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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

A EVIDÊNCIA QUE CHOCA

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 19:26

O que mais choca nas notícias sobre a TV de Franklin Martins e Tereza Cruvinel é, na verdade, o que menos deveria nos chocar. Ou alguém tinha alguma dúvida de que a proposta degeneraria nisso que vemos — OU MELHOR: NISSO QUE NINGUÉM VÊ? Certamente é o traço mais caro da TV mundial.

Se sabíamos, por que a sensação de estupefação? Porque todos nós temos uma reserva de boa vontade. Outros ainda pensaram: “Não é possível que eles vão fazer tudo aquilo que seus críticos dizem que eles vão fazer”.

E eles, no entanto, fazem.

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Por Reinaldo Azevedo

Advogado da Bancoop ataca promotor José Carlos Blat

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 19:15

Por Daniel Roncaglia, na Folha Online. Comento em seguida:

O advogado Pedro Dallari, que defende a Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo), disse que estuda processar o promotor José Carlos Blat, do Ministério do Público de São Paulo, que investiga supostos desvios da cooperativa para financiar campanhas do PT.

“O promotor Blat está obcecado pela ideia de destruir a cooperativa”, afirmou. Segundo o advogado, as acusações do promotor feitas pela imprensa não são se traduzem em medidas judiciais.

Na sexta-feira, Blat pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, por suposto envolvimento no esquema. Blat também pediu o bloqueio das contas da cooperativa. Vaccari faz parte da cooperativa desde a sua fundação e é presidente licenciado da entidade.

No entanto, a investigação está na fase de inquérito e, por isso, não houve denúncia formal do Ministério Público. “Ele está fazendo o que no Ministério Público se chama oxigenar o inquérito.”

Dallari disse que a cooperativa e seus dirigentes não foram chamados para serem ouvidos no inquérito. O advogado negou as acusações do Ministério Público e afirmou que a Bancoop faz auditorias desde 2005. “Quem quer fraudar não faz auditorias independentes”, disse.

Segundo Dallari, a Promotoria intermediou em 2006 um acordo entre a Bancoop e cooperados, que haviam pedido na oportunidade a destituição da entidade. “O promotor ignora solenemente o acordo feito na sua própria instituição.” Ontem, representantes de nove associações de cooperados se reuniram com os promotores para pedirem a dissolução da entidade.

Blat afirmou que não tem obsessão com relação a cooperativa e que as investigações só acontecem por conta da má gestão, o que tem prejudicado 3.000 cooperados. O promotor disse que não irá responder às criticas do advogado. Ele negou ter declarado que vai pedir o indiciamento criminal e denunciar Vaccari por formação de quadrilha, estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.

Decisões liminares

O advogado da cooperativa disse que a maioria das 575 decisões na Justiça em favor dos cooperados são liminares. Menos de dez são decisões transitado em julgado –sem possibilidade de recurso–, segundo ele. O Movimento de Clientes Bancoop mantém na internet um fórum de debate onde estão publicadas as decisões da Justiça.

De acordo com reportagem da revista “Veja” desta semana, Blat analisou mais de 8.000 páginas de documentos do processo que envolve o desvio de recursos e concluiu que a direção da Bancoop movimentou R$ 31 milhões em cheques para a própria cooperativa. Esse tipo de movimentação é uma forma de não revelar o destino do dinheiro.

O desvio de dinheiro pode ter chegado a R$ 100 milhões, segundo estimativa do promotor. De acordo o Blat, os valores já eram conhecidos desde 2008, ainda na fase do inquérito instalado para investigar o suposto desvio que prejudicou 3.000 famílias de cooperados, com prejuízo médio de R$ 33 mil.

Segundo a investigação, dirigentes da cooperativa teriam criado empresas fantasmas que prestavam serviços superfaturados e faziam doações não contabilizadas ao PT. Para Blat, há indícios de caixa dois, uma vez que os recursos repassados ao partido não constam dos registrados da Justiça Eleitoral.

O presidente da Assembleia de São Paulo, deputado Barros Munhoz (PSDB), assinou nesta terça-feira (9) o documento que autoriza a abertura da CPI para investigar o suposto esquema de desvio de verba da Bancoop para campanhas do PT.

Comento
Bem, não existe esse negócio de “vou processar” ou “estou pensando em processar”. Ou processa ou não processa.

É evidente que está em curso um esforço organizado para tentar desacreditar a investigação, especialmente o promotor. A idéia é evidenciar que ele não é uma boa pessoa. Ao tentar focar a questão no “quem”, busca-se tirar do horizonte o “quê”. E qual é o “quê”?

A Bancoop lesou muita gente, que viu seu dinheiro evaporar e ficou sem apartamento. Quanto aos vínculos da cooperativa com o PT, convenham, eles  estão dados pela própria natureza da coisa: o homem que comandava a entidade responde pelo caixa do PT. O Ministério Público afirma que a Bancoop transferiu recursos para o partido.

Chamo a atenção para o fato de que, nas investigações que colhem partidos e políticos adversários do PT, a credibilidade dos promotores não costuma ser posta em dúvida. Ao contrário: são caracterizados como paladinos da moralidade. Quando o alvo é o PT, então se denuncia uma conspiração. E a imprensa acaba dando visibilidade às acusações.

Que credibilidade teria a turma de Arruda caso se dissesse vítima de uma conspiração? Nenhuma! E era justo que não tivesse mesmo. A imprensa não deu a menor bola para a acusação. Mas aquelas feitas pelos petistas ocupam o noticiário. Afinal, Vaccari, como sabemos, é um antigo moralista, não é mesmo?

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Por Reinaldo Azevedo

UMA NOTA DE DEMÉTRIO MAGNOLI

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 18:10

Demétrio Magnoli escreve um texto no blog Contra a Racialização do Brasil intitulado “A hora e a vez dos coluniadores”. Reproduzo.
*
Luis Nassif publicou nesta quinta-feira, 11 de março, um post no seu blog dedicado a justificar os fatos relatados numa reportagem da Folha de S. Paulo sobre as condições de sua contratação pela estatal TV Brasil. Lá pelas tantas, em meio a um argumento de natureza conspiratória, o post afirma que Otávio Frias Filho, diretor do jornal, “convocou Demétrio Magnoli para executar exemplarmente (…) em praça pública” os jornalistas da Folha que perpetraram uma reportagem manipuladora contra o senador Demóstenes Torres. O caluniador que é funcionário da TV estatal refere-se ao artigo que escrevi, publicado na seção Tendências/Debates da Folha a 9 de março passado Tendências/Debates da Folha a 9 de março passado.

Há quase uma década escrevo artigos na imprensa contra a introdução de leis raciais. Vários deles saíram na própria Folha, especialmente entre 2004 e 2006, quando eu assinava coluna opinativa semanal na página 2 do jornal. Conheço superficialmente Otávio Frias Filho. Há quatro anos não converso com ele, nem pessoalmente, nem por outro meio. Nunca fui “convocado” para escrever nada, nem por ele nem por qualquer outro responsável por uma redação, e jamais aceitaria uma “convocação” de tal espécie. Escrevo o que quero, e só o que penso, em artigos de opinião assinados. Isso pode parecer estranho para uma pena de aluguel, mas é corriqueiro na imprensa independente.

No caso do artigo publicado dias atrás na Folha, não fui nem mesmo convidado pelo editor da Tendências/Debates a produzir um contraponto aos ataques falseadores publicados no jornal contra os que se opuseram às cotas raciais no STF. Eu mesmo ofereci o artigo, em conversa telefônica com o editor da página, que o aceitou de imediato, sem consultar ninguém (como é corriqueiro na imprensa independente).

Nassif tem uma briga particular com a Folha, que remonta à sua demissão do jornal e incide sobre a credibilidade jornalística daquilo que escreve. Nessa hora, em que o governo e as ONGs racialistas atacam furiosamente todos os que ousam contestar a racialização oficial do Brasil, ele tenta misturar sua briga particular com a torrente de ofensas lançadas contra indivíduos sem ONG e sem conexões com o poder. É um modo inescrupuloso de conseguir poderosos defensores para seus próprios interesses. Um ruído do submundo, só isso.

Encerro
Também este post está fechado para comentários. Muitos tentam caracterizar fatos como uma guerra de ofensas e versões. Não caio nessa. Peço que vocês escolham outros temas para comentar. Há muita coisa no blog. O importante é estar informado. Faço jornalismo crítico, sim, mas repudio o sentimento de vingança. E só me interessa nesse caso, como em outro qualquer, o que diz respeito à utilização de recursos públicos.

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Por Reinaldo Azevedo

Um tempinho

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 16:16

Tenho de fazer duas entrevistas por telefone. Volto logo aos posts.

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Por Reinaldo Azevedo

A ditadura justificada

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 16:09

Editorial de hoje do Estadão. Merece ficar registrado aqui:

O presidente Lula, que tanto admira o cubano Fidel Castro, devia saber que certa vez ele disse: “Os tiranos tremem na presença de homens capazes de morrer por seus ideais.” Essas palavras datam de maio de 1981, quando o ativista irlandês Bobby Sands morreu depois de 66 dias de greve de fome em protesto contra as condições carcerárias a que eram submetidos os seus companheiros e pelo direito de ser considerado prisioneiro político. Hoje, quando a tirania castrista se vê confrontada pela morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, depois de 85 dias de jejum, e pela greve similar, que já dura 16 dias, do dissidente Guillermo Fariñas, Lula descortina o lado mais tenebroso de sua personalidade política, ao condenar os “homens capazes de morrer por seus ideais” ? e, pior ainda, ao sair em defesa dos seus algozes.

A morte de Tamayo, em 23 de fevereiro passado, coincidiu com a presença do brasileiro em Cuba. Já então, instado pelos jornalistas que o acompanhavam a se manifestar sobre a tragédia, lamentou “que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome”, calando sobre as razões que a levaram a esse extremo. Um dos 75 condenados da infame leva de 2003, o pedreiro de 42 anos tinha sido adotado pela Anistia Internacional como “prisioneiro de consciência”. À maneira de Bobby Sands, deixou de se alimentar para pressionar o governo a melhorar as condições dos mais de 200 presos políticos cubanos. De seu lado, o jornalista e psicólogo Fariñas, de 48 anos, que vive em Santa Clara, a 280 quilômetros de Havana, iniciou a sua greve pela causa de Tamayo e para pedir a libertação dos 26 daqueles detentos em pior estado de saúde.

Como se sabe, Lula recorreu à ferramenta política da fome quando, líder sindical, foi preso pela ditadura militar. Teoricamente, portanto, estaria à vontade para considerar o ato uma “insanidade”, como disse anteontem numa entrevista à agência noticiosa americana Associated Press. Mas, salvo engano, nunca antes ele se pôs a verberar o autossacrifício ? praticado, entre tantos outros, por Nelson Mandela. Inspirado pelo exemplo de Sands, o líder sul-africano, então confinado na ilha onde o regime de supremacia branca mantinha os seus opositores, liderou uma greve de fome pelo direito dos presos de serem visitados por seus filhos menores. Depois de seis dias, a reivindicação foi atendida. Ainda que se tentasse fazer de conta que as atuais objeções de Lula a tal modalidade de protesto não têm relação com os casos cubanos, ele próprio tomou a iniciativa de desmanchar essa interpretação ingênua.

Na citada entrevista, reiterou que “a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos (sic) para libertar as pessoas”. E, com palavras das quais jamais se libertará, sugeriu: “Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade.” Para ele, “temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba” ? que autoriza a prisão de pessoas tidas como suspeitas de vir a cometer o que o regime considera crimes. Disse mais Lula: “Gostaria que não ocorressem (as detenções), mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como tampouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil” ? nenhuma delas, como bem sabe, por motivos políticos. Ou seja, leis repressivas não devem ser contestadas, nem quando baixadas por governos ditatoriais ou autoritários.

Na filosofia lulista do direito, a Lei de Segurança Nacional brasileira que condenou a militante Dilma Rousseff a 6 anos de prisão (das quais cumpriu três) ou a legislação do apartheid que aprisionou Nelson Mandela por 27 anos, por exemplo, não são menos legítimas do que as provisões das democracias. Se violam os direitos humanos, não há nada que líderes de outros países possam fazer, salvo afirmar que gostariam que isso não ocorresse. Eis por que o Brasil de Lula se distingue no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas pela leniência com as denúncias das práticas brutais de governos como os de Cuba e do Irã, enquanto reluta em reconhecer o novo governo hondurenho escolhido em eleições livres. Outros países também adotam esse duplo padrão, mas os seus dirigentes ao menos se guardam de escarnecer das vítimas das ditaduras.

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Por Reinaldo Azevedo

A TV DE FRANKLIN MARTINS E OS NÚMEROS

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 16:01

Como vocês leram, a Folha informa que “o jornalista e empresário Luís Nassif mantém um contrato anual, fechado sem licitação, de R$ 1,28 milhão com a estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), vinculada ao Palácio do Planalto e responsável pela TV Brasil.”

Todo esse dinheiro é para levar ao ar um programa de debates por semana, de uma hora de duração, e cinco filmetes de três minutos. A título de remuneração, Nassif recebe R$ 660 mil por ano — um salário de R$ 55 mil por mês. Nos meses com quatro segundas-feiras, ele receberá R$ 13.750 por hora; nos meses com cinco, R$ 11 mil. Essa conta procede porque esse é o salário do apresentador. A grana da produção é outra. O programa estreou na semana passada, mas ele recebe desde agosto.

Nassif alega que os outros R$ 558 mil são destinados ao pagamento de uma equipe de 9 pessoas. Nove pessoas para produzir um programa por semana… Jô Soares, uma estrela de primeira grandeza da TV brasileira, cujo programa vai ao ar todos os dias, tem uma equipe de 16 pessoas. O Painel, da Globonews, também um debate semanal, conta com DUAS pessoas. Há uma outra diferença entre o programa de Nassif e esses casos que cito: milhões de telespectadores.

Como informa a matéria, Nassif não está sozinho em um contrato dessa natureza. Há mais jornalistas igualmente muito bem pagos e que são praticamente traço no Ibope.

Este post está com a área de comentários fechada.

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Por Reinaldo Azevedo

Lula está satisfeito com “marolinha” que derrubou o PIB de quase 6% para menos 0,2%. E o que eles disseram

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 15:17

Na Folha Online. Volto em seguida:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou satisfeito com o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) registrado em 2009, segundo declarações dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) nesta quinta-feira.

Ambos se reuniram nesta manhã com o presidente e apresentaram o resultado divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que mostrou um recuo de 0,2% em 2009.

“Ele [Lula] disse que estava satisfeito com os números e que o Brasil teve um excelente desempenho em 2009, um ano de crise. Ele se preocupou mais em saber o último trimestre porque tem uma influência forte no presente”, afirmou Mantega.

Segundo Bernardo, Lula “não ficou decepcionado” com o resultado pois já esperava algo em torno disso. “Foi um ano com desempenho fraco, que teve resultado muito ruim no primeiro semestre e bastante satisfatório no segundo”, justificou.

2010
Mantega disse ainda que o presidente questionou se a expansão em 2010 é sustentável e o ministro negou que possa gerar inflação. “O crescimento é sustentável porque tem capacidade instalada no Brasil e tem capacidade para rapidamente reagir à demanda”, completou.

De acordo com o titular da Fazenda, a previsão é de crescimento acima de 5,7% em 2010. Já o ministro do Planejamento citou uma estimativa um pouco menor. “A projeção oficial é de 5,2%, mas tem muita gente que acha que pode ser mais do que isso”, completou, elevando a previsão para até 5,5%.

Sobre o resultado da agropecuária, Bernardo afirmou que “ainda temos que esperar uma possível revisão porque me parece prematuro achar que é definitivo esse número”. O setor teve redução de 5,2% em 2009. No quarto trimestre, o PIB ficou estável em relação ao trimestre anterior e, ante o último trimestre de 2008, apresentou queda de 4,6%.

Meirelles
Mantega disse ainda que uma possível saída do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que deverá deixar o governo no início de abril, não mudará a condução da política monetária.

“Na hipótese que ele venha a deixar o governo, a política monetária não muda. A política de combate à inflação permanece, é uma política de governo”, afirmou.

Comento
Vocês querem ver como os petistas são, antes de mais nada, especialistas em manipular o noticiário? Acompanhem esta evolução do noticiário, as previsões de crescimento feitas por autoridades do governo, Dilma inclusive:

Mantega em 17 de novembro de 2008 na Reuters:
“O Brasil pode conseguir um crescimento de 4% no próximo ano, mesmo com os efeitos da crise financeira que começam a atingir todo o mundo, avaliou nesta sexta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O governo, apesar da desaceleração que pode haver nos próximos meses, vai tomar as medidas para que a economia não tenha queda forte”

Dilma na Agência Estado em 18 de dezembro de 2008
A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, reafirmou nesta quinta-feira, 18, que a meta de crescimento do País para o próximo ano é de 4%. “Não é necessariamente o que vai ocorrer; é o que buscamos fazer ocorrer”, disse durante o discurso antes de almoço realizado com empresários na capital paulista e patrocinada pela Abdib e CNI. Para que a meta seja atingida são fundamentais, segundo Dilma, a redução do custo financeiro e a retomada do crédito. “O governo fará tudo o que for possível (para crescer 4%)”.

Lula na Folha Online em 22 de dezembro de 2008
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou a hipótese de o país entrar em recessão e projetou crescimento econômico de 4% em 2009. Segundo ele, o governo não vai paralisar nenhum projeto em função da crise internacional. O presidente pediu que o empresários façam o mesmo, de olho no cenário pós-crise.

Meireles na Folha Online em 22 de dezembro de 2008
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira que a projeção de crescimento para a economia brasileira em 2009, de 3,2%, é baseada em “condições presentes” e que é preciso aguardar para ver o efeito que terão as medidas adotadas pelo governo contra a crise.

Mantega no Estadão em 20 de maio de 2009
o governo já vinha antecipando que trabalhava com uma projeção de crescimento de 0,7%, mas na última hora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, determinou uma mudança no relatório de avaliação de receitas e despesas que está sendo enviado ao Congresso Nacional. Ele pediu a troca da estimativa do crescimento econômico de 0,7% por 1,0% do PIB. Segundo assessores do ministro, ele não havia sido consultado previamente pela sua equipe sobre o parâmetro que constaria no documento oficial.

Resultado da economia em 2009
Retração de 0,2%. Como se vê, é uma gente viciada em verdades, no plural, sendo que uma sempre substitui a anterior. Não sei se fui muito sutil.

Não acho que o governo deveria ter dito: “Ih, moçada,  economia vai encolher em 2009″. Mas a mentira deliberada, já que idiotas eles não são, não é coisa bonita.  Como vocês vêem, a minha memória é boa; a do governo é ruim.

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Por Reinaldo Azevedo

ELES, QUE AMAM TANTO A DITADURA. OU: O SINDICATO E O RACIALISMO

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 12:45

Vocês acompanharam a tentativa de linchamento a que foi submetido o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), parlamentar que tem tido um comportamento exemplar no Senado, mas que comete o pecado, aos olhos dos patrulheiros e fascistóides politicamente corretos, de não partilhar de sua visão de mundo — no caso, a defesa de cotas raciais nas universidades. E esses “pluralistas” são assim: quando discordam de você, procuram esmagá-lo. Em vez de contestar seus argumentos, escolhem o caminho da satanização.

Mas Demóstenes resistiu com galhardia, e o texto jornalisticamente criminoso de Laura Capriglione, que deu origem à investida contra o senador, entrará para a história do jornalismo como exemplo de distorção e de ideologização do noticiário. Tratei largamente da coisa aqui. Também reproduzi o texto que Demétrio Magnoli publicou na Folha, intitulado ”Jornalismo delinqüente”. Foi um artigo duro e recheado de argumentos. O fato é que a “reportagem” de Laura Capriglione é indefensável como jornalismo e falacioso como história. E foi isso o que se apontou aqui. Foi o que Magnoli também demonstrou em seu texto.

Ora, quando eles não têm saída, qual é a… saída? Acusar os adversários de reacionários, de truculentos, de manter relações impróprias com este ou com aquele… E quem é que entra no debate? O Sindicato dos jornalistas do Estado de São Paulo e a Federação Nacional de Jornalistas. Numa reação obviamente industriada, pautada pelo corporativismo mais vigarista, essas entidades decidiram emitir uma nota contra Magnoli, contra seu texto e, acreditem, contra a Folha! Certamente a patrulha esquerdista do próprio jornal não deve ter gostado de ver o artigo de Magnoli na página 3. Vejam que coisa primorosa (em vermelho). Vou de azul:

Repúdio às agressões do sr. Demétrio Magnoli

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e a Federação Nacional dos Jornalistas vêm a público repudiar  texto publicado pelo jornal “Folha de S. Paulo”, em sua edição de 9/3/2010, na página 3, assinado pelo sociólogo Demétrio Magnoli, intitulado “O jornalismo delinquente”. O artigo é um ataque covarde e desqualificado contra dois profissionais da “Folha”, Laura Capriglione e Lucas Ferraz, autores da reportagem “DEM corresponsabiliza negros pela escravidão”, publicado pelo mesmo jornal em 4/3/2010.

O Sindicato dos Jornalistas e a Fenaj condenam esse artigo vil, bem como a direção da “Folha” por publicar um texto com termos ofensivos e inaceitáveis contra seus próprios funcionários! Preocupa a tentativa de setores conservadores e empresariais de coibirem, em um ano eleitoral, o livre e correto exercício do jornalismo. Contra ações como essa, é preciso permanecer vigilante e atuante, em defesa da democracia e do jornalismo independente e de qualidade. O texto de Magnoli é, pura e simplesmente, uma tentativa de intimidação do trabalho jornalístico sério e apartidário. Em seu curto e agressivo texto, o sr. Magnoli atinge os jornalistas usando palavras e expressões como “delinquente”, “panfleto”, “repórteres engajados”, “repórteres a serviço de uma doutrina”, “jornalismo que abomina os fatos”, “delinquência histórica dos repórteres”, “falsificação”, “manipulação” e “mentira”. Sua única contestação ao conteúdo da reportagem, porém, é o uso da palavra “negros” para se referir às declarações do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) de que “africanos” eram corresponsáveis pela escravidão. A fragilidade da contestação revela-a como um simples pretexto para agressões desmedidas.
Essa indignação cafona e bocó mal esconde a intenção: em nome da pluralidade e da liberdade de expressão, o sindicato acredita que o texto de Magnoli não deveria ter sido publicado. Entenderam??? Acusar o jornalismo de “delinqüente” é uma agressão inaceitável, mas acusar um senador de racista — e racismo é crime — é rigor profissional.

O ataque é particularmente descabido pelo simples fato de que os repórteres restringiram seu trabalho a reportar as terríveis declarações do senador. Ao que parece, o sr. Magnoli presta um socorro ao parlamentar do DEM, certamente acuado pela repercussão negativa de suas infelizes palavras.
Não basta ser sindicato? Tem de mentir também? A tal “reportagem” pinçou frases de um discurso de maneira covarde e pôs na boca de Demóstenes o que ele não disse, a saber: que os negros foram co-responsáveis pela escravidão. AO DEFENDER AQUELE TEXTO, O SINDICATO DOS JORNALISTAS E A FENAJ DEFENDEM UMA MENTIRA!

A serviço de seu amigo senador, o sr. Magnoli afirma: “Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos”. Com isso, desmoraliza-se como sociólogo. Afinal, terá trabalho para provar que a miscigenação no Brasil escravocrata deu-se “de forma muito mais consensual” do que é falado, como sustentou Torres. Que “consenso” pode haver entre uma escrava e seu senhor? Talvez o mesmo que haja entre um torturador e suas vítimas, ou entre a democracia e a “ditabranda”.
Os sindicalistas posando (Emir Sader escreveria “pousando”) como historiadores são excelentes militantes políticos. O que mais me encanta é essa ignorância indignada. Quanto ao resto, quem entende de vítimas e torturadores é o herói de toda essa gente, o chefe de seu partido — já que sindicato e Fenaj são dois aparelhos do PT —, Luiz Inácio Lula da Silva. O grande defensor da ditadura cubana se torna advogado dos métodos de tortura da ilha. Aliás, Lula e Dilma poderiam dizer, sobre a escravidão — aquela mesma que existe ainda hoje no Sudão, cujo governo conta com o apoio do Brasil —, que não é correto ficar fazendo indagações sobre a ordem legal vigente…

O senador e o sr. Magnoli buscam, eles sim, reescrever a história brasileira, apagando os horrores da escravidão e a opressão histórica dos negros em nossa sociedade. Nessa tentativa, patrocinam um feroz ataque ao trabalho correto de dois jornalistas.
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e Federação Nacional dos Jornalistas
Laura Capriglione deve conseguir mobilizar gente melhor do que isso. A USP e a Unicamp são celeiros mundiais de submarxismo. Só perdem para a polícia política de Cuba. Talvez alguns consigam elaborar um discurso que rasgue toda a bibliografia disponível sobre o assunto para ficar só no proselitismo boçal. Por enquanto, a tarefa parece difícil. Os que saem em defesa daquela reportagem, como fez Marcos Nobre na própria Folha, não conseguem ir além do “nós somos bons, e eles são maus”. Será preciso demonstrar que os fatos não são fatos. Será preciso demonstrar que os quase 50% de mestiços que há no Brasil derivaram todos do estupro original, da “violência do senhor contra a escrava”, como quer o bocó que escreveu esse outro panfleto barato.

Noto que uma fratura interessante pode ter acontecido — e não necessariamente boa para a Folha. Não me lembro de ter visto o sindicato e a Fenaj se mobilizarem antes em defesa de um profissional do jornal. Ao contrário até. Quando eu trabalhava lá, os sindicaleiros nos achavam a todos uns arrogantes, uns yuppies de merda, mais ocupados em defender o “projeto Folha” do que, sei lá, em salvar o Brasil… Vocês sabem como jornalistas gostam de salvar o Brasil em botecos. Esse negócio de socorro sindical nem pegaria bem naqueles tempos…

Pelo visto, o sindicato encontrou uma “causa” na redação da Folha e já conta com seus procuradores por lá. E isso, sem dúvida, evidencia a qualidade daquela reportagem de Laura Capriglione.

Só para vocês entenderem, no arremate, com quem estamos lidando: tanto esse sindicato como a Fenaj deram seu irrestrito apoio ao Programa Nacional de Direitos Humanos, aquele que prevê censura à imprensa e fechamento de veículos de comunicação. Essa gente está com Laura. E, agora, acho eu, todos estão no seu devido lugar.

PS – Está faltando um abaixo-assinado em defesa do texto da repórter. Sem ele, a pantomima não fica completa. E eu sugiro as primeiras assinaturas: Antonio Candido, Marilena Chaui, Chico Buarque, Olgária Matos, Luiz Felipe Ex-Namorado de Alencastro, Fábio Konder Comparato, Dalmo de Abreu Dallari…

Parodiando o simpático canastrão Louis, de Casablanca, busquem as assinaturas dos “suspeitos de sempre”…

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Por Reinaldo Azevedo

LEIAM ABAIXO

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 6:03

- LULA E O FATALISMO TIRÂNICO E FALASTRÃO DAS BALAS PAULISTINHA;
- VACAS NÃO TOSSEM!;
- JUNGMANN ENTREGA CARTA DE DISSIDENTES À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA;
- Estatal que mantém TV Brasil paga R$ 1,2 milhão a jornalista pró-governo;
- Promotor pedirá indiciamento de tesoureiro do PT por estelionato;
- Cooperados recorrem ao Ministério Público;
- ESTADO TOTALITÁRIO - Governo quer dar à Receita poder de juiz e de polícia sobre os contribuintes;
- LULA FAZ TERRORISMO ELEITORAL. DE NOVO!;
- Construtora OAS assumiu obra da Bancoop em prédio de Lula;
- PELUSO NA PRESIDÊNCIA DO STF: OS AUGÚRIOS SÃO BONS;
- O CINISMO SEM LIMITES DE CELSO AMORIM;
- MORALMENTE, O GOVERNO LULA JÁ É UMA TIRANIA;
- LULA, O RESPEITADOR… DE DITADURAS;
- COMO GLORIFICAR UM HOMICIDA. OU: “ALÔ, LEITORES DO PARANÁ! VAMOS DEBATER O LEGADO DO HERÓI MARIGHELLA?

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Por Reinaldo Azevedo

LULA E O FATALISMO TIRÂNICO E FALASTRÃO DAS BALAS PAULISTINHA

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 5:55

farinas

Vocês estão vendo este homem? É o dissidente cubano Guilhermo Fariñas, um jornalista e psicólogo de 48 anos, que está em greve de fome desde o dia 24 de fevereiro, quando protesto idêntico matou o também dissidente Orlando Zapata. Farinãs reivindica a libertação de 26 presos políticos. Dele se pode dizer que não chupa balas Paulistinha escondido. Dele se pode dizer que não é daquele tipo de fatalista que acredita que nenhum homem pode resistir à tentação da trapaça, que não esmorece diante de um pacote de balas Juquinha; que não se queda de joelhos por um punhado de balas Toffees.

Agora eu peço que vocês vejam o vídeo deste outro homem, um ex-preso político brasileiro, num depoimento concedido ao jornalista Augusto Nunes, que já postou o vídeo em seu blog, aqui na VEJA Online. Recomendo especial atenção ao depoimento a partir dos 2min23s, quando ele fala de sua “greve de fome”.

Por conta da prisão, que se deu nas condições acima relatadas, Lula recebe hoje em dia, todo mês, religiosamente, algo em torno de R$ 6 mil. Trata-se de uma pensão em si mesma indecorosa porque, mesmo na cadeia, à diferença dos “companheiros” em greve , que nunca tiveram compensação nenhuma, o sindicalista Lula jamais deixou de receber o salário que lhe pagava o sindicato. Àquela época, seu compadre rico, Roberto Teixeira, já lhe cedia uma casa confortável e supria outras necessidades. Teixeira jamais teve motivos para se arrepender de tamanha generosidade. Em linguagem de mercado financeiro, pode-se dizer que comprou uma opção magra e a viu engordar de forma espetacular. Um homem de negócios, enfim.

Como se pode notar pelo testemunho do próprio Lula, ele trapaceou na greve de fome. E foi uma trapaça que se exerceu em dois planos ao menos: enganou a  “classe”, que pensava, então, no seu “martírio” e se condoía; enganou os próprios colegas de cela, já que, afirma, escondia as balas debaixo do travesseiro. Foi Djalma Bom, diz ele, um seu subordinado na hierarquia sindical, que jogou fora as guloseimas. Lula já se mostrava o líder que viria a ser: permissivo, um tanto fanfarrão, sempre disposto a negociar com princípios, embora, para consumo público, soubesse manter exemplarmente as aparências.

Lula foi preso em abril de 1980. Não havia mais tortura contra presos políticos nesse período, e o Brasil já tinha aprovado, no ano anterior, a Lei da Anistia. Mas Lula combatia — e estava longe de ser o único — um regime que, a despeito de tudo, lhe garantia regalias. E ele não via problema naquela doce informalidade, em que o delegado Romeu Tuma fazia de conta que aplicava com severidade a Lei de Segurança Nacional, e os presos faziam de conta que sofriam nas masmorras.

Nas cadeias cubanas, as coisas são muito diferentes. Não há televisão, rádio, jornais, concessões especiais. São masmorras de fato, onde se tortura, se espanca e se mata. Estima-se em até 200 os presos de consciência na ilha. Na já histórica entrevista à AP, Lula comparou os dissidentes a bandidos — a mesma, então, forma de banditismo que ele praticou um dia.

No depoimento acima, Lula admite que a mobilização da sociedade e da imprensa ajudava a protegê-lo — ainda que reste evidente que Romeu Tuma jamais o molestaria. Até o dentista, diz o agora presidente, tinha medo de mexer em seu dente, com receio de que algo desse errado e que a imprensa, já adoradora de Lula, visse naquilo uma tramóia do regime. Em Cuba, não existe sociedade na rua porque os tontons-macoutes de Fidel e Rául Castro espancam quem protesta; em Cuba, não existe imprensa livre, porque até a Internet é censurada. O regime com o qual Lula queria acabar já permitia a emergência de uma sociedade civil. O regime que Lula preserva de qualquer crítica elimina mesmo fiapos de liberdade.

A mitologia esquerdopata inventou um Lula com têmpera de aço, patacoada que foi repetida no filme, que naufragou — o que demonstra haver uma reserva de bom senso ao menos no público que se interessa por cinema. O episódio das balas Paulistinha diz muito de seu espetacular oportunismo. Sim, ele se alinha com o governo dos irmãos Castro e  está pouco se lixando para a questão democrática, mas não é menos verdade que  não consegue conceber que alguém leve adiante, com tanta determinação, uma greve de fome ou um sacrifício. Como ele não resistiu às tentações da balinha, não consegue compreender que outros o façam.

Não gosto da idéia, se querem saber, de greve de fome; insere-se, para mim, numa ordem de questões superior às da política. Não me são bem-vindas as práticas que atentam contra a vida, mas é evidente que posso compreender os motivos de Zapata e de Fariñas. Faço essa observação porque não poderia deixar de lado, porque não deixo nunca, uma questão de princípio. MAS QUE FIQUE CLARO: ZAPATA E FARIÑAS NÃO ESTÃO EM JULGAMENTO, MORAL AO MENOS, E SIM A TIRANIA CUBANA. JULGAR A FORMA DE PROTESTO DOS DISSIDENTES É INDECOROSO, É INDECENTE. E comparar presos políticos a bandidos é uma manifestação da mais escancarada delinqüência política.

Fariñas é um filho do regime. Chegou a estudar na União Soviética. Seus pais foram revolucionários de primeira hora. O pai chegou a acompanhar Che Guevara na malfadada aventura revolucionária no Congo. Há 21 anos, ele milita na oposição. Já fez, nesse tempo, 23 greves de fome e passou 11 anos e meio na prisão. Por que faço essa lembrança? Os que, na democracia, lutam em favor do socialismo — ou, sei lá, daquilo que chamam “democracia popular” (e que não se distingue de uma ditadura de partido único) — o fazem segundo as garantias que lhes dá o estado de direito. E contam com mais do que isso: têm a seu favor até a leniência de agentes do estado que se negam a aplicar a lei. É o caso, por exemplo, no MST. Nas ditaduras socialistas, os que lutam por democracia arrostam com a própria morte. Isso evidencia a superioridade moral da democracia e a imoralidade intrínseca das esquerdas.

Lula não pode entender isso. Lula não acredita em homens que resistam às balas Paulistinha ou às generosas doses de uísque que partilhava com os empresários do Grupo 14 da Fiesp, enquanto a massa de grevistas aguardava as palavras de ordem de seu Macunaíma adotado pelos marxistas da USP e pelos padrecos da Escatologia da Libertação.

Aquilo deu nisto: o fatalismo tirânico das Balas Paulistinha.

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Por Reinaldo Azevedo

VACAS NÃO TOSSEM!

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 5:47

Lembram-se daquele famoso depoimento no Senado em que Dilma Rousseff, distorcendo de modo deliberado uma pergunta do senador Agripino Maia (DEM-RN), posou (Emir Sader escreveria “pousou”…), de grande heroína da resistência, afirmando que mentiu, mesmo sob tortura, para salvar vidas? O xucro colunismo político urrou de prazer com a resposta. Lá estava a Palas Athena da democracia. No discurso no Congresso do PT em que assumiu a condição de candidata do à Presidência, exaltou três antigos companheiros de armas.

Se Lula, o fatalista das Balas Paulistinha, pode dizer enormidades sobre a ditadura cubana, imaginem do que não é capaz a valente Dilma, que pertenceu a três grupos terroristas de alta letalidade: Colina, VAR-Palmares e VPR. Ela jura que nunca matou uma mosca, que foi presa por crime de opinião. Há quem diga que tinha cargo na hierarquia “revolucionária”. Se foi assim, não tendo agido com o trabuco na mão, então agiram sob seu comando.  Uma coisa é certa: não se pertencia a esses grupos para ficar declamando batatinha quando nasce… Também não consta que tenha sido a datilógrafa da turma.

À diferença de Zapata ou de Fariñas, Dilma não era adepta da resistência pacífica à ditadura. Até porque aqueles grupos terroristas a que ela pertenceu, à diferença dos dissidentes cubanos, não queriam democracia. Dilma falou sobre Cuba:
“Compartilho da posição do presidente Lula não só sobre Cuba, mas sobre toda a política externa. Não somos submissos e não estamos com um pires na mão pedindo US$ 14 bilhões de empréstimo ao FMI, mas estamos emprestando. Não somos aqueles que vão invadir países. Sou completamente favorável ao que diz e faz o presidente Lula, que nos deu orgulho de sermos brasileiros. Nós não somos agressivos. O presidente Lula tem grande respeito por Cuba e é contra a segregação de pessoas.”

A fala é uma salada que mistura pedaços generosos de arrogância, de ignorância e de falta de jeito, bem típicos de Dilma, diga-se, que espanca o pensamento lógico e a língua portuguesa com uma competência que Lula jamais demonstrou. Sem contar que ele, acostumado aos improvisos, quando não tem o que dizer, lasca uma dessas platitudes que encantam por sua, vamos dizer assim, universal sabedoria de boteco. Dilma, como todos os leninistas, não tem humor. Está sempre pensando no que que fazer para esmagar o adversário… Então mistura FMI, Cuba, EUA, “orgulho de sermos brasileiros”… Acreditem: esta senhora não sabe o que diz e o que faz. Irá o Brasil experimentar na prática o que isso significa?

Peguem essa fala de Dilma, pensem nas condições em que morreu Zapata, vejam a imagem de Fariñas (no post acima deste), acrescentem 200 presos políticos torturados nas masmorras dos Irmãos Castro, juntem uma imprensa sob severa censura, prisões sem qualquer processo judicial… Somaram tudo? Agora vamos nos lembrar daquela Dilma que comoveu o colunismo vigarista, desinformado, preguiçosamente esquerdofílico, que tentou transformar o senador Agripino num torturador — como tenta agora fazer do senador Demóstenes um racista…

Estavam dando asas a cobra. E cobra não voa não é por maldição, mas por sabedoria divina — ou da natureza, escolham. Permitir que o bicho voe é pedir para ser refém. O que tem a ver a tirania cubana com a relação Brasil-FMI? O que tem a ver a morte de Zapata e a greve de fome de Fariñas com o orgulho de ser brasileiro?

Se Dilma “compartilha da posição do presidente”, considera que os dissidentes cubanos são, então bandidos. Dessa forma, sua fala não deve nada em estupidez à de seu chefe. Mas ela consegue ser ainda mais agressiva porque pretende que nada disso, no fundo, tem muita relevância uma vez que o Brasil “não está mais de pires na mão”. E, como notam, restou o ataque nava velado aos EUA. Entre a ditadura cubana e a democracia americana, Dilma fica com a… ditadura cubana, é claro!

A “criatura eleitoral de Lula”, como a chamou o Estadão em editorial, é um achincalhe à inteligência, ao bom senso e aos direitos humanos — aqueles mesmos em nome dos quais esta senhora endossou um decreto que chega a prever censura à imprensa. Isso quer dizer que não seriam quem são se não fossem também de um cinismo descarado.  A ministra disse também que os presos “não são nem bons nem maus, são presos”, o que evidencia uma inteligência de fato superior.  Com a elegância característica, afirmou aos repórteres: “Vocês não vão me tirar aqui uma crítica ao presidente Lula. Nem que a vaca tussa”.

E a vaca não tossiu!

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Por Reinaldo Azevedo

JUNGMANN ENTREGA CARTA DE DISSIDENTES À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 5:45

O deputado Raúl Jungmann (PPS-PE) é um dos parlamentares que honram o Congresso brasileiro. Já que o governo insiste que desconhece a carta dos dissidentes cubanos que pedem a Lula que advogue em favor da liberdade aos presos políticos, Jungmann protocolou a carta na Presidência da República. Pronto! Como naquela musiquinha, se o sapo não lava o pé, não lava porque não quer.

“O presidente disse que não sabia de nada, que não havia recebido nenhum papel e que, quando recebesse alguma coisa, tomaria as devidas providências. Então, entregamos esta carta para que interceda em favor dos direitos humanos e dos prisioneiros políticos em Cuba”, disse Jungmann, que criticou a comparação estapafúrdia feita por Lula. Segundo o deputado, Lula nivelou presos políticos a “seqüestradores, assassinos e estupradores”.

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Por Reinaldo Azevedo

Estatal que mantém TV Brasil paga R$ 1,2 milhão a jornalista pró-governo

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 5:43

Por Rubens Valente, na Folha. Volto sem seguida

Luís Nassif diz que “notória especialização” justifica contratação sem licitação pela estatal que mantém TV Brasil

O jornalista e empresário Luís Nassif mantém um contrato anual, fechado sem licitação, de R$ 1,28 milhão com a estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), vinculada ao Palácio do Planalto e responsável pela TV Brasil.

A empresa de Nassif, Dinheiro Vivo Agência de Informações, produz um debate semanal, de uma hora, e cinco filmetes semanais de três minutos.

Do R$ 1,28 milhão do contrato, o jornalista fica com R$ 660 mil anuais a título de remuneração, o que equivale a salário de R$ 55 mil. Os pagamentos começaram em agosto. O programa estreou segunda-feira.

À Folha, por e-mail, Nassif afirmou que os insumos de produção cresceram de forma “não prevista no contrato original”, por conta de “demandas adicionais da EBC”, e que a parte destinada à Dinheiro Vivo corresponde a R$ 49 mil brutos mensais (ou R$ 39 mil líquidos), e não R$ 55 mil.

Os outros R$ 558 mil do contrato são destinados ao pagamento de uma equipe de nove pessoas e à compra de equipamentos. A gravação do debate é feita no estúdio da EBC, que também custeia deslocamento e hospedagem de convidados.

Em seu blog, Nassif tem se posicionado a favor do governo em várias polêmicas, discussões e escândalos. A página também se caracteriza por críticas a jornais e jornalistas.

Após a Folha ter revelado, no mês passado, que a Eletronet, empresa interessada em atos do governo, pagou R$ 620 mil ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, Nassif tentou desqualificar os jornalistas e fez a defesa de Dirceu.

A Dinheiro Vivo foi contratada por inexigibilidade de licitação, prevista na lei que regula as licitações.
(…)
Sobre a dispensa da licitação, o jornalista afirmou: “Presumo que por dois motivos. Ponto um: notória especialização. Os prêmios que acumulei ao longo de minha carreira e nos últimos anos atestam essa minha especialização. Ponto dois: sou o criador do Projeto Brasil de discussão de políticas públicas casando TV e internet apresentado à EBC”.

Outros contratos
A EBC informou que mantém outros quatro contratos fechados por inexigibilidade de licitação. São relativos aos programas “Samba na Gamboa” (R$ 1,2 milhão anuais), da produtora Giros, “Papo de Mãe” (R$ 1,99 milhão), da produtora Rentalcam, apresentado pelas jornalistas Mariana Kotscho [filha de Ricardo Kotscho - nota do blog] e Roberta Manrezi, “TV Piá” (R$ 1,34 milhão), dirigido pela jornalista Diléa Frate, e “Expedições” (R$ 1,66 milhão), da jornalista Paula Saldanha. (…)
Aqui

Comento
As coisas falam por si mesmas, e não creio que seja necessário acrescentar muito mais ao que vai aí, não é?

Os índices de audiência conquistados por esses potentados da comunicação certamente justificam esses salários verdadeiramente globais que estão sendo pagos. Afinal, a intenção de Franklin Martins sempre foi concorrer com a TV Globo, não é mesmo? Ele conseguiu. Em um item ao menos.

Fechei a área de comentários. Não quero que o blog seja usado como pretexto para chicanas na Justiça. O fato de eu ser um dos alvos preferenciais do rancor deste ou daquele não me estimula a fazer o mesmo. Meus leitores não merecem.  Publico trechos da reportagem da Folha porque se trata de coisa, a esta altura, pública.

Ademais, os valores podem surpreender. Mas os fatos, em si, não surpreendem.

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Por Reinaldo Azevedo

Promotor pedirá indiciamento de tesoureiro do PT por estelionato

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 5:41

Por Fausto Macedo, no Estadão:
O promotor de Justiça José Carlos Blat declarou ontem que vai requerer o indiciamento criminal e denunciar à Justiça João Vaccari Neto por formação de quadrilha, estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro ? delitos que o tesoureiro do PT, segundo o promotor, teria praticado enquanto ocupou a presidência da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), entre 2005 e 2010. Blat disse que a medida será tomada ao fim de sua investigação, independentemente de a Justiça autorizar ou não a quebra do sigilo bancário e fiscal de Vaccari, requerida sexta-feira.

“Nada vai impedir o nosso trabalho”, afirmou o promotor, indignado com acusações de cardeais do PT de que estaria a serviço do PSDB. Ele anotou que Ricardo Berzoini, ex-presidente da sigla, o acusou em entrevista a uma emissora de rádio de ser sócio de bicheiro e de contrabandista. “Propaganda difamatória e ofensas pessoais não vão desviar a nossa atenção. Vamos dar continuidade. Já enfrentei outras organizações criminosas tão ou mais importantes que essa.”

O rombo, calcula o promotor, supera R$ 100 milhões. Ele está convencido de que parte desse montante financiou campanhas eleitorais do PT.

Blat ganhou reforço significativo da instituição. Ele estava praticamente isolado na apuração, mas a partir de hoje as operações da Bancoop serão alvo também de inquérito civil da Promotoria do Patrimônio Público e Social, braço do Ministério Público com larga especialização em ações contra corrupção e improbidade.

O promotor requereu remessa do inquérito à Seccional Centro de Polícia para que o ex-presidente da Bancoop seja intimado. “Ele (Vaccari) terá oportunidade de se explicar, é exercício sagrado da defesa”, observou Blat. “Poderá dar sua versão, se quiser. Depois vamos individualizar as condutas e apresentar denúncia criminal.”

Ressaltou também que o requerimento de quebra de sigilo de Vaccari complementa o inquérito. “Não seria adequado que outros ex-dirigentes da Bancoop tivessem afastado seu sigilo e ele ficasse de fora.”

Blat planeja denunciar Ana Maria Érnica e Tomás Edson Botelho Fraga, que integravam a cúpula da cooperativa. A devassa se estende ao período anterior à gestão Vaccari ? seu antecessor, Luiz Eduardo Malheiro, morreu em acidente de carro em 2004. “Os golpes mais incidentes aconteceram entre 2002 e 2006″, afirmou. “Vaccari e Ana participaram diretamente na administração financeira fraudulenta da Bancoop.” Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

Cooperados recorrem ao Ministério Público

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 5:39

Por Fausto Macedo, no Estadão:
Dezoito líderes de cooperados que alegam ser vítimas de fraudes e estelionato da Bancoop foram buscar ajuda ontem na sede da Procuradoria-Geral de Justiça em São Paulo. Recebidos por um grupo de promotores especialistas em desvendar desfalques no patrimônio público, eles relataram por cerca de uma hora o tormento que vivem desde que depositaram suas economias e a confiança nos projetos da cooperativa que um núcleo do PT fundou em 1996.

Durante a audiência, o advogado Walter Picazio Júnior, em nome de oito associações de famílias que compraram, mas não tomaram posse dos imóveis, entregou “pedido de providências urgentes” aos promotores - documento de 11 páginas que, ao final, requer dissolução da cooperativa e imediato afastamento de todo o quadro diretivo. “Só assim vamos nos livrar dessa cruz e poderemos concluir as construções com o nosso próprio esforço”, disse Picazio.

Os cooperados estão revoltados. Acusam a Bancoop de fazer “terrorismo”. Falam em “fraudes escancaradas”. Citam o balanço 2008 que revela adiantamentos a fornecedores e no qual a Bancoop admite que repasses são relativos “a pagamentos efetuados a terceiros, de 2001 a 2005, sem identificação do correspondente documento comprobatório do serviço prestado ou material adquirido”.

“Esta representação é de teor praticamente idêntico ao que já foi feito em 2006 por uma comissão de cooperados e que motivou ação civil pública da promotoria”, declarou o advogado Pedro Dallari, da Bancoop. A ação resultou em acordo judicial entre o Ministério Público e a Bancoop. “O acordo vem sendo rigorosamente observado pela cooperativa”, explicou Dallari.

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Por Reinaldo Azevedo

ESTADO TOTALITÁRIO - Governo quer dar à Receita poder de juiz e de polícia sobre os contribuintes

quinta-feira, 11 de março de 2010 | 5:37

Por Renato Andrade, no Estadão:

Após dez meses em hibernação na Câmara, os deputados vão começar a discutir nas próximas semanas um pacote tributário enviado pelo governo que promove uma verdadeiro cerco aos contribuintes. No meio dos artigos para criar novos mecanismos de cobrança das dívidas ativas e penhora de bens, a Fazenda quer que seus fiscais ganhem poderes de polícia, sem autorização judicial. Os fiscais podem quebrar sigilo, penhorar bens e até arrombar portas de empresas e casas sem autorização prévia do Judiciário.

O pacote cria um sistema de investigação com acesso a todos os dados financeiros e cadastros patrimoniais dos cidadãos. A nova sistemática de cobrança valerá tanto para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão responsável pela gestão da dívida ativa da União, quanto para as similares nos Estados e municípios. No limite, a penhora poderá ser aplicada contra uma grande empresa ou contra um contribuinte-pessoa física que tenha deixado de pagar o IPTU ou o IPVA. Na prática, um oficial da Fazenda, mesmo sem autorização de um juiz, pode arrestar uma casa ou um carro para quitar uma dívida tributária com o município.

As três propostas foram enviadas em abril do ano passado, mas só agora começaram a ter tramitação efetiva - no mês passado foi criada a comissão especial da dívida ativa. O deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP), que preside a comissão, pretende organizar ao longo dos próximos meses audiências públicas para discutir as propostas. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) será o relator das matérias.

A retomada das discussões não passou despercebida por entidades empresariais, tributaristas e pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que classificou as medidas como abusivas e inconstitucionais. O Planalto alega que as propostas são “indispensáveis” à “modernização” da administração fiscal e diz que está garantido aos contribuintes o princípio da “ampla defesa”. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

LULA FAZ TERRORISMO ELEITORAL. DE NOVO!

quarta-feira, 10 de março de 2010 | 22:26

Por Anne Warth, no Estadão Online. Comento em seguida:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicou grande parte de seu discurso de hoje, durante cerimônia de inauguração da Usina Termelétrica Euzébio Rocha, na Baixada Santista (SP), ao combate as privatizações feitas durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Lula disse que o Brasil passou por uma crise “sem precedentes” entre 1980 e 2003 e que esteve por mais de 20 anos subordinado à tutela do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a uma política de ajuste fiscal muito forte.
“As empresas brasileiras, como própria Petrobras, pararam de fazer investimentos. Entramos em uma era em que os governantes negavam o Estado e diziam que a única solução era privatizar todas as empresas brasileiras porque assim o Brasil teria mais competência”, disse o presidente a uma plateia formada fundamentalmente por funcionários da Petrobras, citando como exemplo de privatizações os setores de telecomunicação, energia elétrica e siderurgia.
Lula continuou com as críticas: “Tentaram privatizar o Banco do Brasil. Tentaram até mudar o nome da Petrobras e quebraram o seu monopólio. Ferrovias não foram nem privatizadas, foram dadas a determinados grupos empresariais que fizeram os investimentos necessários”, declarou, em referência a ações do governo de FHC.
Num dos momentos mais aplaudidos de seu discurso, o presidente afirmou que “a lógica perversa era levar a Petrobras à falência para poder justificar a venda da empresa, alegando que o Brasil não era autossuficiente em petróleo”. De acordo com Lula, os ministros da área econômica, na época, “baixaram a cabeça” para o FMI. “Nossa querida Petrobras não tinha nem sequer capacidade de investimento”, reclamou.
Essa não é a primeira vez que o presidente Lula tenta associar ao PSDB, às vésperas de uma eleição presidencial, a pecha de privatista. Em 2006, quando Lula disputou a reeleição à Presidência da República, a equipe de campanha do petista insinuou que o então candidato Geraldo Alckmin (PSDB-SP), se eleito, iria privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa.

Pré-sal
O presidente declarou ainda que as recentes descobertas de reservas de petróleo na camada do pré-sal vão possibilitar que o Brasil se torne um dos principais produtores do mundo, mas frisou que o objetivo será comercializar produtos com valor agregado, e não apenas óleo cru. O presidente destacou que, pelo novo marco regulatório na área de petróleo, o Brasil terá participação nas descobertas das empresas que explorarem e descobrirem petróleo.
“Esse dinheiro do petróleo não pode ser usado para enricar algumas empresas”, afirmou, ressaltando a criação de um fundo destinado a investimentos em educação, ciência e tecnologia. Ao entrar no tema da educação, Lula reiterou que seu governo foi o que mais criou universidades e escolas técnicas. “Em oito anos, fizemos 1,5 vez mais o que fizeram em um século”, frisou.
Em seguida, Lula cobrou que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República, faça mais do que ele caso vença a disputa eleitoral. “Achamos que é pouco, é pouco. A companheira Dilma que se prepare porque é preciso fazer muito mais. Temos uma dívida secular coma a educação brasileira”, afirmou.

Mulheres
Lula fez uma homenagem às mulheres pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, e também à pré-candidata do PT. Segundo ele, até a década de 90 era proibido às mulheres trabalhar na área de soldagem das empresas. Ele disse ter ficado feliz ao constatar a presença de diversas soldadores do sexo feminino na usina inaugurada em Cubatão. Uma das trabalhadoras entregou uma placa à ministra.
“Isso é uma demonstração de que, para as mulheres, não basta apenas ser maioria numérica neste País. Elas querem ocupar mais espaço e participar da política. Não querem mais ser tratadas como objeto de segundo grau, como objeto de cama e mesa. A mulher quer ser cidadã em sua plenitude. Pensar, deliberar e executar”, enumerou o presidente.

Comento
Num discurso na Anfavea há alguns dias, Lula criticou o terrorismo eleitoral, afirmando que, pouco importa quem vença as eleições, o Brasil não vai sair do rumo etc e tal. Comentei, então, que era uma fala civilizada, mas que tendia a ter curta duração. Eis aí.

O nome do que vai acima é… terrorismo eleitoral. Ao atacar as privatizações de modo generalizado, como se elas não tivessem trazido benefícios ao país, Lula mente e depreda o passado. A força que tem hoje a Petrobras decorre, ele sabe disso, da quebra do monopólio. As empresas estrangeiras que atuam no Brasil trabalham em parceria com a gigante. A rigor, o monopólio nunca deixou de existir.

É mentira, mentira escandalosa, que alguém, no governo FHC, tenha falado algum dia em privatizar o Banco do Brasil ou a própria Petrobras. Isso é de uma vigarice absurda! Ainda que se encontre uma fala deste ou daquele nesse sentido, nunca foi uma proposta do governo; esse assunto nunca chegou a ser nem mencionado oficialmente. Imaginem se os discursos de petistas pregando a reestatização da Vale do Rio Doce fossem tomadas como opinião do governo.

O PT de 2002 era menos “estatista”; naquele ano, cumpria demonstrar que o partido nada tinha contra as empresas privadas. Ora, por que Lula não fez uma campanha propondo a reestatização da telefonia e da Vale, por exemplo? Porque seria liquidado. Em 2006 o PT estatizante voltou, brandindo essas mesmas mentiras. O objetivo de Lula é mais do que evidente: criar a boataria de que, caso vença a eleição, a oposição vai privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil, a CEF…

Ok, ok, políticos não são exatamente filósofos empenhados em chegar à verdade última das coisas. É uma atividade em que aparências e conveniências fazem parte do jogo. Numa dimensão que nem vou explorar agora — fica para outra hora —, uma política que estivesse sempre empenhada em revelar a verdade nua e crua, sem nenhuma hipocrisia decorosa, talvez evoluísse rapidamente para uma tentativa de ditadura virtuosa — que, célere, caminharia para o desastre. A razão é simples: não existem ditaduras virtuosas.

Assim, Lula mentir um pouco sobre os próprios feitos, magnificando-os, é parte do jogo. Que busque tratar com um certo desdém os feitos alheios, vá lá, pode não honrar o homem, mas é coisa explicável na trajetória do político. Mas não a fala desta quarta. Isso é nada menos que terrorismo. Aquele que ele próprio combateu na Anfavea. E sem uma voz clara, definida, inequívoca da oposição para dizer simplesmente: “Isso é bobagem! isso é mentira!”.

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Por Reinaldo Azevedo

Construtora OAS assumiu obra da Bancoop em prédio de Lula

quarta-feira, 10 de março de 2010 | 21:17

Por Fernando Barros de Mello, na VEJA Online:
A Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) transferiu cinco prédios inacabados para construtoras privadas, que deverão tocar as obras. A empreiteira OAS,
uma das patrocinadoras do filme Lula, o Filho do Brasil e grande doadora eleitoral, inclusive de campanhas do PT, assumiu três desses empreendimentos, em outubro do ano passado. Um deles, no Guarujá, tem como mutuário o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2006, Lula declarou à Justiça Eleitoral ter cotas nesse empreendimento.

A edição desta semana de VEJA mostrou que o Ministério Público de São Paulo quebrou o sigilo da Bancoop e descobriu que dirigentes da Cooperativa Habitacional lesaram milhares de associados, para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002. Foram sacados ao menos 31 milhões de reais na boca do caixa. Como resultado, milhares de cooperados ficaram sem receber seus apartamentos. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

PELUSO NA PRESIDÊNCIA DO STF: OS AUGÚRIOS SÃO BONS

quarta-feira, 10 de março de 2010 | 19:46

O ministro Cezar Peluso foi eleito o novo presidente do Supremo Tribunal Federal. Carlos Ayres Britto é o vice. A posse acontece no dia 23 de abril. De acordo com o regimento, devem ocupar os respectivos cargos os dois ministros mais antigos da Casa que ainda não os tenham exercido. A reeleição é proibida. A renovação do comando acontece a cada dois anos.

Peluso vai substituir um presidente forte, o ministro Gilmar Mendes. Nego-me a classificar os dois anos de sua gestão de polêmicos, como podem fazer alguns tontos.  Ou, se polêmica houve — para recuperar o sentido original da palavra, “luta”  —, ela se deu entre o estado de direito e a chicana; entre o direito achado na lei e o direito achado na rua; entre a voz ponderada das instituições e a algaravia das esquinas. E Mendes fez a escolha clara: Constituição, leis, instituições.

E isso independe de concordar com seus votos ou discordar deles. O mesmo vale para Peluso. Muitas vezes, achei que sua leitura dos fatos era exemplar, correta; noutras, nem tanto. Democracia é assim mesmo. O importante é saber qual VALOR um ministro está lustrando quando profere um voto. E estou entre aqueles que alimentam em relação a Peluso as melhores expectativas.

Acho que ele dará continuidade à defesa estrita do estado de direito, sem invencionices, que caracterizou o período de Gilmar Mendes — a despeito dos espadachins da reputação alheia que tentaram atingir o ministro.

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Por Reinaldo Azevedo

O CINISMO SEM LIMITES DE CELSO AMORIM

quarta-feira, 10 de março de 2010 | 18:36

Na Folha Online. Comento em seguida:
O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira que “muita gente pede o apoio” do governo brasileiro, mas que “não é possível ajudar todo mundo”, em referência ao apelo de dissidentes cubanos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que interceda junto ao governo de Raúl Castro pela libertação de presos políticos.

Amorim disse também que o governo brasileiro “está comprometido com a defesa da democracia e com os direitos humanos”, mas que a administração também “já teve experiências em que as condenações públicas nem sempre tiveram resultados práticos”.

Ontem, Lula pediu, em entrevista à agência Associated Press, respeito às decisões da Justiça cubana e condenou o uso da greve de fome por dissidentes como instrumento para serem libertados da prisão.

“Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba. A greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade.”

O chanceler recordou uma ocasião em que o próprio presidente Lula fez greve de fome, durante o período da ditadura militar (1964-1985), e considerou tais declarações seriam uma espécie de “autocrítica” sobre o efeito obtido por tal tipo de protesto.

Amorim afirmou ainda que o Brasil está “comprometido em ajudar Cuba através de comércio e infra-estrutura” e disse que tais “progressos trazem outras mudanças”, e que “o próprio povo cubano sabe que elas ocorrerão”. “Se alguém está interessado em promover uma evolução política em Cuba, há uma receita muito rápida: acabar com o embargo dos EUA”.

De acordo com o chanceler, se as sanções econômicas que os EUA mantêm contra Cuba desde 1962 fossem suspensas, “isso em si traria grande mudanças políticas para a ilha”.

Comento
A fala de Celso Amorim é escandalosamente cínica. Ao afirmar que muita gente pede ajuda ao Brasil, mas que nem todos pleitos podem ser atendidos, banaliza a tirania cubana, torna-a algo irrelevante, parte da paisagem política. De resto, nem se questiona o motivo de o Brasil não condenar com clareza a ditadura cubana  — porque aí seria esperar moralidade excessiva de quem não consegue demonstrar o mínimo necessário —; o que provoca asco é o alinhamento incondicional com aquele governo, a ponto de comparar dissidentes políticos com bandidos, como fez Lula.

Notem que, no fim das contas, conforme escrevi no post em que digo que, moralmente, o Brasil já é um tirania, a política externa brasileira tem uma única pauta: o antiamericanismo. No fim das contas, Amorim está repetindo Raúl Castro ao comentar a morte de Orlando Zapata: “A culpa é dos Estados Unidos”.

O embargo a Cuba não tem mais importância econômica, e Amorim sabe disso. Os EUA não aplicam mais sanções a quem faz comércio com a ilha. O que inviabiliza o país é a loucura socialista, é a ditadura. O governo Obama sinalizou com um relaxamento das restrições a Cuba e esperou uma resposta. Veio o sinal: mais repressão. Observem que a política brasileira em relação a Cuba consiste em exigir que o mundo democrático dê sinais de boa vontade com a ditadura, mas nada se cobra da ditadura propriamente.

E só pra encerrar: todo mundo sabe que a greve de fome de Lula na cadeia foi de mentirinha; mais uma historinha para compor a mitologia do “filho do Brasil”.

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Por Reinaldo Azevedo


 
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