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SUMMIT-Eletrobras quer ter preparo para energia nuclear após 2022

Por Anna Flávia Rochas e Fábio Couto

RIO DE JANEIRO, 28 Mai (Reuters) – A Eletrobras quer estar preparada para atuar no segmento de geração de energia nuclear, diante da possível necessidade de usinas dessa fonte no Brasil após 2022, disse o presidente da estatal, José Carvalho da Costa Neto, durante o Reuters Latin American Investment Summit.

Até 2022, não há programação de novas usinas nucleares no país além de Angra 1, Angra 2 e Angra 3, informou o executivo. “Agora, acima de 2022, eu acho que é um potencial que tem que ser sempre analisado, com a máxima segurança.”

“No mínimo, a Eletrobras tem que acompanhar essa tecnologia, ter todo o conhecimento, estar preparada… Na minha opinião pessoal, vamos continuar a fazer nuclear no período de 2022 a 2030”, afirmou em entrevista na sexta-feira. Ele enfatizou, no entanto, que essa é uma decisão a ser tomada entre o governo e a sociedade.

A energia nuclear e sua segurança voltaram a ser mais fortemente questionadas depois que um grande terremoto e tsunami devastaram a usina atômica de Fukushima em março de 2011, provocando o pior acidente de radiação do mundo em 25 anos.

Carvalho Neto lembrou que o Brasil tem um potencial de cerca de 260 gigawatts (GW) para novas hidrelétricas, mas nem tudo isso deve ser viabilizado diante de restrições ambientais. Segundo ele, o Brasil precisa adicionar 65 GW de novas capacidades a cada dez anos.

“Daqui a 15 anos, possivelmente esse potencial hidrelétrico estará esgotado”, previu.

Ele lembrou que as energias alternativas, como solar e eólica, terão um papel importante, mas serão complementares, já que essas fontes não operam na base do sistema, como a hidrelétrica e a nuclear.

A Eletrobras realiza trabalhos sobre segurança nuclear em conjunto com a França, onde o presidente da Eletrobras está nesta semana para avaliar os trabalhos realizados em parceria com o país e assinar acordos de convênio de cooperação internacional.

No encontro, a Eletrobras ainda discute a cooperação com a francesa EDF nos estudos das hidrelétricas do Tapajós.

(Reportagem adicional de Leila Coimbra e Jeb Blount)