Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

01/10/2014

às 0:50

Minas realiza o 2º turno no 1º, segundo o Ibope

A situação segue dramática para o candidato tucano em Minas Gerais. Segundo a pesquisa Ibope, o petista Fernando Pimentel venceria a disputa no primeiro turno, com 45%. Pimenta da Veiga, do PSDB, teria 25%. Tarcísio Delgado, do PSB, teria 3%, mesmo índice dos demais candidatos juntos. Votariam em branco ou nulo 10%; dizem não saber 14%. Numa simulação de segundo turno, o petista bateria o tucano por 46% a 27%. Observem que a variação do segundo turno para o primeiro fica na margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos. Estando certos os números, o eleitorado mineiro está fazendo um segundo turno já no primeiro.

Os dois principais candidatos têm ainda rejeição baixíssima: Pimenta, 12%, e Pimentel, 10%. A pesquisa foi realizada entre os dias 27 e 29 de setembro, e foram entrevistados 2.002 eleitores.

Ibope Minas 1º turno 30.09

Por Reinaldo Azevedo

01/10/2014

às 0:29

Ibope Rio – Pezão ganha de todos; Garotinho perde para todos; esquerdas no Rio não enchem o Posto 9

Há uma semana, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que concorre à reeleição, ainda estava tecnicamente empatado com Anthony Garotinho, do PR. A diferença agora aumentou no Ibope: o peemedebista tem 31% no primeiro turno, contra 24% do adversário: um oscilou dois pontos para cima, e o outro, dois pontos para baixo. Marcelo Crivella (PRB) oscilou um ponto para baixo e tem 16%. O petista Lindberg Farias segue dando vexame: 9%. Os demais candidatos somam 2%. Dizem não saber em quem votar 6%, e 12% anulariam ou votariam em branco.

Ibope Rio 30.09

Garotinho segue o líder absoluto da rejeição, com 40%, seguido de longe por Lindberg (20%), Pezão (16%) e Crivella (14%). Em que isso resulta no segundo turno? Ele perderia para todos os adversários — e Pezão venceria todos, a saber:
Pezão 46% x Garotinho 31%;
Pezão 43% x Crivella 32%;
Crivella 37% x Garotinho 32%

Ah, sim: incluindo Lindberg (9%), as esquerdas no Rio somam 11% dos votos apenas: os outros dois pontos estão com o PSOL (1%) e PSTU (1%).

Não dá para encher o Posto 9!

Ibope Rio 2º turno 30.09

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 23:54

Segundo o Ibope, PT pode ser humilhado no DF e ficar fora do segundo turno

O PT pode passar por uma humilhação e tanto no Distrito Federal. Se a eleição fosse hoje, o partido ficaria fora do primeiro turno. Segundo o instituto, no primeiro, o senador Rodrigo Rollemberg, do PSB, teria 32% dos votos. Em seguida, vem Jofran Frejat, com 24%. O petista Agnelo Queiroz, que disputa a reeleição, está com 19%. Os demais candidatos somam 6%. Dizem votar em branco ou nulo 9%, e 10% afirmam não saber. O Ibope ouviu 1.806 pessoas entre os dias 27 e 30 de setembro. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Além de ficar fora do segundo turno, Agnelo segue sendo espetacularmente rejeitado: por 49%. O segundo nesse ranking negativo está muito distante: é Frejat, com 15%. Rollemberg tem apenas 6%.

Rollemberg venceria o segundo turno contra os dois adversários, e Agnelo perderia para os dois. Vale dizer: o governador do DF é mesmo um adversário dos sonhos. Vejam como seria o confronto entre os candidatos:
- Rollemberg 49% X Frejat 30%;
- Rollemberg 57% X Agnelo 23%;
- Frejat 48% x Agnelo 28%.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 23:15

Debate entre candidatos em SP… Ah, se desonestidade intelectual e picaretagem matassem…

Estou acompanhando o debate da Globo entre os candidatos ao governo de São Paulo. Se desonestidade intelectual e picaretagem política matassem, pouca gente restaria de pé ali. Ainda escreverei a respeito.

 

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 23:09

Ibope em SP – Alckmin seria reeleito no 1º turno com 15 pontos sobre a soma dos demais candidatos

O Ibope divulgou os números da pesquisa Datafolha em São Paulo. Diminuiu a diferença entre o tucano Geraldo Alckmin e a soma de seus adversários, mas o candidato do PSDB ainda venceria no primeiro turno com folga. Vejam.

Ibope SP 30.09

Se a eleição fosse hoje, o atual governador, que concorre à reeleição, teria 45% dos votos, contra 19% de Paulo Skaf, do PMDB, e 11% do petista Alexandre Padilha. Os demais somam apenas 1%. Votam em branco ou anulam 13%, e 10% dizem não saber. Alckmin tem 14 pontos de vantagem sobre a soma dos adversários. Na simulação de segundo turno, o tucano obtém 49% dos votos, contra 28% de Skaf.

O governo Alckmin segue bem avaliado. Dizem que a gestão é ótima ou boa 43% dos entrevistados. Ela é regular para 33%, e apenas 20% dizem ser ruim ou péssima. O Ibope ouviu 2002 eleitores em 96 municípios entre os dias 27 e 29. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Ibope SP avaliação

 

 

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 21:59

Aécio: “O máximo que Dilma fez foi anunciar seu ex-futuro ministro da Fazenda”

Por Pollyane Lima e Silva, na VEJA.com:A cinco dias das eleições, Aécio Neves escolheu o Mercadão de Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, para reforçar sua preocupação com o futuro da economia brasileira. O candidato do PSDB lembrou que a importância do tema o fez antecipar a formação de parte de uma eventual equipe de governo – incluindo o economista Armínio Fraga como ministro da Fazenda – e criticou as adversárias Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) por não agirem da mesma maneira. Segundo ele, isso mostra despreparo de ambas.

