Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

28/04/2015

às 8:01

LEIAM ABAIXO

ESTA VAI PARA O SENADO – Além de teórico dos direitos da amante, Fachin, candidato ao STF, também flerta com a poligamia e vê em quem discorda nada mais do que “gosma”…  ;
Marta deixa hoje o PT. E um vídeo feito há 32 anos sobre “o prazer da política”;
Aqui Entre Nós – Um ministro do STF contra a família;
Dilma desiste mesmo do pronunciamento do Primeiro de Maio;
Gráfica que recebeu R$ 2,4 milhões de empresas do petrolão também teve repasse de R$ 1,8 milhão da Secom. CPI já!;
#prontofalei – Lulão e Lulinha: tal pai, qual filho?;
Crivella não gostou do que leu aqui e enviou uma mensagem. Eu a publico na íntegra e respondo;
Ah, as ideias perversas de Fachin ainda não foram inteiramente expostas…;
Em 15 dias, Caixa anuncia segunda redução do limite de financiamento habitacional;
Privatizações do petismo – Governo já fez essa propaganda antes, e nada aconteceu em razão da mistura de incompetência, ideologia rombuda e má-fé;
Pacote de concessões deve ser anunciado em 10 dias;
Pobres invadem a aula de Haddad na USP e deixam o prefeito irritado! Que coisa feia! Ou: Eu posso censurar a invasão, o petista tem de aplaudi-la;
MP apresenta nova denúncia contra Vaccari e Duque: lavagem de R$ 2,4 milhões. É aquele caso que envolve a gráfica e a revista ligadas ao PT;
— Lulinha: do caminho das antas ao apartamento de R$ 6 milhões. Ou: O filho que sai ao pai não degenera. Ou ainda: O sítio das delícias;
— Lulinha e a educação: para os filhos dos trabalhadores, greve de professores; para o filho de Lula, escola privada, “de elite”;
— ACORDEM, SENADORES! Fachin, o candidato de Lewandowski e de Dilma ao Supremo, acha essa conversa de “família” uma besteira… Ele não vê diferença, por exemplo, entre mulher e amante;
— CPI quer convocar aliado de Renan para depoimento

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2015

às 7:49

ESTA VAI PARA O SENADO – Além de teórico dos direitos da amante, Fachin, candidato ao STF, também flerta com a poligamia e vê em quem discorda nada mais do que “gosma”…  

Vejam esta foto. Volto a ela no fim do texto.

Fachin com a mulher

A presidente Dilma Rousseff indicou o advogado e professor Luiz Edson Fachin para o Supremo Tribunal Federal. Sou dedicado. Quando a petista escolheu Roberto Barroso, por exemplo, decidi ler um livro escrito pelo homem: “O Novo Direito Constitucional Brasileiro”. Antes de ele ser aprovado pelo Senado, escrevi uma série de artigos a respeito do seu pensamento.  Estão aqui. Previ problemas. Barroso integrou a nova maioria que absolveu a cúpula petista do crime de formação de quadrilha no julgamento dos embargos infringentes. Mais: ele é o autor intelectual da Ação Direta de Inconstitucionalidade que pretende proibir a doação de empresas a campanhas eleitorais, o que jogaria o sistema político na clandestinidade. Eu estava certo. Agora, decidi ler o pensamento do professor. É chocante.

Publiquei nesta segunda um post a respeito. Demonstrei que o doutor está empenhado em teses que simplesmente destoam de qualquer noção comezinha de família, como essencialmente a conhecemos nos países ocidentais ao menos. É tal a quantidade de barbaridades que trazem a sua chancela que não conseguirei resumir tudo neste segundo post. Outros haverá a respeito.

Além de ser um teórico dos direitos da amante, o professor flerta abertamente com a poligamia. Sim, senhores! Vocês leram direito. O agora candidato ao Supremo prefaciou um livro que faz a apologia da poligamia, intitulado “Da Monogamia – A sua superação como princípio estruturante da família”, de Marcos Alves da Silva, ex-aluno do dito jurista.

Capa do Livro Monogamia

Mera especulação acadêmica? Não mesmo! Quando nos damos conta das demais teses que Fachin patrocinou, é forçoso reconhecer que estamos diante de um inimigo declarado da família, segundo, ao menos, esta que conhecemos. Atenção! Eu nem me refiro à família dita tradicional Nem aquele conceito revisto e ampliado pelo STF por conta própria, sem participação do Congresso, serve ao doutor. Na concepção do candidato ao Supremo, essa história de núcleo familiar composto por homem e mulher, dois homens ou duas mulheres é coisa de mentes provincianas. Ele  quer botar mais gente nessa cama. No prefácio que faz da obra, como vocês verão, ele vai além de elogiar a, digamos, coragem teórica de seu ex-pupilo.

O livro não deixa dúvida: prega a superação da monogamia. O prefaciador também não deixa dúvida quanto à adesão à tese, tanto é que intitula seu texto de “Seres sem jugo”. Qual? Ora, o da monogamia. Para o candidato a ministro, a tese deriva daquele grupo de pessoas “de mentes generosas e corajosas, preocupadas incessantemente com o que nos define como humanos (…)”. Parece que superar a monogamia, ou defender a sua superação, torna o indivíduo um humano superior. Segue imagem do texto.

Poligarmia - Trecho 1

Intolerante
Fachin demonstra não ser do tipo tolerante com a divergência. Segundo escreve, seu ex-aluno, entusiasta da poligamia, se esforçou para “não se servir de fantasias que povoam as vestes jurídicas das relações familiares”. Em suma, os que discordam de autor e prefaciador são pessoas presas a meros formalismos sem substância. Ele vai ser ainda mais duro na desqualificação dos adversários intelectuais. Escreve: “O texto de Marcos Alves da Silva não compõe o coro crédulo e entusiástico da manualística rasteira que grassa pelo Direito de Família no Brasil e que mistura Sula Miranda com Shakespeare (…), essa gosma com verniz de epidérmico conhecimento que hoje, em muitos livros e não em poucos tribunais oscila entre o provinciano e o surreal (…)” . Parece que o advogado considera “gosma” as escolhas morais que não coincidem com as suas. Segue trecho.

Poligamia - Trecho 2

Houvesse alguma dúvida sobre a adesão de Fachin à tese, ela seria dirimida na parte final de seu prefácio, como se lê abaixo.

Poligamia - Trecho 3

Leio ali: “quiçá ser um verdadeiro ser humano, especialmente nas relações familiares, pode iluminar um ser sem jugo”. O que isso quer dizer, além de um estilo insuportavelmente cafona e do uso indevido do modo indicativo no lugar do subjuntivo (“quiçá possa”)? Resposta: nada! Afinal, é o verdadeiro ser humano que ilumina o ser sem jugo, ou é preciso não estar submetido a jugo para ser um “verdadeiro ser humano”? Quero ver Fachin responder quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha. Ou ainda: por que Tostines é mais fresquinho? De resto, um homem submetido a condições que não escolheu perde a sua condição humana? É esse o pensador  que diz se opor à “gosma com verniz epidérmico”?

E o doutor conclui: “Apenas belo sonho? A liberdade da resposta não conforta a quem se acomoda no dogmatismo enclausurado nem sobressalta quem elimina a instância jurídica como instrumento de emancipação. Anima, porém, quem ainda combate a luta que não é mesmo vã e clama por justiça e vida digna. Acolhamos, pois, numa comunhão de boa leitura, as propostas que embalam significantes e significados no berço que desempacota os nós de alguns ninhos”.

Como se nota, para o “supremável”, o direito é, sim, um terreno de militância — “instrumento de emancipação”. E é esse militante que Dilma quer no Supremo, com a chancela do MST e da CUT. Mas esses estão virando males menores. O nome escolhido pela petista, está demonstrado, é inimigo da família segundo a entende a esmagadora maioria dos 200 milhões de brasileiros, dos quais ele pode ser ministro.

Fachin, a gente percebe, tem horror a Sula Miranda. Está na cara que se tem na conta de um Mozart das letras jurídicas. Decidi ler o que ele andou escrevendo sobre direito da família. Posso assegurar que nem mesmo um Pestana ele consegue ser, aquela triste personagem de Machado de Assis que queria compor música erudita, mas só conseguia produzir polcas.

Mas há uma diferença: Pestana era infeliz porque tinha noção de sua mediocridade. Fachin, pelo visto, é feliz.

Fiquem calmos, senhores senadores, o homem é capaz de muito mais. E eu ainda vou demonstrar isso.

A foto
Ah, sim: o advogado foi ao Senado no dia 15 pedir o apoio de Renan Calheiros. Levou a sua mulher a tiracolo, a desembargadora Rosana Fachin. Estavam juntos. De mãozinhas dadas. Eu sou terrivelmente lógico, professor. Caso o senhor tivesse uma amante (não estou perguntando nem é da minha conta), o certo seria que ela estivesse enlaçada à sua outra mão? Afinal, o senhor defende que até a pensão a viúva oficial divida com a viúva paralela.

Não havia entendido a foto (de Ailton de Freitas/ Agência O Globo). Depois que li as enormidades escritas pelo candidato ao Supremo, tudo ficou mais claro. Sem entrar na economia doméstica dos afetos, diria que lá vai menos um casal feliz do que um álibi.

Que os senadores se pronunciem!

Texto publicado originalmente às 3h46
Por Reinaldo Azevedo

28/04/2015

às 7:47

Marta deixa hoje o PT. E um vídeo feito há 32 anos sobre “o prazer da política”

A senadora Marta Suplicy deixa hoje o PT. Na carta que enviará ao partido, dirá que a legenda se afastou de seus princípios. É um dos motivos que justificam que um político com mandato deixe uma legenda sem correr o risco de perdê-lo, embora eu duvide que a Justiça Eleitoral pudesse cassar alguém eleito por voto majoritário.

A coisa tem, claro, o seu simbolismo. Há 33 anos, a adesão do casal Eduardo-Marta Suplicy ao PT foi lida como um reconhecimento, por parte de uma fatia da elite brasileira, “a consciente”, das iniquidades sociais do Brasil.

E aí vocês precisam assistir a um vídeo de 1983, Macelo Tas, na pele da personagem Ernesto Varela, que costumava fazer perguntas aparentemente ingênuas, foi a um comício do PT em favor das eleições diretas, realizado na praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo.

O que se vê é um PT ainda meio mambembe e socialista, lotado de barbudos, que vendiam livros de Karl Marx em barraquinhas improvisadas. No meio da turma, “os bonitos e ricos” Eduardo e Marta. Ele, já deputado federal, tinha sido atropelado na noite anterior e, ferido, era conduzido por ela numa cadeira de rodas. Tudo doce, amoroso e plácido.

Varela a todos fazia uma pergunta: “Qual é o prazer da política?” Eduardo tentou, com a precisão habitual: “Eu acho que é… uma missão, que eu sinto como uma coisa dentro de mim. Uma coisa em busca da verdade. E buscar a verdade é uma coisa humana”. Sim, leitor, já não fazia sentido.

O repórter fez a mesma pergunta a Marta, então conhecida em razão de seu quadro sobre sexo no programa TV Mulher, da Globo. “Qual é o prazer da política?”, pergunta Varela aos 7min55s. E ela: “Olha, eu não sei qual é. Eu gostaria de entender, viu?, porque eu concorro com ela todo o tempo, e, muitas vezes, ela vence”. Marta, então, estava mais ocupada, e era uma luta justa, da política do prazer, não do prazer da política.

Ela só foi descobri-lo 11 anos depois, quando se candidatou a deputada federal. E gostou da coisa. Nunca mais largou. Se o agora ex-marido só fez carreira no Parlamento, ela ocupou cargos executivos, como prefeita e ministra. Deixa o PT para se candidatar à Prefeitura, mais uma vez, provavelmente pelo PSB.

Trinta e dois anos depois daquele comício, vamos convir, rico mesmo, tudo indica, é Lulinha, o filho de Lulão. E sem o discreto charme daquilo que o PT chamava “burguesia”. O casal Suplicy se desfez. O sonho de uma adesão generosa das elites ao socialismo bocó resultou no conluio do partido com as empreiteiras.

E nem se pode dizer que o sonho acabou porque o PT se mostrou igual aos outros. Convenham: o assalto à Petrobras evidencia que nada é igual ao PT.

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2015

às 7:45

Aqui Entre Nós – Um ministro do STF contra a família

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2015

às 5:12

Dilma desiste mesmo do pronunciamento do Primeiro de Maio

De vez em quando, o governo toma uma decisão sábia. A presidente Dilma Rousseff desistiu de fazer o tradicional discurso de Primeiro de Maio. Vejam bem, senhoras e senhores, a enormidade do buraco em que se meteu o PT. A mandatária de um partido que se diz dos “trabalhadores” está impedida de falar em rede nacional no Dia do Trabalho porque dá como certa, e tem razão, que a fala seria usada como estímulo para um panelaço.

Segundo o ministro Edinho Silva, da Secom, Dilma vai se comunicar com os trabalhadores por meio das redes sociais. Pois é… Eventuais tuitaços são feitos em silêncio, não é mesmo? Leio na Folha a seguinte declaração do ministro: “Primeiro, é uma forma de valorizarmos outros modais de comunicação. Segundo, a presidente não precisa se pronunciar em cadeia nacional”. Edinho negou, contra todas as evidências, que a decisão tenha algo a ver com o medo do penelaço: “A presidente não teme nenhum tipo de manifestação da democracia”.

Bem, então por que não fala? A negativa, convenham, é um pouquinho ridícula. Um governante faz um pronunciamento para ser ouvido. Qual daria maior alcance à fala de Dilma em tempos normais? É evidente que seria a rede nacional de rádio e televisão. Pode não ser temor. Vai ver é uma questão de gosto, né? Ninguém fica feliz quando é vaiado. De resto, o governo avalia que a crise deu uma esfriada. Um pronunciamento poderia aumentar rapidamente a temperatura. Ademais, é preciso ter algo a dizer. Com o que acenaria a presidente em seu eventual discurso?

Pois é… Quem diria? Chegamos ao ponto em que um governo prefere aparecer pouco. E isso não é da natureza dos políticos, a menos que estejam muito mal na fita.

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2015

às 4:47

Gráfica que recebeu R$ 2,4 milhões de empresas do petrolão também teve repasse de R$ 1,8 milhão da Secom. CPI já!

Eu cobrei aqui, vocês se lembram, uma CPI dos Blogs e Congêneres para avaliar quem financia quem nisso que alguns tontos chamam de “mídia não-tradicional”. Esperava contar com a adesão imediata de blogs sujos, de blogs limpinhos e de blogs mais ou menos… Incrível! Não recebi o apoio de ninguém. Eu quero saber, por exemplo, onde a administração direta, o Banco do Brasil, a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o BNDES andaram metendo dinheiro de publicidade ou de patrocínio. Os petistas, que decidiram fazer escarcéu por causa de uma página que acusam ser financiada pelo governo Alckmin, ficaram caladinhos e mudaram de assunto.

Pois é… Lembram-se da Editora Gráfica Atitude, que, segundo o Ministério Público, foi usada como um dos canais para distribuir propina de R$ 2,4 milhões, paga por duas empreiteira do petrolão? Então… O MP descobriu que a dita-cuja recebeu R$ 1,8 milhão de verba publicitária do governo federal e de estatais. A Atitude pertence ao Sindicato dos Bancários, ligado à CUT — e, pois, ao PT — e publica um troço chamado “Revista do Brasil”, que, oficialmente ao menos, abrigou publicidade das empreiteiras e dos entes estatais.

Segundo Augusto Mendonça, do grupo Setal Óleo e Gás, sua empresa fez pagamentos à Atitude a mando de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Em razão desses repasses, o Ministério Público ofereceu nesta segunda denúncia contra Vaccari, Mendonça e Renato Duque, ex-diretor de serviços.

Mas voltemos à outra dinheirama. Segundo informações da Secom, nos últimos sete anos, a Petrobras pagou para a Atitude R$ 872 mil; o Branco do Brasil, R$ 364 mil, e a CEF, R$ 176 mil. Os anúncios diretos do governo federal somaram R$ 215 mil.

Eis aí parte do que os companheiros entendem por “mídia alternativa” e “mídia não-tradicional”. Consiste no uso descarado do dinheiro público para privilegiar publicações amigas, que tentam transformar a propaganda e o proselitismo político mais vagabundos em notícia.

É por isso que continuo com a minha campanha por uma CPI que investigue a transferência de recursos públicos para veículos de comunicação, não importa o meio. Chegou a hora, não é?, de saber quem financia quem e segundo quais critérios. A Atitude, como se vê, virou uma das peças do petrolão e também recebeu o capilé oficial da verba publicitária.

CPI já!

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2015

às 1:08

#prontofalei – Lulão e Lulinha: tal pai, qual filho?

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 20:51

Ao vivo

Em instantes, mais uma participação no Aqui entre Nós, da TVEJA, com Joice Hasselmann, comentando os assuntos da semana. Assista ao vivo, a partir das 21 horas.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 20:08

Crivella não gostou do que leu aqui e enviou uma mensagem. Eu a publico na íntegra e respondo

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) não gostou do texto que escrevi sobre a indicação do advogado Luiz Edson Fachin para o Supremo Tribunal Federal. Parece ter gostado menos ainda da forma como o caracterizei. Leiam a sua mensagem. Comento em seguida.

Prezado Reinaldo,

Acabo de ler sua coluna. Leio sempre que posso. Admiro a altivez na apresentação dos argumentos embora nem sempre concorde. 

Na de hoje, permita-me esclarecer que quando você me denomina senador da Igreja Universal e senador do bispo Macedo, comete um equívoco que macula o texto, pela simples razão de que eles não possuem representação nessa Casa da Federação.

Aqui são representados os 26 Estados e o Distrito Federal em igual número de senadores, para que haja o equilíbrio federativo.
 
Eleito e reeleito pelo bravo estado do Rio de Janeiro, já fui inclusive escolhido pela sua prestigiosa empregadora, como o quinto com melhores projetos e, pela Transparência Brasil, o segundo.

Percebi que você está inconformado com a indicação do novo ministro do STF e respeito suas razões. Eu não direi que você é um vendido a serviço das oligarquias com objetivo de desqualificar sua participação no debate. Jamais. Vou respeitá-lo. Bom seria se pudesse contar com a sua reciprocidade. 

Atenciosamente,
MCrivella

Comento
Senador Crivella, tenho apreço pelas palavras. E o convido a agir do mesmo modo. É visível que não sou o seu prezado. Mas a insinceridade é o menor dos males em sua mensagem.

Em primeiro lugar, eu, de fato, o chamei de “senador da Igreja Universal” — além de senador do Rio (releia), mas não de “senador do Bispo Macedo”. Este segundo, digamos, genitivo, não lhe diz respeito, mas sim à igreja. A sintaxe do meu texto é claríssima.

Sou grato pelo seu esforço de me ensinar a essência da representação da Câmara Alta, mas devo dizer que já a conheço. Ao fazer a referência à denominação religiosa, quis relevar o peso que a sua igreja teve na sua eleição. Ou não teve?

Tenho três “empregadoras”, senador. A opinião que cada uma delas tem não corresponde necessariamente à minha. Essas empregadoras me pagam para que eu emita a MINHA OPINIÃO, NÃO A OPINIÃO DELAS. Afinal, assim fosse, por que precisariam de mim?

Definitivamente, não me obrigo a ter a opinião dos meus empregadores, mas, se me permite, eu o aconselharia a ter a opinião do seu. Não me refiro, claro!, a Edir Macedo, mas ao povo do Rio de Janeiro.

De fato, o senhor não teria como dizer que sou “um vendido a serviço das oligarquias” pela simples e óbvia razão de que não apelo ao voto dessas oligarquias para manter o meu emprego ou para conquistar posições. Não são as oligarquias que fazem desta página o blog de política mais lido do país. Não são as oligarquias que fazem do programa “Os Pingos nos Is” líder absoluto de audiência. Não foram as oligarquias que me convidaram para ser colunista da Folha. E, se a minha coluna, no jornal, está entre as mais lidas, certamente não são as tais oligarquias que garantem essa posição.

Mas há mais do que isso: não creio que as oligarquias quisessem comprar a minha opinião porque, até onde acompanho, elas são parceiras do governo de turno.

Ademais, qual é a sua sugestão senador? Que a defesa da família é um fundamento de oligarcas? Que contestar que “mulher” e “amante” estejam em pé de igualdade perante a lei é outro princípio dos plutocratas? E olhe que o pensamento do advogado Fachin ainda não foi deslindado como deve, o que prometo fazer.

Não o desrespeitei, não!, senhor senador. Apenas lembrei o peso que a questão religiosa tem na sua eleição. E isso não me parece desdouro nem vergonha. Ademais, tenho, e me orgulho disto, o respeito da esmagadora maioria dos evangélicos porque respeito a crença religiosa, mesmo quando discordo de seus pressupostos.

Eu reajo, isto sim, a interpretações um tanto largas do texto bíblico. Numa de suas pregações, vi o bispo Macedo, seu líder espiritual, recorrer ao Eclesiastes para defender o aborto, o que considero uma ignomínia — o aborto e a interpretação. É bem verdade que, diante de tal enormidade, a dissolução da família pode até parecer um mal menor. Combato os dois males.

Continuarei fiel a meus empregadores, senador, dizendo com clareza tudo o que penso sem lhes pedir licença. Espero que o senhor seja fiel ao seu e, ao dar o seu voto na questão em particular, pense nos valores daqueles que o elegeram. Seus empregadores o elegeram para representá-los. Os meus empregadores me elegeram para representar-me.

Respeitosamente,
Reinaldo Azevedo

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 16:52

Ah, as ideias perversas de Fachin ainda não foram inteiramente expostas…

Vocês ficaram espantados com as teses abraçadas por Luiz Edson Fachin, candidato de Dilma, do PT e do MST ao Supremo? Pois é… Acreditem: da missa macabra, aquilo que vocês leram não representa nem a metade. O pensamento do homem é muito mais deletério do que o que veio a público até agora.

A noção de família, como a conhecemos — ou como a conhece boa parte do mundo — desapareceria por completo nas utopias do doutor.

Na madrugada, senhores senadores, vocês saberão quem está prestes a chegar ao Supremo. E por suas mãos. A sociedade brasileira estará de olho. Dizer “sim” a seu nome será o mesmo que dizer “não” à noção mais básica e elementar de família. Que cada senador arque com o preço de seu voto, não é mesmo?

 

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 16:39

Em 15 dias, Caixa anuncia segunda redução do limite de financiamento habitacional

No Globo:
A Caixa Econômica Federal reduziu novamente a parcela do financiamento habitacional, com recursos da poupança e próprios (acima de R$ 750 mil). Desta vez, a medida vai atingir os novos contratos de imóveis usados, a partir da próxima segunda-feira — o que vai exigir dos interessados uma entrada maior.

Segundo o banco, a cota cairá de 80% para 50% nas operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com recursos na poupança para imóveis de até R$ 750 mil. No Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), o percentual cairá de 70% para 40%, pelo Sistema de Amortização Constante- SAC (quando a prestação começa com valor mais alto e vai caindo ao longo do contrato).

Em nota, a Caixa justifica que o foco da instituição em 2015 serão os imóveis novos, principalmente o programa Minha casa Minha Vida. Não haverá mudanças nos financiamentos com recursos do FGTS (imóveis para famílias de baixa renda). A Caixa, que concentra 60% dos depósitos de poupança, é a maior financiadora do crédito habitacional.

No dia 13 de abril, o banco que representa 70% do mercado de crédito imobiliário, aumentou as taxas de juros dos financiamentos do SFH e reduziu a cota de financiamento para imóveis novos. Em janeiro, o banco já havia elevado os juros dos financiamentos habitacionais.

O financiamento habitacional vem sofrendo com o aumento nos saques da caderneta de poupança. Nos três primeiros meses do ano, as retiradas superaram os depósitos em R$ 23,2 bilhões, drenando praticamente tudo o que a caderneta ganhou em 2014, quando as captações líquidas somaram R$ 23,8 bilhões.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 16:09

Privatizações do petismo – Governo já fez essa propaganda antes, e nada aconteceu em razão da mistura de incompetência, ideologia rombuda e má-fé

A presidente Dilma Rousseff comandou uma reunião com boa parte do governo em pleno sábado — é preciso, afinal, mostrar que está trabalhando — para discutir um pacote de concessões na área de infraestrutura ao setor privado. Quando tucano faz isso, os petistas chamam o procedimento de “privatização” e saem por aí a vociferar contra a decisão. Quando são eles próprios a privatizar, então preferem a palavra “concessão”. Só para registro: sempre que um serviço público estiver em mãos privadas, dada a Constituição brasileira, o que se tem, de fato, é concessão. E por dois motivos: 1) há um prazo, ainda que longuíssimo, para a validade da operação do serviço; 2) sempre existe a possibilidade, ainda que remota, de a autorização, regulada por uma agência, ser cassada. Sigamos.

José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, afirma que o pacote pode chegar a R$ 150 bilhões. Convém não se fiar em números tão mirabolantes. Não é que não exista potencial para até mais do que isso quando se consideram as carências nas áreas de transporte, portos e aeroportos, por exemplo. O problema é que o governo já demonstrou ter a roda presa.

Desde que Dilma assumiu o poder, em 1º de janeiro de 2010, esta é a quarta vez que se fala numa grande arrancada na área de infraestrutura. E nada de substancial aconteceu nesses mais de quatro anos. Aliás, se considerarmos o período em que a atual governanta passou como chefona do setor — o tempo em que ela era a Dilmãe do PAC… —, acrescentem-se àquelas quatro outras tantas vezes.

E por que nada de substancial acontecia? Entre outras delicadezas, os companheiros tinham a ambição de tabelar a taxa de retorno das empresas privadas. Isto mesmo: os iluminados decidiram fazer por aqui o que a China, oficialmente comunista, jamais faria por lá: tabelar o lucro dos empresários. Muita gente não topou.

Ou, então, se faziam escolhas na área de concessão que geravam muita notícia e pouca estrada. Vejam o que aconteceu com a privatização — ou concessão — das rodovias federais. Na ânsia de atacar os tucanos de São Paulo, os gênios da raça decidiram impor um pedágio ridiculamente baixo. Resultado: o que antes não prestava continuou não prestando, mas com… pagamento de pedágio! Trata-se de um misto de ideologia rombuda com incompetência. E, claro!, acrescente-se a tudo isso a má-fé. Afinal, o governo que privatizou pouco soube pôr os bancos públicos a serviço de uns poucos eleitos, não é mesmo?

Agora, parece, BNDES, Banco do Brasil e CEF terão uma participação mais discreta nos novos empreendimentos. Consta que o objetivo é atrair o capital privado. Vamos ver quais serão as regras. Por enquanto, tudo é falatório para movimentar o noticiário. Dadas as rodadas anteriores, é evidente que é o caso de ver com desconfiança esse ataque súbito de amor pelo óbvio e pelo bom senso.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 15:42

Pacote de concessões deve ser anunciado em 10 dias

Leiam o que vai na VEJA.com. Comento no próximo post.
A presidente Dilma Rousseff deve anunciar um novo pacote de concessões de infraestrutura dentro de dez dias, ou seja, antes da viagem que fará à Europa para as comemorações do aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. Segundo o jornal O Globo, o tema das privatizações foi discutido pela presidente e por 13 ministros em reunião no Palácio da Alvorada, no último sábado. No encontro, os ministros apresentaram à presidente e também a toda a equipe econômica a relação dos projetos com demanda do setor privado. Conforme interlocutores, ficou acertado que o governo anunciará, no prazo estipulado, o programa das concessões dentro das necessidades do ajuste fiscal.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, terá a palavra final. Na ocasião, ele teria dito que não há dinheiro disponível do Tesouro, e que os financiamentos dos bancos públicos na nova rodada de privatização serão menores. Não haverá negociação direta entre os interessados nos leilões e o BNDES, por exemplo. Tudo passará pelo crivo da equipe econômica, afirmou uma fonte.

O primeiro pacote a ser anunciado deve ser o de concessões de quatro rodovias, de parte da ferrovia Norte-Sul e de três aeroportos (Salvador, Florianópolis e Porto Alegre). A maior parte desses projetos está na gaveta do governo desde o ano passado. As quatro rodovias em questão são :BR-163/230 (MT/PA), BR-364/060 (MT/GO), BR-476/153/282/480 (PR/SC) e BR-364 (GO/MG).

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a presidente pretende fazer lançamentos enquanto os projetos forem sendo estruturados, mas não quer anúncios tão picotados que reduzam demais o volume de investimentos. De acordo com um interlocutor que participou do encontro, foi constante o questionamento sobre a disponibilidade de recursos do governo para financiar projetos em infraestrutura.

“Analisou-se qual o porcentual que nosso sistema vai poder financiar, porque antes o BNDES financiava tudo, mas estamos em um outro momento”, disse. A lista de assuntos foi tão extensa que não houve tempo para discutir projetos portuários na reunião, que durou mais de dez horas. A pauta ficou concentrada em transportes e energia elétrica. Nos próximos dias nova reunião será convocada com a mesma agenda de investimentos.

O encontro ministerial se deu por etapas, com discussões temáticas. Três ministros (Aloizio Mercadante, da Casa Civil; Nelson Barbosa, do Planejamento; e Joaquim Levy, da Fazenda) e representantes dos três bancos federais – Banco do Brasil, Caixa e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – participaram de todas as conversas. Esse é o grupo responsável pela análise da viabilidade econômica das propostas apresentadas.

Como a reunião foi “inconclusiva”, como definiu o próprio Palácio do Planalto, a presidente retomará os encontros, mas de forma mais individualizada. Haverá uma reunião para tratar apenas de investimentos em rodovias, outra de aeroportos, e assim sucessivamente.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 15:33

Pobres invadem a aula de Haddad na USP e deixam o prefeito irritado! Que coisa feia! Ou: Eu posso censurar a invasão, o petista tem de aplaudi-la

O prefeito Fernando Haddad, como a gente sabe, é um homem a quem sobra tempo. A administração da cidade de São Paulo lhe dá uma folga. Não exige cem por cento de sua agenda. Ele deve achar moleza. Tanto é assim que conseguiu achar uma brecha para voltar a dar aula na pós-graduação de sociologia da USP. Pois é… O povo — aquele ente que o PT julgava ter privatizado — descobriu onde ele dá suas pedaladas teóricas e resolveu forçar um papinho. Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.

*
Um grupo de cerca de quarenta moradores de bairros do distrito de Parelheiros, na Zona Sul da capital paulista, interrompeu a aula do prefeito Fernando Haddad (PT) no prédio da pós-graduação de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP) – no campus Butantã, na Zona Oeste –, por volta das 9 horas desta segunda-feira. Os moradores exigiam a criação urgente de linhas de ônibus em seus bairros, no extremo sul da cidade, e levaram um documento para que o prefeito assinasse se comprometendo a implantar cinco linhas.

Haddad chegou a se retirar da sala de aula por se sentir ofendido com a intervenção, de acordo com uma militante do movimento Luta do Transporte no Extremo Sul, Luíze Tavares. O prefeito disse que não assinaria documento algum e que não era para os moradores interromperem a aula. “Nós entramos, apresentamos o histórico dos bairros. A princípio, ele não queria que interrompêssemos a aula, pediu para procurarmos por ele no intervalo”, afirmou Luíze. “Houve alguns momentos de tensão porque ele achou que estava sendo ofendido. Mas ele não acha que ofender é a pessoa andar duas horas para um ponto de ônibus.”

Em seguida, Haddad se retirou da sala de aula e os moradores foram atrás dele. “Ele parou no corredor das Ciências Sociais e ali terminou a conversa. Lemos para ele o que queríamos que ele assinasse, ele concordou em partes, mas disse que não ia assinar de qualquer jeito”, declarou Luíze. Ainda de acordo com a manifestante, o prefeito garantiu que haverá uma reunião no dia 16 ou 23 de maio, que está prevista para ocorrer na subprefeitura de Parelheiros.

Em 2014, moradores da região chegaram a organizar uma van, chamada pelo grupo de “linha popular”, por um dia e se acorrentaram no saguão da Prefeitura como forma de protesto.

Voltei
Vocês me conhecem muito bem e sabem que não apoio esse tipo de manifestação, nem que seja contra petistas. Nem que seja contra Fernando Haddad, cuja gestão considero o mais perfeito casamento entre a incompetência e a arrogância. Mas dizer o quê?

Os petistas têm de ser mais tolerantes com os métodos que patrocinam, não é mesmo? A invasão de aulas na USP é um clássico consagrado pelas esquerdas e pelos grupelhos apoiados pelo PT dentro da universidade.

Como? O petista não conversa com quem interrompe aula? Curioso! Fernando Pimentel, governador de Minas, outro peixão do partido, condecorou João Pedro Stedile com a Medalha da Inconfidência no dia 21 de abril. Stedile não interrompe apenas uma aula, como é sabido. Seu seguidores cometem atos que, houvesse uma lei razoável no Brasil, poderiam ser considerados atentados terroristas.

O MTST pinta e borda, inclusive na cidade de São Paulo, e, no entanto, Guilherme Boulos é, na prática, uma gestor privilegiado de programas oficiais de moradia. Que história é essa? Haddad não conversa com quem interrompe sua aula na USP, mas conversa com quem invade propriedade, faz ameaças e põe fogo em pneus, impedindo o livre trânsito das pessoas?

Mas entendo… Haddad se considera um homem das ideias, um intelectual… Vai ver os moradores de Parelheiros interromperam o prefeito quando ele estava criando uma metáfora nova para justificar a sua incompetência arrogante.

Eu posso, sem abrir mão do que penso, censurar a interrupção da aula. Haddad, ao contrário, tem mais é de aplaudi-la, né? De resto, o prefeito foi cobrado num dia útil, em horário de expediente. Os que foram à sua procura pagam o seu salário para administrar a cidade, não para lustrar as suas injustificadas vaidades intelectuais.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 15:12

MP apresenta nova denúncia contra Vaccari e Duque: lavagem de R$ 2,4 milhões. É aquele caso que envolve a gráfica e a revista ligadas ao PT

Atenção, leitores! Não vamos confundir as coisas. Em toda parte, vocês leem que o Ministério Público denunciou João Vaccari Neto e Renato Duque por lavagem de R$ 2,4 milhões. Atenção! Trata-se de uma nova denúncia, envolvendo especificamente o uso de uma gráfica ligada ao PT. A operação toma tal vulto e tem tantas camadas e desdobramentos que o desavisado pode achar que é só isso que pesa contra Vaccari e Duque. É claro que não! Leiam texto publicado na VEJA.com.
*
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou nesta segunda-feira denúncia contra o ex-tesoureiro nacional do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque – indicado pelo partido –e o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, do grupo Toyo Setal, por lavagem de dinheiro no total de 2,4 milhões de reais. O crime foi revelado na 12ª fase da Operação Lava Jato, que prendeu Vaccari preventivamente e identificou pagamento de recursos desviados da Petrobras a uma gráfica condenada por fazer propaganda eleitoral irregular para a presidente Dilma Rousseff, em 2010.

De acordo com a denúncia, o crime de lavagem de dinheiro foi cometido 24 vezes pelos acusados entre abril de 2010 e dezembro de 2013. Vaccari foi denunciado como organizador do esquema – um agravante que pode elevar a pena do petista, caso condenado. O MPF pede ainda que os acusados paguem à Petrobras como indenização, no mínimo, o dobro do valor lavado: 4,8 milhões de reais.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, uma parte da propina que seria paga a Renato Duque no esquema do petrolão foi direcionada por empresas do grupo Setal Óleo e Gás (SOG), ao qual pertence Mendonça Neto, para a Editora Gráfica Atitude. Com aval de Duque, o pagamento foi solicitado por Vaccari em um encontro pessoal com Mendonça Neto. Por meio da Setec Tecnologia e da SOG, ele fechou dois contratos falsos de compra de anúncios com a Editora Gráfica Atitude e usou duas outras empresas – Tipuana e Projetec – para realizar os pagamentos. Vaccari pediu os pagamentos duas vezes, em 2010 e 2013, sendo celebrados dois contratos de 1,2 milhão de reais cada. Ficou comprovado o repasse de ao menos ao menos 2,4 milhões de reais, sem que o serviço, a veiculação da propaganda, tenha sido prestado. Mendonça Neto disse que “não possuía qualquer interesse comercial em publicar anúncios na revista”.

As empresas de Mendonça Neto realizaram vinte e duas transferências bancárias que somam 2,25 milhões de reais (valor líquido, descontados impostos) para a Editora Gráfica Atitude. Em contrapartida, a gráfica emitiu dezoito notas fiscais frias para justificar os pagamentos. O MPF apreendeu e-mail de uma funcionária da gráfica com cópia das notas. Os valores que abasteceram os cofres da Editora Gráfica Atitude foram desviados de contratos da SOG com a Petrobras nas refinarias de Araucária (PR), a Repar, e de Paulínia (SP), a Replan, segundo os investigadores.

Em 2010, os pagamentos à gráfica ocorreram meses antes e depois das eleições, quando a empresa veiculou uma edição da Revista do Brasil, com tiragem de 360.000 exemplares, de conteúdo favorável à presidente Dilma Rousseff e ofensivo ao senador José Serra (PSDB), então adversários na disputa da Presidência da República. O Tribunal Superior Eleitoral considerou a revista uma propaganda irregular e multou a gráfica em 15.000 reais.

Para os procuradores da República, há indícios de que os pagamentos de propina pela Setec e SOG, dissimulados como compra de anúncios, financiaram a edição de número 52 da Revista do Brasil, de outubro de 2010, justamente a multada pela Justiça Eleitoral por propaganda pró-Dilma. O MPF indicou que parcelas do contrato fictício foram pagas naquele mês, bem como antes e depois das eleições.

Segundo delação de Augusto Ribeiro Mendonça, Vaccari pediu que ele fizesse transferências de dinheiro à Gráfica Atitude em vez de pagar propina ao partido em forma de doações eleitorais registradas, outro método de pagamento de propinas que rendeu ao partido ao menos 4,2 milhões de reais entre 2008 e 2012.

A Gráfica Atitude é uma sociedade mantida por dois sindicatos umbilicalmente ligados ao PT: o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Os sindicatos são sócios e indicam os diretores da gráfica – quase todos filiados ao PT e sempre dirigentes dos sindicatos. Um deles, Teonílio Barba (Metalúrgicos do ABC), elegeu-se deputado estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo, no ano passado. Outra diretora, Ivone Maria da Silva (Bancários), foi uma defensora de Vaccari durante a gestão do ex-tesoureiro petista na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) – pela qual ele responde criminalmente na Justiça paulista.

Os procuradores da Lava Jato também indicaram na denúncia que o endereço do diretório estadual do PT em São Paulo consta em listas telefônicas na internet também como sede da Editora Gráfica Atitude. Por ora, o MPF decidiu não denunciar funcionários da gráfica. Isso porque, segundo os procuradores, a responsabilidade deles ainda será apurada em inquérito separado. Os atuais diretores da gráfica Atitude, no entanto, foram arrolados para depor como testemunhas.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 7:26

LEIAM ABAIXO

Lulinha: do caminho das antas ao apartamento de R$ 6 milhões. Ou: O filho que sai ao pai não degenera. Ou ainda: O sítio das delícias;
Lulinha e a educação: para os filhos dos trabalhadores, greve de professores; para o filho de Lula, escola privada, “de elite”;
ACORDEM, SENADORES! Fachin, o candidato de Lewandowski e de Dilma ao Supremo, acha essa conversa de “família” uma besteira… Ele não vê diferença, por exemplo, entre mulher e amante;
CPI quer convocar aliado de Renan para depoimento;
Cunha: “Não tenho medo de cara feia”;
Investigado por terrorismo em Brasília já trabalhou na Casa Civil junto com Dilma;
ALÔ, BLOGUEIROS SUJOS E LIMPINHOS! ENTREM NA MINHA CAMPANHA POR “CPI DOS BLOGS JÁ”! CHEGOU A HORA DE SABER QUEM PAGA QUEM E POR QUÊ!;
PSDB da Câmara já vê motivos para pedido de impeachment de Dilma;
Má-fé esquerdista impede o Brasil de votar uma lei que puna o terrorismo;
PF apura suspeita de terrorismo e apreende documentos de advogado muçulmano;
Itália autoriza extradição do mensaleiro Pizzolato;
— Mineiros reagem indignados ao insulto do governador Pimentel — que resolveu esquartejar a memória e a dignidade de Tiradentes — e exigem que ele casse a medalha concedida a Stedile;
— Minha coluna na Folha: “Paixões escravas”;
— Haddad recorre à Justiça contra o governo Dilma. A boa notícia: é o PT se desmanchando;
— Dilma estuda agora terceirizar o estímulo ao panelaço!!!;
— VEJAM COMO AGEM OS MILITANTES A SERVIÇO DA APEOESP. É ESSA GENTE QUE ESTÁ EM SALA, EDUCANDO AS CRIANÇAS E OS JOVENS?

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 7:19

Lulinha: do caminho das antas ao apartamento de R$ 6 milhões. Ou: O filho que sai ao pai não degenera. Ou ainda: O sítio das delícias

Os Lula da Silva têm mesmo um jeito heterodoxo de viver. Chega a ser estranho que o chefão do PT tenha querido, algum dia, como é mesmo?, mudar o mundo… Ora, mudar para quê? A partir de certo momento, vamos admitir, esse mundo só sorriu para ele. E continua a sorrir para a sua família. Reportagem de capa da VEJA desta semana expõe a proximidade entre o agora ex-presidente da República e o empreiteiro baiano Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, um dos presos da operação Lava Jato. Proximidade que pode fazer com que o escândalo do petrolão ainda exploda no colo do companheiro-chefe. É que Pinheiro começou a fazer algumas anotações… Leiam a reportagem da revista desta semana. Quero aqui abordar um aspecto em particular.

A VEJA informa que Fábio Luís da Silva — vulgo “Lulinha” — mora num apartamento, numa área nobre em São Paulo, avaliado em R$ 6 milhões. É isso mesmo que vocês leram. O apartamento do filho do Primeiro Companheiro é coisa de ricaço. Mas parem de ficar imaginando maldades. O dito-cujo não está em nome do rapaz! Não! Oficialmente, o dono do imóvel é o empresário Jonas Suassuna, que é apenas… sócio de Lulinha.

Esse rapaz, note-se, é, desde sempre, um portento. Lula já o chamou de o seu “Ronaldinho”, louvando-lhe as habilidades para fazer negócios. Formado em biologia, o rapaz era monitor de Jardim Zoológico até o pai chegar à Presidência. Cansado de ficar informando ao visitante onde se escondiam as antas, ele decidiu ser empresário quando o genitor se tornou o primeiro mandatário. E o fez com uma desenvoltura assombrosa. Só a Telemar (hoje Oi) injetou R$ 15 milhões na empresa do rapaz, a Gamecorp. Nada além de uma aposta comercial?

Assim seria se assim fosse. Empresas de telefonia são concessões públicas, que dependem de decisões de governo. Aliás, é bom lembrar: Lula mudou a lei que proibia a Oi (ex-Telemar) de comprar a Brasil Telecom (que era de Daniel Dantas). A síntese: o pai de Lulinha tomou a iniciativa de alterar uma regra legal e beneficiou a empresa que havia investido no negócio do filho. Isso é apenas uma interpretação minha? Não! Isso é apenas um fato. Adiante.

Os Lula da Silva formam uma dinastia. O filho repete, em certa medida, o caminho do pai — e não é de hoje. Quando Lula era o líder da oposição, também morava, a exemplo de Lulinha, numa casa que estava muito acima de suas posses oficiais. O imóvel lhe era cedido por um advogado milionário chamado Roberto Teixeira, seu compadre. Se vocês entrarem no Google, ficarão espantados com a frequência com que Teixeira aparece ligado a, digamos assim, negócios que passam pelo petismo. Se clicarem aqui, terão acesso a um grupo de textos evidenciando, por exemplo, as suas interferências na venda da Varig.

Agora o sítio
Jonas Suassuna, o sócio de Lulinha e dono oficial do apartamento milionário em que mora o filho do Poderoso Chefão petista, é quem aparece como proprietário de um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, em companhia de Fernando Bittar, que é, ora vejam, o outro sócio de Lulinha. Até aí, bem…

Ocorre que, no PT, e fora dele, incluindo toda a Atibaia, a propriedade é conhecida como o “sítio do… Lula!”. É lá que ele passa os fins de semana desde que deixou a Presidência. A propriedade foi inteiramente reformada, em tempo recorde, pela empreiteira OAS, a pedido de… Lula! Os pagamentos aos operários eram feitos em dinheiro vivo. O arquiteto que cuidou de tudo se chama Igenes Irigaray Neto, indicado para o empreendimento pelo empresário José Carlos Bumlai, amigão de… Lula! O tal aparece com frequência em histórias mal contadas envolvendo o petismo — inclusive o petrolão.

A OAS, que reformou o sítio que até petistas dizem ser do ex-presidente, também foi chamada para concluir um dos edifícios da Bancoop, a cooperativa ligada ao PT, que era presidida por João Vaccari e que faliu, deixando três mil pessoas na mão. O único prédio concluído é justamente um de alto padrão, onde Lula tem um tríplex, com elevador interno. Quando explodiu o caso Rosemary Noronha, aquela amiga íntima do ex-presidente, a OAS foi mais uma vez chamada para dar uma mãozinha para João Batista, o marido oficial da tal senhora.

Assim se construiu a república petista. Os companheiros têm explicações para essas lambanças? É claro que não! Preferem ficar vomitando impropérios nas redes sociais, acusando supostas conspirações. Definitivamente, o PT superou a fase do Fiat Elba, que foi peça-chave na denúncia contra Collor. Fiat Elba? Ora, Lula, o PT e a tropa toda são profissionais nas artes em que Collor ainda é um amador.

Texto publicado originalmente às 4h51
Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 7:15

Lulinha e a educação: para os filhos dos trabalhadores, greve de professores; para o filho de Lula, escola privada, “de elite”

A Apeoesp, o sindicato dos professores da rede oficial de ensino, está em greve há mais de 40 dias. O movimento atinge só uma minoria da categoria, mas é claro que gera transtornos. Desde que o PT existe, a Apeoesp é um mero aparelho da legenda. Usa os professores como massa de manobra da política do partido. Pois é…

Já que Fábio Luís da Silva, o Lulinha, voltou a ser notícia, cumpre-me lhes dar aqui uma informação. O rapaz que hoje mora num apartamento de R$ 6 milhões e se fez um próspero empresário depois que Lulão se tornou presidente não vivia como um filho da classe operária nem quando o pai era um sindicalista.

Enquanto os petistas já buscavam organizar greves entre os professores da rede oficial de ensino, Lulinha estudava no Colégio Singular, em Santo André, que era, então, a melhor e mais afamada escola privada do ABC. Dispunha de uma bolsa de estudos. Como eu sei? Eu era professor do colégio. Não! Lulinha não foi meu aluno.

Vejam bem… Não estou entre aqueles que acham que Lula e Dilma deveriam, obrigatoriamente, ter se tratado do câncer que os acometeu na rede pública de saúde. Escrevi sobre o assunto na época. Recorram ao arquivo. Mas acho, sim, que não havia nada de errado em lhes fazer o questionamento.

Já a educação é outra conversa. Não se está lidando com uma doença com potencial para matar, quando se tem apenas uma vida. Nada disso! Já na década de 80, enquanto os liderados de Lula faziam agitação entre os professores e submetiam os filhos dos trabalhadores a seus caprichos, deixando-os sem aula em movimentos grevistas, o rebento do companheiro gozava dos benefícios — com bolsa, inclusive — de uma escola privada.

A hipocrisia nunca foi o menor dos problemas do petismo, não é mesmo?

Texto publicado originalmente às 5h25
Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 7:07

ACORDEM, SENADORES! Fachin, o candidato de Lewandowski e de Dilma ao Supremo, acha essa conversa de “família” uma besteira… Ele não vê diferença, por exemplo, entre mulher e amante

Se o Senado aprovar o nome de Luiz Edson Fachin, o homem de Ricardo Lewandowski e de Dilma, para o Supremo Tribunal Federal, não estará chegando ao STF apenas o ministro da CUT e do MST. Não estará chegando ao STF apenas o homem que sugere que um juiz deva julgar tanto com a “testa” (puro e simples arbítrio) como com o texto (o que diz a lei). Estará chegando ao STF um esquerdista que é dono das teses as mais exóticas sobre o direito de família.

Fachin é diretor de um troço chamado Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), que promove três causas no tribunal. Prestem atenção:
1: o IBDFAM acha que a amante tem de dividir com a mulher legítima a eventual pensão por morte do marido;
2: o IBDFAM acha que cirurgias de esterilização devem dispensar a autorização dos dois cônjuges;
3: o IBDFAM acha que transexuais que não se submeteram a cirurgias têm o direito de usar o nome pelo qual são conhecidos, o chamado nome social.

Notem, de saída, que as duas primeiras teses praticamente desconsideram a noção de família ou a dão por destruída. A amante passa a integrar o núcleo familiar, ao arrepio da, como vou chamar?, “mulher oficial”.

Como? Não fica bem falar em “preservação da família”? Pois eu falo. A questão da esterilização ignora o fundamento de que o casal constitui, afinal, uma unidade. Assim, a mulher pode, por exemplo, fazer uma cirurgia de laqueadura sem dar satisfação ao marido, e este, submeter-se a uma vasectomia sem nem mesmo comunicar a decisão à sua mulher. Se os parceiros que ficaram fora da decisão querem ou não ter filhos, pouco importa. Que mudem de casamento!

É uma tese conexa à do “aborto como um direito da mulher porque diz respeito a seu corpo”, defendida pelo feminismo mais canhestro, com a qual, suponho, Fachin deve também se alinhar.

A terceira causa do instituto de que Fachin é diretor já foi objeto de duas resoluções federais no dia 12 de março. Uma delas garante justamente o tal uso do nome social em ocorrências relativas à segurança pública. A outra, coalhada de absurdos, permite que um estudante, mesmo menor de idade, seja chamado por seu nome social. Vai além: faculta o uso do banheiro segundo a identidade alegada pela pessoa. Ou por outra: se um garoto se sentir uma menina e se vestir como tal, então ele passa a ter o direito de usar o banheiro feminino…

Leio no Globo que Fachin já passou mel da boca do suposto conservador Marcelo Crivella, senador da Igreja Universal, de Edir Macedo, e também do PRB do Rio… O advogado foi falar com o parlamentar, que ficou encantado com a sua conversa. Bem, de conservadores como Crivella, o inferno certamente está cheio, não é mesmo?

Segundo o senador, o interlocutor lhe garantiu que temas ligados à família pertencem à órbita do Congresso, que é quem deve legislar a respeito… Ora, não me diga! Eu estou enganado ou o Supremo, em duas decisões, uma vez provocado, mudou o conceito de família, ignorando um artigo da Constituição, e ampliou as possibilidades do aborto, ignorando o Código Penal? Eu estou enganado ou o Supremo se arvorou até mesmo em fazer a reforma política? Mas esses não são temas que dizem respeito ao Congresso?

Aí alguém dirá: “Ah, mas Fachin conta com o apoio de tucanos como Alvaro Dias e Miguel Reale Jr.”! E eu com isso? Se o PSDB sempre fizesse a coisa certa, talvez o PT não estivesse no 13º ano de seu mandato, com o país na pindaíba.

Fachin encarna o esquerdismo mais deletério. O PT, que está morrendo, pretende sobreviver como o Partido do Tapetão.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 7:05

CPI quer convocar aliado de Renan para depoimento

Por Andreia Sadi e Ranier Bragon, na Folha:
A cúpula da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados que investiga o esquema de corrupção descoberto na Petrobras planeja convocar um aliado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) para depor na CPI. O alvo do comando da comissão é o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, afilhado de Renan que é apontado como elo do esquema na empresa, uma subsidiária da Petrobras responsável pelo armazenamento e pelo transporte de combustível. A convocação de Machado para depor deverá contribuir para um acirramento da disputa que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), trava com Renan, que preside o Senado, por protagonismo no comando do Congresso e no PMDB.

Na semana passada, eles divergiram publicamente após a aprovação pela Câmara do projeto que permite ampliar a terceirização do trabalho nas empresas, que Renan ameaça alterar no Senado. A cúpula da CPI planeja aproveitar um depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, marcado para o próximo dia 5, para criar um pretexto que permita a convocação de Machado. Costa, que em agosto passou a colaborar com as investigações da Operação Lava Jato, disse num depoimento em outubro que Renan recebia propina de empresas contratadas pela Transpetro, e afirmou que Machado uma vez lhe entregou R$ 500 mil. A expectativa na cúpula da CPI é que ele confirme o depoimento ao falar à comissão, e com isso ofereça a justificativa que ela precisa para convocar Machado para depor. A operação tem o apoio de partidos da oposição, do PMDB e do presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), um aliado de Cunha.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados