Blogs e Colunistas

Anastasia

03/05/2012

às 22:03

Acordo TCE-Assembleia-governo de MG é inconstitucional

Ai, ai… Ainda bem que José Serra não é mais candidato à Presidência da República antes de 2018 ao menos, e uma parte do tucanato de Minas não vai, pois, encher o meu saco, afirmando que a defesa que vou fazer da Constituição não passa de guerrilha eleitoral… Há uma turminha que adora esse papo chato. Se forem contestar o que vou escrever, terão de arranjar outra desculpa. Fazer o quê? Já disse que sou aborrecidamente legalista. Leiam o que informa Paulo Peixoto, na Folha Online. Volto em seguida.

TCE isenta Minas de cumprir metas constitucionais e oposição contesta

A oposição ao governo de Antonio Anastasia (PSDB) em Minas Gerais quer barrar um acordo assinado recentemente entre o Executivo mineiro e o Tribunal de Contas do Estado envolvendo aplicações constitucionais em educação e saúde. Um TAG (Termo de Ajustamento de Gestão) assinado entre o órgão fiscalizador e o governo diz que apenas em 2014 o Executivo aplicará 25% e 12% das receitas em educação e saúde, respectivamente. Pelo acordo, Minas investirá em saúde 9,68% neste ano e 10,84% em 2013. E aplicará na educação 22,82% em 2012 e 23,91% no ano que vem.

O TAG é um instrumento proposto pelo TCE e aprovado pelo Legislativo, Casa em que o governo tem apoio da ampla maioria dos deputados. A resolução 01/2012 do TCE que criou o TAG é do último dia 8 de fevereiro. No dia anterior, o secretário de Governo, Danilo de Castro, visitou a Casa fiscalizadora. Na semana passada, o plenário do TCE aprovou por unanimidade o acordo, que foi relatado pelo conselheiro Mauri Torres, ex-líder do governo na Assembleia e ex-presidente da Casa, exercendo os mandatos pelo PSDB. A resolução não prevê a manifestação do Ministério Públic. Mesmo assim, na sessão que aprovou o TAG, a promotora Sara Meinberg se manifestou e disse não ter visto “nenhum vício grave” que pudesse levar à contestação do acordo, disse à Folha.

Deputados do PT, PMDB e PC do B que fazem oposição prometem obstruir as votações no Legislativo para forçar a revogação do acordo. Nesta sexta-feira (4), eles vão ao Ministério Público do Estado com representantes sindicais pedir que o órgão anule o acordo. Na justificativa que deu ao TCE ao propor o acordo, o governo afirmou precisar de tempo para se adequar às recentes mudanças na lei federal sobre as aplicações constitucionais. Em janeiro, a presidente Dilma Rousseff sancionou a regulamentação da emenda 29, que fixa os gastos obrigatórios do governo federal, dos Estados e dos municípios com o sistema público de saúde.

Voltei
Pouco me importa, quando a Constituição está em questão, quem está de qual lado. Minha simpatia pelo PT, PMDB ou PC do B é inferior a zero. Pelo PSDB, igual a zero. A questão não é partidária. O acordo entre a Assembleia e o Tribunal de Constas do Estado é escandalosamente inconstitucional.

O Inciso II do Artigo 77 obriga os Estados a investir 12% em Saúde, agora tudo devidamente regulamento pela Emenda 29. O Artigo 212 já impunha 25% de investimento em Educação. Qual é a hipótese do TCE, da Assembleia e do governo de Minas? Um TAG pode desrespeitar a Constituição? Seria o caso de alguém propor, então, uma Emenda Constitucional: “A Carta Magna será sempre respeitada desde que não exista um TAG autorizando a transgressão…”

Ora vejam: bastaria, então, todos os estados e municípios repetirem o acordo de Minas, e a dois artigos da Constituição estariam indo para o brejo. Vai virar moda? O petista Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, não quer pagar o piso nacional dos professores. Diz não ter condições. Ah, então entregue o Estado à intervenção federal. Ser eleito para seguir a lei e dizer que não vai segui-la é que não é possível.

No caso do Rio Grande do Sul, Tarso Genro tem de seguir a lei. Ponto! No caso de Minas, Antonio Anastasia tem de seguir a Constituição. Ponto. O resto é feitiçaria.

Por Reinaldo Azevedo

16/01/2012

às 21:27

Anastasia cria o “bolsa drogado”

Leiam o que informa o blog em.com.br, do jornal o Estado de Minas. Volto em seguida.

Usuários de drogas em Minas terão bolsa de R$ 900 para custear tratamento

O governador Antonio Anastasia (PSDB) afirmou, nesta quinta-feira, na entrevista oficial Palavra do Governador, que mil famílias nos municípios de Teófilo Otoni – Norte de Minas – e de Juiz de Fora – Zona da Mata -, que tenham parentes usuários de drogas receberão do estado uma quantia em dinheiro para ajudar a custear o tratamento. Intitulado Aliança pela Vida, o cartão dará direito a um auxílio mensal de R$ 900. “É fundamental a participação das famílias, da sociedade, das empresas, das instituições todas nessa luta tão importante a favor da vida e contra as drogas. É um projeto que vai aproximar a família daquela clínica ou comunidade terapêutica em que o familiar está sendo tratado”, afirma Anastasia.

Segundo o governo estadual, a previsão é de que a cota de R$ 800 se destine ao pagamento da clínica de reabilitação e os demais R$ 100 são previstos para as despesas de deslocamento e transporte dos familiares até o paciente.

Anastasia acrescentou que o canal telefônico criado para dar apoio aos dependentes químicos ou parentes, chamado Disque Drogas, passou a atender de 3 mil a 30 mil ligações por mês. O serviço pode ser acionado pelo número 155.

Voltei
Goste da iniciativa quem quiser. Eu reprovo. Sei que vou apanhar dos tucanos mineiros mais do que dos petistas – com alguma freqüência, alguns deles conseguem ser ainda mais violentos porque se apegam àquela piada que consiste em jogar São Paulo contra Minas… E eu, para estes ao menos, cultivo o mau gosto de ser paulista… Fazer o quê? Acho o bairrismo uma tolice. Até porque, se a questão é a minha “pátria”, eu sou mesmo é da Fazenda Santa Cândida… Como nasci só em 1961, bem depois de 1932, não dou bola…

A notícia ainda é um tanto precária, mas uma coisa é certa: o tratamento de um dependente custa bem mais do que R$ 800. Fosse assim, tudo seria muito fácil e tranqüilo. Não entendi, e não está claro, se o dinheiro poderia ser usado apenas nas clínicas de reabilitação, sendo vedado o seu emprego em outros estabelecimentos. Sendo assim, qual é a rede de clínicas conveniadas e qual é o protocolo de tratamento? Como será acompanhada a qualidade do trabalho e como se vai medir a sua efetividade?

Se o uso do recurso for, vamos dizer, de livre provimento, aí é o pior dos mundos. Uma coisa é entregar dinheiro nas mãos de um carente, como faziam os vários programas de bolsa do governo FHC, depois reunidos no Bolsa Família. Outra, diferente, é entregá-lo a famílias com dependentes químicos. Caso estes se saibam o motivo de uma doação…

Parece-me haver na proposta o indisfarçável cheiro da solução fácil e errada para um problema de difícil solução. Por que os dependentes químicos hão de merecer pensão de R$ 900 do poder público, mas não, sei lá, os que têm as suas respectivas casas destruídas pelas chuvas ou que padecem de outras doenças crônicas, adquiridas não por vontade, com tratamento precário do SUS?

O Brasil vai mesmo se tornando um país muito especial. Por aqui, pagam-se um “auxílio reclusão” e um “auxílio drogado” (no caso de Minas) bem superior ao salário mínimo percebido por quem não está preso nem é viciado. O operário, assim, pode trabalhar para o bem do Brasil e de Minas, certo de estar gerando a riqueza da qual se tirarão os recursos para sustentar os presos e os viciados, que “merecem” um salário maior…

Um país sui generis.

Por Reinaldo Azevedo

09/12/2011

às 19:11

Governador tucano de Minas dá apoio ao petista Pimentel: “Além de mineiro, é amigo”

Por Alfredo Junqueira e Eliana Lima, no Estadão Online:
Em meio às denúncias de irregularidades e suspeitas sobre sua empresa de consultoria, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, recebeu apoio explícito do governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), nesta sexta-feira, 9, no Rio de Janeiro. “Pelas informações que tenho, mantenho muita confiança no ministro Pimentel, que, além de tudo, é mineiro e um amigo”, disse Anastasia, logo após concluir uma palestra sobre a internacionalização do Estado de Minas Gerais, em evento realizado na Associação Comercial do Rio. “Mas essa questão de ministro de Estado, a competência é exclusiva da presidente da República.”

O ministro e o governador são aliados na política local de Minas Gerais. A ala comandada por Pimentel no PT mineiro costurou junto ao PSDB de Anastasia e do senador Aécio Neves a aliança que elegeu, em 2008, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB). O acordo frustrou a ala petista que pretendia lançar a candidatura do então ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e rachou de vez o diretório local do partido.

“Os governadores decidiram em Maceió, no ano passado, que as questões políticas de oposição sejam feitas pelo parlamento, e não pelos governadores”, disse Anastasia, deixando claro que não se sentia confortável em falar sobre as denúncias envolvendo o ministro aliado.

Aécio
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu hoje que o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) deverá prestar os devidos esclarecimentos sobre denúncias de que teria prestado consultoria a empresas com negócios com a Prefeitura de Belo Horizonte. Pimentel é ex-prefeito da capital mineira.

“Sempre tive um relação cordial como ministro Pimentel, mas acho que ele está numa condição de ter que prestar esclarecimentos. Fazer consultoria não é crime. Agora, se houve tráfico de influência é diferente. Temos que dar a ele o crédito para que preste as explicações necessárias. Não esclarecendo, a situação fica muito difícil”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

15/10/2011

às 8:19

TCE de MG: Anastasia vetou o único aspecto positivo de projeto cheio de mamatas

Por Marcelo Portela, no Estadão:
Além das indicações políticas do governo e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para os cargos de conselheiros, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) agora tem espaço para que os próprios conselheiros indiquem apadrinhados para funções de direção e de analistas de contas do Executivo estadual e de centenas de prefeituras e outros órgãos públicos. Projeto com a criação de 321 a 889 cargos, a maior parte de nomeação ampla, foi aprovado pelo Legislativo e teve apenas um veto do governador Antonio Anastasia (PSDB), justamente no artigo que previa o recrutamento de concursados para cargos de chefia.

Entre as vagas com possibilidade de recrutamento amplo estão as de assistentes administrativos, com salários de até R$ 7 mil e a responsabilidade de analisar contas do governo estadual e de prefeituras. “É uma situação absurda. A pessoa não fez concurso e pode ser mandada embora sem qualquer justificativa. Qual a garantia que a análise dessas contas será imparcial?”, indaga o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores do Tribunal de Contas de Minas Gerais (Sintc-MG), Carlos Frederico Dumont Mamede. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

21/02/2011

às 15:00

Reunião de governadores do Nordeste é pontapé inicial para recriar a CPMF. E com a ajuda de Anastasia

Essa reunião de governadores do Nordeste tem algumas coisas muito interessantes. O Planalto está manipulando, de maneira doce, maviosa, a luta regional para recriar a CPMF. Sim, Dilma Rousseff — ISTO É UMA INFORMAÇÃO, NÃO UMA INTERPRETAÇÃO — quer o imposto, mas pretende que ele se imponha como uma “reivindicação da sociedade”, COM OS POBRES COBRANDO OS RICOS. Para tanto, nada melhor do que a questão ressurgir como reivindicação dos governadores da “região mais carente do país” — justamente aquela que deu, na média, quase 70% dos votos para a petista na eleição.

Os governadores do Nordeste, diga-se, têm uma pauta interessante para esse encontro. De modo um tanto oblíquo, pedem que o corte de R$ 50 bilhões do Orçamento não afete  a região. Certo! E também querem a CPMF, que seria, como era, majoritariamente arrecadado no Sudeste, especialmente em São Paulo. Por que os governadores não defendem logo que cada sudestino ofereça o lombo para ser a besta de carga da “redistributivismo”?

Interessante o governador Antonio Anastasia ser o convidado da honra dos “governadores do Nordeste”. Vai ver é porque ele foi o primeiro a flertar com a volta da CPMF — “desde que com reforma tributária”. Ah, bom! Alguns dirão que é porque as regiões Norte e o Jequitinhonha são, na prática, Nordeste. Entendo. A ser assim, Anastasia tem de debater com são Paulo os assuntos do Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba; com Goiás, os da Região Noroeste, e com o Rio de Janeiro e Espírito Santo, os da Zona da Marta e do Rio Doce. Das duas uma: ou todo lugar  seria Minas, ou Minas, como diria Drummond,  quase “não há mais”, restringindo-se ao Centro-Oeste do Estado e à Região Central.

Essa reunião é um gato escondido com o rabo de fora. O governo Lula-Dilma enfiou o pé na jaca e a presidente busca recursos desesperadamente. Dilma havia prometido, por exemplo, criar 500 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) até 2010. Na campanha, disse que entregaria mais 500 até 2014. Até agora, existem 91. Ela já cortou a promessa pela metade em sua mensagem ao Congresso. Não vai cumprir isso também. E olhem que me refiro apenas à promessa mais vistosa na Saúde. Se formos nos lembrar de todas as “mirações” de João Santana…

A reunião dos governadores do Nordeste serve apenas para dar o pontapé inicial no movimento para recriar a CPMF. E isso se faz com a ajuda de Antonio Anastasia, o governador de Minas, que é do PSDB. “E Teotônio Vilela?” Bem, seu papel é engrossar o coro da “proteção especial” ao Nordeste.

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2011

às 19:14

Minas vai criar mais 1.314 cargos comissionados

Por Eduardo Kattah, no Estadão:
O governo de Minas irá criar mais 1.314 cargos comissionados até 2014. A decisão consta do decreto de lei delegada 182 assinada pelo governador Antonio Anastasia (PSDB) e publicado no último sábado no Minas Gerais, diário oficial do Estado. Os novos cargos representam um aumento de 28,85% no número de postos comissionados de chefia, direção e assessoramento já existentes. Do total de cargos comissionados (17,5 mil), o porcentual representa um acréscimo de 7,4%.

Ao comentar recentemente a falta de espaço para a concessão de reajustes ao funcionalismo público neste ano, o próprio governador já admitiu que no Orçamento sancionado para 2011, os gastos com pessoal deverão ultrapassar o limite prudencial previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de 46,55%, e ficar próximo do limite de 49%.

A secretária de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, alegou, contudo, que o impacto será “praticamente irrisório”. A estimativa é que quando os novos postos estiverem todos ocupados a folha de pagamentos cresça R$ 54 milhões ao ano, o que representaria 0,25% do gasto de R$ 21 bilhões previsto com pessoal no orçamento para 2011.

De acordo com a secretária, a estimativa do impacto financeiro ainda estava sendo feita. “De fato precisamos ter os cargos porque essas pessoas precisam ter algum diferencial para ocupar cargos de chefia, de direção, de coordenação de alguma área. Mas não vai impactar em nada no nosso limite”, assegurou.

O objetivo da Lei 182, segundo o governo, é adequar o quadro de servidores à terceira etapa do processo de “modernização administrativa” implantado no Estado, “tendo como foco o cidadão e a regionalização das políticas”. Conforme a secretária, cerca de 700 cargos serão criados para atender às projeções de expansão do sistema prisional. A meta do governo prevê que sejam inauguradas 144 novas unidades prisionais até 2014. Aproximadamente 60% dos cargos restantes deverão ser preenchidos de imediato e a maior parte dos novos postos será criada para atender à ampliação das unidades de saúde.

‘Força ditatorial’
Anastasia recebeu poderes da Assembleia Legislativa para editar leis delegadas até 31 de janeiro, que podem mexer com toda a administração estadual, sem a necessidade de aval do Parlamento. Em seu primeiro ato administrativo, o governador assinou decreto criando de três novas secretarias e os cargos de secretários extraordinários da Copa do Mundo, de Gestão Metropolitana e de Regularização Fundiária.

Alegando abuso na utilização do instrumento, o PT-MG prometeu ingressar com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adi) contra o projeto de resolução do Executivo, aprovado no fim do ano passado e que permitiu a edição de leis delegadas.

Futuro líder da bancada petista na Assembleia, o deputado estadual eleito Rogério Correia, criticou a criação novos postos comissionados. “O Estado está precisando é de concurso público e não mais cargos comissionados”, afirmou em nota distribuída à imprensa. “Além de usar o mês de janeiro, recesso parlamentar e fase de transição entre duas legislaturas, o governo tucano estende a força ditatorial da lei com ‘autorizações’ sem controle público.”

Por Reinaldo Azevedo

21/01/2011

às 14:13

Anastasia defende parceria com Dilma e joga oposição para Congresso

Leiam o que informam Ana Flor e Breno Costa, na Folha Online. Volto n o próximo post:

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), deu sinais hoje que a oposição ao governo Dilma Rousseff ficará a cargo do Congresso. Ele se encontrou na manhã de hoje com a presidente no Palácio do Planalto. Segundo Anastasia, os governadores tucanos decidiram que terão uma “boa relação administrativa” com o Planalto. O PSDB é o principal partido de oposição e foi derrotado no ano passado, no segundo turno das eleições presidenciais.

“No Parlamento é onde ela [a oposição] se manifesta de maneira sempre mais aguda e mais presente”, disse Anastasia. “Eu vim demonstrar que o Estado de Minas Gerais é um Estado parceiro do governo federal”, completou. Outro governador do partido, Geraldo Alckmin, de São Paulo, fez uma deferência à nova presidente ao viajar a Brasília para a posse, em 1º de janeiro. A oposição “light” dos governadores do PSDB se choca com a iniciativa recente de líderes do partido, como José Serra, ex-governador de São Paulo e candidato derrotado nas eleições presidenciais, de criticar publicamente o governo.

Anteontem, via Twitter, Serra criticou o “fisiologismo, corrupção e incompetência” do PT na Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), além de elencar problemas na economia brasileira. Serra foi ministro da Saúde.

Convite
Em outra demonstração da boa fase na relação com o Planalto, Anastasia convidou Dilma para ser a oradora principal do evento de 21 de Abril em Ouro Preto. Segundo ele, a presidente aceitou. O mineiro também fez questão de frisar o termo “presidenta” quatro vezes ao se referir a Dilma –como ela prefere ser chamada. A reunião foi solicitada pelo governador. Durante cerca de 40 minutos, eles conversaram sobre as obras necessárias para a Copa do Mundo de 2014, o metrô de Belo Horizonte e programas sociais. Dilma o comunicou que a Presidência abrirá um escritório em Belo Horizonte, cidade onde ela nasceu e onde vivem familiares.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2010

às 16:39

Governar com lei delegada é autoritário em Minas ou na Venezuela

Leia primeiro o post abaixo

Abaixo, a gente lê que o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), conseguiu na Assembléia uma maioria esmagadora para poder fazer uma reforma administrativa por meio de lei delegada — vale dizer: o Legislativo não participa. Duas coisas combinadas e opostas: a) na América Latina, o governante que abusa de tal expediente é Hugo Chávez; b) Antonio Anastasia não é Hugo Chávez. Então vamos pensar.

Cinqüenta votos a 12? Que coisa, hein!? Muito se fala, e há algum fundamento nisto, que é bom o Executivo ter uma maioria folgada porque consegue implementar com mais celeridade suas propostas. Mas não parece bom que essa maioria seja usada para anular um dos Três Poderes, como é o caso. Não, Anastasia não é um Chávez de Minas, mas e se fosse? Na democracia, as instituições têm de valer mais do que as inclinações e gostos pessoais. Não venham me dizer que esse é um bom procedimento para o regime democrático porque não é. Pra que agredir Montesquieu a esta altura dos acontecimentos?

Pergunta óbvia: quem consegue um placar de 50 a 12 no Legislativo para que o Poder renuncie a suas prerrogativas não teria maioria folgada para fazer a reforma com a participação desse Poder? Se a maioria é usada para excluir a Assembléia, por que não pode ser usada para incluir?

Ora… Dilma Rousseff também terá maioria folgada no Congresso. Caso ela queira fazer uma reforma por meio de lei delegada, o PSDB de Anastasia votará a favor? Se Anastasia pode, por que não Dilma? Qualquer proposta nesse sentido desencadearia uma onda de protestos contra a então presidente. Certamente os editoriais falariam em risco para a democracia. E estariam certos os que se opusessem à iniciativa!

Diante dos protestos da oposição, um tal Alencar da Silveira (PDT) desdenhou, lembrando a “lavada” eleitoral dada por Anastasia fazendo chacota: “O choro é livre”. Do ponto de vista democrático, é uma argumentação delinqüente, bucéfala. Extinguir a democracia não é um dos direitos do eleito — aliás, nem do eleitor!

Questão de princípio
Uma prática ruim não passa a ser boa porque empregada por este ou por aquele lado da disputa. Tenho simpatia pelo governador Anastasia. Parece-me um homem sério, comprometido com a gestão pública. Nem por isso lhe facultarei, aqui no meu tribunal particular, individual, licenças que a outros não facultaria — porque contrárias à prática democrática — na certeza de que, em suas mãos, o mal seria transformado em bem. Tampouco me importa se ele pode, sozinho, fazer uma reforma melhor do que a que se faria com a participação da Assembléia. Escrevi ontem aqui que ações públicas não podem buscar apenas a eficiência; elas também têm de estar comprometidas com uma ética. A que exclui o Legislativo não é boa porque agride o princípio democrático.

Não gosto do PT! Alguma dúvida a respeito disso? Minha crítica é a mais honesta possível. Não lhe atribuo nada que não faça de fato. Escrevi milhares de textos críticos ao partido. Ocupo-me mais dele porque esse autoritarismo não é episódico, mas sistemático, metódico; trata-se de um modo de ver o mundo. Mas é evidente que a legenda não é monopolista de práticas que considero condenáveis.

Se a moda pega, vamos chegar à conclusão de que o empecilho para a modernização do Brasil é, num primeiro momento, o Legislativo. Logo alguém vai considerar que a Justiça também costuma atrapalhar… Na China, por exemplo, não há nenhuma dessas coisas que Sergio Cabral, o impressionante governado do Rio, chamaria de “hipocrisia”…

Sem essa! Se Anastasia pode, então os outros, incluindo Dilma, também podem. E, se todos puderem, em vez de democracia, teremos uma ditadura —  ainda que uma ditadura do consentimento. Não combato o PT em razão de “preconceito”. Combato o autoritarismo, esteja onde estiver, mostre-se ele na forma de uma estrela ou de uma ave boa de bico. PS – “E se fosse em São Paulo, você estaria criticando?” Que eu saiba, Geraldo Alckmin não pretende fazer nada parecido em São Paulo; caso faça, vocês terão a chance de verificar se o princípio que enuncio tem ou não validade.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2010

às 15:49

Sob protestos da oposição, deputados dão a Anastasia poder para legislar

Leiam o que informa Paulo Peixoto, na Folha Online. Volto no próximo post:
Por 50 votos a favor e 12 contra, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou em segundo turno nesta sexta-feira (17) o pedido do governador Antonio Anastasia (PSDB) e lhe deu delegação para editar leis exclusivas para realizar uma nova reforma administrativa no Estado. Com a delegação, o Legislativo renunciou ao direito de participar dessa reforma, sob protesto da oposição. A delegação é uma espécie de carta-branca ao governador e impede apenas que o Executivo trate de matéria orçamentária e da organização dos demais órgãos e Poderes do Estado.

Anastasia, reeleito para mais um mandato, repete o seu antecessor Aécio Neves (PSDB –eleito senador), que, por duas vezes, sempre no começo das suas gestões à frente do governo de Minas, em 2003 e 2007, recorreu à maioria que tem no Legislativo para aprovar as leis delegadas. A finalidade foram sempre as mesmas de agora: fazer uma reforma administrativa no Executivo.

Na votação da última terça, ainda em primeiro turno, o deputado opositor Carlin Moura (PCdoB) apresentou emenda tentando recolocar o Legislativo no centro da discussão da reforma de Anastasia, mas foi derrotada a emenda por ele apresentada com o propósito de que os projetos de lei delegada seriam submetidos à aprovação dos deputados. Nos encaminhamentos antes da votação na manhã desta sexta, somente um situacionista falou em defesa do governo. O deputado Alencar da Silveira (PDT) desdenhou da oposição ao lembrar a “lavada” que Anastasia deu na eleição de outubro, que o reelegeu, e disse ainda que o “choro é livre”.

Pela oposição, falaram quatro deputados do PT e Carlin Moura, além do peemedebista independente Antonio Júlio, a quem coube responder Silveira. Ao falar da votação expressiva de Anastasia (62,7% dos votos válidos) usada como argumento pela situação, disse: “Já que é nessa lógica, vamos fechar a Casa e vamos embora”.

O deputado André Quintão (PT) disse que não há nenhuma excepcionalidade para Anastasia querer legislar no lugar da Assembleia e que isso pode tornar a delegação inconstitucional. Mas o PT não confirmou se vai recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal), como afirmara na semana passada. Deixou a questão no ar.

Quintão alegou que Anastasia tem o direito de fazer a reforma, mas que seu pedido era uma espécie de desconfiança da capacidade da Assembleia em tratar da matéria. Nesse sentido, disse que a Casa estava concordando ao dar esse “atestado” ao governador. Os discursos da oposição, que tem cerca de 15 deputados entre 77, foram sempre no sentido de que se tratava de medida “autoritária”. “Não podemos abrir mão dessa prerrogativa de legislar”, disse o deputado Padre João, líder do PT. A matéria foi aprovada sem dificuldades.

RECORDISTA
Aécio é o recordista na emissão de leis delegadas em Minas, na comparação com os seus antecessores desde 1985. Ele editou 130 leis com as duas delegações dadas pela Assembleia Legislativa. Foram 63 leis delegadas editadas no início de 2003 e 67 em janeiro de 2007. O recorde anterior de leis delegadas pertencia ao ex-governador Hélio Garcia, que, em 1985, editou 36 leis. Com Itamar Franco, em 2000, foram oito; o tucano Eduardo Azeredo, em 1997-98, editou três; e o peemedebista Newton Cardoso, em 1989, uma.

Mesmo nas gestões de Aécio foi Anastasia quem esteve à frente das duas reformas administrativas realizadas. A primeira foi batizada de “choque de gestão” e outra chamada de “Estado para Resultados”. Anastasia tem dito que agora virá um “terceiro ciclo”, que definiu como “desdobramento desses dois” anteriores. Ele vislumbra uma reforma que contemple os investimentos que ocorrerão nas áreas sociais e na questão de empregos.

Por Reinaldo Azevedo

05/11/2010

às 7:01

Anastasia, de Minas, é o único governador da oposição que disse “sim” à CPMF até agora

Vejam como a coisa pode começar facinha, facinha, para Dilma Rousseff. O Estadão conseguiu ouvir 25 dos 27 governadores eleitos (ou reeleitos) sobre a volta da CPMF. Disseram-se favoráveis ao imposto 14 deles. O único oposicionista do grupo é Antonio Anastasia, de Minas (PSDB).

Agora a boa notícia: disseram “não” Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Beto Richa (PSDB-PR), Marconi Perillo (PSDB-GO), Simão Jatene (PSDB-PA), Rosalba Carlini (DEM-RN) e Raimundo Colombo (DEM-SC). Três outros oposicionistas, embora ouvidos, preferiram não opinar: Teotônio Vilela (PSDB-AL), Anchieta Júnior (PSDB-RR) e Siqueira Campos (PSDB-TO). Entre os governistas, só dois não disseram nem “sim” nem “não”: Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e Confúcio Moura (PMDB-RO). Roseana Sarney (PMDB-MA) e Omar Aziz (PMN-AM) não foram encontrados. Os outros 13, todos da base aliada, são favoráveis.

Publiquei ontem aqui um post com um vídeo sobre o paraíso em que Dilma prometeu transformar a saúde brasileira. Teria sido honestíssimo ter dito: “Olhem, quero fazer tudo isso, mas conto com a colaboração de vocês. Nós vamos recriar a CPMF…” Sim, eu sei, eleitoralmente não teria sido muito inteligente. Então se promete o céu e depois se vai atrás de um imposto… É mais inteligente, mas muito pouco honesto.

Esse debate já começa na pura malandragem. Dilma vai ter uma maioria acachapante no Congresso. Lá é o lugar de propor impostos novos e debater com a sociedade. O truque, posto em prática pelos governadores do PSB, é dividir o ônus da criação de mais um imposto com as oposições. Antonio Anastasia, governador de Minas — e, supõe-se, o senador eleito Aécio Neves — topam a parada. Seria a primeira promessa descumprida por Dilma. Usará os governadores como laranjas. Que os da situação ofereçam seu auxílio, vá lá. Que um oposicionista já tenha se oferecido…

Não se trata de saber se é preciso ter mais dinheiro ou não, se o imposto será grande ou pequeno. Claro que é preciso mais grana. É defensável, sob certo ponto de vista, criar contribuições para a educação, para o transporte público, para a segurança, para engordar os magros, emagrecer os gordos, construir casas… Para todas as demandas da sociedade, existem os tributos arrecadados. A carga no Brasil já beira a extorsão. O que está em debate é o caminho. E o caminho está errado.

Qual vai ser a orientação? Vai se criar primeiro o imposto da saúde para, depois, debater a queda da carga tributária? Ora, tenham paciência! O truque é primitivo! Abaixo, há uma entrevista boa de Aécio Neves, em que diz coisas sensatas. A postura propositiva, de que ela fala, inclui aumentar a carga tributária, em vez de oferecer alternativas para reduzi-la?

Por Reinaldo Azevedo

16/09/2010

às 22:05

Minas sem mistérios

(Leia primeiro o post abaixo)
Segundo informa Eduardo Kattah (post abaixo), Aécio Neves atrelou uma futura postulação à Presidência à vitória de Antonio Anastasia. Terá dito isso mesmo? Kattah costuma relatar direitinho as coisas que Aécio fala. Assim, não há, em princípio, por que pôr em dúvida. Palavras um tanto temerárias, que embutem, para começo de conversa, a certeza do triunfo. Ainda que as pesquisas sejam favoráveis a Anastasia, convém um tanto de prudência. Duvido que o ex-governador desista de sua ambição em caso de derrota. Mais: noves fora, dá a derrota de Serra como certa. Que os adversários o façam, vá lá. A um aliado, não pega bem. Pode parecer deslealdade.

Sempre que o estado de Minas é tratado como uma “entidade” quase mística, o discurso fica um tanto confuso. No primeiro parágrafo do texto abaixo, a derrota de Anastasia poderia inviabilizar o sonho presidencial de Aécio; no terceiro parágrafo,  ”seria a vitória de interesses externos a Minas Gerais”. Assim, juntando-se uma coisa a outra, Anastasia  representa os “interesses internos a Minas Gerais” e também é precondição para Aécio sonhar com a Presidência. A lógica, pois, nos diz que ele deve ser presidente em razão de algum misterioso “interesse interno a Minas Gerais” que tem alcance externo. Incompreensível.

Se é como diz a reportagem, esse é um discurso velho. Sei que um texto dessa natureza sempre levanta a suspeita desse ou daquele: “Ih, olhem lá o Reinaldo escrevendo um texto de ‘paulista’ e de ‘partidário do Serra’”. Se alguém vier com essa, não dou a menor pelota — os petralhas dizem coisa muito pior, sem que me abale.

Aécio foi um bom governador de Minas Gerais, respeitado pela população do estado, como evidenciam sua aprovação, a votação maciça que deve ter para o Senado e a possível, hoje provável, eleição de Anastasia, seu candidato, a quem transferiu, na esfera local, o prestígio que Lula transferiu a Dilma na nacional. Minas, como diria Gilberto Gil sobre a sua Bahia natal, deu ao ex-governador régua e compasso. Mas seu discurso, até hoje, não encontrou eco fora das montanhas. A conversa de que não foi ele o candidato do PSDB porque Serra, o malvado paulista, não deixou é história da Carochinha, fartametne explorada pelos petistas de Minas, diga-se. Não foi porque não conseguiu uma expressão nacional que o viabilizasse.

As Minas que o carregam também podem derrubá-lo, uma vez que sempre aparece fazendo um discurso preso a uma geografia que não é apenas territorial — ela assume contornos de geografia moral e mental: já aprendemos com Drummond que ser mineiro é coisa intraduzível para quem não é de Minas. Não adiante tentar passar adiante. Faz parte dos mistérios.

Tenho pra mim — e Aécio certamente conversa com especialistas das mais variadas áreas, inclusive pesquiseiros; portanto, isto não é um conselho, é óbvio — que a linguagem regionalista, no atual estágio da política, é, além de regressiva, contrária ao espírito do tempo. Por mais que eu ache, e todos sabem que acho, detestável o discurso lulo-petista, uma coisa é inegável: ele apela a um país sem esse tipo de fronteiras.

Não sei se noto no que vai acima a ressuscitação da tese da tal fase “pós-Lula” da política, quando haveria um rearranjo de identidades, diluindo fronteiras partidárias, permitindo, então, a emergência de uma força que deixasse para trás a suposta luta entre os petistas e tucanos de São Paulo (olhem a falsa questão regional aí…).

O “pós-Lula” do PT, caso Dilma vença, já está desenhado pelo partido, e José Dirceu revelou seus prolegômenos naquela reunião de segunda com os sindicalistas da Bahia. Caso a economia entre em parafuso, venha uma crise etc, essas coisas que ninguém quer, então o projeto hegemônico petista se fragiliza. Se as coisas derem mais ou menos certo, a única chance de o PT não se consolidar como o PRI à moda da casa é haver uma oposição clara, organizada, unida.

A propósito, caso Dilma vença, eu tenho uma boa sugestão para a política na fase  pós-Lula: uma oposição de verdade, não essa dos últimos oito anos.

Por Reinaldo Azevedo

16/09/2010

às 21:20

Aécio: derrota de Anastasia frustraria plano para 2014

Por Eduardo Kattah, da Agência Estado. Volto no próximo post.
O ex-governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse hoje que uma eventual derrota do tucano Antonio Anastasia na sucessão estadual pode representar também a derrota de um futuro projeto presidencial por ele liderado. Ele esteve em campanha em Itajubá, no sul mineiro.

Pela primeira vez desde o início da campanha, Aécio, candidato ao Senado, vinculou o resultado da disputa pelo Palácio Tiradentes à hipótese de, na volta ao Congresso, se firmar como liderança nacional do partido e futuramente voltar a pleitear uma candidatura à Presidência.

Na véspera de mais uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Estado – Lula fará comício em Juiz de Fora, na Zona da Mata, ao lado da presidenciável do PT, Dilma Rousseff, e do candidato da base aliada em Minas, Hélio Costa (PMDB) -, Aécio disse que a eventual derrota de Anastasia “seria a vitória de interesses externos a Minas Gerais”.

A estratégia de nacionalizar a campanha estadual foi deflagrada pela campanha de Costa, que aposta na popularidade de Lula como cabo eleitoral e no avanço da candidatura de Dilma no segundo colégio eleitoral do País, pregando o alinhamento político entre Estado e governo federal.

Ao ser questionado se não se sentia decepcionado por não ter conseguido se viabilizar como candidato à Presidência, Aécio afirmou que é preciso “pensar no futuro” e trabalhar pela reeleição do atual governador. “Minas tem que continuar avançando”.

Na pesquisa Ibope divulgada na última segunda-feira, Anastasia abriu nove pontos porcentuais de vantagem sobre Costa e aparece com 41% das intenções de voto, contra 32% do peemedebista. Conforme o levantamento, o tucano seria eleito no primeiro turno. A pesquisa foi contestada por Costa.

Erenice
Aécio foi sucinto ao comentar a saída de Erenice Guerra do Ministério da Casa Civil em meio a denúncias de tráfico de influência na pasta. “É preciso que as apurações sejam feitas e punidos os responsáveis”, afirmou o ex-governador.

Ele, contudo, classificou como “gravíssimas” as acusações envolvendo o governo Lula. “O próprio governo federal e os partidos que estão lá devem ter a responsabilidade de não deixar dúvidas em relação à sociedade brasileira, se pactua ou não com esses atos descabidos muito próximos à sede do governo federal”, disse.

Em Belo Horizonte, ao falar sobre o pedido de demissão da ministra, Anastasia disse que durante o governo do PT no âmbito federal “não houve o prestígio da profissionalização e da meritocracia.” Coordenador do chamado choque de gestão do governo Aécio, o atual governador tucano avaliou que a saída de Erenice “demonstra de fato que a situação é grave” e “possivelmente” afetará a campanha de Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

24/08/2010

às 21:22

Justiça libera Aécio, mas mantém restrição a Dilma em programa de aliado em Minas

Por Paulo Peixoto, na Folha Online:
A Justiça Eleitoral em Minas Gerais liberou nesta terça-feira a participação sem restrições do candidato ao Senado Aécio Neves (PSDB) no programa de Antonio Anastasia, seu aliado que concorre à reeleição em Minas, mas manteve a restrição à participação da petista Dilma Rousseff no programa do seu aliado Hélio Costa (PMDB), concorrente do tucano.

No final de semana, tanto Aécio quanto Dilma tiveram suas participações restringidas pelo juiz Octavio Augusto De Nigris Boccalini, do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) mineiro, por entender que ambos utilizaram a participação deles nos programas dos seus respectivos aliados para fazer campanha para suas próprias candidaturas.

Recursos diferentes apresentados pelas duas coligações, portanto, acarretaram em soluções distintas. O PSDB questionou a decisão do juiz Boccalini e, por ter entrado com um mandado de segurança, teve o recurso julgado pela juíza Mariza Porto, que teve outro entendimento e cassou a liminar do colega.

Já no caso de Dilma, a coligação que representa o PMDB e o PT optou por um recurso com pedido de reconsideração pelo próprio juiz Boccalini, que não acatou o pedido.

A participação de Aécio teve a restrição solicitada pela coligação de Costa, que alegou que o tucano usou o programa de Anastasia para falar da sua própria gestão enquanto esteve no governo mineiro e, dessa forma, estava se beneficiando disso como candidato ao Senado.

Escreveu o juiz ao conceder a liminar: “Ao se referir ao processo de transformação que participou, utilizando-se do pronome pessoal ‘nós’, bem como ao mencionar o termo ‘governo Aécio-Anastasia’, o candidato ao cargo de senador Aécio Neves se beneficiou dos termos da propaganda veiculada, o que é vedado por lei”, disse o juiz.

Ao cassar a liminar, Porto alegou ter havido “apenas o pedido de voto para o candidato a governador a quem é destinado o horário eleitoral em questão, sendo que o candidato ao Senado explicitou apenas as razões por que votaria no candidato ao governo de Minas” do seu partido.

A restrição à participação de Dilma se deve ao fato de ela ter aparecido na inserção de Costa falando de realizações suas no governo Lula, conforme alegou representação do PSDB.

Foi destacado na decisão do juiz o seguinte trecho da fala da candidata petista: “Quando eu criei o Luz para Todos, uma das minhas prioridades foi levar energia para as escolas. (…) Pode ter certeza que, se eleitos, vamos continuar trabalhando lado a lado pelo Brasil e por Minas.”

O juiz escreveu: “Depreende-se que a candidata Dilma Rousseff, ao mencionar que criou o programa de governo ‘Luz para Todos’ e que teve como prioridade ‘levar energia para as escolas’, não deixa a menor dúvida de que seu intento foi nitidamente se promover em horário destinado ao candidato a governador, Hélio Costa”.

Pelo entendimento do juiz, Dilma pode participar do programa desde que não peça voto para ela própria, apenas para o candidato ao governo mineiro.

Por Reinaldo Azevedo

23/08/2010

às 14:53

Duas decisões da Justiça Eleitoral de Minas e um só prejudicado

Leiam o que informa Paulo Peixoto na Folha Online. Volto em seguida:

Justiça restringe presenças de Dilma e Aécio em programas eleitorais de Minas

O juiz eleitoral Octavio Augusto De Nigris Boccalini, do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas Gerais, restringiu as participações da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e do candidato do PSDB a uma cadeira minera no Senado, Aécio Neves, nos programas dos respectivos candidatos a governador aos quais estão aliados no Estado.

A Justiça acatou, por meio da concessão de liminares às coligações rivais no último final de semana, os argumentos de que tanto Dilma quanto Aécio estavam usando as inserções dos candidatos a governador que apóiam –respectivamente Hélio Costa (PMDB) e Antonio Anastasia (PSDB)– para fazerem propaganda das suas próprias candidaturas.

A restrição à participação de Dilma se deve ao fato de ela ter aparecido na inserção de Costa falando de realizações suas no governo Lula e pedindo voto para ela mesma.

Foi destacado na decisão do juiz o seguinte trecho da fala da candidata petista: “Quando eu criei o Luz para Todos, uma das minhas prioridades foi levar energia para as escolas. (…) Pode ter certeza que, se eleitos, vamos continuar trabalhando lado a lado pelo Brasil e por Minas.”

“Depreende-se que a candidata Dilma Rousseff, ao mencionar que criou o programa de governo ‘Luz para Todos’ e que teve como prioridade ‘levar energia para as escolas’, não deixa a menor dúvida de que seu intento foi nitidamente se promover em horário destinado ao candidato a governador, Hélio Costa”, escreveu o magistrado.

No caso de Aécio, o juiz entendeu que, ao falar da sua própria gestão no programa de Anastasia, o ex-governador tucano faz propaganda que o beneficia como candidato ao Senado.

Para fixar no eleitorado a idéia de que Anastasia está vinculado diretamente a ele e, dessa forma, tentar alavancar sua candidatura à reeleição no governo mineiro, Aécio fala dos feitos da sua gestão e usa a expressão “Aécio-Anastasia”, agora proibida de ser dita pelo ex-governador mineiro.

“Ao se referir ao processo de transformação de que participou, utilizando-se do pronome pessoal ‘nós’, bem como ao mencionar o termo ‘governo Aécio-Anastasia’, o candidato ao cargo de senador Aécio Neves se beneficiou dos termos da propaganda veiculada, o que é vedado por lei”, disse o juiz.

As participações de Dilma e de Aécio, no entendimento do juiz, devem ficar limitadas a pedir votos para os seus aliados. As duas decisões ainda terão o mérito analisado pelo pleno da Justiça Eleitoral mineira.

Comento
É mesmo é? Uma coisa é invadir o horário dos candidatos a outros cargos para pedir votos para si mesma, e foi isso o que fez Dilma, como deixa claro o texto ; outra, diferente, é comparecer ao horário eleitoral do aliado para ligar seu nome ao de quem concorre, expressando apoio, como fez Aécio. Vetar as duas participações parece típico daquele “equilibrismo” que trata igualmente os desiguais, o que sempre beneficia o pior ou quem errou.

Digam-me: o que Aécio fez em Minas, segundo relata a reportagem, é diferente do que faz Lula com Dilma Rousseff? Respondo: um pouco diferente. O ex-governador, ao menos, trata o seu aliado como um parceiro, não como um ungido. De resto, Dilma quer, de fato, ampliar a sua margem no Estado como parte da estratégia petista de vencer no primeiro turno. Para se eleger senador, Aécio não precisa invadir o tempo de ninguém; está, reitero, deixando claro quem o candidato ao governo que conta com o seu apoio. Um veto é quase irrelevante para Dilma e para Hélio Costa; o outro é irrelevante para Aécio, mas prejudica Antonio Anastasia,  que está bem atrás de Hélio Costa no Estado, segundo o Datafolha.

Segundo o critério do juiz Octavio Augusto De Nigris Boccalini, Lula só pode ter a participação que tem na campanha de Dilma porque não é candidato. Caso tivesse decidido se licenciar para disputar o Senado, por exemplo, não poderia  comparecer ao horário de Dilma porque estaria pedindo votos para si mesmo… Tenha dó!

Mais: passando-se as coisas como diz a reportagem, a Justiça Eleitoral já se comporta mesmo como uma variante da censura, policiando até a linguagem. Quer dizer que a expressão “governo Aécio-Anastasia” está vetada? Mas o atual candidato ao governo pelo PSDB não foi, de fato, vice do outro? Lula e Dilma podem falar “nosso governo” mesmo tendo sido ela não mais do que uma das ministras do presidente, e isso, ora vejam, é normal. “Ah, mas Lula não é candidato…”

A Justiça Eleitoral começa a ter, nas eleições, aquele protagonismo típico de certos juízes de futebol, que costumam se destacar mais do que os próprios jogadores.

Espero que Aécio esteja percebendo que essa história tem uma moral. O “pós-Lula”, a depender do andar da carruagem, pode ser uma pré-ditadura com eleições.

Por Reinaldo Azevedo

05/08/2010

às 21:07

Aécio pode até suportar alguns bichos exóticos, mas repudia de verdade o “Helécio”; talvez seja o caso de repudiar os outros…

Leiam o que informa Paulo Peixoto na Folha Online. Volto em seguida:

Aécio desautoriza movimento “Helécio” em Minas

O ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB) “desautorizou” o movimento “Helécio”, criado por Clésio Andrade, ex-vice-governador na primeira gestão do tucano (2003-2006) e presidente do PR-MG. Segundo Clésio, a ideia do “Helécio” é defender o voto casado em Aécio para o Senado e em Hélio Costa (PMDB) para o governo mineiro.

Hélio Costa disputa o cargo contra o candidato à reeleição Antonio Anastasia (PSDB), apadrinhado político de Aécio. Clésio anunciou que fará campanha pública tanto para Aécio quanto para Costa, que estão em campos opostos tanto na disputa nacional quanto na regional.

“Desautorizo veementemente qualquer tentativa de vincular o meu nome a qualquer candidatura que não seja a do governador Antonio Anastasia”, disse Aécio, por meio de nota distribuída nesta quinta por sua assessoria.

“Trata-se de uma manobra para confundir o eleitor mineiro, uma vez que não há nada em comum entre a minha candidatura e a do adversário.”

Também em nota, a assessoria de Clésio informou que na próxima segunda-feira, com a presença de Hélio Costa, será inaugurado em Belo Horizonte o “escritório do movimento suprapartidário Helécio”. O espaço servirá também para difundir as candidaturas dos petistas Dilma Rousseff para presidente e Fernando Pimentel para senador.

Oficialmente, o PR de Minas está coligado com o PSDB porque Clésio foi voto vencido no partido e perdeu a disputa interna para os deputados federais da sigla. Empresário e presidente da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Clésio queria o PR coligado com o PMDB e o PT.

Desde o “Lulécio” de 2006 –o voto no petista Lula para presidente em Aécio para o governo mineiro–, outros movimentos tentando associar políticos em campos opostos se alastrou neste ano.

O primeiro que surgiu foi o “Dilmasia”, que prega o voto em Dilma e em Anastasia. Tentando pegar carona na popularidade de Aécio, aliados de Pimentel também tentam difundir o “Pimentécio”, que vem a ser o voto para as duas vagas de senadores que estarão em disputa.

Comento
Tenho uma correção a fazer à reportagem da Folha. O voto “Lulécio” não surgiu em 2006, mas em 2002, na primeira eleição de Lula no Brasil e de Aécio em Minas. Por que sei? Porque escrevi um texto na revista Primeira Leitura afirmando que aquele e outros estranhos híbridos depredavam o processo político e só beneficiavam o PT, ainda que, momentaneamente, pudessem parecer positivos para Aécio e outros. Em 2006, o voto “lulécio” sobreviveu.

Ainda recentemente, quando se falou no tal voto “Dilmasia” — Dilma mais o candidato tucano ao governo, Antonio Anastasia —,notei, vamos dizer, certa preguiça em combater o monstrengo. Ora, quando se abrem as portas para esses frankensteins, as pessoas se sentem estimuladas a criar bichos novos. O da hora é o do patriota Clésio Andrade, o tal voto “Helécio”.

Aécio não gostou. Desta feita, está sendo mesmo sincero. Qualquer que seja o resultado da eleição presidencial, o ex-governador só será vitorioso e se credenciará ou como um dos homens fortes do governismo (caso Serra vença) ou da oposição (caso vença Dilma) se Anastasia se eleger. Se o candidato do PSDB for derrotado, o homem forte do governismo ou do oposicionismo, sem disputa, será um só: Geraldo Alckmin, cuja eleição para o governo de São Paulo parece assegurada — com boas chances de se dar no primeiro turno, o que qualifica a vitória. Caso Beto Richa leve o governo do Paraná, torna-se também uma estrela em ascensão.

Um ou outro desses bichos exóticos, como Dilmécio, Dilmasia ou Pimentécio, podem até ser do gosto do ex-governador — ou, no máximo, irrelevantes. Mas o “Helécio”, não! O triunfo do Helécio seria muito ruim para Aécio, que não teria nem como disputar com Alckmin o segundo lugar, ou primeiro, na fila do PSDB.

Em 2002, escrevi que esses híbridos faziam o elogio da traição. E que a traição, em política, sempre cobra um preço muito caro.

Por Reinaldo Azevedo

08/04/2010

às 18:12

Anastasia, governador de Minas: “O candidato do PSDB é o Serra”

No Estadão Online:
O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), reagiu nesta quinta-feira, 8, às declarações feitas na última quarta-feira, 7, da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que sugeriu o voto simultâneo nela e no candidato apoiado por Aécio Neves ao governo mineiro – no caso, o próprio Anastasia.

“É sempre bom lembrar que o nosso partido tem candidato a presidente, que é o nosso governador José Serra, e com ele marcharemos de maneira muito firme, em Minas, e naturalmente nos outros Estados também. Então, nosso grande objetivo, nosso grande esforço, será, naturalmente, na eleição ao nível presidencial, do governador Serra, e, em Minas Gerais, com o apoio de diversos partidos que compõem a nossa base de governo, e já eram no tempo do governador Aécio, vamos continuar marchando pela nossa candidatura”, disse Anastasia, em Brasília.

Na última quarta-feira, em visita a Belo Horizonte, Dilma admitiu a hipótese de o eleitorado mineiro optar por um movimento já batizado de “Dilmasia”, a exemplo do que aconteceu em 2006. Naquele ano, houve o que se chamou de “Lulécio” – o voto simultâneo em Lula para presidente e Aécio Neves (PSDB) para governador.

“O candidato nosso é o governador José Serra, e com ele vamos ganhar as eleições, não só em Minas, mas, tenho certeza, em todo o Brasil”, reforço Anastasia. Ele não acredita que o fenômeno de 2006 se repita agora. “Tínhamos, naquele momento, carismas diferenciados, e cada eleição é uma eleição. Cada eleição tem uma fotografia, um movimento, um sentimento.”

Sobre a visita da ex-ministra ao túmulo do ex-presidente Tancredo Neves, Anastasia disse que “soou estranho”. “O PT não só não apoiou como até expulsou deputados do PT na época que votaram no presidente Tancredo Neves. Então, é algo estranho. Eu acho que é direito de todos os candidatos, não só da ex-ministra, mas também do governador Serra, do deputado Ciro, da ex-ministra Marina, viajarem pelo Brasil afora, apresentando suas propostas, recebendo seus apoios, isso é perfeitamente natural. Agora, têm que tomar certa cautela com gestos que possam, de fato, ter essa impressão pra ver a impressão que isso causa no cidadão de cada estado em respeito à sua história e à sua trajetória.”

Por Reinaldo Azevedo

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados