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Valeant compra fabricante do ‘Viagra feminino’ por US$ 1 bilhão

A agência americana de medicamentos (FDA) aprovou na terça-feira a comercialização do comprimido que aumenta a libido feminina

O grupo farmacêutico canadense Valeant desembolsará 1 bilhão de dólares para comprar a Sprout Pharmaceuticals, empresa que acaba de obter nos Estados Unidos a autorização para comercializar o primeiro ‘Viagra feminino’, anunciaram nesta quinta-feira as duas companhias em um comunicado.

Segundo os termos do acordo, revelado pelo Wall Street Journal, a Valeant pagará em duas vezes: 500 milhões de dólares quando a operação for concluída, o que deve acontecer em setembro, e outros 500 milhões no primeiro trimestre de 2016.

Na última terça-feira, a agência americana de medicamentos (FDA) aprovou a comercialização do comprimido de flibanserina, que será vendido com o nome comercial Addyi, destinado a mulheres fora da menopausa com baixa libido ou ausência de desejo sexual.

Diferente do Viagra, da Pfizer, que afeta a circulação de sangue no genital, a Addyi foi desenvolvida para ativar impulsos sexuais no cérebro. A Valeant afirmou que espera concluir a compra da Sprout no terceiro trimestre deste ano e que a Addyi comece a ser distribuída nos Estados Unidos até o final do ano.

Viagra feminino – As propriedades da molécula da flibanserina foram descobertas acidentalmente, durante testes para remédios antidepressivos. Uma situação semelhante havia já ocorrido com o Viagra masculino – a pílula azul fora inicialmente desenvolvida para combater a hipertensão.

A flibanserina já havia sido rejeitada duas vezes pela FDA. A primeira desaprovação ocorreu em 2010 e, posteriormente, em 2013. A agência alegara que a eficácia do remédio era muito modesta em comparação aos efeitos do grupo que tomou placebo.

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Anticoncepcional diminui o desejo sexual das mulheres

A grande dificuldade da ciência em encontrar um medicamento para resolver os problemas das mulheres reside na complexidade da sexualidade feminina. Considerado mais subjetivo, o desejo feminino depende de elementos que não são apenas sexuais, como humor, estresse cotidiano, bem-estar, confiança e atração pelo parceiro.

A flibanserina tem um mecanismo de ação completamente diferente do Viagra. O comprimido azul age apenas localmente, com o aumento do fluxo sanguíneo para o pênis para estabelecer e manter uma ereção. Outra diferença em relação à pílula dos homens é que a flibanserina não funciona de forma imediata. As mulheres que receberem a prescrição deverão ingerir o comprimido todas as noites antes de dormir por, pelo menos, quatro semanas até sentirem os primeiros efeitos positivos. O auge da melhora só ocorre após dois meses de tratamento.

(Com Agência France-Presse e Reuters)