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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

25/04/2014

às 6:05

LEIAM ABAIXO

Conversa de Vargas com Youssef sugere um Padilha no comando. O ex-ministro, claro!, nega;
O PT começou a morrer. Que bom!;
Refinaria de Pasadena teve saque de US$ 10 milhões sem registro, só com autorização verbal. Petrobras disse achar isso “normal”;
Exigir que as UPPs deixem os morros é reivindicação de bandidos, de narcotraficantes, de larápios. Ou: Em muitos anos, essa e a maior vitória do narcotráfico na guerra de propaganda;
COPA DO MUNDO E TIRO PELA CULATRA: Governo Federal organiza evento antiprotesto e local vira área de… protesto!;
Tião Viana, o petista exportador de negros, acusa terceiros de racismo, higienismo e discriminação;
A armadilha montada para os moradores do Pavão-Pavãozinho: protesto pede “fim da UPP”;
O dia em que Padilha nomeou o homem indicado para a direção do laboratório de doleiro;
Um enigma que não quer calar;
Pré-candidato ao governo de SP pelo PT indicou diretor de laboratório-lavanderia de doleiro preso;
Na Haddadolândia, traficante de crack tem crachá e uniforme da Prefeitura e usa os hotéis pagos com dinheiro público para fornecer pedras aos viciados. Parabéns, Supercoxinha!;
O Brasil dos barbudos junto com Antígua e Barbuda — já ouviu falar?;
As Quatro Leis da Entropia Petista;
Dilma está fora da lista de “Mais Influentes” da “Time”. Até Mujica, o esquisito, está lá, ao lado de Maduro, o asqueroso;
A parte da ditadura que o PT reverencia;
A nota abjeta de Renan Calheiros, com inverdades e imprecisões a cada linha;
— Ministra do Supremo manda instalar CPI da Petrobras. Sua decisão tem lado: o da democracia e do estado de direito;
— Governo petista do Acre teve uma ideia para resolver problema com a imigração de haitianos: despachá-los para São Paulo! Ou: PT cria o problema, orgulha-se dele e joga batata quente no colo alheio;
— Lava Jato: Justiça aceita denúncia contra Youssef e outros seis;
— Se eu fosse o PT, tomaria cuidado com Vargas; se eu fosse Vargas, tomaria cuidado com o PT

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2014

às 5:55

Conversa de Vargas com Youssef sugere um Padilha no comando. O ex-ministro, claro!, nega

Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de SP: gravação sugere que ele estava no controle

Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de SP: gravação sugere que ele estava no controle

Pô, vou mudar de profissão, hehe, e comprar uma bola de cristal. Os porcos vão dizer que é tudo coisa da “imprensa golpista”… Na noite desta quarta, publiquei um post em que se lia o seguinte:

Padilha no blog

Pois é…

Vieram a público gravações feitas pela Polícia Federal que evidenciam que Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, indicou um diretor do laboratório-fachada Labogen, que pertence ao doleiro Alberto Youssef. Trata-se de Marcus Cezar Ferreira da Silva, que já foi, ora vejam!, assessor parlamentar de um fundo de pensão controlado pelo PT e executivo da pasta então comandada por Padilha. O mais curioso é que o deputado petista André Vargas (PR), aquele, é quem anuncia ao doleiro o futuro diretor, deixando claro tratar-se de uma indicação do então ministro. Vocês entenderam direito: aquele que, em tese, seria o futuro patrão de Cezar Ferreira da Silva, Youssef, nem conhecia aquele que seria seu funcionário. Tratava-se de uma escolha pessoal de Padilha. Eu estou enganado ou quem decide, no fim das contas, é o chefe, seja lá do que for?

Vamos nos lembrar. O Labogen, que nunca havia produzido um comprimido, tinha conseguido fechar um contrato com o Ministério da Saúde no valor de R$ 31 milhões para o fornecimento de citrato de sildenafila, o princípio ativo do Viagra, remédio também indicado para combater a pressão alta pulmonar. Havia entendimentos para a produção de outras substâncias que chegavam a R$ 150 milhões. Tão logo Youssef foi preso e o caso veio à luz, o Ministério da Saúde anunciou a suspensão do contrato e uma sindicância. Padilha, até havia pouco, se comportava como se não tivesse nada com isso. A interlocutores, Vargas já tinha dado a entender que sabia de fatos que poderiam comprometer o agora pré-candidato petista.

Também o deputado petista Cândido Vaccarezza se enrola um pouco mais. A troca de mensagens deixa claro que recebeu em sua casa, para uma reunião, o doleiro Youssef, Vargas e Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-ministro de Collor e sócio oculto do Labogen. Por quê? Ele diz ser apenas amizade. A coisa vai mais longe e evidencia que Vargas também abriu para o doleiro as portas do Fundo de Pensão da Caixa Econômica Federal. Em nota, como era de esperar, Padilha negou que tenha feito a indicação de Cezar Ferreira da Silva, que já foi executivo da área de eventos do Ministério da Saúde.

Dizer o quê? O mundo petista é uma espécie de realidade paralela, em que as coincidências acontecem com uma frequência, também ela, escandalosa. Se bem se lembram, as primeiras conversas que vieram a público entre Vargas e Youssef diziam respeito justamente ao agendamento de uma reunião com um executivo da pasta para que o Labogen obtivesse o sinal verde do órgão federal para a produção de remédio.

Ninguém nunca acreditou que o Ministério da Saúde fosse, assim, a casa da mãe joana, com a qual uma biboca qualquer faz contrato. A conversa de Vargas com Youssef faz supor que, de fato, não é assim. Convenham: o papo sugere que o então ministro estava no controle.

Texto publicado às 21h49 desta quinta
Por Reinaldo Azevedo

25/04/2014

às 5:53

O PT começou a morrer. Que bom!

Leia trecho da minha coluna na Folha desta sexta:
O PT ensaiou uma reação quando veio a público a avalanche de malfeitorias óbvias na Petrobras: convocou o coração verde-amarelo da nação. Tudo não passaria de uma conspiração dos defensores da “privataria”, interessados em doar mais essa riqueza nacional ao “sagaz brichote”, para lembrar o poeta baiano Gregório de Matos, no século 17, referindo-se, em tom de censura, aos ingleses e a seu espírito mercantil. Não colou! A campanha não pegou. A acusação soou velha, do tempo em que a ignorância ainda confundia capitalismo com maldade.

Desta vez, parece, os larápios não vão usar o relincho ideológico como biombo. Até porque, e todo mundo sabe disto, ninguém quer nem vai vender a Petrobras. Infelizmente, ela continuará a ser nossa, como a pororoca, o amarelão e o hábito de prosear de cócoras e ver o tempo passar –para lembrar o grande Monteiro Lobato, o pai da campanha “O petróleo é nosso”. A intenção era certamente boa. Ele não tinha como imaginar o tamanho do monstro que nasceria em Botocúndia.

Há nas ruas, nas redes sociais, em todo canto, sinais claros de enfraquecimento da metafísica petista. Percebe-se certo cansaço dessa estridência permanente contra os adversários, tratados como inimigos a serem eliminados. Se, em algum momento, setores da sociedade alheios à militância política profissional chegaram a confundir esse espírito guerreiro com retidão, vai-se percebendo, de maneira inequívoca, que aquilo que se apresentava como uma ética superior era e é apenas uma ferramenta para chegar ao poder e nele se manter.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2014

às 4:26

Refinaria de Pasadena teve saque de US$ 10 milhões sem registro, só com autorização verbal. Petrobras disse achar isso “normal”

A refinaria de Pasadena, nos EUA, tinha US$ 10 milhões depositados na conta da corretora MP Global — que foi a falência em novembro de 2011, diga-se. No dia 5 de fevereiro de 2010, alguém na estatal brasileira — não se sabe quem — deu uma autorização verbal para sacar a dinheirama. Foi sacada. Não se conhece o seu destino porque não há registro documental. Em 2010, é? No Brasil, foi um ano eleitoral. Sigamos adiante. A revelação foi feita ontem pelo jornal O Globo.

A reportagem da Folha entrou em contato com a direção da Petrobras para ouvi-la a respeito do saque. Segundo a empresa, uma operação assim é “normal”. A movimentação do dinheiro só foi descoberta porque houve uma auditoria na refinaria de Pasadena, feita pela Gerência de Auditoria de Abastecimento para verificar a gestão dos combustíveis produzidos e comercializados. O Globo teve acesso ao resultado do trabalho. Se a Petrobras considera tudo normal, a auditoria concluiu o contrário e apontou a “falta de autorização documental para saque em corretora”.

Segundo o Globo, a auditoria teria apontado também a existência de operações simultâneas de entrada e saída de combustíveis nos tanques, o que dificulta o controle. Constatou-se ainda uma falta de integração entre o sistema financeiro e o de controle de estoque. De acordo com o jornal, detectou-se também uma diferença de US$ 2 milhões no estoque em maio de 2010 em razão de lançamentos incorretos.

Nesse período, a Astra Oil ainda era sócia da Pasadena, mas havia deixado a administração por conta da Petrobras e já ingressara na Justiça americana para obrigar a empresa brasileira a comprar os outros 50% da refinaria.

À Folha, a Petrobras afirmou que o saque autorizado verbalmente é “normal” por ser “uma atividade usual de trading (comercialização de combustíveis)”. Acrescentou que “não foram constatadas quaisquer irregularidades no saque.” Mesmo assim, a empresa disse que “foi acatada a recomendação de formalizar e arquivar a documentação de suporte relativa aos saques efetuados em contas mantidas em corretoras”.

Eu não sou especialista em “trading”. Os especialistas, como sabemos, são aqueles gênios da Petrobras. Mas me darei o direito ao espanto, como os auditores — gente bem mais treinada do que eu: então US$ 10 milhões são movimentados assim, não base da saliva, sem rastro documental?

A Petrobras é uma piada que custa alguns bilhões aos brasileiros. Dá para entender por que essa gente teme tanto uma CPI, mesmo com maioria governista.

 

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2014

às 3:28

Exigir que as UPPs deixem os morros é reivindicação de bandidos, de narcotraficantes, de larápios. Ou: Em muitos anos, essa e a maior vitória do narcotráfico na guerra de propaganda

Manifestações contra a violência das UPPs marcaram o funeral do dançarino DG  (JC Pereira/AgNews)

Manifestações contra a violência das UPPs marcaram o funeral do dançarino DG (JC Pereira/AgNews)

Quem assistiu apenas a alguns noticiários de TV na noite desta quinta não ficou sabendo, porque a informação lhes foi sonegada, que a manifestação de protesto contra a Polícia do Rio — e especialmente contra a presença das UPPs nos morros — contou com a adesão de black blocs e dos militantes profissionais de sempre. Havia moradores de favelas, especialmente de Pavão-Pavãozinho, protestando nas ruas de Copacabana? Havia, sim. Mas os “ideólogos” do asfalto estavam lá para, mais uma vez, usar um cadáver como estandarte — desta feita, o de Douglas Rafael da Silva, encontrado morto no Pavão-Pavãozinho, sua comunidade de origem, mas onde ele já não morava mais.  Teria ido ao local para levar sua namorada, que mora na “comunidade”, que é como se deve falar “favela” em carioquês castiço e politicamente conveniente.

Seu corpo foi enterrado ontem, num grande happening, que contou até com fogos de artifício. Ninguém vai perguntar quem financiou porque há perguntas que o jornalismo só podia fazer antigamente.

Eu sou um crítico, como sabem todos, não das UPPs, mas da política de segurança pública do Rio, que opta por espantar bandidos, em vez de prendê-los. Mas é evidente que defendo a presença de unidades policiais nos morros. Rejeito ainda o nome de “polícia pacificadora” porque fica parecendo que a função dos policiais é promover a paz entre bandidos e gente decente. E lugar de bandido é na cadeia, não fazendo acordos com quem quer que seja.

É evidente que as palavras de ordem dos protestos de ontem, como “Fora UPP” e “UPP assassina”, foram ditadas pelo narcotráfico, o mesmo narcotráfico que enfrentou policiais a bala na madrugada em que Douglas, que era dançarino do programa “Esquenta”, de Regina Casé, foi assassinado. É possível que os assassinos sejam policiais? É, sim. Mas também podem ter sido os traficantes. Até que não se faça a devida apuração, transformar a opinião da mãe do rapaz numa espécie de laudo técnico informal é uma temeridade. Que se apure tudo e que se mandem os responsáveis para a cadeia. Mas vamos devagar!

E se não foi a polícia? Vão aceitar o resultado? Douglas era uma celebridade local, já não precisava mais viver na favela, embora circulasse por ali. Para o narcotráfico — estou apenas lidando com a lógica — ele está sendo mais útil morto do que vivo. E que fique claro: ainda que seus assassinos tenham sido policiais, é evidente que os morros precisam de UPPs — formada por policiais decentes.

Há coisas incômodas nessa história toda que precisam ser ditas. Felipe Moura Brasil publicou em seu blog esta imagem.

saudade eterna 2

No dia 18 de janeiro, no Facebook, Douglas lamentava a morte do traficante Patrick Costa dos Santos, o “Cachorrão”, num confronto com a polícia, ocorrido um dia antes. Até aí, vá lá. O cara podia ser seu amigo. Felipe traduz para o português o que vai ali escrito:
 - “PPG” é a dita “comunidade” Pavão, Pavãozinho e Galo.
- “Bicos” são fuzis de uso restrito das Forças Armadas, de grosso calibre.
- “Os amigos” são os integrantes das quadrilhas de traficantes.
- “Fazer barulho” é efetuar centenas de disparos, aterrorizando a população.

Pois é… Na reportagem do “Jornal Nacional” de ontem, prestei atenção a esta camiseta:

saudade eterna

Os mesmos termos com os quais Douglas lamentava a morte de Cachorrão. Não! Eu nunca insinuo nada nem falo coisas oblíquas. Pouco importa o que fazia o rapaz quando não estava dançando no “Esquenta” da Casé, uma coisa é certa: não poderia ter morrido como morreu. E é preciso saber quem o matou e meter em cana, use farda ou não. Mas não dá para ignorar os fatos. Contam-me que a expressão “Saudades eternas” é uma espécie de lema ou de senha macabra com que o narcotráfico e seus aliados objetivos celebram a memória dos que lhes são caros ou dos que serão usados como estandartes. “Minha avó tem ‘saudades eternas’ no meu avô e não é narcotraficante”, diz o bobinho…

Cobrar a rigorosa apuração do caso? Sim! Meter em cana os assassinos? Sim! Pedir uma policia mais preparada nos morros e em toda parte? Sim! Exigir que as UPPs deixem as favelas? Aí, não!

Isso é reivindicação de bandido, de narcotraficante, de larápio! Em muitos anos, muitos mesmo!, os bandidos não obtinham tamanha vantagem contra o Estado na guerra de propaganda. Usasse ou não farda, é possível que o assassino de Douglas soubesse muito bem o que estava fazendo. A Polícia e a política de segurança pública não ganharam nada com essa morte. Mas o crime organizado pode comemorar o resultado.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 23:40

COPA DO MUNDO E TIRO PELA CULATRA: Governo Federal organiza evento anti-protesto e local vira área de… protesto!

Enquanto Gilberto Carvalho (em pé) tentava falar em evento antiprotesto, aconteciam os... protestos (Foto:Danilo Verpa/Folhapress)

Enquanto Gilberto Carvalho (em pé) tentava falar em evento antiprotesto, aconteciam os… protestos (Foto:Danilo Verpa/Folhapress)

Tsc, tsc, tsc… Acho que eles estão perdendo a mão. Leiam o que informa Eduardo Costa, na Folha:
Um evento organizado pelo governo federal, Diálogos Governo-Sociedade Civil, cujo objetivo era mostrar os benefícios trazidos pela Copa à população e desestimular manifestações, virou palco de protestos de manifestantes. Cerca de trezentas pessoas, representantes de 70 instituições, como sindicatos, movimentos sociais, como os dos sem-teto, entre outras lideranças locais, lotaram hoje um salão na Casa de Portugal, no centro de São Paulo.

Enquanto o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, fazia uma apresentação sobre “o que o Brasil ganhou com a Copa”, uma faixa estendida por manifestantes por trás dele informava: “Não vai ter Copa”. Um grupo que vestia camisetas que traziam a inscrição “O povo de rua é o primeiro eliminado da Copa” ironizava todas as informações divulgadas pelos palestrantes.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 23:27

Tião Viana, o petista exportador de negros, acusa terceiros de racismo, higienismo e discriminação

pombo xadrez 2

O governador do Acre, Tião Viana, do PT, fez uma coisa asquerosa, de um oportunismo odiento; de um mau-caratismo político como raramente vi. Aproveitou os aviões que chegaram ao Estado carregando mantimentos para abastecer o Estado, que está ilhado por causa das chuvas, e os lotou de haitianos, despachando-os para outros Estados. Os que levaram comida para o seu povo — coisa de que sua gestão não deu conta — receberam , em troca, imigrantes, dos quais ele decidiu se livrar.

Há coisa de três anos, teve início um fluxo imigratório para o Acre. Os haitianos deixam o seu país, voam para a Bolívia e, principalmente, para o Peru e, depois, entram no Brasil, onde recebem um visto temporário para poder trabalhar no país.

Desde que a onda começou, como já disse aqui, o governo federal nada fez. O Ministério da Justiça jamais se interessou pelo caso. Os haitianos vivem em acampamentos em condições deploráveis. Mesmo assim, o governo petista faz praça de sua tolerância, incentivando a imigração ilegal. O assunto virou até tema de redação do Enem em 2012. A tarefa dos estudantes era elogiar a gestão petista.

Muito bem! Para São Paulo, Viana despachou cerca de 500 imigrantes. Não entrou em contato com o governo do Estado. Não falou nem mesmo com seu correligionário, o prefeito Fernando Haddad. Não se ocupou de fazer um cadastro. Nada! Cinicamente, um secretário seu afirmou que o destino dos haitianos é mesmo o sul do Brasil. A secretária de Justiça de São Paulo, Eloisa Arruda, apontou o quer chamou de “irresponsabilidade” do governo do Acre. Viana decidiu reagir pelo Twitter com as seguintes mensagens:

“Como é que a elite paulista quer obrigar o povo do Acre a prender imigrantes haitianos em nosso território, preconceito racial? Higienização?”,

“As elites preconceituosas querem o quê? Que prendamos essas pessoas? Que não as deixemos encontrar pais, mães e esposas que já estão no Brasil?”.

Racista, preconceituoso e higienista, senhor governador, é despachar negros imigrantes como se fossem gado, procurando apenas se livrar do problema. Em vez de Viana cobrar ajuda de Dilma Rousseff, sua aliada , prefere transferir suas dificuldades para terceiros.

Ontem, recebi uma frase que tem a sua graça e é absolutamente verdadeira: debater com petistas e como jogar xadrez com pombos: eles derrubam as peças, fazem cocô no tabuleiro e saem arrulhando vitória, com o peito estufado.

Flagrado num ato racista, discriminatório e elitista, Viana estufa o peito e acusa os outros de racismo, discriminação e elitismo. Depois, claro, de derrubar as peças do jogo e de sujar o tabuleiro. A propósito: Marina Silva e sua “Rede” são aliados incondicionais de Tião Viana. A noção de ecologia da agora pré-candidata `Vice-Presidência pelo PSB inclui também as seres humanos? Ou ela só vai reagir se seu amigo começar a maltratar sapos, bagres e passarinhos?

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 22:32

A armadilha montada para os moradores do Pavão-Pavãozinho: protesto pede “fim da UPP”

Por João Marcello Erthal, na VEJA.com. Ainda volto ao assunto.
A menos de dois meses do início da Copa do Mundo, a crise em que estão mergulhadas as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) teve, na tarde desta quinta-feira, seu momento mais delicado. O problema não está na segurança para a competição – algo que certamente será solucionado com reforços em quantidade compatível com o peso do evento – nem na resistência de traficantes em vários pontos que o governo do Rio classifica como “pacificados”. O que se viu nas ruas de Copacabana logo depois do enterro do dançarino Douglas Rafael da Silva, o DG, foi algo inédito e mais radical até que as manifestações que se seguiram ao desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, da Rocinha. Moradores de favelas da Zona Sul, principalmente do Pavão-Pavãozinho, insurgiram-se não contra um grupo de policiais, mas contra a própria UPP. Os cartazes traziam “fora UPP”, “UPP não” e expressões como “PM assassina”. A morte de DG é um crime que precisa de investigação, mas rejeitar a presença de policiais é, inevitavelmente, avalizar a presença de bandidos. E o Rio de Janeiro conhece o que os bandidos são capazes de fazer para manter seu território.

Existe imensa distância entre cobrar melhorias na polícia, uma “nova polícia”, ou mesmo confrontar a PM por causa de ações truculentas, e o que se desenha no Pavão-Pavãozinho de agora. Uma parte dos moradores, inflamada por manifestantes do ‘não vai ter Copa’ e outros gritos, está sendo manobrada para exigir a saída da UPP da favela. Não é difícil adivinhar quem se beneficiaria com o recuo do policiamento naquela região ou em qualquer área da cidade. Só o bandido, ou alguém a ele ligado, pode pedir “menos polícia” em uma cidade com os problemas que tem o Rio de Janeiro.

Da segurança nas favelas aos roubos de celulares nas calçadas da Zona Sul, crime se combate com polícia – e, claro, com uma polícia melhor. A armadilha está em permitir que black blocs e manifestantes de plantão assumam a frente nos protestos. Como têm feito, os mascarados e a turma do ‘não vai ter Copa’ apropriam-se das causas, impõem práticas violentas e fazem a população se voltar contra os envolvidos. Esse processo, na verdade, já começou em Copacabana. Na tarde desta quinta-feira, os comerciantes e moradores do bairro ficaram amedrontados com o protesto, que deveria ter a população de um só lado: o da cobrança por uma polícia melhor e menos truculenta.

A confusão no protesto após o enterro começou quando um grupo exaltado de manifestantes provocou os PMs e jogou lixo e pedras contra as viaturas. Os policiais lançaram bombas de efeito moral, reproduzindo na Avenida Nossa Senhora de Copacabana o cenário já conhecido desde as manifestações de junho do ano passado, com correria, pessoas desesperadas e mais provocações dirigidas aos homens fardados. Um jovem atingiu um policial com uma “voadora” minutos antes de a confusão generalizada começar.

Os policiais que estavam no tiroteio do Pavão-Pavãozinho na terça-feira, quando DG foi baleado e morto, estão sendo investigados. As armas de oito deles foram recolhidas nesta quinta-feira. Outros dois ainda prestarão depoimentos. O corpo de DG foi encontrado em uma escola, e num primeiro momento a PM afirmou que não havia marcas de perfuração. O laudo do Instituto Médico Legal desmentiu essa versão e comprovou que o dançarino foi baleado, teve o pulmão dilacerado. Os PMs que deram tiros naquele dia são suspeitos – assim como devem ser considerados suspeitos também os traficantes que lá estão.

As relações entre moradores e policiais da UPP estão se deteriorando. Uma moradora ouvida pelo site de VEJA no enterro do dançarino afirmou que não quer mais os policiais na favela. “Eles fazem o que querem no morro, não estão lá para proteger ninguém”, disse. Opiniões como a dela, ainda que carregadas de raiva e num momento de choque pela morte de um ente querido, devem ser levadas em conta pela Secretaria de Segurança. É claro que há um problema nas UPPs, ou não haveria conflitos constantes e relações estremecidas em outras áreas, como a Rocinha – onde morreu Amarildo.

No momento, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, precisa mais que defender o projeto, como tem feito repetidamente. As falhas que a população aponta nas UPPs precisam ser identificadas e eliminadas, numa prova de que o governo está disposto a rever procedimentos. A repetição do discurso de que “não haverá recuo” não basta.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 22:19

O dia em que Padilha nomeou o homem indicado para a direção do laboratório de doleiro

Abaixo, o fac-símile do Diário Oficial que traz a nomeação de Marcus Cezar Ferreira de Moura para o cargo de Coordenador da Promoção de Eventos, função diretamente ligada à assessoria pessoal do então ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Mais tarde, segundo disse o deputado André Vargas (PT-PR) ao doleiro Alberto Ypussef, Padilha o indicou para dirigir o labaratório-fachada do doleiro.

Nomeação Marcus Cezar Ferreira de Moura

 

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 22:11

Um enigma que não quer calar

Não são 2 de 47, mas 6 de 40.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 20:13

Pré-candidato ao governo de SP pelo PT indicou diretor de laboratório-lavanderia de doleiro preso

Por Rodrigo Rangel, na VEJA.com:
Mensagens interceptadas durante a Operação Lava Jato e obtidas por VEJA arrastam para o escândalo o deputado Candido Vaccarezza (PT-SP) e o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, pré-candidato petista ao governo de São Paulo. Os nomes de Vaccarezza e Padilha aparecem em um relatório enviado à Justiça pela Polícia Federal, detalhando a ligação do deputado André Vargas (PT-PR) com o doleiro Youssef. Em uma das conversas, os dois tratam da contratação de um executivo para o Labogen, o laboratório-fantasma do doleiro, que servia à lavagem de dinheiro. O deputado avisa que o executivo escolhido encontraria Youssef dias depois. E diz que quem o indicou foi Padilha. Ele passa o número do telefone do tal executivo, um celular registrado em Brasília, e, na sequência, arremata: “Foi Padilha que indicou”. Pelo número de telefone, os investigadores identificaram o “indicado” como Marcus Cezar Ferreira da Silva, que trabalhou como assessor parlamentar de um fundo de pensão controlado pelo PT.

Outras figuras estreladas do PT aparecem em documentos inéditos da investigação que levou Youssef para a prisão Youssef, acusado pela PF de comandar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou 10 bilhões de reais.

Vaccarezza
Mensagens interceptadas mostram que Youssef participou, junto com Vargas, de uma reunião no apartamento de Vaccarezza, em Brasília, para tratar de interesses do doleiro. Também esteve no encontro o empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-ministro do governo Collor, que já havia aparecido na investigação como sócio oculto de Youssef no Labogen. Graças à ajuda dos políticos amigos do doleiro, o Labogen conseguiu fechar um contrato para fornecer remédios ao Ministério da Saúde.

Na troca de mensagens, datada de 25 de setembro do ano passado, Youssef avisa Vargas que acabou de chegar a Brasília e que precisa falar com ele. Diz que viajou junto com PP, como é conhecido Pedro Paulo Leoni Ramos. “Achei que você estivesse aqui na casa do Vacareza (sic)”, escreve o doleiro. “Tô indo”, responde André Vargas.

Diz a Polícia Federal no relatório: “Os indícios apontam que o alvo Alberto Youssef mantinha relações com o deputado federal Candido Vaccarezza, inclusive indicando que houve uma reunião na casa do deputado federal Vaccarezza, reunião esta entre Alberto Youssef, deputado federal André Vargas e Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos”. O telefone de Vaccareza aparece destacado entre os contatos da agenda de um dos aparelhos usados pelo doleiro.

No mesmo dia do encontro no apartamento de Vaccarezza, Youssef volta a falar com Vargas. E diz que o deputado deve “cobrar e ficar em cima”. “Senão não sai”, diz ele. Cinco minutos depois, Vargas escreve: “(Em) 30 dias estará resolvido”. Para a polícia, eles estavam articulando o contrato da Labogen com o Ministério da Saúde, assinado três meses depois.

É justamente em torno dos negócios que o grupo buscava para ganhar dinheiro com o Labogen que aparecem as referências diretas ao então ministro Alexandre Padilha, agora pré-candidato ao governo paulista. Em 26 de novembro de 2013, André Vargas diz que falou com “Pad”, que a PF relaciona a Padilha. “Falei com Pad agora, e ele vai marcar uma agenda comigo”, escreveu o deputado ao doleiro.

 

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 19:38

Na Haddadolândia, traficante de crack tem crachá e uniforme da Prefeitura e usa os hotéis pagos com dinheiro público para fornecer pedras aos viciados. Parabéns, Supercoxinha!

A Cracolândia, ou Haddadolância — como passei a chamar o território livre para o tráfico e o consumo de drogas em São Paulo, criado e agora financiado pela gestão de Fernando Haddad —, é um crime moral (e desconfio que em sentido estrito também) cometido a muitas mãos. E boa parte da imprensa as tem sujas também, é bom deixar claro, porque defende um programa delinquente. Peço que vocês assistam a este vídeo veiculado pelo “SBT Brasil”, apresentado por Joseval Peixoto e Rachel Sheherazade. Volto em seguida.

Então vamos lá:
1: traficante usa crachá da Prefeitura e se finge de consumidor;
2: o acesso aos hotéis em que moram os viciados é livre;
3: o preço da pedra sobe às sextas, quando a Prefeitura faz o pagamento aos viciados contratados, que não são obrigados a se tratar;
4: o tráfico é feito à luz do dia; não teme nada nem ninguém.

Nota-se o esforço da reportagem e dos próprios âncoras para, digamos assim, compreender a natureza do programa da Prefeitura. Mas será que ele tem salvação? É evidente que não!

Desde que o programa “Braços Abertos” foi criado, alertei aqui — e outros também o fizeram — que só mentalidades perturbadas tomariam as seguintes providências:
a: criariam hotéis exclusivos para viciados;
b: aumentariam a quantidade de dinheiro circulante entre eles;
c: ofereceriam benefícios sem exigir nada em troca;
d: tornariam o tratamento volitivo.

O resultado seria um só: a região, que já estava mergulhada no inferno, viraria um paraíso para os traficantes de drogas. E foi o que aconteceu. Eles circulam livremente pelas ruas e pelos hotéis, agora em absoluta segurança. Atenção! Eu já acho a chamada “política de redução de danos” um escandaloso equívoco técnico. Mas isso que faz a Prefeitura petista é outra coisa: trata-se de incentivo a uma atividade criminosa. Nem o “socialista” Haddad consegue extinguir as leis do mercado.

Quando o Denarc resolveu prender um traficante na Cracolândia, vocês se lembram a gritaria da Prefeitura, especialmente de Haddad e de seu, digamos assim, secretário da Segurança Urbana, Roberto Porto, um rapaz que tem amigos poderosos na imprensa, mas que não consegue disfarçar nem assim sua escandalosa incompetência. Faz a linha “coxinha voluntarioso”, a exemplo de seu chefe.

A Haddadolândia, aliás, é um bom exemplo de área em que a droga é legalizada. Se vocês querem saber como fica a coisa, passem por lá. Ali é a terra sonhada por alguns idiotas fantasiados de libertários: já não há pecado nem perdão.

A verdade insofismável é que a Prefeitura de São Paulo passou a ser a financiadora indireta do tráfico de crack em São Paulo. Não só isso: ao transformar aquela área numa zona livre para a venda e o consumo de drogas, passou a fornecer também a segurança com a qual os traficantes sempre sonharam para exercer a sua atividade.

O conjunto da obra é de uma arreganhada imoralidade. Vamos ver quantas gerações serão necessárias para que São Paulo se livre de um desastre chamado Fernando Haddad, a mais perversa das criaturas inventadas por Lula.

E ele já tem outra na manga do colete: Alexandre Padilha — aquele cujo ministério assina convênio com laboratório de fachada, especializado em lavar dinheiro.

Não votei em Haddad, é óbvio. Mesmo assim, fico um tanto envergonhado. Afinal, ele é prefeito da cidade em que moro. Sempre que me lembro disso, é como se eu não tivesse me esforçado o bastante para que não acontecesse.

Sei de onde vem esse sentimento… Até algumas pessoas que votaram nele achavam que seria um mau prefeito. Mas nem os adversários mais convictos imaginaram que pudesse ser tão ruim.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 18:55

O Brasil dos barbudos junto com Antígua e Barbuda — já ouviu falar?

Não reclamem quando a “Time” acha que Dilma Rousseff é menos influente do que José Mujica, aquele ser estranho que governa o Uruguai. É por bons motivos. Leiam o que informa a VEJA.com:
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O Brasil deve continuar com a economia em marcha lenta e a inflação elevada em 2014, apesar da forte alta de juros promovida pelo Banco Central, destaca o Fundo Monetário Internacional (FMI) em relatório divulgado nesta quinta-feira em Lima, no Peru, chamado de Perspectiva Econômica Regional para o Hemisfério Ocidental. A previsão do FMI é de que o Brasil cresça 1,8% este ano, uma das menores taxas de expansão das Américas.

Excluindo a Argentina e a Venezuela, apenas países pequenos da região — Santa Lúcia, Jamaica, Granada, Antígua e Barbuda, Dominica, Barbados e El Salvador — devem ter expansão menor que a economia brasileira este ano, segundo o relatório do Fundo. No continente, os Estados Unidos devem ser um dos destaques e crescer 2,8% este ano. A Argentina deve ter expansão de 0,5% e a Venezuela, contração de 0,5%, segundo as projeções do FMI, que não tiveram alterações em relação às divulgadas na reunião de primavera do Fundo em Washington, no começo do mês.

O Brasil deve se expandir menos que a média da América Latina, com crescimento previsto de 2,5% neste ano. O destaque na região entre as grandes economias deve ser o México, com expansão estimada de 3%. Já o Panamá deve ficar com o maior crescimento do PIB, de 7,2%. O FMI atribui o fraco desempenho do Brasil a um conjunto de fatores. A queda da confiança dos empresários continua pesando negativamente no investimento privado, que vem mantendo desempenho pífio. O Fundo também cita os gargalos na infraestrutura, que desestimulam o investimento privado e contribuem para a perda de competitividade do país.

No caso da inflação, o relatório do FMI destaca que ela deve permanecer no topo da meta do Banco Central, apesar do aperto monetário significativo desde abril do ano passado. Os economistas do Fundo citam alguns fatores para explicar a persistente alta de preços, que incluem os estrangulamentos na infraestrutura, inércia inflacionária e reflexos da desvalorização passada do real. A recomendação do Fundo para os países com inflação persistentemente alta é de que ambas as políticas, monetária e fiscal, sejam usadas para conter a pressão nos preços e para reforçar a credibilidade da política econômica.

Em 2015, a América Latina deve ter uma leve recuperação e avançar 3%. Mas nas estimativas feitas para até 2019, a avaliação do FMI é que dificilmente os principais países da região terão os mesmos níveis de expansão vistos até 2011, período marcado por alta nos preços internacionais dos preços das commodities. “O crescimento deste ano da América Latina deve ser o menor dos últimos 11 anos, excluindo 2009, que foi marcado pela crise financeira internacional”, disse o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Hemisfério Ocidental, Alejandro Werner, em entrevista coletiva

Empresas
O relatório também aponta que os governos da América Latina devem ficar atentos aos níveis altos de endividamento e alavancagem das empresas e potenciais descasamentos de moedas nas operações financeiras das companhias. O Brasil é citado como o país em que a alavancagem média das empresas é a mais alta na região, considerando os países financeiramente integrados, seguido do México. O termo alavancagem é usado para definir a relação entre o endividamento e o potencial de receita das empresas.

“As empresas das economias financeiramente integradas da América Latina podem estar alcançando níveis problemáticos de alavancagem financeira”, ressalta o FMI. Os economistas da instituição chegaram a essa conclusão ao avaliar os balanços de mil empresas abertas do Brasil, Chile, Colômbia, Peru e México. O FMI já havia alertado para os níveis altos de endividamento corporativo dos países emergentes em geral na reunião de primavera, no começo do mês em Washington.

A combinação perigosa de crescimento econômico baixo e condições financeiras mais duras no mercado internacional, por conta da mudança da política monetária dos Estados Unidos, pode levar a um aumento de calotes e uma menor rentabilidade dos bancos, ressalta o FMI no documento.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 17:15

As Quatro Leis da Entropia Petista

Leiam trecho de artigo de José Serra, publicado no Estadão desta quinta.
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Arrumando meus papéis, encontrei transcrições completas dos debates em rede nacional da campanha presidencial de 2010. De forma um tanto masoquista, li todas elas e lembrei de um juízo que formei na época e disse a uma assessora: “Dilma Rousseff tem o dom de empregar o máximo de palavras para expressar o mínimo de pensamento (*). Mesmo assim, um mínimo errado”.

Ao longo desses debates, eu tinha duas preocupações essenciais. A primeira, como é óbvio, perder no segundo turno, não tanto pelo desempenho de Dilma, mas pela avaliação do governo Lula: no período entre junho e setembro, mais de 75% das pessoas achavam o governo ótimo ou bom e 85% o aprovavam. As vendas a varejo cresciam a 11%, a massa real de rendimentos, 8%, e a supervalorização cambial chegava ao seu ponto máximo, subsidiando o consumo importado e o turismo no exterior – naquele ano, o dólar valeu em média R$ 1,7. Precisava mais?

A outra preocupação era com o futuro do Brasil em si, independentemente de minha participação no processo. Estava convencido de que o boom econômico capotaria logo, de que a herança de Lula seria bastante adversa e de que, se fosse eleita, Dilma Rousseff faria um governo atrapalhado e ruim, pisando no acelerador do atraso. Passara a campanha mostrando que não conhecia os problemas brasileiros e que não tinha nenhuma qualificação especial como administradora pública. Pelo contrário.

Uma coisa é fazer uma previsão pessimista, outra é vê-la se cumprir, ver a intuição virar razão: quando isso ocorre, não fico exatamente surpreso, mas sou tomado de certa estupefação.

A lei do máximo de palavras para um mínimo de conteúdo está acoplada a três “antileis” afins, a começar pela que estabeleceu que a menor distância entre dois pontos não é uma linha reta, mas alguma curva tridimensional e espiralada, teorema antieuclidiano que o governo Dilma segue à risca. Outra “antilei” sagrada tem origem na volta ao geocentrismo, ou seja, à ideia de que o sol e os planetas giram em torno da Terra, que é o centro do universo. A presidente Rousseff e o PT se comportam como se fossem o centro do universo brasileiro, em torno do qual tudo e todos têm de girar: o conhecimento, a moral, a ética, a Justiça, a imprensa e todos os políticos e seus respectivos partidos.

Por fim, adotaram a “antilei” que afeta o funcionamento da economia: a da inépcia inovadora, segundo a qual as facilidades não devem ser aproveitadas, mas tornadas em dificuldades. Por exemplo, se o modelo anterior de concessão na exploração de petróleo funcionava bem, para que aproveitá-lo no pré-sal? Não! Preferiu-se um novo método, que não traz mais dinheiro ao País e ao Fisco, mas colabora para quebrar a Petrobrás.
(…)
Essas “antileis” – ou as quatro leis da entropia petista – não são uma questão corriqueira, que se resume ao discurso. Elas têm consequências práticas na vida dos brasileiros e no futuro do País. Formam os alicerces do atraso, que sustentam um projeto de poder.
Leia a íntegra do artigo aqui

 

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 16:35

Dilma está fora da lista de “Mais Influentes” da “Time”. Até Mujica, o esquisito, está lá, ao lado de Maduro, o asqueroso

Time influentes

É claro que listas de “mais influentes” têm o peso que têm. Não mudam nada na ordem das coisas. Ao contrário: elas é que são o resultado do que se comenta por aí e indicam a relevância de figuras públicas.

Tudo depende, também, de quem as elabora. Quando se trata da revista “Time”, convém prestar alguma atenção. Ela reflete a percepção que tem o mundo sobre as figuras mais influentes da política, da economia, dos negócios, do showbiz etc.

Muito bem: há quatro latino-americanos na lista das cem personalidades mais influentes da “Time”. O papa Francisco está lá, por razões óbvias. Goste-se ou não de sua atuação — não está entre os meus papas prediletos, confesso —, a verdade é que, por natureza, o cargo lhe dá destaque. De certo modo, não tem de disputar o lugar com ninguém.

Há três outros nomes do subcontinente: Nicolás Maduro, o ditador da Venezuela; José Mujica, o esquisito que governa o Uruguai, e Michelle Bachelet, recém-eleita presidente do Chile, pela segunda vez. Dilma está fora.

Ai, ai…

Tudo somado, o PIB desses três países, em dólares, não chega a 40% do brasileiro: US$ 330 bilhões (Chile), US$ 420 bilhões (Venezuela) e US$ 55 bilhões (Uruguai). O do Brasil passou dos US$ 2 trilhões em 2013. Somadas as populações, são pouco mais de 50 milhões de pessoas; no Brasil, já somos 200 milhões.

No entanto, segundo a “Time”, José Mujica, o exótico, que governa 3,5 milhões de uruguaios, é mais influente do que a nossa Soberana. Não li o motivo que justifica a sua inclusão. Muito provavelmente se deve à legalização e estatização da maconha no país. Vale dizer: um péssimo motivo.

Maduro também não deve estar na turma em razão de alguma virtude. O critério da “Time” não é moral: é de influência e pronto. Hitler e Stálin, a seu tempo, já tiveram seu lugar. A única que pode ter atraído a atenção por alguma qualidade é Bachelet.

Assim, leitores, se Dilma houvesse feito uma grande porcaria, mas reverenciada em certos círculos — como Maduro e Mujica —, é até possível que integrasse a lista. Mas nem mesmo uma bobagem de alcance mundial ela fez. Trata-se apenas de uma figura irrelevante. A presidente de uma das dez maiores economias do mundo, do mais importante, mais populoso e mais rico país da América Latina foi simplesmente ignorada. Espero que, desta feita, o ministro Thomas Traumann se contenha e não decida dar um pito na revista americana…

Não acho que, por isso, Dilma deva dormir na pia. Mas o fato reflete um progressivo desinteresse do mundo pelo Brasil. Acabou o encanto. A revista inglesa “Economist” já pôs o Cristo Redentor na capa, como um foguete. Acabou essa onda.

Ainda assim, Dilma poderia ser uma figura internacionalmente relevante, em razão, por exemplo, de uma política externa audaciosa, robusta. Mas quê… Ninguém liga para o que pensa o governo brasileiro. É justo. Vejam o papel lamentável do Itamaraty na crise venezuelana.

O caso de Maduro, aliás, é emblemático. A “Time” constatou que há mais gente interessada em saber o que pensa um ditador asqueroso do que o que pensa a amiga do ditador asqueroso.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 15:46

A parte da ditadura que o PT reverencia

Quando vocês veem o PT por aí a promover a demonização do Regime Militar, é pura conversa mole. Não se trata de convicção. É só oportunismo. Leiam esta nota no Painel, da Folha, editado por Vera Magalhães:

 “Alô, doutor Paulo? Aqui é o Padilha. Sabe onde eu estou?”

Eram quase 13h30 desta quinta-feira (24) quando o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, tirou o celular do bolso e telefonou para o deputado federal Paulo Maluf (SP), presidente estadual do PP paulista, informa Marina Dias.

Padilha informou ao deputado que estava a bordo de um barco na eclusa de Barra Bonita, que opera na Hidrovia Tietê-Paraná, e foi construída sob o comando do deputado em 1973, quando era secretário de Transportes do Estado.

“Perguntei por aqui quem tinha feito a obra da eclusa e todo mundo acertou de cara. E está tudo ótimo, viu? Estou muito animado”, disse o petista ao telefone.

A corte foi feita a Maluf em momento estratégico. O PT começa a fechar o apoio dos partidos que irão compor a chapa de Padilha na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

No sábado (26), o PC do B oficializa que estará com o PT nas eleições em São Paulo. PR, Pros, PDT e PTB também já foram procurados pelos petistas.

No fim do ano passado, o PP deixou o governo Geraldo Alckmin (PSDB) em um aceno à candidatura de Padilha, como revelou a Folha. As conversas foram costuradas pelo presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, e o próprio pré-candidato petista, com o aval do ex-presidente Lula.

Retomo
O que o PT não faz para conquistar ou manter o poder? É uma pergunta sem resposta. Vale tudo, inclusive qualquer coisa.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 15:22

A nota abjeta de Renan Calheiros, com inverdades e imprecisões a cada linha

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), vai recorrer ao pleno do Supremo para tentar impedir a instalação da CPI da Petrobras. Até aí, bem. Todos já sabíamos disso, e é um recurso que está à sua disposição. Até coisas moralmente decentes podem ser feitas de maneira indecorosa. As já naturalmente indecorosas podem aspirar, quando muito, a uma discrição. Renan escolheu coroar o seu papel vergonhoso em toda essa história com uma nota que chega a ser abjeta quando nos lembramos que ele é o presidente do Congresso Nacional, um dos Poderes da República — aquele que, por excelência, representa o povo.

Comento a sua nota parágrafo a parágrafo.

Escreve o presidente do Senado:
A independência dos Poderes é um dos pilares das democracias modernas. Tal preceito tem sido observado ao longo dos anos e, em 2013, o pleno do Supremo Tribunal Federal, após a paralisia processual derivada de uma liminar, decidiu, em última instância, que não lhe cabia controlar preventivamente o processo legislativo.
Escrevo eu:
Renan se refere a uma liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes que suspendeu a tramitação de um projeto de lei que criava dificuldades para a criação de novos partidos. Já no caso a que ele alude, diga-se, não havia controle prévio nenhum; não havia tentativa nenhuma de cercear o trabalho do Congresso. Ao contrário: também ali havia agressão a direitos fundamentais, protegidos pela Constituição. Mas, admito, tratava-se de uma tema que suscitava e suscita certa polêmica. Infelizmente, em 2013, a maioria do STF tomou a pior decisão. Vamos ver desta vez. Continuemos com o presidente do Senado.

Escreve Renan:
A compreensível divergência acerca da amplitude das Comissões Parlamentares de Inquérito caracteriza uma situação inédita. Ela obriga a reflexão de todos os Poderes a fim de evitarmos um precedente que implique futuras investigações seletivas, restritivas ou mesmo persecutórias a serviço de maiorias circunstanciais.
Escrevo eu:
É o trecho mais asqueroso da nota. Para começo de conversa, inédita é só a tramoia promovida pelo PT, a que deu guarida o presidente do Senado. O resto é claro: tanto o Artigo 58 da Constituição como o Capítulo XIV do Regimento Interno do Senado dispõem sobre CPIs: têm de ter fato determinado e contar com o apoio de um terço dos congressistas. E só. Não consta que caiba ao presidente do Senado ou da Câmara decidir qual comissão pode e qual não pode ser instalada. Fosse pouco, o acórdão do Habeas Corpus 71.039, que Renan citou de forma fraudulenta, diga-se, dispõe sobre a abrangência da CPI.
Ora, investigação seletiva é a que tenta fazer o PT, com o apoio de Renan. O senador petista Humberto Costa (PE) é explícito: “Se a oposição pensa que vamos deixar de lado outras suspeitas, estão enganados. Já temos assinaturas para a CPI da Alstom na Câmara e vamos começar a coletar as assinaturas no Senado”. Vale dizer: eles querem uma investigação apenas para tentar impedir a da Petrobras. Vamos dar continuidade à peça indigna.

Escreve Renan:
Os regimentos internos do Congresso Nacional, leis internas do Parlamento, são importantes instrumentos para elucidar a matéria. O regimento interno da Câmara dos Deputados, por exemplo, explicita que na ocorrência de requerimentos com objetos coincidentes, prevalecerá aquele de espectro mais abrangente. É uma premissa bastante sensata e que se aplica ao caso.
Escrevo eu:
Ainda que Renan estivesse certo, a Constituição prevalece sobre regimentos internos, como lembrou a ministra Rosa Weber. No mundo de Renan, o documento maior asseguraria um direito, mas um regimento o jogaria no lixo. Fosse assim, as regras de um condomínio poderiam violar a Constituição Federal. Lembro ao presidente do Senado que ele não pode violar a Carta Magna nem em suas fazendas em Alagoas.

Escreve Renan:
Desde o primeiro momento, busco o entendimento sobre o alcance das CPIs respeitando o sagrado direito da minoria. Se fatos podem ser acrescidos durante a apuração, entende-se que muito mais eles são possíveis na criação da CPI. O poder investigatório do Congresso se estende a toda gama dos interesses nacionais a respeito dos quais ele pode legislar.
Escrevo eu:
É uma trapaça argumentativa. Fatos podem ser acrescidos, conforme é pacífico na jurisprudência do Supremo, desde que conexos ao que se está investigando. O acórdão do Habeas Corpus 71.039 é explícito sobre o caráter não universal da CPI. Ela não pode investigar o que lhe der na telha. O que o metrô de São Paulo ou o Porto de Suape têm a ver com a Petrobras? A ser assim, vamos acrescentar ao requerimento aquele o caso da empreiteira que pagava a pensão alimentícia que um senador devia a um filho tido fora do casamento. Lembram-se disso? É claro que estou me referindo ao próprio Renan.

Escreve Renan:
Diante da imperiosidade de pacificar o entendimento em torno da matéria, o Senado Federal recorrerá da liminar ao plenário do Supremo Tribunal Federal.

Escrevo eu
O Senado Federal uma ova! Quem vai recorrer é Renan — com o apoio de sua turma. Perceberam agora por que ter esse tipo de peemedebista como aliado é fundamental ao PT?

 

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 7:04

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 6:54

Ministra do Supremo manda instalar CPI da Petrobras. Sua decisão tem lado: o da democracia e do estado de direito

Rosa Weber: impedir CPI da Petrobras é violar direito da minoria, consagrado na Constituição

Rosa Weber: impedir CPI da Petrobras é violar direito da minoria, consagrado na Constituição

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar aos partidos de oposição e mandou instalar a CPI da Petrobras. Foi uma decisão política? Não! Absolutamente técnica! Fiquei satisfeito com os argumentos por ela elencados porque coincidentes com aqueles que andei expondo aqui no blog, conforme vocês podem verificar nos arquivos. A ministra determinou que a CPI seja instalada nos termos do requerimento 302, apresentado pela oposição, que restringe a comissão à Petrobras, não nos do 303, da base governista, que incluía investigações de supostas irregularidades em São Paulo e Pernambuco.

Rosa Weber afirmou que impedir a CPI da Petrobras viola o direito das minorias. Nas suas palavras, impedir a instalação da comissão “mostra-se incompatível com o estatuto conferido pela Constituição aos grupos políticos minoritários, ao consagrar o pluralismo político como fundamento do Estado democrático de direito”.

A ministra evocou justamente o Artigo 58 da Constituição, que citei aqui tantas vezes. Ele estabelece que uma CPI, para ser instaurada, tem de ter objeto definido e contar com a adesão mínima de um terço do Senado ou da Câmara, ou de ambos, no caso de CPI mista. E as oposições cumpriram esses dois requisitos.

Também observei neste blog que a Constituição não prevê em nenhum artigo que a instalação de uma CPI depende da vontade do presidente da Câmara ou do Senado. E o que disse Rosa? Que não cabe a ninguém, cumpridos os requisitos, “qualquer apreciação de mérito sobre o objeto da investigação parlamentar”.

A ministra, aliás, foi relatora de dois mandados de segurança. O da oposição, de número 32.885, e o da base do governo, de número 32.889. Um especialista estrangeiro que estivesse acompanhando o caso chegaria à conclusão de que o PT padece de esquizofrenia política. Por quê? Vamos ver se consigo ser claro. Quando as oposições propuseram a CPI da Petrobras, o que fez o governismo? Articulou uma ainda mais ampla, que incluía a estatal e obras com recursos federais de São Paulo e Pernambuco. Assim, a CPI seria um saco de gatos, certo?

Acontece que o próprio PT, por intermédio da senadora Ana Rita (ES), também recorreu ao STF com o pretexto de que faltaria fato determinado para a CPI da Petrobras. Ora, se, segundo os petistas, falta foco numa comissão que investigue apenas a estatal, por que, então, eles queriam abrir ainda mais o leque de investigação? Aí é que não se apuraria nada mesmo. Rosa indeferiu o pedido.

A base governista pode agora recorrer e pedir que a questão seja analisada por todos os ministros do tribunal. Não existe prazo para esse recurso ser apreciado e, ainda que o pedido seja apresentado nesta quinta, ele não tem efeito suspensivo — vale dizer: a CPI tem de ser instalada imediatamente.

É claro que os governistas vão cozinhar o galo. Vamos ver a que artimanhas vai recorrer Renan Calheiros (PMDB-AL), o homem que acaba de ser derrotado no STF de maneira vexaminosa, já que foi ele que tentou impedir a instalação da comissão. Agora, os partidos precisam indicar os membros titulares da CPI — que terá, necessariamente, maioria governista.

Ao conceder uma liminar à oposição e recusar a outra à base governista, a ministra Rosa Weber está escolhendo um lado: o da Constituição, o do estado de direito, o das leis.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 6:41

Governo petista do Acre teve uma ideia para resolver problema com a imigração de haitianos: despachá-los para São Paulo! Ou: PT cria o problema, orgulha-se dele e joga batata quente no colo alheio

Haitianos num acampamento de Brasiléia, no Acre: segundo a mística petista, isso é evidência da pujança do "novo Brasil"

Haitianos num acampamento de Brasileia, no Acre: segundo a mística petista, isso é evidência da pujança do “novo Brasil”

Há três anos já, o Acre tem recebido uma boa leva de imigrantes haitianos. Eles chegam primeiro ao Peru e à Bolívia e depois se instalam em território brasileiro. Nesse tempo, o governo federal — e imigração é um problema federal — não moveu uma palha nem para impedir a entrada ilegal nem para alojá-los ou lhes arrumar emprego. Mas estimula o fluxo ao regularizar a situação e anunciar ao mundo que eles são bem-vindos.

Mais do que isso: os petistas passaram a alardear que a chegada desses haitianos é uma evidência da pujança do Brasil. O assunto até foi tema da redação do Enem em 2012. A tese era a seguinte: antes, o Brasil era pobre e expulsava mão de obra; agora, na gestão petista, é rico e atrai mão de obra. O governo brasileiro, de resto, é um crítico de países que criam dificuldades para a entrada ilegal de imigrantes.

Resultado: há uma explosão de haitianos no Acre, especialmente na cidade de Brasileia. Vivem em condições miseráveis, em acampamentos imundos. O governo Dilma não faz nada. Tião Viana, governador do Acre, seu aliado partidário, teve uma ideia: “Ah, vamos mandá-los para São Paulo”. E foi o que fez. Fechou um dos abrigos de Brasileia e despachou os imigrantes sem nem mesmo um comunicado prévio ao governo do outro Estado, que se indignou com essa postura.

Nilson Mourão, secretário de Justiça e Direitos Humanos,do Acre, resolveu dar uma de cínico, afirmando que não entende a postura do governo paulista. Referindo-se aos haitianos, afirmou à Folha: “Eles não ficam aqui. É apenas uma porta de entrada. A maioria segue viagem rumo ao sul do país. Nós chegamos no limite. A cidade de Brasiléia, de 10 mil habitantes, está com 20% da sua população formada por imigrantes”. Segundo Mourão, o Estado de São Paulo, “o mais rico da federação”, tem total condições de abrigar os 400 haitianos que acabaram de chegar.

Não me digam! Ora vejam! O governo do PT decide aplicar uma política de portas abertas a toda e qualquer imigração ilegal. Basta ir chegando. Não só pratica isso como alardeia seu malfeito. Não contente, ainda se orgulha dele e o transforma em teoria e até em tema de redação do Enem. E depois joga a batata quente na colo alheio.

A secretária de Justiça do Estado de São Paulo, Eloisa Arruda, classificou a atitude do governo do Acre de “irresponsável” e se disse indignada. Agora pense um pouquinho, leitor: imagine se é o governo de São Paulo a agir dessa maneira. Imagine se Geraldo Alckmin tivesse resolvido lotar alguns ônibus com nigerianos, por exemplo, e os enviado a estados administrados pelo PT. A essa altura, as milícias petistas nas redes sociais o estariam tachando de racista, de higienista e de fascista.

Quando, no entanto, um governo petista envia imigrantes que ele próprio recebeu a outro estado como se fosse uma leva de gado, aí não! Aí se trata de política humanista, certo? Tenham paciência! E o que fez, até agora, o Ministério da Justiça, de José Eduardo Cardozo, a quem compete cuidar do assunto?

Nada! Se Dilma quisesse que a pasta funcionasse, não teria escolhido Cardozo para cuidar dela. Só gente ocupada tem tempo de fazer o que deve.

Por Reinaldo Azevedo
 

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