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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

26/06/2014

às 21:54

Julio Lancelotti, aquele da Pajero, agora é líder da Pastoral dos Black Blocs. Vá pedir perdão por seus pecados, padre!

Vejam a foto deste rapaz, de Fábio Braga, da Folhapress.

Foto ditadura não

Ele padece de uma grave doença, que tem, sim, cura, mas dá trabalho: chama-se ignorância. Que idade terá? Vinte cinco? Perto de 30? O que sabe ele sobre ditadura? Absolutamente nada! A prova de que o país, definitivamente, não é o que ele diz ser é poder exibir esse cartaz, isso só para começo de conversa. Mas vá lá: poderíamos ter um regime autoritário que permitisse manifestações, como aconteceu na fase final do regime militar, no governo Figueiredo. Mas nem isso. A única ditadura realmente existente no Brasil hoje é a de minorias de bocós extremistas. Grupelhos, de 50, 100, 200 pessoas têm hoje a ambição de parar uma cidade.

Mas vamos lá: o que faz ele ali? O Tribunal de Justiça de São Paulo decretou nesta quinta a prisão preventiva de Rafael Marques Lusvarghi, 29, e de Fábio Hideki Harano, 26, detidos na segunda-feira durante um dos protestos contra a Copa. São acusados de cinco crimes: associação criminosa, incitação da violência, resistência à prisão, desacato à autoridade e porte de artefato explosivo. A decisão é do juiz Sandro Rafael Barbosa Pacheco, que está de parabéns por ter a coragem de cumprir a lei. Sim, chegamos ao estágio, no Brasil, em que precisamos parabenizar quem cumpre a sua função. Atenção! Um juiz não decreta uma prisão preventiva se os elementos apresentados pela polícia não forem bastante convincentes. Lusvarghi está no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, e Harano foi enviado ao presídio de Tremembé.

O ignorante sentado no asfalto participa de uma manifestação na Avenida Paulista contra a prisão da dupla, que reúne cerca de 300 pessoas em frente ao Masp. Eles querem sair em passeata pela cidade sem deixar claro quem lidera o ato e que trajeto pretendem cumprir. Estão cercados pela Polícia Militar. Sem essas definições, nada de passeata, afirma o tenente-coronel Marcelo Pignatari.

Adivinhem quem está lá. É um padre. Vocês se lembram daquele senhor que, certa feita, comprou um carro de luxo para um ex-menor da Febem, já homem feito? Sim, é aquele religioso muito pio que decidiu dar de presente, ninguém entendeu por quê — ou fez que não entendeu — uma “Pajero” para um rapagão e que denunciou, depois, que estaria sendo extorquido por ele. Sim, refiro-me a Julio Lancelotti, que é pároco da igreja São Miguel Arcanjo, na Mooca, bem longe dali. Ele não era da Pastoral do Menor? Da Pastoral da Criança? Da Pastoral do Povo de Rua?

O que está fazendo no protesto? Não há criancinhas ali. Não há menores ali. Não há povo de rua ali. Lancelloti está, por acaso, se reinventando como membro da Pastoral da Baderna de Rua? Da Pastoral dos Black Blocs? Vai ser agora babá de mascarados? Sobre a ação correta do tenente-coronel Pignatari, afirmou: “Ele disse que não vai deixar acontecer a passeata se não tiver um líder, e isso é um prenúncio de que a polícia pode ser violenta com os manifestantes. Eu pedi, em nome da Arquidiocese, para que eles não usem a violência nem prendam inocentes”.

É uma fala acintosa e desrespeitosa com a polícia. Se não houver depredações nem desrespeito à lei — que são atos violentos —, ninguém vai apanhar. Caso contrário, sim! Julio agora é juiz? É ele que determina a inocência? Como? Pediu em nome da Arquidiocese? Ele a está representando ali?

Vá rezar, padre Julio!

Vá cuidar dos pobres, padre Julio!

Vá cuidar dos necessitados, padre Julio!

Vá se penitenciar, padre Julio!

Vá pedir perdão a Deus por seus pecados, padre Julio!

Depois do escândalo da Pajero, padre Julio tinha saído um pouco do noticiário. Mas, agora, estamos em ano eleitoral. E ele sempre aparece nessas horas, agora na versão de líder da Pastoral dos Black Blocs.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 19:38

“Suárez me mordeu!!!”

Quase todo mundo já deve ter visto o vídeo original:

Sim, um gaiato fez uma releitura:


 

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 19:32

A agonia sem fim da Petrobras na mão dos companheiros – Novo contrato da empresa no pré-sal pode sair 50% mais caro

Na VEJA.com:
O desembolso antecipado da Petrobras para assegurar a exploração do óleo excedente em áreas do pré-sal pode ficar até 50% acima do valor divulgado de 15 bilhões de reais, já incluindo o bônus de assinatura. O pagamento pode superar os 22 bilhões de reais até 2018, ou até chegar a 22,5 bilhões se o preço do petróleo tipo Brent subir muito ou o dólar se valorizar mais, conforme cálculos da agência Reuters.

Na terça-feira, o governo federal divulgou como projeção de pagamentos pela Petrobras à União o valor de 15 bilhões de reais para explorar o óleo excedente de quatro áreas da cessão onerosa, no pré-sal. As premissas da cifra, segundo o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), são uma taxa fixa de câmbio de 2,20 reais por dólar e um preço fixo do barril do Brent de 105 dólares para os próximos três anos.

O cálculo da Reuters inclui uma estimativa de câmbio que chega a 2,60 reais por dólar em 2018, com base nas projeções do boletim Focus. No caso do Brent, foram usadas as projeções da Agência de Informações de Energia (AIE), do governo dos EUA, que em 2018 prevê o barril a 146 dólares no cenário mais altista. No cenário de preços baixos da AIE, com o Brent caindo abaixo de 69 dólares em 2018, a Petrobras seria beneficiada no novo acordo no pré-sal e faria um desembolso total de 12,1 bilhões de reais, incluindo bônus de assinatura e adiantamentos. Segundo resolução do CNPE publicada no Diário Oficial desta quinta-feira, o valor a ser repassado será calculado com base na cotação do petróleo Brent do mês imediatamente anterior à data do pagamento em moeda corrente, ou seja, de acordo com o câmbio da época. Dos 15 bilhões de reais previstos pela estatal, dois bilhões entrarão no caixa do Tesouro Nacional neste ano via bônus de assinatura (tipo de título). Os outros 13 bilhões entrarão entre 2015 e 2018.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, afirma que o cenário mais provável é de baixa nos preços internacionais do petróleo, devido a uma crescente oferta global. Mesmo assim, destaca que o novo contrato mantém as finanças da Petrobras atreladas a variáveis que a empresa não controla. “O governo está apostando que a produção de petróleo vai crescer, e que esse excedente vai financiar a companhia. Mas há uma dúvida sobre quanto a produção da Petrobras vai avançar”, disse.

A Petrobras foi escolhida para extrair, sem licitação e agora pelo regime de partilha, um volume estimado excedente de 10 a 15 bilhões de barris de quatro áreas de exploração do pré-sal da cessão onerosa. Investidores criticaram a decisão do CNPE pela pressão que o desembolso fará no caixa da Petrobras, que já enfrenta pesado endividamento. A estatal possui ainda, em paralelo, um ambicioso plano de investimentos. O mercado entendeu a ‘escolha’ como mais uma demonstração de intervenção governamental na companhia. Os detalhes do novo acordo no pré-sal entre a União e a Petrobras foram divulgados nesta quinta em resolução do CNPE publicada no Diário Oficial. O texto esclarece que o governo tem direito a pedir adiantamento de determinados volumes de petróleo entre 2015 e 2018, somando pouco mais de 61 milhões de barris.

Adiantamento
A exploração do volume excedente da cessão onerosa vai ocorrer dentro do modelo de partilha que, por lei, prevê que o governo receba uma parte do petróleo extraído, e não valores pré-fixados. Assim, a Petrobras pode adiantar ao governo valores calculados sob uma cotação de Brent diferente daquela que vai obter pelo petróleo quando o produto for efetivamente extraído e comercializado. As áreas da cessão onerosa, do contrato inicial, começam a produzir em 2016. Já o petróleo excedente, alvo do contrato desta semana, começará a ser produzido entre 2020 e 2021, segundo projeções do governo.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 19:13

Chato para a tropa da desqualificação: o conservador Pastor Everaldo fala coisa com coisa!

Pastor Everaldo: até agora, dizendo as coisas certas e, sem temer a patrulha politicamente conveniente

Pastor Everaldo: até agora, dizendo as coisas certas e sem temer a patrulha politicamente conveniente

Amplos setores da imprensa brasileira estão acostumados a tratar religiosos, especialmente evangélicos, como seres primitivos e folclóricos. A Lei 7.716 pune também o preconceito religioso, no mesmo artigo que trata de outras discriminações: de raça, cor e procedência nacional. Mas não é levado muito a sério por ninguém nesse particular. A afirmação nunca é frontal, mas são muitos os subterfúgios para sugerir que o crente — em especial o cristão, de qualquer denominação — é meio idiota, apatetado ou pilantra. A menos que se trate de um desses padres da “Escatologia da Libertação”. Se for desafiado por alguém, provo. Não é preciso ir muito longe: tentaram tirar Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos na marra. Não! Eu não concordava com suas teses. Deixei isso claro. E daí? Queriam defenestrá-lo, no entanto, com base em que lei, em que código? Não havia. Era só o cerco politicamente conveniente (que não chamo mais “correto” porque, de correto, nada tem). Afinal, se é para punir alguém de quem não gostam, que mal há em transgredir a lei não é mesmo?

Muito bem! Por que essa introdução? Porque esses mesmos setores estão quebrando a cara com o Pastor Everaldo, candidato do PSC à Presidência da República. É inteligente, articulado, fala coisa com coisa e não tem receio de parecer o que é: um conservador — no melhor sentido, até agora ao menos, que essa palavra possa ter. Conheço, deixo claro, pouco de sua trajetória. Prometo tentar saber mais. Falo sobre o que leio e ouço do credo político que tem externado. Está tudo no lugar. Nos EUA, só para ter uma referência, integraria alguma ala moderada do Partido Republicano. Por aqui, ainda é tratado com certa suspicácia. Sabem como é… O homem é um cristão!!! E isso pode ser muito perigoso, né? Quando veio à luz o escândalo Luiz Moura, o deputado estadual petista que se reuniu com membros do PCC, fui ler as reportagens que haviam saído sobre ele quando apenas candidato. Foi tratado como um exemplo de recuperação! De um cristão, no entanto, convém suspeitar sempre, certo? Se um adepto do consumo de drogas se candidata, isso enriquece a democracia. Se é um pastor, há quem veja nisso grande perigo.

Everaldo esteve nesta quinta em Salvador, na convenção do PSC que oficializou o apoio à candidatura de Paulo Souto (DEM) ao governo da Bahia. Segundo informa Aguirre Talento, na Folha, afirmou:
“Defendemos a vida do ser humano desde a sua concepção, defendemos a família como está na Constituição brasileira, sem discriminar ninguém. A pessoa mais democrática e liberal é Deus, que deu livre arbítrio para o homem fazer o que bem entende de sua vida. Não é o Estado que vai dizer como vai o cidadão se comportar”.

É um repúdio ao aborto — e, em todo o mundo democrático, há partidos plenamente integrados à democracia, é evidente, que têm essa pauta (só no Brasil é que se tenta criminalizar moralmente essa escolha). Deixa claro que defende a manutenção da família nos termos da Constituição, formada por homem, mulher e filhos. Mas condena discriminações ao, com acerto, afirmar que não cabe ao estado definir certos comportamentos e escolhas. Notem: um partido tem o direito de ter uma opinião sobre o que deve ser a família legalmente constituída. Tal tese, de resto, no que concerne ao estado brasileiro (e contra a Constituição), está vencida. Mas só os autoritários, fascistoides mesmo, ambicionariam impedir a expressão de uma opinião.

Gosto da coragem que tem  Everaldo de dizer coisas nas quais acredita, sem ligar para a patrulha: “Graças a Deus, estamos numa democracia, e vou repetir sempre isto; aqui não é Cuba nem Venezuela”. Na mosca! Fez, mais uma vez, uma defesa de um estado enxuto, com redirecionamento dos gastos públicos para saúde, educação e segurança pública. Está certo! No programa nacional do partido, no horário político gratuito, enfrentou a “doxa” e mandou ver: defendeu a privatização de estatais. É capaz de falar com propriedade sobre esses assuntos.

Sem máquina, sem governos de estado, dirigente de um partido pequeno, sem aparecer na televisão, sem ter a simpatia de jornalistas (muito pelo contrário), Everaldo surge com 3% ou 4% nas pesquisas de intenção de voto. E pode, escrevo de novo aqui, fazer diferença num segundo turno. Os petistas acompanham com temor a sua candidatura por motivos óbvios.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 16:55

Turma de Evo faz o relógio girar para a esquerda, e a Bolívia vira a Noruega, e a Noruega, a Bolívia. Ou: O bolivarianismo e o ressurgimento do rabo

Parece piada, coisa de maluco, de gente que sai mordendo os outros por aí… É bem verdade que eu jamais aceitaria ficar numa sala fechada com Evo Morales, presidente da Bolívia. Perto da janela, num edifício, então, nem pensar…

Atenção, a cúpula da Assembleia Plurinacional da Bolívia, em La Paz, exibe um novo relógio, informa o lanacion.com: os ponteiros giram para a esquerda, em sentido anti-horário, não para a direita, o que implicou, é evidente, a inversão dos números. Vejam.

relógio bolívia

O deputado Marcelo Elío, um dos bolivarianos da turma de Morales, explica o motivo: “Mudar os polos, de modo que o Sul esteja ao Norte, e o Norte, ao Sul”. Ah, bom. Eu achei que fosse apenas maluquice esquerdopata. Agora vejo que se trata de… maluquice esquerdopata.

David Choquehuanca, ministro das Relações Exteriores da Bolívia, explicou ao Congresso Boliviano: “Estamos no Sul e estamos em tempos de recuperar nossa identidade. O governo boliviano está recuperando nosso ‘Sarawi’. E, de acordo com nosso ‘Sarawi”, que significa caminho; de acordo com nosso ‘Ñan’, em quéchua, nossos relógios deveriam girar para a esquerda”.

Não entendeu nada, leitor amigo? “Sarawi” e “Ñan” querem dizer “caminho”; uma palavra em aimará e a outra em quéchua, línguas indígenas.

Então tá.

O próximo passo será, agora, mudar uma das “Orações do Rosário” para os bolivianos que insistirem em permanecer católicos, em vez de cultuar Pachamama. Refiro-me ao “Credo”, também conhecido como “Creio em Deus Pai”. Há lá uma passagem inaceitável. Reproduzo a íntegra, com destaque:
“Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do Céu e da terra. E em Jesus Cristo seu único Filho, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.”

Não dá! Ficará assim: “está sentado à esquerda de Deus Pai todo-poderoso”. No Brasil, essa oração será submetida ao Decreto 8.243, de Dilma, a bolivariana. E ficará assim: “está sentado à esquerda (claro!) de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos os mortos, depois de ouvir os conselhos populares da Terra e do Céu”.

Chega! Como já perguntaria o grupo Monty Python, na melhor cena de humor que conheço, o que foi que a cultura ocidental nos deu? Saneamento? Estradas? Medicina? Saúde? Irrigação? Educação? Por Pachamama (imagem abaixo)! Isso não vale nada quando cotejado com a identidade cultural pré-colombiana, né?

Pachamama

Evo Morales inverteu o relógio, e tudo foi para o devido lugar. Agora, a Noruega fica na Bolívia, e a Bolívia, na Noruega.

Como está em curso um certo reflorestamento na América Latina, gente, fiquemos tranquilos: haverá muito cipó para os pósteros… Mais umas cinco gerações nessa toada, e aquela certa protuberância do cóccix revelará a sua real natureza. Nossos descendentes terão uma vistosa cauda. Hugo Chávez será reverenciado como Deus, e  Evo como santo. E Lula? Será um homem santo, mas profeta de segunda grandeza.

Por Pachamama!

 

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 16:02

Suárez merece uma focinheira; como não dá, que seja a suspensão!

Só para registro. Luis Suárez, atacante da Seleção Uruguaia, está fora da Copa do Mundo. A Fifa o puniu com nove jogos de suspensão pela mordida dada no ombro do zagueiro italiano Giorgio Chiellini, na vitória do Uruguai sobre a Itália, em Natal, na última terça. Ele também está suspenso de qualquer atividade profissional por quatro meses. É pouco! É a terceira vez que esse debiloide se comporta dessa maneira. Deveria ser banido do futebol e, quem sabe?, atado a uma coleira com focinheira.

Que é que há? Em que outra atividade profissional um comportamento desse mereceria pena tão branda? Nem dentista tem direito de morder os outros, não é mesmo? “Ah, mas é futebol…” E daí? Alguma compatibilidade específica com comportamentos delinquentes? Ademais, o sujeito é cínico: meteu os dentões no outro e, em seguida, levou a mão à boca, como se tivesse se machucado.

Se não é mau-caráter, é maluco, hipótese em que tem de se afastar dos campos também.

Suárez virou uma peça de bom humor, informa o Portal G1:
“A orla da Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, ganhou um atrativo turístico inusitado nesta Copa. Um painel publicitário com campanha de uma marca alemã de material esportivo traz o atacante uruguaio Luis Suárez de boca aberta e dentes à mostra. Nesta quinta-feira (26), turistas das mais variadas nacionalidades não hesitaram em posar para foto simulando levar uma mordida do jogador”.
(…)

Veja algumas fotos. As duas primeiras são de autoria de Gabriel Barreira; as outras, de Daniel Silveira, do G1. Volto depois.

Mordida 1

mordida 4mordida 5Mordida 2mordida 3

Retomo
Atribui-se a João Saldanha a afirmação de que escolhia os atletas para jogar no seu time, não para casar com a sua filha. O sentido é óbvio: o cara pode não render um bom genro, mas pode ser um grande craque. Faz sentido. Quem gostaria de ser sogro de um Garrincha? Quem não gostaria de ser técnico do Garrincha? Jogador não tem de ser um manual de atitudes politicamente corretas, com fama de chique, lindo, louro, rico, cheiroso (segundo Ronaldo, o Fenômeno), bom pai, bom marido, amigo dos índios, dos pobres, metrossexual e modelo de cueca… Refiro-me, claro!, a David Beckham. Mas sair dando dentadas por aí? Suárez que vá se tratar, pô! De resto, é um irresponsável. Quem mais sai perdendo com o seu destrambelhamento é a Seleção do Uruguai.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 15:06

Decisão de Barroso sobre não petistas é vergonhosa, preconceituosa e escandalosa. Que se declare logo que os petistas estão acima da lei. Seria mais honesto intelectualmente

Roberto Barroso: um homem de olhar penetrante e juízos heterodoxos

Roberto Barroso: um homem de olhar penetrante e juízos heterodoxos

Se Romeu Queiroz e Rogério Tolentino quiserem trabalhar fora, vão ter de fazer como José Dirceu e Delúbio Soares: inventar um emprego para enganar a Corte. Aí o ministro Barroso topa. O ministro, que já confessou curtir Taiguara e Ana Carolina, certamente conhece Cazuza… Deve cantarolar por aí: “Mentiras sinceras me interessam/ me interessam…”. Até lamento associar um roquinho bacana da década de 80 a Barroso, que vem de décadas muito anteriores, do tempo em que o direito servia mais a um pensamento, a uma ideologia, do que ao império do texto legal.

Então vamos ver: com base na decisão tomada ontem por expressiva maioria do Supremo — 9 a 1 —, ele liberou para o trabalho externo também Delúbio Soares, aquele que sabidamente gozava de privilégios na cadeia, o que está fartamente demonstrado, desrespeitando um dos requisitos para o trabalho externo, que é justamente o bom comportamento do “apenado”, como diria o ministro, que gosta de rasgos poéticos.

Certo! Mas Romeu Queiroz e Rogério Tolentino, ah, esses não! O primeiro queria trabalhar na própria empresa e contratar o outro. É esquisito? É, sim. Mas é muito mais esquisito do que Delúbio trabalhar na CUT??? Ora, tenham a santa paciência! Na central, Delúbo é chefe, com direto a motorista particular e tudo. Ocupa-se lá exatamente do quê? Quem tem condições de vigiar as suas tarefas? Está fazendo na central o que sempre fez: política. E Dirceu como contínuo interno de um advogado estrelado, ganhando R$ 2,1 mil por mês — o que, dados os seus padrões, digamos, de consumo social não serve nem para cobrir a cova do dente. Desculpo-me por usar uma metáfora pré-programa Brasil Sorridente… Hoje, como a gente sabe, não há mais desdentados no Brasil, certo? Sumiram por um decreto político do PT.

É interessante a forma, digamos, combativa como Barroso entende as leis. Por alguma razão, desde a raiz do seu raciocínio, os petistas acabam sempre beneficiados. “Ah, e no caso de Genoino?” Bem, no caso de Genoino, ele sabia que iria perder e não quis agasalhar a derrota. Afinal, depois do escândalo protagonizado pelo advogado Luiz Fernando Pacheco, não havia chance de o pleito ser aprovado. Mas não se esqueçam de que, mais uma vez, Barroso transformou Genoino num herói. Com a negativa para o trabalho externo de Queiroz e Tolentino, o ministro só demonstra preconceito contra a inciativa privada.

Em suma, às respectivas defesas desses dois não petistas, só resta apelar mais uma vez, inventando, desta feita, um trabalho externo à moda Delúbio e Dirceu. Se o tribunal tivesse negado o pleito dos petistas, a esta altura, a crônica política livre como um táxi estaria escandalizada. Pelos outros dois, não se vai derramar um miserável adjetivo. Ou vocês viram alguém com peninha de Roberto Jefferson, por exemplo? Ao contrário: fez-se blague de suas restrições alimentares. Ninguém liga para a suas entranhas. Já o sistema circulatório do ex-presidente do PT parece assunto de segurança nacional.

Por que os petistas não propõem logo uma emenda constitucional deixando claro que os membros do partido não são pessoas comuns, como as outras, como nós? E olhem que haverá juízes, também fora do Supremo, que iriam concordar, não é? Jamais me esquecerei de um manifesto da tal Associação Juízes para a Democracia, que escreveu para escândalo da história:
“Não é verdade que ninguém está acima da lei, como afirmam os legalistas e pseudodemocratas: estão, sim, acima da lei, todas as pessoas que vivem no cimo preponderante das normas e princípios constitucionais e que, por isso, rompendo com o estereótipo da alienação, e alimentados de esperança, insistem em colocar o seu ousio e a sua juventude a serviço da alteridade, da democracia e do império dos direitos fundamentais”.

Ora, os petistas, como sabemos, sempre estão lutando por direitos, não é mesmo? Que sejam declarados logo homens acima da lei. E ponto e basta!

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 13:54

Barroso autoriza trabalho de Delúbio e nega pedido de Queiroz e Tolentino

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, novo relator da execução das penas do julgamento do mensalão, autorizou o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares a trabalhar fora do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde cumpre pena de seis anos e oito meses por corrupção. Delúbio voltará a trabalhar como assessor sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT), com salário de 4.500 mensais. Em outra decisão, Barroso vetou pedido do ex-deputado Romeu Queiroz para trabalhar em sua própria empresa em Minas Gerais. E também não deu autorização a Rogério Tolentino, que trabalharia com Queiroz.

A decisão foi tomada pelo ministro na noite desta quarta-feira, após a sessão do Supremo que deliberou sobre recurso similar do ex-ministro José Dirceu para trabalho externo. Na sessão, Barroso havia comunicado o plenário que decidiria monocraticamente sobre os demais recursos, com base no entendimento majoritário formado na corte. Os ministros decidiram ontem manter a jurisprudência vigente em outras instâncias do Judiciário, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que liberava os presos para trabalho independentemente do cumprimento de um sexto da pena, conforme determina a legislação penal. ”A negação do trabalho externo para reintroduzir a exigência do cumprimento de um sexto da pena é drástica alteração de jurisprudência e vai de encontro ao estado do sistema carcerário”, afirmou Barroso.

Mordomias
Delúbio foi um dos primeiros mensaleiros a conseguir a liberação da Vara de Execuções Penais (VEP) para trabalhar durante o dia e, por isso, foi realocado para o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), em Brasília. Porém, após a descoberta que o mensaleiro tinha conseguido muito mais do que o benefício autorizado pela Justiça, com mordomias que nenhum outro interno tinha, a VEP decidiu mandá-lo de volta para a Papuda.

A lista de regalias de Delúbio incluía o direito a um cardápio diferenciado, com feijoada aos sábados, visitas fora do horário, e o direito de o carro da CUT estacionar no pátio do CPP para buscá-lo diariamente. Quando a carteira do petista desapareceu dentro do presídio, os agentes impediram os presos de deixarem a cela até que o objeto fosse encontrado.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 7:12

LEIAM ABAIXO

Lula agora muda a versão e diz que Reinaldo Azevedo e outros oito não são os culpados pelas vaias e xingamentos a Dilma. O que dirão Trajano e suas melancias às avessas da ESPN, a “emissora estadunidense”?;
Tiro pela culatra – Petrobras perde R$ 13 bilhões na Bolsa depois de acordos sobre área do pré-sal;
Dirceu vai poder sair da cadeia para trabalhar durante o dia;
Piada! O petista Gabrielli afirma, acreditem, que a Petrobras pagou pouco por refinaria de Pasadena! O que é que disseram os belgas mesmo???;
As decisões do Supremo: Barroso vota certo no caso de Genoino e pensa errado em qualquer caso. Com a devida vênia, é um papelão!;
O golpe no PP: A velha Arena adere aos métodos da velha VAR-Palmares! Como diria Ciro Gomes, “que nojo!”;
Não falta caráter a certa crônica política; é coisa de mau-caratismo mesmo! Ou: E as alianças de Dilma? São, por acaso, definidas pela ideologia?;
Dilma cede e demite ministro para ter o PR na aliança;
— A MORTE DO PT – Segunda parte. Ou: Para não repetir a agonia da ditadura;
— Sob a presidência de Lewandowski e com relatoria de Barroso, STF deve dar hoje autorização para que mensaleiros trabalhem fora da cadeia;
— Em ano eleitoral, Dilma dá novas áreas à Petrobras sem fazer licitação;
— O “inferno astral” de Dilma às vésperas da campanha;
— Boulos sitia a Câmara e é recebido por Alckmin. Está tudo errado!;
— Vandalismo – É… Quem vê perna peluda não vê coração…;
— Um manifesto contra a legalização das drogas no Brasil; se concordar, assine

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 5:17

Lula agora muda a versão e diz que Reinaldo Azevedo e outros oito não são os culpados pelas vaias e xingamentos a Dilma. O que dirão Trajano e seus melancias às avessas da ESPN, a “emissora estadunidense”?

Ai, ai… José Trajano, aquele senhor da ESPN que comanda os melancias às avessas — vermelhos por fora e verdinhos por dentro —, cuja existência descobri quando me atacou — e a mais três — de maneira vergonhosa, vai ficar chateado. Eles estavam convictos por lá, na emissora “estadunidense” (que é como devem falar esquerdistas autênticos como eles, certo?), que as vaias e os xingamentos a Dilma eram coisa dos leitores de Reinaldo Azevedo, entre outros. Coisa, como vituperaram por lá, da “elite branca de São Paulo”. Até cheguei a procurar por esses dias se a ESPN já havia emitido um comunicado renunciando a todos os seus assinantes da “elite branca de São Paulo”. Até agora, nada! Parece que se acovardaram. Eu entendo quando esquerdistas “autênticos” ficam de olho no caixa do Grupo Disney — e no Ibope. Até onde sei, parece que as acusações caíram como uma bomba na audiência. Que peninha! A do meu blog subiu pra caramba! Já bati o recorde antes de o mês acabar. Obrigado, Trajano e melancias às avessas amestradas! Bate que eu cresço! Adiante.

Quem também se acovardou foi Lula. Ora, ora, ora… Tão logo a tese da elite branca surgiu naquela “emissora estadunidense”, o Apedeuta saiu a repeti-la pelos cotovelos. Seria tudo coisa de reacionários. O jornalismo áulico reproduziu a patacoada segundo a qual as vaias e os xingamentos tinham sido uma beleza para Dilma. Na minha coluna na Folha de sexta-feira, tirei o sarro dessa mentira. Escrevi lá: “É evidente que o lado positivo da vaia é cascata. Essa versão é obra de ‘spin doctors’, cujo trabalho só é efetivo quando conta com a opinião abalizada de ‘especialistas’ e com a sujeição voluntária ou involuntária da imprensa”.

O primeiro a perceber a armadilha foi Gilberto Carvalho, que correu para negar a tese da elite branca. Pesquisas do Palácio do Planalto apontam que, ao contrário da versão que tentaram emplacar, o evento tinha sido ruim para a presidente, e a versão  tornava tudo pior.

Em entrevista nesta quarta ao “Jornal do SBT”, o ex-presidente mudou o tom — e sem combinar nada com Trajano, santo Deus! Agora ele afirma que “o governo, possivelmente, tem culpa” por não ter “cuidado com carinho” das insatisfações da população. Ah, bom!!! Com aquela sua inclinação natural para o pensamento de cunho filosófico, afirmou: “Eu digo sempre que a vaia e o aplauso é só começar que acontecem. Agora, aqueles palavrões me cheirou a coisa organizada, o preconceito, a raiva demonstrada. Possivelmente a gente tenha culpa. Vou repetir: que a gente tenha culpa de não ter cuidado disso com carinho”.

A fala é ainda um tanto confusa, e não se pode esperar nada melhor do que isso. Ou bem os palavrões “são coisa organizada” ou bem “o governo tem culpa”. De qualquer modo, trata-se de uma mudança de tom. Quem também foi desautorizado é o sr. Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, segundo quem os xingamentos eram consequência da pregação de pessoas como “Reinaldo Azevedo (este criado que escreve), Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Lobão, Demétrio Magnoli, Danilo Gentili, Guilherme Fiuza, Marcelo Madureira e Arnaldo Jabor.”

Não deixa de ser divertido. Os petistas não perceberam que algo está mudando no país e que a eterna guerra promovida pelo PT do “nós”, que são eles, contra “eles”, que somos nós, não funciona mais. O petismo botocudo achou que poderia usar o episódio do Itaquerão para promover um arranca-rabo de classes e, se necessário, até um conflito racial, opondo branco a negros, ricos a pobres, paulistas ao resto do país.

Deu-se mal. O tiro saiu pela culatra. Os que embarcaram nessa canoa furada colheram o óbvio: a embarcação virou porque fez água. A versão de que a vaia era coisa da “elite branca” tornou pior para Dilma o que já estava ruim.

Eu bem que adverti aqui, como sabem, que não foi promovendo a guerra de todos contra todos que o PT chegou ao poder em 2003. Ao contrário: aquela linguagem beligerante era coisa do tempo em que o partido só perdia eleições. Lula está tentando consertar o estrago que ele próprio fez com a ajuda do jornalismo idiota ou comprado. 

De vítima, a gente sente pena, mas não lhe dá voto. Lula só foi eleito quando parou de posar de coitado e deixou que toda a sua autoestima, que é gigantesca, viesse à flor da pele, não é mesmo? O PT aprendeu a lição. E o jornalismo?

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 5:07

Tiro pela culatra – Petrobras perde R$ 13 bilhões na Bolsa depois de acordos sobre área do pré-sal

Por Fernanda Nunes e Karin Sato, no Estadão:
Os R$ 15 bilhões em bônus e antecipações, a serem pagos pela Petrobrás à União por quatro áreas do pré-sal da Bacia de Santos, são pouco perto dos investimentos para explorar o petróleo. A petroleira deverá gastar de US$ 245 bilhões a US$ 380 bilhões na instalação de plataformas e infraestrutura de escoamento da produção, segundo cálculo do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

O CBIE utilizou como base a estimativa de gasto de US$ 200 bilhões para o campo de Libra, também no pré-sal, licitado em 2013. A avaliação do mercado um dia após o anúncio da contratação direta é de que o projeto exigirá muito mais do caixa da empresa, o que contribuiu para desvalorizá-la.

A perspectiva de que os gastos da estatal vão crescer nos próximos anos e de que faltam fontes de recursos continuou incomodando o mercado nesta quarta-feira, 25, com quedas nas cotações. As ações ordinárias (com direito a voto) caíram 3,34% e as preferenciais, 1,98%. Em dois dias, o valor de mercado (multiplicação do total das ações pela cotação final do pregão) da Petrobrás recuou R$ 13,25 bilhões, para R$ 217,65 bilhões.

Confirmado, o investimento em plataformas e infraestrutura corresponderá a US$ 35 bilhões em cinco anos, no mínimo, ou a um adicional na área de Exploração e Produção da Petrobrás de 22%, considerando os US$ 153,9 bilhões previstos para a área no Plano de Negócios da companhia, relativo ao período de 2014 a 2018.

As condições geológicas e técnicas das áreas são parecidas, o que permite comparar as áreas envolvidas na contratação direta – Búzios, Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi – e Libra, disse Adriano Pires, diretor do CBIE. A diferença está na dimensão das reservas. Em Libra, são 8 bilhões de barris de óleo equivalente (boe, que inclui gás natural) e nas quatro áreas variam de 9,8 bilhões a 15,2 bilhões.

“É claro que se trata de um número aproximado, porque pode ser que a Petrobrás realmente consiga reduzir de alguma forma o custo por aproveitar infraestruturas já existentes, como mencionou a presidente da estatal, Graça Foster. Mas o investimento por barril não fugirá muito daquele de Libra”, disse Pires. Na área licitada ano passado, cada 1 bilhão de boe deve custar US$ 25 bilhões à Petrobrás e aos seus sócios.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2014

às 1:35

Dirceu vai poder sair da cadeia para trabalhar durante o dia

escrevi sobre a decisão no Supremo no que diz respeito a José Genoino, que terá de esperar mais dois meses para que possa ir para a prisão domiciliar. Roberto Barroso, vejam lá, deu seu show particular.

O tribunal também julgava nesta quarta o recurso de quatro mensaleiros que estão em regime semiaberto e que pedem para trabalhar fora da prisão: José Dirceu, Romeu Queiroz, Rogério Tolentino e Delúbio Soares. Houve tempo de julgar apenas o de Dirceu — mas é claro que isso antecipa a decisão sobre os demais.

Por nove votos a um — só Celso de Mello se opôs —, prevaleceu o voto de Barroso, o relator, que tomou como padrão o que faz habitualmente o STJ, que não tem observado o que dispõe o Artigo 37 da Lei de Execução Penal e concede a licença para o trabalho externo antes do cumprimento de um sexto da pena.

A última oferta para Dirceu era trabalhar no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi, em Brasília, com salário de R$ 2,1 mil mensais. Já escrevi a respeito: a Justiça tem tido seus motivos — que eu não endossaria, deixo claro — para não seguir a letra estrita da lei. De todo modo, não acho que se tenha cometido alguma barbaridade.

Bárbaras, isto sim, e não vou repetir argumentos, foram as considerações de Barroso. Sei não… Mais um mandato do PT, e o Supremo Tribunal Federal pode tomar um rumo bastante perigoso.

 

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2014

às 20:24

Piada! O petista Gabrielli afirma, acreditem, que a Petrobras pagou pouco por refinaria de Pasadena! O que é que disseram os belgas mesmo???

Hoje é o dia… E se a gente pedisse desculpas a José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras? O que vocês acham? Mais do que isso: a gente poderia dar a ele uma medalha de Honra ao Mérito. O valente prestou depoimento nesta quarta à CPI Mista da Petrobras. Afirmou, e nem poderia ser diferente, que nada houve de errado com a compra da refinaria de Pasadena. Até aí, vá lá. Não poderia dizer o contrário. Mas ele foi adiante: disse, vejam que espetáculo, que a Petrobras pagou pouco pela refinaria. Ah, bom! Gabrielli está convicto de que a empresa brasileira passou a perna nos belgas e fez um negocião. Parece brincadeira, mas ele tentava parecer sério.

Com a arrogância costumeira, atacou o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR): “O senhor tem o direito de fazer o espetáculo que está fazendo”. Embora a CPI Mista não se equipare àquela piada que é a comissão do Senado, ainda assim, é composta por uma maioria de governistas, que estão lá, com raras exceções, para aplaudir gente como Gabrielli. A seriedade deste senhor veio a público, com clareza insofismável, na campanha de 2010, quando afirmou, na condição de presidente da Petrobras, que FHC havia tentado privatizar a empresa. É mentira! Isso nunca aconteceu.

A tese de que Pasadena foi baratinha é nova e espantosa. Não é o que os próprios belgas disseram, né? No balanço que está no site da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, a CNP, que comanda o grupo Astra Transcor, dona, então, da refinaria de Pasadena,  afirma que a operação com a Petrobras foi um sucesso “além de qualquer expectativa razoável”, conforme revelou reportagem do Jornal Nacional.

Pasadena balando 2005 sucesso

No balanço de 2006, ano em que a Petrobras efetivamente pagou por metade da refinaria, a Astra teve um lucro recorde. Nesse mesmo balanço, a CNP já fala da cláusula “put option” e da possibilidade de impor à Petrobras a compra da outra metade.

Pasadena cláusula

Vai ver os belgas são muito burros, e José Sérgio Gabrielli, muito inteligente, né? Vai ver comprador e vendedor acharam que aplicaram um belo truque no outro. Considerando o prejuízo que a Petrobras teve de entubar, adivinhem que estava certo.

O respeitado jornal de economia e política belga “L’Echo” noticiou a operação. Destacou que a Petrobras fez um péssimo negócio, “calamitoso”.

Pasadena calamitosa

Chamou os ganhos do grupo belga de “golpe de mestre mantido em segredo”.

Pasadena - jornal - golpe

O dono do conglomerado CNP é o bilionário Albert Frère. O “L’Echo” tira um sarrinho do Brasil, dizendo que o país foi o “grande irmão” de Albert. É um trocadilho: “frère” quer dizer “irmão”, em francês…

Mas, claro!, devemos acreditar em Gabrielli: foi um negocião!

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2014

às 18:58

As decisões do Supremo: Barroso vota certo no caso de Genoino e pensa errado em qualquer caso. Com a devida vênia, é um papelão!

Por oito votos, os ministros do STF negaram o pedido de prisão domiciliar para José Genoino. Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski foram os dois divergentes. Joaquim Barbosa se declarou impedido. Que fique claro: o petista está preso em regime semiaberto com o concurso da avaliação técnica de duas juntas médicas. Assim, a decisão dos ministros se fundamenta em critérios absolutamente objetivos. De todo modo, o ex-presidente do PT poderia até ter  emplacado o pedido. Depois, no entanto, do absurdo protagonizado por seu advogado, Luiz Fernando Pacheco, as chances de o petista ver mudado o regime de prisão caíram drasticamente. Se bem se lembram, Pacheco teve de ser retirado à força do STF, meio fora de si, vituperando contra Joaquim Barbosa. O advogado carrega esta honra consigo: nunca havia acontecido nada parecido no tribunal. Ainda que alguns ministros se inclinassem em favor do pedido, ceder pareceria um agravo ao próprio Supremo. De resto, insista-se: os médicos sustentam que Genoino pode enfrentar as condições muito amenas do regime semiaberto do Complexo da Papuda.

O ministro Roberto Barroso, o novo relator do mensalão, voltou ao papelão já protagonizado antes. Embora tenha votado contra a pretensão de Genoino, ficou a um passo de lhe pedir desculpas, destacando que a sua condenação não destrói a sua condição de, acreditem!, “símbolo de valores igualitários e republicanos”. U-la-lá! Temos um símbolo do republicanismo e do igualitarismo que está na cadeia porque cometeu crimes no comando do maior partido do país, que estava — e está — no poder. Não é a primeira vez que este senhor vem com essa patacoada. Parece que o Brasil deveria pedir desculpas a Genoino por ter leis — muito brandas, diga-se, e mal aplicadas — que mandam para a cadeia gente que assina falsos empréstimos e que participa de, como direi?, ações para comprar consciências no Congresso — sem contar que parte da grana do mensalão era pública.

Barroso aproveitou para lembrar que, em dois meses, Genoino sai do semiaberto para o aberto — quando o preso é obrigado a apenas dormir numa casa de albergado. Sem que a questão nem mesmo estivesse em votação, já antecipou que defenderá que passe para a prisão domiciliar.

Neste momento, está em votação o pedido de quatro presos em regime semiaberto — José Dirceu, Delúbio Soares, Romeu Queiroz e Rogério Tolentino — para trabalhar fora do presídio. Cita decisões de vários tribunais que dispensam o cumprimento de um sexto da pena, conforme exige o Artigo 37 da Lei de Execução Penal. Certamente será favorável, e essa deve ser a opinião da maioria da Corte.

Não tem jeito! Vai ver o meu signo não bate com o de Barroso. Está claro que ele adoraria ser ministro do Supremo da Suécia. Diz o valente: “A interpretação do direito não pode ignorar a realidade, como se estivéssemos na Suécia, que, para nos matar de inveja, vem de fechar alguns presídios por falta de população carcerária. O Estado, juízes e tribunais devem prestigiar entendimento razoáveis que não sobrecarreguem ainda mais o sistema e nem imponham aos apenados situações mais gravosas”.

É uma fala perigosa. Levada ao pé da letra, os juízes passarão a tomar decisões segundo a sua particular leitura da realidade, não segundo a lei. Sempre que forem condenar alguém, devem se lembrar de que, na Suécia, a pena seria justa, mas aqui não! Dadas as condições dos presídios no Brasil, então o melhor mesmo é deixar a bandidagem solta. Salvo melhor juízo, a esmagadora maioria dos brasileiros é decente, não pratica crimes, mas terá de conviver com quem pratica para não chocar a consciência chique e politicamente conveniente, que nada tem de correta, de Barroso. É o fim da picada!

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2014

às 16:28

O golpe no PP: A velha Arena adere aos métodos da velha VAR-Palmares! Como diria Ciro Gomes, “que nojo!”

Huuummm… Daqui a pouco haverá gente elogiando a sagacidade da presidente Dilma — serão as mesmas penas que atacaram o PTB por ter deixado o governo. E por quê? Porque o Planalto se meteu numa conspirata com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, do Piauí. E em que consistiu a operação?

Ora, o PP, descendente direto da Arena, o partido que apoiou a ditadura militar, aderiu aos métodos de decisão que vigoravam na VAR-Palmares, um dos grupos terroristas a que pertenceu Dilma: o centralismo democrático. Em “esquerdês”, o que quer dizer “centralismo democrático”? É o poder que detém o comando do partido para tomar decisões terminativas, sem espaço para contestação e sem consultar ninguém. Lênin o adotou como um dos pilares do comunismo revolucionário. Qual é a base, digamos, teórica e moral desse método? É simples: o “partido” (no caso, o comunista) representa o povo. Se representa, seus dirigentes são a encarnação máxima desse povo, certo? Logo, quando o comando decide, é como se o povo decidisse. Ainda que dê a impressão do contrário, é o método que vigora também no PT. Adiante.

O PP está rachado. Se o apoio a Dilma fosse posto em debate, seções importantes do partido resistiriam; tenderiam a dizer “não”. Boa parte, com chance de ser a maioria, queria a neutralidade. O que fez, então, o ínclito Ciro Nogueira? Pôs em votação uma resolução que conferiu à Executiva Nacional o direito de tomar a decisão, sem consultar mais ninguém. Deixou lá os convencionais com cara de bobos. É o que se chama “golpe”. E o comando decidiu apoiar Dilma e pronto!

Que coisa espetacular! Diga-se em favor dos comunas que todos os membros do partido concordavam com o centralismo democrático. No caso do PP, não! A reação foi de revolta. Ângela Amin, vice-presidente da legenda, nem foi consultada. Disse que vai recorrer à Justiça contra a convenção, contando com o apoio da senadora Ana Amélia, hoje favorita na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul. Também o atual governador de Minas, Alberto Pinto Coelho, foi feito de bobo. Ele é um dos que defendem a neutralidade, a exemplo do presidente de honra da sigla, senador Francisco Dornelles (RJ) — na verdade, ele queria o apoio a Aécio, mas achava que um partido neutro contemplaria a maioria.

Quem entregou o jogo foi o ministro das Cidades, Gilberto Occhi. “Houve um almoço com a presidente em que o PP confirmou o seu apoio”. Entenda-se por PP a direção do partido, a mesma que deu o golpe. Ora, se prometeu, tem de entregar, né? E o ministro tentou filosofar: “Divergências acontecem em todos os partidos, é fruto da democracia no país”. Na sua concepção de democracia, quem é contra não tem direito nem a voz nem a voto. Finalmente, a VAR-Palmares impôs seus métodos à Arena.

Como diria o pensador Ciro Gomes, “que nojo!”. E que fique claro, para arrematar: é evidente que aqueles que não querem apoiar Dilma não vão apoiar Dilma. E ponto! O que Nogueira negociou com  o PT, sabe-se lá em quais termos, foi um minuto e pouco no horário eleitoral gratuito. 

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2014

às 15:52

Não falta caráter a certa crônica política; é coisa de mau-caratismo mesmo! Ou: E as alianças de Dilma? São, por acaso, definidas pela ideologia?

Ah, que coisa bonitinha! Que coisa encantadora! De súbito, percebo uma estridência moralista, inclusive em certa crônica política, com o fato de o PTB ter deixado a base do governo Dilma e decidido apoiar a candidatura de Aécio Neves, do PSDB, à Presidência. Notem que falo em “crônica política”, não em análise. A crônica, mesmo quando boa — e não é o caso desta de que falo, pode ser ligeira, atendo-se, digamos, a aspectos epiteliais da realidade; um cronista pode falar, assim, dessas “coisas de pele”, que não requerem o concurso do cérebro.

“Oh, o PTB não está indo para o lado de Aécio por ideologia”, escreve um. “É falta de caráter”, diz um outro. É mesmo? O PP vai apoiar a presidente Dilma. É por ideologia? O tal PROS, que nem existe (é uma invenção do Planalto), vai apoiar a presidente Dilma. É por ideologia? Calma! Vamos direito ao ponto: o PMDB, oficialmente, vai apoiar a presidente Dilma. É por ideologia? E o PR? Por pressão do partido, Dilma acaba de tirar o ministro César Borges da pasta, deslocando-o para a Secretaria dos Portos. Volta ao cargo Paulo Sérgio Passos. Alô, cronistas! Por que aquela plêiade de patriotas do PR quer tanto o Ministério dos Transportes? Para ver triunfar a sua ideologia? Foram os escândalos nessa pasta, diga-se, que deram início àquilo a que se chamou “faxina” e que levaram a popularidade de Dilma a mais de 70%. Bons tempos aqueles para a soberana, né?

Deixem-me ver, então, se entendi: quando Dilma Rousseff e o PT fazem acordo até com o capeta, chama-se a isso de inteligência e de pragmatismo. Eu já cansei de ler análises, a maioria delas ditada por Gilberto Carvalho, que me adora (“Olá, ministro, lembra de mim?”), segundo a qual não importa com quem o PT se junte; o importante é que o partido mantenha a hegemonia da aliança. Se, no entanto, um partido da base decide apoiar o candidato de oposição, ah, isso é, então, inaceitável! Isso é oportunismo! Os mais furibundos chegam a dizer que se trata de falta de caráter.

Aí, tentando parecer profunda, não enigmática, Dilma afirma que “a esperteza tem vida curta”. É claro que é uma alusão ao PTB e àqueles que não estão dispostos a fazer a sua campanha. Convenha, não é, governante? Mais “esperto” ainda é ficar com o Planalto, que tem benesses a oferecer — como o Ministério dos Transportes, por exemplo. Os “espertos” sempre conseguem lucrar mais negociando com quem está no poder.

O PP acaba de bater o martelo: vai com Dilma mesmo! É por ideologia? É por excesso de caráter que o partido herdeiro direto da Arena se junta com a herdeira direta da VAR-Palmares? Ora, vão plantar batatas!

Houve um tempo em que o campo, sem trocadilho, do impressionismo, do chute, da torcida nada velada, do fígado era a crônica esportiva. Felizmente, com o tempo, ela melhorou bastante. Está cada vez mais técnica — ainda que não possa abrir mão, e eu acho correto, de lidar com um pouco de paixão. Já a análise política, convertida em crônica, com a chegada do PT ao poder, foi cedendo cada vez mais terreno àqueles vícios antes atribuídos aos boleiros. E faz sentido, né? Um comentador de futebol luta para que a sua escolha pessoal não seja percebida pelo leitor, internauta, ouvinte ou telespectador. Já os comentadores da política fazem questão de demonstrar a seus juízes do PT que eles são boas pessoas.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2014

às 12:53

Dilma cede e demite ministro para ter o PR na aliança

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:

A exatos dez dias do início oficial da campanha, a presidente-candidata Dilma Rousseff deu mais uma demonstração clara de que suas pretensões eleitorais estão em primeiro lugar: o ministro dos Transportes, Cesar Borges, foi demitido nesta quarta-feira em troca do apoio do PR à sua chapa. Apontado como uma escolha pessoal de Dilma, Borges não foi demitido por incompetência. Mas o PR considerava que, com ele no cargo, as demandas do partido – sejam elas quais forem – não estavam sendo atendidas.

Com uma bancada de 32 deputados, a adesão do PR à candidatura de Dilma agregará um minuto e quinze segundos à propaganda eleitoral da petista no rádio e na televisão. A tendência do PR sempre foi a aliança com o PT no plano nacional, mas a indefinição da sigla – que só vai formalizar o apoio na segunda-feira – preocupava o Palácio do Planalto porque em alguns estados, como Minas Gerais, por exemplo, a sigla é aliada do PSDB de Aécio Neves. Além disso, o Planalto temia que se repetisse o caso do PTB, que deixou no sábado a coligação de Dilma para aderir à chapa do tucano.

Borges deverá ser acomodado na modesta Secretaria de Portos. O ex-ministro Paulo Sérgio Passos é o mais cotado para voltar a comandar o Ministério dos Transportes.

Durante o governo Dilma, o partido chegou a se rebelar e anunciar que estava deixando a base aliada. Em abril, a sigla chegou a divulgar um manifesto pedindo que o ex-presidente Lula concorresse no lugar de Dilma.

Escândalos – Em julho de 2011, reportagem de VEJA revelou um esquema de corrupção montado no Ministério dos Transportes sob o comando do PR. O partido cobrava 4% de propina de empreiteiras interessadas em contratos com o governo. O esquema tinha como coração o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec, estatal das ferrovias. A maior parte do dinheiro ia para o caixa do PR, sob a direção do então ministro Alfredo Nascimento e do deputado Valdemar Costa Neto. O restante era destinado aos parlamentares dos estados em que as obras eram – ou deveriam ser – feitas. Segundo os auditores da CGU, 682 milhões de reais foram desviados. A Polícia Federal abriu 79 inquéritos sobre os desmandos na pasta, e 55 servidores públicos foram investigados. O escândalo derrubou o ministro, seu chefe de gabinete (Mauro Barbosa), os chefes do Dnit (Luiz Antonio Pagot) e da Valec (José Francisco das Neves, o Juquinha) e mais de 20 funcionários da pasta. Em 2013, o partido retomou o controle da pasta, com a escolha de César Borges como ministro. Em agosto de 2013, parecer da Procuradoria-Geral da República acabou liberar Nascimento e o mensaleiro Costa Neto das acusações de liderar o esquema criminoso. Segundo parecer do procurador Roberto Gurgel, as provas colhidas ao longo da investigação não são suficientes para incriminar a dupla. O parecer foi remetido ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, relator do processo.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2014

às 7:03

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2014

às 6:53

A MORTE DO PT – Segunda parte. Ou: Para não repetir a agonia da ditadura

Vamos lá. Escrevi aqui no sábado sobre o fim do poder petista — ou a morte do PT como o conhecemos (não a morte do partido): essa legenda capaz de ditar o ritmo dos acontecimentos, que acredita que pode mesmo ser uma força hegemônica na política, mais ou menos como Gramsci imaginou que seria um Partido Comunista operando no melhor da sua potência. E sustentei que há duas hipóteses para a derrocada petista: a otimista: o partido perde as eleições em outubro próximo, o que espero que aconteça. E a pessimista: Dilma vence a reeleição, consegue mais um mandato, e o país caminha para uma crise de proporções razoáveis.

Batia um papo outro dia com o economista José Roberto Mendonça de Barros, que sabe das coisas e dispensa apresentações. Ele fez uma analogia que me pareceu pertinente, e eu lhe avisei que roubaria a sua imagem (rsss). José Roberto afirmou que a eventual vitória de Dilma lembraria o mandato desastrado — no que concerne à desordem econômica — do general Figueiredo, nos estertores da ditadura. Ou por outra: o modelo já tinha feito água por todos os lados; a coalizão política já era frágil; a sociedade queria outra coisa, mas tivemos de aguentar mais seis anos de um governo que já nascia moribundo, que tinha os olhos voltados para a retaguarda, que se dedicava permanentemente ao trabalho de contenção, não de formulação de políticas públicas com vistas ao futuro.

Ditadura moribunda e democracia são realidades muito distintas, sei disso. O que me interessa nessa imagem do economista é destacar a falência de um modelo e o colapso da coalizão política que o sustentava. O ciclo petista, reitero, chegou ao fim— a questão é saber se o país se encontra com a rapidez necessária com o novo ou se escolherá quatro anos de reacionarismo, olhando para trás.

Acabaram-se as circunstâncias que fizeram a glória da gestão do PT e que permitiram ao partido formar a maior base de apoio do Ocidente: crescimento acelerado da China, juros internacionais baixos, demanda interna extremamente aquecida, folga fiscal e criação de “campeões nacionais” à base de incentivos oficiais. Cada uma dessas facilidades engendrou um discurso político e permitiu que o governo se comportasse de forma dadivosa, cevando uma clientela. Nunca foi, que fique claro, um modelo de crescimento, mas de administração de oportunidades.

À medida que as facilidades deixam de existir, e lá vai algo que parece tautológico, mas que não é, aparecem, então, as dificuldades. O Brasil parou de crescer, e a sociedade se dá conta de que o PT não tem a pedra filosofal da eterna felicidade. Num país ainda com tantas carências, o crescimento pífio, com inflação alta e juros elevados, gera um caldo de descontentamento que cobra, sim, o seu preço político. E ele se traduz hoje na crescente perda de sustentação da candidatura Dilma — o que é um dado auspicioso para um país que precisa mudar.

Há uma conta interessante a ser feita. Dilma concorria em nome de um governo que tinha quase 90% de aprovação em 2010. Mesmo assim, a diferença de votos em seu favor, na disputa com José Serra, foi de apenas 12.041.141 (56,05% contra 43,95%). Prestem atenção a estes dados:

quadro eleitoral

Somadas as diferenças a favor do PT na Bahia, Pernambuco, Ceará, Minas, Rio e Maranhão, temos 12.654.768 votos — superior ao que a petista teve de votos a mais do que Serra no total. São Paulo deu a vitória ao tucano, mas por um placar ainda bastante robusto para o PT. Uma coisa é certa: o partido não conta mais com as facilidades que tinha nesses estados. Em Pernambuco, Eduardo Campos tende a ter uma avalanche de votos; Minas penderá para Aécio; na Bahia, os adversários do PT se juntaram; há um clima anti-Sarney no Maranhão que pode arranhar o petismo; no Rio, o palanque do partido na disputa presidencial está desestruturado por excesso de ambição.

Não estou aqui a dizer que Dilma vai perder a eleição. Não sou pitonisa. Evidencio que a situação, para ela, é bastante difícil. Restou ao PT, insisto neste ponto, a campanha de cunho terrorista contra os adversários e dobrar a aposta no “promessismo” — promessas que, de resto, não serão cumpridas porque não haverá como. O melhor para o Brasil seria a derrota agora, já em 2014. A eventual reeleição da presidente significará a sobrevivência de um modelo que já morreu e do qual o PT não sabe sair porque não tem uma coalizão política para tanto.

Texto publicado originalmente às 5h14
Por Reinaldo Azevedo

25/06/2014

às 6:47

Sob a presidência de Lewandowski e com relatoria de Barroso, STF deve dar hoje autorização para que mensaleiros trabalhem fora da cadeia

O Supremo Tribunal Federal vai julgar hoje, em sessão presidida pelo ministro Ricardo Lewandowski, o pedido para que quatro presos do mensalão que cumprem pena em regime semiaberto possam trabalhar fora da cadeia. O relator é o ministro Roberto Barroso. Joaquim Barbosa não participa porque vai se declarar impedido.

O que vai acontecer? A autorização será concedida, certo como dois e dois são quatro. De fato, outro tribunal, o STJ, tem garantido essa licença, ainda que isso contrarie o Artigo 37 da Lei de Execução Penal, que estabelece o cumprimento de um sexto da pena — o que ainda não aconteceu — para que o preso ganhe essa permissão. Mais: a concessão não é automática. O juiz tem de avaliar se o preso faz por merecer o benefício, mesmo com um sexto da pena cumprido. Mas isso tudo deve ficar pra lá.

Notem: não estou entre aqueles que consideram que essa concessão vai desmoralizar todo o julgamento etc. e tal. Parece-me uma visão meio apocalíptica e errada. Mas também não vou conceder com falcatruas e mentiras. E uma delas é a história de que José Dirceu e os outros estão em regime fechado — vale dizer: nem o direito que têm ao regime semiaberto estaria sendo cumprido. É falso.

O tribunal vai ainda decidir uma outra questão. A buliçosa defesa de José Genoino entrou com pedido, como sabemos, para que ele cumpra a pena em regime domiciliar. Alega que as condições do presídio não permitem que receba o devido tratamento; aponta crises hipertensivas, problemas de coagulação e alerta para um suposto risco de AVC caso o petista permaneça na cadeia. Cumpre lembrar que ele já foi examinado por duas juntas médicas que disseram que as condições em que está recluso são compatíveis com seu estado de saúde. Tendo a achar que também essa licença será concedida.

E, nesse caso, claro!, ouviremos elogios rasgados, então, ao novo relator e à condução do Supremo sob os auspícios de Ricardo Lewandowski. E, se Joaquim Barbosa foi tomado como o verdugo dos mensaleiros, não se tomem os novos protagonistas como as suas fadas madrinhas. Nada disso! Ministro que vota contra os petistas está necessariamente de má-fé; quando vota a favor, é claro que está apenas cumprindo a lei, certo?

Pois é… Vamos ver onde vão trabalhar os valentes. Delúbio Soares voltará para seu acintoso “emprego” na CUT, onde, na verdade, atua como chefe, como dirigente? E José Dirceu? Qual será a sua ocupação? Assumirá mesmo um cargo de direção naquele hotel esquisito, onde poderá fazer política à vontade? O que os mensaleiros, em suma, ganharão? O direito de trabalhar ou de voltar justamente às atividades que lhes renderam a prisão?

Todos já sabemos qual será a decisão. Eu ficarei particularmente atento aos argumentos. Para o sim e para o não, podem ser dignos ou indignos.

Texto publicado originalmente às 5h38

Por Reinaldo Azevedo
 

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