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Tesouro recompra R$1,7 bi de dívida externa

Por Tiago Pariz

BRASÍLIA, 19 Abr (Reuters) – O governo recomprou 1,674 bilhão de reais em bônus da dívida externa em uma ação que faz parte do arsenal de combate à valorização excessiva do real frente ao dólar.

O Tesouro Nacional informou nesta quinta-feira que recomprou 655,25 milhões de reais em bônus globais BRL 2016, com preço de recompra de 120,5 por cento do valor de face, e 1,018 bilhão de reais em bônus globais BRL 2022, que teve preço de recompra de 130 por cento do valor de face. Ambos os papéis tiveram cupom de 12,5 por cento.

“O Brasil pagará na data de liquidação (27 de abril) o preço de compra aplicável mais os juros decorridos (até o dia anterior ao da liquidação) para os títulos comprados”, disse o Tesouro em comunicado.

O economista da Tendências Consultoria Silvio Campos Neto considerou que o governo pagou um preço alto pelo ativo, mas ressaltou que tem sido grande a demanda por papéis da dívida brasileira.

“Ele pagou um pouco caro, mas os papéis brasileiros estão valendo mais que o valor de face mesmo no mercado”, afirmou, lembrando que essa operação também tem como objetivo “dar mais liquidez e ajudar na curva de juros dos títulos em reais”.

O economista da Tendências disse acreditar que o governo, com o sucesso da operação de venda e compra, voltará a fazer uma nova emissão em real.

AÇÃO CONJUNTA

A operação de recompra foi casada com a emissão dos bônus globais com vencimento em 2024 na última terça-feira, com a qual o Tesouro captou 3,15 bilhões de reais nos mercados norte-americano, europeu e asiático, com um rendimento de 8,6 por cento ao ano, o menor da história para títulos denominados em real.

Após a operação de recompra, o estoque remanescente de bônus BRL 2016 ficou em 2,856 bilhões de reais e o de BRL 2022 ficou em 2,216 bilhões, segundo o comunicado do Tesouro.

A operação de recompra de dívida externa está na mira do Tesouro desde o começo do mês passado, mas era necessário emitir novos papéis, conforme disse na quarta-feira o secretário do Tesouro, Arno Augustin.

O objetivo é ajudar no combate à desvalorização do dólar. A captação de recursos e a recompra de dívida têm impacto cambial por evitar parte do fluxo de capital para o país. Investidores que buscam estar posicionados em real não precisam trazer seus recursos ao Brasil para comprar títulos da dívida pública.

Além disso, o Tesouro terá de adquirir dólares no mercado interno para pagar os investidores externos que detêm esses bônus, conforme informou a Fazenda.

Em março, Augustin disse que o Tesouro poderia ir a mercado para adquirir mais 7,5 bilhões de dólares, a fim de quitar o vencimento integral da dívida externa que vence até 2015, ou até mesmo mais longe, a partir de 2016. Também podem vir emissões externas em real. Naquele momento, havia em caixa 7,4 bilhões de dólares para pagar 49 por cento da dívida externa a vencer até 2015.