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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

26/02/2015

às 21:23

Justiça só acha R$ 10 mil nas contas de Cerveró

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:

A Justiça só encontrou 9.940,21 reais nas contas bancárias brasileiras do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Investigadores suspeitam que ele tenha se antecipado às autoridades e enviado ao exterior milhões de reais obtidos na cobrança de propina durante o período em que trabalhou na estatal. Cerveró teve os bens sequestrados pela 13ª Vara Federal do Paraná para futura devolução aos cofres públicos dos valores desviados da petrolífera. Mas os quase 10 mil reais localizados estão bem longe dos 106 milhões de reais que a Justiça mandou bloquear. A quantia pretendida era equivalente aos 40 milhões de dólares recebidos de suborno por Cerveró como recompensa por favorecer a Samsung Heavy Industries na contratação de sondas, de acordo com a acusação do Ministério Público. Imóveis do ex-diretor também foram sequestrados, incluindo um apartamento de 7,5 milhões de reais cuja aquisição Cerveró tentou esconder utilizando uma offshore uruguaia.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 21:19

Governo suspende o programa “Minha Casa Melhor” para conter gastos

Por Ricardo Della Coletta e Murilo Rodrigues Alves, no Estadão:

Diante do cenário de restrição fiscal, o governo decidiu suspender o programa Minha Casa Melhor, linha de crédito especial para que os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida possam adquirir móveis, eletrodomésticos e eletrônicos a taxas de juros subsidiadas.

Para operar o programa, a Caixa Econômica Federal recebeu do governo uma capitalização de R$ 8 bilhões em junho de 2013. Do valor total, porém, R$ 3 bilhões foram direcionados para os financiamentos do programa – o restante foi usado em outra operação. O Broadcast apurou que esses R$ 3 bilhões foram desembolsados no total de financiamentos que foram concedidos pela Caixa até o fim do ano passado, 18 meses após o lançamento do programa. Não restou ao governo outra alternativa a não ser interromper a distribuição de novos cartões porque não há mais recursos para arcar com o custo financeiro dos juros mais baixos.

“Novas contratações do Minha Casa Melhor estão sendo discutidas no âmbito da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida”, informou a Caixa, em nota. “Os cartões referentes a contratos já realizados continuam operando normalmente”, completou a instituição financeira. Procurado, o Tesouro Nacional informou que somente o banco estatal comentaria o assunto.

Pelo canal oficial de comunicação entre a Caixa e os beneficiários do programa, a atendente afirmou que o Minha Casa Melhor está suspenso desde o dia 20 deste mês. “A Caixa está reavaliando o programa antes de realizar novas contratações no Brasil inteiro”, afirmou.

No lançamento do programa, o governo divulgou que a expectativa era de que 3,7 milhões de famílias fossem beneficiadas, em um total de R$ 18,7 bilhões. O Minha Casa Melhor oferece crédito a juros mais baixos que os praticados no mercado para as famílias atendidas pelo programa Minha Casa Minha Vida comprarem 14 tipos de eletrodomésticos e móveis. Os juros são de 5% ao ano contra 16,5% que o mercado cobra para financiar outros tipos de bens que não automóveis.

Impacto no varejo — O presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Honório Pinheiro, lamentou o “congelamento” do programa e o impacto da decisão para o setor varejista. “O Brasil está diante do desafio de fazer funcionar esse novo modelo econômico imposto pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda)”, afirmou. A CNDL, que representa 1,2 milhão de lojistas, estima que o programa injetou R$ 1,4 bilhão no ano passado. (…)

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 21:15

Corregedoria afasta juiz flagrado dirigindo Porsche de Eike Batista

A corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, decidiu pelo afastamento imediato do juiz Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, das ações criminais em curso contra o empresário Eike Batista. Na terça-feira, conforme adiantou a coluna Radar On-line, do site de VEJA, o juiz foi flagrado dirigindo um Porsche Cayenne que havia sido apreendido na casa de Eike. Na garagem do edifício do juiz, além da Cayenne, estava também uma Range Rover, e na casa de um dos vizinhos havia um piano de cauda apreendido na mansão do ex-bilionário. O despacho da Corregedoria foi publicado no fim da tarde desta quinta.

A Cayenne havia sido apreendida juntamente com pelo menos outros seis carros do empresário, depois que o juiz determinou o bloqueio de 3 bilhões de reais em bens do empresário. Também foram apreendidos uma Lamborghini, um Smart Fortwo e três picapes Toyota Hilux que iriam a leilão nesta quinta. Contudo, depois do episódio envolvendo o juiz, o certame foi suspenso.

Souza, que determinou a apreensão dos bens de Eike Batista, foi visto na terça-feira pela manhã dirigindo o automóvel, um Porsche Cayenne turbo placa DBB 0002, no centro do Rio, próximo à sede do Tribunal Regional Federal.

O juiz se justificou afirmando que levou Porsche Cayenne para a garagem do seu prédio, na Barra da Tijuca, zona Oeste da cidade, por falta de vagas no pátio da Justiça Federal e por causa da lotação do depósito da Polícia Federal. O juiz será alvo de uma sindicância. O processo foi instaurado pela Corregedoria Regional da Justiça Federal da 2ª Região, por determinação do corregedor regional em exercício, desembargador federal José Antonio Lisbôa Neiva. O procedimento vai investigar a conduta do juiz.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 19:09

Juiz não aceita denúncia apresentada por Nisman contra presidente Kirchner

Na VEJA.com:

A Justiça argentina não aceitou nesta quinta-feira a denúncia apresentada pelo procurador-geral Alberto Nisman contra a presidente Cristina Kirchner por encobrimento de terroristas, reporta a imprensa local. O juiz Daniel Rafecas rejeitou abrir investigação sobre as acusações de Nisman, mas o promotor Gerardo Pollicita, que levou a denúncia de Nisman diante, ainda pode recorrer da decisão. “Fica claro que nenhuma das hipóteses de crimes apontadas pelo promotor Pollicita em seu pedido se sustenta minimamente”, escreveu Rafecas em sua decisão.

O juiz considerou que a análise dos elementos “inibe a abertura de um processo penal porque ela não apenas deixa órfão qualquer alusão aos fatos descritos, como uma suposta manobra de encobrimento e /ou obstrução da investigação do atentado contra a Amia, mas, pelo contrário, tais evidências são categoricamente contra o suposto plano criminoso denunciado”. E acrescentou: “Todas as ações alegadas, discussões e negociações que a denúncia atribuiu a pessoas diferentes que não são membros de órgãos públicos – refletidas nas escutas telefônicas -, estão, na melhor das hipóteses, ainda no início da execução que se requere para uma intervenção no âmbito penal”.

“Neste momento, tenho em minhas mãos a decisão do juiz Daniel Rafecas. Eu ainda não comecei a ler os seus fundamentos, mas posso dizer que somos respeitosos com as decisões judiciais. Desde o primeiro momento, a Daia não emitiu qualquer consideração a respeito da denúncia”, disse o presidente da Delegação Argentina de Associações Judaicas (Daia), Julio Slochsser, ao jornal La Nación.

A presidente Cristina Kirchner tinha sido formalmente indiciada em 13 de fevereiro. O promotor federal Gerardo Pollicita analisou as quase 300 páginas do trabalho de investigação realizado por Nisman e considerou que a Justiça devia “iniciar a investigação pertinente com o objetivo de verificar, com base nos elementos de convicção que sejam incorporados (…), a existência do fato e, consequentemente, se o mesmo pode ser penalmente imputado aos responsáveis”.

Outros citados na denúncia de Nisman também foram indiciados por Pollicita: o chanceler Héctor Timerman, o dirigente kirchnerista Luis D’Elia, o deputado Andrés Larroque, Jorge Alejandro “Yussuf” Khalil, Héctor Luis Yrimia, ex-promotor responsável pelo caso da Amia, Fernando Esteche e uma pessoa identificada como Allan, que seria o agente de inteligência Allan Héctor Ramón Bogado.

O procurador-geral Alberto Nisman, que foi encontrado morto em seu apartamento em 18 de janeiro, em circunstâncias duvidosas, acusou Cristina e outros membros do governo de encobertar a ação de terroristas iranianos responsáveis pelo atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em que 85 pessoas foram mortas em 1994.

Investigação – A promotora encarregada da causa sobre a morte de Nisman, Viviana Fein, afirmou nesta quinta que não pode assegurar que a cena do falecimento foi preservada e que mais de um mês depois, ainda é cedo para descatar qualquer hipótese. “Com as medidas periciais que tenho pendentes, é prematuro dizer se o mataram, se ele se suicidou ou se induziram essa morte. Tenho provas concretas, mas falta bastante”, declarou Fein, em entrevista publicada pelo jornal La Nación. Passado mais de um mês da morte de Nisman, Fein disse que não há “nenhuma hipótese concreta” e que a morte do procurador-geral é ainda “uma grande dúvida para todos”.

“Estou esperando as investigações nos telefones, nos computadores, a análise das imagens das câmaras para saber quem entrou ou não ao Le Parc [o condomínio onde vivia Nisman]. Hoje não sei quem entrou e saiu”, detalhou. “A investigação dos telefones e dos computadores é muito importante. É preciso saber o que ocorreu nas últimas horas de Nisman. É preciso abrir sua agenda pessoal, cujo conteúdo ninguém conhece ainda”, acrescentou. Além disso, a promotora indicou que não pode “garantir o que ocorreu dentro do departamento” de Nisman antes de ela chegar ao local.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 19:05

The Economist: Brasil está no atoleiro e Dilma é fraca

capa economist passista

Na VEJA.com:

Pela terceira vez em menos de dois anos, a revista britânica The Economist volta a dedicar sua capa ao Brasil — e, novamente, não é por razões animadoras. Na edição latino-americana que chega às bancas, uma passista de escola de samba está em um pântano coberta de gosma verde com o título ‘O atoleiro do Brasil’. A reportagem que foi veiculada nesta quinta-feira foi produzida por uma equipe de editores e jornalistas da publicação que passou uma temporada no Brasil para tomar pé da situação econômica. Os jornalistas estiveram em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Nas duas últimas capas que a Economist havia feito sobre o país (uma em setembro de 2013 e outra em outubro de 2014), a principal crítica até então recaía sobre a equipe econômica e a presidente Dilma Rousseff, que juntas haviam conseguido minar a credibilidade das contas públicas. Outra crítica recorrente era a política protecionista. Na edição recente, a revista poupa o novo ministro Joaquim Levy — mas não Dilma: “Escapar desse atoleiro seria difícil mesmo para uma grande liderança política. Dilma, no entanto, é fraca. Ela ganhou a eleição por pequena margem e sua base política está se desintegrando”, diz a revista.
Em editorial, a revista se refere ao Brasil como “antiga estrela da América Latina” e afirma que o país vive seu pior momento desde o início da década de 1990, período de instabilidade política, com o impeachment de Fernando Collor, e derrocada econômica, com a hiperinflação. “A economia do Brasil está uma bagunça, com problemas muito maiores do que o governo admite ou investidores parecem perceber”. Além da ameaça de recessão e da alta inflação, a revista cita como grandes problemas o fraco investimento, o escândalo de corrupção na Petrobras e a desvalorização cambial que aumenta a dívida externa em real das empresas brasileiras.
Segundo a publicação, Dilma Rousseff “pintou um quadro cor-de-rosa” sobre o Brasil durante a campanha eleitoral. A revista critica o fato de a presidente ter usado o discurso de que a oposição iria retirar as conquistas adquiridas nos últimos anos, como o aumento da renda e os benefícios sociais. “Apenas dois meses do novo mandato e os brasileiros estão percebendo que foi vendida uma falsa promessa”.
A Economist nota que boa parte dos problemas brasileiros foi gerada pelo próprio governo que adotou uma estratégia de “capitalismo de Estado” no primeiro mandato. Isso gerou fracos resultados nas contas públicas e minou a política industrial e a competitividade, diz. A revista destaca que Dilma Rousseff reconheceu parte desses erros ao convidar Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. “No entanto, o fracasso do Brasil em lidar rapidamente com distorções macroeconômicas deixou o senhor Levy com uma armadilha de recessão”.
Entre as medidas para que o Brasil retome o caminho do crescimento sustentado, a revista diz que “pode ser muito esperar uma reforma das arcaicas leis trabalhistas”. “Mas ela deve pelo menos tentar simplificar os impostos e reduzir a burocracia sem sentido”, diz o texto, ao citar que há sinais de que o Brasil pode se abrir mais ao comércio exterior.
O editorial termina lembrando que o Brasil não é o único dos Brics em apuros. A Rússia está em situação pior ainda. A publicação ainda sugere que ainda é tempo para agir: “Mesmo com todos os seus problemas, o Brasil não está em uma confusão tão grande como a Rússia. O Brasil tem um grande e diversificado setor privado e instituições democráticas robustas. Mas seus problemas podem ir mais fundo do que muitos imaginam. O tempo para reagir é agora”.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 16:41

Governo decide multar e aciona PF contra caminhoneiros

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Sem conseguir negociar com os caminhoneiros que bloqueiam estradas do país em diversos estados, o governo determinou que a Polícia Rodoviária Federal multe os motoristas parados nas rodovias. Além de notificá-los pela infração de trânsito, a decisão tem um objetivo mais importante: identificar os líderes do movimento grevista e, assim, permitir a aplicação de multas por desobediência às ordens judiciais que exigem a desobstrução das vias. Nesse caso, o valor a ser pago varia de 5 000 a 10 000 reais por hora.

A medida anunciada pelo ministro da Justiça, José E duardo Cardozo, foi a solução encontrada pelo governo para permitir a punição dos grevistas, já que não há um sindicato ou entidade juridicamente constituída a ser responsabilizada pelo movimento. “O governo agirá firmemente no cumprimento da lei e das determinações judiciais”, disse Cardozo.

O Executivo também determinou que a Polícia Federal abra inquérito para investigar a prática de crimes por participantes do movimento – entre eles, o de obstrução ao trânsito de outros veículos.

O último dado da Polícia Rodoviária Federal é que existem 97 pontos de bloqueio em sete estados.

O ministro da Justiça explicou que o governo negociou com os representantes constituídos da categoria, apesar de integrantes do movimento afirmarem que os sindicatos não os representam. “O governo reitera que a proposta que foi apresentada foi aceita pela maior parte dos trabalhadores”, disse ele.

No início da tarde, três representantes do movimento dos caminhoneiros protocolaram um pedido de audiência com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto. Entre eles, está Ivar Schmidt, que esteve com o ministro nesta quarta e rejeitou a proposta do governo. O grupo pede uma redução, ainda que temporária, no valor do óleo diesel.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 16:10

O que disse Cardozo a Janot? Descobri! “Perigo, perigo, perigo…”

Ah, sim!

Um dos assuntos da conversa, fora da agenda de ambos, do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com Rodrigo Janot, procurador-geral da República, teria sido a segurança pessoal do chefe do Ministério Público.

O ministro disse a Janot que a área de Inteligência do governo — que oximoro delicioso esse! — teria detectado que cresceu a ameaça à sua segurança.

Que coisa, né? Isso não poderia ter sido dito por telefone ou por ofício? Cardozo não foi a Janot para levar essa grave informação: Janot é que foi ao gabinete de Cardozo.

Mais: como não é uma questão privada — afinal, trata-se de ameaça à integridade do procurador-geral —, reza o bom senso que isso deveria ter sido tratado publicamente, não num encontro que pretendia ser secreto.

“Ah, informação dessa natureza não pode ser tornada pública.” Não??? E como é que ela vazou agora? Só se conhece o conteúdo de uma conversa secreta entre duas pessoas se ao menos uma delas sair falando por aí.

A propósito: no encontro com Cardozo, Janot voltou a dar graças a Deus por não ter encontrado nada contra Lula e Dilma?

A comédia involuntária brasileira é bem mais grave do que nossas eventuais tragédias.

Entendi, a exemplo do robô de “Perdidos no Espaço” (como já sou antigo), Cardozo chamou Janot para dizer: “Perigo, perigo, perigo…”.

 

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 15:37

É para você, leitor! E só para você! O que se noticiou aqui num domingo e o que está em toda parte nesta quinta. Ou: A dupla Cardozo-Janot e a natureza do jogo

Caros leitores,

Este blog foi criado em junho de 2006, depois que a política — a informal, claro! — do PT ajudou a fechar a revista “Primeira Leitura”. A intenção dos companheiros era me tirar no debate. Contribuíram, na prática, para ampliar a minha voz. ELES CONTINUAM SE ESFORÇANDO ATÉ HOJE PARA QUE OS MEUS PATRÕES ME DEEM UM PÉ NA BUNDA. Não gostam de mim, e, quanto a esse particular, não posso censurá-los. Inaceitável é que usem instrumentos de pressão do Estado para silenciar aqueles de que discordam.

Nesses anos, vi muita coisa, passei por muita coisa. Um período difícil foi a Operação Satiagraha, estrelada por um tal delegado Protógenes, que depois virou deputado pelo PCdoB, para sumir na poeira do tempo. Havia naquilo uma formidável coleção de ilegalidades e fantasias. No fim das contas, Daniel Dantas, que nunca foi santo, era só personagem da guerra de facções do PT. Se alguém se atrevia a apontar a verdade, era logo tachado de “agente do Dantas”. O banqueiro acabou se entendendo com os petistas, e os companheiros não quiseram mais saber dele. Sim, eu e outros tantos fomos acusados de estar a serviço do banqueiro. Nunca estive com ele. Nunca falei com ele. Não sei o que pensa e o que quer. Tampouco me interessa.

Desqualificar o trabalho alheio é a mais fácil de todas as tarefas.

No domingo — sim, no domingo —, concluí uma apuração que havia iniciado na terça-feira da semana anterior e escrevi um post depois de obter a terceira confirmação inequívoca de um fato, que sintetizei (ou espichei; meus títulos costumam ser enormes) neste título: “A NATUREZA DO JOGO 2 –  A FRASE PERTURBADORA DE JANOT E SUAS CONVERSAS FREQUENTES COM CARDOZO. OU: DENÚNCIA DO MP VAI OU NÃO REVELAR O VERDADEIRO CRIME, JÁ CONFESSADO POR PAULO OKAMOTTO, O FAZ-TUDO DE LULA?”

JANOT CARDOZO

Fui severamente atacado nos comentários por alguns leitores. Como tenho afirmado aqui que as coisas caminham para que empreiteiros tenham penas severas e políticos, uma vez mais, saiam livres, leves e soltos, alguns tolos resolveram me acusar de estar a serviço dos companheiros do concreto armado — os mesmos que, ao longo de 13 anos, têm financiado largamente os petistas. Mas não só eles: também os banqueiros, os industriais, os comerciantes… O PT é hoje um conglomerado de interesses privados que só tem um adversário: o povo que trabalha e arrecada impostos.

Pois bem. Leio, agora, na Folha, o seguinte título:

Janot cardozo folha

 No texto, Vera Maglhães e Bruno Boghossiam informam:
“O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o procurador-geral da Republica, Rodrigo Janot, se reuniram na noite desta quarta-feira (25) no gabinete da PGR. O encontro não constou da agenda de nenhuma das duas autoridades. A reunião ocorreu às vésperas da apresentação, por Janot, da denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra políticos no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras.”

Aí volto ao meu texto de domingo.

Lá eu informo que Cardozo anda se encontrando com Janot:
janot cardozo 4

Lá eu afirmo que Janot não pode estar preocupado em administrar a denúncia para amenizar a crise política:

 janot cardozo 2

Lá eu informo que Janot deu graças a Deus por, segundo ele, não ter encontrado nada contra Lula e Dilma:.

 janot cardozo 4

Lá eu informo a possibilidade de triunfar a mentira escandalosa de o petrolão ser considerado apenas mais um esquema de assalto aos cofres públicos, eliminando-lhe o caráter político, que diz respeito a uma forma de conquista do Estado.

 Janot cardozo 6

Os que cometeram crimes que paguem, respeitado o devido processo legal, sejam políticos, empreiteiros, açougueiros, sei lá o quê. Não conheço empreiteiros. Não sou nem nunca fui amigo de nenhum deles. Vou continuar a fazer o meu trabalho. Sempre que eu achar que o estado de direito está sendo agredido — e pouco me importa se o objeto dessa agressão é um santo ou um canalha —, vou continuar a denunciar, a manifestar meu inconformismo. O estado de direito existe para freiras e para putas. Para inocentes e para culpados. O que não é certo é tomar a freira por puta e a puta por freira. Aí não! Não entender isso corresponde a ignorar um princípio fundamental da civilização. Não entender isso é ser um súdito moral do Estado Islâmico.

Os que vieram aqui me atacar anunciando que não vão mais ler o blog, em razão do post sobre Janot ou de outro qualquer, me farão um grande favor se não voltarem. Outros insatisfeitos podem e devem fazer a mesma coisa. Sugiro que usem o meu critério: ou leio coisas que me dão prazer ou que, mesmo desagradáveis, são úteis ao meu trabalho. Se o blog nem dá prazer nem é útil, pra que perder tempo comigo?

Escrevo o que apuro, escrevo o que penso, escrevo o que acho certo. Durante a Operação Satiagraha, as “vanguardas do não” eram mais poderosas do que agora. E não me fizeram mudar de ideia. Procuravam jogar na lama o nome de pessoas decentes, que só se ocupavam de fazer o seu trabalho.

Para encerrar
O Ministério Público vai ou não fazer o acordo de delação premiada com Ricardo Pessoa? Ele tem como evidenciar que doou R$ 30 milhões clandestinamente ao PT, R$ 10 milhões dos quais para a campanha de Dilma Rousseff. Janot está ou não interessado no que ele tem a dizer? Até quando a prisão preventiva de Pessoa — e dos demais empreiteiros — será usada como instrumento de pressão para esconder a verdadeira natureza do jogo e para provar uma tese que livra a cara dos petistas?

Não gostou do que leu, leitor? Vá embora daqui! Vá procurar o que o faz feliz. Não gostou, mas considera útil a seu trabalho e a seu pensamento? Aí é com você.

Continuarei a dizer o que penso. E a tratar da natureza do jogo.

Obrigado!

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 14:05

Comissão de Ética pede explicações a Cardozo pela 2ª vez em 15 meses

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República resolveu cobrar explicações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Quer que ele diga a natureza das conversas que andou mantendo com advogados de empreiteiras. Recebidas as explicações, a comissão pode pôr um ponto final na sua curiosidade ou continuar apurando. O máximo que pode fazer é recomendar a sua demissão.

É claro que não vai acontecer. A tendência é que o grupo se dê por satisfeito. Afinal, que mal há em um ministro da Justiça, como revelou VEJA, atuar para impedir que um empreiteiro faça delação premiada, garantindo a seu advogado que a oposição também será tragada pela Lava-Jato e oferecendo, como bônus, a certeza de que Lula vai entrar na parada?

Aliás, é a segunda vez que a Comissão de Ética Pública da Presidência cobra explicações deste senhor. A outra, em dezembro de 2013, estava relacionada à sua atuação heterodoxa junto ao Cade, na investigação do cartel de trens em São Paulo.

Deve haver algum motivo para Cardozo atrair tanto o interesse da Comissão de Ética. E olhem que a independência não chega a ser, assim, o forte da dita-cuja.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 13:01

Haddad e o truque sujo com as criancinhas

O prefeito Fernando Haddad é mesmo um portento. Na campanha eleitoral, ele prometeu zerar a demanda por creche em São Paulo. No terceiro ano de sua gestão, a fila de espera nunca foi tão grande: 188 mil crianças. Ele tem uma desculpa: segundo diz, a fila aumenta porque ele está ampliando o serviço, entenderam? Assim, a gente deve concluir que, quanto mais eficiente ele for, mais a fila vai aumentar. Santo Deus!!! Mas calma que o melhor está por vir.

Como informa Fábio Takahashi, na Folha de hoje, o ciclofaixista deu um jeito para diminuir o déficit de vagas. Sabem como? Resolveu fazer com que as crianças pulassem uma etapa. Assim, elas podem ser acomodadas em séries que permitem um maior número de alunos em sala.

Haddad é um mágico. Aumentou em 10% o número de crianças atendidas, mas só em 6% o de vagas. O inconveniente é que os professores estão tendo de lidar com crianças com menos de dois anos na mesma sala em que há outras de três. Pais e mães sabem a diferença brutal que existe entre essas duas idades. Bebês com menos de dois anos ainda não tiraram a fralda, por exemplo. Deveriam estar acomodadas em salas com, no máximo, 12 crianças. Estão sendo enviadas para as que comportam 24.

É evidente que se trata de um truque sujo. Uma diretora de escola da Zona Sul reclama: “Elas [as crianças] deveriam ter sido desfraldadas. Agora, estão com crianças grandes, em salas sem fraldários”.

Eis aí do que é capaz este gênio da raça.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 12:01

PMDB ignora Dilma e o PT no horário político

Vai ao ar nesta quinta o horário político de 10 minutos do PMDB. O lema que resume o espírito do programa é “O Brasil é a nossa escolha”. Embora seis ministros da legenda — Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura), Edinho Araújo (Portos), Helder Barbalho (Pesca), Eliseu Padilha (Aviação Civil) e Vinicius Lages (Turismo) — façam alusão a programas em curso, a presidente Dilma Rousseff e o PT são ignorados. Ou nem tanto. Como informa a Folha, logo na abertura, um narrador diz que “não serão as estrelas” que guiarão o partido e o país, as escolhas é que apontarão um caminho. Ninguém precisa ser muito bidu para lembrar que a estrela é o símbolo do PT.

Que o partido esteja descontente com o governo, isso é evidente. Na terça-feira, Michel Temer telefonou para Dilma e avisou que estava difícil conter a rebelião. “Certo”, dirão alguns, “mas nada que não se resolva com cargos.” Pode ser. Parece, no entanto, haver certa disposição para o descolamento. Há uma possibilidade de que o PMDB comece a se organizar para disputar a Presidência, não mais como vice de alguém. Aonde quer que vá, quando indagado a respeito, Eduardo Cunha, presidente da Câmara, responde: “Time que não disputa não tem torcida”.

No programa, aliás, Cunha fará a defesa da reforma política. A que está em tramitação na Câmara é repudiada pelos petistas, mas terá o endosso de Temer. O vice-presidente dirá ainda que as investigações na Petrobras não podem paralisar o país e reforçará o compromisso do partido com a liberdade de expressão. Como é sabido, os petistas pressionam Dilma a fazer a tal “regulação da mídia” — já repudiada por Cunha, ainda que seja a tal “regulação econômica” de que fala a presidente, cujo sentido ninguém conhece.

O PMDB parece buscar, assim, se descolar do PT e dos aspectos mais deletérios do governo. Nos bastidores, a companheirada já reclamou. Ocorre que, hoje em dia, os aliados já não dão mais bola quando petistas protestam. 

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 6:49

LEIAM ABAIXO

Luciano Coutinho adota o Paradigma Saddam Hussein, de Lula, e quer evitar a todo custo a CPI do BNDES. Diz temer uma derrocada semelhante à da Petrobras. É mesmo? Se isso acontecesse, seria por excesso de virtude?;
Cunha derrota Kassab e Dilma, e ministro talvez não entre no Guinness;
Youssef pretende desvelar, em novo depoimento, a real natureza do jogo: tratava-se de servir a um esquema de poder; o centro do petrolão está na política. É coisa dos “marginais do poder”;
Governo e sindicatos de caminhoneiros chegam a acordo. Mas eles não comandam o movimento;
Líder de caminhoneiros ataca governo e descarta proposta;
Swissleaks: Receita obtém lista com nomes de 342 brasileiros;
Governo propõe a caminhoneiros segurar preço do diesel por seis meses;
Dez motivos para o impeachment de Dilma no “Financial Times”;
Cuidado, leitor, para não se tornar inocente útil do PT sob o pretexto de ser muito rigoroso!;
Justiça aceita denúncia contra Cerveró por lavagem de dinheiro;
O que penso sobre a hostilidade a Mantega e sua mulher num hospital. Ou: Sobre conteúdo e métodos;
Dilma, a anti-Sócrates, a Moody’s e a Teoria do Conhecimento;
Ações da Petrobras despencam após rebaixamento pela Moody’s;
— Enquanto Lula vomitava sobre a Petrobras, a história do Brasil e a democracia — fazendo, inclusive, a defesa de Saddam Hussein (!!!) —, Moody’s rebaixava a nota da estatal; agora, ela está no grau especulativo; ações devem voltar a derreter nesta quarta. Eis o legado do fanfarrão, que estava cercado por milicianos;
— Milicianos petistas partem pra porrada. Ou: Lula é um irresponsável. Lula é um aproveitador. Lula é um oportunista. Lula é um vampiro da institucionalidade. Lula é sanguessuga na nacionalidade. Ou: Marilena Chaui sentiu prazer ao ver o povo apanhando?;
— Discípulos morais de Marilena Chaui ensinam como devem ser tratados os coxinhas golpistas;
— Janot, os pedidos de abertura de inquérito e a denúncia… É preciso cuidado para que o braço político do crime não se dê bem de novo!

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 4:28

Luciano Coutinho adota o Paradigma Saddam Hussein, de Lula, e quer evitar a todo custo a CPI do BNDES. Diz temer uma derrocada semelhante à da Petrobras. É mesmo? Se isso acontecesse, seria por excesso de virtude?

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ora vejam, está se movimentando freneticamente nos bastidores, informa reportagem da Folha, para tentar impedir que se instale uma CPI para investigar contratos de financiamento do banco feitos durante a gestão petista. Segundo apurou o jornal, ele falou com pelos menos três senadores. Uma das alegações é que a investigação poderia prejudicar operações sigilosas do banco. A outra é que a instituição poderia ser colhida por uma onda de descrédito, a exemplo do que ocorreu com a Petrobras.

Eu até poderia compreender as preocupações do presidente do BNDES, não fosse a sua argumentação tão ruim. Vamos lá. É possível resguardar o sigilo de determinados documentos e operações, desde que não se trate de ilícitos e que se esteja protegendo o interesse nacional. As operações que o doutor pretende que fiquem distantes dos nossos olhos são dessa natureza? Ou o BNDES, agora, virou o braço financeiro da Abin (Agência Brasileira de Inteligência)?

E não fica bem, obviamente, acenar com o fantasma da derrocada da Petrobras para tentar impedir que uma CPI apure as operações feitas pelo BNDES. Afinal, a estatal está na lona porque se descobriu que estava entregue a uma quadrilha, que atuava em favor de um esquema político, gerenciado pelo PT, com benefícios também a outras legendas.

O temor de Coutinho certamente não está a indicar que quadrilha semelhante atue no BNDES, pois não? Eu nem sou adepto da frase “quem não deve não teme”. Em processos de investigação, marcados, muitas vezes, por vazamentos, irresponsabilidades, populismo, demagogia, quem não deve, a depender do caso, tem, sim, de temer. Coutinho que trate, então, de melhorar a sua argumentação.

O presidente do BNDES deveria ser mais prudente. Segundo o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, a oito dias do segundo turno — quando a empreiteira buscava dinheiro no banco para obras no aeroporto de Viracopos, em Campinas — foi Coutinho quem anunciou que ele, Pessoa, seria procurado por Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma. O presidente do BNDES nega a conversa.

Ah, sim: o requerimento da oposição para a criação da CPI do BNDES cita empréstimos para empreendimentos, considerados sigilosos, em Cuba, na Venezuela, no Equador e em Angola. O documento pede ainda para que se apurem empréstimos no Brasil para a JBS e a Sete Brasil. Coutinho, pelo visto, acha que essas coisas não nos dizem respeito. Prefere que a gente se mantenha longe disso. Ou, prevê ele, o BNDES também vai para o buraco.

É mesmo? Tomara que não! Mas, se fosse, certamente não seria por excesso de virtudes. É bem verdade que Lula já deu a linha moral desse tipo de raciocínio, não é mesmo? Falando a seus milicianos, ele lembrou que o Iraque vivia em paz no tempo de Saddam Hussein. Uma paz de quase meio milhão de homicídios, claro! É isso! A turma do Saddam Hussein brasileiro não quer que a gente saiba o que se fez com os muitos bilhões do BNDES.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 3:34

Cunha derrota Kassab e Dilma, e ministro talvez não entre no Guinness

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aplicou mais uma derrota às pretensões do Palácio do Planalto. Uma boa derrota, note-se. Por votação simbólica, a Casa aprovou o projeto do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que cria uma carência de cinco anos para que uma legenda possa se fundir a outras. Mas não e só isso. A proposta proíbe também que um novo partido seja aquinhoado com o tempo de TV e a fatia do Fundo Partidário correspondente aos parlamentares que mudarem para a nova sigla. O texto segue para o Senado, onde não deve enfrentar resistências.

A mudança atinge em cheio as pretensões de Gilberto Kassab (PSD), ministro das Cidades. Ele vem se movimentando freneticamente nos bastidores para criar o PL (Partido Liberal). Com a legislação ora em vigor, seria mel na sopa. O PL abrigaria parlamentares das mais diversas siglas — mas ele está de olho, mesmo, é no PMDB —, levaria tempo de TV e verba e, uma vez constituído, haveria a fusão com o PSD. Kassab sonha em ter um PMDB para chamar de seu. A pretensão não era pequena, não! Ele queria formar o maior partido da Câmara.

O texto aprovado, depois de receber emendas, acabou ficando até mais duro do que o original. Segundo a lei atual, é preciso que o correspondente a 0,5% do eleitorado que votou na eleição anterior para a Câmara apoie a criação de nova legenda. Hoje, isso significa 500 mil assinaturas. Pois bem: na proposta ora aprovada na Casa, essas pessoas não poderão ter filiação partidária. As mudanças também podem trazer dificuldades para a Rede, de Marina Silva.

O que eu acho do texto? Apoio integralmente. Não deixa de ser uma piada que o governo que diz querer fazer a reforma política se lance, ao mesmo tempo, numa patuscada  que incentiva o troca-troca partidário de maneira desavergonhada. De resto, vamos torcer para Kassab entrar para o livro dos recordes como, deixem-me ver, o político que mais contribuiu para tirar brasileiros de áreas de risco. Que tal? Ficaria bem a um ministro das Cidades. E seria um ganho aos brasileiros. O que não ficaria bem seria entrar para o Guinness como o maior criador de partidos do mundo, não é? Não parece sério. E não é sério.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 2:41

Governo e sindicatos de caminhoneiros chegam a acordo. Mas eles não comandam o movimento

Na VEJA.com:
O governo e representantes de sindicatos e associações de caminhoneiros chegaram a um acordo na noite desta quarta-feira para tentar encerrar os bloqueios nas estradas em todo o país. Os representantes da categoria presentes na reunião em Brasília aceitaram a proposta apresentada pelo governo, que não contempla as duas principais demandas dos grevistas: a redução no preço do diesel e o estabelecimento de um valor mínimo para o frete.

O acordo, no entanto, não garante o fim dos bloqueios, já que o movimento não é liderado por sindicatos. Com influência em mais de cem pontos de paralisação, o Comando Nacional do Transporte não aceitou a oferta do governo e prometeu continuar com a greve. “Nós estamos com lucro zero, aí o governo nos propõe de ficar tendo lucro zero mais seis meses. Eu acho que eles não regulam certo da cabeça. Devem estar com problema. Infelizmente não teve acordo, nós não aceitamos a proposta”, declarou Ivar Schmidt, o principal porta-voz da entidade, ao site de VEJA. Ivar, que dialoga com os representantes regionais do movimento pelo Whatsapp, disse qual foi a orientação enviada aos colegas na noite de quarta: “O recado é claríssimo: o movimento continua.”

Proposta
A proposta do governo aceita pelos sindicatos prevê o congelamento do preço do diesel pelos próximos seis meses, além de duas outras garantias: a primeira é uma carência de 12 meses para os caminhoneiros autônomos ou microempresas que tenham adquirido caminhões por meio de dois programas do governo, o Finame e o Procaminhoneiro. A segunda é a sanção integral da Lei do Caminhoneiro, aprovada pelo Congresso neste mês. A medida atualiza as regras sobre carga de trabalho, horas de descanso e pagamento de pedágios pelos caminhoneiros.

Um dos representantes da categoria que participou da reunião, o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, pediu o fim da greve. “Diante da gravidade que se encontra o país neste momento, nós pedimos a sensibilidade dos caminhoneiros de liberar as rodovias pelas conquistas que tiveram aqui”, disse ele. Apesar da exigência do ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, de que o acordo só será cumprido quando as estradas forem liberadas, Diumar deixou claro que não poderia “garantir que a greve vai acabar”.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 23:45

Líder de caminhoneiros ataca governo e descarta proposta

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O caminhoneiro Ivar Schmidt é o principal porta-voz do Comando Nacional do Transporte, uma entidade sem personalidade jurídica que tem causado dor de cabeça tanto ao governo quanto aos sindicatos que deveriam representar a categoria. Líder do movimento que paralisa estradas em todo o país, ele conversou com a reportagem do site VEJA na noite desta quarta-feira. Minutos antes, Ivar havia deixado uma reunião infrutífera com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, que tomou a frente das negociações sobre o tema.

A audiência só ocorreu por insistência de Ivar. Durante o dia, Rossetto priorizara o diálogo com os sindicatos de caminhoneiros – embora a paralisação tenha sido articulada sem a participação de entidades de classe. O diálogo entre os representantes regionais do movimento se dá por meio das redes sociais e principalmente pelo aplicativo de celular Whatsapp, que permite a troca instantânea de mensagens. Foi por meio do programa que, na noite desta quarta-feira, Ivar orientou os colegas a manterem o bloqueio. Confira a entrevista:

Como foi a reunião com o ministro Miguel Rossetto? 
Desde ontem o pessoal do governo tenta me desqualificar como representante do movimento. Hoje a gente participou da reunião, o governo expôs alguns absurdos e no meio dessa reunião tentaram me desqualificar novamente. Eu me retirei da reunião, porque a gente não concorda com aquilo que foi exposto. Aí me levaram para outra sala, falamos com o Robinson Almeida, do gabinete do ministro, e ele expôs as mesmas ideias.

Ele disse que não reconhecia a sua liderança?
Isso.

O que o senhor achou da proposta do governo?
Isso é um absurdo. Nós estamos com lucro zero, aí o governo nos propõe de ficar tendo lucro zero mais seis meses. Eu acho que eles não regulam certo da cabeça. Devem estar com problema. Infelizmente não teve acordo, nós não aceitamos a proposta.

Quantos são os pontos de bloqueio hoje?
São 128 pontos de bloqueio, em nove estados.

O senhor tem influência sobre quantos desses pontos?
Cerca de cem. Eu acho que hoje deve ter aumentado, porque a gente criou um grupo de Whatsapp para todos os líderes e eles foram adicionando outros colegas.

Esse episódio mostra que os sindicatos perderam o poder de representatividade?
Com certeza. O nosso movimento abomina sindicato, associação, federação, confederação. E esses segmentos tentaram nos representar nas últimas décadas e nunca resolveram nosso problemas. Então, a gente está aqui. Vou ficar em Brasília até resolver isso.

Há alguma reunião marcada para esta quinta-feira?
O secretário do ministro ficou de nos telefonar para marcar uma reunião.

Qual foi o recado que o senhor passou aos colegas pelo Whatsapp depois do encontro com o ministro?
O recado é claríssimo: o movimento continua.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 23:37

Swissleaks: Receita obtém lista com nomes de 342 brasileiros

Na VEJA.com:
A Receita Federal informou nesta quarta-feira que teve acesso a uma lista com 342 nomes de brasileiros que supostamente possuem contas bancárias na subsidiária do HSBC na Suíça, objeto da investigação conhecida como Swissleaks. Em nota, o Fisco afirma que a lista traz informações relevantes para a identificação de eventuais indícios da prática de ilícitos tributários.

“A Receita Federal busca agora a obtenção de mais elementos que comprovem integralmente a autenticidade das informações. As ações em andamento estão articuladas com outros órgãos de prevenção e combate aos crimes de lavagem de dinheiro, como o Coaf e o Banco Central”, diz a Receita. Segundo a nota, já estão em andamento as medidas de cooperação internacional necessárias para obter junto a autoridades europeias a lista oficial e integral dos contribuintes brasileiros com contas bancárias na subsidiária do banco.

No último dia 13 de fevereiro, o Fisco já havia informado que iria investigar eventuais irregularidades de contribuintes brasileiros com conta no HSBC da Suíça. As suspeitas são de omissão ou incompatibilidade de informações prestadas ao Fisco brasileiro. A investigação foi motivada pelas informações divulgadas pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo, apontando a existência de 6,6 mil contas bancárias abertas no HSBC na Suíça, no período de 1988 a 2006, relacionadas a 4,8 mil cidadãos brasileiros. O saldo em 2006 e 2007 totalizaria 7 bilhões de dólares.

Questionado no início desta semana pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre o procedimento na abertura das contas, o banco enviou uma resposta oficial indicando reconhecer problemas nos controles sobre a origem do dinheiro no passado. Garantiu, contudo, que desde 2007 “tomou passos significativos para implementar reformas e expulsar clientes que não atendiam aos padrões HSBC”. Segundo o banco, como resultado disso, a instituição na Suíça perdeu quase 70% de seus clientes desde 2007.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 22:53

Governo propõe a caminhoneiros segurar preço do diesel por seis meses

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Ainda voltarei ao assunto.
O governo apresentou na noite desta quarta-feira sua proposta para os caminhoneiros que estão bloqueando estradas em todo o país. A oferta não contempla as duas principais demandas dos grevistas: a redução no preço do diesel e o estabelecimento de um valor mínimo para o frete.

O Planalto informou que o diesel não deve sofrer novos aumentos pelos próximos seis meses e ofereceu apenas outras duas garantias: a primeira é uma carência de 12 meses para os caminhoneiros autônomos ou microempresas que tenham adquirido caminhões por meio de dois programas do governo, o Finame e o Procaminhoneiro. A segunda é a sanção integral da Lei do Caminhoneiro, aprovada pelo Congresso neste mês. A medida atualiza as regras sobre carga de trabalho, horas de descanso e pagamento de pedágios pelos caminhoneiros.

O governo também se comprometeu a criar uma mesa de negociação com a participação de motoristas de caminhão, empresários e representantes do poder público. O principal objetivo do grupo seria elaborar uma tabela de preços para balizar o valor do frete. 

O Executivo condicionou as propostas à interrupção imediatada da paralisação, mas ainda não obteve uma resposta da categoria. “Essas propostas serão mantidas na medida em que houver a suspensão do movimento”, disse o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, em entrevista coletiva concedida na noite desta quarta. O Executivo aguarda a resposta dos caminhoneiros.

Um dos prolemas da negociação é que a mobilização não foi organizada por nenhum sindicato ou associação legalmente constituídos: a articulação dos caminhoneiros se deu aos poucos, inclusive com o uso de redes sociais. Por isso, os sindicalistas recebidos por representantes do Executivo nesta quarta-feira disseram que não poderiam dar garantias em nome dos motoristas de caminhões.

Por outro lado, o motorista Ivar Schmidt, que não é vinculado a sindicatos mas lidera uma associação de caminhoneiros com influência direta sobre a maioria dos pontos de bloqueio, não participou das reuniões desta quarta-feira. O gabinete de Rossetto chegou a informar que Schmidt seria recebido pelo ministro em separado, no fim do dia, mas a informação foi negada na entrevista coletiva concedida pelo próprio chefe da Secretaria-Geral da Presidência: “Desconheço esse tema”, disse ele. Mais cedo, o caminhoneiro havia dito que somente uma redução imediata no preço do diesel poderia levar ao fim da paralisação.    

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 21:18

Youssef pretende desvelar, em novo depoimento, a real natureza do jogo: tratava-se de servir a um esquema de poder; o centro do petrolão está na política. É coisa dos “marginais do poder”  

Alberto Youssef pode atrapalhar uma pizza bastante sofisticada que alguns estão tentando assar na Operação Lava-Jato. Ele pode agir assim por precisão, não por boniteza, como o sapo do Guimarães Rosa, mas isso não tem a menor importância. O que interessa é que se revele, já escrevi aqui tantas vezes, a natureza do jogo. Por que isso?

Youssef entrou com um pedido na Justiça para prestar um novo depoimento. Ele quer ser ouvido outra vez pelo juiz Sérgio Moro em um dos processos de que é réu, acusado de ter participado de uma organização criminosa para tirar do país R$ 444,6 milhões. A ação aguardava a homologação da delação premiada.

Aquele que é considerado peça central nas investigações da Lava-Jato deverá deixar claro — desta feita, mais do que nunca — que atuou a serviço de uma engrenagem, de uma organização de poder. Youssef pretende demonstrar como esse esquema não dependia nem mesmo de pessoas; se uma saísse, outra poderia entrar no lugar sem mudar a, escrevo de novo a expressão, “natureza do jogo”.

Youssef julga ter conhecimento e experiência o bastante para afirmar que as três últimas eleições presidenciais foram marcadas por um forte desequilíbrio econômico em razão do poder que essa “máquina” exercia. Tudo indica que o braço político do escândalo do mensalão não vai gostar do que ele tem a dizer.

Lembro aqui trechos de voto proferido pelo ministro Celso de Mell0 no julgamento do mensalão, na sessão do dia 1º de outubro de 2012. Leiam com atenção. Volto em seguida.

“Quero registrar, neste ponto, Senhor Presidente, tal como salientei em voto anteriormente proferido neste Egrégio Plenário, que o ato de corrupção constitui um gesto de perversão da ética do poder e da ordem jurídica, cuja observância se impõe a todos os cidadãos desta República que não tolera o poder que corrompe nem admite o poder que se deixa corromper. Quem transgride tais mandamentos, não importando a sua posição estamental, se patrícios ou plebeus, governantes ou governados, expõe-se à severidade das leis penais e, por tais atos, o corruptor e o corrupto devem ser punidos, exemplarmente, na forma da lei.
Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental de interesses governamentais e de desígnios pessoais.
(…)
Esses vergonhosos atos de corrupção parlamentar, profundamente lesivos à dignidade do ofício legislativo e à respeitabilidade do Congresso Nacional, alimentados por transações obscuras idealizadas e implementadas em altas esferas governamentais, com o objetivo de fortalecer a base de apoio político e de sustentação legislativa no Parlamento brasileiro, devem ser condenados e punidos com o peso e o rigor das leis desta República, porque significam tentativa imoral e ilícita de manipular, criminosamente, à margem do sistema constitucional, o processo democrático, comprometendo-lhe a integridade, conspurcando-lhe a pureza e suprimindo-lhe os índices essenciais de legitimidade, que representam atributos necessários para justificar a prática honesta e o exercício regular do poder aos olhos dos cidadãos desta Nação.
Esse quadro de anomalia, Senhor Presidente, revela as gravíssimas consequências que derivam dessa aliança profana, desse gesto infiel e indigno de agentes corruptores, públicos e privados, e de parlamentares corruptos, em comportamentos criminosos, devidamente comprovados, que só fazem desqualificar e desautorizar, perante as leis criminais do País, a atuação desses marginais do Poder.”

Retomo
Alberto Youssef deve depor de novo. E se espera, com delação premiada, que apresente as evidências de que, mais uma vez, os “marginais” atuaram no “controle do aparelho de estado, transformando a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder”.

É essa a natureza do jogo, sem que se deixem de considerar os demais crimes, cometidos pelos agentes não políticos.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2015

às 17:57

Dez motivos para o impeachment de Dilma no “Financial Times”

Em artigo, jornal britânico aponta o que considera os 10 motivos que podem levar Dilma ao impeachment. São eles:

  1. Perda de apoio no Congresso
  2. Escândalo da Petrobras
  3. Queda na confiança do consumidor
  4. Aumento da inflação
  5. Aumento do desemprego
  6. Queda na confiança do investidor
  7. Déficit orçamentário
  8. Problemas econômicos no geral
  9. Falta d’água
  10. Possíveis apagões elétricos
Por Reinaldo Azevedo
 

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