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Aécio Neves

25/01/2012

às 6:41

Dilma e PT, Aécio e PSDB. Ou: O que falta à oposição? Um nome ou um conjunto de idéias?

Caras e caros,
Prometi um texto sobre a oposição e seu futuro. Ficou longo! Mas acho que saiu direitinho, redondo. Sim, alguns vão detestar. É do jogo. Penso o que penso — e jamais escondo —, mas o meu compromisso é com os fatos, ainda que o que eu vislumbre não seja do meu agrado. Para chegar ao ponto que quero, terei de falar um pouco do governo Dilma e da avaliação extremamente positiva que os brasileiros, segundo as pesquisas, têm dela. Vamos lá?

No domingo, a Folha trouxe a pesquisa Datafolha com a avaliação do governo. Desde o primeiro levantamento, feito em março, com 90 dias de gestão, consolidou-se um critério a meu juízo cretino e tecnicamente furado que consiste em comparar os números obtidos pela presidente com aqueles de igual período de seus antecessores, especialmente Lula e FHC. Para que isso fizesse algum sentido, seria preciso que:
a) a pesquisa fosse respondida pelas mesmas pessoas;
b) ainda que fosse possível, forçoso seria que o entrevistado tivesse como fazer a avaliação dos três governos.

Isso é uma besteira gigantesca que combina duas vertentes. Uma primeira é mesmo a paixão adesista que caracteriza boa parte da análise política no Brasil — afinal, Dilma sempre esteve à frente dos que a antecederam. Uma segunda não deixa de trair uma forma curiosa de viés anti-Lula!!! “Como, Reinaldo?” Sim, é isto mesmo: não são poucos os que consideram que reforçar a posição de Dilma é uma forma de manter afastado do poder — ao menos do poder formal — o fantasma lulista. Eu, vocês sabem, não lido com esse critério. Para mim, as diferenças pessoais entre os petistas são quase irrelevantes.

O que mais me interessa no petismo não são pessoas, mas o sistema. E não alimento a ilusão que vejo em alguns colegas de que existam contradições relevantes entre ambos. Ela, é bem verdade, à diferença do antecessor, não tentou até agora, por exemplo,  censurar a imprensa. Sim, ponto positivo. Se tentasse, não conseguiria, como ele não conseguiu. Só para encerrar este particular: se Dilma fosse muito diferente, poria um ponto final na prática indecorosa que consiste em financiar o gangsterismo disfarçado de imprensa, especialmente na Internet. Mas não o faz. Administração direta e estatais continuam a usar o dinheiro público para financiar campanhas de difamação contra líderes da oposição, contra ministros do Supremo e contra a chamada grande imprensa. Dilma é a chefe. Se deixa a coisa rolar, é a responsável. O pior é que nada disso seria necessário porque raramente se viu uma imprensa tão dócil com uma presidente. De maneira geral, o jornalismo consegue ser ainda mais “dilmista” do que era “lulista”. Não são os escroques que colaboram para a sua boa reputação. Ao contrário até… Volto ao curso.

Dilma superou Dilma; isso é o que conta
Quando afirmo que é uma besteira essa história de comparar o desempenho dela com o de antecessores em igual período, alguns tontos acreditam que o faço para tentar diminuir a conquista da presidente! Como petralha é burro! Ao contrário até! O DADO RELEVANTÍSSIMO DA PESQUISA DATAFOLHA DE DOMINGO, E AQUI COMEÇO A TANGER A CORDA DA OPOSIÇÃO, NÃO ESTÁ NO FATO DE AVALIAÇÃO POSITIVA DELA SER SUPERIOR À DE LULA, E SIM NO DE TER CRESCIDO 12 PONTOS DESDE MARÇO, 10 DELES SÓ NOS ÚLTIMOS SEIS MESES! Isso, sim, é importante!

Dilma não está muito bem junto à opinião pública porque com uma avaliação de “ótimo e bom” (59%) superior à do antecessor. Ela está muito bem porque, em comparação consigo mesma em início de mandato, quando os pontos ainda não eram seus, mas de Lula, ela cresceu. A sua grande conquista, até agora, É TER SUPERADO DILMA, NÃO TER SUPERADO LULA. Nota: existe uma forma burra e dilmista de ser antilulista; fazer aquela comparação é uma delas. Eu não sou “anti” coisa nenhuma! Só sou a favor de uma meia-dúzia de idéias não compartilhadas nem por ela nem por ele. Vamos continuar.

O que aconteceu e o que não aconteceu
A avaliação positiva da presidente disparou justamente no período das crises que colheram seus vários ministros — seis deles demitidos sob suspeita de corrupção. E olhem que a lista poderia ser de nove! Nesse caso, talvez ela já andasse ali pelos 65% de ótimo e bom… À medida que Dilma demitia, à esteira de denúncias feitas pela imprensa, conquistava o apoio popular. É bem verdade que a grande imprensa lhe deu uma ajuda fabulosa. Nesse caso, aliás, os escroques financiados tentaram empurrar a presidente para o lado errado — e Lula também… Convidaram-na a resistir, a não demitir ninguém. Se o fizesse, diziam o Apedeuta e o subjornalismo a soldo, ela ficaria refém da grande imprensa e das denúncias etc e tal… É claro que os petralhas sempre estão de um lado, e a verdade, de outro. À medida que as evidências de corrupção foram punidas ao menos com a demissão (e não haverá outra pena), a presidente consolidou a fama de moralizadora.

Deu-se um fenômeno estranho, algo talvez possível só nestas terras: a presidente passou a ser tratada como ombudsman no próprio governo, como ouvidora. Parecia que estava apenas corrigindo erros alheios, pelos quais não tinha a menor responsabilidade. Ora, não tinha sido ela própria a nomear aquela gente, tão cedo defenestrada porque com um padrão moral incompatível até mesmo com os elásticos costumes políticos brasileiros? O fato é que ali estava a Dilma que caía nas graças do povo: enérgica!

Sua gestão, já demonstrei aqui tantas vezes, é muito ruim. O Brasil vai relativamente (e só relativamente) bem porque mudanças estruturais feitas nos últimos 20 anos, especialmente o Plano Real, forneceram condições para sair de atoleiros históricos. O fato é, no entanto, que a infra-estrutura é lastimável, a máquina é cara e ineficiente, os serviços são precários, e as promessa solenes feitas por Dilma para o primeiro ano de mandato se frustraram todas. Já coloquei aqui a verdade em números — das casas às creches. Chega a ser constrangedor. No atual ritmo, o governo entregará, por exemplo, três milhões de casas (um milhão de Lula e mais dois milhões de Dilma) só daqui a 22 anos! Para realizar parte das obras previstas para a Copa (e será parte mesmo!), foi preciso violar a legislação e alargar ainda mais os já alargados critérios de moralidade no uso do dinheiro público. Para mais detalhes sobre as ruindades, leia-se um texto que publiquei aqui no dia 26 de setembro do ano passado.

Se o governo é ruim, o povo é bobo?
Não, o povo não é bobo. O modelo petista está fortemente ancorado no consumo, e isso não mudou, ainda que algumas âncoras de manutenção desse arranjo acenem para severas dificuldades no futuro. E daí? O eleitor avalia o seu presente. Com uma economia estável e com uma cobertura das ações presidenciais que beira, em alguns casos, a hagiografia, é compreensível que tantos considerem o governo Dilma “ótimo ou bom”. Mais: a despeito das não-casas, das não-creches, das não-UPAs, das não-quadras, do atraso vexaminoso nas obras da Copa, das trapalhadas nas privatizações dos aeroportos, das estradas federais miseráveis, da roubalheira das ONGs incrustadas no governo, apesar de tudo isso, 72% a consideram “competente”. Desde quando era ministra, já escrevi aqui, a maior competência de Dilma é fazer os outros acreditarem que ela é competente. Um de seu segredos era o ar sempre enfezado; eleita, um de seus segredos é fazer-se de enfezada generosa…

Cadê a oposição?
“Pô, Reinaldo, você afirmou que falaria da oposição, mas cadê?” É de caso pensado, queridos! Meu texto reflete o que foi a oposição nesse tempo. Sim, vimos líderes a protestar no Parlamento, esmagados, coitados!, por uma maioria avassaladora. Um senador como Álvaro Dias (PSDB-PR) merece o reconhecimento por um trabalho sério e dedicado na tentativa de apontar desmandos. Mas é evidente que isso não basta. Repete-se, no primeiro ano de gestão de Dilma, o que foi uma constante no governo Lula, muito especialmente depois que o petista se recuperou da crise do mensalão: teme-se enfrentar um governo popular. O grande discurso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que viria para ser a bússola da oposição, foi pouco mais do que nada. A sua síntese poderia ser esta: “Nós não somos como o PT”. Claro que não! Ocorre que a maioria do eleitorado escolheu justamente o… PT!

Não custa lembrar que um texto recente escrito por Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, com críticas severas ao governo Dilma passou por uma plástica quando caiu nas mãos de Sérgio Guerra, presidente do partido, e do próprio Aécio. Escrevi a respeito no dia 13 de janeiro. Ontem, diga-se, na presidência interina do PSDB, Goldman emitiu uma nota dura e sensata sobre a exploração vagabunda que o petismo faz da desocupação do Pinheirinho. Os leitores deste blog até estranharam: “Nossa! Há quanto tempo o PSDB não fala assim!” E alguns atribuíram o tom mais duro ao fato de que Sérgio Guerra está fora do país…

O curioso é que não seria difícil demonstrar que o PSDB parece sem agenda não exatamente porque jamais teve uma, mas porque o PT lhe tomou a que tinha. Ou alguém conseguiria demonstrar que os petistas estão executando seus programas históricos? Ora… São bem poucos os acertos em curso que fazem parte de seu estoque intelectual. E daí? Quem tem de ser convencido não são os historiadores honestos, mas os eleitores.

Nome ou idéias?
O noticiário nacional está ainda carregado pela entrevista — calculada e, a meu ver, desastrada e contraproducente — que FHC concedeu à Economist, em que classificou Aécio Neves de “nome óbvio” do PSDB para 2014 e teceu considerações que creio impertinentes sobre a candidatura de José Serra em 2010. Que bem faz ao partido a sua fala? Se ele souber, que diga. O que eu digo? Acho que há aí um erro de análise fundamental — e nada tem a ver com o nome de Aécio em princípio. A pergunta que faço é outra: o problema do PSDB (e das oposições) está na definição do nome ou na definição do conjunto de valores com o qual se vai enfrentar a disputa eleitoral?

Os aecistas do PSDB já tratam a entrevista como a unção — e ponto final! Eis o PSDB que jurou, desta feita, acabar com decisões de cúpula… Mas nem entro nesse particular. Digamos que, sim, a entrevista de FHC consolide desde já: “Será Aécio é pronto!” E aí? O que isso significa? Que conjunto de valores ele representa que se distingue, de maneira essencial, daquele representado por Dilma Rousseff, que disputará a reeleição? Digamos que eu soubesse a resposta… Ocorre que eu não represento a maioria ou a média do eleitorado. Há coisas que chegam mesmo a ter uma graça particular. O PSDB aecista tem no PT, em Minas, um parceiro antigo. Como bem lembrou o governador Antonio Anastasia quando as “consultorias”de Fernando Pimentel vieram a público, o petista era “amigo e mineiro”… Por que o eleitorado tem de ser convencido de que o PT, bom para governar Belo Horizonte junto com os tucanos, com a mediação do PSB, não é bom para governar o Brasil? Digamos que uma campanha se encarregue de esclarecer… A minha pergunta segue sendo a mesma: seja candidato Aécio, Serra ou qualquer outro, qual será a mensagem levada ao eleitor? Não adianta os tucanos virem com retórica oca: terão de dizer por que eles merecem um “sim” do eleitor e por que o PT merece um “não”.

Por quê?

Eu sei parte da resposta
Parte da resposta, ao menos, eu conheço. Posso não saber hoje por que “sim PSDB”, mas sei muito bem “por que não PT”. E, de novo, as minhas respostas não são as mesmas dos tucanos que conheço. Na verdade, vênia máxima, eu os vejo fazer rigorosamente o contrário do que entendo que seria o certo. Há algum tempo, a cúpula do PSDB debateu o resultado de uma pesquisa sobre a reputação do partido — usada, para não variar, para fazer guerrilha contra Serra — e constatou que o PSDB tinha imagem de “elitista”, que precisaria se aproximar mais do povo, ter seu braço sindical mais ativo, ser mais popular, sei lá eu…

Entendo isso tudo como o caminho da perdição. Nas próprias entrevistas de FHC, um dos presidentes mais corajosos que o país já teve, noto certas inflexões à esquerda — e outras fracamente doidivanas, como o debate sobre a maconha — que evidenciam o esforço para emular com o PT no, como vou chamar?, campo do progressismo. É tão impressionante constatar que os tucanos ainda não perceberam que jamais tomarão a bandeira do “social” das mãos dos petistas! Se existe alguma saída para o partido, é evidente que essa saída só pode se dar pela — à falta de melhor palavra, vai esta —  direita. Falo em termos relativos: à direita do PT.

Escrevi dia desses, e muitos tucanos ficaram bravos — paciência! —, que os tucanos ocupam hoje o lugar que, em todas as democracias do mundo, é ocupado por partidos conservadores. Só que o PSDB não é um partido “conservador”, mas não consegue ser um “partido progressista” — ou, se quiserem, de esquerda. Então é o quê?

Na entrevista que concedeu à Economist, agarrado à tese errada de que é preciso logo definir um nome e partir pra luta, FHC arriscou alguma sociologia: à diferença de Serra, Aécio viria de uma política mais tradicional, mais afeita a alianças etc… Huuummm… Digamos que sim! Dado o andar da carruagem, quem terá mais condições de assegurar as alianças em 2014? Ou alguém conta que o prestígio de Dilma vai se esfarelar por obra do Espírito Santo?

Medo do eleitor e do conservadorismo
A verdade é que o PSDB tem medo do eleitor, especialmente do eleitor que não é “progressista”. Teme, em suma, o conservadorismo da sociedade brasileira — o bom conservadorismo, deixo claro! Isso ficou evidente na campanha eleitoral de 2010, por exemplo. O debate sobre o aborto — é mentira que tenha sido feito pelos tucanos; essa foi uma invenção dos petistas e da imprensa patrulheira —, por exemplo, deixou foi o partido assustado.

Ontem, Alberto Goldman, como já informei, emitiu uma nota dura sobre a exploração vigarista que o PT faz da desocupação da tal área do Pinheirinho. Falou em nome da direção do partido! Mas que demora, não? As grandes lideranças do PSDB — quais? — já deveriam ter-se manifestado a respeito. Deveriam ter feito o debate político também por ocasião da retomada da cracolândia — afinal, eis um assunto que não diz respeito apenas a São Paulo. Mas quê!!! Fez-se um silêncio sepulcral a respeito. Para ser preciso, o governo tucano de Minas até entrou na guerra de propaganda oferecendo uma suposta abordagem alternativa a respeito…

Caminhando para a conclusão
Ok, os aecistas do PSDB podem se regozijar. Hoje, e tudo o mais constante, o nome do PSDB para disputar a Presidência da República é Aécio Neves. Digamos que a questão interna esteja mais do que precocemente resolvida. E daí? Com que eleitor, e sobre quais temas, os tucanos pretendem conversar? Como é que vão convencer os brasileiros, COM QUAIS VALORES?, de que Dilma não merece uma segunda chance? FHC parece apostar que um “político tradicional”, aliancista, tem mais chances. Pode ser. Desde que a equação não ignore o eleitor…

Para encerrar: que os tucanos e seus eventuais aliados não caiam na esparrela de  disputar em 2014 “só para fazer nome”, deixando a esperança de vitória mesmo para 2018, quando, então, nem Lula nem Dilma estiverem no páreo… O PT tem como fazer novos candidatos até lá. Para o bem e para o mal — sobretudo para o mal —, trata-se de um partido — isto é, de um sistema que aprendeu como dobrar “elites tradicionais”.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2012

às 22:47

As declarações de FHC à Economist e o futuro

Na madrugada, escreverei um texto sobre o trinômio “oposições-avaliação do governo Dilma-imprensa”. Como escrevi naquele texto sobre a pesquisa Datafolha, a situação dos partidos que se opõem ao governo é, de fato, difícil.

FHC concedeu uma entrevista à revista Economist que poderia implicar uma aceleração no processo decisório do PSDB. Mas “processo decisório” para exatamente o quê? O que é que falta à oposição? Um candidato ou um conjunto de valores? Ainda voltarei a este assunto.

A julgar pela entrevista dada por FHC, ele deve acreditar que é preciso definir o candidato. E falou o que falou à Economist. Vai, com isso, unir o partido, pacificá-lo, levá-lo à tranqüilidade? Bem, o tempo dirá.  Eu acho que não. Até porque acredito que o problema da oposição, um dia, será o nome, claro!, mas, por enquanto, é a falta de idéia mesmo. Leiam o que vai no Estadão Online:

FHC: Aécio é “candidato natural” do PSDB à Presidência

Por Bruno Boghossian:
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apontou o senador mineiro Aécio Neves como “candidato natural” do PSDB à Presidência em 2014. Em entrevista à publicação britânica The Economist, FHC prevê uma “luta interna muito forte” entre Aécio e o ex-governador de São Paulo, José Serra, pela indicação do partido nas eleições nacionais.

Em uma conversa com a jornalista Helen Joyce, chefe do escritório da revista em São Paulo, realizada no dia 12 de janeiro, o ex-presidente destaca a importância de unidade dentro do PSDB para a escolha de seu candidato daqui a três anos. Questionado sobre quem seria o “candidato natural”, FHC respondeu sem rodeios: “Aécio Neves”.

O tucano não retira Serra da disputa, indicando que “as coisas ficarão mais claras depois das eleições municipais”. No entanto, FHC indica que o ex-governador pode desistir da disputa para promover a renovação do partido e chega a compará-lo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputou a Presidência diversas vezes.

“No caso do PSDB, o ex-governador Serra desempenha o papel do Lula: ele tem coragem, ele gosta de competir. Eu não sei até que ponto ele vai estar convencido de que isso não é para ele, que deve abrir espaço para os outros”, avaliou o ex-presidente.

Por Reinaldo Azevedo

11/01/2012

às 6:03

Explicada a covardia tucana no caso de Bezerra

Por Leandro Colon e Natuza Nery, na Folha:
O PSDB avisou o DEM que não será “protagonista” no cerco ao ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional) e, em nome do senador Aécio Neves (MG), orientou o aliado a seguir sozinho contra o auxiliar da presidente Dilma Rousseff.

De olho nas eleições de 2014, a ala tucana ligada ao mineiro não quer melindrar o PSB do governador Eduardo Campos (PE), presidente do partido e fiador da indicação de Bezerra à Esplanada. A legenda, tradicional parceira do PT, já é uma das principais forças políticas do Nordeste e sigla ascendente no Congresso Nacional.

Não por acaso, Aécio não quer se indispor com Campos, de quem é amigo e a quem tentará atrair para uma eventual dobradinha na próxima campanha presidencial. O recado do PSDB ao DEM foi dado no fim de semana em conversas sobre qual estratégia adotar diante da crise envolvendo o ministro.

Enquanto o primeiro deixou claro que uma ofensiva para desestabilizar Bezerra não interessa a Aécio, o segundo manteve posição mais beligerante. Conforme o cálculo de dirigentes do DEM, seria um trunfo contra o Executivo a queda do oitavo ministro de Dilma. Há, ainda, outra razão para a timidez tucana na crise: o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), não só representa o mesmo Estado que o ministro e Eduardo Campos como possui afinidades políticas com ambos.

Por enquanto, o PSDB vem adotando atitude mais protocolar nas cobranças ao ministro. Ontem, não assinou a representação que o DEM protocolou na Procuradoria-Geral da República pedindo abertura de investigação contra Bezerra.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2011

às 6:19

Serra e Aécio discursam no Encontro para Juventude do PSDB

Por Isonilda Souza e Silvia Amorim, no Globo:
No discurso, não há divisão interna no PSDB, nem grupos serristas e aecistas em pé de guerra. Foi o que disseram os dirigentes do partido presentes nesta sexta-feira no Encontro da Juventude Tucana, em Goiânia. Mas a agenda cuidadosamente cronometrada pelos organizadores do evento tentou garantir o mesmo espaço ao ex-governador José Serra (SP) e ao senador Aécio Neves (MG), e evitou o encontro dos dois - pré-candidatos do partido à sucessão da presidente Dilma Rousseff, em 2014. Aécio saiu do evento por volta das 20h e, minutos depois, Serra chegou. Os dois foram recebidos como candidatos pela juventude tucana.

Cada um teve seu momento exclusivo para discursar para cerca de 500 jovens filiados e alinhados ao PSDB, dentro da estratégia do partido de modernizar a legenda, atrair a juventude brasileira para suas causas e ampliar o poder tucano pelos estados com caras novas nas próximas eleições. Principalmente no pleito municipal do ano que vem.

Porém, essa estratégia tem ficado em segundo plano por conta da antecipação de um debate mais caloroso no partido sobre quem será o candidato do PSDB nas eleições presidenciais de 2014. Disputa negada por todos, mas evidenciada nos encontros tucanos.

Ao chegar a Goiânia, no fim da tarde, Aécio minimizou a divisão interna, negando que haja divergências entre seus filiados mais ilustres. Segundo ele, o PSDB chegará unido para a eleição presidencial de 2014: “Isso é muito mais uma pauta da imprensa. Não existe o PSDB do Aécio e o PSDB do Serra. Existe um só PSDB, que é do Aécio, do Serra, do Marconi Perillo, do Geraldo Alckmin, do Fernando Henrique Cardoso”.
(…)
O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), também minimizou a divisão partidária: “Se essa divisão se dá em algum lugar, não é no partido. Não tem apoio do PSDB”. Guerra disse que os tucanos vão definir o presidenciável a partir do resultado das eleições municipais de 2012. “Pelo menos é isso que eu defendo. Não vejo problemas em realizar prévias, mas vai depender das urnas no ano que vem. Vamos aguardar. Vai depender do resultado das urnas de 2012″.

O senador mineiro foi aclamado pelos participantes aos gritos de “Aécio presidente”. Ao longo do encontro, que pretendia reunir cerca de mil jovens, um dos gritos de guerra dos participantes era: “Um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos um tucano presidente do Brasil”.

A chegada de Serra estava prevista para as 19, mas ele só chegou depois das 20h, após a saída de Aécio do evento. O ex-governador não quis dar entrevista e foi direto fazer discurso. Quando entrou no local do evento, Serra foi recebido aos gritos de “olé, olê, olá, Serra, Serra!!”. No discurso, o ex-governador fez críticas à presidente Dilma Rousseff, dizendo que o governo dela ainda não começou. E, falando para a plateia jovem, um dos mais célebres ex-presidente da UNE atacou o PT, afirmando: “O PT sufocou o movimento estudantil”.

Além Serra, Aécio, Sérgio Guerra e do governador de Goiás, Marconi Perillo, participaram do encontro outros líderes regionais do PSDB, como o presidente nacional da Juventude Tucana e secretário de Esporte de Curitiba, Marcello Richa (filho do governador do Paraná, o também tucano Beto Richa). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua ida.

Na busca por apoiadores dentro do partido para a eleição de 2014, o senador Aécio e Serra lançaram-se numa cruzada para buscar apoio da juventude do partido. O grupo é considerado estratégico pelo grau de organização - ele está estruturado nos 26 estados e no Distrito Federal - e pela força que tem demonstrado para a mobilização da militância. “Temos dois nomes de grande visibilidade e com tranquilidade e diálogo vamos, sem dúvida, dar a nossa contribuição nesse processo”, afirmou Richa.

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2011

às 4:11

Para Serra, discutir 2014 agora é “pôr o carro adiante dos bois”

Por Andrea Jubé Vianna e João Domingos, no Estadão:
O ex-governador José Serra utilizou nesta quarta-feira, 12, o microblog Twitter para dizer que não é o momento de a oposição discutir a sucessão da presidente Dilma Rousseff, numa aparente resposta à declaração do senador Aécio Neves (MG), que em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, no último domingo, afirmou que está pronto para disputar com qualquer candidato do PT, “seja Lula ou Dilma”.

Serra afirmou, no Twitter: “2014 está longe. Antes vem 2012. Querer colocar o carro adiante dos bois só atrapalha e desorganiza a oposição”. O senador Aécio Neves, no entanto, não quis entrar em polêmica. Por meio de sua assessoria, ele afirmou que pensa exatamente desta forma, de que não é o momento de discutir a sucessão presidencial. De acordo com informações de políticos ligados a Serra, o ex-governador sonha em disputar a eleição presidencial pela terceira vez, em 2014. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

31/08/2011

às 22:01

Aécio sacrifica mais uma vez o PSDB de BH em nome do “projeto”. E garante apoio à mãe de Eduardo Campos para o PSDB de olho no filho

Vamos ver. A deputada Ana Arraes (PSB-PE), mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ofereceu, nesta quarta, um café-da-manhã ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). Campos e o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), estavam presentes. Acertaram-se duas coisas: os mineiros se comprometeram a apoiar o nome de Ana para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) e selaram o apoio à reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, também do PSB.

Um leitor atento logo indagará: “Quer dizer que Campos, então, levou as duas coisas e não deu nada em troca? Que vantagem Aécio leva?”

Pois é…

Os que costumam atribuir ao senador de Minas um raro tino estratégico acreditam que, assim, ele fratura a base governista, a que pertence o PSB, e, quem sabe?, conta com o apoio do partido caso venha a ser o candidato do PSDB à Presidência. Ele seria, nessa versão, aquele que soma. Tá. Por que Campos não apostaria no próprio projeto caso a receita petista desande ou por que mediria forças com Lula é um desses mistérios que só se explica pela metafísica.

Em 2008, o PSDB de Minas apoiou a candidatura de Márcio Lacerda à prefeitura. O vice é Roberto Carvalho, do PT. O PSDB abriu mão de uma candidatura própria em nome de um futuro que viria e que seria chamado de “pós-Lula”. Dizia-se, então, que o confronto entre PSDB e PT era coisa de… São Paulo.

O PSDB elegeu o prefeito de Belo Horizonte pela primeira e última vez em 1989 (mandato 1990-1993). Ao fim de 2012, serão 20 anos longe da Prefeitura. Nas três últimas disputas ao menos, o “Projeto Aécio” evitou qualquer confronto com o PT (afinal, isso é coisa de paulistas), até chegar à aliança de fato, mas não de direito, em 2008. Lacerda apareceu como o candidato de Aécio e… do PT, que não quis saber do apoio formal dos tucanos, não.

O “Projeto Aécio” — à jornalista Dora Kramer, o senador afirmou que sua pré-candidatura a 2010 não era pra valer; então sacrificou o PSDB de BH por quê? — determina que o PSDB não terá candidato próprio de novo. E o senador de Minas põe no tal “projeto” a vaga do TCU. Fica tudo, assim, com aquele jeito de método peemedebista de administração dos interesses…

Em maio, numa entrevista a um portal, o deputado estadual João Leite, presidente do PSDB de Belo Horizonte, afirmou que o apoio a Lacerda, garantido hoje por Aécio, estava subordinado ao apoio de Campos à candidatura de Aécio à Presidência. É evidente que o governador não garantiu nada — até porque Aécio não é candidato ainda.

Por enquanto, a única coisa realmente concreta é que o PSDB de Belo Horizonte entrou como troco no “Projeto”. O partido se dispõe a ficar 24 anos longe da Prefeitura. E tudo para fortalecer o PSDB, é claro, vão assegurar os dialéticos admiradores da estratégia do senador Aécio. O interessante nessa estratégia é que, se tudo fosse como dizem esses dialéticos, o senador de Minas se viabilizaria candidato atraindo todos os partidos que hoje são da base  governista, mais PSDB e DEM. Se é difícil adminitrar o condomínio agora, imaginem como seria… Seria a passagem do “presidencialismo de coalizão” para o “presidencialismo de colisão”.

Por Reinaldo Azevedo

23/06/2011

às 6:45

Medida Provisória: Aécio já ensaia desistir de proposta que desagrada ao governo

Por Márcio Falcão. na Folha:
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) já negocia flexibilizar o ponto mais polêmico da proposta que altera a tramitação de medidas provisórias no Congresso. Relator da PEC (proposta de emenda constitucional) no Senado, o tucano deve desistir de propor a criação de uma comissão de 24 congressistas que decidiria se a proposta deve ou não vigorar. Governistas são contra a comissão, por temerem restrição ao poder do Executivo. Aécio deve propor agora que as medidas provisórias passem pelo crivo das comissões de Constituição e Justiça da Câmara e do Senado. As duas comissões são dominadas por aliados do Planalto.

Com isso, as CCJs decidiriam, em dez dias, se a proposta atende aos critérios de “urgência e relevância”. Se o tucano recuar, será a segunda concessão ao Planalto desde que a chamada “PEC das MPs” começou a tramitar. Aécio já havia retirado de sua proposta inicial artigo que impedia a vigência imediata de uma MP sem o aval dos congressistas.
Hoje, uma medida provisória vigora imediatamente após ser editada, sem passar por comissões no Congresso. Segundo o presidente da CCJ, Eunício Oliveira (PMDB-CE), melhor seria se os textos das medidas fossem de fato analisados por esta comissão, e não pela comissão de 24 congressistas. Para o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RO), porém, a passagem preliminar do texto de uma MP pela CCJ ainda é dúvida. “Vamos tentar decidir isso na semana que vem.”

PRAZOS
No que depender do Planalto, a única mudança no rito das MPs será a fixação de prazos para análise na Câmara e no Senado. Em conversa anteontem com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Jucá disse que tem trabalhado por um acordo que estabeleça prazo de 70 dias para a Câmara analisar as MPs, outros 40 para o Senado e 10 para votar eventuais emendas. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2011

às 15:28

“Vou precisar de ajuda aqui no Congresso”, diz Gleisi a Aécio

No Portal G1. Comento depois:
A nova ministra-chefe da Casa Civil, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi cercada por parlamentares do governo e da oposição ao chegar ao plenário do Senado para fazer seu pronunciamento de despedida dos colegas.

Ao apertar a mão do senador Aécio Neves (PSDB-MG), a petista agradeceu a “deferência” tratou logo de dar o tom de sua gestão na Casa Civil. “Vou precisar de ajuda aqui no Congresso”, disse Gleisi a Aécio.

Cumprimentada pelo senador Cyro Miranda (PSDB-GO) e pela senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), Gleisi esclareceu que terá uma conduta no governo de diálogo com os parlamentares. O antecessor, Antonio Palocci, acumulava críticas entre os senadores porque era supostamente pouco acessível.

“Com certeza a gente vai ter uma boa interlocução”, disse a petista.

Comento
Claro! A oposição ajuda o governo no Senado, e o governo ajuda a oposição no Executivo! Dilma tem dito por aí que a base aliada no Congresso também faz parte do governo.

Pode-se inaugurar um novo conceito: incorporar ao Executivo também a oposição. Seria um novo modelo de democracia, exclusivamente nosso!

Por Reinaldo Azevedo

07/06/2011

às 20:40

Governo ainda não decretou o fim da crise política, mas Aécio Neves já!

Na Folha:
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta terça-feira que a demissão de Antonio Palocci do cargo de ministro da Casa Civil põe fim à crise que paralisa o governo desde 15 de maio. “Do ponto de vista político, obviamente há um encerramento”, afirmou. No entanto, o tucano diz acreditar que as investigações das suspeitas levantadas após a revelação do enriquecimento de Palocci continuarão. “Do ponto de vista jurídico, a Procuradoria do Distrito Federal certamente vai ouvi-lo ainda, vai investigar se houve, eventualmente, tráfico de influência”, disse.

Para Aécio, a decisão de Palocci foi “sensata” ao perceber que “a Procuradoria do Distrito Federal certamente vai ouvi-lo ainda, vai investigar se houve, eventualmente, tráfico de influência”. Ele afirmou que as novas assinaturas de senadores governistas ao pedido de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) pode ter influenciado na decisão do agora ex-ministro, e disse acreditar que a mudança na Casa Civil reduzirá a “arrogância” do governo.

Segundo o senador tucano, a oposição continuará atuando em conjunto nas ações para investigar a origem da fortuna de Palocci e rever a estratégia de convocação de Palocci ao Congresso para prestar esclarecimentos. A crise que levou à saída de Palocci teve início no dia 15 de maio, após a Folha revelar que o ministro multiplicou seu patrimônio por 20 entre 2006 e 2010.

A Projeto, empresa aberta por ele em 2006 –quando o ministro afirmou ter patrimônio de R$ 356 mil– comprou, em 2009 e 2010, imóveis em região nobre de São Paulo no valor total de R$ 7,5 milhões. A Folha também mostrou que o faturamento da empresa foi de R$ 20 milhões em 2010, quando ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma à Presidência da República.

Em entrevista exclusiva à Folha, Palocci afirmou que não revelou sua lista de clientes a Dilma, atribuiu as acusações a ele a uma “luta política” e disse que ninguém provou qualquer irregularidade na sua atuação com a consultoria Projeto. Em nenhum momento o agora ex-ministro revelou a lista de clientes de sua consultoria e alegou “cláusula de confidencialidade” para não divulgar para quem ele trabalhou enquanto exerceu simultaneamente as funções de deputado e consultor.

Por Reinaldo Azevedo

01/06/2011

às 5:43

Em meio à crise, PT faz acusações a Aécio

Por Andreza Matais e José Ernesto Credendio, na Folha:
Em meio à crise do governo no Congresso e ao enfraquecimento de Antonio Palocci (Casa Civil), o PT de Minas ingressou anteontem na Procuradoria-Geral da República com pedido para que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) seja investigado por supostas sonegação fiscal e ocultação de patrimônio. O PMDB-MG subscreve o pedido. A representação acusa Aécio de ter “hábitos caros e pouco comuns à maioria esmagadora da população”. Também cita que Aécio leva uma vida “nababesca”, frequenta restaurantes de primeira linha, festas com celebridades e viaja em jatinhos, o que seria “incompatível com seus rendimentos”.

A assessoria de Aécio afirma que todos os bens do senador estão declarados e que seus hábitos são compatíveis com seus rendimentos. No Congresso, PT e PMDB têm se recusado a aprovar pedido para convocar Palocci. Conforme a Folha revelou, o ministro multiplicou seu patrimônio por 20 entre 2006 e o ano passado. A representação atinge um dos interlocutores de Palocci no PSDB em um momento de fragilidade. Após a revelação dos bens de Palocci, Aécio defendeu um comportamento “sereno” da oposição.
Na ação, os deputados mineiros anexaram cópias da declaração de bens de Aécio, documentos sobre empresas de sua família e reproduções de multas de trânsito.

Também há cópia de declaração de despesas de sua campanha com o aluguel de um jatinho da Banjet Táxi Aéreo, que ainda seria usado para fins particulares sem pagar nada. A empresa tem como sócio Oswaldo Borges da Costa Filho, nomeado por Aécio para presidir a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Um dos autores da ação contra Aécio, o deputado Rogério Correia, líder do bloco PT-PMDB-PC do B na Assembleia, disse que o caso é “mais grave” que o de Palocci pois o primeiro “era governador quando enriqueceu”.

Por Reinaldo Azevedo

28/05/2011

às 20:52

O que de fato aconteceu na convenção tucana e os três presidenciáveis. Ou: PSDB muda estatuto, e Conselho Político terá poder efetivo; Aécio e Guerra tiveram de ceder

A afirmação segundo a qual o grupo do senador Aécio Neves (MG) tratorou o de José Serra (SP) na convenção do PSDB não é informação, mas pré-pauta. Esse lead já estava escrito antes dos acontecimentos da madrugada, manhã e tarde deste sábado. Como Serra havia sido indicado para o Instituto Teotônio Vilela pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e como o ITV acabou ficando com Tasso Jereissati (CE), como queria o senador mineiro, então se tira a conclusão óbvia e errada.

De fato, a idéia inicial de Aécio e Sérgio Guerra, reconduzido à presidência do partido, era encostar Serra num conselho meramente consultivo. O relato óbvio de boa parte da imprensa seria este que se lê, embora as coisas não tenham se dado conforme o pretendido: “o ex-governador de São Paulo ganhou um cargo de consolação”. Pois é. Não foi assim.

A verdade é bem outra. A sexta-feira se fechou, e o sábado raiou com a firme disposição do PSDB de São Paulo de boicotar a convenção, o que seria um vexame para o partido e para aqueles que eram tidos como os “grandes vencedores”: Guerra e Aécio. Alckmin, FHC e Serra decidiram que não participariam do evento. Por quê?

O desenho impunha uma humilhação, vejam que fabuloso!, ao PSDB de São Paulo, que ainda é o, digamos, mercado eleitoral onde os tucanos mais têm votos. Querem um exemplo? É como se o deputado Pedro Tobias, o presidente da maior seção regional do PSDB, não existisse nem para os que se candidatam a chefes do partido nem para a imprensa. Tomam-se “decisões” e escrevem-se matérias “definitivas” sem consultá-lo.

Mudança de estatuto
Jereissati, de fato, já havia sido convidado para o ITV e aceitado o convite. Mas Alckmin, de um estado onde o PSDB é reiteradamente vitorioso — não é o caso do Ceará… —, reivindicava o cargo porque não gostou, e com razão, do lugar que se reservava ao estado no comando do partido. Nos bastidores, como se lê em toda parte, Guerra e Aécio diziam que entregar o ITV a Serra representaria o risco de um “comando paralelo” no partido. Ambos temeriam, sabe-se lá por quê, que o tucano paulista tivesse mais visibilidade no minúsculo ITV do que eles próprios na direção da legenda — formalmente é Guerra que dirige, mas ele hoje é um aliado de Aécio. Aí, então, acharam que encostar o candidato que teve quase 44 milhões de votos na eleição presidencial era uma boa idéia. Há uma tese por trás disso, da qual trato daqui a pouco.

Pois bem! Não foi exatamente Serra que não aceitou, mas o PSDB de São Paulo, a começar de Alckmin, que decidiu que não iria à convenção. E, segundo este blog apurou, não iria mesmo, o que levou pânico à turma de Guerra e Aécio. O sempre moderado e conciliador FHC faria o mesmo. Os adversários de São Paulo na batalha interna tiveram de ceder.

O partido, atenção!, mudou seus estatutos para abrigar um Conselho que não terá mais funções meramente consultivas, mas será deliberativo. Terá poder de decisão e veto sobre temas como:
- alianças;
- programa;
- forma de definição de candidatos.

E também terá estrutura para trabalhar. A mudança é tal que, na reta final, Sérgio Guerra estava disposto a recuar e defender a ida de Serra para o ITV mesmo… Considerou que era melhor aquela hipótese do que a alteração do estatuto do partido para abrigar este conselho político efetivamente deliberativo, o que, obviamente, diminui o seu poder.

Conseqüências e tese errada
Eu não faço o jogo da pomba lesa ou da Poliana bêbada. A blitz de comentários decretando a morte política de Serra, convidando-me a reconhecer isso que seria óbvio — NÃO RECONHEÇO PORQUE ACHO FALSO! —, me diz bem que jogo está sendo jogado; há petralhas ali, claro, mas não só. Sei da conversa: “Ah, você torce para Serra”. Cada um diga o que quiser, mas o fato é que não falei com o ex-governador, não.  Conversei, sim, com muitos outros tucanos. O que aconteceu foi isso que  relato acima.

Se querem saber, mais do que um “Serra vitorioso” na convenção, quem ganhou musculatura foi Geraldo Alckmin, que fez ver a tucanos um tanto nefelibatas que o PSDB de São Paulo existe — aliás, sem São Paulo, parece-me que o partido perde uma boa parte da sua importância, não? O esmagamento de Serra, conforme pretendiam alguns, não aconteceu.

O PSDB saiu unido da convenção? Depende do que se entende por “unidade”. Há uma tese muito errada por aí, abraçada por Aécio, segundo jornalistas que cobrem os bastidores da política: Serra teria de ser destruído agora, estabelecendo desde já um comando unitário no partido, de sorte que se defina já a candidatura à Presidência do PSDB, eliminando o bifrontismo do partido.

É mesmo, é?

Nem o PT, que guarda a memória do centralismo democrático dos partidos leninistas, tem esse tipo de unidade. Não será o PSDB a conseguir alguma coisa boa por esse caminho. Já li um texto quase douto (como tudo o que ele escreve) de Marcos Coimbra a respeito, dublê de cientista político e dono do Vox Populi. É dele a tese original de que Serra precisa ser eliminado da política — e, por conseqüência, os paulistas, que encarnariam confrontos que só existiriam no Estado.

É uma tolice notável, com pretensões a ciência política. A vitoriosíssima campanha de Obama se fez depois de uma disputa quase sangrenta com Hillary Clinton. A então candidata às prévias chegou a acusar de temerárias as posições de seu adversário sobre o Irã, por exemplo, quando Obama sugeria que dava para bater um papinho com Ahmadinejad.

Partidos democráticos não eliminam lideranças nem aniquilam grupos. Aqueles que forem maioria simplesmente vencem adversários internos no voto, segundo regras claras. A unidade possível do PSDB está em manter uma disputa civilizada na diversidade. Se o partido entender isso, bem; se não entender, pior. E a civilidade implica que aquele que não tem suas pretensões contempladas não sabota o candidato do partido. Não é o que se tem visto no tucanato desde 2002 — e isso, sim, é um problema.

Três candidatos
O fato é, passando a régua e fazendo a conta final, que o PSDB sai da convenção com três pré-candidatos à Presidência: Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra, em ordem alfabética.

E Sérgio Guerra preferia o partido que ele presidia até ontem àquele que ele presidirá a partir de amanhã.

Outros, com os mesmos fatos, certamente escreverão narrativa diversa. O tempor dirá . Mas só façam uma exigência: que a tal narrativa se sustente em fato, não em fofoca e nas aspas de seres anônimos.

Por Reinaldo Azevedo

24/05/2011

às 4:47

PSDB-SP faz pressão por mais espaço no partido

Por Vera Magalhães, no Estadão:
O PSDB de São Paulo formalizou ontem para o presidente nacional do partido, Sérgio Guerra (PE), a reivindicação por dois postos no comando nacional da legenda: a  secretaria-geral e a presidência do ITV (Instituto Teotônio Vilela) para o ex-governador José Serra. A princípio refratário às duas reivindicações, Guerra esteve com o governador Geraldo Alckmin e com a Executiva Estadual do partido. Guerra tenta ser reconduzido ao posto na convenção nacional do PSDB, que acontece no sábado, em Brasília.

Até lá, tanto partidários do atual presidente quanto os alinhados com Serra e Alckmin apostam numa negociação que só terá desfecho conhecido na reta final. Alckmin insistiu que Serra seja conduzido para a presidência do ITV, instituto ligado ao partido e responsável pela organização de seminários e pesquisas e pelas publicações tucanas. O pedido foi reforçado pela Executiva. “São Paulo não pode ser preterido. Seria desrespeitar o maior Estado da federação, governado pelo PSDB”, disse o líder da sigla na Assembleia, Orlando Morando. Segundo ele, a seção paulista do PSDB não aceitará menos que os dois cargos. Os paulistas dizem ter o apoio de quatro diretórios: Paraná, Espírito Santo, Bahia e Rio Grande do Sul. Guerra e o senador Aécio Neves, seu aliado, já prometeram a vaga para o ex-senador Tasso Jereissati.

Na semana passada, diante do pedido de Alckmin para que Serra ocupasse o comando do ITV, os dois reiteraram o apoio a Tasso -inclusive em reunião em que, diante do cearense, pediram apoio da bancada no Senado. Guerra tenta oferecer a primeira-vice-presidência do PSDB, hoje ocupada pela senadora Marisa Serrano, para acomodar os serristas. Mas o grupo do ex-presidenciável diz que o cargo é figurativo, e que a presença do aecista Rodrigo de Castro na secretaria-geral -o segundo na hierarquia- desequilibra o jogo a favor de Aécio. Tanto o mineiro quanto Serra não escondem a pretensão de ser candidatos a presidente em 2014. O nome de consenso dos paulistas para a secretaria-geral é o do ex-vice-governador Alberto Goldman. Guerra pretendia se reunir com ele, mas Goldman foi internado para uma série de exames.

CONSENSO
Na reunião com os paulistas, Guerra mais ouviu do que falou. Disse que procurará o consenso até sábado. “Já tinha conhecimento dos dois pleitos. Vamos ter uma composição equilibrada, e São Paulo estará sempre no centro disso”, disse. Ele afirmou que pretende levar em consideração as ponderações de Alckmin. “Ele pede o que quiser, e o partido sempre vai dar atenção.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2011

às 17:02

Política com um pouquinho de poesia. Ou: a fusão das oposições pode fazer desandar o poema. Ou: Aécio, Serra, Alckmin e Olavo Bilac

A esquerda da imprensa paulista está tão interessada em destruir Gilberto Kassab que não se dá conta  — e não faço juízo de valor, apenas registro um fato — da chacoalhada que ele deu no statu quo partidário brasileiro. Se será para o bem ou para o mal, vamos ainda ver — tendo a achar que será positivo —, mas o fato é que o partidos passaram a planejar o seu futuro a partir de uma realidade: o PSD.

Leitores me perguntam o que acho da notícia de hoje da Folha, segundo a qual o senador Aécio Neves (PSDB-MG) — que, no noticiário, aparece sempre no comando de um processo —  planeja fundir, em 2013, PSDB, PPS e DEM numa única sigla. Ainda segundo a apuração de Catia Seabra, Sérgio Guerra, o presidente dos tucanos, gostaria de ver isso acontecendo já.

Como não canso de ouvir por aí — para alegria daquela senhora que escreveu aquele livro alternativo de língua portuguesa —, “possa ser, possa ser…” Nota à margem: essa expressão deve provocar orgasmos na turma da sociolingüística alternatvo-esquerdopata. Afinal, quando um falante diz “pode ser”, expressa uma incerteza; já que o modo da incerteza é o subjuntivo, o “possa ser” seria ainda mais sábio, né? Que linda a verdade natural do povo!!! Não resisti à tentação de cutucar a “gramática diferenciada”… De volta à política.

“Possa ser”, mas não sei, não!

E se acontecer o contrário do que imagina, segundo a Folha ao menos, o senador Aécio Neves? Processos de fusão partidária também escancaram as portas para a mudança de legenda, não é mesmo? Qualquer democrata, tucano ou socialista do PPS pode alegar que a sua agremiação se descaracterizou. Se o governo Dilma estiver pelas tabelas em 2013, a fusão pode parecer uma boa idéia; se a oposição não tiver um nome que as pesquisas apontem como competitivo e se Dilma aparecer na liderança, a fusão pode é irrigar as forças do governismo.

Segundo a Folha Online, José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não se entusiasmaram muito com a idéia, considerando-a precipitada. “Não é uma idéia que está posta. É uma discussão fora de hora”, teria afirmado o primeiro. “Eu respeito as idéias, eu  respeito o Aécio, mas é muito cedo para essa discussão”, considerou o segundo.

E como eu avalio a essência dessa proposta? Posso apelar a um soneto do injustamente maltratado Olavo Bilac, dizendo “A Um Poeta” como deveria ser um poema? Segundo ele, a receita é esta:

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo que a imagem fique nua,
Rica, mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício.

Porque a beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade
.

Voltei
Em algumas versões, omite-se aquela vírgula depois de “Beneditino”, transformando o vocativo em sujeito e os verbos na segunda pessoa do modo imperativo em terceira pessoa do indicativo. Acredito aqui na minha “Obra Completa”, com vírgula. Trata-se de um aconselhamento a uma jovem poeta; um “como fazer”. Mas essa minha observação é filha do tempo em que a professora Heloísa Ramos ainda não havia revolucionado a língua em busca de “uma vida melhor”. Adiante.

Há um mito de que a política mineira é como deve ser o poema do Beneditino, com “a forma disfarçando o emprego do esforço”, com a construção de “uma trama viva”, que, no entanto, parece simples e natural, sem jamais mostrar “os andaimes do edifício”.

Sendo mesmo essa a proposta de Aécio, conforme a noticia a Folha, tenho pra mim que há andaimes demais à mostra; que o “emprego do esforço” é “muito visível”; que a “trama viva” parece muito pouco natural. Uma coisa é uma fusão partidária resultar na escolha de um nome à Presidência; outra é escolher um nome à Presidência que requeira uma fusão partidária. Parece-me, por pouco natural, uma caminho bastante difícil. Há, isto sim, um risco de enfraquecimento da oposição.

Nesse caso, o poema sairia pela culatra.

Por Reinaldo Azevedo

03/05/2011

às 6:53

PSDB, PSD etc. Ou: Sobre astúcia e conspiração

Na festa da Força Sindical de domingo, informou a Folha, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) criticou o PSD. Escreveram Daniela Lima e Vera Magalhães: Questionado se o prefeito é hoje aliado ou adversário dos tucanos, Aécio disse: ‘Eu ainda não descobri. Respeito o Kassab, mas esse partido [o PSD] nasce sem identidade’.” Eu até lembrei aqui que, em relação aos tucanos, não há dúvida: o PSD é aliado. O PSDB ocupa um bom pedação da Prefeitura de São Paulo. A presença do senador mineiro em São Paulo foi interpretada por parte da imprensa como um alinhamento com o governador Geraldo Alckmin — do outro lado da linha, nessa formulação, ficaria José Serra. Pois bem…

Eis que se lê no Estadão de hoje o seguinte texto de Christiane Sanmarco:
Até agora mero espectador do inchaço do PSD e do definhamento do DEM, o senador tucano Aécio Neves (MG), aspirante a candidato do PSDB à Presidência em 2014, colocou o partido criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, no centro de seu radar de alianças. Com isso, o mineiro, que já tem o “espólio” do DEM, busca alargar sua rede de segurança política.

Ontem, um dia depois de criticar ataques de tucanos ao PSD e de defender a tese de que é preciso “conversar e manter vínculos” com os líderes do novo partido, o senador deu um passo concreto para se aproximar da cúpula da legenda. Jantaria em Uberaba com o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen, linha de frente do prefeito de Kassab nas articulações para criar o PSD.

Todos os que têm pretensão política devem manter as portas abertas. Acho inteligente a posição de Aécio de evitar críticas ao PSD”, disse o ex-senador Bornhausen ao Estado no final da tarde de ontem, quando se preparava para o jantar na casa do deputado Marcos Montes (DEM-MG), parlamentar aecista. “A gente pode amanhã estar junto. Então, por que fazer crítica mais ácida?”, emendou o ex-senador.

Com o incentivo de Bornhausen, Aécio se movimenta para fincar um pé na nova legenda, evitando que seu concorrente no PSDB - o ex-governador José Serra, que também tem um pretensões presidenciais em 2014 - tenha um canal exclusivo de diálogo com os dissidentes do DEM que estão migrando para o PSD, já que Kassab é afilhado político do ex-governador paulista.

(…)
Com Alckmin. Anteontem Aécio conversou com o governador, Geraldo Alckmin, sobre a crise no PSDB paulista, intensificada pela criação do PSD. Os dois se encontraram antes do evento e seguiram juntos para o encontro dos sindicalistas. Apesar de ter minimizado o racha no partido, o governador teria demonstrado desconforto com a ação de tucanos que estariam atuando contra a unidade.

Anfitrião do jantar de ontem em Minas, o deputado Marcos Montes informou que a senadora Kátia Abreu (TO), outra que está trocando o DEM pelo PSD, também era aguarda. Embora a lista de convidados fosse extensa — em torno de 60 pessoas — ele adiantou que Bornhausen e Aécio seriam acomodados à mesma mesa. “Eles são bons amigos. Bornhausen tem grande admiração pelo Aécio”, justificou. Aqui

Comento
Há só uns pequenos reparos a fazer em nome da precisão, nem para o bem nem para o mal de ninguém. No domingo, como está registrado na Folha, na presença de Alckmin, Aécio atacou o PSD — “sem identidade”, segundo ele. Kassab já existia antes de Serra e não é seu “afilhado” político. Quem o escolheu vice na chapa encabeçada por Serra em 2004 foi o DEM, com o aval do então governador, Geraldo Alckmin. Isso tudo é fato, e basta consultar o noticiário da época. Serra não participou da escolha.

Voltemos ao texto de Cristiane Sanmarco, do Estadão. Façam um pequeno exercício. Troquem Aécio por Serra e se indaguem a respeito das reações. Tenho cá a impressão de que o jantar, noticiado como um ato de astúcia do senador mineiro, poderia ganhar ares de conspiração se o comensal fosse o paulista.

Talvez seja o caso de botar a bola no chão. O PSD é um fato — que, tudo indica, será muito mais evidente e eloqüente do que todos esperavam — e nasce de um desacerto óbvio, ocorrido no DEM, fortalecido depois pela bateção de cabeça no tucanato. Ninguém foge de casa se as coisas estão mais ou menos nos eixos.  Não dá para acusar o PSD de molestar democratas e tucanos inocentes, não é mesmo?

Como o partido é uma realidade, dado que Aécio, Serra e Alckmin alimentam justas pretensões presidenciais, hostilizá-lo, com efeito, não parece muito inteligente. Aécio é rápido, não é? Percebeu isso. Dos três tucanos de alta plumagem, vejam só!, é o primeiro a jantar com Jorge Bornhausen, um dos lideres da dissidência democrata que resultou no PSD.

A Folha informa na edição de hoje, vejam abaixo, que Aécio e Alckmin fizeram uma aliança para eleger o comando do PSDB. Não sei bem qual era a expectativa de certos setores do tucanato. No melhor dos mundos (para quem?), parece, Serra atacaria Kassab e o PSD em defesa do PSDB de São Paulo, liderado por Alckmin, que, então, estaria unido a Aécio, que ontem jantou com a cúpula do PSD que pretendiam que Serra tivesse atacado. Entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

03/05/2011

às 6:51

Aécio e Alckmin se unem para sucessão no PSDB

Por Daniela Lima, na Folha:
O governador Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves (MG) apoiarão a recondução do deputado Sérgio Guerra (PE) à presidência nacional do PSDB.  Guerra trava uma batalha surda com aliados do ex-governador José Serra, que manifestara desejo de comandar a legenda. Para aliados, Aécio e Alckmin têm posição fechada sobre a reeleição de Guerra. Líderes do partido buscarão agora uma composição para Serra ocupar outro posto na Executiva Nacional. Estudava-se a saída de dar ao ex-governador a chefia de um conselho político do partido, mas a tese arrefeceu. Alckmin e Aécio participaram de evento em comemoração ao Dia do Trabalho na capital paulista, anteontem. Há relatos de que os dois tenham, após o ato, jantado no Palácio dos Bandeirantes. Ambos negam a reunião.

Alckmin diz ainda não ter tratado sobre a composição da Executiva Nacional durante a festa do 1º de maio. Em janeiro, aliados do governador e de Aécio fizeram um abaixo-assinado na Câmara pela recondução de Guerra. A movimentação esfriou depois que a articulação foi divulgada. Os dois líderes do PSDB combinaram unificar o discurso em defesa da oposição e do partido em São Paulo. Já ontem, na posse do novo secretário de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia (DEM-SP), Alckmin defendeu o papel da oposição, num momento em que seu partido enfrenta uma crise e perde quadros para o PSD do prefeito Gilberto Kassab. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2011

às 6:09

Aécio, Alckmin e ministros de Dilma na festa da Força Sindical; é “o cheiro do povo”, diz Gilberto Carvalho

Por Daniela Lima, na Folha:
O palco que há um ano apresentou o ex-presidente Lula e a então pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, como estrelas da festa pelo Dia do Trabalho foi tomado ontem por dois tucanos: o senador Aécio Neves (MG) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Eles protagonizaram o evento organizado pela Força Sindical e outras quatro centrais na capital paulista. Cerca de um milhão de pessoas participaram da festa, segundo a Polícia Militar. O ato foi mais um passo nas investidas dos dois líderes do PSDB pela aproximação com o movimento sindical. Dilma Rousseff foi convidada para o evento, mas na última sexta-feira avisou que não iria. Lula fez o mesmo.

A presidente está com uma pneumonia leve, diagnosticada ontem.
Durante a festa, no entanto, ficou claro que os tucanos terão que trabalhar para conquistar as bases das centrais. Alckmin foi vaiado no início de seu discurso. Ele prosseguiu e, no final, foi aplaudido. “Foi uma coisa localizada, de pouca gente. A recepção foi muito calorosa”, disse após o episódio.

“CHEIRO DO POVO”
Aécio enalteceu os trabalhadores e criticou o governo. Ele ressaltou o avanço da inflação e o “processo de desindustrialização” do país. Também aproveitou para dividir com o PSDB os louros pelo crescimento econômico. “Se o Brasil é hoje um país melhor e mais justo, isso não é obra de um governo ou de um partido. É obra dos trabalhadores que, ao longo das últimas décadas, souberam impor sua agenda”, afirmou o tucano. À imprensa, o senador ironizou a iniciativa de Dilma de privatizar a operação de alguns aeroportos. “PT, bem-vindo ao maravilhoso mundo das privatizações”.

O PT e o governo foram representados pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), e Carlos Lupi (Trabalho). Todos minimizaram a presença da oposição no evento. “É importante que os políticos sintam de perto o cheiro do povo, valorizem o trabalhador”, afirmou Carvalho. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

19/04/2011

às 7:37

Esclarecimento ao leitor

Havia um post sobre o caso Aécio Neves ilustrado com um vídeo do Youtube. O texto só fazia sentido com ele. Eu não havia lido os comentários que estavam postados no vídeo — e, é evidente, não tinha controle sobre eles. Exclui o texto porque considerei aqueles comentários, não os de vocês, inaceitáveis. O link poderia sugerir um endosso ao que lá ia. Faço crítica política aqui. Prefiro que gostem do que escrevo, como todo mundo. Mas há quem não goste. Gostando ou não, faço questão de que seja por bons motivos.

Por Reinaldo Azevedo
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18/04/2011

às 6:41

Dois maus exemplos de Aécio

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) deu dois maus exemplos na madrugada de sábado, no Rio: dirigia com a habilitação vencida e se negou a passar pelo teste do bafômetro. Sua Land Rover foi parada numa blitz na avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, às 3h, a poucas quadras de seu apartamento. Foi multado em R$ 957,70 por recusar o bafômetro e em R$ 191,54 pela habilitação vencida. Tão logo renove a sua carteira, ela já vem com sete pontos.

Aécio cultiva a imagem de bon vivant, especialmente quando está em sua segunda pátria — o Rio. Querem alguns que, de fato, é a primeira. Pouco importa para o caso. O fato é que um senador da República, pré-candidato à Presidência, carrega a força do exemplo.

Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, Aécio tampouco. Se não quer soprar o bafômetro, não sopra. Havendo sinais evidentes de embriaguez, a polícia pode até conduzir o motorista à delegacia. Resolveu-se tudo por ali mesmo. Ele teve a carteira apreendida e pediu a um motorista de táxi que conduzisse o carro até seu apartamento.

Vamos ver. Faz tempo que Aécio vive cercado de assessores. Dirigir com a carteira vencida, sendo quem é e quem foi até outro dia, não é coisa bonita. No caso do bafômetro, acho que a coisa piora um pouco. Até outro dia, governador de Estado, era ele o chefe da polícia que fazia esse tipo de abordagem em Minas, certo?

Sua assessoria procurou uma brecha para explicar a recusa. Parece fazer sentido, mas não faz. Como a carteira estava vencida e seria apreendida e como ele não poderia continuar dirigindo, então não haveria motivos para fazer o teste. Entenderam? Não? Ninguém entendeu! Tivesse se submetido ao aparelhinho e sido aprovado, os brasileiros que ele pretende governar um dia teriam ficado sabendo que a habilitação estava inabilitada, mas que o motorista permanecia hábil. Assim como ficou a história, vamos ser francos: quase ninguém acredita, não é mesmo?

Aécio é um senador da República. Tem o direito de se divertir. Mas continua titular de um mandato onde quer que esteja: na rua, na chuva, na fazenda, numa casinha de sapé ou no Leblon. Pode até iniciar um movimento para mudar o Código de Trânsito. É legítimo. Não pode é fazer o que fez sendo quem é..

“Ah, lá vai o Reinaldo pegar no pé de Aécio…” Eu? Há alguém que saiba defender uma coisa e outra? Nem ele próprio consegue.  A nota da assessoria termina assim: “O senador cumprimentou a equipe policial responsável pelo profissionalismo e correção na abordagem feita aos motoristas durante a blitz.”



Por Reinaldo Azevedo

09/04/2011

às 8:35

O DEM como ninho auxiliar de um tucano

O Democratas realmente passa por um momento que se pode dizer único. Na terça-feira, dia 5, o senador José Agripino (RN), presidente do partido, marcou uma reunião em seu gabinete para decidir os destinos da legenda no Tocantins, com a saída da senadora Kátia Abreu, que saiu para ser uma das fundadoras do PSD. Sim, é necessário fazê-lo. Por isso estavam lá dois deputados do estado, um federal e um estadual. O líder na Câmara, ACM Neto (BA), também compareceu ao encontro.

Inusitada mesmo foi a participação ativa, na reunião, com direito a voz — e, se fosse necessário, até a voto — do senador Aécio Neves, do PSDB de Minas Gerais. Uma das acusações que faz o grupo que deixou o Democratas é que o partido se tornado uma sublegenda de Aécio e está sendo “administrado” de fora, segundo os interesses eleitorais do senador tucano, o que Agripino já nega.

Por Reinaldo Azevedo

06/04/2011

às 19:31

Aécio na tribuna: a situação já escolheu o seu candidato de oposição. Ou: por que Dilma deveria se preocupar?

Vamos lá. Algumas considerações sobre o discurso do senador Aécio Neves. Em primeiro lugar, destaco que o governo já tem o adversário preferido em 2014: Aécio. Parte do jornalismo também decidiu que será assim. Os dois, governo e imprensa, resolveram, como posso dizer?, “bombar” a fala do senador antes mesmo que ela acontecesse. No jornalismo online, houve um certo frenesi: “Aécio discursa daqui a pouco…”; “Aécio vai dizer que…”; “Petistas se preparam para responder a Aécio…” E foi por aí. Com três anos e oito meses de antecedência, já se decidiu qual será o confronto de 2014. Aécio, como protagonista do dia, atuou para isso. Seus antagonistas — do histriônico Lindberg Farias (PT-RJ), quase um anfitrião de Aécio no Rio, ao pudoroso Jorge Viana (PT-AC) — aceitaram o papel de antagonistas sem contestar o enredo. E o senador mineiro comandou a sessão. Chegou mesmo a “nomear” o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ministro da Justiça — o que, diga-se, se e quando acontecer, contará com meu apoio entusiasmado. O que me pergunto é se um discurso de um líder da oposição deve se confundir com o pré-lançamento de uma candidatura a esta altura do campeonato. Aécio foi muito hábil na operação. O tempo dirá se foi também prudente.

Vamos ao discurso (íntegra aqui).

Sem pedir desculpas
Aécio citou, num dado momento, uma fala do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), segundo a qual “ser oposição é tão patriótico quanto ser governo”. Também acho. Por isso mesmo, doravante, acho eu, os líderes oposicionistas — Aécio inclusive — podem se dispensar daquelas escusas iniciais, que buscam deixar claro que o opositor não é um sabotador. Afirmou o senador:
“Estarei onde sempre estive, como homem do diálogo que não foge às suas responsabilidades e convicções; não teme o enfrentamento do debate nem as oportunidades de convergência em torno dos interesses do Brasil. Farei a política que sempre fiz, aquela que entende que, neste campo, brigam as idéias e não os homens.”
“Sim, isso tudo é correto. Correto e, reitero, desnecessário. Em nenhuma democracia consolidada do mundo, e nós temos uma, fazem-se necessárias tais ressalvas. Até porque jamais houve oposição sistemática ao governo Lula. O oposicionismo doidivanas é monopólio do PT. Digam-me uma só proposta boa para ao Brasil à qual PSDB, DEM e PPS tenham dito “não”. Inexiste!

A fala de Aécio pode ser dividida em três blocos. O primeiro fez uma síntese do passado, mostrando como o PT se comportou ao longo da sua história, preocupado mais com a sua própria construção do que com o país, o que levou o partido a se omitir em momentos cruciais para o destino do Brasil, opondo-se de modo radical, em particular, ao governo FHC. É fato! O PT disse não à Lei de Responsabilidade Fiscal, ao Proer, aos programas sociais (que chamava “assistencialismo”, às privatizações… A tudo, em suma, que depois se mostrou essencial para garantir ao PT a governabilidade do país.

Aécio emendou dizendo que o PSDB segue na sua mesma trajetória, em favor do Brasil, ao contrário do PT, que continua ocupado em fortalecer o próprio partido, daí o inchaço da máquina pública e a interferência indevida na direção da Vale:
“Não é interesse do país que o Poder Federal patrocine o grave aparelhamento e o inchaço do Estado brasileiro, como nunca antes se viu na nossa história. Da mesma forma, não posso crer que seja interesse do país que o governismo avance sobre empresas privadas, com o objetivo de atrelá-las às suas conveniências.”

O senador fez elogios a Lula, que, em muitos aspectos, teria dado continuidade à obra de FHC. Do mesmo modo, e concordo com ele porque já escrevi isso aqui, considerou que não estamos experimentando o primeiro ano do governo Dilma, mas o nono ano do governo do PT. E isso lhe deu o gancho para a crítica:
“Não há ruptura entre o velho e o novo, mas o continuísmo das graves contradições dos últimos anos. O Brasil cor-de-rosa vendido competentemente pela propaganda política - apoiada por farta e difusa propaganda oficial - não se confirma na realidade. E nós vivemos no Brasil real. Por isso, senhoras e senhores, cessadas as paixões da disputa eleitoral, o Brasil precisa, neste momento, de um choque de realidade.”

Choque de realidade
E partiu para o segundo bloco. Quais são os problemas do Brasil hoje, segundo Aécio? Ele apontou o risco de “desindustrialização de setores importantes da economia” — não apontou causas ou disse como corrigir o problema —, a gastança, a infraestrutura precária e a carga tributária extorsiva. A oposição terá de lidar com eles, disse Aécio, em três frentes:
“Uma, que define a nossa postura perante o governo. Outra, que nos remete ao nosso compromisso inalienável com o resgate da Federação. E a terceira frente, a que nos permitirá uma aproximação ainda maior com os brasileiros.”

A primeira frente pede “fiscalização do governo”; a segunda, o “resgate da federação”; a terceira estaria naquele documento — lembram-se? — lançado primeiro neste blog, o “Manifesto em Defesa da Democracia”:
“É um insulto à Republica que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo (como denuncia todos os dias o senador Itamar Franco)… O poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder não lhe conferem licença para ignorar a Constituição e as leis… É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político… Esse documento, ao meu ver, reflete a alma e o coração de tantos de nós e, ao fazer isso, nos traz a dimensão maior da política.”

O tucano defendeu, em seguida, algumas medidas pontuais: a redução a zero da alíquota de PIS e Cofins para investimentos em saneamento — proposta, lembrou, que Serra fez durante a campanha — e energia; execução orçamentária restrita em áreas essenciais, como os Transportes; transferência de parcela maior da CIDE para estados e municípios; o não-contingenciamento de verbas da área de Segurança Pública — 70% do total deveriam ser repassados mês a mês; recomposição gradual do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios;  revisão da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, criando o Simples Trabalhista, universalizando o direito de opção pelo Simples Nacional e estendendo os benefícios do Empreendedor Individual para as micro e pequenas empresas.

Como se nota, Aécio se empenhou em mostrar que tem idéias que interessam, em especial, aos estados mais pobres. Falava o pré-candidato. Feita a pausa, digamos assim, mais tarefeira, voltou às questões gerais. A oposição, disse, no terceiro bloco, tem de ter três valores: “coragem, responsabilidade e ética”. Nas suas palavras:
“Coragem, para resistir à tentação da demagogia e do oportunismo. Responsabilidade, não podemos cobrar do governo responsabilidade se não a tivermos para oferecer ao país. E Ética, não só a ética que move as denúncias.Não só a ética que cobra a transparência e a verdade. Mas uma ética mais ampla, íntima, capaz de orientar nossas posições, ações e compromissos, todos os dias.”

No importante momento da peroração, a conclusão do discurso, voltou à Minas universal, ao muito que o Brasil e, suspeito, o mundo têm a aprender com o Estado:
“E, aqui, não posso deixar de lembrar Minas, a história de Minas e as lições que nos legaram os homens e mulheres de Minas. Elas nos dizem que cada geração tem o seu compromisso com a história. Elas nos dizem que a pátria é honrosa tarefa diária, coletiva e compartilhada. Não a realizaremos sob o signo do confronto irracional nem tampouco da complacência. A oposição que defendo não é a de uma coligação de partidos contra o Estado ou o país, mas a da lucidez da razão republicana contra os erros e omissões do poder público. Convoca-nos, neste momento, a responsabilidade para fazer o que precisa ser feito. Ou o faremos ou continuaremos colecionando sonhos irrealizados. Não temos, senhoras e senhores, esse direito. Precisamos estar, todos, à altura dos sonhos de cada um dos brasileiros.
Nós, da oposição, estaremos.
Muito obrigado.”

Mas o que foi que ele disse mesmo?
O discurso de Aécio é bom? Publico a íntegra no blog. Leiam quando tiverem tempo. A síntese que faz do passado é excelente. Boa parte do que vai ali está nos arquivos deste blog desde 2004 — e em Primeira Leitura, já extinta, desde 2003. A crítica ao aparelhamento do estado e às indevidas interferências do PT numa empresa privada, que se dão no presente, são corretas e pertinentes; as propostas pontuais — o que chamei de lado tarefeiro — parecem boas. Mas, no que concerne ao futuro, não há nada que vá muito além de questões adjetivas e da reiteração de que, afinal, somos todos homens honrados. Perfeito!

Ao retomar o “Manifesto em Defesa da Democracia”, texto que vocês conhecem melhor do que ninguém, parece-me que cumpria ser um pouco mais incisivo na crítica às muitas vezes em que o PT investiu na desinstitucionalização do país. Era disso que tratava aquele texto — e a interferência de Dilma na Vale é parte desse processo. Valeu a citação, mas faltou apontar com mais clareza o problema. Da mesma sorte, a tal “desinsdustrialização” a que se referiu, se está em curso, não existe no vácuo. Está por quê? Qual é a origem? Como corrigi-la?

Li e reli o discurso. O evento do dia, que eu me lembre, foi inédito. Aécio comandou pessoalmente a sessão do Senado a partir das 15 e poucos  e lá está até agora, ouvindo apartes, sempre elogiosos, até mesmo do PSOL — só Lindberg ameaçou estrilar de mentirinha, mas passou logo. O texto, a esta altura, está nas mãos dos governistas e de seus estrategistas políticos. Alguns deles estarão ocupados em grifar os trechos que podem gerar mais preocupação. E eu indago: por que o governo deveria ficar preocupado?

Isso não quer dizer que eu não concorde com muita coisa do que vai na fala do senador, especialmente no que respeita à retrospectiva. Mas não se pode deixar de lembrar que esse lado “conciliador, mas firme”, de que ele se orgulha significou, na prática, em Minas, um acordo entre o PSDB e o PT, tendo o PSB como pelego para diminuir o atrito. Pode-se até dizer que, assim, ele mitigou o PT local, reduzindo a sua força. Ocorre que se tratava de fazer oposição ao PT nacional, não é? Confesso que senti falta de “realidade” no “choque de realidade” de Aécio.

O “contundente” discurso de oposição, como deixou claro o petista Jorge Viana (PT-AC), que o cobriu de elogios, não contundiu ninguém — reitero: a íntegra está disponível; procurem lá. Como operação para se lançar pré-candidato à Presidência, a operação foi muito bem-sucedida, além, certamente das expectativas. Coube ao senador petista Wellington Dias (PT-PI) resumir o espírito desta tarde-noite: a situação já escolhe o seu candidato de oposição.

Agora resta combinar com a história.

Por Reinaldo Azevedo

 

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