Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

18/09/2014

às 21:17

Daqui a pouco, AO VIVO, com Contardo Calligaris

Mais um programa na VEJA.com: com mediação de Joice Hasselmann, eu e o psicanalista Contardo Calligaris debateremos a influência da religiosidade nas eleições. Assista AO VIVO, a partir das 21h30.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 20:49

Ibope: há o risco de Agnelo nem disputar o 2º turno no DF

Pois é… A situação do PT no Distrito Federal é de tal sorte ruim que, pela primeira vez na disputa, há o risco efetivo de o atual governador, Agnelo Queiroz, não disputar nem mesmo o segundo turno. Por que é assim? Enquanto José Roberto Arruda, do PR, era candidato, tinha uma folgada liderança, seguido, bem atrás, por Agnelo. O candidato Rodrigo Rollemberg, do PSB, sempre ficava em terceiro lugar. Sim, nas simulações de segundo turno, Agnelo perderia para qualquer adversário, mas, ao menos, disputava o segundo lugar.

Segundo pesquisa Ibope divulgada nesta quinta, Rollemberg saltou para o primeiro lugar na disputa e marca 28%. Com Arruda fora da disputa, assumiu a candidatura da frente que o apoiava Jofran Frejat, que marca 21%, mesmo índice de Agnelo.

O Ibope ouviu 1.204 eleitores em todo o Distrito Federal nos dias 16 e 17 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-672/2014.

Tudo caminha, já escrevi aqui, para a eleição de Rollemberg. É o que aponta o levantamento sobre o segundo turno. Se ele disputasse com Agnelo, venceria por 53% a 24%; contra Frejat, levaria por 45% a 29%. Caso a etapa final seja disputada pelos candidatos do PR e do PT, o petista seria derrotado por 43% a 29%. Vale dizer: a esmagadora maioria do eleitorado prefere qualquer nome que não seja Agnelo.

A coisa é mesmo impressionante: Agnelo tem uma das mais altas rejeições do país: 45%, contra apenas 13% de Frejat e 6% de Rollemberg. Ah, sim: nada menos de 63% reprovam a gestão de Agnelo.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 20:33

Datafolha no RS: Ana Amélia segue na liderança e derrotaria Tarso Genro no 2º turno

A senadora Ana Amélia, do PP, segue na frente na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul. Ela manteve o mesmo índice da semana passada: 37%. O governador Tarso Genro, do PT, oscilou um ponto para baixo e tem 27%. José Ivo Sartori (PMDB) oscilou dois pontos para cima e aparece com 13%. Os demais candidatos somam 3%. Brancos e nulos são 5%, e 14% dizem não saber.

Na simulação de segundo turno, tudo indica que a situação de Tarso Genro está piorando: há duas semanas, estava 10 pontos atrás de Ana Amélia: 49% a 39%; agora, 14 pontos os separam: 48% a 34%. Tarso segue sendo o mais rejeitado, com quase o dobro de Ana Amélia: 24% a 13%.

A pesquisa foi realizada nos dias 17 e 18 de setembro. Foram entrevistados 1.300 eleitores em 50 municípios do estado. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-665/2014.

Senado
A coisa não anda fácil para o PT no Rio Grande do Sul. O partido dava como líquida e certa ao menos a eleição de Olívio Dutra, ex-governador, para o Senado. Mas isso também pode não acontecer. Lasier Martins, do PDT, com 28%, está tecnicamente empatado com ele, que tem 26%. Ocorre que é a primeira vez que Martins aparece numericamente na dianteira. Pedro Simon, do PMDB, que havia decidido se aposentar, assumiu o lugar de Beto Albuquerque — que se tornou candidato a vice na chapa de Marina — e está em terceiro, com 18%.

 

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 19:36

Datafolha: Richa, provavelmente, levaria no 1º turno; no segundo, venceria Requião por 51% a 36%

O Datafolha divulgou a pesquisa eleitoral no Paraná. Se a eleição fosse hoje, Beto Richa, do PSDB, poderia ser eleito no primeiro turno. Ele aparece com 44% dos votos, mesmo índice da semana passada, seguido por Roberto Requião (PMDB), que está com 30% — contra 28% na semana passada. A petista Gleisi Hoffmann tem apenas 10%. Os demais candidatos somam apenas 1%. Dizem que votarão em branco ou nulo 6%, e 9% afirmam não saber.

O Datafolha testou o cenário de segundo turno: Richa venceria Requião por 51% a 36%. Na semana passada, a diferença era de 20 pontos: 53% a 33%. O peemedebista segue sendo o mais rejeitado, com 25%, seguido pela petista, com 20%. Só 18% afirmam que não votariam no tucano de jeito nenhum.

Na disputa pelo Senado, Álvaro Dias mantém uma brutal vantagem sobre os segundos colocados: 59% contra 6% de Ricardo Gomyde (PCdoB) e Marcelo Almeida (PMDB).

A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 18 de setembro. Foram entrevistados 1.256 eleitores em 46 municípios do Estado. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-665/2014.

Richa manteve a liderança mesmo num momento complicado. Na semana passada, o governador enfrentou duas rebeliões numa mesma penitenciária, e agentes anunciaram uma greve. Tanto Requião como Gleisi tentaram atribuir os problemas à má gestão do governador.

Como vocês sabem, tendo a achar que esse tipo de exploração não surte o efeito desejado. Fica parecendo que os que recorrem a esse expediente acabam fazendo uma aliança objetiva com bandidos. Se petistas e peemedebistas do Paraná, no entanto, acham que isso é bom, que sigam adiante.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 16:21

Algo me une a Marina…

Eita! Eu e Marina Silva temos ao menos uma coisa em comum, além da torcida para que Dilma perca a eleição — ainda que divirjamos sobre a melhor saída para o país: ambos somos alérgicos a gergelim. A sua lista de restrições é bem maior do que a minha, que inclui, além da sementinha maldita, apenas berinjela e pimenta verde. A dela é imensa, conforme registra a Folha:

(…)
Se, no passado, dividiu um ovo com os irmãos, hoje Marina já não pode comer nem clara nem gema.

Não bebe leite nem iogurte. Não come queijo, manteiga, doce de leite ou qualquer outro laticínio. Camarão, frutos do mar, carne de vaca, carne de porco, soja e derivados também estão excluídos de sua dieta. Nem mesmo gergelim é permitido.

O que sobra: peixe de rio, frango, feijão, arroz integral, alface (desde que sem tempero), mandioca, milho (sem ser de lata) e frutas.

Os alimentos só podem ser cozidos com água e sal.

Nada disso é por convicção natureba. Marina foi aprendendo a evitar muitos alimentos por ter graves alergias.

Em um compromisso de campanha, passava com aliados perto de uma barraquinha de venda de camarão quando o cheiro do crustáceo fechou sua glote. A candidata teve de abandonar imediatamente o local.

Essa, aliás, era uma semelhança que ela dividia com Eduardo Campos. Também alérgico, o pernambucano teve uma séria intoxicação após ingerir camarão.

Outra ocasião de campanha e outro mercado deram à candidata a oportunidade para uma “desforra” alimentar. Numa banca que vendia bijus, assessores a abasteceram de uma quantidade que foi devorada em velocidade assustadora.

Feito sem manteiga, o biscoito leva açúcar suficiente para suprir, se consumido em abundância, necessidades calóricas de emergência.

Retomo
O gergelim virou, como sabem, uma praga. Acrescenta-se essa coisa horrorosa a tudo quanto é prato. E o pior é o gergelim que a gente não vê: o óleo.

Caso Marina seja eleita, conto com ela para a minha cruzada: que as embalagens passem a especificar a presença de óleo de gergelim nos alimentos. Pode ser uma questão de vida ou morte.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 15:24

Pnad aponta que há três anos o país não consegue reduzir a desigualdade

Na VEJA.com:
A redução da pobreza foi, ao longo dos últimos vinte anos, não só uma conquista da sociedade brasileira, mas também resultado da estabilidade econômica e de investimentos em educação e saúde feitos desde a década de 1990. Mas os limites desses esforços começam a aparecer. Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad) de 2013, divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, pelo terceiro ano consecutivo, o indicador que mede a desigualdade de renda, chamado Índice de Gini, não mostra melhora significativa.

O índice, que é usado mundialmente, leva em conta o número de pessoas em um domicílio e a renda de cada um, e mostra uma variação de zero a um, sendo que quanto mais próximo de um, maior é a desigualdade. O IBGE calculou em 2013 que o Brasil marcou 0,498 no indicador que leva em conta a renda de todo os membros de cada família. Em 2012, o resultado havia ficado em 0,496, enquanto em 2011, era de 0,499. A leve oscilação não permite ao órgão concluir que houve uma piora significativa na distribuição de renda no Brasil. Contudo, ela é clara em mostrar que os efeitos da desaceleração econômica já fazem com que a barreira entre ricos e pobres pare de ceder.

Tal piora é explicada não só pelo baixo crescimento da economia, mas também pela menor oferta de vagas de trabalho, ambas mostradas pelo IBGE por meio do levantamento das Contas Nacionais, que calcula o Produto Interno Bruto (PIB), e da própria Pnad, que mede a taxa de desocupação no país.

Segundo dados divulgados nesta quinta, a taxa de desemprego passou de 6,1% em 2012 para 6,5% em 2013. Percebe-se, portanto, uma situação em que a economia cresce pouco (o avanço em 2013 foi de 2,3%) e o mercado de trabalho sente o impacto. Diante isso, até mesmo as políticas de transferência de renda consolidadas no governo Lula mostram perda de vigor. Como seu impacto no PIB é limitado (de apenas 0,5%), tais mecanismos não são suficientes para estimular o crescimento em momentos de crise. Para 2014, a previsão é de que o PIB fique muito próximo de zero e que o mercado de trabalho avance, no mínimo, 30% menos que em 2013. Com isso, economistas esperam impacto mais significativo na medição da distribuição de renda para o ano que vem.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 15:13

Dilma: “Eu tenho muitos negros no segundo escalão”. Pois é… O PT faz de tudo para impedir que uma negra chegue ao primeiro…

A presidente Dilma Rousseff concedeu uma entrevista no sábado, dia 13, em Belo Horizonte. Registre-se: não tenho a fala toda, só este trecho abaixo.

Pois é… A presidente que promoveu cotas nas universidades e no serviço público — o que, entendo, contraria a Constituição — admite que tem “muitos negros”, mas “no segundo escalão”. Negra mesmo, no primeiro, só a ministra da… Igualdade Racial!

Convenham: Dilma teria prestado um favor à causa se tivesse nomeado alguém louro e de olhos azuis para esse ministério e um negro para uma das pastas nobres do primeiro escalão, como Fazenda, Planejamento, Casa Civil, Banco Central, Saúde ou Educação.

A propósito: a campanha suja do PT contra Marina tenta impedir que chegue ao primeiro escalão uma… negra. E esta pode chegar não por meio de cotas, mas do voto livre dos brasileiros. A propósito: branco ou negro, em todas essas pastas, as pessoas têm de ser é competentes. Chegou a hora de os governos adotarem um regime de cotas especial: 100% das vagas têm de ser ocupadas por pessoas capazes, nem que elas sejam verdes ou roxas. O que lhes parece?

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 14:01

Hora de Haddad entrar de cabeça na campanha de Dilma. Será show!

Agora que sei que foi do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), a ideia de demonizar o Itaú para atingir Marina Silva e que esse rasgo de genialidade decorreu de uma tarefa que lhe passou Dilma, espero o quê? Que o prefeito entre para valer na campanha da presidente. Noto a ausência do alcaide no horário eleitoral gratuito do PT.

Afinal, Dilma foi à TV emprestar seu apoio a ele em 2012. Chegou a hora da reciprocidade. Se a presidente achava que Haddad seria bom para nós, eu agora acho que ele é bom para ela…

Dilma pode aproveitar e anunciar a construção de uma ciclofaixa na BR-101, ligando o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.

Não será usada por ninguém. Mas a ideia é essa. Apenas uma grande faixa vermelha preenchida pelo nada.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 13:01

Serra ou Suplicy? Cesar ou Romário? Senado ou circo de segunda?

Dois políticos disputam com chances a vaga para o Senado em São Paulo: Eduardo Suplicy, do PT, que pretende ficar lá por 32 anos — já está há 24! —, e José Serra, do PSDB. Em todas as pesquisas, o tucano aparece na dianteira, às vezes no limite da margem de erro. Empate? Não são apenas as minhas afinidades eletivas ou o meu gosto que se sentem provocados. Também o senso de justiça me convoca. Serra talvez seja o político em atividade com a maior folha de serviços prestados ao país. Se há coisa que até os adversários lhe reconhecem, é competência técnica. Seu trabalho na Saúde, mundialmente reconhecido, é gigantesco. A Constituição que temos lhe deve algumas de suas melhores disposições. A sua enorme folha de serviços está em toda parte e em vários setores. Não é difícil encontrá-la.

E Suplicy? Ao longo de seus 24 anos no Senado, tornou-se refém de uma ideia fixa: o tal programa Renda Mínima. E só. Qualquer um que se debruce sobre as suas disposições vai se dar conta do absurdo. Por que pessoas endinheiradas, que podem prover o próprio sustento, deveriam receber uma pensão fixa do Estado? A pergunta não tem resposta fora do exotismo teórico que, reconheço, não prospera só no Brasil.

A campanha eleitoral de Suplicy exibe, sem querer, a sua biografia oca no Senado: deve-se votar nele, dizem lá, porque é honesto. É mesmo? Desde quando a honestidade é, agora, um ativo que deva ser exibido como distinção? Ora, isso é apenas uma obrigação. Vinte e quatro anos! E não se pode apontar uma única lei, um único feito, uma única realização relevante que se devam à sua atuação. Não obstante, a narrativa de suas atitudes, digamos, folclóricas é extensíssima. Às vezes, são só irrelevâncias cômicas; às vezes, não, a exemplo de quando se grudou no terrorista italiano Cesare Battisti ou quando foi visitar sequestradores na cadeia.

O Rio
No Rio, as coisas caminham de mal a pior nesse particular. O ex-jogador Romário (PSB) — com uma ficha, para dizer pouco, polêmica — lidera a disputa, seguido por César Maia, do DEM. Pois é… Pode-se gostar muito, pouco ou nada de Maia, mas é inegável que é dono de um pensamento e que é capaz de entender o alcance da função de um Senador no terceiro estado mais populoso do Brasil. Qual é o saldo da atuação política do deputado Romário para merecer a ascensão ao Senado?

Qual é a sua militância política pregressa que justifique o posto? Ter sido preso duas vezes por não pagar pensão alimentícia? Ter conseguido o prodígio de ser réu — ou, ao menos, citado em 54 processos quando mal tinha feito 40 anos? Ter se envolvido em inúmeros confusões em condomínios, sendo condenado, numa delas, a pagar indenização milionária? Ter-se tornado uma celebridade em Brasília também em razão de suas festanças com música eletrônica, que infernizam a vida dos vizinhos?

