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Carlinhos Cachoeira

21/03/2013

às 19:07

Justiça determina perda de bens da quadrilha de Cachoeira

Por Jean-Philip Struck, na VEJA.com:

A Justiça Federal de Goiás determinou a perda de mais de 100 milhões de reais em bens do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e integrantes de sua quadrilha investigados na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. A lista de bens inclui terrenos, apartamentos, carros e até um avião, a maioria em nome de laranjas. Segundo o Ministério Público Federal de Goiás, responsável pela avaliação dos bens, os valores serão repassados à União para cobrir prejuízos causados pela quadrilha e compensar os custos da operação policial. A Procuradoria também sustenta que esses bens foram adquiridos por meio de práticas criminosas. Cabe recurso à defesa.

A decisão é um complemento a uma sentença de dezembro, que condenou Cachoeira a 39 anos e oito meses de prisão por crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha e peculato. Na ocasião, outros membros da quadrilha foram condenados a penas de prisão. O pedido de inclusão de bens havia sido feito pelo Ministério Público Federal de Góias, o autor da ação contra Cachoeira e sua quadrilha. Cachoeira recorre da sentença em liberdade.

Bens
Os bens já estavam bloqueados desde o ano passado. Na relação divulgada pela Procuradoria, Cachoeira aparece como proprietário de apenas um terreno em Goiânia, avaliado em 1,5 milhão de reais. Ao todo, sete pessoas aparecem na relação de perda de bens. Entre elas estão José Olímpio de Queiroga Neto, apontado  como responsável pelo controle dos jogos ilegais no entorno do Distrito Federal. De acordo com a sentença, ele deve perder cinco apartamentos no Distrito Federal (avaliados em 2,3 milhões de reais), um prédio comercial (avaliado em 8 milhões de reais), duas fazendas em Goiás (avaliadas em 450 000 reais)  e um posto de lavagem e lubrificação.

Já Lenine Araújo de Souza, primo de Cachoeira e apontado como o contador da quadrilha, deve entregar dois carros, dois imóveis e três terrenos em Goiás. O sargento da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá, apontado como o araponga do grupo, foi condenado a perder dois carros e um apartamento em Brasília (avaliado em 600 000 reais). O juiz também fixou multa de 156 000 em favor da União para cobrir os gastos da Operação Monte Carlo – como diárias, locomoção, alimentação de agentes, etc. 

Na sentença de dezembro, José Olímpio Queiroga foi condenado a 23 anos e quatro meses de prisão; Lenine Araújo foi sentenciado a 24 anos e quatro meses de prisão; e Idalberto Araújo, a dezenove anos e três meses de prisão.

Defesa
Procurada, a defesa de Carlinhos Cachoeira disse que ainda não foi notificada da decisão e que ainda não teve acesso ao seu teor. O advogado do bicheiro, Nabor Bulhões, disse que se a sentença for mesmo pela perda de bens, ele deve recorrer da decisão ao Tribunal Regional Federal.  “Não foi produzida nenhuma prova de que os bens tenham sido obtidos como produto do crime”, disse Bulhões. Ainda de acordo com o advogado, Cachoeira está concentrado em recorrer da pena de 39 de prisão. “Ele está totalmente voltado para a defesa dele e para sua família”, disse Bulhões.

Por Reinaldo Azevedo

08/01/2013

às 14:48

“E ocê, que tá andano de bicicreta?!”

Há uma piada caipira que tem lá a sua graça se você é, como sou, um caipira de fato. Também os linguistas poderão se divertir com ela; quem sabe até renda um pequeno tratado “jackobsoniano” (refiro-me a Roman Jakobson) sobre a função fática da linguagem. É assim.

O Zé resolveu dar um passeio de bicicleta. Ao passar pela margem do rio, viu que seu amigo Chico estava pescando. Naquela linguagem muito característica do caipirismo, que inventou o gerúndio em “ano”, “eno” e “ino”, exclamou:
— Aí, hein, Chico! Pescano…
O outro responde:
— E ocê, que tá andano de bicicreta?!

A piada acabou. É só isso. Tá bom, leitor, você nem é caipira nem está disposto a evoluções “jackobsonianas”… Não tem importância. Há piadas mais explícitas em curso no país, mais arreganhadas.

A imprensa brasileira dá grande visibilidade à lua de mel de Carlinhos Cachoeira, vivida, como direi?, em “grande estilo” — no possível ao menos. Faz sentido. O homem foi condenado a quase 40 anos de prisão. Está em liberdade de acordo com a lei. Pode viajar pelo território nacional desde que comunique seus passos à Justiça, o que ele fez, segundo seus advogados. Dada a exposição pública, deve ser verdade.

Cachoeira é condenado em primeira instância. Dado o que se sabe, é provável que a sentença seja confirmada nas demais. Com a turma do mensalão, a coisa é bem diferente: é condenação em última instância. Na maioria dos casos, cabem, no máximo, embargos de declaração, que vão apenas esclarecer eventuais dúvidas, sem qualquer chance de alterar as penas. E os embargos infringentes? O STF ainda terá de decidir se são cabíveis ou não — e em poquíssimos casos.

Há uma certa e compreensível indignação quando se vê Cachoeira como turista. A maioria dos brasileiros está com o saco cheio da impunidade. E é evidente que chegou a hora de discutir algumas leis que temos. Com frequência, o “garantismo” brasileiro mais protege o criminoso contra a ação punitiva do estado do que o homem de bem contra a ação nefasta do criminoso. Essa não é mera impressão, dessas que a gente debate com o motorista de táxi. É fato.

