descontentamento com o texto, e Odair Cunha já admite revê-lo: “É uma tentativa de constrangimento de quem faz jornalismo investigativo. Tem caráter de vingança. A fiscalização do desempenho das autoridades é feita por diversas entidades públicas, mas é a imprensa que tem feito denúncias. Este relatório não tem como ser consertado”, afirmou, por exemplo, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Que coisa! A direção do PT emitiu há dias uma longa nota atacando o STF e a condenação dos mensaleiros. Todos os réus tiveram amplo direito de defesa. Para os petistas, mesmo assim, assistimos à ação de um tribunal discricionário. Cunha não apresenta em seu relatório um único fato, um indício miserável que seja, que deponha contra o jornalista da VEJA. E não apresentou porque não há. Mesmo assim, o relator propõe o seu indiciamento. E aproveita a oportunidade para dar algumas aulas sobre o que considera bom jornalismo: parece ser aquele em que os petistas sempre se dão bem…

Cunha adota prática mensaleira
Cunha, à sua maneira, tornou-se também um “mensaleiro”. Explico-me. Os quadrilheiros — como restou fartamente demonstrado pela CPI dos Correios, pelo Ministério Público e pelo STF — assaltaram os cofres públicos em benefício de um projeto de poder. O relator da CPI resolveu assaltar a institucionalidade em proveito desse mesmo projeto
.

Odair Cunha, quem diria?, já fez história. E que história!

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2012

às 4:25

CPI da Vergonha – Petista redige um lixo moral e político para fazer a vontade de Lula e Dirceu e resolve atacar Gurgel e a VEJA

O deputado Odair Cunha (PT-MG) demonstra que, no petismo, quem sai aos seus sempre degenera. Ele até tentou, ao longo da CPI do Cachoeira, afetar um certo ar de seriedade, emprestando à missão o ar grave do homem de estado, preocupado com a moralidade pública e coisa e tal. Mas não resistiu e sucumbiu não propriamente à pressão, mas àquela que é a sua natureza. O deputado deve apresentar hoje o relatório da CPI da Vergonha. E é da vergonha” por quê?

Embora ele tenha decidido redigir um capítulo sobre a construtora Delta e peça o indiciamento do empresário Fernando Cavendish, todo mundo sabe que a empresa, hoje a segunda que mais recebe recursos federais, não foi investigada. Ao contrário: quando o imbróglio apareceu, os petistas bateram em retirada. Citar a Delta e pedir o indiciamento de Cavendish é só uma das vezes em que esta triste figura – que já havia tentado uma firula para livrar a cara dos mensaleiros – recorre a uma falsa virtude para referendar o vício.

No capítulo final da CPI, o senhor Odair Cunha resolveu acertar os alvos que haviam sido inicialmente definidos por Lula: oposicionistas, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e a imprensa independente – representada, no caso, pelo jornalista Policarpo Júnior, da VEJA.

Sim, senhores! Odair Cunha, vejam que homem destemido!, sugere ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que investigue Gurgel e pede o indiciamento de Policarpo, um dos redatores-chefes da revista. Ao todo, o relator propõe o indiciamento de 46 pessoas. Entre elas, estão ainda o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, e o prefeito de Palmas, o petista Raul Filho. Livrou, no entanto, a cara do graúdo Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal (PT). O prefeito de Palmas é só mais uma homenagem da virtude ao vício. Pretende seduzir um trouxa ou outra com sua pretensa isenção: “Olhem, ele pediu o indiciamento até de um petista…”.

Cunha só não se envergonha do seu texto porque, nas plagas onde transita, não se cuida de coisas dessa natureza. Está cumprindo uma missão e tem a esperança de ser ungido o  candidato do partido ao governo de Minas Gerais, nas mesmas águas da chamada “renovação”. Ninguém ascende ou ambiciona ascender a posição tão importante se não prestar os devidos serviços à máquina de lavar e de sujar reputações em que se transformou o petismo. Se chegou a parecer, alguma vez, que Cunha tinha alguma independência e aspirava a um grão de seriedade, esse relatório desfaz completamente essa equivocada impressão. Nada disso! Ele fez um texto que pode ser definido como uma tentativa de vingança de mensaleiros.

Não! Eu nunca esperei outra coisa. Isso não quer dizer que certas passagens não desafiem o estômago dos decentes. Ao longo de várias páginas, Cunha expõe a sua estupenda ignorância sobre a natureza do jornalismo e a relação de um profissional com as suas fontes e ainda se atreve a dar lições de moral, aproveitando para atacar toda a … “mídia”. “Mídia”, vocês sabem, é como aquela corja de bandidos, financiada por estatais, se refere à imprensa que ousa fazer o seu trabalho. Tenta nos ensinar o mestre Odair Cunha:
“Não se pode confundir a exigência do exercício da responsabilidade ética com cerceio à liberdade de informar. Aliás, é oportuno dizer que, em nossos dias, existe uma profunda cisão entre a mensagem divulgada cotidianamente pela mídia, através dos diferentes meios de informação, e os valores éticos que a sociedade e a civilização ocidental alegam cultivar.”

É por isso que o PT está empenhado, mais uma vez, em “controlar a mídia”: para que ela se adapte àquilo que o partido diz ser a vontade do povo. Nesse mundo ideal, os petistas são sempre inocentes, mesmo quando culpados, e seus adversários são sempre culpados, mesmo quando inocentes.

A cara de pau deste senhor é de tal sorte que uma reportagem de VEJA que causou profundo descontentamento na quadrilha de Cachoeira – aquela que evidencia que José Dirceu é que abriu as portas do governo federal para a Delta – é apresentada como parte de um suposto conluio entre o jornalista da revista e Cachoeira… Chega a ser asqueroso!

Ora, os diálogos transcritos pelo próprio Cunha evidenciam o óbvio: VEJA escreve o que apura, doa a quem doer. O relator, no entanto, cita o caso apenas para ter mais uma oportunidade de defender … Dirceu! Sempre ele!

Raciocínio criminoso
A sanha de Cunha contra Policapo Júnior e a VEJA é de tal sorte que a série de reportagens sobre a roubalheira no Ministério dos Transportes, que resultou em mais de 20 demissões – FEITAS PELA PRESIDENTE DILMA, NÃO PELA REVISTA –, também é apresentada como mera armação de Cachoeira. Vocês entenderam direito: as reportagens que denunciaram um covil de ladrões são atacadas pelo petista. Por quê? Porque, entre as fontes, havia, sim, gente que transitava no mundo Cachoeira. E daí? Será que bandidos nunca têm informações relevantes? E as freiras? Tenham paciência!

Cunha admite que as reportagens publicadas por VEJA fizeram um bem à sociedade, mas isso não o comove. Um petista, né? Leiam:
“Não estamos a discutir aqui os ganhos que a sociedade e o Erário tiveram com a possível descoberta de fraudes que seriam perpetradas na mencionada licitação. O que estamos a ponderar é a relação que mantinha um dos jornalistas mais respeitados no País com os integrantes de uma organização mafiosa e a dedicação com que os interesses destes eram atendidos pela pessoa de Policarpo e sua equipe.”

O próprio relatório evidencia o contrário: a quadrilha frequentemente ficava furiosa com as reportagens publicadas pela revista – muito especialmente aquela que demonstrou que Dirceu abriu as portas do governo federal para Cavendish.

Um lixo
Lixo! Eis a palavra que define com mais propriedade o que produziu o deputado Odair Cunha, aquele que comandou a conspirata para que a Delta não fosse investigada. Trata-se apenas de uma tentativa de acerto de contas com “os inimigos de sempre”.

O deputado petista deve estar contente. Fraudou a verdade, mas ganhou pontos junto à hierarquia petista. Lula, a exemplo de outros chefões de organizações similares que infelicitam a sociedade, deu o “salve”: “Vai lá e pega a oposição, o Gurgel e o Policarpo”. O Cunha meteu o revólver na cinta e saiu atirando.

Trata-se apenas de mais um trabalho de intimidação da imprensa. Que vai dar errado, a exemplo de outros.

PS – Ah, sim: Cunha é um dos autores de um trabalho ridículo, que procurava demonstrar que não havia relação entre o voto dos mensaleiros e o dinheiro que recebiam da quadrilha chefiada por José Dirceu. Fingiu não ter entendido que o crime já estava dado com o recebimento do dinheiro, como demonstrou o Supremo.

Não tem jeito! Ele tem uma natureza…

Por Reinaldo Azevedo

20/11/2012

às 6:13

A Delta, aquela empresa que o PT se negou a investigar, ainda é a segunda empresa que mais recebe dinheiro da União

A CPI do Cachoeira chegou ao fim sem investigar, como todo mundo sabe, o principal: a construtora Delta. O PT e o PMDB decidiram que assim seria melhor. Motivos não faltam. Leiam o que informa Fernanda Krakovics no Globo:

Além da prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira e da cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), as investigações do suposto esquema de corrupção montado pelo contraventor goiano, feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, tiveram pelo menos mais um efeito prático até agora: a queda de 60% neste ano, até outubro, dos recursos repassados pelo governo federal para a construtora Delta em relação ao total pago ao longo de 2011. Mesmo com a redução, a Delta é a segunda empreiteira que mais recebe repasses do governo federal. De acordo com o Portal da Transparência, a Delta recebeu até outubro R$ 341,8 milhões do Orçamento da União deste ano, atrás apenas da Odebrecht, que recebeu, no mesmo período, R$ 795,6 milhões, para a execução de obras federais. No ano passado, a Delta liderou o ranking das empreiteiras com contratos com a União, com R$ 862,4 milhões.

Em meio ao escândalo e à divulgação das relações da Delta com Cachoeira, a Controladoria Geral da União (CGU) declarou a empresa inidônea, em junho. Assim, a sexta maior empreiteira do país ficou proibida de participar de licitações e de assinar novos contratos com o poder público. Quanto aos contratos em andamento, ficou a cargo dos gestores de cada órgão decidir por sua manutenção ou não.

Logo após a decisão da CGU, a Superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) de Mato Grosso do Sul suspendeu a assinatura de contrato no valor de R$ 30,9 milhões com a Delta. Ela fora vencedora na licitação para executar serviço de recuperação e manutenção de trecho de 108 quilômetros da BR-163 no estado.

O Dnit continua sendo, entretanto, o maior contratante da Delta no governo federal, tendo repassado neste ano, até outubro, 92% do total recebido pela empresa — R$ 314,4 milhões. A Delta é responsável por boa parte das obras rodoviárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A assessoria de imprensa do Dnit afirmou ontem que o órgão não rescindiu contratos para não paralisar obras.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa do Dnit, 99 contratos com a Delta estavam em andamento quando a empresa foi considerada inidônea, e agora há cerca de 40, a maioria de manutenção de rodovias. Os contratos não podem ser renovados. Nem podem ser firmados novos.

Entre os contratos ativos do governo federal com a Delta estão o de duplicação e restauração da BR-101, em Sergipe, e o de pavimentação e melhorias do traçado da BR-110, no Rio Grande do Norte.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2012

às 16:16

A Dança dos Sete Lenços é uma boa imagem para simbolizar o que o PT fez com a CPI do Cachoeira — Ou: A Grande Vergonha

Sérgio Côrtes, secretário da Saúde, e Carlos Wilson, secretário de governo, fazem papel ridículo em Paris ao lado de Cavendish, aquele já com a fralda (a da camisa) fora da calça

A CPI do Cachoeira (ver post anterior) vai chegando ao fim como começou: uma farsa! Nunca foi para valer. E é assim por vontade dos governistas. Lula e José Dirceu, a partir de informações fragmentadas e falsas, acreditavam que poderiam destruir a “mídia” — que é como eles chamam a imprensa independente — e a oposição. Num primeiro momento, a imprensa surfou também na onda (os arquivos não me deixam mentir) e simplesmente ignorava o óbvio: a empresa que estava no centro do escândalo chamava-se… DELTA! Demóstenes Torres, justamente punido, era apenas a personagem vistosa que desviava o escândalo do seu centro. Escrevi um post a respeito no dia 8 de abril de 2012. Reproduzo um trecho.

*
A memória seletiva de certos setores da imprensa faz lembrar, às vezes, a seletividade dos que estão vazando informações sobre a Operação Monte Carlo. A construtora Delta, a empresa que mais toca obras do PAC, aparece, segundo relatório da Polícia Federal, atuando para o esquema de Carlinhos Cachoeira.

Delta, Delta, Delta… Esse nome não nos é estranho, certo?

Como lembrei aqui no dia 2 de dezembro do ano passado, o dono da empresa, Fernando Cavendish, é um homem que tem amigos poderosos. Dois dos mais destacados são Sérgio Cabral, governador do Rio, e José Dirceu, o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR). No Rio, a Delta toca obras de R$ 600 milhões. Pelo menos R$ 164 milhões desse total foram contratados sem licitação. Naquele trágico fim de semana de junho, em que um acidente de helicóptero matou sete pessoas no litoral baiano, incluindo a nora de Cabral, o governador integrava o grupo que estava na Bahia para comemorar o aniversário de Cavendish. Cabral viajou àquele estado no avião particular de outro potentado do setor privado: Eike Batista (se quiser mais sobre o mundo cabralino, clique aqui). Adiante.

Cavendish cresceu muito durante o governo petista. Teve um “consultor” de peso: Dirceu. No começo de maio do ano passado, VEJA publicou uma reportagem sobre a meteórica ascensão de Cavendish.

(…)

Voltei
Pois é, caras e caros! Os mais de quatro milhões de acessos a este blog neste mês de outubro fazem sentido, né? Não dá pra negar que este bloguinho costuma ver com mais aguda vista, como diria Padre Vieira, a natureza do jogo. Quando escrevi o post acima, a Delta era tratada como uma personagem lateral do imbróglio. Afinal, o objetivo de Lula e Dirceu, que forçaram a mão para criar a CPI, era pegar a imprensa, a oposição e o então senador Demóstenes Torres — que foi justamente cassado à esteira da lambança.

Foi justamente cassado, mas que se reitere: era um homem de Cachoeira numa das atividades do contraventor: o jogo do bicho e seus derivados, que só às vezes se cruzavam com o imbróglio Delta. Esse era outro departamento. Cachoeira era o representante da empreiteira no Centro-Oeste. A empresa tinha outros braços, bem mais produtivos e ricos. Ficou, desde sempre, no ar a pergunta: quem era o Cachoeira de Cavendish no Rio de Janeiro, por exemplo?

Vejam lá o meu texto de 8 de abril. Ali eu já lembrava parte das folias de Cabral com Cavensih, e a dança dos Sete Lenços em Paris ainda não havia se tornado pública. Também havia certo esforço para ignorar o óbvio: Cavendish era, por excelência, o “homem do PAC”…

Com o apoio da Al Qaeda eletrônica, o PT fez o diabo para ignorar Cavendish. Queria era levar a imprensa para o banco dos réus. Não conseguiu. Mas os que se organizaram para investigar efetivamente o escândalo também não lograram sucesso.

Termina como farsa
O que começou como farsa como farsa termina. É espantoso que essa comissão chegue ao fim sem investigar a Delta e seu laranjal. Cavendish fez aparição relâmpago na CPI munido de habeas corpus para não se incriminar, é verdade, mas isso não impediria a comissão, se quisesse, de apurar a lambanças de sua empresa.

O problema é que ninguém queria investigar nada. Como ficou claro desde o início, o objetivo era jogar na fogueira a imprensa independente e a oposição. O alvo? Ora, deixemos que Rui Falcão, este notável pensador, o revele. Transcrevo trecho de sua fala num vídeo tornado público no dia 11 de abril:

“A bancada do PT na Câmara e no Senado defende uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão. É preciso que a sociedade organizada, movimentos populares, partidos políticos comprometidos com a luta contra a corrupção como é o PT, se mobilizem para impedir a operação abafa e para desvendar todo o esquema montado por esses criminosos, falsos moralistas que se diziam defensores da moral e dos bons costumes”.

Viram só? Ele deixava claro que o objetivo da CPI era, na verdade, criar uma onda que embaralhasse o julgamento do mensalão no Supremo. Não se esqueçam de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, era outro dos alvos do petismo. E vejam ali a asquerosa convocação aos “movimentos populares” e à “sociedade organizada” para impedir o que ela chamava de “operação abafa”.

A CPI do Cachoeira sempre teve uma esmagadora maioria de governistas. Como poderia a minoria organizar a “operação abafa”?

A fala de Falcão era, obviamente, uma farsa. O PT e os partidos aliados comandam, agora, o enterro da CPI sem investigar Cavendish, sem investigar a Delta, sem investigar a atuação da empreiteira no Rio, sem investigar a atuação da empreiteira no próprio governo federal. De quebra, ainda assistimos, no meio do caminho, à frenética movimentação de setores do governo para tentar vender a empreiteira-problema ao grupo JBS — de que, ora, ora, é sócio o BNDES. O troço só não prosperou porque começou a beirar a pornografia. Não que eles repudiem esse estágio da degradação. É que tudo ficou muito na vista, e, como escreveu Camões, o dano poderia ser maior do que o perigo.

Eis aí…  Cachoeira tem de pagar pelos seus crimes, é claro! Já está pagando. Mas ele, é evidente, era apenas um peixe de médio porte. Os petistas deram um jeito de acabar com a CPI para preservar os tubarões, a si mesmos e a seus aliados. É evidente que deveria ser oferecido ao bicheiro o benefício da delação premiada. Não sei se ele toparia. Ele tem motivos para ter medo. A turma não brinca em serviço.

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2012

às 14:59

CPI do Cachoeira deve ser prorrogada por apenas 48 dias

Gabriel Castro, na VEJA.com. Volto depois.

CPI do Cachoeira deve ser prorrogada por apenas 48 dias, o que impedirá o avanço na apuração dos tentáculos da construtora Delta pelo país. Nesta quarta-feira, a maioria dos integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito decidiu adiar a votação dos requerimentos que estavam em pauta – o que abre caminho para o fim das investigações sem novos depoimentos e quebras de sigilo.

A base aliada defende apenas mais 48 dias de trabalhos. Esta é a sugestão do relator Odair Cunha (PT-MG). Já a oposição tentava recolher assinaturas para garantir a prorrogação por 180 dias para que a comissão pudesse quebrar o sigilo de empresas abastecidas por recursos da Delta. Mas os próprios oposicionistas admitem que será impossível.

“Nós estamos decretando o encerramento desta CPI. E vem à tona a lembrança de que, no início, se propalou que a CPI tinha dois objetivos: desviar as atenções da opinião pública do julgamento do mensalão e ferir de morte um partido de oposição no estado de Goiás”, afirmou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), fazendo menção ao DEM, ao qual pertencia o ex-senador Demóstenes Torres, que teve o mandato cassado por envolvimento com o contraventor Carlos Cachoeira.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que a recusa em quebrar o sigilo dessas empresas foi “uma das maiores vergonhas da história do Congresso brasileiro”.

Odair Cunha argumentou que a prioridade agora é construir o relatório final da CPI. “Há um acordo de líderes, gostem ou não alguns dos parlamentares. A questão é que há um entendimento de que a prorrogação deve ser feita para a leitura e discussão do nosso relatório”, disse o petista. “A morte da CPI seria se nós não tivéssemos condições regimentais de encaminhar toda essa documentação que a CPI tem aos órgãos permanentes de investigação.”

Se não tivesse o tempo de funcionamento prorrogado, a CPI chegaria ao prazo final de 180 dias sem um relatório. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito foi iniciada em abril. Mas, com as eleições municipais, interrompeu os trabalhos durante os últimos dois meses.

Por Reinaldo Azevedo

09/10/2012

às 5:53

O pizzão do PT e do PMDB – Acordo encerra CPI do Cachoeira sem investigar políticos

Por Andreza Matais, na Folha:
O PT e o PMDB fizeram um acordo para encerrar a CPI do Cachoeira sem levar à frente investigações que poderiam elucidar o envolvimento de políticos no esquema do empresário Carlinhos Cachoeira. Os dois partidos, que comandam a comissão, temem ser atingidos pela continuidade das apurações da CPI -cujo trabalho será retomado hoje, após um mês paralisado por causa das eleições. A Folha apurou que o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), já avisou ao partido que apresentará seu relatório final em duas semanas, como estipulado pelo calendário da comissão, mesmo que haja pedidos de prorrogação das apurações.

O relatório não trará novidades ao que já foi investigado pela Polícia Federal nas operações Monte Carlo e Vegas, que focaram os negócios de Cachoeira, e não nos beneficiários de seus recursos, os quais a CPI se propôs inicialmente a identificar. A decisão de Cunha cindiu o PT. “Se o relatório for apresentado a tempo não há razão para prorrogar”, defende o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). “Eu sou totalmente contra encerrar a CPI agora sem concluir as investigações”, discorda o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

A ala petista favorável à prorrogação da comissão quer esticar a sangria política do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), suspeito de beneficiar Cachoeira, e avançar na investigação das ligações de jornalistas com o empresário. Este grupo chama Cunha de “traidor” do PT. A Folha apurou que o relator age afinado com o Palácio do Planalto, que prefere encerrar os trabalhos a expor o governo a riscos.

O Planalto ficou preocupados com o depoimento à CPI de Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit (órgão federal de estradas), que disse ter sido antiético um pedido feito a ele pela campanha de Dilma, em 2010, para listar arrecadadores entre empreiteiras. Mesmo o indiciamento de Perillo, dado como certo antes do recesso eleitoral, já não era ponto pacífico ontem. Para livrar o governador, o PSDB aceita deixar de pressionar pela prorrogação dos trabalhos. “Se teve acordo não me consultaram”, disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), líder do partido.

BLINDAGEM
O acordo entre petistas e peemedebistas deve ser o último de uma série de acertos que, ao longo dos trabalhos da comissão, buscaram blindar políticos e empresários. Para continuar os trabalhos, são necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores. Se relatório final não for aprovado em duas semanas, os trabalhos serão encerrados sem conclusão. Hoje, o deputado federal Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO), suspeito de ter recebido favores de Cachoeira, será ouvido pela comissão.

