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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

28/01/2015

às 15:33

O balanço da Petrobras vale o discurso de Dilma, e o discurso de Dilma vale o balanço da Petrobras. Ou: Brasil já foi antes governado por um doido…

Com a devida vênia, sempre achei Dilma Rousseff incompetente. Como ministra e como presidente. E sempre acrescentei a essa constatação uma outra: ela é competente em criar a fama de que é competente. Esse mal, admito, é uma espécie de marca registrada do PT. Mas, na soberana, é especialmente saliente. E, para arremate dos males, ela tem como homem forte do governo Aloizio Mercadante. Aí, meus caros, a contribuição ao erro não tem como não ser bilionária.

Eu fico cá me perguntando que espírito ruim fez com que a Petrobras divulgasse, praticamente no dia em que a presidente realiza a primeira reunião do segundo mandato, o seu balanço de mentira, o seu balanço falso, o seu balanço de vento. E com uma nota perversa: a peça de ficção veio a público na calada da noite. O principal demonstrativo daquela que já foi a maior empresa do país — antes da rapinagem petista — ganhou ares de peça clandestina. Seus subscritores se esgueiram nas sombras, como marginais.

Dilma faz o seu discurso anunciando novas auroras, e a mulher que escolheu para comandar a Petrobras, Graça Foster, lidera uma patuscada. Aqui e ali, sei lá com que base material, fala-se de um prejuízo de R$ 88 bilhões apenas. A estimativa do mercado é bem outra: de US$ 5 bilhões, valor muito subestimado, já digo por quê —  a US$ 20 bilhões. Sim, de dólares. Só Abreu e Lima, o cálculo é da própria Petrobras, conta com um prejuízo irreversível de US$ 3,2 bilhões. A propósito: R$ 88,6 bilhões correspondem aos ativos que estariam superavaliados. É outra conta.

As ações da empresa entraram em queda livre nesta quarta. O Brasil não é a Venezuela. O Brasil tem mercado. Às 14h30, os papéis preferenciais (PN) da companhia, sem direito a voto, caíam 9,83%, para R$ 9,16. Durante a manhã, chegaram a despencar 10,17%,  para R$ 8,66. Já as ações ordinárias (ON), com direito a voto, registravam queda de 9,44%, em R$ 8,73  — na mínima, chegaram a valer R$ 8,46.

Reitero: é impressionante que os dois eventos tenham se dado quase ao mesmo tempo: a reunião ministerial e a divulgação dos números da empresa. É inescapável concluir: sabem quanto vale o discurso de Dilma? O que vale o balanço da Petrobras. Sabem quanto vale o balanço da Petrobras? O que vale o discurso de Dilma.

Pergunta-se: é essa a presidente que precisa inspirar confiança dos agentes econômicos? Qual será o comportamento daqueles que deveriam apostar no Brasil? Investir no país ou se proteger do seu governo e dos irresponsáveis que hoje comandam o seu destino? Pior: a decisão de divulgar um balanço não auditado, que ignora o prejuízo, passa a informação de que, sim!, essa gente que nos governa é capaz de qualquer coisa.

Em seu discurso de ontem, Dilma citou a palavra “Petrobras” oito vezes. Destaco dois trechos: “A Petrobras já vinha passando por um rigoroso processo de aprimoramento de gestão; a realidade atual só faz reforçar nossa determinação de ampliar na Petrobras a mais eficiente estrutura de governança e controle que uma empresa estatal, ou privada já teve no Brasil”. E mais adiante: “Temos que continuar acreditando na mais brasileira das empresas, a Petrobras”.

Santo Deus! Não é possível acreditar nem no balanço da empresa! Eu me pergunto, e não estou fazendo ironia, se Dilma está bem da cabeça. O conjunto da obra, nesta terça e madrugada de quarta, pode indicar que não.  Nem seria inédito. O Brasil já foi governado por um doido clínico, Delfim Moreira, entre 15 de novembro de 1918 e 28 de julho de 1919. Na prática, quem tocava o país era o ministro de Viação e Obras Públicas, Afrânio de Melo Franco. Em 2015, temos Aloizio Mercadante.

Eu poderia encerrar assim: “Que Deus tenha piedade da gente, já que o eleitor não teve”. Mas Deus, definitivamente, não tem nada com isso. Deus não corrige o voto. Só os eleitores brasileiros podem fazer isso.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 11:49

Ações da Petrobras caem 10% após anúncio de balanço

Na VEJA.com:

As ações da Petrobras operavam em forte queda nesta manhã de quarta-feira, depois de a estatal divulgar seu balanço financeiro do terceiro trimestre sem as baixas contábeis da corrupção, como era esperado, e sem o aval da auditoria externa PricewaterhouseCooper (PwC). Os papéis preferenciais (PN) da companhia, sem direito a voto no Conselho, chegaram a cair 10,17% no início do pregão, para 8,66 reais. Por volta de 10h45, as perdas eram um pouco menores, de 8,36% (9,32 reais). Já as ações ordinárias (ON), com direito a voto, registraram queda de 10,17%, para 8,66 reais, na mínima do dia. Por volta de 10h45 recuavam 7,57%, para 8,91 reais

Como consequência, o fraco desempenho das ações da Petrobras pressionava a BM&FBovespa. O principal índice da bolsa, o Ibovespa, caia 1,20%, para 48.009 pontos, por volta de 10h45.

Balanço – A Petrobras publicou na madrugada desta quarta-feira o balanço financeiro do terceiro trimestre de 2014 sem considerar as baixas contábeis causadas por corrupção. O documento, divulgado após dois adiamentos e com mais de dois meses de atraso, não tem a aprovação da auditoria independente PricewaterhouseCoopers (PwC). Depois de 11 horas de reunião na terça, o Conselho de Administração da estatal não chegou a um consenso sobre como separar no balanço as perdas provocadas pelos desvios apontados na Operação Lava Jato dos prejuízos com outros fatores, como projetos ineficientes e atrasos causados por chuvas.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 7:29

LEIAM ABAIXO

Dilma relê “O Poema de Sete Faces” e faz o Discurso de Duas Caras. Ou: Piorando Goebbels, o que parecia impossível;
Dilma, com certeza, ainda indicará mais 2 ministros da turma do STF que vai julgar os políticos do petrolão. E pode chegar a três;
Perda com roubalheira pode chegar a 50% do valor de mercado da Petrobras. Empresa divulga, na calada da noite, balanço sem auditoria, no qual ninguém acredita, e omite corrupção;
A dupla incompetência de Haddad: nem zela nem planeja;
Lava Jato: PF abre inquéritos contra mais 10 empreiteiras;
#prontofalei – O discurso impossível de Dilma;
Em nota a este blog, advogado de Youssef nega existência de “taxa de sucesso”. Ou: É bom não confundir abatimento de multa com compensação financeira por delação;
Doleiro indica R$ 3 milhões de propina para auxiliar de Roseana;
Dilma reaparece, defende ajuste e pede que ministério trave “batalha da comunicação”;
Seria correto deixar com Youssef uma parcela do que a União tomar de volta dos bandidos da Lava-Jato? Resposta: seria indecente e ilegal!;
O que disse o diretor da Sabesp e o que se noticiou que ele disse. Alckmin: “Estão querendo tirar uma casquinha da crise”;
Conselho da Petrobras: o que era uma distinção virou um fardo;
— A Desaparecida do Cerrado dá as caras hoje para enterrar a candidata Dilma Rousseff. Ainda bem! Ainda mal!;
— Dilma já pensa em recuar das mudanças propostas no seguro-desemprego. Pois é… Eu as havia elogiado!;
— Em artigo, Marta praticamente rompe com PT e com Dilma. Partido tentará esmagá-la hoje nas redes sociais. Ou: Um texto que serve como réquiem de uma farsa;
— TVeja – “O PT perdeu o eixo”

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 6:29

Dilma relê “O Poema de Sete Faces” e faz o Discurso de Duas Caras. Ou: Piorando Goebbels, o que parecia impossível

Consta que as relações entre a presidente Dilma Rousseff e o marqueteiro João Santana já viveram dias melhores. Não sei qual a razão da rusga. Mas cabe à presidente não ser ingrata. Santana deu a melhor embalagem que podia a uma formidável coleção de imposturas. A combinação desse profissional sem dúvida competente com o partido poderia ser esta: “Eu contarei as mentiras de vocês de um modo que parecerão verdades inquestionáveis”. E deu certo para eles. E deu errado para o país. Dilma obteve o segundo mandato.

A Desaparecida do Cerrado voltou a dar as caras nesta terça na maior reunião ministerial do mundo, realizada na Granja do Torto. Proibiu a presença de assessores dos ministros. Faz sentido. Ou teria de fazer o encontro no estádio Mané Garrincha. Parafraseio o “Poema de Sete Faces”, de Drummond, para a presidente de duas caras:
“Pra que tanto ministro, meu Deus?, pergunta o meu coração.
O homem atrás do bigode
é o Mercadante”

Abro este texto falando de João Santana. E volto a ele. Dilma deu uma recomendação clara a seus ministros no discurso (íntegra aqui) que abriu a reunião, prestem atenção:
“Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação sempre e permanentemente. Vou repetir: sempre e permanentemente. Nós não podemos permitir que a falsa versão se crie e se alastre. Reajam aos boatos, travem a batalha da comunicação, levem a posição do governo à opinião pública, a posição do ministério. Sejam claros, sejam precisos, se façam entender. Nós não podemos deixar dúvidas.”

Para uma turma viciada em marquetagem, tudo se resolve mesmo numa batalha de comunicação. Entendo. Houve certa feita um senhor que cravou uma frase realmente notável: “Um bom governo sem propaganda dificilmente se sai melhor do que uma boa propaganda sem um bom governo. Um tem que complementar o outro”. Seu nome era Goebbels. O discurso a que me refiro está aqui.

A presidente que não quer que a falsa versão se alastre afirmou o seguinte:
“As medidas que estamos tomando e que tomaremos, elas vão consolidar e ampliar um projeto vitorioso nas urnas por quatro eleições consecutivas e que estão, essas medidas, ajudando a transformar o Brasil. Como disse na cerimônia de posse, as mudanças que o país espera, que o país precisa para os próximos quatro anos, dependem muito da estabilidade e da credibilidade da economia. Nós precisamos garantir a solidez dos nossos indicadores econômicos.”

Que “projeto” venceu nas urnas? O da elevação de tarifas, o dos juros altos, o da mudança do seguro desemprego, o da recessão? Já escrevi, reitero e não vou desistir de lembrar: a petista acusava seus adversários de ter essas intenções. Afirmar que o que está em curso é congruente com o que prometeu em campanha chega a ser ofensivo. A menos que passemos a adotar a perspectiva do presente eterno, conformados em ter o PT como nosso guia. Assim, ficaria definido que o partido estará sempre no governo e que tudo o que fizer concorre para o bem porque, afinal, busca fortalecer o… próprio partido. Os petistas resolveram, para nosso espanto, piorar Goebbels: “Precisamos é de uma boa propaganda, não de um bom governo”.

A presidente que quer “enfrentar o desconhecimento e a desinformação” atribui as dificuldades do país a “dois choques”: o externo e o interno. O primeiro seria marcado pelo crescimento menor da China e pela estagnação de Europa e Japão, associados à queda de preço das commodities. Poderia me alongar, mas serei breve: ela teria de explicar por que a maioria dos países da América Latina, para ficar por aqui, cresce mais do que o Brasil. Nas terras nativas, ela vê um choque de alimentos derivado do regime de chuvas, que também traz impactos na água e na energia. E pronto.

A líder que pede que se faça a guerra de propaganda apresenta um diagnóstico que dez entre dez pessoas que já venceram o “desconhecimento e a desinformação” — que lhe deram o segundo mandato, note-se — sabem ser falso.

Leiam a íntegra do discurso. Há muitas outras tolices, mas destaco mais uma. Referindo-se ao escândalo do petrolão, afirmou:
“Temos que continuar apostando na melhoria da governança da Petrobras, aliás, de todas as empresas privadas e das empresas públicas em especial. Temos de apostar num modelo de partilha para o pré-sal, temos de dar continuidade à vitoriosa política de conteúdo local. Temos que continuar acreditando na mais brasileira das empresas, a Petrobras. (…) E queria dizer para vocês que punir, que ser capaz de combater a corrupção não significa, não pode significar a destruição de empresas privadas também. As empresas têm de ser preservadas, as pessoas que foram culpadas é que têm que ser punidas, não as empresas.”

Trata-se de uma mentira assentada sobre bobagens. A mentira: ninguém está perseguindo empresas, mas criminosos. A bobagem (também falaciosa): a política de conteúdo nacional não é vitoriosa. Ao contrário: ela está se revelando desastrosa. A própria Dilma está querendo enfiar R$ 10 bilhões de dinheiro público no setor naval.

Para encerrar: Dilma resolveu refazer as promessas de 2011: “Lançaremos um Programa de Desburocratização e Simplificação das Ações de Governo. Já iniciamos também a definição de uma nova carteira de investimentos em infraestrutura. Nós vamos ampliar tanto as concessões como as autorizações de infraestrutura ao setor privado. Vamos continuar com as concessões de rodovias, com as autorizações e concessões em portos e ampliar as concessões de aeroportos. Realizaremos concessões em outras áreas, como hidrovias e dragagem de portos”.

Ou por outra: se fizer o que diz que vai fazer, estará cumprindo em oito anos o que prometeu fazer em quatro. Os tempos que vêm por aí não serão nada fáceis.

Texto publicado originalmente às 22h27 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 6:18

Dilma, com certeza, ainda indicará mais 2 ministros da turma do STF que vai julgar os políticos do petrolão. E pode chegar a três

É… Depois do Carnaval, tudo indica, vai começar uma Quarta-Feira de Cinzas longuíssima para muita gente. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar ao Supremo Tribunal Federal as denúncias e pedidos de abertura de inquéritos contra dezenas de deputados e senadores logo depois do ziriguidum, balacobaco e telecoteco. No caso de haver governadores, o órgão competente é o Superior Tribunal de Justiça.

E, caros leitores, se vocês estão achando os dias que correm um tanto tensos, aí é que a gente vai ver a porca torcer o rabo. Na lista, estão algumas cabeças coroadas da política brasileira. E sabem como é… Uma coisa puxa a outra. A chance de haver uma devastação de lideranças na Câmara e no Senado não é pequena.

Janot pode encaminhar um pedido de inquérito ao STF caso considere que os indícios não são suficientemente fortes para o Ministério Público formar a convicção de que houve dolo; se, ao contrário, avaliar que eles são contundentes, então apresentará a denúncia propriamente. E o tribunal decidirá.

Ou melhor: uma parte dele. Desta feita, tudo ficará nas mãos de uma das turmas do Supremo. Na hipótese de os respectivos presidentes da Câmara e do Senado se tornarem réus, aí votam os 11 ministros. Então prestem atenção.

Os acusados do petrolão serão julgados pela segunda turma, composta hoje por Teori Zavascki, Celso de Mello, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. E o quinto elemento? Era Joaquim Barbosa. Logo, Dilma pode fazer essa indicação agora, se quiser. Estima-se que o fará em fevereiro, mês em que Janot pretende apresentar seu papelório. Em outubro, quem deixa o tribunal é Celso de Mello, que faz 70 anos no dia 1º de novembro. O julgamento não estará concluído.

Aliás, deixem-me refrescar a memória dos leitores. O ex-procurador-geral da República Antônio Fernando Souza apresentou a denúncia contra os mensaleiros ao Supremo, atenção!, no dia 30 de março de 2006. Só no dia 28 de agosto de 2007, o tribunal concluiu a fase de admissão do processo, e os 40 denunciados foram considerados réus só a partir do dia 13 de novembro de 2007. O julgamento só terminou no dia 13 de março do ano passado. Portanto, entre a denúncia e a conclusão, passaram-se oito anos.

Se o mesmo acontecer agora, o julgamento só terminaria em 2023. Nem Teori Zavascki fica até o fim: ele se aposenta em agosto de 2018. Cármen Lúcia só sai da Corte em 2024, e Gilmar Mendes, em 2025. Quem sabe até lá…

O que estou dizendo, meus caros, é que, infelizmente, é possível mexer de forma importante na composição da turma. A depender dos dois — ou três — que Dilma decida nomear, não se terá uma pizza, mas um pastelão. Fiquemos atentos.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 6:15

Perda com roubalheira pode chegar a 50% do valor de mercado da Petrobras. Empresa divulga, na calada da noite, balanço sem auditoria, no qual ninguém acredita, e omite corrupção

E a Petrobras divulgou, na calada da noite, o seu balanço trimestral. Sem incorporar as perdas decorrentes da corrupção. Sem pôr na conta a roubalheira, a estatal registrou lucro de R$ 3,087 bilhões no terceiro trimestre do ano passado, uma queda de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e setembro, o ganho acumulado foi de R$ 13,4 bilhões, recuo de 22% ante o ano anterior.

E as safadezas? O documento, assinado por Graça Foster, explica: “Concluímos ser impraticável a exata quantificação destes valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da companhia”.

E por que divulgar um balanço no qual ninguém acredita? A empresa explica: “A divulgação das demonstrações contábeis não revisadas pelos auditores independentes do terceiro trimestre de 2014 tem o objetivo de atender obrigações da companhia em contratos de dívida e facultar o acesso às informações aos seus públicos de interesse, cumprindo com o dever de informar ao mercado e agindo com transparência com relação aos eventos recentes que vieram a público no âmbito da Operação Lava-Jato”.

O que se estima é que a empresa teria de incorporar uma perda de US$ 20 bilhões — ou R$ 52 bilhões. Sabem o que isso significa? Praticamente a metade do que ela vale hoje na Bolsa de Valores — R$ 107 bilhões no começo deste mês.

Dilma comandou nesta terça, como se sabe, a maior reunião ministerial do planeta. No discurso, ela disse não haver contradição entre o que diz e faz. Num grupo de 192 palavras, repetiu “Petrobras” oito vezes, segundo ela, a “mais estratégica empresa do Brasil”. Defendeu que se investiguem as irregularidades, mas sem enfraquecer a estatal. E seguiu com outras platitudes.

Enquanto a governanta, em suma, anunciava amanhãs sorridentes, a Petrobras, depois de 12 anos sob os cuidados da companheirada, é obrigada a publicar um balanço na calada da noite, sem auditoria, no qual ninguém acredita. É a suprema desmoralização.

Que ironia! Houve um tempo em que o PT fazia terrorismo eleitoral, acusando os adversários de querer vender a Petrobras, o que sempre foi mentira. Se a estrovenga fosse posta à venda hoje, haveria o risco de ninguém querer comprar…

Texto atualizado às 7h05
Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 2:39

A dupla incompetência de Haddad: nem zela nem planeja

Se os paulistanos querem morar num lugar bacana, devem escolher a São Paulo que existe no discurso do prefeito Fernando Haddad (PT), o Supercoxinha que segue sendo o preferido das redações. Basta que ele faça uma faixa em “x” no Centro para ser tratado como um Schopenhauer. Chega a ser patético. No domingo, aniversário da cidade, ele escreveu um artigo para a Folha. O homem do aposentado “Arco do Futuro” agora se dedica ao “Caminho para o futuro”. É preciso ler para crer. O que não é risível é francamente incompreensível.

O que quer dizer, por exemplo, este trecho: “Na educação, recuperamos a centralidade da escola com o fim da “aprovação automática” e com a instalação de universidades nos CEUs”? Resposta: nada! Há inverdades que insultam os fatos, como esta: “Mesmo com todo o esforço de outros governantes, recebi a administração municipal em 2013 com o prognóstico de quebra financeira, expansão caótica e obsolescência por falta de investimentos”. O prefeito fala de “um projeto habitacional que entregará 55 mil moradias até 2016, algo sem precedente na luta por moradia”. Sem dúvida! Estamos em 2014. Em dois anos, ele entregou apenas 2.700.

Bem, nesta terça, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB) contestou na mesma Folha o seu artigo. Segue a íntegra do texto.

Crônica de uma cidade imaginária

Cada vez que leio uma entrevista ou um artigo do prefeito Fernando Haddad fico mais impressionado com seu desconhecimento da vida e dos problemas de São Paulo. No último domingo (25), nesta seção, Haddad escreveu um artigo sobre uma cidade que só ele conhece. Bem distante da São Paulo real, na qual os moradores são diariamente castigados pela incúria da administração.

Haddad afirma que é uma “falsa dialética contrapor a prefeitura-zeladora, que coleta impostos, tapa buracos e recolhe lixo, à prefeitura-planejadora, que inova e olha a cidade do futuro”. Não existe falsa dialética, mas uma dupla incompetência: a prefeitura não cumpre sua função de zelar nem de planejar o futuro.

Mesmo contando com a boa vontade dos críticos, é inegável que Haddad piorou a cidade. Ele a recebeu após as gestões José Serra (2004-06) e Gilberto Kassab (2006-12) com R$ 885 milhões de superávit, além de um amplo acervo de obras concluídas nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. Até agora, Haddad nada de positivo criou.

O prefeito insiste em dizer que precisa disputar palmo a palmo a versão dos fatos, mas os fatos insistem em desmentir as versões. A prefeitura diz que mais de 80% dos dependentes que vivem na cracolândia foram recuperados. Porém, mais de mil pessoas vagam desassistidas como zumbis pela região.

Ele diz que a culpa pela queda recorde de árvores neste verão foi de um vendaval semelhante ao Katrina, mas se esquece de falar da total ausência de manutenção e de podas dos galhos em sua gestão.

O discurso dá menos trabalho do que a prática, mas os fatos são implacáveis. Ao ser empossado, Haddad se comprometeu com 123 metas. Dessas, apenas 16 foram cumpridas. A meta para os primeiros dois anos na saúde era construir 38 UBSs, mas fez apenas quatro.

Na habitação, a promessa era concluir 19 mil casas até a metade do mandato –foram entregues 2.700. Haddad havia prometido construir 243 creches. Contudo, apenas 26 foram concluídas.

O prefeito não “desliza investimentos”, ele os engaveta por inépcia ou por inviabilidade.

As finanças foram comprometidas. O superávit herdado já virou déficit. Nos últimos dois anos, Haddad gastou mais do que arrecadou. A tão celebrada renegociação da dívida com a União, que o prefeito pinta como mérito exclusivo dele, é um processo que vem desde a administração Kassab.

O prefeito, que não conhece São Paulo, insiste em compará-la a Nova York, o que demonstra desconhecimento de ambas. Ao citar Janette Sadik-Khan, ex-chefe do departamento de trânsito de Nova York, ele omitiu um fato essencial: ela apenas alcançou bons resultados na implantação de ciclovias depois de discutir com toda a sociedade.

Em entrevista a esta Folha, ela explicou que organizou 2.000 encontros por ano, durante seis anos, para definir rotas –enquanto por aqui tudo é feito no afogadilho.

O prefeito quer dar a impressão de “moderninho descolado” quando fala de grafites, wi-fi e micropraças, mas continua esquecendo o sofrimento dos que vivem na periferia, onde os programas de habitação, limpeza de córregos e do sistema de drenagem não saem do discurso.

No artigo de domingo, o prefeito já preparou a desculpa pela falta de resultados –os ” tempos sofridos”. Se quisesse ser mesmo solidário, deveria gastar a verba de publicidade da prefeitura em campanhas esclarecedoras de como poupar energia elétrica e água, em vez de mostrar uma cidade que não existe.

O verdadeiro furacão que passa por São Paulo é a atual gestão municipal, que está devastando a cidade, a despeito das palavras moderninhas de Haddad e de sua gestão “protossocialista” — como disse a secretária de Planejamento de Haddad, Leda Paulani, que, de cidade, só conhece a universitária.

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 22:17

Lava Jato: PF abre inquéritos contra mais 10 empreiteiras

Na VEJA.com:
A Polícia Federal abriu novos inquéritos na Operação Lava Jato para investigar especificamente mais dez empresas suspeitas de envolvimento em fraudes na Petrobras. A informação consta de ofício encaminhado à Justiça Federal na sexta-feria passada pelo delegado Eduardo Mauat, da PF em Curitiba, no Paraná, onde as investigações sobre o esquema estão concentradas.

As empresas alvo da nova etapa são: MPE Montagens e Projetos Especiais, Alusa Engenharia, Promon Engenharia, Techint Engenharia e Construção, Construtora Andrade Gutierrez, Skanska Brasil, GDK S/A, Schahin Engenharia, Carioca Christiani-Neilsen Engenharia, e Setal Engenharia Construções e Perfurações.

No ofício, o delegado ressalta a “necessidade de abertura de novos inquéritos policiais a fim de receber de forma organizada os dados relativos a outras empresas possivelmente envolvidas em fraudes ligadas à estatal Petrobras”. Por meio dos inquéritos a PF poderá pedir à Justiça autorização para novas buscas e apreensões, e assim colher provas contra novos suspeitos de envolvimento no escândalo da estatal .

Andrade Gutierrez
A Andrade Gutierrez apareceu na delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, divulgada na semana passada, na qual ele afirma que a empreiteira pagou propinas para o PMDB. Segundo Costa, os valores foram “cobrados e geridos” pelo lobista Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do partido no esquema de corrupção na petrolífera.

O delator afirmou à Polícia Federal, em relato de 7 de setembro de 2014, que a partir de 2008 ou 2009 a cobrança à Andrade Gutierrez passou a ser feita por Fernando Baiano, e não mais pelo doleiro Alberto Youssef. Paulo Roberto Costa contou que a empreiteira, mesmo após “ganhar algum contrato” sob responsabilidade de sua diretoria, “custava a depositar o valor devido ao PP”. A Andrade Gutierrez nega fazer parte de qualquer acordo de favorecimento envolvendo partidos políticos.

*

OBS – O Arquivo deste post estava corrompido e precisei republicá-lo. Como os comentários se perderiam, eu os copiei e colei abaixo:

  • josé

    28/1/2015 às 1:07 pm

    Não consegui ler o seu texto na íntegra. Do lado direito as propagandas encobrem parte do seu texto. Parte significativa. Obrigado.

  • israel cerqueira

    28/1/2015 às 12:18 pm

    Que tal entrar nessa MARACUTAIA o INSTITUTO LULA. Só pra LEMBRAR a onde anda ADELTA.

  • Alex Wie

    28/1/2015 às 11:32 am

    Aquela gigante contrutora, seis sabem, até agora parece blindada….

  • Rotiel Ad Ajev

    28/1/2015 às 8:57 am

    Tudo isso é uma questão de meio ambiente. Até 2002 essas empresas tinham a sua atuação pautada por princípios éticos irrepreensíveis pois lidavam com um governo também de conduta irrepreensível. A partir de 2003 a coisa degringolou, a corrupção começou a correr solta e agora vemos dezenas de dirigentes dessas empresas envolvidos em questões policiais.
    .
    Precisamos contudo separar o joio do trigo. Essas empresas empregam milhares de brasileiros que trabalham honestamente e não merecem ficar desempregados. Os dirigentes devem ser punidos mas as empresas precisam ser conservadas até porque o governo do nosso futuro presidente Doutor Geraldo Alckmin precisará delas para deslanchar o seu monumental programa de obras a partir de 2019.
    .
    Tenho a certeza de que o Doutor Geraldo Alckmin fará retornar os padrões éticos que fizeram o governo Fernando Henrique Cardoso merecer o respeito da comunidade internacional.

  • Marcelo de Mendonça

    28/1/2015 às 8:16 am

    O texto, publicado às 22:15, está cortado na margem direita.

  • jgomes

    28/1/2015 às 7:45 am

    Este inquérito tem tudo para se parecer com uma teia de aranha,mal se pega uma ponta do
    fio e já aparece outro. E tudo ligando ao maior record conquistado pelos petralhas: A MAIOR
    ROUBALHEIRA DO MUNDO. Só podemos desejar força e paciência ao Juiz Sérgio Moro,aos
    menbros do Ministério Público e a Polícia Federal,pois nas mãos deles está a chance de tornar
    Banânia um pouco menos Banânia.

  • Cidadão Carioca

    28/1/2015 às 6:13 am

    E a DELTA do ApeDELTA? Tem que regar a negada toda…os trambiques de Carlinhos Cachorradas mexem com peixes graúdos. Só a JUSTIÇA DO PARANÁ pode salvar o sofrido povo brasileiro.

  • Adamor Nees

    28/1/2015 às 5:42 am

    Dilma arma teatro para falar mais bobagens. Vive no mundo da fantasia ou finge que todos nós somos burros

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 21:11

#prontofalei – O discurso impossível de Dilma

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 20:57

Em nota a este blog, advogado de Youssef nega existência de “taxa de sucesso”. Ou: É bom não confundir abatimento de multa com compensação financeira por delação

Recebo de Antonio Figueiredo Basto, advogado de Alberto Youssef, o seguinte e-mail. Volto em seguida.

Prezado Reinaldo, 
Em atenção ao conteúdo da matéria divulgada hoje, nessa prestigiada coluna, sobre a possibilidade de Alberto Youssef receber alguma “recompensa”, ou taxa de sucesso, por sua colaboração com o Ministério Publico Federal, nos fatos investigados na Operação Lava Jato, cumpre esclarecer que não existe qualquer clausula que determine, ou estipule, “prêmios” ou “recompensas” em dinheiro ao colaborador. 

Embora o acordo seja auto-explicativo, é importante frisar que foi pactuada uma eventual compensação para abatimento da multa penal, repito, somente da multa, em favor das filhas do colaborador, Youssef. 

Não houve qualquer ilegalidade no acordo homologado pelo STF.

O acordo de colaboração, atende os interesses públicos e também traz alguns benefícios ao colaborador, não se podendo esquecer que Alberto Youssef permanece preso.

Finalmente, esclarecemos que a defesa pediu ao Dr.Sergio Moro que o acordo de colaboração fosse liberado a todos os interessados, o que foi deferido, portanto, o acordo não é mais sigiloso, o que demonstra transparência e lisura na sua elaboração. 

Atenciosamente, Antonio Figueiredo Basto, advogado de Alberto Youssef.

Retomo
Vamos ver: se as coisas se deram como afirma Antonio Figueiredo Basto — e teremos como saber —, não há mesmo taxa de sucesso nenhuma. Se a multa terá um abatimento — e multa também é uma pena (logo, passível de ser diminuída em razão da colaboração) — e se esse abatimento se traduz na forma de um imóvel, não vejo nada de errado.

Isso é muito diferente do que chegou a ser noticiado — e seria mesmo indecente: taxa de sucesso. Como já escrevi aqui, seria indefensável. Não vejo nada de errado em preservar um imóvel para as filhas. Afinal, a esta altura da vida, com as habilidades que tem, alguma propriedade Youssef teria, mesmo que não tivesse praticado crime nenhum, não é? De resto, não faz sentido um sujeito ficar na miséria, e também seus familiares, mesmo tendo colaborado para desvendar um esquema criminoso que chega a bilhões.

Pretendo publicar aqui nesta quarta a íntegra — mesmo! — do acordo de delação premiada feito por Alberto Youssef. Segundo o que está lá, e isto me parece seguro, não há nada parecido com taxa de sucesso.

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 19:19

Doleiro indica R$ 3 milhões de propina para auxiliar de Roseana

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:O doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores do escândalo do petrolão, confirmou aos investigadores da Operação Lava Jato que pagou 3 milhões de reais em propina ao chefe da Casa Civil no governo de Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão. Segundo o doleiro, o beneficiário do dinheiro, João Abreu, negociou com ele e com a empresa Constran o pagamento de um precatório de mais de 110 milhões de reais e, por isso, teria recebido a propina no começo do ano passado.

Por meio de escutas, os investigadores descobriram que Youssef negociava o pagamento de precatórios do governo do Maranhão à empresa Constran. A dívida era de 113 milhões de reais e dizia respeito a serviços de terraplanagem e pavimentação da BR-230 contratados na década de 1980. Em um e-mail obtido pela Justiça, Walmir Pinheiro, da UTC Engenharia, comemora o pagamento da primeira parcela do precatório e resume: “Agora é torcer para que o Maranhão honre com as demais parcelas”.

Não é a primeira vez que o governo de Roseana Sarney, que não disputou a reeleição ano passado, é citado no esquema bilionário de lavagem de dinheiro investigado na Operação Lava Jato. O nome da ex-governadora aparece no escândalo desde o início da operação policial, em março do ano passado. Conforme mostrou VEJA, além das negociações para o pagamento da dívida judicial com a Constran, Roseana Sarney foi citada como beneficiária de propina no acordo de delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. VEJA também revelou que o braço direito de Youssef, Rafael Ângulo Lopez, foi pelo menos três vezes ao Maranhão para entregar propina. Colou ao corpo 300.000 reais em cada embarque.

No caso da propina pelo pagamento do precatório, a Polícia Federal monitorou os passos de Alberto Youssef e do corretor Marco Antonio de Campos Ziegert. Para os policiais, há indícios obtidos em câmeras de segurança de um hotel em São Luís de que o doleiro e Ziegert teriam trocado malas de dinheiro. Na sequência, Ziegert pediu que a recepção do hotel entregasse a Milton Durans, motorista da Casa Civil do governo do Maranhão, uma caixa de papelão repleta de dinheiro de propina.

Em seu acordo de delação premiada, o doleiro Alberto Youssef disse que o precatório estava sendo negociado por 40 milhões de reais pelo então chefe da Casa Civil do Estado do Maranhão, João Abreu, e pela contadora de Youssef na época, Meire Poza. Pelo acordo, o valor do precatório seria parcelado em 24 prestações, João Abreu receberia 3 milhões de reais de comissão.

Em decisão sobre o caso, o juiz Sergio Moro autorizou nesta terça-feira o compartilhamento das revelações de Youssef sobre o Maranhão com o novo governado do Estado, comandado por Flávio Dino (PCdoB). Para o juiz, “há indícios de que teria havido ajuste de pagamento de vantagem indevida a servidores públicos” e provas do pagamento de propina, como cópia de mensagem eletrônica enviada pela UTC/Constran a Alberto Youssef, parabenizando-o pela “concretização do acordo com o Gov MA” e vídeos que mostram que Youssef e o corretor Marco Antonio de Campos Ziegert trocam malas com dinheiro em um hotel de São Luís.

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 19:16

Dilma reaparece, defende ajuste e pede que ministério trave “batalha da comunicação”

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Volto daqui a pouco.
Depois de quase um mês de silêncio, a presidente Dilma Rousseff convocou seu numeroso time de ministros nesta terça-feira a “travar a batalha da comunicação” e classificou como “boatos” a sucessão de notícias ruins que marcam os 27 dias do seu novo governo, incluindo os desdobramentos do escândalo de corrupção na Petrobras e o pacote de ajustes fiscais que fará o bolso do brasileiro doer neste ano.

Dilma reapareceu hoje à frente da reunião com os 39 auxiliares que simbolizam o maior loteamento partidário já visto na Esplanada dos Ministérios. A fala inaugural da presidente durou 35 minutos e foi transmitida ao vivo pela televisão estatal NBR. Em seguida, a reunião na Granja do Torto, a casa de campo da Presidência da República, transcorreu a portas fechadas – inclusive sem a presença de assessores dos ministros.

No pronunciamento, a presidente deixou transparecer desconforto com o texto a ser lido e chegou a demonstrar irritação: foram duas broncas, por exemplo, pela lentidão do operador do seu teleprompter. Aos ministros, proferiu uma série de malabarismos retóricos para negar as contradições entre o governo que se inicia e o discurso da presidente-candidata. “Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação sempre, permanentemente”, disse a presidente. E prosseguiu: “Não podemos permitir que a falsa versão se crie e se alastre. Reajam aos boatos, travem a batalha da comunicação, levem a posição do governo à opinião pública”.

“Vamos mostrar a cada cidadão que não alteramos um só milímetro o nosso compromisso com o projeto vencedor na eleição”, discursou.

Dilma atribuiu a situação econômica do país a fatores externos e citou a desaceleração de parceiros importantes, como China e Estados Unidos, num período recente. Ela também mencionou a queda no preço das commodities e a alta no valor do dólar. No cenário interno, Dilma mencionou a alta no preço dos alimentos e da energia, motivada pela crise hídrica no Brasil.

A presidente afirmou que vai lançar um plano de desburocratização para facilitar a atuação das empresas, ampliar as concessões de rodovias, portos, aeroportos – além de estender o modelo para as hidrovias – e dar início a um plano nacional de exportações. Agora, Dilma diz que o Brasil chegou a um “limite” e por isso se tornou necessário promover um “reequilíbrio fiscal”.

Mais uma vez o discurso realista e pragmático da presidente contrasta com o da candidata, que venceu as eleições negando problemas nas finanças do governo e acusando os adversários de planejarem tudo aquilo que ela mesmo faria no segundo mandato. Dilma, que havia garantido que não mexeria em benefícios sociais, não deu o braço ao torcer. Ela disse que as mudanças o seguro-desemprego, por exemplo, não são “medidas fiscais”: “Trata-se do aperfeiçoamento de medidas sociais para aumentar sua eficácia, eficiência e justiça”.

A presidente repetiu seu discurso tradicional sobre a corrupção na Petrobras: como se o problema não tivesse qualquer relação com seu governo, pediu que a empresa fosse defendida. “Temos que saber apurar, temos que saber punir, isso tudo sem enfraquecer a Petrobras nem diminuir a sua importância para o presente e para o futuro do país”, disse ela, que também prometeu ser “implacável” no combate a desvios de recursos públicos.

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 16:28

Seria correto deixar com Youssef uma parcela do que a União tomar de volta dos bandidos da Lava-Jato? Resposta: seria indecente e ilegal!

Está em curso, e eu não ignoro — de fato, deploro —, uma operação para tentar desmoralizar o juiz Sérgio Moro. Que fique claro: não critico nenhuma das ações dos advogados em defesa de seus clientes, desde que feitas à luz do dia. Eles têm o direito, inclusive, de acusar a suspeição do juiz. É uma tática, a meu ver, pouco inteligente. Mas está dentro das possibilidades. O que é detestável é investir na conversa mole de que Moro estaria praticando, entre outras coisas, tortura psicológica. É preciso ter senso de ridículo. Essas bancas de advogado cobram caro demais para práticas tão primitivas. Dito isso, vamos adiante.

Tomou o noticiário a informação ou o boato de que Alberto Youssef teria uma taxa de sucesso no caso de a União recuperar a dinheirama roubada pelos larápios investigados pela Operação Lava-Jato. Chegou-se a falar até em 1% sobre o montante recuperado. O benefício faria parte do acordo de delação premiada. O Ministério Público reagiu. Nega que tenha havido o acerto para alguma compensação financeira ao doleiro. O mesmo afirma a sua defesa.

O que se admite que está no acordo é um abatimento na multa que seria paga pelo doleiro em razão de sua colaboração. Pergunta-se: é a mesma coisa de pagar uma taxa de sucesso? Não é, não! E por que não? A multa é parte da pena, como é a prisão. Tanto é que passa por uma espécie de dosimetria também. Se Youssef terá reduzido tempo de reclusão em razão de ter colaborado com a Justiça, o mesmo deve ocorrer com a sanção pecuniária. É parte do jogo.

Se, no entanto, houver qualquer coisa parecida com uma “taxa de retorno”, então estaremos no terreno da mais absoluta imoralidade, e eu estaria entre aqueles a apontar a indecência do arranjo. Até porque, convenham, a partir daí, seria fácil, não? Bastaria um bandido se arrepender, mandar para a fogueira todos os seus comparsas e sair com os bolsos cheio, adicionalmente protegido pela polícia e pela Justiça. Não seria arrependimento, mas apenas uma forma mais inteligente de permanecer no mundo do crime.

Sabem qual é o busílis? Já passou da hora de a sociedade saber quais são exatamente os termos da delação premiada. Não vejo por que isso tem de permanecer em sigilo. Que aspecto da operação seria prejudicado caso se saiba o que foi exatamente que Youssef acertou com o Ministério Público e com a Justiça?

Luís Inácio Adams, advogado-geral da União, estaria disposto a recorrer contra eventual pagamento de taxa de sucesso. Até porque seria ilegal, além de imoral. Eu lhe sugiro, no entanto, que vá com calma para saber o que está em curso e não ceda ao alarido da chacrinha. Reitero: diminuir o valor de uma multa não subtrai um bem do patrimônio público; deixar com Youssef uma parte do que a União recuperar, sim. Esse acordo precisa vir à luz para pôr fim a especulações.

 

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 15:20

O que disse o diretor da Sabesp e o que se noticiou que ele disse. Alckmin: “Estão querendo tirar uma casquinha da crise”

Então vamos ver: se a água acabar — em São Paulo, no Rio, em Minas ou na casa do chapéu —, não serão apenas cinco dias sem água contra dois com água. Acabar quer dizer “fim”. Todos os dias serão sem água. Pronto: o apocalipse da seca! Assim, em matéria de cenários desastrosos, podemos ir para o extremo.

O que não pode acabar antes da água é o apreço dos jornalistas por aquilo que as pessoas dizem. Paulo Massato, diretor da Sabesp, concedeu uma entrevista e afirmou o seguinte: “Para fazer rodízio, teria que ser muito pesado, muito drástico. Para ganhar mais do que já economizamos hoje, seriam necessários dois dias com água e cinco dias sem água”. Nota: ele fez essa consideração durante o anúncio de ampliação da adutora de Guaratuba, do sistema Alto Tietê.

É claro que a situação é muito grave. Mas Massato não anunciou a existência de um “plano”. A obrigação da Sabesp é desenhar cenários. No pior deles, não chove o mínimo necessário e é preciso reduzir drasticamente a retirada de água do sistema Cantareira. E aí se terá o cinco por dois. Imagino que a empresa trabalhe com possibilidades ainda piores.

A propósito: o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, afirmou que, se os reservatórios das hidrelétricas chegarem a 10%, haverá racionamento de energia. E assim se noticiou. Não li em lugar nenhum algo como: “Governo federal já planeja apagão”. É certo que o Ministério de Minas e Energia e a Aneel tenham simulado lá essa possibilidade. É preciso ter um pouco mais de responsabilidade nessas coisas.

Massato informou que a redução da pressão de água começou a ser feita também durante o dia: “Estamos deixando de fazer operação só noturna para fazer também a diurna. Isso atinge toda a região metropolitana”. Em seu site, a Sabesp informa o horário da operação.

O governador Geraldo Alckmin, por sua vez, afirmou que há pessoas tentando tirar uma “casquinha” da crise: “Não há ninguém que tenha falado mais sobre esse tema do que eu. Tem muita gente tentando tirar casquinha política, tentando levar uma vantagenzinha”. E lembrou que São Paulo tem hoje o menor consumo per capita de água: “Não tem nenhum governo do Brasil que tenha feito bônus, engraçado, né? Ninguém critica ninguém. Ninguém fez”.

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 13:31

Conselho da Petrobras: o que era uma distinção virou um fardo

O governo já consultou vários executivos e ex-executivos para integrar o conselho da Petrobras. O que antes era uma distinção, um reconhecimento, virou um fardo. Eles já avisaram que só aceitam conversar depois que a estatal divulgar o seu balanço reconhecendo as perdas decorrentes dos atos de corrupção. Na mira do governo estão Henrique Meirelles, Josué Gomes da Silva, Beto Sicupira, Nildemar Secches, Rodolfo Landim e Antonio Maciel Neto. Todos eles são oriundos do setor privado e substituiriam políticos com cargo. Isso concorreria, aposta-se, para a recuperação da credibilidade da estatal. O atual conselho, diga-se, reúne-se nesta terça para divulgar o balanço referente ainda ao terceiro trimestre de 2014.

Que coisa, não? Já houve um tempo em que a Petrobras é que era um galardão a altos executivos da iniciativa privada. Era quase como integrar um grupo de sábios. Hoje em dia, as pessoas estão querendo garantias de que seus respectivos nomes não serão tisnados pela politicagem. Jamais ocorreria, mas deixo claro: se me convidassem, não aceitaria nem que um assento no Conselho viesse junto com um pote de ouro, dado “por dentro” e com recibo.  A legislação que fez da Petrobras uma arapuca e um valhacouto segue sendo a mesma. Com os marcos legais atuais, não toparia a função nem que em sua diretoria estivessem apenas monges franciscanos, especialistas em petróleo, mas com voto de pobreza.

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 7:59

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 7:24

A Desaparecida do Cerrado dá as caras hoje para enterrar a candidata Dilma Rousseff. Ainda bem! Ainda mal!

a desaparecida

Um ouvinte do programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan, enviou essa ilustração ao programa.

Transcrevo o conteúdo porque muitos blogs e sites reproduzem os meus textos sem as eventuais ilustrações. Abaixo da palavra “Desaparecida”, há a imagem de Dilma, com a faixa presidencial, e a seguinte legenda: “Não é vista no país há várias semanas. Desapareceu falando de um país com inflação sob controle, juros baixos, crescimento alto, sem apagões, e onde não se mexe nos direitos dos trabalhadores nem que a vaca tussa”.

Pois é… A vaca está com o que o povo chamava antigamente “tosse comprida”, e a gente tem de torcer é para ela não ir para o brejo. É o que vai acontecer se a Soberana insistir em ignorar algumas advertências feitas pela realidade. Dilma vai reaparecer nesta terça. Reunirá na Granja do Torto aquele que deve ser o maior ministério do mundo para, segundo consta, defender as medidas que adotou depois que as urnas foram desligadas.

Já escrevi aqui. Há dois domínios para essa questão. Há a política como necessidade, e há a política como escolha de um futuro. Ainda que eu não endosse, mesmo na esfera da necessidade, todas as medidas adotadas até agora, reconheço a urgência de algumas intervenções. Ocorre que eu já a reconhecia antes. Afinal, dizem os puxa-sacos financiados por estatais, sou, como é mesmo?, um reacionário, um conservador, um direitista. Os progressistas, afinal, são Dilma Rousseff e o PT, certo?

Não dá para renunciar, em nome da necessidade, à política como escolha de um futuro. Pergunta-se: a Dilma que lidera o encontro dos ministros nesta terça é a mesma que venceu a eleição? Não se trata de exigir a coerência absoluta entre intenção, a anunciada ao menos, e gesto. Todos sabemos que a vida pública comporta algumas zonas de amoralidade para que o político possa alegar alguma interveniência inesperada, justificando, assim, o descumprimento da palavra empenhada.

Sim, milhões de brasileiros não caíram no truque e negaram seu voto a Dilma. Mas o que ela tem a dizer àqueles que acreditaram, não porque militantes petistas, não porque alinhados com os preconceitos ideológicos do partido, não porque fiéis à causa da legenda. Nada disso! Quem deu a vitória a Dilma foram pessoas sem pedigree partidário, gente comum, que fez dela a fiel depositária de suas esperanças.

Que fique claro: Dilma não está ME traindo. Ao contrário: ela cumpre fielmente as minhas expectativas. Ela estaria, parece-me, obrigada a se explicar com aqueles a quem prometeu um novo umbral do desenvolvimento. Posso ouvir uma indagação: “Você queria o quê? Que ela realmente pusesse em prática aquele discurso irresponsável da campanha?”.

Não! Eu não queria isso! Ainda bem que Dilma resolveu jogar no lixo aquela maçaroca de incongruências e bobagens. Mas,  em momentos assim, o pragmatismo não pode ser o nosso último Deus, ou passaremos a admitir a política como o lugar natural da mentira, da trapaça, da vigarice, do engodo.

Se Dilma estivesse fazendo o que prometeu, é certo que eu a estaria criticando, e seria uma crítica legítima. Como ela está fazendo o contrário do que anunciou — e, já escrevi, acho algumas medidas corretas —, eu a estou criticando porque mentiu. E essa crítica não é nem menos legítima nem menos necessária do que a outra.

Abrir mão de fazê-la corresponderia a conceder ao PT o direito de exercer a política como monopólio da trapaça. Não será aqui.

 

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 4:44

Dilma já pensa em recuar das mudanças propostas no seguro-desemprego. Pois é… Eu as havia elogiado!

Pois é… Não tem jeito. Depois não digam que jamais elogio uma decisão do governo Dilma, faça chuva ou faça sol. É mentira! Elogio, sim! Ela é que não segura as pontas dessa sua gestão sem eixo.

Está em arquivo. Escrevi aqui que as mudanças anunciadas pelo governo no seguro-desemprego eram corretas. Afinal, esse setor tem uma aberração matemática elementar: o valor do seguro-desemprego explodiu justamente no período em que o desemprego… caiu! É claro que se transformou numa forma de assaltar os cofres públicos. Alguém até poderá dizer que os ricos roubam muito mais. Se for verdade, também sou contra. O que sei é que o seguro-desemprego virou uma expressão da ladroagem. Mas apoiada, sim, pelas máquinas sindicais.

Segundo as novas regras definidas pela equipe econômica, a carência para a concessão do seguro-desemprego passaria de seis para 18 meses nos últimos 24 trabalhados quando o benefício fosse solicitado pela primeira vez. Na segunda solicitação, o prazo saltou de 6 para 12 meses; na terceira, manteve-se a carência de seis meses. Também se alteraram as regras para o abono salarial e o seguro-defeso — uma fonte de desperdício evidente como sabe qualquer um que frequente a praia. Há milhares de supostos pescadores no Brasil que viraram donos de canoas ressequidas que há muitos anos não beijam o mar. A economia com essas mudanças poderia chegar a R$ 18 bilhões. Não é brincadeira.

Mas Dilma já pensa em recuar. As centrais sindicais estão pressionando e planejam atos públicos contra as regras que o governo quer implementar. Em Davos, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, afirmou que o mecanismo de seguro-desemprego no Brasil está ultrapassado. Caiu mal na banda esquerda do governo. Miguel Rossetto, nada menos do que secretário-geral da Presidência, saiu em defesa do mecanismo, que chamou de “cláusula pétrea”. Poderia, claro!, ter-se calado, mas sabem como é…

O Planalto agora diz, informa a Folha, que o intuito sempre foi negociar no Congresso, já que o próprio governo considerava difícil que os parlamentares aprovassem o texto como o queria a equipe econômica. Depois da entrevista de Levy, tida como desastrada — e já está em curso um movimento nada sutil para torrá-lo —, o próprio Planalto teria concluído que o melhor é recuar. Quanto? Ainda não está claro.

Viram só? Não se diga, então, que nunca elogio o governo. É que, tudo indica, não consigo acertar o meu passo com o de Dilma Rousseff. Ela logo recua de uma decisão que acho correta. E não me espanta que a presidente tenha desistido de fazer a coisa certa.

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 4:05

Em artigo, Marta praticamente rompe com PT e com Dilma. Partido tentará esmagá-la hoje nas redes sociais. Ou: Um texto que serve como réquiem de uma farsa

Tudo indica que a senadora Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo e da Cultura, fundadora do PT e egressa daquela fatia da elite brasileira que se deixou encantar pelo lulismo, é, hoje, uma sem-partido. Para onde ela vai? Ainda não está claro! O que se dá como certo é que tentará se candidatar à Prefeitura de São Paulo. Até a semana passada, afirmava-se que o partido tentaria segurar as pontas e, quem sabe, fazê-la candidata ao governo do Estado em 2018. Não parece mais que isso seja possível.

Marta publicou um duríssimo artigo na Folha desta terça, com críticas contundentes ao governo Dilma e ao PT. Não evitou nem mesmo certa, digamos assim, personalização. O título está lá com todas as letras: “O diretor sumiu”.

Segundo Marta, prestem atenção, “se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro”. Se as palavras fazem sentido, e fazem, a ainda senadora petista afirma que:
a: a situação é de descalabro;
b: Dilma não fez um governo transparente;
c: a ruindade vem de antes, é anterior a essa gestão.

A senadora elenca o que não lhe parece bem e ainda ironiza a presidente. Leiam: “o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir”.

O espaço para uma eventual reconciliação parece ter desaparecido. Isso, obviamente, é linguagem de oposição, não de quem pertence ao partido que está no poder.

Marta parece insatisfeita com as medidas adotadas, mas, ao mesmo tempo, há a sugestão de que reconhece a sua necessidade, lamentando o que seria a ambiguidade de Dilma: “Imagina-se que a presidenta apoie o ministro da Fazenda e os demais integrantes da equipe econômica. É óbvio que ela sabe o tamanho das maldades que estão sendo implementadas para consertar a situação que, na realidade, não é nada rósea como foi apresentada na eleição. Mas não se tem certeza. Ela logo desautoriza a primeira fala de um membro da equipe. Depois silencia. A situação persiste sem clareza sobre o que pensa a presidenta”.

Se entenderam bem, Marta acusa também o estelionato eleitoral. Num dos momentos mais duros de seu diagnóstico, a senadora aponta:
“Nada foi explicado ao povo brasileiro, que já sente e sofre as consequências e acompanha atônito um estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança. É o que o mercado tem vivido e, por isso, não investe. O empresariado percebe a situação e começa a desempregar. O povo, que não é bobo, desconfia e gasta menos para ver se entende para onde vai o Brasil e seu futuro.”

Entendo ser este um texto de rompimento. Como refazer pontes depois disso? Fica evidente que suas reservas não se dirigem apenas a Dilma. Afirmei ontem em TVeja (aqui) que o governo e o PT perderam o eixo. Eis aí. Marta, goste-se ou não dela, é uma figura histórica do PT. Na mística partidária, encarnava aquela fatia dos privilegiados do país que, indignados com as injustiças sociais, resolveram aderir à luta dos oprimidos.

Aguardem. Nesta terça, o PT procurará fazer picadinho de Marta nas redes sociais. Vai tachá-la de dondoca deslumbrada, de riquinha enjoada, de perua descompensada. As características que antes eram vendidas como virtudes serão vistas como vícios. Mais do que se juntar a antigos adversários, o PT sabe mesmo é enlamear a reputação dos dissidentes.

O artigo da senadora, de algum modo, serve como o réquiem de uma farsa.

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2015

às 0:07

TVeja – “O PT perdeu o eixo”

Por Reinaldo Azevedo
 

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