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09/06/2012

às 4:27

A recaída bolivariana da diplomacia brasileira

Leia editorial do Estadão:
Na esvaziada Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), encerrada quarta-feira passada em Cochabamba, na Bolívia, o Brasil desprezou mais uma oportunidade de marcar posição em defesa dos direitos humanos no continente. Numa recaída bolivariana influenciada também pela intenção de retaliar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) – que no ano passado pediu a suspensão das obras da Hidrelétrica de Belo Monte até que se apurassem as denúncias de que estariam sendo infringidos direitos da população indígena -, o governo brasileiro preferiu, mais uma vez, alinhar-se com os regimes autoritários do Equador, Bolívia, Nicarágua e Venezuela, violadores contumazes dos direitos humanos, principalmente a liberdade de imprensa. Felizmente, porém, malogrou a tentativa de que o plenário da OEA votasse resolução que impõe restrições à ação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que os bolivarianos acusam de servir a “interesses imperialistas”.

A proposta de enquadramento da comissão – que por extensão acaba atingindo a Corte Interamericana de Direitos Humanos – teve como defensor principal o presidente equatoriano Rafael Correa, o único chefe de Estado presente ao encontro, além do anfitrião Evo Morales, que acusou aquele órgão da OEA de favorecer “a liberdade de extorsão do jornalismo”. Ele combate a “imprensa burguesa” ferozmente em seu país, com a imposição de medidas econômico-financeiras, legislativas e judiciais que têm sufocado os veículos de comunicação que lhe fazem oposição. Evo Morales e os representantes da Venezuela e da Nicarágua, integrantes da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), fizeram eco às diatribes de Correa. O embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, declarou à agência de notícias Reuters que a CIDH “é um instrumento do império composto por cúmplices e covardes” e reiterou as críticas de seu governo ao trabalho do argentino Santiago Cantón na Secretaria Executiva da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A função dessa comissão é promover, fiscalizar e proteger os direitos humanos nas Américas, o que tem feito com o mesmo rigor com que, no passado, condenava as práticas antidemocráticas das ditaduras direitistas no continente.

O Brasil, ao lado de México e Argentina, não chegou a endossar os ataques diretos à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, mas defendeu a necessidade de “modernizar” os mecanismos de atuação dos órgãos da OEA que atuam na área de direitos humanos, o que significa, na prática, diminuir sua autonomia, transferindo as principais decisões para o plenário da OEA e, como consequência, esvaziando o poder da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Exatamente por esse motivo, essa “modernização” é combatida por entidades como a Human Rights Watch e a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).

Ao final, o esvaziamento da Assembleia-Geral da OEA acabou impedindo o avanço de mais essa conspiração bolivariana contra o sistema interamericano de direitos humanos. Compareceram à reunião de cúpula apenas os 2 chefes de Estado, Morales e Correa, e 16 chanceleres, com os demais países, Brasil inclusive, representados por seus embaixadores na organização. O Conselho Permanente da OEA havia decidido submeter a proposta à Assembleia-Geral de Cochabamba. Mas o plenário da conferência esvaziada devolveu a questão ao Conselho Permanente, para que seja reestudada e encaminhada à próxima Assembleia-Geral, ainda sem data para se reunir.

Para justificar sua posição dúbia nessa questão vital para a preservação dos direitos humanos no continente, o governo brasileiro alega que as reformas preconizadas pelo radicalismo bolivariano de Correa, Morales, Chávez e companhia não afetarão o trabalho da CIDH e destinam-se apenas a aperfeiçoar os critérios para sua atuação. Mas a origem da proposta não deixa dúvidas quanto a suas reais intenções. É estranha, portanto, a posição brasileira, que está em contradição com o fato de que aqui a liberdade de expressão tem sido respeitada, malgrado as episódicas e lamentáveis exceções de interpretações judiciais equivocadas.

Por Reinaldo Azevedo

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15 Comentários

  1. J4S0N7

    -

    11/06/2012 às 15:20

    A área de construção da usina de belo monte é uma área cobiçada, dentro e fora do Brasil, a usina está sendo construída com dois objetivos; aporte no fornecimento de energia elétrica, e também aporte na soberania nacional. Há muitos grupos estrangeiros fazendo pressão pela interrupção da construção, pois eles tem interesses ali. Os brasileiros não podem se opor à construção da usina…

  2. David Waisman

    -

    10/06/2012 às 18:41

    É equivocado o apoio incondicional deste blog à CIDH. Claro que qualquer posição boliviariana é suspeita, mas a reserva brasileira se origina da oposição sem fundamento da CIDH a Belo Monte, uma bofetada no governo brasileiro, que tem tocado o projeto com os devidos cuidados ambientais. A oposição a Belo Monte é coisa da Marina Silva.

  3. Pedro Bó Terceiro

    -

    09/06/2012 às 18:22

    É! Tentativas como essa decorrem de desdobramentos do Foro de São Paulo.

  4. Márcia

    -

    09/06/2012 às 18:11

    Com mais essa, o Brasil fica no mesmo nível dos bolivarianos, onde um deles , o nicaraguense , foi estuprador da própria enteada. Esse é o nível dos Direitos Humanos que eles querem. LIXO!
    Brasil do PT, um país de 3o mundo e do TOLOS.

  5. O Asno

    -

    09/06/2012 às 17:37

    os
    bolivarianos somente mentem…
    exclusivamente mentem… sempre mentem…
    eLLes, os bolivarianos,
    não conseguem falar qualquer verdade…
    vejam vocês…
    quando Belo Monte estiver pronta, funcionando,
    o índio que mora mais perto de Belo Monte estará distante pelo menos 30 Km da margem do lago de Belo Monte…
    onde
    Belo Monte está sendo construída atualmente não tem aldeias de índios…
    as
    atuais aldeias de índios estão hoje ao menos 30 Km distantes da construção de Belo Monte…
    na
    verdade o que há é um brande monte…
    um monte bem grande…
    um monte bem grande de mentiras e invejas dos bolivarianos…
    quando
    ouvires um bolivariano falar,
    então
    fique certo como 2 + 2 é 4 que estais a ouvir somente mentiras mentirosas, viu?
    Os bolivarianos passarão…
    eLLes, os bolivarianos, são preguiçõsos, vivem de “discursos inflamados e assembleísmos”…
    não
    têm coragem de estudar…
    não
    têm coragem de trabalhar e produzir nada de nada…
    o
    bufinho do Chavez estatizou fábricas de automóveis,
    e aludidas fábricas já conseguem a façanha inacreditável de produzirem 5% do que produziam quando antes eram privatizadas…
    antes da estatização as fábricas produziam 100%,
    agora estatizadas produzem 5% do que produziam quando ainda eram privatizadas…
    difícil de entender, né?
    Muito difícil… muito… muito…
    enfim,
    os bolivarianos são só “sucesso”, viu?
    São só “sucesso”… “sucesso”… “sucesso”…
    sucesso ao contrário, claro, né?
    uns invejosos… uns preguiçosos…
    Ao contrário deLLes bolivarianos,
    a
    América Livre cada dia mais rica, mais poderosa, e bem mais armada…
    ainda bem… ainda bem… ainda bem…
    adespois vorto…
    adespois…

  6. Pedro Augusto Roterfield

    -

    09/06/2012 às 17:19

    É o nosso Nacional Socialismo em ação!

  7. Jeremias-no-deserto

    -

    09/06/2012 às 17:03

    Mas digam-me, com toda isenção: é possível levar a sério uma assembleia da OEA realizada em COCHABAMBA (!!!)com um anfitreão do naipe do índio EVO e o seu partner CORREA?Garanto que deve ter rolado muito som de guarânia com o TRIO LOS PANCHOS e muito churrasco de gato. O Brasil da era da mediocridade estava lá bem representado, é claro, pra manter sempre de pé o seu ancestral complexo de vira-latas.

  8. Blog and Roll

    -

    09/06/2012 às 13:24

    Qual a surpresa? Eu me surpreenderia se a TV Globo (mas não só ela) voltasse a falar do Foro de São Paulo, organização supranacional e de caráter revolucionário que impõe sua agenda gramscista aos países supracitados.

  9. eu

    -

    09/06/2012 às 11:16

    Bolivarianos louquinhos para calar a imprensa.
    Aqui não passarão!

  10. Moacyr

    -

    09/06/2012 às 10:07

    Para um jornal sob censura há mais de 2 anos, o Ex-tadão tá pra lá de pianinho.

  11. Brasilino Brasa

    -

    09/06/2012 às 10:05

    O grande e incontestável fato é que imprensa livre e governos totalitaristas são como água e óleo, são inimigos naturais. Belo monte é apenas um pretexto, mas convenhamos, o Brasil ser acusado de não respeitar o direito dos índios é uma piada de péssimo gosto. Gostariam eles que mais da metade do território nacional fosse demarcado como reserva indígena. Quanto a isso, vão para o raio que os parta. A palavra comove, mas o exemplo arrasta. Cantar de galo nas terras dos outros é muito bom.

  12. Paulo Bento Bandarra

    -

    09/06/2012 às 9:33

    Aqui o processo está apenas mais atrasado, mas as intenções são as mesmas projetadas já no 3º PN(S)DH para domar a imprensa.

  13. Marcos F

    -

    09/06/2012 às 9:19

    Tudo é perfeitamente calculado.
    O Brasil era dos países mais queridos em qualquer ponto do planeta.
    Não, tem que ser detestado. Nisso o Itamaraty seguiu – e ainda segue – perfeitamente as ordens do apeDelta.

  14. Josafá

    -

    09/06/2012 às 8:08

    Não houve recaída. Apenas não deu para sustentar a máscara por muito tempo.

  15. Luz no Fim

    -

    09/06/2012 às 5:08

    “É estranha, portanto, a posição brasileira, que está em contradição com o fato de que aqui a liberdade de expressão tem sido respeitada, malgrado as episódicas e lamentáveis exceções de interpretações judiciais equivocadas.”
    Como estranha, Estadão? É tão previsível que chega a dar sono.

 

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