Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

02/04/2015

às 6:39

A fúria de Lula tem um motivo: acha que Dilma vai inviabilizar a sua candidatura a 2018. Ele não aceita a evidência: seu tempo acabou!

A Folha informa na edição desta quinta que o ex-presidente voltou a reclamar de Dilma Rousseff em conversa com sindicalistas no encontro de terça-feira. Já havia feito o mesmo com dirigentes petistas na segunda. Ele estrila para que ela saiba, não para que não saiba.

O chefão decadente criticou a coordenação política do governo, a cargo de Aloizio Mercadante, no que está certo (é ruim de doer mesmo), mas o fez, não duvidem nunca, por motivos errados. Os sindicalistas, por sua vez, se queixaram da falta de diálogo com o governo, e o Babalorixá de Banânia não se fez de rogado: tornou-se o porta-voz da chiadeira no discurso que fez:
“Dilma, se estiver ouvindo, gostaria de dizer o seguinte. Você precisa lembrar sempre que quem está aqui é o seu parceiro, nos bons e nos maus momentos. A gente não quer ser convidado só para festa, não. A gente quer ser convidado para discutir coisas sérias, para fazer boas lutas e boas brigas.”

As palavras fazem sentido. Prestem atenção ao “se estiver ouvindo”. Poderia ser substituído por sua “teimosa”, “cabeça dura”, “desobediente”. Lula tem dito por aí que Dilma está isolada no Palácio, que tem de andar mais e se aproximar dos movimentos sociais. Ou por outra: ele quer que ela cole justamente nos setores que pretendem mandar às favas o ajuste fiscal.

Isso é o que Lula diz. E o que ele não diz? O homem quer voltar, sim, e acha que a ainda aliada está obstruindo o seu caminho. Não é só ele. Boa parte da máquina petista e da máquina sindical pensa a mesma coisa. Ou, na expressão de um petista graúdo, conversando com um de seus pares: “Ela [muitos “companheiros” só se referem a Dilma por “ela”] vai conseguir o que a direita não conseguiu; vai quebrar as pernas do PT”.

Lula diz por aí que, no primeiro ano de seu primeiro mandato, viveu circunstâncias até piores do que as de Dilma, mas as venceu “conversando com a sociedade”. É claro que se trata de uma mentira. Entre outras delicadezas, o chefão se esquece de que ele e o PT não tinham a memória de 12 anos de poder, com todos os seus descalabros.

Um dos luminares petistas lembra que o partido não dispõe hoje, e não disporá nos próximos três anos e pouco,  de uma alternativa a Lula para disputar a sucessão de Dilma e que ouvi-lo antes de tomar decisões seria uma espécie de obrigação da presidente. Com ironia, comentou com um interlocutor: “Só faltava agora ela estar preocupada com a própria biografia. Há outras prioridades”.

Dilma tem, sim, de se preocupar com as ruas. Mas quem mais a ameaça hoje é Lula, que não aceita o óbvio: seu tempo acabou!

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2015

às 4:03

O NOVO BRASIL NOVO QUE AS ESQUERDAS GOSTARIAM DE SUFOCAR. OU: KIM, 19, ESMAGA JEAN WYLLYS, 41

Kim Kataguiri é jovem, sim. Tem 19 anos. É um dos integrantes do “Movimento Brasil Livre”, que, junto com outros grupos, têm convocado as manifestações de protesto contra a presidente Dilma e cobrado o impeachment nas ruas.

Seus vídeos e textos estão na Internet. É inteligente, culto e articulado — e me dispenso de dizer “para a idade”. Há pessoas, como diria Antero de Quental, que, se tivessem 50 anos a menos, justificariam, com a juventude, a sua estupidez. Com o que já sabe, Kim estaria bem na fita ainda que tivesse 50 a mais. Esse moço é uma das evidências de que o país tem futuro.

No vídeo abaixo, ele passa uma descompostura vexaminosa no deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Tanto mais vergonhosa porque o parlamentar resolveu usar a juventude de Kim para desqualificá-lo.

Bem, o rapaz o chamou para o debate e para um cotejo de bibliografias.

Jean Wyllys vai sair correndo, é claro!

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2015

às 3:02

A rua acordou. E os petistas, com a sua arrogância de supostos monopolistas do povo, não perceberam. Melhor para o futuro do Brasil!

Já escrevi um post nesta quarta sobre a pesquisa CNI/Ibope, indicando que apenas 12% acham que o governo é ótimo ou bom, contra 64% que o consideram ruim e péssimo. São apenas dois de uma safra de números devastadores para a presidente. As causas se mostram claras: economia em declínio casada com corrupção desabrida. As implicações parecem certas: os protestos continuarão. Quando se analisam as informações no detalhe, a gente se dá conta do quão desastrosas elas são para a presidente Dilma Rousseff.

No que respeita à avaliação do governo, a petista vive uma situação praticamente inversa àquela experimentada em março de 2013, quando atingiu seu auge: naquele mês, 63% diziam que o governo era ótimo ou bom; hoje, só 12%; apenas 7% acusavam a gestão de ser ruim ou péssima; dois anos depois, são 64%. Até então, o pior momento da petista havia sido junho de 2013, com 31% de ótimo e bom e 33% de ruim e péssimo.

Ibope Dilma 2 - avaliação

A mesma drástica inversão na comparação com dois anos atrás se dá na aprovação do governo. Em março de 2013, espantosos 79% o aprovavam; agora, igualmente espantosos 78% o reprovam; minguados 17% o reprovavam; agora, também minguados 19% o aprovam. Nas pesquisas Ibope, em apenas dois momentos os que desaprovam Dilma haviam superado os que aprovam — e, ainda assim, por pequena margem: 49% a 45% em julho de 2013 e 50% a 44% em junho de 2014, durante a Copa do Mundo.

Ibope Dilma 3 - aprovação jeito de governar

Não é diferente com a confiança. No auge de sua popularidade, em março de 2013, 75% confiavam na presidente; agora, 74% não confiam; só 22% não confiavam; agora, só 22% confiam.

Ibope Dilma 4 - confiança

Na sua desastrada entrevista depois dos protestos de 15 de março, o ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) afirmou que eram os eleitores de Aécio Neves (PSDB-MG) que estavam nas ruas. É fato que os que votaram no senador fazem um juízo mais severo sobre Dilma, mas a sua situação é periclitante também entre os que votaram no PT. Apenas 2% dos que escolheram o tucano acham o governo ótimo ou bom; mas esse índice não passa de modestíssimos 22% entre os que escolheram a petista — em dezembro, era de 63%.

Só 3% dos que ficaram com o candidato do PSDB aprovam o governo, número que chega a 34% entre os eleitores que sufragaram o PT — há três meses, eram 80%. Confiam na petista 5% apenas dos que optaram pelo candidato tucano. Entre os que preferiram a petista, o índice alcança 42%. Parece bom? Em dezembro do ano passado, somavam 80%.

Ibope Dilma 5 - segundo o eleitorado

Os petistas, as esquerdas, o governo e, claro!, Lula — o poderoso chefão — insistem na falácia de que a onda de rejeição à gestão Dilma e ao petismo se deve a preconceitos. A pesquisa Ibope evidencia tratar-se de um pós-conceito. Nada menos de 90% desaprovam a carga de impostos;  89%, a taxa de juros; 85%, a área de saúde; 84%, o combate à inflação; 81%, a segurança pública; 79%, o combate ao desemprego; 73%, a educação, e 66%, a política de meio ambiente. Até a ação oficial de combate à pobreza, que sempre foi uma peça de resistência do governo petista, alcança índices negativos inéditos. Só uma vez a reprovação tinha sido maior do que a aprovação: em junho de 2014: 53% a 41%; agora, é de 64% a 33%.

Atenção, meus caros: há muito tempo já, áreas como saúde, educação, impostos, segurança pública, combate à inflação e combate ao desemprego têm uma reprovação maior do que a aprovação — vejam os gráficos. Ocorre que, por qualquer estranha razão, os brasileiros não associavam os maus serviços e o mau desempenho à incompetência do governo. Agora, isso mudou.

Ibope Dilma 6-1 áreas

Ibope Dilma 6-2 áreas

Ibope Diulma 6-3 áreas

Se quiser tomar a trilha errada, o governo pode argumentar que é tudo culpa da imprensa. Segundo o Ibope, 72% acham que o noticiário é desfavorável ao governo, só 9% acham que é favorável, e 13%, nem uma coisa nem outra. Ora, estamos diante do óbvio: o noticiário reflete os fatos, e os fatos formam a opinião dos brasileiros, não? Pelo visto, os blogs sujos não contam mesmo. Naquelas páginas, o Brasil vive um momento mágico, e o mal é a imprensa independente, que eles chamam “golpista”…

Ibope Dilma 7 - noticiário

Dados os números devastadores, o prudente seria que o partido do governo investisse em alguma forma de diálogo com a sociedade. Na segunda, documento de 27 Diretórios Estaduais resolveu atacar a “direita golpista” e afirmou que tudo não passa de reação das pessoas descontentes com o partido que teria tirado 36 milhões de pessoas da miséria. Na terça, Lula e Rui Falcão pediram uma salva de palmas para José Sérgio Gabrielli, que presidiu a Petrobras no período do horror. E o ex-presidente ainda negou que a roubalheira tenha beneficiado partidos políticos.

A rua acordou. E os petistas, com a sua arrogância de supostos monopolistas do povo, não perceberam. Melhor para o futuro do Brasil!

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2015

às 2:59

Então Edinho Silva está dizendo que a Secom vai parar de dar dinheiro para os blogs sujos? É mesmo?

Que nós vamos pagar, isso é certo. A questão é saber o que veremos. Edinho Silva, novo ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social) concede entrevista à Folha desta quinta.  E promete, ora vejam!, que o governo e a estatais vão parar de financiar os blogs sujos, que arrastam o governo Dilma para o debate no esgoto.

Ah, é claro que ele não falou desse modo. Indagado sobre a incongruência que existem entre audiência e distribuição de verba oficial, respondeu:
“Sou um ministro que teve uma história de vida vinculada ao PT, mas assumo a Secom para fazer a gestão dos recursos públicos pautado pelos interesses públicos. Pedi um levantamento da composição dos critérios da mídia técnica e, se há distorções, que a gente possa atualizar.”

Gostei do “mas” de Edinho Silva. Ele reconhece que existe uma relação adversativa entre ter uma história de vida vinculada ao PT e empregar recursos públicos “pautado pelo interesse do público”.

É bem verdade que o ministro afirmou também o seguinte:
“Os critérios estabelecidos são técnicos e vou segui-los. Mas quero racionalizar a execução orçamentária [a verba é de cerca de R$ 200 milhões ao ano] para ampliar ao máximo a extensão de nossas campanhas. Quanto mais você conseguir que recursos cheguem a vários veículos, a comunicação se torna mais eficiente.”

Depende! Chegar a vários veículos segundo qual critério, senhor ministro? TVs sem espectadores, jornais e revistas sem leitores e blogs e sites sem internautas serão ou não contemplados? Mas não é só isso: como se trata de dinheiro do estado brasileiro, é preciso atentar também para a qualidade dos veículos que estão recebendo a verba. Eles devem servir ao público ou devem se comportar como guerrilheiros da luta partidária?

O governo vai continuar a financiar pistoleiros da Internet, como admite aquele documento da Secom? Lá está escrito que a máquina oficial fornece “munição” para ser “disparada” por “soldados de fora”. A Secom e o governo continuarão a recorrer a mercenários?

Indagado se os panelaços intimidam a presidente, o ministro respondeu:
“Nada intimida a presidente da República. Quem já passou por tudo o que ela passou… não é uma crise conjuntural que vai intimidá-la. Ela já colocou sua integridade física a serviço desse projeto, não é panelaço que vai fazer a presidente Dilma se intimidar.”

Bem, eu também acho que presidentes não podem se deixar intimidar. Têm de dar respostas políticas, no ambiente democrático. Mas não posso me furtar a fazer uma correção. Dilma, no passado a que ele se refere, não lutava por democracia, mas por uma ditadura comunista. Faço o reparo a bem da narrativa histórica. Afinal, trata-se de um ministro da Comunicação Social. E há coisas que não comportam versão alternativa.

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2015

às 21:22

VERGONHA: Governo Dilma dá calote na OEA para transferir para a Unasur, dos bolivarianos…

Por Leonardo Courinho, na VEJA.com:
No governo petista, a diplomacia brasileira perdeu a sua relevância na defesa dos interesses nacionais e se transformou em uma peça de defesa da ideologia do partido que está no poder. Ano após ano, o Brasil foi ampliando o seu alinhamento com o chamado “bolivarianismo”, o populismo de esquerda inaugurado pelo falecido presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e imitado em maior ou menor grau na Argentina, na Bolívia, no Equador e na Nicarágua. Esse alinhamento exige o gradual afastamento dos Estados Unidos, país que no discurso bolivariano é apontado como a causa de todos os males da região.

No ano passado, o Brasil deu um passo drástico no esfriamento das relações com os Estados Unidos, ao se recusar a pagar a sua contribuição obrigatória à Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade que reúne as nações das Américas do Sul, Central e do Norte. Dos 8,1 milhões de dólares esperados, o Brasil depositou apenas 1 dólar, conforme revelou o jornal Folha de S.Paulo em janeiro passado. Para este ano, são previstas contribuições de 10 milhões de dólares, mas até o momento o Brasil não realizou nenhum repasse para organização.

