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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

27/02/2015

às 16:36

Com o emprego já capenga, governo onera a folha de pagamento… tsc, tsc, tsc. Ou: Dilma no mato, sem um rottweiler amoroso!

Dilma está no mato, cercada por muitos cachorros, e nenhum deles é um rottweiler amoroso. São vira-latas famintos. Posts abaixo, vocês leem que a crise chegou ao emprego para ficar. Um ser lógico diria que, nesses casos, o conveniente é tomar medidas para incentivar a contratação, certo? Pois é…

Quando, no entanto, o cobertor é curto, começa aquele troço de cobrir o dorso e descobrir os pés. No esforço de fazer o mixuruca superávit primário, o governo está em busca de receita. E faz o quê? Decide elevar, por Medida Provisória, em até 150% o imposto sobre a folha de pagamento. É evidente que a medida afeta diretamente o… emprego. Leiam texto da VEJA.com.
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O governo publicou nesta sexta-feira a Medida Provisória 669 que eleva as alíquotas de contribuição para a Previdência das empresas sobre receita bruta, reduzindo a desoneração da folha de pagamentos, iniciada em 2011. A partir de junho deste ano, as empresas que tinham alíquota de 1% de contribuição previdenciária sobre a receita bruta terão de contribuir com 2,5%, enquanto as que tinham alíquota de 2%, terão de arcar com 4,5%, de acordo com a MP publicada no Diário Oficial da União (DOU).

A mudança vai atingir 56 setores produtivos, alguns contemplados com o benefício desde 2011 e outros desde o ano passado, quando o governo decidiu tornar permanente a medida. O objetivo era reduzir os gastos com a mão de obra, estimular o mercado de trabalho e, consequentemente, a economia.

A alíquota maior, de 4,5%, é voltada para o setor de serviços, que inclui, por exemplo, empresas de call center, de tecnologia de informação, empresas jornalísticas, além do setor de construção civil e de transporte rodoviário e metroviário de passageiros.

Já o recolhimento de 2,5% abrange empresas do comércio varejista e de vários segmentos da indústria, como têxtil, aves e suínos, móveis, brinquedos, medicamentos, fabricação de aviões, navios e ônibus, material elétrico, equipamentos médicos e odontológicos, pneus e câmaras de ar, tintas e vernizes, borracha, vidros, entre outros.

Em 2011, o governo passou a desonerar a folha de pagamento de alguns setores substituindo o imposto de 20% sobre o salário por uma alíquota cobrada do faturamento das empresas, que variava de 1% a 2%, dependendo da companhia. Agora, este imposto sobre o faturamento aumentou.

Em janeiro, a arrecadação de tributos e contribuições federais somou 125,282 bilhões de reais, queda real de 5,44% ante igual mês do ano passado, conforme divulgado nesta semana pela Receita Federal.

A decisão faz parte do esforço do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para alcançar a meta de superávit primário em 2015. O governo anunciou nesta terça-feira que vai cortar gastos públicos.

Uma edição extra do Diário Oficial da União, com o decreto 8.412, definiu limites para os gastos não-obrigatórios do governo, também chamados de discricionários, nos quais estão inseridos investimentos e transferências para programas sociais. O decreto vale para o primeiro quadrimestre do ano.

Segundo o texto, o valor máximo que poderá ser desembolsado até abril é de 75,15 bilhões de reais. Deste total, 59,98 bilhões de reais serão direcionados para despesas de custeio e 15,17 bilhões de reais para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 16:22

Como??? Assim não! Então procurador-geral anuncia no dia 27 de fevereiro que sua casa foi arrombada e invadida no fim de janeiro? E o que quer dizer, Cardozo, “radicais se avolumando em vários segmentos”? Ou: Autoridades têm de ter mais responsabilidade

Autoridades têm de ter responsabilidade.
Autoridades são autoridades porque a função institucional que ocupam os torna… autoridades!
Autoridades são donas do seu corpo, mas não são donas do seu cargo.
Autoridades têm o direito à vida privada desde que a vida privada não comprometa a sua função pública.

Rodrigo Janot, procurador-geral da República, anunciou hoje, dia 27 de fevereiro, que sua casa em Brasília foi arrombada e invadida no “fim de janeiro”. Não sei o que quer dizer “fim de janeiro”, mas suspeito que haja algum registro da ocorrência em alguma instância. Acabo de me informar e asseguro que a casa do procurador-geral é guardada, desde sempre, por uma esquema oficial de segurança. Os agentes federais estavam dormindo nesse dia?

Como o procurador-geral da República é procurador-geral da República, não procurador-geral de si mesmo, nós deveríamos ter sabido dessa ocorrência, não? A informação deveria ter vindo a público imediatamente. Janot faz de si mesmo o que quiser; é problema dele. A segurança do chefe do Ministério Público Federal é problema nosso.

Estou desconfiando de que a invasão não tenha acontecido? Não! Se estivesse, diria. Detesto o estilo oblíquo, que sugere, que infere, que se acovarda no estilo, geralmente ruim. Estou dando fé. Se ele diz que foi, então foi. Quero saber a razão de anunciar isso um mês depois.

Ele próprio sugere algo de estranho, não um simples assalto. Afinal, os invasores deixaram de levar uma pistola com três carregadores — e assaltantes gostam de pistolas, certo? —, máquina fotográfica e outros objetos de valor. Tudo ficou onde estava. Só levaram o controle remoto do portão. Mesmo assim, Janot diz não acreditar que o evento tenha alguma relação com a Operação Lava Jato. Então tá bom.

Na conversa fora da agenda que Janot manteve com José Eduardo Cardozo, o ministro da Justiça o teria alertado sobre o aumento do risco à sua segurança. Por essa razão, nada menos de 80 agentes federais faziam o protegiam nesta sexta, num evento do MP em Uberlândia, de solidariedade a um promotor que sofreu um atentado. A Polícia Federal, que guarda o procurador-geral, informa que o tal alerta, vocalizado por Cardozo, não partiu dela. Então partiu de quem?

Cardozo, esta figura exótica da República, disse a Janot que o aumento do risco se deve a “radicais se avolumando em vários segmentos”. Radicais se avolumando em vários segmentos? Em quais segmentos? Gente de extrema direita? Gente de extrema esquerda? Gente da extrema-central? Gente de extremo saco cheio? Quais segmentos?

Eu não gosto dessa história de autoridades virem a público para anunciar conspirações em marcha — ou sugerir alguma. Ou espalhar, de forma solerte, que elas existam. Sempre acho que quem apela a esse expediente está em busca de pedir à sociedade uma licença especial para comportamentos heterodoxos.

Por exemplo: é bastante heterodoxo que o procurador-geral se reúna com o ministro da Justiça e com o vice-presidente da república — e chefe inconteste do PMDB — pouco antes de tomar uma decisão importante. Se Geraldo Brindeiro tivesse feito isso no governo FHC, teria sido chamado de “estuprador-geral da República”.

Tendo havido a invasão — e a minha ressalva apenas faz parte da retórica decorosa, que procura chegar ao cento da questão —, eu me solidarizo com o homem Janot. Mas aponto, então, o erro brutal cometido pelo procurador-geral, que só agora informa a ocorrência. Quanto a José Eduardo Cardozo, dizer o quê? Eu nunca tenho nada de diferente a recomendar a este senhor: sempre é a demissão.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 15:51

A crise chegou ao emprego. E para ficar! Vai-se a última âncora da empulhação petista

A geração de emprego sempre foi uma espécie de âncora da empulhação petista. Por razões várias, a crise demorou um pouco para chegar ao setor. Mas chegou. E isso contribui também para o mal-estar que anda nas ruas. A equação é complexa. Fechamento de postos de trabalho ou baixa criação de empregos não se refletem automaticamente na taxa de DESEMPREGO porque há o fator “desalento”, que os governantes adoram ignorar. Como o sujeito DEIXA DE PROCURAR EMPREGO, então não aparece nas estatísticas como desempregado.

Leiam o que vai na VEJA.com:
O Brasil fechou 81.774 vagas formais de trabalho em janeiro, o pior resultado para o mês desde 2009, quando haviam sido eliminados 101.748 postos, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho, nesta sexta-feira. Pesquisa da Reuters feita com analistas mostrou que a mediana das expectativas era de fechamento de 20.000 empregos. Em janeiro do ano passado, o saldo líquido havia sido positivo em 29.595 vagas.

Este foi o segundo mês consecutivo de redução de postos de trabalho formais no Brasil, após o fechamento em dezembro de 555.508 posições com carteira assinada, sem ajustes.

No primeiro mês deste ano, o comércio varejista fechou 97.887 postos de trabalho, enquanto o comércio atacadista mostrou estabilidade com a criação de apenas 87 vagas. Já a área de serviços registrou perda de 7.141 postos de trabalho. Por outro lado, a indústria de transformação voltou a contratar em janeiro após oito meses perdendo vagas, com 24.417 postos de trabalho criados. A agricultura teve geração de 9.428 vagas.

A alta do desemprego no início deste ano também foi confirmada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Conforme divulgou nesta semana o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desocupação subiu de 4,3% em dezembro (mínima histórica) para 5,3% em janeiro, refletindo a baixa confiança na economia brasileira.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 15:39

Clube Militar repudia fala demencial de Lula e lembra que o Brasil tem apenas um Exército

Em nota, que endosso da primeira à última palavra, o Clube Militar responde a Lula e lembra que o Brasil só tem um Exército. Eis aí. No dia em que Lula vomitou impropérios naquela patuscada no Rio, já critiquei a sua fala demencial. Leiam a nota do Clube Militar.

O BRASIL SÓ TEM UM EXÉRCITO: O DE CAXIAS!

Ontem, nas ruas centrais do Rio de Janeiro, pudemos assistir o despreparo dos petistas com as lides democráticas. Reagiram inconformados como se só a eles coubesse o “direito” da crítica aos atos de governo. Doeu aos militantes petistas, e os levou à reação física, ouvir os brados alheios de “Fora Dilma”.

Entretanto, o pior estava por vir! Ao discursar para suas hostes o ex-presidente Lula, referindo-se a essas manifestações, bradou irresponsáveis ameaças: “ ..também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas”. Esta postura incitadora de discórdia não pode ser de quem se considera estadista, mas sim de um agitador de rua qualquer. É inadmissível um ex-presidente da República pregar, abertamente, a cizânia na Nação. Não cabem arrebatamentos típicos de líder sindical que ataca patrões na busca de objetivos classistas.

O que há mais por trás disso?

Atitude prévia e defensiva de quem teme as investigações sobre corrupção em curso?

Algum recado?

O Clube Militar repudia, veementemente, a infeliz colocação desse senhor, pois neste País sempre houve e sempre haverá somente um exército, o Exército Brasileiro, o Exército de Caxias, que sempre nos defendeu em todas as situações de perigo, externas ou internas.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 15:30

O fim do sigilo dos inquéritos é mera alegoria de mão; o que importa é outra coisa

Segundo o “Painel”, da Folha, Teori Zavascki — que soltou o petista Renato Duque e manteve presos os demais, os não petistas — sinalizou que deve acatar o pedido de Rodrigo Janot, procurador-geral, e determinar o fim do sigilo nos pedidos de inquérito. É? Fim de sigilo do quê? Dos nomes, não haveria de ser porque já não há sigilo mesmo. Do andamento das investigações? É o que costumo chamar de “alegoria de mão” em direito. Serve para fazer movimento. E nada mais.

O que interessa é outra coisa: haverá ou não denúncias? Eu já havia recebido a informação de que Janot optaria principalmente pelos pedidos de abertura de inquérito, que são um pouco mais do que nada. Segundo a Folha, ele optará apenas por esse expediente.

Em tese ao menos, dá tempo de empreiteiros serem condenados em regime fechado, enquanto os principais beneficiários do petrolão estarão ainda sendo “investigados”.

Estou preocupado com os “irmãos empreiteiros” na cadeia? Não! Estou lamentando é que larápios fiquem soltos.

Se acontecer como se anuncia, a dupla Janot e Zavascki vai produzir muito barulho e pouca substância.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 8:12

LEIAM ABAIXO

Governo que negocia com black blocs e com truculentos que invadem a propriedade alheia não tem mesmo de negociar com caminhoneiros. Afinal, eles são uma gente muito esquisita: TRABALHAM E NÃO SÃO BASE DO PT!;
#prontofalei – Sobre encontros imprudentes;
A PIZZARIA DO DOUTOR JANOT – Que mimo! O estado brasileiro encontrou os corruptores, mas não tem certeza se existem corrompidos…;
MEU ARTIGO NA FOLHA – Já dá para ouvir o 15 de março;
Justiça só acha R$ 10 mil nas contas de Cerveró;
Governo suspende o programa “Minha Casa Melhor” para conter gastos;
Corregedoria afasta juiz flagrado dirigindo Porsche de Eike Batista;
Juiz não aceita denúncia apresentada por Nisman contra presidente Kirchner;
The Economist: Brasil está no atoleiro e Dilma é fraca;
Governo decide multar e aciona PF contra caminhoneiros;
O que disse Cardozo a Janot? Descobri! “Perigo, perigo, perigo…”;
É para você, leitor! E só para você! O que se noticiou aqui num domingo e o que está em toda parte nesta quinta. Ou: A dupla Cardozo-Janot e a natureza do jogo;
Comissão de Ética pede explicações a Cardozo pela 2ª vez em 15 meses;
Haddad e o truque sujo com as criancinhas;
PMDB ignora Dilma e o PT no horário político;
— Luciano Coutinho adota o Paradigma Saddam Hussein, de Lula, e quer evitar a todo custo a CPI do BNDES. Diz temer uma derrocada semelhante à da Petrobras. É mesmo? Se isso acontecesse, seria por excesso de virtude?;
— Cunha derrota Kassab e Dilma, e ministro talvez não entre no Guinness;
— Youssef pretende desvelar, em novo depoimento, a real natureza do jogo: tratava-se de servir a um esquema de poder; o centro do petrolão está na política. É coisa dos “marginais do poder”

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 7:52

Governo que negocia com black blocs e com truculentos que invadem a propriedade alheia não tem mesmo de negociar com caminhoneiros. Afinal, eles são uma gente muito esquisita: TRABALHAM E NÃO SÃO BASE DO PT!

Curioso este governo Dilma: negocia com bandidos, recebe invasores que partem para a porrada, deixa-se fotografar com seus líderes, mas endurece o jogo com quem trabalha e tem demandas que são, sim, justas.

Explico-me. Gilberto Carvalho, ex-secretário-geral da Presidência, confessou em entrevista que se encontrou com black blocs depois das tais jornadas de junho de 2013. Numa das conversas, ele revelou, um deles atirou um rolo de papel higiênico contra a autoridade. Carvalho continuou conversando. Entendo.

No dia 12 de fevereiro do ano passado, uma manifestação do MST na Esplanada dos Ministérios deixou, atenção!, 30 policiais militares feridos. Carvalho foi bater um papinho com eles, e Dilma, ela mesma, os recebeu em palácio no dia seguinte. Afinal, como se sabe, eis um governo que dialoga.

Com os caminhoneiros, que são trabalhadores, a postura é bem outra. São as primeiras vítimas da recessão em curso do governo da companheira. A categoria está na lona. A equação que junta elevação dos combustíveis, preço do frete e queda das commodities quebrou as pernas da turma, que se manifesta Brasil afora bloqueando as estradas.

Já escrevi aqui e já disse no programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan: não endosso manifestações que cassam das pessoas o direito de ir e vir. Acho que é possível fazer de outro modo. Mas compreendo a justeza das reivindicações e acho que o governo tem de negociar. Houve, sim, uma reunião com lideranças dos caminhoneiros. Ocorre que são sindicalistas pelegos, que não representam os que estão efetivamente parados.

Jose Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, resolveu endurecer o jogo, a mando de Dilma. Afirmou que os nomes dos motoristas multados por infração de trânsito nos bloqueios de estradas serão enviados aos juízes para viabilizar a cobrança das multas por descumprimento das ordens judiciais de desbloqueio. As multas da Justiça estão fixadas entre R$ 5.000 e R$ 10 mil por hora para cada caminhoneiro. O ministro afirmou, ainda, que pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar crimes cometidos ao longo dos protestos, inclusive a suspeita de que empresas estariam por trás das manifestações.

Pois é… Pelo visto, o que falta aos caminhoneiros que estão bloqueando as estradas é um selo de qualidade ideológica. Pertencessem a um dos aparelhos que estão na rede de apoio ao petismo, não estariam sendo perseguidos pelo governo. Ou vocês já viram o MST, liderado por João Pedro Stedile, e o MTST, liderado por Guilherme Boulos, arcar com o peso das ilegalidades que promovem? Ao contrário: Dilma se deixa fotografar ao lado desses patriotas.

No fim das contas, o mal dos caminhoneiros é trabalhar, é pagar impostos. Fossem meros invasores da propriedade alheia, mas com pedigree ideológico, estariam sendo abraçados por Dilma e Cardozo.

Dilma está em maus lençóis. A companheira é hoje a principal promotora do protesto do dia 15 de março.

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 7:12

#prontofalei – Sobre encontros imprudentes

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 6:28

A PIZZARIA DO DOUTOR JANOT – Que mimo! O estado brasileiro encontrou os corruptores, mas não tem certeza se existem corrompidos…

Então vamos lá, caros internautas. Quem lê este blog sabe desde domingo que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, andava, digamos assim, “conversando” com José Eduardo Cadozo, ministro da Justiça. A publicação da informação me rendeu alguns ataques bucéfalos. Eu estaria, ora vejam!, fazendo carga contra o Ministério Público. Escrevi ontem um post a respeito e convidei os leitores insatisfeitos com o blog a fazer o que faço quando acho que um veículo não presta: ler outra coisa. Vamos seguir.

Às 6h21 de quarta-feira, os que acompanham esta página leram aqui um post cujo título era este: “Janot, os pedidos de abertura de inquérito e a denúncia… É preciso cuidado para que o braço político do crime não se dê bem de novo!”.

Janot inquéritos

E escrevi lá o que segue:

Janot inquéritos 2Janot inquéritos 3

Muito bem! Na Folha desta sexta, lê-se o que segue.

Folha Janot inquéritos

FOlha Janot inquéritos 2

Folha Janot inquéritos 3

Retomo
Olhem cá, meus caros: meu interesse nessa história vai nesta ordem, de acordo com a minha profissão:
1: apegar-me aos fatos — é o trabalho de um jornalista;
2: cobrar que se faça Justiça, de acordo com as leis da democracia e do estado de direito.

Reitero: os que estiverem satisfeitos com isso continuem no blog. Os que não estiverem estão a um clique de fazer a coisa certa.

Não sou adivinho. Não sou ideólogo. Não sou pitonisa. A pizza que se busca assar no petrolão é muito mais sofisticada, reitero, do que a que se assou no mensalão. Alguns espertos e expertos estão abusando da ignorância e do velho rancor contra os ricos — vocês sabem como eles têm as costas largas… — para transformar os empreiteiros nos grandes bandidos da República, enquanto os políticos, a exemplo do que se deu no mensalão, continuarão a saltitar por aí. É contra isso que me insurgi desde o princípio.

E pergunto de novo: o Ministério Público vai ou não fazer a delação premiada de Ricardo Pessoa?

Para encerrar
Naquele post de quarta-feira, deixei claro que Janot pedir ao STF o fim do sigilo dos procedimentos de investigação — incluindo inquéritos — é pura firula populista, tendente a ser rejeitada pelo tribunal. Estivesse realmente interessado em justiça e celeridade, ele ofereceria, em muitos casos escancarados, a denúncia, em vez pedir a simples abertura de inquérito.

Estamos diante de mais um caso de surrealismo explícito. Vejam que graça: temos pessoas que o estado considera “corruptoras” — os empresários denunciados —, mas esse mesmo estado tem dúvidas se existem os “corrompidos”… Ou por outra: o estado brasileiro tem certeza de que existe o criminoso, mas não está certo de que o crime tenha existido. É uma piada!

 Eu opino muito, sim. Mas a base da minha opinião são os fatos. Os incomodados que se mudem. Sobrarão muitos milhares.

Obrigado!

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2015

às 6:25

MEU ARTIGO NA FOLHA – Já dá para ouvir o 15 de março

Leiam trecho:

“Soc, poft, pow! Coxinha. Golpista!”

Eis o som presente do mar futuro de gente nas ruas no próximo dia 15. Ali vão as onomatopeias e vitupérios produzidos pelos milicianos petistas contra pessoas comuns, que pagam impostos e estão cansadas de ser roubadas. Pois é… Os companheiros acham que chegou a hora de nos pegar na porrada.

Na segunda, enquanto Lula e seus “tontons macoute” faziam um ato “em defesa da Petrobras”, no Rio –o que supõe distribuir sopapos didáticos para ensinar a essa brasileirada o valor do patriotismo–, a Moody’s anunciava o rebaixamento da nota da estatal. Bastava que caísse um degrau para passar do azul para o vermelho, do grau de investimento para o especulativo. Mas a agência empurrou a empresa escada abaixo: a queda foi logo de dois –e ainda com viés negativo.

A presidente Dilma Rousseff, com a clarividência habitual, atribuiu a decisão “à falta de conhecimento”. É verdade. A agência, o mercado e todo mundo desconhecem, por exemplo, o balanço da empresa. O que se dá como certo é que o governo indicou uma diretoria para o exercício da contabilidade criativa, com Aldemir “Hellôôô” Bendine à frente. A crise, no Brasil, também é brega.
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 21:23

Justiça só acha R$ 10 mil nas contas de Cerveró

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:

A Justiça só encontrou 9.940,21 reais nas contas bancárias brasileiras do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Investigadores suspeitam que ele tenha se antecipado às autoridades e enviado ao exterior milhões de reais obtidos na cobrança de propina durante o período em que trabalhou na estatal. Cerveró teve os bens sequestrados pela 13ª Vara Federal do Paraná para futura devolução aos cofres públicos dos valores desviados da petrolífera. Mas os quase 10 mil reais localizados estão bem longe dos 106 milhões de reais que a Justiça mandou bloquear. A quantia pretendida era equivalente aos 40 milhões de dólares recebidos de suborno por Cerveró como recompensa por favorecer a Samsung Heavy Industries na contratação de sondas, de acordo com a acusação do Ministério Público. Imóveis do ex-diretor também foram sequestrados, incluindo um apartamento de 7,5 milhões de reais cuja aquisição Cerveró tentou esconder utilizando uma offshore uruguaia.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 21:19

Governo suspende o programa “Minha Casa Melhor” para conter gastos

Por Ricardo Della Coletta e Murilo Rodrigues Alves, no Estadão:

Diante do cenário de restrição fiscal, o governo decidiu suspender o programa Minha Casa Melhor, linha de crédito especial para que os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida possam adquirir móveis, eletrodomésticos e eletrônicos a taxas de juros subsidiadas.

Para operar o programa, a Caixa Econômica Federal recebeu do governo uma capitalização de R$ 8 bilhões em junho de 2013. Do valor total, porém, R$ 3 bilhões foram direcionados para os financiamentos do programa – o restante foi usado em outra operação. O Broadcast apurou que esses R$ 3 bilhões foram desembolsados no total de financiamentos que foram concedidos pela Caixa até o fim do ano passado, 18 meses após o lançamento do programa. Não restou ao governo outra alternativa a não ser interromper a distribuição de novos cartões porque não há mais recursos para arcar com o custo financeiro dos juros mais baixos.

“Novas contratações do Minha Casa Melhor estão sendo discutidas no âmbito da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida”, informou a Caixa, em nota. “Os cartões referentes a contratos já realizados continuam operando normalmente”, completou a instituição financeira. Procurado, o Tesouro Nacional informou que somente o banco estatal comentaria o assunto.

Pelo canal oficial de comunicação entre a Caixa e os beneficiários do programa, a atendente afirmou que o Minha Casa Melhor está suspenso desde o dia 20 deste mês. “A Caixa está reavaliando o programa antes de realizar novas contratações no Brasil inteiro”, afirmou.

No lançamento do programa, o governo divulgou que a expectativa era de que 3,7 milhões de famílias fossem beneficiadas, em um total de R$ 18,7 bilhões. O Minha Casa Melhor oferece crédito a juros mais baixos que os praticados no mercado para as famílias atendidas pelo programa Minha Casa Minha Vida comprarem 14 tipos de eletrodomésticos e móveis. Os juros são de 5% ao ano contra 16,5% que o mercado cobra para financiar outros tipos de bens que não automóveis.

Impacto no varejo — O presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Honório Pinheiro, lamentou o “congelamento” do programa e o impacto da decisão para o setor varejista. “O Brasil está diante do desafio de fazer funcionar esse novo modelo econômico imposto pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda)”, afirmou. A CNDL, que representa 1,2 milhão de lojistas, estima que o programa injetou R$ 1,4 bilhão no ano passado. (…)

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 21:15

Corregedoria afasta juiz flagrado dirigindo Porsche de Eike Batista

A corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, decidiu pelo afastamento imediato do juiz Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, das ações criminais em curso contra o empresário Eike Batista. Na terça-feira, conforme adiantou a coluna Radar On-line, do site de VEJA, o juiz foi flagrado dirigindo um Porsche Cayenne que havia sido apreendido na casa de Eike. Na garagem do edifício do juiz, além da Cayenne, estava também uma Range Rover, e na casa de um dos vizinhos havia um piano de cauda apreendido na mansão do ex-bilionário. O despacho da Corregedoria foi publicado no fim da tarde desta quinta.

A Cayenne havia sido apreendida juntamente com pelo menos outros seis carros do empresário, depois que o juiz determinou o bloqueio de 3 bilhões de reais em bens do empresário. Também foram apreendidos uma Lamborghini, um Smart Fortwo e três picapes Toyota Hilux que iriam a leilão nesta quinta. Contudo, depois do episódio envolvendo o juiz, o certame foi suspenso.

Souza, que determinou a apreensão dos bens de Eike Batista, foi visto na terça-feira pela manhã dirigindo o automóvel, um Porsche Cayenne turbo placa DBB 0002, no centro do Rio, próximo à sede do Tribunal Regional Federal.

O juiz se justificou afirmando que levou Porsche Cayenne para a garagem do seu prédio, na Barra da Tijuca, zona Oeste da cidade, por falta de vagas no pátio da Justiça Federal e por causa da lotação do depósito da Polícia Federal. O juiz será alvo de uma sindicância. O processo foi instaurado pela Corregedoria Regional da Justiça Federal da 2ª Região, por determinação do corregedor regional em exercício, desembargador federal José Antonio Lisbôa Neiva. O procedimento vai investigar a conduta do juiz.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 19:09

Juiz não aceita denúncia apresentada por Nisman contra presidente Kirchner

Na VEJA.com:

A Justiça argentina não aceitou nesta quinta-feira a denúncia apresentada pelo procurador-geral Alberto Nisman contra a presidente Cristina Kirchner por encobrimento de terroristas, reporta a imprensa local. O juiz Daniel Rafecas rejeitou abrir investigação sobre as acusações de Nisman, mas o promotor Gerardo Pollicita, que levou a denúncia de Nisman diante, ainda pode recorrer da decisão. “Fica claro que nenhuma das hipóteses de crimes apontadas pelo promotor Pollicita em seu pedido se sustenta minimamente”, escreveu Rafecas em sua decisão.

O juiz considerou que a análise dos elementos “inibe a abertura de um processo penal porque ela não apenas deixa órfão qualquer alusão aos fatos descritos, como uma suposta manobra de encobrimento e /ou obstrução da investigação do atentado contra a Amia, mas, pelo contrário, tais evidências são categoricamente contra o suposto plano criminoso denunciado”. E acrescentou: “Todas as ações alegadas, discussões e negociações que a denúncia atribuiu a pessoas diferentes que não são membros de órgãos públicos – refletidas nas escutas telefônicas -, estão, na melhor das hipóteses, ainda no início da execução que se requere para uma intervenção no âmbito penal”.

“Neste momento, tenho em minhas mãos a decisão do juiz Daniel Rafecas. Eu ainda não comecei a ler os seus fundamentos, mas posso dizer que somos respeitosos com as decisões judiciais. Desde o primeiro momento, a Daia não emitiu qualquer consideração a respeito da denúncia”, disse o presidente da Delegação Argentina de Associações Judaicas (Daia), Julio Slochsser, ao jornal La Nación.

A presidente Cristina Kirchner tinha sido formalmente indiciada em 13 de fevereiro. O promotor federal Gerardo Pollicita analisou as quase 300 páginas do trabalho de investigação realizado por Nisman e considerou que a Justiça devia “iniciar a investigação pertinente com o objetivo de verificar, com base nos elementos de convicção que sejam incorporados (…), a existência do fato e, consequentemente, se o mesmo pode ser penalmente imputado aos responsáveis”.

Outros citados na denúncia de Nisman também foram indiciados por Pollicita: o chanceler Héctor Timerman, o dirigente kirchnerista Luis D’Elia, o deputado Andrés Larroque, Jorge Alejandro “Yussuf” Khalil, Héctor Luis Yrimia, ex-promotor responsável pelo caso da Amia, Fernando Esteche e uma pessoa identificada como Allan, que seria o agente de inteligência Allan Héctor Ramón Bogado.

O procurador-geral Alberto Nisman, que foi encontrado morto em seu apartamento em 18 de janeiro, em circunstâncias duvidosas, acusou Cristina e outros membros do governo de encobertar a ação de terroristas iranianos responsáveis pelo atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em que 85 pessoas foram mortas em 1994.

Investigação – A promotora encarregada da causa sobre a morte de Nisman, Viviana Fein, afirmou nesta quinta que não pode assegurar que a cena do falecimento foi preservada e que mais de um mês depois, ainda é cedo para descatar qualquer hipótese. “Com as medidas periciais que tenho pendentes, é prematuro dizer se o mataram, se ele se suicidou ou se induziram essa morte. Tenho provas concretas, mas falta bastante”, declarou Fein, em entrevista publicada pelo jornal La Nación. Passado mais de um mês da morte de Nisman, Fein disse que não há “nenhuma hipótese concreta” e que a morte do procurador-geral é ainda “uma grande dúvida para todos”.

“Estou esperando as investigações nos telefones, nos computadores, a análise das imagens das câmaras para saber quem entrou ou não ao Le Parc [o condomínio onde vivia Nisman]. Hoje não sei quem entrou e saiu”, detalhou. “A investigação dos telefones e dos computadores é muito importante. É preciso saber o que ocorreu nas últimas horas de Nisman. É preciso abrir sua agenda pessoal, cujo conteúdo ninguém conhece ainda”, acrescentou. Além disso, a promotora indicou que não pode “garantir o que ocorreu dentro do departamento” de Nisman antes de ela chegar ao local.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 19:05

The Economist: Brasil está no atoleiro e Dilma é fraca

capa economist passista

Na VEJA.com:

Pela terceira vez em menos de dois anos, a revista britânica The Economist volta a dedicar sua capa ao Brasil — e, novamente, não é por razões animadoras. Na edição latino-americana que chega às bancas, uma passista de escola de samba está em um pântano coberta de gosma verde com o título ‘O atoleiro do Brasil’. A reportagem que foi veiculada nesta quinta-feira foi produzida por uma equipe de editores e jornalistas da publicação que passou uma temporada no Brasil para tomar pé da situação econômica. Os jornalistas estiveram em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Nas duas últimas capas que a Economist havia feito sobre o país (uma em setembro de 2013 e outra em outubro de 2014), a principal crítica até então recaía sobre a equipe econômica e a presidente Dilma Rousseff, que juntas haviam conseguido minar a credibilidade das contas públicas. Outra crítica recorrente era a política protecionista. Na edição recente, a revista poupa o novo ministro Joaquim Levy — mas não Dilma: “Escapar desse atoleiro seria difícil mesmo para uma grande liderança política. Dilma, no entanto, é fraca. Ela ganhou a eleição por pequena margem e sua base política está se desintegrando”, diz a revista.
Em editorial, a revista se refere ao Brasil como “antiga estrela da América Latina” e afirma que o país vive seu pior momento desde o início da década de 1990, período de instabilidade política, com o impeachment de Fernando Collor, e derrocada econômica, com a hiperinflação. “A economia do Brasil está uma bagunça, com problemas muito maiores do que o governo admite ou investidores parecem perceber”. Além da ameaça de recessão e da alta inflação, a revista cita como grandes problemas o fraco investimento, o escândalo de corrupção na Petrobras e a desvalorização cambial que aumenta a dívida externa em real das empresas brasileiras.
Segundo a publicação, Dilma Rousseff “pintou um quadro cor-de-rosa” sobre o Brasil durante a campanha eleitoral. A revista critica o fato de a presidente ter usado o discurso de que a oposição iria retirar as conquistas adquiridas nos últimos anos, como o aumento da renda e os benefícios sociais. “Apenas dois meses do novo mandato e os brasileiros estão percebendo que foi vendida uma falsa promessa”.
A Economist nota que boa parte dos problemas brasileiros foi gerada pelo próprio governo que adotou uma estratégia de “capitalismo de Estado” no primeiro mandato. Isso gerou fracos resultados nas contas públicas e minou a política industrial e a competitividade, diz. A revista destaca que Dilma Rousseff reconheceu parte desses erros ao convidar Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. “No entanto, o fracasso do Brasil em lidar rapidamente com distorções macroeconômicas deixou o senhor Levy com uma armadilha de recessão”.
Entre as medidas para que o Brasil retome o caminho do crescimento sustentado, a revista diz que “pode ser muito esperar uma reforma das arcaicas leis trabalhistas”. “Mas ela deve pelo menos tentar simplificar os impostos e reduzir a burocracia sem sentido”, diz o texto, ao citar que há sinais de que o Brasil pode se abrir mais ao comércio exterior.
O editorial termina lembrando que o Brasil não é o único dos Brics em apuros. A Rússia está em situação pior ainda. A publicação ainda sugere que ainda é tempo para agir: “Mesmo com todos os seus problemas, o Brasil não está em uma confusão tão grande como a Rússia. O Brasil tem um grande e diversificado setor privado e instituições democráticas robustas. Mas seus problemas podem ir mais fundo do que muitos imaginam. O tempo para reagir é agora”.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 16:41

Governo decide multar e aciona PF contra caminhoneiros

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Sem conseguir negociar com os caminhoneiros que bloqueiam estradas do país em diversos estados, o governo determinou que a Polícia Rodoviária Federal multe os motoristas parados nas rodovias. Além de notificá-los pela infração de trânsito, a decisão tem um objetivo mais importante: identificar os líderes do movimento grevista e, assim, permitir a aplicação de multas por desobediência às ordens judiciais que exigem a desobstrução das vias. Nesse caso, o valor a ser pago varia de 5 000 a 10 000 reais por hora.

A medida anunciada pelo ministro da Justiça, José E duardo Cardozo, foi a solução encontrada pelo governo para permitir a punição dos grevistas, já que não há um sindicato ou entidade juridicamente constituída a ser responsabilizada pelo movimento. “O governo agirá firmemente no cumprimento da lei e das determinações judiciais”, disse Cardozo.

O Executivo também determinou que a Polícia Federal abra inquérito para investigar a prática de crimes por participantes do movimento – entre eles, o de obstrução ao trânsito de outros veículos.

O último dado da Polícia Rodoviária Federal é que existem 97 pontos de bloqueio em sete estados.

O ministro da Justiça explicou que o governo negociou com os representantes constituídos da categoria, apesar de integrantes do movimento afirmarem que os sindicatos não os representam. “O governo reitera que a proposta que foi apresentada foi aceita pela maior parte dos trabalhadores”, disse ele.

No início da tarde, três representantes do movimento dos caminhoneiros protocolaram um pedido de audiência com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto. Entre eles, está Ivar Schmidt, que esteve com o ministro nesta quarta e rejeitou a proposta do governo. O grupo pede uma redução, ainda que temporária, no valor do óleo diesel.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 16:10

O que disse Cardozo a Janot? Descobri! “Perigo, perigo, perigo…”

Ah, sim!

Um dos assuntos da conversa, fora da agenda de ambos, do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com Rodrigo Janot, procurador-geral da República, teria sido a segurança pessoal do chefe do Ministério Público.

O ministro disse a Janot que a área de Inteligência do governo — que oximoro delicioso esse! — teria detectado que cresceu a ameaça à sua segurança.

Que coisa, né? Isso não poderia ter sido dito por telefone ou por ofício? Cardozo não foi a Janot para levar essa grave informação: Janot é que foi ao gabinete de Cardozo.

Mais: como não é uma questão privada — afinal, trata-se de ameaça à integridade do procurador-geral —, reza o bom senso que isso deveria ter sido tratado publicamente, não num encontro que pretendia ser secreto.

“Ah, informação dessa natureza não pode ser tornada pública.” Não??? E como é que ela vazou agora? Só se conhece o conteúdo de uma conversa secreta entre duas pessoas se ao menos uma delas sair falando por aí.

A propósito: no encontro com Cardozo, Janot voltou a dar graças a Deus por não ter encontrado nada contra Lula e Dilma?

A comédia involuntária brasileira é bem mais grave do que nossas eventuais tragédias.

Entendi, a exemplo do robô de “Perdidos no Espaço” (como já sou antigo), Cardozo chamou Janot para dizer: “Perigo, perigo, perigo…”.

 

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 15:37

É para você, leitor! E só para você! O que se noticiou aqui num domingo e o que está em toda parte nesta quinta. Ou: A dupla Cardozo-Janot e a natureza do jogo

Caros leitores,

Este blog foi criado em junho de 2006, depois que a política — a informal, claro! — do PT ajudou a fechar a revista “Primeira Leitura”. A intenção dos companheiros era me tirar no debate. Contribuíram, na prática, para ampliar a minha voz. ELES CONTINUAM SE ESFORÇANDO ATÉ HOJE PARA QUE OS MEUS PATRÕES ME DEEM UM PÉ NA BUNDA. Não gostam de mim, e, quanto a esse particular, não posso censurá-los. Inaceitável é que usem instrumentos de pressão do Estado para silenciar aqueles de que discordam.

Nesses anos, vi muita coisa, passei por muita coisa. Um período difícil foi a Operação Satiagraha, estrelada por um tal delegado Protógenes, que depois virou deputado pelo PCdoB, para sumir na poeira do tempo. Havia naquilo uma formidável coleção de ilegalidades e fantasias. No fim das contas, Daniel Dantas, que nunca foi santo, era só personagem da guerra de facções do PT. Se alguém se atrevia a apontar a verdade, era logo tachado de “agente do Dantas”. O banqueiro acabou se entendendo com os petistas, e os companheiros não quiseram mais saber dele. Sim, eu e outros tantos fomos acusados de estar a serviço do banqueiro. Nunca estive com ele. Nunca falei com ele. Não sei o que pensa e o que quer. Tampouco me interessa.

Desqualificar o trabalho alheio é a mais fácil de todas as tarefas.

No domingo — sim, no domingo —, concluí uma apuração que havia iniciado na terça-feira da semana anterior e escrevi um post depois de obter a terceira confirmação inequívoca de um fato, que sintetizei (ou espichei; meus títulos costumam ser enormes) neste título: “A NATUREZA DO JOGO 2 –  A FRASE PERTURBADORA DE JANOT E SUAS CONVERSAS FREQUENTES COM CARDOZO. OU: DENÚNCIA DO MP VAI OU NÃO REVELAR O VERDADEIRO CRIME, JÁ CONFESSADO POR PAULO OKAMOTTO, O FAZ-TUDO DE LULA?”

JANOT CARDOZO

Fui severamente atacado nos comentários por alguns leitores. Como tenho afirmado aqui que as coisas caminham para que empreiteiros tenham penas severas e políticos, uma vez mais, saiam livres, leves e soltos, alguns tolos resolveram me acusar de estar a serviço dos companheiros do concreto armado — os mesmos que, ao longo de 13 anos, têm financiado largamente os petistas. Mas não só eles: também os banqueiros, os industriais, os comerciantes… O PT é hoje um conglomerado de interesses privados que só tem um adversário: o povo que trabalha e arrecada impostos.

Pois bem. Leio, agora, na Folha, o seguinte título:

Janot cardozo folha

 No texto, Vera Maglhães e Bruno Boghossiam informam:
“O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o procurador-geral da Republica, Rodrigo Janot, se reuniram na noite desta quarta-feira (25) no gabinete da PGR. O encontro não constou da agenda de nenhuma das duas autoridades. A reunião ocorreu às vésperas da apresentação, por Janot, da denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra políticos no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras.”

Aí volto ao meu texto de domingo.

Lá eu informo que Cardozo anda se encontrando com Janot:
janot cardozo 4

Lá eu afirmo que Janot não pode estar preocupado em administrar a denúncia para amenizar a crise política:

 janot cardozo 2

Lá eu informo que Janot deu graças a Deus por, segundo ele, não ter encontrado nada contra Lula e Dilma:.

 janot cardozo 4

Lá eu informo a possibilidade de triunfar a mentira escandalosa de o petrolão ser considerado apenas mais um esquema de assalto aos cofres públicos, eliminando-lhe o caráter político, que diz respeito a uma forma de conquista do Estado.

 Janot cardozo 6

Os que cometeram crimes que paguem, respeitado o devido processo legal, sejam políticos, empreiteiros, açougueiros, sei lá o quê. Não conheço empreiteiros. Não sou nem nunca fui amigo de nenhum deles. Vou continuar a fazer o meu trabalho. Sempre que eu achar que o estado de direito está sendo agredido — e pouco me importa se o objeto dessa agressão é um santo ou um canalha —, vou continuar a denunciar, a manifestar meu inconformismo. O estado de direito existe para freiras e para putas. Para inocentes e para culpados. O que não é certo é tomar a freira por puta e a puta por freira. Aí não! Não entender isso corresponde a ignorar um princípio fundamental da civilização. Não entender isso é ser um súdito moral do Estado Islâmico.

Os que vieram aqui me atacar anunciando que não vão mais ler o blog, em razão do post sobre Janot ou de outro qualquer, me farão um grande favor se não voltarem. Outros insatisfeitos podem e devem fazer a mesma coisa. Sugiro que usem o meu critério: ou leio coisas que me dão prazer ou que, mesmo desagradáveis, são úteis ao meu trabalho. Se o blog nem dá prazer nem é útil, pra que perder tempo comigo?

Escrevo o que apuro, escrevo o que penso, escrevo o que acho certo. Durante a Operação Satiagraha, as “vanguardas do não” eram mais poderosas do que agora. E não me fizeram mudar de ideia. Procuravam jogar na lama o nome de pessoas decentes, que só se ocupavam de fazer o seu trabalho.

Para encerrar
O Ministério Público vai ou não fazer o acordo de delação premiada com Ricardo Pessoa? Ele tem como evidenciar que doou R$ 30 milhões clandestinamente ao PT, R$ 10 milhões dos quais para a campanha de Dilma Rousseff. Janot está ou não interessado no que ele tem a dizer? Até quando a prisão preventiva de Pessoa — e dos demais empreiteiros — será usada como instrumento de pressão para esconder a verdadeira natureza do jogo e para provar uma tese que livra a cara dos petistas?

Não gostou do que leu, leitor? Vá embora daqui! Vá procurar o que o faz feliz. Não gostou, mas considera útil a seu trabalho e a seu pensamento? Aí é com você.

Continuarei a dizer o que penso. E a tratar da natureza do jogo.

Obrigado!

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 14:05

Comissão de Ética pede explicações a Cardozo pela 2ª vez em 15 meses

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República resolveu cobrar explicações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Quer que ele diga a natureza das conversas que andou mantendo com advogados de empreiteiras. Recebidas as explicações, a comissão pode pôr um ponto final na sua curiosidade ou continuar apurando. O máximo que pode fazer é recomendar a sua demissão.

É claro que não vai acontecer. A tendência é que o grupo se dê por satisfeito. Afinal, que mal há em um ministro da Justiça, como revelou VEJA, atuar para impedir que um empreiteiro faça delação premiada, garantindo a seu advogado que a oposição também será tragada pela Lava-Jato e oferecendo, como bônus, a certeza de que Lula vai entrar na parada?

Aliás, é a segunda vez que a Comissão de Ética Pública da Presidência cobra explicações deste senhor. A outra, em dezembro de 2013, estava relacionada à sua atuação heterodoxa junto ao Cade, na investigação do cartel de trens em São Paulo.

Deve haver algum motivo para Cardozo atrair tanto o interesse da Comissão de Ética. E olhem que a independência não chega a ser, assim, o forte da dita-cuja.

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 13:01

Haddad e o truque sujo com as criancinhas

O prefeito Fernando Haddad é mesmo um portento. Na campanha eleitoral, ele prometeu zerar a demanda por creche em São Paulo. No terceiro ano de sua gestão, a fila de espera nunca foi tão grande: 188 mil crianças. Ele tem uma desculpa: segundo diz, a fila aumenta porque ele está ampliando o serviço, entenderam? Assim, a gente deve concluir que, quanto mais eficiente ele for, mais a fila vai aumentar. Santo Deus!!! Mas calma que o melhor está por vir.

Como informa Fábio Takahashi, na Folha de hoje, o ciclofaixista deu um jeito para diminuir o déficit de vagas. Sabem como? Resolveu fazer com que as crianças pulassem uma etapa. Assim, elas podem ser acomodadas em séries que permitem um maior número de alunos em sala.

Haddad é um mágico. Aumentou em 10% o número de crianças atendidas, mas só em 6% o de vagas. O inconveniente é que os professores estão tendo de lidar com crianças com menos de dois anos na mesma sala em que há outras de três. Pais e mães sabem a diferença brutal que existe entre essas duas idades. Bebês com menos de dois anos ainda não tiraram a fralda, por exemplo. Deveriam estar acomodadas em salas com, no máximo, 12 crianças. Estão sendo enviadas para as que comportam 24.

É evidente que se trata de um truque sujo. Uma diretora de escola da Zona Sul reclama: “Elas [as crianças] deveriam ter sido desfraldadas. Agora, estão com crianças grandes, em salas sem fraldários”.

Eis aí do que é capaz este gênio da raça.

Por Reinaldo Azevedo
 

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