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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

27/08/2014

às 6:32

LEIAM ABAIXO

Incompreensível! O avião do PSB e seus fantasmas ficaram fora do debate. Ou: Aécio foi o melhor; Marina chuta canelas e grita “falta!”;
Uma rede de empresas fantasmas envolve o avião em morreu Eduardo Campos. E o PSB não explica patavina!;
Arruda cassado: aplaudimos a boa notícia ou lamentamos o casuísmo do TSE?;
Ibope 7 – Eleição no Rio ainda é de dar medo: Garotinho lidera; Lindbergh segue decepcionando os petistas;
Ibope 6 – Morte de Eduardo Campos alavanca candidato do PSB em Pernambuco; PTB segue na frente;
Ibope 5 – Em MG, petista abre vantagem; para o Senado, tucano dispara;
Ibope 4 – Vejam os números da eleição presidencial em cinco estados;
Ibope 3 – Serra lidera para o Senado, com 33%; Suplicy tem 24%; hora de o ainda senador botar uma melancia na cabeça;
Ibope 2 – Alckmin venceria no 1º turno com 22 pontos de vantagem sobre a soma dos adversários: 50% a 28%; o petista Padilha tem 5% e 26% de rejeição;
Ibope – Marina encosta em Dilma no 1º turno e venceria petista no 2º com boa margem. Ou: Programas do PSDB e do PT são inadequados à nova realidade;
Sim, falarei sobre as pesquisas eleitorais…;
Cessar-fogo por tempo indeterminado entra em vigor em Gaza;
Nota do PSB é uma admissão oblíqua de crime eleitoral;
PSDB, PSB, Marina, Aécio, FHC…;
Uma suave “TPP”: Tensão Pré-Pesquisa;
Querem transferir a inimputabilidade de um Silva para… outra! Ou: A cara beata da mentira;
Quem conhece aviação faz as contas do custo do avião sem dono do PSB;
— Marina tentou explicar a fábula do avião sem dono. Para não variar, deu mais uma de suas declarações incompreensíveis sobre o nada. Ou: Não entro na conversa de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Isso é ruim até como exercício de guerra;
— Na terça-feira gorda, as explicações do PSB para seu voo cego, os números do Ibope e o debate entre os presidenciáveis. Ou: Que venha a clareza!;
— Nove pontos sobre aquele avião…;
— Aguardo a gravação com a resposta de candidato dada ao portal UOL;
— “Aqui entre nós” na VEJA.com;
— Marina: muito avião para pouco sentido

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 6:23

Incompreensível! O avião do PSB e seus fantasmas ficaram fora do debate. Ou: Aécio foi o melhor; Marina chuta canelas e grita “falta!”

A Rede Bandeirantes realizou ontem o primeiro debate entre os presidenciáveis. Por pouco, os maiores derrotados não são os telespectadores — muitos, creio, acabaram vencidos pelo sono. Três horas é tempo demais. Sei que a obrigação de chamar nanicos para o embate dificulta tudo. Mas que é pedreira, lá isso é. Não é fácil ter de ouvir Luciana Genro, do PSOL, a falar mais besteiras do que Levy Fidelix… O debate teve uma falha coletiva escandalosa, que beneficiou uma das candidatas. Já chego lá.

Um mínimo de honestidade intelectual, acho eu, obriga o crítico atento a considerar que o desempenho do tucano Aécio Neves, entre os três candidatos que contam, foi muito superior ao das adversárias. Respondeu ao que lhe foi perguntado, fez críticas, alinhavou propostas e aproveitou a oportunidade para anunciar o que já se dava como certo, mas sem chancela até a noite desta terça: se ele for eleito presidente, Armínio Fraga vai conduzir a economia. Antes assim. Quem estava em busca de conteúdo, basta rever o programa, encontrou um candidato do PSDB afiado.

Dilma também procurou responder às perguntas, justiça se lhe faça. O problema é que estava notavelmente atrapalhada, tropeçando na sintaxe e na fluência. Era visível sua tensão. Nessas horas, vimos isso já nos primeiros debates de 2010, suas frases se perdem em anacolutos, o ritmo da fala fica quebrado, e a gente tem dificuldade de acompanhar a linha de raciocínio.

Quem estava em busca de pose pôde se satisfazer com Marina Silva, do PSB, que estava especialmente agressiva, inclusive na aparência. Aquele ser doce e angelical do horário eleitoral, que fala sorrindo, com a vozinha quase sussurrante, beirando o meloso, não foi ao debate. Em seu lugar, compareceu uma senhora de cenho fechado, sobrancelhas arqueadas, óculos de leitura postos no meio do nariz, a olhar por cima, de modo arrogante. Quando lhe dirigiam uma pergunta, seu semblante reagia como se lhe tivessem dirigido uma ofensa. Nos dois últimos blocos, suponho que por sugestão de assessores, tirou os óculos e passou a sorrir. Não tivesse enveredado pela política, não faria feio como atriz.

Faço aqui um anúncio: quem conseguir achar uma proposta de Marina — uma só que seja — ganha um prêmio. Ela aproveitou seus momentos de fala para investir em paradoxos tão ao gosto dos que a incensam: ora demonstrava o seu lado inclusivo e reconhecia os benefícios que tanto o PSDB como o PT haviam proporcionado ao Brasil, ora tratava os dois partidos como expressões da velha política; ora dizia que queria governar com todos, ora sugeria que ninguém serve a seus propósitos — a menos, claro!, que passem por uma espécie de conversão. A líder da Rede foi notavelmente agressiva com Aécio e Dilma, mas chegou a lastimar, em entrevista posterior ao debate, o confronto entre os candidatos do PSDB e do PT. Ou por outra: chutava a canela e gritava: “Falta!”.

Incompreensível
Um dado me parece incompreensível. Para que serve um debate? Entre outras coisas, para que candidatos expliquem eventuais incongruências entre teoria e prática. Acho estupefaciente que nem os adversários de Marina nem os jornalistas tenham tratado do que, a esta altura, pode e deve ser visto como um escândalo: o avião do PSB que voada no caixa dois. Marina foi usuária da aeronave, é a herdeira da candidatura do partido, pertence legalmente à legenda e está obrigada a dar explicações, sim.

Pois bem! Nesta terça, o partido emitiu uma nota oficial em que nada explica. Na prática, admite a existência do caixa dois. Mais de uma hora antes do início do debate, o Jornal Nacional levara ao ar uma reportagem da maior gravidade (ver post): uma rede de empresas fantasmas, com seus respectivos laranjas, está envolvida na compra do avião. Isso quer dizer que não se está mais falando apenas de crime eleitoral.

O assunto, por incrível que pareça, ficou fora da conversa, enquanto Marina dava aula de educação moral e cívica para seus adversários e se colocava acima do bem e do mal, como representante da nova política. Talvez os jornalistas tenham deixado o caso para os candidatos. Pode ser que os candidatos tenham deixado o caso para os jornalistas. Quem acabou se dando bem foi Marina Silva, que não teve de lidar com seus fantasmas e ainda apontou o dedo acusador contra os adversários.

Assim, convenham, fica fácil.

 

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 5:15

Uma rede de empresas fantasmas envolve o avião em morreu Eduardo Campos. E o PSB não explica patavina!

Do Jornal Nacional:
O Jornal Nacional obteve, com exclusividade, documentos importantes da operação de compra e venda do jato Cessna, que era usado pelo candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos. O dinheiro que teria sido usado para pagar o avião em que morreu o candidato Eduardo Campos passa por escritórios em Brasília e São Paulo e por uma peixaria fantasma em uma favela do Recife. “Eu estou até desnorteado. Como é que eu tenho uma empresa sem eu saber?”, questiona um homem.

O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade aos extratos da conta AF Andrade – empresa que, para a Anac, é a dona da aeronave. Mas a AF Andrade afirma que já tinha repassado a aeronave para outro empresário, que emprestou para a campanha de Campos. Os extratos que já foram entregues à Polícia Federal mostram o recebimento de 16 transferências, de seis empresas ou pessoas diferentes. Num total de R$ 1.710.297,03. Nos extratos, aparecem os números do CPF das pessoas físicas ou do CNPJ, das empresas que transferiram dinheiro para a AF Andrade. Com esses números, foi possível chegar aos donos das contas.

A empresa que fez a menor das transferências, de R$ 12.500, foi a Geovane Pescados. No endereço que consta no registro da peixaria encontramos Geovane, não a peixaria. “Acha, que se eu tivesse uma empresa de pescado, eu vivia numa situação dessa?”, diz Geovane. Outra empresa, a RM Construções, fez 11 transferências, em duas datas diferentes. Cinco no dia 1º de julho e mais seis no dia 30 de julho, somando R$ 290 mil.

O endereço da RM é uma casa no bairro de Imbiribeira, em Recife. Mas a empresa de Carlos Roberto Macedo não funciona mais lá. “Tinha um escritório. Às vezes, guardava o material do outro”, conta ele. Tentamos falar por telefone com Carlos, mas ele pareceu não acreditar quando explicamos o motivo da minha ligação.

Repórter: Você andou depositando dinheiro para comprar de um avião?
Carlos: Tem certeza disso?

Já um depósito de quase R$ 160 mil saiu da conta da Câmara & Vasconcelos, empresa que tem como endereço uma sala vazia em um prédio e uma casa abandonada. Os dois lugares em Nazaré da Mata, distante 60 quilômetros do Recife. A maior transferência feita para a AF Andrade foi de R$ 727 mil, no dia 15 de maio, pela Leite Imobiliária, de Eduardo Freire Bezerra Leite. E completam a lista de transferências João Carlos Pessoa de Mello Filho, com R$ 195 mil, e Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho, advogado com escritórios em Brasília, Recife e São Paulo, com uma transferência de R$ 325 mil.

Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho disse que realizou, em junho, uma transferência bancária de R$ 325 mil e que esse valor é referente a um empréstimo firmado com o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho. O empresário João Carlos Lyra declarou que, para honrar compromissos com a empresa AF Andrade, fez vários empréstimos, com o objetivo de pagar parcelas atrasadas do financiamento do Cessna. A Leite Imobiliária confirmou que transferiu quase R$ 730 mil para a AF Andrade como um empréstimo a João Carlos Lyra.

Já o PSB declarou, nesta terça-feira (26), que o uso do avião foi autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira. E que o recibo eleitoral, com a contabilidade do uso do Cessna, seria emitido ao fim da campanha de Eduardo Campos. O PSB afirmou que o acidente, em que morreram assessores do candidato, criou dificuldades para o levantamento de todas informações.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 4:12

Arruda cassado: aplaudimos a boa notícia ou lamentamos o casuísmo do TSE?

Ai, ai… Vamos lá. Uma votação a meu ver casuística, que conduz à insegurança jurídica, vai livrar o Distrito Federal de ter como governador José Roberto Arruda (PR) — sim, senhores! Aquele da violação do painel do Senado e dos pacotes de dinheiro. Por cinco votos a um — o presidente do tribunal, Dias Toffoli, não votou —, os ministros entenderam que Arruda está com seus direitos políticos suspensos pela Lei da Ficha Limpa. Tiveram esse entendimento os ministros Henrique Neves, Admar Gonzaga, Laurita Vaz, Otávio Noronha e Luiz Fux. Só Gilmar Mendes, com quem concordo, discordou. Por quê? Arruda foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa depois do registro de sua candidatura. O ministro argumentou, e me parece o correto, que é preciso estabelecer um marco temporal para definir a aplicação da lei, ou julgamentos podem ser apressados apenas para cassar candidatos.

E aí, leitor? Aplaudimos porque Arruda não vai ser governador — o que, obviamente, é bom — ou lamentamos o fato de que a decisão enseja insegurança jurídica, o que, obviamente, é ruim? Eu diria que é o caso de aplaudir e de lamentar ao mesmo tempo. Mas eu repudio o muro, sempre. Teria votado como Mendes porque acho que macular o fundamento legal é sempre pior. Sei que não é uma escolha fácil, mas a vida, às vezes, nos coloca diante desses dilemas.

Arruda está fora da disputa. A pior notícia que ele poderia receber chegou no dia em que o Ibope mostrou que sua vantagem havia aumentado. Segundo o instituto, se a eleição fosse hoje, teria 37% das intenções de voto — há um mês, eram 32%. O governador Agnelo Queiroz, do PT, oscilou de 17% para 16%, mesmo índice do senador Rodrigo Rollemberg, do PSB, que tinha 15%.

O homem que teve agora invalidada a candidatura venceria seus oponentes no segundo turno: 45% a 23% contra Agnelo e 39% a 30% contra Rollemberg. Na verdade, o grande ativo eleitoral às avessas do Distrito Federal é mesmo o atual governador, do PT. É contra ele que vota a esmagadora maioria dos eleitores do DF. Vejam que coisa: o senador do PSB tem apenas 16% do primeiro turno, mas venceria o petista no segundo com o dobro dos votos: 44% a 22%. Algo a estranhar? Não! Dizem que não votariam em Agnelo de jeito nenhum 43% dos entrevistados; sua gestão é considerada ruim ou péssima por 48%, e nada menos de 65% reprovam seu modo de governar.

Os petistas também vão amargando uma derrota importante no Senado: Reguffe, do PDT, lidera com 29% das intenções de voto. Geraldo Magela, do PT, tem apenas 16%. Que ironia, não? O PT, que foi o principal beneficiário da desgraça que colheu o então governador José Roberto Arruda, em 2009, vê agora o seu próprio governador ter uma rejeição maior do que a daquele que saiu do palácio para a cadeia.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 3:22

Ibope 7 – Eleição no Rio ainda é de dar medo: Garotinho lidera; Lindbergh segue decepcionando os petistas

A eleição no Rio ainda é de dar medo. Segundo o Ibope, Anthony Garotinho (PR) lidera a corrida com 28% das intenções de voto. Há um mês, tinha 21%. Marcelo Crivella, do PRB, mantém os mesmos 16%. O governador Luiz Fernando Pezão cresceu de 15% para 18%, e o petista Lindbergh Farias oscilou de 11% para 12%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos para mais ou para menos.

Nas simulações de segundo turno, Garotinho aparece empatado com Crivella (34% a 33%), à frente de Pezão (38% a 31%) e de Lindbergh: 37% a 29%. Alguma esperança para o Rio? Há, sim! Garotinho segue sendo o mais rejeitado: 35% não votariam nele de jeito nenhum. Pezão (20%), Crivella (19%) e Lindbergh (19%) aparecem empatados nesse quesito.

Parece que há mesmo a possibilidade de Pezão se consolidar no segundo lugar. Com um latifúndio no horário eleitoral e com uma máquina poderosa no Estado e na Prefeitura, há uma chance de superar Garotinho, especialmente em razão da rejeição ao ex-governador.

No Senado, por enquanto, parece que o eleitor fluminense fez mesmo a escolha, digamos, pelo bom humor: Romário tem 37% das intenções de voto contra 22% de César Maia. A grande decepção, por enquanto, para os petistas do Rio ao menos, é mesmo Lindbergh. O PT apostava que ele iria arrebentar a boca do balão. Mesmo com a presidente Dilma liderando a disputa do Estado (ver post), o rapaz, até agora, não emplacou.

 

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 3:06

Ibope 6 – Morte de Eduardo Campos alavanca candidato do PSB em Pernambuco; PTB segue na frente

A morte de Eduardo Campos alavancou a candidatura de Paulo Câmara, do PSB, ao governo de Pernambuco. Há um mês, o aliado de Campos tinha apenas 11% dos votos; agora, aparece com 29% no Ibope. Armando Monteiro, do PTB, segue na frente, mais caiu de 43% para 38%. Não se fez simulação de segundo turno, embora a eleição de Monteiro no primeiro comece a entrar na zona de risco: seus adversários, considerando os nanicos, somam 33%. A rejeição de ambos é pequena: 19% para Câmara e 17% para Monteiro. Segundo o Ibope, Marina Silva lidera a disputa presidencial no Estado, com 41%. É provável que, em deferência à família Campos, ela reforce a campanha de Câmara, que conta ainda com o apoio das máquinas do governo do Estado e da Prefeitura de Recife. A eleição, que parecia definida em favor de Monteiro, tem agora resultado incerto.

Também o candidato do PSB ao Senado ascendeu nas intenções de voto em relação há um mês, embora bem menos: Fernando Bezerra Coelho tinha 17% das intenções de voto e aparece agora com 22%. João Paulo, do PT, oscilou de 37% para 35%. São bastante altos ainda o percentual dos que dizem não saber em quem votar (25%) e o dos que afirmam que não votarão em ninguém: 15%.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 2:52

Ibope 5 – Em MG, petista abre vantagem; para o Senado, tucano dispara

Má notícia para o PSDB de Minas: a estarem certos os números do Ibope, o petista Fernando Pimentel descolou bastante do adversário tucano, Pimenta da Veiga. Se a eleição fosse hoje, o candidato do PT teria 37% dos votos, contra apenas 23% do adversário. Há um mês, os números eram, respectivamente 25% e 21%. Tarcísio Delgado do PSB segue com 3%. Numa simulação de segundo turno, Pimentel obtém 46%, contra 26% de Pimenta.

Para o Senado, no entanto, a liderança do PSDB é mais do que folgada. O ex-governador Antonio Anastasia está com 45% dos votos contra apenas 10% do segundo colocado, Josué Alencar, do PMDB, com 10%.

 

 

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 21:25

Ibope 4 – Vejam os números da eleição presidencial em cinco estados

Ibope - Estados 1

Ibope Estados 2Iboppe Estados 3Ibope Estados 4Ibope Estados 5Ibope Estados 6

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 21:08

Ibope 3 – Serra lidera para o Senado, com 33%; Suplicy tem 24%; hora de o ainda senador botar uma melancia na cabeça

As pantomimas do petista Eduardo Suplicy, que concorre a um quarto mandato no Senado — quer ficar lá 32 anos! —, parecem não estar surtindo o efeito desejado. Depois do banho de água com gelo, talvez seja o caso de o petista posar com uma melancia no pescoço.

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (26) aponta que o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) tem 33% das intenções de voto para o Senado. O petista Eduardo Suplicy (PT) aparece com 24%. O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) tem 7%.

No levantamento realizado nos dias 26 e 28 de julho, Serra tinha 30%, Suplicy, 23%, e Kassab, 5%.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 20:55

Ibope 2 – Alckmin venceria no 1º turno com 22 pontos de vantagem sobre a soma dos adversários: 50% a 28%; o petista Padilha tem 5% e 26% de rejeição

Se alguém conseguisse enxergar as vontades mais recônditas do PT, eu diria que, se o partido tivesse de escolher entre vencer a eleição presidencial e a disputa para o governo de São Paulo, ficaria com a segunda alternativa. Dados os números do Ibope, no entanto, pode ficar sem uma coisa nem outra. Se a eleição fosse hoje, diz o instituto, o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, teria 50% das intenções de voto e seria reeleito no primeiro turno. No levantamento de julho, tinha o mesmo índice. Em segundo lugar, está Paulo Skaf, do PMDB, com 20% — contra 11% no levantamento anterior. Alexandre Padilha, do PT, também segue no mesmo lugar, com 5%. Os brancos e nulos juntam 10%, e 11% dizem não saber em quem votar. Os demais candidatos somam apenas 3%. A pesquisa foi realizada entre os dias 23 e 25 de agosto, ouviu 1.512 pessoas e está registrada no TSE sob o número BR-419/2014.

No voto espontâneo, em que os nomes não são apresentados, a liderança de Alckmin é folgada, com 29%, contra 9% de Paulo Skaf e apenas 3% de Padilha. Embora o tucano vencesse a disputa no primeiro turno com folga, o Ibope fez uma simulação de segundo: o atual governador venceria o candidato do PMDB por 55% a 28%.

Os números não poderiam ser melhores para Alckmin e piores para Padilha. O petista, que tem apenas 5% dos votos, lidera a rejeição: dizem que não votariam nele de jeito nenhum 26% dos entrevistados. Na sequência, vêm Alckmin, com apenas 19%, e Skaf, com 12%. Vale dizer: o saldo positivo do tucano é de 31 pontos, e o do peemedebista, de 10. Já o petista tem um saldo negativo de 21 pontos.

A avaliação do governo Alckmin também segue num patamar bastante apreciável. Para 41%, o tucano faz um governo “ótimo ou bom”; consideram-no regular 36% dos ouvidos, e apenas 19% dizem que é ruim ou péssimo. Aprovam o modo como o governador conduz o Estado 56% dos entrevistados, contra 32% que o reprovam — com saldo positivo de 24 pontos nesse quesito.

O PT, parece claro, não vive um bom momento no Estado e na cidade de São Paulo. Já observei aqui algumas vezes e volto ao ponto: os adversários de Alckmin insistem em responsabilizá-lo, por exemplo, pela crise hídrica do Estado. Ora, a afirmação contraria a experiência das pessoas, que sabem que isso não é verdade. Mais: anuncia-se a existência de um racionamento que não existe. As cidades que padecem com a falta sistemática de água não são servidas pela Sabesp.

Alckmin, tudo indica, vai torcer para que seus adversários continuem nessa toada. Se a eleição fosse hoje, ele venceria a disputa com 22 pontos de vantagem sobre a soma de seus adversários: 50% a 28%.

 

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 20:06

Ibope – Marina encosta em Dilma no 1º turno e venceria petista no 2º com boa margem. Ou: Programas do PSDB e do PT são inadequados à nova realidade

Pois é… Se o PSDB e o PT tinham expectativas negativas sobre a pesquisa Ibope, agora que se conhecem os números, diga-se o óbvio: se estiverem certos, superam qualquer pessimismo de tucanos e petistas. Se a eleição fosse hoje, Marina Silva (PSB), com 29%, está a apenas um ponto do empate técnico com a petista Dilma Rousseff (34%). O tucano Aécio Neves aparece com 19%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Em relação à pesquisa anterior do instituto, tanto Dilma como Aécio caíram quatro pontos. No levantamento do Ibope de 3 a 6 de agosto, Eduardo Campos aparecia com apenas 9%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00428/2014. Vejam o quadro publicado pelo Portal G1.

Ibope números

É evidente que a notícia é péssima para o tucano Aécio Neves. A 40 dias da eleição, uma diferença de 10 pontos para Marina Silva não é fácil de ser superada, especialmente porque é ela que surfa na onda da novidade. Dilma, que dava a reeleição como certa, seria derrotada por Marina no segundo turno por 45% a 36%. A diferença está fora da margem de erro. Vejam outro quadro do G1. Volto em seguida.

Ibope segundo turno

Como se pode perceber acima, a má notícia para Dilma não está apenas no percentual maior de Marina: a sua rejeição segue gigantesca. Hoje, nada menos de 36% dizem que não votariam nela de jeito nenhum. Afirmam o mesmo sobre Marina apenas 10%. Contra o tucano, a presidente alcançaria 41%; ele ficaria com 36%. Vejam que coisa: esse não é um mau resultado para Aécio, não. O problema do candidato do PSDB está mesmo no primeiro turno.

A pesquisa e as campanhas
Tanto o horário eleitoral de Aécio como o de Dilma que foram ao ar nesta terça estavam fora do tom, isto é, em dissintonia com a realidade. O programa do PSDB ainda investe na apresentação de Aécio, desconhecido de parcela significativa do eleitorado. O de Dilma exalta as conquistas do PT e, ora vejam, investe contra o PSDB, contra o governo FHC etc. Em suma, aquela cascata de sempre.

Aécio dispõe de pouco mais de quatro minutos e, com efeito, essa fase da campanha deveria estar dedicada a apresentá-lo aos eleitores de todo o Brasil. Ocorre que essa era a escolha adequada antes da morte de Campos. Com a entrada de Marina na disputa, a conversa precisa mudar.

Os petistas seguem reféns de uma tara: só sabem fazer campanha contra o PSDB. É Marina quem daria hoje uma surra em Dilma, não Aécio. Num padrão puramente racional, então, o PT deveria torcer para o tucano passar para o segundo turno. Mas não adianta: a petezada tem a sua natureza.

Aécio pode fazer de conta que Marina não existe. Dilma pode fazer de conta que Marina não existe. Ocorre que o eleitorado acha que existe. Se um quer ser presidente e se a outra quer continuar presidente, é preciso fazer muita gente mudar de ideia e mudar o rumo da prosa no horário eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 19:11

Sim, falarei sobre as pesquisas eleitorais…

Vou falar sobre as pesquisas eleitorais nos próximos posts, é claro!

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 17:47

Cessar-fogo por tempo indeterminado entra em vigor em Gaza

Na VEJA.com:
Representantes de Israel e grupos palestinos concordaram com uma proposta de cessar-fogo por tempo indeterminado, que pode significar o fim do conflito em curso na Faixa de Gaza. depois de cinquenta dias. O acordo deve reduzir, mas não acabar, com as restrições de circulação e comércio em Gaza, retomando em grande parte os termos do pacto de 2012, que acabou com um conflito de oito dias. Israel permitirá que materiais de construção e ajuda humanitária sejam enviados à região, de forma monitorada, para garantir que sejam utilizados apenas com objetivos civis. “Não estamos interessados em permitir que o Hamas reconstrua sua máquina militar”, disse um oficial israelense ao jornal The New York Times.

O Egito, intermediador das negociações, anunciou que a trégua teve início às 19 horas locais (13 horas em Brasília). A informação foi confirmada pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Minutos antes, no entanto, pelo menos quinze foguetes foram lançados de Gaza contra o território israelense e um ataque com morteiro matou um israelense em Eshkol e deixou outros seis feridos. Moradores relataram terem ouvido explosões na região de Tel Aviv e o grupo Hamas reivindicou a responsabilidade pelo lançamento de um foguete contra a área. Sirenes alertando sobre ataques continuaram a ser ouvidas no sul de Israel mesmo depois do início do cessar-fogo.

Segundo a imprensa israelense, o acordo de cessar-fogo não inclui nenhuma das demandas do grupo terrorista palestino, como a de construção de um porto e um aeroporto em Gaza, a libertação de prisioneiros ou a transferência de recursos para a região. Essas questões devem ser discutidas depois de um mês, se a trégua for respeitada. Também neste período, Israel vai insistir na desmilitarização da Faixa de Gaza. O ministro da Justiça, Tzipi Livni, disse que “nenhuma conquista política significativa foi garantida ao Hamas, que é uma organização terrorista que não aceita nossa existência”. Acrescentou que o fim da operação militar israelense deve fazer parte de um “acordo mais amplo com os que buscam a paz”, segundo informação do jornal Haaretz.

Para Israel, o fim das restrições de circulação na região significaria caminho livre para os terroristas terem acesso a armamentos do exterior. Durante o atual conflito, o Hamas havia colocado o fim do bloqueio como condição para respeitar um cessar-fogo. Porém, nos últimos dias, Israel intensificou os ataques a Gaza, derrubando arranha-céus com escritórios, apartamentos e lojas.

Hamas comemora “vitória”
Mesmo sem ter suas demandas atendidas, o Hamas aproveitou para fazer propaganda e falar em “vitória” sobre Israel. O negociador do grupo nas conversas intermediadas pelo Egito, Moussa Abu Marzouk, afirmou que o acordo “encarna a resistência de nosso povo e é uma vitória para a resistência”.

Um porta-voz em Gaza alegou que o Hamas impôs um “bloqueio aéreo” em Israel, em referência àsuspensão de voos para o aeroporto Ben Gurion anunciada por várias companhias aéreas internacionais durante dois dias no mês passado. Disse ainda que israelenses que moram perto de Gaza e tiveram de deixar suas casas só podem voltar porque o grupo terrorista permitiu. Assim que o cessar-fogo entrou em vigor, milhares de pessoas foram às ruas em Gaza em resposta a mensagens de texto enviadas pelo Hamas pedindo que a ‘vitória’ do grupo fosse celebrada.

Israel iniciou no dia 8 de julho uma operação para conter o lançamento de foguetes contra seu território. Desde então, mais de 2.100 pessoas foram mortas do lado palestino, a maioria civis. Do lado israelense, 64 soldados e cinco civis foram mortos, incluindo a vítima desta terça-feira.

O governo americano declarou seu apoio ao acordo. “Esperamos muito que esse cessar-fogo seja durável e sustentável e coloque um fim aos ataques de foguete e morteiros e ajude a alcançar um fim duradouro ao conflito em Gaza”, anunciou o secretário de Estado americano, John Kerry, em comunicado.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 16:44

Nota do PSB é uma admissão oblíqua de crime eleitoral

O PSB prometeu explicar hoje o imbróglio do avião. Não explica nada e, na prática, admite caixa dois. Não é verdade que a prestação de contas só deveria ser feita ao fim da campanha. Leiam o primor:
*
O Partido Socialista Brasileiro esclarece:
 
A aeronave de prefixo PR-AFA, em cujo acidente faleceu seu presidente, Eduardo Henrique Aciolly Campos, nosso candidato à presidência da República, teve seu uso — de conhecimento público — autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira.
 
Nos termos facultados pela legislação eleitoral, e considerando o pressuposto óbvio de que seu uso teria continuidade até o final da campanha, pretendia-se proceder à contabilização ao término da campanha eleitoral, quando, conhecida a soma das horas voadas, seria emitido o recibo eleitoral, total e final.
 
A tragédia, com o falecimento, inclusive, de assessores, impôs conhecidas alterações tanto na direção partidária quanto na estrutura e comando da campanha, donde as dificuldades enfrentadas no levantamento de todas as informações que são devidas aos nossos militantes e à sociedade brasileira.
 
Brasília, 6 de agosto de 2014
 
Roberto Amaral, presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro
Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 16:30

PSDB, PSB, Marina, Aécio, FHC…

Em entrevista à Folha, na segunda, Eduardo Giannetti, um dos cardeais do marinismo, afirmou que, se eleita, Marina Silva gostaria de contar com o apoio dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Não tardou para que recebesse um aceno do tucano. Num seminário de que participou na própria segunda, FHC reagiu à fala de Giannetti com um sinal de assentimento, ainda que de forma oblíqua: afirmou que gostaria de contar com Marina num eventual governo Aécio.

Ora, se a gente for pôr o devido pingo no “i”, parece que o ex-presidente está, sim, a dizer que a parceria é possível, ainda que ele imagine outro cenário, com Aécio Neves liderando, então, essa nova composição.

Ocorre que as coisas não são exatamente como parecem, não é mesmo? Caso Marina Silva dispute um segundo turno com Dilma Rousseff, dá-se de barato que a esmagadora maioria do eleitorado de Aécio migraria para a candidata da Rede. Mas não se tem como plausível que os marineiros convictos votassem em Aécio no caso de ser ele a disputar a etapa final com a petista.

Não dá para esquecer o comportamento de Marina na eleição de 2010? Ela ficou em terceiro lugar, conseguindo mais de 20 milhões de votos. E, como se considera diferente dos demais políticos, manteve-se neutra: para ela, tanto fazia a vitória de Dilma ou de José Serra. Caso tivesse optado por um dos lados, isso não significa que seu eleitorado a tivesse seguido, mas seria um sinal de aposta na mudança de rumo. Mas ela não o fez.

Assim, vejam que curioso: Marina ascende no primeiro turno com o discurso “nem tucanos nem petistas”, mas conta mesmo é com os votos dos tucanos no segundo turno, certo?

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 16:16

Uma suave “TPP”: Tensão Pré-Pesquisa

Lembram-se daquele tempo em que os mercados reagiam mal à possibidade de mudança no cenário eleitoral? Há muito tempo já, temos o contrário: eles reagem bem é quando surge a perspectiva de uma troca de guarda no governo.

Nesta terça, o país poderia estar sofrendo os efeitos de um mal chamado “TPP”, a Tensão Pré-Pesquisa. Existem, sim, apreensão e expectativa, como sempre, mas os augúrios do mercado são otimistas porque se avalia que o cenário eleitoral será contrário a Dilma Rousseff.

A aposta é que Marina aparecerá no Ibope tecnicamente empatada com a presidente, talvez ligeiramente atrás nos números — estamos falando de um intervalo entre 28% e 32%. Diz-se que o tucano Aécio Neves pode se conservar no patamar dos 20%. Aumenta o otimismo de quem lida com expectativas o boato de que Marina aparecerá à frente de Dilma no segundo turno.

Esse governo conseguiu uma espécie de unanimidade contrária dos agentes econômicos.

Se, antes, a possibilidade de ascensão de Aécio é que trazia certa euforia, agora, todos já se animam com Marina mesmo, por mais que ela possa ser considerada ainda uma incógnita.

Isso é curioso: mercados são, por natureza, conservadores. Por mais que não gostem de determinadas regras, lidam com elas: repudiam é a imprevisibilidade. No governo Dilma, deu-se um curioso fenômeno, talvez único no mundo: o imprevisível estaria na preservação do governo, de tal sorte que os agentes econômicos preferem uma Marina ou um Aécio, ainda que não saibam exatamente o que eles pretendem fazer se eleitos, a uma Dilma que já conhecem.

Parece que uma tragédia pode, sim, até ajudar a eleger Marina. Mas, independentemente de qualquer coisa, tem-se a impressão de que o governo padece de fadiga de material.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 15:55

Querem transferir a inimputabilidade de um Silva para… outra! Ou: A cara beata da mentira

Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, disse que o partido daria hoje uma explicação sobre o avião em que voavam, rotineiramente, Eduardo Campos e ela própria. Já está claro a esta altura: não haverá explicação nenhuma. Era caixa dois e pronto, já que os custos com a aeronave não aparecem na prestação de contas do partido ao Tribunal Superior Eleitoral. Eis aí a “nova política”. Marina, nesta segunda, já tinha dito palavras incompreensíveis a respeito. Ao anunciar que viria uma resposta nesta terça, afirmou:
“Queremos que sejam dadas as explicações de acordo com a materialidade dos fatos, e, para termos a materialidade dos fatos, é preciso que haja tempo necessário para que essas explicações tenham as devidas bases legais”.

O que isso quer dizer? Nada! O PSB, então, está em busca de uma justificativa legal que consiste no seguinte: o CNPJ usado pelo comitê financeiro de Eduardo Campos era um — e a esse comitê vão tentar atribuir todas as irregularidades. Um novo foi criado para o comitê de Marina, e este, então, estaria limpo.

Caso prospere mesmo essa saída, a “nova política” de Marina já começa assentada numa fraude, que não é de tão fácil tradução para milhões de eleitores. Está tudo errado: parece que a inimputabilidade de que Lula gozou na política por muitos anos está mudando de Silva: de Luiz Inácio Lula da Silva para Marina Silva. Ou por outra: mudam-se os Silvas, mas não a impunidade.

O PSB agora vem com a cascata de que caberá ao comitê antigo explicar por que o avião voava no caixa dois. Conta de quem conhece a área (ver post anterior) calcula o custo mensal do avião Cessna PR-AFA em US$ 200 mil mensais — algo em torno de R$ 460 mil. De onde vinha esse dinheiro? Pois é…

As explicações que se ensaiam beiram o patético. Um dirigente do PSB disse ao jornal O Globo: “Um acordo de boca pode ter ocorrido, e isso é absolutamente aceito juridicamente. O contrato também poderia estar no avião. Onde você guarda os documentos do carro? Trabalho com a ideia de um contrato de comodato oneroso”. É estupefaciente! O partido diz que o avião foi uma doação de empresários… É mesmo? De quais empresários?

A legislação eleitoral exige que a toda doação corresponda a emissão de um recibo, seja o benefício em dinheiro ou estimável em dinheiro. Tais recibos devem ser emitidos no ato do recebimento da doação, o que pode ser feito diretamente no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais do TSE.

Afirmar que Marina Silva não era beneficiária de um avião cujos donos se desconhecem e cujo financiamento se dava no caixa dois vai além do cinismo: é uma fraude também moral, uma mentira.

Então ficamos assim: Marina Silva ainda nem foi eleita e já tentam esconder óbvias ilegalidades — que se transferem, sim, para a sua candidatura — com sofismas, cinismo e suposto e tosco legalismo, com a história de que “o CNPJ é outro”. Fosse assim, um partido poderia cometer uma penca de crimes até se tornar viável. Depois, bastaria eliminar a primeira equipe e substituí-la pela segunda.

A “nova política” de Marina, a seguir esse roteiro, é só a cara beatífica da velha mentira.

 

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 15:20

Quem conhece aviação faz as contas do custo do avião sem dono do PSB

Gonçalo Osório, leitor do blog, que conhece aviação, faz as contas do custo do avião sem dono do PSB. Leiam:

“Para sua informação: esse avião, quando voava para a área de São Paulo, ficava “hangarado” no Japi Aeronaves, no aeroporto de Jundiaí. O aluguel mensal de espaço para um avião desse porte, nesse aeroporto, é de cerca de 15 mil por mês, mas talvez só pagasse fração. Quando pousava em Congonhas e outros aeroportos maiores, como Pampulha, Brasília, Recife, Santos Dumont etc, esse avião era servido pela Líder, que presta serviços como coordenação de abastecimento, plano de voo, catering, reboque etc (conhecido pela sigla, em inglês, FBO: Forward Based Operator). O “atendimento” de aeronaves pequenas pela Líder custa, no mínimo, R$ 500 por vez. Para um jato executivo midsize, como o Excel, calcula-se o triplo pelo menos, dependendo do contrato com a Líder.

Os sites especializados americanos dão o custo/hora de um avião como aquele na base dos US$ 1.500 — o que é muito mais barato do que no Brasil, considerando-se ainda tripulação, hangaragem, seguro (que a Andrade pagou, mas só o obrigatório…) e o combustível, que, lá, é mais barato que aqui.

No Brasil, um avião como aquele que conduzia Eduardo Campos deve voar por uns US$ 3 mil a US$ 4 mil a hora, no mínimo. O normal é uma campanha voar umas 40 horas por mês (é bastante). Continha simples, por baixo: o custo desse avião é da ordem de US$ 120 mil por mês, mais a parcela do leasing, que era, se não me falha a memória (li em algum lugar), em torno dos US$ 70 mil mensais. Pode-se assumir uns US$ 200 mil dólares por mês de campanha. Resta a pergunta: com que caixa? O um ou o dois?”

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 7:39

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 6:27

Marina tentou explicar a fábula do avião sem dono. Para não variar, deu mais uma de suas declarações incompreensíveis sobre o nada. Ou: Não entro na conversa de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Isso é ruim até como exercício de guerra

Não me peçam para aderir a ondas de opinião com base no que pensam este ou aquele, especialmente gente que detesto ou execro. Imaginem se justamente pessoas que desprezo iriam determinar os rumos das minhas escolhas. Seria um contrassenso. Alguém me viu aqui a tratar delinquentes que saíam quebrando tudo por aí como aliados objetivos só porque a popularidade de Dilma caía? Quem passou a mão na cabeça deles foi Gilberto Carvalho, não eu. Dá-se o mesmo agora com a “onda Marina”, que pode, reconheço, virar tsunami e devastar nosso futuro: “Ah, entre a Dilma e a Marina, tudo contra o statu quo…”. Não é assim que eu penso. Não é assim que eu opero. O voto nulo, numa democracia, é um direito. Se necessário, eu o usarei.

Imbecis dizem por aí: “Claro! Reinaldo é simpático ao PSDB!”. Sou? Perguntem aos tucanos para ver se eles acham isso. Mas vamos ao que mais interessa: hoje é dia 26. Já se passaram 13 dias desde o acidente que matou Eduardo Campos e outras seis pessoas. Até agora, o PSB não conseguiu dizer a quem pertencia o jatinho. Pior: tanto Marina Silva como Beto Albuquerque, candidato a vice, tiram ares de ofendidos e ainda tentam cutucar a Polícia Federal, cobrando dela um esclarecimento. Até parece que havia alguma conspiração possível, cuja investigação coubesse à PF. De resto, tivesse havido, a única beneficiária seria Marina, não é? Ou terei perdido alguma coisa? Adiante.

Nesta segunda, a candidata do PSB à Presidência falou a respeito. Foi a primeira vez que resolveu pedir para a procissão parar o andor para que ela se dirigisse aos fiéis. E se saiu com estas palavras, prestem bem atenção:
“Queremos que sejam dadas as explicações de acordo com a materialidade dos fatos, e, para termos a materialidade dos fatos, é preciso que haja tempo necessário para que essas explicações tenham as devidas bases legais”.

Você não tem culpa nenhuma se não entendeu patavina. Eu também não entendi nada. Marina não entendeu nada. Beto Albuquerque não entendeu nada. Os demais leitores não entenderam nada. Os outros jornalistas não entenderam nada. E é fácil explicar por que é assim: Marina não falou para ser entendida. A isso se chama técnica do despiste. Ela já é dona, no mais das vezes, de uma retórica incompreensível porque faz questão de deixar claro que não habita este mundo em que mortais arrastam suas vidas terrenas. Ela desfila sua figura e seu olhar etéreos como quem se comunica com dimensões que nos escapam, daí falar uma língua que quase sempre sugere, mas nunca explica.

Desta feita, ela exagerou. Vamos quebrar em pedaços o que ela disse: “Queremos que sejam dadas as explicações de acordo com a materialidade dos fatos”. Como? Que sejam dadas por quem? Eu não voei naquele avião. Você não voou naquele avião. Ela sim! Quem é o agente da passiva de sua sintaxe? Marina quer que as explicações sejam dadas por quem? Aí a candidata diz que é preciso tempo para que as “explicações tenham as devidas bases legais”. Como assim? Com um pouco de severidade, é possível inferir que está a nos dizer: “Olhem aqui: nós estamos tentando arrumar alguma desculpa legal para dar; quem sabe a gente consiga até amanhã”.

Dilma resolveu tirar uma casquinha na entrevista coletiva concedida nesta segunda quando indagada sobre o avião: “Eu não estou acompanhando isso, porque, você vai me desculpar, mas não é objeto do meu profundo interesse. Agora, acredito que nós, que somos candidatos, inexoravelmente temos de dar explicação de tudo. (…) Candidato a qualquer cargo eletivo, principalmente a presidente da República, está sujeito a ser perguntado sobre qualquer questão e deve responder, se puder, né?”.

Dilma sabe bem do que fala porque deixou e deixa de responder a muita coisa. Querem um exemplo: até agora, a pergunta que lhe dirigiu William Bonner no “Jornal Nacional” segue sem resposta. Ele quis saber se o PT não fez mal em tratar corruptos condenados como heróis do povo brasileiro. A candidata Dilma afirmou, então, que, como presidente, não se pronunciava sobre julgamento do Supremo. Ora: era uma questão dirigida à candidata, não à presidente, e dizia respeito ao PT, não ao Supremo. Como diria a petista, candidatos devem responder a qualquer questão — se puderem… Ela, por exemplo, não pôde.

Mas volto a Marina. Hoje, dia 26, 13 dias depois do acidente, vamos ver a desculpa que o PSB arrumou para a fábula do avião sem dono…

Encerro
Para encerrar: não me peçam para brincar daquela historinha de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo…”. Isso é ruim até como exercício de guerra, como não cansa de provar a realidade. De resto, em política, existem adversários, não inimigos a serem destruídos. Mais: não faço política — e, portanto, nessa área, nem adversários eu tenho. No máximo, há ideias e valores que não me servem. E é sobre eles que falo.

Marina não terá o meu voto enquanto falar uma língua que, segundo entendo, avilta a razão e enquanto defender propostas que violam os fundamentos da democracia representativa. E ponto.

Texto publicado originalmente às 4h33
Por Reinaldo Azevedo
 

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