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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

22/09/2014

às 15:09

EI convoca seguidores a matar cidadãos dos países de coalizão antiterrorista

Na VEJA.com:
O grupo extremista Estado Islâmico (EI) pediu nesta segunda-feira que seus seguidores matem os cidadãos dos países que participam da aliança criada pelos Estados Unidos contra os jihadistas. “Se você pode matar um infiel americano ou europeu, especialmente o vingativo e sujo francês, ou um australiano ou um canadense, ou qualquer um dos infiéis que fazem a guerra, incluídos os cidadãos dos países que entraram na coalizão contra o EI, então confie em Deus e o mate de qualquer maneira”, diz porta-voz do grupo, Abu Mohammed al Adnani, em um vídeo divulgado na internet. “O EI não começou a guerra contra vocês, tal como fizeram imaginar seus governos e meios de comunicação. Vocês que começaram a agressão contra nós”, fala Adnani, advertindo que os cidadãos dos países da coalizão “pagarão um alto preço” por seu envolvimento na guerra. O jihadista previu o “colapso das economias” destes Estados, assim como graves ferimentos e morte para aqueles que são enviados para combater os radicais.

“Vocês [os cidadãos dos países da coalizão] pagarão o preço sentindo o medo de viajar para qualquer lugar, quando caminharem pelas ruas, virando para a direita e esquerda, temendo os muçulmanos. Não se sentirão seguros nem em seus quartos e os atacaremos em sua terra”, afirmou o porta-voz do EI. Segundo o extremista, os EUA e seus aliados permaneceram “inalterados diante do sofrimento” dos muçulmanos sunitas nas mãos dos regimes sírio e iraquiano.

Os Estados Unidos começaram a bombardear posições do EI no Iraque em 8 de agosto e depois a França adotou a mesma postura. O governo americano trabalha para construir uma coalizão internacional – integrada por enquanto por trinta países – para lutar contra o grupo extremista no Oriente Médio e aniquilar suas células e colaboradores em outros países.

Síria
O EI tomou mais de cem povoados de maioria curda nos arredores da cidade de Kobani, na província de Aleppo, no norte da Síria, informou nesta segunda Esmat Sheij Hasan, que faz parte das forças de defesa curdas. A ofensiva dos jihadistas contra a região, um dos principais redutos curdos da Síria, começou na terça-feira passada e provocou a fuga de mais de 130.000 cidadãos curdos para a Turquia, segundo números divulgadas hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Hasan disse que estão ocorrendo choques intensos entre o EI e as Unidades de Proteção do Povo Curdo em áreas ao leste, sul e oeste de Kobani. Ele revelou que os radicais islâmicos empregam armas pesadas e tanques na ofensiva, e solicitou ajuda da comunidade internacional para evitar um “massacre”. Dentro de Kobani, a situação humanitária é grave porque a população está sem alimentos e água, alertou Hasan.

O EI proclamou um califado no Iraque e na Síria em 29 de junho nos territórios da Síria e do Iraque sob seu domínio. Os curdos estão demonstrando uma forte resistência ao avanço dos extremistas sunita tanto no território sírio como iraquiano. Os curdos sírios se concentram principalmente na província de Al Hasaka e nas regiões de Afrin e Kobani, também conhecida como Ain Arab, assim como em Aleppo, e representam 9% da população do país.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 7:18

LEIAM ABAIXO

A CASA DE HORRORES DO PT DA BAHIA: R$ 50 MILHÕES FORAM TIRADOS DOS POBRES E FORAM PARAR NAS MÃOS DE POLÍTICOS PETISTAS, DIZ PRESIDENTE DE ONG QUE OPERAVA PARA O PARTIDO;
Datafolha prova que ciclofaixas de Haddad atendem à demanda de menos de 1% dos paulistanos. “Ah, mas 80% são a favor.” E daí? Basta fazer a conta para que a gente se dê… conta (!) da loucura do maníaco;
República bananeira – Pressão de Fux por nomeação da filha faz OAB alterar processo de escolha;
Dilma tenta consertar bobagem dita sobre papel da imprensa;
Dilma trata como “banal” erro do IBGE com dados da Pnad;
Na favela Dilma Rousseff, faltam água, luz e saneamento, mas há Bolsa Família;
Não me digam que o “171” está falando mal de mim… Haddad, trabalho de jagunços não me intimida!;
— HADDAD E AS CICLOFAIXAS: A PARTIR DE HOJE, O PREFEITO FICARÁ AINDA MAIS DOIDO. OU: ODORICO PARAGUAÇU E A IMPRENSA LIVRE E INDEPENDENTE;
— Pessimildo x Otimildo: por que há boas razões para temer o pior;
— Assessor econômico de Marina defende “choque de credibilidade”;
— Já que a porrada não funcionou, Haddad, o maníaco, agora quer a “Bolsa Bicicleta”: dar desconto de IPTU a quem incentivar o que os idiotas chamam “bike”. E ainda faltam 833 dias para a gente se livrar dele…;
— Costa cita mais dois ex-diretores da Petrobras em esquema corrupto; um deles era homem de… José Dirceu na empresa! Ou: Uma empresa que fura poços e acha escândalos;
— Ministério Público pede ao TCU abertura de inspeção nos Correios;
— O que se passa com o IBGE? Não sei! Nenhuma possibilidade é boa

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 6:11

A CASA DE HORRORES DO PT DA BAHIA: R$ 50 MILHÕES FORAM TIRADOS DOS POBRES E FORAM PARAR NAS MÃOS DE POLÍTICOS PETISTAS, DIZ PRESIDENTE DE ONG QUE OPERAVA PARA O PARTIDO

É preciso ser idiota ou ter muita má-fé — eventualmente uma soma das duas coisas — para sustentar que o fim da doação legal de empresas a campanhas eleitorais diminuiria a corrupção no Brasil. Em primeiro lugar, ainda que venham a ser proibidas — e o STF está a um passo de fazer essa escolha estúpida —, as doações continuarão a ser feitas, só que por baixo do pano. Em segundo lugar, a roubalheira maior nada tem a ver com eleição. Ela se dá por intermédio das empresas estatais, como prova a Petrobras, e das ONGs que são usadas pelos partidos.

A VEJA desta semana traz uma reportagem que revela os bastidores escabrosos de uma ONG chamada Instituto Brasil, criada em 2004 para supostamente facilitar a construção de casas próprias, com dinheiro federal, para pessoas de baixa renda na Bahia. Assim era no papel. De fato, a dita-cuja era apenas um dos braços do PT que operava para desviar dinheiro dos cofres públicos para o bolso dos petistas. Quem faz a denúncia? Não é o PSDB. Não é algum outro partido de oposição. Quem põe a boca no trombone é Dalva Sele Paiva, nada menos do que presidente da entidade. Ela cuidou do esquema para os petistas até 2010, quando o Instituto Brasil foi fechado, atolado em irregularidades. Ao longo de seis anos, segundo ela, R$ 50 milhões — SIM, CINQUENTA MILHÕES DE REAIS — saíram dos cofres do governo federal para as burras dos companheiros.

O esquema era relativamente simples. O Instituto Brasil era qualificado pelo governo para construir, por exemplo, um número x de casas. Erguia muito menos, repassava o dinheiro para a companheirada, e o próprio partido se encarregava de arrumar as notas frias que justificavam as despesas. Assim foi, por exemplo, em 2008, num caso já desvendado pelo Ministério Público Federal. O Instituto Brasil foi escolhido pelo governo para erguer 1.120 casas ao custo de R$ 17,9 milhões. O dinheiro saiu do Fundo de Combate à Pobreza. O MP já tem provas de que parte do dinheiro sumiu. Atenção! Só nesse convênio, revela Dalva à VEJA, R$ 6 milhões foram parar nos cofres do PT, consumidos na eleição municipal. Ela deixa claro que a entidade foi criada com o propósito de alimentar o caixa do partido. E tudo passou a funcionar ainda melhor para o grupo depois da eleição do petista Jaques Wagner para o governo da Bahia, em 2006.

A investigação está a cargo da promotora Rita Tourinho, que chegou a localizar testemunhas que acusavam políticos, mas, diz ela, faltavam as provas. Parece que a tarefa agora será facilitada. Diz Dalva, que presidia a ONG: “Vou levar todos esses fatos ao conhecimento do Ministério Público. Quero encerrar esse assunto, parar de ser perseguida. O ônus ficou todo comigo”. Ela diz ter em mãos, por exemplo, os recibos de R$ 260 mil repassados à campanha do agora senador Walter Pinheiro à Prefeitura de Salvador, em 2008.

Não era só Walter Pinheiro, é claro! Atenção para a lista de outros petistas que, segundo Dalva, receberam o dinheiro que deveria ter sido usado na construção de casas para os pobres:
– Afonso Florence, deputado federal e ex-ministro da Reforma Agrária de Dilma. Dalva diz ter entregado a ele várias pacotes de dinheiro de R$ 20 mil a R$ 50 mil, quando era secretário de Jaques Wagner. Um assessor seu chamado Adriano teria recebido a bufunfa;
– Vicente José de Lima Neto, presidente da Embratur: recebeu pensão mensal de R$ 4 mil;
– Rui Costa, atual candidato ao governo da Bahia: pensão mensal de R$ 3 mil a R$ 5 mil;
– Nelson Pellegrino, deputado federal: recebeu dinheiro para boca de urna, para pagar cabo eleitoral e bancar outras despesas da campanha.

E o governador Jaques Wagner? Será que ele sabia? Dalva diz que era impossível não saber. Afinal, quem arrumava as notas frias que justificavam os gastos era a então diretora da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Leda Oliveira. Hoje, Lêda é ainda mais poderosa: ocupa o cargo de diretora de Comunicação do governador Jaques Wagner.

Todos os acusados negam tudo com veemência. O deputado Nelson Pellegrino, por exemplo, começou afirmando que nem conhecia a tal Leda. Chamou pela memória e acabou lembrando que uma irmã sua trabalhou no Instituto Brasil: “Mas eu pedi para ela sair quando descobri como eram as coisas lá”. Então quer dizer que ele sabia como eram as coisas por lá?

Vamos ver no que vai dar a investigação do Ministério Público. A mulher que cuidava da dinheirama contou tudo, mesmo sabendo que também está confessando um crime. Só não aceita cair sozinha.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 5:22

Datafolha prova que ciclofaixas de Haddad atendem à demanda de menos de 1% dos paulistanos. “Ah, mas 80% são a favor.” E daí? Basta fazer a conta para que a gente se dê… conta (!) da loucura do maníaco

Eu adoro uma boa briga, sobretudo quando ela vem recheada de falsas tecnicalidades para enganar trouxas. Vamos ver. O subjornalismo financiado por estatais e pelo petismo está fazendo escarcéu com a pesquisa Datafolha que aponta que 80% dos paulistanos são favoráveis às ciclofaixas. E, atendendo às ordens do prefeito, os puxa-sacos a soldo estão batendo em mim. Eles gritam, esperneiam e xingam. Eu respondo com números.

Esses patriotas só aplaudem o instituto quando este encontra o que eles gostam de ouvir. Já escrevi a respeito e reitero: perguntar se alguém é favorável às ciclofaixas é o mesmo que indagar se o indivíduo é a favor do bem. Favorável às ditas-cujas, eu já disse dezenas de vezes, eu também sou. A questão é saber como o programa está sendo implementado. Mas vamos os números do Datafolha.

Datafolha bicilerta dois

Segundo o instituto, de cada 100 pessoas que responderam a pesquisa, só 3 usam a bicicleta como meio de transporte “com mais frequência”. Assim, as ciclofaixas atenderiam a uma demanda de 3% dos paulistanos que se deslocam. É quase um quarto dos que andam a pé: 11%! Digo “atenderiam” porque nem isso é verdade: parte desses 3% está em regiões onde não há ciclofaixas. Logo, elas suprem uma suposta necessidade de menos de 3%. Vejam os outros meios empregados: 77% se deslocam de ônibus; 48% usam metrô, 24%, carro; 16%, trem; 15%, lotação; 2%, táxi, e 2%, moto.

Infelizmente, o infográfico publicado pela Folha passa a impressão, a um leitor menos atento, de que o uso da bicicleta é muito maior do que é. Observem:

Datafolha bicicleta três

Vamos entender os números?

Dizem ter bicicleta apenas 32% dos entrevistados — 68% não. Dos que têm, apenas 47% afirmam ter usado algumas vez as “ciclovias” (é como está no jornal, mas suponho que estavam se referindo a “ciclofaixas”). Atenção: 47% de 32% correspondem a 15,04%. Observem: apenas 3% informam usar a bicicleta como meio de transporte, mas 15,04% já teriam usado as faixas exclusivas. Logo, não foi como meio de transporte que o fizeram, certo?, mas como lazer. Que tal esta roda de bicicleta?

Disseram ter passado, alguma vez, por uma ciclofaixa apenas 15,04% dos paulistanos

Disseram ter passado, alguma vez, por uma ciclofaixa apenas 15,04% dos paulistanos

Atenção, que as coisas começam a ficar ainda mais interessantes.

O Datafolha quis saber, entre os que têm bicicleta (apenas 32% dos total), quantos a utilizam para trabalhar ou para estudar, não importa se na ciclofaixa ou não. Sabem a resposta? 17%. Atenção, leitores! Apenas 17% dos 32% que são donos de uma bicicleta a utilizam ao menos uma vez por semana para trabalhar ou para estudar. Sabem quanto isso dá do total? 5,44%. No gráfico, fica mais claro.

Só 5,44% afirmam usar a ciclofaixa ao menos

Só 5,44% afirmam usar a bicicleta, na ciclofaixa ou não, para trabalhar ou para estudar ao menos uma vez por semana

Calma, que a coisa vai ficar ainda mais interessante. Já sabemos que apenas 5,44% dos paulistanos usam a bicicleta, ainda que de vez em quando, na ciclofaixa ou não. O percentual desse grupo que diz recorrer às faixas de Haddad ao menos três vezes por semana é de 17%. Notem: 17% de 5,44% resultam em 0,92%. 

Eis aí: 0,92 usam as ciclofaixas ao menos três vezes por semana

Eis aí: 0,92% usam as ciclofaixas ao menos três vezes por semana

Entenderam por que as ciclofaixas são os desertos que vemos? De cada 100 paulistanos, menos de um usa a pista ao menos três vezes por semana. Mas vamos ser generosos. Utilizam as faixas de Haddad ao menos uma vez 59% dos 5,44%. Ou 3,21% do total dos paulistanos.

Só 3,21% disseram usar a ciclofaixa ao menos uma vez por semana

Só 3,21% disseram usar a ciclofaixa ao menos uma vez por semana

Entenderam por que sou e continuarei a ser crítico das opções do ciclomaníaco? Se o prefeito acha que deve incentivar o uso da bicicleta, ok. Só não lhe reconheço o direito de reservar 400 km de faixas, como ele diz que fará, para 0,92% dos paulistanos. “Ah, mas ele era reprovado por 47%, e agora o Datafolha diz que são apenas 28%!” E eu com isso? Ainda que ele venha a ser aprovado por 97%, como eram Saddam Hussein e Muamar Kadafi, continuarei a apontar as suas maluquices. Como o Brasil não é uma ditadura, como era o Iraque de Saddam e a Líbia de Kadafi, manterei a crítica. E não adianta o prefeito mobilizar a sua turma para me atacar.

Os meus números estão contidos nos gráficos do Datafolha. É só saber fazer conta.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 5:21

República bananeira – Pressão de Fux por nomeação da filha faz OAB alterar processo de escolha

Por Marco Antônio Martins e Samantha Lima, na Folha:
Em uma noite de outubro de 2013, diante de mil pessoas em uma suntuosa festa de casamento no Museu de Arte Moderna do Rio, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux cantou uma música que havia composto em homenagem à noiva, a filha Marianna. A emoção do ministro da mais alta corte do país e sua demonstração de amor à filha impressionaram os convidados. Meses depois, o pai passaria a jogar todas as fichas em outro sonho da filha: aos 33 anos, ela quer ser desembargadora no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Marianna concorre a uma das vagas que cabem à OAB no chamado quinto constitucional –pela Constituição, um quinto das vagas dos tribunais deve ser preenchido por advogados, indicados pela OAB, e por representantes do Ministério Público. A campanha do pai para emplacar a filha, materializada em ligações telefônicas a advogados e desembargadores responsáveis pela escolha, tem causado constrangimento no meio jurídico.

A situação levou a OAB a mudar o processo de escolha, com o objetivo de blindar-se de possíveis críticas de favorecimento à filha do ministro. A vaga está aberta desde julho, com a aposentadoria do desembargador Adilson Macabu. A disputa tem recorde de candidatos: 38. Tradicionalmente, os candidatos têm os currículos analisados por cinco conselheiros da OAB. Quem comprova idoneidade e atuação em cinco procedimentos em ações na Justiça por ano, durante dez anos, é sabatinado pelos 80 conselheiros da OAB. Por voto secreto, chega-se a seis nomes. De uma nova sabatina com os conselheiros sai lista com três nomes para a escolha final pelo governador. Dessa vez, a OAB decidiu mudar o processo, que deve ser concluído no dia 9 de outubro. A pré-seleção dos currículos, feita em julho, foi anulada. Agora, todos os conselheiros (inclusive os suplentes) vão fazer a triagem. Os habilitados serão escolhidos em voto aberto. “Estamos entre o mar e a rocha. Achamos melhor abrir o processo e, assim, todo mundo vê as informações sobre todos e faz a escolha”, disse um dos dirigentes da OAB.

A Folha apurou que Fux procurou conselheiros e desembargadores. De oito conselheiros ouvidos, quatro relataram que o ministro lembrou, durante as conversas, quais processos de que cuidavam poderiam chegar ao STF. Três desembargadores contaram que Fux os lembrou da candidatura de Marianna. Todos foram convidados para o casamento da filha. As discussões tornaram tensas as sessões da OAB: “Como ela [Marianna Fux] vai entrar mesmo, é melhor indicar e acabar logo com isso”, disse o conselheiro Antônio Correia, durante uma sessão. Procurado, Fux informou, por meio da assessoria, que não comentaria o caso.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 5:15

Dilma tenta consertar bobagem dita sobre papel da imprensa

No Estadão:
A presidente Dilma Rousseff aproveitou sua entrevista neste domingo, 21, para explicar a frase dita na última sexta-feira que “não é função da imprensa investigar, mas divulgar informações”. Segundo Dilma, o que ela quis dizer é que “o jornalismo investigativo pode até fornecer elementos”, mas quem tem de produzir a prova judicial é a investigação oficial, feita pela Polícia Federal e Ministério Público.

“Ela (investigação oficial) tem de fazer a prova porque se ela não fizer a prova, você não consegue condenar ninguém. Assim é o processo”, justificou a presidente Dilma, ao citar como exemplo, o caso Watergate, uma denúncia de corrupção realizada por jornalistas no governo norte-americano, na década de 70, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon.

Com uma “cola” em mãos, em cartões impressos, para orientar seus argumentos, Dilma disse: “Vocês fizeram uma confusão danada”, queixou-se ela, voltando a defender as provas dos órgãos oficiais e falando em “maior rapidez da investigação”. Dilma quer que os crimes sejam “muito mais claramente tipificados”, porque, segundo ela, “têm muitos crimes que não estão no código, como o de caixa 2″, o que dificulta o seu enquadramento e a punição dos criminosos, gerando a impunidade. “A imprensa investiga. Investiga para informar, investiga para até fornecer prova, que não é prova, né gente, o nome certo é indício”, comentou Dilma, ao pedir “aperfeiçoamento institucional e legal”.

Sem teto
A presidente Dilma Rousseff defendeu também o direito de dar entrevistas no Palácio da Alvorada, repetindo um procedimento que seus antecessores, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, já faziam e considerou “estranha” esta discussão. O presidente do Tribunal Superior, José Antônio Dias Toffoli, classificou o uso do palácio residencial como “vantagem indevida” para servir de cenário de entrevistas e programa eleitoral, infringindo a legislação.

“Eu respeito muito a posição do presidente do Tribunal, mas todos os meus antecessores usaram o palácio porque, caso contrário, serei uma sem teto, eu não terei onde dar entrevista”, desabafou a presidente Dilma, lembrando que não tem casa em Brasília. “Senão irei pra rua dar entrevista. Eu não tenho outro local”. Questionada se não poderia fazê-lo no comitê de campanha, a petista insistiu: “todos os presidentes que antecederam usaram o Alvorada, deram entrevista aqui e isso não causou problema pra ninguém. Então, espero ainda uma posição do TSE esclarecendo sobre este assunto”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 5:13

Dilma trata como “banal” erro do IBGE com dados da Pnad

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A presidente Dilma Rousseff afirmou neste domingo que foi “banal” o erro do IBGE nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). Depois de divulgar que a desigualdade havia tido um ligeiro aumento em 2013, o órgão recuou na sexta-feira e refez os cálculos para concluir que o índice havia melhorado.

“O erro é um erro banal, de fácil detecção. Não tem uma conspiração de alguém que queria… Pelo menos é o que parece”, disse ela, em entrevista concedida no Palácio da Alvorada. Dilma garantiu ainda que, com as duas comissões criadas para analisar a falha, o governo vai descobrir a causa do problema. “Eu acredito, em princípio, assim como vários diretores do IBGE, que houve um erro, e passou pela checagem. Agora, ninguém garante isso. Como ninguém garante, tem que investigar”. Segundo a presidente, o governo foi informado sobre os números da Pnad ao mesmo tempo que a imprensa.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2014

às 17:19

Na favela Dilma Rousseff, faltam água, luz e saneamento, mas há Bolsa Família

Placa na entrada da Vila Dilma Rousseff, invasão de casabres na Zona Norte de Teresina (PI) - Felipe Frazão/VEJA.com

Placa na entrada da Vila Dilma Rousseff, invasão de casabres na Zona Norte de Teresina (PI) – Felipe Frazão/VEJA.com

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
O sol a pino, o tempo seco e a temperatura diária por volta dos 38 graus castigam Teresina entre setembro, outubro e novembro, época do ano que os nativos apelidaram de “b-r-o-bró”, sílaba final dos três meses mais quentes do ano na capital do Piauí. A condição é ainda mais penosa para os moradores da Vila Dilma Rousseff, uma favela formada por casebres de taipas na Zona Norte da cidade. A vegetação local, formada por cajueiros e palmeiras (ou pindobas, como são chamadas no Estado), oferece pouca proteção do sol. Caminhar nas vielas de terra durante o dia torna-se uma tarefa árdua. Apesar de levar o nome da presidente-candidata, líder de intenção de voto no Estado, a invasão, distante 18 quilômetros do centro, parece ainda mais longe do poder público: falta água encanada, energia elétrica e saneamento básico mínimo – banheiro em casa é um privilégio.

Criada há mais de três anos, a “vila” (um eufemismo local para favela) abriga atualmente cerca de 1.000 famílias, segundo moradores ouvidos pela reportagem. As palavras mais pronunciadas entre eles são “água”, “energia” e “gambiarra”, um resumo das carências mais urgentes. No último levantamento, em meados de 2013, havia 658 famílias e mais de 800 barracos de pé – os que continuam vazios ou fechados pertencem a quem os vizinhos chamam de aproveitadores. Os moradores construíram os casebres de cômodo único por conta própria, erguidos com talo de babaçu preenchido com barro. A madeira fina, típica da região, compõe a cerca. As folhas secas das palmeiras cobrem os telhados – embora a maior parte dos moradores esteja comprando telhas para evitar ataques incendiários na madrugada. A palha tem outra serventia: funciona como tampão nos cercadinhos nos quintais, onde se toma banho de balde.

Na entrada da invasão, destaca-se um pé de faveiro, árvore do cerrado com copa mais larga. Nela, está pregada a placa que dá ares de legalidade: “Assentamento Dilma Rousseff”. Não há nenhuma outra formalidade que indique a presença do poder público na favela, aberta na periferia do bairro Santa Maria da Codipi. A água e a luz são puxadas ilegalmente das redes de um condomínio vizinho, construído com recursos do programa Minha Casa Minha Vida. Para se refrescar, os moradores armazenam água em baldes e anilhas de concreto que funcionam como caixa d’água improvisada. Ou vão tomar banho de rio. No vídeo a seguir, conheça a rotina de quem vive no local.

A invasão estabeleceu-se ao lado do maior conjunto habitacional do Estado, o Residencial Jacinta Andrade, com 4.300 casas de alvenaria. Uma nova leva de casas do Residencial Mirante de Santa Maria da Codipi, de 648 unidades e orçamento de 20 milhões de reais, também permanece fechada, sem nenhum morador, à 700 metros de distância. Apesar da condição menos degradante, lá também passou a faltar água neste ano, o que levou os mutuários a abandonarem o lugar. O Ministério Público do Piauí investiga a distribuição de casas a moradores que não se encaixavam nas regras do programa e a revenda proibida. Moradores também denunciaram à Polícia Federal que casas eram usadas como “veraneio”, para festas e churrascos. O Ministério Público Federal abriu uma ação civil pública para apurar desperdício de dinheiro público na obra do Jacinta Andrade, que atravessou os períodos de governo dos últimos três chefes do Executivo locais, ex-aliados que agora protagonizam a disputa. Ao custo de 147 milhões de reais, a construção lançada no governo Wellington Dias (PT), candidato a retornar ao posto, atravessou o mandato do seu sucessor e agora desafeto, Wilson Martins (PSB), e permanece incompleta no mandato-tampão de Zé Filho (PMDB), ex-vice de Martins, que assumiu o governo em abril e concorre à reeleição.

Trabalhadores sem-teto que não conseguiram ser sorteados para receber uma casa do condomínio Jacinta Andrade ergueram a favela. O terreno baldio era rota de fuga, esconderijo de traficantes e local de desova de corpos, além de palco de execuções e linchamentos. Em uma reunião com catorze líderes comunitários na prefeitura de Teresina, decidiram homenagear a presidente recém-eleita. “Na época a gente precisava de um nome forte e o mais forte era o da presidente”, diz Branca, como é conhecida a auxiliar de serviços gerais Risomar Granja Nascimento, de 45 anos.

Branca é um exemplo do pragmatismo teresinense. Filiada ao PCdoB, trabalhou em 1989 na campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Neste ano, é cabo eleitoral do governador Zé Filho (PMDB). Ela conta que passou a presidir o conselho comunitário da Vila Dilma Rousseff com ajuda da primeira-dama de Teresina, Lucy Soares, mulher do prefeito Firmino Filho, do PSDB. Neste ano, também comprometeu-se a trabalhar pela eleição do sobrinho do prefeito, Firmino Paulo (PSDB), para deputado estadual. Mas vota em Dilma – não no PT, ressalva. “Voto para presidente é uma questão minha, eu que tenho de escolher”, justifica. “A presidente Dilma tem um cartaz doido por aqui. Meu voto é da Dilma. Mas por causa do Lula, isso não nego para ninguém. Eu preferia que ele fosse candidato, porque sou pernambucana como ele. E ele só ganha meu voto para a Dilma, porque eu conheço os outros candidatos do PT daqui.”

A quem lhe pergunta sobre a coerência das escolhas políticas, Branca responde: “Dizem que a água e vinho não se misturam, mas isso só vale para nós que somos pobres. Os ricos se misturam. Os políticos aqui de Teresina são assim, vão para cima do palanque e se esculhambam, mas quando termina vão para um lugar de rico que tem acolá na Avenida do Jóquei tomar whisky e conversar como se nada tivesse acontecido, enquanto os bestas ficam brigando por eles.”

A Associação de Moradores do Residencial Dilma Rousseff abriu seu CNPJ em novembro de 2011. Por iniciativa da vereadora Graça Amorim (PTB), que pediu votos na comunidade em 2012, o prefeito sancionou a lei que deu o título de “utilidade pública” à associação em março do ano passado. Segundo Branca, Firmino Filho prometeu ajudar os moradores a se fixarem no local. Há mais de um ano, o prefeito anunciou, durante reunião pública para evitar a reintegração de posse da ocupação, o lançamento de um Plano Diretor de Regularização Fundiária em Teresina. Apesar disso, os vizinhos da Vila Dilma Rousseff convivem com o iminente medo de despejo – o terreno é particular – e reclamam de nunca terem recebido qualquer benefício governamental.

Eles reclamam da precariedade do lugar: no inverno, entre fevereiro e abril, chove e venta forte em Teresina, o que derruba os postes de madeira levantados para passar a fiação. Uma parede inteiriça da casa do pedreiro Antonio dos Santos Soares, de 30 anos, foi ao chão. Ele teve de correr com a mulher e a filha para não ser atingido. Para o pedreiro, os políticos desperdiçam dinheiro com campanhas eleitorais e deveriam ver “se alguém está com fome”. “Esse dinheirão danado que eles andam gastando com carreata e soltando fogos, deviam dar uma carga de barro para um pobre que está precisando”, diz.

Bolsa Família
Soares é eleitor convicto de Dilma, assim como a maioria dos moradores da vila. Ele acredita que só a presidente-candidata tenha condições de aumentar a geração de empregos no país. Também desconfia que postos de trabalho serão fechados se ela for derrotada. “O emprego ficou mais facilitado depois que ela entrou e ela fez um bom trabalho ajudando as mães com o Bolsa Família.” O raciocínio político de Soares ajuda a entender os índices de intenção de voto ostentados pela presidente no Estado: Dilma atinge 61%, ante 24% de Marina Silva (PSB) e 6% de Aécio Neves (PSDB). A preferência por Dilma sobe para 67% entre os piauienses que ganham até um salário mínimo – o inverso do que ocorre com Marina e Aécio, que atingem, respectivamente, 16% e 3% nessa faixa do eleitorado.

Mulher de Soares, a dona de casa Cleudia Regina Gomes Sales, de 31 anos, é uma das beneficiárias do programa na vila. Ela ganha auxílio de 112 reais para manter na escola a filha Adrielle Suyane, de 4 anos. A vizinha Maria de Lourdes Pereira da Costa, de 22 anos, também passou a receber a quantia após o nascimento do menino Luís Eduardo, de 1 ano e 4 meses. Elas fazem parte de uma realidade massificada no Piauí: atualmente o governo federal paga a Bolsa Família para 458.081 no Estado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. De janeiro a setembro, o governo federal desembolsou 729 milhões de reais em benefícios para famílias que equivalem a 48% da população piauiense. Em 2013, foram 903 milhões de reais.

Durante a conversa com o site de VEJA, Cleudia pediu por três vezes que o repórter lhe arranjasse uma indicação para trabalhar na prefeitura de Teresina. Ao contrário do marido, Cleudia relata dificuldade em conseguir um emprego. Ela elogia Dilma, mas é categórica ao dizer que o governo não levou benefícios para a ocupação. “Até agora não recebemos nada. Os postes são gambiarra, a encanação também, não tem fossa e falta água direto numa quentura dessa para as crianças”, relata. “Acho que a Dilma deve ter ajudado, ela é muito querida aqui. Eu não tenho o que dizer [reclamar] dela não. Muita gente aqui diz que está com o voto garantido para ela.”

A adesão a Dilma, contudo, não é unânime. Um dos primeiros moradores da invasão, o camelô Carlos da Silva Gomes, de 45 anos, eleitor da petista em 2010, agora pensa em anular o voto. Ele afirma que perdeu a confiança nos políticos. “Votei na Dilma devido à incerteza. Ela já vinha com o Lula e eu sabia que ia continuar o governo dele”, diz o vendedor ambulante. “Hoje a gente vê que a corrupção já vem de muito tempo, é só o que a gente houve falar na televisão. A gente não vê o benefício, não vê eles se dedicarem ao voto da pessoa. Eu mesmo nunca fui beneficiado pelo governo municipal, estadual nem federal.”

Mais nova moradora da vila, a mãe de Gomes, Maria Isabel da Silva, de 68 anos, também está indecisa sobre a quem confiar o voto presidencial. “Estava pensando na Marina, mas ainda não tenho opção”, diz a dona de casa, que lembra ter tido como último benefício do governo o Bolsa Escola, de 32 reais, para um neto. O benefício, que “servia para comprar uma merenda no colégio”, foi cortado quando o rapaz completou 16 anos. No domingo passado, Maria Isabel se juntou ao terreno em que a família ergueu três casebres, o primeiro há 3 anos e 7 meses. Reflexivo, Gomes cobra a presença do Estado no local onde deseja viver pelos próximos anos. “Não penso em sair daqui. Já me sinto como dono mesmo. É muito bom ter o que é da gente.”

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2014

às 16:39

Não me digam que o “171” está falando mal de mim… Haddad, trabalho de jagunços não me intimida!

Mandam-me aqui um texto publicado em um site conhecido como “171” — é claro que eu não tinha lido e não passei das primeiras linhas — me esculhambando por causa das ciclofaixas de Fernando Haddad, o maníaco.

É lindo ver o texto com o logotipo da Caixa Econômica Federal ao lado. A turma era patrocinada também pela Prefeitura de São Paulo até outro dia. Passada a eleição, o “patrocínio” volta.

Esse trabalho de jagunço nunca me intimidou nem me intimida, viu, prefeito? Jagunço, como vocês sabem, não tem querer. Cumpre a vontade de quem paga.

A turma do “171” é maníaca por mim. Já foi maníaca a favor. O Poderoso Chefão de lá vivia me cobrindo de elogios em e-mails pessoais e me convidando para um café. Eu os tenho aqui guardados. Era antipetista fanático, e o partido dizia que era capacho de Daniel Dantas. Nunca lhe dei o prazer nem de um aperto de mão porque nunca fui capacho de… Daniel Dantas. Entenderam? Agora estou na lista daqueles que ele é pago para odiar. Para elogiar, cobra mais caro.

Lixo.

Alguém dirá: “Ih, se a turma deles perder a eleição, esse tipo de subjornalismo fica na pior”. Entendam uma coisa: isso não é ideologia, é caixa. Se o eventual novo poder pagar, a turma continua governista. É a mais antiga profissão do mundo. Gente desse ramo recebe para fazer o cliente se sentir satisfeito.

A propósito: hoje, faltam 832 para os paulistanos se livrarem de Haddad.

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2014

às 9:20

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2014

às 8:33

HADDAD E AS CICLOFAIXAS: A PARTIR DE HOJE, O PREFEITO FICARÁ AINDA MAIS DOIDO. OU: ODORICO PARAGUAÇU E A IMPRENSA LIVRE E INDEPENDENTE

Vejam esta foto. Já explico.

foto (38)

Lá vou eu, mais uma vez, dedicar um pouco do meu tempo à gestão de Fernando Odorico Haddad Paraguaçu.

Escrevi ontem um post criticando a pretensão do prefeito Fernando Haddad (PT) de conceder desconto de IPTU para empresas que criarem bicicletários. Eu o publiquei, como se pode ver, às 6h01. Quando fui deitar, ainda não havia recebido a edição da VEJA. Acordo, tomo café, leio a revista e constato que há uma reportagem sobre as ciclofaixas. Segundo o texto, que reconhece algumas dificuldades no programa em curso na cidade de São Paulo, trata-se de uma tendência irreversível.

Abro a área de comentários do blog, e havia uma enxurrada de provocações — certamente, uma intervenção organizada — especulando sobre a diferença entre a minha opinião e a da VEJA. A “Al Qaeda eletrônica”, como defino a canalha, se dividia em três abordagens:

a: eu teria escrito um post para tentar desmoralizar a reportagem da revista, o que, obviamente, me faz candidato à guilhotina;
b: a VEJA é que teria produzido uma reportagem para desmoralizar o que penso a respeito, o que também me põe no caminho da lâmina no pescoço;
c: depois da reportagem, é claro que vou mudar de opinião porque, afinal, escrevo o que me mandam escrever.

Vamos ver.
a: ainda que eu quisesse, não teria como contestar uma reportagem cuja existência eu desconhecia;
b: a VEJA tem mais o que fazer do que contestar minhas opiniões;
c: se e quando a revista quiser cortar a minha cabeça, não será por causa das ciclofaixas. Temos diferenças de pensamento em assuntos muito mais relevantes.

Essa patrulha ainda é expressão da boçalidade da era petista. A boa notícia é que ela está em declínio, com ou sem a reeleição de Dilma. Estamos vivendo o fim de um ciclo: da economia, da política e até da estupidez — isso não quer dizer, claro!, que não possa vir à luz uma estupidez nova. OK… A alternância de poder, ainda que da burrice, já é um alento. Adiante.

Se a VEJA e eu pensássemos rigorosamente a mesma coisa, que sentido faria o site da revista hospedar o meu blog? Nem me dedico a um levantamento exaustivo. De imediato, lembro-me de que expressamos pontos de vista divergentes sobre aborto, pesquisas com células-tronco embrionárias, ciclofaixas, manifestações de junho, aquecimento global etc. O site da revista não me contratou para escrever o que ela pensa. Fui contratado para escrever o que eu penso. Às vezes, há coincidência; às vezes, não.

Os idiotas que resolveram invadir a área de comentários com quatro patas — e não com duas rodas — são incapazes de compreender o espírito da imprensa livre e independente. Essa gente, que ou vende a sua opinião ou entrega a sua alma a um partido, imagina que todos agem do mesmo modo. Podem tirar o cavalo da chuva. Ainda não foi desta vez. VEJA e eu estamos mais juntos do que nunca no propósito de assegurar a liberdade de pensamento e de concordar em discordar. Escravos voluntários não se conformam que isso possa existir.

Pesquisas
Tanto a pesquisa encomendada pela ONG petista Rede Nossa São Paulo (esse “nossa” quer dizer “deles”) como a do Datafolha apontam que uma ampla maioria dos paulistanos é favorável às ciclofaixas. Que bom! Eu também sou! Como era — e continuo — favorável às faixas exclusivas de ônibus.

Com a devida vênia, há pesquisas que não precisam ser feitas. Indagar “Você é a favor ou contra a implantação de ciclovias em São Paulo?” já traz, em si, a resposta. É evidente que a esmagadora maioria das pessoas vai dizer que é favorável — 80%, segundo o Datafolha (70% no caso da faixa na Paulista).

Proponho outras questões cuja resposta já conheço:
1: você é a favor da igualdade ou contra?;
2: você é a favor da justiça ou contra?;
3: você é a favor do uso de imóveis hoje fechados para moradia ou contra?

Quase ninguém é contra o bem, o belo e o justo, não é mesmo? A questão é saber como eles serão alcançados. Ser favorável à igualdade, à justiça e à democratização da propriedade não faz dessa alma generosa um militante stalinista, por exemplo, ou um fã do Guilherme Boulos, o coxinha vermelho.

O meu ponto
É evidente que quase ninguém se opõe a que existam faixas exclusivas para bicicletas. Havendo espaço, por mim, que até os discos voadores tenham seus campos de pouso. A minha crítica se deve à forma como o prefeito implementa a proposta, na base da porrada, sem planejamento nenhum, na correria, para mostrar algum serviço, confinando os carros, demonizando os motoristas, tornando ainda mais caótico o trânsito da cidade.

Pior: as ciclofaixas se transformaram numa espécie de culto religioso dos “descolados” que circulam pelo centro expandido da cidade. É escandaloso que o programa comece justamente onde as bicicletas não estão — daí as pistas vazias, desertas — em vez de ser testado onde elas estão: na periferia.

Ocorre que a ideia fixa de Haddad nunca pretendeu criar uma alternativa de transporte. O propósito é outro: educar espíritos, compreendem? Ele está menos empenhado em melhorar as condições de mobilidade — elas pioraram — do que em converter as almas e inaugurar uma nova era. Ele não quer fazer da bicicleta um meio a mais de transporte: ele quer fazer uma “revolução” e produzir derrotados. Como tudo o mais, na sua gestão, dará errado — cadê o Arco do Futuro, prefeito, com aquela maravilhosa maquete? —, quer deixar as ciclofaixas como herança.

Odorico Paraguaçu
Haddad é o Odorico Paraguaçu da bicicleta. Muitos hão de se lembrar do prefeito de Sucupira, de “O Bem-Amado”, de Dias Gomes. Os mais jovens terão de fazer uma pesquisa. O grande projeto do homem era criar um cemitério na cidade. Criou. Só que não morria ninguém para que ele pudesse inaugurá-lo. Então ele resolve dar um jeito: contratar um jagunço para produzir um cadáver que justificasse a sua obra.

Assim faz Haddad. Ele criou as ciclofaixas, mas só 3% dos entrevistados pelo Datafolha admitem usá-las regularmente. Então ele quer dar um jeitinho: isenção de IPTU para empresas que criarem biciletários e reserva de espaço nos ônibus para as bicicletas. Mas onde colocá-las? Ora, no espaço destinado a idosos e deficientes.

Odorico (Paulo Gracindo) contratou Zeca Diabo (Lima Duarte) para produzir o cadáver que inauguraria o cemitério

Odorico (Paulo Gracindo) contratou Zeca Diabo (Lima Duarte) para produzir o cadáver que inauguraria o cemitério

A partir desta segunda, o prefeito estará ainda mais doidão. Segundo o Datafolha, em dois meses, caiu de 47% para 28% os que avaliam a gestão do prefeito como ruim ou péssima; os que a veem como regular subiram de 37% para 44%, e saltaram de 15% para 22% os que dizem ser ela boa ou ótima. Será tudo por causa da ciclofaixa? Pois é… O próprio prefeito não encontraria outra explicação, porque não teria como ver os próprios méritos na saúde, na educação, na zeladoria, no planejamento urbano…

Uma coisa é certa: o marketing de Haddad se tornou bem mais agressivo. Há até militantes disfarçados de jornalistas fazendo perguntas em entrevistas coletivas para satanizar os críticos de suas propostas (encerrarei este post com esse assunto).

Agora a foto
E aquela foto lá no alto? Tirei no começo desta madrugada. O buraco que vocês veem está na ciclofaixa que passa na Praça Vilaboim, em Higienópolis. O dito-cujo está lá há mais de ano. É enorme — comparem com o tamanho daqueles “tachões” que delimitam a pista exclusiva para bicicletas. Reparem no detalhe: os tarados da ideia fixa nem se ocuparam de tapar o rombo. Meteram a faixa amarela por cima — o que poria em risco até a segurança de ciclistas se eles existissem. Mais: a rua é relativamente íngreme. Para subi-la de bicicleta, é preciso ter certo condicionamento físico. “Ah, mas em Amsterdã…” Em Amsterdã e em várias outras cidades, as ciclovias são um suplemento, uma opção, uma oferta, uma generosidade. Não foram criadas hostilizando motoristas e piorando a mobilidade.

“Ah, mas 80% dos paulistanos são favoráveis…” Espero que cheguem a 100%. Ainda tenho a ambição de ser, em algum momento, aquele ser estatisticamente desprezível, que desaparece nos arredondamentos, mas que, ainda assim, fala o que pensa.

Segundo o prefeito Fernando Haddad, gente como eu quer evitar o futuro. Segundo gente como eu, o prefeito Fernando Haddad é só um Odorico Paraguaçu que está doido para inaugurar o seu cemitério. E nada é mais velho do que isso.

Para encerrar, duas observações
1: ainda voltarei à ONG Rede Nossa São Paulo. Sinto vergonha alheia quando penso nela. Direi por quê.

2: o prefeito e seus tentáculos se dispensem de tentar patrulhar a minha opinião onde quer que seja. Não dou a menor bola. Só me animo mais. É feio recorrer a falsos jornalistas em entrevistas coletivas. Os blogs sujos não bastam?

PS: Prefeito, tenha ao menos a decência de mandar varrer as ciclofaixas. Estão virando depósito de lixo. Com o apoio de 80%. Oitenta por cento que não recolhem a sujeira.

Ah, sim: eu também sou favorável às ciclofaixas, tá, pessoal? Eu me oponho é à picaretagem e ao cinismo que se veem naquela foto.

Odorico Paraguaçu, disfarçado de Fernando Haddad, tendo ideias para inviabilizar SP

Odorico Paraguaçu, disfarçado de Fernando Haddad, tendo ideias para inviabilizar SP

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2014

às 8:31

Pessimildo x Otimildo: por que há boas razões para temer o pior

Pessimildo, a caricatura boçal que a campanha do PT faz dos críticos do governo

Pessimildo, a caricatura boçal que a campanha do PT faz dos críticos do governo

Por Daniel Jelin, na VEJA.com:
Um ranheta contumaz que torce para que o Brasil dê errado. É essa a imagem que a candidata Dilma Rousseff tem de seus críticos, a julgar pela cruzada contra o pensamento negativo que o PT levou ao horário eleitoral essa semana. A campanha é estrelada por um boneco batizado Pessimildo, de sobrancelhas grossas, olhos cansados e queixo protuberante — parece uma mistura do Seu Saraiva, o personagem de Francisco Milani no Zorra Total; com Statler, o crítico rabugento dos Muppets; Carl, o viúvo solitário de Up – Altas Aventuras; e Gru, o vilão de Meu Malvado Favorito. No vídeo levado ao ar, Pessimildo passa a noite em claro “para ver o pior acontecer” e se diverte com a perspectiva de que o desemprego cresça no Brasil — o que, hoje, é bem mais do que uma perspectiva. Um narrador de tom jovial faz pouco caso do fantoche: “Vai dormir, vai”.

Pessimildo é uma caricatura, mas bastante reveladora das obsessões da campanha petista. Desde o início da corrida eleitoral, a presidente Dilma Rousseff tem atacado os “nossos pessimistas”, que “desistem antes de começar”. Para ela, como para seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, “pessimismo” se opõe a valores como “verdade”, “vitória” e “progresso”. “Pense positivo, pense Dilma (sic)”, recomenda a campanha petista, à maneira dos manuais de autoajuda.

As armadilhas deste otimismo desmedido são analisadas em The Uses of Pessimism (“As Vantagens do Pessimismo”, em edição publicada em Portugal), que o filósofo inglês Roger Scruton lançou em 2010.

Não se trata de defender a melancolia, a desesperança, a indiferença ou o ressentimento — o livro não tem nada de sombrio. Seu alvo é o “otimismo inescrupuloso”. E, com frequência, o Otimildo da campanha petista é aquele que constrói sua mensagem com base em falácias, exageros, ilusões — ou na pura e simples manipulação da verdade e dos números.

“Pessoas verdadeiramente alegres, que amam a vida e são gratas por esta dádiva, têm grande necessidade do pessimismo — em doses pequenas o bastante para que sejam digeríveis”, escreve Scruton.

Vai dar tudo certo
A primeira armadilha apontada pelo britânico é a “falácia da melhor das hipóteses”. É o engano típico dos apostadores, que “entram no jogo com a plena expectativa de ganhar, levados por suas ilusões a uma situação irreal de segurança” – uma descrição aproximada do transe em que vive a área econômica do governo petista. O apostador só aparentemente assume riscos, escreve Scruton. No fundo, o que ele faz é bem o contrário: julgando-se predestinado, dobra a aposta convicto da vitória que acredita “merecer”. Em 2011, logo após assumir, Dilma contava com que o país crescesse 5,9% ao ano – em média! – em seu governo. A poucos meses de concluir seu mandato, Dilma amarga resultados tão ruins que só podem ser comparados aos anos Collor e ao governo de Floriano Peixoto, nos primórdios da República. O país está em recessão técnica, mas nem isso abala o otimismo palaciano. Como o jogo, o irrealismo é em si uma espécie de vício, analisa o filósofo.

Eu tenho um plano
Uma das falácias centrais analisadas por Scruton é a do planejamento, que consiste na crença de que sociedades podem ser organizadas como exércitos em torno de um plano desenhado por um poder central. Dessa armadilha deriva o furor regulatório dos burocratas e idealistas instalados na máquina pública. É a marca de regimes autoritários, claro, mas também envenena sólidas democracias. Para Scruton, o maior exemplo dessa falácia é incansável disposição dos arquitetos da União Europeia para editar marcos regulatórios cada vez mais detalhados e intrusivos, ignorando o “o modo como, pela lei das consequências não planejadas, a solução de um problema pode ser o início de outro”. Scruton dá como exemplo a determinação de que o abate de animais na UE se faça na presença de um veterinário. O objetivo: remover da cadeia produtiva os animais doentes, possivelmente impróprios para o consumo. O resultado: onde o diploma de veterinário é difícil de obter, e o profissional, portanto, é muito bem remunerado, pequenos abatedouros se viram obrigados a fechar, pondo em dificuldades também os pequenos criadores.

Um corolário da falácia do planejamento é o inchaço da máquina pública. É sintomático que Dilma, uma notória “planejadora”, tenha levado o primeiro escalão a abrigar 39 ministros, incluindo o da Pesca, para, segundo informou recentemente a presidente, não descuidar da tilápia. A falácia reside na crença de que um exército de iluminados tenha soluções, de canetada em canetada, para todos os problemas do país. E é grande o apelo desse falácia. “Todo mundo quer empurrar seus problemas para o estado, com a certeza de que há um plano para sua sobrevivência que não exija esforços de sua parte”, afirma Scruton a VEJA. “Como digo em meu livro, não há como convencer as pessoas a abrir mão dessas falácias, e só um desastre pode momentaneamente incutir a verdade em suas mentes.”

Eu tenho um sonho
A campanha eleitoral brasileira parece uma coleção das falácias analisadas por Scruton. Uma delas é particularmente recorrente: a utopia, uma visão de futuro em que os homens terão superado suas diferenças e resolvido todos os problemas. Marina Silva, a presidenciável do PSB, tem o discurso mais utópico da corrida presidencial – já se definiu como ‘sonhática’, por oposição aos políticos ‘pragmáticos’, e acredita que seu eventual governo poderia atrair os melhores quadros dos partidos brasileiro, incluindo os arquirrivais PT e PSDB.

Claro, a mobilização política terá sempre um forte acento otimista — Martin Luther King não teria feito história se, em vez de um sonho, tivesse apenas uma sugestão a dar… A falácia da utopia, contudo, vai bem além disso: acena, não com dias melhores, mas com o fim de todos os males. É uma promessa, por definição, irrealizável. Como o eleitor pode se precaver contra esse tipo de ilusão? “Não é fácil. Ninguém vota em pessimistas. Ainda assim é possível distinguir os políticos realistas – aqueles que reconhecem os problemas e estão preparados para encará-los, como Margaret Thatcher e Winston Churchill. Mas, claro, dependemos de uma cultura de seriedade e responsabilidade”, diz Scruton. “Isso existe no Brasil?”

Pior não fica
A reportagem informa Scruton da existência do palhaço Tiririca, o deputado mais votado em 2010, candidato à reeleição em 2014, cujo slogan é “pior do que está não fica”. É possível cultivar um pessimismo “esclarecido”, sem sarcasmo, sem desistir da política? “Sim, é possível”, responde Scruton. “Mas é mais provável que isso ocorra durante uma crise nacional, quando as pessoas precisam de liderança e por isso irão procurar qualidades morais, realismo e coragem nos políticos. O sarcasmo pode ser bem-sucedido em tempos de paz e riqueza, mas não em tempos de conflito e privação. O fato de que políticos no Brasil sejam vistos como piada sugere que as coisas no Brasil não estão tão mal.”

As armadilhas do progressismo
Expoente do pensamento conservador, Scruton dá especial atenção às armadilhas do “progressismo”. O filósofo considera enganoso estender o entendimento que se tem do progresso na ciência a outras áreas. Que a ciência avance, por acumulação de conhecimento, é inegável. Mas é “questionável acreditar, por exemplo, que haja progresso moral contínuo, que avance à velocidade da ciência”, escreve. Em um país na 79ª posição no ranking do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, contudo, “progresso” é palavra de ordem no debate político. Como países emergentes devem lidar com a necessidade de se desenvolver, sem ceder às falsas esperanças? Scruton não é contra o progresso, é claro, mas lembra que algumas mudanças acontecem para pior. “Acho que é sempre necessário considerar o que as pessoas têm e aprender a dar valor a isso. Não virar as costas ao passado, aos costumes e às instituições que são a medida da felicidade das pessoas”, diz. “É também necessário reconhecer o custo do progresso, em termos de prejuízos ambientais, migrações e desagregação das famílias. É necessário enfatizar esses aspectos para lembrar as pessoas das boas coisas que elas podem perder.”

As armadilhas da igualdade
Uma das ciladas do otimismo inescrupuloso é o que Scruton chama de “falácia da agregação”, que o filósofo ilustra com o seguinte exemplo: uma pessoa pode gostar de lagosta, chocolate e ketchup, mas isso não significa que deva combinar os ingredientes no mesmo prato. Para o filósofo, o lema da Revolução Francesa incorre na mesma falácia: só se promove a igualdade às custas da liberdade. Como países ainda tão desiguais como o Brasil devem enfrentar a questão? “É justo lutar pela igualdade quando as desigualdades, de modo manifesto, dividem e ameaçam a ordem social”, responde Scruton. “Mas é errado acreditar que se pode perseguir a igualdade e a liberdade ao mesmo tempo. Para que haja uma sociedade mais igualitária, é preciso conter ambições e garantir que a renda seja distribuída, mesmo contra a vontade dos contribuintes.”

Fantasias convenientes
Embora disseque todas as falácias do otimismo desmedido, Scruton não tem esperança de que “otimildos” recuem de suas ilusões. Ao contrário, eles se voltarão contra seus críticos e seguirão com suas fantasias convenientes, e com energia renovada, bradando por mais progresso, novos planos, mais belas utopias. Para tanto, recorrerão a diversos “mecanismos de defesa contra a verdade”, afirma Scruton, como a inversão do ônus da prova e a transferência de responsabilidades. Como esses truques podem ser tão eficientes? “Nós todos evitamos a realidade quando ela é inconveniente. A verdade é uma disciplina difícil. É importante que cada sociedade acomode instituições – locais de debate, think tanks, universidades – onde a liberdade possa ser buscada a todo custo”, diz. “Enquanto houver liberdade de expressão e de opinião, a verdade pode ser dita e, gradualmente, infiltrar-se na opinião pública. Mas isso leva tempo e é necessário que as pessoas aprendam a respeitar os que dizem a verdade.”

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2014

às 8:29

Assessor econômico de Marina defende “choque de credibilidade”

"Deveriamos ter reformas institucionais para melhorar o ambiente do negócio no Brasil", diz Tiago Cavalcanti (Fabiano Accorsi/EXAME)

“Deveríamos ter reformas institucionais para melhorar o ambiente do negócio no Brasil”, diz Tiago Cavalcanti (Fabiano Accorsi/EXAME)

Por Luís Lima, na VEJA.com:
A trajetória do economista Tiago Cavalcanti guarda várias semelhanças com a do ex-candidato à Presidência Eduardo Campos. Ambos são pernambucanos, se formaram em economia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e foram convidados para cursar doutorado na Universidade de Illinois Urbana Campaign, nos Estados Unidos. Campos decidiu priorizar a carreira política; já Cavalcanti aceitou o convite e, após concluir a pós-graduação, se tornou professor de desenvolvimento econômico na renomada Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Antes disso, os caminhos de Campos e Cavalcanti se cruzaram novamente. Após um encontro, Cavalcanti aceitou colaborar com a área econômica do programa de governo do PSB. E não parou por aí.  

Atualmente, mesmo de longe, Cavalcanti ainda contribui ativamente com a campanha de Marina Silva, que encabeçou a candidatura do PSB após a morte de Campos, em um acidente aéreo, em agosto. O interlocutor de Cavalcanti no Brasil é Alexandre Rands, irmão de Maurício Rands, coordenador do programa de governo do PSB. Quando passou a fazer parte do time, Cavacanti disse que convidou outras pessoas, como o professor do Insper Marco Bonomo. 

Crítico da atual gestão econômica do governo, Cavalcanti diz que é preciso um “choque de credibilidade” na economia, principalmente na política monetária. ”O primeiro erro grave (da atual gestão) é de diagnóstico. O problema do Brasil não é de demanda, mas de oferta”, afirmou em entrevista ao site de VEJA. Entre outros pontos, Cavalcanti defende uma maior transparência na política fiscal, uma mudança na filosofia da gestão pública, com o estabelecimento de metas e resultados que evitem desperdícios, além de um fortalecimento da participação do setor privado em projetos públicos. Em linha com o que vem sendo defendido por Marina, Cavalcanti também acredita na independência formal do Banco Central (BC), no aumento do superávit primário, em uma reforma tributária e na trajetória de queda da meta de inflação. Veja trechos do bate-papo.  

Qual é  principal erro da política econômica do governo Dilma Rousseff?
O primeiro erro grave é de diagnóstico. O problema do Brasil não é de demanda, mas de oferta. A taxa de desemprego é baixa, apesar de estar com tendência crescente, e a inflação é relativamente alta, mesmo com alguns preços controlados artificialmente. O Brasil tem uma infraestrutura precária, uma mão-de-obra com baixa qualificação para padrões internacionais e um péssimo ambiente de negócio. Além disso, investimos muito pouco. Nossa taxa de investimento (18%) é parecida com a da Inglaterra que já tem uma infraestrutura razoável, mas bem abaixo dos países emergentes como China (acima de 40%) ou Chile (acima de 23%). Enquanto tínhamos capacidade produtiva ociosa (alto desemprego ou empregos precários) e a bonança externa devido ao alto preço das commodities, o Brasil cresceu. Mas, depois, parou. Além disso, a política macroeconômica (fiscal e monetária) piorou muito nos últimos anos. A ideia do governo Dilma era a de que para aumentar a taxa de investimento e incentivar a produção industrial, o Brasil precisaria de uma nova matriz macroeconômica: taxa de juros baixa, câmbio depreciado e inflação baixa através do controle de alguns preços. Os conselheiros de Dilma falavam isso. Vimos que essa não foi uma política acertada.

Quais os ajustes necessários para a economia deslanchar em 2015?
O Brasil precisa corrigir as fontes dos problemas. Sabemos que congelar preços não é a solução para o problema da inflação. O correto é deixar o preço do petróleo seguir a tendência internacional. Também é preciso corrigir outros preços administrados. Paralelamente, a política monetária precisa de um choque de credibilidade e o Banco Central (BC) tem de seguir a meta estabelecida. Segundo, a política fiscal precisa de transparência, sem os famosos artifícios contábeis. Com isso, e um aumento no superávit primário, a dívida do Brasil poderia voltar para uma tendência sustentável. 

O Brasil também precisa retomar a agenda de reformas. Arrecadamos, em proporção à renda, a mesma coisa que o Canadá e bem mais que o Chile. Mas nossos serviços públicos são bem piores que nesses dois países. Não precisa ter um choque enorme para diminuir o Estado, mas o Brasil pode sim reduzir os desperdícios no setor público, melhorando a gestão através de um planejamento e uma filosofia de metas e resultados neste setor. Com isso, podem sobrar mais recursos para investimento público e políticas sociais. Ainda é preciso aumentar a infraestrutura pública com a participação do setor privado. Neste caso, é preciso regras claras e transparência, que podem melhorar através do fortalecimento das agências reguladoras. Por fim, são imprescindíveis reformas institucionais para melhorar o ambiente do negócio no Brasil. Abertura e fechamento de firmas, melhora na burocracia, rapidez para pagar impostos, etc. Devem-se criar metas para uma melhora institucional.

Em quais áreas da gestão pública há desperdícios que poderiam ser enxugados?
Teria de estudar a fundo as contas do governo. Mas, por exemplo, a diminuição na transferência de recursos do Tesouro para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). O BNDES poderia focar mais em algumas atividades e em setores com efeitos claros de trasbordamento ou retornos crescentes à escala, como em projetos de infraestrutura e inovação.

A reforma tributária é mesmo possível?
Deve-se ter um sistema tributário simples, que não incentive a evasão fiscal. Portanto, é preciso uma reforma que possa substituir a tributação complexa atual e introduzir uma tributação simples no valor adicionado, diminuindo a quantidade de tributos.

Como você avalia a atual meta de inflação? Ela deveria ser alterada?
A meta deve ser de tendência negativa, ou seja, deve ser reduzida. Diria que o que está no programa de governo está bom.

Como Marina, se ganhar, conseguirá fazer todos os investimentos prometidos em áreas sociais e, ao mesmo tempo, enxugar gastos do Estado?
Acho primeiro que se passa por uma mudança na filosofia de gestão. É preciso planejar, definir metas e cobrar resultados. Dado o tamanho do Estado e a qualidade dos serviços que ele oferece, tenho certeza que há muito espaço para diminuir desperdícios. Eduardo Campos fez isso. Além disso, é importante definir incentivos para recompensar bom desempenho no setor público. O tamanho do Estado em relação à renda pode diminuir ao passar dos anos, mesmo sem cortes nos gastos. Basta que os gastos aumentem com a inflação e a taxa de crescimento do PIB real aumente em 1 ou 2 pontos porcentuais. Educação pública, saúde pública e o Bolsa Família são conquistas da democracia. A gestão de um hospital pode ser privada, mas o suporte financeiro pode ser público. Não há nada de errado nesta filosofia. A esquerda gosta de apontar os países da Escandinávia como exemplo de países com uma alta participação do Estado e um alto nível de renda e  de qualidade de vida. É verdade, mas a filosofia é diferente. Não é um Estado produtor. É um Estado de bem-estar social que tem uma filosofia de gestão privada com metas e avaliação de resultados. 

A independência do BC garantida por lei é necessária?
Sou a favor da autonomia do Banco Central. No passado, muita gente reclamou da Lei de Responsabilidade Fiscal e todo mundo agora acha que essa é uma lei importante para o controle de gastos no Brasil. Mudanças institucionais têm sempre resistência. O Banco Central da Inglaterra é gerido por um canadense que foi presidente do Banco Central do Canadá, e foi escolhido porque o Canadá passou pela crise de forma mais suave.

Os governos Dilma e Lula foram caracterizados pelo desenvolvimentismo; FHC era neoliberal. Marina quer ‘casar’ essas duas marcas. Qual a principal característica do programa da candidata?
Não gosto de rótulos. Eles inibem o debate e cegam as discussões. Acho que há bastante evidência empírica de políticas que podem levar a um maior desenvolvimento e melhoria na qualidade de vida das pessoas. É preciso dar os incentivos corretos. Marina está trazendo o meio ambiente para o centro das discussões e como prioridade do seu projeto de governo. Acho que isso é um avanço imenso. Questões ambientais são problemas de primeira ordem. É preciso combater a desigualdade também. Não só na ponta, transferindo renda diretamente, mas também na origem. Neste caso, temos o problema da desigualdade de oportunidades. É aí que temos que realmente mudar o Brasil com investimento públicos nos primeiros anos de vida (onde o retorno é maior), creches e escolas integrais. 

O senhor aceitaria compor a equipe econômica de um eventual governo de Marina Silva?
Essa é uma questão difícil. Tenho minha família, emprego na Universidade de Cambridge e alguns projetos pessoais relacionados à minha carreira acadêmica. Mas, se for dentro das minhas qualificações e algo que genuinamente possa ajudar, então pensaria seriamente. No fundo, foi por isso que decidi fazer economia.

Por Reinaldo Azevedo

20/09/2014

às 6:47

LEIAM ABAIXO

Já que a porrada não funcionou, Haddad, o maníaco, agora quer a “Bolsa Bicicleta”: dar desconto de IPTU a quem incentivar o que os idiotas chamam “bike”. E ainda faltam 833 dias para a gente se livrar dele…;
Costa cita mais dois ex-diretores da Petrobras em esquema corrupto; um deles era homem de… José Dirceu na empresa! Ou: Uma empresa que fura poços e acha escândalos;
Ministério Público pede ao TCU abertura de inspeção nos Correios;
O que se passa com o IBGE? Não sei! Nenhuma possibilidade é boa.;
“Erro” no Pnad: governo vai criar comissões de especialistas;
Dilma ainda não sabe para que serve a imprensa;
Costa, peixe pequeno na compra de Pasadena, diz ter levado R$ 1,5 milhão. Imaginem quanto não levaram os tubarões;
Nove anos depois de reportagem de VEJA denunciar lambança nos Correios, que trouxe à luz escândalo do mensalão, empresa continua a ser usada como quintal do petismo;
Após derrota em plebiscito, premiê da Escócia renuncia;
— Datafolha e a propaganda inútil do PT: exatamente um mês depois do início do horário eleitoral, mesmo com um latifúndio, Dilma nem ganhou votos nem viu diminuir a sua rejeição; instituto também aponta empate técnico no segundo turno com Marina; Aécio melhora seu desempenho;
— Escócia diz “não” à separação; o risco em caso de vitória do “sim” estava bem longe do Reino (des)Unido;
— Daqui a pouco, AO VIVO, com Contardo Calligaris;
— Ibope: há o risco de Agnelo nem disputar o 2º turno no DF;
— Datafolha no RS: Ana Amélia segue na liderança e derrotaria Tarso Genro no 2º turno;
— Datafolha: Richa, provavelmente, levaria no 1º turno; no segundo, venceria Requião por 51% a 36%;
— Algo me une a Marina…

Por Reinaldo Azevedo

20/09/2014

às 6:01

Já que a porrada não funcionou, Haddad, o maníaco, agora quer a “Bolsa Bicicleta”: dar desconto de IPTU a quem incentivar o que os idiotas chamam “bike”. E ainda faltam 833 dias para a gente se livrar dele…

Começo a temer pela sanidade, digamos, intelectual do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, o maníaco da bicicleta. Agora ele tem outra ideia, em conjunto com uma vereadora do partido, a senhora Juliana Cardoso: dar um desconto no IPTU para empresas que criarem bicicletários, incentivando os funcionários a andar de bicicleta — que boa parte da imprensa brasileira passou a chamar, sei lá, por quê, de “bike”, o que me envergonha um pouco. A palavra já dispensa até as aspas em jornais, revistas e sites. Ou por outra: a “bike”, não a bicicleta, já é uma quase unanimidade, digamos, ideológica nas redações. Agora só falta a adesão do povo.

Para um prefeito que tentou meter no ano passado um reajuste escorchante do IPTU — que acabou sendo barrado pela Justiça —, a proposta de isenção chega a ser acintosa. É que o homem da ideia fixa já tentou forçar o paulistano a andar de bicicleta na base da porrada, impondo as ciclofaixas e mobilizando seus fiscais para enfiar a mão no bolso dos motoristas que invadirem esses espaços sagrados. Não deu certo. Os ciclistas não apareceram.

As ciclofaixas de Haddad são imensas solidões vermelhas, onde se pode ver de tudo, menos bicicleta. Pior: como muita gente entende aquilo como terra de ninguém, noto que acaba virando depósito de lixo. Nesta sexta, por exemplo, choveu em São Paulo — pouca chuva, infelizmente. Mas estava ali aquela coisinha chata, que os portugueses chamam “molha-bobos”.

Em dias de chuva, o trânsito da cidade já é especialmente perverso — entre outras razões porque muitos sinais param de funcionar, ficam embandeirados. Haddad não dá bola para essa bobagem. Não seria ontem, claro!, que dariam as caras os ciclistas que já não aparecem nos dias secos. Era surrealista ver o caos instalado nas ruas e aquele deserto vermelhão do prefeito, ali, entregue a ninguém.

Ainda faltam 833 dias para Haddad deixar o governo, já contando o 29 de fevereiro de 2016, ano bissexto. Ele está aí não faz dois anos. A gente tem a impressão de que faz uns dez…

Isso é desespero. Haddad está apelando a uma espécie de “Bolsa Bicicleta” para ver se consegue povoar as ciclovias. Ainda que, com o tempo, algumas bicicletas apareçam, é evidente que, em São Paulo, por múltiplas razões, não serão uma alternativa de transporte. Ocorre que o prefeito sequestrou as vias públicas como se delas fossem. As pouquíssimas que vi serviam ao lazer: ou era a molecada dando um rolê ou eram aqueles senhores um pouco estranhos, com roupas bem coladas ao corpo, dando também um, digamos, rolê…

Numa entrevista coletiva de Haddad, fiquei sabendo, um militante disfarçado de jornalista, sem identificação do veículo de comunicação a que pertencia, fez uma pergunta ao alcaide que lhe deu a chance de hostilizar os raros setores da imprensa que têm a coragem de criticar a sua ciclomania e de zombar de sua ridícula ideia fixa.

O truque é velho, sem deixar de ser, é evidente, intelectualmente vigarista.

 

Por Reinaldo Azevedo

20/09/2014

às 5:10

Costa cita mais dois ex-diretores da Petrobras em esquema corrupto; um deles era homem de… José Dirceu na empresa! Ou: Uma empresa que fura poços e acha escândalos

Pois é… Reportagem da Folha deste sábado informa que Paulo Roberto Costa envolveu mais duas diretorias no esquema corrupto que vigorava na empresa: a Internacional, que era comandada pelo notório Nestor Cerveró, e a de Serviços e Engenharia, cujo titular era o petista Renato Duque. O PT está preocupado com os cadáveres que podem sair do armário. Faltam duas semanas para o primeiro turno das eleições, mas o segundo ainda está longe, só no dia 26 de outubro. Entre as irregularidades que atingem as duas diretorias, estão a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Segundo o Jornal Nacional, Costa admitiu ter recebido R$ 1,5 milhão de propina só nessa operação.

Duque, note-se, já aparece citado em outro inquérito da Polícia Federal para apurar irregularidades nos negócios da Petrobras. A polícia investiga sua relação com outros funcionários da estatal suspeitos de evasão de divisas.

Em abril, outra reportagem Folha informava que Rosane França, viúva do engenheiro da Petrobras Gésio França, que morreu há dois anos, acusou a empresa de ter colocado o marido na “geladeira” porque este se opusera ao superfaturamento do gasoduto Urucu-Manaus, na Amazônia. Para a sua informação, leitor amigo: esse gasoduto foi orçado pela Petrobras em R$ 1,2 bilhão e acabou saindo por R$ 4,48 bilhões.

A viúva de Gésio não citou nomes, mas em e-mails que vieram a público, ele reclamava justamente da diretoria de Serviços e Engenharia, que era comandada pelo petista Renato Duque, que negociava com as empreiteiras. Duque, aliás, é amigo de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, um dos nomes citados por Costa como parte do esquema corrupto, que recorria aos préstimos do doleiro Alberto Youssef.

Além de amigo de Vaccari, Duque sempre teve um padrinho forte no PT: ninguém menos do que José Dirceu. Quando Graça Foster assumiu a presidência da estatal, em 2012, ela o substituiu por Richard Olm. Mas isso não significa, é evidente, que a Petrobras está livre da politicagem. Lá está, por exemplo, José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT e outro peixinho de Dirceu: é diretor Corporativo e de Serviços. Não só ele. Também é da cota do ainda presidiário Dirceu o gerente executivo da Comunicação Institucional, Wilson Santarosa.

A estatal, diga-se, tornou-se um retrato dos desmandos do PT e da forma como o partido entende o exercício do poder. Como esquecer uma frase já antológica do então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, em 2005, em reunião com uma certa ministra das Minas e Energia chamada Dilma Rousseff? Ele cobrou uma promessa que lhe fizera Lula: “O que o presidente me ofereceu foi aquela diretoria que fura poço e acha petróleo”.

Era assim que Lula exercia o poder. E foi assim que a Petrobras passou a furar poço e a achar escândalos.

Por Reinaldo Azevedo

20/09/2014

às 5:05

Ministério Público pede ao TCU abertura de inspeção nos Correios

Por Fábio Fabrini e Andreza Matais, no Estadão:
No Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu que a corte abra uma inspeção nos Correios para apurar o envio de santinhos da presidente Dilma Rousseff a eleitores sem chancela ou comprovante de postagem. A estampa oficial serve para comprovar que o material foi pago e enviado de forma regular e nas quantidades contratadas. Na representação, baseada em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo publicada nesta sexta-feira, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira diz que a situação, se comprovada, “afronta o processo democrático” e impõe duras penas aos responsáveis.

“A má utilização de empresas públicas por agentes do Estado para finalidades político-partidárias é fato atentatório à res pública. No período eleitoral, a utilização dos Correios nos moldes citados constitui afronta ao processo democrático e impõe severa apenação dos responsáveis e pronta recomposição do erário”, justifica o procurador. Segundo ele, o TCU, com a expertise de sua área técnica, tem condições de esclarecer o episódio rapidamente e, caso necessário, adotar as medidas corretivas e sanções cabíveis.

O pedido foi enviado ao ministro Benjamin Zymler, que relata processos relacionados aos Correios. Caberá ao TCU decidir, com base em análise de sua área técnica e nos elementos trazidos pelo representante do Ministério Público, se há elementos para a abertura da inspeção.

Na peça, Júlio Marcelo pede a investigação de indícios de postagem sem chancela ou comprovante de que houve postagem oficial da propaganda eleitoral de Dilma. Além disso, requer que seja apurado se a quantidade de material distribuído corresponde ao que foi contratado pelo PT e se os fatos narrados pela reportagem estão de acordo com as normas dos Correios. Também solicita que se quantifique, em caso de comprovação de irregularidade, o dano aos cofres públicos.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 21:48

O que se passa com o IBGE? Não sei! Nenhuma possibilidade é boa

Ai, ai… Vamos lá.

O IBGE mobiliza uma tropa de técnicos para processar as informações colhidas pela Pnad. Se a rotina não mudou, há todo um processo de conferência de dados. Mais: há procedimentos justamente para capturar eventuais erros antes da divulgação. Fazer de conta que estamos diante de uma narrativa corriqueira corresponde a tapar o sol com a peneira. Não estamos.

Então, depois de uma demora que também não teve a devida explicação, os dados são divulgados, constata-se a estagnação da redução da desigualdade, o tema ganha óbvia tradução política — e nem poderia ser diferente —, e, com rapidez espantosa, corrige-se o “erro” e se obtém o resultado desejado? “Ah, a desigualdade continua em queda.” Que bom, né? A oposição já não poderá mais usar esse argumento.

Estou acusando o IBGE de ceder à pressão oficial? Não exatamente. Se achasse, diria. Mas que devemos estranhar o procedimento, ah, isso devemos, sim.

Reitero: o que me espanta é o fato de checagens periódicas, que fazem parte do método de processamento de dados, não terem identificado, durante meses, um erro tão sério, depois identificado num único dia.

O que se passa no IBGE? Não sei. Nenhuma possibilidade é boa.

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 21:18

“Erro” no Pnad: governo vai criar comissões de especialistas

No Globo. Volto no próximo post:
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que o governo está chocado com o erro no resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013, divulgado na quinta-feira, que provocou incorreções em resultados de sete estados: Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, que respondem por mais de 59% da população brasileira, segundo as estimativas populacionais para 2014. Entre os dados corrigidos, o IBGE informou que agora a desigualdade no país caiu, em vez de subir. O instituto negou que qualquer ingerência política tenha levado à correção dos dados.

Segundo Miriam, será constituída uma comissão de sindicância para encontrar as razões dos erros e, eventualmente, as responsabilidades funcionais por que isso aconteceu. “O governo está chocado com esse erro cometido pelo IBGE. Como disse a presidente do IBGE, doutora Wasmália Bivar, é um erro gravíssimo. E, em razão disso, o governo decidiu duas coisas. Em primeiro, constituir uma comissão de especialistas independentes para avaliar a consistência da Pnad”. A comissão de sindicância será formada pelos ministérios do Planejamento, da Justiça e da Casa Civil, além da Controladoria-Geral da União. O grupo de especialistas ainda será formalmente convidado e deverá ter um prazo para apresentar seus resultados. Antes de se manifestar em entrevista coletiva na sede do ministério, a ministra esteve com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, para avaliar a situação. Questionada sobre os problemas recentes de falta de quadros e ameaças de greve, além de um processo de cortes de gastos estar prejudicando as pesquisas do IBGE, a ministra negou essa relação. “O quadro de funcionários cresceu 6%, neste ano nós liberamos 660 novos servidores ao IBGE, exatamente para dar as condições de ele seguir fazendo as suas pesquisas e o orçamento, nesse período nosso no governo, cresceu mais do que 60%”, disse.

A ministra não quis comentar a hipótese de ter ocorrido um erro deliberado na elaboração dos resultados da pesquisa, nem sobre uma eventual demissão de Wasmália. Segundo ela, é preciso esperar os resultados da comissão de sindicância. De acordo com os novos cálculos apresentados pelo IBGE nesta sexta-feira, o índice de Gini da renda do trabalho, um dos indicadores de desigualdade, passou de 0,496 para 0,495 em vez de subir para 0,498, como o IBGE tinha informado anteriormente. O índice de todas as fontes tinha ficado estacionado, mas agora ele cai para 0,501. Já o Gini domiciliar tinha subido de 0,499 para 0,500 e agora cai para 0,497. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade. No novo cálculo, no Gini de todas as fontes, os 10% mais pobres têm avanço na renda superior aos 10% mais ricos. A renda da base avançou 2,9%, enquanto na parcela dos mais ricos, 2,1%.

Desemprego
Já a taxa de desemprego, que entre 2012 e 2013 subiu de 6,1% para 6,5%, foi mantida. Mas, na revisão dos dados de 2013, a população desocupada subiu menos: em vez de 7,2%, avançou 6,3%, para 6,6 milhões de pessoas. Os novos cálculos mostram ainda que a taxa de analfabetismo caiu menos do que o estimado anteriormente. Os dados de quinta-feira mostravam o percentual passando de 8,7% para 8,3%. Agora, a redução foi menor, para 8,5%. O trabalho infantil também registrou uma queda menor. Passou de -12,3% para -10,6%. Os anos de estudo passaram de 7,7 anos para 7,6 anos agora.

Erro em “numerinho”
O diretor de pesquisa do IBGE, Roberto Olinto, explicou o falha, ocorrida na hora de colocar uma variável. E justificou as mudanças no resultado da Pnad: “O erro ocorreu porque o peso de nove regiões metropolitanas foi superestimado. Como o rendimento de regiões metropolitanas é normalmente maior que o das demais, o rendimento dos 10% mais ricos foi maior e isso impactou o Gini, Por outro lado, como o analfabetismo é maior no interior, com a correção, cresceu”, disse Olinto. “Como a amostra não cobre toda a região, existem pesos para cada região. Os dados brutos não têm problema, a questão foi na hora de calcular o numerinho que compõe a amostra, nesse processo, problema restrito às regiões metropolitanas de sete estados.”

“Extremamente grave”
O problema foi identificado por consultorias econômicas e outros órgãos do governo, que questionaram os dados das Unidades da Federação. A presidente do IBGE, Wasmália Bivar, disse que a falha é muito séria. “Foi algo extremamente grave. Toda vez em que o IBGE erra, é nosso dever tornar isso público e pedir desculpas a toda a sociedade”, afirmou.

Já Olinto classificou o episódio como um “infeliz acidente”. Ele negou ter havido qualquer tipo de ingerência política e também descartou que a falha tenha sido fruto da greve ou da inexperiência de funcionários novos. Além disso, destacou que os dados passam por sete pessoas: “ Foi um infeliz acidente, estritamente técnico. As razões específicas do erro vão ser investigadas”. Quando indagado se houve interferência politica, afirmou: “Obviamente, não. Dados como a Pnad têm um embargo, com 48 horas de antecedência. O governo também participa desse embargo. Seria surrealista divulgar um dado para depois divulgá-lo sob pressão. Foi um erro técnico. Não há indício de pressão”.

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 18:05

Dilma ainda não sabe para que serve a imprensa

A Procuradoria-Geral da República se negou a fornecer ao governo as informações da delação premiada de Paulo Roberto Costa. E fez bem. Dilma deve ter se esquecido de que o Ministério Público é um órgão independente. Não está subordinado a nenhum dos Poderes da República. A presidente agora diz que vai apelar ao STF. E fez uma afirmação, digamos, muito típica, com toda a falta de jeito que a caracteriza.

“Pedirei ao ministro Teori a mesma coisa: quero ser informada se no governo tem alguém envolvido. Não tenho por que dizer que tem alguém envolvido, porque não reconheço na revista “VEJA” e nem em nenhum órgão de imprensa o status que tem a PF, o MP e o Supremo. Não é função da imprensa fazer investigação, e sim divulgar informações. Agora, ninguém diz que a informação é correta. Não prejulgo, mas também não faço outra coisa: não comprometo prova. Porque o câncer que tem nos processos de corrupção é que a gente investiga, investiga, investiga e ainda continua impune.”

A exemplo de Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgina Mufumbbo, pergunto: “Cuma, presidente?”. De fato, VEJA, felizmente, não é um órgão oficial, a exemplo da PF, do MP e do Supremo. Felizmente, não! E a revista não espera — e o mesmo vale para o resto da imprensa — que as suas apurações substituam inquéritos.

Agora, quanto ao papel da imprensa, é evidente que Dilma está errada. A ela cabe mais do que informar. Ela também investiga, sim! Não com o objetivo de passar informações ao estado, mas com o propósito de informar a sociedade.

Dilma deve sonhar com a imprensa cubana. Só informa. E só informa o que pode.

 

Por Reinaldo Azevedo
 

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