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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

22/10/2014

às 20:20

Fascistoides à solta 1 – Lula compara 2014 a 1954, ano da morte de Getúlio. É… Em comum, há o mar de lama

Lula não perdeu o juízo, é claro, porque ele tem é método. Louco não é. O que lhe tem faltado é senso de ridículo e compromisso com a verdade. Segundo ele,  o clima de “histeria” que toma conta da disputa se assemelha ao ano de 1954, quando Getúlio Vargas se matou. Aproveitou para dizer que os eleitores de Marina Silva têm a obrigação de votar em Dilma. Que grande petulância a desse senhor! Nem Marina se atreveu a dizer em que seu eleitorado tem a obrigação de votar pela simples e óbvia razão de que ela não é dona de suas respectivas vontades. Ocorre que Lula está convicto de que é dono do Brasil.

Este senhor já comparou a oposição a nazistas e a Herodes. É claro que parte do que diz deriva de sua alastrante ignorância, compatível com seu ânimo para ofender pessoas. Num comício em Porto Alegre, afirmou nesta quarta: “A mesma histeria que a direita tinha contra Getúlio, nos anos 50, eu vejo estampada no discurso dos nossos adversários”, disse. Ele ainda ironizou o papel da imprensa, dizendo que a mídia claramente “não tem partido nem candidato” — tentando sugerir o contrário. Ora, basta ler certo noticiário e acompanhar algumas emissoras de TV para constatar que certa mídia tem, de fato, é CANDIDATA.

Direita, Lula? Onde está a direita? Vamos ver o partido que compõem a coligação “Com a Força do Povo”, de Dilma: PT, PMDB, PSD, PP, PR ? PROS, PDT, PC do B e PRB. Como? Então o PSD, o PP, o PROS e o PRB se tornaram agora notórios esquerdistas? Sem contar que o PMDB junta uma boa fatia dos conservadores brasileiros. A acusação de um ridículo ímpar.

A propósito: a ser como quer Lula, estão faltando dois cadáveres na história e um ferido. Quem se candidata no PT a repetir o gesto de Getúlio? Quem será o major Rubem Vaz? Quem vai levar um tiro no pé, como Carlos Lacerda? Que bate-pau do petismo se candidata ao papel de Gregório Fortunato, o homem que tramou o atentado contra Lacerda? A tese é de uma ignorância soberba, embora isso lhe tenha sido soprado aos ouvidos pelos intelectuais de quinta categoria do petismo.

É bem verdade que, de certo modo, Lula tem razão: uma coisa há em comum com 1954: o mar de lama. Existia há 60 anos; existe hoje — com a diferença de que aqueles eram tempos da bandidagem quase romântica. A de agora se profissionalizou.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 20:16

Aécio: Lula “apequena sua biografia” ao promover baixaria

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, criticou nesta quarta-feira o papel desempenhado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reta final das eleições deste ano. Desde o último final de semana, Lula tornou-se protagonista da baixaria promovida contra o PSDB.  “O Lula não está disputando a eleição, eu o ignoro. Mas lamento apenas que um ex-presidente da República se permita cumprir um papel tão inexpressivo como o que ele vem cumprindo no final dessa campanha eleitoral”, disse Aécio, numa rara menção ao petista. “É triste para sua própria biografia. Só quem perde com isso é ele, que apequena sua biografia com ataques torpes e absurdos”, completou. Embora não seja candidato a nenhum cargo nas eleições deste ano, Lula tem feito ataques pessoais a Aécio, a quem chamou de “filhinho de papai” e insinuou que agride mulheres. “A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo”, afirmou Lula em Belo Horizonte no último sábado. O ex-presidente também comparou o tucano a Fernando Collor de Melo, candidato que em 1989 que protagonizou baixarias contra o próprio petista e, ironicamente, hoje é seu aliado. Nesta terça, o petista chegou ao ponto de comparar tucanos a nazistas.
 
Para minimizar o terrorismo eleitoral disseminado pelo PT, Aécio Neves reiterou nesta quarta o compromisso de manter programas sociais, como o Bolsa Família, fortalecer o papel dos bancos públicos, acabar com o aparelhamento da máquina estatal e discutir um mecanismo para acabar com o fator previdenciário. “Nessa reta finalíssima da campanha é hora de reiterarmos alguns compromissos: o primeiro deles é o compromisso de garantir a continuidade dos programas sociais em andamento, em especial do Bolsa Família. O segundo, o compromisso com o fortalecimento dos bancos públicos, com a sua profissionalização e com a valorização dos servidores de carreira. Falo isso, em especial, aos servidores da Caixa Econômica, do Banco do Brasil, do BNDES e de empresas públicas, como os Correios, a Petrobras e a Eletrobras”, disse. “Quero reiterar meu compromisso com os aposentados brasileiros. Vamos rever o fator previdenciário e encontrar uma forma de não impactar e punir os aposentados brasileiros.”
 
Mais uma vez, Aécio Neves disse ser o “candidato de amplo sentimento de mudança” e afirmou que, diante de todos os ataques, “deixa que as pessoas respondam nas urnas todas essas infâmias”. “A verdade vai vencer a mentira e as propostas vão vencer os ataques. Tenho certeza que o Brasil novo, renovado nos seus valores e nas suas práticas vai vencer o Brasil velho e antigo que é representado hoje por este governo”, declarou. “Essa campanha vai ficar marcada na história do Brasil como a campanha da infâmia por parte dos nossos adversários.”
Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 16:16

ATAQUE TERRORISTA – Um soldado assassinado e tiros no Parlamento do Canadá. Suspeito principal: Estado Islâmico

O pior pode estar em curso, e o Canadá talvez tenha sido só a primeira vítima. Vamos lá.

A região central de Ottawa, onde fica o Parlamento do país, foi fechada na manhã desta quarta e cercada por homens fortemente armados depois que três tiroteios deixaram pelo menos um soldado morto. Não se sabe o número de atiradores — um deles também teria morrido.

Os três incidentes armados, desconfia a polícia, se deram de maneira coordenada. Um deles ocorreu no Memorial da Guerra, onde o soldado morreu, e dois outros no centro comercial. Um dos atiradores se refugiou depois no Parlamento, onde estava o primeiro-ministro, Stephen Harper. Segundo testemunhas, pelo menos 20 tiros foram ouvidos. Um porta-voz do hospital de Ottawa, citado pela Reuters, informa que a instituição recebeu três feridos a bala depois dos incidentes. Além do soldado que morreu, havia duas outras pessoas, e uma delas seria guarda do Parlamento. Vídeo (no alto) mostra a operação policial no interior do Parlamento, com muitos tiros.

Tão logo se deu alarme da invasão do Parlamento, Harper e outros membros do governo foram retirados do prédio e levados para uma área considerada segura.

Os ataques em Ottawa ocorrem dois dias depois de um rapaz investigado por ligações com o jihadismo ter atropelado de forma deliberada dois soldados em Quebec — um deles morreu. O assassino, que também foi morto, se chamava Martin Rouleau Coulture, tinha 25 anos e havia se convertido ao islamismo. No dia em que Coulture praticou o atentado, aviões canadenses haviam chegado ao Kwait para integrar as forças ocidentais que fazem ataques aéreos contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

Estado Islâmico
As autoridades evitam falar o nome da coisa, mas o nome da coisa povoa todas as mentes: Estado Islâmico. O grupo prometeu praticar atentados em todos os países que decidissem integrar as forças que realizam ataques a bases dos terroristas na Síria e no Iraque.

Pior: segundo o anúncio que fizeram, essas ações seriam perpetradas pelos naturais de cada país. À diferença do modus operandi conhecido do terror até agora, os homicidas-suicidas anunciados pelo Estado Islâmico não seriam estrangeiros. Não! Eles contam com o fanatismo de convertidos, como era o caso de Coulture, sem nenhuma vinculação histórica, cultural ou familiar com o islamismo. Na maioria das vezes, esses jovens são recrutados ou pela Internet ou por intermédio de religiosos islâmicos extremistas, que atuam livremente nas democracias.

Caso se confirme que o evento desta quarta também está relacionado com o Estado Islâmico, parece que os países ocidentais estão com um problema gigantesco nas mãos. Não são apenas os ataques aéreos às bases dos terroristas na Síria e no Iraque que estão se mostrando inúteis. Também no front interno, parece que as táticas para enfrentar o extremismo se mostram ineficazes.

 

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 15:15

É preciso ver se ex-laranja de Youssef não atua para desviar investigação de foco

Epa, epa, epa! Parece que há caroço no angu. Leonardo Meirelles era o laranja de Alberto Youssef no Laboratório Labogen, do qual andamos um tanto esquecidos. O Labogen era uma das empresas de fachada do doleiro. Não obstante, muito influente: conseguiu um contrato para fornecer genéricos para o Ministério da Saúde, depois de uma parceria com o laboratório da Marinha e com a gigante EMS. Sabem quem serviu de testemunha de união tão prolífica? Alexandre Padilha, então ministro, candidato derrotado ao governo de São Paulo e hoje um dos chefões do PT. O acordo que estava em vista era de R$ 134,5 milhões. No ato de assinatura, quem estava presente? Leonardo Meirelles.

Muito bem! Meirelles foi um dos presos da operação Lava Jato. Em seu depoimento, para surpresa de muitos, afirmou que Alberto Youssef teria operado também para o PSDB. Ocorre que a defesa do doleiro nega. E com tal veemência que pede uma acareação.

Pois é… A figura que realmente transitava nos bastidores do Ministério da Saúde e com acesso à cúpula da pasta era Leonardo. As pessoas da Operação Lava Jato encarregadas da apuração das lambanças precisam ficar atentas para a possibilidade de que muita gente esteja querendo jogar areia nos olhos dos investigadores, não é? Mais uma vez, há gente interessada em provar que todos são corruptos e iguais.

O doleiro Alberto Youssef tem um acordo de delação premiada. Para ele, só a verdade pode ser útil agora. Depois de confessar que operava para o esquema — que envolvia PT, PMDB e PP —, por que ele negaria se tivesse atuado também em favor do PSDB? É preciso verificar até onde o tal Leonardo não está, digamos, sendo operado por interesses maiores. Reitero: o homem da Labogen, que atuava em intimidade com a cúpula do Ministério da Saúde, era Leonardo, não Youssef.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 14:58

Advogado de Youssef nega que ele tenha operado para o PSDB, desmente depoimento de ex-laranja de doleiro e pede acareação

Por Ricardo Brandt e Fausto Macedo, no Estadão. Volto no próximo post:
A defesa de Alberto Youssef informou que vai apresentar ainda nesta quarta feira, 22, à Justiça Federal em Curitiba (PR) um pedido de impugnação do depoimento de Leonardo Meirelles – suposto testa de ferro do doleiro nas indústrias farmacêuticas Labogen. Em depoimento na segunda feira, 20, Meirelles afirmou que ele mantinha negócios com o PSDB e com ex-presidente nacional do partido senador Sérgio Guerra (PE), morto em março. O criminalista Antônio Figueiredo Basto, que defende Youssef, disse que pedirá ainda uma acareação entre os dois – o doleiro e Meirelles são réus em um dos processos da Operação Lava Jato, sobre superfaturamento nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. “Meu cliente afirma peremptoriamente que nunca falou com Sérgio Guerra, nunca teve negócio com ele e nunca trabalhou para o PSDB”, afirmou o criminalista Antônio Figueiredo Basto. “Estamos pedindo uma impugnação do depoimento do Leonardo e uma acareação entre eles.”

Meirelles é apontado como laranja de Youssef no laboratório Labogen, indústria de remédios que estava falida e que o doleiro usou para tentar conquistar um contrato milionário com o Ministério da Saúde, na gestão do então ministro Alexandre Padilha, para fornecimento de medicamentos. Segundo o Ministério, o contrato não chegou a ser assinado. O negócio teria sido intermediado, segundo a PF, pelo deputado federal André Vargas (sem partido-PR), que foi flagrado usando um jato pago pelo doleiro. Meirelles afirmou à Justiça Federal, em audiência da segunda feira, 20, que Youssef trabalhava também com o PSDB, além dos partidos PT, PMDB e PP. Ele disse ter ouvido o doleiro citar o nome de Guerra em uma conversa telefônica e ainda citou “um outro parlamentar” tucano da mesma região do doleiro.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 14:48

No WhatsApp, Alckmin critica uso político de crise hídrica

Na VEja.com:
Em vídeo de um minuto e oito segundos de duração que circula em grupos do aplicativo de conversas instantâneas WhatsApp, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), reclama do que classifica de “proveito político” de alguns diante da crise hídrica pela qual atravessa o Estado. Ele classificou o momento como “de responsabilidade e solidariedade” frente à “maior seca dos últimos 84 anos” e também citou medidas que tem tomado para tentar resolver a situação.

“Estamos trabalhando, interligando os sistemas e investindo em obras e novos sistemas de abastecimento de água para a população”, disse o governador. Alckmin reforçou a informação já divulgada de novos descontos para quem reduzir o consumo de água. Quem gastar de 10% a 15% menos do que foi consumido na média de 12 meses, entre fevereiro do ano passado e janeiro deste ano, terá 10% de desconto e quem reduzir de 15% a 20%, tendo como base o mesmo período, terá 15% de bônus. Estamos aumentando o bônus para o uso racional da água. E quero agradecer a população porque 80% praticamente reduziram o consumo”, disse no vídeo.

Ao final da gravação, ele comentou o contexto político da crise. “É lamentável que em um momento desse, onde há necessidade de união de todos, alguns queiram tirar proveito político deste fato. Este não é o espírito de São Paulo”, finalizou.

PT
Na mesma semana em que a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) resolveu explorar à exaustão a crise de água em São Paulo para atingir Aécio Neves (PSDB), a bancada do PT na Assembleia Legislativa montou um ato político para o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), o sindicalista e petista Vicente Andreu Guillo, atacar o governo paulista. Nesta terça-feira, o presidente da ANA classificou o uso da segundo cota do volume morto do reservatório do Cantareira como uma “pré-tragédia”.

Ele também ironizou a possibilidade de a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) usar a terceira reserva profunda do manancial. Segundo ele, se não chover nos próximos meses, a companhia precisará recorrer ao “lodo” do reservatório para captar água. “Eu acredito que tecnicamente será inviável. Do ponto de vista ambiental, essa água terá problema. Se a crise se acentuar é bom que a população saiba que não haverá alternativa a não ser ir no lodo”. Simultaneamente, em evento de campanha em Pernambuco, a presidente-candidata citava a crise hídrica para atacar o PSDB.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 6:45

LEIAM ABAIXO

Nada mudou — no Datafolha ao menos: 52% a 48% para Dilma. E o papo da agressividade. Ou: Os brasileiros, os números e a realidade;
O GOLPE DA ÁGUA – Nada mudou no abastecimento de água de SP; o que aumentou foi a vigarice política. Ou: Eleitor da cidade de SP daria hoje a Alckmin os mesmos votos que deu no dia 5. Isso frustrou muita gente;
PT perde para PSDB posto de partido com maior votação na legenda para Câmara;
O cutista e petista que preside a ANA adere ao terrorismo eleitoral da água. Quem está no lodo é a República;
Alto endividamento faz Moody’s rebaixar nota da Petrobras;
Aécio sobre pesquisas: “O Brasil saberá responder nas urnas”;
Helôôô!!! Estatais brasileiras chegaram à era do socialismo “socialite”, gente!;
BB dribla regra ao emprestar para amiga de chefe do banco;
Vaccari, Dilma, a galinha e as raposas;
Tesoureiro do PT, considerado peça-chave do petrolão, é um dos homens fortes da campanha de Dilma;
Mercados despencam na esteira das bobagens de Dilma. Ou: Lula tem razão! A culpa é mesmo das elites!;
— PT celebra a política do ódio; em discurso, Dilma admite que degola pessoas, mas, à moda do Estado Islâmico, diz que a culpa é do adversário. Os fascistoides estão assanhados e esqueceram que, se ganharem, terão de governar — e essa será a parte mais difícil;
— Com a arrogância e truculência características, PT já canta vitória. É cedo pra isso! Os tucanos têm um exemplo a seguir: Aécio! Ou ele não estaria no segundo turno;
— AQUI ENTRE NÓS, na VEJA.com

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 5:50

Nada mudou — no Datafolha ao menos: 52% a 48% para Dilma. E o papo da agressividade. Ou: Os brasileiros, os números e a realidade

O Datafolha voltou a fazer uma pesquisa eleitoral nesta terça-feira. Tudo segue como na segunda: segundo o instituto, a petista Dilma Rousseff mantém 52% dos votos válidos, e o tucano Aécio Neves, 48%. Nos votos totais, ele aparece com o mesmo número do dia anterior: 43%, e ela teria oscilado um para cima: 47%. É rigorosamente igual a nada. A margem de erro, segundo o Datafolha, e de dois pontos para mais ou para menos, Foram ouvidas 4.355 pessoas em 256 municípios.

A pesquisa traz alguns dados curiosos. Segundo se apurou, 71% dos entrevistados rejeitam a agressividade na campanha, e 27% consideram que ela faz parte do jogo. Disseram não saber 2%. Contra todas as evidências — e, certamente, os números —, 36% dizem que o mais agressivo é o tucano; 24%, que é a petista. Ora, basta ver o horário eleitoral e a quantidade de ataques desferidos pela propaganda do PT para constatar que essa percepção está obviamente errada.

O curioso é que, segundo se sabe, o PT promete continuar a desferir porradas a três por quatro e atribui a esse comportamento virulento o fato de Dilma ter passado numericamente à frente de Aécio — embora os dois, reitere-se, entejam empatados. A campanha tucana, é visível, resolveu investir mais nas propostas. Se os números do Datafolha fazem sentido, as peças publicitárias de Dilma têm de ser mais rejeitadas do que as de Aécio. Nunca nos esqueçamos de que foi o petismo que introduziu no debate o viés do ataque pessoal. Contra Dilma, até agora, Aécio nada lançou, a não ser a informação de que seu irmão era funcionário fantasma da Prefeitura de Belo Horizonte quando o prefeito era o petista Fernando Pimentel. E, ainda assim, respondia com a mesma moeda a um ataque feito a um familiar seu.

Essa conversa cria um ruído danado, não é? Afinal, entra na cota da agressividade demonstrar, por exemplo, que a Petrobras foi tomada por uma quadrilha de assaltantes e que, durante os governos petistas, a empresa serviu a interesses partidários? Entra na cota da agressividade evidenciar os desastres da dupla Dilma-Mantega na economia?

Ah, sim: a pesquisa Datafolha informa também que os brasileiros estão mais otimistas com a economia. Em menos de um mês, cresceram de 12% para 21% os que dizem que a inflação vai cair, e diminuíram de 50% para 31% os que afirmam que ela vai crescer. Nota: no período, ela aumentou. Subiram de 32% para 44% os que acham que a situação econômica vai melhorar, e foram de 25% para 15% os que avaliam que vai piorar. No período, todos os indicadores econômicos pioraram. Por que é assim? Por que o Datafolha colheu esses números? Sei lá. Perguntem aos brasileiros que responderam a pesquisa.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 3:11

O GOLPE DA ÁGUA – Nada mudou no abastecimento de água de SP; o que aumentou foi a vigarice política. Ou: Eleitor da cidade de SP daria hoje a Alckmin os mesmos votos que deu no dia 5. Isso frustrou muita gente

Quero voltar à guerra político-eleitoral da água, deflagrada pelo PT, pelos setores da imprensa alinhados com o petismo, pela campanha eleitoral de Dilma Rousseff e por Vicente Andreu, que é petista, presidente da Agência Nacional de Águas, oriundo da CUT e que, hoje em dia, está fazendo campanha eleitoral. Vamos lá. A primeira questão relevante é a seguinte: o fornecimento de água, hoje, em São Paulo, não é nem maior nem menor do que durante a eleição. No fim de semana retrasado, muita gente ficou sem água ao mesmo tempo porque houve problemas técnicos graves na adutora Americanópolis e em Osasco. De resto, tudo continua como estava, como diria Dilma Rousseff, “no que se refere” ao abastecimento. O que se tem, aí sim, é campanha eleitoreira descarada. Um dado da pesquisa Datafolha publicada na segunda-feira, pela Folha, não mereceu, parece, o devido destaque. Depois de todo o terrorismo feito com a questão da água, o instituto quis saber em quem votariam os eleitores paulistanos se a disputa para o governo do Estado fosse agora.

Os de má-fé e os ignorantes saíram botando terror por aí porque números publicados com destaque pelo Datafolha mostravam que o tucano teria 33% de votos na cidade, contra 19% de Paulo Skaf, do PMDB, e 12% de Alexandre Padilha, do PT. Disseram que votariam em branco, nulo ou em ninguém 25%, 9% afirmaram não saber, e 3% citaram outros nomes.

Pois bem: Alckmin obteve, na cidade de São Paulo, nas urnas, 51,94% dos votos válidos. Segundo os números do Datafolha, ele tria hoje 50%; Skaf teria 28% (contra 21,4% nas urnas), e o petista Alexandre Padilha teria caído de 22,21% para 17,9%. Ou por outra: a variação de Alckmin, na capital, está dentro da margem de erro. À diferença do que pretendiam os petistas, o prestígio do governador segue inabalado. Embora haja um enorme esforço para jogar a responsabilidade pela falta de chuva nas costas do tucano, o efeito eleitoral esperado por muitos — e pelo qual muitos torciam — não aconteceu.

Há problemas de abastecimento em São Paulo? Há. Existe racionamento ou falta generalizada de água? Não! O que mudou foi a determinação do PT, da Agência Nacional de Águas — manipulada pelo partido — e da campanha eleitoral de Dilma Rousseff de tentar explorar o assunto politicamente. Se os petistas acham que Alckmin é o culpado porque não chove, talvez seja o caso de indagar a culpa de Dilma pela seca na cabeceira do Rio São Francisco.

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 21:56

PT perde para PSDB posto de partido com maior votação na legenda para Câmara

Por Beatriz Bulla e Ricardo Brito, no Estadão:
O PT perdeu nas eleições deste ano o posto de partido com maior voto na legenda para a Câmara dos Deputados. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, desde a eleição de 1990, a sigla concentrava o maior número de eleitores que preferem depositar o voto no partido e não em um candidato específico. Mas o quadro mudou em 2014. Da legislatura passada para a atual, a queda do total de votos dados ao partido chegou a quase 25%. Não bastasse, é a primeira vez na história recente que o partido ficou atrás do PSDB no total de votos em legenda recebidos.

Pela legislação, os eleitores que votam na legenda para cargos de deputados federal, estadual (ou distrital) e ainda vereador declaram uma espécie de “voto sem cabeça”. Esse tipo de voto tem o mesmo peso para o chamado quociente eleitoral daqueles que são dados pelos eleitores aos candidatos. O quociente eleitoral, por sua vez, é o número mínimo de votos que cada partido ou coligação partidária precisa ter para eleger um representante no Legislativo. Ou seja: quanto maior os votos nos candidatos e os votos na legenda, maiores as chances de eleição.

Na eleição deste ano, os petistas receberam 1,75 milhão de votos de legenda para a Câmara dos Deputados (o que representa 21,6% do total de votos válidos). Foram ultrapassados pelos tucanos, que amealharam 1,92 milhão de votos por esse formato (23,8%). A título de comparação, em 1990, o PT conquistou 1,790 milhão de votos (24,1%) e o PSDB apenas 340 mil votos (4,6%). Nesse período, os votos válidos para deputados federais pularam de 40,5 milhões para 96,8 milhões de eleitores, um aumento de 139%.

Em termos absolutos, o partido alcançou o recorde de votações na legenda para deputado federal na primeira eleição de Lula, em 2002. Naquela ocasião, o PT conquistou 2,35 milhões de votos nessa modalidade (27,13% dos votos válidos), o que fez o partido eleger 91 deputados, conquistar a maior bancada da Câmara e, de quebra, eleger o presidente da Casa. Em termos proporcionais, o maior desempenho do partido foi em 1994, quando ficou com 50,63% dos votos válidos (2.007.076 votos na legenda).

Contudo, os votos nos partidos políticos para a Câmara tiveram uma diminuição de 914 mil entre a eleição passada e a atual, de 9 milhões para 8,1 milhões no período. PSDB e PMDB também reduziram esse tipo de votação de 2010 a 2014, mas somente o PT foi responsável por uma queda de 60% dos “votos sem cabeça” em todo o País.

Histórico
Historicamente, o PT sempre defendeu o fortalecimento do partido com a votação dos eleitores na legenda. Na atual eleição, por exemplo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal líder político do partido, gravou vídeo conclamando o eleitor a votar “13″ no pleito deste ano. O secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, credita a perda de apoio de simpatizantes do partido à “campanha de ódio contra o PT” feita neste ano. “Enfrentamos uma campanha que foi das mais difíceis de nossa história”, disse Souza. “É uma disputa permanente. Tem momentos em que se sofre algum revés”, admitiu o secretário.

(…)

Comento
Campanha do ódio? Voltarei ao assunto mais tarde.

 

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 21:29

O cutista e petista que preside a ANA adere ao terrorismo eleitoral da água. Quem está no lodo é a República

O PT tentou dar o golpe eleitoral da água no primeiro turno em São Paulo, com a ajuda de setores militantes da imprensa. Falhou. Passou por uma humilhação eleitoral inédita. Agora, tenta duas coisas: disputar o segundo turno no Estado e jogar a crise hídrica nas costas de Aécio Neves — ou dos tucanos. E conta, para tanto, com o apoio asqueroso da ANA — Agência Nacional de Águas, que deveria ser isenta e apartidária. O PT age de modo coordenado com aqueles mesmos setores do jornalismo. As evidências estão em toda parte. Há dificuldades de abastecimento em São Paulo? Há, sim. Há racionamento e falta generalizada de água? A resposta é “não!” Ao contrário do que se noticia, a gestão da crise feita pelo governo e pela Sabesp, até agora, foi virtuosa: conseguiu uma economia correspondente ao racionamento sem criar as dificuldades inerentes a esse tipo de procedimento.

A crise hídrica existe, sim, e, por óbvio, não é culpa do governador. Até porque não se limita a São Paulo. Sem chuva, o Estado terá fornecimento regular de água até março. No Rio, segundo o governador Luiz Fernando Pezão, pode haver problema de abastecimento já no mês que vem. O motivo é o mesmo: falta de chuva. Aliás, se não chover o mínimo necessário, haverá também falta de energia. E aí eu quero ver o que vai dizer Dilma. Ocorre que, assim como o PT usa a doação de Bolsa Família para ganhar votos, tenta usar a falta de água com o mesmo fim. E, reitero, com o apoio quase unânime da tal “mídia”, que o partido costuma chamar de “golpista”. Se for golpista, ela o é porque majoritariamente petista. Pois é…

Nesta terça, o presidente da ANA, o petista e cutista Vicente Andreu, participou de uma audiência na Assembleia Legislativa, promovida pela bancada do PT na Casa. Raramente se viu coisa tão asquerosa. Ficou evidente, de maneira inequívoca, o mal que faz o aparelhamento do Estado. Referindo-se às dificuldades hídricas de São Paulo, Andreu resolveu fazer terrorismo e afirmou que, se não chover, a Sabesp terá de tirar água do “lodo”. Sim, ele estava em busca de uma palavra forte. E achou. No lodo, quem está é a ANA.

O cutista Andreu não parou por aí. Referindo-se à retirada de água do segundo volume estratégico, JÁ AUTORIZADA PELA AGÊNCIA QUE ELE PRÓPRIO PRESIDE, afirmou: “Eles querem tirar o segundo volume morto, ou seja, a pré-tragédia. Eu costumo dizer assim: ‘É como se cidadão fosse para o cheque especial e não avisasse a família que está com problema. Sem alternativa, ele quebra o cofrinho da filha, mas mantém a mesma condição financeira’”.

É uma fala nojenta, própria de quem está fazendo campanha. O que o senhor Andreu está querendo é criar um factoide eleitoral. Se é essa a sua opinião, por que a ANA autorizou o uso da água do segundo volume estratégico? Que recusasse! A propósito: se essa reserva não serve para momentos agudos de crise, serve pra quê?

O espantoso é que sua fala, que deveria causar repulsa em qualquer pessoa razoável, foi reproduzida como se ele fosse o portador da razão. Reitero: Andreu resolveu fazer terrorismo eleitoral com uma decisão tomada pela agência que ele próprio preside. A audiência foi marcada na Assembleia pelos petistas para virar peça de campanha. E virou. Disfarçada de jornalismo.

No lodo, quem está é a ANA!

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 19:39

Alto endividamento faz Moody’s rebaixar nota da Petrobras

NÚMEROS DA PETROBRAS

Na VEJA.com:
A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating global em moeda estrangeira e local da Petrobras de Baa1 para Baa2, e manteve a perspectiva negativa. Segundo a agência, o rebaixamento refleto alto endividamento da estatal e a visão de que ele vai diminuir significativamente apenas depois de 2016. Entre os principais agravantes do endividamento estão as pressões negativas sobre os preços do petróleo e sobre o real, assim como os altos compromissos de investimentos. O endividamento da empresa ultrapassa 300 bilhões de reais, segundo o último relatório de resultados.

“Embora a Petrobras tenha sido relativamente bem-sucedida na execução de seu ambicioso programa de capital e tenha atingido metas de produção agressivas, a alavancagem continua crescendo em 2014, tendo em vista principalmente sua incapacidade de repassar os custos relacionados aos derivados de petróleo importados, à desvalorização da moeda local e ao agressivo programa de investimentos”, afirmou Nymia Almeida, da Moody’s.

Os ratings da Petrobras poderão ser rebaixados ainda mais se o aumento do endividamento for sustentado por uma proporção entre dívida e Ebitda acima de 5 vezes ou se o crescimento da produção cair abaixo das metas, segundo a Moody’s. Um rebaixamento do rating soberano do Brasil também pode pressionar a classificação da empresa. A agência afirmou que não vê uma elevação dos ratings da Petrobras no curto a médio prazo. “No longo prazo, porém, poderá haver uma elevação se houver redução da alavancagem e um aumento na produção lucrativa e nas reservas, em conjunção com um rating soberano mais alto.”

Desde 2012 os aumentos do valor do barril no mercado internacional não são integralmente repassados pela Petrobras aos consumidores, num intento do governo de frear o avanço da inflação. Apenas em 2014, o prejuízo da área de Abastecimento, que controla as importações de gasolina, chega a 7 bilhões de reais. A estatal deixou de ganhar 45 bilhões de dólares desde 2012 devido ao congelamento de preços da gasolina, segundo levantamento do CBIE.

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 19:30

Aécio sobre pesquisas: “O Brasil saberá responder nas urnas”

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, visita nesta terça-feira a cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Com o cenário bastante acirrado no Estado, o tucano busca garantir ao PSDB nova vitória em um colégio eleitoral com 1,8 milhão de eleitores – no primeiro turno, Aécio obteve 41,32% dos votos em MS, à frente de Dilma Rousseff (PT). Sobre a pesquisa Datafolha divulgada na noite de segunda-feira, em que Dilma aparece numericamente à frente, o tucano não demonstrou preocupação: “Pelo que nós vimos no primeiro turno, essa pesquisa do Datafolha já está me dando como eleito. Sou o próximo presidente da República se a diferença for essa. Todas as nossas pesquisas apontam uma margem enorme, muito maior do que essa, sobre a candidata”.

Para reforçar seu argumento, Aécio lembrou sua virada no primeiro turno. “Se eu me abalasse com pesquisas, certamente não teria tido o resultado que tive. Com o resultado que tive no primeiro turno, os institutos de pesquisas estão devendo aos brasileiros explicações, porque os erros foram grosseiros”. Sobre o aumento em seu índice de rejeição, afirmou: “O Brasil vai saber responder nas urnas”.

Aécio falou na chegada ao aeroporto ao lado do candidato tucano ao governo de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB). Seguiu para encontro com lideranças políticas locais na Associação Nipo-brasileira. De lá, viaja para evento de campanha em Goiânia.

Acerca dos depoimentos de envolvidos no esquema desbaratado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal que envolvem tucanos, o presidenciável disse que o partido vai “investigar doa a quem doer e punir quem quer que seja”. Afirmou ainda que, ao contrário do que faz o PT, não pretende “homenagear” os investigados caso se comprove a ligação deles com o esquema.

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 19:09

Helôôô!!! Estatais brasileiras chegaram à era do socialismo “socialite”, gente!

É do balacobaco. A Folha informou na edição de hoje que o Banco do Brasil concedeu um empréstimo de R$ 2,7 milhões a Val Marchiori, a socialite de profissão desconhecida. Ela se tornou uma celebridade com o programa “Mulheres Ricas”, embora sua única fonte de renda conhecida seja a pensão paga aos filhos pelo pai das crianças, que não é bem seu marido. O dinheiro emprestado pelo Banco do Brasil pertence a uma linha de crédito subsidiada pelo BNDES. Como diria Val, “Helôôô! As socialites também têm direito ao socialismo petista. Vamos lá. Valdirene, ou Val por apócope, não poderia ter obtido o empréstimo porque:

1: não pagou empréstimo anterior e já estava devendo ao banco;

2: não tem fonte de renda;

3: a empresa pela qual Val tomou o empréstimo, uma tal “Torke Empreendimentos”, apresentou como comprovação da receita a pensão alimentícia dos seus filhos;

4: a Torke pegou o dinheiro para investir na área de transportes — compra de caminhões, embora não tivesse experiência nenhuma na área.

Ah, ocorre que, no Banco do Brasil, existe um troço chamado “operação customizada”. Por intermédio dela, o banco dá crédito a quem quiser, como quiser, na hora em que quiser.

As irregularidades pararam por aí? Não! A Torke tomou o empréstimo e, imediatamente, sublocou os caminhões para a Veloz Empreendimentos, que é do irmão da apresentadora, Adelino Marchiori. Ocorre que uma cláusula da linha Finame/BNDES, de onde saíram os recursos, impede cessão ou transferência dos direitos e obrigações do crédito sem a autorização do BNDES.

Mas por que Val conseguiu o empréstimo com tanta desenvoltura? É que ela é amiga pessoal de Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil. Ela já esteve com ele em duas missões oficiais do banco, uma na Argentina e outra no Rio. Por que Val participa de uma ação oficial do BB? Vai ver é por causa de seu lado empreendedor.

A coisa toda parece jocosa, apesar da dinheirama? Parece! Mas é reveladora da forma como se usam os bancos públicos no Brasil. Se Aécio Neves ganhar a eleição, tarefa inadiável é fazer uma auditoria rigorosa nesses bancos, inclusive no BNDES.

De resto, eis aí: chegamos à era do socialismo socialite. O Brasil está na lama. Mas com muito glamour.

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 16:36

BB dribla regra ao emprestar para amiga de chefe do banco

Por Leonardo Souza, na Folha. Volto no próximo post:
O Banco do Brasil concedeu empréstimo de R$ 2,7 milhões à apresentadora de TV Val Marchiori, a partir de uma linha subsidiada pelo BNDES, contrariando normas internas das duas instituições. Marchiori tinha restrição de crédito por não ter pago empréstimo anterior ao BB e também não apresentava capacidade financeira para obter o financiamento, segundo documentos internos do BB obtidos pela Folha. A empresa pela qual Marchiori tomou o crédito, a Torke Empreendimentos, apresentou como comprovação de receita a pensão alimentícia de seus dois filhos menores de idade. O financiamento, repassado pelo BB a partir de uma linha do BNDES com juros de 4% ao ano –mais baixos que a inflação–, foi usado na compra de caminhões.

A Torke não tinha experiência na área de transportes e a atuação da empresa até então estava relacionada à carreira de Marchiori na TV. Na condição de administradora com poderes plenos na empresa, Marchiori tinha dívidas antigas com o BB que representavam impedimento para o novo empréstimo. Por isso, foi feita uma “operação customizada”, ou seja, sob medida para Marchiori, para liberar os recursos. Val Marchiori é amiga do presidente do BB, Aldemir Bendine. A apresentadora esteve com ele em duas missões oficiais do banco, uma na Argentina e outra no Rio. Em entrevista à Folha, o ex-motorista do BB Sebastião Ferreira da Silva disse que a buscava em diversos locais de São Paulo a pedido de Bendine. “Fui buscar muitas vezes a Val Marchiori”, disse ele.

Bendine nega qualquer participação na concessão do empréstimo. Ele reconhece que ficou hospedado no mesmo hotel que Marchiori nas duas ocasiões, mas diz que a estadia dela não tinha relação com as missões do banco, que foram coincidências. Oito dias antes de o BB começar a analisar a operação para a Torke, Marchiori enviou e-mail a Bendine, ao qual a Folha teve acesso, com perguntas sobre outro financiamento do banco, para empresa do marido da apresentadora, Evaldo Ulinski. O papel dos bancos públicos virou tema de debate entre os candidatos a presidente Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Aécio acusa o governo do PT de usar o BNDES para financiar empresas aliadas. Dilma defende o banco, dizendo que 84% dos investimentos da indústria passam pelo BNDES. A Torke tomou o empréstimo para, imediatamente, sublocar os caminhões para a Veloz Empreendimentos, que é do irmão da apresentadora, Adelino Marchiori. Uma cláusula da linha Finame/BNDES, de onde saíram os recursos, impede cessão ou transferência dos direitos e obrigações do crédito sem a autorização do BNDES. A praxe do banco é financiar a atividade-fim do tomador do crédito.

Na análise de risco, o BB apontou que Marchiori não tinha como comprovar receita compatível com o empréstimo, que tem prazo de pagamento de cinco anos. No item “garantias mínimas” para o financiamento, o banco diz: “Coobrigação obrigatória da administradora Valdirene Aparecida Marchiori, ainda que sem recursos computáveis compatíveis”. Segundo a análise de crédito, os fiadores da operação, o irmão e a cunhada de Marchiori, donos da Veloz, também não apresentavam recursos para garantir a operação. Assim, o BB dispensou a comprovação de capacidade de pagamento da tomadora do crédito e dos fiadores.

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 16:29

Vaccari, Dilma, a galinha e as raposas

A petista Dilma Rousseff ficou visivelmente irritada quando o tucano Aécio Neves lhe perguntou se ela mantinha a confiança em João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, que ela nomeou membro do conselho da Itaipu. Segundo Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff, ele é peça-chave no esquema criminoso montado para assaltar a Petrobras.

Pois bem: agora Marcelo Mattos informa na VEJA.com (ver post anterior) que esse chefão petista, que já se envolveu em outras operações suspeitas do partido, exerce uma função importante na campanha de Dilma: documento obtido pelo site mostra que o tesoureiro foi nomeado delegado da campanha da petista e tem a função-chave de representar a candidata no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Goza de tal autonomia que tem a prerrogativa de fazer petições e assinar as credenciais dos fiscais da coligação.

Eis aí: vocês acham o quê? Se Dilma for reeleita, será que ela tomará efetivamente as devidas medidas na esfera administrativa para que novas quadrilhas não operem na Petrobras — ou, sabe-se lá, para que a mesma não continue operando? Sim, meus caros, há duas esferas de atuação: a da Justiça, que não depende do chefe do Executivo, e aquela de natureza funcional: criar mecanismos para que as empresas estatais não sejam assaltadas por grupos de pressão.

Bem, Vaccari, hoje o principal implicado num esquema que a própria Dilma disse existir, é um dos chefões de sua campanha eleitoral. Digam às galinhas que a raposa é boa-praça. Isso é apenas um emblema de como os companheiros veem a coisa pública e das escolhas morais que fazem.

Em comícios por aí, os petistas dizem que seus adversários fazem contra eles uma campanha de ódio. Pois é… Lembro aqui que, no governo Itamar Franco, Henrique Hargreaves, então seu chefe da Casa Civil, foi acusado de envolvimento em negócios suspeitos. Itamar não hesitou: afastou-o do cargo enquanto durou a investigação. Constatada a sua inocência, ele voltou ao cargo. E olhe que Itamar estava afastando seu braço-direito da pasta mais importante do seu governo.

No caso de Vaccari, estamos falando da tesouraria de um partido, do conselho de uma estatal e de uma função na coordenação de campanha, postos, em tese, bem menos importantes. Mas quê… Vaccari fica lá. Os petistas preferem xingar os adversários.

 

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 16:18

Tesoureiro do PT, considerado peça-chave do petrolão, é um dos homens fortes da campanha de Dilma

Por Marcela Mattos, na VEJA.com. Volto no próximo post.
Desde que o depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa veio a público, a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) entrou em pânico: criou uma força-tarefa para evitar que as novas revelações causassem estrago no projeto de reeleição da petista, redobrou os ataques ao adversário Aécio Neves (PSDB) e barrou o depoimento do tesoureiro João Vaccari Neto à CPI da Petrobras. Não à toa: nove anos após o estouro do escândalo do mensalão, outro homem-forte responsável por cuidar das contas do partido aparece às voltas em um caso de corrupção, agora como o pivô de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Paulo Roberto Costa afirmou que parte da propina desviada da estatal chegou às mãos de Vaccari. “Dentro do PT, a ligação que o diretor de serviços tinha era com o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele”. Ainda segundo o delator, dois terços da propina ficavam para o PT quando a diretoria era comandada pelo PP. Já nos setores diretamente controlados por petistas, a propina seguia diretamente para o caixa do partido.

A função de Vaccari, no entanto, vai além de cuidar do financeiro do PT: ele tem posto privilegiado no projeto eleitoral da presidente Dilma. Documento obtido pelo site de VEJA mostra que o tesoureiro foi nomeado delegado da campanha de Dilma e tem a função-chave de representar a candidata no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tamanha é a autonomia que Vaccari, tem, inclusive, a prerrogativa de fazer petições e assinar as credenciais dos fiscais da coligação.

Ao lado dele estão outros quatro delegados – todos ocupam posições no projeto de reeleição de Dilma: o secretário-geral do PT, Geraldo Magela, deputado federal derrotado na única vaga ao Senado pelo Distrito Federal; o ex-presidente do diretório paulista do PT e tesoureiro da campanha, Edinho Silva; o ex-ministro do TSE, Arnaldo Versiani, e Luis Gustavo Severo, ambos responsáveis pela área jurídica da campanha.

Embora tenha sido apontado como a ponte para o recebimento da propina, o PT tem se mostrando reticente em afastar o tesoureiro. Ao contrário: saiu em defesa dele e processou Paulo Roberto Costa por difamação.

Durante debate entre os candidatos à Presidência realizado no último domingo, Dilma evitou se voltar contra Vaccari. Questionada por Aécio se confia no tesoureiro, a presidente tergiversou: “Da última vez que um delator denunciou pessoas do seu partido, no caso do metrô e da compra dos trens, o senhor disse que não ia confiar na palavra de um delator. Eu sou diferente. Eu sei que há indícios de desvio de dinheiro. O que ninguém sabe é quanto foi e quem foi. Isso é muito importante”, disse.

O tucano insistiu na pergunta, ressaltando os tentáculos do esquema de propina podem alcançar outros órgãos, como a hidrelétrica de Itaipu, da qual Vaccari integra o Conselho de Administração. Mas a presidente novamente se esquivou: “Eu mando investigar. Eu faço questão que a Polícia Federal investigue. Eu não transferi nenhum delegado para outro Estado, eu não engavetei processos. É isso que não pode ocorrer no Brasil”, disse.

Conforme mostra o site da Itaipu, também faz parte do Conselho de Administração do órgão o ministro licenciado da Casa Civil e braço-direito de Dilma Aloizio Mercadante, cotado para assumir o Ministério da Fazenda caso a petista seja reeleita. Mas a relação de Mercadante e Vaccari vem de longa data: nas eleições de 2002, quando conquistou a vaga no Senado, o ex-ministro tinha Vaccari como segundo suplente.

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 15:56

Mercados despencam na esteira das bobagens de Dilma. Ou: Lula tem razão! A culpa é mesmo das elites!

Os políticos não temem a irracionalidade, a conversa mole, a estupidez… Os mercados, sim. Por isso, mais uma vez, conforme o esperado, eles desabaram nesta terça-feira, e o dólar disparou. Depois de cair 4,38% no começo da manhã, o Ibovespa recuava 2,92% às 14h10, cotado em 52.743 pontos. As ações do “kit eleições” lideravam as baixas do índice: Banco do Brasil ON perdia 6,57%; Eletrobras ON, 5,91%; Eletrobras PN, 6,5%; Petrobras PN, 5,13%; Petrobras ON, 4,21%. Só especulação? Infelizmente, não!

Em dois debates consecutivos, em menos de uma semana, Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, falou com todas as letras que, no Brasil, uma inflação de 3% só seria possível com desemprego de 15% e choque de juros — como se, hoje, eles já não fossem os maiores do mundo. Ela não estabeleceu um período para essa relação. Para Dilma, enfim, estaríamos proibidos de conciliar inflação, juros e emprego em níveis civilizados. É o fim da picada.

O IPCA-15 de outubro foi de 0,48%. O indicador, que é uma prévia da inflação oficial do país, fechou o acumulado em 12 meses em 6,62%, superando o teto da meta de inflação, que é de 6,5%. Ah, mas devemos comemorar! Afinal, o mercado era ainda mais pessimista: esperava uma IPCA-15 de 0,52% para o mês e de 6,66% em 12 meses. Estamos fritos! Já chegamos àquela fase de aplaudir a notícia negativa porque, afinal, sempre poderia ser pior.

Os mercados não são nem bons nem maus. Não são nem a bruxa má da Gata Borralheira nem a fadinha. Eles apenas põem preço nas coisas, e ainda não se inventou mecanismo melhor para gerar e distribuir riquezas. As alternativas são Nicolás Maduro, Raúl Castro e Cristina Kirchner, os amigos do PT. Ao afirmar aquela batatada no debate, Dilma — que já é presidente — emite um claro sinal: o de que continuará na sua toada. Não por acaso, as empresas estatais lideram a queda do Ibovespa.

É isso aí. Não estou entre aqueles que dão a disputa do próximo domingo como liquidada — o primeiro turno nos ensinou que essa não é uma boa prática —, mas cumpre notar, ao fim deste texto, que os países, representados por seu povo, fazem escolhas. Podem errar e podem acertar. Eu nunca especulo sobre o grau de consciência de quem vota, se seu voto é ou não informado. Na democracia, isso é descabido. Até porque, pouco importa se Aécio ou Dilma terá a titularidade do próximo mandato, o fato é que a pessoa em questão só terá chegado lá com o voto dos que tinham condições de fazer uma escolha informada.

A propósito: nas redes sociais, a gente nota, as pessoas mais agressivas, as que dizem os maiores absurdos, as mais estúpidas, são justamente aquelas com formação escolar, que se deixaram contaminar pela ideologia. Não se enganem: sempre que países fizeram escolhas desastradas e desastrosas e entraram em declínio, isso não aconteceu por culpa do povo, mas de uma parcela considerável da elite.

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 7:53

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 7:29

PT celebra a política do ódio; em discurso, Dilma admite que degola pessoas, mas, à moda do Estado Islâmico, diz que a culpa é do adversário. Os fascistoides estão assanhados e esqueceram que, se ganharem, terão de governar — e essa será a parte mais difícil

O PT está de volta à sua natureza: a pregação do ódio. E, se é de ódio que se trata, nada melhor do que uma plateia de ditos “artistas e intelectuais” para que tal sentimento possa aflorar com toda a sua boçalidade. É bom não esquecer: os maiores massacres perpetrados até hoje, com requintes de crueldade, não foram, obviamente, nem planejados nem executados pelo povo, mas por uma suposta elite de pensantes. Já chego lá. Antes, quero lembrar uma barbaridade dita por Dilma Rousseff, que é candidata, sim, mas que já — ou ainda — é presidente da República. Nesta segunda, em discurso na Zona Leste de São Paulo, mais uma vez, ela passou das medidas. Está esquecendo de que, se ganhar, vai ter de governar depois.

Os porta-vozes do PT na imprensa e na subimprensa resolveram inventar um Aécio Neves violento, que não respeitaria nem uma mulher. O mote foi dado por Lula. Resisti a pensar na hipótese de início, mas agora começo a me perguntar se o “mal-estar” de Dilma, ao fim do debate promovido por Jovem Pan, UOL e SBT não nasceu antes na cabeça do marqueteiro João Santana, razão por que foi ele a socorrê-la, não a médica. Verdadeiro ou mentiroso aquele delíquio, o que veio depois era marketing. Procurou-se criar a imagem da mulher já idosa, atacada por um homem jovem — como se um debate não fosse um confronto de palavras e como se ela não tivesse dado início aos ataques pessoais. Mas sabem como é: a Dilma Coração Valente, a ex-militante de três grupos terroristas que matavam inocentes, posou ali de “vovozinha frágil”. Funcionou? Sei lá eu.

No encontro, Luiz Inácio Lula da Silva, o Babalorixá de Banânia, falou, é claro! Vocês podem não acreditar, mas o ex-presidente disse o seguinte:
“Vejam que interessante. Vocês nunca viram eu fazer campanha agredindo o adversário. Nunca viram, porque eu sempre achei que a campanha política deve servir para elevar o nível de consciência da sociedade brasileira. Mas eles não pensam assim. Eu jamais imaginei que um pretenso candidato a presidente da República pudesse chamar a presidenta de mentirosa na frente das câmeras de televisão. Eu jamais imaginei que ele pudesse chamar a presidenta de leviana”.

Como é? Lula nunca agrediu adversários? O homem que inventou uma suposta e falsa “herança maldita” de seu antecessor, FHC; que acusa os adversários permanentemente de nada fazer pelos pobres — o que é sabidamente mentiroso — nunca agrediu adversários?

Dilma também falou. Referindo-se aos tucanos, afirmou: “Até nos programas sociais, eles fazem pra muito poucos, porque na origem, no meio e no fim, eles são elitistas. Eles são aqueles que não olham o povo, eles são aqueles que só olham para uma minoria”. Essa senhora estava falando do partido que criou o Plano Real, sem o qual Lula não teria conseguido governar. Esta senhora pertence ao partido que nomeou aquela quadrilha que estava na Petrobras. É asqueroso. Os monopolistas da Petrobras também se querem monopolistas do povo. Mas ainda não era a sua pior fala.

E Dilma justificou a truculência e o jogo sujo, que atingiu, nesta jornada, o paroxismo. Ao desqualificar as críticas dos adversários, afirmou: “Daí porque a conversa tem que baixar o nível; porque é o único nível que eles conseguem disputar de fato e de direito, o que eles condenam no Brasil é aquilo que fizemos no Brasil”. Não sei a que Dilma se refere. Eu, por exemplo, condeno no Brasil o mensalão e o petrolão. Sim, os companheiros fizeram isso. Mas não condeno o Bolsa Família, a menos que seja usado como instrumento de chantagem para o voto.

O sentido da fala é claro! Dilma admite, na prática, que baixou o nível contra Aécio, mas diz que a culpa é dele. Eu já escrevi que essa é a lógica essencial do terrorismo. Aqueles celerados do Estado Islâmico, que cortam cabeças, dizem que o responsável por seus atos é, para ficar nos termos de Dilma, o “baixo nível” dos países ocidentais.

E vocês podem esperar que eles tentarão promover a guerra de todos contra todos, inclusive contra o Congresso. Lula sugeriu que um eventual novo governo do PT pode querer enfrentar o Parlamento. Não se esqueçam de que Dilma já afirmou que pretende uma Constituinte exclusiva, com plebiscito, para fazer a reforma política. Disse o ex-presidente. “Você vai ver, presidenta, que o Congresso Nacional eleito agora é um pouco pior que o Congresso Nacional que termina o seu mandato. Pior do ponto de vista ideológico. Foram eleitos mais ruralistas, mais representantes dos empresários, menos gente de vocês”.

Intelectuais e artistas
Da Zona Leste, Dilma seguiu para o Tuca, o teatro da PUC, para um encontro com intelectuais e artistas do PT, onde o PSDB foi acusado de “neoliberal”, entre outras coisas. Santo Deus! Petistas de alto coturno estavam no palco, entre eles, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele explicou que o sorriso no rosto é porque os petistas apareciam na frente na pesquisa Datafolha, mas advertiu que os adversários não iriam jogar fácil a toalha. E terminou assim: “Não passarão!”. Como se vê, o titular da Justiça no Brasil confunde uma disputa eleitoral com uma guerra.

E olhem que Dilma ainda não venceu a eleição. Se vencer, é bom não esquecer, vai ser preciso governar. Será a parte mais difícil.

Texto publicado originalmente às 4h38
Por Reinaldo Azevedo
 

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