Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

28/04/2015

às 1:08

#prontofalei – Lulão e Lulinha: tal pai, qual filho?

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 20:51

Ao vivo

Em instantes, mais uma participação no Aqui entre Nós, da TVEJA, com Joice Hasselmann, comentando os assuntos da semana. Assista ao vivo, a partir das 21 horas.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 20:08

Crivella não gostou do que leu aqui e enviou uma mensagem. Eu a publico na íntegra e respondo

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) não gostou do texto que escrevi sobre a indicação do advogado Luiz Edson Fachin para o Supremo Tribunal Federal. Parece ter gostado menos ainda da forma como o caracterizei. Leiam a sua mensagem. Comento em seguida.

Prezado Reinaldo,

Acabo de ler sua coluna. Leio sempre que posso. Admiro a altivez na apresentação dos argumentos embora nem sempre concorde. 

Na de hoje, permita-me esclarecer que quando você me denomina senador da Igreja Universal e senador do bispo Macedo, comete um equívoco que macula o texto, pela simples razão de que eles não possuem representação nessa Casa da Federação.

Aqui são representados os 26 Estados e o Distrito Federal em igual número de senadores, para que haja o equilíbrio federativo.
 
Eleito e reeleito pelo bravo estado do Rio de Janeiro, já fui inclusive escolhido pela sua prestigiosa empregadora, como o quinto com melhores projetos e, pela Transparência Brasil, o segundo.

Percebi que você está inconformado com a indicação do novo ministro do STF e respeito suas razões. Eu não direi que você é um vendido a serviço das oligarquias com objetivo de desqualificar sua participação no debate. Jamais. Vou respeitá-lo. Bom seria se pudesse contar com a sua reciprocidade. 

Atenciosamente,
MCrivella

Comento
Senador Crivella, tenho apreço pelas palavras. E o convido a agir do mesmo modo. É visível que não sou o seu prezado. Mas a insinceridade é o menor dos males em sua mensagem.

Em primeiro lugar, eu, de fato, o chamei de “senador da Igreja Universal” — além de senador do Rio (releia), mas não de “senador do Bispo Macedo”. Este segundo, digamos, genitivo, não lhe diz respeito, mas sim à igreja. A sintaxe do meu texto é claríssima.

Sou grato pelo seu esforço de me ensinar a essência da representação da Câmara Alta, mas devo dizer que já a conheço. Ao fazer a referência à denominação religiosa, quis relevar o peso que a sua igreja teve na sua eleição. Ou não teve?

Tenho três “empregadoras”, senador. A opinião que cada uma delas tem não corresponde necessariamente à minha. Essas empregadoras me pagam para que eu emita a MINHA OPINIÃO, NÃO A OPINIÃO DELAS. Afinal, assim fosse, por que precisariam de mim?

Definitivamente, não me obrigo a ter a opinião dos meus empregadores, mas, se me permite, eu o aconselharia a ter a opinião do seu. Não me refiro, claro!, a Edir Macedo, mas ao povo do Rio de Janeiro.

De fato, o senhor não teria como dizer que sou “um vendido a serviço das oligarquias” pela simples e óbvia razão de que não apelo ao voto dessas oligarquias para manter o meu emprego ou para conquistar posições. Não são as oligarquias que fazem desta página o blog de política mais lido do país. Não são as oligarquias que fazem do programa “Os Pingos nos Is” líder absoluto de audiência. Não foram as oligarquias que me convidaram para ser colunista da Folha. E, se a minha coluna, no jornal, está entre as mais lidas, certamente não são as tais oligarquias que garantem essa posição.

Mas há mais do que isso: não creio que as oligarquias quisessem comprar a minha opinião porque, até onde acompanho, elas são parceiras do governo de turno.

Ademais, qual é a sua sugestão senador? Que a defesa da família é um fundamento de oligarcas? Que contestar que “mulher” e “amante” estejam em pé de igualdade perante a lei é outro princípio dos plutocratas? E olhe que o pensamento do advogado Fachin ainda não foi deslindado como deve, o que prometo fazer.

Não o desrespeitei, não!, senhor senador. Apenas lembrei o peso que a questão religiosa tem na sua eleição. E isso não me parece desdouro nem vergonha. Ademais, tenho, e me orgulho disto, o respeito da esmagadora maioria dos evangélicos porque respeito a crença religiosa, mesmo quando discordo de seus pressupostos.

Eu reajo, isto sim, a interpretações um tanto largas do texto bíblico. Numa de suas pregações, vi o bispo Macedo, seu líder espiritual, recorrer ao Eclesiastes para defender o aborto, o que considero uma ignomínia — o aborto e a interpretação. É bem verdade que, diante de tal enormidade, a dissolução da família pode até parecer um mal menor. Combato os dois males.

Continuarei fiel a meus empregadores, senador, dizendo com clareza tudo o que penso sem lhes pedir licença. Espero que o senhor seja fiel ao seu e, ao dar o seu voto na questão em particular, pense nos valores daqueles que o elegeram. Seus empregadores o elegeram para representá-los. Os meus empregadores me elegeram para representar-me.

Respeitosamente,
Reinaldo Azevedo

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 16:52

Ah, as ideias perversas de Fachin ainda não foram inteiramente expostas…

Vocês ficaram espantados com as teses abraçadas por Luiz Edson Fachin, candidato de Dilma, do PT e do MST ao Supremo? Pois é… Acreditem: da missa macabra, aquilo que vocês leram não representa nem a metade. O pensamento do homem é muito mais deletério do que o que veio a público até agora.

A noção de família, como a conhecemos — ou como a conhece boa parte do mundo — desapareceria por completo nas utopias do doutor.

Na madrugada, senhores senadores, vocês saberão quem está prestes a chegar ao Supremo. E por suas mãos. A sociedade brasileira estará de olho. Dizer “sim” a seu nome será o mesmo que dizer “não” à noção mais básica e elementar de família. Que cada senador arque com o preço de seu voto, não é mesmo?

 

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 16:39

Em 15 dias, Caixa anuncia segunda redução do limite de financiamento habitacional

No Globo:
A Caixa Econômica Federal reduziu novamente a parcela do financiamento habitacional, com recursos da poupança e próprios (acima de R$ 750 mil). Desta vez, a medida vai atingir os novos contratos de imóveis usados, a partir da próxima segunda-feira — o que vai exigir dos interessados uma entrada maior.

Segundo o banco, a cota cairá de 80% para 50% nas operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com recursos na poupança para imóveis de até R$ 750 mil. No Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), o percentual cairá de 70% para 40%, pelo Sistema de Amortização Constante- SAC (quando a prestação começa com valor mais alto e vai caindo ao longo do contrato).

Em nota, a Caixa justifica que o foco da instituição em 2015 serão os imóveis novos, principalmente o programa Minha casa Minha Vida. Não haverá mudanças nos financiamentos com recursos do FGTS (imóveis para famílias de baixa renda). A Caixa, que concentra 60% dos depósitos de poupança, é a maior financiadora do crédito habitacional.

No dia 13 de abril, o banco que representa 70% do mercado de crédito imobiliário, aumentou as taxas de juros dos financiamentos do SFH e reduziu a cota de financiamento para imóveis novos. Em janeiro, o banco já havia elevado os juros dos financiamentos habitacionais.

O financiamento habitacional vem sofrendo com o aumento nos saques da caderneta de poupança. Nos três primeiros meses do ano, as retiradas superaram os depósitos em R$ 23,2 bilhões, drenando praticamente tudo o que a caderneta ganhou em 2014, quando as captações líquidas somaram R$ 23,8 bilhões.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 16:09

Privatizações do petismo – Governo já fez essa propaganda antes, e nada aconteceu em razão da mistura de incompetência, ideologia rombuda e má-fé

A presidente Dilma Rousseff comandou uma reunião com boa parte do governo em pleno sábado — é preciso, afinal, mostrar que está trabalhando — para discutir um pacote de concessões na área de infraestrutura ao setor privado. Quando tucano faz isso, os petistas chamam o procedimento de “privatização” e saem por aí a vociferar contra a decisão. Quando são eles próprios a privatizar, então preferem a palavra “concessão”. Só para registro: sempre que um serviço público estiver em mãos privadas, dada a Constituição brasileira, o que se tem, de fato, é concessão. E por dois motivos: 1) há um prazo, ainda que longuíssimo, para a validade da operação do serviço; 2) sempre existe a possibilidade, ainda que remota, de a autorização, regulada por uma agência, ser cassada. Sigamos.

José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, afirma que o pacote pode chegar a R$ 150 bilhões. Convém não se fiar em números tão mirabolantes. Não é que não exista potencial para até mais do que isso quando se consideram as carências nas áreas de transporte, portos e aeroportos, por exemplo. O problema é que o governo já demonstrou ter a roda presa.

Desde que Dilma assumiu o poder, em 1º de janeiro de 2010, esta é a quarta vez que se fala numa grande arrancada na área de infraestrutura. E nada de substancial aconteceu nesses mais de quatro anos. Aliás, se considerarmos o período em que a atual governanta passou como chefona do setor — o tempo em que ela era a Dilmãe do PAC… —, acrescentem-se àquelas quatro outras tantas vezes.

E por que nada de substancial acontecia? Entre outras delicadezas, os companheiros tinham a ambição de tabelar a taxa de retorno das empresas privadas. Isto mesmo: os iluminados decidiram fazer por aqui o que a China, oficialmente comunista, jamais faria por lá: tabelar o lucro dos empresários. Muita gente não topou.

Ou, então, se faziam escolhas na área de concessão que geravam muita notícia e pouca estrada. Vejam o que aconteceu com a privatização — ou concessão — das rodovias federais. Na ânsia de atacar os tucanos de São Paulo, os gênios da raça decidiram impor um pedágio ridiculamente baixo. Resultado: o que antes não prestava continuou não prestando, mas com… pagamento de pedágio! Trata-se de um misto de ideologia rombuda com incompetência. E, claro!, acrescente-se a tudo isso a má-fé. Afinal, o governo que privatizou pouco soube pôr os bancos públicos a serviço de uns poucos eleitos, não é mesmo?

Agora, parece, BNDES, Banco do Brasil e CEF terão uma participação mais discreta nos novos empreendimentos. Consta que o objetivo é atrair o capital privado. Vamos ver quais serão as regras. Por enquanto, tudo é falatório para movimentar o noticiário. Dadas as rodadas anteriores, é evidente que é o caso de ver com desconfiança esse ataque súbito de amor pelo óbvio e pelo bom senso.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 15:42

Pacote de concessões deve ser anunciado em 10 dias

Leiam o que vai na VEJA.com. Comento no próximo post.
A presidente Dilma Rousseff deve anunciar um novo pacote de concessões de infraestrutura dentro de dez dias, ou seja, antes da viagem que fará à Europa para as comemorações do aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. Segundo o jornal O Globo, o tema das privatizações foi discutido pela presidente e por 13 ministros em reunião no Palácio da Alvorada, no último sábado. No encontro, os ministros apresentaram à presidente e também a toda a equipe econômica a relação dos projetos com demanda do setor privado. Conforme interlocutores, ficou acertado que o governo anunciará, no prazo estipulado, o programa das concessões dentro das necessidades do ajuste fiscal.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, terá a palavra final. Na ocasião, ele teria dito que não há dinheiro disponível do Tesouro, e que os financiamentos dos bancos públicos na nova rodada de privatização serão menores. Não haverá negociação direta entre os interessados nos leilões e o BNDES, por exemplo. Tudo passará pelo crivo da equipe econômica, afirmou uma fonte.

O primeiro pacote a ser anunciado deve ser o de concessões de quatro rodovias, de parte da ferrovia Norte-Sul e de três aeroportos (Salvador, Florianópolis e Porto Alegre). A maior parte desses projetos está na gaveta do governo desde o ano passado. As quatro rodovias em questão são :BR-163/230 (MT/PA), BR-364/060 (MT/GO), BR-476/153/282/480 (PR/SC) e BR-364 (GO/MG).

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a presidente pretende fazer lançamentos enquanto os projetos forem sendo estruturados, mas não quer anúncios tão picotados que reduzam demais o volume de investimentos. De acordo com um interlocutor que participou do encontro, foi constante o questionamento sobre a disponibilidade de recursos do governo para financiar projetos em infraestrutura.

“Analisou-se qual o porcentual que nosso sistema vai poder financiar, porque antes o BNDES financiava tudo, mas estamos em um outro momento”, disse. A lista de assuntos foi tão extensa que não houve tempo para discutir projetos portuários na reunião, que durou mais de dez horas. A pauta ficou concentrada em transportes e energia elétrica. Nos próximos dias nova reunião será convocada com a mesma agenda de investimentos.

O encontro ministerial se deu por etapas, com discussões temáticas. Três ministros (Aloizio Mercadante, da Casa Civil; Nelson Barbosa, do Planejamento; e Joaquim Levy, da Fazenda) e representantes dos três bancos federais – Banco do Brasil, Caixa e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – participaram de todas as conversas. Esse é o grupo responsável pela análise da viabilidade econômica das propostas apresentadas.

Como a reunião foi “inconclusiva”, como definiu o próprio Palácio do Planalto, a presidente retomará os encontros, mas de forma mais individualizada. Haverá uma reunião para tratar apenas de investimentos em rodovias, outra de aeroportos, e assim sucessivamente.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 15:33

Pobres invadem a aula de Haddad na USP e deixam o prefeito irritado! Que coisa feia! Ou: Eu posso censurar a invasão, o petista tem de aplaudi-la

O prefeito Fernando Haddad, como a gente sabe, é um homem a quem sobra tempo. A administração da cidade de São Paulo lhe dá uma folga. Não exige cem por cento de sua agenda. Ele deve achar moleza. Tanto é assim que conseguiu achar uma brecha para voltar a dar aula na pós-graduação de sociologia da USP. Pois é… O povo — aquele ente que o PT julgava ter privatizado — descobriu onde ele dá suas pedaladas teóricas e resolveu forçar um papinho. Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.

*
Um grupo de cerca de quarenta moradores de bairros do distrito de Parelheiros, na Zona Sul da capital paulista, interrompeu a aula do prefeito Fernando Haddad (PT) no prédio da pós-graduação de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP) – no campus Butantã, na Zona Oeste –, por volta das 9 horas desta segunda-feira. Os moradores exigiam a criação urgente de linhas de ônibus em seus bairros, no extremo sul da cidade, e levaram um documento para que o prefeito assinasse se comprometendo a implantar cinco linhas.

Haddad chegou a se retirar da sala de aula por se sentir ofendido com a intervenção, de acordo com uma militante do movimento Luta do Transporte no Extremo Sul, Luíze Tavares. O prefeito disse que não assinaria documento algum e que não era para os moradores interromperem a aula. “Nós entramos, apresentamos o histórico dos bairros. A princípio, ele não queria que interrompêssemos a aula, pediu para procurarmos por ele no intervalo”, afirmou Luíze. “Houve alguns momentos de tensão porque ele achou que estava sendo ofendido. Mas ele não acha que ofender é a pessoa andar duas horas para um ponto de ônibus.”

Em seguida, Haddad se retirou da sala de aula e os moradores foram atrás dele. “Ele parou no corredor das Ciências Sociais e ali terminou a conversa. Lemos para ele o que queríamos que ele assinasse, ele concordou em partes, mas disse que não ia assinar de qualquer jeito”, declarou Luíze. Ainda de acordo com a manifestante, o prefeito garantiu que haverá uma reunião no dia 16 ou 23 de maio, que está prevista para ocorrer na subprefeitura de Parelheiros.

Em 2014, moradores da região chegaram a organizar uma van, chamada pelo grupo de “linha popular”, por um dia e se acorrentaram no saguão da Prefeitura como forma de protesto.

Voltei
Vocês me conhecem muito bem e sabem que não apoio esse tipo de manifestação, nem que seja contra petistas. Nem que seja contra Fernando Haddad, cuja gestão considero o mais perfeito casamento entre a incompetência e a arrogância. Mas dizer o quê?

Os petistas têm de ser mais tolerantes com os métodos que patrocinam, não é mesmo? A invasão de aulas na USP é um clássico consagrado pelas esquerdas e pelos grupelhos apoiados pelo PT dentro da universidade.

Como? O petista não conversa com quem interrompe aula? Curioso! Fernando Pimentel, governador de Minas, outro peixão do partido, condecorou João Pedro Stedile com a Medalha da Inconfidência no dia 21 de abril. Stedile não interrompe apenas uma aula, como é sabido. Seu seguidores cometem atos que, houvesse uma lei razoável no Brasil, poderiam ser considerados atentados terroristas.

O MTST pinta e borda, inclusive na cidade de São Paulo, e, no entanto, Guilherme Boulos é, na prática, uma gestor privilegiado de programas oficiais de moradia. Que história é essa? Haddad não conversa com quem interrompe sua aula na USP, mas conversa com quem invade propriedade, faz ameaças e põe fogo em pneus, impedindo o livre trânsito das pessoas?

Mas entendo… Haddad se considera um homem das ideias, um intelectual… Vai ver os moradores de Parelheiros interromperam o prefeito quando ele estava criando uma metáfora nova para justificar a sua incompetência arrogante.

Eu posso, sem abrir mão do que penso, censurar a interrupção da aula. Haddad, ao contrário, tem mais é de aplaudi-la, né? De resto, o prefeito foi cobrado num dia útil, em horário de expediente. Os que foram à sua procura pagam o seu salário para administrar a cidade, não para lustrar as suas injustificadas vaidades intelectuais.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 15:12

MP apresenta nova denúncia contra Vaccari e Duque: lavagem de R$ 2,4 milhões. É aquele caso que envolve a gráfica e a revista ligadas ao PT

Atenção, leitores! Não vamos confundir as coisas. Em toda parte, vocês leem que o Ministério Público denunciou João Vaccari Neto e Renato Duque por lavagem de R$ 2,4 milhões. Atenção! Trata-se de uma nova denúncia, envolvendo especificamente o uso de uma gráfica ligada ao PT. A operação toma tal vulto e tem tantas camadas e desdobramentos que o desavisado pode achar que é só isso que pesa contra Vaccari e Duque. É claro que não! Leiam texto publicado na VEJA.com.
*
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou nesta segunda-feira denúncia contra o ex-tesoureiro nacional do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque – indicado pelo partido –e o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, do grupo Toyo Setal, por lavagem de dinheiro no total de 2,4 milhões de reais. O crime foi revelado na 12ª fase da Operação Lava Jato, que prendeu Vaccari preventivamente e identificou pagamento de recursos desviados da Petrobras a uma gráfica condenada por fazer propaganda eleitoral irregular para a presidente Dilma Rousseff, em 2010.

De acordo com a denúncia, o crime de lavagem de dinheiro foi cometido 24 vezes pelos acusados entre abril de 2010 e dezembro de 2013. Vaccari foi denunciado como organizador do esquema – um agravante que pode elevar a pena do petista, caso condenado. O MPF pede ainda que os acusados paguem à Petrobras como indenização, no mínimo, o dobro do valor lavado: 4,8 milhões de reais.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, uma parte da propina que seria paga a Renato Duque no esquema do petrolão foi direcionada por empresas do grupo Setal Óleo e Gás (SOG), ao qual pertence Mendonça Neto, para a Editora Gráfica Atitude. Com aval de Duque, o pagamento foi solicitado por Vaccari em um encontro pessoal com Mendonça Neto. Por meio da Setec Tecnologia e da SOG, ele fechou dois contratos falsos de compra de anúncios com a Editora Gráfica Atitude e usou duas outras empresas – Tipuana e Projetec – para realizar os pagamentos. Vaccari pediu os pagamentos duas vezes, em 2010 e 2013, sendo celebrados dois contratos de 1,2 milhão de reais cada. Ficou comprovado o repasse de ao menos ao menos 2,4 milhões de reais, sem que o serviço, a veiculação da propaganda, tenha sido prestado. Mendonça Neto disse que “não possuía qualquer interesse comercial em publicar anúncios na revista”.

As empresas de Mendonça Neto realizaram vinte e duas transferências bancárias que somam 2,25 milhões de reais (valor líquido, descontados impostos) para a Editora Gráfica Atitude. Em contrapartida, a gráfica emitiu dezoito notas fiscais frias para justificar os pagamentos. O MPF apreendeu e-mail de uma funcionária da gráfica com cópia das notas. Os valores que abasteceram os cofres da Editora Gráfica Atitude foram desviados de contratos da SOG com a Petrobras nas refinarias de Araucária (PR), a Repar, e de Paulínia (SP), a Replan, segundo os investigadores.

Em 2010, os pagamentos à gráfica ocorreram meses antes e depois das eleições, quando a empresa veiculou uma edição da Revista do Brasil, com tiragem de 360.000 exemplares, de conteúdo favorável à presidente Dilma Rousseff e ofensivo ao senador José Serra (PSDB), então adversários na disputa da Presidência da República. O Tribunal Superior Eleitoral considerou a revista uma propaganda irregular e multou a gráfica em 15.000 reais.

Para os procuradores da República, há indícios de que os pagamentos de propina pela Setec e SOG, dissimulados como compra de anúncios, financiaram a edição de número 52 da Revista do Brasil, de outubro de 2010, justamente a multada pela Justiça Eleitoral por propaganda pró-Dilma. O MPF indicou que parcelas do contrato fictício foram pagas naquele mês, bem como antes e depois das eleições.

Segundo delação de Augusto Ribeiro Mendonça, Vaccari pediu que ele fizesse transferências de dinheiro à Gráfica Atitude em vez de pagar propina ao partido em forma de doações eleitorais registradas, outro método de pagamento de propinas que rendeu ao partido ao menos 4,2 milhões de reais entre 2008 e 2012.

A Gráfica Atitude é uma sociedade mantida por dois sindicatos umbilicalmente ligados ao PT: o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Os sindicatos são sócios e indicam os diretores da gráfica – quase todos filiados ao PT e sempre dirigentes dos sindicatos. Um deles, Teonílio Barba (Metalúrgicos do ABC), elegeu-se deputado estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo, no ano passado. Outra diretora, Ivone Maria da Silva (Bancários), foi uma defensora de Vaccari durante a gestão do ex-tesoureiro petista na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) – pela qual ele responde criminalmente na Justiça paulista.

Os procuradores da Lava Jato também indicaram na denúncia que o endereço do diretório estadual do PT em São Paulo consta em listas telefônicas na internet também como sede da Editora Gráfica Atitude. Por ora, o MPF decidiu não denunciar funcionários da gráfica. Isso porque, segundo os procuradores, a responsabilidade deles ainda será apurada em inquérito separado. Os atuais diretores da gráfica Atitude, no entanto, foram arrolados para depor como testemunhas.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 7:26

LEIAM ABAIXO

Lulinha: do caminho das antas ao apartamento de R$ 6 milhões. Ou: O filho que sai ao pai não degenera. Ou ainda: O sítio das delícias;
Lulinha e a educação: para os filhos dos trabalhadores, greve de professores; para o filho de Lula, escola privada, “de elite”;
ACORDEM, SENADORES! Fachin, o candidato de Lewandowski e de Dilma ao Supremo, acha essa conversa de “família” uma besteira… Ele não vê diferença, por exemplo, entre mulher e amante;
CPI quer convocar aliado de Renan para depoimento;
Cunha: “Não tenho medo de cara feia”;
Investigado por terrorismo em Brasília já trabalhou na Casa Civil junto com Dilma;
ALÔ, BLOGUEIROS SUJOS E LIMPINHOS! ENTREM NA MINHA CAMPANHA POR “CPI DOS BLOGS JÁ”! CHEGOU A HORA DE SABER QUEM PAGA QUEM E POR QUÊ!;
PSDB da Câmara já vê motivos para pedido de impeachment de Dilma;
Má-fé esquerdista impede o Brasil de votar uma lei que puna o terrorismo;
PF apura suspeita de terrorismo e apreende documentos de advogado muçulmano;
Itália autoriza extradição do mensaleiro Pizzolato;
— Mineiros reagem indignados ao insulto do governador Pimentel — que resolveu esquartejar a memória e a dignidade de Tiradentes — e exigem que ele casse a medalha concedida a Stedile;
— Minha coluna na Folha: “Paixões escravas”;
— Haddad recorre à Justiça contra o governo Dilma. A boa notícia: é o PT se desmanchando;
— Dilma estuda agora terceirizar o estímulo ao panelaço!!!;
— VEJAM COMO AGEM OS MILITANTES A SERVIÇO DA APEOESP. É ESSA GENTE QUE ESTÁ EM SALA, EDUCANDO AS CRIANÇAS E OS JOVENS?

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 7:19

Lulinha: do caminho das antas ao apartamento de R$ 6 milhões. Ou: O filho que sai ao pai não degenera. Ou ainda: O sítio das delícias

Os Lula da Silva têm mesmo um jeito heterodoxo de viver. Chega a ser estranho que o chefão do PT tenha querido, algum dia, como é mesmo?, mudar o mundo… Ora, mudar para quê? A partir de certo momento, vamos admitir, esse mundo só sorriu para ele. E continua a sorrir para a sua família. Reportagem de capa da VEJA desta semana expõe a proximidade entre o agora ex-presidente da República e o empreiteiro baiano Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, um dos presos da operação Lava Jato. Proximidade que pode fazer com que o escândalo do petrolão ainda exploda no colo do companheiro-chefe. É que Pinheiro começou a fazer algumas anotações… Leiam a reportagem da revista desta semana. Quero aqui abordar um aspecto em particular.

A VEJA informa que Fábio Luís da Silva — vulgo “Lulinha” — mora num apartamento, numa área nobre em São Paulo, avaliado em R$ 6 milhões. É isso mesmo que vocês leram. O apartamento do filho do Primeiro Companheiro é coisa de ricaço. Mas parem de ficar imaginando maldades. O dito-cujo não está em nome do rapaz! Não! Oficialmente, o dono do imóvel é o empresário Jonas Suassuna, que é apenas… sócio de Lulinha.

Esse rapaz, note-se, é, desde sempre, um portento. Lula já o chamou de o seu “Ronaldinho”, louvando-lhe as habilidades para fazer negócios. Formado em biologia, o rapaz era monitor de Jardim Zoológico até o pai chegar à Presidência. Cansado de ficar informando ao visitante onde se escondiam as antas, ele decidiu ser empresário quando o genitor se tornou o primeiro mandatário. E o fez com uma desenvoltura assombrosa. Só a Telemar (hoje Oi) injetou R$ 15 milhões na empresa do rapaz, a Gamecorp. Nada além de uma aposta comercial?

Assim seria se assim fosse. Empresas de telefonia são concessões públicas, que dependem de decisões de governo. Aliás, é bom lembrar: Lula mudou a lei que proibia a Oi (ex-Telemar) de comprar a Brasil Telecom (que era de Daniel Dantas). A síntese: o pai de Lulinha tomou a iniciativa de alterar uma regra legal e beneficiou a empresa que havia investido no negócio do filho. Isso é apenas uma interpretação minha? Não! Isso é apenas um fato. Adiante.

Os Lula da Silva formam uma dinastia. O filho repete, em certa medida, o caminho do pai — e não é de hoje. Quando Lula era o líder da oposição, também morava, a exemplo de Lulinha, numa casa que estava muito acima de suas posses oficiais. O imóvel lhe era cedido por um advogado milionário chamado Roberto Teixeira, seu compadre. Se vocês entrarem no Google, ficarão espantados com a frequência com que Teixeira aparece ligado a, digamos assim, negócios que passam pelo petismo. Se clicarem aqui, terão acesso a um grupo de textos evidenciando, por exemplo, as suas interferências na venda da Varig.

Agora o sítio
Jonas Suassuna, o sócio de Lulinha e dono oficial do apartamento milionário em que mora o filho do Poderoso Chefão petista, é quem aparece como proprietário de um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, em companhia de Fernando Bittar, que é, ora vejam, o outro sócio de Lulinha. Até aí, bem…

Ocorre que, no PT, e fora dele, incluindo toda a Atibaia, a propriedade é conhecida como o “sítio do… Lula!”. É lá que ele passa os fins de semana desde que deixou a Presidência. A propriedade foi inteiramente reformada, em tempo recorde, pela empreiteira OAS, a pedido de… Lula! Os pagamentos aos operários eram feitos em dinheiro vivo. O arquiteto que cuidou de tudo se chama Igenes Irigaray Neto, indicado para o empreendimento pelo empresário José Carlos Bumlai, amigão de… Lula! O tal aparece com frequência em histórias mal contadas envolvendo o petismo — inclusive o petrolão.

A OAS, que reformou o sítio que até petistas dizem ser do ex-presidente, também foi chamada para concluir um dos edifícios da Bancoop, a cooperativa ligada ao PT, que era presidida por João Vaccari e que faliu, deixando três mil pessoas na mão. O único prédio concluído é justamente um de alto padrão, onde Lula tem um tríplex, com elevador interno. Quando explodiu o caso Rosemary Noronha, aquela amiga íntima do ex-presidente, a OAS foi mais uma vez chamada para dar uma mãozinha para João Batista, o marido oficial da tal senhora.

Assim se construiu a república petista. Os companheiros têm explicações para essas lambanças? É claro que não! Preferem ficar vomitando impropérios nas redes sociais, acusando supostas conspirações. Definitivamente, o PT superou a fase do Fiat Elba, que foi peça-chave na denúncia contra Collor. Fiat Elba? Ora, Lula, o PT e a tropa toda são profissionais nas artes em que Collor ainda é um amador.

Texto publicado originalmente às 4h51
Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 7:15

Lulinha e a educação: para os filhos dos trabalhadores, greve de professores; para o filho de Lula, escola privada, “de elite”

A Apeoesp, o sindicato dos professores da rede oficial de ensino, está em greve há mais de 40 dias. O movimento atinge só uma minoria da categoria, mas é claro que gera transtornos. Desde que o PT existe, a Apeoesp é um mero aparelho da legenda. Usa os professores como massa de manobra da política do partido. Pois é…

Já que Fábio Luís da Silva, o Lulinha, voltou a ser notícia, cumpre-me lhes dar aqui uma informação. O rapaz que hoje mora num apartamento de R$ 6 milhões e se fez um próspero empresário depois que Lulão se tornou presidente não vivia como um filho da classe operária nem quando o pai era um sindicalista.

