Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

23/01/2015

às 16:41

Os “petralhas” da Argentina agora dizem que Cristina é que é vítima do promotor “suicidado”

A canalha é igual em toda parte. Então vamos ver. Alberto Nisman, promotor que investigava a ação do governo de Cristina Kirchner para encobrir as pegadas do Irã num atentado terrorista contra uma entidade judaica — 85 mortos —, aparece morto em seu apartamento um dia antes de apresentar ao Congresso as provas que dizia ter. O governo logo se apressou em cravar que fora suicídio, antes mesmo de qualquer perícia. A penca de evidências de que foi assassinado aumenta a cada dia. No Brasil, a canalha faria o quê?

Ora, o que está fazendo na Argentina: acusando a existência de uma conspiração contra… Cristina Kirchner! Já vimos esse procedimento por aqui muitas vezes, não? Logo depois do mensalão, cavalgaduras intelectuais e morais como Marilena Chaui lançaram a teoria do “golpe da mídia, da direita e da oposição” contra o PT. Vale dizer: o comando do partido é flagrado em atos explícitos de corrupção, mas a culpa deve ser atribuída a seus adversários. Tentou-se fazer o mesmo com o petrolão: tudo não passaria de uma grande armação dos que quereriam privatizar a Petrobras.

Uma nota do Partido Justicialista acusa o suposto monopólio da mídia (sempre ela!), juízes e promotores de tentar organizar um golpe contra… Cristina! Haveria um movimento para desestabilizá-la e para enlameá-la. Entenderam? Aquele que havia se constituído no maior risco à reputação da mandatária leva um tiro na cabeça, mas ela é que passa a ser a vítima. Assim como, no Brasil, o PT se declarou vítima — com Lula à frente da gritaria — do imbróglio do mensalão. Não faz tempo, em recente encontro com dirigentes petistas, o Babalorixá de Banânia recomendou que a companheirada andasse de cabeça erguida. Também o petrolão seria uma construção artificial de adversários.

Na Argentina, quem comanda a “reação” é o movimento La Cámpora, uma facção do Partido Justicialista comandado por pistoleiros, a começar do filho da presidente, Máximo Kirchner. O La Cámpora reúne a escória do governismo. É uma espécie de milícia, fartamente financiada com dinheiro oficial, para patrulhar a imprensa, atacar com baixarias inomináveis os adversários do governo, acusar conspirações etc. A pauta número um dos vagabundos é controlar a imprensa. Isso lhes soa familiar? O La Cámpora é a versão argentina dos petralhas.

O texto bucéfalo que ataca os adversários de Cristina e defende a presidente teve a delicadeza de lamentar a morte de Nisman só no 10º parágrafo. Essa banda — ou bando — do Partido Justicialista é a expressão argentina de um tipo de patifaria e de delinquência políticas que se espalha América Latina afora: junta em doses iguais banditismo político, populismo safado e esquerdismo ignorante.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2015

às 16:16

Desmantelamento do modelo petista chega ao mercado de trabalho

É claro que o acúmulo de insucessos do petismo acabaria chegando ao emprego. E a coisa vai piorar. Assim como o tal “modelo” gerou um efeito positivo no mercado de trabalho — mas com prazo de duração —, o seu desmantelamento traria, igualmente, consequências.

Informa a VEJA.com: “O Brasil fechou 2014 com o pior resultado em criação de empregos desde 2002, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho (MTE) nesta sexta-feira. Foram criadas no ano passado aproximadamente 396.993 vagas de emprego, queda de 65% em relação a 2013, quando o saldo líquido foi de 1.138.562 postos de trabalho. O balanço do Caged aponta que o mercado de trabalho fechou 555.508 vagas em dezembro. Mesmo sendo um mês em que tradicionalmente há mais demissões que contratações, o número é o pior desde 2008 (corte de 654.946 postos). A mediana das estimativas de especialistas ouvidos pela agência Reuters era de  fechamento líquido de 500 mil vagas em dezembro”.

Pré-pacotão
E notem que esses números dizem respeito a um país pré-pacotão. Neste 2015, virão os efeitos da recessão programada por Joaquim Levy — mas fiquem tranquilos que isso, um dia, passa… Também virão as consequências da elevação da taxa de juros — 1,25 ponto desde que Dilma foi reeleita.

O mercado de trabalho é a última âncora que, digamos assim, segura o petismo. Os empregos que o seu modelo gerou sempre foram, no mais das vezes, de baixa qualidade, com baixa remuneração. Mas, claro!, melhor isso do que nada.

Como é mesmo aquela máxima da tautologia? As consequências sempre vêm depois! O “crescimento”, conforme o PT o planejou e executou, não era sustentável. Como sustentáveis não eram os seus efeitos. A falência de um modelo tardou a chegar ao mercado de trabalho, mas chegou.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2015

às 16:05

País na pindaíba. Ou: A mistura do excesso de imaginação da heterodoxia burra com a falta de imaginação da ortodoxia acanhada

O déficit em conta corrente do Brasil em 2014 é o pior da história: US$ 90,94 bilhões. Corresponde a uma espécie de admissão da falência do modelo petista. O que foi que deu errado no jeitinho da companheirada de fazer as coisas? Praticamente tudo. O erro não é de operação, mas de teoria econômica.

A crítica não é nova, mas eles sempre deram de ombros. Era um modelo ancorado no consumo, que transformou em cocô — literalmente — a oportunidade que as circunstâncias externas abriram ao país: commodities nas alturas, gerando superávits que poderiam ter sido usados para modernizar a economia. Lula e os petistas, com o aplauso dos tolos, resolveram torrar tudo no consumo. Como, na outra ponta, fazia a vontade de alguns ortodoxos de manual, parecia a descoberta da nova pólvora. Enquanto isso, a indústria caminhava para o buraco. Agora que as commodities despencaram, fazer o quê?

Vão conseguir arrumar a bagunça metendo o país em recessão (e vem recessão)? Acho que não. Agora se juntaram o excesso de imaginação da heterodoxia burra do PT com a falta de imaginação da ortodoxia acanhada.

Trato desse assunto na minha coluna na Folha. Vai mais um trecho:
“Criou-se a versão falsa de que Mantega é que atrapalhou tudo. Ora… Ele não tinha pensamento econômico nenhum, como não tem Levy. Nem um nem outro foram eleitos pra coisa nenhuma. Cada um, a seu tempo, atende ao conjunto das forças que se mobilizaram para dividir o butim –inclusive e muito especialmente os potentados da iniciativa privada que, na maioria das vezes, gostam mesmo é das tetas do Estado. O resto dos brasileiros tem de fundar o MST: o Movimento dos Sem-Teta.”

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2015

às 16:01

Hollande pede coalizão para combater financiamento ao terror

Por Ana Clara Costa, na VEJA.com:Duas semanas após os atentados que mataram dezessete pessoas em Paris, o presidente francês François Hollande se dirigiu a empresários e chefes de estado pedindo uma união de forças para acabar com o financiamento de grupos terroristas. Em discurso durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o presidente francês relembrou os atentados e as manifestações que se seguiram, contando, inclusive, com a presença de chefes de estado. “Só na França poderia ter havido uma mobilização como essa”, disse o presidente.

Hollande alertou que o próprio sistema financeiro atual é conivente com o financiamento a grupos extremistas porque, por meio de suas entranhas, é lavado o dinheiro proveniente de tráfico de armas, drogas e pessoas que ajuda a financiar organizações como a Al Qaeda. “Eu convoco o sistema financeiro a assegurar que as fontes de financiamento ao terrorismo sejam extintas. Precisamos banir a evasão fiscal e a lavagem de dinheiro”, disse o governante. O presidente da França também pediu  para que as grandes empresas da internet contribuam para a luta contra o terrorismo “identificando conteúdos ilegais e os tornando inacessíveis”.O presidente defendeu o estabelecimento de regras para se conseguir esse objetivo e o terrorismo não se aproveitar da tecnologia.

O presidente disse ainda que a França sempre se manteve à frente na luta em favor da liberdade e elogiou a atuação militar do país em áreas de conflito na África. Pediu, no entanto, que os demais países do Ocidente se prontifiquem a também atuar no sentido de combater tentativas extremistas em países onde há constantes ataques, como a Nigéria, Níger, Camarões e o Iêmen. “Não esperem até que seja tarde demais. A luta contra o terrorismo tem de ser global, dividida entre estados, empresas, em especial as grandes, que devem fazer o que estiver ao seu alcance”, disse o francês.

Muitos esperavam um discurso emocionado de Hollande relembrando os ataques. Contudo, o presidente não se deteve mais que dez minutos falando sobre o terrorismo. Os 25 minutos restantes serviram para que abordasse a conferência do clima que ocorrerá em Paris este ano — razão que, segundo ele, o trouxe a Davos — e para enaltecer o dinamismo da economia francesa. O presidente aproveitou ainda para elogiar a ação do Banco Central Europeu, que na tarde de quinta-feira anunciou um pacote de estímulos que deve injetar mais de 1 trilhão de euros nos países do bloco até 2016.

Ouvintes do discurso saíram do local um pouco desanimados. Esperavam que o presidente francês fosse derramar lágrimas em razão dos ataques. Entre eles estava o chefe da Deloitte da França, Alain Pons, que afirmou não ter sentido os espectadores tocados pelo discurso do presidente. “O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, provocou mais entusiasmo na plateia”, disse. Hollande deve retornar a Paris ainda nesta sexta-feira, depois de se encontrar com o secretário de Estado americano John Kerry, que também está em Davos.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2015

às 12:48

Déficit em conta corrente em 2014 é o maior da história

Na VEJA.com:

As contas externas do Brasil terminaram 2014 com um déficit de 90,94 bilhões de dólares, um recorde para a série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 1947. O rombo superou a projeção da instituição, de um resultado negativo de 86,20 bilhões de dólares. Até então, o maior volume havia sido registrado em 2013, de 81,34 bilhões de dólares. Vale destacar que esse resultado deficitário foi 50% maior do que o verificado em 2012, de 54,24 bilhões de dólares, que até então era o pior desde 1947.

O déficit em conta corrente do ano passado ficou em 4,17% do Produto Interno Bruto (PIB), ainda de acordo com os dados do BC, o pior para um ano fechado desde 2001 (4,19%). O maior porcentual da série histórica do BC foi observado em 1974, de 6,80%.

Apenas em dezembro, o resultado ficou negativo em 10,31 bilhões de dólares. Economistas consultados pela Reuters previam saldo negativo de 9,70 bilhões de dólares no mês passado.

O BC informou que os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no país somaram 6,65 bilhões de dólares em dezembro, praticamente em linha com o previsto por analistas consultados pela Reuters. No fechamento de 2014, o IED ficou em 62,49 bilhões de dólares, insuficientes para cobrir o déficit da conta corrente.

Apontada como principal vilã das contas correntes em 2014, a balança comercial registrou um déficit de 3,93 bilhões de dólares, enquanto a conta de serviços ficou negativa em 48,667 bilhões de dólares. A conta de renda também ficou no vermelho, em 40,2 bilhões de dólares.

2015 – Para este ano, a tendência é de mais dificuldades para as contas externas do país, mesmo considerando a recente valorização do dólar em relação ao real, que pode ajudar nas exportações. O governo, no entanto, mantém o otimismo. “A tendência para 2015 é que a balança comercial melhore. A primeira razão é a taxa de câmbio, depois a perspectiva de maior volume de comércio internacional e, na parte de petróleo, a expectativa de que tenhamos um saldo comercial melhor (na conta petróleo)”, afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. A estimativa do BC é de rombo de 83,50 bilhões de dólares em 2015 nas transações correntes do país.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2015

às 7:29

LEIAM ABAIXO

José Dirceu na Lava Jato: ele já mudou de cara duas vezes e de nome, mas será sempre um cara: José Dirceu. Ou: Petista é abatido quando se preparava para fazer oposição a Dilma no PT;
MINHA COLUNA NA FOLHA – Movimento dos Sem-Teta;
Costa confirma que levou propina para não atrapalhar compra de Pasadena. Quem pagou? Fernando Baiano, um amigo do amigão do homem…;
Empreiteiro diz que corrupção pagava base aliada e põe o PT no centro do esquema. Ou: É claro que a Petrobras não era vítima e que também houve extorsão!;
#prontofalei – Cadê José Sérgio Gabrielli?;
Governos de Dilma e Haddad disputam para ver qual o mais “inepto”, diz Serra;
Ministro de Minas e Energia vê risco de apagão. O que foi mesmo que Dilma disse há dois anos e quatro meses? Grande planejadora!;
José Dirceu é investigado na Lava Jato, informa o “Jornal Nacional”;
Caso Nisman: agora Cristina diz estar “convencida” de que não foi suicídio;
Executivo da Engevix diz que Petrobras era um centro de extorsão e pede anulação das delações premiadas;
Serra: modelo petista é cadáver adiado que procria. Ou: Elevação de juros pós-eleição custa R$ 19 bilhões, quase o valor do pacotaço fiscal;
Itamaraty deixa diplomatas à míngua mundo afora. Vamos nomear o Borat ministro;
— Levy pronuncia na quarta a palavra escrita neste blog na terça: “recessão”. Não é preciso ser especialista em economia; basta usar a lógica. Ah, sim: Dilma continua sumida;
— Promotor argentino – Chaveiro nega versão oficial e diz que porta do apartamento estava aberta; havia um terceiro acesso ao imóvel, em que há pegadas e uma digital;
— São Paulo virou cabide de emprego de petistas despejados pelo povo. Ou: Dois novos secretários de Haddad em flagrantes

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2015

às 7:15

José Dirceu na Lava Jato: ele já mudou de cara duas vezes e de nome, mas será sempre um cara: José Dirceu. Ou: Petista é abatido quando se preparava para fazer oposição a Dilma no PT

O petista José Dirceu, que se preparava — já chego lá — para disputar novas posições de poder no PT, é um dos investigados da Operação Lava Jato. Vai ver está aí o motivo que o levou a procurar Lula não faz tempo, sem sucesso, conforme revelou a revista VEJA. O Poderoso Chefão pôs o faz-tudo Paulo Okamotto para falar com o Zé. Nunca foi do tipo que se jogou no mar para salvar um amigo ou aliado. Eh, Zé Dirceu! O homem que nunca teve um trabalho formal, ora vejam!, tornou-se um dos consultores mais bem-sucedidos do país assim que deixou a chefia da Casa Civil, onde ficou de 1º de janeiro de 2003 a 21 de junho de 2005. Ele próprio revelou, certa feita, a razão de seu sucesso como “consultor”.

Em entrevista à revista Playboy em julho de 2007, o repórter quis saber se o fato de ele ter passado pelo governo facilitava o seu trabalho. A resposta foi espantosa. Disse ele:
“O Fernando Henrique pode cobrar R$ 85 mil por palestra, e eu não posso fazer consultoria? No fundo, o que eu faço é isso: analiso a situação, aconselho. Se eu fizesse lobby, o presidente saberia no outro dia. Porque, no governo, quando eu dou um telefonema, modéstia à parte, é um telefonema! As empresas que trabalham comigo estão satisfeitas. E eu procuro trabalhar mais com empresas privadas do que com empresas que têm relações com o governo.”

Vamos ver. FHC deixou a Presidência em 2002. Todos os que o convidavam e convidam para palestras — e palestra não é consultoria — sabem que ele não tem nenhuma influência no Planalto. Será que alguém faz um convite ao tucano esperando que ele dê “um telefonema” ao governo, como o petista admitiu, então, fazer? Em agosto de 2011, reportagem da VEJA revelou que, mesmo processado pelo STF, Dirceu mantinha em Brasília uma espécie de governo paralelo.

O centro clandestino de poder ocupava um quarto no hotel Naoum. O nome do Zé não contava da lista de hóspedes. Quem pagava as diárias (R$ 500) era um escritório de advocacia chamado Tessele & Madalena. Um dos sócios da empresa, Hélio Madalena, já foi assessor de Dirceu. O seu trabalho mais notável foi fazer lobby para que o Brasil desse asilo ao mafioso russo Boris Berenzovski. Tudo gente fina!

A revista revelou, então, que, em apenas três dias, entre 6 e 8 de julho de 2011, o homem  recebeu uma penca de poderosos. Prestem atenção a alguns nomes da lista de notáveis que foram beijar a mão do Zé, com os cargos que exerciam então: Fernando Pimentel, ministro da Indústria e Comércio; José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras; e os senadores Walter Pinheiro (PT-BA); Lindbergh Farias (PT-RJ); Delcídio Amaral (PT-MS) e Eduardo Braga (PMDB-AM).

Encontros de Dirceu 2

Encontros de Dirceu 1

Ninguém precisa intuir, porque o próprio Dirceu confessou, que a posição que ocupara no governo e seu prestígio no PT valiam ouro. Seus “clientes”, afinal, apresentavam suas demandas a um homem sem dúvida poderoso.

E ficamos sabendo, agora, que José Dirceu é um dos investigados no escândalo do petrolão. Segundo revelou reportagem do Jornal Nacional, o Ministério Público Federal encontrou indícios de que ele foi um dos beneficiários do esquema que atuava na Petrobras. A empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda., que o petista mantém em sociedade com Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, seu irmão, recebeu R$ 3,721 milhões de três empreiteiras que estão sob investigação: R$ 725 mil da Galvão Engenharia — em parcelas de R$ 25 mil mensais; R$ 720 mil da OAS, em parcelas de R$ 30 mil, e R$ 2,276 milhões da UTC Engenharia, em dois pagamentos:  R$ 1,337 milhão e R$ 939 mil. A juíza federal Gabriela Hardt determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos irmãos e da empresa.

Vai ver as empreiteiras sabiam que um telefonema do Zé para o governo “é um telefonema”. Dirceu diz que prestou assessoria às três empresas… E o homem é eclético! Conseguiu clientes nas áreas de petróleo e gás, telefonia, construção e bancos. Curiosamente, todas elas dependem de forte regulação estatal.

Dirceu áreas

Abatido antes do voo
A notícia abate o Zé antes mesmo de ele alçar voo. Cumprindo prisão domiciliar em Brasília, ele já realizou diversas reuniões para tentar recuperar uma posição de força no PT. Andava pensando até em articular uma nova tendência. Segundo o Estadão, já conversou, até agora, com 30 deputados e sete senadores do partido. Nos bate-papos, faz críticas abertas à presidente Dilma Russeff e aos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) e Pepe Vargas (Relações Institucionais). Na terça, em seu blog, atacou as medidas recentes da área econômica.

Segundo um amigo, Dirceu estava disposto a brigar e a “se reinventar”. Pois é… Reinventar o quê? Ele já mudou de nome e, de cara, duas vezes. Mas não há reinvenção possível. Será sempre José Dirceu.

Texto publicado originalmente às 4h09
Por Reinaldo Azevedo

23/01/2015

às 7:11

MINHA COLUNA NA FOLHA – Movimento dos Sem-Teta

Leiam trecho:
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), emitiu uma nota em que apontou o estelionato eleitoral de Dilma Rousseff. Anunciou que seu partido vai resistir ao pacotaço da governanta –que de Joaquim Levy não é, a menos que a reeleita tenha terceirizado o governo. Aqui e ali, ouvem-se muxoxos contra essa postura da oposição. Partem de setores do colunismo que, como é mesmo?, apreciavam o “PT responsável”: aquele de Antonio Palocci, não o dito “nacional-desenvolvimentista”, de Guido Mantega. Mantega um nacional-desenvolvimentista? Pelo Profeta Que Não Pode ser Desenhado! A suruba conceitual no Brasil só é inferior à partidária.

Os adoradores do “petismo responsável” fazem mais mal ao Brasil do que a esquerda xexelenta. Esta já perdeu o bonde faz tempo e só quer uma boquinha. O mito da “competência” do PT na gestão da economia foi criado por aqueles outros, que transformaram o meio num fim em si mesmo. Se o sujeito corta gastos, eleva juros e diminui subsídios, a forma vira conteúdo, e tudo parece estar no seu lugar, ainda que a elevação de 1,25 da Selic custe, no ano, o quanto se vai ganhar com o pacote fiscal. Tara ideológica não reconhece a matemática como um saber.

Foi essa adesão burra ao “PT responsável” que silenciou o debate nos primeiros quatro anos do governo Lula, quando começou a se formar a fuça do Alien no ventre da impostura. “Que importa a cor do gato, desde que cace ratos?”, perguntavam. A adesão à miúda ortodoxia da necessidade, convertida em novo umbral do saber econômico, impediu que se fizesse a descrição de um modelo.
(…)
Para ler a íntegra, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2015

às 6:43

Costa confirma que levou propina para não atrapalhar compra de Pasadena. Quem pagou? Fernando Baiano, um amigo do amigão do homem…

Em depoimento à Polícia Federal, Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras que fez acordo de delação premiada, foi inequívoco: só ele recebeu US$ 1,5 milhão em propina para não criar dificuldades na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Como era o titular de uma diretoria poderosa, tinha como dificultar os trâmites. E com quem ele acertou a canalhice? Segundo disse, com o lobista Fernando Baiano. O pagamento foi feito no exterior, no Vilartes Bank, no paraíso fiscal de Liechteinstein. Baiano, assegurou, era um operador do PMDB, mas também trabalhava para outros partidos. Segundo Costa, o homem era muito próximo do empresário José Carlos Bumlai. Quem é Bumlai? Clique aqui para saber. Trata-se de um dos maiores e mais fiéis amigos pessoais de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2011, reportagem de VEJA começou a desvendar essa figura. Leio trechos:
“É um dos maiores pecuaristas do país, amigo do peito do ex-presidente Lula e especialista na arte de fazer dinheiro – inclusive em empreendimentos custeados com recursos públicos. Até o ano passado, ele tinha trânsito livre no Palácio do Planalto e gozava de um privilégio sonegado à maioria dos ministros: acesso irrestrito ao gabinete presidencial. Essa aproximação excepcional com o poder credenciou o pecuarista a realizar algumas missões oficiais importantes. Ele foi encarregado, por exemplo, de montar um consórcio de empresas para disputar o leilão de construção da hidrelétrica de Belo Monte, uma obra prioritária do governo federal, orçada em 25 bilhões de reais. (…)

Seus filhos também se tornaram amigos dos filhos de Lula. Amizade daquelas que dispensam formalidades, como avisar antes de uma visita, mesmo se a visita for ao local de trabalho. Em 2008, após saber que o serviço de segurança impusera dificuldades à entrada do pecuarista no Planalto, o presidente Lula ordenou que fosse fixado um cartaz com a foto de Bumlai na recepção do palácio para que o constrangimento não se repetisse. O pecuarista, dizia o cartaz com timbre do Gabinete de Segurança Institucional, estava autorizado a entrar “em qualquer tempo e qualquer circunstância”.

Há mais coisas sobre o homem. Vejam lá depois. Empreiteiras reclamavam, por exemplo, de suas intromissões na… Petrobras.

Aviso que dava a Bumlai aceso irrestrito a Lula, a qualquer hora. Um amigão!

Aviso que dava a Bumlai aceso irrestrito a Lula a qualquer hora. Um amigão!

Mas voltemos a Costa. Segundo seu depoimento, quem apareceu com o negócio de Pasadena foi Nestor Cerveró, e o que se comentava é que a propina, possivelmente paga pela Astra, a empresa belga que era dona da refinaria, foi de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões.

Costa dá a entender que os que conheciam o assunto sabiam ser um mau negócio, mas aprovado pelo Conselho de Administração — presidido à época pela então ministra Dilma Rousseff — e também pela diretoria. O presidente da empresa era José Sérgio Gabrielli. Segundo disse, as obras de adequação da refinaria ficaram a cargo do petista Renato Duque, que seria o arrecadador das propinas do PT. Ele, então, escolheu para o serviço a Odebrecht e a UTC Engenharia, ambas investigadas na Operação Lava-Jato.

Sei não… Mas é possível que a importância de Fenando Baiano ainda cresça nessa narrativa.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2015

às 5:48

Empreiteiro diz que corrupção pagava base aliada e põe o PT no centro do esquema. Ou: É claro que a Petrobras não era vítima e que também houve extorsão!

Caros leitores, o segredo de aborrecer é dizer tudo, afirmava Voltaire. Então vamos lá. A defesa do empresário Gérson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix, que está preso desde o dia 14 de novembro,  entregou à Justiça Federal um documento de 85 páginas em que afirma que o superfaturamento de obras da Petrobras tinha o objetivo de “bancar os custos altos das campanhas eleitorais” e que o dinheiro pagava a base aliada do governo no Congresso. O texto sustenta ainda que o PT era o organizador do esquema: “Faz mais de 12 anos que um partido político passou a ocupar o poder no Brasil. No plano da manutenção desse partido no governo, tornou-se necessário compor com políticos de outros partidos, o que significou distribuir cargos na administração pública e em sociedades de economia mista”.

Os advogados de Mello Almada, que é acusado de corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sustentam que a Petrobras não era vítima nas ações criminosas. Ao contrário: segundo o texto, as empresas eram extorquidas, e Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento, teria sido um dos agentes dessa extorsão.

Então tá. Há duas frentes de investigação: a da Justiça Federal do Paraná, comandada pelo juiz Sérgio Moro, e a do STF, que reúne os políticos com foro especial por prerrogativa de função. É claro que a estratégia da defesa parece ser unificar o caso no Supremo. O esforço se insere no direito de defesa. Nada a opor. Se os advogados serão ou não bem-sucedidos, veremos.

É evidente que as empresas também cometeram crimes. Se estavam sendo extorquidas — e eu acho que havia, sim, extorsão também —, que se reunissem e denunciassem a canalha. Mas a gente sabe como são as coisas: todos se juntam contra o erário.

Mas eu concordo, sim, com um aspecto: a Petrobras nunca foi vítima de nada. As vítimas, nesse caso, são os brasileiros, que foram roubados. Até hoje me espanto com a, como direi?, leveza dos ombros de José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal durante as muitas sem-vergonhices. Gabrielli é aquele que se reunia clandestinamente com José Dirceu. Então as diretorias de Serviço, Abastecimento e Internacional eram antros da corrupção, a serviço também de partidos, muito especialmente do PT, e ele realmente não sabia de nada? O próprio Alberto Youssef afirmou num depoimento que as empreiteiras sempre foram muito fiéis no pagamento da propina porque tinham outros negócios no governo e sabiam que poderiam ser prejudicadas.

Não dá mesmo, e eu concordo, para dissociar a roubalheira da Petrobras do esquema de poder que ela sustentava. Se isso vai ou não unificar os processos no STF, não sei. Uma coisa é certa: os empreiteiros não se uniram numa organização criminosa só para fraudar a Petrobras. A propina tinha um endereço: partidos políticos. Como diz o documento, era preciso remunerar a base aliada. A Petrobras, então, se transformou, sim, num centro de extorsão.

Acho que o foco dessa coisa toda está um pouco distorcido. Há uma certa fúria contra o capital privado, visto como o grande vilão da história. Já li vários textos exaltando: “Ah, desta vez os corruptores estão pagando o pato!”. Vamos com calma! O que não pode acontecer é, mais uma vez, os verdadeiros beneficiários da patifaria  saírem flanando por aí, livres, leves e soltos. José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino já estão em casa. A banqueira Kátia Rabelo e o publicitário Marcos Valério, em cana. Até parece que a dupla conseguiria fazer o mensalão sem a colaboração dos outros.

Cadê, afinal, José Sérgio Gabrielli?

 

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 23:33

#prontofalei – Cadê José Sérgio Gabrielli?

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 23:25

Governos de Dilma e Haddad disputam para ver qual o mais “inepto”, diz Serra

Por Daniela Lima, na Folha:
Em uma palestra a empresários nesta quinta-feira (22), o senador eleito por São Paulo, José Serra (PSDB), ironizou a falta de capacidade do governo federal de alavancar investimentos e disse que a presidente Dilma Rousseff e o prefeito paulistano, Fernando Haddad, ambos do PT, competem pelo título de gestor mais “inepto”.

Para o tucano, o governo federal tem recurso “e não consegue gastar”. Ele disse que o mesmo acontece em São Paulo. “Veja a prefeitura. Estão preocupados com ciclovias, subsidiar o consumo do crack [numa referência ao programa Braços Abertos, que paga usuários que se disponham a trabalhar]… uma profunda inépcia”, afirmou.

“Aliás, é um concurso: quem é o mais inepto, a prefeitura ou o governo federal?”, disse Serra em seguida. “E veja que pelos últimos secretários apontados [pelo governo Haddad] não há o menor perigo de melhorar”, ironizou. Esta semana, Haddad convidou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), derrotado pelo tucano na última eleição, para a Secretaria de Direitos Humanos. Nesta quarta (21), o prefeito confirmou convite para o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha assumir sua articulação política. Padilha disputou o governo do Estado no ano passado e terminou em terceiro lugar.

O tucano afirmou ainda que a presidente não surpreendeu com as medidas impopulares que teve que adotar logo no início do mandato. “Todo mundo sabia que ela ia ter que fazer o que disse que não faria na campanha: consertar os erros do primeiro mandato.”

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 23:12

Ministro de Minas e Energia vê risco de apagão. O que foi mesmo que Dilma disse há dois anos e quatro meses? Grande planejadora!

Eduardo Braga (PMDB), novo ministro de Minas e Energia, é um político experiente. Está muito longe de ser um bobalhão. Também não tem o perfil de um Joaquim Levy, um técnico cuja expertise é apreciada por políticos, mas sem traquejo. Levy até pode pensar alto sem autorização — chamando recessão de recessão, por exemplo, para se desdizer depois. Mas Braga não! Ele calcula os passos. Ele sabe que uma palavra fora do lugar pode pôr os políticos numa situação muito difícil. Fala o que pode e o que a presidente Dilma Rousseff diz que ele pode. E ele disse com todas as letras: existe, sim, a possibilidade do racionamento de energia. Para um governo que não admitia nem mesmo um descompasso entre oferta e demanda, trata-se de um avanço. Sim, Braga admitiu a possibilidade do racionamento.

Leiam o que afirmou: “Dez por cento é o limite prudencial. Nenhum reservatório de hidrelétrica pode funcionar com menos de 10% de água. Ele tem problemas técnicos que impedem que as turbinas funcionem. Não é no Sudeste. É em qualquer lugar”. E deixou claro que, caso se chegue a esse patamar, haverá, sim, racionamento. Melhor assim: melhor admitir que a realidade existe.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que os reservatórios estavam, nesta quarta, com 17,43% na região Sudeste/Centro-Oeste e em 17,18% na região Nordeste. Nas regiões Sul (67,17%) e Norte (35,2%), a situação é melhor. Só para comparar: quando houve o apagão, em 2001, os reservatórios do Sudeste tinham quase o dobro de água: 31,41%. É que, então, não havia termelétricas em número suficiente. Agora haveria… Será? A economia brasileira cresce perto de zero. Só por isso não houve apagão ainda. Mas os problemas são evidentes. Nesta quarta, o Brasil importou energia da Argentina pelo segundo dia consecutivo: 90 megawatts médios — na terça, foram 165 MW. E importou por quê? Porque se trata de um “insumo” em falta. Então o governo mente quando diz que temos uma produção suficiente para responder às necessidades.

Depois de ter se reunido com o ministro Aloizio Mercadante (que medo! Espero que ele não tenha dado nenhuma sugestão), Braga afirmou: “Estamos também muito preocupados com a situação hidrológica. Inclusive, amanhã [nesta sexta], teremos uma reunião na casa Civil com a ANA (Agência Nacional de Águas), o Ministério do Meio Ambiente, de Ciência e Tecnologia e outros. O nível… Porque o nível hidrológico chegou a níveis mínimos em várias regiões”.

Então fiquemos assim: melhor uma fala como essa do que a glossolalia de Edison Lobão, que só ficou sabendo a diferença entre um nariz de porco e uma tomada depois que o Brasil inventou a sua jabuticaba de três buracos. Mas é claro que não deixarei barato para a presidente Dilma e a formidável máquina planaltina de contar mentiras.

Até hoje, nenhum discurso de Dilma foi tão desonesto política e intelectualmente como o pronunciado no dia 6 de setembro de 2012, véspera do Dia da Independência. A íntegra, para os fortes, segue abaixo, em vídeo (em texto, aqui). Na sequência, destaco trechos.

Vamos ver o que ela anunciou então, entre aspas:
“Na próxima terça-feira vamos dar um importante passo nesta direção. Vou ter o prazer de anunciar a mais forte redução de que se tem notícia, neste país, nas tarifas de energia elétrica das indústrias e dos consumidores domésticos. A medida vai entrar em vigor no início de 2013. A partir daí todos os consumidores terão sua tarifa de energia elétrica reduzida, ou seja, sua conta de luz vai ficar mais barata. Os consumidores residenciais terão uma redução média de 16,2%. A redução para o setor produtivo vai chegar a 28%, porque neste setor os custos de distribuição são menores, já que opera na alta tensão. Esta queda no custo da energia elétrica tornará o setor produtivo ainda mais competitivo. Os ganhos, sem dúvida, serão usados tanto para redução de preços para o consumidor brasileiro como para os produtos de exportação, o que vai abrir mais mercados, dentro e fora do país. A redução da tarifa de energia elétrica vai ajudar também, de forma especial, as indústrias que estejam em dificuldades, evitando as demissões de empregados.”

Para lembrar: as medidas de Dilma provocaram um rombo bilionário no setor elétrico. Para compensar o desastre, a tal energia, que seria mais barata, teve uma elevação de 20% em 2014 e deve sofrer outras neste ano da ordem de 40%. Com risco de apagão.

O vídeo e a fala de Dilma entram para a história, não é mesmo?  Se você ler o discurso inteiro, verá os amanhãs sorridentes com os quais ela nos acenava. Deu no que deu.

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 22:36

José Dirceu é investigado na Lava Jato, informa o “Jornal Nacional”

Na VEJA.com:
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT), condenado por corrupção ativa no julgamento do mensalão, é um dos investigados no escândalo do petrolão. De acordo com reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, os investigadores da Operação Lava Jato desconfiam que Dirceu tenha sido um dos beneficiados com dinheiro do esquema e tenha intermediado o pagamento de propina por meio de uma de suas empresas.

A Justiça Federal determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro, do irmão dele Luiz Eduardo de Oliveira e Silva e da empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda., da qual ambos são sócios. A ordem foi da juíza federal substituta Gabriela Hardt. O Ministério Público Federal encontrou indícios de que a empresa de Dirceu recebeu recursos suspeitos de empreiteiras ligadas ao esquema de desvios na Petrobras, entre elas a Galvão Engenharia, a OAS e a UTC Engenharia. 

Documentos exibidos pelo Jornal Nacional mostram que a JD Assessoria e Consultoria recebeu mais de 3,7 milhões de reais das três construtoras, cujos principais executivos foram presos no fim do ano passado pela Polícia Federal.  A juíza suspendeu o sigilo fiscal de 1º de janeiro de 2005 a 18 de dezembro de 2014, segundo o telejornal. O sigilo bancário foi quebrado de 1º de janeiro de 2009 a 18 de dezembro de 2014. A decisão vale para o ex-presidente do PT, seu irmão e a empresa deles.

Os procuradores da República encontraram vínculos da empresa de Dirceu com as empreiteiras ao analisar documentos contábeis da Receita Federal, obtidos durante as apurações da Lava Jato. Em uma lista da Galvão Engenharia, a JD aparece como prestadora de “consultoria” pela qual recebia 25.000 reais mensais – ao todo, a firma de Dirceu recebeu 725.000 reais da empreiteira. 

Nos registros da OAS, foram encontrados pagamentos mensais, em média, de 30.000 reais, que ao todo somam 720.000 reais. Os investigadores encontraram apenas dois pagamentos feitos pela UTC, ambos a título de “consultoria, assessoria e auditoria”: um deles de 1.337.000 reais, em 2012, e outro de 939.000 reais, em 2013. 

Em nota ao Jornal Nacional, José Dirceu confirmou que prestou serviços de consultoria às empresas e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça. A Galvão Engenharia disse que não iria se pronunciar sobre a investigação. A UTC Engenharia confirmou que contratou a JD Assessoria e Consultoria para a “prospecção de negócios de infraestrutura no Peru e na Espanha”. A reportagem do Jornal Nacional informa que, na OAS, ninguém foi encontrado para comentar as suspeitas.

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 16:27

Caso Nisman: agora Cristina diz estar “convencida” de que não foi suicídio

Na VEJA.com:
“Estou convencida de que não foi suicídio”, escreveu nesta quinta-feira a presidente argentina Cristina Kirchner em uma nota divulgada em sua conta oficial no Twitter, sobre a morte do procurador-geral Alberto Nisman. É a primeira vez que o governo e a presidente se manifestam sobre um possível assassinato de Nisman, que foi encontrado morto em sua casa, em circunstâncias estranhas, na noite de domingo para segunda-feira, com um tiro na têmpora, poucos dias depois de ter denunciado a presidente e vários de seus colaboradores pela tentativa de acobertar terroristas iranianos, que teriam sido responsáveis pelo ataque contra a associação israelita Amia, em 1994.

A total mudança de posição do governo foi ainda acentuada com a presidente afirmando em primeira pessoa: “Eu não tenho provas, mas também não tenho dúvidas” [de que não foi um suicídio]. “Usaram-no vivo e depois o quiseram morto. Tão triste e terrível”, prossegue a nota oficial. Segundo o jornal Clarín, o novo posicionamento do governo foi notado mesmo antes da divulgação da nota de Cristina, quando os funcionários do Executivo pararam de atacar as ações do Ministério Público argentino na denúncia contra a presidente.

Sobre a denúncia, a presidente afirmou que “plantaram informações falsas” para atrapalhar a investigação de Nisman e apontou os dois agentes secretos acusados pelo procurador-geral de participação no esquema de acobertamento de serem farsantes [leia mais sobre os acusados no quadro abaixo]. “Os supostos agentes de inteligência identificados por Nisman como membros de uma ‘Side paralela’ em conexão direta com a presidente, Allan Héctor Ramón Bogado e Hector Yrimia, NUNCA tinham pertencido à Secretaria de Inteligência, sob nenhum caráter”. Em seu relatório, Nisman afirma que Bogado, agente de inteligência da Side (Secretaria de Inteligência do Estado, o serviço secreto argentino), e Yrimia, ex-promotor responsável pelo caso Amia, foram “imprescindíveis” para levar adiante os “projetos criminosos” da presidente.

No texto, Cristina também questiona os motivos de um suicídio, afirmando que Nisman enviou uma mensagem a amigos próximos contando que ele estava prestes a cumprir o trabalho de sua vida e que iria avançar nas investigações. Além disso, Cristina faz referência à última foto que Nisman enviou ao seu amigo Waldo Wolff, vice-presidente da Daia (Delegação de Associações Israelitas Argentinas). “Por que Nisman iria se suicidar se no sábado, às 18h27 enviou uma foto para Wolff, membro da Daia, uma imagem de sua área de trabalho onde se vê papéis e canetas marcadoras, assegurando que ele estava se preparando para a apresentação de segunda-feira aos deputados?”. No dia seguinte à sua morte, Nisman iria apresentar formalmente sua denúncia no Congresso argentino, que iria sabatiná-lo.

Em sua primeira manifestação sobre a morte de Nisman, também feita através de uma rede social, Cristina publicou uma longa carta falando em suicídio e desqualificando a investigação e os mais de dez anos de trabalho do procurador-geral no caso do atentado contra a Amia. O novo posicionamento de Cristina e do governo argentino adiciona mais um elemento de tensão na investigação que vem sendo conduzida pela promotora Viviana Fein.

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 15:24

Executivo da Engevix diz que Petrobras era um centro de extorsão e pede anulação das delações premiadas

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:

O vice-presidente da construtora Engevix, Gerson de Mello Almada, preso na sétima fase da Operação Lava Jato, apresentou nesta quarta-feira defesa à Justiça Federal do Paraná em que afirma que foi “extorquido” pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e diz que só pagou propina em contratos com a estatal porque o então dirigente “exigia” o desembolso dos recursos e “ameaçava” os empresários. “O que ele [Paulo Roberto Costa] fazia era ameaçar, um a um, os empresários, com o poder econômico da Petrobras. Prometia causar prejuízos no curso de contratos. Dizia que levaria à falência quem contrastasse seu poder, sinônimo da simbiose do poder econômico da mega empresa com o poder político do governo”, relata a defesa.

Para Almada, a Petrobras não pode ser considerada “vítima” do esquema criminoso, e sim uma engrenagem do petrolão, já que teria sido utilizada como forma de arrecadar dinheiro para a distribuição de propina e para a engorda de caixas de partidos políticos. “O pragmatismo nas relações políticas chegou a tal dimensão que o apoio no Congresso Nacional passou a depender da distribuição de recursos a parlamentares. O custo alto das campanhas eleitorais levou, também, à arrecadação desenfreada de dinheiro para as tesourarias dos partidos políticos. Não por coincidência, a antes lucrativa sociedade por ações, Petrobras, foi escolhida para geração desses montantes necessários à compra da base aliada do governo e aos cofres das agremiações partidárias”, afirma. A defesa insinua ainda que a decisão de colocar a petroleira como “vítima” de um esquema criminoso serviria para preservar a estatal, que tem capital aberto e está listada em bolsa.

“[Almada] tem em comum com os demais presos – e boa parte do empresariado – o fato de ser testemunha ocular do possível maior estratagema de pilhagem de recursos públicos visto na história recente. Compõe, tão só, o grupo de pessoas que pecaram por não resistirem à pressão realizada pelos porta-vozes de quem usou a Petrobras para obter vantagens indevidas para si e para outros bem mais importantes na República Federativa do Brasil”, completa. “Diz que a acusação recai sobre os empreiteiros, e não diretamente sobre a Petrobras. Com isso, quer-se disfarçar do grande público, dos investidores, a realidade simples: a sociedade por ações foi utilizada, pelo controlador, para fins ilegais, graças à atuação e à omissão de seus administradores, cooptados para o objetivo ilegítimo de poder político”.

Em documento encaminhado ao juiz Sergio Moro, o executivo segue o exemplo dos demais empreiteiros encarcerados por participação no petrolão e pede a anulação de provas, defende novas perícias em contratos firmados com a petroleira, critica o vazamento de informações sigilosas e contesta documentos apreendidos em busca e apreensão. O executivo da Engevix inova, porém, ao pedir nos autos que as delações premiadas feitas na Lava Jato sejam anuladas por supostamente não terem sido feitas de forma espontânea.

Para o advogado Antonio Pitombo, que assina a defesa do vice-presidente da Engevix, o conteúdo das delações premiadas do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor Paulo Roberto Costa, do ex-gerente Pedro Barusco e de executivos da empresa Toyo Setal foi considerado automaticamente como verdadeiro pelas autoridades, que teriam direcionado as investigações desde as primeiras delações. “Não é possível delinear os rumos de uma persecução penal, em especial da magnitude da Operação Lava Jato, com base em relatos de delatores em posição subjetiva contrária no campo dos fatos, pois se auto-reconheceram como corruptos e corruptores”, alega, insinuando, na sequência, que os delatores podem estar protegendo outras autoridades envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras. “Se não pode o delator falar sobre todo o pretenso esquema ilícito, evidente que a ‘verdade’ que chegará aos autos não é a real, mas uma fração que comprometa, em menor proporção, aqueles que ele não está autorizado a referir”, afirma.

O advogado ainda contesta o fato de as delações supostamente não terem sido espontâneas ou resultado do “arrependimento” dos réus colaboradores. Ele pondera que a mesma defensora, Beatriz Catta Preta, não poderia ter atuado em todas as delações, porque os réus têm interesses conflitantes nos processos da Lava Jato. “A delação deveria ter sido espontânea porque a colaboração dos delatores não foi fruto de seu arrependimento, ou de sua vontade de colaborar com a completa elucidação e processamento dos fatos”, diz.

Provas
A exemplo dos demais réus envolvidos no esquema do petrolão, Gerson de Mello Almada contesta a legalidade de sua prisão na carceragem da Polícia Federal do Paraná e afirma que não tem amplo direito de defesa por não saber o conteúdo de todos os documentos que integram o processo e tampouco os detalhes das delações premiadas da Lava Jato. Ele também reclama do compartilhamento de provas de outros processos e dos grampos telefônicos utilizados pelos policiais, segundo ele em tempo superior ao que prevê a lei, e ainda contesta as buscas e apreensões em seu escritório e sua casa: diz que policiais levaram objetivos que não estavam descritos no mandado judicial. 

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 15:19

Serra: modelo petista é cadáver adiado que procria. Ou: Elevação de juros pós-eleição custa R$ 19 bilhões, quase o valor do pacotaço fiscal

O senador José Serra (PSDB-SP) demole não exatamente — ou não só — o governo Dilma num artigo no Estadão de hoje — impecável, diga-se. Não fica pedra sobre pedra é do modelo petista. Citando Fernando Pessoa, o título sintetiza a opinião de Serra sobre o modelo em curso: “cadáver adiado que procria”.

Há quatro números muito eloquentes que nos levam a pensar. Um deles: só  elevação da taxa de juros em 1,25 ponto desde a eleição custa ao país R$ 19 bilhões, que correspondem, praticamente, ao total do que o governo pretende arrecadar com o pacotaço fiscal e perto de 30% da meta de superávit primário do ano. Outro número? O famoso “câmbio flutuante” é manipulado por intermédio do swap cambial. Até novembro de 2014, o custo da operação foi de R$ 20,5 bilhões. Mais um? O superávit primário de Joaquim Levy é o menor da história. A dívida pública líquida deve crescer ao longo de quatro anos.  E há os outros desequilíbrios. Seguem trechos. A íntegra está aqui.
*
(…)
Swap cambial
Reeleita, Dilma tem de reparar seus erros. É o caso da correção de preços administrados – derivados de petróleo e energia elétrica -, reprimidos anteriormente por interesses eleitorais. A taxa de câmbio nominal deve crescer, a menos que o governo mantenha os subsídios fiscais. Aliás, esse será um grande teste para a política econômica Levy-Barbosa: vai dar sequência à manipulação do câmbio para segurar a inflação mediante operações de venda futura de dólar (swaps), que custam caríssimo ao BC e ao Tesouro e ficam fora do Orçamento federal? Apenas no segundo semestre de 2014 (até novembro), o prejuízo nessa conta alcançou R$ 20,5 bilhões – o mesmo valor do pacote tributário ora anunciado.

Juros
Parafraseando o marqueteiro João Santana num ataque mentiroso às pretensões tucanas, o governo Dilma semeou inflação e elevou os juros. Com o aumento de 0,5 ponto ontem, a taxa subiu 1,25 ponto em três meses, o que custa a bagatela de R$ 19 bilhões/ano ao Tesouro – perto de 30% da meta de superávit primário anunciada pelo Ministério da Fazenda. O governo ainda aumentou a alíquota do IOF sobre o crédito ao consumo e elevou juros de financiamento habitacional. Câmbio, petróleo e energia empurrarão a inflação para cima, noves fora dois fatores atenuantes, que talvez facilitem a acomodação de preços relativos: o enfraquecimento da atividade econômica e a queda dos preços internacionais de commodities.

Dívida pública líquida
A fim de conter a deterioração das expectativas sobre a economia brasileira, na iminência de ser rebaixada pelas agências de classificação de risco, a dupla Levy e Barbosa tem investido – até agora de forma bem-sucedida – na imagem da responsabilidade fiscal, abalada pelos números sofríveis e seguidas tentativas de maquiagem feitas até o ano passado. As ambições são moderadas: a meta de superávit primário de 1,2% do PIB para 2015 corresponde ao segundo menor porcentual desde 2000, sendo superior apenas ao de 2014, que foi zero. Como lembrou Francisco Lopes, o ajuste fiscal proposto não deve ser suficiente para estabilizar a trajetória da dívida pública líquida, que poderá saltar de 36% para 40% entre 2014 e 2019.
(…)
Indústria e manufaturados
Assim, em vez de fomentar a competitividade da economia, investindo em infraestrutura, reduzindo o custo Brasil e incentivando as exportações de manufaturados, o petismo fez o contrário: barateou as importações e encareceu o preço externo de nossas exportações industriais. O golpe na indústria doméstica foi fatal: até hoje seu nível de produção é inferior ao de 2008; o emprego, 10% menor; a balança comercial de manufaturados, mais ou menos equilibrada em 2002, desabou para um déficit de US$ 70 bilhões em 2010 e mais de US$ 110 bilhões em 2014. Evidentemente, houve um colapso nos investimentos industriais, puxando a economia para baixo, além de elevar o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos à inquietante vizinhança dos 4% do PIB.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 13:01

Itamaraty deixa diplomatas à míngua mundo afora. Vamos nomear o Borat ministro

Ai, ai, vamos lá. Entre 2003, primeiro ano do governo petista, e 2013, o Brasil criou 77 novas representações diplomáticas mundo afora, a maioria em países pequenos e sem qualquer importância econômica — 48 são embaixadas, 40 delas nascidas no governo Lula, o megalômano, que respondeu sozinho por 68 daquelas 77. A embaixada do Benin, na África, está entre essas novas representações.

Pois bem: circula na Internet a cópia de um e-mail que João Carlos Falzeta Zanini, encarregado de Negócios desse país, mandou a seus chefes em Brasília. É estarrecedor. Leiam a íntegra.

Informo.
1 – Após interrupção no fornecimento de energia da Embaixada, paguei, com recursos pessoais, a fatura do mês de novembro.

2 – Já tinha me valido dessa alternativa para pagar a fatura de telefone que também estava atrasada.

3 – Ante a perspectiva de corte do serviço de internet no próximo dia 24 de janeiro, entendo que deverei também adiantar o pagamento. Os valores das respectivas despesas constam do expediente de referência que solicita recursos de EAN.

4 – Desde que assumi a encarregatura de negócios no início de novembro, realizei cortes drásticos nas despesas do Posto. Serviços de manutenção da residência não foram realizados, empresa telefônica cortou chamadas para celular de todos os aparelhos, inclusive da sala do chefe do Posto, produtos de limpeza, de escritório e café estão racionados ao limite.

5 – Especificamente sobre a impossibilidade de realizar reparos na residência, informo que a pressão da água foi reduzida à quase inexistência depois que a bomba que abastece o andar superior quebrou. Não autorizei o reparo. Quando a pressão se esgota, uso galões de água comprados no supermercado para higiene pessoal.

6 – Em relação à alta despesa de combustível, creio que a demissão informada no expediente de referência trará certo alívio financeiro. Adicionalmente, restringi saídas com o carro de serviço à minha autorização expressa. Para os serviços mais simples, tenho orientado os funcionários a usarem a moto do Posto, menos onerosa.

7 – Receio, no entanto, não termos mais condições de manter os geradores em operação. Após esgotar o diesel que o abastecia, decidi ontem por não autorizar a compra de mais combustível. Desse modo, caso as oscilações frequentes da rede interrompam o fornecimento de energia durante o expediente, informo que tenciono reduzir as atividades do dia e liberar os funcionários. Essa decisão impacta, sobretudo, os serviços consulares, em alta demanda em razão da partida dos estudantes aprovados no PEC-G.

8-  No que toca à residência, o gerador já está inativo há cerca de três semanas. Quando há oscilação na rede, o que ocorre praticamente todos os dias por uma ou duas horas, valho-me de velas e de lanterna. Mais preocupante, temo o efeito que uma oscilação mais duradoura da rede de energia causará na conservação dos alimentos dos funcionários da residência, comprados pela dotação CLP.

9 – O gasto semanal para o abastecimento dos geradores da Chancelaria e da Residência está estimado em aproximadamente U$ 180,00. A conta do Posto reúne, no momento, o equivalente a U$ 83,00.

10 – O desconforto, porém, não é tão relevante se comparado à preocupação com a saúde. Em cidade onde a malária é endêmica, o ar-condicionado serve de poderoso inibidor da proliferação do mosquito. Quando o fornecimento de energia é interrompido e os aparelhos de ar-condicionado desligados, utilizo inseticidas para amenizar o problema.

11 – Ciente das restrições financeiras, faço esse registro apenas para cumprir o dever de informar que as dificuldades de manter adequadamente a representação não se restringem mais à baixa lotação. Em realidade, a escassez de recursos precede a urgência que ainda se faz por um funcionário que possa operar as comunicações e o sistema consular.

Retomo
A situação em Benin é apenas a mais grave. Mas as reclamações partem também de Tóquio, Lisboa, Guiana e EUA. Nesta quarta, informa a Folha, telegrama enviado por Marco Farani, cônsul-geral do Brasil em Tóquio, e obtido pela Folha, dizia: “Todas as contas de serviços de dezembro estão pendentes de pagamento, o que tem causado insistentes cobranças dos credores; há o risco de suspensão de internet, telefonia e eletricidade”. A embaixada em Tóquio recebeu notificação de corte de luz, porque a conta, de US$ 3.924, não é paga desde dezembro, diz o embaixador André Corrêa do Lago em telegrama de terça (20).

Os petistas abriram embaixadas ou representações em países como Antígua e Barbuda (conhece?), Belize, Dominica, Granada, Azerbaijão, Burkina Faso, Mauritânia e Cazaquistão… E trata assim seu corpo diplomático. Cazaquistão, é? Chamem o Borat para ministro das Relações Exteriores.

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 7:31

LEIAM ABAIXO

Levy pronuncia na quarta a palavra escrita neste blog na terça: “recessão”. Não é preciso ser especialista em economia; basta usar a lógica. Ah, sim: Dilma continua sumida;
Promotor argentino – Chaveiro nega versão oficial e diz que porta do apartamento estava aberta; havia um terceiro acesso ao imóvel, em que há pegadas e uma digital;
São Paulo virou cabide de emprego de petistas despejados pelo povo. Ou: Dois novos secretários de Haddad em flagrantes;
Delação de Youssef: STF vê indícios de propina a parlamentares no petrolão;
BC eleva taxa básica de juros para 12,25% ao ano;
Um furo do leitor deste blog: Brasil importa energia da Argentina. Viram? Não foi Deus a socorrer o Brasil!;
Empreiteiras da Lava Jato procuram CGU para acordos de leniência;
Aécio diz que oposição lutará contra pacotaço. É o certo! Até o PT está criticando as medidas. Por que o PSDB as elogiaria? Cada um no seu quadrado;
Petrobras indica que pode incluir perdas com corrupção em balanço;
Os colunistas que babam de emoção. E os números da Fiesp;
Onde está você, Dilma Rousseff?;
Apagão em Brasília. Deus não tem culpa!;
MP suíço apura participação de estrangeiros no petrolão;
A investidores, Levy diz que Brasil vai ter crescimento próximo de zero em 2015;
— Já há racionamento de energia. E Deus olhou para Eduardo Braga e disse: “Como é? Os brasileiros elegem o PT quatro vezes e agora querem que eu faça chover? Estou muito ocupado!”;
— Como? Moisés na capa do “Charlie Hebdo”? Só que não!;

— Governo da Indonésia nega pedido de clemência do Planalto para outro brasileiro;
— #prontofalei – As más ações e a omissão de Dilma;
— Dilma tem de vir a público pedir economia de energia, diz especialista;
— Em meio à falência do petismo, companheirada insiste em censurar a imprensa em vídeo divulgado pelas páginas da própria Dilma. O Movimento dos Sem-Teta reage

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 4:37

Levy pronuncia na quarta a palavra escrita neste blog na terça: “recessão”. Não é preciso ser especialista em economia; basta usar a lógica. Ah, sim: Dilma continua sumida

Pois é… Na terça-feira de madrugada, dia 20, escrevi um post cujo título era este:

RECESSÃO

No corpo do texto, repeti parte do título e avancei.

Recessão 2

É claro que, para não variar, andei tomando algumas traulitadas, acusado de pessimismo e outras bobagens. Nesta quarta, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, participou de um almoço com investidores em Davos, patrocinado pelo banco Itaú. Disse prever um “crescimento flat” neste 2015. Ou por outra: a economia do país deve ter se expandido coisa de 0,3% no ano passado. Logo, este repetiria aquele, com a mesma melancolia.

Depois Levy concedeu uma entrevista. E aí falou aquela palavrinha que eu havia escrito na terça, para desaire dos puxa-sacos oficiais. Referindo-se a seu pacotaço fiscal, afirmou: “A gente pode ter um trimestre de recessão, e isso não quer dizer nada em relação ao crescimento. Tivemos trimestres de recessão recentemente. A gente teve recessão, deu uma melhorada, e é muito provável que a gente vá continuar subindo”.

Levy é, sim, um homem inteligente, embora eu não o considere um formulador de política econômica. Mas tem pouco traquejo para falar em público. Levada a sua fala ao pé da letra, a coisa não faz sentido. É claro que recessão “quer dizer alguma coisa em relação a crescimento”. Como ele mesmo disse, tivemos trimestres de recessão, e o resultado de 2014 é pífio. E, como se sabe, ainda não deu uma melhorada.

E isso tudo, note-se, antes do pacote recessivo. Assim, eu nada mais fiz do que antecipar o óbvio. Se o crescimento tendia a ser “flat” pré-pacote, é muito provável que haja uma recessão pós-pacote.

Levy deu a declaração porque, concorde-se ou não com ele, tem honestidade intelectual. Mas depois a marquetagem planaltina certamente entrou em ação. Horas mais tarde, ele procurou a imprensa para dizer que havia se expressado mal e que havia empregado de forma inadequada a palavra “recessão”. O certo, disse, seria “contração”.

Há uma querela técnica. Para que se tenha uma recessão, dizem alguns, é preciso que haja dois trimestres seguidos com resultado negativo, e Levy estaria se referindo apenas ao primeiro. Sei. Não sou economista — originalmente, nem Levy é. Lido apenas com lógica. Olho o conjunto de medidas do governo em 2014, com crescimento de 0,3%, e o conjunto de medidas de 2015 e mantenho o meu diagnóstico: haverá recessão neste ano. Tudo indica que Levy concorda.

Ele só não pode ser plenamente sincero em sua função, embora, nesse quesito, ele vença Guido Mantega por 10 a 1, não é mesmo?

Sim, há um forte cheiro de recessão no ar. E Dilma continua sumida.

 

Por Reinaldo Azevedo
 

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