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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

LEIAM ABAIXO

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:51

- LULA E AMORIM PÕEM O BRASIL DE BRAÇOS DADOS COM UM GOVERNO TERRORISTA;
- SOBRE ESTAR DE COSTAS E ESTAR DE FRENTE;
- FOI DILMA QUE FEZ? NÃO FOI! FOI UM LEITOR DO BLOG!!!~;
- MARTA DÁ AULA PRÁTICA A KASSAB SOBRE COMO TRATAR MORADOR DE ÁREA ALAGADA;
- AGRURAS DE UM HERÓI DA RESISTÊNCIA;
- AQUI, APRESENTO A PROVA DOS NOVES DO QUE ENUNCIO NO POST ANTERIOR;
- MANDA-CHUVA DO PT COMANDA CONFRONTO COM PM;
- COMO SEMPRE SE DISSE AQUI;
- FHC e a “direita”;
- Um artigo certo no momento errado;
- Os petralhas e Gengis Khan;
- Jornalismo e penúria

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Por Reinaldo Azevedo

LULA E AMORIM PÕEM O BRASIL DE BRAÇOS DADOS COM UM GOVERNO TERRORISTA

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:35

O Irã anunciou que começa hoje um processo de enriquecimento de urânio a 20% — era de apenas 3,5%. Em outubro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) propôs que o material fosse enviado para ser tratado no exterior, o que, em tese ao menos, facilitaria o controle e criaria empecilhos para o seu uso com fins militares. Há poucos dias, o governo deu sinais de que poderia aceitar a proposta. Ontem, o presidente Mahamoud Ahmadinejad surpreendeu o mundo e a AIEA com o anúncio — só não sei se surpreendeu Celso Amorim. Talvez não.

Eis o Irã; eis a sua política. Desde que tiveram início as pressões contra o programa nuclear secreto, ele só avançou. O mundo que conta reagiu de modo muito duro. Até a Rússia, que costuma se opor a propostas de sanções e que defende o desenvolvimento do tal programa nuclear para fins pacíficos, deu sinais de impaciência e recomendou ao país que aceite a proposta da AIEA. Só uma voz se vez ouvir pelo quase silêncio: a do Brasil; mais propriamente, a de Amorim. ATENÇÃO: ESTA FOI EXATAMENTE A FALA DE LULA QUANDO AHMADINEJAD ESTEVE NO BRASIL! Sem tirar nem pôr.

Estados Unidos e França continuam a falar, sim, em negociação, mas agora já acreditam que negociar compreende aplicar sanções. A União Européia e a ONU também protestaram. Não! O Brasil não protestou. Na prática, Amorim saiu em defesa do Irã e disse apostar nas negociações. A proximidade do Brasil com um governo que financia o terrorismo e que desenvolve um programa nuclear secreto é tal que até os mesmos argumentos podem ser encontrados na boca dos barbudos daqui e de lá. Mohsen Shaterzadeh Yazdi, embaixador do Irã em Brasília, afirmou: “Ao contrário de outros países, que reagiram contra o anúncio do presidente Ahmadinejad, o Brasil não pensa em colonizar outro país (…). Os países que reagiram têm forte armamento nuclear. Se falam a verdade sobre o Irã, que destruam primeiro os seus arsenais antes de dar conselhos aos outros.”

E isso implica, por dedução absolutamente lógica, que o Irã quer mesmo as armas nucleares: ora, se os países que reagem negativamente são hipócritas porque criticam o Irã tendo seus próprios arsenais, há que se ficar com um de dois corolários possíveis:
1 – os que detêm arsenais devem destruí-los, e isso os igualaria ao Irã;
2 – se aqueles não destroem, o Irã faz o seu, e isso o igualaria aos demais países.

Reitero: a boçalidade dita por Yazdi é originalmente de Lula. E isso é nada menos do que a defesa, na prática, de o Irã desenvolver armas nucleares. Aí perguntam os “simplórios”: mas não pode? NÃO! NÃO PODE!!! Os iranianos não disfarçam que um de seus objetivos é destruir Israel. Os iranianos financiam hoje o terrorismo em pelo menos três países — Israel, Líbano e Iraque. Os iranianos vieram praticar atos terroristas aqui do lado, na Argentina. E estão brincando com fogo também. Porque não duvidem: antes que o país tenha, sabe-se lá em que prazo, condições de fazer a bomba, Israel se encarregará de mandar pelos ares suas instalações nucleares — E ESTE NÃO É SÓ UM DIREITO QUE ISRAEL TEM: É UM DEVER!!! E o mundo pode conhecer, então, o inferno.

Enganam-se aqueles que pensam que o governo israelense, seja ele de que inclinação for, precisa da concordância dos EUA para isso. Se chegar à conclusão de que está ameaçado, agirá com ou sem concordância. Se a aplicação de sanções depende da Rússia e da China, o ataque militar só depende de Israel achar que PIOR SERIA NÃO AGIR. E agirá. E o mundo estará diante de uma crise de proporções inimagináveis.

Irresponsáveis
Esse risco, que é real — ou melhor: dada a premissa de que o Irã um dia pode chegar à bomba, a reação preventiva de Israel é certa como a luz do dia —, só dá conta da irresponsabilidade dos atuais governantes do Brasil. Foi o único país de algum peso no mundo que, na prática, alinhou-se com o Irã.

Eu ainda me lembro de 2004. Site e revista Primeira Leitura praticamente isolados a apontar os destrambelhamentos de Celso Amorim, e o Ministério das Relações Exteriores foi eleito, numa votação de jornalistas, o melhor do governo Lula! Os meus leitores mais antigos se lembram disso. Nem mesmo tiveram, vá lá, a delicadeza de eleger a Fazenda, de Antônio Palocci, que, afinal, resistira à pressão da ala heavy metal do PT que queria “dar cavalode-pau na economia”. Começava ali o superfaturamento de uma das maiores fraudes deste sete anos de governo Lula: a competência de Amorim. Este senhor alinhou o Brasil com tudo o que não presta no mundo. Leiam os artigos QUASE TODAS AS DERROTAS E BOBAGENS DE CELSO AMORIM e AMORIM E SEUS ALOPRADOS PRECISAM DE CAMISA-DE-FORÇA ,de 22 de setembro e 26 de novembro de 2009, respectivamente.

Além de uma política doidivanas, este senhor é estupidamente incompetente, como os textos deixam claro. Sua rotina é conseguir resultados contrários àqueles pretendidos. O prestígio do Brasil no mundo não deriva de sua ação. Ao contrário. Dou um exemplo: a Economist, sempre tão simpática e generosa com o Brasil, já perguntou “de que lado” está o país - das ditaduras ou das democracias? -, apontando a sua política externa caduca, em contraste com o avanço em outras áreas no cenário externo, notadamente o econômico.

E Ahmadinejad, evidentemente, é apenas uma das apostas temerárias de Amorim. Ontem, postei aqui o vídeo em que Hugo Chávez declara seu “voto” em Dilma, chama Lula de aliado e afirma que o brasileiro tem seu próprio ritmo - deixando claro que ele próprio, Chávez, acha um pouco lento. Mas o ditador não tem dúvida de que o petista está no rumo certo - o da escória internacional.

Se motivo de indignação nos faltasse, vejam o papel patético do Brasil - de Amorim e do, a esta altura, já inimputável Marco Aurélio Garcia - na crise hondurenha. QUE FIQUE CLARO: O BRASIL FOI UM DOS PROMOTORES DE UMA TENTATIVA DE INSTALAR A GUERRA CIVIL NAQUELE PEQUENO PAÍS! NADA MENOS DO QUE ISSO! Não contente em chamar golpe o que golpe não era - até aí, poderia se escudar na tolice dos outros -, tentou sabotar o processo eleitoral, reconhecido por centenas de observadores como limpo. Hoje, não reconhece um governo eleito democraticamente, que governa segundo uma Constituição também democrática. No caso do Irã, já disse, fez o contrário: Lula endossou eleições que até os aiatolás reconheceram fraudulentas, chamou os protestos da oposição de “reação de torcida que perdeu o jogo”, recebeu Ahmadinejad, defendeu seu programa nuclear e soltou aquela bobagem sobre o resto do mundo destruir seus arsenais.

Ah, sim. Um petralha logo indagaria, achando-se muito sagaz: “Se Israel pode ter a bomba, por que não o Irã?” Bem, em primeiro lugar, porque Israel não promete varrer ninguém do mapa e, se não a tivesse, talvez ele próprio já tivesse sido varrido, como quer Ahmadinejad. Há uma grande diferença entre ter uma arma para atacar e ter uma arma para dissuadir. EU NÃO ESPERO QUE PETRALHAS ENTENDAM ISSO PORQUE OS NOSSOS VALORES SÃO MESMO DIFERENTES. OS MEUS SÃO OS DA DEMOCRACIA OCIDENTAL. Os deles são o que restou do lixo internacionalista do comunismo, agora submetido à vigarice negocista. Se preciso, eu posso até lhes fazer poesia: as armas nucleares americanas são quase como anjos da liberdade, entendem? Já as da China, por exemplo, tem o cheiro do demônio da opressão. SIM, EU TENHO LADO. ACONTECE QUE A CANALHA TAMBÉM TEM.

Quando penso que, na crise hondurenha, boa parte da nossa imprensa comeu pela mão de Celso Amorim e do Itaramaraty, chamando de golpe a resistência democrática hondurenha e de restauração da democracia a possibilidade de volta de um golpista, eu me dou conta do estágio a que chegamos.

A delinqüência intelectual e política do Itamaraty, que põe o Brasil no apoio isolado ao Irã, só chegou tão longe porque, ainda hoje, Celso Amorim conta com verdadeiros ghost-writers em ao menos dois jornais. Essa gente se ajoelha diante deste Colosso de Rhodes da diplomacia. De joelhos para Amorim!!! Não sei se fui sutil demais ao tentar lhes passar o que isso quer dizer em termos de estatura.

Eis aí o outrora considerado “melhor ministro de Lula”. Conseguiu nos fazer o único parceiro mais ou menos relevante de um governo terrorista - ao lado de potentados como Hugo Chávez e Fidel Castro, é claro. E só para registro: no dia 4 deste mês, o Irã citou o Brasil como um dos países que poderiam receber seu urânio para enriquecimento. Amorim se fez de surpreso. No dia seguinte, ele já dizia que não “tinha nenhum preconceito” em relação a isso.

Por quê?
Amorim e Lula puseram o Brasil de braços dados com um governo terrorista que insiste em manter um programa nuclear secreto e que já plantou uma base de operação na Venezuela. Por quê? Para mim, este é um dos maiores mistérios da República.

Para começo de conversa, essa proximidade com o Irã mais afasta o Brasil de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU do que aproxima. E, para tentar conseguir essa cadeira, Amorim cometeu uma série de outros desatinos. Isso significa que a relação estúpida estabelecida com o Irã não se coaduna com a estupidez do conjunto. Essa intimidade, ademais, enfraquece um tanto as relações do país com a comunidade árabe, que não vê, por razões óbvias, com bons olhos os xiitas do novo “Império Persa”. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, pediu a Lula que intercedesse junto a Ahmadinjad para que pare de financiar os terroristas do Hamas. O Brasil também desafia a União Européia, que, nesse particular, não tem divergências com os EUA porque mais suscetível ao terrorismo financiado pelo Irã.

Não sei o que justifica essa escolha. De uma coisa estou certo: não pode ser coisa limpa. Porque não pode haver limpeza onde há terror.

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Por Reinaldo Azevedo

SOBRE ESTAR DE COSTAS E ESTAR DE FRENTE

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:33

E já que estamos nessa conversa de Irã, Venezuela etc, retomo um post que fiz ontem. Eu realmente havia ficando muito impressionado com uma afirmação de Eliane Cantanhêde, colunista da Folha. Em artigo no domingo, dia 7, ela escreveu:
“Chávez fez uma faxina institucional na Venezuela, virou-se de costas para os EUA e de frente para a América do Sul e planejou investimentos externos e a conversão dos fabulosos lucros do petróleo na transformação da sociedade e da quase inexistente planta industrial. O messianismo bobo, porém, afundou todos esses sonhos.

Já comentei as várias passagens que me encantam aí, entre elas essa história de Chávez virar-se de costas para os EUA e de frente para a América do Sul. Penitencio-me de não ter lido um uma entrevista de Marcelo Odebrecht, presidente do Grupo Odebrecht, concedida ao Estadão seis dias antes. Concluí que esse negócio de “frente e costas” virou, assim, uma espécie de categoria de pensamento a unir várias abordagens. Vejam esta pergunta do Estadão e esta resposta do empresário:Vocês estão entre as maiores empresas da Venezuela. Como é a relação com o presidente Hugo Chávez?
O Chávez tem vários méritos que o pessoal precisa reconhecer. Antes dele, a Venezuela estava de costas para América do Sul e de frente para os Estados Unidos. Vocês podem questionar o que quiserem, mas é inequívoca a contribuição que Chávez deu à integração do continente americano. É inequívoco, também, que os objetivos são nobres. As pessoas podem questionar a maneira de fazer isso ou aquilo, mas o Chávez tem méritos. E se ele não tivesse méritos, ele não estaria onde está.

Comento
Huuummm… Marcelo Odebrecht ao menos tem um argumento forte para dizer isso, não é mesmo? O de Catanhêde é fraco. Quanto ao mais, dizer o quê? Intimidade de empreiteira com ditadura é coisa antiga. Sim, eu poderia ser muito prático e dizer: melhor na Venezuela do que aqui. Mas isso não teria mesmo graça. A Odebrecht foi uma das empresas que se mobilizaram para convencer congressistas recalcitrantes da base do governo a votar a favor da entrada da Venezuela no Mercosul. E eles votaram. Lula só tem essa base gigantesca de apoio porque ela sempre recalcitra em busca de motivos para não recalcitrar. E sempre os encontra.

Odebrecht convida “o pessoal” a reconhecer os vários méritos de Chávez — um deles, entendi, é não estar de frente para os EUA. Aí ele diz que a gente pode questionar o que quiser. Questionar a ditadura serve ou vai parecer que a gente não está reconhecendo os méritos do Beiçolae? Também vê a contribuição inequívoca do ditator à integração latino-americana. É verdade:
- financia o terror na Colômbia;
- mandou dinheiro sujo para a eleição de Cristina Kirchner na Argentina;
- patrocinou Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia), dois países em que está em curso uma democradura;
- tentou dar um golpe em Honduras;
- deu início a uma corrida armamentista no continente;
- estabeleceu uma parceria com o governo terrorista do Irã…

De fato, a integração do “continente americano” não poderia estar mais bem-servida do que isso. “O pessoal precisa reconhecer”! Mais uma pergunta e mais uma resposta.

Como é que vocês fazem para se adaptar a tantas mudanças políticas?
Um dos meus grandes clientes é o Exército americano, outro é o governo da Venezuela. Outro dia, numa conversa informal, um diplomata americano me perguntou como faço para atuar na Venezuela de Hugo Chávez. Respondi a ele que meu benchmark (referência) é a Chevron. A Chevron, que é uma empresa americana, tem hoje enorme sucesso na Venezuela. E ela botou, como presidente da Chevron na Venezuela, um iraniano. É jeito, entendeu?

Comento
Iraniano, né? Entendi.

PS: mais tarde falarei sobre os distintos domínios dos negócios e da política. Só uma coisa: com Chávez de costas viradas para a democracia, quem ganha e quem perde na Venezeula?

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Por Reinaldo Azevedo

FOI DILMA QUE FEZ? NÃO FOI! FOI UM LEITOR DO BLOG!!!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:31

Escrevi ontem que, entre as mistificações do PAC, estavam obras tocadas e pagas pelo setor privado. Leiam o relato que me chega de um leitor chamado Alexandre, devidamente identificado (não vou publicar o e-mail, claro):

*
Reinaldo,
a apropriação de empreendimentos totalmente privados pelo PAC é um fato, e sou prova disso. Em 2008, concluí uma PCH (Pequena Central Hidrelétrica), com recursos totalmente próprios.

Por estar em um Programa de Incentivo às Fontes  Alternativas de Energia (Proinfa)  — em que vendi (disse: “vendi”) a energia à Eletrobrás (então ela é simplesmente minha cliente) — e possuir financiamento BNDES (não, eles não me DERAM dinheiro,  mas me emprestaram, a juros normais), era obrigado, todos os meses, a enviar um Relatório de andamento das obras para que Dona Dilma mostrasse isso como obra dela.

Interessante nisso é que o Proinfa é uma lei do governo FHC, contra a qual a própria Dilma lutou o quanto pôde, demorando dois anos para implementá-la, tentando bombardeá-la. Ela era ministra de Minas e Energia.

O Proinfa deu 3.300 Mw de energia renovável ao país, movimentando mais de R$ 10 bilhões em investimentos privados. Financiamento do BNDES não é dinheiro público repassado; é empréstimo, sendo pago pelo empreendedor a juros internacionalmente  compatíveis. Tudo isso vinha de uma lei de FHC, que Dona Dilma odiava, pois, segundo a própria, colocava um setor estratégico em mãos privadas — ouvi isso da própria em um evento, antes da implementação do programa.

O fato é que tudo isso é apresentado ao Brasil como parte do PAC. Ou seja: eu investi e trabalhei para que ela mostrasse ao país que foi ela que fez…

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Por Reinaldo Azevedo

MARTA DÁ AULA PRÁTICA A KASSAB SOBRE COMO TRATAR MORADOR DE ÁREA ALAGADA

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:29

Vocês viram que o ínclito deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) foi um dos comandantes da manifestação que juntou 200 pessoas na Prefeitura. No post abaixo deste, lembro um caso interessante que diz respeito a este político. Adiante. A minha musa estava lá. Ontem, sem galochas porque tivemos em São Paulo o primeiro dia de sol depois de QUARENTA E SETE DE CHUVA. Não! Esperem! QUARENTA E SETE DIAS DE TEMPORAIS. Passou a marca bíblica! O maior volume em 63 anos. COMO NUNCA ANTES CHOVEU TANTO EM 63 ANOS E NUNCA ANTES SERRA FOI GOVERNADOR E KASSAB PREFEITO ELEITO, ENTÃO É ÓBVIO QUE É TUDO CULPA DO KASSAB E DO SERRA.

Lendo o texto da minha musa, a gente fica sabendo que a polícia usou gás de pimenta contra os manifestantes porque “disse” ter sido atacada com pedras. NÃO, MUSA! A PM FOI EFETIVAMENTE ATACADA COM PEDRAS. E quando a PM é atacada com pedras, eu acho que ela deve revidar. É assim nas melhores democracias do mundo. Só não é assim em Cuba, por exemplo, porque não há manifestações. Na Venezuela, Chávez — aquele “de costas para os EUA e de frente para a América do Sul” — já está mandando matar. Nas democracias, é diferente. Quem joga pedra leva gás pimenta. É UMA ESPÉCIE DE TERCEIRA LEI DE NEWTON APLICADA AO CONTROLE DE DISTÚRBIOS.

O deputado estadual Adriano Diogo, também do PT e principal pauteiro dos cadernos de cidades da imprensa paulistana, fez-se presente. Ele comanda um movimento nas áreas alagadas da cidade para que as pessoas não aceitem o cheque-aluguel da Prefeitura para deixar a região. O PT PRECISA QUE AQUELES COITADOS FIQUEM LÁ PARA QUE ELE POSSA FAZER POLÍTICA.

Vejam este vídeo abaixo. Quem sabia lidar com enchentes — e não choveu a metade do que choveu agora —- era Marta Suplicy, a chefe de Zarattini. Isso, sim, é que é exemplo de
- delicadeza;
- candura;
- compreensão;
- habilidade.
E notem que não havia deputados tucanos ou do DEM comandando as vítimas. Vejam. Volto em seguida.


Voltei
Notem que nem estou endossando a crítica feita pela moradora. As necessidades de uma cidade, infelizmente, não se esgotam nas obras contra enchentes. Mas a resposta de Marta — sobre onde gastou o dinheiro — também serve ao prefeito Gilberto Kassab, não? Sim, é razoável que as pessoas fiquem indignadas. Inaceitável é que um partido resolva surfar na desgraça das vítimas. Voltemos a Marta: pensem se Gilberto Kassab fosse ao Jardim Pantanal e dissesse a quem protesta: “Isso é demagogia!” Seria trucidado.

