Blogs e Colunistas

Aécio Neves

27/10/2014

às 5:21

Leia a íntegra do discurso de Aécio Neves

Minha primeira palavra é de profundo agradecimento a todos os brasileiros que participaram desta festa da democracia. Agradecimento especial aos mais de 50 milhões de brasileiros que apontaram o caminho da mudança. Serei eternamente grato a cada um de vocês que me permitiram voltar a sonhar e a acreditar na construção de um novo projeto. As cenas que vivi ao longo destes últimos meses jamais sairão da minha mente e do meu coração.

Cumprimentei agora há pouco, por telefone, a presidente reeleita. E desejei a ela sucesso na condução do seu próximo governo. E ressaltei: considero que a maior de todas as prioridades deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado e que dignifique a todos os brasileiros.

Uma palavra de agradecimento especial a cada companheiro, representado por tantos que estão aqui, e faço na figura do senador Aloysio Nunes: bravo companheiro nesta jornada, com quem tive também o privilégio de compartilhar novas expectativas em relação ao Brasil.

Portanto, mais vivo do que nunca, mais sonhador do que nunca, eu deixo essa campanha, ao final, com sentimento de que cumprimos o nosso papel. E repito, para encerrar, mais uma vez, São Paulo, que é o que retrata para mim de forma mais clara o sentimento que tenho hoje na minha alma e no meu coração. Combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé. Muito obrigado a todos os brasileiros.

Por Reinaldo Azevedo

24/10/2014

às 2:06

Neymar apoia Aécio. Sem falsificação!

Sites da campanha da petista Dilma Rousseff tentaram falsificar o apoio do craque Neymar. Uma foto do jogador chegou a ser adulterada. O vídeo que segue abaixo é para valer, com um texto impecável. Neymar apoia Aécio Neves. Sem falsificação.

 

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 23:29

Aécio leva Marina e viúva de Campos à TV contra pancadaria do PT

Na VEJA.com:
Bombardeado desde o último final de semana por ataques pessoais feitos pelo PT, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, fez um longo depoimento em seu programa eleitoral na TV apontando “a onda de calúnias” propaladas contra ele na reta final da eleição. O tucano exibiu mensagens de apoio da ex-senadora Marina Silva (PSB), derrotada no primeiro turno, e de Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos, morto numa tragédia aérea em agosto.

Marina afirmou que foi vítima na primeira etapa da eleição dos ataques feitos pela campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff que agora se repetem contra o tucano. “Eduardo Campos e eu fomos vítimas da mesma estratégia destrutiva que agora é usada contra Aécio”, disse. “Não se deixem intimidar pela campanha que a candidata Dilma está fazendo”, completou. Na sequência, Renata Campos também deixou mensagem afirmando que Aécio “não representa um partido, mas um conjunto de forças que se juntaram no segundo turno”.

Aécio lembrou a artilharia desferida pelo PT a Eduardo Campos e afirmou que “as mesmas pessoas que chamaram Eduardo Campos de playboy agora dizem o mesmo sobre ele”. Foi um recado direto ao ex-presidente Lula, que tem capitaneado a onda de baixarias em comícios pelo país – algo lamentável para um ex-presidente da República. Além de chamar o tucano de “playboy”, Lula tem dito que o tucano é violento com mulheres: “Fui acusado de comportamento criminoso, de ser desrespeitoso com as mulheres, uma ofensa à minha esposa e à minha filha”.

O tucano ainda citou o terrorismo eleitoral feito pelo PT, que desde o início da campanha espalha o discurso do medo, segundo o qual programas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida serão encerrados se o PT deixar o poder e bancos públicos serão privatizados. “Não podemos ter medo do PT. Eu não tenho medo do PT”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 20:16

Aécio: Lula “apequena sua biografia” ao promover baixaria

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, criticou nesta quarta-feira o papel desempenhado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reta final das eleições deste ano. Desde o último final de semana, Lula tornou-se protagonista da baixaria promovida contra o PSDB.  “O Lula não está disputando a eleição, eu o ignoro. Mas lamento apenas que um ex-presidente da República se permita cumprir um papel tão inexpressivo como o que ele vem cumprindo no final dessa campanha eleitoral”, disse Aécio, numa rara menção ao petista. “É triste para sua própria biografia. Só quem perde com isso é ele, que apequena sua biografia com ataques torpes e absurdos”, completou. Embora não seja candidato a nenhum cargo nas eleições deste ano, Lula tem feito ataques pessoais a Aécio, a quem chamou de “filhinho de papai” e insinuou que agride mulheres. “A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo”, afirmou Lula em Belo Horizonte no último sábado. O ex-presidente também comparou o tucano a Fernando Collor de Melo, candidato que em 1989 que protagonizou baixarias contra o próprio petista e, ironicamente, hoje é seu aliado. Nesta terça, o petista chegou ao ponto de comparar tucanos a nazistas.
 
Para minimizar o terrorismo eleitoral disseminado pelo PT, Aécio Neves reiterou nesta quarta o compromisso de manter programas sociais, como o Bolsa Família, fortalecer o papel dos bancos públicos, acabar com o aparelhamento da máquina estatal e discutir um mecanismo para acabar com o fator previdenciário. “Nessa reta finalíssima da campanha é hora de reiterarmos alguns compromissos: o primeiro deles é o compromisso de garantir a continuidade dos programas sociais em andamento, em especial do Bolsa Família. O segundo, o compromisso com o fortalecimento dos bancos públicos, com a sua profissionalização e com a valorização dos servidores de carreira. Falo isso, em especial, aos servidores da Caixa Econômica, do Banco do Brasil, do BNDES e de empresas públicas, como os Correios, a Petrobras e a Eletrobras”, disse. “Quero reiterar meu compromisso com os aposentados brasileiros. Vamos rever o fator previdenciário e encontrar uma forma de não impactar e punir os aposentados brasileiros.”
 
Mais uma vez, Aécio Neves disse ser o “candidato de amplo sentimento de mudança” e afirmou que, diante de todos os ataques, “deixa que as pessoas respondam nas urnas todas essas infâmias”. “A verdade vai vencer a mentira e as propostas vão vencer os ataques. Tenho certeza que o Brasil novo, renovado nos seus valores e nas suas práticas vai vencer o Brasil velho e antigo que é representado hoje por este governo”, declarou. “Essa campanha vai ficar marcada na história do Brasil como a campanha da infâmia por parte dos nossos adversários.”
Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 19:30

Aécio sobre pesquisas: “O Brasil saberá responder nas urnas”

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, visita nesta terça-feira a cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Com o cenário bastante acirrado no Estado, o tucano busca garantir ao PSDB nova vitória em um colégio eleitoral com 1,8 milhão de eleitores – no primeiro turno, Aécio obteve 41,32% dos votos em MS, à frente de Dilma Rousseff (PT). Sobre a pesquisa Datafolha divulgada na noite de segunda-feira, em que Dilma aparece numericamente à frente, o tucano não demonstrou preocupação: “Pelo que nós vimos no primeiro turno, essa pesquisa do Datafolha já está me dando como eleito. Sou o próximo presidente da República se a diferença for essa. Todas as nossas pesquisas apontam uma margem enorme, muito maior do que essa, sobre a candidata”.

Para reforçar seu argumento, Aécio lembrou sua virada no primeiro turno. “Se eu me abalasse com pesquisas, certamente não teria tido o resultado que tive. Com o resultado que tive no primeiro turno, os institutos de pesquisas estão devendo aos brasileiros explicações, porque os erros foram grosseiros”. Sobre o aumento em seu índice de rejeição, afirmou: “O Brasil vai saber responder nas urnas”.

Aécio falou na chegada ao aeroporto ao lado do candidato tucano ao governo de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB). Seguiu para encontro com lideranças políticas locais na Associação Nipo-brasileira. De lá, viaja para evento de campanha em Goiânia.

Acerca dos depoimentos de envolvidos no esquema desbaratado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal que envolvem tucanos, o presidenciável disse que o partido vai “investigar doa a quem doer e punir quem quer que seja”. Afirmou ainda que, ao contrário do que faz o PT, não pretende “homenagear” os investigados caso se comprove a ligação deles com o esquema.

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2014

às 16:09

Ao lado de Marina, Aécio diz: ‘Disputa política não é guerra’

O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) e a candidata derrotada no primeiro turno Marina Silva (Rede), concedem entrevista em São Paulo (Joel Silva/Folhapress)

O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) e a candidata derrotada no primeiro turno Marina Silva (Rede), concedem entrevista em São Paulo (Joel Silva/Folhapress)

Por Bruna Fasano e Talita Fernandes, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, e a candidata derrotada do PSB, Marina Silva, realizaram nesta sexta-feira seu primeiro encontro oficial depois da ex-senadora declarar apoio ao tucano no segundo turno. E o clima não poderia ser melhor: a união foi selada com direito a troca de abraços e elogios. Membros do PSDB e PSB faziam fila para cumprimentar a dupla – uma cena que emprestou ao evento político ares de casamento. Ao lado da nova aliada, Aécio afirmou que a aliança é exemplo de uma “nova prática política”. “O que nós assistimos na política é o oposto disso. São entendimentos em torno de cargos, entendimentos em torno de vantagens, conveniências”, afirmou o tucano. Criticou ainda os ataques pessoais proferidos pela presidente Dilma Rousseff (PT) no debate de quinta-feira e prometeu reagir a “todas as calúnias”. “Faço convocação a Dilma para um debate programático. Disputa política não é guerra, não pode ser um vale-tudo. Ninguém destrói alguém e vence”.

Já Marina, que abandonou o tradicional coque para o evento, classificou o compromisso que Aécio formou com os brasileiros como “corajoso”, dizendo que ele soube interpretar “o que está acontecendo neste país nos últimos vinte anos”. “Aécio teve coragem de apresentar, doze anos depois, uma carta-compromisso aos brasileiros, indicando que vai resgatar os compromissos com política macroeconômica, que estão sendo terrivelmente prejudicados com juros altos, inflação alta e baixíssimo crescimento e pouco investimento no nosso país. O compromisso de que vai manter as políticas sociais e aperfeiçoá-las”, disse Marina. Ela afirmou ainda que Aécio deve vencer as eleições “ganhando”, já que não fez alianças sem compromissos.

Aécio evitou abordar o papel que caberia a Marina em um eventual governo tucano, dizendo que tratar do assunto “seria uma forma de desrespeito” à ex-senadora. “A Marina traz um simbolismo muito grande. Eu vejo através do abraço e do beijo carinhoso que recebi da Marina, o abraço e o beijo carinhoso de milhões de brasileiros que querem mudar esse país. São esses brasileiros que eu defendo a partir de agora”, disse, acrescentando que Marina não faz qualquer tipo de exigência para apoiá-lo.

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2014

às 13:01

Lula, o Babalorixá de Banânia, agora espalha que Aécio foi agressivo. Claro… Suave foi Dilma, né?

Luiz Inácio Lula da Silva, o Babalorixá de Banânia, já começou a entrar na fase do desespero eleitoral e decidiu aderir ao “coitadismo”. Acusa por aí, para gáudio dos blogs sujos, que o tucano Aécio Neves foi agressivo com a petista Dilma Rousseff, como se, nesta eleição, os adversários é que estivessem recorrendo ao jogo sujo.

Fiquemos, por enquanto, nas práticas rasteiras contra Aécio. Quem partiu para a desconstrução do governo de Minas? Não que isso seja em si um pecado, desde que os números empregados sejam verdadeiros. E não são. Quem, no debate do SBT, apelou a questões familiares e, na noite desta quinta, avançou para o campo pessoal? Que partido, nos bastidores e até abertamente, na imprensa, faz ameaças, como se tivesse um grande trunfo na manga? Ontem, o deputado Vicentinho (PT-SP), sem nenhum pudor, sugeriu a jornalistas que a pancadaria que está aí é só o começo.

Na quarta, alertei aqui, os petistas plantavam em todo canto, para qualquer jornalista que quisesse ouvir, que uma grande bomba está para estourar nesta sexta. Anteciparam? Já teria sido a de ontem, com a acusação feita por Paulo Roberto Costa de que Sérgio Guerra, já morto e ex-presidente do PSDB, recebeu propina da quadrilha que atuava na Petrobras? A delação premiada, que corre em sigilo de Justiça, estaria sendo instrumentalizada “pelos companheiros”, que, não obstante, reclamam da divulgação de um depoimento do ex-diretor da Petrobras que nem sob sigilo está?

Mas voltemos um pouco e pensemos em Marina. Lembrem-se do que o PT fez com ela. Reitero: não tenho a menor simpatia pela líder da Rede e discordo de uma penca de coisas que ela diz. Mas pergunto: independência do BC tira a comida do prato dos brasileiros? Marina pretendia mesmo paralisar o pré-sal e provocar rombo de R$ 1,3 trilhão na educação? Chega a ser revoltante. Pior de tudo: o partido, que é aliado de Paulo Maluf e de Fernando Collor, chegou a acusar Marina de se alinhar com representantes do regime militar.

É certamente o que Lula chama de “campanha honesta”. 

 

Por Reinaldo Azevedo

15/10/2014

às 7:11

AÉCIO FOI O MELHOR NO DEBATE. E COM FOLGA. SE VENCEU, AÍ, QUEM DIZ, É O ELEITOR. OU: SOBRE A VIOLÊNCIA

Por ocasião de debates anteriores, já observei neste blog que existe uma diferença entre ser o melhor e vencer o debate. Não adianta ter tido o desempenho mais robusto se o telespectador achar o contrário. Que Aécio teve uma performance superior à de Dilma no confronto da TV Bandeirantes da noite desta terça, isso me parece evidente. Seja porque argumentou com mais clareza — Dilma não é exatamente uma grande oradora —, seja porque procurou falar do país que teremos, não daquele que tivemos. Não que o PSDB precise se envergonhar de sua história. Afinal, um partido que tem no currículo o Plano Real, a estruturação do SUS e a criação dos programas depois apelidados de “Bolsa Família” pode se orgulhar de seu passado. Ocorre que o bem e o mal que tucanos e petistas fizeram ao Brasil ficaram para trás. Servem, sim, para instruir o futuro, mas não mais do que isso. Infelizmente — e lamento pelo país —, o PT luta apenas para contar uma versão dessa história — a sua. Parece não ter mais nada a oferecer.

O embate, desta feita, foi duro. O momento mais tenso foi quando Aécio pediu que Dilma olhasse nos seus olhos e disparou: “Não seja leviana. A senhora está sendo leviana”. A petista se calou. Ela o havia acusado de construir um aeroporto em terras de familiares, o que, de fato, é falso, já que a área tinha sido desapropriada. Tanto é assim que o Ministério Público recusou a denúncia criminal, e o Tribunal Superior Eleitoral proibiu que a campanha de Dilma explorasse o assunto no horário eleitoral.

A petista sacou o aeroporto quando ficou sem resposta diante das evidências de corrupção na Petrobras. Aécio acusou a adversária de não demonstrar indignação e cobrou uma, como direi?, inverdade que ela vive repetindo: a de que demitiu Paulo Roberto Costa da Petrobras. Não! Ele é que pediu demissão, e a ata que registra a sua saída o saúda pelos serviços prestados. O tucano poderia ter lembrado, adicionalmente, que ela deu um novo emprego a Nestor Cerveró depois que ele já havia deixado a empresa: o de diretor financeiro da BR Distribuidora. Segundo Costa e Alberto Youssef, Cerveró era o operador do PMDB na estatal.

Dilma  usou também o Mapa da Violência para afirmar que, na gestão Aécio, o índice de homicídios disparou em Minas. É falso. Ele governou o Estado entre 2003 e 2010. No período, segundo o Mapa, os mortos por 100 mil habitantes caíram em Belo Horizonte de 57,6 para 34,9; no Estado, de 20,6 para 18,1. Não acreditem em mim, mas no documento citado por Dilma. Eles estão aí abaixo.

Mapa da Violência - totais

Mapa violência - as capitais

Porto em Cuba
Dilma se enrolou para explicar o financiamento, pelo BNDES, de um porto em Cuba. Não disse, afinal de contas, por que os dados dessa operação são considerados secretos. Afirmou que a ação foi benéfica para empresas brasileiras, sem conseguir explicar por que os portos aqui no nosso país estão em petição de miséria.

Mais uma vez, voltou a ser assombrada pela inflação e pela frase de seu secretário de política econômica, que sugeriu que os brasileiros trocassem carne por ovo ou frango. A candidata deixou boa parte dos telespectadores boiando quando afirmou que a inflação se explica em razão de um “choque de oferta” de carne e energia. Em português, ela quis dizer que esses são produtos escassos neste momento, mas que tudo vai passar. Curioso! O governista Delfim Netto já dava essa explicação em abril deste ano. Estamos em outubro. Naquele caso, o choque de oferta era de outros produtos. Pois é… De choque de oferta em choque de oferta, a inflação vai ficando. A ser assim, alguém ainda nos sugerirá que troquemos os ovos pelas moscas.

Mas isso tudo foi fichinha perto do espetáculo de sandices “no que se refere”, como diria Dilma, ao Bolsa Família e ao ensino técnico. Vejam os outros posts.

Há eleitores que votam em quem tem o melhor desempenho? Se há, Aécio pode comemorar. Até porque pegou Dilma no contrapé quando afirmou que parecia um debate entre dois candidatos de oposição. Afinal, ali estava a petista a prometer mudanças se reeleita. O que nunca entendi é por que não começa a mudar agora. Afinal, ela já é presidente da República.

Texto publicado originalmente às 4h49
Por Reinaldo Azevedo

12/10/2014

às 17:09

Aécio sobre a decisão de Marina: “Um só corpo, um só projeto, em favor do Brasil”

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à presidência da república, Aécio Neves, afirmou na tarde deste domingo que o apoio de Marina Silva, candidata derrotada no primeiro turno, os transforma em “um só corpo, um só projeto em favor do Brasil e em favor dos brasileiros”.

Em visita a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no interior paulista, para comemorar a festa da Padroeira do Brasil, o tucano afirmou que o apoio da ex-ministra do Meio Ambiente, oficializado neste domingo, é “essencial”. “A chegada de Marina constrói aquilo que é essencial. Constrói um novo momento de nossa candidatura, de forma definitiva”, disse. E completou afirmando que soube do apoio de Marina ontem à noite, quando os dois conversaram por telefone. “Mas não cabia a mim antecipar a decisão dela.”

Questionado se teria feito concessões para que Marina declarasse seu apoio, o tucano negou: “Ao contrário, nosso plano de governo é absolutamente convergente. O plano de governo é uma obra em permanente construção, até porque ninguém pode ter um plano de governo pronto e amarrado para demandas que também não cessam. Houve uma convergência muito natural”.

Na manhã deste domingo Marina anunciou seu apoio “como cidadã” a Aécio. Carta enviada pelo tucano no sábado teve papel fundamental na decisão. Marina fez questão de ressaltar que interpretou a carta não como tentativa de atrair seu apoio, mas sim como “carta-compromisso endereçada ao povo brasileiro”.

O presidenciável, no entanto, evitou responder se a ex-ministra integrará seu palanque e aparecerá em propagandas eleitorais. “Não cabe a mim solicitar absolutamente nada”, respondeu.

O tucano perdeu a missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. O compromisso, marcado para as 8h30 da manhã, seria realizado ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do senador eleito José Serra (PSDB). O tucano chegou ao fim da celebração católica, acompanhado pela esposa Letícia Weber, e participou apenas de uma entrevista coletiva.

Segundo o bispo auxiliar da Arquidiocese de Aparecida, Darcy Nicioli, a presidente-candidata Dilma Rousseff também foi convidada para assistir à missa, mas alegou “problemas de agenda” e declinou o convite.

O tucano rebateu a crítica feita por Dilma ontem, em Contagem, Minas Gerais. Segundo a presidente, o primeiro cargo público ocupado por Aécio foi uma indicação política e por isso o partido não teria moral para criticar o aparelhamento público da máquina. Aécio foi alçado à vice-presidência da Caixa Econômica aos 25 anos, após a morte de seu avô, Tancredo Neves.

“Nós estamos vendo uma candidata desesperada, à beira de um ataque de nervos. Os ataques que ela tenta me fazer, na verdade, estão no meu currículo. Eu ocupei todos os cargos públicos com extrema dignidade. Ocupei cargos pelo voto popular. Tenho uma trajetória muito diferente da dela, praticamente oposta. Ela construiu sua vida pública toda por indicações. Talvez a grande diferença seja que todos os cargos que ocupei, eleitos ou por indicação, eu os honrei, com dignidade, com decência. Não podemos dizer a mesma coisa dos indicados da Presidência da Republica”, afirmou, em referência ao ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, envolvido em sucessivos escândalos de desvio de dinheiro e preso pela Polícia Federal.

“Na casa da Mãe do Brasil, nossa Padroeira, Nossa Senhora Aparecida, vim pedir as bênçãos nessa travessia que nos levará a um Brasil mais justo e solidário. Vim pedir que não prevaleça a tentativa da divisão de irmãos. Pelo contrário, queremos um país cada vez mais próximo, mais unido, com menos diferenças entre as classes sociais”, afirmou Aécio.

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2014

às 15:32

LEIAM A ÍNTEGRA DO DISCURSO EM QUE MARINA DECLARA APOIO A AÉCIO NEVES

Marina Silva, a líder da rede, declarou voto no tucano Aécio Neves. Leiam a íntegra dessa declaração. Prestem especial atenção aos trechos grifados. Comento daqui a pouco.
*
Ontem, em Recife, o candidato Aécio Neves apresentou o documento “Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável“.

Quero, de início, deixar claro que entendo esse documento como uma carta compromisso com os brasileiros, com a nação. Rejeito qualquer interpretação de que seja dirigida a mim, em busca de apoio.

Seria um amesquinhamento dos propósitos manifestados por Aécio imaginar que eles se dirigem a uma pessoa e não aos cidadãos e cidadãs brasileiros.

E seria um equívoco absoluto e uma ofensa imaginar que me tomo por detentora de poderes que são do povo ou que poderia vir a ser individualmente destinatária de promessas ou compromissos.

Os compromissos explicitados e assinados por Aécio têm como única destinatária a nação e a ela deve ser dada satisfação sobre seu cumprimento.

E é apenas nessa condição que os avaliei para orientar minha posição neste segundo turno das eleições presidenciais.

Estamos vivendo nestas eleições uma experiência intensa dos desafios da política. Para mim, eles começaram há um ano, quando fiz com Eduardo Campos a aliança que nos trouxe até aqui.

Pela primeira vez, a coligação de partidos se dava exclusivamente por meio de um programa, colocando as soluções para o país acima dos interesses específicos de cada um.

Em curto espaço de tempo, e sofrendo os ataques destrutivos de uma política patrimonialista, atrasada e movida por projetos de poder pelo poder, mantivemos nosso rumo, amadurecemos, fizemos a nova política na prática.

Os partidos de nossa aliança tomaram suas decisões e as anunciaram. Hoje estou diante de minha decisão como cidadã e como parte do debate que está estabelecido na sociedade brasileira. Me posicionarei.

Prefiro ser criticada lutando por aquilo que acredito ser o melhor para o Brasil, do que (sic) me tornar prisioneira do labirinto da defesa do meu interesse próprio, onde todos os caminhos e portas que percorresse e passasse, só me levariam ao abismo de meus interesses pessoais.

A política para mim não pode ser apenas, como diz Bauman, a arte de prometer as mesmas coisas. Parodiando-o, eu digo que não pode ser a arte de fazer as mesmas coisas.

Ou seja, as velhas alianças pragmáticas, desqualificadas, sem o suporte de um programa a partir do qual dialogar com a nação.

Vejo no documento assinado por Aécio mais um elo no encadeamento de momentos históricos que fizeram bem ao Brasil e construíram a plataforma sobre a qual nos erguemos nas últimas décadas.

Ao final da presidência de Fernando Henrique Cardoso, a sociedade brasileira demonstrou que queria a alternância de poder, mas não a perda da estabilidade econômica.

E isso foi inequivocamente acatado pelo então candidato da oposição, Lula, num reconhecimento do mérito de seu antecessor e de que precisaria dessas conquistas para levar adiante o seu projeto de governo.

Agora, novamente, temos um momento em que a alternância de poder fará bem ao Brasil, e o que precisa ser reafirmado é o caminho dos avanços sociais, mas com gestão competente do Estado e com estabilidade econômica, agora abalada com a volta da inflação e a insegurança trazida pelo desmantelamento de importantes instituições públicas.

Aécio retoma o fio da meada virtuoso e corretamente manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula em 2002, que assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo diálogo com os setores produtivos.

Doze anos depois, temos um passo adiante, uma segunda carta aos brasileiros, intitulada: “Juntos pela democracia, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”.

Destaco os compromissos que me parecem cruciais na carta de Aécio:

O respeito aos valores democráticos, a ampliação dos espaços de exercício da democracia e o resgate das instituições de Estado.

A valorização da diversidade sociocultural brasileira e o combate a toda forma de discriminação.

A reforma política, a começar pelo fim da reeleição para cargos executivos, que tem sido fonte de corrupção e mau uso das instituições de Estado.

Sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, de conselhos e das audiências públicas sobre temas importantes, não se choca com os princípios da democracia representativa, que têm que ser preservados.

Compromissos sociais avançados com a Educação, a Saúde, a Reforma Agrária.

Prevenção frente a vulnerabilidade da juventude, rejeitando a prevalência da ótica da punição.

Lei para o Bolsa Família, transformando-o em programa de Estado.

Compromissos socioambientais de desmatamento zero, políticas corretas de Unidades de Conservação, trato adequado da questão energética, com diversificação de fontes e geração distribuída.

Inédita determinação de preparar o país para enfrentar as mudanças climáticas e fazer a transição para uma economia de baixo carbono, assumindo protagonismo global nessa área.

Manutenção das conquistas e compromisso de assegurar os direitos indígenas, de comunidades quilombolas e outras populações tradicionais. Manutenção da prerrogativa do Poder Executivo na demarcação de Terras indígenas

Compromissos com as bases constitucionais da federação, fortalecendo estados e municípios e colocando o desenvolvimento regional como eixo central da discussão do Pacto Federativo.

Finalmente, destaco e apoio o apelo à união do Brasil e à busca de consenso para construir uma sociedade mais justa, democrática, decente e sustentável.

Entendo que os compromissos assumidos por Aécio são a base sobre a qual o pais pode dialogar de maneira saudável sobre seu presente e seu futuro.

É preciso, e faço um apelo enfático nesse sentido, que saiamos do território da política destrutiva para conseguir ver com clareza os temas estratégicos para o desenvolvimento do país e com tranquilidade para debatê-los tendo como horizonte o bem comum.

Não podemos mais continuar apostando no ódio, na calúnia e na desconstrução de pessoas e propostas apenas pela disputa de poder que dividem o Brasil.

O preço a pagar por isso é muito caro: é a estagnação do Brasil, com a retirada da ética das relações políticas. É a substituição da diversidade pelo estigma, é a substituição da identidade nacional pela identidade partidária raivosa e vingativa. É ferir de morte a democracia.

Chegou o momento de interromper esse caminho suicida e apostar, mais uma vez, na alternância de poder sob a batuta da sociedade, dos interesses do pais e do bem comum.

É com esse sentimento que, tendo em vista os compromissos assumidos por Aécio Neves, declaro meu voto e meu apoio neste segundo turno.

Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridos.

Faço esta declaração como cidadã brasileira independente que continuará livre e coerentemente, suas lutas e batalhas no caminho que escolheu. Não estou com isso fazendo nenhum acordo ou aliança para governar. O que me move é minha consciência e assumo a responsabilidade pelas minhas escolhas.

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2014

às 5:03

Aécio e os 17,6 pontos à frente de Dilma em uma pesquisa

Leitores aos montes me perguntam se acredito no resultado da pesquisa IstoÉ/Sensus que aponta o tucano Aécio Neves com quase 18 pontos de vantagem sobre a petista Dilma Rousseff. A minha resposta: eu acredito — e já afirmei isto quando saiu a pesquisa do Instituto Paraná — que ele esteja na frente. E acho que por mais do que os dois pontos apontados pelo ibope e pelo Datafolha. Se o Sensus está certo ou não, bem, isso eu não sei. Estamos todos ressabiados depois dos erros grotescos — e sem explicação — cometidos por essas empresas no primeiro turno. Que a onda pró-Aécio é crescente, isso é perceptível.

Segundo o Sensus, Aécio obtém 52,4% dos votos totais e Dilma, 36,7%. Os indecisos são 11%. Em votos válidos, a disputa está 58,8% a 41,2% para ele, com uma diferença de 17,6 pontos percentuais. O Sensus ouviu 2000 pessoas entre os dias 7 e 10 de outubro, e a margem de erro é de 2,2 pontos para mais ou para menos.

Será isso mesmo? O Brasil é muito grande. É sabido, no entanto, que o candidato tucano conseguiu abrir algumas trincheiras importantes no Nordeste. Mais: seu programa no horário eleitoral gratuito é muito superior ao da petista (tratarei do assunto em outro post). O PT e Dilma estão se enrolando nas tramoias havidas na Petrobras. Não conseguiram elaborar uma explicação convincente. A virulência contra o tucano no horário eleitoral também não ajuda. Há o risco de provocar o efeito contrário ao pretendido. Os testemunhos de Paulo Roberto Costa e de Alberto Youssef são, como posso dizer?, acachapantes. Raramente a gente ouviu a confissão de um crime com tantos detalhes. Durante as três gestões petistas, uma quadrilha se apoderou da estatal. Não resta dúvida a respeito.

Há outros dados que, a serem verdadeiros, demonstram o desastre que o assalto à maior estatal brasileira promove na candidatura de Dilma: a sua rejeição teria saltado para 46,3% contra 29,2% do adversário. Hoje, o tucano venceria em todas as regiões, exceção feita ao Nordeste, e em todas as classes sociais.

 

Por Reinaldo Azevedo

11/10/2014

às 21:32

O que Aécio garante na carta que pode levar Marina a declarar seu apoio a ele neste domingo

O candidato à Presidência Aécio Neves tornou pública uma carta em que se compromete com temas que, na verdade, já estão contemplados no programa de governo do PSDB, mas que ganharam especial relevância porque Marina Silva decidiu trazê-los para o primeiro plano como precondição para declarar seu apoio ao tucano.

O deputado Beto Albuquerque (RS), candidato a vice na chapa de Marina e membro do PSB — que já declarou apoio oficial a Aécio —, considerou a carta bastante satisfatória e avalia que ela contempla boa parte do programa do seu partido. Walter Feldman, que tem se comportado como uma espécie de porta-voz político de Marina, afirmou que o texto é um “avanço”. Neste domingo, espera-se que a líder da Rede anuncie a sua posição — em princípio, às 10h30.

No post anterior, publico a íntegra do texto. Abaixo, segue uma síntese da carta. Destaco antes os temas que podem facilitar a adesão de Marina considerados essenciais para garantir a adesão da líder da Rede.
*
MAIORIDADE PENAL – O tucano jamais propôs a diminuição da maioridade penal. A proposta do senador Aloysio Nunes, seu vice, que ele apoia, abre a possibilidade de o maior de 16 anos ser processado pelo Código Penal no caso de crimes hediondos. Ainda assim, o Ministério Público e a Justiça seriam chamados antes a se pronunciar. Marina queria que Aécio abrisse mão da proposta. Não aconteceu. Na carta, no entanto, ele afirma: “Vamos convocar a sociedade brasileira a debater e encontrar soluções generosas para nossa juventude, para lhe dar horizontes que a afastem da violência e outros descaminhos. Entendo que podemos, juntos, evitar que os problemas relacionados aos jovens sejam encarados apenas sob a ótica da punição. Essa seria uma forma injusta de penalizá-los, na ponta do processo, por erros e omissões que são de todos nós.”

TERRAS INDÍGENAS – Proposta de Emenda Constitucional transfere para o Congresso a última palavra sobre demarcação de terras indígenas. Hoje, é uma prerrogativa da União. Há uma grande chance de ser aprovada. As esquerdas, o Conselho Indigenista Missionário e as ONGs são contra. Marina pediu, e obteve, que Aécio se comprometa em deixar tudo como está. De todo modo, que fique claro: quem vai tomar a decisão final a respeito é o Congresso. Diz a carta: “Criaremos também o Fundo de Regularização Fundiária que permitirá resolver as pendências em áreas indígenas nas quais proprietários rurais possuem títulos legítimos de posse da terra, reconhecidos pelo poder público”.

REFORMA AGRÁRIA – Aécio se compromete com a retomada do processo, que andou muito pouco na gestão Dilma. E afirma: “E também fomos nós que criamos o Ministério da Reforma Agrária, criamos o PRONAF e assentamos cerca de 500 mil famílias, processo tão descuidado pelo governo atual. A reforma agrária precisa ser retomada com seriedade e prioridade”.

REFORMA POLÍTICA E FIM DA REELEIÇÃO – O candidato do PSDB se compromete com o fim da reeleição, mas não está claro se valeria já para o seu mandato. Nem seria possível. Afinal, isso também depende de emenda constitucional e, pois, de negociação com o Congresso. Afinal, a questão também diz respeito a 27 governadores e a milhares de prefeitos. Está na carta: “Reconhecemos a necessidade de uma reforma política que não pode mais ser adiada e com ela nos comprometemos, a começar pelo fim da reeleição para os cargos executivos”.

PARTICIPAÇÃO POPULAR – O texto se compromete com a ampliação da participação popular no governo, mas destaca que o mecanismo não se choca com a democracia representativa, mas a fortalece.

AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL – Aécio diz que seu governo se compromete com as metas de inflação e com a autonomia operacional do Banco Central. Ele não fala em independência.

EDUCAÇÃO INTEGRAL – “Propomos agora ampliar a cobertura das creches, universalizar o acesso à pré-escola e a adoção da educação em tempo integral para os alunos no ensino fundamental. O futuro do Brasil será decidido nas salas de aula.”

SAÚDE – “Ampliação da participação da União no financiamento do sistema através do programa Saúde +10, que viabilizará o reajuste da tabela SUS e a recuperação das instituições filantrópicas, em particular das Santas Casas”.

ENERGIAS ALTERNATIVAS – “A exploração do petróleo, inclusive do pré-sal, é imperativo do desenvolvimento e não põe à margem a diversificação de fontes energéticas menos poluidoras, como as eólicas, solar, a bioenergia, o gás e, sobretudo, o uso racional da energia para poupá-la.”

QUESTÃO AMBIENTAL – “Quero reiterar nossos compromissos programáticos com a questão ambiental, vista do ângulo de seu tripé: o cuidado com a natureza, com as pessoas, visando mais bem-estar e igualdade e a adoção de corretas políticas macroeconômicas, notadamente das que afetam nossa matriz energética. O moderno agronegócio brasileiro defende um programa efetivo de preservação da riqueza florestal visando ao objetivo maior de alcançarmos o desmatamento zero. (…) Assumo o compromisso de levar o Brasil à transição para uma economia de baixo carbono, magna tarefa a que já se dedicam as nações mais desenvolvidas do planeta (…).”

FIM DO APARELHAMENTO – “A democracia, tal como a concebemos, não se faz destruindo-se os órgãos de estado ao sabor de interesses partidários e privados, como foi feito com as agências reguladoras, as empresas estatais, os fundos de pensão e a própria administração federal.”

Encerro
A carta lembra o óbvio: o Bolsa Família teve início no governo FHC, que também promoveu um amplo programa de reforma agrária, além de ter sido o criador do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). O texto, em suma, destaca que o PSDB tem compromisso histórico com o chamado resgate da dívida social.

Neste domingo, Marina vai dizer o que pensa. Convenham: tudo indica que o eleitor já está dizendo.

Por Reinaldo Azevedo

11/10/2014

às 19:47

Leia a carta pública de Aécio que pode resultar no apoio oficial de Marina, neste domingo

Leia a íntegra da carta assinada por Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, que deve levar Marina Silva a declarar apoio ao tucano do domingo. Volto no próximo post.

*
JUNTOS pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável

Terminado o primeiro turno das eleições as urnas foram claras: a maioria do eleitorado, 60% dele, mostrou o desejo de mudança. Mudar significa tirar do poder os que o estão exercendo, mas significa também mudar para melhor, em primeiro e principal lugar visando a aprimorar as práticas partidárias e eleitorais. Significa também ampliar os canais pelos quais cada cidadão poderá expressar seus pontos de vista e cooperar na deliberação dos grandes temas nacionais ou de interesse local. É minha intenção, neste segundo turno, ser consequente com os desejos da maioria dos brasileiros: vamos continuar propondo mais mudanças para melhor. Para isso, é natural que contemos, nesta etapa, com as sugestões dos que, comprometidos com a mudança, se lançaram à campanha e, mesmo não obtendo votos suficientes para chegar ao segundo turno, contribuíram com suas ideias, propostas e debates para melhorar a qualidade de nossa democracia.

De minha parte reitero o compromisso com os valores democráticos, cuja efetivação depende de mantermos as instituições virtuosas e de sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, de conselhos e das audiências públicas sobre temas importantes, não se choca com os princípios da democracia representativa, que têm que ser preservados. Ao contrário, dá-lhes maior legitimidade.

O PSDB se orgulha de ter ajudado o Brasil a reencontrar o equilíbrio econômico. Não só fizemos a estabilização da moeda com o Plano

Real, mas criamos instituições fundamentais para sua continuidade, sustentadas por políticas de transparência que infelizmente não vêm sendo seguidas pelo atual governo. O sistema de metas de inflação e a autonomia operacional do Banco Central para fixar a taxa de juros e observar as livres oscilações do câmbio provaram ser eficientes. Graças a esta base, inauguramos nova etapa de investimentos, tanto externos quanto internos, que permitiram gerar empregos e assegurar mais tarde grande mobilidade social. Mudamos de patamar no contexto das nações, sendo que, em 2000, já éramos proclamados como fazendo parte dos BRIC’s, países populosos que sobressaiam pelo vigor econômico.

Este trabalho foi feito simultaneamente com o reforço das políticas sociais. Foi nos governos do PSDB que alcançamos a universalização do acesso ao ensino fundamental e criamos o Fundef. Propomos agora ampliar a cobertura das creches, universalizar o acesso à pré-escola e a adoção da educação em tempo integral para os alunos no ensino fundamental. O futuro do Brasil será decidido nas salas de aula.

Foi também durante o governo do PSDB, que, na prática, se instalou o SUS, que, com os genéricos e a entrega gratuita de medicamentos aos mais pobres, começou a construir um Estado de bem-estar social. Falta muito ainda, e o governo do PT maltratou a saúde pública, mas continuaremos na caminhada positiva com a ampliação da participação da União no financiamento do sistema através do programa Saúde +10, que viabilizará o reajuste da tabela SUS e a recuperação das instituições filantrópicas, em particular das Santas Casas. Foi a partir de 1994 que se inaugurou uma política de aumento real dos salários mínimos, transformada em lei mais tarde pelos governos que sucederam ao PSDB. Com isso, os benefícios da Previdência também foram aumentados. Foi nos governos do PSDB que se generalizaram as políticas de transferência direta de renda, as bolsas, assim como o Benefício de Prestação Continuada, que garante renda mínima de um salário mínimo para idosos e pessoas com deficiência. Os governos posteriores ampliaram estes avanços. E também fomos nós que criamos o Ministério da Reforma Agrária, criamos o PRONAF e assentamos cerca de 500 mil famílias, processo tão descuidado pelo governo atual. A reforma agrária precisa ser retomada com seriedade e prioridade.

As políticas sociais sempre fizeram parte de nossos governos, mesmo quando enfrentamos conjunturas econômicas adversas, e nos orgulhamos de ter entregue o país em condições de estabilidade que foram essenciais para que nossos sucessores pudessem ampliar e aprofundar essas políticas. Nossa determinação, e com isso pessoalmente me comprometo, é levar adiante o resgate da dívida social brasileira, que é tarefa inarredável de qualquer governante. Vamos ampliar e aprimorar as políticas existentes, inclusive transformando o Bolsa Família em política de Estado, e não de governo, justamente para que não sofra descontinuidade ou interrupção.

Vamos convocar a sociedade brasileira a debater e encontrar soluções generosas para nossa juventude, para lhe dar horizontes que a afastem da violência e outros descaminhos. Entendo que podemos, juntos, evitar que os problemas relacionados aos jovens sejam encarados apenas sob a ótica da punição. Essa seria uma forma injusta de penalizá-los, na ponta do processo, por erros e omissões que são de todos nós.

Temos muitas ferramentas para lidar com nossas desigualdades. A mais importante delas é a riqueza da diversidade sociocultural brasileira que deve estar expressa no combate a toda discriminação, seja étnica, de gênero, de orientação sexual, religiosa, ou qualquer outra que fira os direitos humanos e a liberdade de escolha de cada cidadão.

Mais ainda, entendemos que o governo Dilma Roussef tem sido negligente na questão da demarcação das terras indígenas. Tanto produtores rurais como indígenas têm sido vítimas dessa negligência, que contribui para acirrar conflitos e tensões. No nosso governo vamos nos posicionar pela manutenção da prerrogativa constitucional do Poder Executivo de demarcar terras indígenas, ouvindo os Estados e os órgãos federais cuja ação tenham conexão com o tema. Criaremos também o Fundo de Regularização Fundiária que permitirá resolver as pendências em áreas indígenas nas quais proprietários rurais possuem títulos legítimos de posse da terra, reconhecidos pelo poder público. Da mesma forma, daremos a merecida atenção, não dada pelo atual governo, às reivindicações dos quilombolas e outras populações tradicionais.

É triste constatar que a Federação está doente, enfraquecida e debilitada. Padece de centralismo excessivo na esfera federal, ficando os poderes locais à mingua dos recursos e desprovidos de competências para enfrentarem os problemas e melhorar a qualidade de vida de suas comunidades. É nosso propósito promover a revisão desse estado de coisas, devolvendo a estados e municípios os meios de exercerem sua autonomia constitucional, habilitando-os a levar a solução do problema para perto de onde ele ocorre. É urgente revigorar nossa Federação, fortalecendo suas bases.

O debate sobre o Pacto Federativo será articulado com a temática do desenvolvimento regional.

Não há como pensar em novo ciclo de desenvolvimento nacional sem considerar como base fundamental o desenvolvimento regional.

Nunca teremos pleno desenvolvimento com o país cada vez mais concentrado em ilhas de prosperidade e extensos vazios de produção e riquezas.

O estabelecimento de políticas públicas regionais é um componente fundamental para articulação do Pacto Federativo.

Quero reiterar nossos compromissos programáticos com a questão ambiental, vista do ângulo de seu tripé: o cuidado com a natureza, com as pessoas, visando mais bem-estar e igualdade, e a adoção de corretas políticas macroeconômicas, notadamente das que afetam nossa matriz energética. O moderno agronegócio brasileiro defende um programa efetivo de preservação da riqueza florestal visando ao objetivo maior de alcançarmos o desmatamento zero.

A exploração do petróleo, inclusive do pré-sal, é imperativo do desenvolvimento e não põe à margem a diversificação de fontes energéticas menos poluidoras, como as eólicas, solar, a bioenergia, o gás e, sobretudo, o uso racional da energia para poupá-la. Além disso, estabeleceremos uma política efetiva de Unidades de Conservação, não apenas para garantir a implantação e o correto uso das já existentes, como para retomar o processo de ampliação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, paralisado no atual governo.

Enfatizo que darei a devida e urgente importância ao trato da questão das Mudanças Climáticas, iniciando um decisivo preparo do país para enfrentar e minimizar suas consequências. Assumo o compromisso de levar o Brasil à transição para uma economia de baixo carbono, magna tarefa a que já se dedicam as nações mais desenvolvidas do planeta, retomando uma postura proativa de liderança global nesta área, perdida no atual governo.

Espero, enfim, que o PSDB e seus aliados sejamos vitoriosos neste segundo turno pelo que trazemos de positivo em nossas propostas e não apenas pelos malfeitos, abusos e desmandos do atual governo, que são enormes. A democracia, tal como a concebemos, não se faz destruindo-se os órgãos de estado ao sabor de interesses partidários e privados, como foi feito com as agências reguladoras, as empresas estatais, os fundos de pensão e a própria administração federal. Nem pela estigmatização infamante dos setores políticos minoritários. É preciso devolver o Estado à sociedade brasileira.

Reconhecemos a necessidade de uma reforma política que não pode mais ser adiada e com ela nos comprometemos, a começar pelo fim da reeleição para os cargos executivos. Quero que meu governo seja aquele no qual os brasileiros vão recuperar a confiança na política como caminho para o exercício pleno de sua cidadania.

É com esta visão de brasileiro, mais do que de representante de um partido, que espero unir o Brasil. Apelo aos eleitores que já votaram contra a continuidade da situação política atual, e a todos os partidos e lideranças que propuseram melhorias em nossa política, que se unam a nós para levar adiante os compromissos que ora assumo, na segunda fase desta caminhada. Não para abdicarem do que creem, mas para ajudarem a ampliar nossa visão e para podermos, juntos, construir um Brasil melhor.

Destaco, especialmente, o legado de Eduardo Campos e o papel que Marina Silva tem exercido na renovação qualitativa da política brasileira e na afirmação do desenvolvimento sustentável. Peço a todos os que amam o país: juntem-se a nós! Só na união, no consenso, os brasileiros e as brasileiras poderão construir o que queremos: uma sociedade mais justa, democrática, decente e sustentável.

Aécio Neves

Por Reinaldo Azevedo

11/10/2014

às 17:14

Viúva de Eduardo Campos divulga carta de apoio a Aécio

Por Talita Fernandes, na VEJA.com:
Renata Campos, viúva do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos divulgou uma carta de apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições presidenciais. O texto foi lido pelo filho mais velho de Renata e Eduardo, João, considerado herdeiro político do ex-governador, morto em acidente aéreo em 13 de agosto.

Na carta, Renata agradece ao povo pernambucano pelo apoio ao PSB nas eleições. O candidato da sigla ao governo do Estado, Paulo Câmara, foi o governador mais bem votado do país, em termos proporcionais, com 68% dos votos. Além disso, a chapa liderada pelo PSB elegeu Fernando Bezerra Coelho para o Senado e 20 deputados federais, oito deles do PSB, formando a maior bancada do partido na Câmara dos Deputados. Marina Silva também saiu vitoriosa em Pernambuco, onde a ex-senadora teve 48% dos votos, quadro que se repetiu apenas no Acre, seu Estado natal.

A viúva de Campos lembrou que este foi um ano muito difícil, mas afirmou que “continua com os mesmo sonhos” do marido. “Aécio, acredito na sua capacidade de diálogo e gestão”, disse, acrescentando que os caminhos de Campos e Aécio se cruzaram várias vezes durante suas carreiras políticas. “Sei que vocês eram diferentes, mas vocês souberam se unir pelo Brasil.”

Ela encerrou a mensagem desejando sorte ao candidato tucano e dizendo que ele levará de Pernambuco “a garra e a energia que serão fundamentais para construir um novo Brasil”, escreveu.

Aécio participa neste sábado de eventos de campanha em duas cidades pernambucanas, a capital Recife e Sirinhaém, no Sul do Estado, cidade onde Marina teve o maior percentual de votos no Brasil. O candidato tucano participará de um almoço na casa da família Campos.

Por Reinaldo Azevedo

09/10/2014

às 22:45

Reação de Aécio às imposições de Marina é impecável. Ou: Líder da Rede precisa tomar cuidado para que “Nova Política” não vire política velha

Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, concedeu a entrevista coletiva de todo dia, e o tema principal, como não poderia deixar de ser, foram as exigências feitas por Marina Silva, da Rede, para declarar apoio à sua candidatura. Entre outros itens, ela quer que o presidenciável retire o apoio ao projeto do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), seu vice, que permite que, em situações excepcionais, menores a partir dos 16 anos possam ser processados criminalmente, o que só seria feito depois de ouvidos o Ministério Público da Infância e da Juventude e a Justiça. Marina, tudo indica, resolveu transformar essa questão num de seus cavalos de batalha.

Ela também quer que o tucano se comprometa com o passe livre estudantil, que se comprometa com metas do MST, que se comprometa com o desenvolvimento sustentável, que… Bem, Marina quer, tudo indica, tomar o lugar de Aécio na chapa. Isso não é negociação.

Na coletiva, a fala de Aécio foi impecável do ponto de vista da lógica do processo: “O essencial hoje é a mudança. O caso não é de abrir mão de propostas. É aprimorarmos. Se formos reconstruir o projeto desde o início, não estamos fazendo uma aliança. Aliança tem que acontecer em torno do essencial. O essencial hoje é a mudança. E eu, pela vontade de grande parte dos brasileiros, tenho a responsabilidade de conduzir essa mudança”.

O candidato voltou a defender a proposta de Aloysio e lembrou que a alteração atingiria apenas 1% das infrações cometidas por jovens entre 16 e 18 anos. Mas disse ver convergências com o programa defendido por Marina nas eleições: “Nosso programa tem muita inserção social, educação e sustentabilidade. Mas, quando se busca um apoio no segundo turno, isso não pode nos levar também a abdicar daquilo que acreditamos que seja essencial para o país. Vejo muito mais convergências entre o que tenho ouvido das propostas da candidata Marina do que divergências”.

E fez uma avaliação correta e historicamente fundamentada: “As mudanças não são uniformes. As pessoas que esperam mudanças se distinguem em determinados aspectos ou temas. Na articulação em torno de Tancredo Neves, tinha desde partidos comunistas à Frente Liberal, considerados por alguns da ‘direita conservadora’. Fizeram isso porque Tancredo representava a possibilidade de reencontrarmos a democracia no Brasil. Uma aliança no segundo turno se dá em torno de objetivos maiores: um governo eficiente e ético”.

É isso! Nada a opor ou a acrescentar. Ou talvez acrescente uma coisa: só o PT, entre os oposicionistas, ficou fora daquele arco de alianças que apoiou Tancredo. E ainda expulsou três deputados que votaram no Colégio Eleitoral: José Eudes, Bete Mendes e Airton Soares. Marina Silva, em 2014, não deveria repetir o PT de janeiro de 1985, há quase 30 anos. É política velha, não nova política.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 22:54

Aécio recebe apoio do PSB e repete lema de Eduardo Campos: “Não vamos desistir do Brasil”

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:

Candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves compareceu à sede do PSB na noite desta quarta-feira para sacramentar a aliança com o partido no segundo turno das eleições. Em discurso, o tucano ressaltou que a união expressa o sentimento de mudança da população brasileira e, em busca de se aproximar da nova legenda, evocou Eduardo Campos, morto em agosto em acidente aéreo: “Hoje eu me preencho com sonhos, lembranças extremamente marcantes para mim. E é por isso que eu quero encerrar essas minhas palavras dizendo: ‘Nós não vamos desistir do Brasil’”, afirmou.

“Sou, a partir desta histórica manifestação, o candidato das mudanças verdadeiras. Do ponto de vista pessoal, me sinto honrado e emocionado neste instante, porque passo a ter a responsabilidade de, no limite das minhas forças, levar pelo Brasil inteiro o legado de Eduardo Campos”, disse Aécio Neves, bastante aplaudido por socialistas. “Os seus sonhos, Eduardo, passam a ser os meus sonhos. E os seus compromissos com a diminuição das diferenças vergonhosas do Brasil passam a ser os meus compromissos. A partir deste instante caminharemos juntos num só sentimento de responsabilidade pela construção de um novo tempo pelo Brasil”, continuou.

O tucano aguardava a definição do PSB durante ato de campanha em Brasília, e compareceu à sede do partido após ser confirmado o apoio. Ele estava acompanhado de Tasso Jereissati (PSDB-CE), eleito para o Senado, e do senador Pedro Taques (PDT), que a partir janeiro vai assumir o governo de Mato Grosso. Nesta quarta-feira, mais duas legendas oficializaram a preferência pelo tucano na reta final da eleição: o PSC, do Pastor Everaldo, e o PV, de Eduardo Jorge. Ontem, o PPS adotou posição idêntica.

Com a confirmação da aliança, tucanos e socialistas vão definir um programa de governo convergente com as propostas dos dois partidos. Integrarão o time o senador e agora coordenador da campanha Tasso Jereissati, o coordenador de temas ambientais, Fábio Feldman, e a coordenadora de educação, Maria Helena Castro, ligados a Aécio. Do lado do PSB estão o senador Fernando Bezerra, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e o secretário nacional do partido, Carlos Siqueira – este que havia abandonado a campanha socialista após desentender-se com Marina Silva.

“O meu otimismo é muito grande. Só não é maior que a minha determinação de acabar com esse ciclo que aí está. Quero um governo onde a ética e a decência possam caminhar juntos. Trabalharei no meu limite para honrar essa manifestação nos próximos dias, semanas e, se couber a mim, nos próximos cinco anos”, disse o candidato à Presidência. O apoio ao tucano foi confirmado nesta tarde por 21 votos de membros da Executiva do partido. Outros seis socialistas defenderam a liberação dos integrantes da legenda, enquanto apenas um voto foi favorável à aliança com Dilma Rousseff.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 20:14

Pesquisa do Instituto Paraná aponta Aécio na frente de Dilma: 54% a 46% dos votos válidos; nesta quinta, saem Ibope e Datafolha

Pois é… Segundo pesquisa do Instituto Paraná, se a eleição fosse hoje, o tucano Aécio Neves teria 49% das intenções de voto, e a petista Dilma Rousseff, 41%. Em votos válidos, o embate estaria 54% a 46%. Na pesquisa espontânea, o candidato do PSDB marca 45% contra 39% de sua oponente. O levantamento foi encomendado pela revista Época. Entre segunda e esta quarta, o instituto entrevistou 2.080 eleitores em 152 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 01065/2014. 

A pesquisa avaliou também a rejeição aos candidatos. Dizem que não votariam em Dilma de jeito nenhum 42% dos entrevistados, e 32% afirmam o mesmo sobre Aécio. Não rejeitam nenhum dos dois 16%. “Podemos afirmar que Aécio Neves inicia o segundo turno com uma boa vantagem porque herdou mais votos de Marina Silva. Vamos ver como o eleitor se comportará após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão”, afirmou à revista o economista Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas.

Nem foguetório nem cabelos arrancados
É natural que os correligionários de quem está na frente fiquem felizes e que se entristeçam os de quem está atrás, mas é cedo tanto para o foguetório dos tucanos como para o desespero dos petistas. Se há coisa que essa eleição ensinou é que se deve ver com prudência os números dos institutos de pesquisa. Não estou duvidando de ninguém em particular nem pondo todo mundo sob suspeita. Apenas constato o óbvio: não anda assim tão fácil interpretar os sentimentos dos brasileiros

Que há um clima pró-Aécio no centro-sul do país, especialmente, nas grandes cidades, eis um dado que é da experiência. E os petistas sabem disso. Vejam o que aconteceu em São Paulo, seja no Estado, seja na capital. Pedem-se mudanças abertamente nas ruas. Tanto é assim que a própria presidente-candidata Dilma Rousseff, no pronunciamento depois do primeiro turno, assegurou que, se reeleita, fará um novo governo, com pessoas e com ideias novas.

O horário eleitoral recomeça nesta quinta. Sua importância cresce no segundo turno, porque aí os dois candidatos disputam em igualdade de condições. A lógica indica que isso tende a ser favorável a Aécio. Afinal, na primeira etapa, com quase o triplo de tempo do tucano, Dilma não conseguiu sair da casa dos 40%, que já eram seus antes do início da propaganda. Mais: os debates na TV também se tornam mais relevantes, sem nanicos para tomar o nosso tempo com bobagens.

Novas pesquisas
Nesta quinta, Datafolha e Ibope divulgam suas respectivas pesquisas. Se o tucano aparecer na frente também nesses levantamentos, é claro que aumentará a preocupação petista. Os buchichos que correm por aí dizem que é precisamente o que vai acontecer. Se os números de agora não são necessariamente uma antecipação do que virá, é claro que eles servem para balizar estratégias de campanha. Haverá um embate sério e maduro, a favor do país? Ou assistiremos a um espetáculo de ódio, rancor e ressentimento? Há uma boa possibilidade de o eleitor estar com o saco cheio do jogo rasteiro.

Por Reinaldo Azevedo

07/10/2014

às 19:22

Aliado de Marina, PPS anuncia apoio a Aécio

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
Integrante da coligação que encampou a candidatura derrotada de Marina Silva (PSB), o PPS decidiu nesta terça-feira, por unanimidade, apoiar o projeto eleitoral de Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. “O PPS não aceita nem a posição de neutralidade nem o apoio a presidente Dilma Rousseff”, disse Roberto Freire, presidente da sigla.

Em dezembro do ano passado, a legenda foi procurada por Aécio em busca de uma aliança, mas acabou fechando com Eduardo Campos, então candidato a presidente – morto em agosto numa tragédia aérea. Para interlocutores da legenda, a decisão custou caro: afirmam que Freire não se reelegeu para a Câmara dos Deputados por ter se distanciado do PSDB do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo.

Desde a noite de domingo, Marina tem se reunido com aliados para definir o posicionamento no segundo turno. A ex-senadora não esconde o ressentimento com os ataques da petista Dilma Rousseff, mas busca afinar um acordo programático com o tucano para não ser novamente alvo de críticas. Durante toda a campanha, Marina criticou a “velha política” e o domínio do PSDB e do PT nos últimos vinte anos. Em discurso pós-urnas, entretanto, sinalizou apoio a Aécio.

O anúncio oficial de Marina ainda depende de outras negociações. Nesta quarta, a Executiva do PSB vai se reunir em Brasília para decidir se apoia Dilma ou Aécio ou se optará pela neutralidade. Na quinta, os seis partidos que compõem a coligação da ex-candidata também terão encontro para decidir o rumo no segundo turno. Em nota divulgada nesta terça-feira, sem se posicionar claramente, Marina disse que “os resultados das eleições refletiram uma posição da insatisfação com as condições existentes no Brasil, expressando o sentimento de mudanças”.

Por Reinaldo Azevedo

05/10/2014

às 6:58

O que fará Marina a partir de amanhã? Tomara que faça a coisa certa!

Se o Datafolha e o Ibope estiverem certos, contra a maioria das expectativas — desde que o avião que conduzia Eduardo Campos foi ao chão, no dia 13 de agosto —, o tucano Aécio Neves vai disputar o segundo turno da eleição presidencial com a petista Dilma Rousseff. Não se pode afirmar com certeza, é claro, já que a diferença está dentro da margem de erro, que é de dois pontos: o senador mineiro está numericamente à frente da ex-senadora do Acre por 24% a 22% no Datafolha e por 27% a 24% no Ibope. Ocorre que ele chega à reta final em ascensão, especialmente em São Paulo e Minas, e ela, em declínio. O mais provável, então, é que PSDB e PT voltem a se confrontar no dia 26 de outubro. Pois é… Esteja ou não no segundo turno, chegou a hora de Marina parar de errar. Será que ela consegue, pelo bem do país? Tomara que sim! Acho que ela perdeu o direito de cometer mais equívocos, especialmente os velhos.

Começo com a hipótese que hoje se mostra menos provável: ela passar para o segundo turno. Isso aconteceria numa situação extremamente difícil porque vem aumentando a distância que a separa de Dilma tanto no primeiro como no segundo turnos. Mas digamos que aconteça… A quem apelará Marina? Apenas às redes sociais, aos “sonháticos”, aos cultores da tal “nova política”, esse elemento etéreo e que se mostrou dos mais deletérios quando ela ascendeu ao topo da disputa?

Como esquecer que Marina rejeitou palanques tucanos em São Paulo e no Paraná, onde os governadores Geraldo Alckmin e Beto Richa, respectivamente, se reelegem no primeiro turno daqui a pouco? Em entrevista, Walter Feldman, um de seus coordenadores políticos, chegou a prever o fim do PSDB… Num comício no interior, os militantes da rede deram um sumiço em cartazes em que sua imagem aparecia ao lado da de Alckmin. Houve outros erros — tratarei deles em outro post.

Muito bem: estando no segundo turno, Marina vai procurar o PSDB para dialogar ou vai insistir em que os tucanos, a exemplo de petistas, são apenas a “velha política? Bastará contar com o conforto de que a esmagadora maioria do eleitorado de Aécio migraria para ela? Seria um erro fatal.

Mas…
Ocorre que, tudo indica, Marina não vai para o segundo turno. E, mais nessa hipótese do que na outra, é que se vai testar a dimensão de alguém que se quer uma liderança nacional. Em 2010, Marina optou por aquilo que se chama “zona de conforto”. O José Serra ao qual ela andou dirigindo elogios recentemente é aquele mesmo que disputou a eleição presidencial com ela. No embate do tucano contra Dilma, Marina se omitiu na neutralidade. Disse, com aquele gesto, que, para o país, era indiferente vencer um ou outro. Será que ela continua a pensar isso hoje? Será que é o que nos diz a Petrobras? É o que nos diz o crescimento? É o que nos diz a desordem nas contas públicas? É o que nos diz o aparelhamento de estado? É o que nos diz a campanha suja que o PT move contra… Marina?

Ora, o que será feito desta vez? No debate da Globo, em que se saiu notavelmente mal, Marina chegou a dizer que Aécio e o PSDB se igualam a Dilma e ao PT no ataque que fazem a ela. Não é verdade! Essa desculpa não poderá ser usada de novo se Marina decidir apenas assistir à disputa de camarote. As críticas de Aécio foram de natureza política, absolutamente legítimas e naturais no debate. Lembrar a trajetória de alguém não é sinônimo de mentir. Já a campanha do PT foi obviamente desonesta. Afirmar que a independência do Banco Central levaria a fome à mesa dos brasileiros é uma estupidez. Acusar a adversária de planejar um corte de R$ 1,3 trilhão da educação é um despropósito.

A escolha
Sim, é razoável o raciocínio de que a esmagadora maioria do eleitorado de Aécio migraria para Marina, independentemente do movimento que ele fizesse — que, obviamente, seria em favor dela, mesmo indo para a oposição depois. Afinal, o agora senador é o primeiro a afirmar que o país não pode continuar mais quatro anos sob o jugo petista. Mas não só isso: os eleitores do PSDB são autenticamente oposicionistas, e a esmagadora maioria faria um voto anti-Dilma ainda que o tucano pedisse o contrário — o que, de resto, jamais aconteceria.

É, sim, compreensível a especulação de que parte do eleitorado de Marina pode, inicialmente, resistir ao tucano porque, sei lá, ou tem um viés mais à esquerda ou está por demais imbuído dos prolegômenos da tal “nova política”, sejam eles quais forem. Isso não a eximiria de fazer uma escolha. É justamente em momentos assim que entra em cena aquele ou aquela que aspira ao papel de líder nacional.

Se Marina, eventualmente fora do segundo turno, se omitir mais uma vez, então estará a dizer ao país que, segundo seu entendimento, política é a arte de receber apoios, mas de nunca dar apoio. Se, de novo, optar pela neutralidade, estará afirmando a seu eleitorado que, para o Brasil, é irrelevante ter Aécio ou Dilma no comando. Na prática, estará falsificando o próprio discurso. Afinal, ela própria fez o elenco dos motivos — muitos motivos — por que o PT não pode continuar no poder. Fiel, ademais, a seus princípios, não precisaria nem negociar cargos nem integrar a base de apoio de um governo Aécio — que fosse para a oposição depois. Incompreensível, aí sim, será se ela der a sua contribuição pessoal, pela via da omissão, à eventual reeleição de Dilma.

Se passar para o segundo turno, o que é pouco provável, Marina terá de refazer as pontes que dinamitou; se não passar — e tudo indica que não passará —, terá de fazer pontes com o futuro e com o seu próprio futuro político. Ela foi muito eloquente na campanha em dizer por que o PT não pode continuar. Que colabore, então, para tirá-lo do trono! A menos que considere que o povo faz por merecer os malefícios que ela mesma apontou.

Assim, como ela mesma diria, chegou a hora de Marina “ganhar ganhando” ou de “ganhar perdendo”. Só não vale é “perder perdendo”.

Por Reinaldo Azevedo

04/10/2014

às 6:19

De olho no 2º turno, Aécio ataca PT e poupa Marina

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Depois da troca de farpas no último debate antes do primeiro turno, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, decidiu poupar nesta sexta-feira a rival do PSB, Marina Silva, uma possível aliada do tucano caso ele chegue ao segundo turno. A nova postura de Aécio se ajusta à defesa que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem feito de que PSDB e PSB unam forças para derrotar a presidente-candidata Dilma Rousseff.

Cumprindo agenda intensa de atos políticos em Belo Horizonte, Aécio evitou falar de possíveis alianças para um eventual segundo turno – ele está tecnicamente empatado com Marina Silva na segunda colocação da corrida presidencial, conforme pesquisa Datafolha – e não comentou se os ataques ao longo do primeiro turno podem inviabilizar uma parceria futura. “Eu tenho que ter enorme respeito por todas as candidaturas e tenho esse respeito em especial pela candidata Marina Silva, que disputa de forma extremamente competitiva a possibilidade democrática de estar no segundo turno”, disse. “Só falarei de segundo turno no momento em que o resultado for anunciado.”

Ao visitar quatro favelas na cidade de Belo Horizonte, incluindo a violenta Pedreira Prado Lopes, ponto de venda de crack na capital mineira, Aécio voltou a atacar a presidente Dilma Rousseff, criticou o excesso de obras inacabadas coordenadas pelo governo federal e defendeu que exemplos de má gestão e corrupção, como os escândalos na Petrobras e, mais recentemente, a denúncia de uso político dos Correios, não sejam reproduzidos em Minas, onde o petista Fernando Pimentel é favorito para derrotar, já no primeiro turno, o tucano Pimenta da Veiga.

“Não vamos permitir que em Minas Gerais esse modus operandi alcance as nossas empresas porque vai estar alcançando os interesses da nossa gente. Não queremos que a Cemig vire uma nova Petrobras e que a Copasa vire os novos Correios, com escândalos sucessivos”, disse. Aécio tem citado exaustivamente a gestão da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) como exemplos de empresa pública. As duas, porém, são citadas pelo Ministério Público Federal, na denúncia sobre o escândalo do valerioduto mineiro, por repasses suspeitos durante o governo do tucano Eduardo Azeredo (PSDB).

“O governo do PT tem como marca obras com sobrepreço e sempre com atrasos, o que gera descrença e desânimo na população. A eleição de Pimenta da Veiga é tão importante em Minas quanto a minha própria eleição. Não podemos permitir em Minas Gerais esse tipo de gestão que o governo do PT estabeleceu na Petrobras, onde uma quadrilha tomou conta da nossa maior empresa, e essa gestão temerária que se instalou nos nossos principais fundos de pensão”, disse antes de visitar a favela Pedreira Prado Lopes. “Não podemos permitir que [empresas mineiras] sejam tomadas por um grupo político, que demonstrou em outras gestões no plano nacional, como na Petrobras e agora nos Correios, o absoluto descompromisso com os cidadãos”, afirmou.

Correios
Depois de definir como estratégia prioritária explorar as acusações de uso político dos Correios por candidatos do PT, Aécio Neves disse que a empresa pública também teria boicotado correspondência da Força Sindical para aposentados. A entidade foi presidida pelo deputado Paulo Pereira da Silva, presidente do partido Solidariedade e aliado de Aécio. O candidato não deu detalhes do caso, mas cobrou que a presidente Dilma explique por que não consta de sua declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as despesas de contratação dos Correios para a distribuição de material de campanha.

“Acabo de ter a informação do presidente licenciado da Força Sindical, presidente do Solidariedade, de que as cartas enviadas pela Força, em especial aos aposentados em Minas Gerais, não chegaram a seus destinatários. Isso é algo extremamente grave”, afirmou. De acordo com o candidato, os Correios receberam o pagamento no dia 29 de agosto, mas na prestação parcial de contas apresentada ao TSE no dia 2 de setembro não consta a despesa.

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados