Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

03/08/2015

às 22:27

O PT está perdido. O governo está perdido. Wagner fala, e não dá pra entender nada!

Entrei há pouco na página do PT Nacional na Internet para ver o que andam a dizer os companheiros. É puro humor involuntário e negação da realidade. Vejam.

Página do PT

A formulação encontrada para a entrevista concedida pelos ministros Jaques Wagner (Defesa) e Gilberto Kassab (cidades) é de trincar catedrais: “Brasil e economia seguem funcionando, garantem ministros após reunião com Dilma”.

Que é que é isso, Santo Deus? Ah, se os ministros garantem que o país segue funcionando, vai ver, então, é mesmo verdade, não é isso? Tenham paciência! Se eles não oferecessem tal garantia, não sei o que seria de nós. Se, depois de uma reunião com a presidente, foi o que restou a dizer, é porque a coisa vai realmente muito mal.

O PT, ora vejam, resolveu banir José Dirceu de sua página. Não há menção à sua prisão, e o partido resolveu emitir a respeito a nota mais lacônica de sua história, a saber:

“Nota oficial
O Partido dos Trabalhadores refuta as acusações de que teria realizado operações financeiras ilegais ou participado de qualquer esquema de corrupção. Todas as doações feitas ao PT ocorreram estritamente dentro da legalidade, por intermédio de transferências bancárias, e foram posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral.
Rui Falcão, presidente nacional do PT”

Então tá bom. A reação mais agressiva ficou por conta do “Vai lá e fala, Sibá”… O líder do partido na Câmara soltou os cachorros. Acusou a Polícia Federal de abuso de poder no caso da prisão de Dirceu, classificando-a de “aberração” e “golpe”. Segundo o petista,  juiz Sérgio Moro “persegue o PT” e quer pôr o povo na rua “para derrubar o partido”. Para o deputado, “a PF está se metendo em assunto político, prendendo por mera suspeita, puxando o Brasil inteiro para uma situação perigosa”. E mandou brasa: “Daqui a pouco não existe mais direito”.

Deem um Lexotan para Sibá. Ele precisa tomar o remédio — nem que seja o espíritual — que fez Wagner declarar o seguinte durante a entrevista:
“Alguns querem interpretar que a gente está contra, não tem nada contra, até porque não tem como ser contra a sequência da investigação, até que ela chegue aos tribunais últimos, e vai ter que ter desfecho. Tudo tem um desfecho. O que estou falando é que a gente dorme e acorda sempre com uma notícia dessa, então, do ponto de vista do ambiente empresarial, de negócios, essa é minha preocupação maior. Se a gente está precisando de uma retomada, você precisa ter algum grau de estabilidade para que os investimentos ocorram normalmente”.

Não entendi nada. Nem ele.

O PT e o governo estão perdidos.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 21:36

O ladrão de ocasião e a corrupção como método. Ou: O melhor remédio contra a roubalheira se chama PRIVATIZAÇÃO!

Eu tinha ficado bastante insatisfeito com a conclusão a que chegara o procurador Deltan Dallagnol em sua cruzada, à qual ele pretende emprestar um sotaque cívico-político, em defesa da moralidade pública. Em entrevista ao Estadão, indagado sobre a dificuldade para implementar as 10 medidas que o Ministério Público considera importantes para combater a corrupção, ele respondeu, leiam com atenção:

“Vou citar duas dificuldades. A primeira é a passividade. (…) Se queremos um país melhor, a saída não é ficar reclamando e esperar que ele caia dos céus. Devemos arregaçar as mangas e fazer nosso melhor para que ele aconteça. Hoje a sociedade tem, mais e mais, essa percepção, e estou impressionado com o engajamento na colheita das assinaturas para as 10 medidas. Gente de todo lado do país está fazendo isso. A segunda é a partidarização do discurso ou a crença ilusória de que resolveremos o problema da corrupção com a mudança de governos ou partidos. Precisamos de sistemas e instituições saudáveis que impeçam a corrupção independentemente de quem está no poder. O que a história nos mostra, aliás, é que a corrupção não tem cor ou partido.”

Sim, é certo que precisamos de instituições saudáveis — e quero chegar a elas —, mas a fala de Dallagnol, a meu ver, iguala os desiguais. Que a corrupção não seja característica exclusiva do PT, isso é evidente. Mas não é menos evidente que só o partido a transformou em categoria de pensamento e num método de governo. E isso faz toda a diferença, sim, senhores!

No que diz respeito a esse particular, o também procurador Carlos Fernando dos Santos Lima parece ter sido mais preciso. Nesta segunda, afirmou:
“O que nossos colaboradores apontam é que houve uma sistematização da corrupção no governo do PT, como compra de apoio parlamentar”.

Eis o ponto. Toda corrupção é maléfica e maligna. Toda corrupção sangra os cofres públicos. Toda corrupção pune especialmente os mais pobres. Mas é preciso que se distinga a corrupção como desvio da norma da corrupção como método de governo; é preciso que se evidenciem as diferenças entre a corrupção que constrange o próprio corrupto (que admite estar praticando o mal) daquela que se quer uma nova norma.

E por que é preciso fazer a distinção? Para ser mais ameno com um tipo de corrupção do que com o outro? Não! Ambos merecem ser tratados com extrema severidade. É preciso fazer a distinção para que se trave o bom combate.

O Ministério Público promove uma cruzada em defesa de suas 10 medidas, que elenco abaixo, na forma reduzida em que circulam. Leiam. Volto em seguida.

1) Prevenção à corrupção, transparência e proteção à fonte de informação;
2) criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos;
3) aumento das penas e crime hediondo para corrupção de altos valores;
4) aumento da eficiência e da justiça dos recursos no processo penal;
5) celeridade nas ações de improbidade administrativa;
6) reforma no sistema de prescrição penal;
7) ajustes nas nulidades penais;
8) responsabilização dos partidos políticos e criminalização do caixa 2;
9) prisão preventiva para assegurar a devolução do dinheiro desviado;
10) recuperação do lucro derivado do crime.

Nem vou entrar no mérito de cada uma agora — há as muito simples de implementar e as nem tanto. Mas digamos que todas elas fossem positivas. Estaríamos longe, acreditem, de coibir de forma eficiente a corrupção.

Sabem por que o PT acabou desenvolvendo um sistema de gestão criminosa do estado como nenhum partido antes havia conseguido? Porque ele é o mais estatista de quantos chegaram ao poder. Porque junto com a tomada da máquina, desde sempre apta a delinquir e a mobilizar delinquentes, houve também o aparelhamento do estado e de seus entes associados, muito especialmente as estatais e demais empresas e instituições de natureza pública.

Que políticos, empreiteiros, consultores, lobistas e intermediários os mais diversos paguem pelo mal que fizeram e ainda fazem aos brasileiros. Mas o país continuará refém de larápios enquanto o estado tiver o tamanho que tem; enquanto o estado estiver onde não deve e não estiver onde deve; enquanto houver estado demais no petróleo, nas estradas e na geração e distribuição de energia, e estado de menos na saúde, na educação e na segurança pública.

Convém, assim, não confundir as coisas. Uma das tolices que me atribuem é ter escrito, em algum momento, que o PT inventou a corrupção. Nunca! Quem inventou foi a serpente. O que escrevo há muitos anos e sustento é que, antes, nenhum partido havia feito da corrupção uma forma de gestão. Revelou Pedro Barusco, por exemplo, que recebia, sim, “pixulecos” antes de os companheiros chegarem ao poder. Quando se tomou o Palácio, ele conheceu a profissionalização do esquema; a transformação da roubalheira num método.

E isso faz toda a diferença. O ladrão de ocasião faz mal aos contemporâneos. O ladrão de instituições inviabiliza um país.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 21:33

Advogado diz que Dirceu é “bode expiatório” e que prisão é “política”

Na Folha:
O advogado do ex-ministro José Dirceu, Roberto Podval, afirmou nesta segunda-feira (3) que os pagamentos recebidos pela empresa de seu cliente referem-se todos a serviços prestados. A prisão de Dirceu não tinha “justificativa jurídica”, segundo o defensor, que a classificou como “política”. Disse ainda que Dirceu se tornou um “bode expiatório” da Operação Lava Jato.

“A justificativa colocada me parece mais uma justificativa política”, declarou Podval. Questionado, explicou que o juiz federal Sergio Moro reagiu “a uma pressão popular” ao decretar a prisão. “Obviamente não vou culpar Sergio Moro, não acho que ele está aqui fazendo política, mas acho que ele, como qualquer ser humano, reage à pressão popular. (…) A justificativa me parece é uma pressão popular, e aí me refiro à política”, disse Podval. “Serve mais para dar uma lição, serve mais por uma questão política, pra dar um exemplo, do que efetivamente pros fins que a lei determina da prisão preventiva”.

Segundo o advogado, a prisão de Dirceu já era esperada “há meses”, de acordo com boatos que corriam nos bastidores da investigação. “Eu confesso que já não sei o que é pior. Se é ser preso ou ficar em uma expectativa de uma prisão. É tão ruim, faz tão mal. Talvez o momento da prisão seja o fim de uma angústia enorme que se vivia ali”, afirmou Podval. Sobre os pagamentos a Dirceu –que incluíam a compra de uma casa para sua filha, uma reforma de uma casa e metade de um avião–, Podval informou que todas as justificativas foram dadas antecipadamente nos pedidos de liberdade que haviam sido feitos preventivamente pela defesa.

“Eu podia entrar no mérito de todos os pagamentos, mas falar um a um, não vou antecipar o mérito de nossa defesa. Nós justificamos todos os pagamentos. Dirceu tinha contrato com inúmeras empresas, tinha recebíveis das empresas, prestou serviço às empresas e muitos dos empresários que falaram afirmaram isso”, defendeu.

Em relação aos pagamentos feitos a Dirceu enquanto ele estava preso por conta da condenação do mensalão, Podval disse que eram recursos pendentes a receber dos serviços prestados durante sua liberdade. “É óbvio que ele não prestou serviços enquanto preso estava, mas não quer dizer que ele não tenha o que receber posteriormente”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 20:48

Barroso decide que Dirceu tem de ir para Curitiba

O ministro Roberto Barroso negou o pedido para que José Dirceu cumprisse a prisão preventiva em Brasília mesmo, onde já está em prisão domiciliar como condenado do mensalão. O ex-ministro será transferido amanhã para a carceragem da Polícia Federal de Curitiba.

Barroso observou que a decretação da nova previsão preventiva, por motivo distinto do caso em que o ex-ministro cumpre pena, não requer consulta ao tribunal ou sua autorização. Diz ainda ser justificável a transferência para Curitiba “na medida em que é lá que se encontram em curso as investigações envolvendo as condutas imputadas ao sentenciado”.

Assim, Barroso deferiu o pedido da Justiça e pôs Dirceu “à disposição do juízo da 13ª Vara Federal” de Curitiba. Abaixo, o despacho de Barroso.

Despacho - Dieceu 1Depacho Dirceu 2Despacho Dirceu 3

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 20:15

Novo advogado do petista Duque já negocia delação; defensores anteriores deixam a causa

Antecipei aqui no sábado que Renato Duque havia mesmo decidido fazer delação premiada e que já havia escolhido o advogado para cuidar do assunto: Malus Arns.

Pois bem. Os preparativos para a eventual delação estão em curso. Os advogados Alexandre Lopes de Oliveira, Renato de Moraes e João Balthazar de Matos, que atuavam na defesa do ex-diretor de Serviços, deixaram o caso oficialmente porque contrários ao procedimento, informa a Folha.

“Não defendemos, por princípios nossos, aquele que decide realizar delação premiada. Em nossa visão, o advogado do delator passa a ser o Ministério Público”, respondeu Alexandre Lopes ao ser indagado pelo jornal sobre os motivos que levaram o escritório a deixar o cliente.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 20:03

De “besouro rola-bosta” para “247”

Não vou antecipar juízo nenhum. Até porque não sou juiz. Não sou tribunal. Mas eis que, aos poucos, as coisas vão entrando nos eixos, não é? Não se trata de justiça divina, não. Deus tem mais o que fazer do que cuidar desses assuntos.

Desde que o site “247” foi criado, sou um de seus mais permanentes alvos. Em títulos gigantescos, dada aquela estética muito peculiar, mereci a alcunha, entre outras grosserias inomináveis, de “besouro rola-bosta”. A área de comentários, que eles dizem não ter mediação, abriga todo tipo de baixaria. Nunca respondi. Nem vou. Vocês não merecem.

Não sou o único alvo, é claro! Há outros, como políticos e até ministros do Supremo que a publicação, que sempre recebeu farta publicidade oficial, considera inimigos do governo.

A Operação Lava-Jato flagrou transferência de recursos da Jamp Engenharia, empresa de fachada, para o site “247” a título de suposta verba publicitária. Segundo a Justiça, o dinheiro era oriundo de lavagem de dinheiro obtido da roubalheira na Petrobras.

O “besouro rola-bosta” não está tripudiando de ninguém. Se querem saber, isto é um lamento. Pelo “247”? Por Leonardo Attuch? Não. A imprensa brasileira, mesmo nas suas manifestações mais periféricas, já havia superado essa fase. 

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 17:41

Desvios pagaram táxi aéreo, reformas e imóvel para Dirceu, diz delator

Por Graciliano Rocha, na Folha:
Responsável por aproximar a Engevix do PT, o lobista Milton Pascowitch diz ter pago despesas pessoais do ex-ministro José Dirceu e de parentes dele com dinheiro recolhido de contratos de fornecedores prestadores de serviços da Petrobras. Um dos favores do lobista foi a compra de um apartamento por R$ 500 mil para Camila Ramos de Oliveira e Silva, filha do petista. Os depoimentos e recibos de pagamentos feitos pelo lobista, que se tornou delator da Operação Lava Jato no final de junho, são os principais indícios de corrupção envolvendo o ex-número dois do governo Lula, que foi preso nesta segunda (3).

Entre as provas documentais contra o ex-ministro apresentadas pelo delator estão comprovantes de pagamentos pela Jamp Engenheiros Associados, empresa de Pascowitch, no valor de R$ 1 milhão, entre abril e dezembro de 2011, à empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda, que pertence ao ex-ministro. Segundo Pascowitch, não houve prestação de serviços pelo ex-ministro à Jamp. Pascowitch também apresentou recibos de uma doação de R$ 1,3 milhão à arquiteta Daniela Fachini que seria referente à reforma da casa utilizada por Dirceu em Vinhedo (SP). O imóvel servia de residência ao ex-ministro antes de ele iniciar o cumprimento da pena do julgamento do mensalão na Papuda (DF).

A Jamp Engenheiros Associados, conforme o delator, também pagou pela reforma de apartamento localizado na rua Estado de Israel, em São Paulo, em nome do irmão de José Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que também foi preso nesta segunda. Os pagamentos somaram cerca de R$ 1 milhão à construtura Halembeck Engenharia.

Táxi aéreo
Parte dos pagamentos ocorreu também com a quitação de faturas da Flex Táxi Aéreo Ltda., que locava jatos com os quais o ex-ministro cruzou o país durante a campanha para se defender perante a militância petista à época em que era réu na ação penal 470, o julgamento do mensalão. De acordo com Pascowitch, o contrato firmado entre Jamp Engenheiros Associados e a JD Consultoria visava “cobrir o caixa” da firma do ex-ministro. Em geral, eram feitos pagamentos mensais entre R$ 80 mil e 90 mil que estavam lastreadas pelo contrato de prestação de serviços. O delator afirma ter recebido telefonemas do Luiz Eduardo Oliveira e Silva e de Roberto Marques –assessor do ex-ministro, também preso–, dizendo que não tinham como fechar o mês ou cobrir a folha de pagamentos da JD e então pediam adiantamentos dos pagamentos.

Conforme o lobista, certa vez houve pedido de R$ 400 mil para pagamento de um escritório de advocacia que atendia Dirceu. Os recursos pagos por meio da Jamp tinham origem na Engevix e se referiam a uma comissão pela participação da empreiteira na obra do projeto de Cacimbas 2, da Petrobras.

Terceirizadas
Uma das novidades trazidas nesta nova fase da Lava Jato, a partir dos depoimentos de Pascowitch, é a evidência de que o esquema de corrupção se estendeu por empresas que prestam serviços à Petrobras e ao governo, fora da área de engenharia. Ele citou contratos da estatal com a Hope Recursos Humanos (que terceiriza contratações), a Personal Service (serviços de limpeza) e a Consist (serviços de informática) com fontes de pagamentos de propina à empresa.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 16:46

Site Brasil 247 recebeu dinheiro do petrolão a pedido do PT, diz despacho do juiz Moro

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Em um despacho proferido nesta segunda-feira, o juiz Sérgio Moro afirma que o dinheiro do petrolão foi usado para bancar o site Brasil 247 a pedido do Partido dos Trabalhadores. Os repasses foram feitos pela Jamp, uma empresa de consultoria controlada pelo lobista Milton Pascowitch.”Considerando que a Jamp era, como afirma seu próprio titular, empresa dedicada à lavagem de dinheiro e repasse de propinas, parece improvável que o conteúdo do documento em questão seja ideologicamente verdadeiro, pois difícil vislumbrar qual seria o interesse de empresa da espécie em anunciar publicidade ou patrocinar matérias em jornal digital”, afirma o juiz.

A conclusão é reforçada por um depoimento do próprio Pascowitch. Ele disse aos investigadores da Lava Jato ter repassado dinheiro do petrolão para financiar o site Brasil 247 e, assim, assegurar o apoio da página ao PT. O autor do pedido foi João Vaccari Neto, ex-tesoureiro da sigla. Pascowitch firmou um contrato de consultoria com o Brasil 247 utilizando a Jamp, uma empresa de fachada. Pascowitch admitiu que não havia serviço a ser prestado e que o contrato serviria apenas para dar uma aparência de legalidade às transferências financeiras, que somaram 120 000 reais entre setembro e outubro do ano passado – no auge do período eleitoral.

O Brasil 247 é comandado por Leonardo Attuch. A transcrição do depoimento de Pascowitch não deixa margem para ambiguidades: Vaccari o encaminhou para uma reunião com Attuch e pediu que o valor pago ao site fosse descontado da empresa Consist, outro braço do esquema de lavagem de dinheiro do petrolão. Diz um trecho da transcrição: “Que João Vaccari não estava presente na reunião, mas foi indicado a procurar o declarante por João Vaccari; que na reunião entre o declarante e Leonardo ficou claro que não haveria qualquer prestação de serviço mas que era uma operação para dar legalidade ao ‘apoio’ que o Partido dos Trabalhadores dava ao blog mantido por Leonardo; Que o valor pago foi ‘abatido’ no valor que estava à disposição de João Vaccari referente ao contrato da Consist”. Antes da confissão, os investigadores já haviam apreendido anotações em que o lobista detalhava transferências financeiras para o site de Attuch.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 16:15

Moro determina bloqueio de até R$ 20 milhões de José Dirceu

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:

O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, determinou o bloqueio de até 20 milhões de reais do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o principal alvo da 17ª fase da Operação Lava Jato. A ordem de bloqueio, também no valor de 20 milhões de reais, é extensiva também ao irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, ao assessor Bob Marques, à empresa JD Consultoria, apontada pelo Ministério Público como o mais frequente mecanismo de lavagem de dinheiro do petista, aos lobistas Olavo Hourneaux de Moura Filho, Fernando Hourneaux de Moura, Julio Cesar dos Santos e à empresa TGS Consultoria. Quatro outras pessoas, que de acordo com a acusação serviram como intermediários do pagamento de dinheiro sujo ao ex-chefe da Casa Civil, tiveram ordem de bloqueio de 2 milhões de reais cada. A interdição dos valores, praxe nos despachos da Lava Jato, servem para garantir recursos caso os suspeitos sejam condenados e tenham de ressarcir os cofres públicos. O Banco Central foi informado nesta segunda-feira do bloqueio.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 15:31

Foi terrorismo contra o Instituto Lula? Então vamos ver quem não quer uma lei antiterror! Eu quero!!!

A presidente Dilma Rousseff não empregou a palavra, mas sugeriu que a bomba caseira jogada na calçada do Instituto Lula, na noite de quinta, é um ato terrorista. O também petista Jaques Wagner, ministro da Defesa, não economizou: no sábado, afirmou que “o terrorismo é a pior forma de se trabalharem as diferenças”. Logo, ele pensa tratar-se de… ato terrorista!

Que gente curiosa! De junho de 2013 a esta data, sempre que as esquerdas e afins organizam protestos, os black blocs estão presentes: quebrando, depredando, incendiando e, como já vimos, até matando. Como já confessou numa entrevista, Gilberto Carvalho, então ministro de Dilma (então secretário-geral da Presidência), reuniu-se com lideranças dos mascarados várias vezes. Em vez de encaminhar uma lei contra o terror, o governo se encontrava com marginais. O que lhes parece?

Tenho escrito muito a respeito dessa questão e dos equívocos que gera. Por que o país não tem uma lei para punir terroristas? No dia 27 de maio do ano passado, escrevi a respeito. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por exemplo, participou de uma audiência Pública na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para debater a reforma do Código Penal. Falou-se da necessidade de o Brasil ter uma lei contra o terrorismo. Somos uma das poucas democracias do mundo a não tê-la.

O Inciso VIII do Artigo 1º da Constituição diz que o Brasil repudia o terrorismo. O Inciso XLIII do Arrigo 5º considera a prática crime inafiançável e não passível de graça. O Brasil é signatário de tratados que o colocam como crime contra a humanidade, imprescritível. E, no entanto, até agora, o Brasil não definiu o que é terrorismo. Portanto, não há pena para ele. É preciso apelar a outras expedientes, com penas sempre brandas.

Janot falou da necessidade de o país ter uma lei. Afirmou: “Há uma dificuldade enorme de se definir o crime de terrorismo em razão das várias manifestações que se colocam, essa onda de protestos. O que se pode ter é verificar os pontos em que ele toca. Ele envolve necessariamente violência física ou psicológica. Ele se destina a provocar medo ou terror e se destina a gerar medo ou terror em larga escala, de maneira que ultrapasse em muito as pessoas envolvidas no delito praticado”.

Logo, é preciso ter a lei. Mas aí o próprio Janot se encarregou de embaralhar o debate ao afirmar que uma lei contra o terror não pode criminalizar os movimentos sociais. Pronto! Aí ficou tudo confuso! Digam-me aqui: quando alguém mete fogo em ônibus e paralisa, sob grave ameaça, o transporte público, isso é movimento social? Acho que não! Se invasores de terras ou de propriedades urbanas fazem a população refém de sua violência, isso é movimento social?

É bom não esquecer que, mundo afora, o terrorismo fala a linguagem da reivindicação. Ora, a questão não é de nome, mas de fato. É inaceitável que grupos minoritários, por mais legítimas que sejam as suas reivindicações, continuem a submeter a maioria da população a suas chantagens.

A comissão de juristas que enviou a proposta ao Senado pede punição de 8 a 15 anos para quem causar terror à população. Entre as condutas consideradas terroristas, está “Incendiar, depredar, saquear, explodir ou invadir qualquer bem público ou privado” e “sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com grave ameaça ou violência a pessoas, do controle, total ou parcial, ainda que de modo temporário, de meios de comunicação ou de transporte”.

Muito bem! A proposta parecia boa. Mas esse mesmo texto diz que “não constitui crime de terrorismo a conduta individual ou coletiva de pessoas movidas por propósitos sociais ou reivindicatórios”.

Ora, que grupo terrorista não alega propósitos sociais ou humanitários? Felizmente, o hoje governador do Mato Grosso, Pedro Taques (PDT), que foi relator da comissão especial que vai propor um texto final, não abraçou essa excrescência.

Enquanto o debate ficar nessa falsa polarização e a violência for considerada, na prática, uma forma legítima de manifestação, o país continuará refém de bandidos disfarçados de defensores do bem.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 14:31

Querem saber? Acho o discurso de Marina contra o impeachment pior do que o do PT! Explico por quê!

Alguns amigos me enviaram mensagens afirmando que exagerei na crítica a Marina Silva em razão da entrevista que concedeu à Folha, em que sugeriu, sem empregar a palavra, que o impeachment de Dilma seria golpe, embora defenda o afastamento de Eduardo Cunha, presidente da Câmara (PMDB-RJ). Não exagerei, não. Acho até que peguei leve.

A retórica dessa senhora contra as manifestações em favor do impeachment me incomoda até mais do que a dos petistas. Estes, afinal de contas, defendem arreganhadamente seus interesses, né? Estão aboletados no poder.

Como Marina, hoje, não tem cargos no governo federal — só lá na gestão dos petistas do Acre… —, tenta fazer seu equívoco passar por neutralidade e bom senso, como se ela também não tivesse interesses a defender. E tem. A exemplo de qualquer político.

É evidente que a exacerbação da crítica ao petismo e mesmo o franco e claro antipetismo que vai pelo país — que nada tem de anormal, desde que exercido dentro das regras do jogo — prejudicam aquele discurso nem-nem que Marina fez na campanha de 2014 e que sempre seduz muita gente — a meu ver, os incautos.

Se o clima que se sente por aí se estende a 2018, não há muito espaço para aquela conversa de terceira via. O sentimento majoritário nas ruas tende a ser hostil — democraticamente hostil — a teses de esquerda e sentimentos clorofilados congêneres. Mesmo pregando a independência do Banco Central, é o lugar de onde fala Marina.

Quando ela concede à Folha uma entrevista como a que concedeu neste domingo, seu alvo principal não é o governo Dilma, é evidente, mas as oposições.

Ou por outra: sem dar combate ao Planalto, Marina quer tomar o lugar do discurso alternativo ao petismo. Não tenho paciência pra isso, não. 

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 13:31

Os petistas estão querendo aplicar aqui o modelo venezuelano no trato com a oposição. Não vão conseguir!

A Venezuela do chavismo está se desconstituindo e caminha para a guerra civil. É aquele país em que, certa feita, um sábio, chamado Luiz Inácio Lula da Silva, disse “haver democracia até demais”. É aquele país saudado mais de uma vez em tempos recentes pela presidente Dilma Rousseff em fóruns multilaterais como expressão da convivência democrática. É aquele país que a governanta fez questão de abrigar no Mercosul, mesmo tendo de patrocinar um golpe no bloco, em companhia de Cristina Kirchner. Suspendeu-se o democrático Paraguai para dar guarida a uma ditadura.

Às vezes, sabem como é… Os petistas confundem alhos com bugalhos e acabam achando, a exemplo de correntes de extrema esquerda e dos blogs sujos, financiados com dinheiro público, que a Venezuela é um modelo a ser seguido. Não custa lembrar que, recentemente, um grupo de parlamentares vermelhos saiu daqui para ver de perto como funciona o regime venezuelano. Deveriam ter ficado por lá para tentar barrar no berro os saques a supermercados… Por que digo isso?

Uma das pedras-de-toque do regime bolivariano consistiu justamente em satanizar as oposições, acusando-as de golpismo e de terrorismo. Sob esse pretexto, tanto Chávez como Nicolás Maduro prenderam, exilaram e mataram. Ainda mais incompetente do que Chávez e mais truculento do que o antecessor, Maduro perdeu todo o pudor. Sob a sua gestão, aprovou-se uma lei que confere à Guarda Nacional Bolivariana a prerrogativa de atirar em manifestante para matar mesmo.

“Democracia”, diz Dilma. “Democracia até demais”, dizia Lula.

O regime chavista foi tirando, progressivamente, das oposições todos os canais de expressão que esta detinha. E transformou o simples exercício do contraditório em terrorismo, com cassação de mandatos, exílios e prisões políticas.  E, podem escrever aí: a menos que Maduro seja derrubado por um levante militar — já que ele é hoje a face civil de um regime que é, na base, fardado —, o desfecho será necessariamente sangrento. Hoje, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, e membros da alta cúpula das Forças Armadas são investigados nos EUA por tráfico de drogas.

“Democracia”, diz Dilma! “Democracia até demais”, dizia Lula.

Por que faço aqui essas observações? Quando vejo a presidente Dilma Rousseff, o ministro Jaques Wagner e o presidente do PT, Rui Falcão, associar a bomba caseira jogada na calçada do Instituto Lula às manifestações de rua contra o governo e em favor do impeachment, como haverá no dia 16, só posso concluir que os petistas resolveram empregar por aqui a tática bolivariana, que consiste em tentar deslegitimar as oposições — e não apenas os partidos de oposição. Também a esmagadora maioria da população, que hoje quer Dilma fora do governo, estaria se deixando embalar pelo golpismo.

É claro que essa retórica não é exclusividade do governo. A gente a vê também na boca de colunistas alinhados com o regime, que decidiram se comportar como porta-vozes, eles sim, do ataque à democracia e ao Estado de Direito. Não há uma só força relevante no país hoje em dia que defenda a saída de Dilma apenas porque ela pratica estelionato eleitoral. Do ponto de vista ético, convenham, deveria bastar. Mas não! Os que pedem a saída da presidente o fazem, como é notório, segundo os rigores da lei e da Constituição; entendem que ela cometeu crime de responsabilidade.

Sem essa! O Brasil não é a Venezuela. Treze anos de poder petista arranharam, sim, as instituições, mas não conseguiram destruí-las, como fez o chavismo. No dia 16 de agosto, os que defendem o impeachment de Dilma — com todo o direito que lhes facultam a Constituição e as Leis — vão às ruas em paz, em ordem, levando a Bandeira do Brasil.

Quem quer que destoe desse princípio é um agente infiltrado. Tem de ser contido, sem violência, e entregue à Polícia. Tratar-se-á de um terrorista a serviço do statu quo, de um terrorista a favor.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 12:57

O Zé era o chefe? E quem era o chefe do chefe? Ou: Dirceu vai ser usado para poupar o governo Dilma?

Ministério Público, Polícia Federal e, depreende-se do despacho, juiz Sergio Moro afirmam que José Dirceu era um dos instituidores e chefes do petrolão. Ainda que isso requeira, na hora do julgamento, a apresentação de provas contundentes, levante a mão quem duvida. Há muitos anos, ele nasceu para liderar, não é mesmo? De certo modo, poder-se-ia escrever a versão de esquerda de um conto de Jean-Paul Sartre — leiam quando houver tempo — chamado “A Infância de um Chefe”, com a diferença de que o Zé nunca muda de lado. Assim, o Zé na chefia sempre pega bem. E todos vão aplaudir. Mas aí me ocorre uma coisa.

Como é que o Zé poderia ser o chefe do mensalão, do petrolão e de quantos aumentativos sejam usados para assaltar a República e o Estado de Direito se o Zé não era o chefão verdadeiro do PT? A menos que apareça de novo aquela notável personagem para se dizer “traída”, falta alguém — alguéns? — para lhe fazer companhia, não é mesmo?

Dizem as autoridades investigadoras e a que mandou prender que, mesmo na cadeia, o Zé continuava a receber vantagens oriundas do petrolão, que, então, funcionava como uma organização criminosa aboletada no estado brasileiro. Obviamente, não duvido disso. Ao contrário: tenho a certeza disso. Essa era a natureza do mensalão. Essa era a natureza do petrolão, com o Zé na chefia ou não.

Mas será mesmo possível que essa máquina criminosa se assenhoreasse do estado brasileiro sem que o comando da máquina partidária se desse conta, sem que, afinal de contas, o chefe — quem realmente manda — tivesse noção?

Cuidado! Vamos ficar atentos! Não é só isso, não. Então a máquina que, diz-se, tinha o Zé no comando operava mesmo com ele em cana, em razão da condenação do mensalão, mas o governo ele mesmo não sabia de nada?

O Estado de Direito não pode se contentar com a cabeça de José Dirceu. Se ele fica bem como um dos chefes do mensalão, e poucos vão duvidar disso, supor que era “o” chefe beira o ridículo. Numa outra dimensão, resta a Dilma dois papéis:
1 – sempre soube de tudo e se omitiu ou foi conivente;
2 – na Presidência, é uma pomba lesa, incapaz de livrar o estado das mãos do crime organizado.

Em qualquer das duas hipóteses, não tem condições de exercer a sua função. Se não for por causa dos crimes que pratica, é por causa dos crimes que deixou e deixa de combater por absoluta inapetência. 

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 12:34

E prenderam o Bob Marques…

Na VEJA.com:
Assim como o chefe, o notório Bob Marques, que foi assessor do ex-ministro José Dirceu e uma espécie de faz-tudo do petista, foi preso nesta segunda-feira na 17ª fase da Operação Lava Jato. Os investigadores acreditam que o ‘Bob’ registrado nas planilhas de propina do petrolão faça referência a Roberto Marques – e indiquem a quantidade de dinheiro sujo que deveria ser repassada ao chefe dele. Velho conhecido da Justiça, Bob foi carregador de malas, responsável pela agenda e controlador das contas bancárias do ex-chefe da Casa Civil no auge do poder do petista, no primeiro mandato de Lula. Mas Bob também apareceu no epicentro do mensalão após a Polícia Federal ter apreendido, na época, um documento que dava a ele plenos poderes para sacar dinheiro das contas do empresário Marcos Valério no Banco Rural

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 11:27

José Dirceu instituiu o petrolão, afirma Ministério Público

Na VEJA.com:
Ao prender nesta segunda-feira o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, a Operação Lava Jato chegou nesta segunda-feira a um dos “instituidores do petrolão”, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa que investiga o megaesquema de corrupção que sangrou os cofres da estatal. De acordo com o Ministério Público, o mensaleiro foi um dos principais líderes na instituição do petrolão, ainda quando era ministro da Casa Civil, no primeiro mandato do governo Lula. Questionado se a Lava Jato mira também o ex-presidente Lula, o procurador afirmou que “ninguém está isento de investigações”. Ele lembrou, contudo, que parte das apurações segue em sigilo. Sobre os demais artífices do petrolão, o procurador afirmou que “estão sendo investigados” – e que esta estapa da Lava Jato mira os núcleos empresarial e político.

Segundo o MPF, o ex-ministro deu continuidade ao esquema durante o mensalão e se beneficiou dele mesmo após o julgamento do Supremo Tribunal Federal que o mandou para a cadeia. “Chegamos a um dos líderes principais, que instituiu o esquema na Petrobras e, durante o período de ministro da Casa Civil, aceitou e se beneficiou desse esquema”, afirmou o procurador. “Temos uma operação que vai além do Dirceu recebedor, mas sim como instituidor do esquema Petrobras, ainda no tempo da Casa Civil”, continuou. “Dirceu era aquele que tinha a responsabilidade de definir os cargos na administração Lula. No momento em que ele aceitou a nomeação de Renato Duque para a Petrobras, teve início o trabalho de captação das empreiteiras”. O MPF afirma, também, que o ex-ministro recebeu dinheiro do esquema criminoso mesmo preso. De acordo com o procurador, a investigação e a prisão não inibiram a atuação de Dirceu.

Ainda segundo Santos Lima, Dirceu “repetiu o esquema do mensalão” – desta vez, contudo, com uma diferença crucial: o ex-ministro não se utilizou do dinheiro para compra de apoio de parlamentares, mas em benefício pessoal. “A responsabilidade do Dirceu é evidentemente, aqui, como beneficiário, de maneira pessoal, não mais de maneira partidária, enriquecendo pessoalmente”, afirmou o procurador.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 7:46

PF prende José Dirceu em nova fase da Lava Jato

Na VEJA.com:
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira a 17ª fase da Operação Lava Jato, apelidada de Pixuleco, em alusão ao termo utilizado nas propinas do megasesquema do petrolão. Cerca de 200 agentes cumprem 40 mandados judiciais, sendo 26 de busca e apreensão, três de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e seis de condução coercitiva em Brasília e nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. O ex-ministro José Dirceu está entre os presos.

Esta fase da Lava Jato, segundo release distribuído pela PF, “se concentra no cumprimento de medidas cautelares em relação a pagadores e recebedores de vantagem indevida oriundas de contratos com o Poder Público, alcançando beneficiários finais e laranjas utilizados nas transações”.

Às 10h, será concedida entrevista coletiva na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para dar mais detalhes dessa fase da operação.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 6:09

LEIAM ABAIXO

FARSA – Dilma e outros petistas querem usar bomba contra Instituto Lula para atacar ato do dia 16 em favor do impeachment. Isso, sim, é terrorismo!;
A morte do PT ao molho de dendê. Ou: Fala um militante das antigas;
FHC cobra, sim, o “mea-culpa” do PT, mas não para fazer conchavo;
A confirmação do que aqui se disse: um “cartel” como nunca antes na história “destepaiz”;
Sem provas, Procuradoria poderá arquivar inquérito sobre Anastasia;
Dono da UTC cogitou acordo antes de ser preso, mas não queria acusar;
Bradesco compra HSBC no Brasil por US$ 5,186 bilhões;
Marina acha golpismo pedir o impeachment de Dilma, mas defende a saída de Cunha;
O advogado Marlus Arns negocia a delação do petista Renato Duque;
Cunha faz o certo e mobiliza Câmara para interpelar Catta Preta;
Jorge Zelada, que comandou a diretoria Internacional da Petrobras, é indiciado pela PF;
A delação premiada tem de ser regulamentada para não pôr em risco o combate ao crime. Ou: Advogado de porta de cadeia e de porta de MP;
— Vamos fechar o Congresso e entregar o Legislativo para Catta Preta, Youssef e afins! Ou: Todos os adversários de Dilma estão no paredão. Que coincidência, não!?;
— PF pede soltura de 2 presos; MP, a prisão preventiva. Para soltar, Moro exige prova de inocência;
— Justiça recebe nova denúncia contra Renato Duque;
— Camargo Corrêa fecha acordo de leniência com Cade e MPF;
— CPI mantém convocação de Catta Preta. Faz bem! Eu era contra até ontem; agora, sou a favor. E explico, como sempre, por quê;
— Bomba caseira no Instituto Lula? Quem terá jogado?;
— Desconstruindo Beatriz Catta Preta 1: uma história da carochinha. Ou: Quem será a Beatriz de Beatriz? Ou ainda: A quem ela anunciou que não vai fugir?;
— Desconstruindo Beatriz Catta Preta 2: Demonizando Cunha e a CPI da Petrobras. Ou: Direito de Defesa e justas prerrogativas não justificam ataque ao Congresso

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 4:59

FARSA – Dilma e outros petistas querem usar bomba contra Instituto Lula para atacar ato do dia 16 em favor do impeachment. Isso, sim, é terrorismo!

Os petistas estão de tal sorte perdidos e de tal modo se descolaram da realidade brasileira que já não medem mais as consequências das coisas que enunciam. E, por óbvio, sem querer ser tautológico, as falas são tão mais irresponsáveis quanto mais altas são as responsabilidades dos que lançam bobagens ao vento. A começar da presidente da República.

Na quinta à noite, um artefato explosivo, de fabricação caseira, foi jogado na calçada do Instituto Lula, em São Paulo. A explosão chegou a danificar um portão. É coisa de bandido? É claro que é. As polícias, inclusive a Federal, têm de investigar para tentar chegar aos responsáveis? É evidente! E em os encontrando? Que sejam punidos segundo os rigores da legislação — não dará para enquadrá-los numa lei de combate ao terrorismo porque o PT nunca aceitou que se votasse uma.

É tolice ter de declarar que se trata de um ato condenável, tão explicitamente condenável ele é. Mas daí a ver no episódio a escalada da intolerância, como fez a presidente Dilma, segundo quem o ato poria em risco até a democracia, bem, há aí a diferença que vai do óbvio à estultice. Afirmou a governanta no Twitter: “A intolerância é o caminho mais curto para destruir a democracia. Jogar uma bomba caseira na sede do Instituto Lula é uma atitude que não condiz com a cultura de tolerância e de respeito à diversidade do povo brasileiro”.

Ai, ai… Mais um pouco, a presidente recupera a retórica das catacumbas da ditadura, quando se assegurava: “Os subversivos são portadores de uma ideologia exógena, contrária à índole pacífica e ordeira do povo brasileiro”…

É claro que os vagabundos que praticaram aquele ato, se presos, têm de ser punidos, mas a presidente também poderia dar um exemplo. Volta e meia, ela faz alusão a seu passado de membro de grupos que praticavam ações terroristas. Naquele caso, as bombas não eram tão primitivas e matavam mesmo. Nunca vi um mea-culpa presidencial. Ao contrário: Dilma empresta aquelas jornadas ares de heroísmo e diz até que aqueles grupos defendiam a democracia, o que é uma mentira objetiva.

Jaques Wagner
Jaques Wagner, nada menos do que ministro da Defesa, resolveu engrossar o coro dos insensatos — e olhem que o homem é apontado como alternativa moderada entre os petistas. Não só decidiu emprestar à coisa um peso político que nem sabe se tem como aproveitou para fazer politicagem, criticando a Polícia Civil de São Paulo.

No sábado, o homem que, na prática, é chefe das três Forças Armadas e a cargo de quem estaria a defesa da nação afirmou: “Eu acho que [o ataque] é grave e acho que foi pobre a afirmação da Polícia Civil de São Paulo porque não se trata de ter sido alguém organizado ou não”.

Explico. A Polícia Civil de São Paulo, de forma prudente, disse trabalhar com todas as hipóteses, inclusive a de que seja um ato de vandalismo. É o certo. Mas Wagner exige que o PT seja hoje tratado como vítima de uma ação organizada, de caráter político e ideológico. Ele quer porque quer empregar a palavra “terrorismo”. Disse: “Está se criando um clima no país em que alguém se acha no direito, seja ele quem for — pode ser um cidadão comum —, de chutar as costas do prefeito de Maricá (RJ) ou de botar uma bomba explicitamente no local de trabalho de um [ex-presidente]. Isso é inadmissível para qualquer um, porque o terrorismo é a pior forma de se trabalhar as diferenças”.

Calma! A coisa não parou por aí. O ministro procurou associar a bomba caseira aos que defendem o impeachment de Dilma. Leiam: “A tentativa de quebra da regra da naturalidade da democracia é que eventualmente embala loucos como esse que jogou a bomba. Porque outros, sem serem loucos iguais [ao que arremessou o artefato], [o] embalam”.

Ah, entendi. Então defender o impeachment da presidente e convocar uma manifestação, como a do dia 16 de agosto, predisporia loucos a jogar bombas caseiras… O país fez o maior protesto político de sua história no dia 15 de março deste ano, e não se teve notícia de um só incidente. Rui Falcão, presidente do PT, estava com Wagner e também criticou a Polícia de São Paulo, chamando o episódio de  um “ato de violência contra a maior liderança que o país já produziu”. Ah… Se Lula fosse apenas a quinta maior liderança, talvez a bomba fosse menos grave.

Discurso terrorista
Terrorista é o discurso dos petistas, inclusive o da presidente da República. Pra começo de conversa, faz uma brutal diferença um ato dessa natureza ter sido praticado por um grupo organizado ou por um delinquente qualquer. Se um ministro da Defesa não tem essa clareza, melhor fazer outra coisa. Aliás, Wagner ser titular da pasta é um escárnio. Com que conhecimento de causa?

Lamento adicionalmente, diga-se, que ele não tenha censurado seus pares de partido que dizem que o antipetismo é coisa tão grave como o antissemitismo. Wagner estaria moralmente obrigado a tratar do assunto: por ser petista, por ser ministro da Defesa e por ser judeu.

Em segundo lugar, ainda que ato terrorista fosse, o que isso teria a ver com os que convocaram as marchas em favor do impeachment para o dia 16? Todos os grupos que se ocupam da convocação e da organização dos eventos têm sólidos compromissos com a democracia, rejeitam a violência de qualquer natureza e defendem o império da lei.

Dilma, Wagner e Falcão precisam ser mais responsáveis. Até porque há uma questão de natureza lógica: se ações contra o PT servirão de pretexto para atacar os que protestam contra Dilma, a melhor maneira de transformar em vilões os que o fazem é praticando ataques contra o PT. Aí a a gente é logicamente obrigado a trabalhar com a hipótese de que, na raiz de um ataque como aquele, podem estar justamente os adversários do impeachment, não é mesmo?

Odorico Paraguaçu mandava pichar nos muros de Sucupira “Odorico é ladrão” quando queria baixar o porrete na oposição.

O Brasil não é Sucupira, Dilma!

Texto publicado originalmente à 0h50
Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 4:57

A morte do PT ao molho de dendê. Ou: Fala um militante das antigas

Converse com petistas com miolos. Sim, os há! Fiz exatamente isso nesse fim de semana. Por que são petistas ainda? A resposta é longuíssima, e não me ocuparei disso agora. Mas o fato é que aqueles que pensam a sério o destino do partido também o veem morrendo e não enxergam muito por onde ressuscitá-lo. Vários fatores se somam. E já chegarei a eles. Antes, quero que prestem atenção a alguns números.

O Instituto Paraná Pesquisas fez um levantamento na Bahia sobre a preferência partidária da população do Estado. A coisa não vai bem para os companheiros naquele que já foi considerado um reduto do petismo.

Indagados sobre qual é o partido de sua preferência, 40,8% dos que responderam a pesquisa disseram “nenhum”. O segundo grupo com o maior percentual é justamente o dos que disseram “PT”: 16,9%. Em seguida, vêm PMDB (10,8%) e PSDB (10,5%). Dez por cento não sabem. Vejam tabela.

 Bahia - partido de que mais gosta

Até aí, bem! Não é muita coisa, mas os petistas poderiam ficar felizes por liderar entre os que escolheram uma legenda. O busílis está em outra pergunta. O Paraná Pesquisas quis saber também qual é o partido de que os baianos menos gostam ou que mais rejeitam. Aí a coisa ficou feia: o PT disparou, com 43,6%, ganhando do “Nenhum/não tem”: 33,1%. Muito atrás na rejeição, vêm o PSDB, com 8,4%, e o PMDB, com 4,2%.

 Bahia partido de que menos gosta

O Paraná Pesquisas ouviu 1.284 eleitores, entre os dias 21 e 26 de julho, e a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

Congresso, refundação e mais do mesmo
Muito bem! Neste domingo, o Estadão publicou uma entrevista do petista Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro do governo Lula. Afirmou que tanto o partido como os governos petistas chegaram ao fim de um ciclo. Segundo Tarso, que articula uma frente de esquerda — que seria liderada pelo PT, é claro! —, chegou a hora de “refundar” o partido.

Então tá. A única coisa chata para quem tem memória é que Tarso fez esse mesmíssimo discurso, apelando até à mesma palavra — “refundação” — em 2005, por ocasião da crise do mensalão, quando pareceu que ele iria formar um polo na legenda para se opor a José Dirceu e companhia.

Pouco depois, foi desautorizado pelo próprio Lula, que passou a sustentar que aqueles que acusavam o PT pelos crimes do mensalão eram… “golpistas”, mesma palavra empregada hoje em dia, e que tudo não passava de uma trama urdida por reacionários, tendo a mídia monopolizada como organizadora daquela reação. Não tardou para que o próprio Tarso passasse a incorporar esse discurso.

Pois bem… Digamos que o PT tenha chegado ao fim de um ciclo, e os governos petistas também. Para que algo seja refundado é preciso admitir o erro. O partido realizou o seu congresso há menos de dois meses, na Bahia, entre 11 e 14 de junho. Não se ouviu por lá nem sombra de autocrítica. E a voz que mais reiterou os erros foi justamente Lula, segundo o qual os ataques ao partido decorrem de suas virtudes. Os petistas sustentaram a tese de que a legenda se tornou alvo dos conservadores porque distribuiu renda e inseriu os pobres na economia. Ora, por que um partido tão bonzinho iria mudar alguma coisa?

O próprio Tarso, ao tentar apontar o caminho dessa refundação, pede a mudança da política econômica. A julgar pela crítica que faz, quer a volta do “dilmo-manteguismo” que vigorou entre 2011 e 2014, que contribuiu justamente para empurrar o país para uma grave crise. Ou por outra: hoje, o PT se divide entre os que não querem mudar nada e os que querem mudar para pior.

Um segundo elemento que empurra o partido ladeira abaixo, dizem os petistas que ainda conseguem raciocinar em meio ao caos, é o envelhecimento da legenda — envelhecimento físico mesmo. O PT se desconectou da juventude e perdeu aquele ar de vanguarda até de costumes que exibiu nos tempos da oposição. Tornou-se, na expressão do meu interlocutor, “ranzinza, ranheta, reativo e agressivo”. Ele pondera: “Seria inimaginável, até o começo dos anos 2000, supor que o PT teria de recorrer à militância paga para juntar gente, pagar lanchinho…”

O PT perdeu as ruas. Mas e os movimentos sociais? E um Guilherme Boulos, não é renovação? Meu interlocutor responde: “O sentimento difuso de mudança e de progresso social que o PT chegou a encarnar não é substituível por grupos militantes que, muitas vezes, têm um discurso corporativista, que é o avesso daquilo que a gente representava”. Ou por outra: houve um tempo em que a legenda, falando ou não a verdade, tinha um apelo universalista. Hoje, assemelha-se mais a um grupo de pressão em defesa de privilégios.

Finalmente, ele vê um problema conjuntural, mas que pode trazer ainda mais dificuldades. Diz que, país afora, prefeitos do próprio partido, em busca da reeleição, estão dispostos a esconder a sigla porque “anda difícil defender o PT”. Ele também aponta dificuldades para liderar alianças em cidades importantes. Teme por um brutal encolhimento da legenda nas eleições municipais.

Finalmente, pergunto: “Você acha que Lula será candidato?”. Diz ele: “Se tiver juízo, não! Talvez até venha a reunir condições de vencer. Mas acho que o PT deveria ir para a oposição para sobreviver”.

Alguma chance, indago, de essa avaliação conquistar adeptos na legenda? Ele é sintético, com ar de desconsolo: “Não!”.

Texto publicado originalmente às 3h29
Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 4:57

FHC cobra, sim, o “mea-culpa” do PT, mas não para fazer conchavo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não é padre. Não consta que tenha exercido a Presidência, ao longo de oito anos, com dons sacerdotais. Tem apreço demais pela ironia informada para se fazer de pregador ou de confessor. Assim, a hipótese de que esteja a exigir de Lula ou do PT um “mea-culpa” para, então, perdoá-los e dar início ao conchavo me parece um tanto ridícula.

Não é o que está escrito em seu artigo no Estadão neste domingo. Ao contrário. Prestem atenção ao que FHC conta em seu texto:

“Na ocasião da viagem que a presidente Dilma e os ex-presidentes fizemos juntos à África do Sul, em dezembro de 2013, para assistir ao funeral de Mandela, disse a todos que a descrença da sociedade no sistema político havia atingido limites perigosos. Ainda não era possível antecipar o tamanho da crise em gestação, mas não restava dúvida de que o País enfrentaria dificuldades econômicas e que essas seriam ainda maiores se as suas lideranças políticas não dessem resposta ao problema da legitimidade do sistema político. Disse também que todos nós ali presentes, independentemente do grau maior ou menor de responsabilidade de cada um, deveríamos nos entender e propor ao País um conjunto de reformas para fortalecer as instituições políticas. A sugestão caiu no esquecimento.”

O ex-presidente vai adiante e escreve sobre Lula:
“Naquela ocasião, como em outras, a resposta do dirigente máximo do PT foi ora de descaso, ora de reiteração do confronto, pela repetição do refrão autorreferente de que antes dele tudo era pior. Para embasar tal despautério, o mesmo senhor, no afã de iludir, usou e abusou de comparações indevidas. Mais uma vez agora, sem dizer palavra sobre a crise moral, voltará à cantilena de que a inflação e o desemprego de hoje são menores do que em 2002, omitindo que, naquele ano, a economia sofreu com o medo do que poderia vir a ser o seu governo, um sentimento generalizado que, em benefício do País, meu governo tratou de atenuar com uma transição administrativa que permitiu ao PT assumir o poder em melhores condições para governar. Sobre a crise de hoje nenhuma palavra…”

Sim, FHC cobra de Lula e de seu partido o mea-culpa, deste modo:

“É hora de reconhecerem de público que a política democrática é incompatível com a divisão do País entre ‘nós’ e ‘eles’. Para dialogar, não adianta se vestir em pele de cordeiro. Fica a impressão de que o lobo quer apenas salvar a própria pele. (…) Em suma, cabe aos donos do poder o mea-culpa de haver suposto sempre serem a única voz legítima a defender o interesse do povo.”

O ex-presidente lembra a condição que ele impôs para uma eventual conversa com Lula e com o PT:
“ (…) desde que seja para uma discussão de agenda de interesse nacional e pública. Por que isso? Porque não terá legitimidade qualquer conversa que cheire a conchavo ou, pior, que permita a suspeita de que se deseja evitar a continuidade nas investigações em marcha, ou que seja percebida como uma manobra para desviar a atenção do País do foco principal, a apuração de responsabilidades.”

Portanto, meus caros, fim de papo. Não haverá conchavo. Mas todos fiquem adicionalmente tranquilos: porque também não haverá mea-culpa. Não é nem da natureza do PT nem da natureza de Lula.

Por Reinaldo Azevedo
 

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