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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

11/08/2015

às 15:29

Governo anuncia um pacote já velho para o setor elétrico e tenta impressionar com uns tais R$ 186 bilhões

Na VEJA.com:
O governo federal anunciou nesta terça-feira um pacote de investimentos de 186 bilhões de reais no setor de energia elétrica. O valor se refere a empreendimentos já planejados e anunciados anteriormente, sendo 81 bilhões de reais gastos até 2018 e 105 bilhões de reais a partir de 2019. Do total, serão 116 bilhões de reais para geração e 70 bilhões de reais para transmissão de energia.

Esses investimentos representam um implemento de geração de 25.000 megawatts (MW) a 31.500 MW, além de 37.600 quilômetros em novas linhas de transmissão. Os investimentos fazem parte do Programa de Investimento em Energia Elétrica (PIEE), lançado nesta terça-feira, pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga.

O programa é um combinado dos investimentos já anunciados pelo setor elétrico para os próximos anos. Segundo o ministro, o PIEE tem o objetivo de mostrar que o planejamento de longo prazo do setor elétrico é “vitorioso” e terá continuidade. “Estamos conseguindo superar os desafios que a natureza e as circunstâncias colocaram à nossa frente”, completou em referência à crise hídrica e energética.

De acordo com vídeo institucional apresentado no início da cerimônia, o objetivo do programa é manter a matriz energética limpa e a custos declinantes, para que os custos da eletricidade 2018 cheguem a patamares compatíveis com o mercado internacional. Braga destacou um dos desafios do programa é ter mais fontes renováveis de energia na matriz brasileira. “Vamos avançar para promover a competitividade necessária para nossos produtos”, afirmou.

Entre as hidrelétricas a serem contratadas até 2018, o governo voltou a citar a Usina de São Luiz do Tapajós, com capacidade de 8.040 MW, que ano após ano não consegue entrar nos leilões do setor devido às dificuldades de obtenção de licenciamento ambiental. Outra usina listada na região Norte, no mesmo rio, é a usina de Jatobá, com capacidade de 2.328 MW. Já a região Sul, conta com cinco usinas pequenas: Ercilândia (87 MW), Foz do Piquiri (93 MW), Paranhos (67 MW), Telêmaco Borba (118 MW) e Apertados (139 MW).

Por Reinaldo Azevedo

11/08/2015

às 7:37

LEIAM ABAIXO

Governar não é tarefa da oposição. Ou: A farsa acabou! Cumpram-se as leis e a Constituição! Não desafiem a indignação dos pacíficos!;
SURREALISMO EXPLÍCITO – Renan e Collor, a dupla que chegou junto ao poder máximo em 1990, deram uma aulinha a Dilma sobre como manter o mandato;
As propostas que Renan levou a Dilma;
Quanto cada bandido premiado vai devolver. Ou: Algo está muito mal contado na Lava Jato e requer explicação;
Também o ano que vem está perdido para o crescimento, prevê Itaú. Ou: Dilma dobrou a meta que não tinha, e inflação passa dos 9%;
AGU, que deveria defender Câmara, vira a sua acusadora para proteger o Executivo;
Ô Dilma! Nomeie logo a Marina! Incompreensível por incompreensível, ela ao menos inventa palavras…;
Dilma no Maranhão – Ela não é da minha família; não é minha mãe, não é minha filha, não é minha irmã, não é minha tia, não é minha sogra, não é minha madrasta… nem mesmo minha vizinha!;
Previsão do mercado: inflação caminhando para dois dígitos e recessão a um passo dos 2%. Isso explica um dígito de popularidade…;
Justiça aceita denúncia, e Jorge Zelada e mais 5 tornam-se réus na Lava Jato;
— Dilma reúne a tropa. Saldo: 1) a renúncia compõe, sim, seu cardápio de saídas; 2) o governo não sabe a diferença entre democracia e golpe;
— Dilma decide cair nos braços da esquerda para tentar enfrentar as ruas no dia 16. É de uma tolice espantosa!;
— Demissões cresceram tanto que demitido espera até três meses para receber direitos trabalhistas;
— Inadimplentes já somam 56,4 milhões de pessoas;
— AUTORITARISMO SOBRE DUAS RODAS – Haddad diz não dar bola a uma minoria… Ótimo! A maioria o quer longe da Prefeitura;
— Vamos parar de fantasia! Quem está no desgoverno do Brasil é Dilma, não Eduardo Cunha! Ou: Resta a esperança no fundo da caixa…;
— Eis Frei Betto: fazia algum tempo que ele não dizia porcarias na imprensa… Mas o cozinheiro da escatologia da libertação reapareceu;
— Dilma tem de parar de confundir a Constituição e as leis com o DOI-Codi! Ou: Presidente está abatida e deveria abreviar o seu e o nosso sofrimentos;
— Os 400 de Lula e a República de Banânia. No lançamento do meu livro, reuni o triplo…

Por Reinaldo Azevedo

11/08/2015

às 7:30

Governar não é tarefa da oposição. Ou: A farsa acabou! Cumpram-se as leis e a Constituição! Não desafiem a indignação dos pacíficos!

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e o governador de São Paulo, o também tucano Geraldo Alckmin, foram ao ponto nesta segunda ao comentar a situação do governo. Afirmou o primeiro: “As alternativas que estão colocadas não dependem do PSDB. Seja a continuidade da presidente, seja a discussão na Câmara dos Deputados sobre o impeachment, seja a questão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”. Alckmin, por sua vez, considerou que o governo não pode “terceirizar responsabilidades políticas para solucionar a crise”. E emendou: “Não pode responsabilizar os outros pelos seus problemas. A primeira questão para você resolver um problema é você reconhecer o problema”.

Sim, são falas corretas; são falas sensatas. Alguns analistas se comportam hoje como se a oposição é que detivesse os instrumentos da chamada governabilidade. Ora, isso é apenas uma mentira. Se o PSDB e as oposições fossem forças desestabilizadoras da democracia, aí, sim, se poderia vir com esse discurso cretino. Alguém, no entanto, viu os tucanos a ameaçar a ordem pública ou a subtrair direitos nas ruas? Alguém viu os tucanos a pôr em risco a segurança da população? Alguém viu os tucanos a clamar por alguma solução extralegal?

Ora, o que eu vejo é a oposição cumprindo o seu papel, isto sim: cobra que o governo atue dentro da legalidade; exige que responda pelas ilegalidades que avalia (e eu também) ter cometido; confronta-o com seu discurso de campanha; submete-o ao peso de suas próprias palavras, de suas escolhas, de seus atos.

Afirmei ontem num seminário e repito aqui: de todas as saídas possíveis, eu preferiria a renúncia da presidente, um processo mais rápido e menos traumático. E ela que não evoque, em benefício do país, o seu passado de quem resistiu até à tortura porque não é disso que se trata. Ainda que eu possa reconhecer a têmpera de quem passou por situação tão terrível, Dilma, felizmente, não está a enfrentar delinquentes torturadores. O problema é de outra natureza. Ela poderia ser generosa com o povo brasileiro e reconhecer o colapso de sua gestão. Ela certamente não responde sozinha pelo desastre, mas é uma das protagonistas. Ou a renúncia à Presidência não estaria em suas mãos.

Há a possibilidade do impeachment — e por crime de responsabilidade, sim! Também nesse caso, assumiria o vice, Michel Temer. E há a segunda pior saída (a primeira é Dilma permanecer), que é a cassação da chapa pelo TSE, hipótese em que seria necessário realizar novas eleições se o impedimento duplo se der nos dois primeiros anos de mandato. Se nos dois finais, o Congresso faz uma eleição indireta. Em qualquer dos casos, o eleito encerra o seu período no dia 31 de dezembro de 2018.

Não há muitas razões para duvidar de que a oposição teria grande chance de se eleger para cumprir o período presidencial. No entanto, a desordem na economia é tal, e tão ruins são as perspectivas que se anunciam, que eu não sei se essa é a alternância de poder pela qual devamos torcer. Tendo a achar que não.

Mas atenção! Que se cumpra a lei! E nós as temos, muito claras e inequívocas. Até porque ninguém sabe o que pode sair das delações premiadas que estão em curso ou que estão por vir. Se Fernando Baiano era mesmo o operador do PMDB no esquema, em que medida eventuais revelações podem inviabilizar uma solução de continuidade com o partido, sem o concurso de novas eleições? Que surpresas Renato Duque reserva na terra já devastada do petismo?

Assim, uma coisa é a solução desejável, dado o quadro lastimável que está aí; outra, que pode não ser coincidente, é a solução possível. Mas que não se perca isto de vista: o Brasil, felizmente, tem prescrição constitucional para qualquer uma das hipóteses — inclusive, sim, novas eleições, ora! Qual é a razão do espanto?

Volto ao ponto inicial: as oposições não têm de encaminhar as soluções políticas para a continuidade do governo; as oposições têm de lutar pela salubridade das respostas legais e institucionais.

Ora, ora, ora… A cada vez que vejo Rui Falcão, presidente do PT, com aquele seu ar grave, a recomendar que a oposição seja sensata, ocorre-me que este senhor preside o partido que tem seu segundo tesoureiro preso; que aquele que já foi considerado o capitão da equipe está na cadeia pela segunda vez; que um dos delatores diz ter entregado R$ 10,5 milhões em dinheiro vivo na sede do partido… E olhem que cito aqui os pecados mais ligeiros. Não! A cara de capuchinho consciencioso de Falcão não combina com a sua função.

Quem precisa ter juízo, senhor Falcão, é o PT. O partido que não ouse, como já escrevi, deter a marcha dos pacíficos nem desafiar a sua indignação.

A farsa acabou.

Por Reinaldo Azevedo

11/08/2015

às 4:41

SURREALISMO EXPLÍCITO – Renan e Collor, a dupla que chegou junto ao poder máximo em 1990, deram uma aulinha a Dilma sobre como manter o mandato

Ai, ai…

Então vamos lá, no surrealismo nosso de cada dia. Nesta segunda, a presidente Dilma Rousseff reuniu num jantar, no Palácio da Alvorada, 21 ministros e 43 senadores da bancada governista, liderados pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os colunistas do nariz marrom certamente não verão nada de errado nisso. Eles acham que Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, precisa renunciar porque investigado pela Lava Jato. A partir desta terça, outro investigado, Renan, começará a ser chamado de poeta e de patriota… Sabem quem estava presente ao encontro e resolveu dar conselhos a Dilma? Fernando Collor (PTB-AL), mais um da Lava Jato, aquele que chama o procurador-geral da República de “filho da puta” na tribuna.

Dilma afirmou que o Senado tem de ser a casa do equilíbrio e da estabilidade, evitando, assim, a aprovação da chamada pauta-bomba. Huuummm… Talvez até alguns senadores de oposição gostassem de estar ciscando por ali, dando algumas dicas, não é?

Renan prometeu se comportar — sempre pode haver a esperança de que Rodrigo Janot se comporte com ele — e entregou ao governo uma lista com 28 propostas elaboradas pelo PMDB, divididas em três áreas: melhoria no ambiente de negócios/infraestrutura; equilíbrio fiscal e proteção social.

Trata-se da combinação, vamos dizer, de vários surrealismos. Em primeiro lugar, o Senado já é, por natureza, a Casa da estabilidade. É por isso que ele reflete o equilíbrio federativo, com três representantes de cada Estado. Quem deve exprimir a efervescência da sociedade é mesmo a Câmara dos Deputados. Logo, Dilma não precisa pedir que o Senado seja aquilo que ele já é…

Em segundo lugar, cumpre lembrar que o PMDB tem o vice-presidente da República e, hoje, as maiores bancadas nas duas Casas. É ainda o segundo partido com o maior número de ministérios. Que sentido faz a bancada peemedebista do Senado apresentar uma, sei lá como chamar, pauta da governabilidade, que não tem como ser aprovada sem a Câmara? Em muitos casos, as propostas têm de ser apresentadas via emenda constitucional, cuja aprovação requer três quintos dos votos.

Em terceiro lugar, em vez de o governo federal apresentar uma agenda para sair do marasmo, é uma bancada partidária do Senado que afeta ares de Executivo e leva um pequeno plano para a presidente. Vistas as propostas, não há nada ali que aponte um caminho. No mais das vezes, seriam medidas de bom senso para um país que não estivesse em crise.

O único propósito do encontro, na verdade, foi, ainda uma vez, tentar isolar Eduardo Cunha, com Renan se apresentando como condestável da República.

Dia da marmota
Pois é… Nesta segunda, Renan e Collor eram duas das estrelas do encontro. É o passado que não passa nunca. É o Dia da Marmota. O agora presidente do Senado foi líder do PRN na Câmara em 1989, ano em que Collor foi eleito presidente e, depois, em 1990, foi seu líder no Congresso. Antes de Renan surgir com o plano salvador de agora, ele apresentou o plano salvador de Zélia Cardoso de Mello no Parlamento — aquele do confisco da poupança.

Reconheça-se: o homem tem um fôlego fabuloso. Sobreviveu ao fim da República de Alagoas, sobreviveu à crise gerada pelas evidências de que uma empreiteira pagava parte de suas contas pessoais — teve até de renunciar à Presidência do Senado, cargo que ocupa pela terceira vez — e vai sobrevivendo à Lava Jato. Se Cunha, um dos investigados, virou o inimigo predileto de Dilma, Renan se apresenta agora para ser o amigo preferencial.

Collor, muito professoral e imbuído dos mais altos desígnios institucionais, aproveitou o ensejo para dar algumas aulas a Dilma. Lembrou à governanta, informa o “Painel” da Folha, que ele também, a exemplo dela, fora eleito. Nem por isso conseguiu segurar seu mandato. Teve de renunciar para não ser impichado — e com uma popularidade ligeiramente superior, diga-se.

Dilma ouviu tudo como muita atenção e certamente prometeu refletir sobre as lições que lhe eram ali ministradas por essas duas notáveis figuras da República brasileira: Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello. Afinal, eles chegaram juntos ao poder máximo em 1989 e não desgrudaram nunca mais do Brasil, não é mesmo?

Eu não tenho dúvida de que Dilma conquistou o apoio de Renan e de Collor. Agora falta fazer as pazes com a lei e com as ruas.

Por Reinaldo Azevedo

11/08/2015

às 4:31

As propostas que Renan levou a Dilma

Veja as propostas apresentadas pela bancada do PMDB no Senado, segundo informa a Folha:

Melhoria do ambiente de negócios e infraestrutura

  • Segurança jurídica dos contratos: blindar as legislações de contratos contra surpresas e mudanças repentinas. Essa blindagem colabora para proteger a legislação das PPP, por exemplo, item relevante nestes tempos em que o país necessita de mais investimentos privados;
  • Aperfeiçoar marco regulatório das concessões, para ampliar investimentos em infraestrutura e favorecer os investimentos do Programa de Investimentos em Logística do Governo (PIL);
  • Implantar a “Avaliação de Impacto Regulatório”, para que o Senado possa aferir as reais consequências das normas produzidas pelas agências reguladoras sobre o segmento de infraestrutura e logística;
  • - Regulamentar o ambiente institucional dos trabalhadores terceirizados, melhorando a segurança jurídica face ao passivo trabalhista potencial existente e à necessidade de regras claras para o setor;
  • Revisão e implementação de marco jurídico do setor de mineração, como forma de atrair investimentos produtivos;
  • Revisão da legislação de licenciamento de investimentos na zona costeira, áreas naturais protegidas e cidades históricas, como forma de incentivar novos investimentos produtivos;
  • Revisão dos marcos jurídicos que regulam áreas indígenas, como forma de compatibilizá-las com as atividades produtivas;
  • Estímulo ao desenvolvimento turístico, aproveitando o câmbio favorável, e à realização de megaeventos. Incluir a eliminação de vistos turísticos para mercados estratégicos, aliado à simplificação de licenciamento para construção de equipamentos e infraestrutura turística em cidades históricas, orla marítima e unidades de conservação;
  • PEC das Obras Estruturantes – estabelecer processo de fast-track para o licenciamento ambiental para obras estruturantes do PAC e dos programas de concessão, com prazos máximos para emissão de licenças. Simplificar procedimentos de licenciamento ambiental, com a consolidação ou codificação da legislação do setor, que é complexa e muito esparsa.

 

Equilíbrio fiscal

  • Reformar a Lei de Licitações – Projeto da Senadora Kátia Abreu – PLS 559/13;
  •  Implantar a Instituição Fiscal Independente;
  • Venda de ativos patrimoniais (terrenos de Marinha, edificações militares obsoletas e outros ativos imobiliários da União)
  • Aprovar a Lei de Responsabilidade das Estatais, com vistas à maior transparência e profissionalização dessas empresas;
  • Aprovação em segundo turno da PEC 84/2015, que impede o Governo Federal de criar programas que gerem despesas para Estados e Municípios e DF, sem a indicação das respectivas fontes de financiamento;
  • Regulamentar o Conselho de Gestão Fiscal, previsto na LRF;
  • Reforma do PIS/Cofins, de forma gradual com foco na “calibragem” das alíquotas, reduzindo a cumulatividade do tributo e a complexidade na forma de recolhimento;
  • Reforma do ICMS (convergência de alíquotas) e outras medidas a serem sugeridas pela Comissão Mista do Pacto Federativo;
  • Medidas para repatriação de ativos financeiros do exterior, com a criação de sistema de proteção aos aderentes ao modelo;
  • Revisar resolução do Senado que regula o imposto sobre heranças, sobretudo quanto ao teto da alíquota, levando-se em conta as experiências internacionais (convergir com média mundial – 25%);
  •  Favorecer maior desvinculação da receita orçamentária, dando maior flexibilidade ao gasto público. Estabelecer um TAC Fiscal para “zerar o jogo” e permitir melhor gestão fiscal futura;
  • Ampliar idade mínima para aposentadoria, mediante estudos atuariais e levando-se em conta a realidade das contas da Previdência Social;
  • Proposta para reajuste planejado dos servidores dos 3 Poderes, de maneira a se ter uma previsibilidade de médio e longo prazo dessas despesas;
  • Priorizar solução para o restos e contas a pagar.

Proteção social

  • Condicionar as alterações na legislação de desoneração da folha e o acesso a crédito subvencionado a metas de geração e preservação de empregos;
  • Aperfeiçoar o marco jurídico e o modelo de financiamento da saúde. Avaliar a proibição de liminares judiciais que determinam o tratamento com procedimentos experimentais onerosos ou não homologados pelo SUS;
  • Avaliar possibilidade de cobrança diferenciada de procedimentos do SUS por faixa de renda. Considerar as faixas de renda do IRPF;
  • Compatibilizar os marcos jurídicos da educação às necessidades do desenvolvimento econômico e da redução das desigualdades;
  • Compatibilizar a política de renúncia de receitas, no orçamento público, à obtenção de resultados positivos no enfrentamento das desigualdades regionais e na geração de emprego e renda (trata-se de determinação constitucional).
Por Reinaldo Azevedo

11/08/2015

às 2:56

Quanto cada bandido premiado vai devolver. Ou: Algo está muito mal contado na Lava Jato e requer explicação

Há algumas coisas na Operação Lava Jato que me parecem um pouco estranhas. Tentei achar a lógica que as explica e, confesso, não consegui. Talvez vocês me iluminem ou mesmo a força-tarefa se encarregue de responder. Vamos ver.

Hamylton Padilha, um dos delatores, que está longe de integrar a lista das maiores celebridades da operação, fez um acordo de delação premiada e se comprometeu a devolver R$ 70 milhões — sem dúvida, uma bolada.

Padilha relatou pagamento de propina de US$ 31 milhões à diretoria da área Internacional da Petrobras na contratação do navio-sonda Titanium Explorer, negócio feito entre a estatal e uma empresa da qual ele era representante: a Vantage Drilling Corp. O diretor da área, à época, era Jorge Zelada.

Muito bem! Se o tal Padilha topa devolver R$ 70 milhões, a gente deve imaginar que a dinheirama corria mesmo solta. Você, leitor, e a vasta maioria de seus confrades nunca nem devem ter ouvido falar do tal Padilha, uma figura marginal do petrolão.

Pois bem… Todos devemos supor que, na organização criminosa, Paulo Roberto Costa, por exemplo, exercesse papel bem mais importante do que o Padilha das Couves, certo? E Alberto Youssef? Não obstante o protagonismo da dupla, o primeiro aceitou devolver os mesmos R$ 70 milhões, valor idêntico ao de Julio Camargo, aquele que primeiro inocentou e depois acusou Eduardo Cunha. Youssef, o doleiro universal da turma, topou entregar apenas R$ 55 milhões, menos de um quinto da bolada que será devolvida por Pedro Barusco, esta em dólares: US$ 97 milhões. Vamos ver quanto custará a de Renato Duque, que era chefe de Barusco…

Desculpem-me a ortodoxia, mas tendo a achar que, quanto mais central é o papel de um criminoso na organização — e, tudo indica, Youssef podia mais do que Barusco, que podia menos do que Costa —, mais dinheiro ele tem condições de amealhar ou de desviar, não é?, para si ou para os outros. E José Dirceu? Na condição, segundo a força-tarefa, de um dos mentores de toda a safadagem, é acusado de ter amealhado, via consultorias de fachada, R$ 39 milhões, com mais alguns milhares aqui e ali em reforma de imóveis e coisa e tal.

Transformem tudo isso num enredo policial. A produtora devolveria o roteiro para uma revisão. Se subordinados lucram mais do que os chefes e se personagens periféricos amealham muito mais do que os centrais, algo está muito mal contado.

Por Reinaldo Azevedo

11/08/2015

às 1:38

Também o ano que vem está perdido para o crescimento, prevê Itaú. Ou: Dilma dobrou a meta que não tinha, e inflação passa dos 9%

É claro que ninguém precisa acreditar nas projeções do Itaú. Se você quiser, leitor amigo, eu posso até lhe arrumar o telefone de Guido Mantega… O fato é que a maior instituição financeira privada do país reviu seus cálculos para a economia.

O banco prevê uma recessão de 1%. Ops! Esse número vermelho é para 2016, o ano que vem. Em 2015, o PIB encolhe 2,3%. O Boletim Focus desta segunda já chegou a menos 1,97%.

E o superávit primário? Segundo o Itaú, não haverá — nem de 0,15%. E, mesmo para esse nada, será preciso fazer sacrifício. Hoje, o país está em déficit primário. Nos anos vindouros, o banco antevê superávit de 0,2%, 0,6% e 0,9% do PIB — vale dizer: uma mixuruquice. A dívida pública bruta pode alcançar 70% do PIB. Neste ano, antevê o banco, a inflação fica em 9,3%. Em 2016, mesmo com recessão, 5,8% —  bem acima do centro da meta, que é de 4,5%.

Aliás, resolvido o mistério. O centro da meta da inflação era 4,5%, certo? Certo! Dilma deu de ombros e disse a seus subordinados: “Nós não vamos ter meta. Vamos deixar a meta aberta”. E deixou. Ousada, ela avançou: “Quando atingirmos a meta, vamos dobrar as meta”. E ela dobrou, com alguma vantagem, aqueles 4,5%, e a inflação já passa de 9%. Eis uma mulher de palavra.

Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 19:35

AGU, que deveria defender Câmara, vira a sua acusadora para proteger o Executivo

Invista na desinstitucionalização do Brasil quem quiser, ainda que sob o pretexto de, sei lá eu, cassar e caçar bandidos ou caçar e cassar, como é mesmo?, os reacionários. Eu farei o contrário: fora das instituições democráticas, não há salvação. Não reconheço nem a homens imaculados o direito de transgredir as leis. Muito bem!

A imprensa, em regra, adora detestar Eduardo Cunha, presidente da Câmara (PMDB-RJ). Alguns empregam um argumento forte: há uma delação contra ele. É mesmo? Também há contra Dilma. E aí? De resto, é preciso distinguir a ação do presidente da Câmara da atuação daquele que está sob investigação.

Por que isso? Cunha anunciou que pretende romper, nesta terça, o convênio que a Câmara dos Deputados mantém com a Advocacia-Geral da União. Ele explica os motivos: a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) entrou com uma ação para anular a sessão da Câmara que aprovou as contas de ex-presidentes, limpando a pauta para que se votem as de Dilma, tão logo o TCU apresente a sua recomendação — que, tudo indica, será pela rejeição. Muito bem! Quem está abraçando a causa de Rose? Ora, advogados da AGU.

É claro que é um absurdo! A AGU também faz, de regra, a defesa da Câmara. Não pode ser sua acusadora. Seria o correspondente público de um promotor que fizesse, a um só tempo, a acusação do réu e atuasse na sua defesa.

Tanto cabe à AGU defender a Câmara que o órgão decidiu, na sexta-feira, pedir a anulação de provas colhidas pela Polícia Federal durante a execução de um mandado de busca e apreensão realizado no Departamento de Informática da Casa, no âmbito da Operação Lava Jato. O episódio aconteceu há três meses.

Então vamos ver. Em nota, a AGU afirma que a sua atribuição — fazer a defesa legal do Executivo, do Legislativo e do Judiciário — não depende de convênio, mas do exercício legal. Diz em sua nota:
“Independentemente da celebração ou suspensão de acordos de cooperação, as competências de representação judicial e extrajudicial constituem um dever da AGU e um direito das instituições federais e de seus membros”.

É?

Vamos ver: como é que a AGU, que tem, então, a obrigação legal de defender a Câmara entra com uma representação contra a Câmara? Por que a AGU não se mobilizou de pronto — e nem entro no mérito se a ação era ou não necessária; não é disso que se cuida aqui — quando dependências da Casa foram tomadas pela Polícia Federal?

A propósito: quando a AGU atuar contra a decisão da Câmara no caso das contas dos ex-presidentes, quem, senão a AGU, deveria fazer a defesa da… Câmara?

Você não gosta de Cunha? É um direito seu. No caso em questão, ele está certíssimo.

Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 16:26

Ô Dilma! Nomeie logo a Marina! Incompreensível por incompreensível, ela ao menos inventa palavras…

A presidente Dilma Rousseff está num malabarismo danado para tentar reduzir a maior estrutura ministerial da história da humanidade desde, deixem-me ver, o reinado de Dario, na Pérsia. Se não tomar cuidado, ainda acaba criando mais uma pasta: o Ministério da Cascata Sobre a Ameaça às Instituições Democráticas. A titular será Marina Silva. Por que afirmo isso?

Nesta segunda, realizou-se em Recife uma cerimônia em homenagem a Eduardo Campos, que completaria hoje 50 anos. Estiveram presentes lideranças políticas do governo e da oposição. Falaram em homenagem à memória de Campos o ministro Jaques Wagner (Defesa), o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, e o governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, entre outros.

E, por óbvio, Marina também discursou. Afinal, a então candidata a vice na chapa encabeçada por Campos acabou assumindo a condição de titular, depois que ele morreu num acidente áreo, no dia 13 de agosto do ano passado. Filosofou Marina:
“Nesse momento difícil que vive o Brasil, o que poderia nos levar a ser melhores e maiores? Com certeza, olhar de baixo pra cima para ver o que está acima de nós. Acima de nós, está o Brasil, acima de nós está a nossa democracia, acima de nós esta a nossa Constituição, acima de nós estão 220 milhões de brasileiros que querem um Brasil melhor”.

Ela tem razão! A Constituição, que prevê as circunstâncias em que um presidente perde o mandato, e as respectivas leis que as disciplinam têm de ser seguidas.

Ocorre que Marina está, vamos ser claros, é afirmando o contrário. De olho, talvez, nos próprios interesses políticos, já que não conseguiu, até agora, formalizar o tal “Rede”, embarcou na conversa mole do golpe, tornando-se, assim, a ministra sem pasta de Dilma. Para ele, evidentemente, um governo que chegue no bico do corvo em 2018 é útil.

Eu não gosto de teses que não ousam dizer seu nome. Se Marina acha que tem de se engajar no “Fica Dima”, que se engaje com clareza, em vez de vir com esse papo furado de ameaça às instituições.

De resto, se elas estão sendo ameaçadas, então que ela dê os nomes dos respectivos seres ameaçadores, ora essa!

Ô Dilma! Nomeia logo a Marina! Falas incompreensíveis por falas incompreensíveis, fiquemos com aquelas que ao menos criam também um novo vocabulário.

Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 15:37

Dilma no Maranhão – Ela não é da minha família; não é minha mãe, não é minha filha, não é minha irmã, não é minha tia, não é minha sogra, não é minha madrasta… nem mesmo minha vizinha!

A presidente Dilma Rousseff foi ao Maranhão para “entregar”, como se tornou moda dizer nesses casos, 2.020 moradias do Minha Casa Minha Vida. E deitou falação em defesa do próprio mandato. A governante que apareceu há menos de uma semana no horário político do PT que demonizava líderes da oposição — três deles presidentes de partido — afirmou o seguinte:

“Eu trabalho dia e noite incansavelmente para que essa travessia seja a mais breve possível. O Brasil precisa muito, precisa mais do que nunca, que as pessoas pensem primeiro nele, Brasil, no que serve à nação, à população, e só depois pensem nos partidos e em seus projetos pessoais. O Brasil precisa de estabilidade para fazer essa travessia.”

Entendi. Ela já vendeu essa ideia de “travessia” na campanha eleitoral. Mas isso é o de menos. Segundo se entende de sua fala, ser contra o governo é ser contra o Brasil, certo? Logo, o patriotismo só tem uma expressão em nosso país: o governismo. Tenham paciência! Quando a campanha eleitoral desta senhora acusava os adversários de querer tirar a comida e o emprego dos pobres, não lhe ocorreu que o Brasil deveria estar acima de seus interesses.

E Dilma prosseguiu com aquela mixuruquice retórica que Lula introduziu na política, comparando o país a uma família:
“É como numa família. Numa dificuldade, não adianta ficar um brigando um com o outro. É preciso que as medidas sejam tomadas. Ninguém que pensa no Brasil deve aceitar a teoria dos que pensam assim: ‘Eu não gosto do governo, então eu vou enfraquecer ele’. Quanto pior, melhor? Melhor para quem?”

Dilma não é da minha família. Não é minha mãe, não é minha tia, não é minha avó, não é minha prima, não é minha irmã, não é minha mulher, não é minha filha… Dilma não é nem mesmo minha vizinha. Ela pertence a um governo cujos postulados repudio. Logo, de saída, ainda que ela fosse a encarnação da honestidade pessoal, eu teria o direito democrático de me opor.

Mas calma lá! A honestidade pessoal — se enfiou ou não a mão no nosso bolso para enriquecer — não é o único crivo que pode levar um governante a perder o mandato. Basta ler a Lei 1.079, que muitos puxa-sacos, pelo visto, gostariam de banir do país. É aquela que tirou Fernando Collor de Mello do poder. De resto, quem disse que a gente aguenta qualquer desaforo, mesmo da família?

A agora presidente que, durante a campanha eleitoral, tentou faturar com a crise hídrica de São Paulo, que, sabia ela muito bem, não tinha como ser atribuída ao governador do Estado, afirmou:
“Quero aproveitar para fazer um apelo aos brasileiros: vamos repudiar sistematicamente o vale-tudo para atingir qualquer governo. Seja o governo federal, o governo dos estados e dos municípios. No vale-tudo, quem acaba sendo atingido pela torcida do quanto pior melhor é a população.”

Uma das misérias brasileiras está no fato de que os governantes só ficam recitando postulados da democracia quando estão à beira do abismo. Quando seguros em seus respectivos tronos, atropelam-nos sem pestanejar, não é mesmo?

A plateia para a qual falava era toda amiga. Tinha sido rigidamente selecionada, numa mistura dos critérios de democracia da turma de propaganda de Dilma com os do PCdoB, do governador Flávio Dino. Enquanto ela discursava, da plateia partiam gritos com esta espontaneidade:
“Renova, renova, renova a esperança”;
“A Dilma é guerrilheira e da luta não se cansa”;
“No meu país, eu boto fé, porque ele é governado por mulher”.

Flávio Dino, um homem, salvo melhor juízo, também resolveu dar uns pitacos sobre democracia e golpe:
“Nós aqui do Maranhão defendendo a democracia contra qualquer tipo de golpe instalado no nosso país. Estamos aqui manifestando o que se passa no coração do povo mais pobre deste país. É claro que todos nós somos contra a corrupção. Defendemos a investigação e a punição de quem quer tenha feito coisa errada. Temos que separar as coisas. Com respeito à Constituição, à democracia e às regras do jogo. Estamos aqui num abraço simbólico à democracia, à Constituição e ao governo da presidente Dilma Rousseff”.

Golpe é tentar impedir que os Poderes da República exerçam suas prerrogativas constitucionais. De resto, quem é Dino para falar? Recomendo uma breve pesquisa no Google. Coloquem lá na área de busca as seguintes palavras, sem vírgulas e sem aspas: “Flávio Dino grupo Sarney recorreu Justiça”. Vocês verão quantas vezes este senhor apelou a instâncias legais para tentar cassar mandatos ou eleições de seus adversários locais, ligados à família Sarney ou pertencentes à própria.

Dino é oriundo da escola de pensamento do PCdoB: o que serve a seu grupo e a seu projeto de poder traduz a redenção popular; o que não serve é golpe.

Essa conversa das esquerdas já não seduz mais ninguém, a não ser meia dúzia de colunistas cujas máscaras caíram de forma irremediável. Dilma tem de prestar contas à democracia, não à ditadura.

Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 14:59

Previsão do mercado: inflação caminhando para dois dígitos e recessão a um passo dos 2%. Isso explica um dígito de popularidade…

Na VEJA.com:
O mercado financeiro voltou a elevar nesta segunda-feira a projeção da inflação para 2015, desta vez de 9,25% para 9,32%. Além de ser o décimo sétimo consecutivo, o aumento é significativo, porque, se a expectativa se confirmar, esta será a maior inflação desde 2002, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou à marca de 12,53%. Antes, esperava-se que o IPCA deste ano seria o maior desde 2003, quando atingiu 9,30%. As informações constam no boletim Focus, divulgado às segundas pelo Banco Central e produzido a partir das estimativas de mais cem instituições financeiras.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os grandes vilões da inflação são o reajuste nas contas de luz e água, e a alta no preço dos alimentos. De acordo com o último relatório do Banco Central (BC), a valorização do dólar frente ao real também tem pressionado os preços a subirem no país.

Os analistas também voltaram a projetar uma piora no nível da atividade econômica brasileira. Na semana passada, a estimativa de queda no Produto Interno Bruto (PIB) era de 1,80%. Agora, a previsão é de um recuo de 1,97% – esta foi a quarta vez que o indicador foi revisto para baixo. Se concretizado, será o pior resultado do PIB desde 1990, quando chegou a uma retração de 4,35%.

Em relação aos juros, um dos principais instrumentos usados pelo governo para conter a inflação, o mercado voltou a prever que a taxa básica (a Selic) encerrará o ano em 14,25%, em linha com o reajuste feito na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana retrasada. Com a deterioração da economia neste ano, o mercado também piorou as estimativas para 2016. Os analistas agora preveem uma inflação de 5,43%, ante 5,40% na semana passada; e um PIB estacionado no zero – no último boletim, a projeção era de crescimento de 0,20%.

Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 13:31

Justiça aceita denúncia, e Jorge Zelada e mais 5 tornam-se réus na Lava Jato

Na Folha:
O juiz federal Sergio Moro aceitou nesta segunda-feira (10) denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada e outras cinco pessoas suspeitas de envolvimento em corrupção na estatal. Os procuradores afirmam que houve o pagamento de propina de US$ 31 milhões na contratação de um navio-sonda pela Petrobras em 2008. De acordo com a denúncia, parte foi paga a Zelada e ao ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa, e outra parcela foi destinada ao PMDB. Como a Justiça aceitou a denúncia, os seis a partir de agora passam a ser réus. A abertura da penal não significa culpa, apenas o primeiro passo do processo, durante o qual o juiz ouvirá testemunhas e acusados apresentarão suas defesas.

Na decisão, Moro mencionou a descoberta de “duas contas secretas” do ex-diretor em Mônaco, que somam 10,3 milhões de euros (cerca de R$ 39,7 milhões, em valores de hoje). Indicado pelo PMDB ao cargo, o ex-diretor ficou à frente da área Internacional da Petrobras entre 2008 e 2012 e foi detido há um mês, na 15ª fase da Operação Lava Jato. Além de Zelada e Musa, João Rezende Henriques, suspeito de ser o operador do PMDB, e Raul Felippe Junior vão responder na ação por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O ex-diretor também é acusado de evasão de dividas.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 6:15

LEIAM ABAIXO

Dilma reúne a tropa. Saldo: 1) a renúncia compõe, sim, seu cardápio de saídas; 2) o governo não sabe a diferença entre democracia e golpe;
Dilma decide cair nos braços da esquerda para tentar enfrentar as ruas no dia 16. É de uma tolice espantosa!;
Demissões cresceram tanto que demitido espera até três meses para receber direitos trabalhistas;
Inadimplentes já somam 56,4 milhões de pessoas;
AUTORITARISMO SOBRE DUAS RODAS – Haddad diz não dar bola a uma minoria… Ótimo! A maioria o quer longe da Prefeitura;
Vamos parar de fantasia! Quem está no desgoverno do Brasil é Dilma, não Eduardo Cunha! Ou: Resta a esperança no fundo da caixa…;
Eis Frei Betto: fazia algum tempo que ele não dizia porcarias na imprensa… Mas o cozinheiro da escatologia da libertação reapareceu;
— Dilma tem de parar de confundir a Constituição e as leis com o DOI-Codi! Ou: Presidente está abatida e deveria abreviar o seu e o nosso sofrimentos;
— Os 400 de Lula e a República de Banânia. No lançamento do meu livro, reuni o triplo…;

— Irmão de Dirceu diz que recebeu R$ 30 mil mensais de lobista na Petrobras;
— Empresário diz ter pagado propina a ex-presidente da Eletronuclear;
— Temer fora da coordenação? Só se for para assumir a Presidência;
— Seja como for, presidente, não será no berro!;
— ‘Ninguém vai tirar a legitimidade que o voto me deu’, afirma Dilma;
— Odebrecht nega mudança no comando da defesa;
— Dirceu pagou R$ 1 mi a empresa do deputado Ênio Tatto, do PT de SP;
— ”São infundados os boatos de que deixei a articulação política”, diz Temer;
— É HORA DE FAZER A LUTA ARMADA NAS RUAS! Iremos armados com a força do argumento! Ou: Que ninguém ouse deter os pacíficos!

Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 6:05

Dilma reúne a tropa. Saldo: 1) a renúncia compõe, sim, seu cardápio de saídas; 2) o governo não sabe a diferença entre democracia e golpe

A presidente Dilma Rousseff reuniu na noite deste domingo, no Palácio da Alvorada, 13 ministros; Michel Temer, o vice-presidente e coordenador político, e dois líderes do governo no Congresso. O objetivo do encontro? Bem, os presentes imaginaram que a governanta iria anunciar alguma medida concreta para deixar claro que está no comando. Huuummm… Sabem o que ela fez? Marcou novas reuniões.

Já escrevi, acho eu, uma dezena de textos apontando que um dos seus problemas é não ter agenda nenhuma — nem para dialogar com a base nem para estabelecer pontes de governabilidade com a oposição. Mas trato disso daqui a pouco. O ponto que mais chamou a minha atenção foi outro e diz respeito ao impeachment e à renúncia.

Edinho Silva, ministro da Comunicação Social, foi o encarregado de falar com a imprensa sobre o resultado do encontro. Referindo-se à determinação de Dilma de permanecer no cargo, afirmou: “A presidente foi eleita para cumprir quatro anos de mandato, e o Brasil é exemplo de democracia para o mundo. Não podemos brincar com a democracia, não podemos brincar com as instituições. A presidente vai cumprir seu mandato e está otimista com a capacidade de a economia responder a esse momento de dificuldade num curto espaço de tempo”.

Mais adiante, indagado sobre os protestos do dia 16, que cobram o impeachment, Edinho disse que o Planalto os vê como “um evento natural”. Segundo ele, “um governo inspirado na democracia lida com normalidade [com as manifestações]”. Ah, bom! Dilma e sua turma precisam decidir se cobrar que ela seja impichada é coisa própria da democracia ou é tentativa de golpe. Não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Os que compareceram à reunião esperavam que a presidente anunciasse, por exemplo, um enxugamento do governo. Mas nada! Não houve um só aceno desse sentido. Estuda-se a redução das pastas das atuais 39 para algo entre 24 e 29. O problema é que isso pode significar ainda mais dificuldades com a base aliada. Na conversa, a presidente incitou os ministros a falar com os parlamentares para tentar evitar a tal pauta-bomba e aproveitou para anunciar que vai se reunir com os respectivos presidentes dos nove partidos que oficialmente compõem a sua base de apoio.

O “diálogo” inaugurado por Dilma prossegue nesta segunda. Ela recebe para jantar no Alvorada as principais lideranças de partidos governistas no Senado, capitaneadas por Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa. Há algum tempo já, o governo vem apostando em usar o senador para tentar isolar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que preside a Câmara.

A reunião serviu também para anunciar que Dilma e Temer vivem uma relação harmoniosa. Ele mesmo voltou a fazer uma defesa candente da governabilidade, reiterando seu papel de conciliador, mas não de candidato a ocupar o lugar de Dilma. Bem, caso ela seja impichada ou renuncie, isso não depende da vontade dele, mas das leis.

Renúncia
Deixando claro que a renúncia é, sim, um tema que passou a habitar as paredes de vidro do Palácio da Alvorada, José Guimarães (PT-CE), o líder do governo na Câmara, revelou, como de hábito, o que lhe cabia guardar. “A presidente vai liderar um amplo diálogo com as bancadas, com os partidos, com os empresários, com os movimentos sociais. Vai percorrer o país e não há chance de renunciar”, afirmou esse grande, habilidoso e espetacular estrategista. Dito de outra maneira: a renúncia compõe o cardápio de saídas.

Meus caros, não faz sentido reunir 13 ministros, o vice-presidente e lideranças no Congresso para nada. Dilma expõe o vazio da agenda, a exemplo do que fez com os governadores. Assim, o saldo do encontro é este:
– o governo ora diz que cobrar o impeachment é parte da legalidade democrática, ora diz que é golpe;
– Dilma discute, sim, a renúncia. E, por enquanto, segundo Guimarães e Edinho, ela a descarta.

Mas sabem como são as coisas… A realidade da política é dinâmica. A esperança permanece no fundo da caixa.

Texto publicado originalmente às 3h01
Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 6:03

Dilma decide cair nos braços da esquerda para tentar enfrentar as ruas no dia 16. É de uma tolice espantosa!

Sempre procuro, neste blog, na Folha ou na Jovem Pan, distinguir as minhas paixões e convicções — absolutamente legítimas, como a de toda gente — da análise, vamos dizer, técnica. Sempre fui um duro crítico das decisões do petismo, mas, não raro, reconhecia que elas faziam sentido do ponto de vista lá deles. Sou mais preciso: irritava-me a frequência com que eles faziam uma leitura procedente da realidade, embora as suas escolhas fossem, a meu ver, no mais das vezes, ruins para o país e para a democracia. Pois é…

Que, mesmo dotado de perspicácia política, o PT conduziu o país a uma crise econômica e ética inédita, eis um fato. Mas há uma novidade nestes tempos em relação àquele partido que permaneceu 22 anos na oposição e que governou com razoável desenvoltura por oito anos: os petistas passaram por um processo de emburrecimento que deveria ser matéria de curiosidade científica. Nunca antes na história “destepaiz” uma legenda que está no poder cometeu tantos e tão severos erros. E não está disposto a parar.

Neste domingo, Dilma conduziu uma reunião no Alvorada. Estavam presentes o vice-presidente Michel Temer, 13 ministros e dois líderes governistas no Congresso. O discurso mais inflamado, consta, saiu da boca do desgrenhado Miguel Rossetto, secretário-geral da Presidência. Conclamou Dilma a se colar aos ditos movimentos sociais como forma de enfrentar as manifestações em favor do seu impeachment, que certamente vão tingir de verde e amarelo as ruas do Brasil no dia 16 de agosto.

Expressava ali uma decisão que já está tomada. Pois é… Nesta terça, dia 11, a presidente vai receber lideranças da chamada “Marcha das Margaridas”, ditas trabalhadoras rurais e congêneres, que se manifestam em todo o país, mas com mais ênfase em Brasília. Embora, oficialmente, seja uma inciativa de uma miríade de grupos sindicais, o comando é mesmo do MST.

Na quinta, a governanta deve se encontrar com representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, aí sem disfarce, e com pelegos da UNE — aqueles rapazes e moças já avançados em anos que aparelham uma entidade estudantil em proveito do PCdoB. A esmagadora maioria dos universitários brasileiros não saberia hoje a diferença entre um diretor da entidade e uma coxa de galinha.

Muito bem! O que Dilma vai conseguir com esses encontros senão turbinar os protestos do dia 16 de agosto? Notem: não estou aqui a defender que a presidente assista inerme, sem se mexer, aos crescentes movimentos que pedem que ela deixe, na forma da lei, o cargo. A questão é saber qual deve ser o modo de resistência. Medir forças nas ruas, a esta altura, é o mais estúpido deles — até porque o efeito comparativo, por mais que os pelegos se esforcem, vai atuar contra o governo.

Todos sabemos que as esquerdas que estão sendo incitadas a comparecer às ruas, embora extremamente minoritárias, não são exatamente pacíficas, como pacíficos são os que pediram a saída de Dilma em março. O máximo de agressão que produziram aos ouvidos dos autoritários foi cantar o Hino Nacional; o auge da ofensa moral aos ditos “progressistas” foi desfraldar a Bandeira do Brasil e flâmulas outras nas cores verde e amarelo, para tristeza do vermelho internacionalista da empulhação, da violência e da morte.

O que esperam esses irresponsáveis? Que gente decente, que trabalha, que luta para ganhar o pão de cada dia, que se esforça para ter um futuro e para dar um amanhã melhor às suas crianças, vá se intimidar com brucutus que hoje atuam em defesa de seus aparelhos de poder, de seus privilégios, do leite de pata que é fornecido pelo estado brasileiro para financiar seus movimentos de militantes sem povo? Isso não vai acontecer.

“Ah, mas não podem se manifestar os que defendem a permanência de Dilma?” Ora, claro que sim! O ano tem 365 dias, não é? O governo vive faz tempo a sua miséria moral, ética e administrativa. Por que, então, tais manifestações não foram convocadas antes, descoladas do movimento de protesto e não como uma reação que busca se antecipar à ação, o que rima, e é, com provocação? Além de não intimidar ninguém, reitero, essas patacoadas vão contribuir para lotar as ruas no dia 16 de agosto. Já vimos isso antes.

Há mais. Há algo de supinamente estúpido em se reunir com aliados, EM NOME DO DIÁLOGO, para organizar protestos a favor. Ora, o diálogo, em política, só faz sentido quando é com a divergência. Ainda que os grupos pró-impeachment não aceitassem, eles é que deveriam ser convidados a se encontrar com Dilma. O que o MST e a UNE vão fazer no Palácio? Buscar mais um dinheirinho? Todos sabemos que as duas entidades recebem farto financiamento público. O governo nunca busca dialogar com gente que não pode ser comprada, é isso?

De resto, meus caros, quando Dilma chama UNE e MST para um papinho e participa da Marcha das Margaridas, em vez de demonstrar que não está isolada, isso só evidencia o tamanho do seu isolamento. Aliás, na quinta, a presidente poderia aproveitar e chamar a direção da Fiesp. Depois, todos soltariam uma nota em conjunto em defesa do, bem, sei lá do quê. Do socialismo talvez…

O PT perdeu definitivamente o eixo. Eu é que não vou lamentar. Eu aplaudo suas estultices.

Texto publicado originalmente às 4h09
Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 4:22

Demissões cresceram tanto que demitido espera até três meses para receber direitos trabalhistas

Por Cláudia Rolli, na Folha:
As demissões cresceram tanto neste ano que trabalhadores de São Paulo esperam até três meses para fazer a homologação da rescisão do contrato de trabalho e assim conseguir receber seus direitos e os documentos necessários para acessar o seguro-desemprego e o FGTS. Em períodos pré-crise, o tempo de espera era em média de 15 a 20 dias, segundo sindicatos que prestam esse serviço a demitidos, com mais de um ano de casa. A procura para dar baixa na carteira cresceu até 700% em julho deste ano ante o mesmo mês do ano passado e levou os sindicatos a contratarem mais funcionários, realocarem empregados de outros setores e a fazerem mutirões aos sábados para atender os demitidos.

É o caso dos sindicatos dos metalúrgicos, dos trabalhadores da construção civil de São Paulo e dos comerciários, três dos maiores do país. Nos metalúrgicos de São Paulo, 18.487 homologações foram feitas de janeiro a julho deste ano, 260% mais que no mesmo período de 2014. “A demora é reflexo direto do aumento de demissões”, afirma Miguel Torres, presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou em 7,2% em junho, ante 5,1% um ano antes. No país, passou de 4,8% para 6,9% no mesmo período. Gerentes de recursos humanos e advogados de empresas da Grande São Paulo relataram à reportagem que optaram por fazer a homologação das rescisões de seus demitidos nos sindicatos porque o agendamento da homologação em agências do Ministério do Trabalho tem demorado até seis meses. As homologações podem ser feitas nos sindicatos ou nas superintendências do Trabalho (MTE), desde que esteja presente um representante do empregador.

Além do maior número de demitidos e da falta de funcionários nos postos, em algumas unidades do ministério, como a da região central da capital paulista, os servidores administrativos estão em greve há cerca de duas semanas, o que prejudica ainda mais o atendimento. A Folha procurou o órgão, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo vai contratar mais quatro funcionários para reforçar a equipe de 12 que atua na homologação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 4:18

Inadimplentes já somam 56,4 milhões de pessoas

Por Cláudia Rolli, na Folha:
O Brasil tem 56,4 milhões de inadimplentes, com dívidas que, somadas, totalizam R$ 243 bilhões, segundo levantamento da Serasa Experian de 30 de junho deste ano. É o maior patamar de inadimplência registrado pela empresa na comparação semestral do cadastro, iniciada em junho de 2012. Ele equivale a cerca de um terço da força de trabalho brasileira. Os dados mostram que 2,3 milhões de consumidores a mais ingressaram no cadastro da Serasa em relação a 30 de junho de 2014. São consumidores que não conseguiram pagar dívidas bancárias (financiamento de carros, imóveis etc.) ou contas de luz, água, telefonia, além das feitas no varejo. A empresa decidiu neste ano mensurar os dados de inadimplência no último dia de cada trimestre e fazer as comparações do cadastro de forma semestral.

Mas, se consideradas as metodologias anteriores, o número de junho deste ano quase encosta no maior já registrado: 57 milhões em 31 de agosto de 2014. Na ocasião, dois bancos haviam fornecido novos dados de devedores à Serasa, o que pode ter ajudado a elevar o patamar. Pesquisa feita pela empresa com 1.274 consumidores mostrou que, para 64% deles, o desemprego e o aumento do custo de vida dificultaram o controle das finanças. Entre os entrevistados, a maior parte (55,3%) diz que corta despesas quando falta dinheiro ou pede ajuda a familiares e amigos (16,3%). Mas um grupo significativo admite recorrer ao aumento das dívidas ou à inadimplência: 13,7% disseram que não pagam o total de sua fatura de cartão de crédito, 7,69% recorrem ao cartão de crédito e 6,99% seguem consumindo e deixam de pagar contas.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

10/08/2015

às 2:12

AUTORITARISMO SOBRE DUAS RODAS – Haddad diz não dar bola a uma minoria… Ótimo! A maioria o quer longe da Prefeitura

O ciclofaixista Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, inaugurou neste domingo a ciclofaixa que fica sob o Elevado Costa e Silva, o famoso “Minhocão”. Essa pista em particular está entre as mais absurdas decisões deste senhor. A razão é simples. As bicicletas, quando existem, disputam lugar com os que estão nos pontos de ônibus. Só não há atropelamentos em série porque são poucos os ciclistas. Sim, é isto mesmo: Haddad meteu uma ciclofaixa onde há pontos de ônibus.

Neste domingo, alguns gatos-pingados estavam lá com a sua “bike”. Aplaudiam Haddad. O homem chegou de carro, pegou uma bicicleta, andou uns dois quilômetros e comeu um hambúrguer num estacionamento de food trucks, ao lado da estação Marechal Deodoro, do Metrô.

Alguns moradores protestaram. Motoristas passavam de carro e xingavam o prefeito. Aos jornalistas, ele disse esta pérola: “Às vezes, é por encomenda que se faz isso. Não vamos dar bola para uma minoria que não tem democracia”.

Não sei exatamente o que quer dizer “ter democracia”. O que sei é que, segundo o Instituto Paraná Pesquisas, 71,3% dos paulistanos desaprovam a sua gestão, e 71,% dizem que não votariam nele de jeito nenhum.

Pelo visto, Haddad não dá bola para o que chama “minoria”, e a maioria não dá bola para Haddad. Ou melhor: dá! Ela o quer longe da Prefeitura.

Por Reinaldo Azevedo

09/08/2015

às 8:21

Vamos parar de fantasia! Quem está no desgoverno do Brasil é Dilma, não Eduardo Cunha! Ou: Resta a esperança no fundo da caixa…

Já li os jornais de domingo, sites noticiosos, colunistas e coisa e tal… A gente fica com a impressão de que todos os problemas da presidente Dilma Rousseff se resolverão amanhã caso Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, seja sequestrado por ETs. A crise acaba, o Brasil encontra o seu rumo, os petistas, inclusive os das redações, voltarão a sorrir.

Acho que o próprio deputado, ao se barbear toda manhã, precisa refazer o roteiro em sua cabeça, encarando-se, reflexivo: “Por que é mesmo que eu tenho tanto poder?”. É evidente que alguns ditos analistas políticos estão deixando que o ódio e o preconceito tomem o lugar da razão.

Poucos se dão conta de que Cunha hoje, como no poema “À Espera dos Bárbaros”, de Constantino Kaváfis (já o citei aqui), é, para Dilma, uma espécie de solução. Quando a presidente precisa justificar a própria incompetência, aponta o dedo contra o seu inimigo de estimação. Na Câmara, o líder do governo é José Guimarães (CE), e o do PT é Sibá Machado (AC). E os petistas e seus acólitos se voltam contra o peemedebista? Ora… Quem fez tais escolhas esperava qual resultado?

É evidente que a dupla patética não pode responder pela rotina de desastres no Congresso, muito especialmente na Câmara. Eles também já são sintomas da esclerose petista. Se ao Planalto e ao partido pareceu que são esses os líderes do momento, a gente consegue ter noção de como anda o resto.

Não é só isso. Vejam a coordenação política de Dilma — não estou me referindo à do condomínio governamental, que está a cargo de Michel Temer, que vai fazendo o possível. Falo dos ditos homens fortes da presidente na interlocução política. Um é Aloizio Mercadante, da Casa Civil. Ganha um bilhete pra Pasárgada quem conseguir dizer que diabos, exatamente, ele faz e que área do governo está afeita à sua pasta. Quem são seus interlocutores? Líderes do Parlamento? Os demais ministros? Representantes da oposição? Qual é a agenda do homem? E é Cunha quem toma pancada?

Há ainda, o que é do balacobaco, Jaques Wagner. Dilma tem 39 ministérios, mas o titular da Defesa se comporta como um de seus porta-vozes. É bem verdade que os comandantes militares devem erguer as mãos para o Céu. Melhor Wagner sem fazer nada, ciscando na área política, do que tentando fazer alguma coisa nas Forças Armadas… E Cunha é que deve apanhar?

Fiquem calmos. Ainda existe o espantoso Miguel Rossetto, cujas ideias costumam ser ainda mais confusas do que seu cabelo e mais perturbadas do que seu olhar. Sua função principal, consta, é fazer a interlocução com os movimentos sociais — só os de extrema esquerda, é claro! As demais vozes da sociedade, especialmente aquelas críticas ao governo, são cotidianamente hostilizadas por esse gênio político. E Cunha é que vai para o paredão?

Ora, ainda que a tal pauta-bomba nascesse da vontade imperial do presidente da Câmara — mentem os jornalistas e colunistas que afirmam isso ao leitor; não se trata de matéria de opinião, mas de matéria de fato —, o seu efeito desestabilizador, no presente, é nulo. Se todas aquelas maluquices forem mesmo aprovadas, a explosão só virá bem mais tarde. Sim, é preciso impedir as porra-louquices, mas não são elas que paralisam o governo.

De resto, como ignorar que o PT — sim, o PT!!! — votou em massa em favor de propostas que concedem reajustes salariais pornográficos a categorias já privilegiadas de servidores? Os petistas Paulo Paim (RS) e Lindbergh Farias (RJ) resolveram ser os porta-vozes do movimento contra o ajuste fiscal no Senado. E os companheiros resolvem hostilizar… Cunha?

Os colunistas que enveredam por aí deveriam ter algum pudor — a boa e velha vergonha na cara — e expor a seus leitores os instrumentos de que dispõe o presidente da Câmara, então, para exercer essa força tão avassaladora, encabrestando 513 deputados e mandando para as cordas a máquina pantagruélica do governo federal! Que tipo de benefício Cunha poderia oferecer que o governo não pudesse bancar, multiplicando por dez, por cem, por mil? Se falta honestidade intelectual a essa gente, que não falte ao menos um pouco de senso de ridículo.

Mais ainda: Cunha foi colhido pelo lado escuro da Operação Lava Jato — sim, ele existe — e hoje está na berlinda em razão do depoimento de Julio Camargo, o delator que será premiado pela “verdade” que disse e também pelo seu contrário. Afinal, ou antes ou depois, esse senhor mentiu. Antes e depois, homem acostumado a comprar pessoas por somas fabulosas, ele deve ter tido milhões de motivos para fazê-lo. De toda sorte, Cunha teve subtraída parte substancial de seu poder — ou, ao menos, da perspectiva de poder que representava. E assim será enquanto estiver sob investigação. Respondam-me: é um homem nessas condições que consegue paralisar o governo?

Não! A verdade é bem mais simples, e a realidade, muito mais complexa.

A verdade é que Dilma não tem agenda nenhuma a negociar nem com governistas nem com oposicionistas. Ocupa-se hoje de tentar minorar os efeitos dos desastres que ela própria e Lula produziram na economia. E, por óbvio, não se trata de uma tarefa trivial. Os problemas começaram a desabar sobre a sua cabeça já em meados de 2012, antes mesmo que completasse metade do seu primeiro mandato. Para cada problema complexo e de difícil solução, ela e Guido Mantega ofereceram uma resposta simples e errada.

As eleições chegaram quando a economia já caminhava para o abismo, e aí foi preciso que a candidata Dilma contasse mentiras espetaculares sobre o passado, o presente e o futuro e que demonizasse as respostas que ela própria teria de dar — E ELA SABIA DISSO — para conseguir aquela estreita margem de votos que lhe garantiu a vitória.

Somem-se a isso os descalabros revelados pela Operação Lava Jato, e então se entende por que 71% acham o governo ruim ou péssimo e por que 66% querem Dilma fora da cadeira presidencial, segundo o Datafolha. Volto a perguntar: o que tem Cunha a ver com isso? Note-se à margem: ele só não é um aliado do governo porque a governanta achou, contra todas as evidências, que conseguiria eleger o presidente da Câmara…

Essa gritaria contra Cunha traduz sabem o quê? Arrogância de gente acuada. Em vez de o governo tentar uma interlocução com o Congresso, quer silenciá-lo no berro. Não! Eu não gosto dos absurdos que andam votando por lá e tenho descido o porrete nas maluquices. Mas é uma estupidez e uma mentira atribuir a um deputado a responsabilidade pelos desatinos.

Quem está no desgoverno do país é Dilma, não Eduardo Cunha. Ademais, se ELE renunciasse amanhã, o país ficaria na mesma. Se ELA renunciasse, ao menos a esperança poderia sair do fundo da caixa…

Texto publicado originalmente às 7h53
Por Reinaldo Azevedo

09/08/2015

às 8:17

Eis Frei Betto: fazia algum tempo que ele não dizia porcarias na imprensa… Mas o cozinheiro da escatologia da libertação reapareceu

Frei Betto, o petista que não ousa dizer seu nome, afirma em entrevista à Folha neste domingo que, “no íntimo”, teme que Dilma renuncie. É uma das milhares de diferenças que tenho com ele. Eu temo, e não é no íntimo, que ela NÃO renuncie.

Depois de falar uma porção de bobagem sobre economia — a religião agradece quando ele trata de outros assuntos… —, o grande pensador diz esta maravilha:
“Embora eu ache a Lava Jato extremamente positiva –era preciso vir uma apuração da corrupção no Brasil séria como tem sido feita–, tem coisas que me desagradam. O partido mais envolvido é o PP. Mas parece, na opinião pública, que é só o PT. Segundo: por que é que vazam todos os conteúdos em relação ao PT e por que é que vazam exclusivamente para a revista “Veja”? É chamar a gente de idiota. Ou seja: há uma operação política por trás de abuso desse processo. Que é um processo sério de apuração da corrupção.”

Na cabeça do perturbado, o partido que manda no Brasil é o PP… Nem a própria VEJA reivindicaria para si o feito de ser o único veículo a divulgar informações inéditas sobre a Lava-Jato. Até porque, obviamente, seria mentira. É que Frei Betto não diz o que realmente pensa: ele gostaria é que a VEJA e os demais veículos fossem proibidos de divulgar tais informações. Afinal, este senhor é aquele religioso que consegue ver Deus nos irmãos Castro… Imprensa boa é o “Granma”, que os cubanos, coitados, usam como papel higiênico — um fim nobre para o tipo de jornalismo defendido pelo santarrão do pau oco.

Como não é um homem que fique facilmente corado, o dito frei diz o seguinte sobre o mensalão e o PT. Vejam que coragem:
“Eu nunca disse se houve ou se não houve mensalão. Estou esperando o PT se posicionar. E fico indignado pelo fato de o partido não se posicionar. E não se posicionar diante de uma figura tão importante do partido como ele [Dirceu]. Então não tenho meios de julgamento. Que eu sei que há corrupção na política, sei. Mas não tenho provas.”

Dá para entender por que este senhor, historicamente, sapateou sobre milhares de cadáveres em Cuba, não?

Para encerrar
Sempre que esse cozinheiro da escatologia da libertação aparece na imprensa, eu me lembro do seus bebês-diabos. Sim, Frei Betto inventou uma oração em que Santa Teresa de Ávila dá uma transadinha com Che Guevara, o Porco Fedorento. Depois do “Bebê de Rosemary”, eis “Os bebês de Frei Betto”. Não foram gestados no seu ventre sem pecados, naturalmente, mas na sua cabeça nada imaculada. Peguem o terço na mão e leiam o que segue:

“Ano de nova qualidade de vida. De menos ansiedade e mais profundidade. Aceitar a proposta de Jesus a Nicodemos: nascer de novo. Mergulho em si, abrir espaço à presença do Inefável. Braços e corações abertos também ao semelhante. Recriar-se e apropriar-se da realidade circundante, livre da pasteurização que nos massifica na mediocridade bovina de quem rumina hábitos mesquinhos, como se a vida fosse uma janela da qual contemplamos, noite após noite, a realidade desfilar nos ilusórios devaneios de uma telenovela.
Feliz homem novo. Feliz mulher nova. Como filhos das núpcias de Teresa de Ávila com Ernesto Che Guevara.”

Que nojo!

Eis o pensador que alguns insistem em levar a sério.

Por Reinaldo Azevedo
 

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