Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

21/08/2014

às 20:47

TER-PE libera uso da imagem de Campos por adversários do PSB; é o certo! O resto é censura obtusa.

Parece só uma bobagenzinha, mas não é. Um liminar da Justiça Eleitoral de Pernambuco proibia que coligações que se opõem ao PSB usassem a imagem de Eduardo Campos. É claro que era uma censura inaceitável, estúpida. Sobretudo porque todas elas elogiavam a atuação do ex-governador.

“Ah, mas é tirar uma casquinha da morte do adversário!” É mesmo? Por acaso, os aliados de Campos também não fizeram exploração político-eleitoreira de sua morte? Atenção! Deveria ser livre o uso da imagem ainda que fosse para criticá-lo, ora bolas!

A propósito: houve ou não dinheiro público para organizar o velório de Campos? Aquela faixa, com a frase “Não vamos desistir do Brasil”, estendida num carro do Corpo de Bombeiros, era ou não campanha político-eleitoral? A resposta é “sim”. E que se note: nem estou dizendo que o Estado deveria se eximir de organizar o seu velório. Acho legítimo que se tenha feito uma solenidade oficial. Afinal, a sua figura e a sua morte transcendem a vida privada.

Por isso mesmo, é absolutamente ridículo — e autoritário — que se proíba a referência a seu nome, por aliados ou por adversários. O homem que teve seu velório organizado pelo Estado não era propriedade privada do PSB ou da família Campos.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 17:52

“Marina não representa legado de Campos”, diz secretário-geral do PSB, que compara seu partido a um hospedeiro…

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:

O secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, emitiu nesta quarta-feira o sinal mais claro do tamanho das divergências que cercam a candidatura de Marina Silva à Presidência da República. Irritado com a ex-senadora e os “marineiros” da Rede Sustentabilidade, Siqueira abandonou a coordenação da campanha e não poupou críticas: “Eu nunca quis estar na coordenação dela, nunca aceitei, não continuarei na coordenação da campanha porque o meu compromisso era com o Campos. Acho que ela não representa o legado dele, está muito longe de representar o legado dele. Eles são muito diferentes políticamnente, ideologicamente, em todos os sentidos”, disse Siqueira após deixar reunião do PSB em Brasília.

 Ao longo de toda a quarta-feira, tensões marcaram as reuniões que antecederam a confirmação da candidatura de Marina. A ex-senadora exigiu que funções como a coordenação da campanha e a área de finanças fossem assumidas por nomes mais próximos a ela. A coordenação-geral ficou com o deputado licenciado Walter Feldman, porta-voz da Rede Sustentabilidade, e braço direito de Marina. Siqueira sentiu-se desprestigiado: “Essa mulher me maltratou”, afirmou aos presentes à reunião. Siqueira abandonou a reunião. E só voltou mais tarde, quando membros do PSB conseguiram acalmá-lo. Hoje, ele disparou: “Quando se está numa instituição como hospede como ela é, tem que se respeitar a instituição, não se pode querer mandar na instituição. Ela pode mandar na Rede dela, no PSB mandamos nós”, disparou.

Após ter o pedido de registro da Rede Sustentabilidade negado pela Justiça eleitoral em outubro de 2013, Marina anunciou uma aliança com Eduardo Campos e filiou-se ao PSB. Desde então, a ex-senadora havia deixado claro que após as eleições voltaria a se empenhar na criação de seu novo partido.

Também na quarta-feira, Henrique Costa, responsável pela tesouraria, foi substituído por Bazileu Margarido, que ocupava o posto de coordenador-adjunto da campanha. Costa, que não é filiado ao PSB, foi indicado ao cargo por Eduardo Campos. Com carreira em instituições financeiras, ele cursou economia com a viúva do ex-governador de Pernambuco, Renata Campos. “Ela nomeou o presidente do comitê financeiro da campanha cuja responsabilidade da prestação de contas é do partido e não nos perguntou, não discutiu com o partido. Essa forma de proceder não está de acordo com a pessoa e com o partido que está oferecendo a ela todas as condições para ser candidata”, comentou Siqueira sobre a substituição de Costa.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 16:41

A PF e José Serra: Polícia de Estado ou Estado policial. Ou: Intimação na boca da urna num caso surrealista

É surrealista. Durante a gestão de José Serra à frente do governo de São Paulo, houve uma licitação para a compra de 40 trens para a CPTM. A espanhola CAF e a alemã Siemens disputaram. A primeira venceu porque ofereceu o menor preço. A outra empresa disse que entraria na Justiça. Serra advertiu: se a Siemens conseguisse anular a disputa, ele cancelaria a concorrência porque se negava, em nome do interesse público, a pagar mais por aquilo que valia menos.

Um executivo da Siemens alega ter tido uma conversa informal com Serra em que este teria sugerido que a empresa, em vez de tentar anular a licitação, entrasse em entendimento coma CAF para evitar atraso na entrega dos trens. Serra nega que a conversa tenha ocorrido. Quem conhece seu estilo sabe que não existe “conversa informal” sobre assunto público.

Pois bem: quando a “denúncia” apareceu, escrevi neste blog, no dia 8 de agosto de 2013, que seria a primeira vez na história da humanidade que um governante seria acusado de beneficiar um cartel impondo um PREÇO MAIS BAIXO! É estupefaciente!

“Serrista!”, gritaram os idiotas. Pois é. Depois de apurar detidamente o caso, o Ministério Público Estadual concluiu, em março deste ano, que não houve qualquer irregularidade. Reproduzo trecho de uma reportagem do Estadão (em azul):
Os técnicos da Promotoria sustentam que o negócio, aquisição de 384 carros da empresa espanhola CAF, é o único em que não houve acerto. Para os peritos, “o cartel formado pelas empresas Siemens, Alstom, Mitsui e Hyundai-Rotem não obteve êxito em fraudar a licitação tendo em vista, especialmente, a participação da CAF, empresa estranha ao cartel”. A análise pericial fortalece a versão de Serra, de que atuou contra o cartel nesta licitação. O tucano chegou a dizer que merecia a “medalha anticartel”.

Tudo conforme eu havia escrito lá atrás. Pois não é que a Polícia Federal decidiu chamar Serra para depor? Sim, na boca da urna, a PF, subordinada ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, houve por bem intimá-lo. Cumpre lembrar que também essa denúncia é uma daquelas feitas aos petistas do Cade.

A Polícia Federal precisa decidir se é uma polícia a serviço do estado brasileiro ou um ente a serviço de um estado policial. É claro que se está criando um fato eleitoral, para ganhar as páginas dos jornais e pautar os jornalistas. Serra lidera todas.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 16:09

A confissão do Hamas: imprensa ocidental, incluindo a nossa — com as exceções de praxe — deveria sentir uma profunda vergonha

Escrevi há pouco um post sobre a crise na candidatura de Marina Silva em que me refiro à tendência de amplos setores da imprensa de pôr a torcida à frente dos fatos; o desejo acima das evidências. Por isso mesmo, esses, de quem falo, deveriam se envergonhar diante da confissão que fez Saleh al-Arouri, um dos porta-vozes do Hamas, em Istambul, na Turquia. Ele estava lá, pasmem!, para participar de um evento promovido pela União Internacional de Acadêmicos Islâmicos. Que coisa!

Numa gravação que veio a público, liberada pelos organizadores do evento, afirmou sobre o sequestro e morte de três adolescentes judeus: “Houve muita especulação sobre essa operação, alguns disseram que era uma conspiração. A vontade popular foi exercida em toda a nossa terra ocupada e culminou na operação heroica das Brigadas Al-Qassam, ao aprisionar os três colonos em Hebron”.

Aprisionar apenas? Os meninos foram sequestrados, baleados e tiveram os corpos queimados. Embora tudo apontasse escandalosamente para uma ação do Hamas, a imprensa ocidental, com raras exceções, insistia em fechar os olhos para o fato, ocupada que estava em condenar Israel. Como não lembrar aqui, neste ponto, o comportamento politicamente delinquente do Itamaraty?

Que se note: o Hamas praticou esses sequestros poucos dias depois de celebrar um entendimento com o Fatah, de Mahmoud Abbas, que comanda a Autoridade Nacional Palestina. É verdade: colonos judeus, em represália, sequestraram e mataram um adolescente árabe. Estão presos. Entenderam a diferença? É espantoso que um sujeito participe de uma conferência num país quase democrático, como a Turquia, confesse uma ação terrorista e saia de lá ileso.

Negociação com o Hamas, como pedem muitos? Qual? Sobre quais bases? Israel, com alguma frequência, negocia, sim, mas até a página 15: faz um enorme esforço para libertar cidadãos às vezes sequestrados pelo terror. Pode trocar um único soldado por centenas de terroristas presos, mas, depois, vai ao encalço dos facínoras.

E foi o que fez de novo. A aviação israelense matou, num bombardeio aéreo no sul de Gaza, os líderes terroristas Muhamad Abu Shamala, Raed al-Attar e Mohamad Barhum. Outras cinco pessoas morreram. Foi uma operação organizada pelo Shin Bet, o serviço secreto israelense.

Vamos ver: as forças de segurança de Israel sabiam que os três estavam lá, naquele edifício, tramando novas ações terroristas contra o país. Alguém tem alguma ideia melhor sobre o que deveria ser feito com eles? Fatos, fatos, fatos. Vamos aos fatos. O Hamas prometeu vingar a morte dos terroristas. Já sabemos como. A propósito: se Israel os tivesse poupado, o grupo agiria de outro modo?

 

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 15:46

Hamas admite que grupo sequestrou e matou adolescentes judeus

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
Uma autoridade do Hamas disse nesta quarta-feira que membros do grupo militante sequestraram os três adolescentes israelenses cujas mortes em junho provocaram uma espiral de violência que levou à atual guerra em Gaza, na primeira vez que o movimento islâmico reconheceu envolvimento no caso. Em uma conferência em Istambul, Saleh al-Arouri, autoridade do Hamas na Cisjordânia que vive exilado na Turquia, confirmou as acusações israelenses de que o grupo militante islâmico foi responsável pele sequestro dos adolescentes.

“Houve muita especulação sobre esta operação, alguns disseram que era uma conspiração”, disse al-Arouri a delegados durante reunião da União Internacional de Acadêmicos Islâmicos, na quarta-feira, segundo gravação divulgada pelos organizadores. “A vontade popular foi exercida em toda a nossa terra ocupada, e culminou na operação heroica das Brigadas Al-Qassam em aprisionar os três colonos em Hebron”, disse, referindo-se o braço armado do Hamas. Até então autoridades do Hamas se recusavam a confirmar ou negavam envolvimento.

Vingança
As Brigadas Al-Qassam prometeram nesta quinta-feira vingar a morte de três de seus comandantes, atingidos nesta madrugada por disparos da aviação de guerra israelense contra um edifício da cidade de Rafah, no sul de Gaza. Em um comunicado divulgado na internet, a milícia palestina disse que Israel “pagará um enorme preço pelo assassinato” de Muhamad Abu Shamala, Raed al-Attar, Mohamad Barhum e outras cinco pessoas.

A ação foi confirmada nesta manhã pelo exército israelense e comemorada pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que parabenizou o serviço secreto – Shin Bet – e as Forças Armadas. O chefe de governo disse que a ofensiva contra o território prosseguirá “até que Israel alcance seus objetivos de segurança”. A operação já deixou cerca de 2.050 palestinos e 67 israelenses mortos.

Os três comandantes morreram após a aviação de guerra israelense disparar cinco mísseis sobre uma casa na cidade de Rafah, vizinha à fronteira com o Egito, na qual os líderes do Hamas descansavam. Mohamed Abu Shamala e Raed al-Attar eram alvos prioritários de Israel, especialmente o primeiro, que de acordo com o serviço de inteligência participou da captura em 2006 do soldado israelense Gilad Shalit, que permaneceu cinco anos em poder das milícias palestinas até ser libertado em uma troca com prisioneiros.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 15:43

No mês da Copa – Geração de emprego tem o pior julho desde 1999, mostra Caged

Na VEJA.com:
O mercado de trabalho brasileiro teve mais um resultado ruim. Depois de terem sido criadas apenas 25.363 vagas formais em junho (pior do mês nos últimos 16 anos), o saldo líquido de vagas (admissões menos demissões) ficou em 11.796 em julho. Este é o pior resultado para o mês desde 1999, quando a abertura líquida de vagas havia sido de 8.057 postos. O número também é menor do que em julho de 2013, quando foram criados 41.463 postos de trabalho. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta quinta-feira.

Apesar do desempenho ruim, o número está acima da mediana das expectativas dos analistas consultados pela Reuters, que estimavam a criação de 7 mil vagas. No acumulado do ano até julho, houve contratação líquida de 504.914 trabalhadores com carteira assinada no dado sem ajuste, menor que os 699.036 contratados em igual período do ano passado.

Uma das principais âncoras do governo da presidente Dilma Rousseff, que tenta a reeleição neste ano, o mercado de trabalho vem mostrando sinais de exaustão diante da economia fraca. O resultado de agora foi influenciado pela demissão líquida no setor da indústria de transformação, que em julho ficou em 15.392 trabalhadores, quarto mês consecutivo de fechamento de vagas, segundo o Caged. No setor de serviços, em julho, foram abertos 11.894 postos com carteira assinada, 62% a menos do que no mês anterior, quando o saldo foi positivo em 31.143 vagas.

Fraqueza
Com a baixa oferta de postos este ano, o Ministério do Trabalho já reduziu para 1 milhão a previsão de geração de vagas formais neste ano, bem abaixo da estimativa anterior, entre 1,4 milhão e 1,5 milhão de empregos. A economia vem dando sinais claros de perda de fôlego, aumentando as chances de o país ter entrado em recessão técnica (quando há dois trimestres seguidos de contratação da atividade) no primeiro semestre.

Pesquisa Focus do Banco Central com economistas de instituições financeiras mostra que, pela mediana, as expectativas são de que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá apenas 0,79% neste ano, bem abaixo dos 2,5% vistos em 2013.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 15:38

Marina, o PSB e a crise: tudo certo como dois e dois são cinco

Carlos Siqueira, secretário-geral do PSB e ex-coordenador geral da campanha do partido à Presidência, deixou a equipe que vai cuidar da candidatura de Marina Silva. Sentiu-se desrespeitado. Não gostou do modo como a nova candidata impôs nomes de sua confiança para conduzir a batalha eleitoral. A pax celebrada entre a Rede e o PSB durou bem menos de 24 horas. Quem ler o que escrevi ainda no dia 13, pouco depois da morte de Eduardo Campos, não estranhou o desfecho.

Jornalismo não pode ser torcida, especialmente quando dedicado à análise e à opinião, que é o que se faz aqui. Sim, escrevo sempre o que penso sobre isso ou aquilo, evito a ambiguidade, esforço-me para que o leitor tenha claro o meu ponto de vista sobre os mais diversos assuntos. Nem sempre é fácil. Mas quem está do outro lado desta tela merece essa clareza. Acho que isso explica, em parte, o sucesso deste blog.

Atenção, meus caros! A opinião e a análise, no entanto, não dispensam os fatos. Ou, em vez de análise, o que se faz é mera torcida; em vez de opinião, o que se tem é um mero chute. Mais de uma vez, antevi ou apontei aqui circunstâncias que não eram do meu agrado, que iam contra as minhas convicções e o meu gosto. Dou um exemplo recente: quando vieram a público os números da pesquisa Datafolha, eu prestei menos atenção ao percentual de cada candidato do que ao fato de que havia melhorado a avaliação do governo Dilma, destacando que isso pendia em favor de sua candidatura. Chamei a atenção para esse dado contra o meu gosto. Estou aqui para dizer o que penso, não para induzir os leitores a erro.

Por que faço essa introdução? Se não fui o único, fui dos poucos colunistas e comentaristas da grande imprensa a chamar a atenção de leitores (e ouvintes) para o fato de que a relação de Marina Silva com o PSB já havia começado no erro. Seguindo um estilo, ela não negociou nada, mas impôs. Nem havia acontecido ainda a solenidade de confirmação de sua candidatura, já dada, então, como certa, e seus fiéis anunciaram que os acordos regionais que haviam sido fechados por Eduardo Campos só seriam acatados pela líder da Rede quando ela concordasse. Da mesma sorte, sem nenhuma negociação prévia, a nova candidata impôs nomes de sua confiança para tocar a campanha.

Aqui no blog, recorri a uma imagem forte: afirmei que Marina estava a dar um pé no traseiro do PSB. Para meu escândalo, li e ouvi comentadores a sustentar que ela estava sendo apenas coerente. Marina é, sim coerente, mas com sua trajetória: não negocia, mas impõe. Tentou fazer isso no PT; não conseguiu e deixou o partido. Tentou fazer isso no PV. Não conseguiu e deixou o partido. E não se comporta de modo diferente no PSB. Como esquecer que, no dia seguinte a seu ingresso na legenda, atacou de modo feroz o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos poucos aliados que Campos tinha então?

Marina costuma despertar simpatias e adesões em razão de sua história de vida, narrada, é bom que fique claro, com acento mítico, com as tintas carregadas do martírio e do heroísmo. Trata-se, obviamente, de uma construção política, tão verdadeira e tão falsa como outra qualquer. O que me incomoda, quando estão em pauta as suas escolhas, é a facilidade com que a imprensa abandona os fatos em favor da torcida.

Não aqui. Goste deles ou não, sempre cedo à majestade dos fatos. Sem abrir mão de deixar claro o que penso.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 14:41

Segundo homem na hierarquia do PSB se irrita com Marina e deixa campanha

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
O secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, que ocupava a coordenação de campanha do partido à Presidência da República, irritou-se com a candidata Marina Silva e deixou a campanha. “Eu não estou deixando porque eu não estava (na campanha da Marina). Eu estava na campanha do Eduardo Campos. Nela eu sempre estive. Agora é uma nova fase e tem que ter uma nova coordenação. Eu disse claramente isso a ela na quarta-feira, que eu não ficaria na sua coordenação”, disse Siqueira, ao chegar à sede do partido nesta quinta-feira. Ele afirmou que não vai recuar da decisão “de forma alguma”. “Eu estava na coordenação de uma pessoa que era do meu partido, que eu tinha estrita confiança. Agora, terminou essa fase e vai começar uma campanha com uma nova candidata. E essa nova candidata deve escolher seu novo coordenador.”

Ao longo de toda a quarta, tensões marcaram as reuniões que antecederam a confirmação da candidatura de Marina. Ela pediu que funções como a coordenação da campanha e finanças fossem assumidas por nomes mais próximos a ela. A coordenação-geral ficou com o deputado licenciado Walter Feldman, porta-voz da Rede Sustentabilidade e braço direito de Marina. O cargo era ocupado por Carlos Siqueira. O PSB ficou apenas com a coordenação adjunta. Ao anunciar as mudanças aos membros do partido e da Rede, a ex-senadora afirmou que aguardaria a indicação dos socialistas para o nome que comporia a coordenação com Feldman. Siqueira sentiu-se desprestigiado, uma vez que Marina não citou seu nome. “Essa mulher me maltratou”, afirmou aos presentes à reunião. Na quarta, Henrique Costa, responsável pela tesouraria, foi substituído por Bazileu Margarido, que ocupava o posto de coordenador-adjunto da campanha. Costa, que não é filiado ao PSB, foi indicado ao cargo por Eduardo Campos. Com carreira em instituições financeiras, ele cursou economia com a viúva do ex-governador de Pernambuco, Renata Campos.

Irritado com Marina, Siqueira abandonou a reunião. E só voltou mais tarde, quando membros do PSB conseguiram acalmá-lo. Ao site de VEJA, Feldman afirmou que Siqueira pode ter interpretado mal a afirmação de Marina. Segundo ele, a ex-senadora é “muito rigorosa nas decisões democráticas” e não se sentiu à vontade para anunciar um nome pelo PSB. “Ele esperava ser indicado pela Marina. Nós queríamos que ele fosse indicado pelo partido. Isso é o correto. Nós demos todos os indicativos de que queríamos que fosse ele”, afirmou. Feldman diz esperar que Siqueira recue da decisão. “Ele é uma pessoa capaz e que estava muito envolvida no projeto. O Siqueira desenvolveu com a gente uma relação muito positiva”, afirmou Bazileu Margarido. Segundo ele, Marina tentou conversar com Siqueira na noite de quarta, mas não houve conciliação.

Membros do partido presentes à reunião negam que Marina tenha sido grosseira e creditam a decisão de Siqueira à pressão emocional. O racha interno um dia depois da oficialização da nova chapa presidencial mostra a caminhada conjunta do PSB e da Rede não se dará da maneira pacífica que se tentou demonstrar na noite de quarta – houve, inclusive, uma carta-compromisso para consolidar a união. No documento, o presidente socialista, Roberto Amaral, afirma que os dois partidos serão “generosos, unidos e solidários” e superarão “eventuais divergências” e repudiarão “interesses menores”. Na prática, não é o que se percebe. “Tem gente aqui que tem um ego muito grande. Não dá pra ser desse jeito”, diz um articulador da Rede, evidenciando o clima de tensão entre as legendas.

Siqueira recusou-se a relatar a reunião da noite, em que o partido anunciou o nome de Marina na corrida ao Planalto. Como secretário-geral do PSB, cabe a ele relatar as reuniões da sigla. A função ficou, então, com Joilson Cardoso, secretário Nacional Sindical do PSB. Fontes no partido afirmam que a decisão de Siqueira reflete um esgotamento há muito percebido entre os membros da sigla. Embora sua relação com Marina não fosse claramente de enfrentamento, tampouco era de calmaria. De acordo com membros do partido, é bastante difícil negociar com membros da Rede. E a pressão exercida pelo setores do PSB contrários à ex-senadora recaia toda sobre o secretário-geral. Além disso, Siqueira estaria bastante estressado desde a morte de Campos e já havia sinalizado a intenção de ficar em Brasília, com o presidente do PSB, Roberto Amaral, dedicado a eleger deputados e senadores pela sigla.

“Isso não é divergência com a campanha. É um problema pessoal de um companheiro que quer mudar de função e vai mudar”, disse o presidente do PSB. Para ele, a saída de Siqueira não traz prejuízos. “Eu acho a participação dele mais importante junto a mim. Ele vai trabalhar ao lado do presidente do partido. Eu preciso reforçar a minha estrutura”, disse Amaral. O substituto de Siqueira, segundo Amaral, deve assumir a coordenação-geral, e não adjunta, como pretendia a Rede. O novo nome pode ser anunciado ainda nesta quinta-feira.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 6:39

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 21:39

Pronto! Marina enterrou Eduardo Campos. Líder da Rede já jogou no lixo os primeiros compromissos e deu um pé no traseiro do PSB. Quem está surpreso? Ou: de novo, a vespa e a joaninha inocente

A vespa se aproxima da Joaninha inocente; o objetivo é injetar um ovo em seu abdômen sem que a coitadinha perceba. Nem dói...

A vespa se aproxima da Joaninha inocente; o objetivo é injetar um ovo em seu abdômen sem que a coitadinha perceba. Nem dói…

Depois de algum tempo, a Joaninha passa a carregar a estrovenga, como um zumbi, uma morta-viva. Assim que a nova vespa nascer, a hospedeira morre... para valer

Depois de algum tempo, a Joaninha passa a carregar a estrovenga, como um zumbi, uma morta-viva. Assim que a nova vespa nascer, a hospedeira morre… para valer

O PSB oficializou nesta quarta-feira a candidatura de Marina Silva à Presidência da República, tendo o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) como vice. Para não variar, tudo está sendo feito de acordo com as exigências de… Marina. O partido que a recebeu já foi transformado em mero hospedeiro. Ela não está nem aí para a legenda que a abrigou. Pois é… Eu sempre disse que seria assim. Vamos ver?

1: Marina disse há quatro dias que acataria os acordos regionais feitos por Eduardo Campos. Isso não vale mais: ela só vai subir em palanques em que todos os partidos pertençam à coligação nacional. Isso exclui São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio.

2: O comando do PSB afirmou que Marina assinaria uma carta de compromisso mantendo os fundamentos do programa que Campos queria para o país. Marina já deixou claro que não assina nada.

3: O PSB tinha o comando da campanha de Eduardo Campos, que estava a cargo de Carlos Siqueira. Marina resolveu dividir a função com o deputado federal marineiro Walter Feldman (SP). Na prática, todo mundo sabe, Siqueira foi destituído.

Vale dizer: Marina está, como sempre, fazendo tudo o que quer, do modo que quer, na hora em que quer. Para alguma melancolia deste escriba, acabo de ouvir na TV uma jornalista a dizer que isso só prova a… “coerência” de Marina. É mesmo, é? Entre a burrice e a desinformação, acuso as duas.

Feldman, agora seu braço-direito, é um portento da “nova política” que Marina diz abraçar. Foi secretário do governador Mário Covas e dos prefeitos José Serra e Gilberto Kassab. Só não se tornou secretário de Saúde do então prefeito Paulo Maluf porque Covas não deixou. Saiu do PSDB atirando contra o governador Alckmin e voltou tempos depois, fazendo uma espécie de mea-culpa. Durou pouco a fidelidade. Ainda como deputado tucano, juntou-se aos marineiros e passou a comandar a resistência a qualquer acordo com o PSDB em São Paulo. Não se trata de uma sequência para depreciá-lo. Trata-se apenas de fatos.

É claro que Feldman vai atuar contra a candidatura de Alckmin à reeleição. Até aí, tudo bem, né? Faça o que quiser. Ocorre que o candidato a vice na chapa do governador é o deputado Márcio França, do PSB, partido ao qual, formalmente ao menos, Marina e seu coordenador pertencem. Aliás, depois de Campos, França era a liderança de maior expressão nacional da legenda, que tem uma grande chance de ocupar um posto político importantíssimo no Estado mais rico do país e com o maior eleitorado.

Se Marina já deixou claro que não vai respeitar os acordos firmados por Campos, ainda que esteja ocupando o seu lugar, por que ela respeitaria o programa do PSB caso se eleja presidente da República? A minha tarefa é fazer a pergunta. A dela é cuidar da resposta.

Olhem aqui. No dia 19 de dezembro de 2013, escrevi um post em que comparava Marina a certa vespa que usa outros insetos, especialmente a joaninha — ainda viva — para depositar seu ovo. A estrovenga é injetada diretamente no abdômen da vítima, que carrega, então, a larva até que uma nova vespa venha à luz. Quando esta nasce, o hospedeiro morre. O nome disso é “parasitoidismo”, que é diferente do parasitismo, que não mata o hospedeiro. Há oito meses, portanto, com Campos ainda vivo, afirmei que era precisamente isso o que Marina faria com o PSB. Como eu sabia? A partir de determinado momento, ela tentou ser um parasistoide do PT, com agenda própria. Foi repelida. Buscou fazer o mesmo com o PV. Foi repelida outra vez — e sua grande votação não levou a um aumento da bancada da legenda. Era o partido do “Eu-Sozinha”. Terminada a eleição, tentou tomar a direção dos Verdes. Não conseguiu e saiu para fundar a Rede. Agora, no caso do PSB, não sei, não, parece que o ovo foi parar no abdômen da legenda.

Ganhe Marina a eleição ou não, tão logo ela migre para a sua Rede, o PSB será menor do que era antes da sua entrada. Na nova legenda, aí sim, ela será, como sempre quis, em sua infinita humildade, Igreja e Estado ao mesmo tempo; rainha e autoridade teológica. E sempre cercada de fanáticos religiosos, com diploma universitário.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 19:51

Skaf levou o tesão para a política. Ou: Por favor, senhores políticos! Tenham menos tesão por nós!

Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo de São Paulo, decidiu levar — ai, ai, ai — o tesão para a política. No horário eleitoral gratuito, com cabelos cuidadosamente implantados e mais negros do que as asas da graúna — como disse José de Alencar de Iracema, a virgem dos lábios de mel —, Skaf decidiu não avançar na jugular de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, porque certamente se lembrou de que o tucano tem, hoje, 55% das intenções de voto.

Obedecendo, creio, a uma orientação da marquetagem, mandou bala: “Não tenho nada contra o governador Geraldo Alckmin. Ao contrário: acho educado, simpático, mas, sinceramente, não entendo seu estilo de governar. Meio frio, meio distante, que acha sempre que está tudo muito bom”. E acrescentou, referindo-se ao tucano: “Não enfrenta os problemas de São Paulo como se fosse um desafio pessoal. Com garra, com tesão, como se fosse a coisa mais importante”.

Hein? “Tesão”? Skaf parece disposto mesmo a ser o preferido da “moçada”, né? Cuidado com os marqueteiros, candidato! Se alguém sugerir ao senhor que use uma calça de cintura bem baixa, deixando à mostra o elástico da cueca, resista. Não iria pegar bem. Por que digo isso? Dia desses, nós o vimos repetir o lema do “Cumpâdi” Washington: “Não sabe de nada, inocente”. Passado mais algum tempo, foi ao ar um filminho parodiando aquela, digamos, “música” do lepo-lepo, óbvia metáfora do órgão genital masculino — também conhecido como “pênis”, numa expressão mais curtinha.

Ah, sim, claro! Podemos entrar numa pendenga linguístico-semântica — e terei muito prazer em fazê-lo se a tanto for convocado. “Tesão” também pode ser “ímpeto”, “intensidade”, “intrepidez”, “vontade”… Ora, quem não quer ser ambíguo escolheria, obviamente uma dessas palavras. Por que “tesão”? Acusei certa feita o machismo descabido de um colunista “progressista” que, sob o pretexto de atacar o dito reacionarismo de Sarah Palin, então candidata a vice na chapa do republicano John McCain à Presidência dos Estados Unidos, acusou-a de ser a “Boceta de Pandora”. Sim, “boceta” quer dizer “caixa”. E quer dizer também o que quer dizer, embora a palavra seja empregada, popularmente, com “u”. Como a evidente agressão era dirigida a uma mulher de direita, parecia tudo bem…

Mas retomo o fio. Recorre à palavra “tesão” quem está interessado no amplo espectro de seu sentido. E, aí, meus caros, sou obrigado a lembrar que quem governava com tesão — infelizmente para ele e quase que para os EUA — era Bill Clinton, né? Deixo claro! Prefiro que os governantes, homens e mulheres, tenham tesão, mas por seus respectivos parceiros, não pelo povo. Com alguma ironia, digo que, dada a frequência com que os políticos ferram a população, o melhor seria que tivessem menos tesão por nós.

Mais decoro, senhor Skaf! Eu nunca o vi falar em “tesão” quando estrelava as propagandas institucionais do Sistema S. Ou o senhor diria que cuidava das escolinhas da instituição com “tesão”? Não ficaria bem! Se a palavra era descabida quando o senhor presidia a Fiesp, por que seria adequada quando se candidata a um cargo público?

Definitivamente, não é por aí.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 17:57

Graça Foster tem de pedir demissão ou de ser demitida

O Tribunal de Contas da União adiou por mais uma semana o exame do caso de Graça Foster. Ela pertencia à diretoria da Petrobras quando se fez a compra da refinaria de Pasadena, e, como é evidente, não existe nenhuma razão para outros diretores da empresa, à época, estarem com seus bens indisponíveis, e ela não. O governo opera freneticamente nos bastidores para evitar que essa decisão seja tomada.

A situação dela piorou bastante. Reportagem publicada pelo Globo (ver post anterior) mostra que tanto Graça como Nestor Cerveró — o então diretor apontado pela própria Dilma Rousseff como o principal responsável pela operação desastrosa — transferiram bens pessoais para familiares em meio ao imbróglio de Pasadena. Qualquer advogado apenas mediano sabia que a apuração do caso poderia resultar em bloqueio de bens, fosse em razão do processo do TCU, fosse em razão de uma ação por improbidade administrativa.

Vou aqui emitir uma opinião que não é nova sobre um assunto que é ainda mais velho. É evidente que Graça Foster perdeu a condição de presidir a maior empresa do país, mormente porque de economia mista, embora seu controle esteja com o estado brasileiro.

Ficou evidente, isto é inquestionável, que Graça fez parte da turma que se organizou para fraudar a legitimidade da CPI da Petrobras no Senado. Sim, a comissão era governista até o osso, mas isso não justifica a conspirata que frauda a própria democracia. A reunião que veio a público, como se sabe, foi realizada na antessala da presidente da Petrobras.

Atenção! Um inquérito da Polícia Federal investiga se Graça prestou informações falsas ao Senado sobre a compra de Pasadena e sobre contratos que a empresa de seu marido mantém com a Petrobras. Um novo inquérito deve ser aberto para apurar a ação organizada para fraudar a CPI. E ela será uma das investigadas.

Resta a pergunta óbvia: alguém nessa situação pode presidir a maior empresa do país? A resposta é “não”. Só o episódio da CPI deveria bastar. Ainda que Graça seja honestíssima no que concerne a enfiar ou não a mão no dinheiro público, resta a máxima: a mulher de César tem de ser honesta e tem de parecer honesta.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 15:57

Graça Foster e Cerveró doaram imóveis em meio a imbróglio de Pasadena

No Globo:
A presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ex-diretor da Área Internacional da estatal Nestor Cerveró doaram imóveis a parentes após estourar o escândalo sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, como mostram registros em cartório obtidos pelo GLOBO no início da tarde desta quarta-feira. A movimentação envolve apartamentos em áreas valorizadas do Rio.

Os bens mudaram de mãos antes de o Tribunal de Contas da União (TCU) determinar o bloqueio do patrimônio de dez gestores da Petrobras apontados como responsáveis por um prejuízo de US$ 792,3 milhões na compra da refinaria. O bloqueio foi determinado no dia 23 de julho justamente para garantir que os bens não sejam movimentados pelos gestores e possam garantir o ressarcimento aos cofres da estatal.

Na sessão em plenário desta quarta, os ministros do TCU vão decidir se Graça também terá o patrimônio bloqueado, uma vez que ela acabou excluída da primeira decisão por conta de um erro. O Palácio do Planalto opera para que a presidente não seja atingida pela medida. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, que fez a defesa de Graça em plenário, já declarou que o bloqueio inviabilizaria a permanência de Graça no cargo.

Os documentos oficiais obtidos pela reportagem revelam que, em 20 de março deste ano, Graça doou “com reserva de usufruto” um apartamento em Rio Comprido a Flavia Silva Jacua de Araújo, tendo Colin Silva Foster como interveniente. No mesmo dia, a presidente da Petrobras fez uma doação semelhante a Flavia e a Colin de um imóvel na Ilha do Governador.

No dia 19 de março, um dia antes das transações feitas por Graça, veio a público um posicionamento da presidente Dilma Rousseff de que apoiou a compra da refinaria de Pasadena por conta de um “parecer falho” elaborado por Nestor Cerveró. Era o início de uma crise que resultou na instalação de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) no Congresso Nacional. Dilma, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras em 2006, votou a favor da aquisição da primeira metade da refinaria. No processo em curso no TCU, os ministros a eximiram de responsabilidade no negócio. Graça ainda fez uma “doação com reserva de usufruto” a Colin em 9 de abril deste ano. Trata-se de um imóvel na Praia de Manguinhos, com direito a uma vaga de garagem.

Cerveró, por sua vez, doou três apartamentos a parentes em 10 de junho, 45 dias antes de o TCU determinar o bloqueio de seus bens e de mais nove gestores da Petrobras. Cerveró doou um apartamento na Rua Prudente de Moraes a Raquel Cerveró; outro apartamento no mesmo prédio a Bernardo Cerveró; e um apartamento na Rua Visconde de Pirajá, também a Bernardo Cerveró.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 15:50

O governo Dilma e a economia: o cachorro corre atrás do próprio rabo

Os bancos são obrigados a depositar no BC o valor correspondente a 20% do dinheiro que captam em depósitos a prazo. É o chamado compulsório. Esse dinheiro fica lá, guardadinho, recebendo como remuneração a taxa Selic. Por que o BC faz isso? O principal objetivo é conter a pressão inflacionária, evitando o excesso de circulação de dinheiro. No dia 25 de julho, para estimular o crédito — e, portanto, o consumo —, o BC liberou 50% desse valor para empréstimos. E como ele faz isso? Simplesmente deixa de remunerar o dinheiro. Se os bancos quiserem deixar a grana lá, lá ela fica, só que eles terão de pagar os rendimentos aos clientes, mas não vão receber nada por isso.

A tendência, então, é que os bancos emprestem esse dinheiro. Atenção! Hoje é dia 20 de agosto. Menos de um mês depois de ter tomado aquela medida, o Banco Central decidiu elevar de 50% para 60% essa fatia não remunerada. Ou seja: quer que os bancos emprestem ainda mais. Em julho, estimava-se que, no longo prazo, haveria uma liberação de R$ 45 bilhões para operações de crédito; com essa medida de hoje, outros R$ 10 bilhões se acrescentariam.

Não parou por aí. Bancos também são obrigados a fazer uma reserva para calote — isto é, têm de ter em caixa um percentual correspondente ao que emprestam. Hoje, a depender da modalidade de empréstimo e do risco, esse valor varia de 75% a 300%. Isso também mudou: agora a faixa é única: apenas 75%. Com isso, espera-se que outros R$ 15 bilhões fiquem disponíveis para crédito.

Vamos lá, leitores: ninguém pode ser contra o crédito, o aquecimento da economia etc. Assim como ninguém é contra o bem, o belo e o justo. Mas cabe perguntar: que leitura tem do cenário um BC que toma uma medida relativamente forte de incentivo ao crédito e, menos de um mês depois, adota procedimentos adicionais? Parece claro que seu diagnóstico anterior era precário.

Sim, a economia brasileira deve crescer neste ano menos de 0,8%; não obstante, a inflação continua alta, no teto da meta, de 6,5% — e não há perspectiva de redução substancial nos próximos meses. A taxa Selic só está nas alturas porque foi preciso conter o consumo por meio da elevação de juros. E se fez isso com o objetivo de baixar a pressão inflacionária. Pressão que, não há mágica, tende a ser elevada se os bancos passarem a emprestar na intensidade pretendida pelo governo.

O que isso nos diz? Que o governo, este governo ao menos, esgotou os instrumentos de que dispõe para conciliar crescimento, inflação e taxa de juros em níveis decentes. Deixou de ser uma questão de simples administração de política monetária. Entramos naquele ciclo em que o cachorro começa a correr atrás do rabo — ainda uma das imagens mais intrigantes da natureza, não é mesmo? Mais ele corre, mas o rabo foge; se ele consegue prender a ponta da cauda, só lhe resta a imobilidade.

Dilma Rousseff concorre à reeleição e nos promete amanhãs sorridentes. Não vou aqui cobrar nada da candidata. Eu só me pergunto por que a presidente não faz, então, o que candidata promete fazer. É evidente que o Banco Central passou a operar de olho na política eleitoral. E esse é mais um sinal de deterioração institucional em curso.

Encerro com a imagem do cachorro e do rabo: se o BC for bem-sucedido, e houver um aumento substancial de crédito a ponto de interferir no crescimento, haverá pressão inflacionária, e logo será preciso voltar a apelar aos juros para diminuir a inflação. Se for malsucedido agora, o crescimento continua abaixo da linha da mixuruquice, e nem por isso inflação e juros estarão em patamares civilizados. Em síntese, se der certo, dá errado. Se der errado, continua errado.

O erro não é só de política econômica. Os brasileiros erraram de governo. São livres, claro!, para escolher. E a gente é livre para criticar.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 15:09

Banco Central muda regras bancárias para injetar até R$ 70 bi na economia

Na VEJA.com:
Menos de um mês depois de anunciar medidas que expandem a oferta de crédito no país, o Banco Central (BC) voltou a alterar as regras dos compulsórios dos bancos, contribuição obrigatória que as instituições fazem junto ao BC como forma de proteção ao sistema financeiro. A partir de agora, elas poderão usar, em empréstimos, 60% do montante antes reservado exclusivamente para esse depósito.

Na medida anterior, anunciada em julho, o BC já havia liberado 50% desse valor para empréstimos aos consumidores, o que disponibilizou ao mercado 30 bilhões de reais. Na prática, com a liberação desses outros 10 pontos porcentuais do compulsório, as instituições financeiras podem emprestar mais 10 bilhões de reais, somando 40 bilhões em dinheiro novo em circulação.

Considerando outras mudanças anunciadas nesta quarta-feira, há ainda um potencial de impacto na liquidez da economia de 15 bilhões de reais. Com isso, as duas medidas anunciadas nesta quarta podem ter um efeito de 25 bilhões de reais no crédito dos bancos.

No anúncio de julho, o BC havia comentado que poderia haver um potencial extra de liquidez de 15 bilhões de reais. Assim, somando o dinheiro do compulsório liberado de imediato em julho e agora (40 bilhões) ao potencial de 15 bilhões de julho e mais 15 bilhões desta quarta, poderão ser injetados no mercado de crédito brasileiro um total de 70 bilhões de reais.

Para salvar o PIB
O BC explica que essas mudanças fazem parte de sua estratégia de retirar, aos poucos, as medidas adotadas pós-crise, em meados de 2010, para proteger o sistema financeiro do Brasil contra os choques do mercado internacional e formar um colchão de reservas de dinheiro. Como o cenário mudou (economias estão se recuperando e o crédito internacional voltou a circular), a autoridade monetária vê espaço para tirar parte das medidas duras. Contudo, vale ressaltar que o Brasil vive um momento de crescimento baixo – economistas projetam expansão menor que 1% para 2014. Assim, economistas acreditam que essas medidas foram anunciadas agora para tentar salvar o Produto Interno Bruto (PIB) via estímulo ao consumo.

O problema principal é o risco de esse aumento de crédito aumentar ainda mais a inflação. Há duas semanas, o presidente do BC, Alexandre Tombini, defendeu que, apesar de manter a Selic em níveis elevados, as medidas de estímulo ao crédito adotadas em julho não atrapalham a política monetária, que busca a estabilidade de preços. “Não há qualquer contradição ou incompatibilidade entre as ações recentes e a política monetária, uma vez que são instrumentos que têm objetivos distintos”, afirmou ele em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado Federal.

“Espera-se que as medidas ampliem o acesso a crédito por pequenas empresas e fortaleçam o comércio exterior. Pretende-se, assim, incrementar a eficiência do sistema e salvaguardar sua resiliência”, mostra a nota do BC.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 12:01

Leitores do Rio, amanhã é dia de “Não é a Mamãe – Para Entender a Era Dilma”, na Livraria da Travessa

convite FiuzaAlô, leitores do blog que moram no Rio! Coloquem aí na agenda: amanhã, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, a partir das 19h30, ocorre o lançamento de um livro delicioso: “Não é a Mamãe – Para Entender a Era Dilma”, do jornalista Guilherme Fiuza, um dos melhores, mais agudos, mais cultos e mais divertidos textos da imprensa brasileira.

O livro, publicado pela Editora Record, reúne 100 artigos de autoria de Fiuza publicados na revista “Época” e no jornal “O Globo”. As crônicas são separadas em cinco capítulos, cada um correspondendo a um ano da trajetória recente da “presidenta”, a partir de 2010, o da campanha eleitoral:
“2010 – DILMA É A MÃE”;
“2011 – A FAXINEIRA”;
“2012 – A BABÁ DE ROSEMARY”;
“2013 – A PLEBISCITÁRIA”;
“2014 – MAMÃE VOLTOU”.

O título é uma alusão ao bordão de Baby Sauro, da “Família Dinossauro”, seriado que fez muito sucesso na década de 90. Aliás, ele está de volta no canal Viva. E começa justamente nesta quinta. Dilma associada a dinossauros? A gente pode rir de sarcasmo ou melancolia. Não precisa de explicação.

Falarei do livro com mais vagar. Fiuza tem outra qualidade, ainda que involuntária: é um ilustre membro daquela lista negra de nove pessoas elaborada pelo PT, da qual também faço parte. Segundo os companheiros, somos o mal do Brasil. Se, um dia, eles conseguirem criar o “Estado Petista da Empulhação e do Levante”, vocês sabem o que acontecerá com as nossas respectivas cabeças… Enquanto não acontece, a gente se diverte.

Leia “Não é a Mamãe”. Ali está revelada a alma da era Dilma. Reproduzo, abaixo, um dos cem textos do livro.

*
Cadê a quadrilha que estava aqui?

Nelson Rodrigues foi novamente convocado por Dilma Rousseff. Sempre que tira os olhos do teleprompter, a presidente sofre em sua árdua missão de fazer sentido. Nelson foi o primeiro a satirizar essa esquerda parasitária escondida atrás de bandeirolas do bem. Hoje talvez o dramaturgo acrescentasse ao “padre de passeata” a “presidenta de teleprompter”. Alguém precisa avisar à assessoria de Dilma quem foi Nelson Rodrigues. Era mais honesto quando ela traficava a imagem de Norma Bengell.

Ao assinar contratos de concessão de rodovias, Dilma citou o companheiro Nelson para dizer que “os pessimistas fazem parte da paisagem, assim como os morros, as praças e os arruamentos”. Por que não acrescentar: assim como as estradas estouradas, os aeroportos em ruínas e o sistema elétrico em estado de coma. A paisagem da infraestrutura brasileira hoje é tão impactante que fica até difícil enxergar nela os pessimistas — mesmo que eles desfilem pelados contra a mentira da conta de luz barata, e o desfalque de 12 bilhões de reais do contribuinte para sustentá-la.

Dilma tem razão: não há motivo para pessimismo. Basta olhar a situação dos seus amigos mensaleiros. Eles montaram um duto de dinheiro público para o partido governista, na maior engenharia já vista para roubar o Estado de dentro do Palácio do Planalto. Mas o otimista, ao contrário do pessimista, sempre espera pelo milagre. E ele veio: rasurando a sua própria decisão, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o bando do mensalão, famoso pela monumental arquitetura do valerioduto, não era uma quadrilha.

O esquema que envolvia ministro de Estado, tesoureiro e presidente de partido, banqueiro, funcionário público graduado e outros companheiros fiéis, todos ligados por um mesmo despachante e uma mesma base operacional, agindo de forma orquestrada e sistemática para o mesmo e deliberado fim, não constituía uma quadrilha. Agora o Brasil já sabe: só há quadrilha quando os criminosos que fazem tudo isso juntos são pessimistas perdidos na paisagem.

O discurso épico do ministro Luís Roberto Barroso, inocentando os otimistas do crime de formação de quadrilha — e liberando-os da prisão em regime fechado —, é um marco de esperança para os bandoleiros solidários, que abominam as trampolinagens individualistas e neoliberais. E assim chega ao fim o julgamento do mensalão, com a sentença histórica prenunciando os novos tempos: agir em bando com estrelinha no peito não é quadrilha, é socialismo.

Foi emocionante ver os ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli — os já famosos Batman e Robin do PT no Supremo — voando com suas capas em defesa de Barroso e do seu Direito lírico. Todo esse otimismo permitia antever a chegada da sobremesa: a absolvição de João Paulo Cunha (o Mandela brasileiro) do crime de lavagem de dinheiro. A tese vencedora, mais uma vez esgrimida com arte por Barroso, foi de que o então presidente da Câmara dos Deputados participou da corrupção sem saber que o dinheiro que recebia era sujo. Era o dinheiro do mensalão, operado por seus companheiros de cúpula do PT, mas ele, assim como Lula, não sabia. Os otimistas são distraídos mesmo.

O ministro Luís Roberto Barroso chegou a dizer que João Paulo não sabia da origem ilícita do dinheiro porque não fazia parte da quadrilha. Logo retificou, dizendo que o réu não fora denunciado por formação de quadrilha. Nem precisava esclarecer, todo mundo já sabe que quadrilha não existe. Inclusive o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, considerando-se o seu rolezinho na prisão da Papuda para visitar José Dirceu, o chefe da ex-quadrilha.

Disse Agnelo: “Eu sou governador, vou ao presídio a qualquer hora e visito quem eu quiser.” Está certo. Se Deus e a quadrilha não existem, tudo é permitido. Agnelo deve ter ido levar umas palavras cruzadas a Dirceu.

O companheiro Nelson Rodrigues dizia que a única forma possível de consciência é o medo da polícia. A desinibição da ex-quadrilha mostra que, para o PT, Nelson está definitivamente superado.

O recado de Dilma aos pessimistas servia também como resposta às críticas feitas à sua política econômica no aniversário de 20 anos do Plano Real. Os autores do plano disseram que esse negócio de esconder inflação com tarifas inventadas e esconder déficit público com maquiagem de contas não vai acabar bem. Mas depende do ponto de vista.

As pesquisas apontam a reeleição de Dilma em primeiro turno, com toda a política monetária do crioulo doido, a infraestrutura em petição de miséria, a pilhagem do mensalão e do pós-mensalão, a contabilidade criativa, as ONGs piratas penduradas na floresta de ministérios, a sangria do BNDES para a Copa dos malandros e grande elenco de jogadas solidárias.

Isso não vai acabar bem para a paisagem brasileira. Mas não tem problema, porque os companheiros otimistas estão a salvo dela.

Guilherme Fiuza, autor de "Não é a Mamãe"

Guilherme Fiuza, autor de “Não é a Mamãe”

 

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 6:37

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 6:29

O PT esquece o futuro e recicla até as imagens da campanha de 2010. Ou: Dilma Coração Valente suja o avental de ovo… Estamos fritos!

Começou nesta terça o horário eleitoral gratuito, como todos sabemos. O PSB fez o óbvio e apresentou Eduardo Campos como o profeta que já não está entre nós, mas que deixou uma mensagem. Ao fundo, a música “Anunciação”, do pernambucano — talentoso! — Alceu Valença: “O teu cavalo/ Peito nu, cabelo ao vento/ E o sol quarando/ Nossas roupas no varal (…) Tu vens, tu vens/ Eu já escuto os teus sinais”. O erotismo meio místico da canção, com a imagem de Campos ao fundo, assumiu um novo conteúdo, agora com tinturas messiânicas… Logo, Marina Silva é que será a cavaleira. E vai anunciar o quê? Só Deus sabe, se é que sabe.

O tucano Aécio Neves preferiu dedicar seus quatro minutos a um diagnóstico sobre o país, chamando a atenção para a piora, que é real, da economia. Sua voz chegava a telespectadores e a ouvintes inicialmente distraídos. Aos poucos, na propaganda do PSDB, começavam a prestar atenção ao que dizia o candidato. Ainda desconhecido de parcela significativa da população, a ideia é deixar claro que há alguém dizendo uma novidade. Vamos ver.

O PT dispõe de tanto tempo na televisão que parece ter alguma dificuldade para preenchê-lo. Em maio, o partido levou ao ar a sua propaganda no horário político gratuito. Era um troço ameaçador. Comparava o Brasil de hoje, em que tudo seria uma maravilha, o que é falso, com aquele governado por FHC, quando tudo teria sido uma tragédia, o que também é falso. Escrevi, então, uma coluna na Folha em que observei o seguinte: “Depois de quase 12 anos no poder, o PT não tem futuro a oferecer. Por mais que o filminho de João Santana tenha as suas espertezas técnicas, a verdade é que a peça terrorista revela o esgotamento de uma mitologia”.

E foi, em parte, o que se viu nesta terça, na estreia do horário eleitoral. O maior partido do país não vai além de repetir velhas promessas. Na prática, admite que o governo vai mal, mas jura que vai melhorar se reeleito. Por que Dilma faria depois o que não faz agora? A campanha publicitária não diz. Quem se encarregou de sintetizar a mensagem foi Lula, afirmando que o seu segundo mandato foi melhor do que o primeiro.

Atenção! Não é verdade, sob qualquer aspecto, que os quatro anos finais da gestão Lula tenham sido melhores do que os quatro iniciais. Muito pelo contrário. O desajuste da economia que está em curso é uma herança do segundo governo Lula, piorada pela gestão Dilma. Sem um horizonte a oferecer, restou à campanha da presidente Dilma reciclar até as imagens do passado.

Abaixo, há dois vídeos. O primeiro tem 10min39s e traz a propaganda eleitoral levada ao ar no dia 17 de agosto de 2010. O outro tem 2min10s e é um clip com o jingle “Dilma, Coração Valente”, da campanha deste ano. Vejam. Volto em seguida.

Campanha de 2010

Campanha de 2014

A peça publicitária de 2014 traz um fundo musical novo para imagens da campanha de 2010. Quem chamou a minha atenção para a repetição foi o jornalista Clayton Ubinha, que integra a equipe do programa “Os Pingos nos Is”, que vai ao ar todos os dias na rádio Jovem Pan, entre 18h e 19h. Vejam estes pares de imagens (a primeira é sempre da campanha passada; a segunda, da deste ano).

2010 cena 1

2014 cena 1

2010 cena 2

2014 cena 2

2010 cena 3

2014 cena 3

2010 cena 4

2014 cena 4

2014 cena 5

2010 cena 5

2010 cena 6

2014 cena 6

2010 cena 7

2014 cena 7

Há quatro anos, como se pode constatar, Dilma era oferecida ao eleitorado como a mãe do povo, a quem o pai, Lula, entregaria o país. Agora, em tempos em que a economia está mais para a madrasta da Gata Borralheira, a imagem da mãe já não cola. Então que se recupere a guerreira — “a Dilma Coração Valente” — lutando contra os dragões da maldade. Mas, vocês sabem, é preciso endurecer sem perder a ternura, como diria Che Guevara, o tarado por sangue. Então João Santana houve por bem mostrar a presidente na cozinha, fazendo um macarrãozinho…

Mensagem: a Coração Valente também pode ser “a mamãe com o avental todo sujo de ovo”, como na música de Herivelto Martins, David Nasser e Washington Harline.

Ovo? Tomara não estejamos todos fritos.

Texto publicado originalmente às 5h11

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2014

às 6:17

TSE cassa liminar que punia consultoria por fazer uma avaliação crítica a Dilma. O estado de direito ainda respira!

Salve! Admar Gonzaga, ministro do TSE, havia decidido restaurar a censura no país, mas o ministro Gilmar Mendes, que também integra a corte eleitoral, pôs os devidos pingos nos is e nos devolveu ao ambiente democrático, no que foi seguido por quatro outros membros do tribunal. Explico.

Circulavam como propaganda paga na Internet dois textos da consultoria Empiricus com os seguintes destaques: “Que ações devem subir se o Aécio ganhar a eleição? Descubra aqui, já” e “Saiba como proteger seu patrimônio em caso de reeleição da Dilma”. Muito bem. A coligação “Com a Força do Povo”, que tem a petista Dilma Rousseff como candidata à reeleição à Presidência, recorreu ao TSE, acusando suposta propaganda veiculada na internet com conteúdo negativo contra a petista e positivo para Aécio.

O ministro Admar Gonzaga concedeu uma liminar em favor dos reclamantes porque considerou que houve, sim, excesso nas expressões utilizadas nos anúncios, determinando que o conteúdo fosse retirado do ar e aplicando ainda uma multa de R$ 5 mil à Empiricus. A empresa recorreu ao TSE e venceu por um placar muito eloquente.

Gonzaga reafirmou o conteúdo de sua liminar na votação desta terça e voltou a defender as punições. Para ele, a publicidade não só menciona o pleito futuro, por meio de propaganda paga na internet, como também faz juízos positivo e negativo sobre dois candidatos à Presidência. Viu ainda uma “clara estratégia de propaganda subliminar”. Felizmente, só a ministra Laurita Vaz endossou o seu ponto de vista.

Quem abriu a divergência e deu o primeiro voto contra a liminar que impunha a censura foi o sempre excelente ministro Gilmar Mendes. Com absoluta propriedade, afirmou: “Não vamos querer que a Justiça Eleitoral, agora, se transforme em editor de consultoria”. O ministro disse ainda temer que “esse tipo de intervenção da Justiça Eleitoral em um tema de opinião venha a, realmente, qualificar uma negativa intervenção em matéria de livre expressão”. E concluiu de maneira irrespondível: “Tentar tutelar o mercado de ideias não é o papel da Justiça Eleitoral”. Seguiram o seu voto os ministro Luiz Fux, João Otávio de Noronha, Luciana Lóssio e Dias Toffoli, presidente do tribunal.

Que bom que o estado de direito ainda respira, não é mesmo? O PT havia apelado ao TSE com base na Lei Eleitoral, a 9.504. A depender da interpretação que se queira dar a esse texto, o país fica praticamente impedido de debater publicamente questões que digam respeito à política justamente quando isso se faz mais necessário: durante as eleições. É uma sandice e uma piada.

Mendes e os outros quatro ministros puseram as coisas no seu devido lugar.

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2014

às 21:05

PSB sentiu o peso da responsabilidade e escolheu como vice um político tradicional

Bem, triunfou a racionalidade, não é? O vice de Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, será o deputado Beto Albuquerque (RS), este, sim, um real membro do partido e um quadro atuante no Congresso. Com a escolha, põe-se um fim às absurdas especulações sobre a indicação de Renata, viúva de Eduardo Campos, o que me pareceu, desde sempre, uma mistura de má tradição com exotismo. Não fazia o menor sentido.

Se é de uma “nova política” que o PSB quer falar — o que já é, diga-se, mais marketing do que fato —, o flerte com a candidatura de Renata a vice foi um escorregão inaceitável até do ponto de vista do… marketing. É evidente que Marina Silva vai disputar para ganhar — e, na fotografia de momento do Datafolha, ela poderia se eleger presidente da República se a disputa fosse hoje.

Campos tinha, sim, trânsito no Congresso mesmo pertencendo a um pequeno partido. O neto de Miguel Arraes, que governou com uma base parlamentar em Pernambuco tão ampla como a que Dilma tem na esfera federal, era, afinal, um político tradicional. Foi ao se juntar com Marina Silva que aderiu a essa conversa de “nova política”.

Ninguém entendeu direito, até agora, o que Marina quer dizer com isso. Comecemos do óbvio: não se governa o Brasil sem o Congresso. O desdobramento inescapável seria uma crise institucional. Nenhuma política é tão nova que possa deixar de lado o Poder Legislativo.

Se presidente, Marina não seria exatamente a melhor interlocutora com o Congresso. Querem um exemplo? Vejam o seu comportamento durante a votação do Código Florestal. Ela deixou claro que não reconhecia aquele foro como o mais adequado para decidir a questão. Tanto é assim que, quando estava certo que o texto de Aldo Rebelo seria aprovado, Marina juntou as suas ONGs e foi bater à porta do governo federal, cobrando, na prática, que a vontade do Congresso fosse ignorada.

É essa Marina que vai disputar a eleição pelo PSB? Como diria o poeta, de tudo sempre fica um pouco. Se a líder da Rede for eleita, tranquila, a relação não será. É evidente que é necessário ter um homem forte no governo que possa fazer essa interlocução com o Poder Legislativo. O nome de Beto Albuquerque é uma escolha muito mais responsável, de quem pretende, como deve ser, manter a interlocução com a política institucional, que é uma boa tradição. 

Por Reinaldo Azevedo
 

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