Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

14/10/2014

às 22:31

Aécio em dois minutos: considerações iniciais

Os brasileiros vão decidir se querem mudanças profundas ou a continuidade do que está aí. O país avançou muito nos 20 anos, mas o Brasil parou de melhorar. Qualquer presidente terá uma herança difícil com a volta da inflação e com a piora dos indicadores sociais. Prega um Brasil generoso, sem guerra entre nós e eles, entre Norte e Sul. Ele se preparou para fazer um governo não de um partido, mas de muitas forças que querem mudar o país.

 
Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 22:28

Dilma em dois minutos: considerações iniciais

- Estão em confronto duas propostas antagônicas;.
- PT teria tirado 36 milhões da miséria e posto 45 milhões na classe média, com criação de grande mercado interno.
No novo ciclo, será dado um novo salto: o eixo é a educação. E também a segurança pública (???). Diz ainda que o governo terá dois valores morais: igualdade e combate à corrupção. Pede votos.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 22:26

Debate da Band – As regras

Primeiro bloco: os candidatos respondem a uma pergunta feita pela emissora. No segundo e terceiro blocos, cada um fará ao outro quatro perguntas. No quarto, duas cada um. No quinto, considerações finais. Jornalistas não participam.

 
Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 22:16

Vou acompanhar o debate em tempo real…

…tanto quanto possível. Perdoem eventuais erros de digitação e tal. No fim de tudo, faço um balanço.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 20:47

Gilberto Carvalho enlouquece de vez. Ou: Quem é ladrão do quê e quem trata agricultor como bandido

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e segundo homem mais importante do PT — só perde para Lula —, é tido como um cristão. Sei… Poucas pessoas são capazes de semear o ódio com tanta determinação, embora diga falar em nome do amor. Ele é o chamado “interlocutor” do governo junto a movimentos sociais. Nas suas mãos, a questão indígena virou praça de guerra. Se vocês procurarem nos arquivos, vão encontrá-lo tentando faturar até com os “rolezinhos”, lembram-se? Para o ministro, tratava-se de uma reação de negros pobres contra os endinheirados. Quando começaram os protestos de junho do ano passado, ele esteve entre aqueles que tentaram jogar a fatura nas costas do governo de São Paulo. Deu tudo errado. Agora, em Pernambuco, o ministro se dedica a uma forma muito particular de difamação. Já chego lá.

Nesta segunda, ele já havia reclamado que seus partidários estavam sendo chamados de “petralhas”, um termo que eu inventei, que funde “petistas” com “Irmãos Metralha”, aquela quadrilha que vivia tentando roubar o Tio Patinhas. Nem todo petista é “petralha”, só os que roubam o povo em nome do povo ou que tentam justificar o crime. Os descalabros da Petrobras falam por si. O pior, acreditem, é que a página do PT no Facebook associa a existência de petralhas — que, reitero, são ladrões; fui eu que  criei a palavra — à retirada de pessoas da miséria. Pergunto: para fazer política social, é preciso roubar a Petrobras? Acho que não.

Mas vamos adiante. Nesta terça, falando a trabalhadores rurais de Carpina, em Pernambuco, Carvalho se saiu com a seguinte enormidade: “Não se envergonhem quando vocês forem chamados de ladrões, porque não somos ladrões. Somos gente honrada, que faz política para mudar”.

Notem que o ministro começa falando “vocês” e termina falando “nós”, como se o governo e os trabalhadores formassem um grupo só. Ora, quem chama agricultores de “ladrões” no Brasil, Carvalho? A propósito, quem já os tratou como bandidos foi o senhor ministro. Sua pasta foi a responsável pela desocupação de uma região chamada Marãiwatséde, em Mato Grosso. Havia lá uma fazenda chamada Suiá-Missú, que abrigava, atenção, um povoado chamado Posto da Mata, distrito de São Félix do Araguaia, onde moravam 4 mil pessoas. O POVOADO FOI DESTRUÍDO. Nada ficou de pé, exceto uma igreja. Nem mesmo deixaram, então, as benfeitorias para os xavantes, que já são índios aculturados. Uma escola que atendia 600 crianças também foi demolida. Quem se encarregou da destruição? A Força Nacional de Segurança. Todo o processo de expulsão dos agricultores foi comandado por Carvalho. Vejam o vídeo:

Referindo-se a seus adversários políticos, Carvalho disparou: “Ladrões são eles. São ladrões institucionais. Não tenho medo deles. Sei que estou na política para mudar o país”. Bem, Carvalho não tem mesmo motivos para ter medo de ninguém. Recomendo é que as pessoas que ele tem como inimigas — eventualmente como amigas — tenham medo do ex-secretário de Celso Daniel.

O mais curioso é que esse discurso estava sendo feito na Fetape (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco). Trata-se de um órgão sindical. A Lei Eleitoral proíbe que entidades dessa natureza façam doações eleitorais estimáveis em dinheiro. Esses encontros, como é óbvio, podem, sim, ser estimados em dinheiro. Trata-se do uso de um aparelho sindical — que recebe, inclusive, parcela de um imposto — em benefício de um partido.

Mas Carvalho acha que “ladrões institucionais” são os outros.

Ah, sim: aquelas quatro mil pessoas que sua secretaria ajudou a expulsar de suas terras continuam a vagar Mato Grosso e país afora sem ter onde se ancorar.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 19:57

A guerra das bonequinhas: por que a “Petralhinha” e a “Reacinha” não são opostas e similares

Quando criei a palavra “petralha”, deveria ter registrado, cobrando direitos autorais, né? Estaria rico hoje em dia. Pois é… Há uma guerra de “bonequinhas” na Internet. Uma delas é a “Petralinha” — o certo, acho eu, seria “Petralhinha”, mas tudo bem… Certamente é uma iniciativa de críticos do PT. A outra, que surgiu como reação à primeira, é a “Reacinha”. Vejam. Volto em seguida.

Petralhinha

Sabem o que é mais engraçado nessa história toda? A “Petralhinha” não é uma caricatura do que pensa o PT. Os companheiros realmente repetem os mantras que seguem abaixo:
- o Plano Real foi trapaça das elites;
- existe uma conspiração da mídia da “zelite branca”;
- o mensalão do PT não existiu; só o do PSDB;
- quer o fim da VEJA, da Folha, do Globo e da “mídia burguesa”.

Nove entre dez petistas acreditam nisso tudo. Nove entre dez petistas repetem o que diz a Petralhinha.

Mas e a Reacinha?

ReacinhaPode até existir gente que pensa essas bobagens, mas cadê? Onde estão? Quem defende o mês da consciência branca? Quem afirma que nordestino não deveria votar? Quem pretende instituir o Dia da Consciência Hétero? Ainda que existam esses pterodáctilos, não representam, de modo nenhum, os que se opõem ao PT.

Notem que os criadores da “Reacinha” escolheram as cores tucanas, como se o PSDB tivesse essa agenda. Ora, digam-me um único tucano que tem essa porcariada como bandeira. Se existir, fala em nome pessoal. Mas eu consigo dizer uma penca de petistas que repetem exatamente o que diz a Petralhinha, alguns deles na cadeia. Vamos ver:
- Dilma Rousseff;
- Lula;
- José Dirceu;
- Delúbio Soares;
- Gilberto Carvalho;
- João Paulo Cunha…

Aliás, alguém é capaz de lembrar um único petista convicto que não repita aquela bobajada? Em suma, a “Reacinha” é o que os petistas gostariam que seus adversários fossem; assim, ficaria mais fácil combatê-los, mas a “Petralhinha” é rigorosamente o que os adversários dos petistas não gostam que eles sejam. A razão é simples: essas pessoas tornam o mundo mais estúpido.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 17:51

TSE nega pedido de Dilma e mantém “carne por ovo” na TV

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O ministro Tarcisio Vieira, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou nesta terça-feira pedido da campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) e permitiu que a equipe do adversário Aécio Neves (PSDB) continue a explorar na propaganda eleitoral a “sugestão” feita pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Rolland, para que a população troque carne por ovos diante do alto custo de alguns alimentos. Ontem, Dilma classificou a declaração como “extremamente infeliz”.

Apesar do desgaste com a declaração de Holland, o próprio vice-presidente da República, Michel Temer, e integrantes da cúpula do PT têm tentado consertar. O vice, por exemplo, afirmou que na gestão petista a população pobre passou a consumir iogurte e chocolate.

Para TSE, além de o PSDB poder discutir o tema na propaganda partidária de Aécio Neves, o PT não tem direito de resposta na propaganda do adversário. “O exercício do direito de resposta viabiliza-se apenas quando for possível extrair, da afirmação apontada como sabidamente inverídica, ofensa de caráter pessoal a candidato, partido ou coligação”, diz o ministro, para quem a discussão sobre o episódio do ovo é apenas “exposição de fatos e contundente crítica política, inerentes ao debate democrático, ainda que ácido e belicoso”.

Nos embates judiciais protagonizados por PT e PSDB no segundo turno, o tribunal também rejeitou, em decisão individual do ministro Admar Gonzaga, pedido de direito de resposta do PSDB por supostas ofensas à honra de Aécio e de seu partido. No dia 12 de outubro, o PT alegou, na propaganda da presidente-candidata Dilma Rousseff, que “o PSDB tem problema de corrupção lá no metrô de São Paulo”. “Até hoje não foi resolvido, né? Tá engavetado ainda”, diz trecho da peça publicitária.

Em outra representação, o ministro Admar Gonzaga, provocado por processo movido pelos petistas, rechaçou irregularidade na propaganda de Aécio, que exibiu imagens gravadas no interior do museu Memorial JK, em Brasília, local, segundo os petistas, vedado porque as despesas do Memorial seriam custeadas pelo Poder Público.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 16:18

O debate de hoje na Band e o que importa

O tucano Aécio Neves e a petista Dilma Rousseff se encontram hoje à noite, no debate da TV Bandeirantes, em São Paulo, marcado para começar às 22h15. É o primeiro do segundo turno. Haverá mais três: na quinta, dia 16, o confronto acontece no estúdio do SBT, num evento também promovido pela Jovem Pan e pelo UOL. No domingo, 19, será a vez do debate da TV Record. No dia 24, antevéspera da eleição, há o embate final na TV Globo. Vou fazer comentários aqui, em tempo real.

Já não era sem tempo de os candidatos se enfrentarem para valer. Fazendo as contas, haverá a partir de hoje quase cinco horas de confronto entre os dois. No primeiro turno, em razão das exigências absurdas da Lei Eleitoral, que invadem o terreno da censura, os então dois principais candidatos pouco puderam se questionar: o embate direto somou, ao todo, apenas 19 minutos. Vale dizer: até o dia 26, esse tempo será multiplicado por 15. Melhor assim.

Jornalistas não participarão dos confrontos. Não é o melhor procedimento, acho eu, mas é evidente que isso não elimina o mérito do embate. Entregues apenas às próprias estratégias, os candidatos poderão, eventualmente, esgrimir com mais largueza números criativos, sem a intervenção neutra da imprensa. Ainda assim, os eleitores têm muito a ganhar.

Tendemos a achar que o eleitorado não sabe votar quando nos contraria e é um verdadeiro sábio quando vota de acordo com o que consideramos o melhor. Essa questão nunca vai abandonar a democracia. E, no dia em que abandonar, então democracia não será mais. À direita e à esquerda, fanáticos ficam pensando maneiras de tornar as escolhas populares irrelevantes: uns tentam criar regras que excluam o povo; outros se esforçam para criar mecanismos que controlem o povo, de sorte que ele acredite ser livre sem ser. Quando supostos “movimentos sociais”, por exemplo, falam em nome da população, estamos diante de uma fraude. Estão é falando em defesa dos próprios interesses.

Uma sociedade livre sempre sabe votar, gostemos ou não do resultado. É claro que o processo político tem de se encarregar de não oferecer como opções possíveis alternativas que destruam o próprio sistema. Sim, leitores, uma democracia que permite que notórios inimigos das liberdades atuem livremente está marcando um encontro com o caos. Mas comentarei esse assunto outra hora.

Espero que este primeiro dos quatro encontros marcados dê início ao caminho virtuoso do debate de propostas, o que não exclui, é evidente, a crítica ao que não anda bem no país. Afinal, só se pode mudar — e tanto Aécio como Dilma prometem mudanças — o que não está bem.

“Ah, mas será que eles têm de falar de Petrobras?” Claro que sim! A corrupção na maior empresa brasileira, uma estatal, é peça-chave, se querem saber, para a definição do nosso futuro. Até quando o estado gigante será a fonte de nossas misérias e de nossa miséria? É importante punir os bandidos que lá atuaram. Mas é ainda mais importante impedir que o descalabro se repita.

Assistam a esse e aos demais debates. Convençam seus amigos a fazer o mesmo. Todos os votos são legítimos. Mas vota melhor quem se informa melhor.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 15:32

Xico Sá está apenas jogando para a torcida e fazendo proselitismo ordinário. A Folha lhe ofereceu espaço para declarar voto em Dilma, e ele recusou. Isso é campanha eleitoral! Um pouco de história e de memória

Não sei o que ou quem move Xico Sá. Espero que seja só o equívoco ou a sede do estrelato, que eu percebia muito nítida quando trabalhei com ele. Eu já tinha decidido me manter longe de sua pantomima, mas, fico sabendo, ele cita meu nome no twitter. Não é a primeira vez que me ataca, consta, mas eu o deixei de lado por duas razões:
a: tenho certa dificuldade de brigar, por razões ideológicas ou algo assim, com gente com que já tive uma relação cordial, amiga até. Acho que não vale a pena;
b: há muito tempo, passei a considerar Xico Sá um bom humorista e um mau comediante — como ator, falta-lhe o tempo da piada. E eu nunca bato boca com gente que faz humor porque o intuito final desse ofício é a graça, não a verdade. E a graça tem seu lugar no mundo, inclusive para iluminar a verdade.

Xico, no entanto, envereda para a estupidez quando posta esta porcaria no Twitter:

tuite xico sa

Pela ordem:
1: Xico pediu demissão, não foi demitido;

2: Xico conhece as regras desde a contratação e sabe que a Folha permite quase tudo — entre as pouquíssimas restrições, está a declaração de voto no espaço da coluna. Pode-se gostar disso ou não, concordar com isso ou não, mas a exigência não é nova;

3: é claro que eu não sou “neutro”. Como Xico nunca foi. Quem é “neutro”? Janio de Freitas? Gregorio Duvivier? Ricardo Melo? Antonio Prata? André Singer? Guilherme Boulos? Juca Kfouri? Vladimir Safatle? Ora, Xico…

4: Xico tenta me usar como bode expiatório, como faz Gilberto Carvalho, numa operação que parece coordenada. Se o PT chega a esse limite, é sinal de que a coisa está feia mesmo;

5: a Folha tem 125 colunistas. Desconheço se há tantos em qualquer outra empresa jornalística do mundo. Desses, quantos não se identificam com teses de esquerda? Será que chegam a 15%? Se ela fosse refletir o corte ideológico da sociedade, os conservadores deveriam ser superiores a 50%.

Xico está fazendo campanha eleitoral. É um direito dele. Mas mentir é feio. Num outro tuíte, ele afirma que já foi obrigado a mentir como repórter. Lamento pelo mentiroso arrependido. Nunca fui repórter. Trabalhei em edição e lido hoje com colunismo. Nunca ninguém me obrigou a mentir. Xico mentiu por quê? Para comprar o leite das crianças? Não havia, então, um jeito honesto de ganhar a vida, rapaz? O jeito honesto é esse de hoje?

Fui coordenador de Política da Folha de S.Paulo, na década de 90, em companhia de Nilson Oliveira, quando ele era repórter. A editora era Paula Cesarino Costa, hoje diretora da Sucursal do Rio. Se Xico mentiu, nós não ficamos sabendo. Mentiu para nós também. Fomos enganados por ele. Se mentiu, atendia a outros interesses, que não os do jornalismo, e nós todos — incluindo seus colegas — fomos vítimas de um trapaceiro. Mas acho que ele está apenas fazendo embaixadinha para a torcida. Acho que ele mente agora. Ou será que Otavio Frias Filho, diretor de Redação, combinou com ele alguma mentira que não passava pela hierarquia da redação?

Kennedy Alencar era o pauteiro da manhã. A bancada de repórteres em São Paulo incluía Emanuel Nery, Carlos Eduardo Alves, Cláudia Trevisan, Mario Simas Filho, Marcelo Mendonça, Andrews Greenlees, Luiz Henrique Amaral — posso estar esquecendo de alguém, pelo que me desculpo. A diversidade de opiniões era grande.

Eu e Nilson éramos os encarregados de saber, no fim da tarde, o que tinha e o que não tinha rendido da apuração dos repórteres, inclusive de Xico, que era famoso na bancada por ter criado uma palavra: “cascatol”.
— E aí, Xico, alguma coisa? Rendeu?
— É, tenho aqui um “cascatol”…

Sim, a palavra é derivada de “cascata”, sinônimo de conversa mole, de papo furado, de nada, mas com lead. Invariavelmente, seus “cascatois” eram rejeitados. Quando tinha notícia — e o mesmo valia para os outros —, então a reportagem era publicada. Afinal, não confundíamos a amizade, o bom Xico dos cascatóis, com o nosso trabalho.

Já lá se vão pouco mais de 20 anos. Ele sabe como eu trabalho, e eu sei como ele trabalha. Eu tinha uma relação cordial com ele e o considerava divertido, sempre metido numa personagem que inventou para si mesmo: o do nordestino que empresta sensibilidade à rispidez do sertanejo (o que ele nunca foi; é um homem absolutamente urbano; parece que lhe tem faltado é urbanidade, que é outra coisa); o do feio por quem as mulheres sempre suspiram; o do machista sensível; o do rapaz culto que mistura Sartre com buchada de bode.

Mesmo divergindo dele, eu o convidei para escrever textos para a revista Primeira Leitura — confiando, aliás, que ele não mentia. Tenho aqui comigo uma reportagem muito dura, com a sua assinatura, contra o Bolsa Família — que ainda não tinha esse nome porque estamos falando do governo FHC.

Lamento muito que Xico tenha enveredado por esse caminho. Nesses anos todos, mesmo tendo sido provocado às vezes, fiquei calado. Já disse que tenho dificuldade de sacrificar amizades — mesmo as que ficaram no passado, sem atualização — em razão de divergências políticas, ideológicas e afins. Mas Xico, como se vê, não tem esses pruridos e não sei quais outros andou perdendo ao longo da vida. Ele agora descobriu “a causa” e, por ela, sacrifica até a verdade.

De resto, Xico era um dos mais mordazes críticos da esquerda na década de 90, quando o PT estava na oposição. Ele chegou até a inventar um “MST” muito particular, que fazia piadinha com este que conhecemos, emprestando-lhe, adicionalmente, um viés machista. Xico era um pós-esquerdista quando o PT estava fora do poder. Agora virou esquerdista antediluviano para consumo das redes sociais.

Sei que me meter na briga, Xico, como você fez, rende barulho na rede. Mas tente ser intelectualmente honesto. Com algum esforço, você vai se lembrar como é.

A propósito: ele diz sair da Folha num ato de rompimento com “a imprensa burguesa”. Ah, bom! Ele só não promete romper com a TV Globo, que, como se sabe, é um antro de trotskistas.

De resto, e este único fato talvez possa dispensar todo o resto, que entra apenas como argumento adicional: Sérgio Dávila, o redator-chefe da Folha, lhe ofereceu o nobilíssimo espaço na página 3, em “Tendências/Debates”, para fazer a sua declaração de voto. Ele se recusou, pediu demissão e saiu por aí posando de vítima. VERDADE OU MENTIRA, XICO SÁ? 

Tenham paciência!

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 13:01

Do “Rouba, mas faz” ao “Rouba, mas dá bolsa família”. Ou: A confissão dos petralhas. Ou ainda: Corruptos sinceros

O ministro Gilberto Carvalho resolveu fazer seu chororô, reclamando que estão chamando os petistas de “petralhas” (post anterior). Associa isso ao que chama de campanha do ódio… Que gracioso!

Um leitor me manda esta maravilha, extraída da página do PT no Facebook.

Petralhar no Face

Notem que, incapazes de vencer o termo “petralha” — que pegou (e só pegou porque aquilo que a palavra designa se impõe como um dado da realidade) —, os “companheiros” decidiram tentar transformá-lo numa coisa boa. Impossível!

A composição acima, a seu modo, é perfeita! Afinal, o que é um “petralha”? É alguém que justifica o roubo em nome da “causa”. O sujeito que afirma ter petralhado “pelos 56 milhões que saíram da miséria”— um número falso e delirante — está dizendo, então, que, ainda que verdade fosse, adota a máxima de que não há mal nenhum em ser ladrão se for para fazer “o bem”.

O Brasil já teve a era do “rouba, mas faz”. Os valentes decidiram inovar: “Rouba, mas dá Bolsa Família”.

Veja aí, ministro Carvalho! Trata-se de uma declaração de seus aliados, na página oficial do seu partido no Facebook. Eu não lhe disse? Inventei a palavra, mas vocês inventaram a espécie, que ainda se orgulha do próprio feito.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 6:53

LEIAM ABAIXO

Gilberto Carvalho reconhece a situação dramática de Dilma, mas acha que tudo deriva da cultura do ódio. E se refere a uma palavra que eu criei. Então vamos lá!;
Dilma se encontra com movimentos sociais e expõe as suas pretensões bolivarianas se for reeleita. Ela deixa claro: o Congresso só atrapalha!;
Justiça e PF dão cinco dias para empreiteiras explicarem depósitos em empresas fantasmas de Youssef. O doleiro já disse para onde ia o dinheiro…;
Dilma não dá sorte com os ovos! Ou: Não se quebram ovos se não for para fazer “omeleta”, presidenta!;
Procuradoria rebate governo e PT e afirma que Lava Jato é “técnica e apartidária”;
Doleiro tinha “acordo de sigilo” com estatal, diz PF;
A Igreja Católica e os gays: um documento correto e bem-vindo;
Álvaro Dias – “Não basta trocar o presidente. É preciso mudar a relação promíscua com o Congresso”;
Marilena volta a ameaçar o país com a sua vassoura filosófica, tendo, agora, na rabeira, Jean Wyllys, o cara que se elegeu com a “ajuda” de Bolsonaro e Feliciano;
— A Petrobras é só a ponta o iceberg, para a tristeza do estilo e a má sorte dos brasileiros. Ou: Roubalheira generalizada como nunca antes na história “destepaiz”;
— O programa cheio de ódio do PT. Ou: desconstruindo uma mentira no detalhe sobre o ensino técnico;
— Pronunciamento de Marina é forte e inequívoco; discurso faz do Aécio de 2014 o Lula de 2002, e isso está, obviamente, errado!;
— Aécio sobre a decisão de Marina: “Um só corpo, um só projeto, em favor do Brasil”;
— Dilma sobre a decisão de Marina: “É compreensível”;
— LEIAM A ÍNTEGRA DO DISCURSO EM QUE MARINA DECLARA APOIO A AÉCIO NEVES;
— Marina declara voto em Aécio;
— IMPRESSIONANTE!!! O PT ESTÁ MAIS DESORIENTADO DO QUE QUANDO ERA UM PARTIDO INVIÁVEL DA OPOSIÇÃO. É A FORÇA DE SUA HERANÇA MALDITA SE VOLTANDO CONTRA ELE PRÓPRIO

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 6:45

Gilberto Carvalho reconhece a situação dramática de Dilma, mas acha que tudo deriva da cultura do ódio. E se refere a uma palavra que eu criei. Então vamos lá!

Prestem atenção a esta fala do ministro-chefe da Secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho:
“Atravessamos um momento delicadíssimo da nossa campanha. Plantou-se um ódio enorme em relação a nós. Eu não sei o que foi aquilo. Em São Paulo, estava muito difícil andar com o broche ou a bandeira da Dilma. Em Brasília, a cidade estava amarela, sem vermelho. O ódio tem sido construído com a gente sendo chamado de ladrão. Com frequência, a gente vem sendo chamado com desprezo. Estamos sendo chamados de um grupo de petralhas que assaltaram o governo”.

Opa! De “petralhas”, eu entendo, porque fui eu que inventei a palavra, né?, fundindo “petista” com “Irmãos Metralhas”, já lá se vão, atenção!, ONZE ANOS. Ouça bem, ministro Carvalho! Eu criei essa palavra há 11 anos, em 2003, na primeira gestão do seu partido à frente do governo federal. Ela já foi parar no Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa, como vocês podem ver abaixo.

Petralha Dicionário

Desde o primeiro dia, expliquei o sentido do vocábulo e deixei claro, o que está firmado em livro — “O País dos Petralhas I” (Editora Record) —, que nem todo petista é “petralha”, só aqueles que justificam o assalto aos cofres públicos em nome de uma causa. Apanhei que foi uma beleza! Ainda hoje, uma vasta rede de blogs, sites, revistas e publicações as mais xexelentas, todos fartamente financiados com dinheiro público, tem, entre suas missões, tentar me desqualificar.

Quando, em passado remoto, apenas 3% dos brasileiros consideravam o governo Lula ruim ou péssimo, eles sugeriam abertamente que eu deixasse o país, que eu me mudasse pra Miami, que eu fosse para a ponta do pavio. Quando a VEJA me convidou para hospedar este blog, que já existia, em 2006, vieram os vaticínios: “Vai durar pouco! Quem vai querer ler esse cara?”. Pois é. O blog recebe, em média, 350 mil visitas por dia, com picos de mais de 500 mil.

Criei o termo em 2003 porque pessoas vinham me contar coisas horripilantes sobre o que se passava nos bastidores do governo. Mas quem queria saber? “Direitista!”, gritavam. “Tucano!”, vociferavam. “Vendido!”, babavam. Fiquei na minha. No máximo, indagava se o lado vitorioso não costuma pagar sempre mais, se é que entendem a ironia. Aí veio o escândalo do mensalão. Aí veio o escândalo dos aloprados. Aí veio a primeira leva de acusações sobre desmandos na Petrobras. Aí vieram as lambanças no Dnit e assemelhados. Aí veio a compra da Refinaria de Pasadena. Aí vieram Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e cia.

A que “ódio” se refere Gilberto Carvalho? Eu criei a palavra “petralha”, mas eu não criei “os petralhas”. Tampouco os criou a população de São Paulo. A fala de Carvalho sugere que há uma repulsa artificial ao partido, não uma reação objetiva à forma como ele governa — que, ainda assim, conta com a aprovação de milhões, a estarem certas as pesquisas de opinião.

Infelizmente, o ministro se dedica, mais uma vez, à demonização de pessoas. Em junho, Dilma ainda vencia a eleição no primeiro turno, e Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, resolveu criar uma lista negra de nove jornalistas, articulistas e comunicadores, encabeçada por mim — os outros são Diogo Mainardi, Augusto Nunes, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiuza, Lobão, Danilo Gentili e Marcelo Madureira —, que fariam mal ao Brasil. Não se ouviu um pio de protesto por aqui. Quem reagiu foi a organização internacional de defesa da liberdade de imprensa http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/reporteres-sem-fronteiras-a-mais-importante-entidade-internacional-de-protecao-ao-trabalho-de-jornalistas-critica-a-lista-do-pt-de-inimigos-da-patria/. Janio de Freitas, articulista da Folha, como sou, não criticou nem a lista nem o PT, mas a… Repórteres Sem Fronteiras.

O PT tenta posar de vítima de crime de intolerância — como se o partido fosse o exemplo acabado da… tolerância. É uma piada! Por que seria vítima? Já indaguei aqui: estamos diante de alguma vanguarda que desafia o statu quo? Os petistas constituem hoje os porta-vozes da luta de oprimidos que não têm outro canal para se expressar? A legenda representa algum valor de vanguarda que uma sociedade atrasada e reacionária se negaria a abrigar? Ora, ministro Gilberto Carvalho…

Dirijo, então, ao chefão petista as perguntas que fiz em minha coluna. Responda, ministro, por favor:

“É preciso assaltar os cofres públicos para conceder Bolsa Família? É preciso usar de forma escancaradamente ilegal os Correios para implementar o ProUni? É preciso transformar a gestão pública na casa-da-mãe-Dilma (como Lula, o pai, já a chamou) para financiar o Minha Casa, Minha Vida? Pouco importa o juízo que se faça sobre esses programas, a resposta, obviamente, é “não”. A matemática elementar nos diz que, com menos roubalheira, sobraria mais dinheiro para os pobres.”

A fala de Carvalho faz parte de uma ação coordenada do comando político do PT. O partido quer despertar o poder sempre forte — e violento — das falsas vítimas. Ódio, ministro Gilberto Carvalho, foi aquele destilado contra Marina Silva no horário eleitoral do seu partido, acusando-a, e o senhor sabe se tratar de uma mentira, de tentar retirar R$ 1,3 trilhão da educação. Ódio, ministro Gilberto Carvalho, foi aquele destilado no programa contra Marina Silva, acusando-a de querer tirar a comida do prato dos brasileiros, e o senhor sabe se tratar de uma mentira, porque ela defendia a independência do Banco Central. E quem escreve aqui não é um admirador da líder da Rede, como sabem todos. Ódio é a pregação terrorista que se vê hoje na TV, agora contra Aécio Neves e FHC, fraudando números, mentindo de forma descarada, massacrando a história, distorcendo os fatos.

O PT inventou a corrupção?
Não! Eu nunca escrevi que o PT inventou a corrupção, até porque seria falso. É claro que não! Já havia antes. Está na Bíblia. Existia antes dela. A questão relevante, desde sempre, não está em ser ou não corrupto — em sendo, que o sujeito seja expelido da vida pública. A criação detestável e exclusiva do PT — e foi nesse contexto que surgiu a palavra “petralha” — é a suposta “corrupção do bem”, a suposta “corrupção necessária”, a suposta “corrupção libertadora”. Esse relativismo, diga-se, está absolutamente adequado ao amoralismo das esquerdas históricas. Stálin, por exemplo, era, a seu modo, incorruptível. Ele só não se importava em matar inocentes — inclusive ex-camaradas de jornada — para consolidar o seu poder.

Se parte considerável da população alimenta hoje um sentimento de repulsa em relação ao PT, isso não se deve a suas qualidades. Não conheço ninguém, e acho que ninguém conhece, que deixe de votar no partido por causa dos ditos “programas sociais” — que eu, no meu rigor, chamo de medidas compensatórias; se eu fosse de esquerda, diria até que são contrarrevolucionárias, como devem achar o PSOL, o PCO e o PSTU. Segundo a lógica perturbada das esquerdas, eles têm razão, não é mesmo?

Se o PT expulsasse da legenda os condenados por corrupção ativa, entre outros crimes, em vez de chamá-los de “heróis do povo brasileiro”, talvez a reação da população fosse outra.

E ainda lhe dou um conselho, senhor Carvalho: não sei se sua candidata ganha ou perde a eleição. Como o senhor sabe, torço para que ela perca. Mas, caso vença — certamente seria por margem bem estreita —, pense que será preciso governar depois. E chegar ao fim do mandato. Vocês perderam a mão e a leitura da realidade.

Ah, sim: Carvalho estava em Pernambuco, num encontro com ditos “movimentos sociais”, que divulgaram em seguida um manifesto em favor de Dilma. Muitos dos signatários são grupamentos fartamente financiados com… verbas federais. Carvalho ainda não percebeu que é crescente o número de pessoas que já não suportam esse procedimento. Justo ele, o encarregado de “falar com a sociedade”. É que Carvalho integra aquele grupo de homens que não entende que possa existir uma “sociedade” fora dos interesses do petismo.

E há!

As pessoas estão se opondo ao PT, senhor ministro, porque, de fato, não aguentam mais os “petralhas”. Sim, eu criei o termo, mas vocês criaram a espécie.

Espalhem este artigo. Vamos fazer o debate.

Texto publicado originalmente às 4h37
Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 5:49

Dilma se encontra com movimentos sociais e expõe as suas pretensões bolivarianas se for reeleita. Ela deixa claro: o Congresso só atrapalha!

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, se encontrou nesta segunda com militantes dos ditos movimentos sociais em Pernambuco. A presidente-candidata Dilma Rousseff, por sua vez, fez o mesmo em Brasília. Ela falou o que se espera entre aliados: transformou o PT em monopolista de todas as coisas boas que já aconteceram no país e o PSDB em monopolista das ruins. Até aí, vá lá. Não se esperava o contrário. A coisa beirou o risível, embora seus convivas tenham achado o máximo, quando ela afirmou que, se vitorioso, o tucano Aécio Neves pretende acabar com o Mercosul e com os Brics, embora isso não tenha sido o mais preocupante do encontro. Já chego lá.

Deus do Céu! Que o Mercosul precise deixar de ser um fator de atraso para o Brasil, isso é evidente. Acabar com ele, ninguém pretende. Isso é só uma mentirinha. A tolice espantosa fica por conta dos Brics, que é só uma sigla criada pelo economista Jim O’Neill, em 2002, para designar países emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China, aos quais se incorporou depois a África do Sul. Não é um bloco econômico. “Ah, mas eles criaram um banco…” Lamento! Não tem a menor importância. Ainda que tivesse e mesmo que o Brasil quisesse pular fora, passariam a existir os Rics… De resto, Aécio, se eleito, não teria poder para acabar nem com o Mercosul. Imaginem, então, com os Brics. É só mais uma falinha terrorista. Sei lá qual é a satisfação de falar a um grupo que está lá só para aplaudir, não importa o quê.

Mas vamos ao que preocupa. O ato foi organizado para que se entregasse à presidente um manifesto com 8 milhões de assinaturas, colhidas por entidades petistas disfarçadas de movimentos sociais, em favor de um plebiscito pela reforma política.

Depois de elogiar o protoditador da Bolívia, Evo Morales, que se reelegeu presidente (já trato do assunto), Dilma resolveu tocar música para os ouvidos dos presentes: “Eu diria de forma radical: eu não acredito que a gente consiga aprovar as propostas mais importantes, como é o caso do fim do financiamento empresarial de campanha, sem que isso seja votado num plebiscito. Não basta convocar Assembleia Constituinte, tem que votar em plebiscito. Se não votar, não tem força suficiente para fazer.”

Entenderam? Se reeleita, Dilma deixa claro que pretende dar um golpe no Congresso: ela quer uma Constituinte exclusiva para fazer a reforma política, o que é um absurdo teórico, mas a quer embalada por plebiscito. Com a força que tem o Executivo no Brasil, com sua poderosa máquina publicitária, a presidente quer ir para a galera. Foi precisamente o que fizeram Hugo Chávez na Venezuela — vejam lá como está o país — e o que está fazendo Morales, o elogiado, na Bolívia. Os opositores tiveram de deixar os dois países, a corte suprema se transformou em braço do Executivo, e as oposições são perseguidas por milícias e forças policiais.

No encontro, os presentes atacaram também o jornalismo independente, que eles chamam “mídia”. Entre os valentes, estavam a CUT, o braço sindical do PT, e o MST, o braço dito campesino do partido. Até uma certa Paola Estrada, de quem nunca ouvi falar, presidente de um tal “Movimento Consulta Popular”, decidiu atacar a imprensa. Um dos pontos de honra dos petistas, caso Dilma vença a eleição, é o tal “controle social da mídia”.

Então está combinado. Se reeleita, Dilma prometeu à CUT, ao MST e a outros movimentos sociais recorrer às mesmas práticas de Hugo Chávez e Evo Morales para reformar a Constituição. Ou me provem que não. E já deixou claro que esse eventual futuro governo não pretende comprar fatias do Congresso que se instalará em 2015. Não! Se reeleita, Dilma vai querer um Congresso Constituinte só pra ela, inteirinho.

Não custa lembrar: o perfil do Congresso eleito deixa claro que a esquerda é minoritária no Brasil. Vai ver há petistas achando que já chegou a hora da guerra civil. Pelo visto, há gente querendo as coisas na lei ou na marra.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 3:02

Justiça e PF dão cinco dias para empreiteiras explicarem depósitos em empresas fantasmas de Youssef. O doleiro já disse para onde ia o dinheiro…

O caso é o seguinte. Quatro empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef receberam, em suas respectivas contas, depósitos totalizando R$ 33,5 milhões, feitos por empreiteiras que mantêm negócios com a Petrobras. Tanto Youssef como o engenheiro Paulo Roberto Costa explicaram à Polícia Federal, ao Ministério Público e à Justiça como funcionava o esquema de desvios: as empresas eram selecionadas para tocar obras, com direcionamento feito já no edital de licitação. Escolhidas, eram obrigadas a embutir no contrato o valor da propina — de 3%, segundo Costa; 2% dos quais iriam para o PT. As empreiteiras recebiam da Petrobras — tudo, aparentemente, conforme a lei — e depois entregavam o dinheiro aos chamados operadores de cada legenda: PT, PP e PMDB.

Esses operadores pegavam uma parte da grana para si e entregavam o resto aos respectivos partidos. Paulo Roberto confessa que era o operador do PP, em parceria com Youssef. O do PT, diz ele, era Renato Duque, diretor de Serviços — este nega a acusação e promete processá-lo. Nestor Cerveró seria o homem do PMDB.

Bem, seja como for, uma coisa é fato: um grupo de empreiteiras depositou dinheiro nas empresas de fachada de Youssef e agora terá de se explicar. Na sexta, em despacho, o juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo que resultou da Operação Lava Jato, listou 12 empreiteiras que fizeram esses depósitos, afirmou haver “indícios veementes” de que as empresas do doleiro eram fantasmas e só serviam à lavagem de dinheiro e informou que a Polícia Federal já abriu inquérito para “apurar a origem, natureza e finalidade de transferências bancárias”. Foi dado às depositantes um prazo de cinco dias para prestar esclarecimentos.

Entre as intimadas estão algumas das maiores empreiteiras do país e fornecedoras da estatal, como o Consórcio Mendes Junior/MPE; o consórcio Rnest, capitaneado pela Engevix; duas empresas do grupo OAS, a Galvão Engenharia, o consórcio Sehab e a Coesa Engenharia. Também fazem parte da lista as empresas Treviso, Piemonte e Jaraguá Equipamentos Industriais.

Vejam a lista dos depósitos:
- depósitos de R$ 8.530.918,57 na conta da GFD Investimentos por parte da empresa Piemonte Empreendimentos Ltda.;
- depósitos de R$ 4.400.000,00 na conta da GFD Investimentos por parte da empresa Treviso Empreendimentos Ltda.;
- depósitos de R$ 2.533.950,00 na conta da GFD Investimentos por parte de Consórcio Mendes Júnior MPE SE;
- depósitos de R$ 3.021.970,00 na conta da GFD Investimentos por parte de Mendes Jr. Trading e Engenharia;
- depósitos de R$ 4.317.100,00 na conta da MO Consultoria por parte de Investminas Participações S/A;
- depósitos de R$ 3.260.349,00 na conta da MO Consultoria por parte de Consórcio RNEST O. C. Edificações, capitaneado pela empresa Engevix Engenharia S/A;
- depósitos de R$ 1.941.944,24 na conta da MO Consultoria por parte de Jaraguá Equipamentos Industriais;
- depósitos de R$ 1.530.158,56 na conta da MO Consultoria por parte de Galvão Engenharia S/A;
- depósitos de R$ 619.410,00 na conta da MO Consultoria por parte de Construtora OAS Ltda.

Cade
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), ligado ao Ministério da Justiça e conduzido por Vinicius Marques de Carvalho, um petista de coração (ele diz não ser mais de carteirinha), decidiu que era hora de mexer. Até que enfim, né?

O órgão informou que pediu acesso aos depoimentos e a documentos da Operação Lava Jato para averiguar se não há indícios de formação de cartel. Muito sagazes esses rapazes! Só resta indagar agora por que demoraram tanto.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 1:38

Dilma não dá sorte com os ovos! Ou: Não se quebram ovos se não for para fazer “omeleta”, presidenta!

Maria Antonieta: sabem aquela frase dos brioches? Ela nunca a pronunciou, tadinha!.Já Holland...

Maria Antonieta: sabem aquela frase dos brioches? Ela nunca a pronunciou, tadinha! Já Holland…

Ai, ai, vamos nos divertir um pouco. Os ovos voltaram a atormentar Dilma Rousseff. Há, sim, milhões de pessoas revoltadas com a roubalheira da Petrobras, mas o inconformismo nos corredores dos supermercados não é menor. A inflação rouba salário e agride também o minúsculo poder de compra de quem recebe Bolsa Família. Não é um problema dos ricos — na verdade, estes são os únicos que conseguem se proteger. A inflação, em suma, é o pior imposto que existe contra os pobres. Um governo que flerte com ela pune quem menos tem. Qual é o busílis? Na semana passada, diante de uma nova elevação da inflação, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, recomendou que a população substituísse a carne pelo frango e pelos ovos. Pegou mal.

A campanha de Aécio sentiu na frase cheiro de carne queimada e levou a questão para o horário eleitoral. Diante da sugestão de um açougueiro para que a dona de casa troque a carne pelos ovos, esta responde que prefere trocar o governo. Nesta segunda, Dilma teve de vir a público para dizer que não concorda com a sugestão de seu secretário. Não sei se a emenda não ficou pior do que o soneto. A presidente-candidata prometeu ainda que, se reeleita, tomará medidas duras contra a inflação. Não disse quais nem explicou por que não as toma agora — afinal, ela já é, ou ainda é, presidente.

Coitada da Dilma! Ela não dá muita sorte com ovos. Em fevereiro de 2010, ainda ministra da Casa Civil, ela foi ao programa Superpop, de Luciana Gimenez, na Rede TV, e tentou fazer uma omelete, no que seria especialista. Ficou claro que nunca antes na sua história havia se dedicado àquele ofício. Produziu uma maçaroca hostil aos olhos e, suponho, ao paladar. Vocês encontram os vídeos no Youtube. Um daqueles diálogos impossíveis. Luciana pergunta o que ela servia à sua filha quando criança. E a então ministra responde: “Tinha que ter verde…”. Tá.

Em março de 2011, com a popularidade nos píncaros da desinformação, Dilma foi ao programa de Ana Maria Braga, na Globo, para fazer… omelete. De novo! Deu errado outra vez! A sua experiência com a cozinha era tal que ela pegou bicarbonato de sódio, perguntou se era sal, a apresentadora se confundiu e disse que sim, a presidente mandou ver. Enfiou a mão no dito-cujo e não percebeu. O sal, como sabemos, mesmo refinado, é granulado. O bicarbonato é um pó. Mais uma vez, o produto de sua arte convidava o faminto à fuga. O primeiro homem que comeu a primeira ostra — imaginem com que fome não estava — fugiria das omeletes presidenciais. Vejam.

Tomo essas relações infelizes entre Dilma e os ovos como metáfora de sua dificuldade de lidar com o Brasil real, que hoje parece contaminar o seu partido. Estão desarvorados e, acredito eu, fazendo bobagens até do seu ponto de vista.

Quando comentei o assunto em 2011, lembrei em meu blog que a famosa frase “Não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos” não é do ditador soviético Stálin, que Dilma admirava tanto na juventude. Trata-se de uma crítica a ele feita por Nadejda Mándelstam, mulher do poeta Ossip Mándelstam, assassinado por ordem do ditador. No livro em que trata da culinária do mega-homicida, ela afirma sobre o verdugo bigodudo: “Cada nova morte era justificada com a desculpa de que construíamos um notável mundo novo”. Vale dizer: o futuro (a omelete) pedia a “quebra dos ovos” (as mortes). Está na página 114 do livro “Stálin – A Corte do Czar Vermelho”, de Simon Sebag Montefiore.

Todo o suposto realismo do PT, que resultou em acordos com o que de pior a política produziu ao longo da história brasileira, partia deste princípio: não se faz omelete sem quebrar ovos — ou seja, para conseguir certas coisas, seria preciso não olhar o tamanho do estrago. Nos programas de Luciana Gimenez e de Ana Maria Braga e no Brasil, Dilma quebrou os ovos, sim, mas não entregou a omelete.

A propósito: “omelete” é palavra francesa (omelete). Os puristas, em português, propõem que se evite o galicismo e defendem “omeleta”. Sei… A omeleta sem jeito da presidenta.

PS – Ah, sim, a pobrezinha da Maria Antonieta nunca disse “se não têm pão, que comam brioches”. Era só maledicência da corte contra a… austríaca! Holland sugeriu que se trocasse a carne pelos ovos e pelo frango. Não foi por maldade. É que os tempos são maus.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 0:37

Procuradoria rebate governo e PT e afirma que Lava Jato é “técnica e apartidária”

Na VEJA.com:
A Procuradoria da República no Paraná reagiu às críticas do PT e do governo que atribuíram “caráter eleitoral” à divulgação dos depoimentos na Justiça Federal do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, personagens centrais da Operação Lava Jato.

“A atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, nos procedimentos decorrentes da Operação Lava Jato que tramitam perante a 13ª Vara Federal Criminal, é estritamente técnica, imparcial e apartidária”, afirma a procuradoria. Segundo os procuradores que integram a força tarefa da Lava Jato, a meta é esclarecer todos os fatos “para, se for o caso, serem aplicadas punições a quem quer que sejam os responsáveis”.

O PT e o governo condenaram publicamente a divulgação dos depoimentos de Costa e de Youssef, realizados em uma das ações judiciais da Lava Jato na quinta feira – os depoimentos não têm relação com as delações premiadas que Costa já fez e que Youssef está fazendo. Eles foram ouvidos como réus em processo por lavagem de dinheiro e corrupção nas obras da refinaria Abreu e Lima.

Referindo-se às delações de Costa e de Youssef, perante o Supremo Tribunal Federal, os procuradores anotam. “Outras declarações prestadas pelos acusados, em procedimentos investigativos que não fazem parte deste processo, possuem regramento próprio e não podem ser confundidos com os interrogatórios da ação penal pública.”

“Os depoimentos obedeceram aos prazos fixados para procedimentos com réus presos”, destaca a procuradoria, em referência a Costa e a Youssef que estão presos por ordem judicial desde a deflagração da Lava Jato.

Sem citar o PT ou o governo, a procuradoria destaca que réus presos “possuem o direito de serem julgados no menor prazo possível, independentemente de considerações externas ao seu processo”. “Eventual adiamento de atos poderia acarretar a soltura dos réus em decorrência de excesso de prazo, quando sua prisão foi decretada por estrita necessidade cautelar”, argumenta a procuradoria.

Em nota, “com o objetivo de informar a população”, os procuradores que têm atribuição perante a 13.ª Vara Federal – onde atua o juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato -. anotam que os procedimentos adotados nas investigações em curso e nas ações penais em instrução “seguem os preceitos legais adotados em todas as situações similares na Justiça Criminal de primeiro grau em todo o país”.

Sobre a publicidade dada aos relatos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, os procuradores são categóricos. “Os depoimentos colhidos nas ações penais como regra são públicos, no propósito de assegurar ao réu julgamento justo e imparcial, não secreto, bem como de garantir à sociedade a possibilidade de fiscalização e acompanhamento da atuação do Poder Judiciário e do Ministério Público.”

Segundo os procuradores, “como expressão do direito de defesa, no caso em questão, os réus tiveram a oportunidade de esclarecer, no término da fase de instrução processual, em seus interrogatórios, os fatos pelos quais estão sendo acusados”. Eles afirmam que desde maio o procedimento é público. “Por esse motivo os depoimentos e suas gravações podem ser acessados por qualquer pessoa, sem restrição.”

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2014

às 16:20

Doleiro tinha “acordo de sigilo” com estatal, diz PF

Por Ricardo Brandt e Fausto Macedo, no Estadão:
Nos computadores de Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato, a Polícia Federal encontrou um “acordo de confidencialidade” entre a Petrobrás Distribuidora e a CSA Project Finance Ltda., controlada pelo ex-deputado do PP José Janene (que morreu em 2010) e pelo doleiro e usada para lavar R$ 1,15 milhão do mensalão.

Para os investigadores, a minuta do acordo indicaria que Youssef e Janene, envolvidos no esquema acusado de desviar recursos da obra da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, também atuaram no leilão para erguer e operar a Usina Termelétrica Suape II, em terreno ao lado da área onde, em 2008, começaria a construção da unidade petrolífera.

O arquivo no computador do doleiro também coloca sob suspeita a versão da estatal, uma subsidiária da Petrobrás, de que desconhecia a ligação de duas de suas sócias no empreendimento da usina com a CSA. O documento tem data de janeiro de 2007 e o leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ocorreu em outubro daquele ano. Movida a óleo combustível e com capacidade total de fornecer 350 MW para a refinaria, Supae II previa investimento de R$ 590 milhões.

O consórcio vencedor foi formado pela MPE Montagens e Projetos Especiais, BR Distribuidora, Ellobras Infra-Estrutura e Participações, Genrent Participação Ltda. e Genpower Energy Participações.

A Ellobras e a Genpower são controladas pela CSA, empresa de Janene e Youssef. As duas somam 40% das cotas do consórcio. As outras três tinham 20% cada, incluindo a BR. Após 40 dias, Ellobras e Genpower negociam com um outro consórcio de infraestrutura a venda de seus 40% na termelétrica. A CSA e uma instituição financeira levaram cerca de 3% do valor bruto da transação. Em 2011, a Petrobrás assumiu o controle da termelétrica, depois de o consórcio ter deixado o controle da concessão.

Em agosto passado, quando a denúncia da Procuradoria foi divulgada, informando que a BR Distribuidora tinha sido sócia de duas empresas ligadas à CSA, a estatal negou a parceria com a Ellobras e Genpower. “Desconhecemos haver qualquer relação da Ellobras e Genpower nesse negócio da termelétrica Suape II, com a empresa CSA Project Finance, relacionada ao sr. Alberto Youssef”, dizia a nota.

Representantes
Para os investigadores, a análise nos computadores de Youssef comprovaria que a própria CSA elaborou a minuta do termo de confidencialidade com a BR Distribuidora. No documento, que não está assinado, constam um representante da estatal e um da empresa.

De acordo com a PF, o texto diz que as partes acordam que “iniciarão relacionamento comercial envolvendo aspectos operacionais estratégicos de suas atividades (…) deverão trocar informações confidenciais sobre dados, pesquisas, estratégia, resultados financeiros, segredos comerciais e similares, de forma oral, escrita, ou eletrônica, de propriedade e interesse, conforme o caso, da CSA e da BR”. A Petrobrás foi procurada e não respondeu à reportagem.

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2014

às 16:10

A Igreja Católica e os gays: um documento correto e bem-vindo

“Os homossexuais têm dons e qualidades a oferecer à comunidade cristã? Seremos capazes de acolher essas pessoas, garantindo a elas um espaço maior em nossas comunidades? Muitas vezes, elas desejam encontrar uma igreja que ofereça um lar acolhedor. Serão nossas comunidades capazes de proporcionar isso, aceitando e valorizando sua orientação sexual, sem fazer concessões na doutrina católica sobre família e matrimônio?”

Essas indagações — que trazem em si a resposta — estão no documento que reflete os debates da primeira semana da assembleia extraordinária do Sínodo sobre a Família, que reúne 200 bispos no Vaticano e que tem como relator o cardeal húngaro Péter Erdo, de 62 anos, que frequentou a lista dos papáveis.

À diferença do que se diz por aí, não se trata ainda de um documento oficial do Vaticano, mas é evidente que se prenuncia uma mudança de tom muito bem-vinda da Igreja em relação aos homossexuais. É claro que eles têm dons e qualidades a oferecer à comunidade cristã. A Igreja pode continuar com suas posições doutrinárias sobre a organização da família — idealmente formada por heterossexuais casados — sem que, por isso, segregue os gays e, por exemplo, os heterossexuais que constituíram uma nova união.

Vocês conhecem muito bem a minha opinião a respeito. Ninguém é gay por escolha ou opção. Também não se trata de doença original ou de comportamento. Uma parcela de indivíduos de quase todas as espécies complexas conhecidas se sente atraída por outros  do mesmo sexo. E ponto. Não há nada a fazer a respeito. Igrejas são organizações sociais, compostas por seus membros, e fazem suas escolhas. Prefiro que o catolicismo inclua em vez de excluir; abrace em vez de rejeitar, sem que, para isso, precise abrir mão de sua doutrina.

Na esfera puramente civil, defendo o casamento gay e a adoção de crianças por pares homossexuais, desde que tenham condições psicológicas e financeiras para isso — mas faço a mesma exigência aos casais heterossexuais. Isso não me alinha com o que chamo “sindicalismo gay”, cuja pauta militante contempla kits nas escolas com proselitismo sobre orientação sexual, a aprovação da chamada lei anti-homofobia — essencialmente um equívoco — e patrulha meio fascistoide de combate à chamada “heteronormatividade”, uma bobajada que supõe, no fundo, que a prevalência da heterossexualidade no mundo é só uma questão cultural. Obviamente, não é.

Sei que é uma opinião sujeita a patrulhas as mais diversas. A linha de frente da militância gay acusa de “homofóbico” qualquer um que não adote a sua pauta. Para piorar, seres politicamente primitivos como uma Luciana Genro, por exemplo, pegam carona na luta dos gays e confundem o autoritarismo esquerdopata com a causa dos homossexuais. Alguém já viu esta senhora criticar a tirania cubana, onde gays são encarcerados só por serem gays? É claro que não! Se tiverem alguma curiosidade, procurem saber o que se deu com o bom escritor Reinado Arenas, narrada no filme “Antes do Anoitecer”, dirigido por Julian Schnabel. Gente como Luciana se alinha com a causa homossexual apenas porque considera que ela se opõe “à direita”. Querem outro exemplo? Sabem qual foi a principal acusação que o delinquente Nicolás Maduro, o ditador venezuelano, fez a seu opositor, Henrique Capriles? A de que ele é gay. As esquerdas ficaram caladas.

Da mesma sorte, noto que a questão gay leva alguns ultraconservadores a babar de ódio, como se o mundo vivesse sob uma terrível ameaça. Isso é bobagem. A ameaça que há hoje nos países livres é contra a liberdade de opinião e expressão, isto sim. Cada minoria organizada tende a transformar seus valores particulares em imposições universais, tentando calar quem pensa de modo diverso. Reitero: tal ameaça só existe no mundo livre. Nas tiranias, por óbvio, não. Afinal, tiranias são. De novo, lembro a tal Luciana. Segundo ela, Levy Fidelix deveria ter saído algemado de um debate eleitoral só porque se disse contrário ao casamento gay. Ela gosta é de ditadura, não de homossexuais.

Não acho que a comunidade cristã — e comunidade nenhuma — tenha algo a ganhar segregando os homossexuais porque homossexuais. E será dispensável lembrar aqui a contribuição de indivíduos nessa condição ao campo da ciência e das artes — inclusive cristãs. E sabem por que é dispensável? Porque não deixa de ser também uma forma de preconceito. Os gays têm o direito à felicidade ainda que não tenham nenhum talento especial, como não tem, aliás, a maioria dos heterossexuais. Os gays têm, em suma, o direito à normalidade.

Por enquanto, o que se tem é um documento prévio do Sínodo. Espero que se torne um documento abrigado por toda a Igreja Católica.

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2014

às 15:15

Alvaro Dias – “Não basta trocar o presidente. É preciso mudar a relação promíscua com o Congresso”

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Nenhum senador eleito no último domingo teve um porcentual de votos tão grande quanto Alvaro Dias (PSDB-PR). O tucano teve 77% dos votos válidos em seu Estado, com uma vantagem de inacreditáveis 65 pontos porcentuais sobre o segundo colocado, Ricardo Gomyde (PCdoB). Em entrevista ao site de VEJA, o parlamentar atribui o resultado à postura clara de oposicionista que teve durante os últimos oito anos. E diz que, em um eventual governo de Aécio Neves, vai se dedicar à aprovação das reformas política, tributária e federativa.

A que o senhor credita esse porcentual tão elevado de votos?
Eu creio que seja resposta ao comportamento adotado nesses anos. Especialmente um reconhecimento ao esforço de se interpretar com certa eficiência esse sentimento de indignação nacional. Parece a mim que é uma aprovação à postura adotada nesses anos.

Isso prova que fazer uma oposição incisiva dá votos em vez de tirá-los, como temem alguns parlamentares, ou o senhor é uma exceção?
Não se deve subestimar a inteligência das pessoas. Eu imagino que o comportamento dos eleitores reflete um amadurecimento político, uma conscientização. Para ele, no caso da eleição do Paraná, foi mais importante o que se fez antes da eleição do que o que se discutiu durante a campanha eleitoral. Mais do que as promessas, vale a ação concreta desenvolvida antes dela. 

O senhor chega ao quarto mandato, o terceiro consecutivo. Teme sofrer um desgaste como o do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que ficou 24 anos no cargo e foi derrotado nessas eleições?
É evidente que se isso ocorrer eu não disputo a eleição. Eu consultei o Paraná sobre se deveria ou não disputar a eleição, por meio de pesquisas de opinião pública. E elas mostravam um índice semelhante ao que eu tive nas urnas, contra qualquer adversário. 

Durante a última legislatura, a oposição chegou a ser a mais reduzida da história. Com o novo Congresso eleito, haverá mais equilíbrio?
Ainda não dá para fazer essa avaliação. Realmente nesses anos tivemos a menor oposição da nossa história, numericamente. Uma oposição insignificante: de 81 senadores, 15 votando com a oposição, e nem todos fazendo de fato oposição. Agora, não sei. Se ocorrer a vitória do Aécio, esperamos uma relação republicana do Executivo com o Legislativo, com a derrubada desse balcão de negócios, com o fim do toma-lá-dá-cá, da cooptação a qualquer preço. Imagino que seja possível, sim, governar sem o balcão de negócios. E aí nós teremos um Congresso mais independente, mais autônomo.

O senhor está preparado para ser da base aliada em um eventual governo do PSDB?
Certamente eu teria que mudar o modelo de atuação. Posso ser um colaborador solidário do governo, especialmente trabalhando a favor das reformas. Acho que o país depende de reformas com urgência.  Nós estamos atrasados, o país está amarrado a estruturas retrógradas, superadas, vendidas, que impedem seu crescimento acelerado. O Brasil não vai alcançar os índices de crescimento econômico compatíveis com suas grandezas sem essas reformas. Eu quero atuar no campo da construção. Pressionar a favor das reformas. É evidente que nesse sistema presidencialista, quase imperial, que temos, o papel do presidente da República é essencial para que as reformas ocorram. Quero fazer a reforma politica, que é a matriz das demais, e a do sistema federativo. O sistema está esgarçado, com um desequilíbrio gritante, promovendo injustiças flagrantes em prejuízo especialmente dos municípios na distribuição dos recursos. A crise pode se aprofundar sem a reforma do sistema federativo. Ela é essencial, tem que ser um compromisso do nosso presidente. E na esteira dela vem a reforma tributária. 

Durante muito tempo, Aécio Neves foi criticado por fazer uma oposição tímida. A ida dele ao segundo turno foi acaso ou é fruto de uma mudança de discurso?
Ele amoldou o discurso, por isso cresceu. Sempre entendi que quem conseguisse interpretar com maior eficiência esse sentimento nacional de indignação ganharia a eleição. E se ninguém interpretasse com eficiência ganharia a presidente Dilma. Num primeiro momento a Marina Silva surgiu como intérprete desse sentimento e cresceu. Mas ela não conseguiu dar consistência a esse movimento e houve uma reversão que abriu espaço para o retorno do Aécio. E o Aécio aprimorou seu discurso, o tornou mais veemente. Passou a interpretar com maior eficiência esse sentimento, que é um sentimento de reação ao sistema vigente. Especialmente nos dois últimos debates, ele assumiu com muita veemência esse papel de intérprete do sentimento de indignação nacional. Por isso eu acho que esse movimento dificilmente será revertido. É um movimento crescente e o Aécio conseguirá, a meu ver, sustentá-lo, e por isso ganhará as eleições. Se nós formos analisar pela lógica, a vitória dele é visível. A perspectiva de vitória é real porque quem votou na Marina votou também com o propósito da mudança. Então, a migração desses votos da Marina será majoritariamente favorável ao Aécio. A análise mais coerente é de que o favorito é ele.

Se vencer, ele conseguirá construir uma base de apoio sólida?
Nenhum presidente dos últimos tempos, pelo menos desde que eu estou na atividade, teve dificuldade com maioria no Congresso. Nem o presidente Sarney, num momento de grande impopularidade. Não basta substituir um presidente por outro, é preciso substituir esse sistema promíscuo. A história mostra que as civilizações entram em declínio em razão da promiscuidade e da corrupção. O Brasil entrou num período de declínio exatamente em razão da promiscuidade e da corrupção. A substituição desse sistema é uma exigência nacional e o Aécio ganha a eleição exatamente porque está incorporando essa esperança de mudança do sistema. O que eu imagino é que ele vai assumir esse papel, de não rimar governabilidade com promiscuidade, estabelecer uma relação republicana com o Congresso. Adotando medidas populares e propondo reformas de profundidade ele ganha o apoio popular. E presidente que tem o apoio popular tem o Congresso ao seu lado. Congresso não rema contra a correnteza. Prestigiar politicamente os parlamentares, mas não aceitar a hipótese da barganha, da picaretagem política explicita que ocorreu nos últimos anos. Eu acho, sim, que é possível ele conquistar uma maioria no Congresso Nacional com atitudes. Com presença política e com providências marcantes que conquistem o apoio popular.

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2014

às 13:01

Marilena volta a ameaçar o país com a sua vassoura filosófica, tendo, agora, na rabeira, Jean Wyllys, o cara que se elegeu com a “ajuda” de Bolsonaro e Feliciano

Madame Mim - Olhem o vestidinho vermelho da bruxa...

Madame Mim – Olhem o vestidinho vermelho da bruxa…

Marilena Chaui voltou a pilotar a sua vassoura filosófica em São Paulo, desta feita em companhia do deputado federal reeleito Jean Wyllys, do PSOL do Rio, que saltou dos poucos mais de 13 mil votos em 2010 para 144.770 agora. O ex-BBB contou com a ajuda inestimável, na Câmara, de Jair Bolsonaro (PP-RJ), o primeiro colocado entre os federais fluminenses (464.72 votos), e do pastor Marco Feliciano (PSC), que obteve em São Paulo 398.087 votos. Dito de outro modo: Wyllys e seus amigos ainda rendem mais apoios à dupla do que ela a ele, mas a estridência de um lado e de outro é de interesse mútuo. Só um idiota acharia que Wyllys vê os dois como inimigos de verdade. Eles lhe garantem fama, votos e poder. Esse rapaz sabe como se livrar do paredão. Mas volto ao eixo.

Marilena e Wyllys, escoltados pelo senador derrotado Eduardo Suplicy (PT-SP), resolveram neste domingo fazer um ato público, acompanhado por meia dúzia de gatos-pingados, no Largo do Arouche, no Centro de São Paulo, área conhecida pelo tráfico de drogas e pela prostituição gay. O objetivo, leio na Folha, era mobilizar as pessoas ligadas à causa LGBT e os ditos “progressistas” — sempre quis saber o que é isso — em defesa da candidatura da petista Dilma Rousseff. Cada um defenda quem e o que quiser. É do jogo democrático. Meu comentário aqui não tem caráter partidário ou eleitoreiro. O ponto é outro.

De microfone em punho, Marilena — que se tornou notória e notável por ter dito, num encontro do PCdoB, que odeia a classe média, o que levou Lula, que estava presente, à gargalhada — pregou uma campanha “pessoa a pessoa” com o objetivo de combater “a viagem na maionese da desinformação”. Deixem-me ver se entendi: para a petista professora — que filósofa não é —, só é informado quem vota na sua candidata. E, claro!, não haverá colunista vigarista nenhum a criticá-la por isso.

Ela foi mais longe. Afirmou, segundo leio no jornal, que “não há nesse país pessoa com autoridade política ou autoridade ética para falar de combate à corrupção a não ser Dilma Rousseff”. Uau! Entendemos, assim, que Dilma está até mesmo acima das leis e das instituições. A mulher que anuncia o combate à desinformação ainda acrescentou: “Não se joga nada debaixo do tapete. É por isso que se mostra tanta corrupção. É por isso. É por uma decisão da presidente”. Errado, dona Marilena! Dilma não tomou a decisão de investigar a roubalheira na Petrobras. Foi a Polícia Federal, que é um órgão do estado, não da Presidência ou de um partido político. A professora, como de hábito, não sabe o que diz e dá uma aula porca de democracia.

Nem Wyllys nem Marilena tocaram no assalto organizado à maior estatal brasileira. Ela ainda vociferou, perguntando por que não existe ninguém punido pelo mensalão mineiro. Porque o processo começou bem depois, minha senhora! De resto, se Marilena tivesse um pingo de vergonha, digamos, filosófica, não compararia as duas coisas, que são bem distintas. Aquela que já foi considerada uma grande pensadora — eu nunca achei, é evidente! — termina seus dias fazendo terrorismo em praça pública para meia dúzia de pessoas. Afirmou que o candidato tucano quer flexibilizar a CLT — o que é mentira — e transformar direitos sociais em serviços privados — acusação igualmente mentirosa.

E Jean Wyllys? Bem, em meio às mentiras de Marilena, discursou: “Vamos fazer isso [campanha de Dilma] sem apelar para o ódio, sem apelar para a mentira [...] Vamos agir com honestidade, com clareza, com discernimento”. Ah, bom!

A Folha informa que Wyllys, em seguida, voltou ao pequeno palco para cantar com Suplicy “Blowin’ In The Wind”, de Bob Dylan. Depois de 24 anos, São Paulo decidiu aposentar o senador cantor. O tucano José Serra o venceu na disputa pela única vaga para o Senado por 11.105.874 a 6.176.499 — uma diferença de 80%. Vai ver Marilena acha que são todos… desinformados que viajam na maionese!!!

O fanatismo é o naufrágio da inteligência. Quanto a Wyllys e ao PSOL, dizer o quê? É só um PT com complexo de nanico altivo. Nem na moral se distinguem, como já provaram as deputadas Janira Rocha e Inês Pandeló, que se encrencaram com a Justiça.

Pregações dessa natureza, se querem saber, pretendem corromper o povo. Sabem por quê? Pedem que ele ignore as evidências de lambança e malversação dos recursos públicos em nome de supostos avanços sociais. Eu desafio dona Marilena Chaui a me provar por que é preciso roubar a Petrobras para conceder Bolsa Família, ProUni ou programa de moradia. Sem roubo, não sobra mais dinheiro para os pobres, professora? Aguardo a resposta da valente!

Este comentário, não adianta virem me patrulhar, nada tem a ver com partidos, ideologias ou escolhas eleitorais. Trata-se apenas de uma questão lógica.

Por Reinaldo Azevedo
 

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