Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

18/05/2012

às 0:56

Carona em jatinho de empresário complica Fernando Pimentel

Por Tânia Monteiro no Estadão Online:
A situação do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, pode se complicar na Comissão de Ética Pública da Presidência da República, em decorrência de uma nova denúncia contra ele, por ter viajado em jatinho cedido pelo empresário João Dória Júnior, em outubro do ano passado. Segundo informação do Portal Terra, Pimentel acompanhava a presidente Dilma Rousseff em viagem à Europa, e utilizou um avião fretado pelo empresário João Dória Júnior para ir da Bulgária, onde estava com a comitiva presidencial, até a Itália, para participar de um encontro com empresários brasileiros e italianos.

O artigo 7º, o Código de Conduta de Conduta da Alta Administração Federal diz que “a autoridade pública não poderá receber salário ou qualquer outra remuneração de fonte privada em desacordo com a lei, nem receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar duvida sobre a sua probidade ou honorabilidade”. Com base neste artigo, o PPS dá entrada nesta sexta-feira, 18, na Comissão de Ética do Planalto, com uma nova representação contra o ministro Pimentel, que será analisada na próxima reunião do conselho, dia 11 de junho.

 

A assessoria de imprensa do MDIC confirma a informação de que Pimentel usou o avião do empresário. O ministro disse que o evento com os empresários foi decidido de última hora e que, por isso, o ministro usou o avião do João Dória. Ainda de acordo com a assessoria, Pimentel não teria como usar avião oficial porque a aeronave era a presidencial que estava sendo usada por Dilma e comitiva. Pimentel, segundo o MDIC, foi autorizado a deixar a comitiva presidencial para ir ao evento com os empresários. “Saí da comitiva da presidente e fui mesmo para Roma, mas não fui em avião oficial porque o compromisso não fazia parte da agenda da presidente. Não tinha como ir de avião oficial. Ele (João Dória Júnior) mandou um avião e eu usei a aeronave que ele colocou pra mim naquele momento”, disse Pimentel, conforme a assessoria.

Ao Portal Terra, João Dória Júnior negou ter enviado avião para pegar Pimentel e disse não saber como o ministro chegou a Roma. O próprio Pimentel, no entanto, confirmou ter usado o jato oferecido pelo empresário.

 

Pimentel já devia explicações à Comissão de Ética, em relação às denúncias de suspeita de tráfico de influência porque a sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010, que foram entregues ao órgão, com atraso, o que foi considerado “grave” pelo presidente da Comissão, Sepúlveda Pertence. Mas a Comissão não tomou medidas contra isso de imediato e ia analisar as explicações apresentadas depois, decidindo que caminho tomar em relação a Pimentel.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 22:12

Fala o presidente da ABI: Estão querendo intimidar a imprensa

O programa Observatório da Imprensa fez um debate sobre a CPI do Cachoeira e a atuação do jornalismo. Maurício Azêdo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa, falou sobre a iniciativa daqueles que querem convocar Policarpo Júnior, da VEJA, para depor. Para ele, trata-se de uma ação para intimidar jornalistas e veículos de comunicação. Transcrevo, em azul, trecho do site do Observatório. Volto depois:
(…)
 ”Os jornalistas teriam que ser muito cautelosos, e até recuar na sua atividade profissional, para não se expor ao vexame que seria comparecer a uma CPI. Isso é muito grave e tem o conteúdo de vendetta (vingança). É uma diminuição dos altos propósitos que deve ter uma Comissão Parlamentar de Inquérito; é colocar um instrumento de investigação parlamentar a serviço de interesses pessoais de deputados e senadores e de todos aqueles que queiram fazer um ajuste de contas com os jornalistas e com os seus veículos”.

O presidente da ABI ressaltou que a postura da entidade não é de corporativismo e visa proteger os jornalistas. “Os jornalistas não podem ser submetidos ao risco de ser escalpelados pelos políticos que têm, inclusive, o poder de falar, de ir à tribuna, de fazer denúncias, enquanto os jornalistas teriam um papel absolutamente passivo. Só teriam duas alternativas. Ou responder ou calar, e com isso se prestar a ser incriminado como pessoa que sonegou informações à CPI. Na verdade, chamar jornalistas a depor é uma advertência ao conjunto dos profissionais e aos meios de comunicação: ‘Vocês tomem cuidado porque podem ser chamados a sentar no banco dos réus’”, afirmou Azêdo.

A ABI também repudiou a promiscuidade que se instala no exercício da atividade profissional, onde não se distingue com clareza “quem é mocinho e quem é bandido”. Azêdo destacou que há muitos jornalistas que estão utilizando métodos criminosos para obter a informação.

Voltei
Endosso cada palavra de Azêdo —e duvido que as pessoas decentes e de bom senso não façam o mesmo. O Observatório reuniu vários profissionais de imprensa para debater o que chamou de “jornalismo fiteiro” — que se apega só a fitas. De fato, se o conteúdo de fitas, com autorização legal ou não, vira a base única de reportagens, sem qualquer outra apuração, o expediente é condenável. Afinal, pode induzir a erro.

“Jornalismo fiteiro” — ou melhor: “subjornalismo fiteiro” — é o que certa vagabundagem tentou usar contra a VEJA. Sem que se soubesse nem sequer o conteúdo dos grampos da PF, saíram a espalhar mentiras e leviandades. Tudo conhecido, revelou-se a fraude das acusações, e ficou evidente o que aponta Azedo: a tentativa de intimidação.

Noto, partindo para o encerramento, que só agora, quando o PT é poder, é que surge o debate sobre o que eu chamaria “qualidade moral da fonte original”. Quando os tucanos estavam no Planalto, essa conversa não existia, e mesmo fitas clandestinas serviam de base para reportagens, não é? E ninguém tentava levar jornalista para a CPI.

Essa história produz é muita espuma e pouca substância. Quem quiser saber como se comporta  o “jornalismo não-fiteiro”, que apura reportagens, pode ler o depoimento que Policarpo Júnior prestou à Comissão de Ética da Câmara em 2005. A divulgação de gravações em que um deputado federal — André Luiz — tentava extorquir um contraventor resultou na cassação do parlamentar. O jornalista cercou-se de todos os cuidados e só publicou a reportagem quando não havia a menor dúvida sobre o que estava acontecendo.

No fim das contas, desde que o jornalista não tenha ajudado a produzir provas e a criar a notícia e desde que a informação que lhe tenha chegado às mãos seja de interesse público, só resta uma coisa a fazer: divulgá-la, depois de devidamente apurada.

Jornalista, tomados os devidos cuidados — e já falamos muitas vezes quais são eles —, não é censor nem de fonte nem dos fatos.  Moralmente condenável é não divulgar a informação.

De resto, caros leitores, o jornalismo brasileiro que se leva a sério costuma ser bastante cuidadoso. Sim, sabemos muito mais do que publicamos. Mas nem sempre há as provas. Sem elas, nada feito! Com a esgotosfera, é diferente: as provas costumam atrapalhar o seu trabalho criminoso. A palavra do presidente da ABI vem em boa hora. Pergunto-me é a razão do silêncio de outras entidades que representam jornalistas, a começar da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraj). Algum de seus diretores teria atuado ou atua de modo diferente? Têm prestado serviços relevantes ao país falando apenas com as carmelitas descalças?

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 21:36

Vaccarezza para Cabral: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso, e nós somos teu”

E a reportagem do SBT, vejam só, flagrou o que parece ser o mais significativo evento, até agora, da CPI do Cachoeira. O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), ex-líder do governo na Câmara, envia uma mensagem de texto pelo celular para o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). O petista tranquiliza o peemedebista: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso, e nós somos teu [sic]“. Segue o vídeo da reportagem.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 20:35

“Não gostei”. Ou: Roxo de raiva!

collor-contrariado

Foto mostra o senador Fernando Collor (PTB-AL) contrariado com a rejeição de sua tentativa de intimidar a imprensa. Ele está com aquilo — no caso, a memória — roxo de raiva. Há 20 anos pretende se vingar do jornalismo independente. À direita, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que teve de lembrar ao senador os fundamentos da liberdade de imprensa numa democreacia (Foto: André Coelho/O Globo).

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 20:17

Tablets - App “24 horas VEJA.com” vence Prêmio Oi Tela Viva Móvel

Da VEJA Online:

O aplicativo 24 horas VEJA.com conquistou sua primeira premiação na noite desta quarta-feira, em São Paulo: o 4º Prêmio Oi Tela Viva Móvel 2012, na categoria tablet. A eleição foi feita pelos usuários, que escolheram os melhores programas em várias categorias a partir da indicação de um júri formado pelos jornalistas Bruno Rosa (do jornal O Globo), Elis Monteiro (Telefonia Etc), Fernando Paiva (Mobile Time) e Renato Cruz (do jornal O Estado de S. Paulo). Neste ano, o número recorde de 195 participantes concorreu aos prêmios.

O app 24 horas VEJA.com literalmente lê - graças ao recurso text-to-speech, que verte textos para áudio - reportagens para o usuário, oferece previsão do tempo e indicadores finanaceiros, e emite alertas sobre compromissos e aniversários (com sistema integrado ao Facebook). É possível ainda programar horários para que o aplicativo seja acionado. O programa está disponível para iPads e iPhones na App Store, loja on-line da Apple, e custa 2,99 dólares.

Apps VEJA -
24 horas VEJA.com é mais uma iniciativa de VEJA para levar seu conteúdo às plataformas móveis. Desde 2010, estão disponíveis apps para iPhone, iPod e iPad e também para smartphones e tablets que rodam com o sistema operacional Android, do Google.

Os aplicativos para smartphones oferecem o conteúdo integral do site ao leitor, que pode se manter informado, em tempo real, a partir de reportagens, artigos analíticos, fotos e vídeos que cobrem as áreas de Brasil, internacional, economia, celebridades, esportes, ciência, educação, saúde e tecnologia. Outras atrações são colunas e blogs exclusivos, a tradicional lista de livros mais vendidos da semana e a seção “Frases”, com as declarações mais inteligentes (ou vazias) proferidas por personalidades do Brasil e do mundo. Todos os conteúdos podem ser compartilhados via e-mail ou Twitter.

Gratuitos, os programas acumulam marcas expressivas que os colocam entre os mais procurados por usuários de dispositivos móveis no Brasil. Para fazer o download na iTunes Store, loja virtual da Apple, o usuário tem duas opções:

Via web
Acesse a
página de download da iTunes Store. O endereço traz as instruções para a instalação.

Via iPhone
Com o seu iPhone ou iPod Touch em mãos, clique no ícone “App Store”. Em seguida, clique em “Buscar” (ou “Search) e digite o nome do aplicativo: VEJA.

A versão para Android também oferece duas opções para baixar o programa:

Via web
Acesse a
página de download da Android Market. O endereço traz as instruções para a instalação.

Via smartphone
Com o seu aparelho em mãos, clique no ícone “Android Market”. Em seguida, clique em “Buscar” (ou “Search) e digite o nome do aplicativo: VEJA.

Revista nos tablets
Outro sucesso de audiência é o aplicativo para tablets
iPad e Android. VEJA foi a primeira publicação brasileira a criar uma versão integral de suas edições para o tablet da Apple, adicionando ao conteúdo da revista animações, infográficos dinâmicos, galerias de fotos e vídeos - além de edições especiais exclusivas.

O aplicativo de VEJA para iPad está disponível gratuitamente. Para baixá-lo, basta clicar no ícone App Store, no caso do iPad, ou Android Market, para tablets com o sistema do Google. Em seguida, acessar o menu “Buscar” (ou “Search”) e digitar o nome do programa: VEJA. O conteúdo é atualizado semanalmente, nas manhãs de sábado.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 20:01

Bovespa tem a maior baixa desde setembro de 2011

Na VEJA Online:
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve mais um dia de perdas generalizadas nesta quinta-feira, com seu principal índice sofrendo o maior tombo desde setembro do ano passado e recuando ao menor patamar em quase sete meses. A queda ganhou força após a agência de classificação de risco Fitch ter rebaixado o rating da Grécia, agravando o pessimismo dos mercados sobre os impactos de uma eventual saída do país da zona do euro.

O Ibovespa amargou o oitavo pregão seguido no campo negativo, caindo 3,31%, a 54.038 pontos. Foi a maior baixa diária desde 22 de setembro, quando a queda foi de 4,8%. O índice também atingiu a menor pontuação de fechamento desde 20 de outubro, aos 54.009 pontos. O giro financeiro do pregão somou 8,35 bilhões de reais.

Grécia
“Acho que é um movimento um pouco exagerado, já virou um efeito manada”, disse Eduardo Dias, analista na Omar Camargo Corretora. “Ibovespa a 55 mil pontos já era exagero; a 54 mil pontos, então, nem se fala. Para mim já chegou em ponto de compra.”

A crise política na Grécia e um possível contágio de países como Espanha e Itália seguem impondo forte clima de cautela. Nesta tarde, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou o rating da Grécia de “B-” para “CCC”, citando o elevado risco de o país ter de sair da zona do euro.

“Essa questão da Grécia assusta investidores e pode provocar, em um primeiro momento, uma situação de retração dos fluxos de capitais de certa forma comparável a 2008″, disse Newton Rosa, economista-chefe na Sul América Investimentos.

Bancos espanhóis
Mais cedo, também pesou sobre os mercados a preocupação com a situação dos bancos na Espanha e com os dados mais fracos que o esperado nos Estados Unidos. Indicadores da atividade econômica americana tiveram queda pela primeira vez em sete meses. Em Wall Street, o Dow Jones fechou em queda de 1,24%.

Dentre as ações com maior peso no Ibovespa, a preferencial da Petrobras devolveu os ganhos da véspera e fechou em queda de 4,46%, a 18,43 reais, enquanto a preferencial da Vale caiu 3,66%, a 34,78 reais. OGX recuou 5,59%, a 10,97 reais. Papéis de bancos também se destacaram entre as baixas do pregão, com Banco do Brasil recuando 4,9%, a 19,40 reais, e Bradesco com queda de 4,38%, a 26,88 reais.

Apenas dois dos 68 ativos que compõem o índice fecharam em alta: CCR Rodovias subiu 2,09%, a 15,62 reais, e MRV Engenharia avançou 1,66%, a 9,81 reais.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 18:51

Agência Brasil cai na esparrela do JEG e publica reportagem com informação errada sobre jornalista da VEJA. Aguarda-se a correção

A Agência Brasil, do governo federal, publicou uma reportagem, assinada por Luciana Lima, com uma baita informação errada relacionada à revista VEJA. Escreve Luciana:
“Brasília - O requerimento para resgatar informações prestadas pelo jornalista Policarpo Júnior, diretor da sucursal da revista Veja, em Brasília, à Comissão Parlamentar (CPI) dos Bingos, em 2006, causou discussão entre os parlamentares da CPMI do Cachoeira. O requerimento foi apresentado pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL)…”

Policarpo Júnior nunca depôs na CPI dos Bingos!!! Essa é uma das mentiras que o JEG espalha por aí. Conforme demonstro no post abaixo, ele foi convidado a falar na Comissão de Ética da Câmara em fevereiro de 2005. Não estou aqui a inferir que a Agência Brasil e Luciana agiram de má fé. Até acho que não! Talvez tenham se contaminado, sem querer, por uma súcia criminosa, disfarçada de jornalismo, que sai por aí afirmando o que lhe dá na telha. Collor jamais poderia, pois, ter requisitado o que nunca existiu. No post das 16h37, digo qual é o conteúdo do requerimento do senador e o que pretendia com aquilo.

 

Experiência positiva
Tenho uma experiência positiva com a Agência Brasil, comandada por Nelson Breve, no que diz a reconhecimento de erro. E fevereiro, a empresa
reconheceu que errou ao dar curso, sem a devida apuração, a uma informação falsa sobre os mortos, que nunca existiram, na desocupação da área conhecida como Pinheirinho, no interior de São Paulo. Apontei o problema aqui, e se fez o certo. Só que demorou um pouco: o erro foi cometido no dia 23 de janeiro e só foi corrigido no dia 6 de fevereiro.

Espero que, desta vez, a correção seja mais rápida. E que fique o alerta, de braços dados com Santo Agostinho, que deveria valer para o governo como um todo — ou para todos os governos:
“Prefiro os que me criticam porque me corrigem aos que me adulam porque me corrompem”.

O JEG não pode ser fonte da Agência Brasil. A Agência Brasil é que tem de ser um exemplo de correção, deixando a mentira e a fofoca para os que são pagos para mentir e fofocar. Prezo o seu papel institucional. Ela não pode ser vir ao governo ou a partidos. Tem de servir ao Brasil. Se e quando a correção for feita, noticio aqui.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 18:18

A VERDADE SOBRE MAIS UMA FARSA – Jornalista da VEJA nunca foi testemunha de defesa de Cachoeira. Isso é apenas uma MENTIRA! Também nunca depôs na CPI dos Bingos! É outra mentira!

Eles mentem e enrolam. Eu trago os fatos documentados. Vamos pôr fim a mais uma pilantragem.

Uma das canalhices que se espalham por aí — e a rede suja, a soldo, comporta qualquer coisa — é aquela que sustenta que Policarpo Junior já foi testemunha de defesa de Carlinhos Cachoeira na CPI dos Bingos. Não é ingenuidade. Não é ignorância. Não é confusão. Trata-se pura e simplesmente de má-fé.

Quais são os fatos, que podem ser comprovados em pesquisas no noticiário daquele período e no documento que torno público hoje (link daqui a pouco)? Em 2005, a Assembleia Legislativa do Rio fazia uma CPI sobre bingos e jogo ilegal. A investigação nasceu, aliás, de uma reportagem publicada pela revista Época sobre as lambanças na área de jogos perpetradas por Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu.

Carlinhos Cachoeira procurou a reportagem da VEJA em Brasília para dizer que estava sendo extorquido por um deputado federal  para que seu nome fosse excluído da investigação. A extorsão estaria sendo praticada pelo então deputado federal André Luiz (PMDB-RJ). Queria R$ 4 milhões para pagar dívidas de campanha.

Muito bem! Cachoeira procurou a VEJA, perguntou se era do interesse da revista ter em mãos as provas sobre a extorsão. Ora, que jornalista no mundo diria ”não”? Pois bem! O contraventor gravou as conversas. Tudo devidamente comprovado. A revista tomou o cuidado de mandar periciar os CDs para saber se não havia alguma montagem. Não havia! A reportagem foi publicada, e se abriu um processo de cassação de André Luiz no Conselho de Ética da Câmara.

ATENÇÃO! POLICARPO FOI CONVIDADO A DEPOR, E NÃO CONVOCADO, PELO CONSELHO DE ÉTICA! Foi e explicou as circunstâncias em que foi procurado e deixou claros os procedimentos éticos da revista — entre eles, NÃO PRODUZIR PROVA NEM AJUDAR A PRODUZI-LAS, que isso não é coisa de jornalista, nem pagar para obter informações. Eles escondem, eu mostro. A íntegra do depoimento de Policarpo está aqui.

Reproduzo aqui um trecho do depoimento de Policarpo, que demonstra os cuidados que a VEJA toma em situações desse tipo. O deputado Chico Alencar quis saber se o primeiro encontro de Policarpo com Cachoeira se dava sem o conhecimento da revista. O então repórter especial revela que estava acompanhado do então chefe da sucursal de Brasília, André Petry, hoje correspondente da VEJA em Nova York:

O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR — O senhor é editor especial da revista Veja. Para produzir uma matéria desse teor, já que, claro, a revista deve ter zelo para com seu nome, seu peso, sua densidade, o senhor consultou outras pessoas? Houve uma reunião do Conselho Editorial para dar curso a essa matéria?

O SR. POLICARPO JÚNIOR — Nesse primeiro contato que foi marcado com o Sr. Carlos Cachoeira, tomei o cuidado de ir acompanhado do chefe da sucursal aqui em Brasília. Eu já tinha avisado a ele que levaria mais uma pessoa, até porque a gente não se conhecia e eu sequer sabia qual era o objeto da conversa, pois ele não havia dito nesse contato telefônico. Ele disse apenas que queria conversar com a revista e que teria uma matéria que poderia ser do nosso interesse.

De novo! O jornalista da VEJA falou ao Conselho de Ética da Câmara, não à CPI dos Bingos, na condição de testemunha de um fato: uma tentativa de extorsão. Não era testemunha de defesa de Cachoeira porque o processo em curso dizia respeito ao então deputado André Luiz. Falou o que sabia e o que as gravações revelavam: a tentativa de extorsão tinha mesmo acontecido, e o deputado foi cassado. Qual era a alternativa? VEJA deveria ter se recusado a publicar a reportagem? Um deputado federal decide extorquir um contraventor para livrá-lo de uma investigação, o jornalismo tem as provas nas mãos e faz o quê?

“Ah, mas quem tinha fornecido a gravação à VEJA era um contraventor!” E daí? Isso era segredo para alguém? Nem para o Conselho de Ética! Aliás, se havia a chantagem, é bem provável que houvesse motivos para tanto, o que não livra a cara do chantagista, especialmente quando lhe cabe punir o malfeito, em vez de usá-lo em seu proveito. Quando VEJA fez a reportagem, estava claro qual era o ramo de atuação de Cachoeira. Que as autoridades competentes fizessem a sua parte, ora!

O depoimento de Policarpo está aí. É público. Leiam tudo (é enorme) se tiverem tempo, com especial atenção aos trechos em negrito. Ele não foi ao Conselho para ter questionada a sua lisura como jornalista. Aquele grupo não estava acusando o MENSAGEIRO. Estava preocupado com a mensagem. É diferente do que pretendem Collor e alguns petistas na CPI. Em vez de tentar apurar as óbvias falcatruas que envolvem a turma de Cachoeira e a construtora Delta, eles querem satanizar os jornalistas que fazem reportagens.

Quando vocês toparem com a afirmação demencial de que Policarpo foi testemunha de defesa de Cachoeira na CPI dos Bingos, respondam com a verdade: ele nunca foi à CPI dos Bingos. Foi à Comissão de Ética da Câmara a convite, num processo de cassação de um deputado chantagista! Querem os idiotas e os pilantras que a revelação da chantagem atrapalhou os trabalhos da CPI e ajudou Cachoeira. É mesmo? Por quê? O que impedia tanto os deputados estaduais do Rio como os deputados federais de investigar o jogo e pegar Cachoeira? VEJA deveria, tendo em mãos as provas que tinha, ter deixado na Câmara um chantagista?

É isso. Mais uma farsa vai para o ralo, porta de entrada da esgotosfera.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 16:37

Rejeite a fantasia, fique com os fatos: Collor, mais uma vez, tenta intimidar a imprensa, mas maioria rejeita vendeta. Ou: O petista que não quer “devassar” a Delta, mas quer devassar a imprensa!

Vamos lá. Vocês podem confiar neste relato ou no daqueles que divulgaram aos quatro ventos que havia 200 ligações (!) entre o jornalista da VEJA e Carlinhos Cachoeira… Até agora, nada de publicar o desmentido. Bando de vigaristas!!! Vocês podem ficar com os fatos ou com aqueles que se juntaram a mensaleiros e chefes de quadrilha para fazer da CPI um instrumento de intimidação da imprensa. O relato abaixo tem algumas tecnicalidades. Mas assim são os fatos. E é bom prestar atenção aos detalhes para não cair na conversa de pistoleiros.

A CPI tinha de votar hoje um monte de requerimentos (ver post anterior). Votou. Por enquanto, não se falou da convocação nem de governadores nem de Fernando Cavendish. É isto mesmo: Fernando Collor — aquele cujos familiares, segundo a PF, a Interpol e o FBI compraram o fajuto Dossiê Cayman — e alguns petistas da CPI não estão interessados nessas coisas. Eles querem é satanizar o jornalismo independente; eles querem é mandar um recado: “Quem se atreve a nos investigar um dia será enviado ao paredão!”. Adiante.

Collor apresentou na semana passada um requerimento pedindo que fossem pinçadas, do conjunto dos grampos das operações Vegas e Monte Carlo, a transcrição de todas as eventuais conversas que citam o nome do jornalista Policarpo Júnior, da VEJA. Segundo disse, “é necessário que pincemos esses trechos para que fique comprovado um conluio entre Policarpo Júnior e Cachoeira”.  Como se percebe, sua fala não deixa a menor dúvida: ele não quer apurar nada; ele já tem a sentença de condenação… da imprensa!!! A propósito: “conluio” uma ova! Conluio fizeram aqueles que compraram o Dossiê Cayman de bandidos para praticar bandidagens!

O senador apresentou o requerimento na semana passada. O relator, Odair Cunha (PT-MG), poderia tê-lo posto para votar ou não, já que a fila era gigantesca. Não teve dúvida: pôs! Portanto, a acusação de que o relator estaria “aliviando” a situação da VEJA é uma piada ridícula. Até porque não há o que aliviar. Qual é a nova acusação agora do subjornalismo aloprado? Ora a revista estaria conspirando contra o PT, ora com os petistas? Essa gente não se cansa? Não se envergonha?

Qual é o ponto?
As transcrições das gravações — aquelas que, segundo os dois delegados, evidenciam uma relação normal entre repórter e fonte — fatalmente chegarão aos parlamentares. Até porque os áudios já circulam por aí. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) foi ao ponto: lembrou que o senador Pedro Taques (PDT-MT) já havia feito o requerimento para que a comissão tivesse acesso à transcrição de TODAS as conversas e que, pois, o requerimento de Collor estava prejudicado. Segundo a senadora, Collor estava tentando “constranger a imprensa” e “tutelar a relação do jornalista com suas fontes”.

Kátia não foi a única a reagir com indignação. Parlamentares da oposição e da base aliada perceberam a manobra e a repudiaram. “A proposta abre um precedente perigoso e inominável”, afirmou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Taques classificou o requerimento de “absolutamente inconstitucional e ridículo” e disse que parecia mais “vingança e autoritarismo”. O deputado Silvio Costa (PE), do PTB, mesmo partido de Collor, afirmou: “Nós não podemos transformar esta CPI numa espécie de paraíso do revanchismo. Senador Collor, se reencontre com o país”. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e o senador Humberto Costa (PT-PE) apoiaram, evidentemente, com a… tentativa de vendeta.

No fim das contas, Odair Cunha, o relator, acabou concordando com o óbvio: se havia, como apontou a senadora Kátia Abreu, o requerimento de Taques para que se tivesse acesso a todas as transcrições, o de Collor não fazia sentido, estava prejudicado. A menos, claro!, e isto digo eu, que o relator abandonasse o seu papel institucional para integrar a pantomima persecutória do senador de Alagoas.

Teste
REITERO: todos terão acesso às transcrições de todas as conversas, pouco importa quem seja citado. Collor estava fazendo um teste, verificando se ações persecutórias contra a imprensa podem ou não prosperar na CPI. A reação nesta quinta-feira foi positiva. Não há absolutamente nada — RIGOROSAMENTE NADA!!! — que incrimine ou ponha sob suspeita qualquer profissional ligado à revista. “Ah, se é assim, então que se aprove o requerimento; que o Policarpo vá depor, que isso, que aquilo…” ERRADO! CEM POR CENTO ERRADO! Transformar a CPI do Cachoeira na “CPI da Imprensa” era tudo o que queriam os mensaleiros e seus defensores desde o começo. Só deram apoio à comissão na esperança de ter um palco para suas acusações despropositadas, numa tentativa de vingança.

E se vingar do quê? Do nada! Apostam na sua capacidade de criar falsas evidências, de pôr para circular mentiras (como as inexistentes 200 ligações entre Cachoeira e Policarpo), de usar a rede suja na Internet para espalhar ilações infundadas. Que se ouçam todas as fitas! Que todas as transcrições venham a público — como, aliás, estão vindo! E se verificará que nada há nelas que evidencie um passo além do que permite a ética profissional.

Se Collor tivesse sido bem-sucedido nesta quinta, poderia ter a esperança de fazer a tão sonhada CPI da Imprensa. Ele espera por isso há 20 anos! Ele espera por isso desde que Pedro, seu irmão, apareceu na capa da VEJA contando tudo.

Para encerrar
Olhem que mimo: Paulo Teixeira, que apoiou entusiasticamente a proposta de Collor, manifestou-se contra a quebra de sigilo da Delta em escala nacional. Afirmou: “A generalização cheira a devassa”. Entendi! A Delta, íntima do esquema Cachoeira, como vimos, que tem R$ 4 bilhões em contratos com o governo federal, não pode ser “devassada”. Isso Teixeira não quer! Ele defende é que se faça uma devassa nas conversas de jornalistas com suas fontes. E conta, para tanto, com a ajuda de Collor, aquele que, segundo a PF, o FBI e a Interpol, recebeu o Dossiê Cayman, que custou mais US$ 2 milhões.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 15:45

Daqui a pouco…

… o esforço infrutífero de Fernando Collor e alguns petistas para mandar a imprensa para o paredão.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 14:49

CPI do Cachoeira poupa Delta, governadores e políticos de investigação

Por José Ernento Credendio e Andreza Matais, na Folha Online:
A CPI do Cachoeira livrou, nesta quinta-feira, governadores e parlamentares da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico e de serem convocados a explicar suas relações com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A empreiteira Delta, apontada pela Polícia Federal como braço financeiro do esquema, também não terá seus sigilos quebrados nacionalmente, “por falta de indícios”, no entendimento da maioria da comissão. A CPI livrou ainda da investigação o presidente licenciado da empreiteira, Fernando Cavendish.

Os deputados e senadores aprovaram apenas a quebra do sigilo da empresa Delta na região Centro Oeste, além dos sigilos de pessoas sem foro privilegiado que assessoravam Cachoeira e já foram investigadas pela Polícia Federal, conforme antecipou a Folha na edição de hoje.

A votação foi orquestrada pelo PT e PMDB, que comandam a CPI. O relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), sequer colocou em votação os requerimentos acerca dos governadores e da Delta nacionalmente. Esses requerimentos só devem na pauta da CPI no dia 5 de junho. “Nós não vamos fazer devassa”, afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). “A generalização cheira a devassa”, complementou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

PIZZA
Conforme a Folha antecipou na edição de hoje, foi feito um acordão entre caciques do PT, PMDB e PSDB para poupar os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ). No pacote dos governistas entrou ainda a preservação da Delta nacionalmente, que tem obras com o governo federal.

“Reuniu-se um grupo numa sala e decidiram quem vai morrer. O Rio de Janeiro está enterrado até a alma. O que vamos dizer?”, afirmou a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). “Na minha opinião, estamos convocando os bagrinhos da história. Os importantes estão de fora”, complementou.

“Dá impressão de estarem selecionando alvos por orientação política partidária”, criticou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). “É um mal começo desta CPI”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), um dos poucos a insistir na convocação dos governadores. “Estamos amarelando”, afirmou o senador Pedro Taques (PDT-MT).
(…)

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 6:29

COMISSÃO DA VERDADE: Quando a suposta dialética da história vira discurso esquizofrênico. Ou: A grande falha lógica do discurso de Dilma. Ou: Conteste se for capaz!

Leitores me pediram para manter este texto no alto por mais um tempo. Aqui está.

Caras e caros, de braços dados com a história e a lógica, acho que escrevi o meu melhor texto sobre a Comissão da Verdade. Avaliem.
*
A presidente Dilma Rousseff realizou hoje a solenidade de instalação da dita “Comissão da Verdade” (ver post anterior). Escrevi nesta manhã um longo texto a respeito. Também a mim não me moveu o revanchismo! Até porque tomei algumas bordoadas na luta pela redemocratização do país e tive de aguentar um “agente do regime” no meu pé quando tinha meros 16 anos… Não fui torturado como Dilma nem me tornei o burguês das lutas alheias, como o companheiro “ApeDELTA”, que nunca sofreu, felizmente, um arranhão, embora receba pensão permanente por ter sido “molestado” pela ditadura. A grana deve andar, aí, em torno de R$ 6 mil por mês. Continuo o apaixonado de sempre pelos fatos — aos 16, a minha perspectiva era certamente outra, mas já me incomodava a ideia de que o Estado pudesse sufocar os indivíduos com as suas verdades, a despeito dos… fatos! Por isso me fiz, vamos dizer assim, um “rebelde”. Por isso continuo, vamos dizer assim, um “rebelde”.

Eu me dei conta esses dias de que fui crítico, a cada hora numa trincheira, de todos os governos de Geisel pra cá. E, hoje, costumo bater boca, ainda que indiretamente, com sumidades que apoiaram todos os governos — de Geisel pra cá!!! São mais inteligentes do que eu, claro! O “progressismo” já fez verdadeiros milionários no Brasil. Fui de esquerda quando dava prejuízo. Deixei de sê-lo quando passou a dar lucro! Sujeito burro!!!

Sim, o tempo foi me convencendo, e já há muito é uma convicção da qual não abro mão, de que a democracia é mesmo o pior regime de governo possível, com a exceção de todos os outros, como disse aquele do uísque com charuto… Não é o modelo perfeito, mas é o que permite, ao menos, tratar as diferenças sem ter de avançar no pescoço alheio. Na democracia, “pacta sunt servanda“. E fim de papo! Vale o combinado. Os acordos têm de ser cumpridos. Os contratos não podem ser desrespeitados.

É o contrário do que pensa boa parte — se é que não se fala da totalidade — das esquerdas. Costumam apelar à chamada “dialética da história” para sustentar que leis, mesmo democraticamente instituídas, podem e devem ser desrespeitadas se essa for “a vontade da sociedade”. Chamam de “vontade da sociedade” a pauta que elas próprias definem. Dos 16 aos, mais ou menos, 21, também cheguei a acreditar nisso. Quando descobri que era a porta de entrada de todos os males do mundo; quando me dei conta de que essa perspectiva correspondia à morte do humanismo — à medida que ela não comporta qualquer princípio inegociável —, caí fora! Constatei que se tratava de um mal superior àqueles outros que eu combatia (e que continuo a combater) porque, em nome da resistência e de um mundo alternativo, então tudo era possível. Se me era dado combater o que considerava “imoralidade alheia” com a ausência da moral (coisa de “burgueses”), então a diferença entre “nós” e “eles” é que o mal que preconizávamos não tinha limites. A nossa vantagem comparativa estava em surpreendê-los usando seus métodos detestáveis e indo muito além. É claro que passei a repudiar essa visão de mundo de modo absoluto.

Pois bem. Dilma instalou nesta quarta a Comissão da Verdade. Negou a perspectiva revanchista, embora as declarações de pelo menos três membros do grupo — Maria Rosa Cardoso da Cunha, Paulo Sérgio Pinheiro e Maria Rita Kehl — afrontem de forma clara o texto da lei. Dizem com todas as letras — e contra a letra legal, reitero — que o objetivo da comissão é apurar as transgressões aos direitos cometidas apenas por um dos lados. A Comissão da Verdade não reconheceria (e não reconhecerá), assim, as mais de 120 vítimas que as esquerdas também fizeram no país. É mentira, mentira absoluta, que toda a cadeia de comando que resultou nessas mortes tenha sido identificada. Ao contrário até: assassinos notórios, ou seus partidários, passaram a receber, diretamente ou por meio de familiares, indenização do estado. Não adianta me xingar, me ofender, nada disso. Se puderem, neguem a evidência. Se não puderem, tenham ao menos a coragem de defender que alguns são maus assassinos, e outros, bons assassinos.

No discurso de instalação da comissão, afirmou a presidente:
“Ao instalar a Comissão Nacional da Verdade, não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de forma diferente do que aconteceu, e sim a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem vetos. É a celebração da transparência da verdade de uma nação que vem trilhando um caminho da democracia. O Brasil deve render homenagens a mulheres e homens que lutaram pela revelação da verdade histórica. O direito à verdade é tão sagrado quanto o direito de famílias de prantear pelos seus entes queridos. Reverencio os que lutaram contra a truculência ilegal do estado e também reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”.

Parece bom, mas é a esquizofrenia histórica se fingindo de dialética. Se é mesmo uma história “sem ocultamentos”, então a verdade sobre alguns grupos tratados como defensores da democracia tem de ser devidamente caracterizada. Não é possível que organizações como Colina, VPR e VAR-Palmares, que a presidente conhece muito bem, sejam alçadas à condição de heroínas do regime democrático. Atenção! Nada, nada mesmo, justifica que um agente do estado resolvesse fazer “justiça” com as próprias mãos! Condenar esse expediente, no entanto, não muda a convicção daqueles que queriam uma ditadura socialista no Brasil. E, em nome disso, também mataram. Se a inocência não era um limite para os torturadores e agentes dos porões, foi, por acaso, limite para muitos daqueles militantes?

Dilma diz reverenciar os que “lutaram contra a truculência legal”. Certo! Quando Larmarca, volto ao caso, esmagou o crânio de um tenente da Polícia Militar, depois de um “julgamento” feito no meio do mato por seus pares de terror, ele estava lutando “contra a truculência legal”? Quando uma associação de grupos de esquerda decidiu jogar um carro-bomba contra um quartel, fazendo em pedaços um jovem de 18 anos — Mário Kozel Filho —, tratava-se tal ação de “luta contra a truculência legal”? Quando os próprios esquerdistas assassinaram alguns dos seus, suspeitos de colaboracionismo, era “luta contra a truculência legal”?

A linguagem trai
Como é mesmo? As palavras fazem sentido!!! A gramática existe não apenas para expor a ignorância do JEG. Também é um instrumento para aclarar pensamentos. Prestem atenção a este trecho da fala da presidente:
“Reverencio os que lutaram contra a truculência ilegal do estado e também reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”.

Sabem os gramáticos — e preciso sempre tomar cuidado porque tenho um dos melhores entre meus leitores, Luiz Antônio Sacconi, dono de vastíssima obra na área — que a conjunção aditiva “e” pode ser empregada como conjunção adversativa, pode valer por um “mas”, a exemplo do que faz Dilma. Sua fala pode ser reescrita assim, sem que mude o sentido do que disse:
“Reverencio os que lutaram contra a truculência ilegal do estado, mas também reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”.

Resta evidente em sua peroração a existência de uma contradição entre “os que lutaram contra a truculência” e “os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”. Ao optar por esse discurso, ela se revela e se trai  também na esfera da linguagem. Ela se revela ao admitir que entende a Lei da Anistia como algo que caminhou no sentido contrário aos interesses daqueles supostos heróis “que lutaram contra a truculência”. Mas ela também se trai ao assumir que, satisfeita a visão de mundo daquela turma, certamente não se alcançariam os “pactos políticos que nos levaram à redemocratização”. Vale dizer, por dedução lógica inescapável: se a Lei da Anistia era incompatível com aquela turma, aquela turma era incompatível com a Lei da Anistia.

Não posso fazer nada: eu opero com categorias lógicas. Eu me nego a me deixar enrolar pela retórica oca, pela grandiloquência do… ocultamento!

Algum retórico do Planalto emprestou um coquetel de figuras de linguagem à presidente, que afirmou:
“A ignorância sobre a história não pacifica. Pelo contrário, mantém latentes mágoas e rancores. A desinformação não ajuda a apaziguar. O Brasil merece a verdade. As novas gerações merecem a verdade. Merecem a verdade factual também aqueles que perderam amigos e parentes. O Brasil não pode se furtar a conhecer a totalidade de sua história. Se tem filhos sem pais, túmulos sem corpos, nunca pode existir uma história sem voz”.

Perfeito! Se é o Brasil pacificado que instala essa “Comissão da Verdade”, então, por definição, toda a verdade tem de ser contada, também a das vítimas dos grupos terroristas — ainda que a “comissão” queira chamá-los “revolucionários” ou “amantes da democracia” (o que é mentira!). À diferença do que dizem os petralhas, aceito, sim, pontos de vista diferentes dos meus. Desde que se apontem as falhas lógicas ou as falsidades deste texto.

Texto publicado originalmente às 17h24 desta quarta-feira
Por Reinaldo Azevedo

16/05/2012

às 19:59

Sérgio Cabral decide fazer companhia a Simão Bacamarte na “Casa Verde”, sob o olhar atento de Machado de Assis, que acompanha tudo , ali na Cosme Velho

Já deveria ter comentado o assunto, mas acabou me escapando. Sérgio Cabral (PMDB), a mais inimputável das figuras públicas no Brasil depois de Lula, é mesmo um pândego. Em julho do ano passado, ele decidiu criar um Código de Conduta para os servidores públicos nas suas relações com entes privados. No mês anterior, um acidente com helicóptero havia matado sete pessoas, entre elas a namorada de seu filho e a mulher de Fernando Cavendish. Todos, incluindo o governador, estavam na Bahia para comemorar o aniversário do empresário. Cabral, assim, propunha um código para controlar… Cabral! O governador havia viajado num jatinho emprestado por Eike Batista.

Agora, depois de revelada a sua farra de Paris, em companhia de boa parte do primeiro escalão do governo do Rio — mais o onipresente Cavendish —, o que fez Cabral? Resolveu ampliar o tal Código, entenderam? A nova redação prevê que o servidor deve evitar locais frequentados por prestadores de serviço e aparentar intimidade com fornecedores. Uau!!!

Dançar na boquinha da garrafa com fornecedores e prestadores de serviço, então, nem pensar!

Que homem fabuloso este! Ele é uma espécie de vanguarda e retaguarda ao mesmo tempo. Enfia o pé na jaca, é descoberto, e lá vem um texto proibindo… que se enfie o pé na jaca. Cabral transgride, e Cabral contém.

Ah, se Machado estivesse vivo, morando ainda li no Catete, na rua Cosme Velho, nº 18, Cabral desbancaria Simão Bacamarte, o “médico de loucos” de “O Alienista”. Seria o governador a criar a Casa Verde para receber os lunáticos, não é? O fim do conto não é surpresa pra ninguém. Depois de prender quase toda a cidade de Itaguaí na clínica, o alienista se convence de que a sua suposta plena normalidade é que era a verdadeira loucura. Solta todo mundo e prende a si mesmo.

Cabral é o Simão Bacamarte moderno, ao mesmo tempo um metro da loucura, tomada como normalidade,  e de sua contenção! Logo veremos Cabral dando pito em Cabral em público.

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2012

às 19:30

Ministério Público Federal abre inquérito para investigar venda da Delta

Da Reuters:
O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro abriu inquérito para investigar o acordo de venda da Delta Construções para a holding J&F, que controla o frigorífico JBS. A Delta está no centro de denúncias de irregularidades contra o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O inquérito, aberto na sexta-feira, pede informações às empresas envolvidas e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem participação no JBS. As companhias receberam do procurador Edson Abdon prazo até a semana que vem para prestar esclarecimentos.

Segundo informou nesta quarta-feira a assessoria de imprensa da Promotoria no Rio de Janeiro, Abdon também pediu informações ao Tribunal de Contas da União e à Controladoria Geral da União sobre indícios de irregularidades em obras tocadas pela Delta no Estado do Rio de Janeiro. A instauração de inquérito atende a pedido feito pelo procurador regional da República no Rio Nivio de Freitas Silva Filho.

Na semana passada, ao pedir a abertura do inquérito, o procurador regional alegou que, “caso se concretize esse negócio… o BNDES, em evidente afronta aos princípios da legalidade e moralidade, irá inexoravelmente participar de empresa sobre a qual recaem notícias da prática de graves ilicitudes”. Também na semana passada, ao negar ter dado aval à transação entre Delta e J&F, o governo federal lembrou que há um processo na CGU que pode resultar na declaração de inidoneidade da construtora, o que a impediria de ser contratada pela administração pública.

Desde o início das denúncias envolvendo a empresa, a Delta, recordista de contratos no âmbito do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), deixou obras nas quais participava de consórcio com outras empreiteiras e vem sofrendo pressão para abandonar empreendimentos estatais que toca sozinha. Carlinhos Cachoeira é alvo de uma CPI mista no Congresso Nacional que investiga suas relações com agentes públicos e privados. Ele está preso desde fevereiro acusado de comandar um esquema de jogos ilegais.

O relator do que já está sendo chamada CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), já afirmou que um dos principais objetivos da comissão é detalhar a participação da Delta na suposta organização criminosa que seria comandada por Cachoeira.

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2012

às 19:27

Quem negocia com bandido? Investigações da PF, do FBI e da Interpol sustentam que Collor recebeu Dossiê Cayman e que sua família pagou US$ 2,2 milhões por papéis fraudulentos

O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), aquele que já caçou marajás um dia e que se dedica hoje a caçar jornalistas, acusa fanaticamente um profissional da VEJA de ter-se unido a bandidos etc. e tal. Ele finge não saber a diferença entre conversar com quem quer que seja em busca de informações e, de fato, se associar à bandidagem. E parece não saber a diferença faz tempo!

Lembram-se do Dossiê Cayman — aquilo, sim, uma picaretagem armada contra os tucanos? O caso foi investigado pela Polícia Federal, pelo FBI e pela Interpol. Conclusão: Collor recebeu o papelório. E sua família, segundo as investigações, pagou US$ 2,2 milhões por eles. Quem mesmo, senador, negocia com bandidos? Ou não eram bandidos os que armaram aquela tramoia? O que Vossa Excelência queria de posse daquela falcatrua? Por certo, não era fazer reportagens, ainda que muitos repórteres tenham sido pautados, não é mesmo?

Leiam o que informou a Folha no dia 12 de dezembro do ano passado. Eis que, cinco meses depois, temos o valente senador posando (Emir Sader, seu neoamigo do PT, escreveria “pousando”) de grande moralista, a acusar gente decente de se envolver com bandidos.
*
Por José Ernesto Credendio
Investigação da Polícia Federal afirma que a família do senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) pagou em 1998 pelo dossiê Cayman, conjunto de papéis forjados para implicar tucanos com supostas movimentações financeiras no exterior. Segundo o inquérito, o senador teria recebido pessoalmente a papelada das mãos de um envolvido, em Maceió. As conclusões são baseadas em investigações da Polícia Federal, do FBI (nos Estados Unidos) e da Interpol. Collor não foi indiciado por não ter participação direta no pagamento nem na elaboração dos papéis, mas é citado como beneficiário do caso. De acordo com a investigação, o dossiê custou US$ 2,2 milhões em valores da época, pagos a partir de uma conta controlada por Leopoldo Collor, irmão do senador, no paraíso fiscal das Bahamas.

Os irmãos Collor caíram em um engodo, diz o inquérito, já que na prática pagaram uma fortuna por papéis grosseiramente falsificados. A investigação rastreou as viagens feitas pelos envolvidos na produção e na difusão do dossiê. Eles transitam por EUA, França e Salvador, onde houve escala do avião. Por fim, chegam a Maceió. Os documentos mostram como uma “offshore” no Uruguai, em nome de um laranja de Leopoldo Collor, controlava uma conta nas Bahamas.

E como foi a negociação para que o dinheiro fosse depositado em um banco em Coral Gables, uma cidade na Flórida (EUA), sem deixar rastros. Mas o FBI entrou no caso e conseguiu, ao lado da Interpol, apurar as conexões. O valor da venda apareceu em uma agência do Eurobank na cidade norte-americana, conforme autorização de transferência bancária de 31 de agosto de 1998. Parte da trama foi relatada à investigação por Raymundo Nonato Lopes Pinheiro, então diretor internacional de comercialização da Rede Globo e réu no processo. “Laranja” de Leopoldo, ele confirma que é autor do documento que permitiu a transferência bancária, por meio de procuração.

Nonato disse à PF que conhecia Leopoldo desde os 17 anos. A existência da empresa “offshore” foi confirmada pelo irmão de Collor. A conta em Coral Gables era, no papel, de Martha Volpato, indicada para receber o pagamento pelo dossiê e, assim, evitar que o negociador surgisse na transação. O principal negociador é Luiz Claudio Ferraz da Silva, amigo de Leopoldo. Ele teria entregue os papéis a Fernando Collor em 5 de setembro de 1998, em Maceió.

Martha, que recebeu US$ 20 mil, chegou a ser presa em outra operação da PF. As investigações estão em processo na 10ª Vara de Justiça Federal de Brasília, quase pronto para julgamento.

Encerro
Como se vê, o lobo pode mudar de pelo, mas não de hábitos.

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2012

às 19:00

Por falar em sites e blogs de gente desonesta, e a história das 200 ligações?

Por quanto tempo o “jornalismo livre como um táxi” (by Millôr Fernandes) sustentou a farsa de que havia 200 telefonemas entre Policarpo Júnior, da VEJA, e Carlinhos Cachoeira? No sábado, revelei aqui: não eram 200, mas apenas dois. No conjunto dos grampos, há 46 referências a Policarpo. Numa coisa ou noutra, como reconheceram os dois delegados que falaram à CPI, há nada além da relação entre fonte e repórter.

Digamos que existam leitores de boa-fé que admirem aqueles blogs e sites lá, vocês sabem quais. Muito bem! Revelada a verdade, conhecidos os testemunhos do delegado, o que tem de fazer quem é decente? De reconhecer o que poderia chamar “erro”. Cadê o reconhecimento? Igualmente os leitores deveriam cobrar, não?

Ocorre que não se tratava de erro, mas de mentira deliberada, o que é coisa bem diferente. Interessava mobilizar o mundo das sombras contra a revista porque, como já se sabe a esta altura, o caso Cachoeira era o que menos importava. Tratava-se de uma armação para tentar livrar a cara dos mensaleiros.

Essa turma não queria investigar os crimes que vieram à luz agora, mas esconder os crimes de antes. De resto, ainda que tivesse havido as 200 ligações, todas elas teriam um só propósito: buscar informação. Como aquela farsa é agora insustentável, o eixo da acusação vai mudando. Como se trata de tarefa paga — a marca do “partido” é claríssima —, eles seguem atirando, ainda que contra o nada.

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2012

às 18:30

Reinaldo Azevedo, o “tuitcida”. Ou: Quantos serão os idiotas que realmente caem na conversa do JEG?

Caí na gargalhada. Mandam-me aqui um troço inacreditável. O cretino — ou cretina, sei lá —  me acusa (ou a meus leitores, não está muito claro) de ter, imaginem vocês!, ameaçado o perfil “lucy_in_sky_” — aquele que foi usado por um robô para difamar a VEJA num dos tuitaços vigaristas que se fizeram por aí e que desapareceu do Twitter.

Ameaçar? É mesmo? Bem, eu poderia cobrar que apresentassem algum tuíte meu — ou post — com esse conteúdo. Mas aí já seria condescender, ainda que minimamente, com a loucura ou com a vigarice. Fico aqui me perguntando como é que se faz uma “ameaça física” a um perfil no Twitter que se identifica com um apelido?

“Se você não parar, vou explodir uma bomba virtual aí na sua página.” Seria assim?

Essa gente perdeu completamente o senso de ridículo e de limite em sua obsessão por atacar a VEJA e os profissionais ligados à revista. Certos de que lidam com idiotas, usam qualquer desculpa. Já fui acusado de muita coisa, hehe. De ameaçar uma personagem virtual, bem…, é a primeira vez!

E a analfabetada continua a mentir sobre algo ainda mais primário. A reportagem que apenas começou a desvendar os grupos que fraudam a verdade nas redes sociais não é minha, não. Eu acuso a sua existência faz tempo, mas não tinha em mãos as evidências técnicas da safadeza. Daqui a pouco algum petralha propõe que se criem as figuras do “tuitcídio doloso” e “tuitcídio culposo” — só para profissionais ligados à VEJA, é claro!

Eu fico cá me perguntado: “Haverá mesmo idiotas que caiam nessa conversa?” Havendo, eu me pergunto de novo: “Que graça há em enganar os idiotas?”

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2012

às 18:05

O acidente no metrô, o risco de sabotagem e os sabotadores do Twitter: o caso de Sônia Francine

É claro que o acidente havido no Metrô, em São Paulo, pode ter decorrido de uma falha técnica. A exploração política vagabunda, no entanto, que se está fazendo a respeito, de caráter escancaradamente eleitoreira, sugere uma investigação mais apurada. Pode ser sabotagem? Pode, sim!

Há coisas que são verdadeiramente espantosas. Tratarei de uma delas aqui e diz respeito a uma figura pública com quem já bati boca e que não deve gostar muito de mim. Não ligo. Um monte de gente gosta, e um monte desgosta. É do jogo! Isso não me impede de denunciar um serviço asqueroso de “trollagem”. Refiro-me a Sônia Francine, a Soninha.

Escreveu ela no Twitter num dado momento:
“Metro caótico, é? Nao fosse p TV e Tuíter, nem saberia. Peguei Linha Verde e Amarela sussa. #mtoloco.”

Os tuítes seguintes deixaram claro que não estava minimizando o acidente, não. Tecia considerações sobre o fato de que São Paulo é tão grande e complexa que ocorrências num determinado lugar podem ser ignoradas em outros. Quantas vezes já saí para caminhar, com o sol na testa, não sem antes ver fotos de alagamento nas Zonas Leste, Norte, Sul… Nada sugere que ela estivesse minimizando a ocorrência. Até porque ninguém é idiota o suficiente para achar que um tuíte consegue mudar a natureza de um fato.

Pra quê!!! Avançaram contra ela como um enxame de abelhas. Até o R7, o portal do bispo Macedo (por que não?) foi pra cima (por que não iria, né?). Acusaram-na de tratar o caso com desdém, de querer esconder o fato etc. Dei uma olhada na “trollagem”. Traz a marca de sempre. Sônia Francine nem tocou na palavra “sabotagem”, diga-se. Quem está empregando a palavra  sou eu.

E trato também da sabotagem nas  redes sociais, que passaram a ser policiadas, especialmente depois que os petistas criaram o tal “MAV” (Movimento de Ambientes Virtuais”) para espalhar as verdades eternas do petismo e combater os “adversários”. Se eles estão por trás disso, isso não sei.

Em tempo: não estou defendendo a Soninha —  ela não precisa de mim para isso. Nem somos da mesma turma (a canalha a deixe em paz quanto a esse particular). Estou apenas apontando mais uma ocorrência absurda de “trollagem”. As redes sociais, cada vez mais, estão sendo ocupadas por pistoleiros, por capitães do mato, dispostos a atirar em tudo o que se move desde que não seja um “companheiro”.

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2012

às 16:29

Presidente chorou ao falar sobre grupo que vai apurar crimes cometidos durante a ditadura

Tinha me destinado a fazer apenas um breve comentário sobre a instalação da Comissão da Verdade. Mas o texto começou a render, hehe. Então fiquem com a reportagem de Laryssa Borges, da VEJA Online. No próximo post, a minha análise do evento. Não demora.

Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de Instalação da Comissão Nacional da Verdade, no Palácio do Planalto (Roberto Stuckert Filho/PR)

A presidente Dilma Rousseff empossou nesta quarta-feira, em Brasília, os sete integrantes da Comissão Nacional da Verdade, grupo de trabalho que irá apurar violações de direitos humanos durante a ditadura militar, entre os anos de 1946 e 1988. Com voz embargada, a presidente negou que o colegiado busque “revanchismo” ou a possibilidade de “reescrever a história”. Ex-integrante da organização clandestina VAR-Palmares, a presidente se emocionou ao relembrar os “sacrifícios humanos irreparáveis” daqueles que lutaram pela redemocratização do país, mas reconheceu a importância da Lei da Anistia, de 1979, que trouxe o Brasil de volta aos governos democráticos. “São 28 benditos anos de regime democrático”, salientou.

“Ao instalar a Comissão Nacional da Verdade não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de forma diferente do que aconteceu, e sim a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem vetos. É a celebração da transparência da verdade de uma nação que vem trilhando um caminho da democracia. O Brasil deve render homenagens a mulheres e homens que lutaram pela revelação da verdade histórica. O direito à verdade é tão sagrado quanto o direito de famílias de prantear pelos seus entes queridos”, resumiu Dilma. ”Reverencio os que lutaram contra a truculência ilegal do estado e também reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”, disse ela.

O simbolismo da cerimônia de instalação da Comissão da Verdade foi marcado pela presença dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor e José Sarney, além de parentes de desparecidos políticos e dos ex-ministros da Justiça Fernando Lyra, Aloysio Nunes Ferreira, Renan Calheiros e José Carlos Dias, este último integrante do colegiado que irá apurar os abusos cometidos durante os anos de exceção.

“A ignorância sobre a história não pacifica. Pelo contrário, mantêm latentes mágoas e rancores. A desinformação não ajuda a apaziguar. O Brasil merece a verdade, as novas gerações merecem a verdade, merecem a verdade factual também aqueles que perderam amigos e parentes. O Brasil não pode se furtar a conhecer a totalidade de sua história. Se tem filhos sem pais, túmulos sem corpos, nunca pode existir uma história sem voz”, disse a presidente.

A Comissão Nacional da Verdade será composta pelo ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles, pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Gilson Dipp, pelo ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, pela psicanalista Maria Rita Kehl, pelo advogado José Paulo Cavalcanti Filho, pelo diplomata Paulo Sergio Pinheiro e pela advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha, que chegou a defender Dilma durante os anos de ditadura. Ao comentar a escolha do grupo, a presidente negou ter utilizado critérios pessoais e garantiu liberdade de investigação ao recém-empossado grupo.

“Ao convidar os sete brasileiros que aqui estão não fui movida por critérios pessoais ou avaliações subjetivas. Escolhi um grupo plural de cidadãs e cidadãos de reconhecida sabedoria e competência, sensatos e ponderados e preocupados com a justiça, capazes de entender o trabalho que vão executar, trabalho que vão exercer com toda liberdade, sem qualquer interferência do governo, mas com todo o apoio que necessitarem”, relatou a presidente.

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2012

às 16:14

Daqui a pouco…

… comento o discurso de Dilma na solenidade de instalação da chamada “Comissão da Verdade”. A história pode até ser dialética, como dizem alguns, mas não é esquizofrênica. Já volto.

Por Reinaldo Azevedo

 

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