(…) 

Por Reinaldo Azevedo

01/10/2012

às 4:47

Mais uma da Delta, a construtora que o PT se nega a investigar – PF apura indício de “caixinha” paga pela Delta

Por Breno Costa, Andreza Matais e Dimmi Amora, na Folha:
A Polícia Federal encontrou em um escritório da construtora Delta indícios de pagamento de uma “caixinha”, atrelada a contratos públicos, para a Aneor (Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias). A descoberta traz de volta suspeitas, nunca comprovadas, de que empreiteiras, por meio da associação, reúnem-se para combinar previamente a divisão de lotes de licitações de órgãos públicos. A Folha teve acesso a planilhas e boletos bancários que comprovam o pagamento de percentuais de contratos à Aneor. Os documentos foram apreendidos pela Polícia Federal em computadores da Delta, em Goiânia.

A empresa era usada pelo esquema operado por Carlinhos Cachoeira para lavar dinheiro do jogo do bicho, segundo a Polícia Federal. Os papéis mostram que a Delta repassava para para a associação 0,5% do valor de determinados contratos assinados com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Os boletos e planilhas indicam que, por meio desse sistema, R$ 648,8 mil foram pagos para a associação. Os papéis fazem referência a nove contratos da Delta com o Dnit relativos a obras em rodovias na região Centro-Oeste. O percentual de 0,5% era descrito como “taxa de assistência técnica e jurídica”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 15:20

Laranja da Delta no Rio recebeu R$ 174 milhões

Por Tai Nalon, na VEJA.com:
Novos dados enviados à CPI do Cachoeira, que teve seus trabalhos suspensos no Congresso, mostam que o contínuo Bruno Estefânio de Freitas, laranja da construtora Delta no Rio de Janeiro, aparece como recebedor de pelo menos 174 milhões de reais da empresa só em 2011. 

A quantia, atualizada nesta semana pelo gabinete do senador Rubens Bueno (PPS-PR), é destinada à MB Serviços de Terraplanagem, empresa localizada em Saquarema, no litoral fluminense, que é parte de mais um tentáculo da organização criminosa comandada pelo contraventor no Rio de Janeiro. Antes, sabia-se apenas que a MB recebera 33 milhões no ano passado – quantia pequena diante do fluxo de dinheiro destinado ao estado em 2011.

Bruno é peça-chave na rede de laranjas e fantasmas. Ele consta como sócio da MB, empresa que tem apenas a Delta de Fernando Cavendish como cliente, apesar de ter apenas 20 anos e estar desempregado. Vive, conforme VEJA mostrou na semana passada, em um condomínio fechado em Jacarepaguá, onde permanece sob escolta de seguranças.

O laranja entrou no radar da CPI há semanas, mas nunca teve sua convocação aprovada. Não há interesse na ala governista da comissão em aprofundar as apurações sobre os laços de Cachoeira e da Delta com autoridades do Rio. Mais: o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), tem afirmado a colegas que a etapa de depoimentos – quase todos infrutíferos – terminou. Uma vez retomados os trabalhos, o que deverá acontecer apenas em outubro, integrantes da oposição tentarão ouvir Bruno no Congresso.

VEJA revelou em julho que Bruno entrara no radar do Conselho de Controle e Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, ao tentar sacar, de uma só vez, 5 milhões de reais numa agência bancária na Barra da Tijuca. O contínuo é sócio da MB junto com Marcelo Astuto, parceiro de Horácio Pires Adão, processado em 2005 com Cavendish por fraudes no fundo de pensão de funcionários da Cedae, empresa de águas e esgoto do Rio.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2012

às 14:41

Paulo Souza, ex-diretor do Dersa, diz que não arrecadou para campanhas eleitorais e lembra ataque que sofreu da candidata Dilma

Por Gabriel Castro e Tai Nalon, na VEJA Online:

Em depoimento à CPI do Cachoeira, o ex-diretor da estatal de transportes de São Paulo, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, se disse injustiçado e negou ter angariado recursos para eleições. ”Nunca atuei na área financeira de qualquer campanha política”, disse ele. O ex-diretor da Dersa reclamou de “calúnias” sobre acusações de ter, em 2010, desviado 4 milhões para campanha do PSDB à Presidência: “É muito difícil resistir a uma saraivada de denúncias e calúnias”. “Eu não saio desta casa antes de entregar todos os documentos comprobatórios do que eu falar. Eu pedi a Deus para ser convocado para esta CPI, porque acho que os incompetentes devem continuar com medo de mim”, completou.

Sem citar nomes, ele também mandou recados: “Os incompetentes devem continuar com medo de mim, porque aqui estou. Essa frase é para todos que foram ingratos”. Em seguida, demonstrou ressentimento com a forma como deixou o governo , em 2010 – perseguição atribuída a tucanos que, segundo ele, “não mostram a cara”. “Eu fui demitido oito dias após entregar as três maiores obras do país.”

Durante dez minutos, o depoente descreveu seu currículo profissional, destacando sua atuação no governo federal, sobretudo na Casa Civil, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Enumerou suas obras na chefia da Dersa, no estado de São Paulo, e destacou sua atuação em intervenções durante as gestões dos governadores José Serra e Geraldo Alckmin. “Mesmo assim, creio ser um desconhecido da classe política”, disse. Ele também queixou-se do apelido Paulo Preto, classificado por ele como “pejorativo” e utilizado para, segundo ele, desqualificar sua competência profissional. 

Dilma
Questionado por parlamentares, chegou até a mencionar a presidente Dilma Rousseff, em referência a um debate eleitoral na campanha de 2010. Na ocasião, a então candidata reforçou acusações de que ele teria sumido com 4 milhões da campanha tucana. 
Disse nesta quarta-feira se sentir “constrangido” por ter contra a presidente uma representação. “Espero imensamente que a presidente um dia reconsidere essa postura”, disse. “Tenho que a presidente fez essa acusação baseada em uma informação infundada.”

Delta
Convocado oficialmente para esclarecer o elo da construtora Delta, suspeita de ligações com Cachoeira, com obras supostamente superfaturadas do governo de São Paulo, Paulo Souza se limitou a dizer que conheceu Fernando Cavendish, mas nunca participou de reuniões em que o ex-diretor da Delta solicitou contratos com a Dersa.  ”Eu não conheço a Delta profundamente, nem nenhuma empreiteira”, disse.

Ataque
Depois de o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot, confirmar à CPI do Cachoeira que usou o cargo para arrecadar recursos para a campanha de Dilma Rousseff à Presidência, o PT se esforça para recolocar o PSDB como alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito. 
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), abriu a sessão desta quarta-feira afirmando que o PSDB “está sangrando” com as investigações sobre o esquema de Cachoeira, que estendeu seus tentáculos sobre o governo tucano em Goiás. 

O deputado Mendes Thame (PSDB-SP), líder da minoria na Câmara, reagiu: “Nunca ouvi uma declaração política tão sórdida, tão deletéria quanto esta do líder do PT”. O também deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) ressaltou o caráter autoritário da perseguição petista à oposição: “Não somos nem oposição. Somos resistência, para que o Brasil ainda possa dizer: respiramos democracia”. Sávio lembrou ainda que o PT é quem está na mira da Justiça, com o julgamento no Supremo Tribunal Federal, do escândalo do mensalão.

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2012

às 19:58

Num país um pouco mais sério, far-se-ia uma CPI só para apurar as declarações de Pagot

No momento em que o país assiste a um julgamento que tem tudo para ser histórico no STF, seguir no caminho da seriedade obrigaria o sistema político, agora, a pensar numa CPI exclusiva, apenas para investigar o conteúdo das declarações feitas por Luiz Antônio Pagot, ex-chefe do Dnit, à CPI do Cachoeira.

Ele disse com todas as letras: atuou na arrecadação de recursos para a campanha de Dilma Rousseff enquanto estava no cargo. E arrecadou dinheiro junto a qual “público”? Ele também contou: junto às empreiteiras. Foi ainda mais preciso: elas lhe teriam mostrado o recibo. Com isso, ele quis dizer que eram contribuições legais. Claro que sim! Em que circunstância, no entanto, precisariam provar a doação? Eis o busílis.

É o fim da picada! É claro que, a esta altura, o ministro Dias Toffoli, coma toda a seriedade que lhe confere a toga, diria: “Oh, cuidado! Cabe a quem acusa o ônus do prova! O fato de o chefe de um departamento federal que contrata empreiteiras arrecadar dinheiro dessas mesmas empresas para a candidata do governo não quer dizer nada! Até porque foi feito tudo de acordo com a lei. Tem até recibo!!!”.

É mesmo, né? O que há de mal nisso?

Os espertalhões, no Brasil, usam o chamado “devido processo legal” para justificar as piores sacanagens. Não! Eu não acho que se deva ignorar o devido processo legal, não! Eu acho que é preciso investigar as declarações de Pagot. É preciso saber quem, no governo, lhe ordenou, ou autorizou, que atuasse como arrecadador. Quando menos, existe uma Lei da Improbidade Administrativa.

Na Folha Online, leio o seguinte:
“O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), afirmou nesta terça-feira que o então tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff, deputado José de Filippi (PT-SP), reuniu-se com o ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) Luiz Antonio Pagot para pedir contatos de empresários. Ele rejeitou, no entanto, que o tesoureiro tenha solicitado a Pagot que pedisse doações à campanha petista, como afirmou hoje o ex-diretor do Dnit à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Cachoeira.”

Claro! Se Jilmar Tatto falou, falado está, não é mesmo? Pagot teria feito aquela declaração — que também o compromete, diga-se — só pelo prazer de contar uma mentirinha…

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2012

às 15:30

Fim da picada! “Pagot chama suspeita contra tucanos de SP de “conversa de bêbados”, mas confessa que, mesmo chefiando o Dnit, atuou como arrecadador de campanha de Dilma

No post anterior, há um competente relato de Tai Nailon e Laryssa Borges, da VEJA.com, sobre o depoimento de Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit, na CPI do Cachoeira. Ficamos sabendo que ele é mais um desses heróis dos tempos modernos. Caiu porque era competente demais e porque estaria combatendo os abusos da Delta, ainda que a empreiteira tenha multiplicado seus negócios com o órgão durante a sua gestão. Tudo indica que não será a CPI a investigar.

Amanhã depõe Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, em São Paulo. Só foi convocado por pressão dos governistas da CPI, que tentaram arrastar a lambança da empreiteira para São Paulo. Não existe nem mesmo uma suspeita formalizada. Muito bem. O que disse Pagot sobre a Dersa. Releiam:
“O que notei no período foi uma insistência muito grande para que eu fizesse uma revisão da minha posição ou justificar adequadamente por que não queria assinar o aditivo. Um conhecido meu que trabalha em uma empresa disse ‘Cuidado com esse aditivo que ele tem finalidade de (abastecer) as campanhas do Serra, Alckmin e Kassab’”. Mas depois concluiu que as suspeitas se resumem a “uma conversa de bêbado, de botequim, que não se pode se provar”.

Bom, então vamos ao que não é conversa de botequim. Pagot confessou que, mesmo estando no Dnit, atuou como arrecadador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República, e isso, sim, é um escândalo em si. Adiantou, no entanto, que tudo foi declarado à Justiça eleitoral.

E daí? Desde quando um quadro da área técnica, que lida com empreiteiras, arrecada dinheiro junto a… empreiteiras para fazer caixa de campanha? Em que país sério do mundo isso seria admitido? No Brasil, claro!, começará aquela ladainha: “Cadê o ato de ofício??? Mostre um só documento que eu tenha assinado que tenha beneficiado a empreiteira A ou a empreiteira B”.

O mais impressionante é que Pagot confessou à CPI que as empreiteiras, depois, lhe mostraram os recibos doações. É mesmo? Mostraram por quê? Com qual finalidade? Quais empreiteiras? O decente, a partir de agora, é que se iniciasse uma apuração desses casos em particular. Mas nada será feito. Pagot confessa que trabalhou em dobradinha com o caixa de campanha de Dilma.

Quem vai se interessar por isso?

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2012

às 15:04

Na CPI do Cachoeira, Pagot se faz de vítima e dá sequência a farsa

Por Tai Nalon e Laryssa Borges, na VEJA.com. Volto no próximo post

Defenestrado do governo Dilma Rousseff por sucessivas irregularidades no setor de tranportes, o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, se fez de vítima em depoimento nesta terça-feira na CPI do Cachoeira no Congresso Nacional e disse ter sido apeado do governo federal após um “complô” entre o então diretor da empreiteira Delta no Centro-Oeste, Claudio Abreu, e o contraventor goiano Carlinhos Cachoeira. Em sua versão, embora tenha dito não conhecer Cachoeira, ele perdeu o cargo no Dnit não por seus defeitos, mas por suas qualidades e proatividade. Na verdade, esse é só mais um ato da farsa de Pagot.

“Saí do governo pela atuação que eu vinha tendo no Dnit. Não dava vida boa a nenhuma empresa, empreiteira ou prestador de serviço. Era muito exigente. Chamava as empresas e os consórcios, exigindo a correta execução de obras, a manutenção dos cronogramas”, disse Pagot. “Especialmente em 2010, vínhamos tendo alguns problemas com a Delta em relação à execução de obras.”

Na gestão de Pagot, a Delta multiplicou seus negócios, transformando-se na maior prestadora de serviços do governo, com faturamento superior a 3 bilhões de reais em contratos de rodovias, muitos deles eivados de irregularidades. Gravações telefônicas captadas pela Polícia Federal desmontam a tese do ex-diretor do Dnit. Os diálogos mostram que a quadrilha de Cachoeira estava muito preocupada com a demissão de Pagot, que após a divulgação das irregularidades foi convocado para depor perante uma comissão do Senado e ameaçava fazer revelações sobre o esquema de propina no ministério.

Em um dos diálogos, Cachoeira fala com o representante da construtora no Centro-Oeste que, se Pagot dissesse qualquer coisa sobre o esquema, estaria dando “um tiro no próprio pé”. Ele, de fato, se calou diante da comissão do Senado. O ex-diretor do Dnit, segundo a PF, participou de um jantar com o senador Demóstenes, Cachoeira e o dono da Delta, Fernando Cavendish, para tratar dos negócios da empreiteira. Essa relação explicaria em parte o sucesso da Delta, que tinha em seu rol de “consultores” o ex-ministro José Dirceu, apontado pelo Ministério Público como o “chefe da quadrilha do mensalão”.

Pagot, que compareceu à CPI sem o apoio de advogados, se definiu como “pau para toda obra” no governo de Mato Grosso e listou obras que foram desenvolvidas sob sua responsabilidade. Exonerado do cargo no ano passado, na esteira dos escândalos de corrupção no Ministério dos Transportes, vem sendo apontado por parlamentares como potencial homem-bomba do governo Dilma Rousseff. Ao contrário das expectativas, usou seus vinte minutos iniciais apenas para descrever seu currículo, tecer elogios ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dizer que tinha apoio do petista no Dnit. ”Lula necessitava de um tocador de obras”, resumiu.

Demóstenes
No depoimento à CPI, Pagot contradisse Cavendish e Demóstenes ao afirmar que o empresário conhecia o ex-senador Demóstenes Torres. Disse que foi em fevereiro de 2011 a um jantar no apartamento funcional de Demóstenes onde estavam o próprio Cavendish e o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Claudio Abreu.

Pagot relatou que o ex-senador, na ocasião de um jantar oferecido pelo próprio Demóstenes, pediu a ele, em conversa reservada, contratos com o Dnit. “‘Olha, eu tenho dívidas com a empresa Delta, ela tem me apoiado em campanhas, e eu preciso ter alguma obra com o meu carimbo’”, relatou Pagot. “Eu respondi a ele que lamentava, que não podia atendê-lo, que não tinha possibilidade nenhuma de o diretor geral do Dnit ir para o mercado e dizer: olha, reservem uma obra para a Delta.”

Cavendish, que tem audiência marcada para esta quarta-feira na CPI, em entrevistas à imprensa, afirmara que desconhecia o ex-senador. Amanhã, com pedido de habeas corpus, deve permanecer em silêncio. Durante seu processo de cassação no Senado, Demóstenes também falava não ter qualquer tipo de relação com o ex-diretor da Delta.

Paulo Preto
No depoimento à CPI, o ex-diretor-geral do Dnit disse conhecer o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, de negociações envolvendo a Dersa (Departamento Rodoviário S/A) e a autarquia federal sobre o trecho sul do Rodoanel de São Paulo. Ao longo das negociações sobre essa obra, cujo valor total chegava a 3,6 bilhões de reais, Pagot disse que foi pressionado a concordar com um aditivo para a obra, no valor de 264 milhões de reais. 

Interlocutores dele revelaram, conforme relato do próprio Pagot à CPI, que os recursos do termo de ajustamento de conduta (TAC) que tratava desse aditivo seria destinado à caixa dois das campanhas dos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin e do pessedista Gilberto Kassab.

Luiz Antonio Pagot disse que apenas ouviu falar das suspeitas e informou que não pode provar que os recursos foram desviados. “O que notei no período foi uma insistência muito grande para eu fizesse uma revisão da minha posição ou justificar adequadamente por que não queria assinar o aditivo. Um conhecido meu que trabalha em uma empresa disse ‘cuidado com esse aditivo que ele tem finalidade de (abastecer) com as campanhas do Serra, Alckmin e Kassab’”, relatou. Para ele, no entanto, as suspeitas se resumem a “uma conversa de bêbado, de botequim, que não pode se provar”.

Campanha de Dilma
Questionado pelo relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), Pagot também disse ter atuado como arrecadador da campanha de Dilma Rousseff à presidência da República, mas, sem trazer novidades, disse que o caixa recolhido por ele entre empreiteiras de pequeno e médio porte foi declarado à Justiça Eleitoral. A atuação do ex-dirigente no processo eleitoral foi feita a pedido do tesoureiro da campanha dilmista, José de Fillipi.

“Acreditei que não estava cometendo nenhuma ilegalidade. De maneira alguma associei qualquer doação às atividades do Dnit. Não estabeleci porcentuais. Posteriormente ao meu pedido, algumas empresas, não passou de meia dúzia, me passaram recibo comprovando a doação legalmente”, afirmou.

Pau para toda obra
À frente do Dnit, o depoente disse ter enfrentado a máquina burocrática do governo e o “anacronismo” das instituições. Em todo caso, se munindo de acusações de que teria sido individualmente responsável pelas irregularidades na autarquia, conforme revelou VEJA no ano passado, citou trechos de documentos internos para defender que “a execução de todas as tarefas do Dnit estão intrinsecamente ligados aos trabalhos da diretoria colegiada”.

Pagot exaltou também o reconhecimento de sua gestão por Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da União, se classificou como “trabalhador incansável e obstinado” e descreveu seu currículo como executivo nas áreas de agricultura e infraestrutura. Disse que foi “pau para toda obra” durante a gestão de do senador Blairo Maggi (PR-MT) quando governador do Mato Grosso, época em que ocupou a Secretaria de Infraestrutura. Assessores de Pagot, de ex-diretores do Dnit e parlamentares do PR, incluindo não integrantes da CPI, acompanham o depoimento.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2012

às 21:10

A CPI e o laranjal de R$ 500 milhões que os governistas não querem investigar

Por Tai Nalon, na VEJA Online:
Incomodados com a resistência da ala governista da CPI do Cachoeira em investigar a influência da Delta nos estados, parlamentares prepararam um estudo que indica a existência de mais tentáculos da empresa com laranjas. Conforme o levantamento, os repasses da Delta para empresas de fachada ultrapassam 400 milhões de reais – e podem, segundo os congressistas, somar mais de 500 milhões em vários estados. A quantia teria sido movimentada a partir de 2008.

Parlamentares da oposição devem usar esses números nesta semana para mais uma vez tentar convencer o presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), e o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), a mudarem o foco das investigações. Desgastada pelo silêncio de testemunhas, a CPI não consegue trazer fatos novos que ajudem a desmontar o esquema gerenciado pelo contraventor. O estudo enumera mais de 40 empresas supostamente de fachada ,cujos sigilos bancários deveriam ser quebrados para, então, rastrear o destino dos repasses.

Por Reinaldo Azevedo

15/08/2012

às 15:38

CPI do Cachoeira tem de ser a CPI da Delta, dizem parlamentares

Por Lilian Venturini, no Estadão Online:
A construtora Delta, apontada pela Polícia Federal como parte integrante do esquema ligado ao contraventor Carlinhos Cachoeira, tornou-se alvo principal de membros da CPI. Na sessão da comissão desta quarta-feira, 15, deputados e senadores sugerem que a investigação centre os trabalhos na atuação da empresa, a qual seria a responsável pelo esquema de fraudes e desvios de recursos públicos.

O coro à “CPI da Delta”, como sugeriu o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), foi alimentado em especial por parlamentares da oposição ao governo federal, após o depoimento da empresária Roseli Pantoja da Silva. Roseli seria sócia da Alberto & Pantoja, empresa que também faria parte do esquema de Cachoeira, segundo a PF. À CPI, entretanto, Roseli negou ter sociedade na empresa e afirmou que seu nome foi usado indevidamente.

De acordo com dados apresentados por parlamentares, a Alberto & Pantoja recebeu cerca de R$ 30 milhões da Delta nos últimos anos, o que reforçaria a tese de que se trataria de uma empresa fantasma. “A Delta repassava dinheiro, sim, com finalidade criminosa. E essa senhora Roseli Pantoja foi utilizada como parte de uma empresa fantasma. E que seu Carlinhos Cachoeira era um dos beneficiários”, afirmou o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), para quem Cachoeira passou a ser “peixe pequeno” no caso.

A Delta aparece nas investigações da Operação Monte Carlo, da PF, que levou Cachoeira à prisão. A construtora foi beneficiária de inúmeros contratos de obras públicas, boa parte deles do governo federal. “Temos que apontar para a cabeça do esquema. E a cabeça é Delta, o senhor Cavendish”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), em referência ao principal acionista da empresa, que se afastou da presidência após o escândalo.

Cavendish deve comparecer à CPI no dia 28, mas deve ficar em silêncio.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo
 

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