Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

20/10/2014

às 20:31

AO VIVO, na VEJA.com

Acompanhe mais uma participação no programa Aqui entre Nós, na VEJA.com, a partir das 20h30. Assista aqui.

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2014

às 20:14

No Datafolha feito hoje, Dilma tem 52% dos válidos, e Aécio, 48%

O Datafolha realizou uma pesquisa nesta segunda-feira. Dilma Rousseff, do PT, aparece à frente de Aécio Neves, do PSDB. Se a eleição fosse hoje, segundo o instituto, a petista teria 46% dos votos totais, contra 43% do tucano. Nos votos válidos, ela teria 52%, e ele 48%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos, para cima ou para baixo, o que coloca os candidatos tecnicamente empatados.

Ainda segundo o Datafolha, a rejeição a Aécio passou de 38% para 40%, num sinal de que a campanha de difamação movida pelo petismo surtiu efeito. Aliás, independentemente das afinidades eletivas, a pior mensagem que esses números do Datafolha passam, a estarem certos, é esta: a pauleira funciona. A máquina do partido de destruir reputações deve se sentir muito orgulhosa.

É claro que o PT não pode sair por aí cantando vitória, até porque seus próprios números não endossam essa diferença. Ou por outra: a pesquisa do Datafolha é bem melhor para o PT do que aquelas que o próprio partido encomendou.

Ainda voltarei a esse assunto.

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2014

às 19:25

Petistas usam foto fraudada de Neymar em campanha. É o vale-tudo!

No dia 24 de agosto, Neymar publicou uma foto nas redes sociais com uma mensagem em que dava os parabéns a seu filho, Luca, comemorando seu aniversário. Pois é… Partidários da petista Dilma Rousseff fraudaram a imagem. Em lugar na homenagem ao filho, aparece uma falsa declaração de voto a Dilma. Vejam.

foto fraudada

Pior: um site da campanha de Dilma publica a foto como se verdadeira fosse. Vejam.

site petista com Neymar

A 9ine, a empresa que cuida da imagem de Neymar no Brasil, divulgou uma nota oficial a respeito. Leiam.

“A 9ine vem por meio deste comunicado esclarecer a todos que nos últimos dias tem circulado, em diversas redes sociais, uma imagem do jogador de futebol Neymar indevidamente alterada. A verdade é que o atleta postou uma foto sua segurando um cartaz com mensagem de parabéns ao filho, por quem ainda declara o seu amor. O que aconteceu é que a frase foi maldosamente alterada em beneficío de um partido político. A 9ine, como parceira da NR Sports, que é a empresa responsável pelo gerenciamento de imagem de Neymar, esclarece, a pedido de seu atleta, que Neymar não divulga o voto e que qualquer imagem partidária envolvendo opção de voto do jogador é falsa.”

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2014

às 15:57

Lewandowski defende tese petista de financiamento de campanha em meio o imbróglio da Petrobras. É o fim da picada!

Já tratei do assunto muitas vezes e o faço de novo. E eu o farei quantas vezes achar necessário e enquanto a ameaça pairar sobre nós. E continuarei a fazê-lo ainda que o STF venha mesmo a tomar a decisão infeliz: refiro-me à possibilidade de se proibirem as doações de empresas privadas a campanhas eleitorais. Se e quando isso acontecer, e estamos muito perto, boa parte do processo político brasileiro mergulhará definitivamente na clandestinidade. O equívoco do dia é do ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo.

Ele foi convidado a falar na Conferência Nacional de Advogados, que começou nesta segunda, no Rio. A seu lado, estava outro companheiro de tribunal — e põe companheiro nisso — Luís Roberto Barroso, verdadeiro formulador e patrocinador da tese da proibição das doações privadas, apresentada pela OAB; tese da qual, depois, ele foi juiz, o que deveria escandalizar os advogados presentes à conferência. No discurso de abertura do evento, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, destacou a necessidade de  criar novas regras para o processo eleitoral. Coêlho, diga-se, é um pré-candidato ao Supremo. Parece a Casa do Bolinha.

Lewandowski, Barroso e Coelho aderiram à proposta do PT, segundo a qual é preciso instituir o financiamento público de campanha. Infelizmente, essa proposição já conta hoje com a maioria do Supremo. Só não se bateu o martelo ainda porque o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo.

Atenção, senhores leitores. Na origem dessa formulação — e pouco me importa se esses senhores tão sérios e tão vetustos se dão conta disto ou não —, está a incrível má-fé de políticos e partidos que pretendem justificar seus crimes, atribuindo-os à lei eleitoral. Pergunto: foi a necessidade de financiar campanhas políticas que forçou o PT a organizar o mensalão? A resposta é “não”! O “petrolão”, que é o assalto organizado à Petrobras, é só uma consequência indesejada de uma lei carrasca? Uma ova!

Pra começo de conversa, o dinheiro público já financia as legendas. O Fundo Partidário, dinheiro saído do Tesouro, terá distribuído ao fim deste ano R$ 313.494.822,00. O horário eleitoral custará em renúncia fiscal R$ 839 milhões. Só esses dois itens já somam R$ 1.152.494.822. E olhem que não está nessa conta o custo do horário político gratuito — que é diferente do eleitoral.

Atenção! Segundo dados do próprio TSE, com base nas previsões de despesas dos candidatos, as eleições de 2014 custarão, no mínimo, R$ 74 bilhões. E olhem que, todos sabemos, os partidos costumam mentir. Por baixo, estimo que o conjunto fique em torno de R$ 100 bilhões: quatro orçamentos anuais do Bolsa Família! O Tesouro dispõe desse dinheiro?

Caso se institua o financiamento público, é claro que esse valor será drasticamente reduzido — e, pois, faltará grana aos partidos, que recorrerão, sim, às empresas. Como estarão impedidas de doar legalmente, o que se terá é um aumento brutal do caixa dois. Mais: enquanto as estatais estiverem loteadas entre partidos, serão terrenos férteis para a corrupção — e pouco importa se os ladrões roubarão para si ou para seus partidos.

A tese da proibição das doações privadas de campanha, que hoje une o presidente do Supremo, outros ministros da Corte e o presidente da OAB — com o apoio burro de parte considerável da imprensa —, é de uma incrível irresponsabilidade. Os criminosos e larápios estão rindo de orelha a orelha. Tudo o que querem é uma legislação que crie imensas dificuldades para que eles possam cobrar mais caro pelas facilidades. Se, hoje, com a lei permitindo as doações privadas, as estatais já se transformaram em instrumento de extorsão de empresas privadas, imaginem como será depois.

O pior é ver esses senhores vetustos a defender tamanha estupidez com aquele ar sério e compenetrado. Ignoram a lógica elementar, mas afetando a gravidade de grandes pensadores.

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2014

às 14:53

Uma nota da Previ enviada a este blog

Publiquei aqui no dia 16 um post intitulado “A quadrilha atuou também no fundo de pensão da Petrobras, diz PF”, em que citava, lateralmente, a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Recebo da direção desse fundo a seguinte nota:
*
Caro Reinaldo Azevedo,

A propósito da nota intitulada “A quadrilha atuou também no fundo de pensão da Petrobras, diz PF”, publicada em seu blog na quinta-feira, a Previ não tem déficit de R$ 5 bilhões. A instituição vem apresentando sucessivos superávits acumulados em seu principal plano administrado, o Plano 1, que encerrou 2013 com mais de R$ 24 bilhões acima do montante necessário para arcar com todos os compromissos atuais e futuros com seus participantes (de R$ 114 bilhões), totalizando ativos de R$ 138 bilhões. Esses dados constam do Relatório Anual disponível na área pública do site da Previ.

Além disso, graças ao cenário econômico favorável e à gestão ativa pautada exclusivamente por critérios técnicos, a rentabilidade da Previ foi de 507,89% nos últimos dez anos, contra uma meta atuarial de 225,97%. É essa visão de longo prazo que deve sempre guiar as diretrizes de um fundo de pensão.

Roberto Sabato
Gerente Executivo de Comunicação

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2014

às 7:09

LEIAM ABAIXO

O debate entre Aécio e Dilma não teve pancadaria, mas isso não quer dizer que a petista não tenha espancado a verdade;
A população do Amazonas corre o risco de votar em José Melo e de eleger, sem saber, um traficante para cuidar da segurança pública. Intervenção federal já!;
Governo do Amazonas negocia apoio de traficantes para o 2º turno;
PALAVRA FINAL DE AÉCIO – “É preciso unir o Brasil”;
PALAVRA FINAL DE DILMA – O suposto confronto de dois projetos;
TERCEIRO BLOCO – curtinho e sem novidades;
Aécio e o atraso nas obras;
Dilma faz pergunta sobre educação;
O SEGUNDO BLOCO;
Dilma volta a falar inverdades sobre escolas técnicas;
Aécio faz pergunta sobre bancos públicos;
Dilma faz pergunta sobre segurança pública;
Aécio pergunta sobre a Petrobras;
ATÉ AQUI, SEM PANCADARIA;
Aécio faz pergunta sobre saúde;
Dilma volta a casos de corrupção do passado;
Aécio pergunta sobre roubalheira na Petrobras;
Dilma faz uma pergunta sobre o suposto fim da fome…;
Aécio faz uma pergunta sobre inflação;
Dilma faz uma pergunta sobre direitos trabalhistas;
Aécio faz pergunta sobre segurança pública;
Dilma pergunta sobre o Simples;
Vai começar o debate na Record;
A candidata Dilma conta mentiras sobre SP no horário eleitoral; pior: ela o faz falando em nome da “presidente“. É o fim da picada!;
Dilma degrada a Presidência da República no horário eleitoral;
Levantamentos apontam Aécio na frente; só o do PT diz o contrário…;
PT, petistas e seus puxa-sacos querem o monopólio da pancadaria. Quando as vítimas reagem, eles protestam;
Debate deste domingo;
Guilherme Fiuza e o PT: jornalista não quer conciliação com quem o persegue. Que bom!;
Dilma promete lutar para ressarcir os cofres da Petrobras… É mesmo? Quem vai devolver o dinheiro, “presidenta”?;
É João Santana quem decide quando Dilma fica indignada. Ou: A uma semana da eleição, candidata admite, de modo não muito convicto, roubalheira na Petrobras. Tomara que seja tarde!;
Correção de nome, não de substância;
— YOUSSEF CONFESSA: PROPINA DO PETROLÃO FINANCIOU CAMPANHA DE DILMA. É O MAR DE LAMA!;
— Dilma só é melhor do que Aécio quando fala sozinha. Ou: Não restou ao PT nada além do ódio, do rancor, do ressentimento e da pancadaria. Se vencer a eleição, como vai governar?;
— Dilma superestima o número de pessoas atendidas pelo Mais Médicos em mais de 30 milhões;
— “Aécio é o Brasil sem medo do PT”;
— Órgão dos EUA investiga se denúncia sobre Petrobras prejudicou acionistas

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2014

às 6:53

O debate entre Aécio e Dilma não teve pancadaria, mas isso não quer dizer que a petista não tenha espancado a verdade

O debate entre os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) rendeu uma média de 13 pontos no Ibope, o que é muito bom para o horário. O encontro, desta feita, foi um pouco mais frio do que o das outras vezes, embora não tenha deixado de ser tenso. A menos que eu tenha perdido, não se ouviu a palavra “mentira”, ainda que os dois candidatos tenham concordado em discordar sobre todos os assuntos. Mais uma vez, Dilma quis falar de um Brasil que já passou, citando números conforme lhe dava na telha, e Aécio, de um país que pode ser. Assim, de novo, ela investiu na política do medo, e ele, na da esperança de dias melhores. Dilma repetiu a relação absurda estabelecida no debate da Jovem Pan-UOL-SBT: afirmou que o país só conseguiria chegar a uma inflação de 3% com um choque de juros e triplicando o desemprego. É espantoso que uma presidente da República trate de assunto tão sério com tamanha ligeireza. Dá para entender por que os mercados entram em pânico se acham que sua situação eleitoral melhora? Mais: se, no sábado, ela admitiu que houve roubalheira na Petrobras, no domingo, já ensaiou um recuo. Basta rever o embate para que se constate que essa não é uma leitura que manifesta boa vontade com ele e má vontade com ela.

Um debate, a rigor, para ser sério, tem de contar com honestidade intelectual. A fala final de Dilma foi, de fato, a síntese de suas intervenções: segundo ela, estão em confronto dois modelos: um que teria proporcionado “avanços e conquistas” (o seu), e outro que teria condenado o povo ao desemprego e ao arrocho salarial” (o da oposição). Resumir os oito anos de governo FHC a esses dois termos nem errado chega a ser; é apenas estúpido.

Pela enésima vez foi preciso ouvir Dilma a afirmar que o governo FHC proibiu a criação de escolas técnicas: falso! Que apenas 11 foram construídas na gestão tucana. Falso. Que seus adversários tentaram privatizar a Petrobras. Falso. Que eles pretendem cortar direitos trabalhistas. Falso. Que são contra a participação dos bancos públicos na economia. Falso. O problema do PT na propaganda e no debate é responder a um adversário que o partido inventou, que não existe.

Petrobras
O debate deste domingo serviu para evidenciar como é realmente sensível o caso Petrobras. Se, no sábado, ela admitiu que houve desvios na Petrobras, no debate deste domingo, já foi mais ambígua, falando que há apenas “indícios de desvios”. Uau! Só os “indícios” que foram parar no bolso de Paulo Roberto Costa somam admitidos R$ 70 milhões. João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, é apontado por Costa e Alberto Youssef como um dos chefões do esquema. O partido ficaria com 2% de todos os grandes contratos. O tucano quis saber se Dilma confia em Vaccari, já que o homem é até conselheiro de Itaipu. Ela não respondeu.

Dilma apelou, mais uma vez, ao Mapa da Violência para afirmar que, em Minas, o número de homicídios cresceu mais 50% na gestão de Aécio. E ainda pediu que ele fosse ver a tabela. Eu fui. Ele governou o Estado entre janeiro de 2003 e março de 2010 — logo, os números que lhe dizem respeito são aqueles desse período. Vejam as tabelas abaixo, que trazem os mortos por 100 mil habitantes dos Estados brasileiros e das capitais.

Mapa da Violência - Minas

Mapa da Violência - capitais

Os homicídios no Estado entre 2003 e 2009 tiveram um crescimento de 14%, não de mais de 50%, e os da capital caíram 13,7%. Agora olhem este outro quadro:

Mapa da Violência Minas - ranking

Minas tem a segunda maior população do Brasil, mas está em 23º lugar no ranking dos Estados em que há mais mortes. Vejam lá o que se deu na Bahia do petista Jaques Wagner: ele chegou ao poder com 23,5 mortos por 100 mil, e a taxa saltou para 41,9 em 2012, um crescimento de 78,2%. Que tal analisar o Piauí? Os petistas pegaram o Estado com taxa de homicídios de 10,2; em 2012, era de 17,2, com aumento de 58,2%. A tragédia da incompetência petista na área se repetiu em Sergipe: os petistas assumem em 2007 com taxa de 29,7, e esta se elevou para 41,8 dez anos depois, com crescimento de 40,7%. Mas o PT se comporta como professor de segurança pública. Se deixar, eles dão aula até para São Paulo, que hoje tem a menor taxa do país.

O debate deste domingo não teve pancadaria, mas isso não quer dizer que a verdade não tenha sido severamente espancada.

Texto publicado originalmente às 5h05 desta segunda

 

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2014

às 6:13

A população do Amazonas corre o risco de votar em José Melo e de eleger, sem saber, um traficante para cuidar da segurança pública. Intervenção federal já!

Os Poderes instituídos do Brasil não podem fazer de conta, nesta segunda-feira, que nada aconteceu ou está acontecendo no Amazonas. Reportagem de Leslie Leitão na VEJA.com relata um absurdo, um escândalo sem precedentes, uma disparate. Autoridades que falam em nome do governador José Melo (PROS) negociam abertamente com o maior traficante do Estado o apoio do crime organizado a Melo, que disputa o segundo turno da eleição com Eduardo Braga, do PMDB. Agora dá para entender por que um dos Estados menos habitados do país — 15º no ranking das 27 unidades da federação — é também um dos mais violentos: 11º lugar no ranking de homicídios, com 36,7 mortos por 100 mil habitantes. É mais do que o triplo de São Paulo. A presidente Dilma Rousseff fez uma longa digressão a respeito de segurança pública no debate de ontem. Melo é seu aliado. O governo ajudou a criar o tal PROS, o partido ao qual pertence o sujeito.

