Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

23/09/2014

às 23:04

Áudio: senador do PT da Bahia responsabiliza seu partido por caixa dois. Ouça gravação!

Por Robson Bonin, na VEJA.com:
A edição de VEJA desta semana revelou um esquema milionário de desvio de verbas de programas sociais para campanhas do Partido dos Trabalhadores na Bahia. De 2004 a 2010, valendo-se de uma organização não governamental fundada por militantes, o PT conseguia desviar recursos de administrações petistas diretamente para o caixa dois eleitoral de campanha. Em entrevista, a presidente do Instituto Brasil, Dalva Sele Paiva, entregou uma lista de políticos e dirigentes petistas que se locupletavam da verba desviada inclusive do Fundo de Combate à Pobreza na Bahia. Além de deputados federais, deputados estaduais, secretários do governo Jaques Wagner (PT) e até integrantes do governo Dilma Rousseff, Dalva Sele aponta o vice-líder do PT no Senado, Walter Pinheiro, como um dos principais beneficiários do esquema. Segundo ela, parte da campanha de Pinheiro para prefeito de Salvador, em 2008, foi financiada com dinheiro sujo.

Confrontado por VEJA sobre as declarações de Dalva Sele, o senador contou sua versão da história em dois telefonemas. Na primeira ligação, Walter Pinheiro admite ter recebido ajuda de Dalva Sele na campanha, mas nega ter feito caixa dois. Depois, no segundo telefonema, ele envolveu seu próprio partido. Ao reconhecer a montagem do esquema, o senador condenou o PT por tê-lo atirado num clássico esquema de caixa dois eleitoral: “Essa mulher (Dalva) pertencia às correntes do PT, as mesmas correntes que nacionalmente viviam se estapeando comigo por causa do negócio do mensalão. Ela não veio para a minha campanha pelas minhas mãos, ela veio a partir das relações delas dentro do PT.”

As duas entrevistas concedidas por Walter Pinheiro foram gravadas. A primeira, foi registrada na reportagem de VEJA que está nas bancas. A segunda, foi publicada no site de VEJA. Ao ser questionado por suas declarações o senador resolveu voltar atrás nas suas palavras. “A matéria foi uma interpretação do repórter da revista, publicada fora do contexto do diálogo estabelecido, e parcialmente reproduzido por este site. Em nenhum momento, Pinheiro culpa o partido, mas uma ‘pessoa se dizendo ser do PT’”, diz Pinheiro em nota distribuída à imprensa. Ouça os trechos da entrevista em que Walter Pinheiro responsabiliza o PT pelo caixa dois eleitoral na Bahia.

Para ouvir a gravação, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 22:56

Conforme o previsto, Pezão deve se (re)eleger para o governo do Rio. Psiu, cadê a esquerda do Rio?

Conforme o previsto desde as priscas eras neste blog, Luiz Fernando Pezão, do PMDB, será reeleito — ou eleito, já que era vice de Sérgio Cabral — governador do Rio. Assim será a estarem certos os números do Ibope. Se a eleição fosse hoje, ele teria 29% dos votos, contra 26% de Anthony Garotinho, do PR. Marcelo Crivella, do PRB, tem 17%. Lindberg Faria, do PT, está com 8%. Os demais candidatos somam 3%. Brancos e nulos são 10%, e não sabem ou não responderam 7%. O Ibope ouviu 2.002 eleitores entre os dias 20 e 22 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o nº BR-749/2014.

IBOPE RIO 1º turno

O Ibope também fez simulações de segundo turno. Pezão venceria Garotinho por 43% a 33% e bateria Crivella por 41% a 33%. Se os candidatos do PRB e do PR se enfrentassem, hipótese improvável, o resultado ficaria na margem de erro, mas com o primeiro numericamente à frente: 36% a 34%.

Ibope Rio 2º turno 1

Ibope Rio 2º turno 2

Há vários elementos interessantes a destacar na eleição do Rio. O primeiro é o mico impressionante da candidatura do petista Lindberg Farias, que pretendia ser o furacão da renovação no Estado. Nunca conseguiu empolgar, nem quando Garotinho liderava as pesquisas. O segundo remete à rejeição do candidato do PR: não há adversário melhor do que ele no segundo turno: 39% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. O petista é o segundo mais rejeitado, com 18%,, seguido por Pezão, com 16%. Vale dizer: enquanto o ex-governador insistir em voltar ao cargo, fará a alegria dos adversários.

O terceiro aspecto, chamei a atenção aqui outro dia, remete ao espírito de junho de 2013. Cadê? O candidato mais à esquerda é Lindberg: tem apenas 10%. O sempre saliente PSOL do Rio — que comanda o sindicato de professores e costuma desfilar junto com black blocs — obtém 2%, com o candidato Tarcísio Motta. Dayse Oliveira, do PSTU, tem 1%. Juntas, as esquerdas do Rio somam 11%. Devem morar todos na Zona Sul, de frente para o mar — socialismo bom é assim, na Vieira Souto.

Lamentável mesmo é a escolha do povo fluminense para o Senado. O ex-jogador Romário, do PSB, deve ser eleito. Teria hoje 44% dos votos, seguido por César Maia, do DEM, com 21%. Quem sabe, na condição de senador, em que se espera um pouco mais de vetustez, o boleiro dê um pouco de paz a seus vizinhos.

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 22:05

Serra lidera para o Senado. Ou: Um voto útil a São Paulo

A estarem certos os números do Ibope, e espero que estejam, São Paulo fará a escolha certa no caso do Senado: o tucano José Serra aparece com 34% das intenções de voto, seguido por Eduardo Suplicy, do PT, com 25%. Suplicy é aquele senhor que está há 24 anos no Senado, ambiciona mais oito e oferece como diferencial aos eleitores a afirmação de que é honesto, de que não rouba ninguém. Que bom, né? Não roubar ninguém é uma obrigação. A esmagadora maioria dos paulistas e dos brasileiros age assim. Eu ajo assim. E não me sinto preparado para ser senador. Desde quando só a honestidade credencia alguém para esse cargo?

Ao longo desses anos, quais são as propostas de Suplicy para São Paulo, além do tal programa Renda Mínima, aquele exotismo que pagaria uma pensão fixa a pobres e ricos? Com a devida vênia, sob qualquer ponto de vista que se queira, pouco importa a ideologia do analista, trata-se de uma piada. Infelizmente, ao longo do tempo, Suplicy fez algumas coisas que esbarram, sim, na desonestidade, mas não aquela do Código Penal. Refiro-me a desonestidade intelectual. Fez-se notório por declamar ou cantar em plenário e foi flagrado na estranha defesa de gente como Cesare Battisti e os sequestradores de Abílio Diniz. E isso tudo é apenas um fato.

Kassab, do PSD, aparece com 5%. Não sou adepto de voto útil em eleições em dois turnos. Eu, por exemplo, não mudei minha opção de voto na eleição presidencial. Vou votar em Aécio Neves. Se ele chegar ao segundo, confirmo; se não chegar, aí verei — está dado que não vogarei em Dilma porque não posso sufragar o nome de alguém que pertence a um partido que me põe numa lista negra.

Estando certos os números do Ibope, ou Serra ou Suplicy será o senador de São Paulo. Não existe segundo turno, certo? Há apenas uma votação. Houvesse uma situação de empate técnico (o Ibope diz que não; aguardem o Datafolha), os eleitores de Kassab, e é apenas uma questão objetiva, poderiam estar contribuindo para reeleger… Suplicy! Imaginem… Trinta e dois anos no Senado!!! O poeta Ascenso Ferreira perguntaria: “Pra quê?” E responderia: “Pra nada!”

Seja útil a São Paulo, eleitor paulista! A disputa pelo Senado só tem um turno.

 

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 21:46

Muita gente em pânico: Alberto Youssef aceita acordo de delação premiada

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava Jato da Polícia Federal, aceitou acordo de delação premiada proposto pelo Ministério Público e se comprometeu a entregar tudo o que sabe sobre a engrenagem bilionária que envolvia desvio de recursos públicos, inclusive da Petrobras, e lavagem de dinheiro. O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, foi informado da decisão na tarde desta terça-feira. Como é contra a delação, ele está deixando a defesa de Youssef.

O doleiro, que foi preso em março, é peça-chave do esquema que também contava com a participação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Como mostrou VEJA, Costa também aceitou a delação premiada e já entregou aos investigadores nomes de políticos que receberam dinheiro sujo. Kakay havia se comprometido a defender Youssef no Superior Tribunal de Justiça (STJ) desde que o réu não topasse a delação premiada. O advogado é contra o instituto: “Acho que há uma inversão do papel do Estado, que prende a pessoa e a submete a uma pressão desumana”, disse. Segundo Kakay, o pedido de familiares foi decisivo para que Youssef aceitasse o acordo.

Na semana passada, o doleiro foi condenado a quatro anos de prisão por seu envolvimento no caso Banestado, na década de 1990. Com os crimes descobertos pela Polícia Federal na investigação da operação Lava Jato, a pena somada pode chegar a muitas décadas. O acordo de delação pode reduzir o tempo de prisão.

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 21:33

Ibope em SP: “Só me falta ficar nu pra chamar sua atenção”. Ou: Pedala, Padilha!

Então… Saiu a mais recente pesquisa Ibope para o governo de São Paulo. Antes que eu trate dos números, confesso que, ao pensar nos candidatos do PT e do PMDB, respectivamente Alexandre Padilha e Paulo Skaf, veio-me à mente uma música de Roberto Carlos, cujo título diz tudo: “Só me falta ficar nu pra chamar sua atenção”. Reproduzo a letra e peço que vocês imaginem os dois candidatos a entoar a letra para os eleitores de São Paulo:

Todas as vezes que você passa e nem me vê
Fico pensando no que eu faria pra ter você
Fico pensando milhões de coisas
Qualquer loucura pra ter você
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
Preciso dar um jeito de chamar sua atenção
O meu melhor sorriso eu dei, você não viu
Gritei seu nome mas nem assim você me ouviu
Por mais que eu faça não adianta
Você nem nota minha existência
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
Preciso dar um jeito de chamar sua atenção
O meu melhor sorriso eu dei, você não viu
Gritei seu nome mas nem assim você me ouviu
Por mais que eu faça não adianta
Você nem nota minha existência
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
Só me falta ficar nu pra chamar sua atenção

Sabem como é esse negócio de ficar nu e chamar a atenção, né? O objeto da apreciação crítica pode fazer a sua reputação ou cair em desgraça… A dupla tentou de tudo. Skaf já recorreu ao lepo-lepo e falou que é preciso governar com tesão. Padilha prometeu um paraíso cheio de maçãs e Evas, mas sem cobra. Poucos caíram na conversa.

Aos fatos. Se a eleição fosse hoje, segundo o Ibope, o governador Geraldo Alckmin seria reeleito no primeiro turno com 49% dos votos. Em segundo, está Paulo Skaf, do PMDB, com 17%, seguido por Padilha, com 8%. Os demais candidatos somam 1%. Os brancos e nulos somam 12%, e 11% dizem não saber em quem votar. Ainda que Alckmin se reeleja no primeiro, tudo o mais constante, o instituto fez uma simulação de segundo turno: o tucano venceria o peemedebista com 30 pontos de vantagem: 54% a 24%. Padilha segue líder isolado da rejeição, com 23%, seguido por Alckmin, com 16%, e Skaf, com 13%.

Ibope SP 1º 23.09

O governo Alckmin segue com uma aprovação alta. Nada menos de 45% dos paulistas consideram a sua gestão ótima (9%) ou boa (36%). Dizem que é regular 32% dos ouvidos. Só 19% dizem ser ruim (10%) ou péssima (9%).

Ibope SP 2º 23.09

Tudo o mais constante, os petistas vão amargar em São Paulo uma de suas piores derrotas — que só poderá ser superada, se acontecer, pelo desastre Dilma. Alexandre Padilha, em São Paulo, e Lindbergh Farias, no Rio, eram duas das grandes apostas de Lula. Os dois estão naufragando espetacularmente.

No caso de Padilha, diga-se, algo me diz que, a partir desta terça, ele passará a se preocupar mais com a delação premiada de Alberto Youssef, caso se confirme mesmo, do que com a eleição em São Paulo.

E por último: essa história de que Skaf deveria ter se colado a Dilma, convenham, é besteira. Ainda que a campanha do homem do lepo-lepo e do “faço e aconteço” seja um tanto desastrada, não seria Dilma que o colocaria num bom lugar. Não em São Paulo.

PS: Já que as ciclofaixas contam com o apoio de 80% dos paulistanos (afinal, ninguém é contra o bem), sugiro a Padilha que comece a passear nas faixas exclusivas em companhia de Haddad. Mas é bom tomar cuidado com aquilo a que o PT, um dia, já chamou… “povo”. Vai que sejam reconhecidos…

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 20:28

Pesquisa Ibope: números estão congelados há três semanas; Marina resiste à pancadaria petista. No 2º turno, o que pretende fazer o PT? Acusar a adversária de roubar pirulito de clorofila de criancinhas desamparadas?

O Ibope divulgou a sua mais recente pesquisa presidencial. No primeiro turno, os números voltaram praticamente ao patamar de 23 e 24 de agosto — vale dizer: exatamente há um mês. Não custa lembrar que o horário eleitoral está no ar desde o dia 19 de agosto. Se a eleição fosse hoje, segundo o instituto, Dilma Rousseff, do PT, teria 38% das intenções de voto, contra 29% de Marina Silva, do PSB. Aécio aparece com 19%. Há um mês, estes números eram, respectivamente, 34%, 29% e 19%. Como se nota, só Dilma variou. Ainda assim, admita-se, dada a margem de erro de dois pontos, bem pouco: há um mês, ela tinha entre 32% e 36%; agora, ela tem entre 36% e 40%. É provável que tenha crescido, mas muito menos do que parece. O Ibope ouviu 3.010 eleitores em 206 municípios do país entre os dias 20 e 22 de setembro. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-755/2014. Os gráficos que aparecem neste post foram publicados pelo Portal G1:

IbopPe 1º 23.09

Segundo turno
Quando se analisa o segundo turno e se comparam os números com os do mês passado, aí, sim, há uma alteração relevante — a questão é saber se é tão relevante quanto Dilma e o PT gostariam. Vejam os gráficos.

Ibope 2º 23.09

Há um mês, como se pode constatar, a distância entre Marina, que estava na frente, e Dilma era de 9 pontos: 36% a 45%. Hoje, ambas estão empatadas em 41%. Mas vamos fazer outro recorte: há três semanas, os números estão no mesmo lugar, a saber: Marina: 43%, 43% e 41%; Dilma: 42%, 40% e 41%. Nas outras simulações de segundo turno, a variação se dá dentro da margem de erro.

O fato é que Marina, e os petistas sabem disto, está resistindo à pancadaria muito mais do que os companheiros imaginavam. E olhem que já tentaram de tudo. Depois de acusá-la de tentar roubar a comida do prato dos brasileiros e deixar as criancinhas sem escola, resta o quê? Faltam 11 dias inteiros para a eleição. Descontada esta terça, há mais quatro dias de propaganda eleitoral para a Presidência. Tudo caminha mesmo para um segundo turno ente as candidatas do PT e do PSB.

Nessa etapas, as coisas mudam bastante. As duas candidatas terão o mesmo tempo na TV. Marina disporá, então, de condições para se defender dos ataques — e, eventualmente, para atacar também, ainda que a seu modo. Com absoluta certeza, não é esse o cenário com o qual contava o petismo.

Mais: olhemos os números do Ibope: do primeiro para o segundo turno, Dilma ganha apenas 3 pontos: de 38% para 41% — uma variação que está dentro da margem de erro. Marina ganha 12 pontos — o que quer dizer que recebe a esmagadora maioria do eleitorado que vota em Aécio no primeiro turno. Na hipótese de uma etapa final entre as duas candidatas, ainda é alto o índice dos que dizem que votarão em branco ou nulo: 12%. Digamos que parte desses eleitores decida fazer uma escolha: nesse caso, o que acaba definindo o voto é a rejeição. A petista é muito mais rejeitada do que a peessebista: 31% a 17%.

Ibope rejeição 23.09

A verdade é que, há três semanas, os números estão congelados, até os que dizem respeito à avaliação do governo. Vejam:

Ibope avaliação governo

Não, senhores! Os petistas não têm motivos para comemorar. Nesta semana e meia que falta para as eleições, salvo algum evento extraordinário, não há razão para haver uma alteração que não se verificou nas últimas três semanas. Aí virá o segundo turno. O PT vai tentar fazer uma disputa a sério com Marina ou pretende acusá-la de roubar pirulito de clorofila de criancinhas desamparadas? Se optar por essa estratégia, vai quebrar a cara, mas não serei eu a aconselhar o partido a fazer uma disputa decente.

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 16:08

Mantega, ex-ministro da Fazenda em exercício, anuncia que tarifa de energia elétrica vai subir

O ex-ministro da Fazenda em exercício, Guido Mantega, afirmou nesta terça que a tarifa da energia elétrica vai subir. Não me digam! Leiam o que informa O Globo:
*
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta terça-feira que a decisão do governo de reduzir a previsão de gastos com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) pode causar aumento das tarifas de energia elétrica. Ontem, o governo reduziu em R$ 4 bilhões (de R$ 13 bilhões para R$ 9 bilhões) a projeção de despesas com a CDE, a fim de compensar a previsão de arrecadação menor este ano. Também houve redução de R$ 2,2 bilhões na previsão de despesas com pessoal. Hoje, o ministro disse que não sabe exatamente o detalhe da CDE, mas que, provavelmente, isso será repassado “mais para a tarifa e menos para a transferência do governo”. “

“Eu não sei exatamente detalhe da CDE. Provavelmente, vai estar passando mais para a tarifa e menos (para) a transferência do governo”, disse o ministro. “A luz já está precificada. As tarifas já aumentaram. Uma parte tem de ser custeada pelas tarifas. É normal. E uma outra parte é o Tesouro”, acrescentou, quando questionado se a luz subiria mais este ano. As informações constam do relatório de avaliação de receitas e despesas primárias do quarto bimestre, divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério do Planejamento.

Segundo o relatório, a estimativa de despesa com a CDE caiu porque houve uma “revisão no cronograma de pagamentos dessas despesas”. Segundo técnicos do governo, entraram recursos da Celg Distribuidora, que acaba de receber um empréstimo da Caixa Econômica Federal. A empresa vai o usar o dinheiro para pagar dívidas, inclusive com a CDE.

Comento
Não fossem outros, só o desastre que a presidente Dilma provocou no setor elétrico seria o suficiente, numa democracia um pouquinho mais madura, para mandar um governante para casa. Num regime parlamentarista, o gabinete teria caído. No presidencialista, ela é considerada favorita para vencer a disputa. Estamos fritos e mal pagos.

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 15:41

Dilma, a cigarra e a formiga. Ou: Na fábula brasileira, há o risco da vitória da vilã

O governo teve de sacar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano do Brasil — é praticamente tudo o que lá restava — para fechar as contas e fingir que cumpriu a meta de superávit primário, que é a economia necessária para pagar os juros.

Conhecem a fábula da formiga e da cigarra, não?, atribuída a Esopo e recontada, com a mesma moral, por La Fontaine? No verão, enquanto uma cantava a plenos pulmões, a outra acumulava alimentos. Mas chegou o inverno. E a cigarra, que passara os dias quentes na flauta, foi bater à porta da formiga para pedir umas migalhas de alimento. Reproduzo quatro estrofes na tradução que o poeta português Bocage fez do texto de La Fontaine;

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

“Amiga, diz a cigarra,
prometo, à fé de animal,
Pagar-vos, antes de Agosto,
Os juros e o principal.

A formiga nunca empresta,
Nunca dá; por isso, junta.
“No verão, em que lidavas?”,
À pedinte, ela pergunta.

Responde a outra: “Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora”.
– Oh! Bravo!, torna a formiga,
Cantavas? Pois dança agora!

A moral da história é óbvia. Quem não se organiza para enfrentar os momentos difíceis acaba pagando um preço alto. Muita gente entorta o nariz para essa fábula. Alguns a tomam como desprezo pelo mundo dos sonhos, do prazer e da arte, em benefício de uma administração segura, aborrecida e conservadora da vida. É um caso de superinterpretação que distorce o óbvio. Há aí apenas o confronto entre a prudência e a imprudência.

No governo, o PT se comportou como a cigarra. Enquanto o cenário internacional era favorável, a China crescia a taxas espantosas, e as commodities brasileiras estavam com os preços nas alturas, o governo se entregou à farra de um modelo ancorado unicamente no consumo. Não se preparou para o inverno. Não cuidou de reformas necessárias para um crescimento duradouro e estável, repudiou as privatizações, tornou o ambiente hostil aos investimentos, queimou o patrimônio que acumulou no período da abastança.

Nesta segunda, o governo anunciou, então, que teve de sacar o que restava no Fundo Soberano para poder fechar as contas. Esse fundo era a poupança do país para situações de grave emergência. Que nada! A grana está sendo torrada pela incompetência: uma incompetência estratégica, que se mostra incapaz de posicionar o país no novo cenário internacional; uma incompetência técnica, operacional, que o impede de cortar gastos.

Em Nova York, Dilma tentou rebater as críticas: “O fundo tem uma característica contracíclica, ou seja, não age a favor do ciclo. Se o ciclo está ruim, ele aumenta o gasto para conter o ciclo. Se o ciclo está bom, ele segura o gasto e faz uma poupança. Sei perfeitamente em que condições o fundo foi formado”.

É uma tentativa de enganar trouxas. O que o governo fez nada tem a ver com medidas anticíclicas. Não se trata de ampliar o investimento estatal para financiar a produção ou algo do gênero. O dinheiro foi torrado apenas para fechar as contas.

Na fábula de Esopo, como sabem, a cigarra se dá mal. Ganha a formiga, a previdente. No Brasil, há uma chance razoável de a incompetência ser premiada. E, aí, que Deus tenha piedade de nós, já que a maioria do eleitorado não terá tido. Iremos para o abismo com a cigarra arrotando vantagem.

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 14:26

Dilma é a “exterminadora do presente”, diz Marina no Paraná

Por Estelita Hass Carazzai, na Folha:
Em ato de campanha em Curitiba nesta terça-feira (23), a presidenciável Marina Silva (PSB) afirmou que a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) age como “a exterminadora do presente”. Marina fez a comparação ao, mais uma vez, criticar o governo atual e os ataques do PT à sua candidatura, que tem ameaçado a liderança de Dilma nas pesquisas. ”Disseram que eu vou acabar com o Bolsa Família, com o Minha Casa Minha Vida, com o pré-sal, com o Mais Médicos. Gente, isso não é uma pessoa. É o exterminador do futuro”, declarou. “E vocês sabem por que a Dilma diz isso? Porque não quer que a população veja quem é que está exterminando o presente!”

A presidenciável fez referência, em seguida, às altas taxas de juros, à inflação, ao baixo crescimento e à corrupção na Petrobras. Também aproveitou para criticar o uso do Fundo Soberano, uma poupança emergencial da União, para fechar as contas públicas, anunciado nesta segunda (22) pelo governo federal. Serão descontados R$ 3,5 bilhões deste fundo para que se atinjam as metas deste ano.

“É uma demonstração clara de que esse governo está comprometendo o desenvolvimento econômico e a estabilidade do nosso país”, declarou. Para Marina, o programa eleitoral de Dilma mostra “uma ilha da fantasia”. A candidata do PSB voltou a se comprometer com a independência do Banco Central para o controle da inflação, sem permitir “interferências políticas” no órgão, “as mesmas que estão sendo feitas na Petrobras, na Eletrobras e até no IBGE”. ”Governar um país é colocar os interesses da nação em primeiro lugar, e não sacrificá-los com políticas erráticas para ganhar uma eleição”, disse Marina.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 14:05

Aécio critica manobra do governo para engordar contas – e culpa Dilma por PIB “pífio”

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
Em agenda no Rio de Janeiro nesta terça-feira, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, criticou a manobra do governo federal para conseguir engordar suas contas em 2014 – na segunda-feira, a Fazenda informou que o Tesouro vai sacar 3,5 bilhões de reais do Fundo Soberano para ajudar a encorpar as economias para o pagamento dos juros da dívida. O tucano atribuiu ao governo da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) a culpa pelo atual cenário econômico do país, que tem perspectiva de crescimento em torno de 1%. Aécio lembrou que o governo federal teve de buscar recursos do Fundo Soberano, porque “o país parou de crescer”.

“O governo busca no Fundo Soberano recursos para fechar as contas, porque o país parou de crescer. E a responsabilidade não é, como quer a presidente da República, única e exclusivamente da crise internacional. No momento em que o governo demoniza por dez anos parcerias com o setor privado, afasta investimentos que poderiam permitir um crescimento maior da economia”, afirmou. O tucano classificou o crescimento da economia brasileira como “pífio”.

Aécio fez uma viagem de barca do Centro do Rio à região central de Niterói na manhã desta terça. Para melhorar o deslocamento nas médias e grandes cidades, o presidenciável prometeu um “mutirão de mobilidade” com “regras claras que atraiam o capital privado”. “Vamos atrair o capital privado, priorizando o Metrô de superfície e Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs). No nosso governo, com a credibilidade da política econômica, iremos fazer com que os investimentos privados, que não têm sido parceiros na dimensão necessária, possam melhorar a vida do trabalhador”, afirmou Aécio.

Depois de chegar ao centro de Niterói, Aécio seguiu para uma caminhada no bairro de Icaraí, onde parou em uma padaria para tomar café e fez corpo-a-corpo com eleitores. O tucano voltou a repetir que vai criar uma alternativa para o fim do fator previdenciário, mecanismo criado no governo Fernando Henrique Cardoso “Não vamos acabar. Vamos substituir o fator previdenciário que pune os aposentados por um sistema que preserve a remuneração”, afirmou.

O tucano também voltou a criticar as mudanças e adaptações no programa de governo da adversária Marina Silva (PSB), mas evitou indicar uma data para apresentar o seu. “Nosso programa de governo não será feito a lápis. Lançamos um programa para o Nordeste, com metas claras para diminuir as diferenças na educação daquela região em relação ao restante do Brasil”, afirmou.

Fundo Soberano
Em 2012, o governo fez manobra parecida. No último dia do ano, o Tesouro Nacional fez um resgate de 8,847 bilhões de reais do Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE) – caixa onde estão aplicados os recursos do Fundo Soberano. Uma portaria do Diário Oficial da União de 31 de dezembro autorizava o resgate de títulos públicos neste valor que estavam depositados no Fundo, que é uma espécie de poupança fiscal criada em 2008 para servir de respaldo em períodos de dificuldades econômicas. O uso de recursos do Fundo Soberano foi considerado o pontapé inicial da degringolada da credibilidade fiscal do Brasil. A alternativa foi considerada oportunista e a prova de que o Planalto havia perdido o rigor técnico.

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 6:27

LEIAM ABAIXO

Entrevista de Dilma ao “Bom Dia Brasil” revela o fim de uma era: a da mistificação petista. Agora, os companheiros querem o poder para… continuar no poder. E só!;
Contabilidade criativa – Está vendo, Dilma, como não é “ridículo” o mercado reagir mal à sua eventual reeleição?;
Ministério Público monta força-tarefa para apurar caixa dois do PT da Bahia com dinheiro público;
“A campanha eleitoral do PT é intelectualmente vigarista”;
EUA e aliados dão início a ataques áreos contra posições do Estado Islâmico na Síria;
Um bate-papo deste colunista com Contardo Calligaris sobre política e religião;
Petista Emir Sader já recebeu mais de R$ 274 mil da TV Brasil neste ano; contrato em vigor é superior a R$ 300 mil. Tudo isso para ele dar… traço!;
Governo corta projeção de crescimento em 50% e, ainda assim, está 200% acima do que antevê o mercado;
“É preciso restabelecer a decência no Brasil”, diz FHC;
Economia pífia em dia de entrevista pífia. É um assombro!;
Irritada, Dilma nega tática do medo e dispara contra Marina;
EI convoca seguidores a matar cidadãos dos países de coalizão antiterrorista;
— A CASA DE HORRORES DO PT DA BAHIA: R$ 50 MILHÕES FORAM TIRADOS DOS POBRES E FORAM PARAR NAS MÃOS DE POLÍTICOS PETISTAS, DIZ PRESIDENTE DE ONG QUE OPERAVA PARA O PARTIDO;
— Datafolha prova que ciclofaixas de Haddad atendem à demanda de menos de 1% dos paulistanos. “Ah, mas 80% são a favor.” E daí? Basta fazer a conta para que a gente se dê… conta (!) da loucura do maníaco;
— República bananeira – Pressão de Fux por nomeação da filha faz OAB alterar processo de escolha;
— Dilma tenta consertar bobagem dita sobre papel da imprensa;
— Dilma trata como “banal” erro do IBGE com dados da Pnad;
— Na favela Dilma Rousseff, faltam água, luz e saneamento, mas há Bolsa Família;
— Não me digam que o “171” está falando mal de mim… Haddad, trabalho de jagunços não me intimida!;
— HADDAD E AS CICLOFAIXAS: A PARTIR DE HOJE, O PREFEITO FICARÁ AINDA MAIS DOIDO. OU: ODORICO PARAGUAÇU E A IMPRENSA LIVRE E INDEPENDENTE;
— Pessimildo x Otimildo: por que há boas razões para temer o pior;
— Assessor econômico de Marina defende “choque de credibilidade”

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 6:15

Entrevista de Dilma ao “Bom Dia Brasil” revela o fim de uma era: a da mistificação petista. Agora, os companheiros querem o poder para… continuar no poder. E só!

Na entrevista concedida ao “Bom Dia Brasil”, que foi ao ar nesta segunda, Dilma Rousseff era o retrato do fim da era da mistificação petista. Essa era contou, sim, com o endosso de setores importantes da imprensa, que não entenderam o que ia nos subterrâneos daquele “modelo” — se é que se pode chamar assim —, que usou um período especialmente favorável da economia internacional, marcado pela alta demanda da China e pela elevação das commodities, para distribuir alguns parcos benefícios, ensaiar uma política pífia de distribuição de prebendas e trombetear o fim da miséria.

A fortuna sorriu aos governos petistas, e os companheiros, afoitos, sob a condução do ogro amoroso e bonachão, a transformaram em consumo, deixando para as calendas reformas essenciais que nos conduzissem a um ciclo de crescimento longo e sustentado. Não só essas reformas não foram feitas como foram demonizadas pelos companheiros. O PT começou a articular o discurso no medo — o partido que chegou falando em “esperança”… — já na eleição de 2006, quando se lançou o espantalho da privatização das estatais. O tema foi retomado em 2010 e, ainda que com novo conteúdo, chega ao paroxismo agora, quando acusa os adversários de querer roubar a comida da mesa dos brasileiros.

Nesta segunda, o boletim Focus previu uma expansão de apenas 0,3% do PIB neste ano, com juros de 11% e inflação bem perto do teto da meta: 6,3%. Para o ano que vem, as perspectivas não são muito animadoras: crescimento de 1,01%, Selic de 11,25% e inflação em 6,28%. Atenção! O quadriênio de Dilma tem tudo para ser o pior da história “no que se refere” (como diz a governanta) ao crescimento: média de 1,55% — contra 2,58% no primeiro mandato de FHC, 2,1% no segundo; 2,55% no Lula I e 4,48% no Lula II. Nota à margem: parte das dificuldades da presidente deriva de irresponsabilidades cometidas no segundo mandato de seu antecessor. Mas não vou entrar nesse particular agora.

Dilma foi questionada a respeito na entrevista concedida ao “Bom Dia Brasil”. A íntegra, com o link para o vídeo, está aqui. De fato, ela não tem a mais remota ideia do que aconteceu e do que está em curso. A presidente insiste em culpar o cenário internacional, mas não consegue explicar por que outros países, nesse mesmo cenário, estão em situação muito melhor. Restou-lhe ensaiar uma glossolalia sobre a economia mundial e foi atropelando tudo: fatos e lógica. Apontou uma inexistente deflação nos EUA, errou a taxa de crescimento da Alemanha, foi dizendo o que lhe dava na telha.

Até o que faz sentido em sua fala — de fato, o Banco Central nos EUA (Fed) não se limita a arbitrar taxa de juros; também leva em consideração a expansão da economia e o emprego — se perdeu num discurso desordenado e defensivo. Afinal, ela destacava essa tríplice preocupação do Fed, suponho, para enfatizar que uma independência absoluta do BC, descolada de outras preocupações, tornaria um país refém de uma única variável. Uma conversa madura e sensata a respeito, pois, passaria por um debate sobre as atribuições do Banco Central e o alcance da autonomia ou independência.

Mas aí seria uma conversa séria, fora da estúpida rinha eleitoral. Como Dilma está em pânico, e interessa colar nos adversários, especialmente em Marina, a pecha de “candidata dos banqueiros”, restou-lhe o constrangimento adicional de ter de defender a campanha eleitoral terrorista que seu partido vem fazendo.

Comecei este post afirmando que a entrevista foi a expressão do fim de uma era. O PT hoje quer o poder para que possa… continuar no poder. É compreensível que os mercados fiquem desarvorados quando se avalia que crescem as possibilidades de reeleição de Dilma. Nessa hipótese, ninguém vê motivos para prever quatro anos futuros muito distintos desses últimos quatro.

Entrevistas como a concedida ao “Bom Dia Brasil” sempre oferecem a chance de se vislumbrarem alguma luz, algum rasgo de clareza, algum caminho. E o que se viu foi um discurso envolvo numa névoa de anacolutos e irresoluções.

Se Dilma for reeleita, dá-se como certo que não haverá bons dias, Brasil!

Texto publicado originalmente às 4h21
Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 5:37

Contabilidade criativa – Está vendo, Dilma, como não é “ridículo” o mercado reagir mal à sua eventual reeleição?

Governos trabalham com orçamentos, com previsões de receitas e de despesas, como todos nós. Se têm dívida, precisam fazer uma reserva para amortizar parte dela ou pagar os juros, segundo uma programação. A sua credibilidade — como a nossa — depende do cumprimento de metas e compromissos. A presidente Dilma afirmou, dia desses, que era “ridículo” — ela empregou essa palavra — os mercados despencarem quando se avalia que crescem as suas chances de se reeleger. Será mesmo?

Nesta segunda, o governo cortou em 50% — nada menos — a sua previsão de crescimento da economia: de 1,8% para 0,9%. Mesmo assim, a sua taxa é 200% maior do que prevê o mercado: apenas 0,3%. Evidência de leitura errada da realidade. Ora, economia crescendo menos implica queda de arrecadação tributária. O governo contava, por exemplo, com um aumento de 3,5% na receita dos principais impostos e contribuições obrigatórias. Em vez disso, o que se viu no primeiro semestre foi um encolhimento de 0,2%.

E o que se anunciou nesta segunda? Para evitar um rombo no caixa, o Tesouro decidiu sacar do Fundo Soberano do Brasil R$ 3,5 bilhões como se eles fossem parte do dinheiro economizado para pagamentos dos juros da dívida, o chamado superávit primário. Já tinha recorrido a esse expediente em 2012, quando fez um resgate de R$ 8,847 bilhões do Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE) – caixa em que estão aplicados os recursos do Fundo Soberano. O nome disso é truque. A manobra caracteriza o que tem sido chamado de “contabilidade criativa”. Como confiar num governo assim?

O governo agiu como aquele consumidor que, incapaz de economizar, apelou a uma poupança sagrada que estava no banco para pagar as contas, fingindo que tudo vai bem com o orçamento doméstico.

O Fundo Soberano do Brasil é uma espécie de poupança fiscal criada em 2008 para socorrer o país em momentos de extrema dificuldade. O governo praticamente limpou o dito cujo com essas duas manobras.

Assim, o governo vai cumprir o chamado superávit primário só no papel. De verdade, não fez a economia que disse faria. Cabe a pergunta óbvia: era possível saber que a meta não seria cumprida? Claro que sim! Afinal, avalia-se a arrecadação mês a mês. Quando percebeu uma queda constante, deveria ter feito o que fazemos todos: reduzido as despesas. Em vez disso, anunciou supostas receitas extraordinárias que compensariam a baixa arrecadação. Como se nota, elas não foram suficientes.

Mas, como sabemos, tudo está bem, e o país, segundo Dilma, está pronto para um novo ciclo de desenvolvimento. Então tá.

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 3:21

Ministério Público monta força-tarefa para apurar caixa dois do PT da Bahia com dinheiro público

Por Robson Bonin, na VEJA.com:
O esquema milionário montado pelo Partido dos Trabalhadores para desviar recursos de programas sociais para campanhas eleitorais de petistas na Bahia vai ser investigado por uma força-tarefa do Ministério Público. Procuradores e promotores vão reabrir o caso que tem como alvo o Instituto Brasil, uma ONG criada por petistas para camuflar a atuação do grupo criminoso. Na edição de VEJA desta semana, a presidente do instituto, Dalva Sele Paiva, revela que a entidade foi usada para fazer caixa dois para o partido por quase uma década.

O instituto chegou a movimentar, segundo Dalva Sele, 50 milhões de reais desde 2004. O caso mais emblemático, investigado pelo Ministério Púbico há quatro anos, ocorreu nas eleições municipais de 2008, quando a entidade foi escolhida pelo governo do Estado para construir 1.120 casas populares destinadas a famílias de baixa renda. Os recursos – 17,9 milhões de reais – saíram do Fundo de Combate à Pobreza. Desse total, 6 milhões de reais foram desviados para campanhas do PT. “Quem definia os que receberiam dinheiro era a cúpula do PT. A gente distribuía como todo mundo faz: sacava na boca do caixa e entregava para os candidatos ou gastava diretamente na infraestrutura das campanhas, como aluguel de carros de som e combustível”, diz Dalva Sele.

Entre os principais beneficiários desse banco citados por Dalva Sele, estão o senador Walter Pinheiro, vice-líder do PT no Senado, o atual candidato do PT ao governo da Bahia, Rui Costa, e os deputados federais Nelson Pellegrino, Zezéu Ribeiro e Afonso Florence, este último ex-ministro do Desenvolvimento Agrário de Dilma Rousseff. Mas há outros como o atual presidente da Embratur, José Vicente Lima Neto, deputados estaduais, secretários e ex-secretários do governo de Jaques Wagner, como Jorge Solla (Saúde), o ex-superintendente de Educação Clóvis Caribé, a deputada estadual Maria Del Carmen, militantes e dirigentes do PT na Bahia.

Militante histórica do PT, Dalva Sele deixou o país pouco depois de conceder entrevista. Ela afirma temer retaliações do partido e decidiu pedir proteção policial do Ministério Público tão logo comece a colaborar com as investigações. “Tenho receio daquilo que eles podem fazer comigo e com a minha família. Por isso, já estou em contato com os meus advogados para pedir proteção às autoridades”, diz Dalva.

Depois de colher informações e documentos com a operadora do caixa dois do PT baiano, a promotora Rita Tourinho irá ouvir as pessoas citadas por Dalva Sele.

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 2:15

“A campanha eleitoral do PT é intelectualmente vigarista”

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 1:01

EUA e aliados dão início a ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico na Síria

Na VEJA.com:
Os Estados Unidos e países aliados deram início nesta segunda-feira aos ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico (EI) na Síria, informou o Pentágono. “Posso confirmar que forças dos EUA e das nações aliadas realizaram ações contra os terroristas” com bombardeios aéreos, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby. A ação inclui ataques com caças e mísseis Tomahawk lançados de navios de guerra. De acordo com uma fonte militar ouvida pela rede americana CNN, os bombardeios atingiram principalmente a cidade de Raqqa, no leste da Síria, um dos principais redutos do EI no país. Ainda segundo a CNN, quatro países árabes da coalizão antiterrorista também participam dos bombardeios: Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), entidade que monitora o conflito sírio, os ataques americanos atingiram cerca de 50 alvos nas cidades de Raqqa e Al Bukamal, entre centros de treinamento e bases militares do Estado Islâmico. Os bombardeios teriam destruído diversos edifícios e causado mortes, inclusive de extremistas, apesar do EI ter esvaziado as suas bases na iminência da ofensiva americana.

Autorizados pelo presidente americano Barack Obama em discurso no dia 10 de setembro, os ataques aéreos contra o EI na Síria representam uma escalada na campanha militar dos EUA contra os jihadistas, que atuam nos territórios da Síria e do Iraque. Antes, as forças americanas se limitavam a realizar bombardeios seletivos contra alvos do EI em solo iraquiano. Antes do surgimento do EI, Obama relutava em se envolver diretamente na guerra síria, mesmo após a comprovação do uso de armas químicas no conflito. Mas a brutalidade do grupo jihadista, que filmou a decapitação de três reféns ocidentais nas últimas semanas, obrigou o presidente americano a agir.

O Pentágono não confirmou se o governo sírio foi avisado sobre os bombardeios no país – mas Obama já havia adiantado que não pediria permissão ao ditador Bashar Assad para ataques contra o EI na Síria.

Avanço jihadista – Os bombardeios acontecem no momento em que o avanço dos extremistas do Estado Islâmico sobre a região curda da Síria provocou a fuga em massa de 130 mil pessoaspara a Turquia. Segundo relatos, aqueles que não conseguiram deixar as vilas que caíram nas mãos do EI foram decapitados pelos terroristas. A principal cidade da região, Koban, ainda não foi dominada pelo EI, mas se encontra cercada pelo grupo desde domingo. Os jihadistas têm o controle de outras sessenta localidades da região.

A situação dramática fez o líder da opositora Coalizão Nacional Síria (CNS), Hadi al-Bahra, pedir à comunidade internacional o início imediato dos bombardeios contra os terroristas. “Devemos lançar imediatamente ataques aéreos na Síria. Enquanto estamos falando, milhares de civis no norte da Síria são prisioneiros de um assédio brutal realizado pelo EI”, afirmou o chefe do principal grupo de oposição no exílio.

Com 35.000 homens recrutados em vários países, muitos deles ocidentais, o Estado Islâmico conquistou diversas regiões na Síria e no Iraque, onde proclamou um califado. A queda de Koban, terceira localidade curda mais importante da Síria, permitiria ao EI controlar totalmente uma ampla região da fronteira entre Síria e Turquia.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 23:13

Um bate-papo deste colunista com Contardo Calligaris sobre política e religião

Na quinta-feira passada, dia 18, a VEJA.com promoveu um bate-papo — ou, se quiserem, debate — sobre religião e política. Eu e o psicanalista Contardo Calligaris conversamos a respeito, com mediação de Joice Hasselmann. Segue o vídeo.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 20:54

Ao vivo

Estou ao vivo, com Joice Hasselmann, debatendo o cenário eleitoral, na VEJA.com.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 19:51

Petista Emir Sader já recebeu mais de R$ 274 mil da TV Brasil neste ano; contrato em vigor é superior a R$ 300 mil. Tudo isso para ele dar… traço!

Ai, ai.

Quando vejo o desespero dos sabujos do petismo com a possibilidade de o partido ser derrotado, adoraria pensar que se trata de uma questão ideológica, que remete a crenças, a convicções, a um ponto de vista solidamente ancorado numa teoria. Nada disso.

Um leitor me manda um link do site Teleguiado em que Emir Sader, aquele petista que é considerado “um intelectual” por alguns, recebeu, entre março e setembro, da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) nada menos de R$ 274.351,45. Por quê? Consta que ele prestou “serviços” à empresa pública.

Emir Sader 3

Sader é “comentarista político” do programa “Repórter Brasil”. Audiência? Invariavelmente, é traço. Ninguém vê.

Os petistas, tudo indica, acham que a inflação no país é galopante: como informa o Teleguiado, “desde o primeiro contrato firmado entre Emir Sader e a TV Brasil, o valor do serviço variou 67%. Em 2012, a verba global era de R$ 180.000. Em 2013, foi fixada em R$ 279.472,93. O acordo atual prevê R$ 300.568,49”.

Emir Sader 2

Antes mesmo de vigorar o atual contrato, Sader recebeu R$ 43.388,47 por algum outro “serviço” prestado.

EMIR SADER 1

Como se vê, a eventual derrota de Dilma Rousseff pode provocar em Sader algo mais do que desgosto ideológico, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 19:23

Governo corta projeção de crescimento em 50% e, ainda assim, está 200% acima do que antevê o mercado

A gente chega a ter vergonha até de noticiar, mas fazer o quê? O governo, ora vejam, reduziu a previsão de crescimento em… CINQUENTA POR CENTO!!! Parece piada, mas a expectativa oficial ainda era de expansão de 1,8%; agora, passou a ser de 0,9%. Como? Esse 0,9% ainda está 200% acima do que antevê o boletim Focus: 0,3%.

Entendem? A economia brasileira virou um mergulho permanente na irrealidade cotidiana. Em tese ao menos, o governo planeja as suas ações de olho desses índices. E por que é assim? O governo usa a projeção de crescimento para calcular receitas e despesas. De olho nesse equilíbrio, toma as suas decisões. Vale dizer: estamos voando no mais absoluto escuro.

 

Por Reinaldo Azevedo
 

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