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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

28/08/2015

às 6:00

Criação da CPMF, governança bagunçada e desordem política: eis por que a continuidade de Dilma é a opção mais cara

A presidente Dilma Rousseff é uma desastrada sem precedentes na história brasileira. O episódio da recriação da CPMF, que o governo está determinado a levar adiante, é a evidência máxima disso. É espantoso o que está em curso. Não há, acreditem, prescrição da literatura. Talvez seja preciso apelar a outros saberes. Talvez Dilma seja uma suicida política. Ou, então, o estresse da gestão a deixou alheia à realidade. E olhem que estou disposto a compreender os seus motivos. Vamos lá.

O governo experimenta, neste momento, um déficit primário de 0,32% do PIB. Tudo o mais constante, fecha o ano com déficit, a menos que dê novas pedaladas — aquelas, que podem resultar na deposição da mandatária. Nessa trilha, o país, já na mira das agências de classificação de risco, acaba rebaixado. E aí as coisas ficam muito feias. Digamos, então, que algo como a CPMF fosse imperioso, já que o governo não consegue cortar gastos — ao contrário: eles sobem, enquanto a arrecadação despenca.

Notem que estou tentando ser compreensivo com a governanta. Cabe a pergunta: é assim que se faz? Um ministro da Saúde, como Arthur Chioro, um notório falastrão — com todas as vênias, hein, meu senhor!? — lança a bomba, discutida sabe-se lá com quem, e o mundo político, o empresarial, o financeiro e o sindical são pegos de surpresa.

Dilma só se lembrou, por exemplo, de ligar para seu vice, Michel Temer, para tratar do assunto quando as federações empresariais de todo o país já haviam, e com razão, botado a boca no trombone. O neogovernista Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e o oposicionista Eduardo Cunha (PMDN-RJ), que preside a Câmara, já haviam alertado: a proposta não passa no Congresso.

Enquanto isso, o petista Chioro arrumava até um novo nome para a CPMF, que ele quer chamar de Contribuição Interfederativa da Saúde — no seu desenho, Estados e municípios ficam com uma parte do dinheiro. É uma forma de tentar arrastar governadores e prefeitos para a sarjeta da popularidade. Ao telefone, Temer fez, a seu modo, muito comedido, aquela pergunta que Garrincha dirigiu a Feola depois de Ouvir as instruções do técnico: “Tudo bem, mas o senhor já combinou com os russos?”

Atenção! Não foi só o vice que foi pego de surpresa. Quase todos os ministros do governo e os respectivos líderes dos partidos da base, na Câmara e no Senado, também foram atropelados pela novidade. Mas avancemos um pouco mais e pensemos nas circunstâncias.

Empresários
Na terça-feira, Dilma recebeu sete empresários no Palácio da Alvorada para um jantar. Discutiram-se ali as dificuldades do país, a conjuntura, a necessidade de cortar gastos, a forte retração da economia e coisa e tal. Não, Dilma não falou sobre a CPMF.

Na semana passada, a governista OAB resolveu assinar uma carta, em companhia de três federações empresariais — CNI, CNT e CNS — com sugestões para o Brasil sair do buraco. Não havia o endosso explícito a Dilma, mas isso estava subentendido. Como resposta, os signatários levam na testa a recriação da CPMF.

Nesta quinta, Temer esteve na Fiesp, em São Paulo, num encontro que estava marcado já há tempos. Atendeu ao convite do presidente da federação, Paulo Skaf. Ao jantar de Dilma, na terça, que estava fora da agenda, como se fosse coisa clandestina — o que é um absurdo, já que ela tem o direito e a obrigação de receber empresários —, compareceram sete pesos-pesados da economia. No jantar com Temer, nesta quinta, havia 35.

Adivinhem qual foi o tema dominante das conversas, segundo o relato de empresários presentes ao encontro… Bem, a resposta é óbvia: CPMF. E que se note: a surpresa e a indignação não tinham unicamente o imposto em si como objeto. O que chocou também foi a forma escolhida pelo governo para encaminhar o debate. Na prática, Dilma faz de trouxas as lideranças empresariais que chegaram a lhe esboçar uma manifestação de apoio. Creio que tenham desistido.

Ora, é evidente que o vice ouviu uma pensa de reclamações. Não venha depois o PT dizer que se trata de uma conspiração de quem quer o lugar de Dilma. Ao contrário até: Ao longo do dia, Temer ficou mesmo indignado e chegou a chamar, em tom irritado, a recriação da CMPF de “Projeto Impeachment”, fazendo a óbvia advertência de que a iniciativa mina ainda mais o já precário apoio que tem o governo no Congresso.

Fora do controle
Parece evidente que as coisas começam a fugir do controle e que, infelizmente, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, não está conseguindo dar conta do recado. Não porque não queira, mas porque não tem o devido domínio da máquina.

Já vimos que o “Levy Mãos de Tesoura” anda muito pouco operante, eis a verdade. A sua atuação à frente do governo tem sido mais efetiva em tentar obter receita suspendendo desonerações do que aplicando um choque de gestão que derrube despesas. A questão, de toda sorte, é o que cortar num país que gasta 75% do seu Orçamento com funcionalismo, Previdência e programas sociais com verbas carimbadas.

O ministro da Fazenda não era o mais entusiasmado com a recriação da CPMF, mas também não se esforçou para impedir o debate. Sabem como é… Se o dinheiro entrar, melhor, não é? Aos poucos, começa a se consolidar a impressão de que a recessão que está aí não serve nem mesmo ao ajuste da economia. É só o custo do desarranjo.

Dilma, definitivamente, não é do ramo, eis a verdade incontornável. A barafunda criada pela presidente nessa história da recriação da CPMF é o retrato de um mandato que já acabou.

Entendem por que a continuidade do governo Dilma é a mais cara de todas as alternativas?

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2015

às 4:07

Pesquisa – Na melhor das hipóteses para ele, Lula é um fantasma; na pior, alguém que terá de se entender com a Justiça

Lula Inflado, d'après "O Grito", de Munch

Lula Inflado, d’après “O Grito”, de Munch

Os petistas podem acender a luz e cuidar de outros assuntos. O bicho-papão Lula nem seduz nem assusta mais ninguém. Já era! Ele já saiu da vida política para entrar na história. É preciso, agora, que se cuide dessa narrativa para que as mentiras petistas não triunfem.  O Instituto Paraná Pesquisas fez um levantamento nacional para saber em quem os brasileiros votariam se a eleição fosse hoje. Foram entrevistadas 2.060 pessoas, entre os dias 24 e 27 de agosto, em 154 municípios, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Os companheiros certamente não vão gostar do resultado. Vamos lá.

No cenário em que o senador Aécio Neves (MG) é o candidato do PSDB, este aparece com 36,2% dos votos. Marina Silva (Rede) e Lula (PT) surgem tecnicamente empatados, com, respectivos 20,4% e 19,6%. Jair Bolsonaro (PP) marca 4,6%; Eduardo Cunha (PMDB), 3,2%, e Ronaldo Caiado (DEM), 1,3%. Notem que a lista é elaborada pensando no nome de um possível candidato para cada um dos grandes partidos. É pouco provável que PP e DEM tenham candidaturas próprias. Dizem não saber 7,2%, e 7,4% afirmam que não votariam em ninguém.

Presidencial agosto 1

Nesse cenário, o melhor desempenho de Aécio se dá no Norte/Centro Oeste (41%) e no Sudeste (40%), e o pior, no Nordeste (27,1%). Lula, ao contrário, obtém entre os nordestinos a sua melhor marca, mas, ainda assim, modesta: 26,8%, e seu pior desempenho está no Sul (13%) e no Norte/Centro-Oeste (16,7%).

Presidencial agosto 2

O Paraná Pesquisas simulou mais dois cenários, substituindo os candidatos tucanos. Se o nome do PSDB for Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, ele empata tecnicamente com Marina Silva: 25,4% e 26,6% respectivamente. Lula fica praticamente no mesmo lugar, com 20,5%. Os demais candidatos sofrem uma variação irrelevante.

Presidencial agosto 3

Quando a alternativa tucana é o senador José Serra (SP), Lula se mantém no mesmo terceiro lugar, com 20,1%, e o candidato do PSDB empata na liderança com Marina: 27,2% para ele a 26,2% para ela.

Presidencial agosto 4

Numa simulação de segundo turno entre Aécio e Lula, o tucano venceria o petista por 54,7% a 28,3%; contra Marina, o peessedebista levaria a disputa por 49,2% a 35,2%. Os demais cenários não foram testados.

Presidencial agosto 5

Presidencial agosto 6

Desaprovação
O governo Dilma segue batendo todos os recordes negativos. Nada menos de 83,6% dizem desaprovar a sua gestão, contra apenas 13,7% que a aprovam. Também o Paraná Pesquisa constatou um fenômeno já identificado por outros levantamentos: não existem mais bolsões de repulsa a Dilma ou de resistência do petismo: a desaprovação bate recorde no Sudeste, com 86,7%. Na sequência, está o Norte-Centro-Oeste, com 85,2%. No Sul, esse índice é de 83,9%. No Nordeste, que os petistas tinham como o seu reduto, desaprovam o governo nada menos de 77,8%.

Presidencial 7

Presidencial 8

Cai ou não cai?
Indagados se a presidente encerra ou não o seu mandato, os ouvidos se dividem ao meio: 48,8% acham que ela consegue se segurar até 31 de dezembro de 2018, mas 48,5% creem que não. A pesquisa investigou se as pessoas sabem exatamente o que acontece caso Dilma sofra um processo de impeachment. A maioria relativa ainda está um tanto confusa: 41,5% acham que haverá nova eleição. Acertaram a resposta 37,3%, que disseram que o vice assume a Presidência. Acreditam que o candidato que chegou em segundo lugar tomaria posse 9,9% dos entrevistados.

A vida das pessoas melhorou ou piorou nos últimos seis meses? Os números ajudam a entender a avaliação que se faz do governo Dilma: 68,4% afirmam que piorou (48,9%) ou piorou muito (19,5%). Só 71,% dizem ter melhorado (6,3%) ou melhorado muito (0,8%). Mesmo com esses dados, boa parte do país ainda está otimista ou muito otimista: 38,9%. A maioria, no entanto, se mostra pessimista ou muito pessimista: 48,2%.

Presidencial 9

É claro que esse é um retrato do momento. Pode mudar? Pode. Salvo uma cassação da chapa vencedora em 2014, as eleições ainda estão bastante distantes. O problema é que o governo Dilma, ainda que sobreviva, não terá boas notícias a dar aos brasileiros por muito tempo. De resto, ninguém sabe o que pode acontecer, não é mesmo? O impeachment, hipótese cada vez mais presente, implicaria uma significativa alteração no cenário político.

Mas que se fique com a síntese das sínteses: o PT pode parar de brandir a ameaça Lula. Hoje, é o que é: na melhor das hipóteses para ele, um fantasma; na pior, alguém a dar explicações à Justiça.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2015

às 21:35

CPMF – Chioro, o ministro do Eufemismo Burocrático, quer arrastar prefeitos e governadores para buraco em que Dilma está

Ah, que bom! Dilma pensa em extinguir e fundir ministérios, certo? Sugiro que demita Arthur Chioro da Saúde e o transforme no titular do MEB, o Ministério do Eufemismo Burocrático. O valente, um dos  tocadores de corneta da volta da CPMF, resolveu dar um outro nome ao imposto: CIS (Contribuição Interfederativa da Saúde). Ah, que bacana. Aí não deve doer.

O governo ainda não sabe se cria um imposto para cobrir o déficit primário ou para a Saúde. Entendi. Vai ver a ideia é a seguinte: o tal CIS vai para a Saúde, e o dinheiro da Saúde vira caixa, que é um jeito malandro de fazer a CPMF, com novo apelido, ser o que sempre foi: CAIXA!!!

O nomezinho proposto por Chioro embute uma armadilha: seria uma “contribuição interfederativa” porque parte do dinheiro ficaria com os municípios, parte com estados e parte com a União… Ah, espertão! É um jeito de engajar os prefeitos e os governadores na defesa da proposta, de sorte que Dilma não arque sozinha com o peso da estrovenga, né?

Justamente porque o imposto teria esse caráter, Chioro nega que seria a simples volta da CPMF — já que este nunca serviu apenas à saúde. Temos aí uma confissão. O imposto, disfarçado de “contribuição” fico em vigência de 1997 a 2007 — portanto, o PT administrou o dinheiro durante cinco anos. Teria dado tempo de demonstrar que sabia o que fazer com ele, não é mesmo?

Chioro vem com sua conversa mole: “Vivemos um crônico subfinanciamento da saúde, e precisamos encontrar uma solução. Se não encontrarmos, municípios e Estados deixarão de cumprir o compromisso com a população brasileira. Estamos lidando com a vida das pessoas.” Ah, também resolveu dizer que os que votaram pela extinção do imposto em 2007 são os responsáveis pela crise que está aí.

Uma ova! Eis um dos aspectos mais irritantes de um governo destrambelhado. A urgência da CPMF é recolocada quando o país passou a fabricar déficit primário. Chioro vem agora usar os doentes como estandarte para esconder a incompetência oficial. E pretende arrastar governadores e prefeitos para o buraco de popularidade em que Dilma está.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2015

às 20:48

CPMF: Essa gente do PT não tem cura porque tem uma natureza

Não é possível! Como os leitores estão cansados de saber, acho que o melhor lugar para Dilma Rousseff é o conforto do lar, lendo seus livrinhos de antropologia, deixando esse papo de governo para quem tem mais vocação, mais talento, mais paciência para ouvir. Mas não sou inimigo da presidente, obviamente. A inimizade é uma expressão da intimidade, ainda que vivida pelo avesso. A inimizade é o amor negativo, né? Na origem, podem procurar, estão a inveja, o afeto não correspondido, a traição, o ressentimento… Notem que todos eles são expressões de uma admiração destrambelhada. O que eu sinto por Dilma? Nada. Mas há, certamente, quem a odeie por um daqueles motivos acima elencados. Quem?

Bem, não sei o nome da pessoa. Mas sei que ela existe e o que ela quer: no caso, sugeriu à presidente que deixasse correr a ideia de que o governo planeja recriar a CPMF — e não com alíquota pequena, não: 0,38% sobre qualquer transação bancária. Desta feita, já escrevi aqui, nem mesmo se pretexta a necessidade meritória de dar verba para a saúde. É que o governo está com um rombo no caixa, está fabricando déficit primário e precisa dar um jeito de tapar o buraco. Então, o tal inimigo íntimo pensou: “Por que a gente não tunga de novo o contribuinte?” É espantoso!

Bem, tão logo a notícia começou a circular, os protestos pipocaram de todo lado. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, mesmo na sua condição de neoconvertido, advertiu que será difícil a proposta passar na Casa. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que não se converteu, fez advertência idêntica sobre a Câmara, que ele preside.

A Folha ouviu algumas opiniões. Robson Andrade, da Confederação Nacional da Indústria, classificou a ideia de “absurda”: “Mais um imposto para a sociedade pagar, enquanto o caminho ideal seria o governo promover uma redução de gastos públicos para deixar a economia se recuperar”.

“É um total retrocesso na economia do país. Os gastos do governo é que devem ser reduzidos e mais bem-administrados, enxugando a máquina pública”, disse Kelly Carvalho, assessora econômica da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo). Não é diferente a estupefação do presidente da CNS (Confederação Nacional de Serviços), Luigi Nesse: “É uma loucura criar novo imposto no Brasil em um momento de crise e fragilidade das empresas”.

Só tubarões?
Já andei nas ruas hoje. A revolta é imensa — e não creio que seja só em São Paulo, onde, com efeito, o PT não é um partido muito popular. Cada vez mais, experimenta-se a sensação de um governo contra a sociedade.

Foi tal o desarvoramento que o vice-presidente, Michel Temer, mesmo fora da coordenação política, tachou a ideia, por enquanto, de “burburinho”. Neste momento, ele participa de um jantar com empresários na Fiesp, onde um novo imposto não deve ser, assim, uma ideia muito popular…

Não! Eu não sou inimigo de Dilma porque, reitero, a inimizade é uma forma de intimidade desde, ao menos, a Ilíada, de Homero. Vejam lá o confronto entre Heitor e Aquiles. Sou apenas um duro crítico do governo. Mas não tenho dúvida de que Dilma vive cercada de pessoas que querem vê-la pelas costas.

CPMF agora? A esta altura do campeonato? Talvez alguém lhe tenha proposto algo, assim, toscamente maquiavélico: “Presidente, arranque o couro do povaréu enquanto a senhora está com 7% de popularidade e use o dinheiro da brasileirada para tentar melhorar a sua reputação”. É um jeito de ver o mundo.

Eu tendo a achar que o novo imposto esgarçaria a frágil sustentação que o governo conseguiu junto ao empresariado. Já disse aqui: essa gente do PT não tem cura porque tem uma natureza.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2015

às 16:35

Nunca antes da história deste país, déficit primário foi tão grande. O PT realmente faz o Brasil experimentar o novo!

Na VEJA.com. Comento no último parágrafo.
O governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) registrou déficit primário de 7,22 bilhões de reais no mês passado, o pior resultado para julho da série histórica, que começou em 1997, informou o Tesouro Nacional, nesta quinta-feira. No acumulado do ano até o mês passado, a economia feita para o pagamento de juros estava negativa em 9,05 bilhões de reais, também o pior resultado desde 1997. Em julho de 2014, as contas do governo haviam registrado déficit de 2,21 bilhões de reais.

A arrecadação federal, que registrou o pior desempenho de janeiro a julho desde 2010, tem impacto o resultado das contas públicas. As receitas foram prejudicadas pela desaceleração econômica e pela desoneração de tributos, na tentativa de aquecer a economia.

O saldo negativo acumulado do ano corresponde a 0,32% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado, as contas tinham superávit de 15,14 bilhões de reais – porém, a base de comparação é desequilibrada devido à maquiagem fiscal levada adiante pelo governo até o final de 2014. Em 12 meses, o déficit é de 43,9 bilhões de reais, o equivalente a 0,77% do PIB.

Com dificuldades para fazer levar o resultado primário para o campo positivo, o governo reduziu a meta fiscal de 1,1% para 0,15% do PIB, o equivalente a 5,8 bilhões de reais. Contudo, o próprio governo vê com descrédito a nova meta, devido ao acelerado processo de queda da arrecadação. No Ministério da Fazenda, há a percepção que o governo terminará o ano com déficit, mas o resultado pode ir ao campo positivo devido aos abatimentos do PAC permitidos pela lei.

O resultado das receitas de julho representam uma queda real de 4,7% em relação a julho de 2014. Já as despesas tiveram aumento real de 0,7%.

Tesouro
As contas do Tesouro Nacional registraram um déficit primário de 1,72 bilhão de reais em julho, de acordo com dados divulgados pelo órgão. Já as contas da Previdência registraram déficit de 5,67 bilhões de reais no mês passado. As contas do Banco Central, por sua vez, tiveram saldo positivo de 174 milhões de reais em julho.

Investimentos
Nos sete primeiros meses sob o comando da nova equipe econômica, os investimentos do governo registram uma queda real de 36,6%. De acordo com dados do Tesouro, os investimentos pagos somaram 32,26 bilhões de reais. Desse total, 23,58 bilhões de reais são restos a pagar, ou seja, despesas de anos anteriores que foram transferidas para 2015. Em julho, as despesas com investimentos foram de 4,46 bilhões, com queda de 39,1% sobre o mesmo mês de 2014.

Os investimentos com o Programa de Aceleração Econômica (PAC) somaram 3,31 bilhões em julho e 23,86 bilhões de reais nos sete primeiros meses do ano, o que representa queda de 39,6% em julho e 36,5% no acumulado do ano.

Encerro
Dilma, vá brincar de outra coisa enquanto é tempo!

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2015

às 16:16

Conforme eu queria demonstrar: STF mantém validade de delação de Youssef. Ou: De alhos e bugalhos

A ignorância sobre trâmites das leis e fundamentos da Constituição custa caro não aos jornalistas, mas aos leitores, telespectadores, ouvintes, internautas etc.

O STF, por maioria, decidiu nesta quarta que cabe, sim, habeas corpus contra decisão tomada por um relator. Como tal decisão estava no âmbito de um recurso do diretor de uma empreiteira — Erton Medeiros, da Galvão Engenharia — que pedia ao tribunal, por meio de habeas corpus, a anulação da delação premiada de Alberto Youssef, alguns logo entenderam que o tribunal estava começando a assar uma pizza gigantesca.

Explica-se: quem homologou a delação de Youssef foi o ministro Teori Zavascki, relator do petrolão. Logo, o STF tinha duas decisões a tomar: 1) cabe ou não habeas corpus contra decisão de relator?; 2) analisar o mérito do pleito.

Na primeira decisão, o tribunal concluiu que o recurso é, sim, cabível. Não se trata de mudança de jurisprudência, como se noticiou, porque não havia jurisprudência a respeito. Como a Súmula 606, corretamente, veta esse expediente para decisões tomadas pelo plenário ou pela turma, as que levavam a chancela de relatores acabaram também, por costume, imunes a habeas corpus, o que não fazia sentido.

Expliquei ontem que essa decisão nada tinha a ver com o mérito — vale dizer: os ministros não estavam antecipando uma possível anulação da delação de Youssef.  Dito e feito!

Votaram contra a anulação da delação, nesta quinta, até agora, os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Edson Fachin, Luiz Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Marco Aurélio Mello.  Três deles — enquanto escrevo, Lewandowski e Celso ainda não votaram — estavam no grupo que acatou a validade de habeas corpus contra decisão de relator: Toffoli, Mendes e Marco Aurélio. Logo, uma coisa não estava atrelada à outra, como afirmei aqui.

Para tratar de leis, é preciso um pouco mais do que voluntarismo e disposição para sair regurgitando ódios. Também é preciso estudar. 

PS – A propósito: se eu estivesse no STF,votaria,sim, pela anulação dos benefícios da delação premiada de Youssef, MAS MANTERIA A VALIDADE DE TODAS AS PROVAS QUE ELE AJUDOU A PRODUZIR. Sabem por quê? Ele já fez uma delação no escândalo do Banestado e voltou a delinquir. Este senhor parece o pecador de certo poema de Gregório de Matos: transgride as regras só para que o arrependimento seja exaltado como virtude.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2015

às 15:50

Youssef, Fernando Baiano, as narrativas concertadas de bandidos e a delação premiada

Pois é, pois é…

Jornalistas, no geral, se dão bem com as convicções — quase sempre à esquerda — e mal com as leis. Mas os advogados não costumam comer bola. A que me refiro? Explico.

Tudo indica, e o Estadão assegura que sim, que o delator a que Alberto Youssef se referiu em acareação na CPI seja mesmo Fernando Baiano. Para lembrar: o doleiro afirmou que ele próprio não fez repasse nenhum a Antonio Palocci em 2010, conforme assegura Paulo Roberto Costa, e que essa questão seria em breve esclarecida por outra pessoa, que já entabulara a delação premiada.

Estranhezas:
1: como é que Youssef sabe quem vai e quem não vai fazer delação?;
2: como é que Youssef conhece o conteúdo de delação sigilosa?;
3: delações sigilosas são de conhecimento, primeiro, do Ministério Púbico e, depois da Justiça. Youssef, que se saiba, já é condenado em algumas ações e réu em outras.

A imprensa achou tudo normal. Mas não o advogado do doleiro, Antonio Figueiredo Basto, que não é besta. Ao contrário: é um profissional competente — especialmente no gênero “delação premiada”. Ele sentiu o cheiro de pólvora. Basto se disse surpreso com a afirmação de seu cliente e tentou arranjar uma explicação para ela:
“Eles [Baiano e Youssef] estavam na mesma carceragem da Polícia Federal. Eles podem ter conversado sobre isso. Acho que foi um ato de desabafo de Youssef na CPI para falar que a culpa não é dele.”

Venham cá: vocês acham que Baiano, que ainda não havia decidido fazer delação, iria se entregar a confidências justamente com Youssef, o delator que abriu a fila? Baiano trouxa nasceu morto.

A propósito: Basto, hoje, é advogado de Youssef e de Júlio Camargo, ex-cliente de Beatriz Catta Preta — aquela que decidiu sumir da advocacia e da imprensa. Uma coisa é óbvia, né? Os dois certamente estão empenhadíssimos em falar a verdade!!! A única coisa que não vai acontecer é um falar uma “verdade” que conteste a “verdade” do outro.

Então ficamos assim: ambos vão falar a “verdade” que interessa a seus respectivos pescoços. E o roteirista que compatibiliza a verossimilhança das personagens é Basto.

A Lava-Jato, sem dúvida, é um capítulo da desratização do Brasil. Mas precisa ser vista com olhos críticos, objetivos e técnicos. É evidente que a delação premiada é um estatuto que está a pedir regulamentação.

Eu continuo a achar o fim da picada que um bandido anuncie numa CPI que outro bandido vai se encarregar de esclarecer determinadas dúvidas, quando o depoimento deste segundo ainda está sob sigilo.

Mais um pouco, os advogados de delatores premiados marcam uma convenção num hotel para amarrar as pontas do roteiro, eliminando as contradições.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2015

às 15:18

CPI da Petrobras aprova convocação de José Dirceu

Na VEJA.com:
A CPI da Petrobras aprovou nesta quinta-feira requerimento para ouvir o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, preso em 3 de agosto na 17ª fase da Operação Lava Jato da Polícia Federal. O colegiado aprovou ainda as convocações de Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht, do ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Zelada e de outras cinco pessoas.

A votação das convocações já estava acordada entre os membros da CPI: na sessão de terça-feira os parlamentares avisaram que ouviriam Dirceu durante viagem a Curitiba na semana que vem. Os deputados ficarão na capital paranaense entre segunda e quinta-feira.

Ao longo de mais de 500 dias da Operação Lava Jato, os indícios de participação de José Dirceu no esquema são vastos. A exemplo do deputado cassado Pedro Correa, mensaleiro como ele e também detido na Lava Jato, Dirceu foi apontado como destinatário de polpudas propinas pagas por empreiteiros ao longo de anos. Os favores entre os gigantes da construção e o ex-ministro eram camuflados, segundo o Ministério Público, em contratos falsos de consultoria por meio da empresa JD Consultoria e Assessoria, criada para simular a prestação de serviços de prospecção de negócios, e que tinha como sócio o irmão de Dirceu.

Cinco gigantes da construção civil que integram o já notório Clube do Bilhão desembolsaram, no período de 2006 a 2013, pelo menos 8 milhões de reais para a JD Consultoria. Os valores são ainda maiores se somadas outras empreiteiras também citadas no escândalo do petrolão, como a Egesa, que transferiu sozinha 480.000 reais, e a Serveng, que liberou 432.000 reais para a JD. A relação entre José Dirceu e os financiadores do esquema do petrolão não para por aí: José Dirceu teve até um imóvel da filha em São Paulo pago pelo lobista Milton Pascowitch.

A já complicada situação de José Dirceu se deteriorou ainda mais depois que os ex-companheiros do petista, que por anos o abasteceram com dinheiro, acabaram como delatores do petrolão e reforçaram os indícios de participação do petista no esquema que fraudou mais de 6 bilhões de reais em contratos.

Além de Pascowitch ter apontado o caminho que levou à prisão do ex-ministro, outros depoimentos sobre os tentáculos do PT não deixam de ser menos espantosos: o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco estimou que o PT recebeu até 200 milhões de dólares em dinheiro sujo do esquema, enquanto o ex-vice-presidente comercial da gigante Camargo Corrêa, Eduardo Leite, afirmou às autoridades que a empresa pagou 63 milhões de reais para a diretoria de Serviços, então comandada por Renato Duque, aliado de Dirceu, e outros 47 milhões de reais para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2015

às 7:11

LEIAM ABAIXO

Janot, na prática, diz que delator mentiu porque ameaçado de morte por Cunha! É? E o procurador-geral fez o quê?;
Estratégia de Dilma: não cair; tática: buscar esfacelar o PMDB. Resultado: mais bagunça;
Decisão do STF sobre habeas corpus está correta e nada tem a ver com impunidade. Isso é bobagem!;
Dilma quer aproveitar os 7% de popularidade para recriar a CPMF… Não passaria no Congresso!;
Plenário do Senado aprova recondução de Janot por 59 a 12;
CCJ aprova Janot por 26 votos a 1;
Quanto mais passa o tempo, mais difícil fica para o TCU fazer o que quer o governo;
TCU concede mais 15 dias para governo explicar contas de 2014;
Sabatina não está esclarecendo o que tem de ser esclarecido e ainda serve de palco a bufões de quinta categoria;
Dólar chega à marca de quando se achava o PT socialista…;
— TSE decide investigar contas de Dilma; ministra Luciana Lóssio, que já foi advogada da petista em 2010, paralisa julgamento;
— Youssef volta a afirmar que Dilma sabia de tudo. Ou: É certo um bandido saber o conteúdo sigiloso da delação de outro?;
— Novo delator vai esclarecer repasse à campanha de Dilma, diz Youssef à CPI;
— Lava-Jato encontra indício de repasse de dinheiro sujo para Gleisi Hoffmann;
— Para matar Laerte de tesão!;
— A safadeza não se esconde apenas na receita dos partidos, mas também no gasto! Ou: O merchandising do esquerdismo chique da Globo;
— Mais cobras e lagartos na prestação de contas do PT;
— O discurso falacioso de Dilma. Ou: Modos de usar a realidade internacional;
— Depois de reconhecer gravidade da crise, Dilma fala em 2016 difícil

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2015

às 7:07

Janot, na prática, diz que delator mentiu porque ameaçado de morte por Cunha! É? E o procurador-geral fez o quê?

É tal a avalanche de denúncias, acusações e vazamentos da Operação Lava-Jato que a imprensa começa a perder a mão sobre o que está em curso e permite que coisas da maior gravidade sejam ditas, assim, como quem afirma que hoje é quarta-feira. Já houve um caso muito sério nesta terça. Nesta quarta, na sabatina de Rodrigo Janot na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, de novo! A que me refiro? Vamos lá.

O senador Humberto Costa (PT-PE), um dos investigados na Lava-Jato, indagou Janot sobre a credibilidade de delatores que mudam de versão. Afinal de contas, o “prêmio” que recebem supõe que digam a verdade. É claro que estava se referindo a Julio Camargo, aquele que primeiro sustentou que não havia pagado propina a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), invertendo mais tarde a sua versão.

Janot afirmou então que os benefícios da delação de Camargo foram mantidos porque as afirmações mais recentes que fez — “Cunha recebeu propina” — contribuíram para avançar na investigação. Muito bem!

O procurador-geral poderia ter parado por aí, mas seguiu adiante e informou que, como castigo, a multa que Camargo terá de pagar por ter mentindo será maior — antes, era de R$ 70 milhões. E agora vem o que realmente é gravíssimo:
“Teve como consequência o agravamento da pena de multa. Não teve nenhuma outra consequência, porque nos convencemos que ele estava em estado de ameaça. Não falou antes porque tinha receio de sua própria vida. Nessa retificação que ele faz, a espontaneidade dele é visível. ‘Eu temo pela minha vida’, ele disse. ‘Só voltei agora, porque a investigação chegou a um ponto que minha omissão está clara, mas continuo temendo pela minha vida’”.

Epa! Aí a coisa ficou séria demais. Todos sabem, porque isso foi tornado público, que Julio Camargo disse que tinha medo de Eduardo Cunha, presidente da Câmara. Salvo engano, não se havia falado de ameaça de morte, não é mesmo? Eu me lembro de Camargo ter dito que temia a influência do deputado…

Pergunto: é corriqueiro que um procurador-geral da República confira estatuto de verdade à acusação de um delator, que se diz ameaçado de morte pelo presidente da Câmara, e não faça nada sobre o caso em particular? Será que nós, do jornalismo, não estamos perdendo o senso de proporção e de gravidade das coisas?

Se o Ministério Público Federal, na pessoa de Rodrigo Janot, acreditou que Julio Camargo estava mesmo sendo ameaçado de morte por Cunha, qual é a sua obrigação? Deixar para tratar do assunto numa sabatina ou reunir os indícios e oferecer uma denúncia? Se denúncia não há, é porque também inexistem os indícios. Nesse caso, Janot acreditou em Camargo porque quis. Apesar da elevação da multa, é claro que o bandido será premiado mesmo tendo mentido. Ou antes ou agora.

Youssef
É o segundo dia em que uma heterodoxia gigantesca vem a público, embora seja tratada como coisa corriqueira. Nesta terça, em acareação, Alberto Youssef demonstrou conhecer o conteúdo de uma delação premiada que ainda está sob sigilo. Vale dizer: um bandido preso sabe o teor de um depoimento que deveria estar apenas sob o domínio do Ministério Público.

É bom começar a botar ordem nessa história. No dia 26 de agosto de 2015, o procurador-geral da República endossou a versão de um delator premiado, segundo o qual foi ameaçado de morte por ninguém menos do que o presidente da Câmara. Não ofereceu denúncia a respeito, e a imprensa fez de conta que isso é a coisa mais normal do mundo.

Se é verdade que aconteceu, e Janot não ofereceu a denúncia, é grave. Se Camargo mentiu, e Janot comprou a versão, também é grave.

A propósito: Camargo perdeu o medo de Cunha por quê?
a: porque virou, de repente, um corajoso?;
b: porque passou a ter medo de um perigo maior?
c: nda. Isso tudo é só coisa de bandido tentando se safar.

Texto publicado originalmente às 21h14 desta qurta
Por Reinaldo Azevedo

27/08/2015

às 4:38

Estratégia de Dilma: não cair; tática: buscar esfacelar o PMDB. Resultado: mais bagunça

O Planalto tem lá seu jeito de fazer as coisas. Errado, como sempre. Na terça à noite, fora da agenda, a presidente Dilma Rousseff recebeu em jantar, no Palácio da Alvorada, sete empresários. Dividiram a mesa com a presidente Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Rubens Ometto (Cosan), Benjamin Steinbruch (CSN), Cledorvino Belini (Fiat), Joesley Batista (JBS), Edson Bueno (Dasa) e Josué Gomes (Coteminas). Os empresários falaram sobre a necessidade de cortar gastos públicos, reclamaram da recessão e coisa e tal. Dilma, por sua vez, reclamou da desaceleração da China e também coisa e tal. E aí? Bem, aí nada! Coisa e tal.

Nesta quinta, é a vez de Michel Temer, vice-presidente da República, se encontrar com empresários na Fiesp, em evento capitaneado pelo presidente da federação, o também peemedebista Paulo Skaf. Pelo menos três dos convivas de Dilma vão se encontrar com o vice: Trabuco, Ometto e Steinbruch. Aliás, no seu papel de coordenador político, função de que apeou, Temer procurava fazer justamente a interlocução com o empresariado. Os petistas, já tratei do assunto aqui, achavam que ele estava se viabilizando como alternativa de poder.

O que poderia ser um esforço de Dilma para retomar a iniciativa política acaba se caracterizando como um improviso. Por que um jantar fora da agenda, com ares quase clandestinos? Ninguém precisa disso para encontrar parcela significativa do PIB — desde, é claro, que tenha o que dizer. Ocorre que a presidente se empenha hoje naquele que virou o único objetivo do governo: não cair. É claro que é muito pouco, não é mesmo?

Se esse é o objetivo estratégico, a ação tática consiste em tentar enfraquecer o PMDB, investindo na divisão interna. A Procuradoria-Geral da República atuou como força-auxiliar quando abriu a lista dos políticos denunciados com Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. Depois de, na prática, inviabilizar a atuação de Temer na coordenação, Dilma tenta, como se viu, a sua própria interlocução com os empresários. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi conquistado na semana passada, à esteira do tal acordão.

Mais: no dia 13, Dilma chamou para um papinho, informa a Folha, Jorge Picciani, o peemedebista que preside a Assembleia Legislativa do Rio, e seu filho, Leonardo Picciani, líder do PMDB na Câmara. Pezão, o governador do Estado, intermediou o encontro. Os Piccianis são aliados de Cunha. Foi o presidente da Câmara quem fez do jovem Leonardo o líder do partido. Dilma agora resolveu medir forças o presidente da Câmara.

Vocês estão entendendo a natureza da melancolia? O governo não se move hoje para tentar encontrar alternativas de gestão. Está perdido. Dilma e os petistas se dedicam apenas a uma guerra interna contra o seu principal aliado, o PMDB. Até o sempre moderado Michel Temer se mostrou incompatível com a forma como ela toca o governo. Esses movimentos, em vez de aumentar a confiança do empresariado, só concorrem para o descrédito.

Todos sairiam ganhando se Dilma reconhecesse a tempo que não é do ramo.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2015

às 23:25

Decisão do STF sobre habeas corpus está correta e nada tem a ver com impunidade. Isso é bobagem!

Há coisas que não podem ser nem subestimadas nem superestimadas. Vejamos. O Supremo Tribunal Federal, com efeito, não costuma conceder habeas corpus contra decisões tomadas por um relator. Não chegava a ser uma jurisprudência, já que isso não está em súmula nenhuma. A 606 veta esse recurso contra decisões tomadas por uma turma — grupo de ministros que representa o todo — ou pelo pleno: o conjunto dos 11 membros da corte. Ocorre que, por contaminação, as decisões monocráticas de relatores também acabavam ficando imunes a esse recurso, o que me parecia, de fato, absurdo.

Querem um exemplo? Digamos que o relator do processo “X” mande prender alguém. É uma situação — a prisão — passível de habeas corpus, certo? Mas a questão não era nem examinada, embora houvesse exceções.

Nesta quarta, o STF esclareceu o que jurisprudência não era. Pode, sim, haver habeas corpus contra decisão de relator de determinado processo. Como o julgamento de um HC tem sempre o seu próprio relator, não faria sentido uma disputa pessoal entre o do processo e o do recurso. Assim, o julgamento deve ser feito pelo pleno.

E por que o Supremo se pronunciou a respeito? A defesa de Erton Medeiros, diretor da Galvão Engenharia, recorreu a um habeas corpus para tentar anular o acordo de delação premiada firmado pelo doleiro Alberto Youssef. Na ação, o empreiteiro alega que o doleiro é “criminoso contumaz” e que lhe falta “idoneidade e boa-fé para celebrar acordo de delação premiada”. O argumento para a anulação do acordo é que o doleiro já violou delação firmada anteriormente, em 2003, no caso do Banestado. O recurso foi impetrado contra decisão de Teori Zavascki, que é o relator do caso do petrolão.

Muito bem: antes de os ministros entrarem no mérito — já trato do assunto —, foi preciso decidir se aquele tipo de recurso, o habeas corpus, era ou não cabível contra decisão de relator. Cinco ministros disseram que sim: Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Negaram: Luiz Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Carmen Lúcia e Luiz Fux. O empate resolveu-se e favor de concessão do HC contra decisão monocrática de relator.

É um ganho, a meu ver, para o Estado de Direito. Atenção! Isso nada tem a ver com o mérito. Os cinco que votaram contra a concessão do HC devem, obviamente, negar o pedido de anulação da delação de Youssef. Mas já avisaram que farão o mesmo Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Assim, tudo indica que o pedido de HC será rejeitado e que a delação feita por Youssef será mantida.

 

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2015

às 22:37

Dilma quer aproveitar os 7% de popularidade para recriar a CPMF… Não passaria no Congresso!

Oba!

O governo teve uma ideia do balacobaco, já que está sem dinheiro: recriar a CPMF. Parece que, desta feita, será sem disfarce. Nem se vai dizer que é para financiar a Saúde, o que é um jeito, leitor, de enfiar a mão no seu bolso pretextando motivos humanitários, sabem como é…

Desta feita, não seria assim: seria tungada mesmo. Em momento de recessão como o que vivemos, e a nossa ainda é crescente, arrancar ainda mais dinheiro da sociedade é obra de gênios. Deve ser o jeito que a presidente tem de ser pró-cíclica, já que ela não sabe em que isso é diferente de ser anticíclica. Por menor que seja o imposto, todo mundo sabe onde vai parar: nos preços.

Notaram? Este é um governo que não consegue cortar gastos. Não adianta. Segundo informa a Folha, há uma divergência entre Nelson Barbosa (Planejamento) e Joaquim Levy (Fazenda) nesse particular: o primeiro prefere o caminho do novo imposto, o outro ainda pensa em reduzir despesas.

Não é a primeira vez que o governo especula sobre o assunto. Em janeiro, já estimulou esse debate. Quem deu início à conversa foi o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Diante da reação negativa dos agentes econômicos, houve um recuo. Agora, o assunto volta a circular.

Sim, durante a campanha eleitoral, a então candidata Dilma Rousseff negou a intenção de recriar o imposto. Em entrevista ao SBT Brasil, em setembro do ano passado, foi explícita: “Não, eu não penso em recriar a CMPF porque acredito que não seria correto”.

Pois é… Não seria o primeiro estelionato.

Se bem que, vamos convir, né? A popularidade de Dilma não deve cair abaixo dos atuais 7% de ótimo/bom. De certo modo, ela pode tomar a medida antipática que quiser…

Há só uma pedra nada irrelevante no meio do caminho: o Congresso terá de concordar. E, hoje, uma proposta com esse conteúdo não seria aprovada nem debaixo de chicote.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2015

às 21:53

Plenário do Senado aprova recondução de Janot por 59 a 12

Rodrigo Janot, que precisava de apenas 41 votos para ser reconduzido ao comando da Procuradoria-Geral da República, obteve bem mais do que isso: 59. Apenas 12 senadores se opuseram, e houve uma abstenção. Na CCJ, o placar foi de 26 a 1.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2015

às 21:11

CCJ aprova Janot por 26 votos a 1

Vinte e seis dos 27 senadores da Comissão de Constituição e Justiça votaram a favor da recondução de Rodrigo Janot à Procuradoria-Geral da República. A votação em plenário pode acontecer ainda nesta quarta. Ele precisa de 41 votos.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2015

às 20:27

Quanto mais passa o tempo, mais difícil fica para o TCU fazer o que quer o governo

Pois é… O TCU (Tribunal de Contas da União) concedeu mais 15 dias para o governo se explicar. O adiamento nasce de uma manobra que era parte daquele acordão da semana retrasada. O senador governista Otto Alencar (PSD-BA) cobrou explicações adicionais sobre as contas do governo — fingindo-se de excessivamente rigoroso —, e o tribunal concedeu o novo prazo.

Como diz um amigo, 15 dias constituem tempo suficiente para boi voar em Brasília. O Planalto espera operar as suas feitiçarias nessas duas semanas. Renan Calheiros (PMDB-AL) havia se comprometido a tentar virar três votos. Que se saiba, não foi bem-sucedido até agora. Ao contrário: a se confirmar o que vai pelos corredores, um voto antes em favor do governo mudou de lado.

O PT é rudimentarmente esquerdista. Com um pouquinho de formação, saberia que determinados processos, se duram muito no tempo, acabam mudando de estado e se pode obter até o contrário do que se pretende. O que quero dizer com isso?

Quanto mais o TCU demora a votar o relatório de Augusto Nardes, que vai recomendar ao Congresso a rejeição das contas de Dilma, pior para o governo. Por quê? Porque um resultado eventualmente positivo cairá em tal descrédito que a emenda será pior do que o soneto.

A esta altura, resta ao tribunal, ou à maioria dele, aquiescer com o pedido de rejeição, ou passará para a história como uma reunião de farsantes, suscetíveis a pressões, que fazem, no fim das contas, o que quer o Executivo, embora sua missão seja auxiliar o Legislativo.

Se o governo não estivesse fazendo marcação homem a homem, vá lá… Mais tempo serviria ao propósito de melhorar a defesa. Mas todos sabemos que não é isso o que está em curso. O que se procura é retardar o máximo possível a votação para ver se há tempo de mudar algumas opiniões, sabe-se lá com quais instrumentos.

Na lista de nomes sob influência de Renan estão Bruno Dantas, Vital do Rêgo e Raimundo Carreiro. Vamos ver. Os três eram tidos, inicialmente, como potenciais votos em favor da recomendação para que se rejeitem as contas.

Depois que o acordão foi denunciado, a vida do trio não ficou fácil. Os apelos e o assédio para que não cedam às pressões do governo partem de todo canto — até da esfera familiar.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2015

às 19:51

TCU concede mais 15 dias para governo explicar contas de 2014

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quarta-feira conceder mais quinze dias para o governo explicar dois pontos adicionais sobre as contas do governo de 2014. A decisão foi tomada após uma solicitação feita pelo Executivo, na segunda-feira. A partir disso, o ministro relator do processo, Augusto Nardes, pediu para que os demais ministros votassem a respeito. A solicitação foi aprovada por unanimidade. O prazo começará a correr após notificação feita à Presidência da República. O prazo anterior, dado no último dia 12, expiraria nesta quinta-feira.

No dia 17 de junho, o TCU havia dado um prazo de trinta dias para o governo explicar as treze irregularidades encontradas pelos técnicos do tribunal nas contas do governo de 2014. As explicações foram entregues em 22 de julho. Com isso, o julgamento do processo passaria para o final de agosto. Contudo, em 12 de agosto, depois de uma articulação do governo com o presidente do Senado, Renan Calheiros, foi dado um novo prazo.

O movimento inicial foi a aliança com o presidente do Senado, selada com um “pacto anticrise” sugerido pelo próprio Renan e acatado pelo Executivo a toque de caixa. O autor do requerimento que pede explicações sobre os pontos adicionais foi o senador Otto Alencar (PSD-BA), um dos poucos remanescentes da base aliada e ex-vice-governador da Bahia na gestão de Jaques Wagner (PT). O TCU aceitou o pedido do senador de rever novas irregularidades e deu novo prazo de 15 dias para que o governo se explicasse.

As duas novas questões levantadas pelo Ministério Público de Contas são a edição de decretos presidenciais de abertura de crédito suplementar pelo Ministério do Trabalho e as omissões sobre financiamentos concedidos a grandes empresas. No total, todas as irregularidades das contas do governo Dilma no ano de 2014 teriam somado 104 bilhões de reais, segundo estimativas do próprio TCU. Após o julgamento pela Corte, as contas devem ser analisadas pelo Congresso Nacional.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2015

às 16:40

Sabatina não está esclarecendo o que tem de ser esclarecido e ainda serve de palco a bufões de quinta categoria

Olhem aqui… Acompanhei até há pouco a sessão da Comissão de Constituição e Justiça que sabatina o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que deve ser reconduzido ao cargo sem dificuldades. Certamente será aprovado na comissão e no plenário do Senado. Renan Calheiros (PMDB-AL) já se encarregou do assunto.

Janot tem um grande aliado involuntário na sabatina: chama-se Fernando Collor de Mello, senador pelo PTB de Alagoas. Irado com o fato de que é hoje um dos dois denunciados pelo procurador-geral, ele se ocupa exclusivamente do exercício de sua fúria privada, disparando palavrões fora do microfone, o que, obviamente, provoca a repulsa dos demais senadores, criando dificuldades para que se faça uma sabatina mais técnica.

Destaco alguns pontos da fala de Janot. Ele negou que tenha participado de um “acordão” na semana retrasada. Então ficamos assim: ele não participou, mas a tentativa de acordão, que transformou Renan no grande estadista da República e no fiador da estabilidade, aconteceu. Só para lembrar: no desenho imaginado, o presidente do Senado não seria denunciado — ou será alvo de uma denúncia inepta. Em troca, garantiria os votos de que precisa o procurador-geral. O senador se mobilizaria ainda em busca de votos em favor do governo no TCU.

Janot diz não ter participado? Que bom! Mas aconteceu, sim! E Brasília inteira sabe disso. E, tudo indica, não vai dar certo. Não está fácil cooptar os votos no tribunal. Quanto à parte que diz respeito às relações Renan-Ministério Público,  o tempo dirá. Uma coisa é certa: Eduardo Cunha (PMDB-RJ), arqui-inimigo do Planalto, já é um denunciado, enquanto Renan anda a posar de magistrado. O detalhe nada irrelevante é que o presidente do Senado começou a ser investigado antes mesmo do presidente da Câmara.

O procurador-geral afirmou que não teria como fazer o acordo porque seria necessário combinar isso com os demais procuradores. Em parte, é verdade. Ele sabe que houve uma espécie, assim, de rebelião surda na força-tarefa. Insisto: será preciso analisar a qualidade da eventual denúncia que se vai apresentar contra o presidente do Senado.

O sabatinado negou ainda que exista algo como uma “Lista de Janot”. Segundo disse, a relação dos investigados surgiu a partir do que chamou “colaborações”. Pois é… Acho a resposta insuficiente. Fica parecendo que a operação é conduzida unicamente pelos delatores, o que seria uma má notícia, não é?, hipótese em que estaríamos, então, na dependência daquilo que os bandidos querem ou não querem revelar. Chamo, no caso, de “bandidos” todos os que cometeram crimes no petrolão, sejam colaboradores ou não. O fato de o sujeito se tornar um delator premiado não faz dele um herói.

Até agora não entendi — e não se fez uma pergunta clara ao procurador, com resposta idem — por que figuras do Executivo não são investigadas na Lava-Jato. Até agora não entendi como um escândalo de tal magnitude se construiu só com empreiteiros, três ou quatro vagabundos com cargo na Petrobras e uma penca de parlamentares, a maioria de segunda linha. Isso apenas não tem explicação. E a resposta, tudo indica, não surgirá na sabatina.

Também não entendi — e o procurador-geral assevera não ter havido acordo — por que um inimigo jurado do Planalto, figura de proa do PMDB, é o primeiro denunciado de um escândalo que, por óbvio, tinha o PT no controle. Até agora não entendi também por que figuras como Dilma Rousseff e Edinho Silva não são investigados nem mesmo num simples inquérito.

Se querem saber, Rodrigo Janot será aprovado pelo Senado — e não estou aqui a defender que seja reprovado — sem que tenhamos respostas para essas perguntas.

Ah, sim, caminhando para o encerramento, destaco: para não variar, os petistas tentaram transformar a sabatina numa sessão de ataques ao PSDB, à oposição etc. e tal. Na narrativa dos companheiros, o partido aparece como a grande vítima de uma conspiração. É asqueroso. É por isso que essa gente mal consegue sair às ruas hoje.

Infelizmente, a sabatina não vai esclarecer o que esclarecido não está. E, adicionalmente, está dando a chance a que bufões de quinta categoria posem de heróis.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2015

às 15:53

Dólar chega à marca de quando se achava o PT socialista…

O dólar chegou a ser negociado hoje a R$ 3,656, a maior alta desde fevereiro de 2003, quando o mercado ainda tinha algumas dúvidas sobre o caráter socialista ou não do PT. Treze anos depois, a gente sabe que o partido socializa os bens do estado em benefício do partido e de alguns espertalhões. E, para arremate dos males, esse ainda não é o maior perigo: mais grave do que tudo é a brutal incompetência.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2015

às 7:00

LEIAM ABAIXO

TSE decide investigar contas de Dilma; ministra Luciana Lóssio, que já foi advogada da petista em 2010, paralisa julgamento;
Youssef volta a afirmar que Dilma sabia de tudo. Ou: É certo um bandido saber o conteúdo sigiloso da delação de outro?;
Novo delator vai esclarecer repasse à campanha de Dilma, diz Youssef à CPI;
Lava-Jato encontra indício de repasse de dinheiro sujo para Gleisi Hoffmann;
Para matar Laerte de tesão!;
A safadeza não se esconde apenas na receita dos partidos, mas também no gasto! Ou: O merchandising do esquerdismo chique da Globo;
Mais cobras e lagartos na prestação de contas do PT;
O discurso falacioso de Dilma. Ou: Modos de usar a realidade internacional;
Depois de reconhecer gravidade da crise, Dilma fala em 2016 difícil;
— DILMA BOLADAÇA 1 – Dilma tenta mea-culpa, mas se atrapalha. Ou: Acho que ela não sabe a diferença entre “pró-cíclico” e “anticíclico”. Ou ainda: Regulador Xavier 1 e 2;
— DILMA BOLADAÇA 2 – Até o mês passado, Dilma chamava corte de ministérios de “lorota”. Ou: Quando o passado condena e ilumina;
— DILMA BOLADAÇA 3 – Ela diz ter sido surpreendida pelo envolvimento do PT no petrolão. É mesmo? Agora, a do papagaio!;
— Renan ainda não tem os votos no TCU em favor de Dilma; já o “sim” para Janot, ele garante;
— Na VEJA.com: “Cachorro com muitos donos morre de fome”;
— #prontofalei – Base do governo está se esfarelando;
— Dilma e o ministro sem pasta – A presidente decidiu que ela própria vai às compras. Dará errado!;
— Redução de ministérios: um anúncio atrapalhado, com ministro do Planejamento atuando como se fosse da Casa Civil…;

— Temer já está fora da coordenação política; a “macrocoordenação” é só o modo elegante do pedido de demissão

Por Reinaldo Azevedo
 

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