Esse período em São Paulo vai entrar para a história — não só por causa das chuvas torrenciais. Também pelo alinhamento entre a imprensa paulistana e o proselitismo mais vigarista. Em Guarulhos, há um bairro que está nas mesmas condições do Jardim Pantanal. Desde dezembro. O PT está no poder na cidade há nove anos. Não se viu a cara do prefeito. A minha musa não foi lá. Também não quis ir a Osasco, São Bernardo, Guarulhos, Suzano, Francisco Morato, Carapicuíba… Vítimas das enchentes de cidades administradas pelo PT não têm charme.

Ah, sim. Leio no texto da minha musa (prestem bem atenção!):
A principal reivindicação dos manifestantes era “uma casa por outra casa”. A enfermeira Ana Aparecida da Silveira, 51, explica: “A prefeitura quer que a gente saia de nossas casas em troca de um cheque de auxílio-aluguel no valor de R$ 2.000. Eu só saio da minha casa, que construí ao longo de anos e anos, se receber outra”.
A prefeitura diz que só pagará desapropriação por imóveis em áreas particulares, que são 5% na região. Pelos demais, que ficam em áreas invadidas, não será pago nada além do auxílio-aluguel. Segundo a prefeitura, o benefício será dado até o recebimento de moradia definitiva.

Essa prefeitura é mesmo insuportavelmente injusta, não é?

O deputado Adriano Diogo não poderia deixar de falar: “Tenho um trabalho histórico na zona leste. É inadmissível que o prefeito queira cercear minha participação e a de outros representantes numa manifestação pacífica, tranqüila e democrática de um povo que está cansado de sofrer.”

Tranqüila, pacífica, democrática e com pedradas. E o que Adriano Diogo recomenda ao povo “cansado de sofrer”? Que não aceite a proposta de Kassab e fique onde está, no meio da água.
*
PS - Penso em ti, Musa! Suas frases curtas me deixam louco…

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Por Reinaldo Azevedo

AGRURAS DE UM HERÓI DA RESISTÊNCIA

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 6:27

zarattini1

Quando eu vi o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), este de camisa branca e óculos, enfrentando corajosamente a PM para defender o povo oprimido das enchentes, pensei: “Pô, parece que eu me lembro desse cara numa situação em que ele resistiu muito pouco, não quis enfrentar o adversário”. E aquilo fico martelando na minha cabeça. Até que me lembrei.

Um empresário ligado à alta cúpula do PT — sim, de seu próprio partido — o acusou de algumas coisas cabeludas quando ele era secretário de Transportes de Marta. Ninguém precisou mostrar gás pimenta pra ele. Foi como apresentar a criptonita ao Super-Homem. Leiam o que relatou a Folha Online no dia 18 de novembro de 2002.

Após denúncia de empresário, Zarattini deixa Prefeitura de SP

Após denúncias de irregularidades de empresário ligado ao PT, o secretário municipal dos Transportes de São Paulo, Carlos Alberto Zarattini, pediu demissão nesta segunda-feira. O pedido foi aceito pela prefeita Marta Suplicy.Na segunda-feira passada (11), o empresário Willian Ali Chaim, acusou a Secretaria Municipal dos Transportes de São Paulo de ter repassado R$ 665 mil de maneira irregular a duas empresas de ônibus em agosto deste ano e de ter articulado um esquema de desvio de vales-transporte para pagar salários de condutores.

O rompimento de contratos com empresas de ônibus da cidade também fragilizaram o secretário -a SPTrans (São Paulo Transporte, órgão municipal que cuida do setor) rompeu os contratos com as viações Santa Bárbara, São Judas e Expresso Parelheiros. Chaim também disse ter sido procurado por empresários de ônibus que estariam sendo pressionados por Zarattini para sair do sistema. Zarattini nega desvio ilegal. O chefe de gabinete da secretaria, Luiz Silveira Rangel, assume o cargo interinamente. Ainda não foi anunciado o substituto de Zarattini.

Alto escalão
O petista Chaim, que fez as acusações na Secretaria de Transportes, é ligado ao alto escalão do partido e já trabalhou com Rui Falcão (secretário de Governo de Marta Suplicy), José Dirceu (presidente nacional do PT) e Ricardo Zarattini (pai do atual secretário dos Transportes). Ele disse suspeitar da forma como foram pagos os R$ 2,5 milhões do passivo trabalhista das viações Ibirapuera e Santo Amaro _que foram fechadas e tiveram suas linhas distribuídas a Niquini e a outros empresários.

O petista disse ter sido procurado por empresários de ônibus que estariam sendo pressionados por Zarattini para sair do sistema. Citou a AAL, controlada por Arnaldo Caputo Gomes. Chaim afirma acreditar que há interesse do secretário em deixar um monopólio nas mãos de grandes grupos. O depoimento de Chaim reforçou na Câmara um movimento pela criação de uma CPI para apurar irregularidades no setor.

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Por Reinaldo Azevedo

AQUI, APRESENTO A PROVA DOS NOVES DO QUE ENUNCIO NO POST ANTERIOR

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 20:03

A canalha e os simplesmente cretinos vão ler o post abaixo e vão dizer: “Olhem como o Reinaldo tenta proteger o Kassab…” Pois é. Quero que vocês vejam o vídeo que está aqui. Trata-se de uma reportagem do SPTV sobre a situação de um bairro de Guarulhos, que, a exemplo do Jardim Pantanal, está debaixo d’água desde dezembro. Ele também fica na várzea do Tietê. Também ali, não há o que fazer a não ser retirar as famílias. Insisto para que vejam antes de continuar a ler o texto.

(PAUSA)

Viram? Ignorem aquela conversa dos apresentadores, que fica ali no meio-fio do proselitismo e da demagogia. Como fica evidente, os que vão morar em áreas de risco contam, muitas vezes, com o… risco. E, parece, cumpriria ao estado arcar com os custos da decisão de cada um. Mas isso fica para outra hora. Nota rápida: os bairros construídos em áreas impróprias só se consolidaram em razão dos chamados “movimentos por moradia”, aparelhados adivinhem por que tipo de pensamento… Com medo dos “movimentos sociais” e também por demagogia, sucessivas administrações vão regularizando essas áreas e levando melhorias para lá em vez de simplesmente proibirem a ocupação.

Vejam que, também em Guarulhos, a Prefeitura oferece uma bolsa aluguel de R$ 300, como em São Paulo. Mas, a exemplo do que ocorre com moradores do Jardim Pantanal e áreas próximas, eles se negam a sair. Bem, tratarei da questão geral em outro texto. Agora, o que me interessa é outra coisa.

Cadê o deputado Carlos Zarattini?
Cadê os protestos?
Cadê a mobilização?
Cadê o Gilberto Dimenstein?
Cadê a minha musa das galochas?
Cadê o senador Eduardo Suplicy brandindo uma garrafa de água poluída, a exemplo do que fez com a enchente de São Paulo, naquela sua pantomima muito característica? NADA!!!

Adivinhou quem intuiu que o prefeito de Guarulhos é do PT. Atenção: ele é tão culpado por esse desastre quanto é Kassab em São Paulo. Vale dizer: NÃO TEM CULPA NENHUMA! E não se resolve a coisa num estalar de dedos, mesmo Guarulhos sendo uma das cidades com o maior orçamento do país.

ESSE VÍDEO, A DESPEITO DA TEORIA UM TANTO ESGARÇADA DOS APRESENTADORES, EVIDENCIA A EXPLORAÇÃO POLÍTICA CANALHA A QUE ESTÁ EXPOSTA A QUESTÃO DAS CHUVAS EM SÃO PAULO.

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Por Reinaldo Azevedo

MANDA-CHUVA DO PT COMANDA CONFRONTO COM PM

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 19:35

Vejam esta imagem, em noticiário da Agência Estado, e que está em todos os sites jornalísticos. Volto em seguida.

zarattini

Estão vendo aquele senhor de óculos e camisa branca, quase no centro da foto? É o deputado petista Carlos Zarattini, uma espécie de braço operativo de Marta Suplicy, a petista que veste Prada. Ela, naturalmente, não vai para esses confrontos.

O deputado está à frente de uma manifestação de 200 supostos moradores de bairros alagados da Zona Leste de São Paulo, feita no Viaduto do Chá, em frente à Prefeitura. Vejam ali: a PM está usando spray de pimenta para conter os ânimos da turma. Vocês sabem, né? Eles estavam lá, todos numa reunião pacífica, e a “Polícia do Serra”  — como diriam o caderno “Cotidiano” da Folha, mais o Gilberto Dimenstein e a minha musa — chegou com brutalidade…

O roteiro é conhecido. Dado o tratamento que boa parte da imprensa, inclusive a de TV, dá às enchentes, estranho é que não houvesse lá umas 10 mil pessoas. O roteiro é este mesmo: o PT mobiliza algumas vítimas e seus militantes para o confronto com a Polícia, isso vai parar na televisão e depois é usado no horário eleitoral gratuito. É a tática do PT faz tempo. Tática bem-sucedida. Os jornais televisivos da noite devem fazer a festa.

E, tudo saindo conforme o costume, não se dirá que se trata de uma manifestação política, organizada pelo PT. Como eu acho que Marta será a candidata ao governo para já começar a fazer campanha para voltar à Prefeitura em 2012, Zarattini está esquentando a massa e as notícias. Como se sabe, quando ele era o manda-chuva (!!!) da Prefeitura, não havia enchentes na cidade. Quem não se lembra daquele histórico bate-boca da então prefeita com uma moradora, vítima das cheias? Quando o PT está no governo, enchente é fatalidade; quando está na oposição, é culpa do prefeito e do governador.

Há muito a fazer, claro. Mas já foi decretado estado de calamidade pública na região, a Prefeitura cadastra moradores para retirá-los da área, que não tem futuro, e paga uma Bolsa Aluguel para os que querem sair dali. O resto é proselitismo vagabundo.

Os tucanos estão dando mole? Eu acho que sim, pra variar. Já é hora de alguém dizer com todas as letras que representantes do PT mal podem conter a felicidade com a tragédia que colheu a cidade e o estado.

A desgraça sempre será útil aos petistas. Ela excita a sua imaginação e seus delírios de poder. Preparem-se: nas TVs e nos jornais, serão as pobres vítimas contra os verdugos de uniforme.

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Por Reinaldo Azevedo

COMO SEMPRE SE DISSE AQUI

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 18:47

Se vocês procurarem na Internet, verão que este escriba cravou no dia do lançamento do tal PAC: trata-se de um “pactóide”, adaptando a sigla à palavra “factóide”, que designa um evento que pode mobilizar opiniões e falas, mas que, em si, não tem importância nenhuma.

E o fiz sem receio de errar por uma razão simples: tratava-se de puro nominalismo. Lula decidiu chamar “PAC” ao conjunto de obras públicas — e compete ao estado cuidar delas mesmo, ora — e privadas! À época, brinquei: “Cuidado, a reforma do seu quartinho de despejo pode ser apropriada por Dilma Rousseff”. O truque é tão óbvio, tão evidente, que chega a ser espantoso que a imprensa tenha adotado um elemento de propaganda como linguagem referencial, jornalística. Ora, o que é o PAC? Tudo aquilo que Lula decidir que é… o PAC!

Se nos ativermos, então, ao nome por extenso da coisa, aí penetramos no terreno da piada: trata-se de um “Programa de ACELERAÇÃO do crescimento”, certo? Faz supor que a execução das verbas do Orçamento, na forma como vinha, não estava adequada e que seria preciso aplicar a fórmula da velocidade. Como é mesmo? V = Vo +a.t… Pois é…

Ocorre que o “a” de aceleração não aconteceu. E as ditas obras do PAC estão atrasadas mesmo para uma execução regular do que o governo prometeu tocar. Daí que vocês encontrarão no arquivo o texto: O PAC NÃO EXISTE. Não existe porque nunca houve aceleração. Ao contrário: houve retardamento. O “a”, no caso, desacelerou. O crescimento nada tem a ver com essa fantasia.

Essa, como sabem, é a opinião deste blog desde sempre. Por isso, fico satisfeito ao ler  um editorial no Estadão desta segunda, conforme segue. Ah, sim: “Isso é inútil para a eleição”, gritam os petralhas, os cínicos e os desesperançados. E daí? Sou jornalista, não político. Basta que seja útil à verdade.

*

O falso êxito do PAC
Por qualquer critério isento que se examinem os números da execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) apresentados na quinta-feira pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff ? sua principal gestora, batizada pelo presidente Lula como “mãe do PAC” ?, a conclusão é decepcionante. Sua execução é lenta, o que torna muito duvidoso que seja concluído no prazo previsto. A utilização de certos indicadores mascara seu baixo nível de execução. Seus principais resultados são frutos de programas e projetos de empresas estatais e privadas que seriam executados com ou sem ele. A necessária melhora na qualidade do gastos do governo, que deveria ser um de seus principais efeitos sobre a gestão financeira do setor público, não ocorreu até agora e não deverá ocorrer no último ano de sua vigência.

O PAC é um fracasso que, mesmo assim, a ministra-candidata transformou, com o entusiasmado apoio de seu mentor político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na principal peça de propaganda de sua campanha eleitoral lançada antes do prazo previsto pela legislação. Ao longo deste ano, seguramente muito será dito pelo governo sobre esse programa, mas o eleitor precisará estar atento para não ser enganado.

A ministra anunciou que, do total de R$ 638 bilhões em investimentos no período 2007-2010 previstos no PAC, R$ 403,8 bilhões, ou 63,3%, tinham sido aplicados até o fim do ano passado. É um dado enganoso. Se se considerar apenas as ações efetivamente concluídas, o resultado é bem menos animador. Em 36 meses de execução do PAC, nas obras encerradas foram aplicados R$ 256,9 bilhões, ou seja, 40,3% do total.

Isso significa que, por ano, o governo executou, em média, 13,4% do total. Para concluir o PAC no prazo, teria de executar 60% neste ano de 2010, ou seja, teria de multiplicar por 4,5 o ritmo da execução do programa. Mesmo que, como assegura a ministra, o governo tenha aprendido a gerir melhor o programa, não parece crível que consiga elevar tanto assim o ritmo, pois isso exigiria da atual gestão uma competência que ela nunca mostrou ter.

Do valor de R$ 403,8 bilhões anunciado pela ministra como realizado, é preciso destacar uma gorda parcela, de R$ 137,5 bilhões (34% do total), que nada tem a ver com obras, pois é formada por empréstimos habitacionais a pessoas físicas. São recursos oriundos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, do FGTS, do FAT e de outras fontes públicas.

Esses recursos são utilizados, em geral, na compra de imóveis usados, pois as políticas do governo para esses fundos privilegiam esse tipo de negócio. Economistas do setor privado observam que, ao contrário das vendas de imóveis novos, as de imóveis usados não resultam necessariamente na geração de emprego ou renda, como é o objetivo do PAC. Daí a estranheza com relação ao uso desses dados, o que pode ter sido feito apenas para inflar os resultados.

Outra parcela importante refere-se aos investimentos das estatais, de R$ 126,3 bilhões (31%). A Petrobrás responde pela maior fatia desses investimentos, que seriam feitos pelas estatais com ou sem o PAC, pois eles são elementos essenciais do planejamento estratégico dessas empresas.

A terceira fatia mais importante corresponde aos investimentos das empresas privadas, de R$ 88,8 bilhões (ou 22% do total), e sobre eles o governo nada pode decidir. Há, ainda, as contrapartidas dos Estados e municípios (R$ 11,1 bilhões, ou 3%) e os financiamentos (R$ 5,1 bilhões, ou 1%).

A fatia do PAC que cabe exclusivamente ao governo do PT, originária do Orçamento-Geral da União, totalizou apenas R$ 35 bilhões, 9% do que a ministra anunciou ter sido executado. Esses números mostram que, apesar de tudo que tem anunciado e apesar do PAC, o governo continua a investir pouco, bem menos do que as necessidades do País.

O padrão do gasto oficial, dominado pelas despesas de custeio, continua ruim para a economia brasileira e para os cidadãos. Melhorá-lo exige a redução dos gastos correntes, mas as despesas que mais crescem no governo Lula são com o funcionalismo, razão pela qual, tirante o PAC, é pequena a fatia que sobra para investir.

Em resumo, o PAC, mal gerido, está longe de suas metas.

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Por Reinaldo Azevedo

FHC e a “direita”

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 18:17

Alguns leitores me pedem que comente o primeiro parágrafo do artigo de FHC. De certo modo, já comentei naquele texto imenso da madrugada. Mas vamos lá:

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas estão o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse: “O Estado sou eu.” Lula dirá: “O Brasil sou eu!” Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Comento
FHC não fez, de fato, um governo de esquerda. Ele também não foi de direita. As políticas que assistem os mais pobres, hoje reunidas no Bolsa Família, já disse, não integram nenhum receituário do esquerdismo. As “privatizações”, por seu turno, não são necessariamente matéria de ideologia — ou Ernesto Geisel, que fez o contrário, seria o nosso maior comunista; o general foi o maior criador de estatais — atenção! — DO MUNDO! De certo modo, estamos de volta a um geiselismo, agora gerenciado pela nova classe social, a burguesia do capiutal alheio.

Não obstante, os tucanos têm, como chamarei?, vínculos afetivos com a esquerda. A afirmação de FHC segundo a qual Lula ecoa um “autoritarismo mais chegado à direita” é, entendo, despropositada. Porque se atém, no máximo, às aparências: governos de direita seriam mais personalistas —  como os vários fascismos europeus deixariam claro — do que governos de esquerda. Trata-se de uma formulação fraca, mal pensada.

O Getúlio cantado em prosa e verso pelas esquerda é justamente o Getúlio fascistóide, e FHC sabe muito bem disso. “A URSS sou eu” é uma frase que Stálin poderia ter dito sem fazer qualquer injustiça aos fatos. Churchill, um “direitista”, teve o papel que se conhece na resistência ao nazi-fascismo. A frase de FHC pode até ter seu charme quando se trata de provar que o governo Lula não é, vá lá, SÓ de esquerda. Mas atenção! As suas virtudes estão justamente nas ações que NÃO SÃO DE ESQUERDA. POR QUE O GOVERNO LULA NÃO PODE SER CHAMADO DE RUIM POR AQUILO QUE TEM DE ESQUERDISTA?

O artigo ajuda, nesse particular, a espalhar um preconceito que tem feito mal ao Brasil e à política. A chamada “direita” é satanizada por princípio, e, pois, basta que alguém fale em nome de valores supostamente progressistas ou que esteja ligado a partidos de esquerda para que seja considerado, também em princípio, digno.

Entendo que esse preconceito dos tucanos e dos progressistas em geral permitiu que prosperasse boa parte da picaretagem petista. O PSDB sempre teve um enorme receio de confrontar o petismo, como se acreditasse que, de fato, ele teria especial intimidade com as causas populares. “Causas populares”? FHC sabe que o PT se pretende um ente de razão que instrumentaliza as ditas causas por intermédio de seus aparelhos — E ISSO, PRESIDENTE, É COISA TIPICAMENTE ESQUERDISTA.

Querem saber? Sou tentado às vezes a achar que o Brasil precisa é de um novo partido, livre desse acabrunhamento que impede que as coisas sejam chamadas pelo nome que têm. Querem um exemplo de coragem, que não precisa se explicar diante de tribunal esquerdista? A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), por exemplo. Sua defesa da produção é de esquerda ou de direita? De esquerda, com certeza, não é. Mas para merecer a pecha de “direita” como uma ofensa, será antes preciso provar que seus números estão errados. E isso, até agora, ninguém conseguiu. É por isso que, entendo, ela hoje transcende essa doxa mixurica do nosso doce e terno esquerdismo salvacionista. Sei não… Acho que antevejo novidades no futuro, além da bruma espessa. Mas isso fica para outros carnavais.

Essa é minha discordância do artigo. O resto é de uma precisão cirúrgica, embora inoportuna.

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Por Reinaldo Azevedo

Um artigo certo no momento errado

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 17:31

O artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no Estadão de domingo demonstrando por que não se deve ter medo do passado — ou do legado de seu governo — está correto quase do começo ao fim. Direi por que “quase” em outro post. Qualquer pessoa comprometida apenas com os fatos sabe que ele está certo. Vale a máxima: no governo Lula, o que é bom não é novo e o que é novo não é bom. Vejam lá a ministra Dilma com a cascata das reservas, grandes agora, pequenas antes. Os sucessivos superávits comerciais que permitiram que se chegasse aí derivaram, pro acaso, de ações volitivas do governo Lula? Ora, vão plantar literalmente batatas!

O texto de FHC está corretíssimo (com uma exceção), e ele é, no momento, talvez o político mais injustiçado na história brasileira. Há outros. Falo destes tempos. Parte do prestígio de Lula deriva da desconstrução intelectualmente canalha que se fez do governo anterior. Ponto parágrafo.

Mas acho — e duvido que o ex-presidente, inteligente como é, não atente para o fato — que ele acaba sendo contraproducente para os desafios do futuro ao publicar um artigo como aquele. Não preciso explicar por que isso acaba contribuindo para o jogo do PT. A chance de Dilma — A ÚNICA — ESTÁ EM DESAPARECER ENQUANTO… DILMA.!!! Ela só existe como um avatar de Lula. Goste-se ou não, a construção da figura do Demiurgo foi bem-sucedida. Demandará alguns anos até que seja devolvido à terra.

Os braços e franjas do petismo são longos. Estão na imprensa, por exemplo. Peguem qualquer um desses colunistas “isentos” por aí, e eles só serão capazes de falar mal do governo Lula ajoelhando-se antes do milho: falarão mal de FHC também.  Ora,  ainda que o petista fizesse uma bobagem antes feita pelo tucano, FHC não é mais presidente. Como diria Horácio, teremos de voltar ao tempo das musas, ao princípio de tudo, a cada que vez que formos analisar o presente? E quem deu a chance ao ex-presidente de satanizar os que o antecederam? Ele nem faria isso. Quando menos, por refinamento intelectual. Não! O tucano, que tirou o Brasil de um buraco histórico, não terá sua obra reconhecida nem pela maioria dos jornalistas, que ou são petistas ou temem a patrulha do partido.

Assim, se seu artigo contribui para,  no futuro, repor a verdade em seu lugar, no presente, só serve para unificar o grito de guerra do PT. E Dilma aproveita para fazer de conta que tem voz própria. DIZER QUE ELA NÃO SABE FRITAR UM OVO NÃO É METÁFORA. É só um dado combinado com o fato de que ela é incapaz de articular um discurso coerente. Padece de uma falha básica de raciocínio, que pode ter efeitos dramáticos a depender do lugar que ocupe: não distingue o principal do secundário, a parte do todo. Seu discurso é como seus ovos remexidos. Não obstante, notem que ela saiu “liderando” a ofensiva contra FHC, como se tivesse voz própria. Mas isso ainda é o de menos:  Dilma,  avatar de Lula, se volta contra quem não está na disputa.

Ainda que o governo tucano não tivesse passado pela desconstrução, ele já está distante da memória. É evidente que boa parte dos eleitores se lembra mais dos “benefícios” dos dois mandatos de Lula. Mais: os anos, vamos dizer, verdadeiramente heróicos de FHC foram os dois primeiros, de consolidação do Real. A tática do confronto de passados, embora permitida, é coisa de vigaristas. Por isso mesmo, FHC deveria tomar cuidado para não acabar sendo instrumentalizado… pelo PT. Seu legado tem de ser defendido? Eu acho que tem. Mas há o momento certo para essa questão saltar para o primeiro plano.

Um artigo certo no momento errado.

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Por Reinaldo Azevedo

Os petralhas e Gengis Khan

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 16:47

Escrevi naquele textão da madrugada que, no Brasil, até Gengis Khan seria de centro. Aí vem um bobalhão e escreve:

Ô Azevedo essa foi plágio: “até Gengis Khan se diria “de centro”. Essa tu tirou do Oliver Stone do filme JFK. Assume o plágio, zé mané!!!
Falando sério: Gengis de centro??? Tá bom!! Pois é … vejamos … esquerda e direita no século XII??? Tem certeza???

Comento
A única coisa que me ofende aí é achar que eu já assisti a algum filme de Oliver Stone… Esperem… Confesso: assisti a Platoon em 1986. Uma merda! Qualquer um que apele ao hiper-realismo para tornar mais dolorida a dor extrema é um delinqüente estético. Stone é também um delinqüente político e intelectual. O tonto acha que eu não só citaria o que  teria dito o cineasta bolivariano como tentaria esconder a origem. Tenha dó! Gengis Khan como metáfora de extremismo é um clichê.

Quanto ao resto, dizer o quê? Ele acredita que eu falei a sério quando empreguei Gengis Khan para falar de direita e esquerda. Ele não sabe o que é metáfora. Ele não reconheceria uma hipérbole ainda que um caminhão delas caísse sobre a sua cabeça oca. Ele não entenderia uma ironia nem que eu o chamasse de muito perspicaz.

Essa gente tem importância? Huuummm… Isso aí está no poder, acreditem!

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Por Reinaldo Azevedo

Jornalismo e penúria

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 16:20

Um amigo jornalista me disse dia desses que eu não deveria contestar abertamente outros jornalistas porque esse tipo de coisa só gera animosidade etc. e contribui para criar a meu respeito uma imagem de irascibilidade que não corresponderia à verdade e tal. Pois é. Como já disse, pouco me importa o que digam a meu respeito. Jornalistas, especialmente colunistas, tiram boa parte de suas virtudes da crítica ao comportamento alheio, especialmente de políticos. E, ora, ora, fazem parte do debate público também. Por que não podem ser contestados, ter o nomezinho ou nomezão devidamente citado? Aparecer aqui, diga-se, não deixa de ser uma deferência deste escriba.  Gente que sei escrever a soldo, bem, essa turma eu ignoro. Excluo até os comentários que a eles se referem. Adiante.

O camarada Emmanuel Goldstein, da Vanguarda Popular, ponta de lança da revolução proletária, acaba de ser superado no domingo por Eliane Cantanhêde, articulista da Folha. E, por isso, escrevo este texto em reconhecimento a seu (dela) trabalho. Por pouco, muito pouco, ela não rouba, no meu coração, o lugar que cabe à minha sereia -  aquela, metade deusa, metade galochas. E nesse caso? Por que não cito o nome? Porque eu e Petrarca temos direito a momentos de lirismo. Leiam este parágrafo extraído da sua coluna de domingo:
“Chávez fez uma faxina institucional na Venezuela, virou-se de costas para os EUA e de frente para a América do Sul e planejou investimentos externos e a conversão dos fabulosos lucros do petróleo na transformação da sociedade e da quase inexistente planta industrial. O messianismo bobo, porém, afundou todos esses sonhos.

Cabe uma explicação. Cantanhêde era, assim, uma das nossas mais entusiasmadas propagandistas do bolivarianismo. Não! Não o fazia por dinheiro — saibam que há canalhas no subjornalismo e na academia que ficaram ricos defendendo Chávez. No seu caso, o alinhamento era mesmo, ou é, intelectual.  Fiquei comovido, quase fui às lágrimas, quando li que “Chávez fez uma faxina na Venezuela”. É verdade! Ele varreu do país o Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público, a oposição, o direito de defesa, o habeas corpus e até o Executivo! Faxina completa!!! A Venezuela ficou limpa dessas sujeiras típicas da democracia. Mais: observem que a “faxina” aparece como uma ação encadeada com o fato de ter “virado as costas para os EUA”.

Agora entendo a sua simpatia pelo regime, cujo declínio ela lamenta: Cantanhêde sabe onde se encontra a “planta industrial” criada por Chávez. Está, presume-se, em local mais secreto do que as armas de destruição em massa de Saddam. Também a sociedade foi transformada. Antes, capitalistas asquerosos exploravam o pobre povo venezuelano. Chávez se organizou para fazer isso sozinho — ou em companhia de seus “boliburgueses”.

Qual é o defeito de Chávez? Ah, o “messianismo bobo”. Cantanhêde diz “messianismo bobo” como quem diz: “Hoje é domingo, pede cachimbo”. Fica parecendo, assim, uma coisinha besta. O “messianismo bobo” de Chávez está matando estudantes nas ruas, financia o terrorismo na Colômbia, faz acordo nuclear secreto com o Irã, compra armamentos da Rússia, liquidou com o que havia de indústria no país, destruiu a agricultura, esvaziou os supermercados, conduziu o país a uma crise —- calculem! — energética sem precedentes por conta da ineficiência estatal, deixa boa parte dos venezuelanos sem água…

Vejam que ela não escreve “messianismo bruto”, “messianismo louco”, “messianismo tosco”… Não! Ele só é “bobo”, sabem? Vejam: o texto de Cantanhêde, por exemplo, é  bobo. Sendo ele uma bobeira, o messianismo de Chávez certamente é outra coisa.

Eu sou obrigado a avançar um pouco no artigo:
Onze anos depois, a Venezuela convive com fuga de investidores, estatizações, fechamento de TVs e uma crise na economia que não fica só nos números, mas atinge a vida das pessoas: que tal racionamento de água e de energia? Os aliados de primeira hora pulam do barco.

Onze anos depois??? Uma ova!!! Essas políticas de Chávez estão em curso desde o primeiro ano de governo. As conseqüências mais nefastas chegaram agora.  Cantanhêde parece Saramago, que rompeu com Fidel quando este decidiu matar três pessoas sem julgamento. “Até aqui fui com Fidel, mas agora…” Bem,  àquela altura, o regime já era responsável por 100 mil mortes entre as execuções e pessoas que morreram afogadas tentando fugir daquele paraíso. NÃO ERA QUESTÃO DE ACHISMO ANTEVER O QUE VIRIA NA VENEZUELA. ERA UMA QUESTÃO DE CIÊNCIA POLÍTICA, OBRIGATÓRIA A UMA COLUNISTA.