Enquanto os petistas já buscavam organizar greves entre os professores da rede oficial de ensino, Lulinha estudava no Colégio Singular, em Santo André, que era, então, a melhor e mais afamada escola privada do ABC. Dispunha de uma bolsa de estudos. Como eu sei? Eu era professor do colégio. Não! Lulinha não foi meu aluno.

Vejam bem… Não estou entre aqueles que acham que Lula e Dilma deveriam, obrigatoriamente, ter se tratado do câncer que os acometeu na rede pública de saúde. Escrevi sobre o assunto na época. Recorram ao arquivo. Mas acho, sim, que não havia nada de errado em lhes fazer o questionamento.

Já a educação é outra conversa. Não se está lidando com uma doença com potencial para matar, quando se tem apenas uma vida. Nada disso! Já na década de 80, enquanto os liderados de Lula faziam agitação entre os professores e submetiam os filhos dos trabalhadores a seus caprichos, deixando-os sem aula em movimentos grevistas, o rebento do companheiro gozava dos benefícios — com bolsa, inclusive — de uma escola privada.

A hipocrisia nunca foi o menor dos problemas do petismo, não é mesmo?

Texto publicado originalmente às 5h25
Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 7:07

ACORDEM, SENADORES! Fachin, o candidato de Lewandowski e de Dilma ao Supremo, acha essa conversa de “família” uma besteira… Ele não vê diferença, por exemplo, entre mulher e amante

Se o Senado aprovar o nome de Luiz Edson Fachin, o homem de Ricardo Lewandowski e de Dilma, para o Supremo Tribunal Federal, não estará chegando ao STF apenas o ministro da CUT e do MST. Não estará chegando ao STF apenas o homem que sugere que um juiz deva julgar tanto com a “testa” (puro e simples arbítrio) como com o texto (o que diz a lei). Estará chegando ao STF um esquerdista que é dono das teses as mais exóticas sobre o direito de família.

Fachin é diretor de um troço chamado Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), que promove três causas no tribunal. Prestem atenção:
1: o IBDFAM acha que a amante tem de dividir com a mulher legítima a eventual pensão por morte do marido;
2: o IBDFAM acha que cirurgias de esterilização devem dispensar a autorização dos dois cônjuges;
3: o IBDFAM acha que transexuais que não se submeteram a cirurgias têm o direito de usar o nome pelo qual são conhecidos, o chamado nome social.

Notem, de saída, que as duas primeiras teses praticamente desconsideram a noção de família ou a dão por destruída. A amante passa a integrar o núcleo familiar, ao arrepio da, como vou chamar?, “mulher oficial”.

Como? Não fica bem falar em “preservação da família”? Pois eu falo. A questão da esterilização ignora o fundamento de que o casal constitui, afinal, uma unidade. Assim, a mulher pode, por exemplo, fazer uma cirurgia de laqueadura sem dar satisfação ao marido, e este, submeter-se a uma vasectomia sem nem mesmo comunicar a decisão à sua mulher. Se os parceiros que ficaram fora da decisão querem ou não ter filhos, pouco importa. Que mudem de casamento!

É uma tese conexa à do “aborto como um direito da mulher porque diz respeito a seu corpo”, defendida pelo feminismo mais canhestro, com a qual, suponho, Fachin deve também se alinhar.

A terceira causa do instituto de que Fachin é diretor já foi objeto de duas resoluções federais no dia 12 de março. Uma delas garante justamente o tal uso do nome social em ocorrências relativas à segurança pública. A outra, coalhada de absurdos, permite que um estudante, mesmo menor de idade, seja chamado por seu nome social. Vai além: faculta o uso do banheiro segundo a identidade alegada pela pessoa. Ou por outra: se um garoto se sentir uma menina e se vestir como tal, então ele passa a ter o direito de usar o banheiro feminino…

Leio no Globo que Fachin já passou mel da boca do suposto conservador Marcelo Crivella, senador da Igreja Universal, de Edir Macedo, e também do PRB do Rio… O advogado foi falar com o parlamentar, que ficou encantado com a sua conversa. Bem, de conservadores como Crivella, o inferno certamente está cheio, não é mesmo?

Segundo o senador, o interlocutor lhe garantiu que temas ligados à família pertencem à órbita do Congresso, que é quem deve legislar a respeito… Ora, não me diga! Eu estou enganado ou o Supremo, em duas decisões, uma vez provocado, mudou o conceito de família, ignorando um artigo da Constituição, e ampliou as possibilidades do aborto, ignorando o Código Penal? Eu estou enganado ou o Supremo se arvorou até mesmo em fazer a reforma política? Mas esses não são temas que dizem respeito ao Congresso?

Aí alguém dirá: “Ah, mas Fachin conta com o apoio de tucanos como Alvaro Dias e Miguel Reale Jr.”! E eu com isso? Se o PSDB sempre fizesse a coisa certa, talvez o PT não estivesse no 13º ano de seu mandato, com o país na pindaíba.

Fachin encarna o esquerdismo mais deletério. O PT, que está morrendo, pretende sobreviver como o Partido do Tapetão.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 7:05

CPI quer convocar aliado de Renan para depoimento

Por Andreia Sadi e Ranier Bragon, na Folha:
A cúpula da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados que investiga o esquema de corrupção descoberto na Petrobras planeja convocar um aliado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) para depor na CPI. O alvo do comando da comissão é o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, afilhado de Renan que é apontado como elo do esquema na empresa, uma subsidiária da Petrobras responsável pelo armazenamento e pelo transporte de combustível. A convocação de Machado para depor deverá contribuir para um acirramento da disputa que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), trava com Renan, que preside o Senado, por protagonismo no comando do Congresso e no PMDB.

Na semana passada, eles divergiram publicamente após a aprovação pela Câmara do projeto que permite ampliar a terceirização do trabalho nas empresas, que Renan ameaça alterar no Senado. A cúpula da CPI planeja aproveitar um depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, marcado para o próximo dia 5, para criar um pretexto que permita a convocação de Machado. Costa, que em agosto passou a colaborar com as investigações da Operação Lava Jato, disse num depoimento em outubro que Renan recebia propina de empresas contratadas pela Transpetro, e afirmou que Machado uma vez lhe entregou R$ 500 mil. A expectativa na cúpula da CPI é que ele confirme o depoimento ao falar à comissão, e com isso ofereça a justificativa que ela precisa para convocar Machado para depor. A operação tem o apoio de partidos da oposição, do PMDB e do presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), um aliado de Cunha.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 19:50

Cunha: “Não tenho medo de cara feia”

Leiam o que vai no Globo. Volto ao assunto mais tarde.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a ser alvo de protesto de sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), na manhã desta sexta-feira, durante visita a Campo Grande (MS) para participar de uma audiência pública na Casa da Indústria. Segundo a Polícia Militar (PM), cerca de 150 pessoas participaram da manifestação em frente ao local. Indagado por jornalistas sobre o protesto, Cunha disse que não tem “medo de cara feia” e ironizou o ato: “Eles (sindicalistas) têm o direito, recebem contribuição sindical para isso. Mas nós vamos continuar desempenhando o nosso papel”, disse.

A audiência pública desta sexta-feira no Mato Grosso do Sul faz parte do programa “Câmara Itinerante”, que pretende levar a Câmara dos Deputados até as assembleias legislativas de diferentes regiões do país. A segurança foi reforçada no local. Manifestantes e integrantes de movimentos sociais foram barrados pela Polícia Militar na entrada da Assembleia Legislativa do Mato Grosso. Um integrante do grupo, que protesta contra a lei que regula a terceirização, conseguiu furar o bloqueio e foi retirado a força. Houve um princípio de tumulto, mas ninguém foi preso. À tarde, o presidente da Câmara visita a cidade de Cuiabá (MT). O presidente da CUT no Mato Grosso do Sul, Genilson Duarte, afirmou que a entidade sindical é contra o projeto que regulamenta a terceirização no país, aprovado nesta pela Câmara dos Deputados. De acordo com Duarte, a proposta vai reduzir o salário dos trabalhadores em 25%. Na visão do sindicalista, Cunha conduziu de “forma truculenta” a votação do projeto na Câmara.

Nas últimas semanas, Eduardo Cunha foi alvo de protestos em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraíba e Rio Grande do Norte. No dia 27 de março, o presidente da Câmara foi recebido com vaias e beijo gay na Assembleia de São Paulo. Na ocasião, cerca de 50 contrárias ao fato de o peemedebista, que é evangélico, já ter se posicionado contra a criminalização da homofobia protestaram contra o preconceito em relação aos homossexuais. Em 30 de março, Cunha foi vaiado pelo movimento LGBT na Assembleia do Rio Grande do Sul, onde ele também foi recebido com beijo gay.

Em meio à visita do presidente da Câmara à Assembleia Legislativa da Paraíba, no dia 10, integrantes de movimentos sociais e sindicalistas invadiram a sede do Legislativo em João Pessoa. Na confusão, os manifestantes entraram em confronto com os seguranças do Legislativo para ter acesso às três galerias do plenário, onde promoveram um “apitaço”. Uma porta de vidro do parlamento estadual foi quebrada em meio ao tumulto. No mesmo dia, em Natal, Cunha foi obrigado a ingressar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte pela lateral do prédio para evitar contato com um grupo de manifestantes que o aguardava na fachada do Legislativo.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 19:23

Investigado por terrorismo em Brasília já trabalhou na Casa Civil junto com Dilma

Marcelo Bulhões dos Santos, no canto esquerdo da foto (de barba): ele trabalhou por 3 anos e 9 meses na Casa Civil(Reprodução / Facebook/VEJA)

Marcelo Bulhões dos Santos, no canto esquerdo da foto (de barba): ele trabalhou por 3 anos e 9 meses na Casa Civil, junto com a então ministra Dilma Rousseff (Reprodução / Facebook/VEJA)

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O advogado de Brasília que entrou no radar da Justiça por suspeita de cumplicidade com terroristas é um brasileiro que se converteu ao islamismo e já trabalhou na Casa Civil da Presidência da República durante a gestão de Dilma Rousseff. Ele também foi funcionário da própria Polícia Federal, órgão que ele viria a acusar de ser conivente com interferência internacional na CPI da Espionagem. Marcelo Bulhões dos Santos pertence à corrente sunita e frequenta com regularidade a mesquita da capital federal. Os policiais federais que estiveram no prédio de Bulhões nesta sexta-feira apreenderam documentos e materiais eletrônicos, por ordem da Justiça Federal. Os indícios dão conta da ligação dele com extremistas estrangeiros. Como não há crime de terrorismo no país, a Justiça colhe elementos para julgá-lo por crimes acessórios, como estelionato e falsificação de documento.

Bulhões já era conhecido pela PF. Ele é ex-servidor de nível médio da corporação, onde trabalhou entre 2004 e 2007. Como fala árabe, espanhol, italiano e inglês foi lotado na Coordenação-Geral de Polícia Criminal Internacional, braço da Interpol na PF, antes de ser cedido à Presidência da República. Exercia atividades burocráticas na troca de informações e comunicados com outros escritórios centrais nacionais da Interpol. Anos depois, ele diria que havia interferência de serviços de inteligência dos Estados Unidos da PF.

Bulhões formou-se em 2009 em uma universidade particular de Brasília. Ele trabalhou por quase quatro anos como assessor da Casa Civil, durante a gestão da então ministra Dilma Rousseff. Foi nomeado por ela para um cargo de confiança: supervisor de legislação pessoal. Bulhões diz ter se desligado em 2010 por vontade própria, para se dedicar à atividades de consultoria jurídica. Hoje, atua no próprio escritório, que funciona no apartamento onde também mora sua mulher e o filho do casal. Há dois meses, passou a assessorar a embaixada de Omã na capital federal.

Espionagem
O alvo da PF também denunciou supostas atividades de contraterrorismo dos Estados Unidos no Brasil. Em setembro de 2013, Bulhões encaminhou à senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), então presidente da CPI da Espionagem, um documento que reunia relatórios sobre atividades de terroristas na América do Sul. Disse que agia por “senso de responsabilidade cívica”. Alguns dos documentos eram da Embaixada Americana no Brasil, vazados pelo WikiLeaks, e parte do acervo da biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Outros, datados de 1995 a 2011, pertenciam ao arquivo do Itamaraty e, segundo ele, “sugeriam atividades de espionagem norte-americana em desfavor do governo brasileiro”.

O relatório americano sobre atividades criminosas e terroristas na tríplice fronteira, encaminhado por Bulhões à CPI da Espionagem, cita entre outros alvos o doleiro Alberto Youssef, delator do escândalo do petrolão. Youssef é descrito como um dos “maiores operadores de lavagem de dinheiro do país, tendo trabalhado para o traficante Fernandinho Beira-Mar”.

“Há fortes indícios de que cidadãos brasileiros de origem árabe e/ou de confissão islâmica tenham sido objeto de investigação por parte de órgãos de inteligência nacionais e estrangeiros , sendo que nem sempre havia motivo plausível para tal”, justificou Bulhões. “Nesse sentido, houve, inclusive, diversas ocasiões em que o ora signatário [ele mesmo] presenciou a interferência de serviços estrangeiros na atuação de órgãos do governo federal, dentre os quais é possível destacar o Departamento de Polícia Federal, do qual o subscritor é ex-servidor.”

Em postagens no Facebook, Bulhões também justifica a ação do grupo terrorista Hamas, que costuma lançar mísseis sobre o território israelense. “Sem a ocupação dos sionistas de uma terra alheia nem sequer existiria o Hamas, muito menos os mísseis”, disse ele em julho de 2014. O advogado prosseguiu: “Os apoiadores de Israel chamam o Hamas de ‘terrorista’, mas esquecem de estudar sobre o modo que se deu a formação do pseudo-estado judeu”.? Bulhões formou-se bacharel com uma monografia intitulada “O princípio da igualdade no Direito islâmico” e estudou no prestigiado Colégio Militar do Rio de Janeiro.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 16:50

ALÔ, BLOGUEIROS SUJOS E LIMPINHOS! ENTREM NA MINHA CAMPANHA POR “CPI DOS BLOGS JÁ”! CHEGOU A HORA DE SABER QUEM PAGA QUEM E POR QUÊ!

Quero aqui hoje dar início a uma campanha nacional. E espero contar com a adesão de todos os blogueiros de esquerda — ou que, vá lá, se tornaram de esquerda depois que o PT chegou ao poder, já que alguns deles, no passado, têm relevantes serviços prestados à extrema direita. Vamos ver.