“O máximo que a atual presidente soube fazer foi anunciar seu futuro ex-ministro da Fazenda”, alfinetou, referindo-se a Guido Mantega que, segundo declarações de Dilma, deve deixar a pasta no caso de um novo governo do PT. “Ninguém sabe o que esperar desse governo, que perdeu a capacidade de governabilidade do ponto de vista gerencial, deixando obras inacabadas; econômico, permitindo que a inflação saísse do controle e o país entrasse em recessão; e do ponto de vista moral, com inúmeros escândalos de corrupção”, completou.

Ao se voltar contra Marina Silva, criticou o discurso de querer governar com os melhores de cada lado – ela já disse ter muito respeito por Armínio Fraga. “A impressão que se tem é que ela está a olhar sobre a cerca da sua propriedade para tentar enxergar no terreno vizinho algum fruto mais vistoso que possa fazer parte do seu pomar”, comparou Aécio, contendo um riso que tentava escapar. “Nós, sim, temos quadros extremamente qualificados e prontos para administrar o Brasil, com a complexidade dos desafios que temos pela frente. Não improvisamos”, enfatizou.

Impostos
De concreto, o candidato do PSDB prometeu enviar ao Congresso Nacional uma proposta para simplificar o sistema tributário. “Ele é oneroso não só no nível de impostos que cobra, mas também na complexidade do pagamento. O conjunto das empresas nacionais gasta mais de 40 bilhões de reais apenas na manutenção da máquina pagadora. Isso não tem lógica”, declarou, firmando como prazo para colocar em prática esse compromisso a primeira semana de um eventual governo. Afirmou ainda que pretende unificar os impostos indiretos em um de valor agregado.

Voltando-se diretamente às micro e pequenas empresas, Aécio disse que vai trabalhar pela desburocratização, simplificação e pelo crescimento. “Essa é a receita para o Brasil empregar mais, gerar mais renda e melhorar a vida das pessoas”, destacou. “Em resumo: se você quer empreender, eu garanto que o Estado não vai te atrapalhar. E, se não atrapalhar, já vai estar fazendo uma grande coisa”, acrescentou. Contra a inflação, que definiu como “a maior perversidade” para as famílias brasileiras, garantiu tolerância zero.

O candidato prometeu, ainda, papel de destaque ao Rio de Janeiro, caso seja eleito. “Tenho um compromisso muito especial com essa terra que me acolheu de forma tão generosa. Vamos trabalhar para atrair investimentos e voltar a gerar empregos”, falou, em entrevista à rádio do Mercadão de Madureira. Por fim, afirmou ter confiança de que vai chegar ao segundo turno. “Quem tem condições de derrotar o PT somos nós, pela clareza do nosso discurso e pela força das nossas alianças. Essa é a oportunidade de iniciar um novo ciclo no Brasil, de eficiência, decência e compromisso com quem mais precisa.”

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 21:55

Marina sobre Dilma: “Mente quem diz que não sabia dos roubos na Petrobras e quem prometeu 6 mil creches e entregou menos de 400″

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, fez duras críticas á presidente Dilma Rousseff (PT) nesta terça-feira, em São Paulo, e afirmou que a adversária petista mentiu ao dizer que não sabia da existência de um amplo esquema de corrupção na Petrobras. Reportagens de VEJA revelaram que o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa entregou em acordo de delação premiada uma constelação de políticos e partidos que receberam dinheiro desviado da empresa – entre eles o PT e a própria campanha de Dilma em 2010.

“Não venha me chamar de mentirosa. Mente quem diz que não sabia dos roubos na Petrobras”, disse Marina. A fala foi feita em resposta a mais uma peça da propaganda eleitoral de Dilma direcionada à desconstrução da figura de Marina – desta vez, a propaganda afirma que a ex-senadora mentiu ao dizer que votou a favor da extinta CPMF. “Para votar um projeto no Congresso há muitos trâmites. Quem nunca foi sequer vereadora e vira presidente do Brasil não entende isso.”

Marina Silva disse ainda que o PT promove uma “campanha da discórdia” contra ela e que a presidente “come pela boca de marqueteiros”. “Nunca pensei que uma mulher pudesse permitir fazer o que estão fazendo para destruir a biografia honrada de outra mulher.”

“Eles me criticam, dizem que me emociono ao falar sobre os ataques que venho sofrendo, ao falar sobre minha vida. Mas a pior fraqueza é fazer o jogo do dominador. Não quero parecer com essa gente, não quero parecer com eles”, disparou. “Mente quem promete construir 6.000 creches e não entrega sequer 400″, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 21:47

Paulo Roberto Costa solto. Tremei, companheiros!

O homem que disse que Antonio Palocci lhe pediu dinheiro para a campanha de Dilma Rousseff em 2010 irá para casa amanhã. A autorização para que Paulo Roberto Costa responda, em prisão domiciliar, ao processo em que é acusado de desvio de recursos da Petrobras já foi assinado pelo juiz Sérgio Moro, da 13a Vara Federal de Curitiba. Costa deixará a carceragem da PF no Paraná e rumará para o Rio, onde sua família mora. Ele será monitorado por uma tornozeleira eletrônica.

A petelândia está em pânico. A autorização para a prisão domiciliar já é um benefício concedido pela Justiça. E coisas assim só acontecem quando o preso efetivamente contribui para elucidar um esquema criminoso; quando se avalia que suas informações são relevantes.

Já sabemos parte do que disse o ex-diretor da Petrobras. E é tudo muito escabroso. Ele forneceu uma lista grande de políticos que estariam vinculados à quadrilha que desviava dinheiro da estatal. Lá estão alguns grandes do Congresso, como Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara. Integra a lista, segundo ele, Edison Lobão, ministro das Minas e Energia. Pertence à turma, ele assegurou, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.

Ocorre que Costa não parou por aí, não. Ele também admitiu ao Ministério Público e à PF que recebeu, sim, propina na operação de compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Só no seu bolso, teria ido parar R$ 1,5 milhão. E olhem que ele não era o homem forte dessa operação. É que ele poderia reter documentos para análise por um tempo — ou liberá-los com celeridade. Ele foi rápido, cobrou por e isso e, confessa, recebeu. Resta saber de quem.

E Paulo Roberto, informa a VEJA desta semana, disse algo infinitamente mais grave do que tudo isso: em 2010, Antonio Palocci, então coordenador da campanha de Dilma e depois seu chefe da Casa Civil, recorreu aos préstimos do grupo criminoso para pedir R$ 2 milhões para a campanha da petista. Atenção! Essa grana ilegal, criminosa, teria sido pedida na cota do PP. Outros partidos teriam também as suas respectivas, muito especialmente PMDB e PT. Íntimo do poder, ele era: Lula o chamava de “Paulinho”. Superfofo mesmo, né?

Já há um monte de petistas que perdeu o sono. Acho que o que veio a público até agora é muito pouco para que lhe concedam benefício tão grande, tantas são as evidências de crimes. Isso só nos faz supor que ele disse muito mais.

Tremei, companheiros!

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 21:13

Pesquisa Ibope: números do 1º turno são praticamente iguais aos do Datafolha; veja a diferença entre os dois institutos no 2º turno

Os números da pesquisa Ibope, também divulgada nesta terça, são praticamente iguais aos do Datafolha no primeiro turno. O instituto ouviu 3.010 eleitores entre sexta e ontem — o Datafolha, reitere-se, foi à rua entre ontem e hoje. Se a eleição se desse agora, afirma o Ibope, a petista Dilma Rousseff teria 39% dos votos. Marina Silva, do PSB, viria em segundo, com 25%, e o tucano Aécio Neves, em terceiro, com 19%. No Datafolha, esses números são, respectivamente, 40%, 25% e 20%.  Vejam o gráfico publicado pelo Estadão:

Ibope 1º turno dia 29

Divergência importante entre os dois institutos só mesmo na disputa de segundo turno entre Dilma e Marina. Segundo o Ibope, a petista está numericamente à frente da peessebista: 42% a 38%, mas dentro da margem de erro, que é de dois pontos. Para registro: no Datafolha, a diferença era de quatro pontos há três dias: 47% a 43%; segundo esse instituto, seria agora de 8: 49% a 41. Segue o gráfico do Ibope:

Ibope 2º turno 29

No caso de Dilma disputar a etapa final com Aécio, o Ibope aponta uma diferença de 10 pontos, contra 9 do Datafolha, só que os números são substancialmente diferentes: no primeiro instituto, a petista venceria por 45% a 35%; no segundo, por 50% a 41%.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 20:25

DATAFOLHA – Em 2 dias, diferença entre Aécio e Marina cai 4 pontos: 25% a 20%; Dilma segue com 40%; um 2º turno PT-PSDB volta ao horizonte. Ou: PT não muda a própria imagem, mas depreda a alheia

Pois é… Em quatro dias, caiu quatro pontos a diferença entre os candidatos Aécio Neves, do PSDB, e Marina Silva, do PSB, que disputam uma das vagas no segundo turno da eleição presidencial. No levantamento feito pelo Datafolha nos dias 25 e 26, a diferença a favor da peessebista era de 9 pontos: 27% a 18%; agora, na pesquisa feita na segunda e nesta terça, é de apenas 5: 25% a 20%. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, vejam que curioso: qualquer distância entre 1 ponto (23% a 22%) e 9 pontos (27% a 18%) está no intervalo possível. Mas é improvável que ela se situe num extremo ou noutro. Se a velocidade da possível queda de Marina se mantiver constante e a da possível ascensão de Aécio também, pode ser o tucano a disputar a etapa final com a petista.

Os demais candidatos somaram apenas dois pontos. Dizem que votarão em branco ou nulo 5% dos entrevistados, mesmo percentual dos que pretendem anular o voto. O Datafolha ouviu 7.520 entrevistados em 311 municípios. Vejam o gráfico publicado pelo Portal G1.

Datafolha 30.09 Portal G1

Em duas semanas, a diferença entre Marina e Aécio caiu 8 pontos: de 30% a 17% para 25% a 20%. Dilma, nesse período, variou na margem de erro: de 37% para 40%. Tudo indica que a hipótese que chegou a ser aventada há dois dias não vai se confirmar: havia quem visse a possibilidade de Dilma levar a disputa ainda no primeiro turno. A novidade da pesquisa do Datafolha é a possibilidade de uma troca de posições no segundo lugar. Observem que a situação de agora é muito parecida com a de 14 e 15 de agosto, antes do início do horário eleitoral.

Quando se veem os números do segundo turno, Aécio e Marina parecem estar em tendências opostas.Datafolha G1 2º turno

Ainda que discreta em 15 dias, há uma tendência de diminuição da diferença entre Dilma e Aécio: era de 10 pontos (49% a 39%); agora é de nove (50% a 41%), dentro da margem de erro. Ocorre que, na disputa com Marina, a vantagem da petista aumentou substancialmente: a ex-senadora aparecia na frente, com 46% a 44%; agora, está atrás: 41% a 49% — a candidata do PT subiu 5 pontos, e a do PSB caiu 5 — uma variação de 10 pontos contra a peessebista. De novo, a variação na comparação com os dados anteriores ao início do horário eleitoral indica pouca mudança.

Uma coisa, no entanto, sofreu forte alteração. A campanha negativa contra Marina surtiu, sim, efeito, e ela e seus estrategistas não conseguiram, até agora, furar o cerco. Vejam este gráfico do G1 com a rejeição aos candidatos.

Datafolha 30.09 rejeição

Dilma segue na liderança e variou pouco em um mês e meio: de 34% pra 31%, dentro da margem de erro. Isso indica que conquistou indecisos ou pessoas que iriam anular o voto, mas conseguiu mudar a opinião de bem pouca gente. Já a rejeição a Marina, no período, cresceu 127%, indo de 11% para 25%; Aécio foi de 18% para 23%. Finalmente, a avaliação do governo Dilma variou dentro da margem de erro em dois dias: os que acham o governo ruim ou péssimo foram de 22% para 23%; os que o consideram bom ou ótimo, de 37% para 39%, e a turma que o avalia como regular oscilou de 39% para 37%. Os números são os mesmos de antes do início do horário eleitoral.

Há um dado curioso nessa história toda: até agora, a campanha odienta do PT na televisão, vistos os números, não diminuiu substancialmente a rejeição a Dilma, não alterou quase nada o número dos que querem votar nela nem mudou a avaliação sobre o seu governo. Mas fez um estrago e tanto em Marina Silva e contribuiu bastante para dificultar a ascensão de Aécio.

Não deixa de ser o retrato desta disputa: o PT não veio para construir, mudar ou renovar. Veio para destruir. Não tem mais como falar bem de si mesmo. Restou-lhe apenas o papel de achincalhar os adversários.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 16:42

Haverá amanhã! Ou: Chega de especulação!

As contas do governo central — que são compostas pelas contas do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social — registraram, informa a VEJA.com, um déficit primário de R$ 10,423 bilhões de reais. É o pior resultado fiscal para meses de agosto em 18 anos. Segundo a série histórica do Tesouro Nacional, que começa em 1997, foi a primeira vez que o governo central teve resultado negativo em um mês de agosto. Dá para ser otimista assim? Não dá! Aliás, nem otimista nem pessimista. Cumpre ser realista.

Está na cara que o governo Dilma estourou com as contas públicas; estourou, como disse o ex-presidente FHC, com a boa governança na economia. Mas, atenção!, vamos com calma! Haverá ainda um país no dia 27 de outubro, pouco importa quem seja o eleito.

De fato, quero deixar claro que acho, sim, que há especulação exagerada. Embora eu entenda os motivos — e também os aponte — que fazem os agentes econômicos desconfiar de Dilma, não dá para fazer de conta que o país está à beira do abismo. Porque isso também não é verdade.

Vocês sabem o quanto lastimo a campanha eleitoral terrorista que o PT vem fazendo. Ainda nesta segunda, Dilma afirmou que um de seus adversários, Aécio Neves, é o retrocesso; a outra, Marina Silva, seria a aventura. Só ela própria, Dilma, seria a opção segura. Opção segura de quê? De crescimento perto de zero, de inflação no teto da meta e juros cavalares? Ora, tenha paciência, presidente. Assim, a senhora não consegue pôr os pingos nos is.

Se abomino o terrorismo dilmista, também repudio a especulação desenfreada, que dá a entender que não haverá amanhã se Dilma for reeleita. É claro que haverá. Pessoalmente, acho que, dos três amanhãs possíveis, esse é o pior. Mas o Brasil seguirá ainda como uma das maiores economias do mundo, com um empresariado operoso — embora vivendo dificuldades terríveis — e com uma agropecuária entre as mais competitivas do mundo.

Eu não estou aqui a dizer um “senta que o leão é manso”. Não é manso nada! Ele é até bem rabugento. Mas o Brasil vai superar as dificuldades. Uma coisa importante é a seguinte: qualquer que seja o futuro presidente, que a gente não abandone a política, a crítica permanente e a cobrança de resultados. Dilma só estourou com os fundamentos da economia porque, durante muito tempo, nós todos, inclusive a imprensa, fomos condescendentes com ela.

Nunca um país se beneficiou do amortecimento do espírito crítico. Quem gosta de ditadura de opinião é Lula. Nós gostamos é de pluralidade. O Brasil é maior do que a eventual reeleição de Dilma — que, de resto, está longe de ser garantida. É preciso, em suma, parar com as especulações de um lado e de outro.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 15:36

FHC ironiza Dilma: “Merece o Nobel de Economia; conseguiu arrebentar com tudo ao mesmo tempo”

Na VEJA.com:
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ironizou a presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira, em Fortaleza, ao falar para 1.200 empresários. “Ela merece o Prêmio Nobel da Economia, pois conseguiu arrebentar tudo ao mesmo tempo. Isso é muito difícil de fazer em economia”, disse para aplausos dos empresários cearenses. Outra crítica a Dilma foi a passagem dela na Organização das Nações Unidas (ONU) na semana passada. “É triste quando a presidente do Brasil diz que vamos negociar com quem quer degolar”, afirmou, referindo-se à sugestão de Dilma de estabelecer um diálogo com os terroristas do Estado Islâmico.

Acompanhado do candidato ao Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE), FHC pediu votos para o presidenciável Aécio Neves, mas admitiu que é muito difícil ele ir para um 2º turno. “Se fosse pelas qualidades dele, iria, mas a máquina federal está muito organizada para reeleger a presidente e o apelo de Marina é forte”, destacou. FHC disse que “infelizmente, o que vale agora nas eleições é o marquetismo que confunde tudo e acaba elegendo presidente”.

O ex-presidente fez referências à corrupção como mal maior hoje no país. “Temos que abrir o jogo da corrupção, mas a crise política é muito maior que a dificuldade econômica “. FHC esteve em Fortaleza para participar do Fórum Brasil em Debate, promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) e pela Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE).

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 15:33

Governo registra o pior resultado fiscal para agosto em 18 anos

Na VEJA.com:
O governo central, composto por Tesouro, Banco Central e Previdência Social, terminou o quarto mês seguido sem conseguir economizar receita para pagar os juros da dívida. Em agosto, registrou um déficit primário de 10,423 bilhões de reais, informou o Tesouro Nacional nesta terça-feira. É o pior resultado fiscal para meses de agosto em 18 anos. Segundo a série histórica do Tesouro Nacional, que começa em 1997, foi a primeira vez que o Governo Central teve resultado negativo em um mês de agosto.

O resultado veio pior do que as expectativas do mercado, que projetava um resultado negativo de cerca de 9,5 bilhões de reais. No acumulado do ano, a economia feita para o pagamento de juros ficou positiva em 4,675 bilhões de reais ou 0,14% do Produto Interno Bruto (PIB). A meta era de uma economia de R$ 39,215 bilhões. O valor acumulado no ano é 87,8% menor que no mesmo período de 2013, que foi de R$ 38,416 bilhões (1,22% do PIB).

Com o resultado de agosto, fica praticamente impossível o cumprimento da meta de superávit primário para 2014 de R$ 80,774 bilhões, ou 1,55% do PIB. Isso porque o governo teria de economizar em quatro meses 76,1 bilhões de reais a mais do que conseguiu fazer em oito meses.

Receitas e despesas
Em agosto, as receitas líquidas do governo ficaram em 82,465 bilhões de reais, 6,4% abaixo na comparação com julho, mesmo reforçadas por 5,399 bilhões de reais em dividendos pagos sobretudo pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal e pelo recebimento de 7,13 bilhões de reais do parcelamento de débitos tributários (Refis). No acumulado do ano, as receitas líquidas somam 661,754 bilhões de reais até agosto, com alta de 6,4% sobre igual período de 2013.

O Tesouro informou ainda que as despesas atingiram 92,888 bilhões de reais em agosto, com alta de 2,9% frente ao mês anterior. De janeiro a agosto, elas somaram 657,079 bilhões de reais, 12,6% acima de igual período de 2013.

12 meses
O superávit primário do governo central acumulado em 12 meses caiu para 43,3 bilhões de reais, o equivalente a 0,9% do PIB. Em agosto de 2013, o superávit em 12 meses estava em 73,1 bilhões de reais, ou 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 7:19

LEIAM ABAIXO

Levy Fidelix e a suposta homofobia: na democracia, dizer besteira é diferente de praticar crime. Ou: Uma OAB covarde vai à Justiça contra Fidelix; uma OAB corajosa iria à Justiça contra Dilma Rousseff. Ou: de Gays e cabeças cortadas;
Xiii, Dilma agora quer o meu emprego na rádio!!! Nem vem, governanta! Imprensa é coisa séria!;
Na VEJA.com: Os mercados, a especulação e os dias que vêm por aí;
Lideranças sindicais do bancários decidem decretar greve nacional por tempo indeterminado;
Mercado vê em Dilma ameaça maior do que no início da campanha;
Após quase sete horas, termina sequestro em Brasília;
Caso Rubens Paiva: a Lei da Anistia vale e ponto final. A menos que o STF reveja a sua decisão. Só nesse caso, então, começará o debate;
PPS quer levar Palocci à CPI da Petrobras;
STF suspende ação contra militares acusados de matar Rubens Paiva;
Dilma e os mercados: não existe petista grátis!;
No embalo de Dilma 2 – Ibovespa derrete no início do pregão;
No embalo de Dilma 1 – BC reduz projeção de expansão do PIB a 0,7% neste ano;
— UM VERMELHO-E-AZUL COM BEBEL, A PROFESSORA PETISTA QUE É CHEFONA DA APEOESP E ESPANCA A LÍNGUA PORTUGUESA, O BOM SENSO E A BOA EDUCAÇÃO! OU: ANALFABETISMO CRUZADO;
— Porta da Frente: quem debate tem de dizer nomes;
— Debate da Record: o “esquenta” para o da Globo. Ou: O mudancista, a reacionária e a perseguida;
— Corrupção na Petrobras pauta debate quente na TV;
— O ESTADO POLICIAL DE JOSÉ EDUARDO CARDOZO. OU: SE DILMA EXISTE, ENTÃO TUDO É PERMITIDO;
— PF investiga elo entre doleiro preso, tesoureiro do PT e perdas desastrosas nos fundos de pensão;
— PAULO ROBERTO COSTA REVELA: PALOCCI PEDIU DINHEIRO DA QUADRILHA QUE OPERAVA NA PETROBRAS PARA A CAMPANHA DE DILMA

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 6:20

Levy Fidelix e a suposta homofobia: na democracia, dizer besteira é diferente de praticar crime. Ou: Uma OAB covarde vai à Justiça contra Fidelix; uma OAB corajosa iria à Justiça contra Dilma Rousseff. Ou: De Gays e cabeças cortadas

Imaginem se, um dia, se votasse uma lei no Brasil ou em qualquer parte do mundo proibindo as pessoas de ser imbecis e de dizer imbecilidades. Quanto tempo vocês acham que demoraria para que se chegasse a uma tirania das mais odiosas? Levy Fidelix (PRTB), o eterno candidato do aerotrem, disse uma porção de sandices sobre homossexualidade no debate da Record? Disse. É a única tolice que afirmou nessa campanha? Não! Justiça se faça, ele nem chega a ser o campeão das asnices — Luciana Genro, do PSOL, vence essa disputa com todos os pés nas costas, num confronto acirrado com Eduardo Jorge, do PV. A maior de todas, ainda que dita em solo estrangeiro, é a de Dilma Rousseff: pregou a negociação com terroristas que cortam cabeças e praticam fuzilamentos e estupros em massa.

Muito bem. No debate da emissora, Luciana perguntou a Fidelix por que defensores da família se recusam a reconhecer como família um casal do mesmo sexo. O homem do PRTB afirmou o que segue no vídeo:

Trata-se de um apanhado de bobagens? Não resta a menor dúvida. Mas há crime? Ora, tenham a santa paciência! Tanto os demais debatedores não entenderam assim que ninguém reagiu — nem a própria Luciana. Na democracia, reitero, existe espaço para as opiniões idiotas. Leiam o que disse Fidelix Reproduzo aspas:
– “dois iguais não fazem filho”;.
– “aparelho excretor não reproduz”;
– “como é que pode um pai de família, um avô, ficar aqui, escorado (?), com medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô, que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto.”
– “eu vi agora o papa, o Santo Padre, expurgar, fez muito bem, do Vaticano um pedófilo”.
– “que façam um bom proveito se quiserem fazer de continuar como estão, mas eu, presidente da República, não vou estimular. Se está na lei, que fique como está, mas estimular, jamais!, a união homoafetiva”.
– “Luciana, o Brasil tem 200 milhões de habitantes. Se começarmos a estimular isso aí, daqui a pouco vai reduzir para 100 [milhões]. Vai para Paulista, anda lá e vê. É feio o negócio, né?”
– “esses que têm esses problemas, que sejam atendidos no plano afetivo, psicológico, mas bem longe da gente, porque aqui não dá”.

Observem que ele nem mesmo diz que pretende mudar a legislação se eleito — coisa que nunca será. Apenas assegura que, se presidente fosse, não estimularia a união homoafetiva. Cadê o crime? Fidelix também entende que sexo tem como fim a procriação. Eu acho que ele está errado, mas me parece que tem direito a uma opinião, não é mesmo? Fidelix também tece considerações sobre as funções do, como ele diz, “aparelho excretor”. E daí? Revejam o vídeo. Os presentes riram de escárnio. Ninguém reagiu como se ele estivesse cometendo um crime. E, de fato, não estava.

Mas aí entra em cena a militância gay. Olhem, até acho admirável a prontidão dessa turma. Não há grupo no Brasil tão organizado e tão presente na imprensa. Teve início o processo de demonização de Fidelix. Os presidenciáveis, que se calaram quando ele disse as suas sandices, foram unânimes, depois, em condená-lo. A campanha de Marina Silva diz que estuda até mesmo recorrer à Justiça. Ou por outra: tenta usar a questão para se livrar da pecha de homofóbica que lhe pespegou o PT. Dito ainda de outro modo: os marineiros acham que Fidelix pode ser a sua Marina da hora. Dilma vai se encontrar hoje com lideranças do movimento LGBT. Eduardo Jorge, que defende a descriminalização do aborto e das drogas, já entrou com uma representação contra Fidelix. A OAB pede a cassação da candidatura do homem por homofobia.

Não dá! A fala de Fidelix é imbecil, sim, mas é criminosa? Gostaria de ler a argumentação da OAB e saber em que lei se ampara, especialmente porque Fidelix disse que, se eleito, deixaria tudo como está.

Acho esse um péssimo caminho da militância — de gays ou quaisquer outras. Vejam o quanto a causa avançou nesses anos, inclusive com o reconhecimento da união civil contra a letra da Constituição — fato inédito na nossa história e na história das democracias. E ninguém precisou ser levado aos tribunais por crime de opinião para que isso acontecesse.

Sim, ouçam de novo ou releiam a fala de Levy. Dizer uma bobagem tem de ser diferente de praticar um crime. Uma fala como essa não geraria celeuma em nenhuma democracia do mundo, mesmo naquelas severamente patrulhadas pelos politicamente corretos. A razão é simples: a liberdade de expressão é um valor intocável. A menos que seja usada para incitar a prática de crimes. Não me parece que seja o caso deste senhor.

De resto, que país este, não? A candidata-presidente, que, segundo os institutos de pesquisa, está na faixa dos 40% dos votos no primeiro turno e lidera a disputa para o segundo, pede que a ONU sente com terroristas facinorosos para negociar. A OAB se calou. Não deve ter visto nada de errado. O candidato do traço, que tem muito folclore e nenhuma história, emite uma opinião infeliz, e todos avançam contra ele tentando tirar uma casquinha.

Não contem comigo para criminalizar opiniões. Até que alguém me prove o contrário com a Constituição nas mãos, um brasileiro é livre para fazer digressões sobre o aparelho excretor ou para dizer que, se eleito, não promoverá o casamento gay. Já o presidente da República Federativa do Brasil NÃO É livre para pregar a negociação com terroristas. Sabem por quê? O mesmo Artigo 5º que assegura a liberdade de expressão — e lá não está escrito que as pessoas são livres apenas para dizer coisas certas e com as quais concordamos — repudia o terrorismo.

Uma OAB covarde recorre à Justiça contra o nanico Levy Fidelix. Uma OAB que fosse corajosa teria recorrido à Justiça contra a gigante Dilma Rousseff. Eu ainda acho que progressista mesmo é enfrentar os fortes, não fazer fama contra os fracos.
*
PS: Eu estou debatendo aqui estado de direito, patrulha politicamente correta, liberdade de expressão, liberdade de opinião etc. Quaisquer intervenções que fujam desse paradigma não serão publicadas. Militância gay ou militância antigay devem buscar os canais adequados para se expressar. Não é o meu blog. Não arbitro sobre a sexualidade de ninguém. Cada um na sua, desde que não seja sexo forçado, com crianças ou com pessoas que não podem  fazer suas próprias escolhas. Também excluiria os bichos. Apoio casamento gay e adoção de crianças por pares homossexuais. Eu não apoio é censura, patrulha, agressão ao Estado de direito, covardia e oportunismo.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 4:18

Xiii, Dilma agora quer o meu emprego na rádio!!! Nem vem, governanta! Imprensa é coisa séria!

Lula, uma vez mais, expressa todo o seu ódio à imprensa livre (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Lula, uma vez mais, expressa todo o seu ódio à imprensa livre (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Xiii… Acho que Dilma Rousseff quer o meu emprego na rádio Jovem Pan. Não que o Brasil não saísse ganhando se, em vez de presidente, ela fosse radialista — só que teria de conquistar os ouvintes, né? Na noite desta segunda, ela participou de um comício em Campo Limpo, em São Paulo, e afirmou: “A onça vai beber água. Eu vou botar os pingos nos is”. Como sabem os leitores, quem põe “Os Pingos nos Is”, todos os dias, entre 18h e 19h, na Pan, é este que escreve, hehe. Já haviam me contado que Dilma estava entre os milhões que nos acompanham. Até duvidei um pouco. Agora, não mais. Sim, leitores, o humor esteve presente no comício, só que se contou lá um monte de piadas involuntárias. E a liberdade de imprensa, ora vejam!, foi açoitada uma vez mais.

Estima-se que cerca de 10 mil pessoas compareceram para ouvir… o ex-presidente Lula! Sim, era ele a estrela do encontro no comício da presidente-candidata, escoltada ainda pelo prefeito Fernando Haddad; por Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil; por Eduardo Suplicy, que pleiteia um quarto mandato para o Senado, e por Alexandre Padilha, que concorre ao governo do Estado pelo PT.

Para não variar — porque nunca varia —, a fala mais deletéria foi a de Lula, que voltou a atacar com dureza a imprensa. Compreendo. A VEJA desta semana informa que Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras que ainda está preso, afirmou em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público que Antônio Palocci, um dos três coordenadores da campanha de Dilma em 2010, pediu R$ 2 milhões ao esquema corrupto que vigorava na Petrobras para arcar com as despesas do PT. Entendam: segundo Paulo Roberto, que fez um acordo de delação premiada, aquele que viria a ser o homem forte de Dilma no governo — até cair — recorreu aos préstimos da quadrilha que atuava na estatal. A ser verdade, isso desmoraliza aquela história de que os petistas graúdos, tadinhos!, não sabiam de nada.

Essa não é a única reportagem incômoda. VEJA informa também que Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça e braço-direito do ministro José Eduardo Cardozo — outro dos coordenadores de Dilma em 2010 —, foi à Polícia Federal escarafunchar um processo arquivado, que correu em segredo de Justiça, para tentar arrumar elementos contra Marina Silva, no que pode caracterizar o uso da máquina do estado para prejudicar adversários.

Lula repudia a imprensa que publica o que ele não gosta de ler. Dirigindo-se a Dilma, no alto do palanque, o poderoso chefão do PT disparou: “Neste país, a imprensa sempre foi conservadora, mas houve um tempo em que a gente conversava mais com os jornais. Hoje, eles são terceirizados e prepostos. Eu quero que você compreenda por que existe tanta bronca e perseguição contra o PT”. Preposto de quem? Ele não disse. Terceirizado por quem? Ele também não disse. O que será que Lula quer dizer com “conversar mais com os jornais”? Na sua cabeça, essa “conversa” quereria dizer exatamente o quê? Jornalistas que têm vergonha na cara conversam com os fatos, meu senhor!

Sim, existe hoje um ativo subjornalismo, especialmente na Internet — mas não só! — que publica tudo o que os petistas gostam de ler desde que não faltem as verbas das estatais. É uma variante do jornalismo que não vende, mas que se vende; que não tem leitor, ouvinte ou internauta, mas clientes. Haver quem resista a esse mercado de consciências e só se preocupe em noticiar o que é fato ofende o, como direi?, senso de dignidade do Babalorixá de Banânia.

Essa piada involuntária de Lula veio embalada pela retórica virulenta, mas ele contou outra, esta realmente do balacobaco. Ao defender a candidatura de Padilha ao governo de São Paulo, afirmou: “Se eleger o Haddad foi bom, imagina eleger o governador e a presidenta…”. Bom pra quem? Deixando claro que não reconhece o valor da democracia, Lula disse não entender por que o tucano Geraldo Alckmin está tão à frente nas pesquisas. Ou por outra: ele só entende o resultado de uma eleição quando o seu partido vence. E afirmou: “Fico imaginando o dia em que o PT governar São Paulo, a revolução que a gente vai fazer”. Ô se vai. A de Dilma, por exemplo, tem como saldo crescimento de 0,3%, juros de 11% e inflação de 6,3%. De fato, crescimento perto de zero, com inflação alta e juros estratosféricos é uma revolução da teoria econômica. É preciso ser fanaticamente incompetente para produzir tal prodígio.

Dilma, claro!, falou. Depois de anunciar que a “onça vai beber água” e que vai botar “os pingos nos is”, a presidente-candidata assegurou que tudo o que há de bom no país ou em São Paulo é obra do PT. Entendi. Nessa toada, Lula ainda acaba descobrindo o Brasil, Dilma assina a Lei Áurea e Delúbio Soares proclama a República. Será o samba-do-petista-doido.

Nem vem! O programa “Os Pingos nos Is” é meu, e ninguém tasca! Cumpre encerrar este texto com uma advertência: se o PT obtiver um quarto mandato, podem se preparar: a turma vai tentar avançar, de novo, contra a liberdade de imprensa. E vai perder outra vez.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 0:45

Na VEJA.com: Os mercados, a especulação e os dias que vêm por aí

Assistam ao programa “Aqui entre nós” desta segunda.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 0:31

Liderenças sindicais dos bancários decidem decretar greve nacional por tempo indeterminado

Na VEJA.com:
Os bancários rejeitaram na noite desta segunda-feira mais uma proposta de reajuste salarial e aprovaram o início de greve nacional por tempo indeterminado para esta terça-feira. A última paralisação dos bancários ocorreu entre setembro e outubro do ano passado e durou mais de 20 dias. Confirmaram adesão à greve os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná, Bahia, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba, Piauí, Acre, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Santa Catarina, Espírito Santo, Mato Grosso, Maranhão, Amapá, Rondônia e alguns municípios do Rio Grande do Sul. Contudo, nem todas as assembleias terminaram no país.

Entre outras reivindicações, eles defendem um aumento de 12,5%, com ganho real de 5,8%. Para o cálculo da inflação foi utilizado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acumulou alta de 6,35% no período de 12 meses encerrado em agosto. A data-base dos bancários para renegociar os contratos coletivos de trabalho é 1º de setembro.

Após os bancários rejeitarem proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na quinta-feira da semana passada, a instituição retomou as negociações na sexta-feira e apresentou novos números no sábado. A federação ofereceu um reajuste de 7,35% nos salários, na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e nos valores dos vales e auxílios. Para o piso da categoria, o reajuste oferecido foi de 8%.

O Comando Nacional dos Bancários considerou a proposta insuficiente e orientou os 134 sindicatos que representa no país a votarem pela greve nas assembleias desta segunda-feira. Os bancários se reuniram no início desta noite em todo o país para votar a proposta da Fenaban e para organizar a greve, após oito rodadas de negociações.

Os sindicalistas reivindicam, além do reajuste salarial de 12,5%, PLR de três salários mais parcela adicional de 6.247 reais. Os bancários também querem gratificação de caixa de 1.042,74 reais, gratificação de função de 70% do salário do cargo efetivo e vale-cultura de 112,50 reais.

Segundo a assessoria do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região – o maior da categoria -, não deve ocorrer uma adesão total à greve amanhã, mas a assessoria lembrou que as paralisações costumam crescer ao longo do tempo. Haverá um balanço diário para medir quantas agências aderiram à greve.

Contas a pagar
O Procon orientou, em nota divulgada nesta terça, os consumidores a continuar pagando suas contas, o que pode ser feito pela internet, nos caixas eletrônicos, casas lotéricas, supermercados e agências dos Correios. “A greve é um risco previsto nas atividades de uma instituição financeira, mas se o consumidor tentou outras formas de pagamento e não obteve resultado não poderá arcar com eventuais prejuízos”, explicou a instituição.

A Fenaban ainda esclareceu que apenas 10% das operações bancárias são feitas por meio das agências. A internet representa a maior parcela, com 41% das transações, seguida pelos caixas eletrônicos, com 23%, conforme números correspondentes a 2013.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 19:48

Ao vivo

Estarei ao vivo no programa da VEJA.com “Aqui entre nós”, com Joice Hasselmann, discutindo o cenário das eleições 2014. Assista aqui, a partir das 20h30.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 19:27

Mercado vê em Dilma ameaça maior do que no início da campanha

Por Ana Clara Costa, na VEJA.com:
Enquanto o eleitor parece cada vez mais inclinado a oferecer à presidente Dilma Rousseff a oportunidade de um novo mandato, investidores sinalizam exatamente o oposto. Um forte movimento de venda de ações fez com que o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, recuasse 4,52% nesta segunda-feira, a maior queda em três anos. O dólar também disparou, chegando a ser cotado a 2,47 reais — seu maior valor desde 2008, período agudo da crise financeira internacional. A moeda americana perdeu força no final do pregão e fechou a 2,45 reais. As ações das empresas estatais lideraram as baixas: Petrobras caiu 11,4%, enquanto o Banco do Brasil recuou 9%. As ações da própria BM&FBovespa recuavam 8,3% no mesmo período.

Não é de hoje que o mercado financeiro tem reagido de forma pessimista à possibilidade de reeleição da candidata petista. Desde março deste ano, as ações (em especial as da Petrobras) têm oscilado ao sabor das pesquisas eleitorais. Depois da trágica morte do peessebista Eduardo Campos, em agosto, e da ascensão de Marina Silva ao posto de presidenciável, as chances de reeleição de Dilma haviam diminuído — o que trouxe certo alívio para a bolsa e o dólar.

Contudo, a melhora da atual presidente nas pesquisas, que apontam sua vitória no segundo turno ante ambos os concorrentes, Aécio Neves e Marina, fez com que um movimento de venda de ações se aprofundasse na bolsa. O Ibovespa chegou a cair quase 6% na abertura, com os papéis da Petrobras recuando 10%. Em ambos os casos, a queda é muito mais profunda do que o que foi assistido no início de 2014, quando as primeiras pesquisas começaram a ser divulgadas criando alta volatilidade na bolsa.

O que mudou de lá pra cá, segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, é que aumentou (e muito) a aversão que o mercado nutria em relação à candidata. “Muitos têm opinião pior do que antes sobre a provável política econômica num segundo governo Dilma. Eles perceberam uma inflexão à esquerda em seu discurso, especialmente na questão envolvendo a independência do Banco Central”, afirma o economista Tony Volpon, do Nomura. A presidente Dilma encampou o discurso de que ter um BC autônomo significaria “entregar o país a banqueiros”. Ela também questionou a necessidade de se cumprir o superávit primário, que é a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida, e reafirmou seu compromisso com subsídios à indústria num momento em que o próprio setor industrial pede maior abertura econômica.

Segundo o analista Felipe Miranda, da Empiricus, antes da morte de Campos, os investidores tinham dúvida se um novo governo Dilma atravessaria uma curva de aprendizado, admitindo erros e retomando um caminho mais ortodoxo. “Hoje, resta pouca dúvida de que um segundo mandato representaria mais do mesmo, com algum recrudescimento, pois a guerra contra o setor privado, num momento em que precisamos retomar os investimentos, está declarada em caráter explícito”, afirma Miranda, autor do livro O Fim do Brasil, lançado na semana passada pela editora Escrituras.

Um movimento de queda foi percebido nesta segunda-feira em todos os mercados emergentes, porém, nenhum na mesma intensidade que o Brasil. Nos Estados Unidos, o S&P recuou 0,2% e o Dow Jones, 0,25%. “É um movimento global que pode ser visto na Coreia do Sul, Taiwan, índia, Turquia, África do Sul e Israel. Isso porque acredita-se que a economia americana não está se recuperando no ritmo acelerado que antes se achava”, avalia o economista-chefe da Gradual, André Perfeito.

Por Reinaldo Azevedo
 

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