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Antonio Palocci

17/10/2011

às 4:49

Comissão de Ética Pública omitiu investigação sobre Palocci

Por Márcio Falcão e Andreza Matais, na Folha:
A Comissão de Ética Pública da Presidência da República escondeu decisão de abrir investigação contra o ex-ministro Antonio Palocci. Dois procedimentos foram instaurados na véspera da queda do petista, em junho, e propositadamente não houve qualquer divulgação à imprensa, o que contrariou tradição do colegiado e decisão da maioria. É o que revelam duas atas da comissão nos dias 6 de junho e 1° de julho. Palocci chefiou a Casa Civil e era o ministro mais influente do governo. Deixou o cargo após a Folha revelar que seu patrimônio aumentou 20 vezes em quatro anos e sua empresa de consultoria faturou R$ 20 milhões no ano eleitoral de 2010, fatos que não conseguiu justificar publicamente.  O presidente em exercício do colegiado à época, Roberto Caldas, foi quem decidiu que não comunicaria à imprensa a respeito da abertura do procedimento preliminar contra Palocci.

Cobrado em reunião seguinte sobre por que não comunicou o fato aos jornalistas, apesar de, numa votação informal, a maioria dos conselheiros ter se posicionado a favor da divulgação, Caldas alegou que considerava “ilícito fazê-lo” porque na sua avaliação as investigações têm caráter “reservado”. Na reunião, em 1° de julho, ele reconheceu ser “uma tradição” da comissão divulgar a instauração dos casos envolvendo ministros, mas justificou sua decisão alegando que “a expressão é uma liberdade fundamental, não uma obrigação”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/10/2011

às 5:41

Promotoria abre investigação sobre Palocci

Na Folha. Volto em seguida:
O ex-ministro Antonio Palocci é alvo desde o dia 29 de uma investigação criminal que apura a suspeita de seu envolvimento em uma operação de lavagem de dinheiro no aluguel do apartamento em que ele morava na zona sul de São Paulo. O procedimento do Ministério Público de São Paulo foi iniciado depois da análise de documentos fornecidos pela Junta Comercial do Estado e cartórios de imóveis. A documentação foi solicitada depois que o Gedec (Grupo Especial de Delitos Econômicos) do Ministério Público de São Paulo recebeu, em junho, uma representação do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB-SP) com suspeitas contra o ex-ministro da Casa Civil do governo Dilma. A petição reproduziu um texto da revista “Veja” que apontou que os donos do imóvel ocupado à época pelo ex-ministro, avaliado em R$ 4 milhões, teriam participado de operações financeiras na condição de laranjas.

Após uma verificação preliminar, o Gedec confirmou que o apartamento onde Palocci morou até julho tem como um de seus proprietários o comerciante Gesmo Siqueira dos Santos. Siqueira é réu em diversos processos criminais relativos a fraudes e crimes tributários. Segundo o promotor Joel Carlos Moreira da Silveira, um dos três integrantes do Gedec na capital, a apuração sobre os documentos ainda prossegue, mas não há data para que Palocci seja ouvido. Aqui

Voltei

Para refrescar a meória do leitor, reproduzo trecho de um post do dia 4 de junho. Integra está aqui
(…)
- VEJA resolveu saber quem era o dono do apartamento que o ministro aluga. De acordo com 14º Ofício de Registro de Imóveis de São Paulo, ele pertence à Lion Franquia e Participações Ltda.
- E quem é o dono da Lion? São dois sócios: Dayvini Costa Nunes, com 99,5%, e Felipe Garcia dos Santos, com 0,5%. Felipe tem 17 anos e foi emancipado no ano passado.
- Dayvini e Felipe são laranjas. Leia na revista como ele acabou “dono” do imóvel. A Lion não existe. Usou endereços falsos nos últimos três anos.
- A Lion recebeu o apartamento de um certo Gesmo Siqueira dos Santos, tio de Dayvini, que responde a 35 processos, incluindo falsificação de documentos.

“Não tenho como brigar com Palocci
VEJA encontrou Dayvini com os dados sobre a posse do imóvel e a tal Lion. Ele afetou surpresa, disse que não sabia de apartamento nenhum e até ironizou: afirmou que sua vontade era pegar o imóvel que estava em seu nome, vender, pagar as contas e comprar uma boa casa para a família. Certo!

Ontem, no entanto, Dayvini telefonou para a VEJA para mudar a sua versão. Sim, ele é laranja da Lion, mas afirmou que participou da fraude. Reproduzo trecho da sua segunda entrevista:

VEJA - Um homem ligou dizendo ser seu tio. O que ele quer?
Dayvini -
Desde que você falou comigo, não consigo dormir, por causa dessas coisas que envolvem pessoas com quem não tenho como brigar, como o Palocci, entendeu? Eu não tenho como bater de frente com essas pessoas. Sou laranja.

VEJA - O seu fio disse que o senhor sabia que era laranja.
Dayvini -
Ontem, quando você chegou na minha casa, estava um pouco nervoso.

VEJA - O senhor mentiu ontem ou está mentindo agora?
Dayvini -
Eu menti ontem.

(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/10/2011

às 22:21

MP erra ao dizer que tem “algo” contra Palocci… Assim não pode ser: nem com petista nem com ninguém

Eu acho que as leis, as garantias, as regras, o decoro etc devem valer para gente que admiro e para gente que não admiro. Basta recorrer ao arquivo para saber o que escrevi sobre o ex-ministro Antonio Palocci e seus apartamentos. Muito bem! Ponto parágrafo. O procurador-geral da República decidiu arquivar representação dos partidos de oposição contra ele porque não viu indícios de enriquecimento ilícito. Posso não ter gostado da decisão. Não gostei e expressei aqui. Muito bem de novo.

Agora ficamos sabendo que a Procuradoria Geral da República do Distrito Federal diz ter encontrado indícios novos contra o ex-ministro. E emitiu um nota a respeito. Leiam trecho de reportagem da Folha.  Volto em seguida:
*
Em nota divulgada nesta terça-feira (3), a Procuradoria da República no Distrito Federal reafirma ter encontrado “fatos novos” ao examinar os negócios particulares do ex-ministro Antonio Palocci, conforme revelou hoje reportagem publicada pela Folha. “Em 8 de agosto, foram encaminhadas ao procurador-geral da República informações apuradas no inquérito civil público que investiga eventual enriquecimento ilícito do ex-ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, referentes a contratos firmados pela empresa Projeto. A comunicação reúne informações que não foram citadas, implícita ou explicitamente, na decisão de arquivamento da representação criminal divulgada pela imprensa e analisada no bojo do inquérito civil”, diz a nota.

A Procuradoria informa ainda que, em razão do afastamento da procuradora titular, o caso será analisado pelo substituto, Gustavo Pessanha Velloso, titular do 3º Ofício Criminal. “Caberá a ele a decisão sobre eventual abertura de inquérito criminal, após análise da documentação recebida.” A decisão da Procuradoria da República no Distrito Federal de instaurar o procedimento foi tomada antes mesmo de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, responder ofício no qual foi informado dos novos fatos encontrados pelos procuradores no caso.
(…)

Voltei
Não dá, não! Com Palocci ou com qualquer outro; com um petista, com um tucano, com um peemedebista ou com gente sem partido. Parece-me absolutamente impróprio que o Ministério Público anuncie ter descoberto alguma coisa e torne isso público antes mesmo que se conheça a decisão. Mais: da forma como a coisa está encaminhada, parece que só cabe uma decisão justa: abrir o inquérito. Qualquer outra seria considerada contra as evidências.

“Que é, Reinaldo? Agora vai ajudar petistas?” Não! Eu vou ajudar o que considero o estado de direito — e, à diferença da quase totalidade dos petistas, acho que ele tem de valer para todo mundo. Até para os petistas! Essa é uma das muitas coisas que me fazem diferente deles.

Por Reinaldo Azevedo

26/07/2011

às 4:51

MP vai investigar compra de apartamento de Palocci

Por Fausto Macedo, no Estadão:
O Ministério Público Estadual decidiu abrir investigação sobre suposto crime de lavagem de dinheiro envolvendo a compra do apartamento ocupado desde setembro de 2007 pelo ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil), em Moema, zona sul de São Paulo. O imóvel, avaliado em R$ 4 milhões, pertence a Gesmo Siqueira dos Santos, filiado ao PT de Mauá (Grande São Paulo) há 23 anos e com folha corrida com mais de 120 inquéritos policiais.

A apuração ficará sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartéis e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec), braço do Ministério Público. A medida foi tomada pela Procuradoria-Geral de Justiça a partir de representação do PSDB paulista, subscrita pelo deputado Pedro Tobias.

A procuradoria também encaminhou cópia da petição ao chefe do Ministério Público Federal, Roberto Gurgel, para um segundo procedimento sobre eventual improbidade envolvendo Palocci. O aluguel do apartamento é de cerca de R$ 15 mil. Quando Palocci o alugou recebia R$ 16 mil como parlamentar. Na Procuradoria da República do Distrito Federal já existe investigação de âmbito civil sobre as atividades de uma consultoria de Palocci, a Projeto.

Em outra representação do PSDB, os senadores Álvaro Dias (PR)e Demóstenes Torres (GO) sustentam que “parece clara a prática de fraude mediante simulação, pois o apartamento teria sido adquirido pelo ex-ministro e registrado no nome de terceiro”. Para os tucanos, “os indícios apontam para a prática de atos simulados que tinham como objetivo a fruição, pelo ex-ministro, do imóvel, sem que seu nome aparecesse ligado à propriedade do bem”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2011

às 5:13

PSDB liga aluguel de Palocci a fraude e pede investigação

Por Fernando Gallo, no Estadão:
O PSDB entrou com uma representação no Ministério Público de São Paulo pedindo para que a Procuradoria-Geral de Justiça investigue a compra do imóvel alugado pelo ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci em Moema, zona sul da capital. Para os tucanos, há indícios de que o dinheiro usado no negócio tenha sido fruto de lavagem de dinheiro e corrupção em prefeituras.

Mas no documento, assinado pelo presidente do PSDB paulista, deputado estadual Pedro Tobias, a única prefeitura citada é a de Mauá, na Grande São Paulo, cidade onde o proprietário do apartamento, Gesmo Siqueira dos Santos, filiou-se ao PT. Segundo a representação, o PT “possui íntima relação” com a cidade, por se tratar de uma das primeiras prefeituras conquistadas pela legenda. O atual prefeito é o petista Oswaldo Dias.

Citando a Polícia Civil e o Ministério Público, o PSDB diz haver indícios de que Santos esteja relacionado a um esquema milionário de lavagem de dinheiro e a uma organização criminosa. Por suspeitar que a empresa Lion Franquia e Participação Ltda, uma das donas do imóvel, seja “de fachada”, os tucanos pedem que a procuradoria apure qual a relação de Santos com Palocci, quem é o real proprietário do imóvel e qual a origem do dinheiro usado na compra.

“(Há) indícios de que se trata de produto de corrupção em prefeituras paulistas e de dinheiro proveniente de crimes contra a ordem tributária, denotando, assim, a lavagem de dinheiro”, afirma o PSDB.

Na representação, que tem como base reportagem da revista Veja, o PSDB procura associar Palocci e o PT ao suposto esquema praticado por Santos. “A questão trazida à baila por meio da presente representação denota, inequivocamente, um sofisticado e milionário esquema de lavagem de dinheiro (envolvendo personalidade de grande relevo público bem como conhecido empreendedor do crime, curiosamente filiado ao Partido dos Trabalhadores) que começou a ser desvendado, merecendo a respectiva e contundente apuração”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2011

às 6:19

Investigação sobre Palocci é mantida em segredo

No Globo:
A Procuradoria da República no Distrito Federal decretou sigilo nas investigações que apuram suspeita de crime de improbidade do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci. O Ministério Público quer preservar as informações que recebeu da Receita Federal: cópia de todas as declarações de Imposto de Renda da Projeto, empresa de consultoria de Palocci. Os documentos servirão para instruir o inquérito que apura se houve irregularidade no aumento vultoso do patrimônio de Palocci em curto período. Pesa sobre ele a suspeita de que houve tráfico de influência na prestação das consultorias.

As declarações de renda foram entregues ao Ministério Público no último dia 9. O caso está sob a responsabilidade do procurador da República Paulo José Rocha Júnior. Ele ainda está analisando os papéis, mas decidiu manter o material em segredo especialmente para preservar sua estratégia de investigação.

O procurador também pediu à defesa de Palocci outros dados da empresa, como cópia de contratos, comprovantes de prestação dos serviços e escrituração contábil. Os documentos ainda não foram enviados. Na última sexta-feira, os advogados reuniram-se com o procurador para acertar como será feita a entrega. Rocha Júnior deu prazo até o dia 21 para receber as informações, e reiterou o compromisso de manter os dados em segredo.

Diante de informações recebidas sobre o caso, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, arquivou o caso, pois não viu indício de crime cometido pelo ex-ministro. No entanto, a Procuradoria da República no Distrito Federal abriu ação civil para apurar prática de improbidade administrativa.

Por Reinaldo Azevedo

11/06/2011

às 6:45

Polícia investiga se “dono” de apartamento de Palocci ganha a vida ocultando o patrimônio de clientes que não querem aparecer. Ou: “Proprietário” é irmão de homem que MP diz ser testa de ferro do PCC

Se o ex-ministro Antonio Palocci tivesse pedido a uma consultoria que lhe arrumasse a “imobiliária” mais enrolada do mercado para lhe alugar o apartamento em que mora e o proprietário com a ficha, digamos, mais polêmica, ela certamente não teria chegado à Morumbi Administração de Imóveis e ao petista Gesmo Siqueira dos Santos. Palocci realizou essa proeza sozinho. O termo “imobiliária” vai entre aspas para indicar que a palavra não tem aquele sentido usual de dicionário. A tal Morumbi, que alugou o imóvel ao petista em 2006 e que renovou o contrato no ano passado já não existe mais. Nos últimos três meses, ela mudou duas vezes de ramo e de nome comercial. Primeiro, se transformou numa revendedora de automóveis Asia Motors. Atualmente, chama-se Home Ortobel e atua, no papel ao menos, no ramo de venda de móveis e colchões. Tanto faz. A empresa não existe, e o endereço é falso!!!

Vocês se lembram que o apartamentão de 640 m², avaliado em R$ 4 milhões e pelo qual Palocci pagaria um aluguel de R$ 12,5 mil mensais, está no nome de um rapaz de 23 anos, Dayvini, um pobretão que mora numa casa de fundos, na periferia de Mauá, e que ganha R$ 700 por mês. À VEJA, ele já admitiu ser um dos “laranjas” do tio, o tal Gesmo, que SERIA, e apenas SERIA, o verdadeiro dono do imóvel. Confrontado com os fatos, Dayvini disse à revista que não quer encrenca com gente “como Palocci”.

Laura Dinis e Fernando Mello, na VEJA desta semana, tentam saber um pouco mais sobre o petista Gesmo. Leiam um trechinho da reportagem. Volto em seguida:

(…)
Investigações da polícia e do Ministério Público revelam que Gesmo é um laranja profissional. Aparentemente, ganha a vida ocultando o patrimônio de clientes que não querem ter a fortuna revelada. Ele está no centro de um esquema criminoso e milionário de lavagem de dinheiro - que apenas começou a ser descascado. Uma investigação feita pela Delegacia de Lavagem de Dinheiro de São Paulo e pelo Grupo Especial de Repressão aos Delitos Econômicos, do Ministério Público paulista, revela que Gesmo tem sob seu domínio uma quadrilha de pelo menos quinze pessoas que emprestaram seus nomes e CPFs para o registro de pelo menos 57 empresas (…)

PCC
Gesmo lava dinheiro de duas formas: simulando falsas operações imobiliárias e cometendo falcatruas envolvendo postos de combustível. (…) Gesmo tem um irmão, chamado Gildásio Siqueira dos Santos, que usa o mesmo esquema de postos para lavar dinheiro - com a diferença de que, ao contrário de Gesmo e de outras pessoas, pelo menos um entre seus clientes já foi identificado. É a facção criminosa paulista PCC, conforme apurou o Ministério Público.

Voltei
É isso aí, leitor. Abaixo, você encontra um resumo da ficha de Gesmo, o “dono” do apartamento em que mora a família Palocci:

- Filiou-se ao PT em abril de 1988 na cidade Mauá, no ABC paulista;
- investigação da Polícia Civil e do Ministério Púbico mostra que ele é um lavador de dinheiro profissional;
- para ocultar o patrimônio de seus clientes, montou uma rede de 15 laranjas, incluindo sua própria mãe, a mulher, a sogra, o sobrinho e a empregada;
- entre 2002 e 2011, teve 57 empresas, sobretudo postos de combustíveis e imobiliárias, registradas em seu nome ou de sua quadrilha;
- já foi alvo de 108 inquéritos policiais;
- em urna batida em seu escritório, a policia encontrou 22.000 notas fiscais falsificadas ou duplicadas;
- entre 2005 e 2007, suas empresas movimentaram R$ 35 milhões de origem suspeita;
- de 1996 a 2006, ele e a mulher “compraram” e “pagaram à vista” 41 imóveis, entre eles o apartamento onde vive hoje a família de Antonio Palocci. ]

Leiam a íntegra da reportagem na revista.

Peço a vocês que tenham a devida moderação nos comentários. Limitemo-nos ao que se tem até agora como fato.

Por Reinaldo Azevedo

11/06/2011

às 6:39

VEJA teve acesso a documentos em que executivos dizem que o ex-ministro Palocci ajudou doadora de campanha do PT

Por Rodrigo Rangel, na VEJA desta semana:

Em 30 dezembro de 2010, faltando apenas dois dias para terminar o governo Lula, a construtora Camargo Correa vendeu ao fundo de pensão dos funcionários da Petrobras (Petros) a participação acionária que detinha na holding de um grande banco por 3 bilhões de reais. Um negócio absolutamente normal na superfície. A transação, no entanto, só saiu depois da intervenção do ex-ministro Antônio Palocci. No ano passado, como se descobriu recentemente, Palocci acumulou as atividades de deputado federal e consultor de empresas. As tratativas com a Camargo Correia começaram quando o ex-ministro já coordenava a campanha da presidente Dilma Rousseff e foram concluídas dois dias antes da posse, quando ele era o todo-poderoso chefe do governo de transição da presidente eleita, já cotado para assumir o comando da Casa Civil. Não houve contrato formal, até onde se sabe, nem pagamento pelo serviço.

A Camargo Correa doou 8,5 milhões de reais ao comitê eleitoral da campanha petista. Doou também para a campanha do candidato tucano José Serra. Não existem provas de que o acerto com a Petros tenha sido azeitado pela doação de campanha, mas, conhecendo os mecanismos de negócios entre as grandes empreiteiras e o estado brasileiro, é lícito indagar se sem a doação o negócio sairia da mesma forma. Palocci sempre negou ter sido intermediário dos pleitos da empresa. “Não houve nenhuma prestação de consultoria”, respondeu a VEJA, por escrito quando ainda era ministro. Repetiu o desmentido em sua entrevista ao Jornal Nacional. A empreiteira também nega: “Mais uma vez, de forma expressa e específica, reforço que o ministro Palocci jamais prestou serviço ao Grupo Camargo Corrêa e ou suas empresas controladas ou coligadas de qualquer natureza por qualquer via em qualquer momento”. VEJA teve acesso a documentos que mostram o contrário.

Leia integra da reportagem na edição impressa da revista

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2011

às 5:47

PT X PT 2 - Lucro de Palocci espantou, afirma dirigente do PT

Na Folha:
Ocupante do segundo posto na hierarquia do PT, o secretário-geral da sigla, Elói Pietá, afirmou ontem que o “alto padrão de vida” do ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil) espantou a legenda. Em artigo intitulado “O PT e a crise do ministro Palocci”, ele disse que, para continuar a ser um partido de trabalhadores, não é bom que o PT “cultive o ideal de empresários”. “O que causou espanto e levou os petistas a não apoiarem sua permanência no governo foi a origem de seus ganhos privados, a magnitude dos resultados, e o alto padrão de vida que ele se concedeu”, escreveu Elói Pietá. No dia 15, a Folha mostrou que, entre 2006 e 2010, Antonio Palocci multiplicou por 20 seu patrimônio. Só no ano passado, sua empresa, a Projeto, faturou R$ 20 milhões. Ex-prefeito de Guarulhos, Pietá pertence à corrente petista Mensagem ao Partido, liderada pelo governador Tarso Genro (RS) e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, de quem Pietá “herdou” a secretaria-geral do PT. “O PT mostrou que prefere o político de vida simples ao empresário bem-sucedido”, concluiu.

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2011

às 5:45

Justiça nega pedido de acesso a notas fiscais da empresa de Palocci

Na Folha:
A Justiça de São Paulo negou, na quarta-feira, pedido liminar feito pela Folha para ter acesso à relação de nomes das pessoas físicas e jurídicas em nome das quais a empresa Projeto emitiu notas fiscais no ano de 2010. A Projeto é a empresa que o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci criou para prestar consultorias. O juiz Kenichi Koyama argumentou que o pedido liminar não poderia ser atendido porque seus efeitos seriam irreversíveis. Disse ainda que o caso “sugere maior cautela”, pois “repercutirá sobre a esfera de interesses e direitos individuais de terceiros”.O jornal vai recorrer.

A Folha buscou o Judiciário após a Secretaria Municipal de Finanças de São Paulo negar pedido feito pelo jornal. De acordo com a secretaria, as informações estavam protegidas por sigilo fiscal. Em sua ação, porém, a Folha só pediu os nomes de pessoas e empresas para as quais a Projeto emitiu notas. O jornal não pediu informações sobre valores recebidos. O pedido baseou-se em artigos da Constituição que garantem o direito de acesso a dados públicos. No entendimento da Folha, Palocci, que coordenou a campanha eleitoral de Dilma Rousseff, “é um homem público e, como tal, é inquestionável que deve prestar contas à opinião pública”.

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2011

às 21:32

Depois de falar a catadoras de lixo, Lula defende Palocci, um catador do luxo

Luiz Inácio Apedeuta da Silva encontrou-se com 300 catadoras de lixo de Curitiba e fez um discurso emblemático. Na madrugada, disseco a retórica do Shrek da política, o ogro bonzinho. Ah, sim: depois de falar com as catadoras de lixo, ele defendeu Palocci, que se tornou um catador do luxo.

Por Evandro Fadel, no Estadão:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 9, em Curitiba, acreditar que a saída do ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Antonio Palocci, foi uma perda para o País. “Não é todo País que tem um quadro político da competência do Palocci”, afirmou em tumultuada entrevista na saída de um encontro com mulheres catadoras de lixo. Mas acentuou que a presidente Dilma Rousseff “tomou uma atitude no momento correto” ao chamar para o lugar a senadora paranaense Gleisi Hoffmann (PT).

“Acho a Gleisi uma figura excepcional”, afirmou. “Eu conheço a Dilma e conheço a Gleisi e acho que elas vão fazer muita coisa nesse País.”

No encontro com cerca de 300 mulheres catadoras de lixo, o ex-presidente foi recebido com gritos de “Lula eu te amo” e fez referência à presidente Dilma por três vezes. Ele iniciou dizendo que se a presidente não tivesse compromisso ou se tivesse sido convidada com antecedência “com certeza” estaria ali. “Mas aqui também está ausente hoje uma das pessoas que mais insistiu para que eu viesse aqui, que era a nossa querida senadora, que hoje virou ministra, Gleisi Hoffmann”, lamentou.

Lula citou uma das principais reivindicações das catadoras, a proibição de incineração de material reciclável,e afirmou estar disposto a participar da “batalha”. “Eu estou mais disponível agora do que quando era presidente da República”, disse. Sob aplausos, o ex-presidente ressaltou ter voltado à sua “origem”. “Eu dizia para vocês que eu sei de onde eu vim e sei para onde vou, portanto a mesma mão que cumprimenta um rei ou uma rainha é a mesma mão que cumprimenta uma catadora de papel”, afirmou.

Ele reforçou ter deixado a Presidência da República, mas não seus compromissos. “Se antes vocês tinham um presidente da República, agora vocês têm um ex-presidente e uma presidenta com a mesma vontade, com a mesma disposição para fazer”, disse. “Podem contar comigo em qualquer circunstância que estarei junto com vocês.” E fez um apelo para que prefeitos e governadores privilegiem as cooperativas de catadores de papel. “Hoje posso falar coisas para prefeitos e governadores que não podia falar quando era presidente porque tinha que respeitar os entes federais”, afirmou. “Hoje sou um cidadão brasileiro livre.” Para encerrar utilizou as mesmas palavras dos discursos eleitorais: “Um abraço e até a vitória, se Deus quiser”.

Battisti. Questionado sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal favorável à permanência do italiano Cesare Battisti no Brasil, o ex-presidente preferiu apenas comentar que se trata de “decisão da Suprema Corte”. O ex-ativisita teve a liberdade concedida por 6 votos a 3, em julgamento realizado nessa quarta-feira, 8. Com o resultado, a Corte manteve a decisão de Lula, quando ainda era presidente, de não extraditar Battisti.

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2011

às 20:22

Oposição pede que Ministério Público investigue imóvel alugado por Palocci

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online. Volto em seguida:
A oposição vai ingressar com mais uma representação contra o ex-ministro Antonio Palocci, desta vez no Ministério Público de São Paulo. Os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Alvaro Dias (PSDB-PR), autores do pedido de investigação, pedem que o Ministério Público apure denúncia de que Palocci mora em um apartamento alugado de uma empresa registrada em nome de um “laranja”.

A oposição escolheu São Paulo por considerar o ambiente no Ministério Público “mais favorável” às investigações que a Procuradoria Geral da República –que arquivou o pedido do DEM, PSDB, PSOL e PPS para investigar a evolução patrimonial de Palocci. O Ministério Público Federal não abriu inquérito para apurar a evolução patrimonial de Palocci por considerar que não há indícios de que o ex-ministro tenha cometido ilícitos.

Apesar de Palocci já ter deixado a Casa Civil, os oposicionistas cobram do Ministério Público investigações. Dias e Demóstenes afirmam que o “laranja” tem renda mensal de R$ 700, como revelado pela revista “Veja”, enquanto o ex-ministro paga o aluguel mensal de R$ 15 mil.

“Parece clara a prática de fraude mediante simulação, pois o apartamento teria sido adquirido pelo ex-ministro e registrado no nome de terceiro, a empresa Lion Franquia e Participações Ltda, cujo sócio majoritário, Dayvini Costa, confirmou ser ‘laranja’ do ministro Antônio Palocci Filho”, afirmam os senadores na representação.

Segundo os parlamentares, Palocci cometeu crime de improbidade administrativa ao ter “praticado atos simulados que tinham como objetivo a fruição do imóvel sem que seu nome aparecesse ligado à propriedade do bem”.

Comento
Eu não sei se é assim como dizem os senadores. A impressão que tenho é a de que ainda não se sabe tudo dessa história. Ela é tão enrolada que seu detalhamento, se houver, será certamente muito instrutivo. Vamos ver se será o caso de aplaudir de pé!

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2011

às 6:25

O dia em que Battisti foi solto, e Palocci, aplaudido de pé

O terrorista homicida Cesare Battisti já está hospedado num hotel de Brasília. Seis ministros do Supremo Tribunal Federal — Luiz Fux, Carmen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto e Marco Aurélio de Mello — assim decidiram. Condenado à prisão perpétua na Itália em julgamento legítimo, na vigência de todas as prerrogativas próprias a um estado democrático e de direito, ele fugiu, teve negado o seu apelo à Corte Européia de Direitos Humanos e encontrou, finalmente, abrigo no Brasil. Volto ao tema no post abaixo deste. Quase ao mesmo tempo, naquela mesma Praça dos Três Poderes, Antonio Palocci se despedia da chefia da Casa Civil, e Gleisi Hoffmann assumia o seu lugar. Ao chegar à solenidade de posse da nova ministra, os presentes se levantaram e aplaudiram de pé o já ex-ministro. Era mais do que o simples reconhecimento pelo seu trabalho. Ali estava também um desagravo. Dilma Rousseff, a presidente da República,  não teve comportamento mais prudente, como se verá.

E quem havia agravado o ministro? A verdade! Ao menos o que se sabe dela, já que parte diz respeito ao que Palocci pretende seja “sigilo profissional”. Afinal, como lembrou com ironia eloqüente Michel Temer, vice-presidente da República, “Palocci demonstrou lealdade a seus clientes”. Por isso mesmo, a lista das empresas às quais ele prestou serviço permanecerá secreta. Não é da conta dos brasileiros; coisa do empresário Palocci.

A política brasileira tem, sim, muitos vícios, alguns bem antigos, que antecedem a chegada do PT ao poder. Eram e são males profundos, que não se removem facilmente. Basta, no entanto, que a sociedade se eduque no cumprimento da lei e na exigência do seu cumprimento, e haverá sensível melhora. Apelemos a personagens para que o assunto ganhe concretude. Vejam o caso de Paulo Maluf, que ainda está por aí, exercendo uma influência não mais do que marginal no processo político. Criou-se na ditadura, ganhou sobrevida na democracia, mas não chegou a constituir um projeto de poder, uma quase escola de pensamento, uma “ética”. O homem era um romântico naquela arte em que o PT se tornaria um especialista. Maluf é uma espécie de “herói” solitário naquela sua “profissão”, não a política. O PT já é um sistema.

Notem: sempre que Maluf foi acusado de alguma coisa, mesmo diante da evidência escancarada do malfeito, a sua reação inevitável era esta: “Não fui eu!” Aparecia grana na Suíça em seu nome? “Se tiver dinheiro lá em nome de Paulo Maluf, podem retirar”. Vale dizer: em seu estonteante mau gosto político, ético e moral, ele teve o bom senso ao menos de nunca tentar nos convencer de que o crime é uma virtude. Ele sabe que o errado é errado e que o certo é certo. E sabe que a gente sabe. Então ele… nega! Sem que a Justiça lhe tenha dado, certamente, o tratamento merecido, o fato é que se tornou um político marginal, reduzido à expressão quase folclórica. Se os juízes não conseguiram tirar de circulação, os eleitores o fizeram, restando alguns poucos fiéis, suficientes para elegê-lo deputado, mas não para lhe dar o poder. Quando morrer, levará consigo uma técnica e uma “tecnologia”, intransferível em muitos aspectos.

Outra natureza
O petismo é de outra natureza, e agora caracterizo melhor o que considero a sua contribuição original ao estoque de vícios antigos.  O PT, desde sempre, apresentou-se como um partido da ordem, porém hostil a ela. Mesmo no poder, decide quais leis são postas em prática e quais não são; quais merecem a atenção diligente do estado e quais não merecem. E como foi que o partido logrou êxito nesse empreendimento? Distinguindo, no ambiente público, as “verdades que são da lei” das “verdades que são da política”, de sorte que esta abrigaria práticas que, embora não consagradas naquela, devem ser mais do que toleradas; devem mesmo ser consagradas.

Não é por outro motivo que todos — eu disse “TODOS” — os mensaleiros e aloprados estão de volta ao partido, recebidos com festa e deferência. Eles fizeram coisas que, para o petismo, são condenáveis apenas na esfera legal, mas não na esfera política. Alguém poderia indagar: “Mas por que isso é diferente de Maluf? É a mesma coisa!” Não! Para os petistas, a infração legal é uma necessidade imperiosa do jogo; é ela que rompe o círculo do conservadorismo cultivado por seus inimigos, todos comprometidos com o atraso, entenderam? Um Maluf nega que tenha transgredido a lei; um petista tentará provar que só o fez para o bem do Brasil e dos brasileiros e em nome de um futuro glorioso. Não existe, em suma, interdição legal, moral ou ética para um petista. A necessidade do partido dita a sua ação.

Em seu discurso de despedida, depois de aplaudido de pé logo à chegada, Palocci evocou a recusa de Roberto Gurgel, procurador-geral da República (personagem muito saliente também no caso Battisti; já falo a respeito), de determinar a abertura de inquérito para investigar seu súbito enriquecimento. Tomou aquele texto como evidência de que não transgrediu nenhuma regra. Nesse particular, apelava ao procurador-geral para se sair à moda Maluf: “Não fiz nada; não fui eu”. Mas soltou a frase fatal, que, afinal, evidenciava que ali estava um petista algo diferenciado — bonachão, boa-praça, bom papo, “de mercado” —, mas petista ainda assim. Mandou ver:
“O mundo jurídico não trabalha no mesmo diapasão do mundo político”. Bingo!

Se, tradicionalmente, os petistas se criam sustentando a legitimidade política de certas ações, ainda que elas sejam ilegais, Palocci submetia essa oposição a uma ligeira torção, mas mantendo sempre a suposta contradição: estaria deixando a Casa Civil porque, embora nada houvesse de legal contra ele (o “mundo jurídico”), havia  uma interdição de natureza política. Que gente formidável! Se, tradicionalmente, o PT sempre usou a legitimidade para apontar o caráter falível da ordem jurídica, Palocci usava a ordem jurídica para apontar o caráter falível da política. De hábito, o PT se mostra hostil à lei em nome da verdade política; ontem, Palocci se mostrava hostil à política em nome da verdade da lei. A muitos não terá escapado que o que chamava de “mundo jurídico” era só a decisão do procurador-geral a República, polêmica para dizer o mínimo. Afinal, dela se extrai como corolário que um corrupto que pague impostos — estou falando em tese — pode se criar no moto-contínuo da corrupção: nada se investiga porque não há indícios, e não há indícios porque nada se investiga.

E por que Palocci caiu? Como Roberto Gurgel não se interessou pelo seu caso, ele, então, chama de coisa do “mundo da política” o fato de ter se tornado um robusto milionário em quatro anos, tendo recebido parte da fortuna — R$ 20 milhões — em ano eleitoral, R$ 10 milhões dessa bolada quando já organizava o futuro governo. COISA DO MUNDO DA POLÍTICA, A SER APLAUDIDA DE PÉ!

O mau passo de Dilma
Depois de ter demonstrado um comportamento omisso e errático na crise — e que se expõe, a meu ver, na escolha de Gleisi Hoffmann para a Casa Civil —; depois de ter permitido que Lula irrompesse na cena política como condestável da República; depois de ver seu próprio partido refugar no apoio àquele que era, na prática, o seu primeiro-ministro, Dilma toma uma decisão. Nesta quarta-feira, ao se despedir de Palocci, afirmou:
“Eu estaria mentido se dissesse que não estou triste. Tenho muitos motivos para lamentar a saída de Palocci. Motivos de ordem política, pelo papel que desempenhou na minha campanha, administrativa pelo papel que tinha e teria no meu governo. Motivo de ordem pessoal pela amizade que construímos.”

As palavras fazem sentido. Nos discursos, fazem história. Ao afirmar “eu estaria mentindo se…”, Dilma está admitindo que, dado o que Palocci fez, ela não deveria estar triste coisa nenhuma. Ali estava uma demissão por mérito. Muito humana, no entanto, ela se entristecia. E sua voz ficou embargada, o que foi destacado nos telejornais. Como notei aqui, depois de assistir à reportagem do Jornal Nacional, não tive dúvida: víamos tombar um herói. Parecia cair porque virtuoso demais!

A emoção de Dilma levou os presentes a um segundo desagravo. Mais uma vez, levantaram-se todos e aplaudiram de pé! E, aí, Dilma deu o grande mau passo: olhando para Palocci, com as mãos ligeiramente estendidas em sua direção, ela também o aplaudiu. E ISSO, DEFINITIVAMENTE, DEPÔS CONTRA A PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

Poderia, em privado, aplaudir Palocci “politicamente, administrativamente e pessoalmente”, mas jamais em público. Presidentes não são macacas de auditório; presidentes não são claque; presidentes não fazem desagravos pessoais a subordinados que estão deixando o cargo porque não têm condições éticas de continuar. Ao fazê-lo, Dilma estava aplaudindo mais do que um homem; aplaudiu também um método, que, como se percebe, não pode ser trazido à luz da República.

Palocci se faz, assim, um homem singular dentro daquela singularidade petista que caracterizei aqui. Envolvido num crime contra uma garantia constitucional — a quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa —, foi reabilitado, ganhou alguns milhões e se tornou a principal figura do governo Dilma. Tendo caído uma segunda vez,  parte do mundo político e da imprensa, de novo, prestou-lhe reverência, como se, antes e agora, sua queda não tivesse sido determinada por escolhas que ele próprio fez.

A corrupção do PT vai muito além de questões que dizem respeito aos cofres públicos. Corrompem-se os costumes. Corrompe-se a própria noção do certo e do errado. E por isso muitos aplaudiram o ministro de pé, inclusive a presidente da República.

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2011

às 20:46

Palocci - Acabo de constatar: tombou um herói

Acabo de ver a reportagem sobre Antonio Palocci no Jornal Nacional. Tombou um herói! Segundo entendi, caiu por causa de seu excesso de virtudes. Mais do que isso: deixa o governo porque o Procurador Geral da República atestou a sua inocência. Quem começasse a se inteirar hoje do assunto, indagaria: “Mas esperem! Ele está sendo nomeado ou demitido? Se não fez nada de politicamente errado, se é essa pessoa imprescindível, se é este exemplo a ser aplaudido de pé, por que está deixando o governo?” Seria uma pergunta razoável, não é mesmo?

Palocci já morreu politicamente duas vezes. Mas é um homem de sorte. Parece que  se quer lhe dar uma terceira vida política.

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2011

às 18:33

Dilma, a voz embargada, os aplausos etc e tal.

A julgar pelos discursos de Antonio Palocci e Dilma Rousseff, um de despedida, outro de entronização da nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, fiquei sem entender por que ele caiu. Leiam o que informa a Folha Online. Volto em seguida.

Com a voz embargada, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira que está triste com a saída de Antonio Palocci da Casa Civil. Referindo-se ao ex-ministro como “parceiro de lutas” Dilma mandou um recado para a oposição afirmando que seu governo “jamais ficará paralisado diante de embates políticos”. A presidente não fez nenhuma referência à crise envolvendo Palocci. Dilma destacou que a Casa Civil que será comandada por Gleisi Hoffmann terá um perfil técnico.

A presidente lembrou a relação pessoal que construiu com Palocci a partir de sua campanha no ano passado. “Eu estaria mentido se dissesse que não estou triste. Tenho muitos motivos para lamentar a saída de Palocci. Motivos de ordem política, pelo papel que desempenhou na minha campanha, administrativa pelo papel que tinha e teria no meu governo. Motivo de ordem pessoal pela amizade que construímos.”

A presidente mandou uma resposta para a oposição que cobrou a saída de Palocci e mobilizou até aliados para instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a evolução patrimonial de Palocci. “Jamais ficaremos paralisados diante de embates políticos. Sabemos travar e ao mesmo tempo governar. Temos programas a executar e vamos com rigor e dedicação. O meu governo tem metas e vai alcançá-las”. Ao comentar a escolha de sua nova ministra Gleisi Hoffmann, Dilma disse que “ficou satisfeita com a solução” e pediu empenho dela na agenda do governo.

“Nossos compromissos são ousados, temos que controlar a inflação, garantir rigidez fiscal, criar mais empregos, investir pesadamente educação. Assegurar que um país rico é um pais sem miséria. Nesse inicio de governo já lançamos programas fundamentais”.

Voltei
Palocci recheou seu discurso de imagens quase literárias para indicar a superação de desafios e afirmou:
“Minhas atividades foram sendo comprometidas pelo ambiente político. Se vim para ajudar a promover o diálogo, saio agora para preservá-lo”.

Bem, o ministro sabe que sua estupenda condição financeira — e me refiro apenas àquela que conhecemos — é que foi conquistada em razão do “ambiente político”, não é mesmo? A  sua consultoria só custava tão caro — creio que fosse a mais valorizada do mercado — em razão do conhecimento que tinha do governo e do papel que exercia na Câmara. Em suma: ele não tinha notório saber em economia; tinha notório saber em poder. Tanto é assim que a equipe de Palocci era Palocci. E isso para assessorar, como parece, alguns dos potentados da economia brasileira de todos os setores.

Dilma lamentou a saída de Palocci por motivos políticos, administrativos e pessoais. Huuummm… E por que não o manteve? Fica parecendo, sei lá, que uma tramóia da oposição o derrubou — e a presidente, então, lhe teria mandado recados: “Jamais ficaremos paralisados…” Calma lá! A oposição, o DEM em particular, com destaque para o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR), se mobilizou, sim, cumprindo o seu papel. A dita “cúpula” tucana até que foi bem discreta. Faltou ao ministro, que se deixe claro, apoio interno: do PT e dos partidos da base aliada. Marta Suplicy não conseguiu reunir as 14 assinaturas dos petistas do Senado num documento de apoio ao ministro.

Palocci caiu porque não quis — ou não pôde — divulgar a lista de seus clientes. Cedo ou tarde, aposto, ela virá a público. Ele, Dilma, o PT e os gramados de Brasília sabem disso. Fora do poder, é possível que a notícia vá para o rodapé dos jornais e não seja nada além de um registro nos sites e blogs. Na Casa Civil, a informação voltaria a monopolizar o noticiário.

O que se conhece já é o bastante para derrubar Palocci. Mas ele cai também por aquilo que a sociedade não conhece. Reitero: fosse ele apenas um homem da iniciativa privada negociando com outros da iniciativa privada, ninguém estaria a lhe torrar a paciência. Mas não era o caso.

Em seu discurso, foi aplaudido de pé duas vezes, num sinal de desagravo da platéia, como se uma grande injustiça se consumasse ali; como se o governo estivesse sendo forçado a fazer algo contra o bem, o belo e o justo, pressionado por forças malignas. Ora… Se era assim, que resistissem!

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2011

às 6:17

Palocci já era! Sabem o que vai acontecer agora com o governo? Nada! Eis o problema

Antonio Palocci, o todo-poderoso — o preferido do empresariado, dos mercados, de amplos setores da imprensa e, como todos sabemos, da oposição —, caiu! E sabem o que vai acontecer hoje? Nada! Palocci já era um mito velho, que estava vivendo a fase da engorda, pessoal e de patrimônio. Não encarnava mais a garantia de coisa nenhuma — de competência muito menos, é bom que se destaque. Consta que pretende viajar com a família e fazer dieta. Não lhe faltam recursos para a primeira decisão, e a segunda, nota-se, é uma escolha sábia. Daqui a pouquinho, as mesas começam a operar. Um e outro, para usar a imagem de um amigo do mercado financeiro, vão chacoalhar a macieira com especulação para pegar alguns frutos. Mas vai voltar tudo ao normal.

Se, no primeiro governo Lula, Palocci era a garantia de que o PT não viraria a mesa — muita gente levava o “PT socialista a sério” (eu nunca; acho o partido autoritário; “socialista”, no sentido que nos ensina a história, não) —, no governo Dilma, era a encarnação da racionalidade e da experiência — já que ninguém apostava muito no traquejo político dela. E  com razão. Mas não mais do que isso.

“Virar a mesa” hoje ninguém vai. Até porque os petistas têm sólidos interesses enraizados também no mercado financeiro, por intermédio dos bilionários fundos de pensão das estatais. Ninguém precisa de um “garantidor”. E que se note: o “Palocci amigo da economia de mercado” derivou para um ser teratológico esquisito, de sorte que ele havia se tornado um “ministro de mercado”, o que é coisa bem distinta e, obviamente, condenável. Um chefe da Casa Civil que não pode divulgar sua “lista de clientes” em razão da “cláusula de confidencialidade” está no lugar errado, certo? Não por acaso, com malícia, o vice-presidente da República, o peemedebista Michel Temer, destacou a  fidelidade do petista… aos clientes! No primeiro mandato de Lula, os que temiam o PT radical apreciavam muito no ministro o que era tido, de fato, como convicção — era mesmo alguém convertido às virtudes da economia de mercado. Com o tempo, o ministro passou a ser visto como um facilitador de negócios.

A economia não precisa mais daquela garantia que ele representava no passado. Na Casa Civil, além da coordenação política, exercia o tal papel do “gerenciamento” dos programas do governo — este que Gleisi Hoffmann diz que fará de modo exclusivo. Eis, então, o problema: o governo não parou por causa do escândalo que atropelou Palocci; já estava parado. Até março, a imprensa, com editorais e tudo, não se cansava de elogiar os silêncios de Dilma, coisa que ironizo aqui desde janeiro. Tinha-se a impressão de que ela se sagraria a primeira governante notável por tudo o que não dizia. Seu mutismo era eloqüente. Parecia música aos ouvidos. É que ninguém agüentava mais o ogro buliçoso, o Shrek animadão, a falar sempre pelos cotovelos, cantando as próprias glórias, violando a lógica, o bom senso, o decoro e o bom gosto.

Ali por abril a ficha começou a cair. Não existia ainda um governo Dilma, e não havia indícios de que pudesse haver. A crise que envolve Palocci tem três semanas, mas o não-governo Dilma já conta com quase seis meses. É claro que não dá para fazer um balanço das obras realizadas, mas já dá para saber se as coisas vão andar. E começa a se formar um consenso de que viveremos numa mediocridade pastosa. A marquetagem continua a todo vapor, mas falta a figura do animador das massas. Dilma não tem esse perfil.

Palocci passou a significar um peso imenso depois que se descobriu a sua incrível desenvoltura no mundo da consultoria. Era mais fama do que proveito no Planalto. Querem um exemplo? Perguntem a empresários ligados à área de infra-estrutura o que pensam da decisão de privatizar aeroportos. Fez-se um anúncio no joelho, sem planejamento, sem estratégia, sem nada. A sensação, que corresponde à realidade, desses seis primeiros meses e que o governo não sabe o que quer e para onde vai. O que se teve de mais vistoso — e, ainda assim, mitigado pela crise — foi o tal programa “Brasil Sem Miséria”, nada além de uma vitaminada no Bolsa Família velho de guerra… eleitoral.

Não se viu nem sombra daquele Brasil eficiente e organizado, de que Palocci, o garantidor, tomaria conta, enquanto a Soberana continuaria encastelada, pensando no bem-estar de seus súditos. O Código Florestal, lembre-se, foi exemplo notável de um Palocci incompetente: permitiu que um deputado da base, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que tem o apreço de seus pares — já foi presidente da Câmara —, que é reconhecido como um homem honrado, acabasse hostilizado pelo governo e pelo próprio PT porque fez um relatório que concilia a preservação do meio ambiente com a produção. O então ministro quedou-se refém dos delírios de Marina Silva e das ONGs. O que se viu na Câmara foi um exemplo etupendo de desarticulação.

Assim, nesta quarta-feira, não vai acontecer absolutamente nada de novo. E isso está longe de ser uma solução. É um problema.

Agora Gleisi
Chamei Gleisi de a figura mais bonita do plantel de João Santana. É claro que se trata de uma ironia para destacar o fato de que Dilma investiu mais no marketing do que na experiência da escolhida. Sua biografia não a autoriza, do ponto de vista técnico, a ser aquela que vai cobrar dos demais ministros a execução dos projetos. Foi secretária de gestão do Mato Grosso do Sul, no governo de Zeca do PT, e depois da Prefeitura de Londrina. Não há um só tuiuiú que tenha saudade do tal Zeca. Não parece que Londrina tenha sido um caso particularmente virtuoso, segundo andei lendo.

Então Gleisi por quê? Para surpreender o mundo político — e foram os petistas a ficar mais evidentemente com o queixo caído — com um nome fora do mainstream petista. Nestes meses de Senado, Gleisi tem sido “fiel” a Dilma no limite da incompetência. Por falta de tato e de experiência, ela e Marta Suplicy, numa espécie de “conspiração da louras”, conseguiram de tal sorte tumultuar uma sessão do Senado, presidida por Marta, que a base governista, mesmo com maioria esmagadora, viu cair duas Medidas Provisórias. Seu estilo, em tão curto período, rendeu-lhe o apelido de “pit bull”, que não é exatamente uma metáfora para elogiar a sua habilidade. No dia 20 de abril, demonstrei aqui que ela não sabia exatamente quais eram as funções de um Parlamento.

Mas Gleisi já deixou claro que seu negócio vai ser gestão! A coordenação política ficará, supõe-se, com o ministro das Relações Institucionais, pasta atualmente desocupada por Luiz Sérgio, com quem ninguém quer falar: políticos, imprensa e, consta, a presidente da República. Luiz Sérgio, aliás, é uma evidência e tanto de que a inexperiência produz frutos…

Gleisi, no entanto, está sendo saudada aqui e ai mais ou menos assim:
“Agora vai!”
“Agora começa o governo Dilma!”
“Finalmente, Dilma se livra de Lula!”
“Demorou, mas presidente demonstrou independência!”

Entendo! Seis meses depois, há uma certa ânsia para inaugurar o governo Dilma! Será Gleisi  realizar esse prodígio?

Por Reinaldo Azevedo

07/06/2011

às 22:30

Apesar da saída de Palocci, oposição vai insistir em CPI no Congresso

Por Robson Bonin, no Portal G1:

Com a saída de Antonio Palocci da chefia da Casa Civil nesta terça (7), os partidos de oposição no Congresso anunciaram que vão continuar insistindo na abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o enriquecimento do ex-ministro. RSegundo o jornal “Folha de S.Paulo”, Palocci ampliou seu patrimônio em 20 vezes, entre 2006 e 2010, período em que atuou no ramo de consultorias a partir de sua empresa, a Projeto.

Na Câmara, a convocação para que Palocci explicasse a evolução patrimonial na Comissão de Agricultura acabou perdendo efeito, uma vez que o agora ex-ministro não é mais servidor público e não pode ser convocado.

O líder do PSDB na Casa, deputado Duarte Nogueira (SP), afirmou que a oposição pretende agora apresentar um requerimento convidando o ex-ministro para falar aos parlamentares: “Vamos nos reservar o direito de buscar informações para os esclarecimentos que ao sociedade brasileira ainda não conheceu.”

Já o líder do DEM, deputado ACM Neto (BA), afirmou que o ex-ministro, agora distante do governo, ainda deve explicar ao Congresso como conseguiu ampliar em 20 vezes seu patrimônio: “Ele continuará a ter que dar explicações ao parlamento e principalmente ao Ministério Público.”

No Senado, os requerimentos que ainda constavam da pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) também estão prejudicados. “A convocação perde o sentido porque o ministro deixou de ser ministro, deixou de ser servidor público”, argumentou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que a bancada vai se reunir ainda na noite desta terça para analisar como a oposição vai conduzir o debate político a partir da saída de Palocci do governo.

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), acredita que os senadores da base governista que assinaram o requerimento de CPI tendem a retirar a adesão após a demissão do ex-ministro. “Vamos insistir na CPI, mas sabemos que muitos senadores da base irão retirar o apoio. A oposição vai compreender porque eles disseram que retirariam a assinatura se o ministro saísse”, afirmou Torres.

O governo vai impedir qualquer forma de convite a Palocci ou de tentativa de abertura de CPI para investigar o ex-ministro porque teme que a comissão seja utilizada para investigar fatos relacionados aos recursos de campanha da presidente Dilma Rousseff.

Embora a maioria governista alegue que a CPI perdeu força, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), disse que irá manter a assinatura no requerimento: “Ele [Palocci] caiu, mas não vou retirar minha assinatura da CPI. No meu entendimento, a demissão dele não esgota a decisão do Senado de investigar. Não podemos deixar que as coisas morram, as pessoas estão cansadas de impunidade”.

Já o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que havia prometido assinar a CPI nesta quarta, disse que o caso está encerrado: “Acho que acabou a crise e a CPI perdeu a razão.”

Por Reinaldo Azevedo

07/06/2011

às 22:18

Para especialistas, mudança no governo não deve afetar mercado

Da Reuters:
Especialistas afirmam que o pedido de demissão de Antonio Palocci da chefia da Casa Civil deve ter pouco impacto no mercado financeiro. Palocci entregou nesta terça-feira à presidente Dilma Rousseff carta pedindo afastamento do cargo, após semanas de pressão e acusações desde que a Folha publicou em maio que seu patrimônio cresceu 20 vezes em quatro anos. A senadora petista Gleisi Hoffmann (PR) assumirá a chefia da Casa Civil.

Na opinião do gestor de renda fixa e derivativos da Brasif Gestão, Carlos de la Rocque, os mercados podem até esboçar alguma reação negativa no início da quarta-feira, mas isso deve durar pouco. “Pode até ter um impacto logo no início do dia, mas nada de anormal, se (o DI) subir é para cair depois. A saída do Palocci não foi nenhuma surpresa, já estava meio que no radar no mercado”, afirmou.

Já o estrategista para a América Latina do BofA Merrill Lynch, David Beker, acredita que o fato de Palocci ter um perfil mais em sintonia com investidores pode favorecer alguma influência sobre os mercados na quarta-feira. “Os participantes do mercado têm digerido as notícias nas últimas semanas, o que pode limitar o impacto sobre o mercado. Porém, ainda esperamos que a curva de juros incline [para cima] e alguma depreciação marginal do real com as notícias.”

Os mercados acionário, de câmbio e de DI repercutiram de modo discreto nas últimas semanas a crise envolvendo o ex-chefe da Casa Civil. Na terça-feira, o Ibovespa teve leve alta, enquanto o dólar e as projeções de juros recuaram. “Você tem dois lados da história. A queda do Palocci é ruim de certa forma porque ele tinha um viés mais próximo do mercado, era um ministro mais alinhado com a visão dos investidores”, disse analista econômico José Goes, da WinTrade. “Por outro lado, viramos uma página, encerramos um assunto.”

O diretor da Moody’s para a América Latina, Alfredo Coutino, acredita que o governo conseguirá superar a saída de Palocci e que Dilma poderá até fortalecer sua liderança. “Acho que a presidente Dilma vai facilmente superar a saída dele (Palocci) e que suprirá sua falta ou com um novo auxiliar ou fortalecendo sua própria liderança”, afirmou. “Ninguém é indispensável.”

Roberto Padovani, estrategista-chefe do banco Westlb, afirma que, no atual estágio de evolução, “o mercado financeiro aprendeu que existem fundamentos para política econômica” e, por isso, a mudança do perfil à frente da Casa Civil “não é algo que deva impactar muito os ativos”.

Por Reinaldo Azevedo

07/06/2011

às 20:40

Governo ainda não decretou o fim da crise política, mas Aécio Neves já!

Na Folha:
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta terça-feira que a demissão de Antonio Palocci do cargo de ministro da Casa Civil põe fim à crise que paralisa o governo desde 15 de maio. “Do ponto de vista político, obviamente há um encerramento”, afirmou. No entanto, o tucano diz acreditar que as investigações das suspeitas levantadas após a revelação do enriquecimento de Palocci continuarão. “Do ponto de vista jurídico, a Procuradoria do Distrito Federal certamente vai ouvi-lo ainda, vai investigar se houve, eventualmente, tráfico de influência”, disse.

Para Aécio, a decisão de Palocci foi “sensata” ao perceber que “a Procuradoria do Distrito Federal certamente vai ouvi-lo ainda, vai investigar se houve, eventualmente, tráfico de influência”. Ele afirmou que as novas assinaturas de senadores governistas ao pedido de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) pode ter influenciado na decisão do agora ex-ministro, e disse acreditar que a mudança na Casa Civil reduzirá a “arrogância” do governo.

Segundo o senador tucano, a oposição continuará atuando em conjunto nas ações para investigar a origem da fortuna de Palocci e rever a estratégia de convocação de Palocci ao Congresso para prestar esclarecimentos. A crise que levou à saída de Palocci teve início no dia 15 de maio, após a Folha revelar que o ministro multiplicou seu patrimônio por 20 entre 2006 e 2010.

A Projeto, empresa aberta por ele em 2006 –quando o ministro afirmou ter patrimônio de R$ 356 mil– comprou, em 2009 e 2010, imóveis em região nobre de São Paulo no valor total de R$ 7,5 milhões. A Folha também mostrou que o faturamento da empresa foi de R$ 20 milhões em 2010, quando ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma à Presidência da República.

Em entrevista exclusiva à Folha, Palocci afirmou que não revelou sua lista de clientes a Dilma, atribuiu as acusações a ele a uma “luta política” e disse que ninguém provou qualquer irregularidade na sua atuação com a consultoria Projeto. Em nenhum momento o agora ex-ministro revelou a lista de clientes de sua consultoria e alegou “cláusula de confidencialidade” para não divulgar para quem ele trabalhou enquanto exerceu simultaneamente as funções de deputado e consultor.

Por Reinaldo Azevedo

07/06/2011

às 19:09

Reação do líder do PT à queda de Palocci: “Em time que está ganhando, não se mexe” Eu juro!

Paulo Teixeira, vocês sabem, é aquele líder do PT na Câmara. É o deputado que quer legalizar a maconha, defendendo, inclusive, a formação de cooperativa de plantadores-consumidores, uma coisa, assim, bem natural… Também concede entrevista a site de maconheiros sem qualquer problema. Um homem sem preconceito. Como ele não vê nada de errado na erva, acha tudo muito natural, não vai se zangar (abaixo o preconceito!) se eu perguntar se ele tinha dado um “peguinha” (e assim que se fala?) antes de conceder uma entrevista há pouco à GloboNews.

Comentando a saída de Palocci e dizendo que tudo vai bem com o governo, que é preciso tocar normalmente a vida, Teixeira disse uma frase realmente fabulosa:
“Em time que está ganhando, não se mexe”

Disse uma outra coisa engraçada:
“O ministro Luiz Sérgio [Relações Institucionais] está indo muito bem!”

Luiz Sérgio? Quem é esse?

Paulo Teixeira deveria deixar a política de lado e se dedicar a outros assuntos.

Por Reinaldo Azevedo

 

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