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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

04/09/2015

às 21:15

O PT e Temer: partido está em busca de conspiradores? É fácl encontra-los: Lula e a CUT

Tenham paciência!

Michel Temer, vice-presidente da República, não manifestou, em um pequeno encontro com empresários, nada que o bom senso não diga em toda parte, ditado pela lógica. Alguém realmente acha que um governo aguenta três anos e meio com popularidade na casa dos 7%? Ele até previu que Dilma terá mais apoio da população em breve…

Publicamente, o governo não quis saber de confronto. Ao contrário. Edinho Silva, ministro da Comunicação Social, afirmou que, mais do que a frase, o que interessa é a lealdade do vice ao governo e ao país. Nos bastidores, no entanto, o desconforto é grande. Os petistas estão furiosos. E há até algumas bocas de aluguel escaladas para bater no vice. É o caso de Roberto Amaral, ex-presidente do PSB e ex-ministro de Dilma, segundo quem a fala de Temer é “golpismo explícito”.

É evidente que o vice não vive o momento de maior aproximação com o governo, não é? Fosse de outro modo, ele ainda seria coordenador político. Mas não é mais. E quem o afastou? Dilma e aqueles que a cercam.

Os petistas foram buscar palavras contra Temer até entre peemedebistas. Colheram um muxoxo aqui e ali, mas sem nenhuma fala pública. O senador Romero Jucá (PMDB-RR), por sua vez, saiu em defesa do vice e afirmou o óbvio: todo mundo diz a mesma coisa.

Se alguém esperava que o vice fosse recuar ou pedir escusas, perdeu tempo. Temer preferiu dar uma entrevista ao “The Wall Street Journal” em que expressou a convicção de que a presidente conseguirá concluir o seu mandato. E pronto.

Os conspiradores
No encontro com empresários, um dos presentes perguntou se Temer era um conspirador, o que o deixou um tantinho irritado, negando a pecha com veemência.

Pois é… Ao jornal americano, o vice-presidente defendeu a permanência de Joaquim Levy no governo e afirmou que o ministro da Fazenda tem o total apoio do PMDB.

Vamos ver: todos dão de barato que a saída de Levy, agora, traria grande instabilidade, certo? Certo! Quem está incitando os ditos movimentos sociais a pedir a cabeça de Levy? Resposta: Lula e a CUT.

Logo, se o PT está em busca do que chama “conspiradores”, que os encontre entre os seus. Além de conspiradores, são também oportunistas e covardes: se é assim, deveriam entregar os cargos que ocupam num governo cuja política consideram errada.

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 20:55

Lava Jato: PGR denuncia mais dois deputados e um senador

Na VEJA.com:
A Procuradoria-Geral da República denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais dois parlamentares por suspeitas de envolvimento no escândalo do petrolão. O deputado federal Arthur Lira (PP-AL) – presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara – e seu pai, o senador Benedito de Lira (PP-AL) são acusados de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, a partir dos indícios colhidos na Operação Lava Jato.

O deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE), que é aliado do presidente do Senado, Renan Calheiros, também foi denunciado, mas por crime eleitoral. Em inquérito da Lava Jato, ele admitiu não ter declarado doações de terceiros para sua campanha. Gomes ainda pode ser denunciado por outros crimes diretamente relacionados ao petrolão.

O caso dos parlamentares Benedito e Arthur Lira corre em segredo de Justiça, e cabe ao STF decidir se aceita ou não a denúncia. Ambos foram indiciados pela Polícia Federal por corrupção passiva.

Delação
Dois dos principais delatores do petrolão, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras confirmaram que a Braskem, petroquímica ligada a Odebrecht, pagou de 1% a 3% em propina, em dinheiro, tanto para Costa quanto para políticos filiados ao Partido Progressista (PP), entre eles Benedito e Arthur Lira.

Conforme revelou reportagem de VEJA, o presidente da CCJ foi flagrado pelas câmeras de segurança no prédio onde funcionava o escritório do doleiro Alberto Youssef. Ele também é investigado pelo Supremo Tribunal Federal por crime de lavagem e responde a ação penal por agressão à ex-mulher.

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 20:16

Dólar já superando o patamar do tempo em que PT era bicho-papão…

Na minha coluna na Folha desta sexta, escrevo:
(…)
Patamar do dólar em meados de dezembro de 2002, quando ninguém conhecia um governo do PT: R$ 3,70. Patamar do dólar no começo de setembro de 2015, quando todos já conhecem o que é governo do PT: R$ 3,70. No primeiro caso, não se sabia nada do que o partido era capaz; no segundo, já se sabe tudo de que é capaz. Moeda desvalorizada pode ser uma escolha de política econômica. Não é o caso.
(…)

Pois é… Vocês sabem como é dinâmica a realidade do Brasil. Nesta sexta, o dólar já fechou no patamar de R$ 3,80, superior, portanto, ao daquela fase em que não se sabia o que faria o PT. A moeda subiu 2,68% só nesta sexta, fechando a R$ 3,8605. Em uma única semana, subiu 7,68%. No ano, a alta acumulada já é de 45,2%.

Ninguém favorece tanto a especulação como Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 20:05

BRASIL QUEBRADO – PT, PCdoB, movimentos sociais, CUT, UNE e MST querem a volta de Mantega!!!

Então… E Lula continua firme no seu esforço para desestabilizar o que instável já está: o governo Dilma. É impressionante! Neste sábado, os sedizentes movimentos sociais, que são as frações de esquerda do PT, lançam um manifesto em defesa da presidente Dilma Rousseff na Assembleia Legislativa de Minas, em Belo Horizonte. Calma! Será em defesa da presidente, mas contra a sua política econômica. Ah, bom! Não é bacana? O evento marca o lançamento de uma tal Frente Brasil Popular. Vai ver os que não a integram são… impopulares.

“Governo é para governar, e sindicato, para sindicatear”, teria dito Lula a Rosane da Silva, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT. Além da central, UNE e MST estarão no ato, que conta com o apoio também do PCdoB e de uma parte do PSB. Segundo Rosane, Lula teria afirmado que “só com pressão popular, o país toma as medidas necessárias”. Ah, bom!

Que bando de impostores, não é mesmo? Na quinta, o governo acerta “com o mercado” a permanência de Joaquim Levy na Fazenda. No sábado, o comando do PT e aliados cobram, na prática, que ele seja demitido. E notem que a mente divinal de Lula está por trás da desestabilização da presidente.

Vamos combinar: os que querem Dilma fora do poder e outra política econômica se manifestam nos dias ímpares, e os que querem outra política, mas com Dilma dentro, nos pares.

Ah, sim: a Folha informa que os interlocutores de Lula revelam que ele é favorável à ampliação do crédito, redução da taxa de juros, liberação do compulsório dos bancos… Entendi! Então ele é favorável à volta de Guido Mantega.

Pronto! Resolvido o mistério: PT e congêneres querem a volta de Mantega. Sua política econômica já quebrou o país. Agora falta sentar em cima do monte.

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 19:30

Dirceu: 129 atos de corrupção ativa, 31 de corrupção passiva e 684 de lavagem de dinheiro. É a acusação do procurador, que diz esperar condenação superior a 30 anos…

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Ministério Público Federal defendeu nesta sexta-feira que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, denunciado por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, seja condenado a mais de 30 anos de prisão por ter montado um esquema de arrecadação de propina junto a empreiteiras a partir de contratos simulados de consultoria. A Polícia Federal não descarta que ex-ministro possa estar envolvido em outros crimes e possa, no futuro, ser novamente denunciado. As suspeitas são que Dirceu recebeu 11,8 milhões de reais em propina.

“Nossa expectativa é que uma pessoa que tenha praticado crimes tão graves tenha, sim, uma pena superior a 30 anos. Temos uma pessoa que foi a número dois do país envolvida no esquema de corrupção. Foi um capitalismo de compadrio”, afirmou o coordenador da força-tarefa do Ministério Público Deltan Dallagnol. De acordo com as investigações, o esquema de José Dirceu na Lava Jato movimentou cerca de 60 milhões de reais em corrupção e 64 milhões de reais em lavagem de dinheiro. Ao todo, o MP calcula que houve 129 atos de corrupção ativa e 31 atos de corrupção passiva entre 2004 e 2011, além de 684 atos de lavagem de dinheiro entre 2005 e 2014.

“A investigação é sempre baseada em fatos. Nada impede novas denúncias sobre a atuação dele em várias outras áreas de atuação. Essa é uma parte importante da investigação, mas temos que considerar que a cada dia estamos avançando por áreas diferentes de contratação de serviços públicos e se trata do ex-ministro da Casa Civil”, explicou o delegado Igor Romário de Paula.

Os investigadores que atuam na Operação Lava Jato consideram que Dirceu é um criminoso reincidente, porque praticou crimes depois de o processo do mensalão já ter sido concluído. É possível que a Justiça imponha ao petista também o agravante de maus antecedentes, já que, segundo o procurador da República Roberson Pozzobon, ele praticou crimes de corrupção e lavagem de dinheiro pelo menos desde 2006, quando passou a receber dinheiro sujo de empreiteiras. A reincidência e os maus antecedentes são fatores considerados pela Justiça para aumentar a pena do suspeito em caso de condenação. Além da penalização pelos crimes, os procuradores pedem o ressarcimento de 60 milhões de reais.

Segundo Dallagnol, as evidências apontam ter havido um “capitalismo de compadrio” envolvendo a Petrobras para benefício de empresas e enriquecimento de pessoas. “Houve o exercício do poder para fins particulares. José Dirceu representou por muitos tempos os ideais de muitos. Não julgamos as pessoas por vidas, mas por fatos e atos concretos. Não está em questão o que José Dirceu fez pela consolidação da democracia, e sim se ele praticou crimes em contextos determinados”, disse. “A corrupção sistêmica existe no nosso país. A cura para esse problema que sangra a democracia é mais democracia. Somos explorados pela corrupção”, concluiu.

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 16:11

Em ato, FHC, Serra e Aloysio selam apoio a Matarazzo para prefeito de SP

Por Daniela Lima, na Folha:
O vereador Andrea Matarazzo (PSDB-SP) reuniu na noite desta quinta-feira (3) a cúpula do PSDB paulista, num evento de apoio à sua pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo. O ato contou com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e dos senadores José Serra e Aloysio Nunes. Todos eles declararam abertamente que defenderão o nome de Matarazzo para candidato dos tucanos em 2016. Organizado pelo ex-ministro de FHC José Gregori, o evento se tornou a demonstração mais ostensiva de apoio a um pré-candidato tucano deste que uma série de quadros começaram a se lançar como opções do PSDB para 2016.

Na semana passada, o empresário João Dória Jr. se inscreveu para disputar as prévias que escolherão o candidato do partido. E, como revelou a coluna Painel, o secretário Alexandre de Moraes (Segurança), anunciou ao vice-presidente Michel Temer a intenção de se desfiliar do PMDB para ingressar no PSDB e disputar a indicação do partido. Numa fala aos presentes, FHC disse que Andrea era “a sua escolha”. Serra, por sua vez, disse que “Andrea é quem mais conhece a cidade e tem muita vontade”. “Está pronto para disputar a eleição”, concluiu. Celso Lafer, ex-ministro de Relações Exteriores de FHC também compareceu ao encontro. Antigos aliados do vereador, como a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) engrossaram o ato. “Todos somos Andrea”, gritaram.

O evento também deve ser visto como uma forma de pressionar o governador Geraldo Alckmin, cujo apoio é considerado fundamental para qualquer candidato. Nos bastidores, tanto João Dória Jr. como Alexandre de Moraes são citados como nomes que teriam mais apoio do governador. Além de Doria Jr. e Moraes, já declararam a intenção de concorrer o presidente do Instituto Teotonio Vilela, José Anibal, e os deputados federais Bruno Covas e Ricardo Tripoli. Os três também discutem a possibilidade de se unir em torno de apenas um deles.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 16:01

A costura entre banqueiros, PMDB e o Planalto que manteve Levy no cargo

Por Ana Clara Costa, na VEJA.com: O último sábado, 29 de agosto, foi um dia decisivo para o ministro Joaquim Levy. Enquanto defendia publicamente a volta da CPMF, o imposto do cheque, diante de uma plateia cheia de empresários descontentes, em evento em Campos do Jordão, o governo decidia, em Brasília, sepultar a ideia do novo imposto. O Planalto esqueceu-se de avisar Levy sobre o recuo e o titular da Fazenda transmitiu a uma parcela generosa do PIB a imagem de que estava desinformado – ou fora das tomadas de decisão importantes. Cogitou seriamente abandonar o barco e fez com que a Presidência soubesse de seu descontentamento.

No mesmo fim de semana, o presidente do conselho do Bradesco, Lázaro Brandão, encontrou-se com o vice Michel Temer, também pego de surpresa pela decisão atrapalhada de renascimento e morte do imposto. Preocupado com o ânimo de Levy, Brandão pediu que o peemedebista interviesse na situação. A ala próxima de Temer no PMDB havia abandonado a defesa do ajuste depois de sucessivas derrotas do ministro no Congresso e dentro do próprio governo, onde tem como antagonista o titular do Planejamento, Nelson Barbosa. Temer se comprometeu com Brandão a criar um cordão de proteção para Levy, em especial contra o fogo amigo – cuja origem, segundo interlocutores petistas, está no próprio Palácio do Planalto.

Na segunda-feira, quando a presidente Dilma Rousseff convocou Levy e Barbosa para o anúncio do orçamento deficitário de 2016 e orientou para que reforçassem a ideia da transparência dos números, o ministro da Fazenda hesitou novamente. A tese do déficit era defendida por Barbosa, enquanto Levy alinhavava outro plano, que previa corte de gastos obrigatórios e programas sociais, com o objetivo de perseguir a meta fiscal de 0,7% do PIB no ano que vem. A presidente decidiu ouvir o ministro do Planejamento e engavetar o programa de Levy.

Enquanto Barbosa seguiu à risca a orientação da chefe no discurso de apresentação do orçamento, Levy falou em acabar com “ambiguidades” e intensificar cortes. Falou ainda sobre a necessidade de se construir uma “ponte”, que, segundo interlocutores da Fazenda, seria um novo imposto temporário para recalibrar a arrecadação, mas sem o carimbo polêmico da CPMF. Diante das divergências claras de discurso, o enfraquecimento do ministro da Fazenda se intensificava – e o mercado financeiro respondia com mais descrença em relação à retomada da economia, com o dólar em forte disparada. Até então, o aceno do PMDB prometido a Brandão ainda não havia chegado a Levy. Acontecia justamente o contrário. No dia do anúncio do orçamento, parlamentares ligados ao vice e a Renan Calheiros diziam apoiar a ideia de orçamento deficitário porque estavam céticos sobre a possibilidade de cortes profundos serem aprovados no Congresso.

Na quarta-feira, Levy conversou com a presidente Dilma por telefone e reclamou do isolamento. Disse que do jeito que as coisas estavam, não poderiam ficar. Ouviu da chefe um “deixa disso”. Encontrou-se também com Temer, que reforçou o compromisso de apoio prometido a Lázaro Brandão. A virada ocorreu neste mesmo dia, com a visita do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, a Brasília. Padrinho de Levy no governo, Trabuco encontrou-se com a presidente Dilma e, com a cordialidade que lhe é característica, sinalizou que a saída do ministro minaria a pouca credibilidade que resta ao governo sobre a possibilidade de retomada da economia. Trabuco aconselhou a presidente a encampar os cortes propostos por Levy para acalmar o mercado. Em seguida, conversou com o ministro. Na quarta à noite, estava decidido que Levy não sairia.

Na quinta-feira, dia em que partiria para a Turquia, no encontro de ministros da Fazenda do G20, Levy decidiu cancelar a viagem. Diante do impacto dos rumores de sua saída na cotação do dólar, que chegou a 3,81 reais, alertou assessores sobre a necessidade de acalmar o mercado. Sua ausência, naquele momento, poderia intensificar os temores de investidores, provocando a oscilação da moeda americana e da bolsa de valores. No Planalto, a presidente Dilma convocou uma nova reunião em que instruiu os ministros Nelson Barbosa, Aloysio Mercadante e Edinho Silva a reforçar a jornalistas que o governo apoiava o plano de cortes de gastos desenhado por Levy. Mercadante, um dos principais inimigos do ajuste, falou, em coletiva à imprensa, até mesmo em reforma previdenciária — tabu para muitas alas do PT. Os ventos realmente haviam mudado. O aceno da presidente devolveu a política fiscal ao titular da Fazenda e colocou Barbosa de volta ao segundo plano – ao menos temporariamente. Até que os ventos mudem outra vez.

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 15:56

MP denuncia Dirceu e outros 16 por crimes do petrolão

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, homem-forte do primeiro mandato do ex-presidente Lula, foi denunciado nesta sexta-feira pelo Ministério Público Federal como um dos mais importantes personagens a atuar no escândalo do petrolão, esquema bilionário que sangrou os cofres da Petrobras e avançou com desenvoltura semelhante em obras do setor elétrico. As acusações contra o petista, preso desde o dia 3 de agosto em Curitiba, são de organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na próxima semana, quando o juiz Sergio Moro analisar as imputações apontadas pelo MP, Dirceu deve se tornar novamente réu em um processo penal.

Há exatos 2930 dias o ex-ministro passava a responder formalmente na Justiça por corrupção ativa no escândalo do mensalão. De casa, em Brasília, onde cumpria a reta final da pena de sete anos e 11 meses imposta a ele pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro foi novamente capturado. Entre o Dirceu de 2007, apeado do governo e com o mandato cassado na Câmara, para o Dirceu de 2015, dois fatores devem complicar o destino do petista. Se condenado, a ele podem ser aplicados dois fatores de aumento de pena: maus antecedentes por, segundo a acusação, ter recebido propina antes da condenação do mensalão e reincidência, por ter voltado a praticar crimes depois da penalidade definitiva como mensaleiro.

De acordo com o Ministério Público, enquanto José Dirceu fazia uma “vaquinha” para pagar cerca de 970.000 reais de multa imposta no julgamento do mensalão, ele amealhou 39 milhões de reais com um trabalho de consultoria que a acusação diz ser majoritariamente lavagem de dinheiro. Entre 2009 e 2014, período em que Dirceu foi julgado, condenado e em que começou a cumprir a pena do mensalão, a JD Consultoria movimentou mais de 34 milhões de reais, mas “nenhum estudo ou projeto fora efetivamente apresentado ou demonstrada a real prestação do serviço”. Em depoimento no acordo de delação premiada que fechou com a justiça, o lobista Milton Pascowitch disse que os serviços de consultoria vinculados à empresa de Dirceu eram “apenas a instrumentalização de pagamentos [de propina] sem qualquer contraprestação”.

Para o MP, o caixa do ex-ministro mensaleiro foi generosamente abastecido por meio de contratos simulados de consultoria com empreiteiras que atuavam na Petrobras, em especial a Engevix, OAS, UTC, Odebrecht, Galvão Engenharia e Camargo Correa. “O fato de ter deixado o posto de ministro da Casa Civil e a cassação do mandato de deputado federal não serviram para retirar do investigado José Dirceu todo o poder político que o mesmo angariou no primeiro mandado do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, sendo o homem forte do primeiro mandato. Ressalte-se que sequer o fato de responder à ação penal do mensalão, na condição de réu junto ao Supremo, lhe retirou os clientes das vultosas consultorias vazias”, disse a Polícia Federal no relatório que embasou a denúncia do Ministério Público.

Na lavanderia de Dirceu, tanto o petista quanto os lobistas Olavo e Fernando Moura recebiam parcelas de propina, por meio do operador Milton Pascowitch e das empresas Hope e Personal, que atuavam na terceirização de serviços na Petrobras. Outra forma de receber dinheiro sujo era por meio do pagamento de despesas de voos fretados custeadas pelo lobista Pascowitch. Neste caso, eram fraudados contratos de fretamento de aeronaves com a Flex Aero Taxi Aéreo LTDA, com faturamentos a custos reduzidos para que parte do valor real do serviço pudesse ser embolsado como propina. A compra e reforma de imóveis para a família de José Dirceu e repasses mensais de dinheiro ao ex-assessor do petista Roberto ‘Bob’ Marques e ao irmão Luiz Eduardo de Oliveira e Silva também foram, segundo os investigadores, métodos utilizados pelo ex-chefe da Casa Civil para receber recursos de propina de empresas com contratos com a Petrobras.

Documentos apreendidos na casa do irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, foram cruciais para ampliar o arsenal de provas contra o petista. A Polícia Federal recolheu em um imóvel de Luiz Eduardo registros e anotações sobre obras de empresas investigadas na Lava Jato. E mais: mapeou um intenso contato telefônico entre o lobista Milton Pascowitch e diversos personagens do grupo de Dirceu – Bob Marques, os lobistas Olavo e Fernando Moura e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto – e ainda detectou que o recolhimento de propina ocorria diretamente na casa do lobista.

Além do ex-ministro da Casa Civil, também foram formalmente denunciados pelo MP o irmão do petista Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, o ex-assessor Roberto ‘Bob’ Marques, o empresário Julio César dos Santos, os lobistas Milton Pascowitch e José Adolfo Pascowitch, Fernando Moura e Olavo Moura, a filha de Dirceu Camila Ramos de Oliveira e Silva, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e os executivos da construtora Engevix Gerson Almada, Cristiano Kok e José Antunes Sobrinho, Daniela Facchini, o lobista Julio Camargo e o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco..

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 15:53

Fim da picada! Festa do PCC em penitenciária feminina da capital tem cocaína e maconha

Vejam este vídeo.

Agora leiam reportagem de Wálter Nunes, na VEJA.com:
Na festa de aniversário de 22 anos do PCC dentro de uma cadeia feminina na capital paulista não teve bolo. “O bolo não deu tempo de nós fazer agora (sic)”, avisou a detenta responsável pela organização do evento. Mas teve cocaína, na bandeja, em fileiras que formavam a mensagem: 15 3 3 22 anos. O 15 3 3 corresponde à posição no alfabeto das letras que formam as iniciais do Primeiro Comando da Capital, a facção criminosa que domina os presídios paulistas e se espraiou por todo o país. As imagens, gravadas dentro da Penitenciária Feminina de Santana na segunda-feira desta semana, estão registradas em dois vídeos de menos de um minuto cada um, obtidos por VEJA.

Pouco depois de procurada pela reportagem, a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado divulgou nota anunciando a exoneração do diretor de segurança da unidade. Determinou também a revista em todas as dependências da penitenciária e a transferência das internas identificadas nas imagens. “O caso está sendo investigado pela Corregedoria Administrativa do Sistema Penitenciário e, se comprovada a participação de outros servidores, eles serão rigorosamente punidos”, diz a nota.

Na festa realizada em Sant’anna, uma das presas organizava a fila do pó. “É gente, vai cheirando, mano. Você vai bater na bandeja, bicha.” As presas que aparecem no vídeo recebem em suas canecas um líquido amarelo que parece ser um refrigerante sabor laranja. Mas a líder da festa comunica que aquilo é uma mistura que leva cachaça. “Ó, nós vamos fazer duas filas aqui, primeiro nós vai botar a cachaça (sic), pouquinho, porque é pouco”, afirma. Em seguida anuncia que vai distribuir maconha para as detentas: “Depois nós vamos dar o baseado. Cada baseado para três fumar. Vocês faz seus grupinho aí (sic)”.

O vídeo parece ter sido feito por uma das presas que participam da festa – e por meio de um celular. Dezenas delas então cantam o refrão: “É o 15, é o 15, é o 15″. A festa acontece nos corredores de dois andares onde ficam as celas. Em nenhum momento é possível ver funcionários do presídio. Pela dimensão do acontecimento, é difícil crer que uma festa desse tamanho aconteça dentro de uma penitenciária sem que os funcionários fiquem sabendo.

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 8:23

LEIAM ABAIXO

Temer e a “guerreira Dilma”… Tenho uma ideia: vamos aposentá-la por desserviços prestados à contabilidade?;
Ai, ai… A Elisabete Maria, de 55 anos, vai acabar não encontrando vaga no Pronatec da Dilma;
Minha coluna da Folha: “Dilma e a mídia fora do controle”;
Dilma erra até quando acerta e agora diz que vai querer superávit em 2016. A diferença da brincadeira: uns R$ 100 bilhões…;
Temer diz que é difícil Dilma resistir mais 3 anos com popularidade baixa;
#ProntoFalei — Será que Joaquim Levy continua como Ministro da Fazenda;
Clamor da esmagadora maioria em favor do impeachment faz fruto no Congresso;
Levy parecia tranquilo…;
Delação premiada custará R$ 51 milhões a Pessoa;
Dono da UTC admite propina, reuniões para “reduzir concorrência”, mas relativiza a tese de cartel;
Levy cancela ida ao G20; Dilma chama reunião de emergência…;
— Petistas se juntam à turma de Renan no Senado e aprovam proposta de reforma política que chega a ser criminosa! A tese absolve mensaleiros e pulhas do petrolão;
— Dilma perde o senso do ridículo e oferece de novo a coordenação política a Temer; ele recusa;
— Já faz algum tempo que a elevação de juros não dá o que tinha de dar…;
— Em dezembro de 2002, país pirou porque ninguém conhecia o PT; em 2015, porque todos conhecem o PT;
— Dilma perde o controle do governo, a linha de raciocínio, o bonde…;
— Vamos criar o “Pixulekomóvel”;
— Zarabatana no Pixuleko? Alô, Cardozo! Deixe de ser seletivo e mande investigar o PC do B;
— Janot e a “Hermenêutica Dilma”;
— Bandido que delata bandido continua bandido;
— Delator diz que propina ao PT era combinada com Duque, que rebate: “Mentiroso!”

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 8:15

Temer e a “guerreira Dilma”… Tenho uma ideia: vamos aposentá-la por desserviços prestados à contabilidade?

O vice-presidente da República, Michel Temer, é um homem livre. Fala o que quiser. Não é bobo e conhece os jornalistas. Nesta quinta, ele manteve um encontro com empresários em São Paulo, organizado pela empresária Rosângela Lyra, que faz parte do movimento “Acorda, Brasil”, de oposição ao governo. Atenção! O jornalismo petista infiltrado na grande imprensa (uma praga!) a chama de “socialite”. Com a devida vênia, para mim, “socialite” passa o dia tomando champanhe e discutindo com seu cabeleireiro esquisitão como vai se mostrar em público. Rosângela trabalha. Se ela fosse do MTST, os jornalistas a chamariam de “ativista”.

Nota antes que continue: concedi uma palestra nesta terça a uma parte da comunidade judaica de São Paulo. Um dos presentes me perguntou se existe censura à imprensa no Brasil. Eu afirmei que a única censura é aquela imposta pelo jornalismo de esquerda. Rosângela Lyra é a representante no país de uma grife que é, se me permitem, grife na própria França. Ela trabalha. Ganha o pão com o seu talento. Se ela invadisse propriedade alheia, seria chamada de “militante”, “ativista” e até “mártir”. Não tenho mais saco para isso. Aliás, ninguém mais tem. Nem os leitores! Adiante.

Temer foi indagado, não tratou do assunto de moto próprio, das hipóteses que estão dadas para Dilma: renúncia, impeachment ou cassação pelo TSE. Respondeu com a devida tranquilidade. Afirmou não acreditar que a petista desista do mandato, lembrando que ela é “guerreira”. E que fique claro: ele usou a palavra “guerreira”, não “guerrilheira” ou “terrorista”, para ficar na espécie do crime que a presidente cometeu no passado.

Sobre o impeachment, ponderou:
“Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo [de popularidade]. Se a economia melhorar, acaba voltando um índice razoável”. Mas acrescentou: “É preciso trabalhar para estabilizar as  relações com a sociedade e a classe política! E ponderou: “Mas, se ela continuar com 7% e 8% de popularidade, fica difícil”.

Conspiração? Não! Senso de realidade. Até porque o vice tratou da hipótese de ele próprio deixar o cargo caso a chapa seja cassada pelo TSE: “Se o tribunal cassar a chapa, acabou. Eu vou para casa feliz da vida”. E emendou sobre Dilma: “Ela vai para casa… Não sei se vai feliz ou não, cada um tem a sua avaliação”.

Temer chegou a demonstrar alguma irritação quando um dos convidados perguntou se ele entraria para a história como estadista ou como oportunista: “Eu jamais seria oportunista, quero deixar muito claro isso. Em momento algum eu agi de maneira oportunista. Muitas vezes dizem: ‘Ah, o Temer quer assumir a Presidência’, mas eu não movo uma palha para isso”.

E, vá lá, justiça se faça, Temer, em conversas públicas ou privadas, tem reforçado a posição da presidente. A governanta é que não se garante, como é evidente.

O vice-presidente foi indagado ainda sobre o Orçamento com previsão de déficit, enviado pelo governo. Manifestou sua discordância: “Se você enxugar contratos, consegue fazer. Às vezes, tem um contrato de R$ 300 milhões que, na realidade, pode ser por R$ 220 milhões. Você economiza. Se, ao final, for preciso alguma oneração tributária, não é com a criação de novo tributo. Pode pegar um e outro tributo existentes e aumentar a alíquota temporariamente”.

Ou por outra: o vice-presidente voltou a se manifestar contra a recriação da CPMF, um dos desastres protagonizados por Dilma quando teve a ambição de que poderia ser a coordenadora política. O outro, gigantesco, foi justamente o envio de uma peça orçamentária prevendo déficit, decisão da qual ela já recuou.

Temer insistiu que a situação do Brasil tende a melhorar e deixou claro que acha que a presidente pode recuperar a popularidade. E, por óbvio, se negou a assinar recibo de idiota. Sabe que a economia, mais do que a Lava-Jato, está derrubando Dilma. Ele vocalizou o que todos estamos especulando: como ficar os próximos três anos sob o comando de uma presidente inerme?

Sei que muita gente se esquece, mas Temer também foi eleito. Pode e deve dar a sua opinião.

Post publicado originalmente às 6h22
Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 7:44

Ai, ai… A Elisabete Maria, de 55 anos, vai acabar não encontrando vaga no Pronatec da Dilma

Ai, ai… Vocês se lembram do debate da TV Globo, antes do segundo turno da eleição do de 2014, quando Dilma mandou Elisabete Maria, uma economista de 55 anos, que reclamava da dificuldade de arrumar emprego em razão da idade, fazer o Pronatec? Pois é… Vejam o vídeo:

Agora vamos ao que informa http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/231813-dilma-corta-metade-das-vagas-no-pronatec.shtml reportagem da Folha desta sexta. Volto em seguida.

O governo criará pouco mais da metade das vagas prometidas pela presidente Dilma Rousseff (PT) para a segunda etapa do Pronatec, programa voltado para o ensino técnico e profissionalizante. Em junho do ano passado, a presidente afirmou que, até 2018, iria abrir 12 milhões de novas vagas. Agora, num cenário de recessão econômica e de necessidade de cortes no Orçamento, os números oficiais mostram que essa promessa não será cumprida. A meta atual é ofertar 5 milhões de vagas entre 2016 e 2019, segundo dados do Ministério do Planejamento.

O programa já sofreu corte neste ano, com previsão de oferta 57% menor em comparação a 2014. Segundo o Ministério da Educação, neste ano 1,3 milhão de vagas estão garantidas. Esse número deve se repetir em 2016. Assim, o volume final será de 6,3 milhões até 2019.

“O Pronatec oferecerá, até 2018, 12 milhões de vagas para que nossos jovens, trabalhadores e trabalhadoras, tenham mais oportunidades de conquistar melhores empregos e possam contribuir ainda mais para o aumento da competitividade da economia brasileira”, afirmou Dilma ao tomar posse, em janeiro.

O programa foi uma das principais bandeiras na campanha para o segundo mandato. No ano passado, a presidente participou de ao menos 11 formaturas dele.
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Retomo
Os petistas têm sido hostilizados nas ruas — e não apoio a prática, deixo claro. Ao especular sobre os motivos, dizem que as manifestações de descontentamento decorrem do caráter golpista da direita. Afirmam ainda haver uma campanha de ódio contra o PT.

É claro que é mentira! O partido só está respondendo por tudo o que fez e por tudo o que não vai fazer.

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 7:17

Minha coluna da Folha: “Dilma e a mídia fora do controle”

Leiam trecho:
Em 10 dias, a presidente Dilma Rousseff foi bem-sucedida no esforço para que Michel Temer deixasse a coordenação política; permitiu que alguns de seus gênios fizessem o anúncio branco da volta da CPMF –como se fosse mero ato de vontade; estimulou o ministro da Saúde a tentar atrair, inutilmente, os governadores para a armadilha; viu o país dizer “não” em uníssono a um novo imposto; assustou o empresariado, que vinha ensaiando uma aproximação e desistiu da tunga. Pareceu pouco à governanta.

No período, ela enviou ao Congresso um Orçamento com deficit na esperança de unir as forças políticas ao ameaçá-las com o caos; largou a batata quente na mão do Parlamento para que este encontrasse as receitas de sua licenciosidade; provocou a disparada do dólar; encontrou-se com Eduardo Cunha em torno do nada; anunciou que pode rever a peça orçamentária; reconvidou Temer para a coordenação política e viu recusado o convite…

Patamar do dólar em meados de dezembro de 2002, quando ninguém conhecia um governo do PT: R$ 3,70. Patamar do dólar no começo de setembro de 2015, quando todos já conhecem o que é governo do PT: R$ 3,70. No primeiro caso, não se sabia nada do que o partido era capaz; no segundo, já se sabe tudo de que é capaz. Moeda desvalorizada pode ser uma escolha de política econômica. Não é o caso.
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Leia íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

04/09/2015

às 7:11

Dilma erra até quando acerta e agora diz que vai querer superávit em 2016. A diferença da brincadeira: uns R$ 100 bilhões…

Não tem jeito, não! Dilma erra até quando acerta. E por que é assim? Porque o erro está na origem, não é mesmo? Ela não está num lugar compatível com a sua competência. Nesta quinta, as personagens de sua trapalhada foram um auxiliar seu e um banqueiro.

Num post de ontem, afirmei que Dilma é capaz de gerar uma crise política até quando diz: “Me passa o açúcar?”. Ela fez uma reunião de emergência, uma desnecessidade, para, ora vejam!, garantir que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fica no cargo. Problema: como Levy era a âncora de Dilma, não o contrário, é claro que o resultado no mercado foi mais instabilidade.

Mas a coisa não ficou por aí. Depois de enviar ao Congresso uma peça orçamentária ILEGAL, em que antecipou que pretende fabricar um déficit de, no mínimo, R$ 30,5 bilhões, a presidente recuou. Nada disso! Agora ela afirma que vai mesmo fazer o superávit de 0,7% do PIB. Notem: entre a primeira pretensão e a segunda, há uma diferença de mais ou menos R$ 100 bilhões. Quem confia?

Mas isso ainda é o de menos. Dilma mudou de ideia depois, como se sabe, de Levy externar seu desconforto — afinal, saiu do grupo Bradesco e foi para o ministério da Fazenda porque seria o homem da austeridade, não da bagunça — e de um encontro com Luiz Carlos Trabuco, presidente do banco.

Eu nunca sou oblíquo. Nunca bato na cangalha para o burro entender, como se diz em Dois Córregos. Trabuco é um homem sério, um profissional respeitado no mercado e um comandante de banco competente. Pode e até deve falar com Dilma ou com o ministro da Fazenda quando quiser — mesmo este tendo sido seu funcionário até outro dia.

Dilma é que não deveria se entregar a esses desfrutes. Que diabo de comandante em chefe do país é esta que é capaz de agasalhar, da noite para o dia, uma diferença de R$ 100 bilhões no Orçamento e que muda tão radicalmente de ideia depois de se encontrar com o presidente do Bradesco, ex-chefe de Levy? Convenham… Essa gente não se ajuda, não é mesmo?

A tal reunião de emergência juntou a própria Dilma, claro!, Levy — o potencial demissionário —, Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento). Depois do encontro, o orador da turma foi Mercadante, que disparou, com a elegância habitual:
“Levy fica. A reunião foi muito boa. Ele tem compromisso com o Brasil”. Segundo esse gênio político, o boato da demissão era coisa de  “mal informados” e “mal-intencionados”. E arrematou: “Tem gente especulando e tentando ganhar dinheiro com turbulência”.

Oh, não me diga, Mercadante, que há gente tentando ganhar dinheiro com a turbulência. Estranho seria se houvesse gente se mobilizando para perder… Uma vez Mercadante, sempre Mercadante! Isso acaba virando um destino, né? Se o chefe da Casa Civil vem a público com mensagem de caráter tão inequívoco — “Levy fica” —, então é porque Levy esteve por um fio, não é mesmo? Ou por outra: por que um chefe da Casa Civil tem de desmentir boatos de “mal informados” e “mal-intencionados”?

Isso está abaixo da racionalidade até de Mercadante.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 23:50

Temer diz que é difícil Dilma resistir mais 3 anos com popularidade baixa

Na VEJA.com:

O vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) afirmou em palestra em São Paulo, ao comentar os recordes negativos de popularidade da presidente Dilma Rousseff, que “ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo”. “Se continuar assim, com 7%, 8% de popularidade, de fato fica difícil”, afirmou a empresários, em encontro promovido pela socialite Rosangela Lyra, do movimento Acorda, Brasil, de oposição à petista. Ao mesmo tempo, o peemedebista disse que não “move uma palha” para tomar o lugar de Dilma.

No evento, Temer também manifestou “apoio pleno” do PMDB ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que, após rumores de que estaria deixando o governo, se reuniu com Dilma nesta quinta-feira e acertou sua permanência – por enquanto. O vice negou que seu partido queira a saída de Levy. Ao contrário: “A saída do Levy agora seria muito prejudicial para o País”, afirmou, emendando que reuniu líderes da legenda para pedir “apoio expresso” ao chefe da equipe econômica.

Temer também comentou recente declaração sobre a carência de alguém para “reunificar” o país. O vice disse ter feito o comentário num momento em que era preciso afirmar a gravidade da crise. Ele lembrou que Dilma havia reunido os governadores para falar da atual situação econômica mas, pouco depois, o Congresso aprovou medidas da chamada pauta-bomba, que eleva os gastos da União.

Questionado sobre os mecanismos de combate à corrupção, Temer afirmou que não são necessárias novas leis e que a tentativa de criar novos itens na legislação às vezes pode ser demagógica.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 23:47

#ProntoFalei — Será que Joaquim Levy continua como Ministro da Fazenda

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 16:41

Clamor da esmagadora maioria em favor do impeachment faz fruto no Congresso

Agora é pra valer. A oposição decidiu lançar o movimento pró-impeachment de Dilma Rousseff. Ainda não é a apresentação da denúncia, mas a criação de um núcleo de parlamentares para a mobilização da sociedade civil, por intermédio das redes sociais. Nesta manhã, parlamentares do PSDB, PPS, DEM, PSC e SD se encontraram para cuidar do assunto. A formalização desse núcleo deve ocorrer na semana que vem, com a presença de grupos que têm convocado protestos em favor da saída da presidente.

A expectativa é que o TCU recomende mesmo a rejeição das contas de 2014. Ainda não se sabe se a votação do relatório no Congresso será feita ou não em sessão conjunta — há uma liminar concedida por Luís Roberto Barroso nesse sentido. Eduardo Cunha, presidente da Câmara (PMDB-RJ), recorreu. Se prevalecer a decisão do ministro, o neoconvertido Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, comandará  o ritmo dos trabalhos.

A recomendação do TCU para que as contas sejam rejeitadas será um forte elemento a embasar uma denúncia por crime de responsabilidade, mesmo que o Congresso não a acate.

O clamor da sociedade em favor do impeachment — mais de dois terços se dizem favoráveis — chegou, para valer, ao Congresso Nacional e começa a frutificar.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 16:17

Levy parecia tranquilo…

Dilma chamou a reunião de emergência porque é seu jeito de tornar tudo muito tenso, sabem como é… As pessoas que falaram com o ministro nesta quinta dizem que ele estava muito tranquilo, não exibindo nenhum sinal de que estivesse desembarcando ou sendo desembarcado.

E o cancelamento da viagem à reunião do G20? Pode ter sido a sua cota de contribuição ao corte de gastos, já que, de fato, não iria fazer nada importante por lá. Neste momento, o Brasil só desperta interesse como exemplo do que não fazer na economia.

De resto, vamos combinar: melhor o Levy por aqui, também como presença física, do que deixar Dilma à mercê de Aloízio Mercadante, né?

Sempre há o risco de ele ter alguma nova ideia de anteontem…

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 16:01

Delação premiada custará R$ 51 milhões a Pessoa

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O empreiteiro Ricardo Pessoa, que se tornou um dos principais delatores contra políticos envolvidos no escândalo do petrolão, vai pagar 51 milhões de reais como “multa compensatória” por participação nos crimes investigados na Operação Lava Jato. Dono da UTC e chefe do “Clube do Bilhão”, Pessoa fechou o acordo de colaboração premiada em 13 de maio, mas parte de seus depoimentos ainda está sob sigilo e deve motivar uma nova leva de inquéritos a serem apresentados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal.

Conforme revelou VEJA, o empreiteiro Ricardo Pessoa contou em seu acordo de delação premiada que foi persuadido “de maneira bastante elegante” pelo atual ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, a contribuir com a campanha petista de 2014. A abordagem lhe custou 10 milhões de reais para a campanha de Dilma. Um servidor do Palácio chamado Manoel de Araújo Sobrinho acertou os detalhes dos pagamentos diretamente com Pessoa. Documentos entregues pelo empresário mostram que foram feitos dois depósitos de 2,5 milhões de reais cada um, em 5 e 30 de agosto de 2014. Depois dos pagamentos, Sobrinho acertou com o empreiteiro o repasse de outros 5 milhões de reais para o caixa eleitoral de Dilma. Pessoa entregou metade do valor pedido e se comprometeu a pagar a parcela restante depois das eleições. Só não cumpriu o prometido porque foi preso antes.

No acordo de delação, o empreiteiro deu como garantia para o pagamento dos 51 milhões de reais um lote em Mogi das Cruzes (SP) estimado em 23 milhões de reais e um jatinho Cessna Citation Sovereign modelo C680, avaliado em 30 milhões de reais. Ricardo Pessoa teve cerca de 12 milhões de reais bloqueados por ordem do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, e parte desses valores – 5 milhões de reais – será utilizada para o pagamento da primeira parcela do acordo. A quitação dos outros 46 milhões de reais será dividida em uma parcela de 5 milhões de reais a ser paga no final de novembro, 39 parcelas de 1 milhão de reais cada a serem pagas a partir de janeiro de 2016 e uma última fração no valor de 2 milhões de reais.

Por ser colaborador da Justiça, o empreiteiro cumprirá até dois anos em regime domiciliar diferenciado, sendo obrigado a prestar serviços à comunidade, utilizar tornozeleira eletrônica, informar previamente ao juiz sobre viagens ao exterior para tratamento de saúde e ficar longe de casas de jogo e de prostituição.

Por Reinaldo Azevedo

03/09/2015

às 15:59

Dono da UTC admite propina, reuniões para “reduzir concorrência”, mas relativiza a tese de cartel

Por Mário Cesar Carvalho e Graciliano Rocha, na Folha:
Apontado como organizador do cartel das empreiteiras, o dono da UTC e da Constran, Ricardo Pessoa, admitiu a realização de reuniões para “reduzir a concorrência” e pagamento de propina em contratos de três das dez maiores obras em curso no país: Comperj (Complexo Petroquímico do Rio) e das refinarias Getúlio Vargas (Repar, PR) e de Abreu e Lima (Rnest, PE). Ele também admitiu o pagamento de propina a ex-diretores da Petrobras e ao PT. “[Houve] obras que nós fizemos entendimento de redução da concorrência, que nós ganhamos, e obras ajudamos a não ganhar, isto é, fizemos proposta que não foi vencedora”, disse o empreiteiro baiano, em depoimento à Justiça Federal do Paraná. Foi o primeiro depoimento de Pessoa depois de ele ter feito um acordo de delação premiada, já homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Ele falou como testemunha de acusação na ação penal contra o presidente Marcelo Odebrecht e ex-executivos do conglomerado. O acerto prévio, segundo ele, fez a UTC ganhar, junto com a Odebrecht, contratos de R$ 7,5 bilhões no Comperj e na Repar. Já em Abreu Lima, onde a Odebrecht liderou consórcios que ficaram com contratos de R$ 4,67 bilhões, a UTC entrou para perder. “Nós não ganhamos mas também não fizemos esforço para ganhar”.

O empresário relativizou a noção de cartel entre as empresas que tinham contratos com a Petrobras e estão sob investigação da Operação Lava Jato. Segundo ele, havia “um pacto de não agressão” entre as empresas, mas esse acordo não garantia que elas seriam vencedoras de 100% das obras que disputavam na estatal. “Nós tínhamos a segurança de 70%, 80%. Eu tive duas ou três grandes surpresas”, relatou em depoimento. O empresário disse que não havia garantia de que as empresas que fizeram o acordo ganhariam determinadas obras porque havia “aventureiros”, ou seja, empresários que não participavam dos acordos.

De acordo com Pessoa, só os maiores contratos da Petrobras eram objeto de acerto prévio. “No pacote do Comperj, por exemplo, dos 60 contratos que a Petrobras lançou, só 8 ou 10 fizeram parte desses entendimentos. Só nos grandes pacotes onde os grandes consórcios foram lançados. No restante, não”, disse. Segundo o empresário, as reuniões para o acerto de quem ganharia as obras começaram por volta de 2005, 2006. Nessa época, a Petrobras aumentou muito suas contratações.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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