É evidente que nada tenho contra o ex-jogador. No futebol, por razões óbvias, ele figura até na minha galeria de heróis. Mas tem condições de ser um dos três representantes do Rio no Senado? Com o devido respeito a seus eleitores, a coisa está mais para piada. Qualquer que seja o próximo presidente da República, crescerá enormemente a importância do Congresso. No que diz respeito a São Paulo e Rio, cabe a pergunta: esses dois estados estarão mais bem representados, respectivamente, com Suplicy e Romário ou com José Serra e Cesar Maia?

Apesar do esforço de muitos, o Senado ainda não é um circo de segunda. E faço aqui, já que pertenço à imprensa, um mea-culpa. Damos pouquíssima importância à eleição dos membros do Congresso. Ele só costuma nos interessar quando bandidos e cretinos se comportam como… bandidos e cretinos. Um Parlamento melhor, convenham, conseguiria melhorar até o Executivo.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 6:11

LEIAM ABAIXO

Dilma manda suspender divulgação de programa de governo por divergências com o PT; em 34 anos de história, partido nunca esteve tão confuso e desarvorado. É o medo de perder a bocona!;
Marina: “PF perdeu autonomia no governo Dilma”;
Sarney ataca Marina. Eita candidata de sorte!;
“Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou aqui, fazendo política”;
CPI aprova convocação de ex-contadora de doleiro;
Dilma e os direitos trabalhistas: como confundir o distinto público;
Dilma ensaia novo discurso do medo contra Marina: “Não mexo em 13º e férias”;
“Ninguém governa sem o PMDB”, diz vice de Marina. Ah, bom! Ou: De tomadas e nariz de porcos;
Agora com um farto bigode, o que o deixa mais parecido consigo mesmo, Paulo Roberto Costa se cala na CPI;
Fábrica bilionária da Foxconn empaca por falta de sócio brasileiro. Lá se foi a primeira promessa de Dilma…;
— Presidente-candidata está mexendo com forças que só conhece de ouvir falar. Marina sabe, se preciso, ser Lula. Mas Dilma só sabe ser Dilma. E isso pode ser muito aborrecido;
— Caos na cidade de São Paulo foi produzido por entidades ligadas ao PT e com cargo na Prefeitura, comandada por Fernando Haddad;
— Quem disse que Haddad só presta para fazer ciclofaixas? Ele também é capaz de ter ideias sórdidas. Ou: Quando a competência só não é menor do que a lealdade;
— A fome do Brasil e uma mentira da FAO, dirigida por um petista;
— PF já tem a identidade do petista que entregou dólares a chantagista;

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 3:58

Dilma manda suspender divulgação de programa de governo por divergências com o PT; em 34 anos de história, partido nunca esteve tão confuso e desarvorado. É o medo de perder a bocona!

A candidata Dilma Rousseff iria divulgar por esses dias seu programa de governo, mas mandou suspender, informam Andreia Sadi e Natuza Nery na Folha. Por quê? Divergência com seus companheiros do PT. O partido quer que a candidata se comprometa com o fim do fator previdenciário, com a redução da jornada de trabalho, com a regulamentação da terceirização — criando dificuldades novas — e com a revisão da Lei da Anistia. Mas Dilma não quer nada disso porque sabe que:
a) o fim do fator previdenciário abre um rombo na previdência;
b) a redução da jornada só vai onerar ainda mais as empresas, elevando o custo Brasil;
c) criar embaraços novos à terceirização está na contramão da dinâmica do mercado de trabalho;
d) a revisão da Lei da Anistia, além de polêmica — voltará ao Supremo —, abre uma crise desnecessária com as Forças Armadas. Se o absurdo vier, raciocina com razão a presidente, que seja via Judiciário.

Assim, a presidente tem preferido programa nenhum a ter o que exibir, expondo-se a arrumar adversários novos. Vejam ali a pauta: a petista tem feito um esforço danado para mostrar que é fiscalmente responsável — e o fim do fator previdenciário demonstraria o contrário — e que pretende incentivar o espírito empreendedor no país: ora, a redução da jornada e o combate à terceirização apontariam na direção oposta. Finalmente, a presidente prega a união de todos os brasileiros para um futuro radioso, e a revisão da Lei da Anistia só provocaria turbulências sobre o passado.

O pior para Dilma (não necessariamente para o Brasil) é que, ao não sair nada — nem o que quer o PT nem o contrário —, é como se ela já tivesse feito as piores escolhas para os setores aos quais não quer desagradar. E por que é assim? Porque resta a desconfiança, não é? Afinal, se ela não fala e manda segurar o programa, é sinal também de que não descarta essa pauta.

Períodos eleitorais já são normalmente caracterizados por incertezas até em países com uma economia mais estável do que a nossa, com muito menos demandas à flor da pele. Dado o quadro brasileiro, esse vai e vem é especialmente negativo. Até porque Dilma não é uma novata, que está se apresentando agora para a batalha. Ela já é a presidente da República. Chega a ser impressionante que amplos setores da sociedade considerem que Marina Silva é uma opção mais segura do que ela. E olhem que a candidata do PSB não chega a ser o exemplo acabado de coerência e de fidelidade a um pensamento.

Não fossem muitas outras coisas, isso bastaria para evidenciar as fragilidades do governo Dilma e a barafunda em que está metido o PT. Acompanho o partido desde o seu nascimento — fui um dos filiados, em priscas eras… Nunca o vi tão desarvorado e sem eixo. O risco de perder o poder está deixando a companheirada em desespero. Essa gente se tornou de tal sorte dependente do Estado que o risco de alternância de poder a impede de enxergar a realidade.

Convenham: tem seu lado divertido.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 22:38

Marina: “PF perdeu autonomia no governo Dilma”

Por Marcela Mattos e Daniel Haidar, na VEJA.com:
A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou durante um “face to face” – conversa em vídeo na qual os usuários do Facebook enviam suas perguntas – que a Polícia Federal passa por um processo de “desconstrução” no governo Dilma Rousseff. “Milhares de agentes saíram da PF nos últimos anos em função de desajuste e da perda de autonomia do trabalho”, disse a presidenciável.
 
A declaração mira em um dos principais argumentos da candidata-presidente, segundo quem a PF tem total liberdade e, ao contrário de gestões anteriores, não empurra denúncias para “debaixo do tapete”. Marina continuou: “Vamos continuar trabalhando para que se  tenha a autonomia e isenção necessárias para o combate ao tráfico de drogas e de armas, a investigação dos casos de corrupção e ajudar a combater vários casos de crimes ambientais”.
 
Petrobras
Mais cedo, Marina Silva afirmou que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso por capitanear um megaesquema de corrupção na estatal, era “funcionário de confiança” da presidente-candidata Dilma Rousseff. Ela citou o delator como exemplo da “governabilidade” do PT e do PSDB. 
 
“Não vou aceitar a lógica que está sendo imposta há 20 anos pelo PT e pelo PSDB, de que composições são feitas de forma pragmática, com base em distribuição de pedaços do Estado. A escolha do senhor Paulo Roberto Costa, que estava há doze anos como funcionário de confiança do governo de Dilma, é resultado dessa governabilidade que as pessoas estão reivindicando que não pode mudar”, afirmou a presidenciável em entrevista a jornalistas em um hotel de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.  
 
Marina reage com cada vez mais veemência contra críticas de Dilma. Desta vez, afirmou que não vai admitir que “fofocas e mentiras” pautem o debate de propostas. Depois de Dilma ensaiar uma resposta à promessa de reforma trabalhista feita por Marina, a pessebista reafirmou que conquistas dos trabalhadores, como 13º salário, férias e hora extra devem ser respeitadas. Dilma tinha afirmado mais cedo, em uma versão do discurso do medo que pontua sua campanha, que “décimo terceiro, férias e hora extra não se mudam nem que a vaca tussa”. Marina respondeu: “a defesa dos interesses dos trabalhadores é sagrada para nós”.
 
Marina também voltou a provocar Dilma, para que explique “por que colocou no seu governo 500 bilhões de reais para meia dúzia de empresários usando recursos do BNDES, que equivalem a 24 anos de Bolsa Família”.
Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 22:30

Sarney ataca Marina. Eita candidata de sorte!

Marina Silva não pode reclamar de falta de sorte. E não estou tentando ser nem engraçado nem sinistro. Não me refiro à queda do avião, não, mas aos “inimigos” que começam a se apresentar. Convenham: nem num sonho bom um candidato à Presidência receberia um ataque feroz de José Sarney, o homem que não vai concorrer à reeleição no Amapá porque seria derrotado. Marina recebeu nesta quarta um presente divino.

Sarney subiu no palanque de Lobão Filho (PMDB), no Maranhão, que vai perder a eleição no primeiro turno para Flávio Dino, do PC do B, e esculhambou a candidata do PSB à Presidência. Leiam o que disse na noite de terça-feira:
“A dona Marina, com essa cara de santinha, mas [não tem] ninguém mais radical, mais raivosa, mais com vontade de ódio do que ela. Quando ela fala em diálogo, o que ela chama de diálogo é converter você”.

Vocês sabem como sempre digo tudo, mesmo correndo o risco de aborrecer, né? Pode até concordar com Sarney em certos aspectos, mas olhem quem está falando… Sim, é verdade, o seu nome vive sendo citado pela turma de Marina como símbolo do que se deve evitar em política. Mas me digam: a esta altura, que força política relevante e com um mínimo de seriedade, discordaria?

Receber essa crítica do velho coronel do Maranhão chega a ser uma láurea, uma condecoração. E ele seguiu adiante, animado pelos gritos de “guerreiro do povo brasileiro”, vindos de uma plateia rigidamente controlada:
“Ela [Marina] pensa que o mundo tem duas partes: uma condenada à salvação e outra à perdição”.

De fato, o mundo não está condenado a essas duas partes, mas o fato é que a política da família Sarney no Maranhão está condenada pela história e pelos números. Depois de cinquenta anos submetido às vontades do clã, o Estado exibe os piores indicadores sociais do país — embora, nem de longe, enfrente as condições naturais mais adversas. O mal do Maranhão é humano. Não vem da natureza nem dos céus.

A partir de amanhã, Marina já pode exibir o seu galardão: Sarney não quer que ela seja presidente. É um trunfo eleitoral gigantesco.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 21:54

“Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou aqui, fazendo política”

Escrevi na manhã desta terça, neste blog, que Dilma, ao partir para o esmagamento de Marina Silva, está mexendo com forças que não conhece. Volto ao tema agora e também tratarei do assunto na minha coluna na Folha, na sexta.

Marina, como vocês viram, ao negar que vá extinguir o Bolsa Família se eleita, evocou em um comício o tempo em que seus pais dividiam com oito filhos um ovo, um pouco de farinha e uns pedacinhos de cebola. A voz ficou embargada. Verdadeira ou mentirosa (creio que seja fato), a narrativa é eleitoralmente poderosa. A candidata do PSB vem de um povo de que Dilma só ouviu falar.

Nesta quarta, em conversa no Facebook, o “Face-do-Face”, a candidata do PSB à Presidência voltou a tocar no assunto. Ela se disse vítima de preconceito e afirmou: “Com minha origem social, tem que provar que é competente, que pensa, mas é isso aí…”.

Notem: quando escrevi aquele texto, não fiz juízo de valor, não. Só adverti para a bobagem que o PT (do ponto de vista de seus interesses) está fazendo. Esse discurso de Marina tem poder. E não, leitores amigos, eu não simpatizo com esse tipo de apelo, seja na boca de Marina ou na de Lula, outro que fez muita praça ao longo da história de suas agruras de infância.

Sempre que Lula vinha com esse chororô, eu me lembrava na caricatura do pedinte-assaltante: “Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou, aqui, fazendo política…”. Honestidade, decência e bons propósitos não são monopólios de classe social. Alguém nascido em berço de ouro pode tê-los. Outro, vindo de uma manjedoura, pode ser um salafrário. Não existe uma relação necessária entre uma coisa e outra.

Ocorre que o PT está dando um boi danado para Marina Silva. Acostumado a combater o “outro” de classe — que, segundo a estupidez lulo-petista, é encarnado pelo PSDB (curiosamente, não pelo PMDB, pelo PP ou por qualquer outra coisa…) —, não percebe quem é Marina Silva e mete os pés pelos pés.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 19:41

CPI aprova convocação de ex-contadora de doleiro

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A CPI mista da Petrobras aprovou nesta quarta-feira a convocação de Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Ela deve dar informações sobre o funcionamento do esquema criminoso operado com recursos públicos desviados pelo esquema do doleiro. Os parlamentares também aprovaram um requerimento que pede a cópia dos depoimentos prestados por ela à Polícia Federal e ao Ministério Público.

“Ouvir a contadora vai ser importante para que a gente possa confrontar com o depoimento de Alberto Youssef”, diz o relator da comissão, o deputado Marco Maia (PT-RS). Ainda não há data para o depoimento de Meire Poza. Por causa da proximidade das eleições, a ida dela à CPI pode ficar para depois do primeiro turno – dia 5 de outubro.

A VEJA, Meire Poza revelou como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro do doleiro. Ela também afirmou que parlamentares, como Luiz Argôlo (SD-BA) e André Vargas (PT-PR), foram beneficiados pelo esquema. Meire já compareceu ao Congresso para depor no processo de cassação de Argôlo. Na ocasião, ela confirmou as acusações contra o parlamentar.

O requerimento de convocação de Meire Poza foi aprovado ao fim da reunião em que os parlamentares tentaram, sem sucesso, ouvir Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e o delator do esquema de corrupção que funcionou por quase uma década na companhia.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 19:34

Dilma e os direitos trabalhistas: como confundir o distinto público

Às vezes, dá aquela coceirinha, aquela vontade de fazer campanha, só para desmontar certos discursos à boca da urna. Nesta quarta, em São Paulo, indagada por um empresário se mudaria as leis trabalhistas, Dilma reagiu naquele seu estilo que, os mais antigos vão concordar, lembra João Figueiredo, o último presidente do regime militar.

Respondeu a presidente-candidata: “Se essas mudanças precisam ser feitas para garantir que todas as alterações sejam absorvidas, eu acredito que sim. Agora vamos ter clareza disto: 13º, férias e horas extras, [não se muda] nem que a vaca tussa”.

Então tá. Daqui a pouco, o PT começará a atribuir a Marina a intenção de extinguir essas garantias, como já fez antes com Aécio.

E como desconstruir essa fala meio malandra? Ora, esses são os únicos “direitos trabalhistas”? Há outros! E a multa de 40% sobre o saldo do FGTS, por exemplo, que as empresas são obrigadas a pagar no caso de demissão imotivada? Dilma aceita extinguir?

Nesta terça, Marina se encontrou com empreendedores e falou que é preciso rever as leis trabalhistas, destacando — ela sabe onde pisa — que é preciso que se preservem os direitos que existem hoje.

Olhem aqui: Dilma, para não variar, com o seu “estilo Figueiredo”, está criando obscurantismo. Quando se fala em rever a CLT, o que se quer é pôr sob o abrigo da lei — de alguma lei — atividades profissionais que não têm como estar cobertas pela atual legislação.

Tome-se o caso, por exemplo, das múltiplas atividades profissionais que surgiram com o advento da Internet. Será que se encaixam no arcabouço legal vigente? A resposta é “não”. Atividades de caráter intelectual as mais diversas podem ser exercidas sem os vínculos empregatícios previstos na CLT. Não se trata, assim, de, como dizem sindicalistas, “precarizar” as condições de trabalho, mas de formalizá-las segundo as necessidades do mundo moderno.

Ocorre que os pterodáctilos do sindicalismo impedem que se faça um debate honesto a respeito. A fala de Dilma só colabora para criar a confusão, já que ninguém está sugerindo, que se saiba, extinguir 13º, férias ou horas extras.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 17:48

Dilma ensaia novo discurso do medo contra Marina: “Não mexo em 13º e férias”

Por Talita Fernandes, na VEJA.com:
Um dia depois de a candidata Marina Silva (PSB) afirmar que, se eleita, pretende fazer mudanças na legislação trabalhista do país, a presidente Dilma Rousseff (PT) já ensaiou nesta quarta-feira mais uma versão do discurso do medo que pontua sua campanha: “Décimo terceiro, férias e hora extra não se mudam nem que a vaca tussa”, disse, durante agenda em São Paulo.

Ontem, Marina apontou as leis trabalhistas como um dos entraves ao empreendedorismo e disse que sua equipe irá buscar mudanças – mas, já temerosa da interpretação de adversários, disse que seu objetivo é trazer melhorias tanto para empregadores quanto para trabalhadores, sem abrir mão dos ganhos da atual legislação.

Dilma reuniu-se com empresários acompanhada do ministro Guilherme Afif Domingos, da Secretaria da Micro e Pequena Empresa. Também participaram do encontro o deputado Guilherme Campos (PSD), líder da frente parlamentar mista da pequena empresa e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo.

Depois do encontro, a presidente se reuniu com professores da Unicamp, entre eles Rogério Cerqueira Leite, físico que criticou Marina Silva em artigos na imprensa. Na sequência, seguiu em carreata pelas ruas da cidade. Ao longo do percurso, um carro de som afirmava que Dilma é a presidente do Minha Casa Minha Vida, do ProUni e do Pronatec, algumas das principais bandeiras eleitorais da petista.

No palanque, Dilma fez críticas genéricas aos adversários. Embora sua campanha seja justamente a que lidera a artilharia pesada nesta corrida eleitoral, afirmou: “Tem muita mentira e ódio nessa eleição. Quando ouvirem mentiras, respondam com a verdade, que é uma só – o país mudou, e mudou para melhor.”

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 16:17

“Ninguém governa sem o PMDB”, diz vice de Marina. Ah, bom! Ou: De tomadas e nariz de porcos

Atenção para esta fala: “Ninguém governa sem o PMDB, mas não é preciso entregar o governo para o PMDB para ter governabilidade. Assim como não precisa entregar o governo ao PSDB se nós vamos ter quadros do PSDB governando. Ou seja, o governo tem um programa, esse é o nosso pilar de negociação, entendimento e escolha daqueles que terão funções. Por que eu, no governo, tenho que perguntar para Renan Calheiros quem devo indicar para ministérios ou para a Transpetro? Não que as indicações de partidos e lideranças sejam ruins. Mas tem que ter perfil”.

A afirmação é do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva (PSB), em entrevista ao Estadão. Aos poucos, como se vê, o discurso da chamada banda dos “sonháticos” vai se tornando mais “realático”. O que vai acima, diga-se, seria endossado por qualquer partido. Afinal, ninguém admite que as indicações obedeçam a critérios puramente políticos. Sempre se vai alegar que o sujeito indicado é competente.

É claro que a fala de Albuquerque ainda aponta para aquela história de só governar com os melhores, mas há mais do que uma discreta inflexão no discurso. Quanto mais o poder se torna uma possibilidade palpável, mais próximos Marina e ele próprio vão se tornando da realidade. É evidente que ninguém tem de perguntar nada a Renan, mas, como sabe o candidato a vice, para que se tenha o necessário apoio do partido de Renan, é preciso que a escolha conte com o endosso da legenda. Afinal, Marina e seu parceiro sabem muito bem que de pouco adianta ter um peemedebista na equipe sem o… PMDB! A esse realismo se entregaram todos, e também se entregará Marina se for eleita.

É certo que o realismo exclui o surrealismo, né? Nomear, por exemplo, Edison Lobão para as Minas e Energia, um homem que não distinguiria uma tomada das antigas do nariz de um porco, não é realismo, mas só um agrado a Sarney. A propósito: creio que a tomada jabuticaba inventada no Brasil só tenha o propósito de distingui-la do nariz de um porco para evitar que Lobão se confunda.

E, sim, Beto Albuquerque voltou a abusar da nossa paciência ao afirmar que o caso do avião não é assunto do PSB. Pois é… Isso significa que, se a turma vencer a eleição, já começa com um jatinho no armário. Não é bom.

Quanto ao mais, saúdo a adesão do marinismo à realidade. Mas sem Lobão, por favor!

 

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 15:54

Agora com um farto bigode, o que o deixa mais parecido consigo mesmo, Paulo Roberto Costa se cala na CPI

A CPI Mista da Petrobras poderia ter um pouco de bom senso. Alguns parlamentares, como o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o senador José Agripino (DEM-RN), até que tentaram suspender a sessão, mas, até agora, em vão. E por que escrevo isso? Paulo Roberto Costa, agora com um farto bigode, o que acentua o seu jeito Paulo Roberto Costa de ser, está determinado a não falar nada. Obedecendo à orientação de advogados, reserva-se o direito de ficar calado. De onde vem isso? Do fundamento do direito segundo o qual ninguém pode ser constrangido a se incriminar.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já afirmou que ele não poderá passar à CPI, nem em sessão fechada, informações prestadas à Polícia Federal e ao Ministério Público que fazem parte do seu acordo de delação premiada. E ele, obviamente, não vai fazê-lo. Nem sobre a delação nem sobre coisa nenhuma. Não fala e pronto!

Incrível o seu ar, ali, na cadeira dos depoentes. Chegou escoltado pela polícia. Conserva a expressão plácida. Mais de uma vez, sorriu para a sua advogada, sabe-se lá do quê. Vamos ver, ao fim de tudo, quanto tempo vai ficar preso. Burro não é. Sairá da prisão e não terá dificuldades para levar a vida adiante. Apesar de alguns percalços, terá razões pessoais para acreditar que o crime compensa.

As perguntas dos parlamentares, até agora, vão se sucedendo. Tenham paciência. Paulo Roberto até que tenta cuidar do lado estético da coisa: vai buscando variações em torno do mesmo tema: “Eu me reservo o direito de ficar calado”, “eu não tenho nada a declarar”; “mais uma vez, vou ficar calado”…

É surrealista! É preciso pôr fim à sessão para não desmoralizar o Congresso.

 

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 14:56

Fábrica bilionária da Foxconn empaca por falta de sócio brasileiro. Lá se foi a primeira promessa de Dilma…

Na VEJA.com:
A construção da fábrica de telas para celulares, TVs e computadores da taiwanesa Foxconn no Brasil empacou depois que a companhia desistiu de buscar um sócio brasileiro para o projeto. Na época do anúncio, em 2011, o governo informou que o investimento chegaria a 12 bilhões de dólares. A saída para o impasse seria aumentar para mais de 30% a participação acionária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas o banco não aceita ultrapassar este valor, que é o limite estabelecido em sua política para o BNDESPar, braço de participações acionárias da instituição. 

Além do apoio fundamental do BNDES, a equipe econômica do governo contava com a sociedade de um grande empresário brasileiro (chegou-se a falar em Eike Batista, antes da crise). Sem sócio, as negociações pararam e nem o governo acredita mais na concretização do megainvestimento.

Visita à China
A construção da fábrica de telas no país foi o primeiro grande anúncio do governo Dilma Rousseff, feito em fevereiro de 2011 durante visita à China. O então ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, chegou se reunir com o fundador da Hon Hai (controladora da Foxconn), Terry Gou. A ideia, segundo o ministro, era construir um complexo industrial que empregaria até 100 mil pessoas no Estado de São Paulo.

O desenho do negócio apontava para uma primeira etapa com investimento de 4 bilhões de dólares, dos quais 1,2 bilhão de dólares seriam bancados pelo BNDES e 500 milhões de dólares ficariam por conta de Eike. Além de procurar mais sócios, o governo tentou convencer Terry Gou a entrar com capital sem contar a tecnologia. O Palácio do Planalto estava tão certo do negócio que Mercadante chegou a divulgar um cronograma. A companhia fabricaria telas para celulares e tablets entre 2011 e 2013 e passaria a fabricar telas para TVs a partir deste ano.

Atualmente, a empresa taiwanesa atualmente conta com três unidades no país, com montagem de celulares em Manaus e Indaiatuba e montagem de smartphones e fabrica notebooks, computadores e periféricos em Jundiaí.

Conjuntura
Mercadante, que é ministro-chefe da Casa Civil, foi questionado sobre os empecilhos que travaram as negociações para a construção da fábrica de telas da Foxconn no Brasil. A assessoria de imprensa da Casa Civil informou que a posição de Mercadante estaria contemplada na resposta do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. “Em relação à construção de unidade de fabricação de telas, o investimento previsto não foi realizado até o momento devido à conjuntura internacional e pelo fato de a empresa não ter conseguido um sócio nacional.”

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação afirmou ainda ter informações de que a Foxconn estuda fazer novos investimentos e abrir novas unidades no Brasil. Os projetos, entretanto, não teriam relação com construção da fábrica de telas. Procurada para confirmar a informação, a companhia disse que não se pronunciaria.

BNDES
Alguns desses projetos aguardam aprovação de aportes do próprio BNDES. O banco confirmou que participou das negociações para a instalação da fábrica de telas, sem sucesso. “O banco continua em contato com a Foxconn e tem trabalhado para viabilizar investimentos no Brasil em setores de alto conteúdo tecnológico”, informou o banco por meio da assessoria.

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados