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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

30/07/2015

às 6:45

LEIAM ABAIXO

A tempestade que desaba sobre Eduardo Cunha, para a felicidade do Planalto! Hoje, ele pode receber um novo raio!;
Quatro delatores ainda são desconhecidos; PT teme que Renato Duque seja um deles;
As empresas brasileiras também começam a pagar o pato pela incompetência oficial;
João Doria se apresenta como pré-candidato do PSDB à Prefeitura;
Gráfica que recebeu R$ 6 mi do PT desperta suspeita da Justiça Eleitoral;
Diretor da Odebrecht diz que o delator Ricardo Pessoa pediu a empreiteiras dinheiro para o PMDB;
BC se comporta como talibã dos juros para mostrar que é fiel;
Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, é alvo de nova denúncia do Ministério Público;
Moro faz o esperado e aceita denúncia contra presidente da Andrade Gutierrez e mais 12;
Após avaliação da S&P, Levy tenta acalmar investidor estrangeiro;
Dilma vai vetar regra de reajuste da aposentadoria que quebra o país. Está certa, mas vai apanhar;
Desemprego na Grande São Paulo sobe para 13,2% em junho. Governo Dilma funciona!!!;
Datena sobre si mesmo em 2012: “Eu sou uma porcaria como administrador. Eu não tenho consciência do que é administrar”. Assista ao vídeo;
Lava Jato: gráfica pagou R$ 870 mil a rádio de família que quis empregar Dirceu;
— Janot, quando é que a Lava Jato vai alcançar os que cometeram crimes contra a democracia e o Estado de Direito?;
— Datena quer renunciar àquilo que faz direito para abraçar o vexame. Ainda dá tempo de desistir, rapaz!;
— CPI mantém convocação da misteriosa Catta Preta. Ou: O devido e o indevido no Estado de Direito;
— Juiz da Lava Jato decreta bloqueio de até R$ 60 milhões das contas de suspeitos detidos pela PF;
— Defesa de Cerveró vê “super-heróis tupiniquins” na Lava Jato e pede ao STF liberdade provisória para seu cliente;
— Moro faz o esperado e aceita denúncia contra Marcelo Odebrecht e mais 12;
— Dilma procura sócio para a crise, e não aparece ninguém. Ou: Um novo convite à renúncia. Coragem, presidente!;
— O terror bate à porta. Ou: O mercado antecipa a hora, não espera acontecer;
— Standard & Poor’s muda perspectiva de nota do Brasil para negativa;

— PF deflagra 16ª fase da Lava Jato e mira Eletronuclear

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2015

às 6:35

A tempestade que desaba sobre Eduardo Cunha, para a felicidade do Planalto! Hoje, ele pode receber um novo raio!

Consta que a advogada Beatriz Catta Preta, que celebrou oito acordos de delação premiada e que, subitamente, anunciou que vai deixar o país, dará uma entrevista de alcance nacional nesta quinta em que exporá as alegações de sua decisão. Nos bastidores, comenta-se que ela teria se sentido ameaçada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Bem, nesse caso, parece-me, para alguém com a sua expertise, com a sua trajetória e com os amigos que tem, o mais fácil teria sido, desde logo, botar a boca no trombone, em vez de renunciar à clientela e anunciar o caminho do sol.

Vamos lá… A ser verdade o que se anda comentando nos becos e nos botecos, o alvo da moça vai ser mesmo Cunha, que vê, assim, nuvens negras se armando no céu contra ele. Julio Camargo, ainda como cliente de Catta Preta, desde a celebração do acordo de delação premiada, demorou nada menos de nove meses para mudar a versão dos fatos: de um Cunha que não havia recebido propina, passou para outro que teria recebido US$ 5 milhões.

O fato de eu fazer restrições a procedimentos que ferem o Estado de Direito levam imbecis — ou gente de má-fé — a inferir que quero livrar a cara deste ou daquele. Que cada um pague por aquilo que fez. Eu só me pergunto — e o farei porque é da minha natureza estranhar o estranhável — como pode um acordo de delação premiada lidar com a mentira com esse desassombro. Ora, ou Camargo mentia antes ou mente agora. Logo, devo supor que, mesmo amparado por um procedimento que o beneficia, ele antepõe algum outro interesse à verdade. Mais: é lícito mentir num processo de delação premiada, antes ou agora?

O episódio sobre Beatriz Catta Preta, quando o petrolão já for história, dará certamente algum trabalho aos que forem reconstituir os fatos. Para começo de conversa, será preciso deixar claro que a advogada que celebrou oito acordos, com honorários milionários (e, quanto a esse particular, não há nada de errado), era tida como uma espécie de quarto pilar da Operação Lava Jato. Os outros três são a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz Sergio Moro.

E a coisa não é leve. Julio Camargo, antes defendido por Beatriz, tem agora como advogados Antônio Figueiredo Basto e Adriano Bretas, também defensores de Alberto Youssef. Nas alegações finais em defesa de seu novo cliente, o alvo principal é o presidente da Câmara, que agiria segundo “moral da gangue”. Para os doutores, Cunha atua “astuciosamente” para desacreditar os depoimentos de seu cliente, usando desde a maledicência até a CPI da Petrobras.

Antes de Cunha entrar na mira de Rodrigo Janot, ele já estava na mira de Dilma Rousseff e de todo o PT. E, a ser verdade o que vai por aí, pode vir a receber agora um novo petardo. “Ah, então você diz que tudo é conspiração contra Cunha, que ele não fez nada?” É a leitura que os imbecis fariam do que vai aqui. Só estou caracterizando a conjunção de fatores que concorrem para minar o seu poder e a sua influência. Para a felicidade do Planalto.

É apenas um fato. E fica a advertência para Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Ele também é investigado e costuma criar problemas para o Planalto. Aguardem. O que vem por aí não é bonito.

Texto publicado originalmente às 4h36
Por Reinaldo Azevedo

30/07/2015

às 6:33

Quatro delatores ainda são desconhecidos; PT teme que Renato Duque seja um deles

O Ministério Público anunciou nesta quarta-feira que há seis outros acordos de delação premiada que correm em sigilo, além de uma lista de 16 nomes que foi apresentada, a saber: Paulo Roberto Costa e seus familiares (Marici da Silva Azevedo Costa, Shanni Azevedo Costa Bachmann, Arianna Azevedo Costa Bachmann, Humberto Sampaio de Mesquita e Marcio Lewkowicz); o ex-gerente da estatal Pedro Barusco; o doleiro Alberto Youssef; seu ajudante Rafael Ângulo Lopez; Dalton Avancini e Eduardo Leite, diretores da Camargo Corrêa; os lobistas Julio Camargo e Shinko Nakandakari e os empresários Augusto Ribeiro, Luccas Pace Junior e João Procópio.

Como da lista do MP não constam os nomes do Milton Pascowitch e do empresário Mauro Góes, o último a fazer acordo, então seriam apenas quatro os delatores por enquanto desconhecidos. As especulações correm soltas.

Góes, autor das mais recentes acusações, detalhou ao MP como funcionaria o esquema da Andrade Gutierrez, mantido no exterior, segundo ele, para a distribuição de propinas. Ele sustenta que, por meio da subsidiária Zagope Angola, a empresa teria repassado recursos para uma offshore na Suíça que ela própria controlaria — a Phad Corporation — , de onde migrariam para as contas do petista Renato Duque, ex-diretor de Serviços.

Segundo o MP, houve pelo menos 83 repasses de propina entre julho de 2006 e fevereiro de 2012 da conta de Góes para a de Pedro Barusco, que abrigariam também propinas para Duque, que era o chefe de Barusco. O total das operações teria chegado, aponta o MP, a US$ 6,42 milhões.

Os outros
As especulações ficam agora por conta dos quatro outros delatores anunciados pelo Ministério Público. Entre eles, pode estar um nome que leva verdadeiro pânico ao PT e que, até agora ao menos, tem-se mantido um túmulo: o petista Renato Duque.

Quando se deu a primeira prisão de Duque, circularam com força os boatos de que ele teria dito que não cairia sozinho. Depois, obteve um habeas corpus no Supremo, e a temperatura baixou. A segunda prisão, acusado que foi de tentar esconder ativos, levou a uma nova elevação da tensão. Comenta-se nos bastidores que a família pressiona Duque a fazer o acordo de delação premiada.

Há duas semanas, seu advogado chegou a dizer que essa não era uma hipótese descartada. Nos próximos dias, saberemos. O PT está mais ansioso do que nós.

Texto publicado originalmente às 23h35 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

30/07/2015

às 6:29

As empresas brasileiras também começam a pagar o pato pela incompetência oficial

As empresas brasileiras não existem no éter. Estão incorporadas à realidade política e econômica do país e sujeitas às mesmas vicissitudes. Depois de aplicar um viés negativo à nota brasileira, que já está a apenas um degrau de passar para a condição de grau especulativo, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de 21 empresas brasileiras.

Oito delas ficaram  iguaizinhas ao Brasil: BBB-, com viés negativo. São elas Cesp, Comgás, Duke, Samarco Mineração, Taesa, Itaipu Binacional, Eletrobras e Braskem, as duas últimas investigadas na Operação Lava Jato. Já estavam nesse patamar e nele permaneceram Klabin S.A., Neoenergia S.A., Odebrecht Engenharia e Construção S.A. e a Petrobras.

Sim, a agência levou em consideração a situação de cada empresa, mas é evidente que a perspectiva do Brasil tem um peso imenso na avaliação. Um país em recessão de quase 2% e que deve ter um crescimento em torno de zero no ano que vem não compõe um cenário muito animador. E tudo fica mais difícil quando parte do PIB brasileiro virou, e está sendo tratado, como um caso de polícia.

A avaliação de risco de uma empresa ou de um país é uma medida objetiva, reconhecida pelo mercado mundial, para indicar a sua salubridade econômica. Quanto menor o risco, mais facilmente essas empresas — e os países — atraem investimentos e conseguem empréstimos a juros convidativos.

O estrago produzido ao longo desses 13 anos, ainda veremos, é bem maior do que parece.

Texto publicado originalmente às 3h44
Por Reinaldo Azevedo

30/07/2015

às 6:28

João Doria se apresenta como pré-candidato do PSDB à Prefeitura

No Estadão:
Um dia após o jornalista e apresentador José Luiz Datena, da Band, confirmar que vai disputar a Prefeitura de São Paulo em 2016 pelo PP, ontem foi a vez do empresário João Doria Jr, que comanda um programa de entrevistas na mesma emissora, oficializar sua intenção de ser o candidato tucano na disputa municipal. 

Filiado ao PSDB, Doria afirmou que está disposto a enfrentar uma disputa prévia caso outros tucanos se coloquem no páreo. “Vou disputar o que for preciso para ser o candidato em 2016. Duas grandes lideranças do partido, o governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, estão estimulando a renovação. Isso será importante para o partido crescer e sair do binômio Alckmin e Serra na capital”, disse Doria ao Estado.  Presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), ele disse que montou um grupo de trabalho com 27 pessoas que serão responsáveis pela gestão e formação de sua pré-campanha municipal. 

Os nomes serão anunciados em agosto, mas entre os membros do “Comitê de Gestão” do Lide estão ex-ministros de Luiz Inácio Lula da Silva – Roberto Rodrigues (Agricultura) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) – e FHC – Celso Lafer (Relações Exteriores) – e empresários como Wesley Batista (JBS) e Edson Godoy Bueno (Amil).  Questionado sobre um eventual prejuízo financeiro para seus negócios caso entre de fato na disputa, o empresário garante que isso não será problema. “Eu posso fazer essa sacrifício”, afirmou. O empresário classificou como “curioso” o fato da disputa em São Paulo em 2016 ter atraído nomes da TV. “Se as candidaturas se confirmarem, pela primeira vez teremos três comunicadores na disputa, o que é saudável”, disse.  Além de Doria e Datena, o deputado Celso Russomanno, que foi anunciado provável candidato pelo PRB, possui programa – é contratado da TV Record.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2015

às 6:16

Gráfica que recebeu R$ 6 mi do PT desperta suspeita da Justiça Eleitoral

Na Folha:
A campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição pagou R$ 6,15 milhões a uma gráfica que não tem nenhum funcionário registrado e cujos documentos apontam como presidente o motorista Vivaldo Dias da Silva, que em 2013 recebia R$ 1.490. A Rede Seg Gráfica e Editora, de São Paulo, aparece como a oitava fornecedora que mais recebeu dinheiro da campanha presidencial petista no ano passado, de acordo com os registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Funcionários do TSE que examinaram as contas da campanha de Dilma descobriram a situação da gráfica ao cruzar as informações da empresa com o banco de dados do Ministério do Trabalho. A descoberta fez surgir a suspeita de que a gráfica não tinha a estrutura necessária para prestar os serviços pelos quais foi remunerada pelo PT. Algumas das notas da gráfica entregues pelo partido ao TSE trazem a afirmação de que a empresa produziu folders para a campanha eleitoral.
(…)
Como a Folha revelou em dezembro de 2014, a Focal Comunicação, a segunda que mais faturou na campanha presidencial de Dilma (R$ 24 milhões), também tinha um motorista (salário de cerca de R$ 2 mil até 2013) como sócio. A Focal só ficou atrás da empresa do marqueteiro João Santana, destinatária de um montante de R$ 70 milhões. O empresário Carlos Cortegoso admitiu na época que era o verdadeiro dono da Focal, tendo justificado o registro em nome do motorista como fruto de uma inclinação sua de dar chances para seus empregados progredirem.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 22:40

Diretor da Odebrecht diz que o delator Ricardo Pessoa pediu a empreiteiras dinheiro para o PMDB

A nova frente de investigação aberta pelo Ministério Púbico e pela Polícia Federal parece ter potencial para fazer do PMDB o ator principal do “eletrolão”, que é o petrolão “versão Eletrobras”. Na apuração que tem a Petrobras como epicentro, o partido tende a surgir com um papel de destaque, mas não como o astro. Pode ser diferente desta vez, o que só faz com que a crise se alastre.

Fábio Andreani Gandolfo, diretor superintendente da Odebrecht, afirmou à Polícia Federal, informa o Estadão, que Ricardo Pessoa, dono da UTC, que teve homologado o acordo de delação premiada, pediu ao consórcio Angramon, que vencera a licitação para a construção da Usina Nuclear de Angra 3, que contribuísse com a campanha do PMDB. Além da Odebrecht, compunham o consórcio a Camargo Corrêa, a UTC Engenharia, a Andrade Gutierrez, a Queiroz Galvão, a Techin e a EBE.

Gandolfo teria dito em reunião, segundo ele próprio, que tinha uma função técnica e que não se relacionava com partidos ou com políticos, opondo-se, assim, à contribuição — decisão, afirma, que foi mantida pela Odebrecht.

Dalton Avancini, que fez acordo de delação premiada, ex-presidente da Camargo Corrêa, já havia feito essa denúncia em depoimento, no âmbito da delação premiada. Foi a partir daí que a PF e o MP decidiram abrir a nova frente de investigação.

 

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 22:03

BC se comporta como talibã dos juros para mostrar que é fiel

Lembro de um trecho de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis: “Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho”. É isto: melhor uma farpa nos olhos do que ser refém de saídas de manual que ignoram a realidade. É claro que eu sabia, e que todos sabiam, que o Copom elevaria a taxa básica de juros: a dúvida era se a elevação seria 0,25 ponto ou de 0,5 ponto. Deu meio ponto: agora está em 14,25%.

Eu sou contra ou sou a favor a elevações de juros? A pergunta, se fosse feita, seria imbecil. E a resposta, tautológica: sou a favor quando são necessárias e contra quando são desnecessárias. E o mesmo vale para a redução da taxa. A boa pergunta é outra: vai adiantar para conter a inflação? Digamos que, em algum momento, sim. Mas a que custo?

Repito aqui as indagações que fiz anteontem e ontem no programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan: a demanda está aquecida e, por isso, os preços dispararam? Há alguma condição estrutural que a elevação possa corrigir? Não que se saiba.

Assim, essa elevação — e talvez ainda haja outra — só acarretará um aumento brutal nas despesas do governo e terá pouca ou nenhuma influência na inflação, derivada dos preços administrados, que não baixarão.

“Ah, mas reduzindo a atividade, em algum momento, a inflação baixa…” Em que momento? Não há resposta para isso, e noto que o pensamento mágico está na base de algumas análises disfarçadas da mais fria racionalidade. Leio coisas como: “Ah, na próxima reunião, o Copom pode elevar ainda em mais meio ponto, e aí fica estável até o fim do ano”. Sei. Está escrito em algum lugar que a inflação cai quando os juros são de 14,75% ou de 14,5%? E se não cair? Administra-se mais do mesmo remédio?

Reitero: eu não tenho nada contra a elevação dos juros em si, como não tinha nada contra a redução. Eu só me oponho quando objetivos alheios à natureza das medidas entram em pauta. Agora ou antes.

Por que digo isso? O governo não tem credibilidade. O prestígio de Joaquim Levy ficou abalado depois da trapalhada protagonizada no caso do superávit primário. O BC precisa, assim, posar de talibã dos juros para demonstrar que ninguém por ali perdeu a fé na palavra — embora este governo se mostre incapaz de cortar gastos para valer. O que ele faz é cortar a previsão orçamentária, o que é coisa distinta.

A elevação dos juros quer dizer apenas o seguinte: “Ó, não estamos flertando mais com inflação, tá?”. Tá! Mas ela vai contribuir para baixar essa inflação que está aí? A resposta: até pode. De tal sorte se dá um tombo na economia que, em algum momento, cai…

Então tá!

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 19:38

Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, é alvo de nova denúncia do Ministério Público  

Por Julia Affonso e Fausto Macedo, no Estadão:
O ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque foi denunciado novamente pela força-tarefa da Operação Lava Jato, desta vez por suposto favorecimento à empresa italiana Saipem, de serviços de petróleo, na contratação da obra de instalação do Gasoduto Submarino de Interligação dos Campos de Lula e Cernambi. Foram denunciados também advogada Christina Maria da Silva Jorge e os empresários João Antônio Bernardi Filho, Antônio Carlos Briganti Bernardi e Julio Gerin de Almeida Camargo. Todos por corrupção e lavagem de dinheiro.

 “João Bernardi (representante da Saipem) atuou lavando dinheiro proveniente de crimes de corrupção em favor de Renato de Souza Duque, mediante a utilização das contas das empresas Hayley S/A e Hayley do Brasil para o recebimento e posterior internalização dos valores provenientes de crime. A Hayley do Brasil, por sua vez, ocultava e dissimulava o pagamento de vantagem indevida a Renato de Souza Duque por intermédio da aquisição e posterior destinação de obras de arte ao ex-diretor”, aponta denúncia da Procuradoria.

A nova denúncia, a terceira contra Duque, é um desdobramento da Erga Omnes, 14.ª fase da Lava Jato, deflagrada em 19 de junho, que prendeu inclusive os maiores empreiteiros do País, Marcelo Odebrecht e Otávio de Azevedo Marques.

Na ocasião, foi preso também João Bernardi, executivo ligado à Saipem. Duque é apontado como elo do PT no esquema de pagamento de propinas na Petrobrás. Ele teria sido indicado ao cargo pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula), que nega. O ex-diretor da Petrobrás foi preso após a Polícia Federal flagrar a tentativa dele de ocultar patrimônio não declarado na Suíça por meio da transferência de 20 milhões de euros para uma conta no Principado de Mônaco. Duque já é réu em duas ações penais da Lava Jato.

A nova denúncia será submetida ao juiz federal Sérgio Moro, que vai decidir se abre mais um processo criminal contra o ex-diretor de Serviços da estatal.

 

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 17:58

Moro faz o esperado e aceita denúncia contra presidente da Andrade Gutierrez e mais 12

Na VEJA.com:
O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, aceitou denúncia contra o presidente da construtora Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, e outras 12 pessoas. Com isso, eles passam a ser réus na nova ação penal aberta em decorrência das investigações da Operação Lava Jato. Além do dirigente máximo da construtora, também passaram a responder formalmente por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa o doleiro Alberto Youssef, os executivos Antônio Pedro Campelo de Souza, Armando Furlan Júnior, Elton Negrão, Flávio Gomes Machado Filho, Paulo Dalmazzo, o lobista Fernando ‘Baiano’ Soares, os operadores Mario e Lucélio Goes, além dos ex-dirigentes da Petrobras Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e Renato Duque.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o Grupo Andrade Gutierrez pagou propina a dirigentes da Petrobras em obras e contratos na Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), na Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde (BA), na Refinaria de Paulínia (SP), no Gasoduto Urucu-Manaus, no Centro de Pesquisas (CENPES) e no Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD), no Rio de Janeiro), no Gasoduto GASDUC III (RJ) e no Terminal de Regaseificação da Bahia.

A força-tarefa de procuradores que atuam nas investigações do esquema do petrolão conseguiu mapear 243 milhões de reais desviados pela Andrade Gutierrez entre 2007 e 2010 em 106 atos de corrupção ativa, 61 de corrupção passiva, 62 lavagens de dinheiro.

O Ministério Público apresentou três esquemas criminosos da Andrade Gutierrez com apoio de Alberto Youssef, Fernando Baiano e Armando Furlan, além de falsas consultorias. Os operadores Mário e Lúcelio Góes também atuaram em esquemas da empresa, por meio da empresa RioMarine. Os recursos eram enviados para contas no exterior como a Maranelle e Phad. Uma vez no exterior, nas contas dos operadores, o dinheiro era repassado para as contas de Pedro Barusco. Ele também recebia valores de 300.000 a 400.000 reais em mochilas por meio de Mario Góes.

Nesta terça-feira, a Andrade Gutierrez voltou a protagonizar as investigações da Lava Jato. Na 16ª fase, que ampliou as investigações para o setor elétrico, foi preso temporariamente o presidente da AG Energia Flávio Barra, suspeito de integrar uma trama de pagamento de propina envolvendo as obras da usina nuclear de Angra 3. Para o MP, a corrupção era o “modelo de negócio” da empreiteira.

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 16:42

Após avaliação da S&P, Levy tenta acalmar investidor estrangeiro

Na VEJA.com:
Depois do anúncio da revisão da perspectiva da nota do Brasil pela Standard & Poors, a preocupação do governo agora é com o risco de as agências Fitch e Moody’s seguirem o mesmo caminho. Em conversas realizadas nesta terça-feira com investidores estrangeiros para tranquilizar o mercado, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reafirmou o compromisso do governo com o controle de gastos e da trajetória da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). À noite, o Ministério da Fazenda divulgou nota oficial reforçando as declarações de Levy.

Com mais uma notícia ruim para a economia, a avaliação que ganhou força no governo foi a de que a decisão da S&P pode fazer o Congresso “acordar” e aprovar as reformas necessárias o mais rápido possível. Levy reforçou nos contatos com os investidores a necessidade de apoio dos parlamentares às medidas de ajuste fiscal e de estímulo ao crescimento. O papel do Congresso para evitar o risco de perda do grau de investimento ficou mais em evidência, diante do relatório da S&P que apontou preocupações com as turbulências políticas no país.
Embora temida pela área econômica e até certo ponto esperada por causa da crise política associada ao baixo crescimento, a revisão da perspectiva da nota do Brasil surpreendeu pelo momento do anúncio. A equipe econômica não contava com um movimento da S&P “agora” – o governo recebeu a informação da S&P no fim da manhã. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou esperar que o viés negativo de rebaixamento não se concretize. “Trabalhamos para melhorar a situação econômica do país”, disse o ministro, depois de conversas com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Levy não comentou a decisão.Efeito contágio.
A expectativa dada como certa na equipe do governo era a de um rebaixamento pela Moody’s, o que colocaria a nota do Brasil na mesma situação da S&P. Uma missão da Moody’s esteve no Brasil este mês para a avaliação da nota brasileira e, agora, o movimento da S&P pode contaminar a decisão. A Fitch já esteve no Brasil este ano, quando decidiu não mudar a nota, mas pode fazer uma revisão para seguir as concorrentes.Nenhuma agência se sente confortável quando fica muito atrás na avaliação do rating, o que alimenta uma “competição” entre elas. Para integrantes do governo, a S&P não quis ficar atrás da Moody’s, que ainda terá de anunciar o resultado da sua revisão. “O risco de as outras seguirem é grande”, reconheceu uma fonte da área econômica. O governo vai trabalhar agora para evitar essa contaminação, buscando ampliar o diálogo ainda mais e tentando mostrar que há direção.
Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 16:35

Dilma vai vetar regra de reajuste da aposentadoria que quebra o país. Está certa, mas vai apanhar

A presidente Dilma Rousseff vai vetar texto aprovado pelo Congresso que reajusta, segundo os critérios de valorização do salário mínimo, todos os vencimentos dos aposentados, mesmo daqueles que recebem acima de um mínimo.

No mérito, ela está certa! Tem de vetar mesmo! Não existe dinheiro pra isso. Leva as contas para o buraco. O diabo é saber por que foi aprovado. E só foi aprovado porque a presidente já não exerce a necessária liderança para estar no comando.

O veto pode ser derrubado no Congresso? Pode! E, por óbvio, a decisão desgasta ainda mais a relação da mandatária com a sua base.

Em momento assim, o ruim se junta ao pior. A voz das ruas tende a ser esta: “Ah, dinheiro pra aposentado não tem, mas pra roubalheira, aí tem”. É claro que as coisas não são tão simples assim, mas o arranjo fecha uma equação na cabeça das pessoas. Aí, meus caros, é popularidade morro abaixo.

Mais uma razão para ela renunciar. Já não governa. É governada pelos fatos.

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 16:23

Desemprego na Grande São Paulo sobe para 13,2% em junho. Governo Dilma funciona!!!

Como se nota, às vezes, dá para perceber que o governo existe. Infelizmente.

Na VEJA.com:
A taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo subiu para 13,2% em junho ante 12,9% em maio, informou o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) nesta quarta-feira. Segundo a entidade, foi o quinto mês consecutivo de alta, um comportamento “não usual” para o período, no qual costuma ocorrer “estabilidade ou redução” do desemprego. A taxa de junho também ficou acima da verificada em igual mês de 2014, quando alcançou 11,3%.

No mês passado, o total de desempregados foi estimado em 1,4 milhão de pessoas, 32.000 a mais do que em maio. Esse resultado decorreu da redução do nível de ocupação, estimado em 9,6 milhões de pessoas, com a eliminação de 42.000 postos de trabalho (queda de 0,4% ante maio); e da “relativa estabilidade” da População Economicamente Ativa (PEA), após 10.000 pessoas saírem da força de trabalho na região (recuo de 0,1% na margem).

Sob a ótica setorial, o avanço do desemprego foi influenciado pelos cortes nos setores de serviços (-1,1%, correspondente a eliminação de 63.000 postos de trabalho) e, em menores proporções, na indústria de transformação (-0,5%, ou 7.000 vagas eliminadas) e na construção (-0,4%, ou 3.000 fora da força de trabalho). Essas retrações não compensaram o aumento de 2,5% na quantidade de vagas no setor de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, após a criação de 41.000 postos de trabalho.

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 16:09

Datena sobre si mesmo em 2012: “Eu sou uma porcaria como administrador. Eu não tenho consciência do que é administrar”. Assista ao vídeo

Se José Luiz Datena vai mesmo se candidatar à Prefeitura de São Paulo, ele vai ter de responder, fatalmente, à questão que segue, não é?

Em 2012, em entrevista ao jornalista Maurício Stycer, indagado sobre por que não entrava na política, ele afirmou, com aquele seu jeito despachado que , sem dúvida, funciona muito bem na TV, o que segue:
“Eu não vou falar hoje aqui um palavrão, que ontem eu falei sem querer no ‘Brasil Urgente’, mas eu sou uma porcaria como administrador. Eu não tenho consciência do que é administrar. Eu posso comentar bem alguma coisa, ou comentar mal, eu me expresso, eu dou a minha opinião. Agora, eu seria um péssimo político. Eu não teria capacidade nenhuma para ser um bom político. Eu sou um apresentador que tem níveis altíssimos de audiência. Mas isso não me dá o direito nem a competência de ser um bom administrador. Eu seria um péssimo político. E, de péssimo político [o país] tá cheio. Além de péssimo político, tá cheio de político ladrão. A CPI do Cachoeira tá provado isso. O mensalão tá provado isso. Então mais um imbecil lá não ia acrescentar nada. Eu seria um idiota qualquer. E seria injusto porque o cara estaria confundindo popularidade com credibilidade e com capacidade.”

Assista ao vídeo. Volto em seguida.

Escrevi hoje de manhã a respeito. Não conhecia ainda esse vídeo. Como se nota, eu e Datena concordamos sobre a candidatura de… Datena!. 

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 10:19

Lava Jato: gráfica pagou R$ 870 mil a rádio de família que quis empregar Dirceu

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
A quebra do sigilo bancário da Editora Gráfica Atitude, mantida pelos sindicatos dos bancários de São Paulo e dos metalúrgicos do ABC paulista (ambos ligados ao PT), revelou pagamentos a uma rádio da família Rothschild de Abreu, dona de um hotel em Brasília (DF) que ofereceu emprego ao ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), condenado no julgamento do mensalão. A família também controla o partido nanico PTN.

O relatório da Polícia Federal sobre as contas da Atitude mostra repasses de 40.000 reais mensais, durante 2010 e 2011, para a Rádio Terra FM, uma das frequências da família em São Paulo. A PF listou 22 pagamentos de 870.000 reais ao todo – os dois primeiros foram de 35.000 reais cada. A Atitude alugava horário na grade da rádio, sediada na Avenida Paulista, para veicular um programa radiofônico com viés governista, o jornal Brasil Atual, que leva o mesmo nome de outras publicações da editora.

Em 2013, depois de começar a cumprir pena na Papuda, Dirceu entrou com pedido de trabalho externo na Justiça e apresentou uma proposta de emprego como gerente do antigo hotel Saint Peter, com salário de 20.000 reais. O ex-ministro desistiu oficialmente do emprego quando o Jornal Nacional, da TV Globo, revelou que o hotel era administrado pela Truston International Inc., com sede no Panamá, um paraíso fiscal, e que tinha a empresa tinha um laranja como presidente. O hotel Saint Peter fechou as portas neste ano.

André Vargas – O relatório de inteligência financeira analisado pela PF mostra uma série de despesas e receitas da Atitude. Segundo a PF, a editora e gráfica movimentou 67,7 milhões de reais nos últimos cinco anos.

Parte dos recursos saiu das contas de agências de publicidade que mantêm contratos com o governo federal e empresas públicas. Juntas, as agências Heads, Artplan, Nova SB e Borghi Lowe pagaram 868.377,73 reais à Atitude. As quatro dividem uma conta da Caixa Econômica Federal, cujo valor total chega a 1 bilhão de reais – metade em 2014 e metade em 2015. A PF investiga um esquema de pagamento de propina ao ex-deputado petista André Vargas em contratos de publicidade da Caixa e do Ministério da Saúde. Um dos réus é ex-diretor da Borghi em Brasília.

Na quebra de sigilo, aparecem também depósitos de empresas controladas pelo delator Augusto Ribeiro de Mendonça, empresário da Setal Óleo e Gás (SOG). Mendonça disse ter repassado 2,4 milhões à Atitude como forma de quitar propina combinada com o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto. O tesoureiro nega. O administrador da editora, Paulo Salvador, disse à Justiça que o dinheiro bancou matérias pagas de interesse do empresário.

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 8:36

LEIAM ABAIXO

Janot, quando é que a Lava Jato vai alcançar os que cometeram crimes contra a democracia e o Estado de Direito?;
Datena quer renunciar àquilo que faz direito para abraçar o vexame. Ainda dá tempo de desistir, rapaz!;
CPI mantém convocação da misteriosa Catta Preta. Ou: O devido e o indevido no Estado de Direito;
Juiz da Lava Jato decreta bloqueio de até R$ 60 milhões das contas de suspeitos detidos pela PF;
Defesa de Cerveró vê “super-heróis tupiniquins” na Lava Jato e pede ao STF liberdade provisória para seu cliente;
Moro faz o esperado e aceita denúncia contra Marcelo Odebrecht e mais 12;
Dilma procura sócio para a crise, e não aparece ninguém. Ou: Um novo convite à renúncia. Coragem, presidente!;
O terror bate à porta. Ou: O mercado antecipa a hora, não espera acontecer;
Standard & Poor’s muda perspectiva de nota do Brasil para negativa;

PF deflagra 16ª fase da Lava Jato e mira Eletronuclear;
— DESASTRES EM SÉRIE – Dilma reúne ministros para frente anti-impeachment e fantasia que Lava Jato custa 1 ponto percentual do PIB! É só maluquice sem método!;
— Governadores adorariam fugir, mas Dilma quer dar “um abraçaço” neles, como diria Caetano…;
— Na VEJA.com – Dilma não aprende nada nem esquece nada;
— Defensores de Marcelo Odebrecht deixam claro, em petição a Moro, ter a certeza de que este só tomará decisões contrárias a seu cliente;
— #prontofalei – Cunha não dá folga para o Planalto;
— Aécio diz que PSDB apoia protesto do dia 16 e vai convidar população a participar. É o certo!;
— Até agora, Cunha não se intimidou. Deputado volta a acusar o Planalto e a PGR de se unirem contra ele;
— É mentira! Não houve acordo nenhum entre a Secretaria de Segurança de SP e o PCC! Essa é só uma tese que se esqueceu dos fatos

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 8:30

Janot, quando é que a Lava Jato vai alcançar os que cometeram crimes contra a democracia e o Estado de Direito?

Bem, bem, bem… Então vamos pensar um pouco, né?, coisa mais complexa do que acender a fogueira da demagogia. João Vaccari Neto, então tesoureiro do PT, informa a força-tarefa da Lava Jato, esteve 53 vezes na sede da Andrade Gutierrez entre 2007 e 2014. Ex-bancário, sindicalista, petista etc., vai ver o homem ia lá tomar algumas aulas sobre concreto armado, estai, pilar, vão livre, essas coisas da engenharia… Sabem como é a curiosidade intelectual…

Ir à sede de uma empreiteira não é crime. Por si, não é prova de que Vaccari fosse tratar de algum assunto ilegal. O problema é que pelo menos cinco delatores dizem que ele era destinatário de propinas decorrentes de obras contratadas pela Petrobras: Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Eduardo Leite e Augusto Mendonça. O “companheiro” diz que só recebia doações legais, devidamente registradas. Mas 53 vezes em oito anos? Só entre 2 de julho de 2012 e 7 de abril de 2014, ele se encontrou com Flávio David Barra, que foi preso ontem, nada menos de 20 vezes, 17 delas em dez meses. Haja assunto lícito, não é mesmo?

Diz o Ministério Público que a Andrade Gutierrez fez da corrupção um modelo de negócio. Acho, sinceramente, um exagero retórico. Não creio que se construa a segunda empreiteira do país, uma das grandes do mundo, tendo a falcatrua como meta e horizonte, o que não impede, obviamente — e a Lava Jato está aí, com uma porção de descalabros revelados —, que se apele a esse expediente. Quando um único ex-funcionário da Petrobras, do escalão intermediário, aceita devolver US$ 97 milhões, a gente tem uma medida de como andavam as coisas.

Os meus leitores sabem que não compro a tese do cartel de empreiteiras — o que leva alguns oportunistas a inferir que eu esteja negando os crimes cometidos pelas empresas. Quem lê o que está escrito, não o que gostaria que eu escrevesse para endossar a sua crítica pilantra, sabe que não é isso. Aliás, Vaccari parece ser um bom exemplo. Ele visitou a Andrade Gutierrez 57 vezes, não o tal “clube das empreiteiras”. Há uma penca de evidências de que o direcionamento das obras tinha origem na Petrobras, que estava subordinada a um controle político, do qual, agora sim, Vaccari fazia parte porque, afinal, era e é uma das autoridades do partido do poder.

Quando nego a tese do cartel, aponto, de fato, algo bem mais grave do que isso. Eu realmente não acredito que uma empresa do porte da Andrade Gutierrez faça do roubo um modelo de negócio, mas acredito, sim, que associada a um poder delinquente — falo em tese — possa delinquir como forma de realizar ao menos parte dos seus negócios. Não que se organize com esse fim — porque aí o Ministério Público teria de afirmar que a própria empresa é uma quadrilha, o que parece difícil de provar —, mas é evidente que pode cometer crimes para obter um determinado fim. E isso vale para todas as outras empreiteiras.

Peço que o leitor raciocine com calma e responda em silêncio a algumas perguntas:
1) quem fazia os preços das obras da Petrobras, da Eletronuclear ou de qualquer outro ramo do estado? Eram as empreiteiras, organizadas em cartel, ou o poder público e suas franjas?;
2) quem detinha e detém os marcos regulatórios para definir a concorrência ou para eliminá-la?;
3) quem dispunha do poder discricionário de tirar do negócio as empresas que eventualmente dissentissem das práticas dominantes?;
4) um cartel se impõe por força do seu domínio econômico: eram as empreiteiras ladravazes que se impunham a um estado inerme ou era o estado, tomado por ladrões, que impunha os seus critérios?;
5) o leitor já procurou a definição técnica do que é “cartel” para aplicar ao caso em questão? Recomendo que o faça.

A resposta a essas perguntas não minimiza os crimes eventualmente cometidos pelas empreiteiras; apenas os define segundo a sua natureza, não segundo a natureza de uma tese que, por enquanto, vai absolvendo os criminosos que realmente tinham, se me permitem a licença, o domínio do fato político.

Se não acredito que uma empresa possa ter como propósito e modelo de negócio o cometimento de ilícitos — a menos que seja um tentáculo do crime organizado —, acredito, no entanto, agora sim, que uma estrutura criminosa possa se assenhorear do poder e, então, impor seus hábitos, suas regras, suas leis. Se não há um estado criminoso do outro lado do balcão, ele próprio vai criar as defesas contra eventuais práticas deletérias dos agentes privados. E puni-las exemplarmente quando houver.

Em vez de eu ouvir o Ministério Público a dizer que uma empreiteira fez do crime o seu modelo de negócio, gostaria de ouvi-lo a anunciar aquilo que, parece-me, evidenciam os fatos: um grupo político fez do crime o seu modelo de conquista do estado. Aí sim! Por enquanto, os agentes desse delito de lesa-pátria estão por aí…  E essa é a minha principal restrição à forma que tomou a Lava Jato.

Há um risco nada desprezível de que se chegue à constatação, ao fim da operação, de que agentes privados, tomados pela sanha do lucro a qualquer custo, corromperam um estado originalmente ético e de que esse estado será tanto mais ético quanto menos relações mantiver com entes privados. Se triunfar essa versão, estaremos apenas preparando as condições para os desastres futuros.

É evidente que um liberal ou um conservador com um mínimo de respeito à história do pensamento não pode ficar satisfeito com essa perspectiva. Por enquanto, os que cometeram crimes contra a democracia brasileira estão distantes da cadeia e dos tribunais. Quando é que a Operação Lava Jato vai alcançá-los, Rodrigo Janot?

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2015

às 5:59

Datena quer renunciar àquilo que faz direito para abraçar o vexame. Ainda dá tempo de desistir, rapaz!

José Luiz Datena, do “Brasil Urgente”, da Band,  é um apresentador de talento. Comporta-se diante das câmeras com grande desenvoltura. Faz um programa de apelo popular, tentando emprestar certo sotaque de cidadania ao mundo-canismo. Não fossem as misérias humanas, sei lá o que levaria ao ar. Mas pretendo evitar o moralismo supostamente chique. Jornalistas investigativos de política e mesmo os analistas, como sou, também abordam, em certa medida, o mundo-cão, não é mesmo? Ou o petrolão é outra coisa?

Claro! O estilo, mais do que a informação, faz toda a diferença no tipo de trabalho de Datena. O país parece sempre à beira do abismo. Não há bondade no mundo. Um ser perverso está sempre a tramar contra o bem nas trevas. Apresentadores de programas policiais costumam ter soluções simples e geralmente erradas para problemas difíceis. Seus grandes clientes são a indignação, a insegurança e o medo.

Datena poderia continuar na televisão, onde deve ter audiência satisfatória para o horário e salário rechonchudo. Mas resolveu cometer o erro estúpido de se meter na política, onde não corre o menor risco de dar certo — ainda que venha a ser bem-sucedido no esforço de se tornar prefeito de São Paulo.

O homem decidiu se filiar ao PP, que lhe ofereceu a legenda. Assim, o moralista e sempre duro Datena pretende consertar os desmandos e disfunções da cidade na condição de aliado de… Paulo Maluf, que tem, sem dúvida, uma tradição e uma reputação na capital paulista.

Como não gosta, certamente, de coisas erradas, ele já entra na política por cima. Não tem militância partidária, não atuou até agora em nenhuma instância da vida pública que não a comunicação, mas já começa pelo topo, como candidato a gestor da maior cidade do país. Na política conforme a entende Datena, há disputa pelo passe — mais ou menos como se emissoras estivessem à cata de um talento.

Conversou com esse, com aquele, com aquele outro, mas se decidiu pelo PP malufista. No seu estilo de sempre, disse que só fez essa escolha porque o partido lhe apresentou uma proposta “direta, honesta e reta”. O que isso quer dizer? Não tenho a menor ideia. Segundo ele, no PP, não se sentiu “usado”. É verdade, não é mesmo? Por que um partido quereria usar um apresentador popular de TV para disputar a Prefeitura de São Paulo? Tenham paciência!

Ainda não estão claros os caminhos da disputa na cidade. Mas, em tese ao menos, o deputado federal Celso Russomanno (PRB), apresentador da Record, também disputará a cadeira de prefeito. Talvez seja o caso agora de a gente esperar os nomes das demais emissoras. Quem sabe apareça alguém da TV a cabo para acusar os outros de apelo popularesco, disputando o voto dos universitários…

Não que a política brasileira, entregue a profissionais, ande grande coisa. Todos sabemos que não. Estamos mais para o lixo do que o luxo moral. Mas é evidente que iniciativas dessa natureza só acrescentam certo caráter de chanchada ao que já não vai bem. Gente como Datena vende ao distinto público a ideia de que um prefeito pode, vamos dizer, ser tão olímpico como ele próprio é em seu programa — embora, claro!, saiba que tem restrições que não são do conhecimento dos telespectadores.

“Ah, esse fala mesmo! Ele não tem papas na língua.” Lamento! Não é apanágio de um bom homem público. Eu também não tenho. Aqui, na Folha ou na Jovem Pan. Por isso mesmo, meu lugar não é a política. O político capaz tem de lidar mais com a ética da responsabilidade — a teia de compromissos que necessariamente assume; e é bom que os assuma — do que com a da convicção, própria dos cidadãos.

Não ignoro que eu próprio tenho a fala fácil e atraio e atenção de muita gente pela dureza, clareza ou, vá lá, certeza dos meus erros. Cada um julgue como quiser. Mas isso não me prepara para a vida pública, para a política. E o mesmo vale para Datena. Ele deveria se poupar, e poupar a política, desse vexame.

Datena, ouça um bom conselho, eu lhe dou de graça: continue a ser um apresentador de talento em vez de se entregar à má política.

Por Reinaldo Azevedo

28/07/2015

às 20:46

CPI mantém convocação da misteriosa Catta Preta. Ou: O devido e o indevido no Estado de Direito

Eu e todo mundo estamos muito curiosos para saber o que se passa com a advogada Beatriz Catta Preta, que teve ascensão meteórica como advogada na área penal, que celebrou nada menos de 9 dos 18 acordos de delação premiada e que, de súbito, anunciou que está deixando todos os seus clientes para se mudar para a Miami, onde abriu um escritório.

Ninguém renuncia, assim, por nada, a uma mina de ouro, como são os corruptos brasileiros, especialmente depois de tão invulgar sucesso. Muito bem! A CPI da Petrobras já a havia convocado a prestar depoimento. Especula-se sobre a origem dos seus proventos. Beatriz foi advogada de algumas personagens explosivas do escândalo, como Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e Julio Camargo.

Hugo Motta (PMDB-PB), presidente da CPI, manteve a convocação de Catta Preta, apesar dos protestos da OAB e de despacho contrário do juiz Sergio Moro. Disse ele: “Respeito o doutor Sergio Moro e a OAB, mas a nós cabe seguir o que o plenário decidiu em sua maioria”.

Motta apelou à legislação americana e considerou: “A pessoa rouba R$ 100 milhões e deixa R$ 10 milhões para pagar advogado. Não pode, isso é absurdo”. Ele lembrou ainda que cabe também à CPI recuperar dinheiro e ativos roubados.

Há um pequeno pulo, que pode ser um grande retrocesso para o Estado de Direito, em especular sobre os ganhos dos advogados. Para que isso vire obstrução do direito de defesa, falta pouco. De resto, não tenho como deixar de fazer esta anotação: políticos costumam contratar os mais renomados penalistas do país, não é mesmo? Será que os honorários são pagos apenas por seus respectivos vencimentos?

Catta Preta era o quarto braço da Operação Lava Jato. Segundo apurei, os investigados eram gentilmente encaminhados para a doutora, que se encarregava, então, de formatar as delações premiadas. Define-se a sua abordagem da questão nos meios jurídicos como, no mínimo, polêmica.

Mas daí a convocar a advogada para a CPI, bem, aí não. Sou um formalista nessa área. Abrir essa porta pode abrir outras tantas, o que não seria útil ao estado de direito e ao direito de defesa.

De todo modo, a minha curiosidade permanece enorme. Por que alguém renuncia, assim, a uma mina de ouro da noite para o dia? Achar que é tudo culpa de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, descontente com a mudança de versão de Julio Camargo (ex-cliente de Beatriz), corresponde a só culpar o malvado predileto da imprensa.

Que tem caroço nesse angu, ah, isso tem. E há o risco de ele estar relacionado à proximidade que, tudo indica, pode ter sido bastante heterodoxa entre a doutora Beatriz e a força-tarefa. Não sei não… Acho que Cunha não tem nada com isso.

Por Reinaldo Azevedo

28/07/2015

às 20:20

Juiz da Lava Jato decreta bloqueio de até R$ 60 milhões das contas de suspeitos detidos pela PF

No Globo:
O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal do Paraná, decretou o bloqueio de até R$ 60 milhões das contas de Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, e de Flávio David Barra, executivo da Andrade Gutierrez, presos nesta terça-feira na 16ª fase da Operação Lava-Jato. Também foi realizado o bloqueio nas contas da Aratec Engenharia Consultoria & Representações Ltda, pertencente a Othon. Em cada uma das contas o bloqueio foi de R$ 20 milhões. Somente na Aratec, o valor recebido em propinas seria de R$ 9,8 milhões, de acordo com a Justiça do Paraná.

Moro diz que o bloqueio é justificado porque o esquema criminoso, organizado em torno do presidente licenciado da Eletronuclear, “gerou ganhos ilícitos às empreiteiras (Andrade Gutierrez e Engevix) e aos investigados, justificando-se a medida de privá-los do produto de suas atividades criminosas”. O juiz da Lava-Jato determinou a prisão preventiva de Othon e de Flávio com base na investigação de que os dois teriam recebido propinas pagas pela Aratec no valor de R$ 4,509 milhões, provenientes da Andrade Gutierrez e Engevix, no período de 2009 a 2014.

O resto do montante pago a Aratec veio de outras grandes empreiteiras, além de empreiteiras de fachada. A OAS teria pagado R$ 504,2 mil, entre 2007 a 2015; a UTC, R$ 101 mil; a Camargo Corrêa, R$ 109,1 mil; e a Techint, outros R$ 161,2 mil. Empresas de fachada teriam sido usadas para o repasse de propinas à Aratec no valor de R$ 5,385 milhões. Ainda segundo o juiz da Lava-Jato, as empresas de fachada não tinham funcionários ou suporte para prestar qualquer tipo de serviço.

A CG Consultoria, Construções e Representação Comercial Eireli recebeu, entre 2009 e 2012, um total de R$ 2,9 milhões da Andrade Gutierrez, mas transferiu R$ 2,699 milhões desse total para a Aratec entre 2009 e 2014. A JNobre Engenharia e Consultoria depositou R$ 792,5 mil na conta da Aratec entre 2012 e 2013, no período em que recebeu R$ 1,4 milhão da Andrade. A Deustchebras depositou R$ 252,3 mil para a Aratec. Já a Link Projetos e Participações depositou R$ 765 mil para a empresa de Othon.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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