Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

06/02/2012

às 22:17

Sim, claro que vou falar sobre a privatização dos aeroportos

Pois é, queridos. Sou um só. Há quem ache muito. Há quem ache pouco. Não dá tempo de cuidar de tudo. Ainda vou escrever sobre o modo petista de privatizar… Na madrugada sai o texto. Elio Gaspari, o ombudsman de privatarias, certamente está escandalizado… Eu estou um pouquinho, mas deve ser por outros motivos.

Ah, sim: eu defendo a privatização até de Jardim da Infância. Mas fica para depois.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 21:48

JAQUES WAGNER CONTA O OPOSTO DA VERDADE A MILHÕES DE TELESPECTADORES DO JORNAL NACIONAL. VEJO-ME NA OBRIGAÇÃO DE CONFRONTÁ-LO COM OS FATOS

Ai, ai, esse Jaques Wagner

Vi há pouco uma entrevista do governador da Bahia no Jornal Nacional. O petista afirmou, naquele tom baixo-profundo, que foi pego “de surpresa” pela ação dos policiais. Pois é… CONTOU O OPOSTO DA VERDADE A MILHÕES DE TELESPECTADORES. Qual é o meu papel? Confrontá-lo com os fatos.

De surpresa???

Não! De jeito nenhum!!!
Eu não apóio violência de policiais na Bahia.
Eu não apóio violência de meliantes na USP.
Eu não apóio violência do PSTU em São José dos Campos.

E também não apóio mentiras.

Vejam esta nota publicada num blog baiano no dia 28 de janeiro. Ali se informa que a PM poderia entrar em greve. A assembléia estava marcada para o dia 31 de janeiro, e o cartaz convocando o encontro circulava desde o dia 24. Mesmo assim,  Wagner tomou a iniciativa de acompanhar Dilma Rousseff a Cuba no dia 30. A última solenidade da presidente sustentando que nunca antes nestepaiz houve governo como o do PT aconteceu justamente na Bahia! Wagner foi abraçar os assassinos de Cuba, em companhia de Dilma, e o povo baiano ficou sujeito a seus potenciais assassinos.

Aqui está o cartaz. Infelizmente, governador, como se vê, o senhor contou o oposto da verdade a milhões de telespectadores do Jornal Nacional. EU NÃO ESTOU OPINANDO. EU ESTOU PROVANDO.

bahia-assembleia-convocacao

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 20:53

No planeta Suplicy - Advogada de denunciantes de suposto estupro tem como clientes presos que Gaeco acusa de pertencer ao PCC

Então… Quanto mais eu pesquiso, mais o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), aquele, vai se mostrando uma pessoa séria, responsável, que só abre a boca para ser justo.

Já contei aqui as circunstâncias todas que desmoralizam a sua denúncia de que uma guarnição da Polícia Militar de São Paulo teria estuprado uma mulher no Pinheirinho. Pois bem… Resolvi aqui fazer as minhas pesquisas.

A Polícia Militar prendeu numa área vizinha ao Pinheirinho — não no Pinheirinho — três homens e um menor de 17 anos, acusados de tráfico de drogas e de portar uma espingarda calibre 12. Fez-se o BO. Os presos estavam acompanhados de sua advogada, Aparecida Maria Pereira. Ninguém relatou abuso sexual nenhum. Dez dias depois, eis que surge a “denúncia”, feita ao Ministério Público Estadual e ao notório Suplicy.

Aparecida Maria Pereira?

Pois é… Encontrei reportagens no jornal “O Vale” que mostram que ela é advogada de vários presos que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) acusa de pertencer ao PCC, especialmente Sérgio Augusto Fonseca, conhecido por “Quase Nada”, e Jorge Pereira dos Santos, o “Jorjão”, ligados ao tráfico de drogas em São José dos Campos. Além deles, sua lista de clientes inclui sete outros acusados.

Pois é… Mesmo assim, acreditem, a página do PT no Senado continua a divulgar as acusações e diz que os denunciantes são ex-moradores do Pinheirinho.

É a mentira como método!

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 20:16

Um poeminha para análise dos uspianos do PT, PSTU, PSOL, PCO…

Poema da bala de borracha

VADA A BORDO, CARVALHO!

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 19:35

Agência Brasil reconhece erro em notícia sobre mortes no Pinheirinho; agora falta que portais privados de notícia façam o mesmo!

Escrevi vários posts, como sabem, criticando a cobertura que a agência oficial de notícias, a Agência Brasil, fez do caso Pinheirinho. Uma reportagem em particular foi objeto da minha análise: aquela em que um advogado denunciava a existência de mortos na operação. Qual era o meu ponto? Isso não é mera matéria de opinião, de “lado” e “outro lado”. Coisas assim precisam ser apuradas antes de ser noticiadas. As mortes, como se sabe, não passaram de uma mentira urdida pela militância.

Critiquei o noticiário da Agência Brasil e apanhei muito da petralhada. Eu, afinal, como sabem, seria nada mais do que o porco reacionário a serviço da exploração imobiliária… Não dou bola pra esse tipo de vagabundo. Cobrei publicamente uma posição de Nelson Breve, diretor-presidente da EBC, com quem já trabalhei. Pois bem, vocês lerão, abaixo, um texto em QUE A AGÊNCIA BRASIL RECONHECE QUE ERROU! A essência da minha crítica está contemplada no texto.

ATENÇÃO! Não estou aqui afirmando que a Agência Brasil se corrigiu porque eu cobrei. Ela se corrigiu porque era o certo. Também não estou afirmando que a agência concorda com a parte valorativa das minhas críticas. Eu nunca escrevo para ganhar adeptos ou detratores. Escrevo o que penso ser o correto.

Em tempo: neste particular, a agência oficial está sendo mais correta do que alguns grandes portais que reproduziram aquela matéria infeliz e, até agora, não admitiram o erro. Quanto vocês querem apostar que a rede suja da Internet, financiada por estatais, vai ignorar a admissão do erro? Segue o texto da Agência Brasil.

*

Brasília - A Agência Brasil errou no processo de apuração, edição e publicação da notícia OAB de São José dos Campos diz que houve mortos em operação no Pinheirinho, no dia 23 de janeiro. A notícia foi publicada com base em entrevista concedida à TV Brasil pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto. No entanto, não houve a devida checagem da veracidade da informação sobre supostos mortos na operação de reintegração de posse da área conhecida como Pinheirinho.

A entrevista foi gravada por uma equipe da TV Brasil que se deslocou para São José dos Campos, mas a parte que denunciava a morte não foi utilizada no noticiário televisivo por falta de confirmação ou comprovação. No entanto, a reportagem da Agência Brasil em São Paulo teve acesso à íntegra da gravação e considerou a informação relevante e suficiente para ser publicada, tendo em vista o advogado ter se apresentado como representante de uma instituição respeitável.

A Agência Brasil, embora tenha atendido a exigência de identificação da fonte da informação, não seguiu os demais procedimentos da boa prática de apuração, como recomenda o Manual de Jornalismo da Radiobrás, que ainda está em vigência.

“O jornalismo deve procurar o equilíbrio. O equilíbrio é o cuidado de ouvir os principais envolvidos e de apurar os aspectos mais importantes da notícia, para reportar os acontecimentos com objetividade. Ao apurar um fato, o jornalista deve analisar o interesse de cada pessoa ou grupo a ele relacionado. Tem que se perguntar quem é o afetado pela notícia e ir além da velha agenda de fontes, trazendo novos interlocutores para comentar o tema.

Ouvir sempre dois ou mais lados distintos de uma questão é fundamental  para a equidade e para o desenvolvimento do trabalho de qualidade que a Radiobrás se propõe a fazer. Fontes da sociedade civil organizada devem ser consultadas e cidadãos não organizados devem ser considerados. A edição tem que se estruturar  de maneira igualitária e seguir o bom senso. Cada personagem deve ocupar um tempo proporcional a sua importância relativa dentro da notícia. Quem foi criticado deve ter chance de responder”, diz o texto.

