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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

15/04/2014

às 21:44

Servidores do IBGE paralisarão atividades nesta quarta

Daniela Amorim, no Estadão:
Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) participarão de um ato nesta quarta-feira, 16, para protestar contra uma suposta interferência política no órgão. Na semana passada, as divulgações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) foram suspensas. Segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas (ASSIBGE), centenas de trabalhadores paralisarão as atividades para uma manifestação em frente à sede da Avenida Chile, no centro do Rio de Janeiro, às 10h. Também estão previstos atos coordenados pelo sindicato em outras filiais do IBGE pelo Brasil.

O prédio do órgão na Avenida Chile abriga a Diretoria de Pesquisas, que era comandada pela diretora Marcia Maria Melo Quintslr. Marcia pediu exoneração do cargo por não concordar com a decisão de adiar a próxima divulgação da Pnad Contínua apenas para 6 de janeiro do ano que vem. A medida também motivou o pedido de exoneração da ex-coordenadora-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) Denise Britz do Nascimento Silva.

A crise começou com o anúncio da presidente do instituto, Wasmália Bivar, na quinta-feira passada, de que a Pnad Contínua ficaria suspensa para que fosse montada uma força-tarefa para aprimorar a metodologia de cálculo da renda domiciliar per capita, de forma a atender as exigências previstas na Lei Complementar nº 143/2013. De acordo com a legislação, o indicador passa a servir como base para o rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Após a saída de Marcia e Denise, 18 coordenadores enviaram carta ao conselho diretor do IBGE ameaçando uma entrega de cargos coletiva caso a decisão não fosse revista. Ontem, outros 45 técnicos ligados à pesquisa também divulgaram carta aberta em que negam a necessidade de suspender o cronograma de divulgações ou revisar a metodologia da Pnad.

O Departamento de Comunicação do instituto afirma que a paralisação de funcionários não atrapalha a divulgação de duas pesquisas previstas para quarta-feira, 15: a Pesquisa Mensal de Serviços referente a fevereiro e a publicação “Redes e Fluxos do Território: Gestão do Território”. Estão previstas entrevistas coletivas para a imprensa também em dependências do instituto no centro do Rio, mas na sede da Avenida Franklin Roosevelt, onde fica a presidência do IBGE.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2014

às 21:17

AGU entra com ação contra promotora que pediu quebra de sigilo do Planalto

Por Andréia Sadi, na VEJA.com:
A AGU (Advocacia-Geral da União) entrou nesta terça-feira (15) com uma reclamação disciplinar na corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público contra a promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, que pediu à Justiça a quebra de sigilo de aparelhos usados no Palácio do Planalto. A promotora investiga suspeitas de que o ex-ministro José Dirceu, preso na Papuda após condenação no mensalão, usou um telefone celular na prisão. O Ministério Público abriu inquérito em janeiro para saber se ele fez ligações telefônicas de dentro do presídio, o que é proibido. O pedido da AGU registra que investigação interna da Papuda não encontrou provas do feito e que, ”ao invés de simplesmente dar por encerrada a questão”, a promotora adotou um procedimento “inteiramente inédito e heterodoxo”.

“Requereu a quebra do sigilo telefônico amplo, geral e extenso em específicos locais e de um número indeterminado e não-sabido de pessoas, englobando o Palácio do Planalto, sem maiores justificativas, explicações e pormenorização”, diz a AGU. No pedido apresentado na semana passada ao STF (Supremo Tribunal Federal), Márcia não fez referência ao palácio, mas indica suas coordenadas geográficas como alvo de investigação. Para a AGU, a atitude da promotora não parece haver ocorrido dentro do “estreito linde da legalidade”. O governo pede ao conselho nacional do Ministério Público que sejam adotadas as medidas para tomar “insubsistente o pedido de quebra de sigilo telefônico feito de modo ilegal”, em regime de urgência cautelar. O secretário de Indústria da Bahia, James Correia, disse em janeiro à coluna “Painel” ter falado com Dirceu por celular no dia 6 de janeiro. O advogado de Dirceu, José Luis Oliveira Lima, nega que o contato tenha ocorrido.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2014

às 20:29

E se o SBT trocasse Sheherazade por Jandira Feghali, a comunista do Brasil?

Em lugar de Rachel Sheherazade, o SBT poderia contratar para fazer comentários a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Ela, sim, seria verdadeiramente imparcial e civilizada, não é mesmo? Cito seu nome porque ela decidiu recorrer até ao Ministério Público contra a jornalista.

Que pena que Sheherazade não é chefe de alguma ONG que atua no setor esportivo e recebe dinheiro dos cofres públicos, simula despesas que não existem, arruma alguns laranjas e torra a grana em programas que nunca saíram do papel!!! Se fosse assim, certamente encontraria em Jandira uma defensora implacável, com aquela fé inquebrantável que só uma verdadeira “comunista do Brasil” consegue ter.

Agora o SBT calou as opiniões da jornalista. Jandira está feliz. Está no seu elemento. Se é membro do PCdoB e na hipótese de ser mesmo uma comunista tardia, não apenas uma oportunista, isso quer dizer que é ainda stalinista. E o stalinismo não reconhece, é evidente, a liberdade de expressão como um valor.

Sempre que alguém que vive do que outros produzem consegue calar quem ganha o seu próprio sustento, o meu senso de justiça se assanha, entendem?

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2014

às 20:00

Senadores de oposição se encontram com Rosa Weber. Ou: A Constituição, o Regimento Interno e o habeas corpus

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, decide na semana que vem, depois do feriado, se acata ou não pedido de liminar da oposição em favor da CPI exclusiva da Petrobras. Como se sabe, a base governista decidiu combater esse requerimento com outro, que investiga, além da Petrobras, supostas irregularidade no Metrô de São Paulo e no porto de Suape, em Pernambuco — não por acaso, dois estados governados por oposicionistas. A má-fé dessa segunda iniciativa é tal que o próprio Cade investiga formação de cartel nos metrôs de Belo Horizonte e Porto Alegre, tocados por estatais federais. Não constam do requerimento governista. Estiveram com a ministra os senadores tucanos Aécio Neves (SP) e Aloysio Nunes (SP) e o Agripino Maia (DEM-RN).

Faz sentido uma questão como essa ir parar no Supremo? Faz! A CPI tem prescrição Constitucional. Está prevista no Parágrafo 3º do Artigo 58 da Carta, a saber:
§ 3º – As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.

Em nenhum lugar está escrito que o presidente de cada uma das Casas Legislativas tem autoridade para decidir que CPI será ou não instalada, uma vez cumprida a disposição constitucional. O Capítulo XIV do Regimento Interno  do Senado também disciplina a matéria. Do mesmo modo, em nenhum lugar está escrito que, cumpridas as exigências de um terço de assinaturas e do fato determinado, cabe ao presidente da Mesa, discricionariamente, decidir que CPI será ou não instalada. E olhem que há nove artigos tratando do assunto: do 145 ao 153. Não há previsão ali para o exercício do autoritarismo criativo de Renan.

Se tudo isso fosse pouco, a natureza e a extensão da CPI já foram objetos da atenção do Supremo, no habeas corpus nº 71.039, de que foi relator, em 1994, o então ministro Paulo Brossard. Ali se evidencia que uma CPI tem de ter foco determinado. Não pode ser o samba-do-governo-doido. Uma vez instalada, a comissão pode até investigar fatos inicialmente não previstos, desde que relacionados com o objeto de investigação. O texto é explícito sobre a impossibilidade de uma comissão investigar toda e qualquer coisa. O que o caso da Petrobras tem a ver com o metrô de São Paulo e com o porto de Suape? Diz o governo: “é tudo obra tocada com dinheiro público!”. Bem, a ser assim, que se incluam na CPI todas as obras do país. Relembro o texto de Brossard:

 Acórdão sobre CPI 1

Acórdão sobre CPI2

Como se sabe, ao encaminhar os dois requerimentos à CCJ para que fizesse a sua escolha — como se isso constitucional e regimental –, Renan distorceu o sentido do habeas corpus, como se vê, de novo, abaixo.

documento Renan

Ao sair da audiência com Rosa Weber, afirmou o senador Aécio Neves: “Mostramos que se trata de um direito líquido e certo da minoria; um direito garantido no Regimento e na Constituição e que não pode ser violentado por uma ação da maioria. Não cabe ao presidente do Senado fazer juízo de valor, estabelecer mérito dessa ou daquela CPI, menos ou mais abrangente”.

É o que está na Constituição.

É o que está no Regimento Interno do Senado.

É o que está no habeas corpus.

Rosa não tem como não conceder essa liminar a menos que recorra ao exercício do direito criativo para endossar o autoritarismo criativo do presidente do Senado.

 

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2014

às 18:26

PF deve indiciar doleiro e ex-diretor da Petrobras na quarta-feira

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
A Polícia Federal apresentará até a noite desta quarta-feira os indiciamentos dos cerca de trinta investigados na operação Lava-Jato, que apura um esquema que movimentou 10 bilhões de reais em casos de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Entre os indiciados estarão o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa – este suspeito de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O delegado Márcio Adriano Anselmo, responsável pelo caso, deve entregar à força-tarefa do Ministério Público Federal e à Justiça relatórios parciais sobre a atuação de cada um dos investigados. Uma parte dos documentos apreendidos ainda está sendo analisada e, no caso de comprovação dos delitos, haverá um complemento à investigação. Anselmo e os procuradores têm pressa para apresentar indiciamento e denúncia à Justiça antes do término do prazo de prisão preventiva de onze dos investigados presos – entre eles Youssef e Costa. Pelas provas colhidas e analisadas até o momento, os relatórios devem conter o indiciamento pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e financiamento do tráfico de drogas. Mas esses indiciamentos não encerrarão as acusações contra os investigados.

Os seis procuradores da força-tarefa vão apresentar na terça-feira as denúncias contra os acusados. A partir daí, se a 13ª Vara Federal do Paraná aceitar as acusações, eles se tornam oficialmente réus na Justiça.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2014

às 18:20

Por que Vargas ainda não renunciou: a Constituição e a Lei da Ficha Limpa

O ainda deputado André Vargas (PT-PR) não renunciou ao mandato nesta terça, conforme havia prometido, porque apareceu uma questão proposta pelo deputado Ricardo Izar (PSD-SP), presidente do Conselho de Ética, que seria apenas constitucional se não fosse também ociosa e, em boa medida, absurda. Vamos lá. O parágrafo 4º do Artigo 55 da Constituição, aprovado por emenda em 1994, determina que a renúncia de um parlamentar não tem validade depois de iniciado o processo no Conselho de Ética. Ele terá de prosseguir até a sua conclusão.

Muito bem! O que se pretendeu com isso em 1994? Impedir o parlamentar enroscado em alguma falcatrua de esperar até a undécima hora e, certo de que seria cassado, renunciar para tentar voltar na eleição seguinte.

ORA, DEPUTADO IZAR, COM A LEI DA FICHA LIMPA, ESSE DISPOSITIVO PERDEU SENTIDO, É EVIDENTE. Vejamos o caso do ainda deputado Vargas: assim que renunciar, estará inelegível por oito anos a partir de 2015. Se continuar na Casa e for cassado, estará inelegível pelos mesmos oito anos.

Izar afirmou que pretende levar adiante o processo no Conselho de Ética mesmo que Vargas renuncie. Encaminhou uma solicitação para a decisão do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Bem, aí não parece possível, né? Se não há deputado, não pode haver processo. Mas, com efeito, o dispositivo constitucional, na situação anterior à Lei da Ficha Limpa, suspende a renúncia. Izar diz que Vargas está tentando evitar que o Conselho faça a devida investigação.

Não creio, sinceramente, que o Conselho de Ética tenha mais condições de conduzir investigações do que a Polícia Federal. Parece-me que renúncia é renúncia. A emenda de 1994, reitero, buscava impedir um truque do parlamentar que tinha a certeza da cassação. Ora, esse truque não é mais possível hoje.

Ainda que a cassação de Vargas pareça certa caso continue deputado, o fato é que a manutenção do mandato e o trâmite normal do processo ainda lhe abrem uma chance, remotíssima, claro!, de salvação.

A Lei da Ficha Limpa, nesse caso, já impede a malandragem. Deixe que Vargas renuncie. E que o resto fique para a Polícia Federal.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2014

às 17:24

O discurso sem lugar de Graça Foster. É impossível defender ao mesmo tempo a compra da refinaria de Pasadena e a explicação de Dilma

Pois é, pois é… A presidente da Petrobras, Graça Foster, tentou explicar no Senado a compra da refinaria de Pasadena. A tarefa, acreditem, poderia ter sido mais fácil se ela estivesse obrigada a dizer “ou bola ou bule”, ou uma coisa ou outra. Ocorre que o raciocínio aparentemente quântico, e incompreensível, que ela tentou desenvolver não deriva do excesso de sabedoria, mas do excesso de confusão. Graça pretende que seus interlocutores entendam que a compra fazia e não fazia sentido a um só tempo; que era e que não era justificável; que houve e que não houve comportamento heterodoxo nessa história toda.

Vamos ver. Numa das linhas de argumentação, a presidente da Petrobras tentou fazer com que os senadores entendessem que a compra de Pasadena — que se revelou, depois, segundo ela própria, um mau negócio — fazia sentido naquela hora. Afinal, disse, o Brasil ainda não havia chegado ao pré-sal (embora, convenham, não tenha sido uma surpresa, algo em que se tropece, né?); havia a escolha de comprar refinarias no exterior; as circunstâncias do mercado justificavam etc. Muito bem! Pode-se concordar ou não com os argumentos, mas é uma linha de defesa.

Ocorre que, ao mesmo tempo, Graça estava lá para sustentar a versão da presidente Dilma: o Conselho desconhecia as duas cláusulas consideradas polêmicas: a Put Option (que obrigava à compra da outra metade em caso de desentendimento entre os sócios) e a “Marlim”, que garantia à Astra Oil uma rentabilidade de 6,9% ao ano independentemente das condições de mercado. Pois é… Digamos que a primeira ainda possa ser corriqueira em negócios dessa natureza — afinal, o preço das coisas, não importa o quê, passa por uma avaliação abalizada do mercado. A segunda, tudo indica, não se vê todo dia por aí. Sim, já está evidenciado que Dilma e os demais conselheiros, com efeito, desconheciam essas duas cláusulas, seja uma delas comum ou não; seja a outra exótica ou não.

Ainda nesse ponto, atenção!: Dilma poderia não ter levado a bomba para explodir dentro do Palácio do Planalto. Poderia ter dito algo assim: “Olhem, eu não conhecia, ninguém conhecia, mas andei pesquisando e, mesmo com elas, o negócio fazia sentido!”. E segurasse o rojão, ora essa! Quando se é governo, perdoem-me o clichê, há o bônus, mas também há ônus. Mas quê!

Dilma foi a primeira a assumir a posição da ludibriada; Dilma foi a primeira a assumir o lugar da traída; Dilma foi a primeira a exercer o discurso da enganada; Dilma foi a primeira autoridade de peso a sustentar que a Petrobras havia sido, em suma, vítima de uma trapaça, de um memorial executivo omisso, que forneceu ao conselho informações apenas parciais. Ora, ela queria o quê? Que as oposições e, na verdade, milhões de brasileiros dissessem: “Pô, coitada da presidente! Foi enganada por aqueles caras da Petrobras!”. Como se fosse pouco, a presidente demitiu Nestor Cerveró, o então diretor da Área Internacional que cuidou da operação. Nunca se viu antes uma demissão retroativa como essa, com oito anos de atraso!

Em 2007, a ainda conselheira da Petrobras e ministra-chefe da Casa Civil, além de sedizente especialista em setor energético, já sabia de tudo, já tinha ciência do que, sugeriu mais tarde, era consequência de um engodo. E fez o quê? Nada! Ou, numa relação puramente vetorial, fez menos do que nada — e, pois, piorou o que era ruim: permitiu que Cerveró assumisse o cobiçado cargo de diretor financeiro da bilionária BR Distribuidora. E foi desse cargo que ela o demitiu, punindo-o por um ato praticado oito anos antes, do qual ela tem ciência há mais de sete. Aí não dá!

A presidente da Petrobras, Graça Foster, cobra demais de seus interlocutores; pede que condescendam com uma linha de argumentação e também com o seu contrário.

Honra ofendida
Graça reagiu com ar e inflexão meio ofendidos quando senadores sugeriam que a Petrobras virou, assim, uma espécie de casa da mãe joana — se não exatamente na sua gestão, na de José Sérgio Gabrielli. Sobrou sempre a sugestão de que se estava ofendendo a empresa. Aí, não, doutora! Que o loteamento político de cargos fez com que a empresa se transformasse no palco de uma engrenagem corrupta, isso é dado por uma pletora de fatos. “Ação isolada?” Segundo a própria Dilma, não! Se um diretor está na cadeia em razão das lambanças que praticou, outro, diz a ex-presidente do conselho, a enganava. De resto, Pasadena não é a única suspeita de ilícito na empresa, não é mesmo?

Não existe lugar para o discurso de Graça Foster.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2014

às 16:06

Graça Foster: prisão de ex-diretor causou “constrangimento”

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que a prisão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da companhia, criou um “grande constrangimento” para a companhia. Ao mesmo tempo, ela afirmou que a empresa não pode ser medida pelos atos de “apenas uma pessoa”. Graça Foster fez as declarações aos integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. “Aconteceu um grande constrangimento para a Petrobras com a prisão do ex-diretor Paulo Roberto. Todos os contratos relacionados à eventual participação do Paulo estão sendo avaliados, todas as interfaces estão sendo apuradas”, disse ela.

Graça Foster também rechaçou uma afirmação do senador Alvaro Dias, que falou em “abismo ético” na estatal. “Não é um abismo da ética. Nós estamos trabalhando, apurando. Não podemos ser medidos por uma pessoa e pelas pessoas com as quais ela interage dentro da nossa companhia”. A presidente da estatal disse ainda que a Petrobras tem aprimorado os mecanismos que permitem a detecção de irregularidades administrativas: “Nós fazemos um trabalho muito forte, corporativo, para que os processos de governança tornem eventuais práticas que são nocivas à companhia impossíveis de acontecer”, disse ela.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), entretanto, chamou a atenção para o fato de Costa ter permanecido no cargo mesmo depois que as primeiras irregularidades vieram à tona. O caso é semelhante ao de Nestor Cerveró, que preparou um relatório incompleto e, indiretamente, foi responsável pela desastrada compra da refinaria de Pasadena. “Se permaneceram, seguramente, é porque têm costas quentes”, afirmou o tucano.

Paulo Roberto Costa foi preso há três semanas, durante a operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Ele é acusado de receber propina de contratos da companhia, além de ter atuado em parceria com uma quadrilha acusada de lavagem de dinheiro público. Costa chegou a receber um carro de presente do doleiro Alberto Youssef.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2014

às 13:53

Graça Foster admite: “Não foi um bom negócio”

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:

A presidente da Petrobras Graça Foster informou nesta terça-feira, em depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, custou 1,25 bilhão de dólares à petroleira brasileira e disse que, com o passar do tempo, a transação se tornou, pelo menos em um primeiro momento, um “projeto de baixa probabilidade de retorno”. Ela confirmou ainda a versão da presidente Dilma Rousseff de que um “parecer falho”, elaborado pela então diretoria da Área Internacional da petroleira, omitia as cláusulas Marlim e Put Option. A Marlim previa a Astra Oil uma lucratividade de 6,9% ao ano independentemente das condições de mercado, enquanto a Put Option obrigava a empresa brasileira a comprar a outra metade da refinaria caso houvesse desentendimento com a parceira belga Astra Oil. “Olhando aqueles dados, não foi um bom negócio”, admitiu Foster. “Não pode ser um bom negócio quando se tem que tirar dos resultados. Não há como reconhecer na presente data que tenhamos feito um bom negócio. Isso é inquestionável do ponto de vista contábil.” 

“Com a compra dos 50% [da refinaria da belga Astra Oil] a Petrobras desembolsou 1,25 bilhão de dólares. O negócio originalmente concebido transformou-se em um empreendimento de baixo retorno sobre o capital investido”, admitiu Foster. De acordo com a presidente, houve resultados positivos com o refino de petróleo leve na refinaria só recentemente, com o projeto operando e produzindo resultado positivo de janeiro a março deste ano. “Era um bom projeto no início e que se transformou em projeto de baixa probabilidade de retorno”, disse ela. 

Aos senadores, Graça Foster relatou que a transação envolvendo Pasadena começou em 2006 e foi concluída em 2012 e justificou a compra pelo fato de a refinaria estar localizada em um grande hub de refino e logística nos Estados Unidos, com facilidades no transporte. A refinaria está às margens do Houston Ship Channel, canal por onde circula grande parte da produção do golfo. “É uma refinaria de 100.000 barris por dia localizada em um dos principais hubs de refino nos Estados Unidos. Pasadena está na beira do Houston Ship Channel, o que favorece o transporte de carga. Tudo isso traduz para a refinaria uma grande importância dentro do maior consumidor de combustíveis, que são os Estados Unidos”, alegou a presidente da Petrobras. 

Parecer falho – Assim como já havia feito a presidente Dilma Rousseff, Foster informou que o Conselho de Administração da estatal não recebeu informações suficientes para a compra da refinaria de Pasadena e, no resumo executivo elaborado pelo então diretor Nestor Cerveró, não havia referência às cláusulas Put Option e Marlim. “Em nenhum momento do resumo executivo ou da apresentação de power point da Área Internacional foram citadas duas variáveis muito importantes: não se falou no put option nem de marlim. Foi um resumo executivo sem  a citação às duas clausulas contratuais completa importantes”, relatou. “É obrigação de quem leva para a diretoria apontar pontos fortes e frágeis para a operação. Não existe atividade segura 100%”, completou ela. 

Graça Foster afirmou ainda que “o valor da Petrobras não pode ser medido pelo comportamento de um ex-diretor preso”. Questionada sobre e lentidão na punição a Cerveró, o autor do parecer que permitiu a compra de Pasadena, a presidente da estatal limitou-se a dizer que ele, de alguma forma, foi punido porque acabou removido do cargo de diretor internacional da Petrobras para o de diretor financeiro da BR Distribuidora: “É sim uma diretoria muito mais restrita”, disse ela. Cerveró só foi demitido em março, quando a imprensa divulgou novos detalhes do caso. 

O depoimento é uma tentativa de diminuir as pressões pela instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Petrobras, a base governista articulou uma audiência no Senado para ouvir a presidente da estatal, Graça Foster. A ideia é que os esclarecimentos de Foster esgotem questionamentos sobre irregularidades e contratos malsucedidos na petroleira e permitam que os governistas ganhem tempo para inviabilizar o funcionamento da CPI. Governistas acreditam que, com depoimentos como o da presidente da estatal, podem adiar o início de funcionamento de uma CPI, de preferência até junho, quando o foco de atenção deve estar voltado para a Copa do Mundo, e não para o funcionamento do Congresso.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2014

às 6:21

LEIAM ABAIXO

SBT cede à patrulha e corta as opiniões de Sheherazade. Na TV aberta brasileira, pode mostrar o traseiro e o bilau; pode transformar o vocabulário numa latrina; só não pode dar uma opinião contrária à das milícias do PSOL, do PCdoB, do PT e dos autoritários e imbecis de maneira geral;
Ex-tesoureiro de pré-candidato do PT em Minas também é investigado pela PF;
Aécio pede que Dilma devolva limpo o macacão da Petrobras;
Marina como vice: um pouco de FHC, um pouco de Lula, críticas a Dilma e um tanto de apóstolo Paulo, mas numa versão meio pagã…;
Falha chantagem de Vargas. Ou: Por muito pouco, o doleiro Youssef não senta na cadeira presidencial!;
PT dá largada à sua campanha de reforma política em busca do totalitarismo “democrático”;
As mentiras do discurso de Dilma sobre a Petrobras. Ou: Governante tem o direito de mentir?;
Brasil se torna sócio das lambanças da tirania cubana;
Cuba usou Porto de Mariel, financiado pelo Brasil, para vender armas à Coreia do Norte;
— Cresce tensão na Ucrânia. E os erros de cálculo;
— PETROBRAS – Partidos que apoiam Dilma ficaram com 79% das doações feitas por empresas da “lista” de ex-diretor que está preso;
— “Se a Petrobras não fosse pública, já teria quebrado. A empresa está afundando”;
— Empresas sob suspeita faturaram R$ 31 bilhões com a Petrobras na era PT;
— TORTURA NA VENEZUELA: DEPOIMENTOS DOS SEVICIADOS. Ou: Parece que Dilma se opõe apenas a que se torturem as “pessoas erradas”;
— Petrobras: o encontro entre a corrupção e a política, contra os brasileiros;
— Um dos centros irradiadores de uma calúnia contra Aécio na Internet estava na… Eletrobras!;
— Rosa Weber pede que Renan se pronuncie sobre CPI;
— Gilberto Carvalho, o sofisticado: “A gente organiza uma Copa do Mundo achando que vai ser uma festa, e vocês, jovens, vêm, dão porrada: ‘é uma merda!’”;
— Ex-diretor da Petrobras e doleiro se associaram para obter contratos milionários com a estatal;
— Senador tucano denuncia assessor de deputada petista que hostilizou Joaquim Barbosa;
— Sabem o que é esta estrovenga? É o Chikungunya! Ele é a cara do fracasso dos bananas!;
— Resposta à lógica torta de Padilha: a PF só está ocupada com tantos ladrões porque há ladrões demais no poder, certo? Ou: Vá para os fatos, Padilha!;
— Executivo admite que empresa pagou R$ 1,9 milhão a consultoria ligada a doleiro para poder fazer negócio com a Petrobras;
— A CPI da Petrobras e as duas lógicas. Ou: Em que momento, na empresa, a política virou crime, e o crime virou política?

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2014

às 6:14

SBT cede à patrulha e corta as opiniões de Sheherazade. Na TV aberta brasileira, pode mostrar o traseiro e o bilau; pode transformar o vocabulário numa latrina; só não pode dar uma opinião contrária à das milícias do PSOL, do PCdoB, do PT e dos autoritários e imbecis de maneira geral

Sheherazade: SBT cede à patrulha dos autoritários e cassa as opiniões da jornalista

Sheherazade: SBT cede à patrulha dos autoritários e cassa as opiniões da jornalista

O SBT cedeu à pressão, ao alarido e à gritaria dos censores em tempos democráticos e decidiu proibir os comentários da jornalista Rachel Sheherazade. Os autoritários, os imbecis e os esquerdopatas estão felizes. São, ademais, mentirosos porque fingem uma indignação que não têm para alimentar os preconceitos que têm. Na origem da polêmica, está um comentário que Sheherazade fez no ar quando um jovem assaltante foi detido por moradores e atado a um poste. Já escrevi um post a respeito no dia 10 de fevereiro. Embora eu não endosse o comentário da jornalista, É UMA MENTIRA ESCANDALOSA QUE ELA TENHA APOIADO AQUELE TIPO DE TRATAMENTO.

Ela disse outra coisa. Afirmou que, numa sociedade em que o estado é omisso e em que a violência se dissemina, é “compreensível” aquela atuação da população. Dias depois, diga-se, o rapaz foi detido novamente por suas vítimas habituais. Para não apanhar, começou a gritar: “Eu sou o do poste. Sabe com quem está falando?”. Ele sabia que os cretinos deslumbrados o tinham tornado uma celebridade.

Certamente haverá um bando de tontos, inclusive no meio jornalístico, aplaudindo a decisão, sem se dar conta de que está botando a própria cabeça na guilhotina. É mentira que Sheherazade esteja sendo punida por aquela opinião. Ela está sendo calada porque não emite, na TV, pontos de vista considerados consensuais; porque não lustra os preconceitos politicamente corretos que tomam conta da TV aberta; porque não segue, enfim, a manada.

Vocês já se deram conta do vocabulário que se tornou usual nas TVs brasileiras — sem exceção — a partir das 21h? Temas de relativa complexidade moral — de dilemas éticos à questão da sexualidade — são levados em cena aberta, e é certo que há crianças do outro lado da tela, não é? Ah, mas em matéria se sexualidade, de formação familiar, de consumo de drogas, de desassombro vocabular, mesmo quando, reitero, há crianças envolvidas inclusive nas cenas, aí somos todos libertários; aí ninguém quer correr o risco de parecer reacionário; aí a mãe pode levar o filho para o ambiente em que mantém flertes lésbicos. Afinal, o que é que tem? Lesbianismo é comum.

E não serei eu aqui a dizer que seja incomum, não é? Não estou defendendo censura nenhuma, antes que algum bobalhão leia que o que não está escrito. Eu já disse que não brigo com TVs, com programas de humor na Internet, com nada disso. Defendo apenas que se desligue a TV e que não se veja o tal programa. E pronto!  Mas sigamos. Aprendi, dada a educação moral e cívica ora em  vigência, que um gay esmagado pelo pai pode sequestrar e jogar uma criança no lixo, tentar matar uma pessoa, financiar o sequestro dessa mesma criança; chantagear, extorquir, fazer o diabo. Se ele descobrir o amor verdadeiro e se isso significar a adesão da maior emissora do país a uma causa “progressista”, tudo vale a pena. O bandido merece perdão. Já a bandida heterossexual morre eletrocutada numa cerca para deixar de ser safada. O pai homofóbico termina seus dias babando e dependendo daquele a quem tanto hostilizou. Quem mandou ser tão malvado e, em certa medida, literalmente cego de heterossexualismo e machismo? E não duvido que muitas mulheres tenham achado “liiinda” a novela misógina. O Brasil está ficando burro.

Essa mesma televisão, no entanto, não pode comportar as opiniões de Rachel Sheherazade. Quais opiniões? Aquela de que é “compreensível” que a população se revolte e decida fazer justiça. Não! Ninguém nem está ligando pra isso. O problema são as outras opiniões que ela tem. Se há manifestantes violentos nas ruas, em vez de ela verter a baba adesista, tão comum hoje em dia, ela critica; se bandidos cometem atrocidades, em vez de ela se compadecer com a suposta origem social da violência — uma mentira! —, ela pede cadeia; se há invasão de propriedade privada, em vez de ela se solidarizar com invasores, deixa claro que aquele não é o caminho.

Isso não pode! Sheherazade poderia estar emitindo opiniões com esse conteúdo em qualquer democracia do mundo. Não na nossa! Na nossa democracia, todos têm de estar alinhados com os cânones do pensamento politicamente correto. Ou não pode trabalhar. Vejam os debates sobre os 50 anos do golpe militar de 1964. Eu falei “debates”? Uma ova! Não houve! Ao contrário: sob o pretexto de que todos defendemos a democracia, o que se viu nas TVs foi um espetáculo de mistificação. Mais um pouco, João Goulart só não foi chamado de competente…

PCdoB e PSOL
PCdoB e PSOL resolveram recorrer ao Ministério Público contra Sheherazade. Pedem abertamente a cabeça da jornalista, ameaçando a emissora com o corte de verbas de publicidade oficial. PCdoB e PSOL falando em nome da democracia? Dois partidos que defendem a ditadura chavista? Que defendem a ditadura cubana? Que defendem regimes que prendem pessoas por delitos de opinião? Que se alinham com as milícias bolivarianas?

Quem vai dar aula de tolerância a Rachel Sheherazade? A deputada Jandira Feghali? O partido que, até outro dia, foi flagrado em relações incestuosas com ONGs de mentirinha para enfiar a mão no dinheiro público? Que ainda não perdoou Krushev? Nem chego a considerar a tal Jandira um ser da nossa era! Espero que ela não tente me calar também!

Muito bem! Agora Sheherazade não vai mais emitir opiniões. O Brasil ficou melhor por isso? Teremos, agora, mais liberdade de expressão? A verba publicitária oficial pode ser usada por veículos de comunicação que defendem abertamente a roubalheira havida na Petrobras, mas não poderia ir para o SBT porque havia lá uma jornalista que dizia coisas incômodas. Considerando o padrão da TV aberta brasileira, Sheherazade é que virou um problema? Mostrar o traseiro e o bilau em reality show pode, mas afirmar que a população, sem estado, acaba fazendo justiça com as próprias mãos é proibido? Engraçado! Na democracia americana, a bunda e o bilau na TV abertas seriam proibidos, mas a opinião política é livre. Vai ver é por isso que os EUA são os EUA, e o Brasil é o Brasil. Na novelas das nove, se podem defender a descriminação das drogas e o aborto — hoje considerados crimes pela legislação brasileira — e da pior forma possível: no modelo merchandising ideológico, de forma mais ou menos sorrateira. Mas ai de um jornalista que emita uma opinião que ofenda as polícias do pensamento!

Sobre a violência
No primeiro texto que escrevi sobe o caso, tratei da questão da violência. Não se trata de saber se direitos humanos devem existir também para bandidos. Os direitos humanos, vejam que coisa!, humanos são — e deles ninguém se exclui ou pode ser excluído. Ponto final. A questão é de outra natureza: cumpre tentar entender por que esses prosélitos mixurucas, esses propagandistas vulgares, jamais se ocupam da guerra civil que está em curso no Brasil há décadas. Então os mais de 50 mil que morrem por ano no país não merecem a sua atenção?

Sei que pode parecer estranho a esses oportunistas, mas Sheherazade não amarrou ninguém. A violência que a gente vê é só um pouco da violência que a gente não vê. Os linchamentos se espalham Brasil afora. Os mais de 50 mil homicídios a cada ano no país é que mereciam uma “Comissão da Verdade”. Por que os que agora pedem a cabeça de uma apresentadora de TV jamais se ocuparam das 137 pessoas (média) que são assassinadas todos os dias no Brasil?

Os imbecis tentarão ler no meu texto o que nele não está escrito. Dou uma banana para os tolos. Quanto mais eles recorrem à tática da desqualificação, mais leitores vão chegando — e, agora, mais ouvintes também. Não dou a mínima. Não me deixo patrulhar. Sim, eu acho que os que prenderam aquele rapaz pelo pescoço têm de ser punidos. Eu acho que os que recorrem a linchamentos também têm de arcar com as consequências.

Mas acho igualmente que essa gente que decide resolver por conta própria — que também é pobre de tão preta e preta de tão pobre — merece ter estado, merece ter segurança, merece ter proteção. Se sucessivos governos se mostram incapazes de dar uma resposta — por mais que eu deteste, por mais que eu ache o caminho errado, por mais que eu tenha a certeza de que a situação só vai piorar —, as pessoas farão alguma coisa.

Parece-me que foi esse o sentido que Sheherazade deu à palavra “compreensível” — o que não implica necessariamente um endosso. Os historiadores já se debruçaram sobre os fatores que tornaram “compreensível” a eclosão dos vários fascismos na Europa do século passado ou da revolução bolchevique na Rússia. Compreender um fenômeno não quer dizer condescender com ele. Eu, por exemplo, penso que é compreensível que o PT tenha chegado ao poder, entenderam?

Ainda que, reitero, avalie que o comentário foi, sim, desastrado. Mas tentar linchar Sheherazade moralmente, aí já é um pouco demais! Estranha essa gente: defende o direito de defesa para os bandidos mais asquerosos — e nem poderia ser diferente —, mas pede a execução sumária de alguém por ter emitido uma opinião infeliz.

E por quê?
E por que se silencia de maneira sistemática, contumaz, cínica, sobre a guerra civil brasileira? Num artigo da Folha, sintetizei a razão (em azul):
E por que esse silêncio? É que os fatos sepultaram as teses “progressistas” sobre a violência. A falácia de que a pobreza induz o crime é preconceito de classe fantasiado de generosidade humanista. A “intelligentsia” acha que pobre é incapaz de fazer escolhas morais sem o concurso de sua mística redentora. Diminuiu a desigualdade nos últimos anos, e a criminalidade explodiu. O crescimento econômico do Nordeste foi superior ao do Brasil, e a violência assumiu dimensões estupefacientes.

Os Estados da Região estão entre os que mais matam por 100 mil habitantes: Alagoas: 61,8; Ceará: 42,5; Bahia: 40,7, para citar alguns. Comparem: a taxa de “CVLI” de São Paulo, a segunda menor do país, é de 12,4 (descarta-se a primeira porque inconfiável). Se a nacional correspondesse à paulista, salvar-se-iam por ano 26.027 vidas.

Com 22% da população, São Paulo concentra 36% (195.695) dos presos do país (549.786), ou 633,1 por 100 mil. A taxa de “CVLI” do Rio é quase o dobro (24,5) da paulista, mas a de presos é inferior à metade (281,5). A Bahia tem a maior desproporção entre mortos por 100 mil e (40,7) e encarcerados: 134. Estudo quantitativo do Ipea (aqui) evidencia que “prender mais bandidos e colocar mais policiais na rua são políticas públicas que funcionam na redução da taxa de homicídios”.

Isso afronta a estupidez politicamente correta e cruel. Em 2013, o governo federal investiu em presídios 34,2% menos do que no ano anterior — caiu de R$ 361,9 milhões para R$ 238 milhões. Para mais mortos, menos investimento. Os progressistas meio de esquerda são eles. Este colunista é só um reacionário da aritmética. Eles fazem Pedrinhas. Alguém tem de dar as pedradas.

Retomo
Boa parte dos que estão vociferando não está nem aí para os pobres, os humilhados etc. Esses coitados servem apenas de pretexto para aquela turma perseguir os de sempre. Não fosse assim, esses bacanas estariam mobilizados, cobrando uma ação do estado brasileiro para pôr fim ao Açougue Brasil, especializado em carne humana.

Bando de censores babacas e autoritários! Ah, sim: o SBT não proibiu apenas Sheherazade de omitir opiniões. A regra vale agora para todos os profissionais de imprensa da casa. Vai ver o Sindicato dos Jornalistas do Rio, que também havia se insurgido contra ela, está feliz. Agora, sim, é que ficou bom, certo? Claro, claro! Sempre haverá um daqueles para dizer que isso só acontece porque se trata de um meio de comunicação da burguesia. O semovente não tem dúvida de que Sheherazade deve ser censurada, mas que a opinião deve ser livre para os que emitem as opiniões “corretas”…

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 23:41

Ex-tesoureiro de pré-candidato do PT em Minas também é investigado pela PF

Por Paulo Peixoto, na Folha Online:
A investigação da Polícia Federal em Minas Gerais que apura o recebimento de recursos do valerioduto pelo ex-ministro Pimenta da Veiga, pré-candidato do PSDB ao governo mineiro, envolve também outros nomes que receberam valores das contas das agências de Marcos Valério de Souza. Entre esses nomes figura Rodrigo Barroso Fernandes, ex-tesoureiro da campanha de 2004 pela reeleição do então prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, agora pré-candidato ao governo mineiro.

Desde 2005, as apurações já apontavam que Fernandes sacou R$ 274 mil em agosto de 2004. Na ocasião, ele foi chamado a prestar depoimento na PF, mas se reservou ao direito de só falar em juízo. Em nota divulgada por sua defesa na ocasião, ele negou ter realizado tal saque. Essa apuração, bem como a de Pimenta, que admitiu ter recebido R$ 300 mil de Valério por ter prestado serviço de consultoria jurídica, está baseada no inquérito 2474, que trata de toda a contabilidade das agências de Valério, separadas por bancos, e que balizou a ação do mensalão do PT.

Segundo a PF, outras pessoas estão também sendo investigadas. São cerca de 30 nomes que receberam recursos das agências SMPB e DNA e que estão na mira da PF. Aparecem nesse inquérito desde pessoas que tinham vinculação com políticos –caso de Freud Godoy, ex-assessor da Presidência da República na gestão Lula– a outros nomes que prestaram também consultoria para Valério e, como Pimenta, sem firmar contratos.

Essas investigações começaram a ser autorizadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2012, quando a Procuradoria-Geral da República solicitou novas investigações, já que a PF só concluiu em 2011 os trabalhos sobre as análises dos saques nas contas das agências de Valério.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 23:05

Aécio pede que Dilma devolva limpo o macacão da Petrobras

O pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves, respondeu às críticas de Dilma Rousseff, que acusou, nesta segunda, a existência de uma campanha contra a empresa: “Está na hora de a presidente da República devolver limpo o macacão dos funcionários da empresa. Quem está sujando a imagem da Petrobras é o PT, que estabeleceu o aparelhamento através da irresponsabilidade, que resulta na prisão de diretores em operações da Polícia Federal”.

Aécio certamente tinha em mente esta imagem:

Lula mãos sujas 4

No dia 21 de abril de 2006, durante a inauguração da Plataforma P 50, em Campos, Lula repetiu o gesto de Getúlio Vargas, em 1952, e sujou as mãos de petróleo. O populista do passado marcava o início da extração no Brasil; o petista comemorava a suposta autossuficiência do Brasil. Pois é… Autossuficiência? O déficit da conta petróleo em 2013 foi de US$ 20,277 bilhões. Lula só sujou as mãos daquele jeito porque não conseguiu resistir. Em 2014, deve ficar em torno de US$ 15 bilhões.

Nos 11 anos e quatro meses de gestão petista, muito especialmente nos oito em que Lula esteve à frente do governo, nenhuma área do governo — ou empresa estatal — teve uma gestão tão arrogante, tão autoritária e, ao mesmo tempo, tão ineficiente como a Petrobras — e olhem que não se está falando exatamente de uma estatal. Como se sabe, trata-se de uma empresa de economia mista. Os desacertos foram se acumulando. Em vez de dar explicações quando confrontado com os problemas, o petista José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da gigante, demitido pela presidente Dilma em janeiro de 2012, respondia com grosserias e desaforos.

No seu aniversário de 60 anos, em 2013, a Petrobras teve duas péssimas notícias: 1) a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou as notas de crédito da estatal de A3 para Baa1 em razão do elevado endividamento (e, nesse particular, o governo Dilma tem uma parcela enorme de responsabilidade); 2) segundo relatório do TCU, o atraso na entrega do Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj), no Rio, pode gerar um prejuízo para a empresa de R$ 1,4 bilhão.

A Petrobras encerrou 2010 devendo R$ 118 bilhões; no começo deste 2014, a dívida já se aproximava dos R$ 300 bilhões. Parte desse rombo decorre de a empresa importar gasolina a um preço superior ao de venda no mercado interno. Como a economia degringolou, é preciso segurar o preço dos combustíveis para que a inflação não dispare.

Até aí estamos falando de uma gestão incompetente, politiqueira e desastrada. Aí os casos de corrupção vieram à luz, aos borbotões.

Chegou a hora de lavar o macacão.

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 22:45

Marina como vice: um pouco de FHC, um pouco de Lula, críticas a Dilma e um tanto de apóstolo Paulo, mas numa versão meio pagã…

O PSB lançou, nesta segunda-feira, a pré-candidatura de Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, à Presidência da República. Marina Silva, a chefe da Rede, um partido ainda com existência informal, anunciou o que já se dava como certo, embora a trajetória até a decisão tenha sido um tanto acidentada: vai mesmo ser vice na chapa. Acidentada por quê? A estreia da ex-senadora no PSB forçou Campos a romper alianças ou relativizá-las em estados em que conversas já estavam em andamento. Marina empresta ainda à candidatura do ex-governador uma inflexão, em alguns temas, mais à esquerda do que talvez fosse prudente.

Até agora, Marina não transferiu seus votos para Campos. Os dois formalizaram a sua aliança em outubro do ano passado, mês em que o político do PSB apareceu com 15% das intenções de voto no Datafolha. Caiu para 11% em novembro, passou para 12% em fevereiro e marcou 14% no começo deste mês. Quando Marina surge como o nome do PSB, obtém marcas substancialmente maiores nos mesmos períodos: 29%, 26%, 23% e 27%. Note-se que o último levantamento do Datafolha foi feito logo depois do horário político eleitoral do PSB e quando as inserções curtas do partido estavam no ar: Marina se mexeu, passado de 23% para 27%, mas Campos ficou praticamente No mesmo lugar, variando de 11% para 12%.

O grosso do eleitorado que simpatiza com Marina não está migrando automaticamente para Campos — não ainda ao menos. Será que essa transferência ainda vai acontecer? Vamos ver. O discurso da líder da Rede, como sempre, se deixou marcar por um certo messianismo, mas que cai bem em plateias laicas. Referindo-se ao dia em que o TSE indeferiu o pedido de registro de seu partido, afirmou: “Saí daquele tribunal, era a fraqueza em pessoa, mas eu me lembrei daquela frase, quando sou fraco é que sou forte”. Ela se referia ao versículo 10 do Capítulo 12 da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios.

E seguiu adiante, numa interpretação muito pessoal da carta de São Paulo. Disse Marina: “Porque a gente é forte quando tem a capacidade de se juntar com outras pessoas, porque o ser humano é incompleto, é faltoso, depende da completude do outro, e, naquele momento, o outro disponível para esse projeto era o PSB, na figura de Eduardo Campos”. Pois é… Quem conhece o texto sabe que São Paulo se referia a Jesus Cristo para fortalecer os fracos, não a um homem com poderes, como direi?, terrenos. Se bem que, bem lido o que disse Marina, ela própria é que se oferece como portadora da mensagem messiânica, de que Campos seria apenas um instrumento. Uau! Se ela não fosse de uma denominação evangélica, ainda reivindicaria a santidade em vida. Espero que Campos cresça e contribua para impedir a eleição de Dilma. Mas deixo claro: não suporto esse discurso de Marina.

Campos, por sua vez, insistiu na leitura de que Dilma jogou fora a boa herança que recebeu de Lula: “O Brasil perdeu o rumo estratégico. Dizia que ia para um lado e ia para o outro. Foi perdendo seus fundamentos macroeconômicos, na inclusão social. E a gente viu que esse processo nos conduziu ao cabo de três anos a um diagnóstico que é voz corrente: o Brasil parou, o povo perdeu a fé. E nós não podemos deixar o povo brasileiro desanimar da nossa luta”. Vale dizer: confronto com Lula, nem pensar.

O economista Eduardo Giannetti, de clara inflexão liberal, hoje ligado à Rede, deu aquele que pode ser o tom da campanha publicitária do PSB ao afirmar: “O Brasil está cansado da polarização PT versus PSDB. Eles já deram o que tinham de dar. O Brasil não quer mais do mesmo, quer diferente. Nós somos os portadores dessa esperança nessa eleição. O governo Dilma frustrou avanços construídos a duras penas no governo FH e no primeiro do presidente Lula. É um governo repleto de paradoxos”.

E assim se lançou a pré-candidatura de Eduardo Campos: com um pouco de Lula, com um pouco de FHC, com o governo Dilma até anteontem, contra o governo Dilma agora, tudo isso temperado por uma leitura, como direi?, meio pagã da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios. Mas, claro, “sem contradições”!!!

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 20:48

Falha chantagem de Vargas. Ou: Por muito pouco, o doleiro Youssef não senta na cadeira presidencial!

O deputado André Vargas PT-PR) anunciou que vai renunciar nesta terça. A situação do bruto já não andava bem no partido. Vargas fez de conta que não sabe como são as coisas. Às vezes, é preciso recuar para poder avançar, mas ele decidiu dar uma de teimosão. Não se mirou no exemplo de admiráveis figuras do partido, como Delúbio Soares e próprio Ricardo Berzoini, hoje ministro das Relações Institucionais. O que quero dizer com isso? Delúbio aceitou ser expulso do partido, por exemplo. Voltou mais tarde. Quando se descobriu, em 2010, a tramoia dos chamados aloprados, o presidente da sigla era Berzoini. Aceitou cair fora. Quem assumiu foi Marco Aurélio Garcia.

Vargas quis ser o valentão. Em vez de perceber o tamanho da esparrela, resolveu cobrar solidariedade da cúpula do partido e ameaçou gente graúda, como Alexandre Padilha, pré-candidato ao governo de São Paulo, e Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao governo do Paraná, além do ministro Paulo Bernardo, das Comunicações. Aí já era um pouco demais. Fizeram o homem perceber que, mesmo com escoriações, o partido sobreviveria. Ele, no entanto, teria de decidir se seria apenas alguém que caiu em desgraça, com alguma chance de recuperação mais tarde, ou um pária entre os próprios pares. Pô, Vargas! Ameaçar companheiro é coisa que não se faz!

Com a renúncia, o PT pretende tirar o parlamentar do noticiário. Mantê-lo significaria manter também a curiosidade sobre os assuntos que ele andou ventilando para alguns companheiros. Tudo o que o PT quer é que se esqueça essa história de que a Labogen, um laboratório-fantasma, feito de sucata, ganhou o sinal verde do Ministério da Saúde, sob o comando de Padilha.

Pois é… E pensar que o futuro de tão notável figura já estava até desenhado. O PT não tem dúvida de que fará a maior bancada da Câmara, o que, se confirmado, lhe renderá a Presidência da Casa na nova Legislatura. E o nome certo para ocupar o cargo era André Vargas, que passaria, depois do presidente, a ser a segunda pessoa na hierarquia da República. Em caso de impedimento do titular e do vice, a cadeira presidencial é assumida pelo presidente da Câmara.

Não é raro presidente e vice estarem em viagem, e o país, formalmente ao menos, ficar sob os cuidados do presidente da Câmara. Pois é… Vejam como o doleiro Alberto Youssef chegou perto de se sentar, ainda que temporariamente, na cadeira presidencial. Quanto a Vargas, é possível que a renúncia seja o preço para o PT não expulsá-lo. A gente sabe que o partido nunca deixa seus valentes na chuva. Segundo a Lei da Ficha Limpa, como já informei aqui, Vargas está inelegível por oito anos a partir de 2015. Não pode, portanto, se candidatar nem em 2022, último ano da punição. Só poderá disputar um cargo eletivo de novo nas eleições municipais de 2024.

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 17:45

PT dá largada à sua campanha de reforma política em busca do totalitarismo “democrático”

Pois é…

Um leitor acaba de me enviar uma mensagem que o Diretório Nacional do PT está mandando a seus filiados — e creio que não só. Eu reproduzo trechos em vermelho (os destaque são meus). Leiam. Volto em seguida .
*
Prezados(as),

O Partido dos Trabalhadores elaborou um projeto de iniciativa popular para coletar 1,5 milhão de assinaturas a fim de propor alguns pontos de mudança na nossa política. Já estamos nas ruas com uma campanha nacional em busca do apoio da sociedade. No ano passado para a campanha foram enviados documentos e um formulário para recolhimento de adesão/assinaturas.
(…)
Iniciaremos a partir de maio próximo a 2° etapa da Campanha, com o objetivo de envolver toda a sociedade civil e queremos fazer do PT o protagonista da grande e necessária Reforma que certamente, mudará os rumos das eleições em nosso país.

A proposta do PT é Fundamentada basicamente em quatro pilares:
- FINANCIAMENTO PÚBLICO E EXCLUSIVO DE CAMPANHA;
- VOTO EM LISTA PRÉ-ORDENADA PARA OS PARLAMENTOS;
- AUMENTO DA PARTICIPAÇÃO FEMININA;
- ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE EXCLUSIVA;

Para esta nova etapa, iremos percorrer todo o Brasil, construindo o debate com a nossa base social, levando uma nova narrativa ainda mais convicta da precisão desta Reforma. Haverá também um novo material, com mais didática e acessibilidade levando em conta todo o movimento de junho/2013. Em breve nossa campanha estará nas redes, nas caixas de correios e sobretudo nas mentes e corações de quem quer um Brasil sem corrupção.
(…)

Voltei
Ai, ai.

Como se vê, o PT começa a fazer no mês que vem a campanha maciça em favor da reforma política. A legenda elaborou, então, um projeto de iniciativa popular, é? Bem, se é do partido, então “de iniciativa popular” não pode ser. Trata-se de uma farsa de saída. O ideia desse tipo de projeto é justamente nascer da sociedade, não de instâncias formais de representação.

Como se nota, o PT quer exclusivamente financiamento público de campanha, a exemplo do STF, né?, que deve vetar a doação de empresas privadas. Se isso acontecer, melhor para o petismo: para distribuir o dinheiro público que vai financiar a eleição, terá de haver algum critério, e o maior partido levará mais dinheiro. Adivinhem quem sairia ganhando… Acertou quem chutou… o PT!

A legenda defende também o voto em lista fechada. Ou por outra: o eleitor vota no partido. De acordo com essa votação, estabelece-se o número de cadeiras a que cada agremiação tem direito, e os eleitos serão os primeiros de uma relação previamente preparada por cada uma. Ou seja: o eleitor nem saberá a quem estará dando seu voto. Em vez de aproximar eleitores de eleito, esse sistema os afasta ainda mais do que hoje.

A resolução do PT ainda fala em “Constituinte exclusiva” para reforma política, o que é uma piada macabra. Eleger-se-ia uma Assembleia para fazer a mudança, que se dissolveria em seguida. Não custa lembrar: modelos autoritários em curso na América Latina — Venezuela, Cuba e Bolívia — recorreram a esse método. De resto, Assembleia Constituinte sem que tenha havido rompimento da ordem anterior? É um exotismo.

Leiam lá: o texto do PT fala que a reforma serviria para “mudar os rumos (sic) das eleições em nosso país”. É mesmo? Ora, com os atuais “rumos”, os petistas estão no seu terceiro mandato, e, se as eleições fossem hoje (ainda bem que não são), teriam um quarto mandato; mais: com os “atuais rumos”, o partido tem a maior bancada na Câmara e a segunda maior no Senado.

Como partido nenhum propõe reforma que o prejudique, “mudar os rumos” deve significar a marcha rumo ao poder absoluto, não? Bem, se conseguir o que quer, será mesmo.

Não custa indagar: que reforma política impediria a sem-vergonhice ora em curso na Petrobras, por exemplo, e as relações incestuosas do petismo com as máquinas sindicais Brasil afora? O mais engraçadinho é que essa proposta de reforma política tem como principal alvo destruir o PMDB, que receberia menos verbas do fundo público de campanha do que o PT, estaria impedido de se financiar com empresas privadas (a não ser por intermédio do caixa dois, com os riscos inerentes a esse tipo de ação) e não contaria com as doações não estimáveis em dinheiro que os sindicatos sempre fazem ao petismo.

Aliás, só os idiotas ainda não perceberam que, após quebrar a espinha do DEM e causar sérias avarias no tucanato nestes 12 anos, o alvo natural e necessário do petismo é seu principal aliado: o PMDB. É da natureza desse Leviatã do mundo das sombras.

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 16:44

As mentiras do discurso de Dilma sobre a Petrobras. Ou: Governante tem o direito de mentir?

Governantes têm o direito de mentir? A resposta é “não”. Nem que seja sob o pretexto de “salvar a nação”. Na vida pública, não existe mentira virtuosa. Quando muito, pode existir a omissão prudente. Dou um exemplo: se o ministro Guido Mantega vislumbrar pela frente uma escalada inflacionária, se indagado a respeito, ele não tem de confirmar nem de se estender a respeito, ou haverá o efeito óbvio: como a economia se move, em parte, por expectativas, ele poderia piorar a situação se dissesse a verdade. Poderia, no discurso, omitir esse vislumbre para não piorar o que já seria ruim. Mas é certo que não poderia afirmar o contrário dos fatos. A mentira, na vida pública, é trapaça contra o interesse coletivo.

Nesta segunda, a presidente Dilma participou da inauguração de navios petroleiros no porto de Suape, em Pernambuco, terra de um de seus futuros adversários na disputa presidencial, Eduardo Campos. E resolveu deitar falação sobre a Petrobras, segundo leio na Folha. Afirmou: “Não hesitarei em combater o malfeito, a ação criminosa, corrupção ou ilícito de qualquer espécie. Mas também não ouvirei calada a campanha negativa, por proveito político, em ferir a imagem dessa empresa que o povo construiu com suor e lágrimas”.

Há duas verdades aí e duas mentiras. Primeira verdade: a Petrobras está eivada de malfeitos, ações criminosas, corrupções e ilícitos. Segunda verdade: a empresa foi construída com o suor e lágrimas dos brasileiros. Ainda que Dilma esteja plagiando Churchill, isso é verdade. Primeira mentira: a presidente hesitou, sim, em defender a Petrobras, tanto que deixou de apurar a compra da refinaria de Pasadena e ainda deu emprego para o executivo que, segundo ela própria, foi o responsável pela operação. Segunda mentira, não existe campanha nenhuma contra a empresa. Campanha contra a Petrobras fazem os larápios que lá estão incrustados.

Mas Dilma foi mais longe na impostura. Disse ainda: “Desde o início da empresa, teve gente sendo contra, dizendo que não havia petróleo no Brasil. Depois, mudaram o discurso, e chegaram a dizer que havia petróleo demais para ser controlado por uma empresa pública. Era uma forma sorrateira que prepararam para a Petrobras parar em mãos privadas. Foi um processo tão requintado, que foi interrompido pela pressão externa, que chegaram a fazer a troca do nome da empresa. Queriam chamar ela de ‘Petrobrax’, sonegando a sílaba que é nossa identidade. Bras, de Brasil”.

É a mentira mais escandalosa de todas. Desafio Dilma e o PT a apresentar uma miserável evidência de que se tentou privatizar a Petrobras. Privatizada ela está hoje: transformou-se numa soma de feudos, distribuídos entre partidos políticos: PT, PP, PMDB, PTB… Eles vão usando a estatal para cuidar de seus próprios interesses. Em sua fala, Dilma sugeriu que as sem-vergonhices na estatal são ações isoladas, coisas deste ou daquele. Mentira também! O PT está afundando a Petrobras porque usa a estatal para distribuir prebendas políticas e para manter unidos os partidos da base aliada.

Venham cá: por que vocês acham que um partido político quer tanto ter direções de áreas técnicas de estatais? Como é que isso poderia ajudar a legenda? A resposta é simples: essa diretoria, fatalmente, terá de comprar coisas, de construir obras, de contratar serviços e consultorias. O dinheiro sai da corretagem.

Privatizada, no sentido mais vagabundo da palavra, que é o único que o PT conhece — já que execra o virtuoso —, a Petrobras está hoje. Ela precisa voltar a ser uma empresa pública.

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 16:03

Brasil se torna sócio das lambanças da tirania cubana

Como vocês sabem, o governo do PT já tem uma grande obra portuária, certo? Em Cuba! Aliás, o PAC que verdadeiramente funciona é este: “Plano de Apoio a Cuba” — ou, mais precisamente, à ditadura cubana, já que aquele pobre país continua vítima de uma tirania asquerosa — um dos poucos das Américas que ainda prendem pessoas por delitos de opinião. Os outros são Venezuela, Bolívia e Equador, todos eles “companheiros dos companheiros”, todos eles apoiados incondicionalmente pelo governo brasileiro.

Eis aí: o BNDES enfiou US$ 682 milhões no porto de Mariel, em Cuba — inaugurado por Dilma Rousseff em janeiro deste ano —, e o tirano Raúl Castro usou aquela estrutura para tentar vender armas à Coreia do Norte. Não! Mude-se o verbo: o certo não é “vendeu”. O anãozinho comprovadamente assassino, que tiraniza a ilha, usou uma obra financiada pelo BNDES para fazer tráfico internacional de armas.

É um vexame internacional! O Conselho de Segurança da ONU tem tudo documentado. Havia a clara orientação, como informa a reportagem de Gabriel Castro (post anterior) para esconder a operação. Não fosse o flagrante dado pelo governo do Panamá quando o navio atracou no porto de Manzanillo, no lado atlântico do canal, a ditadura do outro anãozinho tarado, Kim Jong-un, teria recebido a carga, contrariando leis internacionais. O que isso significa? Ao financiar um porto em Cuba, contribuindo para romper o relativo isolamento do regime ditatorial, o Brasil se torna uma espécie de sócio de suas bandalheiras.

Estamos diante de mais uma evidência de desastre da política externa brasileira. E não adianta vir com a história de que o Brasil não pode se responsabilizar pelas porcarias feitas pelo governo cubano. Quem mete a mão em cumbuca sabe que está correndo risco. O pretexto supostamente meritório para financiar o porto de Mariel é humanitário. Vejam lá o que Raúl Castro está fazendo com a generosidade brasileira.

O chato é que a tramoia está devidamente documentada no Conselho de Segurança da ONU, aquele mesmo órgão em que o Brasil anseia um assento permanente. Dá para entender por que ele não vai chegar tão cedo?

 

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 15:05

Cuba usou Porto de Mariel, financiado pelo Brasil, para vender armas à Coreia do Norte

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Volto no próximo post.
A construção do Porto de Mariel, em Cuba, ganhou o noticiário nos últimos meses porque o governo brasileiro concedeu, via BNDES, um empréstimo de 682 milhões de dólares à ditadura cubana para assegurar a obra – dois terços do valor total estimado para o porto. Além disso, os detalhes da transação foram estranhamente mantidos em sigilo. Em janeiro deste ano, a presidente Dilma Rousseff esteve na ilha dos irmãos Castro para a inauguração oficial do terminal portuário.

Mas a história não acaba aí: um relatório elaborado por um painel de especialistas do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que Cuba utilizou o Porto de Mariel para abastecer com 240 toneladas de armamento um navio norte-coreano, em descumprimento a sanções internacionais contra o regime autoritário da Coreia do Norte. A operação, realizada há menos de um ano, fracassou porque a carga secreta foi descoberta por autoridades do Panamá, já no caminho de volta à Ásia.

Por causa do flagrante, foi possível encontrar os registros de navegação e reconstituir a rota do navio: em 4 de junho, o cargueiro Chong Chon Gang parou em Havana, onde descarregou rodas automotivas e outros produtos industriais. Em 20 de junho, o navio aportou secretamente em Mariel. Lá, o material bélico foi embarcado. Em 22 de junho, o Chong Chon Gang chegou a Puerto Padre, onde recebeu a carga de açúcar que seria usada na tentativa de esconder o armamento.

A maior parte da carga era formada por componentes que seriam usados em mísseis terra-ar, dos modelos C-75 Volga e C-125 Pechora. Dois caças MiG-21, desmontados, estavam no carregamento. Muita munição foi encontrada. Também havia lançadores de mísseis, peças de radares, antenas, transmissores e geradores de energia. Para diminuir os riscos, parte do material enviado recebeu uma nova mão de tinta: os containers perderam a cor verde, indicativa da carga militar, e foram pintados de azul.

Entre os fatos que chamaram a atenção dos investigadores, aparece justamente a escolha pelo Porto de Mariel: o relatório cita que a opção, em detrimento de Havana e Puerto Padre, é mais uma prova das más intenções de cubanos e norte-coreanos. “A carga foi aceita pelo navio sem os documentos básicos de envio, recibos de carregamento, relatórios de carregamento e relatórios de inspeção de carga”, diz o texto da ONU. O navio Chon Chong Gang trazia uma declaração falsa de que carregava apenas açúcar-mascavo. E, na lista de portos pelos quais a embarcação passou, não há referência a Mariel.

Os dois governos admitem que Cuba estava enviando as armas para a Coreia do Norte, mas alegam que o material passaria por reparos e seria devolvido à ilha dos irmãos Castro. O painel da ONU não se convenceu: o fato de a carga estar escondida se soma a orientações por escrito, encontradas a bordo, orientando a tripulação a preparar uma declaração falsa e enganar as autoridades do Panamá. O relatório fala em “clara e consciente intenção de burlar as resoluções”.

As sanções que proíbem a venda de armas para a Coreia do Norte são consequência da insistência do regime comunista em manter seu projeto nuclear, inclusive para fins militares.

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 6:42

LEIAM ABAIXO

André Vargas puxou a faca, e os petistas graúdos saíram correndo. Quem tem Vargas tem medo! Na mira, Padilha, Gleisi e Bernardo;
Cresce tensão na Ucrânia. E os erros de cálculo;
PETROBRAS – Partidos que apoiam Dilma ficaram com 79% das doações feitas por empresas da “lista” de ex-diretor que está preso;
“Se a Petrobras não fosse pública, já teria quebrado. A empresa está afundando”;
Empresas sob suspeita faturaram R$ 31 bilhões com a Petrobras na era PT;
— TORTURA NA VENEZUELA: DEPOIMENTOS DOS SEVICIADOS. Ou: Parece que Dilma se opõe apenas a que se torturem as “pessoas erradas”;
— Petrobras: o encontro entre a corrupção e a política, contra os brasileiros;
— Um dos centros irradiadores de uma calúnia contra Aécio na Internet estava na… Eletrobras!;
— Na VEJA desta semana: André Vargas ameaça a companheirada;
— Rosa Weber pede que Renan se pronuncie sobre CPI;
— Gilberto Carvalho, o sofisticado: “A gente organiza uma Copa do Mundo achando que vai ser uma festa, e vocês, jovens, vêm, dão porrada: ‘é uma merda!’”;
— Ex-diretor da Petrobras e doleiro se associaram para obter contratos milionários com a estatal;
— Senador tucano denuncia assessor de deputada petista que hostilizou Joaquim Barbosa;
— Sabem o que é esta estrovenga? É o Chikungunya! Ele é a cara do fracasso dos bananas!;
— Resposta à lógica torta de Padilha: a PF só está ocupada com tantos ladrões porque há ladrões demais no poder, certo? Ou: Vá para os fatos, Padilha!;
— Executivo admite que empresa pagou R$ 1,9 milhão a consultoria ligada a doleiro para poder fazer negócio com a Petrobras;
— A CPI da Petrobras e as duas lógicas. Ou: Em que momento, na empresa, a política virou crime, e o crime virou política?

Por Reinaldo Azevedo
 

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