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Telefônica vende cabos submarinos por R$ 460 milhões

Aquisição, feita pela colombiana Internexa, envolve 19 mil quilômetros de dois cabos submarinos que interligam o Brasil e a Colômbia com os Estados Unidos

A empresa colombiana Internexa deve anunciar nesta terça-feira a compra de parte dos cabos submarinos que chegam ao Brasil e à Colômbia da TIWS, empresa do grupo Telefônica, em um negócio avaliado em 120 milhões de dólares (ou cerca de 460 milhões de reais no câmbio atual). Com o investimento, a empresa terá uma capacidade própria de fibra óptica para oferecer às operadoras de telefonia e provedores de internet em conexões internacionais.

Cada vez que alguém acessa, por exemplo, sites estrangeiros e parte do acervo de serviços de transmissão de vídeo como Netflix ou YouTube, os dados devem trafegar até o Brasil por meio de cabos submarinos. Essas estruturas são controladas por empresas de telefonia ou por companhias como a Internexa, as chamadas “atacadistas da internet”, que alugam sua rede para as operadoras.

A empresa estima que cerca de 40% do conteúdo distribuído no Brasil depende de cabos submarinos para chegar aos internautas. Mas, até então, a Internexa não tinha uma estrutura própria e pagava para utilizar a rede de terceiros. “Agora temos uma conectividade direta com os Estados Unidos e não estaremos mais sujeito a saltos de qualidade no sistema”, explica o presidente mundial da Internexa, Genaro Garcia.

A aquisição envolve 19 mil quilômetros de dois cabos submarinos da empresa da Telefônica – o SAM1 e o PCCS-, que interligam o Brasil e a Colômbia com os Estados Unidos. Além dessa estrutura, a Internexa já tinha 30 mil quilômetros de fibra óptica instalado em cabos terrestres – cerca de 6,8 mil quilômetros no Brasil. Procurado, o grupo Telefônica não se manifestou.

Infraestrutura – A fibra óptica é um negócio similar a outros do ramo de infraestrutura, em que há um investimento alto no início e retorno de longo prazo. Essa visão fez a Internexa investir no mercado brasileiro mesmo em meio às incertezas políticas e econômicas atuais, diz Garcia. “Não somos capital especulativo. Nosso foco é de longo prazo.” Segundo ele, a crise “não muda o fato de o Brasil ser o maior país da América Latina”, nem o potencial de expansão da internet no País.

De acordo com o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, os cabos submarinos ainda são estratégicos para as empresas de telecomunicação, ao contrário das antenas de telefonia, que foram vendidas pelas empresas para fazer caixa. “Mas eles exigem investimentos altos. A tendência hoje é compartilhar as estruturas para reduzir o custo”, afirmou.

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O segmento costuma atrair fundos de investimento interessados em um fluxo de caixa constante e de longo prazo. Um fundo do BTG Pactual comprou em 2013 a Globenet, a empresa de cabos submarinos da Oi, por 1,745 bilhão de reais. A própria Internexa tem entre os sócios da operação brasileira a IFC, braço de investimentos do Banco Mundial.

Grupo – A Internexa é parte do grupo ISA, um conglomerado com faturamento anual de 2,5 bilhões de dólares, presente em 33 países e controlador da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep). O grupo aproveita a estrutura de transmissão elétrica para instalar cabos de fibra óptica.

Neste ano, a Internexa prevê faturar 150 milhões de dólares, cerca de 60% na Colômbia. A companhia está em expansão internacional e entrou no mercado brasileiro em 2012. Um ano depois comprou a Nelson Quintas Filhos (NQF Brasil), que tinha redes de transmissão de dados no Rio. García diz que a empresa poderá fazer novas aquisições de empresas regionais com redes terrestres de fibra óptica.

(Com Estadão Conteúdo)