Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

31/10/2014

às 16:31

Mais estelionato: desligadas as urnas, ficamos sabendo que o governo produziu o pior resultado nas contas públicas desde 2001. Ou: Dilma I, a grande inimiga da Dilma II

A herança maldita do governo Dilma começa a cair no colo da presidente reeleita, Dilma. As sandices perpetradas no governo da “presidenta” já perturbam a “represidenta”. As contas públicas ficaram de novo no vermelho em setembro, um vermelho bem petista. E pelo quinto mês consecutivo. O governo central — composto de Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — registrou déficit primário de R$ 20,4 bilhões, o pior resultado mensal desde que se faz essa medição, em 1997.

Sabem quanto o governo poupou para o pagamento da dívida? Nada! Os números não são melhores caso se considere o chamado “setor público consolidado”, que inclui União, Estados, Municípios e estatais. Aí o rombo é de R$ 25,5 bilhões. Isto é, esses entes gastaram R$ 25,5 bilhões a mais do que arrecadaram só em setembro. Nesse caso, é o pior resultado desde 2001.

Querem ver para onde leva a espiral da irresponsabilidade fiscal? Agora, Arno Augustin, secretário do Tesouro Nacional — um dos queridinhos de Dilma —, admitiu que o governo vai enviar ao Congresso uma proposta para rever a Lei de Diretrizes Orçamentárias deste ano. É isto mesmo: no último dia de outubro, faltando dois meses para o fim de 2014, o governo vai baixar a meta de superávit primário para não parecer que joga no lixo a Lei de Responsabilidade Fiscal. O superávit fixado era de R$ 80,8 bilhões — ou 1,55% do Produto Interno Bruto. Já foi para o espaço.

Vejam que governo estupendo: em vez de se comportar dentro das metas que ele mesmo fixou, faz o que bem entende, mete o pé na jaca, e depois as altera retroativamente. O segundo mandato da represidenta não será fácil. O déficit primário acumulado do governo central, no ano, é de R$ 15,7 bilhões, também o pior da história. E, como a gente vê, os cadáveres vieram a público depois das eleições. Então ficamos assim: três dias depois do segundo turno, o Banco Central eleva a Taxa Selic. Cinco dias depois, constatamos que o governo reeleito produziu o pior resultado nas contas públicas desde que existe a devida medição.

Mas nada muda, tá, gente?, na meta de superávit fixada para o ano que vem, entre 2,0% e 2,5% do PIB. Certo! O governo talvez deixe para rever o número só em outubro de 2015. Como já se sabe que o crescimento do ano que vem será, de novo, sofrível, a administração só conseguiria fazer o que prometeu cortando gastos. Dilma, no entanto, na disputa eleitoral, prometeu é aumentá-los e dizia que esse negócio de diminuir despesas é coisa de neoliberal.

A Dilma I é a maior inimiga da Dilma II.

Ah, sim: a represidenta já sabe como resolver os problemas: com uma reforma política, uma reforma tributária, uma reforma fiscal, uma reforma sei lá do quê… O Brasil está virando uma piada de mau gosto.

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2014

às 15:52

Aécio já reconheceu vitória de Dilma; quem não reconheceu a legitimidade da oposição foi a represidenta

O PSDB entrou com um pedido de auditoria nas urnas eletrônicas. Como já afirmei aqui, se me perguntarem se eu confio no sistema, vou dizer que sim. Conversei com muita gente que entende do assunto, e essas pessoas me asseguram que seria muito difícil haver uma fraude. Melhor assim! Então não há mal nenhum em que se faça uma auditoria, certo? Pedir que se verifique o sistema de segurança não corresponde a negar o resultado das urnas ou a não reconhecê-lo, como acusa o PT. Ao contrário: Aécio Neves, o candidato tucano à Presidência, telefonou para Dilma tão logo ficou claro que havia sido derrotado por margem muito estreita de votos. Quem, de modo deselegante, se negou a citar o nome do adversário no discurso da vitória foi ela. Ou por outra: o tucano reconheceu a derrota, mas a vitoriosa não reconheceu o papel institucional, legal, legítimo e democrático da oposição.

Sim, as denúncias se multiplicam. A quem interessa fazer a auditoria? Ao próprio regime democrático. Hoje, a desconfiança sobre a segurança das urnas não está restrita a esse ou àquele grupos sociais. É generalizada. Infiro que parte da brutal abstenção — 21,1% no segundo turno, ou 30.137.479 eleitores — se deva não apenas à repulsa que a política tem provocado nas pessoas, mas também à desconfiança de que as urnas eletrônicas não são uma coisa séria.

A urna existe para os eleitores, não apenas para o conforto de um modelo ou de um órgão de Estado. Eu mesmo recebi denúncias feitas com nome, sobrenome, RG e CPF. Leiam posts abaixo. É claro que questões como aquelas não podem ficar sem resposta. Não entendi por que o PT ficou tão irritado. O PSDB não afirmou que Dilma é uma presidente ilegítima. Quer apenas que suspeitas sobre a falta de segurança do sistema sejam devidamente apuradas.

Como a Justiça Eleitoral só age sob provocação, o partido fez o que a democracia lhe faculta. É simples, objetivo e correto. Se o instrumento legal adequado não for o pedido de uma auditoria, que seja outro. Mas que é preciso ter mais certezas sobre a segurança do sistema, ah, isso é, sim. Afinal, eleições livres e diretas são o sal da democracia, não é mesmo? Se a população desconfia do sistema, é o regime democrático que apodrece.

 

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2014

às 14:51

Mais uma denúncia grave sobre as urnas, que chega com RG, CPF, nome e sobrenome

Recebo da leitora T. M. a seguinte mensagem. Leiam. Volto em seguida.

Prezado Reinaldo Azevedo,
eu voto no colégio Rio Branco, em frente e o Sion. Quando chegou minha vez de votar, no primeiro turno, a mesária me pergunta se eu já havia votado. Eu disse que não. Ela chamou o fiscal e me conduziu para a coordenadora-geral porque lá constava que eu já havia votado.
Sumiram com meu título eleitoral. No final, exigi 2a. via do meu título e certidão de quitação eleitoral, já que sou aposentada (ELA CITA O ÓRGÃO PÚBLICO PARA O QUAL TRABALHOU) e preciso da quitação, senão não recebo meus proventos.
Esperei por duas horas lá, até chegar minha segunda via e a quitação. E disse que eu só sairia de lá após ter votado.
Não sei como fizeram, mas o fiscal me conduziu à sala de votação e consegui votar. Tenho o comprovante da certidão de quitação eleitoral, datada do dia 05 outubro.
Esta é a prova.
É preciso sim, que o PSDB exija apuração das urnas.
Atenciosamente,
T.M

Voltei
T. M. manda nome, sobrenome, RG, CPF e órgão público do qual é aposentada. Eis aí um caso. Se ela estiver falando a verdade — e por que mentiria? —, a questão é grave. Se constava que ela já tinha votado, então o comando eletrônico do seu voto — o número que libera a urna — já tinha sido acionado. Como é que ele foi acionado uma segunda vez? O mesmo número, então, teria de permitir dois votos.

É evidente que isso tem de ser apurado. E com rigor. Os dados estão à disposição do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que cuida do assunto no PSDB.

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2014

às 14:26

PSDB cumpre apenas a sua obrigação; quem quer disputar terceiro turno em SP é o PT

O PT está boquejando por aí que, ao pedir auditoria nas urnas, o PSDB está querendo disputar o terceiro turno das eleições. Falso! Os tucanos não disseram que não reconhecem o resultado. Pedem é que se apurem as denúncias. Só isso.

Quem não reconhece o resultado das urnas em São Paulo são os companheiros. Ou a represidenta não disse, em entrevista, que a imprensa paulista escondeu o problema da água e só por isso o PSDB teria vencido no Estado? A afirmação é só uma bobagem, nascida de uma mentira.

No próximo post, mais uma denúncia grave, que chega com nome e CPF.

 

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2014

às 6:27

LEIAM ABAIXO

PSDB faz bem em pedir auditoria das urnas; é crescente a desconfiança de milhões de eleitores; descrença também reflete inconformismo com a reeleição de Dilma;
Dilma, a Priscila do Deserto Moral;
Como as leis contra a corrupção nos EUA obrigaram a direção da Petrobras a se mexer; já não basta Graça Foster fechar a cara em depoimentos previamente ensaiados; agora, a coisa ficou feia!;
PSDB quer auditoria no resultado da eleição presidencial;
O Globo corrige nota que deu origem a botaria na Internet, organizada pela Al Qaeda jornalística do petismo;
O ministro venezuelano e a babá armada;
Mercados reagem bem à elevação de juros, é claro! Ou: Do estelionato;
COMO A REDE PETISTA ATUA, COM TENTÁCULOS NOS GRANDES VEÍCULOS, PARA TENTAR MUDAR UM FATO: NO DIA 21, YOUSSEF DISSE À PF E AO MP QUE DILMA E LULA SABIAM DA ROUBALHEIRA NA PETROBRAS. E NÃO HOUVE RETIFICAÇÃO NENHUMA, JANIO DE FREITAS! É MENTIRA!;
— Um dos trogloditas da Venezuela encarregados de descer o sarrafo no povo está no Brasil e firma “acordos” com o MST, com a anuência de Dilma e de Carvalho, o que não gosta da imprensa livre. Ah, sim: o cara é o ministro dos “movimentos sociais” daquele país, como Carvalhinho…;
— Gilberto Carvalho, gente!, quer cuidar de nós. Credo! Ou: A última do santo inquisidor do stalinismo cristão;
— BC eleva a taxa de juros três dias depois da eleição. Viva a autonomia!;
— PT dá fôlego para André Vargas fugir de cassação;
— Renan: decreto bolivariano será derrubado no Senado;
— Separatismo é conversa de cretinos — não importa se vermelhos ou azuis;
— PGR esquece caso Battisti e diz que não extradição de Pizzolato abre precedente perigoso;
— Que o Senado entre na resistência democrática, iniciada neste blog!;
— Turbulência à vista: Câmara convoca dois ministros de Dilma;
 Dois dias depois de reeleita, “represidenta” sofre derrota histórica na Câmara, que rejeita decreto bolivariano sobre conselhos populares

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2014

às 6:17

PSDB faz bem em pedir auditoria das urnas; é crescente a desconfiança de milhões de eleitores; descrença também reflete inconformismo com a reeleição de Dilma

Urna eletrônica: ela está sob suspeita; descrença se generaliza

Urna eletrônica: ela está sob suspeita; descrença se generaliza

O PSDB decidiu pedir uma auditoria nas urnas eletrônicas. Já há alguns dias estou para tratar do assunto aqui. Eis a melhor hora. Faz sentido cobrar a verificação? Faz, sim., e vou dizer por quê. Como nunca antes na história “destepaiz”, para citar o Babalorixá de Banânina, multiplicaram-se as denúncias e as suspeitas de ocorrências estranhas envolvendo as urnas eletrônicas. Digo com clareza o que penso: pessoalmente, não acredito na possibilidade de fraude. Pessoas tecnicamente competentes, que conhecem a área, me dizem que seria muito difícil isso acontecer — há quem sustente ser impossível. Sem entrar em minudências, digo que me deixei convencer. Mas também não posso ignorar algumas coisas.

Minutos depois de desligadas as urnas, recebi esta mensagem em meu celular. Apago o nome do emissor porque não lhe pedi autorização para divulgar a mensagem. Sugiro que ele procure a Corregedoria do TSE para relatar o episódio.

Recebi a seguinte mensagem em meu celular:

denúncia lacre

Transcrevo:
“Sou presidente de mesa numa seção do Mackenzie — ele se refere a uma escola do bairro de Higienópolis, em São Paulo. Acabo de ser orientado a não lacrar o disquete/mídia da urna. Na verdade, não tenho nem envelope para lacrar, como é de costume. Foi dito que é em função da urgência para a apuração; que vão recolher rapidamente os disquetes, antes mesmo de entregar os outros materiais aos fiscais, para que seja levada rapidamente para apuração. Pra que a pressa se o Acre leva ainda mais não sei quantas horas?”

Se o coordenador jurídico do PSDB, deputado Carlos Sampaio, quiser mais dados, é só me procurar que eu os forneço. A não lacração, da forma como relata o presidente de mesa, poderia abrir caminho para alguma irregularidade? Não sei. É preciso verificar.

A fraude pode ser uma dessas lendas que surgem de vez em quando? É claro que sim! Feito a Loura do Banheiro que assediava crianças nas escolas. Reitero que tendo a não acreditar na fraude, mas é tal a quantidade de denúncias que alguma resposta precisa ser dada. Quando menos porque o eleitorado tem de acreditar na lisura do processo. Ou tenderá a se abster cada vez mais.

Uma coisa é fato: a descrença nas urnas não tem corte de escolaridade, de renda, de ideologia, de nada. É generalizada. Até compreendo os motivos. Nestes dias em que os anseios participativos estão aflorados, em que se fala até em democracia direta, o controle que a cidadania exerce sobre o sistema, convenham, é praticamente igual a zero. O tal sistema é obra para especialistas. Considerando que se trata de urna e eleição, não de uma usina nuclear, é justo que o eleitor queira saber mais a respeito.

Inconformismo
É claro que as múltiplas denúncias e a desconfiança inédita nas urnas refletem também o descontentamento de muitos milhões com o resultado da eleição, que deu a vitória a Dilma por pouco mais de três pontos. Há coisas interessantes em curso: já topei com pessoas, nesses quatro dias, que votaram na petista e se dizem agora arrependidas, mesmo com a onipresença da represidenta na televisão, em múltiplas entrevistas.

Que se faça a auditoria. Reitero que não tenho elementos para desconfiar das urnas, mas milhões de eleitores julgam ter, e eles merecem, sim, uma resposta.

Texto publicado originalmente às 4h20
Por Reinaldo Azevedo

31/10/2014

às 5:43

Dilma, a Priscila do Deserto Moral

Leiam trecho da minha coluna na Folha desta sexta.
*
Em Kakânia, o país imaginário de Musil em “O Homem Sem Qualidades”, podia-se, às vezes, tomar um “gênio por um patife”, mas “nunca se tomava um patife por um gênio”. Dia desses, um dublê de colunista político e cortesão resolveu me ironizar porque afirmei que o país sai das urnas “dividido, rachado ao meio”. As esquerdas, que produziram vasta literatura sobre a indústria eleitoreira da miséria, agora pretendem negar as suas próprias constatações. O Nordeste servia como emblema dessa relação quando o quase extinto PFL dava as cartas na região. Hoje, apontar o óbvio seria sinal de preconceito e demofobia. Em Banânia, não apenas se tomam gênios como patifes, mas também patifes como gênios.

Vejam os 15 Estados em que Dilma venceu no segundo turno, o seu percentual de votos (primeiro número) e o percentual de famílias atendidas pelo Bolsa Família (segundo número). Os dados são do TSE (desprezei os algarismos depois da vírgula) e do Ministério do Desenvolvimento Social (setembro de 2014). Maranhão (78-58), Piauí (78-54), Ceará (76-47), Bahia (70-47), Pernambuco (70-47), Rio Grande do Norte (69-40), Sergipe (67-49), Paraíba (64-50), Amazonas (64-43), Alagoas (63-53), Amapá (61-33), Tocantins (59-38), Pará (57-46), Rio de Janeiro (54-17) e Minas (52-21).

Agora seguem os Estados em que Dilma perdeu, com os mesmos dados: Santa Catarina (35-07), São Paulo (35-11), Acre (36-42), Distrito Federal (38-12), Paraná (39-13), Goiás (42-19), Mato Grosso do Sul (43-21), Rondônia (45-26), Mato Grosso (45-22), Rio Grande do Sul (46-13), Espírito Santo (46-19) e Roraima (42-47).

É preciso ser intelectualmente desonesto para não constatar que existe uma óbvia relação entre o benefício e a fidelidade ao petismo, que é o coronelismo da hora.
(…)
Para ler a integra, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2014

às 5:36

Como as leis contra a corrupção nos EUA obrigaram a direção da Petrobras a se mexer; já não basta Graça Foster fechar a cara em depoimentos previamente ensaiados; agora, a coisa ficou feia!

A Petrobras está numa encalacrada, e a questão, agora, deixou de ser local. Não dá mais para fingir que se investigam isso e aquilo. Já não basta mais à presidente da empresa, Graça Foster, ir ao Congresso e responder a perguntas a que teve acesso previamente, transformando o que deveria ser esclarecimento em pantomima. A seriedade da coisa subiu de patamar. O busílis é o seguinte: a PricewaterhouseCoopers, auditoria responsável por avaliar os balanços da estatal, resolveu pressionar a direção da empresa a aprofundar as investigações das roubalheiras na estatal, segundo critérios das leis anticorrupção dos EUA. Ou a gigante brasileira fazia isso, ou a Price deixaria de analisar seus balanços.

E que consequências isso teria? A auditoria informaria ao conselho da Petrobras a sua decisão; se, ainda assim, nada fosse feito, a Price informaria à SEC (órgão que regula o mercado de capitais nos EUA) o rompimento do contrato. Seria um golpe gigantesco na credibilidade da estatal no mercado internacional, isso num momento delicado, em que a empresa depende vitalmente de financiamento externo. Sem a análise do balanço, a Petrobras estaria fora do mercado.

Parece piada, mas é assim: foi preciso que as leis americanas fossem evocadas para que a Petrobras se coçasse e decidisse investigar a sem-vergonhice. Dois escritórios especializados em leis americanas anticorrupção foram contratados: nos EUA, o escolhido foi o Gibson, Dunn & Crutcher. No Brasil, o Trench, Rossi e Watanabe, de São Paulo. Eles vão colaborar com a comissão interna criada pela Petrobras para investigar o caso.

Na mira da comissão interna da Petrobras, estão diretores nomeados por Lula. A comissão pediu ainda autorização à Justiça para ouvir Paulo Roberto Costa sobre a construção da refinaria de Abreu e Lima, informa a Folha:
“A empresa pediu que Costa esclarecesse, entre outras coisas, o teor de reuniões com o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli e o ex-diretor de Serviços Renato Duque realizadas entre o fim de 2005 e o começo de 2006 sobre Abreu e Lima. A Petrobras quer saber por que, às vésperas da implantação de Abreu e Lima, Costa foi com Gabrielli e Renato Duque a reunião em Brasília. A estatal pede explicações sobre as revisões do valor da obra, que subiu de US$ 4 bilhões para US$ 13,4 bilhões entre 2006 e 2009”.

Essa informação é pública há muito tempo. Só agora o comando da Petrobras resolveu cobrar explicações. E só o fez porque a Price exigiu.

Que coisa, né? Quem sabe o fato de o mercado ser globalizado — e de as leis americanas serem bastante severas com corruptos — possa fazer bem ao Brasil. A Price obriga agora a Petrobras a fazer o que já deveria ter sido feito há muitos anos, não é, governanta? Que ironia! Quem sabe as leis contra a corrupção dos EUA ainda acabem fazendo bem aos brasileiros.

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2014

às 3:00

PSDB quer auditoria no resultado da eleição presidencial

Por Marcela Mattos, na VEJA.com. Voltarei ao assunto.
Quatro dias depois das eleições, o PSDB ingressou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira com um pedido de auditoria sobre o resultado das eleições presidenciais. O partido, derrotado pela presidente Dilma Rousseff por uma diferença de três pontos, quer que a corte crie uma comissão especial formada por representantes indicados pelos partidos políticos para avaliar a fiscalização dos sistemas utilizados no pleito.

Na ação, o coordenador Jurídico Nacional do PSDB, o deputado federal Carlos Sampaio, ressaltou que, passadas as eleições, surgiram uma série de denúncias e desconfianças por parte da população. “Nas redes sociais, os cidadãos brasileiros vêm expressando, de forma clara e objetiva, a descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos e a infalibilidade da urna eletrônica, baseando-se em denúncias das mais variadas ordens, que se multiplicaram após o encerramento do processo de votação, colocando em dúvida desde o processo de votação até a totalização do resultado”, diz.

Tendo em vista “dissipar quaisquer dúvidas”, Sampaio pede uma auditoria nos sistemas de votação com base em diversos documentos, como as cópias de boletins de urnas de todas as sessões eleitorais do país e dos logs originais e completos das urnas, além de todas as ordens de serviços e registros técnicos sobre atualização e manutenção do sistema e acesso aos programas e todos os arquivos presentes nas urnas eletrônicas. O TSE ainda não se manifestou sobre o pedido.

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2014

às 2:56

O Globo corrige nota que deu origem a boataria na Internet, organizada pela Al Qaeda jornalística do petismo

 escrevi a respeito e volto ao fato agora. Uma notícia incorreta publicada no Globo, dando ciência do que nunca existiu, alimentou uma rede organizada de boatos — “organizada” adivinhem por quem — que punham em dúvida a apuração da VEJA, segundo a qual Alberto Youssef, em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público, no dia 21, afirmou que Lula e Dilma sabiam do esquema de roubalheira na Petrobras. Folha e Estadão publicaram a mesma coisa no dia seguinte.

Muito bem. Agora o Globo se corrigiu. Leiam o que informa a VEJA.com. Volto em seguida.

O jornal O Globo corrigiu nesta quinta-feira uma nota que criou dúvidas indevidas sobre o depoimento que Alberto Youssef prestou à Polícia Federal e ao Ministério Público em 21 de outubro, em seu processo de delação premiada.

O diário havia afirmado que no dia 22 de outubro, uma quarta-feira, um dos advogados do doleiro pediu para que ele fosse ouvido novamente, para retificar suas declarações. Nessa ocasião, instado pelo defensor, Youssef teria feito a afirmação de que a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, sabiam do bilionário esquema de corrupção na Petrobras. Nesta quinta-feira, depois de ouvir o advogado Antonio Figueiredo Basto, O Globo se retratou. “Não existiu depoimento (de Youssef) na quarta, não existiu retificação, e os advogados não se manifestam”, afirmou Basto ao jornal.

A reportagem de capa de VEJA desta semana revelou o diálogo travado entre Youssef e os investigadores no dia 21. Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção, o doleiro foi taxativo: “O Planalto sabia de tudo!”. “Mas quem no Planalto?”, perguntou o delegado. “Lula e Dilma”, respondeu o doleiro. A informação foi corroborada no dia seguinte por reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, que ouviram fontes próprias.

A divulgação da nota de O Globo na quarta-feira, postulando a existência do que nunca existiu – o “depoimento de retificação” –, ganhou repercussão na coluna do jornalista Janio de Freitas, da Folha de S.Paulo, e alimentou uma rede de boatos na internet, criando confusão e incerteza em torno das circunstâncias em que Youssef implicou Dilma e Lula no petrolão. A confusão foi desfeita agora.

Voltei
É isso aí. Agora as coisas estão no seu devido lugar. A Al Qaeda jornalística do petismo estava espalhando a mentira na rede. Al Qaeda Eletrônica? Considerando que esses caras querem cortar cabeças, são Estado Islâmico da Imprensa Vermelho-Marrom.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2014

às 17:57

O ministro venezuelano e a babá armada

Publiquei nesta manhã um post sobre a presença no Brasil de Elias Jaua, o ministro venezuelano das Comunas e Movimentos Sociais. É o Gilberto Carvalho deles, só que na fase em que já está de arma na mão. O homem está no Brasil para celebrar acordos com o MST.

Eu falei em armas? Pois é. Esqueci de lembrar de um troço importante no post. A babá da família do ministro foi presa no Aeroporto de Guarulhos, na sexta-feira, portando uma arma que seria do ministro. Vejam que mimo: um ministro de Estado de um país amigo entra armado no Brasil. A mulher foi solta ontem à noite. Leiam o que informa a EFE. Volto em seguida.

*

A babá da família do ministro venezuelano das Comunas e Movimentos Sociais, Elías Jaua, foi liberada em São Paulo, após ser detida na sexta-feira com uma arma no aeroporto internacional de Guarulhos. Yaneth do Carmen Anza, de 39 anos, estava em prisão preventiva acusada de tráfico internacional de armas. Ela deixou a prisão na noite da quarta-feira, depois de a justiça aceitar o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa, embora o processo continue em andamento.

O habeas corpus foi concedido pelo juiz de apelações José Lunardelli e a decisão deverá ser publicada na sexta-feira, embora já tenha sido cumprida, informou à Agência Efe na sala terceira do Tribunal Regional Federal de São Paulo. No recurso, a defesa de Anza alegou que a arma pertencia a Jaua, que estava no Brasil acompanhando sua mulher em um tratamento médico, e afirmou que o ministro pediu a babá que levasse uma mala de sua propriedade que continha documentos e uma arma, registrada em seu nome.

Segundo a defesa, embora Anza tenha sido alertada por Jaua que devia retirar a arma da mala antes de viajar, “o babá não a encontrou e, devido à pressa para os preparativos da viagem, se esqueceu de avisá-lo que não encontrou a arma e que viajaria com a mala como a encontrou”, assinalou o tribunal. Na segunda-feira, a juíza Gabriella Naves Barbosa, da quinta Sala da Justiça Federal da cidade de Guarulhos, ordenou a prisão preventiva da babá. Lunardelli argumentou que não há razões para manter a babá na prisão por possuir residência fixa, ocupação lícita e não ter antecedentes criminais.

Anza aguardará o julgamento em liberdade provisória e está obrigada a comparecer a todas as audiências do caso. Anza viajou de Caracas para São Paulo em um avião da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) e, quando as bagagens passaram pelo controle, os funcionários do aeroporto identificaram a arma e acionaram as autoridades. Jaua ocupou diversos postos no governo venezuelano nos últimos anos e, até ser designado ministro de Comunas e Movimentos Sociais, foi ministro das Relações Exteriores, em substituição ao atual presidente, Nicolás Maduro.

Retomo
A versão oficial é que Jaua está no Brasil porque a sua mulher faz tratamento médico. Se faz também, não sei. Ele está no Brasil, conforme assume o próprio governo da Venezuela, para fazer acordos com o MST.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2014

às 16:00

Mercados reagem bem à elevação de juros, é claro! Ou: Do estelionato

Pois é…

O governo Dilma resolveu dar uma piscadela para os “mercados” — aqueles contra os quais, segundo Lula, o PT ganha todas as eleições (podem rir!) —, e o BC elevou a taxa Selic de 11% para 11,25%. Ninguém esperava que fosse fazê-lo porque, a rigor, não existem razões objetivas para isso e porque a ata de setembro dizia que os 11% eram suficientes para levar, com o tempo, a inflação para o centro da meta.

A decisão, como antevi aqui ontem, seria lida pelo mercado como um sinal de que Dilma não vai querer brincar com a inflação; tomará, ela sim (não Aécio, né?), “medidas amargas” se necessário etc. É o jogo de sempre do PT. Faz discurso de ultraesquerda se necessário; ajoelha-se no altar da ortodoxia tosca se necessário; vai empurrando com a barriga até onde der. Ora está lá, ora está cá. Se a gente olha, no entanto, a trajetória de longo prazo, o país vai definhando e perdendo importância. É apenas um fato.

A decisão de elevar a Selic, conforme o esperado, fez o dólar cair — opera agora a menos de R$ 2,40 — e a Bolsa subir. A Vale despencou, mas nada teve a ver com esse movimento.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), vice de Aécio Neves na chapa tucana, comentou a elevação da taxa de juros: “É a prova de que o que a candidata Dilma falava, a presidente Dilma não escreve. Duas caras”. Outro senador de oposição também criticou a decisão: “Lamentavelmente, vamos assistir depois desse aumento, negado a campanha inteira, a reajustes nos combustíveis e nas tarifas de energia elétrica. Como sempre, o PT nos acusa daquilo que eles vão fazer, daquilo que é a prática deles”, afirmou Agripino Maia (DEM-RN).

É isso aí. Não demorou para começar o estelionato.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2014

às 15:16

COMO A REDE PETISTA ATUA, COM TENTÁCULOS NOS GRANDES VEÍCULOS, PARA TENTAR MUDAR UM FATO: NO DIA 21, YOUSSEF DISSE À PF E AO MP QUE DILMA E LULA SABIAM DA ROUBALHEIRA NA PETROBRAS. E NÃO HOUVE RETIFICAÇÃO NENHUMA, JANIO DE FREITAS! É MENTIRA!

Não pensem que a rede a serviço do petismo para distorcer informações está restrita aos blogs sujos, alimentada pelo capilé estatal. Chega também à grande imprensa. Aliás, os fiéis servidores da causa adorariam ver os veículos nos quais atuam debaixo do chicote do partido. Torcem fervorosamente para que Dilma imite Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e Cristina Kirchner e avance contra a “mídia”, onde ganham o pão. Mas vamos adiante. Prestem atenção à sequência de fatos.

1. VEJA publicou na edição de sexta-feira, dia 24, a informação de que, no âmbito da delação premiada, Alberto Youssef havia afirmado à Polícia Federal e ao Ministério Público que Dilma e Lula sabiam, sim, da roubalheira na Petrobras. ATENÇÃO: O DEPOIMENTO EM QUE YOUSSEF ACUSA A DUPLA PRESIDENCIAL É DO DIA 21 DE OUTUBRO.

2. A VEJA começou a chegar aos leitores na sexta, dia 24. No sábado, dia 25, Folha, em manchete, e Estadão, com chamada na primeira página, PUBLICAVAM A MESMA INFORMAÇÃO.

NOTA LATERAL – VEJA não antecipou edição coisa nenhuma. Isso é mentira. Sigamos.

Nesta quarta, o jornal O Globo publica uma notinha, sem assinatura, sem fonte, sem nada, afirmando que, na verdade, Youssef não teria dito o que disse à PF no dia 21, mas apenas no dia 22, numa retificação.

O apparatchik petista entrou em ação, afirmando que haveria uma espécie de articulação para acusar Dilma às vésperas da eleição. Em sua coluna de hoje, na Folha, Janio de Freitas, por exemplo, escreve a seguinte besteira (em vermelho):

Na quarta 22, “um dos advogados” de Youssef “pediu para fazer uma retificação” em depoimento prestado na véspera por seu cliente. “No interrogatório, perguntou quem mais sabia (…) das fraudes na Petrobras. Youssef disse, então, que, pela dimensão do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem. A partir daí, concluiu-se a retificação.

Janio está, como se vê, desmentindo a manchete da própria Folha de sábado, dia 25, que apurou rigorosamente o que apurou VEJA. Até aí, tudo bem. Poderia fazê-lo se tivesse razão. Só que Janio e outros da espécie menores do que ele estão divulgando uma MENTIRA. Não houve depoimento nenhum na quarta-feira. A informação é falsa como nota de R$ 3.

Quem está fazendo escarcéu com isso nas redes sociais é gente que ainda vai acabar atrás das grades porque também recebia dinheiro do esquema que era gerenciado por Alberto Youssef, com dinheiro roubado da Petrobras.

O Valor Pro, um serviço eletrônico do Valor Econômico, resolveu entrar na história e, COM A INFORMAÇÃO CERTA, contribuiu para fazer ainda mais confusão. Ao veículo, o advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, disse o seguinte:

“Nesse dia [NA QUARTA-FEIRA], não houve depoimento no âmbito da delação. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira. Não houve retificação alguma. Ou a fonte da matéria mentiu ou isso é má-fé mesmo”.

Entendeu, Janio de Freitas, ou quer um desenho? O advogado está desmentindo a nota apócrifa do Globo, não a VEJA ou a Folha, onde você trabalha. Aliás, por que citar apenas a VEJA?

Muito bem. Bastaria a Janio ter feito a lição de casa, tarefa que um foca teria cumprido, e telefonado para o advogado ou para a Polícia Federal perguntando se tinha havido alguma oitiva na quarta, dia 22. E ficaria sabendo que se trata de uma mentira. Mas Janio já passou da fase de deixar suas convicções se contaminarem pelos fatos.

Eu entendo por que Janio espalha isso.
Eu entendo por que a Carta Capital espalha isso.
Eu entendo por que os sites e blogs sujos espalham isso.

Mas não entendo por que o Globo publicou a nota mentirosa, já que, até onde sei, é um jornal que leva a sério o compromisso com a verdade. É O CASO DE APURAR COMO UMA INFORMAÇÃO MENTIROSA FOI PLANTADA NO JORNAL. Ao identificar os responsáveis, certamente se estará chegando a um dos tentáculos de um monstrengo de muitos tentáculos.

Quanto ao Valor Pro, dizer o quê? Um curso de redação não faria mal por ali. Nunca antes na história deste país se produziu um texto tão confuso, embora o jornalista estivesse com a informação certa, a saber:
1: só houve depoimento no dia 21, conforme informaram VEJA, Folha e Estadão;
2: não houve depoimento nenhum no dia 22;
3: não houve retificação nenhuma.

Para encerrar: garanto que essa é a “mídia” de que o Gilberto Carvalho gosta: a “mídia” que conta mentiras ou porque é regiamente paga para isso, com dinheiro estatal, ou por alinhamento ideológico.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2014

às 6:52

LEIAM ABAIXO

Um dos trogloditas da Venezuela encarregados de descer o sarrafo no povo está no Brasil e firma “acordos” com o MST, com a anuência de Dilma e de Carvalho, o que não gosta da imprensa livre. Ah, sim: o cara é o ministro dos “movimentos sociais” daquele país, como Carvalhinho…;
Gilberto Carvalho, gente!, quer cuidar de nós. Credo! Ou: A última do santo inquisidor do stalinismo cristão;
BC eleva a taxa de juros três dias depois da eleição. Viva a autonomia!;
PT dá fôlego para André Vargas fugir de cassação;
Renan: decreto bolivariano será derrubado no Senado;
Separatismo é conversa de cretinos — não importa se vermelhos ou azuis;
PGR esquece caso Battisti e diz que não extradição de Pizzolato abre precedente perigoso;
Que o Senado entre na resistência democrática, iniciada neste blog!;
Turbulência à vista: Câmara convoca dois ministros de Dilma;
— Dois dias depois de reeleita, “represidenta” sofre derrota histórica na Câmara, que rejeita decreto bolivariano sobre conselhos populares;
— Aloysio, vice de Aécio, recusa “diálogo” com Dilma, no que faz muito bem. Até porque, em entrevistas, represidenta ataca governo tucano de SP, enquanto Lula já se lança para 2018. Tenham paciência!;
— Em delação premiada, executivo diz que pagou propina a Renato Duque, que ela o homem do PT na Petrobras;
— O artista faz 70 anos;
— Pizzolato afirma que fugiu para não morrer. É mesmo? Quem será que queria matá-lo?

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2014

às 5:54

Um dos trogloditas da Venezuela encarregados de descer o sarrafo no povo está no Brasil e firma “acordos” com o MST, com a anuência de Dilma e de Carvalho, o que não gosta da imprensa livre. Ah, sim: o cara é o ministro dos “movimentos sociais” daquele país, como Carvalhinho…

O jornalista Claudio Tognoli informa em seu blog blog que decidiu entrar no site do Ministério do Poder Popular para as Comunas da Venezuela, que é um dos aparelhos daquele país que organizam as milícias chavistas, aquelas que andaram matando estudantes e oposicionistas. E descobriu coisas interessantes.

Sabem quem está em visita oficial ao Brasil? Elías Jaua, que é um vice-presidente setorial (um cargo que existe por lá) do Desenvolvimento do Socialismo Territorial da Venezuela e titular do tal Ministério das Comunas. O governo bolivariano informa que, nesta terça, foi firmada uma série de acordos, em Guararema, entre o governo venezuelano e o MST nas áreas de treinamento e desenvolvimento da produtividade comunal. Vejam vídeo.

Segundo Jaua, os “acordos têm o objetivo de incrementar a troca de experiências e formação para fortalecer o que é fundamental numa revolução socialista, que é a formação da consciência e a organização do povo para defender suas conquistas e seguir avançando na construção de uma sociedade socialista.”

Ah, bom!!! Eu nem sabia que havia uma revolução socialista em curso no Brasil. Agora sei.

Deu para entender por que Gilberto Carvalho quer tanto os conselhos populares? Eis aí: depois de o chavismo — agora nas mãos de Nicolás Maduro — ter conduzido a Venezuela ao caos, chegou a hora de “trocar experiências” com o Brasil. Imaginem vocês se um líder de alguma ditadura de direita andasse por aqui a firmar convênios com grupos organizados da sociedade. Seria uma gritaria danada! Eu mesmo seria o primeiro a protestar. Mas, como se trata de uma ditadura de esquerda, bem, nesse caso, pode.

Quando se aponta a má intenção do Decreto 8.243, de Dilma, que será sepultado pelo Congresso, é evidente que não se trata de um delírio paranoico de reacionários, como quer fazer crer o sr. Carvalho. Nada disso! Atenção! A área dos chamados “movimentos sociais”, na qual se insere o MST, é da competência do ministro, e o troglodita venezuelano que veio para cá fazer proselitismo e acordos com o movimento certamente não está no país sem o seu estímulo e a concordância do governo Dilma.

Assim, o MST, um movimento fartamente financiado com dinheiro público, firma convênios obscuros — o que a Venezuela tem a lhe ensinar? — com um governo que mata seu próprio povo na rua. Vai ver os gloriosos seguidores de Stedile querem saber como é viver num país em que se racionam a comida e o papel higiênico.

É… faz sentido! Como entra menos, sai menos. Menos rango, menos consumo de papel. É uma piada!

A presença deste senhor no Brasil é a prova da falta de inocência do decreto do senhora Dilma Rousseff. Vai ser enterrado pelo Congresso. E, do modo como ela o quer, será enterrado quantas vezes for apresentado.

A Venezuela não é e não será aqui, represidenta!

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2014

às 22:14

Gilberto Carvalho, gente!, quer cuidar de nós. Credo! Ou: A última do santo inquisidor do stalinismo cristão

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, continua dedicado a fazer o terceiro turno da eleição, embora o seu partido tenha vencido o segundo. Sabem qual é o problema? A ele, não basta vencer. Ele precisa destruir os adversários e quer a unanimidade. Enquanto a presidente Dilma fala em dialogar, ele continua interessado na guerra. Segundo este gigante do pensamento, “sem dúvida nenhuma, essa vitória de um projeto acabou significando a derrota daqueles que usam a mídia como panfleto, como semeadores do ódio e da divisão do país, o que felizmente não aconteceu”.

Para começo de conversa, não há um “projeto”, mas um poder consolidado.

Há, sim, gente que usa “a mídia como panfleto”, dedicada “a semear o ódio e a divisão do país”. São os blogs sujos financiados pelas estatais e os sites e publicações do esgoto, que servem ao governismo. Carvalho sabe quais são. É claro, no entanto, e ninguém é inocente, que ele estava se referindo à edição de VEJA de sexta passada — na terça desta semana, já era a maior venda em banca da revista em 12 anos.

A revista informou que, em seu depoimento, Alberto Youssef afirmou à Polícia Federal e ao Ministério Público que Dilma e Lula sabiam do esquema de roubalheira montado na Petrobras. No sábado, Folha e Estadão trouxeram a mesma informação. Curiosamente, só a VEJA, como diria o poeta, excitou a fúria dos algozes. Curiosamente, Carvalho concedeu uma entrevista ao UOL, do mesmo grupo que edita a Folha, atacando a VEJA.

Carvalho, só um homem bom, está muito preocupado com a credibilidade do que chama “mídia” e diz que a “liberdade de imprensa” é intocável. É bem verdade que se trata de um governo que distribui anúncios àqueles que considera amigos e os sonega quando os veículos de comunicação não corta as cabeças que eles pedem. Mas que não se confunda isso com autoritarismo. Disse esse grande filósofo do poder:
“Eu penso que em relação à mídia, não temos que tomar nenhuma atitude que mude de repente o cenário da mídia ou que fira a liberdade de imprensa. Ela é sagrada e tem que ser mantida. Eu prefiro devolver para a mídia a reflexão. A própria mídia tem que pensar no que aconteceu no Brasil, refletir sobre os excessos que aconteceram. Ou ela se autorregulamenta e entende o que é a participação democrática na mídia, ou cada vez mais a sua credibilidade vai pelo ralo”.

De saída, noto que Gilberto Carvalho faz de conta que, se ele quisesse, poderia tolher a liberdade de imprensa. Não pode. Está na Constituição. Não depende da boa-vontade dele.

Como Gilberto Carvalho é bom! Tão bom quanto um santo inquisidor que manda as pessoas para a fogueira para que elas reflitam sobre os seus pecados, enquanto ele, muito pio, encomenda a sua alma. Carvalho, o stalinista cristão, cobra uma autocrítica disso que ele chama “mídia”, como se ela fosse um bloco, como se ela fosse “monolítica” — para empregar a palavra que Dilma deve ter descoberto por esses dias, posto que ela a empregou nas entrevistas da Record, da Globo, da Band e do SBT.

Doce Gilberto Carvalho! Ele está preocupado com a nossa “credibilidade” e pretende que os veículos de comunicação se abram à “participação democrática”. O que será que isso quer dizer? Criar “conselhos de redação”, talvez, comandados pelo “povo” — o “povo do PT”, é claro?! Saibam que aquele famigerado Plano Nacional de Direitos Humanos trazia algo muito parecido com isso.

Com a imprensa que está aí, que Carvalho diz ser contra o PT, o partido obteve o quarto mandato consecutivo e já planeja o quinto. Com a imprensa que ele tem em mente, o PT nunca mais sairia do poder, e as opiniões divergentes seriam banidas. Reitero: ele está falando essa bobajada toda vencendo a eleição. Imaginem se tivesse perdido.

Não pensem que sua investida é irrelevante. Não é, não! Muita gente, a partir desta quinta, vai se empenhar em provar para Gilberto Carvalho que ele está errado. “Você também, Reinaldo?” Eu não! Estou me lixando! Ele não é meu juiz. Sendo quem é, tê-lo como um crítico severo do meu trabalho é, para mim, uma honra adicional. Eu jamais vou me esquecer que este senhor tentou jogar no colo do governo de São Paulo os protestos violentos de rua — até que eles passassem a varrer o país e caíssem no colo de Dilma — e até os rolezinhos, nos quais, segundo o valente, havia um confronto de classes e um confronto racial. Nunca vi tamanha irresponsabilidade política.

Gilberto Carvalho ser ministro de estado é um escárnio. Ele não tem serenidade para isso, embora fale com a mansidão dos inquisidores.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2014

às 21:40

BC eleva a taxa de juros três dias depois da eleição. Viva a autonomia!

Ai, ai, que preguiça!

Ainda bem que o Banco Central, que é autônomo, claro!, não eleva os juros antes da eleição, mas os eleva três dias depois do segundo turno. Eu gosto é disto: coragem e independência! “Mas você acha desnecessário elevar a taxa, Reinaldo?” Tenho a impressão de que o país não está, assim, com excesso de demanda a pressionar os preços; acho que o descontrole está em outros lugares, mas vá lá. Considerando o conjunto da obra, acho que a decisão faz parte do, como é mesmo?, choque de credibilidade, não é? Como o segredo de aborrecer é dizer tudo, acho que os mercados reagirão bem à notícia. Só espero que não haja gente por aí a dizer que, ao elevar os juros, o BC deu prova de sua autonomia. Dado que as dificuldades de agora são as mesmas do mês passado, eu sentencio: não foi autônomo no mês passado nem agora. Ponto parágrafo.

Agora em 11,25%, a Selic é a mais alta desde outubro de 2011, e esta é a primeira elevação desde abril deste ano, quando o processo eleitoral já estava nas ruas. É claro que eu faria essas observações com menos, digamos, ironia se uma das peças de resistência da campanha da candidatura Dilma Rousseff não tivesse sido o suposto amor incondicional de Armínio Fraga por juros estratosféricos. Segundo o PT, ele os elevou quando no Banco Central por gosto, não por necessidade. O PT, claro!, faz tudo por necessidade, não por gosto. Ou dito de outro modo: quando tucanos elevam juros, são pessoas perversas, malvadas, pérfidas mesmo. Quando isso acontece em governo petista, a elevação vem embalada por ternura e amor ao povo.

A elevação de agora não estava sugerida na ata de setembro, segundo a qual os 11% já seriam suficientes para levar, aos poucos, a inflação para o centro da meta. O que mudou de lá pra cá? O humor do mercado financeiro, a desconfiança razoável de que Dilma não vai fazer a coisa certa, o clima de “a vaca foi pro brejo” que há por aí. Chegou, então, a hora de o BC demonstrar a sua autonomia e elevar os juros… Não sei se entendem a ironia.

A decisão não foi unânime. Votaram pela elevação da taxa Selic para 11,25% ao ano os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo e Sidnei Corrêa Marques. Votaram pela manutenção da taxa Selic em 11% os diretores Altamir Lopes, Luiz Awazu Pereira da Silva e Luiz Edson Feltrim.

Atenção, gente, aumentou a taxa de juros!!! Mas saibam todos que foi para o bem dos pobres. Se o governo fosse tucano, seria para o bem dos banqueiros e da dona “Zelite”.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2014

às 19:37

PT dá fôlego para André Vargas fugir de cassação

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
O deputado André Vargas (sem partido-PR) conseguiu protelar mais uma vez o desfecho do seu processo de cassação do mandato nesta quarta-feira. E mais uma vez com a ajuda do seu antigo partido, o PT. Na quarta tentativa consecutiva de analisar recurso de Vargas contra a ação, José Mentor (PT-SP) pediu mais um adiamento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sob o argumento de que o parecer final que negava o recurso “não estava adequado”. O caso voltará a ser analisado na próxima terça-feira.

Embora não esteja mais filiado ao PT, Vargas tem contado com o apoio de ex-correligionários para fugir de uma cassação, que o levaria, mais do que perder o mandato a dois meses do fim do ano legislativo, a ficar inelegível por oito anos. Enquanto o processo corria no Conselho de Ética, cabia ao petista Zé Geraldo (PA) atuar em defesa do colega.

As seguidas manobras têm surtido efeito nos últimos seis meses: o processo de cassação se arrastou por quatro meses no Conselho de Ética, e, agora, espera há dois meses análise de recurso apresentado à CCJ. As sessões anteriores foram encerradas por falta de quórum. Nesta quarta, o colegiado começou a discutir o relatório do deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ), mas a reunião foi encerrada sem votar o parecer a pedido Mentor. A CCJ é a última expectativa de Vargas. De lá, o processo segue para análise do plenário.

Vargas teve o pedido de cassação aprovado pelo Conselho de Ética em 20 de agosto, quando o colegiado aprovou parecer que dizia que o parlamentar paranaense integrava o “contexto de uma imensa rede criminosa especializada na lavagem de dinheiro e na evasão de divisas como o agente responsável por abrir as portas da administração pública”. Youssef é considerado pivô de um megaesquema de lavagem de dinheiro que agia, inclusive, dentro da Petrobras.

Em uma de suas várias manobras para fugir da cassação, Vargas acionou a CCJ sob o argumento de que teve direito de defesa cerceado no Conselho de Ética – embora tenha sido convocado diversas vezes a prestar depoimento, mantendo-se ausente. Para o relator, o colegiado “em todo o procedimento disciplinar, trilhou o estreito caminho da constitucionalidade e legalidade”. “Não houve qualquer ato do conselho ou de seus membros que tenham contrariado norma constitucional, legal, regimental”, disse Zveiter no relatório.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2014

às 19:33

Renan: decreto bolivariano será derrubado no Senado

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta quarta-feira que a Casa vai derrubar o decreto do governo que cria os conselhos populares na administração pública. A medida elaborada pelo governo e publicada em maio foi criticada porque dá poder a organismos montados de acordo com a conveniência do Executivo – sem o voto. Renan dá como certo que o Senado vai acompanhar a decisão da Câmara e aprovar a resolução que anula o decreto. “Já havia um quadro de insatisfação com relação a essa matéria. O decreto ser derrubado na Câmara não surpreendeu, da mesma forma que não surpreenderá se for, e será, derrubado no Senado”, disse.

O presidente do Senado afirmou que o texto deve ser sustado porque os parlamentares não aprovam seu conteúdo. Ele negou que a derrubada – que, na Câmara, contou com o apoio do PMDB – seja um sinal de insatisfação na base governista. “Essa dificuldade já estava posta antes das eleições, apenas se repete. Essa questão da criação de conselhos é conflituosa, não prospera consensualmente no Parlamento e deverá cair”, disse.

“Sociedade civil”
O decreto número 8.243/2014 foi criado sob o pretexto de instaurar a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS). Mas, na prática, prevê a implantação de “conselhos populares”, formados por integrantes de movimentos sociais, vinculados a órgãos públicos. A matéria instituiu a participação de “integrantes da sociedade civil” em todos os órgãos da administração pública. Porém, ao trazer uma definição restritiva de sociedade civil, representa um assombroso ataque à democracia representativa e à igualdade dos cidadãos ao privilegiar grupos alinhados ao governo.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2014

às 16:39

Separatismo é conversa de cretinos — não importa se vermelhos ou azuis

Essa conversa sobre separatismo no Brasil é asquerosa, é revoltante. Foi inventada por Lula, e, claro!, os porta-vozes do PT na imprensa logo aderiram à tese, atribuindo a adversários do PT o rancor separatista.

Ainda voltarei ao assunto, sim. Não! Não foram Norte e Nordeste que deram a vitória a Dilma porque há lá, se me desculpam a tautologia, muitos nortistas e nordestinos. A questão é de outra natureza: está relacionada à pobreza, que se concentra, como se sabe, no Norte e Nordeste do país — onde, de fato, está o maior número de pessoas atendidas pelo Bolsa Família. A questão é bem mais séria. Um programa social, que tem apenas o condão de tirar as pessoas da miséria e da indigência social e econômica, transformou-se numa máquina de produzir votos — e isso, sim, é imoral.

A população pobre, além de vítima das circunstâncias, não pode agora ser responsabilizada por um resultado eleitoral que eu também acho ruim para o Brasil. Vou escrever sobre tudo isso com mais vagar. De imediato, acho que é hora de a gente rechaçar essas teses de Nordeste contra Sudeste, não importa quem as advogue, sejam os petistas, obedecendo à orientação de Lula, sejam os seus adversários.

Aliás, Lula, ele mesmo, deveria ter vergonha de investir nessa história: afinal, é um nordestino que se tornou a maior liderança nacional no Sudeste. Durante um bom tempo, diga-se, ele despertava temores extremos justamente na população do… Nordeste!

Rebatam essa besteira. Esse negócio de falar em separatismo é um atentado à inteligência, ao bom senso e até à decência. Voltarei a esse assunto neste blog e falarei a respeito na minha coluna de amanhã, na Folha.

Quem fala em separar o Sudeste e o Sul do resto do Brasil, lamento!, não entendeu nada. Ao contrário: precisamos é somar esforços com os pobres do Brasil, do Nordeste ou não, para que eles se libertem da caridade que hoje os escraviza e os torna alvos fáceis do terrorismo de um partido político.

Por Reinaldo Azevedo
 

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