Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

19/10/2014

às 23:11

Aécio pergunta sobre a Petrobras

Aécio fala sobre Petrobras. Diz que quem investiu R$ 1 mil no começo do governo Dilma tem agora só R$ 600. Diz que é o lado perverso do aparelhamento da máquina pública. Dilma insiste na mentira de que os tucanos quiserem privatizar a Petrobras. Dilma diz que os tucanos diziam que o Brasil não teria condições de explorar o pré-sal. É mentira também. Aécio diz que a Petrobras perdeu metade do valor de mercado. Deixou de frequentar a página de economia e foi parar na de polícia. Aécio diz o óbvio: pré-sal foi descoberto antes do governo do PT. Dilma diz que afirmar que a Petrobras perdeu valor é denegri-la. Diz que os tucanos gostariam de ver a Petrobras dividida entre as grandes empresas.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 23:03

ATÉ AQUI, SEM PANCADARIA

O debate está bastante duro, mas muitos graus abaixo da temperatura atingida no encontro anterior, promovido pela Jovem Pan, UOL e SBT. Depois faço um texto com a análise do encontro.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 22:59

Aécio faz pergunta sobre saúde

Aécio lembra que caiu a participação do governo federal na saúde, que já foi de 56% e, hoje, é de 45%. Dilma acusa a oposição de ter derrubado a CPMF. É mentira. Sem a participação de deputados e senadores da base, o fim da CPMF não teria sido aprovada. Diz que Aécio votou contra o Mais Médicos. É mentira. Dilma defende o seu “Mais Especialidades”. Dilma diz que Aécio desviou da saúde R$ 7,6 bilhões da saúde. É falso! Dilma diz que o MP recorreu contra o governo de Minas. Dilma insiste na palavra “desvio”. Dilma para uma fala no meio…

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 22:53

Dilma volta a casos de corrupção do passado

Dilma pergunta se não houve investigação de Sivam, pasta rosa etc. Aécio lembra que um dos acusados de escândalo foi nomeado embaixador da Colômbia pelo governo Lula. Aécio pergunta como a corrupção ocorreu durante tanto tempo na Petrobras, quando Dilma era presidente do Conselho da empresa. Aécio lembra que, segundo a PF, montou-se uma organização criminosa na Petrobras. E volta a perguntar se ela confia em Vaccari, que é membro do conselho de Itaipu. Não respondeu se confia em Vaccari. Aécio diz que quem investiga são as instituições, não Dilma. Diz que o chefe do Executivo tem poder de mandar investigar em ditaduras amigas do seu governo.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 22:47

Aécio pergunta sobre roubalheira na Petrobras

Aécio lembra que Dilma admitiu que houve roubo na Petrobras. E pergunta se ela confia em João Vaccari Neto, tesoureiro do PT e conselheiro de Itaipu. Dilma diz que Aécio deveria cumprimentá-la porque ela afirmou, assim que souber de tudo, vai investigar e punir. E lá vem ela falar dos corruptos da Pasta Rosa, do Sivam, dos trens. Dilma agora fala em “indícios de desvios”. Aécio volta a perguntar se ela confia no tesoureiro do partido. Aécio pergunta por que não se tomaram providências. Dilma diz fazer questão que a PF investigue; fala da acusação que pesa contra Sérgio Guerra.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 22:42

Dilma faz uma pergunta sobre o suposto fim da fome…

Dilma diz que o Brasil saiu do Mapa da Fome, da ONU (voltarei a esse assunto). Fala do crescimento da classe média. Aécio diz que tem orgulho de ter participado do apoio ao Real, que permitiu ao Brasil minorar a miséria. Lembra que diretor do Ipea pediu demissão porque foi impedido de demonstrar que a miséria do país parou de cair. Cita os casos do IBGE e da Embrapa, aparelhados pelo PT. Dilma diz que o Plano Real foi aprovado no governo Itamar — é o fim da picada! Dilma diz que Bolsa Família de FHC gastou 4,2 bilhões, que corresponde a “dois meses do meu Bolsa Família”. Aécio diz que o Bolsa Família não é dela, mas dos brasileiros. E corrige Dilma: Bolsa Família do PSDB atendia 5 milhões de famílias, não de pessoas.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 22:37

Aécio faz uma pergunta sobre inflação

Aécio pergunta por que há países que crescem bem mais do que o Brasil, sem gerar desemprego. Dilma não responde. Diz que seu governo criou 5,6 milhões de empregos. Dilma diz que a inflação não está descontrolada e que a oposição joga “no quanto pior, melhor”. Dilma diz que acha muito grave propor 3% de taxa de inflação. Diz que, para isso, é preciso elevar os juros a 25% e triplicar o desemprego, elevando a 15%. Aécio diz que ela não pode ter gerado mais emprego do que ele porque ele nunca governou o Brasil. Aécio diz que as pessoas estão apavoradas, fazendo compra por mês. Dilma diz que “vocês sempre gostaram de plantar inflação para colher juros”. Dilma diz para Aécio não lavar as mãos. Dilma diz que Brasil tem de ser comparado a grandes países do mundo, como a Alemanha. 

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 22:31

Dilma faz uma pergunta sobre direitos trabalhistas

Dilma afirma que, quando Aécio foi presidente da Câmara, foi votado projeto de flexibilização de direitos trabalhistas. Aécio diz que foi deputado constituinte e participou de todo o capítulo que garante os direitos aos trabalhadores. Aécio diz que, se eleito, vai garantir os direitos trabalhistas, com o reajuste do mínimo até 2019. Diz que vai rever o fator previdenciário. Diz que manteve diálogo franco com centrais sindicais em Minas, que tem a melhor educação e melhor saúde da região Sudeste. Dilma insiste que projeto flexibilizava direitos trabalhistas. Diz que o PSDB conseguiu recorde nacional, com 11 milhões de pessoas desempregadas. Aécio diz que quer discutir o presente: por que, pergunta, 100 pessoas são demitidas por dia só na indústria paulista. Aécio diz que quer saber o que ela vai fazer para a economia voltar a crescer.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 22:26

Aécio faz pergunta sobre segurança pública

O governo gastou apenas 0,4% de orçamento com segurança. Pergunta onde o governo falhou. Dilma diz que Aécio é muito pessimista sobre o crescimento, que será acima de 0,3%. Dilma diz que o governo gastou R$ 17 bilhões em segurança. Diz que gasta mais em segurança pública do que FHC. Diz que, em Minas, houve um aumento de mais de 50% em mortos por 100 mil. Os números estão errados. Diz que delegacias de Minas estão desabastecidas. Aécio diz que governo gastou apenas 21% do Fundo Penitenciário; só 43% do Fundo de Segurança Púbica e só 40% do dinheiro destinado ao combate do crack.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 22:21

Dilma pergunta sobre o Simples

Dilma diz que seu governo deu apoio às microempresas. Qual é a opinião de Aécio sobre a universalização da Lei do Simples. Aécio diz que a posição dele é a mesma que tinha desde o governo FHC, que foi quem o criou. Aécio diz que é preciso ampliar o alcance do Simples. Aécio diz que, se eleito, vai apresentar projeto para simplificar os impostos. Dilma diz que o Simples cresceu 112%. Dilma diz que 140 tipos de negócios foram incluídos no Simples. E fala do Pronatec-Aprendiz. Aécio aguarda a qualidade da pergunta e diz que governar é aprimorar as boas ideias. Segundo ele, foi o que o governo fez. Diz que o fundamental é fazer o Brasil voltar a crescer. Para isso, é preciso recuperar a qualidade da economia.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 22:15

Vai começar o debate na Record

Acompanho tudo.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 22:02

A candidata Dilma conta mentiras sobre SP no horário eleitoral; pior: ela o faz falando em nome da “presidente“. É o fim da picada!

O PT obteve em São Paulo um dos piores resultados eleitorais de sua história. Alguns números: o governador Gerado Alckmin (PSDB) venceu em 644 dos 645 municípios do Estado e em 54 das 58 zonas eleitorais da capital. Aécio ganhou em mais de 80% das cidades. José Serra bateu Eduardo Suplicy com 80% a mais de votos. O Estado tem o maior eleitorado do país. No desespero, os petistas decidiram investir de forma boçal em São Paulo. O pânico se explica: em Minas, Aécio já inverteu o placar e está na frente. Então vamos lá. É normal o PT se esforçar para conquistar votos entre os paulistas e paulistanos? Claro que sim! O que não é aceitável é mentir.

