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Aécio Neves

15/04/2014

às 20:00

Senadores de oposição se encontram com Rosa Weber. Ou: A Constituição, o Regimento Interno e o habeas corpus

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, decide na semana que vem, depois do feriado, se acata ou não pedido de liminar da oposição em favor da CPI exclusiva da Petrobras. Como se sabe, a base governista decidiu combater esse requerimento com outro, que investiga, além da Petrobras, supostas irregularidade no Metrô de São Paulo e no porto de Suape, em Pernambuco — não por acaso, dois estados governados por oposicionistas. A má-fé dessa segunda iniciativa é tal que o próprio Cade investiga formação de cartel nos metrôs de Belo Horizonte e Porto Alegre, tocados por estatais federais. Não constam do requerimento governista. Estiveram com a ministra os senadores tucanos Aécio Neves (SP) e Aloysio Nunes (SP) e o Agripino Maia (DEM-RN).

Faz sentido uma questão como essa ir parar no Supremo? Faz! A CPI tem prescrição Constitucional. Está prevista no Parágrafo 3º do Artigo 58 da Carta, a saber:
§ 3º – As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.

Em nenhum lugar está escrito que o presidente de cada uma das Casas Legislativas tem autoridade para decidir que CPI será ou não instalada, uma vez cumprida a disposição constitucional. O Capítulo XIV do Regimento Interno  do Senado também disciplina a matéria. Do mesmo modo, em nenhum lugar está escrito que, cumpridas as exigências de um terço de assinaturas e do fato determinado, cabe ao presidente da Mesa, discricionariamente, decidir que CPI será ou não instalada. E olhem que há nove artigos tratando do assunto: do 145 ao 153. Não há previsão ali para o exercício do autoritarismo criativo de Renan.

Se tudo isso fosse pouco, a natureza e a extensão da CPI já foram objetos da atenção do Supremo, no habeas corpus nº 71.039, de que foi relator, em 1994, o então ministro Paulo Brossard. Ali se evidencia que uma CPI tem de ter foco determinado. Não pode ser o samba-do-governo-doido. Uma vez instalada, a comissão pode até investigar fatos inicialmente não previstos, desde que relacionados com o objeto de investigação. O texto é explícito sobre a impossibilidade de uma comissão investigar toda e qualquer coisa. O que o caso da Petrobras tem a ver com o metrô de São Paulo e com o porto de Suape? Diz o governo: “é tudo obra tocada com dinheiro público!”. Bem, a ser assim, que se incluam na CPI todas as obras do país. Relembro o texto de Brossard:

 Acórdão sobre CPI 1

Acórdão sobre CPI2

Como se sabe, ao encaminhar os dois requerimentos à CCJ para que fizesse a sua escolha — como se isso constitucional e regimental –, Renan distorceu o sentido do habeas corpus, como se vê, de novo, abaixo.

documento Renan

Ao sair da audiência com Rosa Weber, afirmou o senador Aécio Neves: “Mostramos que se trata de um direito líquido e certo da minoria; um direito garantido no Regimento e na Constituição e que não pode ser violentado por uma ação da maioria. Não cabe ao presidente do Senado fazer juízo de valor, estabelecer mérito dessa ou daquela CPI, menos ou mais abrangente”.

É o que está na Constituição.

É o que está no Regimento Interno do Senado.

É o que está no habeas corpus.

Rosa não tem como não conceder essa liminar a menos que recorra ao exercício do direito criativo para endossar o autoritarismo criativo do presidente do Senado.

 

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 23:05

Aécio pede que Dilma devolva limpo o macacão da Petrobras

O pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves, respondeu às críticas de Dilma Rousseff, que acusou, nesta segunda, a existência de uma campanha contra a empresa: “Está na hora de a presidente da República devolver limpo o macacão dos funcionários da empresa. Quem está sujando a imagem da Petrobras é o PT, que estabeleceu o aparelhamento através da irresponsabilidade, que resulta na prisão de diretores em operações da Polícia Federal”.

Aécio certamente tinha em mente esta imagem:

Lula mãos sujas 4

No dia 21 de abril de 2006, durante a inauguração da Plataforma P 50, em Campos, Lula repetiu o gesto de Getúlio Vargas, em 1952, e sujou as mãos de petróleo. O populista do passado marcava o início da extração no Brasil; o petista comemorava a suposta autossuficiência do Brasil. Pois é… Autossuficiência? O déficit da conta petróleo em 2013 foi de US$ 20,277 bilhões. Lula só sujou as mãos daquele jeito porque não conseguiu resistir. Em 2014, deve ficar em torno de US$ 15 bilhões.

Nos 11 anos e quatro meses de gestão petista, muito especialmente nos oito em que Lula esteve à frente do governo, nenhuma área do governo — ou empresa estatal — teve uma gestão tão arrogante, tão autoritária e, ao mesmo tempo, tão ineficiente como a Petrobras — e olhem que não se está falando exatamente de uma estatal. Como se sabe, trata-se de uma empresa de economia mista. Os desacertos foram se acumulando. Em vez de dar explicações quando confrontado com os problemas, o petista José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da gigante, demitido pela presidente Dilma em janeiro de 2012, respondia com grosserias e desaforos.

No seu aniversário de 60 anos, em 2013, a Petrobras teve duas péssimas notícias: 1) a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou as notas de crédito da estatal de A3 para Baa1 em razão do elevado endividamento (e, nesse particular, o governo Dilma tem uma parcela enorme de responsabilidade); 2) segundo relatório do TCU, o atraso na entrega do Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj), no Rio, pode gerar um prejuízo para a empresa de R$ 1,4 bilhão.

A Petrobras encerrou 2010 devendo R$ 118 bilhões; no começo deste 2014, a dívida já se aproximava dos R$ 300 bilhões. Parte desse rombo decorre de a empresa importar gasolina a um preço superior ao de venda no mercado interno. Como a economia degringolou, é preciso segurar o preço dos combustíveis para que a inflação não dispare.

Até aí estamos falando de uma gestão incompetente, politiqueira e desastrada. Aí os casos de corrupção vieram à luz, aos borbotões.

Chegou a hora de lavar o macacão.

Por Reinaldo Azevedo

07/04/2014

às 6:25

AINDA O DATAFOLHA – Números de 2006 e 2010 ajudam a entender o medo nas hostes petistas e a urucubaca que Rui Falcão jogou em Dilma

Surge mais um pesquisa com números aparentemente bons para a presidente Dilma Rousseff, e o que se vê no petismo é nervosismo. Por quê? Porque eles não são tão bons como parecem. E eu vou lembrar aqui alguns dados de levantamentos anteriores para evidenciar a razão da tensão.  Segundo o Datafolha, se a eleição fosse hoje, e ela não é, no cenário mais provável, Dilma teria 38% das intenções de votos. Perdeu seis pontos em relação a fevereiro. O tucano Aécio Neves segue com 16%, mesmo índice da pesquisa anterior, e Eduardo Campos, do PSB oscilou de 9% para 10%. Se isso se repetisse em outubro, Dilma seria eleita no primeiro turno. Mas duvido que vá acontecer. Não acontecendo, o risco de derrota cresce bastante. Por quê?

Hoje, 36% acham o governo Dilma ótimo ou bom. O número caiu. Em fevereiro, eram 41%. Consideram-no regular 39% dos entrevistados, e os que o veem como péssimo subiram de 21% para 25%. Então vamos comparar. Essa avaliação da gestão Dilma é muito parecida com a do governo Lula em abril de 2006: 37% diziam que era ótimo ou bom; 38%, que era regular, e 23%, ruim ou péssimo. Também os índices eleitorais são semelhantes: em abril de 2006, Lula tinha 40% das intenções de voto; o tucano Geraldo Alckmin aparecia com 20%.

E Lula não conseguiu se reeleger no primeiro turno. Ficou com 48,61% dos votos. Os 20% de Alckmin se transformaram em 41,64% nas urnas, no dia 1º de outubro de 2006. A diferença, que, em abril, se mostravam gigantesca, foi de apenas 6,97 pontos percentuais.

A eleição de 2010 assusta os petistas um pouquinho mais, nem tanto pelo resultado final: no segundo turno, Dilma obteve 56,05% dos votos válidos, e o tucano José Serra, 43,95%. O susto está em outro lugar. Atenção! Em abril de 2010, Serra ainda estava na frente de Dilma no Datafolha: 38% a 28% para o tucano. A candidata desconhecida, o “poste de Lula”, como era chamada então, já tinha começado a sua ascensão. Chega a ser espantoso que tenha havido segundo turno em 2010. E, no entanto, houve. E por que digo que foi espantoso? Vamos à avaliação de governo: em abril de 2010, achavam-no ótimo ou bom 73% dois entrevistados. É mais do que o dobro do que se tem hoje: 36%. Consideravam-no só regular 22%, 17 pontos percentuais a menos do que agora: 39%. Viam-no como ruim ou péssimo apenas 5% dos entrevistados: um quinto apenas do que se tem na gestão Dilma: 25%. Com uma avaliação como aquela, era praticamente impossível o governo não vencer a eleição — e venceu, como se sabe. Mas não no primeiro turno.

Notem: em 2010, a maioria deixava claro que não queria mudar quase nada no país. Mesmo assim, Serra chegou ao segundo turno. Em 2014, já registrou o Ibope, 64% dizem esperar um governo completamente diferente; 63% desses 64% — ou 40,32% — querem mudar de rumo e de presidente. No Datafolha, são 72% os que querem mudança, um número muito superior à soma dos votos de Aécio e Campos: 26%. É que muita gente, 39%, ainda aposta que Lula poderia corrigir os rumos do país — mas ele não será candidato — ou que a própria Dilma poderia operá-la: 16%.

Assim, noto que, com o governo do PT muito mais bem avaliado do que hoje — mais do que o dobro de aprovação —, houve segundo turno em 2010. Por que não haveria agora? Mais: há quatro anos, a esmagadora maioria queria conservar a administração; hoje, quer mudá-la. Falta agora que Aécio Neves e Eduardo Campos se identifiquem com a transformação. Eles têm a seu favor o fato de que 57% dizem conhecer Dilma muito bem — apenas 17% afirmam o mesmo de Aécio e 8% de Campos. Nunca ouviram falar de Dilma apenas 1% dos entrevistados; número que chega a 25% com Aécio e 42% com Campos. Mesmo assim, a rejeição aos três é a mesma: 33% no Datafolha. Conclusão: muita gente rejeita Dilma porque a conhece, e muitos rejeitam Aécio e Campos porque não os conhecem.

Os número autorizam a dizer que haverá, sim, segundo turno, que a disputa não será fácil para a presidente e que o risco de derrota do petismo é o maior de 2002 para cá. Isso tudo ajuda a entender a urucubaca de Rui Falcão sobre Dilma. No fim da semana passada, com a elegância costumeira, indagado se a candidatura dela era irreversível, mandou ver: “Irreversível, só a morte!”. Vá se benzer, presidente! 

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2014

às 4:27

Por CPI, Aécio tenta unir siglas do bloco de oposição

Por Daniela Lima e Gabriela Terenzi, na Folha:
Pré-candidato à Presidência, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) vai convidar líderes de todos os partidos de oposição a discutir uma estratégia de atuação em bloco para instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e investigar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), pela Petrobras. Aécio quer articular a reunião até terça-feira. O senador pretende envolver siglas como o PSOL, que não se alinha com PT ou PSDB. e o PSB, que tem seu próprio candidato ao Planalto, o governador Eduardo Campos (PE).

Em conversa com a Folha ontem, Aécio defendeu a investigação –a presidente Dilma Rousseff, que era chefe do conselho da Petrobras na época da compra, disse ter decidido pela aquisição da refinaria com base em um relatório “falho”. O negócio resultou em prejuízo de US$ 1,18 bilhão para a estatal.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2014

às 5:29

Aécio cobra responsabilidade de Dilma por prejuízo bilionário da Petrobras; oposição fala em CPI; hipótese virtuosa para a presidente é a incompetência

O senador tucano Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, cobrou explicações da presidente Dilma Rousseff no caso da compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, pela Petrobras. Seria só espuma eleitoral?

Ora, o caso é um escândalo mesmo, e dos grandes! O fato de o senador tratar do assunto é natural. Política é também um jogo — aliás, ninguém inventou nada melhor para a organização das sociedades. E, como em todo jogo, aproveita-se também o erro ou a má-fé dos adversários. Para sintetizar o caso: em 2006, a Petrobras comprou de uma empresa belga 50% de uma refinaria que fica em Pasadena, no Texas, nos EUA. Pagou US$ 360 milhões. Até aí, tudo bem! Poderia valer isso tudo. Ocorre que a Astra, que é a empresa dos belgas, havia pagado pela refinaria inteira, menos de um ano antes, apenas US$ 42,5 milhões. Ou seja: a Petrobras pagou US$ 360 milhões por aquilo que valia… US$ 21,25 milhões. Um ágio de 1.590%. Como num quadro daquele programa de humor bem antigo, “A Praça da Alegria”, os belgas disseram: “Brasileiro é tão bonzinho”. O diabo é que a turma da Petrobras foi boazinha, sim, mas com o nosso dinheiro. Como sempre.

A coisa não parou por aí. Cláusulas contratuais esdrúxulas e leoninas obrigavam a Petrobras a fazer pesados investimentos na refinaria — US$ 750 milhões na parte que lhe cabia — e a adquirir a metade dos belgas caso a sociedade não desse certo. E não deu. No fim das contas, o assunto foi parar na Justiça, e a empresa brasileira teve de comprar a outra metade por US$ 820,5 milhões. Desembolso total da Petrobras: US$ 1,18 bilhão de dólares. Aí o leitor pragmático pensa: “Fazer o quê, né, Reinaldo? O negócio agora é botar a refinaria para funcionar!”. Ledo engano! Ela está parada. É considerada obsoleta e não serve para refinar o petróleo brasileiro. E Dilma com isso?

Ela diz que não sabia da cláusula que obrigava a Petrobras a comprar os outros 50% dos belgas. Embora isso seja muito grave, a presidente não está livre de responsabilidade, como lembrou Aécio. O que está claro agora é que ela sabia, sim, da compra daquela primeira metade, em 2006. Sabia e aprovou. Era chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Dilma achou normal pagar US$ 360 milhões por aquilo que valia, um ano antes, US$ 21,25 milhões.

Em seu pronunciamento no Senado, Aécio afirmou nem desconfiar da honradez pessoal da presidente, mas criticou o que chamou de “terceirização de responsabilidades”. É isso mesmo! Não dá para a presidente vir agora a público, como fez, afirmar que ignorava as condições do contrato. De resto, cabe uma pergunta: quando ela tomou ciência, então, da lambança inteira, fez o quê? Até onde se sabe, nada!

Pior: o homem que negociou em nome dos belgas era um velho conhecido da Petrobras: Alberto Feilhaber, que havia trabalhado na empresa por longos 20 anos e se transferido, depois, para a iniciativa privada — justamente a Astra. Pela Petrobras, preparou o papelório o sr. Nestor Cerveró, que era diretor da Área Internacional da empresa brasileira. Mudou de cargo. Hoje é diretor financeiro da BR Distribuidora. Subiu na vida.  O caso está sendo apurado pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), acha desnecessário abrir uma investigação no Congresso. Afirmou: “A investigação política só tem sentido quando o fato não está sendo investigado pelas vias normais. Quando está, nós precisamos fortalecer esse caminho e aguardar o resultado. Se não estiver sendo esclarecido pelas vias normais, e não é o caso, você faz uma investigação política”.

Dilma fica feliz quando o PMDB se comporta como aliado, né? Fica devendo mais esse favorzinho ao partido. Renan está errado, claro! Fosse assim, casos apurados pelo MP ou pela PF jamais renderiam CPIs. Parlamentares da oposição falam na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. O grupo de Eduardo Cunha (PMDB), líder do PMDB na Câmara, emite sinais de que pode aderir à proposta. Vamos ver. Se esse não é caso para CPI, qual seria?

Como a gente percebe, a difícil situação em que se encontra a Petrobras não é obra do acaso nem do improviso. As dificuldades foram meticulosamente construídas. Não há hipótese virtuosa para o que aconteceu. A saída moral da presidente é dizer: “Fui incompetente!” . Até porque, se não foi um caso de incompetência, só resta uma alternativa. E é bem pior.

Texto atualizado às 5h29 desta quinta
Por Reinaldo Azevedo

18/03/2014

às 21:36

FHC como vice de Aécio? Não! Esta tem de ser uma disputa sobre o futuro, não sobre o passado

O pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse o óbvio nesta terça-feira: seria uma honra ter o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como vice em sua chapa, “mas isso não se cogita, pelo menos por enquanto”. E cabe a pergunta: por que se cogitaria?

A imagem de FHC, nem é preciso ter pesquisa para constatá-lo, está em franca recuperação — e, estou certo, quanto mais passar o tempo, maior se tornará, até que chegue ao tamanho que realmente tem. A máquina de destruir reputações do PT está perdendo eficiência, mas ainda é muito forte.

Ocorre que a “mudança” — por enquanto, ainda intransitiva e sem um objeto muito definido — será um dos valores dessa eleição. Uma insatisfação ainda difusa, mas muito presente, é o que hoje mais incomoda a presidente Dilma Rousseff e o petismo.

Se o PSDB fizer de FHC vice na chapa de Aécio, estará eliminando esse fator de indeterminação do presente, mais perigoso para quem já está no poder, e caindo na armadilha petista: uma disputa sobre o passado, mais uma vez, pela quarta vez!

Ora, dada a ruindade do governo Dilma e considerando-se as muitas insatisfações acumuladas, tudo o que o PT mais quer é uma disputa não entre Dilma e Aécio — sim, considere-se também o fator Eduardo Campos —, mas uma disputa entre Lula e FHC. E o ex-presidente petista, no caso, nem precisaria figurar como vice.

Nada disso! A disputa deste 2014 tem de ser sobre o futuro — aquele mesmo que foi ignorado pelo PT em 2010, o que tornou o Brasil que aí está bem mais frágil do que estava então.

 

Por Reinaldo Azevedo

10/03/2014

às 5:41

Personalidades aparecem em vídeo pró-Aécio

Por Natuza Nery, na Folha:
Com menos exposição pré-campanha que a presidente Dilma Rousseff e tempo de TV reduzido na corrida eleitoral, os candidatos da oposição contam com a associação a nomes famosos para alavancar o seu próprio. Em alguns casos, de forma indireta. Artistas e personalidades toparam gravar um vídeo de “feliz aniversário” ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), que completa hoje 54 anos.

Feito por amigos de Aécio, o filme será divulgado na internet com felicitações de ex-atletas (Ronaldo e Zico), e nomes ligados ao ex-presidente Lula, como Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura. Segundo a Folha apurou, os depoimentos foram gravados com o compromisso de não configurarem apoio eleitoral explícito. Mas há casos em que o tom é sugerido. Num trecho, a atriz Maitê Proença diz: “estou contigo”. Em outro, Henrique Portugal, do grupo Skank, afirma: “Espero que consiga marcar muitos gols dentro e fora do campo. Mas tem um campo que a gente está de olho aí (…), talvez ano que vem.”

 A associação entre cultura e política é recorrente em campanhas nacionais. No passado, Lula se valeu dessa conexão inúmeras vezes. Dilma e José Serra também. Enviaram mensagens 84 artistas, atletas, líderes sindicais, estilistas, entre outros. Estão na lista Ziraldo, Cacá Diegues, Zezé di Camargo, Fernanda Abreu e Ferreira Gullar.

Por Reinaldo Azevedo

09/01/2014

às 14:39

Em e-mail enviado ao blog, Aécio nega que sua irmã vá coordenar campanha e diz que “seria um erro primário”

O senador Aécio Neves (MG), que será o candidato do PSDB à Presidência da República, enviou-me um e-mail, do qual transcrevo um trecho. Volto em seguida:
“Caro Reinaldo,
Lamento que vc tenha tratado como verdade mais uma dessas notícias que são publicadas sem serem checadas antes com as pessoas envolvidas. Refiro-me à ideia — nunca cogitada — de minha irmã Andrea vir a ocupar a função de coordenação da minha eventual campanha em 2014.
Jamais foi tratada essa hipótese, nem na campanha em si nem na área de comunicação. Não sei exatamente a quem atribuir mais essa “plantação”.
Como vc bem observou, seria um erro primário demais…”
(…)

Comento
Começo pelo fim. Folgo em saber que o futuro candidato tucano concorda com o que parece óbvio: seria um erro primário demais. No post que escrevi a respeito, exponho os motivos.

Meu comentário, notem lá, começa com uma ressalva: “A se confirmar a informação publicada no Estadão Online, o PSDB e Aécio Neves acabam de cometer o primeiro grande erro (…)”. De fato, a informação me pareceu tão exótica e pouco razoável, que cheguei a duvidar da sua veracidade. Notem bem: não pus em dúvida a apuração dos jornalistas, não. Até porque a coisa toda aponta, então, para a necessidade de um freio de arrumação. Na reportagem, lê-se o seguinte trecho (em vermelho):
“A entrada dela na campanha é natural pelo currículo na área e pela afinidade que tem com o Aécio”, diz o deputado Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro e um dos mais próximos aliados do senador. Ele explica, ainda, que Andrea terá um papel central na campanha, mas a coordenação geral será feita por um político de “envergadura nacional”, provavelmente um senador ou ex-governador.

Retomo
Depois de certo tempo, a gente sabe como surgem as notícias. Não vou ficar especulando a respeito das fontes dos repórteres Pedro Venceslau e Ricardo Chapola, mas dá para saber que a notícia não surgiu, vamos dizer, nas “hostes inimigas”. Se é plantação, trata-se de “plantação tucana”, que deveria, então, de pronto, ter sido rebatida — negada com a veemência com que faz Aécio — pelo deputado Marcus Pestana. Afinal, ele é nada menos do que presidente do PSDB de Minas. Sabidamente, é um político próximo do senador. Sua fala, no entanto, reforçava a informação, que o futuro candidato tucano diz ser falsa.

A assessoria de imprensa de Aécio afirma que, sem dúvida, Andrea Neves fará parte da equipe em razão de “sua experiência de mais de 30 anos na área”, mas que ela não terá, como diz o senador, nenhuma função de coordenação — nem na campanha nem na área de comunicação.

Obviamente é o mais sensato. Seria, como reafirma o tucano, um “erro primário”.

Por Reinaldo Azevedo

09/01/2014

às 2:51

Aécio comete o primeiro erro importante: sua irmã vai comandar a campanha

Andrea Neves vai comandar campanha de Aécio: um erro

Andrea Neves vai comandar campanha de Aécio: um erro

Então… Um erro é um erro é um erro. E alguém tem de apontá-lo, não é?, ainda que seja este escriba, tão suspeito de “paulistanismo” para certas áreas do tucanato. Fazer o quê? Eu fico cá torcendo pela derrota do petismo e fazendo votos para que Dilma não seja reeleita. E, por uma questão de honestidade intelectual, não escondo isso dos meus leitores — tanto dos que gostam como dos que detestam o blog, também responsáveis pelo seu sucesso, a despeito das intenções que tenham. Mas é preciso separar a torcida da análise objetiva. A se confirmar a informação publicada no Estadão Online, o PSDB e Aécio Neves acabam de cometer o primeiro grande erro da campanha eleitoral. Segundo informam Pedro Venceslau e Ricardo Chapola, Andrea Neves, irmã do senador, terá cargo de chefia na campanha. Vai coordenar a área de comunicação. E um pouco mais do que isso.

Não conheço esta senhora e não sei se é competente ou não. Pode até ser que seja um azougue. Sei, como todo jornalista, da sua fama. É tida como uma espécie de Dama de Ferro das Minas Gerais, inclusive na relação com a… imprensa. E isso é um mau começo. Tome-se o caso recente do rompimento de Aécio com o marqueteiro Renato Pereira. Nos bastidores, sua queda é atribuída a… Andrea.

Minas é, sem dúvida, um estado importante, mas o Brasil é muito maior, e certos procedimentos que podem até ser compreendidos em escala regional não deveriam ser repetidos na disputa nacional. “A entrada dela na campanha é natural pelo currículo na área e pela afinidade que tem com o Aécio.” A fala é do deputado Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro. Informa o Estadão: “Ele explica, ainda, que Andrea terá um papel central na campanha, mas a coordenação geral será feita por um político de ‘envergadura nacional’, provavelmente um senador ou ex-governador”.

Certo. Pergunta-se no entanto: no caso de haver alguma divergência, quem terá mais proximidade com o candidato e, pois, mais condições subjetivas — as objetivas perderão importância — de fazer valer a sua opinião? Com a devida vênia, mesmo desconhecendo os talentos específicos de Andrea, que podem ser imensos, a candidatura do principal partido de oposição é algo importante demais para merecer uma administração, vamos dizer assim, familiar.

O procedimento, de resto, não me parece que lustre, como deveria, o republicanismo. “Reinaldo não teria deixado Bob Kennedy ser secretário da Justiça do irmão, John.” Pois é. Bob era um político, não uma eminência parda.

Há um trecho da reportagem do Estadão que chega a ter a sua graça quando submetido à lógica elementar. Leiam:
“O formato da comunicação da campanha tucana em 2014 será inédito. Em vez de deixar um publicitário tomar todas as decisões solitariamente, será instituído um conselho de comunicação, que deve ser comandado por Andrea Neves. De acordo com dirigentes tucanos, o modelo verticalizado e personalizado da condução do marketing eleitoral está esgotado e não é o mais saudável.”

Entendi. O marqueteiro não decide solitariamente — o que nunca acontece, é bom que se diga —, e a condução cabe ao tal conselho, que será comandado por Andrea. Na prática, ela será, então, a marqueteira da campanha. E só não vai decidir solitariamente porque sempre poderá trocar ideias com o irmão — no caso, também candidato.

Tenho pra mim que é um papel importante demais para quem nem mesmo chega a ser uma militante do PSDB. Parece ser um emblema e tanto destes dias o fato de o maior partido de oposição ter a campanha eleitoral à Presidência sob uma espécie de tutela doméstico-familiar.

Não é, decididamente, um bom caminho. E torço para estar errado. A escolha abre flancos impressionantes para o contra-ataque de um adversário poderoso, que tentará colar no tucano a pecha de homem tutelado pela irmã. “E Dilma é tutelada por Lula”, poderia responder alguém. Eu, a torcida do Corinthians, a do Flamengo e a da Portuguesa sabemos disso. A questão é saber quando uma tutela tira e quando uma tutela dá votos num colégio eleitoral bem maior do que o de Minas. Antes de tentar dividir as pedras com os petralhas para lançar contra o blogueiro, convém que os aecistas fanáticos ponderem um pouco.

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2013

às 20:08

Os tucanos, a “marquetagem” e o risco da soberba infundada e da intolerância com a crítica

Vou escrever um troço aqui que não deve ser lido como um conselho, já que nunca cometo a sandice de dá-los a políticos — nem a pessoas com mais dinheiro do que eu. E, como já escrevi aqui, também me nego a dar dicas a meus patrões sobre a melhor maneira de conduzir seus negócios. Os blogueiros sujos é que gostam de fazer isso, hehe… Adiante.

Li na Folha desta quarta, em texto de Natuza Neri, a seguinte observação, atribuída ao senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), referindo-se a Renato Pereira, o marqueteiro que deixou a pré-campanha do tucano Aécio Neves: “O contrato já tinha sido feito até dezembro porque ele estava no estágio probatório e, na visão da Executiva do partido, não foi aprovado”. Entendi. O professor Cássio Cunha Lima deu pau no aluno.

Na Folha Online, o próprio Aécio repete o discurso:
“Contrato você assina, e renova ou não renova em razão do desempenho. É uma coisa cotidiana. Eu não dou uma importância tão grande a essa questão da marquetagem”.

“Marquetagem”, no contexto, assume sentido inequivocamente pejorativo. Observação, nunca conselho!, de quem gostaria que a presidente Dilma Rousseff fosse derrotada porque acha seu governo muito ruim: não é um bom caminho! As observações são grosseiras e arrogantes.

Até porque Pereira, que não conheço, com quem nunca falei, está calado. Não disse um “pio”. Ou as coisas fazem sentido ou não fazem. Ou bem o PSDB o considerava inexperiente (e isso é obviamente falso), e se deu tarefa grande demais a um novato, ou bem se escolheu um profissional respeitado na área, mas que não se adaptou ao estilo do candidato. Isso pode acontecer. Que sentido faz rebaixar as qualidades técnicas de um profissional a esta altura do pré-campeonato? Essa soberba, de resto, acaba afugentando mão de obra.

Ainda que campanhas sejam negócios milionários, observo: se sou um especialista na área e posso escolher entre duas opções igualmente vantajosas, dada essa abordagem, fujo dos tucanos. Afinal, vão tentar jogar o abacaxi de uma eventual derrota no meu colo e correr sozinhos para o abraço caso tudo dê certo.

A informação de que Pereira era contra a divulgação do tal documento com um pré-programa — ou algo assim — vazou de figuras do tucanato. Não foi ele quem passou isso para a imprensa. No partido, há quem considere que o marqueteiro “pré-pautou” os jornalistas, que teriam visto com maus olhos o documento porque já condicionados a tanto.

Trata-se de um mau juízo da imprensa e de uma avaliação bastante precária de como funcionam as coisas. Eu e muitos outros apontamos algumas virtudes no texto — as que existem. Ocorre que, no geral, se trata de um documento fraco e contraditório. A ser verdade que Pereira havia observado que não era uma boa escolha, há de se convir que ele estava certo. O resultado evidencia que sim. Ademais, é preferível que se façam as críticas de advertência porque podem corrigir caminhos a que se façam elogios adulatórios que só reforçam os erros. Esse PSDB que aí está ainda nem chegou ao poder. Se chegar, terá de aprender a conviver com a crítica. Nesse particular, é melhor ouvir os conselhos de FHC. Já há intolerantes o que chega do outro lado, não é mesmo?

A eleição ainda está distante. Há tempo para arrumar as coisas. Empecilhos não há mais. A nuvem de suspeita — que, a rigor, nunca existiu de verdade — de que Aécio pudesse não ser o candidato se dissipou. Agora é ele. Agora é com ele. Agora ele dá o tom.

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2013

às 4:20

Documento do PSDB acerta aqui e ali, mas é vago quando não é contraditório. Ainda falta encontrar o rumo

Pra começo de conversa, é bom que fique claro que o documento divulgado pelos tucanos nesta terça (ver post) não é um programa de governo. Assim, não se deve esperar que o texto apresente propostas específicas, o famoso “vou fazer isso e vou fazer aquilo”. Até porque, convenhamos, a tradição no Brasil é não cumprir o prometido.

Trata-se de uma espécie de carta de intenções, estabelecendo marcos ou temas que, na visão do partido, devem constituir as preocupações do governante. Mesmo com esse alcance limitado, há no texto coisas sensatas e outras nem tanto. Os tucanos criticam, por exemplo, o sistema de cooptação que vigora na política brasileira, que se orienta na base do “é dando que se recebe”, da fisiologia. Até aí, estamos de acordo. E defende uma reforma política. Eis a questão: qual reforma? Será que isso vai ficar para o programa?

No que diz respeito à economia, o PSDB diz que “o Brasil enfrenta hoje um processo de perda de credibilidade e de aumento das incertezas”. E aponta: “Numa combinação perversa, a inflação está alta, o crescimento é baixo e o déficit das contas externas, ascendente”. Isso tudo é verdade. Afirma ainda que “é necessário restaurar a responsabilidade no trato da coisa pública e restabelecer compromisso responsável com a política de inflação, trazendo-a para o centro da meta e, sobretudo, combatendo-a com tolerância zero”. Também está certo. A questão é como fazê-lo.

Um das razões do desequilíbrio é, sim, a gastança do governo, coisa que o partido promete combater. Ocorre que boa parte da sangria se deve justamente aos tais gastos sociais, que, até onde se entende, o PSDB quer ampliar. Como chegar à quadratura do círculo? Segundo o documento, na área social, é preciso ir além do Bolsa Família. Sem dúvida: mas para onde? Aécio Neves já se vacinou contra a campanha suja do PT nesse particular, propondo uma lei que, digamos assim, eterniza o programa. Será mais difícil espalhar o boato de que, se eleitos, os tucanos pretendem extingui-lo.

Na Saúde, o texto aponta, de novo com correção, o sucateamento das Santas Casas e o fechamento de leitos dos SUS — muito especialmente por causa da tabela ridícula que paga pelos serviços (isso, digo eu). É preciso mexer nessa equação, sustenta o PSDB. Para tanto, é necessário mais dinheiro. Aí diz o texto: “Nosso compromisso é reverter a declinante participação federal no financiamento da despesa pública em saúde, além de retomar suas prerrogativas e responsabilidades como principal instância de condução do SUS”. Epa! Mais participação federal significa mais dinheiro — sem fonte nova de recursos — e, pois, ampliação dos gastos. Os tucanos prometem, é claro!, aplicar o dinheiro disponível com mais competência do que os petistas. Mas isso basta?

E é aí que os tucanos, mais um vez, acenam com um troço meio nebuloso, que é o tal do “novo federalismo”, que, na prática, seria uma repactuação de receitas e encargos com estados e municípios. Não há como algo parecido prosperar sem que a União arrecade necessariamente menos. Ainda que ela se livre de algumas obrigações, o fato é que vai ter menos dinheiro. Não obstante, no capítulo da Segurança Pública, por exemplo, o texto fala numa participação mais ativa do governo federal — tanto é assim que o Ministério da Justiça ganharia um adendo: “e Segurança Pública”. Como a União conseguirá ficar com menos dinheiro e com mais atribuições, eis uma equação que parece não ter resposta.

Na área de Educação, o texto fala uma linguagem muito próxima daquela que se pratica no petismo: “Defendemos a implantação de uma Lei de Responsabilidade Educacional, articulada com o PNE e construída em conjunto com professores e profissionais de educação, que faça com que a responsabilidade do poder público não seja apenas com a quantidade de recursos investidos na área, mas também com os resultados que esse investimento deve gerar para a sociedade”. É impossível saber o que isso quer dizer na prática. Como deixou claro a greve de professores do Rio, as lideranças sindicais são hoje as principais adversárias de qualquer programa em favor da qualidade.

É bom não exagerar a importância do documento. Trata-se, reitero, de uma espécie de carta de intenções. O problema é que, muitas vezes, o diagnóstico não fecha. Parece que foi redigido com a colaboração de um grupo de sábios que não trocaram ideias o suficiente. É claro que isso pode ser bastante melhorado quando caminhar para ser um programa. É preciso estabelecer um eixo: qual?

Esse negócio de lançar “documentos” não me parece ser uma estratégia muito esperta. Renato Pereira, o marqueteiro que se demitiu ou foi demitido (as versões variam), era contra. Acho que estava certo. Coisas assim acabam gerando notícia e coisa e tal, mas não necessariamente positivas. Um texto como esse deveria servir como uma espécie de chamamento empolgado, inflamando a militância. Mas merecerá destaque por ser vago demais.

O governo Dilma é ruim, é fraco. O PSDB certamente pode mais do que isso.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2013

às 18:58

Aécio lança bases de campanha e diz estar “pronto para o debate”

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB e potencial candidato à sucessão de Dilma Rousseff, lançou nesta terça-feira um documento com doze princípios que devem guiar a campanha presidencial do partido em 2014. O lema usado pelo tucano foi “Para mudar de verdade o Brasil”. O ato foi realizado na Câmara dos Deputados e teve a presença de cerca de trezentas pessoas. Só Aécio discursou. As propostas foram divididas em três eixos: “confiança”, “cidadania” e “produtividade”. Boa parte das iniciativas anunciadas é abstrata, como “educação de qualidade como direito da cidadania” ou “superação da pobreza e construção de novas oportunidades”.

 O tucano também disse que vai manter os médicos cubanos trazidos pelo programa Mais Médicos e prometeu pagamento do salário de 10 000 reais diretamente aos profissionais, e não ao governo cubano: “Eles receberão aqui os 10 mil reais e os colocarão na sua conta bancária, porque nós não financiaremos uma ditadura por meio de um programa meramente eleitoreiro”.  O senador também prometeu trabalhar pela redução da carga tributária e pelo aumento da eficiência na máquina estatal. Disse que vai dar mais autonomia a Estados e municípios, ao mesmo tempo em que pretende aumentar a atuação do governo federal na área da segurança pública.

Aécio pontuou seu discurso com uma ou outra palavra mais forte contra o governo da presidente Dilma: “O legislativo hoje se curva e está de cócoras para o poder absoluto do governo central”, afirmou, criticando o relacionamento da petista com os deputados e senadores.  O senador também elogiou o colega de partido José Serra, que nesta segunda-feira sugeriu que a Executiva do partido lance o senador mineiro à Presidência da República: “É um gesto em direção à unidade partidária. Só que o PSDB tem uma agenda e vai definir o momento de lançamento a partir da sua direção partidária, ouvindo, obviamente, cada um dos Estados”.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2013

às 6:19

Aécio rompe com marqueteiro, e o novo só será definido no ano que vem

O senador Aécio Neves (MG), que será o candidato do PSDB à Presidência da República, rompeu com seu marqueteiro, informam na Folha desta terça Natuza Nery e Vera Magalhães. O desenlace, consta, foi amigável. Renato Pereira tem um bom currículo na área. Fez as campanhas recentes de Sérgio Cabral — inequivocamente bem-sucedidas (o desastre posterior não tem nada a ver com ele) — e assinou um trabalho verdadeiramente hercúleo: conduziu, em 2012, a campanha de Henrique Capriles contra Hugo Chávez na Venezuela. Vencer era impossível, mas o desempenho do adversário do tirano foi muito bom: 44%. Pereira sabe como enfrentar ditaduras de opinião…

Informa a Folha:
“Nos bastidores, mesmo quando as chances de cancelamento do contrato já eram grandes, o senador se mostrava satisfeito com o resultado do seu programa partidário, veiculado em setembro, produzido por Pereira. Mas o pré-candidato pouco adotou os conselhos do marqueteiro para o segundo semestre. Tucanos afirmam que Renato Pereira insistia para que Aécio Neves rodasse o Brasil com uma agenda mais distante da política tradicional, enquanto o senador se concentrava em agendas partidárias.”

Má notícia
É, sem dúvida, uma notícia ruim para os tucanos, não tanto pela saída de Pereira — que dizem ser uma pessoa competente. O ponto é outro: fica claro que o PSDB ainda está em busca de um discurso e de uma estratégia. Até agora, como se nota, ainda não conseguiu ajustar o tom.

Escreve ainda a Folha:
“Aécio definirá a equipe em 2014. Aliados do senador gostariam que ele recorresse à dupla Rui Rodrigues e Paulo Vasconcellos, que fez as campanhas do partido em Minas desde 2002.”

Vamos ver. Uma coisa é certa: é um erro querer transportar para a esfera nacional a realidade regional. Sem conhecer Pereira, a recomendação de que se fugisse da “agenda tradicional” parece correta. Ou por outra: é preciso levar a disputa também para a esfera dos valores — que é o que se faz em qualquer país democrático do mundo.

Sem encontrar esse eixo, não se constrói uma alternativa. E, até agora, ele não existe.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2013

às 22:30

Aécio Neves se diz tranquilo com pesquisa Datafolha e critica “monólogo da Presidência”

Por David Lucena, na VEJA.com:
Em evento na noite de hoje (segunda-feira) na cidade de São Paulo, o pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, disse estar tranquilo quanto aos resultados da última pesquisa do Datafolha sobre intenção de voto nas eleições presidenciais de 2014. Divulgada no último domingo (1), a pesquisa mostra que a presidente Dilma Rousseff seria reeleita em primeiro turno em uma eventual disputa com o senador mineiro, que contaria com 19% das intenções de voto no melhor cenário. 

“Há uma diferença enorme de visibilidade entre aquela que está no poder e os candidatos de oposição. Quando houver uma diminuição dessa diferença, aí sim a campanha começa pra valer”, disse Aécio. O senador lembrou que, no final de 2009, a então pré-candidata Dilma Rousseff não tinha mais que “17, 18% das intenções de voto”. ”Hoje há um monólogo no Brasil. Só quem fala é a Presidência da República, seja diretamente, seja através dos grandes veículos de comunicação de massa”, criticou Aécio.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/11/2013

às 15:22

Aécio cobra explicações de Cardozo: “Houve um atentado à democracia”

Na VEJA.com:
O senador mineiro Aécio Neves (PSDB), provável candidato tucano à Presidência da República, afirmou neste sábado que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, precisa esclarecer sua participação no envio de um documento contendo denúncias contra tucanos à Polícia Federal. Cardozo admitiu nesta sexta-feira a VEJA, por meio de sua assessoria, que foi ele quem repassou à PF o depoimento atribuído a um ex-executivo da Siemens que acusa a cúpula do PSDB em São Paulo de envolvimento com o cartel que operava em licitações de trens e metrô no estado. A informação, publicada em primeira mão em VEJA.com, enterrou a versão da PF, subordinada ao Ministério da Justiça, que até então atribuía a origem do documento ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade.

Pela manhã, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, disse que vai requerer uma audiência pública na Comissão de Fiscalização e Controle para esclarecer o envolvimento de Cardozo e do presidente do Cade, Vinícius Carvalho, no caso. No site do PSDB paulista, Sampaio critica a participação do ministro no episódio e a classifica como “inaceitável”. “Ao admitir que encaminhou o documento à Polícia Federal, o ministro demonstra claramente que integrou essa trama vergonhosa e sórdida com o uso de órgãos do governo federal para perseguir e atacar adversários políticos”, afirmou. “Há em curso uma ação ordenada que, para mim, tem dois objetivos claros: minimizar o impacto da prisão dos mensaleiros e jogar gasolina na fogueira contra o PSDB em São Paulo.”

Já Aécio, em participação na convenção do PPS, partido aliado do PSDB, disse que sua legenda defende que “qualquer denúncia seja apurada com rigor”, independente de qual partido pertença o denunciado. Mas ressalvou que não “pode haver precipitações, pré-julgamentos e muito menos a utilização da estrutura do Estado para um projeto político”. Para Aécio, houve “um atentado contra a democracia”. “Isso é extremamente grave, o que temos percebido no Brasil é a utilização das instituições de estado para um projeto político. É extremamente grave, jamais aconteceu antes”, disse Aécio a jornalistas. “O ministro precisa esclarecer de forma clara qual foi sua participação neste processo já que ele é o comandante da própria Polícia Federal”.

Aécio também disse que houve omissão de Carvalho. Antigo militante petista, Carvalho trabalhou como chefe de gabinete de Simão Pedro na Assembleia Legislativa paulista e omitiu essa relação em cinco currículos oficiais – inclusive em material entregue aos senadores que aprovaram sua indicação ao cargo. O Cade nega ter enviado as denúncias do ex-executivo da Siemens à Polícia Federal. “O PSDB está atento para cobrar explicações seja do ministro, seja do presidente do Cade, ou de qualquer pessoa que utilize a estrutura do Estado”, disse Aécio.

Câmara
Sampaio diz que Cardozo foi o destinatário da denúncia, a qual qualifica como “forjada”, porque o ex-diretor da Siemens pediu um emprego na Vale. “Nem o Cade, a Polícia Federal ou Ministério Público teriam condições de fazer essa indicação (para o cargo). Isso leva a crer que o denunciante foi até ao ministro porque sabia que, para ser atendido, teria de procurar o partido ou alguém do governo”, disse. Cardozo afirma que repassou o documento à PF “no estrito cumprimento do dever legal, para as devidas investigações”.

Um documento revelado nesta semana pelo jornal O Estado de S. Paulo apontou a suposta participação de políticos graduados de PSDB, DEM e PPS na formação de um cartel em licitações de metrô e trens no estado. As acusações constavam de um texto atribuído pelo jornal a Everton Rheinheimer. No mesmo documento, o ex-diretor da Siemens disse que o atual secretário da Casa Civil do governo Alckmin, Edson Aparecido (PSDB), teria recebido propina de multinacionais suspeitas de participar do esquema. Os secretários Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos), Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico) e José Aníbal (Energia) também são citados por Rheinheimer.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pediu acesso aos documentos em posse da Polícia Federal antes de tomar qualquer atitude em relação a acusações contra seus auxiliares.
(Com Estadão Conteúdo)

 

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2013

às 15:04

“Não foi um julgamento político”, diz Aécio sobre o mensalão

Por Marina Dias e Patrícia Britto, na Folha Online:
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), criticou a nota oficial do PT que classificou o julgamento do mensalão como “político” neste fim de semana. Segundo o tucano, a interpretação “não contribui para a democracia”.

“Não foi um julgamento político”, disse Aécio nesta segunda-feira (18) durante evento em Poços de Caldas (MG). “O que eu lamento, e falo agora como presidente nacional do PSDB, é o presidente nacional do PT ter confundido uma decisão da Suprema Corte brasileira com uma ação política”, completou o mineiro em referência ao petista Rui Falcão.
(…)
Aécio ponderou que “ninguém comemora prisões ou sofrimento de quem quer que seja”. No entanto, o provável candidato do PSDB à Presidência da República em 2014 disse que as prisões acabaram com o “sentimento de impunidade no país”.

Questionado sobre a postura do STF frente ao mensalão mineiro, que deve entrar em pauta no próximo ano para julgar irregularidades nas finanças da campanha de reeleição do então governador Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, Aécio afirmou que “o que serviu para este caso [mensalão do PT] deve servir para todos os outros”. Aécio participa de evento em Minas Gerais acompanhado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e dos oito governadores tucanos, além de vários dirigentes do partido.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

05/11/2013

às 16:34

Pois é… Aécio diz a tucanos rigorosamente o que escrevi nesta manhã. Só que alguns deles ficaram furiosos comigo. E agora?

Então… Vejam vocês. Reinaldo Azevedo, eu mesmo, o que não é nem fofo nem beagle, escreveu nesta manhã um texto sobre o PSDB. Demonstrava a tolice de alguns tucanos que só conseguem ser notícia hostilizando outros tucanos. Mais precisamente: alguns iluminados por ali afirmam que o fato de José Serra fazer palestras e dizer o que pensa a quem pergunta atrapalha Aécio Neves. Como as impressões das pessoas que desprezam os fatos me interessam muito pouco, perguntei o óbvio: como é que Serra poderia prejudicar Aécio? Cadê os fatos?  Fiquei cá a meditar, imaginando diálogos.

— Alô. Deputado Paulinho da Força? Tudo bem? É Aécio.
— Olá, senador.
— Vamos conversar sobre sucessão?
— Ah, não! Só faço isso depois que o Serra parar de dar palestras e de escrever artigos.

Ou ainda:
— Deputado Roberto Freire? É Aécio.
— Olá, Aécio.
— Precisamos falar sobre a eleição do ano que vem.
— Só depois que o Serra tiver cassada a sua voz. Antes disso, não dá.

Mais um:
— Senador Agripino, é Aécio, seu colega de Senado.
— Tudo bem?
— De presidente para presidente, precisamos conversar…
— Aécio, antes de vocês oficializarem a sua candidatura, não dá.

De novo, pergunto: de que modo a liberdade de Serra para falar incomoda as articulações de Aécio? Nem mesmo existe um partido dividido. Pois é: não obstante essas obviedades, começaram a vir as pancadas na área de comentários.

A fala de Aécio
O senador Aécio Neves falou a respeito nesta terça. Disse:
“Deixem o Serra trabalhar em paz, são absolutamente legítimas as viagens que o Serra faz; é positivo para todos nós que ele possa ser mais uma voz permanente de oposição ao governo, não há nenhuma tensão entre nós. Esse problema interno é um problema que não existe.”

Vale dizer: o conteúdo das observações de Aécio coincide com o que escrevi aqui. Os que vieram me xingar, acusando-me — como é mesmo? — de “agente serrista” deveriam, agora, voltar suas baterias contra o presidente do PSDB e provável candidato do partido à Presidência. Estamos dizendo a mesma coisa. Ou não?

Aécio não é burro. Sabe que essa fofocalhada concorre contra a sua candidatura. Se Serra não tem, hoje, forças no partido que possam sustentar um eventual confronto com o Aécio na disputa pela vaga, há de ter alguma coisa que é do interesse do provável candidato. Ou já teria sido chutado do partido. Mas se fez um esforço para que fique. E qualquer pessoa com um mínimo de juízo sabe o que tem: VOTO! Quantos? Não sei. Podem ser essenciais para garantir a passagem do nome tucano para o segundo turno. Os que hoje ficam fazendo essa pressão cretina contra o político paulista estão atentando, na prática, contra a eventual candidatura de Aécio.

Não! Ninguém precisa se desculpar comigo, agora que Aécio desautorizou a pressão. Basta ter um pouco mais de bom senso na hora de acessar a página de comentários e apertar a tecla “Enter”.

Aécio é presidente do partido, além de pré-candidato. Não basta só dar essa declaração. É preciso chamar os seus aliados que decidiram se comportar como Torquemadas e Savonarolas e ordenar que fechem o bico. Para o bem de Serra? Não! para o bem de seu futuro eleitoral.

A máquina e objetividade
Como poucos, sei o que é ser alvo do ódio de uma máquina gigantesca e maligna de difamação, financiada por dinheiro publico, com pistoleiros contratados a peso de ouro para fazer o serviço sujo. A existência desse aparato já é um bom motivo para que se torça pela derrota do PT. Dilma não só manteve intocado esse esquema doloso, permitindo que logotipos de estatais respeitadas pelos brasileiros se associem às piores baixarias, como, em muitos aspectos, o incrementou.

Só que há sete anos mantenho esta página distinguindo o que é torcida do que é fato, o que é gosto pessoal do que é realidade. O texto que escrevi nesta manhã aponta o que, obviamente, era e é um mau caminho para os tucanos. Acho que a democracia brasileira sairá ganhando se o PT for derrotado. Uma razão a mais para que se diga tudo o que tem de ser dito sobre os desacertos tucanos.

Por Reinaldo Azevedo

05/11/2013

às 4:39

A ladainha de sempre no PSDB. Ou: Como deve ser chata a rotina de alguns repórteres, obrigados a mais do mesmo!…

Chego quase a me compadecer dos repórteres que são escalados para acompanhar as movimentações do PSDB. Como deve ser chato! A pauta é sempre a mesma, não importa o que aconteça no Brasil ou no mundo. Há pouco mais de um mês, havia a possibilidade de José Serra deixar o PSDB. Uma das alternativas era ir para o PPS, que o queria candidato à Presidência. Ele e o senador Aécio Neves (PSDB) se reuniram. Ficou acertado que o paulista permaneceria no ninho tucano, que poderia transitar livremente debatendo temas que considera pertinentes e que a definição da candidatura — que será inevitavelmente de Aécio se o mineiro quiser — ficaria para o ano que vem. O encontro teve testemunhas.

Muito bem. Leio na Folha desta terça, em reportagem de Marina Dias, que os tucanos querem antecipar a candidatura, definir tudo o mais rapidamente possível porque, vejam só, algumas palestras que Serra anda proferindo aqui e ali estariam… atrapalhando Aécio!!! O deputado Carlos Sampaio (SP), líder da bancada na Câmara, afirma:
“Para que aguardar até março se há um sentimento de certeza na bancada e nos diretórios estaduais do PSDB sobre a candidatura de Aécio? Essa indefinição, somada às movimentações de Serra, cria ambiguidade e tira a capacidade de articulação política do Aécio”.

Não entendi o que Sampaio quis dizer e duvido que ele próprio tenha entendido. Alguém seria capaz de explicar como o fato de Serra proferir uma palestra em São Paulo ou na Bahia retira a “capacidade de articulação política de Aécio”?

Leio ainda na reportagem da Folha: “Interlocutores afirmam que Aécio já sente a necessidade de firmar alianças com siglas como o DEM e o Solidariedade, além de iniciar conversas com o PV e o PPS”. Além de pré-candidato à sucessão de Dilma, ele é presidente do partido. O que o impede de fazer essas articulações? De que modo Serra poderia estar tolhendo seus movimentos? Há mais: “O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Aécio Neves (MG) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se reuniram ontem no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, para costurar a antecipação do anúncio da candidatura do PSDB à Presidência da República”.

Então tá…
Vejam só… Aécio será o candidato se quiser; tem hoje o domínio total da máquina partidária; conversa livremente com quem desejar; pode lançar os temas e as teses que julgar convenientes sem dar satisfações a ninguém (a esmagadora maioria concordará); tem estrutura e condições de circular livremente pelo país etc. Pergunto de novo: quais são os obstáculos criados por Serra?

Só um evento formidável tiraria de Dilma a condição de candidata à reeleição. Isso é, então, certo, mas ela não precisa, desde já, se apresentar para a disputa. O cargo lhe dá a visibilidade de que precisa. Seu discurso já é agressivamente eleitoreiro, mas, para todos os efeitos, cuida apenas de governar o país. E ainda conta com Lula. No PSB, não se sabe se Eduardo Campos, Marina ou ambos vão para o confronto. Vai ficar para mais tarde.

Será mesmo uma boa ideia lançar já a candidatura de Aécio? Será mesmo virtuoso transformá-lo, desde já, no alvo da máquina de desqualificação do “partido oficial”? Será mesmo conveniente que tudo o que diga passe a ser filtrado, desde agora, pela ótica de 2014? No que respeita à economia interna, será mesmo desejável desfazer um acordo que tem pouco mais de 30 dias — acordo que, reitero, não tolhe em absolutamente a movimentação do senador?

Observem: desta feita nem mesmo se está a seguir a solução salomônica antes vigente no PSDB quando havia dois pré-candidatos. Na eleição anterior, por exemplo, Aécio dividiu com Serra o horário político até a undécima hora. Isso, hoje, também é coisa superada. O senador mineiro é senhor absoluto do tempo.

Uma sugestão
Tenho uma sugestão aos tucanos — já devo tê-la feito em algum momento. Acordam, tomam um banho, escovam os dentes, vestem-se, tomam o café da manhã e prometem: “Hoje nós vamos gerar notícia fazendo um embate com os nossos adversários, não com os aliados”. O que lhes parece? Deixar que o noticiário sobre o partido vire refém dessa questão é um erro grave. Até porque, caso se antecipe a definição da candidatura, o que se vai noticiar depois?

Por Reinaldo Azevedo

01/11/2013

às 15:58

Tenho uma ideia para os tucanos: que tal enfrentar os adversários em vez de fazer futrica contra aliados? Não se zanguem: e só uma sugestão…

Na minha coluna desta sexta, na Folha, aponto a tibieza e as irresoluções dos potenciais adversários de Dilma em 2014 e escrevo: “Por que os não-petistas que escolheram Dilma em 2010 deveriam escolher um tucano em 2014? Essa pergunta precisa de resposta”. Muito bem! Abro o Estadão desta sexta e dou de cara com a seguinte manchete de página: “Serra ajuda a aproximar PPS de Campos”.

Não vou aqui duvidar da apuração de ninguém. Quem escreveu certamente ouviu pessoas da política. Passaram-lhe informações ou opiniões que lhe permitiram fazer tal afirmação. Eu falo pouco com políticos, como eles sabem. Escrevo sobre o assunto neste blog, hospedado na VEJA.com, e na Folha, mas, como costumo dizer sempre, a minha fonte é mais a lógica do que os operadores da área. Políticos falam com jornalistas na esperança de ver a sua versão triunfar. Quem acaba sendo mais convincente ou verossímil ganha. Verossimilhança, como é sabido, é critério eficiente para a arte dramática, para a ficção. As ciências sociais só fazem sentido porque entre o verossímil e o verdadeiro existe a realidade.

Alguém realmente acha que o deputado Roberto Freire (SP), presidente do PPS, e o governador Eduardo Campos, que preside o PSB, precisam de José Serra como intermediário para conversar? Alguém realmente acha que esses dois políticos pernambucanos precisam do auxílio de um tucano de São Paulo para tratar da eleição de 2014? Ah, tenham paciência! Não fosse, então, Serra, eles não se falariam?

Um dia antes de anunciar a aliança com o PSB, Marina Silva tinha praticamente agendado um encontro com o comando do PPS, que queria lhe oferecer a sigla — que já havia apostado que o próprio Serra poderia ser o nome da legenda caso deixasse o PSDB. Já faz algum tempo que os tucanos não são tratados como a primeira opção do PPS. Podem vir a ser, mas, creio, isso tem de ser conversado.

Assim…

Assim, de onde nasce essa história de que Roberto Freire precisa que Serra seja o intermediário de um eventual entendimento seu com Eduardo Campos? A hipótese, com todo o respeito, chega a ser ridícula. Digo de onde nasce: DA INCAPACIDADE DE ALGUNS TUCANOS DE PARAR DE FAZER FUTRICA. Creio que nunca se viu nada parecido na política. A determinação com que alguns deles se entregam à fofoca é espantosa e chega a ser quase comovente na sua tosca ingenuidade.

Vamos fazer um teste? Leiam o noticiário que diz respeito aos tucanos — inclusive as colunas de notas que tratam dos bastidores da política —, excluam os textos que façam referência ao embate (ou não embate) entre José Serra e Aécio Neves e vejam o que sobra. Quase nada! Faço aqui um convite aos tucanos: QUE TAL GERAR NOTÍCIAS QUE ESTEJAM RELACIONADAS AO PAÍS E QUE, COMO É O ÓBVIO E O NATURAL NA POLÍTICA, CONTESTEM OS ADVERSÁRIOS? Não lhes parece bacana?

Essa conversa mole só prospera porque plantada num deserto de ideias, o que é lamentável para o país, uma vez que se trata do maior partido de oposição.

De resto, há dados de uma objetividade escandalosa. Aécio não tem o controle de praticamente 100% do partido? Tem. Não será o candidato se quiser? Será. Não é, inclusive, o senhor do tempo, podendo antecipar decisões?  Sim! “Ah, é que ele gostaria de contar com o apoio do Serra…” Bem, se gostaria, parece que algo não anda muito bem nas conversas. Com absoluta certeza, a plantação de que este tenta empurrar o PPS para o colo de Campos não ajuda muito — e o hortelão dessa notícia não foi, quero crer, um “serrista”.

Os tucanos deveriam acordar de manhã e se impor algumas missões:
a: prometo não plantar nenhuma notícia contra outro tucano;
b: prometo dizer por que nós somos melhores do que o PT;
c: prometo tentar convencer os brasileiros não petistas a votar na gente;
d: prometo deixar claro o que não funciona no governo Dilma;
e: prometo tentar arrumar novos aliados em vez de perder os que já temos;
f: prometo tentar ser notícia no embate com petistas, não com tucanos.

Evidentemente, essas minhas sugestões procedimentais têm como alvo a conquista da Presidência da República. Se o objetivo, no entanto, for outro e se limitar à tomada do aparelho partidário, com a eliminação de qualquer contestação, bem, nesse caso, os tucanos estão no caminho certo.

Tendo a achar que o eleitorado de oposição merece um pouco mais de consideração.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2013

às 4:00

Economia fraca arranha vitrine de Aécio em Minas; tucanos acusam governo federal

Por Paulo Peixoto e Felipe Bächtold, na Folha:
Vitrine do senador mineiro Aécio Neves (PSDB) para a corrida presidencial do próximo ano, Minas Gerais está com a economia estagnada e com índices piores do que a média nacional e de Estados vizinhos há mais de um ano. No segundo trimestre de 2013 (último dado disponível), o Estado governado pelos tucanos desde 2003 recuou 0,1% –já o PIB nacional surpreendeu e subiu 1,5%. O tema entrou na pré-campanha, e a oposição liderada pelo PT já fala em “pibinho”. Pernambuco, berço do pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, tem um crescimento acumulado nos últimos 12 meses maior do que o do país, segundo dados do Estado.

Ainda no segundo trimestre, o Rio Grande do Sul, puxado pelo desempenho da agricultura, cresceu 6,4%. Em São Paulo, o crescimento foi de 1,2% e, na Bahia, 2,2%. A agropecuária é uma das causas do mau desempenho em Minas Gerais, terceiro Estado mais rico do país, enquanto a supersafra do Centro-Oeste e do Sul ajudou a alavancar o PIB nacional. Também pesa contra o Estado a dependência de poucos setores, como mineração.Levantado pela oposição, o tema já chegou ao debate político nesta pré-campanha.
(…)

O que dizem os tucanos
O PSDB mineiro rebate as críticas da oposição local sobre a situação da economia do Estado e questiona o papel do governo federal no desenvolvimento regional. O deputado federal Marcus Pestana, presidente estadual do partido, afirma que o PT está “em débito” com o Estado e que a economia mineira cresceu muito até 2012: “Essas oscilações existem porque têm a ver com o nosso perfil muito primário. O raciocínio é a longo prazo”, diz. O governador Antonio Anastasia diz ter “preocupação” com a dependência de commodities e afirma que há “grande esforço” em curso para diversificar a economia. (Leia mais)

Por Reinaldo Azevedo
 

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