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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

02/09/2014

às 15:57

Dilma e Aécio fazem o certo e o esperado e questionam Marina. Ou: Debate não é baixaria

Acabou a moleza para Marina Silva. Se querem saber, isso é bom. Não estou, não agora, a fazer juízo de valor sobre candidaturas. O que estou a afirmar é outra coisa: quanto mais os temas forem realmente debatidos, melhor. No horário eleitoral desta terça-feira, a petista Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves acordaram para a realidade e passaram a questionar, nos respectivos horários eleitorais, os postulados da candidata do PSB. Isso é bom. Quem sabe as coisas se aclarem.

A propaganda do PT lembrou que Marina teria hoje 33 deputados na Câmara. A aprovação de um projeto de lei requer um mínimo de 129; a de uma emenda constitucional, de 308 — além de 49 senadores. Com duas votações na Câmara e no Senado. A lembrança faz sentido? É claro que sim! Boa parte das mudanças com as quais Marina acena depende da aprovação do Congresso. Como ela pretende conquistar essa maioria sem negociar com os partidos? “Ah, mas ela vai fazer a devida interlocução”, poderiam dizer seus seguidores. Pois é… Por enquanto, ela se apresenta como a “nova política” contra tudo o que está aí, que seria a velha.

Os petistas chegaram até a pegar carona numa lembrança que fiz aqui: o país só elegeu dois presidentes, até agora, que anunciaram a disposição de governar acima dos partidos: Janio Quadros e Fernando Collor. O primeiro deu no que deu, e o segundo também. Não me incomodo que os petistas tenham colado meu argumento. A questão é procedente. O locutor do programa do PT tenta lançar a dúvida na cabeça do eleitor: “Como é que você acha que ela vai conseguir esse apoio sem fazer acordos? E será que ela quer? Será que ela tem jeito para negociar?”

Os petistas insistem ainda que Marina Silva dá pouca bola para o pré-sal em seu programa de governo. Pesquisas feitas pelo partido apontam que esse é um tema “que cola”. No debate de ontem, promovido pela Jovem Pan, Folha, UOL e SBT, Dilma atacou Marina por esse flanco, mas acabou sendo vítima do contra-ataque. Em sua resposta, a candidata do PSB lembrou os desmandos na Petrobras.

O programa de Aécio repetiu a propaganda de sábado e deu destaque a inexperiência de Marina: “Tem gente que acha que é só tirar o PT do governo e tá tudo resolvido”. Aí ele diz por que não pode ser assim. Para governar, alerta, é preciso ter “ideias sólidas, experiência e força política”.

Muitos ouvintes podem se perguntar: “Mas, Reinado, esse negócio de uns ficarem atacando os outros não é ruim para o Brasil, não rebaixa a política?” Meus caros, desde que as questões sejam pertinentes, não! Notem: quando Marina acusa os políticos de fazerem acordos muitas vezes espúrios, contra o interesse da população, é claro que diz algo procedente. Em parte, isso é mesmo verdade. Mas não é menos verdadeiro que inexiste política sem negociação, aqui ou em qualquer parte do mundo.

Marina tem, sim, de responder por suas propostas, a exemplo de outro candidato qualquer. É saudável que Dilma e Aécio a provoquem para o confronto de ideias, desde que seja com questões procedentes. E é bom não confundir esse procedimento com golpe sujo. Tentar, por exemplo, transformá-la em homofóbica, a exemplo do que já fazem grupos de pressão ligados ao petismo, isso, sim, é baixaria e deve ser repudiado. Já o debate franco só torna melhor a democracia.

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2014

às 15:10

Haddad, o “Selvagem da Bicicleta”. Ou? Ainda faltam 851 dias para a gente se livrar dele!

Haddad num momento de euforia com a grande gestão que faz em SP

Haddad num momento de euforia com a grande gestão que faz em SP

Ainda faltam 851 dias para São Paulo se libertar de Fernando Haddad. Poderiam ser apenas 850, mas 2016 é ano bissexto, e o alcaide nos deve mais esta: tomou um dia mais da nossa liberdade.  Haverá festa, estou certo. Uma alegria incontida há de tomar as ruas quando ele der as costas. Depois, começará o trabalho de reconstrução, ver o que sobrou da terra arrasada. Não será um trabalho fácil

Na sexta, a rua Albuquerque Lins, caminho para a estação Marechal Deodoro, do metrô, estava congestionada, como sempre, inclusive com os carros comprados em razão da redução do IPI concedida pelos governos petistas de Lula e Dilma — uma medida correta, diga-se. Até governantes do PT podem acertar, como um relógio parado. Adiante.

Eis que, nesta segunda, a Albuquerque Lins amanheceu assim:

foto (33)

 

foto (32)

Sim, o Selvagem da Bicicleta meteu uma ciclovia numa rua já famosa em Higienópolis e na Santa Cecília pelos engarrafamentos. Ela cruza a avenida Marechal Deodoro, que corre sob o Minhocão, com permissão para conversão à direita e à esquerda. Nos horários de pico, antes da faixa exclusiva para bicicleta, o quiproquó já era frequente. Impacientes, alguns motoristas forçam a tentativa de entrar na via principal, o trânsito colapsa, e tudo para. Com a ciclovia, será o inferno.

Fiz as duas fotos com celular por volta as 17h, antes de o pior acontecer. Vejam lá: não há bicicletas descendo, não há bicicletas subindo… O que se vê são os carros parados, em fila única.

A presidente Dilma me lê? Contaram-me que sim. Os magos do Palácio não conseguiram vetar a minha página. Eis aí, Soberana! A senhora não entende por que é tão alta a rejeição a seu nome em São Paulo, especialmente na capital? Lula não entende por que não consegue emplacar Alexandre Padilha?

Perguntem a Fernando Haddad, o “Selvagem da Bicicleta”. Esse é apenas um dos malefícios de sua gestão na cidade. No dia em que este senhor deixar a Prefeitura, imaginem quanta área hoje inútil será liberada para o trânsito! Haja tinta preta para cobrir seus desmandos vermelhos!

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2014

às 13:01

Por que Dilma não diz quem seria o seu “Armínio” da economia? Por que Marina não diz quem seria o seu “Armínio” do Meio Ambiente?

Pois é… Se Aécio Neves, do PSB, for presidente da República, sabemos que seu ministro da Fazenda será Armínio Fraga, o que indica uma condução técnica, serena e competente da economia. Se Dilma for reeleita, aí só Deus sabe quem conseguirá segurar o rojão. As expectativas vão se deteriorar enormemente, num cenário que já é de crescimento baixo, inflação alta e investimentos pífios. Uma coisa é certa: Guido Mantega não ficaria. Uma possibilidade a ser estudada pelos petistas é dizer agora quem será o substituto de Mantega se a petista ganhar mais quatro anos.

“Ah, mas aí o atual ministro vira um pato manco.” Errado! Ele já é um pato manco. A escolha de alguém com um perfil técnico, não chegado a feitiçarias, pode não ajudar a presidente a ganhar votos, mas contribuiria para baixar o pessimismo. Dilma precisa entender que é ela, hoje, um dos principais fatores da instabilidade da economia. E Marina? Vamos ver.

Na condução, digamos, macroeconômica, a candidata do PSB emitiu os sinais que mercados e investidores queriam ler. O principal, como é sabido, é a independência do Banco Central. Estou entre aqueles que veem certo fetichismo nessa questão, mas é evidente que é preferível tal promessa ao apanhado de bobagens e sandices que Franklin Martins mandou escrever no site “Muda Mais”, que é a página oficial da campanha petista.

Vejam que curioso: no caso de Marina, ninguém nem pergunta quem será o ministro da Fazenda ou o presidente do Banco Central. Dá-se de barato que será “o mercado”. Aí a Bolsa dispara, a exemplo do que aconteceu ontem, com as ações das estatais liderando a valorização. A resposta que a ex-senadora tem de dar é outra.

Eu não tenho curiosidade de saber quem será, por exemplo, o ministro da Agricultura de Marina Silva caso ela vença a eleição. O setor dispõe de quadros competentes, e certamente alguém com experiência aceitaria a tarefa. Hoje, o agronegócio é a área da economia brasileira que reúne um maior número de técnicos e especialistas capacitados. Eu quero é saber quem será o ministro do Meio Ambiente de Marina se ela sentar no trono, isto sim! É ele quem definiria o tipo de relação que a presidente manteria, por exemplo, com o agronegócio.

Até agora não vi — e, se aconteceu, me escapou — a candidata se comprometer com o Código Florestal que foi aprovado pelo Congresso e contra o qual ela lutou com determinação. A proposta de Marina, é bom não esquecer, implicava uma redução da área plantada no país. Da mesma sorte, interessa-me saber quem seria o  nome da área energética. Um dos entraves, não é segredo para ninguém, para as obras de infraestrutura são as licenças ambientais.

Por enquanto, convenham, boa parte das expectativas positivas que há em relação à candidata do PSB deriva apenas do fato de que ela não é Dilma. Mas o país precisa saber o que seria Marina por Marina. Se eleita e der uma de Lula no primeiro mandato, jogando no lixo boa parte do que disse ao longo de sua militância, pode até se dar bem…

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2014

às 7:28

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2014

às 7:21

Dilma, a grande derrotada da noite!

O saldo do debate promovido nesta segunda pela Jovem Pan, Folha, UOL e SBT? Uma Marina Silva que se consolidou como alternativa aos olhos do eleitorado e que cresceu, como presidenciável, atropelando Dilma Rousseff, que teve, de muito longe, o pior desempenho entre os três principais candidatos. O debate está na Internet, pode ser visto por qualquer um que não o tenha feito. O tucano Aécio Neves se saiu muito bem. Respondeu, como de hábito, com clareza e desenvoltura. Demonstrou conhecimento de causa e segurança. Mas, como afirmei no post de ontem, as circunstâncias não o transformaram em um dos polos do debate, que caminhou para o confronto entre Marina, ora no PSB, e Dilma, do PT. Qualquer juízo objetivo constata o óbvio: a candidata à reeleição perdeu feio o embate. Os petistas estão completamente desorientados.

Há dias, chamo aqui a atenção para o desastre a que as ideias fixas podem conduzir as pessoas, lembrando o Machado de Assis de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Como nunca, o PT tem sido vítima de sua natureza. Se não conseguir sair da encalacrada em que está, perdeu a eleição.

Os petistas só sabem fazer campanha presidencial contra, nunca a favor. A de 1989 se organizou na oposição a José Sarney e Fernando Collor, hoje seus queridos aliados. Em 1994, passa a ser vítima da ideia fixa: atacar os tucanos. Perdeu dois pleitos consecutivos no primeiro turno no ataque ao Plano Real, às privatizações e à Lei de Responsabilidade Fiscal. Em 2002, mudou de rumo: passou a falar uma linguagem propositiva e se tornou monopolista da esperança e da mudança — um discurso que hoje, tudo bem pensado, serve a Marina Silva.

Muito bem! Eleito presidente, Lula resolveu governar com os marcos macroeconômicos herdados do PSDB — não adianta disfarçar —, mas deu início à demonização do adversário. Com impressionante vigarice, o PT se portava como “oposição”, embora fosse governo, embora fosse situação, embora estivesse no controle do estado. Exercitou, no limite do possível, o discurso do ressentimento, do ódio e da perseguição aos adversários. Queria, em suma, ser o senhor — e era! —, mas com o poder das… vítimas.

Enquanto as circunstâncias econômicas foram favoráveis à construção dessa farsa, surfou na onda. Acreditem: os petistas já não contavam mais — e não contam ainda — com a possibilidade de deixar o poder. Há pouco mais de um ano e meio, falavam abertamente na reeleição de Dilma no primeiro turno e depois em mais oito anos de Lula… Tudo assim, com desassombro, sem combinar antes com a história e com o imponderável.

Para isso, no entanto, sempre dependeu de um inimigo de estimação: o PSDB. O partido era sua antivitrine, seu exemplo de elite pernóstica e insensível aos reclamos do povo. Os braços de aluguel do partido na subimprensa e na imprensa ainda insistem nessa cascata. Mas eis que surge uma Marina no meio do caminho, oriunda justamente do ninho… petista! Também sabe fazer o discurso dos “Silva”; também sabe desempenhar o papel da “vítima triunfante”; também é especialista na “demonização do outro”, embora tenha uma fala menos rascante do que a de Lula, embora se expresse com mais fluência — o que não quer dizer clareza —, embora pareça a pura expressão da mansidão.

E eis que vemos um PT sem resposta, a dar tiros no próprio pé. No debate desta segunda, Dilma tentou encurralar Marina, mas perdeu todas. Mesmo quando atacava, estava na defensiva. A petista só se esmerou no jogo bruto, beirando a grosseria, contra Aécio. Ocorre que, hoje ao menos, quem fará Dilma mudar de endereço é Marina Silva.

Depois do debate, Dilma se reuniu com seu núcleo duro de campanha — incluindo o marqueteiro João Santana e o ministro Aloizio Mercadante — e com Lula. Foi, certamente, uma reunião para lamber as feridas do dia. Marina foi a vencedora da noite, e Dilma, a grande derrotada. Os petistas vivem o dilema expresso pelo asno de Buridan, aquele que pode morrer de fome e de sede, incapaz de decidir entre a água e a alfafa. Se bate em Marina, teme se esborrachar com a rejeição do eleitorado, que vê na ex-senadora a magricela pobrezinha do seringal, que se esforçou e se tornou uma figura mundialmente conhecida. Se não bate, a magriça se agiganta e engole a máquina petista nem que seja com um trocadilho, no que ela é boa. Nesta segunda, mandou ver em mais um: “Não sou nem pessimista nem otimista, sou persistente”. O que quer dizer? Nada! Enquanto isso, Dilma, coitada!, se enrolava em números e siglas, com a cara feia, visivelmente contrariada.

Pela primeira vez, desde 2002, as circunstâncias atuam contra a ideia fixa do PT. E o partido não sabe o que fazer. Desta vez, nem o Santo Lula pode ajudar. Encontrou uma Silva que sabe ser ainda mais coitadinha e mais orgulhosa do que ele próprio. Como colar nela a pecha de candidata da Dona Zelite, né, Lula?

Texto publicado originalmente às 5h36
Por Reinaldo Azevedo

02/09/2014

às 7:03

Petistas querem, agora, de um lado, colar em Marina a pecha de “evangélica antigay” e, de outro, dar benefícios fiscais a… igrejas evangélicas. É o desespero!

Os petistas estão de tal sorte desorientados com Marina Silva que começam a bater cabeça e a tomar atitudes desencontradas. Não sabem mais o que fazer. A turma se prepara agora para tomar duas iniciativas: uma mais ligada ao âmbito da campanha e outra à do governo propriamente.

Como se viu e se comentou aqui, Marina Silva pediu uma correção do programa divulgado no capítulo que diz respeito aos direitos dos homossexuais, que a linguagem “militantemente correta” chama “GLBT”. A primeira versão falava em apoiar o casamento gay, o PLC 122, que criminaliza a homofobia, e uma outra proposta aloprada, dos deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Érika Kokay (PT-DF), que transforma o, digamos, sexo civil numa questão de opinião. Na prática, se o Jurandir, de pênis, barba e pelo no peito, disser que é mulher e se chama Kelley, o poder público tem de aceitar. E se ele decidir ser Jurandir de novo? Aí destroca. Com a autorização dos pais, até um menor de idade poderá escolher livremente a sua “identidade sexual”. É coisa de hospício.

Na nova versão, fala-se em dar consequência legal à igualdade da união civil entre homo e heterossexuais e ponto. E o resto que fique — como deve ser, aliás — para o Congresso. Luciana Genro, do PSOL, decidiu no debate de ontem pegar no pé de Marina com essa história, atribuindo a alteração do programa à religião da candidata do PSB, que é evangélica. Com adversários assim, só resta à ex-senadora erguer as mãos para o céu.

Tais causas estão longe de ser exatamente populares. De resto, o programa de Marina, reitere-se, contempla o apoio à chamada “comunidade GLTB”, abstendo-se apenas do proselitismo. Se existem defeitos na sua proposta — e os há, às pencas — não é esse. O tal PLC 122, por exemplo, é, sim, autoritário. Mas o PT sentiu que dá para fazer uma onda, contando com o apoio de um grupo muito organizado, que agora vai tentar ligar Marina à homofobia. É desespero de causa. Há quatro anos, fez-se o mesmo com o tucano José Serra. Os petistas insistem em fazer a história voltar para trás. Não sei, não… Tendo a achar que isso mais rende votos a Marina do que tira.

De um lado, então, o PT vai tentar colar em Marina a pecha de evangélica atrasada e inimiga dos gays. De outro, informa a Folha, “o governo elabora um conjunto de ações com medidas que incluem o atendimento a uma das principais bandeiras evangélicas no Congresso: o apoio à Lei Geral das Religiões”. Em que consiste?

O governo pretende “desengavetar um projeto, proposto em 2009 e há mais de um ano parado em uma comissão do Senado, para conceder diversos benefícios a instituições religiosas, entre eles tributários”. Isso faria parte de um “pacote anti-Marina”.

Deixem-me ver se entendi direito: o conjunto, então, das ações contra a candidata do PSB prevê demonizá-la como evangélica radical e antigay e, ao mesmo tempo, acenar a essa corrente religiosa com benefícios tributários. Sabem o nome disso? Desespero.

Em 2010, o PT, com o auxílio de amplos setores da imprensa, fez uma lambança danada para colar em Serra a pecha de adversário dos gays, o que era, para dizer pouco, uma canalhice quando se considera o seu trabalho como ministro da Saúde e como governador. Sem saída, os petistas insistem nessa tecla, roubando até o discurso de Luciana Genro… Longe das câmeras, suponho que Marina Silva gargalhe de vez em quando. Se acontecer, ela gargalha é do PT.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 22:46

TRE barra candidatura de Luiz Moura, deputado investigado por ligação com o PCC

Por Eduardo Gonçalves e Felipe Frazão, na VEJA.com: 

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) barrou nesta segunda-feira a candidatura do deputado estadual Luiz Moura (PT), investigado pelo Ministério Público por ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). No auge de uma greve-surpresa de motoristas e cobradores de ônibus que travou São Paulo em junho, veio a público a informação de que Luiz Moura havia sido flagrado por policiais em uma reunião com sindicalistas na garagem de uma cooperativa na qual também estavam dezoito membros do PCC. Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) apuravam os ataques incendiários a ônibus na cidade.

Em agosto, o Diretório Estadual do PT aprovou a expulsão de Moura, mas a decisão partidária foi suspensa porque o parlamentar recorreu ao Diretório Nacional, que ainda não emitiu parecer sobre o caso.

Nesta segunda-feira, o plenário do TRE-SP indeferiu por unanimidade – 5 votos a 0 – o registro de candidatura do deputado estadual, que acompanhou o julgamento na plateia. A Justiça constatou inconsistências na documentação apresentada por Moura, como diferenças entre a assinatura no RG dele e a que consta na declaração de bens, documento do qual Moura omitiu a posse de um posto de gasolina avaliado em 300.000 reais, conforme o site de VEJA revelou. A procuradoria eleitoral também contestou o fato de o deputado não ter sido escolhido na convenção do partido para concorrer a um segundo mandato. À época do encontro, em junho, Moura estava suspenso por sessenta dias e por isso não participou da convenção estadual.

No entendimento da desembargadora Diva Malerbi, o principal motivo que sustentou a impugnação é o fato de o deputado não ter participado da convenção do diretório paulista, que lançou as candidaturas dos candidatos ao Executivo e Legislativo em São Paulo. Ela ainda lembrou que na convenção foi homologada a candidatura de Iduigues Martins, que concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa com o mesmo número usado por Moura. “A jurisprudência do TSE vai no sentido que a escolha por convenção partidária é um quesito indispensável ao deferimento da candidatura”, disse a juíza eleitoral.

Além disso, ela declarou em seu voto que o deputado não entregou toda documentação necessária para o TRE e que é impossível alguém se candidatar sem partido, uma vez que o deputado foi expulso do diretório paulista do PT. Os outros quatro desembargadores seguiram o seu voto e decidiram pela impugnação.

O advogado de Luiz Moura, João de Oliveira, disse que a decisão do TRE foi “equivocada” e que vai apelar na Justiça Comum para reverter o indeferimento. “Claramente o TRE não acatou a decisão da Justiça comum”, disse o advogado, referindo-se à liminar concedida no TJ que reconhecia os efeitos da convenção com a condição de que Moura pudesse concorrer nas eleições deste ano.

Logo após a decisão, o parlamentar retirou-se rapidamente do tribunal e disse que se sentiu injustiçado pelo PT, que o suspendeu e entregou o seu número – 13.800 – para outro candidato a deputado estadual, Iduigues Martins. O advogado de Moura disse que vai recorrer da decisão na Justiça comum para tentar manter sua candidatura à reeleição na Assembleia Legislativa.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 19:25

Candidatos evitam bater em Marina, mas ela bate com gosto. Ou: Dilma só sabe bater em Aécio

Marina Silva e Dilma Rousseff polarizam o debate presidencial promovido pela Jovem Pan, Folha, UOL e SBT. Sempre que possível, uma faz a pergunta à outra. E, no embate, Marina sai vencedora. Parece mais segura, fala com mais fluência, parece mais treinada para o debate. E tem dois confortos que faltam a Dilma: está em ascensão nas pesquisas e não tem de defender a cidadela; vale dizer: a ex-senadora joga no ataque, e a atual presidente, na defesa.

Dou um exemplo de uma Dilma mal treinada para enfrentar uma Marina muito afiada. A petista quis saber por que o programa da candidata do PSB dedicou apenas uma linha ao pré-sal. Marina, claro!, declarou a importância do petróleo, mas exaltou a busca de novas fontes de energia e aproveitou para atacar os desastres na Petrobras. A petista ficou sem resposta.

Quando chegou a vez de Marina perguntar, mandou ver: Dilma não cumpriu a promessa de fazer o Brasil crescer com inflação baixa. O que deu errado? A petista afirmou que responderia o que deu certo. Na tréplica, a adversária contra-atacou: afirmou que a petista tem dificuldades de reconhecer os problemas do governo. Ganhou de novo.

Aécio Neves teve um ótimo desempenho. Falou com fluência e segurança, mas não foi um dos polos do debate. Num embate com Dilma, ficou claro que os petistas sabem bater em tucano — hoje uma tática meio suicida —, mas não sabem o que fazer com Marina.

O tucano indagou por que o governo federal investiu tão pouco em segurança pública. Sem agressão ou ataque. Na resposta, Dilma disse que ele tem memória fraca, é mal informado e não estudou direito. Vale saber: a candidata do PT sabe ser dura com quem, se a eleição fosse hoje, seria derrotado por ela. Mas não tem o que fazer com uma Marina que sairia vitoriosa. O PSDB está numa situação muito difícil, e o PT está absolutamente perdido.

 

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 16:48

Focus: expectativa de crescimento cai para… 0,52%. Prevê-se um 2015 com inflação alta, juros estelares e expansão mixuruca

Não é por nada, não, mas, quando se olha o cenário econômico, a gente se pergunta por que tantos querem governar o país, não é mesmo? O boletim Focus reviu para baixo, mais uma vez, o crescimento neste 2014: na semana passada, era de 0,7%; agora, de 0,52%. A mudança se dá depois de os números do IBGE terem demonstrado que o Brasil entrou em recessão técnica, com o encolhimento da economia em 0,2 % no primeiro trimestre e 0,9% no segundo. Este é 14º rebaixamento consecutivo da expectativa de crescimento. Caiu também a previsão para o ano que vem: de 1,2% para 1,1%.

Se, nessa área, os números assombram porque baixos, no que diz respeito à inflação, o índice deste ano segue firme em 6,27%, e o de 2015 passou de 6,28% para 6,29%, quase no teto da meta (6,5%). Também as previsões para a Selic são siderais: fecha este ano em 11% e vai a 11,75% no ano que vem.

Resumo da ópera: o mercado prevê um 2015 com crescimento mixuruca, inflação alta e juros nas estrelas. Imaginem se a gente acrescentar Dilma Rousseff a essa receita indigesta, dado o que o mercado anda pensando dela…

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 16:33

Mesmo com resultado maquiado, balança comercial tem pior resultado desde 2001

Pois é… A balança comercial teve em agosto o pior resultado desde 2001, com superávit de US$ 1,2 bilhão. Ainda assim, ele está maquiado e é fruto da contabilidade criativa. Para todos os efeitos, houve esse saldo positivo, mas ele só foi conseguido graças a uma mandracaria que já não é nova: a falsa exportação, que só existe no papelório, de uma plataforma de petróleo de US$ 1,1 bilhão. Ou por outra: o superávit de US$ 1,2 bilhão foi, na verdade, de apenas US$ 100 milhões. Só para lembrar: essa plataforma não sai do país, é produzida aqui e vendida aqui, e há um trâmite de papéis que garantem facilidades fiscais. Mas não é exportação.

Com o truque empregado, o acumulado da balança comercial conseguiu, pela primeira vez, ficar no azul: US$ 249 milhões. Isso é conta para Guido Mantega ver. De verdade, o déficit acumulado ainda é de US$ 851 milhões. No acumulado de 12 meses, o superávit é de US$ 6,4 bilhões. Para o ano de 2014, o Boletim Focus estima um saldo positivo de apenas US$ 2,17 bilhões.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 16:15

Datafolha faz disparar Ibovespa. O PT se torna eternamente responsável por aqueles que hostiliza!

Lá pelas bandas do PT, não há sinais de que muita gente tenha lido “O Príncipe”. Naquela seara, não se crê muito que um governante deva ser nem amado nem temido. Eles sempre acreditaram mais na lógica dos aliados comprados. E depois passaram a se regozijar de satisfação com os próprios insucessos. Mas parece que não leram também nem aquele que era o livro das misses de antigamente, “O Pequeno Príncipe”. Como é mesmo? “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” Toda sentença dessa natureza sempre pode ser lida pelo avesso: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que hostilizas” — que é o mesmo que “cativar”, só que ao contrário.

Pois bem: a última pesquisa Datafolha, que trouxe Marina Silva 10 pontos à frente de Dilma no segundo turno, fez disparar o Ibovespa, o índice da Bolsa de Valores, que iniciou setembro acima de 62 mil pontos. As ações das empresas estatais — apelidadas pelo mercado de “Kit Eleição” — lideram a valorização. Não há outra explicação para a disparada que não a possibilidade de Dilma e de o PT serem derrotados na eleição do mês que vem. Até porque a bolsa de Nova York está fechada por causa do feriado do Dia do Trabalho nos EUA. Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil lideram a valorização.

O governo Dilma paga o preço de uma política destrambelhada no caso das estatais. De tal sorte elas foram usadas para fazer política mesquinha; de tal sorte o governo avançou sobre elas para compensar desajustes estruturais na economia; de tal sorte se atentou contra a economicidade dessas empresas, que não resta ao mercado senão pôr um preço na possibilidade de o PT ser apeado do poder. Assim como haverá um preço — e, neste caso, melhor sair de baixo — se Dilma recuperar a dianteira no processo eleitoral.

Não deixa de ser espantoso. Marina Silva divulgou seu programa. Há lá algumas boas intenções, afirmações bastante perigosas — além de erradas — sobre a democracia brasileira e considerações que chegam a ser um tanto irresponsáveis sobre a indústria. E daí? Ninguém está olhando muito para isso porque sabe, também, que programas de governo não têm assim tanta importância.

Uma coisa é certa: as pessoas que estão dando pitaco na área econômica do marinismo parecem bem menos apegadas à ideia de que uma estatal existe como quintal onde o governo pode fazer suas manobras para compensar sua incompetência técnica na gestão da economia. Caso Aécio Neves consiga tomar de Marina o segundo lugar nas pesquisas, o otimismo se deslocará para ele. O que se tem como consenso é um “não” a Dilma.

Convenham: não foi por falta de advertência que os petistas estão colhendo esse resultado. Mas o poder sempre os tornou arrogantes demais para prestar atenção a uma crítica. Ao contrário: eles tratam os críticos a pontapés e chegam a financiar uma imprensa pirata só para desmoralizá-los.

Eis aí o resultado. Nunca ninguém cobrou que o PT fosse humilde. Dele se cobrou apenas que fosse racional. Mas são prepotentes demais para ouvir a voz da razão. E se tornam, então, eternamente responsáveis por aqueles que hostilizam.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 15:47

A lógica do “mal menor”

“O sentimento que nos move – PSDB, DEM e Solidariedade – é garantir a ida de Aécio para o segundo turno. Se não for possível, avalizar a transição para o segundo turno. Ou seja, com uma aliança com Marina Silva, por exemplo. É tudo contra um mal maior que é o PT.”

A fala é do senador Agripino Maia (DEM-RN), coordenador-geral da campanha do tucano Aécio Neves à Presidência da República. Convenham: caso Aécio não passe mesmo para o segundo turno, vai prevalecer nas hostes da oposição a lógica do mal maior/mal menor. Um apoio a Dilma Rousseff, nesse caso, seria impossível. O mais provável é que se externe o apoio a Marina, fora, no entanto, de qualquer compromisso futuro.

De resto, há a realidade. Ainda que tucanos e democratas advogassem a neutralidade, parte esmagadora do eleitorado de Aécio migraria para Marina por conta própria. Convenham: nestes 12 anos de poder, os petistas não buscaram exatamente estabelecer pontes com adversários. Ao contrário: sempre buscaram destruí-los.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 15:27

TRE indefere candidatura de Maluf; ele vai recorrer ao TSE e não tem como não perder. Aleluia!

Leiam o que informa a Folha. Volto em seguida.
Por Gabriela Terenzi:
O TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) indeferiu, nesta segunda-feira (1º), o registro de candidatura de Paulo Maluf (PP) a deputado federal, com base na Lei da Ficha Limpa. Por 4 votos a 3, venceu o entendimento de que a condenação de Maluf no caso de superfaturamento na construção do túnel Ayrton Senna, quando ele era prefeito de São Paulo, o enquadra no artigo da Ficha Limpa que trata da inelegibilidade por improbidade administrativa.

O candidato sempre negou todas as acusações de improbidade e alegou inocência em todo o processo. Cabe recurso da decisão ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Na última sexta-feira (29), o julgamento foi adiado após empate entre os membros da corte. Foi o voto do presidente do TRE, Antônio Mathias Coltro, que definiu o caso. Maluf foi condenado pelo Tribunal de Justiça em dezembro do ano passado. Além de ser um caso previsto na Lei da Ficha Limpa, a sentença do TJ previa a suspensão dos direitos políticos do ex-prefeito por cinco anos.
(…)

Voltei
A única coisa que não entendi na decisão do TRE foi o 4 a 3. Deveria ter sido 7 a zero em favor da cassação da candidatura. Qual é a dúvida? Maluf foi condenado por um colegiado, em segunda instância, por improbidade administrativa, antes do prazo final para o registro da candidatura. Os três que votaram contra podem não gostar da Lei da Ficha Limpa. Mas por que disseram que ela não se aplica?

É claro que Maluf vai recorrer ao TSE. E vai perder — ou estamos no manicômio. A situação dele é bem mais clara e explícita do que a de José Roberto Arruda. Afinal, o ex-governador do DF foi condenado depois do registro; mesmo assim, teve a candidatura anulada. Maluf não tem isso a seu favor. Nem isso nem a biografia. É claro que este senhor indica, assim, uma espécie de passagem melancólica do tempo. Explico: uma eleição sem este estorvo será a prova de que ficamos mais velhos. Mas temos de aprender a viver sem aquilo que nos empurra para o atraso, né? 

 

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 7:05

LEIAM ABAIXO

Marina, a energia nuclear e os gays. Ou: Setores da imprensa criticam as bobagens menos relevantes da candidata do PSB…;
Contrato de venda de jatinho em que viajava Campos não traz nem o nome do comprador; não vale nada!;
Dilma ataca programa de Marina para a indústria e sugere que ele pode desempregar. Bem, ela está.. certa!;
Não vamos arrochar salários nem assassinar velhinhas;
Entrevista de Serra: “Aécio sabe escolher bem a equipe; presidente não joga sozinho”;
Datafolha: é ruim para Aécio? É! Mas quem está no poder é o PT. Nesse caso, é pior. E o partido está fazendo tudo errado;
A fala indecorosa do vice de Marina Silva;
Boko Haram assassina cristãos no norte da Nigéria;
Grã-Bretanha eleva nível de ameaça terrorista;
Brasil em recessão: o país à espera de Godot. Será que ele usa xale e colares indígenas?;
Já começou a patrulha dos marineiros! Vão encher o saco do bagre do Jirau! “Beijinho no ombro”;
Economia brasileira entra em recessão técnica;
— O ódio a São Paulo e aos paulistas devotado pelo marido de Marina Silva, um de seus inspiradores políticos. Ou: Imaginem uma reforma tributária feita com este espírito…;
— Minha coluna na Folha: “Marina, a tirana de Brasília”;
— Janot pede revisão da Lei da Anistia. É mau direito e má ideia;
— Mais uma da “nova política”: Campos renovou incentivo fiscal de empresa que teria comprado jato de campanha do PSB. Ou: Caso de política e de polícia

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 6:55

Marina, a energia nuclear e os gays. Ou: Setores da imprensa criticam as bobagens menos relevantes da candidata do PSB…

O PSB lançou o seu programa de governo na sexta-feira. Trazia duas, vamos dizer, “inovações” em relação, se assim se pode dizer, ao “Marinismo Clássico”: o apoio ao desenvolvimento da energia nuclear e ao casamento gay. No capítulo dos direitos da chamada comunidade GLBT, hoje uma espécie de fetiche da imprensa dita “progressista”, a candidata prometia ainda apoio ao PLC 122 — a tal lei que criminaliza a homofobia. O texto ia adiante e dizia que o governo Marina também se comprometia com o tal Projeto de Lei da Identidade de Gênero Brasileira, de autoria dos deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Érika Kokay (PT-DF). A íntegra do texto, para os interessados, está aqui. Basicamente, o troço torna a identidade sexual de livre escolha, entenderam? Qual é o sexo do indivíduo para efeitos civis? Ele escolheria. Em que país do mundo é assim? Com essa largueza, em nenhum. Pô, se a gente tem jabuticaba e pororoca, por que não isso?

Muito bem! As coisas mudaram um pouco. Como lembrei no programa “Os Pingos nos Is”, na Jovem Pan, na sexta à noite, Marina Silva era contra o apoio ao desenvolvimento da energia nuclear. Pois é. E continua contra. Horas depois de o programa ter vindo à luz, interlocutores da candidata foram a público para divulgar a primeira errata. Não! Ela não quer dar apoio ao desenvolvido da energia nuclear. Um lembrete: Roberto Amaral, presidente do PSB, quando ministro da Ciência e Tecnologia de Lula, chegou a defender que o Brasil tivesse a bomba atômica. E como é que o programa veio a público sem a concordância de Marina? Vai saber…

Aí chegou a hora de fazer a segunda errata. Não! Marina, se eleita, não vai se comprometer com o casamento gay, mas apenas respeitar as consequências da decisão do Supremo, que equiparou as uniões civis hétero e homossexuais. Também não vai dar apoio formal ao PLC 122, a lei que criminaliza a homofobia, nem ao tal projeto sobre identidades sexuais.

Numa nota divulgada à imprensa, vazada naquela língua quase impossível falada pelo marinismo, ficamos sabendo que “em razão de falha processual na editoração, a versão do Programa de Governo divulgada pela internet até então e a que consta em alguns exemplares impressos, distribuídos aos veículos de comunicação, incorporou uma redação do referido capítulo que não contempla a mediação entre os diversos pensamentos que se dispuseram a contribuir para sua formulação e os posicionamentos de Eduardo Campos e Marina Silva a respeito da definição de políticas para a população GLBT”. Ufa!!! Ou por outra: o programa foi feito sabe-se lá por quem. Marina não concordava com ele.

Que coisa! O programa de governo de Marina faz algumas críticas à democracia que são, a meu ver, francamente obscurantistas; flerta com mecanismos pernósticos de democracia direta e, acho eu, diz coisas bastante perigosas sobre a indústria — tratarei desses assuntos em outra oportunidade. Mas só mesmo a mudança de redação do capítulo sobre os direitos da comunidade GLBT arrancou de setores da imprensa alguma crítica decepcionada. Atribui-se a alteração à religião de Marina, que pertence à Assembleia de Deus e foi, sim, criticada por muitos pastores.

Pois é… Quando há uma bolha favorável a alguém no noticiário, até a crítica funciona ao contrário, não é mesmo? Em vez de prejudicar, ajuda. De fato, todas as promessas que estavam no programa eram matéria a ser decidida pelo Congresso, não tarefa do Executivo. Uma coisa é um candidato se comprometer com o apoio genérico à causa da igualdade; outra, distinta, é entrar em minudências e garantir suporte a este ou àquele projetos em particular. Da forma como estava, com efeito, o programa de Marina mais tirava votos do que rendia adesões.

Nem entro no mérito se ela cobrou a alteração da redação pensando no eleitorado ou na sua religião. O que sei, e isto me parece claríssimo, é que a insistência da imprensa em atribuir as opiniões de Marina nessa área à sua confissão religiosa — e isso é sempre noticiado com viés negativo — mais fortalece do que enfraquece a candidata. O PLC 122 é um texto ruim e autoritário. A tal proposta sobre identidades sexuais, com a redação que tem, é uma aberração. Marina tem falado, a meu ver, bobagens estratosféricas — como aquela sobre os transgênicos. A correção do conteúdo do que ia no capítulo sobre a comunidade GLBT é um de seus acertos. Não obstante, é justamente esse o aspecto que mais lhe rendeu críticas na imprensa. Assim fica fácil demais para ela, não é mesmo?

Texto publicado originalmente às 4h39
Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 6:35

Contrato de venda de jatinho em que viajava Campos não traz nem o nome do comprador; não vale nada!

Pois é… Sabem o jatinho em que morreu Eduardo Campos e mais seis? É aquele que, segundo Beto Albuquerque, agora vice na chapa de Marina Silva, NÃO É PROBLEMA do PSB! Seria, então, de quem? A Folha teve acesso ao contrato — ou algo assim… — de venda do avião, que pertencia à AF Andrade, para um comprador. Que comprador? Não dá para saber! O nome é ilegível. Leiam trecho da reportagem de Mario Cesar Carvalho. Volto em seguida.

*
A proposta que selou a compra, por US$ 8,5 milhões (R$ 19 milhões), do jato que caiu com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) não cita nome nem informações sobre quem adquiriu a aeronave e não foi registrada em cartório. O documento, obtido pela Folha, traz só uma assinatura ao lado do local e data da proposta de compra (Recife, 15 de maio de 2014), o que é inusual para um negócio de quase R$ 20 milhões. O empresário pernambucano que foi apresentado pelo antigo dono do jato como o comprador, João Lyra de Mello Filho, recebeu da reportagem uma cópia do documento, mas não quis comentar se a assinatura na proposta era dele. João Lyra é dono de uma financeira em Recife, já foi multado por lavagem de dinheiro e não tem capacidade financeira de assumir uma dívida de US$ 8,5 milhões, segundo a Cessna.

O fabricante do jato recusou o nome dele para herdar o financiamento por falta de capacidade econômica. No contrato, o comprador se dispõe a pagar “todos os custos operacionais diretos e fixos da aeronave”, incluindo manutenção e salários dos pilotos. Os vendedores do jato, Alexandre e Fabrício Andrade, são os donos do grupo A. F. Andrade, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que já teve a maior usina de álcool no país, mas está em recuperação judicial, com dívidas que somam R$ 341 milhões. A ausência do nome é um indício de que o jato pode ter sido comprado com recursos de caixa dois de empresários ou do partido, segundo policiais ouvidos pela Folha.
(…)
Três advogados ouvidos pela reportagem, dois deles sob condição de que seus nomes não fossem citados, classificaram o documento de “papel de pão”, gíria para designar algo sem validade.
(…)

Voltei
É impressionante que os dirigentes do PSB procurem fazer cara de paisagem diante de um troço como esse. Caso Marina Silva seja eleita, é claro que seu mandato já começa com um escândalo no armário — evidência escancarada da “velha política”.

Não se trata de jogar a responsabilidade do avião nas suas costas. A questão não é pessoal. Caso se eleja, ela chega ao poder com um grupo de pessoas, com quem vai dividir a gestão — ou ela vai se declarar independente do PSB também? De resto, quando Marina foi bater à porta de Eduardo Campos, foi em busca também de sua estrutura, não é? Se ela apenas quisesse participar do pleito, poderia ter escolhido uma das várias pequenas legendas que lhe ofereceram abrigo temporário.

Qualquer político estaria obrigado a explicar esse imbróglio. No caso de Marina, esse peso é ligeiramente maior porque ela aponta o dedo contra todo o processo político e o chama de “velho” e viciado. E aquele em que ela se ancora hoje? É o quê?

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 5:48

Dilma ataca programa de Marina para a indústria e sugere que ele pode desempregar. Bem, ela está.. certa!

Às vezes, é preciso que a gente se prepare para a hipótese de a presidente Dilma Rousseff estar certa, mesmo quando fala como a candidata Dilma Rousseff. Neste domingo, ela deu uma rápida declaração no Palácio da Alvorada e se disse preocupada com o conteúdo do programa de Marina Silva para a indústria brasileira. Como Marina apareceu em primeiro lugar no segundo turno em duas pesquisas, a do Ibope e a do Datafolha, confesso que eu também me preocupei. Vai que ela se eleja. Não sei bem o que pode sair.

Muito bem! Mais de uma vez já critiquei aqui a alta carga tributária brasileira, que convive, não obstante, com desonerações concedidas a este ou àquele setores. Sei que a tarefa não é fácil e a resposta não é simples, mas melhor seria uma carga média mais baixa sem precisar escolher este ou aquele para conceder um prêmio. Mas é evidente que entendo que o governo brasileiro — a exemplo do que fazem todos — pode e deve criar mecanismos para dar incentivo à sua indústria. Ou por outra: uma política industrial é, sim, necessária: porque o setor gera os melhores empregos, os mais bem remunerados, e porque isso implica desenvolvimento de tecnologia. A perda de competitividade da indústria e sua queda na participação do PIB são, sim, problemas graves. Quem tiver dúvidas a respeito que pergunte ao resto do mundo, em especial à China.

O programa de Marina diz coisas estranhas em pelo menos dois momentos. No “Eixo 5”, pomposamente intitulado de “Novo Urbanismo, Segurança Pública e Pacto Pela Vida”, critica severamente a redução de IPI para a compra de carros. Com a devida vênia, é papo de ongueiro natureba. Esperem aí! A indústria automobilística emprega mais de 130 mil pessoas; a de autopeças, quase 330 mil; a de pneus, 26 mil. Quando se calculam os empregos indiretos, chegamos facilmente a alguns milhões. O governo Dilma cometeu muitas barbeiragens — e a redução de IPI não foi uma delas.

Na chamado Eixo 2, na página 73, o programa de Marina critica a forma como se dá a política de proteção ao conteúdo local de determinados setores da indústria, mas não diz exatamente o que pretende fazer, limitando-se a afirmar que tal iniciativa deve ter um tempo limitado e constituir exceções, não a regra. E ponto.

O PT percebeu a fragilidade das formulações do programa de Marina e aproveitou para atacar: “Eu não fui eleita para desempregar ou para reduzir a importância da indústria”. E emendou: “Nós não queremos que os carros sejam só montados no Brasil. Eles podem ser produzidos no Brasil, mas, sobretudo, sofrer no Brasil as inovações que são fundamentais na indústria”.

Pois é… Fazer o quê? De vez em quando, Dilma pode estar certa. Nesse caso, está. Qualquer presidente em seu lugar — e, antes dela, no de Lula — teria reduzido os impostos dos carros para manter os empregos. Se presidente, Marina teria feito o quê? Um retiro espiritual para meditar sobre o assunto? “Você não acha penoso, Reinaldo, ter de admitir que, em certos casos, Dilma fez a coisa certa?” Eu não! Já havia dito isso antes. Tenho compromisso com os fatos. E só.

 

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 5:45

Não vamos arrochar salários nem assassinar velhinhas

Érica Fraga e Mariana Carneiro, na Folha:
“Nomeado” futuro ministro da Fazenda, caso Aécio Neves (PSDB) vença a eleição, Arminio Fraga, 57, reclama do aparente patrulhamento, na sua opinião, do atual debate sobre problemas econômicos. Ele diz que precisa “fazer um discurso” antes de tratar de temas relevantes, como o reajuste do salário mínimo e as mudanças na previdência. “Senão, você é acusado de ser assassino de velhinhas, o que obviamente não é o caso.” Falar da discussão muda a fisionomia do (quase sempre pacato) economista: “Eu tenho que fazer um preâmbulo. Se não, imediatamente, o PT vai falar: Eles vão arrochar os salários, arrochar os aposentados’”, afirmou. Nesta entrevista à Folha, Arminio fala sobre uma das bases de maior apoio político de Aécio: a diminuição da oferta de empréstimos do BNDES. “O empresariado tem que se engajar numa posição mais moderna.” Para ele, sua “nomeação”, sozinha, não representa um choque de confiança. “Arminio Fraga não resolve nada.”

Folha – Se Aécio Neves vencer, qual será a regra de reajuste do salário mínimo?
Arminio Fraga
 -
O Aécio já declarou que a política de aumento real do salário mínimo continua. A regra, no mínimo, vale por um ano e a essa altura não vejo por que mudar –a preocupação é que ele [o reajuste] fique até baixo neste momento.
Eu disse, e fui mal interpretado, que os salários em geral tinham subido muito, e que para continuar a subir, o que é totalmente desejável e alcançável, o Brasil teria que mostrar também um crescimento da produtividade. Como acredito que, com Aécio, os salários vão subir, sinceramente, não tenho problema com essa fórmula.

Economistas próximos do sr. dizem que a regra atual onera a Previdência e desequilibra as contas do governo.
O papel de um futuro ministro da Fazenda não é tanto ter uma opinião a respeito disso, mas mostrar qual é o orçamento e qual é a tendência no médio prazo. Eu acho que isso está fazendo falta, o Brasil está voando no escuro, em um ambiente de um populismo exacerbado.

Vocês são críticos à atuação do BNDES, mas o banco oferece crédito barato para parte do empresariado. Como dizer para eles que isso tem de mudar?
O empresariado hoje entende que esse mercado de crédito dual, onde alguns privilegiados recebem crédito e a maioria não recebe, não é bom. Indiretamente põe pressão no juro, tem implicações distributivas perversas e, no fundo, existe porque outras coisas não estão funcionando.
Se outras coisas forem postas para funcionar, todo esse aparato de UTI pode ser removido. Fazer uma reforma tributária que desonere a exportação, o investimento, simplifique o sistema [tributário], tem um impacto enorme. Mobilizar capital para infraestrutura e arrumar a casa para ter um juro mais baixo para todo mundo tem um impacto enorme também.

Essas políticas, não só o crédito subsidiado, mas muitas das desonerações e do aparato protecionista, não são a resposta ideal.
À medida que se possa corrigir essas falhas, será possível desfazer esse caminho que não está dando certo. Alguém acha que a indústria no Brasil está indo bem, com todo esse crédito, subsídio e proteções?

Um ajuste fiscal envolveria cortar quais gastos?
A sociedade tem que fazer opções. O nosso papel é colocar essa discussão na mesa, de uma maneira que ela possa ser concluída com mais consciência dos custos e benefícios e quais são os efeitos do ponto de vista do crescimento, da distribuição de renda. Há um imenso espaço para fazer políticas que teriam impacto redistributivo relevante. O caminho a seguir foi mapeado pelo FHC. Ele tomou a decisão de delegar áreas que naquele momento faziam parte do governo para o setor privado, sob supervisão, para focar em saúde e educação. Foi um pacto extraordinário. Essa discussão tem que ser permanente.

O sr. falou em tirar subsídios e focar na redução da desigualdade. Como os empresários reagiriam?
Eles temem que a correção dos fundamentos [da economia] não ocorra e eles fiquem no pior dos mundos. Mas acho que o empresariado tem de se engajar numa posição mais moderna. O melhor exemplo é o Pedro Passos [sócio da Natura e colunista da Folha], que com muita coragem está quebrando todos os tabus e defendendo posições muito parecidas com essas. Acho que esse esgotamento do modelo já é entendido pela maioria. Ninguém gosta de ficar indo a Brasília negociar alguma coisa. Mesmo os que se beneficiavam mais disso estão vendo o Brasil parando.
Eu tenho a convicção de que arrumar a casa, fazendo ajustes, vai gerar crescimento. A recessão já chegou.
(…)

Por que a independência do Banco Central não é bandeira do PSDB?
Esse é um tema antigo e polêmico dentro do PSDB. O partido sempre gostou da ideia de dar autonomia ao Banco Central, mas com algum mecanismo de proteção em relação a problemas extremos, como o Banco Central trabalhar mal. O Aécio deixou claro que vai dar a chamada autonomia operacional ao Banco Central e não está fechado discutir a lei.
(…)

O sr. participaria de um eventual governo Marina Silva?
Estou discutindo esses temas com Aécio há quase dois anos e acredito que ele é o caminho. Eu não vou. Não pretendo ir se não for com ele.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2014

às 2:32

Entrevista de Serra: “Aécio sabe escolher bem a equipe; presidente não joga sozinho”

Assista, abaixo, à entrevista que o tucano José Serra, candidato do PSDB ao Senado por São Paulo, concedeu à jornalista Joice Hasselmann, no programa “Direto ao Ponto”, na TVeja. Serra tratou de vários assuntos que dizem respeito ao Estado e falou também sobre a eleição presidencial. Segundo ele, uma das grandes virtudes do presidenciável tucano Aécio Neves é “saber escolher bem a equipe, e presidente da República não joga sozinho”. Serra falou ainda das demandas do Estado de São Paulo e fez o elenco de projetos que pretende apresentar, especialmente na área da saúde.

 

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 23:27

Datafolha: é ruim para Aécio? É! Mas quem está no poder é o PT. Nesse caso, é pior. E o partido está fazendo tudo errado

Pois é… Segundo o Datafolha, e acredito que os números possam estar, quando menos, próximos da realidade, Dilma Rousseff, do PT, e Marina Silva, da Rede (mas aboletada no PSB), têm 34% das intenções de voto no primeiro turno. Aécio Neves, do PSDB, aparece em terceiro lugar, com 15%. Nas simulações de segundo turno, a ex-senadora e ex-petista vence a presidente por 50% a 40%. A diferença entre Dilma e Aécio segue de oito pontos apenas: 47% a 39% em favor de Dilma há duas semanas; 48% a 40% agora.

Vejam que coisa: nem nos melhores sonhos do PSDB, imaginava-se que Aécio pudesse ter, a esta altura, no segundo turno, apenas 8 pontos de diferença em relação a Dilma. Chamo a atenção para esse aspecto por dois motivos:
– oito pontos de diferença, numa disputa binária, entre A e B, podem ser apenas quatro;
– oito pontos de diferença, apesar da máquina oficial e da demonização permanente dos tucanos, seriam uma verdadeira bênção.

Ocorre que existe um primeiro turno no caminho, tanto quanto existia uma pedra à frente do mineiro Carlos Drummond de Andrade. E é evidente que a situação é muito difícil.

Marina se tornou a caudatária dos votos que já tinha — no último Datafolha em que seu nome apareceu, antes da definição do nome de Eduardo Campos, tinha 27% —, da comoção gerada pela morte de Eduardo Campos e da crescente repulsa ao governo Dilma, que, parece-me, é superior ao que captam as pesquisas.

Há um enfaro óbvio com “tudo isso o que está aí”. Em primeiro lugar, rejeita-se é o petismo mesmo, com todas as suas fraudes contra os fatos e contra o óbvio. Em segundo lugar, mas não menos importante, temos a rejeição à política.

Há, acrescente-se, a estupidez petista e o desastre da ideia fixa. O petismo está preparado para enfrentar os tucanos; para satanizá-los; para desqualificá-los; para transformá-los na morada de todo o mal. Mas não tem repertório para enfrentar Marina Silva. A cada vez que Dilma Rousseff ataca o PSDB e FHC, o que faz é reforçar o discurso de Marina Silva. É de tal sorte estúpido que, nos dias atuais, o PT se dedique a atacar Aécio e o PSDB que me pergunto se essa gente continua com seus meridianos ajustados.

Os idiotas da objetividade do PT podem achar que enfrentar uma Marina no segundo turno pode ser melhor do que enfrentar um Aécio porque, afinal, ela terá menos estrutura e menos aliados. É só manifestação de ignorância. Deveriam se lembrar da fala de Walker, do filme “Queimada”, de Gillo Pontecorvo: fogo não atravessa o mar, mas ideias, sim. Marina encarna uma abstração, um valor, não uma proposta objetiva de mudança. E isso quer dizer que seu poder de contaminação é muito maior.

Mas os petistas são reféns de suas ideias fixas, de suas taras. Se não mudarem o rumo da prosa, Dilma, reitero, pode começar a fazer as malas. O mais impressionante: o PT não perderá, nesse caso, a eleição para as propostas objetivas do PSDB, mas para as ideias etéreas de Marina, que atravessam mares. Ainda que não tenham a menor importância.

O Datafolha é ruim para Aécio? É. Mas quem está no poder é o PT. Nesse caso, é pior! E o partido está fazendo tudo errado! 

 

Por Reinaldo Azevedo
 

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