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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

01/09/2014

às 7:05

LEIAM ABAIXO

Marina, a energia nuclear e os gays. Ou: Setores da imprensa criticam as bobagens menos relevantes da candidata do PSB…;
Contrato de venda de jatinho em viajava Campos não traz nem o nome do comprador; não vale nada!;
Dilma ataca programa de Marina para a indústria e sugere que ele pode desempregar. Bem, ela está.. certa!;
Não vamos arrochar salários nem assassinar velhinhas;
Entrevista de Serra: “Aécio sabe escolher bem a equipe; presidente não joga sozinho”;
Datafolha: é ruim para Aécio? É! Mas quem está no poder é o PT. Nesse caso, é pior. E o partido está fazendo tudo errado;
A fala indecorosa do vice de Marina Silva;
Boko Haram assassina cristãos no norte da Nigéria;
Grã-Bretanha eleva nível de ameaça terrorista;
Brasil em recessão: o país à espera de Godot. Será que ele usa xale e colares indígenas?;
Já começou a patrulha dos marineiros! Vão encher o saco do bagre do Jirau! “Beijinho no ombro”;
Economia brasileira entra em recessão técnica;
— O ódio a São Paulo e aos paulistas devotado pelo marido de Marina Silva, um de seus inspiradores políticos. Ou: Imaginem uma reforma tributária feita com este espírito…;
— Minha coluna na Folha: “Marina, a tirana de Brasília”;
— Janot pede revisão da Lei da Anistia. É mau direito e má ideia;
— Mais uma da “nova política”: Campos renovou incentivo fiscal de empresa que teria comprado jato de campanha do PSB. Ou: Caso de política e de polícia

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 6:55

Marina, a energia nuclear e os gays. Ou: Setores da imprensa criticam as bobagens menos relevantes da candidata do PSB…

O PSB lançou o seu programa de governo na sexta-feira. Trazia duas, vamos dizer, “inovações” em relação, se assim se pode dizer, ao “Marinismo Clássico”: o apoio ao desenvolvimento da energia nuclear e ao casamento gay. No capítulo dos direitos da chamada comunidade GLBT, hoje uma espécie de fetiche da imprensa dita “progressista”, a candidata prometia ainda apoio ao PLC 122 — a tal lei que criminaliza a homofobia. O texto ia adiante e dizia que o governo Marina também se comprometia com o tal Projeto de Lei da Identidade de Gênero Brasileira, de autoria dos deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Érika Kokay (PT-DF). A íntegra do texto, para os interessados, está aqui. Basicamente, o troço torna a identidade sexual de livre escolha, entenderam? Qual é o sexo do indivíduo para efeitos civis? Ele escolheria. Em que país do mundo é assim? Com essa largueza, em nenhum. Pô, se a gente tem jabuticaba e pororoca, por que não isso?

Muito bem! As coisas mudaram um pouco. Como lembrei no programa “Os Pingos nos Is”, na Jovem Pan, na sexta à noite, Marina Silva era contra o apoio ao desenvolvimento da energia nuclear. Pois é. E continua contra. Horas depois de o programa ter vindo à luz, interlocutores da candidata foram a público para divulgar a primeira errata. Não! Ela não quer dar apoio ao desenvolvido da energia nuclear. Um lembrete: Roberto Amaral, presidente do PSB, quando ministro da Ciência e Tecnologia de Lula, chegou a defender que o Brasil tivesse a bomba atômica. E como é que o programa veio a público sem a concordância de Marina? Vai saber…

Aí chegou a hora de fazer a segunda errata. Não! Marina, se eleita, não vai se comprometer com o casamento gay, mas apenas respeitar as consequências da decisão do Supremo, que equiparou as uniões civis hetero e homossexuais. Também não vai dar apoio formal ao PLC 122, a lei que criminaliza a homofobia, nem ao tal projeto sobre identidades sexuais.

Numa nota divulgada à imprensa, vazada naquela língua quase impossível falada pelo marinismo, ficamos sabendo que “em razão de falha processual na editoração, a versão do Programa de Governo divulgada pela internet até então e a que consta em alguns exemplares impressos, distribuídos aos veículos de comunicação, incorporou uma redação do referido capítulo que não contempla a mediação entre os diversos pensamentos que se dispuseram a contribuir para sua formulação e os posicionamentos de Eduardo Campos e Marina Silva a respeito da definição de políticas para a população LGBT”. Ufa!!! Ou por outra: o programa foi feito sabe-se lá por quem. Marina não concordava com ele.

Que coisa! O programa de governo de Marina faz algumas críticas à democracia que são, a meu ver, francamente obscurantistas; flerta com mecanismos pernósticos de democracia direta e, acho eu, diz coisas bastante perigosas sobre a indústria — tratarei desses assuntos em outra oportunidade. Mas só mesmo a mudança de redação do capítulo sobre os direitos da comunidade GLBT arrancou de setores da imprensa alguma crítica decepcionada. Atribui-se a alteração à religião de Marina, que pertence à Assembleia de Deus e foi, sim, criticada por muitos pastores.

Pois é… Quando há uma bolha favorável a alguém no noticiário, até a crítica funciona ao contrário, não é mesmo? Em vez de prejudicar, ajuda. De fato, todas as promessas que estavam no programa eram matéria a ser decidida pelo Congresso, não tarefa do Executivo. Uma coisa é um candidato se comprometer com o apoio genérico à causa da igualdade; outra, distinta, é entrar em minudências e garantir suporte a este ou àquele projetos em particular. Da forma como estava, com efeito, o programa de Marina mais tirava votos do que rendia adesões.

Nem entro no mérito se ela cobrou a alteração da redação pensando no eleitorado ou na sua religião. O que sei, e isto me parece claríssimo, é que a insistência da imprensa em atribuir as opiniões de Marina nessa área à sua confissão religiosa — e isso é sempre noticiado com viés negativo — mais fortalece do que enfraquece a candidata. O PLC 122 é um texto ruim e autoritário. A tal proposta sobre identidades sexuais, com a redação que tem, é uma aberração. Marina tem falado, a meu ver, bobagens estratosféricas — como aquela sobre os transgênicos. A correção do conteúdo do que ia no capítulo sobre a comunidade GLBT é um de seus acertos. Não obstante, é justamente esse o aspecto que mais lhe rendeu críticas na imprensa. Assim fica fácil demais para ela, não é mesmo?

Texto publicado originalmente às 4h39
Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 6:35

Contrato de venda de jatinho em viajava Campos não traz nem o nome do comprador; não vale nada!

Pois é… Sabem o jatinho em que morreu Eduardo Campos e mais seis? É aquele que, segundo Beto Albuquerque, agora vice na chapa de Marina Silva, NÃO É PROBLEMA do PSB! Seria, então, de quem? A Folha teve acesso ao contrato — ou algo assim… — de venda do avião, que pertencia à AF Andrade, para um comprador. Que comprador? Não dá para saber! O nome é ilegível. Leiam trecho da reportagem de Mario Cesar Carvalho. Volto em seguida.

*
A proposta que selou a compra, por US$ 8,5 milhões (R$ 19 milhões), do jato que caiu com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) não cita nome nem informações sobre quem adquiriu a aeronave e não foi registrada em cartório. O documento, obtido pela Folha, traz só uma assinatura ao lado do local e data da proposta de compra (Recife, 15 de maio de 2014), o que é inusual para um negócio de quase R$ 20 milhões. O empresário pernambucano que foi apresentado pelo antigo dono do jato como o comprador, João Lyra de Mello Filho, recebeu da reportagem uma cópia do documento, mas não quis comentar se a assinatura na proposta era dele. João Lyra é dono de uma financeira em Recife, já foi multado por lavagem de dinheiro e não tem capacidade financeira de assumir uma dívida de US$ 8,5 milhões, segundo a Cessna.

O fabricante do jato recusou o nome dele para herdar o financiamento por falta de capacidade econômica. No contrato, o comprador se dispõe a pagar “todos os custos operacionais diretos e fixos da aeronave”, incluindo manutenção e salários dos pilotos. Os vendedores do jato, Alexandre e Fabrício Andrade, são os donos do grupo A. F. Andrade, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que já teve a maior usina de álcool no país, mas está em recuperação judicial, com dívidas que somam R$ 341 milhões. A ausência do nome é um indício de que o jato pode ter sido comprado com recursos de caixa dois de empresários ou do partido, segundo policiais ouvidos pela Folha.
(…)
Três advogados ouvidos pela reportagem, dois deles sob condição de que seus nomes não fossem citados, classificaram o documento de “papel de pão”, gíria para designar algo sem validade.
(…)

Voltei
É impressionante que os dirigentes do PSB procurem fazer cara de paisagem diante de um troço como esse. Caso Marina Silva seja eleita, é claro que seu mandato já começa com um escândalo no armário — evidência escancarada da “velha política”.

Não se trata de jogar a responsabilidade do avião nas suas costas. A questão não é pessoal. Caso se eleja, ela chega ao poder com um grupo de pessoas, com quem vai dividir a gestão — ou ela vai se declarar independente do PSB também? De resto, quando Marina foi bater à porta de Eduardo Campos, foi em busca também de sua estrutura, não é? Se ela apenas quisesse participar do pleito, poderia ter escolhido uma das várias pequenas legendas que lhe ofereceram abrigo temporário.

Qualquer político estaria obrigado a explicar esse imbróglio. No caso de Marina, esse peso é ligeiramente maior porque ela aponta o dedo contra todo o processo político e o chama de “velho” e viciado. E aquele em que ela se ancora hoje? É o quê?

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 5:48

Dilma ataca programa de Marina para a indústria e sugere que ele pode desempregar. Bem, ela está.. certa!

Às vezes, é preciso que a gente se prepare para a hipótese de a presidente Dilma Rousseff estar certa, mesmo quando fala como a candidata Dilma Rousseff. Neste domingo, ela deu uma rápida declaração no Palácio da Alvorada e se disse preocupada com o conteúdo do programa de Maria Silva para a indústria brasileira. Como Marina apareceu em primeiro lugar no segundo turno em duas pesquisas, a do Ibope a do Datafolha, confesso que eu também me preocupei. Vai que ela se eleja. Não sei bem o que pode sair.

Muito bem! Mais de uma vez já critiquei aqui a alta carga tributária brasileira, que convive, não obstante, com desonerações concedidas a este ou àquele setores. Sei que a tarefa não é fácil e a resposta não é simples, mas melhor seria uma carga média mais baixa sem precisar escolher este ou aquele para conceder um prêmio. Mas é evidente que entendo que o governo brasileiro — a exemplo do que fazem todos — pode e deve criar mecanismos para dar incentivo à sua indústria. Ou por outra: uma política industrial é, sim, necessária: porque o setor gera os melhores empregos, os mais bem remunerados, e porque isso implica desenvolvimento de tecnologia. A perda de competitividade da indústria e sua queda na participação do PIB são, sim, problemas graves. Quem tiver dúvidas a respeito que pergunte ao resto do mundo, em especial à China.

O programa de Marina diz coisas estranhas em pelo menos dois momentos. No “Eixo 5”, pomposamente intitulado de “Novo Urbanismo, Segurança Pública e Pacto Pela Vida”, critica severamente a redução de IPI para a compra de carros. Com a devida vênia, é papo de ongueiro natureba. Esperem aí! A indústria automobilística emprega mais de 130 mil pessoas; a de autopeças, quase 330 mil; a de pneus, 26 mil. Quando se calculam os empregos indiretos, chegamos facilmente a alguns milhões. O governo Dilma cometeu muitas barbeiragens — e a redução de IPI não foi uma delas.

Na chamado Eixo 2, na página 73, o programa de Marina critica a forma como se dá a política de proteção ao conteúdo local de determinados setores da indústria, mas não diz exatamente o que pretende fazer, limitando-se a afirmar que tal iniciativa deve ter um tempo limitado e constituir exceções, não a regra. E ponto.

O PT percebeu a fragilidade das formulações do programa de Marina e aproveitou para atacar: “Eu não fui eleita para desempregar ou para reduzir a importância da indústria”. E emendou: “Nós não queremos que os carros sejam só montados no Brasil. Eles podem ser produzidos no Brasil, mas, sobretudo, sofrer no Brasil as inovações que são fundamentais na indústria”.

Pois é… Fazer o quê? De vez em quando, Dilma pode estar certa. Nesse caso, está. Qualquer presidente em seu lugar — e, antes dela, no de Lula — teria reduzido os impostos dos carros para manter os empregos. Se presidente, Marina teria feito o quê? Um retiro espiritual para meditar sobre o assunto? “Você não acha penoso, Reinaldo, ter de admitir que, em certos casos, Dilma fez a coisa certa?” Eu não! Já havia dito isso antes. Tenho compromisso com os fatos. E só.

 

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 5:45

Não vamos arrochar salários nem assassinar velhinhas

Érica Fraga e Mariana Carneiro, na Folha:
“Nomeado” futuro ministro da Fazenda, caso Aécio Neves (PSDB) vença a eleição, Arminio Fraga, 57, reclama do aparente patrulhamento, na sua opinião, do atual debate sobre problemas econômicos. Ele diz que precisa “fazer um discurso” antes de tratar de temas relevantes, como o reajuste do salário mínimo e as mudanças na previdência. “Senão, você é acusado de ser assassino de velhinhas, o que obviamente não é o caso.” Falar da discussão muda a fisionomia do (quase sempre pacato) economista: “Eu tenho que fazer um preâmbulo. Se não, imediatamente, o PT vai falar: Eles vão arrochar os salários, arrochar os aposentados’”, afirmou. Nesta entrevista à Folha, Arminio fala sobre uma das bases de maior apoio político de Aécio: a diminuição da oferta de empréstimos do BNDES. “O empresariado tem que se engajar numa posição mais moderna.” Para ele, sua “nomeação”, sozinha, não representa um choque de confiança. “Arminio Fraga não resolve nada.”

Folha – Se Aécio Neves vencer, qual será a regra de reajuste do salário mínimo?
Arminio Fraga
 -
O Aécio já declarou que a política de aumento real do salário mínimo continua. A regra, no mínimo, vale por um ano e a essa altura não vejo por que mudar –a preocupação é que ele [o reajuste] fique até baixo neste momento.
Eu disse, e fui mal interpretado, que os salários em geral tinham subido muito, e que para continuar a subir, o que é totalmente desejável e alcançável, o Brasil teria que mostrar também um crescimento da produtividade. Como acredito que, com Aécio, os salários vão subir, sinceramente, não tenho problema com essa fórmula.

Economistas próximos do sr. dizem que a regra atual onera a Previdência e desequilibra as contas do governo.
O papel de um futuro ministro da Fazenda não é tanto ter uma opinião a respeito disso, mas mostrar qual é o orçamento e qual é a tendência no médio prazo. Eu acho que isso está fazendo falta, o Brasil está voando no escuro, em um ambiente de um populismo exacerbado.

Vocês são críticos à atuação do BNDES, mas o banco oferece crédito barato para parte do empresariado. Como dizer para eles que isso tem de mudar?
O empresariado hoje entende que esse mercado de crédito dual, onde alguns privilegiados recebem crédito e a maioria não recebe, não é bom. Indiretamente põe pressão no juro, tem implicações distributivas perversas e, no fundo, existe porque outras coisas não estão funcionando.
Se outras coisas forem postas para funcionar, todo esse aparato de UTI pode ser removido. Fazer uma reforma tributária que desonere a exportação, o investimento, simplifique o sistema [tributário], tem um impacto enorme. Mobilizar capital para infraestrutura e arrumar a casa para ter um juro mais baixo para todo mundo tem um impacto enorme também.

Essas políticas, não só o crédito subsidiado, mas muitas das desonerações e do aparato protecionista, não são a resposta ideal.
À medida que se possa corrigir essas falhas, será possível desfazer esse caminho que não está dando certo. Alguém acha que a indústria no Brasil está indo bem, com todo esse crédito, subsídio e proteções?

Um ajuste fiscal envolveria cortar quais gastos?
A sociedade tem que fazer opções. O nosso papel é colocar essa discussão na mesa, de uma maneira que ela possa ser concluída com mais consciência dos custos e benefícios e quais são os efeitos do ponto de vista do crescimento, da distribuição de renda. Há um imenso espaço para fazer políticas que teriam impacto redistributivo relevante. O caminho a seguir foi mapeado pelo FHC. Ele tomou a decisão de delegar áreas que naquele momento faziam parte do governo para o setor privado, sob supervisão, para focar em saúde e educação. Foi um pacto extraordinário. Essa discussão tem que ser permanente.

O sr. falou em tirar subsídios e focar na redução da desigualdade. Como os empresários reagiriam?
Eles temem que a correção dos fundamentos [da economia] não ocorra e eles fiquem no pior dos mundos. Mas acho que o empresariado tem de se engajar numa posição mais moderna. O melhor exemplo é o Pedro Passos [sócio da Natura e colunista da Folha], que com muita coragem está quebrando todos os tabus e defendendo posições muito parecidas com essas. Acho que esse esgotamento do modelo já é entendido pela maioria. Ninguém gosta de ficar indo a Brasília negociar alguma coisa. Mesmo os que se beneficiavam mais disso estão vendo o Brasil parando.
Eu tenho a convicção de que arrumar a casa, fazendo ajustes, vai gerar crescimento. A recessão já chegou.
(…)

Por que a independência do Banco Central não é bandeira do PSDB?
Esse é um tema antigo e polêmico dentro do PSDB. O partido sempre gostou da ideia de dar autonomia ao Banco Central, mas com algum mecanismo de proteção em relação a problemas extremos, como o Banco Central trabalhar mal. O Aécio deixou claro que vai dar a chamada autonomia operacional ao Banco Central e não está fechado discutir a lei.
(…)

O sr. participaria de um eventual governo Marina Silva?
Estou discutindo esses temas com Aécio há quase dois anos e acredito que ele é o caminho. Eu não vou. Não pretendo ir se não for com ele.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 2:32

Entrevista de Serra: “Aécio sabe escolher bem a equipe; presidente não joga sozinho”

Assista, abaixo, à entrevista que o tucano José Serra, candidato do PSDB ao Senado por São Paulo, concedeu à jornalista Joice Hasselmann, no programa “Direto do Ponto”, na TVeja. Serra tratou de vários assuntos que dizem respeito ao Estado e falou também sobre a eleição presidencial. Segundo ele, uma das grandes virtudes do presidenciável tucano Aécio Neves é “saber escolher bem a equipe, e presidente da República não joga sozinho”. Serra falou ainda das demandas do Estado de São Paulo e fez o elenco de projetos que pretende apresentar, especialmente na área da saúde.

 

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 23:27

Datafolha: é ruim para Aécio? É! Mas quem está no poder é o PT. Nesse caso, é pior. E o partido está fazendo tudo errado

Pois é… Segundo o Datafolha, e acredito que os números possam estar, quando menos, próximos da realidade, Dilma Rousseff, do PT, e Marina Silva, da Rede (mas aboletada no PSB), têm 34% das intenções de voto no primeiro turno. Aécio Neves, do PSDB, aparece em terceiro lugar, com 15%. Nas simulações de segundo turno, a ex-senadora e ex-petista vence a presidente por 50% a 40%. A diferença entre Dilma e Aécio segue de oito pontos apenas: 47% a 39% em favor de Dilma há duas semanas; 48% a 40% agora.

Vejam que coisa: nem nos melhores sonhos do PSDB, imaginava-se que Aécio pudesse ter, a esta altura, no segundo turno, apenas 8 pontos de diferença em relação a Dilma. Chamo a atenção para esse aspecto por dois motivos:
– oito pontos de diferença, numa disputa binária, entre A e B, podem ser apenas quatro;
– oito pontos de diferença, apesar da máquina oficial e da demonização permanente dos tucanos, seriam uma verdadeira bênção.

Ocorre que existe um primeiro turno no caminho, tanto quanto existia uma pedra à frente do mineiro Carlos Drummond de Andrade. E é evidente que a situação é muito difícil.

Marina se tornou a caudatária dos votos que já tinha — no último Datafolha em que seu nome apareceu, antes da definição do nome de Eduardo Campos, tinha 27% —, da comoção gerada pela morte de Eduardo Campos e da crescente repulsa ao governo Dilma, que, parece-me, é superior ao que captam as pesquisas.

Há um enfaro óbvio com “tudo isso o que está aí”. Em primeiro lugar, rejeita-se é o petismo mesmo, com todas as suas fraudes contra os fatos e contra o óbvio. Em segundo lugar, mas não menos importante, temos a rejeição à política.

Há, acrescente-se, a estupidez petista e o desastre da ideia fixa. O petismo está preparado para enfrentar os tucanos; para satanizá-los; para desqualificá-los; para transformá-los na morada de todo o mal. Mas não tem repertório para enfrentar Marina Silva. A cada vez que Dilma Rousseff ataca o PSDB e FHC, o que faz é reforçar o discurso de Marina Silva. É de tal sorte estúpido que, nos dias atuais, o PT se dedique a atacar Aécio e o PSDB que me pergunto se essa gente continua com seus meridianos ajustados.

Os idiotas da objetividade do PT podem achar que enfrentar uma Marina no segundo turno pode ser melhor do que enfrentar um Aécio porque, afinal, ela terá menos estrutura e menos aliados. É só manifestação de ignorância. Deveriam se lembrar da fala de Walker, do filme “Queimada”, de Gillo Pontecorvo: fogo não atravessa o mar, mas ideias, sim. Marina encarna uma abstração, um valor, não uma proposta objetiva de mudança. E isso quer dizer que seu poder de contaminação é muito maior.

Mas os petistas são reféns de suas ideias fixas, de suas taras. Se não mudarem o rumo da prosa, Dilma, reitero, pode começar a fazer as malas. O mais impressionante: o PT não perderá, nesse caso, a eleição para as propostas objetivas do PSDB, mas para as ideias etéreas de Marina, que atravessam mares. Ainda que não tenham a menor importância.

O Datafolha é ruim para Aécio? É. Mas quem está no poder é o PT. Nesse caso, é pior! E o partido está fazendo tudo errado! 

 

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 16:13

A fala indecorosa do vice de Marina Silva

Já deu para perceber, parece, qual será o padrão ético da “nova política” caso Marina Silva se eleja presidente, com Beto Albuquerque como vice. Eis que o ainda deputado, um dos capas-pretas do PSB e homem que era muito próximo de Eduardo Campos, afirma, para espanto geral, que o avião-problema — aquele que voava no caixa dois e está enredado numa porção de crimes — não é problema do PSB.

Não? Então é problema de quem? Dos coitados que viram aquela estrovenga cair sobre suas propriedades? Do conjunto dos brasileiros, que pode ver chegar ao poder um partido incapaz de dizer a origem do avião que servia à sua campanha?

Disse ele: “Isso está bastante claro. A compra do avião não é um problema nosso. Devem-se buscar os proprietários, que têm nome, sobrenome e endereço. Os custos [do uso do avião] serão lançados na prestação de contas do Eduardo Campos”.

É uma fala indecorosa.

 

 

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 16:00

Boko Haram assassina cristãos no norte da Nigéria

Na VEJA.com:
A milícia radical islâmica Boko Haram assassinou cristãos na cidade de Madagali, no norte da Nigéria, informa nesta sexta-feira a imprensa local. A cidade está sendo controlada pelos terroristas desde a semana passada. “Dezenas de pessoas foram assassinadas e edifícios ligados à igreja foram queimados”, relatou o sacerdote porta-voz da igreja da cidade, Gideon Obasogie, citado pelo jornal local The Punch.

Madagali, situada no estado de Adamawa, está perto da cidade de Gwoza, onde no domingo o grupo fundamentalista islâmico declarou um califado. Segundo informou Obasogie, que conseguiu fugir da cidade, “os homens cristãos são capturados e decapitados; as mulheres se veem obrigadas a se transformar em muçulmanas e são tomadas como esposas pelos terroristas”. Desde que a milícia radical se apoderou da cidade e começou com a perseguição dos cristãos, seus habitantes fugiram de suas casas, que foram ocupadas pelos insurgentes.

Muitas igrejas foram obrigadas a fechar diante dos ataques do Boko Haram, que intensificou suas ações no nordeste do país, de maioria muçulmana, onde nas últimas semanas conquistou vários territórios. A falta de preparo do Exército nigeriano e o pouco policiamento na região possibilitam o avanço dos terroristas. Mal treinados e mal armados, muitos homens das forças de segurança nigeriana simplesmente fogem para não combaterem a milícia islâmica.

Alguns moradores da zona relataram que os fundamentalistas içaram sua bandeira em seus povos após ter tomado o controle. O Boko Haram tem seu reduto espiritual e sua base de operações em Borno, mas atua também nos estados vizinhos de Adamawa e Yobe, onde o governo nigeriano declarou estado de emergência.

Desde que a polícia matou, em 2009, com o então líder e fundador de Boko Haram, Mohammed Yousef, os radicais mantêm uma sangrenta campanha que se intensificou nos últimos meses. Neste ano, o grupo islamita assassinou cerca de 3.000 pessoas e a mais de 12.000 desde 2009, segundo os cálculos do governo nigeriano. Boko Haram, que significa em línguas locais ‘a educação não islâmica é pecado’, luta por impor um califado islâmico na Nigéria, país de maioria muçulmana no norte e predominantemente cristão no sul.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 15:56

Grã-Bretanha eleva nível de ameaça terrorista

Na VEJA.com. Voltarei ao assunto ainda hoje.
O governo britânico elevou de “substancial” a “severo” o grau de ameaça à segurança, o que significa que é “altamente provável” que ocorram atentados, anunciou nesta sexta-feira a ministra do Interior, Theresa May. “Não tenho dúvidas de que o Estado Islâmico tem como alvo todos nós na Europa”, disse o primeiro-ministro David Cameron em uma coletiva de imprensa após o anúncio de Theresa. “Está ficando claro que há alguns vácuos na segurança e nós precisamos reforçá-la”, acrescentou o premiê, informando também que fará uma declaração ao Parlamento na segunda-feira. A ministra disse que não tem informação sobre nenhum ataque iminente, mas justificou a decisão “pelos acontecimentos na Síria e no Iraque, onde grupos terroristas estão planejando atentados no Ocidente”.

A escala tem cinco graus e o “severo” é o segundo mais alto. A ameaça não era tão alta desde julho de 2011. Theresa May disse que a decisão de aumentar o nível de ameaça foi feita pelo Centro de Análise de Ameaças Terroristas “Enfrentamos uma ameaça real e grave na Grã-Bretanha do terrorismo internacional e eu gostaria de pedir ao público para manter-se vigilante e denunciar qualquer atividade suspeita à polícia”, disse ela.

O comissário Mark Rowley, um dos responsáveis pelo combate ao terrorismo em território britânico, disse que a mudança no nível de ameaça significa que os mecanismos de alerta e monitoramento em todos os serviços da polícia haviam sido elevados: “Isto levará a um reforço da prevenção e preparação. Vamos para aumentar nossas patrulhas e implementar outras medidas de segurança e proteção”, explicou.

A decapitação do jornalista americano James Folley por um integrante com sotaque britânico do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na semana passada ativou todos os alertas em Londres. “Isso é um veneno, um câncer, o que ocorre no Iraque e na Síria, e existe o risco de que se espalhe a outras partes da comunidade internacional e que afete a todos diretamente”, disse na época o ministro das Relações Exteriores britânico, Philip Hammond. Segundo revelou o jornal The Guardian, o homem que aparece com o rosto coberto no vídeo da decapitação do jornalista nasceu em Londres e é conhecido como John.

“Temos visto britânicos operando como suicidas, como executores. Infelizmente, eles estão entre alguns dos mais cruéis e ferozes militantes. Infelizmente, isso é apenas parte de sua radicalização”, disse ao jornal Daily Telegraph, Shiraz Maher, do Centro de Estudos da Radicalização do King’s College, em Londres. O homem que assassinou brutalmente o jornalista americano também foi um dos principais negociadores da libertação de onze reféns do EI no início deste ano. Agentes do FBI, do MI5 – o serviço secreto britânico – e da Scotland Yard tentam estabelecer a identidade exata do terrorista.

Cameron expressou em muitas ocasiões sua inquietação pela participação de britânicos nas guerras de Síria e Iraque – acredita-se que há pelo menos 500 cidadãos britânicos entre os jihadistas. Há ainda o temor de que os jihadistas britânicos possam voltar e organizar atentados terroristas na Europa. Na semana passada, o governo britânico retirou os passaportes de 23 moradores da Grã-Bretanha por temer que eles se preparavam para viajar para o Oriente Médio para ingressarem em grupos jihadistas.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 15:32

Brasil em recessão: o país à espera de Godot. Será que ele usa xale e colares indígenas?

O Brasil está em recessão técnica. Segundo o IBGE — que não é o PSDB, que não é Aécio Neves, viu, presidente Dilma? —, o PIB do segundo trimestre encolheu 0,6%. Como o Produto Interno Bruto revisado do primeiro trimestre havia caído 0,2%, então se tem esta chancela: recessão técnica. Por que esse nome? Porque, neste exato momento, o país já pode ter saído da recessão e voltado a crescer, mas o encolhimento da economia foi óbvio. Ainda que esteja aí a retomada da expansão, ela recomeça de um patamar, evidentemente, mesquinho.

E o que diz Guido Mantega, ministro da Fazenda? Segundo ele, trata-se de mero efeito estatístico, como se os números não estivessem assentados em dados da economia real. Parece piada! Nesta quinta, ele saiu atirando contra Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda de Aécio caso o tucano seja eleito presidente. Mantega o desqualificou de modo bronco, afirmando que, sob o comando de Armínio, a economia poderia entrar em… recessão! Parece piada, não? Ele e Dilma, afinal, produziram o quê? Ocorre que, junto com a retração da economia, temos a paralisação dos investimentos, o descontrole dos gastos, inflação alta e juros estratosféricos.

O país está parado. Como na extraordinária peça de Samuel Beckett — e aqui vai o meu abraço saudoso para o meu querido amigo Gerald Thomas, seu grande intérprete —, estamos “esperando Godot”. Ou, então, como no maravilhoso poema do grego Constantino Kaváfis, somos os romanos do fim do império, à espera dos bárbaros. Boa parte do país está na expectativa de este governo passe logo: com sua incompetência, com sua truculência, com sua inexperiência.

Inexperiência? É disso que se trata. Mantega e Dilma atribuem as dificuldades econômicas e a paralisia do Brasil ao cenário internacional. Mas, por acaso, esse cenário é diferente para os demais países da América Latina? Quem enfrenta severas dificuldades hoje na região? Curiosamente, Venezuela, Argentina e Brasil: uma ditadura, um regime aloprado e nós. A culpa não está nos outros. Está aqui dentro mesmo.

O país paga o preço de o governo de turno ter fechado os olhos e os ouvidos aos muitos chamados da realidade. A recessão técnica em que entrou a economia, o crescimento ridículo deste ano e a expansão mixuruca prevista para o ano que vem decorrem da inexperiência de Dilma Rousseff.

Na peça de Beckett, Godot é uma resposta que viria para tirar as pessoas da paralisia, de sua vida mesquinha. Só que ele não vem. Não dá as caras. Não se sabe quem ou o que é Godot. Somos mais carnavalizados e esperançosos do que o gigantesco Beckett. Por aqui, há quem ache que Godot — a grande saída — costuma usar xales nos ombros e exibir colares com sotaque indígena, além de ser hábil na glossolalia da natureza.

Será mesmo?

É a inexperiência de Dilma que conduziu o país à recessão. O Brasil tem de se perguntar: quem virá em seu lugar? O nosso Godot pode se dar ao luxo de nem mesmo saber fazer contas?

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 14:39

Já começou a patrulha dos marineiros! Vão encher o saco do bagre do Jirau! “Beijinho no ombro”

Pronto! Já começou! Publiquei nesta manhã um post trazendo à luz um texto em que Fábio Vaz, marido de Marina Silva, investe de forma bucéfala contra São Paulo. Há ali uma soma de ignorância, ódio e preconceito. Ele defende de forma estúpida a inacreditável decisão do governador do Acre, Tião Viana, de quem é aliado (como Marina), que meteu centenas de haitianos em ônibus e os despachou para São Paulo, sem nem um aviso prévio. Vaz aproveita para acusar o Estado e os paulistas de espoliar o Brasil.

O texto circulou só na imprensa do Acre. Não o conhecia. Chegou às minhas mãos. Faço com ele o quê? Omito dos meus leitores só para não passar a impressão de que faço campanha contra Marina Silva? Uma ova! Não estou nem aí! Digam o que disserem, não dou a menor pelota! Falo e escrevo o que quero e o que penso: aqui, na Folha, na Jovem Pan, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé. E, à diferença de alguns vagabundos que fingem fazer jornalismo, não preciso que estatais ou o governo federal financiem a minha opinião.

Se o PT, eventualmente, tem gostado das minhas opiniões sobre Marina, paciência! O partido não é meu juiz nem quando me reprova nem quando me aprova; nem quando pede a minha cabeça nem quando me considera útil. Também não estou na folha de pagamento dos anúncios decididos pela Secretaria de Comunicação da Presidência. Eu simplesmente não dou bola para o que os petistas pensam a meu respeito. Os únicos juízos que me importam são os da minha família, o dos meus amigos e o dos meus leitores e ouvintes. Importam, sim! Mas nem eles me fazem deixar de escrever ou de dizer o que penso.

Por que isso? O post sobre o marido da candidata do PSB e a coluna que escrevo hoje na Folha geraram uma corrente de reclamações e ofensas. Eu estaria “difamando” a Marina! Eu estaria fazendo “campanha” contra Marina. Eu estaria sendo “preconceituoso” com Marina!

Ora, vão se danar! Eu apenas estou tratando Marina Silva como aquilo que ela é: uma política. Uma política de cujas ideias, em larga medida, discordo. Só isso! Respeito a sua trajetória — e a de pessoas decentes que nasceram em berço de ouro —, mas não me ajoelho quando ela passa. Se ela diz besteira, como disse ontem, no evento do setor sucroenergético, aponto a besteira. É simples assim.

Não tenho interesse pessoal nenhum na vitória de Dilma, Marina ou Aécio. À diferença de muitos, nenhum deles paga as minhas contas. Há três candidatos e suas propostas. É evidente que considero que Aécio, nesse leque, é o melhor para o Brasil. Ninguém tem o direito de desconfiar disso. E notem que externo, ainda com mais clareza, uma posição no momento mais difícil de sua candidatura.

Vão patrulhar o bagre de Jirau e o sapo de Belo Monte! Não dou a mínima! Beijinho no ombro “pras invejosa”!

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 12:40

Economia brasileira entra em recessão técnica

Na VEJA.com:

A economia brasileira registrou contração de 0,6% no segundo trimestre de 2014 na comparação com os três meses anteriores, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do primeiro trimestre foi revisado para queda de 0,2%, o que significa que o país entrou em recessão técnica, quando há dois resultados trimestrais seguidos negativos. Antes, os dados indicavam que o Produto Interno Bruto (PIB) tinha crescido 0,2% no primeiro trimestre, em relação ao quarto período do ano passado.

O Brasil não entrava em recessão técnica desde a crise financeira global de 2008/2009. Os dados divulgados nesta manhã pelo IBGE reforçam o pior momento econômico vivido pelo Brasil dentro da gestão da presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição nas eleições de outubro. A recessão já era esperada pelo mercado, dado o cenário ruim que o país se encontra, com baixa confiança da indústria, do comércio, do setor de serviços e do consumidor, fraca geração de emprego e investimentos retraídos.

O que é recessão técnica?

Os economistas consideram que um país entrou em recessão técnica quando a soma de tudo o que é produzido (PIB) em seu território registra dois trimestres seguidos de queda na comparação com o período anterior.

Em comparação ao segundo trimestre de 2013, o PIB caiu 0,9%, de acordo com o IBGE, e o crescimento acumulado no ano foi de 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

O PIB é analisado pelos economistas sob duas óticas distintas: a da oferta, representada pelo setor produtivo (agropecuária, indústria e serviços) e a dos gastos, representada por investimentos, consumo das famílias, gastos do governo e balança comercial (exportações menos importações).

No olhar da oferta, o principal impacto negativo no resultado do trimestre passado foi da indústria. A atividade do setor recuou 1,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro e caiu 3,4% ante o mesmo período de 2013.

Considerando a soma de todas as riquezas produzidas pela economia do país entre abril e junho, de 1,27 trilhão de reais, o setor de serviços respondeu por 750,1 bilhões de reais (59%), seguido por indústria (255 bilhões; 20%) e agropecuária (82,5 bilhões; 6,5%), segundo o IBGE.

No caso do setor de serviços, o mais importante para o PIB, houve um recuou 0,5% na comparação com o primeiro trimestre e um crescimento bem tímido, de apenas 0,2%, em relação ao período de abril a junho de 2013. Já o PIB da agropecuária até chegou a crescer 0,2% ante o trimestre anterior, mas não foi suficiente para conter o resultado negativo. Um dos fatores que pesaram na economia no segundo trimestre foi a realização da Copa do Mundo, devido ao menor número de dias úteis em razão de feriados. (…)

 

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 6:45

LEIAM ABAIXO

O ódio a São Paulo e aos paulistas devotado pelo marido de Marina Silva, um de seus inspiradores políticos. Ou: Imaginem uma reforma tributária feita com este espírito…;
Minha coluna na Folha: “Marina, a tirana de Brasília”;
Janot pede revisão da Lei da Anistia. É mau direito e má ideia;
Mais uma da “nova política”: Campos renovou incentivo fiscal de empresa que teria comprado jato de campanha do PSB. Ou: Caso de política e de polícia;
O discurso confuso de Dilma. Ou: Fala tumultuada, governo atrapalhado;
MP tenta derrubar lei que regulariza invasão do MTST;
Fraude na CPI – Cai o assessor de Graça, mas ela fica. Parece brincadeira!;
Eletrodomésticos, fraldas e remédios: a campanha de Garotinho na mira da Justiça;
A grande bobagem de Marina. Ou: Como fraudar a história e influenciar pessoas;
Marina se reúne com usineiros e fala a maior besteira de sua campanha até agora;
Governo prevê em 2015 salário mínimo de R$ 788,06;
Dilma critica o ‘governo dos melhores’ de Marina;
Cidade de São Paulo: as veias abertas do petismo. Ou: As ideias fixas de Haddad que transformam a cidade num inferno;
— Marina no “Jornal Nacional”: não explicou os crimes óbvios que envolvem o avião e disse uma besteira estupefaciente sobre transgênicos… Ah, sim: Como se enrolou, tentou criticar a imprensa…;
— PT: É difícil renunciar subitamente a um grande ódio;
— Com Franklin Martins no “Muda Mais”, Dilma não precisa de inimigos!

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 6:35

O ódio a São Paulo e aos paulistas devotado pelo marido de Marina Silva, um de seus inspiradores políticos. Ou: Imaginem uma reforma tributária feita com este espírito…

Fábio Vaz e Marina Silva: não é só marido; é parceiro de militância política e inspirador

Fábio Vaz e Marina Silva: não é só marido; é parceiro de militância política e inspirador

Pois é… Eu já havia cobrado aqui a agora presidenciável Marina Silva por seu silêncio indecoroso diante da atitude absurda do governador do Acre, Tião Viana (PT) — seu aliado —, que despachou haitianos para São Paulo sem fazer nem mesmo um cadastro, sem saber onde eles seriam alojados, sem coordenar nenhuma ação com o governo paulista ou com a Prefeitura. Alguns leitores chegaram a dizer que eu estava exagerando… Estava, é? Então vamos ver.

Na entrevista concedida ao Jornal Nacional, Marina teve a cara de pau de dizer que só ficou em terceiro lugar no Acre na eleição de 2010 porque teve de enfrentar inclusive a máquina do governo do Estado em favor de Dilma. É mentira! Marina é governo no Acre desde 1999. Seus aliados estão no poder.

Quando fiz a cobrança à agora candidata do PSB à Presidência sobre o seu silêncio em relação aos haitianos, não conhecia ainda o artigo que reproduzirei abaixo. Foi publicado no jornal acreano “Página 20” no dia 26 de abril. Seu autor é ninguém menos do que Fábio Vaz, marido de Marina e então Secretário Adjunto de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (Sedens) do Acre. ATENÇÃO! ELE SÓ DEIXOU O CARGO NA SEMANA PASSADA, DEPOIS QUE SUA MULHER SE TORNOU A CANDIDATA OFICIAL DO PSB.

No texto, como vocês poderão ler (eu o publico com todos os erros do original, sem correção nenhuma), Fábio Vaz defende com unhas e dentes — e sem nenhum argumento — a ação indecorosa do governador Tião Viana e destila uma impressionante carga de ódio, preconceito e ignorância contra São Paulo e contra os paulistas.

Leiam o texto, especialmente os trechos em destaque. Volto em seguida.

*
Irresponsável quem, cara-pálida?

Na última semana, talvez desapercebido por muitos, assistimos a um exemplo de como é o nosso país no quesito solidariedade humana. Na sabedoria popular é comum a afirmação de se identificar nos mais pobres o sentimento de solidariedade para o próximo. Nos mais ricos encontra-se na maioria das vezes o desprezo, o preconceito e a prepotência com seu semelhante. Não sei se é assim tão dispare, mas que o comportamento e pronunciamento do Governo de São Paulo, especialmente a secretária de estado de Justiça Social, daquele estado contribuiu para reafirmar o pensamento popular.

O episódio em que a secretária de SP, na mídia nacional, chamou o Governo do Acre e a Sejudh daqui de “irresponsável”, por dar encaminhamento aos haitianos que entraram no Brasil pelo Acre, esse, sim, caracteriza-se uma enorme irresponsabilidade institucional e de desonestidade intelectual. Evidenciou para os mais atentos a visão desumana com os mais necessitados, beirando o preconceito, da gestora pública do estado de São Paulo.

A desonestidade se refere a ideia que a secretária tentou passar que o Acre estava encaminhando os imigrantes haitianos para São Paulo como fosse jogando um “problema” para frente de maneira desarticulada e inconsequente. A “desonesta” (intelectual) secretária de SP sabe que todos os haitianos estão sendo regularizados no Brasil por meio de expedição de visto provisório de caráter humanitário. Pois bem, isso significa que podem se dirigir para qualquer parte deste país livremente.

Sabemos todos, pelo menos nós do Acre, que o acolhimento que o Governo Estadual, Prefeitura e sociedade deram e ainda dão a esses imigrantes é digno de exemplo e louvor. Acredito que, se o Estado pudesse financeiramente, ainda seria melhor. Em matéria de solidariedade e demonstração de amor com o próximo, o acolhimento foi do tamanho da alma dos acreanos.

Vale lembrar que todas as ações do Acre sempre foram feitas com articulação com Ministério da Justiça e o das Relações Exteriores, com apoio do Ministério do trabalho, Saúde entre outros. Aqui vale uma ressalva: o apoio do Governo federal está aquém das suas possibilidades, penalizando o Estado por duas vezes. A primeira não tendo competência de controle sobre as fronteiras. Segundo deixando ao governo local os custos de um tratamento digno que passou ser a imagem do País.

Para quem acompanha a vida cotidiana, a história econômica e política do país com atenção vai identificar na posição da secretaria de SP apenas uma fagulha do que é a diferença econômica, política e social do Brasil. Ela espelha como é identificado os mais pobres e desfavorecidos na região mais rica do país.

Todos sabemos como são tratados pela elite de SP os nordestinos, bem vindos apenas para suprir o exército de força de trabalho para as diversas atividades econômicas como usinas de cana e construção civil. Conhecemos pelo noticiário como são tratados os irmãos imigrantes bolivianos em trabalhos análogo a escravidão de grandes marcas de confecções naquele estado. Não podemos esquecer ser uma das regiões com maior déficit habitacional e existência das maiores favelas e condições sub-humanas do país.

Deixemos de lado a violência de polícia, crime organizado que deixam um governo acuado por chefes em presídios. Ora quem morre são os mais pobres sempre. Solução para os ricos: condomínio, carros blindados, seguranças particulares.

Se analisarmos de maneira mais profunda como eles (SP aqui como os ricos) olham o resto do país e a nossa região, aqui é apenas espaço de consumo para seus produtos e fonte de recursos naturais para suas indústrias e serviços. Paramos para pensar quanto saiu ganhando SP com a isenção e impostos para a indústria automobilística e quanto nós perdemos? Ganharam vendendo mais carros, inclusive para nós. Perdemos, exportando nossas renda somada à redução de transferência constitucional (FPE e FPM) para o Estado e Municípios. Resultado final: eles ficaram mais ricos e nós, mais pobres. Alguns compraram mais carros, mas a maioria perdeu renda.

Onde se compra mais madeira ilegal fruto de desmatamento e outras ilegalidades. Não vou falar, pois acharão que estou com perseguição com SP (lembro: nasci lá). De onde vem o cartel para impedir que empreendimentos nas regiões mais pobres do país de consolidem como os nossos voltados para proteína animal como aves, ovos, suínos e peixes? Se o Acre não for competitivo, e ser justo com os nossos, eles nos engolem.

Falo tudo isso não contra os “paulistas”, como foram chamados os que vieram do Sul do país nos anos 70. Falo contra a mentalidade de uma falsa elite, pois se assim fossem lideravam vários aspectos da vida de um país ao invés de pensarem nos pobres como “problema” ou como “instrumento de acumular mais riqueza”. Nesse quesito, nossa “elite” local tem demonstrações dignas não só com os imigrantes haitianos, mas em outras oportunidades, como foi especialmente o caso do Acre Solidário nas catástrofes do Rio. A Secretária de SP, de maneira “articulada” ou “consequente”, ligou para seu correlato no estado do Acre e se colocou solidária?

Falo não esperando que a secretária de SP leia ou que a sua elite tome consciência de seu papel. Falo para nós acreanos nascidos ou que escolheram aqui para viver. Para nos indignarmos com o que foi dito por esta senhora. Que esta indignação reafirme nossos atos. Que nossos líderes políticos (com destaque o Governador), empresarias, religiosos, comunitários e funcionários envolvidos saibam que o que fizeram e ainda fazem está certo. Que temos orgulho de sermos solidários, humanos e sempre estender uma mão para o nosso próximo. Que o nosso caminho de desenvolvimento é difícil e tem muitos poderosos contra de maneira “invisível”. Que queremos um Acre sempre melhor, mas não copiando o que uns “ricos” tem de pior. Que o Acre seja sempre inclusivo, do ritmo da Amazônia e cheio de um povo rico de amor.
*
Fábio Vaz – Secretário Adjunto de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (Sedens)

Voltei
Em matéria de desonestidade intelectual, o sr. Fábio Vaz não deixa ninguém com inveja. Seu texto ataca a secretária de Justiça de São Paulo, Eloisa de Sousa Arruda, que, em nenhum momento, afirmou que os haitianos não poderiam vir para São Paulo. O que ela criticou foi a decisão do governo do Acre de meter os pobres coitados em ônibus para largá-los na capital, sem nenhuma articulação prévia com o governo do Estado ou com a Prefeitura, o que mereceu crítica até dos petistas que administram a capital. Mas isso é o de menos no seu artigo.

Prestem atenção aos trechos em destaque. Segundo Fábio Vaz:
– “Nos mais ricos encontra-se na maioria das vezes o desprezo, o preconceito e a prepotência com seu semelhante”. Isso só não vale, claro!, para os ricos que apoiam Marina Silva.

– Por ter nascido em São Paulo, Vaz acha que pode falar o que lhe dá na telha. Ocorre que ele é tão paulista como Ciro Gomes. Só nasceu no Estado. Sua carreira política foi feita no Acre.

– Segundo o marido de Marina, os paulistas maltratam nordestinos e só os querem para serviços subalternos. É o mesmo discurso de Lula. Ignora que este é o segundo estado com mais nordestinos do Brasil — só perde para a Bahia. Será que isso se deve à cultura dos maltratos?

– A má-fé deste senhor é de tal sorte que finge ignorar que os bolivianos que trabalham em condições inadequadas em São Paulo, no mais das vezes, têm sua mão de obra explorada por outros bolivianos. De resto, conter a imigração ilegal é um trabalho que cabe ao governo federal. Será que também essa culpa deve recair sobre os ombros dos paulistas?

– Segundo o marido de Marina, São Paulo, vejam vocês, é um Estado que explora… o Acre e as demais unidades da federação!!! Os paulistas, na sua fantasia, são os ricos espoliadores. Ele inventou o anti-imperialismo federativo! Imaginem uma reforma tributária — como Marina diz que pretende fazer — movida com esse espírito. Até a redução de impostos da indústria automobilística, uma escolha do governo federal para preservar empregos (inclusive os dos nordestinos), é vista por esse senhor como uma benesse aos ricos.

– São Paulo também seria o responsável pelo desmatamento da Amazônia e pelo atraso das outras regiões do país. Em seu delírio, há um cartel de paulistas para impedir o desenvolvimento das outras regiões do país. Lendo o seu texto, a gente conclui que o que atrapalha o Brasil é São Paulo!

– E há este trecho encantador: “Deixemos de lado a violência de polícia, crime organizado que deixam um governo acuado por chefes em presídios. Ora quem morre são os mais pobres sempre. Solução para os ricos: condomínio, carros blindados, seguranças particulares”. É asqueroso! Este senhor é governo no Acre há 16 anos. O Estado não chega a ter 800 mil habitantes, população correspondente à da soma do Grajaú com o Jardim Ângela, dois dos 96 distritos da capital paulista. Mesmo assim, depois de quatro mandatos petista-marinistas, o Acre tem mais do que o dobro de homicídios por 100 mil habitantes do que São Paulo. Refaço aqui um desafio que fiz em coluna publicada na Folha: em 16 anos, vamos ver em que Estado, relativamente, os indicadores sociais avançaram mais: se no Acre ou em São Paulo.

Encerro
Não adianta vir com conversa: “Ah, isso, quem pensa, é o marido de Marina, não Marina”. Papo furado! Ele sempre foi um de seus mentores políticos. Esse é o ambiente que ela respira.

Vejo Marina, depois da morte de Eduardo Campos, tentando se reinventar como defensora da disciplina fiscal e do tripé da estabilidade — votou contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal —, como amiga do agronegócio (“só do virtuoso”, claro!) e como admiradora do empreendedorismo paulista. Comigo, não cola! Se eu tivesse um banco, talvez bastasse a promessa de “independência do Banco Central”. Como não tenho, interessa-me a Marina inteira, em toda a sua dimensão.

O que vejo acima é uma peça de ódio a São Paulo e de defesa de um ato indecente do governo do Acre ao qual este senhor servia. E, agora, o silêncio de Marina sobre a “exportação” de haitianos está mais do que explicado.

Tivessem nascido bagres, teriam tido uma advogada entusiasmada.

Texto publicado originalmente às 4h18
Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 6:31

Minha coluna na Folha: “Marina, a tirana de Brasília”

Leiam trecho de minha coluna na Folha:
Tenho me dedicado, nem poderia ser diferente, a tentar entender o pensamento de Marina Silva –há gente assegurando que ela vai presidir o Brasil. Mas é tarefa difícil. E rio daqueles que, julgando compreendê-lo, criam suas próprias metáforas para desentranhar as da candidata do PSB à Presidência, de sorte que, depois de alguns minutos de conversa, estamos todos no reino da alegoria, lá onde uma coisa puxa a outra rumo a lugar nenhum. Malsucedido no meu esforço, recorro, então, a Eduardo Giannetti, que parece ser o Platão redivivo que, desta feita, encontrou um bom Dionísio.

Marina reuniria as características da “Rainha Filósofa”. Se ela fizer como Giannetti recomenda, conseguirá expulsar da política os cartagineses do PMDB e teremos, então, um governo dos “bons e dos virtuosos”. A Siracusa do Planalto Central nunca mais será a mesma. Ou, quem sabe?, o pensador de agora se veja no papel de um Pigmaleão a esculpir a mulher ideal.

A esta Folha, Giannetti disse que sua “Tirana (no bom sentido, claro!) de Brasília” pretende governar com o apoio de FHC e de Lula, embora a própria Marina, em suas intervenções públicas, a despeito de reconhecer as contribuições de PSDB e de PT à democracia, anuncie que é chegada a hora de pôr fim à era do confronto entre os dois partidos. Ou por outra: para as elites políticas, o Platão da Marina diz que vai governar com Lula e FHC; para o eleitorado com ódio da política, ela assegura, de modo oblíquo, que não será nem com Lula nem com FHC.
(…)
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 5:19

Janot pede revisão da Lei da Anistia. É mau direito e má ideia

A VEJA.com informa que, em um parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu a revisão da interpretação atual da Lei da Anistia, de 1979. O documento sustenta que a lei não se aplica aos chamados crimes contra a humanidade, como tortura, sequestro e desaparecimento forçado de opositores do regime. O parecer de Janot foi motivado por uma ação movida pelo PSOL, que pede que o Supremo rediscuta a validade da Lei da Anistia para agentes que praticaram crimes com graves violações aos direitos humanos, como torturadores, por exemplo. O relator da ação é o ministro Luiz Fux.

Janot, com todo respeito, joga para a torcida. Já escrevi aqui e reitero. Os cretinos querem transformar essa questão numa disputa entre os que defendem torturadores e os que querem a sua punição. Vigarice! Trata-se de um confronto de posições, este sim, entre os que defendem as regras do estado democrático e de direito e os que acham que podem buscar atalhos e caminhos paralelos para fazer justiça fora da letra da lei.

Lei 6683, da Anistia, é clara:
Art. 1º É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexos com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares.
§ 1º – Consideram-se conexos, para efeito deste artigo, os crimes de qualquer natureza relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política.

A própria Emenda Constitucional nº 26, de 1985, QUE É NADA MENOS DO QUE AQUELA QUE CONVOCA A ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE, incorporou, de fato, a anistia. Está no artigo 4º:

Art. 4º É concedida anistia a todos os servidores públicos civis da Administração direta e indireta e militares, punidos por atos de exceção, institucionais ou complementares.
§ 1º É concedida, igualmente, anistia aos autores de crimes políticos ou conexos, e aos dirigentes e representantes de organizações sindicais e estudantis, bem como aos servidores civis ou empregados que hajam sido demitidos ou dispensados por motivação exclusivamente política, com base em outros diplomas legais.
§ 2º A anistia abrange os que foram punidos ou processados pelos atos imputáveis previstos no “caput” deste artigo, praticados no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979.

Mais: o dispositivo constitucional que exclui a tortura dos crimes passíveis de anistia é de 1988, posterior, portanto, à Lei da Anistia, que é de 1979 e não pode retroagir;

Anistia não é absolvição, mas perdão político. Há quem pretenda que o Brasil siga os passos da Argentina —  embora, já disse, as duas ditaduras não sejam nem remotamente comparáveis — e fique eternamente preso ao passado, destroçando as instituições do presente e inviabilizando as do futuro, como faz hoje Cristina Kirchner.

A ditadura argentina foi derrubada; o fim do regime militar brasileiro foi longamente negociado. Os pactos históricos produzem frutos, que empurram os países para um lado ou para outro. A Espanha juntou todas as forças políticas em favor de uma transição pacífica da ditadura franquista para a democracia, de que o “Pacto de Moncloa” (1977) é um símbolo. O midiático juiz Baltasar Garzón tentou fazer a história recuar quase 40 anos, mas a moderna sociedade espanhola rejeitou suas propostas. A África do Sul ficou entre punir todos os remanescentes do regime do apartheid e a pacificação. Escolheu o segundo caminho.

Essa questão já foi julgada pelo Supremo em 2010. Votaram contra a revisão os ministros Eros Grau (relator), Ellen Gracie, Cezar Peluzo, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Celso de Mello. Os quatro últimos continuam na corte. Votaram a favor Ayres Britto, que já se aposentou, e Ricardo Lewandowski. Dias Toffoli se declarou então impedido, e Barbosa estava de licença. A composição do tribunal mudou. Vão se pronunciar pela primeira vez Luiz Fux (relator), Roberto Barroso, Rosa Weber e Teori Zavascki. No momento, o tribunal está com 10 membros. Não foi escolhido ainda o substituto de Barbosa. O que vai acontecer? Tendo a achar que Zavascki dará o quinto voto contra a revisão. Barroso pode se juntar a Lewandowski. O placar ficaria em 5 a 2. Luiz Fux e Rosa Weber são votos incertos. Ainda que se mostrem favoráveis, ter-se-ia um 5 a 4 contra. Caso o tribunal só julgue o assunto depois da nomeação do 11º ministro, pode até haver um empate em  5 a 5. 

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 22:00

Mais uma da “nova política”: Campos renovou incentivo fiscal de empresa que teria comprado jato de campanha do PSB. Ou: Caso de política e de polícia

A história do jato Cessna que servia à campanha de Eduardo Campos e Marina Silva vai se tornando a soma e a síntese de tudo o que de ruim, viciado e vicioso pode produzir a velha política. Chega a ser uma piada meio macabra quando nos damos conta de que Marina, que sucede Campos na campanha, se diz a porta-voz da “nova política”, de que ele também seria expressão.

Nesta quinta, reportagem da Folha Online revela mais uma: a Bandeirantes Companhia de Pneus — que, segundo o PSB, era uma das donas do jatinho que teria sido cedido à campanha — gozava de incentivos fiscais do governo de Pernambuco para importar pneus para carros, caminhões e máquinas agrícolas. Tal incentivo, é verdade, teve início em governos anteriores, mas foi renovado por Campos.

A Bandeirantes pertence a Apolo Santana Vieira, apontado como um amigo do então governador. Apolo é réu numa ação penal, acusado de fraude em importações.

A nova informação acrescenta outra suspeita a uma penca de ilegalidades. O avião pertencia à empresa AF Andrade, que está em recuperação judicial. Esta diz ter vendido o aparelho para Apolo e para dois outros empresários de Pernambuco: João Lyra de Mello Filho e Eduardo Bezerra Leite. Extratos obtidos pelo Jornal Nacional evidenciam que a AF Andrade recebeu como pagamento parcial pelo jato diversos depósitos feitos por empresas fantasmas, que estão em nome de laranjas. Apolo, que não quis se manifestar sobre o caso, nega que tenha comprado o avião.

O PSB tenta fazer o jogo do diversionismo. Aponta como donos dos aviões pessoas que negam essa informação. Afirma que a prestação de contas seria feita no fim da campanha, mas silencia sobre a rede de empresas fantasmas e de laranjas envolvida no pagamento da aeronave. Marina prometia dar explicações no Jornal Nacional e, no máximo, conseguiu dizer que não sabia de nada — sem se esquecer, claro!, de pedir respeito à memória de Campos.

Há uma pergunta óbvia a ser feita, entre tantas: esse esquema criminoso que mantinha o avião no ar e que serviu ao então candidato do PSB à Presidência e à própria Marina só dizia respeito ao aparelho? Com que legitimidade ela fala em nome de uma “nova política”, contra os vícios da “velha”, sem admitir, de forma clara, que crimes, então, foram cometidos? Se eleita presidente, terá com os seus a leniência que tem demonstrado nesse caso? Também ela vai recorrer ao famoso “eu não sabia” quando algo de grave atingir eventuais auxiliares?

Na vida privada, nos limites da lei, cada um faça as escolhas que quiser. Indivíduos não estão obrigados a demonstrar coerência entre o que pregam e o que fazem. Com a pessoa pública, a história é bem outra: seguir estritamente o credo que abraça é uma imposição moral. Reitero: por muito menos, mandatos foram cassados. A Justiça Eleitoral, quando a questão chegar lá, e vai chegar, terá coragem de fazer valer a lei?

Vamos ser claros: esse avião já deixou de ser um problema só de política. Antes de tudo, é um caso de polícia que desmoraliza a política dos que se querem monopolistas da virtude.

 

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 21:20

O discurso confuso de Dilma. Ou: Fala tumultuada, governo atrapalhado

A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, reuniu na noite desta quarta, no Palácio da Alvorada, o comando de sua campanha e os presidentes das nove legendas que a apoiam. O objetivo era discutir a nova realidade eleitoral, com a ascensão de Marina Silva, do PSB. Ao fim do encontro, Rui Falcão, do PT, disse que nada mudaria na estratégia petista. De fato, o partido continua refém de uma ideia fixa: atacar os tucanos. Mas há, sim, uma discreta mudança em curso.

Nesta quinta, a petista participou de um encontro da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura. Recebeu o apoio oficial da entidade e discursou. Disse duas coisas dignas de nota, referindo-se, ainda que de modo oblíquo, a Marina. Vamos à primeira:
“Essa história de que você acha os bons ou os melhores sem aferição não está certa. Como é que eu vou fazer uma política para agricultura familiar com quem não defende agricultura familiar?”.

Bem, por mais que a proposta de Marina de fazer um “governo só com os melhores” seja uma bobagem, uma cascata, é evidente que nem ela própria pensaria em nomear para a agricultura familiar alguém que não a defendesse, né? De fato, o discurso de Dilma traduz outra coisa: o PT é um partido corporativista e entende que governar consiste em entregar fatias do governo a “pessoas da área”. Ora, governar é algo bem diferente disso. Trata-se de eleger, necessariamente, prioridades para determinados setores que tenham alcance universal. Ou por outra: é necessário, sim, contar com alguém favorável à agricultura familiar, mas ele não pode ser de tal sorte um representante do setor que acabe tomando medidas que prejudiquem outras áreas do governo.

Já a segunda fala é um daqueles momentos em que o “dilmês castiço”, uma língua que lembra o português, aflora com toda a sua força. Leiam:
“Eu acho que as pessoas não têm de ser más, não tem de ser… todas as pessoas são… podem ser boas ou podem ser más. Mas as boas pessoas podem não ter compromisso. A pessoa é muito boa, mas o compromisso dela é com outra coisa”.

O que será que Dilma quis dizer com isso? Com alguma boa-vontade, a gente pode inferir que, para a petista, as pessoas, tomadas individualmente, têm menos importância na política do que o arco de interesses que elas representam. Se é isso mesmo, até tendo a concordar com ela — embora, obviamente, os indivíduos possam fazer toda a diferença.

O que me espanta é essa incapacidade de Dilma de deixar clara uma ideia tão simples, até meio boboca. Parece haver um complicômetro na cabeça da presidente que a impede de falar com um mínimo de clareza. Tendo a achar que quem pensa de modo tão tumultuado acaba agindo de maneira igualmente tumultuada. E aí temos o governo que temos.

Na reunião da Contag, Dilma voltou a atacar FHC, com aquela conversa do “nós” contra “eles”. Parece não ter percebido que esse tipo de abordagem só reforça a candidatura de… Marina Silva! Pois é… Mas como se livrar de uma ideia fixa?

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 20:49

MP tenta derrubar lei que regulariza invasão do MTST

Por Eduardo Gonçalves, na VEJA.com:
A Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público de São Paulo recomendou ao procurador-geral de Justiça do Estado, Márcio Elias Rosa, que entre com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a lei que regulariza a construção de unidades habitacionais no terreno invadido pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo – a invasão foi chamada de Copa do Povo pela proximidade do estádio Itaquerão.

Na recomendação, os promotores Camila Mansour Magalhães da Silveira e Marcus Vinicius Monteiro dos Santos afirmam que a lei é ilegal porque o tipo de zoneamento da área, originalmente industrial, foi alterado para habitação social sem considerar medidas previstas na Constituição do Estado, como a consulta à população local e a análise técnica do terreno, que abriga mananciais e tem restrições ambientais para construção. Segundo o documento, a lei “serviu exclusivamente para atender aos interesses da proprietária da área e do movimento, deixando de observar o interesse público, especificamente no que se refere à forma de uso e ocupação do solo daquela área da cidade, posto que mudanças de tal magnitude devem ser feitas quando voltadas à garantia da qualidade de vida da população”.

Após três audiências na Justiça, o MTST chegou a um acordo com a dona do terreno, a Viver SA. Um termo de compromisso foi assinado entre as duas partes, no qual ficou combinado que os sem-teto teriam prioridade na compra do terreno, avaliado em 35 milhões de reais. A maior parte desse dinheiro será repassado pelo governo federal por meio do Minha Casa, Minha Vida Entidades, conforme foi acordado entre Guilherme Boulos, líder do movimento, e a presidente Dilma Rousseff em rápido encontro no dia 8 de maio – a petista cedeu às pressões de Boulos por temer uma onda de manifestações durante a Copa do Mundo. Nessa modalidade do programa de moradia, o grupo ganha o direito de indicar os beneficiários, escolhidos segundo o critério de “militância” – leia-se: quem comparece a todos os protestos e realiza atividades nas invasões.

Um dos artigos da lei, que impedia a entrega do terreno nas mãos do MTST, foi vetado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) no dia 8 de agosto. O autor da lei, vereador Police Neto (PSD), pediu uma ação de inconstitucionalidade à Procuradoria da Câmara Municipal contra o próprio projeto. Segundo ele, Haddad vetou o conteúdo principal da proposta, a destinação de prédios desocupados para habitação social, e aprovou apenas a medida que regularizava a Copa do Povo, incluída de última hora no texto, a pedido do prefeito. “Defendo que a lei seja revogada ou que os vetos sejam derrubados. Esta lei, do jeito como foi sancionada, não se sustenta”, disse o parlamentar.

No texto, os promotores sustentam que haviam alertado as autoridades sobre os problemas de ceder o terreno ao grupo. “A providência poderia importar em burla ao cadastro municipal, pois famílias que há muito se inscreveram regulamente e aguardam ser contempladas com unidades habitacionais seriam preteridas em prol de integrantes do MTST.”

Em nota, a prefeitura de São Paulo negou que o texto da lei beneficie os sem-teto e afirmou que os “vetos mantém o regramento próprio pré-existente, do Ministério das Cidades, e, portanto, não há brecha para ‘furar a fila’”.

Por Reinaldo Azevedo
 

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