A transcrição dos diálogos é asquerosa. O encontro se dá nas dependências do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), a maior unidade prisional do Amazonas. De um lado, o traficante José Roberto Fernandes Barbosa, líder da “Família do Norte”, que domina a venda de droga e os presídios no Estado. Do outro lado — ou do mesmo lado? —, o subsecretário de Justiça e Direitos Humanos — órgão responsável pelo sistema penitenciário no estado —, major Carliomar Barros Brandão.

A conversa, gravada por um dos presentes à reunião, não deixa a menor dúvida sobre o que se estava fazendo lá. Diz o traficante: “Vamos apoiar o Melo, entendeu? A cadeia… Vamos votar, minha família toda, lá da rua, entendeu? Não tem nada não (…). A gente quer dar um alô, que ele não venha prejudicar nós. E nem mexer com nós”. E o subscretário promete: “Não, ele não vai, não”. E esse acordo fica explícito: “A mensagem que ele mandou para vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês, não”.

Mais escandaloso ainda: durante a conversa, o bandido confessa à autoridade que ele manda eliminar os adversários mesmo. E deixa claro que aprova as ações do governador Melo: “Tá vendo o que está acontecendo em Santa Catarina? É o comando dos caras, que estão rodando lá por causa do governo dos caras. Tá vendo aqui, a cadeia tá tudo em paz porque o governo daqui não mexe com nós”.

VEJA ouviu o tal Carliomar: ele admite que estava no presídio em missão oficial, com conhecimento do secretário de Segurança Pública.

As conversas, ouçam lá no site de VEJA, são explícitas, são arreganhadas, são inequívocas. O poder estadual está negociando a segurança pública com o crime organizado em troca de votos. O mínimo que a Procuradoria-Geral da República tem de fazer é solicitar a intervenção federal no Estado. A população do Amazonas corre o risco de votar em José Melo e acabar elegendo, sem saber, traficante como secretário de Segurança Pública.

Este senhor não pode ser eleito. Se eleito, tem de ser deposto pela lei e pelo bom senso.

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2014

às 1:13

Governo do Amazonas negocia apoio de traficantes para o 2º turno

O governador do Amazonas, José Melo de Oliveira (PROS) (Alan Marques/Folhapress)

O governador do Amazonas, José Melo de Oliveira (PROS) (Alan Marques/Folhapress)

Por Leslie Leitão, na VEJA.com:
A conversa mais parece um bate-papo informal entre amigos em uma mesa de bar. O teor, no entanto, revela uma relação promíscua entre o poder e o crime. O encontro se dá dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), a maior unidade prisional do Amazonas, e reúne na mesma sala o maior traficante do estado e um integrante da cúpula da Secretaria de Justiça. O objetivo do encontro é simples: negociar o apoio das quadrilhas ao candidato à reeleição, o atual governador José Melo (PROS), no segundo turno das eleições, no próximo domingo. São cerca de 30 minutos de uma gravação feita por um dos presentes ao encontro, a que o site de VEJA teve acesso.

“Vamos apoiar o Melo, entendeu? A cadeia…vamos votar minha família toda, lá da rua, entendeu? Não tem nada não, a gente não conhece o Melo (trecho inaudível), a gente quer dar um alô, que ele não venha prejudicar nós. E nem mexer com nós”, diz o traficante José Roberto Fernandes Barbosa, conhecido como Zé Roberto, uma das maiores lideranças da facção Família do Norte, que domina o tráfico em território amazonense.

A resposta vem do subsecretário de Justiça e Direitos Humanos (órgão responsável pelo sistema penitenciário no estado), major Carliomar Barros Brandão: “Não, ele não vai, não”. E esse acordo fica explícito: “A mensagem que ele mandou para vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês, não”.

A promessa logo no início deixa a conversa mais informal. E durante boa parte do tempo é Zé Roberto quem fala. Em vários trechos o criminoso confessa assassinatos de inimigos ou de quem não reza pela cartilha da quadrilha que controla. Quando o assunto é política, entretanto, mostra-se receptivo e faz promessas como se fosse um cabo eleitoral.

“Tá vendo o que está acontecendo em Santa Catarina (vários ataques)? É o comando dos caras, que estão rodando lá por causa do governo dos caras. Tá vendo aqui, a cadeia tá tudo em paz porque o governo daqui não mexe com nós”, afirma o criminoso num dos trechos, no que ouve a resposta de Carliomar: “O que ele quer é isso, é a cadeia em paz”. O major, em momento algum, fala o nome do governador José Melo na gravação. Procurado por VEJA, no entanto, ele admitiu o encontro, e disse ter ido ao local em missão oficial: “Comuniquei ao secretário  porque tínhamos informações de que haveria um banho de sangue lá dentro da cadeia, e fomos tentar conversar para evitar isso”, disse, negando qualquer intenção eleitoreira.

Mas a gravação é clara em outros trechos de que, sim, trata-se de um acordo entre governo e o crime organizado amazonense. Dentro da sala, além do diretor do presídio, capitão José Amilton da Silva, do major Carliomar e de Zé Roberto, estão outros detentos. O oficial diz lembrar apenas de um, mesmo assim pelo apelido: Bicho do Mato. Ele se refere a um dos líderes do bando, Francisco Álvaro Pereira. Zé Roberto fala das condições precárias, de algumas regalias e diz que ele próprio, se quisesse, poderia fugir. “A mensagem que ele mandou para vocês, agradeceu o apoio e disse que ninguém vai mexer com vocês, não”, afirma Carliomar na conversa.

Então, em seguida, faz uma projeção sobre o número de eleitores que conseguirá angariar para José Melo no seguinte diálogo: “Eu acho que de voto ele vai ter de nós mais de cem mil votos”, diz, completando: “Você imagina cada preso que tem família lá, se a gente der uma ordem eles vão cumprir. Não é igual aqueles caras que se der 100 reais que diz que vai votar e não vota. O nosso vai votar no Melo porque nós mandemos (sic)”, afirma. A resposta do subsecretário é seca: “Certo, tô sabendo”.

No final da conversa, já com o clima bem mais ameno, vários interlocutores chegam a fazer piadas. “Não esquece, no 90″, diz o diretor da unidade, capitão Amilton, numa referência ao número eleitoral de José Melo. Outro homem, não identificado pela reportagem de VEJA, emenda: “Eu vou pra uma festa lá na casa (inaudível). Olha o nome: Festa dos anos 90. E vai acabar a festa às 5 horas, 55 minutos da manhã”, diz, para gargalhada geral, numa referência ao número 555, usado pelo ex-governador e agora eleito senador Omar Aziz, de quem José Melo foi vice nos últimos sete anos. Neste momento, então, é de Zé Roberto a promessa final: “O Melo vai ter mais votos de nós do que das outras pessoas que ele vai comprar aí…”.

O site de VEJA procurou o governo do Amazonas para falar sobre o caso. O secretário de Justiça, coronel Louismar Bonates, disse ter sido comunicado por seu subordinado (major Carliomar) do encontro após a reunião. “O objetivo era manter a paz lá dentro da cadeia”, afirmou. Bonates contou ainda um episódio ocorrido há cerca de dois meses, dentro da própria unidade prisional, durante um evento evangélico. Segundo ele, na ocasião o mesmo traficante Zé Roberto se aproximou para falar com ele: “Esse mesmo detento veio dizer que iria votar no José Melo e que era pra eu avisar isso. Eu disse para ele: “Isso aqui não é Colômbia, onde governo se vende para as drogas”. E é claro que não levei recado algum, senão eu seria demitido na hora. O governo não negocia com bandido”, disse o secretário de Justiça e Direitos Humanos.

Relações Perigosas
Trecho 1
Homem – Mano, vamos acertar isso com a direção (inaudível).
Traficante José Roberto Fernandes Barbosa – Vamos apoiar o Melo, entendeu? A cadeia…vamos votar minha família toda, lá da rua, entendeu? Não tem nada não, a gente não conhece o Melo (trecho inaudível), a gente quer dar um alô, que ele não venha prejudicar nós. E nem mexer com nós.
Subsecretário de Justiça Major Carliomar – Não, ele não vai, não.

Trecho 2
José Roberto – O que a gente quer do Melo? Que a polícia faça o trabalho dela, se prender um de nós com droga, vai prender, a gente vai respeitar. A gente não quer que fique matando, porque se matar e a gente começar a matar também. Os caras pensam que nós não tem peito. Nós tem tudo. Nós tem dinheiro, nós tem arma, tem tudo. Nós faz as coisas, se mexer com nós, se mexer com nossa família nós vai mexer, se prender lá fora, se botar na cadeia eu não tô nem vendo. Porque quem leva recado pra ele é você, ou o outro secretário lá. O recado que eu quero que o senhor leve pra ele, de nós, é que nós vamos apoiar ele.
Major Carliomar – Certo.
José Roberto – Que ele prenda nós lá fora com droga, a polícia prendeu com droga eu nô nem vendo. Mas que não venha perturbar nós
Major Carliomar – O que ele quer é sempre a paz na cadeia.
José Roberto – Tá vendo o que está acontecendo em Santa Catarina? É o comando dos caras, que estão rodando lá por causa do governo dos caras. Tá vendo aqui a cadeia tá tudo em paz porque o governo daqui não mexe com nós.
Major Carliomar – O que ele quer é isso, é a cadeia em paz

Trecho 3
Major Carliomar – A mensagem que ele mandou para vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês, não.
José Roberto – Eu acho que de voto ele vai ter de nós mais de cem mil votos, to te falando
Marjor Carliomar – Então, pra próxima vocês vão ajudar, né?
José Roberto – Você imagina cada preso que tem família lá, se a gente der uma ordem eles vão cumprir. Não é igual aqueles caras que se der 100 reais que vai votar e não vota. O nosso vai votar no Melo porque nós mandemos.
?Major Carliomar – Certo, tô sabendo.

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2014

às 0:23

PALAVRA FINAL DE AÉCIO – “É preciso unir o Brasil”

O tucano Aécio Neves também faz os agradecimentos e diz concordar que há, sim, um confronto entre dois projetos: “Um que se contenta em comparar o presente com o passado, talvez porque não tenha nada a propor, e outro que quer mudar o país. Diz que o país piora a cada dia com a volta da inflação e a baixa qualidade dos serviços. Ele agradece a forma como tem sido recebido pela população e afirma que já não é o candidato de um partido, mas de um sentimento de mudança que reúne muita gente. Afirmou: “É preciso unir o Brasil em torno de um grande e ousado projeto porque não podemos ter uma educação com tão baixa qualidade!”. E concluiu: “Assumo a responsabilidade de conduzir as mudanças com altivez, responsabilidade e amor pelo país para conduzir as mudanças, com o objetivo de fazer um Brasil decente e honrado para todos os brasileiros”.

 

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2014

às 0:06

PALAVRA FINAL DE DILMA – O suposto confronto de dois projetos

Dilma faz os agradecimentos de praxe e volta àquela ladainha de que há dois projetos em confronto: um que garantiu “avanços e conquistas”, e outro que “condenou o povo ao desemprego e ao arrocho salarial”. Dilma afirma que o telespectador sabe como é difícil mudar de vida e que isso é mérito de cada um, mas que ninguém é uma ilha. As pessoas só teriam melhorado porque o Brasil mudou. Segundo ela, isso se deveu ao fato de os governos do PT terem combatido a pobreza, aumentado os salários, criado empregos, investido em educação. E encerrou: “Nós, que lutamos tanto para melhorar a vida do povo brasileiro, não vamos deixar que a crise e o pessimismo tirem de você o que foi conquistado”.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 23:49

TERCEIRO BLOCO – curtinho e sem novidades

Nada de diferente. Até aqui, parece que os dois lados concluíram que a pancadaria é um jogo arriscado. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 23:46

Aécio e o atraso nas obras

Aécio pergunta por que as obras no governo Dilma não terminam nunca. Diz que entregaram as usinas Jirau, Santo Antônio e Belo Monte — tudo está em construção.  Agora ela lista algumas obras — sim, algumas, convenham, ela fez. Para lembrar: concluiu 12% das obras do PAC. Diz que, no setor elétrico, fez em quatro anos o que FHC fez em oito. Aécio diz que os nordestinos ainda não receberam uma gota de água da transposição do São Francisco.  Diz que a Transnordestina está parada. Fala do sobrepreço de Abreu e Lima. Dilma diz que, para quem tem como maior obra o Centro Administrativo de Minas, Aécio é bastante ousado. O que ela quis dizer? Não sei. Dilma também diz  que o governo FHC investia R$ 175 milhões em saneamento, e o PT, R$ 32 bilhões. 

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 23:40

Dilma faz pergunta sobre educação

Dilma fala que seu governo democratizou o acesso às universidades (eu resumi: ela se embananou toda). Pergunta o que Aécio acha do acesso amplo à universidade. Aécio diz que, quando pensa em educação, pensa primeiro em creche. Dilma prometeu em 6 mil creches, diz ter entregado 2 mil, mas o tucano diz que, de verdade, são umas 400. Aécio diz querer avançar na educação em tempo integral. Defende a flexibilização dos currículos do segundo grau. Diz que foi o que fez em Minas. Ele diz ter apresentando uma proposta de resgate de 20 milhões de brasileiros que não concluíram o ensino fundamental ou médio. Diz que a qualidade da educação no Brasil está nos últimos lugares. Dilma diz que “vocês sucatearam o ensino universitário”.  É mentira, claro! Diz que entregou 2 mil creches e está entregando 4 mil. Diz que as oposições foram contra o ProUni. Aécio diz que vai construir as creches que Dilma não entregou. Diz que governo não cumpriu os compromissos também na área de saneamento. Diz que vai valorizar os professores.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 23:31

O SEGUNDO BLOCO

A avaliação é a mesma: por enquanto, os dois candidatos resolveram trabalhar numa temperatura menor. A verdade, no entanto, continua a ser espancada.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 23:27

Dilma volta a falar inverdades sobre escolas técnicas

Dilma fala do Pronatec e insiste na mentira de que o governo federal proibiu a construção de escolas técnicas. Aécio desmente. E lembra que os números do Pronatec estão superestimados. Lembra que o Pronatec foi inspirado nas ETECs em São Paulo. Diz que o programa vai ser melhorado, aumentando o número de horas-aula. Dilma insiste na mentira das escolas técnicas. Eu vou voltar a essa história de novo.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 23:22

Aécio faz pergunta sobre bancos públicos

Aécio aponta terrorismo do PT, que acusa o PSDB de querer privatizar bancos públicos. Aécio diz que governo atrasa recursos para CEF e Banco do Brasil. Dilma diz que Aécio viu cantar o galo, mas não sabe onde. Dilma defende o papel do BNDES, do Banco do Brasil e da CEF, como se Aécio estivesse atacando. Dilma diz não haver financiamento de longo prazo no Brasil sem bancos públicos. Aécio se refere aos funcionários desses bancos, afirmando que eles podem ficar tranquilos: as instituições serão profissionalizadas, prestigiando os funcionários de carreira. Dilma diz que terrorismo quem faz é Armínio.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 23:17

Dilma faz pergunta sobre segurança pública

Dilma diz querer mudar a Constituição para o governo federal participar da segurança pública e quer saber o que Aécio acha. Ele pergunta por que ela não fez antes. Fala em melhorar controle das fronteiras e garantia de recursos. Prega uma nova relação com países que exportam drogas para o Brasil. Dilma diz que vai integrar as polícias todas, com as Forças Armadas. Uau! Agora vai. Aécio diz que Minas tem a segunda maior população do Brasil e a quinta menor taxa de homicídios. Aécio pergunta por que ela tirou a Polícia Federal dos Estados depois da Copa do Mundo. Aécio diz que é difícil acreditar que ela vai fazer agora o que não fez em 12 anos.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 23:11

Aécio pergunta sobre a Petrobras

Aécio fala sobre Petrobras. Diz que quem investiu R$ 1 mil no começo do governo Dilma tem agora só R$ 600. Diz que é o lado perverso do aparelhamento da máquina pública. Dilma insiste na mentira de que os tucanos quiserem privatizar a Petrobras. Dilma diz que os tucanos diziam que o Brasil não teria condições de explorar o pré-sal. É mentira também. Aécio diz que a Petrobras perdeu metade do valor de mercado. Deixou de frequentar a página de economia e foi parar na de polícia. Aécio diz o óbvio: pré-sal foi descoberto antes do governo do PT. Dilma diz que afirmar que a Petrobras perdeu valor é denegri-la. Diz que os tucanos gostariam de ver a Petrobras dividida entre as grandes empresas.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 23:03

ATÉ AQUI, SEM PANCADARIA

O debate está bastante duro, mas muitos graus abaixo da temperatura atingida no encontro anterior, promovido pela Jovem Pan, UOL e SBT. Depois faço um texto com a análise do encontro.

Por Reinaldo Azevedo
 

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