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Agnelo Queiroz

31/03/2014

às 5:05

POPULISMO A SERVIÇO DA IGNORÂNCIA – Em ano eleitoral, Agnelo quer desalojar Embrapa para erguer casas populares

Sede da Embrapa Cerrados: um exemplo positivo num país que carece de investimentos em pesquisa e tecnologia

Sede da Embrapa Cerrados: um exemplo positivo num país que carece de investimentos em pesquisa e tecnologia

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Em um país que há décadas trata com negligência sua política nacional de ciência e tecnologia e despreza investimentos em pesquisa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, é um raro exemplo de sucesso. Criada há quarenta anos, durante o regime militar, a instituição atua em 44 países e desenvolve pesquisas de inovação e transferência de tecnologia em parceria com institutos de ponta nos Estados Unidos, no Reino Unido e na França. Um dos principais braços operacionais da empresa, a unidade do Distrito Federal, instalada às margens da BR-020, é responsável por fazer do cerrado brasileiro um dos principais biomas de produção nacional de carne e soja. Apesar dessas credenciais, o oportunismo do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), poderá mudar completamente os rumos da empresa. Candidato à reeleição em outubro, o petista quer tomar o terreno da Embrapa Cerrados para construir casas populares – e colher votos.

Alguns campos experimentais da Embrapa foram desenvolvidos em áreas de antigas fazendas desapropriadas na década de 1950 para a construção de Brasília – e legalmente cedidas para o uso da empresa em 1975. O argumento da gestão Agnelo para ficar com a terra é pífio: o governo pretende utilizar o mesmo terreno, independentemente das dezenas de áreas ociosas no Distrito Federal, para construir um condomínio com 5.000 apartamentos populares. Com a perda da área – a gleba exigida pelo governo Agnelo representa 20% da área utilizada pelo Centro de Pesquisas para os experimentos de campo no DF –, a Embrapa afirma que haverá “descontinuidade de pesquisas realizadas há mais de trinta anos, com prejuízos irreparáveis para a sociedade”.

Nos seus 40 anos de funcionamento, a Embrapa Cerrados levou o Brasil à liderança em projetos de agricultura tropical, com investimento de pelo menos 7 milhões de reais na fazenda que o governo do Distrito Federal agora reivindica. Pesquisas em produção animal e vegetal e o desenvolvimento de tecnologias para correção da fertilidade do solo e para sistemas irrigados fizeram com que o cerrado respondesse por 55% da produção nacional de carne bovina, mais de 60% da produção de soja, 41% da produção de leite e 31% da produção de milho.

“Pegar aquele terreno para fazer casas populares é não perceber o que a Embrapa significa para o Brasil. O país chegou ao posto de sexta economia do mundo [em 2012] muito em função da agricultura e pecuária. Mas atitudes como a do governador Agnelo contribuem para que o Brasil fique estacionado na 13ª posição na produção científica mundial”, diz a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader. “Sou totalmente a favor da melhoria das condições de moradia, mas a atitude do governo de construir casas nas fazendas da Embrapa será a completa destruição de pesquisas porque a região tem toda uma história de ciência. Existem outras áreas para fazer residências populares.”

“Até meados dos anos 1970, o cerrado era considerado improdutivo. Hoje, bate recordes sucessivos de produtividade. Sem a pesquisa agropecuária isso jamais teria sido possível”, afirmam os funcionários da Embrapa Cerrados em manifesto redigido após a mais recente investida do governo para tomar a fazenda.

Para a Secretaria da Habitação do Distrito Federal, comandada por Geraldo Magela, companheiro de partido de Agnelo, as moradias populares precisam ser erguidas exatamente na região de atuação da Embrapa. Em 2008, a mesma secretaria alegava que a área era fundamental para a viabilização de um polo de venda de máquinas agrícolas. Na falta das máquinas, o despejo da Embrapa ocorreria agora para abrigar a população carente de moradia e minimizar o déficit habitacional – estimado em 116.000 casas.

O secretário Geraldo Magela vai além: segundo sua assessoria, a área de Planaltina, onde fica a fazenda de pesquisas da Embrapa, está degradada e, por isso, a construção de unidades habitacionais evitaria novos custos ambientais para a população.

Além da negligência em relação às pesquisas em andamento, um fator ambiental também tem sido desconsiderado pelo governo Agnelo na disputa pela região. A área da fazenda fica no entorno da unidade de conservação da Estação Ecológica de Águas Emendadas, fundamental para a proteção do bioma do cerrado e nascente de duas das mais importantes bacias hidrográficas brasileiras: Araguaia-Tocantins e do Paraná.

Centro do poder político e com reconhecido padrão de excelência em qualidade de vida, o Distrito Federal enfrenta há pelo menos cinquenta anos um dos maiores problemas fundiários do país. Pelo menos 20% de todas as moradias, segundo a última Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios, estão em terrenos não legalizados, assentamentos ou invasões. No ano passado, a ex-presidente na Câmara Legislativa Lúcia Carvalho foi acusada pela Polícia Federal de fraude em demarcação de terrenos e formação de quadrilha. Outros políticos de Brasília também já frequentaram páginas policiais por envolvimento em irregularidades na posse de terras. Porém, é fato que não faltam áreas de propriedade do governo do Distrito Federal aptas a receber o conjunto de casas populares que Agnelo quer erguer. Só a pressa em entregar obras em ano de eleição explica a insistência de Agnelo em tomar os campos da Embrapa.

Em tempo: o Governo do Distrito Federal afirma que respeita as pesquisas da Embrapa e negocia – sem mediação da Justiça – uma outra região para a empresa montar os campos experimentais.

Por Reinaldo Azevedo

16/03/2014

às 5:55

O Mané Garrincha, de Brasília, estádio mais caro do país, tem indícios de superfaturamento de R$ 431 milhões

Por Felipe Coutinho, na Folha:
A reforma do estádio Mané Garrincha, a arena mais cara da Copa do Mundo, tem indícios de superfaturamento de R$ 431 milhões, segundo análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal. Segundo levantamento feito por técnicos do tribunal, o superfaturamento é resultado de uma série de irregularidades, como compra indevida de material, cálculo equivocado no custo de transporte, além de abono de multa pelo atraso na entrega da obra e atraso na solicitação de descontos na cobrança de impostos prevista em lei.

Os contratos analisados pela área técnica do tribunal dão pistas de como o custo do estádio dobrou desde o início da obra, passando de R$ 700 milhões, em 2010, para os atuais R$ 1,4 bilhão. Um dos exemplos para entender o gasto excessivo “sem mais esforços”, segundo os técnicos, é o cálculo de transporte de materiais pré-moldados no canteiro de obras. A fábrica dessas peças fica a 1,5 km do estádio, na capital federal, mas o custo de transporte foi calculado como se tivessem sido transportados de Goiânia a Brasília, uma distância de 240 km.

O custo de transporte cobrado do governo do DF foi de R$ 592 por metro cúbico desses materiais, quando para os auditores deveria ser de apenas R$ 3,70. Somente neste caso, o prejuízo estimado foi de R$ 879 mil. ”Sem mais esforços, percebe-se que os custos foram superestimados, pois o transporte de pré-moldados ocorre dentro do próprio canteiro de obras. A utilização de custo de transporte Brasília-Goiânia’ é totalmente inadequada para o serviço, não merecendo comentários adicionais para a reprovação do método”, diz o relatório. O superfaturamento de R$ 431 milhões em discussão pelo tribunal é o somatório das irregularidades apuradas em cinco processos. Os valores apontados na auditoria ainda podem aumentar porque o cálculo foi feito com base em análise de julho de 2013.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

18/02/2014

às 4:14

A agonia do Distrito Federal parece não ter fim. Talvez seja um bom retrato do estado miserável da política brasileira

José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, tem uma nova condenação, agora numa ação de improbidade administrativa. Em 2008, ele promoveu em Brasília um jogo amistoso entre as seleções do Brasil e de Portugal e contratou, sem licitação, uma empresa de marketing para cuidar do evento. Ainda cabe recurso. Condenação por improbidade, se confirmada, depois do trânsito em julgado, rende suspensão de direitos políticos, entre outras punições. Muito bem! Este poderia ser apenas mais um rolo de Arruda com a Justiça, o que não renderia não mais do que umas dez palavras. Mas o ponto é outro.

O governo do petista Agnelo Queiroz é tão ruim, mas tão ruim, que, acreditem, Arruda volta a ser considerado um forte candidato a sucedê-lo. Sim, senhores! É aquele mesmo que apareceu em vídeo recebendo pacotes de dinheiro do tal Durval Barbosa. Passou da condição de um dos políticos mais festejados do país para a de um pária, com quem ninguém queria conversa.

Pois bem! Ele já se filiou ao PR, o tal Partido da República — aquele de que o mensaleiro Waldemar Costa Neto é um dos chefões — e pode voltar a disputar, com chances, acreditem, o governo do Distrito Federal. E sabem quem é o seu maior cabo eleitoral? Justamente Agnelo, o atual governador.

Desde a queda de Arruda, incluindo as peripécias do próprio, o governo do DF não sai das páginas policiais e não para de gerar notícias assombrosas. A última é uma licitação feita pela turma de Agnelo para comprar — atenção, leitores! — 26.841 garrafas térmicas, ao preço de R$ 972,8 mil. Nem chega a ser o maior dos exotismos: em abril de 2013, entre os gastos com segurança para a Copa de 2014, o GDF reservou R$ 5,35 milhões para a compra de capas de chuva que seriam usadas por policiais militares. A Copa será disputada entre 12 de junho e 13 de julho. Nesse período, não cai uma gota de chuva em Brasília, e o ar é irrespirável também por isso.

É espantoso o que se passa no Distrito Federal. Agnelo ainda diz que vai tentar a reeleição. Se isso acontecer, será o maior cabo eleitoral de Arruda, que não tem condenação nenhuma em segunda instância e pode, sim, ser eleito. Não custa lembrar que, quando caiu em desgraça, fazia um governo aprovado pela esmagadora maioria da população do DF, ao contrário de Agnelo, que conta hoje com uma aprovação de apenas 9%, segundo o Ibope. Parece que o fundo do poço para a política do Distrito Federal é um alçapão.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2014

às 17:24

“Não saia em público, não, Agnelo! Você destruiu Brasília. Deveria ter vergonha de estar aqui”

Um leitor me manda um vídeo que chega a ser engraçado. A qualidade não é lá grande coisa porque  filmado à noite, com celular. Mas ele registra uma prática que está começando a se tornar corriqueira em Brasília: por onde quer que o governador Agnelo Queiroz (PT) passe, ele é aplaudido. Mas é puro escárnio. Vejam. Volto em seguida.

Retomo
Pois é… Agnelo é hoje o governador mais hostil à imprensa. Sempre cercado de seguranças — até aí, vá lá —, desenvolveu a técnica de olhar para o vazio e seguir adiante. Não gosta de ser confrontado com a sua obra. Intimamente, no entanto, ele realmente acredita que há quem possa aplaudi-lo. A frase dita por um dos rapazes do vídeo resume bem o sentimento que vai nas ruas — mesmo aquelas ruas tão particulares da capital: “Agnelo destruiu Brasília”.

É claro que as coisas caminham mal no Distrito Federal faz tempo — e ainda voltarei ao tema. Mas não havia nada de ruim que Agnelo não tenha conseguido piorar.

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2014

às 4:45

Ainda a carnificina no Distrito Federal de Agnelo Queiroz e os feiticeiros que gostam de fazer proselitismo em quartel

A escandalosa violência no Distrito Federal, a região com a maior renda per capita do país, é a prova mais cabal da falência do petismo em matéria de segurança pública. Já demonstrei aqui, na sexta, o que se passa nos estados governados pelo PT. É claro que não são os únicos violentos do país — a unidade da Federação que lidera em número de mortos por 100 mil habitantes é Alagoas, governado pelo tucano Teotônio Vilela Filho. Pode-se acusá-lo de não ter resolvido a questão, historicamente escandalosa. Ocorre que, no caso do petismo, dá-se algo um pouco diferente: nas mãos de seus “especialistas”, a violência explode. O caso mais gritante, nesse sentido, é a Bahia. O Distrito Federal merece destaque porque a área é localmente governada pelo PT — Agnelo Queiroz — e está, obviamente, sob a proteção federal porque ali está a sede administrativa do país, também nas mãos do partido.

O que estou dizendo, meus caros, é que o cheiro de sangue chega ao gabinete de Dilma. O cheio de sangue chega ao gabinete de José Eduardo Cardozo — que, pateticamente, disse que poderá colaborar se o governador lhe pedir ajuda. É mesmo? Então ele não está vendo o que se passa à sua volta? Provavelmente, não! Essa gente anda protegida com tantos seguranças que coisas assim não parecem urgentes.

Que é que há? Então o Distrito Federal teve, em 2012, 32,1 Crimes Violentos Letais Intencionais por 100 mil habitantes (o CVLI inclui latrocínios e homicídios dolosos), quando a média brasileira, que já é escandalosa, foi de 25,8, e o governo federal, que está ali, no caldeirão, não se interessou pelo caso? Os números são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Mata-se no Distrito Federal, proporcionalmente, quase o triplo do que se mata em São Paulo, e todos decidiram silenciar? E que se note: em 2012, a PM do DF ainda não estava fazendo a tal “Operação Tartaruga”, como faz agora.

O peso da demagogia
Ah, meus caros, eu já tratei desse assunto aqui faz tempo, sabem? Vou ter de refrescar a memória de vocês. A PM do Distrito Federal é a mais bem paga do país. O dinheiro sai dos cofres federais. Adivinhem quem está na raiz do proselitismo em porta de quartel… Vejam este vídeo. Explico em seguida.

No dia 8 de maio de 2008, o Apedeuta assinou a Medida Provisória 426, que concedia reajuste de 14,2% aos 28 mil policiais militares e bombeiros do Distrito Federal, extensivo aos que já estavam na reserva. O aumento era retroativo a fevereiro, e o atrasado, pago numa vez só. O piso dos coronéis da PM do DF passou, aquele ano, para R$ 15.224, e o dos soldados, R$ 4.117. Hoje, deve ser maior. Pesquisem aí. Por que por Medida Provisória? Justamente porque os gastos com segurança, saúde e educação do Distrito Federal são bancados por um Fundo Constitucional. Vale dizer: saem dos cofres da União! Fez-se uma grande festa em Brasília.

O “Arruda” a quem Lula se refere é aquele mesmo, o então governador José Roberto Arruda, que já estava nas malhas da Polícia Federal e seria destruído pelos petistas no ano seguinte. Não que não merecesse, como se sabe. A população do DF é que merecia saber quem era o petista Agnelo Queiroz, né? Esse aumento à PM, diga-se, está na origem da tal Proposta de Emenda Constitucional nº 300, a PEC 300. Ela iguala o salário das Polícias Militares de todos os estados ao que se paga no Distrito Federal. E se tornou uma espécie de fomentadora continuada de revoltas das polícias Brasil afora. Como os estados não teriam condições de arcar com o custo, o texto transfere para o governo federal o peso do reajuste. Dilma conseguiu, até agora, impedir a sua aprovação.

Irresponsáveis
Quando os benefícios foram concedidos, com o proselitismo que se vê, não se estabeleceu um programa de metas para a redução da violência, por exemplo — e o Distrito Federal, em 2008, já exibia índices alarmantes. Estava na cara que algo de muito ruim se passava por lá.

E, como o PT não aprende, no vídeo abaixo, vocês veem Agnelo Queiroz fazendo proselitismo numa reunião de policiais e bombeiros, durante a campanha eleitoral.

Assombro
Os leitores sabem o que eu penso. Sou contra greve de funcionário público. A razão é simples: quem paga o pato é o povo. E, obviamente, sou especialmente contrário a manifestações grevistas e assemelhados de policiais. Gente que é armada pelo estado, entendo, não pode ter esse direito.

Atenção, meus caros, o número de mortes violentas no Distrito Federal chegou a 73 no mês passado.  É um escândalo? É, sim, mas tenho algo a lhes dizer: já era antes. Em 2012, houve 839 mortes violentas no DF — e não havia Operação Tartaruga: uma média de 70 por mês.

Não é de hoje que a situação está fora de controle. Atenção, segundo o Mapa da Violência, no ano em que Lula concedeu aquele grande reajuste à PM, 2008, a taxa de homicídios no DF era de 34,1 por 100 mil habitantes. No ano seguinte, saltou para 39,2, caindo para 34,2 em 2010, mas ainda superior à de 2008.

Não há dinheiro que compense a incompetência, e não há mal que a demagogia não possa tornar pior. Com a palavra, o sempre loquaz José Eduardo Cardozo.

Por Reinaldo Azevedo

19/12/2013

às 18:04

MP aponta superfaturamento em contrato de R$ 10 bi da gestão Agnelo

Por Hugo Marques, na VEJA.com:
O Ministério Público do Distrito Federal defendeu na Justiça de Brasília a suspensão da execução dos contratos das empresas de transporte público, por entender que houve “superfaturamento das tarifas oferecidas pelas empresas vencedoras”. A manifestação do procurador Cláudio João Medeiros Miyagawa Freire, feita com base em parecer do Ministério Público de Contas local, questiona uma licitação de quase 10 bilhões de reais do DF para a substituição de toda a frota do transporte público.

Segundo processo que corre na Justiça de Brasília, as empresas que ofereciam tarifas de ônibus bem menores foram desclassificadas na licitação. O MP também concluiu que houve participação ativa de pessoas estranhas à Comissão de Licitação no julgamento das habilitações, nas respostas a recursos e julgamento das propostas financeiras, uma espécie de consultoria jurídica privada sem qualquer contrato direto com a Administração Pública.

O promotor concluiu ainda que a licitação beneficiou empresas do mesmo grupo econômico. Trata-se do grupo Nenê Constantino, que levou duas das cinco linhas de ônibus em Brasília. Somente cinco grandes empresas foram classificadas, para as cinco linhas disponíveis na licitação bilionária. Duas linhas mais rentáveis e com maior previsão de expansão populacional ficaram com o grupo de Nenê Constantino. Dois membros da Comissão de Licitação consignaram em documento que não estavam lendo os relatórios que assinavam, mas que tinham que assinar, por determinação do governo local. Esses documentos não foram anexados ao processo oficial da comissão de licitação, mas já estão em poder do Ministério Público do DF. O processo para derrubar a licitação é movido pela deputada Celina Leão (PDT-DF). “A cidade inteira espera ônibus novos, mas a licitação não pode lesar o erário”, diz a deputada.

 Procurada pelo site de VEJA, a assessoria do governador Agnelo Queiroz (PT) não se manifestou.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2013

às 2:15

O show de horrores do Distrito Federal: Roriz, Arruda, Estevão, Agnelo…

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Há mais de uma década, o eleitor do Distrito Federal acostumou-se a uma lamentável realidade: os políticos eleitos para representá-los acabaram envolvidos em escândalos de corrupção. A lista começa com Joaquim Roriz, passa pelo ex-senador Luiz Estevão, continua com José Roberto Arruda e atinge até o atual governador e candidato à reeleição, Agnelo Queiroz. Em 2014, a história não será diferente. Na semana passada, Roriz filiou-se ao nanico PRTB, seguindo os passos de Estevão. Arruda agora faz parte do PR.

Graças à Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que derrubou Arruda, e à Lei da Ficha Limpa, que tirou Roriz da disputa, o petista Agnelo venceu a eleição de 2010 com facilidade. Agora, ele luta contra a popularidade baixa e a perspectiva de uma disputa dura. A primeira conquista importante ele obteve: conseguiu do PMDB o compromisso de manutenção da aliança que o levou ao governo há três anos, embora uma ala do partido ainda ameace saltar do barco. Parte da dificuldade decorre da péssima gestão de Agnelo, somada ao histórico de escândalos mal – ou não – explicados. Por isso, nunca tantos nomes se animaram a disputar um lugar no Palácio do Buriti. Grupos políticos em decadência e antigos aliados do PT se entusiasmaram em entrara na briga.

José Roberto Arruda, que ainda não escolheu qual cargo disputará, precisará convencer o eleitor, pela segunda vez, que merece perdão. Em 2001 ele participou da violação do painel eletrônico do Senado e renunciou ao mandato para fugir da cassação. Voltou ao poder em 2002, como deputado federal. Em 2006, elegeu-se governador do Distrito Federal. Três anos depois, quando o esquema de corrupção montado por ele veio à tona, Arruda sucumbiu novamente diante de algumas das mais deploráveis imagens de roubalheira explícita da política brasileira – Arruda, por exemplo, aparece recebendo dinheiro de corrupção em um pacote. Ele chegou a ser preso pela Polícia Federal por cooptação de testemunha e perdeu o mandato.

Naquela época, o então governador deu sinais de que pensava em se manter na política: antes de ser expulso do DEM, deixou o partido por conta própria. Acabou enquadrado na lei de fidelidade partidária, que tirou-lhe o mandato. Ele tinha direito de recorrer à decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas optou por não fazê-lo. Há uma razão: com essa punição, Arruda apenas ficava sem o cargo de governador, mas estava apto a disputar as próximas eleições. Caso permanecesse no posto, ele fatalmente seria cassado pela Câmara Legislativa do DF, o que lhe renderia um período de cinco anos de inelegibilidade.

Agora, o ex-governador chega ao PR com as bênçãos de Valdemar Costa Neto, mensaleiro e maior articulador do partido. Ele não hesitou em desalojar o comando do partido no Distrito Federal para emplacar um aliado de Arruda no posto.

Roriz
Já o ex-governador Joaquim Roriz, dono de um expressivo capital eleitoral, está firmemente disposto a se candidatar ao governo. Mas tem uma situação mais delicada: aos 77 anos, ele tem grandes chances de ser barrado pela Lei da Ficha Limpa. O governador renunciou ao mandato de senador, em 2007, para fugir da cassação, depois de ser flagrado negociando a partilha de 2,2 milhões de reais de origem escusa.

No fim de setembro, Roriz – que havia deixado o PSC após as eleições de 2010 – chegou a acertar seu ingresso no DEM. Mas a Executiva Nacional do partido decidiu rejeitar o registro. O ex-governador e sua filha, a deputada distrital Liliane Roriz, migraram para o PRTB. O partido, em Brasília, é comandado por ninguém menos do que o ex-senador Luiz Estevão. Jaqueline Roriz, outra filha do político e deputada distrital flagrada embolsando dinheiro desviado, é filiada ao PMN.

Estevão enfrenta o ostracismo há mais tempo que os colegas: cassado em 2000 por envolvimento em desvio de recursos públicos na obra do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, ele só poderá voltar a disputar eleições em 2022, devido à Lei da Ficha Limpa. Por isso, dedica-se à articulação política. Neste ano, o ex-senador se filiou ao PRTB e passou a comandar o partido na capital federal. “Eu vou me dedicar mais às chapas para deputados federais e distritais”, diz ele.

Se for barrado pela Justiça Eleitoral, Roriz deve abandonar os planos eleitorais. Quem diz é Luiz Estevão: “Ele não cogita disputar outro cargo que não seja o de governador”. Nesse caso, o plano já está traçado: quem irá para a disputa majoritária é Liliane Roriz. “A disposição dele em disputar o governo é real. Mas eu sou o plano B do meu pai”, diz Liliane, que recentemente trocou o PSD pelo PRTB.

Em 2010, Roriz fez uma manobra desastrada e escolheu sua mulher, Weslian, para sucedê-lo e evitar o risco de impugnação da chapa por causa da Lei da Ficha Limpa. Inexperiente e despreparada, ela passou vexame nos debates e acabou derrotada por Agnelo.

Nova ala
Depois de apoiar Agnelo em 2010, o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT) aceitou participar da disputa pelo governo no ano que vem. Ele foi apontado pelo diretório regional de seu partido na semana passada e aceitou a indicação. Deputado federal com maior votação proporcional em 2010 (20% dos votos do Distrito Federal), Reguffe aposta suas fichas no discurso moralizador em um momento de descrédito generalizado.

Mas a falta de apoio de outras legendas pode prejudicá-lo. A decisão do PDT – partido que Reguffe quase deixou para se filiar à Rede Sustentabilidade – surpreendeu porque foi repentina e criou um problema: Rodrigo Rollemberg, do PSB de Marina Silva e Eduardo Campos, deve disputar o governo. O PDT não pretende recuar. “Imagine que o PDT decida apoiar Eduardo Campos no Brasil inteiro. Ele vai ter que fazer alguns gestos em alguns estados. E pode apoiar o Reguffe em Brasília”, diz o senador Cristovam Buarque, comandante do PDT do DF.

Cristovam diz que Rollemberg e Reguffe podem disputar simultaneamente, mas vê problemas na possibilidade de divisão: “Se nenhum dos dois conseguir atrair o PSOL, aí fica mais difícil. Eles vão ter que se juntar”, avalia o senador, que governou o DF de 1994 a 1998. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) não é propriamente uma novidade: em 2002, ele foi candidato a governador e não chegou ao segundo turno. Agora, entretanto, com a crise de Agnelo e o projeto presidencial do PSB, o nome do senador parlamentar pode ganhar força.

A lista de potenciais candidatos vai além: a deputada distrital Eliana Pedrosa também deve reforçar o time de oposição. A parlamentar, que já foi do DEM e do PSD, assumiu o comando do PPS na capital federal. O PSDB, por sua vez, pode lançar como candidatos dois ex-aliados de Agnelo: os deputados federais Izalci Lucas e Luiz Pitiman. É possível que, até abril, quando as chapas serão montadas, o cenário sofra alterações. Mas alguns personagens que envergonharam a política do Distrito Federal dificilmente ficarão de fora.

 

Por Reinaldo Azevedo

09/10/2013

às 6:09

O esquema de Agnelo Queiroz na Internet, montado com dinheiro público, no CQC

A VEJA.com já publicou uma reportagem em que trata dos perfis falsos a que recorrem os políticos nas redes sociais. Um dos useiros e vezeiros desse expediente indecoroso é o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT. Reproduzo trecho da reportagem de Marcella Mattos e Gabriel Castro. Volto depois.

(…)
Outro político enrolado que recorre a estratégias questionáveis é o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). O site de VEJA localizou cinquenta perfis falsos que funcionam apenas para divulgar o nome do governador no Twitter. A hashtag #Agnelo_Queiroz, usada pelos falsários, liga o nome do governador a notícias positivas e ajuda a reverter a imagem ruim do petista, alvo de várias denúncias de corrupção.

Ao contrário do que ocorre com os perfis ligados a Renan, a maior parte dos perfis fictícios de Agnelo funciona de forma automática, como se fossem robôs espalhando periodicamente notícias sobre o governador e criticando adversários. Entre os alvos, estão os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e o ex-deputado Alberto Fraga (DEM).

Alguns perfis, no entanto, se comportam de forma mais elaborada. A principal personagem da turma é uma certa Lúcia Pacci, que se identifica como jornalista e socióloga e informa trabalhar em uma empresa que na verdade não existe. Ela mantém um blog em que, protegida pelo anonimato, faz ataques virulentos a adversários políticos e à imprensa. O deputado Fernando Francischini chegou a registrar boletins de ocorrência depois de sofrer ameaças. “Eles eram comandados por uma pessoa que fazia defesa do governo. Cada vez que eu tuitava alguma coisa, todos eles ao mesmo tempo respondiam com mentiras deslavadas”, diz o parlamentar.

A foto que Lúcia Pacci usa para se identificar na verdade é da atriz francesa Laurence Février. Procurando por Lúcia, a Justiça do Distrito Federal chegou a entregar uma intimação à jornalista Daniela Novais, que escreve para um site local. Ela disse ter ficado surpresa: “Não faço ideia de quem ela seja”, diz Daniela.

Um dos seguidores de Lúcia Pacci e de outros perfis falsos pró-Agnelo é o publicitário e marqueteiro político Sérgio Diniz Vieira, que trabalhou na campanha de Agnelo. Ele interage com os amigos inexistentes e compartilha conteúdo espalhado por eles. Diniz, que afirma não manter vínculo empresarial ou empregatício com o governo, é presença frequente em eventos de Agnelo Queiroz. A mulher dele, Rosa Sarkis, exibe em seu histórico profissional um trabalho com o fotógrafo Júnior Takamoto – o mesmo que a fictícia Lúcia Pacci apontou como seu antigo emprego. Além disso, o perfil da blogueira aponta São Carlos (SP), como terra natal. O site que Sérgio e Rosa mantêm é hospedado em uma empresa de… São Carlos. Sérgio diz que é tudo coincidência.

Voltei
O programa CQC, da Band, enviou Oscar Filho a Brasília para conhecer detalhes do esquema de Agnelo Queiroz. Oscar tentou falar com o governador a respeito. Assistam.


 

Encerro
Talvez um dia o Ministério Público resolva sair do berço esplêndido em que está deitado nesses casos e investigue o esquema montado por governos — inclusive o federal — para alimentar a rede de difamação na Internet e na imprensa alugada. É o dinheiro público que paga essa farra.

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2013

às 20:27

STF abre inquérito contra governador do DF, Agnelo Queiroz

Por Severino Motta, na Folha:
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso acatou um pedido do Ministério Público e abriu inquérito contra o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Ele é suspeito de ter cometido crimes contra a administração pública quando foi diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) entre 2007 e 2010. O pedido de abertura de inquérito teve como base os desdobramentos Operação Panacéia, da Polícia Civil de Minas Gerais. Ela apurou indícios de envolvimento de assessores de Agnelo com um grupo farmacêutico acusado de fraudes, formação de cartel e sonegação fiscal.
Escutas telefônicas feitas pela polícia revelam que representantes do laboratório Hipolabor, com sede em Minas, recorriam a assessores próximos de Agnelo para agilizar demandas na Anvisa.
(…)
Além de Agnelo, também responderá ao inquérito o deputado Fábio Ramalho (PV-MG). Devido à presença dele o caso foi para o STF. Se estivesse somente o governador sendo investigado a apuração caberia ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ramalho é investigado pois ele foi acionado pelo grupo laboratorial para agendar audiências na Anvisa.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2013

às 17:23

Protesto pacífico no DF é reprimido com bombas de gás, spray de pimenta e balas de borracha. Cadê José Eduardo Cardozo? Ou repressão promovida por petista é poesia de resistência?

Cavalos da PM do Distrito Federal fazem poesia com manifestantes no Distrito Federal. Cardozo vê aí a expressão da democracia? (Ueslei Marcelino/Reuters)

Um grupo de 500 pessoas decidiu organizar um protesto — ATENÇÃO, PACÍFICO!!! — em frente ao estádio Mané Garrincha, em Brasília, que abriga o jogo de abertura da Copa das Confederações. A Polícia do Distrito Federal, governado pelo petista Agnelo Queiroz, desceu o sarrafo: cassetete, bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha, spray de pimenta e 25 pessoas presas. Regra de três simples: se 500 rendem 25 presos, quantos teriam sido se houvesse 5 mil, como em São Paulo? Resposta: 250! Ou por outra: a PM do Distrito Federal prendeu mais gente, proporcionalmente, do que a de São Paulo no protesto de quinta, quando 230 foram detidos. Diferença fundamental: o protesto de Brasília era realmente pacífico. Os manifestantes não portavam lança-chamas, paus, pedras, nada disso. Só palavra. Foram duramente reprimidos. Um dele foi atropelado por uma motocicleta da polícia e preso em seguida. José Eduardo Cardozo, cadê você?

Estão começando a pipocar país afora manifestações contra o uso de dinheiro público na Copa do Mundo. O mote é mais ou menos este: “Da Copa eu abro mão, quero dinheiro para saúde e educação”. Essa relação não é assim tão direta, mas é um jeito de ver o mundo. Seria esse protesto uma variante de um mesmo e difuso mal-estar, que incluiria em seu repertório o protesto contra a elevação das tarifas de ônibus? Tenho dificuldades de lidar com esferas de sensações a conduzir a história. Parece-me que são protestos com origens distintas e, fica evidente, com formas igualmente distintas de expressão. A Avenida Paulista abrigou manifestação com conteúdo idêntico: pacífica e serena. Ninguém portava armas ou buscava confronto com a polícia.

Muito bem! Movimentos organizados, que usam com destreza as redes sociais, se encarregaram de transformar os episódios de São Paulo num caso de lesa democracia, como se não coubesse à polícia reprimir quem vai para as ruas para o tudo ou nada. A repercussão cresceu exponencialmente quando a militância petista entrou na parada, como se o protesto, originalmente, não tivesse como alvo, principalmente, a política de transportes do prefeito Fernando Haddad, que é do partido.

Os episódios do Distrito Federal — e também há pessoas feridas com balas de borracha —certamente terão repercussão bem menor. O petismo se encarregará de tentar abafá-los nas redes sociais, embora, reitero, as ações sejam incomparáveis. Até agora, os que protestam contra o uso de recursos públicos na Copa do Mundo não apelaram à linguagem da violência. E espero que não o façam.

PS – Vamos ver que tratamento as TVs darão à questão.

Por Reinaldo Azevedo

04/05/2013

às 16:29

A militância política falsa (e paga) na internet: os militantes de Renan, Aécio e Agnelo que só existem na rede e na imaginação dos marqueteiros

Por Gabriel Castro e Marcela Mattos, na VEJA.com:
Experimente buscar pela hashtag #Agnelo_Queiroz no Twitter. Surgirão dezenas de mensagens de apoiadores do governador petista do Distrito Federal. Por que um gestor questionado por sua atuação pífia e por ligações com infratores tem tanta popularidade na internet? Já Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, sabe que não reuniria muitos apoiadores se convocasse um protesto a seu favor. Mas, na rede, a opinião parece mais equilibrada. Uma simples busca pelo nome do peemedebista em caixas de comentários deixará a impressão de que o senador possui um heterogêneo e extenso  grupo de apoio.

Desde que voltou ao comando do Congresso, em fevereiro, o senador Renan Calheiros tenta refazer sua imagem. O esforço passa por uma estratégia de guerrilha virtual. Na última sexta-feira, por exemplo, um deles tentava neutralizar os impactos da notícia de que os garçons de Renan recebem 18 000 reais por mês do Senado: “Eu sou garçom e sei que é possível ganhar uma grana dessa! Bom é o Renan Calheiros, que reconhece isso!”. A ocupação de espaços destinados aos leitores em portais jornalísticos também é parte essencial da estratégia.

O gabinete de Renan tem um histórico de parceria com P&P Inteligência de Marketing, do publicitário Wilmar Soares Bandeira. Ele é ex-secretário de Comunicação do governo de Alagoas e trabalhou na campanha eleitoral de Renan em 2010. A empresa recebeu 244 000 reais desde novembro de 2010. Wilmar tem uma justificativa um tanto suspeita: diz que sai pela internet produzindo comentários em nome de Renan simplesmente porque gosta do senador. E por que usar nomes falsos? “Eu gosto de fazer comentários; e às vezes você até dá um nome qualquer”, tenta explicar. O empresário afirma que não presta serviços a Renan desde setembro.

Outra pista importante: o gabinete do deputado Renan Filho (PMDB-AL), herdeiro do presidente do Senado, costuma fazer pagamentos à empresa Iny Marketing, que atua exatamente na divulgação em redes sociais: apresenta-se em seu site como parceira da P&P e promete a seus clientes “Fidelização e engajamento de seguidores no Twitter”. Cícero Gomes, dono da empresa, é alagoano de Murici, a terra natal dos Calheiros. Ele interage com vários dos perfis falsos que apoiam Renan no Twitter. Mas jura que nada tem a ver com a farsa: “O que eu faço é um trabalho de monitoramento”.

O time de militantes virtuais de Renan também inclui integrantes do Sindicato dos Guardas Civis de Alagoas e funcionários nomeados pelo senador para seu gabinete. É o caso de Luciano Camelo, que havia sido empossado por ato secreto, acabou exonerado e retornou com o cargo de motorista. Também atuam Dmitriv Ivanov Wanderley de Barros, Eucene Gomes Tenório Acioli e José Valderi Melo, todos lotados no escritório de Alagoas.

Tanto o senador Renan Calheiros quanto o deputado Renan Filho negaram que patrocinam a militância dos perfis falsos na internet. “Eu posso assegurar que o Cícero apenas faz o monitoramento das redes. Ele não cria perfis falsos”, afirma o deputado, que também justifica as conversas com usuários forjados. “Todo mundo que fala comigo, que elogia algum projeto, eu retuíto. É lógico que isso ajuda o meu trabalho. Eu não tenho como saber se as pessoas existem ou não.”

Agnelo
Outro político enrolado que recorre a estratégias questionáveis é o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). O site de VEJA localizou cinquenta perfis falsos que funcionam apenas para divulgar o nome do governador no Twitter. A hashtag #Agnelo_Queiroz, usada pelos falsários, liga o nome do governador a notícias positivas e ajuda a reverter a imagem ruim do petista, alvo de várias denúncias de corrupção.

Ao contrário do que ocorre com os perfis ligados a Renan, a maior parte dos perfis fictícios de Agnelo funciona de forma automática, como se fossem robôs espalhando periodicamente notícias sobre o governador. Entre os alvos, estão os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e o ex-deputado Alberto Fraga (DEM).

Alguns perfis, no entanto, se comportam de forma mais elaborada. A principal personagem da turma é uma certa Lúcia Pacci, que se identifica como jornalista e socióloga e informa trabalhar em uma empresa que na verdade não existe. Ela mantém um blog em que, protegida pelo anonimato, faz ataques virulentos a adversários políticos e à imprensa. O deputado Fernando Francischini chegou a registrar boletins de ocorrência depois de sofrer ameaças. “Eles eram comandados por uma pessoa que fazia defesa do governo. Cada vez que eu tuitava alguma coisa, todos eles ao mesmo tempo respondiam com mentiras deslavadas”, diz o parlamentar.

A foto que Lúcia Pacci usa para se identificar na verdade é da atriz francesa Laurence Février. Procurando por Lúcia, a Justiça do Distrito Federal chegou a entregar uma intimação à jornalista Daniela Novais, que escreve para um site local. Ela disse ter ficado surpresa: “Não faço ideia de quem ela seja”, diz Daniela.

Um dos seguidores de Lúcia Pacci e de outros perfis falsos pró-Agnelo é o publicitário e marqueteiro político Sérgio Diniz Vieira, que trabalhou na campanha de Agnelo. Ele interage com os amigos inexistentes e compartilha conteúdo espalhado por eles. Diniz, que afirma não manter vínculo empresarial ou empregatício com o governo, é presença frequente em eventos de Agnelo Queiroz. A mulher dele, Rosa Sarkis, exibe em seu histórico profissional um trabalho com o fotógrafo Júnior Takamoto – o mesmo que a fictícia Lúcia Pacci apontou como seu antigo emprego. Além disso, o perfil da blogueira aponta São Carlos (SP), como terra natal. O site que Sérgio e Rosa mantêm é hospedado em uma empresa de… São Carlos. Sérgio diz que é tudo coincidência.

Aécio
O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) trabalha para aumentar sua popularidade de olho na eleição presidencial do ano que vem. Com alguma frequência, a equipe de comunicação do PSDB nacional é incumbida de produzir materiais críticos ao governo Dilma Rousseff. O resultado do trabalho, entretanto, não é publicado em páginas oficiais do partido, nem nos perfis oficiais mantidos no Facebook e no Twitter: chega a uma rede de perfis que, nas redes sociais, podem confundir um observador desavisado. Mas, em bom português, são todos falsos.

Com objetivos diferentes, a militância virtual ganhou um exército de perfis forjados para ajudar na propagação da imagem que os políticos gostariam de alcançar. Eles buscam atingir diretamente o eleitorado ao mesmo tempo em que atacam os rivais: um resultado dificilmente conquistado não fossem as facilidades da internet. Esse serviço durante uma campanha eleitoral para deputado, por exemplo, sai por volta de 25 000 reais. No caso de governadores e presidentes, o valor é um pouco maior.

A prática existe desde que publicitários e marqueteiros perceberam o gigantesco potencial das redes sociais. Inicialmente, a mobilização espontânea de militantes demonstrou ser eficiente. O passo seguinte foi organizar apoiadores pagos para criar uma onda artificial na opinião pública. A prática de usar blogs e plataformas sociais para propaganda dissimulada tem até nome próprio: seeding marketing – o “seeding” vem do verbo em inglês “semear”.

O serviço prestado ao PSDB é sofisticado e inclui a criação de personagens virtuais que, apesar de existirem apenas na criativa imaginação de seus idealizadores, comportam-se como pessoas reais. O exército fictício de militantes mantém blogs e perfis nos sites Facebook, Twitter, Google+ e Youtube. Os perfis seguem um padrão: retratam pessoas jovens, de boa aparência e, claro, militantes de Aécio Neves. E, para atrair a confiança dos internautas, fazem comentários sobre esportes, cinema, variedades. Entre um post e outro, embutem um elogio ao senador ou uma crítica ao governo federal. Os publicitários acreditam que, dessa forma, podem conquistar o internauta.

O site de VEJA identificou alguns dos nomes por trás dos militantes falsos pró-Aécio. Um deles é Jorge Lopes Cançado, estudante de publicidade e diretor de Mobilização do PSDB Mineiro. Ele se identifica como “analista de redes sociais”. É o mesmo cargo de Guilherme Parreiras, que também trabalha na manutenção dos perfis fictícios. Ambos moram em Belo Horizonte e trabalham na Brasil Comunicação. Ambos negaram qualquer ligação com a guerrilha virtual de Aécio – apesar dos indícios.

A empresa funciona em um escritório na Savassi, região central de Belo Horizonte. O dono da companhia é Zuza Nacif, publicitário ligado ao secretário-geral do PSDB, o deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB-MG). Nacif é um nome já conhecido dentro do PSDB. Foi secretário de Comunicação de Lavras (MG) e atuou em campanhas de diversos tucanos, como a do atual governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia. Hoje, com a ala mineira da sigla em evidência, ele tem influência no comando da comunicação social do partido.

O trabalho não se limita às redes sociais. Os analistas também monitoram notícias sobre Aécio Neves e deixam comentários favoráveis ao senador tucano. Para facilitar o trabalho, publicam mensagens idênticas em outros sites jornalísticos, o que demonstra que o objetivo é espalhar a falsa opinião e buscar convencer os leitores. Mas, na saga de atingir o maior número de pessoas, os próprios autores acabam se denunciando.

No dia 4 de março, Augusto Texeira, militante imaginário, escreveu um comentário em uma reportagem sobre o senador mineiro, cujo teor atacava “o populismo de Dilma no Nordeste”. Um comentário com expressões idênticas foi publicado no dia 3 de abril, dessa vez pelo publicitário Guilherme Parreiras. “Sou um muito simpatizante do Aécio e contra o PT. Sempre posto coisas relacionadas, leio muito sobre política e devo ter visto um comentário que achei bacana e copiei. Já fiz isso algumas vezes”, argumenta. Parreiras diz não se lembrar de onde conhece o militante-fantasma Augusto Texeira, que também é seu amigo no Facebook.

A assessoria de comunicação do PSDB afirma desconhecer a comunidade virtual (e falsa) pró-Aécio e acrescenta que o serviço jamais foi solicitado. A Brasil Comunicação também nega que este seja o serviço prestado pela empresa ao partido – embora admita manter um contrato com os tucanos.

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A criação de um exército de apoiadores fictícios compensa porque, além de relativamente barata, não oferece grandes riscos aos parlamentares e governantes. “Esses políticos estão buscando minimizar ou equilibrar as dosagens de intenções negativas que possam existir nesses ambientes contra a sua reputação”, diz Alexandre Atheniense, advogado especializado em direito digital. O jurista afirma que a prática não é crime, já que não está relacionada a alguém que já existe. “Mas é condenável”, reforça.

O pesquisador especialista em marketing político da ESPM Victor Trujillo ressalta os prejuízos que a prática pode trazer. “O nome do jogo hoje é transparência, honestidade. Os eleitores estão muito sensíveis. Se o candidato é desonesto já com uma coisa simples, isso diz tudo para o eleitor”, afirma Trujillo. “Essa é uma ação obsoleta, que não funciona e os resultados são contraproducentes do objetivo que se quer alcançar. Gera um desgaste perante a opinião pública.”

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2012

às 6:07

Com o maior PIB per capita e a PM mais bem paga do país, Agnelo pede socorro ao governo federal para combater a violência no DF e admite, assim, sua espantosa incompetência

Coitado do Distrito Federal!

O governador Agnelo Queiroz, do PT, pediu, para espanto de todas as pessoas sensatas, o auxílio da Força Nacional de Segurança para combater a criminalidade naquela unidade mínima da federação, que tem 2,5 milhões de habitantes (menos de um quarto da população da cidade de São Paulo) e 5 801,937 km² — área que não chega a corresponder a quatro vezes à da capital paulista. A incompetência estupefaciente de Agnelo é um desastre para a população do DF e tem seu lado lamentavelmente didático. Demonstra como algumas teses sobre as raízes e as causas da violência são estupidamente erradas, especialmente aquelas apontadas pelas esquerdas.

Note-se, de saída, que a área do Plano Piloto é uma das mais vigiadas do país. Por ali, a Polícia Militar e a Polícia Civil do DF não têm grande dificuldade. Mesmo assim, o próprio governo admite que a situação saiu do controle fora do eixo dos Poderes propriamente, daí ter pedido socorro. Só para que saibam: segundo o Mapa da Violência, em 2010, Brasília ficou em 18º lugar (34,2 por 100 mil) no ranking de homicídios das capitais, bem pior do que o Rio, em 23º (com 22,4 por 100 mil) e do que São Paulo (em último, com 13 por 100 mil). A coisa é ruim não é hoje, não! Só que, agora, parece que fugiu do controle. Só neste mês de agosto, já aconteceram 46 sequestros relâmpagos em Brasília. Na semana passada, a vítima foi a filha do ministro da Pesca, Marcelo Crivella. Agnelo entendeu que era hora de agir. Como? Pedindo socorro ao governo federal, ora essa!

Grande Agnelo! Nunca antes da história destepaiz se viu governante tão competente, não é mesmo?

Uma das tolices que se afirmam sobre o combate à violência é que a eficiência da polícia é razão direta dos salários pagos… É CLARO QUE SALÁRIO ALTO NÃO ATRAPALHA, MAS NÃO DEFINE NADA.

A PM do Distrito Federal tem o maior salário do país. O piso é de R$ 4.700. Em São Paulo, é de R$ 2.740; no Rio, R$ 1.450; Em Minas, R$ 2.245. A chamada PEC 300 iguala os ganhos dos policiais militares do país inteiro ao que se paga no DF. Ocorre que é o governo federal que arca com a folha. O autor da proposta é o deputado Arnaldo Faria de Sá. Quando lhe disseram que os estados quebrariam, ele não teve dúvida: meteu lá um artigo que repassa para a União os custos adicionais da equiparação. Dilma, quando candidata, flertou com a proposta, especialmente seu vice, Michel Temer. Uma vez eleita, fez o óbvio: deu uma banana para os policiais porque não existe dinheiro para tanto.

O fato é que a polícia mais bem paga do país convive com um índice de homicídios que é mais do que o triplo do de São Paulo (hoje, em 10,3 por 100 mil habitantes) e mais de 50% superior ao do Rio de Janeiro. É dinheiro que falta ao governo Agnelo para ter uma polícia mais eficiente? Não!

Seria, então, a pobreza a raiz da violência? É claro que existem bolsões de carência nas cidades-satélites do Distrito Federal, como existem no estado de São Paulo. Mas comparemos: o IDH do DF é 0,874; o de São Paulo, 0,833. O DF está em primeiro lugar no ranking do PIB per capita: R$ 50.438. São Paulo, que está em segundo, vem muito atrás, com R$ 26.202. São números referentes a 2008.

Todos os clichês e as falsas verdades sobre a violência são desmentidos no Distrito Federal. E se confirma, aí sim, o que sabe toda pessoa razoável: é a competência que faz a diferença. Fica evidente que falta… governo (!) ao… governo Agnelo!

Governadores do país inteiro sonhariam com uma polícia pagando os salários que se pagam por lá — com a conta sendo enviada à União. Mesmo com esse diferencial a favor, a violência fugiu do controle. Nada resiste à força corrosiva da incompetência. Em matéria de segurança, diga-se, governos petistas são o que são. A Bahia de Jaques Wagner assistiu a uma verdadeira explosão do número de homicídios. Lula, que pretende dar aula de gestão em São Paulo, poderia dar a sua mãozinha àqueles companheiros.

Coitado do Distrito Federal!

Um dos planos do Zé Dirceu, caso seja inocentado pelo STF, é lutar por sua anistia e se candidatar à sucessão de Agnelo. Os ministros do Supremo que se cuidem… O que se tem aí pode ainda não ser o pior.

Por Reinaldo Azevedo

07/08/2012

às 6:11

Agora é a Polícia Federal que afirma que governo Agnelo montou central de espionagem. VEJA deu a notícia na revista que começou a chegar aos leitores em 14 de abril

Em abril deste ano, a VEJA informou que o governo Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, havia montado uma central de espionagem para bisbilhotar adversários políticos, jornalistas e até aliados. É… Tem uma minoria aí que não gosta da revista, né? A gente entende por quê. Pois bem. Leiam trecho do que informam Fernando Mello e Filipe Coutinho, na Folha de hoje. Volto depois:

*
Relatório da Polícia Federal aponta “fortes indícios” de interceptação ilegal de e-mails para obter informações “privilegiadas/antecipadas, de interesse do governo do Distrito Federal”, na gestão do petista Agnelo Queiroz. O relatório, baseado em grampos autorizados durante a investigação que levou à prisão de Carlinhos Cachoeira, é o primeiro documento da PF que liga o governo do Distrito Federal à espionagem de adversários políticos. O relatório elenca cerca de 30 conversas em janeiro e fevereiro. O suposto esquema de arapongagem é indicado por diálogos entre o sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá (ligado a Cachoeira e, segundo o relatório, próximo ao governo local), o agente aposentado da PF Joaquim Thomé e Marcello Lopes, o Marcellão, ex-assessor de Agnelo.

Nos áudios, eles citam uma pessoa chamada de “chefe” e “Claudinho”, que a polícia suspeita ser o ex-chefe de gabinete de Agnelo, Cláudio Monteiro -que deixou o cargo após ser apontado como o contato do grupo de Cachoeira na cúpula do governo. O relatório sugere aprofundar investigações sobre o esquema. Segundo a PF, Thomé passava e-mails a Dadá, que os repassava a Marcellão, que os entregava a Monteiro. Num diálogo, o agente aposentado diz estar “vendendo serviço” ao governo. Em outro, Dadá diz a Thomé: “O governador vai cumprir. Ele não vai falhar não, entendeu?” A PF usa essa conversa como exemplo de que o destino das mensagens obtidas ilegalmente seria “Claudinho”.
(…)

Voltei
Leiam agora trecho da reportagem de Rodrigo Rangel, da VEJA, que começou a chegar aos leitores no dia 14 de abril:

(…)
A ação ilegal de arapongas a serviço do governador está sob investigação do Ministério Público do Distrito Federal. Policiais militares formalmente lotados no palácio do governo, a poucos metros de seu gabinete, violaram sistemas oficiais de informações, inclusive da Receita Federal, para levantar dados sobre alvos escolhidos pelo gabinete do governador. A bisbilhotagem, até onde os investigadores já descobriram, começou no fim do ano passado e teve como vítima o deputado federal Fernando Francischini, do PSDB do Paraná. Delegado da Polícia Federal, Francischini tornou-se inimigo de Agnelo depois de defender publicamente a prisão do governador com base em documentos que comprovariam uma evolução patrimonial incompatível com os vencimentos do petista. A partir daí, começaram a circular em Brasília dossiês com detalhes da vida privada do deputado, que registrou queixa na polícia. O Ministério Público, então, passou a investigar a origem das informações que constavam nos dossiês. Para identificar os responsáveis, foram feitos pedidos de informações a órgãos que gerenciam os bancos de dados oficiais.

As primeiras respostas vieram do Ministério da Justiça, que mantém sob sua guarda o Infoseg, sistema que reúne informações sobre todos os brasileiros – desde números de documentos pessoais até endereços e pendengas com a Justiça. Abastecido pelas polícias do país e protegido por sigilo, o sistema só pode ser aberto por funcionários autorizados em investigações formais. Cada acesso deixa registrada a senha de quem fez a consulta. Seguindo esse rastro, os investigadores descobriram o nome de dois policiais militares de Brasília que haviam consultado informações sobre o deputado Francischini no fim do ano passado, justamente no período em que o parlamentar fez as denúncias contra o governador. Responsáveis pela arapongagem, o subtenente Leonel Saraiva e o sargento Itaelson Rodrigues estavam lotados na Casa Militar do Palácio do Buriti, a sede do governo do Distrito Federal. Detalhe: as consultas haviam sido feitas a partir de computadores do governo localizados dentro do palácio. Identificados os dois militares, o passo seguinte foi conferir no sistema as outras fichas consultadas por eles. Descobriu-se que os policiais haviam violado informações sobre mais de 20 indivíduos, todos desafetos do governador. Uma das vítimas foi o promotor de Justiça Wilton Queiroz de Lima, coordenador do Núcleo de Inteligência do Ministério Público de Brasília e responsável por algumas das principais investigações que envolvem a gestão de Agnelo”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

27/06/2012

às 4:58

Escuta indica aval de Agnelo a grupo de Cachoeira

Governador do DF avalizou exploração de linhas por contraventor, via Delta, antes de licitação

Por Fábio Fabrini, no Estadão:
Novas escutas da Polícia Federal indicam que o governador Agnelo Queiroz (PT) deu aval para que o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, explorasse linhas de ônibus no Distrito Federal antes de a licitação para o serviço ser lançada.Conforme as interceptações telefônicas, obtidas com autorização judicial, os diretores da Delta Construções, empreiteira suspeita de envolvimento no esquema do contraventor, chegaram a marcar uma reunião com o petista para 29 de fevereiro, dia em que foi deflagrada a Operação Monte Carlo, com a prisão de Cachoeira e vários integrantes do grupo.

Numa das conversas, de 27 de fevereiro deste ano, o araponga Idalberto Matias, o Dadá, relata ao ex-diretor da empreiteira no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, que interlocutores de Agnelo, entre eles o ex-servidor da Casa Militar Marcello Lopes, o Marcelão, lhe deram sinal verde para que a empresa entrasse no negócio. “Tivemos uma reunião com o camarada lá ontem, o ‘xará’, eu e o Marcelão. Ele falou para avisar para você que quarta-feira está marcada a reunião. Se o assunto for ônibus, o governador quer fechar com a empresa. Se for outro assunto, ele está à disposição”, informou Dadá.

Os dois também citam uma suposta interferência de assessores do vice-governador do DF, Tadeu Filippelli (PMDB), em favor da Delta. Em outro telefonema, interceptado horas depois, Abreu diz ter recebido de pessoas ligadas ao peemedebista o mesmo aval: “Fechou o circuito, porque o pessoal do Filippelli já tinha ontem (26/2) falado para nós que já estava fechado. E agora vem o governador falar isso também. Então, ficou bom demais, né?”. A licitação para o serviço de ônibus foi lançada em 10 de março, mas o Tribunal de Contas do DF (TC-DF) a suspendeu em maio, alegando falhas no edital. A decisão foi tomada antes da abertura de propostas, o que, segundo a Secretaria de Transportes do DF, impossibilita saber quais empresas estavam no páreo.

Às vésperas da suposta reunião com Agnelo, Abreu foi ao Rio de Janeiro e acertou a participação do principal acionista da Delta, Fernando Cavendish, e do diretor executivo da empreiteira, Cláudio Abreu, no encontro. “Eu e o Fernando vamos estar amanhã com o governador. O negócio está marcado lá, amanhã à tarde, e parece que o governador mandou o homem pagar a gente”, diz ele a um funcionário, em conversa de 28 de fevereiro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/06/2012

às 5:21

Empresa ligada a casal que vendeu imóvel para Agnelo é acusada de superfaturamento pela CGU

Por Breno Costa e Filipe Coutinho, na Folha:
Uma empresa ligada à família de quem o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), comprou sua casa foi beneficiada por um superfaturamento de R$ 670 mil em uma licitação realizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quando o petista era um dos diretores da instituição.A constatação é de uma auditoria do governo federal, à qual a Folha teve acesso.

Agnelo comprou uma casa do casal de empresários Glauco Santos e Juliana Suaiden, em março de 2007, por R$ 400 mil. Um imóvel no mesmo local, hoje, não vale menos de R$ 1 milhão, dizem corretores. A empresa contratada pela Anvisa e objeto da análise da CGU (Controladoria-Geral da União) é a F.J. Produções, uma produtora de eventos. Ela pertence ao irmão de Juliana, Jamil Elias Suaiden.

O contrato, de R$ 4,2 milhões, foi assinado em dezembro de 2008. O superfaturamento foi constatado ao comparar a licitação da Anvisa com outra, realizada pelo Ministério da Educação dois dias depois, também vencida pela F.J. Do MEC, a empresa cobrou R$ 40 por metro quadrado para montar estandes. Da Anvisa, o valor foi R$ 250.

Os documentos obtidos pela Folha mostram a assinatura de Agnelo em uma das principais irregularidades. Ele autorizou a contratação de serviços em um dos eventos promovidos pela Anvisa com base no contrato firmado com a F.J. Produções.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2012

às 5:22

Agnelo foi treinado por Dirceu, Renan e por terapeuta

Por Maria Lima e Junia Gama, no Globo:
O que os aliados mais temiam era que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), gaguejasse e se enrolasse nas explicações à CPI mista do caso Cachoeira. Além da tropa de choque do PT, de aliados do governo e de políticos de Brasília, a surpreendente segurança e desenvoltura demonstradas pelo petista foi construída com a orientação de políticos tarimbados como José Dirceu e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). Mas, sobretudo, em sessões de terapia com uma especialista em gerenciar crises e ajudar no controle das emoções: a jornalista-terapeuta goiana Olga Curado. A mesma que treinou a então candidata Dilma Rousseff para a campanha presidencial .

Terapeuta do ex-presidente Lula, do governador Geraldo Alckmin e de outros candidatos, Olga Curado mistura em suas sessões técnicas de Gestalt — onde o paciente é estimulado a gritar e a rolar no chão para liberar emoções e ganhar confiança — com aikidô e budismo. Ao invés de se retrair, Agnelo chegou na ofensiva, respondendo a todas as perguntas. “Toda a preparação que ele fez, o “media training” e a terapia com a Olga Curado, valeu 50% do seu bom desempenho. O resto, ele aprendeu vendo o depoimento do Marconi Perillo. Seu grande receio era não conseguir explicar a compra da casa que vale R$ 5 milhões por R$ 400 mil”, contou um dos líderes aliados que estiveram com Agnelo nos últimos dias.

A decisão de oferecer à CPI a quebra dos sigilos foi acertada em reunião na véspera, com seus advogados e deputados petistas. A estratégia foi se diferenciar de Perillo, que, na véspera, não aceitou abrir seus dados à comissão.

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2012

às 19:21

Para evitar a ópera bufa — Que tal quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônicos dos Leporellos? Ou: Que brasileiro com a renda de Agnelo mora numa mansão de R$ 4 milhões?

A CPI, já escrevi, caminha para o naufrágio e para a farsa — embora nem todos lá sejam farsantes. Mas a maioria dá o tom. E ponto final. Há muitos outros assuntos importantes no país. Mesmo assim, volto à dita-cuja para destacar algo que me parece relevante. Depois da CPI do PC Farias, é muito difícil um malandro ser pego na quebra de sigilo bancário, fiscal e até telefônico. Este então… A, se me permitem o neologismo, falastronice de Cachoeira e amigos nos telefonemas é mais evidência de certo amadorismo do que outra coisa. “Bandido federal”, parafraseando Drummond, não é pego nesse tipo de conversa ou em quebra de sigilo. De resto, se vocês notarem bem, os papos de Cachoeira, Demóstenes e a turma toda mandam a ética para o ralo, sim, mas revelação de crimes, propriamente, não há — no máximo, podem-se fazer ilações a partir de fragmentos de conversa. Sabem por quê? Porque as próprias personagens sabiam que estavam sendo grampeadas. Com alguma frequência, tentam falar por códigos.

Assim, mesmo com a eventual quebra dos sigilos, a chance de que algo de significativo apareça é, acho eu, remota. Políticos fazem milagres no Brasil. Vejam o caso de impoluto Agnelo, que hoje foi mais elogiado pelos petistas do que os portugueses por Camões em Os Lusíadas. Que brasileiro, com a renda que ele tinha — e é político faz tempo —, mora numa mansão avaliada em R$ 4 milhões? Como é que as mansões se multiplicam na mão dessa categoria com tanta facilidade? Com tanta gente para comprar a casa de Perillo, tinha de ser justamente alguém ligado a Cachoeira a fazê-lo? Com tanta gente vendendo casa, Agnelo tinha de comprar justamente a de um empresário que dependia de uma assinatura sua para fazer negócios com a Anvisa? Mais: esse mesmo empresário mantém negócios em parceria com… familiares do governador!

Em seu depoimento, o governador do Distrito Federal disse confiar integralmente em Cláudio Monteiro, assessor que foi demitido nos primeiros dias da crise. Gravações sugerem que ele teria recebido uma espécie de pensão da quadrilha. Muito bem! Se Agnelo tem tanta segurança de que a quebra de seus sigilos nada revelará, ficaria tão à vontade se também fossem abertos os de membros de sua família e do tal Monteiro? Este senhor, sabem os que acompanham a carreira de Agnelo há bastante tempo, está para o atual governador do Distrito Federal mais ou menos como Leporello estava para Dom Giovanni. Na nossa ópera bufa, os sigilos dos Leporellos são muito mais importantes do que os de seus senhores.

Assim, fica aqui a minha dica de boa-fé para que a CPI não morra por inanição, embora saiba ser um esforço inútil: que tal quebrar os sigilos fiscal, bancário e telefônico dos Leporellos e familiares?

Para encerrar, um constraste até jocoso: é mais difícil, do ponto de vita da lógica, alguém como Perillo vender uma casa por R$ 1,4 milhão (que fosse por R$ 2,2 milhões, como acusam alguns), ou alguém como Agnelo comprar uma avaliada hoje em R$ 4 milhões? Onde há maior concentração de milagre?

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2012

às 18:03

PGR pede abertura de 2 inquéritos contra Agnelo e 1 contra Perillo

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
Apesar de os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), não terem sido acuados nos depoimentos que prestaram à CPI do Cachoeira, no Congresso Nacional, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, impôs a ambos um desgaste político nesta quarta-feira. O chefe do Ministério Público Federal confirmou ter pedido nesta terça ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de dois inquéritos contra o governador petista e um contra o tucano. Todos os casos correm em segredo de justiça.

Contra Agnelo e Perillo, o procurador-geral vê indícios de crimes relacionados à operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que desbaratou um esquema de exploração de jogos de azar e cooptação de autoridades públicas e privadas pelo bando do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Para ele, estão mal explicadas questões como a venda da mansão de Perillo ao empresário Walter Paulo, em Goiânia, com uma suposta intermediação do contraventor. No caso de Agnelo, as suspeitas dão conta, por exemplo, de haver possibilidade de irregularidades no governo do DF pelo fato de o ex-chefe de gabinete do petista, Cláudio Monteiro, receber propina da quadrilha do contraventor para facilitar a infiltração da construtora Delta no governo local.

Ao STJ, Gurgel ainda pediu a abertura de outro inquérito contra o governador do Distrito Federal por supostas irregularidades na época em que ele era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

À CPI, Agnelo Queiroz disse hoje abrir mão de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico para comprovar que ele não mantinha relações escusas com o contraventor Cachoeira. O governador também disse manter a confiança em Cláudio Monteiro. Agnelo também sustentou a tese de que não houve cooptação de seu assessor porque os objetivos da quadrilha não foram atingidos. Admitiu, no entanto, ter se encontrado uma vez com Carlinhos Cachoeira ao visitar uma indústria farmacêutica do bicheiro quando era diretor da Anvisa.

Em depoimento na CPI do Cachoeira, Marconi Perillo negou ter participado de qualquer esquema fraudulento na venda de sua casa em Goiânia e disse que, se houve irregularidades na venda do imóvel, elas se devem ao ex-vereador Wladimir Garcez, intermediário da negociação. Afirmou também que não pode responder por terceiros que usaram seu nome “de forma irresponsável”. Negou ter atendido aos interesses da quadrilha em seu governo e disse não ter qualquer proximidade com Carlinhos Cachoeira, a quem classificou como um “empresário”.

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2012

às 17:17

“Agnelo maravilhoso, heroico, ético, impoluto, espetacular, impecável, sensacional, formidável, extraordinário, genial, severo, correto…” A CPI já era sem nunca ter sido! Ou: Ninguém aguenta a proporção de sete elogios para três críticas!!

A cada momento fica mais evidente: os petistas atuam na CPI segundo uma estratégia de redução de danos. Há, sim, um Collor ou outro que ainda insistem na pauta original — a saber: atingir a Procuradoria-Geral da República, o STF, a imprensa e a oposição —, mas o partido do poder já se dá por satisfeito hoje em atingir a reputação do governador Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Está de bom tamanho. O verdadeiro objetivo da maioria governista da CPI, com uma exceção ou outra, é blindar a Delta. Se der para pegar um representante da oposição na trajetória, tanto melhor.

Por que afirmo isso? Se o PSDB atuou ontem, e atuou, para defender o governador de Goiás, a base governista montou hoje uma verdadeira operação de guerra para proteger Agnelo de si mesmo. Ele, como resta evidente, é bem mais atrapalhado do que Perillo, expressa-se com muito mais dificuldade e, com frequência, diz coisas que, transcritas, não fazem sentido. O raciocínio, com frequência, fica pela metade, perde-se em anacolutos, em frases soltas, desconectadas do eixo do discurso. Uma lástima! Isso, por si, não é prova de culpa, é evidente. Só chamo a atenção para o fato de que é uma personagem que precisa de socorro.

E o socorro veio de uma forma até um tanto vexaminosa. Se Perillo teve de se virar porque, afinal, a oposição é uma esmagada minoria na CPI, Agnelo não corre nenhum risco: é protegido pela maioria que esmaga. Se Perillo era exaltado mais ou menos à proporção de 3 para 7, as glórias de Agnelo são cantadas à proporção de 7 para 3, entenderam? A cada 10 oradores ontem, 3 faziam  salamaleques para o governador de Goiás; a cada 10 que falam hoje, 7 cantam as obras de Agnelo, o probo, em prosa ruim e verso pior. O resultado reflete a composição da comissão: 30% oposição; 70% governo.

Resultado previsível
Exceção feita a algum evento extraordinário, que force outro rumo — alguém que decida botar a boca no trombone, um documento bombástico que surja de alguma escavação —, o resultado dessa CPI é previsível, a despeito da presença de parlamentares bem-intencionados: uma farsa patrocinada pela base governista, muito especialmente pelo PT, que vai se negar a investigar o principal: a rede criminosa montada pela Delta. De tal sorte criminosa que o próprio governo, seu principal cliente, decidiu declará-la inidônea. Mas PT e PMDB não querem saber de investigar.

Os petistas ficaram ontem inconformados com o desempenho de Marconi Perillo. A coisa ia tão mal que Odair Cunha, o relator, foi chamado pelo comando do partido e levou uma carraspana. Era preciso mudar o rumo das coisas. Ele voltou à mesa e protagonizou aquela cena patética, tratando o governador como investigado, quando era testemunha. Hoje, os petistas — na verdade, a base governista — decidiram fazer de Agnelo um herói maior ainda.

Se há algum interesse, como telespectador, em ver uma minoria extrema (a oposição) tentando se livrar dos ataques de uma maioria extrema (o governo), o contrário não tem graça nenhuma. Não em razão do alinhamento com esse ou com aquele lado. É que o mais forte esmagando o mais fraco é coisa de rotina, que acontece a toda hora. O depoimento de Perillo, ontem, tinha tensão narrativa. O de Agnelo ficou burocrático. Ontem, nas suas intervenções, governistas tentavam arrancar do tucano alguma contradição. A gente, do lado de cá, fica na expectativa da resposta. Hoje, com a maioria que têm, os governistas tomam a palavra para declarações incisivas como: “Parabéns, governador Agnelo”; “Sua família deve ter orgulho do senhor”; “O senhor responde tudo, governador!”; “O senhor nada deve, governador”; “Como o senhor é maravihoso, governador!”. Ah, sim: para não perder a viagem, os petistas aproveitam para atacar Perillo, tentando reverter o resultado de ontem.

O relatório
Se a Delta não for investigada a fundo, e eu acho que não vai ser, essa CPI termina como começou: movida pelo espírito de farsa — insito que essa farsa não contamina os de propósitos honestos, e os há, que lá estão. O relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG), que será aprovado (70% contra 30%, lembram-se?), é tão previsível quanto o fato de que amanhã será quinta-feira. Apontará uma penca de irregularidades no governo de Goiás, cantará as glórias e a pureza ética de Agnelo, evitará qualquer sugestão que possa comprometer o governo federal e incluirá alguma peroração moral em favor do financiamento público de campanha. E isso terá de ser feito antes das eleições de outubro para que a peça possa ser usada como material de campanha.

Compreensível! Essa CPI começou com Lula e Dirceu tentando impor ao país o seu padrão de ética e moralidade.

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2012

às 16:02

Agnelo, que não explicou à Justiça a compra de sua mansão, também não consegue explicá-la à CPI; casa era de empresário beneficiado por ato da Anvisa quando ele era presidente

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, já teve a chance de explicar a Justiça como comprou a mansão em que mora, hoje avaliada em R$ 4 milhões. Não conseguiu — como deixou claro a própria Justiça. Hoje, indagado por parlamentares de oposição, teve a chance de dar explicações convincentes. Não conseguiu de novo. Segue uma síntese do caso, feita Pela VEJA Online.
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Apesar de negar a existência de irregularidades na compra da casa onde vive, uma mansão de 550 metros quadrados em uma área nobre de Brasília, o governador Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, se enrolou ao não comprovar a origem dos recursos que permitiram a aquisição do imóvel. O petista, que depõe à CPI do Cachoeira nesta quarta, pagou 400 000 reais pela casa em 2007. Um ano antes, ele havia declarado à Receita Federal ter um patrimônio de apenas 224 000 reais.

Agnelo, que fala à CPI nesta quarta, processou os jornalistas que fizeram reportagem sobre a venda da casa. Durante o processo, o petista foi instado pela Justiça a apresentar sua declaração de imposto de renda que poderia comprovar a origem dos recursos usados na transação. O petista se negou: mostrou apenas os comprovantes de que havia entregue sua declaração do imposto de renda. “Esses extratos não demonstram sequer que a aquisição da casa foi incluída nas declarações de IR”, afirmou a juíza Priscila Faria da Silva.

A magistrada condenou o governador a pagar 3 000 reais aos jornalistas. À CPI, Agnelo prometeu comprovar a origem dos recursos usados na compra do imóvel: “Isso será reparado absolutamente. Vou fazer isso”, disse. Agnelo afirmou ter renda familiar suficiente para adquirir a casa com um ano de economias.

De quem era a casa?
O antigo dono do imóvel, o empresário Glauco Santos, é dono de uma empresa que, meses depois da transação, foi beneficiada por um ato assinado diretamente por Agnelo – então diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária: o petista firmou a permissão de funcionamento da companhia de Glauco.

Agnelo não vê problema em ter referendado o ato: “É um atestado absolutamente simples”, disse. Glauco Santos também se transformou em sócio da mãe e da irmã de Agnelo em franquias de restaurantes. O petista acha tudo normal. “É uma relação privada, empresarial”, afirmou.

Além da falta de comprovação da origem dos recursos, a transação chama a atenção pelo valor: os 400 000 reais não são, nem de longe, suficientes para pagar um imóvel semelhante ao do petista na mesma região. Agnelo disse não saber quanto vale, hoje, a mansão. “Não sei, não sou corretor”, respondeu ele, secamente, quando questionado pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP).

Por Reinaldo Azevedo
 

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