Blogs e Colunistas

27/10/2009

às 4:09

AS DROGAS E O INDIVIDUALISMO

Ainda tratando da formulação “Quem cheira mata”, há coisas novas a considerar. Exceção feita a algum psicopata, duvido que as pessoas avancem o sinal vermelho — quando sabidamente há o risco de um grave acidente — com o propósito de matar outras pessoas e, eventualmente, se matar. Mas o fato é que o sujeito precisa saber que esse risco existe. Quem já não topou com um aloprado a fazer miséria nas estradas, pondo em risco a vida de terceiros? Se seu propósito declarado ou consciente é ou não é matar, convenham, pouco importa. Ele causa um dano objetivo.

É que vivemos tempos em que a responsabilidade individual foi banida da vida. Todos sempre querem ser vítimas — de preferência, “vítima da sociedade”, seja lá o que isso signifique, já que a “sociedade” parece ser uma verdadeira alma sem corpo.

Isso vale em todas as esferas da vida. O sujeito que faz sexo de risco, sem proteção, ou que partilha seringas quer contrair o vírus da aids??? Em raros casos, pode ser. Mas, na esmagadora maioria das vezes, a pessoa só quer obter prazer. E, sabemos, o custo será transferido depois para a sociedade. O sujeito que era absolutamente livre para decidir se torna uma vítima tão logo comece a experimentar as conseqüências negativas da sua escolha. Não! Não estou sugerindo — nunca sugiro nada, lembram-se? — que se deixe de tratar os doentes. Se achasse que é o caso, diria. Só estou afirmando que é preciso responsabilizar as pessoas pelas escolhas que fazem.

Isso é importante porque, no caso da aids, as campanhas públicas assumiriam um outro tom, que não o investimento permanente e contraproducente no vale-tudo. As punições para o banditismo no trânsito seriam mais severas. E as drogas, definitivamente, seriam banidas do terreno do glamour e da vida alternativa.

Sei que pode ser chato considerar coisas assim; mais: a conversa pode parecer um tanto antiga. Mas a verdade é que não existe o chamado “bem comum” estabelecido fora do “bem” ou do “mal” que pode ser praticado pelos indivíduos.

É simples. É elementar. Ignorá-lo é só expressão de primitivismo moral. Não consumir drogas ilícitas, que estão na mão da bandidagem, não é uma imperativo do “bem comum”. Trata-se de um imperativo da individualidade.

Por Reinaldo Azevedo
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42 Comentários

  1. Quaker

    -

    28/10/2009 às 19:07

    REI:

    TEU BLOG NÃO FALTA NADA. POR ISTO, É O MELHOR DO BRASIL.

    E SE TIVESSE UMA VEZ POR MES ” 1TEMA LIVRE”?

    FALAR NISSO, JOBIM ESTÁ DOIDO PARA APARECER. DÊ UMA CHANCE A ELE E UM PRESENTE PARA NÓS…

  2. Homo Anômallus

    -

    27/10/2009 às 20:28

    Tio Rei,
    Um pouco de prosa para uma terça-feira, de” individualidades”

    “Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes. A sua vida humana é cheia de tudo quanto constituiria uma série de angústias para uma sensibilidade verdadeira. Mas, como a sua verdadeira vida é vegetativa, o que sofrem passa por eles sem lhes tocar na alma, e vivem uma vida que se pode comparar somente à de um homem com dor de dentes que houvesse recebido uma fortuna — a fortuna autêntica de estar vivendo sem dar por isso, o maior dom que os deuses concedem, porque é o dom de lhes ser semelhantes, superior como eles (ainda que de outro modo) à alegria e à dor.
    Por isto, contudo, os amo a todos. Meus queridos vegetais!”
    Composto por Bernardo Soares,
    ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa
    F.P.
    abçs

  3. Lebre

    -

    27/10/2009 às 18:55

    Tartaruga é um bicho muito lento, né?

  4. Carlão

    -

    27/10/2009 às 18:08

    Taí o hino dessa turma (letra de Paulo Coelho, gravada por Lilian):

    Eu sou rebelde
    Porque o mundo quis assim
    Porque nunca me trataram com amor
    E as pessoas se feixaram para mim
    Eu sou rebelde
    Porque sempre sem razão
    Me negaram tudo aquilo que sonhei
    E me deram tão somente incompreensão
    Eu queria ser como uma criança
    Cheia de esperança e feliz
    E queria dar tudo q há em mim
    Tudo em troca de uma amizade
    E sonhar, e viver
    Esquecer o rancor
    E cantar, e sorrir
    E sentir só o amor

  5. Errou, tio Rei! Tartaruga

    -

    27/10/2009 às 17:57

    Errou feio, tio Rei…
    Quem mata é o bandido.

  6. Zé Carlos

    -

    27/10/2009 às 17:32

    Há alguns anos houve, no mesmo dia, duas manifestações de protesto por causas distintas, em lugares diferentes, mas com um ponto em comum.
    Uma, nos Estados Unidos, organizada por gays contra os laboratórios que não descobriam (”por preconceito contra os gays”) remédio que curasse a AIDS.
    Outra, em Pernambuco, protestava contra o governo que não tomava medidas para evitar ataques de tubarão em determinada praia (embora lá houvesse uma placa “PROIBIDO NADAR - RISCO DE TUBARÃO”).
    Ou seja, uns exigiam a liberdade de praticar sexo inseguro e outros exigiam o direito de nadar em mar de tubarão sem ser atacados. Se o vírus da AIDS e os tubarões atacavam a culpa só podia ser do governo.

  7. Fabio Marton

    -

    27/10/2009 às 13:47

    Você diria, Reinaldo, em 1931, em Chicago: “QUEM BEBE, MATA”?

    REINALDO RESPONDE
    Eu digo em 2009: “Quem cheira mata”.

  8. Mark Twain

    -

    27/10/2009 às 13:10

    Excelente o nível dos comentários! Aliás, só um texto de excelência pode ter a atenção de mentes evoluídas e cuidadosas da vida em sociedade.

    Assim, aumenta a nossa esperança de que haja um movimento de cidadãos com a consciência que o “Brasil é nosso”! Com suas belezas e potencialidades. Também, com suas mazelas e desordens.

    Se são nossas as belezas e as mazelas, então o desafio está sempre posto para o nosso senso de comunidade. Que haja um movimento em prol do desenvolvimento político, social e econômico. Como tem que ser.

    Mas, onde estão os líderes? Estamos com uma séria dificuldade?

    Estamos sofrendo a catarse da incúria histórica das nossas lideranças? Ou de falsos líderes?

  9. Nausícaa

    -

    27/10/2009 às 12:45

    Esse é o paradoxo das esquerdas: massificam qualquer tema e individualizam, tomando para si, os espólios da “LUTA por um mundo melhor”. Assim, foi na Rússia de Lenin, Trotski - ambos morridos - e Stalin. Na Cuba de Fidel Castro. Assim é na Venezuela de Hugo Chaves. São os “capitalistas de capital alheio”.

    Podemos inventar os “portadores de direitos irrestritos com responsabilidade alheia”. Parada gay é ótima para os negócios. Kit-seringa-e-camisinha é uma delícia. Tirar um policial do sério oferece os quinze minutos de fama no JN.

  10. Rose Perito

    -

    27/10/2009 às 12:40

    É comum o discurso de que quem cai no mundo das drogas (consumidor ou negociante) é por culpa da falta de oportunidade, da pobreza, etc.

    Uma pergunta: a garotada classe média/média alta que consome maconha, cocaína e similares, além de bebida alcóolica em excesso, qual é a desculpa social? Abundância de dinheiro? Liberdade demais?

    E os que têm a mesma liberdade e o mesmo dinheiro e não seguem por esse caminho? Às vezes numa mesma família (seja na classe mais pobre ou na mais rica) com as mesmas oportunidades (negativas ou positivas) há filhos ‘normais’ e filhos ‘viciados’.

    Como vc mesmo disse, Reinaldo, é uma questão de escolha: não se pode esquecer o fator individual da questão.

  11. Luiz

    -

    27/10/2009 às 12:23

    “No Brasil criou-se um glamour em torno do consumo. Se o viciado é um artista, então a coisa fica pior ainda.”

    não é apenas no Brasil. a diferença é que o Brasil é um país pobre, com um povo predominantemente mal educado. em países desenvolvidos, o consumo de drogas também foi glamourizado, tanto que exportaram essa merda pra cá. só que lá existe ainda o culto a certos valores (existe até adolescente virgem!), existem regras de conduta, existe dignidade, coisas que por aqui não chegaram ainda nem a florescer…

  12. JOSÉ OLÍMPIO CASTRO

    -

    27/10/2009 às 12:15

    O USUÁRIO DEVE SER RESPONSABILIZADO E PENALIZADO JUNTO COM O TRAFICANTE.

  13. Sandra

    -

    27/10/2009 às 12:14

    “Ao contrário de você, eu sugiro que a saúde pública deixe de tratar os males autoinflingidos. O cara que se acidenta bêbado, paga a sua conta de hospital e quem mais ele machucar. O que sofre overdose, paga a conta da UTI.”

    Sim, mas não estamos falando de drogas que causam malefícios apenas ao usuário, logo esse argumento acima não se aplica nem de longe ao caso de drogas ilícitas. Se estas alteram o julgamento moral e a percepção dos usuários, o problema é da sociedade, não daquele que resolve se drogar para agradar os amigos. Se o infeliz, sob o efeito de psicotrópicos, provoca um acidente de trânsito, violenta, espanca e mata outra pessoa quem menos vai pagar o pato é ele.

  14. Maria Lúcia

    -

    27/10/2009 às 12:06

    Acontece que bem comum, para certos imbecis “liberais” não existe, é manifestação de “coletivismo”. Ou seja, a ideologia, seja de esquerda ou de direita, nas mãos de pessoas ignorantes fica completamente distorcida e, no caso do liberalismo, parece ser capaz de causar ainda mais estragos à sociedade que o velho marxismo…

  15. meireles

    -

    27/10/2009 às 11:17

    É verdade. É preciso urgentemente recuperar o sentido de responsabilidade social para o território da vida comum, restituir ao cotidiano o que hoje parece ser domínio do marketing, tanto para empresas quanto para pessoas. Não dá para ter cidadãos e empresas daninhos ao chamado bem comum praticando ações compensatórias. Quanto às drogas Reinaldo, seria muito bom que as pessoas pudessem fazer o que desejam com as suas vidas. Inclusive a escolha suicida. Mas cada vez mais usar drogas é investir no banditismo. Sem dúvida. E como não existe sociedade sem vícios, qual a eficácia da pregação virtuosa ? O que resta ao fracos de vontade? Seguir o exemplo de M. Jackson ? Usar apenas drogas lícitas ?

  16. Silêncio

    -

    27/10/2009 às 11:14

    Muito bom, muito bem!
    Mas estou absolutamente convencido disto:

    Nada mudará muito no mundo antes que alguém descubra uma forma eficaz de constranger vagabundo.

    Venho trabalhando neste sentido há muitos anos; seguirei trabalhando.
    Qualquer hora dessas apresento o que fiz em forma de livro.

  17. Jorge

    -

    27/10/2009 às 11:09

    Concordo em gênero e número igual (um nº bem grande).

    É comum vermos bandidos que cometeram as maiores atrocidades chorando como bebês, após pegos. Sem a decência, de pelo menos, se assumir como bandidos.

    A culpa sempre é do outro, e quando o outro não pode ser individualizado, então é da sociedade.

  18. carlos

    -

    27/10/2009 às 11:05

    Ao contrário de você, eu sugiro que a saúde pública deixe de tratar os males autoinflingidos. O cara que se acidenta bêbado, paga a sua conta de hospital e quem mais ele machucar. O que sofre overdose, paga a conta da UTI. O que pega AIDS por descuido, incúria, ou desleixo, paga pelos seus remédios. É hora de cada um saber que em última análise tem responsabilidade por seus atos, e assumir estas responsabilidades. Os adictos diversos devem ser tratados pelo poder público; só os adictos!!! Os usuários não!!! Não existe tratamento para o caráter.
    Abraços.

  19. Alexandre Rocha

    -

    27/10/2009 às 11:05

    Reinaldo, nos últimos anos surgiu no Direito Penal uma figura chamada “culpa consciente”, que seria diferente do dolo eventual (aquele em que o sujeito assume o risco do resultado)l. Não sei se você conhece alguma coisa a respeito. Na prática, quase todos os crimes de trânsito são considerados culposos, por conta da tal “culpa consciente”, e nunca dolosos. Acho essa figura da “culpa consciente” ridícula e creio que sua criação não tem razões jurídicas, mas sim psicanalíticas. Quem a defende (professor, juiz, advogado, etc), é uma pessoa que normalmente não se enxerga no lugar do criminoso. No entanto, no caso do crime de trânsito essa pessoa se vê perfeitamente naquela situação.

  20. José Pereira

    -

    27/10/2009 às 10:53

    Isso é o que eu chamaria de “descer funil abaixo”, deixando a área mais confortável, difusa e genérica, até alcançar a base final e definitiva, onde a verdade do tema tratado se sedimenta ao máximo. Ninguém deseja abandonar de vez a óptica do que é comum da parte mais larga do funil, o erro, ao contrário, está na desconsideração total do indivíduo e da individualidade, quando se considera qualquer questão social ou grupal. Quase sempre, devido à criminosa preguiça intelectual de péssimos indivíduos que contribuem para aumentar a impunidade geral, já que todos não identifica ninguém. É desconcertante observar tudo isso e mais desconcertante, ainda, observar calado esse crescente vício social.

  21. Johnny

    -

    27/10/2009 às 10:47

    outro dia ví uma charge de 2 quadrinhos que era o seguinte: no primeiro quadro, de alguns anos atrás, os pais estavam com o boletim escolar na mão e dando uma bela bronca no filho, com a legenda: “que notas são estas???”

    na segunda charge, dos dias de hoje, os mesmos pais estão esbravejando a mesma coisa porém não para o filho, e sim para a professora.

    É isso mesmo, todo mundo quer ser vítima. Bandidagem é somente problema de infância infeliz, e não uma opção do cidadão, crimes tenebrosos são vistos com a ótica distorcidamente benevolente (e falsa) do socialismo moreno.

    Estamos entregues a própria sorte enquanto esses intelectualidade vigarista tece suas teses complacentes.

    abs,
    Johnn

  22. Davi

    -

    27/10/2009 às 10:23

    Claro, preciso e conciso o post. Fui obrigado a copia-lo para meus arquivos. Parece que o óbvio não é mais visto e apresentado, em sua singeleza, nos meios de comunicação em geral. É feio! Bonito é falar coisas estúpidas oriundas do humanismo bocó.
    Parabéns e obrigado por dizer a verdade, por mais óbvia que ela seja.

  23. Ney

    -

    27/10/2009 às 10:16

    O foco é correto, quero ver conseguir a conscientização de um adicto que perdeu a dignidade, a moral, a decência, o tudo de sua escala de valores.

  24. Lord Acton

    -

    27/10/2009 às 10:07

    Reinaldo,

    Vc está certo: as pessoas devem ser responsabilizadas pelas escolhas que fazem. É o que nos ensinam os teóricos liberais igualitários John Rawls, Ronald Dworkin, Amartya Sen e, no Brasil, Álvaro de Vita, dentre outros.
    Para mim, trata-se de ponto pacífico e, portanto, indiscutível considerando a melhor filosofia política do tempo presente.

    Mas vc tocou num ponto nevrálgico: droga dá prazer e, a toda evidência, faltam mais informações oficiais para os jovens nesse importante aspecto no combate ao consumo de drogas que acaba por alimentar o tráfico.

  25. FLUZÃO

    -

    27/10/2009 às 9:56

    Deveria ser aprovada uma lei que obriga os familiares à tratarem seus entes queridos viciados. Desobrigando, dessa forma, a sociedade de tratá-lo!
    O malandro fez a opção pela droga……..que arque com os seus custos!

  26. Brasileiro

    -

    27/10/2009 às 9:52

    Reinaldo e seletíssimos leitores deste blog,
    ALÉM das penas criminais, precisamos, COM URGÊNCIA, pensar em sanções CIVIS. Por exemplo, USUÁRIO:CNH SUSPENSA por alguns anos (até provar que está livre do vício); IMPEDIDO de participar de competições oficiais, em qualquer nível e de frequentar estádios; NÃO poderá candidatar-se a cargo eletivo por alguns anos (até provar…); PRESTAÇÃO DE SERVIÇO à comunidade; etc., etc. TRAFICANTE: as mesmas sanções e NÃO poderá exercer cargos públicos. CERTAMENTE, quem ENTENDE, poderá sugerir CONSTRANGIMENTOS legais MAIS EFICAZES. Que acham?

  27. aluna

    -

    27/10/2009 às 9:22

    “Todos sempre querem ser vítima”. E começa ainda na infância.
    Eu estava em uma quitanda e a moça do caixa flagrou um menino de uns 8 anos ,saudável, com uniforme, mochila nas costas, cabelo penteado, levando dois pacotinhos de bolacha sem pagar. Ela chamou um assistente e ele disse ao menino bem calmamente: ” Olha eu vou pagar para você mas, por favor, não faça mais isso ok? “E olhou para os demais e disse: Puxa , a gente fica com uma dó!!” O que o menino aprendeu com isso?Ser vítima é tudo de bom!!

  28. Victor Castro

    -

    27/10/2009 às 9:16

    Por fim, se me permite a crítica, o Direito não pode se fundar na conveniência política, no “zeitgeist” (para usar uma expressão que você gosta). De um lado, os maconheiros de Minc e cia defendem a descriminalização com base em argumentos factuais, apenas para poderem fumar seu baseado sem serem molestados pela Polícia. De outro lado, os mais conservadores (como você) defendem a manutenção da criminalização dos narcóticos - como defenderam a Lei Seca e suas sanções draconianas - com base na incapacidade de educarem os jovens para o não-uso da droga.

    Espero que não me confunda com um petralha, só quis expor meus argumentos num dos (poucos) pontos em que discordamos.

    Grato.

  29. Bobby

    -

    27/10/2009 às 9:14

    Eu mudaria apenas uma palavra

    Reinaldo -

    Prefiro a palavra “pessoalidade” em lugar do termo “individualidade”. Pessoa é um conceito muito mais significativo que o conceito de indivíduo .

    Um abraço -

    Bobby

  30. Victor Castro

    -

    27/10/2009 às 9:11

    (continuando)

    Essa é a incoerência de um Estado que se pretende moralizante, criminalizando uma conduta por um dano abstrato.

    O uso de drogas deve servir de agravante para o indivíduo que cometeu um dano/crime no caso concreto.

    O comércio de drogas deve ser criminalizado na forma do ECA, para quem vende o produto a crianças e adolescentes ou próximo a escolas. Já a produção caseira, a meu ver, obedece ao direito de propriedade - seguindo-se os princípios jurídicos universais.

    Por isso, a questão não é “liberar geral”, mas vincular a sanção penal a um dano concreto a outro indivíduo ou à coletividade, sem se impor um crime pelo mero objetivo de amedrontar a “juventude alienada”.

  31. Mariazinha

    -

    27/10/2009 às 9:07

    Pois é, seu Reinaldo, a criatura tem uma conduta de risco por que quer e os outros são culpados? Tenha a santa paciência!

  32. Victor Castro

    -

    27/10/2009 às 9:05

    Caro Reinaldo, o que eu questiono do seu texto “Quem cheira, mata” não é a possibilidade jurídica de responsabilização do usuário de drogas pelos atos que veio a cometer sob efeito dos narcóticos.

    O que questiono é a prerrogativa do Estado de impor essa responsabilização de forma ficta, presumida, a partir da mera conduta de produção, uso ou venda das drogas.

    Um chá de noz moscada, um vidro de benzina ou um cogumelo de jardim conduzem a efeitos psicotrópicos tão malignos quanto as drogas mais notórias (cocaína, maconha, crack, etc), e o Estado só não as proíbe por reconhecer sua incapacidade de controlar sua produção/utilização.

    (continua)

  33. Cris

    -

    27/10/2009 às 8:47

    A pergunta que fica é: por que alguns são “vitimas da sociedadji” e outros, a maioria, não?
    Por que uns caem para o tráfico, enquanto seus vizinhos pegam o ônibus e vão trabalhar honestamente?
    Por que ele cheira e eu não?
    Quem defende essa gente, o “direito” dessa gente cheirar, cheira? Cheiraria? Deixaria seus filhos cheirarem a vontade?Por que não?

  34. Rubens

    -

    27/10/2009 às 8:24

    Você é chato. Seu intelectualismo te torna antipático. Mas em matéria de argumentação, coerência e integridade não vejo melhor atualmente no País. Tu vida valeu a pena ser vivida. Parabéns.

  35. Eumelembro

    -

    27/10/2009 às 7:42

    É isso Reinaldo!

    A boa, velha e sempre eficaz responsabilidade individual. Vou me lembrar sempre dos EUA.

    Em todo dano ou prejuízo causado a terceiros SEMPRE existe um culpado, doloso ou não! Não existe vítima sem o criminoso!

    No caso do Rio de Janeiro, as instituições e líderes responsáveis pela segurança são os culpados!

  36. Yara Chiara

    -

    27/10/2009 às 7:23

    “Quem cheira mata” é uma constatação. A verdade da afirmação é cristalina. É o axioma que deve ser aceito para que o resto da discussão faça sentido.

    A controvérsia não está na constatação - repito, óbvia - de que quem compra droga, financia o tráfico. Que VEJA ofenda por dizer o óbvio revela quão atrasados estamos na discussão desse problema.

    A controvérsia diz respeito a outra pergunta, de cunho moral: “Sim. Quem cheira, mata. Mas essa pessoa deve pagar por isso? O dependente não tem controle sobre seus…”. Ou: “Não é mais fácil punir com rigor quem vende?”.

    Minha resposta: responsabilizem-se as duas pontas, ainda que com rigor distinto. Mas a punição deve ser rigorosa.

  37. Marcus Meyer

    -

    27/10/2009 às 7:13

    No Brasil criou-se um glamour em torno do consumo. Se o viciado é um artista, então a coisa fica pior ainda. Já comentei sobre um artista lunático, sem qualquer apego à lei por ser filhinho de alguém muito rico que se injeta drogas com uma seringa compartilhada e se contamina com a AIDS, resultando em morte. Puro suicídio, mas como o morto era tido como um artista, virou, aos olhos da imprensa (TV Globo), “um símbolo da luta pela vida”. Como pode cara pálida? Quem se injeta droga não quer viver (pode não querer morrer, mas não respeita a vida), quem usa uma seringa compartilhda menos ainda! É preciso encarar o problema com realismo, não dá para fantasiar ou endeuzar os usuários!

  38. MaGioZal

    -

    27/10/2009 às 6:10

    O nosso código de trânsito não pune os infratores do volante como deveria. Devido aos buracos do queijo suíço que são os processos judiciais, quase sempre nunca o infrator é apontado como responsável pelo crime que cometeu, além das penas serem absuradamente leves, muitas vezes sendo comutadas em doação de cestas básicas (outra praga nacional: as tais “penas alternativas” — mas isso é uma outra história… ou não).

  39. Small Winner

    -

    27/10/2009 às 5:28

    Essa discussão é tão superada e mofada quanto a da reforma agrária. Um artigo de Pasolini de dezembro de 1968, parte do livro Caos, lançado nos anos de 1980 pela Brasiliense, começa assim: as pessoas se drogam por falta de cultura. Em homenagem a um certo ex-presidente, que deve ter alguma, eis o trecho original: Perché ci si droga? Non lo capisco, ma in qualche modo lo spiego. Ci si droga per mancanza di cultura.

  40. Jonathan Viena

    -

    27/10/2009 às 4:49

    Ola, Reinaldo,
    Adicione ai a sua lista de ‘vitimas da sociedade’ os fumantes que tragam aquela coisa asquerosa e depois, quando doentes, sao custeados por nos. Sem contar os que fumam em locais publicos e fechados e que nos contaminam… Outro dia uma personalidade do teatro disse que se trata de pessoas doentes, que precisam ser tratadas e que, por isso, nao apoia a lei antifumo de SP. Pergunto: alguem se sentaria ao lado de tuberculosos?


 

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