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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

19/12/2014

às 4:22

O que foi notícia em 2014 no mundo: eu, Joyce, Diogo Schelp e Marco Antonio Villa em TVEJA

 

 

 

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 22:04

GILMAR MENDES, EXCLUSIVO: Petrolão revela que corrupção é um método. E mais: Estão querendo usar o Supremo como “laranja” de um projeto político

Gilmar Mendes nos estúdios da Jovem Pan: Supremo não pode ser laranja de projeto político

Gilmar Mendes nos estúdios da Jovem Pan: Supremo não pode ser laranja de projeto político

Gilmar Mendes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e, atualmente, membro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), concedeu nesta quinta uma entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na rádio Jovem Pan AM e FM — todos os dias, entre 18h e 19h. De passagem por São Paulo, o ministro compareceu aos estúdios da emissora e conversou comigo e com os meus parceiros de “Pingos”: Mona Dorf e Patrick Santos.  Mendes falou sobre o petrolão, a reforma política, a proibição da doação de empresas a campanhas eleitorais e os critérios para a composição do Supremo, entre outros temas. Para o ministro, o petrolão não representa apenas um ponto fora de uma curva. Ao contrário: segundo ele, o maior escândalo de corrupção de que se tem notícia é um método. Mendes vai além e diz que há gente tentando usar o Supremo como “laranja” de um projeto político.

Vamos ver. Há algum tempo, o ministro ironizou: “Comprado ao petrolão, o mensalão poderia ser julgado por um tribunal de pequenas causas”. O que ele quis dizer. Ele mesmo explica: “Eu disse essa frase num contexto muito especial. Todos nós falávamos que eram R$ 170 milhões o dinheiro movimento naquele escândalo. Agora, nós estamos a ver um mero gerente da Petrobras a devolver algo em torno de R$ 250 milhões. E já se fala em devolução de R$ 600 milhões só no âmbito da delação premiada”.

Seria isso uma exceção, algo ocorrido excepcionalmente na Petrobras? Ele responde: “Estamos a ver algo extremamente grave. É o aparelhamento do Estado, que decorre da mistura entre o púbico e o privado, entre o partido e o Estado.” Tudo para financiar partidos? Gilmar responde: “Não! Nós vimos que isso [os desvios] não se destina apenas à vida partidária. Há uma patrimonialização dessa apropriação. A roubalheira foi instituída como método de atuar. Isso parece ser do partido, do sistema. Há uma normalização do mal e a adoção da corrupção como método de agir.”

E a proibição da doação de empresas privadas a campanhas? Segundo Mendes, trata-se de uma “tentativa de manobrar o Supremo para fazer a reforma eleitoral imaginada por um partido”. Sim, ele se refere ao PT, defensor da tese. O ministro diz o óbvio: a eventual proibição seria “um estímulo ao caixa dois”. O ministro indaga como se pode definir a forma de financiamento se ainda não se sabe nem qual será o sistema adotado para a eleição do Parlamento: se voto distrital, distrital misto ou o proporcional, como hoje.  E é peremptório: “Estão usando o Supremo para outra finalidade; querem que ele seja ‘laranja’ de um golpe político”.

Mas, afinal, o petrolão não evidencia que a roubalheira nasce das doações de empresas? Ele responde: “Estamos vendo que a corrupção não existe porque existe a doação privada. Esse caso da Petrobras, além de provar que há corrupção sistêmica, evidencia que o desvio não existe apenas para verter dinheiro para os partidos. Isso não passa de um argumento-álibi”.

Imprensa livre
A equipe de “Os Pingos nos Is” indagou se existe mesmo o risco de bolivarianização dos tribunais no Brasil, atrelando-os ao Poder Executivo. Mendes deixa claro que, se a ameaça não é iminente, a possibilidade, no entanto, sempre existe, uma vez que há forças que padecem, digamos, de “tentações hegemonistas” — essa expressão é minha, não dele. E qual é o remédio?

A vigilância! Feita por quem? Por indivíduos livres, como sempre, e, ele deixa claro!, por uma imprensa que não tenha nenhum outro compromisso que não seja a informação. Para o ministro, a melhor garantia que tem o país de contar com um Poder Judiciário independente é a plena liberdade de imprensa.

É uma sorte o pais contar com um ministro como Gilmar Mendes na corte constitucional do Brasil. Perguntamos a ele se vislumbra alguma dificuldade a partir de julho de 2016, quando será o único ministro não nomeado por Lula ou Dilma. Ele se disse tranquilo e afirmou que confia na institucionalização de procedimentos na escolha dos futuros nomes. Mas reiterou: o maior aliado de um Judiciário independente é uma imprensa igualmente independente.

Para ouvir a íntegra da entrevista, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 21:57

Petrolão: inquéritos contra políticos ficarão para 2015

Na VEJA.com:
Os políticos envolvidos no megaesquema de corrupção operado na Petrobras, descoberto a partir da Operação Lava Jato, só serão denunciados ou investigados em fevereiro do ano que vem. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai esperar a volta do recesso do Judiciário para encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) os pedidos de abertura de inquérito contra parlamentares e autoridades citados nas delações do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef.

O Poder Judiciário entra em recesso nessa sexta-feira, e o STF permanecerá em esquema de plantão até o dia 31 de janeiro. Nesse período, só são tomadas decisões em medidas urgentes pelo ministro em plantão. Por isso, Janot vai levar os inquéritos ou eventuais denúncias – se não for necessária investigação – contra os políticos apenas em fevereiro.

Ele já havia informado que, com a análise das delações de Youssef e Paulo Roberto Costa, já tinha elementos suficientes para pedir ao STF o “desmembramento” dos casos. Permanecerão no Supremo inquéritos contra parlamentares, autoridades com prerrogativa de foro e casos em que a atuação no esquema estiver diretamente ligada aos políticos. A delação de Alberto Youssef já foi encaminhada pelo PGR ao relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki. Cabe ao ministro homologar a delação, assim como fez no caso de Paulo Roberto Costa.

Nas delações feitas em Curitiba (PR), Costa e Youssef citaram “dezenas” de parlamentares, segundo o próprio ex-diretor. Eles relataram repasses para políticos como os senadores petistas Gleisi Hoffmann (PR) e Humberto Costa (PE), além de partidos como PP e PMDB e do tucano Sérgio Guerra, que morreu em março. A Polícia Federal também interceptou diálogos entre Youssef e os deputados André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SD-BA).

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 21:54

OS DONOS DO BRASIL – Vaccari tem apartamento no mesmo prédio do tríplex de Lula, aquele da falida (para os pobres-coitados!) Bancoop!

Por Alexandre Hisayasu, na VEJA.com:O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é o único sortudo a ter comprado um tríplex no edifício Solaris, no Guarujá (SP), uma das poucas obras iniciadas pela Bancoop que foram concluídas. O atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, pagou por um apartamento no mesmo prédio. Seu nome consta de um documento oficial, feito em 2006 pela Bancoop, que lista os “cooperados ativos” do edifício – ou seja, que estavam com os pagamentos das parcelas em dia. Procurada, a assessoria do petista disse que ele não iria comentar o assunto.

A Bancoop quebrou em 2006, quando era presidida por Vaccari. Deixou 32 obras inacabadas e mais de 3 500 famílias na rua da amargura. O  edifício Solaris foi uma das oito obras assumidas pela OAS depois disso. À beira da praia e com vista para o mar, o prédio tem três tipos de apartamentos – as coberturas triplex, alguns duplex de 162 metros quadrados e outros de um pavimento, com cerca de 100 metros quadrados. O de Lula, que ficou pronto neste ano, pertence à primeira categoria. Fica no 16º andar, tem elevador privativo e 297 metros quadrados. Além de Vaccari, também constam da lista de cooperados do Solaris a mulher de Freud Godoy, o ex-assessor de Lula que ficou famoso no caso dos aloprados, em que militantes petistas foram presos tentando comprar um dossiê com informações falsas contra o tucano José Serra.

O fato de o edifício onde o ex-presidente tem apartamento ter sido um dos poucos que ficaram prontos irritou cooperados que continuam até hoje sem ver a cor dos imóveis pelos quais passaram anos pagando. “Queremos saber por que há tantas obras inacabadas, enquanto algumas poucas são construídas tão rapidamente”, disse um dos conselheiros da entidade de lesados pela Bancoop, Marcos Sérgio Migliaccio.

A Bancoop quebrou, segundo o Ministério Público, com um rombo de pelo menos 100 milhões de reais, porque seus dirigentes desviaram dinheiro pago pelos mutuários para “fins escusos”. Segundo o promotor José Carlos Blat, parte do dinheiro foi para financiar campanhas eleitorais do PT. Vaccari é um dos cinco réus que respondem na Justiça por estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 15:37

A fala indecorosa de Lula no Ministério da Justiça. Ou: Ele NÃO ANDOU LENDO Platão, Aristóteles e John Locke

Luiz Inácio Lula da Silva, o Poderoso Chefão do PT, que já autorizou, por incrível que pareça, o lançamento de sua candidatura à Presidência para 2018, participou nesta quinta-feira de uma solenidade, no Ministério da Justiça, em homenagem aos dez anos da reforma do Judiciário e à criação do Conselho Nacional de Justiça. Discursou. Sabe-se lá por quê. Mas discursou. E afirmou o seguinte:
“Nesse momento em que se realizam investigações capazes de conduzir ao expurgo de práticas ilícitas de corruptos e corruptores, há setores que se lançam à manipulação da denúncia e ao vazamento seletivo de inquéritos com indisfarçável objetivo político-partidário (…). Pessoas e instituições investigadas tornam-se alvo de prejulgamento público sem acesso proporcional ao direito de defesa”.

Ulalá! Não se trata, à diferença do que parece, de uma defesa do Estado Democrático e de Direito. O que Lula faz é a defesa do seu partido e, na prática, de sua própria herança. A casa de horrores em que se transformou a Petrobras não é uma exceção à regra; estamos diante da exposição de um método e de um jeito de entender a coisa pública. Aliás, não falta apenas substância a esse discurso de Lula; faltam também os sensos de decoro e de ridículo. Fazer a defesa de uma tese em causa própria numa solenidade voltada à defesa da Justiça é só mais uma ação imprópria deste senhor, cuja atuação política nunca primou pelo respeito às instituições.

Segundo Lula, “setores partidários e da imprensa fazem tábula rasa de sagrados princípios do Estado de Direito”. Eis aí: trata-se de mais uma tentativa, a enésima, de intimidar a imprensa, buscando vincular o seu trabalho a uma forma de antipetismo. Ora, se, ao revelar os bastidores dos descalabros que atingem o país, o jornalismo esbarra em interesses do PT, e preciso que a gente apele à lógica para constatar: é o PT que está comprometido demais com os descalabros.

Essa não é, de resto, a fala típica de Lula. Esse texto meio pomposo deve ter sido redigido por algum estafeta. O dono do PT deve desconhecer o conceito de “tábula rasa”. Certamente não se referia a tertúlias herdadas de Platão e Aristóteles, atualizadas por John Locke. A Lula não interessa saber se o homem traz consigo ideias inatas ou se nasce oco de verdades, adquirindo-as ao longo da vida. Ele já deixou claro que especulações filosóficas lhe dão sono. Dorme até lendo livros do Chico Buarque — e, nesse particular apenas, como censurá-lo?

Lula, sim, construiu a sua carreira política fazendo “tábula rasa” dos que vieram antes. Ele, sim, procurou raspar a tábua das biografias alheias, para sobrepor ao antigo escrito a sua própria versão da história. Foi assim que inventou uma suposta herança maldita e cravou o bordão “Nunca antes na história deste país”, como se o Brasil tivesse sido descoberto e fundado pelo PT.

Lula reclama agora porque, com efeito, a sua herança maldita reduziu a Petrobras a um sexto do que ela chegou a valer no mercado. E, nunca antes na história deste país, se viram escândalos da magnitude do mensalão e do petrolão.

De resto, quem é Lula para reclamar do vazamento de investigações? Incrustado na máquina do estado e nos três Poderes da República, o PT sempre usou o acesso a informações privilegiadas sobre a vida dos indivíduos para fazer política e para defender os próprios interesses. Ou a quebra informal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa não restará para a história como o emblema da mobilização da máquina do estado contra um homem pobre que teve a má sorte de se ver em meio a um enredo macabro protagonizado pelo partido?

Esse Lula moralizador dos costumes, esse Catão de fancaria, não convence ninguém. O PT, sim, tentou manipular a história e está sendo desmoralizado pelos fatos.

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 15:15

Criação de empregos no Brasil cai 82% em novembro

Na VEJA.com:
O Brasil abriu 8.381 vagas formais de trabalho em novembro, segundo o último balanço do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho (MTE) nesta quinta-feira. Trata-se do pior dado para novembro desde 2008. Apesar de positivo, o número mostra uma queda de 82,35% na comparação com as 47.486 vagas criadas em novembro de 2013, na série sem ajuste. Em outubro, houve fechamento de 30.283 postos com carteira assinada. Mediana das estimativas da AE Projeções apontava para o fechamento de 24.000 vagas.  O mercado de trabalho brasileiro acumula criação de 938.043 de empregos formais até novembro em 2014, o menor resultado para o acumulado do ano desde 2003, quando houve abertura de 860.887 vagas na série com ajuste. Em relação a 2013, a queda é de 39,3%.

A forte queda na geração de vagas ocorreu em função de demissões no setor de construção civil, que reduziu 48.894 postos no mês passado, seguido pela indústria de transformação, com fechamento 43.700 vagas, e pela agricultura, com fechamento 32.127 de vagas. O desempenho dos três setores comprometeu o resultado positivo do comércio, com geração de 105.043 empregos em novembro. O setor de serviços também criou empregos, totalizando 29.526 novas vagas no mês passado. Os números de criação de empregos formais do acumulado de 2014, e de igual período dos últimos anos, foram ajustados para incorporar as informações enviadas pelas empresas fora do prazo (até o mês de outubro). Os dados de novembro ainda são considerados sem ajuste.