O Manual de Jornalismo da EBC, que está em fase de revisão, é claro ao exigir rigor nesse tipo de apuração. “Toda denúncia deve ser confirmada antes de ser publicada. A apuração de uma denúncia deve manter o seu caráter jornalístico, ou seja, a intenção de buscar informação para o cidadão não se confundir com a atuação da polícia, do Ministério Público ou de qualquer outro ente oficial de investigação. Se a denúncia tiver origem no trabalho do Jornalismo da EBC e não estiver publicizada por qualquer outro meio, deve-se conceder ao denunciado um prazo até 24 horas para sua manifestação”, diz o texto.

Neste caso, a denúncia estava publicizada, não apenas em redes sociais, mas até na imprensa internacional, que, antes mesmo da Agência Brasil, já mencionava a suposição de mortes. No entanto, a gravidade da denúncia requeria ao menos outra fonte fidedigna que a corroborasse.

Faz-se necessário assegurar aos nossos leitores que não houve má-fé da Agência Brasil ao publicar a matéria. Tampouco houve submissão desta agência a qualquer interesse de natureza política. O que ocorreu foi um erro jornalístico diante de uma situação de poucas e controversas informações em uma situação tumultuada.

A gravidade dos fatos e a urgência em noticiar informações sobre o assunto também levaram outros veículos a noticiar a possível ocorrência de mortes no conflito de Pinheirinho. É o caso do jornal britânico The Guardian, que informou ter recebido informações da mídia social que tratavam o despejo como um “massacre” e sobre a ocorrência de mortes não confirmadas.

“Ao longo do domingo [22], sites de mídia social estavam cheios de relatórios apocalípticos de um suposto “massacre” na comunidade. Um e-mail, enviado aos meios de comunicação internacionais, afirmou que havia relatos de que pessoas haviam sido mortas. A maior rede de TV do Brasil, a TV Globo, descreveu o despejo como “uma operação de guerra”, publicou o jornal britânico, na segunda-feira (23), às 15h27.

A matéria da Agência Brasil foi publicada às 17h30.

As informações controversas, no entanto, não justificam a falta de rigor nos procedimentos de apuração da notícia. No mesmo dia, às 22h15, a Agência Brasil publicou a matéria Terreno do Pinheirinho deve R$ 16 milhões em impostos, diz prefeitura de São José dos Campos, na qual o prefeito do município, Eduardo Cury, negava a ocorrência de mortes.

No dia seguinte, a Agência Brasil publicou uma reportagem com a negação da existência de mortes. A matéria Autoridades negam que tenha havido morte durante desocupação em São José dos Campos foi publicada às 14h01 de terça-feira, dia 24.

Para evitar o mau entendimento do leitor, a Agência Brasil ainda anexou à primeira matéria, que tratava da possibilidade de mortes, o link da segunda, que desmentia a informação. Além disso, cuidou de acrescer à primeira matéria uma explicação sobre o ocorrido.

A Agência Brasil reconhece, no entanto, que uma vez publicada uma informação, mesmo de uma fonte supostamente crível, sem a devida checagem, foi cometido um erro de difícil reparação. Ampliado pelo fato de o título da notícia não ter deixado claro que a informação era do presidente da Comissão de Direitos Humanos, e não da OAB.

Reconhece também que a tentativa de correção do erro no noticiário seguinte foi insuficiente. Deveria ter sido enfatizada para alcançar a mesma amplitude da denúncia incomprovada.

Por isso, a Agência Brasil está reorientando seus profissionais e revendo seus procedimentos internos para evitar que erros como esse ocorram novamente em seu noticiário.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 19:10

VEJAM COMO UMA BALA DE BORRACHA DEMOCRÁTICA DO PT PRODUZ AQUELE VERMELHO VERDADEIRAMENTE REVOLUCIONÁRIO…

Vejam esta foto de Raul Spinassé, da Agência A Tarde/AE. Volto em seguida.

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Este rapaz é uma dos manifestantes que entraram em confronto com forças de segurança federais em frente à Assembléia Legislativa da Bahia. Levou um tiro de bala de borracha no rosto. Não estou certo, mas acho que não há sede de um Poder Legislativo — municipal, estadual ou federal — cercada pelo Exército desde o fim da ditadura. Se não me engano, a última vez se deu no governo Figueiredo, quando se declarou “estado de emergência” no Distrito Federal.

O PT sempre contribuiu para inovar a democracia.

De novo: eu não apóio greve de gente armada.
Quem apoiava era Lula.
Quem apoiava era Jaques Wagner!

Por que este silêncio do Carvalho???

Acima, vocês vêem um manifestante sofrendo as conseqüências do jeito petista de fazer as coisas. Como é mesmo a fala de Gilberto, o Carvalho, sobre o Pinheirinho? Relembro:
É uma questão de método que se utiliza quando há um problema. Ou você parte para o método democrático de ouvir e resolver no diálogo ou vai para o enfrentamento armado sem levar em conta a necessidade de respeitar a dignidade daquelas pessoas.”

Acima, há um ferido real no conflito. Agora comparem a sua imagem com esta, do tal Paulo Maldos, assessor pessoal de Carvalho, que estava fazendo proselitismo no Pinheirinho e diz ter recebido uma bala de borracha. Não fez BO nem quis fazer exame de corpo de delito. Saiu por aí exibindo as balas como um troféu. Às gargalhadas.

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Encerro
E aí?

Imaginem se o PSDB ou DEM estivesse no poder em Brasília ou na Bahia. O Frei Davi, daquela ONG Educafro, diria que, em meio a tanta gente, os racistas decidiram dar um tiro na cara logo de um negro. Mas este negro não será protegido por Frei Davi. Afinal, ele está do lado errado da força…

Sim, o segredo de aborrecer é dizer tudo. E não há a menor possibilidade de que eu não diga!

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 18:37

PSDB quer que Mantega se explique no Senado

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
Depois da demissão do ministro das Cidades, Mário Negromonte, que caiu na semana passada após cinco meses na corda bamba, Guido Mantega, da Fazenda, se transformou no pivô de mais um embate entre governo e oposição. O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), pediu nesta segunda-feira à Comissão de Assuntos Econômicos da Casa a convocação do ministro e do ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, demitido por suspeita de irregularidades no cargo. Mantega se transformou em alvo porque, embora tenha sido informado dos desvios em 2010, só exonerou o subordinado neste ano por ordem da presidente Dilma Rousseff.   “O ministro deu uma explicação confusa sobre o caso. De qualquer forma, ele confessou que a indicação é partidária. Ou seja, é o sistema de loteamento que desqualifica a atividade, porque esse é um cargo que exige qualificação técnica”, diz o líder tucano. Denucci, que foi indicado para o cargo pelo PTB, acabou perdendo o apoio dos correligionários durante sua gestão.

Embora tenha concordado com a ida de outros ministros ao Congresso, o governo não pretende aceitar a convocação de Mantega: o temor é que a exposição do petista gere instabilidade na economia. “Fica mal porque isso revela que o governo tem ministros de primeira classe e segunda classe”, afirma Alvaro Dias.

O episódio deve se transformar na nova batalha entre governo e oposição. Na Câmara, o PPS também vai pedir uma acareação entre Mantega, o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), e o presidente do PTB, Roberto Jefferson. Cada um apresentou uma versão diferente sobre o episódio. Os deputados tucanos também irão pedir a convocação de Mantega, mas isso só deve ocorrer depois do carnaval, quando as comissões estiverem funcionando.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 17:50

Cadê você, senador Crivella? Quero ouvi-lo!

O senador Marcelo Crivella (PRB) foi eleito pelo povo do Rio de Janeiro. É bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Pertence ao partido controlado por essa denominação. É sobrinho do chefão da Igreja, Edir Macedo, que também é dono de emissoras de televisão.

Três prédios caíram no centro do Rio, ceifando vidas. Segundo culto da Igreja de que Crivella é um medalhão, foi tudo obra do demônio por causa de fiéis que deixaram a Universal. Não entendi a lógica, confesso. Se a igreja de Macedo é de Deus, por que o capeta mataria aqueles que a abandonaram? Deveria estar feliz. O contrário é complicado; imaginem o rabudo ameaçando: “Se você sair da Igreja do Macedão, eu o mato”. Nesse caso, o chifrudo seria, então, um aliado do bispo. Estranha teologia. Mas volto.

A função de um senador é propor coisas que melhorem a vida do estado que representa — entenda-se: a vida de sua população. Quero saber o que o fiel Crivella sugere para o Rio: aumento da fiscalização sobre a intervenção nos prédios ou exorcismo para espantar os demônios?

Pode-se também votar uma lei proibindo os fiéis da Universal de deixar a igreja. Aí prédios não cairiam mais.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 17:28

Por que este silêncio do Carvalho?

Eu acho que o governo federal tem de restaurar a ordem na Bahia, já que o governador Jaques Wagner é incompetente para fazê-lo. E defendo que se deixe claro, ainda mais claro, de uma vez por todas, que gente armada não faz greve nem se amotina, sob pena de expulsão sumária da corporação e processo. Pronto! É isso o que eu acho. QUEM GOSTA DE INVESTIR NO “QUANTO PIOR, MELHOR” É PETISTA. Quem usa o caos para atingir os adversários é Lula, é Jaques Wagner. Adiante.

Cadê o ministro Gilberto Carvalho?
Cadê a ministra Maria do Rosário?
Cadê a presidente Dilma?
Cadê o ministro José Eduardo Cardozo?

Este último, eu sei, foi pra Bahia. Mas onde estão as declarações dos valentes, que opinavam com impressionante ligeireza quando o tema era cracolândia ou Pinheirinho?

Imaginem se o caos baiano estivesse instalado em São Paulo. A essa altura, haveria canalhas falando na necessidade de intervenção federal — não esta informal, branca; refiro-me a intervenção pra valer mesmo.

Em 2008, na greve decretada por uma extrema minoria da Polícia Civil em São Paulo, parlamentares petistas foram às ruas se solidarizar com os… grevistas  — como Lula e Jaques Wagner fizeram em 2001…

Agora, com o caos instalado em terras baianas e com uma centena de mortos — MORREU GENTE COMO MOSCA NA BAHIA, NÃO DO PINHEIRINHO!!! —, os petistas estão mudos! Vai ver ainda buscam um jeito de culpar o PSDB, FHC e, claro!, José Serra!!!

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 17:12

Ministério Público Estadual desmente ao menos uma das mentiras contadas pelo senador Eduardo Suplicy; agora falta desmoralizar as outras

relatei aqui a indignidade em que se meteu o senador Eduardo Suplicy, notório defensor de humanistas como Cesare Battisti e seqüestradores de empresários, ao acusar uma guarnição da PM de ter cometido estupro na operação de desocupação do Pinheirinho. Como deixei claro, a ação a que se refere:
a) não aconteceu no Pinheirinho;
b) não aconteceu no dia da desocupação;
c) a denúncia é feita por pessoas detidas com considerável quantidade de droga e uma espingarda calibre 12;
d) a advogada dos presos acompanhou o Boletim de Ocorrência e não denunciou violência sexual nenhuma;
e) a operação ocorreu às 3h30 da manhã, e o BO foi lavrado às 4h, meia hora depois; não obstante, segundo o petista, a sessão de estupro teria durado quatro longas horas;
f) a denúncia surge só 10 dias depois da suposta ocorrência.

Como Suplicy é Suplicy — inimputável porque tem a imunidade parlamentar, atrás da qual se esconde, e porque amplos setores da política confundem sua aparência de idiota clínico com sua essência (e idiota não é!) —, ele sai denunciando o suposto estupro aos quatro ventos, maculando a honra de uma instituição e atacando a reputação de policiais que são pais de família. É asqueroso!

Leiam agora trecho do que informa o Portal G1. Volto em seguida:

O Ministério Público de São Paulo divulgou uma nota negando que suposto abuso cometido por policiais militares relatado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) no plenário do Senado, na sexta-feira (3), tenha ocorrido no terreno conhecido como Pinheirinho, em São José dos Campos, no interior paulista. A investigação sobre os abusos corre em segredo de Justiça.

A Polícia Militar também descartou que o caso tenha acontecido durante a reintegração de posse, iniciada em 22 de janeiro. A desocupação terminou no dia 25 do mês passado. Na ação 32 pessoas foram detidas.

Procurado, o senador afirmou ao G1 nesta segunda que a PM estendeu a operação do Pinheirinho para áreas próximas em busca de traficantes e que a declaração foi dada neste contexto. “Não houve engano algum. A operação de desocupação do Pinheirinho se estendeu a bairros vizinhos, como o Campo dos Alemães”, disse.

O comandante da Policia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Camilo, declarou ainda na sexta que a corporação investiga uma ação de 12 PMs das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), porém eles não serão afastados por conta das discrepâncias entre as versões apresentadas pelo senador e pelos policiais. Os policiais foram chamados para apurar uma denúncia de tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo, na madrugada do dia 23 de janeiro, no Campo dos Alemães, área vizinha ao Pinheirinho. Camilo repudiou a maneira como o assunto foi trazido à tona.

No sábado (4), o governador Geraldo Ackmin também negou que o suposto abuso sexual tenha ocorrido no Pinheirinho durante a reintegração de posse. “Isso vai ser investigado e esclarecido. Não foi no Pinheirinho, foi fora. Não foi no dia da reintegração, foi depois. A queixa só foi feita dez dias depois, mas nós vamos apurar rigorosamente. Com absoluto rigor”, declarou Alckmin.

O MP confirmou que o senador acompanhou duas vítimas durante depoimento e que ele obteve cópia das declarações. “Os fatos narrados no depoimento não ocorreram na localidade do Pinheirinho, recentemente desocupada em cumprimento à reintegração de posse”, diz  a nota divulgada na sexta. A promotoria investiga o teor das declarações.
(…)

Encerro
Os doutores do Ministério Público vão me perdoar a franqueza, mas sei muito bem como são feitas certas notícias e as salsichas, para lembrar frase famosa atribuída a Bismarck. Se o MPE está apurando uma denúncia, não tem de fazê-lo em parceria com um parlamentar petista, notório detrator da política de segurança do estado de São Paulo. Se uma cópia do depoimento lhe foi fornecida, isso contraria a boa prática de um promotor.

De todo modo, tudo vai ser apurado. Observo que o conjunto de mentiras de Suplicy foi vazado na sexta. A primeira das inverdades só é negada na segunda, depois de a acusação render abertura de páginas nos jornais e de a PM ser convocada a provar a sua inocência.

Esses setores da imprensa deveriam se envergonhar de servir como meros porta-vozes do petismo. Em alguns casos, trata-se de subserviência voluntária e ideológica; em outros, cuida-se de relações comerciais mesmo: noticia-se o que quer o cliente.

Notem: flagrado na patuscada, Suplicy não se dá por achado. Sabe que pode continuar a contar a mentira sem que nada de ruim lhe aconteça.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 16:14

Aprenda o que é “operação de guerra”, Gilberto Carvalho; aprenda o que é barbárie, presidente Dilma!

Grupamento especial da Policia Militar chegando ao local da greve - Fernando Amorim/Ag. A Tarde

Grupamento especial da Policia Militar chegando ao local da greve - Fernando Amorim/Ag. A Tarde

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A tropa de choque da Polícia Militar se juntou, na manhã desta segunda-feira, aos homens do Exército, das Forças Armadas e da Polícia Civil no cerco à Assembleia Legislativa da Bahia - Fernando Amorim/Ag. A Tarde

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 Blindado do Exército próximo à Assembleia Legislativa da Bahia, onde estão os grevistas - Fernando Amorim/Ag. A Tarde

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Blindado do exército reforça o patrulhamento de Salvador durante a greve da PM - Lúcio Távora/Ag. A Tarde

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O presidente da Aspra (Associação dos Policiais, Bombeiros e dos seus Familiares do Estado Bahia), Marco Prisco, na sede da Assembleia Legislativa, onde está desde a noite de terça-feira (31) - Lúcio Távora/Ag. A Tarde

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 15:50

BA: grevistas entram em confronto com as tropas federais

Na VEJA Online:
Um grupo de PMs grevistas que estava do lado de fora da Assembleia Legislativa da Bahia entrou em confronto com as forças de segurança que cercam o local nesta segunda-feira. Ao menos 1.000 homens do Exército, da Força Nacional de Segurança e da Tropa de Choque da Polícia Militar cercam o prédio em Salvador, onde os PMs acampam com suas famílias desde terça-feira, dia em que deram início à greve. Os grevistas do lado de fora avançaram contra as tropas, que reagiram com balas de borracha e bombas de efeito moral. Mais cedo, houve confronto entre as forças federais e os familiares dos grevistas nesta manhã, quando parentes de PMs tentaram entrar no local. As tropas dispararam balas de borracha contra os manifestantes.

Com o apoio das tropas federais, o governo baiano tenta desocupar o prédio, além de cumprir 11 dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça baiana contra os líderes do movimento, que estão no local - o soldado Alvir dos Santos foi preso na madrugada deste domingo. O abastecimento de energia elétrica na Assembleia foi cortado por volta das 19 horas deste domingo. As tropas federais fizeram incursões no entorno do edifício, usando, entre outros veículos, os blindados Urutu do Exército, que chegaram ontem à cidade, e helicópteros. A iluminação de alguns pontos e dos holofotes instalados do lado externo é mantida por geradores de energia, usados para casos de emergência.

O Exército fechou todo o acesso à região da Assembleia. De acordo com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública, o general Gonçalves Dias, comandante da 6º região militar, e a PM estão negociando com os grevistas, mas não há previsão de resolução do conflito.

Os policiais grevistas dizem não querer confronto com as tropas do Exército ou com os 40 integrantes do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (PF), que chegaram neste domingo a Salvador para cumprir os mandados de prisão. Contudo, avisam que vão responder eventuais atos de violência com violência. Além do Exército, homens da Companhia de Operações Especiais da Polícia Militar estão nas proximidades da Assembleia. Segundo o tenente-coronel Márcio Cunha, responsável pela área de Comunicação do Exército, depois do isolamento da área, os mandados de prisão serão cumpridos.

“Nosso objetivo não é invadir o Assembleia”, afirmou Cunha. “Fizemos uma operação de isolamento para garantir a ordem na região com o objetivo de permitir o livre trânsito no centro administrativo da Bahia para que as pessoas pudessem trabalhar e exercer suas funções no local”. O tenente-coronel informou que uma equipe da Secretaria de Segurança Pública do estado está dentro do prédio realizando as negociações, “que estão evoluindo gradativamente”, garantiu. “Houve um confronto com algumas pessoas que tentaram entrar no perímetro de isolamento, mas foi um incidente rápido e sem feridos. Queremos manter o clima de harmonia”.

O pedido para a desocupação do prédio da Assembleia foi feito no domingo à tarde pelo presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo, ao general Dias. Nilo disse que “os trabalhos legislativos precisam voltar à normalidade e que a Assembleia não pode ser usada como abrigo para foragidos da Justiça”. O deputado falou ainda que o pedido partiu dele mesmo e não do governador.

Cerca de 300 PMs amotinados aglomeram-se na frente da Assembleia. “Chamem seus colegas, esta é uma noite fundamental para nossa luta”, disse o líder da greve, Marco Prisco, presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), em discurso feito por volta das 21h30. De acordo com Prisco, o comando da PM do Estado teria feito uma proposta pelo fim do movimento e da ocupação. “Falei com o coronel (Alfredo) Castro (comandante-geral da PM) e ele propôs anistia total e irrestrita a todos os companheiros grevistas, a incorporação de duas gratificações aos salários e a revogação de todos mandados de prisão, menos o meu”, disse, aos PMs que estão no local.

Em seguida, Prisco perguntou aos grevistas se aceitavam essas condições. Eles negaram. Segundo o governo, porém, não foi feita nenhuma proposta aos amotinados. “A única proposta do governo é: voltem a trabalhar”, rebateu o secretário de Comunicação, Robinson Almeida. “Os mandados de prisão serão cumpridos, mais cedo ou mais tarde. Isso já saiu da esfera do Estado, é uma determinação do governo federal.

Onda de crimes
Desde terça feira, 31 de janeiro, quando começou a greve da Polícia Militar na Bahia, a Secretaria de Segurança Pública do estado registrou 96 homicídios, de acordo com os boletins diários divulgados pelo órgão. Somente nesta segunda-feira, quatro mortes foram contabilizadas, todas no município de Camaçari. Neste fim de semana, foram 36 homicídios.

Aulas suspensas
Por causa da greve, grande parte das escolas de Salvador não funcionaram. “Nós resolvemos orientar as escolas para que não abrissem as portas enquanto a greve não terminasse”, afirmou o professor Natálio Dantas, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia. “Ontem, fui convidado para uma reunião com integrantes do governo e da Polícia Militar, que deram a orientação para que as escolas retomassem as aulas hoje. No entanto, vamos manter a suspensão e o ano letivo ainda não começará até que a greve termine ou que eles tenham condições de garanti a segurança em cada escola”. O maior preocupação, segundo Dantas, não é a segurança interna, mas na rua, fora das instituiçãoes de ensino.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 15:23

Num culto da igreja de Macedo, ficamos sabendo que foi o demônio que derrubou os prédios do Rio só para se vingar de ex-fiéis… Com a palavra o senador Crivella, que é membro da igreja, sobrinho do dono da igreja, filiado ao partido da igreja

Os evangélicos sabem que este é um blog que preza os cristãos de todas as denominações. Não faz tempo, escrevi aqui alguns posts sobre a disposição do PT, anunciada pelo ministro Gilberto Carvalho, de disputar influência com os evangélicos, como se o partido fosse uma igreja…

Circula na Internet um vídeo que, a meu ver, NÃO REVELA A CONVICÇÃO DOS EVANGÉLICOS. Também não devemos confundir todos os fiéis da Igreja Universal do Reino do Deus com o que se verá. A esmagadora maioria dos crentes de todas as igrejas, inclusive aquela a que pertenço, a Católica, não pode responder pelo eventual oportunismo de seus dirigentes.

Num culto da Universal, um suposto demônio, com o estímulo e o beneplácito do pastor, diz que foi ele quem derrubou os prédios do Centro do Rio. E sabem por quê? Porque haveria lá um ex-obreiro e ex-pastor da Universal. Entende-se que, como desistiram da igreja, então receberam uma punição, que teria matado até quem nunca havia pertencido ao grupo.
Assistam. Volto em seguida.

 

Voltei
Vidas se perderam, como sabemos, naqueles desabamentos. Famílias estão marcadas para sempre. A Universal do Reino de Deus comanda a Rede Record e a Record News, empresas de comunicação que operam em estreitíssima ligação com o governo federal. Não conto aqui nenhuma novidade. A igreja também tem um partido, o PRB. No Rio, a sua principal expressão é o senador Marcelo Crivella. A legenda pertence à base do governo federal, do governo estadual e do governo municipal.

 

Ora, é forçoso que se pergunte ao senador Crivella: o senhor também acha que foi o demônio que derrubou os prédios do Rio porque dois fiéis de sua igreja teriam decidido deixar a igreja? Esse também é o pensamento do PRB e da TV Record? O nome disso é exploração vil da tragédia. Notem que o vídeo já está com legenda em espanhol. É uma peça de divulgação e proselitismo. Imaginem o escarcéu que se faria se tal barbaridade fosse pronunciada na Igreja Católica ou no culto de alguma outra denominação com menos poder de fogo na mídia.

A Universal, via TV Record, tem hoje pessoas que atuam na imprensa, sempre mobilizadas para “bater” nos inimigos do rei — ou dos reis… Não dou a mínima. Também é inútil tentar jogar os evangélicos contra mim porque eles sabem muito bem o que penso. Quem defende, por exemplo, o aborto não sou eu. Comigo, demônio não se cria…  Há uma outra penca de vídeos relacionados a este em que se garante que os que deixam a Universal acabam morrendo. Os fiéis de uma igreja, católica ou evangélica, não podem ser mantidos pelo medo e pelo terror.

 

Esse demônio é mesmo um canalha!
Esse demônio está mentindo!
Esse demônio merecia é cadeia!

Edir Macedo já apareceu na televisão defendendo o aborto em nome da Bíblia e com um chicote para expulsar o capeta do corpo de um gay. Agora, chegou a vez de ligar a tragédia dos prédios do Rio a problemas internos de sua igreja.

 

A população fluminense, especialmente a carioca, tem o direito e a obrigação de perguntar ao senador Crivella, sobrinho do dono da Universal e bispo da Igreja, se ele também está convicto disso.
Um das características de Macedo é sempre dar mais um passo depois de ter chegado ao limite do tolerável.

PS - Não publicarei comentários que ataquem os evangélicos e os fiéis das igrejas (inclusive da Universal). Este é um blog que respeita a liberdade religiosa e que repudia a exploração oportunista da tragédia e da ignorância.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 7:03

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo
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06/02/2012

às 6:55

Cadê Gilberto Carvalho? “Operação de guerra” é o que se vê na Bahia, governada pelo PT. “Barbárie”, presidente Dilma, são 86 assassinatos em 6 dias só na Grande Salvador

Sim, sempre começarei um texto sobre este assunto assim:  ACHO QUE GENTE ARMADA QUE FAZ GREVE TEM DE SER PUNIDA! Que os servidores dessa área busquem outras formas de protesto e reivindicação! Sempre fui. Em qualquer estado, em qualquer governo. Quem defendia greve de policiais era Lula; quem a financiava era Jaques Wagner, quando ambos estavam na oposição. Em 2001, o agora governador contribuía até financeiramente para o “movimento”; agora, ele articulou com as forças federais a prisão dos líderes grevistas. Em 2001, insuflava os militares a se rebelar contra um governo do PFL; em 2012, o Planalto, comandado por seu partido, manda helicópteros sobrevoar a Assembléia Legislativa para intimidar os grevistas. O que mudou? Ora, o PT, agora, está do outro lado do balcão! Greve contra seus adversários é virtude; greve contra os petistas é um crime que tem de ser punido com prisão. Por que sou diferente deles também nisso? Eu era contra em 2001 — e escrevi contra — e sou agora. ATENÇÃO! O objeto deste texto é outro. Esta abertura serve para deixar bem claro um ponto de vista e para expor, ainda outra vez, o espetáculo de vigarice política dessa gente. Vamos ao ponto.

Se vocês recorrerem à área de procura do blog, ali ao lado da fotinho daquele senhor simpático, verão desde quando escrevo sobre a escalada de violência na Bahia. Os primeiros textos são de 2009 (as palavras-chave são “homicídios, Bahia” — sem vírgula e aspas). Parecia-me evidente que algo andava muito mal no Estado. Houve uma verdadeira explosão de homicídios. O estado era só o caso mais escandaloso, mas não era único, diga-se. As mortes cresceram de forma acentuada no Nordeste nos últimos anos, com raras exceções.

Ter boa memória é uma dádiva. Eu tenho. No dia 9 de julho de 2010, com base nos dados do Mapa da Violência, fiz a minha própria tabela sobre a evolução dos homicídios nos estados brasileiros, comparando os números do último ano do governo FHC (2002) com os de 2007 — depois de cinco anos, portanto, da gestão Lula. E PERCEBI QUE A VIOLÊNCIA NO NORDESTE HAVIA CRESCIDO DE MODO ASSUSTADOR. Revejam a tabela. Reparem que o maior salto havia acontecido justamente na Bahia: 97,7%. Caía por terra o mito de que a responsável pela violência é a pobreza. Não é, não! O Nordeste foi a região que mais cresceu no período. Aí alguns cretinos resolveram inverter a equação e sustentar que o crescimento é que gera violência. Vejam. Volto depois.

tabela-homicidios

Voltei
Observem que, em cinco anos de governo Lula, mesmo sem uma miserável política pública de combate à violência, o índice de homicídios caiu 11,57% no país. Pois é… Quem respondeu por aquela queda? São Paulo, onde houve uma queda de 60,5%. Entenderam? A polícia deste estado, que vive sendo demonizada pelo governo federal, respondia praticamente sozinha pela queda do índice nacional de homicídios.

Mas voltemos à Bahia. Alguém dirá: ‘Reinaldo, em 2007, Wagner estava no governo havia apenas um ano”. É, eu sei. Só que, daquele 2007 para cá, os mortos saltaram de 25,7 por 100 mil habitantes para 37,7 (2010) — um salto de 32%. Isso quer dizer que o governo federal — Lula — assistiu inerme à explosão de violência no Nordeste, e Wagner foi particularmente desastroso na Bahia. Abaixo, segue outra tabela, com dados de 2000 e 2010. Os homicídios cresceram 300% na Bahia, que pulou no 23º lugar no ranking dos estados que mais matam para o 7º. São Paulo fez a trajetória inversa: do 4º para o 25º. A capital paulista é aquela em que menos se mata hoje no Brasil.

homicidios-ranking-estados-1

homicidios-ranking-estados-2

Qual o segredo?
Os tontos, os que desprezam os dados, os que ignoram a verdade, os que preferem a ideologia aos fatos (e vou lhes contar na tarde desta segunda uma historinha escandalosa, protagonizada por um brasileiro ongueiro, lá na Venezuela…), gostam de afirmar que São Paulo logrou tal êxito por causa do Estatuto do Desarmamento e das campanhas dos governos petistas para recolher armas!!! Uau!!! E por que isso tudo teria sido eficiente em terras paulistas, mas não nas baianas?

Porque isso é falso! São Paulo diminuiu drasticamente os mortos sabem como? Metendo bandido na cadeia — com 23% da população, tem 40% dos presos. O estado não prende muito. O resto do país é que prende pouco. O resultado é este que se vê. É claro que há algo de muito errado na Bahia mesmo quando os policiais estão trabalhando. O governo de Jaques Wager é incompetente para meter bandidos na cadeia. Isso não tem a ver apenas com a eficiência do policiais: é preciso que se indague QUE DIABO DE POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA ESTÁ EM CURSO NO ESTADO. O número de homicídios disparou depois da greve. Mas já era um descalabro antes dela.

Operação de guerra e barbárie
Gilberto Carvalho, o ministro boquirroto, está vendo agora o que é uma “operação de guerra”. É aquilo que está em curso na Bahia. Os blindados estão nas ruas; helicópteros sobrevoam a Assembléia Legislativa; as tropas da Força Nacional de Segurança fazem a patrulha; um destacamento da Polícia Federal caça os grevistas. Dilma pode constatar a “barbárie” nos 86 corpos. É claro que o movimento tem de ser duramente reprimido, como tinha aquele de 2001, que chegou a ser financiado pelos petistas!

A BAHIA NÃO PODE RECOBRAR A VELHA NORMALIDADE, NÃO!
Atenção, cidadãos baianos de bem, a esmagadora maioria! Não permitam que o governador Jaques Wagner apenas recobre a “normalidade” de seu governo porque se trata de uma normalidade anormal. É preciso começar a operar na anormalidade do padrão Wagner, com seus 37,7 mortos por 100 mil habitantes — muito acima da média naciona, já assombrosa.

Uma greve de polícia é sempre um evento desgastante, sim, que traz grandes riscos para a sociedade. Mas a onda de homicídios que se seguiu à paralisação dos policiais indica que a política de segurança pública do governo petista é um desastre.

Transforma a Bahia numa praça de guerra, ministro Carvalho!
Leva a barbárie às ruas, presidente Dilma!

PS: Sim,  os petralhas ficam irritados comigo. Não sou doce de coco. Podem me odiar à vontade. Mas que tal contestar os números?

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 6:53

DEFENSORIA PÚBLICA DE SP VIROU BAGUNÇA POLÍTICO-PARTIDÁRIA - O defensor que fala como militante, diz inverdades jurídicas e parece odiar uma parcela da população de São José dos Campos

Meus caros,
abaixo, há um vídeo único. Nunca antes na história destepaiz se viu algo assim. Trata-se do depoimento do defensor público Jairo Salvador, prestado na Assembléia Legislativa de São Paulo, sobre os eventos do Pinheirinho. Foi postado no YouTube por seus admiradores. Os comentários babam preconceito, violência retórica e ignorância. De saída, noto que a síntese que o defensor faz da questão jurídica é incompetente e acaba sendo mentirosa. Por quê? Porque, na prática, ele sustenta que a Justiça Federal tinha precedência sobre a Justiça estadual para cuidar do caso. E não tinha. Dois tribunais superiores, o STJ e o STF, tiveram a chance de se manifestar a respeito. Ele também se mete a discutir o orçamento da cidade, como se a) fosse de sua competência; b) todo dinheiro em caixa mantido por um ente administrativo — cidade, Estado ou União — fosse uma imoralidade, uma vez que há pobres. É um conceito, na melhor das hipóteses, “quadripedestre” de administração pública; na pior, é vigarice política mesmo.

Como vocês verão abaixo, isso não é fala de defensor público, regiamente pago com o dinheiro de todos os paulistas. ISSO É FALA DE MILITANTE POLÍTICO. Jairo Salvador pode militar onde bem entender, mas não com o nosso dinheiro, não dentro de um órgão público, onde ele TEM A OBRIGAÇÃO DE SER APARTIDÁRIO. O aspecto mais grave de seu pronunciamento é mesmo a salada jurídica que faz, evocando, inclusive, a sua condição de formado em direito. Que volte pra escola e estude esferas de competência da Justiça. Ah, sim: fica visível que ele odeia São José dos Campos e uma parcela considerável de sua população.

Abaixo segue o vídeo. Depois dele, pontuo alguns trechos emblemáticos de sua fala.

0min14s - “Para nós de São José dos Campos, que atuamos na área de preservação do direito à moradia…”
COMENTO
Ele fala em “nós, de São José dos Campos”, mas eu seria capaz de jurar que seu sotaque é de outro lugar. Não me parece que seja da cidade. Preconceito da minha parte? Vamos ver quem é o preconceituoso.

0min36s-1min37s - “Para quem conhece São José dos Campos, a sua formação, a elite que domina a cidade, dá pra entender o que aconteceu. Porque o Pinheirinho é só mais um capítulo de extermínio da pobreza numa cidade que quer se vender como uma cidade perfeita, sem problemas sociais, onde esconde a pobreza, onde mata a pobreza, onde elimina fisicamente a pobreza para que a pobreza não apareça, e a cidade seja vendida como uma cidade perfeita (…) A opção política dos seus governantes é pra exclusão e pra exterminação da pobreza, exterminando o pobre (…)”
COMENTO
Entenderam por que é relevante observar que, muito provavelmente, ele não é de São José dos Campos? Esse homem odeia aquela cidade! Ele a considera uma expressão do horror social. Segundo diz, a elite da cidade mata os pobres, querer eliminá-los. É uma acusação grave. Não é possível que possa sair repetindo isso por aí impunemente. Os covardes fazem acusações genéricas, tentando fugir de processos e punições funcionais; os corajosos dão nomes aos bois. Por que Jairo Salvador não declina os nomes, então, dos assassinos? Eu respondo: PORQUE ELE NÃO TEM O QUE DIZER! Isso não é exercido de defensoria, isso não é exercício de direito. Isso é só ideologia. PARA ELE, O PINHEIRINHO É UMA EXCELENTE MANEIRA DE COMPROVAR UMA TESE.

1min40s-1min50s - Eu vou aqui rapidamente dar o meu testemunho do processo e de coisas que só eu vi e que é importante que todos saibam.
COMENTO
Coisas que só ele viu, entenderam? Logo, que ninguém ouse contestar!

2min-2min23s - A Defensoria Pública vem atuando, desde a sua instalação, em 2007, junto com as lideranças, junto com a combativa liderança do movimento, a associação de moradores, em parceria jurídica com esses moradores, para que a gente possa dar assistência jurídica a eles. E nós tentamos, juridicamente, dentro das normais, dentro das leis do país, conseguir reverter essa situação.
COMENTO
“Combativa liderança” não é linguagem de defensor público, mas de militante do PSTU. Se ele é ou não, isso não sei. Mas é ele quem deixa claro que atuava em parceria com o partido, que é quem mandava no Pinheirinho. O PSTU, aliás, está exultante e já acha que esse é seu maior feito. Atenção! Marrom, o sindicalista que mandava no local, filiado ao partido, simplesmente impediu uma solução negociada para o caso porque considerava que seria ceder ao estado burguês.

7min28-7min30s - “Nós acompanhamos: eu e o Toninho, que estava comigo…”
COMENTO
COMENTO
O “Toninho que estava comigo” é outro militante do PSTU e era um dos chefões do Pinheirinho, conforme deixou claro a moradora Gilmara na entrevista que me concedeu. Gilmara é aquela que os esquerdopatas haviam matado e que ressuscitou.

9min41s - “O que a gente está passando pra população é que não existe lei em São Paulo, não existe lei nesse país, da uma faz o que quer, é só ter força pra cumprir o que quer”
COMENTO
Não, senhor! Justamente porque existe a lei, a determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo tinha de ser cumprida. Justamente porque existe lei, uma esfera do Judiciário não solapa a outra. Justamente porque existe lei, a PM teve de cumprir o seu papel. Aliás, fazem o mesmo a União e o governo do Distrito Federal com áreas públicas invadidas no DF. A diferença é que, lá, os agentes partidários disfarçados de homens da lei se calam porque, afinal, seu partido está no poder.

Encerro com algumas indagações
- Quais são os limites de um defensor público?
- Um defensor pode atuar, de forma confessa, como militante de uma causa, em parceria com lideranças de um partido político?
- Um defensor público pode demonizar, assim, toda uma cidade, acusando-a de exterminar pobres?
- Um defensor público pode demonizar uma prefeitura, acusando-a de eliminar a população carente?
- Um defensor público pode incitar - basta ver seu discurso na íntegra - os ouvintes contra a Justiça?
- Um defensor público pode afirmar que “não existe lei em São Paulo” quando uma decisão do Tribunal de Justiça foi endossada pelo STJ e, na prática, pelo STF, que indeferiu o pedido para suspender a reintegração de posse do Pinheirinho?
- Um defensor público, agora, goza, mesmo sem ter sido eleito, da mesma imunidade de um parlamentar?

A Defensoria Pública de São Paulo — e lamento pelos profissionais sérios que há lá —- se transformou num bolsão de militância político-partidária. No caso da cracolândia, tiveram a ousadia de ajudar a fechar uma rua e de instalar uma tenda para abrigar os viciados em crack. Diziam que o faziam em nome do direito de ir e vir. Isto mesmo: em nome do direito de ir e vir de traficantes e viciados, impediam o ir e o vir de quem trabalha, paga impostos e quer ganhar a vida honestamente.

Se a fala deste senhor não tiver nenhuma conseqüência e se ele não for convidado a comprovar a denúncia de que São José dos Campos extermina pobres e que não há lei em São Paulo, então tudo será permitido por lá.

Eu agora me interessei por este órgão. A partir de hoje, vou querer saber qual é o Orçamento da Defensoria, quantos são os defensores, qual é o seu salário, de que benefícios gozam, a que causa se dedicam, se têm ou não vinculações partidárias, essas coisas…

JÁ CANSEI DESSA GENTE PAGA COM O NOSSO DINHEIRO PARA NOS ODIAR!

SE A CÂMARA DOS VEREADORES DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS TIVER O MÍNIMO DE VERGONHA NA CARA, CHAMA ESTE SENHOR NA CHINCHA! É CLARO QUE ELE PODE FALAR O QUE BEM ENTENDER — DESDE QUE ARQUE COM AS CONSEQÜÊNCIAS DE VIVER NUM ESTADO DEMOCRÁTICO.

PS - Não adianta retirar o filme do ar porque já fiz cópia

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 6:37

Surge vivo mais um morto do Pinheirinho. Qual será a próxima invenção dos vigaristas?

Eles omitem, mentem, mistificam… E eu vou contando a verdade. Lembram-se da “lista de mortos e desaparecidos” do Pinheirinho? Num post do dia 27 de janeiro, contei onde estavam e publiquei o maior furo do jornalismo de todos os tempos: entrevistei uma morta!!! Faltava aparecer um senhor, que a canalha insistia que estava sumido, quem sabe morto. O que se sabia com certeza é que havia concedido uma entrevista ao jornal “O Vale” depois da desocupação: trata-se de Ivo Teles dos Santos, de 69 anos.

Já se espalhava na rede petralha que teria sido brutalmente espancado etc e tal. Pois bem. Informa a Prefeitura que Ivo, “morador do Residencial União, foi admitido no Hospital Municipal no dia 22 de janeiro, às 18h30, com crise hipertensiva.” E segue a nota: “Uma tomografia realizada no paciente evidenciou um AVCH (Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico), com desvio da linha média. Ele foi submetido a uma cirurgia no dia 23/1 para drenagem do hematoma cerebral. Hoje, encontra-se hemodinamicamente estável com pressão arterial normal, sem febre, sem sedação e respira normalmente, sem ajuda de aparelhos. Ivo Teles dos Santos é um paciente crônico de hipertensão e fazia acompanhamento regular na UBS do Residencial União e tomava o medicamento Captopril.”

Não teve a cabeça rachada, não foi espancado até a morte, não desapareceu. Infelizmente, teve um problema sério, mas, felizmente, parece estar recebendo o tratamento adequado.

Qual será a próxima farsa? O “estupro” denunciado por Eduardo Suplicy já é candidato à história universal da infâmia.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 6:35

Se viciados em Shakespeare decidirem privatizar uma área da cidade na marra, teremos de chamar a polícia, ué!

As bobagens sobre a cracolândia ainda não cessaram. Olhem aqui: se, amanhã, um grupo de amantes de Shakespeare, viciados mesmo na beleza!, decidir sitiar uma área pública de São Paulo e decretar que lá só entram especialistas na obra do autor”, caberá ao Poder Público tentar fazê-los ver que isso não é possível, que eles não podem privatizar o espaço coletivo para ver trinfar sua obsessão, que não é correto impor aos não-amantes de Shakespeare os seus valores particulares.

Mas e se eles insistirem? E se decidirem que só entrarão na área sitiada pessoas fantasiadas de Hamlet, Marco Antonio ou Julieta? E se resolverem transformar o espaço público no teatro particular de seus delírios, movidos pela loucura, como Lady Macbeth limpando manchas de sangue de sua consciência? Bem, então será o caso de chamar a polícia para conter os viciados… em Shakespeare!!! Fazer o quê? Podemos até mesmo mandá-los para clínicas de recuperação para receber Michel Teló na veia (”Ai, se eu te pego, ai, ai…”), além de doses cavalares de Gabriel Chalita (não sem antes amarrar o paciente, coitado!)… Mas terão de “desprivatizar” aquela área da cidade. Ponto final!

“Pô, Reinaldo, assim se espalhariam shakespearianos pelos bairros adjacentes”. Pois é… Um perigo para o Brasil que estamos destinados a ser…

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 6:33

Extrema esquerda é boca de aluguel do petismo; com um sindicato aqui, outro acolá e a verba do fundo partidário, seus dirigentes vivem uma confortável vida burguesa

Partidecos de extrema esquerda como PSTU, PCO, PSOL e bichos ainda mais exóticos — especialmente no meio universitário —, gostam de posar de independentes. Alguns deles têm a ousadia verdadeiramente revolucionária de chamar Dilma Rousseff de “direitista e neoliberal”. Em seus blogs e sites, distribuem pernadas a três por quatro. Alguns chegam a jurar que não vêem diferença entre o PSDB e o PT, ambos empenhados apenas em garantir a remuneração do capital, em detrimento dos trabalhadores que esses esquisitos supostamente representam. Os ditos trabalhadores, evidentemente, nem sabem que eles existem. Mas não nos enganemos: na prática, essa gente é boca de aluguel do petismo e, indiretamente, é financiada pela nave-mãe, de onde todos surgiram — ou, ao menos, por onde todos passaram.

O PSTU, na origem, era uma corrente que ajudou a criar o PT: a Convergência Socialista. Conheço bem porque fui um “convergente” quando criança. Vocês sabem: como dizia o apóstolo Paulo, “quando eu era menino, sentia como menino, falava como menino, discorria como menino…” Mas cresci. Se há velhos falando como meninos no que respeita à ideologia, ou são idiotas ou são pilantras. A CS se integrou ao partido e depois foi expulsa. O mesmo aconteceu com o PCO. Já o PSOL foi uma derivação heloíso-helêno-teratológica do partido, um ajuntamento esquisito que tinha um pé no marxismo e outro no cristianismo. Nem Heloísa Helena agüentou e deixou a legenda. Aí o partido decidiu ficar com os quatro pés no marxismo rudimentar mesmo.

Aqui e ali, esses partidos compram briguinhas com os petistas pelo controle de alguns sindicatos, de centros acadêmicos e coisa e tal. Se duvidar, disputam velório, festa de aniversário e baile de debutantes. Só o PSOL consegue alguma expressão parlamentar, mesmo assim ridícula. Mas ajudam a criar um clima favorável ao petismo — no fim das contas, é para onde todos convergem.

O PCO, por exemplo, tem o controle de uma parte do movimento sindical nos Correios. É quem estava por trás da greve que criou contratempos por uns dias para milhões de brasileiros e é hoje um dos grupelhos mais radicais da USP. O PSTU tem a sua própria central sindical — inexpressiva — e, pasmem!, até uma “UNE” alternativa, na qual a Arielli (aquela, sabem?, do close buco-ideológico) é manda-chuva. Para eles, hoje, o PT também é burguês — ou quase isso.

Lula é de uma estupenda ignorância, mas de uma rara inteligência. Já declarou mais de uma vez que esses grupos de extrema esquerda e os movimentos sociais mais radicais são importantes para que o PT lembre sempre de sua origem, para que o partido nunca perca de vista o seu horizonte utópico (socialista, claro…).

Os petistas não estiveram na linha de frente da baderna na USP, por exemplo. Nos seus fóruns de alunos e professores — tive a chance de ler algumas trocas de mensagens, que me foram enviadas —, deixavam claríssimo que os extremistas cumpriam um “importante papel para desmoralizar Rodas e o governo Alckmin”, como sintetizou um deles. E sem que eles próprios precisassem aparecer promovendo o quebra-quebra. O mesmo vale agora para o Pinheirinho.

Quem armou a confusão, impediu uma solução pacífica, criou até a sua própria tropa-de-choque? O PSTU! O PT ficou à beira do lago esperando as vítimas, como os crocodilos espreitando os gnus, naquele filme já clássico… Criado o confronto, então entraram em campo, com ordem unida, Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, Maria do Rosário, José Eduardo Cardozo… Todos para demonizar a Justiça, o governo de São Paulo e a Polícia Militar.

O PT botou pra fora essas tendências todas porque elas se negavam a obedecer às ordens do comando. São mais úteis fora da nave-mãe. Para todos os efeitos, os petistas hoje não promovem confrontos no Pinheirinho ou na USP. Os extremistas fazem isso por eles, que entram só na hora de colher dividendos.

Com um sindicato aqui, outro acolá mais a verba do fundo partidário, esses grande revolucionários fazem o trabalho sujo para o PT e podem garantir a seus próprios dirigentes uma confortável vida burguesa. A burguesia do capital e, se possível, do sangue alheios.

Por Reinaldo Azevedo

05/02/2012

às 6:29

Quando Lula e Jaques Wagner promoviam a baderna na Bahia. Ou: Práticas criminosas

Em julho de 2001, houve uma greve da Polícia Militar na Bahia, então governada pelo PFL. Eu dirigia o site e a revista Primeira Leitura. Critiquei severamente o movimento dos policiais nos termos de sempre nesses casos: “Gente armada não pode parar; quando um policial deixa de trabalhar, o bandido agradece, e o homem comum sofre”. Eu pensava isso sobre a greve da PM baiana em 2001 e penso o mesmo sobre a greve de 2012.  Mas e Lula? E Jaques Wagner?

“‘A Polícia Militar pode fazer greve. Minha tese é de que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a fazer greve.”

Quem fala aí é Luiz Inácio Apedeuta da Silva, então pré-candidato à Presidência pelo PT. Seria eleito no ano seguinte para seu primeiro mandato. Naquela greve, sem o morticínio de agora, também houve arrastões, saques etc. Lula,  dotado daquela mesma moral e responsabilidades maiúsculas de Eduardo Suplicy tinha o diagnóstico sobre o que estava em curso no Estado. Leiam:
“Acho que, no caso da Bahia, o próprio governo articulou os chamados arrastões para criar pânico na sociedade. Veja, o que o governo tentou vender? A impressão que passava era de que, se não houvesse policial na rua, todo o baiano era bandido. Não é verdade. Os arrastões na Bahia me lembraram os que ocorreram no Rio em 92, quando a Benedita (da Silva, petista e atual vice-governadora do Rio) foi para o segundo turno (nas eleições para a prefeitura). Você percebeu que na época terminaram as eleições e, com isso, acabaram os arrastões? Faz nove anos e nunca mais se falou isso”.

Quanta ligeireza!
Quanta irresponsabilidade!
Quanta vigarice política!

Mas isso não é tudo, não. Um dos grandes apoiadores da greve de 2001 foi o então deputado Jaques Wagner, hoje governador do Estado. Informava o Globo Online de ontem:
Apontado como líder da greve dos PMs baianos, o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), soldado Marco Prisco, disse que o governador Jacques Wagner, quando ainda era deputado federal, participou com outros parlamentares do PT e de partidos da base do esquema de financiamento da paralisação dos policiais militares do estado em 2001. Ele acrescentou que o Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia, que tinha na direção o atual presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, alugou e cedeu, na época, seis carros para garantir a greve na Bahia, onde diz que foi preseguido e ameaçado de prisão pelo então governador carlista Cesar Borges. “O motorista que me levou para Brasília era um funcionário do sindicato, Nelson Souto. Na capital, foi recebido pelo então senador petista Cristóvam Buarque”, disse.
Prisco disse que, além de Jacques Wagner, teriam apoiado e contribuído para a greve de 2001 os parlamentares Nelson Pellegrino (PT), Moema Gramacho (PT), Lídice da Mata (PSB), Alceu Portugal (PCdoB), Daniel Almeida (PCdoB) e Eliel Santana (PSC). Segundo ele, a ajuda garantiu a estrutura necessária ao movimento, incluindo o fornecimento de alimentação para os grevistas.

Voltei
ISSO É O PETISMO, ESSE LIXO MORAL! Os petistas estavam financiando a greve por intermédio de um sindicato - que nada tinha a ver com a polícia, diga-se - e de seus parlamentares. Hoje, o governador Wagner vai à TV demonizar aqueles a quem deu suporte material quando estava na oposição. O tal líder sindical é o mesmo. Consta que é filiado ao PSDB, mas que vai rasgar sua ficha. Está descontente porque os tucanos não estão apoiando seu movimento - no que fazem muito bem!

Vejam lá que graça: até Sérgio Gabrielli, que depois se tornou o todo-poderoso da Petrobras e que vai fazer parte da equipe de Wagner, apoiava a greve dos policiais. Ora, se era para lutar contra o governo, que mal havia em deixar a população à mercê da bandidagem?

Crime como método
A esmagadora maioria dos petistas é socialista de araque. Essa gente gosta mesmo é do capitalismo, especialmente à moda brasileira, com esse estado gigantesco, que permite ao governo manter na rédea curta boa parte do empresariado. Isso é, além de tudo, muito lucrativo - escreverei mais tarde um artigo sobre o “modo Dilma” de privatizar aeroportos. Não sei como o caçador de “privatarias”, Elio Gaspari, ainda não se interessou pelo caso… Mas não quero mudar o foco. Voltemos.

Os “socialistas” do PT já renunciaram, e faz tempo!, à dimensão utópica do socialismo - não que ela seja grande coisa: também é criminosa. Mas é evidente que houve socialistas, e ainda os há, bem poucos, que realmente acreditavam estar lutando pelo reino da justiça e da igualdade e coisa e tal… Daquele socialismo, os petistas de agora conservam apenas a concepção autoritária de sociedade, gerida pelo partido. Em nome de sua construção e de seu fortalecimento, tudo é possível - muito especialmente o crime.

Eu diria mesmo que inexiste, infelizmente para os bem-intencionados, uma esquerda que não seja criminosa, ainda que alguns de seus militantes não tenham clareza disso. O melhor texto a relatar essa moral justificadora do mal é a peça “As Mãos Sujas”, de Sartre, depois convertido ao… comunismo!

Se o objetivo é conquistar o poder, anotem aí, não existe óbice moral para o PT “Ah, é assim com todo mundo…” Em primeiro lugar, é falso! Não é, não! Em segundo lugar, mas não menos importante: há muitos bandidos que exibem ao menos uma nesga de honestidade ao não tentar nos convencer de que aquilo que nos destrói é bom para nós.

Em 2001, o PT queria “o quanto pior, melhor” na Bahia porque isso fazia parte de seu projeto de poder. Em 2012, o PT quer “o quanto pior, melhor” em São Paulo porque isso faz parte do seu projeto de poder. O governo federal baixou no estado governado pelo petista Jaques Wagner para tentar impor um pouco de ordem. Os mesmos valentes tentaram meter os pés pelos pés em São Paulo para ver se impõem a desordem.

Por Reinaldo Azevedo

 

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