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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

07/05/2015

às 4:01

DEM e PSB, dois partidos de oposição, garantem a vitória da MP do ajuste fiscal na Câmara; parte da base, inclusive petistas, deixa Dilma na mão

 O governo venceu, e o texto-base da Medida Provisória 665, que restringe as regras para a concessão do seguro-desemprego, foi aprovado. Mas o Planalto teve de suar, e o placar foi apertado: 252 a 227. Foram apenas 25 votos de diferença. Querem uma medida da dificuldade? Se os deputados de partidos de oposição que votaram “sim” tivessem votado “não”, a MP teria sido rejeitada: foram 8 do DEM, 7 do PSB e 1 do Solidariedade. Ao todo, pois, 16 oposicionistas engrossaram as fileiras governistas. Se eles fossem subtraídos dos 252 a favor e somados aos 227 contra, o placar teria sido 237 a 242 contra o governo. E a MP teria ido para o espaço. Logo, é justo que Dilma seja grata a parte do DEM e do PSB pela ajuda. Eles deram a vitória a um governo ao qual se opõem.

Não estou fazendo ironia, não. É fato! Afinal, convenham: votar com o governo é tarefa, em princípio, dos governistas. Mas estes também traíram. Dez deputados do PT deixaram Dilma na mão: nove não apareceram, e um votou contra. Dos 64 votos do PMDB, 13 disseram “não” à MP. No PDT, que tem o Ministério do Trabalho, houve unanimidade contra: 19. No PP, as defecções chegaram a 18 dos 39 votantes; no PTB, 12 dos 24. Todos têm titulares na Esplanada dos Ministérios. E olhem que houve esforço concentrado. Michel Temer teve de trabalhar. Ao fim da votação, José Guimarães, líder do governo na Câmara (PT-CE), sugeriu que os partidos aliados receberiam a devida compensação. Cobrado a se explicar, não o fez.

Notem: se a oposição tivesse votado unida, e a base desunida, o meu título seria este: “Governistas derrubam MP do ajuste fiscal”. Como a oposição também se desuniu, e como seus votos foram essenciais para a aprovação da medida, então não há como: “DEM e PSB, dois partidos de oposição, garantem a vitória da MP do ajuste fiscal na Câmara; parte da base, inclusive petistas, deixa Dilma na mão”.

A votação foi tumultuada, com militantes da CUT e da Força Sindical nas galerias, protestando contra o texto. Membros da Força portavam cartazes com as fotos de Dilma e Lula sob o título: “Procurados”. Quando eles derramaram sobre o plenário o que chamaram de “PTrodólares” — imitação da moeda americana com as efígies de Lula, Dilma e João Vaccari Neto —, Eduardo Cunha esvaziou as galerias. Os petistas gritavam histericamente, pedindo que saíssem do local… Justo eles, né?, sempre tão educados num Parlamento. A gente viu o que fizeram no Paraná…

Concluída a votação do texto principal, os oposicionistas entoaram em coro uma adaptação de uma samba celebrizado por Beth Carvalho: “O PT pagou com traição/ a quem sempre lhe deu a mão”. Inconformados, petistas e membros do PCdoB acusavam falta de decoro e comportamento incompatível com o Parlamento.

Depois da rejeição de dois destaques, deputados de oposição promoveram um panelaço em plenário, para tristeza do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que bufava: “São panelas importadas. Depois, vão jantar no Piantella”, referindo-se a um restaurante chique de Brasília. Não entendi a ilação deste comunista do Brasil: parece que ele considera que só pode jantar no Piantella ou quem vota com o governo ou quem é favorável a que se restrinjam as condições para o seguro-desemprego…

O governo venceu, sim. Mas a votação demonstrou como está desarticulada a base. Ou Dilma não teria dependido dos votos de DEM e PSB. Os oposicionistas fizeram o governo sangrar até o limite. E, como já deixamos claro aqui, os petistas estiveram entre os que mais deram trabalho a Dilma.

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) presidiu a sessão com impressionante calma. Era o dono da bola. Sabia que, se quisesse, aplicaria outra derrota a Dilma, seja pondo seus liderados para votar contra, seja deixando-se enredar pelas manobras da oposição, adiando mais uma vez a votação. Mostrou quem está no poder naqueles domínios.

Na noite anterior, já tinha desferido um cruzado no queixo do PT: ou o partido fechava questão, ou o PMDB não se comprometia com a MP. Dilma não conseguiu enquadrar seu partido. Coube a Cunha fazê-lo.

O PT acabou.

 

Por Reinaldo Azevedo

07/05/2015

às 2:52

Câmara aprova texto-base da MP 665, que endurece regras trabalhistas

Por Marcela Mattos e Gabriel Castro, na VEJA.com:
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o texto-base da medida provisória que endurece as regras para o acesso a benefícios trabalhistas como seguro-desemprego e abono salarial. O texto principal foi aprovado por um placar apertado: 252 votos favoráveis, 227 contrários e uma abstenção. Partidos aliados ao Planalto, entre eles o próprio PT, mostraram resistência ao projeto, mas foram pressionados pelo governo a aprovar a matéria para ajudar no reequilíbrio das contas públicas. O texto precisa ser aprovado pelo Senado até o dia 1º de junho para não perder a validade.

O PMDB fez diferença no resultado: na bancada, foram 50 votos a favor e 13 contrários à proposta. Três parlamentares não marcaram presença. No PT, houve apenas um voto contra: o de Weliton Prado (MG). No entanto, outros nove parlamentares não apareceram para votar. Por volta das 22h30, parlamentares da oposição faziam panelaço no plenário.

As duas emendas previstas para serem votadas nesta quarta foram rejeitadas: uma retiraria do projeto todas as alterações que atingem o abono salarial. Outra estendia os benefícios do seguro-desemprego a trabalhadores rurais que tenham sido contratados por tempo determinado – os chamados “safristas”. As duas votações tiveram placar equilibrado. No segundo caso, a diferença foi de apenas cinco votos. As votações de novas emendas, que podem alterar a medida, devem prosseguir nesta quinta-feira.

A medida provisória 665 foi apresentada logo após a reeleição da presidente Dilma Rousseff como parte de um pacote de ajuste fiscal proposto para viabilizar uma economia de até 18 bilhões de reais aos cofres públicos. Ao dificultar a concessão de benefícios trabalhistas, a petista contraria um de seus principais motes durante a campanha: usou, à exaustão, a expressão ‘nem que a vaca tussa’ para negar que mexeria nos direitos trabalhistas. A frase acabou prejudicando a candidatura de Marina Silva (PSB) ao Planalto.

?Para conseguir o aval do Congresso, o governo teve de ceder em alguns pontos da MP original, o que implicará na redução da economia inicialmente prevista. O texto encaminhado pelo Executivo determinava, por exemplo, que o trabalhador poderia ter direito ao primeiro acesso ao seguro-desemprego depois de 18 meses de trabalho nos dois anos anteriores à demissão – a legislação em vigor prevê apenas seis meses seguidos de trabalho para a garantia do benefício. Após acordo, o relatório final decidiu por um prazo intermediário de um ano de trabalho nos 18 meses anteriores à demissão para a liberação do seguro-desemprego.

O texto prevê ainda a garantia do abono salarial ao empregado que comprovar vínculo de no mínimo 90 dias no ano anterior ao do pagamento – a lei atual determina um prazo mínimo de um mês, enquanto o governo queria aumentar o período para 180 dias.

As mudanças foram alvo de críticas por parte dos movimentos trabalhistas, entre eles a Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT. Durante a votação nesta quarta, manifestantes que ocuparam as galerias protestaram jogando notas de dólares fictícias, batizadas de “PTro Dollar”, com vaias ao ex-líder do PT e ao sindicalista deputado Vicentinho (PT-SP). A sessão, que teve vários bate-bocas, foi interrompida duas vezes. “Nós queremos demonstrar qual história que o PT começa a reconstruir. De trabalhadores o partido não tem mais nada. Se outrora defendeu a classe trabalhadora, a legenda hoje mostra de maneira definitiva uma aliança em outra direção – em direção ao capital, e não mais ao trabalho. Isso fica claro quando o PT retira benefícios aos trabalhadores”, disse o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP).

Guerra política
A votação do ajuste fiscal gerou mais um embate entre o Planalto e o Congresso. Em meio à impopularidade da medida e da falta de diálogo do governo com suas bases, que reclamaram que os governistas jogaram o arrocho sobre a responsabilidade do Parlamento, os congressistas resistiram em dar aval à matéria até o último momento. O PT, partido da presidente Dilma Rousseff, apenas fechou questão ao texto poucas horas antes da votação. O anúncio do apoio formal da bancada se deu após o PMDB ameaçar votar contra a matéria caso o partido não se posicionasse oficialmente.

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 22:45

Foi só em bairro rico? Por que Lula e Dilma não vão a um supermercado no Jardim Ângela?

O PT espalha por aí que o buzinaço e o panelaço contra o partido e contra Lula, durante os 10 minutos de horário político veiculado ontem, só se deu em bairros ricos. Bem, é mentira, como provam os vídeos no Youtube.

Mas eu refaço aqui o meu desafio: por que Dilma, Lula e Rui Falcão não visitam um supermercado no Jardim Ângela ou em Heliópolis, em São Paulo?

Mas tem de ser coisa de verdade, sem claque armada e sem segurança para impedir a legítima e honesta abordagem no povo.

Vamos lá, valentes! Façam seu teste de popularidade entre os pobres!

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 22:38

Chuva de dólares, sambinha, panelaço e feminismo farisaico… A Câmara aprovou a MP 665. Por pouco…

Uma das Medidas Provisórias do ajuste fiscal, a 665, foi aprovada na Câmara por pequena margem: 252 votos a 227. Aconteceu de tudo: chuva de dólares falsos com as efígies de João Vaccari Neto, Lula e Dilma; coro de um sambinha que acusava o PT de traição e, finalmente, um panelaço promovido por oposicionistas contra o PT. E, em meio a tudo isso, houve um espetáculo patético promovido pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que deve achar que a condição de mulher é uma categoria de pensamento e dá à pessoa a licença de ser truculenta. Escreverei ainda com mais vagar sobre tudo isso. Sim, o governo ganhou, mas ganhou perdendo. E, como diria Cunha, o Planalto só venceu porque o PMDB deixou… Volto depois.

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 22:04

PT e PSOL abrem as portas do Congresso a um assassino para calar a voz de perseguidos políticos da Venezuela. Não há limites para a abjeção dessa gente.

Vejam esta foto. É  cara do humanismo do PSOL.

O jovem Virgilio, pouco antes de morrer carbonizado no atentado praticado por Lollo

O jovem Virgilio Mattei, pouco antes de morrer carbonizado no atentado praticado por Lollo, um dos criadores do PSOL

Esquerdistas do Congresso Nacional, com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) à frente, vão abrir nesta quinta as portas do Parlamento brasileiro para um assassino, num movimento asqueroso para esconder a violência política na Venezuela e abafar a voz das vítimas da ditadura e da truculência. É nojento. Quem informa é o repórter Leonardo Coutinho, em reportagem na Veja.com. Querem saber? Nem um nem outro me surpreendem. Como não costumam surpreender os esquerdistas. Vamos ver.

Estão no Brasil as venezuelanas Lilian Tintori, mulher de Leopoldo López, ex-prefeito de Chacao, e Mitzy Capriles, casada com o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma. Ambos estão na cadeia. São presos políticos do regime do tirano maluco Nicolás Maduro. Elas já estiveram com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e com o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. 

As duas farão uma visita à Câmara dos Deputados e pediram uma audiência à presidente Dilma Rousseff. Duvido que seja concedida.

Muito bem. E o que fizeram Lindbergh e Valente? Convidaram para falar na Comissão de Direitos Humanos do Senado e de Relações Exteriores da Câmara um sujeito chamado Tarek William Saab. Ele exerce o cargo de “defensor do povo” do governo Maduro. É uma espécie de face política das milícias armadas do chavismo.

Saab apoiou e, dado o cargo que exerce, foi um dos organizadores da repressão aos protestos de rua em 2014, que deixaram 40 mortos — algumas das vítimas foram alvejadas pelas milícias. Também defendeu a lei que permite que o governo abra fogo contra os manifestantes. Para arremate do lixo moral, Saab fala no Congresso nesta quinta, no mesmo dia em que Lílian e Mitzy chegam à capital federal.

O esperado
É claro que não esperava coisa muito diferente nem de Lindbergh nem de Valente. O senador, oriundo do PC do B, é hoje petista. Os dois partidos apoiam ditaduras sanguinárias mundo afora. Como esquecer que a própria presidente Dilma Rousseff levou a Venezuela para o Mercosul?

Quanto a Valente… Bem, a intimidade do PSOL com assassinos não é recente, não é? Um dos fundadores da legenda é o italiano Achille Lollo, que mora no Brasil. Trata-se de um terrorista italiano que, em 1973, despejou gasolina sob a porta de um apartamento, na Itália, e ateou fogo. Estavam no imóvel um gari, sua mulher e seis filhos. Morreram uma criança de 8 anos, Stefano, e seu irmão mais velho, de 22, Virgilio. O gari era de um partido neofascista (leiam mais aqui). Como Lollo não gostava do neofascismo, então ele resolveu incendiar crianças, entenderam? Um verdadeiro humanista!!! É com essa gente que o psolista constrói o seu humanismo.  Podem vomitar.

Num debate, certa feita, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), tive a chance de lembrar a Valente as relações de seu partido com aquele outro “valente”, o assassino (o post está aqui).

A cada dia, sinto mais nojo dessa gente. E o povo brasileiro, felizmente, também.

Encontros
As respectivas mulheres dos dois presos políticos já pediram uma audiência com a presidente Dilma, e outra com o vice, Michel Temer. Nesta quarta, Mitzy esteve com o senador tucano José Serra (SP), que defendeu o encontro: “Se houvesse mais inteligência política, eu não tenho dúvidas de que o governo deveria pelo menos receber as famílias de opositores presos”, disse o tucano.

A mulher de Ledezma se encontrou ainda com o ex-presidente José Sarney: “A posição dele foi absolutamente democrática. Recebemos dele um apoio solidário e firme”. Sobre a expectativa de ser recebida por Dilma, disse estar confiante em razão do passado da petista, adversária do regime militar: “Estamos no Brasil buscando a solidariedade de um povo irmão”. A dos brasileiros, elas certamente têm; a de Dilma, acho que não terá.

José Serra recebe Mitzy Capriles, a mulher do prefeito de Caracas (Divulgação/Facebook)

José Serra recebe Mitzy Capriles,  mulher do prefeito de Caracas (Divulgação/Facebook)

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 20:27

Fala de Renan o obriga a votar contra Fachin e a tentar convencer seus pares a fazer o mesmo  

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também se manifestou sobre a aprovação, pela Câmara, da PEC 457 e voltou a alfinetar, meio gratuitamente, o vice-presidente Michel Temer (PMDB), coordenador político do governo. Ele próprio defendeu a medida. E nem poderia, institucionalmente, fazer o contrário. O texto é oriundo justamente do Senado, onde foi aprovado em 2007. Mas Renan fez uma outra declaração importante que, suponho, o obriga a votar contra Luiz Edson Fachin. Vamos ver.

Disse o presidente do Senado: “Política é isso mesmo. Você ganha poder, perde poder. Todo dia você tem uma novidade. É evidente que a presidente da República e o vice-presidente perderam poder, porque só no Supremo Tribunal Federal eles deixam de indicar cinco ministros”.

Vamos pensar. Dilma, de fato, perde a oportunidade de indicar cinco novos ministros, e é evidente que isso diminui o seu poder de intervenção no Judiciário. Mas e Temer? Definitivamente, o peemedebista não perde nada porque não seria ele a indicar esse ou aquele. A indicação é da presidente. É evidente que ele não poderia ter-se colocado em favor da medida ainda que quisesse. O governo federal era contra, e não lhe cabia fazer outra coisa.

Fachin
Mas o que realmente me interessa na fala de Renan, creio, é outro trecho. Referindo-se à aposentadoria dos ministros aos 75 anos e à impossibilidade de Dilma nomear cinco novos ministros, disse: “[a aprovação] Significa que, no momento da crise, da dificuldade, o poder político não escolheu o caminho da politização do Supremo Tribunal Federal”.

Logo, Renan está admitindo que existe, sim, um esforço de politização do Supremo, com o que concordo. Ora, então é preciso que o presidente do Senado preserve o tribunal, por exemplo, de Luiz Edson Fachin, recusando seu nome e se esforçando para que seus pares façam o mesmo. Quem, mais do que o advogado que atua no Paraná, representaria a ideologização e a politização do Supremo?

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 19:54

PEC DO SUPREMO – Estou de novo na campanha “Fica, Celso!” e saúdo a decisão de Marco Aurélio

Uma boa notícia: o ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, elogiou a aprovação da PEC 457, que estende de 70 para 75 anos a aposentadoria compulsória dos titulares dos tribunais superiores. Pela lei anterior, Mello seria o próximo a se aposentar, em novembro deste ano. O ministro considerou a aprovação “sábia” porque privilegia a experiência e lembrou que o limite para a aposentadoria, na Constituição de 1934, era de 75 anos.

Mas será que ele próprio fica mais cinco? Não deu para saber. É bom lembrar que o ministro chegou a considerar a hipótese de antecipar a sua aposentadoria ainda em 2013 por razões de saúde. Cedeu a apelos para que não o fizesse. Indagado se fica ou vai, respondeu: “A vida é cheia de idas e vindas. Mas o fato é que estou com quase 47 anos de ininterruptos serviços públicos, desde os meus tempos de promotor de Justiça no Ministério Público de São Paulo. Eu sempre gostei de trabalhar. Mas, de qualquer maneira, eu ainda não tenho nenhuma decisão e nenhuma definição de ordem pessoal”.

Tomara que fique! Para o bem do Brasil. E o mesmo digo sobre Marco Aurélio Mello, que se aposentaria em julho do ano que vem. Além de elogiar a mudança, o ministro disse que fica, sim: “Não sou um homem que joga a toalha e atuo com muito entusiasmo como julgador. Evidentemente, eu estava com a minha cabeça pronta para sair daqui a um ano, dois meses e alguns dias, mas, agora, evidentemente cumprirei o meu dever como cidadão brasileiro”.

Gilmar Mendes também gostou da aprovação do texto. Referindo-se à manutenção por mais tempo da atual composição do STF, disse: “São nomes importantes do tribunal. Acho que é bom para o Brasil. Em relação ao Supremo Tribunal Federal, é extremamente positivo. Nós vamos manter essa composição e vamos evitar sobressaltos”.

Reitero aqui uma informação e um ponto de vista que já expressei em post anterior. A PEC 457 é de 2005, de autoria do então senador Pedro Simon, e não tinha a intenção de impedir este ou aquele de nomear ministros do Supremo. Se a questão assumiu importância nova em razão do contexto, fazer o quê? Não se pode atacar o mérito de uma proposta porque o contexto pode lhe emprestar significados novos.

O que antes era apenas matéria de bom senso passou a ser, sim, um caminho que preserva o tribunal de um ente que pretende aparelhá-lo. É um conteúdo novo que se soma ao antigo e uma razão adicional para apoiar a PEC. Mas havia, afinal, a disposição de capturar a corte suprema? A indicação para o triunal do ultraesquerdista Luiz Edson Fachin, dono de teses heterodoxas sobre direito, indica que sim.

Saúdo a decisão de Marco Aurélio e, mais uma vez, entro na campanha: “Fica, Celso!”.

