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Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

02/09/2010

às 17:34

Elio Gaspari está feliz: em matéria de ilegalidade, PT não distingue o Pereira do andar de cima do Pereira do andar de baixo

“Achamos que está se usando uma situação que em si é deplorável, que é a quebra de sigilos de várias pessoas, para tentar associar esse fato à nossa candidatura, no desespero eleitoral, no desespero daqueles que não tem argumentos, para enfrentar um processo eleitoral como esse. Nós somos os maiores interessados que essa apuração acabe logo. Aliás, foi o PT que pediu a investigação a PF”.

A fala é acima de José Eduardo Cardozo, secretário-geral do PT. Segundo ele, o PSDB quer ganhar no tapetão.  Entendo a indignação desse patriota. O sigilo fiscal de tucanos — entre eles, o do vice-presidente do partido — é quebrado. Jornalistas encontram os dados com petistas que fazem a campanha de Dilma. Digam-me: é ou não é um absurdo afirmar que o PT está metido na lambança? Onde já se viu?

O sigilo fiscal de Verônica, filha de Serra, tinha sido violado. Dados desse sigilo, distorcidos pela má fé, já circulavam em blogs financiados pelo governo federal, que servem ao PT e à candidatura de Dilma. Digam-me: é ou não é um absurdo afirmar que o PT está metido na lambança? Onde já se viu?

Assim, a indignação dos petistas, inclusive a de Dilma, é compreensível. É uma barbaridade que esses tucanos tenham seus direitos constitucionais violados, que o conteúdo das violações vá parar na mão do pessoal que serve à candidata do PT e que as vítimas, ainda por cima, reajam. Até parece que o PT não tem o direito de violar o sigilo de quem bem entender.

Ademais, o caso Francenildo deixa muito claro que o PT não distingue um “Pereira” do outro em matéria de quebra de sigilo. O partido é democrático nessas coisas: tanto viola o sigilo de Eduardo Jorge Caldas Pereira, um dos líderes da oposição, como o de Francenildo Pereira, um caseiro.

Elio Gaspari é que está feliz: em matéria de ilegalidade, o PT não distingue o Pereira do andar de cima do Pereira do andar de baixo. Sinal de que a particular leitura da luta de classes deste pensador rende frutos.  Um escriba é verdadeiramente influente quando, além de distorcer a história, distorce também o pensamento.

E o PT continua a anunciar processos em massa contra as vítimas. A lógica dos filosófos do andar de baixo é impecável — e agora pede um tratado redigido por Eremildo, o Idiota: tudo saindo como quer o PT, Serra acabaria na cadeia porque quebraram o sigilo fiscal de tucanos e de sua filha e porque estavam armando um dossiê contra ele. Acusação: ousar enfrentar o PT e o Elio Gaspari.

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 17:05

Mantega diz que Cartaxo fica. Ah, sim: Mantega também fica!

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse não “estar cogitando” demitir Otacílio Cartaxo, secretário da Receita. Entendo. Numa democracia convencional, o próprio Mantega, chefe do outro, estaria com o cargo em risco.

Só para que não reste a menor dúvida: fosse a Receita apenas um balcão de vender sigilos, Cartaxo já deveria estar na rua. Transformada em instrumento de luta polítco-partidária, sua demissão é imperiosa.

O post abaixo explica a fala de Mantega. Eles não precisam nem ser nem parecer.

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 16:53

A corrupção dos homens e a corrupção da sociedade

Acho que vocês vão gostar deste mini-ensaio sobre o exercício do poder. Leiam e me digam.

César separou-se de Pompéia, sua mulher, porque ela foi publicamente considerada culpada de uma ofensa religiosa — pesquisem —, embora ele soubesse, pessoalmente, que ela era inocente. Líder máximo de Roma (ainda era uma República; ele nunca foi imperador), a questão de estado se sobrepôs à pessoal. E então disparou a máxima, sempre muito citada: “À mulher de César não basta ser honesta; é preciso também parecer honesta”.

Pensemos a frase de César à luz — ou à escuridão — da atuação de Otácílio Cartaxo, secretário da Receita, e da corregedoria do órgão.

Alguém que age pensando nos interesses do Estado pode, o que deve ser terrível, ser compelido a tomar certas decisões — contra aliados e amigos — que, mesmo ferindo seu senso pessoal de justiça, concorrem para o equilíbrio da República. O desejável é que o  governante não seja levado a fazer tal escolha. Compelido a tanto, os honestos farão como César. Notem que, nesse caso, estamos diante de uma soma de atributos: o “parecer honesto” não contradiz o “ser honesto”.

Uma mentalidade, digamos, essencialista — coisa muito em voga em nosso tempo; vocês sabem, a turma do “self”… — logo indagaria: “Que importância tem o ‘parecer’? É o ’ser’ que importa”. Na vida pública, tal contradição é descabida. A verdade é tão importante quanto a aparência, daí a necessidade das regras do decoro, que buscam uniformizar a atuação dos homens públicos, lembrando aos cidadãos que os governantes zelam pela res publica. Notável desdita para o homem de estado, nesse caso, obrigado a ser injusto na esfera privada para garantir a justiça na esfera pública. Um governante honesto, assim, é sempre mais angustiado do que feliz.

A distorção populista
Pode-se submeter a máxima cesariana a uma distorção muito típica dos populistas — e de demagogos de um modo geral. Se pensassem a frase de César como um norte moral, encontrariam nela um excesso de rigor. A esquerda brasileira, por exemplo, e seus esbirros na imprensa diriam que há ali um excesso de moralismo; que a política, como arte dos cínicos, não pode ser, assim, tão justa; que a lambança é mesmo parte do jogo.

Nesse caso, o governante ainda conserva o senso do “decoro”, das necessidades da res publica, mas tende a considerar que ele é só o tributo que paga a virtude para que o vício possa ser exercido às escuras. A mensagem que esse governante passa aos seus poderia ser resumida assim: “A mulher de César até pode ser desonesta, mas não pode parecer desonesta”.

Esse norte instrui os mais diversos comportamentos. Governantes assim costumam ter os seus “operadores sujos”, que fazem “o necessário” (seja lá o que for). A regra de ouro é uma só: o público não pode ficar sabendo. Se a informação “vazar”, como se diz no jargão jornalístico, será preciso sacrificar o “operador”. Assim se conduziu, por exemplo, o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. A cúpula do PT que chegou ao poder com ele caiu — ao menos formalmente.

Pegue-se um exemplo: José Dirceu serviu Lula ao, segundo a Procuradoria Geral da República, chefiar a quadrilha do mensalão. O presidente e seus aliados estavam pouco se lixando se ele era honesto. Essa exigência não estava dada. Mas ele precisava parecer honesto.

A bandalheira
Pode acontecer, no entanto, de o governante viver naquele que é, para si mesmo, o melhor dos mundos — e o pior para a res publica. Nesse caso, os homens de estado não precisam nem ser nem parecer honestos. A corrupção do próprio caráter faz com que transformem o exercício do poder em fonte de satisfação pessoal e do grupo. Para que possam viver o poder como um festim, como celebração orgíaca da desordem, aí contam com a corrupção moral de setores importantes da própria sociedade.

Esse padrão define o segundo mandato de Lula. Otacílio Cartaxo não precisa seguir as regras estritas da Receita Federal, por exemplo. E não precisa nem mesmo fingir que as segue. Luiz Inácio Lula da Silva ignora as leis, faz chacota e vê exaltada a sua formidável habilidade política. Petistas não se indignam com a lambança de seus pares —  nem mesmo fingem que estão indignados. Setores importantes da imprensa acham irrelevantes os agravos à Constituição — nem mais executam a mímica da defesa do estado de direito.As sociedades que exigem ao menos o decoro dos seus governantes deixam claro que não aceitam ser cúmplices de crimes. As que passam a tomar a falta de decoro como evidência de esperteza e de habilidade política fazem um pacto com o desastre. Pode até tardar, mas vem.

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 14:46

Homem que violou sigilo de Verônica diz que pretende arrumar a vida com essa história. Agora, “só pagando”

Antônio Carlos Atella Ferreira, o sujeito que foi ao posto da Receita em Santo André com uma procuração falsa de Verônica Serra e que obteve lá documentos sigilosos que depois alimentaram a canalha dos dossiês, deu há pouco uma entrevista à CBN.

Bem, ele é quem é, como viram. E agora afirmou que quer se dar bem. Em entrevista à Folha, havia afirmado não se lembrar quem lhe fez a encomenda criminosa porque tem muitas agendas; afinal, diz, é um homem bem-sucedido.

Há pouco, na rádio, disse que pretende arrumar a vida com essa história. Se quiserem nomes, vão ter de pagar muito bem. Sim! É isso mesmo que vocês  leram. O cinismo não parou por aí. Falou à repórter que ela deveria se sentir “agraciada” porque aquela seria sua última entrevista gratuita.

Há um indício aí de que ele está recebendo ajuda “profissional”. A verdade interessa a que lado? À vítima — no caso, Verônica Serra. Os que faziam dossiês ilegais — os petistas da campanha de Dilma — preferem o imbróglio. Ora, o que quer que diga agora, por vontade própria,  para elucidar o caso pode ser considerado parte de um negócio. Numa democracia normal, apostaríamos no trabalho da Polícia Federal.

Por que um sujeito afronta com essa desfaçatez a lei — na verdade, a Constituição — e ainda faz chantagem à luz do dia? Certeza da impunidade! Digam-me:
- ele é diferente de Otacílio, o Cartaxo do PT, secretário da Receita?;
- ele é diferente da Corregedoria da Receita, que sabia, prova-o o Estadão, que tudo indicava um crime e, ainda assim, participou da pantomima com Cartaxo?;
- ele é diferente da candidata Dilma Rousseff, para quem tudo isso não passa de factóide?;
- ele é diferente dos dirigentes todos do PT, que dizem, cinicamente, ser este um “problema de Serra”?;
- ele é diferente de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, para quem tudo se resume ao crime de “falsidade ideológica”?;
- ele é diferente da cúpula do Ministério Público Federal, que assiste a um crime contra a Constituição e a cidadania e, mesmo tendo a prerrogativa de agir, se cala?;
- ele é diferente de alguns “colunistas” que, curiosamente, resolveram voltar suas baterias contra o PSDB; para os quais nada existe além de pesquisas de opinião, num esforço desesperado de guardar seu lugarzinho no coração daquele que já consideram o “futuro governo”?

Não! Ele é igual a toda essa gente. Tornou-se uma personagem desse tempo.

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 13:52

Comentários

Caros,

Há quase 600 na fila.  Logo, logo, a gente dá conta de tudo.

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 6:11

LEIAM ABAIXO

- A mentira como método e como arma política tão imoral quanto eficaz;
- Melhor não cantar o Hino Nacional, querida!;
- Receita já tinha indícios de falsidade de procuração e, mesmo assim, tornou-a pública para tentar embolar o caso;
- Mônica Serra em entrevista exemplar: “É isso que fazem as ditaduras; já vi meu filho de 9 meses com um cano de arma na cabeça”;
- Descalabro;
- Ilusionismo nas contas públicas;
- Serra faz um duro discurso: “Francenildo somos todos nós”. Ou: “Não preciso de marqueteiro que mude a minha cara, o meu pensamento, a minha trajetória de vida”;
- Lula tenta transformar crime político em “falsidade ideológica”;
- Eu ilumino o juízo de Dilma e a ajudo a entender o que ela não entende;
- Coligação recorre ao TSE e acusa Dilma de abuso de poder político e uso da máquina;
- Fala de líder do governo no Senado evidencia armação oficial para tentar culpar a vítima;
- Perfil de homem que apresentou procuração falsa é adequado ao Primeiro Comando dos Companheiros;
- Otacílio Cartaxo cobre a Receita Federal de vergonha e se transforma numa síntese do que o PT faz com o serviço público;
- Pois é… Para que servem os blogs? Ou: “Mova-se, máquina!”;
- A PROVA DOS NOVES DA FARSA MONTADA PARA TENTAR ESCONDER O CRIME POLÍTICO;
- A Marcha dos Canalhas - Cuidado! Qualquer vagabundo, então, pode conseguir o seu sigilo num posto da Receita-da-mãe-Joana;
- O “jornalismo” online servindo à pistolagem;
- “ASSINATURA” DE VERÔNICA É FALSA; “AUTENTICAÇÃO” DO CARTÓRIO É FALSA; A FARSA NÃO DURA 24 HORAS;
- Receita e Ministério da Fazenda reeditam farsa típica do stalinismo e culpam filha de Serra pela violação do próprio sigilo;
- Vamos trocar Adams, da Família Luiz Inácio, por Fester, da Família Adams;
- Braço-direito de Lula sugere que foi Aécio Neves quem violou sigilo de Verônica;
- E Mantega? Vai endossar o banditismo e se comprometer com ele? A propósito: apresentem a procuração para perícia!

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 5:57

A mentira como método e como arma política tão imoral quanto eficaz

A farsa montada pelo governo para tentar culpar Verônica Serra pela violação do próprio sigilo fiscal tinha um tempo de duração. E então muitos leitores me perguntam, cheios de justo espanto:
“Reinaldo, por acaso eles não sabiam que a verdade acabaria aparecendo, que seria possível provar a falsidade da assinatura e até a do reconhecimento de firma?”
Respondo:
Claro que eles sabiam!

É que estamos diante da aplicação de uma das teorias da comunicação, usada com desenvoltura por canalhas:
- espalhe a mentira:
- insista nela;
- faça com que ela pareça ter o mesmo peso da verdade;
- transforme tudo numa mera guerra de versões

Resultado: uma parte da opinião pública desiste do caso no meio do caminho e se conforma com a mentira. Para essa gente, não levar a mentira ao ar seria pior: todos ficariam expostos só à verdade. E a verdade não lhes interessa.

Há estudos a respeito da eficácia desse procedimento — estudos críticos, claro! Os que têm compromisso com a verdade usam esse saber para tentar desvendar as farsas oficiais. Os que não têm o fazem para construir farsas oficiais. Ademais, não lhes digo nenhuma novidade. A máxima atribuída a Goebbels, o ministro da propaganda do nazismo, fala por si: uma mentira repetida muitas vezes vira verdade.

Então não tem sido assim?
Pensem bem: então não tem sido mesmo assim? Não tem sido essa a lógica de comunicação do governo Lula nesses quase oito anos? O expediente empregado para tentar destruir os adversários, convertidos em inimigos, é o mesmo que serve à glorificação de seus feitos. Mente-se de forma organizada, determinada, obsessiva, sobre o passado. Mente-se de modo não menos organizado, determinado e obsessivo sobre o presente. Mentiras já começam a ser construídas, diga-se, com vistas ao futuro.

Todos vimos o desempenho da presidenciável Dilma Rousseff no Jornal da Globo:
- inventou que Lula colaborou para libertar presos políticos cubanos  — falso: o Babalorixá colaborou para que ficassem presos, comparando-os a bandidos;
- inventou que o governo e o PT sempre consideraram as Farc ligadas ao crime — falso: o PT manteve relações com as Farc; ela mesma empregou a mulher de um narcoterrorista;
- inventou que o Brasil ficou 25 anos sem investir, antes do governo Lula — falso: FHC investiu uma porcentagem maior sobre o PIB do que Lula.

É tal o descompromisso com a verdade que se pode mentir até sobe temas aparentemente irrelevantes. Dilma montou uma loja de porcariada importada em fevereiro de 1995 e fechou as portas em setembro do ano seguinte: incompetência como comerciante. Só isso. Segundo ela, quebrou por causa da desvalorização cambial. Que desvalorização? Durante um bom tempo, o real esteva mais forte do que o dólar, um paraíso para importadores. Quando ela fechou seu empreendimento de vender cacarecos do Panamá, a proporção era 1 por 1—- um dólar igual a um real —, e não três por um, como ela disse. Nesse caso, acho que  a ignorância colaborou com a mentira.

Foi mentindo de modo compulsivo que o governo Lula conseguiu criar uma herança maldita que nunca existiu — incluindo o “descontrole da inflação”, estupidez que buscava expropriar FHC e o governo anterior de seu principal ativo, aquilo que realmente alterou a estrutura da economia brasileira e a tirou da rota da estagflação — estagnação com inflação: o Plano Real. Lula bateu a carteira dos programas sociais do governo FHC, reuniu-os num só e lhes deu novo nome. E proclamou: nunca antes nestepaiz…

Lula foi beneficiado pela quase triplicação do preço de commodities brasileiras, origem das reservas que se acumularam — e transformou esse evento num fantástico aumento de exportações, que também não aconteceu. Lula anunciou uma revolução nas universidades federais, que nunca houve. E usou a máquina oficial, de modo sistemático, durante oito anos — com o apoio de sindicatos e dos movimentos sociais —, para destruir o legado alheio. Um império da mentira! É claro que contou com a ajuda de setores da imprensa. Elio Gaspari, por exemplo, foi um dos que ajudaram a fazer a sua fama entre setores pensantes — ou que pensam que pensam. Este gigante foi o primeiro a proclamar, por exemplo, a superioridade do “modelo Dilma” de concessão de estradas: é aquele que mata cobrando pedágio barato. Mas isso fica para texto específico — sobre Gaspari, não sobre estradas.

Então é tudo mentira? Ou: método!
Então é tudo mentira no governo Lula, e a população é imbecil e endossa um governo ruim? É claro que não! Quem deve pensar isso a respeito da população de São Paulo são os petistas. Eu, por exemplo, nunca escrevi algo assim. O que não aceito é que se recorra à mentira para destruir feitos alheios e inflar os próprios. Não acredito nesse tipo de política. Não acredito no “quanto pior, melhor”, opção que o PT ainda faz em São Paulo, por exemplo, onde nega — e combate — conquistas óbvias na educação, na saúde, na segurança, na infra-estrutura. Em entrevista ao Estadão, Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo do Estado, afirmou que São Paulo cresce menos do que o Brasil. É mentira! Cresce mais desde 2004.

O que estou lhes dizendo é que a mentira é usada como método, o que caracteriza um descarado cinismo. E a prática, o que é espantoso, passou a ser encarada como coisa corriqueira, normal, própria da política, por amplos setores da imprensa. Volto ao caso Verônica Serra. Vejam a hora em que foram publicados textos no chamado jornalismo Online. Só no fim da tarde se admitiu o óbvio: tudo não passava de uma trapaça. Durante horas, a mentira espalhada pela Receita ficou no ar, exposta a milhares de leitores — muitos deles se deram por satisfeitos com ela. E governo, Receita e petistas colheram, então, os frutos da mentira.

O que leva um órgão oficial a tornar público um documento que já se sabia falso (ver post sobre reportagem do Estadão)? O que leva o líder do governo no Senado, como fez Romero Jucá (PMDB-RR), a anunciar que seria apresentada a “prova” de que a própria Verônica havia pedido a quebra do sigilo? Convicção de que falavam a verdade? Ah, não! Jucá pode não ser, assim, um bom guia de educação moral e cívica, mas besta ele não é, muito pelo contrário. Ou não teria chegado tão longe — e ele sempre chega longe demais pouco importa quem esteja no governo. A seu modo, é um homem esperto.|

Não! Este não é apenas um governo viciado na mentira, que a exerce de modo compulsivo. Também é. Este é um governo que faz da mentira um método: mente-se sobre o passado, mente-se sobre o presente, mente-se  sobre o futuro, mente-se sobre a biografia de seus heróis, mente-se até para contar a história da falência de uma lojinha de cacarecos de Dilma Rousseff, candidata a governar os cacarecos morais do Brasil.

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 5:55

Melhor não cantar o Hino Nacional, querida!

Outro dia circulou um áudio no Youtube — e eu não escreveria nada a respeito se ela própria não tivesse explicado o que aconteceu — em que a comentarista Lúcia Hipólito, da CBN, desandava a dizer coisas sem sentido sobre o “Programa Nacional-Socialista dos Direitos Humanos”. Parecia a Vanusa cantando o Hino Nacional. As duas deram a mesma explicação: tomaram “remédios muito fortes” e ficaram meio trelelés. Acontece.

Não tratei do assunto aqui nem publiquei o áudio porque, de vez em quando, eu também consumo “remédios muito fortes”. Compreensível. Só que tomo o cuidado de não cantar o hino, não escrever nem opinar sobre política. Minha mulher diz que sempre quero dançar, mas ela me demove da idéia (quase sempre).

Lúcia comentou ontem, na CBN, a violação do sigilo fiscal de Verônica Serra.

Na primeira parte do seu comentário, afirmou que a Receita parecia a casa-da-mãe-joana e coisa e tal. Enquanto ouvia, perguntava-me: “Estarei percebendo certo esforço para, ainda que com aparência crítica, endossar a versão de Otacílio, o Cartaxo do PT, segundo a qual tudo não passa, assim, de lambança, desorganização, bagunça, mas sem conotação política?” Deixei a suspeita de lado: “Pô, Reinaldo, seja um homem bom! Ouça até o fim”. Ouvi.

A partir, no entanto, de 1min31s, as coisas se complicaram. Eu transcrevo aqui em vermelho a sua fala, com intervenções minhas em azul:

“O outro aspecto que tem de ser visto nessa história, Nonato, é que, é, é…, a gente não sabe o que dizer a esse respeito”.
Bem, quando a gente não sabe o que dizer, o melhor mesmo é ficar de boca fechada. É o que ela deveria ter feito. Sigamos.

Se for verdade, se for verdade, que isso seria uma reedição do caso dos aloprados, isto é uma maluquice, Nonato! Não é possível que imaginaram que fossem fazer tudo outra vez. É de uma incompetência assombrosa.
Se você ouvir o áudio, vai perceber que aquele segundo “se for verdade” é dito de forma cantada, evidenciando que a comentarista está muuuito desconfiada. O raciocínio já começa a caminhar por aquelas larguezas da irracionalidade. Na opinião de Lúcia, “não é possível” porque seria “muita incompetência”. Isso não é um raciocínio lógico, isso não é um raciocínio ilógico, isso não é um raciocínio dialético, isso não é um raciocínio linear. Isso não é um raciocínio.

Há um contador que já apareceu, chamado Antônio Carlos de Tal, que já declarou ao jornal O Globo que sim, que foi ele que falsificou a procuração, que foi ele que violou o sigilo fiscal da filha de José Serra a pedido de não sei quem… É de uma incompetência que faz até a gente desconfiar de que não seja verdade. Eu acho que é preciso ir com muito cuidado neste caso, ir com muita seriedade, porque é tão incompetente, mas tão incompetente, que fica até parecendo uma armação, sabe, Nonato? Fica parecendo uma coisa armada sei lá por quem para tumultuar esse processo no final da corrida eleitoral…
Vamos por partes. A desinformação de Lúcia Hipólito é constrangedora:
1 - Antônio Carlos de Tal não confessou a falsificação; disse que atendia a um cliente;
2 - como a suspeita recai sobre o PT, Lúcia desconfia que tenha havido uma violação porque a operação foi “muito incompetente”. Isso nos leva, logicamente, à constatação de que ela acredita que o PT só faz coisas competentes — inclusive as safadezas. Por competentes, então não seriam descobertas. Logo, ninguém nunca flagraria uma sacanagem feita pelo partido, que passaria incólume por qualquer investigação — não porque santo, mas porque “competente”;
3
- quando Lúcia faz essa maravilha de comentário, o cartório já havia informado que Verônica não tinha firma lá, que o reconhecimento era falso, que a assinatura era falsa;
4 - ao afirmar que fica “parecendo uma armação”, ela sugere, evidentemente, que seria uma “armação tucana”, repetindo a tese petista que tenta transformar a vítima em ré;
5 - a violação aconteceu em setembro do ano passado; vai ver os tucanos já estavam planejando tudo com antecedência para poder culpar agora o PT;
6 - Lúcia ignora que, comprovadamente, o sigilo de Eduardo Jorge estava com petistas e que dados da declaração de Verônica circulavam já em blogs petistas e no texto de um ex-jornalista que participava da turma de Luiz Lanzetta;
7 - segundo a tese desta pensadora, porque há uma corrida eleitoral, então o fato deixa de ser um fato para ser uma armação. Mais um pouco.

… porque é amador demais! E quando é, sabe?, amador demais, todo mundo começa a desconfiar, porque é muito incompetente, é muito incompetente demais (sic). Eu acho que a gente precisa ir com calma, não pode tirar conclusões apressadas, é preciso investigar e saber o que é que tá acontecendo e o que foi que realmente aconteceu nessa história, Nonato…
É
evidente que esta senhora está flertando com a acusação petista de que tudonão passaria de uma conspiração tucana!!! O trecho acima ilustra o que é a banalidade, a tolice, o nada, mas com entonação convicta. Destaco o “muito incompetente demais”. O único a quem a língua deu licença para coisas assim foi Tom Jobim: “Meu amor por você é enorme demais…”.

Lúcia é que não sabia o que estava acontecendo. Quando ela fazia essa magnífica intervenção, já estava claro também que a Receita havia armado uma versão, que se desmoralizou. Notem que ela não diz um “a” sobre o fato de um órgão do governo ter posto para circular uma procuração com claros sinais de fraude. Aliás, já sabia tratar-se de uma fraude. Invadiram o sigilo de um grupo de tucanos e da filha do candidato do PSDB. As informações circulavam nos subterrâneos da campanha de Dilma. Mas Lúcia Hipólito está “muuuuito” desconfiada.

Não dá! O que aconteceu é grave demais para que mereça esse tratamento ligeiro, beirando a irresponsabilidade. É a Constituição que está sendo agredida. Não se trata de uma pequena bagunça no almoxarifado. Não é aceitável que se lancem especulações como essas, contra os fatos.

Há coisas que são o retrato de um tempo. Vocês acabam de ouvir o “som” de um tempo. Não vou perguntar se Lúcia Hipólito havia tomado de novo aquele remédio. De todo modo, eu lhe recomendo que não cante o Hino Nacional. Vanusa até pode ser a Lúcia Hipólito do iê-iê-iê, mas convém que Lúcia não seja a Vanusa da análise política.

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 5:51

Receita já tinha indícios de falsidade de procuração e, mesmo assim, tornou-a pública para tentar embolar o caso

Leiam trechos da reportagem de Leandro Colon, no Estadão:
O comando da Receita Federal suspeitou de fraude na violação do sigilo fiscal da filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, mas mesmo assim montou uma operação para abafar o escândalo e evitar impacto político na campanha de Dilma Rousseff (PT). Em meio ao discurso oficial de que não havia irregularidade, o governo já sabia que a procuração usada para violar os dados de Verônica Serra poderia ser falsa.

Os novos documentos da investigação, a que o Estado teve acesso ontem, também provam que a Receita sabia desde o dia 20 de agosto que o sigilo fiscal de Verônica havia sido violado em setembro do ano passado.

A prova da suspeita da Receita está em um documento que mostra que, na tarde de terça-feira, a comissão de inquérito decidiu encaminhar o caso ao Ministério Público Federal. Ou seja, antes de a filha de Serra e o cartório afirmarem que o documento era falso, o que desmente o discurso e a entrevista dada ao Estado pelo secretário-geral da Receita, Otacílio Cartaxo.

Num documento obtido pelo Estado, com data de terça-feira, a comissão de investigação levanta suspeitas sobre Antônio Carlos Atella Ferreira, autor da procuração utilizada para retirar os dados fiscais de Verônica Serra em uma agência da Receita em Santo André. No ofício, Ferreira é tratado como pessoa “supostamente” autorizada a retirar os documentos da filha de Serra. A comissão levantou informações sobre ele e cita que tem quatro CPFs em “diversos municípios”. Diante da suspeita, a comissão pede que a procuração seja enviada à Procuradoria da República para “confirmação de autenticidade”. O documento da comissão, tratado como “ata de deliberação”, registra o horário das 17h de terça. A Receita descobriu pouco antes, às 13h42, que Ferreira era dono de quatro CPFs.

Na noite daquele mesmo dia, quando o portal estadão.com.br revelou, com exclusividade, o episódio, o Ministério da Fazenda e a Receita procuraram a imprensa, inclusive o Estado, para informar que não havia irregularidade e os dados de Verônica foram consultados mediante requisição autorizada e assinada por ela. O discurso foi compartilhado pelo primeiro escalão do governo durante toda a manhã de ontem, incluindo o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o líder no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

“A Receita vai comprovar que a filha de Serra pediu o acesso aos dados”, anunciou Jucá na Comissão de Constituição e Justiça, falando como porta-voz do Planalto. “A Receita é confiável e toda a curiosidade será explicada”, disse o próprio presidente Lula, com base em informações da Receita que garantiam a autenticidade da procuração. Mantega também chegou à Fazenda dizendo que “tudo seria esclarecido”.

Comissão.
Os documentos obtidos pelo Estado mostram ainda que, além de já suspeitar da violação do sigilo, a Receita descobrira havia pelo menos 10 dias que os dados fiscais da filha de Serra haviam sido invadidos ilegalmente. Mais exatamente às 17h59 do dia 20 de agosto, quando Eduardo Nogueira Dias, membro da comissão de investigação, consultou o histórico dos acessos aos dados de Verônica. Naquele dia, ele descobriu que as declarações de renda dela foram acessadas às 16h59 de 30 de setembro de 2009 por meio da senha da servidora Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, lotada em Santo André.

Ou seja, quando deram uma entrevista coletiva, convocada às pressas na sexta-feira passada, Cartaxo e o corregedor-geral, Antônio Carlos da Costa D” Avila, já tinham conhecimento do acesso aos dados fiscais de Verônica. Na sexta, Cartaxo e D” Avila anunciaram uma versão que até agora não se sustenta nos autos da investigação. Afirmaram que a Receita descobriu a existência de um esquema de venda de dados fiscais mediante “encomenda” e “pagamento de propina”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 5:49

Mônica Serra em entrevista exemplar: “É isso que fazem as ditaduras; já vi meu filho de 9 meses com um cano de arma na cabeça”

Por Catia Seabra, na Folha:

Mulher do tucano José Serra, a psicóloga Monica Serra duvida da inocência da petista Dilma Rousseff na violação do sigilo de sua filha, Veronica. Monica diz que não se conformará com a responsabilização de servidores.

Folha - Como reage à quebra do sigilo de Veronica?
Monica Serra -
Coisa de quem não tem família, um atentado à democracia que tanto custou aos brasileiros. Temos uma vida limpa, valores, princípios. E o governo deixa as portas abertas para essa quadrilha banalizando tudo. Todos têm que se sentir ameaçados. Já sofremos com duas ditaduras. [No Chile], vi meu filho, de nove meses, com um cano de arma na cabeça. É isso que fazem as ditaduras. Ameaçam os filhos. O que estão fazendo com a Veronica é para atingir o Zé, me atingir. Peço que deixem minha família em paz. (…) Isso é um crime. Não vou me conformar em dizer que é uma simples funcionária, coitada. Quem é o mandante?

E o argumento de que há um balcão de compra?
Desculpas estapafúrdias. Você acha que o povo é ingênuo? Estão tratando todo mundo como bobo.

Como havia notícias, nunca suspeitaram de violação?
Quando tem campanha, fazem esse tipo de coisa. Nunca tinha chegado tão longe. Havia ameaças, ouvir dizer. Mas eu não tinha visto.

Sente-se ameaçada?
Eu e o Brasil. As instituições não estão funcionando e querem culpar uma funcionária. Não levam em conta que está acontecendo só com pessoas ligadas ao PSDB. Querem que a gente acredite e dê atestado de quê? Quero respeito com minha família. Não admito uma coisa dessas. Já que as instituições não estão funcionando, vamos admitir que estamos numa ditadura disfarçada.

Acha que a Dilma sabe?
Você espera que se diga “eu não sabia de nada” mais uma vez? Tem que respeitar um pouco os neurônios que as pessoas têm.

Veronica está chateada?
Ela acha isso um absurdo. É vítima de um crime cometido pelo Estado. O Estado tem a posse dos dados dos cidadãos para mantê-los sob sigilo. Não vamos aceitar que banalizem a questão botando a culpa em duas ou três pessoas. Quero ir até o fim. Quero saber quem é o mandante. Isso é o que importa.

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 5:47

Descalabro

Leia editorial da Folha:
A empresária Veronica Serra, filha do candidato tucano à Presidência da República, José Serra, também teve seu sigilo fiscal violado por funcionários da Receita. O caso se soma a outros, noticiados recentemente, no que já se configura como mais um escândalo nacional. O novo capítulo reforça a percepção de que as ações criminosas no âmbito do órgão federal têm motivações políticas.

É bom recapitular a sucessão dos fatos para que se tenha noção mais clara do banditismo em curso: em junho, esta Folha revelou que Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, teve seu sigilo fiscal violado no ano passado. Dados do Imposto de Renda do dirigente tucano integravam um dossiê confeccionado pelo grupo de inteligência da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT), que negou participação no episódio.

Há uma semana, descobriu-se que outros três nomes ligados ao PSDB também haviam sido vítimas de idêntico abuso, na mesma agência da Receita, localizada em Mauá, na região do ABC paulista, berço do PT e reduto histórico do sindicalismo atrelado ao partido.

Tudo leva a supor que a violência perpetrada contra a filha de Serra faça parte de uma mesma articulação delinquente a serviço da candidatura petista.

No que se refere a Veronica Serra, há algumas diferenças de procedimento em relação às demais violações. O acesso aos dados fiscais ocorreu na delegacia da Receita de Santo André, também no ABC, mediante uma procuração fajuta. A filha de Serra não tinha firma reconhecida no cartório, a assinatura que consta no documento não é a sua, e o carimbo utilizado é falso. Além disso, o titular da procuração utilizava cinco CPFs e ostenta vasto histórico de cheques sem fundo -um perfil típico do estelionatário.

Sabe-se já da existência de um esquema criminoso de compra e venda de dados sigilosos envolvendo a agência de Mauá. Ali teriam acontecido pelo menos 320 acessos sem amparo legal.

Estarrecedor, o descalabro está sendo usado como cortina de fumaça pelo governo para tentar despolitizar o escândalo. Se há crime comum, há também crime político-eleitoral, cuja intenção é intimidar e chantagear adversários do grupo hoje no poder.

Não bastassem as evidências (há petistas entre as vítimas?), é preciso registrar que o atual governo tem caudaloso histórico de aparelhamento do Estado -do mensalão à quebra de sigilo do caseiro, dos aloprados de 2006 aos delinquentes de agora.

Instalou-se no país um ambiente intolerável de impunidade e desfaçatez. Espera-se que a Polícia Federal e o Ministério Público ainda reúnam condições de desmascarar a farsa de uma investigação propensa a apontar a responsabilidade de barnabés e ocultar as motivações políticas que, conforme todos os indícios, estão por trás do caso.

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 5:45

Ilusionismo nas contas públicas

Leia editorial do Estadão de hoje:

Com os gastos em alta, meta fiscal em perigo, compromissos pesados para os próximos anos e às vésperas da complexa capitalização da Petrobrás, o governo decidiu apelar para a criatividade contábil e para o método Chacrinha - “eu vim para confundir, não vim para explicar”. A estratégia inclui um emaranhado de transações entre o Tesouro Nacional, o Fundo Soberano do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Caixa Econômica Federal, a Petrobrás e a Eletrobrás. Quem suceder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá muito trabalho para avaliar os efeitos fiscais dessas manobras. O esforço resultará, quase certamente, em revelações nada agradáveis.

A última manobra foi a edição da Medida Provisória (MP) 500, para autorizar a União a ceder ao Fundo Soberano, ao BNDES e a outros entes federais seu direito de preferência na compra de novas ações da Petrobrás, mantida a maioria exigida por lei. O objetivo é evidente, embora o nome da empresa não seja mencionado. O Fundo, hoje com aproximadamente R$ 15 bilhões, poderá participar da capitalização da petrolífera, assim como o BNDES e outros bancos sob controle da União.

A nova medida repete os pontos essenciais da MP 487 - editada em abril e com validade até 5 de setembro - e explicita a possibilidade de compra de ações de empresas de economia mista pelo Fundo Soberano. Essa MP havia autorizado o Tesouro a fornecer recursos a uma estatal por meio do repasse de ações de outras empresas públicas ou de economia mista.

A MP 500 abre amplas possibilidades de intervenção do governo, por meio do Fundo Soberano ou de outros entes, em operações de capitalização. Tudo será possível, admitiu à reportagem do Estado um funcionário do Ministério da Fazenda. A capitalização da Eletrobrás, prevista para breve, e a de bancos estatais ficarão legalmente mais fáceis.

O objetivo imediato é abrir espaço para participação na compra das novas ações da Petrobrás. A União foi inicialmente autorizada a contribuir para o aumento de capital por meio da cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal. Mas uma participação maior poderá ser necessária, se o preço desses barris for fixado em nível muito alto e os acionistas minoritários absorverem um número insuficiente de ações. A MP facilita ao governo uma intervenção maior que a cessão dos 5 bilhões de barris. Além do mais, o presidente Lula já havia mostrado interesse em aumentar a parte da União no capital da Petrobrás.

Também o Decreto 7.279, publicado em 31 de agosto, contribui para o emaranhado de transações entre o Tesouro e entidades estatais. Esse decreto autorizou a União a transferir ao BNDES créditos no valor de R$ 1,4 bilhão. Esses créditos são relativos a “participações societárias no capital das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. - Eletrobrás”. Essa é uma cessão onerosa e a contrapartida é o pagamento ao Tesouro, pelo BNDES, do valor correspondente aos direitos transferidos. Esse pagamento entra no caixa do Tesouro como receita e reforça as contas federais, facilitando o cumprimento da meta fiscal ameaçada pelo excesso de gastos públicos. Com o mesmo objetivo, a Caixa Econômica Federal antecipou em agosto a entrega de R$ 958,5 milhões ao Tesouro. Em condições normais, a transferência desse dinheiro só ocorreria mais tarde, no momento de pagar dividendos. No fim de 2009, o BNDES já havia reforçado as contas do governo com a compra de R$ 3,5 bilhões correspondentes a dividendos esperados da Eletrobrás.

Há poucos dias o governo anunciou a transferência de ações da Petrobrás para capitalização do BNDES e da Caixa - manobra concebida para permitir a transferência de recursos sem endividamento do Tesouro. As duas entidades precisam da capitalização para participar dos enormes compromissos assumidos pelo governo - incluída a própria capitalização da Petrobrás.

Com essas manobras, as contas públicas tornam-se cada vez menos claras. O governo quer atender a muitos objetivos ao mesmo tempo - incluídos, é claro, os objetivos partidários e eleitorais - e não tem a mínima disposição de bem administrar suas contas. Ao contrário: torná-las cada vez mais obscuras é um requisito de sua política.

Por Reinaldo Azevedo
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02/09/2010

às 1:00

Serra faz um duro discurso: “Francenildo somos todos nós”. Ou: “Não preciso de marqueteiro que mude a minha cara, o meu pensamento, a minha trajetória de vida”

O tucano José Serra discursou há pouco num encontro de prefeitos em São Paulo que apóiam a sua candidatura à Presidência e a de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo de São Paulo. Foi uma fala bastante clara em defesa da democracia. O presidenciável procurou marcar as suas diferenças com a adversária Dilma Rousseff.

Imprensa
Serra exaltou a liberdade de expressão e afirmou:
“Dia sim, outro também, alguém deste governo fala em controlar a imprensa. O partido do governo sonha com o dia em que vai poder censurar a imprensa. A expressão, bonita, é ‘controle social’, como se a palavra ’social’ pudesse legitimar o conteúdo horroroso. maquiar as más intenções. Em palavras diretas, querem estabelecer comitês partidários para decidir o que os jornais e as revistas poderão ou não publicar, as rádios, TVs e a internet poderão ou não veicular. Querem sufocar economicamente quem ousa discordar.”

Somos todos Francenildos
O presidenciável tucano fez referência ao aparelhamento de Estado e à violação do sigilo fiscal de tucanos e de sua própria filha, Verônica. Lembrou uma personagem tristemente célebre da penúria em que se encontra o estado de direito: o caseiro Francenildo, que teve quebrado o seu sigilo bancário:
“Os brasileiros e brasileiras precisam ser livres para não temer que o Estado, financiado com o dinheiro de todos nós, seja ocupado por uma máquina partidária que ameaça e persegue as pessoas, que viola nossos direitos fundamentais. Como, por exemplo, o direito ao sigilo bancário e fiscal. As notícias estão aí: o segredo fiscal de pessoas que o governo identifica como adversárias foi quebrado por gente na Receita Federal evidentemente a serviço de uma operação político-partidária.

Quando se viola o sigilo bancário de um caseiro, viola-se a Constituição. Quando se viola o sigilo fiscal de representantes da oposição, viola-se a Constituição. Quando se viola o sigilo telefônico e de correspondência de adversários, viola-se a Constituição. Não perguntem jamais quem é Francenildo Pereira. Francenildo são vocês. Francenildo somos nós. Não passo a mão na cabeça de malfeitores. Exijo é que se respeitem os Francenildos e as Marias, os Josés e as Anas.”

“Vamos derrotá-los”
Serra criticou o comportamento dos petistas no episódio da quebra de sigilos da Receita. Não se deram ao trabalho, afirmou, nem mesmo de “fingir ou simular indignação”:
“Dão de ombros, emitem notas protocolares, ameaçam até processar as vítimas” E acrescentou: “Mas o Brasil é maior do que eles. Com muito trabalho, luta e fé, vamos derrotá-los.”

Obras paradas e propaganda
O tucano atacou os impostos e os juros altos e a ineficiência do governo:
“Na economia, somos o país campeão dos altos impostos, campeão dos juros, campeão do atraso na infraestrutura. Você vê o horário eleitoral deles, você vê a propaganda do governo, paga com o dinheiro do povo, e parece que todos os problemas do Brasil foram resolvidos. Obras que não existem, que andam mais devagar que tartaruga, são divulgadas dia e noite como se já estivessem prontas. Eles seguem a receita repugnante, repudiada pela História, de que a mentira repetida mil vezes se transforma em verdade. Só que eles não sabem que a receita está errada. O povo não é bobo.”

“Falta de caráter”
O candidato do PSDB reconheceu que há avanços no Brasil, mas acusou o PT de tentar destruir a obra dos que o antecederam e apontou a “mais escancarada exibição de falta de caráter de que se tem notícia”:
“Claro que há avanços, pois este governo teve a felicidade de colher o que os outros plantaram. Talvez estejamos assistindo à mais escancarada exibição de falta de caráter de que se tem notícia na história da política brasileira. A ingratidão é um defeito de caráter, a ingratidão é a cicatriz que revela uma alma complicada. O que é o PT? Um partido que tenta destruir os que o antecederam no governo, enquanto governa sobre as bases construídas com muito esforço e suor por quem veio antes. Governa e estraga essas bases.”

Problemas e competência
Serra lembrou que o Brasil ainda tem grandes problemas: “metade dos  adolescentes fora das escolas, a necessidade de uma completa reforma do sistema de saúde, organizar o combate ao crime e às drogas, a construção e recuperação da infraestrutura, o déficit habitacional que chega a milhões de moradias”. E incitou a que se faça a comparação para saber quem reúne as melhores condições de manter a estabilidade da economia para poder resolvê-los:
“‘Quem tem mais condições de manter a estabilidade?’ Nesse terreno, um passo em falso que seja pode trazer prejuízos irremediáveis para os brasileiros. Quem tem mais condições de brigar lá fora para defender a economia do Brasil? Quem tem mais condições de defender os ganhos da estabilidade que chegaram ao bolso dos brasileiros na forma de salário, crédito e benefícios? Somos nós! É de nós que o Brasil Novo precisa.”

Nada a esconder
Cutucando a um só tempo Dilma e Lula,  afirmou que não tem nada a esconder de seu passado e que não é candidato a “dono do Brasil”. E mandou ver:
- Não tenho nada a esconder do meu passado;
- não preciso que reescrevam a minha vida excluindo passagens nada abonadoras;
- não preciso que tentem me vender, como se eu fosse um sabonete;
- Não preciso de marqueteiro que mude a minha cara, o meu pensamento, a minha trajetória de vida. Ninguém precisa dizer à população quem sou eu. Inventar coisas que não fiz e esconder coisas que fiz. É a minha vida pública que diz quem sou. Posso fazer cara feia às vezes. Mas é uma cara só. Não digo uma coisa hoje para desdizer amanhã. E ninguém me diz o que tenho de falar ou não. Respondo pelas minhas palavras e pelas minhas escolhas. Não fui inventado por ninguém! Foi a luta democrática que me fez. Foram as minhas escolhas de vida que me trouxeram até aqui.

O presidenciável encerrou o discurso expressando convicção na vitória. Afirmou saber que a luta é difícil e concluiu a fala com trecho de um texto que todo brasileiro conhece: “Verás que um filho teu não foge à luta”.

Íntegra do discurso aqui

Por Reinaldo Azevedo
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01/09/2010

às 22:11

Lula tenta transformar crime político em “falsidade ideológica”

Lula comentou, claro, os descalabros cometidos pela Receita Federal. Vamos ler?

“Eu não tenho por que duvidar da palavra da Receita, que diz que teve um pedido e também não tenho por que duvidar da filha do ex-governador Serra, que disse que [a assinatura da procuração] foi falsificada. Então, cabe agora provar quem falsificou e se é falsificada e prender o falsificador porque ele cometeu um crime grave no Brasil: falsidade ideológica”.

Parece fala de improviso? Não é!
- Lula já sabia que se tratava de uma falsificação grosseira.  ISSO FICARÁ PROVADO!
- Prender o falsificador é, sem dúvida, necessário. Crime de “falsidade ideológica”? Ah, pode ser também. Ocorre que o crime é, antes de tudo, político.

Lula falou mais coisa. Vamos lá, quase frase a frase:

A Receita é uma instituição de muita credibilidade. Não vamos dizer que a Receita perdeu a credibilidade antes de a gente saber o que aconteceu.
Agora a gente já sabe, com a comprovação da fraude. Acabou a credibilidade da Receita?

É importante a gente não precipitar a desconsideração a uma instituição que tem se pautado pela seriedade, pelo sigilo, como se fosse guardiã de todos nós.
Lula é um humorista. Como a gente percebe, os sigilos nunca estiveram tão bem-guardados… Como a Receita nega o crime político, então qualquer estelionatário poderia conseguir o que quiser…

Vamos saber o que está acontecendo porque não falta gente para tentar causar problema em época eleitoral.
Nem diga! Os aloprados do PT podem falar mais do que quaisquer outras pessoas. A turma do Lanzetta também. A turma que pegou o sigilo de Eduardo Jorge também. Em época eleitoral, todo mundo sabe como é…

Vamos aguardar. Eu confio, confio muito na PF, na Receita, confio muito na seriedade da Receita e da Polícia Federal.
Quando Lula confia, vocês podem ter a certeza de que ele tem motivos para isso.

Se tiver alguém que praticou um dano, uma falsificação, isso pode ficar certo que virá a público.
Ô, vejam o caso dos aloprados! Alguém preso? Não! Sabe-se a origem do dinheiro? Não! O assessor de Mercadante que carregava a mala preta voltou ao PT. Lula sabe em que e por que “confia”.

Por Reinaldo Azevedo
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01/09/2010

às 20:54

Eu ilumino o juízo de Dilma e a ajudo a entender o que ela não entende

Havia uma secretária numa escola em que dei aula que tinha um bordão que empregava sempre de modo muito engraçado. Se alguém lhe dizia algum absurdo ou fazia alguma solicitação imprópria ou contrária à rotina interna da escola, dizia: “Mas é um(a) fofo(a) mesmo!”

É o que tenho vontade de dizer para Dilma: “Mas é uma fofa mesmo!”

Comentando a violação do sigilo de Verônica Serra e a reação do presidenciável tucano, afirmou:
“Não entendo as razões que levam o candidato da oposição a levar uma acusação tão leviana. Quero repudiar essa prática de levantar acusações e de usar a calúnia ou a leviandade para qualquer vantagem eleitoral.”

Mas é uma fofa mesmo!

Ela não entende isso também! Como tenho feito nos últimos tempos, colaboro para tirá-la das trevas da ignorância. Eu explico:

1 - jornalistas encontram a declaração de renda de Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, com petistas que fazem a sua campanha eleitoral;
2 - dados da vida fiscal de Verônica Serra e dos tucanos que tiveram o sigilo quebrado estão num suposto livro escrito por um ex-jornalista que trabalhava para a turma de Luiz Lanzetta, que se reuniu com arapongas para fazer um dossiê contra Serra.

Dilma acrescenta que o sigilo foi quebrado em setembro de 2009, quando a minha [sua] pré-candidatura nem existia.”

Fato
A pré-candidatura de Dilma, de fato, existe desde 2007. Se estava ou não formalizada, é irrelevante. Mas isso é o de menos: os itens 1 e 2 apontados acima servem para iluminar o juízo de Dilma.

Por Reinaldo Azevedo
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01/09/2010

às 19:53

Coligação recorre ao TSE e acusa Dilma de abuso de poder político e uso da máquina

Leiam o que vai no Estadão Online. Volto em seguida:

Por Carol Pires, no Estadão Online:
Ao entender que a campanha de Dilma Rousseff pode estar por trás da quebra de sigilo fiscal de cinco pessoas ligadas ao presidenciável José Serra, entre elas da filha dele, Verônica Serra, a coligação “O Brasil Pode Mais” entrou com ação, nesta quarta-feira, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando a petista de uso da máquina pública e abuso de poder político.

A coligação de Serra pede a investigação do caso e a punição dos culpados com base na lei complementar 64 de 1990, que trata dos casos de inelegibilidade. Desta forma, se as acusações forem confirmadas pela investigação da Justiça Eleitoral, Dilma poderia perder o registro de candidatura e - caso seja eleita - ter o mandato de presidente cassado.

A campanha tucana também pede ao TSE investigação contra o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, candidato ao Senado pelo PT, contra os jornalistas Amaury Junior e Luiz Lanzeta, e ainda contra o secretário-geral da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, e o corregedor-geral do órgão, Antônio Carlos Costa D’Avila.

Na representação foram anexadas reportagens que revelaram a existência de um grupo de inteligência montado pela campanha de Dilma para fabricar dossiês contra adversários políticos. Fernando Pimentel seria o responsável pela contratação do grupo, do qual faziam parte Amaury e Lanzeta. A coligação acusa ainda o secretário e o corregedor da Receita de não darem transparência necessária às investigações sobre a quebra de sigilo dos tucanos.

Para a campanha tucana, a violação dos sigilos fiscais de Verônica Serra, filha do presidenciável tucano, além de outros quatro tucanos ligados ao alto escalão do partido, o PT se valeu de informações sigilosas da Receita Federal para atingir interesses políticos.

“A filha de Serra não teria o seu sigilo violado não fosse ele candidato a presidência da República. As pessoas ligadas ao PSDB vinculadas à campanha Serra não teriam seus sigilos quebrados. Aliás, dessa espionagem se deu para abastecer uma central de dossiês, recentemente desmontada, com o objetivo de intimidar os adversários”, disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que acompanhou os advogados da coligação na entrega da representação ao TSE. Na avaliação do senador, a Receita Federal foi aparelhada para fins eleitorais.

Críticas
Senadores da oposição aproveitaram o funcionamento do Congresso, nesta quarta-feira, que trabalha essa semana em esforço concentrado, para condenar o episódio. Vice-presidente do PSDB, a senadora Marisa Serrano (MS) disse não ter dúvidas de que a quebra dos sigilos são “uma ação político-eleitoral”. “Ficou claro que há coisas estranhas acontecendo no submundo do governo”, disse. “Fica a impressão de que o PT estava preparando dossiê para intimidar e chantagear pessoas que não estão de acordo com o seu processo político”.

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) comparou o caso com a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira, que culminou com a demissão do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci: “Até há pouco tempo o cidadão tinha muita confiança nos bancos e na Receita Federal. Com esses episódios recentes, ambos não podem ser mais confiáveis no País”.

Vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias criticou o uso da máquina pública no caso. “Os criminosos estão usando a máquina pública para atingir adversários. É uma ignomínia inominável avançar sobre a filha do candidato da oposição”, afirmou.

Violações
Além da violação dos dados fiscais de Verônica Serra numa agência em Santo André, datado de 30 de setembro do ano passado, também foram descobertos acessos ilegais às declarações de Imposto de Renda de quatro pessoas: do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge; do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros; do empresário Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de Serra; e de Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil no governo Fernando Henrique Cardoso.

Sem citar nomes nem maiores detalhes sobre a investigação, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, também admitiu na tarde desta quarta-feira, que a Polícia Federal inclui, entra as várias linhas de apuração sobre as quebras de sigilo, a ocorrência de crime eleitoral.

A Receita Federal também chegou a anunciar a descoberta de indícios de “pagamento de propina” na delegacia de Mauá, onde ocorreram alguns dos acessos às informações sigilosas dos tucanos, mas em relatório entregue ao Ministério Público, esta versão foi excluída. Quatro servidoras estão sendo investigadas por envolvimento no caso.

Comento
Dado o andar da carruagem, é evidente que a coligação não tem esperanças de que a candidata venha a ser condenada por esses crimes — o que levaria  à cassação do registro da candidatura. Se condenada, mesmo que venha a ser eleita, poderia perder o mandato, como já ocorreu com governadores de estado. Mas, como já escrevi aqui, o TSE tem-se mostrado menos valente com o Executivo federal do que com os outros…

A ação vem nos lembrar, o que é bom, que existem leis no país, que existe o estado de direito,  ainda que, momentaneamente (e num momento que já se conta em anos), isso pareça não ser mais tão relevante.

Por Reinaldo Azevedo
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01/09/2010

às 18:17

Fala de líder do governo no Senado evidencia armação oficial para tentar culpar a vítima

A operação para tentar culpar a vítima foi planejada pelo Palácio do Planalto e pela Receita. Às 11h52, publicava a Folha Online:

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a Receita Federal vai divulgar nesta quarta-feira cópia dos documentos que comprovariam que a filha do candidato José Serra (PSDB), Verônica Serra, solicitou à instituição acesso à cópia de seus dados fiscais. Jucá afirmou que a Receita vai apresentar o pedido assinado por Verônica, além da cópia do Darf com o pagamento efetivado pela filha do candidato para ter acesso aos seus dados - para comprovar que não houve ação eleitoral no episódio.

“O governo não bisbilhota ninguém. Temos hoje um fato que está nos jornais que a Receita Federal vai se manifestar daqui a pouco, essa questão da filha do governador Serra. A informação da Receita é que há requerimento da filha do Serra pedindo a quebra do sigilo e Darf do pagamento apresentado para pedir a quebra do sigilo.”

Eis aí: Palácio do Planalto, Receita, líder do governo no Senado… Ontem, foi o chefe de gabinete de Lula quem atuou para plantar a versão de que seria tudo uma tramóia de… Aécio Neves! Mesmo com as evidências da farsa, o próprio Lula ainda sugeria que não se tratava de violação de sigilo.

Com que cara fica Jucá agora? Ora, com cara de Jucá. E só por isso ele é Jucá.

Por Reinaldo Azevedo
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01/09/2010

às 18:04

Perfil de homem que apresentou procuração falsa é adequado ao Primeiro Comando dos Companheiros

Que dias estes! Leiam texto de Leonardo Souza, na Folha Online:

O contador Antonio Carlos Atella Ferreira admitiu, em entrevista concedida há pouco à Folha, que levou à Receita Federal uma solicitação para obter cópias das declarações de Imposto de Renda da filha do candidato a presidente José Serra (PSDB), a empresária Verônica.
Ele disse, contudo, que apenas encaminhou um pedido feito por um advogado cliente seu e que não sabia que o documento tratava da filha de Serra. Atella afirmou também não lembrar qual cliente lhe encaminhou o documento com a solicitação, dizendo apenas que se trata de alguém “inescrupuloso”.

Comento
Pois é…
Vamos ver quem é o “escrupuloso” Atella:
- o homem já teve quatro CPFs cancelados, tirados, respectivamente, em São Sebastião (SP), Santo André (SP), Cornélio Procópio (PR) e Porto Velho (RO);
- o CPF atual é de Mauá - sempre Mauá, onde se quebraram os sigilos dos outros tucanos;
- já foi condenado duas vezes por lesões corporais leves, apropriação indébita e sedução de menor.

Como se nota, tem um perfil adequado para trabalhar para o PCC (Primeiro Comando dos Companheiros), para o CV (Comando dos Vermelhos) e para o CDC (Companheiros dos Companheiros).

Por Reinaldo Azevedo
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01/09/2010

às 17:45

Otacílio Cartaxo cobre a Receita Federal de vergonha e se transforma numa síntese do que o PT faz com o serviço público

Otacílio Cartaxo, secretário da Receita, veio a público para dar esta declaração:
“A mídia já noticia que a senhora Verônica Serra não confirma a assinatura e que o cartório não confirma o reconhecimento da firma. Diante desses fatos, aconteceu a falsificação de documento público federal”.

Só um detalhe: “mídia” uma ova, senhor Otacílio! Quem noticia as coisas é a imprensa. O termo “mídia”, quanto empregado corretamente, é outra coisa. Na boca de petista, quer dizer apenas “inimigo”. Adiante!

Foi a Receita Federal — Otacílio, portanto! — quem tornou pública a falsa procuração antes de ter a certeza mínima de que ela fosse autêntico.

Coube à vítima, Verônica Serra, ter de provar que se tratava de uma falsificação —  de resto, grosseira.

Não é por acaso que Otacílio foi escolhido para substituir Lina Vieira, aquela que foi defenestrada depois de ter assegurado que Dilma Rousseff lhe pedira para aliviar uma investigação contra a Família Sarney.

E pensar que a Receita já foi tida como o órgão mais técnico do governo, infenso a pressões políticas. Mas isso era no tempo em que o guia de Elio Gaspari ainda não tinha dado início à revolução do “andar de baixo”.

E o que dizer dos sites jornalísticos que mantêm no ar a procuração falsa, mas não divulgam a imagem da prova da falcatrua?

Por Reinaldo Azevedo
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01/09/2010

às 17:20

Pois é… Para que servem os blogs? Ou: “Mova-se, máquina!”

Vocês sabem que eu estou entre aqueles, podem procurar meus textos, que não acreditam que blogs substituam os jornais — mesmo em sua cobertura online. Embora eu já tenha dado alguns furos aqui, não é essa a minha preocupação. Faço mesmo jornalismo opinativo, analítico. Dou é furo de enfoque; é outro papo.

Mas há também aqueles tradicionais, né? Nesse caso, vejam aí, a gigantesca máquina dos jornais está chegando depois. Aqui se informa desde as 15h32 que o cartório já havia atestado a falsidade da procuração — inclusive da autenticação. Publiquei, inclusive, o nome do responsável pelo 16º Tabelião. E nada de “a máquina” se mover até há dois minutos pelo menos.

No post anterior, está a reprodução da declaração do responsável pelo cartório atestando as fraudes. A Veja.com também publica o documento.

Daqui a pouco, começo a me orgulhar dos meus furos de enfoque, dos furos extras que tenho na cabeça e que enchem de esperanças os petralhas e também do furo jornalístico, aquele corriqueiro mesmo…

PS - Justiça seja feita, o grande “furo” nessa questão foi dado pelo Estadão, por Rui Nogueira e Leandro Colon, da Sucursal de Brasília. Parece que o pessoal de São Paulo  é que esqueceu de dar uma corridinha até o cartório… Preferiu manter por um bom tempo no ar a versão oficial, que as reportagens do próprio jornal desmoralizava.

Por Reinaldo Azevedo
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