Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

22/08/2014

às 21:02

Marina, o discurso do ódio à política, o programa nazista e a Lei de Godwin

Ai, ai, ai… Vamos lá: conheço, sim, a Lei de Godwin, cuja síntese poderia ser esta: “Apelou ao nazismo, perdeu”. Segundo o advogado Mike Godwin, num debate esganiçado, a probabilidade de alguém fazer uma analogia com o nazismo ou Hitler é igual a 1 — ou seja, de 100%. Fazê-lo, diz, significa não ter mais argumentos. Huuumm… O que não me falta — o arquivo está aí — são argumentos para contestar as ideias, ou o que seja o que ela diz, de Marina. Mas não será Godwin a me impedir de evidenciar que certas ideias têm paternidade. Ora se têm!

Querem ver?

Leio (post anterior) que, indagada sobre se permaneceria ou não no PSB, Marina, como sempre, não respondeu o que lhe foi perguntado e se saiu com esta:
“Eu me comprometo a governar o Brasil, nós não devemos tratar o presidente como propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política. E as lideranças políticas precisam entender que o Estado não é o partido, e o Estado não é o governo”.

Então tá. Em 1920, o Partido Nazista lançou em Munique o seu programa-manifesto com 25 itens — a maioria das propostas, diga-se, era de esquerda. Lê-se no item 6:
“O direito de decidir sobre o governo e a legislação do Estado só pode pertencer ao cidadão. Por conseguinte, exigimos que toda função pública, seja ela qual for, tanto ao nível do Reich como do Land ou da comuna, só possa ser ocupada por quem é cidadão. Combatemos o sistema parlamentar corruptor por atribuir postos unicamente em virtude de um ponto de vista de partido, sem consideração do mérito nem da aptidão.”

É inescapável constatar que a pegada é, sim, a mesma: prega-se, o que parece bom num primeiro momento, a apropriação do estado pela “sociedade” — no caso de Marina — ou pelo “cidadão”, no caso dos nazistas. Em ambos, notem, há um repúdio à política, aos partidos, às instituições tradicionais da democracia.

“Está chamando Marina de nazista?” Não! Se eu achasse, chamaria. Estou, isto sim, evidenciando, com um exemplo histórico, que ela tem uma visão autoritária da política, embora simule o contrário — como, aliás, simulavam os nazistas. Isso quer dizer que, se ela for eleita, vai tentar fundar um partido nazista? A pergunta é, obviamente, ridícula. Mas quer dizer que, dada a fala, vai tentar governar acima dos partidos, o que nunca deu certo no Brasil e em nenhum lugar do mundo.

Figuras como ela, diga-se, só se robustecem quando instituições vivem uma fase de descrédito. Há os que tentam recuperar o prestígio desses entes para que a sociedade continue a avançar no caminho da democracia representativa. E há os que exploram a crise, buscando aprofundá-la, em benefício de seu próprio projeto de poder.

Eu acho que Marina é do segundo tipo. É isso aí. Godwin não vai me impedir de dizer o que tem de ser dito.

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 19:21

Marina diz que Presidência não é propriedade de partido e promete fim da reeleição

Por Eduardo Gonçalves, na VEJA.com. Volto no próximo post.
A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, evitou falar nesta sexta-feira sobre a possibilidade de, se eleita, deixar o PSB para retomar o projeto de viabilizar sua Rede Sustentabilidade na Justiça Eleitoral. Questionada se assumiria o compromisso de permanecer na sigla durante um eventual primeiro mandato, Marina desconversou: “Eu me comprometo a governar o Brasil, nós não devemos tratar o presidente como propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política. E as lideranças políticas precisam entender que o Estado não é o partido, e o Estado não é o governo”. Ela também fez questão de afirmar que, se chegar ao Palácio do Planalto, trabalhará pelo fim da reeleição.

Marina voltou a tentar desvencilhar-se da crise que levou à saída de Carlos Siqueira da coordenação da campanha – agora a cargo da deputada Luiza Erundina. “A dinâmica da campanha vai continuar a mesma porque o PSB mantém a titularidade em todas as coordenações. Não vamos mudar o organograma. A mudança foi feita pelo PSB e continua com o PSB. O meu compromisso foi de manter todas as pessoas que estavam e colocar as pessoas que eu achava mais adequadas na coordenação adjunta”, disse. Como já havia dito, Marina afirmou que não irá subir em palanques estaduais nos quais o PSB se aliou ao PT ou ao PSDB, como é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. “As alianças serão mantidas do jeito que foram feitas pelo Eduardo Campos. Eu não vou aos palanque que já não estava indo”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 19:11

No mês da Copa, a arrecadação também caiu…

Bem, era fatal, né? Não existe milagre nessas coisas, só matemática. O baixo crescimento econômico — de fato, a economia pode estar em recessão — fez cair a arrecadação, que ficou, em julho, em R$ 98,8 milhões, com queda de 1,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado, já descontada a inflação.

Dilma Rousseff não está cumprindo nem mesmo as promessas que fez, digamos, para si mesma. O governo planejou gastos que previam um aumento de arrecadação de 3% a 3,5%. No acumulado até julho, há uma queda de 0,2%. A estimativa já havia sido reduzida para 2%.

Ah, sim: lembram-se como a Copa do Mundo, segundo o discurso oficial, geraria milhões de empregos e aqueceria a economia? Pois é… Os empregos caíram, a arrecadação caiu, e o crescimento é ridículo. Um portento!

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 16:24

Suplicy está pronto para transformar a campanha num circo; ele é o palhaço amador!

Depois de empregar falso povo em seu horário eleitoral gratuito, Eduardo Suplicy, que já empata uma vaga de São Paulo no Senado há 24 anos — e quer ficar 32!!! — , resolveu que a campanha deve mesmo se transformar num circo. Ele já carregou Alexandre Padilha nas costas para mostrar que é fortão e agora resolveu mimetizar uma campanha internacional de todos conhecida e jogar um balde de água com gelo na própria cabeça. Mais: desafiou José Serra e Gilberto Kassab a fazer o mesmo.

Aguardemos: nos próximos eventos, Suplicy promete equilibrar uma bola na ponta do nariz, andar de minitriciclo, soltar aqueles falsos puns que borrifam farinha longe, para a alegria da garotada, andar com uma bolota vermelha no nariz.

É estupefaciente! Chega a ser escandaloso que São Paulo tenha um cara como esse no Senado há 24 anos!

 

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 15:45

Dilma e Suplicy usam o “povo como farsa” em suas respectivas campanhas eleitorais

Sempre desconfiei — e vocês podem achar esta observação no arquivo deste blog — que haveria o momento em que alguns políticos brasileiros teriam a ideia de trocar de povo, tornando-o, vamos dizer, mais à altura de suas respectivas grandezas. Dois episódios que vieram a público nesta sexta são mesmo do balacobaco. Segundo informa a Folha, a trabalhadora rural Marinalva Gomes Filha, 46, da zona rural de Paulo Afonso, na Bahia, ganhou uma prótese dentária um dia antes de gravar imagens para o horário eleitoral gratuito da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que vem a ser, sim, a presidente Dilma. No programa, Dona Nalvinha diz: “Tudo o que tenho aqui foi Dilma que deu”. E isso incluía a prótese com os dois dentes da frente.

Não foi só isso. Uma semana antes da chegada da presidente, o fogão a lenha de Dona Nalvinha foi ampliado pela ONG Agendha, que tem convênio com o governo da Bahia, também do PT. Por enquanto, ela é a única que recebeu o benefício. O ex-presidente Lula acompanhava a atual presidente à visita. Emocionada, a mulher afirmou que ele era um “pai” dos pobres, e Dilma, a “mãe”.

Eis aí: é preciso dar uma maquiada no povo para que ele não apareça como é. Um país que cresce menos de 1% ao ano, que tem uma inflação de 6,5%, juros de 11% e que deve crescer pouco mais de 1% em 2015 tem mesmo é de distribuir suas migalhas para que os humildes caiam de joelhos diante dos poderosos, gratos pela prótese dentária, por um fogãozinho a lenha, por uma cisterna. “Melhor fazer isso do que não fazer”, diria alguém. Sem dúvida. O nefasto populismo sempre se alimentou dessa frase. Não ocorre a essa gente que melhor é um país que se desenvolve, que cresce, para que as pessoas provejam o próprio sustento e não dependam da caridade de políticos que querem o seu voto.

Longe de Paulo Afonso, na Bahia, numa região bem mais desenvolvida, Eduardo Suplicy, que concorre ao quarto mandato ao Senado — ele já está lá há 24 anos e quer ficar 32 —, gravava o seu programa da propaganda eleitoral gratuita. Segundo informa o Estadão, supostos eleitores da rua dão depoimentos exaltando suas qualidades e o muito que ele teria feito por São Paulo — até agora, de verdade, ninguém conseguiu descobrir o quê. Nesse caso, a piada já vem pronta. Na era do povo maquiado, uma das que aparecem no vídeo dizendo como ele é um cara batuta é a própria maquiadora do estúdio. A mulher mandou ver: “Quando você pensa num político honesto, qual é o primeiro nome que vem na cabeça? É o Suplicy”. Não bastou: também foi convidado a falar o operador de áudio, que se fingiu de “povo popular”, como dizia o Casseta&Planeta. Resume: “Senador Eduardo Suplicy. Nele eu confio”.

Num caso, o povo de verdade passa antes por uma arrumada para ir à televisão despejar suas lágrimas de humilde agradecimento aos “nhonhôs”. No outro, funcionários da campanha fingem o que não são para que Suplicy possa passar por aquilo que não é. Ah, sim: a campanha de Suplicy também roubou o slogan usado por Serra em 2010: “Esse cara é do bem”. O ainda senador diz ter consciência da apropriação, mas afirma que seu marqueteiro diz que o lema tem mais a ver com ele. Entendi: Suplicy fundou o “MSS”, o Movimento dos Sem-Slogan. Então ele toma o alheio.

Uma reforma política séria passaria pelo fim do horário eleitoral gratuito, um absurdo que custa aos cofres públicos quase R$ 1 bilhão em ano eleitoral e que não passa de uma pantomima ridícula, destinada a enganar os desinformados e os pobres.

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 15:25

“PSB perdeu seu protagonista. E deve respeitar Marina”, diz candidato a vice

Por Marcela Mattos, na VEJA.COM
Filiado ao PSB desde 1986, o deputado gaúcho Beto Albuquerque, de 51 anos, foi escolhido pelo partido para integrar a chapa de Marina Silva ao Planalto como candidato a vice porque preenchia importantes requisitos para a vaga: além de ter sido braço-direito de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na semana passada, tem boa relação com a nova candidata da sigla – que, já é possível perceber diante das baixas na equipe de campanha, está longe de ser unanimidade no PSB. As divergências entre os socialistas e Marina foram escancaradas nesta quinta-feira, com a saída de dois importantes nomes da sigla da campanha presidencial: o secretário-geral do partido, Carlos Siqueira, e o coordenador de mobilização Milton Coelho preferiram abandonar o projeto a lidar com a ascensão da ex-senadora no partido. Ex-coordenador-geral da campanha, Siqueira não só deixou o cargo como o fez disparando pesada artilharia contra Marina.

Diante do racha interno, Beto Albuquerque não se diz surpreso: “Quando nos coligamos com a Rede [grupo político de Marina], sabíamos que eles programaticamente têm restrições a doações. Sabíamos que eles não seriam PSB e que não concordavam com alguns palanques”, afirma. E minimiza a saída dos colegas: “Esses cargos intermediários de assessoramento não são mais importantes do que a campanha. Se as pessoas não quiserem ficar, outros assumirão as tarefas. Assessor não disputa eleição”, disse. Além do papel de conciliador, Albuquerque funcionará na campanha como “fiador” de Marina junto ao agronegócio, o deputado tem bom trânsito entre empresas de celulose e produtores de cereais gaúchos.  Confira a seguir a entrevista de Albuquerque ao site de VEJA:

O senhor tem uma longa trajetória na política gaúcha, mas é desconhecido no âmbito nacional. O que acredita que pode agregar à campanha de Marina?
Eu coordenei toda a pré-campanha de Eduardo Campos, andamos muitos Estados brasileiros desde 2012, visitamos vários setores produtivos, participamos de vários debates nacionais. A um candidato a vice-presidente cabe, acima de tudo, ser discreto, fazer pontes e não imaginar que o vice deva ser maior que o candidato à Presidência. Vou agregar por meus compromissos. Tenho causas que dialogam com o país todo e vou contribuir sendo um companheiro leal, fiel e zeloso a Marina.

O senhor também vai assumir a função de pedir votos em palanques nos quais Marina não vai subir, como Rio de Janeiro e São Paulo. Nesses Estados, como pretende pedir votos para a Marina sem a presença dela?  

Nos Estados somos um partido forte e organizado. Vou representar a Marina onde ela não puder ir com a presença da chapa majoritária, que vai estar sempre em atividades que o partido vai organizar. A política é feita pelo esforço dos partidos coligados. O vice tem de cumprir a tarefa de representação, de substituir a candidata, que é a Marina.

Dois influentes integrantes do partido – Carlos Siqueira e Milton Coelho – deixaram a campanha no primeiro dia após a oficialização de Marina. Como o senhor analisa essa debandada?
Não existe debandada. O PSB deliberou por unanimidade a chapa Marina-Beto. Cargos intermediários de assessoramento não são mais importantes do que a campanha. Se as pessoas não quiserem ficar, outros assumirão as tarefas. Acho que se está fazendo uma tempestade em copo d’água. Não vamos ficar parados discutindo crise de assessorias. Vamos tratar da campanha.

Nos bastidores, fala-se em uma disputa de egos entre o PSB e o grupo de Marina. O senhor concorda?
Assessor não disputa eleição. Quem disputa a eleição são os candidatos. Não se pode querer disputar alguma coisa se não se é candidato.

A Ambev doou para a campanha de Campos, mas a Rede, que agora está à frente do comitê de finanças, não aceita doações de alguns setores, como os de bebida, tabaco, armamento e agrotóxicos. O senhor concorda com esses vetos?
Para o PSB, a única proibição de doação é de dinheiro ilícito ou de fonte ilegal. As responsabilidades com a campanha são agora de Marina e assim será. Quem tem a responsabilidade de fazer as coisas funcionarem é a Rede, que tem a candidatura dentro do PSB. A coordenação de arrecadação tem de pertencer à candidatura presidencial. Se eles têm esses limites, paciência. Nós vamos ter de arrumar recursos de outros setores. Campanha sem dinheiro não é possível fazer.

O senhor recebeu doações de empresas ligadas ao agronegócio. Se Marina exigisse, deixaria de recebê-las?
Eu não tenho por que captar recursos. Sou candidato a vice. A candidatura presidencial e seu comitê financeiro têm de fazer isso. Se não querem recursos de quem temos contato, a gente não pede. Eu não vejo nenhum problema em uma empresa de armazenagem de grãos ou de reserva de sementes contribuir com a campanha. Agora, se não pode, não se pedirá para esses setores. Mas eu não vejo razões para proibir esse tipo de contribuição.

O senhor não acha que o partido está cedendo demais às imposições de Marina?
Marina é a candidata. Nós concordamos que ela estaria dentro do PSB. Os critérios dela precisam ser respeitados. O nosso candidato a presidente, infelizmente, morreu. Ele era o nosso protagonista. Mas a Marina era a vice do Eduardo e era natural que ela o substituísse. Não há nada que esteja acontecendo e que não sabíamos que ocorreria. Temos de compreender a dinâmica da Marina, o pensamento da Rede e conviver com eles. Quando nos coligamos com a Rede, sabíamos que eles programaticamente têm restrições a doações, sabíamos que eles não seriam PSB, que não concordavam com alguns palanques. Para nós não há nenhuma surpresa.

Como analisa as contradições entre o senhor e Marina? Em relação ao agronegócio, causas ambientais…
Nós nos completamos. Eu votei a favor da liberação da soja transgênica, eu sou a favor da ciência, da inovação e da tecnologia, mas quem editou essa medida provisória foi o presidente da República. Eu não tenho medo de inovação, da tecnologia e de avanços. Ninguém é obrigado a consumir produtos transgênicos, está tudo identificado nos produtos. Eu não me sinto em contradição com Marina em relação ao que ela pensa e tenho certeza de que não estou em contradição. Em 2005, relatei a concessão de florestas públicas, que era um projeto dela. Eu consegui aprovar esse projeto em menos de um ano. Nós temos coisas em comum e nos completamos.

Passada a comoção da morte de Campos, o que esperar das pesquisas de intenção de voto?
Marina vai continuar crescendo. A morte de Eduardo não foi em vão, ela despertou na sociedade o interesse pelas coisas que estão acontecendo no país. Há um movimento muito grande de mudança no Brasil e acho que isso foi despertado, infelizmente, pela morte do Eduardo. As pessoas estão mais mobilizadas e eu tenho convicção de que Marina vai crescer muito nesse próximo período.

Chegar ao Planalto era uma pretensão do senhor?
Não. Nós hoje somos fruto de uma tragédia. Eu era candidato ao Senado. Obviamente, sempre tive vontade de avançar – já tinha tomado a decisão de não ser candidato à reeleição na Câmara. Queria ir para frente. O Senado já era um desafio e agora a vice-presidência da República é um desafio muito maior, que vamos encarar com muita motivação para ajudar a mudar o Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 14:13

Réu liga tesoureiro do PT a grupo de Youssef

Por Andreza Matais e Fabio Fabrini, no Estadão:
Num depoimento prestado à Polícia Federal, um dos integrantes do esquema investigado na Operação Lava Jato afirmou que o secretário nacional de finanças do PT, João Vaccari Neto, ligado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, era um dos contatos de fundos de pensão com a CSA Project Finance Consultoria e Intermediação de Negócios Empresariais, empresa que o doleiro Alberto Youssef usou para lavar R$ 1,16 milhão do Mensalão, segundo a PF.

“João Vaccari esteve várias vezes na sede da CSA, possivelmente a fim de tratar de operações com fundos de pensão com Cláudio Mente”, relatou o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, apontado como laranja de Youssef e do ex-deputado José Janene (moto em 2010).

Preso desde março pela Lava Jato, ex-sócio da CSA Project, situada em São Paulo, decidiu colaborar espontaneamente com as investigações em troca de eventual benefício judicial. Ele é réu em duas ações penais, uma sobre supostas remessas fraudulentas do laboratório Labogen para o exterior, outra de lavagem de dinheiro de Janene por investimentos em uma empresa paranaense.

Carlos Alberto foi ouvido no dia 15 na Superintendência Regional da PF no Paraná. A PF, em outro documento, diz haver indício de que Vaccari estaria intermediando negócios de fundos de pensão com a CSA e uma outra empresa ligada ao doleiro, a GFD Investimentos.

Vaccari é réu em ação criminal sobre suposto desvio de R$ 70 milhões da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). O Ministério Público o denunciou por formação de quadrilha, estelionato e lavagem de dinheiro. O colaborador disse que dirigentes da Petros, fundo de pensão da Petrobrás, receberam propina para que o fundo fizesse um investimento de interesse do grupo de Youssef, acusado de chefiar esquema bilionário de lavagem de dinheiro.

Segundo ele, o ex-gerente de Novos Negócios do Petros Humberto Pires Grault foi um dos beneficiários de R$ 500 mil, que teriam sido pagos como “comissão” para que o fundo de pensão adquirisse, entre 2005 e 2006, uma cédula de crédito bancário de R$ 13 milhões. Grault é ligado ao PT, partido que o teria indicado ao cargo.

A CSA Project, segundo disse, foi responsável pelo contrato com a Petros. A cédula adquirida pelo fundo de pensão referia-se a créditos que a Indústria Metais do Vale (IMV) teria a receber de outra empresa, a Siderúrgica de Barra Mansa (SBM), por um projeto de ferro-gusa. Carlos Alberto disse que um saque de R$ 500 mil da IMV foi usado para fazer pagamentos em espécie aos que participaram do negócio. Além de Grault, teriam recebido parte desse dinheiro Cláudio Mente, da CSA, além de funcionários da Petros.

Ele contou ter sido informado por Mente que, no fundo de pensão, “seriam beneficiados Humberto Grault e o diretor que estaria acima dele na estrutura da empresa”. Disse que não se recorda do nome do outro suposto beneficiário.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 14:05

STF decide apurar relação de Collor com doleiro Youssef

Na VEJA.com:
O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito para investigar a ligação entre o senador Fernando Collor (PTB-AL) e o doleiro Alberto Youssef, pivô do bilionário esquema de corrupção desarticulado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Agentes encontraram no escritório do doleiro, durante ação de busca e apreensão, oito comprovantes de depósitos bancários em nome de Collor. Os depósitos, feitos no intervalo de três dias, em maio de 2013, somam 50.000 reais. Em entrevista a VEJA, a contadora de Youssef Meire Poza afirma que os depósitos foram feitos a pedido de Pedro Paulo Leoni Ramos (ex-auxiliar do senador e também envolvido com o doleiro).

A apuração, determinada pelo ministro Teori Zavascki, é aberta quatro meses depois de Collor ser absolvido no Supremo da última ação a que respondia em razão das acusações que levaram ao seu impeachment, em 1992. A Justiça Federal do Paraná foi o órgão que solicitou a abertura do inquérito. O questionamento foi remetido ao STF porque Collor, como senador, tem direito a foro privilegiado.

No dia 26 de maio, na tribuna do Senado, Collor negou ter qualquer relação com o doleiro. “Posso afirmar de modo categórico que não o conheço e jamais mantive com ele qualquer relacionamento pessoal ou político”, afirmou. No pronunciamento de 18 minutos, ele não negou ter recebido os depósitos de Youssef, nem esclareceu os motivos da transferência.

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 7:21

LEIAM ABAIXO

Uma fábula de Esopo recontada por Marina Silva: “A Socialista e a Banqueira”;
Minha coluna na Folha: “Marina Silva, o colapso do sentido”;
O saco de gatos de Marina, agora com Erundina na coordenação. Ou: Na democracia, o Brasil só teve dois presidente sem partido — Jânio Quadros e Fernando Collor;
Justiça obriga BNDES a divulgar empréstimos;
Dilma: os absurdos da presidente-candidata e da candidata-presidente;
Coordenador de mobilização deixa campanha e PSB tenta estancar crise;
TRE-PE libera uso da imagem de Campos por adversários do PSB; é o certo! O resto é censura obtusa;
“Marina não representa legado de Campos”, diz secretário-geral do PSB, que compara seu partido a um hospedeiro…;
A PF e José Serra: Polícia de Estado ou Estado policial. Ou: Intimação na boca da urna num caso surrealista;
A confissão do Hamas: imprensa ocidental, incluindo a nossa — com as exceções de praxe — deveria sentir uma profunda vergonha;
Hamas admite que grupo sequestrou e matou adolescentes judeus;
No mês da Copa – Geração de emprego tem o pior julho desde 1999, mostra Caged;
Marina, o PSB e a crise: tudo certo como dois e dois são cinco;
Segundo homem na hierarquia do PSB se irrita com Marina e deixa campanha;
— Pronto! Marina enterrou Eduardo Campos. Líder da Rede já jogou no lixo os primeiros compromissos e deu um pé no traseiro do PSB. Quem está surpreso? Ou: de novo, a vespa e a joaninha inocente;
— Skaf levou o tesão para a política. Ou: Por favor, senhores políticos! Tenham menos tesão por nós!;
— Graça Foster tem de pedir demissão ou de ser demitida;
— Graça Foster e Cerveró doaram imóveis em meio a imbróglio de Pasadena;
— O governo Dilma e a economia: o cachorro corre atrás do próprio rabo;
— Banco Central muda regras bancárias para injetar até R$ 70 bi na economia

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 7:08

Uma fábula de Esopo recontada por Marina Silva: “A Socialista e a Banqueira”

Tudo bem, gente! Só o Brasil tem jabuticaba, ué. Pororoca, como a nossa, também não há igual. Somos ainda a única democracia do mundo que não tem um partido conservador viável. E “única” quer dizer “única” mesmo — não há país pequeno ou grande que nos imite nisso. O Gigante Adormecido, afinal, ao acordar, haveria de dar ao mundo alguma singularidade. E há o risco de inovarmos num outro particular: eleger, pela terceira vez, um presidente — ou “presidenta”? — sem partido. Já houve Jânio Quadros (udenista apenas no papel; ou “a UDN de porre”) e Fernando Collor. E não cessamos de dar novas jabuticabas ao mundo. Dois títulos competem nos sites nesta manhã. Um deles: “Luiza Erundina vai coordenar campanha de Marina Silva”. O outro: “Marina acena ao mercado com lei para BC autônomo”. Erundina é a deputada do PSB que é, de fato, socialista. A autonomia do Banco Central está sendo garantida, em entrevista à Folha, por Maria Alice “Neca” Setubal, sócia do Itaú e “marineira” convicta.

Isso é “Terceira Via”? É uma fábula de Esopo: “A Socialista e a Banqueira”? É só um sintoma de, sei lá como chamar, desordem ideológica? Vai saber. Na entrevista concedida à Folha, Maria Alice fala claramente em nome de Marina. Se o segredo de aborrecer é dizer tudo, então digo. Não se devem conceder licenças exclusivas a políticos. Quando isso é feito, eles vão pegando balda e começam a perder a noção de limites. Aconteceu com Lula. Durante muito anos, só ele podia dizer e fazer certas barbaridades. Olhem no que deu.

Qualquer pessoa minimamente razoável é obrigada a fazer esta pergunta: “Que outro candidato no Brasil teria um banqueiro — ou sócio de um dos maiores bancos do país — concedendo uma entrevista em nome de uma presidenciável e assegurando a independência do Banco Central, matéria que, obviamente, é do interesse do setor financeiro?”. Observem: quando digo “ser do interesse”, não estou a demonizar este setor, a tratá-lo como larápio ou cúpido. Estou apenas deixando claro que falta a esse evento o necessário decoro. Falasse, então, a própria Marina a respeito. Houvesse alguém com esse perfil falando em lugar de Aécio ou Dilma, qualquer um deles seria massacrado pela imprensa. Mas Marina, sabem como é, anda acima das águas…

Maria Alice, a conselheira — e, segundo Walter Feldman, membro do grupo de “pensadores” de Marina — aponta vários problemas em Dilma. Entre eles, este: “O século 21 é o século do novo. Acho que a Dilma reproduz uma liderança masculina. A Dilma é aquela pessoa dura, que bate na mesa, que briga, que fala que ‘eu vou fazer, eu vou acontecer, eu sei’. Isso é, no estereótipo, do coronelismo brasileiro, do político tradicional que vai resolver tudo sozinho”. Tenho dificuldade de lidar com essas categorias; não sei o que isso quer dizer. Sei que Marina assumiu a candidatura, e o PSB está rachado. Pergunto a Neca se a mansidão não pode ser intolerante. Acho que pode.

A porta-voz informal de Marina diz coisas um tanto perigosas, como esta:
“Hoje, temos uma presidente cujo perfil é de gestão, pragmático, racional. Talvez o oposto da Marina. E o resultado que nós temos é bastante insatisfatório. Toda essa fala da Dilma gestora se desfez ao longo de quatro anos. O mercado visualizando as pessoas que estão ao lado dela vai ter muito mais segurança. Ela já tem vários economistas. Terá outras, mais operadoras.”

Destrincho. Em primeiro lugar, afirmar que Dilma tem perfil de gestão, pragmático e racional beira a sandice. O que ela fez no setor elétrico, por exemplo, se encaixa em uma dessas palavras? E os sucessivos desastres nos marcos para a privatização das estradas? Neca está errada: a presidente é uma péssima gestora; não é pragmática, mas ideológica, e está longe de ser um exemplo de racionalidade — e de racionalismo. Ocorre que Marina Silva não é diferente de sua adversária, embora divirjam na agenda. A fala sugere, santo Deus!, que a líder da Rede é ainda menos gestora, menos pragmática e menos racional.

Posso ir adiante: Neca, a sócia de um dos maiores bancos do país, parece achar que gestão, racionalidade e pragmatismo são maus conselheiros. Confio que não é isso o que pensa a direção do Itaú, de que sou correntista — aliás, prefiro que ela fique na Rede… Mas voltem à fala: a entrevista é uma espécie de “Carta ao Povo Brasileiro” de Marina, agora sem intermediários. Neca não esconde que o objetivo é mesmo acalmar os mercados.

Eu não tenho taras ideológicas, só convicções. Essa história de “independência do Banco Central” — ainda que os mercados festejem nesta sexta — não pode ser um fetiche. Houve, sim, erros na condução da política monetária no Brasil. Mas digamos que ela tivesse sido 100% correta, segundo os melhores manuais: a economia brasileira estaria muito melhor do que está hoje? Isso é piada! De resto, há alguns taradinhos que acham que um Banco Central só erra quando baixa a taxa de juros. Pois é… O nosso já errou elevando-a. E aconteceu durante a crise nos EUA, na gestão do festejado Henrique Meirelles.

Isso a que estão chamado “Terceira Via” é, por enquanto, sarapatel ideológico ancorado numa figura que exercita o que eu chamaria de messianismo pós-moderno. Em que ele consiste? Marina seria capaz de conciliar todas as contradições com a força de sua pureza.

“Pô, Reinaldo, pare com isso! Melhor a Marina do que a Dilma! Está na hora de tirar essa gente daí…” Como vocês sabem, por mim, essa gente nunca teria entrado. Mas nem tudo o que não é PT me serve. E me serve menos ainda algo que, sob certos aspectos, pode ser ainda pior. A irracionalidade do PT, vá lá, é deste mundo. Ademais, quanto mais insistirem em tratar Marina como um ser etéreo, mais eu me ocuparei de suas características terrenas.

A propósito: a entrevista de Neca para acalmar os mercados, creio, se insere numa estratégia pragmática e racional, não é mesmo? Ou a dita “independência do Banco Central” é uma ideia soprada pelo Espírito da Floresta?

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 5:59

Minha coluna na Folha: “Marina Silva, o colapso do sentido”

Leiam trecho da minha coluna na Folha de hoje.

Nunca entendi, não creio que seja só por ignorância, o que diz Marina Silva. Esforço-me. Procuro identificar o sujeito da frase, busco o verbo, tento encontrar o complemento, procuro os termos adjuntos. Quando consigo pacificar a sintaxe, sou atropelado pela semântica ou por um complexo processo de formação de palavras, que vai da derivação imprópria a neologismos diversionistas, que simulam, no entanto, algo de sublime.

Um exemplo? Perguntaram a Marina se a Rede, o seu futuro partido, seria pragmático. Ela respondeu: “Será sonhático”. Houve um úmido frenesi de satisfação. Tempos depois, muito pragmaticamente, ela resolveu estabelecer com o PSB o que prometia ser uma relação de mutualismo trófico: um tinha estrutura, mas não voto; o outro, voto, mas não estrutura. Depois daquele avião, o marinismo se tornou parasitoide do partido de Eduardo Campos, como achei que seria mesmo com ele vivo. No “parasitoidismo” (que é diferente do parasitismo, que o antigo PCB, por exemplo, mantinha com o MDB), o hospedeiro morre. Como morrerá o PSB. Vamos a uma pequena digressão que nos aproxima de uma natureza.

Em fevereiro de 2013, Marina reuniu a sua grei para dar largada à tal Rede. A líder do colapso do sentido formulou, então, aquela que, para mim, é sua mais formidável frase: “Estamos vivendo uma crise civilizatória e não temos o repertório necessário para enfrentá-la”. Caramba! Não era um modesto diagnóstico sobre o Brasil, mas uma antevisão do apocalipse civilizacional.

Não quero chocar Remelentos & Mafaldinhas dos coquetéis molotov, mas repito o que observei então: em números relativos ou absolutos, nunca antes na história deste mundo, tantos homens viveram sob regime democrático, os seres humanos tiveram vida tão longa, houve tanta comida e tão barata, tivemos tantos remédios para nossos males, houve tantas crianças com acesso à educação, houve tantos humanos com saneamento básico… O repertório, em suma, nunca foi tão grande para responder aos desafios que nos propõem a natureza e a civilização. É certo que Marina não se inclui entre os ignorantes que identifica. Há ali a inflexão típica dos profetas –falsos, como todos. Fim da digressão aproximativa.
(…)
Para ler a íntegra, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

22/08/2014

às 4:34

O saco de gatos de Marina, agora com Erundina na coordenação. Ou: Na democracia, o Brasil só teve dois presidentes sem partido — Jânio Quadros e Fernando Collor

Arrumem, por favor, um PRN — sim, refiro-me àquele partido-ônibus inventado por Fernando Collor — para Marina Silva. Vai que ela seja eleita presidente da República. No Datafolha, apareceu tecnicamente empatada com Dilma no segundo turno. Nesta quinta, circularam boatos de que há levantamentos em que está na dianteira. Não é preciso que um ET caia no Brasil para concluir que estamos no hospício ideológico. Um brasileiro razoavelmente informado chegará à mesma conclusão. O PSB indicou, ora vejam!, a deputada Luíza Erundina (SP) para ser a coordenadora-geral da campanha. Coitada! Não vai coordenar nada. Fico cá a imaginar o seu semblante quando Marina desatar a falar sobre a democracia pós-partidária, pós-sindical, pós… institucional!

O ex-tucano Walter Feldman, indicado por Marina coordenador-adjunto, concedeu uma entrevista a Morris Kachani, da Folha. O redista disse ao menos três coisas notáveis. O jornalista quis saber “qual o círculo de pensadores em torno de Marina”. Feldman respondeu: “Na economia, Eduardo Giannetti expressa grande parte do que Marina pensa a respeito. E temos o Guilherme Leal, o José Eli da Veiga, o João Paulo Capobianco, Ricardo Young, a Maria Alice Setubal.” Quem está mais perto de ser um pensador aí é Giannetti. Essa gente toda, incluindo um mega-empresário e a sócia de um banco, então, estará sob a coordenação da socialista — de verdade! — Luíza Erundina.

A esta altura, se me disserem que Marina multiplica o pão e os peixes, anda sobre as águas e ressuscita Lázaro, tenderei a acreditar no interlocutor — tomando o cuidado de esconder objetos pontiagudos da sala e de me manter longe da janela… Não desconfio de seus dotes para a abdução. Quem se deixa convencer por sua fala não costuma tolerar contestação. Mas nem ela seria capaz de operar o milagre de conciliar as prefigurações do liberal Giannetti com as da socialista Erundina. Marina, a exemplo de Collor — vamos ver se com o mesmo desfecho — está começando a juntar as pessoas que estão com o saco cheio de “tudo isso que está aí”. Há os com mais bibliografia e os com menos. Mas a crença em milagres é a mesma.

Feldman disse mais. Indagado sobre as diferenças entre Eduardo Campos e Marina, respondeu: “Eduardo entendeu as características de Marina e espraiou sua visão para o PSB. As diferenças são mais de origem, ele da classe média pernambucana, ela de origem mais humilde, de outra região.” Vale dizer: só ele tinha aprendido com ela; ela não tinha aprendido nada com ele.

Mas atenção para a resposta mais intrigante. O jornalista perguntou o que são os tais “sonháticos”. Leiam o que ele respondeu: “Dentro da Rede, os sonháticos desfrutam um grande prestígio, a maioria deles são jovens que sempre empurram a discussão para algo mais avançado, que não nos deixa acomodar. Mas tem o dia a dia que tem que ser feito. E, quando Marina optou por Eduardo, parte dos sonháticos a abandonou. Mas agora estão voltando e muito. (…) Diria que 95% voltaram.” Entenderam? Com a morte de Eduardo, os tais sonháticos de Marina podem se dispensar de lidar com a realidade.

A nova candidata já quebrou a espinha do PSB. Sempre achei que isso fosse acontecer, mas, obviamente, em outras circunstâncias. Campos fez o que pôde para manter a união porque confiava que ela lhe daria os votos de que precisava para chegar ao segundo turno. Como todos sabemos, e indicavam as pesquisas, isso não aconteceu. Se é que existe a tal “Rede”, esta nunca moveu uma palha em favor do então candidato do PSB à Presidência, que estava estacionado entre os 7% e os 9%.

A ex-senadora colaborava com ele? Como sabem todos os dirigentes do PSB, isso nunca aconteceu. Ao contrário: a aliada era fonte permanente de dor de cabeça. Logo na estreia, chegou atirando contra um aliado de Campos em Goiás, o deputado Ronaldo Caiado (DEM), que até os adversários admitem ser um homem honrado. O que Marina tinha contra ele? Ora, é um produtor rural! Dois dirigentes do PSB já se afastaram da campanha: Carlos Siqueira, da coordenação-geral, e Milton Coelho, coordenador de mobilização. A mulher da Rede tem um notável poder desagregador.

Dizer o quê? Existe a possibilidade real de Marina, sem partido político, eleger-se presidente da República. Houve dois antes dela: Jânio Quadros — que era UDN só no papel — e Fernando Collor, que inventou um saco de gatos chamado PRN. Um deu no que deu, e o outro também. “Ah, Marina é muito melhor do que esses dois”.

Então tá.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 23:14

Justiça obriga BNDES a divulgar empréstimos

Por Maíra Magro, no Valor Econômico:

A Justiça Federal em Brasília condenou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a divulgar, em seu site, informações detalhadas sobre todos os empréstimos a entidades ou empresas públicas e privadas, relativas aos últimos dez anos e daqui pra frente.

A decisão inclui qualquer apoio a programas, projetos, obras e serviços com aporte de recursos públicos, e engloba também a subsidiária BNDESPar, braço de investimentos em participações do banco. O BNDES afirmou que recorrerá da sentença.

Segundo a juíza Adverci Rates Mendes de Abreu, da 20ª Vara do Distrito Federal, o banco está sujeito à Lei de Acesso a Informações Públicas e os contratos da instituição, por envolverem recursos públicos, não são protegidos pelo sigilo fiscal ou bancário.

Apesar de ser uma empresa pública federal, que recebe aportes bilionários do Tesouro Nacional, o BNDES é considerado uma “caixa preta” até mesmo pelos órgãos de controle. O banco não divulga informações sobre financiamentos a empresas privadas com a justificativa de que estão protegidas por sigilo bancário. A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou no processo como assistente do banco para reforçar o pedido de manutenção do sigilo.

Se a sentença prevalecer, o BNDES fica obrigado a divulgar o valor dos empréstimos, destinatários, modalidade de apoio e sua justificativa, além de detalhes como forma e condição de captação dos recursos, critérios para definir onde o dinheiro é investido, risco, prazos, taxas de juros, garantias e o retorno obtido.

“Em que pese sua natureza jurídica de direito privado, [o BNDES] é empresa pública federal e está sujeito ao regime jurídico administrativo e às regras de direito público, dentre as quais a Lei de Acesso à Informação”, afirma a juíza, acrescentando que as entidades privadas que contratarem com o banco estão sujeitas às mesmas exigências. De acordo com ela, a divulgação não contraria o sigilo bancário das companhias: “Ao contratar com o poder público, tais empresas se sujeitam às regras de direito público, e, portanto, à lei da transparência”.

A decisão foi tomada na análise de uma ação civil pública apresentada pela Procuradoria da República no Distrito Federal. Para o Ministério Público Federal (MPF), quando se fala em dinheiro público, o sigilo bancário não se aplica. “Se fosse um banco privado, as informações não teriam relevância para o cidadão. Mas no caso do BNDES é importante saber como o dinheiro público está sendo tratado”, disse ao Valor a procuradora da República Luciana Loureiro Oliveira, ao entrar com a ação.

O processo foi motivado por um inquérito aberto pelo MPF em 2011, diante da notícia de que o BNDES faria um aporte de até R$ 4,5 bilhões na fusão entre o grupo Pão de Açúcar e as operações brasileiras da rede francesa Carrefour. O negócio acabou não se concretizando, mas gerou protesto contra o uso de dinheiro do contribuinte para financiar grandes grupos.

Segundo a procuradora, o banco se negou a fornecer os dados solicitados pelo MPF para investigar, na época, se haveria interesse público na operação. Agora, o BNDES também foi condenado a repassar ao MPF todas as informações requisitadas sobre apoio ou financiamento a entidades públicas e privadas, independentemente de ordem judicial.

O BNDES enfrenta outras ações semelhantes na Justiça. Em fevereiro, o presidente eleito do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, concedeu liminar à “Folha de S. Paulo” garantindo o acesso a relatórios de análise do banco para concessão de empréstimos e financiamentos superiores a R$ 100 milhões. O caso ainda será julgado pelo plenário da Corte.

Procurado pelo Valor, o BNDES afirmou que “fornece o máximo de informações possíveis” sobre suas operações, “resguardadas apenas aquelas para as quais existam restrições legais que impeçam sua divulgação ou quando estejam relacionadas a questões de caráter comercial e concorrencial que possam prejudicar o BNDES ou seus clientes.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 22:46

Dilma: os absurdos da presidente-candidata e da candidata-presidente

Dilma Rousseff, Dilma Rousseff…

Vamos lá. Uma das dificuldades da pessoa que concorre à reeleição é saber a hora de falar como governante no cargo e a hora de falar como candidata. Dilma meteu os pés pelas mãos nesta quinta-feira. Saiu em defesa da presidente da Petrobras, Graça Foster. Quem estava falando? Às vezes, parecia a candidata, e o discurso era absurdo; às vezes, parecia a presidente, e o discurso era mais absurdo ainda. Vamos ver. A candidata-presidente foi visitar obras — atrasadas — da transposição do rio São Francisco em Pernambuco. Concedeu, em seguida, uma entrevista coletiva.

A presidente-candidata foi indagada sobre a atuação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, em defesa de Graça Foster, presidente da Petrobras. Dilma tinha uma infinidade de justificativas institucionais se quisesse. Poderia ter dito que, como as apurações se referem à atuação de Graça como diretora de uma empresa majoritariamente pública, a intervenção de ministro e advogado-geral se justifica.

Mas ela é atrapalhada. Ela fala mal. E ela fala mal, no caso, porque pensa mal. Saiu-se com esta, prestem atenção: “No meu governo, não precisa do ministro da Justiça só, ou do Adams. A presidente defenderá (a Petrobrás). Eu acho extremamente equivocado colocar a maior empresa de petróleo da América Latina, sempre durante a eleição, como arma política. Gente, que maluquice! Veja bem, ó: a Graça Foster e a diretoria inteira da Petrobrás representam a União. É de todo interesse da União defender a Petrobrás, a diretoria da Petrobrás. Nada tem de estranho esse fato. Pelo contrário, é dever do ministro da Justiça, de qualquer ministro do governo, defender a Petrobrás”.

Está tudo errado! Quem disse que a Petrobras está sob ataque? Isso é uma piada. A rigor, durante quase dois anos, só eu dava bola para a questão de Pasadena. Quem emprestou nova urgência ao escândalo foi certa Dilma Rousseff, ao sugerir que, quando presidente do Conselho, fora enganada por Nestor Cerveró — que também está sendo treinado pela Petrobras. Depois se descobriu que a presidente da República dera o emprego de diretor financeiro da BR Distribuidora a um homem que ela julgava o culpado pelo imbróglio que resultou na compra da refinaria.

Dilma também resolveu atuar como advogada de Graça em outra questão. Referindo-se ao fato de que a presidente da Petrobras transferiu bens para parentes, afirmou: “A presidente Graça Foster respondeu perfeitamente sobre a questão de seus bens em uma nota oficial. Eu repudio completamente a tentativa de fazer com que a Graça Foster se torne uma pessoa que não possa exercer a presidência da Petrobrás”. Vênia máxima, Graça não explicou coisa nenhuma até agora. Explicou o quê? As apurações sobre Pasadena estavam em curso, e ela transferiu bens. E ponto.

A presidente-candidata disse, então, como viram, que a Petrobras não pode ser usada para disputa eleitoral, certo? Ocorre que ela é também candidata-presidente. E aí saiu-se com esta, referindo-se a dois episódios ocorridos na Petrobras durante o governo FHC: “Eu me pergunto por que ninguém investigou com tanto denodo o afundamento da maior plataforma de petróleo, que custava US$ 1,5 bilhão a preços atuais. Por que, apesar de estar em ação popular, ninguém investiga a troca de ativos feita com a Repsol?”.

Vamos ver. Ela foi a todo-poderosa ministra das Minas e Energia. Depois, foi ministra-chefe da Casa Civil e czarina do setor energético. Presidiu o Conselho de Administração da Petrobras. É hoje presidente da República, apesar da retórica palanqueira. Então, em todos esses cargos, ela soube de malfeitos havidos na Petrobras e não tomou nenhuma providência? Estamos diante de um caso de prevaricação?

É um absurdo que uma presidente da República, ainda que candidata, se comporte como juíza de absolvição de pessoas cujos atos estão ainda sob investigação — só porque são suas aliadas — e como juíza de condenação de pessoas que nem mesmo estão sendo investigadas só porque são suas adversárias.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 22:30

Coordenador de mobilização deixa campanha e PSB tenta estancar crise

No Estadão
Depois da saída de Carlos Siqueira da coordenação-geral da campanha do PSB à Presidência da República, o coordenador de mobilização e articulador, Milton Coelho, anunciou nesta quinta-feira, 21, ao presidente da sigla, Roberto Amaral, que deixará a função. Agora, líderes do PSB correm para evitar que a crise ganhe maiores proporções. Membro da Executiva Nacional do PSB, Coelho disse que, sem o ex-governador Eduardo Campos, seu “compromisso com a coordenação da campanha acabou”.

“Meu compromisso era com o Eduardo”, resumiu o pessebista, que esteve na semana passada no apartamento de Marina, em São Paulo, com a cúpula do PSB. Coelho disse que já vinha conversando com os dirigentes do PSB sobre sua saída. Ele não quis dar outras justificativas sobre a decisão, mas destacou que não deixará a Executiva da legenda.

Mais cedo, Siqueira causou a primeira crise da campanha com a ex-senadora Marina Silva na cabeça de chapa ao acusá-la de “mandar no partido”. Disse que a candidata está “longe de representar o legado” de Eduardo Campos. À tarde, Amaral afirmava de forma enfática que não existia “ruído” na campanha de Marina. O presidente do PSB tentou acalmar os ânimos e disse que a reação de Siqueira era de cunho “pessoal” e não tinha “conteúdo político”. “O PSB está unido em torno da campanha”, insistiu.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 20:47

TRE-PE libera uso da imagem de Campos por adversários do PSB; é o certo! O resto é censura obtusa

Parece só uma bobagenzinha, mas não é. Um liminar da Justiça Eleitoral de Pernambuco proibia que coligações que se opõem ao PSB usassem a imagem de Eduardo Campos. É claro que era uma censura inaceitável, estúpida. Sobretudo porque todas elas elogiavam a atuação do ex-governador.

“Ah, mas é tirar uma casquinha da morte do adversário!” É mesmo? Por acaso, os aliados de Campos também não fizeram exploração político-eleitoreira de sua morte? Atenção! Deveria ser livre o uso da imagem ainda que fosse para criticá-lo, ora bolas!

A propósito: houve ou não dinheiro público para organizar o velório de Campos? Aquela faixa, com a frase “Não vamos desistir do Brasil”, estendida num carro do Corpo de Bombeiros, era ou não campanha político-eleitoral? A resposta é “sim”. E que se note: nem estou dizendo que o Estado deveria se eximir de organizar o seu velório. Acho legítimo que se tenha feito uma solenidade oficial. Afinal, a sua figura e a sua morte transcendem a vida privada.

Por isso mesmo, é absolutamente ridículo — e autoritário — que se proíba a referência a seu nome, por aliados ou por adversários. O homem que teve seu velório organizado pelo Estado não era propriedade privada do PSB ou da família Campos.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 17:52

“Marina não representa legado de Campos”, diz secretário-geral do PSB, que compara seu partido a um hospedeiro…

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:

O secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, emitiu nesta quarta-feira o sinal mais claro do tamanho das divergências que cercam a candidatura de Marina Silva à Presidência da República. Irritado com a ex-senadora e os “marineiros” da Rede Sustentabilidade, Siqueira abandonou a coordenação da campanha e não poupou críticas: “Eu nunca quis estar na coordenação dela, nunca aceitei, não continuarei na coordenação da campanha porque o meu compromisso era com o Campos. Acho que ela não representa o legado dele, está muito longe de representar o legado dele. Eles são muito diferentes politicamnente, ideologicamente, em todos os sentidos”, disse Siqueira após deixar reunião do PSB em Brasília.

 Ao longo de toda a quarta-feira, tensões marcaram as reuniões que antecederam a confirmação da candidatura de Marina. A ex-senadora exigiu que funções como a coordenação da campanha e a área de finanças fossem assumidas por nomes mais próximos a ela. A coordenação-geral ficou com o deputado licenciado Walter Feldman, porta-voz da Rede Sustentabilidade, e braço direito de Marina. Siqueira sentiu-se desprestigiado: “Essa mulher me maltratou”, afirmou aos presentes à reunião. Siqueira abandonou a reunião. E só voltou mais tarde, quando membros do PSB conseguiram acalmá-lo. Hoje, ele disparou: “Quando se está numa instituição como hóspede como ela é, tem que se respeitar a instituição, não se pode querer mandar na instituição. Ela pode mandar na Rede dela, no PSB mandamos nós”, disparou.

Após ter o pedido de registro da Rede Sustentabilidade negado pela Justiça eleitoral em outubro de 2013, Marina anunciou uma aliança com Eduardo Campos e filiou-se ao PSB. Desde então, a ex-senadora havia deixado claro que após as eleições voltaria a se empenhar na criação de seu novo partido.

Também na quarta-feira, Henrique Costa, responsável pela tesouraria, foi substituído por Bazileu Margarido, que ocupava o posto de coordenador-adjunto da campanha. Costa, que não é filiado ao PSB, foi indicado ao cargo por Eduardo Campos. Com carreira em instituições financeiras, ele cursou economia com a viúva do ex-governador de Pernambuco, Renata Campos. “Ela nomeou o presidente do comitê financeiro da campanha cuja responsabilidade da prestação de contas é do partido e não nos perguntou, não discutiu com o partido. Essa forma de proceder não está de acordo com a pessoa e com o partido que está oferecendo a ela todas as condições para ser candidata”, comentou Siqueira sobre a substituição de Costa.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 16:41

A PF e José Serra: Polícia de Estado ou Estado policial. Ou: Intimação na boca da urna num caso surrealista

É surrealista. Durante a gestão de José Serra à frente do governo de São Paulo, houve uma licitação para a compra de 40 trens para a CPTM. A espanhola CAF e a alemã Siemens disputaram. A primeira venceu porque ofereceu o menor preço. A outra empresa disse que entraria na Justiça. Serra advertiu: se a Siemens conseguisse anular a disputa, ele cancelaria a concorrência porque se negava, em nome do interesse público, a pagar mais por aquilo que valia menos.

Um executivo da Siemens alega ter tido uma conversa informal com Serra em que este teria sugerido que a empresa, em vez de tentar anular a licitação, entrasse em entendimento com a CAF para evitar atraso na entrega dos trens. Serra nega que a conversa tenha ocorrido. Quem conhece seu estilo sabe que não existe “conversa informal” sobre assunto público.

Pois bem: quando a “denúncia” apareceu, escrevi neste blog, no dia 8 de agosto de 2013, que seria a primeira vez na história da humanidade que um governante seria acusado de beneficiar um cartel impondo um PREÇO MAIS BAIXO! É estupefaciente!

“Serrista!”, gritaram os idiotas. Pois é. Depois de apurar detidamente o caso, o Ministério Público Estadual concluiu, em março deste ano, que não houve qualquer irregularidade. Reproduzo trecho de uma reportagem do Estadão (em azul):
Os técnicos da Promotoria sustentam que o negócio, aquisição de 384 carros da empresa espanhola CAF, é o único em que não houve acerto. Para os peritos, “o cartel formado pelas empresas Siemens, Alstom, Mitsui e Hyundai-Rotem não obteve êxito em fraudar a licitação tendo em vista, especialmente, a participação da CAF, empresa estranha ao cartel”. A análise pericial fortalece a versão de Serra, de que atuou contra o cartel nesta licitação. O tucano chegou a dizer que merecia a “medalha anticartel”.

Tudo conforme eu havia escrito lá atrás. Pois não é que a Polícia Federal decidiu chamar Serra para depor? Sim, na boca da urna, a PF, subordinada ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, houve por bem intimá-lo. Cumpre lembrar que também essa denúncia é uma daquelas feitas aos petistas do Cade.

A Polícia Federal precisa decidir se é uma polícia a serviço do estado brasileiro ou um ente a serviço de um estado policial. É claro que se está criando um fato eleitoral, para ganhar as páginas dos jornais e pautar os jornalistas. Serra lidera todas as pesquisas de intenção de voto para o Senado.

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 16:09

A confissão do Hamas: imprensa ocidental, incluindo a nossa — com as exceções de praxe — deveria sentir uma profunda vergonha

Escrevi há pouco um post sobre a crise na candidatura de Marina Silva em que me refiro à tendência de amplos setores da imprensa de pôr a torcida à frente dos fatos; o desejo acima das evidências. Por isso mesmo, esses, de quem falo, deveriam se envergonhar diante da confissão que fez Saleh al-Arouri, um dos porta-vozes do Hamas, em Istambul, na Turquia. Ele estava lá, pasmem!, para participar de um evento promovido pela União Internacional de Acadêmicos Islâmicos. Que coisa!

Numa gravação que veio a público, liberada pelos organizadores do evento, afirmou sobre o sequestro e morte de três adolescentes judeus: “Houve muita especulação sobre essa operação, alguns disseram que era uma conspiração. A vontade popular foi exercida em toda a nossa terra ocupada e culminou na operação heroica das Brigadas Al-Qassam, ao aprisionar os três colonos em Hebron”.

Aprisionar apenas? Os meninos foram sequestrados, baleados e tiveram os corpos queimados. Embora tudo apontasse escandalosamente para uma ação do Hamas, a imprensa ocidental, com raras exceções, insistia em fechar os olhos para o fato, ocupada que estava em condenar Israel. Como não lembrar aqui, neste ponto, o comportamento politicamente delinquente do Itamaraty?

Que se note: o Hamas praticou esses sequestros poucos dias depois de celebrar um entendimento com o Fatah, de Mahmoud Abbas, que comanda a Autoridade Nacional Palestina. É verdade: colonos judeus, em represália, sequestraram e mataram um adolescente árabe. Estão presos. Entenderam a diferença? É espantoso que um sujeito participe de uma conferência num país quase democrático, como a Turquia, confesse uma ação terrorista e saia de lá ileso.

Negociação com o Hamas, como pedem muitos? Qual? Sobre quais bases? Israel, com alguma frequência, negocia, sim, mas até a página 15: faz um enorme esforço para libertar cidadãos às vezes sequestrados pelo terror. Pode trocar um único soldado por centenas de terroristas presos, mas, depois, vai ao encalço dos facínoras.

E foi o que fez de novo. A aviação israelense matou, num bombardeio aéreo no sul de Gaza, os líderes terroristas Muhamad Abu Shamala, Raed al-Attar e Mohamad Barhum. Outras cinco pessoas morreram. Foi uma operação organizada pelo Shin Bet, o serviço secreto israelense.

Vamos ver: as forças de segurança de Israel sabiam que os três estavam lá, naquele edifício, tramando novas ações terroristas contra o país. Alguém tem alguma ideia melhor sobre o que deveria ser feito com eles? Fatos, fatos, fatos. Vamos aos fatos. O Hamas prometeu vingar a morte dos terroristas. Já sabemos como. A propósito: se Israel os tivesse poupado, o grupo agiria de outro modo?

 

Por Reinaldo Azevedo

21/08/2014

às 15:46

Hamas admite que grupo sequestrou e matou adolescentes judeus

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
Uma autoridade do Hamas disse nesta quarta-feira que membros do grupo militante sequestraram os três adolescentes israelenses cujas mortes em junho provocaram uma espiral de violência que levou à atual guerra em Gaza, na primeira vez que o movimento islâmico reconheceu envolvimento no caso. Em uma conferência em Istambul, Saleh al-Arouri, autoridade do Hamas na Cisjordânia que vive exilado na Turquia, confirmou as acusações israelenses de que o grupo militante islâmico foi responsável pele sequestro dos adolescentes.

“Houve muita especulação sobre esta operação, alguns disseram que era uma conspiração”, disse al-Arouri a delegados durante reunião da União Internacional de Acadêmicos Islâmicos, na quarta-feira, segundo gravação divulgada pelos organizadores. “A vontade popular foi exercida em toda a nossa terra ocupada, e culminou na operação heroica das Brigadas Al-Qassam em aprisionar os três colonos em Hebron”, disse, referindo-se o braço armado do Hamas. Até então autoridades do Hamas se recusavam a confirmar ou negavam envolvimento.

Vingança
As Brigadas Al-Qassam prometeram nesta quinta-feira vingar a morte de três de seus comandantes, atingidos nesta madrugada por disparos da aviação de guerra israelense contra um edifício da cidade de Rafah, no sul de Gaza. Em um comunicado divulgado na internet, a milícia palestina disse que Israel “pagará um enorme preço pelo assassinato” de Muhamad Abu Shamala, Raed al-Attar, Mohamad Barhum e outras cinco pessoas.

A ação foi confirmada nesta manhã pelo exército israelense e comemorada pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que parabenizou o serviço secreto – Shin Bet – e as Forças Armadas. O chefe de governo disse que a ofensiva contra o território prosseguirá “até que Israel alcance seus objetivos de segurança”. A operação já deixou cerca de 2.050 palestinos e 67 israelenses mortos.

Os três comandantes morreram após a aviação de guerra israelense disparar cinco mísseis sobre uma casa na cidade de Rafah, vizinha à fronteira com o Egito, na qual os líderes do Hamas descansavam. Mohamed Abu Shamala e Raed al-Attar eram alvos prioritários de Israel, especialmente o primeiro, que de acordo com o serviço de inteligência participou da captura em 2006 do soldado israelense Gilad Shalit, que permaneceu cinco anos em poder das milícias palestinas até ser libertado em uma troca com prisioneiros.

Por Reinaldo Azevedo
 

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