Acreditava-se que o calote era resultado de um contingenciamento do orçamento do Itamaraty. No entanto, a reportagem de VEJA fez uma análise das transferências internacionais realizadas nos últimos anos e descobriu um curiosa coincidência: no ano passado, o Brasil transferiu para União das Nações Latino Americanas (Unasul) 16,24 milhões de reais – o equivalente a mais de 6 milhões de dólares, considerando a cotação nas datas dos pagamentos. O repasse para a Unasul foi mais que o dobro do previsto no Orçamento da União aprovado pelo Congresso: 7,2 milhões de reais. Em 2013, a contribuição brasileira para a Unasul, entidade multilateral criada por Hugo Chávez, foi de apenas 344.000 reais. O calote na OEA, portanto, é intencional. Não faltou dinheiro. Simplesmente, a diplomacia petista optou por privilegiar a Unasul e negligenciar a OEA.

Esse processo começou em 2011, quando a Unasul foi criada com o intuito de excluir os Estados Unidos, o Canadá e o México das discussões regionais. Em abril daquele ano, a presidente Dilma Rousseff determinou que Ruy Casaes, embaixador brasileiro na OEA, fosse chamado de volta a Brasília em protesto contra a manifestação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pedindo asuspensão das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Desde então, o Brasil tem apenas um representante interino na organização, Breno Dias Costa. Para o ex-embaixador do Panamá na OEA, Guillermo Cochez, a entidade é vítima de um processo de esvaziamento liderado pela Venezuela e do qual o Brasil faz parte. “É triste ver uma potência regional como o Brasil deixar-se guiar por uma política externa contrária aos valores democráticos”, diz Cochez.

No ano passado, quando a então deputada Maria Corina Machado tentou levar para o âmbito da OEA o debate sobre a violência contra manifestantes que invadiram as ruas da Venezuela contra o regime chavista, o representante brasileiro se uniu ao coro dos chavistas para desqualificar o depoimento da venezuelana e para impedir que ele acontecesse em reunião aberta. Breno Dias da Costa disse, na ocasião: “O objetivo desta reunião não é transformá-la em um circo para o público externo, como alguns representantes mostraram que querem fazer.” O episódio demonstrou que o governo brasileiro não apenas não aceita ser criticado em questões de direitos humanos, como toma as dores quando o mesmo acontece com a Venezuela.

Para governos que não gostam de críticas, a Unasul é o clube perfeito. Toda vez que é chamada para “mediar” a crise política na Venezuela, a organização dedica-se basicamente a endossar as acusações feitas pelo presidente Nicolás Maduro à oposição e silencia sobre o fato de que há presos políticos no país.

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2015

às 21:12

Ajuste fiscal do governo federal começa a paralisar obras

Por Danilo Fariello, no Globo:
A Queiroz Galvão demitiu nesta quarta-feira cerca de 70 funcionários e colocou em aviso prévio mais de mil trabalhadores do Complexo Esportivo de Deodoro, que sediará 11 modalidades da Olimpíada no próximo ano. A obra teve início em 2014 e será convertida em um parque depois dos Jogos. Do total de trabalhadores avisados sobre o risco de demissão hoje, cerca de 500 têm de cumprir os 30 dias de aviso prévio previstos em lei e outros 500 foram comunicados informalmente, uma vez que estão em período de experiência e podem ser desligados mais rapidamente. Estes foram avisados nesta quarta-feira de que podem ser afastados já na próxima semana, se não houver perspectiva de pagamento.

Responsável pela obra, a construtora vem sofrendo com atrasos em pagamentos devidos pela Prefeitura do Rio, que repassa recursos federais para o empreendimento. Segundo fontes do mercado, a Queiroz Galvão teria recebido no começo do ano um único pagamento de cerca de R$ 60 milhões, mas outros R$ 80 milhões já deveriam ter sido pagos à empresa desde o começo do ano por avanços na obra, com orçamento total de R$ 640 milhões.

O ritmo do empreendimento está adequado para sua conclusão antes da Olimpíada, mas, se os pagamentos não forem colocados em dia até o fim de abril, os funcionários em aviso prévio poderão efetivamente ser dispensados a partir dos próximos dias, a começar por aqueles em experiência. Os mil trabalhadores informados hoje sobre a situação do consórcio, composto por Queiroz Galvão (99%) e OAS (1%) compõem praticamente 100% da mão de obra envolvida diretamente na construção do complexo. As demissões efetivas, portanto, colocariam em risco a sua conclusão para a realização dos jogos.

Segundo fontes do mercado, a situação do complexo esportivo não é a única em que a Queiroz Galvão vive nessa situação delicada. Pagamentos com origem no orçamento federal também estão em atraso para a conclusão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Baixada Santista, onde outros cerca de 450 trabalhadores foram colocados em aviso prévio nesta quarta-feira e mais 70 foram demitidos. No consórcio desse empreendimento estão Queiroz Galvão (66%) e Trail Infraestrutura (34%). Este empreendimento de mobilidade urbana faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e recebeu o último pagamento ainda em 2014. Procurada, a Queiroz Galvão, empresa envolvida na operação Lava Jato, não quis se manifestar.

A Caixa Econômica informou que, nos dois empreendimentos, não possui relação direta com os construtores, apesar de repassar recursos para a Prefeitura do Rio, caso da obra de Deodoro, e com o governo de São Paulo, caso do VLT. “O banco esclarece que existem recursos disponíveis para liberação na conta dos empreendimentos.” O banco indica, ainda, que “para as etapas de obras que tiveram projetos alterados, a Caixa aguarda a regularização da documentação para que possa analisar e liberar os recursos”. A regularização desses documentos seria, portanto, de responsabilidade da prefeitura carioca e do estado paulista. A Prefeitura do Rio e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), que está à frente do VLT, ainda não se manifestaram sobre a situação.

Segundo o Ministério das Cidades, que acompanha as obras do VLT, nos últimos meses o governo de São Paulo “está solucionando questões técnicas e contratuais no projeto com a Caixa, o que diminuiu o ritmo da obra”. De acordo com o ministério, até o momento o governo federal já liberou R$ 208 milhões dos R$ 400 milhões prometidos para o VLT. O governo paulista já repassou outros R$ 269 milhões, informou a Pasta. Quanto ao empreendimento de Deodoro, o Ministério do Esporte informou que “não há nenhum corte de recursos federais para as obras olímpicas” e que “a Caixa aprovou duas medições recentes que somam R$ 25 milhões, cujos pagamentos estão autorizados”.

 

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2015

às 20:51

Dilma pode ou não ser investigada? A fala de Marco Aurélio, a questão jurídica e a questão política

A oposição quer que o plenário do Supremo diga se a presidente Dilma pode ou não ser investigada enquanto estiver no mandato. A jurisprudência do tribunal diz que sim — ela não pode é ser processada por atos considerados anteriores a seu mandato. Escrevi ontem à noite a respeito.

Os partidos de oposição entraram com um Agravo Regimental no Supremo lembrando essa possibilidade. Teori Zavascki enviou a questão para um parecer de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, que já anunciou que dirá “não”. Segundo ele,
a: Dilma não pode ser investigada por atos anteriores ao mandato;
b: não haveria elementos fáticos contra ela.

Para as oposições, há aí uma questão de ordem a ser definida, e o plenário da Casa tem de se manifestar. Bem, antes mesmo que seja chamado a tanto, o ministro Marco Aurélio se manifestou. Afirmou o seguinte:
“De início a Constituição veda a responsabilização. O que se quer com essa cláusula é proteger em si o cargo. Já está tão difícil governar o país. Imagine então se nós tivermos um inquérito aberto contra a presidente da República”.

Bem, vamos, então, botar um pouco de ordem nas coisas. A jurisprudência do Supremo é clara: processar não pode, mas investigar pode. Essa é a questão jurídica. Se será mais fácil ou mais difícil governar o país, bem, meus caros, aí já estamos fora do terreno jurídico. Aí já se trata de uma questão política, que, em princípio, não cabe aos juízes.

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2015

às 20:07

Independência do BC: 1) É um debate fora de hora; 2) medida não é remédio para todos os males

Sei muito bem que os PiTboys da Internet e dos blogs sujos esperam de mim que aplauda qualquer decisão que atazane a vida da presidente Dilma. Assim, eles podem me transformar num espantalho a ser combatido e arrancam um dinheirinho a mais do governo ou de alguma estatal para perseguir “os inimigos de sempre”. O chato pra eles — e daí deriva o sucesso deste blog — é que penso o que penso, não o que querem que eu pense. Do mesmo modo, não me deixo pautar por pessoas que desprezo. Por que essa introdução?

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), agora descobriu que a independência do Banco Central é, nas suas palavras, o “ajuste dos ajustes”. Segundo ele, “é isso que vai sinalizar no sentido da previsibilidade e da segurança jurídica da política monetária.” Diz ainda: “Essa é uma discussão que não podemos sonegá-la, de forma nenhuma, no Parlamento”. Alguém do PMDB, ligado a Renan, deve apresentar projeto que fixa em cinco anos o mandato do presidente do BC.

O que dizer? Com a devida vênia — inclusive a alguns amigos, entusiastas da ideia —, tenho duas coisas a destacar: a) se Dilma cometeu uma série de estelionatos, esse será, então, se passar, o estelionato do PMDB; b) independência do Banco Central não pode ser panaceia, não é o chazinho que cura todos os males.

Vamos ver: o PMDB disputou a eleição junto com o PT. Por isso Michel Temer é vice-presidente da República. A independência do Banco Central foi demonizada na campanha de modo bucéfalo. A candidatura Dilma-Temer (ou Temer não estava lá?) associou, de modo pilantra, tal medida à fome dos brasileiros e à sanha dos banqueiros. A campanha petista-peemedebista fez picadinho de Marina Silva, que defendeu a independência.

Independência para valer, notem, não existe em lugar nenhum do mundo. Ou o BC americano abriu a torneira dos dólares fartos em desconexão com a Casa Branca, sem um, digamos, entendimento, com Barack Obama? Ou o Banco Central Europeu dá as costas para os países que vivem sob as suas regras, muito especialmente para a Alemanha?

O BC pode ter errado, no passado, na gestão da política monetária, mas tais erros são componentes secundários da crise que está aí. De resto, há sempre um pressuposto não-dito nesse tipo de debate que consiste em considerar que um BC só é independente quando eleva juros, nunca quando baixa.

Eis uma questão que merece uma abordagem menos presa a manuais do que venha a ser “um bom liberal”. Um BC independente é “independente” de quem? A independência não é uma situação intransitiva. Ela cobra um complemento. “Independente do governo”, dirá alguém. Ótimo! Mas isso implica que seja independente também de quem não é governo nem foi eleito?

Tenho restrições à tese que são de natureza conceitual, como veem. Se a minha posição, nesse particular, coincide com a do governo, fazer o quê? Ela não é nova. Mas, acima, de tudo, o debate é extemporâneo. Fosse só pela vontade do Executivo, duvido que a Taxa Selic estivesse em 12,75% ao ano. Só está nessa altura porque, suponho, o BC está agindo com independência. Mas não como um Poder acima dos Poderes.

Não se enganem: se os meus amigos liberais defenderem uma posição que considero agredir um fundamento da democracia, direi “não”. De resto, prefiro que os governos respondam pelas propostas que fazem e pelos resultados que colhem. Se o BC, hoje, já fosse independente, Dilma poderia jogar nas costas da autoridade monetária seus estelionatos eleitorais: “Eu bem que queria, mas vejam o que fez o BC…”

E notem: como há uma espécie de vácuo de poder, sobra espaço até para uma luta interna para ocupar a cena. Indagado a respeito da independência do Banco Central, que virou bandeira de Renan, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, disse que isso não é parte da agenda do PMDB e que, por si, a medida não resolve nada. Querem saber? Não resolve mesmo!

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2015

às 16:11

Dilma no Ibope: nem pneumotórax nem tango argentino são alternativas. Ela pode tentar sair do PT. Quem sabe…

Pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta indica que apenas 12% dos brasileiros consideram o governo ótimo ou bom, contra 64% que o veem como ruim/péssimo. Para 23%, ele é regular. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O instituto ouviu 2.002 pessoas em 142 cidades, entre 21 e 25 de março. Os números são compatíveis com a pesquisa Datafolha divulgada no dia 18: 13% de ótimo ou bom e 62% de ruim ou péssimo. Ainda segundo o Ibope, apenas 24% dizem confiar na presidente, contra 74% que não confiam. Apenas 19% aprovam o governo, contra 78% que o desaprovam. Resultado assim só nos piores momentos dos governos Sarney e Collor.

O que significam esses números e o que eles implicam? Vamos lá. Comecemos pelo significado: a inflação está acima de 8%; os juros, em 12,75%; e a economia, em recessão. Dilma foi obrigada a cortar gastos e a dar choque de tarifa na energia elétrica em razão da herança maldita que recebeu. Ocorre que essa herança vem do… primeiro governo Dilma. É crescente a sensação — endossada pelos fatos — de que a Petrobras era um covil. E é evidente que isso contamina o governo.

O que esses números implicam? Que os protestos de rua vão continuar porque a insatisfação é grande, vai se generalizando, e as respostas do governo e do partido oficial, o PT, até aqui são pífias — quando não atentam contra o prestígio da própria Dilma. Desde o início, o partido cometeu o erro estúpido de achar que se tratava de um descontentamento restrito ao que o partido tachava de “elite”. Nem Lula, na sua megalomania falastrona, diria que 78% dos brasileiros agora pertencem à… elite.

Enquanto os petistas continuarem a protagonizar os espetáculos de cinismo como o visto nesta terça, no Sindicato dos Bancários, pior será a reação dos brasileiros. Num suposto ato em defesa da Petrobras, Lula e Rui Falcão praticamente cobraram que José Sérgio Gabrielli, que presidiu a estatal durante o período da sem-vergonhice explícita, fosse ovacionado como herói. Embora reconhecendo o direito que têm as pessoas de protestar (só faltava fazer o contrário), o chefão petista insistiu na tese de que a ladroagem era obra de alguns indivíduos que buscavam enriquecer e negou que a dinheirama tenha sido desviada para partidos políticos.

Nas redes sociais e nos blogs sujos — financiados com dinheiro oficial —, a palavra de ordem é demonizar ainda mais os adversários, os críticos e os descontentes, o que, obviamente, só extrema o… descontentamento. Desde o começo dessa crise, tenho insistido na tese de que o PT e Lula ainda não entenderam que houve uma mudança de qualidade na sociedade brasileira. O velho discurso não cola mais.

Num texto nesta manhã, afirmei que tanto o PT como Lula morreram. Alguns tontos insistem em não entender. O PT morreu como partido com tentações hegemônicas, e Lula morreu como demiurgo, capaz de reduzir todas as divergências a suas antevisões fantasiosas.

Não sei, a esta altura, se Dilma tem saída. Mas estou convicto que de que ela pode tentar aquela que seria a sua única possibilidade: deixar o PT, despetizar o governo e o Estado e tentar um governo dos virtuosos, nos estritos limites das instituições, sem discurso salvacionista.

À diferença daquele poema de Manuel Bandeira, nem o pneumotórax nem o tango argentino são alternativas para a presidente.

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2015

às 15:45

Balança comercial registra o primeiro superávit do ano em março

Na VEJA.com:
As exportações brasileiras superaram as importações em 458 milhões de dólares em março, segundo dados divulgdos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), nesta quarta-feira. Foi o primeiro mês do ano que as transações comerciais tiveram superávit, ou seja, houve mais vendas do que compras do exterior. Em janeiro, a balança comercial registrou déficit de 3,17 bilhões de dólares e, em fevereiro, o resultado ficou negativo em 2,84 bilhões de dólares. Em março do ano passado, a balança teve um superávit de 118 milhões de dólares.

O saldo positivo superou o teto das expectativas de mercado, que apontavam para um déficit comercial de 450 milhões de dólares a um superávit de 100 milhões de dólares, de acordo com levantamento feito pela Agência Estado, com 21 instituições. A mediana das estimativas apontava para um déficit de 400 milhões de dólares. Segundo o governo, as exportações recuaram 16,8% em março, na comparação com o mesmo período do ano passado, por conta da retração das vendas de básicos (-29,7%) e manufaturados (-6,1%). Já os produtos semimanufaturados registraram avanço de 8,8% no mês passado.

Do lado das importações, houve queda de 18,5% na comparação com março do ano passado. Os combustíveis e lubrificantes registraram queda de 28% nas importações, as matérias-primas e intermediários de 18,8%, os bens de capital de 16,3% e os bens de consumo de 13,7%.

Trimestre
No acumulado do primeiro trimestre, a balança continua no vermelho, com déficit de 5,55 bilhões de dólares. As exportações somaram 42,77 bilhões de dólares no primeiro trimestre deste ano e as importações totalizaram 48,33 bilhões de dólares. No ano passado, o déficit no primeiro trimestre do ano foi maior, de 6,07 bilhões de dólares.

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2015

às 15:41

Retração industrial acumula perdas de 7,1% no primeiro bimestre

Na VEJA.com:

A indústria já começou o ano com perdas significativas em sua produção. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira, a produção industrial recuou 7,1% no primeiro bimestre na comparação com o mesmo período de 2014. Na comparação de fevereiro com janeiro, a queda foi de 0,9% – no primeiro mês do ano a atividade havia avançado 0,3%, na série já com ajustes sazonais.

Ainda de acordo com o IBGE, a produção do setor recuou 9,1% em fevereiro ante o mesmo mês do ano passado. Esta é a 12ª taxa negativa consecutiva e a mais intensa nessa comparação desde julho de 2009.

A expectativa de analistas ouvidos pela agência Reuters era de que a produção tivesse recuo de 1,6% em fevereiro sobre o mês anterior e 10,25% na base anual.

No primeiro bimestre do ano, quatro grandes categorias econômicas, 24 dos 26 ramos, 63 dos 79 grupos e 69,2% dos 805 produtos pesquisados apontaram recuo na produção. De acordo com o instituto, o principal impacto negativo entre os setores foi o de veículos automotores, reboques e carrocerias, cujo recuo foi de 24,7%. Cerca de 90% dos produtos que compõem a atividade tiveram redução de produção no período.

Também tiveram um peso negativo significativo os setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (queda de 29,4%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,5%), de máquinas e equipamentos (10%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (19,2%), de produtos de metal (11,5%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (17,1%), de produtos alimentícios (2,9%), de produtos de minerais não-metálicos (7,2%) e de metalurgia (4,7%).

“Por outro lado, entre as duas atividades que ampliaram a produção, a principal influência foi observada em indústrias extrativas (10,9%), impulsionada, em grande parte, pelo crescimento na extração de minérios de ferro pelotizados e de óleos brutos de petróleo”, comenta o IBGE.

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2015

às 6:05

LEIAM ABAIXO

NÃO É SÓ O PT, NÃO! LULA TAMBÉM ESTÁ MORTO! NOME DO FILME: “ADEUS, LULA!”;
Eis que surge o verdadeiro coordenador político de Dilma: Joaquim Levy!;
Janot dirá a Zavascki, de novo!, que Dilma não tem de ser investigada; plenário do Supremo deve se manifestar;
Homenagem aos 50 anos de jornalismo de Ricardo Setti;
Votação de projeto sobre indexador da dívida dos Estados é adiada;
MP vê inconsistência entre contratos e pagamentos feitos à empresa de José Dirceu;
Para quem não viu…;
Doleiro diz que propina foi entregue na porta do PT;
Qual Edinho vai para a Secom? E a trilha que conduz ao subjornalismo do esgoto;
Antes que seja tarde;
Maioridade penal só aos 18 anos é mais uma das farsas homicidas dos ditos “progressistas”;
Alvo da Lava Jato, empreiteira OAS pede recuperação judicial;
Bancos públicos poderão ter menos recursos do Tesouro, diz Levy;
— PETISTAS COMETEM SUICÍDIO COLETIVO – Diretórios estaduais redigem um documento aloprado, com a anuência de Lula e Falcão, em que insistem em hostilizar os brasileiros. Presidente do PT diz ser “impensável” acusar partido de corrupção!;
— Na TVeja: “Não há saída fora do Estado do Direito”;
— ENFIM, A LIBERDADE! Escrava cubana do “Mais Médicos” consegue fugir com a família para os EUA e se livrar dos senhores cubanos e dos feitores brasileiros;
— #prontofalei – O que há em comum entre o liberal Levy e o esquerdista Janine?;
— Petrobras quer dar reajuste de 13% para os chefes…

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2015

às 5:55

NÃO É SÓ O PT, NÃO! LULA TAMBÉM ESTÁ MORTO! NOME DO FILME: “ADEUS, LULA!”

É uma delícia ser lido por uma esmagadora maioria de sabidos, mas vocês entendem, não é? Blogs ainda não contam com mata-burro. Quando escrevo que o PT está morto, alguns quadrúpedes acham que estou prevendo o fim do partido para amanhã. Não! O que estou dizendo é que o projeto hegemônico da legenda foi por água abaixo. Acabou! Não haverá a ditadura do astro-rei, em torno do qual orbitariam não mais do que satélites. Chegamos a correr, sim, esse risco. Da mesma sorte, quando afirmo que Lula está acabado, não estou antevendo para breve a sua passagem — sim, todos passaremos, não é?, eu também… O chefão do PT vive, mas o demiurgo está morto. Não tem mais como se apresentar como a voz de Deus ou como um seu intermediário. Em quatro meses, o discurso do Babolorixá de Banânia envelheceu 40 anos.

Nesta terça, Lula reuniu sindicalistas e ditos líderes de autoproclamados “movimentos sociais” no Sindicato dos Bancários de São Paulo num ato, quem diria?, em defesa da Petrobras e contra a corrupção. Que coisa! Vejam trecho de seu discurso, que está no YouTube. Volto em seguida.

Como se nota, para o petista, a corrupção na Petrobras é obra de uma pessoa ou outra, o objetivo era só enriquecer alguns larápios, o dinheiro não foi enviado para os partidos políticos, e ele próprio, Lula, é o brasileiro mais indignado com a roubalheira.

O poderoso chefão fez esse discurso no dia em que ficamos sabendo que Alberto Youssef disse ter entregado, pessoalmente, grana para a cunhada de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. Mais: um funcionário seu, afirmou o doleiro, deixou uma mala de dinheiro na sede do PT nacional, em São Paulo.

No evento, José Sérgio Gabrielli, o petista que presidiu a Petrobras durante a lambança, foi saudado como herói. E Lula desafiou qualquer pessoa a provar que o aliado cometeu alguma irregularidade.

É uma pena que seja tão preguiçoso para ler. Já confessou que até Chico Buarque lhe dá sono (não há como censurá-lo por este particular…). Oscar Wilde, então, nem pensar. Não fosse essa preguiça, o ex-presidente deveria se dedicar ao romance “O Retrato de Dorian Gray”, que recomendo vivamente a todos os leitores.

Dorian é um rapaz notavelmente bonito, que tem sua figura estampada num retrato. Por circunstâncias várias, leiam lá, consegue a eterna juventude, e quem envelhece em seu lugar é o retrato. Leva uma vida dissoluta e sem limites, provoca uma série de desastres à sua volta, mas não perde a juventude. A imagem do retrato, no entanto, vai envelhecendo e estampando os horrores de sua alma. Quem leu sabe como termina. Quem não leu deve fazê-lo.

Lula era o Dorian Gray da política — não pelos dotes físicos, claro!, mas, como diria Camões, pelos transes da ventura, da sorte. As barbaridades perpetradas pelo PT e pelos governos petistas nunca haviam vincado a sua imagem. Permanecia, aos olhos de milhões, o líder popular impoluto, em quem nada colava. Escândalo do mensalão? Ele proclamava: “É golpe!”. E a farsa prosperava, com a colaboração da máquina maligna do petismo, infiltrada em todas as esferas do estado brasileiro, na imprensa, nas ONGs, nos tais movimentos sociais. Um bando de larápios foi flagrado comprando um dossiê para incriminar adversários? Lula mandava ver: “São aloprados! Nada têm a ver com o PT”. Dorian desfrutava o mundo e destruía pessoas com seu hedonismo irresponsável; Lula, com a sua tagarelice agressiva, compulsiva e rasa.

Mas o retrato do chefão — e o do PT — iam envelhecendo no porão da história. As marcas iam ficando. E finalmente se quebrou o encanto. Não! Essa narrativa não terá, como a outra, um momento de arrependimento e contrição para pôr fim à monstruosidade moral. Não há, no companheiro, resquício de consciência culpada. É a população que, finalmente, colou o retrato de Lula — aquele líder inventado pelas esquerdas universitárias e pela imprensa — ao Lula que realmente existe.

Assistam ao vídeo de Lula na reunião desta terça com os petistas. O líder está velho. Está acabado. Está passado. Não me refiro à decadência física, de que todos somos vítimas. Falo é da decadência moral mesmo, ética, espiritual se quiserem.

Num dado momento, diz o mito decadente: “Porque hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu. Indignado com a corrupção”. Que patético! Não! Há muitos milhões de brasileiros muito mais indignados. Há muitos milhões de brasileiros que já não caem mais nessa conversa. Há muitos milhões de brasileiros que enxergam na cara do próprio Lula as marcas dos governos petistas.

O PT está morto.

Lula está morto.

Mas o Brasil vive nas ruas, nas pessoas que trabalham, que estudam, que trabalham e estudam. E Lula e o PT não as representam.

Texto publicado originalmente às 4h08
Por Reinaldo Azevedo

01/04/2015

às 5:14

Eis que surge o verdadeiro coordenador político de Dilma: Joaquim Levy!

Eita! Eis que, não mais que de repente, surge um coordenador político no governo. É o mais improvável de todos eles: Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Aquele que estreou no comando da economia classificando de tosca a forma como o governo Dilma desonerou a folha de pagamentos; aquele que disse num seminário fechado que é genuína a vontade da presidente de endireitar o Brasil, embora ela seja pouco efetiva; aquele que previu recessão, quando, na sua posição, esperavam que se calasse; que tem um ar, assim, meio “nerd”, com uma aparência algo alienada dos problemas mundanos; que é chamado pelos petistas e pelas esquerdas de “neoliberal”; que parece preferir se esconder em olhos miúdos, tornados ainda menores pelas lentes da miopia; que semelha ter certa obstinação alheia às vicissitudes do mundo real… Eis que este senhor foi o único capaz de dar ao menos uma freada na máquina de moer Dilma em que se transformou o Congresso.

Atenção! A presidente da República tem nada menos do que nove coordenadores políticos. Por isso mesmo, o que ela mais colhe são desastres. Lembram aquela piada de quantos petistas são necessários para trocar uma lâmpada? Resposta: nove! Um para segurar a dita-cuja e oito para girar a escada.

Levy falou nesta terça na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Convenceu os parlamentares a adiar para a próxima terça-feira a votação que obriga o governo a renegociar a dívida dos Estados e municípios, conforme lei já aprovada pelo Congresso e sancionada por Dilma.

O ministro propôs que o novo índice de correção da dívida só comece a ser aplicado a partir de 1º de fevereiro do ano que vem, quando, então, se saberá se o governo terá ou não cumprido a meta fiscal. O que, a partir de agora, for pago segundo a lei anterior seria posteriormente ressarcido. Rio e São Paulo, as duas cidades mais interessadas nas novas regras, concordaram com o adiamento.

Levy falou longamente sobre a necessidade de “endireitar” a economia, para usar palavra sua, e fez ver aos senadores que o eventual malogro do ajuste fiscal levará as agências de classificação de risco a rebaixar o país, o que seria catastrófico. Sua intervenção foi bem recebida por governistas e oposicionistas.

O ministro obteve numa conversa o êxito que os nove trapalhões de Dilma não obtiveram, a despeito de sua frenética movimentação. Isso demonstra que o Congresso pode, sim, ser suscetível a um bom argumento e à honestidade de propósitos. Ninguém precisa gostar de Levy ou de suas medidas. Mas ele é um homem correto.

Dilma mãos de tesoura
Em entrevista à Agência Bloomberg, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo “prepara um grande corte” de gastos. Estima-se que o Orçamento possa ficar entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões menor.

Dados divulgados nesta terça-feira mostraram que o Governo Central, no mês, teve um déficit de R$ 7,357 bilhões, com um acumulado negativo de R$ 24,9 bilhões em 12 meses.

Se esse ritmo não mudar, o país não conseguirá cumprir a meta de superávit primário de 2015: 1,2% do PIB — ou R$ 66 bilhões. O que fará Dilma Mãos de Tesoura? Bem, agora ela tem um coordenador político, não é? Coloque Levy para negociar. Se ele não conseguir, melhor dizer adeus às armas…

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2015

às 23:12

Janot dirá a Zavascki, de novo!, que Dilma não tem de ser investigada; plenário do Supremo deve se manifestar

Ai, ai, leitor! O cipoal jurídico é intrincado, mas a gente vai separando os fios. Vamos botar as coisas na ordem cronológica.

1: Rodrigo Janot, procurador-geral da República, decidiu não pedir a abertura de um inquérito para investigar a presidente Dilma Rousseff alegando que ela não pode ser investigada por atos anteriores ao exercício de seu mandato.

2: Teori Zavascki, relator do petrolão no Supremo, concordou com a tese.

3: Os partidos de oposição entraram com um Agravo Regimental pedindo que o ministro revisse a sua posição. Fizeram isso ancorados em sólida jurisprudência do Supremo que estabelece que o chefe do Executivo, nessas circunstâncias, não pode ser PROCESSADO, mas pode, sim, ser INVESTIGADO.

4: Zavascki decidiu, então, enviar a questão para Janot, cobrando-lhe um parecer.

5: Nesta terça, Janot informou a um grupo de deputados de oposição que vai enviar a Zavascki o seu parecer: além de manter o argumento de que a presidente não pode ser investigada, dirá que não encontrou elementos fáticos que justifiquem essa investigação.

6: Caso encerrado? Eis o busílis. Acho que não. Vamos ver:
a: ao manter o ponto de vista, também esposado por Zavascki, de que Dilma não pode ser investigada por atos anteriores a seu mandato, Janot se posiciona, claramente, contra a jurisprudência do Supremo;
b: é evidente que isso enseja, então, uma QUESTÃO DE ORDEM. O plenário do tribunal terá de ser chamado a se manifestar;

c: note-se, ademais, que, embora os dois argumentos não sejam paradoxais, um exclui o outro: se Dilma não pudesse ser investigada (e tal argumentação está mantida), que diferença faria, então, haver ou não elementos fáticos, não é mesmo? É como se alguém dissesse que acabou a ração do gato, para acrescentar, em seguida, que o gato fugiu. A ausência de ração e a ausência do gato não são paradoxais entre si, mas, se não há gato, que relevância tem a falta de ração?

7: Aí vem a pergunta: mas há ou não elementos para, ao menos, investigar Dilma Rousseff? A resposta, analisando os demais pedidos de inquérito de Janot, é “sim”. São anteriores ao mandato, como quer o procurador? Que sejam! Ela não pode ser processada por isso, mas investigada, ah, isso ela pode. Até porque, no curso dessa eventual investigação, podem surgir elementos que digam respeito a seu mandato. E aí cabem a investigação e, a depender do caso, a denúncia e o processo.

8: Por que é importante que o plenário do Supremo se manifeste? Ora, se, provocados por uma questão de ordem, os senhores ministros decidirem que Dilma pode ser, sim, investigada, o procurador-geral não poderá deixar de pedir a abertura do inquérito se os elementos fáticos se tornarem ainda mais evidentes.

Ou, como disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) nesta terça: “Se o STF retirar esse óbice [colocado por Janot], fica aberta a possibilidade. O procurador não tem elementos hoje, mas pode vir a ter num segundo momento e poderá investigar. Para nós, a fase de instrução, de inquérito, a investigação inicial, deve acontecer. Tudo antes da apresentação da denúncia é válido”.

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2015

às 23:05

Homenagem aos 50 anos de jornalismo de Ricardo Setti

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2015

às 22:55

Votação de projeto sobre indexador da dívida dos Estados é adiada

Na VEJA.com:
A votação no Senado Federal do projeto que obriga o governo a regulamentar a lei que troca o indexador da dívida de Estados e municípios com a União foi adiada para a semana que vem, por falta de quórum.

O governo não tem interesse em regulamentar a mudança no indexador neste momento, temendo um impacto da ordem de aproximadamente 3 bilhões de reais nas contas públicas, segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que tem comparecido com frequência ao Congresso Nacional para debater o assunto. A votação estava prevista para esta terça-feira. Nos últimos dias, Levy vinha tentando construir um acordo com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com as prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro, maiores beneficiadas com a mudança no indexador.

O acordo previa que os entes federados continuariam pagando a parcela atual dos contratos com base no indexador já acordado no passado, mesmo que em juízo, e o governo federal se comprometeria a regulamentar o pagamento pelo novo indexador a partir de fevereiro de 2016. Com isso, o Senado adiaria a votação da matéria. “Na verdade, tanto as prefeituras e Estados quanto o governo entraram em um entendimento. O que o governo propôs é um entendimento que o dinheiro será restituído no início do próximo ano a Estados e municípios, que terão sua dívida diminuída”, explicou o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

“Se há um acordo entre as partes, o Congresso vai ajudar nesse entendimento e vai aprovar um projeto que facilite essa construção que ajuda o governo a passar esse momento de dificuldade e no tempo sinaliza com novos recursos para Estados e municípios que estão endividados”, afirmou.

Mais cedo, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o ministro disse que tinha um compromisso “irrevogável” de regulamentar a lei que altera o indexador da dívida de Estados e municípios com o Tesouro Nacional até 1º de fevereiro de 2016, quando o governo já saberá se terá sido bem-sucedido no ajuste fiscal.

Ajuste fiscal
Desde segunda-feira, quando palestrou a empresários em São Paulo, Levy vem reforçando publicamente que o Congresso precisa aprovar as medidas de ajuste fiscal propostas pelo Executivo para evitar um rebaixamento da nota de crédito pelas agências de classificação de risco. Segundo o ministro, a perda do grau de investimento pode ser muito ruim para o Brasil neste momento. “Há o risco de nós não completarmos o ajuste fiscal, e com isso se venha a perder subitamente o grau de investimento, com todas as consequências que isso tem na capacidade das empresas e no emprego”, declarou Levy.

Ele acrescentou que o momento é de “paciência” para não tomar decisões que não têm volta, em referência aos atritos entre o Executivo e o Legislativo. Levy disse que as medidas fiscais não afetarão programas sociais como o Bolsa Família.

A meta de superávit primário de 2015 para o setor público consolidado (governo federal, Estados, municípios e estatais) é de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Nesta terça-feira, o Banco Central divulgou um déficit primário de 2,3 bilhões de reais em fevereiro.

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2015

às 22:01

MP vê inconsistência entre contratos e pagamentos feitos à empresa de José Dirceu

Na VEJA.com:
Por Daniel Haidar e Alexandre Hisayasu, na VEJA.com:
O ex-ministro José Dirceu omitiu pagamentos de clientes de sua consultoria nos documentos que entregou à Justiça Federal. O Ministério Público Federal destacou em parecer protocolado na 13ª Vara Federal do Paraná nesta terça-feira que, “pela análise dos documentos juntados, é possível verificar supostas inconsistências entre as condições contratuais de prazo, pagamento e dados bancários”.

Na manifestação ao juiz Sérgio Moro, os procuradores da República destacaram as divergências entre o que passou pelas contas bancárias da consultoria de Dirceu, a JD Assessoria, e os contratos entregues pelo ex-ministro à Justiça Federal. Foi examinada superficialmente a situação das empreiteiras acusadas de pagar propina por contratos da Petrobras. Pela análise, os contratos previam pagamentos bem inferiores ao que foi efetivamente desembolsado para o ex-ministro.Dirceu é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal pela suspeita de ter recebido parte da propina distribuída por empreiteiras em troca de facilidades em contratos com a Petrobras.
Como mostrou reportagem do site de VEJA, o petista faturou pelo menos 8 milhões de reais por serviços de consultoria prestados a empresas do clube do bilhão.A defesa de Dirceu apresentou contrato com a Galvão Engenharia para prestação de serviços de “consultoria e assessoramento comercial”, assinado em 25 de junho de 2009, segundo o qual ele teria faturamento bruto de 300.000 reais. Mas, de acordo com a análise da movimentação bancária da empresa do ex-ministro, foram pagos 703.875 reais.
O contrato com Dirceu foi assinado exatamente uma semana depois de a Petrobras iniciar licitação de obra da Refinaria de Paulínea (Replan), pela qual a Galvão Engenharia foi contratada por 568 milhões de reais e fez o pagamento de propina equivalente a, no mínimo, 1% do valor do contrato, como já denunciado em ação penal contra executivos da empresa.Também houve divergência entre a movimentação bancária e o valor previsto no contrato apresentado por Dirceu sobre serviços de “assessoria jurídica internacional” para a Engevix Engenharia. O documento entregue à Justiça previa o pagamento total de 300.000 reais. Mas a análise dos dados bancários mostra que a Engevix pagou 900.960 reais para a empresa do ex-ministro.
Por Reinaldo Azevedo

31/03/2015

às 19:34

Para quem não viu…

Abaixo, o vídeo da entrevista que concedi ao programa “Show Business”, comando por João Doria Jr., que está na TV Lide.

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2015

às 19:12

Doleiro diz que propina foi entregue na porta do PT

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
O doleiro Alberto Youssef afirmou em depoimento à Justiça Federal do Paraná nesta terça-feira que providenciou o pagamento de 800.000 reais de propina para o PT. Segundo ele, metade do dinheiro foi entregue na porta do Diretório Nacional do partido, na rua Silveira Martins, na Sé, região central de São Paulo. A outra metade foi retirada no escritório de Youssef por Marice Corrêa de Lima, cunhada do tesoureiro nacional da sigla, João Vaccari Neto. O dinheiro foi repassado pelo favorecimento à empresa Toshiba em contrato do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobras, afirmou o doleiro.

O pagamento para o PT foi feito em dois momentos, afirmou o doleiro: “O primeiro valor foi retirado no meu escritório pela cunhada dele. Entreguei pessoalmente. O segundo valor foi entregue na porta do Diretório Nacional do PT pelo funcionário Rafael Ângulo, para que um funcionário da Toshiba pudesse entregar ao Vaccari”.

Além de ser o principal operador do PP no esquema de corrupção da Petrobras, Youssef revelou que, pelo menos nessa operação, providenciou também o pagamento de propina para o PT. Sobre o caso relatado no depoimento anterior à Justiça, Youssef tinha explicado anteriormente em acordo de delação premiada que houve pagamento de propina equivalente a 1% do valor do contrato da Toshiba com a Petrobras para o PP e de proporção equivalente ao PT.

Os pagamentos de propina da Toshiba são investigados em inquérito da Polícia Federal. Os investigadores já tiveram a confirmação de que a Toshiba fez pagamentos de pelo menos um milhão de reais para a empreiteira Rigidez, uma das empresas de fechada controladas por Youssef. O doleiro admitiu em depoimento que o depósito foi feito para que ele repasse propina, em espécie, para políticos e outros beneficiados no esquema de corrupção.

As transferências para Youssef e os pagamentos na porta do PT não são as únicas operações atribuídas à Toshiba em investigação. Um ex-funcionário do doleiro, Carlos Alberto Pereira da Costa, também ajudou a polícia nas investigações e apresentou comprovantes bancários de uma transferência de 400.000 reais de uma empresa do operador Cláudio Mente, que também recebeu recursos da Toshiba.

Em nota, o PT negou que tenha recebido propina. “O secretário Nacional de Finanças do PT, João Vaccari Neto, nega veementemente que tenha recebido qualquer quantia em dinheiro por parte do senhor Alberto Youssef ou de seus representantes”, disse. Youssef foi ouvido novamente, por requisição de seus advogados, na ação penal em que é acusado de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por remessas ilegais ao exterior feitas pelo laboratório Labogen.

Youssef afirmou em depoimento que recebeu pagamentos em espécie e em contas no exterior das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez, feitos para operar o pagamento de propina a políticos e ex-diretores da estatal. A construtora Braskem, controlada pela Odebrecht em sociedade com a Petrobras, também transferiu dinheiro com a mesma finalidade, afirmou o doleiro.

De acordo com o doleiro, os recursos das empreiteiras eram destinados ao pagamento de políticos beneficiados pelo esquema de corrupção da Petrobras. No caso da Odebrecht, o dinheiro foi repassado a Youssef em uma operação triangulada. O depósito na conta administrada pelo doleiro foi feito pela construtora Del Sur, domiciliada no exterior. Depois de receber o pagamento, ele diz que checou com um representante da Odebrecht se a Del Sur foi a responsável por enviar o dinheiro da construtora.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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