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Aécio Neves

01/09/2014

às 15:47

A lógica do “mal menor”

“O sentimento que nos move – PSDB, DEM e Solidariedade – é garantir a ida de Aécio para o segundo turno. Se não for possível, avalizar a transição para o segundo turno. Ou seja, com uma aliança com Marina Silva, por exemplo. É tudo contra um mal maior que é o PT.”

A fala é do senador Agripino Maia (DEM-RN), coordenador-geral da campanha do tucano Aécio Neves à Presidência da República. Convenham: caso Aécio não passe mesmo para o segundo turno, vai prevalecer nas hostes da oposição a lógica do mal maior/mal menor. Um apoio a Dilma Rousseff, nesse caso, seria impossível. O mais provável é que se externe o apoio a Marina, fora, no entanto, de qualquer compromisso futuro.

De resto, há a realidade. Ainda que tucanos e democratas advogassem a neutralidade, parte esmagadora do eleitorado de Aécio migraria para Marina por conta própria. Convenham: nestes 12 anos de poder, os petistas não buscaram exatamente estabelecer pontes com adversários. Ao contrário: sempre buscaram destruí-los.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 5:45

Não vamos arrochar salários nem assassinar velhinhas

Érica Fraga e Mariana Carneiro, na Folha:
“Nomeado” futuro ministro da Fazenda, caso Aécio Neves (PSDB) vença a eleição, Arminio Fraga, 57, reclama do aparente patrulhamento, na sua opinião, do atual debate sobre problemas econômicos. Ele diz que precisa “fazer um discurso” antes de tratar de temas relevantes, como o reajuste do salário mínimo e as mudanças na previdência. “Senão, você é acusado de ser assassino de velhinhas, o que obviamente não é o caso.” Falar da discussão muda a fisionomia do (quase sempre pacato) economista: “Eu tenho que fazer um preâmbulo. Se não, imediatamente, o PT vai falar: Eles vão arrochar os salários, arrochar os aposentados’”, afirmou. Nesta entrevista à Folha, Arminio fala sobre uma das bases de maior apoio político de Aécio: a diminuição da oferta de empréstimos do BNDES. “O empresariado tem que se engajar numa posição mais moderna.” Para ele, sua “nomeação”, sozinha, não representa um choque de confiança. “Arminio Fraga não resolve nada.”

Folha – Se Aécio Neves vencer, qual será a regra de reajuste do salário mínimo?
Arminio Fraga
 -
O Aécio já declarou que a política de aumento real do salário mínimo continua. A regra, no mínimo, vale por um ano e a essa altura não vejo por que mudar –a preocupação é que ele [o reajuste] fique até baixo neste momento.
Eu disse, e fui mal interpretado, que os salários em geral tinham subido muito, e que para continuar a subir, o que é totalmente desejável e alcançável, o Brasil teria que mostrar também um crescimento da produtividade. Como acredito que, com Aécio, os salários vão subir, sinceramente, não tenho problema com essa fórmula.

Economistas próximos do sr. dizem que a regra atual onera a Previdência e desequilibra as contas do governo.
O papel de um futuro ministro da Fazenda não é tanto ter uma opinião a respeito disso, mas mostrar qual é o orçamento e qual é a tendência no médio prazo. Eu acho que isso está fazendo falta, o Brasil está voando no escuro, em um ambiente de um populismo exacerbado.

Vocês são críticos à atuação do BNDES, mas o banco oferece crédito barato para parte do empresariado. Como dizer para eles que isso tem de mudar?
O empresariado hoje entende que esse mercado de crédito dual, onde alguns privilegiados recebem crédito e a maioria não recebe, não é bom. Indiretamente põe pressão no juro, tem implicações distributivas perversas e, no fundo, existe porque outras coisas não estão funcionando.
Se outras coisas forem postas para funcionar, todo esse aparato de UTI pode ser removido. Fazer uma reforma tributária que desonere a exportação, o investimento, simplifique o sistema [tributário], tem um impacto enorme. Mobilizar capital para infraestrutura e arrumar a casa para ter um juro mais baixo para todo mundo tem um impacto enorme também.

Essas políticas, não só o crédito subsidiado, mas muitas das desonerações e do aparato protecionista, não são a resposta ideal.
À medida que se possa corrigir essas falhas, será possível desfazer esse caminho que não está dando certo. Alguém acha que a indústria no Brasil está indo bem, com todo esse crédito, subsídio e proteções?

Um ajuste fiscal envolveria cortar quais gastos?
A sociedade tem que fazer opções. O nosso papel é colocar essa discussão na mesa, de uma maneira que ela possa ser concluída com mais consciência dos custos e benefícios e quais são os efeitos do ponto de vista do crescimento, da distribuição de renda. Há um imenso espaço para fazer políticas que teriam impacto redistributivo relevante. O caminho a seguir foi mapeado pelo FHC. Ele tomou a decisão de delegar áreas que naquele momento faziam parte do governo para o setor privado, sob supervisão, para focar em saúde e educação. Foi um pacto extraordinário. Essa discussão tem que ser permanente.

O sr. falou em tirar subsídios e focar na redução da desigualdade. Como os empresários reagiriam?
Eles temem que a correção dos fundamentos [da economia] não ocorra e eles fiquem no pior dos mundos. Mas acho que o empresariado tem de se engajar numa posição mais moderna. O melhor exemplo é o Pedro Passos [sócio da Natura e colunista da Folha], que com muita coragem está quebrando todos os tabus e defendendo posições muito parecidas com essas. Acho que esse esgotamento do modelo já é entendido pela maioria. Ninguém gosta de ficar indo a Brasília negociar alguma coisa. Mesmo os que se beneficiavam mais disso estão vendo o Brasil parando.
Eu tenho a convicção de que arrumar a casa, fazendo ajustes, vai gerar crescimento. A recessão já chegou.
(…)

Por que a independência do Banco Central não é bandeira do PSDB?
Esse é um tema antigo e polêmico dentro do PSDB. O partido sempre gostou da ideia de dar autonomia ao Banco Central, mas com algum mecanismo de proteção em relação a problemas extremos, como o Banco Central trabalhar mal. O Aécio deixou claro que vai dar a chamada autonomia operacional ao Banco Central e não está fechado discutir a lei.
(…)

O sr. participaria de um eventual governo Marina Silva?
Estou discutindo esses temas com Aécio há quase dois anos e acredito que ele é o caminho. Eu não vou. Não pretendo ir se não for com ele.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 21:31

“Cadastro do Bolsa Família é uma caixa-preta”, diz Aécio

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira que falta transparência ao governo da presidente-candidata Dilma Rousseff na gestão do programa Bolsa Família. “O cadastro do Bolsa Família é uma caixa-preta”, disse o tucano em sabatina promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo. Aécio disse ainda que, se eleito, vai expandir e ampliar o programa.

“A grande verdade é que o programa do atual governo para o Nordeste se resumiu ao Bolsa Família. Queremos a superação da pobreza. A pobreza pode fazer bem ao PT, mas nós queremos acabar com ela. A privação de renda é uma vertente da pobreza, mas não é a única. O Família Brasileira (como Aécio batizou a ampliação do Bolsa Família) vai classificar as famílias em níveis de carência. Há famílias com outras carências que podem ser ajudadas pelo estado”, afirmou.

Na entrevista, o tucano também disse que pretende cortar até 7.000 cargos comissionados na máquina federal se for eleito – um terço dos 23.000 postos atuais. “O Brasil quer um Estado eficiente, que gaste menos com sua estrutura para gastar mais com as pessoas”, afirmou.

Ao falar do time que o acompanha – ontem, ele anunciou que, se eleito, nomeará o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como seu ministro da Fazenda –, Aécio ironizou Marina Silva, que tem dito que pretende governar com quadros dos governos do tucano Fernando Henrique Cardoso e do petista Luiz Inácio Lula da Silva. “Ela precisa escolher por qual modelo vai optar.”

Aécio falou também sobre Banco Central em seu eventual governo. Evitou citar nomes que poderiam compor a autoridade monetária, mas garantiu que a instituição terá autonomia operacional, caso seja eleito presidente. Segundo ele, o fundamental é que o BC tenha independência operacional. “Se haverá ou não lei sobre isso é secundário”, afirmou.

Ele disse também que vai promover uma política fiscal transparente e classificou a do atual governo como “uma peça de ficção”. Segundo ele, é preciso dar transparência à equipe econômica. “Não sei quais bombas relógios o governo deixou armadas”, disse, evitando falar qual seria sua meta para o superávit primário. Aécio afirmou que é importante deixar um superávit, mas seria precipitação dizer o montante. “Grande parte da perda de credibilidade vem da pouca transparência dos dados oficiais.”

O presidenciável tucano voltou a dizer que a Petrobras e a Eletrobras estão frequentando hoje as páginas policiais da imprensa, em vez das páginas de economia, e defendeu a necessidade de repensar a matriz energética brasileira, dando prioridade a fontes de energias alternativas, como a eólica e a biomassa.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 20:06

Ibope – Marina encosta em Dilma no 1º turno e venceria petista no 2º com boa margem. Ou: Programas do PSDB e do PT são inadequados à nova realidade

Pois é… Se o PSDB e o PT tinham expectativas negativas sobre a pesquisa Ibope, agora que se conhecem os números, diga-se o óbvio: se estiverem certos, superam qualquer pessimismo de tucanos e petistas. Se a eleição fosse hoje, Marina Silva (PSB), com 29%, está a apenas um ponto do empate técnico com a petista Dilma Rousseff (34%). O tucano Aécio Neves aparece com 19%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Em relação à pesquisa anterior do instituto, tanto Dilma como Aécio caíram quatro pontos. No levantamento do Ibope de 3 a 6 de agosto, Eduardo Campos aparecia com apenas 9%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00428/2014. Vejam o quadro publicado pelo Portal G1.

Ibope números

É evidente que a notícia é péssima para o tucano Aécio Neves. A 40 dias da eleição, uma diferença de 10 pontos para Marina Silva não é fácil de ser superada, especialmente porque é ela que surfa na onda da novidade. Dilma, que dava a reeleição como certa, seria derrotada por Marina no segundo turno por 45% a 36%. A diferença está fora da margem de erro. Vejam outro quadro do G1. Volto em seguida.

Ibope segundo turno

Como se pode perceber acima, a má notícia para Dilma não está apenas no percentual maior de Marina: a sua rejeição segue gigantesca. Hoje, nada menos de 36% dizem que não votariam nela de jeito nenhum. Afirmam o mesmo sobre Marina apenas 10%. Contra o tucano, a presidente alcançaria 41%; ele ficaria com 36%. Vejam que coisa: esse não é um mau resultado para Aécio, não. O problema do candidato do PSDB está mesmo no primeiro turno.

A pesquisa e as campanhas
Tanto o horário eleitoral de Aécio como o de Dilma que foram ao ar nesta terça estavam fora do tom, isto é, em dissintonia com a realidade. O programa do PSDB ainda investe na apresentação de Aécio, desconhecido de parcela significativa do eleitorado. O de Dilma exalta as conquistas do PT e, ora vejam, investe contra o PSDB, contra o governo FHC etc. Em suma, aquela cascata de sempre.

Aécio dispõe de pouco mais de quatro minutos e, com efeito, essa fase da campanha deveria estar dedicada a apresentá-lo aos eleitores de todo o Brasil. Ocorre que essa era a escolha adequada antes da morte de Campos. Com a entrada de Marina na disputa, a conversa precisa mudar.

Os petistas seguem reféns de uma tara: só sabem fazer campanha contra o PSDB. É Marina quem daria hoje uma surra em Dilma, não Aécio. Num padrão puramente racional, então, o PT deveria torcer para o tucano passar para o segundo turno. Mas não adianta: a petezada tem a sua natureza.

Aécio pode fazer de conta que Marina não existe. Dilma pode fazer de conta que Marina não existe. Ocorre que o eleitorado acha que existe. Se um quer ser presidente e se a outra quer continuar presidente, é preciso fazer muita gente mudar de ideia e mudar o rumo da prosa no horário eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 16:30

PSDB, PSB, Marina, Aécio, FHC…

Em entrevista à Folha, na segunda, Eduardo Giannetti, um dos cardeais do marinismo, afirmou que, se eleita, Marina Silva gostaria de contar com o apoio dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Não tardou para que recebesse um aceno do tucano. Num seminário de que participou na própria segunda, FHC reagiu à fala de Giannetti com um sinal de assentimento, ainda que de forma oblíqua: afirmou que gostaria de contar com Marina num eventual governo Aécio.

Ora, se a gente for pôr o devido pingo no “i”, parece que o ex-presidente está, sim, a dizer que a parceria é possível, ainda que ele imagine outro cenário, com Aécio Neves liderando, então, essa nova composição.

Ocorre que as coisas não são exatamente como parecem, não é mesmo? Caso Marina Silva dispute um segundo turno com Dilma Rousseff, dá-se de barato que a esmagadora maioria do eleitorado de Aécio migraria para a candidata da Rede. Mas não se tem como plausível que os marineiros convictos votassem em Aécio no caso de ser ele a disputar a etapa final com a petista.

Não dá para esquecer o comportamento de Marina na eleição de 2010? Ela ficou em terceiro lugar, conseguindo mais de 20 milhões de votos. E, como se considera diferente dos demais políticos, manteve-se neutra: para ela, tanto fazia a vitória de Dilma ou de José Serra. Caso tivesse optado por um dos lados, isso não significa que seu eleitorado a tivesse seguido, mas seria um sinal de aposta na mudança de rumo. Mas ela não o fez.

Assim, vejam que curioso: Marina ascende no primeiro turno com o discurso “nem tucanos nem petistas”, mas conta mesmo é com os votos dos tucanos no segundo turno, certo?

Por Reinaldo Azevedo

25/08/2014

às 5:51

Aécio quer implementar reajuste diferenciado para beneficiar aposentados

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, afirmou neste domingo, no Rio de Janeiro, que vai criar um mecanismo de reajuste para aposentadorias e o benefício de prestação continuada (BPC), pago a maiores de 65 anos com renda per capita familiar inferior a um quarto do salário mínimo. De acordo com o presidenciável, os aposentados terão um aumento anual nas pensões que leve em conta a variação de uma cesta de preços de remédios, além da manutenção da regra de reajuste atual, que acompanha a variação da inflação oficial do ano anterior e do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

“Incorporaremos, além do aumento real do salário mínimo, que continuará a ser praticado no nosso governo, um aumento especial para os aposentados levando em consideração, além do índice acertado, também o aumento de medicamentos. Será a primeira sinalização clara de que aposentados e idosos do Brasil começarão a ter tratamento diferenciado”, afirmou Aécio.

Ainda é preciso decidir quais remédios de uso contínuo teriam preço monitorado para embasar o reajuste das aposentadorias. A proposta foi anunciada em discurso a idosos hospedados no Abrigo Cristo Redentor, que pertence à União, mas hoje é administrado pela Secretaria Estadual de Assistência Social do Rio de Janeiro. No abrigo, Aécio conversou com idosos e visitou as instalações do local. O governo do Rio impediu que jornalistas acompanhassem o momento em que o presidenciável visitou quartos.

Em confraternização preparada por funcionários do governo estadual, o candidato cantou a música “Amizade Sincera”, de Renato Teixeira, abraçado com a idosa Arlete Severino da Silva. Antes, dançou com Ladir Rodrigues, outra hóspede do abrigo.

Aécio também divulgou o programa “Digna Idade”, que prevê a qualificação de cuidadores de idosos e a criação de asilos públicos. Os recursos públicos para financiar a melhora das aposentadorias e projetos para idosos viriam de uma readequação das prioridades orçamentárias, destacou o candidato tucano. “Recursos virão de um Estado com política fiscal austera, que não aumenta os gastos correntes de forma irresponsável, como esse governo aumentou. A questão é estabelecer prioridades”, afirmou.

Na nova estratégia do PSDB para diferenciar Aécio da ex-senadora Marina Silva (PSB) na corrida presidencial, os tucanos exploram a “falta de preparo” da concorrente. Sem mencioná-la, o presidenciável tucano afirmou neste domingo: “Construímos uma proposta que não é improvisada. Aquilo que defendo hoje, eu já defendia lá atrás”.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 6:29

O PT esquece o futuro e recicla até as imagens da campanha de 2010. Ou: Dilma Coração Valente suja o avental de ovo… Estamos fritos!

Começou nesta terça o horário eleitoral gratuito, como todos sabemos. O PSB fez o óbvio e apresentou Eduardo Campos como o profeta que já não está entre nós, mas que deixou uma mensagem. Ao fundo, a música “Anunciação”, do pernambucano — talentoso! — Alceu Valença: “O teu cavalo/ Peito nu, cabelo ao vento/ E o sol quarando/ Nossas roupas no varal (…) Tu vens, tu vens/ Eu já escuto os teus sinais”. O erotismo meio místico da canção, com a imagem de Campos ao fundo, assumiu um novo conteúdo, agora com tinturas messiânicas… Logo, Marina Silva é que será a cavaleira. E vai anunciar o quê? Só Deus sabe, se é que sabe.

O tucano Aécio Neves preferiu dedicar seus quatro minutos a um diagnóstico sobre o país, chamando a atenção para a piora, que é real, da economia. Sua voz chegava a telespectadores e a ouvintes inicialmente distraídos. Aos poucos, na propaganda do PSDB, começavam a prestar atenção ao que dizia o candidato. Ainda desconhecido de parcela significativa da população, a ideia é deixar claro que há alguém dizendo uma novidade. Vamos ver.

O PT dispõe de tanto tempo na televisão que parece ter alguma dificuldade para preenchê-lo. Em maio, o partido levou ao ar a sua propaganda no horário político gratuito. Era um troço ameaçador. Comparava o Brasil de hoje, em que tudo seria uma maravilha, o que é falso, com aquele governado por FHC, quando tudo teria sido uma tragédia, o que também é falso. Escrevi, então, uma coluna na Folha em que observei o seguinte: “Depois de quase 12 anos no poder, o PT não tem futuro a oferecer. Por mais que o filminho de João Santana tenha as suas espertezas técnicas, a verdade é que a peça terrorista revela o esgotamento de uma mitologia”.

E foi, em parte, o que se viu nesta terça, na estreia do horário eleitoral. O maior partido do país não vai além de repetir velhas promessas. Na prática, admite que o governo vai mal, mas jura que vai melhorar se reeleito. Por que Dilma faria depois o que não faz agora? A campanha publicitária não diz. Quem se encarregou de sintetizar a mensagem foi Lula, afirmando que o seu segundo mandato foi melhor do que o primeiro.

Atenção! Não é verdade, sob qualquer aspecto, que os quatro anos finais da gestão Lula tenham sido melhores do que os quatro iniciais. Muito pelo contrário. O desajuste da economia que está em curso é uma herança do segundo governo Lula, piorada pela gestão Dilma. Sem um horizonte a oferecer, restou à campanha da presidente Dilma reciclar até as imagens do passado.

Abaixo, há dois vídeos. O primeiro tem 10min39s e traz a propaganda eleitoral levada ao ar no dia 17 de agosto de 2010. O outro tem 2min10s e é um clip com o jingle “Dilma, Coração Valente”, da campanha deste ano. Vejam. Volto em seguida.

Campanha de 2010

Campanha de 2014

A peça publicitária de 2014 traz um fundo musical novo para imagens da campanha de 2010. Quem chamou a minha atenção para a repetição foi o jornalista Clayton Ubinha, que integra a equipe do programa “Os Pingos nos Is”, que vai ao ar todos os dias na rádio Jovem Pan, entre 18h e 19h. Vejam estes pares de imagens (a primeira é sempre da campanha passada; a segunda, da deste ano).

2010 cena 1

2014 cena 1

2010 cena 2

2014 cena 2

2010 cena 3

2014 cena 3

2010 cena 4

2014 cena 4

2014 cena 5

2010 cena 5

2010 cena 6

2014 cena 6

2010 cena 7

2014 cena 7

Há quatro anos, como se pode constatar, Dilma era oferecida ao eleitorado como a mãe do povo, a quem o pai, Lula, entregaria o país. Agora, em tempos em que a economia está mais para a madrasta da Gata Borralheira, a imagem da mãe já não cola. Então que se recupere a guerreira — “a Dilma Coração Valente” — lutando contra os dragões da maldade. Mas, vocês sabem, é preciso endurecer sem perder a ternura, como diria Che Guevara, o tarado por sangue. Então João Santana houve por bem mostrar a presidente na cozinha, fazendo um macarrãozinho…

Mensagem: a Coração Valente também pode ser “a mamãe com o avental todo sujo de ovo”, como na música de Herivelto Martins, David Nasser e Washington Harline.

Ovo? Tomara não estejamos todos fritos.

Texto publicado originalmente às 5h11

Por Reinaldo Azevedo

13/08/2014

às 14:58

“A perda é irreparável e incompreensível”, afirma Aécio

Na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, cancelou os compromissos de campanha agendados no Rio Grande do Norte após saber da morte do também candidato Eduardo Campos. Aécio lamentou a perda do amigo: “É com imensa tristeza que recebi a notícia do acidente que vitimou o ex-governador e meu amigo Eduardo Campos. O Brasil perde um dos seus mais talentosos políticos, que sempre lutou com idealismo por aquilo em que acreditava. A perda é irreparável e incompreensível. Nesse momento, minha família e eu nos unimos em oração à família de Eduardo, seus amigos e a milhões de brasileiros que, com certeza, partilham a mesma perplexidade e pesar”, afirmou em nota.

O presidenciável estará em São Paulo na tarde desta quarta-feira. Entre os compromissos agendados para hoje no Rio Grande do Norte havia uma visita à fábrica da Guararapes, em Extremoz, na região metropolitana de Natal, e uma caminhada no bairro do Alecrim, na Zona Leste da capital.

Por Reinaldo Azevedo

06/08/2014

às 17:49

Aécio diz que pretende criar “Superministério” da Agricultura

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges, na VEJA.com. Comentarei mais tarde as três performances:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, anunciou nesta quarta-feira que, se eleito, pretende fundir os atuais ministérios da Agricultura e da Pesca em um “Superministério” da Agricultura e disse que a nova pasta terá “igualdade de condições” com o primeiro escalão do governo federal, como os ministérios da Fazenda e do Planejamento. “Criarei no primeiro dia do governo um superministério da Agricultura. Vou incluir a [Secretaria Especial de] Pesca novamente sob a alçada do Ministério da Agricultura para que a pasta possa discutir ações em igualdade de condições com a Fazenda e o Planejamento”, disse o candidato ao participar de sabatina na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília.

De acordo com Aécio, a nova pasta permitirá maior independência em relação à equipe econômica e ao Banco do Brasil, instituição financeira responsável por disponibilizar recursos para o plano safra e para a agricultura familiar, e será ouvida na discussão de políticas de investimento logístico, de redução da carga tributária e de discussões orçamentárias. Sem dar detalhes, o candidato afirmou ainda haver a possibilidade de outras áreas serem integradas à pasta, mas disse não saber se o atual Ministério do Desenvolvimento Agrário será ou não incorporado ao superministério agrícola. “No meu governo, o superministério da Agricultura será decisivo na formulação de política de investimento e logística em infraestrutura. O Ministério da Agricultura vai discutir quais são os principais eixos de investimento que possam agregar competitividade para quem produz no Brasil”, disse.

A produtores agrícolas, o candidato criticou o inchaço da máquina pública e declarou que parte dos gargalos em áreas estratégicas, como a de transportes, é reflexo do aparelhamento político-partidário promovido nos últimos 12 anos de governo do PT. “É impossível que o Brasil avance no resgate da credibilidade junto a parceiros e da efetivação de obras de logística quando assistimos o Ministério dos Transportes e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) significar um instrumento de viabilização de mais tempo na propaganda eleitoral”, disse. Na reta final para a formação de alianças políticas e costura de um maior tempo de propaganda na TV, Dilma trocou o comando do Ministério dos Transportes para conter insatisfações do Partido da República (PR) e conseguir pouco mais de um minuto que a sigla detém no palanque eletrônico.

Embora sem detalhar boa parte das propostas ao setor, o tucano fez afagos ao agronegócio. Defendeu interlocução direta e políticas para garantir ganho de competitividade a produtores, ampliação da cobertura do seguro rural e, para sinalizar o “respeito à propriedade privada”, prometeu não desapropriar, por dois anos, fazendas invadidas. Disse ainda que pretende desonerar todas as exportações agropecuárias. “A produção no campo elevou o padrão de vida de milhões de brasileiros ao longo das últimas décadas. Nenhuma outra atividade fez tanto. Essa atividade vem sustentando o PIB, as contas externas e gerando milhões de empregos, em grande parte exclusivamente com base no esforço do produtor, porque não há visão estratégica do governo”, disse. “A prioridade zero do nosso governo para o conjunto da economia será declarar guerra ao Custo Brasil. O agronegócio ainda avança no Brasil e ele não vai bem por causa do governo; ele vai bem apesar do governo”, criticou.

Também sem explicar como colocaria em prática boa parte das promessas feitas durante a sabatina da CNA, o candidato garantiu que não vai contingenciar recursos destinados à defesa sanitária e disse que pretende resgatar a capacidade de pesquisa da Embrapa. O candidato, que já havia anunciado que pretende simplificar o sistema tributário nos primeiros dias de governo, afirmou que suas propostas incluem “regras claras e marcos confiáveis” e agências reguladoras “fora da cota dos amigos”. Ainda que não tenha afirmado de forma clara se pretende ou não reajustar o valor dos combustíveis, Aécio criticou subsídios dados a combustíveis fósseis e disse que pretende reorganizar o setor de etanol.

Por Reinaldo Azevedo

05/08/2014

às 19:25

Aécio: médicos estrangeiros de programa federal têm “prazo de validade” e serão substituídos por brasileiros

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta terça-feira que, se eleito, vai criar 500 centros regionais de saúde para atender a população em polos específicos e permitir que o paciente seja atendido com rapidez. Ao participar de ato público na Associação Médica de Brasília, o tucano voltou a criticar as atuais regras do programa Mais Médicos e afirmou que a presença de profissionais de saúde estrangeiros no país tem “prazo de validade”. O tucano defendeu uma carreira de Estado para profissionais de medicina e afirmou que a importação de médicos estrangeiros, se for necessária no futuro, deve ser apenas “lateral”.

“Nosso programa vai propor a criação de cerca de 500 grandes unidades regionais em um país de 5.500 municípios, onde o cidadão seja atendido por um médico especializado, encaminhado, a partir do diagnóstico feito, para fazer o exame e já saia dali com os remédios”, disse. “Os médicos estrangeiros são uma solução paliativa. Vou tratar a questão de forma estrutural e criar uma carreira nacional de médicos para que médicos possam se preparar e atender nas regiões mais remotas. Os cubanos têm prazo de validade e ficarão aqui por três anos. O que pretendo é que não haja mais necessidade de médicos estrangeiros no Brasil porque, ao longo do tempo, nossas políticas e ações permitirão que essas vagas sejam ocupadas por brasileiros formados e que passem pelo [exame] Revalida. Se houver necessidade de médicos estrangeiros, que isso seja apenas uma solução lateral, e não a solução central”, completou.

Infraestrutura
Um dia depois de ter anunciado que, se eleito, pretende criar o Ministério da Infraestrutura, Aécio Neves voltou a criticar nesta terça-feira o “caráter intervencionista” do governo, defendeu melhores condições para investimentos privados no país e disse que são necessários novos marcos regulatórios para os setores de ferrovias e de mineração.

“O governo da presidente Dilma achou que o estado solitariamente poderia fazer todos os investimentos necessários para a retomada do crescimento do Brasil. Não pode. O governo do PT demonizou as parcerias com o setor privado durante dez anos, se curva à realidade e à necessidade delas no final do governo, mas faz isso de forma improvisada”, afirmou. “Quando falei de construir um forte ministério [da Infraestrutura] é para que ajudar a restabelecer a credibilidade do país, abandonada e perdida hoje, para que possamos ter de novo capital privado nacional e estrangeiro a nos ajudar nesse mutirão de infraestrutura no Brasil”, concluiu.

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2014

às 15:49

Aécio diz que, se eleito, criará os ministérios da Infraestrutura e da Justiça e Segurança Pública; as 39 pastas atuais seriam convertidas em 23

No Portal G1:
O candidato a presidente da República pelo PSDB, o senador Aécio Neves (MG), anunciou nesta segunda-feira (4) durante entrevista ao vivo ao G1 que, se eleito, criará o Ministério da Infraestrutura e extinguirá o Ministério da Pesca. Segundo ele, a pasta da Infraestrutura reunirá setores como transporte e energia, que atualmente têm ministérios específicos.

Perguntado sobre qual pasta deixaria de existir em eventual governo tucano, ele afirmou: “Daria o exemplo do Ministério da Pesca. Não se justifica de forma nenhuma até porque precisamos fortalecer o Ministério da Agricultura. [...] Em primeira mão, posso dizer que estamos estudando a criação de um forte Ministério da Infraestrutura. Não quero entrar em tantos detalhes. Ele trataria de investimentos em rodovias, ferrovias, energia. Não vou entrar em detalhes, mas fica essa primeira sinalização.”

O Ministério da Infraestrutura existiu durante dois anos do governo Fernando Collor – foi criado em 1990, extinto em 1992 e teve três ministros. Confrontado pelos jornalistas com essa informação, Aécio afirmou: “Não tenho esse governo como parâmetro para o meu governo. O que posso apresentar para o Brasil é a minha história”.

Durante cerca de 45 minutos, o presidenciável tucano respondeu a perguntas de internautas e do portal, em três blocos, conduzidos pelos jornalistas Tonico Ferreira, da TV Globo, e Nathalia Passarinho, do G1. A ordem dos entrevistados foi definida por sorteio na presença de representantes dos partidos de todos os candidatos. A candidata sorteada para o primeiro dia (28 de julho), a presidente Dilma Rousseff, não compareceu por problemas de agenda, segundo a assessoria do Palácio do Planalto. No último dia 31, foi entrevistado o candidato Zé Maria (PSTU). O próximo, na quinta-feira (7), será Mauro Iasi (PCB).

Aécio Neves reafirmou a proposta de redução para quase a metade do número de ministérios, atualmente em 39. Para o tucano, que mencionou estudo da Universidade de Cornell (EUA), “22 ou 23 ministérios” é o número “adequado”.

Segundo ele, o formato final da proposta de diminuição do número de pastas será resultado do trabalho do ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia e de um grupo de especialistas, que, segundo ele, estão “redesenhando o estado brasileiro”. Aécio afirmou que a criação do Ministério da Infraestrutura permitiria uma “ação estratégica” para o país, que precisa ter “marcos regulatórios claros”. “Precisa ser algo que planeje, tenha interlocução com o setor privado”, completou. De acordo com o presidenciável, o governo e os PT “demonizaram” as parcerias com o setor privado, mas agora “se curvam a elas com atraso enorme”.

Ainda sobre reforma na estrutura ministerial, afirmou que, caso eleito, pretende reestruturar o Ministério da Justiça, transformando a pasta em Ministério da Justiça e Segurança Pública. O tucano disse também defender o fim da reeleição, com a fixação de mandatos de cinco anos. Ele reafirmou ainda a intenção de apresentar logo nos primeiros dias do mandato uma proposta de simplificação do sistema tributário “porque nós precisamos declarar guerra ao custo Brasil”.

Indagado em pergunta de um internauta se seria possível governar sem o apoio de José Sarney, Renan Calheiros e outras lideranças do PMDB – “todos adversários meus nesta campanha” –, atualmente aliados do governo, Aécio Neves respondeu que sim, mas disse que, se “quadros” do partido decidirem apoiar um eventual governo tucano, aceitará.

“Da forma como se estabelecerem as relações políticas, sim [é possivel governar sem o PMDB], eu farei isso. Não há mais como manter essa relação mercantilista com o PMDB e outras forças partidárias [...]. Essa talvez seja uma das heranças malditas, perversas, desse governo, que nivelou por baixo as relações politicas”, declarou.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 6:53

Aécio Neves: “A verdade sobre o aeroporto”

O presidenciável tucano Aécio Neves escreve nesta quinta, na Folha, um artigo intitulado “A verdade sobre o aeroporto”. A integra está aqui. Leiam trechos.
*
Nasci no ambiente da política e vivi nele toda a minha vida. Sei que todo homem público tem uma obrigação e um direito: a obrigação de responder a todo e qualquer questionamento, especialmente os que partem da imprensa. E o direito de se esforçar para que seus esclarecimentos possam ser conhecidos.

Nos últimos dias, fui questionado sobre a construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas Gerais. Como o Ministério Público Estadual atestou e a Folha registrou em editorial, não há qualquer irregularidade na obra. Mas surgiram questionamentos éticos, uma vez que minha família tem fazenda na cidade. Quero responder a essas questões.

A pista de pouso em Cláudio existe há 30 anos e vem sendo usada por moradores e empresários da região. Com as obras, o governo de Minas Gerais transformou uma pista precária em um aeródromo público. Para uso de todos.

As acusações de benefício à minha família foram esclarecidas uma a uma. Primeiro, se disse que o aeroporto teria sido construído na fazenda de um tio-avô meu. A área foi desapropriada antes da licitação das obras, como manda a lei. O governo federal reconheceu isso, ao transferir a jurisdição do aeroporto ao governo de Minas Gerais, o que só é possível quando a posse da terra é comprovada. Depois, levantaram-se dúvidas sobre o valor da indenização proposta pelo Estado. O governo ofereceu R$ 1 milhão. O antigo proprietário queria R$ 9 milhões e briga até hoje na Justiça contra o governo de Minas.

Finalmente, se disse que a desapropriação poderia ser um bom negócio para o antigo proprietário, porque lhe permitiria usar o dinheiro da indenização para arcar com os custos de uma ação civil pública a que responde. Não é verdade. O dinheiro da indenização está bloqueado pela Justiça e serve como garantia ao Estado de pagamento da dívida, caso o antigo proprietário seja condenado. Se não houvesse a desapropriação, a área iria a leilão. Se fosse um bom negócio para ele, não estaria lutando na Justiça contra o Estado.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2014

às 16:06

Aécio defende simplificar sistema tributário e investimentos de 24% do PIB

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira que, se eleito, terá a meta de garantir até 2018 investimentos totais de 24% do Produto Interno Bruto (PIB). Em sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o tucano disse que o governo do PT adotou uma “visão patrimonialista” do Estado brasileiro, loteou a administração pública e colocou em xeque o crescimento econômico.

“Os resultados pífios da economia brasileira são consequência de opções erradas que o atual governo fez ao longo dos últimos anos. Não é possível assistirmos à velha cantilena de transferência de responsabilidades pelos péssimos resultados da economia. O empresariado brasileiro é extremamente competitivo, não fosse o despropósito do custo Brasil a que estão submetidos hoje”, disse para, em seguida, ironizar a quantidade de programas anunciados pelo governo federal. “Não esperem do nosso governo o plano A, o Brasil Melhor, o Brasil Muito melhor, o Brasil Maior. Esperem regulação clara dos mercados e ação do governo para aumentar a produtividade e qualidade dos serviços”, disse.

“A meta que estou estabelecendo para o meu futuro governo é que possamos, ao final de 2018, saltar de 18% do PIB em investimentos para 24% do PIB em grande articulação do governo com o setor privado e com a criação de um grande ambiente favorável a negócios”, declarou.

Crescimento e inflação
“Não é crível que a nossa situação no Brasil seja pior em relação a crescimento e expectativa [de crescimento] na comparação com vizinhos [da América Latina]. Represento a grande e nova aliança com sociedade para romper com estruturas carcomidas que aqui estão. O Estado não precisa ser ineficiente apenas por ser Estado”, disse. Em exposição para empresários, o candidato ainda recorreu ao fracassado jogo entre Brasil e Alemanha, na Copa do Mundo, para criticar o baixo crescimento econômico – o boletim Focus, no Banco Central, estimou ampliação de apenas 0,9% na economia este ano – e o recrudescimento da inflação, que estourou o teto da meta.

“Este 7 a 1 [contra a Alemanha] foi muito triste, mas isso é o que menos preocupa. O que preocupa são 7% de inflação e 1% de crescimento”, disse. Assim como fez Eduardo Campos (PSB), Aécio Neves também prometeu a ampliação de recursos para obras de infraestrutura até para que se atinja de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e disse que o Brasil deve costurar novas relações comerciais com Estados Unidos, União Europeia e China. Embora, pelo menos no papel, o governo federal conte com 550 bilhões de reais para o Programa de Investimento em Logística (PIL), as concessões de modais de transportes foram travadas, em alguns casos, pelo desinteresse do investidor, que reclama cotidianamente da falta de marcos regulatórios claros e das baixas taxas de retorno para as obras.

Reforma tributária
No debate promovido pela CNI, o tucano Aécio Neves também defendeu a aprovação de uma reforma tributária, como fez Campos. Mas disse que, se eleito, focará em um primeiro momento na simplificação do sistema de impostos. O esboço de reforma tributária discutido pela campanha de Aécio prevê a criação da Secretaria de Simplificação do Sistema Tributário, colegiado que funcionará por até sessenta dias para elaborar um projeto de lei para a simplificação do sistema tributário, diminuição dos impostos indiretos, viabilização de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) no âmbito federal e criação de mecanismos de compensação dos créditos tributários. Em uma segunda fase, se discutiria a redução da carga tributária e um pacto entre estados para o fim da guerra fiscal. “Enfrentando simplificação do sistema tributário na largada do nosso governo, essa simplificação abrirá as portas para que possamos ter uma redução horizontal da carga tributária”, defendeu.

Embora as discussões sobre o fim da guerra fiscal esbarrem em constantes impasses federativos, o candidato do PSDB disse que, para viabilizar este ponto e os demais relativos à reforma tributária, será necessário fazer um “controle efetivo e claro” dos gastos correntes do governo. “Só vamos ter espaço fiscal necessário no momento em que encaixarmos o crescimento dos gastos correntes no crescimento da própria economia”, disse.

Entre suas propostas, Aécio Neves também defendeu, sem apresentar detalhes, a integração das empresas brasileiras a cadeias globais de produção e o combate ao chamado custo Brasil. “Precisamos de um ambiente de negócios e de regulação, com agências reguladoras resgatadas como instrumentos da sociedade, um sistema tributário mais ágil e um choque de infraestrutura e parceria com o setor privado”, disse. Ao empresariado, o candidato do PSDB criticou o governo federal por definir previamente a taxa de retorno dos programas de concessão. “Não cabe a governo nenhum estabelecer taxa de retorno para quem investe no Brasil. Isso cabe ao setor privado. Cabe ao governo estimular que ele ocorra com regras claras e sem esse nefasto intervencionismo que se tornou marca desse governo nos últimos anos”, afirmou.

 Apesar de, em tese, ter a preferência do setor empresarial, o candidato tucano optou por utilizar grande parte de sua exposição para críticas ao governo federal, às recorrentes maquiagens fiscais promovidas pelo Tesouro Nacional e à falta de estabilidade de regras para o ambiente de negócios. “Não sou candidato à presidência da República para colocar um retrato na parede, mas para fazer o que não foi feito. Falta no Brasil liderança política e coragem política de fazer o que precisa ser feito”, declarou.

Para o tucano, é preciso buscar um “nível de crescimento minimamente respeitável” e combater o inchaço da máquina pública com medidas como, por exemplo, a redução do número de ministérios. “Hoje há uma estrutura ministerial absurda, anacrônica e vergonhosa”, disse. Pela proposta desenhada pela campanha tucana, haveria a redução dos atuais 39 ministérios para 22. O número de pastas de primeiro escalão leva em conta estudo desenvolvido em 2008 pelos físicos Peter Klimek, Rudolf Hanel e Stefan Thurner e que avalia o “coeficiente de ineficiência” das estruturas de governo. De acordo com a tese desenvolvida pelos professores da Universidade Cornell, governos mais eficientes são formados por grupos menores com um intervalo de dezenove e 22 ministérios.

Programa de governo
Nas propostas que apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato do PSDB já havia defendido que a competitividade produtiva poderia ser atingida com investimentos em produção, em infraestrutura social e em políticas de desburocratização. Assim como os demais postulantes ao Palácio do Planalto, não há detalhamento de como as promessas seriam colocadas em prática. De acordo com a campanha do tucano, o programa enviado ao TSE será aprimorado a partir de sugestões de eleitores e de especialistas.

Para Aécio, a melhoria da produtividade de empresas nacionais será possível com a modernização do parque industrial brasileiro, pela melhoria no ambiente de negócios e pela capacitação das companhias. “O crescimento do emprego, a ampliação e qualificação do mercado interno e a expansão das exportações põem no centro da política econômica a questão da produtividade”, justificou o candidato ao TSE.

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2014

às 20:58

Aécio: “A campanha começou como nossos adversários gostam: com mentiras e ataques à honra”. Ou: MP já tinha investigado aeroporto e arquivado a questão

No Globo Online:
Em um pronunciamento breve em sua chegada ao comitê de campanha em São Paulo nesta terça-feira, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou que escolheu, quando governador de Minas Gerais, uma área que pertencia a um tio-avô dele para a construção de um aeroporto no município de Cláudio porque era a opção “mais barata”. Aécio entregou à imprensa no início desta noite dois pareceres que ele solicitou a ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso. Os ex-ministros Ayres Britto e Carlos Velloso atestam, no documento, a legalidade do processo realizado pelo tucano quando governador.

“Era o (terreno) mais barato. Já tinha uma pista de terra nele. Seria sim um ato contra o erário se eu fizesse uma obra muito mais cara numa área onde a topografia não justificasse”, justificou Aécio.

“A campanha começou e como nossos adversários gostam, com mentiras e ataques à honra. Essa é uma praxe dos nossos adversários do PT. Portanto, quero dizer duas coisas. O que circulou na imprensa é que teria havido a construção de um aeroporto por parte do governo de Minas numa área de um tio-avô meu em Cláudio. Essa informação é mentirosa. Não existiu nenhuma construção em nenhuma área privada. A área foi desapropriada em benefício do estado como atestam todos os documentos que vocês vão receber hoje. A desapropriação foi feita pelo estado em R$ 1 milhão. O proprietário, na época, apresentou proposta de R$ 9 milhões, mas ela foi desapropriada com o valor depositado de R$ 1 milhão. Se houve alguém favorecido nisso foi o estado e não o meu parente.”

Pouco antes, o coordenador-geral da campanha, Agripino Maia, também sugeriu uma ação eleitoral por parte dos adversários. “A denúncia foi feita, claro, que por vazamento de algum órgão de governo que tem a informação, que é quem controla o funcionamento de aeroporto, quatro anos depois, no início da campanha eleitoral”, disse.

A campanha do tucano entregou à imprensa também uma cópia das justificativas do Ministério Público de Minas Gerais para o arquivamento de uma investigação sobre a obra do aeroporto em fevereiro deste ano.

“A investigação é muito bem-vinda, mas quero dizer que, assim como aconteceu em inúmeras obras em Minas, nossos adversários sempre de forma anônima, na maioria das vezes, buscava que o MP fizesse investigação. Eu soube ontem que o MP investigou essa obra neste ano e arquivou esse processo porque não encontrou nenhuma ilegalidade.”

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2014

às 2:55

Área em que se construiu aeroporto já tinha sido desapropriada

Foi construído em 2010 um pequeno aeroporto em Cláudio, em Minas, aproveitando uma antiga pista de pouso que havia no local. Das duas informações, só uma pode ser verdadeira: ou a obra foi feita num terreno particular ou num terreno público. Muito bem: o terreno em que fica o aeroporto foi desapropriado em 2008, como se constata por este documento:

Desapropriação

Logo, a área em que fica o aeroporto já não pertencia mais a um tio-avô do presidenciável Aécio Neves, como se pretende. Alguém pode até contestar se a obra ali era ou não necessária, mas o fato é que a área já era pública. Não parece, de resto, que os antigos proprietários tenham gostado tanto assim da obra, tanto é que contestam na Justiça o ato do governo do Estado.

Por lei, todos os aeroportos do país pertencem à União, que pode conceder a exploração a terceiros. No dia 23 de abril de 2008, o Diário Oficial da União publicou a concessão que a União fez ao governo do Estado, como se vê abaixo.

DO 23 de abril 2014

E por que a chave está com os antigos donos da área? Muito provavelmente porque a questão ainda está sub judice. Os proprietários recorreram contra a decisão do Estado.

A reportagem sobre a construção foi publicada pela Folha neste domingo. Numa “Nota de Esclarecimento”, afirma a coligação “Muda Brasil”:
“É também lamentável que a reportagem não tenha registrado que aeroportos locais (que não possuem voos comerciais) ou pistas de pouso fechadas são prática comum em aeroportos públicos, no interior do país, como forma de evitar invasões e danos na pista que possam oferecer riscos à segurança dos usuários. Ao ignorar esse fato, a reportagem deu a entender que o acesso à pista, feito de forma controlada no município de Cláudio, constitui algum tipo de exceção.”

A nota informa ainda que “a documentação para homologação do aeroporto foi enviada à Anac em 22 de julho de 2011 (ver documento abaixo)” e que, “assim como vários outros aeroportos no Estado, aguarda a conclusão do processo.”

homologação

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2014

às 7:03

São Paulo já dá uma surra eleitoral em Dilma — com Aécio ou com Campos

A seção Painel, da Folha de S. Paulo, traz outros dados da pesquisa Datafolha que devem estar deixando petistas com as barbas arrepiadas.

Um deles: Aécio Neves (PSDB) cresce em São Paulo. No mês passado, apenas 24% dos eleitores de Geraldo Alckmin escolhiam o presidenciável tucano; agora, são 33% — e, não custa lembrar, o atual governador aparece com 54% das intenções de voto. No primeiro turno, Aécio foi o único nome que cresceu no Estado fora da margem de erro: de 20% para 25%. Dilma oscilou de 23% para 25%, e Eduardo Campos (PSB), de 6% para 8%.

O busílis, no entanto, está no segundo turno: a petista perde para o tucano por 50% a 31%; Campos a venceria por 48% a 32%.

Informa ainda o Painel:
Alerta vermelho - A avaliação do governo Dilma caiu nas grandes cidades brasileiras. O percentual de eleitores que consideram a gestão ótima ou boa recuou de 30% para 25% nos municípios com mais de 500 mil habitantes. A classificação ruim ou péssima subiu de 31% para 37%.

Nuvem carregada – Para estrategistas do PT, as grandes cidades são polos com capacidade de transmitir “carga negativa” ao resto do eleitorado. Por enquanto, a avaliação positiva da presidente nos municípios pequenos permanece estável, em 42%.

Por Reinaldo Azevedo

16/07/2014

às 15:41

“Não vamos aceitar imposições de Cuba”, diz Aécio sobre o Mais Médicos

Por Bruna Fasano e Andressa Lelli, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou que o governo brasileiro não pode se submeter às imposições da ditadura cubana e que as regras do programa Mais Médicos precisam ser revistas. “O governo brasileiro financia o governo cubano com parte da remuneração dos médicos”, afirmou durante sabatina realizada nesta quarta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, SBT, Rádio Jovem Pan e UOL. “Não vamos aceitar as regras que foram impostas por Cuba.”

O valor pago pelo governo brasileiro atualmente aos médicos estrangeiros é de 10.000 reais, mas, ao contrário dos profissionais de outras nacionalidades, que recebem individualmente, o dinheiro é repassado ao governo cubano, que acaba entregando apenas 3.000 reais aos seus bolsistas. Do total de médicos que integram o programa, 80% são procedentes da ilha dos irmãos Castro.

O tucano afirmou considerar o programa importante, mas disse que o país “não pode cometer o equívoco de circunscrever a saúde pública ao Mais Médicos”. “Não tem por que não reconhecer. Mas tratá-lo como solução para os problemas de saúde no Brasil não é justo para com os brasileiros.”

Passe livre
Questionado se sua proposta de governo incluiria o transporte gratuito para estudantes, Aécio disse que essa é uma questão de responsabilidade dos municípios. “É uma responsabilidade municipal. Se o governo federal quiser subsidiar, tem de mostrar de forma muito clara de onde vai tirar esse recurso. Eu não acho justo, não acho que seja uma prioridade brasileira, dar passe livre para estudante de uma escola privada que paga 3.000 reais de mensalidade.”

Inflação
Aécio defendeu medidas para fortalecer a economia e criticou a gestão da presidente e adversária nas eleições Dilma Rousseff no combate à inflação. “Vamos tomar as medidas necessárias para recolocar o Brasil no rumo do crescimento sustentável, com controle da inflação e com a ampliação e melhoria dos nossos indicadores sociais”, disse. “Cresceremos menos que todos os nossos vizinhos da região. Já ultrapassamos o teto da meta [da inflação] sem que o governo acene de forma absolutamente clara com as medidas que tomaria no futuro para reverter esse quadro perverso.”

Copa do Mundo
O tucano voltou a criticar a presidente-candidata por usar politicamente o mundial de futebol no país – e depois se esconder com o fiasco da seleção brasileira. “Se tivesse ganhado, mesmo que fosse o terceiro lugar na Copa, ela seria a primeira a cumprimentar a seleção. É mais uma demonstração da tentativa de utilização política da Copa”, afirmou.

 

Por Reinaldo Azevedo

07/07/2014

às 5:05

O primeiro dia de campanha: Aécio em SP; Campos em Ceilândia e Dilma no Palácio

A campanha eleitoral para a Presidência da República já começou, ainda que em ritmo lento. Nem poderia ser diferente. O coração da nação agora está em outro lugar. Se a Seleção Brasileira passar nesta terça pela da Alemanha, aí só pensaremos no domingo seguinte. Depois haverá alguns dias ou de festejos ou de luto, vamos ver. A segunda quinzena ainda é de férias escolares. A eleição começará a frequentar as preocupações dos brasileiros em agosto. E com mais clareza a partir do dia 19, quando tem início o horário eleitoral gratuito. Neste domingo, os candidatos se mexeram um pouco.

O tucano Aécio Neves esteve na abertura do 17º Festival do Japão, em São Paulo. Estava acompanhado do governador Geraldo Alckmin; do candidato a vice na sua chapa, senador Aloysio Nunes Ferreira; e de José Serra, que disputa o Senado. Quem organizou a visita foi o vereador Andrea Matarazzo, coordenador da campanha do PSDB no Estado. Havia ali a evidência da unidade tucana em terras paulistas, coisa na qual muita gente, especialmente os petistas, não apostava.

Aécio detectou, e com razão, um movimento do Palácio do Planalto e do PT para tentar se apropriar da Copa. Afirmou: “Alguns acham que podem confundir Copa do Mundo com eleição. Não, o brasileiro está suficientemente maduro para perceber que são coisas diferentes. Falo isso porque vejo uma tentativa de certa apropriação desses eventos para o campo político”. Dilma tem criticado o que chama de “pessimistas”, que apostariam no fiasco no torneio no país e tem tentando vincular essa pregação à oposição. Em resposta, o senador mineiro tem dito que “o Brasil vai vencer no campo e nas urnas”. Aécio afirmou ainda: “Da minha parte, jamais permitirei que queiram dividir o Brasil entre nós e eles. Campanha, para mim, não é guerra”.

Eduardo Campos, do PSB, acompanhado de Marina Silva, visitou a comunidade Sol Nascente, na cidade- satélite de Ceilândia, no Distrito Federal. Ela disputa com a Rocinha, no Rio, o título de a maior favela do Brasil. Ao lado de montanhas de lixo nas vielas, o candidato discursou: “Não se pode admitir que, a 35 quilômetros do Palácio do Planalto, em um Estado governado pelo mesmo partido que o governo federal, você ande em uma comunidade que nem sequer tem o lixo retirado das ruas. Não deveriam nem disputar a eleição; deveriam ter a humildade de dizer que fracassaram”. Ele se referia, claro!, ao PT, que governa o Brasil e também o Distrito Federal.

À diferença dos dois adversários, Dilma preferiu ficar em casa neste domingo. O seu pronunciamento foi virtual. Na sua página oficial de campanha, apareceu a seguinte postagem: “Ao contrário do que pensam alguns, acho que esta vai ser uma das campanhas mais politizadas da nossa história. Espero que essa politização se dê em torno da discussão das grandes reformas que o Brasil precisa fazer para caminhar melhor e mais rápido (…). Quero renovar meu compromisso de fazer uma campanha de alto nível (…). Para mim, essa campanha é apenas uma etapa da luta incessante que nós, no PT e partidos aliados, estamos fazendo para mudar para melhor o Brasil.”

Parece que o PT vai tentar emplacar o discurso da renovação. Não deixa de ser curioso. Afinal, está no 12º ano de governo e, até agora, não fez reforma nenhuma — e até chegou a tratar o tema com certo desdém. Não custa lembrar que a questão considerada central pelo petismo é a reforma política, com financiamento público de campanha. Dilma deve abraçar a tese do plebiscito para tentar viabilizar as mudanças.

Por Reinaldo Azevedo

04/07/2014

às 21:26

Dilma fez festival de fisiologismo para conseguir aliados, diz Aloysio Nunes, vice de Aécio

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Com capital de 11 milhões de votos na última eleição para o Senado, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) foi escolhido candidato a vice-presidente na chapa do mineiro Aécio Neves após dar mostras de que pode aproximar aliados do ex-governador José Serra e reunir prefeitos e militantes no maior colégio eleitoral do Brasil – 32 milhões de votos. Ex-guerrilheiro nos anos da ditadura militar, época em que adotava o codinome Mateus, Aloysio afirma que a presidente Dilma Rousseff “dilapidou o capital político imenso que tinha”, mas ainda assim prevê uma “campanha dura” contra o PT. O tucano afirma que a petista “raspou o fundo do tacho da fisiologia”, loteando o governo a aliados para conseguir maior tempo de propaganda eleitoral na televisão. “Houve um festival escancarado de fisiologismo patrocinado pela presidente Dilma”, afirma. Leia a entrevista ao site de VEJA.

As pesquisas mostram que os eleitores querem mudança, mas não a associam a nenhum candidato. Por que o senador Aécio Neves seria essa mudança?
Fernando Henrique cumpriu uma etapa muito importante da construção do Brasil moderno com o combate e a derrota da hiperinflação e com a estabilidade da moeda. Lula preservou os fundamentos da estabilidade que recebeu e colocou o tema da igualdade e de combate à miséria absoluta no centro da agenda política. A presidente Dilma, que tinha tudo pra dar um passo adiante, não deu. Nem na infraestrutura, nem na reforma da administração, na mudança dos costumes políticos. É uma gestão errática na economia, que chega a colocar em risco uma das maiores conquistas do brasileiro, que é o controle da inflação. O senador Aécio representa uma perspectiva de mudança com essa pasmaceira e com essa mediocridade porque tem talento político, capacidade administrativa amplamente demonstrada à frente do governo de Minas Gerais e tem uma sustentação política muito forte para enfrentar esses problemas.

Qual sua principal contribuição como vice de Aécio?
A experiência política acumulada ao longo do tempo me propiciou uma rede de relações muito ampla no PSDB e nos demais partidos que integram nossa coligação. Posso ajudar o coordenador geral da campanha na articulação política, ocupar papel na comunicação da campanha e com o Congresso. Vou continuar na liderança do partido e a tribuna parlamentar poderá ser usada para defender a campanha quando considerar importante. Em São Paulo, minha principal função será ativar, estimular e engajar uma rede muito ampla de agentes políticos espalhados pelo Estado, pela região metropolitana, pelo interior.

PT e PSDB polarizam as eleições presidenciais há anos. Há o risco de o eleitor sentir que o país anda em círculos?
Não. Quando decide seu voto, a motivação partidária não é predominante. O eleitor escolhe o candidato. O eleitor quer saber o que ele vai ganhar, o que vai ter de bom e de novo com o candidato que escolhe. Eu não vejo o que a presidente Dilma pode propor de bom e de novo, sobretudo tendo em vista o retrospecto do governo dela. Que coelho ela vai tirar da sua cartola? Dilma desperdiçou uma oportunidade e dilapidou o capital político imenso que ela tinha.

A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra que a presidente tem mais pontos em todos grupos etários, na maioria das regiões, entre eleitores com diferentes graus de escolaridade.
O clima da Copa do Mundo, de congraçamento e de união, está presente no noticiário, na publicidade, até em anúncio de sabonete. É um clima muito propício e isso ajuda a melhorar o humor do eleitor. Ao mesmo tempo, a oposição também tem crescido e a diferença entre Dilma e Aécio na projeção do segundo turno vai diminuindo. Isso quer dizer que a campanha não será um passeio ou um caminho coberto de pétalas de rosas. Pelo contrário, vai ser uma campanha dura, difícil e o PT tem muitos ativos a favor deles, especialmente a máquina pública, e não hesitará em fazer o diabo para ganhar as eleições.

O PSDB negociou com vários partidos em busca de alianças e tempo de TV. Hoje os partidos de oposição no Brasil são satélites do PSDB?
Não, são parceiros. O Democratas e o Solidariedade tiveram papel fundamental nessa tessitura de alianças em todos os Estados e vão dar sustentação política muito forte à candidatura do Aécio. Na hora em que as infantarias entrarem em campo, serão milhares de candidatos a deputado estadual, deputado federal e prefeitos que vão se mobilizar. Isso vale muito mais que o tempo de TV. A aliança do PSDB é sólida, ao contrário da Dilma, que raspou o fundo do tacho da fisiologia, entregando tudo que era possível entregar e até o impossível, o que não se deveria entregar. No caso do Ministério dos Transportes, pela primeira vez um ministro é demitido porque é muito bom, é sério, é correto, porque não atende os interesses do partido. Houve um festival escancarado de fisiologismo patrocinado pela presidente Dilma.

O PSDB fez aliança com o PSB em São Paulo, com PMDB no Nordeste, mas ambos partidos serão rivais na disputa nacional
Isso mostra a força da realidade local nas eleições e revela um fenômeno, que já foi constatado no plano nacional, que é a desagregação do bloco político de sustentação do atual governo. Há sinais muito evidentes dessa desagregação: a saída do PSB com uma candidatura de oposição, o PTB, que era governista, decidindo apoiar a candidatura de Aécio. Os políticos sentem o cheiro do vento, têm sensibilidade e sabem para onde está indo o movimento profundo da opinião pública.

Nessas eleições, a internet terá um papel importante para a difusão de propostas, mas também vai possibilitar a proliferação de boatos. Como lidar com isso?
Essa boataria suja circula em um ambiente fechado. Quem frequenta esses blogs notoriamente mercenários do PT já tende a dar curso a esse tipo de coisa. As redes sociais serão mais importantes para a difusão de propostas e para esclarecer dúvidas. A xingação se esgota em um circuito fechado e não creio que vá muito além disso.

Qual o principal problema do governo Dilma?
A economia é o principal fator de desgaste do governo, com a volta da inflação sobretudo nos gêneros de consumo popular. Há também o crescimento baixo, que redunda em uma menor perspectiva de empregos de boa qualidade, em endividamento das pessoas. Isso o povo sente e é resultado de uma gestão muito ruim da economia. Mas também existem esqueletos aí prontos para estourar, como o descontrole das contas públicas e o aumento das despesas correntes.

O senhor é contrário à criminalização do aborto e do usuário de drogas e a favor da rediscussão da maioridade penal. Esses temas são recorrentes nas campanhas políticas. Como acredita que se dará esse debate nestas eleições?
Não temos uma unidade política em relação a muitos desses temas. Em muitos países, questões como essas foram decididas por plebiscito porque são temas que dividem verticalmente o sistema político. É uma questão mais de valores fundamentais do que um tema de cunho partidário e não creio que isso deva ser objeto de campanha. Em relação a drogas, o que deve ser discutido é a maneira de tratar o usuário e a forma mais eficiente de se combater o tráfico. O importante é como diminuir a demanda por drogas a partir de campanhas educativas, de mostrar que droga é uma droga e como tratar a pessoa que é vítima dessa doença. No caso do aborto, respeito as objeções morais, religiosas e até constitucionais, mas há um fato humano que precisa ser levado em conta. A mulher que decide interromper a gravidez já passa por um sofrimento muito grande e acho que seria cruel, desumano e ineficaz submetê-la a mais um castigo, o castigo da lei penal. O Aécio tem uma posição diferente da minha. Esses temas são mesmo uma questão pessoal.

No ano passado, o senhor disse que o cargo de vice-presidente é obsoleto. O que mudou?
A minha vocação fundamental em matéria de atividade política é uma vocação parlamentar, mas considero que essa candidatura é um desdobramento de toda a minha trajetória política nesses mais de trinta anos. Em todo caso, acho que a questão do vice precisa ser revista. Há outras opções para substituição, mas enquanto o cargo continua quero exercê-lo na plenitude, com dignidade e ajudando o presidente na medida das minhas forças e das minhas capacidades.

O senhor teve o nome citado no caso que apura formação de cartel e corrupção no metrô e em trens de São Paulo. Acha que esse assunto será explorado na campanha pelos adversários?
Não existe investigação em relação a mim. Houve uma citação [do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, delator do esquema]. Esse tema do metrô e dos trens está sendo investigado por iniciativa do governo de São Paulo. Existem pessoas com denúncia e com contas bloqueadas. As providências de investigação estão sendo tomadas. Se explorar em programa de TV é coisa do jogo sujo, porque não tem o que explorar. Assim como não tem que se explorar o mensalão, que já foi julgado. A Justiça foi feita e os condenados já estão cumprindo pena. Os efeitos desse episódio já se produziram, e o PT já não pode ter a pretensão de ser monopolista da ética e da virtude.

Por Reinaldo Azevedo

04/07/2014

às 3:51

Aécio comemora Datafolha e vê garantia de segundo turno

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
Candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves comemorou, no Rio de Janeiro, o resultado da última pesquisa Datafolha, feita nos dias 1º e 2 de julho e divulgada nesta quinta-feira. O instituto registrou uma redução na distância entre os candidatos de oposição e a presidente Dilma Rousseff. “A diminuição dos votos brancos e nulos asseguram o segundo turno. Dá uma grande segurança de que poderemos estar no segundo turno. Essa pesquisa foi muito positiva para a oposição”, afirmou, após uma reunião para conclusão das diretrizes do plano de seu plano de governo. O Datafolha registrou alta nas intenções de voto na presidente Dilma Rousseff (PT) de 34% para 38%, e de 19% para 20% no presidenciável tucano. A quantidade de eleitores sem candidato caiu de 30% na pesquisa anterior para 24%. Nas simulações de segundo turno, Dilma vence tanto Aécio quanto Eduardo Campos (PSB). O primeiro é derrotado por 46% dos votos contra 39%, e o segundo por 48% a 35%. “Mesmo com nível alto de desconhecimento sobre candidatos de oposição, essa pesquisa deve continuar preocupando o governo”, afirmou Aécio.

O tucano evitou detalhar o plano de governo nesta quinta-feira. A proposta vai ser protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no próximo sábado pela manhã. Depois de se encontrar com o ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia (PSDB), coordenador do programa de governo, Aécio apresentou princípios gerais, como defender reformas dos serviços públicos, da segurança pública, tributária, política e “uma ampla reforma da infraestrutura”. As propostas foram elaboradas nos últimos dois meses. Anastasia colheu e organizou propostas de um colegiado que tem, entre outros integrantes, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. “A primeira orientação foi no sentido de que o objetivo fundamental do futuro governo será ter preocupação com o bem-estar das pessoas. Como fazê-lo? O objetivo principal é implementar algumas reformas que são nucleares no Brasil, como reforma dos serviços públicos, reforma da segurança publica, reforma tributária, reforma política e também uma ampla reforma da infraestrutura que está em situação muito negativa no Brasil hoje”, afirmou Anastasia.

 O encontro ocorreu em uma espécie de quartel-general da campanha de Aécio no Rio, em um prédio comercial no Leblon, Zona Sul do Rio. Aécio destacou que as medidas detalhadas vão surgir nos próximos meses, mas adiantou que, de forma ampla, vai garantir um princípio caro a investidores globais: previsibilidade de regras.

 “Vamos apostar em parcerias com setor privado para investimentos em infraestrutura, criando um ambiente de previsibilidade. É uma palavra presente nas nossas preocupações. Medidas tem que ser previsíveis. Está claro para nós que queremos um Estado eficiente e a reinclusão da economia brasileira nas cadeias globais. Queremos uma relação com setor privado sem riscos, que estimule a retomada dos investimentos”, declarou Aécio.

 O candidato voltou a afirmar que a economia brasileira vive um processo de “estagflação” (inflação elevada acompanhada de estagnação do crescimento). E destacou que o plano de governo vai contemplar medidas que permitam o controle da inflação e a retomada de um ciclo de desenvolvimento sustentável da atividade econômica. “As medidas que serão tomadas para enfrentar essa dramática conjunção de circunstâncias serão detalhadas ao longo da campanha. Claro que queremos que o país retome o crescimento em bases sólidas, sustentáveis, controle a inflação, resgate a credibilidade do Brasil sem o exacerbado e incompreensível intervencionismo do governo federal”, disse o senador.

O plano de governo tucano deve abordar propostas para a Petrobras, um dos principais pontos de crítica no mercado em relação à gestão petista. Ações da empresa sofreram uma debandada de investidores devido ao entendimento de que a estatal é usada pelo governo para controlar a inflação, com o represamento de reajustes de combustíveis. A gestão da empresa também é criticada pelos sucessivos escândalos, como a prisão do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, acusado de comandar um esquema de desvio de verbas da Petrobras e de superfaturar obras de refinarias. O senador tucano afirmou que o governo adota medidas de “improviso”, ao ser questionado sobre a entrega de campos do pré-sal, com até 20 bilhões de barris de petróleo, para exploração da Petrobras, sem licitação, em regime de partilha, na chamada cessão onerosa. “Nas nossas diretrizes vocês vão ver algo sobre a Petrobras também. Vamos discutir à luz do dia e não nas madrugadas insones do governo as medidas mais eficazes para o país e para a Petrobras. Há um conjunto de medidas tomadas no improviso pelo governo e não há avaliação racional sobre a consequência dessas medidas”, criticou o candidato.

 No encontro, também houve críticas ao ritmo de inauguração de obras pela presidente Dilma Rousseff, na última semana permitida pela legislação eleitoral. “Estamos vendo um governo à beira de um ataque de nervos, porque usa os últimos instantes que a legislação permite para prometer novas obras que em doze anos não conseguiu fazer. Vejo um governo querendo jogar as últimas cartas, assumindo compromissos para próximos meses que não conseguiu cumprir em anos de governo. Infelizmente uma das marcas desse governo é a perda de credibilidade, o descompasso entre o que é proposto e é feito”, afirmou. Às vésperas da disputa nas quartas de final entre Brasil e Colômbia, Aécio reforçou a torcida pela seleção brasileira. “Vamos torcer muito pela Copa, o Brasil merece essa alegria. Torço muito para que Brasil ganhe, mas espero que possamos ganhar também em 5 de outubro, porque aí sim vida das pessoas pode mudar para melhor.”

Por Reinaldo Azevedo
 

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