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LEIAM ABAIXO

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 | 5:47

- AS DUAS MORAIS QUE AMORIM TEM E A QUE ELE NÃO TEM. OU: ELE QUER É BOMBA!;
- PELO AMOR DE DEUS, PETRALHAS!;
- COMISSÃO DA VERDADE É COMISSÃO DA CALÚNIA, DIZ GENERAL DO ALTO COMANDO;
- Musa da Beleza Interior;
- STF barrou “Estado policial”, diz Gilmar Mendes;
- NÃO AVISEM O JOELSON. SERIA INÚTIL;
- Brasil está isolado no apoio ao Irã;
- O AVATAR, PROVOCAÇÕES E TROCA DE NOMES;
- UM LEITOR FALA EM NOME DE MINAS, E EU FALO EM MEU PRÓPRIO NOME, COMO SEMPRE;
- SERRA E SUA EXCELÊNCIA “O TELESPECTADOR NINGUÉM”;
- CUIDADO!!! UMA FALA QUE VEM LÁ DO REINO DOS MORTOS!;
- O FATOR ALENCAR: É BOM TUCANOS VOLTAREM À PRANCHETA - OU TEREM UMA AO MENOS;
- A DOENÇA COMO SOLUÇÃO, NÃO COMO METÁFORA

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Por Reinaldo Azevedo

AS DUAS MORAIS QUE AMORIM TEM E A QUE ELE NÃO TEM. OU: ELE QUER É BOMBA!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 | 5:37

No dia 22 de junho do ano passado, Celso Amorim fazia um comentário sobre a situação de Honduras e as sanções econômicas àquele país:
“É preciso que compreendam [referia-se ao governo Micheletti] que eles têm que sair, que estão apenas retardando sua agonia, porque eles não têm condições de ficar. Com prejuízo para o povo hondurenho que vai sofrer se eles não saírem logo, à medida que essas ajudas sejam cortadas, que comece a faltar dinheiro para pagar o funcionalismo.”

No dia 7 de julho, o governo democrático de Honduras continuava firme, e Amorim concedeu uma entrevista a Deborah Berlinck, de O Globo, em que VOLTOU A DEFENDER SANÇÕES. E explicou por que queria  punir aquele país, mas era favorável ao fim do embargo à Cuba: “Cuba foi uma revolução, enquanto Honduras foi um golpe de Estado típico de uma direita que não tem mais lugar na América Latina”. Entenderam?

Agora vejam o vídeo abaixo, extraído do Jornal Nacional, em que Amorim volta a falar sobre sanções. Só que, agora, ao Irã:


Celso Amorim tem adquirido uma certa palidez que eu espero seja apenas cínica, não clínica. Parece bem de saúde. Tal aspecto só pode ser conferido mesmo por seu caráter. Como se nota, quando um país é governado por alguém que Amorim acha “de direita”,  ele defende sanções e acha que o povo pode pagar o pato. Quando é um governo de esquerda ou quando é uma tirania teocrática,  coisas que ele aprecia,  então se enche amor pelos pobres. Tenho receio de gente que é incapaz de corar.

Eu vou sempre insistir neste aspecto: o apoio do Brasil ao Irã é, em si, uma boçalidade, mas é também incompatível com os esforços de sete anos para ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Ora, quem vai confiar numa diplomacia como essa?

A hipótese benevolente e, a meu ver, remota é a de que, agindo assim, Lula e Amorim estão atraindo os holofotes para o Brasil, e isso seria mais uma evidência da relevância do país etc. Mas a estratégia seria tão tola que não pode ser levada a sério. Amorim é desastrado, incompetente, contraproducente, mas, evidentemente, burro não é. Guardem estes textos sobre o Irã num arquivo qualquer. Um dia saberemos o que se esconde por trás ou por baixo desse alinhamento absurdo.

É PRECISO QUE SE DESTAQUEM DUAS COISAS QUE PODEM SE PERDER NESTE IMBRÓGLIO:
a) o Brasil está defendendo o “direito” de o Irã enriquecer urânio e
b) está se opondo às sanções da ONU.

No vídeo acima, o Megalonanico aproveita para fazer demagogia: sanções só prejudicariam os mais pobres. Se isso é uma sentença definitiva, então há de se supor que elas não devam mais integrar o repertório de retaliações possíveis no concerto das nações. Pois bem, sendo assim, e dado que o Irã não aceita negociar, o que resta então? A resposta é óbvia.

O mais escandaloso na fala de Amorim, como se nota acima, é que ele FOI O MAIS ENTUSIASMADO DEFENSOR DA APLICAÇÃO DE SANÇÕES CONTRA A POBRE HONDURAS. O Brasil liderou a grita para isolar aquele pobre país. E o que faziam os hondurenhos? Apenas davam sentido prático à sua Constituição democrática.

A leniência da imprensa brasileira com este senhor, guardadas as exceções, é asquerosa. De certo modo, ela tem culpa no cartório. Entrou no barco furado do suposto “golpe de Honduras” e passou a ser porta-voz de uma diplomacia que, a cada dia, alcança baixuras novas. UM DIA HAVEREMOS DE NOS ESCANDALIZAR COM O FATO DE QUE AMORIM FOI UM DOS PATROCINADORES DE UMA CONSPIRAÇÃO QUE TENTOU LEVAR A GUERRA CIVIL A HONDURAS.

Fiquem atentos à leitura dos jornais. Não será difícil identificar as e os colunistas abduzidos por toda aquela porcaria teórica que hoje se produz no Itamaraty em nome da autodeterminação dos povos. Não se esqueçam de que essa gente, há dias, resolveu hostilizar o trabalho dos EUA no Haiti na suposição de que o Brasil poderia comandar o trabalho de socorro imediato a um país devastado. Fazia proselitismo e produzia antiamericanismo rombudo sobre 200 mil cadáveres.

Imaginem o que não estão pensando do governo brasileiro neste momento alguns líderes que chegaram a confundir a força da nossa economia, que depende pouco da vontade de Lula, com maturidade de sua diplomacia para participar dos grandes embates mundiais — e isso depende muito de Lula. O fiasco está aí; está dado.

Se as sanções forem eliminadas do cardápio de medidas, como quer Celso Amorim, então só pode restar mesmo a guerra.

Proselitismo
O mais assustador nessa loucura é que o raciocínio do Megalonanico ou conduz à guerra ou conduz à bomba. Como a guerra ele não quer, então ele quer a bomba. Imaginem: armas nucleares nas mãos de uma tirania teocrática, expansionista e terrorista. Saibam que há correntes na diplomacia e no governo brasileiros que lastimam o fato de o Brasil ter aderido em 1998 ao Tratando de Não-Proliferação Nuclear (TNP). A tese é a de que um país só se torna realmente respeitável com armas nucleares.

Comecem aí a fazer a contagem regressiva até que alguém deixe escapar alguma pista a respeito. Na visita de Ahmadinejad, Lula já deu a deixa: se alguns podem, por que os outros não? Mesmo que um dos “outros” seja o Irã.

Atenção! Caso Dilma Rousseff seja eleita, essa linha ora adotada pelo Itamaraty tende a se aprofundar. Como sabem, o Fórum Econômico Mundial concedeu a Lula o título de “estadista global”. Pois é… No discurso lido por Amorim, há lá uma cascata de o Brasil não querer ser mais um dos líderes de um mundo velho, mas uma liderança nova num mundo novo. Se não for literalmente isso, eu certamente melhorei a estrovenga. Hoje, o governo Lula se habilita a ser apenas o novo líder dos delinqüentes de sempre.

Um dia saberemos por quê.

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Por Reinaldo Azevedo

PELO AMOR DE DEUS, PETRALHAS!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 | 5:35

Petralhas, pelo amor de Deus! Parem de me cobrar que eu seja MENOS IMPARCIAL”, seus ruminantes! Vocês querem dizer “menos parcial”, entenderam? SERÁ QUE EU PRECISO LHES ENSINAR ATÉ O MODO COMO DEVEM TENTAR ME OFENDER???

É incrível! Eu juro! São dezenas de comentários por dia:
Por que você não é menos imparcial?”;

“Seja menos imparcial”;
“Sempre entendi que um jornalista não pode ser imparcial”.

O que é que essa gente come? Como diria Dilma Rousseff no programa da Luciana Gimenez: “Come verde”!!!

A espécie humana é mesmo escolhida por Deus, não é? E, nos seus desígnios insondáveis, Ele permite essa diversidade. Em que outra espécie exemplares assim chegariam à vida adulta, à idade da reprodução? Em nenhuma!

E não venham me dizer que se trata apenas de desconhecimento do sentido das palavras. Essa gente pode não saber o que quer dizer “apropinquar-se”, mas sabe, sim, o sentido de “imparcial”. O problema não é de dicionário, mas de filosofia da linguagem e de matemática.

É na hora de o advérbio modificar o substantivo que o Tico tá um teco no Teco e fica ali sozinho, maquinando… “Agora vou provocar aquele reacionário do Reinaldo Azevedo e vou perguntar por que ele não é MENOS IMPARCIAL“.

Como a palavra “imparcial já tem o prefixo que indica negação, na hora de agregar o advérbio “menos” ou “mais”, ocorre um daqueles tumultos cerebrais bem típicos de quem tem de articular os membros dianteiros com os traseiros. Imaginem um pobre petralha tendo de lidar com uma equação assim: PEDIR A ALGUÉM QUE SEJA MAIS O “NÃO” DE ALGUMA COISA!!! Porque é isso o que ocorre, certo? Se você diz “seja MAIS IMparcial”, está dizendo: “Seja MAIS NÃO-PARCIAL”.

Ser MAIS NÃO? Trata-se de uma operação complexa demais. Então mandam ver: “UM JORNALISTA TEM DE SER MENOS IMPARCIAL, REINALDO AZEVEDO!!! Eu até tenderia a concordar com o coitado se ele não estivesse tentando dizer o contrário…

Só uma bobagem? Uma frescurinha para falar mal da turma? Não exatamente, embora eu considere uma missão civilizatória desmoralizar petralhas. Essa confusão é emblemática de uma cultura política incapaz de distinguir o bem do mal; o verso do inverso, a virtude da delinqüência. Quando me mandam essas “recomendações”, entendem que a única maneira de ser “imparcial” é concordar com eles. ESSA GENTE ODEIA A LIBERDADE!

Sim, petralhas! Eu lhes prometo: JAMAIS SEREI IMPARCIAL DIANTE DO MAL!

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Por Reinaldo Azevedo

COMISSÃO DA VERDADE É COMISSÃO DA CALÚNIA, DIZ GENERAL DO ALTO COMANDO

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 | 5:31

Circula na rede uma nota do general Maynard Marques de Santa Rosa, chefe do Departamento-Geral do Pessoal do Exército e membro do Alto Comando, afirmando que a tal Comissão da Verdade é uma “Comissão da Calúnia”. Segundo o general Maynard, “confiar a fanáticos a busca da verdade é o mesmo que entregar o galinheiro aos cuidados da raposa”. Mais: “A ‘Comissão da Verdade’ de que trata o Decreto de 13 de janeiro de 2010 certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o seqüestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime, para alcançar o poder.”

Segue a íntegra:
A verdade é o apanágio do pensamento, o ideal da filosofia, a base fundamental da ciência. Absoluta, transcende opiniões e consensos, e não admite incertezas.

A busca do conhecimento verdadeiro é o objetivo do método científico. No memorável “Discurso sobre o Método”, René Descartes, pai do racionalismo francês, alertou sobre as ameaças à isenção dos julgamentos, ao afirmar que “a precipitação e a prevenção são os maiores inimigos da verdade”.

A opinião ideológica é antes de tudo dogmática, por vício de origem. Por isso, as mentes ideológicas tendem naturalmente ao fanatismo. Estudando o assunto, o filósofo Friedrich Nietszche concluiu que “as opiniões são mais perigosas para a verdade do que as mentiras”.

Confiar a fanáticos a busca da verdade é o mesmo que entregar o galinheiro aos cuidados da raposa. A História da inquisição espanhola espelha o perigo do poder concedido a fanáticos. Quando os sicários de Tomás de Torquemada viram-se livres para investigar a vida alheia, a sanha persecutória conseguiu flagelar trinta mil vítimas por ano no reino da Espanha.

A “Comissão da Verdade” de que trata o Decreto de 13 de janeiro de 2010, certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o seqüestro de inocentes e o assalto a bancos, como meio de combate ao regime, para alcançar o poder.

Infensa à isenção necessária ao trato de assunto tão sensível, será uma fonte de desarmonia a revolver e ativar a cinza das paixões que a lei da anistia sepultou.

Portanto, essa excêntrica comissão, incapaz por origem de encontrar a verdade, será, no máximo, uma “Comissão da Calúnia”.

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Por Reinaldo Azevedo

Musa da Beleza Interior

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 | 5:29

Ontem, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) deu uma desancada na ministra Dilma Rousseff no Senado. Afirmou:

“Essa mentira [sobre números do PAC] que foi colocada pela ministra Dilma não pode ficar passando como verdade, e, de novo, essa liderança de silicone que está sendo construída, falsa, bonita por fora, mas falsa por dentro, sem dúvida nenhuma, precisa começar a ser desmascarada”.

Comento
Tasso não teria invertido as coisas? Será que ele não quis dizer que ela é bonita por dentro e falsa por fora?

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Por Reinaldo Azevedo

STF barrou “Estado policial”, diz Gilmar Mendes

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 | 5:27

Por João Domingos, no Estadão:
A sociedade brasileira, o Judiciário e o Ministério Público viveram “um quadro de terror” durante o predomínio do “Estado policial”. Essa situação só começou a ser mudada em 2007, com a reação iniciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ontem o presidente da corte, ministro Gilmar Mendes.

“Todos estávamos amedrontados. A polícia dizia o que o juiz e o promotor deviam fazer”, disse ele, no lançamento do Observatório das Inseguranças Jurídicas no Campo, iniciativa da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) para tentar reduzir as invasões de terras.

“Era um quadro de terror. Quando o magistrado resistia a esse tipo de ameaça, era atacado. Às vezes, a Polícia Federal prendia até 100 pessoas numa dessas operações espetaculares e muitas nem sequer responderiam a um processo à frente.”

“Tenho muito orgulho de ter iniciado a reação a isso, durante a Operação Navalha”, declarou. A ação da PF foi deflagrada em maio de 2007, para apurar irregularidades que teriam sido encabeçadas pela Construtora Gautama, em contratos com a União e governos estaduais.

O discurso foi uma resposta às queixas da CNA, de que há insegurança jurídica no País, principalmente em relação aos conflitos agrários. Mendes fez um discurso de mais de uma hora para mostrar o que o STF tem feito justamente para reduzir a insegurança jurídica.

O ponto mais exaltado foi o que acabou com as operações “espetaculosas” da PF. “Foi no auge daquele processo que o Supremo editou a Súmula Vinculante 11 e acabou com o uso das algemas, com a exposição excessiva das pessoas.”

Segundo ele, havia até uma mídia a serviço dos excessos da PF. “Quando o Estado é policial, não há democracia, há totalitarismo.”

Mendes afirmou que a criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ajuda o Judiciário a se tornar mais ágil e a combater desmandos e irregularidades no Poder. Ele citou a proibição do nepotismo nos tribunais como um exemplo do combate ao tráfico de influência e à corrupção.

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Por Reinaldo Azevedo

NÃO AVISEM O JOELSON. SERIA INÚTIL

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 21:12

Lula inaugurou, em companhia de Dilma, um campus avançado da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em Teófilo Otoni, Minas. E mandou ver:

“Eu não posso falar o que vocês estão falando porque a lei não permite. Mas podem ficar certos de uma coisa: nós vamos fazer a sucessão desse País para dar continuidade ao que nós estamos fazendo. Porque esse País não pode retroceder, esse País não pode voltar para trás como se fosse um caranguejo. O pobre aprendeu a ter auto-estima. O pobre aprendeu a levantar a cabeça. Ele aprendeu que é bom conquistar as coisas e nós não vamos parar mais”.

E o que “o povo” (o “povo” arranjado dos comícios) estava “falando”? Ora, gritando “Dilma presidente”. E Lula, como se nota, não fez campanha, né? Não adianta apelar ao TSE porque o ministro Joelson Dias, que não é zagueiro do Mocoembu de Dois Córregos, diria: “O que é que tem? Ele não está pedindo voto”.