Assim, junto-me àqueles que ficam um tanto indignados quando veem Cachoeira pra cima e pra baixo, embora a lei lhe garanta tal direito. Como garante que os mensaleiros condenados à prisão, por enquanto, fiquem soltos, podendo igualmente circular por aí, desde que em território nacional.

“E aquela porcaria daquela piada, Reinaldo Azevedo?”. Assim:

— Aí, Cachoeira, se divertino, hein…?
— E o Genoino, que virou deputado federal!?

Pois é… Qualquer que seja a decisão da Justiça, o criminoso Cachoeira terá de se submeter às leis. Já o criminoso Genoino  poderá FAZER leis.

Por Reinaldo Azevedo

11/12/2012

às 23:05

Carlinhos Cachoeira: “Sou o Garganta Profunda do PT”

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O contraventor Carlinhos Cachoeira deu a entender nesta terça-feira, ao deixar a prisão, que pretende fazer revelações que podem comprometer o PT. “Sou o Garganta Profunda do PT”, disse o bicheiro ao ser libertado do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde estava preso desde sábado. 

De acordo com o jornal O Popular, Cachoeira prometeu revelar, nesta quarta, tudo o que sabe. Não é a primeira vez que ele faz a ameaça. Até agora, no entanto, o contraventor nada disse. Procurado pela reportagem do site de VEJA, Nabor Bulhões, advogado de Cachoeira, negou que o cliente esteja disposto a fazer revelações e atribuiu a declaração do bicheiro à “emoção do momento”. Carlinhos Cachoeira foi libertado depois de ter um habeas corpus concedido pelo desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, na tarde desta terça.

Garganta profunda
O termo utilizado por Cachoeira para insinuar que tem informações desabonadoras sobre o PT remete a um dos maiores escândalos políticos dos Estados Unidos. Garganta Profunda era o codinome usado por uma fonte que ajudou os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal Washington Post, a revelar o escândalo Watergate nos anos 1970, um esquema de operações ilegais de espionagem contra adversários políticos do então presidente Richard Nixon. A série de reportagens alimentada pelas informações dele levou à renúncia de Nixon. A verdadeira identidade do Garganta Profunda permaneceu em segredo até 2005, quando um ex-vice-diretor do FBI, William Mark Felt, admitiu ter sido a fonte de Woodward e Bernstein.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2012

às 5:41

Carlinhos Cachoeira é condenado e preso novamente

Por Jean-Philip Struck, na VEJA.com:
Duas semanas depois de ser libertado, o bicheiro Carlinhos Cachoeira foi preso novamente na tarde desta sexta-feira em Goiânia (GO). A prisão ocorre após a Justiça Federal de Goiás ter condenado também nesta sexta o contraventor a 39 anos e oito meses de prisão. O mandado de prisão foi expedido pelo juiz Alderico Rocha Santos, da 5ª Vara Federal. Cachoeira foi levado para a sede da sede da superintendência da Polícia Federal na capital goiana. De acordo com a sentença expedida pela Justiça, o bicheiro foi condenado pelos crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha e peculato.

O Ministério Público Federal havia pedido 80 anos de prisão para Cachoeira. Além do bicheiro, outros sete réus investigados na operação Monte Carlo foram condenados. Lenine Araújo de Souza, primo de Cachoeira e apontando pela PF como sendo o braço-direito do bicheiro, foi sentenciado a 24 anos e quatro meses de prisão.

O araponga Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, foi condenado a 19 anos e três meses. Já o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia Wladmir Garcez, apontado pela PF como o braço político de Cachoeira foi condenado a sete anos. José Olímpio Queiroga Neto, apontado pela procuradoria como o responsável pelo controle dos jogos ilegais no entorno do Distrito Federal, foi condenado 23 anos e quatro meses de prisão. Seu irmão, Raimundo, recebeu sentença de 12 anos e oito meses. O auxiliar Gleyb Ferreira da Cruz foi condenado a 7 anos e 8 meses. Já o contador Geovane Pereira da Silva, que atualmente está foragido, recebeu pena 13 anos e quatro meses. Todos os réus podem recorrer da sentença. 

Soltura
Cachoeira havia sido solto no dia 21 de novembro, após passar 265 dias encarcerado. O bicheiro foi o principal alvo da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que desmontou uma quadrilha que explorava jogos ilegais. O caso também desencadeou a abertura de uma CPI no Congresso

Na ocasião, o alvará de libertação foi expedido após a juíza Ana Claudia Barreto, da 5ª Vara Criminal do Distrito Federal,  ter confirmado a condenação de Cachoeira a cinco anos de reclusão em regime semiaberto pelos crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência. A sentença se refere às atividades do contraventor em esquemas criminosos no Distrito Federal, investigados pela Operação Saint Michel, da Polícia Civil do DF. Segundo a polícia, o bando de Cachoeira tentou fraudar o sistema de bilhetagem eletrônica do transporte público na capital federal, tentando infiltrar uma empresa sul-coreana na empresa pública de transporte do Distrito Federal e, com isso, obter 50% dos lucros do contrato de bilhetagem. 

Monte Carlo
Carlinhos Cachoeira foi o protagonista da Operação Monte Carlo, que revelou que o esquema de contravenção que atuava para corromper empresas e governos estaduais em proveito do esquema criminoso. Os braços da quadrilha envolviam a construtora Delta, empreiteira que detém diversos contratos com o governo federal.

Por Reinaldo Azevedo

26/11/2012

às 5:43

Em bilhete apreendido pela PF, Cachoeira escreve que Dirceu é “consultor da Delta” e pergunta por que petista não está preso

Por Fernando Mello, na Folha:
Em um bilhete apreendido pela Polícia Federal, o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, se compara a José Dirceu e diz que fez o mesmo que o ex-ministro. O papel estava na casa da mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça. Nele, Cachoeira chama Dirceu de “consultor” da empreiteira Delta e questiona por qual motivo o ex-ministro não está preso. O documento foi apreendido em julho, quando, a pedido do Ministério Público Federal, a Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão na casa de Andressa. “Se eu sou um consultor da Delta e estou preso, e o Zé Dirceu que é um consultor da Delta? Qual a diferença entre nós?”, diz o texto.

A PF não investigou nenhuma relação de Dirceu com a Delta. Naquele momento, o ex-ministro ainda não havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal, no processo do mensalão. O papel chamou a atenção de investigadores e pessoas com acesso aos processos envolvendo Cachoeira. Apesar de não haver relevância criminal para servir como prova, o bilhete foi visto como um recado ao PT. O advogado de José Dirceu, Jose Luis de Oliveira, disse que o bilhete é “irrelevante”. O advogado de Carlos Cachoeira, Nabor Bulhões, disse não ter conhecimento da existência do papel.

Durante a Operação Monte Carlo, deflagrada em 29 de fevereiro, a PF investigou as relações entre Cachoeira e a Delta, especialmente no Centro-Oeste. A PF chegou a apontar Cachoeira como sócio oculto da Delta. Laudos da polícia indicaram que verbas da empreiteira abasteceram empresas de fachada ligadas a Cachoeira.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/11/2012

às 18:35

Por que setores da imprensa paulistana viraram porta-vozes de Dirceu, mas tratam Cachoeira como bandido?

Vocês estão certamente acompanhando tudo. A imprensa, especialmente setores da paulistana, é agora porta-voz de José Dirceu. Os posts de seu blog têm o conteúdo reproduzido pelos grandes portais. As bobagens que ele diz a seus “interlocutores” — é truque: sempre é o próprio Dirceu falando — transformam-se em sentenças.

Dirceu é tratado como pensador. Fala sobre o Judiciário — claro! —, sobre reforma política, sobre as oposições, sobre o futuro da humanidade… E quem é este pensador? Deixem-me ver: foi cassado por corrupção pelo plenário da Câmara. Foi condenado em última instância por formação de quadrilha e corrupção ativa. Ah, sim: com esse currículo, ele continua “consultor de empresas privadas”. Até outro dia, esgueirava-se em quartos de hotel com autoridades de governo. Tudo consultoria!

E Cachoeira?
O que a imprensa está esperando para fazer o “Diário de Cachoeira”? Tem mais: se José Dirceu, condenado sem mais chance de recurso, não é chamado pelos jornalistas de “corruptor” e “quadrilheiro”, por que o “empresário goiano” é, então, chamado de “bicheiro” e “contraventor”? Ele nem mesmo foi definitivamente condenado por esse crime…

Aliás, Cachoeira tem uma condenação em primeira instância, contra a qual cabe recurso. Por enquanto, a sua situação jurídica é um pouco melhor do que a de Dirceu. Por tudo o que se ouviu, praticou um monte de crimes — mas não se o acuse, ao menos, de ter fraudado o regime democrático, não é mesmo? Quanto a Dirceu, não custa lembrar a manifestação de diversos ministros do Supremo: o mensalão foi uma tentativa de golpe nas instituições.

Os idiotas não perceberão que faço uma ironia, claro! Idiotas comem a ironia junto com o capim sem notar nada de estranho.

Cachoeira poderia fazer um blog, como Dirceu. Dinheiro para contratar mão de obra não lhe falta. A exemplo do companheiro, opinaria sobre fatos da vida nacional. Pode até temperar um texto ou outro com alguma ameaça velada, o que sempre excita alguns jornalistas. Por uma questão de isonomia — e, ainda assim, imperfeita —, acredito que também ele ganhará várias notícias. A isonomia é imperfeita considerando as possibilidades de recurso…

Se um condenado em última instância por formação de quadrilha e corrupção ativa merece o status de pensador, por que um condenado em primeira instância tem de ser tratado como bandido?

Com a palavra, esses setores do jornalismo paulistano a que me refiro.

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2012

às 1:01

Justiça manda soltar Carlinhos Cachoeira

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O  bicheiro Carlinhos Cachoeira foi libertado à 0h03 desta quarta-feira, depois de passar quase nove meses preso. O contraventor deixou o presídio da Papuda, em Brasília, sem falar com a imprensa, no banco do passageiro de um carro dirigido por seu advogado, Antonio Nabor Bulhões. A juíza Ana Claudia Barreto, da 5ª Vara Criminal do Distrito Federal, determinou na noite de terça-feira a libertação do contraventor, cujas atividades motivaram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional. O alvará de soltura foi expedido às 19h01.

A expedição do alvará ocorreu após a juíza do Tribunal de Justiça do Distrito Federal ter confirmado a condenação do bicheiro a cinco anos de reclusão pelos crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência em regime semiaberto. A sentença se refere às atividades do contraventor em esquemas criminosos no Distrito Federal, investigados pela Operação Saint Michel, desencadeada pela Polícia Civil do DF. Bulhões disse que a defesa pretende recorrer da sentença. “Estamos convictos de que ele não praticou nenhum dos crimes pelos quais foi condenado”, afirmou. “Agora, ele tem o direito de recorrer em liberdade”

A mulher do contraventor, Andressa Mendonça, chegou ao presídio às 22h35 para acompanhar o processo de soltura. “Daqui vamos direto para Goiânia”, disse, antes de entrar na penitenciária.

Para os policiais, o bando de Cachoeira tentou fraudar o sistema de bilhetagem eletrônica do transporte público na capital federal, tentando infiltrar uma empresa sul-coreana na empresa pública de transporte do Distrito Federal e, com isso, obter 50% dos lucros do contrato de bilhetagem.

Paralelamente à decisão de soltar Cachoeira, determinada nesta terça-feira, a defesa do bicheiro já havia impetrado um novo pedido de habeas corpus para garantir sua liberdade. No entanto, um pedido de vista interrompeu a conclusão do caso. Com a autorização de liberdade decretada hoje, na retomada do outro julgamento, a solicitação deve ser declarada prejudicada.

De acordo com o criminalista Antonio Nabor Bulhões, que atua na defesa do contraventor, com a confirmação do alvará, a 5ª Vara encaminhará a decisão judicial ao presídio que, por lei, vai verificar a veracidade do documento. Em seguida, antes da libertação do condenado, é realizado um exame médico para atestar as condições físicas do detento.

Monte Carlo
Carlinhos Cachoeira foi o protagonista da Operação Monte Carlo, que revelou que o esquema de contravenção que atuava para corromper empresas e governos estaduais em proveito do esquema criminoso. Os braços da quadrilha envolviam a construtora Delta, uma das maiores empreiteiras com maior contrato junto ao governo federal.

No périplo judicial do bicheiro goiano, sua principal batalha era tentar anular os grampos telefônicos que desvendaram a relação próxima de governos estaduais, como o de Goiás, e de empresas laranjas no esquema criminoso relevado por escutas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal. Se consideradas ilegais as interceptações, feitas com autorização da Justiça, os réus presos seriam libertados por falta de base para acusação. O Tribunal Regional Federal da 1º Região, em Brasília, considerou todos os grampos dentro da lei.

 A partir da denúncia anônima de um esquema ilegal de exploração de jogos, o Juiz de Direito da 1ª Vara de Valparaíso de Goiás havia autorizado a quebra dos sigilos telefônicos de Carlinhos Cachoeira e de seus comparsas, garantindo a investigação.

Por Reinaldo Azevedo

31/08/2012

às 22:39

Tourinho Neto concede liminar e suspende processo contra Cachoeira

Por Adriana Mendes, no Globo Online:
O desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, concedeu liminar ao bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que suspende o processo da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. O desembargador também concedeu habeas corpus nesta semana para que a atual mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, visite o contraventor.

Segundo a assessoria do tribunal, o processo ficará parado até que as companhias telefônicas, responsáveis por linhas que foram grampeadas pela PF, forneçam extratos telefônicos e a identificação de quando e quais os dados foram acessados a partir da senha fornecida aos policiais. A decisão é do dia 24. Ainda segundo a assessoria, Tourinho Neto já havia determinado diligências que não foram cumpridas.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2012

às 16:09

Algemado, Cachoeira chega a tribunal de Brasília

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
O contraventor Carlinhos Cachoeira chegou por volta de 14h20 ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal, onde prestará depoimento nesta quarta-feira. Ele estava algemado e foi escoltado todo o tempo por policiais federais. Outros sete réus, integrantes da quadrilha de Cachoeira, têm depoimento agendado para esta quarta. Eles são acusados de tentar fraudar a licitação para a bilhetagem eletrônica do serviço de transporte público em Brasília. Cláudio Abreu, ex-diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, integra a lista de acusados.

A juíza do caso determinou que a imprensa não terá acesso à sala de depoimento. Segundo a assessoria do tribunal, o primeiro a falar na sessão é o secretário de Transportes do Distrito Federal, José Walter. Ele será ouvido na condição de testemunha.

Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro, durante a Operação Monte Carlo, da PF, que desmontou a máfia que explorava os caça-níqueis em Goiás. O processo que envolve a bilhetagem eletrônica do DF é resultado de outra operação, a Saint Michel, deflagrada em abril pela Polícia Civil de Brasília

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2012

às 19:03

Questões de princípio e voz de prisão

Os veículos de imprensa, como as pessoas, têm biografia.

VEJA não faz dossiês.
VEJA não publica dossiês.

Uma recomendação
O que vou dizer agora vale para qualquer um, autoridades em especial: se alguém fizer ameaças envolvendo o nome da VEJA, chamem a polícia.

Noto, a propósito, que tudo tendo acontecido conforme relata o juiz Alderico Rocha Santos, não entendi por que ele não deu imediatamente voz de prisão a Andressa. Se tudo se deu como ele relata, estamos diante de um caso flagrante de “coação no curso do processo”, conforme o previsto no Artigo 344 do Código Penal, a saber:

“Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.”

O juiz Rocha Santos concedeu uma entrevista ao jornal “O Popular” de Goiânia. Leiam trechos:
Por que o senhor não prendeu Andressa em flagrante?
Porque fiquei na dúvida se a conduta caracterizava crime ou não, tendo em vista que não houve oferta de pagamento.

Andressa não ofereceu dinheiro em nenhum momento?
Em nenhum momento ela me ofereceu dinheiro.

Dado o conteúdo do Artigo 344 do Código Penal, que todo juiz sabe de cor e salteado, não entendi a dúvida do juiz.

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2012

às 16:10

Saída oficial de Bastos do caso Cachoeira não deixa de colaborar com mensaleiros

Os mensaleiros certamente se sentiram um tantinho mais aliviados com a saída, oficial ao menos, de Márcio Thomaz Bastos do caso Cachoeira. Por quê? O ex-ministro da Justiça, petista de quatro costados, é, assim, o Grande Espírito que anima os defensores dos réus, certo?

Oficialmente ao menos, foi ele quem inventou a tese de que tudo é crime eleitoral, como se a destinação do dinheiro — o “depois” — alterasse a natureza dos crimes cometidos para conseguir a grana — o “antes”. E os crimes que importam (e dos quais os réus são acusados) são aqueles cometidos no “antes”, certo?

Imaginem Bastos como o grande espírito da Defesa dos mensaleiros, a fazer a sua sustentação oral no Supremo, à qual se dará grande importância, com a audiência sabendo que advoga também para Cachoeira, hoje a Geni do Brasil. O cérebro humano é, às vezes, simples e objetivo: “Os mensaleiros são tão inocentes quanto Cachoeira…”

Assim, temos um Bastos que, ao abandonar o cliente, vê crescer a sua fama de advogado ético, o que pode colaborar para a causa mais importante: a dos mensaleiros. Nota à margem: a tese do crime eleitoral, na origem, não é de Bastos, não, mas de outro advogado, que também atua no caso. O autor não quer saber de reivindicar a paternidade, o que Bastos faz sem problema.

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2012

às 15:17

Basta, Bastos?

Marcio Thomaz Bastos deixou o caso Cachoeira, informou Lauro Jardim às 8h34 de hoje, na página “Radar”. Por quê? No roteiro oficial, com narrativa linear — em desuso até na novela das 9h —, ficou agastado com o destrambelhamento de Andressa, mulher do contraventor, que teria tentado chantagear um juiz… Ela foi ao magistrado sem seu advogado, e o magistrado a ouviu sem testemunha. Em cinco linhas, há mais jabutis sobre árvores do que em toda a história desse clichê quando se trata de relatar coisas estranhas.

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2012

às 21:00

PF confirma acareação entre juiz e mulher de Cachoeira

Na VEJA Online, com Agência Estado:
O delegado Sandro Paes Sandre, da Polícia Federal, disse nesta segunda-feira que a acareação entre o juiz federal Alderico Rocha Santos e Andressa Mendonça, mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, será na próxima semana. Andressa foi denunciada por tentativa de chantagem pelo juiz da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás.

Segundo a Polícia Federal, Andressa tentava cooptar o magistrado para obter uma decisão judicial favorável ao marido. O contraventor foi preso durante a Operação Monte Carlo, no mês de fevereiro, sob suspeita de chefiar esquema de exploração de jogos eletrônicos ilegais em Goiás. Apesar de ser investigada pelo crime de corrupção ativa, a mulher de Cachoeira foi liberada após prestar depoimento. A Justiça determinou, no entanto, que Andressa terá de pagar uma fiança de 100 000 reais e não poderá manter contato com os investigados na operação Monte Carlo – o que inclui o seu marido.

Um dos policiais que esteve no condomínio de luxo onde mora o casal Cachoeira disse que, ao ser convocada, Andressa engoliu em seco, depois chorou muito. Os policiais federais também apreenderam computadores na casa dela. “Ela está sendo monitorada”, disse o delegado Sandro Sandre. “E também está proibida de acesso e frequência à Justiça Federal, e de entrar em contato com qualquer pessoa envolvida na Operação Monte Carlo”, disse ele. A PF também investiga se Andressa Mendonça recebeu ordem do marido para agir.

“Mensageira”
Os procuradores da República, Léa Batista, Marcelo Ribeiro e Daniel Salgado, do Ministério Público Federal (MPF) em Goiás, classificaram a mulher de Cachoeira como “mensageira do grupo criminoso” comandado por seu marido em Goiás. 
“A ousadia da companheira de Carlinhos Cachoeira, ao chantagear e ofertar vantagem ao juiz federal, somadas às galhofas observadas durante a audiência, mostra o desprezo e a afronta de Carlos Augusto de Almeida Ramos e de pessoas ligadas ao ‘capo’ do grupo criminoso”, disse Daniel Salgado. Durante entrevista coletiva, a procuradora Léa Batista  afirmou que a suposta investigação sobre a vida do juiz demonstrou, na prática, que o grupo de Cachoeira “continua ativo”, mesmo após a sua prisão.

O Ministério Público revelou que Andressa Mendonça está sendo investigada em outros dois inquéritos policiais pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção no caso da fazenda Santo Luzia, adquirida em Luziânia, no entorno do Distrito Federal, para lavar o dinheiro do grupo de Cachoeira. De acordo com o MPF em Goiás, se for também condenada por corrupção ativa, Andressa Mendonça pegará uma pena de 22 anos de prisão.

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2012

às 20:32

Kátia Abreu reage a suposta acusação de Andressa: “Cachoeira está bravo comigo porque o chamei de chefe de quadrilha?”

Na conversa indevida com o juiz Alderico Rocha Santos, Andressa, a mulher de Carlinhos Cachoeira, também teria se referido à senadora Kátia Abreu (PSD-TO). O bicheiro estaria muito bravo com a parlamentar por conta de sua atuação na CPMI e sugerido que seus caminhos se cruzaram em algum momento e que Kátia teria o que temer. Falei há pouco com a senadora. Leiam o que ela disse ao blog:

“Ah, ele está bravo comigo, é? Teria sido porque eu o chamei de chefe de quadrilha naquela sessão da CPMI em que ele decidiu fazer cara de paisagem, tratando-nos a todos como idiotas? Nasci, cresci, me casei, tive meus filhos e fui empresária rural antes da divisão do estado de Goiás. Hoje, sou do Tocantins. Nunca me encontrei ou tive qualquer relação com este senhor porque, quando ouvi falar dele pela primeira vez, seu nome já estava associado à contravenção. Ele tem coisa contra mim, é? Que mostre as provas então. Tem nada! Esse tipo de ameaça não me intimida, não! Ele está se aproveitando do fato de que, hoje em dia, basta um contraventor, um bicheiro, um fora da lei qualquer dizer que tem relação com esse ou com aquele políticos, e a coisa vira notícia na Internet ao menos. Comigo, não! Não vem que não tem! Sei lá se ele conhece pessoas que eu também conheço. É possível que sim. Aliás, eu conheço gente que conhece o papa, o Obama, o Mick Jagger e aquele menino lá do Crepúsculo, tadinho… Mas, infelizmente, ainda não conheço nenhum deles. Quem sabe um dia… Ele que não tente me meter na sua pantomima!”

PS – “Aquele menino lá do Crepúsculo, tadinho” — a que se refere a senadora — é Robert Pattinson, que foi traído pela namorada, Kristen Stewart, com alguém mais feio, mais velho e mais pobre do que ele. Acontece… Às vezes, as belas preferem as feras, né? Devem ter os seus motivos.

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2012

às 15:08

Mulher de Cachoeira é suspeita de tentar subornar juiz

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, foi levada à Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira para prestar depoimento sobre uma suposta tentativa de corromper o juiz Alderico Rocha Santos, responsável pelo caso Cachoeira. De acordo com a PF, Andressa foi “conduzida coercitivamente” para a sede da corporação em Goiânia. A Justiça determinou que Andressa terá de pagar uma fiança de 100 000 reais e não poderá manter contato com os investigados na operação Monte Carlo – o que inclui o seu marido.

Segundo Polícia Federal, Andressa tentava cooptar o magistrado para obter uma decisão judicial favorável ao marido. Os policiais federais também apreenderam computadores na casa dela. Apesar de ser investigada pelo crime de corrupção ativa, a mulher de Cachoeira foi liberada após prestar depoimento. Ela chegou ao local por volta de 9h e saiu da PF às 12h20.

Cachoeira, que controlava a máfia dos caça-níqueis em Goiás, corrompia autoridades e atuava como lobista da construtora Delta, está preso desde 29 de fevereiro e tem fracassado em sucessivas tentativas de obter um habeas corpus na Justiça. O primeiro juiz responsável pelo caso, Paulo Augusto Moreira Lima, deixou as investigações após ser ameaçado. O irmão da ex-mulher de Cachoeira, Adriano Aprígio, foi detido no início de julho por intimidar a procuradora Lea Batista de Oliveira.

Andressa Mendonça foi convocada a depor na CPI do Cachoeira. Ela deve falar aos parlamentares em 7 de agosto, no primeiro encontro da Comissão Parlamentar de Inquérito após o recesso do meio do ano.

Por Reinaldo Azevedo

23/07/2012

às 22:52

STJ decide manter prisão de Carlinhos Cachoeira

Na VEJA Online:
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ari Pargendler, negou nesta segunda-feira pedido da defesa de Carlinhos Cachoeira para que o bicheiro fosse solto. Os advogados tentaram suspender liminar do ministro Gilson Dipp que o mantém preso. O argumento é que o julgamento de recurso já apresentado pela defesa do contraventor, iniciado pela Terceira Seção, foi interrompido por pedido de vista e, na melhor das hipóteses, só será retomado em 8 de agosto, após o recesso do Judiciário. Sendo assim, diz o pedido, os “graves efeitos” da liminar perdurariam por prazo excessivo. 

Ao negar o pedido, Pargendler argumentou que o juiz de plantão não pode revisar decisão do juiz natural, que relatou e decidiu durante o período normal de atividades do tribunal.

Cachoeira, chegou nesta segunda-feira a Goiânia e foi levado para a Superintendência da Polícia Federal. A segurança no local foi reforçada com policiais federais e agentes do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). A Justiça Federal de Goiás marcou para esta terça as audiências de instrução para o julgamento de Cachoeira e de outros sete membros da organização criminosa comandada pelo bicheiro.

O processo é resultado da operação Monte Carlo, em que 81 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). Em 31 de maio, uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região suspendeu os depoimentos. Nesta terça, dez testemunhas de defesa e outras quatro de acusação serão ouvidas. Na quarta-feira será a vez dos réus. Um deles – Geovani Pereira da Silva – está foragido.

