23/04/2012
às 6:25Socialista Hollande bate Sarkozy no 1º turno e amplia favoritismo na França
Por Andrei Netto, no Estadão:
Numa eleição marcada pela alta mobilização popular e pela ascensão surpreendente da extrema direita, o candidato do Partido Socialista (PS), François Hollande, confirmou a expectativa e venceu o primeiro turno das eleições à presidência da França com 28,63% dos votos – totalizadas 99,9% das urnas. Com 27,08% da preferência, Nicolas Sarkozy tornou-se o primeiro chefe de Estado da história do país a chegar em segundo lugar nesta etapa do pleito e agora depende dos votos da candidata radical Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), para tentar conquistar a reeleição.
O resultado oficial ainda dependia dos votos do exterior, mas os índices apontados pelo Ministério do Interior já estavam virtualmente definidos. Os dados revelaram o crescimento recorde da extrema direita, que reuniu 18,01% dos votos, a maior votação da FN desde sua criação, em 1972. As urnas também indicaram um bom desempenho da extrema esquerda, embora inferior ao esperado pelas pesquisas da última semana. Jean-Luc Mélenchon, candidato da coligação Frente de Esquerda, que inclui o Partido Comunista (PCF), reuniu 11,13% dos votos, registrando o melhor desempenho de um partido radical de esquerda desde 1981. Já o centrista François Bayrou, do Movimento Democrático (Modem), foi a decepção, com 9,11%, em quinto lugar.
A vitória de Hollande sobre Sarkozy já era celebrada na sede do PS no fim da tarde, quando o Estado conversou com militantes e líderes políticos. Os discursos se dividiam, entretanto, entre a satisfação pela vitória parcial e a preocupação com o crescimento de Marine, o que deverá obrigar os socialistas a reorientar a campanha nas próximas duas semanas, levando em conta os temas do eleitorado extremista. Em seu primeiro discurso, em Tulle, cidade do sudeste da França, Hollande criticou seu principal oponente e acenou a quem votou na extrema direita. “O primeiro turno representa uma sanção ao mandato que chega ao fim”, disse o socialista, em referência a Sarkozy. “Nunca, nem em 2002, a Frente Nacional havia atingido um nível tão elevado. É um novo sinal que convoca a mudanças na república.”
Minutos depois, Sarkozy falou à sua militância, reunida em um teatro de Paris – que explodiu em vibração quando o escore da Frente Nacional apareceu nos telões, esperando contar com essa reserva de votos. Ciente de que depende do apoio da extrema direita para se reeleger, o chefe de Estado fez uma primeira ofensiva sobre esse eleitorado. “Os franceses expressaram um voto de crise, testemunhando suas inquietudes, seus sofrimentos e suas angústias frente a este novo mundo que está se desenhando”, analisou o presidente, usando a seguir todas as bandeiras da direita radical: “Estas angústias, estes sofrimentos, eu os conheço, eu os compreendo. Elas dizem respeito a nossas fronteiras, à luta contra a transferência de empresas para o exterior, ao controle da imigração, à valorização do trabalho e à segurança”. Sarkozy ainda desafiou seu oponente a aceitar a realização de três debates de TV, na expectativa de bater o socialista na frente das câmeras e reverter a desvantagem.
Convertida em fiel da balança, Marine Le Pen mostrou-se emocionada com o resultado de sua primeira campanha, na qual superou o melhor porcentual obtido por seu pai, Jean-Marie Le Pen, em 2002. Em seu discurso, ela já ensaiou o lançamento de sua candidatura à presidência em 2017 e tentou buscar apoios na esquerda radical. “É apenas o início de nosso combate. É o começo de uma grande reunião de patriotas de direita e de esquerda, de apaixonados pela França e defensores de sua identidade”, disparou a extremista, sem manifestar apoio a nenhum dos dois lados ainda na disputa. “Frente a um presidente em fim de mandato, líder de um partido consideravelmente enfraquecido, nós agora somos a única e verdadeira oposição à esquerda ultraliberal, laxista e libertária.”
(…)
Tags: França, François Hollande, Sarkozy


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20 Comentários
Gione Oigen
-24/04/2012 às 10:29
Sarkozy não irá se reeleger.
Obama não irá se reeleger.
Rafael
-23/04/2012 às 18:26
E pra quem os votos dados a FN irá pender?
Meio óbvio não?
Muito oba oba por pouca coisa, mesmo o Sarkozy sendo muito ruim.
Rone
-23/04/2012 às 16:11
Sarkozy manchou a imagem da França ao dar a mão aos EUA e England em sua investidas pelo Oriente Medio a França da igauldade fraternidade liberdade entrou para o club de criminososos com bandeira democracia !
Sarkozy metido a um Napolleão de nossos dias não se mostrou nem de um lado nem de outro um verdadeiro politico em cima do muro , então vai ter o que merece! Fora da politica ,fica com a Bruni que o planeta agradece!
Papai Sabetudo
-23/04/2012 às 14:40
Eu torço pelo François Hollande. É muito mais simpático! O que não é bom pra ele. Sempre por quem torço perde. Ontem, por exemplo, torci, como nos velhos tempos, pelo Barça… E o resultado todos sabem!
SILVIO
-23/04/2012 às 14:06
BEM, COM A FN COM 18% E OS COMUNAS COM 9%, A TENDÊNCIA É O SARKOZY SER BENEFICIADO, NA TEORIA, É CLARO.CONSIDERANDO QUE A FRANÇA NÃO É O BRASIL…..
Roberto K.
-23/04/2012 às 14:04
Se os franceses elegerem os socialistas, vão empurrar a França para o mesmo buraco onde se encontra a Grécia.
Ricardo Coqueiro
-23/04/2012 às 13:28
Reinaldo, veja no link abaixo matéria muito interessante da BBC “Sarkophobia”.
http://www.bbc.co.uk/news/magazine-17775249
O texto mostra como uma maioria de jornalistas tendenciosos pode levar parcela significativa do público a adotar posturas claramente irracionais, mas favoráveis à perspectiva ideológica deles…
O texto ilustra ainda um grave problema brasileiro: a falta em nosso País de pesquisas (utilizadas rotineiramente na Europa e EUA) visando a traçar o perfil ideológico dos principais segmentos de jornalistas.
Ricardo Coqueiro, Rio
aldo
-23/04/2012 às 13:00
engraçado é ver um monte de gente que prega as mesmas coisas que Le Pen ofedenrem a candidata. Para mim o que diferencia a extrema direita da extrema esquerda é uma postura conservadora baseada em religião, no resto é igual. Basta ver o que Orban fez na Hungria, toda a Constituição é baseada em idéias da extrema esquerda (que eu apoio), a única coisa que é ruim na Constituição é a união do Estado e religião e as leis fascistas que impõe o cristianismo a todo o cidadão. Orban cairá por causa disso, se a Constituição fosse idêntica, mas sem os artigo fascistas-religiosos, Orban teria apoio maciço da América Latina e da esquerda européia.
Mas seja Sarkozy ou Hollande, a eleição não tem vencedor, apenas um perdedor: a França.
Christiane Rebola
-23/04/2012 às 12:23
Rei, Sarkozy , embora seja ruim, ainda é o melhor para a França. Leia-se Europa !!!Socialistas sao o cancêr da humanidade !!
Fábio
-23/04/2012 às 12:11
Mas vejam só, diferença de 1% praticamente e as manchetes: Hollande BATE Sarkozy; Hollande em franca vantagem; etc.
Sem falar que Le Pen teve 17% dos votos; toda essa votação vai pra Hollande?
só se na França for o samba do eleitorado doido como acontece no Brasil…
é cada coisa que a gente lê viu…
Luiz Fernando
-23/04/2012 às 11:20
É um verdadeiro cara de pau esse Sarkozy ! O que mais ele fez, em nome da União Européia, buscando, talvez, ocupar o mesmo lugar de Carlos Magno na história, foi trabalhar contra esses cinco princípios. Agora, que está vendo a viola em cacos, levanta essa bandeira para conquistar os votos da direita. Será que a Marianne Le Pen é idiota a ponto de acreditar nisso ?
Jorge Silva
-23/04/2012 às 10:23
Quanto aos colocam Le Pen e a “direita” no mesmo saco, segue uma matéria no NYT traduzida:
http://www.nytimes.com/2011/05/01/magazine/mag-01LePen-t.html?pagewanted=all
“(…)Sinalizando uma ruptura clara com a direita em geral, ela (Le Pen) saiu com uma crítica detalhada do capitalismo e uma posição de promoção do estado como o protetor das pessoas comuns.”
“(…) Quando eu salientou que, em os EUA, ela soaria como um político de esquerda, ela disparou: “Sim, mas Obama é o caminho para a direita de nós”, e opinou que a supervisão adequada do governo teria evitado a crise financeira americana.”
Gilberto
-23/04/2012 às 10:14
Se o Hollande ganhar, como fica a comissão ou “taxa de sucesso” dos caças Rafale?
Jorge Silva
-23/04/2012 às 10:08
Esse flerte da Frente Nacional com a extrema esquerda lembrou que Le Pen (o pai) é amigo do comediante de origem africana Dieudonné M’bala M’bala e apadrinhou as filhas dele. A propósito, como pode um político que detesta imigrantes e já foi taxado de racista ser amigo de um filho de imigrantes? A resposta está aqui: Inicialmente Dieudonné M’bala M’bala era um ativista político de extrema esquerda. Criticava os americanos e Israel. A partir daí ele passou a desenvolver um lado anti-semita tão forte que passou a negar o holocausto e permitiu um flerte com nazistas e neo-nazistas culminando com a convivência das companhias de Bruno Gollnisch, Frédéric Châtillon e Marc George e o eventual apoio à Frente Nacional.
Macêdo
-23/04/2012 às 9:59
Como pode, em pleno século XXI, alguém ainda votar em pessoas tão retrógradas quanto os Le Pen ?!
Villegagnon
-23/04/2012 às 9:58
O texto do Estado de S. Paulo vem com algumas incorreções e ligeiras distorções:
1) Diz que a eleição foi marcada por alta participação popular, sem mencionar que o número de eleitores agora foi MENOR do que o da eleição de 2007. Agora houve 20% de abstenções, contra 16% em 2007.
2) O candidato Hollanda não ampliou o favoritismo. Ao contrário, a votação expressiva do Front Nacional parece indicar que o eleitorado, em sua maioria, apesar da crise e do desgaste de Sarkozy, não pendeu para os socialistas. Ou seja, o forte ant-sarkozismo atual não se converteu maciçamente em votos para Hollande.
3) Chamar Marie Le Pen de “extremista”, jogando com a extensão do sentido do termo “extrema direita” é uma pequena desonestidade cometida pelo jornal.
Jorge Silva
-23/04/2012 às 9:54
Este último parágrafo deixa clara uma coisa: “(…) Em seu discurso, ela (Le Pen) já ensaiou o lançamento de sua candidatura à presidência em 2017 e tentou buscar apoios na esquerda radical.(…)”
A extremista Le Pen busca apoios da esquerda radical. Isso não é novidade. A distância que separa nacional-socialistas de socialistas é mínima. Le Pen prega o isolamento da França no mercado global (levantar muralhas econômicas) e mais “welfare” para os seus nacionais (franceses étnicos), entre outras coisas… Triste são as figuras dos palhaços Bayrou e Sarkozy neste circo francês…
Hercilio
-23/04/2012 às 9:32
O desmonte do estado de bem estar social é a causa da votação das extremas direita e esquerda. Os neoliberais brincam com fogo na Europa ao desmontar o estado de coisas que permitiu superar o nazifascismo e evitar o comunismo, o tal “espírito selvagem do capitalismo” parece não aprender com a história. Destaque-se que os extremos terem mais de 30% dos votos não é muito comum, seus triunfos não costumam ser eleitorais.
JB
-23/04/2012 às 8:19
Olhem bem como o tal Andrei Netto (Estadão) se refere à ‘direita’:
.
“…todas as bandeiras da DIREITA RADICAL: “Estas angústias, estes sofrimentos, eu os conheço, eu os compreendo. Elas dizem respeito
- a nossas fronteiras,
- à luta contra a transferência de empresas para o exterior,
- ao controle da imigração,
- à valorização do trabalho e
- à segurança”.
.
Viram?
Quem se preocupa com estes 5 problemas reais do país é taxado pelo rapazola do Estadão com o epíteto singelo de…DIREITA RADICAL!
Não é uma maraviha?
E tem gente que AINDA COMPRA uma bo… de jornal assim.