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Ciro Gomes

02/12/2011

às 22:26

Xiii, Ciro é vaiado ao chegar a Congresso do PSB, o seu partido… no momento!

No dia 21 de novembro escrevi um post sobre Ciro Gomes. De vez em quando ele se manifesta, e eu lhe dou alguma atenção. Comentei uma entrevista aloprada sua concedida ao UOL e à Folha. Ao criticar a manifestação havida no Rio, convocada pelo governador Sérgio Cabral, contra a nova divisão dos royalties do petróleo aprovada no Congresso, o ex-PDS, ex-PMDB, ex-PSDB, ex-PPS e atual PSB deu sinais de confusão mental e afirmou: “Então o que está acontecendo? Está crescendo no país um ressentimento recíproco entre São Paulo e o resto do Brasil.” Entenderam? Alguns milhares vão às ruas no Rio, e cresceria o ressentimento contra… São Paulo! Por que seria assim? Vai saber…

Ciro, pelo visto, não anda muito popular nem no seu partido de momento, o PSB. Leiam o que informa Maria Clara Cabral na Folha Online:

Ex-candidato à Presidência da República, ex-ministro e ex-deputado federal, Ciro Gomes foi vaiado, nesta sexta-feira, ao chegar para o Congresso Nacional do PSB, em Brasília. Antes de ele entrar no plenário principal, militantes do partido também mostraram uma faixa pedindo “a volta da democracia do PSB no Ceará”, Estado de Gomes. Mesmo assim, o ex-candidato não descartou concorrer pela terceira vez ao cargo. “Quem já foi duas vezes [candidato] não pode andar mentindo dizendo que não quer ser”, disse. O racha no partido sobre a possibilidade de candidatura própria em 2014 também ficou evidenciado.

Apesar de falar que o desentendimento com o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, estava superado, Ciro ironizou o fato de o colega querer ser candidato. “Tem todos os dotes para isso, falta só a estrada que eu tenho”, disse. Campos, por sua vez, desconversou ao questionar sobre o assunto. Em 2010, Ciro Gomes queria ser candidato, mas foi derrotado pelo grupo de Eduardo Campos, que defendeu o apoio à presidente Dilma Rousseff.

Ciro também voltou a criticar hoje a aliança do PT com o PMDB. “Não é contra o PT, é contra a média da sustentação, que reúne PT e PMDB, de natureza fisiológica, e nós teremos sempre grande susto e dissabores por este cimento, toda aliança é legítima, mas que é a aliança forma transformadora que precisa dessa grade aliança?”, questionou, para continuar: “Qual é o cimento? O que é que nós coeziona? Fisiologia, quando senão, roubalheira.” Nesta sexta-feira acontece em Brasília o Congresso Nacional do PSB. Amanhã, a legenda deve reconduzir Eduardo Campos para a presidência.

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2011

às 19:34

Ciro odeia tanto SP que ataca o estado para criticar ato público promovido por Cabral no Rio. Pergunto a Eduardo Campos: “O senhor alimenta o mesmo ódio ao estado? Se não, cabe dizer alguma coisa!”

Ciro Gomes é aquele rapaz nascido por contingência em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, mas que fez carreira política, como todos sabem, no Ceará. Já foi governador de Estado. Pertenceu ao grupo do tucano Tasso Jereissati, que foi quem lhe deu visibilidade política. Hoje Ciro se encarrega, no Estado, de minar as bases de seu antigo mestre e aliado. O homem não é do tipo que acha que fidelidade se paga com fidelidade. Bem, até aí, problema de quem o escolhe como “companheiro”.

Esse rapaz, sabe-se lá por quê, tem um ódio ao estado de São Paulo que só deve perder para o ódio que ele sente a José Serra. O tucano infere que, no que lhe diz respeito, trata-se de um problema clínico. Pode ser. No que concerne ao estado, coisa muito normal não deve ser, como vou demonstrar abaixo.

Seus sentimentos em relação aos paulistas e paulistanos são estranhos. Obedecendo a uma ordem de Lula, transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo porque o Apedeuta o queria disputando o governo. Imaginem vocês: alguém que declaradamente detesta o estado, que o considera fonte de problemas para o resto do Brasil, ambicionou governá-lo… Não deu certo. Já transferiu de novo o domicílio para o Ceará, não sei se para Sobral, cidade dominada pelo coronelato Gomes. Paulista, ex-paulista, cearense,  ex-cearense, paulista, ex-paulista, cearense outra vez…

Prestem atenção ao trecho que transcrevo de sua entrevista ao UOL e à Folha. Confesso que nunca vi ou li nada assim. Ele está criticando o movimento surgido no Rio de Janeiro em defesa dos royalties do petróleo. Ele acha aquilo uma impostura. Leiam. Comento em seguida:

O problema é que no Brasil há falta de uma estratégia nacional, não existe um projeto nacional que faça as compensações, as mediações e que cada um se sinta partícipe de um projeto confortável. Está crescendo muito no Brasil e esse é um problema para ser discutido no Congresso Nacional. Aí está essa crise dos royalties, com o Rio de Janeiro. O Sérgio Cabral [do PMDB, governador do Rio] mobilizando 150 mil pessoas na rua. Fernanda Montenegro [atriz] indo para a rua, por uma impostura nessa discussão dos royalties. Ela está de boa-fé, evidentemente. Porque não tem no país uma visão estratégica. Então o que está acontecendo? Está crescendo no país um ressentimento recíproco entre São Paulo e o resto do Brasil. As pessoas no Nordeste, em Manaus, por exemplo, não têm perigo. Porque todos os exercícios práticos da governança local, paroquial, provinciana de São Paulo hostilizam.

O trecho em negrito (ou vermelhito) não faz o menor sentido. Foi só um momento de fuga extrema da realidade. Mas prestem atenção ao trecho que é ao menos sintaticamente ordenado. Ao criticar o movimento DO RIO DE JANEIRO, LIDERADO POR SÉRGIO CABRAL,  contra a divisão dos royalties, na forma decidida pelo Congresso, Ciro Gomes ataca… São Paulo. Ou seja: milhares de pessoas NO RIO vão às ruas, mas, na boca de Ciro, quem paga o pato é… São Paulo.

O sujeito endoidou de vez. O mais engraçado é que ele fala um troço desses e ninguém ousa lhe perguntar: “Mas o que São Paulo tem a ver com isso?”

Os deputados da Assembléia Legislativa deste estado deveriam ter, como posso dizer?, TUTANO (pensei em outra palavra mais explícita) para propor, quando menos, uma moção de repúdio a este senhor! Esta é a maior cidade nordestina do Brasil. Ciro jamais vai poder mudar isso.

Embora tenha nascido em São Paulo, ele é, claramente, um incitador do ódio contra o Estado. A minha indagação: também é assim com as demais lideranças de seu partido? Pergunto, por exemplo, ao governador Eduardo Campos, de Pernambuco, o manda-chuva do PSB: “O SENHOR ENDOSSA ESSE ÓDIO A SÃO PAULO E AOS PAULISTAS”? Se não endossa, diga já. E também esclareça se Ciro Gomes fala só em seu próprio nome ou se expressa a opinião do PSB sobre São Paulo e os paulistas.

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2011

às 19:02

Serra responde a Ciro Gomes com fatos e provas. E Ciro responde com o quê?

Leiam o que informa a Folha Online. Volto em seguida:
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) rebateu as críticas feitas pelo ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSB), em entrevista ao programa Poder e Política Entrevista, parceria do UOL e da Folha. Ex-candidatos à Presidência da República, Ciro e Serra são antigos inimigos políticos declarados, inclusive com ações na Justiça.

“Como fica evidente, a verdade está de um lado, Ciro Gomes está de outro; de um lado, estão os fatos; do outro, a imaginação fértil deste senhor, especialmente quando se refere a mim. Às vezes, suspeito que seja um caso clínico”, diz Serra, em uma nota publicada no seu blog.

Ao analisar as possíveis candidaturas do PSDB de 2014, Ciro falou da chance de Serra e lembrou sua atuação como deputado na Constituição de 1988. “Serra por exemplo, na Constituinte, cercou a Zona Franca de Manaus de restrições até ficar o sinal de que queria acabar. Desmontou o sistema de incentivos fiscais que compensariam o Nordeste das assimetrias competitivas. Briga com o Centro-Oeste e tal. Hoje, eu estou falando hoje… Porque o cara quer ser presidente da República e governava São Paulo e fazia dessas. Então essa é a questão prática”, afirmou.

Em sua resposta, o tucano diz que esses fatos nunca aconteceram. “Qualquer interessado pode pesquisar os anais da Constituinte ou a imprensa da época. Não encontrará nada do que ele diz a meu respeito. Não apresentei uma só emenda, não votei em uma só proposta, não proferi um só discurso com aquele conteúdo. E olhem que eu tinha certo peso na Constituinte”, afirma Serra, que ainda apresenta dados sobre a questão para justificar seu argumento.

Voltei
Na resposta que deu em seu site, Serra foi de uma desmoralizante precisão. Ou bem Ciro Gomes vem a público para dizer que o ex-governador de São Paulo está mentindo, ou bem Ciro admite, então, que ele próprio está mentindo. Esse é o tipo de coisa que não comporta zona cinzenta. Ciro sempre foi muito ágil para xingar e desqualificar adversários, o que já custou mais caro a ele do que aos outros. Vamos ver se consegue argumentar. Mais abaixo, transcrevo trecho da resposta de Serra.

O tucano, no entanto, deixou de dar destaque a uma passagem saborosíssima da entrevista de Ciro Gomes, que demonstra o ódio que este senhor tem a São Paulo. Trato do assunto no próximo post. Abaixo, o que diz Serra sobre a acusação que lhe fez Ciro Gomes.
*
(…)
A Zona Franca de Manaus na Constituinte só ganhou sinal de maior fôlego com um dispositivo que garantiu sua existência por mais 25 anos, posteriormente prorrogados. Isso decorreu de iniciativa liderada pelo relator geral da Constituinte, Bernardo Cabral.  Ou seja, aconteceu exatamente ao contrário do que Ciro disse (…)

Sobre o Nordeste, a verdade também está no avesso do que afirmou Ciro Gomes. O sistema de incentivos fiscais que beneficiava o Nordeste e outras regiões menos desenvolvidas permaneceu intocado. Na condição de relator, incluí na Constituição os dispositivos que criaram um grande fundo de desenvolvimento para o Norte, o Nordeste e o Centro Oeste, formado por 3% da arrecadação anual do IPI e do Imposto de Renda. Esse dinheiro deveria ser aplicado na iniciativa privada pelo Banco do Nordeste, pelo Banco da Amazônia e, no caso do Centro-Oeste, que não tinha banco regional, pelo Banco no Brasil.

Mas a verdade pode ainda ser mais detalhada, o que escancara a inverdade contada por Ciro Gomes: no relatório final da Comissão de Sistematização da Constituinte, esse fundo, aprovado pela minha comissão, foi desfeito. Inconformado, apresentei, então, Emenda em Plenário - a ES 34.213-4, de 5 de setembro de 1987-, conseguindo restabelecer o texto da Comissão de Orçamento, Tributação e Finanças.

Somente o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste comporta recursos de mais de R$ 4 bilhões por ano. Ao mesmo tempo, como os fundos fazem empréstimos com retorno, acumula-se um estoque de disponibilidade para crédito muito expressivo no Banco do Nordeste: era de cerca de R$ 10 bilhões em 2009.

Foi também como relator que coordenei os dispositivos que elevaram fortemente os Fundos de Participação de Estados e de Municípios, o FPE e o FPM. A fatia do FPE na arrecadação do IPI e do IR saltou de 14% para 21,5%. Como se sabe, a maior parte desse fundo - 85% - é hoje destinada ao Norte, ao Nordeste e ao Centro Oeste.

Assim, nos vinte anos seguintes à promulgação da nova Constituição, o Nordeste ampliou suas receitas recebidas via FPE de R$ 5,7 bilhões para R$ 24,6 bilhões (a preços de 2008). Desse aumento de quase R$ 20 bilhões, cerca de 50% - proporção ainda maior no caso do Ceará -decorreram das alterações constitucionais; o restante deveu-se ao crescimento real da arrecadação de IR e IPI.

Portanto, nos últimos anos, o Nordeste contou com recursos transferidos pelo governo federal superiores a R$ 10 bilhões somente por conta do aumento do FPE estabelecido pela Constituinte, no capítulo do qual fui o relator. Aliás, Ciro ignora que a Constituinte foi decisiva para descentralizar, da União para governos estaduais e muncipais,  e para redistribuir, das regiões mais ricas para as menos desenvolvidas,  os recursos tributários do País, tanto que a receita dos governos dessas regiões cresceu mais rapidamente do que a dos governos das regiões mais desenvolvidas. Ou seja, a história real foi exatamente inversa da que ele relata.

Como fica evidente, a verdade está de um lado, Ciro Gomes está de outro;
(…)

Voltei
Bem, parece que Serra prova e documenta o que diz. Falta a Ciro fazer o mesmo. Mas acho que ele não vai fazer. No próximo post, a patologia anti-São Paulo do ex-paulista, depois ex-cearense, agora ex-paulista de novo…

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2011

às 6:01

Neocoronelismo - Sobral gasta R$ 5 milhões em Vila Olímpica “Ciro Gomes”

Por Andreza Matais, na Folha. Volto depois:
Ministro dos Portos do governo Dilma Rousseff, Leônidas Cristino (PSB), quando prefeito de Sobral (CE), gastou R$ 5 milhões na construção de uma Vila Olímpica na cidade, obra que leva o nome de “Ministro Ciro Gomes”. Cristino deixou o cargo de prefeito em dezembro para assumir a pasta em Brasília sem concluir a obra -que vem sendo executada há cinco anos e já consumiu 77% dos recursos previstos. O atual prefeito de Sobral, Veveu Arruda (PT), classifica a obra como “ousada” ou “uma alternativa caso o Rio de Janeiro não comporte os Jogos Olímpicos de 2016″.

Os recursos para a Vila Olímpica saíram dos cofres municipal, estadual e federal. A maior parte, R$ 2,6 milhões, é proveniente de emendas ao Orçamento feitas por congressistas. Durante a gestão de Cristino (2005-2010) foram construídos dois pequenos prédios com salas de aula, duas piscinas, uma plataforma para salto e arquibancadas. Os pedreiros colocaram peixes nas piscinas para preservar os azulejos, diante da falta de previsão para inaugurá-las.

PISO GUARDADO
O piso para a pista de atletismo também já foi comprado por R$ 1,1 milhão. Chegou de navio do Canadá no ano passado, a dois meses da eleição estadual. Está guardado numa sala, sem previsão para ser assentado. Comprado com dispensa de licitação, é o mesmo usado nas pistas dos Jogos Pan Americanos de 2007.

A parte mais vistosa da Vila Olímpica é justamente o nome “Ministro Ciro Gomes”, pintado no muro que cerca o terreno de 60 mil m2. A homenagem ao padrinho político de Cristino é vedada pela Constituição -em obras públicas não podem “constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades e servidores públicos”. Aqui

Comento
Ciro Gomes é aquele rapaz com ar sempre enfezado, que tem a língua mais ágil da República para atacar desafetos? É aquele empenhado em criar uma “nova hegemonia moral no país”? Entendo.

Por Reinaldo Azevedo

21/12/2010

às 23:02

A Ciro, nada de batatas!

E Ciro Gomes, hein? Agora acabou! Não será mesmo ministro. Não chegou a ser convidado para a pasta da Integração Nacional, mas tornou pública a informação de que a pasta não era de seu agrado. Queria a Saúde, o maior Orçamento da Esplanada. O fato de o escolhido ter sido Alexandre Padilha, atual ministro das Relações Institucionais, evidencia quão delirante era, para não variar, a aspiração deste ex-paulista e, no momento, ex-cearense. Afinal, qual é o lugar de Ciro hoje na política brasileira?

Uma vez, eu comparei a sua situação àquela vivida pelas raparigas no antigo Nordeste. O coroné sempre lhes dava uma casa nos arrabaldes da cidade, uma vida digna, vestidos, mantimentos etc, mas nada de aparecer na missa de domingo, que a esses lugares só podiam comparecer as esposas.

Ciro é o cara que consegue cair várias vezes no mesmo truque. Foi enganado por Lula no primeiro mandato; foi enganado por Lula no segundo mandato; viu sua candidatura se esfarelar e acabou sem ter nem mesmo como se candidatar a deputado — imaginem o homem como representante de um estado que lhe é estranho por quatro anos!

Fez as pazes com o PT — depois de ter dado uma esculhambada na então candidata Dilma Rousseff —  e saiu disparando contra Serra, as oposições etc. Vale dizer: voltou à sua condição de boca de aluguel de Lula.

E qual foi o galardão? Mais uma vez, serviram-lhe uma sopa de nabo. Vamos ver, Ciro. Ainda resta o segundo escalão. Quem sabe… O PSB já disse pra Dilma: “Pega que é seu; da cota do partido é que não é!”

Já que Ciro é hoje um apátrida eleitoral, poderia se filiar de novo ao PSDB, mas ao de Minas — já que ele não suposta os tucanos paulistas. Poderia, assim, fazer alguma oposição ao lulo-petismo (mas do tipo que senta e conversa) e ainda descer a língua em São Paulo, seu esporte predileto.

Por Reinaldo Azevedo

20/12/2010

às 15:52

Ciro Gomes: rejeitado da morte na guerra, rejeitado dos homens na paz!

Coitado do Ciro Gomes, né?

Parece o Juca Pirama, do Gonçalves Dias: “rejeitado da morte na guerra; rejeitado dos homens na paz”. Quanto mais esse moço se dedica à ancestral arte da genuflexão diante do PT, mas joelhadas ele leva no queixo. Ô sina triste! Ô sina infeliz! Ele queria o Ministério da Saúde, sinal de que continua a alimentar ambições bastante robustas. Por isso mesmo, não terá a pasta, que fica com Alexandre Padilha, mais um fidelíssimo à tropa de Lula; mais um que entra como olheiro do Babalorixá de Banânia. Embora médico, está sendo nomeado por causa da política.

E Ciro? Pode voltar para a Integração Nacional, cargo que já exerceu, quando comprou a briga política da transposição do São Francisco. Nem esse mimo, na prática, ficaria com ele: a obra integra o PAC, e quem vai cuidar do assunto é Mirian Belchior, futura ministra do Planejamento. Ciro fica confinado a resolver pendengas entre governadores do Nordeste. E sem visibilidade. Ou vocês acham que o PT lhe daria uma vitrine?

O homem, diga-se, é incômodo também no PSB. O governador Eduardo Campos (PE) já fez chegar a Dilma que ministério para Ciro faz parte da “cota pessoal” da presidente eleita; o PSB não tem nada com isso. Dito de outro modo: o partido jamais faria essa escolha; se Dilma quiser, ela que escolha…

Ciro queria ser candidato. Lula o convenceu a transferir o domicílio eleitoral para São Paulo — ele tem uma casa aqui, na Rua dos Bobos, nº Zero —, inviabilizou a sua candidatura em seu próprio partido, permitiu que os petistas paulistas o hostilizassem como eventual candidato ao governo do estado, deixou-o em nada. Ele protestou, chamou Dilma de “inexperiente”, xingou (como sempre) Serra, mas disse que o tucano era mais preparado, acusou uma espécie de Conspiração de Piratininga, viajou, voltou e, depois de muitos impropérios, foi chamado como um dos coordenadores da campanha no segundo turno. Na hora do pagamento, lá está Ciro, de joelhos, levando no queixo…

E agora? Sei lá… Se quiser, pode ficar com a Integração Nacional mesmo, mas terá de se comportar, como bem lembrou Michel Temer, vice-presidente eleito da República, a quem o ex-cearense já chamou de “chefe de bando”.  Imaginem uma reunião ministerial, com Ciro e o “chefe do bando” à volta da mesma mesa…Permitirá o PT que ele ganhe um assento na Esplanada para continuar o flerte com o senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG), travando aquela que Ciro considera a mãe de todas as batalhas, que é romper a polarização “PT de São Paulo X PSDB de São Paulo”?

Pois é… Caso ele seja ministro, integrará um “paulistério” como nunca houve antes na história destepaiz… Até Ciro, nascido em Pindamonhangaba e agora com domicílio eleitoral em São Paulo, poderia se dizer parte da turma.

Pobre rapaz!

Por Reinaldo Azevedo

14/12/2010

às 16:22

Dilma define um lugar para Ciro, que já chamou Michel Temer de “chefe de um ajuntamento de assaltantes”

A presidente eleita, Dilma Rousseff, espera definir até amanhã a situação de Ciro Gomes, que ela gostaria de ver de novo no Ministério da Integração Nacional. Ele teria mandado recados afirmando que prefere a pasta da Saúde, o que certamente revela ambição maior do que aquela que o PT estaria disposto a alimentar. O temperamento do moço torna a indicação sempre delicada. Cid Gomes, governador reeleito do Ceará, se apressa em jurar o bom comportamento do irmão, que estaria pacificado. Michel Temer espera que Ciro tenha “cautela verbal no cargo. Entendo…

Numa entrevista, o futuro ministro seja lá do que for declarou:
“Hoje, quem manda no PMDB não tem o menor escrúpulo: nem ético, nem republicano, nem compromisso público, nada! É um ajuntamento de assaltantes na minha opinião. Eu acho que o Michel Temer hoje é o chefe dessa turma.”

É… Ciro deve achar a sua presença no governo fundamental! Afinal, ele já deixou claro que considera a presidente eleita inexperiente para governar…

Abaixo, algumas opiniões de Ciro Gomes sobre o PT, o PMDB e a agora presidente eleita.  A entrevista é de abril deste ano. Em oito meses, talvez Dilma tenha se transformado num gênio da administração, e Michel Temer, descoberto o caminho da moralidade política. Transcrevo alguns trechos para registro e volto para encerrar.

Ciro sobre o PMDB:
“É que, hoje, quem manda no PMDB não tem o menor escrúpulo: nem ético, nem republicano, nem compromisso público, nada! É um ajuntamento de assaltantes na minha opinião. Eu acho que o Michel Temer hoje é o chefe dessa turma.”

Aliança do PT com o PMDB
“Nas eleições gerais de 2010, vamos  ter clareza, a aliança do PT com o PMDB é para traficar minutos de televisão; é para asfixiar o debate, não é para governar. Porque, para governar, a gente faz aliança depois”.

Sobre Lula e o PT golpista
“Olhe aqui: o Lula e o PT ficaram contra a Constituição brasileira de 1988. Vamos lá! O Fernando Henrique começou a experiência de governança dele, como presidente da República, já com a obra fundamental para a história brasileira em curso, que era o Plano Real. E o PT ficou contra!O Lula ficou contra! O Lula ficou contra o governo Fernando Henrique a ponto de o PT, não Lula, ter feito uma campanha golpista: “Fora FHC”

Quem é o melhor candidato?
“Agora, perguntado, evidentemente, a gente tem de dizer a verdade. Todo mundo sabe que eu sou adversário do Serra desde sempre. Agora, o Serra é mais preparado do que a Dilma. Por quê? Porque já foi governador, porque já foi prefeito, porque já foi ministro duas vezes, já foi deputado, já disputou eleições, já ganhou, já perdeu, e ela nunca disputou nenhuma eleição.”

Encerro
Na opinião de vocês, o que Ciro fará no governo? Vai combater o vice-presidente e seu partido — porque, afinal, não dá para conviver com o “chefe de um ajuntamento de assaltantes” — ou vai compor com eles? Temer é compreensivo: nem pede que ele mude de idéia; quer apenas que modere a expressão do pensamento. Ah, bom… Fico imaginando Ciro Gomes em janeiro, assumindo um cargo no alto escalão, nove meses depois da entrevista… Com que cara o fará? Não precisa ter cara. Basta a coragem…

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2010

às 20:22

Ciro Gomes, novo coordenador de Dilma, diz o que pensa de Temer, vice da candidata: “É chefe de um ajuntamento de assaltantes”. E ainda: Serra é mais preparado”

Ciro Gomes, um dos novos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República, concedeu uma entrevista ao programa “É Notícia”, da RedeTV. Ela foi ao ar na madrugada de 26 de abril, há menos de seis meses. Três dias antes, ele havia falado a Carlos Nascimento, do SBT. Assistam ao vídeo. Volto em seguida:

Vamos deixar o registro escrito.
Ciro sobre o PMDB:
“É que, hoje, quem manda no PMDB não tem o menor escrúpulo: nem ético, nem republicano, nem compromisso público, nada! É um ajuntamento de assaltantes na minha opinião. Eu acho que o Michel Temer hoje é o chefe dessa turma.”

Aliança do PT com o PMDB
“Nas eleições gerais de 2010, vamos  ter clareza, a aliança do PT com o PMDB é para traficar minutos de televisão; é para asfixiar o debate, não é para governar. Porque, para governar, a gente faz aliança depois”.

Sobre o Ibope
“O Ibope, o Montenegro vende até a mãe para ganhar dinheiro. Esse aí eu conheço de longuíssima data! Mas vende [pesquisa] e vende mesmo!”

Sobre Lula e o PT golpista
“Olhe aqui: o Lula e o PT ficaram contra a Constituição brasileira de 1988. Vamos lá! O Fernando Henrique começou a experiência de governança dele, como presidente da República, já com a obra fundamental para a história brasileira em curso, que era o Plano Real. E o PT ficou contra!O Lula ficou contra! O Lula ficou contra o governo Fernando Henrique a ponto de o PT, não Lula, ter feito uma campanha golpista: “Fora FHC”

Quem é o melhor candidato?
“Agora, perguntado, evidentemente, a gente tem de dizer a verdade. Todo mundo sabe que eu sou adversário do Serra desde sempre. Agora, o Serra é mais preparado do que a Dilma. Por quê? Porque já foi governador, porque já foi prefeito, porque já foi ministro duas vezes, já foi deputado, já disputou eleições, já ganhou, já perdeu, e ela nunca disputou nenhuma eleição.”

Encerro
Ciro, como coordenador da campanha de Dilma, quer, então, convencer os brasileiros a votar na pessoa menos preparada. E quem diz isso? Ciro!!!

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2010

às 8:23

Ciro, coordenador de Dilma, defende descriminação do aborto, vê mafiosos e frouxidão moral no PT e desconfia da honradez do PMDB

Ciro Gomes, um dos novos coordenadores da campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff, dá uma entrevista bem impressionante à Folha de S. Paulo. Segundo ele, há “frouxidão moral no PSDB e no PT”, mas ele só aceita falar daquelas que supostamente existem no partido adversário. Além da frouxidão, o partido de Dilma também conta com alguns “aprendizes de mafiosos”. Não só isso. Leiam esta pergunta e essa resposta sobre o PMDB:

Sobre PMDB, o sr. disse que o [Michel] Temer [presidente do partido e vice de Dilma] estava chefiando uma turma de pouco escrúpulo.
Penso que essa aliança PT e PMDB tem contradições graves. Sou aliado do PMDB no Ceará, acabamos de eleger um senador do PMDB, o vice nosso é do PMDB. Então eu acho que há uma contradição, mas no Brasil é impossível governar sem essa contradição. O que é preciso é pôr sobre essa contradição uma hegemonia moral e intelectual clara. E isto que eu acho que ainda falta.

Voltei
Entendi. Segundo Ciro, o PMDB precisa ser mantido na rédea curta. Então tá. Ele está na campanha da candidata cujo partido é moralmente frouxo, onde há alguns mafiosos, e que é aliado de uma legenda que não é de confiança, embora tenha o candidato a vice-presidente. Registrado.

Se ele, que coordena a campanha diz isso, eu acredito. É o caso de advertir os brasileiros. Afinal, ele está lá dentro; deve saber do que fala.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2010

às 8:21

Ciro é do tipo que anda de limusine no EUA com a “family”

Há dois tipos de turistas nos EUA: os que andam de limusine e os que não andam. Ciro é do tipo que anda - com a “family”. O vídeo abaixo foi feito certamente por seus adversários. Aquele outro senhor que se vê ali é Cid Gomes, governador reeleito do Ceara. Num dado momento, a “family” começa a falar da grana gasta nas compras. Ciro, prudente, dá bronca. Alguém diz:
- Quanto é o presente?
E Ciro:
- Pára com isso. Não Vâmu falar de compra não! Falar de compra e de dinheiro pra quê?

Ciro é mesmo um moralista rigoroso. Até demais! Que mal há em falar no dinheiro gasto numa viagem quando ganho honestamente? Mas ele é severo demais nessa coisa de “hegemonia moral”.

A limusine vai deslizando, levando a “family”.

Por Reinaldo Azevedo

07/10/2010

às 19:30

Coordenador da campanha de Dilma não votou nela?

Fui assaltado aqui por uma dúvida: Ciro Gomes, ex-cearense, agora com domicílio eleitoral em São Paulo, não votou, certo? Estava fazendo boca de urna no Ceará. Como justificou a ausência? O título deste post poderia ser: “Novo coordenador da campanha de Dilma não votou nela”. Um tucano malvado poderia até lançar uma campanha: “Faça como Ciro; não vote em Dilma”. É cada uma!

Por Reinaldo Azevedo

06/10/2010

às 7:09

Ciro, agora no núcleo da campanha do PT, já declarou que acha Serra “mais capaz” e que “Dilma não agüenta”

Podem esperar pauleira. Lula escalou Ciro Gomes para ser o “chefe” da campanha de Dilma no Nordeste — e, obviamente, para fazer aquilo que ele sabe fazer melhor: ofender pessoas. Ciro é assim: o presidente manda que ele transfira o título para São Paulo, ele transfere; o presidente sinaliza que pode apoiá-lo na disputa pela Presidência, ele acredita; o presidente acena que ele pode até ser o candidato ao governo de São Paulo, ele conta com isso. O presidente lhe dá um pé no traseiro, ele faz cara de choro, fica bravinho, mas logo passa.

Ontem, ele estava naquela reunião ilegal no Palácio da Alvorada, todo pimpão. E mostrou que é fiel a seu estilo: “[É preciso ter] um diálogo com esse brasileiro maravilhoso, que votou em mim e na Marina, que é classe média que tá zangada com despudores, com essas frouxidões morais aqui e ali, essa simplificação grosseira que a política de São Paulo quer impor ao país de que só existe vida inteligente no PSDB e no PT.”

Entendi. Ele vai fazer a campanha da ex-chefe de Erenice Guerra para combater a frouxidão moral do país. E, como se nota, ele não perde a oportunidade de atacar São Paulo…

Ciro certamente vai gostar que a gente lembre o que ele pensava sobre Dilma, Lula e Serra há exatos seis meses. Numa entrevista, declarou:

SOBRE SERRA
“Minha sensação agora é que o Serra vai ganhar esta eleição. Dilma é melhor do que o Serra como pessoa. Mas o Serra é mais preparado, mais legítimo, mais capaz. Mais capaz, inclusive, de trair o conservadorismo e enfrentar a crise que conheceremos em um ou dois anos.”

“Em 2011 ou 2012, o Brasil vai enfrentar uma crise fiscal, uma crise cambial. Como estamos numa fase econômica e aparentemente boa, a discussão fica escondida. Mas precisa ser feita. Como o PT, apoiado pelo PMDB, vai conseguir enfrentar esta crise? Dilma não agüenta. Serra tem mais chances de conseguir.

SOBRE DILMA
“Não me peçam para ir à televisão declarar o meu voto, que eu não vou. Sei lá. Vai ver viajo, vou virar intelectual. Vou fazer outra coisa”.

SOBRE LULA
“Lula está navegando na maionese. Ele está se sentindo o Todo-Poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior: ninguém chega para ele e diz ‘Presidente, tenha calma”.

“Ele não é Deus”. (Sobre a popularidade de Lula)

SOBRE DOSSIÊS
“Sabe os aloprados do PT que tentaram comprar um dossiê contra os tucanos em 2006? Veremos algo assim de novo. Vai ser uma m…” (Sobre a campanha presidencial).

Encerro
Ou seja, este patriota entra na campanha da candidata que ele acha menos preparada, com menos condições de governar o Brasil e que, na sua opinião, “não agüenta”. Ok, É Ciro Gomes…

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2010

às 9:01

A milionária “Integração Cearense”

Documentos em poder da Polícia Federal envolvem o governador do Ceará, Cid Gomes, e seu irmão, o deputado Ciro Gomes (PSB) em um esquema de corrupção que desviou 300 milhões de reais das prefeituras do estado entre 2003 e o fim do ano passado. Raimundo Morais Filho, empresário que participava da lambança, deixou tudo registrado em 27 gigas de memória, de que VEJA tem cópia. Laurélia Cavalcante, delegada federal que investiga o caso, foi atropelada por um carro não-identificado nas ruas de Fortaleza. Morais Filho escreveu um outro relato em que se diz ameaçado.

Cid nega qualquer irregularidade. Ciro, que já anunciou a disposição de construir “uma nova hegemonia moral e intelectual no país” diz não conhecer o empresário: “Jamais fiz com ele ou com qualquer pessoa essa sórdida prática que estão querendo me imputar”.

Por Reinaldo Azevedo

16/07/2010

às 17:56

LULA TIROU DE CIRO ATÉ O DIREITO DE VOTAR NO PRÓPRIO IRMÃO! É UMA HUMILHAÇÃO GIGANTESCA!

Leiam o post abaixo sobre a entrevista em que Ciro Gomes, como naquela música de Cazuza, comporta-se como “uma metralhadora cheia de mágoas”. Deixa claro ter sido “feito de bobo” por Lula e sua turma. Ele também se confessa magoado. E é reticente até mesmo quando indagado se vai, afinal de contas, votar em Dilma.

Sua histórica amizade com o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), de quem é cria política, está abalada. Os dois, desta vez, estão em campos opostos também no Ceará. Ciro dá a entender que a responsabilidade cabe ao outro. Será? No dia 11 de dezembro de 2006 — ah, essa minha memória; por enquanto, a idade só tem colaborado com ela… —,  Tasso, então presidente do PSDB  (e os tucanos tinham acabado de perder a eleição presidencial), afirmou, em entrevista ao programa Roda Viva, que, caso Ciro Gomes, já no PSB, fosse candidato à Presidência em 2010, ele, Tasso, teria de se lembrar que, antes de tudo, estava o Ceará.

O que quero dizer com isso? Tasso se mostrou muito mais fiel a Ciro, a sua criatura, do que Ciro se mostra a Tasso, o seu criador. O senador não se importou em criar mal-estar no seu partido para defender seu amigo e o conhecido projeto político de ambos. Ciro não se importa em criar mal-estar em Tasso mesmo…

Ciro se coloca, na entrevista, como vítima de Lula, como vítima de Tasso, como vítima do mundo… E, vocês sabem, os que decidem exercer o poder da vítima se dão todos os direitos. No momento mais surpreendente da sua fala, diz que será ele a responder a eventuais ataques à gestão de seu irmão, Cid Gomes — antes de tudo, um genro exemplar… Assim como Lula é o tutor de Dilma, Ciro se coloca como tutor de Cid contra, sei lá,  as “forças do mal”, lideradas, no momento, pelo “amigo” Tasso Jereissati.

Ciro, Ciro… Esse rapaz é aquele que quase se tornou alguma coisa… Quando não foi derrubado pela sua exuberante vaidade, foi atingido pela sua notável estupidez na relação com o PT. Chegou a ter a ambição de ser o ungido por Lula para sucedê-lo. Depois acusou o “erro” do presidente em apostar na eleição plebiscitária. Dois enganos:

1) Ciro não é “um deles” e jamais seria o escolhido; já afirmei aqui que Lula preferiria perder para Serra, para ter o formidável poder da “oposição”, a vencer com Ciro — hipótese em que o PT não teria o poder, mas também não teria como se opor a ele. Ciro precisa estudar política.

2) A estratégia plebiscitária de Lula, ainda que, como se nota, avance maculando a democracia, do ponto de vista do resultado, está correta, contrariando o que Ciro sempre disse. Se Dilma vai ganhar ou não, é outra história. Ciro, exímio em dar tiro no próprio pé, perdeu o bonde da história.  Sempre quis tudo com muita sofreguidão. Ficou sem nada. Lula lhe tirou até o domicílio eleitoral no Ceará. Ciro não pode hoje nem mesmo votar no próprio irmão, que trata como seu protegido.

Por Reinaldo Azevedo

16/07/2010

às 17:41

Ciro Gomes diz ter sido “feito de bobo” com retirada de candidatura presidencial

Por Carmen Pompeu, no Estadão online. Comento no post seguinte:
O deputado federal Ciro Gomes (PSB) não vai mesmo se engajar na campanha nacional da candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff. “Vou cuidar aqui da nossa paróquia, que é o que me apaixona hoje”, disse, referindo-se ao Ceará, onde o irmão dele, Cid Gomes (PSB), disputa a reeleição para governador.

Coordenador político da campanha de Cid Gomes, Ciro afirmou não guardar mágoas e nem rancor. Mas que se sentiu “feito de bobo” com a forma como a pré-candidatura dele a presidente foi descartada e que, por isso, não tem a menor vontade de participar da sucessão presidencial.

“Isso tudo que aconteceu comigo, nesses passos da vida nacional, me machucou profundamente. Eu passei um momento de grande tristeza pessoal. Cheguei a negar a minha própria vocação. Eu me senti feito de bobo, que é uma sensação terrível”, desabafou, em entrevista concedida ontem (15) à noite, depois de inaugurar o comitê eleitoral do irmão, em Fortaleza.

O comitê foi inaugurado com pompa. Teve bandeiraço nos arredores e foram servidos cerveja e salgadinho à vontade aos presentes. O espaço, que era uma residência próxima ao maior parque da Cidade, o Cocó, foi todo decorado com painéis gigantes. No maior deles, estão Lula, Dilma, Ciro, Cid e os demais candidatos que compõem a chapa majoritária ao governo estadual. Dilma não compareceu. Deve visitar o Ceará apenas em agosto.

Sobre a candidata petista, Ciro disse aos jornalistas ser “profundo amigo” dela. “Somos grandes companheiros. Acho que se havia uma pessoa no PT que tinha dotes para ser candidata, entre todos os militantes petistas de alta qualidade, ela era a melhor”. Mas sair pelo Brasil pedindo votos para Dilma, ele não vai.

“Eu vou acompanhar o meu partido. Vou votar… nem votar eu vou, porque infelizmente…”, disse Ciro, fazendo uma breve pausa, lembrando e demonstrando tristeza com o fato de que, atendo ao pedido do presidente Lula, mudou o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo. “Ah sim vou votar para presidente”, emenda ao ser advertido por jornalistas que a transferência não impediria o voto para presidente, mas sim no próprio irmão, Cid, que é candidato no Ceará.

Ciro não quis falar se subiria no palanque de Dilma, ao menos nas vezes em que ela visitasse o Ceará. “O nível da minha participação em campanha dependerá muito da incorporação das minhas preocupações com o futuro do Brasil, que não são poucas e nem pequenas”, comentou. Se ele acha que essas preocupações serão atendidas? “Não sei. Eu sou um ninguém nesse momento. Nem candidato eu sou a nada”, respondeu.

No discurso que fez durante a inauguração do comitê do irmão, Ciro mencionou o nome de Dilma duas vezes. No início, afirmando que o espaço também era dedicado à campanha dela no Ceará. E no final, ao pedir votos para Cid e para todos os demais integrantes da chapa majoritária.

A fala de Ciro foi cheia de recados duros aos adversários do irmão governador. Disparou mensagens indiretas até contra o padrinho político, Tasso Jereissati (PSDB), que lançou Marcos Cals na disputa contra Cid. “Nós ouviremos com ouvidos muito respeitosos, com ouvidos muito sensíveis, todas as críticas que acaso os eminentes adversários, entre eles, alguns queridos adversários. Todas as críticas que fizerem serão anotadas em um livro de ouro da campanha do Cid Gomes. Porque o Cid, ao contrário de alguns, sabe que a verdade não tem dono. O Cid, ao contrário de alguns, sabe que a prepotência, o mandonismo, a arrogância e a violência não são linguagens para uma democracia, que nós precisamos ter aperfeiçoada”, discursou.

Ciro garantiu que ele próprio terá a incumbência de responder os ataques dirigidos contra Cid Gomes. “Respeitabilíssimos adversários, queridos alguns deles adversários, saibam também que a injustiça, que a ignomínia, que a ignorância e que a truculência contra o Cid serão todas respondidas com toda a serenidade e com todo o equilíbrio”.

Questionado se as críticas significam rompimento com Tasso Jereissati, Ciro afirmou que amizade dele com o senador tucano “não está em votação”. “O que está em votação é um projeto de Ceará. E a pergunta é simples: Quem é melhor para o Ceará, o Marcos Cals, que o Tasso defende, ou o Cid Gomes que eu defendo?”, comentou Ciro.

“Mas o projeto dos senhores não era o mesmo?”, os jornalistas perguntaram. “Mas já faz muito tempo que, em determinadas questões, nosso projeto é distinto. O projeto nacional acabou estressando e criando uma condição que não põe a minha amizade, o meu respeito, a minha profunda admiração, o meu reconhecimento - eu sou um amante da história do Ceará antes de ser um militante político. A obra que o Tasso realizou no Ceará dá a ele um lugar na história quer se goste dele, quer não se goste. E eu gosto muito. Agora, o Tasso, às vezes, desperta determinados antagonismos. Ele mesmo tem um estilo que eu já compreendo e já respeito, já entendo. Enfim, eu também tenho os meus defeitos”, disse Ciro.

Ele finalizou a entrevista afirmando que Tasso merece sim ser reeleito. “Mas, evidentemente, quem vai decidir isso é o eleitor cearense. Eu não quero fazer campanha pra ninguém. Vou fazer campanha pro Cid e pra chapa dele”.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2010

às 22:06

CIRO, O GÊNERO EPISTOLAR E A PATÉTICA RAZÃO DOS RESSENTIDOS

(leia primeiro a nota de Ciro Gomes - post anterior -  sobre a retirada, agora oficial, de sua candidatura à Presidência)
*
Há uma manifestação do gênero epistolar que causa em mim um desconforto quase físico: a superioridade moral do traído, a exemplo do que faz Ciro Gomes em sua nota-carta (post anterior). Na política, no amor ou no trabalho, a linguagem da vítima triunfante reproduz a essência mesma do patético — até recomendo que vocês dêem uma olhadinha no dicionário; a palavra quase sempre é empregada com um sentido diverso daquele que realmente tem. “Patético” não e sinônimo de “ridículo”.

Os que se entregam a esse exercício nunca estão numa situação de força. Ao contrário: o “outro” inevitavelmente ganhou e lhe roubou tudo, inclusive a reação altiva. Assim, só resta ao ressentido afirmar que o futuro se encarregará se evidenciar que ele, o derrotado de agora, é, na verdade, um visionário.

Às vezes, o patético assume, e este é dos seus sentidos, a dimensão da tragédia, como no caso das cartas de Getúlio Vargas. A conhecida como Carta Testamento não economiza:
E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.
Há coisa mais patética do que um suicida que ainda cuida de figuras de linguagem e construções alegóricas para demonstrar a sua superioridade visionária? Suicidas não muito convictos não devem caprichar demais no texto. Ninguém deve abusar de um retórica muito convincentes se não estiver absolutamente… convencido. Adiante.

Ciro diz que se subordinará à decisão do partido, como se houvesse outra saída… Caso queira continuar na legenda, não há. Convenham: quando não se tem alternativa, outras pessoas ou as circunstâncias decidiram por você… Tropeça um tanto nos conceitos: ou bem uma decisão é um mero “erro tático” — o que não costuma ter grande importância — ou bem é uma “deserção de nossos deveres para com o país”. Nesse caso, a coisa é grave.

Num trecho em que aparentemente se refere a si mesmo, dá uma espetada em Lula: “Quero afirmar que uma democracia não se faz com donos da verdade e que, se minhas verdades não encontram eco na maioria da direção partidária, é preciso respeitar e submeter-se à decisão. É assim que se deve proceder mesmo que os processos sejam meio tortuosos, às vezes.”

E diz qual será o seu engajamento na campanha de Dilma Rousseff:
“Meu entusiasmo, e o nível de meu modesto engajamento, entretanto, compreendam-me, por favor, meus companheiros, irão depender do encaminhamento, pelo partido, de minhas preocupações com o Brasil, com nossa falta de um projeto estratégico de futuro, com a deterioração ética generalizada de nossa prática política, com a potencial e precoce esclerose de nossa democracia.”

Que preocupação de Ciro e do PSB pode encaminhar uma união como a do PT e do PMDB, que ele define como um “roçado de escândalos”? Ou há alguma chance, segundo Ciro, de os dois partidos mudarem a sua natureza?

Segundo Ciro, a “esclerose da nossa democracia” é, a um só tempo, “potencial” e “precoce”. Creio que tenha tentado escrever “potencialmente precoce”. Se é assim, cumpre indagar: quem a encaminhou para essa quadra? Não devem ter sido, até onde a vista alcança, as oposições, que pouco puderam fazer para enfrentar a maioria acachapante formada pelo lulo-petismo, de que Ciro fez parte como um dos generais da banda. Na hipótese de a democracia estar em risco, então estamos diante de uma obra do governo Lula, ainda ontem coberto de elogios por Ciro.

O deputado está certamente confuso e amarga as conseqüências de todas as apostas erradas que fez, inclusive quando acusou de golpistas as oposições, até com mais entusiasmo do que o PT, na crise do mensalão. Um dos riscos que corre uma democracia é a criação de mecanismos e de uma estrutura de poder que tornam irrelevante a alternância de poder. E isso, com efeito, está em construção.

Mas Ciro não identifica os seus alvos e prefere lidar com a fantasia de que a disputa pela Presidência reproduz, como diz, as divisões da política paulista, o que é puro delírio, potencializado pelo fato de que Lula o estimulou, e ele topou, mudar o domicílio eleitoral para… São Paulo!!!

Em comum com a carta de Getúlio (que Emir Sader já escreveu “Getulho”), a de Ciro tem a acusação de uma espécie de conspiração contra os interesses do povo e a certeza visionária. Há uma óbvia diferença na qualidade literária — Ciro não precisa se matar depois de reler a sua — e, creio, na identificação dos inimigos. O presidente suicida acusava diretamente seus adversários pela tramóia.

Os inimigos que tiraram Ciro da disputam e ameaçam a democracia com a esclerose são os seus aliados.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2010

às 21:08

CIRO: “AO REI TUDO, MENOS A HONRA”

Leia nota emitida por Ciro Gomes. Volto no post seguinte com algumas considerações sobre o gênero epistolar.

*
Ao rei tudo, menos a honra!

A cúpula de meu partido, o PSB, decidiu-se por não me dar a oportunidade de concorrer à Presidência da República. Esta sempre foi uma das possibilidades de desdobramento da minha luta. Aliás, esta sempre foi a maior das possibilidades. Acho um erro tático em relação ao melhor interesse do partido e uma deserção de nossos deveres para com o país.

Não é hora mais, entretanto, de repetir os argumentos claros e já tão repetidos e até óbvios. É hora de aceitar a decisão da direção partidária. É hora de controlar a tristeza de ver assim interrompida uma vida pública de mais de 30 anos dedicada ao Brasil e aos brasileiros e concentrar-me no que importa: o futuro de nosso País!

Quero agradecer, muito comovido, a todos os que me estimularam, me apoiaram, me ajudaram, nesta caminhada da qual muito me orgulho.

Quero afirmar que uma democracia não se faz com donos da verdade e que, se minhas verdades não encontram eco na maioria da direção partidária, é preciso respeitar e submeter-se à decisão. É assim que se deve proceder mesmo que os processos sejam meio tortuosos, às vezes.

É o que farei.

Deixo claro: acato a decisão da direção do partido. Respeitarei as diretrizes que, desta decisão em diante, devem ser tomadas em relação ao nosso posicionamento na conjuntura política brasileira.

Meu entusiasmo, e o nível de meu modesto engajamento, entretanto, compreendam-me, por favor, meus companheiros, irão depender do encaminhamento, pelo partido, de minhas preocupações com o Brasil, com nossa falta de um projeto estratégico de futuro, com a deterioração ética generalizada de nossa prática política, com a potencial e precoce esclerose de nossa democracia.

Agradeço novamente aos companheiros de partido pelo apoio que sempre me deram. Faço também um agradecimento especial ao povo cearense pelo apoio de todas as horas; mas minha lembrança mais grata vai para o simpatizante anônimo, para o brasileiro humilde, para a mulher trabalhadora, para os jovens, em nome de quem renovo meu compromisso de seguir lutando!

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2010

às 19:37

NOTA DO PSB REFORÇA, AINDA QUE TENTE DISFARÇAR, HUMILHAÇÃO IMPOSTA A CIRO

O PSB emitiu uma nota jogando o deputado Ciro Gomes para escanteio. Poderia ter-se contentado em informar que não haverá candidatura porque essa é a decisão da maioria e ponto! Mas não! Resolveu transformar o vexame pelo qual ele passa na expressão de uma “Teoria do Poder”. Vale a pena ler. Prestem especial atenção ao que está em negrito (ou “vermelhito”).

“Aos militantes socialistas, aos partidos fraternos e à sociedade brasileira,

A Comissão Executiva Nacional (CEN) do Partido Socialista Brasileiro (PSB) reuniu-se nesta data em sua sede, em Brasília (DF), para avaliar o quadro político-eleitoral do país e deliberar, depois de ouvidos os Diretórios Estaduais, sobre o papel a ser desempenhado pelo PSB na sucessão presidencial. Decidiu a CEN, por maioria de votos, não apresentar candidatura própria à Presidência da República.

A Comissão Executiva Nacional avalia como correta e consequente a participação do PSB no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É dever das forças populares contribuir para a continuidade desse projeto, a partir do qual o Brasil retomou o caminho do desenvolvimento soberano, com maior repartição de renda e menor exclusão social.

As eleições de outubro não estão definidas. A aliança da oposição representa um desafio real aos socialistas e outras forças populares. O PSB está pronto para ampliar sua presença nos governos estaduais e no Senado, e duplicar sua representação na Câmara dos Deputados, reafirmando-se como um partido capaz de liderar, ao lado de outros, o avanço das mudanças há tanto tempo exigido pelo povo brasileiro. Sob tal perspectiva, para o PSB a disputa das eleições de outubro, em todos os seus níveis, é um projeto estratégico, condicionado, obrigatoriamente, pelos balizamentos da conjuntura.

Ao patrocinar a pré-candidatura presidencial do deputado federal Ciro Gomes, enxergou o PSB, associadamente a esse projeto estratégico, a possibilidade de contribuir para o aprofundamento das mudanças iniciadas pelo governo do presidente Lula.

De nenhuma forma foram em vão os esforços do PSB e do deputado federal Ciro Gomes nestes movimentos iniciais da campanha presidencial. Administrador vitorioso em diversos níveis de governo, homem de ideias e de atos em favor do País, Ciro Gomes engrandeceu o debate republicano. Com ele, expusemos nossas propostas aos brasileiros, mobilizamos a nossa militância e abrimos novas e concretas vias de crescimento partidário. O PSB permanece firme e ativo no processo sucessório. Nele, queremos somar, unir e avançar, em favor da construção de uma Nação à altura das mais legítimas esperanças socialistas.

Brasília (DF), 27 de abril de 2010
Comissão Executiva Nacional (CEN)
Partido Socialista Brasileiro (PSB)”

Comento
Viram? Com “ele” — este “ele” é Ciro —, o partido diz ter aberto “novas e concretas vias de crescimento partidário”. Traduzindo em linguagem mais coloquial: “Usamos a candidatura de Ciro para arrancar do PT algumas concessões”. Ou ainda: “Nunca levamos Ciro a sério; sua candidatura só servia para a gente ameaçar um pouco o PT”. Ou em linguagem ainda mais sintética e de apelo zoológico: “Ciro foi nosso boi de piranha”.

O PSB agora quer que Ciro viaje logo e fique longe das entrevistas. Como diria Marco Aurélio Top Top Garcia, ele não pode “comprometer a sua trajetória”, certo?

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2010

às 5:57

UM PAPO UM TANTO ELEVADO SOBRE POLÍTICA NA HIPÓTESE, CLARO, DE QUE ELA O MEREÇA

O PSB encerra hoje a longa agonia do deputado Ciro Gomes (ex-cearense) e bate o martelo: “Não é candidato”. Os deuses olímpicos do petismo punem, assim, com severidade o “mortal” por sua “húbris”. Ciro agora diz que sua candidatura havia sido acertada numa reunião no ano passado, na qual houve até algumas lágrimas. Pois é… Em política, é bom desconfiar sempre do excesso de emoção. Enquanto uns choram, os outros fazem cálculos. É claro que Ciro foi enganado. Ou não estaria tão furioso. Judas traiu com um beijo; Lula, mais dramático, com lágrimas. Parafraseando Cecília Meireles, aquele traiu Jesus; Lula, um simples deputado.

Apelo a dramas humanos inscritos em nossa memória para evidenciar que não há nada de muito novo sob o sol no que diz respeito às fraquezas humanas. Tampouco há novidade na política. Lula não chega a ser, assim, um grande intelectual e é certo que não leu O Príncipe. Mas poderia escrever sem receio o seu “quomodo fides a principibus sit servanda“, nas pegadas de Maquiavel, explicando de que modo pode o príncipe manter a fé na palavra empenhada.

É preferível, dizia o autor no capítulo 18,  manter-se fiel ao que se disse, sem truques, mas, reconhecia ele, alguns príncipes realizaram “grandes coisas a despeito de terem tido em pouca conta a fé da palavra dada”, conseguindo mesmo “superar aqueles que se firmaram sobre a lealdade”.

É claro que Maquiavel, filtrado ou intuído por Lula, vira uma coisa, assim, mais simplezinha, né? Pode resultar, por exemplo, na “Teoria Geral da Bravata” — na oposição, defende-se uma coisa; no governo, o seu contrário… Ciro, com efeito, criou todas as circunstâncias para se traído ao, voluntariamente, sujeitar-se às vontades do presidente, mudando até seu domicílio eleitoral. Nenhum outro setor da vida está tão sujeito à volatilidade da palavra empenhada — e notem como isso é antigo — quanto a política.

Não há, pois, nada de essencialmente novo nessa lambança. Lula acalentou Ciro enquanto ele foi útil a seu projeto e decidiu rifá-lo quando ele passou a ser um aliado incômodo, que não aceita o papel que lhe foi reservado. Privilégio dos príncipes: cumprir ou não a palavra. Não é aí que está a particularidade desse caso — ou, por outra, a sua perversidade. Até porque Ciro é bem grandinho e sabe o que faz. Também é um político e já traiu antes. É um traço da profissão.

O que chama a atenção em particular nesse episódio é outra coisa. Marco Aurélio Garcia, aquele — o guardião do Tártaro, o Cérbero de Lula —, emitiu nesta segunda o seu pensamento sempre elegante sobre o episódio. Leiam:
“Estamos numa democracia. Cada um fala o que quiser. Eu tenho muito apreço pelo Ciro. Ele colaborou muito com o governo do presidente Lula. Eu não queria que este momento particular e declarações que ele esteja fazendo venham a comprometer a sua trajetória. A trajetória do Ciro é uma trajetória extremamente meritória, e eu fico com essa boa imagem dele”.

Observem que, nas reflexões do Marco Aurélio do PT, o caráter, vamos dizer, utilitário de Ciro fica explicitado sem qualquer fingimento — e saber fingir é parte das ações decorosas dos políticos. Os “sinceros” choram, se é que vocês me entendem… Para Marco Aurélio, a trajetória “extremamente meritória” de Ciro está em risco, e quem a ameaça, obviamente, é o próprio deputado, que não estaria sabendo se comportar adequadamente. Juiz do destino do outro, autor de seu drama político, o PT pretende também pautar a sua reação e definir o que é e o que não é aceitável no comportamento do traído.

Aí, sim: é contra esse complexo de Deus — ou de Zeus (para voltar ao primeiro parágrafo) — que eu permanentemente me insurjo. Se a política não é coisa de santos, e não é, também não pode ser obra de ogros, sejam eles petistas ou não. O PT só merece a minha especial atenção por conta de sua ação metódica.

Por Reinaldo Azevedo

26/04/2010

às 5:53

“ANALISTAS” POLÍTICOS BATEM EM CIRO GOMES EM LUGAR DO PT, QUE TERCEIRIZOU A TAREFA

Quando é que se está diante da evidência de que um partido detém a hegemonia do processo político, o que não precisa coincidir necessariamente com o exercício do poder? Quando seus valores e sua visão de mundo se tornam parte da atmosfera que se respira, sem que as pessoas, muitas vezes, se dêem conta de que estão verbalizando o que é um ponto de vista interessado, que nada tem de neutro. O caso mais evidente nestes dias é o do deputado ex-cearense Ciro Gomes (PSB). Como de hábito, não peço que vocês acreditem em mim, mas que recorram aos arquivos dos jornais na Internet.

Antes que prossiga, uma observação: continuo, como sempre fui, crítico das posturas de Ciro Gomes. Não passei a endossar seu modo de fazer política, sua ligeireza para disparar contra a reputação de adversários políticos, sua mania, como já defini certa feita, de falar primeiro e começar a pensar logo depois. No dia 15, fiz um vermelho-e-azul com um texto que ele publicou em sua página na Internet: CIRO: NUNCA ANTES NESTEPAIZ UM POLÍTICO DEU TANTO TIRO NO PRÓPRIO PÉ. Ele já atacava o PT ali. Eu não endosso todo e qualquer ataque ao partido, é evidente. Assim, digo com clareza: trato Ciro como sempre tratei.

Mas e alguns coleguinhas, hein?

Ciro cansou de conceder entrevistas prevendo, por exemplo, a desistência do tucano José Serra. Suas idas a Minas, investindo no suposto racha no PSDB, eram acompanhadas com muito interesse pela imprensa. E lá vinham os petardos contra os tucanos de São Paulo, sempre com impressionante agressividade. E ninguém o chamava de destrambelhado, doidivanas, maluco, ressentido, boquirroto etc. Curiosamente, ele passou a ser tudo isso quando, por um breve instante, voltou a sua artilharia contra Dilma Rousseff.

E então volto àquela questão dos valores. Nem foi preciso que os petistas batessem em Ciro Gomes. É como se o PT tivesse terceirizado a tarefa. Os “analistas” passaram a fazer isso em lugar do partido. Lembra o tempo em que diziam que ele não passava de um “Collor com um discurso mais arrumado”, pecha que sumiu dos textos nestes sete anos de fidelidade absoluta a Lula. O ex-governador do Ceará quase se torna, na imprensa petizada, uma figura respeitável… Quase! Sua revolta de agora dilapidou seu cacife “progressista”.

Isso é coisa bem mais séria do que parece, caros leitores! Tal prática confere ao PT um poder formidável, razão por que muitos políticos o temem e se tornam seus servos “quase” voluntários. Os petistas têm um enorme poder para dizer quem é e quem não é respeitável. Para recorrer a uma imagem que já empreguei aqui algumas vezes, é como se administrassem uma lavanderia para limpar reputações e uma máquina para sujá-las. E os grandes operadores de uma coisa e de outra são, sim, infelizmente, os jornalistas da chamada “grande imprensa”.

Quer dizer que os ataques todos que ele fazia a Serra eram legítimos, prática aceitável da política, mas os que faz a Dilma demonstram seu temperamento estouvado? Eu sei o que escrevi: sempre disse que ele estava sendo enganado, fazendo a aposta errada e ignorando a natureza do PT. Logo, é, em boa parte, responsável por tudo o que se deu. Mas isso não torna admirável o comportamento de Lula com um aliado. O que tenho lido sobre Ciro poderia ser resumido assim: “Quem mandou ser bobo? Lula está na dele!”

Rede petralha
Interessante também é analisar a reação da rede petralha. Até outro dia, Ciro era o seu queridinho, aquele que dizia todas as verdades, o destemido, quase um herói. Sonhavam com o deputado disparando impiedosamente contra Serra em São Paulo, fazendo o “serviço” em lugar do PT. Agora, ele não passa de um coronelzinho ordinário, um sem-noção, que rejeitou a generosa oferta que Lula lhe fez: disputar o governo de São Paulo.

Que os petralhas estejam nessa, é compreensível. Que o jornalismo aceite a condição de crítico terceirizado do PT, aí já é um pouco demais.

Por Reinaldo Azevedo

 

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