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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

08/06/2015

às 6:17

Maioridade penal – As esquerdas odeiam os números e a lógica. Ou: Agora ninguém quer ser o pai dos números falsos de Dilma

A Folha deste domingo trouxe uma evidência sobre a qual já escrevi muitas vezes. O Brasil não sabe quantos homicídios — ou crimes hediondos, mais amplamente — são cometidos por menores. O governo se opõe à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos alegando que menos de 1% dos assassinatos é cometido por pessoas abaixo de 18. É chute e mentira. Como a polícia identifica menos de 10% das autorias — apenas 8% —, de onde saiu aquele dado? A própria presidente Dilma o citou e atribuiu a conta ao Ministério da Justiça. Este diz que é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que, por sua vez, nega que o tenha produzido. Pronto! Está desmoralizada mais uma daquelas verdades incontestáveis das esquerdas, fundadas sobre o nada!!!

Lembram-se do tempo em que se sustentava que morriam 200 mil mulheres por ano no Brasil em decorrência do aborto? Esses dados falsos chegaram a ser levados para a ONU pela ministra das Mulheres, Eleonora Menicucci. Informação: as mortes são pouco superiores a mil. Não quer dizer que sejam irrelevantes. Quer dizer que não são 200 mil.

No livro “O Retrato”, editado pela primeira vez em 1962 e reeditado recentemente pela editora Três Estrelas, o jornalista Osvaldo Peralva (1918-1992) narra o ódio que a velha-guarda stalinista do PCB tinha aos números — geralmente, estes negavam suas teses. Se Luiz Carlos Prestes escrevia, sob as ordens de Moscou, que o Brasil estava regredindo à condição de colônia, pouco importava que os dados demonstrassem o contrário. Tratava-se, na cabeça dos dinossauros, apenas de um desvio burguês. Aliás, recomendo vivamente o livro. A esquerda continua odiando os números e os dados. E defende seus preconceitos como se fossem sabedoria universal.

A própria reportagem da Folha faz um trajeto curioso. Informa, sim, como se vê, que o governo chuta um número inexistente, mas resta evidente o viés crítico àqueles que propõem a redução da maioridade penal, já que estariam a defender uma tese no escuro. Será? Ora, para que se chegasse a uma estatística confiável, convenham, seria necessário que a eficiência da polícia aumentasse brutalmente na apuração das autorias. Como isso pode levar décadas, tudo ficaria como está.

Mas esperem: o jornal traz informações preciosas, e todos os números a seguir se referem a assassinatos com autoria conhecida: nos Estados Unidos, menores respondem por 7% das ocorrências. Na Inglaterra e País de Gales, por 18%; no Uruguai, por 17%. Pergunta óbvia: por que, no Brasil, as autorias nessa faixa etária estariam em menos de 1%?

De resto, essa estatística, que agora ficou sem pai nem mãe, nega a realidade mais evidente. Segundo dados do Distrito Federal, menores de 18 anos respondem por 30% dos homicídios com autoria conhecida; no Ceará, por 30,9%; no Maranhão, por 15,2%.

Faltam dados, mas
Sim, faltam dados no país para que tenhamos um retrato fiel do que está em curso. Falta uma polícia mais eficiente na investigação que possa produzi-los. Mas nada disso é motivo para que não se reduza a maioridade penal e não se aumente o tempo de internação dos menores de 16 que praticarem crimes hediondos. A experiência internacional, mesmo em países com um número muito menor de ocorrências, indica a alta frequência de assassinos juvenis. No Brasil, por fatores vários, as porcentagens devem ser maiores do que nos países citados.

Não! Essa medida, por si, não “resolve” o problema da violência. Aliás, lançar tal questão é de uma desonestidade intelectual escandalosa. Não há “uma medida” para pôr fim ao problema; nem duas nem três. Nem dez. Trata-se apenas de não deixar na rua, impune, um assassino, depois dos quase nunca cumpridos meros três anos de internação. A vida humana tem de valer um pouco mais do que isso.

O pacote
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), patrocinou em 2013 um projeto que ampliava o tempo de internação, de três para oito anos, do menor que pratica crime hediondo. Foi bombardeado pelo PT. Agora, os companheiros parecem buscar se ancorar em Alckmin para que essa proposta tome o lugar da redução da maioridade penal.

Tomara que o tucano não caia no truque. Já escrevi aqui e reitero que as duas medidas — ou mais — são necessárias: redução da maioridade de 18 para 16 e ampliação do tempo de internação para os menores de 16 que cometerem homicídios e outros crimes hediondos. Também se pode agravar a pena de quem aliciar adolescentes para o crime. Essas medidas compõem um pacote contra a impunidade e em favor da segurança.

“Ah, mas vai resolver?” Resolver o quê, cara-pálida? A violência não tem uma solução. Ela pede combate. Se combatida com eficiência, diminui. E sempre será eficiente manter um assassino trancafiado.

Texto publicado originalmente às 4h52
Por Reinaldo Azevedo

08/06/2015

às 6:10

A possibilidade de democracia na Turquia ainda respira

A possibilidade de haver uma democracia de fato na Turquia — não, eu não considero aquele um regime democrático! — ainda respira. O Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), de orientação islâmica, comandado com mão de ferro pelo presidente Recep Erdogan, obteve 41% dos votos, o que deve lhe render, segundo a imprensa local, 258 cadeiras das 550 no Parlamento — 18 a menos do que a maioria necessária (metade mais um) para governar sem precisar fazer uma coalizão.

A derrota de Erdogan é maior porque, no início da campanha eleitoral, ele ambicionava fazer ao menos 400 cadeiras. Com 330 — o correspondente a três quintos —, ele já conseguiria propor um referendo para ampliar os poderes da Presidência da República.

O agora presidente turco exerce, vamos dizer assim, um modelo Vladimir Putin de “democracia”, com viés islâmico. Depois de permanecer como primeiro-ministro da Turquia de março de 2003 a agosto de 2014, elegeu-se presidente. E, aí, ora vejam, teve a ideia de aumentar os poderes da… Presidência.

Erdogan foi surpreendido pelo desempenho do Partido Democrático (HDP), pró-curdo, que obteve 12,5% dos votos. O Partido do Povo (CHP), ficou com 25,2%, e o Partido da Ação Nacionalista (MHP), ambos seculares, com 16,5%. Qualquer que seja a composição para governar, avalia-se que o presidente não obterá os três quintos necessários para mudar a Constituição. E essa é certamente uma boa notícia para a, quem sabe um dia, democracia turca.

Só pra deixar claro: eleições compõem as condições necessárias de uma democracia, mas não suficientes. Na Turquia, a imprensa sofre censura religiosa, e jornalistas estão presos por delitos de opinião, ainda que a acusação oficial seja de conspiração. Um país com essas características não pode ser considerado democrático, a menos que a gente comece a achar que existe uma “democracia tipicamente turca”.

Estejam certos: sempre que é preciso ficar colando penduricalhos à democracia, estamos falando de outra coisa.

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2015

às 2:05

ANTISSEMITISMO NA UFSM – Presidente da Federação Israelita do RS envia e-mail a este blog

Zalmir Chwartzmann, presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, envia o e-mail que segue sobre post (post), que publiquei aqui. Leiam. Volto na sequência.
*
Prezado Reinaldo Azevedo:

É com assombro que leio em seu blog o post intitulado “ANTISSEMITISMO NA UFSM: AS CONSEQUÊNCIAS 2 –  Sobre ambiguidades e pusilanimidades. Ou ainda: Será tudo uma invenção do Reinaldo Azevedo?”.

Me toma de inopino a sua preocupação criar uma polêmica injustificada em relação à minha pessoa e à instituição da qual estou Presidente, sem mesmo averiguar a veracidade dos fatos. Ouso dizer que fostes vítima de uma fonte que distorceu os acontecimentos, de forma mal intencionada. Vamos aos fatos!

Segue abaixo a tua primeira afirmação:
“Federação Israelita do Rio Grande do Sul, comandada por Zalmir Chwartzmann — que também é presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil do RS —, decidiu, sim, cobrar explicações sobre aquele descalabro. A entidade, no entanto, tentou antes o caminho do “deixa disso.”

Em primeiro lugar, não estou Presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil do RS. Já estive no passado, cargo que exerci com muito orgulho e abnegação. Hoje, entretanto, apenas integro a Diretoria da instituição.

Em segundo lugar, a Federação Israelita do Rio Grande do Sul, neste caso, EM NENHUM MOMENTO buscou o caminho do “deixa disso”. Ao tomarmos conhecimento do assunto, imediatamente acionamos o nosso corpo jurídico, formado por renomados juristas gaúchos, e notificamos a Confederação Israelita do Brasil acerca dos fatos. Nossas notas de repúdio foram lançadas simultaneamente, e de comum acordo foram definidos os seus conteúdos. Prova disso é que a nota da CONIB, ao final, refere que “diante de ação dessa natureza, que suscita as piores memórias na comunidade judaica brasileira, a CONIB e a Federação Israelita do Rio Grande do Sul estão avaliando as medidas de natureza política e jurídica a serem tomadas”.

Sabemos que os movimento de Boicote, Sanção e Desinvestimento (BDS) contra Israel têm crescido sobremaneira no meio acadêmico, situação que nos causa enorme preocupação, razão pela qual estamos dispostos a levar o assunto às últimas consequências, com o objetivo de tornar este caso “exemplar”.

Prova disso é que o MEC, após provocação da FIRS e da CONIB, lançou nota repudiando a atitude da UFSM, e se comprometendo a apurar os fatos de maneira profunda. Ato contínuo, também lançamos nota em nossa fan page no Facebook, onde destacamos que “este primeiro passo é fundamental na construção de um caminho que leve à identificação e punição dos responsáveis”. A toda evidência, dessa frase depreende-se o nosso intuito de não colocar “panos quentes” no caso. 

Em teu post, a seguir, referes que “o jornalista e professor Luís Milman, que é judeu e entrou com uma queixa-crime contra a UFSM no Ministério Público Federal, foi chamado para uma reunião com a direção da federação. E ALI OUVIU, INFELIZMENTE, QUE TODOS TINHAM DE SER MUITO PRUDENTES E COISA E TAL E QUE, ORA VEJAM, OS JUDEUS NÃO PODIAM SE PAUTAR POR AQUILO QUE DIZ REINALDO AZEVEDO, QUE SERIA CONTRA O PT. O objetivo, tudo indica, era fazer com que Milman desistisse de levar o caso adiante.

Reitero que o objetivo do convite feito ao Sr. Luís Milman para se reunir comigo e dois de meus Diretores, unicamente, não teve em nenhum momento o objetivo de fazer com que Milman desistisse de levar o caso adiante. O Sr. Milman, ao contrário do que afirmas, foi parabenizado pela sua prontidão em levar o caso adiante, ocasião em que indagou por qual motivo a FIRS ainda não tinha tomado providências similares. Respondi, então, que o assunto estava sendo avaliado pelo corpo jurídico, que decidiria pela melhor forma jurídica de conduzir o tema. Expliquei, ainda, que os tempos de resposta são distintos para os indivíduos e para as entidades. Como representante de uma comunidade de 12 mil gaúcho é mister que, antes de tomar qualquer decisão política ou jurídica, consulte os especialistas na área, sob pena de expor a comunidade judaica a constrangimento em caso de atitude irresponsável da minha parte.

Quanto à tua afirmação final de que “eu não brinco em serviço, não, doutor Zalmir Chwartzmann. E não gosto que brinquem comigo”, apenas me resta destacar que tampouco o faço e, repito, fostes vítima de uma fonte que distorceu os acontecimentos, de forma mal intencionada, sabe-se lá a serviço de que, ou de quem.

Por derradeiro, destaco que não nos afeta o teu posicionamento político-partidário, e que não o levamos em consideração ao avaliar a tua atividade jornalística. Tens plena liberdade de expressar o teu pensamento, assim como nós. E que bom que é assim, num Estado Democrático de Direito. E isso tem especial relevância no caso do antissemitismo, que ao longo da história esteve presente em diversos episódios ligados tanto à esquerda quanto à direita.

Ainda que não concordemos em tudo, reconhecemos que tens a coragem de ser uma voz dissonante, muitas vezes a única que se levanta em favor de Israel e dos judeus.

Espero que reconsideres o teu pensamento a meu respeito e da FIRS, e saiba o amigo que o meu telefone e e-mail estão sempre à sua disposição, para esclarecimentos ou contrapontos.
Um cordial shalom!
Zalmir Chwartzmann
Presidente da Federação Israelita do RS

Comento
Caro Zalmir Chwartzmann,

Não quero criar polêmica nenhuma — ou, se nos voltarmos para a origem da palavra, quero, sim, mas não com a Federação Israelita do Rio Grande do Sul ou com você. Os que considero adversários, nesse caso, são outros, por óbvio. Acrescento ainda que tenho, sim, posicionamentos políticos claros, mas não partidários. Sou um liberal, e não há partido realmente liberal no Brasil.  Ainda que houvesse, eu jamais a ele me filiaria porque tal atividade é incompatível com a independência que deve ter um jornalista.

Já corrigi, no post original, a informação errada sobre o seu cargo no sindicato. Quanto ao mais, melhor, então, que o ruído tenha sido fruto de um equívoco. Estou certo de que concordamos que um caso dessa gravidade não pode se extinguir sem consequências, doa a quem doer. Compreendo, sim, o seu cuidado, mas, no caso em tela, parece não haver dúvida sobre o ocorrido, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2015

às 1:21

ANTISSEMITISMO NA UFSM – Deputado petista quer saber quem vai para o hospício primeiro

Recebo do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), membro do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino, o e-mail que segue. O tal comitê é uma das entidades signatárias do pedido para que a reitoria da Universidade Federal de Santa Maria informe se há alunos e professores judeus no campus. A reitoria, para escândalo dos sensatos e dos decentes, decidiu atender à solicitação persecutória alegando cumprir a Lei de Acesso à Informação — que, obviamente, não se presta a isso. Mas vamos ao e-mail de Pimenta, como chegou. Volto em seguida.
*
“Informo ao colunista e aos autores dos comentários ofensivos a minha pessoa que o suposto documento atribuído a mim, não é de minha autoria. Portanto um grave equívoco produzido pela má fé ou por mera imprudência. Aproveito para informar também aos interessados, que fiquei sabendo do episódio pela imprensa e que portanto, qualquer tentativa de me vincular ao fato, credito a mentes criativas, obviamente prejudicadas de sendo crítico, por motivações de ordem ideológica ou clínica.

Paulo Pimenta”
*
Vamos lá. Má-fé e imprudência uma ova, meu senhor!

O que o senhor chama de “documento” é um artigo bucéfalo sobre a criação do Estado de Israel. Está lá na sua página, basta clicar aqui. Abaixo, vai uma imagem.

Paulo Pimenta página 2

Eu o li nesta manhã. Noto que aparece, na última linha, a autoria: “Jamila Khalil Zardeh”. Já estava lá quando li na manhã deste domingo? É possível. Darei de barato que sim. E daí? Paulo Pimenta decidiu reproduzir o texto em sua página, abaixo de sua foto, sem nenhum reparo. É um sinal de que concorda com as barbaridades lá escritas. Má-fé é querer agora tirar o corpo fora.

Ninguém o vincula ao “fato”, deputado, mas ao “Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino”, uma das entidades signatárias do pedido.

Quanto à falta de “senso crítico”, as “motivações ideológicas” ou “clínicas”, dizer o quê? Vamos fazer assim: ambos entramos num restaurante, em qualquer cidade do Brasil, bairro rico ou pobre, eu, como civil, e o senhor com a farda do PT. Vamos ver quem será mandado, na melhor das hipóteses, para o hospício.

Devagar aí, deputado! É o senhor quem deve explicações por manter um texto absurdo daqueles em sua página, não eu. Seu estilo sabidamente malcriado e truculento não me intimida. Ao contrário: ele me me inspira, se é que o senhor me entende. Vou corrigir a informação daquele outro post. O texto não é seu. O senhor apenas concorda com aquelas boçalidades. E assim? A coisa fica de boa-fé, suponho…

Por Reinaldo Azevedo

07/06/2015

às 9:14

ANTISSEMITISMO NA UFSM: AS CONSEQUÊNCIAS 2 –  Sobre ambiguidades e pusilanimidades. Ou ainda: Será tudo uma invenção do Reinaldo Azevedo?

Vejam esta foto:

Paulo Pimenta

Vamos lá. Eu não escrevo para agradar a esse ou àquele. Não escrevo para proteger meus amigos e atacar meus inimigos. Não escrevo para defender meus interesses e atacar os de adversários. Não raro, meto-me em porfias que não têm nem vizinhança com questões pessoais — a não ser a proximidade que mantenho com todo homem, como escrevia Terêncio: “Homo sum, humani nihil a me alienum puto” (Sou homem, e nada do que é humano é estranho a mim”). Algumas reações ao episódio havido na Universidade Federal de Santa Maria, que considero antissemitismo explícito, são lamentáveis. E eu não seria eu se não escrevesse tudo o que penso, sem perguntar antes quem vai e quem não vai se incomodar.

A Federação Israelita do Rio Grande do Sul, comandada por Zalmir Chwartzmann — que também é diretor do Sindicato das Indústrias de Construção Civil do RS —, decidiu, sim, cobrar explicações sobre aquele descalabro. A entidade, no entanto, tentou antes o caminho do “deixa disso”.

O jornalista e professor Luís Milman, que é judeu e entrou com uma queixa-crime contra a UFSM no Ministério Público Federal, foi chamado para uma reunião com a direção da federação. E ALI OUVIU, INFELIZMENTE, QUE TODOS TINHAM DE SER MUITO PRUDENTES E COISA E TAL E QUE, ORA VEJAM, OS JUDEUS NÃO PODIAM SE PAUTAR POR AQUILO QUE DIZ REINALDO AZEVEDO, QUE SERIA CONTRA O PT. O objetivo, tudo indica, era fazer com que Milman desistisse de levar o caso adiante.

Não, não foi o assediado quem me contou. Nunca falei com ele. Mas isso aconteceu. Tal avaliação é cretina. Meu blog está com o arquivo à disposição. O que penso sobre o antissemitismo no geral e sobre a questão israelo-palestina no particular é público. Será que, antes, precisei que houvesse petistas fazendo e falando bobagem sobre Israel para me posicionar? Será que, quando judeus e israelenses foram alvos de agressões, deixei a coisa de lado só porque não havia petistas no meio?

Há coisas que eu jamais faria. Entre elas, eu não me atreveria a ensinar um judeu a ser judeu. Mas, se preciso, eu ensino a quem quer que seja o valor da tolerância e o mal da intolerância, judeu ou não. Reitero: repudio o que lá se deu porque acho que é um dever da honra, do humanismo, da civilidade. De resto, não mantenho relações de demanda com o governo federal e os petistas, nem as satisfeitas nem as insatisfeitas. Se a presidente Dilma Rousseff ou qualquer outro “companheiro” se zangar comigo, não tenho nenhum interesse a consultar que os de minha própria consciência. Minha cabeça é o meu  “Minha Casa Minha Vida”.

O comando da federação fique tranquilo. Os judeus, como sabem seus diretores, têm uma história mais longa do que as opiniões do Reinaldo Azevedo e certamente não se deixariam embalar por elas. Depois que a Conib (Confederação Israelita do Brasil) e que o próprio governo de Israel se manifestaram — o caso ganhou repercussão internacional —, a Federação Israelita do Rio Grande do Sul emitiu uma nota bastante moderada, moderadíssima, a respeito (íntegra aqui). Lá se lê:
“Assim, esclarecimentos e justificativas mais profundas são devidas pela Universidade Federal de Santa Maria para todo o Rio Grande do Sul e para o Brasil, dada a repercussão nacional do episódio, com responsabilização administrativa de seus subscritores e questionadores, se for o caso.”

“Se for o caso” quer dizer exatamente o quê? Quem pergunta não é um judeu, que judeu não sou. Quem pergunta não é alguém que repudia boa parte das teses do petismo e o barateamento a que está sendo submetido o ensino superior no Brasil. Quem pergunta é o discípulo daquela frase de Terêncio. Não considero o combate ao antissemitismo uma tarefa só dos judeus. É um dever da civilidade. Logo, se julgar procedente, faço, sim, as devidas cobranças.

Sindicato asqueroso
A dita “Seção Sindical dos Docentes da UFSM” — com esse nomezinho bolchevique, de quinta categoria — emitiu uma nota tentando se defender e negar o óbvio. Em vez de se desculpar, em vez de admitir o absurdo, volta a atacar o estado de Israel. Lá se lê que o tal pedido de informação era “parte das ações que visavam por (sic) um fim aos massacres palestinos perpetrados pelo exército de Israel entre julho e agosto do ano passado”. Não, eles não meteram o circunflexo em “pôr”. Reitor analfabeto, sindicato de professores analfabeto. Mas, também nesse caso, o analfabetismo moral é a pior coisa.

Redigida em “petês” castiço, segue a nota:
“Transformar um ato político de defesa dos direitos humanos em uma cruzada de anti-semitismo (sic), buscando estabelecer uma falsa identidade entre a oposição a uma política bélica e imperialista de Estado e a defesa da discriminação racial, representa uma tentativa deplorável de distorcer a realidade em benefício próprio de quem o faz.”
Os asquerosos só se esqueceram de explicar por que, ainda que isso fosse verdade, alunos e professores israelenses deveriam responder, individualmente, por “uma política bélica e imperialista” e por que informar sobre a sua presença no campus ajudaria a “pôr fim ao conflito”.

De resto, o que esperar de uma entidade que chama a política israelense de “imperialista”? É grotesco. É asnal.

DCE
O Diretório Central dos Estudantes, signatário daquele pedido bucéfalo, voltou a se manifestar — embora a diretoria de agora não seja a mesma que encaminhou a solicitação absurda em 2014. Acabou emitindo duas notas a respeito. Na primeira, lê-se esta pérola:
“Lamentamos também que algumas pessoas que se manifestaram agora sobre um possível caso de racismo, inclusive membros da oligarquia da mídia, não tiveram reação semelhante quando milhares de civis palestinos foram mortos no ataque desproporcional realizado pelo Estado de Israel, e que algo tão importante como a questão Palestina seja tratada como secundária ou totalmente ignorada como no caso que estamos vendo agora.”

A segunda é incompreensível, no conteúdo e na forma. Digamos, só para efeito de pensamento, que tivesse mesmo havido silêncio sobre o conflito israelo-palestino, cabe de novo a pergunta: o que os israelenses eventualmente presentes ao campus têm a ver com isso?  E, claro!, o DCE não perdeu a chance de atacar a… “mídia”. Países bacanas são Coreia do Norte, Venezuela, Cuba e China: sem “mídia” para atrapalhar. O estado mata à vontade, segundo os mais altos interesses nacionais, sem prestar contas ao “imperialismo”, né? Onde essa gente aprendeu a pensar esse lixo? Deve ser com aqueles professores que assinam a nota do sindicato, que é também um… lixo!

Heinnn?
Um leitor manda-me uma fala do senhor Vilson Serro, presidente da Agência de Desenvolvimento de Santa Maria (Adesm). Leiam:
“Tem gente de longe querendo se meter numa guerra que existe há mais de dois mil anos para tomar partido. A UFSM tem que ter liberdade de pensamento”.

Como? O doutor está sugerindo, por acaso, que a “liberdade de pensamento” da UFSM contempla práticas antissemitas? Veja aí, senhor Zalmir Chwartzmann… Esse certamente não é um homem que alimente preconceitos antipetistas, não é mesmo?

Não! Eu não estou nessa porque o comando da educação brasileira está com o PT ou só porque o ensino universitário, há muito tempo, vive sob a ditadura de minorias de esquerda — o que certamente contribui para a sua baixa qualidade. Meus motivos são bem mais amplos.

O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, sim, e o ensino universitário brasileiro tem pouco, ou quase nada, a ver com isso. Em poucos países do mundo, o abismo existente entre aquela que deveria ser a elite do pensamento e do desenvolvimento científico e a economia real é tão largo e tão profundo. Bilhões são torrados por ano no ensino público de terceiro grau para produzir, com as exceções de praxe, proselitismo vigarista e analfabetos morais e funcionais. Mas com a cabecinha lotada de livros que já foram mal lidos por seus mestres. Entro  em questões assim em razão disso tudo, mas também porque é o que devo ao mundo civilizado.

A foto
Ah, sim: a foto lá do alto. É do deputado federal petista Paulo Pimenta, nascido em Santa Maria. Ali está parte do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino, do qual ele é uma das estrelas. Todas as entidades signatárias daquele malfadado documento cobrando informações sobre a presença de alunos e professores israelenses no campus da UFSM são franjas do PT.

Eu lido com fatos, não com preconceitos. E leio o que as pessoas escrevem, não o que elas dizem ter escrito. Pimenta, aliás, publica em sua página oficial um artigo sobre Israel, de autoria de Jamila Khalil Zardeh. Acreditem! Sabem por que, segundo o texto, os judeus escolheram aquele território? A grande intelectual e estudiosa explica:
“Israel escolheu a Palestina para ocupar por sua localização estratégica entre três continentes, Europa, Ásia e África, porque a Palestina é o berço das três religiões monoteístas mais importantes do mundo (islamismo, cristianismo e o judaísmo) e, porque é a terra de Jesus e dos profetas.”

Entenderam? O texto não é de Pimenta, mas ele o mantém em sua página sem qualquer reparo. Logo, segundo Pimenta, um dos motivos por que os judeus “escolheram a Palestina” é o fato de ser aquela a “terra de Jesus”.

Judeus malvados!

Eu não brinco em serviço, não, doutor Zalmir Chwartzmann. E não gosto que brinquem comigo.

Texto atualizado à 1h26 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

07/06/2015

às 7:21

ANTISSEMITISMO NA UFSM: AS  CONSEQUÊNCIAS 1 – MEC desmoraliza reitor, vice-reitor e pró-reitor da universidade e confirma o que escrevi aqui: Lei de Acesso à Informação não serve à discriminação; PF e MPF investigam o caso

Paulo Burmann: justificativa foi desmoralizada pelo MEC. Tem de deixar a reitoria

Burmann: justificativa foi desmoralizada pelo MEC. Pede pra sair

O MEC emitiu uma nota que deixa a nu o reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Afonso Burmann; o vice-reitor, Paulo Bayard Dias Gonçalves, e o pró-reitor de pós-graduação, José Fernando Schlosser.

Como vocês sabem, Schlosser, a pedido do reitor (este confessou), expediu um memorando cobrando que seus subordinados prestassem informações sobre a existência de alunos e professores judeus na universidade (leia mais posts a respeito aqui). A justificativa, apresentada pelo trio, é que eram obrigados a fazê-lo porque atendiam a um pedido de um grupo de entidades, com base na Lei de Acesso à Informação. Demonstrei aqui na sexta-feira que isso é apenas uma mentira. Segue fragmento.

fragmento - UFSM

Pois bem, a nota do MEC a respeito é inequívoca. Segue na íntegra:
O Ministério da Educação foi surpreendido pela notícia de que um pró-reitor substituto da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) havia pedido que os programas de pós-graduação daquela instituição lhe enviassem informações sobre a presença ou perspectiva de discentes e/ou docentes israelenses nesses programas. Ao tomar conhecimento desse episódio, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, solicitou ao secretário de Educação Superior do MEC, Jesualdo Farias, que buscasse junto à UFSM informações a respeito.
Após receber as informações da instituição, o MEC manifesta seu claro posicionamento de que a Lei de Acesso à Informação não pode ser utilizada de forma a violar os direitos fundamentais de outros cidadãos. Ela não pode ser empregada como um instrumento para facultar a discriminação de qualquer tipo. Até porque é um dos objetivos da nossa República promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, inciso IV da Constituição Federal). Qualquer solicitação feita pela Lei de Acesso à Informação que leve a qualquer tipo de discriminação deve ser considerada desarrazoada e, portanto, não deve ser respondida.
O MEC faz questão de reiterar – enfaticamente – seu desacordo com qualquer tipo de discriminação e preconceito. “A história nos reporta lamentáveis fatos de pessoas que morreram vítimas de preconceitos de toda natureza, inclusive no Brasil. Por outro lado, muitos lutaram e ainda lutam para vencê-lo, de modo que todo este empenho de nossa sociedade não pode ser esquecido ou descartado”, afirmou o ministro Renato Janine.
A apuração do caso continuará sendo realizada pelo Ministério da Educação.
Assessoria de Comunicação Social

Retomo
Alguns tontos acham que jamais elogio uma decisão tomada pela esfera de governança petista. É coisa de gente orelhuda e de má-fé. Eis aí. Elogio a nota do MEC. Mas cobro mais do que isso. É necessário que se tomem providências também no âmbito da pasta.

O caso é muito grave. Ofende os fundamentos dos direitos humanos e valores constitucionalmente protegidos. Ofende a comunidade local em particular porque a presença judaica em Santa Maria se confunde com a história da cidade e da própria universidade.

Milton Seligman, engenheiro formado na UFSM e vice-presidente de Relações Corporativas da Ambev, se manifestou no Facebook. Transcrevo um trecho:
“Família de judeus, é bom que se diga. Nunca fomos discriminados, mas, agora, estamos sendo. O próprio reitor sustenta que identificar pessoas de origem israelense ou outra, faz parte da lei brasileira. Erra o reitor, há crime sim. Imagine que o pedido fosse para identificar pessoas de origem africana. Como o Professor Schlosser e o professor Burmann reagiriam? Acredito que o caso irá para a Justiça, onde se deve dirimir essa dúvida. Está havendo ou não judeofobia na ‘nossa’ Universidade?”

Polícia Federal e MPF
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam a questão. O jornalista e também professor universitário Luís Milman (UFRGS) entrou com uma queixa-crime no MPF contra a decisão do comando da universidade.

Na sexta, o reitor da UFSM passou parte da tarde na PF dando explicações sobre o caso. Concedeu depois uma entrevista à RBS em que insistiu na tese ridícula de que apenas seguiu a Lei de Acesso à Informação (vídeo aqui). Foi desmoralizado logo depois por nota do próprio MEC.

Insisto: o trio tem de renunciar aos cargos de confiança que exercem. No caso de reitor e vice-reitor, além do absurdo em si, há a exibição explícita de baixa alfabetização em sentido estrito (leiam post). É um motivo adicional que os indispõe com o cargo que ocupam.

Por Reinaldo Azevedo

05/06/2015

às 16:57

Ministério de Israel se manifesta contra ato antissemita na UFSM; imprensa do país noticia episódio

site Israel

O Ynet, principal site de notícias de Israel, publicou um texto sobre o episódio explícito de antissemitismo ocorrido na Universidade Federal de Santa Maria. Fica evidente, até em razão da foto escolhida, que este blog foi uma das principais fontes da notícia. Para ler, clique aqui

O Ministério das Relações Exteriores de Israel se manifestou, segundo o Ynet: “Esse é um incidente muito sério, e a embaixada de Israel no Brasil e o Consulado em São Paulo, bem como a comunidade judaica, estão atuando para combater imediatamente a iniciativa indecorosa e racista. A rotulação de pessoas e a criação de lista-negra nos remete aos piores dias da história da humanidade. Nós esperamos que a comunidade acadêmica do Brasil se manifeste no repúdio a essa iniciativa”.

Por Reinaldo Azevedo

05/06/2015

às 15:49

PIMENTELÂNDIA – O MUNDO PARALELO DE UM GOVERNADOR, UMA PRIMEIRA-DAMA, UMA ENFERMEIRA E UM INDICIADO POR FORMAÇÃO DE QUADRILHA

Pimentel e sua ex-assessora, hoje mulher: estranhas coincidências

Fernando Pimentel e sua ex-assessora, hoje mulher: estranhas coincidências

Helena Ventura, a enfermeira petista que não sabe explicar gastos de campanha

Helena Ventura, a enfermeira petista que não sabe explicar gastos de campanha

O leitor fique certo! Há coincidências que só acontecem num mundo paralelo chamado PT. Há personagens que nascem e prosperam à sombra do petismo. Parece que se trata, assim, de uma nova civilização mesmo.

A VEJA desta semana traz uma reportagem de Rodrigo Rangel, Adriano Ceolin e Hugo Marques que mostra como um homem indiciado por formação de quadrilha, que já foi preso e ficou milionário da noite para o dia, se conecta tanto com uma primeira-dama de Estado como com uma humilde enfermeira. Vai ver é esse o socialismo que o PT diz praticar.

Reproduzo abaixo o texto da reportagem. Entre outras coisas, vocês verão que o endereço de uma empresa dessa primeira-dama coincide com o de uma empresa fantasma do tal indiciado por formação de quadrilha. Explicação? Ora, tudo coincidência. Leiam o texto da VEJA.
*
As duas mulheres que aparecem nesta reportagem não se conhecem. Carolina de Oliveira é jornalista. Cresceu na periferia de Brasília e hoje é a primeira-dama de Minas Gerais. Helena Maria de Sousa, ou Helena Ventura, como também é conhecida, mora em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, é enfermeira da rede pública de saúde e se candidatou a deputada estadual nas últimas eleições pelo PT.

Apesar das trajetórias aparentemente distintas, as duas são suspeitas de envolvimento no mais recente escândalo de corrupção investigado pela Polícia Federal. Ambas, cada uma à sua maneira, estão conectadas a Benedito de Oliveira Neto, o Bené, empresário de Brasília que, na última década, fez fortuna como parceiro do governo federal, teve como cliente a campanha da presidente Dilma Rousseff, foi preso e está indiciado por formação de quadrilha.

O acaso levou Carolina a Bené. Formada em comunicação, ela trabalhou numa empresa que prestava serviços ao então prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Logo, foi promovida a assessora pessoal dele – e não se separaram mais. Em 2010, Pimentel foi indicado para coordenar a campanha presidencial de Dilma Rousseff.

Carol o acompanhou. O prefeito delegou a Benedito de Oliveira, seu amigo, a montagem do comitê central. Bené alugou a casa e organizou toda a infraestrutura para o início da campanha. Ele era um mero desconhecido, e continuaria nas sombras se não fosse um escândalo que eclodiu antes mesmo do início da campanha. Além de marqueteiros e jornalistas, o empresário contratou para o comitê uma equipe de ex-policiais e arapongas para bisbilhotar a vida de adversários. Revelado por VEJA, o caso provocou o afastamento da dupla Pimentel-Bené do comando da campanha – mas só da campanha.

Eleita, Dilma nomeou Fernando Pimentel para comandar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O ministro, por sua vez, contratou Carolina como sua assessora no ministério. Ela cuidava dos compromissos oficiais, acompanhava as viagens e estava presente na maioria dos eventos de que ele participava. Em 2012, motivado por rumores, Pimentel recomendou que a assessora deixasse o cargo. A pedido do ministro, ela foi contratada por uma agência que presta serviços ao PT.

Montou a própria empresa, a Oli Comunicação, e, recentemente, oficializou a união com o agora governador Fernando Pimentel. Nesse período, Bené continuou ganhando dinheiro. Foram mais de 500 milhões de reais em contratos superfaturados com o governo. Tudo estaria bem para todos se, no ano passado, Bené não tivesse sido apanhado outra vez com a boca na botija. A polícia apreendeu um avião do empresário com 113 000 reais em dinheiro e documentos que sugeriam que ele repetia na campanha de 2014 o mesmo papel que desempenhara em 2010 – o caixa paralelo que financiava o PT.

As investigações indicam que Bené montou uma ampla rede criminosa envolvendo empresas-fantasma para financiar as campanhas petistas, incluindo a do governador Pimentel. Basicamente, ele superfaturava contratos com o governo e repassava parte do que arrecadava aos partidos através de doações legais, como no petrolão, ou clandestinas, através das empresas-fantasma. Na operação policial que prendeu o empresário, a polícia realizou buscas no apartamento onde Carolina Oliveira morava antes de se mudar para Belo Horizonte. Procurava documentos que mostrassem negócios entre ela e o empresário. A sede da Oli Comunicação estava registrada no mesmo endereço de uma empresa-fantasma de Bené.

É nesse ponto que a história de Carolina converge com a de Helena Ventura. Sindicalista e filiada ao PT, a enfermeira disputou três eleições. Foi candidata a deputada federal em 2010, a vereadora em 2012 e, no ano passado, tentou uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas. Somando o resultado das três eleições, ela teve incríveis 29 votos. Mas o que chamou atenção foi o custo de sua última campanha. Dona de um salário de 2 000 reais, Helena declarou ter gasto 36 280 00o reais com a candidatura. E o mais interessante é que praticamente todo o dinheiro, 36 250 00o reais, foi pago a um único fornecedor – a Gráfica Brasil, cujo proprietário é Benedito de Oliveira. É evidente que existe algo muito estranho nessa história.

Há um grande segredo envolvendo esses personagens. Segundo um relatório do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, o dinheiro a ser repassado para a Gráfica Brasil tinha como origem declarada o fundo partidário – a verba que os partidos políticos recebem dos cofres públicos. O PT não quis se pronunciar. A enfermeira disse que desconhece tanto a origem quanto o destino do dinheiro. “Se eu tivesse esse dinheiro, seria eleita com certeza”, afirmou ela ao jornal

Hoje em Dia. Helena também garante que nunca ouviu falar do empresário. Benedito de Oliveira, já solto, disse, por meio de seu advogado, Celso Lemos, que nem sabe quem é Helena. Caroline Oliveira não foi localizada. Seu advogado, Pierpaolo Bottini, informou que a primeira-dama de Minas Gerais mantém apenas relações de amizade com a família de Bené. Negócios? Nenhum. A coincidência de endereços teria sido apenas um grande mal-entendido. O advogado diz que a Oli funcionou num escritório no centro de Brasília até julho de 2014 e, depois disso, uma das empresas de Bené se instalou no mesmo endereço. Por equívoco, alguém se esqueceu de formalizar a mudança. Simples assim.

Por Reinaldo Azevedo

05/06/2015

às 8:30

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

05/06/2015

às 7:41

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA – Em nota analfabeta, reitor e vice-reitor fazem proselitismo de esquerda, tentam esconder o óbvio e fazem mau uso da lei. Ou: Reitor confessa que foi ele quem deu a ordem. Demissão já!

Paulo Afonso Burmann, reitor da Universidade Federal de Santa Maria, e Paulo Bayard Dias Gonçalves, vice-reitor, gostam de brincar com o perigo. Tornaram pública uma nota, que está no site da universidade, em que só a língua portuguesa é mais espancada do que a lógica, o bom senso e os fatos.

Antes que siga, noto: é espantoso que dois comandantes de uma universidade federal assinem um texto com erros em penca de pontuação, concordância (“vem” em vez de “vêm”), crase (à quaisquer), conjunção (se em lugar de “que”), o diabo a quatro… O estilo é pedestre, com repetição viciosa de palavras, ausência de paralelismo, anacolutos… Luiz Inácio Lula da Silva teria se desincumbido da tarefa com mais brilho.

As barbaridades gramaticais do reitor e vice-reitor informam o estado miserável a que foram reduzidas as universidades federais no país. Não me espanta que um pró-reitor encaminhe a seus subordinados um pedido urgente para que informem a eventual presença de alunos e professores israelenses na instituição. Não é que analfabetos possam ceder naturalmente a pressões de grupos antissemitas. É que, no caso específico, o analfabetismo literal é só mais um brocado do analfabetismo ético e moral.

Leiam a nota como está lá no site — já fiz uma foto dos crimes cometidos também contra a língua para registro histórico (segue depois da transcrição). Volto em seguida.

*
Considerando os recentes ataques sequenciais dirigidos à UFSM, primeiramente em referência à instalação da Comissão da Verdade no âmbito da UFSM e agora no que diz respeito à solicitação de informações com base na Lei de Acesso à Informação (12.527, de 18 de novembro de 2011) a Universidade Federal de Santa Maria vem a público manifestar o seguinte:

1. Sobre as manifestações a respeito da Comissão da Verdade, os fatos estão esclarecidos e as providências vem sendo tomadas no sentido de preservar a instituição e seus compromissos basilares;

2. Não houve qualquer solicitação por parte da UFSM à quaisquer de suas unidades acadêmico-administrativas de listas de Estudantes e/ou Professores israelenses ou não vinculados academicamente;

3. A Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa, por demanda do Gabinete do reitor, que por sua vez respondia, através do cumprimento do Art. 10, da Lei de Acesso à Informação (obriga o atendimento dos pedidos feitos por meio idôneo e devidamente assinados, e em seu parágrafo §3° impede de questionar os motivos do pedido) a 05 perguntas das entidades representativas (DCE, ASSUFSM, SEDUFSM e Comitê Santamariense de Solidariedade ao Povo Palestino em de 14 de agosto de 2014), solicitou aos Cursos de Pós-graduação tão somente se tinham ou não em suas equipes Estudantes e/ou Professores israelenses vinculados (Mem. Circular 02/2015 – PRPGP/UFSM); em momento algum, segundo fartamente divulgado, a UFSM buscou “identificar e apontar” pessoas de origem israelense;

4. Na corrente semana o referido memorando circular foi fraudado, distorcendo os fatos, e desta forma foi difundido pelas redes sociais e páginas na internet, que além das manifestações de ódio vinculadas, originou denúncia contra a UFSM; a UFSM, usando os meios legais está tomando as providências no sentido de identificar os responsáveis e proceder os registros processuais adequados de responsabilização por aquilo que julgamos extremamente grave e ilícito;

5. Considerando a sensibilidade do tema, outras soluções foram consideradas, antes de enviar dita solicitação aos programas. No entanto todas elas representavam conflitos com a legislação vigente;

6. A Universidade Federal de Santa Maria sendo uma instituição Pública respeitada nacional e internacionalmente, comprometida com seus pilares de ensino, pesquisa e extensão, alicerçada sobre o conhecimento, a democracia e o respeito às diferenças, não tem preferência no que toca às históricas diferenças políticas, ideológicas, religiosas, etc… das causas judaica e palestina nem a qualquer outro conflito desta natureza;

7. Até o momento não houve a consolidação de um documento de resposta às entidades citadas, responsáveis pelas 5 questões apresentadas;

8. A UFSM espera que esta manifestação não sirva somente para aplacar os ânimos contaminados por uma rede de versões baseadas numa fraude, mas que sirva de reflexão no sentido de apostar na tolerância, no respeito às diferenças, na democracia, na transparência, no diálogo e na paz como instrumentos de justiça, convivência e felicidade.
Paulo Afonso Burmann, Reitor
Paulo Bayard Dias Gonçalves, Vice-reitor

Retomo
Também vou enumerar:

1: Então uma universidade pública cobra, num documento, que se informe a eventual presença de alunos israelenses na instituição e, chamada a se explicar, ainda tem a cara de pau de acusar perseguição?

2: O que a instalação da Comissão da Verdade tem a ver com o caso em debate, além de nada? A quem estes senhores acham que enganam?

3) Releiam o item 3: o professor José Fernando Schlosser, que encaminhou o pedido de informação, certamente cobrou de Burmann a verdade: foi o reitor quem determinou o envio do memorando.

4) Reitor e vice-reitor estão fazendo pouco caso da inteligência alheia. Um pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação pode, sim, ser recusado. Os que não forem atendidos terão, então, de recorrer à Justiça.

5) Nesse caso, se recorressem, teriam perdido. A lei a que os doutores se referem é a Lei 12.527. Leiam a íntegra. Quero que os dois valentes provem que é de “interesse público” a informação sobre a eventual presença de israelenses na UFSM. Mais: quero que ambos provem que as entidades sindicais e o Comitê Santamariense de Solidariedade ao Povo Palestino são entes legitimamente “interessados” na informação.

6) Releiam o documento original enviado à direção da universidade, observem o que lá se diz sobre o estado de Israel e depois avaliem a decisão tomada pela reitoria.

7) Reitor e vice-reitor insistem na falácia de que o problema está na adulteração, com duas palavras de ordem em inglês, da solicitação feita. Estão tentando nos enganar. O grave está no fato de o pró-reitor — agora sabemos que, sob as ordens do reitor — ter encaminhado a solicitação.

8) O item 6 da nota da reitoria é do balacobaco. Então a UFSM não tem “preferência” em matéria de conflito israelo-palestino? Huuummm… Isso quer dizer o quê? Se algum representante do Hamas quiser dar uma palestra na UFSM, ele será bem-vindo? De resto, senhores, o único conflito religioso que existe naquela área se dá entre os fundamentalistas do Hamas e o Fatah. De resto, senhores, o único país em que árabes vivem numa verdadeira democracia é… Israel!

9) A nota reforça a necessidade de destituição do reitor, levando junto o vice. Pensam mal, escrevem mal e decidem mal. Pior: tentam justificar uma decisão estúpida, de evidente caráter discriminatório, brandindo uma lei que não os autoriza a fazer o que fizeram.

A n ota de reitor e vice-retor que espancada impiedosamente a língua

A nota de reitor e vice-retor que espancada impiedosamente a língua

Para encerrar
Um idiota enviou um comentário para o blog perguntando por que estou tão incomodado se não sou judeu. Respondo com as palavras do teólogo protestante alemão Martin Niemöller:

“Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”

Mesmo que os judeus ignorassem a questão, eu não ignoraria. Eu os defenderia, ainda assim, da sanha dessa gente. Entre outras razões porque isso também é um gesto de autodefesa.

Texto publicado originalmente às 5h50
Por Reinaldo Azevedo

05/06/2015

às 7:39

Minha coluna na Folha: “O Estado bandido. E absolvido”

Leiam trecho:
Também os safados têm de contar com a “virtù” e com a “fortuna”, com a disposição subjetiva para o crime e com as circunstâncias que lhes facultem cometê-lo. Esses príncipes da roubalheira que infelicitam o Brasil encontram na estrutura do Estado as condições necessárias, mas ainda não suficientes, para exercer o seu ofício. É preciso também que se respire uma esfera estatista, uma cultura do ódio à iniciativa privada, à empresa e ao lucro. Dados esses elementos, pronto! Esse país poderá continuar deitado eternamente em berço esplêndido. Seu apogeu coincidirá com a mediocridade.

No médio e no longo prazos, pior do que o petrolão, é o crime intelectual e moral que se está cometendo no Brasil. E a gama de culpados, nesse caso, é gigantesca, a começar da imprensa. Caímos no conto do vigário de que a Petrobras foi vítima de uma quadrilha e que não integra, ela própria, o grupo de malfeitores. Não há dúvida de que empreiteiros atuaram contra os interesses do país, buscando maximizar ganhos fora das regras do jogo. Ocorre que esse jogo tinha um juiz — e, no caso específico, era a própria estatal. Em sentido mais amplo, é o governo que manipula o aparato normativo do Estado.

A tese de um cartel contra uma “vítima” chamada Petrobras, compartilhada pelo juiz Sérgio Moro e pela Procuradoria Geral da República, na qual se refestela o jornalismo, torna o país mais burro e o condena a um destino: não passará muito tempo, e assistiremos à eterna volta do mesmo.
(…)
Íntegra aqui.

Por Reinaldo Azevedo

05/06/2015

às 7:11

Empresas querem ressarcir cofres públicos em troca de perdão; duvido que prospere

A Folha desta sexta informa que as empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato estariam dispostas a arcar com o pagamento integral das indenizações em razão dos prejuízos causados à Petrobras, desde que fossem perdoadas pelo governo. Segundo informa o jornal, nesse modelo, as negociações seriam transferidas da Controladoria Geral da União (CGU) para a Advocacia Geral da União (AGU), que poderia fazer um acordo dessa natureza.

Segundo o jornal, “para evitar que o governo seja acusado de favorecer empreiteiras, o pagamento seria com ações que dão direito de decisão sobre o rumo das empresas. (…) Esses papéis seriam, então, leiloados na Bolsa, e qualquer investidor poderia participar da oferta por meio de fundos.”

As empresas estão hoje numa encalacrada porque seu papéis despencaram na Bolsa. Além do escândalo em si, há a possibilidade efetiva de que sejam proibidas, segundo lei em vigor, de celebrar futuros contratos com entes públicos. Muitas delas quebrarão se assim for.

Ainda que a saída pareça engenhosa, duvido que aconteça. A questão, a esta altura, é política. A presidente Dilma Rousseff não vai querer arcar com o ônus de passar para a história como aquela que negociou o perdão para as empreiteiras. Por outro lado, mantido o atual estágio, as empresas caminham para a quebradeira, com óbvios desdobramentos econômicos e sociais.

Mais: o Ministério Público Federal teria de participar do acordo, o que parece improvável a esta altura. Do ponto de vista, digamos, da governança, um eventual acordo poderia ser positivo para o governo, num país que virou um cemitério de obras paradas, mas o custo político seria, sem dúvida, gigantesco. Ainda que as empresas pagassem multas bilionárias, ficaria colada à testa da presidente a palavra “impunidade”.

Mundo afora, não é raro empresas confessarem ilícitos, arcarem com uma pesada multa e se livrarem da culpa. O problema é que, por aqui, a promiscuidade entre as empresas e o aparelho político foi longe demais. Não creio que esse tipo de negociação vá prosperar.

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2015

às 18:56

A campanha do Boticário e os gays. Cuidado! Nem tudo o que é reacionário costuma parecer reacionário!

Quando um publicitário decide fazer uma peça de propaganda sobre uma marca popular, no veículo de comunicação com mais penetração nos lares brasileiros, mostrando cenas de relacionamento gay, vamos ser claros: ele está querendo, como diz a meninada, “causar”. E causou. Refiro-me, como já deve ter ficado claro, à campanha do Boticário. Houve a reação daqueles que se sentiram incomodados. Em vez de fazer como esquerdistas e black blocs, que costumam contar com a simpatia de jornalistas, e sair quebrando tudo por aí, os inconformados resolveram apelar ao Conar. O que há de errado nisso?

É evidente que a reclamação não dará em nada. Até porque os relacionamentos homos e héteros ali retratados são bastante pudicos. Pessoalmente, acho uma perda de tempo e uma bobagem se incomodar com isso. Gays existem, e é lógico que tenham a devida visibilidade. Formam um mercado consumidor apreciável, e não faz sentido, também comercial, ignorar esse público. Mais: é preciso parar com a tolice, que desafia qualquer saber firmado a respeito, de que esse tipo de mensagem incentiva a prática homossexual. Quem faz tal raciocínio teria de admitir que a esmagadora maioria de héteros no mundo também decorre do efeito-propaganda, o que é uma tolice até contra a biologia e a sobrevivência das espécies. A publicidade não torna gay o hétero nem hétero o gay.

O que nos torna a todos mais burros é a intolerância. Venha de onde vier.

É claro que a propaganda do Boticário está se beneficiando do bochicho. Se não contasse com isso, a agência não teria feito a peça que fez. Os que planejaram a campanha esperavam ter como aliados os que agora se mobilizam contra ela. Foi a reação negativa que provocou a onda de solidariedade. E pronto! Está criado um “case”. É quase tudo o que pode querer um publicitário. Se vai vender mais produtos do que venderia uma abordagem convencional, aí não sei.

Acho a reação à propaganda um exagero? Acho! Mas vamos com calma! Certas críticas que leio àqueles que protestaram são apenas inaceitáveis porque agridem o fundamento da liberdade de expressão. Ora, as pessoas têm o direito de não gostar daquilo que veem. Não gostando, têm também o direito de se expressar.

A liberdade de expressão, como já disse aquela, é e será sempre a liberdade dos que discordam de nós. Ou alguém precisa ser livre para dizer “sim”?

Eu considero a igualdade de direitos diante da lei um bem em si e entendo que as pessoas civilizadas devam lutar para que seja um bem universal. É por isso que não sou um relativista. Mas essa igualdade também abriga a liberdade de as pessoas deixarem claro o que as desagrada, especialmente quando se atua na esfera dos valores.

Se não for assim, meus caros, em breve aparecerá alguém sugerindo — na verdade, vive aparecendo, não é? — a criação de uma espécie de Comitê de Salvação Nacional para a Defesa da Igualdade, atribuindo-se a tarefa de calar a boca de todos aqueles que supostamente estariam contra a dita-cuja.

Algo parecido aconteceu na França entre 1792 e 1794. Cortou milhares de cabeças. O Boticário tem o direito de fazer campanhas publicitárias de homem com homem e mulher com mulher? Tem. Isso me incomoda? Abaixo de zero! Há quem se incomode? Há! Nos limites da democracia e da civilidade — e não os vi sendo transgredidos até agora —, têm o direito de se manifestar. Questionar esse direito é só uma prática autoritária exercida em nome das luzes.

Isso nunca deu certo.

Cuidado! Nem tudo o que é reacionário parecer ser… reacionário!

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2015

às 18:31

HSBC paga multa milionária para se livrar de investigação na Suíça

Na VEJA.com:
O HSBC concordou em pagar uma multa de 40 milhões de francos suíços (cerca de 134,5 milhões de reais) para encerrar uma investigação sobre crimes de lavagem de dinheiro, segundo informações do jornal britânico The Guardian. Essa é a maior multa já imposta por autoridades de Genebra, segundo o promotor-chefe local, Olivier Jornot.

Em uma declaração emitida pelo banco, o HSBC indicou que concordou em pagar a compensação por não ter conseguido evitar crimes financeiros no passado. Como consequência, foi arquivada uma ação criminal contra a instituição na Justiça de Genebra. No texto, o banco acrescenta que a investigação da promotoria identificou que nem o banco e nem os seus empregados são suspeitos de cometer crimes atualmente.

Em fevereiro deste ano, a Justiça suíça abriu uma investigação por lavagem de dinheiro contra o HSBC. Policiais fizeram uma operação de busca e apreensão na sede do banco e em diversos escritórios da instituição em Genebra para apurar as suspeitas.

O processo foi aberto depois que um consórcio de jornais revelou que o banco havia ajudado 100 mil clientes de todo o mundo a abrir contas na Suíça e fugir do controle de seus países, caso conhecido como Swissleaks. Entre as suspeitas, estão as práticas de sonegação de impostos e a não declaração de milhões de dólares em investimentos

Mais de 6 mil contas têm uma relação com clientes brasileiros, entre eles ex-funcionários da Petrobras. No Brasil, a Receita Federal e a Polícia Federal (PF) estão apurando as operações realizadas por cidadãos do país em contas secretas mantidas pelo HSBC na Suíça.

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2015

às 18:00

Entidade judaica se manifesta sobre a estupidez havida na UFSM

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) se manifestou, no site da entidade, sobre os absurdos havidos na Universidade Federal de Santa Maria. Leiam o que vai no site.

*
A comunidade judaica brasileira reagiu com indignação e repulsa à tentativa de dirigentes da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande de Sul, de fazer uma lista dos alunos e professores com origem israelense.

“É uma medida claramente discriminatória, feita por um funcionário de alto escalão do ensino federal, que precisa ser tratada com a gravidade que tem”, disse Fernando Lottenberg, presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil).

Segundo relatos da imprensa e documentos oficiais, a orientação para a identificação de alunos e professores com origens no Estado judeu foi feita por José Fernando Schlosser, pró-reitor dos cursos de pós-graduação da universidade, por meio de um memorando aos chefes dos programas do seu departamento.

Diante de ação dessa natureza, que suscita as piores memórias na comunidade judaica brasileira, a Conib e a Federação Israelita do Rio Grande do Sul estão avaliando as medidas de natureza política e jurídica a serem tomadas.

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2015

às 17:23

ANTISSEMITISMO – Documento que embasou pedido absurdo vem à luz; as coisas pioraram bastante; reitor e pró-reitor têm de renunciar. Cadê Janine, o professor de Ética? Ou: A “burritisia” nacional

A Universidade Federal de Santa Maria tornou público o documento em que se baseou José Fernando Schlosser, pró-reitor de pós-graduação da instituição, para enviar um memorando cobrando informações, em caráter de “urgência”, sobre a “presença (sic) de discentes e/ou docentes israelenses neste programa de pós-graduação”. A divulgação do documento torna tudo muito pior.

Se o reitor Paulo Afonso Burmann achava que poderia sair pela tangente nessa história, a reivindicação feita por entidades sindicais ligadas à universidade e por um certo Comitê Santamariense de Solidariedade ao Povo Palestino torna tudo pior, dada a delinquência política e intelectual em que é vazado o documento. Leiam (se preciso, cliquem na imagem para ampliá-la).

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Como se nota, os postulantes transformam Israel num estado criminoso e partem do princípio de que o Brasil não mantém relações diplomáticas com o país. A sua avaliação sobre o conflito israelo-palestino é marcadamente ideológica. Pior: apela a um legalismo tosco para, ao fim e ao cabo, propor um ato claramente discriminatório, conforme se lê no item 4 do documento:

“Há, no momento, ou a perspectiva, de [NR: MANTIVE A PONTUAÇÃO ANALFABETA DO ORIGINAL] a UFSM receber alunos/professores/autoridades/profissionais israelenses? Se positivo, a convite/proposta de quem?”

Observem que não se mira uma campanha persecutória apenas contra os israelenses, mas também contra quem os convidou.

Burmann pretende se escudar na Lei de Acesso à Informação para justificar o pedido. É uma tentativa de enrolar o público. Sim, a lei existe. Uma autoridade não é obrigada a fornecer informações se julgar o pedido improcedente, a menos que o solicitante obtenha na Justiça uma ordem para a divulgação dos dados. Considerando os prolegômenos da petição, duvido que algum juiz autorizasse tal coisa. E, se o fizesse, seria o caso de apelar ao Conselho Nacional de Justiça.

O Conselho Universitário e o Ministério da Educação têm de entrar em ação. Reitor e pró-reitor têm de deixar imediatamente os cargos de confiança que ocupam, sem prejuízo de demais órgãos competentes tomarem as devidas medidas legais.

Um dos muitos aspectos nojentos do documento é sua tentativa malsucedida de esconder o preconceito, a discriminação e a perseguição política numa linguagem supostamente decorosa. Será que as tais entidades que assinam esse lixo se lembram de que a Constituição da República Federativa do Brasil repudia o terrorismo no Inciso VIII do Artigo 4º? Quem é governo na Faixa de Gaza, onde teria ocorrido o suposto “massacre”? A que prática recorre o Hamas?

É fácil entender: caberia, agora, aos que discordam desse absurdo enviar uma petição à UFSM, ancorando-se no Artigo 4º, para cobrar uma lista de todos os alunos e professores que tenham eventuais ligações com países árabes?

Não! O que se deu na universidade é intolerável e tem de ter consequências administrativas e penais, com base na mesma Constituição evocada para fazer aquela solicitação. A propósito: cadê a determinação judicial para que aqueles dados fossem divulgados?

Quem é?
O caso despertou em mim outras curiosidades. Quem integra o tal “Comitê Santamariense de Solidariedade ao Povo Palestino”? Quais são suas atividades regulares? Quem financia o grupo? Qual é a sua pauta? Que interferência tem na UFSM? Há membros do corpo discente e docente envolvidos com essa entidade?

Doze anos de poder petista transformaram as universidades federais em antros de militância política. O encadeamento do raciocínio que sustenta o documento busca transformar a perseguição num ato humanista.

“Burritsia” nacional
Mundo afora, as universidades concentram a “intelligentsia” dos respectivos países. A nossa reúne a “burritsia”. Na estupidez sem limites em que se ancora o texto, a gente lê que “a atual (sic) política externa brasileira se baseia no tripé democracia, desenvolvimento e descolonização”.

Como??? ATUAL? O chamado discurso dos “Três Ds” — nesta ordem: democracia, descolonização e desenvolvimento — foi pronunciado na Assembleia Geral das Nações Unidas por um brasileiro em 1963 — HÁ CINQUENTA E DOIS ANOS, PORTANTO! Quando a África e parte considerável da Ásia ainda abrigavam colônias. Quem fez tal defesa foi o chanceler João Augusto de Araújo Castro.

Afirmar que, ainda hoje, a “descolonização” é uma prioridade da política externa é coisa de gente que tem os dois pés no chão e as duas mãos também… Onde estão as colônias? Pior: tratar os palestinos como um povo sob ação colonial é de uma delinquência intelectual e moral sem-par. Se israelenses são colonizadores, onde fica a matriz? Eu não tenho dúvida de que essa gente responderia: “Nova York”! Tal consideração, embora não pareça, reflete a opinião de quem é contra a existência do próprio estado de Israel.

Cadê o senhor Renato Janine Ribeiro, ministro da Educação e professor de ética? Cadê o Ministério Público? Cadê a Secretaria Nacional de Direitos Humanos?

Os humanistas no geral e os judeus, em particular, não podem deixar isso barato. Ainda que os tais convênios secretos existissem — acusação típica de mentes paranoicas —, por que estudantes e professores israelenses deveriam, por isso, merecer alguma forma de tratamento especial? Ainda que Israel fosse o que dizem esses celerados, por que cidadãos daquele país deveriam ser expostos a alguma forma de restrição ou molestamento? Porque são judeus ou porque são israelenses?

Existe boa resposta para isso, reitor Burmann?

Existe boa resposta para isso, professor Schlosser?

Tenho uma recomendação a ambos: renunciem aos respectivos cargos, ainda que permaneçam, por enquanto, como professores da universidade. Vocês perderam a autoridade moral de ocupar suas cadeiras, na hipótese de que a tenham tido algum dia.

Cadê Janine? Espero que ele não se esconda na “autonomia universitária”, ou terei de considerar que as universidades brasileiras são livres para praticar antissemitismo e para violar a Constituição.

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2015

às 7:11

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2015

às 7:05

ATENÇÃO, JUDEUS E HUMANISTAS DE TODAS AS ORIGENS! UM ATO EXPLÍCITO DE ANTISSEMITISMO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA. E AÍ? VAI FICAR POR ISSO MESMO?

José Fernando Schlosser, o autor do memorando absurdo

Professor José Fernando Schlosser, o autor do memorando absurdo

Quando a gente acha que eles já chegaram ao limite até do intolerável, estejam certos, dão mais um passo e mergulham na abjeção mais explícita, mais descarada, mais asquerosa. Algo de muito grave aconteceu na Universidade Federal de Santa Maria  (UFSM), no Rio Grande do Sul. Trata-se de um ato explícito, acho eu, de antissemitismo — e não adianta dourar a pílula —, que agride o Artigo 5º da Constituição e a Lei 7.716, atualizada pela 9.459, que pune o crime de racismo.

O que aconteceu? O inimaginável.

José Fernando Schlosser, pró-reitor de pós-graduação da UFSM, enviou um memorando a todos os chefes do programa cobrando uma relação de alunos e professores oriundos de Israel. Ele deixou claro de quem era a solicitação: Diretório Central de Estudantes (DCE), Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm), Associação dos Servidores da UFSM (Assufsm) e Comitê Santamariense de Solidariedade ao Povo Palestino. Vejam.

Para quê? Com que propósito? O memorando não explicita, mas todos sabem o que todos sabem: o objetivo era propor boicote a esses cursos e, na prática, hostilizar os alunos e professores israelenses porque… israelenses. Talvez o tal Comitê Santamariense de Solidariedade ao Povo Palestino tenha explicação melhor.

É claro que se trata de uma manifestação arreganhada de antissemitismo. Ah, não? Não tem nada a ver com o fato de serem judeus? Serve, então, uma acusação de “anti-israelismo” — como se fosse coisa muito distinta? Por que o tal Comitê Santamariense de Solidariedade ao Povo Palestino quer saber onde estão os israelenses? Por que o DCE quer a lista? E as entidades de caráter sindical?

Essa gente toda tem de ser processada. É claro que José Fernando Schlosser, com sua espantosa irresponsabilidade, tem de encabeçar a lista. O segundo pode ser o reitor da instituição, o senhor Paulo Burmann. Por quê? Explico. Vejam isto.

Imagem que circulou. Documento original não traz os lemas

Imagem que circulou. Documento original não traz os lemas “Freedom for Palestine” e “Boycott Israel”

Burmann confirma que o pedido foi mesmo feito, mas nega que o documento tenha sido emitido com as palavras de ordem apostas ao texto “Freedom for Palestine” e “Boycott Israel”. Em nota, afirma o seguinte:
“Diante do fato, o reitor da UFSM, Paulo Afonso Burmann, reitera que o documento é ‘inverídico e fraudulento’ e que os responsáveis pela fraude e disseminação serão identificados. Complementa ainda que, encaminhando o documento original, a Instituição apenas cumpriu a Lei de Acesso à Informação”.

O reitor Paulo Burmann: ele tenta fazer de conta que o pedido é normal

O reitor Paulo Burmann: ele tenta fazer de conta que o pedido é normal. Não é, não!!!

Uma ova, doutor! A Lei de Acesso à Informação não serve a esse propósito. Em que a lista de estudantes e professores judeus pode ser útil às entidades que a solicitaram? Quer dizer que Burmann acha grave que alguém escreva num documento “liberdade para a Palestina” e “boicote a Israel”, mas acha normal que se encaminhe uma solicitação como aquela? O grave, meu senhor, não está contido naquela imagem, mas no texto em si e na iniciativa.

No jornal Zero Hora, leio a seguinte desculpa esfarrapada:
“A Sedufsm também nega qualquer tipo de discriminação e alega que havia pedido informações sobre um possível convênio entre UFSM e a empresa israelense Elbit, que fabrica armamentos e aeronaves. A justificativa para o pedido de informações é que a Sedufsm é contra a participação da UFSM em convênio que possa resultar em armas a serem usadas contra os palestinos, que estão em conflito com Israel.”

Ah, não me diga! E se for um convênio com Venezuela, Cuba, Angola, Bolívia ou Equador?

Memorando original: seu conteúdo é igualmente asqueroso

Memorando original: seu conteúdo é igualmente asqueroso

As universidades federais, com exceções raras, tornaram-se antros da militância ideológica mais obtusa, mais obscurantista, mais cretina e, parece-me, potencialmente violenta. Vejo na justificativa da Sedufsm uma espécie de confissão: ainda que o tal convênio existisse, por que alunos e professores israelenses deveriam responder por ele?

Leio no blog do jornalista Políbio Braga que “o professor da UFGRS, também jornalista, Luís Milmann, protocolou uma notícia-crime contra Schlosser no Ministério Público Federal. Denunciou ainda a prática discriminatória à Polícia Federal, à reitoria da UFSM, ao Ministério da Educação, à Presidência da República, à embaixada de Israel no Brasil, ao presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul e ao Movimento Justiça e Direitos Humanos”.

É o certo. O que se deu é muito grave. Esse tipo de delinquência política, intelectual e moral não pode mais ter lugar nas universidades brasileiras, muito especialmente nas públicas, assaltadas por grupelhos de extrema esquerda que se querem os intendentes de uma ordem que afronta as instituições e a Constituição do Brasil.

Se o ato do tal professor é asqueroso, não é menos deletéria a reação do reitor, que se incomoda com o menos e tenta justificar o mais. A reitoria diz ainda que jamais forneceria os respectivos nomes de alunos e professores, mas apenas a existência ou não dessas pessoas. Ainda que fosse assim, com que propósito?

O que querem as entidades que pediram a informação? O que quer o professor? O que quer o reitor? Que os judeus passem a circular no campus com uniformes listrados e uma estrela amarela no peito?

Texto publicado originalmente às 22h48 desta quarta

 

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2015

às 6:55

O pau comeu lá na casa de Bebel. Ou: Um sindicalismo de paus e pedras

E meu pingo final vai para a Apeoesp. O pau comeu lá na casa de Bebel.  A assembleia de grevistas, que deve ter reunido uns mil gatos-pingados — há 230 mil professores na ativa —, terminou em porrada, pancadaria mesmo. Um dos participantes saiu com o nariz sangrando.

Qual é o busílis? Sem saída, com a greve virtualmente extinta, Bebel Noronha, a presidente da Apeoesp, tentou pôr fim oficial ao movimento depois de 83 dias. Acontece que essa petista de quatro costados pode ser considerada, vamos dizer, a ala moderada do grevismo: à esquerda dela, estão coisas como PCO, PSTU, PSOL e congêneres. E essa gente toda tem como ocupação votar a favor de… greve.

Ou por outra: quanto mais minoritário se torna o movimento, mais radical, porque aí sobram apenas os militantes de grupelhos de extrema esquerda, que estão empenhados em fazer a revolução, não em melhorar as condições de uma categoria.

A greve começou no absurdo e seguiu no absurdo. Os professores tiveram o reajuste anterior em julho do ano passado. Mesmo assim, os militantes sindicais, Bebel à frente, decretaram uma greve em março, em meio a uma marcha das esquerdas contra a terceirização e em defesa do governo Dilma… Pedem a bagatela de 75,33% de reajuste, o que é uma piada.

O governo decidiu não pagar os dias parados, o que foi referendado pela Justiça. Vejam a que desastres conduz uma liderança irresponsável, acuada por outras ainda mais irresponsáveis.

Bebel admite que a paralisação hoje atinge menos de 30% da categoria. O governo diz que não passa de 4%. E está falando a verdade.

A greve liderada por Bebel morreu. No fim, sobrou apenas pancadaria. Os que tomaram porrada dizem que foram vítimas de seguranças a mando da Apeoesp. A presidente do sindicato afirma que eram todos professores: quem bateu e quem apanhou.

Já houve um tempo em que a arma de um professor era uma caneta, e seu exército, os livros. Hoje, as facções de extrema esquerda lutam entre si com paus e pedras.

Eu bem que avisei, né, Bebel?!

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2015

às 5:41

Renan amolece misteriosamente na proposta de controle das estatais; projeto do PSDB agora protege mais a sociedade

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, parece ter aberto mão com muita facilidade de um dos aspectos de um anteprojeto apresentado, em companhia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, para aumentar o controle da sociedade sobre as estatais. Parece que ele já não acha essencial que o candidato a presidir uma empresa pública seja submetido a uma sabatina no Senado, que então teria a palavra final. Eu acho. Nesta quarta, também o PSDB apresentou a sua versão do que se pode chamar de Lei de Responsabilidade das Estatais.

Vamos lá: ao comentar a proposta nesta quarta — e até uma comissão mista de três deputados e três senadores chegou a ser anunciada anteontem —, afirmou Renan: “Se for o caso, nós até retiraremos [a proposta], desde que, em contrapartida, nós possamos garantir à sociedade absoluta transparência das estatais e o controle do gasto público”. Pois é… A questão é saber como.

O governo deu sinais de que concorda com outros aspectos da proposta, desde que continue livre para nomear quem quiser. Entre as restrições, ministros e ocupantes de cargos até o terceiro escalão não poderiam participar de conselhos. Também o PSDB apresentou a sua proposta. Não prevê a sabatina para os candidatos à direção de empresas públicas e mistas, mas submete, sim, ao Senado a aprovação de todos os diretores e todos os membros dos conselhos de estatais com patrimônio acima de R$ 1 bilhão. Também estabelece requisitos mínimos de experiência e aptidão técnica para ocupantes de cargos em conselhos, comitês e diretorias das estatais. Define ainda a responsabilidade civil, administrativa e/ou criminal dos administradores (diretores e membros do Conselho de Administração) das empresas estatais.

Agora que Renan parece ter recuado — e com que rapidez, não? — a proposta do PSDB parece ser mais ampla do que aquela apresentada pelos presidentes do Senado e da Câmara.

É incrível a força que o estatismo tem no país, não é? Renan tinha momento melhor para, como vou dizer?, dar aquela amolecida. Ele abre mão da sabatina no dia em que Dilma nomeia para o conselho de Itaipu Roberto Amaral, ex-presidente do PSB e dissidente do partido que continuou aliado do PT, e Maurício Requião de Mello e Silva, irmão do senador Roberto Requião (PMDB-PR).

Estão lá em razão da competência técnica? Não! São apenas agrados políticos. Ah, sim: não custa lembrar que um dos conselheiros de Itaipu até janeiro deste ano era ninguém menos do que João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, que está na cadeia.

Por Reinaldo Azevedo
 

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