Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

01/08/2014

às 4:53

Santander se desculpa de novo! Agora, o banco já cruzou a linha do ridículo, o que me leva a lhe fazer uma pergunta

Quando teve início aquele escarcéu estúpido por causa da tal mensagem do Santander enviada a alguns correntistas — informando que os mercados reagiam negativamente à perspectiva de Dilma ser reeleita —, defendi aqui, basta procurar no arquivo, o direito que o banco tinha de emitir uma opinião. O resto da história vocês já conhecem. Lula pediu a cabeça da analista e puxou o saco do presidente mundial do banco, Emilio Botín, que prometeu demitir a responsável, o que acabou acontecendo. Antes disso, a instituição já havia tornado público um pedido de desculpas. Nesta quinta, os correntistas receberam uma segunda cartinha. Aí o Santander já se desculpava com os clientes.

Assim como não vi nada demais na primeira carta, lastimo todo o resto da história, incluindo a demissão. O Santander, com a devida vênia, comportou-se de modo patético nessa história. Por mais que esse setor seja bastante dependente dos humores dos poderosos de turno — e é —, há um limite para o ridículo que me parece ter sido ultrapassado com impressionante desassombro.

Dado o barulho que fez o PT, até compreendo que o banco pudesse emitir uma nota pública informando que não se mete em política partidária. Poderia até afirmar que a opinião da analista — ou de um departamento — não refletia o que pensava a instituição etc. Em suma, havia várias maneiras de amenizar eventuais desconfortos. Mas o que se vê é um espetáculo um tanto grotesco de sabujice. Dá a entender, talvez injustamente, que o banco mantém uma relação de dependência com o poder que não é conhecida pelo conjunto da sociedade.

Esse episódio, acreditem, fez muito mal à cultura da liberdade de política e do livre exercício da opinião. Um texto que era público — afinal, enviado a muitos correntistas — mereceu o tratamento de alguma peça conspiratória, como se pessoas mal-intencionadas atuassem nas sombras para desestabilizar a presidente Dilma.

Quer dizer que o analista de um banco está proibido de informar a seus clientes que, deixem-me ver, comprar ações de empresas públicas num eventual cenário de reeleição de Dilma é um mau negócio? E é mau negócio por quê? Não porque o tal analista não goste do PT. Mas porque ele tem a obrigação de alertar que é próprio da cultura petista usar essas empresas para fazer política, pouco se importando com a economicidade de determinadas escolhas. É o que acontece com a Petrobras, por exemplo. É o que acontece com o setor elétrico.

O comportamento da imprensa brasileira, diga-se, ressalvadas as exceções de sempre, é também lamentável. Mais uma vez, reage de maneira pífia a uma clara agressão ao debate livre de ideias.

Bem, agora falta o quê? Mais um pouco, a direção do Santander vai se chicotear de joelhos na rampa do Palácio do Planalto. Uma pergunta: se eu decidir botar meu dinheiro no Santander, devo confiar no que me disser o analista financeiro ou me cabe intuir que sua opinião passou antes pelo Departamento de Censura Diretório Nacional do PT?

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 21:06

Petistas investigados por elo com PCC omitem bens à Justiça Eleitoral

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
Investigados em inquéritos do Ministério Público de São Paulo sobre a relação de cooperativas de transporte público com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), os irmãos petistas Senival Moura, vereador na capital paulista, e Luiz Moura, deputado estadual, omitiram bens na declaração exigida dos candidatos pela Justiça Eleitoral neste ano. A lista patrimonial é um requisito previsto em lei para o deferimento da candidatura.

Levantamento feito pelo site de VEJA na Junta Comercial de São Paulo mostra que ao menos três empresas recém-abertas pelos irmãos com familiares – eles não são sócios entre si – não constam na declaração. Se comprovada, a omissão pode configurar crime eleitoral previsto no artigo 350 do Código Eleitoral – em caso conduta dolosa ou de má fé do candidato. A norma prevê pena de reclusão de até cinco anos e pagamento de multa para quem “omitir, em documento público ou particular, declaração que dele deveria constar”. De acordo com a resolução 23.405/14 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos devem assinar e entregar uma “declaração atual de bens” ao registrar suas candidaturas.

Luiz Moura deixou de informar que é sócio majoritário em ao menos um posto de gasolina no município de Guarulhos, na Grande São Paulo. O Auto Posto R66 tem capital social de 300.000 reais, sendo que Moura possui 297.000 reais em cotas –- os 3.000 reais restantes são da mulher do parlamentar. Eles compraram a empresa em novembro do ano passado. O patrimônio informado pelo deputado neste ano, sem o posto em Guarulhos, soma 1.063.100,27 reais distribuídos em imóveis, aplicações bancárias e outros quatro postos de gasolina – um deles, que soma 100.000 reais de capital, foi vendido pelo deputado e sua mulher há um mês.

Senival Moura não informou participação em duas empresas. Ele é presidente do conselho administrativo da SPM, uma empresa constituída em março deste ano para transporte municipal e interestadual de passageiros e de cargas, com sede em Lageado, no extremo leste da cidade. O capital social é de 20.000 reais. A outra empresa é a academia Gym Box Brasil, aberta em abril pelo parlamentar, sua mulher e seus dois filhos no bairro da Casa Verde, na Zona Norte. A microempresa tem capital social de 20.000 reais – sendo 3.000 reais em nome de Senival, sócio minoritário.

Balanço
Sem as duas empresas, Senival informou ter patrimônio total de 1,46 milhão de reais – cerca de 400.000 reais a mais do que eleição de 2012. O valor está distribuído em imóveis, automóveis e contas bancárias. Desde 2008, ano em que se elegeu como vereador mais votado do PT paulistano, o patrimônio declarado por Senival saltou 329% – era de 340.000 reais.

Já Luiz Moura perdeu 80% de seu patrimônio, se comparados os dados de 2014 com a sua declaração de bens de 2010, ano em que elegeu-se pela primeira vez. Em, 2012 ele tentou disputar a prefeitura de Ferraz de Vasconcelos (SP) e declarou possuir 1,1 milhão de reais. A diferença se explica pelo fato de Moura ter deixado o quadro societário da Happy Play Tour, empresa de transporte na qual teria injetado 4 milhões de reais. O Ministério Público encontrou indícios de que empresa era de fachada e servia para lavagem de dinheiro do PCC obtido com o tráfico de drogas e armas. A Happy Play Tour, atualmente transformada em Expresso Cidade Tiradentes, e mais duas empresas do Consórcio 4 Leste são investigadas por elo com o PCC e irregularidades na prestação de serviço de transporte coletivo. O Ministério Público suspeita que dois ex-sócios do deputado na companhia, Vilson Ferrari e Gerson Sinzinger, são suspeitos de colaborar com o PCC. Eles movimentaram milhões de reais em imóveis e entraram na Happy Play Tour na mesma época que Moura, em 2009 – cada um dos três aportou 4 milhões de reais.

A participação de Moura na empresa é o indício mais forte contra o parlamentar obtido até o momento pelos promotores de Justiça. Desde 2010, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) conduziu duas investigações que tramitavam em conjunto em que os explosivos irmãos Moura foram citados. Os autos contra Luiz Moura foi deslocados para a procuradoria-geral de Justiça, porque como deputado estadual ele tem direito a foro privilegiado. O procurador-geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa, apura indícios de sete crimes: organização criminosa, extorsão, constrangimento ilegal, apropriação indébita, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e abuso de autoridade. O Gaeco investiga se Senival Moura praticou crimes de formação de quadrilha e corrupção.

Questionados sobre as investigações, Luiz e Senival Moura negam vínculos com atividades criminosas.

Cargos
O vereador Senival Moura pediu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) o registro para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília. O deputado Luiz Moura, por sua vez, trava uma batalha jurídica com o PT para tentar concorrer a seu segundo mandato na Assembleia Legislativa. Flagrado em uma reunião com dezoito integrantes do PCC na garagem de uma cooperativa, ele chegou a ser suspenso pelo partido, mas conseguiu na Justiça comum o direito de solicitar o registro da própria candidatura, à revelia da cúpula petista.

Nesta quarta, o Tribunal de Justiça manteve o direito de Moura concorrer à reeleição, ao negar recurso dos advogados do PT. Mesmo assim, a Comissão Executiva do PT paulista deicidiuexpulsá-lo da sigla nesta quinta-feira para tentar evitar mais desgaste à candidatura de Alexandre Padilha ao governo do Estado. Petistas avaliam que a presença de Moura na chapa de candidatos e nas fileiras do partido pode minar qualquer proposta de Padilha de combate ao crime organizado na área da Segurança Pública.

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 21:02

Bethlem confirma desistência de disputar eleição

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
O deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB) confirmou em comunicado divulgado na tarde desta quinta-feira que desistiu de sua candidatura à reeleição. Líderes do partido pressionavam para que ele abandonasse a disputa. Na última sexta-feira, o site de VEJA revelou que Bethlem operava um esquema de corrupção na prefeitura – ele deixou o secretariado justamente para tentar a reeleição à Câmara. A cúpula peemedebista estava preocupada em conter estragos à campanha do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e à imagem do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Bethlem já tinha informado a cúpula do PMDB no Rio que divulgaria a decisão em um comunicado formal. A desistência era aguardada para quarta-feira. No texto, Bethlem diz que vai desistir das eleições para preparar sua defesa. “Diante dos recentes acontecimentos envolvendo o meu nome e pela necessidade de cuidar da minha família e preparar a minha defesa , declaro que vou encaminhar ao partido a retirada da minha candidatura para o pleito de 2014″, afirmou o deputado em nota.

O deputado era considerado homem forte de Paes na prefeitura e tinha influência também no governo do Rio. Áudios e vídeos mostram o deputado, que já chefiou as secretarias de Ordem Pública, Assistência Social e Governo do Rio, em conversas com a ex-mulher, Vanessa Felippe, afirmando que recebe mensalmente propina da ONG Tesloo, contratada para administrar o cadastro único de programas sociais da prefeitura – usado para pagamento de programas como o Bolsa Família e o Cartão Família Carioca. “Eu tenho de receita em torno de 100.000 reais por mês”, afirma o peemedebista na gravação, explicando que, do contrato, retirava entre 65.000 e 70.000 reais por mês. A prefeitura instaurou uma auditoria especial para apurar irregularidades nos contratos firmados por ele. Bethlem também dizia receber outra mesada, desta vez relacionada a um contrato de fornecimento de lanches às ONGs que prestam serviço na área social do município. A prefeitura do Rio aportou dinheiro, em troca de anúncios, em uma revista inexpressiva da família de Bethlem.

Nesta eleição, Bethlem tentava o terceiro mandato como deputado federal. Na legislatura de 2007 a 2010, chegou a assumir por menos de um mês como suplente na Câmara dos Deputados, mas permaneceu a maior parte do período licenciado como subsecretário do Governo do Rio e como secretário da Prefeitura do Rio. Entre 2011 e 2014 também ficou licenciado, com brevíssimas passagens pela Câmara, até abril, quando reassumiu a vaga no Congresso para tentar a reeleição. Depois da revelação das irregularidades, a passagem de Bethlem pela Câmara está ameaçada. A Corregedoria vai analisar se as revelações de propina e negócios suspeitos do ex-secretário podem motivar a abertura de um processo de cassação de mandato por quebra de decoro.

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 19:38

Guerra entre Israel e o Hamas – Vamos dar a notícia direito!

Noticia-se mundo afora que Israel e Hamas aceitaram um cessar-fogo de 72 horas, negociado pelos Estados Unidos e pela ONU. Ok. É um fato, mas pode ser dito de outro modo, mais de acordo com a natureza desse fato. O Hamas aceitou o cessar-fogo desta vez, o que não tinha feito até agora. Sim, esse detalhe escapava ao noticiário majoritariamente anti-Israel. Era o movimento terrorista que se recusava a suspender os ataques. Afinal, para ele, quanto mais cadáveres, melhor; quanto mais mortos, melhor; quanto mais vítimas, melhor. É assim que facínoras caíram no gosto da estupidez politicamente correta.

Consta que a trégua é incondicional. Em situações semelhantes, no passado, ela sempre foi rompida pelo Hamas. Mesmo nesta jornada, combinou-se um cessar-fogo humanitário de algumas horas para atender algumas vítimas. Os terroristas não o respeitaram. Consta ainda que haverá negociações posteriores, encerrado esse período de três dias. Tomara! Se o Hamas insistir no tal “fim do bloqueio a Gaza”, no entanto, não haverá acordo. Como esquecer que, antes do início dessa nova incursão, eram os extremistas muçulmanos que estavam no ataque, sozinhos?

E por que o Hamas aceita agora o cessar-fogo, se é que vai levar a sério a palavra? Porque é claro que a situação em Gaza é dramática. Segundo a ONU, há 200 mil pessoas abrigadas em suas instalações e outro tanto na casa de parentes. O desavisado logo parte para o ataque: “Estão vendo? Israel só agride civis…”. Não! O Hamas é que, de forma declarada, infiltra-se entre os civis e transforma bairros em bases militares – e, portanto, em alvos militares também. É bom não esquecer: antes desse novo conflito, havia um clima de revolta contida contra o Hamas na Faixa de Gaza. O terror precisa de corpos para manter o poder.

A operação Margem Protetora está em seu 24º dia, a mais longa desde que Israel retirou militares e civis judeus de Gaza, em 2005. Depois disso, o Exército realizou outras duas operações: uma entre 2008 e 2009, que durou 23 dias, e outra em 2012, durante sete dias. Esta também é a operação que fez o maior número de soldados israelenses mortos desde a Guerra do Líbano.

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 17:56

Finalmente, descobrimos uma função para o senador Suplicy

Padilha nos ombros do fortão Eduardo Suplicy (foto: Aloisio Mauricio/Brazil Photo Press/Folhapress)

Padilha nos ombros do fortão Eduardo Suplicy (foto: Aloisio Mauricio/Brazil Photo Press/Folhapress)

Vinte e quatro anos de mandato, e finalmente os paulistas descobriram uma função para o senador Eduardo Suplicy (PT): carregar Alexandre Padilha nos ombros. Como vocês viram, durante uma caminhada ontem, em São Paulo, o senador, aos 73 anos, carregou nos ombros o candidato ao governo de São Paulo. Demonstrou, sem dúvida, que muque o antigo lutador de boxe ainda tem. Que serventia tem isso para o Estado que ele representa no Senado? Ninguém até agora descobriu. Ele é dado, assim, a práticas inusitadas: canta rap no Senado, veste cueca por cima do terno, vai dormir em acampamento de sem-terra… Caso não se reeleja, tem uma carreira promissora no mundo do entretenimento.

 

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 16:02

Ministério Público entra com ação civil pública contra privilégios concedidos por Haddad ao MTST, do coxinha radical Guilherme Boulos

Finalmente, um pouco de bom senso contra a irracionalidade. O Ministério Público Estadual entrou com uma ação civil pública contra a Prefeitura de São Paulo, conforme anunciou que faria, para pôr fim aos privilégios de que passou a gozar o tal MTST — Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto — na distribuição de moradias na cidade. O dito movimento, comandado pelo coxinha radical Guilherme Boulos, transformou-se numa espécie de gestor informal dos programas de moradia da cidade. Pior: a Prefeitura mantém em sigilo, contra a lei, o cadastro dos inscritos. A questão se tornou um jogo de compadres. Boulos e seus comandados ajudaram a fazer a campanha eleitoral do senhor Fernando Haddad, do PT, e Haddad, como paga, talvez, fez deles sócios preferenciais de sua gestão. É ilegal. É imoral. É discriminatório.

Como agem Boulos e seus sequazes? Segundo a lógica da tropa de assalto ao poder e ao Estado! Atropelam a administração e furam a fila dos inscritos. Na prática, essa gente privatizou os programas de moradia. Afirma em sua ação o promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes: “Trata-se de privilegiar o absurdo dos absurdos! Aceitar-se o descontrole em nome de política rasa de privilégio a grupos em troca de votos ao invés de respeitar o direito de milhares”. É isso mesmo! O promotor vai além: “O que pretende na verdade o Movimento? Destinação privilegiada de áreas públicas ou particulares para edificação de moradia para os seus associados ou simpatizantes [...], com burla à lista de inscritos que esperam há anos pelo almejado sonho da casa própria”.

Mais uma vez, nada a corrigir. É exatamente isso o que está em curso. Boulos também é colunista da Folha, como sou. Em seu mais recente texto, ele decidiu me atacar e a meus leitores. Afirma que represento, imaginem vocês, um perigo porque começo a “juntar adeptos, movidos por ódio, preconceitos e mentiras”. Esse é o cara que comandou, por exemplo, uma invasão no Morumbi, na Zona Sul de São Paulo. Uma invasão, na verdade, feita de barracas, não de pessoas. Ou por outra: os seus sem-teto eram uma farsa. Trata-se, enfim, de um especialista em ódio, preconceitos e mentiras.

O promotor aponta o óbvio: a concessão de privilégios aos comandados do senhor Boulos agride o direito de terceiros e fere a Constituição. Escreve ele: “O que se vê do duelo entre Administração Pública e as consequências da luta política do MTST é a fragilização do direito de igualdade dos que aguardam em condições ordeiras, há anos, ser chamados para obtenção de financiamento habitacional”. Traduzindo: quem está tendo seus direitos agravados não são os ricos, os poderosos, como tentam fazer crer Boulos e seus apaniguados, mas os pobres. É preciso, em suma, não confundir uma pessoa que não tem casa própria com um comandado do MTST. O primeiro é um pobre de verdade; o segundo é um militante político, que usa a pobreza para impor uma ideologia.

Numa patética entrevista concedida à Folha desta quinta, afirma o prefeito Fernando Haddad: “Cobra-se muito a revolução [em São Paulo] desde que não se mexa em nada. Isso é impossível. Como eu estou disposto a mudar a cidade, vou seguir a minha intuição de que existe uma chance de que a cidade descubra um destino para o qual ela está vocacionada. Essa cidade pode mais”.

É mesmo? Em primeiro lugar, quem é que está a cobrar a revolução? Que revolução é essa? Qual é seu conteúdo? Em segundo lugar, observo que essa história de cidades ou países terem um “destino” e uma “vocação” é papo de políticos fascistoides, que se julgam ungidos pela história.

A conversa de Haddad ilustra muito bem, enfim, por que sua gestão é rejeitada por 47% dos paulistanos e aprovada por apenas 15%. Sua entrevista deixa entrever que há espaço para cair ainda mais.

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 15:14

Executiva do PT de SP decide expulsar deputado-bomba

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
A Comissão Executiva do PT paulista decidiu, por unanimidade, expulsar do partido o deputado estadual Luiz Moura, flagrado em reunião da qual participaram dezoito integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O parlamentar é investigado pelo Ministério Público de São Paulo por ter sido sócio de uma empresa de transporte de passageiros suspeita de lavar dinheiro para o PCC. O nome do parlamentar é citado em apuração de promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre vínculos da facção criminosa com cooperativas de perueiros que operam na capital paulista. A decisão ainda tem de ser homologada pelo Diretório Estadual do PT, nesta sexta-feira. A expulsão impedirá que o deputado seja candidato à reeleição na Assembleia Legislativa.

Na manhã desta quinta, os integrantes da Executiva optaram pela pena máxima prevista no estatuto do partido ao fim do processo disciplinar ao qual Luiz Moura foi submetido. Em junho, a cúpula do PT suspendeu o deputado por sessenta dias quando veio a público a informação de que ele foi flagrado pela polícia em reunião com integrantes do PCC. O deputado também teve a legenda negada, mas recorreu à Justiça e conseguiu pedir o registro sua candidatura. O Tribunal Regional Eleitoral ainda julgará a validade do pedido. Como o Diretório Estadual tende a chancelar a decisão da Executiva, Luiz Moura terá prazo de dez dias para recorrer ao Diretório Nacional do PT. Caso ele tente o recurso, a exclusão ficará suspensa. O órgão máximo do partido, porém, deu aval para a expulsão nesta quarta.

“Provavelmente haverá uma disputa judicial por um longo tempo, mas sem que ele participe da campanha – sem ser candidato”, disse ao site de VEJA o presidente do PT paulista, Emídio de Souza. “Ele vai exercer o direito de espernear. Como ele tem mandato, vai usar todos os recursos disponíveis no campo judicial. Mas a Justiça não pode nos obrigar a manter nos quadros do PT alguém que nós não queremos. Nós tomamos a atitude e deixamos claro que não compactuamos com esse tipo de prática”, completou. Segundo o dirigente, Moura não apresentou defesa pessoalmente nem por escrito, tampouco enviou documentos ou testemunhas a seu favor no processo disciplinar.

Na tarde desta quarta-feira, Moura enviou ao presidente do Diretório Estadual uma carta requerendo a anulação de todo o processo disciplinar partidário. O parlamentar pretendia ser julgado pelo Diretório Nacional. “Ele disse que o processo estava viciado e que a posição do PT estadual e a minha já eram conhecidas. Eu simplesmente neguei”, disse Souza. O deputado afirma não ter vínculos com o PCC e diz que só entregará seu mandato por ordem da Justiça.

O site de VEJA revelou na última quarta-feira que o procurador-geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa, comunicou ao Tribunal de Justiça de São Paulo a intenção de investigar se Moura cometeu sete crimes: organização criminosa, extorsão, constrangimento ilegal, apropriação indébita, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e abuso de autoridade.

A investida do PT contra Luiz Moura tem como principal objetivo blindar a candidatura do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo do Estado e a da presidente Dilma Rousseff à reeleição. São Paulo é um dos maiores focos de rejeição a Dilma em todo o país. Petistas avaliam que a ligação de Moura com o PCC é capaz de minar o discurso do partido no combate ao crime organizado. “Não queremos nenhuma contaminação. Nossa posição é baseada nos fatos e forte indícios que já temos e no prejuízo que isso causa ao PT. Nós não somos tribunal. Nós temos o direito de escolher quem merece e quem não merece estar nas nossas fileiras e mais ainda ser candidato”, afirmou o presidente do PT estadual.

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 12:25

Setor público tem rombo de R$ 2,1 bilhões em junho, o pior resultado do 1o semestre em 12 anos

Na VEJA.com:

O setor público consolidado (Governo Central, estatais, Estados e municípios) apresentou déficit primário de 2,1 bilhões de reais em junho. O resultado veio pior do que o projetado por analistas, que apontavam saldo positivo de 200 milhões de reais no mês passado. No ano, o superávit acumulado alcançou 29,38 bilhões de reais, ante 52,2 bilhões no mesmo período de 2013. Este é o menor resultado para o primeiro semestre desde 2002, quando o Banco Central deu início à série histórica, e é quase 45% menor do que a cifra vista em igual período de 2013.

Entre janeiro e junho, o governo central fez superávit primário de 15,370 bilhões de reais, menos a metade vista entre janeiro e junho de 2013 (33,728 bilhões de reais). Os Estados e municípios também reduziram a economia feita no período, mas com menor intensidade: o superávit recuou 26%, a 13,674 bilhões de reais.

Os 2,1 bilhões de reais de déficit divulgados nesta quinta-feira representam o primeiro resultado negativo para meses de junho, o que empurra para ainda mais longe o cumprimento da meta fiscal para o ano. Em maio, o resultado negativo, de 11,05 bilhões de reais, foi o maior rombo desde dezembro de 2008.

Considerando-se os fluxos acumulados em doze meses até junho, o superávit primário atingiu 68,5 bilhões de reais, o  equivalente a 1,36% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o BC, o governo central apresentou déficit primário de 2,732 bilhões de reais, com destaque para o saldo negativo de 1,593 bilhão de reais do governo federal. O desempenho foi abalado pela menor arrecadação, entre outros, diante da pior performance da atividade econômica. Na quarta-feira, porém, o Tesouro Nacional divulgou um número diferente para este déficit primário (diferença entre os gastos e receitas): 1,95 bilhão de reais. O governo central é formado pelas contas do Tesouro, do Banco Central e da Previdência Social. Este foi o pior resultado para junho desde o início da série histórica.

O BC informou ainda que os governos regionais apresentaram superávit primário de 113 milhões de reais em junho, enquanto as estatais federais fizeram economia de 518 milhões de reais.

“O resultado de junho também reflete, em parte, a moderação de atividade e aumento de alguns itens de despesas, como o investimento”, afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. Ele disse ainda que, só em maio e junho, o setor público registrou déficit primário de 13,146 bilhões de reais, o que dificulta o caminho até a meta do ano. Apesar de comentar que o governo terá de se esforçar mais para cumpri-la, ele reiterou que esta não é uma tarefa impossível e que o “Tesouro trabalha para isso”.

O déficit nominal (receitas menos despesas, incluindo pagamento de juros) ficou em 20,792 bilhões de reais no mês passado, enquanto a dívida pública representou 34,9% do PIB.

O resultado ruim mostra que as contas públicas seguem influenciadas pela economia fraca, o que tem levado o governo a recorrer às receitas extraordinárias para tentar fechar suas contas. Neste ano, a projeção é de que elas somarão 31,6 bilhões de reais. Também têm pesado as fortes desonerações tributárias que, no semestre passado, somaram cerca de 51 bilhões de reais, quase 45% a mais do que em igual período de 2013.

Em 2014, a meta de superávit primário do setor público consolidado (a soma das contas do governo central, Estados, municípios e estatais) é de 99 bilhões de reais, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

O cenário de fraca atividade, aliado às manobras fiscais usadas no passado para fechar as contas, reforça as desconfianças dos agentes econômicos sobre a capacidade do governo em cumprir a meta de superávit primário este ano, em que a presidente Dilma Rousseff disputa um segundo mandato.

(Com agência Reuters)

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 7:29

LEIAM ABAIXO

Dilma na sabatina da CNI: uma presidente pra lá de “Fugujima”;
Aécio Neves: “A verdade sobre o aeroporto”;
Ibope Pernambuco – Por enquanto, Campos leva uma surra eleitoral em seu próprio Estado;
Ibope em MG: Pimentel e Pimenta tecnicamente empatados, mas há mais fatores favoráveis a tucano;
Sem acordo, Justiça dos EUA confirma calote da Argentina;
Governo de Agnelo é tão ruim que população do DF prefere um ex-presidiário;
Ibope RJ – Pezão rumo ao segundo turno, e a provável disputa com Lindbergh;
Ibope em SP: mais um resultado desalentador para o PT. Ou: Das torneiras, não escorrem votos;
Contas do governo têm pior resultado desde 2000 no 1º semestre;
Aécio defende simplificar sistema tributário e investimentos de 24% do PIB;
Luiz Moura não era mais peixe pequeno no PT, não! Já era um bagre! Que o diga Alexandre Padilha, que discursou em sua festa de aniversário!;
TJ nega recurso do PT para excluir deputado-bomba;
Terror petista – Cabe perguntar: a partir de hoje, as análises que bancos fazem a seus clientes buscarão atender aos interesses de quem?;
Prêmio CNI de Jornalismo – A justa recompensa aos bambas da Jovem Pan;
— O partido do terror, da censura e do silêncio. Ou: Funcionária do Santander já foi demitida, como exigiu Lula;
— MP recorre contra habeas corpus a black blocs. E uma entrevista absurda de Siro Darlan, que parece ter a vocação para ser um “tirano do bem”;
— O petista Padilha quer punir os paulistas com racionamento para ver se escorrem votos das torneiras secas;
— O CIRCO DE HORRORES – Dilma volta a falar sobre conflito israelo-palestino e mete, de novo, a política externa brasileira no lixo, agora sob os auspícios do regime bolivariano, francamente antissemita

 

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 6:53

Dilma na sabatina da CNI: uma presidente pra lá de “Fugujima”

Na sabatina de que participou na Confederação Nacional da Indústria, a presidente Dilma Rousseff voltou a atacar o que chamou de “surtos de pessimismo”, afirmando, para certo espanto geral, que uma das marcas de sua gestão foi ter “resgatado a política industrial, superando preconceito dos que, durante muito tempo, disseram que o Brasil não precisava de política industrial”. Huuummm… Quais são exatamente as medidas do governo Dilma que podem ser consideradas uma “política industrial”? A rigor, com uma administração um pouquinho mais competente das políticas monetária e cambial e com outras prioridades, nem seria necessário ter uma “política industrial”.

A fala da presidente Dilma indica que o governo perdeu a capacidade de enxergar o que vem adiante. Administram-se dificuldades contingentes, com incentivos aqui, desonerações ali… Não é, obviamente, política industrial. Na verdade, não chega a ser nem política econômica.

A presidente falou coisas que afrontam escandalosamente a verdade. Referindo-se à crise de 2008, afirmou a nossa soberana: “Preparamos a base para a retomada do crescimento. Não desorganizamos a economia, como se fazia no passado. Não recorremos sistematicamente ao FMI”. Ah, presidente! Esse tipo de conversa pode funcionar para outro público; pode servir para a retórica palanqueira… Mas na CNI? O partido que votou contra o Plano Real e recorreu ao STF contra a Lei de Responsabilidade Fiscal vem dizer que “não desorganizamos a economia como no passado”? E não custa lembrar: o país só recorreu ao FMI em 2002 por causa do risco PT. O mercado levava o partido a sério e acreditava que ele iria fazer o que prometia. Ou por outra: apostou que o PT fosse intelectualmente honesto e praticasse o que pregava. Felizmente, os petistas não acreditavam no seu próprio credo.

Num dado momento de sua exposição, Dilma se atrapalhou toda: subtraiu 4 de 13 e encontrou 7. Corrigiu-se em seguida e chegou a 9. Tentou falar do furacão Katrina, mas se atrapalhou e se referiu “àquilo” — cujo nome não se lembrava (era o tsunami) — que aconteceu, segundo ela, em Fugujima, seja lá onde fique essa cidade. Ninguém entendeu nada. Mas, creiam, não foi o momento mais confuso de sua exposição. Foi apenas o mais engraçado.

Dilma participava da sabatina no dia em que veio a público a informação de que a economia americana cresceu acima da expectativa. No horizonte de curto prazo, estão a elevação dos juros americanos e a possível fuga do Brasil de investimentos de curto e de médio prazo. Nesta terça, o FMI anteviu que essa é uma das precondições que podem jogar a economia brasileira numa nova crise. Guido Mantega tentou desancar o FMI. Os fatos pendem para o lado do Fundo. O que Dilma tem a dizer a respeito?

Na década de 70, Caetano lançou a música “Qualquer Coisa”, em que se ouve: “Você tá pra lá de Teerã”… Dilma está pra lá de “Fugujima”!!!

Texto publicado originalmente às 20h04 desta quarta

 

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 6:53

Aécio Neves: “A verdade sobre o aeroporto”

O presidenciável tucano Aécio Neves escreve nesta quinta, na Folha, um artigo intitulado “A verdade sobre o aeroporto”. A integra está aqui. Leiam trechos.
*
Nasci no ambiente da política e vivi nele toda a minha vida. Sei que todo homem público tem uma obrigação e um direito: a obrigação de responder a todo e qualquer questionamento, especialmente os que partem da imprensa. E o direito de se esforçar para que seus esclarecimentos possam ser conhecidos.

Nos últimos dias, fui questionado sobre a construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas Gerais. Como o Ministério Público Estadual atestou e a Folha registrou em editorial, não há qualquer irregularidade na obra. Mas surgiram questionamentos éticos, uma vez que minha família tem fazenda na cidade. Quero responder a essas questões.

A pista de pouso em Cláudio existe há 30 anos e vem sendo usada por moradores e empresários da região. Com as obras, o governo de Minas Gerais transformou uma pista precária em um aeródromo público. Para uso de todos.

As acusações de benefício à minha família foram esclarecidas uma a uma. Primeiro, se disse que o aeroporto teria sido construído na fazenda de um tio-avô meu. A área foi desapropriada antes da licitação das obras, como manda a lei. O governo federal reconheceu isso, ao transferir a jurisdição do aeroporto ao governo de Minas Gerais, o que só é possível quando a posse da terra é comprovada. Depois, levantaram-se dúvidas sobre o valor da indenização proposta pelo Estado. O governo ofereceu R$ 1 milhão. O antigo proprietário queria R$ 9 milhões e briga até hoje na Justiça contra o governo de Minas.

Finalmente, se disse que a desapropriação poderia ser um bom negócio para o antigo proprietário, porque lhe permitiria usar o dinheiro da indenização para arcar com os custos de uma ação civil pública a que responde. Não é verdade. O dinheiro da indenização está bloqueado pela Justiça e serve como garantia ao Estado de pagamento da dívida, caso o antigo proprietário seja condenado. Se não houvesse a desapropriação, a área iria a leilão. Se fosse um bom negócio para ele, não estaria lutando na Justiça contra o Estado.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 6:46

Ibope Pernambuco – Por enquanto, Campos leva uma surra eleitoral em seu próprio Estado

Pernambuco já assistiu a viradas eleitorais. Poderia acontecer também desta vez? Certamente o candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, torce por isso. Ou sofrerá uma derrota meio vexaminosa em seu Estado.

Se a eleição para o governo fosse hoje, Armando Monteiro, do PTB, que disputa a eleição com o apoio do PT, seria eleito no primeiro turno, com 43% dos votos. Paulo Câmara, do PSB, candidato de Campos, está em segundo lugar, mas na rabeira: apenas 11%. Os outros candidatos somam 5%, com um bom números de branco e nulos (19%) e de indecisos (22%).

Caso esse resultado se confirme, é claro que será desmoralizante para Campos. Afinal, ele saiu do governo do Estado para disputar a Presidência oferecendo com um dos cartões de visita a sua gestão em Pernambuco.

O resultado na disputa para o Senado não é muito melhor para o PSB: João Paulo, do PT, lidera com 37% das intenções de voto. Fernando Bezerra Coelho, do PSB, vem bem atrás, com apenas 16%.

Convenham: se quer conquistar o Brasil, Campos tem de mostrar que pode conquistar a sua aldeia. Até agora… Nesse quesito, forma, sim, um bom par com Marina Silva, que ficou em terceiro lugar, em 2010, no Acre: perdeu no Estado para Serra, que ficou em primeiro, e para Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 6:34

Ibope em MG: Pimentel e Pimenta tecnicamente empatados, mas há mais fatores favoráveis a tucano

Os petistas certamente esperavam mais de seu candidato ao governo de Minas: o ex-ministro Fernando Pimentel aparece com 25% das intenções de voto na pesquisa Ibope. Empatado tecnicamente com ele, está o tucano Pimenta da Veiga, com 21%. A margem de erro é de 3 pontos para mais ou para menos. Em terceiro lugar, vem Tarcísio Delgado, do PSB, com apenas 3%. Na rejeição, os candidatos do PT e do PSDB estão bem próximos: 12% e 10%, respectivamente.

Pimenta está afastado dos holofotes políticos há um bom tempo, à diferença de Pimentel. Conta a favor do tucano o fato de integrar a frente que apoia o presidenciável Aécio Neves, que deve obter uma boa vantagem sobre Dilma no Estado. Há mais: o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) lidera a disputa pelo Senado com uma folga gigantesca: tem 38% das intenções de voto. Em segundo lugar, está Josué Gomes, do PMDB, filho de José Alencar, com apenas 7%.

O governo federal certamente vai investir pesado em Minas, mas, hoje ao menos, os fatores contam mais a favor do tucano Pimenta do que do petista Pimentel.

Por Reinaldo Azevedo

31/07/2014

às 5:31

Sem acordo, Justiça dos EUA confirma calote da Argentina

Na VEJA.com:
A Justiça dos Estados Unidos disse na noite desta quarta-feira que o calote da dívida da Argentina era iminente, depois de os representantes do país não chegarem a um acordo com os chamados fundos abutres. A confirmação veio no fim do dia, quando o prazo para chegar a um entendimento com os credores se esgotou. No mesmo instante em que o fracasso das negociações foi anunciado, o ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, concedia uma coletiva de imprensa em Nova York sem informar aos jornalistas sobre a situação de calote. Durante toda a coletiva, o ministro afirmou que a Argentina havia efetuado o pagamento dos juros aos credores que aceitaram a reestruturação da dívida — e negou moratória. Quando confrontado por uma jornalista argentina que possuía a nota da Justiça americana informando sobre o default, Kicillof afirmou que desconhecia a informação: “Estou surpreso com o que você acaba de dizer. Esse comunicado me parece escrito para favorecer uma das partes. Eu não entendo a Justiça americana”, afirmou.

Em comunicado, o mediador designado pela Justiça para resolver o impasse, Daniel Pollack, afirmou que o default da Argentina era “iminente”. O país não honrou o pagamento de US$ 539 milhões aos credores que aceitaram a reestruturação da dívida em 2005 e 2010 porque seus representantes não acataram a decisão da Corte dos Estados Unidos, que determinava o pagamento, concomitante, aos fundos abutres. Tais investidores são aqueles que não aceitaram a reestruturação e querem receber o valor total da dívida. “Default não é uma mera condição técnica, mas um evento doloroso e real que vai afetar as pessoas”, afirmou Pollack na noite desta quarta-feira. “As consequências desse default não são previsíveis, mas certamente não são positivas”, disse.

Segundo Pollack, a Justiça chegou à conclusão de que a Argentina não poderia, segundo a lei, pagar os detentores da dívida reestruturada sem que pagasse, também, os que não aceitaram a reestruturação. Nas negociações, a Argentina não cedeu: se os fundos quisessem receber, teriam de aceitar as mesmas condições dos credores que acataram a reestruturação. Contudo, os abutres se negaram a aderir ao plano, que impôs perdas de 40% aos investidores à época. “Trabalhei sem parar, ao longo das últimas cinco semanas, para reunir os representantes da Argentina e os holdouts (como a Corte se refere aos abutres) num acordo que permitisse o pagamento da dívida no dia 30″, afirmou Pollack, em comunicado. “O default não pode se tornar uma situação permanente, algo que acarretará em enormes prejuízos para a Argentina e seus credores, mas, sobretudo, para os cidadãos argentinos, que serão as reais vítimas”, afirma.

Por volta das 17 horas (horário de Brasília), a agência de classificação de risco Standard & Poor’s colocou a nota da dívida argentina em “moratória seletiva”, o que significa que apenas uma classe de bônus, com vencimento em 2033, está em default. Ao saber sobre a classificação, o ministro Kicillof desferiu críticas à S&P. “Quem acredita nas agências de classificação de risco? Quem pensa que eles são alguma referência no sistema financeiro? Se elas sabem tanto sobre risco, por que não viram chegar a crise das hipotecas?”, questionou o ministro, em coletiva à imprensa, logo após terminar sua reunião com Pollack. Durante todo seu discurso, Kicillof negou a moratória e afirmou que não se pode chamar de caloteiro um país que depositou o dinheiro para pagar seus credores. “Querem nos impor algo que é ilegal e muito ruim para a Argentina”, disse o ministro, referindo-se ao pagamento aos fundos abutres.

Consequências
O efeito mais pernicioso da moratória é o fim do acesso do governo argentino ao mercado internacional. O que significa que o país não pode emitir títulos. A medida também dificulta a captação externa dos bancos e empresas argentinas. Por essa razão, bancos privados do país tentaram montar um fundo de garantias de mais de US$ 200 milhões para oferecer aos abutres como forma de negociação. Kicillof afirmou que a tentativa dos bancos é legítima e disse que “sentia muito” pelos prejuízos que o setor privado do país teria com a restrição ao mercado internacional. Os credores também podem conseguir na Justiça o bloqueio de bens do país no exterior, como forma de amortizar a dívida.

Dívida antiga
Nesta quarta, ocorreu o segundo vencimento de uma parcela de US$ 539 milhões relativos a juros que devem ser pagos a credores nos Estados Unidos. O governo Kirchner não pagou o montante no primeiro vencimento determinado pelo juiz Thomas Griesa, em 30 de junho. Griesa é o responsável pela decisão que obriga a Argentina a pagar não apenas os juros devidos aos credores, mas também os valores integrais referentes aos títulos que estão com os fundos abutres, que não aceitaram a reestruturação da dívida argentina nos anos de 2005 e 2010 e, por isso, acionaram o país na Justiça para receber montante total da dívida. A reestruturação se deu depois do calote de 2001 e impôs perdas aos investidores dos papéis do país. Os abutres, contudo, são fundos especializados em compra de títulos de países caloteiros, justamente para acioná-los na Justiça e tentar receber o valor total.

A Argentina se negou a efetuar o pagamento aos abutres porque teme que isso ative a cláusula “Rufo”, cuja sigla em inglês quer dizer “direitos sobre futuras ofertas”, colocada pelo próprio governo, que indica que a Argentina não poderá negar aos demais credores as mesmas condições dadas aos abutres. Com isso, o país pode abrir precedentes para que todos os credores entrem na Justiça para receber o total da dívida, que seria superior às suas próprias reservas internacionais, que estão na casa de 30 bilhões de dólares.

O governo argentino tentou efetuar o pagamento aos credores dos títulos reestruturados, mas o juiz Griesa bloqueou a transação, classificando-a de ilegal. Assim, enquanto não pagar os abutres, a Argentina não pode honrar seus compromissos com os demais credores. Em entrevista ao site de VEJA, Jay Newmann, gestor do fundo NML, o principal abutre, afirmou que, ao longo de dez anos, vem tentando se reunir, sem sucesso, com o governo argentino. Até seu primeiro encontro com os representantes do país, nesta terça, a negativa vinha sendo constante, e o governo exigia, segundo Newman, que os fundos aceitassem a proposta argentina de forma unilateral.

Credores europeus
Temendo os efeitos do calote, credores europeus entraram na terça-feira com um pedido de emergência para a suspensão da execução da sentença que determina o pagamento aos credores do país. Os europeus pedem a suspensão do prazo por 90 dias ou até o início de janeiro de 2015, caso contrário consideram bem provável que a Argentina entre em default. O argumento é de que, com a suspensão, a Casa Rosada terá mais tempo para negociar formas de evitar um calote.

No mesmo documento, os credores da dívida em euro afirmam que abrem mão da chamada cláusula Rufo, que determina que as mesmas condições oferecidas aos fundos abutres precisam ser oferecidas aos agentes que aderiram às duas reestruturações da dívida do país, em 2005 e 2010. Esta cláusula é válida até o final de dezembro de 2014. Os detentores da dívida em euro afirmam que já entraram em contato com outros investidores interessados em também abrir mão da cláusula Rufo. Juntos, este grupo detêm 5,2 bilhões de euros da dívida do país, segundo o documento.

ENTENDA O QUE SÃO FUNDOS ABUTRES:
Fundo abutre é um jargão do mercado financeiro usado para classificar fundos de hedge que investem em papéis de países que deram calote — atuam, em especial, na América Latina e na África. Sua atuação é perfeitamente legítima. O termo abutre foi criado para diferenciá-los dos fundos convencionais, justamente por trabalharem como “agiotas” de países caloteiros, emprestando dinheiro em troca de “títulos podres”. São considerados pelo mercado uma espécie de ‘investidor de segunda linha’. Sua atuação consiste em comprar títulos da dívida de nações em default por valor irrisório para depois acionar o país na Justiça e tentar receber ganhos integrais. Os “abutres” compraram os papéis da dívida argentina por us$ 48,7 milhões em 2001 e querem receber, hoje, cerca de us$ 1 bilhão. A Argentina, por sua vez, tenta escapar do pagamento. O país teme que, caso aceite pagar os “abutres” integralmente, os 92% de credores que aceitaram a renegociação da dívida em 2005 e 2010 possam buscar na Justiça o direito de receber ganhos integrais. Neste caso, o pagamento poderia reduzir as reservas internacionais do país a praticamente zero. Outro agravante é que, devido ao histórico de calotes e decisões econômicas escandalosas do país, sua credibilidade para negociar com credores está fortemente abalada.

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2014

às 22:54

Governo de Agnelo é tão ruim que população do DF prefere um ex-presidiário

O governo de Agnelo Queiroz, do PT, no Distrito Federal é de tal sorte desastroso que um ex-presidiário, que deixou o governo de forma desmoralizante, lidera a corrida. Se a eleição fosse hoje, José Roberto Arruda, do PR, teria 32% dos votos. Em segundo lugar, viria o atual governador, com 17%, seguido por Rodrigo Rollemberg, do PSB, com 15%. Mas não é só no “sim” que Agnello exibe números sofríveis; também no “não”. Nada menos de 48% dizem que não votariam nele de jeito nenhum — uma rejeição bem maior do que a de Arruda, que aparece com 32%. Rollemberg é rejeitado por apenas 7%.

A esta altura, Agnelo está torcendo para que a candidatura de Arruda seja cassada pela Justiça. Por mais que se possa lamentar, sinceramente não vejo como isso poderia ser feito dentro dos limites da lei.

A Procuradoria Regional Eleitoral resolveu questionar na Justiça a candidatura do ex-governador. Por quê? Segundo a lei, ele é agora um “ficha suja”. Foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa. Acontece que a jurisprudência da Justiça Eleitoral considera que existe um marco temporal para a tal “ficha suja” inviabilizar uma candidatura: a data do registro. E a condenação de Arruda é posterior a esse registro. Caberá ao Tribunal Regional Eleitoral tomar a decisão. Se for contrária a Arruda, ele poderá recorrer ao TSE. No pedido de impugnação, argumenta a Procuradoria: “A inelegibilidade decorrente de condenação por ato de improbidade administrativa pode ser arguida na fase de registro, mesmo que a decisão seja publicada depois da data-limite para o requerimento, como é o caso em exame”.

Mas esperem: não é a publicação que é posterior ao registro; é a condenação. Aí as coisas se complicam. A Procuradoria argumenta ainda: “Não é demais acrescentar que, no caso em exame, se o impugnado vier a ser eleito, sem reversão da atual decisão acerca da improbidade ou suspensão de seus efeitos, não poderá ser diplomado no cargo de governador, o que levará à anulação dos votos concedidos à chapa e à consequente anulação da eleição”. Releiam o que vai acima. O raciocínio feito pela Procuradoria é o seguinte: como é grande a chance de que ele venha a ser punido depois, então vamos aplicar a punição já para evitar contratempos. Máxima vênia, não é assim que se constrói o estado de direito. Se esse entendimento da lei prospera, as punições começarão a ser aplicadas antes dos julgamentos. Já escrevi aqui que a Papuda pode até ser um bom lugar para  Arruda, mas segundo a lei, não contra ela.

Cabe lembrar um fato adicional: quando Arruda caiu em desgraça, era um governador muito bem avaliado — ao contrário de Agnelo. Vamos ver o que acontece depois do início da campanha. Se Rollemberg chegar ao segundo turno contra qualquer um dos dois, pode se tornar o favorito em razão da rejeição (num caso) ou do passado (no outro) de seus adversários.

Senado
No Distrito Federal, o PT vai mal também na disputa pelo Senado: o favorito é Reguffe, do PDT, com 31%. O petista Geraldo Magela está em segundo, com 16%. Gim Argello, do PTB, está com 13%. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) sob o número DF-00022/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-00267/2014. O Ibope ouviu 1.204 eleitores, com margem de erro de três pontos para mais ou para menos.

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2014

às 22:14

Ibope RJ – Pezão rumo ao segundo turno, e a provável disputa com Lindbergh

O Ibope  pesquisou também a intenção de voto para o governo do Rio. Uma tendência que este blogueiro havia identificado no levantamento do Datafolha parece que vai se confirmando, a estarem certos os números. O resultado é positivo para o governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB. Explico por quê.

Se a eleição fosse hoje, segundo o instituto, Anthony Garotinho, do PR, teria 21% dos votos, seguido por Marcelo Crivella, do PRB, com 16%, e por Pezão, com 15%. O petista Lindbergh Farias segue como uma aposta petista que ainda não aconteceu: está com 11%. Mas vamos com calma.

Garotinho está na frente, mas é o que lidera, de muito longe, a rejeição: 44% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Os outros despencam nesse quesito: só 17% rejeitam Pezão e Lindbergh, e 15% dizem que não votariam em Crivella.

A pesquisa foi encomendada  pela  TV Globo e registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número  RJ - 00011/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR – 00271/2014. Ouviu 1.204 pessoas entre os dias 26 e 28 e tem margem de erro de três pontos para mais ou para menos.

Isso quer dizer que os três primeiros colocados estão empatados. Digamos que Garotinho passe para o segundo turno — o que não me parece provável: quem quer que dispute com ele estará eleito. No dia 19 de agosto, começa o horário eleitoral gratuito. Arredondando, Pezão terá 11 minutos; Lindbergh, 5; Garotinho, 2, e Crivella, 1. O PMDB tem mais a oferecer do que isso: uma máquina gigantesca na cidade e no Estado.

De resto, Lula e Dilma não devem entrar de cabeça na campanha de Lindbergh. O PMDB já aplicou uma vacina preventiva: existe no Estado o voto “Aezão”. Se os petistas decidirem transformar Pezão num alvo, Dilma pode pagar o preço. Dados os números da rejeição e o tempo de TV, é bastante provável um segundo turno entre Pezão e Lindbergh, com a neutralidade das duas estrelas do PT. Nesse caso, não se enganem: não se disputa um segundo turno sem escoriações. E a presidente, que, possivelmente, também estará no segundo tempo da disputa não vai querer a hostilidade do PMDB fluminense.

Senado
O Ibope  pesquisou também a intenção de voto para o Senado: Romário, do PSB, lidera com 24%, seguido por César Maia, do DEM, com 17%. Eduardo Serra, do PCB, aparece com 5%. Carlos Lupi, do PDT, tem apenas 3%.

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2014

às 21:00

Ibope em SP: mais um resultado desalentador para o PT. Ou: Das torneiras, não escorrem votos

Mais uma pesquisa desalentadora para os adversários do PSDB em São Paulo. Desta feita, os números são do Ibope, que ouviu 1.512 pessoas em 78 municípios, entre os dias 26 e 28 de julho. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), sob o protocolo Nº SP- 00013/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob protocolo Nº BR – 00272/2014. A margem de erro é de 3 pontos para mais ou para menos. Se a eleição fosse hoje, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) seria reeleito com 50% dos votos. Paulo Skaf, do PMDB, aparece com 11%, e o petista Alexandre Padilha tem apenas 5%. Os demais candidatos somam 5%. Brancos e nulos são 15%, e 14% dizem não saber em quem votar.

Se Padilha amarga a rabeira entre os maiores, lidera a rejeição, com 19%. Alckmin tem 18%, e Skaf, 13%. O Ibope quis saber também como os paulistas avaliam o governo do Estado: para 40%, ele é “ótimo ou bom”; 38% o consideram “regular”, e só 19% acham que é “ruim ou péssimo”. Nada menos de 62% acreditam que Alckmin será reeleito. Só 2% dizem que será o petista o escolhido.

Senado
O tucano José Serra também lidera a disputa por uma vaga ao Senado no Estado: aparece com 30% das intenções de voto, seguido por Eduardo Suplicy (PT), com 23%. Gilberto Kassab, do PSD, tem 5%.

Datafolha
Os números do Ibope, consideradas as margens de erro dos dois institutos, não diferem muito dos divulgados pelo Datafolha no dia 17 deste mês: nesse caso, Alckmin aparece com 54%; Skaf, com 16%, e Padilha, com 3%.

Já apontei aqui que, a meu juízo, Padilha e Skaf cometem um erro estratégico ao tentar jogar nas costas de Alckmin a crise hídrica. Pior: tratam o tema como se faltasse água em 100% das torneiras de São Paulo. Parece que o eleitorado rejeita esse expediente, até porque há coisas que afrontam a experiência: a esmagadora maioria das casas está sendo normalmente abastecida, e todos sabem que o Estado enfrenta a maior seca de sua história.

Insistir nessa questão, acho eu, cheira a oportunismo. Parece que alguns políticos exploram de modo meio perverso as dificuldades reais ou potenciais dos cidadãos. Até porque o abastecimento de água não frequentou o debate eleitoral em São Paulo desde o restabelecimento das eleições diretas nos Estados, em 1982. Fazê-lo agora, quando não chove, tentando culpar o governo, não parece ser uma escolha inteligente. Mas não serei eu a tentar convencer o PT do contrário.

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2014

às 20:23

Ibope: com 50%, Alckmin vence no primeiro turno em SP

Na VEJA.com:

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), seria reeleito no primeiro turno, com 50% das intenções de votos, segundo pesquisa Ibope divulgada na noite desta quarta-feira pelo jornal O Estado de S.Paulo em parceria com a TV Globo.

De acordo com o levantamento, Paulo Skaf, do PMDB, aparece com 11% em segundo lugar, e Alexandre Padilha, do PT, tem 5% da preferência dos entrevistados. Outros 15% afirmaram que pretendem votar em branco ou nulo, e 14% não souberam opinar. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Aprovação e rejeição – Segundo o instituto, Padilha detém a maior rejeição entre os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes: 19%. Alckmin registrou 18%, e Skaf, 13%.

O Ibope também avaliou o desempenho da atual gestão de Alckmin: o percentual de aprovação – ótimo – é de 6%. 34% dos entrevistados consideram o desempenho do governo como bom e 11% dos ouvidos apontam a avaliação como péssima. 

Há quinze dias o instituto Datafolha também analisou a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O cenário mostrado foi bastante similar ao retrato pela pesquisa Ibope. Na avaliação divulgada em 17 de julho, Alckmin aparece com 54% das intenções de voto, seguido por Skaf, com 16%, e Padilha, 4%.

Disputa ao Senado – O Ibope avaliou também as intenções de voto ao Senado Federal. O ex-governador José Serra (PSDB) tem 30% das intenções. Na sequência, o petista Eduardo Suplicy (PT) aparece com 23%. O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) tem 5%.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo 00013/2014. Conforme os dados registrados, foram ouvidos 1.513 eleitores, nos dias 26 e 28 de julho, em 78 municípios paulistas. Essa é a primeira vez que o instituto avalia o cenário paulista na corrida eleitoral neste ano. 

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2014

às 17:57

Contas do governo têm pior resultado desde 2000 no 1º semestre

Na VEJA.com:
O governo central (formado pelas contas do Tesouro, do Banco Central e da Previdência Social) registrou déficit primário de 1,95 bilhão de reais em junho, o pior resultado para junho desde o início da série histórica, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira. Nos seis primeiros meses do ano, a economia feita para o pagamento de juros acumula saldo positivo de 17,24 bilhões de reais, metade do valor visto em igual período do ano passado e também o pior resultado para o período desde o ano 2000.

O resultado fiscal é a diferença entre os gastos e receitas do governo central. Quando as receitas superam as despesas, há o superávit primário, usado para arcar com os juros da dívida. Contudo, esse é o segundo mês consecutivo em que as contas ficam no vermelho. A deterioração das contas públicas tem sido motivo de apreensão tanto no governo quanto para investidores. O resultado de 2014 é, inclusive, pior do que o verificado em 2008 e 2009, anos de crise, em que a arrecadação foi penalizada e o governo teve de financiar políticas anticíclicas para amenizar os efeitos da crise financeira internacional.

O resultado negativo foi impactado, sobretudo, pelo resultado da Previdência Social, que apresentou, no mês passado, déficit de 4,508 bilhões de reais — alta de 16,2% em relação a maio. O impacto positivo foi o recebimento de 1,48 bilhão de reais em dividendos de estatais, muito acima dos 780 milhões de reais vistos em maio.

Em junho, as receitas líquidas do governo central somaram 78,46 bilhões de reais, quase 15% a mais frente a maio. No acumulado do semestre, somam 491,2 bilhões de reais, o que representa alta de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as despesas somaram 80,41 bilhões de reais em junho, com alta de 2% em comparação ao mês anterior. Nos seis primeiros meses do ano, elas somam 473,96 bilhões de reais, alta de 10,6% em relação ao ano passado.

O resultado ruim mostra que as contas públicas seguem influenciadas pela economia fraca, o que tem levado o governo a recorrer às receitas extraordinárias para tentar fechar suas contas. Neste ano, a projeção é de que elas somarão 31,6 bilhões de reais. Também têm pesado as fortes desonerações tributárias que, no semestre passado, somaram cerca de 51 bilhões de reais, quase 45% a mais do que em igual período de 2013.

Em 2014, a meta de superávit primário do setor público consolidado (a soma das contas do governo central, Estados, municípios e estatais) é de 99 bilhões de reais, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2014

às 16:06

Aécio defende simplificar sistema tributário e investimentos de 24% do PIB

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira que, se eleito, terá a meta de garantir até 2018 investimentos totais de 24% do Produto Interno Bruto (PIB). Em sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o tucano disse que o governo do PT adotou uma “visão patrimonialista” do Estado brasileiro, loteou a administração pública e colocou em xeque o crescimento econômico.

“Os resultados pífios da economia brasileira são consequência de opções erradas que o atual governo fez ao longo dos últimos anos. Não é possível assistirmos à velha cantilena de transferência de responsabilidades pelos péssimos resultados da economia. O empresariado brasileiro é extremamente competitivo, não fosse o despropósito do custo Brasil a que estão submetidos hoje”, disse para, em seguida, ironizar a quantidade de programas anunciados pelo governo federal. “Não esperem do nosso governo o plano A, o Brasil Melhor, o Brasil Muito melhor, o Brasil Maior. Esperem regulação clara dos mercados e ação do governo para aumentar a produtividade e qualidade dos serviços”, disse.

“A meta que estou estabelecendo para o meu futuro governo é que possamos, ao final de 2018, saltar de 18% do PIB em investimentos para 24% do PIB em grande articulação do governo com o setor privado e com a criação de um grande ambiente favorável a negócios”, declarou.

Crescimento e inflação
“Não é crível que a nossa situação no Brasil seja pior em relação a crescimento e expectativa [de crescimento] na comparação com vizinhos [da América Latina]. Represento a grande e nova aliança com sociedade para romper com estruturas carcomidas que aqui estão. O Estado não precisa ser ineficiente apenas por ser Estado”, disse. Em exposição para empresários, o candidato ainda recorreu ao fracassado jogo entre Brasil e Alemanha, na Copa do Mundo, para criticar o baixo crescimento econômico – o boletim Focus, no Banco Central, estimou ampliação de apenas 0,9% na economia este ano – e o recrudescimento da inflação, que estourou o teto da meta.

“Este 7 a 1 [contra a Alemanha] foi muito triste, mas isso é o que menos preocupa. O que preocupa são 7% de inflação e 1% de crescimento”, disse. Assim como fez Eduardo Campos (PSB), Aécio Neves também prometeu a ampliação de recursos para obras de infraestrutura até para que se atinja de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e disse que o Brasil deve costurar novas relações comerciais com Estados Unidos, União Europeia e China. Embora, pelo menos no papel, o governo federal conte com 550 bilhões de reais para o Programa de Investimento em Logística (PIL), as concessões de modais de transportes foram travadas, em alguns casos, pelo desinteresse do investidor, que reclama cotidianamente da falta de marcos regulatórios claros e das baixas taxas de retorno para as obras.

Reforma tributária
No debate promovido pela CNI, o tucano Aécio Neves também defendeu a aprovação de uma reforma tributária, como fez Campos. Mas disse que, se eleito, focará em um primeiro momento na simplificação do sistema de impostos. O esboço de reforma tributária discutido pela campanha de Aécio prevê a criação da Secretaria de Simplificação do Sistema Tributário, colegiado que funcionará por até sessenta dias para elaborar um projeto de lei para a simplificação do sistema tributário, diminuição dos impostos indiretos, viabilização de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) no âmbito federal e criação de mecanismos de compensação dos créditos tributários. Em uma segunda fase, se discutiria a redução da carga tributária e um pacto entre estados para o fim da guerra fiscal. “Enfrentando simplificação do sistema tributário na largada do nosso governo, essa simplificação abrirá as portas para que possamos ter uma redução horizontal da carga tributária”, defendeu.

Embora as discussões sobre o fim da guerra fiscal esbarrem em constantes impasses federativos, o candidato do PSDB disse que, para viabilizar este ponto e os demais relativos à reforma tributária, será necessário fazer um “controle efetivo e claro” dos gastos correntes do governo. “Só vamos ter espaço fiscal necessário no momento em que encaixarmos o crescimento dos gastos correntes no crescimento da própria economia”, disse.

Entre suas propostas, Aécio Neves também defendeu, sem apresentar detalhes, a integração das empresas brasileiras a cadeias globais de produção e o combate ao chamado custo Brasil. “Precisamos de um ambiente de negócios e de regulação, com agências reguladoras resgatadas como instrumentos da sociedade, um sistema tributário mais ágil e um choque de infraestrutura e parceria com o setor privado”, disse. Ao empresariado, o candidato do PSDB criticou o governo federal por definir previamente a taxa de retorno dos programas de concessão. “Não cabe a governo nenhum estabelecer taxa de retorno para quem investe no Brasil. Isso cabe ao setor privado. Cabe ao governo estimular que ele ocorra com regras claras e sem esse nefasto intervencionismo que se tornou marca desse governo nos últimos anos”, afirmou.

 Apesar de, em tese, ter a preferência do setor empresarial, o candidato tucano optou por utilizar grande parte de sua exposição para críticas ao governo federal, às recorrentes maquiagens fiscais promovidas pelo Tesouro Nacional e à falta de estabilidade de regras para o ambiente de negócios. “Não sou candidato à presidência da República para colocar um retrato na parede, mas para fazer o que não foi feito. Falta no Brasil liderança política e coragem política de fazer o que precisa ser feito”, declarou.

Para o tucano, é preciso buscar um “nível de crescimento minimamente respeitável” e combater o inchaço da máquina pública com medidas como, por exemplo, a redução do número de ministérios. “Hoje há uma estrutura ministerial absurda, anacrônica e vergonhosa”, disse. Pela proposta desenhada pela campanha tucana, haveria a redução dos atuais 39 ministérios para 22. O número de pastas de primeiro escalão leva em conta estudo desenvolvido em 2008 pelos físicos Peter Klimek, Rudolf Hanel e Stefan Thurner e que avalia o “coeficiente de ineficiência” das estruturas de governo. De acordo com a tese desenvolvida pelos professores da Universidade Cornell, governos mais eficientes são formados por grupos menores com um intervalo de dezenove e 22 ministérios.

Programa de governo
Nas propostas que apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato do PSDB já havia defendido que a competitividade produtiva poderia ser atingida com investimentos em produção, em infraestrutura social e em políticas de desburocratização. Assim como os demais postulantes ao Palácio do Planalto, não há detalhamento de como as promessas seriam colocadas em prática. De acordo com a campanha do tucano, o programa enviado ao TSE será aprimorado a partir de sugestões de eleitores e de especialistas.

Para Aécio, a melhoria da produtividade de empresas nacionais será possível com a modernização do parque industrial brasileiro, pela melhoria no ambiente de negócios e pela capacitação das companhias. “O crescimento do emprego, a ampliação e qualificação do mercado interno e a expansão das exportações põem no centro da política econômica a questão da produtividade”, justificou o candidato ao TSE.

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados