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SUMMIT-Eletrobras ajudará Celpa e não descarta avaliar Neoenergia

Por Anna Flávia Rochas e Fábio Couto

RIO DE JANEIRO, 28 Mai (Reuters) – A Eletrobras irá ajudar na recuperação da Celpa, mas não entrará como a figura do investidor comprador de debêntures previsto no plano de recuperação judicial da distribuidora paraense de energia, disse o presidente da estatal, José da Costa Carvalho Neto, durante o Reuters Latin American Investment Summit.

“Nós não vamos entrar para ser esse ‘player’ de 650 milhões (de reais)… Não vamos ser os protagonistas, mas temos que ser os coadjuvantes, porque a pior coisa que pode acontecer é não fazermos nada e o nosso prejuízo pode ser maior”, disse ele na sexta-feira.

Carvalho Neto considera que deverá haver uma solução de mercado para a Celpa, que é controlada pelo Grupo Rede Energia. A Eletrobras possui 34 por cento do capital da distribuidora e também é credora da companhia.

No plano de recuperação apresentado à Justiça, a Celpa propõe o aporte de 650 milhões de reais por algum investidor por meio da emissão de debêntures conversíveis em ações da empresa. Além disso, a companhia pretende repactuar as dívidas com deságios de até 40 por cento.

Questionado se a Eletrobras teria interesse em comprar a participação de 39 por cento da Iberdrola na Neoenergia, Carvalho Neto disse que a estatal “não está fechada” à avaliar o ativo, caso seja convidada à fazê-lo.

“É uma coisa a analisar, mas inclusive a Previ (fundo de pensão no bloco de controle da Neoenergia) ainda não nos procurou. Mesmo a Iberdrola ainda não teve uma manifestação formal disso… A Eletrobras não está fechada para conversar.”

No início de maio, a Iberdrola informou que estava analisando “alternativas estratégicas diferentes” para sua participação na Neoenergia. Algumas empresas se apresentaram como potenciais interessadas, caso da chinesa State Grid e da estatal mineira Cemig.

As três distribuidoras da Neoenergia -Coelba (BA), Cosern (RN) e Celpe (PE)- tem bom desempenho e “estão entre as melhores” do país, conforme mencionou o Carvalho Neto.

A Eletrobras tem forte presença na distribuição de energia na região Norte e, diferentemente da Neoenergia, suas controladas no segmento tem apresentado fracos resultados, com prejuízo combinado de 931 milhões de reais em 2011.

A estatal federal tem entre suas metas zerar o prejuízo das distribuidoras em 2014 por meio de um plano de redução de perdas de energia, combate à inadimplência, programa de redução de custos e despesas gerenciáveis e capitalização das empresas para reduzir custos financeiros, entre outros.

“Temos que demonstrar para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que muitas vezes os nossos custos nesses Estados (do Norte) são muito diferentes”, disse Carvalho Neto.

A perda média de energia das distribuidoras da Eletrobras está em cerca de 33 por cento, segundo o executivo, sendo que as ligações irregulares, os chamados “gatos”, são uma das principais causas disso. A intenção é chegar à meta regulatória estipulada pela Aneel, de cerca de 20 por cento, também em 2014.

A empresa mais problemática da Eletrobras é a Amazonas Energia, mas é a que tem um “grande potencial” de crescer, pelo desenvolvimento e expansão do consumo de energia na região, avalia o presidente da estatal.

O executivo defendeu a federalização da distribuidora goiana Celg, que será incluída no plano de negócios 2012-2016. “(A federalização da Celg) foi uma operação ganha-ganha… Qualquer empresa privada entraria na condição que a Eletrobras entrou.”

CAPTAÇÕES

A Eletrobras ainda precisa levantar cerca de 6 bilhões de reais em 2012. O investimento total estimado pelo grupo é de 13 bilhões de reais neste ano. A empresa abortou planos de emitir bônus no exterior e vai recorrer ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e possivelmente emitir debêntures.

“Isso está sendo estudado ainda, mas talvez seja metade (debêntures), metade (BNDES)… A decisão é que vai ser tudo para o mercado interno neste ano.”

CONCESSÕES E PLANO DE NEGÓCIOS

A apresentação do planejamento estratégico plurianual da Eletrobras está condicionada à decisão do governo sobre as concessões de energia a vencer. Carvalho Neto espera que o governo federal decida sobre o tema até julho, com a divulgação do Plano de Negócios 2012-2016 da estatal cerca de dois meses depois.

Perguntado sobre qual decisão espera do governo sobre o assunto, ele disse que a renovação é “muito mais prático para o próprio país”. “Inclusive, eu acho muito justo que você aproveite isso para a modicidade tarifária”, disse, referindo-se à provável renovação onerosa das concessões.

De um total de 22 gigawatts (GW) de capacidade de concessões que vencem no Brasil de 2015 a 2017, a Eletrobras possui cerca de 15 GW.

(Reportagem adicional de Leila Coimbra e Jeb Blount)