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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

GARCIA PLANEJOU OFENSA DE LULA A ISRAEL

sexta-feira, 19 de março de 2010 | 17:55

O Estadão desta sexta-feira traz uma informação muito importante de Denise Chrispim Marin, que foi subestimada pela editoria de Internacional, publicada lá no pé da página, como se estivesse quase pedindo para cair fora do jornal. E, no entanto, ela é essencial. Leiam:

A diplomática e tradicional colocação de flores no túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl, foi ceifada da agenda da visita oficial do presidente Lula a Israel, nesta semana, pelo assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Ele desconsiderou observações remetidas pela embaixada do Brasil em Tel-Aviv e avaliou o compromisso como uma contradição à posição brasileira pró-palestinos.

O corte desse ponto da agenda, assim como a recusa da audiência de Lula com o chanceler de Israel, o direitista Avigdor Lieberman, não foi um ato unilateral, mas uma decisão negociada com o governo israelense.

Oficialmente, o Itamaraty alegou que o programa estava pesado demais para o presidente. Mas os cortes irritaram israelenses. No comunicado (telegrama) 224, enviado ao Itamaraty em caráter “ostensivo” e com urgência no dia 10, o embaixador do Brasil em Israel, Pedro Motta Pinto Coelho, informou que o encontro de Lula com Lieberman e as flores no túmulo de Herzl fazem parte do protocolo oficial. Além disso, o cerimonial israelense tinha avisado que a homenagem a Herzl demoraria poucos minutos porque o local é perto do Museu do Holocausto, visitado por Lula. Por fim, Coelho acentuou que tais cortes seriam “uma ofensa ao Estado de Israel”.

Comento
Alguém no Estadão vai puxar a orelha de quem edita Internacional? Não? Então puxo eu, uai! Pode ser irrelevante para quem leva o puxão de orelha simbólico do Tio Rei, mas, para nós, leitores, não é…

Marco Aurélio Garcia e os comunas do Itamaraty têm hoje um papel bem mais relevante na política externa do que se supõe. Qual é a questão mais importante no texto acima? O governo brasileiro sabia que estava cometendo uma grosseria com Israel. Foi advertido.

Ora, Lula não estava indo a Israel na condição de um “novo mediador”, com “um novo olhar”? O mediador não é justamente aquele que pretende estar no meio, que tem a seu favor a eqüidistância (a minha ainda com trema)? Negar-se a reverenciar Herzl, segundo o protocolo do, no caso, corresponde a negar o próprio direito de Israel de existir. É simples. E isso joga Oswaldo Aranha e um pedaço da história brasileira no lixo.

O trecho em negrito do texto, é verdade, investe um tantinho na confusão: “decisão negociada” quer dizer apenas que o governo de Israel sabia da ofensa de antemão — OFENSA RECONHECIDA PELO EMBAIXADOR DO BRASIL EM ISRAEL. Não quer dizer que foi algo decidido de comum acordo, num bate-papo amistoso.

Notem que Lula recusou — por meio de Marco Aurélio Garcia — um encontro com Lieberman, que, depois, não compareceu ao pronunciamento do brasileiro no Parlamento. E fez muito bem! Garcia ainda teve a cara-de-pau de conceder uma entrevista acusando a “descortesia” do chanceler israelense…

As fantasias esquerdopatas que o PT não pode realizar em solo brasileiro — a despeito das muitas tentativas — estão sendo postas em prática na política externa. O Itamaraty está sob o comando ideológico da extrema esquerda doidivanas e sob a direção prática de um animador de circo.

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Por Reinaldo Azevedo

A LÍNGUA PORTUGUESA E A LÍNGUA DA EMBROMAÇÃO

sexta-feira, 19 de março de 2010 | 17:15

(leia primeiro o post abaixo)

O mais importante na nota da Procuradoria da República em São Paulo é o seu conteúdo, que desmoralizo no post abaixo. Mas a forma também é relevante. Afinal, a função de uma “Assessoria de Comunicação” é “comunicar”. Ter o domínio da língua, para alguém dessa área, é tão importante quanto é para um cirurgião saber “costurar” um abdômen depois de abri-lo. Se o máximo de alfabetização a que a área de imprensa da Procuradoria conseguiu chegar está revelado na nota, estamos feitos. “Nunca antes da história destepaiz” tanta ignorância se revelou em tão poucas linhas.

Suponho que um redator qualquer escreveu a estrovenga. Responsável que é, o sr. Marcelo Oliveira, chefe da área, deve ter lido. E certamente pensou: “Está ótimo!”. E o troço foi ao ar. Como o sr. Oliveira está lá para cuidar da comunicação, não para fazer política, sugiro que ele seja demitido e que seja contratado em seu lugar alguém com algum domínio da “Bela”, já que a nossa língua, sob os seus cuidados, é apenas “Inculta”.

Que importância tem isso? Reitero: não é mais importante do que o conteúdo da nota. Mas revela um estado de coisas. Revela um país em que as pessoas se qualificam para cargos menos por suas habilidades do que por suas afinidades eletivas. Às barbaridades.

Há muitas, mas a maior delas está aqui:
São sobre essas operações de lavagem de dinheiro que trata o processo, que tramita normalmente perante à 2ª Vara Federal. A última movimentação processual constante é de fevereiro de 2010.
Não vou entrar em tecnicalidades gramaticais. Como todos vocês sabem, se é para usar essa construção abstrusa, o correto é: “É DESSAS operações (…) que trata”. Há um erro estúpido de concordância e outro de regência que evidenciam o que costumo chamar de analfabetismo de terceiro grau. O “povo” não cometeria tal erro porque não estaria preocupado em “falar direito”. Se Marcelo seguisse o mestre Lula, não teria caído nessa roubada. Pragmático, o Demiurgo do Brasil, na dúvida, opta logo pelo mais simples.

Atenção, Tio Rei ajuda:
O CERTO:
Marcelo, é dessas regras de gramática que lhe falei!
O ERRADO
Marcelo, são dessas regras de gramática que lhe falei.

Isso, Marcelo, é como o conteúdo de sua nota: parece ser uma coisa, mas é outra.

Outras bobagens graves
O corretor Lúcio Bolonha Funaro responde a ação penal 2008.61.81.007930-6, na 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Errado! O certo éà ação penal 2008.61.81.007930-6”. A ação está especificada. Há uma crase aí, e o acento grave é obrigatório.

Entretanto, tanto na documentação remetida pela PGR à São Paulo, que embasou a denúncia, quanto na própria acusação…
Deixarei de lado o seu “Entretanto, tanto” porque gosto não se aprende nem se ensina. Vamos ao que é possível:
Errado! O certo é “a São Paulo”.

O que é uma crase, leitor amigo? Ah, é a contração, a fusão, de suas vogais idênticas. Por exemplo: “Eu vou à Alemanha”. A gente põe aquele acento grave no “a” para indicar que houve a fusão de duas vogais “a”:
“Eu vou a + a Alemanha = Eu vou à Alemanha”.

A palavra “Alemanha” vem acompanhada do artigo “a”. Agora note, senhor Marcelo:
“Eu vou a Cuba”.
Não há crase — e, pois nem o acento grave.

Se bem que vou mudar o exemplo. Prefiro este:
“O senhor vai a Cuba” — eu prefiro ficar por aqui… Voltemos:
“O senhor vai a + Cuba = O senhor vai a Cuba”.

A palavra “Cuba” não vem acompanhada do artigo “a”.

É o que acontece com São Paulo!
“Documentação remetida a + São Paulo = documentação remetida a São Paulo”.
São Paulo não vem, nem poderia, acompanhado do artigo feminino “a”.

Atenção?
Nunca há crase antes de São Paulo? Referindo-me a cidade, por exemplo, eu poderia dizer:
“Marcelo foi remetido à São Paulo que ama a língua portuguesa”.
Temos:
“Marcelo foi remetido a + a São Paulo que ama a língua portuguesa”
Note que, nesse caso, estou me referindo a uma São Paulo em particular, àquela parcela das pessoas da cidade que ama a língua portuguesa. Aliás, eu lhe recomendo essa São Paulo. Pelo visto, o senhor conhece só aquela que a odeia.

A propósito: sentiu ali? Escrevi “àquela parcela”. Por quê?
“Estou me referindo a + aquela = estou me referindo àquela

Há uma outra construção podre de chique a que o senhor pode recorrer:
“Ele escreveu uma nota à Marcelo”

Observe:
Neste caso, estou afirmando:
“Ele escreveu uma nota à moda de Marcelo”. É como alguém dizer:
“Comi um pato à Marcelo”

Encerro
Esses não são os únicos pecados da texto, não! Mas fico nas coisas mais óbvias.

Reitero: a nota que ofende a língua portuguesa acaba contribuindo, com a sua redação oblíqua, para ofender a verdade. E isso, sem dúvida, é o mais grave. Os motivos estão explicitados no post abaixo.

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Por Reinaldo Azevedo

NOTA DA PROCURADORIA DA REPÚBLICA EM SP CONFIRMA REPORTAGEM DE VEJA. A ÚNICA DIFERENÇA É QUE A REVISTA SE EXPRESSA EM PORTUGUÊS

sexta-feira, 19 de março de 2010 | 15:51

A Procuradoria da República de São Paulo publica em seu site uma nota  — ANALFABETA, DIGA-SE — que só ajuda a fazer confusão. Ela colabora para a verdade tanto quanto enobrece a língua portuguesa. Mas só comento esse detalhe no fim do post. Vamos ler o que está lá.

19/03/10 - Documentação do inquérito do mensalão sobre Funaro não traz informações sobre tesoureiro do PT

O corretor Lúcio Funaro responde em São Paulo a processo por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

O corretor Lúcio Bolonha Funaro responde a ação penal 2008.61.81.007930-6, na 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

A denúncia que gerou a ação penal foi oferecida pelo Ministério Público Federal em São Paulo, em junho de 2008. Lucio Bolonha Funaro e José Carlos Batista respondem pelos crimes de quadrilha e por 33 infrações a artigos da Lei n. 9.613/98 (Lavagem de Dinheiro), em razão de fatos apurados nos autos da ação penal 470 (Mensalão), que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Os documentos recebidos da Procuradoria Geral da República, que embasaram a denúncia, oferecida pela procuradora da República Anamara Osório Silva, em São Paulo, demonstram que, através da Garanhuns Empreendimentos, empresa de Funaro e Batista, se garantia a dissimulação da origem e do destino de valores que iam da SMP&B ao antigo Partido Liberal. As transferências chegaram ao valor aproximado de R$ 6,5 milhões.

São sobre essas operações de lavagem de dinheiro que trata o processo, que tramita normalmente perante à 2ª Vara Federal. A última movimentação processual constante é de fevereiro de 2010.

O MPF em São Paulo não pode confirmar se o depoimento de Funaro, concedido em Brasília, se deu sob o instituto da “delação premiada”. De toda forma, o MPF não revela informações, nem o teor desses depoimentos, em respeito à legislação pertinente.

Entretanto, tanto na documentação remetida pela PGR à São Paulo, que embasou a denúncia, quanto na própria acusação formal remetida à Justiça pelo MPF-SP, em resposta a inúmeros questionamentos da imprensa, é necessário esclarecer, não há nenhuma menção ao ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) João Vaccari Neto, atualmente tesoureiro do Partido dos Trabalhadores.

Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República no Estado de S. Paulo

Comento
1 - O título da nota está armando a Rede Oficial de Mentiras da Internet - SUSTENTADA, COMO ESTÁ PROVADO, COM DINHEIRO DA LULA NEWS -, que abusa da ignorância de seus “fiéis”, para sustentar que nada existe contra João Vaccari Neto. UMA OVA!!! E os vagabundos aproveitam: “Viram? A nota contesta matéria da VEJA”. Não contesta, não, bando de ótários! A NOTA CONFIRMA MATÉRIA DA VEJA.

2 - Vai aqui um trecho da reportagem da VEJA: “O mensalão produziu quarenta réus ora em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles não está Vaccari. Ele parecia bagrinho no esquema. Pelo que se descobriu agora, é um peixão.”

3 - A QUESTÃO ESTÁ AÍ: A QUESTÃO É JUSTAMENTE SABER POR QUE AS DENÚNCIAS CONTRA VACCARI FORAM ENGAVETADAS!!! TERÁ A PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA SE TRANSFORMADO, NESSE PARTICULAR, DA “ENGAVETADORIA GERAL DA REPÚBLICA”?

4 - Em todo caso, dou o benefício da dúvida à Procuradoria Geral da República: o material sobre Vaccari foi enviado ao grupo que está investigando os Fundos de Pensão, investigação que ainda está em curso. Vamos ver;

5 - A nota da procuradoria em SP afirma como novidade o que todo mundo sabe:
a - Funaro é um dos investigados;
b - Vaccari não está no inquérito.
Marcelo Oliveira, que cuida da comunicação da procuradoria em São Paulo, ainda vai emitir nota afirmando que a Terra é redonda e que dois mais dois são quatro.

6 - Ora, qual é a razão de ser da reportagem de VEJA? Reproduzo trecho da própria revista:
Em 2003, enquanto cuidava das finanças da Bancoop, João Vaccari acumulava a função de administrador informal da relação entre o PT e os fundos de pensão das empresas estatais, bancos e corretoras. Ele tocava o negócio de uma maneira bem peculiar: cobrando propina. Propina que podia ser de 6%, de 10% ou até de 15%, dependendo do cliente e do tamanho do negócio. Uma investigação sigilosa da Procuradoria-Geral da República revela, porém, que 12% era o número mágico para o tesoureiro - o porcentual do pedágio que ele fixava como comissão para quem estivesse interessado em se associar ao partido para saquear os cofres públicos.
A revelação do elo de João Vaccari com o escândalo que produziu um terremoto no governo federal está em uma série de depoimentos prestados pelo corretor Lúcio Bolonha Funaro, considerado um dos maiores especialistas em cometer fraudes financeiras do país. Em 2005, na iminência de ser denunciado como um dos réus do processo do mensalão, Funaro fez um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Em troca de perdão judicial para seus crimes, o corretor entregou aos investigadores nomes, valores, datas e documentos bancários que incriminam, em especial, o deputado paulista Valdemar Costa Neto, do PR, réu no STF por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Em um dos depoimentos, ao qual VEJA teve acesso, Lúcio Funaro também forneceu detalhes inéditos e devastadores da maneira como os petistas canalizavam dinheiro para o caixa clandestino do PT. Apresentou, inclusive, o nome do que pode vir a ser o 41º réu do processo que apura o mensalão - o tesoureiro João Vaccari Neto.

7 - Vamos lá, sr. Oliveira! Conteste o que vai acima; diga que o que vai acima não existe!!!  Eu o desafio a fazê-lo, assinando embaixo.

8 - Não, Oliveira não pode fazê-lo. Por isso, escreve esta maravilha:
O MPF em São Paulo não pode confirmar se o depoimento de Funaro, concedido em Brasília, se deu sob o instituto da “delação premiada“. De toda forma, o MPF não revela informações, nem o teor desses depoimentos, em respeito à legislação pertinente.
Ah, não pode? ENTÃO POR QUE EMITE UMA NOTA PARA DIZER QUE A TERRA É REDONDA?

9 - Fosse o caso de emitir uma nota, a única possível, meu senhor, teria de explicar por que o inquérito, COMO INFORMOU VEJA, ignora Vaccari. Por quê? O SENHOR TEM ALGUMA EXPLICAÇÃO?

10 -  Vejam que comovente é o trecho final da nota:
“é necessário esclarecer, não há nenhuma menção ao ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) João Vaccari Neto, atualmente tesoureiro do Partido dos Trabalhadores.”
ISSO JÁ ESTÁ ESCLARECIDO!!! ISSO ESTÁ NA REPORTAGEM DA VEJA. A REPORTAGEM DA VEJA SÓ EXISTE PORQUE, CITO A REVISTA DE NOVO, “O mensalão produziu quarenta réus ora em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles não está Vaccari. Ele parecia bagrinho no esquema. Pelo que se descobriu agora, é um peixão.”

11 - Os depoimentos de Funao existem. Estão com a procuradoria. Devidamente gravados. A questão é outra, senhor Marcelo Oliveira! A questão é saber por que, de fato, o inquérito ignorou o sr. Vaccari.
A propósito, senhor Oliveira: POR QUE O INQUÉRITO IGNOROU O SENHOR VACCARI.

Não quero me estender demais neste post. Deixo para outro a língua em que é vazada a nota. Em indigência, concorre com o conteúdo.

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Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 19 de março de 2010 | 5:41

Caros,
sobraram quase 500 comentários de ontem para mediar nesta manhã. Sempre damos conta de tudo, vocês sabem, ainda que demore um pouco.

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Por Reinaldo Azevedo

LEIAM ABAIXO

sexta-feira, 19 de março de 2010 | 5:37

- UM MAMUTE NO ORIENTE MÉDIO E A ONU DOS GORILAS;
- EUA e Israel: felizmente, de volta ao diálogo;
- REAÇÃO DEMOCRÁTICA - PSDB barra aprovação de embaixadores em protesto contra Lula;
- Oposição consegue convocar o “homem da Bancoop” para depor em CPI;
- PETRÓLEO: OS COVARDES E OS ENGRAÇADINHOS;
- NUNCA ANTES NESTEPAIZ SE VIU UM JORNALISMO TÃO ISENTO;
- Tensão entre Ciro e o PT cresce um tantinho…;
- AÉCIO ESTÁ CERTO;
- ASSIM NÃO, JOSÉ ALENCAR!;
- PROFESSORES, NÃO SE DEIXEM MANIPULAR! RESISTAM!!!;
- A Apeoesp, a lei e o sangue;
- CHÁ, ERVA E NARRATIVAS DE QUINTA CATEGORIA;
- Começam os bate-bocas e acusações entre correntes rivais do daime;
- A FACE FASCISTÓIDE DO AMBIENTALISMO. OU: FILHO DE SARNEY, EIS UM HOMEM DO FUTURO!!!;
- Ministro do TSE multa Lula em R$ 5.000 por propaganda eleitoral antecipada;
- Pela libertação dos presos políticos de Cuba

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Por Reinaldo Azevedo

UM MAMUTE NO ORIENTE MÉDIO E A ONU DOS GORILAS

sexta-feira, 19 de março de 2010 | 5:29

Vamos tentar pôr um pouco de ordem na bagunça — especialmente agora que Lula e Celso Amorim, dois notórios baguncistas, resolveram emprestar a sua clarividência à causa “da paz no Oriente Médio”. Deus do céu!

Ontem, na Jordânia, Lula repetiu o discurso que fizera no lançamento da tal comunidade dos países latino-americanos e do Caribe: desceu o sarrafo na ONU. Na segunda-feira, escrevi o que isso me parece: “Não sei, não… Seus [de Lula] feiticeiros podem andar com idéias esquisitas. Talvez [Lula] esteja sonhando é com uma ‘ONU do B’, um Foro de São Paulo de alcance planetário, fazendo-se porta-voz de países e movimentos que decidiram resistir aos EUA e à Europa Ocidental.”

Batata! Ontem, Lula despachou Celso Amorim para a Síria. Segundo o chanceler, “Golan faz parte disso”. Sem dúvida! Se o entendimento entre israelenses e palestinos parece difícil, nada como meter os sírios na jogada, não é mesmo? Segundo o ministro, trata-se de um “novo olhar” em contraposição à “visão tradicional que existe, vai continuar a existir e que ninguém quer substituir”. Ele se referia aos Estados Unidos e União Européia.

O curioso é que aquele grande democrata e grande humanista que preside a Síria, Bashar al-Assad, afirmou ontem mesmo ao presidente da Itália, Giorgio Napolitano, que a paz com Israel é impossível. A culpa, claro!, é toda do adversário. A Síria, como se sabe, é um país manso. Eventualmente financia o terrorismo ou manda matar um líder no Líbano  — mas o faz com fins pacíficos!

O “novo olhar” no Oriente Médio consiste em transformar Israel no único vilão, e os que tentaram e tentam destruí-lo em heróis da resistência — ainda que esses mesmos não se entendam entre si (já falo a respeito). Fica-se com a impressão de que, não fosse a intenção de construir 1600 casas em Jerusalém Oriental, todo o resto estaria resolvido. É como se Israel nunca tivesse tentado negociar. Ehud Barak que o diga: topou entregar 95% do que queria Yasser Arafat. A velha raposa corrupta, em cujo túmulo Lula depositou flores, disse “não”.

Fica parecendo que o muro na Cisjordânia foi erguido por capricho — e a língua comprida de Lula, que serve para dar respostas fáceis e erradas para problemas difíceis, deveria indagar o que aconteceu com os atentados terroristas em solo israelense depois dele. Fica parecendo que o bloqueio a Gaza — praticado também pelo Egito, um país árabe — surgiu do nada e não decorreu do golpe militar que o Hamas deu no território, expulsando o Fatah, de Mahmoud Abbas e impondo o terror. Gaza se converteu numa base de lançamento de foguetes contra o território de Israel. Vale dizer: a retirada das tropas israelenses do território rendeu ao país não um gesto de boa vontade, mas o recrudescimento do terror.

Fica parecendo que Israel tomou Golan da Síria e ocupou Jerusalém Oriental em 1967, por conta do seu expansionismo, não porque estava prestes a ser esmagado por Egito, Síria e Jordânia. Foi apenas mais rápido e fulminante no ataque. Enfrentou a mesma coalizão em 1973, agredido novamente, na Guerra do Yom Kipur. E venceu de novo. A Síria conseguiu perder Golan duas vezes para os israelenses.

A questão das casas? Sem dúvida, o anúncio estúpido do governo israelense se converteu numa crise e tanto, mas vamos devagar com andor aí. Na quarta-feira, escrevi aqui:
“Lula não tem idéia da enormidade que disse - porque “ter idéia”, nesse caso, demandaria mais do que voluntarismo, mais do que sua lógica de sindicalista acostumado a explorar a divisão dos “adversários” para triunfar.”
Pois é. Sei que alguns não gostam de mim, mas o fato é que eu os conheço. Leiam o que o presidente brasileiro disse no dia seguinte ao meu texto, segundo o Estadão:
Para o presidente, todos os países envolvidos no conflito entre israelenses e palestinos têm de ser trazidos à mesa de negociação, mesmo que essa tarefa seja de difícil realização. Lula argumentou que, quando havia greve no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, considerava como o ‘pior erro’ a proposta de não conversar com os patrões. ‘Se a mesa de negociações voltar a ser uma mesmice, o resultado vai ser uma mesmice’.”

Sentiram? Lula pretende tratar um país que venceu sozinho duas guerras (houve outras) contra uma coalizão que, materialmente, era mais poderosa como se fosse uma negociação daquelas que ele fazia com Grupo 14 da Fiesp. Não sabe LITERALMENTE o que fala, estimulado pelas cretinices do Megalonanico. Em 1973, Israel se viu face a face com o seu fim. Um período de 37 anos anos para uma nação que poderia ter sido exterminada é ontem.

Isso quer dizer que Israel faz bem em querer construir as tais casas em Jerusalém Oriental? Não! Faz muito mal. Mas o desassombro com que Lula está metendo o dedo no nariz de um país que tem todos os motivos para ter orgulho de sua resistência e de sua história é uma estupidez. De súbito, notórios bandidos passaram à condição de grandes interlocutores — e só Israel, então, teria de ceder.

Foguete e Hamas
Ontem, aliás, foi um bom dia para se ter noção da complexidade do assunto. O Hamas voltou a disparar um foguete contra o Sul de Israel, matando um imigrante tailandês. Em troca, o país agredido bombardeou instalações em Gaza. Lula, não obstante, acha o bloqueio uma violência e cobrou o fim do muro da Cisjordânia, mas não emitiu um pio contra o terrorismo.

Move-se com a elegância diplomática de um mamute. Por falar em Hamas, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, líder da Fatah, que foi esmagada em Gaza, pediu, sim, a ajuda de Lula: quer que ele fale com o seu amiguinho Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, para que aquele país pare de financiar o terrorismo do Hamas. Afinal, Abbas sabe que os israelenses nunca foram tão cruéis com os seus homens quanto foi a facção rival… palestina!

O espetáculo que Lula protagoniza no Oriente Médio é patético. O esforço para se meter num conflito com falas que vão da tautologia à barbaridade chega a ser risível. É claro que o mundo está de olho — e não deixa de ser divertido. Muita gente deve estar pensando: “Esse é ‘o’ Cara?” Ontem, o Irã fez mais um grande favor à reputação do Brasil: anunciou ao mundo que pretende contar com o apoio de Lula para integrar  — ATENÇÃO! — nada menos do que o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Isto mesmo: o Irã acha que já é chegada a hora de mostrar toda a sua expertise na área.

E querem saber? Não é impossível que consiga. Amorim já está coçando o joelho e a barba — o que pode fazer sem gestos largos — para dizer coisas como: “Isolar o Irã seria muito pior”. Ademais, poderia emendar, um conselho que tem como membros a Arábia Saudita e a China pode ter o Irã… É um jeito de ver o mundo: quem tem dois assassinos pode ter três, não é mesmo? Atenção: só ilustrei a lógica canhestra, tá? O Conselho de Direitos Humanos da ONU é um verdadeiro valhacouto de homicidas.

E então volto ao começo. Alguém poderia contatar em tom de indagação: “Pô, Reinaldo, você mesmo critica a ONU. Por que o ataque de Lula é ruim?” Porque eu critico a importância que os gorilas passaram a ter nos conselhos da organização. Lula não gosta é do que há lá de civilização. A sua ONU do B, vocês verão, é justamente a ONU dos Gorilas.

É detestável que as coisas tenham assumido esse rumo. Mas me sinto intelectualmente satisfeito, quase vingado. Este é o Lula de verdade. Este é o PT de verdade. Aqui dentro, ele tem algumas amarras institucionais. Lá fora, pode ser quem é.

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Por Reinaldo Azevedo

EUA e Israel: felizmente, de volta ao diálogo

sexta-feira, 19 de março de 2010 | 5:27

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, devem se encontrar na semana que vem em Washington. Tanto melhor! O enviado especial do governo americano ao Oriente Médio, George Mitchell, deve voltar a Israel neste fim de semana para se encontrar, em separado, com Netanyahu e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Ótimo! O mundo agradece. À diferença do que diz Lula, Israel e EUA em conflito só aumenta os perigos. Chega de amadores e palpiteiros falastrões e miúdos!

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Por Reinaldo Azevedo

REAÇÃO DEMOCRÁTICA - PSDB barra aprovação de embaixadores em protesto contra Lula

sexta-feira, 19 de março de 2010 | 5:25

Por Renan Ramalho, na Folha:
A oposição está impedindo a votação de novos embaixadores do Brasil como forma de atacar a política externa do governo Lula.
A Comissão de Relações Exteriores, presidida pelo senador tucano Eduardo Azeredo (MG), suspendeu a sabatina para aprovar três novos embaixadores do Brasil no exterior, entre eles os indicados para a Venezuela e o Equador, cujos atuais governos são alvo de críticas de tucanos e democratas.

A indicação do diplomata José Antonio Marcondes Carvalho para a embaixada em Caracas vinha sendo prorrogada desde dezembro. Na semana passada, ele foi à comissão para ser sabatinado, mas o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), pediu vista do processo para “discutir melhor” a relação do Brasil com o vizinho.

Na reunião, os senadores tucanos negaram ter alguma resistência específica contra o nome de Carvalho. Nos bastidores, porém, o objetivo é criar um embaraço para a política externa brasileira e fazer com que o próprio governo venezuelano perceba que não é bem visto pela oposição no Brasil.

Crítica ao Itamaraty
A estratégia para atacar o governo na política externa foi traçada numa reunião fechada do PSDB na terça. No mesmo dia, em plenário, o líder tucano na Casa, Arthur Virgílio (AM) anunciou uma ruptura com o Itamaraty. “Não temos mais nenhum compromisso com essa aprovação simples e rápida de embaixadores”, ameaçou.

Depois criticou, sobretudo, a comparação que Lula fez de dissidentes cubanos com criminosos comuns do Brasil, a aproximação com o regime iraniano, o apoio dado a Manuel Zelaya em Honduras e a recusa do presidente brasileiro em visitar, em Israel, o túmulo de Theodor Herzl, um dos fundadores do sionismo.

Em seguida, foi o próprio Azeredo que anunciou a suspensão das sabatinas na Comissão de Relações Exteriores. Na comissão, já estão prontos para serem aprovados, além de Carvalho, os novos embaixadores no Equador, Fernando Simas Magalhães, e no Reino Unido, Roberto Jaguaribe -esse último, a ser relatado pelo tucano Tasso Jereissati (CE). Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

Oposição consegue convocar o “homem da Bancoop” para depor em CPI

sexta-feira, 19 de março de 2010 | 5:23

Por Renan Ramalho e Adriano Ceolin, na Folha:
A oposição na CPI da ONGs conseguiu aprovar a convocação para depor do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto -acusado de desviar recursos da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários) para campanhas eleitorais.

Senadores do PSDB e do DEM também aprovaram requerimentos de convite para ouvir o promotor do Ministério Público do Estado de São Paulo, José Carlos Blat, que investiga o caso, o doleiro Lúcio Funaro, e o irmão do ex-presidente da Bancoop, Hélio Malheiro. Instalada em outubro de 2007, com pouca atividade e quase esquecida, a CPI das ONGs foi prorrogada pela quinta vez. Agora, irá funcionar até setembro deste ano.

“[A CPI] Estava quase morta, nem eu acreditava mais”, disse Heráclito Fortes (DEM-PI), segundo presidente da comissão depois que Raimundo Colombo (DEM-SC) saiu em 2008.
Relator da comissão, Inácio Arruda (PC do B-CE) criticou a manobra oposicionista. “A CPI não pode ser objeto de uma coisa ou outra a cada dia que alguém ache interessante. A Bancoop nem é uma ONG. Agora não há mais nada a fazer [para evitar os depoimentos]“, disse.

Como foram convidados, Blat, Malheiro e Funaro não são obrigados a comparecer ao Senado. Vaccari, no entanto, foi convocado -o que torna sua presença obrigatória. A Folha apurou que o tesoureiro será orientado a permanecer calado em seu depoimento. Heráclito marcou os depoimentos de Blat e Vaccari para a próxima terça-feira. O promotor será ouvido pela manhã e o tesoureiro pela tarde.

Acusações
Presidente licenciado da Bancoop, Vaccari é acusado de repassar recursos da cooperativa para os cofres de campanhas petistas. Ele nega. A Bancoop tem uma dívida estimada em cerca de R$ 100 milhões e deixou de entregar imóveis aos cooperados. Dos 53 empreendimentos prometidos, 19 não saíram do papel.

Blat é responsável pelas investigações. Após fazer acordo de delação premiada, o doleiro Funaro tornou-se a principal testemunha do caso. De acordo depoimento dele em inquérito na Procuradoria-Geral da República, os recursos da Bancoop seriam utilizados para abastecer o esquema do mensalão.

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Por Reinaldo Azevedo

PETRÓLEO: OS COVARDES E OS ENGRAÇADINHOS

sexta-feira, 19 de março de 2010 | 5:21

O que foi que escrevi no meu primeiro texto a respeito? O governo não se empenhou para aprovar a sua proposta sobre os royalties, deixou a base votar à vontade, e deu no que deu. Ontem, Lula não demonstrou a menor disposição de vetar a emenda Ibsen caso ela seja aprovada no Senado — e a chance de ser é enorme por razões óbvias.

Ou Lula mobiliza a sua base na Casa e diz o que quer, ou o Rio e o Espírito Santo perderão os benefícios. Como Lula se referiu ao ocorrido: “Em ano de eleição, todo mundo quer fazer gracinha”. Pois é… A do governador Sérgio Cabral reuniu milhares de pessoas.

Cabral, aliás, ontem demonstrou que sabe chorar e adular com igual facilidade. Segundo ele, é “covardia” atribuir a Lula qualquer responsabilidade: “O presidente Lula se empenhou desde o início para chegarmos a um acordo sobre o pré-sal a ser licitado. (…) Essa emenda Ibsen foi rejeitada na comissão especial. Ela não fez parte do relatório do deputado Henrique Eduardo Alves e foi rejeitada. Estava tudo certo para cumprir o acordo no plenário”…

Que pré-sal? Por que confundir as coisas? A emenda Ibsen cassa receitas que o Rio e o Espírito Santo já têm hoje…

Ah, bom… Se é assim, se Cabral está com Lula, então eu também estou, ué. Se Lula não quer ficar mal com os outros estados e gosta de tomar decisões que só lhe rendam aplausos unânimes, e se o governador do Rio diz que o presidente está certo e é supimpa, então eu também vou agora buscar o aplauso de todos…

E assim vamos nós, entre covardes e engraçadinhos, não é mesmo?

Eu apanhei bastante de leitores aqui porque afirmei em dois textos que considerava justo o pleito do Rio e do Espírito Santo. Cabral sabe o que vale a mobilização do governo. Mas preferiu jogar a massa contra o Congresso e contra Ibsen. Nem mesmo cobrou uma posição de sua “Dilminha”, aquela que ele saudou, no Carnaval, cheio de alegria, naquela língua parecida com o inglês…

Aí não dá, né, Sérgio Cabral? Aí saímos da reivindicação política para o samba-do-governador-doido. Covardia é não reconhecer que Lula está tirando a sua reputação da reta.

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Por Reinaldo Azevedo

NUNCA ANTES NESTEPAIZ SE VIU UM JORNALISMO TÃO ISENTO

quinta-feira, 18 de março de 2010 | 22:29

É inacreditável!

Um texto assinado por Daniel Rocanglia, na Folha Online, sustenta o seguinte:

“Antes do escândalo do Distrito Federal, que começou em novembro passado, o governador cassado, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), era um dos mais cotados para ser o vice de Serra. No entanto, a crise arranhou não só Arruda como o partido.”

NÃO TENHAM RECEIO DE SUSTENTAR: É UMA MENTIRA CRETINA!!!

Isso nunca chegou a ser nem sequer cogitado. Imaginem se Arruda trocaria uma reeleição que então era certa para o Distrito Federal — e hoje nós sabemos como era doce aquele poder — por uma disputa de  resultado incerto. Mas não é só por causa da questão lógica, não!

Quem faz essa afirmação é a rede petralha na Internet. Desafio Roncaglia e a Folha Online a demonstrarem quando essa questão chegou a ser pauta do PSDB ou do DEM. Até outro dia, não se sabia nem mesmo quem seria o candidato tucano. Quando se teve a definição. Arruda já tinha se estourado.

O que impressiona é que uma fofoca de Internet, inventada por uma rede de difamação, seja reproduzida como se fosse um dado da realidade por um veículo que tem compromisso com a verdade.

“Fuga”
Num outro texto da Folha Online, de Yogor Salles, lê-se: “Serra minimiza greve dos professores e ‘fuga’ de evento em SP”.

A “fuga” refere-se ao fato de que o governador mudou a agenda e não foi a um evento,  onde um grupo de Bebel já o aguardava, preferindo vistoriar uma obra.  Conforme previ aqui, eles se sentiriam vitoriosos depois que Folha e Estado deram destaque à sua ação delinqüente ontem. Então a Folha Online fala em “fuga”, com aspas, como a indicar que não é bem isso, mas que é quase isso… “Fuga” ou fuga, trata-se de uma “notícia” que ficaria bem no site da Apeoesp.

NUNCA ANTES NESTEPAIZ SE VIU UM JORNALISMO TÃO ISENTO, NÃO É MESMO?

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Por Reinaldo Azevedo

Tensão entre Ciro e o PT cresce um tantinho…

quinta-feira, 18 de março de 2010 | 22:04

Por André Mascarenhas e Julia  Duailibi, no Estadão Online. Comento em seguida:

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) teme que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atue nos Estados em que o PSB mantém aliança com o PT para constranger seu partido a não lhe conceder a legenda para sua planejada candidatura à Presidência da República. Em entrevista exclusiva à TV Estadão nesta quinta-feira, 18, Ciro desautorizou as versões de que teria uma conversa definitiva sobre seu futuro político com Lula em março - “vocês marcaram para anteontem, mas ele está em Israel”, brincou -, mas não descartou que o presidente atue nos bastidores para impedi-lo.

“O Lula, pela delicadeza que ele me trata, pelo respeito que ele me tem, e é recíproco, até maior o meu — eu gosto dele fraternalmente, com muito carinho, além do respeito, da gratidão pelo bem que ele faz ao povo brasileiro — ele não me pedirá jamais pra eu não ser candidato”, disse o deputado. Questionado se haveria outras formas de o presidente fazê-lo ficar de fora do pleito, Ciro concordou: “As outras formas podem ser muito cruéis. Por exemplo, constranger o partido a não me dar legenda.”

O deputado se refere aos diretórios estaduais do PSB que trabalham pela candidata de Lula, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), em troca de uma aliança com o PT para o governo dos Estados. Rio Grande do Norte e Sergipe vivem esse dilema. No Rio Grande do Norte, a governadora Wilma de Faria, do PSB, trabalha para emplacar a candidatura de seu vice, Iberê Ferreira de Souza, do mesmo partido, ao governo do Estado. Em Sergipe, o governador Marcelo Déda, do PT, que deve concorrer a reeleição, tem como vice Belivaldo Chagas Silva, do PSB.

“A seção de Sergipe, seção do Rio Grande do Norte, são seções respeitadas, porque eles têm uma aliança com o PT, e ali o PT os constrange. Mas esquecem os companheiros que eu também tenho uma aliança com o PT. Nós temos aliança com PT nos três estados que governamos e nos cinco estados que o PT governa”, contemporizou.

Ainda assim, ele garante ter, na legenda, o apoio necessário para pleitear a candidatura. “Tudo o que eu faço, até o presente momento, está em perfeita sintonia com a direção do meu partido.”

Ibope
O deputado também minimizou a importância da pesquisa CNI/Ibope divulgada na quarta-feira, 17, em que sua candidatura aparece como um fator neutro na definição do segundo turno. O levantamento vai no sentido oposto da tese, defendida por Ciro, de que sua candidatura seria um fator decisório para que Dilma leve a decisão para o segundo turno.

“A candidatura existe para apresentar uma proposta, um projeto. E é grave a necessidade no caso brasileiro, porque eu considero, sendo aliado do presidente Lula e amigo dele, um equívoco, que faz mal pro país, fazer das eleições gerais de 2010 um plebiscito despolitizado entre os amigos do Lula, nos quais eu me incluo, e os amigos do (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso. O Brasil não cabe nisso”, afirmou.

Sobre sua participação nas eleições, mesmo que com chances remotas de se eleger, Ciro considera ser “imperativo moral participar do debate, se você tem, como eu, uma responsabilidade com o país”.

O ex-ministro da Integração Nacional criticou ainda a atuação do governo em áreas como a saúde e educação. “Se você despolitizar o debate, como fica o futuro da saúde pública, que não vai bem, da educação pública brasileira, que não vai bem, da violência urbana?”, argumenta.

Comento
Entendam esta fala:
“O Lula, pela delicadeza que ele me trata, pelo respeito que ele me tem, e é recíproco, até maior o meu - eu gosto dele fraternalmente, com muito carinho, além do respeito, da gratidão pelo bem que ele faz ao povo brasileiro - ele não me pedirá jamais pra eu não ser candidato”…

Ciro, como naquela música de Chico, é mesmo “um pote até aqui de mágoa”, né?

Notem que ele sugere uma possível ação sorrateira de Lula, apesar do “amor fraternal”… E observem que ensaia uma crítica à gestão propriamente.

Ciro, a despeito das indefinições e da queda nas pesquisas, mantém-se num patamar razoável. Depois de ter insistido tanto na candidatura à Presidência, a eventual desistência seria um tanto desmoralizante.

Por outro lado, uma vez candidato, poderia escolher ficar só batendo em Serra — nesse caso, perguntar-se-ia por que, então, não está com Dilma. Também não poderia se apresentar como o melhor continuador de Lula, já que o próprio deixará claro que não é ele. Só lhe restaria o caminho de se mostrar uma alternativa a Serra e Dilma, e aí teria de optar também pela crítica ao “amigo fraternal”, como certamente fará Marina.

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Por Reinaldo Azevedo

AÉCIO ESTÁ CERTO

quinta-feira, 18 de março de 2010 | 21:33

Na Folha Online:
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), avaliou como natural o crescimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata à Presidência, nas pesquisas de intenção de voto. Para ele, quando houver o embate entre os candidatos o PSDB mostrará que tem condição de ganhar a eleição presidencial.

“A campanha não começou ainda. Nós temos um tempo grande para construir esse discurso. Acho que as experiências do PSDB serão mostradas. Não será uma eleição fácil para ninguém”, disse nesta quinta-feira em Belo Horizonte.

Segundo o governador, há um risco para lideranças do PT que estão cantando vitória antes da hora. “No momento em que o embate se der entre candidatos e não apenas entre aqueles que os apoiam, acho que aí sim o PSDB poderá demonstrar aquilo que eu disse aqui, que nós temos melhores condições de permitir que o Brasil dê um novo salto.”

Aécio também minimizou o resultado da pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem. Segundo a sondagem, a petista conseguiu subir de 17% para 30% na preferência do eleitorado, enquanto o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recuou de 38% para 35%.

“O PT sempre teve uma base, um piso em torno de 30%, historicamente, mesmo nas eleições em que o presidente Lula perdeu. Não me preocupo com as pesquisas. Acho que é o momento de o PSDB construir o seu discurso”, afirmou.

Para ele, a pesquisa sempre é o retrato do momento. “O PSDB tem que apresentar à população brasileira razões objetivas e claras que mostrem por que é melhor trocar de governo, mudar o grupo que governa o país e não continuar com o atual.”

O governador afirmou que a eleição não será uma comparação entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. “Não acho que as pessoas estejam preocupadas agora numa gincana para saber quem fez mais. Se foi Lula ou se foi FHC, ou se foi FHC ou Lula. Foram momentos diferentes”, disse.

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Por Reinaldo Azevedo

ASSIM NÃO, JOSÉ ALENCAR!

quinta-feira, 18 de março de 2010 | 21:28

Já escrevi aqui que tenho simpatia pela luta contra o câncer de José Alencar (PRB), vice-presidente da República. Um esforço que realmente o dignifica. Por isso mesmo, o horário político de seu partido que foi ao ar há pouco esteve muito abaixo da grandeza que ele atingiu. Optou-se pela exploração descarada da doença, com um apelo em que se justaram dois messianismos: aquele propriamente dito e o lulismo.

Alencar foi apresentado como aquele que “enfrenta um câncer há 12 anos, que já fez 15 cirurgias e que esteve sempre ao lado de Lula”. Não dá, vice-presidente! Isso diminui a sua figura e a sua luta.

Mas ainda era pouco: ouve-se a voz de Lula dizendo que Alencar vai vencer a luta. Premonitório!

O locutor diz que Alencar “chegou a ser desenganado”. E ele próprio surge para anunciar que seu tratamento foi bem-sucedido. Não se fala em cura do câncer no partido de Edir Macedo, mas a sugestão é essa. E isso, evidentemente, é uma mentira!

Alencar repetiu lá aquela variante de silogismo que já havia dito na Câmara: “Se Deus quer me levar, não precisa do câncer; mas, se não quer, não há câncer que me leve. E eu estou desconfiado que ele não quer me levar”. Então tá bom…

O programa cantou as glórias de Lula etc e tal, mas foi pensado para Minas. Eu realmente lamento que seja assim. A luta serena contra qualquer doença dignifica. Fazer da doença uma alavanca política rebaixa.

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Por Reinaldo Azevedo

PROFESSORES, NÃO SE DEIXEM MANIPULAR! RESISTAM!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010 | 20:24

Os professores de boa-fé leiam o texto até o fim; os outros podem ir parando por aqui…
*
Olhem aqui: eu não dou a menor bola para correntes de Internet. Os “apeoespentos” descobriram o meu blog e vêm aqui me agredir. Tenho como identificar a iniciativa e me preservar dela. Perdem o seu tempo. Vão vociferar lá no blog da Bebel, que eu ajudei a tirar da obscuridade. Agora mais gente pode apreciar não apenas os dons do seu pensamento, mas também os dotes de sua formosura.

“Você conhece o que é uma escola estadual???” Conheço! Estudei nela a vida inteira  — do primário à universidade (fiz um dos cursos superiores em universidade privada). Uns bobalhões, fingindo o padrão “miserável-ressentido”, vêm acusar o “burguês Reinaldo Azevedo, que nasceu em berço de ouro”. Huuummm… Meus amigos sabem a infância e adolescência nababescas que tive.

Mas não! Não vou cair nessa cilada! Para a fantasia dos cretinos, vale isto: “Não tenho culpa de ter tido pai milionário”. Até porque, vamos convir: se um é culpado de pertencer a uma família abastada, então outro seria igualmente culpado de pertencer a uma família pobre, certo? Ou o bebê pobre não escolhe ser pobre, mas o bebê rico escolhe ser rico? Para entender lógica elementar e ironia, é preciso andar sobre duas patas e ter apenas dois polegares opositores. Com quatro, dá, no máximo, para comer banana!

Eu nunca disse que a vida de professor é uma maravilha. Até porque fui professor dos 18 aos 26 anos. Não! Nunca dei aula em escola pública porque o salário era muito baixo. E eu precisava de mais dinheiro para poder manter os hábitos adquiridos na minha infância e adolescência burguesas. Fui ser professor de cursinho e de colégio particular. Até fui fundador de sindicato de professores da rede privada. Está documentado.

Quando achei que estava havendo um achatamento salarial excessivo e que havia o risco de eu me tornar “choramingas profissional”, caí fora. Descobri que ser professor não era um destino; era uma escolha. O jornalismo passou a me oferecer as condições para continuar a viver como um nababo. Sempre ganhei o suficiente para comer o prato que quis, beber o uísque que quis, comprar os livros que quis, viajar (o que detesto) para onde quis. E nunca ganhei ou ganharei o suficiente para ter um helicóptero — o que eu jamais quis (até porque só viajaria amarrado). Ou, vai ver, modulo os meus quereres de acordo com as possibilidades, sei lá… Mas volto à minha saída do magistério.

Pensei ao migrar para o jornalismo: “Que mal há em trabalhar 12 horas por dia, 72 horas por semana?” Nenhum! Cheguei, finalmente, à condição de quem fica ligado ao trabalho — com alguns intervalos para leitura e convivência familiar — 18 horas por dia., como bem sabem os meus leitores. Hoje mesmo, fui almoçar às 17h10. Chorar para quem? São as escolhas que fiz. Eu nunca culpo ninguém por nada. Quando me apareceram alguns tumores, fiquei tentado: “Deus, como o Senhor…” Parei no meio da frase. Não creio que Ele tire tumores — logo, também não os dá. Então só pedi clareza e entendimento. E  recebi a graça!

Não estou sugerindo que professores mudem de profissão, não! A menos que queiram. Também não estou dizendo que vivem às mil maravilhas! O que sustento:
- a greve da Apeoesp é política. Como é mesmo, Bebel? “Dil-ma/Dil-ma”;
- o plano de carreira do magistério é bom;
- o salário diferenciado segundo o mérito é bom;
- com a aplicação do plano, há uma efetiva recuperação dos salários dos professores; pode não ser a ideal, mas é a melhor em muitos anos;
- a reivindicação de 34% de reajuste de uma só vez é economicamente ridícula.
E isso nada tem a ver com “justiça”. Seria bom que os professores ganhassem o triplo.

“Vá viver, então, com um salário de professor”, gritam alguns. Não! Não vou!

Preciso de mais! Mas atenção! O “mais”, como sabe a Receita, vem do meu trabalho, da condição profissional a que cheguei, dos meus milhares de leitores… Com todos os impostos devidamente pagos, sem truques fiscais. Não vem da TV Traço do Franklin Martins por “servicinhos prestados”, por exemplo. O “mais” vem das escolhas que fiz.

SE EU SOUBER QUANTO É, TALVEZ ACHE POUCO ATÉ O SALÁRIO DOS PROFESSORES DAS MINHAS FILHAS, QUE DÃO AULA, ATÉ ONDE SEI, NA ESCOLA DE SÃO PAULO QUE GARANTE AS MELHORES CONDIÇÕES PARA OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO.

O que sei é que não será com grevismo doidivanas e com o ataque a um plano de carreira que privilegia o mérito que se vai conseguir melhorar a situação do professor. Quando a Apeoesp quer impedir que os melhores tenham mais benefícios, o que ela faz é proteger os piores. Uma categoria que se nivela por baixo está condenada a ganhar sempre mal.

O que este MST das cidades está fazendo é explorar as dificuldades dos profissionais, eventualmente a sua boa-fé, empurrando-os para reivindicações que sabe irrealistas para, assim, poder manter sempre a categoria mobilizada. Sem o “professor oprimido”, o que seria de Bebel?

No fim das contas, quer-se chegar à seguinte conclusão: “Viram? Os tucanos não nos deram NADA de novo!” E isso é uma mentira estúpida. E começará, então, a campanha em favor de “Mercadante governador”… Até o antes odiado Gabriel Chalita se tornou, agora, “amigo” da categoria. De pessoa ridicularizada pelo Apeoesp, passou à condição de “amigo”. Afinal, agora ele é um socialista, cirista por enquanto e, em breve, dilmista… É o “Socialismo do Afeto”.

Resistam, professores!
Resistam, professores! Não sejam massa de manobra de um sindicato, de uma central sindical, de um partido! Vejam a situação dos professores no Brasil, avaliem o plano de carreira, busquem a qualificação profissional, permitam-se a realização profissional na carreira que abraçaram.

Não caiam na conversa de quem, seguindo a tradição, sairá do sindicalismo para abraçar a carreira política!

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Por Reinaldo Azevedo

A Apeoesp, a lei e o sangue

quinta-feira, 18 de março de 2010 | 18:40

No Estadão Online:
A Justiça decide até as 19 horas se o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) poderá realizar a segunda passeata na Avenida Paulista, na região central, desde que a greve da categoria foi iniciada no último dia 8.

Polícia e Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) dependem dessa decisão para desencadear a operacionalização do trânsito na região amanhã. O caso está nas mãos do juiz da 20ª Vara Cível, Flávio Abramovich.

No último dia 12, a Apeoesp descumpriu decisão do Ministério Público Estadual de que teria de pagar indenização caso o trânsito fosse interrompido, o que acabou ocorrendo. Inicialmente o ato aconteceria apenas no vão livre do Masp.

No pedido de liminar contrário à manifestação feito esta semana, o promotor José Carlos de Freitas, da Habitação e Urbanismo, do MPE, argumentou que no dia 12, com os transtornos causados no trânsito com a manifestação na Paulista, três hospitais da região (Clínicas, Brigadeiro e Pérola Byington) registraram atraso de mais de duas horas na entrega de material em seus bancos de sangue.

Segundo o MPE, em um caso semelhante, ocorrido em 2005, a Apeoesp foi condenada a pagar R$ 1,5 milhão por danos materiais e morais à cidade.

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Por Reinaldo Azevedo

CHÁ, ERVA E NARRATIVAS DE QUINTA CATEGORIA

quinta-feira, 18 de março de 2010 | 17:34

(leia primeiro o post abaixo)
Como há uma gritaria verdadeiramente histérica para que eu não escreva mais nada a respeito da morte de Glauco, só me resta escrever a respeito. Tenho aprendido nestes dias que contestar a santidade de Jesus é um direito garantido pela liberdade de expressão  — e eu acho que é. Mas não dê a entender que os daimistas não são santos. Isso é coisa de fascistas!!! Adiante!

Beber o chá, como se vê, nem sempre pode levar a um confronto iluminado, não é mesmo? De tudo, o que ainda não entendi é se o consumo de maconha é ou não permitido na Céu de Maria e nas outras igrejas que seguem esse ramo dissidente. O que se sabe é que o uso do que chamam “Erva de Santa Maria” está na raiz da dissidência originalmente liderada por Sebastião da Mota Melo. Está ou não está? Isso é falso?

Mesmo num texto obviamente simpático à igreja de Glauco, como o que segue abaixo, a gente nota que as informações parecem patinar num limo de quase-informação. Mas uma coisa deu para perceber: o chá já virou motivo de disputa comercial.

Tráfico e versões
Ah, sim: a polícia já sabe que Cadu, o assassino de Glauco e Raoni, comprou a arma com o dinheiro que conseguiu traficando drogas. Que se saiba, o tráfico não é uma atividade esporádica, coisa de freelancer. Ou se está nele ou não se está. Será diferente com Cadu?

E já que estou tratando deste assunto, confesso que fiquei surpreso com a entrevista de Felipe Iasi, o rapaz que levou o assassino até a chácara, admitindo ser consumidor de maconha com a facilidade com que alguém diz “hoje é quinta-feira”. Segundo seu depoimento, estava, e já devia ser perto de meia-noite, como a Inês de Castro de Camões, “posto em sossego”, e eis que liga Cadu: “Vamos dar uma volta e fumar um cigarro de maconha?” Ele achou bacana, foi, e o resto a gente já sabe.

Não convivo com consumidores da “Erva de Santa Maria” (esse nome politicamente religioso da maconha é realmente o máximo!). Então é assim? Alguém liga e diz: “Vamos fumar um cigarro de maconha?”, e a pessoa sai e vai “orar” para Santa Maria?

Olhem, não descarto que a vida real possa ser mais desarticulada do que uma narrativa de ficção ruim, com soluções artificiais. Todas as versões disponíveis até agora sobre o caso, sem exceção, comporiam uma ficção de quinta categoria, daquelas de merecer nota zero numa aula de redação de ginásio.

PS: E o advogado Ricardo Handro? Ele não vai nos dizer por que inventou a tese do latrocínio? A “imprensa investigativa”, desta vez, não está interessada?

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Por Reinaldo Azevedo

Começam os bate-bocas e acusações entre correntes rivais do daime

quinta-feira, 18 de março de 2010 | 17:20

Leiam o que escreve Ricardo Feltrin, na Foha Online. O título acima é meu. Comento no post seguinte.

O Cefluris, instituto ambiental daimista ao qual pertence a igreja Céu de Maria, fundada por Glauco, decidiu mover ação criminal contra Emiliano Dias Linhares, 46, ex-PM, conhecido como Gideon Lakota. Ele mantém uma comunidade xamânica em Pariquera-Açu (litoral sul de SP), é inimigo declarado do Cefluris e publicou em seu site uma mensagem com o título “Glauco e Filho — Queima de Arquivo!”.

Em mensagem, vídeos postados no YouTube e em um livro, Linhares afirma que o Cefluris e seus líderes são “narcotraficantes” e que utilizam drogas como crack e cocaína em seus rituais. Ele aponta a Céu de Maria como um desses locais. Em entrevista gravada, de Brasília, Linhares, 46, reafirmou todas as denúncias e disse que estava “fornecendo provas para a Polícia Federal sobre os negócios” da ONG daimista rival.

Em nota, o Cefluris anunciou ações civis e criminais contra Linhares. O centro é presidido pelo jornalista e escritor Alex Polari de Alverga. Enio Staub, secretário do Cefluris, diz que o centro já estava acompanhando o site agressor, da comunidade Céu Nossa Senhora da Conceição.

“Sempre tivemos por princípio não responder nada a essa pessoa, mas agora ele desrespeita não só a todos nós mas principalmente a imensa dor da família de Glauco. Vamos entrar com todas as ações civis e criminais possíveis”, declara Staub. “Essa pessoa é doente.”

Staub disse que a entidade vai divulgar hoje um comunicado oficial sobre as medidas que pretende tomar contra Linhares e como deve agir, “de forma a preservar a memória e a obra de Glauco, bem como a fé de todos os nossos filiados”.

Entre igrejas no Brasil e no exterior, incluindo a Céu de Maria, são cerca de cem unidades ligadas ao Cefluris — abreviação de Culto Eclético da Fluente Luz Universal. Para o Cefluris, o ataque de Linhares pode ter outro objetivo: ele teria interesse em “monopolizar” a distribuição de daime na região Sudeste — na Amazônia, o litro custa de R$ 18 a R$ 100.

Na internet, além de divulgar uma tese conspiratória de que o Cefluris estaria envolvido na morte de Glauco, Linhares ataca o uso ritualístico de maconha em igrejas daimistas ligadas ao Cefluris.

Em seu ataque, não poupa mortos: chama Sebastião de Mota Melo (1920-1990), fundador da vila de Mapiá, na Amazônia, de “bandido” e “pitador de maconha” e acusa Alfredo, filho de Mota Melo, atual líder do Céu de Mapiá, de “traficante de pasta de cocaína”.

Ex-PM exonerado da corporação, Linhares se recusou a falar sobre seu passado, bem como de sua relação com a maçonaria (que tem um link-tópico em seu site). “Se quiser falar sobre minha vida pessoal, a conversa acabou”, disse.

“Tudo que ele fala é um delírio, mas não vai ficar sem resposta”, diz Staub. “Não há um único ritual oficial das igrejas ligadas a nós que faça uso da erva de Santa Maria (maconha)”.

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Por Reinaldo Azevedo

A FACE FASCISTÓIDE DO AMBIENTALISMO. OU: FILHO DE SARNEY, EIS UM HOMEM DO FUTURO!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010 | 16:44

Leiam esta notícia da Agência Brasil. Volto em seguida:

Uma campanha lançada na última semana pela organização não governamental SOS Mata Atlântica deu início a um novo round na briga entre ruralistas e ambientalistas no Congresso Nacional. Batizada de “Exterminadores do Futuro”, a iniciativa da ONG vai listar políticos que “agem contra o ambiente”. Na mira estão, por exemplo, parlamentares que defendem a flexibilização de leis ambientais, como o Código Florestal.

A bancada ruralista reagiu e pretende entrar no Conselho de Ética da Câmara contra os parlamentares que apoiam a criação e divulgação da lista de “exterminadores”. O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), disse que a primeira representação será contra o colega Sarney Filho (PV-MA), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista.

“Vai ser por quebra de decoro parlamentar. Foi uma canalhice do Zequinha Sarney. Não aceitamos que se tragam ONGs estrangeiras para fazer terrorismo contra deputados que estão fazendo um trabalho sério”, argumentou. Segundo Lupion, os advogados da Comissão de Agricultura estão levantando informações sobre outros parlamentares que manifestaram apoio à iniciativa.

Sarney Filho, que participou do lançamento da campanha, disse que não se sente intimidado com a ameaça de representação no Conselho de Ética. “Se for pelo fato de estar defendendo o desenvolvimento sustentável, a diversidade e os ecossistemas, me sinto até honrado de ir ao conselho.” O deputado considera a atitude dos ruralistas uma tentativa de intimidar a bancada verde diante da proximidade da votação do relatório sobre modificações no Código Florestal. “Mas o tiro saiu pela culatra. Essa situação só reforça nossas convicções”, acrescentou.

Além dos deputados, Lupion disse que pretende entrar na Justiça contra a ONG caso seu nome apareça no ranking. “A partir do momento que ele divulgarem a tal lista, vamos entrar com ações de perdas e danos, de difamação, vamos quebrar essas ONGs”, adiantou. A lista deve ser divulgada no começo de julho, às vésperas do período eleitoral. Em maio, uma versão prévia deverá ser apresentada e os “exterminadores” indicados poderão se defender antes da inclusão definitiva no ranking de inimigos do meio ambiente.

Comento
Tenho tratado aqui habitualmente do absurdo que toma conta do debate político e do noticiário quando o agronegócio entra na pauta.

Tivesse o setor uma importância marginal no Brasil, tudo bem! Fossem os “ruralistas” (expressão que já vem carregada de preconceito) expressão das “elites tradicionais” (como diriam os marxistas do calcanhar sujo das nossas universidades), que vivem do que conseguem amealhar do estado, em vez de fornecer recursos a este mesmo estado, a pressão política seria até legítima. Mas é assim?

Quem vocês acham que se encaixa melhor naquela definição de “elite”? Zequinha Sarney, deputado do Partido Verde e agora “marinista” desde que seu bigode ainda era um buço, ou um produtor de soja, milho ou carne? A propósito: o que é que a família Sarney produz?

Não custa lembrar: o agronegócio garante sozinho o superávit da balança comerical brasileira. O agronegócio é único responsável pelos US$ 240 bilhões de reservas que tem o Brasil e que têm servido de âncora da estabilidade econômica. Não obstante, é obrigado a se defender do ataque vagabundo de políticos que estão dentro e fora do governo.

Essa lista é criminosa. Zequinha — este grande militante da causa verde; este ilustre representante da Casa dos Sarneys — e seus amiguinhos ongueiros sabem que os setores da imprensa que acreditam que comida nasce no Carrefour e no Pão-de-Açúcar tendem a dar ampla divulgação à lista.

É claro que não desejo isto para o Brasil, mas, às vezes, sou tentado a sugerir que façamos o seguinte:
“Ok, gente! Paremos tudo! Marina Silva e seu bilionário sensível, o candidato a vice Guilherme Leal, vão decidir agora os rumos da agricultura e da pecuária no Brasil. Daremos aos ambientalistas tudo o que eles quiserem; daremos aos que reivindicam reserva disso e daquilo tudo o que pedirem. Será um momento lindo! Como diria Gregório de Matos, a terra ‘ficaria esfaimando’, mas seríamos ecologicamente corretos segundo as ONGs internacionais que cuidam das nossas florestas.

No lugar do Ministério da Agricultura, teríamos o Ministério do Cosmético. Poderíamos viver da exportação de xampus e cremes anti-rugas feitos de taiuiá-grande, cultivada pelos índios “Bibelôs dos Babacas” (uma tribo que acabo de inventar), segundo as mais rigorosas exigências dos espíritos ancestrais da floresta. Você não sabe o que é um taiuiá-grande, leitor? Ah, é uma “trepadeira melífera da família das cucurbitáceas, de folhas membranosas e pepônios globosos, também chama de abóbora da anta. A gente morreria de fome, mas com a alma limpa e a pele esticada.

Também estou nesta luta!
Abaixo os ruralistas!
Viva o verde Zequinha Sarney!
Vivam os Bibelôs dos Babacas!
Viva o xampu de taiuiá-grande!

Todo poder ao Soviete dos Cosméticos!

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Por Reinaldo Azevedo

Ministro do TSE multa Lula em R$ 5.000 por propaganda eleitoral antecipada

quinta-feira, 18 de março de 2010 | 15:04

Na Folha Online. Volto depois:
O ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Joelson Dias determinou nesta quinta-feira a aplicação de multa de R$ 5.000 ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por propaganda eleitoral antecipada. Segundo o tribunal, a decisão só será levada ao plenário se houver recurso.

Dias acolheu parcialmente uma representação apresentada pelo PSDB contra o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à sucessão presidencial. Dilma não recebeu nenhuma punição.

Na avaliação do ministro, o presidente Lula cometeu a irregularidade durante a inauguração de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) nas localidades de Manguinhos e Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em maio do ano passado.

O ministro afirmou que parte do discurso do presidente foi irregular porque Lula teria interagido com participantes do evento que gritavam o nome da ministra.
“Eu espero que a profecia que diz que a voz do povo é a voz de Deus esteja correta neste momento. O primeiro representado acabou realçando a futura candidatura, sendo essa a peculiaridade, a circunstância, que me leva a concluir pela ocorrência de propaganda eleitoral antecipada.”

Segundo a representação do PSDB, as inaugurações, “na realidade, serviram como palanque para as eleições vindouras”.

A defesa do presidente negou qualquer intenção de promover a ministra e pré-caniddata do PT e que as declarações no evento tinham o objeto de informar à população sobre as realizações do governo federal.

“A participação de gestor público federal, seja presidente ou mesmo ministro de Estado, em inauguração de obras públicas, constitui não apenas uma prerrogativa, mas um dever da função, consoante os preceitos da transparência e da prestação de contas.”

Para o ministro, não há provas de que Dilma teve interferência no episódio. “Nada nos autos evidencia o prévio conhecimento da segunda representada sobre o fato de que seu nome seria aclamado por alguns dos presentes ao evento, nem sobre a maneira como o primeiro representado, em discurso realizado de improviso, reagiria àquela manifestação.”

Comento
Já escrevi uma vez sobre uma avaliação do ministro Joelson Dias. À época, discordei dele. Não viu campanha antecipada de Lula onde ela me parecia óbvia. Será que eu o elogio quando multa Lula e o critico quando não multa?

Não! Eu o elogio quando ele toma as palavras de Lula pelo sentido que elas têm no dicionário e o critico quando acho que ele ignora a função referencial da linguagem. Os discursos de Lula não resistem a uma leitura elementar da Lei Eleitoral.

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Por Reinaldo Azevedo


 
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