A namorada de Cachoeira, Andressa Mendonça, esteve na sede da PF e entregou um bilhete “de amor” ao bicheiro. Ela voltou a dizer que ele está deprimido. Durante a tarde, Cachoeira passou por exames psicológicos a pedido do juiz da 11ª Vara Federal, Alderico Santos. A consulta foi realizada por um perito da PF e acompanhada por Antônio Frota, psiquiatra do contraventor. O magistrado também autorizou que Carlinhos Cachoeira conversasse com seus advogados, reservadamente, por quatro horas.

Na última semana, a defesa de Cachoeira tentou suspender as audiências, alegando que nem todas as diligências, especialmente aquelas direcionadas às empresas de telefonia, foram cumpridas. No entanto, o Alderico Santos indeferiu o pedido e manteve as audiências. Advogado de Cachoeira, Augusto Botelho, afirmou que a defesa não irá recorrer da decisão e que as audiências devem ocorrer.

Convocado pela CPI que investiga suas relações com políticos, Cachoeira afirmou que estava disposto a contar o que sabia após o depoimento em juízo marcado para a quarta-feira. Alderico Santos é o juiz que vai conduzir as audiências. Ele foi designado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região depois que Paulo Augusto Moreira Lima, responsável pela abertura do processo de investigação, abandonou a causa diante de ameaças de morte.

Por Reinaldo Azevedo

21/06/2012

às 20:12

Justiça do DF rejeita libertação de Cachoeira

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal negou nesta quinta-feira a concessão de um habeas corpus ao contraventor Carlinhos Cachoeira, chefe da máfia dos caça-níqueis em Goiás. A decisão é da 2ª Turma Criminal, que manteve, por unanimidade, o mandado de prisão emitido contra Cachoeira durante a operação Saint Michel, deflagrada em abril pelo Ministério Público do Distrito Federal. Com a determinação, Carlinhos Cachoeira segue detido no presídio da Papuda, em Brasília.

O juiz José Carlos Souza e Ávila, relator do caso, votou contra a concessão do benefício. “A possibilidade de destruição e de desaparecimento de provas se mostra possível com a libertação do paciente”, afirmou. Ele listou fatos concretos que mostravam a articulação de Cachoeira para favorecer a infiltração da empresa Delta no governo do Distrito Federal, e citou o “risco de reiteração delituosa”. O juiz Roberval Belinati acompanhou a argumentação de Ávila: “Em liberdade, ele poderá voltar a delinquir, colocando em risco a ordem pública”.

O outro mandado de prisão do contraventor foi revogado na semana passada pelo Tribunal Regional Federal. O episódio foi usado como argumento pela defesa de Cachoeira nesta quinta: “A suposta quadrilha a qual se refere o representante do Ministério Público seria, sim, a mesma quadrilha já objeto de outra denúncia – aquela, agora tão conhecida, em trâmite perante a Justiça Federal de Goiânia”, argumentou a advogada Dora Cavalcanti.

O procurador Rogério Schietti pediu a manutenção da prisão do contraventor: “Os perpretadores deste crime são pessoas infiltradas no meio social e político, e portanto contam com uma maior tolerância na hora de o estado agir com seu braço armado e seu braço jurídico”. O representante do Ministério Público argumentou que dois motivos justificariam a permanência de Cachoeira na cadeia: a garantia da ordem pública e a preservação das investigações.

Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro, durante a operação Monte Carlo, comandada pelo Ministério Público Federal. A operação Saint Michel, um desdobramento da primeira, resultou em novos mandados de prisão para os integrantes da quadrilha.

Defesa
A advogada Dora Cavalcanti criticou a decisão e afirmou que vai pedir um novo habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ): “Ao nosso ver, essa decisão foi lamentavelmente injusta porque abordou todos os aspectos já superados na outra causa, da operação Monte Carlo”, afirmou. O advogado Márcio Thomaz Bastos, que comanda a defesa de Cachoeira, esteve presente no julgamento mas não usou a palavra durante a sustenação oral e evitou a imprensa.

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2012

às 16:15

CNJ ouvirá juiz que pediu afastamento do caso Cachoeira; indicado para substituí-lo deve se declarar impedido

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
A corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, informou nesta terça-feira que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai ouvir o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, que pediu afastamento da Operação Monte Carlo depois de receber ameaças. De acordo com a magistrada, também serão colhidos os depoimentos do corregedor-geral do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Carlos Olavo, que recebeu o ofício com o pedido de afastamento, além do juiz Leão Aparecido Alves, indicado para suceder Moreira Lima à frente das investigações.

“A primeira preocupação é manter a segurança da magistratura. O juiz tem de se sentir seguro para bem decidir”, disse Calmon.

“A ameaça é de gravidade incomum, de gravidade qualificada”, afirmou o ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal. “Não se pode ameaçar do ponto de vista da integridade física nem moral nem psicológica nenhum julgador, muito menos o julgador e a família”.

Moreira Lima encaminhou ofício ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região no último dia 13 alegando não ter mais condições de permanecer no caso que investiga um esquema de contravenção coordenado por Carlinhos Cachoeira e utilizado para cooptar autoridades públicas e representantes de governo. O magistrado pediu para ser retirado do caso depois que sua família recebeu “ameaças veladas” de policiais.

“Minha família, em sua própria residência, foi procurada por policiais que gostariam de conversar a respeito do processo atinente à Operação Monte Carlo, em nítida ameaça velada”, explicou Moreira Lima no ofício enviado ao TRF 1ª Região.

“Ele desistiu de dar seguimento à sua atitude de investigação porque estava se sentindo pressionado”, contou a ministra Eliana Calmon. “Não podemos ter juízes covardes, mas não podemos ter juízes ameaçados. Não podemos aceitar que ameaças veladas, ameaças físicas ou morais possam impedir que a nossa magistratura bem desempenhe suas funções”.

No início das investigações da Operação Monte Carlo, Moreira Leite já havia procurado o CNJ para relatar que a apuração à época dava conta de um grande esquema de corrupção e contravenção em Goiás. “Ele estava preocupadíssimo porque eram investigações que evoluíram e estavam chegando a graves consequências, com envolvimento de muita gente, de políticos”, explicou a corregedora-nacional de Justiça.

Impedimento
Os grampos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, captaram uma conversa feita do aparelho telefônico do juiz federal Leão Aparecido Alves para integrantes da quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira. O próprio magistrado, indicado para assumir as investigações da Monte Carlo, confirmou o episódio a outros juízes, mas disse que o telefone estava cedido para sua mulher.

“Houve na interceptação um telefonema de um aparelho telefônico dele para alguém ligado à quadrilha de Cachoeira”, relatou a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon. “Se há algum envolvimento, se a interceptação indica que uma pessoa tão íntima, como a esposa, tem ligação com alguém, é óbvio que não é possível a continuação dele à frente das investigações”.

Alves será ouvido por Eliana Calmon, mas a tendência é que ele não seja mantido à frente das investigações que envolvem o esquema de Cachoeira. Alves admite se declarar impedido de atuar no caso por ser amigo da família de José Olímpio Queiroga Neto, um dos principais auxiliares do bicheiro no esquema criminoso.

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2012

às 15:21

Justiça mantém validade da operação Monte Carlo

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
O Tribunal Regional Federal (TRF) confirmou nesta segunda-feira a legalidade das provas da operação Monte Carlo, que prendeu o contraventor Carlinhos Cachoeira. A 3ª Turma do TRF impôs uma derrota ao desembargador Tourinho Neto, que havia votado pela nulidade das provas. Os outros dois magistrados que participaram do julgamento argumentaram que as interceptações telefônicas da investigação se iniciaram após uma apuração preliminar – e não apenas com base em denúncias anônimas, como argumentava o relator.

O julgamento durou menos de 30 minutos. A defesa de Cachoeira alegava que os grampos telefônicos foram feitos logo no início da investigação, após denúncia anônima, sem que o Ministério Público Federal tivesse aplicado outros métodos de apuração. Mas a interpretação não prevaleceu. “Não vislumbro, até aqui, nulidade nas interceptações, o que não significa que mais adiante não se possa declarar possível ilegalidade dessas escutas”, afirmou o desembargador Cândido Ribeiro.

O magistrado lembrou o fato de que havia policiais civis, militares e federais envolvidos na quadrilha de Cachoeira, o que tornava necessária a gravação de conversas telefônicas para garantir a qualidade das investigações: “O início dessa investigação por meio de interceptações telefônicas justifica-se, ao meu ver, devido à excepcionalidade da investigação”, afirmou o magistrado.

O juiz Marcos Augusto de Souza acompanhou o voto do colega, o que garantiu o placar de 2 a 1 a favor da manutenção de todas as provas obtidas durante a operação Monte Carlo. “Houve, minimamente, uma apuração por meio de diligências que poderiam constituir uma investigação preliminar, antes que fosse decretada a necessidade de uma interceptação telefônica”, afirmou Souza.

Se o voto do desembargador Tourinho Neto fosse acompanhado pelos colegas, Carlinhos Cachoeira seria libertado e a maior parte das provas da investigação seriam descartadas – o que também teria impacto sobre os trabalhos da CPI do Cachoeira. Além de ter votado pela nulidade das provas, o desembargador Tourinho Neto também concedeu um habeas corpus ao contraventor na última sexta.Carlinhos Cachoeira só não foi solto porque a Justiça do Distrito Federal manteve um pedido de prisão contra ele.

Após o julgamento, a advogada Dora Cavalcanti, que representa Cachoeira, anunciou que vai recorrer da decisão. O mais provável é que o recurso seja apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2012

às 18:53

Mesmo com habeas corpus, Cachoeira continurá preso por ordem da Justiça do DF

Por Laryssa Borges e Gabriel Castro, na VEJA Online:
O desembargador federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, concedeu nesta sexta-feira um habeas corpus ao contraventor Carlinhos Cachoeira. A informação foi confirmada pela advogada Dora Cavalcanti, que integra a banca de defesa do bicheiro. Mas a decisão não significa que o chefe da quadrilha dos caça-níqueis em Goiás ganhará liberdade: como também existe um mandado de prisão contra ele expedido pela Justiça do Distrito Federal, ele permanece detido — será apenas transferido.

O contraventor está detido na ala federal do presídio da Papuda, em Brasília. Agora, deve ser removido a uma detenção sob responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal. Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro, durante a operação Monte Carlo — deflagrada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Cerca de um mês depois, o Ministério Público do Distrito Federal realizou a operação Saint Michel, que também tinha como alvo o grupo do contraventor. Por causa disso, Cachoeira seguirá preso.

De acordo com a advogada do contraventor, a decisão desta sexta-feira é resultado de um pedido de extensão da liberdade concedida nesta semana a José Olímpio de Queiroga Neto, sócio de Cachoeira na exploração de caça-níqueis em Goiás e no entorno do Distrito Federal.

Por Reinaldo Azevedo
 

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