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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

09/10/2014

às 7:05

LEIAM ABAIXO

Depoimento de Paulo Roberto atinge o coração do PT e a campanha de Dilma em 2010. Ou: A depender das urnas, titular do próximo quadriênio não chega ao fim;
Quo usque tandem, Dilma Falcoque, abutemini patientia nostra?;
Marina ainda não decidiu, mas está quase. Pode ser nesta quinta;
Aécio recebe apoio do PSB e repete lema de Eduardo Campos: “Não vamos desistir do Brasil”;
Em nota, presidente da Transpetro nega acusação de Paulo Roberto;
Paulo Roberto Costa diz que corrupção na Petrobras irrigou campanhas do PT, do PMDB e do PP em 2010; em depoimento à Justiça ele implica os petistas José Eduardo Dutra, ex-coordenador da campanha de Dilma, e Renato Duque, ex-diretor da estatal;
Pesquisa do Instituto Paraná aponta Aécio na frente de Dilma: 54% a 46% dos votos válidos; nesta quinta, saem Ibope e Datafolha;
Ex-contadora de doleiro diz ter repassado dinheiro a jornalista que pertence ao grupo de Dirceu para pagar multa do mensalão;
Inflação acelera em setembro e marca 6,75% em 12 meses;
Operador de campanhas petistas estava em avião que transportava dinheiro vivo;
VERGONHA NOS CORREIOS 3 – Nesta campanha, parece que Paulo Bernardo perdeu bem mais do que a eleição no Paraná, onde sua mulher foi derrotada no 1º turno;
VERGONHA NOS CORREIOS 2 – Associação denuncia aparelhamento da empresa pelo PT; 66% das diretorias regionais estão ocupadas por pessoas filiadas ao partido;
VERGONHA NOS CORREIOS 1 – Indicado pelo PT usa empresa para pedir votos em MT;
— Guido Mantega, o ministro defunto, faz terrorismo eleitoral e ainda corta pela metade a taxa de juros reais da era PT. É mesmo um espanto!;
— Haddad, o maníaco da ciclofaixa, conta com jornalismo biciclopetista para atacar os conservadores e anuncia pistas para bicicletas em 12 pontes da Marginal do Pinheiros;
— MP dá prazo para Dilma explicar suspeitas sobre Correios;
— PF intima empresas que abasteceram esquema de desvio na Petrobras;
— MP Federal e Estadual querem tomar o lugar do governador de SP e decretar racionamento. É o fim da picada!;
— Aliado de Marina, PPS anuncia apoio a Aécio;
— Como é? Então os institutos de pesquisa acertam quando acertam e acertam também quando erram? A justificativa não é séria!;
— Hoje é 7 de outubro; com margem de erro, é véspera de Natal;
— Oba! Padilha na coordenação da campanha de Dilma em SP? Dou o maior apoio!

Por Reinaldo Azevedo

09/10/2014

às 6:43

Depoimento de Paulo Roberto atinge o coração do PT e a campanha de Dilma em 2010. Ou: A depender das urnas, titular do próximo quadriênio não chega ao fim

O PT está numa enrascada. O pior é que, a depender do resultado das urnas, o Brasil também. Vamos ver, como diria o poeta Horácio — na bela ode em que homenageia a sua Leuconoe — , que destino os deuses nos reservam. Conforme for, a pessoa que encabeçar o próximo quadriênio na Presidência da República não chegará ao fim do mandato, que pode ser abreviado ou pela Justiça ou por um processo de impeachment. Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, prestou seu primeiro depoimento à Justiça depois do acordo de delação premiada. Ele sabe que, caso comece a dizer sandices e invencionices, o pacto é desfeito, e ele arca não só com o peso inicial dos delitos cometidos como com sanções novas. Assim, deve-se, quando menos, prestar atenção ao que diz.

Paulo Roberto afirmou com todas as letras que o esquema corrupto que ele operava na Petrobras para políticos recebia 3% do valor líquido dos contratos com a estatal. A fonte principal da corrupção é a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Ela foi orçada em US$ 2,5 bilhões e já está em US$ 19 bilhões e ainda não começou a funcionar. O dinheiro era dividido entre ele próprio e três partidos: PT, PMDB e PP. Segundo a PF, a quadrilha chegou a movimentar R$ 10 bilhões na estatal. Sim, dez BILHÕES! Teriam atuado no esquema Sérgio Machado, presidente da Transpetro — de quem Paulo Roberto admite ter levado uma propina de R$ 500 mil —, Nestor Cerveró, Jorge Zelada e o petista Renato Duque, todos ex-diretores da estatal.

Mas não só. José Eduardo Dutra, atual diretor Corporativo e de Serviços, também seria ligado ao grupo. Pois é… Dutra foi um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência em 2010. Pertencia ao trio que Dilma apelidou de “Os Três Porquinhos”. Os outros “porquinhos” eram José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça, e Antonio Palocci, que, segundo Paulo Roberto, pediu R$ 2 milhões ao esquema em 2010 para pagar contas da campanha de Dilma.

Nestor Cerveró, um dos acusados por ele, é o homem que organizou a operação de compra da refinaria de Pasadena, que, segundo o TCU, deu um prejuízo à empresa de US$ 792 milhões. Na delação premiada, Paulo Roberto já confessou que levou propina também nessa operação. Dilma, à época, era presidente do Conselho e alegou não saber de nada. Logo depois, Cerveró deixou o cargo, mas a já presidente Dilma o nomeou para ser diretor financeiro da BR Distribuidora. Renato Duque sempre foi considerado o homem do PT na Petrobras e ocupou a poderosa Diretoria de Serviços entre 2003 e 2012. Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional, foi indicação do PMDB.

Até onde vai Paulo Roberto Costa? Insisto: ele conhece os termos de uma delação premiada. Se falsear ou se tentar induzir a Justiça a erro, em vez da liberdade possível, ficará mofando na cadeia por muitos anos. Todos têm direito de se defender e certamente o farão. O fato é que Paulo Roberto Costa está dizendo que a campanha eleitoral do PP, do PMDB e do PT — inclusive da então candidata Dilma Rousseff — foi em parte financiada com dinheiro sujo, roubado da Petrobras.

E agora? Se Paulo Roberto Costa estiver certo, a Papuda será pequena para abrigar tantos tubarões.

Texto publicado originalmente às 21h10 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

09/10/2014

às 6:37

Quo usque tandem, Dilma Falcoque, abutemini patientia nostra?

Pois é… Uma ligeira adaptação de uma das Catilinárias do grande Cícero contra Catilina. Quem era Catilina? Uma espécie, assim, de mistura de Guilherme Boulos com João Pedro Stedile da Roma antiga. O quê? Vocês pensam que esses tipos representam alguma novidade na história? Que nada! Mas sigamos com a tradução, né? “Até quando, Dilma e Falcão, vocês abusarão da nossa paciência?”

O busílis é o seguinte: na noite desta terça, a Polícia Federal flagrou no aeroporto de Brasília um avião que transportava R$ 116 mil em dinheiro vivo. O turboélice tinha saído de Belo Horizonte. Até agora, não se sabe a origem da grana. Mas se sabe quem estava dentro: Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Benê, empresário de Brasília com negócios no governo federal; Marcier Trombiere Moreira, funcionário de carreira do Banco do Brasil, deslocado depois para a assessoria especial do ministro das Cidades, Gilberto Occhi, e dali guindado para a campanha eleitoral de Fernando Pimentel, governador eleito de Minas, e um certo Pedro Medeiros.

Até aí, bem. Ocorre que o tal Benê atuou na campanha eleitoral do governador eleito de Minas, o petista Fernando Pimentel. Ainda é pouco para resumir a sua biografia. Em 2010, descobriu-se que ele financiava um grupo clandestino que estava encarregado de fabricar um dossiê contra o tucano José Serra, então candidato à Presidência. Esse grupo clandestino operava dentro do comitê de campanha de Dilma, que era chefiado, então, por… Pimentel. A biografia de Benê ainda pode ser engordada. Empresário obscuro do setor gráfico, virou um potentado na era petista: nos dois mandatos de Lula, suas empresas faturaram em contratos com o governo, a maioria sem licitação, R$ 214 milhões. No governo Dilma, não ficou na chuva: já abiscoitou R$ 109,6 milhões. Ah, sim: em 2010, o tal Benê pagava o aluguel de uma casa que servia à campanha do PT e também o da moradia da então candidata Dilma Rousseff.

Rui Falcão foi indagado sobre o estranho episódio e se saiu com uma resposta do balacobaco: “Prenderam 110 e pouco mil reais em um evento ligado a campanha do deputado eleito Bruno Covas. Isso não me leva a fazer qualquer vínculo dessa apreensão de dinheiro com o deputado Bruno Covas. Então se prenderam esse dinheiro, é preciso saber que não é crime transportar dinheiro desde que se explique a origem. Não venham colocar isso na conta do PT”.

Como? Que estranho modo de raciocinar, não é? Então porque Rui Falcão não atacou Bruno Covas no caso da apreensão de um dinheiro com alguém ligado à sua campanha, nada se pode cobrar do PT a respeito desse estranho episódio, envolvendo um empresário umbilicalmente ligado ao partido e com negócios milionários com o governo? Se eu levar ao pé da letra o que ele diz, então concluo que um petista só pode ser chamado à responsabilidade se, antes, ele tiver acusado algum tucano. Tenham paciência! Não é raciocínio de um Falcão, mas de uma toupeira lógica.

Jornalistas fizeram o seu trabalho e perguntaram a Dilma se Pimentel poderia ser afastado da coordenação de sua campanha. Com a simpatia costumeira que essa gente tem com a imprensa, respondeu de forma ríspida: “É tudo o que vocês queriam, não é? Por que eu afastaria o Pimentel? Você já condenou?”. Ora, por que os repórteres quereriam afastar Pimentel? Ele até é um homem educado no trato com a imprensa, que desperta simpatias. Ocorre que o assunto é enrolado, né? E a governanta foi adiante:
“Eu confio, sim, no Pimentel. Acho que o Pimentel é uma pessoa interessantíssima [para] que se pergunte se eu quero afastar ele da minha campanha. Por quê? Porque ele foi o governador que derrotou o candidato do Aécio Neves?”.

Não, candidata Dilma! A pergunta só lhe foi feita porque se considerou pouco convencional que um dos assessores de campanha de Pimentel desembarque em Brasília, vindo de Belo Horizonte, com R$ 116 mil em dinheiro vivo. Ainda mais quando o rapaz em questão já faturou R$ 109,6 milhões em contratos no seu governo. Mesmo que Pimentel tivesse sido derrotado pelo tucano Pimenta da Veiga, a questão existiria.

Texto publicado originalmente às 22h45 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

09/10/2014

às 5:27

Marina ainda não decidiu, mas está quase. Pode ser nesta quinta

E Marina Silva, da Rede? Vai ou não apoiar o tucano Aécio Neves? Já tem o preto no branco? Vamos ver. Com ela, sempre são muitos os tons de cinza, bem mais do que os 50 daquele livro. Tudo indica que sim. Esperava-se que fosse dar uma resposta nesta quinta, depois de uma reunião com os partidos que sustentaram a sua candidatura, mas já não se tem tanta certeza de que ela vá ao encontro.

O comando da Rede tomou ontem a sua decisão: por unanimidade, recusou-se o apoio à petista Dilma Rousseff e, por ampla maioria, aprovou-se a adesão à candidatura de Aécio. Os que não se sentirem confortáveis poderão votar em branco ou nulo. É justamente o contrário do que fez o PSOL, uma costela do PT. O consenso no partido é um “não” a Aécio, mas os filiados estão liberados para votar em Dilma se quiserem. Convenham: o partido de Luciana Genro não surpreende ninguém.

Marina foi a primeira a sinalizar o apoio a Aécio, ao se pronunciar, ainda no domingo, mas o PSB foi mais rápido em se alinhar com o tucano. Nesta quarta, em Brasília, em ato político no Memorial JK, o próprio presidente do partido, Roberto Amaral, um lulista de coração, foi apertar a mão do presidenciável tucano. É que, por ampla maioria — 21 a 7 —, essa foi a decisão da Executiva Nacional do partido. E, mesmo assim, os sete votos contrários eram pela neutralidade, não em favor de Dilma.

No evento de Brasília, Aécio recebeu, então, os apoios do PSB, do PV e do PSC. O PPS já havia se juntado ao tucano. Dissidentes de partidos que estão oficialmente com Dilma Rousseff também estavam lá, como a senadora Ana Amélia (PP-RS), derrotada na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, e o senador Pedro Taques, do PDT, governador eleito em primeiro turno no Mato Grosso. Segundo Ana Amélia, José Ivo Sartori (PMDB), que disputará com o petista Tarso Genro o segundo turno do governo gaúcho, também vai dissentir da orientação do seu partido e se juntar ao candidato do PSDB.

Pesquisa do Instituto Paraná, divulgada ontem, afirma que Aécio está 8 pontos à frente de Dilma nos votos válidos: 54% a 46%. Nesta quinta, serão divulgados os números de Ibope e Datafolha. Se também eles constatarem a dianteira do senador tucano, podem ficar certos, as dissidências do campo governista tendem a aumentar.

Convenham: ninguém contava com uma reta final tão emocionante. Os petistas menos ainda.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 22:54

Aécio recebe apoio do PSB e repete lema de Eduardo Campos: “Não vamos desistir do Brasil”

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:

Candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves compareceu à sede do PSB na noite desta quarta-feira para sacramentar a aliança com o partido no segundo turno das eleições. Em discurso, o tucano ressaltou que a união expressa o sentimento de mudança da população brasileira e, em busca de se aproximar da nova legenda, evocou Eduardo Campos, morto em agosto em acidente aéreo: “Hoje eu me preencho com sonhos, lembranças extremamente marcantes para mim. E é por isso que eu quero encerrar essas minhas palavras dizendo: ‘Nós não vamos desistir do Brasil’”, afirmou.

“Sou, a partir desta histórica manifestação, o candidato das mudanças verdadeiras. Do ponto de vista pessoal, me sinto honrado e emocionado neste instante, porque passo a ter a responsabilidade de, no limite das minhas forças, levar pelo Brasil inteiro o legado de Eduardo Campos”, disse Aécio Neves, bastante aplaudido por socialistas. “Os seus sonhos, Eduardo, passam a ser os meus sonhos. E os seus compromissos com a diminuição das diferenças vergonhosas do Brasil passam a ser os meus compromissos. A partir deste instante caminharemos juntos num só sentimento de responsabilidade pela construção de um novo tempo pelo Brasil”, continuou.

O tucano aguardava a definição do PSB durante ato de campanha em Brasília, e compareceu à sede do partido após ser confirmado o apoio. Ele estava acompanhado de Tasso Jereissati (PSDB-CE), eleito para o Senado, e do senador Pedro Taques (PDT), que a partir janeiro vai assumir o governo de Mato Grosso. Nesta quarta-feira, mais duas legendas oficializaram a preferência pelo tucano na reta final da eleição: o PSC, do Pastor Everaldo, e o PV, de Eduardo Jorge. Ontem, o PPS adotou posição idêntica.

Com a confirmação da aliança, tucanos e socialistas vão definir um programa de governo convergente com as propostas dos dois partidos. Integrarão o time o senador e agora coordenador da campanha Tasso Jereissati, o coordenador de temas ambientais, Fábio Feldman, e a coordenadora de educação, Maria Helena Castro, ligados a Aécio. Do lado do PSB estão o senador Fernando Bezerra, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e o secretário nacional do partido, Carlos Siqueira – este que havia abandonado a campanha socialista após desentender-se com Marina Silva.

“O meu otimismo é muito grande. Só não é maior que a minha determinação de acabar com esse ciclo que aí está. Quero um governo onde a ética e a decência possam caminhar juntos. Trabalharei no meu limite para honrar essa manifestação nos próximos dias, semanas e, se couber a mim, nos próximos cinco anos”, disse o candidato à Presidência. O apoio ao tucano foi confirmado nesta tarde por 21 votos de membros da Executiva do partido. Outros seis socialistas defenderam a liberação dos integrantes da legenda, enquanto apenas um voto foi favorável à aliança com Dilma Rousseff.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 22:19

Em nota, presidente da Transpetro nega acusação de Paulo Roberto

Recebo da Assessoria de Imprensa da Transpetro a seguinte nota:

“O presidente da Transpetro, Sergio Machado, nega com veemência as afirmações atribuídas ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Trata-se de uma afirmação absurda e falsa. Machado está indignado com a divulgação do suposto conteúdo de um depoimento dado a portas fechadas e sobre o qual não se tem nenhuma informação oficial. Tomará todas as providências cabíveis para restabelecer a verdade e defender sua honra, processando judicialmente quem quer que seja na defesa da Transpetro. Ressalta ainda a sua estranheza com o fato de esse vazamento ter ocorrido no meio do processo eleitoral.

Sergio Machado jamais foi processado pelo Ministério Público ou por qualquer outra autoridade brasileira em decorrência de seus atos ao longo de 30 anos de vida pública.”

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 20:37

Paulo Roberto Costa diz que corrupção na Petrobras irrigou campanhas do PT, do PMDB e do PP em 2010; em depoimento à Justiça ele implica os petistas José Eduardo Dutra, ex-coordenador da campanha de Dilma, e Renato Duque, ex-diretor da estatal

Por Márcio Cesar Carvalho e Samantha Lima, na Folha. Volto no próximo post.
Em seu primeiro depoimento à Justiça após ter feito um acordo de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que o esquema de corrupção na estatal irrigou campanhas de três partidos nas eleições de 2010: PT, PMDB e PP, segundo apurou a Folha. Naquele ano, foram disputadas eleições para presidente, governadores e deputados. Deflagrada em março pela Polícia Federal, a Operação Lava Jato descobriu um esquema de desvio de dinheiro da Petrobras que envolveu Costa, doleiros e fornecedores da estatal. Segundo a PF, uma “organização criminosa” atuava dentro da empresa. O esquema teria movimentado R$ 10 bilhões.

No depoimento, ele disse que o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, ligado ao PMDB, também teria participado das irregularidades. Paulo Roberto disse ter recebido R$ 500 mil do presidente da Transpetro. O ex-diretor da estatal também citou José Eduardo Dutra, atual diretor da Petrobras e ex-presidente da BR Distribuidora, como participante dos esquemas do grupo. Dutra também presidiu o PT. Segundo Paulo Roberto, três ex-diretores da Petrobras fizeram parte do esquema: Nestor Cerveró, Jorge Zelada e Renato Duque. No depoimento, ele reconheceu ter recebido dinheiro da Odebrecht, citou o nome do executivo Márcio Farias como sendo seu contato, mas não citou valores, segundo informou o advogado Haroldo Nater, que defende Leonardo Meirelles, apontado como laranja do doleiro Alberto Youssef no laboratório Labogen, usado para lavar dinheiro.

Segundo a Folha apurou, Paulo Roberto disse que a propina correspondia a 3% do valor líquidos de contratos da Petrobras, que eram divididos entre ele e partidos políticos. Afirmou também que o CNCC, consórcio Camargo Corrêa pagou propina para ganhar obras da Petrobras, segundo seu advogado, Antonio Augusto Figueiredo Basto. Basto disse que políticos lideravam o esquema, e não o doleiro Alberto Yousseff, como acusa a Polícia Federal. Costa foi levado nesta quarta-feira do Rio, onde está em prisão domiciliar, para Curitiba (PR), em um voo comercial da Azul, com escolta da Polícia Federal.

Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, diz que não pode considerar qualquer declaração despida de provas e que ainda não sabe do que se tratam as declarações de Paulo Roberto Costa. O Consórcio CNCC comunicou, por meio de nota, que não teve acesso ao depoimento e que repudia qualquer acusação de atuação irregular.A Folha não conseguiu contato com os demais citados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 20:14

Pesquisa do Instituto Paraná aponta Aécio na frente de Dilma: 54% a 46% dos votos válidos; nesta quinta, saem Ibope e Datafolha

Pois é… Segundo pesquisa do Instituto Paraná, se a eleição fosse hoje, o tucano Aécio Neves teria 49% das intenções de voto, e a petista Dilma Rousseff, 41%. Em votos válidos, o embate estaria 54% a 46%. Na pesquisa espontânea, o candidato do PSDB marca 45% contra 39% de sua oponente. O levantamento foi encomendado pela revista Época. Entre segunda e esta quarta, o instituto entrevistou 2.080 eleitores em 152 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 01065/2014. 

A pesquisa avaliou também a rejeição aos candidatos. Dizem que não votariam em Dilma de jeito nenhum 42% dos entrevistados, e 32% afirmam o mesmo sobre Aécio. Não rejeitam nenhum dos dois 16%. “Podemos afirmar que Aécio Neves inicia o segundo turno com uma boa vantagem porque herdou mais votos de Marina Silva. Vamos ver como o eleitor se comportará após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão”, afirmou à revista o economista Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas.

Nem foguetório nem cabelos arrancados
É natural que os correligionários de quem está na frente fiquem felizes e que se entristeçam os de quem está atrás, mas é cedo tanto para o foguetório dos tucanos como para o desespero dos petistas. Se há coisa que essa eleição ensinou é que se deve ver com prudência os números dos institutos de pesquisa. Não estou duvidando de ninguém em particular nem pondo todo mundo sob suspeita. Apenas constato o óbvio: não anda assim tão fácil interpretar os sentimentos dos brasileiros

Que há um clima pró-Aécio no centro-sul do país, especialmente, nas grandes cidades, eis um dado que é da experiência. E os petistas sabem disso. Vejam o que aconteceu em São Paulo, seja no Estado, seja na capital. Pedem-se mudanças abertamente nas ruas. Tanto é assim que a própria presidente-candidata Dilma Rousseff, no pronunciamento depois do primeiro turno, assegurou que, se reeleita, fará um novo governo, com pessoas e com ideias novas.

O horário eleitoral recomeça nesta quinta. Sua importância cresce no segundo turno, porque aí os dois candidatos disputam em igualdade de condições. A lógica indica que isso tende a ser favorável a Aécio. Afinal, na primeira etapa, com quase o triplo de tempo do tucano, Dilma não conseguiu sair da casa dos 40%, que já eram seus antes do início da propaganda. Mais: os debates na TV também se tornam mais relevantes, sem nanicos para tomar o nosso tempo com bobagens.

Novas pesquisas
Nesta quinta, Datafolha e Ibope divulgam suas respectivas pesquisas. Se o tucano aparecer na frente também nesses levantamentos, é claro que aumentará a preocupação petista. Os buchichos que correm por aí dizem que é precisamente o que vai acontecer. Se os números de agora não são necessariamente uma antecipação do que virá, é claro que eles servem para balizar estratégias de campanha. Haverá um embate sério e maduro, a favor do país? Ou assistiremos a um espetáculo de ódio, rancor e ressentimento? Há uma boa possibilidade de o eleitor estar com o saco cheio do jogo rasteiro.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 17:57

Ex-contadora de doleiro diz ter repassado dinheiro a jornalista que pertence ao grupo de Dirceu para pagar multa do mensalão

Por Ricardo Brito, na Estadão:
A contadora Meire Poza confessou nesta quarta-feira, 8, em depoimento à CPI mista da Petrobrás, ter repassado dinheiro para pagar a multa de um condenado no processo do mensalão. Ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire disse que foi à residência do jornalista Breno Altman durante três meses para pegar em cada oportunidade R$ 15 mil em dinheiro vivo. Esses recursos eram entregues, segundo ela, para o sócio da corretora Bônus Banval Enivaldo Quadrado, que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro. Quadrado foi punido pelo STF à pena de três anos e seis meses de prisão e a uma multa de R$ 28,6 mil, à época da condenação em 2012 e cujo valor foi atualizado posteriormente. Meire disse que os recursos serviram para pagar a multa do sócio da corretora Bônus Banval. A contadora afirmou que pegou os recursos em espécie no portão da casa do jornalista nos meses de maio, junho e julho deste ano. “Em relação a esses R$ 15 mil, ele (Breno Altman) dizia que o PT estava pagando a multa do mensalão”, afirmou ela, inicialmente, em resposta a pergunta feita pelo líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR).

Posteriormente, contudo, Meire disse, em resposta a questionamento feito pelo deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), que o jornalista não sabia o origem do recurso. Como fala na qualidade de depoente, ela não pode mentir à CPI. Se o fizer, pode ser processada por crime de perjúrio e sair presa do depoimento. A ex-contadora de Youssef afirmou que a pena de Enivaldo Quadrado foi convertida em prestação de serviços à comunidade, que ele começou a cumprir a partir de maio deste ano em Assis (SP). Foi por isso que, segundo Meire, Quadrado pediu a ela para que buscasse esses valores na casa de Altman em São Paulo para levá-lo a ele, em Assis.

Meire disse que conhecia Quadrado desde 2009, na época em que ele trabalhava em uma corretora de valores. Ela destacou que dividia com Quadrado metade dos 7% que cobrava de comissão para a emissão dos R$ 7 milhões em notas frias. Em valores, isso dava R$ 122.500 para cada um. Segundo ela, foi Enivaldo Quadrado quem a apresentou a Youssef e, como Quadrado vivia em dificuldades financeiras, ela o ajudava e se considerava uma “espécie” de sócia dele. Após a confissão da ex-contadora de Youssef, Domingos Sávio disse que a multa do mensalão foi paga com “dinheiro do petrolão”. O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) fez questão de mostrar, durante o depoimento de Meire, uma foto do seu tablet em que Breno Altman está ao lado do ex-ministro José Dirceu, também condenado no mensalão. O líder do PPS na Câmara apresentou requerimento para convocar Altman, para depor em uma futura sessão administrativa da CPI.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 16:24

Inflação acelera em setembro e marca 6,75% em 12 meses

Na VEJA.com:
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou 0,57% em setembro, depois de ficar em 0,25% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. O indicador prévio (IPCA-15) do mês havia desacelerado para 0,39%. Em setembro do ano passado, a inflação variou 0,35%.

Com isso, o acumulado em doze meses é de 6,75%, acima dos 6,51% registrados no mesmo período até agosto e a maior variação nessa base de comparação desde outubro de 2011, quando o indicador acelerou 6,97% em 12 meses. O indicador também ultrapassou, pela terceira vez em 2014, o limite da inflação “aceitável” pelo governo, cuja meta vai de 2,5% (mínimo) a 6,5% (máximo), com centro de 4,5%. Em junho, ele já havia batido 6,52% na mesma base de comparação. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a alta é de 4,61%. O resultado de setembro ficou acima da mediana de estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, de 0,48%. Para 12 meses, eles projetavam alta de 6,65% do IPCA.

Pesos pesados
A inflação em setembro foi muito impactada pelo preço dos Alimentos e Bebidas, que, depois de caírem três meses consecutivos, voltaram a subir 0,78%. carne, sozinha, foi responsável por 0,08 ponto porcentual do IPCA cheio (0,57%). No grupo de Transportes também subiu 0,63%, contra 0,33% em agosto. Somente as passagens aéreas subiram 17,85% entre os dois meses, respondendo por 0,07 ponto porcentual do IPCA.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 15:54

Operador de campanhas petistas estava em avião que transportava dinheiro vivo

Por Rodrigo Rangel e Daniel Pereira, na VEJA.com:
Um conhecido colaborador de campanhas eleitorais petistas estava a bordo do avião no qual a Polícia Federal apreendeu, na noite desta terça-feira, 116 mil reais em dinheiro vivo no aeroporto de Brasília. A aeronave foi abordada pelos agentes federais logo após pousar, vindo de Belo Horizonte. Uma denúncia anônima levou os policiais a fazerem o flagrante. Os três ocupantes do avião, um turboélice registrado em nome de uma empresa de participações, foram levados até a Superintendência da PF em Brasília para prestar esclarecimentos.

Entre eles estava Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, empresário de Brasília com negócios no governo federal e que ficou conhecido na campanha eleitoral de 2010 por bancar despesas do comitê eleitoral da então candidata petista Dilma Rousseff. Bené também patrocinou um grupo que operava na clandestinidade, dentro do comitê de campanha, para produzir dossiês contra o tucano José Serra, então adversário do PT. Na época, o coordenador da campanha de Dilma Rousseff era o hoje governador eleito de Minas Gerais Fernando Pimentel.

Junto com Bené estava Marcier Trombiere Moreira, funcionário de carreira do Banco do Brasil que ocupa, desde março deste ano, o cargo de assessor especial do ministro das Cidades, Gilberto Occhi. O terceiro ocupante da aeronave foi identificado como Pedro Medeiros. Amigo de petistas influentes, especialmente de Minas Gerais, Bené era um empresário pouco conhecido de Brasília. No governo do PT, ficou rico: de repente, suas empresas — a Gráfica Brasil e a Dialog Eventos — passaram a ganhar fortunas com contratos públicos. Durante os dois mandatos do ex-presidente Lula, as empresas faturaram 214 milhões de reais.

A Dialog chegou a ser proibida de contratar com o governo após a descoberta de uma série de irregularidades. Em muitos órgãos públicos, ela era contratada sem licitação. Auditorias oficiais concluíram que a empresa costumava receber pagamentos por serviços nunca prestados. A Gráfica Brasil, por sua vez, continuou firme e forte com seus negócios na máquina federal. Já no governo Dilma, recebeu 109,6 milhões.

Na campanha de 2010, Bené atuou com uma espécie de tesoureiro informal da campanha de Dilma. Cuidava das finanças e também da logística da estrutura montada em Brasília para servir à candidatura presidencial petista. Até estourar o escândalo da espionagem, revelado por VEJA, Bené era o responsável por pagar as despesas de uma casa montada para servir à campanha. Também foi ele quem providenciou outros imóveis utilizados pelo comitê petista — incluindo a casa onde a então candidata Dilma Rousseff morou, no Lago Sul de Brasília, até ser eleita presidente.

Nas eleições deste ano, o empresário voltou à cena, só que mais discretamente. Bené auxiliou a campanha do petista Fernando Pimentel. Sempre nos bastidores. Ele transitava entre Brasília e Belo Horizonte. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a origem dom dinheiro.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 15:39

VERGONHA NOS CORREIOS 3 – Nesta campanha, parece que Paulo Bernardo perdeu bem mais do que a eleição no Paraná, onde sua mulher foi derrotada no 1º turno

As notícias que chegam dos Correios — empresa que, diga-se, está na raiz dos escândalos que levaram à descoberta da existência do mensalão — são estarrecedoras. Ironia das ironias: a estatal, que é subordinada ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, decidiu, por exemplo, processar o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Por quê? Ora, o tucano acusou o aparelhamento da empresa e seu uso em favor das candidaturas de Dilma Rousseff à Presidência e de Fernando Pimentel ao governo de Minas.

Mera guerrilha eleitoral? Não! Há um vídeo em que o deputado Durval Ângelo, do PT de Minas, confessa, com todas as letras, que os Correios foram utilizados em favor dos dois candidatos. Wagner Pinheiro, presidente da empresa, estava presente quando Ângelo afirmou, entre outras barbaridades: “Se, hoje, nós temos a capilaridade da campanha do [Fernando] Pimentel [candidato do PT ao governo de Minas] e da Dilma em toda Minas Gerais, isso é graças a essa equipe dos Correios.” Foi adiante: “A Dilma tinha em Minas Gerais, em alguns momentos, menos de 30%. Se, hoje, nós estamos com 40% em Minas Gerais, tem dedo forte dos petistas dos Correios.”

Dias antes de esse vídeo se tornar público, descobriu-se que cinco milhões de folders da campanha de Dilma haviam sido distribuídos pelos Correios sem a devida chancela. O Ministério Público deu prazo de 30 dias para Dilma dar explicações sobre as acusações de uso irregular da estatal na campanha. Trinta dias? A eleição ocorre daqui a 17.

Muito bem! Reportagem da VEJA.com de hoje informa que Nilton do Nascimento, diretor regional dos Correios no Mato Grosso, alugou espaço num hotel em Cuiabá, no dia 23 de setembro, e o fez em nome da empresa, para defender, diante de funcionários da estatal, as candidaturas de Lúdio Cabral, que concorria ao governo do Estado, e do deputado Ademir Brunetto, também petista.

Os dois estavam presentes. Mais: o tal diretor decidiu ali usar a estrutura da empresa para enviar a eleitores cartas em tempo real defendendo, então, a eleição da dupla e de dois outros políticos: o deputado federal Ságuas Moraes (PT) e a presidente-candidata Dilma Rousseff. Nota: Brunetto e Lúdio não conseguiram se eleger. Mas Ságuas foi reeleito com 97 mil votos.

O PT acusa seus adversários de quererem privatizar estatais. Digam-me: o que se tem aí é ou não uso privado de uma empresa pública. Isso é ou não é privatização? É. E do pior tipo: ninguém recebe nada por ela. Os únicos beneficiados são um partido político e seus apaniguados.

No dia 5 deste mês, a Associação dos Profissionais dos Correios – ADCAP – divulgou uma nota pública lamentando o uso político dos Correios e lembra que a atual direção da empresa, afinada com as orientações do Ministério das Comunicações, mudou em 2011 o Manual de Pessoal e permitiu que gente estranha à empresa passasse a ocupar cargos técnicos e de gerenciamento. Resultado: 18 das 27 diretorias regionais estão em mãos de petistas de carteirinha.

O uso político-eleitoral dos Correios é dessas coisas que deixam de ser denúncias para ser mera constatação da realidade. Essas práticas aqui listadas ferem disposições internas da empresa, violam a Lei Eleitoral 9.504 e configuram, obviamente, improbidade administrativa. Paulo Bernardo, um ministro que se mantinha prudentemente longe de escândalos, está se revelando nesta campanha — ou, sei lá, foi revelado nesta campanha, não é mesmo?

O PT conseguiu que o TSE, absurdamente, mandasse retirar do ar um vídeo em que um carteiro entrega de porta em porta propagada eleitoral da Dilma. A justificativa é que o filme foi feito com o propósito de prejudicar o PT e que o rapaz apenas executava o seu trabalho. Calma lá! O que aquele vídeo evidencia é que o material não tem chancela nenhuma dos Correios. De resto, fica evidente, o pobre carteiro foi orientado a não falar.

Reitero: por muito menos, o Tribunal Superior Eleitoral já cassou mandatos de prefeitos e até de governador. Parece que o ministro Paulo Bernardo, neste 2014 (ou antes?), perdeu bem mais do que a eleição no Paraná, onde sua mulher, Gleisi Hoffmann, foi derrotada no primeiro turno…

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 15:05

VERGONHA NOS CORREIOS 2 – Associação denuncia aparelhamento da empresa pelo PT; 66% das diretorias regionais estão ocupadas por pessoas filiadas ao partido

Pois é… No dia 5 deste mês, a Associação dos Profissionais dos Correios – ADCAP – publicou um carta aberta em que denuncia o aparelhamento dos Correios pelo PT. A associação lembra que, em 2011, o governo mudou o Manual de Pessoal e passou a permitir que pessoas estranhas aos quadros da empresa assumissem funções técnicas e gerenciais. Resultado: 18 das 27 Diretorias Regionais dos Correios estão nas mãos de pessoas filiadas ao PT. Leiam a carta.
*
A Associação dos Profissionais dos Correios – ADCAP, entidade sem fins lucrativos fundada em 20/12/1986, sem vinculação a qualquer partido político, em virtude das últimas notícias divulgadas acerca do aparelhamento político da ECT, vem a público manifestar o que se segue:

a) Nos últimos anos o aparelhamento político da ECT se acentuou com as mudanças introduzidas no Manual de Pessoal em 2011, que permitiram o acesso às funções técnicas e gerenciais por empregados e pessoas estranhas aos quadros de pessoal da Empresa sem a observância dos imperativos de competência técnica e capacidade gerencial;

b) Em decorrência dessas alterações, 18 (dezoito) dos 27 (vinte e sete) Diretores Regionais da ECT são filiados ao Partido dos Trabalhadores;

c) Além disso, muitas outras funções são ocupadas por critérios políticos nas Diretorias Regionais e na Administração Central da Empresa;

d) Como exemplos desse aparelhamento, registre-se que enquanto mais de 50.000 mil Carteiros labutam diariamente em condições muitas

vezes desfavoráveis por uma remuneração mensal de cerca de R$ 1.500 (hum mil e quinhentos reais), outros Carteiros ligados à burocracia sindical e partidária ocupam elevadas funções em Brasília e nos diversos estados, alguns deles com remunerações superiores a R$ 20.000 (vinte mil reais);

e) O citado aparelhamento afeta também o Fundo de Pensão dos empregados dos Correios, o Postalis, frequentemente citado em notícias veiculadas pela imprensa contendo suspeitas de investimentos duvidosos e de operações fraudulentas;

f) O Postalis já acumula um déficit atuarial superior a R$ 2,2 bilhões em 2013/2014, levando em breve a uma drástica redução dos salários e benefícios dos empregados e aposentados dos Correios e atingindo cerca de 500 mil pessoal, o que levou a ADCAP a solicitar à PREVIC, junto com outras entidades representativas de empregados, a intervenção no Postalis;

Diante do exposto, a ADCAP comunica que está avaliando as medidas judiciais cabíveis e que oportunamente se manifestará novamente sobre o assunto.

Atenciosamente,
Diretoria Executiva da ADCAP Nacional.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 14:59

VERGONHA NOS CORREIOS 1 – Indicado pelo PT usa empresa para pedir votos em MT

ENTREGA EXPRESSA – Nilton Nascimento, diretor dos Correios em Mato Grosso, reúne funcionários para pedir o envio relâmpago de cartas pedindo votos para Dilma e candidatos do PT (VEJA)

ENTREGA EXPRESSA – Nilton Nascimento, diretor dos Correios em Mato Grosso, reúne funcionários para pedir o envio relâmpago de cartas pedindo votos para Dilma e candidatos do PT (VEJA)

Por Laryssa Borges, na VEJA.com. Volto nos próximos posts.
Na noite de terça-feira, 23 de setembro, o diretor regional dos Correios de Mato Grosso, Nilton do Nascimento, reuniu a cúpula da empresa e funcionários do setor administrativo a portas fechadas, no Hotel Mato Grosso Palace, em Cuiabá. Horas antes, o espaço havia sido reservado em nome da autarquia para que Nascimento pudesse defender, diante dos seus colegas de trabalho e subordinados, o candidato ao governo pelo PT, Lúdio Cabral, e o deputado estadual que tentava novo mandato Ademir Brunetto (PT). Os dois puderam expor livremente suas propostas e explicar como, segundo eles, os doze anos de governo Lula e Dilma Rousseff (PT) foram bons para a categoria. Depois daquela reunião, Nilton do Nascimento, filiado PT, decidiu enviar cartas em tempo recorde para eleitores do estado pedindo votos para a dupla petista e para dois outros candidatos: o deputado federal Ságuas Morais (PT) e a presidente-candidata Dilma Rousseff.

Ságuas Morais faz parte, em Brasília, do chamado “baixo clero” no Congresso. Deputado de primeiro mandato, é assíduo na Câmara – mais de 95% de presença em sessões deliberativas em 2014 –, mas não tem influência política na bancada e não conseguiu aprovar nenhum projeto de lei durante seu mandato. No último domingo, Ságuas foi reeleito com mais de 97.000 votos. O candidato ao governo, Lúdio Cabral, perdeu no primeiro turno para o governador eleito Pedro Taques (PDT). Ademir Brunetto não conseguiu se eleger.

Dois dias depois da reunião no hotel em Cuiabá, Nilton Nascimento disparou cartas para funcionários dos Correios pedindo voto para os quatro candidatos – Dilma Rousseff incluída. Na capital, Nascimento utilizou, sem autorização, o banco de dados dos Correios para saber onde cada funcionário atuava e poder enviar – nominalmente – os pedidos de voto. A prática configura violação do Manual de Comercialização dos Correios, que é explícito: “a postagem de impressos e malas diretas de propaganda eleitoral somente será autorizada a candidatos e partidos regularmente registrados na Justiça Eleitoral para o evento”.

Parte das cartas políticas foi entregue no dia seguinte à postagem, em alguns casos mais rápido que o próprio serviço Sedex. Em Mato Grosso, uma carta demora, em média, três dias para ser entregue para chegar ao destinatário – ou até cinco dependendo do município do interior. Mais: cada correspondência foi despachada ao custo de 0,60 centavos – preço menor do que o praticado, conforme a tabela dos Correios, que prevê 1,30 real por unidade. “Uma pessoa comum não conseguiria ter feito aquilo, enviar cartas em tempo recorde e ainda usar o cadastro de funcionários. É um privilegio postar correspondências por menos da metade do preço”, disse ao site de VEJA o presidente do sindicato da categoria, Edmar Leite.

Carta enviada por funcionário dos Correios pedindo votos em Dilma e candidatos do PT em Mato Grosso

Carta enviada por funcionário dos Correios pedindo votos em Dilma e candidatos do PT em Mato Grosso

Nilton do Nascimento admite ter enviado 670 cartas. Em Cuiabá e Várzea Grande, por exemplo, todos os mais de 500 carteiros receberam o pedido de votos. Em nota, Nascimento negou irregularidades, disse que pagou do próprio bolso o envio das correspondências e afirmou que os pedidos de votos ocorreram “na condição de cidadão”. “Não houve operação especial para a entrega e os objetos seguiram o fluxo postal previsto para esta modalidade de serviço”, disse. O conjunto de ilegalidades e a suspeita de uso político da máquina federal estão sendo apurados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Mato Grosso após denúncia do Sindicato estadual dos Trabalhadores nas Empresas de Correios, Telégrafos e Serviços Postais.

A denúncia do sindicato é grave, mas não é a primeira vez nestas eleições que os Correios são acusados de uso eleitoral pelo PT. Em Minas Gerais, o PSDB acusa a autarquia de ter confiscado material de campanha do candidato à Presidência, Aécio Neves. O tucano contratou o serviço de mala direta postal domiciliária para a distribuição de 5.634.000 de cartas, mas nem todas as correspondências foram entregues.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 6:49

LEIAM ABAIXO

Guido Mantega, o ministro defunto, faz terrorismo eleitoral e ainda corta pela metade a taxa de juros reais da era PT. É mesmo um espanto!;
Haddad, o maníaco da ciclofaixa, conta com jornalismo biciclopetista para atacar os conservadores e anuncia pistas para bicicletas em 12 pontes da Marginal do Pinheiros;
MP dá prazo para Dilma explicar suspeitas sobre Correios;
PF intima empresas que abasteceram esquema de desvio na Petrobras;
MP Federal e Estadual querem tomar o lugar do governador de SP e decretar racionamento. É o fim da picada!;
Aliado de Marina, PPS anuncia apoio a Aécio;
Como é? Então os institutos de pesquisa acertam quando acertam e acertam também quando erram? A justificativa não é séria!;
Hoje é 7 de outubro; com margem de erro, é véspera de Natal;
Oba! Padilha na coordenação da campanha de Dilma em SP? Dou o maior apoio!;
O raciocínio do abismo de Luíza Erundina, a despensadora;
FMI adapta previsão de crescimento do Brasil à realidade: 0,3%!!!;
— Marina já decidiu: vai apoiar Aécio; família de Eduardo Campos faz o mesmo movimento. É a frente contra os “fantasmas do presente”;
— No Estado de São Paulo, o PT levou uma sova de 644 a 1!!! Aécio venceu Dilma em 565 de 645 cidades. Nunca antes antes na história “destepaiz”!;
— O Congresso que sai das urnas. Ou: Dilma ou Aécio fariam maiorias folgadas na Câmara e no Senado; a questão é saber para quê;
— PT, PMDB, PSD e PP, juntos, perdem 35 deputados; bancada do PT terá 18 a menos;
— Aécio responde a Dilma e diz que o que assusta são os fantasmas do presente;
— Rio: o risco de o estado ser capturado por uma estrutura que mistura religião, política e negócios

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 6:35

Guido Mantega, o ministro defunto, faz terrorismo eleitoral e ainda corta pela metade a taxa de juros reais da era PT. É mesmo um espanto!

Guido Mantega é o primeiro caso da história de ex-ministro da Fazenda no cargo. Nunca antes na história deste mundo. Nessa condição, ele poderia ao menos ficar caladinho. Mas ele fala. Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, o narrador se diz “um defunto autor”, não um “autor defunto”. Como analista de política e de economia, Mantega é um “ministro defunto”, não um “defunto ministro”. Convenham: ninguém mais dá bola para o que diz, a não ser para escarnecer.

Nesta terça, o homem que erra previsões sobre economia mais do que institutos de pesquisa antevendo os votos de Aécio, veio a público para fazer um pouco de terrorismo eleitoral. Sabem como é… A desocupação é a morada do capeta. Eu, por exemplo, tenho três empregos. Ninguém me surpreende fazendo fofoca ou revelando nas redes sociais o que acabei de comer ou de ouvir. Não tenho tempo. Mas Mantega, sem nada para fazer, anda com tempo ocioso. Afirmou sobre Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda de Aécio Neves se o tucano for eleito presidente:

“Me preocupa muito que o mesmo gestor da política monetária possa voltar e vá querer derrubar inflação com choque monetário, como foi feito no passado”.

Em primeiro lugar, quem disse que o Armínio, se ministro, dará um “choque monetário”? Isso é uma ilação maliciosa de um desocupado. Em segundo lugar, o ministro fala como se a taxa de juros no Brasil estivesse baixa, não é mesmo? É a maior do mundo em termos reais. A convergência maldita, senhor Mantega, é outra: os juros já estão lá na ponta do pavio, o crescimento na ponta oposta, e a inflação roçando o teto da meta. De fato, a gente não precisa de choque monetário, mas de outro governo, como até a presidente Dilma reconheceu, não é mesmo? É por isso que ela garantiu que, se reeleita, governará com ideias novas e pessoas novas. Estava, na verdade, mais uma vez, a afirmar que o senhor não fará parte da equipe. Então, ex-ministro, tenha a bondade de não fazer um papelão.

Continuando na sanha do terrorismo eleitoral, Mantega afirmou que a média das taxas de juros reais era de 15% no governo FHC, enquanto no governo petista, teria sido de 3,5%:
“Uma taxa de juros dessa magnitude acaba com o mercado de construção, o setor imobiliário, porque ninguém vai querer investir em imóveis se pode ter um lucro tranquilo em aplicações em títulos. Vai ser uma maravilha, ninguém vai precisar trabalhar — quem tem dinheiro. Você vai provocar uma recessão na economia.”

Em primeiro lugar, a taxa média de juros reais do governo petista entre 2003 e 2013 foi de 6,99%, o dobro do que disse Mantega. Com que dados trabalho? Vejam nota no pé da página (*). Em segundo lugar, é preciso saber que tipo de dificuldade viveu FHC e que tipo de dificuldade viveram os governos petistas. A tarefa de acabar com a hiperinflação ficou com o tucano. Os petistas, como sabemos, tentaram acabar com o Plano Real. Em terceiro lugar, um ministro da Fazenda deveria ter o bom senso de não se meter em terrorismo eleitoral.

Mantega, com a clareza habitual, ainda tentou fazer outra graça sobre o fato de os mercados terem reagido com euforia à notícia de que Aécio vai disputar o segundo turno: “Os mercados são muito espertos, mais do que você imagina. Eles buscam ganhar sempre, em todas as condições. Faz parte. Esse é, por definição, o objetivo. Se ele puder causar turbulência que favoreça a ele, ele vai.”

Que sutil esse Guido Mantega! Quando os mercados aplaudiam Lula, os petistas exibiam em suas páginas os elogios que lhe eram dirigidos por publicações especializadas. Que bom que o ministro reconhece que os mercados querem “ganhar sempre”. Estranho seria se quisessem perder. Ocorre, ex-ministro Mantega, que aquilo a que chamam, muitas vezes, de “especulação” é só um movimento defensivo dos agentes econômicos para se proteger de governos irresponsáveis.

Faço uma pergunta ao ex-ministro Mantega, não ao cabo eleitoral: “Por que não se cala?”
*
(*) Para chegar à taxa média de juros reais dos anos petistas trabalhei com os seguintes dados: 2003 (9,4%); 2004 (11,2%); 2005 (11,4%); 2006 (7,9%); 2007 (7,7%); 2008 (6,9%); 2009 (9,8%); 2010 (6,2%); 2011 (4,5%); 2012 (1,8); 2013 (4,09%). Eles representam a taxa nominal (swap de 360 dias), deflacionada pela mediana da expectativa de inflação para os 12 meses seguintes. Período: 2003 a 2013, no dia 31 de dezembro de cada ano.

Texto publicado originalmente às 22h36 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 4:54

Haddad, o maníaco da ciclofaixa, conta com jornalismo biciclopetista para atacar os conservadores e anuncia pistas para bicicletas em 12 pontes da Marginal do Pinheiros

Um dos meus humoristas prediletos é Fernando Haddad. Ainda que ele me faça rir de escárnio e que não seja esse um sentimento tão nobre. Ele e a imprensa biciclopetista continuam a toda, confiantes nas pesquisas que indicam que 80% dos paulistanos apoiam o ciclofaixismo, ainda que sejam tão poucos os “ciclofascistas” da cidade… Aprovação, é? Ainda descobriremos que a margem de erro era de 80 pontos para mais ou para menos… Que bom! Assim não será preciso explicar o erro, né?, à diferença do que ocorre com as pesquisas eleitorais.

Será que eu sou contra faixas exclusivas para bicicletas? Eu não! Nem eu nem as pessoas que responderam aos pesquisadores. Eu sou contra é a forma como o ciclomaníaco faz as coisas. O que temos em São Paulo não é uma ciclovia, como todo mundo sabe; tampouco é uma ciclofaixa. O que o populismo de minoria do senhor prefeito faz é sair por aí a pintar de vermelho um pedaço de rua. Vejam estas fotos feitas por minha mulher, com um celular, na Alameda Barros, em Santa Cecília.

foto 4

foto 3

foto 2 (1)

Graças a Deus e ao bom senso, também ali as ciclofaixas estão desertas! Ou ofereceriam risco de vida. Eis aí um assunto que deveria interessar ao Ministério Público. Vejam as imagens: a tinta vermelha passa pelos buracos; há pelotas de cimento na pista, o meio-fio, que serve de referência, está todo danificado. Reitero: o prefeito não está nem aí. Nem mesmo se ocupou de criar faixas de bicicleta que fossem ao menos transitáveis. E ele não o fez por dois motivos:

a: porque não há bicicletas;
b: porque ele está interessado em mostrar serviço. Algum serviço, qualquer um…

Ao fim de dois anos de gestão, pensem bem: o que resta a saudar — e a saldar (com “ele” mesmo) — na sua gestão? Não será conhecido por seus avanços na educação, na saúde, na moradia, no planejamento urbano, nada… Por mais que conte com o apoio do jornalismo biciclopetista e com colunistas amestrados desta e de outras cidades, o povo insiste em divergir. “Ah, mas a aprovação dele está aumentando…” É mesmo?

Vejam o mapa da votação de Dilma Rousseff e Aécio Neves na cidade de São Paulo.

voto cidade de São Paulo

O azul tomou o Centro, o Centro expandido e avançou para as quatro zonas geográficas da cidade. O vermelho foi banido da Zona Norte e ainda resiste nos extremos das outras três regiões. Aécio venceu em 43 das 58 zonas eleitorais da cidade, e Alckmin bateu Padilha em 54 delas. O presidenciável tucano obteve 43,69% dos votos válidos; Dilma ficou com 26,08%, e Marina, com 23,94%. Eu não sei se os tucanos são gratos a Fernando Haddad por sua obra. Eu sou. Obrigado, prefeito! Ah, sim: nesses extremos em que o petismo resiste, não há ciclofaixas, embora haja bicicletas. Que prefeito curioso! É que a imprensa biclopetista não frequenta a periferia… Prefere falar em nome do povo e do novo, mas em Higienópolis, Moema, Alto de Pinheiros, Vila Nova Conceição…

Aliás, intuo que a ruindade de Haddad contaminou os municípios do entorno também, já que moradores de cidades vizinhas transitam pela capital. Vejam o desempenho de Dilma e Aécio na região.

Mapa votação grande são paulo

Mas o prefeito segue firme — tomara que não mude mesmo, se é que me entendem. E agora promete ciclofaixas em 12 pontes sobre o Rio Pinheiros. Segundo ele, só os “conservadores” reclamam. Eu não sabia que a última palavra em matéria de progressismo é fazer ciclofaixas para ciclistas que não existem. É isso aí, prefeito! Não dê bola para os conservadores. O senhor precisa mostrar serviço. Se só restou pintar um pedaço da rua de vermelho, fazer o quê? Tinta nela! E o povo que fale nas urnas.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 4:41

MP dá prazo para Dilma explicar suspeitas sobre Correios

Na VEJA.com:
O procurador da República Frederick Lustosa de Mello deu prazo de trinta dias para que a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) dê explicações sobre a acusação de uso político dos Correios em benefício de sua campanha à reeleição. Uma investigação preliminar foi instaurada pela Procuradoria da República no Distrito Federal, a partir de representação do PSDB.

O partido afirma que os Correios entregaram 4,8 milhões de panfletos da petista sem chancela ou estampa digital. Além disso, enviaram vídeo em que o deputado estadual Durval Ângelo (PT-MG) foi gravado em vídeo dizendo que Dilma só aumentou suas intenções de voto em Minas Gerais porque “tem dedo forte dos petistas dos Correios” atuando na campanha.

O procurador avaliará se há indícios de improbidade administrativa na conduta dos envolvidos no caso. Caso entenda que sim, abrirá inquérito para aprofundar as investigações. Além de Dilma, o procurador também pediu explicações do deputado Durval Ângelo, do presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, e dos diretores regionais José Pedro de Amengol Filho (Minas), Divinomar Oliveira da Silva (Interior de São Paulo) e Wilson Abadio de Oliveira (Grande São Paulo).

O ofício endereçado para Dilma ainda precisa ser analisado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que decidirá se vai remetê-lo ou não para a presidente. No entanto, é praxe o envio com pedido de explicações. Até esta terça-feira, o documento ainda estava na procuradoria da República do DF e não havia chegado ao gabinete de Janot.

O PSDB acusa a campanha da presidente Dilma de infringir os artigos 332 e 377 do Código Eleitoral, que caracterizam como crime impedir o exercício de propaganda política – o candidato da oposição, Aécio Neves (PSDB), acusa os Correios de não entregar panfletos de sua campanha em Minas. A legislação citada pelo partido também prevê como crime o uso de empresas públicas para beneficiar partido ou organização de caráter político. A pena é de detenção por até seis meses e pagamento de 30 a 60 dias-multa.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 3:31

PF intima empresas que abasteceram esquema de desvio na Petrobras

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
A Polícia Federal intimou empreiteiras que fizeram pagamentos ao doleiro Alberto Youssef e ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A intimação foi divulgada nesta terça-feira. O objetivo é dar chance de “colaboração espontânea” para as empresas responsáveis por abastecer o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro descoberto na operação Lava Jato, que movimentou mais de 10 bilhões de reais. Sócios e executivos das empreiteiras são investigados em inquéritos em andamento na Polícia Federal e terão de apresentar documentos e justificativas para os pagamentos.

De acordo com as investigações, Costa e Youssef organizaram um esquema de desvio de recursos da estatal para enriquecimento próprio e para abastecer o bolso de políticos e partidos da base aliada. Isso era feito com a assinatura de contratos fictícios, simulando a prestação de serviços entre empresas de fachada e as empreiteiras envolvidas, sempre com a finalidade de dar aparência legítima ao dinheiro desviado. Como revelou VEJA, o ex-diretor Paulo Roberto Costa apontou pelo menos três governadores, um ministro, seis senadores, 25 deputados federais e três partidos políticos (PT, PMDB e PP) como beneficiados pelas verbas desviadas. Eles recebiam 3% de comissão sobre o valor de contratos da petrolífera, de acordo com os depoimentos de Costa prestados no acordo de delação premiada.

A polícia aperta o cerco contra os corruptores. Como revelou o site de VEJA, só o grupo Mendes Júnior, por exemplo, transferiu mais de 3,8 milhões de reais, obtidos em obras da Petrobras, para contas de empresas de fachada do doleiro Youssef. A construtora Mendes Júnior foi uma das empresas intimadas a “explicitar a natureza dessas transferências e fornecer a documentação pertinente, inclusive quanto a execução do objeto do contrato, em sendo o caso”.

Também foram intimadas: OAS Engenharia, Engevix, Unipar, Galvão Engenharia, Investminas Participações, Tipuana Participações, Phisical, Projetec Projetos, Coesa Engenharia, Metasa Indústria de Metais, Construtora OAS, JSM Engenharia, Astromarítima Navegação, Hope Recursos Humanos, Constran, UTC Participações, Consórcio RNEST, Empresa Industrial Técnica e Arcoenge. Com a confissão de crimes pelo ex-diretor, fica mais complicada a tentativa de justificar os pagamentos como remuneração de serviços legítimos.

Por Reinaldo Azevedo

07/10/2014

às 20:08

MP Federal e Estadual querem tomar o lugar do governador de SP e decretar racionamento. É o fim da picada!

Pois é… Há coisas que fogem ao limite do razoável. Como todo mundo sabe, sou um defensor das prerrogativas do Ministério Público, mas também cobro responsabilidade e limites. Por que digo isso? Os MPs Estadual e o Federal resolveram apelar à Justiça para que esta force a Sabesp a limitar a retirada de água do Sistema Cantareira, vetando o uso da segunda etapa do volume estratégico — que se chama “estratégico” justamente porque não é “morto”, esse nome cretino. Os requerentes afirmam que ele deve ser usado apenas excepcionalmente, para “evitar um colapso”. Ora, não é precisamente esse o caso?

Segundo leio na Folha, os MPs Estadual e Federal argumentam que “a continuidade de retirada de água do Cantareira poderá trazer sérias implicações ao abastecimento público, levando a um ‘colapso do sistema’, além de prejuízos ao meio ambiente e à saúde pública”. A ação foi movida por promotores de Piracicaba e Campinas e por um dos procuradores de Piracicaba. Entre os réus, a ação cita a ANA (Agência Nacional de Águas), o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo) e a SABESP.

Muito bem. O que eles querem então? Racionamento! A sua avaliação sobre os prejuízos decorrentes do uso da segunda etapa do volume estratégico não é uma questão matemática; trata-se apenas de opinião, com a qual não concordam técnicos da Sabesp, que são especialistas no assunto. Eis aí um juízo curioso: digamos que as chuvas não venham mesmo. Então se trata, segundo essa escolha, de antecipar o que eles chamam de “colapso” para evitar o “colapso”? Isso não faz sentido!

Há números demonstrando que os incentivos à economia de água têm sido mais efetivos do que a imposição do racionamento, que acarretaria severos problemas técnicos quando as tubulações voltassem a receber a água. Mais: nos períodos de abastecimento, a população tende a fazer estoque para se precaver, e se conjugam, então, o ruim e o pior: a falta de água com o desperdício.

Acho que o Ministério Público Estadual e o Federal precisam se conformar com o fato de que não são governo, de que não foram eleitos pelo povo, de que já gozam de prerrogativas que raramente se veem em outras democracias. A ser como querem alguns promotores e procuradores, os governantes deveriam submeter previamente suas decisões aos respectivos órgãos, e políticas públicas só seriam implementadas depois que contassem com a sua concordância. Nesse caso, o regime democrático seria substituído por uma espécie de Guarda Pretoriana dos Homens Ilustrados. Seria, assim, uma casta acima das vulgaridades do mundo e das escolhas falhas dos homens.

Se os representantes dos MPs querem esse grau de interferência na vida dos cidadãos e nas escolhas administrativas, o caminho é a urna.

Eleição
Mais: certa delinquência política deu agora para ligar o não racionamento à passagem de Aécio Neves para o segundo turno. Então um problema local, que nada tem a ver com o presidenciável, poderia afetar a sua eleição? Tenham paciência! Esse discurso não colou nem em São Paulo. Com toda a pregação terrorista de Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT), Alckmin venceu a eleição para governador em 644 dos 645 municípios de São Paulo, e Aécio, em 565. Associar o não racionamento à eleição é de uma impressionante má-fé.

Por Reinaldo Azevedo
 

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