Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

18/09/2014

às 6:11

LEIAM ABAIXO

Dilma manda suspender divulgação de programa de governo por divergências com o PT; em 34 anos de história, partido nunca esteve tão confuso e desarvorado. É o medo de perder a bocona!;
Marina: “PF perdeu autonomia no governo Dilma”;
Sarney ataca Marina. Eita candidata de sorte!;
“Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou aqui, fazendo política”;
CPI aprova convocação de ex-contadora de doleiro;
Dilma e os direitos trabalhistas: como confundir o distinto público;
Dilma ensaia novo discurso do medo contra Marina: “Não mexo em 13º e férias”;
“Ninguém governa sem o PMDB”, diz vice de Marina. Ah, bom! Ou: De tomadas e nariz de porcos;
Agora com um farto bigode, o que o deixa mais parecido consigo mesmo, Paulo Roberto Costa se cala na CPI;
Fábrica bilionária da Foxconn empaca por falta de sócio brasileiro. Lá se foi a primeira promessa de Dilma…;
— Presidente-candidata está mexendo com forças que só conhece de ouvir falar. Marina sabe, se preciso, ser Lula. Mas Dilma só sabe ser Dilma. E isso pode ser muito aborrecido;
— Caos na cidade de São Paulo foi produzido por entidades ligadas ao PT e com cargo na Prefeitura, comandada por Fernando Haddad;
— Quem disse que Haddad só presta para fazer ciclofaixas? Ele também é capaz de ter ideias sórdidas. Ou: Quando a competência só não é menor do que a lealdade;
— A fome do Brasil e uma mentira da FAO, dirigida por um petista;
— PF já tem a identidade do petista que entregou dólares a chantagista;

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 3:58

Dilma manda suspender divulgação de programa de governo por divergências com o PT; em 34 anos de história, partido nunca esteve tão confuso e desarvorado. É o medo de perder a bocona!

A candidata Dilma Rousseff iria divulgar por esses dias seu programa de governo, mas mandou suspender, informam Andreia Sadi e Natuza Nery na Folha. Por quê? Divergência com seus companheiros do PT. O partido quer que a candidata se comprometa com o fim do fator previdenciário, com a redução da jornada de trabalho, com a regulamentação da terceirização — criando dificuldades novas — e com a revisão da Lei da Anistia. Mas Dilma não quer nada disso porque sabe que:
a) o fim do fator previdenciário abre um rombo na previdência;
b) a redução da jornada só vai onerar ainda mais as empresas, elevando o custo Brasil;
c) criar embaraços novos à terceirização está na contramão da dinâmica do mercado de trabalho;
d) a revisão da Lei da Anistia, além de polêmica — voltará ao Supremo — abre uma crise desnecessária coma as Forças Armadas. Se o absurdo vier, raciocina com razão a presidente, que seja via Judiciário.

Assim, a presidente tem preferido programa nenhum a ter o que exibir, expondo-se a arrumar adversários novos. Vejam ali a pauta: a petista tem feito um esforço danado para mostrar que é fiscalmente responsável — e o fim do fator previdenciário demonstraria o contrário — e que pretende incentivar o espírito empreendedor no país: ora, a redução da jornada e o combate à terceirização apontariam na direção oposta. Finalmente, a presidente prega a união de todos os brasileiros para um futuro radioso, e a revisão da Lei da Anistia só provocaria turbulências sobre o passado.

O pior para Dilma (não necessariamente para o Brasil) é que, ao não sair nada — nem o que quer o PT nem o contrário —, é como se ela já tivesse feito as piores escolhas para os setores aos quais não quer desagradar. E por que é assim? Porque resta a desconfiança, não é? Afinal, se ela não fala e manda segurar o programa, é sinal também de que não descarta essa pauta.

Períodos eleitorais já são normalmente caracterizados por incertezas até em países com uma economia mais estável do que a nossa, com muito menos demandas à flor da pele. Dado o quadro brasileiro, esse vai-e-vem é especialmente negativo. Até porque Dilma não é uma novata, que está se apresentando agora para a batalha. Ela já é a presidente da República. Chega a ser impressionante que amplos setores da sociedade considerem que Marina Silva é uma opção mais segura do que ela. E olhem que a candidata do PSB não chega a ser o exemplo acabado de coerência e de fidelidade a um pensamento.

Não fossem muitas outras coisas, isso bastaria para evidenciar as fragilidades do governo Dilma e a barafunda em que está metido o PT. Acompanho o partido desde o seu nascimento — fui um dos filiados, em priscas eras… Nunca o vi tão desarvorado e sem eixo. O risco de perder o poder está deixando a companheirada em desespero. Essa gente se tornou de tal sorte dependente do Estado que o risco de alternância de poder a impede de enxerga a realidade.

Convenham: tem seu lado divertido.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 22:38

Marina: “PF perdeu autonomia no governo Dilma”

Por Marcela Mattos e Daniel Haidar, na VEJA.com:
A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou durante um “face to face” – conversa em vídeo na qual os usuários do Facebook enviam suas perguntas – que a Polícia Federal passa por um processo de “desconstrução” no governo Dilma Rousseff. “Milhares de agentes saíram da PF nos últimos anos em função de desajuste e da perda de autonomia do trabalho”, disse a presidenciável.
 
A declaração mira em um dos principais argumentos da candidata-presidente, segundo quem a PF tem total liberdade e, ao contrário de gestões anteriores, não empurra denúncias para “debaixo do tapete”. Marina continuou: “Vamos continuar trabalhando para que se  tenha a autonomia e isenção necessárias para o combate ao tráfico de drogas e de armas, a investigação dos casos de corrupção e ajudar a combater vários casos de crimes ambientais”.
 
Petrobras
Mais cedo, Marina Silva afirmou que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso por capitanear um megaesquema de corrupção na estatal, era “funcionário de confiança” da presidente-candidata Dilma Rousseff. Ela citou o delator como exemplo da “governabilidade” do PT e do PSDB. 
 
“Não vou aceitar a lógica que está sendo imposta há 20 anos pelo PT e pelo PSDB, de que composições são feitas de forma pragmática, com base em distribuição de pedaços do Estado. A escolha do senhor Paulo Roberto Costa, que estava há doze anos como funcionário de confiança do governo de Dilma, é resultado dessa governabilidade que as pessoas estão reivindicando que não pode mudar”, afirmou a presidenciável em entrevista a jornalistas em um hotel de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.  
 
Marina reage com cada vez mais veemência contra críticas de Dilma. Desta vez, afirmou que não vai admitir que “fofocas e mentiras” pautem o debate de propostas. Depois de Dilma ensaiar uma resposta à promessa de reforma trabalhista feita por Marina, a pessebista reafirmou que conquistas dos trabalhadores, como 13º salário, férias e hora extra devem ser respeitadas. Dilma tinha afirmado mais cedo, em uma versão do discurso do medo que pontua sua campanha, que “décimo terceiro, férias e hora extra não se mudam nem que a vaca tussa”. Marina respondeu: “a defesa dos interesses dos trabalhadores é sagrada para nós”.
 
Marina também voltou a provocar Dilma, para que explique “por que colocou no seu governo 500 bilhões de reais para meia dúzia de empresários usando recursos do BNDES, que equivalem a 24 anos de Bolsa Família”.
Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 22:30

Sarney ataca Marina. Eita candidata de sorte!

Marina Silva não pode reclamar de falta de sorte. E não estou tentando ser nem engraçado nem sinistro. Não me refiro à queda do avião, não, mas aos “inimigos” que começam a se apresentar. Convenham: nem num sonho bom um candidato à Presidência receberia um ataque feroz de José Sarney, o homem que não vai concorrer à reeleição no Amapá porque seria derrotado. Marina recebeu nesta quarta um presente divino.

Sarney subiu no palanque de Lobão Filho (PMDB), no Maranhão, que vai perder a eleição no primeiro turno para Flávio Dino, do PC do B, e esculhambou a candidata do PSB à Presidência. Leiam o que disse na noite de terça-feira:
“A dona Marina, com essa cara de santinha, mas [não tem] ninguém mais radical, mais raivosa, mais com vontade de ódio do que ela. Quando ela fala em diálogo, o que ela chama de diálogo é converter você”.

Vocês sabem como sempre digo tudo, mesmo correndo o risco de aborrecer, né? Pode até concordar com Sarney em certos aspectos, mas olhem quem está falando… Sim, é verdade, o seu nome vive sendo citado pela turma de Marina como símbolo do que se deve evitar em política. Mas me digam: a esta altura, que força política relevante e com um mínimo de seriedade, discordaria?

Receber essa crítica do velho coronel do Maranhão chega a ser uma láurea, uma condecoração. E ele seguiu adiante, animado pelos gritos de “guerreiro do povo brasileiro”, vindos de uma plateia rigidamente controlada:
“Ela [Marina] pensa que o mundo tem duas partes: uma condenada à salvação e outra à perdição”.

De fato, o mundo não está condenado a essas duas partes, mas o fato é que a política da família Sarney no Maranhão está condenada pela história e pelos números. Depois de cinquenta anos submetido às vontades do clã, o estado exibe os piores indicadores sociais do país — embora, nem de longe, enfrente as condições naturais mais adversas. O mal do Maranhão é humano. Não vem da natureza nem dos céus.

A partir de amanhã, Marina já pode exibir o seu galardão: Sarney não quer que ela seja presidente. É um trunfo eleitoral gigantesco.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 21:54

“Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou aqui, fazendo política”

Escrevi na manhã desta terça, neste blog, que Dilma, ao partir para o esmagamento de Marina Silva, está mexendo com forças que não conhece. Volto ao tema agora e também tratarei do assunto na minha coluna na Folha, na sexta.

Marina, como vocês viram, ao negar que vá extinguir o Bolsa Família se eleita, evocou em um comício o tempo em que seus pais dividiam com oito filhos um ovo, um pouco de farinha e uns pedacinhos de cebola. A voz ficou embargada. Verdadeira ou mentirosa (creio que seja fato), a narrativa é eleitoralmente poderosa. A candidata do PSB vem de um povo de que Dilma só ouviu falar.

Nesta quarta, em conversa no Facebook, o “Face-do-Face”, a candidata do PSB à Presidência voltou a tocar no assunto. Ela se disse vítima de preconceito e afirmou: “Com minha origem social, tem que provar que é competente, que pensa, mas é isso aí…”

Notem: quando escrevi aquele texto, não fiz juízo de valor, não. Só adverti para a bobagem que o PT (do ponto de vista de seus interesses) está fazendo. Esse discurso de Marina tem poder. E não, leitores amigos, eu não simpatizo com esse tipo de apelo, seja na boca de Marina ou na de Lula, outro que fez muita praça ao longo da história de suas agruras de infância.

Sempre que Lula vinha com esse chororô, eu me lembrava na caricatura do pedinte-assaltante: “Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou, aqui, fazendo política…” Honestidade, decência e bons propósitos não são monopólios de classe social. Alguém nascido em berço de ouro pode tê-los. Outro, vindo de uma manjedoura, pode ser um salafrário. Não existe uma relação necessária entre uma coisa e outra.

Ocorre que o PT está dando um boi danado para Marina Silva. Acostumado a combater o “outro” de classe — que, segundo a estupidez lulo-petista, é encarnado pelo PSDB (curiosamente, não pelo PMDB, pelo PP ou por qualquer outra coisa…) —, não percebe quem é Marina Silva e mete os pés pelos pés.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 19:41

CPI aprova convocação de ex-contadora de doleiro

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A CPI mista da Petrobras aprovou nesta quarta-feira a convocação de Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Ela deve dar informações sobre o funcionamento do esquema criminoso operado com recursos públicos desviados pelo esquema do doleiro. Os parlamentares também aprovaram um requerimento que pede a cópia dos depoimentos prestados por ela à Polícia Federal e ao Ministério Público.

“Ouvir a contadora vai ser importante para que a gente possa confrontar com o depoimento de Alberto Youssef”, diz o relator da comissão, o deputado Marco Maia (PT-RS). Ainda não há data para o depoimento de Meire Poza. Por causa da proximidade das eleições, a ida dela à CPI pode ficar para depois do primeiro turno – dia 5 de outubro.

A VEJA, Meire Poza revelou como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro do doleiro. Ela também afirmou que parlamentares, como Luiz Argôlo (SD-BA) e André Vargas (PT-PR), foram beneficiados pelo esquema. Meire já compareceu ao Congresso para depor no processo de cassação de Argôlo. Na ocasião, ela confirmou as acusações contra o parlamentar.

O requerimento de convocação de Meire Poza foi aprovado ao fim da reunião em que os parlamentares tentaram, sem sucesso, ouvir Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e o delator do esquema de corrupção que funcionou por quase uma década na companhia.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 19:34

Dilma e os direitos trabalhistas: como confundir o distinto público

Às vezes, dá aquela coceirinha, aquela vontade de fazer campanha, só para desmontar certos discursos à boca da urna. Nesta quarta, em São Paulo, indagada por um empresário se mudaria as leis trabalhistas, Dilma reagiu naquele seu estilo que, os mais antigos vão concordar, lembra João Figueiredo, o último presidente do regime militar.

Respondeu a presidente-candidata: “Se essas mudanças precisam ser feitas para garantir que todas as alterações sejam absorvidas, eu acredito que sim. Agora vamos ter clareza disto: 13º, férias e horas extras, [não se muda] nem que a vaca tussa”.

Então tá. Daqui a pouco, o PT começará a atribuir a Marina a intenção de extinguir essas garantias, como já fez antes com Aécio.

E como desconstruir essa fala meio malandra? Ora, esses são os únicos “direitos trabalhistas”? Há outros! E a multa de 40% sobre o saldo do FGTS, por exemplo, que as empresas são obrigadas a pagar no caso de demissão imotivada? Dilma aceita extinguir?

Nesta terça, Marina se encontrou com empreendedores e falou que é preciso rever as leis trabalhistas, destacando — ela sabe onde pisa — que é preciso que se preservem os direitos que existem hoje.

Olhem aqui: Dilma, para não variar, com o seu “estilo Figueiredo”, está criando obscurantismo. Quando se fala em rever a CLT, o que se quer é pôr sob o abrigo da lei — de alguma lei — atividades profissionais que não têm como estar cobertas pela atual legislação.

Tome-se o caso, por exemplo, das múltiplas atividades profissionais que surgiram com o advento da Internet. Será que se encaixam no arcabouço legal vigente? A resposta é “não”. Atividades de caráter intelectual as mais diversas podem ser exercidas sem os vínculos empregatícios previstos na CLT. Não se trata, assim, de, como dizem sindicalistas, “precarizar” as condições de trabalho, mas de formalizá-las segundo as necessidades do mundo moderno.

Ocorre que os pterodáctilos do sindicalismo impedem que se faça um debate honesto a respeito. A fala de Dilma só colabora para criar a confusão, já que ninguém está sugerindo, que se saiba, extinguir 13º, férias ou horas extras.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 17:48

Dilma ensaia novo discurso do medo contra Marina: “Não mexo em 13º e férias”

Por Talita Fernandes, na VEJA.com:
Um dia depois de a candidata Marina Silva (PSB) afirmar que, se eleita, pretende fazer mudanças na legislação trabalhista do país, a presidente Dilma Rousseff (PT) já ensaiou nesta quarta-feira mais uma versão do discurso do medo que pontua sua campanha: “Décimo terceiro, férias e hora extra não se mudam nem que a vaca tussa”, disse, durante agenda em São Paulo.

Ontem, Marina apontou as leis trabalhistas como um dos entraves ao empreendedorismo e disse que sua equipe irá buscar mudanças – mas, já temerosa da interpretação de adversários, disse que seu objetivo é trazer melhorias tanto para empregadores quanto para trabalhadores, sem abrir mão dos ganhos da atual legislação.

Dilma reuniu-se com empresários acompanhada do ministro Guilherme Afif Domingos, da Secretaria da Micro e Pequena Empresa. Também participaram do encontro o deputado Guilherme Campos (PSD), líder da frente parlamentar mista da pequena empresa e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo.

Depois do encontro, a presidente se reuniu com professores da Unicamp, entre eles Rogério Cerqueira Leite, físico que criticou Marina Silva em artigos na imprensa. Na sequência, seguiu em carreata pelas ruas da cidade. Ao longo do percurso, um carro de som afirmava que Dilma é a presidente do Minha Casa Minha Vida, do ProUni e do Pronatec, algumas das principais bandeiras eleitorais da petista.

No palanque, Dilma fez críticas genéricas aos adversários. Embora sua campanha seja justamente a que lidera a artilharia pesada nesta corrida eleitoral, afirmou: “Tem muita mentira e ódio nessa eleição. Quando ouvirem mentiras, respondam com a verdade, que é uma só – o país mudou, e mudou para melhor.”

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 16:17

“Ninguém governa sem o PMDB”, diz vice de Marina. Ah, bom! Ou: De tomadas e nariz de porcos

Atenção para esta fala: “Ninguém governa sem o PMDB, mas não é preciso entregar o governo para o PMDB para ter governabilidade. Assim como não precisa entregar o governo ao PSDB se nós vamos ter quadros do PSDB governando. Ou seja, o governo tem um programa, esse é o nosso pilar de negociação, entendimento e escolha daqueles que terão funções. Por que eu, no governo, tenho que perguntar para Renan Calheiros quem devo indicar para ministérios ou para a Transpetro? Não que as indicações de partidos e lideranças sejam ruins. Mas tem que ter perfil”.

A afirmação é do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva (PSB), em entrevista ao Estadão. Aos poucos, como se vê, o discurso da chamada banda dos “sonháticos” vai se tornando mais “realático”. O que vai acima, diga-se, seria endossado por qualquer partido. Afinal, ninguém admite que as indicações obedeçam a critérios puramente políticos. Sempre se vai alegar que o sujeito indicado é competente.

É claro que a fala de Albuquerque ainda aponta para aquela história de só governar com os melhores, mas há mais do que uma discreta inflexão no discurso. Quanto mais o poder se torna uma possibilidade palpável, mais próximos Marina e ele próprio vão se tornando da realidade. É evidente que ninguém tem de perguntar nada a Renan, mas, como sabe o candidato a vice, para que se tenha o necessário apoio do partido de Renan, é preciso que a escolha conte com o endosso da legenda. Afinal, Marina e seu parceiro sabem muito bem que de pouco adianta ter um peemedebista na equipe sem o… PMDB! A esse realismo se entregaram todos, e também se entregará Marina se for eleita.

É certo que o realismo exclui o surrealismo, né? Nomear, por exemplo, Edison Lobão para as Minas e Energia, um homem que não distinguiria uma tomada das antigas do nariz de um porco, não é realismo, mas só um agrado a Sarney. A propósito: creio que a tomada jabuticaba inventada no Brasil só tenha o propósito de distingui-la do nariz de um porco para evitar que Lobão se confunda.

E, sim, Beto Albuquerque voltou a abusar da nossa paciência ao afirmar que o caso do avião não é assunto do PSB. Pois é… Isso significa que, se a turma vencer a eleição, já começa com um jatinho no armário. Não é bom.

Quanto ao mais, saúdo a adesão do marinismo à realidade. Mas sem Lobão, por favor!

 

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 15:54

Agora com um farto bigode, o que o deixa mais parecido consigo mesmo, Paulo Roberto Costa se cala na CPI

A CPI Mista da Petrobras poderia ter um pouco de bom senso. Alguns parlamentares, como o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o senador José Agripino (DEM-RN), até que tentaram suspender a sessão, mas, até agora, em vão. E por que escrevo isso? Paulo Roberto Costa, agora com um farto bigode, o que acentua o seu jeito Paulo Roberto Costa de ser, está determinado a não falar nada. Obedecendo à orientação de advogados, reserva-se o direito de ficar calado. De onde vem isso? Do fundamento do direito segundo o qual ninguém pode ser constrangido a se incriminar.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já afirmou que ele não poderá passar à CPI, nem em sessão fechada, informações prestadas à Polícia Federal e ao Ministério Público que fazem parte do seu acordo de delação premiada. E ele, obviamente, não vai fazê-lo. Nem sobre a delação nem sobre coisa nenhuma. Não fala e pronto!

Incrível o seu ar, ali, na cadeira dos depoentes. Chegou escoltado pela polícia. Conserva a expressão plácida. Mais de uma vez, sorriu para a sua advogada, sabe-se lá do quê. Vamos ver, ao fim de tudo, quanto tempo vai ficar preso. Burro não é. Sairá da prisão e não terá dificuldades para levar a vida adiante. Apesar de alguns percalços, terá razões pessoais para acreditar que o crime compensa.

As perguntas dos parlamentares, até agora, vão se sucedendo. Tenham paciência. Paulo Roberto até que tenta cuidar do lado estético da coisa: vai buscando variações em torno do mesmo tema: “Eu me reservo o direito de ficar calado”, “eu não tenho nada a declarar”; “mais uma vez, vou ficar calado”…

É surrealista! É preciso pôr fim à sessão para não desmoralizar o Congresso.

 

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 14:56

Fábrica bilionária da Foxconn empaca por falta de sócio brasileiro. Lá se foi a primeira promessa de Dilma…

Na VEJA.com:
A construção da fábrica de telas para celulares, TVs e computadores da taiwanesa Foxconn no Brasil empacou depois que a companhia desistiu de buscar um sócio brasileiro para o projeto. Na época do anúncio, em 2011, o governo informou que o investimento chegaria a 12 bilhões de dólares. A saída para o impasse seria aumentar para mais de 30% a participação acionária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas o banco não aceita ultrapassar este valor, que é o limite estabelecido em sua política para o BNDESPar, braço de participações acionárias da instituição. 

Além do apoio fundamental do BNDES, a equipe econômica do governo contava com a sociedade de um grande empresário brasileiro (chegou-se a falar em Eike Batista, antes da crise). Sem sócio, as negociações pararam e nem o governo acredita mais na concretização do megainvestimento.

Visita à China
A construção da fábrica de telas no país foi o primeiro grande anúncio do governo Dilma Rousseff, feito em fevereiro de 2011 durante visita à China. O então ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, chegou se reunir com o fundador da Hon Hai (controladora da Foxconn), Terry Gou. A ideia, segundo o ministro, era construir um complexo industrial que empregaria até 100 mil pessoas no Estado de São Paulo.

O desenho do negócio apontava para uma primeira etapa com investimento de 4 bilhões de dólares, dos quais 1,2 bilhão de dólares seriam bancados pelo BNDES e 500 milhões de dólares ficariam por conta de Eike. Além de procurar mais sócios, o governo tentou convencer Terry Gou a entrar com capital sem contar a tecnologia. O Palácio do Planalto estava tão certo do negócio que Mercadante chegou a divulgar um cronograma. A companhia fabricaria telas para celulares e tablets entre 2011 e 2013 e passaria a fabricar telas para TVs a partir deste ano.

Atualmente, a empresa taiwanesa atualmente conta com três unidades no país, com montagem de celulares em Manaus e Indaiatuba e montagem de smartphones e fabrica notebooks, computadores e periféricos em Jundiaí.

Conjuntura
Mercadante, que é ministro-chefe da Casa Civil, foi questionado sobre os empecilhos que travaram as negociações para a construção da fábrica de telas da Foxconn no Brasil. A assessoria de imprensa da Casa Civil informou que a posição de Mercadante estaria contemplada na resposta do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. “Em relação à construção de unidade de fabricação de telas, o investimento previsto não foi realizado até o momento devido à conjuntura internacional e pelo fato de a empresa não ter conseguido um sócio nacional.”

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação afirmou ainda ter informações de que a Foxconn estuda fazer novos investimentos e abrir novas unidades no Brasil. Os projetos, entretanto, não teriam relação com construção da fábrica de telas. Procurada para confirmar a informação, a companhia disse que não se pronunciaria.

BNDES
Alguns desses projetos aguardam aprovação de aportes do próprio BNDES. O banco confirmou que participou das negociações para a instalação da fábrica de telas, sem sucesso. “O banco continua em contato com a Foxconn e tem trabalhado para viabilizar investimentos no Brasil em setores de alto conteúdo tecnológico”, informou o banco por meio da assessoria.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 6:38

LEIAM ABAIXO

Presidente-candidata está mexendo com forças que só conhece de ouvir falar. Marina sabe, se preciso, ser Lula. Mas Dilma só sabe ser Dilma. E isso pode ser muito aborrecido;
Caos na cidade de São Paulo foi produzido por entidades ligadas ao PT e com cargo na Prefeitura, comandada por Fernando Haddad;
Quem disse que Haddad só presta para fazer ciclofaixas? Ele também é capaz de ter ideias sórdidas. Ou: Quando a competência só não é menor do que a lealdade;
A fome do Brasil e uma mentira da FAO, dirigida por um petista;
PF já tem a identidade do petista que entregou dólares a chantagista;
Debate de presidenciáveis promovido por CNBB impede confronto entre favoritos;
Segundo o Ibope, o petista Pimentel venceria no 1º turno em Minas;
Ibope: Aécio cresce, e Dilma cai no primeiro turno; viés volta a ser de baixa para a candidata do PT; pânico volta às hostes petistas;
Contra Dilma, até boato serve. Ou: Petista na “Dança dos Famosos”?;
Janot pede a TSE que tire do ar propaganda do PT contra Marina. Ou: Com as leis que temos, pedido faz sentido;
Lula e Stedile depredam instituições na Petrobras, e vagabundos disfarçados de militantes depredam a ordem em SP; estes são apenas braços operacionais daqueles;
— Stedile, o maior pelego do Brasil, e Lula, o Mussolini de São Bernardo, querem golpear a democracia;
— Campanha de Dilma imita peças das ditaduras militar e do Estado Novo e cria o “Pessimildo”;
— Grupo de Marina critica regime de partilha do pré-sal. E faz muito bem! Escolha atenta contra a Petrobras e o interesse nacional;
— PPS cobra convocação de Quadrado na CPI da Petrobras;
— Governo anuncia medida para desonerar lucro de empresas no exterior;
— Ato de Lula é mico, sim!;
— Lula não tem ódio a Marina; tem ódio é à democracia. Ou: Pantomima de chefão petista “em defesa do pré-sal e da Petrobras” vira um grande mico

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 4:48

Presidente-candidata está mexendo com forças que só conhece de ouvir falar. Marina sabe, se preciso, ser Lula. Mas Dilma só sabe ser Dilma. E isso pode ser muito aborrecido

Davi com a cabeça de Golias, Caravaggio

A presidente-candidata Dilma Rousseff e, em larga medida, o PT e seu marqueteiro estão mexendo com forças que não conhecem e podem, do seu ponto de vista, fazer uma grande bobagem. O partido decidiu esmagar Marina Silva. A candidata do PSB à Presidência reclamou da truculência e das mentiras levadas ao horário eleitoral — até Rodrigo Janot considerou que elas passam da conta e pediu que o TSE retire uma peça de propaganda do ar. Em resposta à adversária, Dilma sustentou que a Presidência não é para os fracos. Uma fala burra nos dias que correm. Lula deu de ombros e ainda esnobou, truculento: Marina não precisa chorar por ele. Manifestações arrogantes como essas podem ser fatais numa eleição.

Ontem, o PSB levou ao ar um trecho muito contundente de um discurso de Marina. Ao comentar que o PT espalhava por aí que, se eleita, ela vai acabar com o Bolsa Família, a candidata do PSB mandou um recado direto a Dilma, chamando-a pelo nome. Falou fino, porque é de sua natureza, mas falou grosso, com voz embargada e pausa dramática, tudo muito bem encaixado:

“Dilma, você fique ciente. Não vou lhe combater com suas armas; vou lhe combater com a nossa verdade. Tudo o que minha mãe tinha para oito filhos era um ovo e um pouco de farinha e sal com umas palhinhas de cebola picadas. Eu me lembro de ter olhado para o meu pai e minha mãe e perguntado: ‘Vocês não vão comer?’ E minha mãe respondeu: ‘Nós não estamos com fome’. Uma criança acreditou naquilo. Mas depois entendi que eles há mais de um dia não comiam”.

A candidata indagou, em seguida, como é que ela poderia, com aquela história, acabar com o Bolsa Família.

Pois é… Lula inventou uma categoria que vai ficar na política brasileira por muito tempo: os “Silvas”. É aquela gente que teve uma infância difícil, que lutou contra as vicissitudes da sorte e que venceu, sem esquecer suas origens. Verdade ou mentira, a construção é politicamente poderosa. Acontece que Marina pertence a essa família Silva. Em certa medida, sua história pode ser mais meritória — e meritocrática — do que a do próprio Lula. Afinal, adicionalmente, além de pobre, foi analfabeta por mais tempo do que o chefão petista, é mulher e negra.

Já adverti aqui e volto a fazê-lo: não tentem despertar o poder das vítimas. Os fortes e os brutos não entendem o seu potencial. Talvez Dilma devesse dar um pulinho correndo na Galleria Borghese, em Roma, e olhar aquela que é, para mim, a obra mais impressionante de Caravaggio: Davi segurando a cabeça de Golias (foto no alto). Tudo ali é demasiadamente humano: o ar plácido do mais fraco, que se sagrou vencedor, e a incompreensão que restou no rosto de Golias, o morto. Não há ódio nem sangue. Só um fato. A reprodução não dá conta. Quem puder tem de ver de perto. Mas retomo o fio.

Como construção de personagem e como narrativa a incendiar o imaginário, Marina sabe ser Lula, mas Dilma só sabe ser Dilma, e a personagem, convenham, não desperta grande interesse. Mesmo o aspecto que vendem como heroico de sua trajetória está muito longe da vida do brasileiro comum. É evidente que o PT, na política e, entendo, na lei foi muito além dos limites aceitáveis. Marina está a um passo de se tornar o Davi que ainda vai segurar, com ar piedoso, mas firme, a cabeça de Golias.

O desespero chegou com tal violência nas hostes companheiras que a artilharia pode ter sido usada precocemente. O que mais pretendem usar contra Marina, que seja compreensível para as massas? No segundo turno, caso as duas mulheres realmente cheguem lá, o tempo na TV será o mesmo, e Dilma já terá perdido há muito o troféu fair-play.

Dilma é uma esquerdista que veio das camadas superiores. Como diria Monteiro Lobato, da casa de pobre, ela não conhece nem o trinco — ou a falta de trinco. Lula conserva aquele charme popular, mas ele foi talhado, na medida, ao longo de vinte anos, para atacar tucanos. Assisti ontem ao programa do PT no horário eleitoral: está chato, repetitivo, tentando convencer os brasileiros de que o paraíso é aqui. Tenho certeza de que João Santana se pergunta que diabos ele tem a fazer com todo aquele tempo.

Vamos ver o que vai dizer a pesquisa Datafolha. Considerando só a pesquisa Ibope, a única com motivos para se preocupar é mesmo Dilma, que caiu três pontos em uma semana: de 39% para 36%. Sim, é verdade, estando certos os números, Aécio Neves, do PSDB, ainda está distante de um segundo turno, mas subiu quatro pontos, passando de 15% para 19%. Marina oscilou um para baixo e aparece com 30%. No segundo turno, a petista ameaçou tomar a liderança numérica na semana passada, ficando apenas um ponto atrás da rival (43% a 42%), mas a distância pode ter-se alargado: 43% a 40%. Como já vimos, Aécio melhorou, Marina resistiu e pode ter ascendido no segundo turno, e Dilma murchou nas duas etapas.

As barbaridades cada vez mais cabeludas da Petrobras certamente interferem nas escolhas dos eleitores. Mas creio que há mais: é crescente o repúdio à truculência do PT no trato com os adversários. Já houve um tempo em que Lula sabia ter o fabuloso poder da vítima. Hoje, ele só consegue entender a truculência dos algozes. Pode ser vítima, sim, mas da própria soberba.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 3:31

Caos na cidade de São Paulo foi produzido por entidades ligadas ao PT e com cargo na Prefeitura, comandada por Fernando Haddad

Escrevi ontem aqui que a pancadaria promovida por supostos sem-teto numa reintegração de posse no Centro da cidade de São Paulo não passava de ação partidária. Uma franja ligada ao PT resolveu promover o quebra-quebra na esperança, sei lá, de criar um fato eleitoral. Essa gente ainda não se deu conta de que a baderna tira, não dá, votos. O confronto com a Polícia Militar foi promovido pela Frente de Luta por Moradia (FLM), um movimento ligado ao partido, que pertence a um “coletivo”, como eles dizem, intitulado “Central de Movimentos Populares” (CMP), que é também mero esbirro do petismo. Gosto de demonstrar o que afirmo.

Na reportagem do Jornal Nacional, por exemplo, eis que dou de cara com o senhor Raimundo Bonfim, apresentado como coordenador da CMP. 

Raimundo Bonfim - JN

Sim, eu me lembrava dele. Escrevi sobre este bravo no dia 14 de agosto de 2013. Ele pretendia liderar, então, um protesto contra o governo Geraldo Alckmin, que estava sendo convocado pela página do PT na Assembleia Legislativa. Só isso? Não!

Além de coordenador da tal central, o homem é advogado e, atenção!, funcionário da Liderança do PT na Assembleia, com salário, no ano passado, de R$ 11.380. É isso mesmo o que você entendeu, leitor amigo: é você quem paga a boa vida do sr. Bonfim para que ele ajude a promover o caos.

Na campanha eleitoral de 2012, ele fez caminhada ao lado do então candidato Fernando Haddad, conforme se pode ver abaixo, e posou para fotos com a bandeira do PT. Não é e nunca foi um sem-teto. Trata-se apenas de um militante profissional.

bonfim com haddad

Bonfim PT

Haddad é grato a toda essa gente, que detém cotas na distribuição de moradias populares na cidade. Um dos coordenadores da FLM, que promoveu a bagunça nesta terça, Osmar Silva Borges, ganhou cargo na Prefeitura: virou assessor da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), com salário mensal de R$ 5.538,55. Não foi o único. Também Vera Eunice, coordenadora da Associação dos Trabalhadores Sem-Teto da Zona Noroeste, recebeu uma boquinha na empresa, com salário de R$ 5.516,55. Ou por outra: o grupo que protagonizou as cenas lamentáveis de violência e vandalismo é poder na cidade administrada por Haddad.

Fiquei ainda bastante encantado ou ler e ouvir o depoimento de Juliana Avanci, advogada dos invasores. Contra todas as evidências, contra tudo o que mostravam as TVs, ao vivo; contra todos os fatos, ela afirmou que a Polícia é que deu início ao confronto. A doutora seria apenas membro de uma ONG, o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos. Apresenta-se simplesmente como uma defensora da causa, sem vínculos com os companheiros.

Pois é… O nome dela está num manifesto de “juristas e advogados” em apoio, então, à candidatura de Haddad à Prefeitura. Ela certamente sabia que o petista, se eleito, faria uma gestão simpática à companheirada e à causa, não é mesmo? E que se note: no hotel invadido e depois desocupado, a polícia encontrou 12 coquetéis molotov.

O que me incomoda nessa gente toda é menos o conteúdo do pensamento, por mais que eu considere lamentável, do que a hipocrisia. Admitam, então, que se trata de uma ação de caráter partidário e que eles avaliam que o caos lhes interessa. Ontem, sustentei aqui que os baderneiros de São Paulo eram apenas os braços operacionais de uma forma de entender o poder, aquela mesma que Lula havia expressado no dia anterior naquela pantomima autoritária e ridícula em frente à sede da Petrobras.

As evidências estão aí.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 3:25

Quem disse que Haddad só presta para fazer ciclofaixas? Ele também é capaz de ter ideias sórdidas. Ou: Quando a competência só não é menor do que a lealdade

Quem disse que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, não serve pra nada, além de espalhar ciclovias cidade afora e transformar a vida dos paulistanos num inferno? Não! Ele pode ser muito útil! A repórter Natuza Neri informa na Folha de hoje que foi dele a ideia — “oh, que grande sacada!” — de colar o nome de Marina Silva, do PSB, ao Itaú.

A história é a seguinte. Dilma andava irritada com o prefeito — que não seguiu a sua orientação e insistiu em reajustar a tarifa de ônibus no ano passado; depois recuou —, e ele, chateado com ela, que não se esforçou para aprovar no Congresso leis que poderiam diminuir a dívida da capital paulista.

Mas os dois se encontraram para lavar uma roupinha suja. E Haddad saiu com a tarefa de ouvir grupos de eleitores, sem que estes soubessem que, do outro lado do espelho, estava o alcaide. E foi num desses encontros que alguém se declarou decepcionado com Marina porque esta “trabalharia para o Itaú”. Pronto! O prefeito achou a sacada do balacobaco, levou para João Santana, e o resto é história. Ah, sim: a presidente achou a ideia bacana e voltou às boas com o prefeito.

Nota: em 2012, Neca Setubal, que virou o alvo preferencial dos petistas, apoiou a candidatura de… Haddad!!! E os petistas não a chamavam, então, de “banqueira”.

O prefeito demonstra, assim, que sua competência só não é menor do que sua lealdade.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 3:23

A fome do Brasil e uma mentira da FAO, dirigida por um petista

A FAO — órgão da ONU para a agricultura e alimentação — divulgou um relatório segundo o qual 3,4 milhões de pessoas ainda passam fome no Brasil: 1,7% da população. Não contesto. Talvez seja verdade. O diretor-geral da FAO é o petista José Graziano, ex-ministro de Lula, um dos mentores do Fome Zero e seu primeiro — e único — comandante. O que chama a atenção no relatório é outra coisa — ou duas outras coisas. Comecemos pela mais levinha.

Os petistas adoram dar sumiço em pobre e esfomeado mudando o critério de avaliação. Nunca antes na história deste país e deste mundo um partido usou tão bem a estatística para melhorar a realidade desde que isso seja do seu interesse. Em 2013, a FAO concluiu que 7% dos brasileiros passavam fome. Aí se passou a considerar as refeições servidas fora de casa, como restaurantes populares e merenda escolar, e pimba! Os 7% viraram 1,7%. Com mais uma “mudança de critério”, pode-se chegar a zero, certo?

A piada do relatório é o elogio da FAO ao… Fome Zero, que vem a ser, oram vejam, justamente aquele programa pelo qual Graziano era responsável no Brasil e que nunca saiu do papel. Sim, o doutor mete lá um elogio em boca própria e exalta o que nunca existiu.

Como vocês devem se lembrar e noticiei aqui tantas vezes, Lula era contra os programas de transferência de renda. Achava que era esmola. Queria acabar com todos para emplacar o seu “Fome Zero”. Em outubro de 2003, convencido do desastre da sua proposta (mas sem dar o braço a torcer), fez o quê? Reuniu todos os programas de renda que herdou de FHC — e que já atingiam 5 milhões de famílias — num só e criou um nome fantasia: “Bolsa Família”.

Abaixo, vocês podem ler, mais uma vez, trecho do discurso em que Lula tratava como esmola o Bolsa Família, acrescentando que o programa deixava o pobre preguiçoso, e trecho da Medida Provisória, de 20 de outubro de 2003, que trata do Bolsa Família (depois convertida na Lei 10.183). Vale dizer: 10 meses depois de criado, o Fome Zero ia para o vinagre. Mas Graziano decidiu usar a ONU para exaltar a sua não obra.

TRECHO DO DISCURSO DE LULA DE 9 DE ABRIL DE 2003 EM QUE ELE DIZ QUE BOLSA FAMÍLIA DEIXA O POBRE PREGUIÇOSO
Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favorAntigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas”. Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais.

TRECHO DA MEDIDA PROVISÓRIA EM QUE LULA SURRUPIA PARA SI TODOS OS PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA DO GOVERNO FHC (REPAREM NAS DATAS)
(…) programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação - “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação - PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 3:13

PF já tem a identidade do petista que entregou dólares a chantagista

Na VEJA.com:
A Polícia Federal já sabe quem é o homem que, em nome do PT, fazia as entregas de dinheiro a um grupo de chantagistas que ameaçava envolver o partido no escândalo de corrupção da Petrobras. Em sua última edição, VEJA mostrou que Enivaldo Quadrado, condenado no processo do mensalão, prometeu revelar detalhes sobre o envolvimento de petistas com o desvio de 6 milhões de reais do cofre da estatal. Para comprar seu silêncio, o partido cedeu à chantagem.

Cumprindo pena alternativa, Enivaldo Quadrado, o chantagista, recebe pagamentos regulares em dólares americanos. O dinheiro é entregue por um homem identificado apenas como sendo um conhecido militante do PT, influente, com estreitas ligações com os chefes mensaleiros – e que faz o serviço cumprindo ordens do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

O valioso trunfo de Enivaldo Quadrado são as informações que ele possui sobre a triangulação de uma outra chantagem. Em 2012, o publicitário Marcos Valério, outro condenado no mensalão, revelou ao Ministério Público que o empresário Ronan Maria Pinto estava ameaçando envolver o então presidente Lula e seus auxiliares, o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, no assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel. Para evitar que isso acontecesse, o PT deu a ele 6 milhões de reais, dinheiro que saiu dos cofres da Petrobras, segundo Marcos Valério.

Enivaldo Quadrado conhece todos os detalhes da operação e guardou consigo a cópia de um contrato que formalizou o repasse milionário a Ronan Maria Pinto, o primeiro chantagista. Por isso, seu silêncio agora vale tanto.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 1:05

Debate de presidenciáveis promovido por CNBB impede confronto entre favoritos

Por Bruna Fasano, Mariana Zilberkan e Andressa Lelli, na VEJA.com:
Realizado em um formato engessado, o debate promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pela TV Aparecida na noite desta terça-feira impediu o confronto direto entre os três principais candidatos à Presidência – Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) – e evitou que o trio enfrentasse os temas mais espinhosos esperados para o encontro da cúpula da Igreja Católica – como aborto, casamento gay e questões indígenas.

O debate teve cinco blocos, mas apenas um deles foi destinado à troca de perguntas entre os presidenciáveis. Os demais quatro blocos serviram apenas para que os candidatos discursassem como se estivessem em seus respectivos programas eleitorais. Dois blocos foram constituídos de perguntas e respostas – feitas por bispos e jornalistas de emissoras católicas –, sem réplicas nem comentários de outros candidatos. Um bloco foi temático para que eles falassem sobre a reforma política. E o último dedicado às considerações finais. Outro detalhe atrapalhou bastante os participantes: o cronômetro rígido do mediador fez com que quase todas as perguntas e respostas fossem interrompidas, ficando sem conclusão.

No único bloco dedicado ao choque direto, o sorteio de quem perguntaria para quem também inviabilizou o embate franco entre Dilma, Marina e Aécio. A candidata do PSB trocou perguntas e respostas com Eymael, do nanico PSDC. Dilma teve de questionar o folclórico Levy Fidelix (PRTB), e foi questionada por Eduardo Jorge (PV) – que estourou seu tempo e sequer conseguiu completar a indagação que faria sobre energia nuclear.

Por volta das 23h30, quando o debate dava sinais de que terminaria sem um único momento acalorado, no final do quarto bloco Pastor Everaldo (PSC) pediu a opinião de Aécio Neves sobre os escândalos de corrupção na Petrobras. O tucano disparou: “É uma denúncia que fez o mensalão parecer coisa pequena. Estamos no local mais adequado, que é a casa da Padroeira do Brasil, para dizer que o país não pode continuar administrado com tanto descaso”.
(…)
A participação no debate católico era tratada com apreensão pelo comando das campanhas, temerosas que um eventual deslize em temas como aborto e casamento gay pudesse ser explorado pelos adversários nas propagandas eleitorais. Mas não foi o que aconteceu: por causa do sorteio, apenas Aécio respondeu – sem sobressaltos – sobre união homossexual. Dilma falou sobre saúde, e Marina, sobre saneamento básico.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

16/09/2014

às 22:15

Segundo o Ibope, o petista Pimentel venceria no 1º turno em Minas

Se os números do Ibope em Minas estiverem certos, o resultado não poderia ser pior para o tucano Pimenta da Veiga: se a eleição fosse hoje, o petista Fernando Pimentel venceria a disputa no primeiro turno, com 43% dos votos. No dia 26 do mês passado, ele aparecia com 37%. Já o tucano Pimenta da Veiga manteve os mesmos 23%. Tarciso Delgado, do PSB continua com 3%. Os demais candidatos somam 4%. Os votos brancos e nulos são agora 10%, e 17% dizem ainda não saber em quem votar. As duas categorias somam 27 pontos. É um número alto, mas não o bastante para dar muitas esperanças a Pimenta, tudo o mais constante.

Ibope Minas 16 de agosto

A simulação de segundo turno, caso ocorra, também é bastante ruim para o tucano: o petista venceria com 48% dos votos, contra apenas 26% de Pimenta. O problema do candidato do PSDB não parece estar na rejeição, que é de apenas 15% — contra 13% de Pimentel. O que não há é empolgação do eleitorado com o seu nome. Essa talvez tenha sido a indicação mais equivocada feita pelos tucanos. Pimenta estava afastado da linha de frente da política, e se dava como certo que enfrentaria um adversário forte.

A pesquisa foi realizada no dias 13 e 15 de setembro e ouviu 2.002 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e está registrada no TRE sob o número 92/2014.

Há outro dado curioso: a gestão passada em Minas, dos tucanos, segue sendo bastante aprovada ainda hoje, o que se espelha nos números da eleição para o Senado: o ex-governador Antonio Anastasia está com 46%, 30 pontos à frente do segundo colocado, Josué Alencar, do PMDB, com 16%.

Segundo o Ibope, Dilma e Aécio estão empatados em Minas na eleição presidencial, no limite da margem de erro: ela com 33%, e ele com 31%. Marina Silva aparece com 20%. Também nesse caso, a gente vê que Pimenta não recebe os votos de todos os que escolhem o nome de Aécio.

 

Por Reinaldo Azevedo

16/09/2014

às 21:31

Ibope: Aécio cresce, e Dilma cai no primeiro turno; viés volta a ser de baixa para a candidata do PT; pânico volta às hostes petistas

Agora ficou clara a razão da euforia do mercado nesta terça-feira. Os números do Ibope indicam que o cenário eleitoral tem um viés de baixa para a petista Dilma Rousseff. No primeiro turno, quem cresceu foi o tucano Aécio Neves. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos. O instituto ouviu 3.010 eleitores em 204 municípios, entre os dias 13 e 15, e a pesquisa está registrada no TSE sob o número BR 657/2014. Todos os gráficos deste post foram feitos pela TV Globo.

Ibope 16.09 1º TV Globo

Em uma semana, Dilma caiu três pontos no primeiro turno e aparece, agora, com 36% das intenções de voto. A peessebista Marina Silva oscilou um para baixo e tem 30%. O tucano Aécio Neves cresceu quatro e aparece com 19%. Entre os demais candidatos, só Pastor Everaldo, do PSC, pontuou: 1%.

A petista segue na liderança folgada da rejeição: dizem que não votariam nela de jeito nenhum 32% dos eleitores, contra apenas 19% em Aécio e 14% em Marina.

Segundo turno
No segundo turno, o cenário também piorou para Dilma Rousseff. Vejam.

Ibope 16.09 2º marina dilma

Ibope 16.09 dilma Aécio

Em uma semana, Marina manteve os 43%, e Dilma oscilou de 42% para 40%. Contra Aécio, a diferença em favor da petista caiu sensivelmente: era de 15 pontos — 48% a 33% — e é de apenas 7 agora: 44% a 37%. O tucano cresceu 3 pontos, e a petista caiu 4.

Estando certos os números de antes e os de agora, o que aconteceu em sete dias? O escândalo da Petrobras veio à tona para valer. Observem que, no primeiro turno, Aécio foi o único que cresceu: de 15% para 19%. Dilma caiu de 39% para 36%, e Marina oscilou um ponto para baixo: de 31% para 30%.

Há também a destacar a truculência da campanha petista, que avança contra Marina com uma impressionante violência. O tiro, como aqui já se advertiu, pode sair pela culatra. Voltarei ao assunto nesta madrugada. No confronto com Dilma, Marina se manteve estável: 43%. A presidente-candidata, no entanto, oscilou dois para baixo. Está com 40%.

Mas os números do confronto com Aécio é que devem mais preocupar os petistas, nem tanto pela distância, mas por aquilo que pode ser uma tendência. Ela caiu de 48% para 44%, e ele subiu de 33% para 37%. A síntese é a seguinte: na semana em que Aécio procurou se distinguir de Dilma e Marina, mas sem partir para a baixaria, o tucano cresceu. Nesta mesma semana, em que o PT optou pela truculência, há sinais de que a candidata do partido pode derrapar.

Os petistas voltam a flertar com o fantasma da derrota. A partir desta quarta, restará a dúvida: avançar sobre Marina com ainda mais violência ou diminuir a fúria dos ataques?

Por Reinaldo Azevedo
 

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