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22/08/2011

às 6:31

A queda de Kadafi e o mundo que nos espera

Muamar kadafi já era! Os rebeldes tomaram Trípoli, o bastião de resistência do tirano. Consta que dois de seus filhos foram presos: Mohammed Kadhafi e Saif Al-Islam, que funcionava como uma espécie de porta-voz do regime e parecia empenhado em dar um ar civilizado ao pai. O que será da Líbia?

A queda de um déspota asqueroso como Kadafi é, em si, uma boa notícia. Posto o fato no conjunto da obra, aí é preciso aguardar. Os ditos rebeldes não são exatamente paladinos da justiça e da liberdade. E há evidências disso. O regime que se seguirá ao de kadafi será mesmo democrático? A democracia é um “valor universal” para os… democratas! Mais: é preciso que haja democratas para que exista democracia. Não é um bem imaterial, só um norte ético, que os homens de bem buscam alcançar. Trata-se de um modelo de governo, que não se subordina, por exemplo, a uma religião. Quantos querem democracia na Líbia?

Não foram os ditos “rebeldes” que derrubaram Kadafi, mas a Otan — na verdade, Estados Unidos e Inglaterra. A aplicação da tal resolução da ONU, que aprovou apenas a proteção aos civis, foi violada de maneira clara, insofismável. A Otan se meteu numa guerra civil, sem a autorização de ninguém, e escolheu um dos lados. Bombardeou de modo sistemático posições de Kadafi para permitir o avanço de seus adversários.

Os governos da Tunísia e do Egito — e logo acontecerá o mesmo com o Iêmen, quem sabe com a Síria — caíram no enfrentamento com os seus adversários internos, sem uma intervenção estrangeira. Na Líbia, como se viu, foi diferente. Sem os EUA e a Inglaterra — e a Otan —, é bem possível que Kadafi tivesse vencido. Isso impõe às potências ocidentais uma obrigação: zelar pela qualidade democrática do futuro governo. Eu me permito ser um tanto cético.

A Líbia de Kadafi foi, durante muitos anos, um celeiro de terroristas — aliás, era governado por um. Aí o homem se engraçou com o Ocidente, declarou inimigos os jihadistas e passou a colaborar efetivamente com o combate ao terrorismo, tanto que recebeu o afago dos governos dos EUA e da Grã-Bretanha. O jihadismo se alinhou com os rebeldes. Alguns de seus soldados são veteranos ainda da guerra do Afeganistão contra a… União Soviética! Quem dará o tom do novo governo? É uma tolice imaginar que toda a sociedade líbia repudia Kadaf.

Parece que eu estou pouco animado? A questão, é evidente!, não é essa. Quero mais é que o tirano arda no mármore do inferno. Mas é preciso que fiquemos atentos ao governo que lá vai se instalar e a seus valores. Democracia, já disse, não cai do céu. EUA e Grã-Bretanha se fizeram promotores e guardiões do “novo regime” líbio. Se o Egito, a Tunísia e outros países que enfrentam revoltas nas ruas optarem por formas veladas de ditadura, a Otan não tem mesmo nada com isso. No caso da Líbia, terá de demonstrar que não abriu fogo contra o governo do país para entronizar novos facínoras.

Egito
As coisas são mais complexas do que faz crer, por exemplo, um Barack Obama, grande expoente da simplificação. O atentado a Israel evidenciou um fruto indesejado, mas absolutamente previsível, da desconstituição do governo daquele país. Os terroristas saíram de Faixa de Gaza e chegaram ao Sul do Israel passando por território egípcio. E não foram contidos. Três soldados do Egito morreram na resposta israelense, o que já inflamou os ânimos. Dá-se como certo que, qualquer que seja o governo que se instale no país, ele certamente será mais anti-Israel do que a ditadura de Mubarak. Parte do território iemenita é hoje controlada por forças ligadas à Al Qaeda. A Irmandade Muçulmana mobiliza milhares que hoje pedem a renúncia de Bashar Al Assad na Síria.

Se é um primado moral e ético censurar a ação de déspotas sanguinários como Mubarak, Kadafi e Bashar Al Assad, não dá para fazer de conta que forças democráticas despertaram de seu longo sono para depor governos tiranos, dispostas a morrer — no caso da Líbia, da Síria e do Iêmen, dispostas também a matar. Infelizmente, as coisas não se dão dessa maneira. Alguém as mobiliza e com um propósito. O Egito já emitiu um péssimo sinal. Ainda que se venha a constituir um núcleo de governabilidade pautado pela democracia — as coisas andam confusas por lá —, esse governo certamente não tratará os terroristas a ferro e fogo, como fazia Mubarak; essa era a única face positiva do seu regime, o que valia também para Kadafi, ao menos o dos últimos anos.

Eu gostaria de estar mais otimista, mas não estou, não. Há algo de profundamente errado quando se afirma que a “Primavera Árabe” contribui para aumentar os riscos de Israel. Que diabo de “primavera” é essa que expõe ainda mais ao perigo uma nação democrática e contribui para elevar a tensão no Oriente Médio? Às vezes, sinto um tanto de “inverno da razão” nessa euforia, o que não quer dizer que aqueles tiranos sejam menos moralmente miseráveis do que são. Aplaudo o fim de Mubarak, de Kadafi e, quem sabe, de Bashar Al Assad… E só. Ainda não dá para saudar uma nova aurora.

Por Reinaldo Azevedo

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89 Comentários

  • Aline

    -

    20/10/2011 às 11:42 am

    Sincermente, não achei lógico todos dizerem que Kadafi era uma pessoal ruim, se não diziam quem ele era, como ficou no poder por tantos anos. Eu apenas ouvia que ele era ditador, mas não se dizia o porquê. Atualmente, eu acho que há um plano de fundo atrás de todo esse frison da bandeira democratica, não é algo intuitivo, mas sim fruto das experiencias da minha vida. Quem é realmente ditador neste mundo?? E o que é democracia? Quando um país realmente tem soberania? acho que está tudo errad! apesar de saber, como me disse um amigo, “que os problemas do mundo só vão acabar quando a raça humana for extinta”.

  • Anónimo

    -

    20/10/2011 às 11:35 am

    Sincermente, não achei lógico todos dizerem que Kadafi era uma pessoal ruim, se não diziam quem ele era, como ficou no poder por tantos anos. Eu apenas ouvia que ele era ditador, mas não se dizia o porquê. Atualmente, eu acho que há um plano de fundo atrás de todo esse frison da bandeira democratica, não é algo intuitivo, mas sim fruto das experiencias da minha vida. Quem é realmente ditador neste mundo??

  • Layse Matos

    -

    26/8/2011 às 11:17 am

    Prezado Reinaldo, parabéns pelo artigo, é por existir pessoas como você que, nos faz permanecer na internet por mais tempo lendo artigos como o seu. obrigada pela atenção. Professora Layse
    Obs. trabalhei seu artigo na sala de aula

  • bpistelli

    -

    23/8/2011 às 3:08 pm

    Reinaldo, um adendo para todos: A DEMOCRACIA É MARROM OU NEGRA, VISCOSA e dela se refina a gasolina.
    Algum americano vai intervir na Somália para derrubar os 400 ditadores locais ( senhores da guerra ) e escorar o governo racional em Mogadício? NÃO, NA SOMÁLIA NÃO TEM PETRÓLEO ( DEMOCRACIA ) para ser defendida e muita fome para gastar dinheiro e alimentos, o mesmo com a Etiópia, Quênia, Djibuti e talvez o Sudão do Sul, este tem democracia para ser defendida (petróleo para os EUA) como o Brasil, onde bastariam 20 submarinos nucleares e porta-aviões americanos para expulsar os brasileiros dos campos de produção de petróleo no mar e garantir 5 milhões de barris ” um iraque ” no mar para manter os brasileiros longe do seu petróleo.

  • Think tank

    -

    23/8/2011 às 2:43 pm

    Cai um ditador entra outro, não existe paradigma que rompa este tipo de vício, e isto também se aplica em toda América latrina e continente Africano, o que reina é a corrupção. Antes de “achar” isso ou aquilo olhando só a superfície do rio, tem que analisar o que se passa no fundo do leito.
    No Afeganistão, Iraque, Tunísia, Egito, alguém aposta que vai mudar? Estes países são assim por ter o poder tomado por pessoas corruptas e imorais como no Brasil.

  • Célio Maia

    -

    23/8/2011 às 1:40 am

    Kadafi, com 42 anos de poder, e Fidel, com 47 de poder, não passam de reles aprendizes comparados com os quase 60 anos de poder do Sarney, que, pelo visto, continuará com ele até que a morte os separe.

  • Desbravador

    -

    22/8/2011 às 11:57 pm

    Caro Reinaldo, para discutir este tema eu gostaria de ter
    bastante espaço. Em primeiro lugar, democracia é pra quem
    sabe o que esta forma de regime significa. Aceitação de
    quem pensa diferente, liberdade de expressão, alternancia
    de poder, respeito ao povo e a seus pares. Aí eu pergunto
    e quem conhece isto? Veja o caso do Brasil, um babaca ficou oito anos, forçou a barra, não respeitou as Leis do
    país, elegeu uma cupinhcha comprometida com roubalheiras
    na casa civil e acintosamente se prepara para voltar.
    Esse cara lá sabe o que é democracia? Alternancia no poder
    respeito às Leis do país? Eleição no Brasil é a mais
    corrupta do mundo, nenhum país adota este tipo de eleição
    o computador é a mais poderosa arma de roubar do mundo.
    Quanto ao Oriente médio não existe solução pois lá não
    existe nenhum país, existe grupos religiosos, o que é uma
    coisa muito diferente de país. País pode adotar e desen-
    volver uma politica que bem ou mal propicia algum tipo
    de relação entre povos e pessoas, religião não permite
    isto. Os judeus desde que se instalaram naqula região nunca conseguiram ser olhados pelo resto do mundo como um
    país, eles são judeus e pronto esta acabado. Os persas
    são a mesma coisa, são mulçumanos e pronto esta acabado.
    Os palestinos são os mais ferrados na vida, mas por sua
    vez estão agarrados como carrapatos na religião e pronto
    esta acabado. Estes povos optaram por continuarem primiti-
    vos, não acompanharam a evolução do resto do mundo, com
    todas as mazelas e contgradições que essa evolução contêm. Jamais se constituirão paises, com todas as mazelas que os já constituidos paises têm, gastam tudo que conseguem para garantir sua sobrevivencia.
    Para terminar, vaticino, religião que ocupa territórios
    sem condições de se constituirem paises vão explodir ou
    sewrão explodidos. É questão de tempo.

  • Roberto José

    -

    22/8/2011 às 11:17 pm

    Toda grande caminhada começa com o primeiro passo, no caso da Líbia, o primeiro passo foi dado ( veremos à democracia islamica). sejamos otimistas, a coisa não ficará pior que no regime do “antigo” ditador.

  • Alvaro Jacinto

    -

    22/8/2011 às 9:49 pm

    Como mudar filosofias de vida milenares
    da noite para o dia?
    uma sociedade onde o homem vem em pri-
    meiro lugar e os direitos humanos não
    são respeitados, não se pode pensar
    em democracia… Tudo ficará como está.

  • Wendel Souza

    -

    22/8/2011 às 8:27 pm

    Querido Reinaldo,

    O apóstolo Paulo em epístola aos Tessalonicenses, ao estabelecer o “zeitgeist” vigente no futuro Dia do Senhor, afirmou:

    “pois quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão.” 1 Tes 5:3

    É revelador o fato de que as multidões de inimigos de Israel estejam a clamar por “Paz e segurança”…

  • carlos

    -

    22/8/2011 às 7:28 pm

    Prezado Reinaldo: o que estamos vendo no mundo árabe está muito menos para primavera, amena e cheirosa, do que para trabalho de parto, sangrento e doloroso. No caso, o parto de civilizações. Ele não é rápido, não há fórceps ou cesareana. Não há garantias de que não haja intercorrências. O parto da civilização americana ocorreu somando-se a guerra da independência à da secessão. Foram os primórdios de uma civilização hoje exuberante. Ninguém vai dormir no feudo de Kadafi e acorda cidadão com plenos direitos em Toronto. Há um caminho longo de idas, vindas, e por certo, recuos. Pode haver golpes religiosos (ver Irã), ou militares – os que detém de fato a força. Para chegar na democracia, pode levar décadas, séculos, e pode não chegar nunca. O mundo continuará tendo países vencedores e perdedores, assim com as sociedades terão cidadãos vencedores e perdedores. Nunca teremos só Suécias, mas temos que lutar para não que não tenhamos só Somálias. É isto. Abraços.

  • Curioso

    -

    22/8/2011 às 7:28 pm

    Reinaldo. Compartilho com você seu pessimismo, mas acho que esse caminho é inevitável! O ódio gerado pelo Mundo Mulçumano e pelo Mundo Ocidental contra Israel se tornou tão imenso que o Mundo terá o que pediu. É uma energia monstruosamente maléfica. Isso está também aqui na America do Sul. Pelas minhas observações, o Mundo entrará nas trevas, geradas pelo ódio. O Mundo quer o ódio. O Mundo quer as Trevas. Estão desesperados por isso. É como se quisessem se aniquilar, infelizmente.

  • Agnes

    -

    22/8/2011 às 7:24 pm

    Reinaldo.
    O que será que pensam os petralhas,vendo o final mais adequado desses tiranos?Aquele povo de lá está se livrando desses ditadores e nós aqui com um bando de loucos querendo acabar com a democracia.Deus nos acuda!

  • lucci

    -

    22/8/2011 às 6:59 pm

    “So Kadaffi is both dead and captured according to Twitter. Truly, he is Schrodinger’s Dictator”

    aguardemos.

  • @Medeyer

    -

    22/8/2011 às 6:57 pm

    Então agora é oficial mesmo: o Líder da Al-Qaeda apóia os rebeldes na Síria, enquanto q na Líbia, os “rebeldes” fazem vista grossa aos terrorista q usam seu território como trampolim p/ atacar o Grande Israel… a Primavera tratava-se de fato de um longo e tenebroso Inverno Árabe…

  • pedrao

    -

    22/8/2011 às 6:29 pm

    Uma pequena correção; São tres os filhos presos do mandrião Kadafi.O que não quer dizer muita coisa,pois o dito cujo mantinha lá uma especie de “prima noche islamica” e tinha varias mulheres como “esposas” e um numero desconhecido de filhos.Nesta altura dos fatos ,o dito é cujo, ou “de cujus”

  • Vera

    -

    22/8/2011 às 6:15 pm

    É desolador, mas compartilho com o Reinaldo esse desalento sobre a primavera árabe. A menos que essas sociedades se tornassem laicas, o que não é nada fácil, como implantar uma democracia e se o fizer (à sua meneira), quem irão eleger? Teocratas já não estariam tentando atingir almas e mentes para reforçar o princípio de uma sociedade político/religiosa? Tudo isso é bem possível.

    E a propósito, houve sim fatos que reforçaram o fim do poder religioso na Idade Média para as sociedades laicas ocidentais da Idade Moderna. Uma delas, um movimento chamado Iluminismo que buscava trazer a luz da razão em detrimento da suposta luz da religião, que convenhamos, dificultava o avanço das ideias racionais humanas da época. A chamada “trevas” refere-se justamente a isso: a escuridão que o pensamento religioso impõe sobre a luz da razão.

  • Gabriel Moura

    -

    22/8/2011 às 5:58 pm

    “O regime que se seguirá ao de kadafi será mesmo democrático?” – Não.

  • Gaúcho

    -

    22/8/2011 às 5:56 pm

    De minha parte, como ficar “contente” com a queda de um ditador ou facínora ou tirano e também ficar contente com a INTROMISSÃO da Europa, da OTAN, em assuntos internos de outro país? Que interesses a OTAN tem nisso? O que mais além do conhecido e já sabido, Kadafi representa? Kadafi atinge mais interesses do qual sabemos?
    Não fico nem um pouco iludido com essa vitória dos rebeldes. Não confio em quem está por trás desses rebeldes e não confio nos aparentes propósitos explicados pelos líderes da OTAN. Em tese hoje é a Líbia de Kadafi, amanhã pode ser qualquer país que não agrade alguma superpotência. Soberania não existe mais??

  • Vera L.

    -

    22/8/2011 às 5:46 pm

    Reinaldo,
    Não é desânimo,é a realidade que se impõe. Já era tempo de no Egito a PRIMAVERA FLORIR de verdade, e não, ainda estão no inverno, cadê DEMOCRACIA, eleições LIVRES, VALORES democráticos? Volta e meia estão querendo voltar à preça, é sinal de que pouco mudou, na Líbia com suas MUITAS tribos será ainda mais longo o inverno. De Primavera por aquelas bandas só a QUEDA dos tiranos…

  • Anónimo

    -

    22/8/2011 às 5:20 pm

    Uma coisa é certa se a democcracia na Líbia é apadrinhada pelos Estados Unidos e Inglaterra então o povo líbio está ferrado,como no Iraque e no atual Afeganistão.A Democracia pode até ser um valor superior,mas por que não funciona onde as democracias as levam?Acho que a culpa é do padrinho que tá nem ai para democracia.

  • Renato

    -

    22/8/2011 às 4:38 pm

    Reinaldo
    Seria absurdo imaginar que Lula vendeu seu apoio a Gadafi e a outros ditadores, assim como vende palestras para arrecadar fundos para sua nobre causa?

  • Alexis de Tocqueville

    -

    22/8/2011 às 4:14 pm

    Não houve fatos que determinassem uma drástica ruptura entre a Idade Média e a Idade Moderna, pois não houve solução de continuidade entre tais períodos históricos. Convém ter em mente que, no século XV, época de transição marcada pela emergência de eventos capitais para o progresso e a afirmação da civilização ocidental, características que permitiram discernir a configuração social, econômica e cultural da era moderna coexistiram em relativa harmonia com costumes, tradições e crenças típicas do feudalismo. A Idade Média não foi um período das trevas, denominação pejorativa que lhe foi dada por integrantes de correntes historiográficas imbuídas de visões estereotipadas, haja vista ter produzido uma vida cultural bastante vigorosa e lançado os alicerces da expansão comercial e marítima européia, que desembocaria, por sua vez, na formação dos Estados Nacionais e no alvorecer da democracia liberal.
    Não sou otimista ao ponto de acreditar que a simples derrubada da ditadura do coronel Muamar Kadafi implicará necessariamente na instauração de um regime democrático na Líbia, mas acredito ter fundadas razões para cultivar a esperança de que tal episódio pode incentivar a ânsia por liberdade de largos segmentos das sociedades do mundo islâmico, a qual desatou a onda de revoltas populares que está a desafiar governos autocráticos de diversas nações do Oriente Médio e do Norte da África.

  • Fernando Lisboa

    -

    22/8/2011 às 3:51 pm

    Tem razão, Reinaldo. É muito cedo, e só o tempo dirá que tipo de governo e sociedade irão emergir destes países. No mais, quero lembrar-lhe que a ONU permitiu os ataques ao Iraque, com base na suposta existência de armas de destruição de massa, o que nunca se comprovou. Falha de inteligência ou pura mentira do governo Bush, não importa. Confrontados com a falta de “motivo legal” para invadir o Iraque, Blair e Bush se apressaram a recitar como papagaios “I WILL NOT APOLOGIZE FOR HAVING REMOVED SADDAM HUSSEIM FROM POWER”. O resto é história. Existe aí um precedente para Obama fazer o que quiser com Kadafi. Ou só presidentes Republicanos é que podem salvar povos de seus ditadores carrascos? Ou talvez George W., ao contrário de Obama, segundo você o rei da simplificação, esteja fora do alcance do poder de análise de muita gente boa, já que era extremamente sofisticado e dono de um intelecto poderoso…

  • hiran

    -

    22/8/2011 às 3:49 pm

    Alem do fim desses ditadores Mubarak,Kadafi e talvez de Bashar Al Assad, eu acho que ainda fica faltando mais tres bandido: Hugo Chaves, Evo Morales e o pior deles, LULA. Esse ja devia ter sido preso a muito tempo, por seu brilhante esquema de corrupção no nosso paìs. Seu dia também está pra chegar!

  • Eduardo

    -

    22/8/2011 às 3:41 pm

    Prezado,
    Acrescento o papel da França na confusão. A meu ver foi quem mais se incomodou com Kadafi e influenciou outros países a entrarem nessa ação.

  • Juvencio

    -

    22/8/2011 às 3:38 pm

    Aparentemente a primavera arabe acontece por melhores condições de vida antes de tudo. Que os movimentos religiosos participam do levante é fato, mas que venham a ser preponderantes é dúvida. No fundo no fundo parece que esses povos estao querendo separar a religião da política. Mas como diria o filósofo: eu posso estar errado!

  • Se-Gyn

    -

    22/8/2011 às 3:21 pm

    Tudo certo para dar… encrenca!

  • snitram

    -

    22/8/2011 às 3:19 pm

    Eu até agora não entendi a razão de Eua e Inglaterra e França terem se metido nessa. Não consigo imaginar uma razão política ou econômica, ou mesmo ética, para se meterem na Líbia apoiando um dos lados. Se é para derrubar uma ditadura, bom… tem várias ditaduras pelo mundo, a fila é grande. A começar pela Arábia Saudita. O Irã, por exemplo, é uma ditadura que tem muito mais motivo para ser derrubada. Acho que ou estes Sarkozy e Obama e etc… são uns asnos ou são tão inteligentes que eu sequer consigo alcançá-los.

  • veiaco

    -

    22/8/2011 às 3:08 pm

    Bem pensado Reinaldo. Como querer que um povo que há anos só conhece a ditadura do Kadafi agora vá aderir à Democracia, algo que eles não conhecem. Aqui saímos de duma ditadura militar e entramos em outra, a ditadura dos políticos corruptos.

  • bpistelli

    -

    22/8/2011 às 2:34 pm

    Reinaldo, a Al-qaeda do Magreb agradece a ajuda americana para retirar Kadafi, o serviço de revolução tem que ser de um povo e não da OTAN e americanos bombardeando selvagemente o território líbio, matando soldados legalistas e muitos dos rebeldes, o zé povinho que está na frente de guerra tem na retaguarda líderes ligados aos terroristas da Al-qaeda. Há 20 dias um dos líderes máximos da revolução foi morto porque foi descoberta a ligação com a al-qaeda do Magreb ( nenhuma ligação com a do Bin Laden) exceto nos objetivos de criar o califado da Europa Ásia e África ( exceto índia, África do sul e China ) países que terão décadas de guerra com a al-qaeda até a derrocada.
    Ingleses, franceses e americanos precisarão do poder nuclear para defender as fronteiras e mandar embora os radicais religiosos ( judeus, muçulmanos e cristãos ), Israel poderá ter o Egito para sí, os acontecimentos da semana mostram a guerra próxima contra o Egito, a conquista do país e também da Síria ( quase tão sem defesa quanto a Líbia de Kadafi, é como a Líbia no mês passado.
    Se Israel resistir à Al-qaeda poderemos ter esperança de dias menos negros de uma segunda idade média.

  • capitão

    -

    22/8/2011 às 2:28 pm

    OFF-TOPIC

    LIBERDADE DE EXPRESSÃO E MOVIMENTO GAY.

    Uma igreja de Ribeirão preto colocou alguns out-doors com mensagens do velho testamento condenando o homossexualismo. Entidades apelaram para a promotoria e esta conseguiu que o juiz proibisse os cartazes. O juiz diz que há liberdade de expressão mas que a lei também protege a intimidade, a honra e a imagem das pessoas. Mas a Igreja não tratou de alguém especificamente, o texto era genérico, expunha idéias.
    Esta é a notícia do Terra: “A Justiça de Ribeirão Preto determinou a retirada de um outdoor considerado homofóbico, a pedido Defensoria Pública de São Paulo acatado pela 6ª Vara Cívil da cidade. O outdoor, produzido pela Casa de Oração de Ribeirão Preto, continha três citações bíblicas e, entre elas, destacava-se o trecho do livro de Levítico: “se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável (…)”.
    A decisão da Justiça ocorreu dois dias antes da realização da 7ª Parada do Orgulho LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) da cidade, que aconteceu no domingo.
    De acordo com a decisão do juiz Aleksander Coronado Braido da Silva, “a Constituição Federal protege a conduta do réu de expor suas opiniões pessoais, mas, ao mesmo tempo, também protege a intimidade, honra e imagem das pessoas quando violadas”.

  • SORALES

    -

    22/8/2011 às 1:46 pm

    Reinaldo

    Quem disse que o ditador Mubarak, quando no poder, era contra Israel? É evidente que a vontade popular no Egito e em outros países da primavera árabe é solidária ao povo palestino. Porque a democracia, começando num eventual estado palestino, passando pelas ditaduras do Oriente médio, nunca interessou a nenhum tirano árabe. Muito menos aos EUA e Israel.

  • Observadordepirata

    -

    22/8/2011 às 1:34 pm

    A África e o Oriente Médio são regiões que quanto mais se mexem, mais fedem.

  • Observadordepirata

    -

    22/8/2011 às 1:27 pm

    Em se tratando de país árabe, acho que tiraram uma porcaria para colocar outra no lugar.

  • Gonçalo Osório

    -

    22/8/2011 às 1:18 pm

    Rei,

    Cuidado com o factual. Você se esqueceu de mencionar a França no post inteiro. E não foi pouca coisa o que o SArkozy fez para entrar de porrada na Líbia…aliás, não fosse ele não sei se o Obama teria topado. Outra coisa: havia, sim, uma resolução permitindo a ação militar. Também não é pouca coisa. Acho importante a derrubada do maluco por um outro motivo: (prá enfurecer os esquerdopatas) a credibilidade das armas ocidentais. A Otan é como pistoleiro famoso — se entrou no duelo, tem de ganhar.

    abraços

  • Mauricio

    -

    22/8/2011 às 1:12 pm

    Concordo com todas as colocações, Reinaldo.
    Discordo apenas quando diz que “Obama, grande expoente das simplificações..” A comparação inevitável: Obama não é GRANDE simplificador. Seu antecessor, Bush filho, sim: o homem das mensagens claras, lineares, do olho no olho,do bem e do mal, maniqueista, enfim, limitado.

  • Maurelio

    -

    22/8/2011 às 12:59 pm

    Lula não está a defender seu “líder e irmão” Kadafi, porque é um palhaço, um cachaceiro covarde que só sabe lamber o cu de tiranos e assassinos!

  • Fabio

    -

    22/8/2011 às 12:46 pm

    É interessante analisar quem assume as vitórias. Nas invasões do Iraque, por exemplo, o Bush foi lá para dizer que a missão estava cumprida. No caso, graças ao governo norte-americano.

    Agora, por tudo isso que você aponta, a ideia é mostrar que tudo passou de uma decisão popular, do clamor do povo que sofreu tanto com o ditador malvado…

    Os méritos são todos dos “rebeldes”. Nada sobre OTAN ou qualquer governo estrangeiro. Para deixar isso mais claro, a propaganda extra-oficial tem uma bela arma: fotografias dos rebeldes produzindo armas artesanais contra o malvado Kadafi. Dá uma olhada nessa coletânea, com as devidas legendas explicativas:

    http://www.theatlantic.com/infocus/2011/06/diy-weapons-of-the-libyan-rebels/100086/

  • terceira via

    -

    22/8/2011 às 12:40 pm

    democracia ????? naquela região????? com fundamentalistas infiltrados????? um povo dividido em vários tribos que não se entende entre si??? tribo que tem no sangue a luta por alguma coisa??? qualquer coisa! Podem continuar sonhando. Vão ser vários Aiatolas disputando as massas.

  • morg

    -

    22/8/2011 às 12:29 pm

    Reinaldo,
    1 – na última frase do 5o. parágrafo: “É uma tolice…”
    2 – na 2a .linha do 6o. parágrafo: “…no mármore do inferno…”
    3 – na 6a. linha do mesmo: “…optarem por umas…”
    morg

    MODERADOR AGRADECE: CORRIGIDO!

  • raimundo

    -

    22/8/2011 às 12:21 pm

    Reinaldo, vale lembrar que há cerca de um mês um grupo de “primaveristas” líbio executou um general kadafista que se passou para o lado deles, e ficou por isso mesmo. Não tenhamos dúvidas: sai o terrível Kadafi e entram os tribalistas para fatiar a Líbia. Primavera naquela região é feita com pólvora e chumbo. E a Inglaterra, que comandou os bombardeios do mar e pelo ar, se quiser ressarcir as despesas através do potróleo líbio, vai ter de deserbarcar suas tropas na areia para “abrandar” a gente que ela tá entronizando. Na Tunísia, houve substituição; no Egito, os militares tomaram conta; na Líbia, esperemos…

  • Valdir A. C.

    -

    22/8/2011 às 12:17 pm

    Creio que um futuro amargo se inicia e que a Europa e Israel terão que colocar suas barbas de molho. Jihad à vista… tudo que eles queriam (Irmandade Islâmica) era chegar ao poder nessas ditaduras, amigas da ocidente, e botar a sharia para funcionar! Democracia para eles é o que se reza no Corão.

  • ALERTA! ALERTA!

    -

    22/8/2011 às 12:11 pm

    Alvo em 22/08/2011 às 10:06

  • carlos eduardo

    -

    22/8/2011 às 12:10 pm

    Olá Reinaldo
    Estou contigo neste seu post. Em resumo a ditadura Kadafi será substituída por outra com apoio americano e britânico. Sempre foi assim e sempre será. Os países que dizem defender a democracia, e incluo aí Israel, também defendem ditaduras cruéis quando isto lhes é conveniente.
    Abraços

  • ALERTA! ALERTA!

    -

    22/8/2011 às 12:09 pm

    Alvo em 22/08/2011 às 10:03

  • Berlatto

    -

    22/8/2011 às 12:07 pm

    OFF-TOPIC.
    DESENCARNA LULA! Essa é a campanha deste Blog. Todos os leitores do Reinaldo sabem que o termo desencarnar aqui usado significa sair, deixar a presidência, cargo que o digníssimo Apedeuta Lula da Silva exercia até janeiro/2011, do qual, tem certa dificuldade em largar, como bem todos sabem, né?
    Com a permissão do Reinaldo e como espírita que sou, gostaria de dar o significado desta palavra cunhada por Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita.
    Como diz a Dra. Marlene Nóbre: “Morrer é fácil, desencarnar é difícil”.
    “Morrer ou desencarnar? A morte é natural e obrigatória para todos os seres humanos, mas o processo que envolve a desencarnação propriamente dito é bem mais complexo, exigindo do viajor da eternidade, habilidade e adestramento que só uma boa educação para a morte bem delineada pode estruturar. As marcas longamente fixadas através das experiências da carne, assim como as emoções vividas com avidez e sofreguidão, provocam ranhuras profundas nos tecidos sutis no “corpo espiritual”, (perispírito) impondo a esse corpo de fótons, dependências e necessidades que a desencarnação não resolve de imediato e nem interrompe o curso normal dos desejos, vícios e paixões.
    Exatamente igual ao processo reencarnacionista em que o perispírito se assenhoreia gradativamente do corpo biológico, assim também ocorre com a desencarnação, que necessita de tempo para que o perispírito possa desvincilhar aos poucos do corpo físico e essa duração de tempo será tão longa quanto for o apego às coisas materiais e tão curto quanto for o seu desprendimento dos bens terrenos deixados na retaguarda da vida.
    Na realidade, nunca ocorre nem um milagre e sim favores que certamente vão influir numa desencarnação calma e tranquila, ou numa desencarnação agitada e dolorosa, dependendo é claro do estado mental de quem desencarna, levando em conta os critérios que acumulou durante a vida ou das dívidas que contraiu junto aos seus semelhantes na jornada terrena.
    Assim sendo, a mente imortal é o principal responsável pelo sucesso ou fracasso da morte física, porque cada um morrerá exatamente como viveu, e fica também claro, que são os nossos pensamentos, nossos sentimentos e nossas experiências no campo da carne que vão determinar a vitória ou nossa derrota no processo da desencarnação.
    Hoje, a morte já não é um ponto de interrogação como antes, mas apenas um estágio em duas vidas, ou seja, o sono que se completa”. (Por Djalma Santos) Abs.

  • Luiz Fernando

    -

    22/8/2011 às 12:07 pm

    Khadafi chame “a doença” para conversar “olho no olho” com os rebeldes.Não esqueça de chamar o amorim(de acordo com a estatura moral) junto.Daí tudo se resolve.

  • Cactus

    -

    22/8/2011 às 11:51 am

    Mais uma coisa bem interessante: na região sul e parte da sudeste sabemos que são cobrados pedágios nas principais estradas. Sabemos também, que são muitos pedágios e cada vez bem mais caros. Já no norte e nordeste praticamente não existem pedágios, por que será? Porque são subsidiados pelos pedágios do sul, onde há impostos embutidos quando a concessão é privada, além das estradas federais do sul que também cobram pedágios. Assim os coitadinhos do nordeste ficam livres deste incômodo e suas vidas tem um custo mais baixo. Não é lindo?

  • Rey Cintra

    -

    22/8/2011 às 11:36 am

    Nao importa o governo. A sociedade e’ constituída por cidadãos vivendo uma cultura religiosa e opressiva. Nao entendem conceitos de democracia e liberdade ocidentais. E estas sociedades sao tao pluralistas e fraccionadas que certamente constituirão novos governos que atenderão interesses do outro grupo, tal vez menos opressor e fanático (a principio) mas tao “complicado” nas relações internas e internacionais como o antecessor. Na verdade acho que o “Arab Spring” pode ser melhor traduzido como a “Mola Árabe” que liberta sua energia cinética depois de comprimida por tanto tempo. Que nao se espere um “paraíso árabe” pos-revolucao. Algumas gerações de sofrimento e ajustes se passarão ate que os mais tenazes e resilientes povos possam construir nacoes árabes mais civilizadas. Vide America Latina, Africa, Leste Europeu, onde o vácuo de poder favorece o acesso de caudilhos populistas e corruptos em todas as instancias políticas. (parece familiar??)

 

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