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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

17/12/2014

às 20:27

CGU: Petrobras teve prejuízo de US$ 659,4 milhões com Pasadena

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu nesta terça-feira auditoria que aponta que a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, representou prejuízo de 659,4 milhões de dólares para a Petrobras. Os valores incluem a compra, em duas etapas, da unidade de refino nos Estados Unidos, as cifras desembolsadas no procedimento arbitral pago pela empresa e o dinheiro repassado no acordo extrajudicial com a empresa belga Astra Oil, ex-parceira na transação. “O que se esperava dos gestores da Petrobras era a busca pelo menor preço, por óbvio, dentro dos limites da legalidade e da moralidade administrativa. Contudo, o que se observou foi que a negociação da Refinaria de Pasadena já se iniciou em patamares superiores às melhores estimativas feitas pela consultoria contratada”, resumiu a CGU, em relatório.

O veredicto do próprio Executivo representa mais um revés para o governo, que tentava justificar a malfadada operação alegando que o Conselho de Administração da estatal, presidido na época da transação pela então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, havia sido induzido ao erro por pareceres falhos elaborados pelo então diretor da Área Internacional da petroleira, Nestor Cerveró. “A análise dos fatos evidencia que os aspectos negativos e desvantajosos da transação, nas dimensões técnica, econômica, contábil, tributária e jurídica, não foram devidamente considerados no momento da parametrização do Estudo de Viabilidade Técnico-Econômica do empreendimento, razão pela qual o referido estudo, que foi a principal fundamentação utilizada no processo decisório de aquisição da refinaria de Pasadena, é considerado não apenas falho, mas irregular, à medida que contém premissas alteradas para produzir resultado não condizente com a realidade do investimento”, diz a CGU na auditoria.

As conclusões da CGU, que apontam que a estatal brasileira pagou muito além do preço justo pela unidade de refino nos Estados Unidos, incluem ainda a abertura de processos administrativos contra 22 ex-dirigentes e funcionários da companhia, entre os quais o ex-presidente José Sergio Gabrielli e os ex-diretores da Área Internacional Nestor Cerveró, de Refino e Abastecimento Paulo Roberto Costa, de Serviços Renato Duque e Jorge Zelada, também ex-responsável pela Área Internacional.

Para a Controladoria da União, órgão responsável pelo controle e monitoramento do uso de recursos públicos, a Petrobras, ao decidir pela compra da refinaria de Pasadena, “não considerou todas as premissas aplicáveis ao negócio”, utilizou o “pior” método como compradora e afirmou que, se esses fatores tivessem sido avaliados, “resultariam na redução do valor máximo aceitável para a compra”. Na avaliação da CGU, a empresa brasileira utilizou, para justificar a operação Pasadena, a potencial rentabilidade do empreendimento, e não o valor dos ativos no estado em que se encontravam.

Os técnicos da Controladoria, ao analisar a compra da refinaria de Pasadena, destacaram ainda que a unidade de refino, na época da transação, encontrava-se em “situação quase falimentar”, já que na gestão da antiga proprietária, a empresa Crown, houve baixos investimentos em bens de capital e na manutenção de equipamentos. A auditoria da CGU também questiona a boa-fé e a injeção de recursos da belga Astra no empreendimento e afirma que “a análise dos fatos ocorridos no processo de aquisição de participação acionária pela Petrobras indica que a Astra promoveu simples revitalização, sem grandes investimentos, de uma empresa em estado quase falimentar, com severas dificuldades técnicas, tributárias, trabalhistas e ambientais, para lucrar na alienação no curto prazo, sem qualquer intenção de ingressar no mercado de refino de Petróleo, atividade esta para a qual não possuía expertise prévia”.

“Por mais contraditório que possa parecer, a Petrobras pagou pela refinaria de Pasadena um valor que levava em consideração os investimentos necessários ao Revamp (modernização), mas não tinha nenhuma garantia de que a Astra aportaria os recursos indispensáveis à expansão e à adaptação do empreendimento, o que reforça a tese de que os gestores da Petrobras envolvidos nesse negócio adotaram postura imprudente e antieconômica ao pagar pela PRSI um valor superior àquele que a refinaria valia no estado em que se encontrava”, completa a auditoria.

De acordo com a CGU, a transação foi baseada em cláusulas contratuais favoráveis à emprega belga Astra, que tinha o controle de Pasadena, sem compensar de forma justa a Petrobras, e sem dividir de forma equânime os riscos do negócio. A cláusula Marlim, por exemplo, previa à Astra Oil uma lucratividade de 6,9% ao ano independentemente das condições de mercado, enquanto a Put Option obrigava a empresa brasileira a comprar a outra metade da refinaria caso os dois grupos se desentendessem – o que acabou acontecendo.

O Tribunal de Contas da União (TCU) já havia analisado a operação Pasadena, considerada uma das mais desastrosas da história da estatal do petróleo, e constatado que a transação impôs à empresa prejuízo de 792 milhões de dólares. Ainda assim, a maior parte dos ministros daquela Corte consideraram, em julgamento de Plenário, que a decisão da petroleira de tentar esgotar todos os recursos judiciais antes de pagar a empresa belga Astra havia sido baseada em “critérios técnicos razoáveis sem nenhum dolo ou culpa dos administradores”.?

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 20:27

CPI da Petrobras: Maia muda relatório, pede o indiciamento de 52 e admite prejuízo em Pasadena

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O relator da CPI mista da Petrobras, deputado Marco Maia (PT-RS), alterou o relatório final da comissão e pediu nesta quarta-feira o indiciamento de 52 pessoas envolvidas nos desvios da estatal – entre elas, autoridades que ocupavam postos-chave na empresa, como os ex-diretores Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Pedro Barusco. Ele também mencionou vinte empresas, entre elas grandes empreiteiras, que devem ser investigadas por suas ligações com os desvios.

“A CPMI corrobora e ratifica os procedimentos de indiciamentos e denúncias adotados na esfera judicial e, considerando a existência de indícios bastantes, recomenda o aprofundamento das investigações com vistas a apurar a efetiva responsabilização de todos os investigados na Operação Lava Jato sobre os quais já foram produzidas provas de algum grau de envolvimento nos fatos apurados”, diz o relatório, que deve ir a voto nesta quarta.? No texto apresentado, o deputado afirmou que a primeira versão do documento havia sido mal interpretada porque não havia a palavra “indiciamento”, e sim “responsabilização”. Marco Maia cita os crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, crime contra a ordem tributária e destruição de provas judiciais.

Outra mudança importante diz respeito à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos: apesar de usar eufemismos, o petista agora admitiu um prejuízo de 561,5 milhões de dólares, ou aproximadamente 1,5 bilhão de reais, na transação. Marco Maia afirmou que sua mudança se deve a um relatório recebido da Controladoria-Geral da União (CGU) nesta terça-feira. “De fato, esta relatoria julga procedente a indicação do suposto prejuízo apontado no Relatório da Auditoria Especial da CGU, em virtude da necessária consideração da inocorrência do revamp [readequação da refinaria] para definição do valor total estimado”.

Ao contrário da CGU, entretanto, o petista não concordou que a Petrobras também perdeu mais de 800 milhões de dólares em outros dois momentos: quando teve de pagar para adquirir a parte da refinaria que cabia à empresa Astra Oil e quando, por um acordo extrajudicial, fez novos repasses à empresa.

A oposição preparou um relatório alternativo ao de Marco Maia. O texto também foi apresentado na reunião desta quarta-feira. Além de confirmar os desvios em contratos da estatal, a versão elaborada pelos oposicionistas faz menção a um esquema integrado de corrupção, por interesse do governo e do PT. “O petrolão, assim como o mensalão, nada mais são do que modelos de apropriação da coisa pública, por partidos políticos, para usufruto próprio, mediante negociações nada republicanas”, disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) durante a leitura do documento.

O relatório de Sampaio também pede o indiciamento da presidente da Petrobras, Graça Foster, por ter prestado falso testemunho à CPI. Quando esteve na comissão, ela afirmou que a Petrobras não havia detectado o pagamento de propina a funcionários da estatal por parte da holandesa SBM Offshore. Mas, como a própria Graça Foster admitiu em entrevista coletiva no mês passado, a Petrobras tinha conhecimento das irregularidades pelo menos desde abril.

O relatório da oposição também menciona a proximidade entre Paulo Roberto Costa e a presidente da República, Dilma Rousseff. Como VEJA revelou, o então diretor de abastecimento da Petrobras chegou a mandar um e-mail à então ministra da Casa Civil pedindo que o governo intervisse para evitar a paralisação de obras com irregularidades – o que de fato ocorreu. “Logo, o que se percebe é que Paulo Roberto Costa, já no comando da organização criminosa instalada na Petrobras, tinha forte influência sobre a ministra-chefe da Casa Civil”, concluiu o tucano.

A votação do relatório final da CPI mista foi adiada para as 20 horas para que a Câmara dos Deputados pudesse concluir uma sessão deliberativa.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 16:37

Oposição vai à luta. É o caminho! Cada um no seu quadrado

O papel da oposição é opor-se. Cabe ao governo governar. Cada um no seu quadrado, como dizia a molecada até outro dia. Quando um governo quer ser oposição e quando uma oposição quer ser governo, é o eleitor que está sendo traído. Está em curso no Brasil, sim, há muitos anos, um projeto que busca a hegemonia política, segundo as iluminações malignas do teórico comunista Antonio Gramsci, que busca fazer com que um partido tome o lugar da sociedade e se instale como um imperativo categórico, de modo que se torne impossível pensar fora dos parâmetros que ele define.

Muito bem! Esse partido — no caso, o PT — pode ter os delírios que quiser. Cabe a quem se opõe a ele resistir, cumprindo o seu papel, exercendo o mandato que lhe conferiu a sociedade. Sim, meus caros leitores, a oposição também ganha a eleição, também ganha um mandato: passa a ter o privilégio de representar a voz dos descontentes. E só assim a democracia é democracia. Desde, é claro, que todos aceitem jogar as regras do jogo, sem aventuras extralegais.

O PSDB decidiu apresentar ao TSE, nesta quarta, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral que, a depender do desdobramento, pode resultar no pedido de cassação do próximo mandato da presidente Dilma Rousseff. Tentativa de golpe? Inconformismo com as regras da democracia? Sabotagem? Não! Apenas o exercício da lei. Se ficarem comprovadas irregularidades, que se siga o que está escrito.

Há uma novidade em curso no Brasil, considerados os últimos 12 anos. Os que se opõem ao lulo-petismo também descobriram as ruas. A exemplo dos ditos movimentos sociais, que são apenas franjas do PT e seus satélites, que pareciam ser a única voz do país até outro dia, não são milhões de pessoas, mas apenas alguns milhares os que ocupam o espaço público. Mas vocalizam descontentamentos de verdadeiras legiões.

Numa democracia, respeitados os parâmetros legais, todo pleito é legítimo, inclusive, sim, o pedido para que Dilma seja alvo de um processo de impeachment. Para tanto, terá de ficar evidenciado que ela sabia das lambanças da Petrobras e nada fez para pôr um fim à bandalheira — ou, pior ainda, que foi beneficiária da sem-vergonhice.

A oposição também vai fazer um relatório paralelo à peça de surrealismo explícito de Marco Maia (PT-RS), o relator da CPMI da Petrobras, e deve incluir a responsabilização de Dilma Rousseff. É evidente que o texto não será aprovado, mas os que elegeram o PSDB como o porta-voz de suas esperanças e de suas aflições terão uma satisfação.

Um partido de oposição deve dizer “não” a tudo aquilo que propõe o governo, mesmo quando as alternativas apresentadas são boas para o povo e para o país? A resposta é negativa. Essa é a oposição de padrão petista, que se opôs ao Plano Real, à Lei de Responsabilidade Fiscal, às privatizações, à necessária reforma da Previdência. Uma oposição qualificada age de outra maneira e analisa o mérito do que está sendo proposto.

Ocorre que, quando o PSDB pede a investigação de ilícitos eleitorais ou quando cobra a responsabilidade da presidente Dilma no descalabro da Petrobras, não está apostando no “quanto pior, melhor”. Ao contrário: está exigindo que o Poder cumpra as leis. E, convenham, sempre que os homens públicos são chamados às suas responsabilidades, melhor. Exigir que tudo venha às claras é apostar no “quanto melhor, melhor”.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:46

Justiça aceita denúncia contra Cerveró e Fernando Baiano

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O juiz federal Sergio Moro aceitou nesta quarta-feira a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, o empresário e lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, o doleiro Alberto Youssef e contra o executivo Julio Camargo, da empresa Toyo Setal. Eles são acusados de crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção e lavagem de capitais.

De acordo com a acusação, Cerveró recebeu 15 milhões de dólares, a partir da mediação de Fernando Baiano, para a consolidação do contrato com a Samsung. Depois de ter embolsado a propina, Cerveró, na condição de diretor da Área Internacional da Petrobras, recomendou à Diretoria Executiva da estatal a contratação da empresa sul-coreana por 586 milhões de dólares. Em uma segunda etapa, por meio de Fernando Baiano, Nestor Cerveró teria recebido mais 25 milhões de dólares para que a Samsung conseguisse um contrato para o fornecimento de outro navio sonda para perfuração de águas profundas ao custo de 616 milhões de dólares. O total de 40 milhões de dólares em vantagens indevidas, que o empresário Julio Camargo afirma ter sido destinado a Fernando Baiano, terminou, segundo apuração do Ministério Público, nas mãos de Cerveró.

As revelações de Julio Camargo, que firmou um acordo de delação premiada, foram cruciais, na avaliação do juiz Sergio Moro, para que houvesse evidências suficientes contra o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras. “No que se refere à justa causa para a denúncia, a acusação baseia-se em larga medida em depoimentos prestados pelo criminoso colaborador Julio Gerin de Almeida Camargo [que] narrou em riqueza de detalhes os episódios do pagamento de propina”, afirma Moro. Para conseguir que a Justiça aceitasse denúncia contra Nestor Cerveró e contra Fernando Baiano, o Ministério Público elencou, conforme relata o juiz, “um número significativo de documentos que amparam as afirmações constantes nas denúncias” e “as dezenas de transações financeiras relatadas pelo criminoso colaborador e que representariam atos de pagamento de propinas e de lavagem de dinheiro”.

Na peça de acusação apresentada à Justiça, Nestor Cerveró foi denunciado duas vezes por corrupção passiva e 64 vezes por lavagem de dinheiro; Fernando Baiano, duas vezes por corrupção passiva e 64 vezes por lavagem; Julio Camargo, duas vezes por corrupção ativa, 64 vezes por lavagem e sete por crimes financeiros; e Alberto Youssef foi denunciado dezessete vezes por lavagem de dinheiro.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:44

Deputado do DEM apresenta pedido de indiciamento de Graça Foster

Na Folha:
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pediu à CPI da Petrobras o indiciamento de Graça Foster, presidente da estatal, e de diretores e ex-integrantes da cúpula da companhia. O parlamentar apresentou o chamado voto em separado, para contrastar com o relatório do deputado Marco Maia (PT-RS), que não determinou nenhum indiciamento.

O documento assinado por Onyx Lorenzoni acusa de terem cometido ilegalidades o ex-presidente José Sérgio Gabrielli; o atual diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza; os ex-diretores Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada. O deputado oposicionista pede ainda o indiciamento do ex-gerente Pedro Barusco. Entre os crimes listados no parecer de Lorenzoni há corrupção passiva e ativa, peculato, fraude à licitação e formação de organização criminosa. A sessão da CPI prevista para ocorrer na manhã desta quarta-feira (17) foi adiada para as 14h30 e deve começar em instantes.

Além do voto em separado de deputado do DEM, outros parlamentares da oposição vão apresentar um relatório paralelo ao de Marco Maia. Nele, devem propor novas punições, inclusive a agentes públicos como o deputado Luiz Argôlo, do Solidariedade da Bahia; ao ex-deputado André Vargas (PR-sem partido) e ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Os relatórios paralelos da oposição não devem ser votados se a CPI não aprovar o documento oficial, elaborado por Maia.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:39

Graça Foster: “Eu e diretores precisamos ser investigados”

Na VEJA.com:
Em meio a denúncias de corrupção na Petrobras, a presidente da estatal, Graça Foster, reconheceu que ela e diretores da companhia precisam ser investigados. “Eu preciso ser investigada, nós precisamos ser investigados, isso leva tempo”, afirmou a jornalistas. Pressionada para deixar o cargo, a executiva admitiu que “existem pessoas dentro da companhia preparadas para substituí-la. “Há dentro e fora da companhia pessoas que podem assumir a cadeira da presidente, mas acreditamos em nós, na nossa moral”, disse, considerando também outros diretores.  A operação Lava Jato da Polícia Federal, que já resultou na aceitação de várias denúncias pela Justiça Federal nesta semana, investiga um esquema de desvios em obras da estatal, envolvendo empreiteiras e pagamentos ilegais a políticos, que levou auditores independentes a se negarem a assinar o balanço do terceiro trimestre.

“Hoje estou aqui presidente da Petrobras enquanto eu contar com a confiança da Presidência, e ela (Dilma Rousseff) entender que eu deva ficar”, disse Graça Foster. “Minha motivação é não travar a assinatura do balanço da Petrobras por conta da investigação”, acrescentou.  Na última sexta-feira, a Petrobras adiou novamente a divulgação das demonstrações contábeis não auditadas do terceiro trimestre de 2014 para até 31 de janeiro, devido a desdobramentos da operação Lava Jato. O novo adiamento foi possível porque os credores aceitaram mudanças nos termos contratuais dos bônus (covenants) que tratam dos prazos para a apresentação dos resultados, eliminando o risco de a empresa ter que pagar antecipadamente parte da dívida crescente.

Ainda segundo Graça, a atual diretoria precisa ter uma sinalização positiva de que está em condições de permanecer, do ponto de suas práticas de governança, e para isso necessita ser investigada, o que poderá atrasar ainda mais a divulgação do balanço. Segundo reportagens publicadas pela imprensa nos últimos dias, a presidente da Petrobras teria sido avisada sobre irregularidades na estatal. Entre as denúncias publicadas por jornais estão o pagamento de 58 milhões de reais para serviços que não foram prestados na área de comunicação, em 2008; superfaturamento de 4 bilhões de dólares para mais de 18 bilhões de dólares nos custos da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; e contratações de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:20

Cuba e EUA – Bloqueio só fornece munição ideológica ao Coma Andante e ao Anão Tarado

Em que o chamado “bloqueio” dos EUA a Cuba enfraquece o regime dos Irmãos Castro? Em nada. Na verdade, fortalece porque lhe dá munição retórica para afirmar que as dificuldades econômicas da ilha decorrem desse bloqueio, não do modelo econômico, se assim se pode chamar, vigente na ilha. Acaba criando algumas dificuldades adicionais para a população — poucas — sem nenhum ganho político.

De todo modo, acho que a normalização das relações com Cuba não pode depender exclusivamente da troca de prisioneiros. Os EUA precisam tentar tirar algumas concessões a mais do regime. Quais? A ver. Sempre que o governo Obama negocia alguma coisa, ligo o desconfiômetro. A política externa dos EUA, sob Obama, é uma das mais incompetentes da história. O homem veio para que Jimmy Carter passasse da condição de pateta a grande estrategista, se é que entendem a piada.

Caso se tomem as medidas que estão em estudo — abertura de respectivas embaixadas, menos restrições para a exportação de equipamentos, mais liberalidade para a transferência de recursos —, ainda não se pode falar no fim do bloqueio, não estará caracterizada a plena normalização das relações, mas terá havido uma mudança substancial.

De resto, sejamos lógicos: quanto mais cubanos e americanos puderem manter relações de proximidade, melhor para os… cubanos, não é mesmo? Não há como os valores cubanos contaminarem os americanos, mas o contrário é possível.

A diminuição das restrições fará bem ao povo cubano. A manutenção do bloqueio só serve de munição ideológica ao Coma Andante e ao Anão Tarado.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:05

EUA e Cuba trocam prisioneiros. Obama deve anunciar mudanças nas relações com a ilha

 Na VEJA.com. Volto no próximo post.
Cuba libertou o trabalhador de ajuda humanitária americano Alan Gross após cinco anos de prisão, reportam jornais americanos nesta quarta-feira. Gross foi libertado em uma troca humanitária de prisioneiros que deve pavimentar o caminho para aberturas políticas entre Washington e Havana, informou o Washington Post. A ilha dos irmãos Castro está sob sanções dos EUA há mais de cinco décadas.

O jornal The New York Times reporta que os EUA vão abrir negociações com Cuba destinadas a restabelecer relações diplomáticas plenas e abrir uma embaixada em Havana pela primeira vez em mais de meio século. Citando fontes do governo americano, o Wall Street Journal afirmou que os Estados Unidos devem suspender muitas restrições a viagens e transferências de dinheiro ainda em vigor. Os EUA também passariam a permitir a exportação de equipamentos de telecomunicação para Cuba, enquanto cartões de crédito e débito americanos passariam a ser aceitos na ilha.

Os detalhes sobre o que poderá mudar na relação entre os dois países, no entanto, devem ser esclarecidos apenas depois do pronunciamento que o presidente Barack Obama deve fazer ainda hoje sobre o assunto. O ditador cubano Raúl Castro também deve fazer um discurso sobre as relações com os Estados Unidos na televisão estatal cubana.

Prisioneiro libertado
Gross, um funcionário da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) de 65 anos, foi preso em Cuba em 3 de dezembro de 2009, e depois condenado a 15 anos de prisão por importar tecnologia proibida e tentar estabelecer um serviço clandestino de internet para judeus cubanos. Gross está a bordo de um avião a caminho dos EUA. Ele perdeu mais de 45 quilos na prisão e está com a saúde frágil. Gross iniciou uma greve de fome de nove dias em abril e disse a parentes que estava pensando em se matar se não fosse libertado em breve.

Cuba considera os programas da Usaid tentativas ilegais dos EUA para minar o seu governo. Os três cubanos libertados em troca de Gross fazem parte do chamado Cuban Five, um grupo enviado pelo então ditador de Cuba, Fidel Castro para fazer espionagem no sul da Flórida. Os homens foram condenados em 2001 em Miami sob a acusação de conspiração contra o governo americano. As autoridades americanas não fizeram nenhum comentário sobre como a libertação foi obtida. No passado, funcionários do governo, incluindo o secretário de Estado, John Kerry, descartou publicamente uma troca de prisioneiros para tentar a liberação de Gross.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 6:54

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 4:52

FHC não quebrou o Brasil, mas o PT quebrou a Petrobras. Ou: Perda de valor de mercado corresponde a mais de 25 anos de Bolsa Família. Dilma, no entanto, brinca com Graça de Clube das Luluzinhas Enfezadas

Graça Foster escarnece dos fatos, e Dilma Rousseff escarnece da razão. Em seis anos, o valor de mercado da Petrobras foi reduzido a quase um sexto: de R$ 737 bilhões em 2008 para R$ 135 bilhões agora e dívida de R$ 330 bilhões. Ou seja: quebrou! O patrimônio público está evaporando. É a incompetência alimentando a roubalheira, e a roubalheira alimentando a incompetência. Quando nos lembramos de que o PT fez terrorismo com a suposta intenção dos tucanos de privatizar a estatal em 2002, 2006 e 2010, nos damos conta da obra desses vigaristas. Se Dilma insistir em não fazer nada, daqui a pouco ninguém aceita a Petrobras nem de graça. A gente não precisa fazer muitos malabarismos: houvesse um regime parlamentarista, o gabinete já teria sido dissolvido, e Dilma não se elegeria mais nem vereadora.

Não dá! As evidências de que Venina Velosa da Fonseca advertiu Graça para os procedimentos heterodoxos vigentes na Petrobras são inquestionáveis. E ela o fez em 2009, 2011 e 2014. Observem que não entro no mérito das motivações da denunciante. Se há algo contra ela, que se investigue. Que Graça dispunha de elementos para agir, que lhe foram fornecidos por uma alta executiva, isso é inquestionável. E ela não fez nada. Como não fez em fevereiro deste ano, quando VEJA trouxe à luz o escândalo envolvendo a empresa holandesa SBM Offshore. Ou melhor, fez: negou que houvesse irregularidades.

As ações da Petrobras despencaram outra vez. Há uma conjunção de fatores externos negativos, sim, mas isso não justifica a pindaíba em que se encontra. A estatal brasileira é hoje sinônimo mundial do que não se deve fazer, de má governança. É preciso ser um rematado idiota ou dotado de incrível má-fé para ignorar o que se passou por lá. E a sangria está longe do fim, uma vez que a empresa é agora investigada nos EUA, na Holanda e na Suíça. Se o descalabro continua, sem uma resposta efetiva do governo, a Petrobras, prestes a perder a classificação de “grau de investimento”, pode até ser proibida de operar na Bolsa de Nova York. Aí, meus caros, é o fim da linha.

Mas não há horror que faça o comando da empresa descer de seu pedestal de arrogância. Nesta terça, em comunicado à dócil Comissão de Valores Mobiliários, a direção da estatal veio com a história de que Graça fora advertida por Venina para eventuais desvios de conduta apenas em novembro, como se isso fizesse alguma diferença a esta altura do jogo.

Dilma está vivendo um processo de alienação da realidade. Decidiu proteger sua “amiga” Graça Foster. Deve achar que há espaço para brincar de Clube das Luluzinhas Enfezadas. Não há. A Petrobras beija a lona, e a presidente da estatal brinca de desqualificar uma funcionária. Dilma não se deu conta de que o desastre decorrente da herança maldita do lulo-petismo na estatal está só no começo. O pior ainda está por vir.

E está mesmo. Com o preço do barril de petróleo no atual patamar, a exploração do pré-sal já é antieconômica. Pior: as regras de partilha definidas pelo petismo, com o seu nacionalismo de fancaria, impõem à Petrobras um desembolso de recursos de que ela não dispõe. Dilma estuda agora mudar as regras, que eram consideradas cláusulas pétreas da visão petista de mundo. Mas como? A turma ainda não sabe.

E já que o patético não tem limites, os petralhas deram início a uma corrente na Internet estimulando a companheirada a comprar ações da Petrobras. Ocorre que não se deve confundir mau-caratismo com burrice. Parece que a campanha não vai emplacar.

É fácil Dilma fazer a Petrobras voltar a valer R$ 700 bilhões no mercado. Basta anunciar que, depois de saneada, a empresa será privatizada. O mercado lerá nisso o sinal de que os ladrões e os petistas — e também os petistas ladrões — serão definitivamente chutados de lá. Os brasileiros não mais serão roubados — não na estatal ao menos —, e o Brasil efetivamente sairá ganhando.

FHC não quebrou o Brasil nem uma, nem duas, nem três vezes, à diferença do que disse Dilma na campanha eleitoral. Mas o PT quebrou a Petrobras.

Para encerrar: em 2013, o Bolsa Família repassou aos miseráveis R$ 24,5 bilhões. De fato, é uma merreca. Só o que a Petrobras perdeu em valor de mercado em seis anos corresponde a mais de 24 anos de Bolsa Família. Se a gente acrescentar o valor roubado com superfaturamento, chega-se perto da eternidade. Abreu e Lima, por exemplo, estava orçada em US$ 2,5 bilhões e, hoje, já está custando US$ 20 bilhões.

Os ladrões no Brasil perderam a modéstia e o senso de proporção.

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 22:10

Caso Celso Daniel – O surrealismo da Justiça brasileira. É estupefaciente!

A esta altura, vocês sabem que o Supremo Tribunal Federal anulou um dos processos relativos à morte do prefeito Celso Daniel, ocorrida em janeiro de 2002: justamente aquele que diz respeito a Sérgio Gomes da Silva, conhecido como “Sérgio Sombra”, que foi considerado o mandante do crime pelo Ministério Público Estadual. Vou expor as razões apresentadas para a anulação e me dispensarei de entrar no mérito se acho Sombra culpado ou inocente. Até porque, vamos convir, não sou Justiça.

O que lamento aqui é uma mecânica processual — e como estamos atrasados nisso! — que permite que um dos réus de um crime ocorrido em 2002 ainda não tenha sido julgado em 2014 e que, depois de quase 13 anos, o processo seja simplesmente anulado. Vale dizer: a acusação contra Sombra volta ao primeiro estágio, ao da instrução, e será ainda analisada pelo juiz da primeira instância… Mais quantos anos? 13? 15? 20? A eternidade? Para vocês terem uma ideia, será preciso ouvir testemunhas…

Roberto Podval, advogado de Sombra, recorreu ao Supremo porque afirmou que a defesa não teve a chance de interrogar os outros réus, o que é garantido pela jurisprudência da Corte. E isso é fato. Houve empate na turma: 2 a 2. Os ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli foram sensíveis ao pleito da defesa; Rosa Weber e Roberto Barroso o recusaram por razões técnicas: acharam que o habeas corpus não era o instrumento adequado.

A decisão vale só para Sérgio Sombra. Ocorre que o processo já tem seis condenados cumprindo pena. E agora? O mais provável é que seus respectivos advogados recorram, com base no mesmo fundamento. O que vai acontecer? Ninguém tem a menor ideia. O processo de Sombra voltará à fase de instrução, e não haveria razão para ser diferente com os demais. Digamos que alguém condenado no julgamento anulado seja absolvido em novo julgamento… E a parte da pena que já foi cumprida?

Uma Justiça que permite esses surrealismos está com graves problemas, não é mesmo?, independentemente de qual seja a nossa convicção a respeito do caso. Aliás, o processo já estava parado no Supremo porque a defesa de Sombra recorrera ao tribunal alegando que o Ministério Público não tem competência para investigar. O relator é o ministro Ricardo Lewandowski, que está sentado sobre o caso há dois anos. Alegada a incompetência do MP, a defesa pedia a anulação do processo também por esse motivo.

Quer dizer que Lewandowski pode se dispensar de dar agora uma resposta? Acho que não! A eventual anulação do processo contra Sombra por incompetência do MP iria, sim, beneficiar o réu, mas seu alcance é mais geral. O que se vai definir é, afinal, qual é o arco de atribuições do Ministério Público. Se bem se lembram, a tal PEC 37 tentou tornar o poder de investigação exclusivo das polícias. Por outras vias, o tema está dormitando no Supremo. O que Lewandowski espera para tomar uma decisão? Creio que nem Deus saiba.

Fux e manobra
Pois é… Pois é… O segredo de aborrecer é dizer tudo. A turma que julgou a questão não tem apenas quatro ministros, mas cinco. Luiz Fux estava ausente. Assim, esse empate não precisaria ter existido, não é mesmo? Bastaria que alguém pedisse vista, por exemplo, aguardando uma sessão em que ele pudesse votar. “Ah, mas o réu não pode esperar.” Ora, o que parece inaceitável é que se deixe uma votação dessa importância para o último dia, com a possibilidade de se produzir um empate, como aconteceu. De resto, onde está tamanha urgência? Sombra está solto.

Mais: as turmas podem recorrer ao pleno do Supremo. Bastaria que um dos ministros tivesse levantado uma questão de ordem. O outro dado surrealista dessa história é que bastem apenas dois votos no Supremo para anular todo um processo. Nem na turma, há maioria. Com a devida vênia, o conjunto da obra ficou com cara de manobra.

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 22:05

Acusados sem foro privilegiado serão julgados pela Justiça do PR, decide STF

Por Severino Motta, na Folha. Volto ao tema mais tarde.
A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) negou nesta terça-feira (16) duas reclamações que tentavam anular mandados de prisão e retirar da Justiça Federal do Paraná os processos relativos à Operação Lava Jato. Seguindo voto do ministro Teori Zavascki, os ministros Celso de Mello e Cármen Lúcia entenderam que os investigados sem foro privilegiado devem ser julgados pela Justiça Federal do Paraná, onde atua o juiz Sérgio Moro.

De acordo com os ministros, somente autoridades com foro privilegiado, como deputados, senadores e ministros de Estado, que eventualmente forem citados nas delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, devem ter seus casos avaliados pelo STF. As reclamações julgadas nesta terça eram de um dos sócios da Sanko Sider Murilo Barrios e de Waldomiro de Oliveira, um dos laranjas de Youssef. Ambos alegavam que, como há autoridades como foro investigadas na Lava Jato, todo o caso deveria ir ao Supremo.
(…)
Em seu voto, Zavascki deixou dúvidas sobre um dos temas abordados pela defesa: o fato do juiz Moro orientar os investigados e testemunhas para não citarem autoridades com foro durante interrogatórios. Segundo ele, a atitude do juiz pode levar até mesmo a eventuais nulidades no processo. Sem dizer quais problemas a situação poderia acarretar, o ministro limitou-se a falar que tal situação seria analisada posteriormente.

“A defesa se insurge seguidamente contra o fato de que o magistrado com o declarado fim de preservar a competência do Supremo restringe a formulação de questionamentos sobre eventual envolvimento de detentor de foro, questão que está sub judice em outros procedimentos. Então, se ele agiu corretamente ou não, se ele praticou ato nulo ou não porque restringiu, isso não enseja ação penal. Pode ser que a pretexto de preservar a competência do Supremo esteja cometendo outra irregularidade, mas isso está sendo discutido em outro foro, que não é nessa reclamação”, disse.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 21:45

Justiça aceita denúncia contra executivos da Camargo Corrêa e irmão de ex-ministro

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na Primeira Instância, aceitou denúncia nesta terça-feira contra executivos da construtora Camargo Correa, incluindo o presidente da companhia, Dalton Avancini, e contra Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro das Cidades Mario Negromonte. O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa também são acusados nesta ação, mas já são réus em outras ações penais.

Com a nova ação penal, já são 36 os réus relacionados a empreiteiras suspeitos de atuar no megaesquema de corrupção e lavagem de dinheiro que envolve a Petrobras. Além da Camargo Correa, respondem a ações penais por participação no propinoduto dirigentes das empreiteiras UTC, Mendes Júnior, Galvão Engenharia, da OAS e da Engevix. 

Funcionários e a alta cúpula da Galvão Engenharia, OAS e Engevix, que ao lado das outras empreiteiras são acusadas de formar um cartel para fraudar licitações e controlar as maiores obras de infraestrutura do país, também já haviam passado à condição de réus, situação na qual a Justiça considera haver indícios suficientes para a abertura de ação penal. Os próximos passos serão as oitivas de testemunhas de defesa e de acusação, previamente agendadas para fevereiro de 2015.

De acordo com as investigações feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, o cartel de empreiteiras incluía OAS, Odebrecht, UTC, Camargo Correa, Techint, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Promon, MPE, Skanska, Queiroz Galvão, IESA, Engevix, Setal, GDK e Galvão Engenharia e teria atuado de 2006 a 2014 nas maiores obras do país, como a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). “As empreiteiras, reunidas em algo que denominavam de ‘Clube’, ajustavam previamente entre si qual delas iria sagrar-se vencedora das licitações da Petrobras, manipulando os preços apresentados no certame, com o que tinham condições de, sem concorrência real, serem contratadas pelo maior preço possível admitido pela Petrobras”, relatou o juiz em sua decisão.

Para garantir que pudessem monopolizar as grandes obras de infraestrutura, a Camargo Correa e as demais empreiteiras destinavam uma percentagem de cada contrato com a Petrobras para o pagamento de propina. Segundo os investigadores, os dirigentes da Camargo Correa teriam destinado pelo menos 1% sobre o valor dos contratos e aditivos à Diretoria de Abastecimento da Petrobras, então comandada por Paulo Roberto Costa. “Em relação aos agentes da Camargo Correa, há diversas razões especificadas na denúncia para a imputação, como o depoimentos dos colaboradores, o envolvimento deles na celebração dos contratos fraudulentos, o fato de figurarem em comunicações eletrônicas com o grupo dirigido por Alberto Youssef ou o próprio resultado da busca e apreensão”, resume o juiz.

Na Camargo Correa, o presidente da empreiteira Dalton Avancini ainda assinou os contratos das obras nas quais as fraudes foram constatadas, além de ter celebrado contrato fraudulento com a empresa de Paulo Roberto Costa, a Costa Global, para dissimular o pagamento de propina.

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 20:53

Conselho de Ética abre processo contra Bolsonaro. É o certo! Se ele não se desculpar com as mulheres, que seja punido. Ou: Será mesmo que eu quero a simpatia das esquerdas?

E o Conselho de Ética da Câmara abriu, nesta terça, processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Por quê? Em razão da afirmação que ele fez no dia 9 deste mês, numa altercação com a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Disse então: “Fica aí, Maria do Rosário. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador no Salão Verde, e eu falei que não iria estuprar você porque você não merece. Fica aqui para ouvir”. Esse “há poucos dias” se deu em… 2003! Já relatei as circunstâncias aqui com vídeo e tudo. Sim, foi a deputada quem interrompeu uma entrevista que ele concedia, acusando-o de estuprador. É grave? É! Ele que fizesse uma representação contra ela, em vez de ter disparado a resposta boçal.

Não se sabe se o processo será extinto com o fim dessa legislatura ou se será retomado na nova, no ano que vem. Se Bolsonaro não se desculpar com as mulheres, defendo que uma nova denúncia seja feita ao Conselho caso o processo se extinga. Na defesa preliminar que apresentou, Bolsonaro afirma dispor de imunidade parlamentar e ter virado alvo de alguns partidos em razão da oposição que faz ao governo Dilma. Com a devida vênia, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Nesta terça, o deputado chegou a dizer que “o Congresso não é um convento” e que “ela [Maria do Rosário] interferiu numa entrevista e acabou se vitimizando”. De fato, convento não é — ou, vamos convir, seria um antro de religiosos pervertidos, com exceções. E, de fato, como já demonstrei aqui, foi ela quem disparou a ofensa inicial.

Mas isso não o autorizava a dizer aquela enormidade. Sim, ele está sugerindo que algumas mulheres merecem ser estupradas. Como não gosta de Maria do Rosário e sustenta que ela está entre as que não merecem, infere-se, por uma questão de lógica elementar, que, na sua fala, o estupro é uma distinção, um mérito, um prêmio, um merecimento. É inaceitável!

Na sessão da Câmara, Bolsonaro conseguiu piorar as coisas. Mandou brasa: “Eu falei que não merece [ser estuprada], e vocês estão me crucificando. Se eu falasse que ela merece, eu seria linchado. A campanha dela [Maria do Rosário] há poucos meses era ‘Eu não mereço ser estuprada’. Ela usou a frase que usei”.

Santo Deus! Para começo de conversa, se o deputado tivesse dito que uma mulher merece ser estuprada, ele não deveria ser linchado, mas preso. O artigo 53 da Constituição, que garante a imunidade parlamentar, não é um esconderijo de crimes e criminosos. De resto, reitero o desafio: EU QUERO QUE O DEPUTADO DIGA QUEM, NA SUA OPINIÃO, MERECE SER ESTUPRADA, JÁ QUE, SEGUNDO ELE, MARIA DO ROSÁRIO NÃO É DIGNA DE TAL MERECIMENTO.

Bolsonaro está, de forma deliberada, misturando alhos com bugalhos. Tenta confundir a sua militância contra o PT — que tem méritos — com suas opiniões absurdas. Nesse particular, repete o pior procedimento do esquerdista xexelento, que recorre à meritória diminuição da pobreza para justificar o assalto à Petrobras.

Para encerrar
Alguns trouxas estão sugerindo que estou usando o caso Bolsonaro para fazer um charminho para as esquerdas… É mesmo? Vai ver eu estava tentando atrair a simpatia dos comunas quando chamei a Comissão da Verdade de “farsa” ou quando republiquei a lista com as 119 pessoas assassinadas pelos esquerdistas.

Ora, ora… Desde quando esses esquerdistas são meus juízes? Ocorre que os fanáticos do bolsonarismo também não. Na verdade, no que diz respeito às minhas opiniões, o único juiz sou eu mesmo. Recebi dezenas de mensagens de pessoas dizendo que não mais lerão o meu blog. Fazer o quê? Espero que esses encontrem um que os satisfaça, que seja capaz de dar um sentido virtuoso para este lixo: “Eu falei que não iria estuprar você porque você não merece”.

Esse cara, definitivamente, não sou eu. Como também não sou o cara que apoia os babacas que vão às ruas cobrar intervenção militar. Se alguém só descobriu agora essas minhas opiniões, ou é analfabeto funcional ou é bobo. Eu sempre sou de uma clareza até desconcertante. Jamais sou ambíguo. Ninguém tente ser dono ou superintendente do meu pensamento. Eu sou o rei absoluto das minhas opiniões.

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 15:31

É o fim da picada o jornalismo do nariz marrom falar de Lula candidato antes do fim de 2014, enquanto a Petrobras, sua herança maldita, afunda!

Chega a ser asqueroso. Enquanto somos informados de que as ações da Petrobras caíram 25% em uma semana, temos também a notícia de que Luiz Inácio da Silva — sim, ele mesmo! — já está em franca movimentação com dois propósitos: a) interferir o máximo possível no governo Dilma e b) preparar uma nova candidatura à Presidência em 2018.

O futuro pertence mais a Deus — ou ao indeterminado, a depender das crenças de cada um — do que à vontade dos homens, isso é certo. O próprio Lula deve saber disso. Não creio, para ser franco, que, hoje, em 2014, ele próprio leve tão a sério a possibilidade de voltar a concorrer. Mesmo assim, constate-se: é de uma arrogância sem-par o grande maestro do descalabro que aí está autorizar o pré-lançamento de seu nome à Presidência como uma espécie de ameaça ao jogo político.

Lula sabe bem o que faz. Os dois primeiros anos do segundo mandato de Dilma não serão nada fáceis. Para 2015, já está contratado um crescimento inferior a 1% — e há pessoas muito racionais falando até em recessão. É claro que a oposição tende a crescer em momentos assim — ao menos é o que se espera, para o bem do país e da democracia. Ao se colocar como o grande fantasma de 2018, o imbatível, Lula pretende congelar o jogo político e desestimular os apetites. Ai das oposições se caírem nessa conversa!

Agora e nos meses e anos vindouros é hora, mais do que nunca, de apontar a nudez do rei. Dilma é, sim, corresponsável pelo colapso da Petrobras — quando menos porque não fez nada do que poderia ter feito em quatro anos de mandato para mudar a rotina de descalabros. Mas é evidente que ela não é autora da equação. O modelo que faz da estatal apenas uma franja de um partido político e instrumento da tomada do Estado por esse partido não é dela, é do PT.

Quem transformou a Petrobras numa engrenagem macabra e corrupta para conquistar a base de apoio por intermédio da compra de parlamentares foi o lulo-petismo. O homem  que “ameaça” voltar é o responsável último pela situação pré-insolvente da empresa, que só não quebrou ainda — nem vai quebrar — porque majoritariamente pública.

O jornalismo que se dedica à fofoca desse universo em que transita Lula, que o transforma numa espécie de grande pensador desse maquiavelismo de botequim e que, mesmo de forma mitigada, canta suas glórias de grande estrategista se dedica a uma variante nada edificante do culto à personalidade. Lula tem de ser visto, sim, como o maestro, mas de um modelo que entrou em falência e que tende a condenar o Brasil a mais alguns anos de atraso.

Nunca — e nunca quer dizer precisamente isto: nunca — a Petrobras se viu na situação em que está agora. E sempre cabe lembrar que essa gente tem um método, não uma tara especial por esta ou por aquela empresa. Repita-se o óbvio: a Petrobras tem um grau de profissionalização de seu corpo técnico superior ao de outras estatais e ao da administração direta — refiro-me aos ministérios, que manipulam verbas do Orçamento. Se o padrão de governança por lá é o que vemos, dá para imaginar como se passam as coisas em ambientes menos controlados.

A despeito de sua movimentação frenética, Lula deveria, isto sim, é ser visto como uma página virada da história, a não ser pela herança maldita de um modelo. Em vez disso, está sendo tomado como o grande fator da eleição de 2018.

Com a devida vênia, esse tipo de “jornalismo”, se é que assim pode ser chamado, é mesmo falta de vergonha na cara. 

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 14:14

Bolsonaro responde a meu post. E eu respondo a Bolsonaro. Ou: Seguidores do deputado pedem a minha cabeça à VEJA numa “petição”. Não me digam!

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) me envia o seguinte e-mail, que publico conforme o original. Leiam. Comento em seguida.
*
Reinaldo, entre os dias 01 e 05 de novembro de 2003 um casal de namorados foi surpreendido por 5 marginais quando acampavam em SP. No dia 02 o garoto Felipe (19 anos) foi executado com um tiro na nuca. Ela (com 16 anos), até o dia 05, foi estuprada pelos marginais em “rodízio” quando então foi executada pelo menor “Champinha”, a golpes de facão. No dia 11 a RedeTV me convidou para falar sobre a redução da maioridade penal já que sou ainda autor da PEC 301/1996. Não sabia que a deputada Maria do Rosário havia sido convidada também para falar, mas contra a redução da maioridade. O resto da história pode ser visto no vídeo em sua matéria.

Confesso não saber de o por que o Senhor destila tanto ódio para comigo. Fui elogiado no “Mensalão” por Joaquim Barbosa como “o único da base do governo que não foi comprado pelo PT”. Sei que isto é dever e não virtude. Não posso acreditar numa CNV onde TODOS seus integrantes são indicados por um dos lados. Nunca defendi ditaduras pois não considero o período militar como tal. Diriam, mas o Congresso esteve fechado por aproximadamente 1 ano e o Governo legislava por Decreto-Lei. Sim é verdade, mas desde quando cheguei à Câmara, em 1991, ela esteve “fechada” por aproximadamente 10 anos (pauta trancada), já que o Executivo legislava por Medidas Provisórias.

Vou, talvez, a seu contragosto, continuar lendo seu Blog, um dos poucos quando não trata assuntos com meu nome, ser de exemplar imparcialidade e inteligência. Teria muito a escrever, contudo me permita uma observação: o “cancro vermelho” não será erradicado com bonitos e elucidativos textos ou com eleições informatizadas. O PT já foi longe demais para entregar para a oposição de forma pacífica o poder. Mais cedo ou mais tarde, a contragosto de muitos e torcendo eu para estar errado, algumas doloridas doses de Benzetacil podem ser aplicadas para salvar nossa democracia. Ou alguém aponte outro motivo pelo qual nossas Forças Armadas são caluniadas nos últimos 20 anos?

Atenciosamente, Jair Bolsonaro.

Resposta
Deputado Bolsonaro,

Nada tenho de pessoal contra o senhor porque, como sabe, a gente nunca se falou, não se conhece. Não haveria como. Por ocasião da polêmica envolvendo os tais kits gay — creio, mas não tenho certeza, que cheguei a reagir primeiro —, defendi o seu direito (e até dever) de ter uma opinião a respeito. Aquilo era mesmo um lixo. Eu só o critiquei, naquela ocasião, quando o senhor sugeriu que uns petelecos poderiam fazer bem ao adolescente gay. O senhor é informado o bastante — ou tem condições de ter acesso à informação — para saber que se trata de uma bobagem.

Quanto à deputada Maria do Rosário (PT-RS), eu mesmo publico o vídeo agora e o fiz antes para deixar claro que o senhor foi o alvo original da injúria. Creio que poucos, ou ninguém, combateram, na imprensa, as ideias tortas dessa senhora como este que escreve. E o senhor sabe disso.

Se o senhor quer uma lei que agrave a punição para menores que cometem crimes hediondos — e eu também quero; se o senhor fez a defesa que fez porque repudia o estupro — e eu também; se o senhor quer punir atos dessa natureza — e eu também; se tudo isso é verdade, não poderia ter falado o que falou. Não poderia, muitos anos depois, ter repetido o que dissera.

Recorra ao arquivo do blog e leia o que escrevi sobre a Comissão Nacional da Verdade, que chamei de “farsa” aqui, na Folha e na Jovem Pan. A questão, deputado, é saber com quais valores ela deve ser combatida.

Eu não sei que “Benzatacil” o senhor imagina possa ser empregado contra o PT. Eu só aceito um: a democracia, que enseja, sim, protestos de rua, dentro da lei e da ordem; que enseja, sim, campanha pelo impeachment de Dilma, se ficar provado que ela sabia de tudo, dentro da lei e da ordem; que enseja, sim, a ocupação do espaço público para demonstrar contrariedade, dentro da lei e da ordem. Em suma, deputado, os males da democracia têm de ser curados com mais democracia. E intervenção militar, a menos que pedida por um dos Poderes da República, como reza a Constituição, ESTÁ FORA DA LEI E DA ORDEM.

Escreve o senhor: “O PT já foi longe demais para entregar para a oposição de forma pacífica o poder. Mais cedo ou mais tarde, a contragosto de muitos e torcendo eu para estar errado, algumas doloridas doses de Benzetacil podem ser aplicadas para salvar nossa democracia”. Não sei o que isso quer dizer. Não sei o que o senhor tem em mente — mas não me parece bom. Não sei que futuro o senhor imagina, mas certamente não contará com o meu apoio.

Nem com o meu apoio nem com o das Forças Armadas. Esse tipo de pensamento tem estridência, mas, felizmente, não tem base social. Seduz alguns milhares de eleitores, como resta comprovado, mas não passa muito disso. Infelizmente, deputado Bolsonaro, a sua pregação contribui apenas para que o senhor tenha, a cada ano, milhares de votos a mais. Mas não aponta uma saída para o país.

Eu defenderei com determinação o seu direito de ter uma opinião, dentro do que a Constituição e a civilidade asseguram. Mas acho intolerável que o senhor diga, à deputada Maria do Rosário ou a qualquer outra mulher, que ela “não merece ser estuprada”. Isso degrada a política, a inteligência, o senso comezinho de moral e, antes de tudo isso, as mulheres — mulheres, senhor deputado, como a minha, como as nossas mães, como as minhas filhas, como as de sua família, como as da minha… E, claro!, com elas, praticamente metade da humanidade. Tenha paciência! Aquela é uma fala asquerosa.

Retire o que disse, desculpe-se com a deputada — mesmo que ela não se desculpe com o senhor — e com as mulheres. Admita que disse uma asneira.

O senhor afirma que continuará a ler o meu blog, num sinal de que considera que ele pode ser útil ao senhor e ao Brasil. Espero, sinceramente, que sim.  Defenderei, deputado, enquanto tiver forças, o seu direito a dizer o que pensa. Mas não conte comigo para grosserias como aquela ou para flertar com soluções que estejam fora das urnas. Esse tipo de pregação pode lhe render votos, mas faz mal ao Brasil.

A propósito: seguidores seus decidiram fazer uma “petição” pedindo a minha cabeça à VEJA. Talvez eles não saibam que sou antigo nessa história de resistir a grupos de pressão. O senhor já passou da idade de receber conselhos. E eu não tenho disposição para aconselhar pessoas mais maduras do que eu. Deixo uma dica: retire do seu universo de referências qualquer expediente que não passe pelo voto e seja mais apaixonado pela Constituição do que pelos holofotes. Ah, sim: não ajude Maria do Rosário a voltar para o ministério. Hoje, o senhor é o principal apoio — às avessas — com o qual ela conta.

Estamos falando de política, deputado, não de guerra. Finalmente, noto que, em vez de o senhor ameaçar o jogo político com a cólera das legiões, lembre que a Lei da Anistia foi referendada por um Congresso eleito livre e democraticamente, que a acatou como pressuposto na Emenda 26, que aprovou a convocação da Constituinte. O senhor tem a lei e a Constituição como aliadas. Não precisa de armas.

Reinaldo Azevedo

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 12:53

Paquistão: Talebãs atacam escola e matam ao menos 130, a maioria crianças

Na VEJA.com:

Pelo menos 130 pessoas morreram, a maioria crianças e adolescentes, e mais de 120 ficaram feridas nesta terça-feira em um ataque terrorista contra uma escola na cidade de Peshawar, no noroeste do Paquistão, informa a rede CNN. Cerca de cinco horas depois do início do ataque, o Exército anunciou o fim dos combates, com a eliminação dos seis agressores. Muitos alunos foram executados com tiros na cabeça, informou o ministro provincial da Informação, Mushtaq Ghani, que indicou 25 pessoas gravemente feridas na escola de Peshawar, principal cidade do noroeste do Paquistão. Amir Bakhs, porta-voz do Hospital Lady Reading, para onde estão sendo transferidas as vítimas, confirmou que algumas pessoas deram entrada na emergência com graves ferimentos de bala e o número de vítimas pode aumentar nas próximas horas.

Um grupo de seis insurgentes vestidos com uniformes do Exército invadiu a escola durante o fim da manhã local (por volta das 6h00 de Brasília) e iniciou o ataque. As forças de segurança paquistanesas cercaram o edifício e travaram um ríspido confronto com os insurgentes, disse o porta-voz militar, Ahmed Ali. Ele acrescentou que a maior parte dos alunos e funcionários já foi retirada do edifício onde funciona a escola. Após horas de cerco, puderam ser ouvidas três explosões no interior da escola gerida pelos militares, e um jornalista da Reuters no local afirmou ter ouvido tiroteio intenso.

Na parte externa, enquanto helicópteros sobrevoavam, a polícia se empenhava em conter grupos de pais desesperados que tentavam ultrapassar o cordão de isolamento e entrar na escola. Um funcionário da escola e um estudante entrevistado pela emissora de TV local Geo disseram que os terroristas tinham entrado no auditório da Escola Pública do Exército, onde uma equipe militar estava realizando treinamento de primeiros socorros para os alunos. Muitas das vítimas foram mortas pelo ataque suicida de um homem-bomba.

O principal grupo talibã paquistanês, através de um porta-voz que se identificou como Mohammed Khurrassani, assumiu a autoria do ataque, de acordo com o jornal local The Express Tribune. À CNN, Khurrassani disse que o ataque foi uma vingança pela operação militar em curso na região pelos prisioneiros detidos. “Escolhemos a escola do Exército para o ataque porque o governo está alvejando nossas famílias e mulheres”, disse o porta-voz do Talibã. “Queremos que eles sintam a dor”, completou. O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, rotulou nesta terça como “tragédia nacional” o ataque do grupo Talibã contra a escola. “Meus filhos foram transformados em cinzas da tragédia, a perda de crianças inocentes é a perda de uma nação”, disse Sharif à rádio estatal.

O primeiro-ministro segue rumo à Peshawar, capital da província de Khyber Pakhtunkhwa, para coordenar a operação de resgate e garantir o auxílio às Forças Armadas e às autoridades administrativas locais. A área da escola está isolada pelo Exército paquistanês, enquanto imprensa local informa sobre disparos no interior do perímetro. Colégios costumam ser alvos dos talibãs no Paquistão, principalmente as escolas para meninas, assim como instalações militares.

Alvos frágeis – A escola, com 500 estudantes entre dez e 18 anos, está localizada na estrada entre Peshawar e Warsakm e faz parte de uma rede de 146 instituições para filhos de militares. As mulheres dos soldados trabalham como professoras. O Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP, na sigla em inglês), autor do ataque, é o principal grupo extremista do país e uma organização ligada à Al Qaeda que enfrenta o governo desde 2007.

O presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, condenaram o ataque e a Índia, vizinha do Paquistão, chamou a ação de “desumana”. Para Talat Masood, general aposentado e especialista em segurança, o ataque tem dois objetivos: tático e militar. “Atacaram alvos frágeis esperando que isso tenha um forte impacto psicológico na população. Os talibãs esperam que, atacando crianças, vão fazer com que caia o apoio às operações militares contra eles”, explicou.

O Paquistão trava uma luta contra grupos radicais em suas regiões semiautônomas desde 2004, quando o Exército entrou nesses locais em busca de combatentes da Al Qaeda que deixavam o Afeganistão para fugir da pressão americana. Nos últimos meses, os militares do Paquistão vêm realizando uma ofensiva terrestre destinada a combater os extremistas do Talibã que atuam ao longo da fronteira com o Afeganistão. A campanha já desalojou dezenas de milhares de pessoas, que fogem para áreas mais seguras. O noroeste do Paquistão é composto por áreas tribais onde a presença do Estado é frágil, dando espaço para líderes locais controlarem o comércio, a administração e até a justiça.

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 4:59

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 4:45

É chegada a hora de dar um “Basta!” às boçalidades de Bolsonaro, hoje o mais importante aliado da esquerda boçal: ambos se alimentam e se merecem!

O representante para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Amerigo Incalcaterra, afirmou que as declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) contra Maria do Rosário (PT-RS), sua parceira na Câmara, “não são apenas uma ofensa contra a deputada, mas também para a dignidade das mulheres e de todas as vítimas de abusos graves como violência sexual e estupro”.  Mais: a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, denunciou o parlamentar por incitar publicamente a prática do crime de estupro. A denúncia, protocolada nesta segunda no Supremo Tribunal Federal, será analisada pelo ministro Luiz Fux. Vamos lá.

Há assuntos que são de uma chatice quase insuportável pelo muito que trazem de oportunismo, de estupidez, de vigarice ideológica… Esse é um caso. Ao contestar as conclusões realmente inaceitáveis da dita Comissão Nacional da Verdade, respondendo aos petistas, que elogiavam o trabalho, Bolsonaro disparou no último dia 9: “Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí! Há poucos dias, você me chamou de estuprador no Salão Verde, e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir”.

Vamos ver. Em primeiro lugar, o bate boca do passado não aconteceu “há poucos dias”, mas em 2003, há 11 anos. De fato, Maria do Rosário, então, chamou Bolsonaro de estuprador, o que é, obviamente, um crime contra a honra. E que fique claro: ela interrompeu uma entrevista que o deputado concedia; ela o provocou. Vejam o vídeo.

A resposta de Bolsonaro à ofensa boçal foi também… boçal! A sequência:
— Eu jamais iria estuprar você porque você não merece.
Ela o ameaçou com uma bofetada:
— Olhe eu que lhe dou uma bofetada!
— Dá, que eu lhe dou outra.

E, na sequência do bate-boca, ele acabou por xingá-la de “vagabunda”. Então tá! Maria do Rosário pode chamar um deputado de “estuprador”? Não! Bolsonaro pode afirmar que o estupro é matéria de “merecimento” — e, o que é mais estarrecedor, nota-se que ele trata essa violência como uma distinção positiva? É claro que não! Está tudo errado.

Outro dia, um desses tontos da Internet, admirador do deputado, afirmou que eu o critico porque não quero ser identificado “com a direita”, como se eu desse  bola para o que dizem a meu respeito. Alguns esquerdistas pensam o mesmo. Não! Eu o critico porque discordo dele no conteúdo e na forma. Já disse o que penso a respeito de sua atuação e repito aqui: a exemplo de outros no Congresso, ele não passa de uma personagem, de, como diria Nelson Rodrigues, um “contínuo de si mesmo”.

Também já escrevi e sustento que parlamentares como este senhor, numa ponta, e Jean Wyllys (PSOL-RJ), na outra, são opostos e complementares. Eles se estapeiam verbalmente para atrair eleitores que “odeiam” o outro lado. Um depende do outro. O  eleitorado de Wyllys cresceu 10 vezes de 2010 para 2014 (de 13 mil para 144.370); o de Bolsonaro saltou para 464 mil neste ano, contra 120.646 na eleição passada — aumentou três vezes.

Quem ouve Bolsonaro falar fica com a impressão de que ele lutou alguma guerra importante ou teve algum papel relevante no combate à subversão. Uma ova! Nascido em 1955, no prontuário, tem, no máximo, um caso de indisciplina. Wyllys, nascido em 1974, era candidato apenas a celebridade. Não foi ele que descobriu a extrema esquerda; foi a extrema esquerda que o descobriu. O que essa gente representa do Brasil real, de forças políticas realmente relevantes? Resposta: nada. Bolsonaro tem sido eficiente é em criar o clã dos… Bolsonaros: um filho é vereador, e outro, deputado estadual.

É claro que, quando este senhor dispara aquela barbaridade contra Maria do Rosário, por mais eu execre — e execro — a atuação da petista,  justamente ao criticar as conclusões absurdas da Comissão Nacional da Verdade, está é ganhando o aplauso de alguns extremistas de saliva — não mais do que isso — que o admiram, quem sabe ganhando uns votinhos a mais, e prestando um grande serviço à esquerda.  Aliás, Bolsonaro é o mais importante aliado objetivo de esquerdistas doidivanas e do colunismo mixuruca, que o tratam como um espantalho, como se ele representasse um risco real de retrocesso institucional. Não representa nada! Todo mundo sabe que os militares não dão a menor bola para o que ele diz.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos entrou com uma representação contra o deputado na Procuradoria-Geral da República. PT, PCdoB, PSOL e PSB recorreram contra ele no Conselho de Ética. Olhem aqui: já defendi, no passado, o direito que tem Bolsonaro de ter a opinião que quiser sobre os mais variados assuntos. O que testa a nossa tolerância é ouvir coisas que os outros dizem e que julgamos detestáveis. Mas direito de afirmar que estupro é matéria de merecimento, valorando positivamente a violência, bem, esse direito, ele não tem, ainda que seja pura retórica e estridência meio circense. É retórica, sim, mas ele está obrigado a seguir o decoro da Casa.

Se for punido, não derramarei por ele uma única palavra. Não terá sido por delito de opinião, mas por expressar uma opinião delituosa. Esse tipo de comportamento e essas declarações só colaboram com o pior Brasil, num extremo e no outro. Não! O lixo dito por Bolsonaro não é “de direita”. É apenas, repito, uma boçalidade.

Se seus seguidores nunca mais quiserem ler meu blog, paciência. Eu não combato o lixo moral da esquerda porque aceite agressões à ordem constitucional, aos fundamentos da democracia e à civilização. Eu o combato justamente porque não as aceito. E não seria Bolsonaro a me fazer mudar de ideia.

Texto originalmente publicado às 21h05 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

16/12/2014

às 3:33

O MST, Kátia Abreu e Lula: o falso e o verdadeiro nessa equação

O MST esteve ontem com a presidente Dilma Rousseff para pressioná-la a não nomear a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura. Duas dissidências do movimento invadiram a sede da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) para protestar contra essa possibilidade. Nesta segunda, Kátia assumiu um novo mandato na presidência da entidade, do qual deverá se afastar se for mesmo para o ministério. Dilma compareceu à solenidade e deixou claro que era uma deferência à confederação, mas também “foi uma forma de homenagear uma mulher que se distingue na direção da CNA e que honra o Brasil”. Afirmou ainda que as duas estarão “mais próximas do que nunca”.

Assim como setores do mercado — e da imprensa — veem a presença de Joaquim Levy na Fazenda como uma aposta — se garantia não puder ser — de racionalidade, vejo a eventual presença da senadora no comando da Agricultura como um investimento na competência. Ela entende do riscado. Se terá ou não condições objetivas para fazer o melhor, bem, isso é o que se verá. Admiro a sua dedicação ao setor e a sua capacidade de trabalho, nunca escondi isso, e é evidente que não passarei a hostilizá-la só porque integra um governo que não é do meu agrado. Se acertar, vou elogiar. Se errar, criticar, como sempre faço — segundo os critérios com os quais opero.

Que o MST e assemelhados sejam contrários à sua eventual nomeação, eis o que eu chamaria de bom começo. Pelo meu gosto pessoal, nem Levy nem Kátia emprestariam seus respectivos talentos ao governo Dilma. Mas essas são escolhas deles, não minhas. Guilherme Boulos, o sedizente líder de sem-teto, me quer no Ministério da Cultura. Mas eu não quero, hehe. Adiante.

Na conversa com Dilma, os sem-terra foram levar o chororô à moda Gilberto Carvalho: Kátia representaria o oposto das forças que teriam realmente contribuído para eleger Dilma — os ditos “movimento sociais”. Essa é uma daquelas tolices repetidas por aí sem que a gente se dê conta do seu real significado. É mesmo? Quantos milhões de votos têm os “movimentos sociais”? Isso é conversa para boi dormir. Basta pegar o mapa de votação de Dilma e cruzá-lo com o pagamento do Bolsa Família, e se vai ter claro o que realmente fez a diferença.

Os movimentos sociais não elegeram ninguém — ou, convenham, o desempenho das esquerdas nos governos estaduais e mesmo nas eleições legislativas teria sido outro. Práticas eleitorais francamente terroristas fizeram a diferença, num país que tem 50 milhões de pessoas — coisa de que Dilma se orgulhou na campanha eleitoral — penduradas no Bolsa Família. “Então pobre não sabe votar?” A pergunta é tola. Cada um vota segundo as suas condições. Numa democracia, essa pergunta é descabida. Mas nem por isso se deve deixar de apontar o óbvio. A propósito: se saber votar derivasse só de condições financeiras e de escolaridade, não haveria tantos eleitores de esquerda entre universitários. A elite intelectual brasileira, ou o que deveria ser a elite, vota bem pior do que o povo.

Se Dilma realmente achasse que a eventual presença de Kátia no ministério iria tirar aquela parte do eleitorado que lhe garantiu a vitória — como afirmam os MSTs e MTSTs da vida —, é claro que ela não faria essa escolha. Ocorre que a presidente sabe que a rede de apoios de que dispõe Kátia, com milhões de agricultores — estes, sim, produtores de comida, não de mistificações ideológicas —, é muito maior do que os gatos-pingados e barulhentos dos senhores João Pedro Stedile e Guilherme Boulos, que apenas lideram máquinas de consumir recursos públicos.

Dilma deve levar a senadora para o governo para ampliar sua base de sustentação, não para diminuí-la. Kátia faz aumentar o apoio ao governo; quem o subtrai é gente como Stedile e Boulos.

Por Reinaldo Azevedo
 

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