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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

23/03/2015

às 19:25

Vaccari e Renato Duque se tornam réus no petrolão

Por Laryssa Borges, na VEJA.com. Volto ao assunto mais tarde.
O juiz federal Sergio Moro aceitou nesta segunda-feira denúncia contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção – Duque também responderá por formação de quadrilha. Foi aceita denúncia contra outros 25 investigados na Operação Lava Jato, entre eles o empresário Adir Assad, o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da Área Internacional da petroleira Paulo Roberto Costa, o ex-gerente de Serviços Pedro Barusco e os empreiteiros Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, José Aldemário Pinheiro Filho, Julio Gerin Camargo e Sergio Cunha Mendes.

No mesmo despacho, o juiz Sergio Moro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informações sobre doações eleitorais suspeitas e decretou a quebra de sigilo bancário de empresas utilizadas no esquema criminoso, como a Power To Ten Engenharia e Rock Star Marketing, de propriedade do empresário Adir Assad. Segundo o MP, Renato Duque, Pedro Barusco e Paulo Roberto Costa foram beneficiados com pagamentos de propina. Já Vaccari recebeu propinas na forma de doações eleitorais registradas. Alberto Youssef, Julio Camargo, Mario Goes e Adir Assad intermediavam o pagamento de dinheiro sujo e lavavam os recursos, enquanto empreiteiros da Mendes Junior e OAS, por exemplo, participaram ativamente do esquema de fraude em contratos e distribuição de dinheiro a agentes públicos.

Na última semana, o MP apresentou denúncia contra os 27 por considerar haver indícios de participação delas no desvio de recursos e no pagamento de propina envolvendo quatro projetos da Petrobras – os gasodutos Urucu-Coari e Pilar-Ipojuca e as refinarias de Araucária (PR) e Paulínia (SP). No caso da refinaria de Paulínia, por exemplo, o clube do bilhão fraudou a licitação, em 2007, simulando uma concorrência entre a Consórcio CMMS, a UTC Engenharia e a Andrade Gutierrez, embora o acerto e o recolhimento de propina já tivessem fixado, no escândalo do petrolão, que o Consórcio CMMS sairia vencedor, sendo que, segundo a acusação, “os demais apenas deram cobertura a ele para conferir à licitação aparência de regularidade”.

No caso da refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no município de Araucária, o Ministério Público aponta que houve o pagamento de propina em espécie e em contas no exterior para a Diretoria de Serviços, na época comandada por Renato Duque. Parte do dinheiro sujo acabou, segundo a acusação, nas mãos do tesoureiro nacional do PT João Vaccari Neto por meio de doações registradas perante a Justiça Eleitoral.

Segundo as investigações da Lava Jato, Vaccari intermediou doações de 4,2 milhões de reais de empresas investigadas que, na verdade, eram oriundos do propinoduto da Petrobras. Foram 24 repasses de empreiteiras, em dezoito meses, no período de 2008 a 2010. As contribuições foram feitas a pedido de Renato Duque.

“Mais recentemente, 20.568.654,12 euros foram bloqueados em contas secretas mantidas por Renato Duque no Principado de Mônaco. Embora os valores ainda não tenham sido repatriados, nem tenha sido identificada a localização do restante do dinheiro de Renato Duque no exterior, a parcela bloqueada conta com prova documental nos autos, inclusive o apontamento de Renato Duque é o controlador das contas”, relata o juiz em sua decisão. “Também há prova documental do repasse de parte da propina, 4,26 milhões de reais em doações eleitorais registradas ao Partido dos Trabalhadores, o que teria sido feito por solicitação de Renato Duque e de João Vaccari”, completa Sergio Moro. Para o magistrado, há indícios de que o tesoureiro petista participava ativamente do esquema criminoso. “As afirmações do MP no sentido de que João Vaccari tinha conhecimento do esquema criminoso e dele participava têm amparo pelo menos nas declarações diretas de Pedro Barusco e de outro acusado em processo conexo, Eduardo Hermelino Leite, dirigente da Camargo Corrêa, o que é suficiente, aliado à prova documental das doações eleitorais, para o recebimento da denúncia”, afirmou Moro em sua decisão.

“Moch”
Vaccari foi citado nos depoimentos do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do ex-gerente de Serviços da companhia Pedro Barusco. Os três mencionaram o tesoureiro petista como responsável por receber propina em nome do partido. Barusco disse que o petista recebeu aproximadamente 50 milhões de dólares desviados entre 2003 e 2013, e que o valor desviado para o PT, também com a participação do tesoureiro, chegou a 200 milhões de dólares. Também foi Barusco quem decifrou para os investigadores o significado da palavra “Moch”, que aparecia nas planilhas detalhando a divisão do dinheiro. Era uma menção ao apelido de Vaccari – “mochila”, um acessório que ele sempre carrega.?

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 15:16

O rombo do fundo de pensão dos Correios não é problema nosso, mas de seus associados

Estão querendo transferir para o distinto público — você, eu e todo mundo — um rombo no Postalis que chega a R$ 5,6 bilhões. O que é o Postalis? O Fundo de Pensão dos funcionários dos Correios, cuja direção é dividida entre o PMDB e o PT. Os fundos de pensão das estatais são uma das fontes do real poder do petismo. Ali, o partido pintou e bordou nos últimos 20 anos, antes ainda de chegar ao poder.

Qual é o busílis? A direção dos Postalis resolveu fazer o óbvio para tentar sanar o rombo atuarial: cobrar o dinheiro dos associados. Afinal, se todos os investimentos feitos pelo órgão tivessem sido bem-sucedidos e rendido maravilhas, ninguém se lembraria de dividir com a gente os benefícios, certo? Segundo informa o Estadão, os associados ao Postalis podem ter de empenhar até 25% do seu salário para tentar tapar o buraco.

Eis que, então, entram em cena as organizações sindicais: sustentam que os funcionários dos Correios não têm de pagar coisa nenhuma e que é a estatal que deve arcar com o prejuízo. Como a empresa não fabrica dinheiro, a brincadeira consiste em assaltar o Tesouro.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios. Telégrafos e Similares (Fentect) decidiu entrar nesta segunda com duas ações na Justiça: uma para cobrar uma suposta dívida da empresa com o Postalis, de R$ 1,350 bilhão. Outra para que a estatal assuma o espeto.

Tentei saber a que se refere a tal dívida. Não consegui. Quanto ao mais, dizer o quê? Onde estava a Fentect quando o Postalis investia em títulos da Argentina e da Venezuela, por exemplo? Era uma escolha de mercado ou pautada pela ideologia? O fundo investiu ainda em empresas de Eike Batista e nos bancos Cruzeiro do Sul e BVA, que quebraram e foram liquidados.

Tenho uma sugestão à Fentect: que entre com outra ação na Justiça para responsabilizar civil e criminalmente os ex-diretores e eventuais diretores do Postalis que fizeram negócios ruinosos. Um fundo de pensão, afinal, é um negócio privado, que diz respeito apenas aos associados, para o bem e para o mal. Só para constar: O Funcef (fundo dos funcionários da CEF) e o Petros (da Petrobras) também contabilizam perdas bilionárias. Imaginem se pega a moda de jogar a conta nas costas dos brasileiros.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 14:52

Moro libera transferência de 12 presos na Lava Jato para presídio

Na VEJA.com:
O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, autorizou nesta segunda-feira a transferência de doze presos da carceragem da Polícia Federal no Paraná para uma ala no Complexo Médico Penal em Curitiba. O pedido de transferência foi feito na sexta-feira pela Polícia Federal, sob a alegação de que a carceragem da PF já estava sem espaço por abrigar tantos presos da Lava Jato. O superintendente da PF no Paraná, delegado Rosalvo Ferreira Franco, argumenta que “está ficando inviável” acomodá-los.

“Com as novas prisões que ocorreram em 16 de março de 2015 e outras que por acaso possam ocorrem nos desdobramentos da Operação Lava Jato, já está ficando inviável ficarmos com todos os presos na nossa Custódia, tendo em vista que alguns presos não podem se comunicar entre si e fica difícil acomodá-los em apenas seis celas”, afirmou Franco na petição enviada à Justiça Federal do Paraná.

Moro liberou doze transferências sob o argumento de que a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná disponibilizou uma ala no Complexo Médico Penal especificamente para os presos na Lava Jato, onde os executivos não teriam contato próximo com outros presos. “De fato, a carceragem da Polícia Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu espaço reduzido, a manutenção de número significativo de preso”, afirma o juiz em sua decisão.

O contato com outros detentos em uma cadeia comum é um dos principais motivos pelos quais os executivos da Lava Jato não querem ser transferidos. “Não há que se presumir que os presos da Operação Lava Jato serão vítimas de alguma violência por parte de outros detentos. Entretanto, forçoso admitir que, pela notoriedade da investigação, há algum risco nesse sentido, o que justifica colocá-los, por cautela, em ala mais reservada”, avalia Moro. Em inspeção do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público Federal no Paraná, todos os executivos de empreiteiras disseram aos procuradores da república que preferiam permanecer detidos na carceragem da PF. Moro não autorizou a remoção do ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, apontado como chefe do clube do bilhão.

Vão para o novo presídio Fernando Soares, o “Fernando Baiano”, apontado como operador do PMDB; o doleiro Adir Assad; Mario Goes e o petista Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. Entre os empresários, serão transferidos Erton Medeiros Fonseca, diretor-presidente da Galvão Engenharia; João Ricardo Auler (diretor da Camargo Corrêa); Sergio Cunha Mendes, vice-presidente executivo da Mendes Júnior; Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix, e José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS. Dessa empresa, integram o grupo os diretores Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e José Ricardo Nogueira Breghirolli.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 14:36

Focus: Inflação acima de 8% neste ano e recessão já perto de -1%

Na VEJA.com:
Nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar o resultado da economia no quarto trimestre do ano passado e do ano cheio. As perspectivas são pessimistas, mas 2015 não compensará o prejuízo. Segundo economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) para o relatório semanal Focus, a perspectiva para o Produto Interno Bruto (PIB) ao fim deste ano é de queda de 0,83%. Na semana anterior, a mediana das projeções apontava para um recuo um pouco menor, de 0,78%. Para 2016, porém, as estimativas caíram, de 1,30% para 1,20%, mas ainda são de crescimento da atividade econômica.

De acordo com o Focus, a expectativa do mercado para a inflação também piorou nesta semana. No relatório anterior, economistas previam alta de 7,93% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2015. Agora, essa projeção passou para 8,12%. Se confirmada, essa será a maior inflação anual desde 2003, quando o IPCA subiu 9,30% em doze meses até dezembro. Para 2016, os preços ao consumidor devem subir 5,61%, quase a mesma projeção da semana passada (5,60%).

Na sexta-feira, o IBGE divulgou a prévia da inflação (IPCA-15) de março, que subiu 1,24% ante fevereiro e 7,9% em doze meses. A projeção para o câmbio também mudou: os economistas ouvidos pelo BC esperam que, ao fim do ano, o dólar fique em 3,15 reais ante 3,06 reais esperados na semana passada. Para 2015, a valorização da moeda americana deve ser ainda maior. O mercado espera, para o fim do ano que vem, dólar a 3,20 reais, contra 3,11 da semana passada.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 6:11

LEIAM ABAIXO

“Coxinhas de todo o mundo, uni-vos!” Ou: Depois da Guerra dos Mascates e da Revolta dos Alfaiates, o grito libertador da “Revolução dos Coxinhas”;
Ódio à democracia: estafetas do petismo, disfarçados de imprensa, preparam nova lista negra de jornalistas e veículos que seriam “culpados” pelos protestos;
Da Vaca Sagrada à Vaca Profanada. E com tosse. Ou: Será muito difícil Dilma mudar o ânimo das ruas;
Desempenho de Dirceu prova que o PT mudou o Brasil: país, agora, é assaltado também pelas novas elites, não só pelas velhas;
Depois do petrolão, o “Copalão”: empresa alemã investiga pagamento de propina na Copa disputada em Banânia;
Doações registradas a 15 políticos são investigadas;
Para Cunha, lei antiterror poderia ser votada rapidamente;
Cade faz acordo de leniência com o grupo Setal, investigado na Lava Jato~;
PSDB entra com representação contra ministro por causa de documento aloprado;
Dilma chama um movimento que pratica crimes de “democrático” e trata como criminosos os que saem às ruas para cobrar decência;
Partidos da Lava Jato devem responder por crimes, diz MP;
Empreiteiro pagou a Dirceu e conseguiu ter acesso a Chávez! A classe petralha é internacional;
Dilma envia ao Congresso projeto que reduz desoneração da folha de pagamento;
Enquanto PT alopra, PMDB testa caminhos da governabilidade. Ou: Temer e um certo ar presidencial;
O PT e os pistoleiros;
Clube do Livro: Só o conservadorismo muda o mundo;
#ProntoFalei: Sem rumo;
Janot terá uma segunda chance de pedir que Dilma seja investigada;
CPI quando indagado se conhece Vaccari, o petista Duque respondeu: “permanecerei calado”;
Justiça determina que Haddad suspenda obras de ciclovias;
Comissão quer que Lula e Stedile expliquem o que quer dizer colocar o exército do MST nas ruas

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 5:45

“Coxinhas de todo o mundo, uni-vos!” Ou: Depois da Guerra dos Mascates e da Revolta dos Alfaiates, o grito libertador da “Revolução dos Coxinhas”

Algumas revoltas se tornaram famosas no Brasil. Há, por exemplo, a Guerra dos Mascates, que opôs, em 1710 e 1711, senhores de engenho de Olinda e comerciantes portugueses de Recife, chamados, pelos adversários, de “mascates”. Houve a “Revolta dos Alfaiates”, ou Conjuração Baiana, de 1798, um movimento de caráter emancipatório e republicano, influenciado pela Revolução Francesa. O país assistiu, em 1835, até a uma revolta que misturava a luta contra a escravidão com questão religiosa: a Revolta dos Malês, em Salvador, liderada por escravos muçulmanos. Cito apenas três movimentos entre muitos ocorridos no Brasil colonial ou já independente. Em 2015, nem mascates, nem alfaiates, nem malês! Assistimos, nestes dias, à inédita “Revolução dos Coxinhas”.

Não há por que fugir do rótulo. Ao contrário: que seja este um traço a unir os manifestantes. “Eu sou co-xi-nha/ com mui-to or-gu-lho/ com mui-to a-mo-or.”

O coxinha trabalha? Viva o coxinha!
O coxinha estuda? Viva o coxinha!
O coxinha gera os impostos que viram caridade pública? Viva o coxinha!
O coxinha não gosta que lhe batam a carteira? Viva o coxinha!
O coxinha quer pagar menos imposto? Viva o coxinha!
O coxinha é contra a violência? Viva o coxinha!
O coxinha é contra a depredação de patrimônio público? Viva o coxinha!
O coxinha é contra o ataque à propriedade privada? Viva o coxinha!

Os coxinhas, ao longo da história, fizeram a riqueza das nações. Geraram os excedentes que permitiram à humanidade ir além do reino da necessidade. Já os utopistas deram à luz todas as ideias que matam muitos milhões — de direita ou de esquerda. E antes ainda que essa terminologia pudesse ser empregada.

Atenção, meus caros! A Revolução dos Coxinhas — uma revolução sem armas — é hoje majoritária porque expressa a vontade da esmagadora maioria dos brasileiros. Mas ela também é contramajoritária porque é alvo da fúria dos aparelhos ideológicos e de pensamento dominados pelas esquerdas.

Onde é que os manifestantes, os “coxinhas”, mais apanham hoje em dia? Na academia, especialmente nas universidades públicas, que concentram a suposta elite intelectual do país. Também é grande o rancor contra os manifestantes em setores importantes da imprensa. Hoje, até jornalistas se dedicam a uma espécie de “caça às bruxas da direita”, que estariam estimulando os protestos.

E, no entanto, pergunto: que grande ofensa à democracia está nas ruas? Grupelhos sem nenhuma importância, que defendem um governo militar, são vaiados pelos coxinhas em cena aberta. O que as esquerdas não suportam é que muitos milhares, milhões talvez, possam ocupar o espaço público e pedir democracia e moralidade vestindo as cores nacionais, sem portar as tradicionais bandeiras vermelhas das esquerdas, que democráticas nunca foram porque a esquerda, a esquerda de verdade, nunca quis democracia — a menos que alguém me exiba um texto teórico em que um esquerdista autêntico defenda o regime democrático.

É a direta que está na rua? Aqui já se disse: são as pessoas direitas, inclusive as de direita — e com todo o direito de sê-lo, a menos que alguém me cite um fundamento da Constituição e das leis que evidenciem que as ruas são um monopólio das esquerdas.

Os que trabalham cansaram de ser governados por aqueles que só pensam em distribuir o fruto do esforço alheio. Uma distribuição que não busca fazer justiça social, mas alimentar um aparelho partidário que tenta se impor na base do grito e da trapaça — inclusive a eleitoral.

Os coxinhas vão hoje às ruas contra a pregação de intelectuais, contra a pregação dos aparelhos universitários, contra a pregação esquerdista de boa parte da imprensa — que o petismo ainda tem o topete de chamar de “golpista” para justificar o financiamento da pistolagem dos blogs sujos, confessado por um documento da Secom.

Esses tais coxinhas, em suma, formam hoje a maioria do povo brasileiro, mas são tratados como seres desprezíveis, crias do reacionarismo, ignorantes rematados que estariam preocupados apenas em proteger seus privilégios — como se a defesa do mérito e do esforço significasse uma agressão aos direitos humanos.

O dia 12 de abril vem por aí. Outro domingo! É que os coxinhas trabalham e estudam nos demais dias da semana. Não recebem pensão de partido. Não estão no comando de nenhuma ONG ligada à legenda. Não ocupam cargo público por indicação política. Não compõem a diretoria de aparelhos sindicais. Não vivem do leite de pata que alimenta os ditos movimentos sociais.

Dilma pode dar um murro na mesa e ordenar que os petistas façam seus milicianos enfiar a viola no saco, deixando a democracia correr livre, leve e solta, sem hostilidades desnecessárias. Ou pode deixar que os companheiros, mais uma vez, tenham a ideia asnal de promover seu “antiato” antes do ato. Nesse caso, quem sabe estimulem a reunião não de dois milhões de coxinhas, mas de quatro milhões…

O petista André Singer vê na rua a “nova direita” e diz tratar-se de uma “reação” ao lulismo. Entendo: ele não consegue pensar fora da camisa de força da dialética, a dama de honra de todo esquerdista errado. Singer ainda não aprendeu que, para que assim fosse, os que agora se manifestam precisariam ter construído uma “contrautopia” para se opor à do petismo. Ocorre que pessoas saudavelmente conservadoras — e os coxinhas são saudavelmente conservadores — não têm utopia nenhuma que não seja um governo eficiente, honesto e que não encha o seu saco.

O diabo é que o governo do PT não é eficiente, não é honesto e enche o saco! No mundo lulocêntrico de Singer, Lula cria até a sua própria contradição. Que coisa triste!

Não sei quantas pessoas haverá nas ruas no dia 12. Não fiz previsões antes e não farei agora. Uma coisa eu sei: os coxinhas vieram para ficar. Contra a vontade da academia. Contra a vontade da imprensa esquerdizada. Contra a vontade dos que achavam que o assalto ao estado brasileiro coincidia com o fim da história e que nada mais de novo iria acontecer.

Vai acontecer. Já está acontecendo! Pra cima com a viga, coxinhas!

Texto publicado originalmente às 4h43
Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 5:41

Ódio à democracia: estafetas do petismo, disfarçados de imprensa, preparam nova lista negra de jornalistas e veículos que seriam “culpados” pelos protestos

O PT já convocou seus estafetas na imprensa e seus esbirros na subimprensa para satanizar jornalistas e veículos de comunicação que consideram “responsáveis” pelas manifestações de protesto contra o governo Dilma e contra o petismo. Atribuem a esses “adversários” o que chamam de estímulo à “direita raivosa”. Trata-se de uma raiva estranha:

– não tem armas;
– não agride ninguém;
– veste as cores nacionais;
– não depreda patrimônio público;
– não ataca o patrimônio privado;
– valoriza o trabalho;
– dedica-se ao estudo;
– aposta no mérito;
– opõe-se, por óbvio, à roubalheira:
- defende a Constituição e as leis.

Ainda que houvesse mesmo, o que é falso, dois ou três responsáveis por essas manifestações em defesa da democracia e do estado de direito, seria o caso, então, de perguntar se os valores que estariam sendo estimulados são ruins. Se o que vai acima é coisa da direita raivosa, cumpre indagar: qual é, então, a esquerda amorosa? A que se arma? A que agride? A que veste vermelho? A que depreda o patrimônio público? A que ataca o patrimônio privado? A que despreza o trabalho? A que faz pouco caso do estudo? A que repudia o mérito? A que defende o roubo social?

Em junho do ano passado, por ocasião das manifestações de protesto no período da Copa do Mundo, Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, incluiu meu nome numa lista negra de nove pessoas que, segundo ele, estimulavam o ódio. No link, vocês encontram os demais, se é que ainda não sabem.

Muito bem! A Copa passou. Boa parte dos brasileiros que estão nas ruas em março de 2015 — e que devem voltar no dia 12 de abril — não se manifestou em junho de 2013 (movimento majoritariamente liderado pelas esquerdas) e em junho do ano passado: com perfil mais heterogêneo, mas, ainda assim, com sotaque esquerdista. Desta vez, de fato, o público é outro. Conversei com muita gente na Paulista no dia 15 de março. Boa parte estava no seu evento inaugural. Protestos e manifestações, como sabemos, costumam ser coisas de profissionais da militância ou de mercenários pagos por esses profissionais. Gente que trabalha e estuda não tem tempo para isso — infelizmente!

Mas houve, tudo indica, o despertar da indignação. O Reinaldo, a Maria ou o J. Pinto Fernandes do poema de Drummond não respondem pelos milhões nas ruas. Reinaldo e outros tantos jornalistas que estão na mira do PT não levam 100 para a praça. Mas Dilma, Lula e José Dirceu podem levar milhões. E daí? O partido convocou seus aliados para a guerra suja. E ela já está em curso. OS MALUCOS NÃO ESTÃO ENXERGANDO DIREITO A REALIDADE. NÃO PERCEBEM QUE JÁ NÃO DITAM A PAUTA E QUE O ESFORÇO PARA DESQUALIFICAR OS “ADVERSÁRIOS” SÓ FORTALECE AQUELES CUJO TRABALHO QUEREM MACULAR.

Vamos à luta. Guerra suja se vence com informação. E a ela, então, vamos nos dedicar para botar os devidos pingos nos “is”. Mas o trabalho de intimidação será inútil. Servirá, ao contrário do que pretendem, para marcar posições. Eu acho que é mesmo chegada a hora de definir com mais clareza o papel de cada um e o lado que ocupa no polígono das ideias.

Neguei, e continuo a negar, que a manifestação do dia 15 tenha sido de direita. Não porque a designação me incomode. Basta ler o que escrevi a respeito ao longo de mais de oito anos. É que sou um democrata da direita realista, não um otimista. O “ser de direita” supõe que as pessoas já plasmaram também um universo conceitual e um conjunto de prefigurações e até de utopias que gostariam de ver realizadas — no caso, identificadas com as liberdades individuais, o livre mercado, a democracia política e a redução drástica do poder do estado.

A pauta da rua é parente desses valores, mas não é ideológica — ideológicas são, isto sim, as invectivas hidrófobas de parte considerável da esquerda contra a população que trabalha, que arrecada impostos e que faz o país funcionar.

Aguardem a nova lista negra. Afinal, como sabemos, a Secom — Secretaria de Comunicação da Presidência — admite que os companheiros fornecem “munição” ao subjornalismo para ser “disparada” pelos “soldados de fora”.

Texto publicado originalmente às 23h46 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 5:33

Da Vaca Sagrada à Vaca Profanada. E com tosse. Ou: Será muito difícil Dilma mudar o ânimo das ruas

Não será fácil para a presidente Dilma Rousseff mudar o ânimo das ruas. E, a se levar em conta o que andam a sugerir alguns aloprados do PT, a coisa pode piorar. Os veículos e subveículos de comunicação que servem ao poder e ao partido decidiram que é hora de fazer novas listas negras de jornalistas. Esses caras não perceberam que esse tipo de prática milita contra a estabilidade da própria presidente. Agredir moralmente os que divergem do governo corresponde a dar um tiro no pé. Mas os valentes não abrem mão da linguagem do confronto.

A pesquisa Datafolha que captou os números desastrosos da popularidade da presidente — apenas 13% de ótimo e bom e 62% de ruim e péssimo — também quis saber se os entrevistados acham que Dilma sabia ou não das lambanças na Petrobras. Esse resultado consegue ser ainda pior do que o de sua popularidade.

Para 84%, Dilma sabia, sim, da corrupção na estatal. Desse total, 61% sustentam que ela sabia e nada fez; outros 23% avaliam que ela tinha conhecimento, mas nada poderia ter feito para impedir a sem-vergonhice. Ou por outra: 61% a veem como conivente, e 23%, como uma fraca. É difícil saber o que é pior.

Sim, entre os que votaram em Aécio, é esmagador o percentual dos que afirmam que Dilma sabia de tudo: 94%. Ocorre que é também gigantesco entre os que declararam voto na presidente: 74%. Nada menos de 88% afirmam que a Petrobras será prejudicada pelos escândalos — para 51%, um prejuízo que vai durar muito tempo. A elite petista, no entanto, insiste na tecla suicida de que tudo não passa de uma conspiração de golpistas. É também o que afirmam os colunistas da grande imprensa que servem de esbirros do partido.

Sabemos como são as coisas, não? Se a presidente tivesse à mão um conjunto de instrumentos ou de política econômica maiúscula ou mesmo de generosidades pontuais com que acenar, talvez se pudesse apostar numa mudança do quadro num tempo razoável. Mas, como indagaria Noel Rosa, “com que roupa?” A margem de manobra é nenhuma. Ao contrário: o ciclo de dificuldades decorrente do ajuste recessivo — que tem de ser aplicado — ainda nem começou a surtir efeito.

O fator Petrobras
É claro que a crise econômica e as promessas obviamente não cumpridas de Dilma levam muitos milhares às ruas. Raramente se teve com tanta clareza a evidência do estelionato eleitoral. A própria Dilma sugeriu que, em 2003, Lula mocozeou o programa do PT e governou com outro. É verdade. Mas foi bom para os brasileiros. Se o Apedeuta tivesse destruído o Plano Real, aí, sim, teria havido um desastre. Desta feita, a vida piorou.

Entendo que a coisa vai além da crise, o que as pesquisas ainda não pegaram. O PT tratou a Petrobras como a Vaca Sagrada da nacionalidade nas campanhas de 2002, 2006 e 2010. E teria feito o mesmo em 2014, não fosse a Lava Jato. Propagava aos quatro ventos que os adversários queriam privatizar a empresa, que não tinham por ela nenhum respeito, que agrediam os interesses nacionais…

E eis que os brasileiros — que aprenderam com os petistas que a Petrobras era um altar de bênçãos — descobrem que os companheiros haviam transformado a empresa num antro de safadeza, de roubalheira e de rapinagem. A Vaca Sagrada foi profanada.

Queriam o quê? A bomba explodiu no colo de Dilma. Afinal, ela está no poder há 13 anos, não é mesmo?

Texto publicado originalmente às 3h02
Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 5:31

Desempenho de Dirceu prova que o PT mudou o Brasil: país, agora, é assaltado também pelas novas elites, não só pelas velhas

Informação que veio a público neste fim de semana desenha de maneira clara, insofismável e sem retoques a fuça e a face do patrimonialismo à moda petista. Para conferir especial colorido ao retrato, a personagem central da tela é ninguém menos do que José Dirceu, aquele que foi apontado pelo Ministério Público Federal como chefe da quadrilha do mensalão — um crime pelo qual acabou não sendo condenado pelo Supremo, como se sabe.

Pois bem: Dirceu está de volta ao centro da narrativa. Na semana passada, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, tornou públicos os dados fornecidos pela Receita Federal sobre a JD Consultoria, a empresa do chefão petista. Sem nenhuma tradição na área, o empreendimento poderia figurar em qualquer lista de maiores e melhores, não é? O Zé conseguiu faturar R$ 29,2 milhões entre 2007 e 2013. Só em 2012, ano em que foi condenado, ganhou R$ 7 milhões; em 2013, ano em que ficou preso, R$ 4,2 milhões. Duvido que presidiário de qualquer outro ramo tenha ganhado tanto dinheiro em atividade lícita ou ilícita. Ele ainda acabará sendo acusado de concorrência desleal…

Segundo informou a Folha no domingo, o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, confessou que o pagamento que fazia à “consultoria” de José Dirceu era descontado da comissão de 2% que pagava ao esquema criminoso, decorrente de seus contratos com a Petrobras. Outro representante da Camargo Corrêa afirmou que pagava pelos “serviços” do ex-ministro com receio de ser prejudicado nos negócios.

E chego, assim, então, ao ponto que me interessa. O que é o patrimonialismo senão a apropriação ilegal, promovida por uma elite perversa, do bem público, de sorte que os interesses privados, de uma minoria espoliadora, acabam se sobrepondo aos interesses coletivos? O que é o patrimonialismo senão a recusa dos valores republicanos e a negação, na prática, da democracia política?

Não! Isso não é novo por aqui. Há uma sólida literatura política sobre o tema em nosso país e sobre as várias feições que esse patrimonialismo pode assumir: nacionalismo fascistoide, populismo de direita, populismo de esquerda etc.

Em 2003, o assalto ao bem público para privilegiar uma casta ganhou uma nova feição. O patrimonialismo então se reciclava e expropriava, vejam a ousadia, também o discurso da reparação social. Isto mesmo: o modelo petista não assaltou apenas os cofres públicos. Roubou também o discurso da justiça social.

Sim, antes da chegada do PT ao poder, havia o coronelismo nordestino, ainda que com novo verniz. E continuou a existir depois do PT. Havia alguns nababos da indústria que se beneficiavam de protecionismos ou linhas especiais de crédito. Continuaram a existir depois do PT. Havia uns tantos medalhões do mercado financeiro que sempre souberam negociar o binômio estabilidade-títulos públicos. Continuaram a existir depois do PT.

O PT dito de esquerda soube negociar e compor com o velho patrimonialismo com impressionante destreza, mas tinha a sua própria agenda. Soube ser generoso com o velho sistema, mas começou a impor o novo patrimonialismo, que consiste em aquinhoar o aparelho partidário e suas franjas com, digamos, uma “taxa de sucesso”. É assim que a corrupção se generalizou e se tornou um método. É assim que empreiteiros — de perfil político certamente conservador — se tornaram os intermediários do assalto ao estado promovido por um partido que se diz de esquerda.

E como é que Dirceu entra nessa história? Tanto no velho como no novo patrimonialismo, há espaço para esquemas individualizados, não é? Que Dirceu fosse uma potência no ramo da consultoria, isso VEJA já havia evidenciado em agosto de 2011, quando revelou que, mesmo processado pelo STF, ele mantinha em Brasília uma espécie de governo paralelo.

O centro clandestino de poder ocupava um quarto no hotel Naoum. A revista informou, então, que, em apenas três dias, entre 6 e 8 de julho de 2011, o homem  recebeu uma penca de poderosos. Prestem atenção a alguns nomes da lista de notáveis que foram beijar a mão do Zé, com os cargos que exerciam então: Fernando Pimentel, ministro da Indústria e Comércio; José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras; e os senadores Walter Pinheiro (PT-BA); Lindbergh Farias (PT-RJ); Delcídio Amaral (PT-MS) e Eduardo Braga (PMDB-AM). Naquele ano, sua consultoria lhe rendeu R$ 4,7 milhões. No ano seguinte, no seu melhor, R$ 7 milhões.

O PT não prometeu mudar o Brasil? Mudou, ora essa! Antes, só as ditas elites tradicionais assaltavam o país. Com a chegada do partido ao poder, esse assalto passou a ser dividido com as novas elites.

Texto publicado originalmente à 1h48
Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 5:15

Depois do petrolão, o “Copalão”: empresa alemã investiga pagamento de propina na Copa disputada em Banânia

Na Folha:
A empresa alemã de engenharia e serviços Bilfinger está investigando denúncias internas de pagamento de propinas a funcionários públicos e de estatais no Brasil. De acordo com o jornal alemão “Bild”, a empresa, através da sua subsidiária Mauell, pagou € 20 milhões (R$ 70 milhões) em propinas para obter contratos da Copa do Mundo. A publicação também acusa a Fifa de ter recebido parte desse dinheiro. Entre vários contratos da Bilfinger no Brasil está o fornecimento de monitores para o Centro Integrado de Comando e Controle da Copa. O órgão é subordinado à Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça e foi responsável por centralizar a vigilância e o monitoramento da segurança das 12 sedes da Copa do Mundo.

Segundo dados do Portal da Transparência, Bilfinger recebeu R$ 21,2 milhões em contratos do governo federal no ano passado, dos quais R$ 13,1 milhões da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos. O comunicado publicado pela Bilfinger após a divulgação da reportagem informa que as primeiras investigações apontam que realmente houve o pagamento das propinas. No entanto, ainda não é possível determinar os nomes envolvidos no caso, segundo a empresa, que prometeu tomar ações legais contra quem participou do esquema caso fique comprovada sua existência. Um porta-voz da Bilfinger disse à Reuters que a Mauell não fez negócios com a Fifa, que organiza a Copa.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 5:09

Doações registradas a 15 políticos são investigadas

Por Felipe Bächtold, na Folha:
A Procuradoria-Geral da República (PGR) vai fazer uma varredura em ao menos R$ 62,6 milhões de doações eleitorais declaradas à Justiça para verificar se dinheiro desviado da Petrobras foi destinado por empreiteiras para abastecer campanhas. A suspeita é que parte da propina de empresas a políticos e a partidos tenha sido paga por meio de doações registradas para campanha. Os recursos, na verdade, viriam de contratos superfaturados de obras da Petrobras.

A apuração será realizada nas prestações de contas de 2010 de siglas e de políticos que tiveram pedido de investigação autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Nos pedidos, a PGR questionou R$ 32,8 milhões de contribuições de empreiteiras para o PMDB, R$ 9,8 milhões ao PT e R$ 9 milhões ao PSDB. Também suspeita das doações oficiais recebidas diretamente por ao menos 15 políticos, em valores que somam cerca de R$ 11 milhões.
(…)
Nas petições ao STF, a PGR usa termos contundentes para insinuar a ligação de políticos com doações suspeitas. Nos casos dos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os pedidos dizem que os diretórios do partido receberam “vultuosos valores” de empresas envolvidas em “corrupção de parlamentares”.

Num trecho sobre a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), pede-se para que a “autoridade policial” pesquise doações de empreiteiras recebidas por ela e pela sigla.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2015

às 1:01

Para Cunha, lei antiterror poderia ser votada rapidamente

Por Lu Aiko Otta, no Estadão:
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acredita que o Legislativo pode votar rapidamente uma legislação específica de combate ao terrorismo. “Não vejo problema de debater e votar qualquer mudança de legislação com celeridade”, disse ele ao Estado, por meio do aplicativo WhatsApp. A falta de instrumentos legais para reprimir a ação de terroristas no Brasil é apontada pela Polícia Federal e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) como um dos obstáculos à contenção da entrada do Estado Islâmico no País.

Como informa com exclusividade o Estado em sua edição de domingo, os órgãos de inteligência detectaram tentativa de cooptação de jovens no Brasil e relatórios reservados sobre o assunto já chegaram ao Palácio do Planalto. Foram identificados pelo menos dez brasileiros convertidos atuando nas redes sociais. As discussões internas estão sendo conduzidas pela Casa Civil, no âmbito dos preparativos dos Jogos Olímpicos de 2016.

A falta de uma lei específica criminalizando o terrorismo impede, por exemplo, que sejam rastreadas conversas entre internautas e o Estado Islâmico nas redes sociais. O Congresso analisa propostas sobre o tema há 22 anos, mas os projetos não ganham prioridade porque há uma noção que o terrorismo é uma ameaça distante ao País.

Segundo Cunha, a iniciativa de propor uma lei específica cabe ao Executivo. “Mas, ao constatar o fato, é possível que o Parlamento tenha propostas para isso.”

Articulação
O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), informou por meio de nota que pedirá informações ao governo sobre a atuação do Estado Islâmico no País. O Planalto já recebeu relatórios sobre o assunto e a Casa Civil está coordenando as discussões internas. “Este é um tema que deve unir Executivo, Legislativo e o Judiciário porque, sem debate e sem estratégia conjunta, não é possível somar forças para enfrentar esta eventual ameaça”, comentou o deputado. “O Congresso precisa estar envolvido até para fazer as alterações necessárias no nosso ordenamento jurídico, visando fortalecer as instituições”. Ele informou ainda que pedirá esclarecimentos à Autoridade Pública Olímpica (APO) sobre os protocolos de segurança.

“Se esse tema nunca esteve no nosso radar, agora entrou”, disse ao Estado o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), integrante da Comissão de Relações Exteriores do Senado. Ele disse que a Casa tenta, há mais de um ano, votar uma proposta sobre esse tema. Porém, pelo menos até agora, o tema não era tratado como prioridade. ” O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que relatou um projeto de lei criminalizando o terrorismo. “Está pronto para votar no plenário do Senado”, informou. “Vou cobrar essa próxima semana.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 20:11

Cade faz acordo de leniência com o grupo Setal, investigado na Lava Jato

Na VEJA.com:
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou nesta sexta-feira que celebrou acordo de leniência com o grupo Setal, administrado por um dos delatores do petrolão, Julio Camargo. Também aderiram pessoas físicas, funcionários e ex-funcionários das empresas do grupo. O acordo, que funciona como uma espécie de delação premiada, foi assinado em conjunto com o Ministério Público Federal do Paraná (MPF/PR), dentro da Força-Tarefa da Operação Lava Jato.

Os materiais obtidos por meio da leniência, assim como outros eventualmente colhidos pelo Cade, poderão ser utilizados pelo MPF/PR como subsídio no âmbito dos processos penais. O acordo de leniência celebrado no âmbito do Cade é diferente daquele previsto na Lei Anticorrupção, pois não livra as empresas da inidoneidade – ou seja, elas ainda podem ser impedidas de prestar serviços ao governo. Para que consigam continuar participando de licitações, as empresas precisam firmar o acordo de leniência com a Controladoria Geral da União (CGU). O decreto que detalha os termos do acordo e a regulamentação da lei foi publicado na quinta-feira.

O Cade informa que, por meio desse acordo, os signatários confessam sua participação, fornecem informações e apresentam documentos probatórios a fim de colaborar com as investigações do alegado cartel entre concorrentes em licitações públicas de obras de montagem industrial onshore da Petrobras. Acompanha o acordo de leniência um Histórico da Conduta, no qual a Superintendência-Geral do Cade descreve de maneira detalhada a prática anticompetitiva relatada pelos signatários e subsidiada pelos documentos probatórios apresentados.

Segundo o Cade, os signatários dispensaram a confidencialidade do acordo e de seus anexos. Desse modo, a SG/Cade, em concordância com o MPF/PR, divulgou uma versão pública do Histórico da Conduta. Mas alguns documentos e informações, incluindo os nomes dos funcionários das empresas concorrentes que segundo os signatários teriam participado do alegado cartel, estão, por enquanto, sendo mantidos sob acesso restrito, “no interesse das investigações”.

A Superintendência-Geral do Cade conduz inquérito administrativo sigiloso no qual investiga a conduta de cartel relativo a esse caso. O material obtido no acordo de leniência subsidiará as investigações, em conjunto com outras diligências e evidências colhidas pela Superintendência-Geral do Cade, incluindo materiais dos inquéritos e ações penais movidas pela Polícia Federal e pelo MPF/PR na Justiça Federal do Paraná. Do mesmo modo, poderão ser utilizadas eventuais provas apreendidas em sede de buscas e apreensões realizadas pelos dois órgãos, cujo compartilhamento com o Cade foi judicialmente autorizado, explica o Conselho.

Ao final do inquérito, cabe à Superintendência decidir pela eventual instauração de processo administrativo, no qual são apontados os indícios de infração à ordem econômica colhidos e as pessoas físicas e jurídicas acusadas. Nessa fase, os representados no processo serão notificados para apresentar defesa. Ao final da instrução, a Superintendência emite parecer opinativo pela condenação ou pelo arquivamento do caso em relação a cada acusado. As conclusões são encaminhadas ao Tribunal do Cade, responsável pela decisão final.

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 19:33

PSDB entra com representação contra ministro por causa de documento aloprado

Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB na Câmara, entrou com uma representação no Ministério Público Federal contra Thomas Traumann, ministro da Comunicação Social. O partido o acusa de improbidade administrativa por usar a Secom (Secretaria de Comunicação) para a promoção pessoal e eleitoral da presidente. A confissão está num documento que traz a chancela do órgão, revelado pelo Estadão. Já escrevi a respeito.

No texto que veio a público (íntegra aqui), a Secom admite que usa blogueiros como “soldados”, que “disparam” com “munição” fornecida pelo governo. Fica a óbvia sugestão de que se trata de uma parceria comercial. É asqueroso. O documento vai além: defende que a publicidade federal se concentre em São Paulo, casada à imagem do prefeito Fernando Haddad.

Isso contribuiria para diminuir a sua rejeição, o que seria bom para Dilma. O autor do texto diz ainda que é preciso submeter a uma mesma orientação as páginas de Dilma na Internet (inclusive uma administrada pelo PT), a “Voz do Brasil” e a “Agência Brasil”, que são órgãos do Estado brasileiro, não do governo.

A representação apresentada pelo PSDB considera:
“Nesse mesmo documento, aparecem análises sobre as estratégias das campanhas da presidente Dilma de 2010 e 2014, além de propostas para ‘virar o jogo’ eleitoral, dividindo responsabilidades, exclusivas da Pasta, com pessoas alheias à administração pública, como o PT, o Instituto Lula e blogueiros”. Diz Sampaio: “Pelo que se extrai do referido documento, em nenhum momento as ações da Secom visavam beneficiar o cidadão brasileiro, mas sim fazer com que a presidente Dilma se viabilizasse politicamente e eleitoralmente”.

O texto da Secom deixou perplexos até alguns governistas. Traumann está nos EUA e não comentou o vazamento do documento. Ele é apontado como candidato à vaga do lulista Wilson Santarosa, que foi demitido da gerência de Comunicação Institucional da Petrobras. Pois é… Se o homem, naquele texto, apontou “caos político” no Brasil, a gente pode imaginar o que diria da estatal nestes dias.

Vamos ver. A questão obviamente não está neste ou naqueles nomes apenas. O que interessa é o procedimento. Se Traumann sair da Secom — e não vejo como possa ficar depois de revelar as práticas que estão em curso —, isso não quer dizer que vá necessariamente melhorar. Depende de quem será escolhido.

Enquanto a verba de publicidade for usada para beneficiar amigos e punir os indiferentes; enquanto o governo recorrer à mão de obra de aluguel para promover a baixaria nos blogs e nas redes sociais, bem, será dispensável demonstrar que crimes estarão sendo cometidos por lá.

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 17:20

Dilma chama um movimento que pratica crimes de “democrático” e trata como criminosos os que saem às ruas para cobrar decência

A presidente Dilma Rousseff foi nesta sexta a um assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, para participar da abertura da colheita de arroz ecológico. E ouviu uma aulinha de política do professor João Pedro Stédile.

O professor João Pedro Stédile é aquele que prometeu pôr seu “exército” a serviço da preservação do mandato de Dilma. O professor João Pedro Stédile é aquele que, há poucos dias, saudou um ato de terrorismo praticado por seus soldados mulheres, que invadiram um laboratório de pesquisas e destruíram mudas de eucalipto transgênico. O professor João Pedro Stédile é aquele que promove, com alguma frequência, bloqueio de estradas e que lidera, do gabinete, a indústria de invasão de propriedades rurais.

Se alguém ainda não entendeu, escrevo de outro modo, por meio de indagações. Se Dilma pode ir a um evento de um grupo cujos membros cometem crimes em penca — e o fazem de modo que não possam ser responsabilizados por isso —, com que outras forças criminosas também poderia se encontrar para demonstrar que gosta do diálogo? Se trabalhadores ditos “sem terra” têm licença para depredar laboratórios, que tipo de crimes seriam tolerados de trabalhadores com terra, presidente?

É, senhoras e senhores! Dilma não foi ao evento apenas para prestigiar o MST. Teve de ouvir um pito de Stédile, que cobrou humildade dos ministros. Mais do que isso: reivindicou que Joaquim Levy vá discutir as medidas fiscais com o MST. Acusou ainda o ajuste em curso de prejudicar programas sociais. Falou por 19 minutos. Dilma discursou por 33. Defendeu as medidas na área econômica, afirmou que não pode governar com os olhos de um “movimento social” e negou que os mais pobres estejam sendo prejudicados. A presidente, em suma, se justificava diante de Sua Excelência João Pedro Stédile.

Retrato, até aqui, como diria a poeta Cecília Meireles, “o patético momento” de Dilma. A coisa iria piorar muito, caminhando para o grotesco. Em entrevista depois da solenidade, afirmou a presidente:
“Acho absolutamente democrática a crítica dele. Agora, entre a crítica ser democrática e a gente aceitar a crítica, tem uma pequena distância”.

A presidente já tinha percorrido uma boa parte da trilha do erro. Poderia ter parado por aí. Mas, quando se é Dilma, sempre se dá mais um passo depois de chegar ao limite. Resolveu atacar a oposição, aqueles que seriam partidários do “quanto pior, melhor”. Mandou bala: “Tem gente no Brasil que aposta no quanto pior, melhor. São os chamados pescadores de águas turvas. O que querem não me interessa. O fato é que apostam contra o Brasil. Você não pode apostar contra o seu país”.

Dilma tem, agora, a obrigação de dizer quem aposta no quanto pior, melhor. Dilma tem agora a obrigação de dizer quem aposta contra o Brasil. Dilma tem agora a obrigação de dizer quem é o pescador de águas turvas.

Eu vou dizer por que o governo está perdido. Se a presidente tivesse ido à Avenida Paulista no domingo — ou a qualquer outra das mais de 200 cidades onde houve protesto —, não teria conseguido discursar. Nesta sexta, no assentamento do MST, ela foi aplaudida. Nas ruas, estavam pessoas comuns, que trabalham, que arrecadam impostos, que não praticam crimes, que não recorrem à violência. No assentamento do MST, os invasores contumazes de propriedade alheia e defensores de atos terroristas contra laboratórios de pesquisa. Não obstante, Dilma associa os que protestam ao “quanto pior, melhor” e deixa claro que não se interessa por aquilo que querem. Mas chama Stédile e sua turma de democratas.

Em larga medida, e ainda voltarei a este ponto em outros textos, Dilma lembra certo presidente chamado João Goulart: é fraca, atrapalhada, mal cercada e permite que o baguncismo se infiltre no governo. Felizmente, é outro o espírito do tempo, sem a crispação ideológica daqueles dias. E outra também é a consciência das Forças Armadas. Não querem ser governo e, por determinação constitucional, são garantidoras últimas da legalidade e na normalidade constitucional. Mais: ainda que os companheiros tenham tentado, não conseguiram quebrar as pernas das instituições.

O Brasil seguirá na trilha democrática, qualquer que seja o desfecho da gestão Dilma. Não porque eles queiram. Mas porque nós queremos.

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 16:09

Partidos da Lava Jato devem responder por crimes, diz MP

Por: Laryssa Borges, na VEJA.com:
Os procuradores da República que atuam na força-tarefa da Operação Lava Jato afirmaram nesta sexta-feira que estudam uma maneira de pedir a punição dos partidos políticos envolvidos no propinoduto da Petrobras. A intenção do MP é buscar a eventual – e inédita no país – condenação das legendas, e não apenas dos seus dirigentes, como ocorrido em escândalos de corrupção anteriores.

No caso do petrolão, as investigações indicam que PT, PP e PMDB se beneficiaram do esquema. Em acordo de delação premiada, o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco afirmou à Justiça que o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, recebeu até 200 milhões de dólares em propina de 2003 a 2013, por meio de desvios e fraudes em contratos com a estatal. As revelações de Barusco levaram para o centro do escândalo o caixa do PT. Nos inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribuna de Justiça (STJ), procuradores citaram que políticos do PT, PMDB e PP embolsaram propina disfarçada como doações de campanha.

Para o procurador Deltan Dellagnol, que coordena a força-tarefa do MP na Lava Jato, a legislação atual permite que as agremiações possam ser condenadas com a devolução do dinheiro arrecadado ilegalmente – o artigo 28, inciso III da Lei 9096/95 prevê que o Tribunal Superior Eleitoral pode determinar o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido que não tiver prestado corretamente contas à Justiça Eleitoral, o que inclui a possibilidade de a legenda ter intencionalmente fraudado as contas como indicam as investigações sobre o petrolão. “Não tem nada de errado fazer uma doação regular. Outra coisa é a doação camaleão, que se caracteriza pela ocultação e dissimulação da origem, ou da propriedade de recursos provenientes da atividade criminoso, e isso o sistema já possibilita. [O suspeito] Pode ser responsabilizado com devolução dos recursos. Medidas contra os partidos estão em estudo [na Lava Jato]“, disse.

Atualmente, a Lei Anticorrupção prevê punições a figuras jurídicas, como o fechamento de empresas envolvidas em corrupção, mas não inclui na mesma sanção os partidos políticos. Na prática, não há previsão legal explícita sobre como responsabilizar as legendas. Porém, alguns procuradores defendem que a legislação eleitoral abre espaço para sanções às siglas ao coibir fraudes em declarações de campanha. Como se trata de uma eventual punição inédita, o MP ainda não formalizou seus argumentos à Justiça.

Pacote anticorrupção
Nesta sexta-feira o Ministério Público apresentou um pacote de medidas para tentar frear a corrupção no país. Na próxima semana, levará ao Congresso Nacional propostas como a prisão preventiva para assegurar devolução de dinheiro desviado, maior proteção à fonte que denunciou o esquema de corrupção, possibilidade de confisco de bens não comprovados, criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos, aumento de penas e crime hediondo para corrupção de altos valores e mudanças no sistema de recursos no processo penal.

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 15:42

Empreiteiro pagou a Dirceu e conseguiu ter acesso a Chávez! A classe petralha é internacional

Como é mesmo que se dizia antigamente, quando eu era da JBS (Juventude Barba & Bolsa), numa alusão às origens remotas do socialismo? Ah, lembrei: “A classe operária é internacional!”. Isso acabou. O lema, tudo indica, é outro: “A classe petralha é internacional”. Por que digo isso?

Aldo Vendramin, dono da construtora Consilux Tecnologia, concede uma entrevista a Graciliano Rocha, da Folha Online. Ele está entre os clientes da empresa de consultoria de José Dirceu, que faturou R$ 29,3 milhões entre 2006 e 2013 — R$ 1,22 milhão desse total oriundo justamente da Consilux. Dinheiro de propina? O empreiteiro diz que não. Sua explicação é outra. Prestem atenção:
“Trabalhar na Venezuela não é simples. Estamos na Venezuela desde 2006 construindo casas populares, mas trabalhar lá não é simples. Tivemos bastante problema com fluxo de caixa, pagamentos que atrasavam e contratamos a consultoria do ex-ministro. O José Dirceu nos aproximou do governo [do então presidente Hugo] Chávez. Ele tinha um trânsito muito grande com ministros e com o próprio presidente. Ele conhece todo mundo, e a gente estava numa situação complicada com os atrasos de pagamento. Às vezes, faziam a medição e levavam muito tempo para liberar o pagamento. Ele foi muito eficiente. Ele me levou três vezes para conversar com o Chávez, e, depois disso, o dinheiro começou a sair mais rápido. Continuaram atrasando, mas menos. Antes destas conversas, o governo levava seis, oito meses para pagar. Depois que o Dirceu entrou no circuito, isso caiu pra dois, três meses.”

Isso tudo pode não passar de um truque só para livrar a cara de Dirceu, evidenciando que, afinal, a consultoria aconteceu? Huuummm… Em primeiro lugar, se as coisas se deram como diz o empresário, Dirceu atuou como lobista, não como consultor. O que ele fez foi usar a sua influência junto ao ditador para liberar o dinheiro. Não é preciso ser muito sagaz para supor que atrasar pagamentos passava a ser uma boa forma de o governo venezuelano forçar a contratação de Dirceu.

Em segundo lugar, fica evidente, mais uma vez, que a relação dos petistas com as protoditaduras da América Latina e com a tirania cubana não se limita à questão ideológica, ao alinhamento político, ao combate ao imperialismo ou a qualquer outra desculpa esfarrapada que tente enobrecer a aliança espúria. Não! Elas estão no terreno dos negócios propriamente. A classe operária pode não ser mais internacional como os marxistas sonhavam que seria um dia. Mas a gente nota que a classe petralha, ah, essa é internacional, sim.

Querem saber? Acho que o dono da Consilux está falando a verdade. Só que isso não depõe a favor de Dirceu, mas contra. Atenção! De 2009 a esta data, o BNDES já financiou quase US$ 5 bilhões em projetos na própria Venezuela, além de Cuba, Angola e Equador. Os três primeiros países são ditaduras escancaradas; o quarto está a caminho. No Brasil, essas operações merecem a classificação de “sigilosas”. Luciano Coutinho, presidente do banco, se move nos bastidores para impedir a instalação de uma CPI sobre o assunto.

Tudo indica que, além de toda a roubalheira que conhecemos no episódio do petrolão, há outra coisa em curso: o negócio está se fazendo passar por ideologia, e a ideologia, por negócio.

Ah, sim! É sempre comovente saber que Dirceu franqueia o acesso a ditadores e assassinos.

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 15:03

Para disputar a prefeitura, Marta avisa ao PSB que deixará o PT até maio

Por Gustavo Uribe e Marina Dias, na Folha:

Com a intenção de disputar a sucessão à prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) avisou ao PSB que se desfiliará do PT até maio.

 A informação foi repassada à cúpula estadual do partido pelo empresário Márcio Toledo, namorado da petista e principal articulador de sua candidatura no ano que vem.

Além do PSB, o empresário informou a intenção de Marta ao governo de São Paulo, de Geraldo Alckmin (PSDB), que deu aval ao movimento político.

Tucanos e pessebistas são aliados no Estado e os planos de Alckmin são os de disputar a Presidência da República em 2018.

Para ser candidata em 2016, Marta precisa estar filiada ao PSB em outubro, um ano antes da eleição municipal.

 Antecipar a decisão, portanto, tem como objetivo dar mais tempo à senadora para articular uma candidatura competitiva, com o apoio de siglas como PPS, PV e Solidariedade.

A filiação de Marta ao PSB conta com o apoio da cúpula nacional do partido, mas ainda encontra resistências entre lideranças da legenda em São Paulo.

O receio é de que, ao ser filiada, a petista transfira ao PSB parte da rejeição ao PT no Estado.

Entre os petistas, a avaliação majoritária é de que é pouco provável que Marta recue da decisão e continue na sigla.

As investidas do comando do partido para “reconquistar” Marta não tiveram até o momento resposta da senadora, que tem intensificado as críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

O PT em São Paulo tem monitorado o ânimo da militância nos diretórios zonais diante dos ataques que a senadora tem feito ao governo federal.

Os resultados apontam um descontentamento dos eleitores da petista, que gostam da senadora, mas a têm achado “agressiva”. (…)

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 14:57

Dilma envia ao Congresso projeto que reduz desoneração da folha de pagamento

Por Marcela Mattos, em VEJA.com:

A presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso nesta sexta-feira projeto de lei que reduz a desoneração da folha de pagamento de setores empresariais – o texto, inicialmente apresentado como medida provisória, foi devolvido há dezessete dias pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Num dos ápices da crise entre Dilma e o maior partido de sua base aliada, Renan alegou na ocasião que editar a medida via MP era um “abuso” do Executivo. Para ele, a proposta deveria tramitar como as outras, e não vigorar por meio de uma canetada presidencial.

Dilma atendeu a Renan e, nesta sexta, publicou a medida no Diário Oficial da União (DOU), na seção de mensagens da presidente ao Congresso. O conteúdo completo do projeto não consta no documento, mas a ementa é a mesma da MP 669/15, rejeitada por Renan.

Em nota emitida logo após a devolução da medida provisória, a Secretaria de Comunicação da presidente afirmou que Dilma havia assinado o projeto com pedido de urgência constitucional e acrescentou que a mudança no formato do encaminhamento da lei não traria “prejuízo para o ajuste fiscal pretendido pelo governo federal”.

O projeto que reduz a desoneração na folha de pagamento tem impacto direto sobre os custos para os empregadores. Para as indústrias, o valor recolhido sobre a receita bruta passa de 1% para 2,5%. No setor de serviços, a cobrança salta de 2% para 4,5%. A proposta ainda traz medidas acerca da tributação sobre bebidas frias e dispõe sobre a tributação referente aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. ?

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 11:17

Antes de defender Dilma em Goiás, governador criticou presidente em SP

Por Daniela Lima, na Folha:
Ao fazer uma defesa enfática da presidente Dilma Rousseff (PT) nesta quinta-feira (19), o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, disse o seguinte: “Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência”. Em Goiás não, mas em São Paulo… Há cerca de dez dias, Perillo participou de um evento promovido pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso, onde economistas e tucanos discutiram a crise do atual governo. O goiano estava na plateia e, durante o evento, fez uma intervenção. Segundo ele, “governadores e prefeitos não aguentam mais”. “72% de tudo o que arrecada no país fica com o governo federal para formar superavit, pagar dívidas e outros compromissos, para a corrupção”, asseverou.

Perillo avaliou que o resultado da gestão de Dilma será “educativo” pois vai levar ao “fim da hegemonia do PT”. “É muito doloroso para nós, tucanos, termos perdido essa eleição. Mas eu acho que essa vitória do PT, com todos os desdobramentos que a gente vê hoje, vai significar o fim da hegemonia do PT. Não tenho dúvida sobre isso. Vai acabar sendo educativo”, afirmou. Na ocasião, o governador disse ainda que Dilma estava sofrendo o que chamou de “efeito bumerangue”. “Mentiram e agora vão ter que tomar as medidas.” O tucano afirmou esperar que as manifestações do último dia 15 dessem uma “resposta” à gestão Dilma. “E a resposta virá no dia 15 e, certamente, virá dois meses depois. A situação vai se agravar cada vez mais porque as pessoas perderam a paciência”, afirmou.

Diante da petista, no entanto, em evento em Goiânia nesta quinta, Perillo fez um discurso diferente. “É dispensável dizer que recebi muitos conselhos, presidenta, para não estar aqui”, declarou, ao assumir o microfone. “Venho como governador legitimamente reeleito do Estado de Goiás para receber uma presidente da República que foi legitimamente reeleita e que tem o meu apoio à sua governabilidade.”

“O Brasil não pode ser vítima da intolerância, do desrespeito. Não pode ser vítima de minorias que não querem uma democracia onde o republicanismo possa prevalecer”, continuou o governador. Por fim, Perillo disse que, em muitos momentos, precisou de “coragem” para defender Dilma diante dos tucanos. “Sou de um outro partido, que às vezes faz oposição à senhora, mas eu não. Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência”, garantiu.

Por Reinaldo Azevedo
 

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