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Por Reinaldo Azevedo

Brasil está isolado no apoio ao Irã

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 21:04

Pronto! A Rússia já se moveu mais um pouco e reconhece que só o diálogo será incapaz de demover o Irã de sua aventura nuclear. Mais: as preocupações dos governos ocidentais, diz Moscou, são pertinentes.

Sobrou o Brasil como aliado de Mahamoud Ahmadinejad. Sobrou Celso Amorim. Os aiatolás e aquele terrorista que governa o Irã deveriam se mirar no exemplo de Honduras. Amorim, como se sabe, foi um dos comandantes da “resistência” — no caso, RESISTÊNCIA À DEMOCRACIA. Deu no que deu.

Os iranianos deveriam se lembrar que Amorim perde todas.

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Por Reinaldo Azevedo

O AVATAR, PROVOCAÇÕES E TROCA DE NOMES

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 20:55

Leiam estes mimos:

“Se quiserem comparar, nós vamos comparar. Número por número, casa por casa, obra por obra”, afirmou Dilma, sem citar nenhum nome da oposição.

“Nós temos orgulho do nosso governo e temos orgulho do líder que nos lidera nesse governo, que é o presidente Lula”.

“Quando ocorre um alagamento, quando ocorre um desbarrancamento, o pessoal fica espantado porque quem morre são os mais pobres (…) Morrem os mais pobres porque não teve uma política habitacional nesse país que fizesse com que essas pessoas não fossem obrigadas a morar na beira do córrego, na beira do rio, na beira da lagoa, num fundo de vale ou na encosta de um morro.”

Comento
Bem, vocês sabem quem fala. É Dilma Rousseff, o avatar de Lula. Insiste na estratégia do confronto entre os governos Lula e FHC, em comparar passados. O PT, é óbvio, mente sobre os seus feitos, maximizando-os, e sobre os do antecessor de Lula, minimizando-os. Mas tem a máquina na mão. Lula investe na desconstrução da imagem de FHC desde 1994 ao menos. Esse jogo é conveniente aos petistas — razão por que o PSDB deveria fugir dessa cilada em vez de cair nela.

Este é o único ativo de Dilma: provar que não existe. E nisso ela é verdadeira. Não existe mesmo. Notem que tenta opor o “seu” líder, Lula, que está no poder, àquele que seria o líder do adversário, cujos nomes não pronuncia: FHC e Serra, respectivamente.

Explora, de maneira que considero desavergonhada, a tragédia das pessoas vítimas das chuvas. Lula, ele mesmo, disse que a questão não tem cor partidária. Dilma opta pela politização do desastre, estratégia certamente decidida pelo partido. O PT está no oitavo ano de governo. O tal programa “Minha Casa, Minha Vida” ainda não chegou a 40% do famoso lote de um milhão de casas. E daí? Dilma discursa como se estivesse na oposição — “os outros” são culpados. Nesse caso, note-se, a imprensa paulistana lhe deu o discurso de mão beijada.

Naquele post sobre a sua entrevista a Luciana Gimenez, falei sobre a sua falta de jeito. Pois é… Em Governador Valadares, saudou o povo de… de Juiz de Fora. Na Vila Palmeiras, referiu-se à Vila Palmares. Vai ver são ecos do passado, né? Vai ver estava pensando na VAR-Palmares.

VAR-Palmares? O grupo terrorista Colina (Comando de Libertação Nacional), de Dilma, fundiu-se com a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) para criar a VAR-Palmares — Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, em homenagem ao quilombo. Foi a turma que roubou o cofre de Adhemar de Barros. Depois a VPR foi reconstruída, com Dilma.

Ela não tem presente, e seu futuro depende inteiramente de Lula. Tem o quê? Só o passado: VAR-Palmares.

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Por Reinaldo Azevedo

UM LEITOR FALA EM NOME DE MINAS, E EU FALO EM MEU PRÓPRIO NOME, COMO SEMPRE

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 19:50

Um leitor que se identifica por “Renato Racional” me manda o seguinte comentário:

Reinaldo,
queria te pedir em nome de MG que não deixasse passar comentários do tipo “mineiro só é solidário no câncer”(e ainda por cima com deboche), pois, alguns leitores desse blog acham que estão falando de qualquer um, tenham respeito com Minas Gerais, não tem animal aqui pra ficarem batendo, batendo que assim vai sair os votos para o PSDB/serra, se Minas é o ponto importante nessa disputa, é porque há anos não temos um candidato à Presidência com condições de vitória como é hoje o Aécio, e vemos todos implorando voto para o Serra pela segunda vez (primeira em 2002) e ao mesmo tempo desdenhando de Minas e do Aécio, coloquem as barbas de molho que aqui não tem trouxa nem capacho de ninguém.

REINALDO RESPONDE
Renato, as manifestações de preconceito contra Minas e contra qualquer estado são proibidas — e coibidas — aqui. Mas vamos parar de chamar de preconceito o que não é. Essa história do “só é solidário no câncer” nasce de uma brincadeira de Nelson Rodrigues com o mineiríssimo Otto Lara Resende. Pare de enxergar chifre em cabeça de cavalo e tenha um pouco mais de humor. Pare de ver preconceito onde não existe, ou toda e qualquer análise ou referência a Minas terão de contar com uma advertência prévia: “Este analista gosta de Minas e não quer ofender ninguém”. Não dá!. É falsa a afirmação de que está havendo agressões a Minas.  Não posso proibir os leitores de expressarem a sua opinião, a exemplo do que você faz. O fato de muitos discordarem de você não os torna preconceituosos ou antimineiros.

Não será o seu comentário um tanto preconceituoso? Você já já me viu a falar aqui “em nome dos paulistas”? Não! E não falo porque não fui eleito para isso, como você não foi para falar em nome dos mineiros. E você? Não é agressivo? Aqui ninguém “implora” coisa nenhuma! O curioso é que você, sob o pretexto de combater o preconceito alheio, fala como se Minas fosse uma inteireza, uma unidade, e a eleição, uma questão de justiça ou injustiça com o estado. E isso, meu caro, perdoe-me a franqueza, é só uma bobagem. Até porque já existe uma candidata viável que é de Minas. Ou não?

Eu estou pouco me lixando que apontem defeitos nos paulistas. Eu nasci em SP, mas me sinto mesmo é pertencente à minha família. Nessas coisas, é preciso ser coerente: se você se irrita quando dizem “o mineiro é ISSO”, sendo esse ISSO uma coisa ruim, tem de contestar quando dizem “o mineiro é AQUILO”, sendo AQUILO uma coisa boa. Entendeu? Ou a generalização é aceitável quando nos agrada e inaceitável quando nos desagrada?

Em viagens, já ouvi algumas vezes: “Ah, você é de São Paulo? O povo de lá é muito trabalhador”. Respondo invariavelmente: “Depende! Conheço um monte de vagabundos”. Entendeu? Você nasceu em Minas, eu nasci em São Paulo. E não acho que, por isso, você possa falar de Minas com mais propriedade do que eu, e eu, de São Paulo com mais propriedade do que você. O QUE VAI CONTAR É A QUANTIDADE DE INFORMAÇÕES, NÃO O BERÇO. Costumo dizer que poucas coisas provocam erros tão clamorosos e definitivos quanto a experiência pessoal. Um repórter que estivesse cobrindo a Segunda Guerra entre os alemães certamente se convenceria da brutalidade dos aliados, não é mesmo? Quem estava em Dresden (pesquise se não souber do que falo) não duvida de que os facínoras eram os adversários dos alemães. E, tomado aquele evento na sua particularidade, eram mesmo. Mas é preciso ver além do particular.

Vamos devagar com o andor! Poucas coisas me incomodam mais do que certas acusações que nascem de uma espécie de imagem do espelho: semelhante, porém invertida. Se alguém me diz: “É chegada a hora de Minas ter o presidente”, eu indago: “Por quê?” Existe por acaso rodízio e fila entre os estados? Quantas são as Minas particulares dentro das Minas Gerais? Se não concordo, sou, então anti-Minas? Ora… E isso vale para São Paulo e para qualquer lugar.

Renato, que tal sermos simplesmente brasileiros? Ser mineiro, paulista ou piauiense  é grande demais para gente comum como nós. Deixe essa bobagem para o discurso dos políticos.

Cordialmente,
Reinaldo


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Por Reinaldo Azevedo

SERRA E SUA EXCELÊNCIA “O TELESPECTADOR NINGUÉM”

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 19:01

Vale a pena ler esta notícia no Estadão Online. Comento em seguida:

Irritado com pergunta, Serra acusa TV de parcialidade

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), irritou-se hoje com a pergunta de uma repórter da TV Brasil sobre a falta d”água na capital paulista. Em entrevista coletiva, no Palácio dos Bandeirantes, após o anúncio do reajuste de 2010 do piso salarial regional, a jornalista questionou como Serra via o fato de 750 mil pessoas estarem há três dias sem abastecimento.
O governador limitou-se a dizer que a Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) está “fazendo o possível” para consertar a adutora que rompeu no domingo. “Já tinham dito que iam consertar até ontem. Não consertaram. Não sou eu que vou fazer previsão agora.”
Depois da rápida resposta, Serra passou a criticar a emissora de televisão. “Espero que a TV Brasil tenha o mesmo interesse (que tem por São Paulo) com cada Estado e cada município.”
Questionado por outra jornalista se sentia-se perseguido pela TV Brasil, o governador respondeu: “Não, de forma nenhuma. Pelo contrário. É um interesse grande que eu gostaria que fosse disseminado por todo lado. Espero que essa disseminação seja total, não sempre parcial como tem sido.”
Lançada em outubro de 2007 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a emissora pública compõe a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A rede é vista com desconfiança por políticos de oposição. A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), recusou, em janeiro, transmitir de graça a TV Brasil no Estado. Preferiu pagar R$ 20 mil por mês para veicular programas da TV Cultura, de São Paulo.

Madonna
Para tentar amenizar o desconforto causado pelas críticas, Serra brincou com os jornalistas ao ser perguntado sobre a visita que receberá amanhã à tarde no Palácio da cantora americana Madonna. “Quem publicar a melhor notícia sobre o piso (regional) vai ter acesso a ela”, propôs Serra, que disse estar “curioso” sobre a visita da popstar.

Comento
É claro que o Estadão Online força a barra. No máximo, o texto autoriza que se diga que o governador sugeriu a parcialidade. Acusar, ele não acusou. Mas isso é de menos agora (embora eu volte ao caso). O mais notável é outra coisa. Muito mais gente ficará sabendo dessa história porque o Estadão Online noticiou e porque eu estou, vá lá, repercutindo do que por causa da TV Brasil, que ninguém vê.

Quanto à questão da parcialidade: vou pesquisar se repórteres da TV Brasil já aproveitaram aqueles momentos em que Lula se dispõe a falar para tratar de questões pontuais da administração. Se não houver, é parcialidade. Sinal de que Franklin Martins e Tereza Cruvinel estão fazendo um bom treinamento da equipe para sua Excelência o Telespectador. É claro que o cálculo pode ser outro: “a gente pergunta para pautar os outros”.

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Por Reinaldo Azevedo

CUIDADO!!! UMA FALA QUE VEM LÁ DO REINO DOS MORTOS!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 18:45

cerbero

Como os leitores conhecem o meu proverbial bom humor, sempre imaginaram que eu me referisse a Marco Aurélio Top Top Garcia como “O Rei do Tártaro” em homenagem a seus dentes, que ele trocou. Assim como o lobo muda de pêlo, mas não de vício, MAG muda de dentes, mas não de idéia.

Não! Eu me referia ao outro Tártaro, sabem?, o Reino de Hades, o reino dos mortos, onde, mora Cérbero, um cão de três cabeças rodeada de serpentes, que podia até ser muito caroável se não fosse contrariado. É verdade que o conjunto de metáforas já foi mais ativa: os dentes de Cérbero eram negros e cortantes, e sua mordida, mortal. Ele ficava do outro lado do Aqueronte, no meio do pântano, num antro asqueroso. Ladrava o tempo todo, com as três bocarras sempre abertas.

Vocês sabem a história ao menos de ouvir falar. Orfeu o fez adormecer, tocando a sua lira, quando foi em busca de Eurídice. Deífobe, conduzindo Enéias, também o levou a cair no sono com um pedaço de bolo de mel e sementes de papoula. Como vêem, esse papo da papoula é antigo… Adiante.

Marco Aurélio Garcia não adormece. De jeito nenhum! Ele continua a guardar a entrada do Inferno com dedicação. Todas aquelas idéias autoritárias geradas dos miasmas pantanosos do, calculem!!!, socialismo continuam no mesmo lugar. O homem é um dos formuladores do programa de governo de Dilma Rousseff. Vamos ver o que informa Bernado Mello Franco em O Globo:

Escalado para coordenar o programa de governo da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência, o professor Marco Aurélio Garcia anda preocupado com a influência da TV a cabo sobre os corações e mentes dos brasileiros. No sábado, o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais discursou sobre o tema em debate na sede nacional do PT. Em meio a discussões sobre política externa, ele surpreendeu com um libelo contra o que chamou de “hegemonia cultural dos Estados Unidos”. Marco Aurélio comparou a influência da indústria de entretenimento ao poderio bélico da 4ª Frota, a divisão da Marinha americana que atua no Atlântico Sul.

“Hoje em dia, quase tão importante quanto a 4ª Frota são os canais de televisão a cabo que nós recebemos aqui. Eles realizam, de forma indolor, um processo de dominação muito eficiente. Despejam toda essa quantidade de esterco cultural”, esbravejou.

Em tom de alerta, o assessor de Lula disse que a esquerda precisa reagir à difusão de valores capitalistas:
“Estamos vivendo um momento grave do ponto de vista de uma cultura de esquerda. A crise dos valores do chamado socialismo real e a emergência desse lixo cultural nos últimos anos nos deixaram numa situação grave.
O petista também reclamou de um suposto marasmo intelectual no Brasil, comparando os dias atuais a momentos de efervescência cultural das décadas de 1930 e 1950:
“Hoje vivemos uma transformação do ponto de vista econômico-social muito mais importante do que no passado. No entanto, temos um deserto de idéias, um deserto de produção cultural. Isso é um problema no qual temos que pensar.

O coordenador da campanha de Dilma disse que o Brasil foi programado para ser um país pequeno e defendeu o fortalecimento das estatais no governo Lula. Ao condenar o avanço da direita na Europa, fez uma recomendação à platéia:
“Nunca subestimem a estupidez humana. Quem subestimou a estupidez humana se deu mal na História.”

Voltei
E então? Gostaram? A TV a cabo chega ainda a uma minoria de brasileiros. Deduz-se do pensamento deste gigante que isso é uma coisa boa porque, desse modo, os brasileiros ficam, então, expostos a menos “lixo”. Não que eles não tenham tentado alternativas, como a Lula News, a TV que junta as características mais salientes de Franklin Martins e Tereza Cruvinel. A estrovenga não consegue sair do traço.

Mais uma vez…
Não! Se Dilma for eleita, ela não vai tentar o socialismo. O socialismo, aquele velho modelo, está morto, ninguém mais quer saber. Quando o Rei do Tártaro fala no dito-cujo, ele pensa apenas num sistema em que um partido único governa a sociedade e zela pelos valores tornados hegemônicos. Isso pode ser conseguido com o modelo chinês ou com um variante do fascismo.

É preciso fazer essa modulação. Vocês leram num post abaixo o presidente da Odebrecht, uma das maiores empresas do mundo, a exaltar as qualidades de Hugo Chávez. Entre elas, afirmou, está o fato de ele ter voltado as costas para os EUA e ter supostamente unificado a América. A Odebrecht tem negócios na Venezuela, e o “socialismo bolivariano” de Chávez não a incomoda. Suponho que seja até o contrário: as ditaduras costumam ter mecanismos mais “rápidos” de decisão. Por lá, por exemplo, o Congresso e a Justiça não criam embaraços a empreiteiras que sejam amigas do ditador.

Assim, quando MAG fala em socialismo, ele está falando APENAS EM DITADURA. É o que ele quer. A ditadura do partido único, em que o estado, por meio desse ente de razão, regule tudo o que passa na TV e é noticiado na imprensa. Ao lado, claro, de ter o comando da economia e decidir quem é e quem não é livre na livre iniciativa. O PT baba pelo modelo chinês!!!

ENGANAM-SE OS QUE ACHAM QUE O PT DESISTIU DE CENSURAR A IMPRENSA E DE AVANÇAR SOBRE A RADIODIFUSÃO. ENGANAM-SE OS QUE ACHAM QUE O PT DESISTIU DA DITADURA.

O Rei do Tártaro, nada menos que um dos formuladores do programa de Dilma, está dizendo o que pretende.

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Por Reinaldo Azevedo

O FATOR ALENCAR: É BOM TUCANOS VOLTAREM À PRANCHETA - OU TEREM UMA AO MENOS

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 16:29

A eventual candidatura de José Alencar ao governo de Minas é, potencialmente ao menos, o evento mais importante desta fase de pré-campanha. Para começo de conversa, arma-se um palanque poderoso para Dilma Rousseff no estado, cujo eleitorado é considerado, não sem motivos, importante para definir o próximo presidente da República.

Por razões que vocês conhecem, e que não cabe elencar agora para não desviar o foco, o Nordeste estará em peso com a candidatura que Lula escolher. As pesquisas já refletem isso. É a única região em que Dilma hoje lidera a disputa. O ainda não-candidato José Serra está na ponta nas demais, mas cercado de incógnitas e dificuldades.

Entendo, estabelecendo um paralelo para que vocês percebam com clareza os caminhos que estou trilhando, que os eleitores de Minas e São Paulo deveriam ser, para o candidato tucano, o que é o eleitorado nordestino para Dilma: uma espécie de rede de segurança, para que, então, se tentasse conquistar o que, de fato, estaria em disputa. Daí decorre a minha avaliação, por dedução lógica, de que um candidato tucano tem de ter Minas. Ou suas chances se reduzem drasticamente. O PSDB sabe disso, claro. E, por isso,  tem sonhado com a possibilidade de Aécio aceitar ser vice de Serra.

Ocorre que o PT se antecipou em alguns lances e mandou uma coluna de tanques para o estado. Houvesse mar em Minas, eu escolheria outra metáfora: mandou toda a Armada. O eventual sucesso de uma chapa encabeçada por Serra continua a depender, entendo, de Aécio aceitar o desafio: mas, acreditem, a importância dessa escolha também tem de ser repensada à luz da nova realidade.

A eventual pregação de José Alencar apelará aos mais “profundos sentimentos de Minas”. Aécio, sem dúvida, passa a ter um desafio no seu próprio terreno se é real a determinação de fazer Antonio Anastasia seu vice. Sabe que a figura de Alencar  tornou-se inatacável. “Mineiro não ataca nunca, Reinaldo”. Falso! Márcio Lacerda só venceu a prefeitura de Belo Horizonte porque houve a opção por triturar Leonardo Quintão; a campanha não teve nada de “light”.  Ocorre que não dá para desconstruir Alencar.

Aécio tem, é fato, um estoque de realizações a exibir; Alencar tem uma mensagem que apelará a uma espécie de messianismo decoroso, cordato. O lado “obreiro” ficará por conta de sua parceria com Lula. E estará amparado por PT, PMDB mais a estupenda máquina da candidatura Dilma. Será uma parada dura.

Acho que o PSDB tem de voltar à prancheta. Ou, se me permitem a blague, tem de ter uma prancheta, qualquer uma. Serra, Aécio, Sérgio Guerra, FHC, Tasso Jereissati — a cúpula do partido, enfim — têm de pensar a nova realidade. Não adianta fingir que Alencar não é um fato novo. É.

Ademais, não custa lembrar: o eleitorado paulista tem-se mostrado mais refratário ao PT do que o de Minas. Não é impossível, mas acho improvável que Dilma consiga liderar a disputa em São Paulo em qualquer quadro. A questão de sempre permanece: como as oposições podem engajar o eleitorado mineiro nessa nova realidade? E, curiosamente, essa questão agora é importante também os tucanos… mineiros!

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Por Reinaldo Azevedo

A DOENÇA COMO SOLUÇÃO, NÃO COMO METÁFORA

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 15:54

Hoje, o candidato do Planalto ao governo de Minas é José Alencar, vice-presidente. Mais do que o acerto político, a linguagem que acompanha a decisão já está consolidada. E até o jornalismo escolhe um caminho, vamos dizer assim, decoroso. Câncer, em muitos casos, ainda é “aquela doença”. Ou, como se dizia no meu interior, e os mais antigos ainda dizem, “doença ruim”. Mais e mais se pronuncia o seu nome, mas permanece aquela bruma de decoro. No Estadão, por exemplo, lê-se o que segue — cito só um exemplo, que já se espalha:

Ele lembrou ontem, em Belo Horizonte, depois de um encontro com o governador Aécio Neves (PSDB), que só tomará uma decisão na segunda quinzena de março, depois que fizer exames para saber se está curado do câncer no abdome. “Antes disso não tomo decisão nenhuma”, declarou. O vice-presidente ainda fez questão de dizer que sua preferência é por um cargo legislativo.

Se Alencar dependesse do parecer dos médicos, desistiria desde já. Eles não dirão que seu câncer está curado de jeito nenhum. Se disserem, ou um milagre terá acontecido ou estarão mentindo para atender à agenda política. O sarcoma que ele tem é incurável segundo o que há na literatura médica. Mesmo nos casos em que a cura é possível, antes de um determinado número de anos, varia de acordo com o tipo da moléstia, não se fala em “cura”. Nem Dilma pode-se dizer “curada”. No máximo, ela pode se declarar sem a doença agora.

Deixo claro — e acredite quem quiser — que torço pela recuperação de ambos. Há uma  dimensão puramente humana nessa história. Conheço o horror de uma gente bucéfala que se organiza para torcer contra a saúde alheia e que não reconhece limites na divergência política e ideológica. Desejar a morte daquele de quem se discorda não deixa de ser um ato de terrorismo moral ao menos. Desejo é saúde aos dois.

E isso não me impede de lembrar um célebre ensaio de Susan Sontag  —acho meio bobo, mas ficou famoso: A doença como metáfora. Vivemos os tempos da “doença como solução”. A de Dilma serviu para consolidar a imagem da batalhadora, daquele que enfrenta qualquer dificuldade. Recuperem o noticiário: foi ali que ela se firmou. A de Alencar está servindo para impor um redutor a todas as disputas no campo governista mineiro. Nem PT nem PMDB se oporão a Alencar. No máximo, haverá disputa, entre os petistas, para o lugar de vice.

E o lugar de vice, nessas circunstâncias — tanto as de Alencar como as de Dilma  — tem um peso que jamais teve no Brasil, incluindo o caso de Tancredo Neves. Ninguém sabia do seu real estado de saúde. Agora, sabe-se bem mais. Mas uma nuvem de decoro impede o noticiário político de fazer não exatamente especulações, mas deduções lógicas. Nos EUA, os três tratamento contra melanoma de John McCain podem lhe ter tirado alguns milhões de votos. No Brasil, tendo a achar que a doença pode render alguns milhões.

A eventual candidatura de Alencar — se estiver em condições de disputar, não “se estiver curado” — tem desdobramentos importantes na política mineira e também na sucessão. Falo a respeito no próximo post.

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Por Reinaldo Azevedo

LEIAM ABAIXO

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:51

- LULA E AMORIM PÕEM O BRASIL DE BRAÇOS DADOS COM UM GOVERNO TERRORISTA;
- SOBRE ESTAR DE COSTAS E ESTAR DE FRENTE;
- FOI DILMA QUE FEZ? NÃO FOI! FOI UM LEITOR DO BLOG!!!~;
- MARTA DÁ AULA PRÁTICA A KASSAB SOBRE COMO TRATAR MORADOR DE ÁREA ALAGADA;
- AGRURAS DE UM HERÓI DA RESISTÊNCIA;
- AQUI, APRESENTO A PROVA DOS NOVES DO QUE ENUNCIO NO POST ANTERIOR;
- MANDA-CHUVA DO PT COMANDA CONFRONTO COM PM;
- COMO SEMPRE SE DISSE AQUI;
- FHC e a “direita”;
- Um artigo certo no momento errado;
- Os petralhas e Gengis Khan;
- Jornalismo e penúria

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Por Reinaldo Azevedo

LULA E AMORIM PÕEM O BRASIL DE BRAÇOS DADOS COM UM GOVERNO TERRORISTA

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:35

O Irã anunciou que começa hoje um processo de enriquecimento de urânio a 20% — era de apenas 3,5%. Em outubro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) propôs que o material fosse enviado para ser tratado no exterior, o que, em tese ao menos, facilitaria o controle e criaria empecilhos para o seu uso com fins militares. Há poucos dias, o governo deu sinais de que poderia aceitar a proposta. Ontem, o presidente Mahamoud Ahmadinejad surpreendeu o mundo e a AIEA com o anúncio — só não sei se surpreendeu Celso Amorim. Talvez não.

Eis o Irã; eis a sua política. Desde que tiveram início as pressões contra o programa nuclear secreto, ele só avançou. O mundo que conta reagiu de modo muito duro. Até a Rússia, que costuma se opor a propostas de sanções e que defende o desenvolvimento do tal programa nuclear para fins pacíficos, deu sinais de impaciência e recomendou ao país que aceite a proposta da AIEA. Só uma voz se vez ouvir pelo quase silêncio: a do Brasil; mais propriamente, a de Amorim.

Estados Unidos e França continuam a falar, sim, em negociação, mas agora já acreditam que negociar compreende aplicar sanções. A União Européia e a ONU também protestaram. Não! O Brasil não protestou. Na prática, Amorim saiu em defesa do Irã e disse apostar nas negociações. A proximidade do Brasil com um governo que financia o terrorismo e que desenvolve um programa nuclear secreto é tal que até os mesmos argumentos podem ser encontrados na boca dos barbudos daqui e de lá. Mohsen Shaterzadeh Yazdi, embaixador do Irã em Brasília, afirmou: “Ao contrário de outros países, que reagiram contra o anúncio do presidente Ahmadinejad, o Brasil não pensa em colonizar outro país (…). Os países que reagiram têm forte armamento nuclear. Se falam a verdade sobre o Irã, que destruam primeiro os seus arsenais antes de dar conselhos aos outros.” ATENÇÃO: ESTA FOI EXATAMENTE A FALA DE LULA QUANDO AHMADINEJAD ESTEVE NO BRASIL! Sem tirar nem pôr.

E isso implica, por dedução absolutamente lógica, que o Irã quer mesmo as armas nucleares: ora, se os países que reagem negativamente são hipócritas porque criticam o Irã tendo seus próprios arsenais, há que se ficar com um de dois corolários possíveis:
1 – os que detêm arsenais devem destruí-los, e isso os igualaria ao Irã;
2 – se aqueles não destroem, o Irã faz o seu, e isso o igualaria aos demais países.

Reitero: a boçalidade dita por Yazdi é originalmente de Lula. E isso é nada menos do que a defesa, na prática, de o Irã desenvolver armas nucleares. Aí perguntam os “simplórios”: mas não pode? NÃO! NÃO PODE!!! Os iranianos não disfarçam que um de seus objetivos é destruir Israel. Os iranianos financiam hoje o terrorismo em pelo menos três países — Israel, Líbano e Iraque. Os iranianos vieram praticar atos terroristas aqui do lado, na Argentina. E estão brincando com fogo também. Porque não duvidem: antes que o país tenha, sabe-se lá em que prazo, condições de fazer a bomba, Israel se encarregará de mandar pelos ares suas instalações nucleares — E ESTE NÃO É SÓ UM DIREITO QUE ISRAEL TEM: É UM DEVER!!! E o mundo pode conhecer, então, o inferno.

Enganam-se aqueles que pensam que o governo israelense, seja ele de que inclinação for, precisa da concordância dos EUA para isso. Se chegar à conclusão de que está ameaçado, agirá com ou sem concordância. Se a aplicação de sanções depende da Rússia e da China, o ataque militar só depende de Israel achar que PIOR SERIA NÃO AGIR. E agirá. E o mundo estará diante de uma crise de proporções inimagináveis.

Irresponsáveis
Esse risco, que é real — ou melhor: dada a premissa de que o Irã um dia pode chegar à bomba, a reação preventiva de Israel é certa como a luz do dia —, só dá conta da irresponsabilidade dos atuais governantes do Brasil. Foi o único país de algum peso no mundo que, na prática, alinhou-se com o Irã.

Eu ainda me lembro de 2004. Site e revista Primeira Leitura praticamente isolados a apontar os destrambelhamentos de Celso Amorim, e o Ministério das Relações Exteriores foi eleito, numa votação de jornalistas, o melhor do governo Lula! Os meus leitores mais antigos se lembram disso. Nem mesmo tiveram, vá lá, a delicadeza de eleger a Fazenda, de Antônio Palocci, que, afinal, resistira à pressão da ala heavy metal do PT que queria “dar cavalode-pau na economia”. Começava ali o superfaturamento de uma das maiores fraudes deste sete anos de governo Lula: a competência de Amorim. Este senhor alinhou o Brasil com tudo o que não presta no mundo. Leiam os artigos QUASE TODAS AS DERROTAS E BOBAGENS DE CELSO AMORIM e AMORIM E SEUS ALOPRADOS PRECISAM DE CAMISA-DE-FORÇA ,de 22 de setembro e 26 de novembro de 2009, respectivamente.

Além de uma política doidivanas, este senhor é estupidamente incompetente, como os textos deixam claro. Sua rotina é conseguir resultados contrários àqueles pretendidos. O prestígio do Brasil no mundo não deriva de sua ação. Ao contrário. Dou um exemplo: a Economist, sempre tão simpática e generosa com o Brasil, já perguntou “de que lado” está o país - das ditaduras ou das democracias? -, apontando a sua política externa caduca, em contraste com o avanço em outras áreas no cenário externo, notadamente o econômico.

E Ahmadinejad, evidentemente, é apenas uma das apostas temerárias de Amorim. Ontem, postei aqui o vídeo em que Hugo Chávez declara seu “voto” em Dilma, chama Lula de aliado e afirma que o brasileiro tem seu próprio ritmo - deixando claro que ele próprio, Chávez, acha um pouco lento. Mas o ditador não tem dúvida de que o petista está no rumo certo - o da escória internacional.

Se motivo de indignação nos faltasse, vejam o papel patético do Brasil - de Amorim e do, a esta altura, já inimputável Marco Aurélio Garcia - na crise hondurenha. QUE FIQUE CLARO: O BRASIL FOI UM DOS PROMOTORES DE UMA TENTATIVA DE INSTALAR A GUERRA CIVIL NAQUELE PEQUENO PAÍS! NADA MENOS DO QUE ISSO! Não contente em chamar golpe o que golpe não era - até aí, poderia se escudar na tolice dos outros -, tentou sabotar o processo eleitoral, reconhecido por centenas de observadores como limpo. Hoje, não reconhece um governo eleito democraticamente, que governa segundo uma Constituição também democrática. No caso do Irã, já disse, fez o contrário: Lula endossou eleições que até os aiatolás reconheceram fraudulentas, chamou os protestos da oposição de “reação de torcida que perdeu o jogo”, recebeu Ahmadinejad, defendeu seu programa nuclear e soltou aquela bobagem sobre o resto do mundo destruir seus arsenais.

Ah, sim. Um petralha logo indagaria, achando-se muito sagaz: “Se Israel pode ter a bomba, por que não o Irã?” Bem, em primeiro lugar, porque Israel não promete varrer ninguém do mapa e, se não a tivesse, talvez ele próprio já tivesse sido varrido, como quer Ahmadinejad. Há uma grande diferença entre ter uma arma para atacar e ter uma arma para dissuadir. EU NÃO ESPERO QUE PETRALHAS ENTENDAM ISSO PORQUE OS NOSSOS VALORES SÃO MESMO DIFERENTES. OS MEUS SÃO OS DA DEMOCRACIA OCIDENTAL. Os deles são o que restou do lixo internacionalista do comunismo, agora submetido à vigarice negocista. Se preciso, eu posso até lhes fazer poesia: as armas nucleares americanas são quase como anjos da liberdade, entendem? Já as da China, por exemplo, tem o cheiro do demônio da opressão. SIM, EU TENHO LADO. ACONTECE QUE A CANALHA TAMBÉM TEM.

Quando penso que, na crise hondurenha, boa parte da nossa imprensa comeu pela mão de Celso Amorim e do Itaramaraty, chamando de golpe a resistência democrática hondurenha e de restauração da democracia a possibilidade de volta de um golpista, eu me dou conta do estágio a que chegamos.

A delinqüência intelectual e política do Itamaraty, que põe o Brasil no apoio isolado ao Irã, só chegou tão longe porque, ainda hoje, Celso Amorim conta com verdadeiros ghost-writers em ao menos dois jornais. Essa gente se ajoelha diante deste Colosso de Rhodes da diplomacia. De joelhos para Amorim!!! Não sei se fui sutil demais ao tentar lhes passar o que isso quer dizer em termos de estatura.

Eis aí o outrora considerado “melhor ministro de Lula”. Conseguiu nos fazer o único parceiro mais ou menos relevante de um governo terrorista - ao lado de potentados como Hugo Chávez e Fidel Castro, é claro. E só para registro: no dia 4 deste mês, o Irã citou o Brasil como um dos países que poderiam receber seu urânio para enriquecimento. Amorim se fez de surpreso. No dia seguinte, ele já dizia que não “tinha nenhum preconceito” em relação a isso.

Por quê?
Amorim e Lula puseram o Brasil de braços dados com um governo terrorista que insiste em manter um programa nuclear secreto e que já plantou uma base de operação na Venezuela. Por quê? Para mim, este é um dos maiores mistérios da República.

Para começo de conversa, essa proximidade com o Irã mais afasta o Brasil de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU do que aproxima. E, para tentar conseguir essa cadeira, Amorim cometeu uma série de outros desatinos. Isso significa que a relação estúpida estabelecida com o Irã não se coaduna com a estupidez do conjunto. Essa intimidade, ademais, enfraquece um tanto as relações do país com a comunidade árabe, que não vê, por razões óbvias, com bons olhos os xiitas do novo “Império Persa”. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, pediu a Lula que intercedesse junto a Ahmadinjad para que pare de financiar os terroristas do Hamas. O Brasil também desafia a União Européia, que, nesse particular, não tem divergências com os EUA porque mais suscetível ao terrorismo financiado pelo Irã.

Não sei o que justifica essa escolha. De uma coisa estou certo: não pode ser coisa limpa. Porque não pode haver limpeza onde há terror.

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Por Reinaldo Azevedo

SOBRE ESTAR DE COSTAS E ESTAR DE FRENTE

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:33

E já que estamos nessa conversa de Irã, Venezuela etc, retomo um post que fiz ontem. Eu realmente havia ficando muito impressionado com uma afirmação de Eliane Cantanhêde, colunista da Folha. Em artigo no domingo, dia 7, ela escreveu:
“Chávez fez uma faxina institucional na Venezuela, virou-se de costas para os EUA e de frente para a América do Sul e planejou investimentos externos e a conversão dos fabulosos lucros do petróleo na transformação da sociedade e da quase inexistente planta industrial. O messianismo bobo, porém, afundou todos esses sonhos.

Já comentei as várias passagens que me encantam aí, entre elas essa história de Chávez virar-se de costas para os EUA e de frente para a América do Sul. Penitencio-me de não ter lido um uma entrevista de Marcelo Odebrecht, presidente do Grupo Odebrecht, concedida ao Estadão seis dias antes. Concluí que esse negócio de “frente e costas” virou, assim, uma espécie de categoria de pensamento a unir várias abordagens. Vejam esta pergunta do Estadão e esta resposta do empresário:Vocês estão entre as maiores empresas da Venezuela. Como é a relação com o presidente Hugo Chávez?
O Chávez tem vários méritos que o pessoal precisa reconhecer. Antes dele, a Venezuela estava de costas para América do Sul e de frente para os Estados Unidos. Vocês podem questionar o que quiserem, mas é inequívoca a contribuição que Chávez deu à integração do continente americano. É inequívoco, também, que os objetivos são nobres. As pessoas podem questionar a maneira de fazer isso ou aquilo, mas o Chávez tem méritos. E se ele não tivesse méritos, ele não estaria onde está.

Comento
Huuummm… Marcelo Odebrecht ao menos tem um argumento forte para dizer isso, não é mesmo? O de Catanhêde é fraco. Quanto ao mais, dizer o quê? Intimidade de empreiteira com ditadura é coisa antiga. Sim, eu poderia ser muito prático e dizer: melhor na Venezuela do que aqui. Mas isso não teria mesmo graça. A Odebrecht foi uma das empresas que se mobilizaram para convencer congressistas recalcitrantes da base do governo a votar a favor da entrada da Venezuela no Mercosul. E eles votaram. Lula só tem essa base gigantesca de apoio porque ela sempre recalcitra em busca de motivos para não recalcitrar. E sempre os encontra.

Odebrecht convida “o pessoal” a reconhecer os vários méritos de Chávez — um deles, entendi, é não estar de frente para os EUA. Aí ele diz que a gente pode questionar o que quiser. Questionar a ditadura serve ou vai parecer que a gente não está reconhecendo os méritos do Beiçola? Também vê a contribuição inequívoca do ditator à integração latino-americana. É verdade:
- financia o terror na Colômbia;
- mandou dinheiro sujo para a eleição de Cristina Kirchner na Argentina;
- patrocinou Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia), dois países em que está em curso uma democradura;
- tentou dar um golpe em Honduras;
- deu início a uma corrida armamentista no continente;
- estabeleceu uma parceria com o governo terrorista do Irã…

De fato, a integração do “continente americano” não poderia estar mais bem-servida do que isso. “O pessoal precisa reconhecer”! Mais uma pergunta e mais uma resposta.

Como é que vocês fazem para se adaptar a tantas mudanças políticas?
Um dos meus grandes clientes é o Exército americano, outro é o governo da Venezuela. Outro dia, numa conversa informal, um diplomata americano me perguntou como faço para atuar na Venezuela de Hugo Chávez. Respondi a ele que meu benchmark (referência) é a Chevron. A Chevron, que é uma empresa americana, tem hoje enorme sucesso na Venezuela. E ela botou, como presidente da Chevron na Venezuela, um iraniano. É jeito, entendeu?

Comento
Iraniano, né? Entendi.

PS: mais tarde falarei sobre os distintos domínios dos negócios e da política. Só uma coisa: com Chávez de costas viradas para a democracia, quem ganha e quem perde na Venezeula?

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Por Reinaldo Azevedo

FOI DILMA QUE FEZ? NÃO FOI! FOI UM LEITOR DO BLOG!!!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:31

Escrevi ontem que, entre as mistificações do PAC, estavam obras tocadas e pagas pelo setor privado. Leiam o relato que me chega de um leitor chamado Alexandre, devidamente identificado (não vou publicar o e-mail, claro):

*
Reinaldo,
a apropriação de empreendimentos totalmente privados pelo PAC é um fato, e sou prova disso. Em 2008, concluí uma PCH (Pequena Central Hidrelétrica), com recursos totalmente próprios.

Por estar em um Programa de Incentivo às Fontes  Alternativas de Energia (Proinfa)  — em que vendi (disse: “vendi”) a energia à Eletrobrás (então ela é simplesmente minha cliente) — e possuir financiamento BNDES (não, eles não me DERAM dinheiro,  mas me emprestaram, a juros normais), era obrigado, todos os meses, a enviar um Relatório de andamento das obras para que Dona Dilma mostrasse isso como obra dela.

Interessante nisso é que o Proinfa é uma lei do governo FHC, contra a qual a própria Dilma lutou o quanto pôde, demorando dois anos para implementá-la, tentando bombardeá-la. Ela era ministra de Minas e Energia.

O Proinfa deu 3.300 Mw de energia renovável ao país, movimentando mais de R$ 10 bilhões em investimentos privados. Financiamento do BNDES não é dinheiro público repassado; é empréstimo, sendo pago pelo empreendedor a juros internacionalmente  compatíveis. Tudo isso vinha de uma lei de FHC, que Dona Dilma odiava, pois, segundo a própria, colocava um setor estratégico em mãos privadas — ouvi isso da própria em um evento, antes da implementação do programa.

O fato é que tudo isso é apresentado ao Brasil como parte do PAC. Ou seja: eu investi e trabalhei para que ela mostrasse ao país que foi ela que fez…

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Por Reinaldo Azevedo

MARTA DÁ AULA PRÁTICA A KASSAB SOBRE COMO TRATAR MORADOR DE ÁREA ALAGADA

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:29

Vocês viram que o ínclito deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) foi um dos comandantes da manifestação que juntou 200 pessoas na Prefeitura. No post abaixo deste, lembro um caso interessante que diz respeito a este político. Adiante. A minha musa estava lá. Ontem, sem galochas porque tivemos em São Paulo o primeiro dia de sol depois de QUARENTA E SETE DE CHUVA. Não! Esperem! QUARENTA E SETE DIAS DE TEMPORAIS. Passou a marca bíblica! O maior volume em 63 anos. COMO NUNCA ANTES CHOVEU TANTO EM 63 ANOS E NUNCA ANTES SERRA FOI GOVERNADOR E KASSAB PREFEITO ELEITO, ENTÃO É ÓBVIO QUE É TUDO CULPA DO KASSAB E DO SERRA.

Lendo o texto da minha musa, a gente fica sabendo que a polícia usou gás de pimenta contra os manifestantes porque “disse” ter sido atacada com pedras. NÃO, MUSA! A PM FOI EFETIVAMENTE ATACADA COM PEDRAS. E quando a PM é atacada com pedras, eu acho que ela deve revidar. É assim nas melhores democracias do mundo. Só não é assim em Cuba, por exemplo, porque não há manifestações. Na Venezuela, Chávez — aquele “de costas para os EUA e de frente para a América do Sul” — já está mandando matar. Nas democracias, é diferente. Quem joga pedra leva gás pimenta. É UMA ESPÉCIE DE TERCEIRA LEI DE NEWTON APLICADA AO CONTROLE DE DISTÚRBIOS.

O deputado estadual Adriano Diogo, também do PT e principal pauteiro dos cadernos de cidades da imprensa paulistana, fez-se presente. Ele comanda um movimento nas áreas alagadas da cidade para que as pessoas não aceitem o cheque-aluguel da Prefeitura para deixar a região. O PT PRECISA QUE AQUELES COITADOS FIQUEM LÁ PARA QUE ELE POSSA FAZER POLÍTICA.

Vejam este vídeo abaixo. Quem sabia lidar com enchentes — e não choveu a metade do que choveu agora —- era Marta Suplicy, a chefe de Zarattini. Isso, sim, é que é exemplo de
- delicadeza;
- candura;
- compreensão;
- habilidade.
E notem que não havia deputados tucanos ou do DEM comandando as vítimas. Vejam. Volto em seguida.


Voltei
Notem que nem estou endossando a crítica feita pela moradora. As necessidades de uma cidade, infelizmente, não se esgotam nas obras contra enchentes. Mas a resposta de Marta — sobre onde gastou o dinheiro — também serve ao prefeito Gilberto Kassab, não? Sim, é razoável que as pessoas fiquem indignadas. Inaceitável é que um partido resolva surfar na desgraça das vítimas. Voltemos a Marta: pensem se Gilberto Kassab fosse ao Jardim Pantanal e dissesse a quem protesta: “Isso é demagogia!” Seria trucidado.

Esse período em São Paulo vai entrar para a história — não só por causa das chuvas torrenciais. Também pelo alinhamento entre a imprensa paulistana e o proselitismo mais vigarista. Em Guarulhos, há um bairro que está nas mesmas condições do Jardim Pantanal. Desde dezembro. O PT está no poder na cidade há nove anos. Não se viu a cara do prefeito. A minha musa não foi lá. Também não quis ir a Osasco, São Bernardo, Guarulhos, Suzano, Francisco Morato, Carapicuíba… Vítimas das enchentes de cidades administradas pelo PT não têm charme.

Ah, sim. Leio no texto da minha musa (prestem bem atenção!):
A principal reivindicação dos manifestantes era “uma casa por outra casa”. A enfermeira Ana Aparecida da Silveira, 51, explica: “A prefeitura quer que a gente saia de nossas casas em troca de um cheque de auxílio-aluguel no valor de R$ 2.000. Eu só saio da minha casa, que construí ao longo de anos e anos, se receber outra”.
A prefeitura diz que só pagará desapropriação por imóveis em áreas particulares, que são 5% na região. Pelos demais, que ficam em áreas invadidas, não será pago nada além do auxílio-aluguel. Segundo a prefeitura, o benefício será dado até o recebimento de moradia definitiva.

Essa prefeitura é mesmo insuportavelmente injusta, não é?

O deputado Adriano Diogo não poderia deixar de falar: “Tenho um trabalho histórico na zona leste. É inadmissível que o prefeito queira cercear minha participação e a de outros representantes numa manifestação pacífica, tranqüila e democrática de um povo que está cansado de sofrer.”

Tranqüila, pacífica, democrática e com pedradas. E o que Adriano Diogo recomenda ao povo “cansado de sofrer”? Que não aceite a proposta de Kassab e fique onde está, no meio da água.
*
PS - Penso em ti, Musa! Suas frases curtas me deixam louco…

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Por Reinaldo Azevedo

AGRURAS DE UM HERÓI DA RESISTÊNCIA

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:27

zarattini1

Quando eu vi o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), este de camisa branca e óculos, enfrentando corajosamente a PM para defender o povo oprimido das enchentes, pensei: “Pô, parece que eu me lembro desse cara numa situação em que ele resistiu muito pouco, não quis enfrentar o adversário”. E aquilo ficou martelando na minha cabeça. Até que me lembrei.

Um empresário ligado à alta cúpula do PT — sim, de seu próprio partido — o acusou de algumas coisas cabeludas quando ele era secretário de Transportes de Marta. Ninguém precisou mostrar gás pimenta pra ele. Foi como apresentar a criptonita ao Super-Homem. Leiam o que relatou a Folha Online no dia 18 de novembro de 2002.

Após denúncia de empresário, Zarattini deixa Prefeitura de SP

Após denúncias de irregularidades de empresário ligado ao PT, o secretário municipal dos Transportes de São Paulo, Carlos Alberto Zarattini, pediu demissão nesta segunda-feira. O pedido foi aceito pela prefeita Marta Suplicy.Na segunda-feira passada (11), o empresário Willian Ali Chaim, acusou a Secretaria Municipal dos Transportes de São Paulo de ter repassado R$ 665 mil de maneira irregular a duas empresas de ônibus em agosto deste ano e de ter articulado um esquema de desvio de vales-transporte para pagar salários de condutores.

O rompimento de contratos com empresas de ônibus da cidade também fragilizaram o secretário -a SPTrans (São Paulo Transporte, órgão municipal que cuida do setor) rompeu os contratos com as viações Santa Bárbara, São Judas e Expresso Parelheiros. Chaim também disse ter sido procurado por empresários de ônibus que estariam sendo pressionados por Zarattini para sair do sistema. Zarattini nega desvio ilegal. O chefe de gabinete da secretaria, Luiz Silveira Rangel, assume o cargo interinamente. Ainda não foi anunciado o substituto de Zarattini.

Alto escalão
O petista Chaim, que fez as acusações na Secretaria de Transportes, é ligado ao alto escalão do partido e já trabalhou com Rui Falcão (secretário de Governo de Marta Suplicy), José Dirceu (presidente nacional do PT) e Ricardo Zarattini (pai do atual secretário dos Transportes). Ele disse suspeitar da forma como foram pagos os R$ 2,5 milhões do passivo trabalhista das viações Ibirapuera e Santo Amaro _que foram fechadas e tiveram suas linhas distribuídas a Niquini e a outros empresários.

O petista disse ter sido procurado por empresários de ônibus que estariam sendo pressionados por Zarattini para sair do sistema. Citou a AAL, controlada por Arnaldo Caputo Gomes. Chaim afirma acreditar que há interesse do secretário em deixar um monopólio nas mãos de grandes grupos. O depoimento de Chaim reforçou na Câmara um movimento pela criação de uma CPI para apurar irregularidades no setor.

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Por Reinaldo Azevedo


 
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