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 14:35

CPI da Petrobras aprova relatório de petista e encerra trabalhos

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobras encerrou seus trabalhos nesta quinta-feira com a aprovação do relatório elaborado pelo deputado Marco Maia (PT-RS). O texto, que pede o indiciamento de 52 pessoas, mas poupa a presidência da estatal e o Palácio do Planalto, teve dezenove votos favoráveis e oito contrários.  O texto do petista foi alterado nesta quarta-feira. A versão anterior era mais branda: não falava em indiciamentos e nem admitia prejuízos na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. O petista alterou o relatório e agora admite um prejuízo de 561 milhões de reais na aquisição.

O trabalho da CPI pouco avançou em relação às investigações da Justiça e dos órgãos de controle. A lista de indiciados é praticamente a mesma – e inclui empreiteiros e ex-diretores e gerentes da empresa, como Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Pedro Barusco. O relatório também menciona um superfaturamento de 4,2 bilhões de dólares na refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco e cita “fortes indícios” de que funcionários da empresa receberam propina da holandesa SBM Offshore. Mas não é conclusivo sobre o grande esquema de desvios e pagamentos de propina que envolvia políticos e autoridades da empresa: pede apenas o aprofundamento das investigações.

A votação final se deu no último dia de trabalho dos parlamentares – apesar de o recesso se iniciar na terça-feira, os deputados e senadores não devem retornar ao Congresso até fevereiro. Por isso, havia o risco real de que a CPI se encerrasse sem um relatório. A votação marcada para a noite desta quarta foi adiada por falta de quórum. Nesta quinta, entretanto, tanto a base quando a oposição marcaram presença. Os oposicionistas queriam a aprovação de um relatório alternativo apresentado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). O texto dele pede 61 indiciamentos, inclusive o da presidente da estatal, Graça Foster. O documento também mencionava o papel do Palácio do Planalto no esquema criminoso. 

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), disse que o relatório é “chapa-branca”. “É um sinal de que não querem aprofundar nenhum tipo de investigação. O que eles querem é passar a mão na cabeça, blindar, jogar para baixo do tapete”, diz ele. Já o relator se defende: “O meu relatório não é governista. Ao contrário: aponta todos os esquemas que havia na Petrobras”, afirma Marco Maia.

A oposição já dá como certa a criação de uma nova CPI da Petrobras no começo da próxima legislatura. Por um requerimento do deputado Onyx Lorenzoni, as informações obtidas na Comissão Parlamentar de Inquérito foram colocadas à disposição e poderão ser aproveitadas em uma eventual segunda CPI. “Está garantido. No momento da instalação da CPI, esse acervo será transferido”, diz ele. Já o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), prefere aguardar: “Vamos analisar na próxima legislatura se a necessidade de uma nova CPI”. 

A CPI da Petrobras foi instalada em maio, apesar da forte resistência do governo e da base aliada. O objeto inicial de investigação era apurar irregularidades cometidas entre 2005 e 2014: a compra da refinaria de Pasadena, o lançamento de plataformas inacabadas, o pagamento de propina a funcionário da estatal e o superfaturamento na construção de refinarias. 

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 4:56

LEIAM ABAIXO

Em vez de pedir demissão, Graça força um chororô decoroso e deixa claro que balanço da Petrobras não terá credibilidade nem 700 dias. É espantoso!;
Sabem que importância tem o acordo entre Obama e os Irmãos Castro? Nenhuma!;
Cartas do papa Francisco abriram caminho para acordo entre EUA e Cuba;
CPI Mista da Petrobras pode ficar sem relatório final;
CPMI DA PETROBRAS – Nada como o eleitor para levar um político a descobrir a diferença entre a verdade e a farsa;
CGU: Petrobras teve prejuízo de US$ 659,4 milhões com Pasadena;
CPI da Petrobras: Maia muda relatório, pede o indiciamento de 52 e admite prejuízo em Pasadena;
Oposição vai à luta. É o caminho! Cada um no seu quadrado;
Justiça aceita denúncia contra Cerveró e Fernando Baiano;
Deputado do DEM apresenta pedido de indiciamento de Graça Foster;
Graça Foster: “Eu e diretores precisamos ser investigados”;
Cuba e EUA – Embargo só fornece munição ideológica ao Coma Andante e ao Anão Tarado;
EUA e Cuba trocam prisioneiros. Obama deve anunciar mudanças nas relações com a ilha;
— FHC não quebrou o Brasil, mas o PT quebrou a Petrobras. Ou: Perda de valor de mercado corresponde a mais de 25 anos de Bolsa Família. Dilma, no entanto, brinca com Graça de Clube das Luluzinhas Enfezadas;
— Caso Celso Daniel – O surrealismo da Justiça brasileira. É estupefaciente!;
— Acusados sem foro privilegiado serão julgados pela Justiça do PR, decide STF;
— Justiça aceita denúncia contra executivos da Camargo Corrêa e irmão de ex-ministro;
— Conselho de Ética abre processo contra Bolsonaro. É o certo! Se ele não se desculpar com as mulheres, que seja punido. Ou: Será mesmo que eu quero a simpatia das esquerdas?;
— É o fim da picada o jornalismo do nariz marrom falar de Lula candidato antes do fim de 2014, enquanto a Petrobras, sua herança maldita, afunda!

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 4:27

Em vez de pedir demissão, Graça força um chororô decoroso e deixa claro que balanço da Petrobras não terá credibilidade nem em 700 dias. É espantoso!

Graça Foster, a presidente da Petrobras, concedeu nesta terça-feira uma entrevista patética a um grupo de jornalistas. Ele admite que a empresa não tem condições de estimar o rombo provocado pela roubalheira. Tentando afetar uma humildade decorosa, afirmou que ela própria e todos os diretores podem e devem ser investigados. Também acho. Mas, para tanto, ela tem de sair de lá. Ela e todos os parceiros de diretoria. Disse, no entanto, que seguirá no cargo enquanto contar com o apoio da presidente Dilma Rousseff. Ok. É a outra Luluzinha quem decide. Mas a confiança da amiga vale muito pouco diante da desconfiança do mercado. Enquanto isso, a Petrobras derrete.

Disse Graça: “Não há a menor segurança de que em 45 dias, 90 dias, 180 dias, 365 dias, 700 dias, de que virão todas essas informações [sobre os desvios] em sua plenitude, porque pode vir uma informação agora e, depois, três ou quatro anos… Não sei como vai ser isso”. Diga aí,  leitor, que empresa de auditoria aceitaria assinar um troço desses?

Graça concedeu a entrevista no dia em que a Controladoria Geral da União admitiu que, só na operação de compra da refinaria de Pasadena, a empresa teve um prejuízo de US$ 659 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão), menor do que os US$ 792 milhões (R$ 2,1 bilhões) apontado antes pelo TCU. Como esquecer que, há não muito tempo, a mesma Graça que fez ontem seu exercício de humildade, foi ao Congresso para defender a compra, dizendo que ela era justificada à época?

Não só isso. Também foi ela quem assegurou no fim de março que não havia sinais de pagamento de propina na relação da Petrobras com a empresa holandesa SBM Offshore, conforme havia noticiado a VEJA em fevereiro. No mês passado, ela confirmou que havia, sim, irregularidades, das quais ela saberia desde meados do ano. É mesmo? E ela contou isso pra quem?

Ah, sim: a CGU determinou que a Petrobras instaure processos para cobrar o prejuízo de 22 pessoas, apontadas como responsáveis pela compra da refinaria de Pasadena, incluindo o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli, os ex-diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada.

A sangria da Petrobras parece não ter fim e tende a piorar, com os processos que começam a pipocar no exterior. Mais: se a estatal não apresentar o seu balanço devidamente auditado até o primeiro semestre do ano que vem — e quem se atreve a fazer essa auditoria?, insisto na pergunta —, aquela que já foi a maior empresa brasileira passa a figurar na “lista de inadimplentes” da Comissão de Valores Mobiliários. Essa lista reúne as empresas que não cumprem suas obrigações com a comissão e funciona como uma advertência para afastar investidores.

A Petrobras, hoje, está condenada. E Dilma parece não ter se dado conta do tamanho do problema. É espantoso!

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 3:19

Sabem que importância tem o acordo entre Obama e os Irmãos Castro? Nenhuma!

Cuba é um fetiche. Datado, sim, mas ainda um fetiche. Para esquerdistas e direitistas. Que importância efetiva tem no mundo? Nenhuma! De que forma pode interferir nos destinos do Planeta ou que peso político tem no Caribe ou na América Latina? Inferior a zero. Do país, restou a memória de uma revolução que seduziu esperançosos e incautos e que terminou numa ditadura feroz, ainda capaz de arreganhar os dentes ao menos aos nativos.

A chamada Crise dos Mísseis, em 1962, reforçou o simbolismo. Kruschev, o líder soviético, mandou instalar mísseis nucleares em Cuba, em suposta resposta à decisão americana de instalar esse armamento na Turquia, na Itália e na Grã-Bretanha. Teve de sair com o rabo entre as pernas. O presidente Kennedy endureceu o jogo, e o mundo chegou bem perto de uma guerra nuclear. O líder soviético acabou retirando toda aquela estrovenga na ilha.

Se querem mais informações a respeito, assistam ao magnífico documentário “Sob a Névoa da Guerra: Onze Lições da Vida de Robert S. McNamara”, de Errol Morris, lançado em dezembro de 2003. McNamara foi o secretário de defesa dos EUA entre 1961 e 1968 e conta detalhes impressionantes daquela crise. Adiante.

Depois de uma troca de prisioneiros, o presidente Barack Obama decidiu normalizar, no limite do possível, as relações com a Cuba dos irmãos Castro. Haverá troca de embaixadores, as restrições para o envio de dinheiro à ilha diminuirão, poderá haver cooperação tecnológica etc. Ainda não é o fim do embargo, o que só pode ser decidido pelo Congresso dos EUA. Atenção: a divisão, nesse caso, não se dá entre democratas e republicanos. Nos dois partidos, há ferozes críticos dessa aproximação.

Dificilmente o embargo chegará ao fim enquanto Cuba não permitir eleições livres e enquanto o país funcionar em regime de partido único. O embargo, como já deixei claro aqui em outro texto, nada tem a ver com a penúria em que vivem os cubanos, mas fornece munição ideológica a Fidel e Raúl Castro. Se caísse amanhã, o país seguiria sendo uma fazendola de ditadores jecas.

O alarido que se faz por aí em razão desse acordo, mediado pelo papa Francisco, remete a um mundo que já não há, ainda que Cuba tenha deixado alguns maus resquícios na consciência latino-americana. Regimes excrescentes como o venezuelano, o equatoriano, o boliviano e o nicaraguense são filhos diletos do castrismo. São ditaduras mitigadas, mas ditaduras ainda assim.

Não deixa de ser curioso que o governo americano busque a aproximação com Cuba quando impõe sanções à Venezuela, que, bem, ainda não é um regime cubano, mas sonha ser. Obama logra um pequeno êxito, em meio a uma notável coleção de desastres em política externa, e os Castros conseguem uma folguinha e dão uma aparência mais civilizada à ditadura.

Só para constar: o regime comunista de Cuba, ainda em vigência, é um dos mais criminosos do planeta. Estimam-se em 100 mil os mortos de sua “revolução” — 17 mil fuzilados, e os demais, creiam, afogados, tentando deixar o país. Doze milhões de cubanos moram na ilha, mas os exilados passam de dois milhões. O regime castrista criou o primeiro campo de concentração da América Latina. O país ainda prende pessoas por delito de opinião e conserva presos políticos em suas masmorras.

Reitero: não tem mais importância nenhuma, mas restou, para os esquerdistas nada preocupados com os direitos humanos, como símbolo da luta anti-imperialista. Para os anticomunistas, como símbolo do horror de que são capazes as esquerdas quando chegam ao poder.

Assim, meus caros, deixo claro: sabem qual é o impacto que tem no mundo o acordo costurado entre Obama e os Irmãos Castro? Inferior a zero. Mas rende notícia que é uma barbaridade.

Só para não deixar passar: quem mantém relações especiais com Cuba, estes sim, são os petistas, aqui do Brasil. Afinal, a ilha recebe quase R$ 1 bilhão por mês em razão do programa “Mais Médicos”. Todo mundo sabe que o dinheiro sai. Se, depois, ele volta, não há como saber. Ditaduras não gostam de fornecer informações. E, não custa lembrar, o Brasil financiou a construção do porto de Mariel com verbas do BNDES. Quanto? A informação é considerada sigilosa.

Cuba não tem importância, mas pode servir a propósitos nem sempre transparentes dos países amigos.

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 2:32

Cartas do papa Francisco abriram caminho para acordo entre EUA e Cuba

Na VEJA.com:
As negociações que resultaram na reaproximação de Estados Unidos e Cuba tiveram uma contribuição valiosa do papa Francisco. Em seus discursos simultâneos nesta quarta-feira, o presidente Barack Obama e o ditador Raúl Castro fizeram questão de agradecer ao pontífice por sua intermediação. “Em particular, eu quero agradecer a sua santidade o papa Francisco, cujo exemplo moral nos mostra a importância de buscar um mundo como ele deveria ser, em vez de simplesmente se conformar com o mundo como ele é”, disse Obama em seu pronunciamento.

As conversas, que se prolongaram por dezoito meses, tiveram um momento crucial em meados deste ano, quando o papa enviou cartas a Obama e Castro fazendo um chamado para que os dois lados “resolvessem questões humanitárias de interesse comum, incluindo a situação de alguns prisioneiros, para dar início a uma nova fase nas relações”. O Vaticano também recebeu delegações dos dois países para um encontro mediado pelo cardeal Pietro Paroli, secretário de Estado.

Após os discursos de Obama e Raúl, a Santa Sé informou que o papa Francisco “ficou vivamente alegre” com o restabelecimento das relações. Acrescentou que o objetivo ao acolher as delegações para conversas em outubro foi “oferecer seus bons ofícios para favorecer um diálogo construtivo sobre temas delicados, de onde surgiram soluções satisfatórias para ambas as partes”. “A Santa Sé continuará apoiando as iniciativas que as duas nações vão empreender para favorecer o bem-estar de seus respectivos cidadãos”, concluiu o comunicado.

De acordo com o The New York Times, o papel do papa nas negociações ajudou a “polir” a imagem do Vaticano como um “corretor” na diplomacia global. O jornal afirmou ainda que ação reforça a imagem de liderança de Francisco. O restabelecimento de relações normais entre os dois países tem sido uma causa observada por vários papas, mas o tema ganhou mais importância depois que a Igreja Católica passou a ser liderada pela primeira vez por um papa de origem latino-americana.

O tema integrou a agenda da visita de Obama ao Vaticano em março deste ano, informou o jornal britânico The Guardian, lembrando que o secretário de Estado americano John Kerry encontrou seu homólogo no Vaticano no início desta semana. A narrativa oficial do Vaticano sobre o conteúdo das conversas, no entanto, foi de que elas ficaram concentradas nos esforços para fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba.

Após mais de cinco décadas de enfrentamento, EUA e Cuba anunciaram em conjunto uma reaproximação. O anúncio ocorreu depois de o governo do presidente Barack Obama libertar três espiões cubanos que cumpriam pena no país desde 2001 em troca de um oficial de inteligência americano que estava há quase 20 anos preso em Cuba. Na barganha, também foi incluído de maneira não oficial o especialista em ajuda humanitária Alan Gross, que estava preso na ilha há cinco anos.

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2014

às 2:28

CPI Mista da Petrobras pode ficar sem relatório final

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A CPI da Petrobras corre o risco de ser encerrada sem um relatório final, após o esvaziamento da reunião marcada para a noite desta quarta-feira. Boa parte dos governistas se ausentou da sessão agendada para as 21 horas. Eles tinham uma desculpa: o fato de o plenário do Senado prosseguir em sessão deliberativa. Um novo encontro foi marcado para as 10 horas desta quinta-feira. Se não houver quórum, dificilmente a CPI será concluída com um relatório final, já que o Congresso entra em recesso parlamentar na terça-feira. Em 1º de fevereiro, terá início uma nova legislatura, e por isso a CPI teria de ser recriada.

A oposição se mobilizou para abrir a reunião da CPI mesmo sem a presença do presidente, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e do vice-presidente, o senador Gim Argello (PTB-DF). Os parlamentares presentes optaram por iniciar os trabalhos sob a presidência de José Carlos Araújo (PSD-BA), que era o mais idoso entre os presentes. O argumento para abrir a sessão era o de que, como o plenário estava em sessão extraordinária, não seria preciso aguardar o fim das votações para iniciar a CPI. A justificação foi rebatida pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo ele, a reunião presidida por Araújo não tinha nenhum efeito concreto. De qualquer forma, não havia o quórum mínimo necessário para que a CPI pudesse deliberar. Assim, a reunião “clandestina” foi encerrada.

O texto sugerido pelo relator da CPI, o deputado Marco Maia (PT-RS), pede 52 indiciamentos e admite irregularidades na estatal, apesar de fazer uso de atenuantes. Já o relatório alternativo da oposição indicia 61 pessoas, entre elas a presidente Graça Foster, e pede uma investigação sobre o papel da presidente Dilma Rousseff nos desvios.

Maia assegura que o texto da CPI será votado nesta quinta: “É uma interpretação do presidente do Senado, Renan Calheiros, que disse não ser possível a votação na comissão enquanto estiver aberta a ordem do dia no Plenário. Por isso os parlamentares da base nem vieram”, afirmou. Já o tucano Carlos Sampaio (PSDB-SP) acredita em manobra: “É evidente que houve manobra do governo, que nunca apostou nessa comissão. Os regimentos são claros. Se a sessão do plenário do Senado for extraordinária, pode-se votar nas comissões”, disse ele.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 20:28

CPMI DA PETROBRAS – Nada como o eleitor para levar um político a descobrir a diferença entre a verdade e a farsa

Pois é… Que bem a democracia e a liberdade de informação fazem à verdade e até à reputação dos petistas, não é mesmo? Chega a ser comovente a rapidez e a determinação com que o deputado Marco Maia (PT-RS) mudou de ideia sobre o relatório da CPMI da Petrobras. Ele não iria pedir o indiciamento de ninguém: agora, vai pedir de 52. Ele até havia reconhecido corrupção na compra da refinaria de Pasadena, mas considerou que a operação estava adequada aos valores de mercado. Agora, não mais: admite um prejuízo de US$ 561,5 milhões — aproximadamente, R$ 1,5 bilhão. Ainda é inferior aos US$ 792 milhões apontados pelo TCU, mas já é uma montanha de dinheiro para quem achava não haver nada de muito errado até anteontem.

Entre aqueles que o relator acha que devem ser indiciados estão Renato Duque, o ex-diretor de Serviços indicado pelo PT; Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento indicado pelo PP; Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional indicado pelo PMDB, e Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços, braço-direito do petista Duque. Sim, Maia, inicialmente, não queria pedir o indiciamento nem de Barusco, embora este tenha aceitado devolver nada menos de US$ 97 milhões aos cofres públicos. O relator pede ainda que 20 empresas sejam investigadas, incluindo todas as empreiteiras que aparecem na Operação Lava Jato. Entre os crimes apontados por ele, estão formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, crime contra a ordem tributária e destruição de provas judiciais.

O que levou Maia a mudar de ideia? O medo das urnas. Ele percebeu que o assunto “Petrobras”, desta feita, não vai morrer logo. A empresa pode morrer primeiro. E o seu relatório restaria para a história como um símbolo da indignidade. Imaginem o Congresso Nacional, pelas suas mãos, a referendar as ações da quadrilha que tomou conta da empresa. E, vocês sabem, quem tem eleitor tem medo.

O parlamentar pernambucano Ricardo Fiuza, que já morreu, dizia que não há nada mais importante para fazer um político mudar de ideia do que o “fato novo”, tenha ou não esse fato conexão com a mudança. Maia precisava de uma desculpa para justificar a nova postura. E achou: até a auditoria da Controladoria-Geral da União aponta os descalabros. Ele só precisava de uma desculpa. E encontrou.

Muito bem: mesmo assim, a oposição decidiu apresentar um relatório paralelo, em que pede também o indiciamento de Graça Foster e aponta a proximidade de Dilma Rousseff com Paulo Roberto Costa. Como negar? O homem chegou a ser convidado para ser… ministro das Cidades!

Ainda que o relatório aprovado seja o do governista Maia, o Congresso se livra de um novo vexame. Só para lembrar: uma CPI foi instalada em 2009 para investigar irregularidades na Petrobras foi esmagada pela base governista. Eram tempos em que José Sérgio Gabrielli posava de ditador da Petrobras e recebia prêmios internacionais. De lá pra cá, a empresa perdeu R$ 602 bilhões em valor de mercado — 25 anos de Bolsa Família. Desta feita, os fatos se impuseram à determinação de nada investigar.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 20:27

CGU: Petrobras teve prejuízo de US$ 659,4 milhões com Pasadena

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu nesta terça-feira auditoria que aponta que a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, representou prejuízo de 659,4 milhões de dólares para a Petrobras. Os valores incluem a compra, em duas etapas, da unidade de refino nos Estados Unidos, as cifras desembolsadas no procedimento arbitral pago pela empresa e o dinheiro repassado no acordo extrajudicial com a empresa belga Astra Oil, ex-parceira na transação. “O que se esperava dos gestores da Petrobras era a busca pelo menor preço, por óbvio, dentro dos limites da legalidade e da moralidade administrativa. Contudo, o que se observou foi que a negociação da Refinaria de Pasadena já se iniciou em patamares superiores às melhores estimativas feitas pela consultoria contratada”, resumiu a CGU, em relatório.

O veredicto do próprio Executivo representa mais um revés para o governo, que tentava justificar a malfadada operação alegando que o Conselho de Administração da estatal, presidido na época da transação pela então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, havia sido induzido ao erro por pareceres falhos elaborados pelo então diretor da Área Internacional da petroleira, Nestor Cerveró. “A análise dos fatos evidencia que os aspectos negativos e desvantajosos da transação, nas dimensões técnica, econômica, contábil, tributária e jurídica, não foram devidamente considerados no momento da parametrização do Estudo de Viabilidade Técnico-Econômica do empreendimento, razão pela qual o referido estudo, que foi a principal fundamentação utilizada no processo decisório de aquisição da refinaria de Pasadena, é considerado não apenas falho, mas irregular, à medida que contém premissas alteradas para produzir resultado não condizente com a realidade do investimento”, diz a CGU na auditoria.

As conclusões da CGU, que apontam que a estatal brasileira pagou muito além do preço justo pela unidade de refino nos Estados Unidos, incluem ainda a abertura de processos administrativos contra 22 ex-dirigentes e funcionários da companhia, entre os quais o ex-presidente José Sergio Gabrielli e os ex-diretores da Área Internacional Nestor Cerveró, de Refino e Abastecimento Paulo Roberto Costa, de Serviços Renato Duque e Jorge Zelada, também ex-responsável pela Área Internacional.

Para a Controladoria da União, órgão responsável pelo controle e monitoramento do uso de recursos públicos, a Petrobras, ao decidir pela compra da refinaria de Pasadena, “não considerou todas as premissas aplicáveis ao negócio”, utilizou o “pior” método como compradora e afirmou que, se esses fatores tivessem sido avaliados, “resultariam na redução do valor máximo aceitável para a compra”. Na avaliação da CGU, a empresa brasileira utilizou, para justificar a operação Pasadena, a potencial rentabilidade do empreendimento, e não o valor dos ativos no estado em que se encontravam.

Os técnicos da Controladoria, ao analisar a compra da refinaria de Pasadena, destacaram ainda que a unidade de refino, na época da transação, encontrava-se em “situação quase falimentar”, já que na gestão da antiga proprietária, a empresa Crown, houve baixos investimentos em bens de capital e na manutenção de equipamentos. A auditoria da CGU também questiona a boa-fé e a injeção de recursos da belga Astra no empreendimento e afirma que “a análise dos fatos ocorridos no processo de aquisição de participação acionária pela Petrobras indica que a Astra promoveu simples revitalização, sem grandes investimentos, de uma empresa em estado quase falimentar, com severas dificuldades técnicas, tributárias, trabalhistas e ambientais, para lucrar na alienação no curto prazo, sem qualquer intenção de ingressar no mercado de refino de Petróleo, atividade esta para a qual não possuía expertise prévia”.

“Por mais contraditório que possa parecer, a Petrobras pagou pela refinaria de Pasadena um valor que levava em consideração os investimentos necessários ao Revamp (modernização), mas não tinha nenhuma garantia de que a Astra aportaria os recursos indispensáveis à expansão e à adaptação do empreendimento, o que reforça a tese de que os gestores da Petrobras envolvidos nesse negócio adotaram postura imprudente e antieconômica ao pagar pela PRSI um valor superior àquele que a refinaria valia no estado em que se encontrava”, completa a auditoria.

De acordo com a CGU, a transação foi baseada em cláusulas contratuais favoráveis à emprega belga Astra, que tinha o controle de Pasadena, sem compensar de forma justa a Petrobras, e sem dividir de forma equânime os riscos do negócio. A cláusula Marlim, por exemplo, previa à Astra Oil uma lucratividade de 6,9% ao ano independentemente das condições de mercado, enquanto a Put Option obrigava a empresa brasileira a comprar a outra metade da refinaria caso os dois grupos se desentendessem – o que acabou acontecendo.

O Tribunal de Contas da União (TCU) já havia analisado a operação Pasadena, considerada uma das mais desastrosas da história da estatal do petróleo, e constatado que a transação impôs à empresa prejuízo de 792 milhões de dólares. Ainda assim, a maior parte dos ministros daquela Corte consideraram, em julgamento de Plenário, que a decisão da petroleira de tentar esgotar todos os recursos judiciais antes de pagar a empresa belga Astra havia sido baseada em “critérios técnicos razoáveis sem nenhum dolo ou culpa dos administradores”.?

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 20:27

CPI da Petrobras: Maia muda relatório, pede o indiciamento de 52 e admite prejuízo em Pasadena

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O relator da CPI mista da Petrobras, deputado Marco Maia (PT-RS), alterou o relatório final da comissão e pediu nesta quarta-feira o indiciamento de 52 pessoas envolvidas nos desvios da estatal – entre elas, autoridades que ocupavam postos-chave na empresa, como os ex-diretores Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Pedro Barusco. Ele também mencionou vinte empresas, entre elas grandes empreiteiras, que devem ser investigadas por suas ligações com os desvios.

“A CPMI corrobora e ratifica os procedimentos de indiciamentos e denúncias adotados na esfera judicial e, considerando a existência de indícios bastantes, recomenda o aprofundamento das investigações com vistas a apurar a efetiva responsabilização de todos os investigados na Operação Lava Jato sobre os quais já foram produzidas provas de algum grau de envolvimento nos fatos apurados”, diz o relatório, que deve ir a voto nesta quarta.? No texto apresentado, o deputado afirmou que a primeira versão do documento havia sido mal interpretada porque não havia a palavra “indiciamento”, e sim “responsabilização”. Marco Maia cita os crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, crime contra a ordem tributária e destruição de provas judiciais.

Outra mudança importante diz respeito à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos: apesar de usar eufemismos, o petista agora admitiu um prejuízo de 561,5 milhões de dólares, ou aproximadamente 1,5 bilhão de reais, na transação. Marco Maia afirmou que sua mudança se deve a um relatório recebido da Controladoria-Geral da União (CGU) nesta terça-feira. “De fato, esta relatoria julga procedente a indicação do suposto prejuízo apontado no Relatório da Auditoria Especial da CGU, em virtude da necessária consideração da inocorrência do revamp [readequação da refinaria] para definição do valor total estimado”.

Ao contrário da CGU, entretanto, o petista não concordou que a Petrobras também perdeu mais de 800 milhões de dólares em outros dois momentos: quando teve de pagar para adquirir a parte da refinaria que cabia à empresa Astra Oil e quando, por um acordo extrajudicial, fez novos repasses à empresa.

A oposição preparou um relatório alternativo ao de Marco Maia. O texto também foi apresentado na reunião desta quarta-feira. Além de confirmar os desvios em contratos da estatal, a versão elaborada pelos oposicionistas faz menção a um esquema integrado de corrupção, por interesse do governo e do PT. “O petrolão, assim como o mensalão, nada mais são do que modelos de apropriação da coisa pública, por partidos políticos, para usufruto próprio, mediante negociações nada republicanas”, disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) durante a leitura do documento.

O relatório de Sampaio também pede o indiciamento da presidente da Petrobras, Graça Foster, por ter prestado falso testemunho à CPI. Quando esteve na comissão, ela afirmou que a Petrobras não havia detectado o pagamento de propina a funcionários da estatal por parte da holandesa SBM Offshore. Mas, como a própria Graça Foster admitiu em entrevista coletiva no mês passado, a Petrobras tinha conhecimento das irregularidades pelo menos desde abril.

O relatório da oposição também menciona a proximidade entre Paulo Roberto Costa e a presidente da República, Dilma Rousseff. Como VEJA revelou, o então diretor de abastecimento da Petrobras chegou a mandar um e-mail à então ministra da Casa Civil pedindo que o governo intervisse para evitar a paralisação de obras com irregularidades – o que de fato ocorreu. “Logo, o que se percebe é que Paulo Roberto Costa, já no comando da organização criminosa instalada na Petrobras, tinha forte influência sobre a ministra-chefe da Casa Civil”, concluiu o tucano.

A votação do relatório final da CPI mista foi adiada para as 20 horas para que a Câmara dos Deputados pudesse concluir uma sessão deliberativa.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 16:37

Oposição vai à luta. É o caminho! Cada um no seu quadrado

O papel da oposição é opor-se. Cabe ao governo governar. Cada um no seu quadrado, como dizia a molecada até outro dia. Quando um governo quer ser oposição e quando uma oposição quer ser governo, é o eleitor que está sendo traído. Está em curso no Brasil, sim, há muitos anos, um projeto que busca a hegemonia política, segundo as iluminações malignas do teórico comunista Antonio Gramsci, que busca fazer com que um partido tome o lugar da sociedade e se instale como um imperativo categórico, de modo que se torne impossível pensar fora dos parâmetros que ele define.

Muito bem! Esse partido — no caso, o PT — pode ter os delírios que quiser. Cabe a quem se opõe a ele resistir, cumprindo o seu papel, exercendo o mandato que lhe conferiu a sociedade. Sim, meus caros leitores, a oposição também ganha a eleição, também ganha um mandato: passa a ter o privilégio de representar a voz dos descontentes. E só assim a democracia é democracia. Desde, é claro, que todos aceitem jogar as regras do jogo, sem aventuras extralegais.

O PSDB decidiu apresentar ao TSE, nesta quarta, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral que, a depender do desdobramento, pode resultar no pedido de cassação do próximo mandato da presidente Dilma Rousseff. Tentativa de golpe? Inconformismo com as regras da democracia? Sabotagem? Não! Apenas o exercício da lei. Se ficarem comprovadas irregularidades, que se siga o que está escrito.

Há uma novidade em curso no Brasil, considerados os últimos 12 anos. Os que se opõem ao lulo-petismo também descobriram as ruas. A exemplo dos ditos movimentos sociais, que são apenas franjas do PT e seus satélites, que pareciam ser a única voz do país até outro dia, não são milhões de pessoas, mas apenas alguns milhares os que ocupam o espaço público. Mas vocalizam descontentamentos de verdadeiras legiões.

Numa democracia, respeitados os parâmetros legais, todo pleito é legítimo, inclusive, sim, o pedido para que Dilma seja alvo de um processo de impeachment. Para tanto, terá de ficar evidenciado que ela sabia das lambanças da Petrobras e nada fez para pôr um fim à bandalheira — ou, pior ainda, que foi beneficiária da sem-vergonhice.

A oposição também vai fazer um relatório paralelo à peça de surrealismo explícito de Marco Maia (PT-RS), o relator da CPMI da Petrobras, e deve incluir a responsabilização de Dilma Rousseff. É evidente que o texto não será aprovado, mas os que elegeram o PSDB como o porta-voz de suas esperanças e de suas aflições terão uma satisfação.

Um partido de oposição deve dizer “não” a tudo aquilo que propõe o governo, mesmo quando as alternativas apresentadas são boas para o povo e para o país? A resposta é negativa. Essa é a oposição de padrão petista, que se opôs ao Plano Real, à Lei de Responsabilidade Fiscal, às privatizações, à necessária reforma da Previdência. Uma oposição qualificada age de outra maneira e analisa o mérito do que está sendo proposto.

Ocorre que, quando o PSDB pede a investigação de ilícitos eleitorais ou quando cobra a responsabilidade da presidente Dilma no descalabro da Petrobras, não está apostando no “quanto pior, melhor”. Ao contrário: está exigindo que o Poder cumpra as leis. E, convenham, sempre que os homens públicos são chamados às suas responsabilidades, melhor. Exigir que tudo venha às claras é apostar no “quanto melhor, melhor”.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:46

Justiça aceita denúncia contra Cerveró e Fernando Baiano

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O juiz federal Sergio Moro aceitou nesta quarta-feira a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, o empresário e lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, o doleiro Alberto Youssef e contra o executivo Julio Camargo, da empresa Toyo Setal. Eles são acusados de crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção e lavagem de capitais.

De acordo com a acusação, Cerveró recebeu 15 milhões de dólares, a partir da mediação de Fernando Baiano, para a consolidação do contrato com a Samsung. Depois de ter embolsado a propina, Cerveró, na condição de diretor da Área Internacional da Petrobras, recomendou à Diretoria Executiva da estatal a contratação da empresa sul-coreana por 586 milhões de dólares. Em uma segunda etapa, por meio de Fernando Baiano, Nestor Cerveró teria recebido mais 25 milhões de dólares para que a Samsung conseguisse um contrato para o fornecimento de outro navio sonda para perfuração de águas profundas ao custo de 616 milhões de dólares. O total de 40 milhões de dólares em vantagens indevidas, que o empresário Julio Camargo afirma ter sido destinado a Fernando Baiano, terminou, segundo apuração do Ministério Público, nas mãos de Cerveró.

As revelações de Julio Camargo, que firmou um acordo de delação premiada, foram cruciais, na avaliação do juiz Sergio Moro, para que houvesse evidências suficientes contra o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras. “No que se refere à justa causa para a denúncia, a acusação baseia-se em larga medida em depoimentos prestados pelo criminoso colaborador Julio Gerin de Almeida Camargo [que] narrou em riqueza de detalhes os episódios do pagamento de propina”, afirma Moro. Para conseguir que a Justiça aceitasse denúncia contra Nestor Cerveró e contra Fernando Baiano, o Ministério Público elencou, conforme relata o juiz, “um número significativo de documentos que amparam as afirmações constantes nas denúncias” e “as dezenas de transações financeiras relatadas pelo criminoso colaborador e que representariam atos de pagamento de propinas e de lavagem de dinheiro”.

Na peça de acusação apresentada à Justiça, Nestor Cerveró foi denunciado duas vezes por corrupção passiva e 64 vezes por lavagem de dinheiro; Fernando Baiano, duas vezes por corrupção passiva e 64 vezes por lavagem; Julio Camargo, duas vezes por corrupção ativa, 64 vezes por lavagem e sete por crimes financeiros; e Alberto Youssef foi denunciado dezessete vezes por lavagem de dinheiro.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:44

Deputado do DEM apresenta pedido de indiciamento de Graça Foster

Na Folha:
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pediu à CPI da Petrobras o indiciamento de Graça Foster, presidente da estatal, e de diretores e ex-integrantes da cúpula da companhia. O parlamentar apresentou o chamado voto em separado, para contrastar com o relatório do deputado Marco Maia (PT-RS), que não determinou nenhum indiciamento.

O documento assinado por Onyx Lorenzoni acusa de terem cometido ilegalidades o ex-presidente José Sérgio Gabrielli; o atual diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza; os ex-diretores Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada. O deputado oposicionista pede ainda o indiciamento do ex-gerente Pedro Barusco. Entre os crimes listados no parecer de Lorenzoni há corrupção passiva e ativa, peculato, fraude à licitação e formação de organização criminosa. A sessão da CPI prevista para ocorrer na manhã desta quarta-feira (17) foi adiada para as 14h30 e deve começar em instantes.

Além do voto em separado de deputado do DEM, outros parlamentares da oposição vão apresentar um relatório paralelo ao de Marco Maia. Nele, devem propor novas punições, inclusive a agentes públicos como o deputado Luiz Argôlo, do Solidariedade da Bahia; ao ex-deputado André Vargas (PR-sem partido) e ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Os relatórios paralelos da oposição não devem ser votados se a CPI não aprovar o documento oficial, elaborado por Maia.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:39

Graça Foster: “Eu e diretores precisamos ser investigados”

Na VEJA.com:
Em meio a denúncias de corrupção na Petrobras, a presidente da estatal, Graça Foster, reconheceu que ela e diretores da companhia precisam ser investigados. “Eu preciso ser investigada, nós precisamos ser investigados, isso leva tempo”, afirmou a jornalistas. Pressionada para deixar o cargo, a executiva admitiu que “existem pessoas dentro da companhia preparadas para substituí-la. “Há dentro e fora da companhia pessoas que podem assumir a cadeira da presidente, mas acreditamos em nós, na nossa moral”, disse, considerando também outros diretores.  A operação Lava Jato da Polícia Federal, que já resultou na aceitação de várias denúncias pela Justiça Federal nesta semana, investiga um esquema de desvios em obras da estatal, envolvendo empreiteiras e pagamentos ilegais a políticos, que levou auditores independentes a se negarem a assinar o balanço do terceiro trimestre.

“Hoje estou aqui presidente da Petrobras enquanto eu contar com a confiança da Presidência, e ela (Dilma Rousseff) entender que eu deva ficar”, disse Graça Foster. “Minha motivação é não travar a assinatura do balanço da Petrobras por conta da investigação”, acrescentou.  Na última sexta-feira, a Petrobras adiou novamente a divulgação das demonstrações contábeis não auditadas do terceiro trimestre de 2014 para até 31 de janeiro, devido a desdobramentos da operação Lava Jato. O novo adiamento foi possível porque os credores aceitaram mudanças nos termos contratuais dos bônus (covenants) que tratam dos prazos para a apresentação dos resultados, eliminando o risco de a empresa ter que pagar antecipadamente parte da dívida crescente.

Ainda segundo Graça, a atual diretoria precisa ter uma sinalização positiva de que está em condições de permanecer, do ponto de suas práticas de governança, e para isso necessita ser investigada, o que poderá atrasar ainda mais a divulgação do balanço. Segundo reportagens publicadas pela imprensa nos últimos dias, a presidente da Petrobras teria sido avisada sobre irregularidades na estatal. Entre as denúncias publicadas por jornais estão o pagamento de 58 milhões de reais para serviços que não foram prestados na área de comunicação, em 2008; superfaturamento de 4 bilhões de dólares para mais de 18 bilhões de dólares nos custos da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; e contratações de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2014

às 15:20

Cuba e EUA – Bloqueio só fornece munição ideológica ao Coma Andante e ao Anão Tarado

Em que o chamado “bloqueio” dos EUA a Cuba enfraquece o regime dos Irmãos Castro? Em nada. Na verdade, fortalece porque lhe dá munição retórica para afirmar que as dificuldades econômicas da ilha decorrem desse bloqueio, não do modelo econômico, se assim se pode chamar, vigente na ilha. Acaba criando algumas dificuldades adicionais para a população — poucas — sem nenhum ganho político.

De todo modo, acho que a normalização das relações com Cuba não pode depender exclusivamente da troca de prisioneiros. Os EUA precisam tentar tirar algumas concessões a mais do regime. Quais? A ver. Sempre que o governo Obama negocia alguma coisa, ligo o desconfiômetro. A política externa dos EUA, sob Obama, é uma das mais incompetentes da história. O homem veio para que Jimmy Carter passasse da condição de pateta a grande estrategista, se é que entendem a piada.

Caso se tomem as medidas que estão em estudo — abertura de respectivas embaixadas, menos restrições para a exportação de equipamentos, mais liberalidade para a transferência de recursos —, ainda não se pode falar no fim do bloqueio, não estará caracterizada a plena normalização das relações, mas terá havido uma mudança substancial.

De resto, sejamos lógicos: quanto mais cubanos e americanos puderem manter relações de proximidade, melhor para os… cubanos, não é mesmo? Não há como os valores cubanos contaminarem os americanos, mas o contrário é possível.

A diminuição das restrições fará bem ao povo cubano. A manutenção do bloqueio só serve de munição ideológica ao Coma Andante e ao Anão Tarado.

Por Reinaldo Azevedo
 

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