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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

20/09/2014

às 6:47

LEIAM ABAIXO

Já que a porrada não funcionou, Haddad, o maníaco, agora quer a “Bolsa Bicicleta”: dar desconto de IPTU a quem incentivar o que os idiotas chamam “bike”. E ainda faltam 833 dias para a gente se livrar dele…;
Costa cita mais dois ex-diretores da Petrobras em esquema corrupto; um deles era homem de… José Dirceu na empresa! Ou: Uma empresa que fura poços e acha escândalos;
Ministério Público pede ao TCU abertura de inspeção nos Correios;
O que se passa com o IBGE? Não sei! Nenhuma possibilidade é boa.;
“Erro” no Pnad: governo vai criar comissões de especialistas;
Dilma ainda não sabe para que serve a imprensa;
Costa, peixe pequeno na compra de Pasadena, diz ter levado R$ 1,5 milhão. Imaginem quanto não levaram os tubarões;
Nove anos depois de reportagem de VEJA denunciar lambança nos Correios, que trouxe à luz escândalo do mensalão, empresa continua a ser usada como quintal do petismo;
Após derrota em plebiscito, premiê da Escócia renuncia;
— Datafolha e a propaganda inútil do PT: exatamente um mês depois do início do horário eleitoral, mesmo com um latifúndio, Dilma nem ganhou votos nem viu diminuir a sua rejeição; instituto também aponta empate técnico no segundo turno com Marina; Aécio melhora seu desempenho;
— Escócia diz “não” à separação; o risco em caso de vitória do “sim” estava bem longe do Reino (des)Unido;
— Daqui a pouco, AO VIVO, com Contardo Calligaris;
— Ibope: há o risco de Agnelo nem disputar o 2º turno no DF;
— Datafolha no RS: Ana Amélia segue na liderança e derrotaria Tarso Genro no 2º turno;
— Datafolha: Richa, provavelmente, levaria no 1º turno; no segundo, venceria Requião por 51% a 36%;
— Algo me une a Marina…

Por Reinaldo Azevedo

20/09/2014

às 6:01

Já que a porrada não funcionou, Haddad, o maníaco, agora quer a “Bolsa Bicicleta”: dar desconto de IPTU a quem incentivar o que os idiotas chamam “bike”. E ainda faltam 833 dias para a gente se livrar dele…

Começo a temer pela sanidade, digamos, intelectual do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, o maníaco da bicicleta. Agora ele tem outra ideia, em conjunto com uma vereadora do partido, a senhora Juliana Cardoso: dar um desconto no IPTU para empresas que criarem bicicletários, incentivando os funcionários a andar de bicicleta — que boa parte da imprensa brasileira passou a chamar, sei lá, por quê, de “bike”, o que me envergonha um pouco. A palavra já dispensa até as aspas em jornais, revistas e sites. Ou por outra: a “bike”, não a bicicleta, já é uma quase unanimidade, digamos, ideológica nas redações. Agora só falta a adesão do povo.

Para um prefeito que tentou meter no ano passado um reajuste escorchante do IPTU — que acabou sendo barrado pela Justiça —, a proposta de isenção chega a ser acintosa. É que o homem da ideia fixa já tentou forçar o paulistano a andar de bicicleta na base da porrada, impondo as ciclofaixas e mobilizando seus fiscais para enfiar a mão no bolso dos motoristas que invadirem esses espaços sagrados. Não deu certo. Os ciclistas não apareceram.

As ciclofaixas de Haddad são imensas solidões vermelhas, onde se pode ver de tudo, menos bicicleta. Pior: como muita gente entende aquilo como terra de ninguém, noto que acaba virando depósito de lixo. Nesta sexta, por exemplo, choveu em São Paulo — pouca chuva, infelizmente. Mas estava ali aquela coisinha chata, que os portugueses chamam “molha-bobos”.

Em dias de chuva, o trânsito da cidade já é especialmente perverso — entre outras razões porque muitos sinais param de funcionar, ficam embandeirados. Haddad não dá bola para essa bobagem. Não seria ontem, claro!, que dariam as caras os ciclistas que já não aparecem nos dias secos. Era surrealista ver o caos instalado nas ruas e aquele deserto vermelhão do prefeito, ali, entregue a ninguém.

Ainda faltam 833 dias para Haddad deixar o governo, já contando o 29 de fevereiro de 2016, ano bissexto. Ele está aí não faz dois anos. A gente tem a impressão de que faz uns dez…

Isso é desespero. Haddad está apelando a uma espécie de “Bolsa Bicicleta” para ver se consegue povoar as ciclovias. Ainda que, com o tempo, algumas bicicletas apareçam, é evidente que, em São Paulo, por múltiplas razões, não serão uma alternativa de transporte. Ocorre que o prefeito sequestrou as vias públicas como se delas fossem. As pouquíssimas que vi serviam ao lazer: ou era a molecada dando um rolê ou eram aqueles senhores um pouco estranhos, com roupas bem coladas ao corpo, dando também um, digamos, rolê…

Numa entrevista coletiva de Haddad, fiquei sabendo, um militante disfarçado de jornalista, sem identificação do veículo de comunicação a que pertencia, fez uma pergunta ao alcaide que lhe deu a chance de hostilizar os raros setores da imprensa que têm a coragem de criticar a sua ciclomania e de zombar de sua ridícula ideia fixa.

O truque é velho, sem deixar de ser, é evidente, intelectualmente vigarista.

 

Por Reinaldo Azevedo

20/09/2014

às 5:10

Costa cita mais dois ex-diretores da Petrobras em esquema corrupto; um deles era homem de… José Dirceu na empresa! Ou: Uma empresa que fura poços e acha escândalos

Pois é… Reportagem da Folha deste sábado informa que Paulo Roberto Costa envolveu mais duas diretorias no esquema corrupto que vigorava na empresa: a Internacional, que era comandada pelo notório Nestor Cerveró, e a de Serviços e Engenharia, cujo titular era o petista Renato Duque. O PT está preocupado com os cadáveres que podem sair do armário. Faltam duas semanas para o primeiro turno das eleições, mas o segundo ainda está longe, só no dia 26 de outubro. Entre as irregularidades que atingem as duas diretorias, estão a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Segundo o Jornal Nacional, Costa admitiu ter recebido R$ 1,5 milhão de propina só nessa operação.

Duque, note-se, já aparece citado em outro inquérito da Polícia Federal para apurar irregularidades nos negócios da Petrobras. A polícia investiga sua relação com outros funcionários da estatal suspeitos de evasão de divisas.

Em abril, outra reportagem Folha informava que Rosane França, viúva do engenheiro da Petrobras Gésio França, que morreu há dois anos, acusou a empresa de ter colocado o marido na “geladeira” porque este se opusera ao superfaturamento do gasoduto Urucu-Manaus, na Amazônia. Para a sua informação, leitor amigo: esse gasoduto foi orçado pela Petrobras em R$ 1,2 bilhão e acabou saindo por R$ 4,48 bilhões.

A viúva de Gésio não citou nomes, mas em e-mails que vieram a público, ele reclamava justamente da diretoria de Serviços e Engenharia, que era comandada pelo petista Renato Duque, que negociava com as empreiteiras. Duque, aliás, é amigo de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, um dos nomes citados por Costa como parte do esquema corrupto, que recorria aos préstimos do doleiro Alberto Youssef.

Além de amigo de Vaccari, Duque sempre teve um padrinho forte no PT: ninguém menos do que José Dirceu. Quando Graça Foster assumiu a presidência da estatal, em 2012, ela o substituiu por Richard Olm. Mas isso não significa, é evidente, que a Petrobras está livre da politicagem. Lá está, por exemplo, José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT e outro peixinho de Dirceu: é diretor Corporativo e de Serviços. Não só ele. Também é da cota do ainda presidiário Dirceu o gerente executivo da Comunicação Institucional, Wilson Santarosa.

A estatal, diga-se, tornou-se um retrato dos desmandos do PT e da forma como o partido entende o exercício do poder. Como esquecer uma frase já antológica do então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, em 2005, em reunião com uma certa ministra das Minas e Energia chamada Dilma Rousseff? Ele cobrou uma promessa que lhe fizera Lula: “O que o presidente me ofereceu foi aquela diretoria que fura poço e acha petróleo”.

Era assim que Lula exercia o poder. E foi assim que a Petrobras passou a furar poço e a achar escândalos.

Por Reinaldo Azevedo

20/09/2014

às 5:05

Ministério Público pede ao TCU abertura de inspeção nos Correios

Por Fábio Fabrini e Andreza Matais, no Estadão:
No Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu que a corte abra uma inspeção nos Correios para apurar o envio de santinhos da presidente Dilma Rousseff a eleitores sem chancela ou comprovante de postagem. A estampa oficial serve para comprovar que o material foi pago e enviado de forma regular e nas quantidades contratadas. Na representação, baseada em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo publicada nesta sexta-feira, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira diz que a situação, se comprovada, “afronta o processo democrático” e impõe duras penas aos responsáveis.

“A má utilização de empresas públicas por agentes do Estado para finalidades político-partidárias é fato atentatório à res pública. No período eleitoral, a utilização dos Correios nos moldes citados constitui afronta ao processo democrático e impõe severa apenação dos responsáveis e pronta recomposição do erário”, justifica o procurador. Segundo ele, o TCU, com a expertise de sua área técnica, tem condições de esclarecer o episódio rapidamente e, caso necessário, adotar as medidas corretivas e sanções cabíveis.

O pedido foi enviado ao ministro Benjamin Zymler, que relata processos relacionados aos Correios. Caberá ao TCU decidir, com base em análise de sua área técnica e nos elementos trazidos pelo representante do Ministério Público, se há elementos para a abertura da inspeção.

Na peça, Júlio Marcelo pede a investigação de indícios de postagem sem chancela ou comprovante de que houve postagem oficial da propaganda eleitoral de Dilma. Além disso, requer que seja apurado se a quantidade de material distribuído corresponde ao que foi contratado pelo PT e se os fatos narrados pela reportagem estão de acordo com as normas dos Correios. Também solicita que se quantifique, em caso de comprovação de irregularidade, o dano aos cofres públicos.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 21:48

O que se passa com o IBGE? Não sei! Nenhuma possibilidade é boa

Ai, ai… Vamos lá.

O IBGE mobiliza uma tropa de técnicos para processar as informações colhidas pela Pnad. Se a rotina não mudou, há todo um processo de conferência de dados. Mais: há procedimentos justamente para capturar eventuais erros antes da divulgação. Fazer de conta que estamos diante de uma narrativa corriqueira corresponde a tapar o sol com a peneira. Não estamos.

Então, depois de uma demora que também não teve a devida explicação, os dados são divulgados, constata-se a estagnação da redução da desigualdade, o tema ganha óbvia tradução política — e nem poderia ser diferente —, e, com rapidez espantosa, corrige-se o “erro” e se obtém o resultado desejado? “Ah, a desigualdade continua em queda.” Que bom, né? A oposição já não poderá mais usar esse argumento.

Estou acusando o IBGE de ceder à pressão oficial? Não exatamente. Se achasse, diria. Mas que devemos estranhar o procedimento, ah, isso devemos, sim.

Reitero: o que me espanta é o fato de checagens periódicas, que fazem parte do método de processamento de dados, não terem identificado, durante meses, um erro tão sério, depois identificado num único dia.

O que se passa no IBGE? Não sei. Nenhuma possibilidade é boa.

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 21:18

“Erro” no Pnad: governo vai criar comissões de especialistas

No Globo. Volto no próximo post:
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que o governo está chocado com o erro no resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013, divulgado na quinta-feira, que provocou incorreções em resultados de sete estados: Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, que respondem por mais de 59% da população brasileira, segundo as estimativas populacionais para 2014. Entre os dados corrigidos, o IBGE informou que agora a desigualdade no país caiu, em vez de subir. O instituto negou que qualquer ingerência política tenha levado à correção dos dados.

Segundo Miriam, será constituída uma comissão de sindicância para encontrar as razões dos erros e, eventualmente, as responsabilidades funcionais por que isso aconteceu. “O governo está chocado com esse erro cometido pelo IBGE. Como disse a presidente do IBGE, doutora Wasmália Bivar, é um erro gravíssimo. E, em razão disso, o governo decidiu duas coisas. Em primeiro, constituir uma comissão de especialistas independentes para avaliar a consistência da Pnad”. A comissão de sindicância será formada pelos ministérios do Planejamento, da Justiça e da Casa Civil, além da Controladoria-Geral da União. O grupo de especialistas ainda será formalmente convidado e deverá ter um prazo para apresentar seus resultados. Antes de se manifestar em entrevista coletiva na sede do ministério, a ministra esteve com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, para avaliar a situação. Questionada sobre os problemas recentes de falta de quadros e ameaças de greve, além de um processo de cortes de gastos estar prejudicando as pesquisas do IBGE, a ministra negou essa relação. “O quadro de funcionários cresceu 6%, neste ano nós liberamos 660 novos servidores ao IBGE, exatamente para dar as condições de ele seguir fazendo as suas pesquisas e o orçamento, nesse período nosso no governo, cresceu mais do que 60%”, disse.

A ministra não quis comentar a hipótese de ter ocorrido um erro deliberado na elaboração dos resultados da pesquisa, nem sobre uma eventual demissão de Wasmália. Segundo ela, é preciso esperar os resultados da comissão de sindicância. De acordo com os novos cálculos apresentados pelo IBGE nesta sexta-feira, o índice de Gini da renda do trabalho, um dos indicadores de desigualdade, passou de 0,496 para 0,495 em vez de subir para 0,498, como o IBGE tinha informado anteriormente. O índice de todas as fontes tinha ficado estacionado, mas agora ele cai para 0,501. Já o Gini domiciliar tinha subido de 0,499 para 0,500 e agora cai para 0,497. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade. No novo cálculo, no Gini de todas as fontes, os 10% mais pobres têm avanço na renda superior aos 10% mais ricos. A renda da base avançou 2,9%, enquanto na parcela dos mais ricos, 2,1%.

Desemprego
Já a taxa de desemprego, que entre 2012 e 2013 subiu de 6,1% para 6,5%, foi mantida. Mas, na revisão dos dados de 2013, a população desocupada subiu menos: em vez de 7,2%, avançou 6,3%, para 6,6 milhões de pessoas. Os novos cálculos mostram ainda que a taxa de analfabetismo caiu menos do que o estimado anteriormente. Os dados de quinta-feira mostravam o percentual passando de 8,7% para 8,3%. Agora, a redução foi menor, para 8,5%. O trabalho infantil também registrou uma queda menor. Passou de -12,3% para -10,6%. Os anos de estudo passaram de 7,7 anos para 7,6 anos agora.

Erro em “numerinho”
O diretor de pesquisa do IBGE, Roberto Olinto, explicou o falha, ocorrida na hora de colocar uma variável. E justificou as mudanças no resultado da Pnad: “O erro ocorreu porque o peso de nove regiões metropolitanas foi superestimado. Como o rendimento de regiões metropolitanas é normalmente maior que o das demais, o rendimento dos 10% mais ricos foi maior e isso impactou o Gini, Por outro lado, como o analfabetismo é maior no interior, com a correção, cresceu”, disse Olinto. “Como a amostra não cobre toda a região, existem pesos para cada região. Os dados brutos não têm problema, a questão foi na hora de calcular o numerinho que compõe a amostra, nesse processo, problema restrito às regiões metropolitanas de sete estados.”

“Extremamente grave”
O problema foi identificado por consultorias econômicas e outros órgãos do governo, que questionaram os dados das Unidades da Federação. A presidente do IBGE, Wasmália Bivar, disse que a falha é muito séria. “Foi algo extremamente grave. Toda vez em que o IBGE erra, é nosso dever tornar isso público e pedir desculpas a toda a sociedade”, afirmou.

Já Olinto classificou o episódio como um “infeliz acidente”. Ele negou ter havido qualquer tipo de ingerência política e também descartou que a falha tenha sido fruto da greve ou da inexperiência de funcionários novos. Além disso, destacou que os dados passam por sete pessoas: “ Foi um infeliz acidente, estritamente técnico. As razões específicas do erro vão ser investigadas”. Quando indagado se houve interferência politica, afirmou: “Obviamente, não. Dados como a Pnad têm um embargo, com 48 horas de antecedência. O governo também participa desse embargo. Seria surrealista divulgar um dado para depois divulgá-lo sob pressão. Foi um erro técnico. Não há indício de pressão”.

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 18:05

Dilma ainda não sabe para que serve a imprensa

A Procuradoria-Geral da República se negou a fornecer ao governo as informações da delação premiada de Paulo Roberto Costa. E fez bem. Dilma deve ter se esquecido de que o Ministério Público é um órgão independente. Não está subordinado a nenhum dos Poderes da República. A presidente agora diz que vai apelar ao STF. E fez uma afirmação, digamos, muito típica, com toda a falta de jeito que a caracteriza.

“Pedirei ao ministro Teori a mesma coisa: quero ser informada se no governo tem alguém envolvido. Não tenho por que dizer que tem alguém envolvido, porque não reconheço na revista “VEJA” e nem em nenhum órgão de imprensa o status que tem a PF, o MP e o Supremo. Não é função da imprensa fazer investigação, e sim divulgar informações. Agora, ninguém diz que a informação é correta. Não prejulgo, mas também não faço outra coisa: não comprometo prova. Porque o câncer que tem nos processos de corrupção é que a gente investiga, investiga, investiga e ainda continua impune.”

A exemplo de Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgina Mufumbbo, pergunto: “Cuma, presidente?”. De fato, VEJA, felizmente, não é um órgão oficial, a exemplo da PF, do MP e do Supremo. Felizmente, não! E a revista não espera — e o mesmo vale para o resto da imprensa — que as suas apurações substituam inquéritos.

Agora, quanto ao papel da imprensa, é evidente que Dilma está errada. A ela cabe mais do que informar. Ela também investiga, sim! Não com o objetivo de passar informações ao estado, mas com o propósito de informar a sociedade.

Dilma deve sonhar com a imprensa cubana. Só informa. E só informa o que pode.

 

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 16:20

Costa, peixe pequeno na compra de Pasadena, diz ter levado R$ 1,5 milhão. Imaginem quanto não levaram os tubarões

O Jornal Nacional levou ao ar, na noite de ontem, 18 de setembro, reportagem informando que, no curso da delação premiada que faz, Paulo Roberto Costa revelou ter levado R$ 1,5 milhão de propina pela compra da refinaria de Pasadena. Reportagem da VEJA que veio a público no dia 6 deste mês já trazia a informação de que, segundo o engenheiro, a compra havia sido fraudulenta. Segundo o TCU, o prejuízo da Petrobras com a operação foi de US$ 792 milhões. A novidade agora é o valor da bolada embolsada pelo engenheiro, que está preso.

Entre 2004 e 2012, Costa foi diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras. Ocupou, portanto, esse cargo, em sete dos oito anos do governo Lula e em quase dois do governo Dilma. Ao longo desse tempo, comandou o que pode ser chamado de “Petrolão” — ou o mensalão da Petrobras. As empreiteiras que faziam negócio com a estatal pagavam propina ao esquema e o dinheiro era repassado a políticos. A quais? Paulo Roberto já entregou à Polícia Federal e ao Ministério Público, num acordo de delação premiada, os nomes de três governadores, de um ministro de estado, de um ex-ministro, de seis senadores, de 25 deputados e de um secretário de finanças de um partido. Segundo o engenheiro, Lula sempre soube de tudo. E, até onde se pode perceber por seu depoimento, talvez a presidente Dilma — que era a chefona da área de energia do governo Lula e presidente do Conselho da Petrobras — não vivesse na ignorância.

VEJA teve acesso a parte do depoimento de Paulo Roberto e trouxe, na reportagem do dia 6, alguns dos políticos citados. Entre eles, estão cabeças coroadas da política brasileira, como o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB). Paulo Roberto acusa ainda Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, e atinge o coração do Congresso: o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e o do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

PT, PMDB e PP seriam os três beneficiários do esquema, que teria também como contemplados os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), e os deputados João Pizzolatti (PP-SC) e Cândido Vaccarezza (PT-SP), que já havia aparecido como um dos políticos envolvidos com o doleiro Alberto Youssef, que era quem viabilizava as operações de distribuição de dinheiro. O secretário de finanças do PT, João Vaccari Neto, está no grupo, segundo Paulo Roberto.

Pensem um pouco: na compra de Pasadena, Paulo Roberto era peixe pequeno. Mesmo assim, diz ter levado R$ 1,5 milhão. Imaginem quanto não levaram os tubarões.

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 15:43

Nove anos depois de reportagem de VEJA denunciar lambança nos Correios, que trouxe à luz escândalo do mensalão, empresa continua a ser usada como quintal do petismo

A CPI do Mensalão, caros leitores, vocês devem se lembrar, foi oficialmente chamada de “CPI dos Correios”. Foi nessa estatal que reportagem da revista VEJA identificou, em 2005, e denunciou um esquema de corrupção que acabaria desaguando no maior escândalo da história republicana do país — até virem à luz os escândalos da Petrobras ao menos. Tudo indica que este é ainda maior do que aquele. Eles sempre podem se superar, como sabemos.

Pois bem: carteiros descobriram algo do balacobaco e botaram a boca no trombone, como informou reportagem do Estadão. Os Correios, um feudo do PT, empresa subordinada ao ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, admitiu ter distribuído, sem a devida chancela, como exige a lei, 4,8 milhões de folders da campanha da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff. Vocês entenderam direito: o material entrou na empresa, não recebeu nenhuma forma de carimbo — e, portanto, não estava sujeito a nenhum controle —, foi repassado aos carteiros e entregue aos paulistas.

Os Correios têm seus próprios funcionários e também contam com uma rede de franqueados, que são remunerados pelo trabalho. Isso significa que essa mão de obra foi empregada para distribuir os panfletos do PT. A própria candidata Dilma Rousseff, que também é a presidente Dilma Rousseff, veio a público para tratar do assunto. Segundo disse, não houve irregularidade nenhuma, está tudo registrado, e o partido tem as provas de que pagou pelo serviço.

Disse a presidente, com uma habilidade muito característica quando se trata de lidar com questões de natureza legal e com a língua portuguesa: “Me deem as provas. Não adianta me dizer que é ilegal se não me mostrar onde falta a nota fiscal”. Segundo ela, sua campanha pagou “uma barbaridade pelo serviço”. Indagada sobre o valor, ela respondeu: “Não tenho a ideia aqui de quanto pagou, mas nós temos recibo”. Entendi. Ela chegou à conclusão de que é uma barbaridade sem nem saber quanto custou.

Com a devida vênia, a presidente age como o homicida que dá sumiço no corpo e, ainda que todas as evidências e provas apontem para a existência do crime, desafia: “Me mostrem onde está o corpo”. Pois é, presidente… Existe.

Ora, como os Correios não chancelaram o material, ninguém jamais saberá quanto material foi entregue. A Diretoria Regional Metropolitana, responsável pela ordem para a distribuição irregular, atribui a medida a um problema na impressão dos quase 5 milhões de peças: precisamente, 4.812.787. O responsável por essa diretoria é Wilson Abadio, afilhado político de Michel Temer, vice-presidente da República.

Como não há prova nenhuma, leitores, ninguém jamais saberá se foram distribuídos 5 milhões, 10 milhões ou 15 milhões de folders da campanha dilmista. Uma coisa é certa e inequívoca: quando menos, uma empresa estatal abriu uma exceção para a campanha da companheira. Mas resta a suspeita óbvia — já que as regras não foram seguidas — de que, mais uma vez, uma empresa que pertence ao estado brasileiro foi usada em benefício dos petistas.

Pois é… Cumpre uma vez mais lembrar o que disse Talleyrand sobre os Bourbons, aplicando a frase aos petistas: “Eles não aprenderam nada nem esqueceram nada”.

Talvez sejam vítimas de uma natureza. O diabo é que o país é que paga o pato.

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 14:57

Após derrota em plebiscito, premiê da Escócia renuncia

Na VEJA.com:
O primeiro-ministro da Escócia, Alex Salmond, anunciou nesta sexta-feira que vai entregar o cargo após a vitória do ‘não’ no plebiscito sobre a independência do território. Salmond foi o maior apoiador e promotor da campanha pela separação do Reino Unido. Ele estava no poder desde 2007. O político também afirmou que vai entregar a presidência do Partido Nacional da Escócia. A renúncia significa que Salmond não vai buscar a nomeação de seu partido em novembro. Ele continua nas duas funções até lá.

“Como líder, meu tempo está praticamente no fim, mas para a Escócia a campanha vai continuar e o sonho não vai morrer”, disse, ao anunciar sua saída. “Estou imensamente orgulhoso da campanha que o ‘sim’ fez e particularmente dos 1,6 milhão de eleitores que abraçaram a causa”, acrescentou.

Os escoceses decidiram na quinta-feira manter a união de 307 anos com o Reino Unido e rejeitaram a independência do país em um plebiscito histórico. O resultado final, anunciado na madrugada desta sexta-feira, apontou para uma vitória mais folgada do “não” do que o previsto nas últimas pesquisas: 55,3% a 44,7%. Ou 2 milhões de votos, contra 1,6 milhão. Dos 32 distritos eleitorais da Escócia, apenas quatro deram a vitória ao “sim”, entre eles Glasgow, a maior cidade do país. A capital Edimburgo votou em peso pelo “não”: 61% a 39%.

Diante dos números nada animadores que foram surgindo ao longo da contagem, Salmond foi rápido em reconhecer a derrota, antes mesmo do fim da apuração. “A Escócia decidiu que, neste momento, não quer se transformar em um país independente e eu aceito esse veredicto”. O político também elogiou o processo democrático e exaltou a participação de 85% dos eleitores no referendo.

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 6:28

LEIAM ABAIXO

Datafolha e a propaganda inútil do PT: exatamente um mês depois do início do horário eleitoral, mesmo com um latifúndio, Dilma nem ganhou votos nem viu diminuir a sua rejeição; instituto também aponta empate técnico no segundo turno com Marina; Aécio melhora seu desempenho;
Escócia diz “não” à separação; o risco em caso de vitória do “sim” estava bem longe do Reino (des)Unido;
Daqui a pouco, AO VIVO, com Contardo Calligaris;
Ibope: há o risco de Agnelo nem disputar o 2º turno no DF;
Datafolha no RS: Ana Amélia segue na liderança e derrotaria Tarso Genro no 2º turno;
Datafolha: Richa, provavelmente, levaria no 1º turno; no segundo, venceria Requião por 51% a 36%;
Algo me une a Marina…;
Pnad aponta que há três anos o país não consegue reduzir a desigualdade;
Dilma: “Eu tenho muitos negros no segundo escalão”. Pois é… O PT faz de tudo para impedir que uma negra chegue ao primeiro…;
Hora de Haddad entrar de cabeça na campanha de Dilma. Será show!;
Serra ou Suplicy? Cesar ou Romário? Senado ou circo de segunda?;
— Dilma manda suspender divulgação de programa de governo por divergências com o PT; em 34 anos de história, partido nunca esteve tão confuso e desarvorado. É o medo de perder a bocona!;
— Marina: “PF perdeu autonomia no governo Dilma”;
— Sarney ataca Marina. Eita candidata de sorte!;
— “Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou aqui, fazendo política”;
— CPI aprova convocação de ex-contadora de doleiro;
— Dilma e os direitos trabalhistas: como confundir o distinto público

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 5:42

Datafolha e a propaganda inútil do PT: exatamente um mês depois do início do horário eleitoral, mesmo com um latifúndio, Dilma nem ganhou votos nem viu diminuir a sua rejeição; instituto também aponta empate técnico no segundo turno com Marina; Aécio melhora seu desempenho

A edição desta sexta da Folha traz a mais recente pesquisa presidencial feita pelo Datafolha. O instituto ouviu 5.340 pessoas nos dias 17 e 18 em 265 municípios. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos para mais ou para menos e está registrada no TSE sob o número BR 665/2014. Alguma divergência substancial em relação ao que registrou o Ibope na terça, com levantamentos feitos entre os dias 13 e 15? A resposta é negativa. E que fique claro: não estou comparando pesquisas de institutos diferentes, mas apenas partindo do princípio de que ambos espelham a realidade. Para números que apontam para o mesmo lugar, a mesma análise: Marina Silva, do PSB, mostra resistência impressionante ao massacre petista. Vamos ver. Todos os gráficos do Datafolha, abaixo, foram publicados na edição impressa da Folha. Vejam o primeiro turno.

Datafolha 19.09.2014

Se a eleição fosse hoje, segundo o Datafolha, a petista Dilma Rousseff teria 37% dos votos, contra 30% de Marina e 17% do tucano Aécio Neves. No Ibope de dois dias antes, esses números eram, respectivamente, 36%, 30% e 19%. Em ambos os institutos, 7% não sabem, e 6% dizem que votarão nulo ou em branco.

Primeiro turno do Ibope

Ibope-16.09-1º-TV-Globo
Quando se olha a curva do Datafolha, pode-se ter a impressão de que Dilma está numa ascensão meteórica, e Marina numa queda brutal. Pois é… Há um mês, quatro dias antes do início do horário eleitoral, a petista tinha 36%; agora, tem 37%. A peessebista tinha 21%; agora, 30%. Aécio tinha 20% e aparece com 17%. Podemos dizer isso de outro jeito: desde a queda do avião que conduzia Eduardo Campos, é agora que Dilma obtém a sua melhor marca: 37%. Acontece que a sua pior era 34% — a oscilação está na margem de erro. Marina, nesse período, tem agora o seu pior desempenho: 30% — mas o seu melhor era apenas 34%.

Segundo o Datafolha, Aécio pode ter recuperado eleitores que tinham migrado para Marina já no primeiro turno. Quando olhamos o desempenho por região, isso fica mais claro. Vejam.

Datafolha 19.09 região

Dilma conserva no Sudeste os mesmos 28% de duas pesquisas anteriores. Marina, no entanto, teve uma oscilação negativa de quatro pontos na região com o maior eleitorado: no dia 1º de setembro, tinha 37%; agora, está com 33%. Aécio foi de 18% para 20%. No Sul, a petista se mantém estacionada em 35%, mas a peessebista caiu 5 em duas semanas: de 30% para 25%. Já o tucano subiu 6 pontos: de 16% para 22%. No Nordeste, a candidata do PT segue estável, com 49%; a do PSB se mantém nos 32%, e o do PSDB variou de 5% para 8%. A Região Norte, com o menor eleitorado, é a que verifica as maiores mudanças em 15 dias: Dilma subiu de 38% para 49%; Marina oscilou de 32% para 28%, e Aécio caiu de 14% para 9%.

Segundo turno
É no segundo turno que se registram as maiores diferenças entre os dois institutos: de números, não de distância. Segundo o Datafolha, Marina e Dilma estão empatadas, com a peessebista na dianteira numérica em ambos: 46% a 44% no Datafolha e 43% a 40% no Ibope. Os dois institutos divergem mais na hipótese de a petista disputar a etapa final com os tucanos: 49% a 39% para ela no Datafolha e 44% a 37% no Ibope.

Datafolha 19.09 2º turno

Rejeição
Vejam a evolução da rejeição dos candidatos. Aqueles que não votam em Dilma de jeito nenhum continuam no mesmo patamar desde julho. O latifúndio que o PT detém no horário eleitoral não trouxe votos para Dilma até agora — afinal, a petista tinha 36% das intenções de voto antes de ele começar e está agora com 37% — e também não contribuiu para baixar a sua rejeição: era de 35% e está em 33% — variação dentro da margem de erro. Nesse quesito, Marina teve uma aparente má notícia: era rejeitada por 11% na pesquisa de 15 de agosto, e o índice saltou agora para 22%. Ocorre que ela tinha 21% dos votos e agora tem 30% — tornou-se mais conhecida e, pois, mais rejeitada.

Datafolha 19.09 rejeição

Conclusão
Na pesquisa Ibope, em uma semana, Dilma deu uma pequena murchada; no Datafolha, seguiu no mesmo lugar. Nos dois institutos, há uma recuperação de Aécio: no Ibope, há uma indicação de que ele pode tirar votos da petista; no Datafolha, a migração viria do eleitorado de Marina.

De todo modo, a pancadaria que o PT promoveu contra Marina, com lances explícitos de baixaria, não conseguiu tirá-la do jogo. Hoje, os números indicam que as candidatas do PT e do PSB disputarão o segundo turno. Até agora, o tempo gigantesco de que dispõe a presidente-candidata não pôde fazer nada por ela (olhem os gráficos; a propaganda começou no dia 19, exatamente há um mês): nem aumentou a sua votação nem diminuiu a sua rejeição. Qualquer um que dispute com a petista a etapa final terá, finalmente, tempo para confrontá-la.

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 5:41

Minha coluna na Folha: “Dilma, ignorância e espanto”

Leiam trecho da minha coluna na Folha de hoje:
*
Ao combater Marina Silva com truculência, Dilma Rousseff mexe com forças cujo poder ignora. Consta que, na juventude, a presidente-candidata foi professora de marxismo. Huuummm…

Dada a sua inclinação para anacolutos, imagino que a tarefa dos alunos não fosse fácil. Até porque há dois Marx, né? O de “O 18 de Brumário” e “A Ideologia Alemã”, por exemplo, é brilhante, goste-se ou não do que lá vai. O de “O Capital”, ao qual Dilma se dedicava, é intragável e, já conversei com especialistas, às vezes, não faz sentido nem em alemão. Imagino o bruto traduzido para o português e depois filtrado pelo “dilmês castiço”. É bem possível que a luta armada só tenha sido tentada no Brasil por erro de tradução e de leitura.

O povo que aparece nos manuais de esquerda é o inventado pela taxidermia socialista. Não tem vísceras nem alma, só palha. Faltar-lhe-ia um conteúdo, a ser preenchido pelas utopias redentoras. É destituído de verdade e de história. Sua consciência possível, segundo essa visão, é a de classe, que lhe seria fornecida pelas vanguardas revolucionárias. A alternativa é a falsa consciência.

O que vai acima é uma caricatura realista de um partido socialista à moda antiga, como o PSTU, o PCO ou mesmo o PSOL, esses pterodáctilos que voejam na bondade do Fundo Partidário do “Estado burguês” que querem destruir. Lixo. O PT é outra coisa, bem mais pragmática, mas conserva a visão autoritária do que seja o povo.

Lula só representou um sopro de renovação nas esquerdas porque trazia um pouco de verdade à luta política. À época, eu tinha 16 anos e era da Convergência Socialista (origem do PSTU). Malhávamos sem dó aquele sindicalista porque o considerávamos reformista, despolitizado, cooptável, não revolucionário.
(…)
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2014

às 3:36

Escócia diz “não” à separação; o risco em caso de vitória do “sim” estava bem longe do Reino (des)Unido

O patriotismo, disse Samuel Johnson, é o último refúgio de um canalha. E, a depender do caso, o nacionalismo pode ser o último refúgio da irracionalidade. Vamos lá. A Escócia, um dos pedaços de uma ilha chamada Grã-Bretanha, tem lá a sua cultura, os seus valores, as suas tradições — cantadas e exaltadas em prosa, verso, música e o que mais se queira — o “scotch”, por exemplo. Não havia e não há, prestem bem atenção!, uma única razão relevante para esse pedaço da ilha se despregar da Inglaterra e do País de Gales e dar adeus ao Reino Unido, que inclui a Irlanda do Norte. Fala-se ali, por acaso, um idioma próprio? Não! Há um inglês com sotaque particular, mas isso varia dentro de Londres — como varia o “paulistanês” (já um português local) nas várias áreas da capital paulista. Bem, aconteceu o melhor: o “não” à separação venceu o plebiscito. Enquanto produzo este comentário, conhece-se o resultado da votação em 26 dos 32 condados. O “sim” venceu em apenas quatro. A estimativa é que o placar final seja 55% a 45% contra a independência.

O “sim”, de todo modo, venceu em cidades importantes como Glasgow, a maior da Escócia, com 53%, em West Dunbartonshire (54%) e Dundee (57%). O “não” confirmou a vitória em suas áreas de resistência como East Lothian, Orkney e Shetland, mas também obteve a maioria em algumas em que havia a expectativa de que o “sim obtivesse a maioria: Falkirk, Inverclyde, Eilean Siar, Dumfries e Galloway, Clackmannanshire, Stirling, Renfrewshire, East Renfrewshire, Angus e Midlothian.

Se os separatistas tivessem sido bem-sucedidos, o Reino Unido perderia 32% do seu território, 8% da sua população e 9% do seu PIB. E então caberia a pergunta: “Pra quê?”. Para nada! Ligada ao Reino Unido, a Escócia é parte de um país superdesenvolvido. Sozinha, conservaria suas virtudes, sem dúvida — não sei por quanto tempo —, mas teria de criar uma nova burocracia. Os problemas se multiplicariam. Que moeda adotaria? De saída, haveria uma fuga óbvia de investimentos. Mas vá falar com nacionalistas exaltados, orgulhosos de ser, afinal de contas, “escoceses”.

Nesse episódio, no entanto, o que menos tinha importância era saber se a Escócia iria ou não continuar como parte do Reino Unido. O risco maior estava nas consequências. Há ambições separatistas na Espanha (Catalunha e País Basco), na Itália (Lombardia e Tirol do Sul), na França (Córsega), na Bélgica (Flandres), na Alemanha (Bavária) e até na Dinamarca (Groenlândia). Mas podemos sair da Europa ocidental: a Abcásia e a Ossétia do Sul se consideram independentes da Geórgia; Kosovo já não se diz parte da Sérvia, embora não seja membro da ONU; Nagorno Karaback, de maioria armênia, declarou sua independência do Azerbaijão, mas não foi reconhecido pelas Nações Unidas; a Transnistria, cuja existência, leitor, você talvez ignorasse, diz não pertencer mais à Moldávia, e há a República Turca do Chipre do Norte.

Em algumas dessas regiões, como Geórgia, Moldávia e Chipre, houve guerras. O terrorismo basco está desativado, mas eventos como esse da Escócia, se bem-sucedidos, poderiam reacender ânimos adormecidos. Pensemos um pouco na Ucrânia. Ainda que Vladimir Putin seja a mão que balança o berço da delinquência, ele sabe que prega em solo fértil. E há ambições separatistas em regiões muito mais explosivas do planeta, como a Caxemira (Índia), por exemplo.

Independente ou não, Escócia e Reino Unido acabariam se entendendo. O risco não estava ali, mas no que a separação desencadearia mundo afora.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 21:17

Daqui a pouco, AO VIVO, com Contardo Calligaris

Mais um programa na VEJA.com: com mediação de Joice Hasselmann, eu e o psicanalista Contardo Calligaris debateremos a influência da religiosidade nas eleições. Assista AO VIVO, a partir das 21h30.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 20:49

Ibope: há o risco de Agnelo nem disputar o 2º turno no DF

Pois é… A situação do PT no Distrito Federal é de tal sorte ruim que, pela primeira vez na disputa, há o risco efetivo de o atual governador, Agnelo Queiroz, não disputar nem mesmo o segundo turno. Por que é assim? Enquanto José Roberto Arruda, do PR, era candidato, tinha uma folgada liderança, seguido, bem atrás, por Agnelo. O candidato Rodrigo Rollemberg, do PSB, sempre ficava em terceiro lugar. Sim, nas simulações de segundo turno, Agnelo perderia para qualquer adversário, mas, ao menos, disputava o segundo lugar.

Segundo pesquisa Ibope divulgada nesta quinta, Rollemberg saltou para o primeiro lugar na disputa e marca 28%. Com Arruda fora da disputa, assumiu a candidatura da frente que o apoiava Jofran Frejat, que marca 21%, mesmo índice de Agnelo.

O Ibope ouviu 1.204 eleitores em todo o Distrito Federal nos dias 16 e 17 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-672/2014.

Tudo caminha, já escrevi aqui, para a eleição de Rollemberg. É o que aponta o levantamento sobre o segundo turno. Se ele disputasse com Agnelo, venceria por 53% a 24%; contra Frejat, levaria por 45% a 29%. Caso a etapa final seja disputada pelos candidatos do PR e do PT, o petista seria derrotado por 43% a 29%. Vale dizer: a esmagadora maioria do eleitorado prefere qualquer nome que não seja Agnelo.

A coisa é mesmo impressionante: Agnelo tem uma das mais altas rejeições do país: 45%, contra apenas 13% de Frejat e 6% de Rollemberg. Ah, sim: nada menos de 63% reprovam a gestão de Agnelo.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 20:33

Datafolha no RS: Ana Amélia segue na liderança e derrotaria Tarso Genro no 2º turno

A senadora Ana Amélia, do PP, segue na frente na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul. Ela manteve o mesmo índice da semana passada: 37%. O governador Tarso Genro, do PT, oscilou um ponto para baixo e tem 27%. José Ivo Sartori (PMDB) oscilou dois pontos para cima e aparece com 13%. Os demais candidatos somam 3%. Brancos e nulos são 5%, e 14% dizem não saber.

Na simulação de segundo turno, tudo indica que a situação de Tarso Genro está piorando: há duas semanas, estava 10 pontos atrás de Ana Amélia: 49% a 39%; agora, 14 pontos os separam: 48% a 34%. Tarso segue sendo o mais rejeitado, com quase o dobro de Ana Amélia: 24% a 13%.

A pesquisa foi realizada nos dias 17 e 18 de setembro. Foram entrevistados 1.300 eleitores em 50 municípios do Estado. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-665/2014.

Senado
A coisa não anda fácil para o PT no Rio Grande do Sul. O partido dava como líquida e certa ao menos a eleição de Olívio Dutra, ex-governador, para o Senado. Mas isso também pode não acontecer. Lasier Martins, do PDT, com 28%, está tecnicamente empatado com ele, que tem 26%. Ocorre que é a primeira vez que Martins aparece numericamente na dianteira. Pedro Simon, do PMDB, que havia decidido se aposentar, assumiu o lugar de Beto Albuquerque — que se tornou candidato a vice na chapa de Marina — e está em terceiro, com 18%.

 

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 19:36

Datafolha: Richa, provavelmente, levaria no 1º turno; no segundo, venceria Requião por 51% a 36%

O Datafolha divulgou a pesquisa eleitoral no Paraná. Se a eleição fosse hoje, Beto Richa, do PSDB, poderia ser eleito no primeiro turno. Ele aparece com 44% dos votos, mesmo índice da semana passada, seguido por Roberto Requião (PMDB), que está com 30% — contra 28% na semana passada. A petista Gleisi Hoffmann tem apenas 10%. Os demais candidatos somam apenas 1%. Dizem que votarão em branco ou nulo 6%, e 9% afirmam não saber.

O Datafolha testou o cenário de segundo turno: Richa venceria Requião por 51% a 36%. Na semana passada, a diferença era de 20 pontos: 53% a 33%. O peemedebista segue sendo o mais rejeitado, com 25%, seguido pela petista, com 20%. Só 18% afirmam que não votariam no tucano de jeito nenhum.

Na disputa pelo Senado, Álvaro Dias mantém uma brutal vantagem sobre os segundos colocados: 59% contra 6% de Ricardo Gomyde (PCdoB) e Marcelo Almeida (PMDB).

A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 18 de setembro. Foram entrevistados 1.256 eleitores em 46 municípios do Estado. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-665/2014.

Richa manteve a liderança mesmo num momento complicado. Na semana passada, o governador enfrentou duas rebeliões numa mesma penitenciária, e agentes anunciaram uma greve. Tanto Requião como Gleisi tentaram atribuir os problemas à má gestão do governador.

Como vocês sabem, tendo a achar que esse tipo de exploração não surte o efeito desejado. Fica parecendo que os que recorrem a esse expediente acabam fazendo uma aliança objetiva com bandidos. Se petistas e peemedebistas do Paraná, no entanto, acham que isso é bom, que sigam adiante.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 16:21

Algo me une a Marina…

Eita! Eu e Marina Silva temos ao menos uma coisa em comum, além da torcida para que Dilma perca a eleição — ainda que divirjamos sobre a melhor saída para o país: ambos somos alérgicos a gergelim. A sua lista de restrições é bem maior do que a minha, que inclui, além da sementinha maldita, apenas berinjela e pimenta verde. A dela é imensa, conforme registra a Folha:

(…)
Se, no passado, dividiu um ovo com os irmãos, hoje Marina já não pode comer nem clara nem gema.

Não bebe leite nem iogurte. Não come queijo, manteiga, doce de leite ou qualquer outro laticínio. Camarão, frutos do mar, carne de vaca, carne de porco, soja e derivados também estão excluídos de sua dieta. Nem mesmo gergelim é permitido.

O que sobra: peixe de rio, frango, feijão, arroz integral, alface (desde que sem tempero), mandioca, milho (sem ser de lata) e frutas.

Os alimentos só podem ser cozidos com água e sal.

Nada disso é por convicção natureba. Marina foi aprendendo a evitar muitos alimentos por ter graves alergias.

Em um compromisso de campanha, passava com aliados perto de uma barraquinha de venda de camarão quando o cheiro do crustáceo fechou sua glote. A candidata teve de abandonar imediatamente o local.

Essa, aliás, era uma semelhança que ela dividia com Eduardo Campos. Também alérgico, o pernambucano teve uma séria intoxicação após ingerir camarão.

Outra ocasião de campanha e outro mercado deram à candidata a oportunidade para uma “desforra” alimentar. Numa banca que vendia bijus, assessores a abasteceram de uma quantidade que foi devorada em velocidade assustadora.

Feito sem manteiga, o biscoito leva açúcar suficiente para suprir, se consumido em abundância, necessidades calóricas de emergência.

Retomo
O gergelim virou, como sabem, uma praga. Acrescenta-se essa coisa horrorosa a tudo quanto é prato. E o pior é o gergelim que a gente não vê: o óleo.

Caso Marina seja eleita, conto com ela para a minha cruzada: que as embalagens passem a especificar a presença de óleo de gergelim nos alimentos. Pode ser uma questão de vida ou morte.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 15:24

Pnad aponta que há três anos o país não consegue reduzir a desigualdade

Na VEJA.com:
A redução da pobreza foi, ao longo dos últimos vinte anos, não só uma conquista da sociedade brasileira, mas também resultado da estabilidade econômica e de investimentos em educação e saúde feitos desde a década de 1990. Mas os limites desses esforços começam a aparecer. Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad) de 2013, divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, pelo terceiro ano consecutivo, o indicador que mede a desigualdade de renda, chamado Índice de Gini, não mostra melhora significativa.

O índice, que é usado mundialmente, leva em conta o número de pessoas em um domicílio e a renda de cada um, e mostra uma variação de zero a um, sendo que quanto mais próximo de um, maior é a desigualdade. O IBGE calculou em 2013 que o Brasil marcou 0,498 no indicador que leva em conta a renda de todo os membros de cada família. Em 2012, o resultado havia ficado em 0,496, enquanto em 2011, era de 0,499. A leve oscilação não permite ao órgão concluir que houve uma piora significativa na distribuição de renda no Brasil. Contudo, ela é clara em mostrar que os efeitos da desaceleração econômica já fazem com que a barreira entre ricos e pobres pare de ceder.

Tal piora é explicada não só pelo baixo crescimento da economia, mas também pela menor oferta de vagas de trabalho, ambas mostradas pelo IBGE por meio do levantamento das Contas Nacionais, que calcula o Produto Interno Bruto (PIB), e da própria Pnad, que mede a taxa de desocupação no país.

Segundo dados divulgados nesta quinta, a taxa de desemprego passou de 6,1% em 2012 para 6,5% em 2013. Percebe-se, portanto, uma situação em que a economia cresce pouco (o avanço em 2013 foi de 2,3%) e o mercado de trabalho sente o impacto. Diante isso, até mesmo as políticas de transferência de renda consolidadas no governo Lula mostram perda de vigor. Como seu impacto no PIB é limitado (de apenas 0,5%), tais mecanismos não são suficientes para estimular o crescimento em momentos de crise. Para 2014, a previsão é de que o PIB fique muito próximo de zero e que o mercado de trabalho avance, no mínimo, 30% menos que em 2013. Com isso, economistas esperam impacto mais significativo na medição da distribuição de renda para o ano que vem.

Por Reinaldo Azevedo
 

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