Blogs e Colunistas

Aécio Neves

18/08/2015

às 22:01

Aécio convoca oposição para blindar TCU e TSE da pressão do governo

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, anunciou nesta terça-feira que partidos de oposição, setores independentes do PMDB e juristas devem se reunir nos próximos dias para avaliar a conjuntura política após os protestos do último domingo contra a presidente Dilma Rousseff. Uma das medidas discutidas pelos partidos é adotar estratégias para tentar blindar o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra ingerências do Palácio do Planalto. As duas cortes vão julgar processos que, nos limites, podem levar à saída da petista do poder. O anúncio ocorre um dia depois de Aécio ter almoçado com Fernando Henrique Cardoso e do próprio ex-presidente ter defendido publicamente a renúncia de Dilma como uma saída para minimizar a crise no país.

“Nesse instante, é absolutamente fundamental que todos nós voltemos nossos olhos para a ação dos nossos tribunais, seja o Tribunal de Contas da União, seja o TSE, para que não sofram qualquer tipo de constrangimento. A opinião pública do Brasil repudiou no último domingo e repudiará de forma veemente qualquer tentativa de acordo, se ele realmente houver, que signifique manietar e constranger nossas cortes”, disse Aécio.

“Para nós do PSDB, a solução será dada pela Constituição. Existem ações nos tribunais e estaremos dando prioridade à blindagem desses tribunais contra qualquer tipo de constrangimento. Dilma acha que é presidente mas não governa mais o Brasil”, afirmou. “Vamos examinar todas as alternativas e, amparados pelos juristas ligados ao PSDB, estaremos definindo de que forma vamos agir nas próximas semanas. O sentimento que colhemos é que esse governo perdeu na alma, no coração dos brasileiros quaisquer condições de permitir a retomada do crescimento, a recuperação do emprego, o controle da inflação e a recuperação da economia brasileira.”

Pela primeira vez desde o início dos protestos contra a gestão Dilma, o PSDB participou ativamente dos manifestos, colocando deputados e senadores nas ruas. “O PSDB vem acompanhando desde o início esses protestos. Nossa ausência nos primeiros protestos tinha um sentido: darmos a oportunidade que a população percebesse que não são manifestações organizadas por partidos e com objetivos que sejam menores. Hoje todos sabemos que esses movimentos são da sociedade brasileira, e o PSDB, enquanto parcela dessa sociedade, se fez presente e foi imensamente bem recebido. Temos que dar encaminhamento a esse sentimento sempre dentro do que preveem a Constituição e a lei”, disse o presidente do PSDB.

Aécio Neves ainda defendeu a manifestação de FHC favorável à renúncia da presidente Dilma e disse que o líder tucano apenas verbalizou o desejo de “milhões de brasileiros”. “A presidente Dilma pensa que é presidente, mas ela não é mais presidente da República porque teve que delegar a condução da economia, a condução da política e agora sequer tem iniciativa na agenda do país. O PSDB não fugirá a essa conexão de ser intérprete desse sentimento que tomou as ruas de todo o Brasil”, resumiu.

Por Reinaldo Azevedo

14/08/2015

às 15:44

Aécio responde à CUT: “A nossa arma é a Constituição”

“Eu quero dizer ao presidente da CUT, e principalmente aos brasileiros, que nós não vamos nos entrincheirar. Nós vamos de cabeça erguida para as ruas de todo o Brasil e levando, como nossa única arma, a Constituição do Brasil.”

A fala é do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que está em Maceió (AL), onde participou do início de uma campanha nacional de filiação ao PSDB.

Ele respondia, assim, à delinquência de Wagner Freitas, presidente da central, que pregou a luta armada para defender Dilma e Lula da força da lei.

Por Reinaldo Azevedo

27/07/2015

às 20:18

Aécio diz que PSDB apoia protesto do dia 16 e vai convidar população a participar. É o certo!

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou que seu partido vai apoiar o protesto contra o governo Dilma, marcado para o dia 16 de agosto, e que vai aproveitar inserções no rádio e na TV para convidar a população a se manifestar.

Aécio voltou a afirmar, no que está certo, que o partido não pode ser protagonista do protesto, mas que não pode se omitir.

É isto! Não é protagonista nem tem de ser. Os movimentos que hoje têm capacidade para levar milhares de pessoas às ruas são e devem continuar a ser independentes de partidos. Em parte, e só em parte, eles devem funcionar para as legendas de oposição como os movimentos sociais funcionam para o PT e para as esquerdas: ser frentes mais avançadas.

Mas insisto: só em parte deve ser assim. Os ditos movimentos sociais são franjas orgânicas do PT e de outros partidos de esquerda, de que dependem até financeiramente. Mais: seus dirigentes são também quadros partidários, e sua agenda, no fim das contas, acaba sempre se subordinando à legenda.

Não é o que acontece com os movimentos que hoje protestam contra o governo. A sua relação com os partidos de oposição, às vezes, chega a ser difícil porque suas convicções podem ser mais puristas do que permite a política. Mas isso não é mau, não! Ao contrário: é bom!

Quanto a apoiar os protestos, é evidente que o PSDB faz a coisa certa. A questão é lógica, é elementar. Só existem manifestações contra o governo, num clima de paz, sem violência, nas democracias. Logo, acusar os protestos de golpistas corresponde a desrespeitar a própria democracia.

Quase dois terços da população, segundo as pesquisas, gostariam que Dilma fosse impichada. Obviamente, a possibilidade não existe apenas porque o povo quer. Existe também porque está ancorada nas leis e na Constituição. Logo, quando o PSDB expressa o seu apoio ao protesto, nada mais faz do que, também, endossar o ordenamento jurídico do país.

O resto é terrorismo político e retórica mixuruca.

Por Reinaldo Azevedo

07/07/2015

às 16:18

Aécio reage à entrevista destrambelhada de Dilma à Folha

Leia a íntegra da nota divulgada pelo senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB:

O discurso do golpe que vemos hoje assumido pela presidente da República, e repetido pelos seus ministros e pelos petistas, nada mais é do que parte de uma estratégia planejada para inibir a ação das instituições e da imprensa brasileiras no momento em que pesam sobre a presidente da República e sobre seu partido denúncias da maior gravidade.

Para o PT, se o TCU identifica ilegalidades e crime de responsabilidade nas manobras fiscais autorizadas pela presidente da República, trata-se de golpe.Para o PT, se o TSE investiga ilegalidades na prestação de contas das campanhas eleitorais da presidente da República, trata-se de golpe.
Se a Polícia Federal e o Ministério Público investigam crimes de corrupção praticados por petistas, para o PT trata-se de golpe.Tudo que contraria o PT, e os interesses do PT, é golpe!Na verdade o discurso golpista é o do PT, que não reconhece os instrumentos de fiscalização e de representação da sociedade em uma democracia.O discurso golpista do PT tem claramente o objetivo de constranger e inibir  instituições legítimas, que cumprem plenamente seu papel.Os partidos de oposição continuarão atentos e trabalhando para impedir as reiteradas tentativas do PT para constranger e inibir a autonomia e independência das instituições brasileiras.
Senador Aécio Neves
Presidente do PSDB
Por Reinaldo Azevedo

06/07/2015

às 5:23

Íntegra do discurso de Aécio Neves na Convenção Nacional do PSDB de 2015

Brasileiros e brasileiras, tucanos e amigos de todo o Brasil. Governadores e vice-governadores do nosso partido, que hoje, aqui, emprestam grande peso político e prestígio à nossa convenção. 

Companheiros de bancada e dos partidos aliados no Congresso Nacional, bravos combatentes diários em defesa das causas do Brasil do nosso tempo. 

Prefeitos, vereadores e lideranças políticas que vieram de todos os cantos do país, para confirmar o nosso sonho comum: a construção coletiva de um novo projeto de Brasil. 

O projeto da social democracia brasileira. 

A todos cumprimento, homenageando o nosso grande líder nacional: Fernando Henrique Cardoso, o presidente mais transformador da nossa história contemporânea e que nos inspira hoje nas obrigações e tarefas do maior partido de oposição do país. 

Amigas e Amigos, 

Peço licença, aproveitando este grande ato que nos reúne, para reiterar a enorme gratidão que carrego comigo pela intensa e inestimável solidariedade que recebi na campanha de 2014. 

Quero dizer-lhes, mais uma vez: Foi - e continua sendo também agora - uma honra caminhar, ombro a ombro, lado a lado, com cada um de vocês. 

Tenho certeza: no curso deste difícil, mas recompensador caminho, fortalecemos nossas convicções. 

E nada pôde se igualar ao encontro que tivemos com milhões de brasileiros no mesmo sonho de um mesmo país. 

Enfrentamos, com a cabeça erguida e o espírito alto, a mais sórdida e covarde campanha eleitoral da nossa história. 

Respondemos aos ataques com nossas ideias e nossas melhores esperanças. 

Ofereci o que tenho de melhor, e confesso: vivi dias inesquecíveis. 

Por isso e por tudo, neste momento falo a vocês tomado pela emoção e pelo sentimento de enorme agradecimento. 

Muito obrigado a cada um de vocês. 

Amigos, também estou sinceramente honrado pela demonstração de confiança e de unidade em torno de valores, princípios e ideais que já há longos 27 anos estamos construindo juntos, e aqui hoje renovamos. 

Penso que retomamos uma preciosa vocação original. 

Lembro que, desde que foi fundado, o PSDB tem sido o abrigo preferencial de alguns dos mais qualificados quadros da vida pública nacional.

Essa condição natural nos impôs, desde sempre, a necessidade de modelar um partido aberto, diverso, democrático. 

Entre nós, jamais houve espaço para a prevalência de um pensamento monolítico. 

Ou para a hegemonia de um único líder, por mais importante que ele fosse. 

Ao contrário do que dizem, orgulha-nos ser um partido em que a democracia não é só uma palavra.  

Onde há espaço para o livre debate, respeito ao contraditório e - por que não? - posições diferentes sobre as grandes questões e causas brasileiras. 

Foi justamente esta condição que nos elevou ao alto grau de maturidade política, responsabilidade propositiva e unidade que agora vivenciamos. 

Por isso, é com grande orgulho que recebo hoje o voto de confiança dos correligionários do PSDB para continuar esta caminhada pelos próximos anos. 

Estou pronto para cumprir o meu dever. 

E saibam: tudo farei para estar à altura dos sonhos e das expectativas de cada um de vocês.

Companheiros,

O outro saldo que conquistamos diz respeito a um outro reencontro: o reencontro com a nossa história. 

Lembro-me bem: há dois anos, exatamente em uma hora como essa, eu os conclamei a caminharmos juntos nesta direção. 

E assim o fiz porque tenho convicção de que não pode haver futuro sem passado. 

Para nós, as lições e os aprendizados que generosamente recebemos de gigantes como Mario Covas e outros tantos bravos companheiros que já não estão entre nós são verdadeiros legados que nos guiam e apontam a direção. 

Que abrem as portas para o futuro. 

Com justiça e legitimidade, nos reapropriamos da herança bendita que a gestão tucana deixou para o Brasil. 

Assim, o PSDB passou a se orgulhar ainda mais de ser o PSDB, de suas convicções democráticas, das práticas de um partido modernizante e, especialmente, reformador. 

E também soubemos aprender a nossa própria lição: a história não se reescreve, muito menos é refém de circunstâncias e de conjunturas. 

A história não engana. A história é guardiã da verdade. 

Por isso, o Brasil aplaude e reconhece hoje o grande legado do presidente Fernando Henrique. 

Reconciliados com nós mesmos, estamos onde sempre estivemos: ao lado do Brasil, ao lado dos brasileiros. 

Somos o partido que lançou as bases fundamentais de uma inovadora e até então inédita rede de proteção social. 

O partido que derrotou a hiperinflação, estabilizou a economia e abriu as portas do mercado de consumo para milhões de brasileiros. 

Somos o partido que iniciou uma efetiva política de valorização do salário mínimo. 

Somos o partido que organizou as contas públicas e impôs a responsabilidade fiscal como norma inapelável. 

Que modernizou o país com as privatizações, abriu o Brasil ao mundo e o colocou em um novo patamar no concerto global das nações. 

Somos também o partido que universalizou a educação fundamental e fortaleceu o SUS. 

Ao final dos anos em que estivemos à frente do destino do país, caro presidente Fernando Henrique, as inovações e os avanços estruturais estavam distribuídos por todos os campos da vida nacional. 

O Brasil legado aos brasileiros foi um país real, muito melhor e mais avançado do que aquele que recebemos - e, em tudo, desafiador. 

E essa é a principal beleza da política e da vida pública: fazer a transformação há tanto tempo acalentada por tantos. 

Nós fizemos!

Tudo isso, infelizmente, é muito diferente do Brasil dos nossos dias. 

O Brasil que nos é apresentado diariamente não supera os limites estreitos da propaganda enganosa, movida pela fragilidade de resultados, pelo descrédito dos governantes, mas também, e especialmente, pela má-fé. 

A oposição se orgulha de ser cada vez mais oposição e de nos contrapormos a tudo de errado que assistimos, perplexos, todos os dias: hoje assistimos o resultado da pior equação que o Brasil experimentou no curso de sua história recente. 

Convivemos hoje com o dramático aparelhamento da administração federal, tomada de assalto por ativistas e amigos do poder. 

Com o compadrio que se estabeleceu como norma básica de conduta e funcionamento da máquina pública. 

Com a corrupção endêmica, que grassa no serviço público, gerando escândalos em série, intermináveis e vergonhosos, como os revelados quase diariamente pela Operação Lava-Jato. 

Convivemos com o uso de truques contábeis, as chamadas “pedaladas fiscais”, para fechar as contas do governo. 

Uma prática que pode levar a presidente da República a ter suas contas rejeitadas, algo inédito em quase 100 anos de história republicana. 

E temos, como resultado de tudo isso, um autêntico desgoverno, que abriga caprichosamente uma crônica ineficiência e premia a má gestão. 

Diante disso, não seria possível esperar qualquer outro resultado, senão as múltiplas crises que se instalaram no corpo do Estado brasileiro. 

A crise, que inicialmente era econômica, apenas uma “marolinha”, parou o país e varreu nossas esperanças.

Depois virou também séria crise política, tomada pelo descrédito total dos que estão no poder e de seus padrinhos. 

Agora, passo a passo, vai se transformando em aguda crise social. 

Na raiz de todas estas crises há uma grave distorção: a crise moral de um governo afundado em contradições, desvios e crimes de toda ordem. 

O que está acontecendo tomou tal dimensão e gravidade, que a impressão dos brasileiros é de que, há muito tempo, o governo e seu partido já não governam, tomados pela arrogância, pela ganância e pelas conveniências do seu projeto de poder. 

Mas, como diz um antigo ditado, nada é tão ruim que não possa piorar. 

O cenário adiante sinaliza que estão comprometidos e em risco os principais avanços que os brasileiros duramente conquistaram nas últimas duas décadas. 

Peço, aqui, licença para, mais uma vez, reiterar: a agenda brasileira retrocedeu 20 anos. Isto mesmo: 20 anos! 

Estamos, hoje, tendo que lidar com o que acreditávamos estar totalmente superado desde o Plano Real. 

O desafio nacional é, de novo, controlar a inflação, retomar o crescimento, garantir os empregos e evitar o agravamento da crise social na qual já estamos mergulhados. 

Fato é que a irresponsabilidade e a incompetência nos levaram à pior equação econômica entre as nações emergentes: 

Recessão com inflação alta. Descrédito aliado à desconfiança. Essa é a nossa realidade hoje.

Pelas estimativas hoje disponíveis, neste ano o mundo irá crescer em torno de 3,5%, os países emergentes vão avançar mais de 4% e a economia do Brasil vai retroceder 2%. 

Isso mesmo: praticamente todo o resto do mundo cresce enquanto nós andamos para trás, em pleno processo de estagnação. 

Uma das heranças da presidente Dilma nós já conhecemos: meia década perdida. 

Ao final de seu governo, os brasileiros terão ficado mais pobres! 

A realidade aí está: voltamos a ser um país desorganizado. Sem projeto. Sem segurança jurídica. Sem confiança no futuro. 

Entre os principais componentes desta mistura indigesta, estão a maior recessão econômica em mais de 20 anos, uma inflação altíssima e o desemprego em forte escalada.

Para os mais jovens, o quadro é ainda mais dramático, com o desemprego nesta faixa etária podendo superar 20% neste ano. 

Como consequência da condução desastrosa da economia por nossos adversários, aqueles que ainda conseguem manter o emprego e recebem salário mínimo terão aumento real de 0% nos próximos dois anos. 

Além disso, os juros do Brasil são os mais altos do mundo. 

A produção atual da indústria brasileira está no mesmo nível de 2008, com sete anos de competitividade perdidos. 

Tarifas como as de energia vêm tendo aumentos que, apenas neste ano, chegam a ultrapassar 70% em alguns casos. 

 É insuportável! 

No campo social, a realidade não é diferente. 

Hoje o Fundo Nacional da Assistência Social não consegue sequer repassar recursos para municípios manterem seus serviços assistenciais funcionando. 

Os recursos para acompanhamento do Bolsa Família estão atrasados há seis meses. 

Faz um ano que o programa não recebe reajuste, mesmo com a inflação em disparada. 

Quem paga a conta do descontrole são áreas vitais como a saúde, a educação e a segurança, cujos investimentos neste ano foram cortados pela metade. 

O que temos hoje, amigas e amigos, é um governo afogado em denúncias, paralisado pela incompetência e desacreditado pela falta de confiança. 

Um governo que não consegue apresentar saídas para as crises que ele próprio criou e continua criando. Crises que agora se agravam e punem principalmente aqueles que menos têm. 

Se tudo isso não é a falência de um governo e seu projeto de poder, o que mais pode ser? 

Os sucessivos escândalos consolidam a ideia de que instalou-se no Brasil um modus operandi organizado e sistematizado em que vale tudo para se manter no poder. 

Escândalos que agora colocam sob grave suspeição a campanha que elegeu a atual presidente e a campanha do presidente que a antecedeu, além de outras, do mesmo partido, espalhadas pelo país afora. 

A predação a que nossos adversários se lançaram com o único intuito de se preservarem no poder destruiu nossas estatais, em especial a Petrobras e a Eletrobrás. 

Não bastasse isso, também pôs sob risco algumas das nossas melhores possibilidades de desenvolvimento.

A incompetência dos nossos adversários comprometeu riquezas como as do pré-sal e atingiu conquistas de várias gerações, como a indústria nacional e o etanol. 

Aqueles que sempre nos acusaram de privatistas agora, sem qualquer constrangimento, colocam importantes ativos da Petrobras à venda, entregando o patrimônio dos brasileiros na bacia das almas. 

É a política da terra arrasada. 

O ajuste fiscal de péssima qualidade, baseado no aumento de impostos, corte de investimentos e restrições nos benefícios sociais, não resolverá a crise e tampouco as contradições do modelo. 

Para um país que precisa crescer, é inaceitável que os investimentos públicos tenham caído quase 40% desde janeiro e que os gastos permaneçam intocados.

Em época de crise e de alta do desemprego, quando os brasileiros mais precisam do apoio do poder público, o governo dos nossos adversários limita os direitos trabalhistas como o seguro-desemprego e faz, agora, o impensável: 

Com requintes de crueldade, transfere para os trabalhadores mais pobres, que ganham até dois salários mínimos, cerca de R$ 9 bilhões da conta do ajuste, adiando para o ano que vem o pagamento do abono salarial. 

A tesoura do governo também não poupa programas sociais, a começar pela “pátria educadora” que a cada dia impõe mais cortes a programas voltados ao ensino. 

Vitrines das propagandas partidárias do PT, iniciativas como o Fies e o Pronatec foram severamente reduzidas, frustrando os planos de milhões de brasileiros que buscam uma vida melhor. 

Sucatearam também as nossas universidades. 

O que temos em marcha é um ajuste sem reformas. E ajuste sem reformas não pode ter outro nome senão arrocho. É isso que nós estamos vivendo. 

Neste cenário, é nosso dever lutar pela garantia dos direitos dos cidadãos, pela preservação da nossa democracia, pela defesa das nossas instituições e pelo muito que foi conquistado até agora. 

Não tenho dúvida em afirmar que graças à atuação decidida - no Congresso e na sociedade - do PSDB, dos partidos que são nossos aliados, como o DEM, o PPS e o Solidariedade, e das forças comprometidas com a democracia, como o PSC, o PV e o PSB, o país não sucumbiu a um projeto de poder que sempre buscou ser hegemônico, que sempre conviveu mal com o contraditório, que sempre tentou silenciar as críticas e que reiteradamente aviltou as instituições e o Estado democrático de direito. 

A oposição não se omitiu.

A oposição não hesitou nem esmoreceu.

A oposição não capitulou. 

A oposição lutou e continua lutando. 

Apesar de minoritária nas disputas congressuais, ouso dizer, sem qualquer sombra de dúvida, que somos hoje amplamente majoritários no conjunto da sociedade brasileira. 

O país respira hoje, como eu disse, uma combinação tóxica que sufoca o ambiente econômico, contamina a arena política, afronta princípios caros aos brasileiros e torna a vida da nossa população ainda mais difícil. 

Devido a seus erros crassos e frequentes, a presidente não governa mais. 

Ela vê, a cada dia, o seu poder se esvair.

A presidente perdeu o controle da máquina administrativa e da agenda do Brasil. 

Foi obrigada a terceirizar a condução do país, tanto na política quanto na economia. 

O Brasil de hoje não inspira confiança em quem trabalha, em quem investe, em quem produz. 

O Brasil de hoje, com suas revelações diárias de corrupção, de desrespeito ao bem público, de descompromisso com o interesse da população, é incapaz de alimentar esperanças. 

Este não é o Brasil que queremos. 

Este não é o Brasil com o qual sonha a imensa maioria que acorda cedo todo dia para estudar, para trabalhar e lutar por uma vida melhor. 

Mantemos, amigos e amigas, a nossa profissão de fé a favor do Brasil e contra o descalabro monumental que nos espreita. 

Por isso, aproveito este momento para reiterar alguns princípios que, cada vez mais, deverão nortear a atuação do PSDB. 

Valores com os quais comungamos. Valores que professamos. 

Sentimentos que nos irmanam aos que ocupam ruas e protestam contra a destruição que nossos adversários promovem no país. 

Destruição que não deixaremos prosperar. 

Lembro, primeiro, o que está escrito no nosso registro de nascimento: o PSDB surgiu 27 anos atrás “longe das benesses oficiais, próximo ao pulsar das ruas”. 

E este continua sendo o nosso lugar. 

Nesse momento em que realizamos a nossa convenção, encontro maior de nossos companheiros de cada canto deste extraordinário Brasil, reafirmo a cada um dos brasileiros a base do nosso ideário: 

- E começo pela defesa intransigente das liberdades e da democracia, traduzida pela força da lei e a vigência de um pleno Estado de direito. 

- O respeito às diferenças, à independência e autonomia das instituições e ao interesse público. 

- O compromisso com a ética e com um Estado transformador e, sobretudo, reformista. 

- O compromisso com uma sociedade justa que priorize a atenção aos que mais precisam. 

- A busca incessante e obstinada pela retomada do crescimento econômico com justa distribuição do nosso desenvolvimento por todo o país e por todas as classes, instrumento da verdadeira ascensão e mobilidade social. 

- A restauração da confiança no país, alicerce imprescindível para que o Brasil e os brasileiros voltem a sonhar com um futuro melhor e com um presente digno.

- O fortalecimento da cidadania como alavanca de uma sociedade que se moderniza, que exige mais, que participa ativamente e não aceita ser ludibriada, enganada, passada para trás. 

- A lei é para todos e deve ser implacavelmente aplicada. Não admitimos que a afronta às normas legais se constitua, como aconteceu nos últimos anos, em conduta aceitável por parte dos comandantes do país. 

- Órgãos de fiscalização e controle devem ser crescentemente fortalecidos, sob o abrigo dos princípios republicanos. Sobretudo quando atacados por quem deveria defendê-los.

- A classe política não pode estar voltada para si mesma na busca de cargos ou poder. É preciso sempre ouvir as ruas, as famílias, os indivíduos, pois servi-los é a razão de ser da política. É preciso superar o divórcio hoje existente entre representantes e representados.

Reiteramos também como nossos princípios: 

- O apreço pelo Estado transparente, eficiente e mais próximo do cidadão. 

- Pela responsabilidade no trato do dinheiro público. 

- Pelo equilíbrio nas contas públicas. 

- É preciso, também, que o Brasil volte a se abrir aos demais países. 

- Precisamos tornar o Brasil mais produtivo e competitivo. Temos que voltar a investir em pesquisa, tecnologia, inovação, educação básica, educação de ponta, e também em maior qualificação profissional.

- Precisamos valorizar o empreendedorismo e ampliar o apoio a jovens empreendedores. 

-E, ainda, buscar transformar o Brasil num dos líderes mundiais das políticas relacionadas às mudanças climáticas, com uma nova matriz de produção baseada na sustentabilidade. Precisamos, e podemos, ser imbatíveis em energias limpas e renováveis e também em práticas industriais, comerciais e agrícolas sustentáveis. 

- Para nós, desenvolvimento econômico e desenvolvimento social são irmãos gêmeos, indissociáveis. O país precisa voltar a crescer e as políticas sociais precisam ser ampliadas. Elas não devem significar apenas mais renda, mas sim o acesso a um conjunto de serviços de qualidade, como saúde, segurança, educação, justiça, moradia, saneamento e transporte. 

- Nossa vergonhosa desigualdade social exige, para ser superada, menos marketing, mais planejamento, mais seriedade e muito mais perseverança.

Amigas e amigos do PSDB, 

Neste encontro de hoje, renovamos nossas forças e nossas esperanças em uma mudança que, cedo ou tarde, chegará. 

Quero abraçar aqueles que nos acompanharam na nossa jornada até agora e, com certeza, continuarão a nos acompanhar. 

Já éramos muitos, mas vocês sabem: à nossa luta se juntaram muitos outros milhões. De todas as regiões deste imenso país. De todas as classes sociais. De todas as idades. 

Continuemos juntos na nossa causa comum. 

Lembrando o grande mineiro Milton Campos, digo: aqui sempre haverá um palmo de chão limpo onde homens e mulheres de bem possam se encontrar. 

Mais do que nunca, é fundamental a união de todos para recuperar o país e os sonhos dos brasileiros. 

Se eu pudesse agora, ao final deste encontro, fazer a cada um de vocês um pedido, seria para que hoje - ao retornar a suas casas - levem na alma e no coração dois sentimentos que deverão nos acompanhar daqui por diante até o reencontro do Brasil com seu destino de dignidade e prosperidade. 

Resumo estes dois sentimentos em duas palavras: unidade e coragem. 

Unidade para fortalecer a nossa caminhada e coragem para enfrentarmos e vencermos os desafios que nos aguardam.

Porque esta é - agora mais do que nunca - a atitude que os brasileiros esperam de nós do PSDB: sermos, como sempre fomos, a oposição a favor do Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 20:37

Sugerir que Dilma renuncie é um ato de amor. Ou: Aécio: “Inflação ainda supera popularidade da presidente”

“A nação aguarda de forma atenta todos os desfechos dessas demandas do campo da justiça. E, para que o Brasil tenha seu sofrimento abreviado, renuncie, Dilma Rousseff”

A exortação foi feita pelo líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), nesta quarta. Leitores me perguntam se concordo. Bem, meus caros, a renúncia é um ato unilateral. Agora, se vocês querem saber se endosso a exortação, sim, eu a endosso. Até porque fiz exatamente isso no sábado, quando publiquei aqui uma síntese da reportagem da mais recente edição de VEJA, que traz o conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa. Aconselhei a presidente: “Renuncie, Dilma! Faça ao menos um bem ao Brasil. Ou aguarde o impeachment, o que vai custar mais caro aos pobres”.

E sabem por que eu acho que seria o melhor para o Brasil? Porque, com efeito, a economia vai muito mal, mas a crise política e a falta de liderança tornam tudo muito pior, não é? Vejam o caso do reajuste dos servidores do Judiciário. Só foi aprovado no Senado porque, na prática, a Presidência está vaga. Pior: no dia em que se votou aquele despropósito, ninguém menos do que Lula havia feito proselitismo entre senadores. Vale dizer: a presidente é fraca, e seu antecessor lhe faz sombra, embora seja hoje um líder em decadência. A simples substituição de Dilma já representaria um sopro de esperança.

Mas substituição por quem? Ora, pelo vice-presidente, Michel Temer.

Sim, há renúncias que podem agravar crises polítiaos, como aconteceu com a de Jânio Quadros, em 1961. Mas elas também podem ser a solução — e a de Dilma seria. Pelo caminho da denúncia em favor do impeachment, vimos um presidente mais popular do que Dilma (!!!), ser deposto. E o país melhorou, não é mesmo?

Espero que ninguém chame de “golpe” um conselho para que alguém renuncie, né? Aliás, qualquer dos três caminhos possíveis e hoje, de algum modo, abertos para Dilma ser deposta é legítimo: Lei 1.079 (crime de responsabilidade); Artigo 359 do Código Penal (lambança com as contas públicas) ou Justiça Eleitoral. A renúncia abreviaria sofrimentos. Mas isso é mesmo com ela.

Nesta quarta, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, ironizou os apenas 9% de ótimo e bom colhidos por Dilma na pesquisa CNI-Ibope: “Isso é o que temos no Brasil hoje: uma inflação que caminha para ser maior do que a popularidade da Presidente da República”.

E olhem que Aécio tem razão. O IPCA de 12 meses em maio ficou em 8,47%. A projeção do Boletim Focus para junho é de 0,72%. Ou por outra: a inflação vai acabar ganhando da popularidade de Dilma…

Nesse cenário, sugerir a renúncia, longe ser uma postura agressiva, não deixa de ser um ato de amor.

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2015

às 0:37

Em nota dura, Aécio critica Dilma por fazer comparação despropositada

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, divulgou uma nota com uma dura crítica à presidente Dilma Rousseff ter comparado os delatores da operação Lava Jato com presos políticos do regime militar. Leiam o texto.
*
As novas declarações da presidente Dilma Rousseff, dadas hoje, em NY, atestam o que muitos já vêm percebendo há algum tempo: a presidente da República ou não está raciocinando adequadamente ou acredita que pode continuar a zombar da inteligência dos brasileiros.

Primeiro, ela desrespeitou seus próprios companheiros de resistência democrática ao compará-los aos atuais aliados do PT acusados de, nas palavras do Procurador Geral, terem participado de uma “corrupção descomunal”.

A presidente chega ao acinte de comparar uma delação feita, dentro das regras de um sistema democrático, para denunciar criminosos que assaltaram os cofres públicos e recursos pertencentes aos brasileiros, com a pressão que ela sofreu durante a ditadura para delatar seus companheiros de luta pela democracia.

A presidente realmente não está bem.

É preciso que alguém lhe informe rapidamente que o objeto das investigações da Polícia Federal, do MPF e da Justiça não são doações legais feitas de forma oficial por várias empresas a várias candidaturas, inclusive a minha, mas sem qualquer contrapartida que não fosse a alforria desses empresários em relação ao esquema de extorsão que o seu  partido institucionalizou no Brasil. 

O que se investiga — e sobre o que a presidente deve responder — são as denúncias feitas em delação premiada pelo Sr. Ricardo Pessoa que registram que o tesoureiro da sua campanha e atual ministro de Estado Edinho Silva teria de forma “elegante” vinculado a continuidade de seus contratos na Petrobras à efetivação de doações à campanha presidencial da candidata do PT.

Ou ainda a afirmação feita pelo mesmo delator de que o tesoureiro do seu partido, o Sr. João Vacari, hoje preso, sempre o procurava quando assinava um novo contrato para cobrar o que chamou de “pixuleco”.

Não será com a velha tentativa de comparar o incomparável que a Sra. Presidente vai minimizar sua responsabilidade em relação a tudo o que tem vindo à tona na Operação Lava Jato.

O fato concreto é que, talvez nunca na história do Brasil, um Presidente da República tenha feito uma visita oficial a outro país numa condição de tamanha fragilidade. E afirmações como essa em nada melhoram sua situação.

Aécio Neves
Presidente nacional do PSDB

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2015

às 20:38

Exclusivo – Aécio relata o cerco aos parlamentares brasileiros e tem de interromper a entrevista de repente

Aécio Neves concedeu há pouco uma entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na rádio Jovem Pan. Entrou no ar ao vivo, enquanto o carro em que estava se encontrava cercado por milicianos de Nicolás Maduro. A entrevista teve de ser interrompida às pressas por razões de segurança. A entrevista está aqui, entre 13min25s e 19min21s.

Leia a transcrição do relato do senador.

“Nós viemos à Venezuela, e falo com você, Reinaldo, diretamente de Caracas, numa missão oficial do Parlamento brasileiro, que tem caráter humanitário, de solidariedade aos presos políticos, clamando por sua liberdade, e também fazer coro com manifestações de várias partes do mundo em busca da definição da data das eleições parlamentares, que ainda não foram marcadas.

Ao chegar aqui, nós fomos recebidos da pior maneira possível. Uma milícia organizada, provavelmente pelo governo, cercou nosso automóvel, tentando agredir senadores, tentando quebrar os vidros. Tivemos de sair da via principal, ficamos ilhados. Estamos há cinco horas ilhados numa van, sem condições de ir e vir.

Estamos conseguindo agora o retorno até o aeroporto, absolutamente sem qualquer apoio logístico. A verdade é que decidiram impedir que chegássemos à prisão onde está Leopoldo López. Estou aqui ao lado da mãe de Leopoldo. Não nos deixaram chegar a lugar nenhum.

Cometeram, Reinaldo, o absurdo de interromper todas as vias de Caracas. Caracas está um caos. Nós recebemos fotos de blindados da polícia interrompendo as principais vias para que não pudéssemos chegar a lugar nenhum.

Se alguma dúvida existia sobre o que se passa na Venezuela, não existe mais. Trata-se de um regime de exceção.

Reinaldo, Reinaldo, estamos sendo instados a mudar de carros por causa de segurança. É inacreditável o que se passa aqui! Nós vamos cobrar uma posição firme do governo brasileiro de repulsa e condenação ao que ocorre aqui. Muito do autoritarismo vergonhoso da Venezuela é responsabilidade da omissão e da solidariedade do governo brasileiro com o da Venezuela. Reinaldo, Reinaldo, estão pedindo que eu saia rapidamente… Reinaldo, estou tendo de sair rapidamente…”

Por Reinaldo Azevedo

17/06/2015

às 7:43

Informa a Justiça: petista, com cargo de chefia no Serpro, estatal federal, movia campanha suja contra Aécio no Twitter

Pois é… Quando o senador Aécio Neves (PSDB-MG) decidiu recorrer à Justiça para identificar 66 perfis no Twitter que moviam campanha sistemática contra ele, associando-o, entre outras coisas, ao consumo e tráfico de drogas e a um desvio bilionário de verbas na educação que nunca aconteceu, alguns tontos resolveram classificar tal decisão de censura. O tucano não se intimidou e fez bem. Descobriu que os ataques contra ele partiram de órgãos federais — entre eles, Serpro e Ministério da Fazenda.

A Justiça informa que um dos perfis responsáveis pela postagem pertence a Márcio Araújo Benedito,  chefe da divisão de “projetos e tecnologias educacionais” do Serpro em Belo Horizonte, segundo informa Daniela Lima na Folha. O Serpro é nada menos do que a estatal responsável pelo sistema de tecnologia da informação do governo federal. O rapaz é filiado ao PT e pertence à Comissão de Ciência e Tecnologia do partido em Minas.

Há mais. Segundo os dados fornecidos pela Justiça, Benedito usou também computadores da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, organização ligada ao MEC e ao Ministério da Ciência e Tecnologia, para espalhar as mensagens contra Aécio. Mais impressionante: foram empregadas no trabalho sujo estruturas de três Estados: Rio, Mato Grosso do Sul e Brasília.

Benedito, que não é um idiota em tecnologia, tenta se defender de um modo um tanto estranho. Indagado se usou órgãos oficiais para atacar Aécio, responde:
“Não. Primeiramente, porque não fiz nenhum tipo de comentário que possa ser interpretado dessa forma. Meus comentários se restringiram a emitir a minha opinião sobre as administrações de Minas, fazendo uso de minha liberdade de expressão e pensamento. É preciso cuidado, pois apenas os endereços IPs não são suficientes para juntar uma coisa a outra. Não tive tempo de verificar, pois alguns locais são diferentes de onde trabalho.”

Como? Nem a liberdade de expressão justifica o uso de equipamento público para fazer política, ainda que estivesse apenas “emitindo uma opinião”. Mais: as mensagens caluniosas estavam no seu perfil e, de tal sorte eram evidentes, que a sua conta foi uma das 20 cujos dados foram fornecidos aos advogados de Aécio, por determinação da Justiça. Finalmente, note-se que o emprego de robôs permite que mensagens partam de locais distintos daqueles onde estão os titulares dos perfis.

Em abril do ano passado, reportagem de VEJA revelou que um dos computadores dos quais partiam calúnias sistemáticas contra Aécio estava na Eletrobras. Informava o texto:
“Os detratores do senador se valem de estratagemas mais difíceis de ser descobertos e que requerem domínio específicos de tecnologias feitas para produzir dano. Um texto idêntico e calunioso, tendo como autor um mesmo (e falso) usuário, aparece em áreas de comentários em diferentes sites ao mesmo tempo. Isso é sinal claro do uso de robôs digitais. Um dos rastreamentos feitos por peritos localizou um dos focos de geração de calúnias contra Aécio em um computador da estatal Eletrobras.”

É preciso parar
Que bom que Aécio não se deixou intimidar por falsos porta-vozes da liberdade de expressão. É evidente que as redes sociais não podem ser empregadas para praticar crimes. Tanto pior quando os criminosos estão incrustados nas próprias estruturas do estado. É preciso pôr fim a esse tipo de banditismo.

Se querem saber com que rigor o Serpro trata a questão, leiam esta pergunta e esta resposta:
O sr. chegou a ser procurado pelo órgão em que trabalha para tratar da ação que o senador tucano move contra usuários do Twitter?
Não. Até porque minha conta é pessoal e não se mistura com nada do meu trabalho.

Entenderam? A Justiça aponta o rapaz, que exerce cargo de chefia, como o responsável pelo perfil de onde saíram as calúnias e diz que computadores do órgão e de outros entes públicos foram empregados na operação. E a estatal nem se dignou a interpelar Benedito.

O que isso quer dizer? Já não temos mais um partido a serviço do país, mas um país a serviço de um partido.

Texto publicado originalmente às 4h33
Por Reinaldo Azevedo

15/06/2015

às 6:10

Convenção do PSDB em SP vira ato em favor de “Alckmin presidente”. Ou: 2018 já começou

Melhor um partido com dois ou três pré-candidatos à Presidência do que com nenhum, desde, é claro!, que, na hora certa, eles se entendam e que as disputas internas sejam leais. Escrevo isso porque é evidente que o PSDB já tem ao menos dois nomes para 2018: um é o senador Aécio Neves (MG). Quem atingiu a sua marca na eleição passada e vai conservar a presidência do partido cogita, obviamente, concorrer de novo. O estelionato eleitoral praticado por Dilma atua como um permanente cabo eleitoral seu. A partir desta segunda, o que antes se dava como muito provável já é certo: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, vai mesmo entrar na corrida. E por que não o faria?

Alckmin se reelegeu governador no primeiro turno e ganhou a disputa em 644 dos 645 municípios de São Paulo: 99,84%, marca jamais atingida no país. No Estado, Aécio obteve mais de oito milhões de votos de vantagem sobre Dilma, e é claro que parte desse mérito é atribuída também ao tucano paulista.

A maior resistência ao petismo se dá justamente em São Paulo, como reconhece o PT. Neste domingo, foi eleita, em chapa única, a nova direção do PSDB no Estado. O presidente do diretório é o alckmista Pedro Tobias; na secretaria-geral, o deputado federal Bruno Covas, que é também do grupo político do governador.

Tobias lançou, sem meias-palavras, a candidatura de Alckmin à Presidência: “O governador, como médico, gosta de gente. Esse é o nosso governador, que cuida de São Paulo. O país precisa de um médico, porque está doente, corrompido. O país quer Geraldo presidente”.

Alckmin discursou e foi duro com o PT: “A política se exerce essencialmente com ética. O PT pode ser tudo, menos um partido político, porque um partido político se faz com ética”. E resumiu assim a situação do país: “Não é possível pagar com o futuro do Brasil as contas dos malfeitos da última década”. É evidente que essa é a fala de um pré-candidato.

Ainda que, em política, previsões com mais de três anos de antecedência valham muito pouco, há coisas que são ditadas pela obviedade: que o cenário de 2018 vá ser favorável aos que hoje se opõem ao PT, isso parece certo. Assim, se os tucanos não cometerem erros importantes, podem disputar em condições favoráveis inéditas desde 2002. Os alckmistas sempre souberam que Aécio pretende ser candidato; os aecistas sempre souberam que Alckmin pretende ser candidato. Ninguém está surpreso. A evitar, apenas a disputa fratricida. Em algum momento, será preciso estabelecer um critério para se chegar ao nome. E, mais uma vez, claro!, vai se falar de uma chapa dos sonhos, a unir São Paulo e Minas, ou Minas e São Paulo…

Aécio terá a seu favor o recall da campanha nacional; como permanecerá no comando da legenda nacional, é um porta-voz natural da oposição, e a visibilidade que tal condição lhe garante facilita o seu pleito. O ponto frágil é o resultado eleitoral em Minas, com a derrota para Dilma e a vitória do petista Fernando Pimentel. Alckmin governa o Estado mais rico do país e demonstrou impressionante musculatura eleitoral. Nestes dois anos recentes, em que a reputação dos políticos, de maneira geral, despencou, resistiu bem. Os adversários apostavam que sucumbiria à falta de chuvas e trovoadas. Não aconteceu. Mas é, obviamente, menos conhecido do que Aécio fora de São Paulo. Por mais que pesquisas sejam um retrato da hora, têm sempre um peso enorme.

Dois mil e dezoito já começou.

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2015

às 20:45

Investigação postergada pela CGU reforça possibilidade de impeachment, analisa Aécio

O presidente do PSDB, Aécio Neves, afirmou neta terça-feira que o fato de a Controladoria Geral da União, subordinada à Presidência da República, ter postergado para depois da eleição o início de uma investigação de pagamento de propina envolvendo diretores da Petrobras, constitui “certamente,  um motivo extremamente forte” em favor da tese do impeachment de Dilma Rousseff. E acrescentou: “É o Estado utilizado, como foram as empresas públicas, de forma criminosa, a serviço de um projeto de poder. Os fatos falam com muito mais poder do que qualquer líder da oposição. E esses fatos podem levar tudo isso a um novo desfecho.”

Para lembrar: Jonathan Taylor, ex-funcionário da SBM Offshore, informou à Folha ter entregado à CGU, no dia 27 de agosto do ano passado, as evidências de pagamento de propina a diretores da Petrobras. O órgão resolveu apurar o caso apenas na segunda quinzena de novembro, depois do segundo turno.

Mas os tucanos, afinal, defendem ou não um pedido de impeachment de Dilma? O senador responde: “O PSDB não tem essa decisão tomada. Existe um sentimento na sociedade majoritariamente nessa direção, como as últimas pesquisas nacionais atestaram: mais de 60% da população, mas o PSDB tem uma responsabilidade institucional, enquanto partido político, e nós estamos discutindo absolutamente todas as alternativas. Não existe uma posição até este momento, pelo menos do PSDB, de protocolar institucionalmente o pedido de afastamento da presidente, mas estamos examinando sim, em razão da sucessão de denúncias de irregularidades cometidas na eleição (…)!

O jurista Miguel Reale, no momento, avalia as acusações e indícios que há contra Dilma e as possibilidades técnicas e jurídicas para concluir se está caracterizado o crime de responsabilidade da presidente Dilma. Diz Aécio: “Nós temos a obrigação de avaliar todas as alternativas, e o impeachment, como já disse antes, não é uma palavra proibida. Impeachment não é golpe, impeachment é uma previsão constitucional.”

Temer e reforma política
Quando apenas presidente do PMDB — e vice-presidente da República, sem função governamental —, Michel Temer havia convidado Aécio e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para debater a reforma política. Ocorre que o vice passou a ser o coordenador político do governo. O status mudou, e as circunstâncias também. A conversa, diz Aécio, agora tem de ser com o partido. Para o senador tucano, esta é a última chance de fazer uma reforma, já com o número escandaloso de 28 partidos. Daqui a pouco, podem ser 40. E, aí, não se muda mais nada mesmo.

Economia
O presidente do PSDB também de manifestou sobre os péssimos números da economia brasileira, segundo análise do FMI divulgada nesta terça: “No momento em que o mundo acena para um crescimento acima de 3,5%, cresceremos, durante o período do segundo mandato da atual presidente, zero. Essa é a média que os analistas fazem. Fruto do quê? De crise internacional que já não existe? Fruto da seca? Não, fruto da irresponsabilidade de um governo, que, mesmo sabendo dos equívocos que havia cometido, não corrigiu os rumos quando precisava corrigi-los. E, hoje, o custo será pago principalmente pelos brasileiros que menos têm”.

Por Reinaldo Azevedo

10/04/2015

às 21:42

Aécio exorta a população a comparecer a protestos neste domingo

“Nesse domingo, novamente os brasileiros vão à rua e vão dizer que não aguentam mais tanta mentira, a inflação saindo de controle, o desemprego aumentando e um governo que não governa mais. Se você está com esse nó na garganta, vá para a rua, se manifeste. Vamos mostrar que o Brasil merece muito mais do que esse governo medíocre”

A fala acima é do senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do PSDB. O partido vinha sendo mais discreto no apoio às manifestações. Agora, faz uma exortação clara. Mas que se registre: as manifestações são convocadas por movimentos independentes, sem vínculo com partidos políticos.

Por Reinaldo Azevedo

11/03/2015

às 20:30

Em entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, Aécio não descarta nem presença no protesto nem impeachment — desde que “existam condições políticas e jurídicas” para o impedimento de Dilma

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) concedeu uma entrevista há pouco ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan. Embora tenha dito que não pretende participar das manifestações de domingo para “não pôr uma azeitona na empada” do governo, que caracteriza os protestos como o terceiro turno das eleições, o senador deixou no ar: “Mas eu sou um cara também de rompantes; quem sabe eu não resista na última hora e decida ir…”.

Aécio, a exemplo do que expressara nota do PSDB, deu integral apoio às manifestações e negou que seu partido esteja organizando ou promovendo o protesto, como acusou o vice-presidente do PT, Alberto Cantalice: “Ele está muito distante da realidade ou querendo zombar da inteligência dos brasileiros. Esta mesma direção do PT disse que, no domingo, o PSDB é que estava patrocinando a panelaço (…). O PT não tem capacidade de compreender o que está acontecendo hoje no Brasil. Esta manifestação [de domingo] surge de forma espontânea, de vários setores da sociedade, não sempre com a mesma bandeira, são múltiplas. E é natural que os partidos políticos, por meio de seus líderes, de seus simpatizantes, também participem dessa manifestação. Vamos acabar com essa bobagem de achar que apenas o PT pode decidir sobre o que a população brasileira deve se manifestar.”

Impeachment
Lideranças do PSDB e o próprio senador já disseram que o impeachment não é parte da agenda do partido. Perguntei a Aécio se isso significa que a legenda descarta peremptoriamente a saída. Ele respondeu:
“Não, de forma alguma! Eu disse hoje, na nossa reunião, que o impeachment não é palavra proibida. Impeachment é uma prescrição, inclusive, constitucional, desde que adquiridas as condições tanto jurídicas como políticas para a sua votação. (…) O componente de ordem política parece que cresce. E o dia 15 talvez não seja a última, mas a primeira de grandes manifestações. Mas o impeachment depende também de um componente jurídico, que pode ser que se confirme ao longo das investigações. (…) Se essas duas condições, por alguma razão, se criarem, nós temos de, com muita serenidade, discutir a questão com muita responsabilidade.”

O presidente do PSDB concluiu a entrevista fazendo um voto de que tanto as manifestações marcadas para sexta, de apoio a Dilma, como as marcadas para domingo, de repúdio ao governo, transcorram em paz, respeitando os limites legais.

Para ouvir a íntegra da sua entrevista, clique aqui.

Por Reinaldo Azevedo

21/01/2015

às 16:34

Aécio diz que oposição lutará contra pacotaço. É o certo! Até o PT está criticando as medidas. Por que o PSDB as elogiaria? Cada um no seu quadrado

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), emitiu nesta terça-feira uma nota sobre as medidas recentemente adotadas pelo governo federal. Leiam a íntegra. Volto em seguida.
*
A presidente Dilma inicia o seu novo mandato cortando direitos trabalhistas e aumentando impostos. Com isso, trai os compromissos assumidos com a população durante a campanha eleitoral.

Hoje, a presidente vetou o reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF) que havia sido aprovada no Congresso Nacional com o objetivo de garantir a correção da tabela pela inflação. Na prática, isso significa que o governo está aumentando o Imposto de Renda a ser pago pelos brasileiros.

O brasileiro tem sido a grande vítima da incompetência e das contradições do governo do PT.

Ontem, o país foi vítima de um grande apagão de energia e surpreendido com o anúncio de aumentos de impostos.

O pacote de medidas anunciado pelo governo aumentará o preço de combustível, cosméticos, produtos importados e operação de créditos. Trata-se de mais um exemplo do estelionato praticado na campanha eleitoral para reeleger a presidente. Os discursos e programas de TV do PT abusaram do terrorismo político, afirmando que a oposição promoveria arrocho, aumento de impostos e redução dos benefícios sociais. Não era verdade. O PT está fazendo o que falsamente disse que a oposição faria.

É inaceitável que medidas dessa magnitude, que afetarão a vida de milhões de famílias, sejam tomadas sem nenhum debate com a sociedade.

A oposição vai se mobilizar no Congresso Nacional para impedir que medidas que penalizam parcelas expressivas da população, em especial o trabalhador brasileiro, sejam implantadas.

Senador Aécio Neves
Presidente Nacional do PSDB

Retomo
É isso aí. Não cabe à oposição governar, mas fazer a devida crítica ao governo federal. A política não pode ser vivida como um estelionato permanente. Se a presidente Dilma achava necessárias as medidas em curso, que o dissesse. Em vez disso,  a petista garantiu que elas compunham o rol de intenções de seu adversário: justamente Aécio Neves.

O adesismo da oposição e da imprensa ao estelionato de Lula, desde 2003, resultou em quê? Há quem ganhe e quem perca com as medidas adotadas por Dilma. A oposição precisa dar os devidos nomes.

Fundação
A propósito: a Fundação Perseu Abramo, do PT, largou o braço nas medidas econômicas adotadas por Dilma. Está lá: “O problema é que, diante da continuidade de um mundo em crise e da desaceleração abrupta do mercado interno (último motor de crescimento da economia nacional que ainda funcionava), a possibilidade de esses ajustes aprofundarem as tendências recessivas da economia nacional não é desprezível”.

O texto diz ainda que o pacote fiscal “indica uma clara inflexão na estratégia da política econômica” e que o governo Dilma abandonou a agenda de incentivo à competitividade das empresas, como desonerações tributárias. Então tá. Será que é possível, a exemplo de 2003, de o petismo, sendo governo, criticar o governo, e a oposição, sendo oposição, elogiá-lo?

Aécio está certo. Quem tem o bônus de governar tem de ter o ônus. A propósito: o ônus da oposição é ficar fora do poder; o bônus, a liberdade de crítica. Isso não se confunde com sabotagem. Trata-se apenas de clareza.

Por Reinaldo Azevedo

20/01/2015

às 3:10

Aécio pergunta: “Onde está a presidente?”. Ou: Por que Dilma não foi à TV e deixou a tarefa para Joaquim Levy? Ela terceirizou o governo?

O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, divulgou uma nota nesta segunda, depois do anúncio de medidas na área fiscal feito pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em que se lê o seguinte:

“Onde está a presidente?

O Brasil está assustado com o tamanho da herança maldita que o primeiro governo Dilma deixou para o país. Apagão, racionamento de energia, aumento de impostos, cortes de direitos trabalhistas já preocupam e demonstram como milhões de brasileiros foram enganados durante a campanha eleitoral. Os erros do governo do PT não podem mais ser ‘escondidos embaixo do tapete’.  E a conta de todos esses erros será, injustamente, paga pela população.

Em meio a tudo isso, o país se pergunta: onde está a presidente?

Duas características são essenciais a um governante: responsabilidade e coragem.

Durante a campanha eleitoral, faltou responsabilidade à presidente. Focada apenas em vencer as eleições, a candidata adiou medidas necessárias que agora, diante de um quadro agravado, vão custar ainda mais caro à população.

Hoje, falta à presidente coragem para olhar nos olhos dos brasileiros e reconhecer que está fazendo tudo o que se comprometeu a não fazer.

Ao se omitir no momento do anúncio de medidas que afetarão gravemente a vida do nosso povo, a presidente parece querer terceirizar responsabilidades que são essencialmente dela.

A pergunta que milhões de brasileiros se fazem hoje é: onde está a presidente?”

Retomo
É evidente que as medidas anunciadas por Joaquim Levy vão na contramão de tudo o que prometeu a candidata Dilma Rousseff. O estelionato é, então, duplo: em primeiro lugar, elas revelam um país que não apareceu na campanha eleitoral. Ao contrário: Dilma afirmou que o Brasil estava pronto a entrar numa nova etapa de desenvolvimento.

Quem conhecia o riscado sabia que se tratava de uma mentira escandalosa. Mas quantos dispunham dos dados necessários para entender o que estava em curso?

Ao omitir dos brasileiros as dificuldades por que passava o país, a presidente também escamoteou as escolhas que seria levada a fazer. De certo modo, o estelionato é triplo: ela foi além de dizer que não faria o que está fazendo: acusou seu adversário de ter a agenda que ela própria aplica agora.

Há mais a dizer: quando se tratou de anunciar o desastrado corte da tarifa de energia, Dilma foi duas vezes à televisão. Agora, largou para o ministro da Fazenda a tarefa de anunciar o pacote de maldades que ele também negou solenemente que estivesse em curso em café da manhã com jornalistas na semana passada. Não que devesse antecipá-lo. Mas por que negar?

Dilma assumiu o segundo mandato faz 20 dias e conquistou a reeleição faz três meses. Largar para o ministro da Fazenda a tarefa de anunciar um pacote dessa magnitude corresponde, sim, a terceirizar o governo.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2014

às 22:25

Aécio: “Se denúncia for comprovada, eleição de Dilma é ilegítima”

O senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, disse o necessário — e escandalosamente óbvio — nesta quarta, depois que veio a público parte do conteúdo do depoimento de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, um dos executivos da Toyo Setal. Segundo ele revelou no âmbito da delação premiada, parte da propina paga pelas empreiteiras foi convertida em doação regular ao PT entre 2008 e 2011 — Dilma Rousseff foi eleita presidente em 2010.

Afirmou Aécio: “Se comprovadas essas denúncias, é algo extremamente grave. Nós estamos frente a um governo ilegítimo. Essa é a denúncia a meu ver mais grave que surgiu até aqui”. Ele tem razão. O tucano se disse “estarrecido” com a revelação e cobrou que a denúncia seja investigada. “Essa organização criminosa que, segundo a Polícia Federal, se instalou no seio da Petrobras, participou da campanha eleitoral contra nós.”

Sim, participou. E se trata, com efeito, de uma organização criminosa por qualquer critério que se queira.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2014

às 1:27

“Eu perdi a eleição para uma organização criminosa”, diz Aécio Neves

No Globo:
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato à Presidência derrotado nas eleições de outubro, afirmou que não perdeu nas urnas para um partido político, mas para uma “organização criminosa” existente em empresas apoiadas pelo governo da presidente Dilma Rousseff (PT). A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila, da GloboNews, que foi ao ar na noite de sábado. “Na verdade, eu não perdi a eleição para um partido político. Eu perdi a eleição para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinadas por esse grupo político que aí está”, disse o tucano.

Na entrevista, Aécio fez várias outras críticas a Dilma, sua adversária nas eleições de outubro. Ele afirmou que Dilma se mantém no poder às custas do que classificou como “sordidez” investida contra os oponentes, em especial durante a campanha eleitoral. “Essa campanha passará para a História. A sordidez, as calúnias, as ofensas, o aparelhamento da máquina pública, a chantagem para com os mais pobres, dizendo que nós terminaríamos com todos os programas sociais. Não só eu fui vítima disso. O Eduardo (Campos) foi vítima disso, a Marina (Silva) foi vítima disso e eu também. Essa sordidez para se manter no poder é uma marca perversa que essa eleição deixará”, disse Aécio a Roberto D’Ávila.

Para o tucano, um ataque em campanha eleitoral, com respeito a determinados limites, “faz parte do jogo”. Ele ressaltou que a disputa entre candidatos deve ser de ideias, não de caráter pessoal. O senador lembrou que os embates com a presidente durante a campanha foram duros: “Eu tinha que ser firme, mas sempre busquei ser respeitoso. Mas, nesses embates, eu representava o sentimento que eu colhia no dia anterior, ou no mesmo dia de manhã, de uma viagem que eu tinha feito por alguma região do Brasil. Eu passei a ser porta-voz de um sentimento de mudança e também de indignação com tudo isso que aconteceu no Brasil.”

A comparação do PT com uma organização criminosa feita por Aécio não caiu bem no partido da presidente. O secretário nacional de Comunicação do partido, José Américo, considerou a declaração irresponsável e típica de quem não sabe se conformar com a derrota na eleição. José Américo disse que não viu a entrevista toda, mas vai pedir ao departamento jurídico do PT para analisar se é o caso de buscar alguma ação na Justiça contra o tucano. “É desagradável. Aécio mostra que não sabe perder. Não é só um problema político, ele está abalado psicologicamente. A derrota em Minas abalou Aécio porque, ao perder no seu estado, perdeu também a corrida dentro do próprio PSDB. Está em desvantagem na sociedade e no PSDB. E aí faz uma acusação irresponsável desse tipo”.

Na mesma entrevista, Aécio alertou para o risco de o Judiciário brasileiro ser politizado pelas indicações que a presidente Dilma fará para tribunais superiores. Ao longo do novo mandato, a petista indicará pelo menos seis dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque cinco dos atuais ocupantes das cadeiras completarão 70 anos, limite para a aposentadoria compulsória, até 2018. A outra vaga foi aberta em julho deste ano, quando o ministro Joaquim Barbosa pediu aposentadoria.

A presidente Dilma também fará seis nomeações para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos próximos quatro anos. O STJ é composto de 33 ministros. Antes de tomar posse, o ministro escolhido precisa passar por sabatina no Senado. Aécio pediu atenção aos parlamentares. “É preciso que o Congresso esteja muito atento às novas indicações, seja para o STJ, seja para o STF. Não podemos permitir que haja qualquer tipo de alinhamento político do Judiciário brasileiro. A sociedade está mais atenta do que nunca para que as nossas instituições sejam preservadas”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

12/11/2014

às 19:40

Aécio: Oposição vai tentar derrubar manobra fiscal e, se preciso, vai à Justiça

Na VEJA.com:
O senador tucano Aécio Neves disse que a oposição vai trabalhar para derrubar a proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que elimina da meta fiscal o limite de abatimentos de gastos com PAC e desonerações. “Estaremos vigilantes para impedir um cheque em branco para o governo”, disse. Segundo Aécio, que foi derrotado por Dilma Rousseff no pleito presidencial deste ano, afirmou que o Planalto quer, com a mudança, produzir um déficit e chamá-lo de superávit.

Aécio disse que, além de derrubar a proposta, a oposição estuda tomar medidas judiciais contra a proposta do Executivo. “Vamos discutir, inclusive, do ponto de vista judicial, quais as demandas cabíveis porque a presidente da República incorre em crime de responsabilidade se não cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal”, afirmou o tucano, em entrevista na saída do plenário do Senado. Para o tucano, o governo deveria ter a “humildade” de dizer que fracassou. “Um governo que foi perdulário, que não foi responsável do ponto de vista da administração dos gastos públicos, não tem autoridade moral para pedir ao Congresso que altere uma lei por ele aprovada”, disse.

Aécio lembra que até poucos meses atrás, as principais autoridades do governo diziam que cumpririam o superávit primário de 1,9% do PIB. Contudo, até o momento, tem-se apenas um déficit de 15 bilhões de reais. Também nesta quarta-feira, a manobra fiscal que o governo tenta emplacar no Congresso foi alvo de críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. FHC ironizou a iniciativa, dizendo que nem mesmo o Rei Pelé conseguiria driblar a meta fiscal. “É um drible que não da certo, vai mostrar a incompetência de bem gerir a economia do Brasil. É um gol contra, não tem sentido”.

Segundo o ex-presidente, se aprovada, a proposta de lei permitirá que o governo termine o ano com déficit fiscal, sem que seja penalizado por isso. “Dilma falou que eu quebrei o país três vezes. Não sei quando. Agora é ela quem está quebrando (o Brasil)”, disse FHC, durante palestra num evento de tecnologia, em São Paulo.

Por Reinaldo Azevedo

05/11/2014

às 20:54

O que significa “dialogar” para um partido de oposição? Ou: Papel da oposição é fazer oposição

Em toda parte, e aqui também, vocês lerão que, em seu primeiro discurso no Senado depois das eleições presidenciais, o tucano Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, condicionou o “diálogo” com o governo Dilma à apresentação de propostas concretas e a uma efetiva investigação dos malfeitos do petrolão. A notícia está certa. Ele realmente afirmou o seguinte: “Qualquer diálogo estará condicionado ao envio de propostas que atendam aos interesses dos brasileiros e, principalmente, tem que estar condicionado especialmente ao aprofundamento das investigações e exemplares punições àqueles que protagonizaram o maior escândalo de corrupção da história do país, já conhecido como petrolão”.  Muito bem. Infiro, no entanto, que não foi o aspecto mais importante de sua fala. Até porque é preciso entender que diabos, afinal, significa “diálogo”.

O eixo do discurso do meu gosto pessoal — e que creio bem mais importante politicamente — está em outro trecho. Afirmou Aécio: “Quero aqui, do alto desta responsabilidade, reafirmar (…) que, de todas, a mentira foi a principal arma dos nossos adversários. Mentiram sobre o passado para desviar a atenção do presente. Mentiram para esconder o que iriam fazer tão logo passassem as eleições. Fomos acusados de propostas que jamais fizemos. Assistimos a reiteradas tentativas de reescrever a história, sempre nos reservando o papel de vilões que jamais fomos e não somos”. Já escrevi aqui e reitero: o PSDB — e partido algum! — não pode mais ser refém da narrativa criada pelo PT.

É preciso, de resto, que a gente se pergunte o que quer dizer “diálogo” em política? Ora, os partidos da base governista dialogam entre si, certo? Cada um tem uma pretensão. Apoio não se dá em troca de nada. Há reivindicações e concessões. É o diálogo. Para um partido de oposição, o que significa “dialogar”? Como é que republicanos e democratas dialogam nos EUA? Como é que democrata-cristãos e social-democratas dialogam na Alemanha? Eu digo como: vigiando-se! É, é isto mesmo: vigiando-se! Até havia pouco, em larga medida, o PSDB sambava na mão do PT por excesso de… como direi?, governismo! É preciso saber ser oposição.

Vamos a exemplos práticos? Faz sentido um partido de oposição aprovar uma medida ruim para o país só porque é oposição? Esse é o PT. Votou contra o Plano Real, votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, combateu as privatizações… Porque essas medidas eram ruins? Não! Porque era oposição. Não creio que seja esse o papel do PSDB ou de qualquer oposição responsável.

Pensemos agora na reforma política. É possível conciliar as pretensões do PT com as do PSDB? Não! Esse “diálogo” tem de ser feito só no ambiente do Congresso? Também não! O âmbito há de ser as ruas, a sociedade organizada, a opinião pública. É possível conciliar a visão que o PT tem da economia com o diagnóstico dos tucanos? Até onde se sabe, também não!

Aécio falou de uma sociedade que despertou. É ela a fonte de sua legitimidade. Para encerrar, lembro de todos os estelionatos eleitorais já cometidos por Dilma do dia 27 de outubro, o seguinte ao segundo turno, a esta data. Em nome do diálogo, deve-se abrir mão de fazer essa denúncia? É claro que não! E Aécio as fez. Só existe conversa entre os que preservam a sua identidade e não abrem mão de seus princípios.

Por Reinaldo Azevedo

05/11/2014

às 20:09

Da tribuna, Aécio condiciona diálogo à investigação sobre petrolão

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Volto no próximo post.
O senador Aécio Neves completou nesta quarta-feira o roteiro previsto para reforçar seu papel como líder da oposição: em um pronunciamento feito na tribuna do Senado, ele deixou claro que, impulsionada pelos 51 milhões de votos nos tucanos no segundo turno, a postura da oposição deve ser muito mais dura no segundo mandato.

No discurso, Aécio condicionou o diálogo com a presidente Dilma à apresentação de propostas e ao compromisso do governo com a investigação completa dos desvios na Petrobras. “Agora os que foram intolerantes durante doze anos falam em diálogo. Pois bem: qualquer diálogo estará condicionado ao envio de propostas que atendam aos interesses dos brasileiros e, principalmente, tem que estar condicionado especialmente ao aprofundamento das investigações e exemplares punições àqueles que protagonizaram o maior escândalo de corrupção da história do país, já conhecido como petrolão”.

Em seu pronunciamento, Aécio atacou os métodos usados pelo PT na campanha, com o uso de boatos e ofensas pessoais para atingir os adversários. “Mostraram que não enxergam limites na luta para se manter no poder. A má-fé com que travaram a disputa chegou às raias do impensável, do absurdo e agrediu a consciência democrática do país”, disse ele.

O tucano mencionou especificamente a campanha do medo sobre o possível fim do Bolsa Família. “Espalharam o medo entre pessoas humildes, manipularam o sentimento de milhares de famílias negando-lhes o livre exercício da cidadania. Essa intimidação e essa violência só têm paralelo em regime que demonstram muito pouco apreço pela democracia”.

Aécio também ressaltou o que, na visão dele, foi o lado positivo da campanha: o crescimento da militância contra o governo. “Nós assistimos, senhoras e senhores, ao despertar de um novo país. Sem medo, crítico, mobilizado, com voz e convicções, que não aceita mais o discurso e a propaganda que tenta justificar o injustificável”, afirmou.

O tucano disse que nunca havia subido a uma tribuna no Congresso com tamanha carga de responsabilidade quanto nesta quarta-feira. E prosseguiu: “Quero aqui, do alto desta responsabilidade, reafirmar (…) que, de todas, a mentira foi a principal arma dos nossos adversários. Mentiram sobre o passado para desviar a atenção do presente. Mentiram para esconder o que iriam fazer tão logo passassem as eleições. Fomos acusados de propostas que jamais fizemos. Assistimos a reiteradas tentativas de reescrever a história, sempre nos reservando o papel de vilões que jamais fomos e não somos”.

O senador tucano mencionou ainda a resolução que o PT divulgou na quarta-feira, defendendo o controle da mídia, a democracia direta e a construção de uma “hegemonia”. “Precisamos estar atentos aos nossos adversários, que, poucos dias depois das eleições, divulgam um documento oficial ao país que mostra sua verdadeira face: a da intolerância, a da supressão das liberdades, a dos ataques às instituições”, disse ele.

O tucano continuou: “Nossos adversários de novo não se constrangem em propor um projeto que se pretende hegemônico, o oposto daquilo que a democracia pressupõe: liberdade de escolha, alternância de poder”. Aécio encerrou o discurso dirigindo-se a seus eleitores: “Digo em nome dos nossos companheiros de oposição. Agora e a cada dia dos próximos anos estaremos presentes”.

 

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados