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Aécio Neves

11/09/2014

às 17:57

Aécio se distingue do vale-tudo petista contra Marina. E o diálogo no Twitter

O candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, procurou se distinguir, nesta quinta, dos ataques que o PT promove à candidatura de Marina Silva, do PSB. Segundo o tucano, ele faz a crítica política a Marina, coisa distinta do que promove o PT, que avança no terreno pessoal e apela ao discurso terrorista. “Acho absolutamente inaceitável o tipo de acusação que ela [Marina] recebe hoje da presidente Dilma. Não entro nesse campo. Entro no campo político. Não entro no vale tudo para ganhar a eleição.”

Os perfis de Marina e Aécio no Twitter trocaram mensagens ao longo do dia — ou farpas, ainda que bastante civilizadas quando se tem em mente o jogo rasteiro a que se dedica o PT. No perfil da candidata do PSB, lê-se: “O Aécio agora está fazendo o mesmo trabalho de desconstrução que o PT faz sobre mim. Com os mesmos argumentos usados contra Lula”.

A página de Aécio respondeu: “Marina, na verdade, estou fazendo o debate político, fundamental para a democracia. Não desconstruindo a sua imagem”. Leia outros.

tuítes reinaldo

Retomo
Aécio faz bem ao se distinguir do terrorismo petista, e Marina faz mal ao reclamar do tucano. Ela que aponte, então, qual acusação do presidenciável do PSDB resvalou no campo pessoal. Lembrar a sua trajetória e eventuais incoerências é uma obrigação. Ainda voltarei ao assunto.

Por Reinaldo Azevedo

10/09/2014

às 16:17

“Ou vencemos ou seremos oposição”, diz Aécio sobre Marina

Por Carolina Farina, na VEJA.com:
O candidato tucano à Presidência da República, Aécio Neves, rechaçou nesta quarta-feira a possibilidade de o PSDB ceder nomes para um eventual governo de Marina Silva (PSB). “Ou vencemos as eleições e seremos governo, ou perdemos as eleições e seremos oposição”, afirmou o tucano, em entrevista a jornalistas depois de participar de sabatina promovida pelo jornal O Globo, no Rio de Janeiro. Durante a sabatina, Aécio voltou a se posicionar como a opção segura de mudança para os que desejam tirar do poder a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT). E afirmou, em referência a Marina, alçada à cabeça de chapa após a morte de Eduardo Campos: “Essa não é uma eleição para homenagens”.

Ao ser questionado sobre uma eventual aliança com Marina se chegar ao segundo turno, afirmou que “sua aliança é com a sociedade brasileira”. Já sobre apoiá-la caso seja a ex-senadora a disputar com Dilma, disse que qualquer referência ao tema significa abrir mão de ir para o segundo turno – seu coordenador de campanha, senador Agripino Maia (DEM) chegou a sinalizar apoio a Marina há algumas semanas, irritando os tucanos. Aécio lamentou que a ex-senadora não tenha apoiado o tucano José Serra nas eleições passadas. “Lamentei muito que ela não tenha apoiado no segundo turno (o Serra). Talvez hoje não estivéssemos nessa situação”.

O tucano também voltou sua artilharia contra a presidente Dilma. Afirmou que está certo de que a petista será derrotada nas urnas porque o governo do PT já não tem mais qualidade “política e moral” para seguir no comando do Brasil por mais quatro anos. Disse ainda que o governo Dilma “fracassou”. Por isso, segundo ele, o país vive “o fim de um ciclo”. Aécio apontou o quadro recessivo da economia, destacando que os indicadores sociais estão piores do que há quatro anos. E voltou a dizer que seu papel é justamente o de mostrar “o caminho da mudança”, com estabilidade e segurança.

Aproveitou, então, para criticar Marina, que tirou dele o segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos. “Não mudo minhas convicções ao sabor da disputa eleitoral”, disse. Ao tratar de seu programa de governo, ainda não divulgado, o tucano alfinetou novamente a adversária do PSB. Disse que o texto deve ser entregue na próxima semana e que a demora em divulgá-lo se dá porque “quer evitar erratas”. A afirmação faz referência ao programa de Marina, que teve trechos modificados após pressão de pastores evangélicos.

Aécio também voltou a ligar Marina ao PT, afirmando que a ex-senadora militou no partido por 24 anos. “Somos em boa parte o que fizemos ao longo da vida. Nenhum de nós veio de uma nuvem para se apresentar como o condutor das boas intenções”, disse. “Eu me vejo no direito de perguntar em que Marina estaremos votando. Quando denunciávamos o mensalão e o aparelhamento do Estado pelo PT estávamos fazendo a velha política? E a boa, era aceitar as ações do PT?”. O tucano prosseguiu dizendo que os eleitores vão comparar a história dos três candidatos e afirmou: “O Brasil não é brinquedo”.

O presidenciável tratou também do megaescândalo de corrupção na Petrobras, detalhado pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa à Polícia Federal após acordo de delação premiada. “No descompromisso com a ética, o PT é imbatível”, afirmou. E prosseguiu: “Existe uma organização criminosa atuando no seio da Petrobras. Isso quem diz é a Polícia Federal. Então, não são denúncias eleitoreiras”. Ele cobrou ainda a punição dos responsáveis pelo esquema criminoso. E afirmou que, se eleito, vai “reestatizar” a estatal, devolvendo-a aos brasileiros.

O tucano voltou a dizer que tem condições de derrotar Dilma no segundo turno. “Estou oferecendo ao Brasil minha experiência de administrador público, o Brasil não é para iniciantes”, destacou. E alertou para o fato de que o país vive um quadro preocupante e que para colocar o Brasil novamente no eixo do crescimento sustentável é preciso ter experiência e um time competente para o trabalho.

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2014

às 0:29

Petrolão era para manter o PT no poder, diz Aécio

Por Carolina Farina, na VEJA.com:
Em agenda de campanha no Pará, o tucano Aécio Neves voltou a responsabilizar o PT, partido da presidente-candidata Dilma Rousseff, pela montagem de um balcão de distribuição de propina a deputados, senadores, governadores e até um ministro de Estado com recursos da Petrobras. “O governo Dilma acabou antes da hora. A presidente já demitiu seu ministro da fazenda e agora vê a maior empresa estatal do país envolvida em um megaesquema de corrupção”, disse Aécio.

“Não acredito que a presidente tenha recebido recursos desses esquemas, mas, do ponto de vista político, foi beneficiária, sim. Ela tinha obrigação de saber o que se passava no seu entorno. A principal empresa pública brasileira foi submetida aos interesses de grupos para quê? Para manter o PT no poder. O PT enlameou nossa principal empresa. Não adianta dizer que não sabia, tem que investigar e punir exemplarmente os responsáveis”, disse.

Reportagem de VEJA revelou que, em um acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, afirmou que políticos da base aliada à presidente Dilma receberam dinheiro de um esquema bilionário de corrupção na Petrobras. O rol de citados pelo delator inclui três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais que embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. O esquema funcionou nos dois mandatos do ex-presidente Lula e na atual gestão de Dilma Rousseff.

Em sua chegada à capital paraense, Aécio foi recebido por cerca de cem militantes do partido e recebeu de presente de correligionários uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará. Essa é a primeira vez que o tucano visita o Estado como candidato. Em agenda conjunta com o governador Simão Jatene (PSDB), que concorre à reeleição, Aécio foi recebido no aeroporto por membros da associação de mototaxistas de Belém e representantes da Força Sindical.

Ele também alfinetou a candidata do PSB, Marina Silva: “Quero saber com quem ela vai governar”. Lembrando o passado petista de Marina, o tucano atacou a adversária: “A Marina, mais uma vez, adota um discurso de vitimização”.

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2014

às 5:24

Petrolão – PT e PSB fazem uma discreta parceria para desqualificar denúncia

A candidata Dilma Rousseff falou neste domingo sobre o petrolão, o mensalão da Petrobras, e, como de hábito, disse coisas um tanto confusas, meio incompreensíveis. Afirmou que, por enquanto, não pode fazer nada porque ainda não conhece direito as denúncias e não sabe o grau de comprometimento de cada acusado, se tudo é mesmo verdade etc. Até aí, vá lá, tudo bem. Mas exagerou: segundo a presidente-candidata, o imbróglio não envolve o seu governo. Epa! Como assim, governanta? Um dos acusados é seu atual ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, pasta à qual está afeita a Petrobras. Outro que está na lista é Mário Negromonte, seu ex-ministro das Cidades. Mas isso ainda é pouco, né? A dinheirama, segundo o denunciante, serve para manter abastecida a base aliada — sim, base aliada do governo Dilma. E um dos peixes graúdos do esquema, segundo Paulo Roberto Costa, é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, partido ao qual pertence a digníssima e pelo qual disputa a reeleição.

Dá para ir adiante: o esquema vigorou, segundo a acusação, durante todo o governo Lula. Podemos apimentar a narrativa: a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, teria alimentado o esquema criminoso. A presidente do conselho, no período, era uma certa… Dilma Rousseff, que, já instalada no Palácio do Planalto, garantiu a Nestor Cerveró, o principal executivo da compra da refinaria, o cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora. Como não atinge o seu governo, presidente? A senhora até pode pedir prudência, mas a história de que sua gestão não tem nada com isso é bobagem.

A reação do PSB foi, digamos, calculadamente ambígua. Marina Silva, a candidata a presidente, e Beto Albuquerque, a vice, concederam uma entrevista coletiva neste domingo. Marina atacou os desmandos na Petrobras; afirmou que a empresa precisa ter um comando técnico e respondeu a ataques dos petistas: “Sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada, a Petrobras é destruída pelo uso político, o apadrinhamento e a corrupção”.

Pois é… Na hora, no entanto, de comentar o fato de que Eduardo Campos compõe a lista de políticos que teriam recebido propina, Marina se calou e passou a bola para Albuquerque, que, curiosamente, não deu uma resposta muito diferente da oferecida pelos petistas: haveria motivação eleitoral na denúncia. O candidato a vice de Marina disse estranhar o fato de que Paulo Roberto já tivesse, antes, indicado Campos como uma de suas testemunhas.

É mesmo? Eu estranho é o seu estranhamento. Está na cara que o engenheiro mandava um recado ao ex-governador de Pernambuco. Parecia dizer: “Você me conhece; fale sobre mim para a polícia…”. Não custa lembrar que os três governadores ou ex citados como beneficiários de propinas — além de Campos, Roseana Sarney (PMDB-MA) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) — pertencem a estados onde há grandes empreendimentos da Petrobras. PT e PSB cobram acesso aos depoimentos. OK. Que o façam! Mas é preciso ter um pouco mais de pudor com as respostas ridículas.

O tucano Aécio Neves fez o esperado — afinal, queriam o quê? Cobrou investigação e advertiu que já ninguém aguenta essa história do “eu não sabia”. Em entrevista à VEJA, afirmou: “As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comandado pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras, os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos à Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comandado pela atual presidente da República.”

Alguém tem de cobrar a investigação e alertar o país para a gravidade do assunto. Dadas as falas, tudo indica que Dilma e Marina, apesar da retórica, preferem que não se vá até o fim nessa história. Convenham: tramoia será fugir da verdade só porque há eleições. A ser assim, “estepaiz”, como diz aquele, só prende vagabundos que roubam o dinheiro público em ano ímpar, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2014

às 1:35

“O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras”, diz Aécio

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:

A menos de 30 dias do primeiro turno, as campanhas da petista Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva (PSB) tentam estancar a todo custo a sangria provocada pelos depoimentos do ex-dirigente da Petrobras e controlar uma possível fuga de votos das candidatas. Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de votos na corrida presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) avalia que as revelações do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sobre a montagem de um balcão de distribuição de propina a deputados, senadores, governadores e até um ministro de Estado aliados ao Palácio do Planalto podem mudar o resultado das eleições de outubro. “O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição”, disse Aécio em entrevista exclusiva ao site de VEJA.

Os nomes de autoridades citados por Paulo Roberto Costa como participantes do esquema de propina são essencialmente da base de sustentação do governo da presidente Dilma Rousseff. O senhor acha que houve conivência por parte dela?
Não dá mais para vir com essa história de que não sabia de nada. Nós estamos falando de algo talvez ainda mais grave do que o mensalão 1, que é o mensalão 2, que coexiste há mais de nove anos no poder. Continua a haver um processo, desde o início, que não foi interrompido: utilização de dinheiro público, empresas públicas, superfaturamento de obras para beneficiar um grupo político que quer se manter a qualquer custo no poder. O PT perdeu, a meu ver, a autoridade sequer para apresentar um projeto de continuidade desse modelo que está aí. É vergonhoso o que aconteceu. As investigações tem que ir a fundo. Espero que o Brasil conheça o que aconteceu e as punições possam vir. A presidente da República tem, sim, que dizer o que aconteceu na empresa que ela comandou com mão de ferro. Ela foi do conselho da Petrobras durante doze anos.

Com as denúncias de Paulo Roberto Costa, cai a tese da presidente Dilma Rousseff de acusar setores oposicionistas de tentar desmoralizar a Petrobras?
As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comando pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos a Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comando pela atual presidente da República. Não é possível, sentada na mesa com esses mesmos réus, em especial com esse diretor que está preso hoje, dizer que não tinha ideia do que está acontecendo. Ainda que pela incapacidade de ver o que acontece no seu entorno, ela não pode querer disputar novamente a Presidência da República.

Segundo a delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, o ex-governador de Pernambuco e ex-candidato do PSB, Eduardo Campos, estaria envolvido no esquema.
Eu tenho muito cuidado com relação a isso. São acusações que eu não conheço. Li pela manhã e me dei conta do tamanho dessas denúncias. Todos nós vamos ter que estar prontos para dar explicações sobre quaisquer questões. Eu acho que não dá é para pessoas envolvidas dizerem que não sabiam de nada. Vamos dar tempo ao tempo e esperar que, realmente, essas acusações que hoje citam nominalmente algumas pessoas possam ser comprovadas, com indícios mais claros. Eu vejo tudo isso com alguma cautela. Mas eu reafirmo, e não há dúvidas em relação a isso, é que o governo do PT foi conivente com o maior assalto que já se fez aos cofres da maior empresa brasileira, a Petrobras. O governo do PT patrocinou um assalto à maior empresa brasileira. Isso jamais ocorreu na história do Brasil.

A citação de Eduardo Campos entre os que teriam recebido propina desconstrói o discurso da candidata Marina Silva sobre a “nova política”? É possível atender a interesses de aliados sem cair em esquemas de corrupção?
Nós estávamos desde lá de trás denunciando esse governo. Eu vejo hoje críticas ao PSDB por uma pseudopolarização com o PT. Nós estávamos desde sempre, lá atrás, desde 2003, combatendo esse governo, denunciando o aparelhamento da máquina pública, as nomeações políticas na Petrobras. Será que quem estava certo era quem estava dentro desse governo durante todo esse período? De alguma forma, até se beneficiando, mesmo que não diretamente. Se beneficiando dessa estrutura que se manteve para sustentar o governo. A minha diferença maior para as duas candidatas é que em nenhum momento eu participei desse governo. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição. De nenhuma forma eu participava disso. Nem diretamente nem indiretamente. Os cargos que eu ocupei não foram, de alguma forma, sustentados por esse governo corrupto.

O esquema do mensalão movimentou 173 milhões de reais. A Polícia Federal estima que, no caso da operação Lava-Jato, sejam pelo menos 10 bilhões de reais. É mais grave que o escândalo que colocou a cúpula do PT na cadeia?
O mensalão 2, esse atual, a meu ver, é mais grave do que o mensalão 1 até pelo tempo que durou esse assalto. Um processo que não pode ser agora atribuído a uma pessoa, a alguém que se utilizou de determinado momento de um cargo que ocupou em benefício próprio. É uma engrenagem institucionalizada para roubar no seio da nossa maior empresa para beneficiar o grupo que está no poder. O atual governo e a própria presidente da República são, no mínimo, beneficiários daquilo que a Polícia Federal chamou de organização criminosa instalada na Petrobras. Dilma foi beneficiária desse esquema. E esse esquema é que vem sustentando o seu governo, dando a ela maioria no Congresso e pagando diretamente sua base de apoio. Estamos diante do mais grave escândalo de corrupção da nossa história contemporânea. Acho que o mensalão 2 tem níveis de sofisticação que fazem dele algo mais grave do que o primeiro. O mensalão 2, pelo que nós estamos vendo, se manteve e se arrastou pelos onze anos desse governo.

As pesquisas de intenção de voto o colocam em terceiro lugar na corrida pelo Palácio do Planalto. As denúncias podem mudar o quadro eleitoral?
Eu continuo acreditando muito na possibilidade de vitória. Nós somos a oposição a tudo isso. Eu não sou oposição ao PT agora. Eu sou oposição a esse modelo desde que essa bandalheira, essa forma de agir, começou. Nem todos podem dizer isso, né? A atual candidata à Presidência da República perderá as eleições. Não há condições morais dela apresentar algo novo ao Brasil. Comete a imprudência de destituir, mesmo mantendo no cargo, o ministro da Fazenda. E se ele tivesse hoje uma forma de preservar sua própria história, pediria ele mesmo para sair. Ministro da Fazenda ou você nomeia ou demite. Não pré-anuncia que vai demiti-lo lá adiante. Quem é que vai conversar hoje com o ministro da Fazenda sobre determinada questão relevante para a economia sabendo que daqui a três meses ele não vai estar lá para tocar aquilo que foi eventualmente acertado? O dano só não é maior porque ele já tinha perdido toda a credibilidade. Agora que autoridade a presidente vai ter? Tendo comandado a maior empresa brasileira, a Petrobras, como comandou e fazia questão de mostrar que era ela quem mandava com mão de ferro, vendo nas suas barbas esse processo de corrupção beneficiar seu próprio projeto.

Mas a presidente Dilma ainda se mantém líder nas pesquisas.
Eu acho que o PT perdeu a eleição. O PT perdeu a eleição. Agora tem uma nova candidata que eu respeito pessoalmente, mas precisa explicar seus vínculos com esse grupo político. Marina tem uma militância no PT maior do que da própria Dilma. Não acredito que ela possa ter um vínculo direto com isso. Mas eu não vi a indignação dela no momento em que o mensalão foi denunciado. Lá atrás, no momento em que o mensalão foi denunciado, não me lembro dela considerando isso uma prática da velha política, se indignando e pedindo para sair do partido. Ao contrário. É um direito dela.

O senhor acha que Marina Silva deve defender publicamente Eduardo Campos das acusações feitas por Paulo Roberto Costa ou é um problema do PSB?
Todos tem que dizer claramente o que pensam. Terceirizar responsabilidades não é um bom exemplo para quem se autointitula representante da nova política. Nada mais velho na política do que a corrupção. Esse modelo do PT de utilizar a estrutura do Estado em benefício do seu projeto de poder é tudo, menos novo. Isso existe desde que o PT assumiu o governo. Já existia nas administrações municipais do PT. Nós sabemos disso em várias denúncias, como no caso de Santo André, talvez o mais marcante deles. O PT sempre buscou nas oportunidades que teve para utilizar empresas e espaços públicos para financiar a sua permanência no poder. Isso não mudou. O que mudou foi a escala, agora infinitamente maior. Eu sempre soube e ataquei isso. A outra candidata conviveu de alguma forma com esse modus operandi do PT. Temos duas alternativas. A minha é clara, de combate a tudo isso e restabelecer a meritocracia. Resgate a nossas empresas públicas, e vamos afundo nas investigações. Queremos as investigações como propusemos na CPMI. E que os responsáveis sejam punidos. Outra candidatura vai ter que mostrar como convive com esse tipo de corrupção. Eu vejo muito esse discurso da nova política. Para mim sempre houve a boa e a má política. E a boa política é que a nós praticamos. A má política é a que o PT pratica. E, na verdade, não é de hoje. Desde quando a candidata Marina era um membro influente no partido.

Por Reinaldo Azevedo

06/09/2014

às 17:06

O QUE ELES DIZEM SOBRE O PETROLÃO 3 – Aécio: “É mensalão 2″!

Por Laryssa Borges, de Brasília, e Bruna Fasano, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou neste sábado que as revelações de distribuição de propina a parlamentares e aliados do governo federal, detalhados com exclusividade na edição de VEJA deste fim de semana, equivalem a um novo mensalão, até então o maior esquema de corrupção desde a redemocratização. “O Brasil acordou hoje perplexo com as mais graves denúncias de corrupção na nossa história recente. Está aí o mensalão 2. É o governo do PT patrocinando o assalto às nossas empresas públicas para a manutenção do seu projeto de poder”, disse Aécio em um vídeo publicado em seu canal de campanha no YouTube.

Ao participar de ato público na cidade de Presidente Prudente, em São Paulo, Aécio afirmou que a presidente Dilma Rousseff, que já ocupou o Ministério de Minas e Energia e foi presidente do Conselho de Administração da estatal, não pode alegar que desconhece o megaesquema de corrupção na Petrobras. A tese do “eu não sabia” foi utilizada pelo ex-presidente Lula para tentar se desvincular do escândalo do mensalão. “A atual presidente da República controlou com mão de ferro essa empresa ao longo dos últimos 12 anos. Foi ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho da Petrobras. Foi ministra da Casa Civil. É inadmissível ela alegar desconhecimento sobre isso, a exemplo do que fez seu antecessor com o mensalão”, declarou o candidato.

“Durante os últimos 9 anos, o mensalão continuou a existir nesse governo. Agora ele é financiado pela principal empresa pública do país, a Petrobras. Poucas vezes na história deste país assistimos a tanta desfaçatez. É algo extremamente vergonhoso”, afirmou ele em Presidente Prudente.

Até o momento, o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, em um acordo de delação premiada, que três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. Entre os nomes elencados por Costa estão os ex-governadores Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, Eduardo Campos, de Pernambuco, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Os nomes das autoridades com foro privilegiado já foram encaminhados ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável por levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em vídeo postado na internet, Aécio Neves cobrou investigações profundas sobre o caso. No Congresso Nacional, a oposição vai pressionar por uma convocação extraordinária da CPI mista da Petrobras para analisar as novas denúncias. “É fundamental que essas investigações possam ir ainda mais a fundo para que os verdadeiros responsáveis pelo assalto às empresas brasileiras sejam punidos de forma exemplar. Estamos disputando essas eleições contra um grupo que utiliza dinheiro sujo da corrupção para manter-se no poder. Por isso eu acredito que chegou a hora, de forma definitiva, de darmos um basta nisso e tirarmos o PT do poder”, afirmou Aécio Neves no vídeo em que comenta a reportagem de VEJA.

Além da campanha do tucano, as equipes da petista Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva passaram a noite desta sexta-feira em reuniões internas para analisar os efeitos das denúncias de corrupção. Eduardo Campos, citado por Costa, era o cabeça de chapa de Marina Silva antes de morrer em um acidente aéreo no dia 13 de agosto e, por isso, o partido avalia ser inevitável que as acusações respinguem na nova candidata. No bunker petista, o ministro da Comunicação Social, Thomas Traumann, acompanha de perto os desdobramentos do caso e também entre aliados de Dilma a avaliação é a de que, por envolver aliados diretos do governo federal, parlamentares alinhados ao Palácio do Planalto e até um ministro de Estado, as revelações do homem-bomba da Petrobras causará danos à campanha da presidente-candidata.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2014

às 6:18

Programa de Marina repete trechos de decreto de FHC de… 2002!

 O presidenciável Aécio Neves, do PSDB, veio a público nesta terça para acusar o plano de governo apresentado por Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, de plagiar trechos inteiros do Programa Nacional de Direitos Humanos lançado por FHC, em maio de 2002, o chamado PNDH 2. Em nota, a campanha do PSB tachou as acusações de “maliciosas” e disse ter seguido as diretrizes do Movimento Nacional de Direitos Humanos, que resultaram na elaboração das três versões do PNDH: 1996, 2002 e 2010.

Pois é… Não há nada de malicioso na afirmação. É plágio mesmo. O que o PSB fez foi copiar trechos do decreto de 2002. Basta comparar com o que vai no Eixo 6 do programa de Marina. Vejam alguns exemplos ( que está em azul é o decreto; o que vai em branco, o programa de Marina):

PNDHbPlano Marina b

PNDHcPlano Marina c

PNDHdPlano Marina d

PNDHe

Plano Marina e

PNDHf

Plano Marina f

Até admito que as ideias sobre o tema não costumam variar muito. Mas, no caso acima, trata-se de outra coisa: é uma cola mesmo! É ruim para um grupo que se reúne tanto, que diz debater os temas com tanto afinco e advoga uma nova política. Fazer um programa de governo não é tarefa corriqueira. O grupo do PSB encarregado de cuidar dessa área não viu mal nenhum em reproduzir trechos inteiros de um decreto de… 2002. Não chega a ser uma coisa nova, não é mesmo?

Aécio, a exemplo dos petistas, resolveu confrontar a candidata do PSB. Afirmou: “O improviso não é o melhor conselheiro. De um lado, temos um governo que reage aos índices das pesquisas alterando as suas convicções, com certo desespero, o que não é bom. Do outro lado, o que vejo é uma candidatura que mais se assemelha a uma metamorfose ambulante, que altera suas convicções ao sabor das circunstâncias. Em qual Marina o eleitor pretende votar, a que ataca ou a que foi do PT? A que defende os pilares macroeconômicos ou a que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal no Congresso Nacional quando era do PT? É a Marina que se calou no escândalo do mensalão e continuou no governo petista?”.

Como afirmei num post de ontem, acabou a moleza para Marina Silva. O PT, vejam o desespero, pegou carona até numa observação que fiz aqui no blog na semana passada: só dois presidentes se elegeram acima dos partidos no Brasil: Jânio Quadros, cuja ligação com a UDN era mera formalidade, e Fernando Collor, que chegou a inventar um partido só para si: o PRN. Nos dois casos, o resultado foi desastroso. Os petistas lembraram também no horário eleitoral que um presidente tem de ter maioria no Congresso para governar. Precisa, pois, negociar.

As próximas pesquisas vão dizer se a artilharia produz algum efeito. Não deixa de ser emblemático destes dias que, com pouco mais de dois minutos no horário eleitoral, Marina apareça à frente de Dilma, que tem mais de 11 minutos. Esse tempo, em nome do qual se fazem tantas alianças espúrias, deixará de ser um dogma caso Dilma seja derrotada.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2014

às 0:11

Aécio: “Marina é uma metamorfose ambulante”

Por Bruna Fasano e Talita Fernandes, na VEJA.com:
Alijado do confronto direto entre Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB), o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, resolveu atender aos apelos de integrantes de sua campanha e disparou contra a adversária do PSB, que lhe tomou o segundo lugar nas pesquisas. “O improviso não é o melhor conselheiro. De um lado, temos um governo que reage aos índices das pesquisas alterando as suas convicções, com certo desespero, o que não é bom. Do outro lado, o que vejo é uma candidatura que mais se assemelha a uma metamorfose ambulante, que altera suas convicções ao sabor das circunstâncias”, afirmou.

“Em qual Marina o eleitor pretende votar, a que ataca ou a que foi do PT? A que defende os pilares macroeconômicos ou a que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal no Congresso Nacional quando era do PT? É a Marina que se calou no escândalo do mensalão e continuou no governo petista?”, disse.

Aécio voltou a acusar Marina de copiar o modelo de gestão tucano. Ele entregou uma cópia do Plano Nacional de Direitos Humanos de 2002, redigido durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, no qual quatro trechos são similares aos da atual cartilha do PSB. “Surpreende que o capítulo sobre direitos humanos do seu programa de governo seja uma cópia fiel do PNDH do governo Fernando Henrique, inclusive com prefácio de sua autoria (referindo-se a FHC). Não tiveram sequer o cuidado de alterar palavras. Essa é mais uma sinalização do improviso que ronda essa candidatura. Ela poderia ter pelo menos dado crédito aos autores verdadeiros.”

“Temos quadros extraordinários, não precisamos buscar olhando por cima do muro do vizinho para encontrar”, disse.

Com a campanha em crise, Aécio reuniu aliados nesta terça em São Paulo para traçar um plano de reação. Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de desistir da disputa, Aécio ironizou: “Renúncia? Eu espero que a presidente não renuncie porque gostaria muito de enfrentá-la no segundo turno”, disse.

 

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2014

às 13:01

Por que Dilma não diz quem seria o seu “Armínio” da economia? Por que Marina não diz quem seria o seu “Armínio” do Meio Ambiente?

Pois é… Se Aécio Neves, do PSDB, for presidente da República, sabemos que seu ministro da Fazenda será Armínio Fraga, o que indica uma condução técnica, serena e competente da economia. Se Dilma for reeleita, aí só Deus sabe quem conseguirá segurar o rojão. As expectativas vão se deteriorar enormemente, num cenário que já é de crescimento baixo, inflação alta e investimentos pífios. Uma coisa é certa: Guido Mantega não ficaria. Uma possibilidade a ser estudada pelos petistas é dizer agora quem será o substituto de Mantega se Dilma ganhar mais quatro anos.

“Ah, mas aí o atual ministro vira um pato manco.” Errado! Ele já é um pato manco. A escolha de alguém com um perfil técnico, não chegado a feitiçarias, pode não ajudar a presidente a ganhar votos, mas contribuiria para baixar o pessimismo. Dilma precisa entender que é ela, hoje, um dos principais fatores da instabilidade da economia. E Marina? Vamos ver.

Na condução, digamos, macroeconômica, a candidata do PSB emitiu os sinais que mercados e investidores queriam ler. O principal, como é sabido, é a independência do Banco Central. Estou entre aqueles que veem certo fetichismo nessa questão, mas é evidente que é preferível tal promessa ao apanhado de bobagens e sandices que Franklin Martins mandou escrever no site “Muda Mais”, que é a página oficial da campanha petista.

Vejam que curioso: no caso de Marina, ninguém nem pergunta quem será o ministro da Fazenda ou o presidente do Banco Central. Dá-se de barato que será “o mercado”. Aí a Bolsa dispara, a exemplo do que aconteceu ontem, com as ações das estatais liderando a valorização. A resposta que a ex-senadora tem de dar é outra.

Eu não tenho curiosidade de saber quem será, por exemplo, o ministro da Agricultura de Marina Silva caso ela vença a eleição. O setor dispõe de quadros competentes, e certamente alguém com experiência aceitaria a tarefa. Hoje, o agronegócio é a área da economia brasileira que reúne um maior número de técnicos e especialistas capacitados. Eu quero é saber quem será o ministro do Meio Ambiente de Marina se ela sentar no trono, isto sim! É ele quem definiria o tipo de relação que a presidente manteria, por exemplo, com o agronegócio.

Até agora não vi — e, se aconteceu, me escapou — a candidata se comprometer com o Código Florestal que foi aprovado pelo Congresso e contra o qual ela lutou com determinação. A proposta de Marina, é bom não esquecer, implicava uma redução da área plantada no país. Da mesma sorte, interessa-me saber quem seria o  nome da área energética. Um dos entraves, não é segredo para ninguém, para as obras de infraestrutura são as licenças ambientais.

Por enquanto, convenham, boa parte das expectativas positivas que há em relação à candidata do PSB deriva apenas do fato de que ela não é Dilma. Mas o país precisa saber o que seria Marina por Marina. Se eleita e der uma de Lula no primeiro mandato, jogando no lixo boa parte do que disse ao longo de sua militância, pode até se dar bem…

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 15:47

A lógica do “mal menor”

“O sentimento que nos move – PSDB, DEM e Solidariedade – é garantir a ida de Aécio para o segundo turno. Se não for possível, avalizar a transição para o segundo turno. Ou seja, com uma aliança com Marina Silva, por exemplo. É tudo contra um mal maior que é o PT.”

A fala é do senador Agripino Maia (DEM-RN), coordenador-geral da campanha do tucano Aécio Neves à Presidência da República. Convenham: caso Aécio não passe mesmo para o segundo turno, vai prevalecer nas hostes da oposição a lógica do mal maior/mal menor. Um apoio a Dilma Rousseff, nesse caso, seria impossível. O mais provável é que se externe o apoio a Marina, fora, no entanto, de qualquer compromisso futuro.

De resto, há a realidade. Ainda que tucanos e democratas advogassem a neutralidade, parte esmagadora do eleitorado de Aécio migraria para Marina por conta própria. Convenham: nestes 12 anos de poder, os petistas não buscaram exatamente estabelecer pontes com adversários. Ao contrário: sempre buscaram destruí-los.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 5:45

Não vamos arrochar salários nem assassinar velhinhas

Érica Fraga e Mariana Carneiro, na Folha:
“Nomeado” futuro ministro da Fazenda, caso Aécio Neves (PSDB) vença a eleição, Arminio Fraga, 57, reclama do aparente patrulhamento, na sua opinião, do atual debate sobre problemas econômicos. Ele diz que precisa “fazer um discurso” antes de tratar de temas relevantes, como o reajuste do salário mínimo e as mudanças na previdência. “Senão, você é acusado de ser assassino de velhinhas, o que obviamente não é o caso.” Falar da discussão muda a fisionomia do (quase sempre pacato) economista: “Eu tenho que fazer um preâmbulo. Se não, imediatamente, o PT vai falar: Eles vão arrochar os salários, arrochar os aposentados’”, afirmou. Nesta entrevista à Folha, Arminio fala sobre uma das bases de maior apoio político de Aécio: a diminuição da oferta de empréstimos do BNDES. “O empresariado tem que se engajar numa posição mais moderna.” Para ele, sua “nomeação”, sozinha, não representa um choque de confiança. “Arminio Fraga não resolve nada.”

Folha – Se Aécio Neves vencer, qual será a regra de reajuste do salário mínimo?
Arminio Fraga
 -
O Aécio já declarou que a política de aumento real do salário mínimo continua. A regra, no mínimo, vale por um ano e a essa altura não vejo por que mudar –a preocupação é que ele [o reajuste] fique até baixo neste momento.
Eu disse, e fui mal interpretado, que os salários em geral tinham subido muito, e que para continuar a subir, o que é totalmente desejável e alcançável, o Brasil teria que mostrar também um crescimento da produtividade. Como acredito que, com Aécio, os salários vão subir, sinceramente, não tenho problema com essa fórmula.

Economistas próximos do sr. dizem que a regra atual onera a Previdência e desequilibra as contas do governo.
O papel de um futuro ministro da Fazenda não é tanto ter uma opinião a respeito disso, mas mostrar qual é o orçamento e qual é a tendência no médio prazo. Eu acho que isso está fazendo falta, o Brasil está voando no escuro, em um ambiente de um populismo exacerbado.

Vocês são críticos à atuação do BNDES, mas o banco oferece crédito barato para parte do empresariado. Como dizer para eles que isso tem de mudar?
O empresariado hoje entende que esse mercado de crédito dual, onde alguns privilegiados recebem crédito e a maioria não recebe, não é bom. Indiretamente põe pressão no juro, tem implicações distributivas perversas e, no fundo, existe porque outras coisas não estão funcionando.
Se outras coisas forem postas para funcionar, todo esse aparato de UTI pode ser removido. Fazer uma reforma tributária que desonere a exportação, o investimento, simplifique o sistema [tributário], tem um impacto enorme. Mobilizar capital para infraestrutura e arrumar a casa para ter um juro mais baixo para todo mundo tem um impacto enorme também.

Essas políticas, não só o crédito subsidiado, mas muitas das desonerações e do aparato protecionista, não são a resposta ideal.
À medida que se possa corrigir essas falhas, será possível desfazer esse caminho que não está dando certo. Alguém acha que a indústria no Brasil está indo bem, com todo esse crédito, subsídio e proteções?

Um ajuste fiscal envolveria cortar quais gastos?
A sociedade tem que fazer opções. O nosso papel é colocar essa discussão na mesa, de uma maneira que ela possa ser concluída com mais consciência dos custos e benefícios e quais são os efeitos do ponto de vista do crescimento, da distribuição de renda. Há um imenso espaço para fazer políticas que teriam impacto redistributivo relevante. O caminho a seguir foi mapeado pelo FHC. Ele tomou a decisão de delegar áreas que naquele momento faziam parte do governo para o setor privado, sob supervisão, para focar em saúde e educação. Foi um pacto extraordinário. Essa discussão tem que ser permanente.

O sr. falou em tirar subsídios e focar na redução da desigualdade. Como os empresários reagiriam?
Eles temem que a correção dos fundamentos [da economia] não ocorra e eles fiquem no pior dos mundos. Mas acho que o empresariado tem de se engajar numa posição mais moderna. O melhor exemplo é o Pedro Passos [sócio da Natura e colunista da Folha], que com muita coragem está quebrando todos os tabus e defendendo posições muito parecidas com essas. Acho que esse esgotamento do modelo já é entendido pela maioria. Ninguém gosta de ficar indo a Brasília negociar alguma coisa. Mesmo os que se beneficiavam mais disso estão vendo o Brasil parando.
Eu tenho a convicção de que arrumar a casa, fazendo ajustes, vai gerar crescimento. A recessão já chegou.
(…)

Por que a independência do Banco Central não é bandeira do PSDB?
Esse é um tema antigo e polêmico dentro do PSDB. O partido sempre gostou da ideia de dar autonomia ao Banco Central, mas com algum mecanismo de proteção em relação a problemas extremos, como o Banco Central trabalhar mal. O Aécio deixou claro que vai dar a chamada autonomia operacional ao Banco Central e não está fechado discutir a lei.
(…)

O sr. participaria de um eventual governo Marina Silva?
Estou discutindo esses temas com Aécio há quase dois anos e acredito que ele é o caminho. Eu não vou. Não pretendo ir se não for com ele.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 21:31

“Cadastro do Bolsa Família é uma caixa-preta”, diz Aécio

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira que falta transparência ao governo da presidente-candidata Dilma Rousseff na gestão do programa Bolsa Família. “O cadastro do Bolsa Família é uma caixa-preta”, disse o tucano em sabatina promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo. Aécio disse ainda que, se eleito, vai expandir e ampliar o programa.

“A grande verdade é que o programa do atual governo para o Nordeste se resumiu ao Bolsa Família. Queremos a superação da pobreza. A pobreza pode fazer bem ao PT, mas nós queremos acabar com ela. A privação de renda é uma vertente da pobreza, mas não é a única. O Família Brasileira (como Aécio batizou a ampliação do Bolsa Família) vai classificar as famílias em níveis de carência. Há famílias com outras carências que podem ser ajudadas pelo estado”, afirmou.

Na entrevista, o tucano também disse que pretende cortar até 7.000 cargos comissionados na máquina federal se for eleito – um terço dos 23.000 postos atuais. “O Brasil quer um Estado eficiente, que gaste menos com sua estrutura para gastar mais com as pessoas”, afirmou.

Ao falar do time que o acompanha – ontem, ele anunciou que, se eleito, nomeará o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como seu ministro da Fazenda –, Aécio ironizou Marina Silva, que tem dito que pretende governar com quadros dos governos do tucano Fernando Henrique Cardoso e do petista Luiz Inácio Lula da Silva. “Ela precisa escolher por qual modelo vai optar.”

Aécio falou também sobre Banco Central em seu eventual governo. Evitou citar nomes que poderiam compor a autoridade monetária, mas garantiu que a instituição terá autonomia operacional, caso seja eleito presidente. Segundo ele, o fundamental é que o BC tenha independência operacional. “Se haverá ou não lei sobre isso é secundário”, afirmou.

Ele disse também que vai promover uma política fiscal transparente e classificou a do atual governo como “uma peça de ficção”. Segundo ele, é preciso dar transparência à equipe econômica. “Não sei quais bombas relógios o governo deixou armadas”, disse, evitando falar qual seria sua meta para o superávit primário. Aécio afirmou que é importante deixar um superávit, mas seria precipitação dizer o montante. “Grande parte da perda de credibilidade vem da pouca transparência dos dados oficiais.”

O presidenciável tucano voltou a dizer que a Petrobras e a Eletrobras estão frequentando hoje as páginas policiais da imprensa, em vez das páginas de economia, e defendeu a necessidade de repensar a matriz energética brasileira, dando prioridade a fontes de energias alternativas, como a eólica e a biomassa.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 20:06

Ibope – Marina encosta em Dilma no 1º turno e venceria petista no 2º com boa margem. Ou: Programas do PSDB e do PT são inadequados à nova realidade

Pois é… Se o PSDB e o PT tinham expectativas negativas sobre a pesquisa Ibope, agora que se conhecem os números, diga-se o óbvio: se estiverem certos, superam qualquer pessimismo de tucanos e petistas. Se a eleição fosse hoje, Marina Silva (PSB), com 29%, está a apenas um ponto do empate técnico com a petista Dilma Rousseff (34%). O tucano Aécio Neves aparece com 19%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Em relação à pesquisa anterior do instituto, tanto Dilma como Aécio caíram quatro pontos. No levantamento do Ibope de 3 a 6 de agosto, Eduardo Campos aparecia com apenas 9%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00428/2014. Vejam o quadro publicado pelo Portal G1.

Ibope números

É evidente que a notícia é péssima para o tucano Aécio Neves. A 40 dias da eleição, uma diferença de 10 pontos para Marina Silva não é fácil de ser superada, especialmente porque é ela que surfa na onda da novidade. Dilma, que dava a reeleição como certa, seria derrotada por Marina no segundo turno por 45% a 36%. A diferença está fora da margem de erro. Vejam outro quadro do G1. Volto em seguida.

Ibope segundo turno

Como se pode perceber acima, a má notícia para Dilma não está apenas no percentual maior de Marina: a sua rejeição segue gigantesca. Hoje, nada menos de 36% dizem que não votariam nela de jeito nenhum. Afirmam o mesmo sobre Marina apenas 10%. Contra o tucano, a presidente alcançaria 41%; ele ficaria com 36%. Vejam que coisa: esse não é um mau resultado para Aécio, não. O problema do candidato do PSDB está mesmo no primeiro turno.

A pesquisa e as campanhas
Tanto o horário eleitoral de Aécio como o de Dilma que foram ao ar nesta terça estavam fora do tom, isto é, em dissintonia com a realidade. O programa do PSDB ainda investe na apresentação de Aécio, desconhecido de parcela significativa do eleitorado. O de Dilma exalta as conquistas do PT e, ora vejam, investe contra o PSDB, contra o governo FHC etc. Em suma, aquela cascata de sempre.

Aécio dispõe de pouco mais de quatro minutos e, com efeito, essa fase da campanha deveria estar dedicada a apresentá-lo aos eleitores de todo o Brasil. Ocorre que essa era a escolha adequada antes da morte de Campos. Com a entrada de Marina na disputa, a conversa precisa mudar.

Os petistas seguem reféns de uma tara: só sabem fazer campanha contra o PSDB. É Marina quem daria hoje uma surra em Dilma, não Aécio. Num padrão puramente racional, então, o PT deveria torcer para o tucano passar para o segundo turno. Mas não adianta: a petezada tem a sua natureza.

Aécio pode fazer de conta que Marina não existe. Dilma pode fazer de conta que Marina não existe. Ocorre que o eleitorado acha que existe. Se um quer ser presidente e se a outra quer continuar presidente, é preciso fazer muita gente mudar de ideia e mudar o rumo da prosa no horário eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 16:30

PSDB, PSB, Marina, Aécio, FHC…

Em entrevista à Folha, na segunda, Eduardo Giannetti, um dos cardeais do marinismo, afirmou que, se eleita, Marina Silva gostaria de contar com o apoio dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Não tardou para que recebesse um aceno do tucano. Num seminário de que participou na própria segunda, FHC reagiu à fala de Giannetti com um sinal de assentimento, ainda que de forma oblíqua: afirmou que gostaria de contar com Marina num eventual governo Aécio.

Ora, se a gente for pôr o devido pingo no “i”, parece que o ex-presidente está, sim, a dizer que a parceria é possível, ainda que ele imagine outro cenário, com Aécio Neves liderando, então, essa nova composição.

Ocorre que as coisas não são exatamente como parecem, não é mesmo? Caso Marina Silva dispute um segundo turno com Dilma Rousseff, dá-se de barato que a esmagadora maioria do eleitorado de Aécio migraria para a candidata da Rede. Mas não se tem como plausível que os marineiros convictos votassem em Aécio no caso de ser ele a disputar a etapa final com a petista.

Não dá para esquecer o comportamento de Marina na eleição de 2010? Ela ficou em terceiro lugar, conseguindo mais de 20 milhões de votos. E, como se considera diferente dos demais políticos, manteve-se neutra: para ela, tanto fazia a vitória de Dilma ou de José Serra. Caso tivesse optado por um dos lados, isso não significa que seu eleitorado a tivesse seguido, mas seria um sinal de aposta na mudança de rumo. Mas ela não o fez.

Assim, vejam que curioso: Marina ascende no primeiro turno com o discurso “nem tucanos nem petistas”, mas conta mesmo é com os votos dos tucanos no segundo turno, certo?

Por Reinaldo Azevedo

25/08/2014

às 5:51

Aécio quer implementar reajuste diferenciado para beneficiar aposentados

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, afirmou neste domingo, no Rio de Janeiro, que vai criar um mecanismo de reajuste para aposentadorias e o benefício de prestação continuada (BPC), pago a maiores de 65 anos com renda per capita familiar inferior a um quarto do salário mínimo. De acordo com o presidenciável, os aposentados terão um aumento anual nas pensões que leve em conta a variação de uma cesta de preços de remédios, além da manutenção da regra de reajuste atual, que acompanha a variação da inflação oficial do ano anterior e do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

“Incorporaremos, além do aumento real do salário mínimo, que continuará a ser praticado no nosso governo, um aumento especial para os aposentados levando em consideração, além do índice acertado, também o aumento de medicamentos. Será a primeira sinalização clara de que aposentados e idosos do Brasil começarão a ter tratamento diferenciado”, afirmou Aécio.

Ainda é preciso decidir quais remédios de uso contínuo teriam preço monitorado para embasar o reajuste das aposentadorias. A proposta foi anunciada em discurso a idosos hospedados no Abrigo Cristo Redentor, que pertence à União, mas hoje é administrado pela Secretaria Estadual de Assistência Social do Rio de Janeiro. No abrigo, Aécio conversou com idosos e visitou as instalações do local. O governo do Rio impediu que jornalistas acompanhassem o momento em que o presidenciável visitou quartos.

Em confraternização preparada por funcionários do governo estadual, o candidato cantou a música “Amizade Sincera”, de Renato Teixeira, abraçado com a idosa Arlete Severino da Silva. Antes, dançou com Ladir Rodrigues, outra hóspede do abrigo.

Aécio também divulgou o programa “Digna Idade”, que prevê a qualificação de cuidadores de idosos e a criação de asilos públicos. Os recursos públicos para financiar a melhora das aposentadorias e projetos para idosos viriam de uma readequação das prioridades orçamentárias, destacou o candidato tucano. “Recursos virão de um Estado com política fiscal austera, que não aumenta os gastos correntes de forma irresponsável, como esse governo aumentou. A questão é estabelecer prioridades”, afirmou.

Na nova estratégia do PSDB para diferenciar Aécio da ex-senadora Marina Silva (PSB) na corrida presidencial, os tucanos exploram a “falta de preparo” da concorrente. Sem mencioná-la, o presidenciável tucano afirmou neste domingo: “Construímos uma proposta que não é improvisada. Aquilo que defendo hoje, eu já defendia lá atrás”.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 6:29

O PT esquece o futuro e recicla até as imagens da campanha de 2010. Ou: Dilma Coração Valente suja o avental de ovo… Estamos fritos!

Começou nesta terça o horário eleitoral gratuito, como todos sabemos. O PSB fez o óbvio e apresentou Eduardo Campos como o profeta que já não está entre nós, mas que deixou uma mensagem. Ao fundo, a música “Anunciação”, do pernambucano — talentoso! — Alceu Valença: “O teu cavalo/ Peito nu, cabelo ao vento/ E o sol quarando/ Nossas roupas no varal (…) Tu vens, tu vens/ Eu já escuto os teus sinais”. O erotismo meio místico da canção, com a imagem de Campos ao fundo, assumiu um novo conteúdo, agora com tinturas messiânicas… Logo, Marina Silva é que será a cavaleira. E vai anunciar o quê? Só Deus sabe, se é que sabe.

O tucano Aécio Neves preferiu dedicar seus quatro minutos a um diagnóstico sobre o país, chamando a atenção para a piora, que é real, da economia. Sua voz chegava a telespectadores e a ouvintes inicialmente distraídos. Aos poucos, na propaganda do PSDB, começavam a prestar atenção ao que dizia o candidato. Ainda desconhecido de parcela significativa da população, a ideia é deixar claro que há alguém dizendo uma novidade. Vamos ver.

O PT dispõe de tanto tempo na televisão que parece ter alguma dificuldade para preenchê-lo. Em maio, o partido levou ao ar a sua propaganda no horário político gratuito. Era um troço ameaçador. Comparava o Brasil de hoje, em que tudo seria uma maravilha, o que é falso, com aquele governado por FHC, quando tudo teria sido uma tragédia, o que também é falso. Escrevi, então, uma coluna na Folha em que observei o seguinte: “Depois de quase 12 anos no poder, o PT não tem futuro a oferecer. Por mais que o filminho de João Santana tenha as suas espertezas técnicas, a verdade é que a peça terrorista revela o esgotamento de uma mitologia”.

E foi, em parte, o que se viu nesta terça, na estreia do horário eleitoral. O maior partido do país não vai além de repetir velhas promessas. Na prática, admite que o governo vai mal, mas jura que vai melhorar se reeleito. Por que Dilma faria depois o que não faz agora? A campanha publicitária não diz. Quem se encarregou de sintetizar a mensagem foi Lula, afirmando que o seu segundo mandato foi melhor do que o primeiro.

Atenção! Não é verdade, sob qualquer aspecto, que os quatro anos finais da gestão Lula tenham sido melhores do que os quatro iniciais. Muito pelo contrário. O desajuste da economia que está em curso é uma herança do segundo governo Lula, piorada pela gestão Dilma. Sem um horizonte a oferecer, restou à campanha da presidente Dilma reciclar até as imagens do passado.

Abaixo, há dois vídeos. O primeiro tem 10min39s e traz a propaganda eleitoral levada ao ar no dia 17 de agosto de 2010. O outro tem 2min10s e é um clip com o jingle “Dilma, Coração Valente”, da campanha deste ano. Vejam. Volto em seguida.

Campanha de 2010

Campanha de 2014

A peça publicitária de 2014 traz um fundo musical novo para imagens da campanha de 2010. Quem chamou a minha atenção para a repetição foi o jornalista Clayton Ubinha, que integra a equipe do programa “Os Pingos nos Is”, que vai ao ar todos os dias na rádio Jovem Pan, entre 18h e 19h. Vejam estes pares de imagens (a primeira é sempre da campanha passada; a segunda, da deste ano).

2010 cena 1

2014 cena 1

2010 cena 2

2014 cena 2

2010 cena 3

2014 cena 3

2010 cena 4

2014 cena 4

2014 cena 5

2010 cena 5

2010 cena 6

2014 cena 6

2010 cena 7

2014 cena 7

Há quatro anos, como se pode constatar, Dilma era oferecida ao eleitorado como a mãe do povo, a quem o pai, Lula, entregaria o país. Agora, em tempos em que a economia está mais para a madrasta da Gata Borralheira, a imagem da mãe já não cola. Então que se recupere a guerreira — “a Dilma Coração Valente” — lutando contra os dragões da maldade. Mas, vocês sabem, é preciso endurecer sem perder a ternura, como diria Che Guevara, o tarado por sangue. Então João Santana houve por bem mostrar a presidente na cozinha, fazendo um macarrãozinho…

Mensagem: a Coração Valente também pode ser “a mamãe com o avental todo sujo de ovo”, como na música de Herivelto Martins, David Nasser e Washington Harline.

Ovo? Tomara não estejamos todos fritos.

Texto publicado originalmente às 5h11

Por Reinaldo Azevedo

13/08/2014

às 14:58

“A perda é irreparável e incompreensível”, afirma Aécio

Na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, cancelou os compromissos de campanha agendados no Rio Grande do Norte após saber da morte do também candidato Eduardo Campos. Aécio lamentou a perda do amigo: “É com imensa tristeza que recebi a notícia do acidente que vitimou o ex-governador e meu amigo Eduardo Campos. O Brasil perde um dos seus mais talentosos políticos, que sempre lutou com idealismo por aquilo em que acreditava. A perda é irreparável e incompreensível. Nesse momento, minha família e eu nos unimos em oração à família de Eduardo, seus amigos e a milhões de brasileiros que, com certeza, partilham a mesma perplexidade e pesar”, afirmou em nota.

O presidenciável estará em São Paulo na tarde desta quarta-feira. Entre os compromissos agendados para hoje no Rio Grande do Norte havia uma visita à fábrica da Guararapes, em Extremoz, na região metropolitana de Natal, e uma caminhada no bairro do Alecrim, na Zona Leste da capital.

Por Reinaldo Azevedo

06/08/2014

às 17:49

Aécio diz que pretende criar “Superministério” da Agricultura

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges, na VEJA.com. Comentarei mais tarde as três performances:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, anunciou nesta quarta-feira que, se eleito, pretende fundir os atuais ministérios da Agricultura e da Pesca em um “Superministério” da Agricultura e disse que a nova pasta terá “igualdade de condições” com o primeiro escalão do governo federal, como os ministérios da Fazenda e do Planejamento. “Criarei no primeiro dia do governo um superministério da Agricultura. Vou incluir a [Secretaria Especial de] Pesca novamente sob a alçada do Ministério da Agricultura para que a pasta possa discutir ações em igualdade de condições com a Fazenda e o Planejamento”, disse o candidato ao participar de sabatina na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília.

De acordo com Aécio, a nova pasta permitirá maior independência em relação à equipe econômica e ao Banco do Brasil, instituição financeira responsável por disponibilizar recursos para o plano safra e para a agricultura familiar, e será ouvida na discussão de políticas de investimento logístico, de redução da carga tributária e de discussões orçamentárias. Sem dar detalhes, o candidato afirmou ainda haver a possibilidade de outras áreas serem integradas à pasta, mas disse não saber se o atual Ministério do Desenvolvimento Agrário será ou não incorporado ao superministério agrícola. “No meu governo, o superministério da Agricultura será decisivo na formulação de política de investimento e logística em infraestrutura. O Ministério da Agricultura vai discutir quais são os principais eixos de investimento que possam agregar competitividade para quem produz no Brasil”, disse.

A produtores agrícolas, o candidato criticou o inchaço da máquina pública e declarou que parte dos gargalos em áreas estratégicas, como a de transportes, é reflexo do aparelhamento político-partidário promovido nos últimos 12 anos de governo do PT. “É impossível que o Brasil avance no resgate da credibilidade junto a parceiros e da efetivação de obras de logística quando assistimos o Ministério dos Transportes e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) significar um instrumento de viabilização de mais tempo na propaganda eleitoral”, disse. Na reta final para a formação de alianças políticas e costura de um maior tempo de propaganda na TV, Dilma trocou o comando do Ministério dos Transportes para conter insatisfações do Partido da República (PR) e conseguir pouco mais de um minuto que a sigla detém no palanque eletrônico.

Embora sem detalhar boa parte das propostas ao setor, o tucano fez afagos ao agronegócio. Defendeu interlocução direta e políticas para garantir ganho de competitividade a produtores, ampliação da cobertura do seguro rural e, para sinalizar o “respeito à propriedade privada”, prometeu não desapropriar, por dois anos, fazendas invadidas. Disse ainda que pretende desonerar todas as exportações agropecuárias. “A produção no campo elevou o padrão de vida de milhões de brasileiros ao longo das últimas décadas. Nenhuma outra atividade fez tanto. Essa atividade vem sustentando o PIB, as contas externas e gerando milhões de empregos, em grande parte exclusivamente com base no esforço do produtor, porque não há visão estratégica do governo”, disse. “A prioridade zero do nosso governo para o conjunto da economia será declarar guerra ao Custo Brasil. O agronegócio ainda avança no Brasil e ele não vai bem por causa do governo; ele vai bem apesar do governo”, criticou.

Também sem explicar como colocaria em prática boa parte das promessas feitas durante a sabatina da CNA, o candidato garantiu que não vai contingenciar recursos destinados à defesa sanitária e disse que pretende resgatar a capacidade de pesquisa da Embrapa. O candidato, que já havia anunciado que pretende simplificar o sistema tributário nos primeiros dias de governo, afirmou que suas propostas incluem “regras claras e marcos confiáveis” e agências reguladoras “fora da cota dos amigos”. Ainda que não tenha afirmado de forma clara se pretende ou não reajustar o valor dos combustíveis, Aécio criticou subsídios dados a combustíveis fósseis e disse que pretende reorganizar o setor de etanol.

Por Reinaldo Azevedo

05/08/2014

às 19:25

Aécio: médicos estrangeiros de programa federal têm “prazo de validade” e serão substituídos por brasileiros

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta terça-feira que, se eleito, vai criar 500 centros regionais de saúde para atender a população em polos específicos e permitir que o paciente seja atendido com rapidez. Ao participar de ato público na Associação Médica de Brasília, o tucano voltou a criticar as atuais regras do programa Mais Médicos e afirmou que a presença de profissionais de saúde estrangeiros no país tem “prazo de validade”. O tucano defendeu uma carreira de Estado para profissionais de medicina e afirmou que a importação de médicos estrangeiros, se for necessária no futuro, deve ser apenas “lateral”.

“Nosso programa vai propor a criação de cerca de 500 grandes unidades regionais em um país de 5.500 municípios, onde o cidadão seja atendido por um médico especializado, encaminhado, a partir do diagnóstico feito, para fazer o exame e já saia dali com os remédios”, disse. “Os médicos estrangeiros são uma solução paliativa. Vou tratar a questão de forma estrutural e criar uma carreira nacional de médicos para que médicos possam se preparar e atender nas regiões mais remotas. Os cubanos têm prazo de validade e ficarão aqui por três anos. O que pretendo é que não haja mais necessidade de médicos estrangeiros no Brasil porque, ao longo do tempo, nossas políticas e ações permitirão que essas vagas sejam ocupadas por brasileiros formados e que passem pelo [exame] Revalida. Se houver necessidade de médicos estrangeiros, que isso seja apenas uma solução lateral, e não a solução central”, completou.

Infraestrutura
Um dia depois de ter anunciado que, se eleito, pretende criar o Ministério da Infraestrutura, Aécio Neves voltou a criticar nesta terça-feira o “caráter intervencionista” do governo, defendeu melhores condições para investimentos privados no país e disse que são necessários novos marcos regulatórios para os setores de ferrovias e de mineração.

“O governo da presidente Dilma achou que o estado solitariamente poderia fazer todos os investimentos necessários para a retomada do crescimento do Brasil. Não pode. O governo do PT demonizou as parcerias com o setor privado durante dez anos, se curva à realidade e à necessidade delas no final do governo, mas faz isso de forma improvisada”, afirmou. “Quando falei de construir um forte ministério [da Infraestrutura] é para que ajudar a restabelecer a credibilidade do país, abandonada e perdida hoje, para que possamos ter de novo capital privado nacional e estrangeiro a nos ajudar nesse mutirão de infraestrutura no Brasil”, concluiu.

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2014

às 15:49

Aécio diz que, se eleito, criará os ministérios da Infraestrutura e da Justiça e Segurança Pública; as 39 pastas atuais seriam convertidas em 23

No Portal G1:
O candidato a presidente da República pelo PSDB, o senador Aécio Neves (MG), anunciou nesta segunda-feira (4) durante entrevista ao vivo ao G1 que, se eleito, criará o Ministério da Infraestrutura e extinguirá o Ministério da Pesca. Segundo ele, a pasta da Infraestrutura reunirá setores como transporte e energia, que atualmente têm ministérios específicos.

Perguntado sobre qual pasta deixaria de existir em eventual governo tucano, ele afirmou: “Daria o exemplo do Ministério da Pesca. Não se justifica de forma nenhuma até porque precisamos fortalecer o Ministério da Agricultura. [...] Em primeira mão, posso dizer que estamos estudando a criação de um forte Ministério da Infraestrutura. Não quero entrar em tantos detalhes. Ele trataria de investimentos em rodovias, ferrovias, energia. Não vou entrar em detalhes, mas fica essa primeira sinalização.”

O Ministério da Infraestrutura existiu durante dois anos do governo Fernando Collor – foi criado em 1990, extinto em 1992 e teve três ministros. Confrontado pelos jornalistas com essa informação, Aécio afirmou: “Não tenho esse governo como parâmetro para o meu governo. O que posso apresentar para o Brasil é a minha história”.

Durante cerca de 45 minutos, o presidenciável tucano respondeu a perguntas de internautas e do portal, em três blocos, conduzidos pelos jornalistas Tonico Ferreira, da TV Globo, e Nathalia Passarinho, do G1. A ordem dos entrevistados foi definida por sorteio na presença de representantes dos partidos de todos os candidatos. A candidata sorteada para o primeiro dia (28 de julho), a presidente Dilma Rousseff, não compareceu por problemas de agenda, segundo a assessoria do Palácio do Planalto. No último dia 31, foi entrevistado o candidato Zé Maria (PSTU). O próximo, na quinta-feira (7), será Mauro Iasi (PCB).

Aécio Neves reafirmou a proposta de redução para quase a metade do número de ministérios, atualmente em 39. Para o tucano, que mencionou estudo da Universidade de Cornell (EUA), “22 ou 23 ministérios” é o número “adequado”.

Segundo ele, o formato final da proposta de diminuição do número de pastas será resultado do trabalho do ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia e de um grupo de especialistas, que, segundo ele, estão “redesenhando o estado brasileiro”. Aécio afirmou que a criação do Ministério da Infraestrutura permitiria uma “ação estratégica” para o país, que precisa ter “marcos regulatórios claros”. “Precisa ser algo que planeje, tenha interlocução com o setor privado”, completou. De acordo com o presidenciável, o governo e os PT “demonizaram” as parcerias com o setor privado, mas agora “se curvam a elas com atraso enorme”.

Ainda sobre reforma na estrutura ministerial, afirmou que, caso eleito, pretende reestruturar o Ministério da Justiça, transformando a pasta em Ministério da Justiça e Segurança Pública. O tucano disse também defender o fim da reeleição, com a fixação de mandatos de cinco anos. Ele reafirmou ainda a intenção de apresentar logo nos primeiros dias do mandato uma proposta de simplificação do sistema tributário “porque nós precisamos declarar guerra ao custo Brasil”.

Indagado em pergunta de um internauta se seria possível governar sem o apoio de José Sarney, Renan Calheiros e outras lideranças do PMDB – “todos adversários meus nesta campanha” –, atualmente aliados do governo, Aécio Neves respondeu que sim, mas disse que, se “quadros” do partido decidirem apoiar um eventual governo tucano, aceitará.

“Da forma como se estabelecerem as relações políticas, sim [é possivel governar sem o PMDB], eu farei isso. Não há mais como manter essa relação mercantilista com o PMDB e outras forças partidárias [...]. Essa talvez seja uma das heranças malditas, perversas, desse governo, que nivelou por baixo as relações politicas”, declarou.
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Por Reinaldo Azevedo
 

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