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 19:20

Acuado, PT cede ao PMDB e decide votar a favor do ajuste fiscal

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
Pressionada pelo PMDB, a bancada do PT na Câmara dos Deputados decidiu anunciar nesta quarta-feira que fechou questão em torno da medida provisória que endurece o acesso a benefícios trabalhistas como seguro-desemprego e abono salarial e todos os seus deputados devem votam a favor das mudanças, que integram o pacote do ajuste fiscal proposto pelo governo Dilma Rousseff. A matéria é alvo de duras críticas por parte da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e encontra resistências inclusive entre os petistas.

Na terça-feira, a bancada esteve reunida ao longo de todo o dia sem chegar à unanimidade pela aprovação da matéria. Após mais de quatro horas de reunião e o apelo de uma tropa de ministros, líderes petistas anunciaram que apoiariam o ajuste fiscal – mas evitaram falar em fechamento de questão, evidenciando as defecções internas. Irritado com a fala do ex-presidente Lula em programa partidário, o PMDB emparedou o partido da presidente Dilma e afirmou que apenas daria aval à medida provisória caso o PT se unisse oficialmente em torno da proposta.

Novamente reunida nesta quarta, a bancada do PT levou cerca de três horas para ceder ao pedido do PMDB. Durante a reunião, ficou evidenciado o desconforto causado pelo principal aliado do Planalto. “Vamos votar as MPs. Querem jogar o PT na parede. A ideia é torturar e depois matar”, disse o deputado Luiz Couto (PB). Conforme um petista, o apoio à matéria representa mais um aceno ao governo do que um apoio ao ajuste fiscal. “O governo sabe que tem erro nas relações políticas”, disse.

Líder do PT, o deputado Sibá Machado (AC) evitou responder se a legenda estaria acuada diante do PMDB e afirmou apenas vai buscar entre os demais líderes aliados a anunciar fechamento de questão em torno da matéria.

O partido não deixou claro se haverá punições caso algum deputado se recuse a votar favoravelmente à medida provisória. “Não há uma questão disciplinar. Nós vamos buscar consensos. É uma posição minimamente política e o que mais nos interessa é o voto integral dos companheiros do plenário”, disse Sibá Machado. O petista reforçou que esse é um assunto que cabe à cúpula da legenda, e não à bancada.

“Se um ou outro deputado não votar, é uma questão que o partido trata depois”, resumiu, durante a manhã, o líder do governo José Guimarães (PT-CE). “Sempre tem uma discussão. Pode ter treze chibatadas, ajoelhar no milho e castigos espirituais”, ironizou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

Após o anúncio do PT, o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), subiu à tribuna para dizer a iniciativa petista deu o “conforto” que o partido solicitava. O plenário já retomou a votação nesta quarta-feira.

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 17:56

Janot está obrigado a pedir ao STF que Dilma seja ao menos investigada

Vejam bem… Eu escrevo para pessoas alfabetizadas, né? Como a burrice costuma ser imodesta, quanto mais ignorantes, mais agressivos os que se pronunciam sobre o que não entendem.

Vamos lá. Rodrigo Janot já fez uma vez uma interpretação exótica do Parágrafo 4º do Artigo 85 da Constituição, a saber:
“§ 4º – O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.”

Fará de novo? A ação do PSDB vai obrigá-lo a se posicionar. Eu já tratei da coisa várias vezes. Volto ao tema. Com quem quer aprender, minha paciência é infinita. Mas é pequena com quem insiste em ficar nas trevas.

Qualquer ato que Dilma tenha cometido no primeiro mandato não é “estranho ao exercício” de sua função. Até porque esse artigo da Constituição foi redigido antes de haver a reeleição.

Será que o Constituinte daria a um presidente da República licença para cometer crimes comuns e de responsabilidade no primeiro mandato, sem poder responder por eles no exercício do segundo? E se foram crimes cometidos para se reeleger, como foi o caso das pedaladas fiscais?

Tenham paciência!

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 17:00

Um caminho mais longo, mas mais sólido, para o impedimento de Dilma. Janot será obrigado a se pronunciar de novo. Vamos ver o que se dará desta vez…

A oposição não deve apresentar diretamente à Câmara uma denúncia por crime de responsabilidade contra a presidente Dilma Rousseff, o que poderia, se aceita, resultar no impeachment. Há divergências nos quatro partidos de oposição — PSDB, DEM, PPS e SD (o PSB não está nesse debate) — sobre a estratégia. Se a Câmara rejeita a denúncia, queimam-se os navios antes da travessia. Mas a Casa rejeitaria?

Pois é. Para começo de conversa, uma comissão pode descartar de saída a denúncia, sem que ela nem chegue ao plenário. Caso essa etapa seja superada, é necessária a adesão de dois terços dos deputados: 342. Não é um número fácil de alcançar.

Nas votações desta terça, por exemplo, sobre a PEC 457, que estendeu a idade de aposentadoria compulsória de ministros de tribunais superiores de 70 para 75 anos, a votação antigoverno superou essa marca: 344 votos no mérito e 350 no destaque. Mas notem: num caso, dois votos a mais apenas; no outro, 8. E a mal chamada “PEC da Bengala”, convenham, é bem menos grave, e tensa, do que um pedido de impeachment.

A reunião entre lideranças da oposição para debater um parecer do jurista Miguel Reale Jr., que estava marcada para hoje, foi adiada para o dia 20. A decisão deve ficar para a semana seguinte a esse encontro. No dia 27, movimentos em favor do impeachment prometem fazer uma grande concentração pública em Brasília.

O caminho que a oposição escolheu para chegar ao impeachment é outro. Vai optar por uma ação penal contra Dilma em razão das pedaladas fiscais dadas no primeiro mandato. Nesse caso, há um crivo antes de a questão chegar à Câmara: chama-se Rodrigo Janot.

O pedido de ação penal tem de ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República. É Janot quem vai decidir se o arquiva, se solicita ao STF a simples abertura de inquérito ou se formaliza já uma denúncia.

Se for um pedido de abertura de inquérito, o pleno do Supremo — os 11 ministros — decide sozinho. Se for uma denúncia, aí o tribunal oficia a Câmara, que vai ou não autorizar a abertura do inquérito. Caso haja ao menos 342 votos, Dilma tem de se afastar, segundo o que determina o Inciso I do Parágrafo 1º do Artigo 86 da Constituição:
“§ 1º – O Presidente ficará suspenso de suas funções:
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;

Se condenada, Dilma perde o mandato. Como estaria sendo processada por uma infração penal comum, com base nos artigos 359 a, 359 c e 299, o julgamento seria feito pelo Supremo, não pelo Senado.

O caminho, embora um pouco mais longo, é mais inteligente. Uma denúncia que chegue à Câmara oriunda da Procuradoria-Geral da República tem um peso maior do que vinda de partidos de oposição.

Mais uma vez, Rodrigo Janot será chamado a se pronunciar. E terá de ler o que está escrito na Constituição. E o que está escrito no Parágrafo 4º do Artigo 85 da Constituição? Transcrevo:
“§ 4º – O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.”

A pedalada foi dada por Dilma no seu primeiro mandato, num ato que não é estranho à sua “função”. O texto constitucional não diz que ela não pode ser responsabilizada no segundo mandato por algo cometido no primeiro. Até porque esse artigo da Carta foi escrito quando ainda não havia reeleição.

Atenção! A pedalada fiscal de Dilma — motivo para uma denúncia de crime de responsabilidade, sim — também é crime definido no Código Penal.

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 14:32

Tribunal italiano suspende a extradição de Pizzolato

Na VEJA.com:

O Tribunal Administrativo do Lacio acatou nesta quarta-feira uma liminar da defesa do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato e suspendeu a extradição do mensaleiro. Segundo informações da TV Globo, a corte agendou para 3 de junho uma audiência sobre o caso – até lá, Pizzolato ficará na Itália.

Segundo a defesa, Pizzolato se propõe a cumprir a pena de prisão na Itália. O recurso terá como base o tratado de extradição entre Brasil e Itália, transformado em lei nacional pelo Parlamento italiano há dois meses. Em um dos trechos da lei, fica permitido que um italiano que tenha cometido crime no Brasil cumpra sua pena de prisão na Itália, e vice-versa.

Mensalão – Com dupla cidadania, Pizzolato fugiu para a Itália pouco antes de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a doze anos e sete meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, acusado de ser um dos operadores financeiros do mensalão, esquema de compra de votos de deputados na Câmara Federal, para aprovar projetos do governo.

O ex-diretor do Banco do Brasil foi descoberto e preso na Itália, o que iniciou um processo legal que durou dezoito meses até a definição sobre sua extradição para o Brasil ser aprovada pelo governo de Matteo Renzi na semana passada.

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 6:47

LEIAM ABAIXO

Câmara aprova PEC que pode impedir a bolivarianização do Supremo. Ou: Há Fachins que vêm para bem;
Paulo Roberto põe Renan entre mentores do esquema. Ou: A síntese de um depoimento confuso;
Atualização do buzinaço-panelaço anti-Lula e anti-PT: 23 estados e Distrito Federal;
CUNHA DÁ UM XEQUE-MATE EM LULA – Babalorixá vai à TV e faz firula como no tempo em que tomava Black Label na Fiesp e pinga com os operários. E se dá mal!;
PT tenta dar um truque na votação do ajuste fiscal, Cunha percebe, contra-ataca, e companheiros ficam pendurados na brocha;
FORA LULA E FORA PT – Por enquanto, notícia de panelaço e buzinaço em 19 Estados e Distrito Federal;
Ah, se Padre Vieira fosse vivo, faria agora o “Sermão do Bom Ladrão – Versão 2.0” em homenagem a Paulo Roberto;
BUZINAÇO E PANELAÇO CONTRA O PT – Volte Lula, volte, sim! Dê aos brasileiros a chance de lhe dizer “não”;
PANELAÇO E BUZINAÇO ENQUANTO O BABALORIXÁ FALA. FORA LULA!;
PT e corrupto confesso têm a mesma receita para “passar o país a limpo”. Quem se surpreende?;
À CPI, Costa reafirma que dinheiro do petrolão abasteceu campanha de Dilma;
NÃO CAIA NO CONTO DO VIGÁRIO LARÁPIO – Na CPI, Paulo Roberto Costa, o corrupto confesso, defende a reforma política do PT. A quem serve hoje este senhor?;
CVM abre investigação contra ex-conselheiros da Petrobras;
Delator do petrolão afirma que Dilma é responsável por Pasadena;
— Tucanos deveriam se espelhar em Paulo Brossard e dizer “não” a Fachin. Ou será que o PSDB não tem a coragem de fazer na democracia o que o então senador gaúcho fez na ditadura?;
— Líder radical de professores do Paraná admite que salários são bons. E por que ela lidera greve e invasões? Para cumprir a tarefa do PT, ora essa!;
— As cascatas do PT no horário político. Ou: Quem não tem o que dizer diz qualquer coisa… Ou: Ache logo a panela velha;
— Sim, eu continuo a refutar a tese do cartel porque acho que ela protege bandidos e porque as palavras fazem sentido;
— O PSDB e Fachin: o PT com complexo de superioridade intelectual;
— #prontofalei – PT X PT;
— Governo petista vive para desmoralizar os governos… petistas. Dois casos exemplares

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 6:39

Câmara aprova PEC que pode impedir a bolivarianização do Supremo. Ou: Há Fachins que vêm para bem

Esta terça foi o dia em que o PT, mais uma vez, tropeçou nas próprias pernas, foi vaiado de norte a sul do país e sofreu contra-ataques sensacionais. Tentou jogar nas costas dos aliados a aprovação das MPs do ajuste fiscal. Falhou. Levou Lula para a TV para jogar para torcida. País afora, panelaço e buzinaço. Na Câmara, o PMDB anunciava que, então, vai seguir o chefão petista e recusar o ajuste fiscal. Os companheiros falhavam de novo. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Casa, aproveitou o quórum e mandou ver: pôs em segunda votação a PEC 457, apelidada maldosamente de “PEC da Bengala”, que estende de 70 para 75 anos a aposentadoria compulsória dos ministros de tribunais superiores. O texto foi aprovado por 333 votos a 144. Leiam a emenda.

PEC 457 TEXTO

O texto aprovado, na verdade, mantém a aposentadoria compulsória dos servidores aos 70, mas define que lei complementar pode elevá-la para 75. Logo, nesse caso, aguarda-se a dita-cuja. Ocorre que o Artigo 2º estabelece que, até que não se vote a tal Lei, a aposentadoria dos ministros de tribunais superiores acontecerá só aos 75. O PT ainda tentou eliminar esse artigo, o que, na prática, deixaria tudo como está até a Lei Complementar. Perdeu de novo: por 350 votos a 125. Os defensores do texto precisavam de 308 votos apenas — três quintos dos 513 deputados.

Qual é a consequência dessa votação? Se nenhum ministro do STF decidir deixar o tribunal antes dos 75, a presidente Dilma, que ainda faria cinco indicações caso permaneça no poder até 2018, não fará mais nenhuma.

Se a atual legislação fosse mantida, deixariam o tribunal ainda neste mandato os seguintes ministros: Celso de Mello (11/2015), Marco Aurélio Mello (07/2016), Ricardo Lewandowski (05/2018), Teori Zavascki (08/2018) e Rosa Weber (10/2018). Se todos decidirem se aposentar aos 75, o sucessor de Dilma fará apenas duas indicações caso o mandato seja de quatro anos: para os respectivos lugares de Celso de Mello, em 2020, e de Marco Aurélio, em 2022. Na hipótese de uma reforma política definir um mandato de cinco anos, como defendem alguns, o futuro mandatário indicará cinco membros do Supremo.

O que eu acho?

Eu acho é bom. Que se note: essa emenda é de 2005, de autoria do então senador Pedro Simon (PMDB-RS). Não foi pensada para tolher a mão grande de Dilma no Supremo, não. Mas é claro que vem a calhar, não é? Já aprovada no Senado em duas votações, ela segue agora para promulgação. Tirando uma dúvida: não, um presidente não pode vetar uma emenda constitucional. Só lhe cabe promulgar.

É claro que há Fachins que vêm para bem. Mesmo aprovada no Senado e com uma votação favorável na Câmara, a PEC 457 chegou a correr alguns riscos. Associações de magistrados e a OAB, por razões meramente corporativistas, estavam fazendo pressão para rejeitar a proposta.

Mas o marxista, emessetista, cutista  e antifamiliista Luiz Edson Fachin, indicado por Dilma, certamente ajudou a iluminar o debate. E os senhores deputados se deram conta do risco que corre o país. Uma medida que era, em si, sensata — afinal, ministros deixam o STF em plenas condições físicas e intelectuais — passou a ser também tempestiva.

Mas não se confundam. Eu ainda não dou a aprovação de Fachin como uma fatalidade, não! Eu nutro a esperança de que os senhores senadores tenham ou adquiram juízo, sempre reconhecendo que, por caminhos tortuosos, a aprovação da PEC pode até ajudá-lo. Alguns tenderão a achar que o tribunal já está a salvo. Ainda não!

Texto publicado originalmente à 0h36
Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 5:07

Paulo Roberto põe Renan entre mentores do esquema. Ou: A síntese de um depoimento confuso

Vou aqui tentar fazer uma síntese do longo depoimento de Paulo Roberto Costa à CPI do Petrolão, por temas. É evidente que o que ele diz tem de ser investigado, sempre destacando que o homem não é um professor de educação moral e cívica ou de ética. Comecemos pelas acusações mais graves.

Campanha de Dilma em 2010
Paulo Roberto Costa reafirmou que Antonio Palocci lhe pediu R$ 2 milhões para a campanha de Dilma em 2010. Alberto Youssef teria ficado de repassar o dinheiro, mas o doleiro, que também fez delação premiada, diz não ter feito isso. Um inquérito investiga Palocci. Dilma não é investigada.

Renan e Humberto Costa entre os mentores
Indagado por um deputado sobre quem era o mentor do esquema, Costa lista uma série de políticos: “Do PP, começou com o deputado José Janene (PR); prosseguiu depois com o deputado Mário Negromonte (BA); prosseguiu depois com o senador Ciro Nogueira (PI). Do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), deputado Aníbal Gomes (CE). Do PT, tive contato e ações com o senador Lindbergh (Farias) (RJ), com o senador Humberto Costa (PE)… O senador Romero Jucá (RR), tivemos contato com ele, e também o [ex]ministro Edson Lobão [Minas e Energia]”.

A tese do cartel
Paulo Roberto Costa construiu o seu discurso para transformar a Petrobras em vítima da ação do suposto cartel das empreiteiras, embora ele fizesse parte da equipe que determinava preços, distribuía obras e decidia o valor da propina. Mais de uma vez, cantou as glórias da empresa e a sua seriedade, exaltando seus mecanismos de controle. Santo Deus!

O bom ladrão
Reproduzindo uma conta que está na imprensa, afirmou que pelo menos R$ 60 bilhões da dívida da Petrobras se devem à defasagem do preço dos combustíveis. O corrupto preocupado com os destinos da empresa diz ter apresentado proposta para corrigir a defasagem, com o apoio de José Sérgio Gabrielli, então presidente da Eetatal, mas sem sucesso.

Consciência culpada
O homem que lucrava milhões com o que chama cartel diz ter pensado em chamar outras empreiteiras para tocar as obras, mas afirmou que as que já estavam no negócio diziam que elas não conseguiriam fazer o trabalho.

Os políticos
O engenheiro culpou os maus políticos pela lambança na Petrobras. É claro que ele tem razão. A estatal serviu a um esquema de poder. Isso é evidente. Acontece que essa tese se choca justamente com a do cartel, não é? Ou bem este existe, e a estatal é uma de suas vítimas; ou bem a Petrobras era parte ativa na roubalheira, por meio de seus diretores — e era —, e o que se tem pode até ser formação de quadrilha, mas não cartel.

A propina
Paulo Roberto Costa já deu três versões para o valor da propina, embora insista que são uma só. Na primeira, afirmou que as empresas punham um sobrepreço nas obras para pagar os larápios; na segunda, disse que o dinheiro da sem-vergonhice saía do próprio lucro das empreiteiras; na última, veiculada nesta terça, tentou fundir as duas outras: o dinheiro dos corruptos sairia, sim, do lucro dos empreiteiros, mas, como eles formavam um cartel, então os preços já seriam naturalmente mais altos. O que não fecha na sua história? O óbvio: eram as empreiteiras que impediam a Petrobras de realizar uma real concorrência, ou era a Petrobras, por intermédio de seus diretores, que impedia uma competição honesta?

O reformador
Paulo Roberto estava à vontade no seu papel de conselheiro da República e, quem sabe, consultor. Vituperou contra o financiamento de campanha por empresas, abraçando uma tese que o PT levaria ao horário político pouco tempo depois. Segundo disse, se é para passar o Brasil a limpo, as doações têm de ser proibidas porque as empresas sempre procurarão um modo de recuperar o dinheiro.

Qualquer um que preste atenção à narrativa de Paulo Roberto vai acabar concluindo que há linhas contraditórias no seu depoimento, e isso, anotem aí, acabará sendo importante nos tribunais: ou bem a Petrobras tinha uma gestão política, que atendia a interesses partidários — e, a partir daí, os esquemas de corrupção operavam, inclusive das empreiteiras; ou bem essas empreiteiras se organizaram para tomar de assalto a Petrobras. Em qualquer dos dois casos, todos cometeram crimes. Mas a diferença não é irrelevante.

Caso se conclua que o núcleo da safadeza é político, então a estatal passa a ter uma gestão profissional, independente de quaisquer injunções que não sejam técnicas, e seus diretores não saberão distinguir senador, deputado ou tesoureiro partidário de um Zé Mané qualquer. Caso se conclua que a origem está num cartel, como querem Ministério Público e Justiça Federal do Paraná, então a Petrobras fica na mesma, e as empreiteiras de agora serão substituídas por outras, que entrarão na fila do guichê da delinquência.

É isso que alguns bocós não entenderam até agora. Ah, sim: a hipótese do cartel interessa aos tarados pelo estatismo. A hipótese do uso da empresa por um esquema de poder — que é fato — interessa a quem quer pôr bandidos na cadeia e a Petrobras nos trilhos.

Quanto ao financiamento de campanha, acho que o Brasil tem pensadores mais competentes do que Paulo Roberto.

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2015

às 4:05

Atualização do buzinaço-panelaço anti-Lula e anti-PT: 23 Estados e Distrito Federal

Até agora, não tenho notícia de manifestações apenas em três capitais: Boa Vista (RR), Porto Velho (RO) e Macapá (AP). Se houve, espero que leitores desses três Estados me avisem. Com vídeo, será melhor ainda.

Minha contabilidade anterior eram 19 Estados mais Brasília. Não estavam na lista as seguintes capitais: Aracaju (SE), Palmas (TO), Campo Grande (MS) e Rio Branco (AC). Agora estão.

Balanço até agora: protesto em 23 Estados e Distrito Federal.

Volta, Lula, volta!

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2015

às 23:46

CUNHA DÁ UM XEQUE-MATE EM LULA – Babalorixá vai à TV e faz firula como no tempo em que tomava Black Label na Fiesp e pinga com os operários. E se dá mal!

Luiz Inácio Lula da Silva, sim, ele mesmo!, acaba de criar, com a sua fala irresponsável no horário político do PT um problemão para a presidente Dilma. E já tomou um contra-ataque. Não tem jeito: os “companheiros” não perceberam que não ditam mais a pauta. O que aconteceu?

Na televisão, Lula afirmou que o Congresso estava retirando direitos dos trabalhadores. Em suma: em vez de se pronunciar como um homem das instituições, resolveu falar como chefe de facção, tentando jogar a população contra o Parlamento. Sim, Lula se referia principalmente ao projeto das terceirizações, mas foi ambíguo o bastante para colocar todo o Legislativo na mira.

Leonardo Picciani (RJ), líder do PMDB na Câmara, aliado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Casa, anunciou em seguida que seu partido não aceita mais votar nesta quarta a MP 665. E não o fará enquanto o PT não definir a sua posição, não fechar questão em favor do pacote fiscal e não parar de tentar jogar a população contra o Congresso.

Xeque-mate!

Picciani foi irônico. Afirmou que o seu partido se deixava, então, convencer por Lula, obedecendo a sua orientação. Já foi o tempo em que o PT votava uma coisa no Congresso e dizia outra para o distinto público. Aliás, essa é uma prática antiga de Lula, desde quando era sindicalista.

Quando chefiava o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e negociava com o então Grupo 14 da Fiesp, lá no fim dos anos 70 e início dos anos 80, fechava acordo com os empresários, em reuniões regadas a Black Label, mas fazia discurso radical para as massas, segurando a greve por mais algum tempo, até começar a recuar e aprovar a proposta que havia sido negociada com o copo. Depois comemorava com a pobrada com uma pinguinha.

Nessa brincadeira, muita gente perdeu o emprego, enquanto Lula pavimentava seu caminho para a Presidência da República.

Agora, há um Cunha no meio do caminho. No meio do caminho, há um Cunha. A única esperança mesmo dos companheiros é que Rodrigo Janot consiga quebrar as pernas do presidente da Câmara. Para isso, no entanto, precisará contar com os votos do Supremo. Vamos ver.

Cunha anunciou que a sessão que vai discutir a MP 665 começará ao meio-dia desta quarta, que será quente. O PT, em suma, vai ter de decidir se pertence à base ou não. O deputado Hildo Rocha (PMDB-MA) fez a ironia final: “Lula acaba de enterrar o ajuste fiscal. Se o ex-presidente Lula é contra retirar direitos dos trabalhadores, quem somos nós, simples deputados, para contrariar o líder?”. 

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2015

às 23:14

PT tenta dar um truque na votação do ajuste fiscal, Cunha percebe, contra-ataca, e companheiros ficam pendurados na brocha

Sabem por que o PT odeia tanto o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e se esforça para destruí-lo? Porque o presidente da Câmara não cai em nenhum dos truques do partido. É bem verdade que alguns estão manjados demais, mas não é menos verdade que muitos se deixariam enredar. A que me refiro? Cunha adiou a votação da primeira MP do ajuste fiscal, a 665, para esta quarta. Por quê? Por causa da molecagem dos petistas. Explico.

O PT — principal partido da base, legenda a que pertence a presidente da República, que considera o ajuste fiscal peça basilar de sua gestão — decidiu fazer beicinho. Parte considerável de seus parlamentares não quer arcar com o ônus das Medidas Provisórias 664 e 665, que restringem, respectivamente, privilégios previdenciários e relativos ao seguro-desemprego e abono salarial.

A bancada do partido se reuniu. O governo precisou montar uma força-tarefa para convencer os companheiros, como se estivesse se mobilizando para convencer um partido de oposição. Michel Temer (PMDB), vice-presidente da República e coordenador político, comandava o encontro. Nada de obter consenso. Temer, então, falou com a presidente Dilma, que mandou pra lá os ministros petistas Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Comunicação), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) e Pepe Vargas (Direitos Humanos).

Muito bem. Os ministros conversaram, conversaram e conversaram. E a maioria do PT, então, decidiu apoiar o pacote fiscal. Pois é… Ocorre que, espertamente, os petistas não fecharam questão. Logo, cada um votaria como bem quisesse. No fim das contas, a responsabilidade por aprovar as MPs recairia sobre os ombros dos demais partidos que apoiam o governo.

Ao saber que os “companheiros” não haviam fechado questão, Cunha adiou a votação. E ironizou: “Não queremos tirar dinheiro de ninguém. Cabe ao governo discutir isso com sua base. Vamos ver se o PT vai para a base”.

Na mosca!

José Guimarães (CE), líder do PT na Câmara, fez uma declaração realmente estupefaciente. Disse que são necessárias “novas rodadas de negociações”. Ah, entendi… O partido da presidente precisa ser convencido a votar na proposta que a presidente considera essencial…

A propósito: sabem quem estava na reunião da bancada do PT? Vagner de Freitas, presidente da CUT. Vale dizer: a petezada se reunia para rejeitar as MPs.

Ora, Dilma que se entenda com a bancada de seu partido, não é mesmo? O que não pode é ficar irritada com Cunha.

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2015

às 22:14

FORA LULA E FORA PT – Por enquanto, notícia de panelaço e buzinaço em 19 Estados e Distrito Federal

 Que se saiba até agora, houve protestos durante o programa político do PT nas capitais de 10 Estados, além do Distrito Federal: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, Fortaleza. Florianópolis, Maceió, São Luís, Belém, Natal, Teresina, Manaus, João Pessoa, Vitória, Cuiabá. Em São Paulo, as manifestações não se limitaram à capital. Também se ouviram buzinaço e panelaço em Ribeirão Preto, Campinas, Santos, Santo André, São José dos Campos…

E olhem que se tratou de um mero programinha, de 10 minutos, que foi até meio chocho. Imaginem se é mesmo o PT no melhor da sua forma, afrontando o bom senso.

Na cidade de São Paulo, na Vila das Mercês (não é nem Higienópolis nem Itaim…)

Na cidade de São Paulo, Itaim

Na cidade de São Paulo, Vila Leopoldina

Na cidade de São Paulo, no Mandaqui

Em Santos, SP

No Rio, em Ipanema

.

No Rio, Barra da Tijuca

Em Salvador

Em Santo André – SP

Em Maceió

Em Belo Horizonte

Em Recife
.

Em São José dos Campos – SP
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Em Brasília
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Em Fortaleza

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2015

às 21:47

Ah, se Padre Vieira fosse vivo, faria agora o “Sermão do Bom Ladrão – Versão 2.0” em homenagem a Paulo Roberto

Sim, ainda farei outro texto sobre o depoimento de Paulo Roberto Costa, mas há coisas que são mesmo do balacobaco. Aos deputados da CPI, ele fez a seguinte declaração, que quase me leva às lágrimas:

“Sabíamos do cartel? Sabíamos! Não tomamos nenhuma ação? Não tomamos nenhuma ação. Aí que nós erramos.”

Como assim? Eles “sabiam” do cartel??? Mas esperem aí: então eles foram conquistados pelo tal cartel, é isso? Não fosse o dito-cujo, seriam homens probos? E que história é essa de “erramos”? O erro é algo involuntário, que a pessoa comete sem querer, geralmente percebido quando as consequências desagradáveis se mostram.

Paulo Roberto Costa errou ou delinquiu?

Ah, mas o corrupto confesso tinha consciência, tá, pessoal? Afirmou que, num dado momento, ele se indignou e pensou em “convidar” outras empreiteiras para tocar as obras. Disse: “As empresas do cartel me falaram que eu ia quebrar a cara porque as empresas não iam dar conta de fazer o serviço”.

Perceberam? Nessa versão, não eram Paulo Roberto e os outros corruptos que atuavam na empresa que cobravam propina; as empreiteiras é que se impunham.

Ora, Paulo Roberto afirmar que “errou” ao não fazer nada é uma pilantragem retórica. Por que ele faria? Não era justamente a existência disso a que ele chama “cartel” — que cartel não era — que lhe garantia os ganhos milionários?

Aliás, ele próprio confessou que só chegou ao posto a que chegou com o compromisso de fazer safadezas:
“Não posso dizer que eu não tinha aspiração de um dia chegar ao cargo de diretor. Tinha. Eu tinha sonhos. (…) Eu, como engenheiro, tinha sonhos de chegar à diretoria. Obviamente, sabia que ia ter problemas, não sabia a extensão do problema. Na primeira conversa que eu tive com o deputado José Janene [à época do PP, morto em 2010], ele falou ‘nós vamos te apoiar e você vai ajudar o partido’.”

Preço dos combustíveis
Paulo Roberto, em suma, tentou demonstrar que é um homem rousseauniano à sua maneira: era essencialmente bom; os maus homens é que o corromperam. Tanto é assim que, mesmo se dedicando a falcatruas, eles se preocupava com os destinos da empresa. Mas disse, sim, uma coisa verdadeira: a pindaíba em que está a Petrobras não se deve principalmente à corrupção.

Leiam esta declaração:
“A Lava Jato é repugnante, não deveria ter acontecido. Com certeza, eu tava errado. Mas o maior problema da Petrobras, que arrebentou a Petrobras, é a defasagem dos preços dos derivados que o governo segurou. O governo segurou o preço do diesel, o preço da gasolina, e esses valores possivelmente deram rombo de R$ 60 bilhões, R$ 80 bilhões. Vamos imaginar que seja R$ 60 [bilhões]. A Lava Jato, com R$ 6 bilhões, dá 10% do rombo da Petrobras, que o governo manteve os preços congelados e arrebentou com a empresa. A Lava Jato é um problema? É. É o maior problema? Não é. O maior problema da Petrobras é a gestão política que fazem da companhia.”

Nesse particular, ele está certíssimo, mas essa conta já está na imprensa faz tempo, não é? Eu gostei mesmo foi de saber que ele, pessoalmente, defendeu o reajuste dos combustíveis entre 2010 e 2012, mas nunca foi ouvido.

E o depoente livrou, então, a cara de José Sérgio Gabrielli: “Vale aqui colocar também que o presidente Gabrielli, nesses assuntos todos que eu levava ajuste de preços, sempre me apoiou nos termos de me ajudar nos argumentos do ajuste de preços, mas, infelizmente, tanto eu como o presidente Gabrielli fomos votos vencidos”.

Que homem bom! Paulo Roberto ajudou a fraudar a Petrobras em alguns bilhões, mas pensava no seu futuro: queria ajustar o preço dos combustíveis. Cobrava propina das empreiteiras do grupo a que ele chama cartel, mas, indignado, pensava em chamar empresas de fora.

Olhem aqui: no meu blog, bandido é tratado como bandido. Não há espaço para heroísmos dessa espécie, ainda que o homem ajude a prender um monte de outros… bandidos!

A Justiça pode lhe conceder os benefícios de sua tortuosa delação premiada. Felizmente, eu não preciso.

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2015

às 20:55

BUZINAÇO E PANELAÇO CONTRA O PT – Volte Lula, volte, sim! Dê aos brasileiros a chance de lhe dizer “não”

Pois é… De seu exclusivo ponto de vista, Dilma fez bem em não participar do horário político do PT, né? É claro que as vaias, a bateção de panelas e o buzinaço também a homenagearam. Mas, desta feita, ficou mais claro — e, insisto, refiro-me a São Paulo, por enquanto: não é preciso que apareça a imagem da presidente ou de alguém do seu governo para que tenha início o protesto.

Há dois dias, Lula resolveu fazer ameaças na linha “olhem que eu volto”. E eu o desafiei aqui: “Volte, sim!”. Para que possa ser derrotado.

Ah, sim: o horário do partido investiu de novo naquela tecla de que, antes, havia o caos. Até que o PT chegou, e se fez a luz. Quem ainda acredita nisso?

A fala de Lula no programa de hoje, meio malandra, transformou as férias e o 13º em conquistas da legenda… Quase mais ninguém acredita nessa patacoada.

Por Reinaldo Azevedo
 

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