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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

02/07/2015

às 16:46

Promotoria tenta provar a desnecessidade da redução da maioridade penal e consegue fazer justamente o contrário

No dia em que Deus distribuiu a ração de lógica, os esquerdistas estavam no inferno conspirando contra o céu e não receberam a sua cota. A divulgação de informações supostamente objetivas contra a redução da maioridade penal já começou. O trabalho consiste agora em lotar a imprensa com dados estatísticos que evidenciem a desnecessidade da mudança da Constituição. Como de hábito, para quem fica atento à lógica, as esquerdas argumentam contra as próprias pretensões. Vejamos.

Leio na Folha Online que, segundo relatório da Promotoria da Infância e da Juventude, do Ministério Público de São Paulo, “apenas 2,02% dos jovens apreendidos na capital paulista se enquadrariam na nova lei que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos caso ela fosse sancionada hoje”.

Lembro: segundo a proposta aprovada pela Câmara, a redução da maioridade vale para crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

Muito bem: um dos argumentos bombásticos das esquerdas na madrugada desta quinta é que a maioridade penal aos 16 provocaria uma verdadeira carnificina, com milhares de adolescentes sendo encarcerados e coisa e tal. Huuummm… Se os dados da Promotoria estiverem certos, então não serão tantos assim, não é? Então o argumento terrorista era mesmo falso.

Mas vejamos agora a coisa por outro ângulo. Informa a Folha: “O relatório da promotoria foi feito com base em um levantamento com informações de 3.712 processos que tiveram movimentação na Promotoria da Capital entre agosto de 2014 até o fim de abril deste ano. A amostra equivale a 16,87% dos quase 22 mil processos de medidas socioeducativas da capital”.

Então tá. Se tal amostra é significativa, deve-se concluir que 484 casos dos 22 mil são realmente graves, certo? Estamos, então, falando de 484 ocorrências protagonizadas por adolescentes que cometeram uma destas agressões: crime hediondo, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. É pouco? Devemos deixá-los soltos?

Só na amostra da Procuradoria, os homicídios simples e qualificados somam 34 casos — mas sete deles foram praticados por jovens abaixo de 16. Assim, os 27 assassinatos cometidos por jovens de 16 e 17 anos correspondem a 0,73% daquela amostra de 3.712 casos. Aplicada a percentagem a 22 mil, se a amostra for boa, estamos falando de 160 assassinos. Na tal amostra, 0,8% praticou estupro: trata-se de 176 estupradores no grupo dos 22 mil. Ah, sim: quanto aos homicidas abaixo de 16, a ampliação do tempo de internação, que será votada no Senado, dará conta deles.

Se o objetivo da Promotoria da Infância e da Adolescência era provar a desnecessidade da nova lei, conseguiu fazer exatamente o contrário. E que se note: tal levantamento diz respeito apenas à cidade de São Paulo, que concentra apenas 6% da população brasileira.

A redução da maioridade penal e a ampliação do tempo de internação vêm para meter na cadeia esse exército de assassinos e estupradores.

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 16:00

Dirceu, o habeas corpus preventivo e a admissão de culpa

Roberto Podval, advogado de defesa de José Dirceu, entrou com pedido de habeas corpus preventivo para seu cliente. Ah, bem: antes que alguém resolva lembrar que Podval é meu amigo (e também meu advogado em um caso) — e isso bem antes de ser defensor de Dirceu —,  lembro eu mesmo. Durante o mensalão, participamos de uma série de debates na VEJA.com. Discordamos e concordamos à larga. Pronto! Se a minha opinião já não serve por isso, então nem continue a ler. Adiante para os que resistiram.

Quando é que se entra com um pedido de habeas corpus preventivo? Quando se dá como certo que a prisão, também preventiva, vai ser pedida. Podval e os demais advogados pesaram todas as variáveis e concluíram que o risco é grande. E, convenham, qualquer um com um mínimo de experiência acha o mesmo.

Isso quer dizer necessariamente admissão de culpa? Não! Ou um habeas corpus preventivo corresponderia a uma confissão. E não corresponde. A pessoa pode se dizer inocente, e Dirceu se diz, mas ler o andamento de uma operação e concluir que será preso em razão da lógica seguida pelo acusador.

Há, em certas áreas, um tanto de preconceito contra o expediente justamente porque se confunde o recurso com admissão de culpa. Alguns dos que estão hoje presos foram aconselhados a apelar ao habeas corpus preventivo e recusaram a opção.

Os argumentos do HC preventivo estão centrados no Artigo 312 do Código de Processo Penal, que define os objetivos de uma prisão preventiva, desde que existam provas do crime e indício suficiente de autoria:
– preservar a ordem pública:
– preservar a ordem econômica;
– conveniência da instrução criminal;
– aplicação da Lei Penal.

Podval argumenta que seu cliente não incide em nenhuma dessas causas, até porque já está preso — no caso, em prisão domiciliar. Bem, se não, por que o HC preventivo? Convenham: as prisões preventivas nessa operação têm dado pouca bola ao Artigo 312. É evidente que o risco existe.

Dirceu se complica
É claro que a situação de Dirceu no petrolão pode se complicar bastante com a delação de  Milton Pascowitch. Por quê? Segundo a força-tarefa da Lava Jato, a Jamp, a consultoria do lobista, recebeu, entre 2004 e 2013, R$ 104 milhões de empreiteiras envolvidas no petrolão. Ocorre que a “empresa” não tinha funcionários. É considerada de fachada. Segundo o Ministério Público, servia para repassar propina aos petistas. A JD, a consultoria de Dirceu, recebeu repasses da Jamp. Pascowitch também ajudou a comprar o imóvel que abrigava a empresa do petista.

Dado esse quadro, e considerando o andamento da Lava Jato até agora, a chance de a prisão preventiva de Dirceu ser decretada é grande, ainda que ele, segundo seu advogado, não incida em nenhuma daquelas quatro causas.

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 15:24

Dirceu entra com habeas corpus preventivo

Por Laryssa Borges, na VEJA.com. Volto no próximo post.
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu apresentou nesta quinta-feira ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, pedido de habeas corpus preventivo para não ser preso no curso das investigações da Operação Lava Jato. O recurso foi impetrado por volta das 10h30 pelo advogado Roberto Podval, que integra a banca da defesa. No pedido encaminhado à Justiça, a defesa do ex-ministro afirma que o escândalo do petrolão, com prisões sucessivas e até agora 15 fases distintas de investigação, gerou um “surto de medo coletivo”.

Condenado no julgamento do mensalão pelo crime de corrupção ativa, José Dirceu é alvo de inquérito na Lava Jato por suspeitas de utilizar sua empresa de consultoria para lavar dinheiro de propina. A situação do petista ficou mais delicada, segundo a avaliação de procuradores da da Lava Jato, após o acordo de delação premiada assinado pelo lobista Milton Pascowitch. Além de dar informações sobre o envolvimento de Dirceu com o esquema, as revelações do lobista devem abrir novas linhas de investigação, principalmente sobre o bilionário mercado de exploração do pré-sal. “Por ter seu nome envolvido no curso da Operação Lava Jato e, recentemente, divulgado pelo delator Milton Pascowitch, o paciente tem inúmeros motivos para acreditar que se encontra na iminência de ser preso”, afirma a defesa. “Não param de surgir reportagens especulando o teor da delação premiada prestada por Milton Pascowich mencionando o paciente, o que tornam fundados os receios de que seja José Dirceu o próximo alvo da Operação Lava Jato, com uma possível e provável prisão, já que a cada delação surge uma prisão”, completa.

Pascowitch foi preso no final de maio pela Polícia Federal. Com a delação, ele foi autorizado a cumprir prisão domiciliar com o uso de uma tornozeleira eletrônica. O empresário pagou parte da sede da JD Assessoria e Consultoria, empresa do ex-ministro José Dirceu, apontada pelos investigadores do petrolão como um dos possíveis propinodutos para lavar dinheiro desviado da Petrobras. A empresa Jamp Engenheiros Associados, de propriedade do empresário, desembolsou 400.000 reais dos 1,6 milhão de reais utilizados na aquisição do imóvel que sediava a JD, em São Paulo. Mais: uma empresa de Milton Pascowitch também comprou um imóvel em nome de Camila, filha de Dirceu, no bairro da Saúde, na capital paulista.

No pedido de habeas corpus preventivo em favor de Dirceu, os advogados de defesa alegam que o ex-ministro não deve ser preso por não representar risco à ordem pública, à instrução do processo ou mesmo risco à produção de provas na Lava Jato, já que, condenado no julgamento do mensalão, ele cumpre prisão domiciliar em Brasília. “O paciente não possui qualquer influência ou ingerência política nos rumos do país, muito menos recursos financeiros, até mesmo porque se encontra preso, cumprindo pena em regime aberto. Por fim, não há um único indício de que o paciente (já preso, ressalte-se) esteja influindo, de alguma forma, na colheita das provas, seja criando entraves na investigação, seja ameaçando ou cooptando testemunhas”.

Os defensores ainda atacam a atuação do Ministério Público Federal e criticam o pedido dos procuradores para a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-chefe da Casa Civil e da empresa dele, a JD Consutoria. “A mal disfarçada ânsia do parquet [Ministério Público] em envolver o paciente numa suposta prática criminosa fica clara, quando se observa que, no pedido de quebra, o MPF afirma haver indícios de utilização da JD Assessoria na prática de crimes, não por se dispor de qualquer indício nesse sentido, mas apenas em razão de José Dirceu figurar como seu sócio”, alegam.

Conforme levantamento da Receita Federal, o ex-ministro José Dirceu faturou 29,2 milhões de reais com a prestação de serviços de consultoria de 2006, depois de deixar o governo Lula, a 2013. Só em 2013, a empresa de Dirceu faturou 4,2 milhões de reais. Dirceu iniciou o cumprimento de pena pela condenação no mensalão em dezembro e ganhou o direito de responder em regime aberto a partir de novembro do ano passado.

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 7:43

PF prende ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada na 15ª fase da Lava Jato

Por Flávio Ferreira e Gabriel Mascarenhas, na Folha:
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (2) mais uma fase da Operação Lava Jato, na qual foi preso o ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Zelada. Também estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, três deles no Rio de Janeiro e um em Niterói (RJ). A 15ª fase foi intitulada Conexão Mônaco, em referência a operações financeiras do ex-diretor no principado de Mônaco. Zelada foi preso sob a suspeita de envolvimento em crimes de corrupção, fraude em licitações, desvio de verbas públicas, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O ex-diretor da estatal será levado para a sede da Polícia Federal em Curitiba Como a Folha revelou em maio, autoridades de Mônaco investigaram Zelada e descobriram a ligação dele com o consultor Raul Schmidt Felippe Júnior, que trabalhou para o estaleiro coreano Samsung num contrato em que surgiram indícios de pagamento de propina.

O ex-diretor da área internacional da Petrobras mantém negócios particulares com Raul. Documentos localizados pela Folha na junta comercial da Suíça mostram que Zelada passou a integrar o quadro de diretores da companhia TVP Solar, baseada em Genebra, em março de 2013, pouco depois de sair da Petrobras. Schmidt investe na companhia desde 2010. A TVP Solar vende sistemas de armazenamento e uso de energia solar e tem capital de 2,66 milhões de francos suíços (R$ 8,9 milhões). Também em maio, com base em documentos remetidos pelas autoridades de Mônaco ao Brasil, a Folha apontou indícios de que Schmidt atuou como intermediário de uma complexa operação financeira que resultou num depósito de US$ 2 milhões (R$ 6,3 milhões) para outro ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, em Mônaco. A origem do dinheiro foi a Samsung, beneficiada por um contrato que, segundo auditoria da Petrobras, teve sobrepreço de R$ 118 milhões. Duque está preso desde março em Curitiba. Zelada é o único ex-diretor da Petrobras suspeito de ter integrado o esquema de corrupção na estatal que ainda não foi preso ou denunciado à Justiça.

Em fevereiro deste ano, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, delator que assumiu ter desviado milhões de dólares da Petrobras, afirmou que Zelada também era beneficiário do esquema. Na época, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, pediu à Justiça de Mônaco uma apuração sobre possíveis contas de Zelada e Duque no principado. A investigação resultou no bloqueio de uma conta em nome da offshore Rockfield International, onde estavam os 10,8 milhões (R$ 32,8 milhões) atribuídos a Zelada, no banco Julius Baer. De Duque foram congelados; 18,7 milhões no mesmo banco.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 4:51

LEIAM ABAIXO

Maioridade penal, a verdade 1 – Cunha segue a máxima de Chacrinha: “Só acaba quando termina”. Durou pouco a estúpida comemoração dos petistas. Ou: Derrota da mistificação e da falácia;
PEC da maioridade penal aos 16 é aprovada por 323 a 155;
Deputado comunista do Brasil tem, sim, de dizer qual crime cometeu, se é que cometeu, como sugeriu;
PRÉ-SAL – Em seis meses, Serra fez mais pelo Brasil no Senado do que Suplicy em 24 anos. Basta ter clareza e saber o que se quer!;
Cerveró, ex-diretor da estatal, negocia fazer delação premiada;
Cardozo fala a aliados sobre deixar governo;
Presidente da Petrobras não descarta novo reajuste da gasolina ainda em 2015;
Senado aprova aposentadoria compulsória aos 75 anos para todos os servidores;
Outro depoimento também sugere o assalto de uma máfia, não um cartel;
Depoimento de Barusco a Moro desmoraliza de novo a tese do cartel. E isso é apenas um fato!;
Sugerir que Dilma renuncie é um ato de amor. Ou: Aécio: “Inflação ainda supera popularidade da presidente”;
Dilma e o PT fizeram o milagre de unir o país. Todo mundo está contra eles;
As mentiras asquerosas contadas para manter a maioridade penal aos 18. Algumas foram ditas por José Eduardo Cardozo!;
Depois de absurdo reajuste do Judiciário, está na pauta o do Ministério Público. Segure a sua carteira;
Ibope – Enfim, Dilma em um dígito! Pior do que Sarney e Collor;
— MAIORIDADE PENAL 1 – Faltaram 5 votos para triunfar o bom senso: 303 votos a 184; questão ainda não acabou. Ou: O discurso vergonhoso do governo federal e das esquerdas;
— MAIORIDADE PENAL 2 – Planalto esta se lixando para os adolescentes; comemorou o que considerou a “derrota de Cunha”;
— DA SÉRIE “WALKING DEAD” – Lula, o coordenador político autonomeado, sofre uma derrota espetacular no Senado;
— Novo delator diz ter pagado propina aos petistas Dirceu e Duque;
— PT é malsucedido na tentativa de impedir depoimentos de Pessoa, Costa e Youssef à Justiça Eleitoral, que apura se campanha de Dilma cometeu crime;
— Ao explicar por que manter a preventiva de um diretor da Andrade Gutierrez, Moro expõe uma questão cognitiva insolúvel e insalubre para o Estado de Direito;
— Lula foi a Brasília antecipar o impeachment de Dilma;
— Eu é que não vou reclamar, mas é fato que o PT sofreu um apagão de inteligência política;
— Grécia: quando o “sim” pode ser “não”, e o “não, sim”;
— Oposição aciona PGR contra Dilma e seu ministro-tesoureiro por extorsão;
— Dilma volta a meter os pés pelas mãos e se refere à Lava Jato pela segunda vez, com aquela sua típica falta de jeito. Também ela vai estimular os vícios da Lava Jato, não as virtudes

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 4:39

Maioridade penal, a verdade 1 – Cunha segue a máxima de Chacrinha: “Só acaba quando termina”. Durou pouco a estúpida comemoração dos petistas. Ou: Derrota da mistificação e da falácia

Pois é…  Embora o governo tivesse sofrido nesta quarta uma derrota humilhante no Senado, comemorou o que considerou uma vitória na Câmara: a PEC que reduzia a maioridade penal ficou a cinco votos de ser aprovada em primeira votação: obteve 303 e precisava de 308. Os contrários à maioridade foram apenas 184.  Na verdade, corrijo-me: o Planalto não comemorou a sua vitória ou o triunfo de uma tese. Ficou em festa, como revelei aqui, com o que considerou a derrota de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Casa. Pois é… Cunha tem demonstrado que, no braço de ferro com o Planalto, vale a máxima de Chacrinha: “O programa só acaba quando termina”.

E o próprio deputado havia deixado claro, ainda na noite de terça, que, CONFORME O REGIMENTO, a questão não estava liquidada. Como o texto derrotado na terça era aquele saído de uma comissão especial, o original tinha de ser votado, e havia a possibilidade de surgir uma emenda aglutinativa. E surgiu. E ela foi votada hoje. E foi aprovada por 323 votos a 155. Bem, se o Planalto comemorou ontem a derrota de Cunha, que, então, chore agora a própria derrota.

Que se diga com todas as letras para avançar: Eduardo Cunha não cometeu nenhuma infração regimental. É bem verdade que, fosse ele um presidente fraco, submetido ao tacão do Planalto, como virou tradição desde que o PT chegou ao governo, talvez o andamento tivesse sido outro. O que os petistas e as esquerdas não perdoam a Cunha é o fato de, até agora, ter conduzido a Câmara como uma independência como raramente se viu na história. Quem não gosta da pauta dele que se organize, dentro das regras do jogo, para vencê-lo no voto, não no berro, na porrada e na truculência. O texto rejeitado na noite de terça não é o mesmo aprovado no começo desta madrugada. A PEC de agora reduz a maioridade para o caso de crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. O anterior incluía também tráfico de drogas e roubo com agravante.

O resultado de agora derrota a mentira, a empulhação, a inação, as mistificações das esquerdas

É mentira que a maioridade penal aos 18 anos seja uma cláusula pétrea. Estas estão no Artigo 60 da Constituição e não abarcam o conteúdo do Artigo 228, onde está prevista a maioridade. Logo, o anúncio de que os inconformados pretendem recorrer ao Supremo é pura firula.

É mentira que a redução da maioridade, conforme o previsto na PEC vitoriosa na madrugada desta quinta, ou mesmo a derrotada na noite de terça, implique a redução da idade para o consumo do álcool ou para dirigir. No primeiro caso, seria preciso mudar o Artigo 243 do ECA; no segundo, a Lei 9.503, que é o Código Brasileiro de Trânsito. Como já afirmei aqui, no auge da mistificação, José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, afirmou que a maioridade aos 16 poderia abrandar a pena para quem estuprasse menores. É o argumento do terror. O estupro presumido, previsto no Artigo 217 A do Código Penal, é para menores de 14. O agravamento de pena para crimes sexuais contra menores de 18 está na Lei 12.015, que segue intacta.

É mentira que só a minoria dos crimes graves seja cometida por jovens de 16 e 17 anos. Os números não existem. Quando se considera um grupo de ocorrências graves com autoria conhecida, a participação de adolescentes pode variar de 15% a quase 40%.

É mentira que, em razão do grande número de adolescentes assassinados, a maioridade penal aos 16 puna a vítima, não o algoz. Em primeiro lugar, há o óbvio: o que se quer é prender o bandido, não aquele agredido por ele. Em segundo lugar, cabe a pergunta: um menor não pode ser assassinado por outro?

É mentira que a maioridade penal aos 18 seja a regra mundo afora. Não! Constitui a exceção. Como já demonstrei aqui, a exemplo do que ocorre no Brasil, no Canadá, por exemplo, entre os 12 e os 14 anos, o infrator está sujeito a medidas socioeducativas apenas. Só que essa exigência, no Brasil, se estende até a véspera de o sujeito completar 18 anos, não importa o crime. No Canadá, não! A depender da gravidade do delito, o criminoso é processado criminalmente pela legislação comum A PARTIR DOS 14 ANOS. Se condenado, ficará retido, sim, em regime especial até os 18 anos — e aí passa a ser considerado um adulto. Deu para entender a diferença?

A Suíça parece um país civilizado, não é mesmo? Por lá, alguma medida socioeducativa já começa a ser aplicada aos SETE ANOS. A primeira faixa de sanções se estende até os 15 anos; a segunda, até os 18. Não há o mesmo regime de cumprimento de pena dos adultos, mas uma coisa é certa: ninguém dá um tiro na cara do outro, em qualquer idade, e sai livre, leve e solto. A responsabilização penal da França, plena mesmo, começa aos 13 anos.

As civilizadíssimas Suécia, Dinamarca e Finlândia têm o chamado sistema de “jovens adultos”, que abarca a faixa dos 15 aos 18 anos — quando começa a responsabilização penal plena. Mas um assassino de 15 ficará preso, sim, e o tempo da prisão dependerá da gravidade do crime.

Durante o debate de ontem, a inefável Jandira Feghali (PCdoB-RJ) desandou a falar da realidade nos outros países e afirmou que ninguém queria enganar ninguém. Infelizmente, queria, sim. Ela era uma das pessoas que faziam esse esforço.

E uma observação: para os deputados que insistem em dizer que os criminosos precisam de escola em vez de cadeia, dizer o quê? Só mesmo um comunista para não saber a diferença entre uma coisa e outra. Afinal, ao longo da história, comunistas transformaram escolas em cadeias e cadeias em escolas — de “reeducação”, claro. Mas é preciso ficar vigilante. O Senado está chocando o ovo da impunidade. Fica para outro post.

Texto publicado originalmente às 2h16
Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 4:37

PEC da maioridade penal aos 16 é aprovada por 323 a 155

Foi aprovada, por 323 votos a 155, a PEC que baixa a maioridade penal dos 18 para 16 anos para vários crimes. Se, ontem, faltaram cinco votos para chegar aos 308 votos, desta vez, houve 15 a mais do que o necessário.

Ainda escreverei outros posts a respeito, é claro. Essa foi a primeira votação. Agora, há um prazo de cinco sessões para a segunda votação. Se aprovada, segue para o Senado.

Post publicado originalmente à 0h59
Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 4:31

Deputado comunista do Brasil tem, sim, de dizer qual crime cometeu, se é que cometeu, como sugeriu

O deputado federal Aliel Machado (PCdoB-PR) resolveu fazer um discurso triste no debate sobre a maioridade penal. Usou-se como exemplo de recuperação de um menor infrator. Pelo menos foi o que deu para entender. E também deixou claro que, em vez de punido, ele foi ressocializado.

Como o projeto em votação baixa a maioridade penal apenas para crimes hediondos, como homicídio, latrocínio e extorsão, creio que ele estava, sim, obrigado a dizer qual deles ele cometeu, ora essa!

Algum deputado, não consegui ver quem, resolveu fazer a pergunta que eu me fiz quando vi o rapazola de 26 anos se esgoelar, dizendo que foi recuperado pelo prefeito sei lá quem.

Quem se usa como exemplo, meu ex-jovem infrator, está pondo a própria biografia em debate. Não é que ele ficou nervosinho? Quis partir para a briga, demonstrando que faz a linha porte médio-baixo invocado.

Que coisa esse rapaz, né? Quer fazer a sociedade engolir a impunidade de criminosos de 16 e 17 anos, mas fica muito ofendido se alguém indaga se ele foi um deles, embora tenha sido ele próprio a sugerir que sim. O senhor está na Câmara dos Deputados, não num confessionário ou no divã do analista…

Refaço duas perguntas:
a) o senhor cometeu crime, deputado, quando jovem?;
b) se cometeu, qual?

Seu eleitor tem o direito de saber.

Texto publicado originalmente às 23h59 desta quarta

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 4:25

PRÉ-SAL – Em seis meses, Serra fez mais pelo Brasil no Senado do que Suplicy em 24 anos. Basta ter clareza e saber o que se quer!

Em meio ano no Senado, José Serra (PSDB-SP) fez mais pelo Brasil do que Eduardo Suplicy (PT) em 24 anos. O Senado deve aprovar projeto proposto pelo senador paulista que aumenta o tempo máximo de internação de menores infratores de 3 para 8 anos. Na verdade, seu texto original propunha 10, mas o relator, José Pimentel (PT-CE), rebaixou em dois anos. E não só.

Serra  deve ser bem-sucedido também— e, mais uma vez, o país sairá ganhando — em pôr fim à obrigatoriedade de a Petrobras participar da exploração do pré-sal. O relator é o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que submeteu a proposta original a uma pequena mudança, mas que conserva a sua essência.

Na versão que deve ir a plenário, a Petrobras deve ter a preferência na participação. Caso abra mão da prerrogativa, então uma empresa privada no lugar. Na verdade, o resultado é o mesmo, não é? O que importa é tirar o entrave que impõe uma pesada carga à Petrobras e que pode atrasar a exploração do pré-sal no Brasil.

Eu não tenho dúvida de que, caso a proposta de Serra seja aprovada, as ações da Petrobras vão subir porque as imposições do pré-sal são hoje um fator que conta contra a salubridade da empresa. Até porque a estatal diminuiu os investimentos previstos para o período de 2015 a 2019 em 37%, o que significa US$ 90,3 bilhões a menos quando comparado com o previsto no Plano de Negócios e Gestão para 2014 a 2018.

O curioso é que o próprio Lula teria dito a senadores do PMDB ser favorável à mudança. Tanto melhor, né? Em sua mais recente resolução, a Executiva Nacional do PT, alheia, como de hábito à realidade, atacou a possibilidade, com aquela retórica jurássica conhecida.

Pois é… Quem disse que é impossível fazer um trabalho decente no Senado e eliminar alguns pilares do atraso? Só que é preciso ter clareza de propósito e saber trabalhar.

Nesse sentido, Serra tem sido exemplar. Também está em tramitação sua proposta que institui o voto distrital já a partir de 2016 nos municípios com mais de 200 mil eleitores, o que seria um avanço formidável. Bastaram seis meses. Suplicy espera há dois anos para defender o seu programa de Renda Mínima para Dilma.

OK. Os 24 anos anteriores demonstram que ele tem outra noção de tempo.

Texto publicado originalmente às 20h06 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 3:09

Cerveró, ex-diretor da estatal, negocia fazer delação premiada

Por Bela Megale e Flávio Ferreira, na Folha:
Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras, iniciou as negociações de um possível acordo de delação premiada nesta quarta-feira (1º). A conversa entre Cerveró, advogados da defesa, procuradores e representantes da Polícia Federal aconteceu na tarde de quarta na Superintendência da PF, em Curitiba. Pela manhã, ele havia recebido visita da esposa. Pessoas próximas à família afirmaram que a decisão de negociar deve-se ao estado de saúde do ex-diretor. Preso desde janeiro, ele vem sofrendo ataques de pânico, apesar de tomar medicação para ansiedade e ter acompanhamento de psiquiatra.

Na quinta (25), o ex-diretor retornou do Complexo Médico Penal, em Pinhais, para a sede da PF em Curitiba, onde passou a dividir a cela com o doleiro Alberto Youssef. Pessoas que tiveram contato recente com Cerveró afirmam à Folha que não é raro vê-lo usando roupas sujas. Os problemas psiquiátricos geraram questionamentos sobre as reais contribuições de uma eventual delação. Em maio, Cerveró foi sentenciado a cinco anos de prisão em regime fechado pelo crime de lavagem de dinheiro. O ex-diretor também é figura central na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, e é suspeito de receber US$ 40 milhões de propina para intermediar a contratação de navios-sonda.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 3:05

Cardozo fala a aliados sobre deixar governo

Por Gabriel Mascarenhas e Andréia Sadi, na Folha:
Quatro anos e seis meses após assumir o Ministério da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT) confidenciou a amigos que deseja deixar o governo Dilma Rousseff. Um dos últimos remanescentes do primeiro mandato de Dilma, o ministro já dava sinais de esgotamento desde o fim do ano passado. Ficou no cargo devido à turbulência da Operação Lava Jato. Mas a situação se agravou com as pressões petistas para que ele deixe a cadeira justamente porque a Lava Jato avança sobre os principais expoentes do partido. A Polícia Federal, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, é subordinada ao ministro. Procurado, o ministro disse apenas que “permanece no cargo durante o tempo em que a presidente avaliar que devo permanecer”.

Aos mais próximos, Cardozo tem dito estar “de saco cheio” e lembra que todo ministro tem “prazo de validade”. Ele afirma, em conversas reservadas, que há uma “fadiga de material” ao lembrar ser o ministro da Justiça mais duradouro do período democrático. O segundo é Márcio Thomaz Bastos (1935-2014), que ficou quatro anos e dois meses no cargo. Cardozo diz em privado que o cargo representa custo pessoal alto. Recentemente, ele passou por uma cirurgia na tireoide. Parte dos seus interlocutores desconfia da real intenção de Cardozo em deixar o cargo. Eles acreditam que o ministro busca, na verdade, um afago de Dilma para permanecer no governo fortalecido, em meio ao tiroteio petista contra sua permanência.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2015

às 3:01

Presidente da Petrobras não descarta novo reajuste da gasolina ainda em 2015

Por Natuza Nery, na Folha:
Em sua
primeira entrevista após anunciar uma “dieta” drástica nos investimentos, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, 51, não descartou um reajuste no preço da gasolina neste ano. Mas não enxerga a necessidade de um aumento agora. “Não dá para garantir que não haverá”, disse ele à Folha nesta quarta (1º). O reajuste mais recente da Petrobras foi em novembro –3% na gasolina e 5% no diesel nas refinarias. Neste ano, houve aumento em razão da volta da cobrança de tributo. Apesar de vitórias na condução da pior crise da petroleira brasileira, ainda pairam dúvidas sobre a imunidade da empresa em relação à interferência do Planalto contra reajustes, intervenção que afeta a situação financeira da companhia. “Não nos sujeitamos nem a um [mercado] nem a outro [governo].”

Criticado pela antecessora Graça Foster por não entender do setor de óleo e gás, Bendine devolve com provocação: “E você acha que o problema da Petrobras é de petróleo?”. Ele prometeu não pôr à venda ativos do pré-sal e condenou mudanças no regime de partilha no momento. Uma solução intermediária, contudo, pode ser o caminho.

Folha – Como a Petrobras saiu do estado de euforia, com o pré-sal, para o de decepção?
Aldemir Bendine - Acho que o grande componente foi a reversão no mercado de petróleo. Tínhamos preços de barril acima de US$ 100. Mas o mercado despenca e, em 2014, o barril caía a menos de US$ 50 diante de excesso de oferta e da baixa demanda. Assim, não há o que segure.

Não foi também por incompetência? O balanço mostrou isso.
Difícil falar de passado. Não sou engenheiro de obra pronta. Temos um quadro de funcionários de grande excelência e operamos hoje uma das melhores reservas de petróleo do mundo, o pré-sal. Estamos nos reposicionando. Não vamos olhar para o retrovisor. Farei uma busca frenética por eficiência e redução de custos internos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 22:17

Senado aprova aposentadoria compulsória aos 75 anos para todos os servidores

O senador tucano José Serra (SP) conseguiu emplacar mais uma proposta. O Senado aprovou projeto de sua autoria que estende para todos os servidores públicos, de todas as esferas, a ampliação de 70 para 75 anos da aposentadoria compulsória. A regra já vale para os ministros dos tribunais superiores. Quem não quiser ficar os cinco anos a mais, segundo o texto, pode se aposentar aos 70. A proposta deve ser aprovada pela Câmara.

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 21:49

Outro depoimento também sugere o assalto de uma máfia, não um cartel

No post anterior, dado o depoimento de Pedro Barusco, contesto a tese do cartel. E o homem, note-se, fez acordo de delação premiada. Querem outro delator que também será beneficiado apenas se falar a verdade? O lobista Júlio Gerin Camargo. Ele disse, em depoimento nesta terça,  que repassou dinheiro ao PT a pedido de João Vaccari Neto. Prestemos atenção a suas palavras, segundo revela o Estadão :
“O doutor Vaccari me procurou nos anos de 2008, 2010 e 2012 dizendo que precisava de doações, como todo partido precisa, e se eu podia ajudar e cooperar. E, evidentemente, era o interesse meu, que obtinha sucesso com os contratos (da Petrobrás), de estar evidente favorável ao poder”, afirmou Camargo, em depoimento na tarde desta terça-feira, 30, em Curitiba.

O procurador Roberson Pozzobon quis saber se os pedidos de doação feitos pelo PT estavam explicitamente associados às obras da Petrobras. Disse Camargo:
“O PT era e é o partido do governo. E o partido que nomeava então seus diretores na Petrobrás, ou então, quando eram indicados por outros partidos, o PT, no final, ou a presidente da República, tinha que aprovar esses nomes. Então, evidentemente, fazia parte de um lobby você estar bem com o partido.”

Ah, sim: segundo ele, Vaccari nunca fez referência explícita aos contratos. Mas convenham, né? Há coisas que são desnecessárias. De resto, por que tanta intimidade de Vaccari com empreiteiros? Claro, por sí, não é um crime. No contexto, compõe uma narrativa.

Com outro petista, Renato Duque, ex-diretor de Serviços, aí a coisa era mais arreganhada mesmo, segundo Camargo:
“Duque me disse que fazia uma arrecadação que envolvia a parte política e parte para o pessoal da Casa.” Ele disse ter se encontrado algumas vezes com Duque e Vaccari em restaurantes. Confirmou ainda o que já se sabia: a diretoria de Serviços era cota do PT. Segundo o delator, fez depósitos no exterior e também no Brasil.

É a uma estrutura que funciona desse modo que se chama cartel? Não! Isso caracteriza uma máfia partidária que tomou conta do Estado e passou a exercer os instrumentos de que dispõe a ordem legal para impor ilegalidades.

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 21:14

Depoimento de Barusco a Moro desmoraliza de novo a tese do cartel. E isso é apenas um fato!

Queridos leitores, este jornalista — ou “blogueiro falastrão”, como acusa Lula — não pode fazer nada se só sabe pensar dentro e de acordo com a lógica. Sempre que um papo começa a ficar meio maluco, caio fora — e é assim desde a tenra juventude, quando adolescentes são dados a devaneios por fatores endógenos ou exógenos. Sou exigente: se é para acreditar no que vai acima de uma cadeia material de causalidades e efeitos, salto logo para Deus, entendem?  Por que esse gracejo? Porque, não duvidem, tudo o que há no mundo faz sentido, ainda que a gente não goste do que vê. E, se parece não fazer sentido, é porque não sabemos tudo.

Desde que começou a Operação Lava Jato, em março do ano passado, tenho combatido a tese do cartel, o que tem me custado algumas críticas boçais de quem nem sabe do que está falando, como se negar esse crime implicasse negar os outros ou aliviasse a situação para alguém. Nada disso! Para as empreiteiras, não há alívio nenhum. O único que vai ficar INFELIZ se essa acusação cair é o PT.

Pedro Barusco, o ex-gerente de Serviços da Petrobras — aquele que aceitou devolver US$ 97 milhões —prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro. Ele fez acordo de delação premiada. Que tenha roubado adoidado, é fato. Tanto é que topa devolver aquela bolada. Presume-se que saiba das coisas.

E o que foi que ele disse? João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, atuava como porta-voz do partido na arrecadação de propina em contratos da Petrobras que passavam pela diretoria de Serviços, comandada pelo petista Renato Duque. Segundo disse, Vaccari mandava até bilhetinhos cobrando a propina.

E como se dava a coisa: 1% sobre os contratos daquela diretoria. Prestem atenção: “O Duque falava: ‘Isso aqui é metade do partido, metade da casa’. E eu cuidava da parte da casa”. E ainda. Na gestão do João Vaccari como tesoureiro do partido, era ele quem tomava conta dessa parte da propina”. Indagado sobre a frequência das propinas recolhidas pelo PT, foi direto: “Nas tabelas que eu fazia de divisão sempre tinha”.

Afirmar que uma estrutura com esse grau de controle — QUE ERA EXERCIDO DENTRO DA PETROBRAS, GERENCIADO POR UM PARTIDO, QUE TINHA NAS MÃOS AS NOMEAÇÕES — é cartel é uma piada.

Duque, o petista, sabia de alguma coisa? Barusco disse o seguinte a Moro: “Ele [Duque] me pedia, de tempos em tempos, para fazer prestação de contas e, depois, começou a me pedir algumas quantias em dinheiro quinzenalmente, semanalmente e fui contabilizando esses pagamentos a ele”.

Isso tem cara de cartel? Vocês já leram a definição de cartel? Aliás, o juiz quis saber por que as empresas aceitavam o achaque. Barusco especula: “Acho que as empresas julgavam que a situação era boa para elas, que elas se sentiam comandando o mercado, tinham encomendas e não queriam que as coisas mudassem. Era para manter aquele status quo. Eles recebiam tratamento especial por pagar propina.”

O juiz Sérgio Moro tem lá uma penca de delações premiadas deixando claro que, se as empreiteiras não participassem das safadezas na Petrobras, podiam ser prejudicadas em outras áreas do governo. Não! Não são santas nem são vítimas. Mas cartel não é.

E por que é importante não ser?
Na segunda, na TVeja, Carlos Graieb, que comanda A VEJA.com, me perguntou por que eu considerava importante descaracterizar a tese de cartel. Simples: porque se enxerga a real natureza do jogo. E a real natureza do jogo é a criação de uma máquina para assaltar não apenas a Petrobras, mas o estado brasileiro. Uma máquina partidária. Acusar a existência do cartel dá a entender que, qualquer que fosse o ator do outro lado, elas teriam operado como operaram. E isso é mentira. Essa é a versão na qual o PT quer que a gente acredite. E eu não acredito. Não é por preconceito, mas em razão do que dizem os fatos.

Finalmente, cumpre indagar e responder: pode haver o concurso dos crimes, cartel e extorsão? Até pode. Mas, como indicam os fatos, não foi o que aconteceu.

Ou alguém vai me convencer que Vaccari mandava um bilhete cobrando a propina que seria arrancada de um poderoso cartel? Tenham paciência, né?

Nós estamos tratando é de uma organização que praticou crimes contra o Estado brasileiro. É mais do que coisa de batedores de carteira, ainda que de desempenho bilionário.

Vamos chamas as coisas pelo nome que elas têm.

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 20:37

Sugerir que Dilma renuncie é um ato de amor. Ou: Aécio: “Inflação ainda supera popularidade da presidente”

“A nação aguarda de forma atenta todos os desfechos dessas demandas do campo da justiça. E, para que o Brasil tenha seu sofrimento abreviado, renuncie, Dilma Rousseff”

A exortação foi feita pelo líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), nesta quarta. Leitores me perguntam se concordo. Bem, meus caros, a renúncia é um ato unilateral. Agora, se vocês querem saber se endosso a exortação, sim, eu a endosso. Até porque fiz exatamente isso no sábado, quando publiquei aqui uma síntese da reportagem da mais recente edição de VEJA, que traz o conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa. Aconselhei a presidente: “Renuncie, Dilma! Faça ao menos um bem ao Brasil. Ou aguarde o impeachment, o que vai custar mais caro aos pobres”.

E sabem por que eu acho que seria o melhor para o Brasil? Porque, com efeito, a economia vai muito mal, mas a crise política e a falta de liderança tornam tudo muito pior, não é? Vejam o caso do reajuste dos servidores do Judiciário. Só foi aprovado no Senado porque, na prática, a Presidência está vaga. Pior: no dia em que se votou aquele despropósito, ninguém menos do que Lula havia feito proselitismo entre senadores. Vale dizer: a presidente é fraca, e seu antecessor lhe faz sombra, embora seja hoje um líder em decadência. A simples substituição de Dilma já representaria um sopro de esperança.

Mas substituição por quem? Ora, pelo vice-presidente, Michel Temer.

Sim, há renúncias que podem agravar crises polítiaos, como aconteceu com a de Jânio Quadros, em 1961. Mas elas também podem ser a solução — e a de Dilma seria. Pelo caminho da denúncia em favor do impeachment, vimos um presidente mais popular do que Dilma (!!!), ser deposto. E o país melhorou, não é mesmo?

Espero que ninguém chame de “golpe” um conselho para que alguém renuncie, né? Aliás, qualquer dos três caminhos possíveis e hoje, de algum modo, abertos para Dilma ser deposta é legítimo: Lei 1.079 (crime de responsabilidade); Artigo 359 do Código Penal (lambança com as contas públicas) ou Justiça Eleitoral. A renúncia abreviaria sofrimentos. Mas isso é mesmo com ela.

Nesta quarta, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, ironizou os apenas 9% de ótimo e bom colhidos por Dilma na pesquisa CNI-Ibope: “Isso é o que temos no Brasil hoje: uma inflação que caminha para ser maior do que a popularidade da Presidente da República”.

E olhem que Aécio tem razão. O IPCA de 12 meses em maio ficou em 8,47%. A projeção do Boletim Focus para junho é de 0,72%. Ou por outra: a inflação vai acabar ganhando da popularidade de Dilma…

Nesse cenário, sugerir a renúncia, longe ser uma postura agressiva, não deixa de ser um ato de amor.

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 16:50

Dilma e o PT fizeram o milagre de unir o país. Todo mundo está contra eles

Dilma chegou lá. Segundo pesquisa CNI/Ibope, com levantamento realizado entre 18 e 21 de junho, o governo é considerado bom ou ótimo apenas por 9% dos brasileiros. Nada menos de 68% o consideram ruim ou péssimo. Dizem ser regular 21%. Só 20% dos que responderam a pesquisa acreditam na presidente. Não acreditam espantosos 78%. É o pior resultado colhido por um chefe do Executivo em 29 anos.

Dilma, segundo o levantamento do Ibope, é mais impopular do que José Sarney e Fernando Collor. Aconselha-se à presidente que não vá, assim, jantar em algum restaurante em São Paulo…

Eu disse São Paulo? A situação é dramática em qualquer lugar. No Nordeste, antes um bastião do PT, nada menos de 76% desaprovam o governo, contra apenas 21% que o aprovam. No Sudeste, esses números são, respectivamente, 87% e 11%, os piores para a petista. No Sul, a desaprovação é de 82% a 14%; no Norte/Centro-Oeste, de 80% a 17%.

Ibope Regiões

A rejeição a Dilma também não distingue faixas de renda. Na verdade, os mais endinheirados são até menos severos. Dizem que o governo é ruim ou péssimo 64% dos que recebem mais de cinco salários mínimos. Esse índice chega a 70% entre os que ganham até um mínimo. E Fica em 69% da faixa de 1 a 5. Assim, quando os petistas dizem que só “coxinhas” ricos estão contra o governo, a afirmação é escancaradamente mentirosa.

O estelionato pesa no resultado desastroso. Quando a população é indagada se o segundo governo Dilma é melhor ou pior do que o primeiro, dizem ser pior 76% dos que recebem até um mínimo e 82% dos que estão acima de cinco. Nas outras, faixas, 83%

Ibope melhor-pior

Também não há mais distinção de escolaridade. Acham o governo ruim ou péssimo 57% de quem estudou até a quarta séria; 60%, até a 8ª; 65% dos que têm ensino médio, e 58% das pessoas com ensino universitário.

Sempre se falou que o Brasil era um país dividido por diferenças brutais. Dilma e o PT fizeram o milagre de unir o país.

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 16:19

As mentiras asquerosas contadas para manter a maioridade penal aos 18. Algumas foram ditas por José Eduardo Cardozo!

José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, chama de “forçar a barra” votar um novo texto de redução da maioridade penal. Uma ova! Aquele que foi rejeitado era o saído de uma comissão especial. Pelo regimento, a proposta original tem de ser apreciada — e ela pode receber emendas. Assim, o capítulo da maioridade ainda não se esgotou. Então não venha Guimarães chamar de “forçar” a barra o que é facultado pelo Regimento.

O líder do governo diz que agora se trata de centrar esforços no projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que aumenta o tempo máximo de internação de três para dez anos. Muitos governistas apoiam o texto, reduzindo, no entanto, esse limite para oito anos. É que propõe o relator, senador José Pimentel (PT-CE). Uma coisa não exclui a outra.

Guimarães volta a sugerir que o mundo civilizado recusa a maioridade aos 16 anos. Por que essa gente não deixa claro de que diabo de país está falando? Trata-se de uma mentira.

Aliás, nesta quarta, fazendo terrorismo, José Eduardo Cadozo, ministro da Justiça, afirmou que a redução da maioridade poderia levar à redução da idade mínima para dirigir e para o consumo do álcool. É uma afirmação estúpida e mentirosa.

A idade mínima de 18 anos para dirigir está na lei 9.503, que é o Código de Trânsito Brasileiro. A proibição da venda de álcool a menor de 18 anos está no Artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Para mudar essas duas coisas, seriam necessários projetos de lei específicos. E nada disso estava na PEC da maioridade penal.

Cardozo foi longe da miséria intelectual. Disse que haveria risco de abrandamento da pena para quem praticasse estupro contra menores. É uma argumentação nojenta.  Segundo o Artigo 217-A do Código Penal, há estupro presumido quando se pratica sexo com alguém com menos de 14 anos. Os crimes contra a dignidade sexual estão na Lei 12.015, de 2009. Há casos em que atos cometidos contra alguém com menos de 18 anos levam ao agravamento da pena. Também isso não mudaria.

A que estágio chegamos! Os ditos iluministas da maioridade penal aos 18 anos precisam recorrer à mentira e à fraude para manter a lei como está.

É uma vergonha!

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 15:41

Depois de absurdo reajuste do Judiciário, está na pauta o do Ministério Público. Segure a sua carteira

Depois de o Senado ter votado um reajuste para funcionários do Poder Judiciário que varia de 53% e 78,56%, chegou a vez de beneficiar a turma do Ministério Público e do Conselho Nacional do Ministério Público. Proposta praticamente idêntica está entrando na pauta.

“Se não houver negociação, o Parlamento não tem outra coisa a fazer senão apreciar o projeto. Ele não vai sair da pauta novamente por deliberação do presidente do Senado.”

A fala é do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Vejam bem: se os senadores não quiseram comprar briga com o Judiciário, imaginem se vão comprar com os procuradores… Afinal, vamos dizer com todas as letras, né? Para mandar um político ao inferno, hoje, basta que o Ministério Público ofereça uma denúncia. Se a coisa vai prosperar ou não, aí são outros quinhentos.

Basta oferecer a denúncia, vazar para a imprensa, e o alvo vira um “outro lado”. Melhor ficar de bem com eles…

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2015

às 15:09

Ibope – Enfim, Dilma em um dígito! Pior do que Sarney e Collor

O momento era dado como certo. Eis aí um dos grandes institutos de pesquisa conferindo ao governo da presidente Dilma apenas 9% de ótimo/bom e 68% de ruim/péssimo. Em 29 anos, é o pior resultado colhido pelo Ibope. Ela “ganha” — ou seja, perde para — de José Sarney e Fernando Collor. Não é qualquer um que realiza tal prodígio. Só 20% dizem confiar na presidente. Nada menos de 78% não confiam. É feia a coisa. Abaixo, quadros publicados no Estadão Online

Faço uma análise mais detalhada daqui a pouco.

Ibope - avaliação Dilma julho

Avaliaçã- Ibope - confiança

Por Reinaldo Azevedo
 

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