Preferi poupar o pessoal da coluna da leitura de meia dúzia de comentários, todos extraordinariamente torpes, sobre o texto que tratou do caso Suzane Von Richthofen. O pai morto a pauladas a mando da filha é acusado de assediá-la sexualmente, obrigá-la a depositar dinheiro em contas ilegais na Suiça, transformar o local de trabalho num balcão de delinquências, daí para baixo. O que os advogados de defesa de Suzane murmuram, os comentaristas de aluguel berram. Uns e outros estão interessados não na verdade, mas no dinheiro da herdeira homicida.
Depois de registrar que a lei que vai tirar Suzane da cadeia vale para todos, e antes de massacrar a memória do engenheiro executado junto com a mulher, uma remetente pergunta: ” O que você propõe, meu querido?”. É uma jovem advogada, informam o dialeto data venia e as expressões que usa. (Entre 100 doutoras recém-formadas, 99 chamam desconhecidos de “meu querido”). Proponho que se mire no exemplo de juristas que sempre combateram leis absurdas, minha querida. E tente saber alguma coisa sobre figuras como o doutor Heráclito Fontoura Sobral Pinto.
Sobral Pinto e o poeta Augusto Frederico Schmidt eram amigos de muitos anos quando conversaram por telefone em 16 de outubro de 1944. Schmidt, além de versos, sabia também fazer dinheiro como editor, intermediário de transações financeiras e ocupante de cargos públicos. (Segundo a história oral, é ele o poeta federal que tira ouro do nariz no poema de Carlos Drummond de Andrade). Naquele outubro, quem ligou foi o empresário Schmidt, para pedir ao advogado que reservasse todo o dia 20 a um só compromisso: examinar a vasta documentação que lhe permitiria representá-lo numa causa de natureza trabalhista.
Sobral Pinto informou que, antes de aceitar a proposta, teria de verificar se o candidato a cliente tinha razão. Advogado não é juiz, replicou Schmidt. Ouviu outra vez que o convite só seria aceito depois do exame eliminatório. Como tudo teria de ser feito até o dia 21, Sobral Pinto sugeriu que Schmidt contratasse outro advogado. A conversa não deve ter terminado bem, atesta a carta remetida pelo jurista na manhã seguinte. Roberto Sobral Pinto Ribeiro, neto da figura admirável, enviou cópia da carta ao colunista. É uma luminosa aula de Direito. É uma lição de vida irretocável.
”O primeiro e mais fundamental dever do advogado é ser o juiz inicial da casa que lhe levam para patrocinar”, ensina certa altura. “Incumbe-lhe, antes de tudo, examinar minuciosamente a hipótese para ver se ela é realmente defensável em face dos preceitos da justiça. Só depois de que eu me convenço de que a justiça está com a parte que me procura é que me ponho à sua disposição”. A regra vale também para velhos amigos? Claro que sim: ”Não seria a primeira vez que, procurado por um amigo para patrocinar a causa que me trazia, tive de dizer-lhe que a justiça não estava do seu lado, pelo que não me era lícito defender seus interesses”.
Outros trechos ensinam a proteger os códigos éticos da profissão de socos e pontapés hoje desferidos tão rotineiramente: ”A advocacia não se destina à defesa de quaisquer interesses. Não basta a amizade ou honorários de vulto para que um advogado se sinta justificado diante de sua consciência pelo patrocínio de uma causa. (…) O advogado não é, assim, um técnico às ordens desta ou daquela pessoa que se dispõe a comparecer à Justiça. (…) O advogado é, necessariamente, uma consciência escrupulosa ao serviço tão só dos interesses da justiça, incumbindo-lhe, por isto, aconselhar àquelas partes que o procuram a que não discutam aqueles casos nos quais não lhes assiste nenhuma razão”.
A aula termina com palavras que deveriam ser reproduzidas em bronze nos pórticos e auditórios das faculdades de Direito: ”É indispensável que os clientes procurem o advogado de suas preferências como um homem de bem a quem se vai pedir conselho. (…) Orientada neste sentido, a advocacia é, nos países moralizados, um elemento de ordem e um dos mais eficientes instrumentos de realização do bem comum da sociedade’.’
Defensores de gente como Suzane Von Richthofen nunca souberam disso. Pelo que andam fazendo nestes tempos tristonhos, poucos advogados sabem.










Prezado Augusto Nunes,
A propósito do comentário das 17h55, que deixei há pouco, faço uma explicação aos eventuais desatentos: quando eu escrevi, junto ao vocativo “caro Augusto Nunes”, isto: “o ‘querido’ dos advogados que não merecem ser queridos”, fiz uma, digamos, referência irônica e lúdica ao fato de a jovem advogada citada no post ter perguntado: “O que você propõe, meu querido?”, e ao fato de o colunista ter dito que eles em regra se referem assim, mesmo quando não têm intimidade alguma.
Portanto, como se pode notar da leitura inteira de meu comentário das 17h:55, a referência “o ‘querido’ dos advogados que não merecem ser queridos” está longe de dar a entender uma conotação minimamente negativa. Augusto, pelo próprio nome, já é grande.
Pronto, feita a observação. E a fiz porque no mundo dos textos, em geral, e no dos textos da internet (blogs, colunas etc.), em particular, há aqueles leitores que entendem pelo avesso o que dissemos. Também há aqueles que querem entender assim, é claro. A culpa pode ser do pregador (redator), como dizia o Pe. Vieira no Sermão da Sexagésima, mas às vezes também pode ser - e é - do ouvinte (leitor).
Para, sei lá, não imaginarem ou dizerem que chamei o colunista de querido dos advogados não queridos, decidi fazer o esclarecimento.
Por ora é isso. Forte abraço!
Caro Yuri, grato pelo esclarecimento elegante, mas entendi a brincadeira desde o começo. Claro que era uma ironia engraçada. abraço, Augusto
Caro Augusto Nunes (o “querido” dos advogados que não merecem ser queridos),
Coincidência: também cursei Direito: 4 anos na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e tenho parentes que militam na área. Terminei por desistir e, antes mesmo dessa decisão, já tomara o rumo das Letras - licenciatura Português/Inglês - e do Jornalismo, como articulista/blogueiro e, aqui e acolá, com matérias de Política e Educação. Isso antes da forte censura que sofri recentemente.
Mas o fato é que nunca li essas belas palavras de Sobral Pinto nos tempos do curso jurídico. Professor algum me as apresentou. Antes tarde que nunca: você, com a boa indicação, proporcionou a estas retinas ainda não fatigadas (tenho 25 anos) uma leitura que, a meu sentir, pode tirar muitas pedras do meio do caminho. Embora o leia com assiduidade, este post me havia passado despercebido. Agora, está na lista daqueles que, sobretudo aqui em Maceió/AL, estão precisando ler urgentemente!
Detalhe: se me permite o humor e o trocadilho, o ilustre advogado disse o que disse e ensinou o que ensinou quando ainda era um “Pinto”, e hoje em dia há aqueles que, cheios de si mesmos (e, logo, vazios), julgam-se “galos”, mas não conseguiriam dar um pio, se os puséssemos à luz da lógica e, mormente, da ética!
(…)
Por fim, não obstante tudo isso, faço as seguintes e honestas provocações, prezado Augusto: se todos os advogados se comportassem como Sobral Pinto, os acusados que realmente não gozassem de razão alguma ficariam sem defesa técnica? Apenas recorreriam à autodefesa? Em caso afirmativo, como seria possível um devido processo legal, que abarca os corolários (eles gostam desse vocábulo, né?) ampla defesa e contraditório? Ou os advogados atuariam apenas reconhecendo o crime, ou os crimes, e buscando, no máximo, atenuantes para a pena?
Em suma: como ficaria, perante a Justiça, a defesa (técnica) dos acusados distantes da justiça?
Parabéns pelo post e pelo “gancho” com o tema.
E, por favor, tome a ousadia da provocação como ouSADIA, pois só me proponho ao debate salutar, ao diálogo franco, que possibilita as divergências que civilizam (apesar de, em essência, neste caso, eu não divergir do amigo).
Por ora é isso. Forte abraço!
Augusto, excelente texto!
Sou da opinião que os comentários deveriam todos serem moderados, porque o que existe de absurdo sendo escrito na internet é uma coisa assombrosa. As pessoas não pensam duas vezes antes de redigir seus comentários torpes, saem escrevendo qualquer coisa, sem medir as consequências do que estão dizendo. Como alguém pode ficar defendendo a Suzane e denegrindo os pais mortos dela? Um absurdo.
Muito digna a postura do Sobral Pinto. Os cínicos de hoje em dia vão desdenhar, como já fizeram em alguns comentários aqui… Às vezes penso que as pessoas deveriam ser obrigadas a se registrar (com nome completo, CIC e RG) antes de postar um comentário. Quem sabe assim, sem o anonimato, as pessoas comecem a ter mais cuidados com suas palavras…
A qualidade e os índices da “INjustiça” brasileira apenas refletem o nível intelectual médio de advogados, promotores e juízes. Digo sem medo de errar que este nível é dos piores, que é um lixo, que é um acinte. Sem falar, é claro, nos ministros dos tribunais superiores que concedem habeas-corpus de madrugada com um bom humor inexplicável, mas apenas a banqueiros e políticos. Claro que há exceções, mas infelizmente são muito poucas. A Justiça está tomada pelo corporativismo, incompetência, desonestidade e corrupção.
John Adans ativista da independência norte americana e depois presidente dos Estados Unidos foi, apesar de patriota engajado na revolução contra os ingleses, advogado de defesa dos soldados britânicos que atiraram na multidão no que viria a ser chamado o massacre de Boston, um dos episódios marcantes da independência americana. Suas palavras no tribunal salvaram os soldados da ira da população que gritava do lado de fora: “Sejam quais forem os nossos desejos, sejam quais forem os ditames das nossas paixões, os fatos não poderão ser alterados, a lei não pode se curvar aos desejos incertos, à imaginação e aos temperamentos caprichosos dos homens”
Venceu no tribunal e foi eleito presidente. Entrou para a história por seu exemplo, e por sua sua convicção na justiça, que não se deixou seduzir pelo apelo fácil do populismo e da unanimidade.
Falta grandeza de caráter a estes integrantes do judiciário que hoje se comove por qualquer futrica ou boato e tudo lhes serve de motivo para desviar seu pensamento e seus atos da justiça e do que ela determina.
data venia Augusto
A nobre profissão que Sobral exercia não existe mais.
Foi disseminada por escolas que formam queridos e queridas, avaliados por um orgão de classe protecionista e corporativista e substituida por uma titulaçao que agora protege qualquer um que complete o curso, ilibado ou não, de facções criminosas a colaboradores de contraventores.
Nossa cidade virou alvo de depósitos de entulhos criminosos, será que não da para deixar em OUTRAS CIDADES POR AI A FORA, SEMPRE AQUI ????
SE TODO CRIMONOSO PERIGOSO COMEÇAR A SAIR DOS PRESÍDIOS, QUE SERÁ DE NÓS, POBRES MORTAIS HEIM ???
MORO AQUI EM TAUBATÉ, E SEMPRE QUE SURGEM MAU CARÁTER, NEM PERGUNTAM TRAZEM PARA CÁ, TEM DÓ NÉ ??? NÃO TEM NADA MELHOR PARA NOS MANDAR ???
Nossa cidade virou alvo de depósitos de entulhos criminosos, será que não da para deixar em OUTRAS CIDADES OPOR AI A FORA, SEMPRE AQUI ????
SE TODO CRIMONOSO PERIGOSO COMERÇAR A SAIR DOS PRESÍDIOS, QUE SERÁ DE NÓS, POBRES MORTAIS HEIM ???
MORO AQUI EM TAUBATÉ, E SEMPRE QUE SURGEM MAU CARÁTER, NEM PERGUNTAM TRAZEM PARA CÁ, TEM DÓ NÉ ??/ NÃO TEM NADA MELHOR PARA NOS MANDAR ???
Augusto,
Você erra ao citar-me entre os que defendem Suzanne, não disse isso uma única vez em meu comentário.
Se não explicitei, explicito agora: considero Suzane uma assassina fria e calculista, daquele tipo de criminoso que jamais poderia ser considerado recuperável e que nunca deveria voltar ao convívio da sociedade, pelos riscos que permanentemente ofereceria a ela, sociedade.
E mais grave, Suzane assassinou os próprios pais, pois mesmo se não tiver participado da execução, foi a planejadora do crime brutal.
O que eu disse a você é que Suzane vai sair da cadeia por causa de uma lei que não se aplica somente a ela.
É uma lei que acaba por beneficiar poderosos e ricos, pois esses têm recursos materiais e influência para contratar advogados experts em usar as leis a seu favor.
O que eu disse, ou que quis dizer, foi que o que se deveria discutir era exatamente a lei e não o caso isolado de Suzane.
Mas disse mais, disse que o tratamento que se tem dado ao caso de Suzane pela imprensa acaba por esconder outras coisas muito graves que terão ocorrido dentro da família da assassina.
O perfil frio e calculista da criminosa aponta a necessidade de um motivo para o assassinato, um motivo que poderia ser banal, mas que tivesse força de fazer eclodir a ira, ou algum interesse egoístico, de dentro sua personalidade doentia.
Suzane não matou simplesmente e pronto. Não foi num episódio de fúria, ou numa crise de loucura ou de abstinência de drogas. Foi um assassinato longamente planejado, com requintes de crueldade, se é que se pode chamar requinte a escolha das armas que arrebentaram as cabeças dos pais.
Fala-se realmente em abuso sexual da parte de seu pai sobre ela. Fala-se em comportamento homossexual de sua mãe. Fala-se em libertinagem do casal. Mas nada que se possa comprovar e sobre o que se tenha um indício mais sério.
Mas o que se fala, e ecoa muito, é o que já disse a você sobre as supostas contas bancárias no exterior, contas essas que teriam recebido depósitos de altos valores resultados de desvios de recursos nas obras da Dersa.
Foi sobre isso que escrevi em meu comentário e esse é um mote que propus a você para seus artigos sobre o assunto.
Há muitos indícios de que essas contas realmente existam e que estejam recheadas de dinheiro oriundo de corrupção.
Há também indícios de que o pai, Manfred, usava sua filha, ou pelo menos o nome dela, para a movimentação desses recursos, que há quem fale atingem o montante de 10 milhões de euros, outros chegam a falar em 20 ou 30 milhões, dos mesmos euros.
Mesmo que Suzane tenha assassinado os pais por causa desse dinheiro, permanece tão assassina e tão perigosa como se tivesse cometido os crimes por causa de uma mariola ou de uma boneca Barbie.
Disseram que foi por causa de um carro, de um apartamento, de uma festa de aniversário, de poder casar com o Daniel, até por causa da herança, da herança visível, do patrimônio que seus pais deixaram.
Mas das contas pouco se falou.
Por que é que a polícia teria lacrado a sala de Manfred? O que haveria por lá que pudesse levar a desvendar seu assassinato, agora já mais que desvendado? Por que é que seus pertences de trabalho, seus documentos e suas anotações pessoais não puderam ser ou recuperados pela família ou avaliados pela promotoria e pelos juízes?
Você escreveu sobre a “sala presa” e a assassina (quase) solta.
A assassina poderá vir a ser solta em virtude da lei, que pode até não ser tão virtuosa assim.
Mas e a sala, por que é que permanece “presa”?
Não te ocorreu que algo de muito estranho há por trás disso?
Não te ocorreu que essa menina poderia ter sido assassinada na cadeia? Não te parece que há um manto protetor por sobre ela?
O que dizem alguns jornalistas é que lá na sala “presa” haveria algo que confirmaria as contas e os valores nelas contidos.
Se isso viesse a fazer parte do processo contra Suzane, o dinheiro todo poderia ser bloqueado e jamais seria recuperado nem por ela e nem por seus reais “donos”.
Por isso a sala permanece “presa”, para que não sejam bloqueados os milhões de euros que se encontram nas contas de Manfred, que teriam Suzane com beneficiária e movimentadora.
E por que os documentos não foram simplesmente rasgados ou queimados?
Para chantagear Suzane quando ela sair da cadeia e puder movimentar as contas.
Não te parecesse instigante?
Acompanhe esse estranho movimento de um promotor:
http://www.viomundo.com.br/denuncias/richtofen-e-o-promotor/
Observou, na quarta página, a “preocupação” do promotor com as “supostas” contas no exterior?
Leia também outra referência às contas:
http://www.meionorte.com/noticias,suzane-von-richthofen-pode-sair-da-cadeia-milionaria,16798.html
O que acha disso?
É uma história fantástica? Não tem nenhuma possibilidade de ser verdadeira, parcialmente que seja?
Eu não esperava mesmo que publicasse meu comentário, pois era muito longo e continha informações não confirmadas.
Não espero também que publique esse, só escrevo aqui por falta de seu email.
E também não mais escreverei, pois acho que você deve ter mais o que fazer.
Só espero que tenha lido esse comentário e que tenha ficado pelo menos curioso como eu estou.
Sr Roberto (provável “adevogado”): Extranho é com “s”.
Valeu Augusto Nunes.
Infelizmente tendo a acreditar que a justiça se distanciou muito do que deveria ser…algo que deveria ser lindo, na prática é nojento. Posso estar cometendo uma generalização, mas concordo com os demais que aqui escrevem e que dizem que atualmente o dinheiro é o principal na hora dos advogados atuarem, independente de onde esteja a verdade. Pagando bem, que mal tem? Agora, se o dinheiro acabar…um abraço, procure um defensor público. Já vi diversos tipos de profissionais atenderem de graça quando a grana de um cliente antigo acaba, dar um desconto, etc (professores particulares, médicos, psicanalistas, etc). Nunca soube de um advogado que tenha feito isto, mas…
PS: me desculpem a minoria de advogados honestos e decentes, mas seus colegas sem ética ofuscam a sua existência.
Sr. Nunes,
seria possível publicar na íntegra a carta-reposta do dr. Sobral? Ou, pelo menos, o sr. poderia me enviar cópia por e-mail?
Pelos trechos selecionados, trata-se de uma aula de vida. Discuti há poucos dias esse problema com um amigo. O positivismo jurídico que apartou definitivamente os conceitos de Justiça e Direito está na raiz do problema. Leia a entrevista do minitro Eros Grau que consta de um suplemento sobre o Enem, encartado no Estadão (de SP) de hoje (26/5). O ministro diz: “quem quer estudar Justiça que vá à Filosofia, não à Faculdade de Direito”. Por isso que não alimento grandes esperanças no futuro desta grande e boba nação.
Em tempo: quando o sr. voltará a escrever na Veja material, a revista, não a virtual? O sr. está fazendo falta… A edição desta semana dedicou quase a metade de suas páginas às dietas. Aproveitei para fazer um ligeiro regime de Veja: não a li.
Sds.,
de Marcelo.
A FIGURA DO “DOISBERTO”.
Lá em Bauru, onde me criei, tínhamos um amigo que se chamava Humberto. Um cara de atitude e bastante legal, o qual tinha um adimirador, que procurava lhe copiar em tudo. Pronto; esse sujeito, que, ao tentar copiá-lo só fazia bizarrices, recebeu o apelido de “Doisberto”.
No Brasil há muitos Doisbertos nas mais diversas áreas da sociedade. Por exemplo, os governantes do Rio de Janeiro foram até Medelin e Bogotá e viram a urbanização de favelas e o funcionamento de teleféricos, para incluir o pessoal das comunidades ao centro das cidades. Não tardou e algum Doisberto resolveu aplicar isso no morro do alémão no Rio de Janeiro.
Assim lhes pergunto: Quem foi o gênio que resolveu colocar um teleférico de vidro numa área de conflito, onde a guerra de gangues rivais utiliza potentes fuzis de calibre 7.62, com capacidade de matar uma pessoa há 2 quilometros de distância??? Provavelmente mais algum dos nossos Doisbertos, os quais, ao invés de usar a cabeça e procurar resolver o problema, busca receitas prontas de outros países para aplicar aqui, sem respeitar as peculiaridades culturais, históricas e sociais.
No Direito não é diferente.
Não posso mais com juristas, pós graduados, mestres e doutores sem noção, que trazem teorias de além mar, para aplicar no Brasil. É direito penal mínimo para cá, progressão absurda de pena dali, teorias e mais teorias, na maioria criadas espontaneamente diante de problemas existentes em outros países e que, por lá, funcionaram bem.
Pronto, para arrotar conhecimento, vanguardismo e erudição, os nossos “Doisbertos” do Direito, tratam de defender tais teorias européias e norte americanas por aqui.
Um desastre.
Se mostrassemos para aqueles europeus ou norte americanos a triste realidade brasileira, eles certamente diriam: Vocês estão loucos em aplicar direito penal mínimo por aqui??? Vocês precisam de legislação de exceção, como no período da 2ª guerra mundial, até aque essa guerra particular cesse imediatamente!!!
Pois é, condomínio de alto luxo, prédios bem guardados, seguranças, nada mais basta. Não tem mais para onde correr, não tem para quem recorrer, e agora, o que fazer??? Talvez mudar para Medelin??? É mais seguro por lá!
Gente, essa mulher trucidou os pais por dinheiro, junto com dois oportunistas da pior qualidade.
Em nome de Deus, a lei é instrumento do Direito!!! Não finalidade em si mesma!!! A lé é, senão um dos meios para os nossos magistrados aplicar a justiça ao caso concreto. É muito fácil e confortável se intrincheirar atrás da vetusta letra da lei, para justificar covardia de enfrentar o caso!!! Onde foi parar o bom senso???
Aos queridos Doisbertos do direito, perguntem a um Inglês, a um Espanhol, a um Suíço, até a um Congolês, quanto tempo essa sujeita ficaria presa nos seus respectivos países.
A crítica do Augusto foi perfeita. Quem descordar dela, nunca foi vítima de violência, ou quer colocar a lei na frente do bom senso.
Acordem senhores, cada vez mais se eleva a possibilidade de serem vítimas nesse nosso paiseco de tantas violências.
Abraços,
Taba.
Mais cuidado com as generalizações Senhores Engenheiros, Médicos, Jornalistas, Contabilistas, Psicólogos, Empresários, Políticos (etc. etc. etc.) brasileiros, pois são muito perigosas.
Então vamos para Leopoldo Heitor e Dorinha Durval?
A mulher tentou matar o porteiro do prédio onde vivia o Sobral Pinto. O cara reagiu e… Passou.
E o bom tribuno Leopoldo Heitor… Foi para júri popular e … Passou…
Dorinha Durval pegou a “legítima defesa da honra”. Passou, também.
Iberê Camargo pegou “Brilhantes serviços prestados a nação”, em cela especial, sem curso superior, passou também.
Extirparam os testículos do meu Pai, na Barão de Mesquita e ninguém passou… Só o meu saudoso PAI, poeta e jornalista Ovídio Chaves!
“Vai passar…” ou “Tudo passa, tudo sempre passará…”.
Vou dormir…!
Prezado Augusto,
Por alguma tecla pressionada antes da hora, meu comentário saiu inconcluso.
Adiante.
Então, seja lá o que sua companheira tenha feito, o porteiro não tinha o direito de matá-la. Assim como, seja lá o que seu pai lhe tenha feito, a moçoila Richtoffen não tinha o direito de matá-lo. O julgamento do porteiro foi um acontecimento, correu no Rio de Janeiro, e a sala do juri estava abarrotada de advogados, juízes, promotores, desembargadores, etc. (eu não estava, sei do caso pela imprensa), todos querendo ver o último desempenho daquele que era uma lenda viva do direito pátrio. E o desfecho foi a absolvição do porteiro. Então, será que também não houve um certo “exagero” na defesa, por parte do ilustre causídico? Não quero dizer que este caso denigra sua história, mas mostra que ele também era humano, e, como tal, também sujeito a excessos…
Prezado Augusto,
É uma pena que não tenhamos, nós, seus leitores, a íntegra da carta, para podermos imprimí-la e emoldurá-la na parede de nossos escritórios. E, quando digo nós, refiro-me aos advogados que, apesar dos pesares e das dificuldades, ainda mantêem padrões de ética e dignidade no exercício da profissão. Quanto à moçoila Richtoffen, ela, como qualquer outra(o) criminosa(o), é merecedora(o) de defesa por parte de um advogado, mas apenas para que receba a pena adequada pelo crime que cometeu. Nada mais, nada menos. Entretanto, a exposição de certos casos na mídia faz com que os advogados virem estrelas, e aí o festival de egos aflora, fazendo com que pratiquem os atos, na defesa de seus clientes, que tanto denigrem a profissão dos advogados. Agora, voltando a Sobral Pinto, ele também teve seus deslizes éticos, e a última causa de sua vida demonstra isso. Foi quando, depois de aposentado, aceitou voltar à ativa para defender o porteiro de seu prédio, que sempre o atendia bem, que confessadamente matou sua companheira. Como está na lei, na ética, na moral e nos costumes, a ninguém é permitido fazer justiça com as próprias mãos. Então, seja lá o que a companheira tenha feito, o porteiro não tinha o direito de matá-la. E isso
Caro Augusto,
Os Advogados Brasileiros são a classe mais deplorável de profissionais que existe na nossa sociedade. 1 em 1000, tem dignidade e razão para o que faz, uma vergonha. Eles atuam onde existe muito dinheiro e/ou mídia. Escutei certa vez, uma Advogada dizer, passamos 5 anos no banco de uma universidade aprendendo a mentir e tirar a razão de quem tem pra dar a quem não a tem por dinheiro, triste.
Eles mentem, enganam, fingem, mandam mentir, quando deveriam apenas defender os direitos que seus clientes realmente tivessem.
Que se mudem essas leis que são tão brandas com criminosos, todos os criminosos, basta apenas que eles tenham dinheiro e/ou midia.
“A parcialidade do advogado é a garantia da imparcialidade do juiz” (CALAMANDREI).
A etica, e a justiça,carrísimo colunista ,ás vezes se alcança por extranhos caminhos.
A coisa tá esquentando! Que bom!!!
Não sou advogado e defendo a brilhante carreira do grande brasileiro Augusto Nunes!
Jornalista extremamente ético! Já perdeu & abdicou os melhores postos do jornalismo Nacional. Não mente e não tem papas na língua.
Sua vóz ferina esta na Veja… Por competência !!!
Agradeço a “Deus e o Diabo, na Terra do Sol…”, por ser seu contemporâneo!
Sem firulas…
Valeu!!!
Recado para Ortunho: conta pra gente onde fica esse Brasil que você descreveu. O que conheço é a terra da impunidade. Sobram advogados espertos para quem tem dinheiro e ninguém com dinheiro para advogados espertos está na cadeia.
Minha sobrinha, Promotora de Justiça d’algum município gaúcho, enviou-me o seguinte linck!
http://docs.google.com/gview?a=v&pid=gmail&attid=0.1&thid=1206f5fc774d10f8&mt=application%2Fvnd.ms-powerpoint.
Aula de direito?
Parabéns ao colunista. Conseguiu achar um caso no qual o Sobral Pinto diz besteira. Não é fácil, mas o articulista conseguiu. Mas tudo está de acordo com estes tempos: o advogado deve ser juiz e julgar a causa; o juiz deve ser promotor e examinar as querendo condenar; o promotor deve ser investigador e investigar pessoalmente sem requisitar inquérito à autoridade policial; e o policial deve ser juiz e condenar publicamente o réu em vez de deixar o julgamento para o Judiciário. Ah, tem também uns jornalistas que querem ser do comitê de ética da OAB…
Prezado Augusto Nunes, sinto-me priveligiado por poder lê-lo. Jornalistas éticos e competententes são exeções, voçê nos orgulha. Pena que hoje se vive o relativismo. A ética e a decencia de um Sobral Pinto são favas contadas hoje em dia. Exemplo disso são nossos politicos, que estão se lixando para a opinião pública. O recado para a sociedade foi dado pelo apedeuta Lula da Silva,façam que eu avaliso, mesmo não sendo ético e imoral. Abraços..,.
Roberto: não finja que não entendeu. Não banque o advogado esperto. Todo réu tem direito a um advogado, todo mundo sabe disso. O doutor Sobral sabia mais que ninguém. Ele aceitaria a defesa de quem tivesse praticado um crime hediondo, mas ficaria nos limites da verdade/ Apresentaria eventuais atenuantes, mas não mentiria. E não tentaria assassinar a vítima, como vivem fazendo hoje tantos bacharéis. Você não precisa, portanto, rasgar seu exemplar da Constituição. Mas leia alguns livros sobre ética.
Parece que o ilustre articulista sugere que,nos crimes(supostos) hediondos, nenhum advogado defenda o réu.Fica instituido, assim, o pré julgamento.
Beleza! Rasguemos a Constituição.
Vou-lhe contar uma coisa: quando estudava Direito, na Católica, em BH, convidamos o Dr. Sobral para nos fazer uma palestra. Fui escalado pelos colegas para “tomar conta” dele, que já ia além dos 80 anos. Em BH, hospedava-se sempre no mesmo hotel, al lado da igreja de São José, pois ia à missa todas as manhãs bem cedinho. Ficou conosco uns três dias, pois tinha outros assuntos a resolver na capital mineira.
Um dia fui buscá-lo no hotel. Ele me olhou e disse: — Você não se barbeou hoje. Ao que eu respondi: — Pois é, mas eu me barbeio todos os dias de manhã. Ele me encarou e disse: — Como é que você pode ter tão pouco apreço pela verdade?
Pois é. Naquele dia, eu não havia me barbeado… de manhã.
Fomos na tarde do mesmo dia conversar com um editor, que publicara um de seus livros. O sujeito, deficiente físico, não pagava o Dr. Sobral. Cobrado, chorou muito, lamuriou-se, queixou-se de dificuldades. O Dr. Sobral, com dignidade impecável, sem nenhum tipo de pieguice, lhe disse que se acalmasse, não queria a sua dificuldade.
O editor era um malandro. Pedimos — desta feita me acompanhava um advogado de BH, conhecido do Dr. Sobral — que este nos esperasse uns minutos na sala de espera do editor e tivemos uma conversa sozinhos com ele. O pagamento saiu.
A palestra na faculdade foi sobre Direito e Liberdade.
Augusto,
Logo no início do governo da garotinha, aqui no Rio, foi desmascarada uma gangue que “fiscalizava” grandes empresas pagadoras de ICMS. O advogado do Silveirinha, um dos cabeças do esquema, dono de tradicional banca do estado, Clóvis Sahione, no afã de defender seu cliente, mandou que ele adulterasse sua grafia e colocasse “uns pinguinhos a mais em sua assinatura” de modo a confundir os técnicos de grafolgia.
Clóvis Sahione, notório e muito bem sucedido criminalista do RJ, que teve sua sugestão gravada por um microfone afiado é dessa estirpe de advs picaretas que se travestem de pessoas de bem.
SDS
Apesar de acreditar piamente que o que determina comportamento de um cidadão, antes de mais nada, é a educação de “berço”, os exemplos que ele recebeu em casa. Isso, no entanto, pode, ao longo da vida do cidadão, ser mudado para melhor ou - aí é que mora o risco, - para pior. São fatores externos, igualmente relevantes como, por exemplo a impunidade que estimula o criminoso a delinquir, etc. No caso dos advogados - e mesmo outras profissões, temos assitindo a provas cabais de que a “massificação” do ensino, transformou o antigo sacerdócio de respeitados professores num negócio altamente rentável, e de baixíssimo nível, que não nos deixe mentir o senador das longas madeixas que assumiu em lugar do Ministro das Comunicações(como é mesmo o nome do cara?) que, nem mesmo pode ser considerado adequadamente alfabetizado pelas barbaridades que ele diz. Nessas fábricas de “doutores” são formados milhares de jovens, a maioria deles reprovada nas provas da OAB,. Mas a OAB tem, igualmente, as suas deficiências em inúmeros estados da federação e mesmo aqueles poucos aprovados não estão preparados para o exercício da profissão. Com essas dificuldades e excesso de mão-de-obra, o jovem, pela absoluta falta de uma orientação profissional confiável e ausência de clientes, se vê obrigado a aceitar o estiver disponível, Passados os anos, fracasso profissional evidente o já maduro “adevogado” torna-se um especialista em inverter a autoria de crimes e outros procedimentos que o tornam um bom orientador do criminoso a mentir, dissimular, enfim, livrar-se a qualquer preço. Todos nós nos lembramos das “orientações” do advogado dessa jovem Suzana, mandantre do assassinato dos pais para ela chorasse e se mostrasse deprimida. Enfim, somos vítimas de todas essas mazelas que afetam os futuros profisionais, Vi, com meu próprios olhos, uma “Faculdade de Medicina”, Campus dona Lindu, ilustre progenitora do presidente da República - aquela que nasceu analfabeta - , escola essa que não tem laboratório, hospital, enfim, tem apenas algumas salas ocupadas por mais de 800 jovens que almejam exercer a medicina. Da minha parte, estou fotografando todos os alunos para manter um arquivo de médicos dos quais me recuso a receber qualquer tratamento, ainda que seja de um calo seco. Sintetizando, para que não fiquemos naqueles exemplos estéreis, podemos perguntar como agiu Saulo Ramos que declara a sua “esperteza” no livro Código da Vida ou mesmo o ex-ministro Márcio Tomaz Bastos, competente orientador de Palocci e outros praticantes de crimes que deveriam produzir penas, no mínimo educativas. Quero deixar claro que, ainda hoje podemos ter profissionais da estatura de Sobral Pinto. É difícil porque, como ele, podem morrer pobres. À propósito, conhecem o Kakay? Grande figura esse Kakay!
Uma menina de 8 anos de idade foi torpemente assassinada em cidade do interior de São Paulo. Os assassinos já foram identificados e um dos bandidos tem 17 anos. Claro, o autor do disparo, como sempre, foi o menor de idade…Pois já apreceu uma advogada para defender o assassino e, sem sequer ter tido contato com o “cliente”, foi logo dando entrevista à TV dizendo que o disparo da arma foi acidental!!!
Sou advogado e confesso que não conhecia este texto do mestre Sobral Pinto.
Contudo, corrijo tal afronta dizendo que mandei emoldurar tais palavras para deixar em destaque na parede de meu escritório.
Que aula!! Não só jurídica, mas principalmente de ética e moral.
Para variar, mais um texto inesquecível do colunista. Parabéns!
Quero cumprimentá-lo pela coluna. Seus textos estão cada vez mais inteligentes e refinados. Parabéns também pela coragem. Você continua honrando sua profissão.
Fantastica a carta.
Agora, não deixa de ser sinal dos tempos que se confunda valor, principio e moral com voluntarismo e que se proponha norma, lei, repressão para substituir o que a virtude deveria balisar. O problema está justament aí: lei para balisar a ética, quando é a moral que a delimita.
Tudo isso justificado pelo novo, moderno, vivo. Patetico.
MAM
Eis um trecho do HC que ‘’implodiu’’ a lei de crimes hediondos. ‘’…Quanto a esse ponto, entendeu-se que a vedação de progressão de regime prevista na norma impugnada
afronta o direito à individualização da pena já que, ao não permitir que se considerem as
particularidades de cada pessoa, a sua capacidade de reintegração social e os esforços aplicados com vistas à
ressocialização acaba tornando inócua a garantia constitucional.’’
Considerou-se, ademais, ter havido derrogação tácita do § 1º do art. 2º
da Lei 8.072/90 pela Lei 9.455/97, que dispõe sobre os crimes de tortura, haja vista ser norma mais benéfica, já que
permite, pelo § 7º do seu art. 1º, a progressividade do regime de cumprimento da pena
(HC 82959/SP, rel. Min. Marco Aurélio, 23.02.2006.).
Ah! que saudade do velho Sobral Pinto, da sua retidão, da lucidez de seu pensamento! Também sou advogada, formada há 33 anos. Ainda sei o que devo e não devo fazer, nossa profissão não é um “vale tudo”. Quem acha que é está errado. E fico pensando se alguém, mais ainda advogado, pensa que possa ser moralmente justo matar os pais - agravado com a crueldade deste caso - , em razão de suposta ou alegada conduta do falecido, que não está aí para contraditar. Se tivesse havido alguma conduta ilegal ou irregular por parte dele, isto JAMAIS seria motivo para tirar a sua vida. Além disso, não acredito na versão fantasiosa de agora. Então a filha teria o direito de justiça com mãos próprias ????????? É claro que não !!!!!!
Caro Augusto.
No texto anterior a redação do §1º da lei 8.072 é o que foi vetado após a decisão do STF e já é da nova lei votada em 2007.
§ 2o A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de 2007).
O veto foi do cumprimento da pena em regime integralmente fechado. E deu nisso; o apenado terá direito à progressão de regime com 2/5 da pena ser for primário.
Ou seja, o inciso XLIII do Art.5º foi detonado, pois progressão é GRAÇA, BENEFÍCIO.
A lei foi ”afrouxada”
Caro Augusto.
A população reclama a inexistência de leis duras contra crimes bárbaros. É bom lembrar que há leis duras sim. O problema é a interpretação das leis pelo judiciário, sempre ‘’amolecendo’’ a legislação.
A Constituição de 88 em seu inciso XLIII do Art.5º diz: ‘’ a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; ’’
Já em 1990 o Congresso regulamentou este inciso com a lei 8.072, definindo os crimes hediondos. O §1º do Art. 2º da lei 8.072 diz: A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado.
Ora, se a CF diz que os crimes previstos no inciso, são insuscetíveis de graça, fiança, ou anistia, está correto o cumprimento da pena em regime fechado integralmente.
Estaria? Pois o STF entendeu diferente e, em março de 2006 concedeu HC a um apenado por crime hediondo (com pena de 18 anos) com apenas dois anos de cárcere. Por 6 votos a cinco o STF entendeu ser inconstitucional o parágrafo.
A meu ver o STF inconstitucionalizou a constituição com esta decisão.
Recado para o Robert: releia os trechos da carta. Acho que você não leu com a devida atenção. São claríssimos. Advogado não pode ser cúmplice. Nem atropelar a verdade em defesa do cliente. Buscar atenuantes para o crime é uma coisa. Mentir é outra. A origem da palavra não autoriza um advogado a agir como quem foi chamado para praticar qualquer ação. E se for chamado para colaborar no assassinato de uma testemunha, por exemplo? Deve aceitar? Depende dos honorários? Procuro não interferir nos comentários dos leitores, para que o próprio pessoal da coluna promova o debate. Mas a grande lição ministrada pelo doutor Sobral Pinto não merece ser distorcida nem adulterada. Deve, isto sim, ser assimilada de imediato pelo Brasil que presta.
Francisco, você disse tudo:
hoje em dia, ser honesto é antes de mais nada ser um trouxa.
Mas se você pensa que os não trouxas não conseguem dormir, você está 100% correto, os não trouxas não dormem porque à noite ficam maquinando como enganar os “trouxas” durante o dia.
O pior não é isso, desonestos sempre houve, a diferença é que agora parecem ser a maioria e desconfio que há muitos honestos que assim o são por falta de oportunidade de serem desonestos. Ou seja, não por convicção mas por falta de oportunidade mesmo.
Pois é, que falta faz um Sobral Pinto.
Embora completamente leigo no assunto, estranho a afirmativa “o advogado não é, assim, um técnico às ordens desta ou daquela pessoa que se dispõe a comparecer à Justiça”
O vocábulo deriva da expressão em latim ‘ad vocatus’ que significa “o que foi chamado” que, no Direito romano designava a terceira pessoa que o litigante chamava perante o juízo para falar a seu favor ou defender o seu interesse.
Certa vez, respondendo a uma ação, um advogado disse-me o seguinte “seja o que for que eu escrever, para todos os efeitos você é o responsável. Por exemplo, se o texto for ofensivo a alguém é você que está promovendo a ofensa e não o seu advogado que redigiu o texto”.
Se procede ou não, nunca procurei saber, mas jamais pensei em advogado como alguém para “tomar partido” e sim apenas para prover consultoria legal.
A degradação da sociedade brasileira mostra sua face no próprio presidente que elege e reelege, nos indices de popularidade que esse asno exibe e se consumar a aventura do terceiro mandato não tenham a menor dúvida do sucesso que o irresponsável vai alcançar. Tristes tempos.
Não volto no tempo, volto à paz e ao encontro da serenidade. É assim que me sinto ao ver demonstrações de retidão e de caráter, como a deexternada pelo grande Sobral Pinto.
Hoje, infelizmente, há profissionais a defender uma assassina, tão abominável quanto os que lhes emprestam os serviços. Dormir como, depois da tentativa sórdida de tentar manchar a reputação da vítima para, simplesmente, atenuar a pena dessa ordinária.
“O que você me propõe, meu querido”, é conversa das frequentadoras da boate de Sérgio Lixador, às margens de rodovia, no município de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul.
Que me desculpem as atuais frequentadoras, pois tenho mais respeito por elas que pelo proprietário, e pela jovem advogada, autora de frase tão comumente utilizada em prostíbulo.
O que faz o dinheiro a quem não tem caráter. Tudo bem. Diga a ela que continue assim, Augusto. Um dia vai achar um gigolô que vai tomar tudo o que “arrancou” dos clientes.
Caro Augusto,
Brilhante texto, ótima estória que entrou para a história. A ética é algo em desuso no Brasil, basta ver o que o leitor das 4:00 escreveu. Tudo vale, é o vale tudo. Realmente compartilho com você esse sonho de ética acima de tudo, e se é romântico, também sou, e conheço uma porção de gente de bem que concorda com esse texto e com a atitude de Sobral Pinto, o resto é mais do mesmo, só tentativas de defender da falta de ética, do compromisso com o bem, da verdade, da justiça, esse é o princípio do surgimento do direito, fazer justiça.
Abraços Fraternos
Mario Arone
O que mais importa no caso dessa patricinha homicida é o seguinte:
Nenhum ser humano merece ser morto de maneira tão covarde e cruel, sejam quais forem as alegações. Masmorra nela.
Meu saudoso pai,já referia Sobral como um exemplo de ética e retidão.Era um exemplo dizia,a seguirmos em qualquer profissão que escolhessemos.Hoje, o Brasil vive do obscurantismo ético,das amoralidades governamentais,das vulgaridades do poder.Restituirmos a nação de nossos filhos,um pouco do pensamento de homens públicos notaveis é o mínimo que podemos fazer.Obrigado Augusto,em nome da resistencia moral, num pais que se deixou levar pelas facilidades do populismo e pela vulgarização das idéias.Parece saudosismo o que deveria ser referencia,parece antigo o que deveria valer como reverencia ao lógico.Como o pr´prio Sobral já dizia,”em paises moralizados”…
este é meu principal sonho.Que o Brasil se restabeleça e logo,como cenario moral para nossos filhos.Já quase desisto deste cenario para meus dias presentes.
Pois é “meu querido”Augusto:as “nossas queridas” como V. apresenta, devem ser da mesma turma do “nosso querido” Mirto aí em cima. São colegas desta legião crescente de semi-analfabetos que não conseguem passar no exame de Ordem(OAB) Para eles leis do seculo passado e cartas de Sobral Pinto sâo velharias, por isto as ignoram. Não sabem que a constituição americana é de 1776,por exemplo. Uma velharia. É por esta razão que esta moça citada, como milhares de outras, trabalham ” de telefonista”, Para poderem estar estando estudando para o exame de ordem. E o “nosso querido”mirto (Milton???) vai mesmo é ser deleegado….
Caro jornalista muito admiro a sua inteligência e lucidez,mas permita-me contradize-lo.
Essa sua menção a uma carta romãntica do século passado que já estava ultrapassada quando foi escrita me surpreende e muito,por ser avalizada por
uma pessoa como o senhor equipada pra grandes raciocínio,tirocínio e qauantos
cínio houver.
Esse discurso já nasce morto e envolvido em formol,por excesso de voluntarismo.
O que determina o comportamento das pessoas em qualquer profissão são as
penalidades para os desvios e não somente indicação do caminho do bem e o do amor.Os canalhas continuarão a serem imorais principalmente enquanto não
houver nenhhum tipo de punição,afinal não custa repetir:há tantas formas de se
ganhar dinheiro na sordidez legalizada que não é preciso matar pra roubar.
Nada,nada mesmo,nenhuma inscrição em pedra ou na areia vai deter essa sanha
imoral.Exceto normas legais.E agora permita-me ser um abobado voluntarioso:
essa farra só acabará quando advogados privados forem proibidos de defender
criminosos.Não é uma coisa tão distante assim, os promotores e juízes “até
agora” não são remunerados por clientes.
—-Sou seu admirador,dá próxima vez vou concordar ,tá legal?
Augusto,
Seria maravilhoso mandar uma cópia da carta aos membro da OAB. Muitos advogados hoje especializaram-se comente em encontrar brechas na lei. É este o seu trabalho, veja só. Não é zelar por elas (leis), mas ludibria-las. O maior exemplar do torce-retorce da Justiça brasileira atende pelo nome de Thomas Bastos. É o caso típico da inteligência voltada para o mal.
Para os “meus queridos” (bah, que falta de compostura!) que defendem Suzane atacando o pai, pergunto: mesmo que ( E SE!) ele tivesse feito o alegado por vocês, a mocinha teria então o direito de matá-lo e a mãe a pauladas?! EM QUE MUNDO OS SENHORES VIVEM?! Voltem para a selva, por favor!
é bom as pessoas saberem que , como diz a propaganda aquela,tem coisas que não tem preço.Se soubesse onde encontrar iria buscar este texto do velho e bom Sobral Pinto e coloca-lo num quadro em minha parede para que meus amigos se sentissem respondidos quando me perguntam a respeito de ser um escriturário do BB aos 62 anos de idade depois de ter exercido cargos relevantes em empresas importantes.É muito bom poder andar de cabeça erguida e saber do orgulho dos filhos em ter pai honesto.É muito bom não acordar sobressaltado ´`a noite.É muito bom ser chamado de “trouxa” num país que teve Sobral Pinto e tantos outros homens decentes.É disto que vivem os decentes.Destes pontos de luz que tem nos servido de guia atraves dos tempos.Mostra mais Augusto Nunes,o Brasil precisa disto,de exemplos de dignidade,se mais não for,pra gente mostrar aos filhos e próximos que existem pessoas capazes de renunciar a ganhos e indicar caminhos aos outros,mesmo ao custo de perder amigos e dinheiro.Bravo!