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Contra o melindre, a hipersensibilidade, os ofendidinhos. Por um mundo de gente com a ‘pele mais grossa’

Flemming Rose

O jornalista dinamarquês Flemming Rose, de 56 anos

A VEJA desta semana traz um artigo de Flemming Rose, editor do jornal dinamarquês Jyllands-Posten, que durante uma década teve de viver à sombra de ameaças terroristas e tentativas frustradas de assassinato por encomendar em 2005 uma dúzia de charges retratando Maomé.

Precursor no tipo de publicação que serviria de pretexto para o ataque ao Charlie Hebdo em Paris, sua cabeça foi literalmente pedida pelos radicais muçulmanos nas ruas, como por exemplo naquela passeata de Londres em 2006 que eu havia mostrado aqui:

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“Degole/Massacre/Aniquile aqueles que insultam o Islam”

Rose, autor do livro The Tirany of Silence (A Tirania do Silêncio), conta que seu objetivo era “simplesmente começar um debate a respeito de autocensura em nosso tratamento do Islã em comparação com outras religiões” – vide CNN e New York Times – e que “jamais poderia conceber que seria condenado como racista e que seria incluído em uma lista de alvos da Al Qaeda”:

“Acho estranho que pessoas que acolhem a diversidade quando o assunto é cultura, religião e etnia não consigam acolher a mesma diversidade quando se trata de nos expressarmos. Essas pessoas estão basicamente dizendo que, quanto mais multicultural a sociedade se tornar, menos liberdade de expressão será necessária. Parece-me uma posição deturpada. Deveria ser o contrário. Quanto mais diferentes formos, mais precisaremos do intercâmbio de opiniões aberto e livre.”

O editor lamenta que os governos defendam restrições à liberdade de expressão com a desculpa de manter a paz e evitar conflitos entre grupos diferentes, e discorda totalmente de quem afirma que a charge de Maomé feita por seu cartunista Kurt Westergaard é racista ou estigmatiza os muçulmanos:

“Ele retratou Maomé como representante do Islã, da mesma forma que imagens de Jesus se referem à cristandade, de Karl Marx ao marxismo, de Tio Sam aos Estados Unidos. Retratar Karl Marx com sangue nas mãos, o Cristo crucificado segurando uma cerveja ou o Deus cristão armado com uma bomba não significa que você pensa que todos os marxistas são assassinos sedentos de sangue ou que os cristãos são beberrões ou terroristas. A charge de Westergaard ataca uma doutrina religiosa linha-dura, não um grupo particular da sociedade.”

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O problema, como este blog sempre apontou – aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui, por exemplo -, é o melindre; é a hipersensibilidade que lamentavelmente não se restringe aos terrroristas islâmicos. No trecho mais memorável de seu artigo, Rose expõe a “cultura de injustiça” ocidental que legitima o discurso do terror e facilita seu trabalho.

“Parece que como sociedade estamos mais preocupados em proteger a sensibilidade de grupos do que em defender os direitos democráticos históricos aos quais faremos jus como seres humanos. Os assassinos de Paris acreditavam sinceramente que os seres humanos do Charlie Hebdo mereciam morrer por causa de suas charges ofensivas. Sentiam que isso era justificado por sua interpretação militante do Islã. Mas os assassinatos também aconteceram em meio a uma cultura de injustiça que incita as pessoas a se ofender cada vez que alguém diz alguma coisa da qual não gostam. O pressuposto é que não existe nenhuma diferença real entre palavras e atos, entre um insulto verbal e a violência física.

Em um artigo meu de dez anos atrás, escrevi que nenhuma religião poderia exigir direitos especiais em uma sociedade secular e que os indivíduos devem estar preparados para sofrer desprezo, zombaria e ridicularização. Em vez de exigirmos que as pessoas façam treinamentos de sensibilidade quando dizem algo ofensivo, talvez devêssemos todos ser mandados para treinos de insensibilidade. Precisamos criar pele mais grossa para garantir que a liberdade de expressão possa sobreviver num mundo multicultural.”

Mas o que seria de esquerdistas se as pessoas comuns criassem pele mais grossa?

Eles precisam posar de defensores de muçulmanos e demais “minorias”, precisam investir no melindre e na hipersensibilidade desses grupos e classes, porque uma multidão de ofendidinhos e coitadinhos – ávidos de desculpas coletivas para os próprios fracassos individuais – é a massa de manobra ideal para suas ambições políticas e um Estado Babá.

No Brasil, os mesmos militantes de esquerda que ridicularizam o “sagrado” dos outros chegaram a estipular que se pode rir dos “opressores”, mas não dos “oprimidos” – que nada mais são do que o “sagrado” para esses militantes. “Essa suposta bondade em favor dos fracos é parente da lógica do terror”, escreveu Reinaldo na Folha. “Ou não é verdade que o terrorista reivindica o lugar do humilhado e diz reagir à agressão do mais forte? Foi a justificativa dada por Amedy Coulibaly, que invadiu um supermercado kosher em Paris e matou quatro pessoas.”

Repito o que Henry Ward Beecher dizia: “Uma pessoa sem senso de humor é como uma carroça sem molas – sacudida por cada seixo na estrada.” O politicamente correto tenta tirar as molas de todo mundo e entregar outros seixos (pedrinhas) na mão dizendo: atire em quem te sacudir!

Resta evidente o parentesco – a fraternidade, eu diria – com o islamismo radical, que diz:

– Degole, massacre, aniquile.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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  1. Comentado por:

    nehemias

    Não há dúvidas que a esquerda defende o islã. E eles fazem isso simplesmente porque os islâmicos lutam contra o “imperialismo americano”. Quero ver quando o islã ficar perigoso pra eles tbm. Aí mudarão o discurso rapidinho. Esquerdista é assim. Só usa enquanto traz benefício à causa deles.

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  2. Comentado por:

    LH

    @Carlos Teles: Amigo, você é tão mau caráter quanto os esquerdistas que condena… Galileu morto pela Igreja? Em que dimensão meu amigo? Talvez te refiras a Giordano Bruno, aí ao invés de mau caratismo é ignorância pura mesmo. Bruno foi condenado por sustentar ideias teológicas tido como heréticas como a reencarnação, nada a ver com Astronomia!
    Aos que lerem esses comments: Please! Estudem bem o que dizem antes de propagar besteiras… nem que seja wiki!

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  3. Comentado por:

    Renata Daniel

    O “POLITICAMENTE CORRETO”, MAIS QUE UM SINTOMA DOS TERRÍVEIS MALES QUE ACOMETEM A SOCIEDADE DA SACIEDADE, É UMA ODE À HIPOCRISIA!

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  4. Comentado por:

    Paulo Painho

    Não pude deixar de lembrar de Maria do Rosário, a defensora da bandidagem, naquele episódio com o Bolsonaro. Quando ela percebeu que estava sendo filmada e poderia tirar partido da situação posando de vítima, quando ELA é que foi provocar Bolsonaro, repetiu teatralmente “Mas o que é isso?!?” sei lá, umas 15 vezes! Patético.
    E ela é péssima atriz também…

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  5. Comentado por:

    Luis Machado

    Já estava mais do que na hora da Europa chutar esses vagabundos para fora.

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  6. Comentado por:

    alberto santo andre

    qualquer religiao ou pessoas poem viver muito bem e em hamonia mesmo que em sociedade desde que um respeite o direito dos outros assim como suas religioes ,e acima de tudo que se respeite as leis do pais onde se criou esta sociedade ,e tudo muito simples, quando existe dialogo e nenhum dono da verdade, afora a isto so os confrontos, e eu acho que os donos da casa ,teem o direito de exigir que seus visitantes, respeitem suas regrase inclusive aplica-las caso os mesmos nao as queiram respeitar.

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  7. Comentado por:

    JB

    Repórter alemão infiltrado: Estado Islâmico (ISIS) planeja matar ‘centenas de milhões’ em ‘Limpeza Religiosa’.
    .
    AFP Photo / HO / Al-Furqan Mídia
    por JORDAN SCHACHTEL18 de janeiro de 2015
    Jurgen Todenhofer, o primeiro repórter ocidental que conseguiu se infiltrar no meio de combatentes do Estado Eslâmico-ISIS e sair de lá vivo, falou a Al Jazeera sobre sua permanência com o grupo terrorista.
    .
    Todenhofer viveu lado a lado com os combatentes jihadistas do Estado Islâmico durante dez dias na cidade-fortaleza de Mosul, no Iraque. Ele estava acompanhado apenas por seu filho, que serviu como seu cameraman.
    .
    “Eu sempre perguntava-lhes sobre o valor de misericórdia no Islã”, mas “eu não vi qualquer misericórdia em seu comportamento”, explicou Todenhofer. Ele acrescentou: “Algo que eu jamais entendi é o entusiasmo no plano deles de limpeza religiosa, planejando matar os não-crentes no Islã … Eles também irão matar os democratas muçulmanos, porque eles acreditam que os muçulmanos que não pertençam ao ISIS colocam as leis dos homens acima dos mandamentos de Alah.”
    O repórter alemão então relatou sobre como ele ficou chocado ao constatar como os combatentes do ISIS são “desejosos por matar”. Ele disse que eles estavam prontos para cometer genocídio. “Eles estavam falando sobre [o abate] de centenas de milhões. Eles estavam entusiasmados com isso, e eu simplesmente não consigo entender isso “, disse Todenhofer.
    .
    Ele alertou que o Estado Islâmico “é muito mais forte do que pensamos”, e que o seu recrutamento trouxe jihadistas motivados de todo o mundo. “Todos os dias, centenas de novos combatentes entusiastas estão chegando”, explicou Todenhofer. “Há um entusiasmo incrível que eu nunca vi em nenhuma outra zona de guerra que eu já tenha estado.”
    .
    O jornalista afirmou que a campanha de bombardeio liderado pelos EUA não irá parar o Estado Islâmico e sua jihad continuará. Ele disse à Al Jazeera que ele acredita que o grupo terrorista só seria interrompido se cidadãos iraquianos sunitas se levantassem contra eles.
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    German Embed Reporter: ISIS Plans On Killing ‘Hundreds of Millions’ in ‘Religious Cleansing’ – Breitbart

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  8. Comentado por:

    JOSIVALDO NICOLAU FELIX

    É UMA BURRICE INCRÍVEL DIZER QUE O ISLÃ É UMA RELIGIÃO DE PAZ, UM RELIGIOSO SEGUE SEMPRE OS PASSOS DE SEU FUNDADOR, EU POR EXEMPLO SOU CRISTÃO, SIGO OS PASSOS DE CRISTO E TODOS CONHECEM SUA HISTÓRIA, AGORA VAMOS VER QUEM FOI MAOMÉ, PRA MIM APENAS UM ASSASSINO, ELES MUDARAM O PLANO DE DOMÍNIO, PRIMEIRO POVOA, QUANDO TIVER GENTE SUFICIENTE COMEÇAM A IMPOR SUA CULTURA ( MESMO SENDO MINORIA), DEPOIS USAM A FORÇA E O TERROR PARA CONVERTER OS INFIÉIS, LEIAM SURA 5,33 ” o castigo para aqueles que lutam contra alá é que sejam mortos, ou cuci ficados, ou lhes sejam decepado a mão ou o pé oposto ou banidos”.
    AGORA VEJAM SURA 9,5 “matais os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os”. O QUE ESSES TERRORISTAS FAZEM É APENAS O MANDAMENTO DE SEUS MESTRE.
    EXISTE O ARGUMENTO DE QUE É APENAS A MINORIA QUE SÃO RADICAIS MAS DEVO LEMBRÁ-LOS DE QUE EXISTEM CERCA DE 3 BILHÕES DE ISLAMITAS NO MUNDO E 15% DÁ MAIS QUE A POPULAÇÃO DO BRASIL, E FOI SEMPRE A MINORIA QUE CRIARAM AS MAIORES DESGRAÇAS DA HUMANIDADE. A UNICA CIVILIZAÇÃO QUE ME DÁ ENOFOBIA É A DE RELIGIÃO ISLÂMICA, JAMAIS FICARIA PERTO DESSE POVO, ESSE MEU ARGUMENTO É SUFICIENTE PARA EU MANTER MINHA FAMÍLIA LONGE DESSA GENTE.

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  9. Comentado por:

    Clarice Morena

    Defender o Islã é um ABSURDO mesmo. Que a liberdade de expressão jamais seja ameaçada por nada, por mais incomodo que cause em extremistas. Terrorismo FORA já!

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