A hora dos covardes. Ou: melhor parar com a cachaça!

Há cronista por aí que precisa parar de tomar uísque ou cachaça — ou remédio forte, sei lá eu — antes de assistir a debates com presidenciáveis.  Goró é um péssimo conselheiro! Até admito que simpatias eletivas possam interferir no juízo objetivo sobre quem teve o melhor ou o pior desempenho no embate e tal. […]

Há cronista por aí que precisa parar de tomar uísque ou cachaça — ou remédio forte, sei lá eu — antes de assistir a debates com presidenciáveis.  Goró é um péssimo conselheiro! Até admito que simpatias eletivas possam interferir no juízo objetivo sobre quem teve o melhor ou o pior desempenho no embate e tal. Mas afirmar que Plínio de Arruda Sampaio  (PSOL)foi a grande estrela, como dizem alguns e algumas, aí já é demais. O que isso quer dizer? Um candidato que tivesse resolvido tirar a roupa e exibir em público ou piu-piu ou a borboletinha também teria sido a grande estrela. Ou que tivesse soltado um pum. Ou que desse um salto-mortal. Foi o que Plínio fez: foi despudorado nos absurdos, escatológico nas utopias, ousado na estupidez.

Sustentar a sua “vitória!”, em primeiro lugar, é covardia intelectual. Como afirmar que ou Serra ou Dilma venceu pode lançar uma sombra de suspeição sobre a isenção do analista — e o tucano venceu, basta rever o vídeo — e como há quem tema a patrulha, então se escolhe o Velhinho Maluquinho. É como cronista de futebol que torce pela Portuguesa em São Paulo e pelo América no Rio…

Plínio venceu? Como?
– Propondo limite de mil hectares para propriedades rurais?;
– afirmando que não se vai resolver nenhum problema no Brasil até que não se mude a distribuição de renda — como se ela não viesse mudando —, e, por isso, incapaz de apresentar uma só proposta objetiva?;
– atacando os demais concorrentes — até Marina, que procurou não brigar com ninguém  — porque não são “socialistas” à moda dele?;
–  criticando os demais porque não defendem que seja o governo a bater o porrete na mesa, determinando jornada de trabalho de 40 horas?;
– dizendo-se representante, no debate, dos movimentos sociais, como se um candidato à Presidência pudesse representar um setor da sociedade e ignorar os demais?;
– afirmando-se o legítimo representante do povo quando seu partido-traço não conseguiu se unir nem em torno de sua própria candidatura? A personagem mais conhecida da legenda, Heloísa Helena, apóia… Marina! Plínio não representa nem todo o minúculo PSOL!

Quer dizer que se declara “vencedor” de um debate o sujeito que, por saber que não vai ser eleito, diz as maiores barbaridade e que, se eleito pudesse ser, só conseguiria governar numa ditadura? A isso chegou certa crônica brasileira?

A delinqüência intelectual que se espalha na imprensa é certamente coisa inédita. Nunca antes nevou tanto nestepaiz — em razão do aquecimento global, claro! — e nunca antes se escreveu tanta bobagem.

Se Plínio ganhou, então quero que os valentes a sustentar tal tese passem a defender as suas idéias para um Brasil melhor. Se querem saber, irritam-me menos os doidivanas que eventualmente concordam com o maluco do que os covardes que afirmam a sua vitória só para não se comprometer.

E um conselho: antes de debates, bebam, no máximo, leite com Toddy! No auge da ousadia, não mais do que um Hollywood.

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