O horário eleitoral do PT decidiu explorar a crise hídrica. E se assistiu a um espetáculo grotesco de mentiras e de degradação de uma instituição: a Presidência da República. Vamos ver. Dilma deu a entender que a falta de água é generalizada, o que é falso. Por incrível que pareça, a propaganda petista não tocou na seca histórica que colhe o Estado. A candidata do PT contou uma mentira ao afirmar que o governo do Estado recusou ajuda oferecida pelo governo federal — isso simplesmente não aconteceu, e desafio aqui o PT ou o governo federal a provar o contrário. A mentira é grave porque foi contada em nome da presidente. Já chego ao ponto.

Dilma foi adiante e disse que seu governo autorizou o uso dos dois volumes estratégicos. Errado! Uma das autorizações tem de ser dada pela ANA — Agência Nacional de Águas. A ANA é, ou deveria ser, um órgão de Estado.

A impostura não parou por aí. O horário eleitoral do PT acusou a Sabesp — que é uma empresa com ações na Bolsa, felizmente — de distribuir dividendos em vez de investir na água. O que uma coisa tem a ver com outra? Nada! A Petrobras vive um dos piores momentos de sua história. Por que Dilma não dá um murro na mesa e proíbe a distribuição de dividendos? Respondo: porque aí levaria a Petrobras à bancarrota.

Mais: a candidata, falando como presidente, se jactou de ter investido R$ 1,8 bilhão no sistema de água de São Paulo. Vamos ver se o número é esse. Ainda que seja, cumpriu uma obrigação. O Brasil arrecada 33% dos seus impostos no Estado. Não é favor nenhum.

Mentira antiga
A propaganda eleitoral mente também quando afirma que, em 2001, o Rio Grande do Sul não sofreu com a crise energética em razão da competência de sua então secretária de Energia, Dilma Rousseff. O Estado ficou livre da crise porque não sofreu com a estiagem e porque o seu sistema não estava interligado com o resto do país. Isso é apenas matéria de fato. Ou por outra: por incrível que pareça, o Rio Grande do Sul se isolou da crise de energia em razão da incompetência de Dilma.

Degradação
Mas o pior mesmo foi a “candidata” Dilma falar como a “presidente” Dilma, e a presidente, como a candidata. Quando Dilma diz, na primeira pessoa, que fez isso e aquilo pelo Estado, hostilizando o atual governador de São Paulo, reeleito por esmagadora maioria, desrespeita a instituição da Presidência e a vontade dos eleitores.

Eu não sei se Dilma ganha ou perde. Tomara que perca! É preciso que o titular da Presidência da Presidência volte a conferir dignidade ao cargo.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 20:44

Dilma degrada a Presidência da República no horário eleitoral

Ainda voltarei ao tema. Horário eleitoral do PT degrada a Presidência da República e faz da instituição mero joguete do PT. O alvo foi o governo de São Paulo. Daqui a pouco.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 19:26

Levantamentos apontam Aécio na frente; só o do PT diz o contrário…

O único tracking que aponta Dilma um pouquinho à frente de Aécio é o do PT. O do PSDB e os de empresas que também encomendam esse tipo de levantamento registram que o tucano está na frente.

 

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 19:08

PT, petistas e seus puxa-sacos querem o monopólio da pancadaria. Quando as vítimas reagem, eles protestam

O PT nunca tinha passado antes por isto: chegar à reta final sem saber se vai ganhar ou perder. Em 1989, 1994 e 1998, a derrota era certa; em 2002, 2006 e 2010, certa era vitória. Agora, ninguém sabe. E a incerteza está enlouquecendo os companheiros e alguns de seus porta-vozes no jornalismo e no subjornalismo. Nunca assisti a tamanho espetáculo de covardia, de violência, de baixaria. E o mais curioso é que os partidários de Dilma Rousseff acusam os adversários de aderir a práticas que eles próprios adotaram desde o início da disputa. A quantidade de maledicências, de falsas acusações e de mentiras que circulam na rede impressiona. Espalha-se entre os mais pobres o boato de que, se eleito, o tucano Aécio Neves extinguirá programas sociais e congelará o salário mínimo.

Cabe a pergunta, e a resposta é óbvia: quem deu início à violência retórica na disputa? Os petistas tinham, sim, preparado um arsenal contra Eduardo Campos e Aécio Neves. A entrada de Marina Silva na disputa forçou uma mudança de estratégia, e a campanha odienta se dirigiu prioritariamente contra a ex-petista. É claro que é possível discordar de Marina — e como! Também é possível criticar as suas ideias. Mas foi o que fez o PT? Afirmar que um BC independente tiraria comida da mesa dos brasileiros é debate político qualificado? Acusar a adversária de querer retirar R$ 1,3 trilhão da educação é parte do jogo político? Não! É delinquência! Como delinquentes e mentirosas são as acusações de que Aécio pretende provocar desemprego para controlar a inflação e congelar o salário mínimo.

Ah, mas bastou que o tucano reagisse às agressões e não apanhasse parado, e teve início, então, a gritaria da turma do “deixa disso”. Notem: eu não defendo a pancadaria, não. Muito pelo contrário. O ideal seria que as candidaturas apresentassem propostas sobre o futuro e não mentissem sobre o passado alheio e o próprio. Mas não foi esse o caminho que o PT escolheu. Os colunistas governistas só começaram a protestar contra a “violência” quando Dilma também começou a apanhar. A síntese: quando o PT ataca seus adversários, só estamos diante de uma ação justa; quando o PT é atacado, aí é jogo sujo.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 16:54

Debate deste domingo

Sim, vou acompanhar o debate e escrever aqui ao longo do programa.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 11:33

Guilherme Fiuza e o PT: jornalista não quer conciliação com quem o persegue. Que bom!

Fiuza: sem conciliação com perseguidores

Guilherme Fiuza: sem conciliação com perseguidores

Em julho de 2013, o jornalista Guilherme Fiuza escreveu um texto intitulado “Lula privatizou a si mesmo”. O Ministério Púbico pedira, então, que a Polícia Federal abrisse um inquérito para investigar denúncia de Marcos Valério, segundo quem Lula — sim, o Babalorixá de Banânia — havia intermediado o repasse de R$ 7 milhões de uma empresa de telefonia portuguesa para o PT. A informação era pública, e Fiuza fez considerações a respeito. O partido decidiu processá-lo por danos morais, com pedido de indenização de R$ 60 mil.

Pois é…

Agora o PT pediu sabem o quê? Uma audiência de conciliação! Aconteceu depois que o advogado de Fiuza apresentou em juízo a lista negra elaborada pela legenda, da qual, como vocês sabem, faço parte. Segundo o senhor Alberto Cantalice, vice-presidente do partido, Fiuza integra a súcia de homens que fazem mal ao Brasil: além de nós dois, compõem o rol dos perigosos Diogo Mainardi, Augusto Nunes, Demétrio Magnoli, Marcelo Madureira, Arnaldo Jabor, Lobão e Danilo Gentili. Sabem como é… Somos pessoas más. As boas estavam reunidas na Petrobras, fazendo um Brasil melhor.

Pois é… Só que Fiuza quem não quer conciliação. Quer que o processo siga até o fim. Afinal havendo ainda juízes em Berlim e no Brasil, é ele quem está sendo molestado pelo PT, não o contrário. O texto que motivou a ação do partido integra o excelente livro “Não é a Mamãe”, publicado pela Editora Record.

*

Não é a Mamãe - livro

Lula privatizou a si mesmo

O Ministério Público pediu à Polícia Federal abertura de inquérito contra Lula. A base do pedido é a denúncia de Marcos Valério, que o acusa de ter intermediado um repasse de R$ 7 milhões de uma telefônica para o PT. Valério afirmou que foi a Portugal em 2005 para preparar essa operação.

O Ministério Público parece que bebe. Será possível que os procuradores ainda não entenderam? Lula não sabia. Tanto não sabia, que até outro dia afirmava, para quem quisesse ouvir, que o mensalão não existiu. A condenação de seus companheiros mensaleiros, aliás, deve ter sido um choque para ele. Se é que ele já sabe o que aconteceu no Supremo Tribunal Federal.

É uma injustiça essa suspeita de armação petista para sugar milhões de uma empresa privada de telefonia. Todos sabem que o PT prefere extorquir empresas públicas. Até porque as estatais são coisa nossa (deles). Com tanto trabalho para chegar ao poder e passar a ordenhar os cofres do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, do BNDES, por que Lula e sua turma perderiam tempo achacando uma telefônica portuguesa?

Ao receber a notícia sobre o inquérito contra Lula por suspeita de envolvimento com o valerioduto, José Dirceu reagiu imediatamente. E disparou o argumento fulminante: o mensalão não existiu. Se existe alguém com autoridade para afirmar isso, esse alguém é José Dirceu. Condenado a dez anos de prisão, ele sabe que essas coisas que não existem podem dar uma dor de cabeça danada. Se Lula não sabia de algo que não existiu, nada melhor do que ser defendido pelo lendário Dirceu, guerreiro do povo brasileiro – personagem que também não existe.

Enquanto o filho do Brasil espera esfriar a denúncia do pedágio colhido com a telefônica, recebe a solidariedade dos fiéis por seu trabalho com as empreiteiras. Sabe-se agora que Lula fez uma série de viagens internacionais bancadas por algumas grandes construtoras brasileiras. Ele explicou que isso foi um ato patriótico – foi ajudar empresas nacionais a fazer negócios no estrangeiro, para o bem do Brasil. Não restam mais dúvidas: a vida é bela. E é feita de gestos nobres como este: um ex-presidente aproveita seu tempo livre para fazer boas ações, ajudando empresários a ganhar dinheiro no exterior, porque país rico é país sem pobreza empresarial.

Aí surge um comovente coro de progressistas, éticos e crédulos para afiançar as turnês lulistas, gritando que Lula não fez nada demais. De acordo com a nova moral da república companheira, não fez mesmo. Qual o problema de o líder máximo do partido que governa o país desenvolver uma relação particular (ou patriótica) com grandes empreiteiras que têm o governo como cliente? Que mal haveria na ajuda de Lula a empresas decisivas no jogo político, com suas doações às campanhas eleitorais? Qual o problema de Lula ter viajado para a Venezuela para arrancar de Hugo Chávez US$ 1 bilhão, devido a uma dessas empreiteiras, que pagou a viagem de Lula? E se essa empresa for a mesma que realizará seu sonho de construir o estádio do seu clube de coração para a Copa do Mundo, fazendo a alegria de milhões de torcedores-eleitores fiéis?

Não tem problema nenhum. Esse é o Brasil moderno, onde as coisas acontecem às claras, inclusive o tráfico de influência. A não ser quando o ministro do Desenvolvimento declara secretos os documentos de financiamentos do BNDES a Cuba e Angola, para obras dessas mesmas construtoras amigas de Lula. Deve ser para a imprensa burguesa não meter o bedelho – sempre uma boa causa. Por acaso, o ministro do Desenvolvimento é Fernando Pimentel, amigo de Dilma que prestou consultorias milionárias à indústria de Minas Gerais. Como se sabe, essas consultorias nunca foram demonstradas. Devem ter sido também apenas um ato patriótico, nova definição para o velho ditado “uma mão lava a outra”.

Pelo visto, a mão que nenhuma outra lavou no final das contas foi a do companheiro Valério – logo ele, que lavou tanto para tanta gente. Agora, o operador do mensalão que não existiu quer mostrar a mão grande do chefe. Será mais um susto. Ele não sabia.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 10:14

Dilma promete lutar para ressarcir os cofres da Petrobras… É mesmo? Quem vai devolver o dinheiro, “presidenta”?

Pois é… No mesmo dia em que Dilma Rousseff admitiu — finalmente! — que houve desvio de dinheiro público na Petrobras, ficamos sabendo que Paulo Roberto Costa afirmou, no curso da delação premiada, que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) recebeu R$ 1 milhão para a campanha de 2010. Pois é… Em 2011, Gleisi se tornou a chefe da Casa Civil de Dilma.

Na entrevista em que admitiu roubalheira na Petrobras, a candidata petista prometeu que vai se esforçar para que o dinheiro seja ressarcido. É mesmo, é? Quem vai devolver? Segundo Paulo Roberto, os grandes contratos eram superfaturados em 3% — 2% só para o PT. Quem vai devolver o dinheiro, presidente?

Na entrevista, Dilma tratou do caso Petrobras como se uma súcia de agentes privados tivesse se apoderado da empresa, desviando recursos que podem voltar ao caixa da empresa. Vai ser difícil, não é? O modus operandi da quadrilha o impede. Por quê? O dinheiro saía do superfaturamento de obra legais e ia para partidos e agentes públicos. Como provar?

Se Dilma quisesse mesmo demonstrar algum compromisso com a apuração, exigiria que o PT afastasse João Vaccari Neto ao menos até a conclusão das investigações. Não se trata de condenar antes do processo legal. Afastar uma pessoa de um cargo de direção do partido não é punição legal. Tratar-se-ia de uma medida administrativa de um ente que estivesse interessado na apuração das fatos. Ocorre quer Dilma ficaria falando sozinha, não é? O PT não daria a menor bola pra ela.  A verdade nua e crua é a seguinte: se Dilma vencer, o mais provável é que tudo fique como está na Petrobras.

 

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 9:37

É João Santana quem decide quando Dilma fica indignada. Ou: A uma semana da eleição, candidata admite, de modo não muito convicto, roubalheira na Petrobras. Tomara que seja tarde!

O leitor tem de saber se não sabe: as campanhas eleitorais trabalham com pesquisas qualitativas, apelidadas de “quális” por políticos, jornalistas e especialistas. Elas indicam o que “pegou bem” e o que “pegou mal” na propaganda própria e alheia, qual assunto cola e qual não cola e por aí adiante. O PT apostava, até outro dia, que a roubalheira na Petrobras não iria “pegar”. Parecia um assunto lá na estratosfera. Aliás, certos grupos políticos estão de tal sorte acostumados a assaltar as estatais que, diante de mais uma denúncia, dão de ombros: “Ah, ninguém liga; as pessoas não entendem”. Sim, é isto mesmo: no Brasil, escândalo grave é só aquele que as pessoas “entendem”. Mas veio a público o depoimento de Paulo Roberto Costa… Nota: o juiz Sérgio Moro seguiu rigorosamente a lei. E o PT entrou em parafuso.

Qual foi a primeira postura de Dilma, do PT e do marketing dilmista? Atribuir as evidências de corrupção na Petrobras — identificadas pela Polícia Federal — a uma grande conspiração das oposições, da “mídia” e das pessoas supostamente interessadas em privatizá-la. Infelizmente, ninguém — nem Aécio Neves — quer privatizar essa estrovenga. A mentira funcionou em 2002, em 2006 e em 2010. E, sim!, tinha potencial para funcionar de novo em 2014. Até que veio a público a voz de Paulo Roberto, com cadência burocrática, contando como são as coisas.

Só agora, a uma semana da eleição, Dilma admite a roubalheira na Petrobras. E o faz ainda com aquele jeito falso-descontraído que tenta afetar às vezes. Trata falcatruas bilionárias como quem diz “me passa o açúcar” ou “hoje é sábado”. E, mais uma vez, promete fazer isso e aquilo se for reeleita, como se já não fosse presidente da República. Na entrevista coletiva deste sábado, ao se referir ao escândalo, afirmou:
“Eu farei todo o meu possível para ressarcir o país. Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não: houve, viu?”.

Ah, bom! Até anteontem, mesmo Paulo Roberto se dispondo a devolver R$ 70 milhões aos cofres públicos — e ele era apenas um dos operadores do esquema, a serviço de políticos —, a presidente da República insistia na tese conspiratória. Por que Dilma “mudou”? Por causa das “quális”. João Santana identificou que o assunto “pegou”.

Mulheres
O marketing também testa ataques e agressões para avaliar o seu potencial. Os petistas tentam caracterizar Aécio Neves como um adversário das mulheres porque ele afirmou em debates — no que fez muito bem — que tanto Luciana Genro como a própria Dilma estavam sendo “levianas” nas acusações que lhe faziam. Ora, não é preciso ser muito sagaz para constatar que machista é a formulação que impõe ao agredido a tarefa de preservar a agressora da resposta porque, afinal, se trata de uma mulher. É ridículo! Então a ex-guerrilheira, a “Dilma Coração Valente”, desmaia se ouvir uma palavra mais dura de seu oponente?

Não custa lembrar que Dilma não reagiu à resposta na hora — até porque ela sabia muito bem que havia provocado e ultrapassado a linha da cintura. A suposta indignação apareceu só depois, quando João Santana decidiu transformar o episódio num ativo eleitoral — mais importante, pelo visto, do que o assalto à Petrobras…

Chega dessa pantomima! Estamos a uma semana da eleição. Se Dilma vencer, o que espero que não aconteça, terá sido a vitória da máquina petista de desqualificar pessoas. Esta senhora está se esquecendo de que, se o pior acontecer, terá de governar o país depois. Não sei se conseguiria.

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2014

às 9:24

Correção de nome, não de substância

O presidente do IPEA não é Marcelo Neri, como eu havia escrito num post ontem à noite, mas Sergei Suarez Dillon Soares. Nada muda na crítica que fiz. O IPEA é subordinado à Secretaria de Assuntos Estratégicos, cujo titular é Marcelo Neri. Foi ele que decidiu impedir a publicação de dados que demonstram que a miséria parou de cair em 2013. A alegação é que a Lei Eleitoral impediria a divulgação. É mentira.

Por Reinaldo Azevedo
 

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