Leio na Folha que “O diretório estadual do PT, em São Paulo, vai entrar com representação no Ministério Público pedindo investigação sobre os pagamentos mensais efetuados há dois anos pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), por prestação de serviços de comunicação, à empresa de um blogueiro antipetista”. O jornal vai adiante: “Reportagem da Folha publicada no último sábado mostra que a Appendix Consultoria, contratada como prestadora de serviços de comunicação para a Secretaria de Estado da Cultura, criada pelo advogado e blogueiro Fernando Gouveia há dois anos, recebe dos cofres estaduais R$ 70 mil por mês para atualizar o portal e os perfis da secretaria nas redes sociais. Gouveia, que usa o pseudônimo Gravataí Merengue na internet, se apresenta como “CEO”, ou executivo principal, do site Implicante”.

Muito bem! Chegou na hora de a gente botar os pingos nos is dessa história. Blogueiros de todas as tendências, unamo-nos em favor da transparência!

Alô, senhores deputados!
Alô, senhores senadores!
Alô, ministro Edinho Silva!
Alô, presidente Dilma Rousseff!
Alô, prefeitos, governadores!

Chegou a hora de fazer uma CPI do Financiamento dos Blogs! Vamos ver quem paga quem! Vamos ver de onde vem a renda dos blogueiros “progressistas”, “reacionários”; “petistas”, “antipetistas”… FAÇAMOS ISSO EM ESCALA FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL.

QUEM TOPA A MINHA PROPOSTA?

Eu quero saber quanto a Petrobras deu a blogueiros nos últimos 12 anos.
Eu quero saber quanto o Banco do Brasil deu a blogueiros nos últimos 12 anos.
Eu quero saber quanto a Caixa Econômica Federal deu a blogueiros nos últimos 12 anos.

EU QUERO SABER QUANTO O BNDES ANDOU EMPRESTANDO A UM BLOGUEIRO, EM DINHEIRO VIVO, NOS ÚLTIMOS 12 ANOS.

Alô, blogueiros limpos e sujos! Vocês topam entrar em defesa de uma CPI dos Blogs? Vamos tentar entender como funciona essa máquina?

Eu quero saber os critérios usados pela Secom e pelas estatais para distribuir verba publicitária. É por número de leitores? É por trânsito? É por internautas? É por influência?

O PT quer investigar a Appendix Consultoria e o blogueiro Fernando Gouveia? Que se investigue! Mas por que só ele? E QUE SE NOTE: NÃO ESTOU PROPONDO QUE SE INVESTIGUE TODO MUNDO PARA QUE NÃO SE INVESTIGUE NINGUÉM. A PROPOSTA É PARA VALER.

Os petistas e esquerdistas aceitam essa minha proposta? Não? Por que não? Então que os tucanos e oposicionistas no geral comecem a recolher assinaturas em favor de uma CPI dos Blogs. Há valentes que se disfarçam de jornalistas que estão na lista de pagamento de Alberto Youssef e de outros envolvidos na Operação Lava Jato.

Pronto! FORNEÇO AQUI ATÉ O FATO DETERMINADO. Querem outro? Financiamento do BNDES a blogueiro. Com que propósito?

COVARDES PROPÕEM INVESTIGAR SÓ O BLOGUEIRO FERNANDO GOUVEIA. CORAJOSOS PROPÕEM INVESTIGAR TODAS AS FONTES PÚBLICAS DE FINANCIAMENTO DE TODOS OS BLOGUEIROS, NÃO IMPORTA A SUA TENDÊNCIA.

Alô, deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara! O senhor tem feito, até agora, no comando da Casa, um bom trabalho. Preste mais esse serviço à transparência! Aliás, o senhor é um dos alvos preferidos de alguns blogueiros financiados por estatais. Vamos nessa?

Aguardo a adesão de blogueiros sujos e limpinhos à minha proposta. Por uma CPI do Financiamento Público de Blogs já!

Não se acovardem, petistas! Conto com vocês!

Ministro Edinho, aguardo seu apoio à minha proposta. Vamos falar sobre mídia técnica, entre outros assuntos.

Luciano Coutinho, presidente do BNDES! Vamos explicar ao povo por que um blogueiro merece receber empréstimo de um banco de fomento, as condições em que o dinheiro foi dado e a forma de pagamento.

Senhores comandantes da CEF, do Banco do Brasil e da Petrobras! Deixem claro ao povo brasileiro o critério que bancos e empresas públicas usam para distribuir um dinheiro que é do… público!

Está feita a proposta! Tenho a certeza de que blogueiros de todas as tendências apoiarão a sugestão. Afinal, eles são todos muito corajosos.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 16:38

PSDB da Câmara já vê motivos para pedido de impeachment de Dilma

Por Ranier Bragon, na Folha:
A bancada do PSDB na Câmara decidiu que já há elementos para apresentar imediatamente o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. E que não há necessidade de aguardar novos fatos ou pareceres jurídicos. O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), afirmou que nesta sexta-feira (24) que irá informar oficialmente essa posição ao presidente nacional da legenda, o senador Aécio Neves (MG), na terça-feira (28). Segundo o deputado, a intenção é apresentar o pedido de impedimento da presidente entre terça e quarta-feira (29). “O que vou dizer ao Aécio é que na visão da bancada não tem mais o que aguardar. A Câmara é quem decide sobre a abertura do impeachment, então o protagonismo tem que ser da bancada da Câmara. Ela tem que tomar uma decisão e a decisão já foi tomada: o impeachment é cabível e não temos que aguardar mais nenhum parecer”, afirmou Sampaio num intervalo de uma reunião de treinamento parlamentar dos deputados tucanos, em Brasília.

Aécio chegou nos últimos dias a subir o tom contra Dilma e a indicar que o partido encabeçaria o impeachment. Mas acabou recuando após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra, entre outros, manifestarem opinião contrária ao pedido de impedimento neste momento. Aécio encomendou uma análise técnica sobre o tema, mas o jurista Miguel Reale Júnior pediu um prazo maior para elaborá-la. Segundo Carlos Sampaio, isso não é necessário porque a bancada na Câmara já tem pronto o pedido, que é baseado principalmente na suposta responsabilidade de Dilma sobre oescândalo na Petrobras e sobre as chamadas “pedaladas fiscais”, as manobras realizadas pelo Tesouro para fechar as contas públicas.

O líder da bancada tucana também afirmou que irá recorrer ao plenário da Câmara contra eventual recusa ao pedido por parte do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O peemedebista já deu declarações afirmando não ver  hoje razõespara dar prosseguimento a eventual processo contra Dilma. Pelo regimento da Câmara, cabe recurso dessa decisão, o que levaria ao plenário da Câmara a responsabilidade de dar a palavra final.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 16:12

Má-fé esquerdista impede o Brasil de votar uma lei que puna o terrorismo

Leia primeiro o post anterior

Agentes do núcleo antibomba da Polícia Federal cumpriram um mandado de busca e apreensão num apartamento da Asa Norte, em Brasília, nesta sexta. A operação está ligada a uma ação de inteligência de combate ao terrorismo. No apartamento moram  um advogado que atua em defesa das comunidades muçulmanas no Brasil, Marcelo Salahuddin Bulhões dos Santos, sua mulher, de origem iraniana, e um filho de colo.

Não vou aqui condenar ninguém em princípio. Ainda não sabemos a natureza da operação. Mas de uma coisa sabemos: o Brasil não tem uma lei antiterror. Já tratei desse assunto aqui várias vezes. Somos a única democracia relevante do mundo que não prevê pena para ações terroristas. Todas as tentativas de votar um texto com esse conteúdo se mostraram infrutíferas.

Em 2009, foi preso no país um libanês identificado como “K”, nada menos do que um homem da Al Qaeda. Era o responsável mundial pelo “Jihad Media Battalion”, uma organização virtual usada como uma espécie de relações públicas online da Al Qaeda, propagando pela internet, em árabe, ideais extremistas e incitando o povo muçulmano a combater países como os EUA e Israel.

Reportagem da VEJA de Abril de 2011 informava que o iraniano Mohsen Rabbani, procurado pela Interpol, entrava e saía do Brasil com frequência sem ser incomodado. Funcionário do governo iraniano, ele usa passaportes emitidos com nomes falsos para visitar um irmão que mora em Curitiba. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) descobriu que Rabbani já recrutou pelo menos duas dezenas de jovens do interior de São Paulo, Pernambuco e Paraná para cursos de “formação religiosa” em Teerã. “Sem que ninguém perceba, está surgindo uma geração de extremistas islâmicos no Brasil”, disse, então, o procurador da República Alexandre Camanho de Assis. Rabbani é acusado de arquitetar atentados contra instituições judaicas que vitimaram 114 pessoas em Buenos Aires, nos anos de 1992 e 1994. Calma, que tem mais!

Análise de processos judiciais e de relatórios do Departamento de Justiça, do Exército e do Congresso americanos, como informou VEJA  em 2011, expõe laços de extremistas que vivem ou viveram no Brasil com a Fundação Holy Land (Terra Santa, em inglês), uma entidade que, durante treze anos, financiou e aparelhou o Hamas, o grupo radical palestino que desde 2007 controla a Faixa de Gaza e cujo objetivo declarado é destruir o estado de Israel. A Holy Land tinha sede em Dallas, no Texas, e era registrada como instituição filantrópica. Descobriu-se que havia enviado pelo menos 12,4 milhões de dólares ao Hamas e que ajudava o grupo a recrutar terroristas nos Estados Unidos e na América do Sul.

Em 2001, a entidade entrou para a lista de organizações consideradas terroristas pela ONU e, em 2008, seus diretores foram condenados na Justiça americana por 108 crimes, entre os quais financiamento de ações terroristas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A maior pena, de 65 anos de prisão, foi para Shukri Abu Baker, fundador, presidente e diretor executivo da Holy Land, que hoje cumpre a duríssima pena numa cadeia do Texas. Curiosamente, passou despercebido o fato de que Baker é brasileiro. Mais do que isso: durante muitos anos ele manteve operações no Brasil.

A Polícia Federal reúne desde 2008 provas de que traficantes ligados ao grupo terrorista Hezbollah, que domina o sul do Líbano, atuam em nosso país em parceria com o PCC. O epicentro dessa ação, em nosso território, é Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai). Há muito os órgãos de segurança dos Estados Unidos consideram essa região infiltrada pelo terror, coisa que o governo brasileiro se nega a admitir. Documentos obtidos pelo jornal “O Globo” apontam que a parceria entre o terrorismo e o crime organizado teve início em 2006. Traficantes libaneses de cocaína, ligados ao Hezbollah, teriam aberto canais para a venda de armas ao PCC. Quando esses traficantes são presos no Brasil, contam com a proteção da facção criminosa nos presídios.

E por que o Brasil não tem uma Lei Antiterror? Porque as esquerdas, incluindo os petistas e o MST, não querem. A razão é simples: não seria difícil enquadrar certas práticas de alguns movimentos ditos sociais entre as ações terroristas. Há, sim, um Projeto de Lei no Senado, o 499/2013. Lá se estabelece: “provocar ou infundir terror ou pânico generalizado mediante ofensa ou tentativa de ofensa à vida, à integridade física ou à saúde ou à privação de liberdade da pessoa. Pena de reclusão de 15 a 30 anos ou de 24 a 30 anos, se resultar morte”. Outro projeto de lei, 762/2011, prevê: “provocar ou infundir terror ou pânico generalizado mediante ofensa à integridade física ou privação da liberdade de pessoa, por motivo ideológico, religioso, político ou de preconceito racial, étnico ou xenófobo. Pena de reclusão de 15 a 30 anos”.

E por que nada prospera? Porque os ditos “movimentos sociais” consideram que uma lei antiterrorismo tolheria as suas ações. Assim, as esquerdas reivindicam que, caso se vote um texto para punir esse crime, os movimentos sociais sejam considerados, de saída, inimputáveis, isto é: não haveria terrorismo quando os militantes dizem lutar em nome de uma causa.

Ora, votar uma lei assim seria o mesmo que estimular a prática de atos terroristas por movimentos sociais. O Inciso XLIII da Constituição define:
“XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

Pois bem: não existe crime sem uma lei que o defina, estabelecendo uma pena. E o Brasil, por vontade das esquerdas, torna o terrorismo uma prática impune.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 15:45

PF apura suspeita de terrorismo e apreende documentos de advogado muçulmano

Por Fábio Fabrini e Andreza Matais, no Estadão. Volto no próximo post.
O Grupo Antibomba da Polícia Federal fez nesta sexta-feira, 24, operação num prédio da Asa Norte, área nobre de Brasília. Os agentes vasculharam o apartamento de um advogado que atua em defesa das comunidades muçulmanas no Brasil. Conforme agentes a par das investigações, a ação, que mobiliza setores de inteligência da PF, apura suspeitas de terrorismo. Homens encapuzados, do Comando de Ações Táticas (COT) da PF, fizeram buscas no imóvel com a ajuda de um cão farejador, a partir das 8h. No apartamento, moram o advogado Marcelo Salahuddin Bulhões dos Santos, a mulher dele, de origem iraniana, e um filho de colo. Por volta das 10h, um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi chamado ao local para acompanhar as buscas. Ele foi acionado porque ali funciona também o escritório do advogado. Por lei, ações nesses locais têm de ser acompanhadas pela entidade.

Ao sair do local no início da tarde, o procurador Mauro Lustosa, da Comissão de Prerrogativas da OAB, explicou que os policiais tinham em mãos um mandado para apreensão de documentos. A suspeita, explicou, é de que o advogado guardava no local papeis falsos. Por volta das 14h, a equipe do COT deixou o imóvel com três malotes de documentos. O advogado foi intimado e terá de comparecer à PF para prestar depoimento. Ao Estado, agentes da PF explicaram que a legislação brasileira não tipifica o crime de terrorismo. Por isso, nas investigações que envolvem suspeitas desse tipo de prática, são apontados delitos previstos no Código Penal Brasileiro. Marcelo e a mulher moram no apartamento há cerca de um ano, segundo vizinhos. Os dois são da religião muçulmana. 

Em 2013, num documento enviado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem no Senado, o advogado denunciou supostos excessos de serviços secretos contra cidadãos de origem ou que professam a fé islâmica. “Há fortes indícios de que vários cidadãos brasileiros de origem árabe e/ou de confissão islâmica tenham sido objetos de investigação por parte de serviços de inteligência nacionais e estrangeiros, sendo que nem sempre haveria motivo plausível para tal”, escreveu, em setembro daquele ano, num ofício endereçado à senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

O advogado entregou um pacote de documentos à CPI, entre os quais relatórios de órgãos americanos sobre a atividade de cidadãos muçulmanos. No comunicado, ele se intitula ex-servidor da Polícia Federal e explica que em diversas ocasiões presenciou a “interferência” de serviços estrangeiros na atuação de órgãos do governo federal – no entanto, não deu exemplos. “Posso destacar o Departamento de Polícia Federal”, afirmou. O Estado não conseguiu contato com o advogado nesta sexta.

Alerta
Com a proximidade das Olimpíadas de 2016, o Brasil reforçou o alerta contra o terrorismo. Há um mês, o Estado revelou que dois órgãos de inteligência do governo elaboraram relatórios apontando tentativas de o Estado Islâmico cooptar brasileiros para sua causa.

Por Reinaldo Azevedo
 

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