Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)
Lula, o Filho do Brasil foi patrocinado e apoiado por um grupo de empresas, a maioria delas com negócios com o governo, que doou 10,8 milhões de reais
AmBev - Em 2005, o BNDES destinou 319 milhões de reais para a empresa de bebidas.
Camargo Corrêa - A construtora participa das obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, tendo recebido, em 2008, 102,7 milhões de reais.
CPFL Energia - O controle da distribuidora de energia está dividido entre a Camargo Corrêa, o BNDES e fundos de pensão de estatais.
EBX - Os empréstimos feitos pelo BNDES às empresas de Eike Batista ultrapassam 3 bilhões de reais só neste ano.
GDF Suez - A empresa faz parte do consórcio responsável pelas obras da hidrelétrica de Jirau e recebeu do BNDES empréstimo de 7,2 bilhões de reais.
Grendene - O BNDES aprovou, em 2008, financiamento de 314 milhões de reais para a aquisição total do controle acionário da Calçados Azaléia pela Vulcabrás dos mesmos controladores da Grendene.
Hyundai - Em 2007, o governo federal deu uma mãozinha para a implantação da fábrica da montadora em Goiás.
Neoenergia - O Banco do Brasil e a Previ (fundo de pensão dos funcionários do BB) detêm, juntos, 61% da companhia. Em 2008, o BNDES aprovou crédito superior a 600 milhões de reais para a construção de usinas pelo grupo.
OAS - Foi uma das financiadoras da campanha de reeleição de Lula. Participa das obras do PAC, tendo recebido, em 2007, 107 milhões de reais.
Odebrecht - Venceu em 2007, em parceria com a estatal Furnas, a licitação para a construção da usina de Santo Antônio, no Rio Madeira. O valor do investimento foi definido em 9,5 bilhões de reais, com 75% do total financiado pelo BNDES.
Oi - O BNDES aprovou, na semana passada, financiamento de 4,4 bilhões de reais, o maior valor já concedido para uma empresa de telecomunicações. Desde a aquisição da Brasil Telecom (BrT), bancos públicos já aprovaram empréstimos de mais de 11 bilhões de reais ao grupo Oi. O BNDES e a Previ têm participação no bloco de controle da companhia de telefonia.
Volkswagen - Tem contrato com o governo para o programa Caminho da Escola para a renovação da frota de ônibus escolares. Em agosto, entregou o primeiro lote de 1?100 veículos, pelo qual recebeu 223 milhões de reais.
Já havia associado aqui, com base apenas na lógica do processo, o filme sobre a vida de Lula à trajetória de Cristo. O quadro que VEJA publica não deixa a menor dúvida. O Salvador, aquele sem aspas e em letra maiúscula, é a verdadeira inspiração para contar a vida deste “salvador”, em minúscula e, digamos, aspeado… Na campanha eleitoral de 2006, Lula comparou-se várias vezes a Cristo. Num comício em Sorocaba, naquele ano, chegou a dizer que seu sangue e suas células estavam com o povo… Não fosse um tanto desrespeitoso também, seria apenas tolo. Segue o quadro da VEJA com passagens do filme que remetem à vida de Cristo.
O NASCIMENTO Lula nasce no árido sertão pernambucano, de paisagem que lembra a da desértica Judeia. Sua mãe (Glória Pires) dá à luz em um catre. Não há animais rodeando a manjedoura para aquecer o bebê, porque em Garanhuns não faz frio, mas a pobreza da família é comparável à de José e Maria. Na falta dos Reis Magos, é a mãe, Dona Lindu, quem desempenha a função. “Seu nome vai ser Luiz Inácio!”, exclama ela, em tom profético, ao segurar o filho pela primeira vez
Divulgação
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A INICIAÇÃO Jesus foi muito influenciado e encorajado, na pregação de sua mensagem, por seu irmão Tiago. Lula também contou com uma figura semelhante: seu irmão Frei Chico, no filme chamado de Ziza, que o iniciou na vida espiritual - corrija-se, na vida sindical
O SERMÃO DA MONTANHA A cena do célebre comício no estádio de Vila Euclides, em 1979, faz uma alusão clara à pregação em que todos compreendiam as palavras de Jesus, não importa que idioma falassem ou quão distantes estivessem d’Ele. No filme, as palavras de Lula vão sendo transmitidas de um operário para outro - não havia sistema de som no estádio -, e assim reverberam entre a multidão como uma litania
Nelson Antoine/AP
A RESSURREIÇÃO Jesus Cristo ressuscitou e subiu aos céus no terceiro dia após sua morte. Lula teve de esperar um pouquinho mais pelo milagre - mas o filme faz questão de retratá-lo como tal, um milagre, ao fundir a imagem de Lula deixando o cemitério em um carro de polícia à cena real do presidente desfilando de Rolls-Royce, com Marisa Letícia, no dia da posse de seu primeiro mandato
Demorei um pouquinho para voltar, não? Já estou aqui. Vamos lá. A VEJA desta semana diz tudo o que precisa ser dito sobre “Lula, O Filho do Brasil”. A capa é esta. Volto depois.
Seguem alguns trechos da reportagem de Diego Escosteguy e Otávio Cabral: (…)
Lula, o Filho do Brasil, a cinebiografia que estreará nos cinemas no começo do próximo ano, é o primeiro filme de ficção sobre a vida do presidente. A LC Barreto, responsável pelo projeto, enviará 500 cópias ao circuito comercial - o maior lançamento da história do cinema brasileiro. As centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, planejam projetar a fita para espectadores das áreas mais pobres do país. Os trabalhadores sindicalizados poderão comprar ingressos subsidiados a 5 reais. As estimativas mais conservadoras indicam que, somente nas salas comerciais, 5 milhões de pessoas assistirão ao longa. É pouco diante do que se seguirá. O DVD do filme será lançado no dia 1º de maio, feriado do trabalhador. Em seguida, a Rede Globo levará a fita ao ar, editada como uma minissérie.
(…)
Antes mesmo de ser lançado em rede comercial, o filme está agitando os bastidores da política. Assessores envolvidos na campanha presidencial de Dilma Rousseff, a candidata escolhida pelo governo para suceder Lula, veem na película um poderoso instrumento eleitoral, capaz de fazer diferença na luta petista para se manter no poder.
(…)
Na terça-feira da semana passada, VEJA esteve na primeira exibição pública do filme, que abriu o tradicional Festival de Cinema de Brasília.
(…)
Se como cinema o filme é fraco, como propaganda e negócio tem tudo para dar certo. (…) Há elementos em abundância para provocar chororô (…) Qualquer sentimento que pudesse torná-lo mais humano, como a raiva pelo abandono do pai ou a inveja de quem tinha o que ele desejava, perde-se na produção artificial do mito, do messias que sofre, persevera e está destinado a conduzir o povo até a terra prometida. O Lula de Fábio Barreto não é somente um herói sem defeitos; é um herói iluminado.
(…)
Os bastidores do projeto revelam que essas opções não foram meramente artísticas. Houve estreita colaboração entre os produtores do filme e a equipe de Lula. (…) Políticos próximos a Lula afirmam, sob a condição de anonimato, que o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, teve influência decisiva na definição do esquema de captação de recursos. Antes da edição final, Barreto viajou para Brasília pelo menos duas vezes para exibir o filme a políticos próximos ao Planalto. A primeira sessão aconteceu há três meses. Participaram ministros, como Paulo Bernardo, do Planejamento, e Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, e deputados, como João Paulo Cunha e Ricardo Berzoini, da cúpula do PT. Os petistas, depois da exibição, acharam as músicas incidentais muito pouco dramáticas e sugeriram acrescentar músicas populares, que seriam mais facilmente assimiláveis - no que foram prontamente atendidos. Assinante clica aqui
Vamos deixar claro — e não direi o famoso “de uma vez por todas” porque certamente terei de dizer isto novamente: eu, realmente, não dou a menor bola para a popularidade de Lula quando aponto as suas patacoadas. Uma bobagem não deixa de ser uma bobagem porque aquele que a anuncia ou pronuncia tem apoio popular. Dispenso-me de lembrar que regimes fascistas só prosperaram com o apoio das massas. Nem é um argumento necessário porque fica parecendo que essa circunstância é importante para demonstrar a tese. Não é. Estamos falando de uma essencialidade. A crença ou não da maioria nisso ou naquilo não torna isso ou aquilo verdades, entenderam?
O que me importa que Lula esteja por cima da carne seca? Aí eu me acho mais necessário ainda — e, fiquem certos os petralhas, outros também me acham. Se Lula fosse a encarnação da justiça universal, talvez eu fosse cuidar de outros assuntos. Mas também não estou muito certo disso. Daria um jeito de testar tanta bondade, acho eu. Assim, senhores aduladores do Grande Líder, estejam certos de que não me constranjo; tampouco os “sucessos” de Lula me infelicitam. Ao contrário: eles só provam a necessidade de haver quem o conteste. E a contestação de governos e governantes é apanágio das sociedades livres. E esta ainda é. Por enquanto ao menos. Franklin Martins não deve gostar do que eu penso. Mas eu também não gosto do que pensa Franklin Martins.
Por que esta longa introdução? Porque Lula resolveu falar o seguinte sobre o Oriente Médio: “Quem deveria estar à frente do processo [de paz] é a ONU, não os Estados Unidos - que são um dos responsáveis pela crise. Por isso o Brasil reivindica mudanças na ONU, para que ela seja representativa de 2010, e não de 1948, quando foi criada, porque a geopolítica do mundo mudou.”
Trata-se de uma asneira pantagruélica no que concerne aos fatos e de uma confissão da delinqüência da política externa brasileira. Acusar os EUA de serem os responsáveis pelos conflitos no Oriente Médio é expressão da mais pura boçalidade, do antiamericanismo mais tacanho, da cretinice irremediável. Nem os seus adoradores conseguiriam indicar um só evento que tornasse ao menos verossímil a afirmação. Não fossem os EUA apoiarem Israel, aquele estado teria sido esmagado durante a Guerra Fria? No plano das hipóteses, pode até ser. No plano dos fatos, Israel derrotou seus inimigos com as suas próprias forças — muito especialmente em 1967, numa vitória que, nas primeiras horas, era dada como improvável.
Lula evidencia, com todas as letras, por que o Brasil, dado o atual quadro, NÃO PODE SER membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Temos um bando de primitivos cuidando da nossa diplomacia. Ademais, na segunda, Lula recebe Mahmoud Ahmadinejad, o homem que promete varrer Israel do mapa e que já negou o Holocausto. Não só isso: é também o financiador do terrorismo no Líbano, nos territórios palestinos e no Iraque.
E Lula acha que os EUA são culpados pela crise no Oriente Médio.
Lula é popular? Lula tem 80%? Dane-se a popularidade dele. Sua opinião sobre o Oriente Médio é boçal.
O Jornal da Globo leva hoje ao ar a entrevista exclusiva que William Waack fez com Mahamoud Ahmadinejad, presidente do Irã, que visita o Brasil na segunda. Não tenho dúvida de que o resultado final honra o entrevistador, como de hábito. Afinal, lembrando Lee Bollinger, reitor da Universidade de Columbia, “ouvir idéias que nós deploramos não implica endossá-las nem é sinal de fraqueza ou ingenuidade diante dos perigos reais inerentes a essas idéias“. Ou ainda: “Uma das premissas cruciais da liberdade de expressão é que não tornamos honrada a desonra quando abrimos o debate para que ela se manifeste“.
Liguei para William para ver se antecipava aqui alguma coisa para vocês. E ele, imaginem só, resolveu deixar que seu próprio jornal desse em primeira mão… Ahhh!!! Mas o entrevistador avisa que há duas passagens particularmente interessantes: uma relativa ao relacionamento de Ahmadinejad com Lula — o que será? — e outra ao modo como o iraniano passou a tratar o Holocausto. Pelo que William me falou, o nosso jornalista também teve o seu momento “Bollinger” — suponho que mais discreto, né? Naquele caso, Ahmadinejad estava na casa de Bollinger; neste, era William quem estava na casa de Ahmadinejad.
A entrevista foi feita no Palácio Presidencial, no centro tradicional de Teerã, guardado por uniformizados da Guarda Revolucionária, de onde vem o próprio Ahmadinejad. William conta que o tratamento foi muito cordial, inclusive o dispensado por assessores do presidente. Há, segundo o jornalista, um cuidado obsessivo com a imagem do líder. Perguntei: “Algum Franklin Martins de turbante negro?” Ele apenas sorriu ao telefone.
O único pedido feito à equipe brasileira foi que Ahmadinejad tivesse a chance de mandar uma mensagem ao povo brasileiro, olhando para a câmera, olhos nos olhos. Mas não era uma exigência. “Vai ter?”, pergunto. “Um pedacinho, mais pela curiosidade”, responde William. Não vejo a hora de encarar o homem do “zóio-junto”… Seus adversários no Irã é que não gostam desse momento… Nunca termina bem — para os adversários, claro.
William expressou-se em inglês, e Ahmadinejad, em farsi, com tradução simultânea em ponto eletrônico para ambos, tudo muito profissional, relata o entrevistador.
Farsi, é? Tenho uma idéia: na segunda, Lula e Ahmadinejad poderiam dispensar os tradutores. O nosso presidente falaria em sua língua, aquela parecida com o português, e o deles, em farsi…
Afinal, quanto menos um entender o que o outro diz, melhor! Não há o perigo da soma de massas negativas.
Quero aqui responder a algumas questões suscitadas pelo post em que comento o telefonema de Lula à mãe de Caetano, Dona Canô. Diz um: “Cuidado! Caetano pode vir a público para dizer que achou linda a iniciativa de Lula”. Pode, sim. E daí? Não estou especulando sobre a privacidade da relação Caetano-Dona Canô. Ele até poderia achar “lindo”, e eu continuaria a achar horrorosa a máquina de propaganda oficial, que recorre a esse tipo de apelo para dar uma “resposta superior” a uma crítica. Se mete a mãe no meio, não tem como ser superior.
Diz um outro: “Caetano não deveria ter falado o que falou…” Ou ainda: “A própria Dona Canô tinha manifestado a intenção de falar com Lula”. Olhem, queridas e queridos, estamos mesmo começando a perder a dimensão do que é vida privada. Acompanhei o noticiário. Sei que havia ao menos um irmão do compositor ligado ao PT, ou coisa assim, que estava inconformado; a própria Dona Canô teria manifestado sua insatisfação etc. Sei de tudo. Mas essas me parecem ser circunstâncias, semelhantes às dos estados totalitários, em que as vítimas se tornam responsáveis pelos males que as acometem.
Reitero: nem estou endossando a crítica de Caetano a Lula — embora pudesse fazê-lo sem qualquer problema; só acho que ela é um pouco modesta; Lula é mais perigoso, na minha opinião, do que supõe o artista. Não importa. O fato é que as circunstâncias conspiraram para que a família do compositor fosse mobilizada para desautorizar a sua opinião. E isso é um tanto monstruoso.
A popularidade de Lula está na casa dos 80%. Ele quer chegar a 150%? É possível. Afinal, vemos que ele já se refere a si mesmo num futuro em que as pessoas ou têm saudades do passado ou a ele se referem como se falassem de tempos imemoriais.
A petralhada foi em peso naquele outro post em que trato deste assunto ironizando a suposta complexidade — não tem nada de complexo — da minha análise. Odeiam sutileza de pensamento, detalhe, objeções de natureza ética, moral, filosófica. É incrível como o regime lulista poderia se encaixar na definição de “fascismo de esquerda”. Falta só a agressão física aos adversários, àqueles que chamam “minoria”. A depender do que aconteça no ano que vem, chegam lá. A agressão moral está aí, aos olhos de toda gente.
Há, claro, variáveis as mais distintas e amplas para que o lulo-petismo prospere. Uma das razões, claro, é que se estabeleceu um padrão de oposição — voltarei oportunamente a este tema — que é favorável ao PT.
Imaginem Tio Rei — só imaginem: se tivesse talento para tanto, não teria paciência — marqueteiro da oposição… Eu pegaria esta foto da deposição do Cristo, juntaria com a fala de Lula sobre a necessidade de fazer composição com Judas e, então, plasmaria uma leitura sobre o universo metafísico do lulo-petismo.
E evidenciaria que Lobão mais a parede nua escondem uma imagem: a de Judas.
Mas isso seria muito agressivo, né? É coisa daqueles detestáveis republicanos perseguindo o santo Barack Obama… No Brasil, assiste-se impassível à construção de mitos humanos. Os “mercados” digam o que bem entenderem. Enquanto for assim, o nosso destino é a taba.
E eu provo. Como os silvícolas de 1500, continuamos com medo de chuva, raios e trovões. Ou me provem que há alguma diferença entre os primitivos, quando olhavam temerosos para o céu, e Edison Loão e sua turma. Todos são vítimas de forças superiores da natureza que não conseguem explicar ou dominar.
Acima, reproduzo a capa do Estadão de hoje. A imagem é pequena, mas dá para perceber o essencial. Vejam a seqüência das três fotos do alto. Vê-se ali o auditório do Ministério das Minas e Energia. Na primeira imagem, nota-se o crucifixo ao fundo. Na terceira, ele já desapareceu. É que o ministro Edison Lobão e Nelson Hubner, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, dariam uma entrevista para falar, mais uma vez, sobre as razões do apagão. Vamos ver o que eles disseram. Depois volto ao crucifixo.
“O que ocorreu surgiu a partir disso ["isso", leitor, quer dizer os tais "fatores climáticos"], mas é impossível saber, enquanto não temos uma análise mais profunda, se os equipamentos operaram de forma adequada”.
Para quem, como este escriba, é prisioneiro perpétuo da lógica, a fala soa como um instrumento de tortura. Sem saber nada de energia elétrica — Dona Reinalda e suas auxiliares trocam as lâmpadas por aqui —, eu asseguro e dou fé: se os responsáveis foram os tais “fatores climáticos”, então é óbvio que os equipamentos NÃO OPERARAM de forma adequada. A menos que a “FORMA ADEQUADA” DE OPERAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS SEJA A PRODUÇÃO DE APAGÃO. Eu não pretendo que Lobão, este verdadeiro show-room do Tablete Santo Antônio, opere com este sistema lógico, mas o tal Hubner poderia nos poupar. E, claro, resta uma questão ainda mais elementar: se eles não sabem, até agora, o que aconteceu, como podem culpar as forças da natureza? Em matéria de raios, por exemplo, eu sou mais o INPE do que Lobão ou Hubner. E o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais já deixou claro: raio na linha ou na subestação não houve. Mais, se tivesse havido, com as característicos dos raios daquele dia na região, não teria acontecido nada! Agora o crucifixo.
Isso é puro Franklin Martins. Não contente em tentar editar as matérias que já estão em curso, em tentar desmoralizá-las de antemão em blogs vigaristas, o jornalismo franklinstein agora tenta editar as fotografias antes mesmo que os fotógrafos façam o seu trabalho. “Retirem o crucifixo de lá; os fotógrafos tentarão associar a situação da energia a Cristo na cruz”. Ou, como relata o Estadão: “A intenção, apurou o Estado, era evitar associar a idéia da paixão e da morte na cruz às duas autoridades”.
Não há a menor possibilidade, creio eu, de se associar, ainda que de modo negativo, Lobão a Jesus Cristo. A figura mais próxima do Salvador, no Brasil, evidentemente, é Lula. Com a diferença de que o Nazareno entrega-se em sacrifício para nos salvar, e o petista, se preciso, NOS entregaria em sacrifício para SE salvar. Como sei disso? Ora, vejam o post anterior. Nem as nossas mães estão fora dos tentáculos do lulo-petismo.
Sem contar que há nessa antecipação franklinsteiniana de uma possível foto uma questão de suprema ignorância. O crucifixo, sem dúvida, é uma imagem de dor. Mas se tornou um símbolo de redenção e de libertação para mais de um bilhão de pessoas mundo afora — tradição cultural (para não me ater à questão religiosa) que diz respeito ao Brasil. A decisão de retirar o crucifixo relê alguns séculos de interpretação desse símbolo para devolvê-lo à sua mais tosca literalidade.
Pensem um pouco: se o crucifixo não puder aparecer quando o governo trata de uma questão negativa porque se associaria o sofrimento do Cristo ao que está sendo relatado, por que ele deveria, então, aparecer numa notícia festiva. Ora, aquele conteúdo não mudaria, certo? Nessa hipótese, então, seria mesmo um grande desrespeito: “Aí, hein, Jesus! O Senhor aí, todo ferrado, e a gente aqui, feliz”. A boçalidade dessa gente é compatível com a sua ignorância.
Nada sobrevive intocado neste “regime”. Não é só a sua mãe que corre riscos. Cristo também não escapa da fome lulo-petista.
O governo estaria mais bem-retratado se alguém decidisse manter o crucifixo lá, mas de ponta-cabeça. A manipulação a que assistimos hoje tem, evidentemente, no universo dos símbolos, uma origem diabólica. Vivemos sob o signo do Mal.
Nada escapa a seu projeto de poder. Nem as vidas privadas. Nem as famílias. Nem a intimidade. Que seja Lula o chefe disso que já se pode chamar um “regime” é particularmente asqueroso. É porque ele próprio foi vítima da exploração política de uma invasão de privacidade em 1989, quando Fernando Collor, hoje seu aliado, levou ao horário eleitoral o caso Miriam Cordeiro. E, basta pesquisar, o expediente foi unanimemente rejeitado.
A que me refiro? Lula ligou para Dona Canô, 102 anos, mãe do cantor e compositor Caetano Veloso, para dizer que estava tudo bem. Era o nosso Sumo Sacerdote perdoando os pecadores. Por quê? Por causa deste trecho de uma entrevista de Caetano ao Estadão, segundo a transcrição: “Não posso deixar de votar nela [Marina Silva]. É por demais forte, simbolicamente para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro.”
O contexto não ameniza a palavra “analfabeta”, mas, se me permitem a aparente tautologia, “contextualiza-a”. Há implícita, ou bem explícita, a idéia de que Marina venceu uma limitação de origem, enquanto Lula preferiu transformá-la em ativo eleitoral e em ideologia.
Já reagi a uma crítica de Caetano. Ele afirmou em entrevista que considerava “cafajeste” certo jornalismo de São Paulo (ou coisa assim) que acusava parte dos professores da USP de “esquerdopatas”. O “jornalismo de São Paulo” que faz isso sou eu. Ele falou, eu reagi, as coisas estão ditas. É assim na democracia. Não precisamos ser amigos nem inimigos. PRECISAMOS DE UM REGIME EM QUE AS PESSOAS DIGAM AS COISAS SEM SE TRANSFORMAREM EM ALVO DE PERSEGUIÇÃO E, EVENTUALMENTE, DE CENSURA MORAL MANIPULADA PELO ESTADO.
Eu mesmo, comentando o imbróglio todo, fiz uma leitura bastante severa da opção de Caetano por Marina, uma vez que se diz admirador de Mangabeira Unger. No plano das idéias e das escolhas, são opções antitéticas. Mas reitero: ele fala, eu falo, os outros falam. A democracia também se define por essa pluralidade de vozes.
Não sob o lulismo. O petismo, como já está claro, infiltrou-se também na família Veloso. Era inevitável. Esse vírus se espalha com tanta facilidade quanto a gripe suína. Trata-se de um agente patogênico que se adapta com facilidade às mais diversas circunstâncias. É dotado de múltiplas portas de conexão. “Você não gosta de injustiças?” Então é petista. “É a favor da igualdade?” Então é petista. “É a favor dos ditos oprimidos?” Então é petista. Só que há um preço para sê-lo: deixar que o partido e o demiurgo cuidem dessas coisas por você. Eles vão fazer algumas coisas estranhas — como juntar num mesmo imbróglio político-partidário movimentos sociais, fundos de pensão, empreiteiras, BNDES etc. Também vão dar de ombros para o ordenamento jurídico. Mas tudo para o bem da causa.
E, claro, é preciso adorar o líder. No petismo, pode-se tirar o crucifixo da parede na suposição de que isso pode pegar mal — já trato do assunto. Mas é proibido não adorar o retrato de Lula.
Não fazia sentido, claro!, porque exporia a brutalidade na sua crueza, levar Dona Canô — 102 anos, muito admirada, com justiça, na Bahia e em boa parte do Brasil — a ligar para Lula para pedir perdão. Então é Lula quem liga para Dona Canô para perdoar a família, o que ressalta, ademais, a generosidade do líder.
Lula tenta, assim, o que nem a ditadura militar tentou: desautorizar Caetano junto a seu próprio público e, pior e mais grave, à sua família. Duvido que o cantor reaja. O esquema “franklinstein” não tem qualquer pejo em avançar no território do sagrado.
O lulo-petismo privatizou as vidas privadas. Na cabeça dessa gente, pertencemos todos ao partido, queiramos ou não.
Deve ser tarde demais para que Caetano e eu venhamos a concordar, mas, quando cravei o termo “esquerdopatia”, referia-me justamente a essa doença do espírito que não reconhece o direito de um indivíduo ser aquilo que é. O “ser” se define apenas como afirmação ou negação do partido e seu líder. No caso de a definição se dar pela negativa, a máquina é acionada para esmagar o rebelde.
E, se preciso, eles põem a mãe no meio.
É a Revolução dos Bichos. O vírus da praga suína está aí. Os porcos estão com tudo.
Afirmei num post de ontem que voltaria ao tema dos embates no tucanato e da antecipação do debate eleitoral.
A tese do governador de Minas, Aécio Neves, de que José Serra leva a disputa para a polarização — e ele, Aécio, não — é, desculpem-me seus partidários, pura espuma. A avaliação parece embutir, ademais, a admissão de que o paulista é mais tucano do que o mineiro, o que nos remete a um paradoxo interessante: o primeiro não poderia ser candidato porque muito identificado com o… seu partido? Se isso for uma interdição, o contrário disso não pode dar certo, não é? Mas isso é só a velha lógica um tanto ranzinza deste escriba. A avaliação é que é essencialmente errada.
Para ganhar, o PT polariza com qualquer um que esteja fora do seu projeto. E, se preciso, vai polarizar com Aécio. Ou ele acredita que, uma vez candidato, seria ainda tratado a rapapés e pão-de-ló? Continuaria preservado apenas se fosse visto como inviável. Se disparasse nas pesquisas, mísseis começariam a cair no seu quintal. Não há hipótese de o PT condescender com ele. Zero!!! Em muitos sentidos, Aécio é o que aquela legenda mais despreza: flana acima dos partidos; tem um nome de família; goza de prestígio imenso na imprensa (só perde para o próprio PT). Vale dizer: não é “um” inimigo enquanto não é “o” inimigo. E a máquina petista de sujar reputações é a mais bem-azeitada do país.
Mas por que escrevo isso? Para convencê-lo? Como diria Ciro Gomes, não serei eu a dar aulas ao neto de Tancredo, não é? Avô não é destino, sei, mas é fato que ele tem tino político. Sabe de tudo isso. Está muito longe de ser idiota. E isso nos propõe, então, uma questão: “O que quer Aécio?” Será que realmente acredita que pode ser o presidente já em 2011?
Vendo a forma como atua, penso, às vezes, que não. Será que também ele está no grupo que se imagina, a exemplo dos Maias, naquelas arcas que sobreviverão à hecatombe política, como no filme 2012?… Na hipótese de ser candidato, estaria ele jogando para perder, mas se consolidando como liderança nacional, preparando-se para, no futuro, embaralhar o quadro partidário ou para, sendo Serra o escolhido tucano, cristianizar o paulista em Minas? Colaboraria para o outro se esborrachar e surgiria como líder nacional do PSDB… Será?
Farei, nesse caso, a mesma pergunta que fiz para e sobre os Maias? Seria “líder” do que mesmo??? Políticos costumam gostar de historinhas, mas tendem a desprezar a história. O PT não está aí só brincando de disputar eleições. Está construindo um ente de razão. A depender do que vocês façam, senhores, eu posso lhes assegurar que vocês não estarão no convés da arca. O PT pode preservar girafa, hipopótamo, macaco, jararaca… Mas não vai querer tucano — ou gente que ambiciona vôo próprio — nem como memória empalhada da fauna.
Não há setor social que não esteja mais ou menos cooptado pelo petismo. Há não-petistas que, sem enxergar uma saída, aderem ao grupo dominante como periferia e pronto! Mas Aécio, por exemplo, não tem vocação para o arrabalde; busca ser o centro. Essa centralidade no jogo político, goste ele ou não, passa pela vitória do PSDB em 2010 — uma tarefa dificílima; postos os termos da equação na mesa, já é tarefa hercúlea para Serra, que tem o dobro de votos. Imaginem para quem se vê obrigado a entrar na campanha nacional do partido dizendo: “Talvez você não me conheça…”
“Ah, Reinaldo é serrista; Reinaldo é paulista; Reinaldo é anti-Aécio”… Quanta asneira!!! Reinaldo apenas acha essencial para a democracia a alternância de poder e acredita que, numa guerra, vence quem está mais preparado e sabe usar com eficiência as armas que tem. O petismo não admite parceiros ou sócios; só subordinados. Vejam a coisa miserável em que Lula transformou Ciro Gomes. De certo modo, o rapaz entregou ao chefe até a sua identidade política. Deixou de ser um dos “modernizadores” — lá no marketing dele — do Ceará para ser uma peça do jogo do atraso político em São Paulo. Ou alguém acha que essa mudança de domicílio honra a alta política?
O tal “filho do Brasil” tem ainda uma longa carreira política pela frente, e não existe altivez à sua volta. O esforço que setores do tucanato e do DEM fazem para atingir Serra, entendo, coloca em risco a sua (deles) própria sobrevivência política. Ninguém sabe a forma do futuro, claro! Mas é possível planejar, ao menos, a vitória. E é também possível planejar o desastre. Lula conta com um interregno Dilma e, depois, quem sabe mais uns oito aninhos. O PSDB poderia estar sonhando com 16 — e não vou me dar o trabalho de fazer a conta, né?
Claro, o jogo é cheio de incertezas; ninguém faz planos com tanta antecedência etc. Ninguém que não seja petista. O partido, escrevo isso há bem uns cinco anos, se constrói e exerce o poder para tornar as eleições nacionais meros processos homologatórios.
A tese de que a polarização serve ao PT, entendo, é só um auto-engano — eventualmente, um auto-interesse. A única maneira de não polarizar com o PT é ser engolido por ele. O correto é justamente o contrário: é polarizar! E que se note: estou me referindo ao partido de Lula, não a Lula. Ele não disputa eleições.
Diogo escreveu em sua coluna há três semanas: “Eu tento sabotar o PT. Como é que se sabota o PT? Atualmente, só há um jeito: unindo José Serra e Aécio Neves, em 2010. E concluiu assim o seu texto: Pronto: sabotei o PT. Agora só falta o PSDB sabotar o PSDB.
No dia 24 de setembro de 2007, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chega ao Brasil na segunda, falou na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, num evento organizado pela Escola de Assuntos Públicos e Internacionais da instituição. Aquele ano foi dedicado às questões iranianas, e a presença do facinoroso foi apenas um dos eventos. Lee Bollinger, presidente da Columbia — lá, os reitores têm esse título — optou por fazer uma fala introdutória, prévia, ao discurso de Ahmadinejad. E fez história. A descompostura é fabulosa.
No vídeo abaixo, não está toda a sua fala. Antes do ponto em que vocês podem assistir, ele agradece os esforços dos coordenadores do evento e lembra: “Ouvir idéias que nós deploramos não implica endossá-las nem é sinal de fraqueza ou ingenuidade diante dos perigos reais inerentes a essas idéias”. O reitor se preparava para lançar um foguete contra Ahmadinejad.
“Uma das premissas cruciais da liberdade de expressão é que não tornamos honrada a desonra quando abrimos o debate para que ela se manifeste”. O reitor diz compreender o ponto de vista daqueles que acreditam que aquele evento — a presença de Ahmadinejad na Columbia — jamais deveria estar acontecendo, desculpa-se com aqueles que se sentirem pessoalmente atingido pelo fato e diz que fará o máximo para aliviar seu sofrimento. De modo enfático, afirma: “Que fique claro de uma vez por todas: este evento não tem absolutamente nada a ver com o ‘direito’ de quem fala, mas apenas com o nosso direito de ouvir e falar. Fazemos isso por nós”.
Lee Bollinger exalta os valores da liberdade, fala da necessidade de entender o mundo e lembra que a universidade não ocupa escalões do poder. Não faz a paz nem faz a guerra. Mas forma cérebros. E então passa a se dirigir diretamente a Ahmadinejad.
A brutal repressão de professores universitários, jornalistas e defensores dos direitos humanos O reitor cita casos de perseguição a professores — um deles formado na Columbia e convidado a dar aula na Universidade, diz que a Anistia Internacional acusa a execução de 210 pessoas, 21 delas só no dia 5 de setembro. Entre os mortos estavam crianças e defensores dos direitos humanos. Lembra que se fazem execuções públicas, violando convenções internacionais de direitos civis de que o Irã é signatário. Isso tudo antecede o trecho do vídeo que está aí. O texto que segue depois dele são trechos da fala do reitor dirigindo-se diretamente a Ahmadinejad
1s até 2min37s “Essas e outras execuções coincidiram com a selvagem repressão contra ativistas estudantis e professores, acusados de fomentar a chamada ‘revolução suave’ (…) Como disse a doutora Esfrandiari num entrevista, ele ficou presa numa solitária por 105 dias porque o governo acreditava que os EUA planejavam uma “Revolução de Veludo” no Irã. Nesta mesma sala, no ano passado, nós aprendemos alguma coisa sobre a Revolução de Veludo de Vaclav Havel. E ouviremos algo semelhante de Michelle Bachelet, presidente do Chile. Estas duas histórias extraordinárias lembram-nos de que não há prisões suficientes para impedir uma sociedade que queira ser livre de ser livre.
Nós, nesta universidade, não temos receio de protestar contra o nosso governo e de contestá-lo em nome desses valores. E não temos receio de criticar o seu governo.
Vamos deixar claro de saída: senhor presidente, o senhor exibe todos os sinais de um ditador mesquinho e cruel.
E eu lhe pergunto: por que as mulheres, os membros da religião Baha’i, homossexuais e muitos dos nossos colegas professores são alvos de perseguição em seu pais?
Por que, numa carta ao secretário geral da ONU na semana passada, Akbar Gangi, um dissidente, e outras 300 personalidades, entre intelectuais, escritores e laureados com o Prêmio Nobel acusam que a sua retórica inflamada contra o Ocidente busca desviar a atenção do mundo das condições intoleráveis que o seu regime criou dentro do Irã, em especial o uso da Lei de Imprensa para banir os críticos?
Por que o senhor tem tanto medo de que os cidadãos iranianos expressem suas opiniões em favor de mudanças? (…)
O senhor me deixa liderar uma delegação de estudantes e professores da Columbia para falar na sua universidade sobre liberdade de expressão, com a mesma liberdade que lhe garantimos hoje? O senhor fará isso?”
A negação do Holocausto
2min43s -3min59s “Em dezembro de 2005, num programa da TV estatal, o senhor se referiu ao Holocausto como uma invenção, uma lenda. Um ano depois, o senhor apoiou uma reunião de negadores do Holocausto.
Para os iletrados, os ignorantes, isso é propaganda perigosa. Quando o senhor vem a um lugar como este, isto faz do senhor simplesmente um ridículo. Ou o senhor é um provocador descarado ou é espantosamente mal-educado [sem formação intelectual].
O senhor precisa saber que a Columbia é um centro mundial de estudos judaicos e, agora, em parceria com o Instituto YIVO, de estudo do Holocausto. (…) A verdade é que o Holocausto é o mais documentado evento da história humana. (…). O senhor vai parar com esse ultraje?
A destruição de Israel
4min2s -4min54s Doze dias atrás o senhor disse que o estado de Israel não pode continuar a existir. Isso repete inúmeras declarações inflamadas que o senhor tem feito nos últimos dois anos, incluindo a de outubro de 2005, segundo a qual Israel tem de ser “varrido do mapa”.
A Columbia tem mais de 800 ex-alunos vivendo em Israel. Como instituição, temos profundos laços com nossos colegas de lá. Eu, pessoalmente, tenho me manifestado com força contra propostas de boicotar estudantes e especialistas de Israel dizendo que isso seria boicotar a própria Columbia. Mais de 400 colegas e reitores neste país pensam o mesmo. Minha pergunta, então, é: “O senhor planeja nos varrer do mapa também?”
Financiamento do terrorismo
4min58s - 5min55s De acordo com o Council on Foreign Relations, está bem documentado que o Irã é patrocinador do terror, financiando grupos violentos como o libanês Hezbollah, que o Irã ajudou a organizar em 1980, e os palestinos Hamas e Jihad Islâmica.
Enquanto o governo que o precedeu colaborou com s EUA na campanha contra o Taliban, em 2001, o seu governo está atacando sorrateiramente as tropas americanas no Iraque, financiando, armando e garantindo livre trânsito para líderes insurgentes como Muqtada al-Sadr e suas forças.
Há inúmeros relatos que ligam o seu governo com os esforços da Síria para desestabilizar o frágil governo do Líbano por meio da violência e do assassinato político.
Minha questão é esta: por que o senhor apóia organizações terroristas que continuam a golpear a paz e a democracia no Oriente Médio, destruindo vidas e a sociedade civil na região?
Guerra por procuração contra as tropas dos EUA no Iraque
5min57s-6min45s
O general David Patraeus afirmou que armas fornecidas pelo Irã (…) estão contribuindo para a sofisticação de ataques, “que não seriam possíveis sem o apoio do Irã”. Muitos formados da Columbia e estudantes estão entre os bravos militares que estão servindo ou serviram no Iraque e no Afeganistão. Eles, como outros americanos com filhos, filhas, pais, maridos e mulheres que estão em combate vêem, certamente, o seu governo como inimigo.
O senhor pode lhes dizer e a nós por que o Irã está lutando uma guerra que não é sua no Iraque, armando a milícia Shi’a, alvejando e matando tropas americanas?
Finalmente, o programa nuclear do Irã e as sanções internacionais
6min46s-10min30s Nesta semana, o Conselho de Segurança da ONU avalia ampliar as sanções [contra o Irã] pela terceira vez porque o seu governo se recusa a suspender o programa de enriquecimento de Urânio
(…)
Por que o seu país se recusa a aderir ao padrão internacional de verificação de armas nucleares, em desafio a acordo que o senhor fez com a agência nuclear das Nações Unidas? E por que o senhor escolheu fazer o seu próprio povo vítima dos efeitos das sanções internacionais, ameaçando fazer o mundo mergulhar na aniquilação nuclear?
Deixe-me encerrar com este comentário. Francamente, com toda sinceridade, senhor presidente, eu duvido que o senhor tenha coragem intelectual de responder essas questões. (…)
Voltei Quem, no Brasil, diria estas meras verdades a Ahmadinejad?
O Movimento de Justiça e Direitos Humanos, de que já falei aqui, junto com outras entidades, promove, em Porto Alegre, um ato de repúdio à presença no Brasil do financiador de terroristas Mahmoud Ahmadinejad.
DATA: 23 de novembro, 2009
LOCAL: ESQUINA DEMOCRATICA - Porto Alegre
HORÁRIO: das 11h às 15hs
Também promovem o protesto:
- Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul
- Igualdade - Associação de Travestis e Transexuais do RS
- Nuances - Grupo pela Livre Expressão Sexual
- Themis - Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero
- Organização Sionista do Rio Grande do Sul
Tarso Genro, o ministro da Justiça, só pode ser superado por Tarso Genro. Concedeu uma entrevista hoje em que, aparentemente muito ponderado, afirmou que a decisão de Lula sobre Cesare Battisti é solitária; que, qualquer que seja ela, não será uma derrota para ninguém, nem pra ele próprio, que concedeu o refúgio, nem para o Supremo, que o considerou inválido. Poderia ter ficado nisso. Mas, aí, não seria Tarso Genro.
Como se ainda não tivesse ofendido o bastante um país amigo, Tarso disse achar que alguns ministros italianos querem “se vingar” de Battisti… Isto mesmo: ele usou a expressão “vingar-se”. E, delicado, fez a ressalva: “Não é o Estado italiano, mas os ministros”.
Tarso acredita que ofender gratuitamente o governo de um país não ofende o estado. Pergunto: quando ele pôs em dúvida a decisão do Judiciário italiano; quando ele pôs em dúvida a capacidade de a democracia italiana manter um preso em segurança, ele estava ofendendo o governo ou o Estado?
Trata-se de mais um agressão cretina e inaceitável.
E agora cabe uma questão. Este senhor é defensor da revisão da Lei da Anistia no Brasil. Aqueles que ele chama “torturadores” não foram sentenciados. De fato, foram beneficiados, a exemplo dos terroristas do outro lado, pela tal lei. Não obstante, ele quer revê-la. Por senso de Justiça ou por vingança?
No Brasil, sem que haja lei para tanto, Tarso quer punir seus inimigos. Mas quer proteger um amigo de fé, irmão, camarada, das leis democráticas da Itália. Em matéria de sandice, ele é insaciável.
Se eu fosse humorista, processaria os políticos por desrespeito ao direito de propriedade intelectual e dumping. Terminou agora o horário político gratuito do PSC — acho que é Partido Social Cristão. A minha única simpatia pelo partido — e é favor ler com a tecla SAP ligada — deriva do fato de que o senador Mão Santa (PI) foi pra lá. É o meu orador predileto no Senado. Ninguém, como ele, junta o pipoqueiro da esquina com Cícero com tanta propriedade. E, como se trata de Mão Santa, o pipoqueiro fica parecendo Cícero, e Cícero fica parecendo um pipoqueiro. O Senado, com ele, é pura diversão. Adiante.
Comecei falando dos humoristas etc e tal. Não me referia a Mão Santa, não. Vi o deputado Marcondes Gadelha (PB) gravando uma mensagem em frente à sede da ONU, em Nova York. Foi lá participar não sei de quê. E falava como, bem…, como alguém influente na… ONU!
A ficção se antecipou em pelo menos três décadas. No vídeo acima, vemos Odorico Paraguaçu, o prefeito de Sucupira, de O Bem Amado, discursando justamente em frente ao prédio da ONU. Ele tinha ido a Nova York para oferecer a sua cidade como nova sede da entidade. Gadelha não chegou a tanto. Havia um outro vídeo no Youtube, que não consegui achar, igualmente engraçado, em que Odorico e Dirceu Borboleta estão no avião, sobrevoando Nova York. Se vocês o encontrarem, enviem-me o endereço.
É só Gadelha que lembra a personagem? Não, né? Lula, às vezes, é puro Odorico. Dias Gomes não conseguiu levar a imaginação tão longe e pôr a sua personagem a debater a conveniência de a Terra ser quadrada. Odorico era mais modesto.
Recomendo que se leiam primeiro os dois posts abaixo e depois se volte aqui. Adiante. Lula distorce de forma deliberada a verdade ao afirmar que este ou aquele querem impedir Dilma de viajar e de, como diz o oficialismo, “vistoriar obras”. Conversa mole. Papo furado. O que se critica — oposições e a imprensa não-capturada — é o descarado uso eleitoral das viagens. Aí a petralhada vem aqui e manda ver: “Serra faz a mesma coisa”. Lamento! Não faz! Não vou concordar só para que digam: “Como esse Reinaldo é equilibrado!” Eu não quero que petralha me ache de confiança! Aliás, prefiro que desconfiem de mim! Assim, que fique claro: “Não sou, petralhas, de confiança!!!”
O governador de São Paulo esteve hoje em Curitiba para celebrar um convênio de colaboração entre o estado e a Prefeitura da capital do Paraná. Fez campanha? Alguns tucanos ficarão bravos porque ele fez, na verdade, uma espécie de anticampanha, deixando claro que só cuida de eleições no ano que vem: “Estou concentrado na minha atuação como governador, que é um trabalho bastante complexo.” E sobre Aécio Neves ter-se encontrado com Ciro Gomes? “O importante é que estaremos unidos”. Refere-se a Aécio, é óbvio!, não a Ciro. “Mas, Reinaldo, e se Aécio estiver com Ciro? Serra estará com eles?” Não! Mas o resultado dessa equação impossível deve ser cobrado de Aécio. Ele inventou a quadratura do círculo; deve ter a sua expressão matemática, não é?
Diga a canalha o que quiser, as posturas de Serra e Lula-Dilma são absolutamente distintas. O par petista que antecipar a campanha a todo custo; o tucano, como se nota, prefere não falar sobre eleições. Lula está doido para que isso aconteça: ele quer começar a atacar Serra desde já; busca um confronto direto, já que sabe que Dilma não agüenta ainda o debate.
É por isso que Lula preserva Aécio e manda a Minas emissários como Ciro para dar uma de “O Sedutor das Alterosas”. O negócio é insuflar o mineiro a forçar uma definição do paulista, que entraria na mira. Desgastado, Serra poderia desistir em favor de Aécio. E, aí, então, os petistas se concentrariam no adversário da hora — foi exatamente assim que agiram quando, em 2005, preservaram Alckmin para atacar… Serra. Quando este saiu da parada, o candidato oficial do PSDB conheceu a fúria do petismo! E que fúria!!! Na madrugada, volto a este tema.
Leia primeiro o post abaixo Para variar, Lula fala o que lhe dá na telha e obscurece a verdade com desfaçatez impressionante. Ele próprio, a rigor, não tem “direito” de falar essas coisas. Está fazendo campanha com dinheiro público, o valente. Dado que Lula se considera inventor e monopolista das obras sociais, quem será “a candidata” — !!! — que encarna a continuidade? Tenham paciência!
Quanto a ele não se aposentar, quem acreditou que se aposentaria? Quem acreditou que vai ficar de boca fechada, pouco importa quem o suceda, Serra ou Dilma? Se for a petista, comparecerá ao debate para justificar as suas (dela) ações sempre que isso for necessário; se for o tucano, estará insuflando o partido a inviabilizar o governo do outro. É o que sempre fez nos governos alheios. Ou citem uma só vez em que ele e seu partido apresentaram uma crítica afirmativa ao governo alheio. Nunca! Sempre o “não” inegociável — quiçá a sabotagem. É possível que Lula se abolete por um tempo em algum órgão multilateral e fique mandando recados ao Brasil, que aqui chegarão como intervenções de um deus ex machina.
No que respeita à suposta diferença de comportamento entre o governo anterior e o atual nas crises, só mesmo a trapaça intelectual para justificar a afirmação de Lula. Fica parecendo que os outros não queriam investir por alguma perversidade. As diferenças pontuais têm história. É preciso ver como foi o período antecedente de cada uma das crises. Até que viesse a mais recente, o mundo viveu um período inédito de expansão. E o Brasil só pôde participar da festa porque estava relativamente arrumado — e estava APESAR DO PT, não POR CAUSA DO PT.
Quantas pessoas partilharão disso que é verdade demonstrável? O que o “povão” tem a dizer a respeito? Não me importa. Escrevo porque é verdade, não porque esteja em busca de seguidores. Não sou político. E vou continuar.
Da Agência Brasil, em reprodução autorizada. O título é meu. Comento no próximo post.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) tem mais direito de viajar pelo país do que governadores que têm saído de seus Estados para visitar outras unidades da federação. A afirmação foi feita por Lula ao responder pergunta sobre as críticas da oposição às viagens que Dilma tem feito em sua companhia.
“Eles têm menos direito de viajar do que uma ministra, que tem direito de visitar as obras que ela coordenou”, disse Lula, durante entrevista à Rádio Clube de Natal.O presidente também falou sobre seus planos para depois do fim do seu segundo mandato. Lula disse que não vai se aposentar da política, porque o ser humano faz política a vida inteira. “Não existe a possibilidade de um homem se aposentar em política. O ser humano começa fazer política de sobrevivência quando ele nasce.”Lula repetiu, no entanto, ter a consciência de que um ex-presidente não pode dar palpites para quem está governado.
Voto
Em entrevista ao Jornal de Hoje, o presidente afirmou que o eleitor deverá escolher nas próximas eleições um candidato que tenha compromisso com a continuidade das políticas sociais.”Acho que o eleitor deve escolher quem tenha uma história de compromisso com as políticas que estamos implementando e que estão devolvendo aos cidadãos o orgulho de serem brasileiros”.Lula disse também que para garantir a continuidade dos projetos do governo, tem defendido a união dos partidos da base aliada nos planos regional e nacional.
O presidente ainda citou os avanços econômicos dos últimos anos e disse que em crises passadas o Brasil reduzia investimentos, aumentava impostos e juros, mas que, desta vez, diante da crise, o país expandiu os investimentos públicos e reduziu os juros e os impostos.