Enquanto Eliane Catanhêde defendia Chávez, ele destruía as chances da democracia na Venezuela. Ela esperava resultado diferente?

Encerra seu texto assim:
“Chávez sonhava com o “socialismo do século 21″. Os venezuelanos acordam no “titanic do século 21″ e sem comandante alternativo.”

Nem vou investigar que diabos faz a metáfora daquele navio ali, contribuindo para afundar de vez o texto. Sei o que não vou fazer. Não vou escarafunchar os arquivos para lembrar as muitas vezes em que Cantanhêde defendeu o Beiçola de Caracas. Até fiquei tentado. Mas me bateu algo parecido com pudor.

PS: Por favor, comentem idéias, não pessoas.

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Por Reinaldo Azevedo

LEIAM ABAIXO

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 7:37

- A GUERRA DE VALORES — OU “O TEA PARTY DO ZIRIGUIDUM”;
- CHÁVEZ QUER DILMA COMO PRIMEIRA-DAMA BOLIVARIANA;
- “Flopou” também em Belém!;
- A POLÍTICA E O RETROVISOR;
- O PT, CIRO E AÉCIO. OU: “MINAS É O ALVO”;
- ESTÁ LANÇADO O MOVIMENTO “PALMIRINHA JÁ”!!!;
- UMA HOMENAGEM AO PROGRAMA NACIONAL-SOCIALISTA DOS DIREITOS HUMANOS;
- JOELSON É GRANDEZA DEMAIS PRA DOIS CÓRREGOS! EU O QUERO NO HAITI.;
- TIO REI É TAMBÉM MINEIRO, UAI!;
- Poder Executivo deve ultrapassar 100 mil novos cargos no governo Lula

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Por Reinaldo Azevedo

A GUERRA DE VALORES — OU “O TEA PARTY DO ZIRIGUIDUM”

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 7:21

É texto longo! Vão encarar?

Muitos leitores me perguntam — alguns de boa fé; outros nem tanto: “Cadê a direita no Brasil? Onde está a direita?” Poderia me fazer de leso e escrever: “Não sei por que me perguntam isso”. Mas eu sei por que me perguntam isso. É que me identificam com esse pensamento, que alguns pretendem seja uma pecha. “Direitista” vira sinônimo, em certos casos, de pessoa com quem não vale a pena conversar. Seu nome fica maldito até para participar de debate de TV. O sujeito diz: “Ah, não! Com esse cara não dá para debater”. Por quê? Medo de que você enfie o dedo no olho dele? Não! Receio de ver exposta e desmascarada a demagogia. Mas não quero me desviar. Eu não fujo das palavras. Se querem me chamar de “direitista” num país em que até Gengis Khan se diria “de centro”, tudo bem por mim. Não dependo, nem íntima nem socialmente, do olhar do “outro”. Sou um freudiano da gota serena: o único olhar que importa, lá na infância,  e decide “você será isso” é o da mãe. No meu caso, já está decidido, hehe. Tarde demais para mudar.

Prefiro perguntar: “Onde estão os conservadores?”, já que a outra palavra, que a mim não me incomoda, a tantos perturba. Com tempo, isso merece um ensaio longo e profundo sobre a formação das mentalidades no Brasil. Sem dúvida, o PT é um partido que traz consigo toda a tralha antidemocrática do bolchevismo. No que se modernizou, tornou-se uma mistura de organização gramsciana com a mais descarada pilantragem. Nos dois casos, a democracia continua a ser um valor tático apenas. Alguns tontos me atribuem a suposição — PORQUE INTERESSA TRATAR O OUTRO DE IDIOTA PARA ESCONDER A PRÓPRIA BURRICE — de que os petistas um dia dariam “o” golpe! Ora, vão plantar batatas!

O “golpe” está sendo dado todos os dias, um pouco por dia, minando e desmoralizando as instituições do estado; em alguns casos, substituindo-as por instrumentos partidários. O tal Programa Nacional-Socialista (by Vanguarda Popular) dos Direitos Humanos é o quê? Ali, Paulo Vannuchi, Dilma Rousseff e Tarso Genro propuseram nada menos do que a substituição da Justiça por uma espécie de tribunal popular para arbitrar invasões de terra — e o invasor opina e vota! Como está lá, a estrovenga não existe em lugar nenhum do mundo. Nem em Cuba — aliás, em Cuba, o estado não admite qualquer forma de contestação, não é?

Pedir a ex-terroristas — lamento por eles e pelas vítimas de suas respectivas organizações: dois deles são ex-terroristas — que elaborem um plano de direitos humanos é como pedir, tentarei ser delicado, a açougueiros que elaborem o cardápio do bom vegetariano. É “direitista” dizer isso? Eu considero apenas realista. E sempre se pode debater se as ações da VPR (Dilma) e da ALN (Vannuchi) eram só “resistência à ditadura”. já que se supõe que quem combate a ditadura quer democracia…  Mas continuo.

O PT, sem dúvida, no que concerne à política e a valores sociais — e também morais —, é “de esquerda”. A forma como aparelha o estado e mobiliza suas franjas nos movimentos sociais e nas ONGs para tornar influentes seus valores ecoa a mais cara tradição do AGITPROP comuna. E seus vogais estão espalhados em todos os lugares, muito especialmente nas universidades e na imprensa. Servem ao partido, muitas vezes, confundindo a própria ignorância com bom coração!

Mas o PT é “esquerdista” em economia? Ora, não me façam gargalhar!

Nesta segunda, o bilionário José Alencar recebe o título de petista honorário em Minas, no esforço do partido para atropelar Aécio Neves — que talvez tenha sonhado um dia ser poupado — e criar um palanque poderoso para Dilma no Estado. Só falta agora fazer o mesmo com o leninista Henrique Meirelles, presidente do Banco Central e candidato de Lula, ao menos de coração, a vice da candidata petista.

Afirmar que o PT é esquerdista em economia é de uma estupidez supina! E QUE SE DIGA: FELIZMENTE NÃO É!!! O que tem sido por muitos chamado de “esquerdização” — a crescente interferência do estado na economia — não tem nada de esquerda propriamente. Mais se parece com um “geiselismo” sob nova gerência. E a expansão estatal, como é notório, se dá em associação com grandes grupos privados. Isso, atenção!, só é “esquerdista” à medida que aumenta o poder do partido.

Esquerdista agora põe um banco público, como o BNDES, para financiar a formação de gigantes privadas no setor petroquímico ou elétrico? Ora, não me façam cair na gargalhada. E, por óbvio, isso também não é, assim, liberal, né? E o Bolsa Família? O que há de esquerdista nele? Se fosse executado sem a pilantragem populista, eu diria que se trata de um caro receituário “conservador”. “Conservador de quê?”, pergunta um comuna aflito. Da ordem econômica!!! O que resta de extrema esquerda no Brasil tem razão quando afirma, segundo o seu exclusivíssimo e vesguíssimo ponto de vista, que se trata de um “programa reacionário”.

Ora, no mundo contemporâneo, as divisões entre direita e esquerda não se dão mais no terreno da economia. O PT sabe que não fará a “revolução socialista”. Nesses quase oito anos, o partido compôs com uma boa fatia do PIB — em todos os setores  — e também soube conceder, junto com o Bolsa Família, o Bolsa Empreiteira, o Bolsa Banqueiro, o Bolsa Supermercado, o Bolsa Indústria Automobilística, o Bolsa Linha Branca… Uma publicidade da Honda faz propaganda PESSOAL de Guido Mantega! O entusiasmo da, vou usar uma palavra antiga, “burguesia” com Dilma é grande. Ela promete manter esse, como posso escrever?, “regime”. Caso eleita, não vai conseguir. Mas promete.

A DISPUTA
Pode-se, claro, também nos marcos do capitalismo, construir um modelo diferente desse que aí está. Mas nada que sacuda o país e, pensando no tema deste texto, o eleitorado. Nos EUA, na velha Europa ou aqui, “direita” e “esquerda”, “conservadores” e “progressistas” vão para o confronto em matérias que dizem respeito a valores sociais, à cultura democrática, às instituições. Vejam o que aconteceu e o que está acontecendo com Obama. Falarei sobre o Tea Party, sim. Mas em outro texto.

Os leitores deste blog sabem que nada do que se dá nos EUA é surpreendente. Os conservadores, a direita e a “extrema direita religiosa”, como gosta de escrever a nossa imprensa, acusam Obama e seu governo de “socialistas”. A palavra serve de grito de guerra, mas, obviamente, o termo não encontra correspondência na realidade. Obama está começando a quebrar a cara é mesmo na guerra de valores. PORQUE, DE FATO, EXISTEM CONSERVADORES NOS EUA! COMO EXISTEM NO BRASIL! Mas, lá, a sua existência é considerada uma precondição da democracia. Na fatia da imprensa brasileira que está em decadência (embora alguns políticos ainda não tenham percebido), conservador — ou direitista — é sinônimo de cão sarnento.

O confronto de valores pode ser feito aqui também. Dia desses, um amigo — que considero “conservador” — me disse algo assim: “Você acha que, no Brasil, com a pobreza e as carências que há por aí, um discurso conservador poderia sem bem-sucedido? Duvido!” Pois é… Até nas melhores cabeças, o mal se insinua. Desde quando medidas de esquerda ajudam a combater a pobreza? Onde e quando, no mundo, a esquerda soube  erradicar a miséria? Esquerdista não mobiliza ninguém. Para ficar no Brasil: o que Lula fez foi revestir medidas que seriam típicas de governos conservadores com um verniz POPULISTA. Mesmo desprezando, como desprezo, as teses de esquerda, é um desrespeito com a teoria chamar coisas como Bolsa Família e ProUni de “esquerdistas”. Esse equívoco conduz a outro: “conservadores” seriam incapazes de adotar medidas que pudessem diminuir a pobreza. Ora, foram conservadores da ordem que criaram o Bolsa Família  — lá no governo FHC… Lula,  fazendo então discurso genuinamente “de esquerda”, chamou o programa de “esmola” para comprar a consciência dos pobres…

A disputa se dá em outro terreno. Se eu não fosse só um senhor que escreve textos — sei que é quase nada e assim continuarei —, aceitaria o desafio: João Pedro Stedile iria para a televisão defender o seu MST, fartamente financiado pelo governo Lula, e eu também iria. Sem usar um só adjetivo para desqualificá-lo, eu mostraria a sua obra em detalhes e quanto ela tem nos custado. Ele exibira os seus heróis e mártires; eu exibiria as suas vítimas. Vamos ver o que é que as ONGs, os movimentos sociais e outras polícias do pensamento poderiam fazer diante da evidência — não de um discurso meramente ideológico — do que é verdadeiramente o MST.

Lula meteu a descriminação do aborto no Programa Nacional-Socialista dos Direitos Humanos? Certamente os brasileiros têm uma opinião a respeito, não é? Taí outro debate que “progressistas” não aceitam fazer com “direitistas” na TV. Vocês sabem por quê. Porque, com dados e evidências, é impossível ganhar. Só isso. Cito dois casos. Há outros tantos no terreno da organização da sociedade, do comportamento e dos valores que reduziriam ao silêncio essa gritaria histérica de ONGs, movimentos sociais e organizações dos sem-isso e sem-aquilo. Até mesmo o debate sobre a liberdade de expressão, que parece mais distante da massa, pode render um bom confronto.

Mas, com efeito, onde estão os conservadores? Na economia, eu diria que estão em todos os lugares — muito especialmente, no PT. E só por isto o país não foi pra breca: porque o PT, nesse particular, não é petista. Mailson da Nóbrega escreveu na VEJA e está certíssimo: o PT não mudou o Brasil; o Brasil é que mudou o PT  — na economia ao menos.  Na política e nas instituições (agora já sou eu de novo, não Mailson), ele continua caudatário daquele mesmo esquerdismo xucro que pretende substituir a sociedade pelo partido. Ou se aceita fazer a guerra de valores contra essa gente, ou há o risco de  assistirmos ao nascimento de um PRI com pandeiro.

E que se note: não estou me referindo a esta eleição que vem aí apenas. Estou falando de uma questão que é também de médio e longo prazo. No fim das contas, todos os partidos se tornam, vá lá, produtivistas, cheios de obras para mostrar, cada qual com seus corruptos etc. Mas quais valores os distinguem?

Entregue-se o resultado de uma pesquisa honesta sobre o que pensa  os brasileiros a um especialista estrangeiro que saiba pouco sobre o país, e ele dirá: “É um povo conservador”. Não obstante, só temos “progressistas”. Políticos atuam com medo da imprensa, acreditando que a média do pensamento nas redações corresponde à média do que pensa a população. Faça-se um discurso organizado em defesa da lei, da ordem (já vejo petralhas com urticária), dos valores cristãos (sim, eles mesmos!!!), do trabalho honesto, do DIREITO À SEGURANÇA, DO DIREITO À VIDA (em todos os seus estágios), e vamos para o confronto. Vamos ver quem ganha. EU ESTOU FALANDO DA DEFESA, NA PRÁTICA, DA DEMOCRACIA! NADA ALÉM DISSO!!!

E saúde? E educação? E transporte? O que tem isso? Por acaso algum partido se diz contrário aos benefícios sociais? Supor que essas são questões particularmente caras à esquerda é nada menos do que já ter sido seduzido ou abduzido por ela.  E nós não fomos. Talvez não já, mas daqui a pouco, preparemo-nos para o confronto. Em nome da democracia!

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Por Reinaldo Azevedo

CHÁVEZ QUER DILMA COMO PRIMEIRA-DAMA BOLIVARIANA

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 7:19

O Bandoleiro de Caracas voltou a expressar seu apoio à candidata Dilma Rousseff  em seu programa semanal de rádio e televisão. Prestem atenção a este trecho da fala. O mais importante não é o que ele diz explicitamente, mas o que apenas sugere:
“Nós não nos imiscuímos nos assuntos internos de nenhum país, mas, como se supõe,  importa-nos o que se passa nos países da América Latina e do Caribe. Temos uma grande esperança de que o governo de Lula, um governo que foi nosso aliado, um governo que não se subordinou à ordem dos EUA, ao império ianque, siga seu curso, siga com seu próprio ritmo, com sua própria intensidade, no político, no econômico, mas um governo aliado dos povos da América do Sul, dos movimentos progressistas da América Latina, do Caribe e da África. Saúdo o companheiro presidente Lula, a ministra Dilma, que já é candidata, creio, já é candidata de Lula e do movimento que ele apóia. Estaremos muito atentos ao que se passa no Brasil e em toda a América Latina.”

Antes que eu aborde aquilo a que chamei de “mais importante”, cumpre  destacar outro trecho da fala. Segundo Chávez, “a direita segue buscando a restauração” para debilitar os “governos progressistas”. E acusou a sua grande frustração: “O golpe em Honduras não foi contra Honduras; foi contra todo o movimento unitário da América Central, mas também da América do Sul (…) As bases militares [norte-americanas] na Colômbia são, como diz Fidel [Castro] sete punhaladas no coração da América do Sul, da união sul-americana”.

Observem que não foi outra a posição brasileira no caso de Honduras e das bases colombianas. Notem uma certa hesitação cínica de Chávez quando se refere ao “ritmo” e “intensidade” de Lula; ele busca palavras cuidadosas. Há um certo esgar de desprezo pela  dita “moderação” de seu companheiro brasileiro. Mas está claro que ambos comungam dos mesmos propósitos.

Chávez está indo pro vinagre. Não é o caso de Lula. Mas  o ditador tem razão quando afirma a comunhão da política externa brasileira com a canalha bolivariana. Não só com ela. Onde há um ditador, há um Itamaraty de joelhos. No caso de Celso Amorim, isso nem chega a ser necessário.

É isto: os bolivarianos estão agora em busca de uma primeira-dama!

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Por Reinaldo Azevedo

“Flopou” também em Belém!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 7:17

Vocês sabem que, dado o crescimento sustentadíssimo do blog, estamos com correspondentes no Brasil inteiro e em vários países. Esta nota chega do Pará:
*

Publicado na Coluna “Tutti-Qui” do jornal O Liberal, de Belém do Pará, neste domingo:

FILME- FRACO
“A exemplo do que aconteceu em outras praças do país, foi fraca em Belém, em termos de público, a exibição de Lula, O Filho do Brasil. A fita demorou três semanas em cartaz, assim mesmo porque os exibidores reduziram o número de sessões diárias de três para duas desde que sentiram que o público não iria se entusiasmar pela história”.

Comento
A petezada e os produtores gostam de afirmar que o naufrágio aconteceu só no Sul e Sudeste do país… Pois é!

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Por Reinaldo Azevedo

A POLÍTICA E O RETROVISOR

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 7:15

Por Renato Andrade e Tânia Monteiro, no Estadão. Nesta segunda, escreverei a respeito.
O governo saiu ontem em bloco para responder as críticas feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à estratégia do Palácio do Planalto para tentar vencer as eleições de outubro. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à corrida presidencial, reconheceu que o governo tucano deu contribuições ao País, mas indicou que não deixará de fazer comparações entre o que foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu antecessor. “Não estou desmerecendo ninguém, estou dizendo que nosso caminho é melhor”, disse.

Em artigo publicado ontem no Estado, Fernando Henrique afirmou que Lula, levado por “momentos de euforia”, está inventando inimigos e enunciando inverdades. O ex-presidente lamentou que o sucessor tenha se deixando contaminar por “impulsos tão toscos” e mostrou disposição para entrar no embate das realizações de cada governo, polarização defendida por Lula. “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa.”

Para Dilma, o que o governo defende é uma comparação para a escolha de caminhos. “Essa é a forma de nós confrontarmos as possibilidades”, disse a ministra, pouco antes de participar de um evento do PT, em Brasília. Fernando Henrique afirmou em seu artigo que a estratégia adotada pelos petistas seria uma tentativa de ganhar as eleições “com o retrovisor”.

Dilma rebateu. “Comparar não é ficar olhando pelo retrovisor. Comparar é discutir que caminho vou seguir”, disse. “Sem sombra de dúvida, houve passos no governo anterior, agora, o que estou dizendo é que o nosso caminho é melhor.”

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também defendeu a política de comparações e disse que o PT está disposto a debater com os tucanos suas propostas para o futuro. “Assim que mostrarem o que querem fazer, nós vamos comparar com aquilo que queremos fazer daqui para frente.”

DADOS

O ex-presidente argumentou em seu artigo que o governo ignora dados e insiste em contar sua versão dos fatos para tentar “desconstruir o inimigo principal”, os tucanos. O empréstimo feito pelo País em 2002, no FMI, foi um dos exemplos citados por Fernando Henrique de custos enfrentados pelo País por anos de “bravatas” do PT que hoje são ignoradas pelos petistas.

Dilma tentou desmontar a argumentação. “O governo pediu US$ 14 bilhões porque só tinha US$ 16 bilhões de reservas e tinha atrelado sua dívida interna ao dólar”, disse. “Hoje, temos reservas de US$ 240 bilhões, essa a diferença.”

Segundo a ministra, a de cisão de atrelar a dívida ao dólar acabou tendo efeitos perversos. “Cada vez que havia uma desvalorização, a dívida das empresas, a dívida do governo se multiplicava na proporção da desvalorização”, disse. “Diante de cada crise o governo quebrava, ele era parte do problema.”

Para Dilma, o atual governo mudou o papel do Estado. “Na hora que a coisa ficou preta, quando acabou o crédito internacional e nenhum banco privado emprestava, foram os nossos bancos públicos que seguraram”, comentou. “Não vamos comparar desta vez que o governo brasileiro foi parte da solução?”

A tentativa de colar a imagem do governo com sinais de mudanças radicais também não faz sentido, disse. “O pessoal está um pouquinho atrasado, nem em Davos a gente recebe mais essa crítica.”

DUTRA
Citado no artigo de Fernando Henrique, o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, disse que quem não reconheceu os feitos do governo passado foi o candidato tucano ao Planalto em 2006, o ex-governador Geraldo Alckmin. “Quem escondeu os progressos do governo dele foi o Alckmin. Ele ficou envergonhado de defender o governo FHC”, provocou Dutra.

Em seu artigo, Fernando Henrique lembra que Dutra, que já presidiu a Petrobrás, reconheceu que votaria contra uma eventual proposta de volta ao monopólio do petróleo, tema defendido por muitos anos pelo PT. Dutra confirmou essa posição e disse também que já elogiou outra medida tomada pelo governo FHC, hoje alvo de críticas dos próprios tucanos. “Um dos grandes motivos para o crescimento da Petrobrás foi a agilidade que ela ganhou a partir do momento em que não teve mais de cumprir a 8666 (Lei de Licitações). Agora o TCU bombardeia esse decreto, que é do governo FHC, e a oposição fica do lado do TCU.”


TRECHOS

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. (…) Por trás dessas bravatas estão o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse: “O Estado sou eu.” Lula dirá: “O Brasil sou eu!” Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo o que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote - o governo do PSDB foi “neoliberal” - e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa.

(Lula) Esqueceu-se de que o País pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio.

É mentira dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área.

Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

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Por Reinaldo Azevedo

Só à noite

domingo, 7 de fevereiro de 2010 | 17:01

Caras e caros, retomaremos a mediação de comentário só no fim da noite. Até lá.

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Por Reinaldo Azevedo

O PT, CIRO E AÉCIO. OU: “MINAS É O ALVO”

domingo, 7 de fevereiro de 2010 | 8:11

Há micos que eu não pago de jeito nenhum! Não digo o que as pessoas mais abastadas do que eu devem fazer com o seu dinheiro, por exemplo. Nem preciso explicar por quê. Deixo isso para alguns que escrevem sobre economia & finanças. Diz um amigo que é muito rico e lida com o mercado financeiro: “Sempre que um jornalista me dá uma dica sobre investimento, eu pergunto que carro ele tem…” Entendi. Também não dou conselhos a políticos poderosos. Eu apenas narro, descrevo às vezes, o que vejo. E faço alguns prognósticos. Acho que mais acerto do que erro. A julgar pelo número de leitores do blog, sempre crescente, vocês também acham. Vamos a dois casos.

O caso Ciro
Quem fizer uma pesquisa no arquivo sobre o que escrevi a respeito de Ciro Gomes encontrará, nas vezes em consegui levá-lo a sério, um diagnóstico e um prognóstico, que sintetizei dia desses numa imagem: “O PT o quer como concubina, não para casar. O coroné Lula pode até montar pra ele uma casa nos arrabaldes da cidade, animar-se com seu jeito sestroso, mas não vai levá-lo à missa”. Da Arena ao PSB, Ciro já foi muita coisa. Petista nunca. E isso o condena. Serviu a Lula com denodo, desvelo e fúria de capitão do mato às vezes. E o presidente e seu partido o querem apenas como boca de aluguel contra José Serra.

Ciro finalmente concorda com o que tenho escrito há anos a respeito de sua relação com o PT. Na sexta, numa entrevista a uma rádio de Recife, afirmou: “O PT tem um traço de arrogância; trata seus aliados como peças subalternas que podem ser tangidas como se fossem ovelhas (…). O partido acostumou-se a tratar os seus parceiros como bucha de canhão”.
Como vocês notam, a metáfora dele é outra, mas o conteúdo coincide com a minha. A sua figuração ficou entre o imaginário campestre e bélico, o que combina com ele; a minha é, assim, mais sensual, o que combina comigo, rá, rá, rá!!!

Ciro, dia desses, andou citando o teórico comunista italiano Antonio Gramsci, maltratando um tanto o conceito de “hegemonia”. A sua tentativa de ser um ungido do PT evidencia que ele não entendeu nem Gramsci nem o PT. A “hegemonia” do processo político não se esgota em liderar isso ou aquilo; trata-se de erigir um sistema de valores fora do qual não existe virtude. E Ciro está fora. Se quer manter o vínculo, é como ovelha ou bucha de canhão mesmo. Ou concubina.

O caso Aécio
Vejamos agora o caso do governador de Minas, Aécio Neves, do PSDB. Ainda hoje, ele alimenta uma tese que pode ser interessante caso se saiba seu conteúdo: a política brasileira entraria na fase “pós-Lula”. Não tenho dúvida de que ele tentou, com a formulação, um movimento de duplo efeito:

1 - afirmar que a polarização PSDB-PT torna os atores políticos reféns de uma dicotomia que existiria mais no interesse de algumas lideranças do que na prática; nesse contexto, ele apareceria, a um só tempo, como mediador e pacificador, apelando a correntes que ficam zanzando entre essas duas forças. Não por acaso, quando ele condena a tese plebiscitária de Lula, faz crer que o plebiscito só seria possível com Serra como candidato tucano. Ele próprio, Aécio, por alguma razão inexplicável — ou, ao menos, inexplicada — não seria um outro pólo. Acho a formulação curiosa porque, ideologicamente, Serra me parece mais próximo do PT do que Aécio;
2 - acenar para o petismo que ele não é “anti” coisa nenhuma; nesse sentido, num dado momento da trajetória, poderiam estar marchando juntos. E o pós-Lula seria, então, esse momento de conciliação que compõe a mitologia da política mineira.

Imprudência
Ocorre que tudo o que Lula realmente recusa é a possibilidade de que possa, um dia, haver um “pós-Lula”. Aí, a sua vaidade pessoal se casa com os conceitos que plasmaram o petismo para tentar esmagar qualquer possibilidade de que o país volte a assistir à alternância de poder.

O presidente da República, está claro, divide a história do Brasil — e do mundo!!! —  em a.L e d.L: “antes de Lula” e “depois de Lula”. Sendo assim, qualquer resultado que não seja a vitória do PT não seria encarado como um evento normal de um regime democrático, mas como um retrocesso. O próprio Ciro, de quem falava há pouco, sai arrotando por aí que a eventual vitória de Serra seria uma “volta ao passado”. Não percebe — porque, de fato, é muito menos íntimo da teoria política do que faz supor sua metralhadora verbal — que é justamente esse discurso que o tira do tabuleiro de possibilidades do PT. Ele também não é do “partido”. Retrocesso, para a legenda, é a vitória de qualquer não-petista. Volto a Aécio.

Sua resistência, que não é de hoje, em reconhecer o caráter exclusivista do PT — o que o fez, por exemplo, aliar-se a petistas para eleger o prefeito de Belo Horizonte —, acho eu, revela incompreensão dos propósitos do partido. Está-se desenhado na sucessão mineira um alinhamento de forças que pretende esmagá-lo.

Hoje, o candidato de Lula ao governo de Minas se chama José Alencar — com um vice saído do PT: Patrus Ananias ou Fernando Pimentel. Tudo depende apenas da saúde do atual vice-presidente da República. Com o devido cuidado e respeito, é preciso pensar o que isso implica. Curado do câncer, obviamente, Alencar não estará. Negar o cálculo óbvio dos petistas nessa composição é negar uma das essências da política: o realismo.

O governo Aécio é aprovado pela maioria dos mineiros. Por enquanto, Antonio Anastasia, vice-governador e escolhido para disputar a sucessão pelo PSDB, está longe de vencer a disputa. Isso pode mudar? É evidente! Mas pensem na força que não teria uma chapa encabeçada por Alencar, secundada por petistas e, ainda que haja algumas dificuldades, apoiada pelo PMDB.

A figura de Alencar está ganhando contornos de um suave messianismo. A muitos pareceria até indelicado não votar nele, dada a sua luta contra o câncer. Em países, vamos dizer, mais frios, calculistas e desenvolvidos do que o Brasil, a doença pode assustar o eleitor, que tende a pensar nos riscos. Os democratas e a imprensa americana não hesitaram em lembrar os três diagnósticos de melanoma que tivera John McCain como fator de risco para… os Estados Unidos! Por aqui, mensagens sutis excitariam um mecanismo de culpa que poderia ser compensado com o voto. Ademais, Alencar é um figura simpática, terna até.

Nada de conselho
É evidente que, mesmo sendo meio mineiro (ver posts abaixo), não ouso dar conselhos a um político de Minas. Chamo a atenção para o que vejo. E vejo que, estando José Alencar no padrão em que se encontra hoje, ele disputa o governo, com o apoio entusiasmado de Lula e o apoio calculista do PT. Isso acaba liberando ao menos mais um petista para disputar uma vaga no Senado. Já estão na fila Itamar Franco, Helio Costa e, consta, Aécio. Um Patrus Ananias ou um Fernando Pimentel pode lhes fazer companhia. A eleição de Aécio para o Senado, que parece ser pule de dez, pode vir a dar trabalho. Num outro cenário, Alencar não disputa o governo, mas se candidata… ao Senado.

Reitero: o arranjo Alencar em Minas só não sai se a saúde do vice-presidente não permitir. Estaria formado no estado um palanque fortíssimo para Dilma Rousseff.

“O que você quer, Reinaldo? Empurrar Aécio para ser vice de Serra?” Eu? Não quero nada. Já disse que não pago mico de dar conselho para políticos. Estou narrando o que vejo e antevejo. A depender das forças que se conjurem em Minas, Anastasia enfrentará sérias dificuldades, e Aécio encontra um caminho bastante congestionado para o Senado. Os petistas não gostariam de esmagá-lo menos do que gostariam de esmagar Serra. Lembro que Dante de Oliveira, então governador de Mato Grosso em 2002, tinha índices de aprovação superiores a 70%. E não conseguiu se eleger senador. Não estou prevendo nada. Estou dizendo que a política pode ser traiçoeira. Só isso.

Meu texto não tem segundas intenções. Nunca tem! Só primeiras. O fio condutor deste artigo continua o mesmo — e não vou repetir a minha metáfora sensual, mas aquela campestre-bélica de Ciro: “O PT tem um traço de arrogância; trata seus aliados como peças subalternas que podem ser tangidas como se fossem ovelhas (…). O partido acostumou-se a tratar os seus parceiros como bucha de canhão”.

Encerro lembrando que uma precondição para o “período pós-Lula” é mesmo a derrota da candidata de Lula.

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Por Reinaldo Azevedo


 
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