Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

28/08/2014

às 19:55

A grande bobagem de Marina. Ou: Como fraudar a história e influenciar pessoas

Há certas coisas que são um tanto penosas porque nos obrigam a contar o óbvio como se fosse uma revelação. Nessa campanha eleitoral, não é apenas a lógica que está sendo aviltada. Também a história passa por um rebaixamento emburrecedor. Vamos ver. Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, participou da Fenasucro, a feira internacional de tecnologia sucroenergética, na cidade de Sertãozinho, interior de São Paulo. A candidata tenta se aproximar do agronegócio, setor que foi hostilizado por ela durante muitos anos. Nesta sexta, ela participará de um jantar na capital paulista com 40 empresários do ramo, a convite de Plínio Nastari, presidente da Datagro, uma consultoria de etanol e açúcar. Muito bem.

No seu discurso, Marina tentou responder a críticas mais ou menos veladas que tem recebido do tucano Aécio Neves e da petista Dilma Rousseff. Afirmou duas coisas estupefacientes:
“Muita gente, no Brasil, diz que não podemos ser governados por amadores do sonho. Ou apostam no sonho ou vamos continuar nas mãos dos profissionais, dos que fazem escolhas incorretas. A escolha tem de ser feita por essa gente que tem o sonho amador.”
E ainda:
“Tenho certeza de que é melhor conversar com FHC do que com ACM e de que é melhor conversar com Lula do que com Sarney”.

Então vamos lá. Nego-me a comentar essa bobajada de “amadores dos sonhos”. Não sei o que quer dizer. Quando Marina me apresentar tais quadros, então a gente conversa. O que me interessa é a fraude histórica. O que a candidata quer dizer quando pergunta se é melhor conversar com FHC ou com ACM? Vamos recuperar os fatos. O próprio FHC conversou com ACM para, por exemplo, aprovar o Plano Real. Sem o PFL, então o maior partido do Congresso, isso teria sido impossível. A quem o então presidente deveria ter apelado? Ao PT, que recorreu ao Supremo contra o Plano? Gente como a própria Marina, diga-se, lutou contra o Real, contra as privatizações, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A candidata indaga ainda: “Melhor dialogar com Sarney ou com Lula?” Ora, cabe perguntar a esta senhora por que o próprio Lula sentiu a necessidade de conversar com Sarney. Sabe, de fato, o que isso quer dizer? Que Marina Silva está dizendo a seus interlocutores que é possível governar sem o Congresso. Ou que ela conseguirá a maioria necessária para aprovar algumas de suas propostas apenas na base da saliva. “Ah, então é o vale-tudo ou a ingovernabilidade?” Não! Mas tampouco se consegue governar o país convocando só os varões — e varoas — de Plutarco?

Algumas pessoas descumprem promessas depois de eleitas. Marina já as descumpre antes — se é que vai se eleger. É a nova política.

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 17:58

Marina se reúne com usineiros e fala a maior besteira de sua campanha até agora

Leiam o que informa Talita Fernandes. Comento daqui a pouco.
A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, respondeu às críticas dos seus adversários Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) nesta quarta-feira. O tucano havia dito que o país não pode ser governado por “amadores”, e a petista atacou a defesa que a ex-senadora faz de um “governo dos melhores”, sem partidarismos.

“Tem muita gente por aí dizendo que o Brasil não pode ser governado por amadores dos sonhos”, disse Marina, em referência a Aécio. Segundo a candidata do PSB, os brasileiros terão de escolher entre “apostar no sonho de que a gente possa ter um Estado eficiente que faça a sua gestão escolhendo os melhores e não aqueles que são indicados pelos interesses do partido desse ou daquele grupo” ou “continuar nas mãos dos profissionais das escolhas incorretas”. “Tenho certeza de que é melhor conversar com FHC do que com ACM e de que é melhor conversar com Lula do que com Sarney”, continuou. Em seguida, disparou contra a candidata do PT: “Se Dilma tivesse feito menos propaganda do governo Lula, setenta usinas não estariam fechadas e outras quarenta em processo de recuperação judicial. Governo não é para fazer propaganda, mas para assumir compromisso.”

A ex-senadora participa nesta quinta-feira da Fenasucro, feira internacional de tecnologia sucroenergética, na cidade de Sertãozinho, no interior de São Paulo. Para se livrar da pecha de que é inimiga do agronegócio, a ex-senadora dedica sua agenda a dois eventos com o setor: amanhã ela participa de um jantar em São Paulo com quarenta empresários do ramo a convite do presidente do Datagro (consultoria de etanol e açúcar), Plínio Nastari.

Durante sua fala, a ex-senadora aproveitou para criticar o abandono do setor sucroenergético pelo governo federal. Ela enfatizou a importância dos investimentos no etanol para que o país tenha uma matriz energética mais limpa e mencionou a destinação de 10% do PIB para a educação como uma das prioridades.

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 16:09

Governo prevê em 2015 salário mínimo de R$ 788,06

Na VEJA.com. Comentarei mais tarde.
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse nesta quinta-feira que o valor do salário mínimo a partir de janeiro de 2015 será de 788,06 reais, aumento de 8,8% em relação ao deste ano (724 reais). A estimativa anterior era de 779,79 reais. O impacto para as contas públicas no próximo ano, segundo a assessoria da ministra, será de 22 bilhões de reais. Miriam entregou nesta manhã o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do próximo ano ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo ela, a correção se baseou na regra atual, que calcula o valor a partir da variação da inflação do ano anterior, além do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

A ministra disse que a proposta orçamentária terá como eixo saúde, educação, combate à pobreza e investimentos em infraestrutura. O texto apresentado pelos ministérios do Planejamento e Fazenda está em mãos, agora, do Congresso Nacional. Segundo Miriam, o presidente do Senado comprometeu-se a aprovar a proposta orçamentária até o final do ano, dentro do prazo legal. O texto também estima que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 3% em 2015, mesmo cálculo já anunciado antes, mas bem distante do consenso do mercado. A pesquisa Focus que o Banco Central faz com dezenas de analistas do mercado financeiro brasileiro aponta para um crescimento econômico de apenas 1,20% em 2015.

Para 2014, não foi divulgada nova previsão de crescimento. O último relatório de reprogramação financeira, de julho, aponta estimativa de alta de 1,8%. Na proposta da LDO de 2015, o governo previa uma alta de 2,5% do PIB em 2014. O mercado estima um expansão do PIB de apenas 0,70%.

Inflação
O governo federal manteve em 5% a previsão de alta da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2015, segundo o PLOA. A previsão anterior, contida na LDO, divulgado em abril, era a mesma. A expectativa do governo está bem distante também da pesquisa Focus: analistas apostam em alta de 6,28% dos preços no ano que vem.

Contas públicas
Ainda no projeto de lei enviado nesta quinta ao Congresso, a estimativa para o superávit primário (economia para pagamento de juros da dívida) é de 143,4 bilhões de reais, sendo 114,7 bilhões a ser economizado pelo governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência) e outros 28,7 bilhões de reais que deverá vir do caixa dos Estados, municípios e estatais no ano que vem. Está prevista, porém, a possibilidade de abatimento (desconto) de 28,7 bilhões de reais, ou 0,5% do PIB. Com isso, a meta ‘real’ (descontada o abatimento) seria de 114,7 bilhões de reais ou 2% do PIB. Para este ano, a expectativa, já descontando os abatimentos, é de 99 bilhões de reais, o equivalente a 1,9% do PIB.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia adiantado, em abril, que não havia possibilidade de o governo apresentar uma taxa inferior a 2%. Ressaltou ainda que poderia ter um primário superior a 2,5%, dependendo do desempenho da economia. Vale lembrar que, na ocasião, os parâmetros para a economia estavam mais positivos do que os atuais.

“A meta diz muito pouco; é preciso anunciar qual será o real esforço do setor público para o primário”, disse ao site de VEJA o economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria. Ele acredita, porém, que, se a presidente Dilma for reeleita, a economia no ano que vem deve ser de apenas 1% do PIB, já descontando efeitos extraordinários, como o dinheiro vindo de concessões, Refis e dividendos. Para 2014, a expectativa da consultoria é que o setor público consolidado (governo central mais Estados, municípios e estatais) não cumpra a meta e só economize 1,5% do PIB.

Para a Previdência, a estimativa é de um rombo (déficit) de 43,7 bilhões em 2015, ou 0,8% do PIB. Esse valor leva em conta o pagamento de 436,3 bilhões com benefícios e receitas de 392,6 bilhões. Para 2014, o governo manteve a previsão otimista de um déficit de 40,1 bilhões de reais (0,85% do PIB), valor inferior ao resultado negativo de 2013 (49,9 bilhões).

Para a dívida líquida, a projeção passou de 33% para 32,9% do PIB para 2015, mas manteve a de 2014 em 33,6% do PIB. O governo federal prevê um aumento da dívida pública bruta em 2014. No caso da dívida bruta, a expectativa é que chegue a 57,7% do PIB ao final de 2014 e 56,4% do PIB em 2015.

Já o orçamento dos ministérios que terão o maior aumento na previsão de despesas para o ano de 2015 são os da Saúde (91,4 bilhões de reais), Educação (46,7 bilhões) e Cidades (26,3 bilhões).

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 16:01

Dilma critica o ‘governo dos melhores’ de Marina

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Comento ainda hoje.
A presidente Dilma Rousseff deu nesta quinta-feira uma mostra de que deve passar a criticar mais diretamente a adversária Marina Silva (PSB), em segundo lugar na preferência do eleitorado, segundo pesquisa Ibope divulgada na terça-feira. Dilma discursou em um encontro da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), em Brasília. E atacou a defesa que a ex-senadora faz de um governo dos “melhores”, sem partidarismos.

Dilma manteve em seu discurso todas as referências aos governos do PSDB: a comparação com “a época deles” foi repetida em diversos momentos. Aécio foi o principal alvo. Mas a petista, a seu modo, embutiu no pronunciamento uma crítica. “Essa história que você acha os bons ou os melhores sem aferição não está certa. Como é que eu vou fazer uma política para agricultura familiar com quem não defende agricultura familiar?”, disse a presidente.

Na entrevista coletiva dada após o evento, Dilma tentou explicar a menção – e acabou se enrolando. “Eu acho que as pessoas não têm de ser más, não tem de ser… todas as pessoas são… podem ser boas ou podem ser más. Mas as boas pessoas podem não ter compromisso. A pessoa é muito boa, mas o compromisso dela é com outra coisa”, afirmou.

No pronunciamento a presidente pediu que os agricultores familiares defendam seu governo das “mentiras” espalhadas por opositores. “Eles escondem o ódio atrás da desinformação e do derrotismo”, disse ela, no primeiro discurso de campanha após a pesquisa Ibope que mostra a ascensão da candidata do PSB.

O ato de campanha durou pouco menos de duas horas. Cinco ministros acompanharam Dilma no evento. Aos membros da Contag, que declarou apoio à reeleição de Dilma, ela prometeu manter a política de reforma agrária e a concessão de benefícios aos assentados.

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 15:51

Cidade de São Paulo: as veias abertas do petismo. Ou: As ideias fixas de Haddad que transformam a cidade num inferno

Vejam esta foto, que me foi enviada por um leitor. Já explico.

ciclovias

Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho.” É Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Melhor um cisco no olho, um grânulo, um estrepe… Melhor um incômodo dessa ordem do que ser vítima de uma ideia fixa… É o que me ocorre quando penso nas ciclovias do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Que fique o alerta para os cidadãos do Brasil inteiro. Que fique o alerta para os prefeitos do Brasil inteiro. Não permitam que suas respectivas cidades caiam reféns de uma minoria organizada, que, como escreveu o próprio Machado, sempre hasteia sua bandeira particular à sombra da grande bandeira. No caso de São Paulo, a flâmula maior é a do petismo; as mesquinhas, de minorias radicalizadas, sob ela se abrigam e nos impõem a ditadura de seu gosto.

Haddad está determinado a criar 400 km de ciclovias na cidade até o fim de seu mandato, ao custo de R$ 80 milhões. Está há dois anos no poder. Boa parte dos paulistanos tem a sensação de que já são 200! As faixas vermelhas, a cor internacional desse tipo de pista, se espalham cidade afora, estrangulando o espaço dos carros, diminuindo a área de escape das motos — que hoje ajudam a movimentar a economia —, aumentando os congestionamentos, atrapalhando a vida de pedestres, criando severas perturbações no comércio. Há um clima de revolta em consideráveis setores da cidade. Não obstante, o prefeito, consta, aposta nas ciclovias para reverter a sua impopularidade. Fernando Haddad lembra o homem com a corda no pescoço que se mexe freneticamente para se livrar do incômodo. Quanto mais esperneia, mais terra lhe falta sob os pés, e mais a corda o constrange, até matá-lo. A diferença, nesse caso, é que uma cidade de milhões de pessoas padece com ele.

E por que ele age assim? Porque a grande bandeira de Haddad, o tal Arco do Futuro, ficou no passado. Nunca foi nada além de propaganda para caçar votos. Então sobraram as pequenas bandeiras, a das minorias aboletadas na Prefeitura. À Folha de S.Paulo, o prefeito afirmou: “É um programa de saúde, de esporte, de mobilidade, que dialoga com muitas demandas da sociedade”. É mesmo? Demanda de quem, santo Deus? Olhem, paulistanos, para as vastas solidões das ciclovias, que permanecem lá, vazias, com o seu vermelhão a cortar áreas da cidade, como veias abertas da estupidez e do autoritarismo. Não ocorre ao senhor prefeito que percorrer longos percursos de bicicleta requer, antes de tudo, certas condições físicas, o que restringe essa opção de transporte — se fosse realmente uma opção; não é — a uma faixa etária da população. A escolha é, antes de mais nada, autoritária, discriminatória. Uma coisa é a construção de ciclovias como um espaço suplementar para a circulação, a exemplo do que existe em algumas cidades do mundo. Outra, distinta, como se faz em São Paulo, é o estrangulamento da área de circulação da maioria em benefício de uma minoria.

O vermelho é a cor internacional das ciclovias. Mas é também a cor oficial do PT. Que cada morador de São Paulo jamais se esqueça, ao passar ao lado de uma delas, que o partido administrou a cidade e deixou uma herança.

A foto
Vejam a foto lá do alto. Haddad decidiu meter uma ciclovia na rua Boa Vista, na região central. Não circula nela uma viva alma sobre duas rodas. A área se tornou espaço para o estacionamento de carrinhos de catadores de lixo reciclável, os correspondentes contemporâneos do que Machado chamaria, a seu tempo, “almocreves”.

As ciclovias não são a única ideia fixa do prefeito. Ele tem outras: como fornecer recursos a viciados em crack para que alimentem o seu vício em… crack. É assim que traduzo o programa “Braços Abertos”. Está em curso a criação de uma nova área na cidade, no Parque D. Pedro II, em que se repetirão os erros cometidos na chamada Cracolândia.

Haddad, caros leitores, pagará o preço político por suas ideias fixas. O diabo é que a cidade pagará um preço ainda maior por suas obsessões.

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 6:57

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 6:37

Marina no “Jornal Nacional”: não explicou os crimes óbvios que envolvem o avião e disse uma besteira estupefaciente sobre transgênicos… Ah, sim: Como se enrolou, tentou criticar a imprensa…

Marina Silva acaba de conceder a sua entrevista ao Jornal Nacional. Quem presta atenção ao sentido das palavras percebeu o tamanho do desastre. Os entrevistadores quiseram saber o óbvio: como se justifica o discurso da “nova política” quando a rede de empresas fantasmas e laranjas que envolve o avião em que viajavam Eduardo Campos e ela própria é a evidência escancarada da velha política? A candidata, é claro, não conseguiu achar uma resposta porque resposta não há. 

Em nenhum momento, revejam a entrevista depois no site do Jornal Nacional, ela admitiu que crimes óbvios foram cometidos. Mais do que isso: tentou desqualificar, ainda que com aquele seu jeitinho simples, de apelo telúrico, o trabalho da imprensa. Segundo disse, a verdade não virá das reportagens, mas da investigação da Polícia Federal. Como assim? Imprensa, de fato, não é a última instância na apuração de crimes. Nesse caso, no entanto, ela já chegou mais longe do que a polícia. As empresas fantasmas e seus laranjas vieram à luz. Como explicar? Pior ainda: com um discurso oblíquo, Marina sugeriu que a apuração da verdade pode ser um desrespeito à memória de Eduardo Campos.

Até aí, Marina estava na fase da enrolação, mas ainda não havia atingido o patético. William Bonner lembrou que ela e seu  vice, Beto Albuquerque, divergiram sobre algumas questões essenciais, como as culturas transgênicas e a pesquisa com células tronco embrionárias. Como posições inconciliáveis se juntam numa chapa? Isso é “nova política”? Marina, então, se saiu com a cascata de que o jornalista se fixava apenas nas divergências, não nas convergências… É mesmo?

A contradição óbvia estava no ar. Então, quando os adversários da candidata fazem composições entre divergentes, estamos diante da evidência da “velha política”; quando é ela própria a fazê-lo, aí se tem a prova da “nova política”? O que Marina respondeu? Que os jornalistas estavam equivocados. Por que estavam? Ela não disse. Nem tinha o que dizer.

Patrícia Poeta lembrou que, em 2010, Marina ficou em terceiro lugar na eleição em seu Estado, o Acre, que a conhece bem. Mais uma vez, a candidata tentou acusar a ignorância dos jornalistas: “Talvez você não conheça direito a minha trajetória…” Ora, quem não sabe? A agora candidata do PSB saiu-se com uma frase feita: “Ninguém é profeta em sua própria terra…” Ah, entendi: ela é profeta no resto do Brasil, menos no Acre. Listou os interesses que teve de contrariar e coisa e tal. Chegou a sugerir que enfrentou a máquina do governo do Acre. Aí estamos no terreno da piada. Ela participa, por meio de aliados, do governo do Estado desde 1999. É parceira dos Irmãos Viana. Seu marido era secretário de estado até a semana passada.

Na mensagem final, Marina pediu votos e disse que não é do tipo de política que faz a luta do poder pelo poder… Certo! Isso é para os outros. A entrevista terminou, e ficou claro que a tal “nova política” só é explicável com o auxílio da velha enrolação.

Transgênicos
Quem não conhece o assunto não se deu conta do tamanho de uma das besteiras que disse. Afirmou que nunca foi contra os transgênicos (o que é falso, mas vá lá), mas que defendia que houvesse áreas livres dessa modalidade de cultura, numa coexistência entre os dois modelos. Felizmente, perdeu a batalha.

Qual é o objetivo dos transgênicos? Aumentar a produção com sementes que já são imunes a determinadas pragas. Ora, imaginem o que aconteceria se, em certas áreas, os transgênicos fossem proibidos e, em outras, permitidos. O resultado óbvio: as terras sujeitas a veto teriam de receber doses cavalares de agrotóxico. Mais: ainda que a proibição atingisse apenas uma parte das terras férteis, é claro que o Brasil não exibiria o robusto desempenho que exibe na agricultura.

Mas eis Marina. Ela se tornou especialista em assuntos sobre os quais ninguém – nem ela própria – entende nada.

Em tempos normais, a entrevista poderia ser devastadora pra ela. Nestes dias… Estamos voando no escuro. A gente sabe em que isso costuma resultar.

Texto publicado originalmente às 21h47 desta quarta

 

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 6:04

PT: É difícil renunciar subitamente a um grande ódio

Nada muda na campanha do PT com a ascensão de Marina Silva. É difícil acreditar que assim seja, mas isso é, ao menos, o que diz Rui Falcão, presidente do partido. Na noite desta quarta-feira, Dilma Rousseff reuniu no Palácio da Alvorada o comando político de sua campanha e os respectivos presidentes das nove legendas que a apoiam. Falcão falou com a imprensa ao término do encontro, que durou uma hora e meia, e afirmou que tudo ficará como está. Segundo disse, o grupo avaliou que Dilma foi a que teve o melhor desempenho no debate da Band. Não ficou claro se Falcão tentava enganar os jornalistas, enganar a si mesmo ou enganar os seus pares.

Escreveu o poeta latino Catulo, numa de suas infindáveis crises amorosas com a sua Clódia, que vivia a lhe pôr chifres: “Difficile est longum subito deponere amorem”. É difícil renunciar subitamente a um grande amor. E mais difícil ainda é renunciar a um grande ódio — mesmo que seja um ódio sem sentido, que serve apenas ao propósito político. Clódia e Catulo se amavam, mas ela, possivelmente, o traía. Quem odeia não sabe trair: jamais abandona o objeto de seu culto às avessas.

Por que digo isso? O PT combate o PSDB desde 1988, quando este partido foi criado. De maneira sistemática, metódica, incansável, obsessiva, desde 1995, quando FHC chegou à Presidência da República. Fez-lhe oposição ferrenha durante oito anos e depois passou outros 12, no poder, a demonizá-lo. O partido não tem repertório para enfrentar um adversário como Marina. Não que ela represente algo de novo. Essa é uma das tolices mais influentes que andam por aí. Em certa medida, nada representa mais a velha política do que Marina Silva, aquela que pretende falar acima e além dos partidos. Ocorre que, reitero, o PT não se preparou para isso. E, vejam vocês, segundo as pesquisas, quem hoje vence Dilma no segundo turno, e com folga, é… Marina.

O ódio que o PT sempre devotou a seu adversário preferencial, o PSDB, em certa medida, se voltou contra o próprio partido. Os petistas passaram a ser tucano-dependentes. Não têm outro repertório que não a tal luta do “nós contra eles”, do “povo contra as elites”… Vem Marina e os carimba a todos como políticos tradicionais.

Depois de 12 anos de poder, o partido de Lula viu-se tentado a aderir à estética obreirista, do “construí e aconteci”, que só tem passado, não futuro, da qual Marina passou a fazer pouco caso, com sucesso até agora. Disse Rui Falcão, no entanto: “Nós vamos continuar mostrando o que fizemos e apontando as propostas de continuidade das mudanças. Toda vez que houver oportunidade de expor tudo o que nós fizemos e tudo o que vamos fazer, isso é favorável para nós”.

Então tá. Destaco que essa política e essa estética são desdobramentos daquela velha demonização do seu adversário preferencial: afinal, “nós fizemos mais do que eles”. Marina chega e diz: “Isso tudo é propaganda; não é o país de verdade”. E os petistas, até agora, estão sem resposta.

Por quê? Porque é difícil renunciar subitamente a um grande ódio. Se o que Falcão disse a jornalistas reproduzir a qualidade daquela hora e meia de debate, Dilma pode começar a fazer as malas para mudar de endereço.

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 5:45

Com Franklin Martins no “Muda Mais”, Dilma não precisa de inimigos!

Por Naiara Infante Bertão e Gabriel Castro, na VEJA.com:
O site Muda Mais, mantido pelo PT e criado para divulgar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição, publicou um texto na noite de terça-feira com potencial de fazer tremer bancos, investidores, empresas e o próprio eleitor. O texto evidencia o que pensam as facções ideológicas mais perigosas do partido — e que, se afagadas, podem colocar em risco a estabilidade econômica numa hipótese de reeleição da presidente. Intitulado “Tem candidato que defende a autonomia do Banco Central: saiba por que isso é ruim para a sua vida”, o texto foi publicado justamente quando o tema da autonomia da autoridade monetária era colocado em discussão no debate entre os candidatos à Presidência, transmitido pela Band.

Propondo-se a explicar como isso interfere no cotidiano do brasileiro, o material discorre sobre o que é o BC e como ele atua na condução da política monetária. “A autonomia do Banco Central é uma medida fundamentalmente neoliberal. Os adeptos dessa teoria acreditam que o salário e o emprego se mantêm estáveis pela autorregulação do mercado, portanto é desnecessária (e eles acreditam ser prejudicial) a interferência do estado nas questões econômicas”, diz o texto.

O tema foi trazido à discussão eleitoral justamente porque, ao longo do governo Dilma, as decisões técnicas do BC sofreram interferência do Palácio do Planalto, com a presidente traçando meta de redução da taxa básica de juros num momento em que a inflação apresentava trajetória crescente. Em 2012, Dilma chegou a afirmar que a Selic seria reduzida a 9% até o fim daquele ano — o que, de fato, se concretizou sem que as condições macroeconômicas permitissem tal afrouxamento. A Selic caiu mais do que o previsto, a 7,25%. Mesmo diante da suspeita de ingerência, que causou danos à imagem do BC que ainda não foram reparados, o governo jamais reconheceu sua atuação junto ao presidente da autoridade, o economista Alexandre Tombini.

O texto, apesar de não ser de autoria do governo, pertence ao site mantido pelo partido justamente para comunicar aos jovens a opinião defendida por suas lideranças. “Pedir um BC autônomo hoje só acontece porque ele deixou de ser nos últimos anos. Havia o desejo expresso da presidente em derrubar a Selic a qualquer custo, sendo esse custo a inflação”, afirma Sérgio Vale, economista da MB Associados.

Independência
Apesar de os diretores do BC serem nomeados pelo governo, sua atuação deve ser independente e essencialmente técnica — por essa razão, o quadro não é composto de nomes ligados a partidos políticos. Há casos em que tal autonomia é garantida por lei, como ocorre na Grã-Bretanha, por exemplo — e esse é o projeto defendido pela candidata Marina Silva, do PSB. O tucano Aécio Neves também afirmou não descartar tal alternativa. Segundo o economista Otto Nogami, professor do Insper, a necessidade de se ter um BC independente, seja por lei ou por decisão do próprio governo, se deve ao fato de as políticas monetária e fiscal serem conflitantes. “Enquanto um defende gastos públicos para o crescimento da economia, o outro deve ter ação restritiva, pois os gastos públicos podem ser inflacionários. Daí a necessidade da independência do BC. Caso contrário, há conflito de interesses”, diz Nogami.

Já o PT pensa diferente. Diz o texto: “Dar autonomia completa ao Banco Central significa que o governo vai abrir mão de parte importante da gerência do país. O presidente do BC, que não será mais escolhido por uma figura que representa o povo, terá poder absoluto sobre as taxas de juros, crédito e valor da moeda”. A frase mostra um completo desconhecimento sobre a figura dos banqueiros centrais. Os técnicos escolhidos para gerir a autoridade não representam o povo. Por isso, não são políticos. Em teoria, são simplesmente profissionais de carreira capacitados para exercer a função, como ocorre nas demais democracias do mundo.

Inflação
Mais grave que a visão distorcida sobre a atuação do BC está a percepção sobre a inflação. Segundo o texto, “neoliberais defendem que o controle da inflação a níveis que atendam exigências dos mercados é a única prioridade, não importando os estragos no meio do caminho”. A inflação tem sido uma das maiores derrotas do governo Dilma, que, mesmo administrando preços como o da gasolina e o de energia, não consegue trazê-la ao centro da meta, de 4,5% ao ano. Ao cortar os juros em 2012, sem que houvesse um cenário propício para tanto, o BC tornou ainda mais distante o cumprimento da meta.

Agora, mesmo com a recente alta dos juros (a Selic está em 11% ao ano), o IPCA continua no teto do limite determinado pelo BC, deteriorando o poder de compra da população. O uso de instrumentos de política monetária para controlar a inflação é visto pelo partido (e tal visão também é atribuída a Dilma, segundo o texto) como forma de defender “os interesses do mercado”, e não a estabilidade econômica — ferramenta tão necessária para proporcionar um ambiente de crescimento e geração de emprego. “O Poder Executivo deve delegar parte de seu poder ao BC como faz com as agências reguladoras. Não tem nada a ver com o neoliberalismo e sim com a forma como o regime democrático funciona. Há diferenças entre Estado e governo, e partido e Estado. A dificuldade de quem escreveu o texto é entender isso. Confunde o partido com o governo e com o Estado”, afirma o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central.

Procurados pelo site de VEJA, integrantes da campanha de Dilma disseram estar constrangidos pelas afirmações publicadas pelo site do partido. Situação semelhante ocorreu quando o Muda Mais publicou críticas pesadas ao comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O primeiro episódio levou o PT a desvincular o site da campanha presidencial. A página, que é comandada pelo ex-ministro Franklin Martins, passou a ser ligada diretamente ao partido. Franklin entrou em confronto direto com a equipe mais próxima a Dilma porque aposta no conflito com adversários e em críticas ácidas. Com uma atuação presente nas redes sociais, o Muda Mais atua como uma espécie de porta-voz da campanha para um público mais jovem.

Oficialmente, a equipe de campanha disse ao site de VEJA que a página do Muda Mais não expressa a opinião da campanha e que Dilma não é contra a independência do Banco Central.

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 3:31

Presidente do BB pagou multa para se livrar de investigação

Por Leonardo Souza, na Folha:
O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, pagou multa de R$ 122 mil à Receita Federal para se livrar de questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio pessoal e um apartamento pago com dinheiro vivo em 2010. Bendine foi autuado por não comprovar a procedência de aproximadamente R$ 280 mil informados em sua declaração anual de ajuste do Imposto de Renda. Na avaliação da Receita, o valor de seus bens aumentou mais do que seus rendimentos declarados poderiam justificar.

Dirigente da maior instituição financeira da América Latina, Bendine tem por hábito declarar que mantém dinheiro vivo em casa, de acordo com documentos aos quais a Folha teve acesso. Ele informou em suas declarações à Receita ter recursos em espécie quatro anos seguidos, entre 2009 e 2012, no valor de pelo menos R$ 400 mil. Bendine entrou no radar da Receita Federal em 2010, quando a Folha revelou que ele comprara um apartamento no interior de São Paulo pelo valor declarado de R$ 150 mil, pagos integralmente em espécie. O executivo também declarou ter feito obras no imóvel no valor de R$ 50 mil. Ao justificar a legalidade da transação imobiliária, ele informou que declarou à Receita possuir R$ 200 mil em dinheiro vivo em casa, guardados desde 2009.

Em 2012, os auditores da Receita enviaram a Bendine um extenso questionário sobre suas despesas em 2010, perguntando quanto ele gastara com seus cartões de débito e crédito, com saúde, educação e outras despesas. O executivo prestou as informações solicitadas, mas não convenceu. Em novembro de 2012, foi autuado em R$ 151 mil, incluindo multa e juros. Ele não contestou a autuação e pagou o auto à vista, ganhando um desconto. Assim, a conta caiu para R$ 122.460. Bendine diz que não discutiu com a Receita a origem dos recursos usados na compra do apartamento e diz que o auto de infração resultou de um mero erro em sua declaração à Receita. Mesmo depois de identificar o erro, ele não retificou a declaração.

Questionado pela Folha, Bendine não quis falar sobre o dinheiro, alegando tratar-se de uma questão familiar.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 22:33

TCU, Graça Foster e a política nos tribunais

O TCU já formou uma maioria contra o bloqueio dos bens de Graça Foster, presidente da Petrobras. O processo diz respeito às irregularidades apontadas pelo tribunal na operação que resultou na compra da refinaria de Pasadena. Olhem aqui: nem vou entrar, de novo, no mérito da aquisição. O que soa escandaloso é que seja empregado com Graça um critério distinto daquele que valeu para os demais diretores. Para ser claro e preciso: os ministros José Jorge, o relator, e Augusto Sherman defenderam para ela a mesma medida aplicada a 11 outros diretores. Aos dois votos, no entanto, seguiram-se outros cinco contra a indisponibilidade de bens. Quem deu início à divergência foi Walton Alencar Rodrigues. E o fez com tal entusiasmo que chegou a dizer que, em lugar de Graça, teria atuado do mesmo modo. 

Vamos ver. O que segue agora é uma espécie de crônica de costumes – ou de maus costumes de Brasília. Há muito tempo já, o petismo faz, como direi?, malabarismos de natureza política às portas dos tribunais superiores e do TCU. A pressão, desta feita, foi fortíssima. Não custa lembrar: se o tribunal tivesse tornado indisponíveis os bens de Graça Foster, ela teria de deixar a Presidência da Petrobras. 

Em Brasília, muita gente se conhece, né? Walton é marido de Isabel Gallotti, ministra do Superior Tribunal de Justiça. Aqui vai uma informação – não se trata da denúncia de um crime, mas da revelação de um hábito. Em 2008, Lula queria nomear um negro para o STJ. O desembargador federal Benedito Gonçalves estava na lista, mas Isabel, mulher de Walton, também queria a vaga. O então presidente deixou claro que havia chegado a vez de Benedito, mas que Isabel seria a próxima. E assim se fez. Em 2010, a mulher de Walton tomou posse no STJ. O interlocutor de Lula nessas conversas era o então presidente do tribunal, Cesar Asfor Rocha, a quem o petista acenava com uma vaga no Supremo, promessa nunca cumprida. Sigamos. 

Em abril deste ano, Douglas Alencar Rodrigues, irmão de Walton e cunhado de Isabel, que era ministro do TRT do DF, tomou posse como ministro do TST. Alguém, a esta altura, pode se perguntar: “Mas o que isso quer dizer, Reinaldo?”. Eu acho que isso quer dizer que as coisas não poderiam ser feitas dessa maneira. Como as duas nomeações dependeram da vontade do Executivo, acredito que o ministro Walton faria melhor se tivesse se declarado impedido no caso de Graça. Seria mais prudente para a democracia do que seu entusiasmado voto contrário à indisponibilidade de bens.

Reitero: não estou contestando o currículo de ninguém. Até parto do princípio de que a mulher e o irmão de Walton têm méritos para ocupar o cargo que ocupam, mas é preciso indagar, então, se os canais não estão se misturando, não é mesmo? Ademais, não é segredo para ninguém que Lula, pessoalmente, se mobilizou para interferir no julgamento do TCU. Convocou para uma reunião em São Paulo, e foi atendido, José Múcio, que foi seu ministro das Relações Institucionais. Mais: há muito se acena para ministros do TCU com uma vaga no Supremo. O próprio Walton é um pré-candidato. O outro é Benjamin Zymler.  

É dispensável dizer que tribunais superiores não deveriam ser submetidos a esse tipo de especulação. É dispensável dizer que o TCU, que é um órgão de assessoramento do Congresso, deveria se manter longe do mercado político. Mas assim são as coisas. O leitor tem o direito de saber para formar seu próprio juízo.

 

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 21:31

“Cadastro do Bolsa Família é uma caixa-preta”, diz Aécio

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira que falta transparência ao governo da presidente-candidata Dilma Rousseff na gestão do programa Bolsa Família. “O cadastro do Bolsa Família é uma caixa-preta”, disse o tucano em sabatina promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo. Aécio disse ainda que, se eleito, vai expandir e ampliar o programa.

“A grande verdade é que o programa do atual governo para o Nordeste se resumiu ao Bolsa Família. Queremos a superação da pobreza. A pobreza pode fazer bem ao PT, mas nós queremos acabar com ela. A privação de renda é uma vertente da pobreza, mas não é a única. O Família Brasileira (como Aécio batizou a ampliação do Bolsa Família) vai classificar as famílias em níveis de carência. Há famílias com outras carências que podem ser ajudadas pelo estado”, afirmou.

Na entrevista, o tucano também disse que pretende cortar até 7.000 cargos comissionados na máquina federal se for eleito – um terço dos 23.000 postos atuais. “O Brasil quer um Estado eficiente, que gaste menos com sua estrutura para gastar mais com as pessoas”, afirmou.

Ao falar do time que o acompanha – ontem, ele anunciou que, se eleito, nomeará o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como seu ministro da Fazenda –, Aécio ironizou Marina Silva, que tem dito que pretende governar com quadros dos governos do tucano Fernando Henrique Cardoso e do petista Luiz Inácio Lula da Silva. “Ela precisa escolher por qual modelo vai optar.”

Aécio falou também sobre Banco Central em seu eventual governo. Evitou citar nomes que poderiam compor a autoridade monetária, mas garantiu que a instituição terá autonomia operacional, caso seja eleito presidente. Segundo ele, o fundamental é que o BC tenha independência operacional. “Se haverá ou não lei sobre isso é secundário”, afirmou.

Ele disse também que vai promover uma política fiscal transparente e classificou a do atual governo como “uma peça de ficção”. Segundo ele, é preciso dar transparência à equipe econômica. “Não sei quais bombas relógios o governo deixou armadas”, disse, evitando falar qual seria sua meta para o superávit primário. Aécio afirmou que é importante deixar um superávit, mas seria precipitação dizer o montante. “Grande parte da perda de credibilidade vem da pouca transparência dos dados oficiais.”

O presidenciável tucano voltou a dizer que a Petrobras e a Eletrobras estão frequentando hoje as páginas policiais da imprensa, em vez das páginas de economia, e defendeu a necessidade de repensar a matriz energética brasileira, dando prioridade a fontes de energias alternativas, como a eólica e a biomassa.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 20:02

Governo pressiona, e maioria do TCU vota contra bloqueio de bens de Graça Foster

Por Laryssa Borges, na VEJA.com. Volto no próximo post.
Depois de intensa pressão do Palácio do Planalto, o governo conseguiu nesta quarta-feira maioria entre os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), e a Corte rejeitou incluir a presidente da Petrobras, Graça Foster, entre as autoridades que deveriam ter os bens bloqueados por ter participado, pelo menos em uma fase, da desastrada compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Até o momento, cinco ministros votaram por excluir Foster e o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada, do bloqueio de bens, mas um pedido de vista do ministro Aroldo Cedraz interrompeu a conclusão do julgamento. O caso deverá ser retomado em até duas semanas.

A operação Pasadena, considerada uma das mais malfadadas da história da estatal, impôs à empresa prejuízo de 792 milhões de dólares. O plenário do TCU já havia isentado de responsabilidades a presidente Dilma Rousseff e os demais integrantes do Conselho de Administração da empresa na época do negócio, mas ainda discutia, sob ampla pressão do Executivo, se Foster deveria ou não ter os bens bloqueados. Mesmo livre da indisponibilidade de bens, considerada uma medida extrema pela maior parte dos ministros do TCU, Foster deverá apresentar defesa ao TCU sobre a compra da unidade de refino no Texas.

Nesta quarta-feira, a indisponibilidade de bens de Graça Foster foi defendida pelos ministros José Jorge e Augusto Sherman, que consideraram que a atual presidente da Petrobras teria responsabilidade por um prejuízo de 92,3 milhões de dólares amargado pela petroleira após a diretoria executiva ter decidido, em 2009, descumprir a sentença arbitral que obrigava a empresa a comprar a segunda metade da refinaria de Pasadena.

Para a maioria dos ministros, porém, a decisão da estatal de esgotar todos os recursos judiciais antes de pagar a empresa belga Astra, que era sócia da Petrobras em Pasadena, foi baseada em “critérios técnicos razoáveis, sem nenhum dolo ou culpa dos administradores”. “Dolo e culpa não existiram. Se a diretoria da Petrobras não fizesse isso (tivesse recorrido à Justiça), gestores poderiam ser responsabilizados por não tentar todos os artifícios”, afirmou o ministro Walton Alencar Rodrigues, o primeiro a defender em plenário a exclusão do nome de Foster. Ele chegou a afirmar que, se fosse um dos diretores da Petrobras, teria tomado a mesma decisão de não pagar a empresa Astra antes de decisões definitivas da Justiça. Para o ministro, a disputa judicial foi uma “medida de salvaguarda do patrimônio da empresa” e “não foi tentativa aventureira da Petrobras”.

“Há um limite muito tênue entre ilicitude e risco natural da atividade negocial. A decisão de esgotar os recursos na justiça é perfeitamente justificável. O parceiro (Astra) não era confiável, como denotam os atos em todas as suas tratativas”, alegou o ministro Benjamin Zymler ao rejeitar a indisponibilidade de bens de Graça Foster.

Apesar do placar parcial de 5 votos a 2 contra o bloqueio de bens, o advogado-geral da União (AGU), ministro Luís Inácio Adams, contabilizou o julgamento desta quarta-feira como uma vitória definitiva do governo. Mesmo que haja a possibilidade, na próxima sessão, de mudança de voto dos ministros, a probabilidade é muito baixa. “O tribunal tomou uma decisão clara, que ainda não foi formalizada por conta do pedido de vista. Essa convicção (de isenção de Foster) dos ministros permanece e está consolidada. O tribunal fez justiça para a Petrobras, para a administração da empresa”, disse ao final do julgamento. Adams fez movimento inédito, chancelado pela presidente Dilma, ao fazer uma sustentação oral no TCU em favor de Graça, além de visitar os ministros, um a um, para tentar dissuadi-los da decisão de bloqueio de bens. Questionada por jornalistas sobre o papel da AGU no caso, Dilma afirmou que as críticas são “maluquice”.

Ainda que o TCU tenha decidido não bloquear os bens da presidente da Petrobras, dirigentes, ex-dirigentes da empresa e a própria Graça Foster serão ouvidos para esclarecer as responsabilidades pela compra da refinaria no Texas em um procedimento conhecido como Tomada de Contas Especial (TCE). Para o procurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Paulo Bugarin, a apresentação dos argumentos dos representantes da Petrobras na fase do TCE será crucial para definir se o bloqueio de bens de ex-dirigentes, como o ex-presidente da empresa José Sergio Gabrielli, permanece ou não. Na fase do TCE, a depender das defesas apresentadas, o TCU pode rever a decisão desta quarta e bloquear os bens da cúpula da petroleira.

Transferência de bens
Nesta sessão plenária, o TCU concluiu que a transferência de imóveis feita por Graça Foster e pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, revelada na semana passada, não foi motivada, em uma primeira análise, pelo processo que analisa as responsabilidades pela compra de Pasadena. Na última quarta-feira, o TCU adiou o julgamento deste caso após denúncia de que a atual presidente da Petrobras e Cerveró começaram a transferir imóveis para o nome de parentes. A denúncia, publicada pelo jornal O Globo, revelava que parentes dos dois receberam a doação de apartamentos no Rio de Janeiro, “com reserva de usufruto”.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 17:36

Aécio: “Brasil já pagou muito caro pela inexperiência dos que estão hoje no poder”

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
No dia seguinte à pesquisa Ibope que apontou Marina Silva (PSB) com 29% das intenções de voto na corrida pelo Planalto, o tucano Aécio Neves endureceu o tom contra a ex-senadora. “O Brasil não é um país para amadores”, afirmou nesta quarta-feira, em referência à adversária. Em evento que marcou o lançamento de uma plataforma para jovens voluntários no comitê estadual do PSDB, Aécio procurou salientar a inexperiência de Marina e classificou as propostas tucanas como “mais consistentes”. “O Brasil pagou muito caro pela inexperiência daqueles que hoje estão no poder. E eu acredito que não vai querer correr novos riscos. Nós somos a mudança segura, responsável e com os melhores quadros”, disse o tucano, alvo da artilharia da candidata do PSB no primeiro debate entre presidenciáveis na TV. “O Brasil não é um país para amadores”, completou.

O tucano ainda afirmou que a proposta do partido “não é improvisada, é consistente”, em contraponto aos planos apresentados pela candidata do PSB. Acompanhado pelo candidato a vice, o senador Aloysio Nunes Ferreira, Aécio cobrou empenho dos voluntários. Já Aloysio reforçou que a corrida eleitoral é “extremamente competitiva” e com “três candidatos que poderão e deverão dividir a atenção do eleitorado” na reta final. O vice de Aécio afirmou ainda que a presidente-candidata Dilma Rousseff vive em um “universo paralelo, acha que está tudo muito bem”.

Contra Marina, Aloysio disparou: “Temos uma pessoa que não sabemos se é governo ou se é oposição. Alguém que se apresenta como quem foi ungida pela providência para, de repente, instituir a nova política”, afirmou Aloysio. “Mas, não há nova política contraposta à velha política. O que há é a boa política contraposta à má política. E a boa política é a política de propostas”, completou o vice de Aécio. O presidenciável, no entanto, minimizou o impacto da pesquisa eleitoral desta terça – em que aparece com 19% das intenções de voto, fora de um eventual segundo turno – e afirmou que “pesquisas importantes são aquelas que serão feitas no dia da eleição”.

Avião
Questionado pelo site de VEJA se pretende cobrar de Marina explicações sobre o uso do jato que até agora não consta das prestações de conta da campanha socialista, Aécio afirmou: “Essa é uma questão que não cabe a mim fazer. Espero que o partido saiba dar as informações”. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a aeronave que caiu no último dia 13, matando o então candidato Eduardo Campos, não poderia ser utilizada na campanha por estar em nome da AF Andrade, de usineiros de Ribeirão Preto (SP). A legislação só permitiria que o jato fosse usado na campanha como doação se a AF Andrade atuasse no ramo de táxis aéreos. Além de Campos, Marina também utilizou o avião em atividades de campanha. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 16:08

Uma rede de empresas fantasmas e laranjas… Naquele avião, não estava o voo do novo

Se o Brasil fosse um ente, com um centro organizador do pensamento, seria o caso de lhe propor um desafio: escolher, afinal de contas, que democracia pretende ter — desde, é claro, que fizesse uma escolha prévia: decidir se pretende ou não continuar na trilha democrática.

Leio que Marina Silva deixou para revelar, na entrevista de hoje ao Jornal Nacional, a sua explicação para o grave imbróglio do avião sem dono que serviu à campanha do PSB. Ele não transportou apenas Eduardo Campos. A própria Marina foi sua usuária. O aparelho era apenas a parte voadora de uma estrutura de campanha que continua a servir a agora candidata titular.

Reportagem levada ao ar, nesta terça, pelo Jornal Nacional, evidencia a existência de um esquema obviamente criminoso envolvendo o avião. E não estamos falando apenas de crimes eleitorais. Também os há de outra ordem. Resta evidente que há uma rede de empresas fantasmas para disfarçar a origem do dinheiro — vindo de onde? Pessoas foram usadas como laranjas na operação, algumas delas, é bem possível, sem que nem mesmo soubessem.

Vamos repetir, no caso no avião, o mesmo paradigma empregado no caso do mensalão? Vamos considerar que aquela que acabou sendo a beneficiária principal de um esquema criminoso não tem de responder nem politicamente por ele? Não estou aqui a inferir que Marina soubesse, necessariamente, das tramoias e das lambanças. A questão principal, no que lhe diz respeito, é de natureza política, não penal.

No debate desta terça-feira, na Band, a candidata insistiu na tecla da “nova política”. Mais de uma vez, pregou a necessidade de o país se livrar do que considera “polarização” entre PT e PSDB, mesmo reconhecendo o que considera heranças positivas dos dois partidos. Deu a entender que, com ela, a coisa é diferente.

Vamos aguardar, então, as suas justificativas logo mais. Qualquer coisa que não seja a admissão de um crime eleitoral escancarado, óbvio, indisfarçável, será apenas expressão de uma farsa.

Ocorre que, numa sociedade democrática, existem leis, que devem ser cumpridas. Se crime houve — e houve —, Marina é também beneficiária de seus efeitos. A sua candidatura deriva daquela estrutura; aliás, ela só é candidata porque aquele avião se tornou uma espécie de protagonista de uma narrativa, não é mesmo?

Por muito menos, vereadores, prefeitos e deputados tiveram cassados seus mandatos. Não é verdade, então, que Eduardo Campos e Marina estivessem a tecer a rede de uma nova política. Ao contrário: nada mais velho do que tudo o que se sabe sobre o avião e sua, esta sim, rede de empresas fantasmas e laranjas.

Estou curioso para saber que resposta dará Marina 14 dias depois do acidente. Que os brasileiros ouçam a sua explicação. E que decidam se estamos, mesmo, diante do novo ou se, de novo, o velho lobo se finge de cordeiro.

Naquele avião, está claro, não estava o voo do novo.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 15:36

Diogo Mainardi, Marina e eu

A Folha desta quarta traz um artigo do meu querido amigo Diogo Mainardi intitulado “Sou Marina (até a posse)”. Lê-se, por exemplo:
“(…)
O voto nulo é sempre o melhor –o menos vexaminoso, o menos degradante. Isso não quer dizer que não me interesse pelas eleições. Ao contrário: acompanho fanaticamente todas as campanhas e, no tempo ocioso, que corresponde a mais ou menos quatro quintos de meu dia, pondero sobre a fanfarronice daquela gente pitoresca que pede nosso voto. Além de ponderar sobre a fanfarronice daquela gente pitoresca que pede nosso voto, sou um especialista em torcer contra.

Torci contra Fernando Henrique Cardoso em 1998. Torci contra Lula em 2002. Torci contra Lula –e torci muito– em 2006. Torci contra Dilma em 2010. Agora estou torcendo novamente contra ela. Como se nota, além de ser um especialista em torcer contra, sou também um especialista em derrotas eleitorais. E quem se importa? Com tanto tempo ocioso, aprendi a esperar.

A candidatura de Marina Silva, para quem só sabe torcer contra, como eu, é muito animadora. Depois de 12 anos, há uma perspectiva real de derrotar o PT. E há uma perspectiva real de derrotar o PSDB, sem o qual o PT tende a desaparecer, pois perde seu adversário amestrado.
(…)”

Neste blog, escrevi um post com o seguinte título: “Por que jamais votaria em Marina Silva — nem que ela viesse a disputar o segundo turno com Dilma. Ou: Voo cego de um avião sem dono”. Escrevi:
“Não caio nessa [votar em Marina], sob pretexto nenhum — nem mesmo ‘para tirar o PT de lá’. Na democracia, voto útil é voto inútil. Se Deus me submetesse à provação — espero que não aconteça — de ter de escolher entre Dilma e Marina, escolheria gloriosamente “nenhuma”! Se a turma do coquetel Molotov estava sem candidata e agora encontrou a sua, eu, que sou um partidário da democracia representativa e das instituições democráticas, deixarei claro, nessa hipótese, que estarei sem candidato no segundo turno. Mas torço e até rezo para que o Brasil seja poupado.”

É uma divergência? Claro que sim! É apenas uma delas! Temos, Diogo e eu, muitas outras. Felizmente! Aliás, temos, ele e eu, amigos; não pertencemos a quadrilhas ideológicas, eventualmente unidas pelo amor aos anúncios de estatais, como se tornou moda no governo petista. Aliás, Diogo também integra, a exemplo deste escriba, o grupo das “nove cabeças” que o sr. Alberto Cantalice, chefão do PT, gostaria de cortar.

Só escrevi aquele post anunciando que jamais votaria em Marina porque reconheço, é evidente, os motivos por que muita gente que respeito e admiro faria e fará o contrário.

Para encerrar: ontem, confesso, comecei a assistir ao debate movido por um espírito que me acompanha sempre. Eu me preparei para ser convencido do contrário. Assim que Marina decidiu reconhecer as contribuições do PSDB e do PT ao Brasil e pregou, em seguida, a necessidade de a gente se livrar do PSDB e do PT, conclui que ela não junta lé com lé, cré com cré. E não junta daquela sua maneira caudalosa, envolta naqueles panos, que insinuam uma alma sublime. Pra mim, não dá.

Quanto ao mais, imaginem se Diogo seria menos querido por causa de Marina Silva, PSB, eleições… O que lastimo, isto sim, repetindo Paulo Francis na orelha que fez para o livro de Mário Faustino, é o fato de a gente acabar se metendo nessas vulgaridades…

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 6:32

LEIAM ABAIXO

Incompreensível! O avião do PSB e seus fantasmas ficaram fora do debate. Ou: Aécio foi o melhor; Marina chuta canelas e grita “falta!”;
Uma rede de empresas fantasmas envolve o avião em que morreu Eduardo Campos. E o PSB não explica patavina!;
Arruda cassado: aplaudimos a boa notícia ou lamentamos o casuísmo do TSE?;
Ibope 7 – Eleição no Rio ainda é de dar medo: Garotinho lidera; Lindbergh segue decepcionando os petistas;
Ibope 6 – Morte de Eduardo Campos alavanca candidato do PSB em Pernambuco; PTB segue na frente;
Ibope 5 – Em MG, petista abre vantagem; para o Senado, tucano dispara;
Ibope 4 – Vejam os números da eleição presidencial em cinco estados;
Ibope 3 – Serra lidera para o Senado, com 33%; Suplicy tem 24%; hora de o ainda senador botar uma melancia na cabeça;
Ibope 2 – Alckmin venceria no 1º turno com 22 pontos de vantagem sobre a soma dos adversários: 50% a 28%; o petista Padilha tem 5% e 26% de rejeição;
Ibope – Marina encosta em Dilma no 1º turno e venceria petista no 2º com boa margem. Ou: Programas do PSDB e do PT são inadequados à nova realidade;
Sim, falarei sobre as pesquisas eleitorais…;
Cessar-fogo por tempo indeterminado entra em vigor em Gaza;
Nota do PSB é uma admissão oblíqua de crime eleitoral;
PSDB, PSB, Marina, Aécio, FHC…;
Uma suave “TPP”: Tensão Pré-Pesquisa;
Querem transferir a inimputabilidade de um Silva para… outra! Ou: A cara beata da mentira;
Quem conhece aviação faz as contas do custo do avião sem dono do PSB;
— Marina tentou explicar a fábula do avião sem dono. Para não variar, deu mais uma de suas declarações incompreensíveis sobre o nada. Ou: Não entro na conversa de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Isso é ruim até como exercício de guerra;
— Na terça-feira gorda, as explicações do PSB para seu voo cego, os números do Ibope e o debate entre os presidenciáveis. Ou: Que venha a clareza!;
— Nove pontos sobre aquele avião…;
— Aguardo a gravação com a resposta de candidato dada ao portal UOL;
— “Aqui entre nós” na VEJA.com;
— Marina: muito avião para pouco sentido

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 6:23

Incompreensível! O avião do PSB e seus fantasmas ficaram fora do debate. Ou: Aécio foi o melhor; Marina chuta canelas e grita “falta!”

A Rede Bandeirantes realizou ontem o primeiro debate entre os presidenciáveis. Por pouco, os maiores derrotados não são os telespectadores — muitos, creio, acabaram vencidos pelo sono. Três horas é tempo demais. Sei que a obrigação de chamar nanicos para o embate dificulta tudo. Mas que é pedreira, lá isso é. Não é fácil ter de ouvir Luciana Genro, do PSOL, a falar mais besteiras do que Levy Fidelix… O debate teve uma falha coletiva escandalosa, que beneficiou uma das candidatas. Já chego lá.

Um mínimo de honestidade intelectual, acho eu, obriga o crítico atento a considerar que o desempenho do tucano Aécio Neves, entre os três candidatos que contam, foi muito superior ao das adversárias. Respondeu ao que lhe foi perguntado, fez críticas, alinhavou propostas e aproveitou a oportunidade para anunciar o que já se dava como certo, mas sem chancela até a noite desta terça: se ele for eleito presidente, Armínio Fraga vai conduzir a economia. Antes assim. Quem estava em busca de conteúdo, basta rever o programa, encontrou um candidato do PSDB afiado.

Dilma também procurou responder às perguntas, justiça se lhe faça. O problema é que estava notavelmente atrapalhada, tropeçando na sintaxe e na fluência. Era visível sua tensão. Nessas horas, vimos isso já nos primeiros debates de 2010, suas frases se perdem em anacolutos, o ritmo da fala fica quebrado, e a gente tem dificuldade de acompanhar a linha de raciocínio.

Quem estava em busca de pose pôde se satisfazer com Marina Silva, do PSB, que estava especialmente agressiva, inclusive na aparência. Aquele ser doce e angelical do horário eleitoral, que fala sorrindo, com a vozinha quase sussurrante, beirando o meloso, não foi ao debate. Em seu lugar, compareceu uma senhora de cenho fechado, sobrancelhas arqueadas, óculos de leitura postos no meio do nariz, a olhar por cima, de modo arrogante. Quando lhe dirigiam uma pergunta, seu semblante reagia como se lhe tivessem dirigido uma ofensa. Nos dois últimos blocos, suponho que por sugestão de assessores, tirou os óculos e passou a sorrir. Não tivesse enveredado pela política, não faria feio como atriz.

Faço aqui um anúncio: quem conseguir achar uma proposta de Marina — uma só que seja — ganha um prêmio. Ela aproveitou seus momentos de fala para investir em paradoxos tão ao gosto dos que a incensam: ora demonstrava o seu lado inclusivo e reconhecia os benefícios que tanto o PSDB como o PT haviam proporcionado ao Brasil, ora tratava os dois partidos como expressões da velha política; ora dizia que queria governar com todos, ora sugeria que ninguém serve a seus propósitos — a menos, claro!, que passem por uma espécie de conversão. A líder da Rede foi notavelmente agressiva com Aécio e Dilma, mas chegou a lastimar, em entrevista posterior ao debate, o confronto entre os candidatos do PSDB e do PT. Ou por outra: chutava a canela e gritava: “Falta!”.

Incompreensível
Um dado me parece incompreensível. Para que serve um debate? Entre outras coisas, para que candidatos expliquem eventuais incongruências entre teoria e prática. Acho estupefaciente que nem os adversários de Marina nem os jornalistas tenham tratado do que, a esta altura, pode e deve ser visto como um escândalo: o avião do PSB que voada no caixa dois. Marina foi usuária da aeronave, é a herdeira da candidatura do partido, pertence legalmente à legenda e está obrigada a dar explicações, sim.

Pois bem! Nesta terça, o partido emitiu uma nota oficial em que nada explica. Na prática, admite a existência do caixa dois. Mais de uma hora antes do início do debate, o Jornal Nacional levara ao ar uma reportagem da maior gravidade (ver post): uma rede de empresas fantasmas, com seus respectivos laranjas, está envolvida na compra do avião. Isso quer dizer que não se está mais falando apenas de crime eleitoral.

O assunto, por incrível que pareça, ficou fora da conversa, enquanto Marina dava aula de educação moral e cívica para seus adversários e se colocava acima do bem e do mal, como representante da nova política. Talvez os jornalistas tenham deixado o caso para os candidatos. Pode ser que os candidatos tenham deixado o caso para os jornalistas. Quem acabou se dando bem foi Marina Silva, que não teve de lidar com seus fantasmas e ainda apontou o dedo acusador contra os adversários.

Assim, convenham, fica fácil.

 

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 5:15

Uma rede de empresas fantasmas envolve o avião em que morreu Eduardo Campos. E o PSB não explica patavina!

Do Jornal Nacional:
O Jornal Nacional obteve, com exclusividade, documentos importantes da operação de compra e venda do jato Cessna, que era usado pelo candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos. O dinheiro que teria sido usado para pagar o avião em que morreu o candidato Eduardo Campos passa por escritórios em Brasília e São Paulo e por uma peixaria fantasma em uma favela do Recife. “Eu estou até desnorteado. Como é que eu tenho uma empresa sem eu saber?”, questiona um homem.

O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade aos extratos da conta AF Andrade – empresa que, para a Anac, é a dona da aeronave. Mas a AF Andrade afirma que já tinha repassado a aeronave para outro empresário, que emprestou para a campanha de Campos. Os extratos que já foram entregues à Polícia Federal mostram o recebimento de 16 transferências, de seis empresas ou pessoas diferentes. Num total de R$ 1.710.297,03. Nos extratos, aparecem os números do CPF das pessoas físicas ou do CNPJ, das empresas que transferiram dinheiro para a AF Andrade. Com esses números, foi possível chegar aos donos das contas.

A empresa que fez a menor das transferências, de R$ 12.500, foi a Geovane Pescados. No endereço que consta no registro da peixaria encontramos Geovane, não a peixaria. “Acha, que se eu tivesse uma empresa de pescado, eu vivia numa situação dessa?”, diz Geovane. Outra empresa, a RM Construções, fez 11 transferências, em duas datas diferentes. Cinco no dia 1º de julho e mais seis no dia 30 de julho, somando R$ 290 mil.

O endereço da RM é uma casa no bairro de Imbiribeira, em Recife. Mas a empresa de Carlos Roberto Macedo não funciona mais lá. “Tinha um escritório. Às vezes, guardava o material do outro”, conta ele. Tentamos falar por telefone com Carlos, mas ele pareceu não acreditar quando explicamos o motivo da minha ligação.

Repórter: Você andou depositando dinheiro para comprar um avião?
Carlos: Tem certeza disso?

Já um depósito de quase R$ 160 mil saiu da conta da Câmara & Vasconcelos, empresa que tem como endereço uma sala vazia em um prédio e uma casa abandonada. Os dois lugares em Nazaré da Mata, distante 60 quilômetros do Recife. A maior transferência feita para a AF Andrade foi de R$ 727 mil, no dia 15 de maio, pela Leite Imobiliária, de Eduardo Freire Bezerra Leite. E completam a lista de transferências João Carlos Pessoa de Mello Filho, com R$ 195 mil, e Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho, advogado com escritórios em Brasília, Recife e São Paulo, com uma transferência de R$ 325 mil.

Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho disse que realizou, em junho, uma transferência bancária de R$ 325 mil e que esse valor é referente a um empréstimo firmado com o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho. O empresário João Carlos Lyra declarou que, para honrar compromissos com a empresa AF Andrade, fez vários empréstimos, com o objetivo de pagar parcelas atrasadas do financiamento do Cessna. A Leite Imobiliária confirmou que transferiu quase R$ 730 mil para a AF Andrade como um empréstimo a João Carlos Lyra.

Já o PSB declarou, nesta terça-feira (26), que o uso do avião foi autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira. E que o recibo eleitoral, com a contabilidade do uso do Cessna, seria emitido ao fim da campanha de Eduardo Campos. O PSB afirmou que o acidente, em que morreram assessores do candidato, criou dificuldades para o levantamento de todas informações.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 4:12

Arruda cassado: aplaudimos a boa notícia ou lamentamos o casuísmo do TSE?

Ai, ai… Vamos lá. Uma votação a meu ver casuística, que conduz à insegurança jurídica, vai livrar o Distrito Federal de ter como governador José Roberto Arruda (PR) — sim, senhores! Aquele da violação do painel do Senado e dos pacotes de dinheiro. Por cinco votos a um — o presidente do tribunal, Dias Toffoli, não votou —, os ministros entenderam que Arruda está com seus direitos políticos suspensos pela Lei da Ficha Limpa. Tiveram esse entendimento os ministros Henrique Neves, Admar Gonzaga, Laurita Vaz, Otávio Noronha e Luiz Fux. Só Gilmar Mendes, com quem concordo, discordou. Por quê? Arruda foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa depois do registro de sua candidatura. O ministro argumentou, e me parece o correto, que é preciso estabelecer um marco temporal para definir a aplicação da lei, ou julgamentos podem ser apressados apenas para cassar candidatos.

E aí, leitor? Aplaudimos porque Arruda não vai ser governador — o que, obviamente, é bom — ou lamentamos o fato de que a decisão enseja insegurança jurídica, o que, obviamente, é ruim? Eu diria que é o caso de aplaudir e de lamentar ao mesmo tempo. Mas eu repudio o muro, sempre. Teria votado como Mendes porque acho que macular o fundamento legal é sempre pior. Sei que não é uma escolha fácil, mas a vida, às vezes, nos coloca diante desses dilemas.

Arruda está fora da disputa. A pior notícia que ele poderia receber chegou no dia em que o Ibope mostrou que sua vantagem havia aumentado. Segundo o instituto, se a eleição fosse hoje, teria 37% das intenções de voto — há um mês, eram 32%. O governador Agnelo Queiroz, do PT, oscilou de 17% para 16%, mesmo índice do senador Rodrigo Rollemberg, do PSB, que tinha 15%.

O homem que teve agora invalidada a candidatura venceria seus oponentes no segundo turno: 45% a 23% contra Agnelo e 39% a 30% contra Rollemberg. Na verdade, o grande ativo eleitoral às avessas do Distrito Federal é mesmo o atual governador, do PT. É contra ele que vota a esmagadora maioria dos eleitores do DF. Vejam que coisa: o senador do PSB tem apenas 16% do primeiro turno, mas venceria o petista no segundo com o dobro dos votos: 44% a 22%. Algo a estranhar? Não! Dizem que não votariam em Agnelo de jeito nenhum 43% dos entrevistados; sua gestão é considerada ruim ou péssima por 48%, e nada menos de 65% reprovam seu modo de governar.

Os petistas também vão amargando uma derrota importante no Senado: Reguffe, do PDT, lidera com 29% das intenções de voto. Geraldo Magela, do PT, tem apenas 16%. Que ironia, não? O PT, que foi o principal beneficiário da desgraça que colheu o então governador José Roberto Arruda, em 2009, vê agora o seu próprio governador ter uma rejeição maior do que a daquele que saiu do palácio para a cadeia.

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados