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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

23/05/2015

às 0:06

Chico Buarque, o guri que se fez o idiota político de Sérgio, faz proselitismo sobre a maioridade penal, chafurdando no sangue de inocentes!

Chico, o burguês da morte alheia, resolve adotar mais uma causa...

Chico Buarque, o burguês da morte alheia, resolve adotar mais uma causa…

Chico Buarque, o velhote de anteontem que pretende ser o eterno guri do pensamento politicamente correto, decidiu posar com uma camiseta contra a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos (foto).

Pfui…

Já foi o tempo em que essa gente ditava a pauta. Hoje, no máximo, faz a cabeça dos que fazem um jornalismo que está fechando as portas porque decidiu virar as costas para a maioria do povo brasileiro.

Eu já me sinto meio velho e passadito até mesmo ao criticá-lo. Chico Buarque, parafraseando um amigo dele, quer “matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem”.

Em música, é bom. Em literatura, é uma piada. Em política, é patético.

Eu poderia ser simplista e dizer que é fácil viver em segurança em Paris — média de menos de um homicídio por 100 mil habitantes; no Rio, 33!!! — e ser contra a maioridade penal aos 16 no Brasil. A propósito: em terras francesas, onde mora o burguesote da morte alheia, um assassino pode ser responsabilizado já a partir dos 13 anos — ainda que não seja punido como adulto. Dos 16 aos 18, punir ou não como adulto fica por conta do juiz.

Esse idiota político resolve comer croissant lá para chafurdar no sangue da impunidade aqui. Sérgio Buarque — este, sim, um intelectual, ainda que de esquerda — não se orgulharia da irresponsabilidade do filhote. “Olha aí, é o meu guri, olha aí…”

Mas eu evito a crítica fácil do burguesote deslumbrado. Parece ressentimento; sempre sobra a suspeita de que eu gostaria de estar no lugar dele; de fazer as boas músicas que ele JÁ FEZ ou de escrever os péssimos romances que escreve, com a crítica sempre de quatro para suas facilidades literárias. Ele não sabe nem o que é o paralelismo sintático num período. É de dar vergonha.

Então deixo isso pra lá. A camiseta nada tem a ver com a sua boa vida de parisiense por empréstimo. Decorre apenas de sua preguiça, de sua desinformação, de seus preconceitos ideológicos. Outros, mais pobres e menos talentosos do que ele, pensam a mesma coisa. Porque igualmente ignorantes e mistificadores.

Chico tem de entrar na campanha que vou lançar: “Adote um menor assassino e faça dele um Rousseau”. Não que Rousseau fosse grande coisa. Eu lhe daria um chute no traseiro.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 23:39

O diabo do PT, no emprego, é bem mais feio do que se pinta

Já que Lula anda com o diabo na ponta da língua, então é o caso de dizer: ele pode ser mais feio do que se pinta. Já vimos ontem aqui que o IBGE aponta o crescimento do desemprego. Agora se tem a notícia de que, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o país fechou 97.828 postos de trabalho no mês passado. É o pior resultado da série histórica, iniciada em 1992.

Dois números dão conta de como isso é ruim:
1: no ano passado, no mesmo mês, haviam sido criados 105.384 empregos;
2: na média das expectativas, esperava-se, neste mês, a criação de 66 mil vagas. Entenda-se: os muito pessimistas apostavam numa queda de 5 mil; os muito otimistas, na criação de 95 mil.

Dito de outro modo:
a: os pessimistas viram fechar 92.828 vagas a mais do que imaginavam;
b: os otimistas estão 192.828 vagas fora da realidade (as 97.828 fechadas e as 95 mil que não foram criadas);
c: quem ficou no meio do caminho apostou num erro de 163.828 vagas.

O diabo do desemprego, Lula, é mais feio do que se pinta. É o diabo do PT.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 23:15

Lula falta ao encontro do PT. Dizer o quê?

As coisas não andam boas para os companheiros. Definitivamente, não! Estava prevista a participação de Lula na abertura do Congresso Estadual do PT. Ele desistiu.

Oficialmente, não foi ao evento porque esta sexta marca o aniversário de casamento com Marisa Letícia. Então tá. Eu tinha entendido que o Babalorixá de Banania não dava bola a certas formalidades desde quando decidiu levar Rosemary Noronha, sua amiga íntima, a viagens internacionais — se Marisa não fosse, é claro! Parece que elas têm certas divergências, ou convergências, de gosto, sei lá.

Quem sou eu para duvidar, não é? Mas é estranho que Lula falte a um encontro estadual do partido por uma questão, digamos, “burguesa” como essa.

A verdade é que se juntaram a fome com a vontade de comer. Dos mil militantes previstos, não mais de 500 estavam presentes. Era um mico. Mais: num dia como esta sexta, ele teria de falar sobre o corte no Orçamento feito por Dilma Rousseff. Dizer o quê: “Olhem aqui, companheiros, chegou a hora de a gente administrar uma recessão”.

Poderia, como alternativa, largar o braço na companheira. Aí seria abrir guerra aberta. E ele anda sabotando a sua aliada pelas beiradas…

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 22:44

Lula e os evangélicos. Ou: O PT consegue ser mais trapaceiro do que o diabo. Ou: Malafaia explica Deus e o diabo a Lula

Eu estou muito bravo com o pastor Silas Malafaia. Por quê? Porque ele roubou um post meu sem querer. Foi mais rápido. Eu explico.

Lula participou de um encontro com sindicalistas e disse que a oposição parece pastor evangélico. Explica-se: segundo o Babalorixá de Banânia, os partidos oposicionistas têm a mania de culpar o governo por tudo, assim como os pastores evangélicos sempre imputariam ao diabo as dificuldades.

Afirmou o pensador: “Os pastores evangélicos jogam a culpa em cima do diabo. Acho fantástico isso. Você está desempregado, é o diabo; está doente, é o diabo; tomou um tombo, é o diabo; roubaram o seu carro, é o diabo”…

É claro que se trata de uma simplificação grosseira, estúpida mesmo, de várias confissões religiosas.

O pastor Silas Malafaia, como já noticiou Lauro Jardim, deu uma resposta exemplar ao chefão petista. Assistam ao vídeo.

Por quê?
E por que eu estou bravo com Malafaia? Porque a resposta que vai acima era o que eu estava destinado a escrever: o mensalão, o petrolão, o dossiê dos aloprados, essas sem-vergonhices todas, não são obras do diabo, mas do PT.

O diabo, Lula, é mais ambicioso e, à sua maneira, mais sofisticado do que o partido. Ele quer almas; o PT quer dinheiro; o diabo quer a renúncia a Deus; o PT se contenta com a adesão de antigos inimigos; o diabo exige uma conversão sincera — é a moral do mal —; o PT se contenta com o apoio dos oportunistas.

Em muitos aspectos, Lula, o PT é muito mais enganador e trapaceiro do que o diabo. É mais vigarista também. O diabo exige a conversão ao mal em troca de benefícios; o PT tenta provar que a lambança é o único caminho virtuoso que pode conduzir ao bem.

O diabo, Lula, que deve ser evitado de todas as formas, consegue ser ainda mais sincero do que o petismo, compreende?

Espero que os evangélicos, de todas as denominações, tenham entendido o que Lula realmente pensa sobre sua fé.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 19:30

Levy mandou um recado ao PT e ao PMDB. Ou: Da vaidade e da frustração

Pode ter sido uma indisposição gastrointestinal, vinda, assim, de supetão. Pode ter sido uma crise de pressão arterial. Quem sabe uma dor de cabeça… Salvo algum impedimento físico, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, não compareceu ao anúncio do corte no Orçamento em razão de uma indisposição política. É sabido que ele queria passar R$ 80 bilhões no facão. Como as MPs do ajuste já sofreram alterações, certamente vislumbra a impossibilidade de fazer o superávit primário de 1,2% do PIB.

O gesto pode embutir alguma coisa de cálculo. A esta altura, quem poderia estar aplaudindo e saltitando de felicidade é o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Afinal, não estava ele a pedir a cabeça de Levy na TV, anteontem? Muito bem! Tirem o ministro da equação e vejam o que sobra. Ou o que soçobra, se me permitem o gracejo.

Talvez o ministro esteja a dizer exatamente isto: não está apegado ao cargo; não pertence àquela estirpe que fica de joelhos, se preciso, para manter o posto; não depende da boa vontade deste ou daquele para ter uma existência profissional ou intelectual.

Nessas horas, cabe alguma reflexão. O que faz alguém como Levy servir a um governo e a um eixo de poder que representa tudo aquilo que ele intelectualmente despreza? Eu tenho uma resposta — e não é maldosa, não; trata-se apenas de uma constatação: o nome disso é vaidade intelectual.

Talvez o ministro sinta certo prazer secreto em demonstrar que suas teses estão corretas, e as de seus antípodas, neste e nos governos petistas passados, erradas. Há também o prazer, que sempre sentem as pessoas convictas, de ver triunfar o seu ponto de vista. E pode haver até a vontade genuína de ajudar. São três vertentes, todas benignas, da vaidade.

Mas é claro que também esta depende de circunstâncias objetivas. Se o resultado não aparece, a vaidade dá lugar à frustração decorrente do mau resultado, e o que poderia ser prova da competência de Levy vira evidência de insucesso. Aí, meus caros, qualquer pessoa na sua condição decide pular fora.

Foi o recado que Levy passou hoje a petistas e peemedebistas. Não está apegado ao cargo. Se acham que está ruim com ele, então é o caso de especular qual é a solução sem ele.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 17:57

E Levy faltou!

O corte no Orçamento foi de R$ 69,9 bilhões. Joaquim Levy faltou ao anúncio. Mau sinal. Volto ao assunto daqui a pouco.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 16:49

LIXO MORAL – O assassino do médico Jaime Gold vira vítima e herói; no fim das contas, culpada é a classe social do morto

O lixo moral dos nossos dias é asqueroso. Ele transforma algozes em vítimas; vítimas em algozes. Inverte a lógica das responsabilidades. Impõe ao homem comum, que trabalha, que estuda, que luta para ganhar a vida, a pergunta permanente: “O que você pode fazer em benefício daquele que aponta um arma contra a sua cabeça? Onde está a sua culpa na facada que você levará um dia?”.

Faz sucesso nas redes sociais a matéria do jornal Extra, do Rio, sobre o menor de idade que assassinou o médico Jaime Gold, de 56 anos, na última terça. A reportagem conta a trajetória do adolescente de 16 anos, apreendido pela primeira vez em 20 de junho de 2010, aos 11, acusado de roubar um celular e dinheiro de um pedestre na Lagoa Rodrigo de Freitas. Sob a manchete “Duas tragédias antes da tragédia – Sem família e sem escola”, o jornal transforma o jovem em vítima das circunstâncias. 

Leiam este trecho: “O pai, ele só viu duas vezes. A mãe, catadora de latas, foi indiciada por abandoná-lo com fome na rua. A outra barreira de proteção ao menor também falhou: ele desistiu dos estudos no sexto ano. E a recíproca foi verdadeira, a escola também desistiu dele”.

Viram só? Não foi ele quem deu as facadas em Jaime Gold, mas as circunstâncias, especialmente a escola que teria “desistido” dele.

Está chegando às bancas o livro “Podres de Mimados – As consequências do sentimentalismo tóxico”, do psiquiatra inglês Theodore Dalrymple. Transcrevo um trecho em que ele caracteriza uma distorção moral, que teve início com o que chama “era do sentimentalismo romântico”:

“A exibição de vícios tornou-se prova de que [o homem] foi maltratado. Aquilo que se considera defeito moral tornou-se condição de vítima, consciente ou não, e, como a humanidade tinha nascido feliz, além de boa, a infelicidade e o sofrimento eram igualmente prova de maus-tratos e de vitimização. Para restaurar no homem seu estado original de felicidade e bondade, era necessária, portanto, uma engenharia social em larga escala. Não surpreende que a revolução romântica tenha levado à era dos massacres por razões ideológicas”.

É brilhante! Os humanistas do pé quebrado, no fim das contas, são potenciais assassinos em massa. Se o homem nasce puro e é corrompido por uma sociedade má, ele é inimputável, e a culpada é da dita-cuja. Logo, ou refazemos a civilização, ou não há esperança. Para tanto, será necessário que uma força de vanguarda, mais consciente do que a plebe rude, faça esse serviço.

Os fascistas tomaram a tarefa para si.

Os comunistas também.

Deu no que deu.

Uns e outros se esqueceram de que os indivíduos devem responder por seus atos. Só os liberais, coitados, que apanham todo dia da imprensa de esquerda, se incomodam com isso.

É o lixo moral e tóxico dos nossos dias.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 16:19

Dilma quer que BNDES continue a ser caixa-preta e veta medida sobre transparência. Reajam, senhores parlamentares! Esse veto tem de ser derrubado

Pois é… A presidente Dilma Rousseff está doidinha para que a gente tenha a certeza de que algo de podre se passa no reino do BNDES, não é mesmo?, ou não teria agido como agiu, dando uma desculpa mandraque para manter secretas operações de um banco público de fomento. Insista-se neste caráter: trata-se de um banco de fomento, não de um ente estatal que dispute com entes privados fatias de mercado.

Ao sancionar a lei que garantiu um crédito de até R$ 30 bilhões do Tesouro para o BNDES, a presidente vetou a emenda aprovada pelo Congresso que proíbe o banco de alegar sigilo em suas operações, muito especialmente naquelas realizadas no exterior. Ou por outra: a presidente quer que o BNDES continue a ser a caixa-preta que empresta dinheiro a Cuba, à Venezuela ou a Angola sem prestar contas a ninguém.

Mas não só: alguns potentados da economia nacional também estão agarrados às tetas do banco. Não por acaso, costumam brilhar entre os maiores financiadores das campanhas eleitorais dos companheiros. “Ah, vamos acabar, então, com as doações das empresas…” Aí se faz tudo pelo caixa dois. É o pior tentando corrigir o ruim.

Ao justificar o veto, afirma a presidente: “A divulgação ampla e irrestrita das demais informações das operações de apoio financeiro do BNDES feriria sigilos bancários e empresarias e prejudicaria a competitividade das empresas brasileiras no mercado global de bens e serviços”. É conversa mole para boi dormir. Ninguém está exigindo que o tomador do empréstimo divulgue suas opções estratégicas ou exponha a rotina interna da empresa.

Defendi aqui e defendo que o BNDES tenha os devidos aportes para financiar as privatizações — ou “concessões”, como gostam de chamar os petistas. Reitero a minha posição: o país não pode parar porque está sendo governado pelo PT. Já basta a ruindade que lhe é inata. O sigilo, no entanto, é injustificável.

Não sou bobo. Não acho que um governo tenha de revelar o tempo todo as entranhas do estado. Há questões que requerem um tempo de sigilo — jamais o eterno — em razão da segurança nacional. Assim é nas maiores democracias do mundo. Por isso mesmo, os respectivos Parlamentos costumam dispor de comissões voltadas para esses assuntos, com poder para ouvir representantes do Executivo em sessões secretas. Também o Brasil dispõe desses instrumentos.

Mas me digam: em que a revelação das condições de concessão de empréstimo do BNDES afeta a segurança nacional? De que modo os interesses do país passariam a correr riscos? Quem, a esta altura, senão os petistas, querem manter sigilo sobre o financiamento do porto de Mariel, em Cuba, por exemplo? E quer mantê-lo por quê?

Os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), respectivamente, demonstraram a intenção de elaborar um projeto que amplia o controle do Congresso sobre as estatais. Seria, consta, uma espécie de Lei de Responsabilidade Fiscal para as empresas públicas, que estariam obrigadas a detalhar projetos, investimentos, gastos etc. Que se faça já!

E, na esteira desse espírito, que não se poupem esforços para derrubar esse veto de Dilma. Trata-se, sem dúvida, de uma audácia arrogante num momento como este. Uma das razões que explicam a penúria da Petrobras é exatamente o espírito de sigilo. A rigor, nunca ninguém soube direito o que se passava por lá. Aliás, a própria Dilma alegou ignorância, quando presidente do Conselho, sobre as condições da compra da refinaria de Pasadena. E ela era, reitere-se, presidente do Conselho!!!

Nós arcamos com o custo BNDES. Todos os brasileiros, na prática, são financiadores das operações do banco em Cuba, em Angola ou na Venezuela. Por que não temos o direito de saber? Se o banco quer operar com o sigilo cabível àqueles que disputam o mercado de crédito, que se transforme, então, numa instituição comum. Nesse caso, vai parar de pegar dinheiro do Tesouro, que custa a taxa Selic, e emprestar a alguns escolhidos a juros subsidiados. Se eu pago a conta, tenho o direito de saber a destinação dos recursos.

O Congresso só tem uma coisa a fazer: derrubar o veto de Dilma. E, então, vamos ver as consequências. Examinadas as contas do BNDES e seus contratos secretos, pode-se chegar à conclusão de que nada havia de estranho ou errado. Nesse caso, estaremos todos fazendo um bem ao governo e ao PT, e eles não terão do que reclamar. Caso, no entanto, se encontrem caroços no angu, aí estaremos fazendo um bem ao país, não é?

Senhores deputados, senhores senadores! A derrubada do veto, portanto, é eticamente inescapável. É, por si, a busca do bem! Ou se estará colaborando com a própria Dilma (e não há mal nenhum em protegê-la de si mesma) ou se estará colaborando, o que é mais provável, com o país.

Reajam, senhores! Esse veto parece mais uma provocação de quem não está em condições técnicas de ditar as regras do jogo.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 6:39

LEIAM ABAIXO

BRASIL NO HAITI – Mais uma obra genial de Lula: gasto de R$ 1,3 bilhão; ganho militar e político zero, soldados doentes e 130 mil imigrantes miseráveis;
MINHA COLUNA NA FOLHA – Tiro no peito da impostura;
DILMA, A ALGOZ DE DILMA – Corte no Orçamento deve ser de R$ 69 bilhões; governo vai aumentar imposto de bancos; líder do governo diz que, sem ajuste, país “quebra”;
Herança maldita do PT: a espiral negativa do emprego, da renda e da arrecadação;
Renan e Cunha querem lei que coloque estatais sob controle. Se conseguirem, estarão fazendo um bem ao país;.
DECISÃO ÓBVIA E CORRETA – Ou: Das coisas que nem erradas conseguem ser;
#prontofalei – As oposições e o impeachment;
O HOMEM-BOMBA – Pessoa é a esperança de investigação chegar ao Executivo;
Lava Jato: dono da UTC vai entregar nomes de políticos;
O impeachment de Dilma e a escolha feita pelos partidos de oposição. Ou: O mundo não acaba amanhã. Ou: A arte da política;
PETROLÃO – Lava Jato prende Pascowitch, acusado de repassar propina para diretoria que estava com o PT;
— CUIDADO!!! Carregar uma faixa pode render Lei de Segurança Nacional; botar fogo em ônibus, um papinho no Palácio do Planalto;
— A HORA DO RIDÍCULO – PT vai mesmo à Justiça contra programa do PSDB. Lula, imaginem, está bravo com as críticas de FHC…;
— Renan e Cunha em ritmo de governo parlamentarista;
— Onze senadores redigem manifesto contra política econômica: dois são do PT lulista!;
— Deputado do PT me acusa de receber “propina”; contra a tentativa de intimidação, resta-me o caminho da Justiça. Ataque não funcionou antes; não funcionará agora;
— O BOM SENSO – STJ autoriza corte de ponto de professores grevistas em SP;
— Oposição tentará processar Dilma por crime comum; não optará, por enquanto, pelo impeachment

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 5:22

BRASIL NO HAITI – Mais uma obra genial de Lula: gasto de R$ 1,3 bilhão; ganho militar e político zero, soldados doentes e 130 mil imigrantes miseráveis

Chegará ao fim, ao término de 2016, o que nunca deveria ter começado: a participação brasileira na Missão de Paz da ONU que atua no Haiti. O Brasil chefia a dita-cuja. Não é uma decisão tomada em Brasília. Na verdade, a ONU fará até o fim do ano que vem a retirada total, e, assim, o contingente de 1.343 brasileiros voltará para casa. Até o fim do ano, será reduzido a 850. As informações foram prestadas pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner, durante audiência no Senado nesta quinta.

A aventura brasileira no Haiti começou em 2004, naquele esforço buliçoso de Lula para demonstrar que o nosso país havia mudado de patamar no cenário internacional. Aceitar a missão era parte do esforço em favor de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, o que acabou, como se sabe, não acontecendo. Não fosse o desinteresse das cinco potências em mexer na composição — refiro-me a EUA, Rússia, França, Reino Unido e China —, há a política externa caduca do Itamaraty nos últimos 12 anos.

O que foi que o Brasil ganhou com a ação no Haiti? Resposta: nada! Na verdade, torrou, segundo o ministro, até agora, R$ 2,3 bilhões. A ONU ressarciu R$ 1 bilhão, e o resto foi para o ralo.

E o que fazem os nossos homens no Haiti? Cuidam da paz? Com alguma frequência, tiveram, coitados!, de se meter em guerra entre bandidos comuns e a Polícia Nacional do Haiti (PNH). Uma das missões dos nossos pobres soldados foi pacificar a maior favela de Porto Príncipe. Ou por outra: em terras nativas, os nossos soldados não atuam em favelas; em solo estrangeiro, sim.

O que ganharam as Forças Armadas brasileiras? Tecnologia? Não. Experiência em conflitos internacionais? Não. Respeito do mundo em razão de seu esforço? Ninguém dá bola para o Haiti. Torramos, então, por nada R$ 1,3 bilhão; muitos dos nossos soldados contraíram chikungunya e pusemos o país na rota da emigração em massa de haitianos. Lula mandou mil e poucos soldados para o Haiti, e o Haiti mandou muitos milhares de haitianos para cá. Só neste ano, já entraram, pela rota do Acre, 6.146. O governador daquele Estado, Tião Viana (PT), teve uma ideia para resolver o seu problema: mandá-los para São Paulo.

Desde a crise política que acabou resultando no envio de brasileiros para aquele país, estima-se em pelo menos 130 mil o número de haitianos que entraram no Brasil — a esmagadora maioria chegou por intermédio da rede criminosa que faz tráfico de pessoas.

E esse é o resumo de mais uma ideia genial parida pela mente divinal de Luiz Inácio Lula da Silva. O país torrou R$ 1,3 bilhão, teve um ganho militar e político igual a zero e recebeu 130 mil imigrantes, que vieram compartilhar a vida miserável dos nossos pobres.

Parabéns, Lula! Não é qualquer um que realiza tantos prodígios com uma só estupidez.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 4:37

MINHA COLUNA NA FOLHA – Tiro no peito da impostura

Leiam trecho:
Marco Aurélio Garcia afirmou a Clóvis Rossi, nesta Folha, que a rejeição ao nome de Guilherme Patriota para embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos se deveu à “campanha macartista de setores conservadores e da oposição”. Sei. O único na grande imprensa que se importou com Patriota fui eu. Boa parte dos coleguinhas talvez até achasse que o diplomata deveria ir para a OEA pelos exatos motivos por que eu achava que não. E, entre esses motivos, está o fato de ele ser um discípulo intelectual de Garcia e do sociólogo filobolivariano Emir Sader.

Garcia diz que a rejeição buscou atingi-lo pessoalmente –um verdadeiro “tiro no peito”. Não sei se a imagem é sua ou do jornalista. De toda sorte, o assessor palaciano não é meu candidato a sair da vida para entrar na história. Não como ele gostaria ao menos.

O homem se diz um “social-democrata de esquerda”, o que me faz supor que existam o de direita e o de centro. Não sei que bicho é. Eu, por exemplo, sou um liberal. Se fosse acrescentar outro qualificativo, escolheria “conservador”. Repudio a locução “de direita” apenas porque isso sugere que possa existir um “liberal de esquerda”. É outro bicho que mama e tem penas.
(…)
Íntegra aqui.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2015

às 4:35

DILMA, A ALGOZ DE DILMA – Corte no Orçamento deve ser de R$ 69 bilhões; governo vai aumentar imposto de bancos; líder do governo diz que, sem ajuste, país “quebra”

Finalmente um petista empregou o verbo que traduz a urgência do pacote fiscal proposto pelo governo, já em processo de desfiguração: “quebrar”. É isto. José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, foi claro: “O Brasil quebra caso o Senado não aprove as medidas”. Creio que os senadores petistas Lindbergh Farias (RJ) e Paulo Paim (RS) não compartilhem da ideia, não é? Ambos assinaram um manifesto contra a política econômica e anunciaram voto contrário ao pacote. Ao jornalista Heraldo Pereira, da Globo, o parlamentar do Rio foi mais longe e pediu a saída do ministro Joaquim Levy (Fazenda). A presidente Dilma não topou, e Levy, claro!, fica. Não só fica como impõe a sua agenda.

O governo anuncia nesta sexta um corte no Orçamento que deve ficar em torno de R$ 70 bilhões — fala-se em R$ 69 bilhões. Pelo menos R$ 49 bilhões sairão dos gastos discricionários. E não haverá área poupada, incluindo saúde, educação e desenvolvimento social. Outros R$ 20 bilhões teriam origem nas emendas parlamentares. Mas só o corte não dá conta de fazer o superávit de 1,2% do PÌB.

O governo decidiu também emitir uma MP que eleva de 15% para 20% a alíquota da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos. Seria, como se andou dizendo nos bastidores, uma forma de demonstrar que os ricos também pagam… A síntese é ligeira, mas certa: isso, no fim das contas, encarece o dinheiro e acabará sendo pago por quem precisa dele. Aumento de impostos, a menos que seja confiscatório, sempre acaba sendo pago pelos pobres. Não caiam nessa conversa.

Para chegar a esse valor no corte do Orçamento, o Planalto trabalha, informa a Folha, com uma recessão de 1,2% e com inflação de 8,26% neste ano. Lembram-se do tempo em que o centro era 4,5%, e o teto, 6,5%? Não foi a natureza que conduziu o país a esse ponto, mas escolhas feitas pela petelândia.

O Senado vota na semana que vem as medidas provisórias do ajuste fiscal. Caso haja mudanças na Casa, o texto precisa voltar para a Câmara. Só que há um busílis: as MPs perdem vigência no dia 1º de junho se não forem votadas. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, afirmou que, se for necessário, suspende a tramitação da reforma política para votar eventuais mudanças feitas pelo Senado nas MPs. Um dos caminhos possíveis para ganhar tempo é o Planalto acertar com as lideranças políticas eventuais vetos de Dilma que deixem os textos como quer a maioria dos parlamentares.

Eis aí: desemprego em ascensão, renda em baixa, arrecadação em queda, recessão e inflação em alta, megacorte no Orçamento e elevação de impostos. Se Dilma tivesse sucedido a um presidente tucano, ela certamente vituperaria contra a herança maldita. No 13º ano de governo petista, eis o legado dos 12 anteriores.  

Seria essa uma herança bendita?

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2015

às 22:52

Herança maldita do PT: a espiral negativa do emprego, da renda e da arrecadação

Mesmo quando o PT está no poder, as leis da economia funcionam. O governo se vê obrigado a aprofundar, de forma determinada, uma recessão que já estava anunciada para corrigir as besteiras e irresponsabilidades perpetradas em anos anteriores — e, sim!, FHC tem razão: os barbeiragens não foram cometidas só no governo Dilma, não. Parte das correções recessivas que Levy está comandando foi contratada há bem mais tempo.

E o resultado já se faz sentir na taxa de desemprego, na renda e na arrecadação. É um dos lados chatos dos processos recessivos, né? É preciso fazer os cortes para que o país se arrume e volte a crescer. Ocorre que, na fase do ajuste, agrava-se o mal que se quer corrigir. É do jogo.

O IBGE divulgou nesta quinta que a taxa de desemprego em abril nas seis maiores regiões metropolitanas do país foi de 6,4% — há exatamente um ano, foi de apenas 4,9%. O número é consequência da menor geração de emprego. Nota: a taxa cresceu em relação a março, quando foi de 6,2%. O IBGE constata que, além da menor geração de postos de trabalho, há ainda mais gente procurando emprego.

O quadro é compatível com outro dado: a queda de rendimento médio da população em abril, pelo terceiro mês consecutivo. Ele passou de R$ 2.148,71 em março para R$ 2.138,50 no mês passado. Essa pesquisa é feita em quatro grupos: 1) trabalhadores com carteira assinada, 2) sem carteira assinada, 3) por conta própria e 4) militares e funcionários públicos estatutários. Só o último grupo teve uma elevação de rendimento.

A espiral para baixo ou para cima tem um eixo, né? É coerente. No caso, a coerência para baixo bate também nos cofres do governo. No mês em que cresce o desemprego e cai a renda, a arrecadação vai para baixo: as receitas federais com impostos e contribuições somaram R$ 109,2 bilhões, uma queda real de 4,6% em relação a igual período do ano passado. É o pior abril desde 2010.

E o efeito vai se espalhando na economia. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, anunciou ontem uma drástica redução no volume de financiamento da casa própria: um corte de R$ 25 bilhões: de R$ 129 bilhões no ano passado para R$ 103,8 bilhões neste ano. Por quê?

Há a expectativa de que os saques da poupança continuem e possam chegar a R$ 50 bilhões neste ano. É claro que você já adivinhou a causa, não? Com a queda do emprego e a queda de renda, o vivente apela ao dinheirinho que tem guardado.

E, por óbvio, essa ainda não é a fase mais aguda da recessão. Afinal, o pacote de ajuste fiscal ainda nem foi aprovado. O desemprego tende a crescer, e a renda tende a cair. Por isso, Joaquim Levy decidiu elevar impostos, o que tira um pouco mais de dinheiro da sociedade.

A herança maldita do petismo é pesada, companheiro.

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2015

às 22:12

Renan e Cunha querem lei que coloque estatais sob controle. Se conseguirem, estarão fazendo um bem ao país

Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), articulam, informa Bruno Boghossian na Folha, um projeto “para aumentar o controle sobre as despesas e investimentos das empresas estatais”.

Se isso realmente acontecer e se conseguirem aprovar uma lei com esse teor, estarão prestando um enorme serviço ao país. Seria, consta, uma espécie de Lei de Responsabilidade Fiscal das empresas públicas.

Vamos lá. Eu me oponho à existência de estatais. Acho que todas, sem exceção, deveriam ser privatizadas. Essa conversa de resguardar interesses nacionais é coisa de vigaristas dispostos a assaltar o nosso bolso. Empresas precisam ter a devida regulamentação. Deixá-las sob o controle do estado implica torná-las reféns da política partidária e dos governos de turno.

E a coisa pode ser ainda pior do que isso. Todo mundo sabe que, a rigor, no caso da Petrobras, nenhum governo conseguiu, nem o do PT, ter o efetivo controle da empresa. Estatais acabam, na prática, não prestando contas a ninguém. Tornam-se estados dentro do estado, porosas, ademais, à ação dos pistoleiros.

Mas vamos ao que é possível. Não dá para privatizar essas estrovengas sem provocar o brucutu nacionalista que dorme no peito dos nativos? Ok. Que sejam, então, postas sob controle. A nova lei estabeleceria limite de endividamento, regulação de despesas, prioridades para investimentos.

Acho bom. “Ah, mas elas ficarão ainda mais submetidas ao controle dos políticos?” Por quê? Hoje já não são? A Petrobras não é um excelente exemplo a não ser seguido? Que se faça esse controle, que se conheçam as pessoas que responderão por ele, que se estabeleçam as prioridades.

Querem ver? Na MP que autorizou a transferência de R$ 50 bilhões de recursos do Tesouro para o BNDES, uma emenda do senador José Serra (PSDB-SP), acatada pela comissão mista, obriga o Ministério da Fazenda a publicar na Internet, a cada dois meses, um balanço do impacto fiscal dos investimentos do banco e a metodologia de cálculo, além dos valores de restos a pagar referentes a operações de subvenção econômica. Todas as estatais, cada uma na sua área e segundo a sua especialidade, deveriam tornar públicos esses dados. Espera-se que Dilma não tenha a imprudência de vetar.

É preciso pôr o monstro estatal sob controle, já que se mostra difícil — mas não desistamos da luta — reduzir seu tamanho.

É claro que, mais uma vez, se vai falar que o objetivo da proposta é cassar prerrogativas de Dilma. Besteira! Dilma se vai, e as estrovengas estatais ficam. Que sejam controladas!

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2015

às 21:45

DECISÃO ÓBVIA E CORRETA – Ou: Das coisas que nem erradas conseguem ser

No dia 8 de maio, escrevi aqui um post cujo título era este: “Hipótese de ministros do STF fazerem nova sabatina é tolice”. E, obviamente, era. Vamos lá.

SABATINA

O Congresso aprovou a PEC 457 que permite ao servidor público se aposentar aos 70 anos, com proventos proporcionais ao tempo de serviço, ou aos 75, na forma de lei complementar. Leiam íntegra da emenda.

PEC 457

Logo, está claríssimo no texto que é preciso haver uma lei complementar para disciplinar a aposentadoria dos servidores aos 75, certo? Certo! Ocorre que o Artigo 2º da PEC estabelecia que, até que entre em vigor tal lei, os ministros de tribunais superiores se aposentam compulsoriamente aos 75. E lá estão especificados os ditos-cujos: STF, os demais Tribunais Superiores e TCU. Nada se diz sobre desembargadores nos Estados, por exemplo. Adiante.

Algum espírito de porco, voluntária ou involuntariamente, acresceu uma tolice ao texto: a extensão da aposentadoria dos ministros de 70 para 75 anos se faria “nas condições do Artigo 52 da Constituição”. Ora, tal artigo é aquele que prevê que candidatos a ministro se submetam a sabatina no Senado.

Sustentei aqui, no texto a cujo link os remeto, que a interpretação de que os ministros atuais, ao chegarem aos 70, deveriam passar por nova sabatina era uma tolice — e continuo a achar. E por quê? Pela simples e óbvia razão de que eles já se submeteram ao Artigo 52 quando foram aprovados, ora! Supor que pudessem fazê-lo de novo embutiria a premissa de que o Senado poderia cassar um ministro — e sem processo de impeachment.

Assim, parecia-me bastar que o próprio tribunal fizesse uma leitura do texto baseada na razoabilidade para afastar a hipótese absurda.

Associações de magistrado, no entanto, entraram com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra esse trecho que remete ao Artigo 52. O relator do caso foi o ministro Luiz Fux, que o considerou, obviamente, inconstitucional, tese que venceu por 8 a 2. E esses dois votos precisam ser explicados: Marco Aurélio e Teori Zavascki leram a coisa como li: a ADI se fazia desnecessária porque se declarava inconstitucional o que nem inconstitucional lograva ser. A exigência entrava na categoria daquelas coisas que nem erradas são, tal o seu absurdo.

Bem, o que esclarece não confunde, não é? Que fique claro então: é inconstitucional. O Supremo cassou ainda liminares concedidas por tribunais nos Estados que estendiam de 70 para 75 anos a aposentadoria de desembargadores.

O Supremo deixou claro que, à exceção dos titulares dos tribunais citados na PEC, a extensão da idade de aposentadoria dos servidores tem de aguardar a lei complementar.

Era tudo muito óbvio, eu sei. Mas se fez necessário.

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2015

às 20:51

#prontofalei – As oposições e o impeachment

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2015

às 20:19

O HOMEM-BOMBA – Pessoa é a esperança de investigação chegar ao Executivo

Um indivíduo provoca pesadelos no PT: Ricardo Pessoa, o dono da UTC Engenharia, apontado pelo Ministério Público como coordenador do suposto cartel de empreiteiras. Ele era também, até outro dia, amigão de Lula. Consta que os meses que passou na prisão abalaram suas certezas sobre essa amizade. E ele estaria disposto a falar. Vai depor na semana que vem, em Brasília, depois de ter feito um acordo de delação premiada, que, por alguma razão, demorou bastante a sair.

Pessoa já confessou doações ao PT feitas pelo caixa dois e lavadas na forma de contribuições legais. Só em 2014, afirma, doou R$ 30 milhões a candidatos do PT. Contratou ainda os serviços da empresa de consultoria de José Dirceu. À diferença de alguns outros empreiteiros, que já andaram conversando, ainda que indiretamente, com seus antigos parceiros  — sim, eu me refiro aos petistas —, consta que o dono da UTC anda refratário a qualquer tipo de aproximação. Verdade ou não, veremos com o andamento dos fatos.

Consta que Pessoa vai entregar políticos que participaram da lambança. Haverá ainda personagens a revelar? E isso me dá a oportunidade de, mais uma vez, lhes propor uma reflexão.

Vocês já atentaram para a lista de políticos oficialmente enrolados no petrolão? Com todo o respeito e ressalvando-se uma exceção ou outra, trata-se de uma coleção de mediocridades. Alguns deles não devem ter influência nem no condomínio em que moram. Sim, há gente graúda, como o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), respectivamente presidentes do Senado e da Câmara. Mas, reitero, são casos excepcionais. E a ironia das ironias: os investigados mais graduados são… peemedebistas, não petistas.

O que estou a dizer, em suma, é que sempre me causa estranheza que um escândalo dessa magnitude tenha como protagonistas apenas empreiteiros, figuras do Legislativo e ex-diretores da Petrobras. Sim, há um peixão petista: João Vaccari Neto. Mas para por aí. Cadê o Poder Executivo nessa história?

É simplesmente impossível que esquema criminoso tão azeitado não estivesse obedecendo a um comando político ao qual, certamente, toda aquela gente se subordinava. Quem sabe Pessoa seja a esperança de se chegar, vamos dizer, ao mandante dos mandantes.

Tomara!

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2015

às 19:48

Lava Jato: dono da UTC vai entregar nomes de políticos

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
Apontado como homem-bomba entre os empreiteiros investigados na Operação Lava Jato, o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, vai prestar depoimentos na próxima semana em Brasília para detalhar o papel de políticos envolvidos no escândalo do petrolão.

Ele assinou um acordo de delação premiada no último dia 13 e citou, entre outros parlamentares, o senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão como um dos beneficiários do esquema de fraude em contratos e distribuição de propina envolvendo a Petrobras. De acordo com a coluna Radar on-line, também foi citado o nome de Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz. O advogado teria recebido dinheiro para abrir caminhos no TCU nas obras de Angra 3.

Pessoa é apontado pelos investigadores como chefe do “clube do bilhão”, cartel de empreiteiras que combinava preços de licitação e desviava recursos para o pagamento de vantagens indevidas a ex-diretores e parlamentares. A proximidade do empreiteiro com o ex-presidente Lula provoca pânico no Palácio do Planalto, já que o empresário admitiu ter destinado recursos de propina para as três últimas campanhas eleitorais do PT à Presidência da República. Em 2006, por meio de caixa dois. Em 2010 e 2014, em doações registradas na Justiça Eleitoral.

Ele também pagou 3,1 milhões de reais a José Dirceu para obter favores do PT, além de ter financiado com caixa dois a campanha de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo em 2012.

Conforme VEJA revelou, o empreiteiro disse a pessoas próximas que pagou despesas pessoais de Dirceu e deu 30 milhões de reais, em 2014, a candidaturas do PT, incluindo a presidencial de Dilma Rousseff – tudo com dinheiro desviado da Petrobras. Pessoa também garantiu ter na memória detalhes da participação dos ministros Jaques Wagner (Defesa) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social), tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, na coleta de dinheiro para candidatos petistas. “O Edinho está preocupadíssimo”, escreveu num bilhete, em tom de ameaça, ainda no início de sua temporada na cadeia, em Curitiba.

Atualmente Ricardo Pessoa cumpre prisão domiciliar em São Paulo. Ele estará em Brasília a partir de segunda-feira para os depoimentos, previstos para se estenderem até a próxima sexta-feira.

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2015

às 16:36

O impeachment de Dilma e a escolha feita pelos partidos de oposição. Ou: O mundo não acaba amanhã. Ou: A arte da política

Vamos lá.

As oposições optaram, como eu havia antecipado aqui, pela denúncia de crime comum contra Dilma. No caso, as pedaladas fiscais incidem em dois artigos do Código Penal: o 299 e o 359, nas alíneas “a” e “c”. E por que não oferecem a denúncia por crime de responsabilidade, que teria de ser apresentada à Câmara, como cobram os movimentos pró-impeachment? A resposta é simples: a opção seria descartada logo de cara, na comissão de recepção.

Se passasse (e não passaria), não haveria os 342 deputados necessários para que a presidente Dilma fosse afastada. Posso não gostar que assim seja — e não gosto —, mas assim é. A política tem sempre de alargar os limites que estão dados, ou viverá da simples reiteração. Mas nem ela desafia certas leis da física. No caso: ou existem ou não existem os 342 deputados. Não existem.

Eu acho que está caracterizado o crime de responsabilidade? Acho. E o arquivo está aí para demonstrá-lo. Mas, já escrevi aqui, uma coisa é o que eu acho, e outra, é o que temos. É preciso ter claro que uma rejeição de uma denúncia apresentada agora pelo PSDB simplesmente inviabilizaria o impeachment como uma das saídas. O mandato previsto de Dilma é de quatro anos. Estamos no quinto mês de governo, e a crise vai se desdobrando em lances novos.

“Estamos contra todos” não é um bom lugar da política. Não sou militante de nada. Só procuro tomar cuidado para não jogar fora a criancinha junto com a água suja. Miguel Reale Jr. não nasceu ontem. Tem experiência. Conhece os meandros da política. É evidente que o PSDB seria um dos beneficiários do eventual impeachment de Dilma. E por que haveria de não querê-lo se considerasse a possibilidade plausível? É preciso ter uma resposta para isso.

Os que estão descontentes com o caminho adotado pelas oposições — não apenas o PSDB, é bom deixar claro — precisam tomar cuidado para que seu ímpeto militante não seja desmobilizador. Quando grupos de pressão avaliam que não podem mais contar com forças institucionalmente organizadas, têm de ter claro que só resta uma opção: o povo. E aí é preciso saber se há povo para isso. Não estou tentando ensinar nada a ninguém. Já fui professor. Não sou mais. Sempre exaltei e exalto a capacidade de mobilização dos grupos e movimentos que levaram milhões de pessoas às ruas. Mas essa é só uma etapa — ou uma das faces — da luta política.

Convém estudar direito, À LUZ DA LEI E DA REALIDADE, o caminho proposto por Reale Jr. Uma condenação por crime comum também cassa o mandato de um presidente. O nome não é “impeachment”, mas a rosa tem igual perfume, como diria aquela mocinha de Shakespeare. O nome não interessa. E não se inviabiliza, agora, uma saída que tem de permanecer no horizonte.

Racionalidade
Sou mais passional do que gostaria nas relações pessoais. Em política, nunca! Se a matemática da coisa me diz não ser uma saída, então saída não é, ainda que possa ser do meu gosto, ainda que a considere legítima ou, no caso em questão, juridicamente ancorada — e eu acho que o crime de responsabilidade foi, sim, cometido. Mas o mundo vai além daquilo que acho.

Notem: o PSDB vai acionar o Ministério Público e pedir que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denuncie Dilma ao Supremo por crime comum. Ele terá de se manifestar. A resposta que deu anteriormente — segundo a qual Dilma não pode ser alvo de nenhuma imputação por atos cometidos antes do mandato em curso — já não serve.

Teori Zavascki já se pronunciou sobre o mérito, evocando jurisprudência do Supremo: investigada, a presidente pode ser, sim. Mais: a Constituição diz que um presidente não pode responder por atos estranhos à sua “função”. Dilma deu a pedalada exercendo a função de presidente, e o que fez no mandato anterior repercute no atual mandato. Mais: o artigo da Constituição foi redigido antes da instituição da reeleição.

A bola estará com Rodrigo Janot. O que ele dirá? Descartará automaticamente o pedido? Oferecerá uma denúncia ao Supremo, que terá de oficiar à Câmara? Pedirá, quando menos, uma abertura de inquérito, o que, a esta altura, o Supremo não pode recusar?

Há duas posturas aí, e é preciso saber qual delas traz desdobramentos positivos:
a: todo mundo é igual, ninguém presta, e só contamos com o povo na rua;
b: recua-se um passo para avançar dois; dá-se de barato que a batalha está no começo e que a solução não é tão rápida.

Se, ao fim desta primeira etapa, houver uma presidente investigada — ainda que não denunciada —, já se terá avançado muito. Até porque, convenha-se, o que abunda não prejudica: uma presidente investigada continua passível, aí mais do que antes, de um processo de impeachment.

O mundo não acaba amanhã. As esquerdas sempre souberam disso, e esse, infelizmente, é um dos segredos do seu sucesso. É assim que continuam a ser uma referência do pensamento, apesar de todos os desastres que já provocaram.

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2015

às 15:39

PETROLÃO – Lava Jato prende Pascowitch, acusado de repassar propina para diretoria que estava com o PT

Por Flávio Ferreira e Estelita Hass Corazzai, nFolha:
Em mais uma fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (21) Milton Pascowitch, apontado como operador da empreiteira Engevix em contratos da Petrobras e suspeito de repassar propina na diretoria de Serviços, que Renato Duque ocupou entre 2003 e 2012 na estatal. Pascowitch foi preso em São Paulo por reiteração criminosa e para a garantia da ordem pública, segundo o procurador Carlos Fernando Lima. As movimentações financeiras do operador, oriundas de propina, sustenta ele, continuavam em andamento mesmo após a deflagração da Lava Jato. O irmão dele, José Adolfo, também apontado como operador no esquema, foi levado em condução coercitiva, ordem judicial para prestar depoimento às autoridades. Ligações de outras empreiteiras com Pascowitch também serão investigadas. Segundo o Ministério Público, existem indicativos de depósitos de outras empresas, como a UTC, para o operador.

O objetivo desta 13ª fase da operação é investigar crimes dos dois operadores financeiros do esquema de corrupção na estatal. Ainda não há estimativas de quanto eles movimentaram. A força-tarefa da Lava Jato apura as ligações dos operadores com Duque e com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. A Jamp Engenheiros Associados, empresa de Pascowitch, a fez pagamentos de R$ 1,45 milhão à JD Consultoria, firma de Dirceu, em 2011 e 2012. Pascowitch é apontado como um dos onze operadores da propina na diretoria de Serviços, comandada por Duque (indicado pelo PT), e com bom trânsito no Partido dos Trabalhadores. “Isso ainda não está claro, mas é uma linha investigativa”, disse o procurador sobre a relação com petistas. “Não sabemos quem são as pessoas com quem ele conversava no partido, mas vamos investigar.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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