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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

04/09/2015

às 8:23

LEIAM ABAIXO

Temer e a “guerreira Dilma”… Tenho uma ideia: vamos aposentá-la por desserviços prestados à contabilidade?;
Ai, ai… A Elisabete Maria, de 55 anos, vai acabar não encontrando vaga no Pronatec da Dilma;
Minha coluna da Folha: “Dilma e a mídia fora do controle”;
Dilma erra até quando acerta e agora diz que vai querer superávit em 2016. A diferença da brincadeira: uns R$ 100 bilhões…;
Temer diz que é difícil Dilma resistir mais 3 anos com popularidade baixa;
#ProntoFalei — Será que Joaquim Levy continua como Ministro da Fazenda;
Clamor da esmagadora maioria em favor do impeachment faz fruto no Congresso;
Levy parecia tranquilo…;
Delação premiada custará R$ 51 milhões a Pessoa;
Dono da UTC admite propina, reuniões para “reduzir concorrência”, mas relativiza a tese de cartel;
Levy cancela ida ao G20; Dilma chama reunião de emergência…;
— Petistas se juntam à turma de Renan no Senado e aprovam proposta de reforma política que chega a ser criminosa! A tese absolve mensaleiros e pulhas do petrolão;
— Dilma perde o senso do ridículo e oferece de novo a coordenação política a Temer; ele recusa;
— Já faz algum tempo que a elevação de juros não dá o que tinha de dar…;
— Em dezembro de 2002, país pirou porque ninguém conhecia o PT; em 2015, porque todos conhecem o PT;
— Dilma perde o controle do governo, a linha de raciocínio, o bonde…;
— Vamos criar o “Pixulekomóvel”;
— Zarabatana no Pixuleko? Alô, Cardozo! Deixe de ser seletivo e mande investigar o PC do B;
— Janot e a “Hermenêutica Dilma”;
— Bandido que delata bandido continua bandido;
— Delator diz que propina ao PT era combinada com Duque, que rebate: “Mentiroso!”

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 8:15

Temer e a “guerreira Dilma”… Tenho uma ideia: vamos aposentá-la por desserviços prestados à contabilidade?

O vice-presidente da República, Michel Temer, é um homem livre. Fala o que quiser. Não é bobo e conhece os jornalistas. Nesta quinta, ele manteve um encontro com empresários em São Paulo, organizado pela empresária Rosângela Lyra, que faz parte do movimento “Acorda, Brasil”, de oposição ao governo. Atenção! O jornalismo petista infiltrado na grande imprensa (uma praga!) a chama de “socialite”. Com a devida vênia, para mim, “socialite” passa o dia tomando champanhe e discutindo com seu cabeleireiro esquisitão como vai se mostrar em público. Rosângela trabalha. Se ela fosse do MTST, os jornalistas a chamariam de “ativista”.

Nota antes que continue: concedi uma palestra nesta terça a uma parte da comunidade judaica de São Paulo. Um dos presentes me perguntou se existe censura à imprensa no Brasil. Eu afirmei que a única censura é aquela imposta pelo jornalismo de esquerda. Rosângela Lyra é a representante no país de uma grife que é, se me permitem, grife na própria França. Ela trabalha. Ganha o pão com o seu talento. Se ela invadisse propriedade alheia, seria chamada de “militante”, “ativista” e até “mártir”. Não tenho mais saco para isso. Aliás, ninguém mais tem. Nem os leitores! Adiante.

Temer foi indagado, não tratou do assunto de moto próprio, das hipóteses que estão dadas para Dilma: renúncia, impeachment ou cassação pelo TSE. Respondeu com a devida tranquilidade. Afirmou não acreditar que a petista desista do mandato, lembrando que ela é “guerreira”. E que fique claro: ele usou a palavra “guerreira”, não “guerrilheira” ou “terrorista”, para ficar na espécie do crime que a presidente cometeu no passado.

Sobre o impeachment, ponderou:
“Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo [de popularidade]. Se a economia melhorar, acaba voltando um índice razoável”. Mas acrescentou: “É preciso trabalhar para estabilizar as  relações com a sociedade e a classe política! E ponderou: “Mas, se ela continuar com 7% e 8% de popularidade, fica difícil”.

Conspiração? Não! Senso de realidade. Até porque o vice tratou da hipótese de ele próprio deixar o cargo caso a chapa seja cassada pelo TSE: “Se o tribunal cassar a chapa, acabou. Eu vou para casa feliz da vida”. E emendou sobre Dilma: “Ela vai para casa… Não sei se vai feliz ou não, cada um tem a sua avaliação”.

Temer chegou a demonstrar alguma irritação quando um dos convidados perguntou se ele entraria para a história como estadista ou como oportunista: “Eu jamais seria oportunista, quero deixar muito claro isso. Em momento algum eu agi de maneira oportunista. Muitas vezes dizem: ‘Ah, o Temer quer assumir a Presidência’, mas eu não movo uma palha para isso”.

E, vá lá, justiça se faça, Temer, em conversas públicas ou privadas, tem reforçado a posição da presidente. A governanta é que não se garante, como é evidente.

O vice-presidente foi indagado ainda sobre o Orçamento com previsão de déficit, enviado pelo governo. Manifestou sua discordância: “Se você enxugar contratos, consegue fazer. Às vezes, tem um contrato de R$ 300 milhões que, na realidade, pode ser por R$ 220 milhões. Você economiza. Se, ao final, for preciso alguma oneração tributária, não é com a criação de novo tributo. Pode pegar um e outro tributo existentes e aumentar a alíquota temporariamente”.

Ou por outra: o vice-presidente voltou a se manifestar contra a recriação da CPMF, um dos desastres protagonizados por Dilma quando teve a ambição de que poderia ser a coordenadora política. O outro, gigantesco, foi justamente o envio de uma peça orçamentária prevendo déficit, decisão da qual ela já recuou.

Temer insistiu que a situação do Brasil tende a melhorar e deixou claro que acha que a presidente pode recuperar a popularidade. E, por óbvio, se negou a assinar recibo de idiota. Sabe que a economia, mais do que a Lava-Jato, está derrubando Dilma. Ele vocalizou o que todos estamos especulando: como ficar os próximos três anos sob o comando de uma presidente inerme?

Sei que muita gente se esquece, mas Temer também foi eleito. Pode e deve dar a sua opinião.

Post publicado originalmente às 6h22
Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 7:44

Ai, ai… A Elisabete Maria, de 55 anos, vai acabar não encontrando vaga no Pronatec da Dilma

Ai, ai… Vocês se lembram do debate da TV Globo, antes do segundo turno da eleição do de 2014, quando Dilma mandou Elisabete Maria, uma economista de 55 anos, que reclamava da dificuldade de arrumar emprego em razão da idade, fazer o Pronatec? Pois é… Vejam o vídeo:

Agora vamos ao que informa http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/231813-dilma-corta-metade-das-vagas-no-pronatec.shtml reportagem da Folha desta sexta. Volto em seguida.

O governo criará pouco mais da metade das vagas prometidas pela presidente Dilma Rousseff (PT) para a segunda etapa do Pronatec, programa voltado para o ensino técnico e profissionalizante. Em junho do ano passado, a presidente afirmou que, até 2018, iria abrir 12 milhões de novas vagas. Agora, num cenário de recessão econômica e de necessidade de cortes no Orçamento, os números oficiais mostram que essa promessa não será cumprida. A meta atual é ofertar 5 milhões de vagas entre 2016 e 2019, segundo dados do Ministério do Planejamento.

O programa já sofreu corte neste ano, com previsão de oferta 57% menor em comparação a 2014. Segundo o Ministério da Educação, neste ano 1,3 milhão de vagas estão garantidas. Esse número deve se repetir em 2016. Assim, o volume final será de 6,3 milhões até 2019.

“O Pronatec oferecerá, até 2018, 12 milhões de vagas para que nossos jovens, trabalhadores e trabalhadoras, tenham mais oportunidades de conquistar melhores empregos e possam contribuir ainda mais para o aumento da competitividade da economia brasileira”, afirmou Dilma ao tomar posse, em janeiro.

O programa foi uma das principais bandeiras na campanha para o segundo mandato. No ano passado, a presidente participou de ao menos 11 formaturas dele.
(…)

Retomo
Os petistas têm sido hostilizados nas ruas — e não apoio a prática, deixo claro. Ao especular sobre os motivos, dizem que as manifestações de descontentamento decorrem do caráter golpista da direita. Afirmam ainda haver uma campanha de ódio contra o PT.

É claro que é mentira! O partido só está respondendo por tudo o que fez e por tudo o que não vai fazer.

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 7:17

Minha coluna da Folha: “Dilma e a mídia fora do controle”

Leiam trecho:
Em 10 dias, a presidente Dilma Rousseff foi bem-sucedida no esforço para que Michel Temer deixasse a coordenação política; permitiu que alguns de seus gênios fizessem o anúncio branco da volta da CPMF –como se fosse mero ato de vontade; estimulou o ministro da Saúde a tentar atrair, inutilmente, os governadores para a armadilha; viu o país dizer “não” em uníssono a um novo imposto; assustou o empresariado, que vinha ensaiando uma aproximação e desistiu da tunga. Pareceu pouco à governanta.

No período, ela enviou ao Congresso um Orçamento com deficit na esperança de unir as forças políticas ao ameaçá-las com o caos; largou a batata quente na mão do Parlamento para que este encontrasse as receitas de sua licenciosidade; provocou a disparada do dólar; encontrou-se com Eduardo Cunha em torno do nada; anunciou que pode rever a peça orçamentária; reconvidou Temer para a coordenação política e viu recusado o convite…

Patamar do dólar em meados de dezembro de 2002, quando ninguém conhecia um governo do PT: R$ 3,70. Patamar do dólar no começo de setembro de 2015, quando todos já conhecem o que é governo do PT: R$ 3,70. No primeiro caso, não se sabia nada do que o partido era capaz; no segundo, já se sabe tudo de que é capaz. Moeda desvalorizada pode ser uma escolha de política econômica. Não é o caso.
(…)
Leia íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 7:11

Dilma erra até quando acerta e agora diz que vai querer superávit em 2016. A diferença da brincadeira: uns R$ 100 bilhões…

Não tem jeito, não! Dilma erra até quando acerta. E por que é assim? Porque o erro está na origem, não é mesmo? Ela não está num lugar compatível com a sua competência. Nesta quinta, as personagens de sua trapalhada foram um auxiliar seu e um banqueiro.

Num post de ontem, afirmei que Dilma é capaz de gerar uma crise política até quando diz: “Me passa o açúcar?”. Ela fez uma reunião de emergência, uma desnecessidade, para, ora vejam!, garantir que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fica no cargo. Problema: como Levy era a âncora de Dilma, não o contrário, é claro que o resultado no mercado foi mais instabilidade.

Mas a coisa não ficou por aí. Depois de enviar ao Congresso uma peça orçamentária ILEGAL, em que antecipou que pretende fabricar um déficit de, no mínimo, R$ 30,5 bilhões, a presidente recuou. Nada disso! Agora ela afirma que vai mesmo fazer o superávit de 0,7% do PIB. Notem: entre a primeira pretensão e a segunda, há uma diferença de mais ou menos R$ 100 bilhões. Quem confia?

Mas isso ainda é o de menos. Dilma mudou de ideia depois, como se sabe, de Levy externar seu desconforto — afinal, saiu do grupo Bradesco e foi para o ministério da Fazenda porque seria o homem da austeridade, não da bagunça — e de um encontro com Luiz Carlos Trabuco, presidente do banco.

Eu nunca sou oblíquo. Nunca bato na cangalha para o burro entender, como se diz em Dois Córregos. Trabuco é um homem sério, um profissional respeitado no mercado e um comandante de banco competente. Pode e até deve falar com Dilma ou com o ministro da Fazenda quando quiser — mesmo este tendo sido seu funcionário até outro dia.

Dilma é que não deveria se entregar a esses desfrutes. Que diabo de comandante em chefe do país é esta que é capaz de agasalhar, da noite para o dia, uma diferença de R$ 100 bilhões no Orçamento e que muda tão radicalmente de ideia depois de se encontrar com o presidente do Bradesco, ex-chefe de Levy? Convenham… Essa gente não se ajuda, não é mesmo?

A tal reunião de emergência juntou a própria Dilma, claro!, Levy — o potencial demissionário —, Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento). Depois do encontro, o orador da turma foi Mercadante, que disparou, com a elegância habitual:
“Levy fica. A reunião foi muito boa. Ele tem compromisso com o Brasil”. Segundo esse gênio político, o boato da demissão era coisa de  “mal informados” e “mal-intencionados”. E arrematou: “Tem gente especulando e tentando ganhar dinheiro com turbulência”.

Oh, não me diga, Mercadante, que há gente tentando ganhar dinheiro com a turbulência. Estranho seria se houvesse gente se mobilizando para perder… Uma vez Mercadante, sempre Mercadante! Isso acaba virando um destino, né? Se o chefe da Casa Civil vem a público com mensagem de caráter tão inequívoco — “Levy fica” —, então é porque Levy esteve por um fio, não é mesmo? Ou por outra: por que um chefe da Casa Civil tem de desmentir boatos de “mal informados” e “mal-intencionados”?

Isso está abaixo da racionalidade até de Mercadante.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 23:50

Temer diz que é difícil Dilma resistir mais 3 anos com popularidade baixa

Na VEJA.com:

O vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) afirmou em palestra em São Paulo, ao comentar os recordes negativos de popularidade da presidente Dilma Rousseff, que “ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo”. “Se continuar assim, com 7%, 8% de popularidade, de fato fica difícil”, afirmou a empresários, em encontro promovido pela socialite Rosangela Lyra, do movimento Acorda, Brasil, de oposição à petista. Ao mesmo tempo, o peemedebista disse que não “move uma palha” para tomar o lugar de Dilma.

No evento, Temer também manifestou “apoio pleno” do PMDB ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que, após rumores de que estaria deixando o governo, se reuniu com Dilma nesta quinta-feira e acertou sua permanência – por enquanto. O vice negou que seu partido queira a saída de Levy. Ao contrário: “A saída do Levy agora seria muito prejudicial para o País”, afirmou, emendando que reuniu líderes da legenda para pedir “apoio expresso” ao chefe da equipe econômica.

Temer também comentou recente declaração sobre a carência de alguém para “reunificar” o país. O vice disse ter feito o comentário num momento em que era preciso afirmar a gravidade da crise. Ele lembrou que Dilma havia reunido os governadores para falar da atual situação econômica mas, pouco depois, o Congresso aprovou medidas da chamada pauta-bomba, que eleva os gastos da União.

Questionado sobre os mecanismos de combate à corrupção, Temer afirmou que não são necessárias novas leis e que a tentativa de criar novos itens na legislação às vezes pode ser demagógica.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 23:47

#ProntoFalei — Será que Joaquim Levy continua como Ministro da Fazenda

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 16:41

Clamor da esmagadora maioria em favor do impeachment faz fruto no Congresso

Agora é pra valer. A oposição decidiu lançar o movimento pró-impeachment de Dilma Rousseff. Ainda não é a apresentação da denúncia, mas a criação de um núcleo de parlamentares para a mobilização da sociedade civil, por intermédio das redes sociais. Nesta manhã, parlamentares do PSDB, PPS, DEM, PSC e SD se encontraram para cuidar do assunto. A formalização desse núcleo deve ocorrer na semana que vem, com a presença de grupos que têm convocado protestos em favor da saída da presidente.

A expectativa é que o TCU recomende mesmo a rejeição das contas de 2014. Ainda não se sabe se a votação do relatório no Congresso será feita ou não em sessão conjunta — há uma liminar concedida por Luís Roberto Barroso nesse sentido. Eduardo Cunha, presidente da Câmara (PMDB-RJ), recorreu. Se prevalecer a decisão do ministro, o neoconvertido Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, comandará  o ritmo dos trabalhos.

A recomendação do TCU para que as contas sejam rejeitadas será um forte elemento a embasar uma denúncia por crime de responsabilidade, mesmo que o Congresso não a acate.

O clamor da sociedade em favor do impeachment — mais de dois terços se dizem favoráveis — chegou, para valer, ao Congresso Nacional e começa a frutificar.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 16:17

Levy parecia tranquilo…

Dilma chamou a reunião de emergência porque é seu jeito de tornar tudo muito tenso, sabem como é… As pessoas que falaram com o ministro nesta quinta dizem que ele estava muito tranquilo, não exibindo nenhum sinal de que estivesse desembarcando ou sendo desembarcado.

E o cancelamento da viagem à reunião do G20? Pode ter sido a sua cota de contribuição ao corte de gastos, já que, de fato, não iria fazer nada importante por lá. Neste momento, o Brasil só desperta interesse como exemplo do que não fazer na economia.

De resto, vamos combinar: melhor o Levy por aqui, também como presença física, do que deixar Dilma à mercê de Aloízio Mercadante, né?

Sempre há o risco de ele ter alguma nova ideia de anteontem…

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 16:01

Delação premiada custará R$ 51 milhões a Pessoa

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O empreiteiro Ricardo Pessoa, que se tornou um dos principais delatores contra políticos envolvidos no escândalo do petrolão, vai pagar 51 milhões de reais como “multa compensatória” por participação nos crimes investigados na Operação Lava Jato. Dono da UTC e chefe do “Clube do Bilhão”, Pessoa fechou o acordo de colaboração premiada em 13 de maio, mas parte de seus depoimentos ainda está sob sigilo e deve motivar uma nova leva de inquéritos a serem apresentados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal.

Conforme revelou VEJA, o empreiteiro Ricardo Pessoa contou em seu acordo de delação premiada que foi persuadido “de maneira bastante elegante” pelo atual ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, a contribuir com a campanha petista de 2014. A abordagem lhe custou 10 milhões de reais para a campanha de Dilma. Um servidor do Palácio chamado Manoel de Araújo Sobrinho acertou os detalhes dos pagamentos diretamente com Pessoa. Documentos entregues pelo empresário mostram que foram feitos dois depósitos de 2,5 milhões de reais cada um, em 5 e 30 de agosto de 2014. Depois dos pagamentos, Sobrinho acertou com o empreiteiro o repasse de outros 5 milhões de reais para o caixa eleitoral de Dilma. Pessoa entregou metade do valor pedido e se comprometeu a pagar a parcela restante depois das eleições. Só não cumpriu o prometido porque foi preso antes.

No acordo de delação, o empreiteiro deu como garantia para o pagamento dos 51 milhões de reais um lote em Mogi das Cruzes (SP) estimado em 23 milhões de reais e um jatinho Cessna Citation Sovereign modelo C680, avaliado em 30 milhões de reais. Ricardo Pessoa teve cerca de 12 milhões de reais bloqueados por ordem do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, e parte desses valores – 5 milhões de reais – será utilizada para o pagamento da primeira parcela do acordo. A quitação dos outros 46 milhões de reais será dividida em uma parcela de 5 milhões de reais a ser paga no final de novembro, 39 parcelas de 1 milhão de reais cada a serem pagas a partir de janeiro de 2016 e uma última fração no valor de 2 milhões de reais.

Por ser colaborador da Justiça, o empreiteiro cumprirá até dois anos em regime domiciliar diferenciado, sendo obrigado a prestar serviços à comunidade, utilizar tornozeleira eletrônica, informar previamente ao juiz sobre viagens ao exterior para tratamento de saúde e ficar longe de casas de jogo e de prostituição.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 15:59

Dono da UTC admite propina, reuniões para “reduzir concorrência”, mas relativiza a tese de cartel

Por Mário Cesar Carvalho e Graciliano Rocha, na Folha:
Apontado como organizador do cartel das empreiteiras, o dono da UTC e da Constran, Ricardo Pessoa, admitiu a realização de reuniões para “reduzir a concorrência” e pagamento de propina em contratos de três das dez maiores obras em curso no país: Comperj (Complexo Petroquímico do Rio) e das refinarias Getúlio Vargas (Repar, PR) e de Abreu e Lima (Rnest, PE). Ele também admitiu o pagamento de propina a ex-diretores da Petrobras e ao PT. “[Houve] obras que nós fizemos entendimento de redução da concorrência, que nós ganhamos, e obras ajudamos a não ganhar, isto é, fizemos proposta que não foi vencedora”, disse o empreiteiro baiano, em depoimento à Justiça Federal do Paraná. Foi o primeiro depoimento de Pessoa depois de ele ter feito um acordo de delação premiada, já homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Ele falou como testemunha de acusação na ação penal contra o presidente Marcelo Odebrecht e ex-executivos do conglomerado. O acerto prévio, segundo ele, fez a UTC ganhar, junto com a Odebrecht, contratos de R$ 7,5 bilhões no Comperj e na Repar. Já em Abreu Lima, onde a Odebrecht liderou consórcios que ficaram com contratos de R$ 4,67 bilhões, a UTC entrou para perder. “Nós não ganhamos mas também não fizemos esforço para ganhar”.

O empresário relativizou a noção de cartel entre as empresas que tinham contratos com a Petrobras e estão sob investigação da Operação Lava Jato. Segundo ele, havia “um pacto de não agressão” entre as empresas, mas esse acordo não garantia que elas seriam vencedoras de 100% das obras que disputavam na estatal. “Nós tínhamos a segurança de 70%, 80%. Eu tive duas ou três grandes surpresas”, relatou em depoimento. O empresário disse que não havia garantia de que as empresas que fizeram o acordo ganhariam determinadas obras porque havia “aventureiros”, ou seja, empresários que não participavam dos acordos.

De acordo com Pessoa, só os maiores contratos da Petrobras eram objeto de acerto prévio. “No pacote do Comperj, por exemplo, dos 60 contratos que a Petrobras lançou, só 8 ou 10 fizeram parte desses entendimentos. Só nos grandes pacotes onde os grandes consórcios foram lançados. No restante, não”, disse. Segundo o empresário, as reuniões para o acerto de quem ganharia as obras começaram por volta de 2005, 2006. Nessa época, a Petrobras aumentou muito suas contratações.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 15:25

Levy cancela ida ao G20; Dilma chama reunião de emergência…

Corre forte o boato da demissão de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. Ainda que não venha a se confirmar, eis o jeito Dilma Rousseff de fazer as coisas. Marcou reunião no Planalto com Aloysio Mercadante — o seu cardeal Richelieu (Jesus!!!) —, Nelson Barbosa (Planejamento) e o próprio Levy.

O ministro da Fazenda cancelou a sua ida à reunião do G20, na Turquia. A desculpa oficial é que não havia nenhum encontro essencial; só conversinha de bastidor. Sei.

Esta senhora não consegue dizer “me passe o açúcar” se provocar uma onda de notícias negativas.

Eu torço para Levy ficar ou sair? Eu torço para Dilma sair.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 7:31

LEIAM ABAIXO

Petistas se juntam à turma de Renan no Senado e aprovam proposta de reforma política que chega a ser criminosa! A tese absolve mensaleiros e pulhas do petrolão;
Dilma perde o senso do ridículo e oferece de novo a coordenação política a Temer; ele recusa;
Já faz algum tempo que a elevação de juros não dá o que tinha de dar…;
Em dezembro de 2002, país pirou porque ninguém conhecia o PT; em 2015, porque todos conhecem o PT;
Dilma perde o controle do governo, a linha de raciocínio, o bonde…;
Vamos criar o “Pixulekomóvel”;
Zarabatana no Pixuleko? Alô, Cardozo! Deixe de ser seletivo e mande investigar o PC do B;
Janot e a “Hermenêutica Dilma”;
Bandido que delata bandido continua bandido;
Delator diz que propina ao PT era combinada com Duque, que rebate: “Mentiroso!”;
— Mendes, com o apoio do TSE, manda Janot investigar gráfica que recebeu R$ 26 milhões da campanha de Dilma. Tribunal lembra a procurador-geral qual é o seu dever;
— Procurador do MP no TCU diz que Dilma fez lambança fiscal para se reeleger; mais uma vez, evidencia-se leitura absurda de Janot;
— Dilma só procurou Cunha porque ele é mais forte como presidente da Câmara do que ela como presidente da República;
— Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre, responde a Jean Wyllys;
— Dólar fecha a R$ 3,68 com temor sobre perda de grau de investimento;
— PF faz o que se dava como certo e indicia Dirceu;
— A farsa política de Jean Wyllys é tal que, dia desses, ele acaba descobrindo que nem é gay. Ou: Não importa o que ele faz de sua genitália, mas o que faz do Estado de Direito;
— Marcelo Odebrecht diz não fazer delação porque não tem “o que dedurar”;
— MP denuncia vice-almirante e empreiteiros por crimes no eletrolão

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 7:27

Petistas se juntam à turma de Renan no Senado e aprovam proposta de reforma política que chega a ser criminosa! A tese absolve mensaleiros e pulhas do petrolão

Às vezes, é o caso de se ajoelhar diante de um clichê: quanto mais a gente reza, mais assombração aparece. O Senado acaba de tomar por 36 votos a 31 uma decisão asnal, não fosse a má-fé: aprovou o fim da doação de empresas privadas a campanhas. Vamos entender.

Na votação do Projeto de Lei 75, oriundo da Câmara, que trata da reforma política, o PT, esquerdistas menores e aliados de Renan Calheiros (PMDB-AL) — o neoconvertido — conseguiram aprovar uma emenda ao texto-base que, prestem atenção para o descalabro:
– proíbe a doação de empresas privadas a partidos e candidatos;
– permite a doação de indivíduos, SEM LIMITE.

Sim, caros leitores, vocês entenderam direito. A empresa não poderia fazer doação nenhuma, mas o empresário poderia doar quanto quisesse.

Notas de esclarecimento, antes que continue: como o texto da Câmara — que permite a doação de empresas até um limite de R$ 20 milhões, respeitados 2% do faturamento bruto no ano anterior à eleição — foi modificado pelo Senado, os deputados terão de votá-lo de novo.

A questão está longe de ser resolvida. Lembro que, no dia 27 de maio, por 330 votos a 141, a Câmara aprovou uma PEC — Proposta de Emenda Constitucional — que permite, sim, que empresas façam doações a partidos, mas não a candidatos. Pessoas físicas podem doar a uns e a outros. Tal texto ainda não foi apreciado pelo Senado, onde precisa de 49 votos.

Entenderam o rolo? O projeto de lei modificado pelo Senado tende a ser recusado pela Câmara, e a PEC aprovada pela Câmara tende a ser rejeitada pelo Senado.

Sabem quem comandou a patuscada no Senado? Ora, PT e amigos de Renan! “Foi um grande passo para descriminalizar a política. Na minha opinião, estamos fazendo história hoje. Ano passado, os gastos de campanha chegaram a R$ 5 bilhões”, afirmou o senador Jorge Viana (PT-AC), presidente da comissão especial da reforma política do Senado.

Viana atribuiu ainda toda a roubalheira ao financiamento privado de campanha, tese que absolve os criminosos petistas do mensalão e do petrolão. Não! Os que foram pegos nos dois escândalos são é safados mesmo. Também Marcos Vinicius Furtado Coêlho, presidente do Conselho Federal da OAB — a entidade recorreu ao STF contra o financiamento privado —, comemorou. Mas comemorou o quê? Só se for a indústria de crimes eleitorais.

Absurdo!
Vamos ver as implicações caso aquela porcaria aprovada no Senado se torne lei:

– se uma empresa não pode fazer uma doação porque depois buscaria compensações, por que um empresário não poderia atuar da mesma maneira?;

– tomemos um exemplo: a JBS repassou a campanhas eleitorais, em 2006, 2008, 2010 e 2014, a realmente fantástica soma de R$ 463,4 milhões. Há quem desconfie de tanta generosidade. Seria diferente se o dinheiro tivesse sido doado por Joesley Batista?;

– se o objetivo é a transparência, tudo fica muito pior. Ficará mais difícil ao eleitor identificar quem é quem. Se, hoje, conseguimos saber a origem de parte considerável do dinheiro, no modelo aprovado pelo Senado, ele se esconderia atrás de pessoas físicas;

– ora, a doação sem limites — esta, sim! — reforça as diferenças de intervenção no processo eleitoral entre pobres e ricos. Empresas são instituições coletivas, indivíduos não;

– caso a proposta do Senado prospere, empresas não poderão doar, certo? Muitos empresários não vão querer seu nome pessoal associado a doações milionárias. Sabem qual será a consequência? Aumento do caixa dois nas campanhas.

É asqueroso que os petistas do Senado e esquerdistas menores, associados à turma de Renan Calheiros — eita acordão!!! —, tenham aprovado essa barbaridade, que, adicionalmente, vai demandar ainda alguns bilhões dos cofres públicos para financiar as eleições.

Espero que o bom senso baixe no Senado e que se consigam os 49 votos para constitucionalizar a doação de empresas — o que não poderá ser modificado por lei ordinária. Se os 31 que votaram contra a proibição também forem favoráveis à constitucionalização, trata-se de ganhar mais 18 votos.

E espero, também, que a Câmara rejeite essa tolice aprovada no Senado. Tolice que, ademais, vem embalada pela malandragem. Afinal, proibir a doação de empresas, que são entes coletivos, e permitir que os muito ricos doem sem limites corresponde, desta vez, sim, a uma espécie de privatização do processo eleitoral.

Para finalizar, noto que a maior de todas as empresas no Brasil, que é máquina sindical a serviço da CUT e do PT, continuará livre para transgredir a lei e colocar seu aparato a serviço dos candidatos do partido, numa forma a um só tempo escancarada e escamoteada de doação eleitoral ilegal.

A proposta aprovada no Senado chega a ser criminosa. Ponto!

Texto publicado originalmente às 23h37 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 7:22

Dilma perde o senso do ridículo e oferece de novo a coordenação política a Temer; ele recusa

Ai, ai…

A presidente Dilma Rousseff almoçou ontem com Michel Temer, vice-presidente da República e líder máximo do PMDB. Ela o tinha nomeado coordenador político do governo quando se constatou a notável desarticulação da base aliada, abalada pela crise econômica e pela Lava-Jato. Houve sinais de melhora, mas o PT logo entrou em campo para inviabilizar o trabalho de Temer. Acharam que ele estava fazendo o seu próprio jogo, não o do Planalto. E ele fez o que devem fazer os sensatos nesses casos: pulou fora.

Dilma resolveu, com a habilidade conhecida, assumir ela mesma a coordenação — apesar de seu número de articuladores superar o de eunucos da corte de Dario. Dois momentos notáveis da política sob o comando da governanta:
1 – operação CPMF;
2 – envio do Orçamento ao Congresso com previsão de déficit.

No primeiro caso, ela conseguiu praticamente unir a sociedade brasileira contra a proposta — aliás, o PT anda bom nesse negócio de juntar o Brasil na oposição. No segundo caso, criou alarde no mercado e pôs o Brasil na mira das agências de classificação de risco. Em ambos, essa notável e hábil articuladora desautorizou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que se queixou do que lhe pareceu fritura. A presidente, então, teve de ir a público dizer que ele está sólido no cargo. Os ouvintes entenderam que ele pode cair a qualquer momento.

Assim é a política com Dilma no comando.

No almoço desta quarta, a presidente ofereceu de volta o cargo a Temer. Ela o queria de novo articulador. Ele, gentilmente, declinou e lembrou à interlocutora que não recebeu nem mesmo um aviso prévio da “Operação CPMF”. Assim é Dilma: tem como vice o maior líder do segundo partido da aliança, mas ela o ignora.

Dilma pediu ao peemedebista ajuda para tentar contornar o desastre do Orçamento. Marcou um encontro no domingo — ela está virando especialista em cassar o fim de semana de seus interlocutores. Talvez esteja apenas tentando se livrar da solidão.

É evidente que não faz o menor sentido devolver a coordenação a Temer duas semanas depois de ele deixar o cargo. A proposta sugere que Dilma também perdeu o senso do ridículo

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2015

às 21:47

Já faz algum tempo que a elevação de juros não dá o que tinha de dar…

Já não era sem tempo! O Comitê de Política Monetária do Banco Central  (Copom) manteve a taxa Selic em 14,25%. Era o esperado. Agora, é aguardar para ver quando chega Godot, né?, vale dizer: quando a inflação começa a cair de forma consistente. A cada elevação de um ponto — e façam aí a proporção — da taxa, R$ 15 bilhões se somam à dívida pública.

É evidente que o aperto monetário, em regra, é bom remédio para combater a inflação. Quando esta nasce, no entanto, do desrepresamento de preços administrados e dos gastos públicos, o seu efeito é limitado. Até determinado ponto — dada a disseminação da elevação desses preços administrados em quase toda a economia —, pode ter uma eficácia para impedir que a taxa de inflação dispare. A partir de um limite, e acho que este chegou já faz algum tempo, o único efeito da elevação dos juros é mesmo o indesejável crescimento da dívida pública.

Mesmo com os juros nas alturas, o Boletim Focus prevê que o ano de 2015 feche com uma inflação de 9,28%, mais do que o dobro do centro da meta, que é de 4,5%.

É claro que as medidas recessivas tomadas pelo governo não são a causa da melancolia econômica que vivemos, mas a consequência de uma cadeia de irresponsabilidades. O problema é que os remédios, independentemente dos culpados pelos males, podem ou não ter eficácia.

Uma eventual nova elevação dos juros seria absolutamente irrelevante para baixar a inflação e tornaria tudo mais difícil. Aliás, tenho as minhas dúvidas se as duas ou três últimas surtiram algum efeito, que não o negativo. Pareceram-me um caso típico de tentar inculcar confiança no mercado: “Olhem, aqui não brincamos em serviço; sabemos ser duros”.

O problema é quando esse esforço, que é imposto a toda a sociedade — e acarreta, entre outras coisas, desemprego —, pode ser anulado pela mais explícita incompetência e irresponsabilidade políticas, a exemplo do que temos visto nos últimos dias.

É claro que a forte desvalorização do real também é um fator de pressão inflacionária. Vamos ver em que patamar se estabiliza e por quanto tempo. Eis outro elemento que incide no aumento de preços, sem que a elevação da taxa de juros se mostre um remédio eficaz.

A crise, já escrevi aqui dezenas de vezes, é de confiança, filha dileta da crise econômica e da crise política.

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2015

às 21:12

Em dezembro de 2002, país piorou porque ninguém conhecia o PT; em 2015, porque todos conhecem o PT

A maior fonte de especulação e de instabilidade do governo Dilma chama-se… Dilma. Só nesta quinta, o dólar fechou em alta de quase 2%: R$ 3,759 para venda, maior nível desde 12 de dezembro de 2002, quando chegou a R$ 3,785. Atenção! Viviam-se dias de altíssima especulação em razão da vitória do PT nas urnas. Ainda que o partido já houvesse tornado pública a “Carta ao Povo Brasileiro”, em que prometia se ajoelhar no altar do mercado. Só neste ano, a moeda subiu 41,41%.

É culpa da China? Não! A China não tem nada com isso. A responsável é, mais do que nunca, a governanta. A impressionante lambança feita com o envio do Orçamento ao Congresso é a causa imediata do agravamento da instabilidade. Até agora, não entendi a jogada.

Bem, vamos ser claros: até agora, ninguém entendeu a jogada, nem mesmo seus geniais articuladores. Não! Eu não estou defendendo que a nossa Sacerdotisa da Argentinização deveria ter mandado um Orçamento falso para o Congresso — até porque eu não acredito na verdade dos números enviados.

Eu estou afirmando aqui que houve certo cálculo — burro, para não variar — na operação. De algum modo, se imaginou que a patuscada iria gerar uma espécie de solidariedade diante da pátria ameaçada: “Oh, o Brasil está na pindaíba! Unamo-nos em torno na presidente, em busca de recursos. Acima de nós, está o Brasil”.

O único que cedeu a essa conversa foi Renan Calheiros. Na hora, não lhe ocorreu nada mais grandioso do que fundir Valeska Popuzada com Thomas Jefferson: “Tiro, porrada e bomba, como dizem versos da música contemporânea, não reerguem nações: espalham ruínas e só ampliam escombros. Não seremos sabotadores da Nação.”

Dá-lhe, Renan! Gostei mesmo foi da reação da funkeira, a única coisa sensata de todo o imbróglio. Afirmou ela: “Colocando no contexto da crise econômica que vivemos e sofremos muito, a única coisa que eu peço — como uma pessoa que segue sofrendo de perto todos os efeitos da crise, como todos os demais brasileiros — é que resolvam com inteligência e sem roubalheira”.

Na entrevista que concedeu, Dilma tentou remendar a besteira que fez, afirmando que o governo apresentará uma espécie de emenda ao orçamento, em que se vai procurar zerar o déficit. Talvez seja apenas uma medida de proteção legal, já que é evidente que a proposta agride a Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas o estrago já está feito. E a correção só vai aumentar a desconfiança.

O busílis é o seguinte, se números significam alguma coisa, e eles significam: o mercado alimenta em relação a Dilma a mesma desconfiança que alimentava em dezembro de 2002, quando ainda não conhecia o PT no governo.

Explica-se: afinal de contas, todos já conhecemos o PT no governo!

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2015

às 16:48

Dilma perde o controle do governo, a linha de raciocínio, o bonde…

Há uma figura muito influente na República que, ao falar o nome “Dilma”, sempre emenda a palavra “coitadinha”. Não que tenha pena genuína da presidente, o que, convenham, não é o caso. Ao pespegar o adjetivo no diminutivo, nem está sugerindo que a presidente seja sofredora, desditosa. Empresta-lhe, na verdade, um sentido novo, o que vivemos fazendo cotidianamente com as palavras. O “coitadinha” poderia significar inimputável, alheia à realidade, desprovida de maiores dotes intelectuais, incapaz de se haver com os próprios problemas.

A presidente concedeu uma entrevista nesta quarta para tentar pôr um freio na barafunda que ela própria criou. Com o objetivo de provocar alarde e de emparedar o Legislativo, mandou um Orçamento com um rombo de R$ 30,5 bilhões. Achou que isso assustaria os mercados, geraria uma comoção, e os parlamentares correriam imediatamente para socorrê-la. As duas primeiras coisas aconteceram; a terceira não!

Todos perceberam o truque, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do PSDB, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, disseram o óbvio, que observei aqui de saída: não cabe ao governo federal jogar a responsabilidade de cobrir o rombo nas costas do Congresso. É um absurdo absoluto! Até porque não é ele que arbitra os gastos. Ou a madame pretende ser a dona das despesas, jogando para os outros a atribuição de conseguir receita?

Mais: há a possibilidade de a oposição recorrer ao Supremo. Se os ministros honrarem o que está escrito na Lei Complementar 101, a da Responsabilidade Fiscal, fim de papo: a peça é ilegal. No espírito da lei, não existe despesa sem que se aponte a fonte de receita. A ser assim, o Executivo prometeria o céu, e a tarefa de alcançá-lo ficaria com deputados e senadores.

Na entrevista, Dilma afirmou que não está tentando transferir responsabilidades e deu a entender que a peça será emendada — muito provavelmente, vão dar um jeito de esconder o déficit, eliminando assim a única quase-virtude daquela piada: a sinceridade ilegal. Sim, é sincero dizer que haverá déficit. Mas frauda a lei. Então não há saída? Há! Fazer os cortes.

Disse a presidente:
“O governo vai de fato mandar [um adendo à proposta Orçamentária para 2016], e é responsabilidade dele [...] Nós não fugiremos às nossas responsabilidades de propor a solução ao problema. O que queremos, porque vivemos em um país democrático, é construir essa alternativa, mas não transferindo a responsabilidade de ninguém porque ela sempre será nossa”.

Ah, bom! É o contrário do que fez o governo.

A governanta se referiu também à recriação da CPMF , em dilmês castiço, língua que lembra o português:
“Não gosto da CPMF. Acho que a CPMF tem suas complicações. Mas não estou afastando a necessidade de fontes de receita, não estou afastando nenhuma fonte de receita. Quero deixar isso claro para depois, se houver a hipótese de a gente enviar essa fonte, nós enviaremos”.

A oração principal que se segue à oração subordinada adverbial condicional, para fazer sentido, era certamente outra, mas, àquela altura, ela já tinha perdido a linha de raciocínio. Assim como perdeu o controle do governo.

Estamos feitos!

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2015

às 16:18

Vamos criar o “Pixulekomóvel”

Pelo visto (ver post anterior), será preciso criar o Pixulekomóvel, a exemplo do papamóvel, o carro blindado que protege o papa de atentados.

A esquerda começou tentando destruir o capitalismo e agora luta para destruir bonecos!

Depois dizem que a direita é que piorou…  Pode até ser verdade. Mas ainda não briga com um inflável de plástico.

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2015

às 16:12

Zarabatana no Pixuleko? Alô, Cardozo! Deixe de ser seletivo e mande investigar o PC do B

Leio no “Painel” da Folha que a União da Juventude Socialista, do PCdoB, seita a que pertence a moça que deu uma facada no Pixuleko, pretende agora usar zarabatana para tentar acertar o boneco.

Bem, a Polícia Federal já pode ir ao encalço da turma, não? Os valentes estão anunciando que vão pôr em risco a vida de terceiros, num espaço público. José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, pediu que se investigue um rapaz que, recorrendo a uma metáfora, afirmou que vai arrancar a cabeça de Dilma. A menos que ele seja do Estado Islâmico, trata-se de uma figura de linguagem. De resto, o EI não cortaria a cabeça da companheira. Devem até vê-la como quase aliada. Afinal, em discurso na ONU, a gênia defendeu diálogo com os terroristas. Adiante.

Agora, Cardozo, não se trata de metáfora. A turma do PCdoB está dizendo que vai, sim, expor a coletividade ao risco. Pessoas podem ficar cegas ou morrer.

E, vamos ser claros, comunistas não são exatamente pessoas que prezam a vida alheia faz tempo! Comunista com medo de perder a boquinha, então, deve ser ainda mais perigoso! Estão apavorados com a possibilidade de que tenham de ganhar a vida trabalhando!

Por Reinaldo Azevedo
 

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