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Suíça rejeita compra de caças Gripen, os mesmos que o Brasil encomendou

País europeu colocou para votação popular plano de US$ 3,5 bilhões para compra de 22 aviões da empresa sueca que venceu disputa com outras duas fabricantes. Mas cidadãos disseram 'não' à aquisição

Por Da Redação 19 Maio 2014, 18h10

Os cidadãos suíços rejeitaram, em referendo popular realizado neste domingo, a compra de 22 caças Gripen da empresa sueca Saab, o mesmo modelo de aeronave que o Brasil encomendou no fim do ano passado. O valor da proposta era de 3,1 bilhões de francos suíços (ou 3,5 bilhões de dólares). A Suíça havia anunciado sua intenção de comprar as aeronaves em novembro de 2011, quando o modelo venceu a competição com o Rafale, da Dassault Systemese, e o Eurofighter, da EADS.

Neste domingo, 53,4% dos suíços que votaram no referendo disseram “não” à compra. A última pesquisa mostrava que 51% se opunham ao acordo comercial, ante 44% a favor. “O povo falou”, disse o parlamentar do partido Social Democrata, Leutenegger Oberholzer à agência Bloomberg. “Nós certamente não temos o dinheiro para aquisições desnecessárias como esta”, completou.

Os opositores do contrato com a Saab argumentaram que o dinheiro a ser pago, não apenas para a aquisição dos caças mas também com sua manutenção, entre outras despesas, poderia ser usado para educação, transporte e previdência. O ministro da Defesa da Suíça, que iniciou as conversas com a Saab, disse que vai respeitar a decisão popular.

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Em dezembro de 2013, Dilma anunciou o caça Gripen como vencedor da disputa para a substituição da frota brasileira de aeronaves militares. Outras concorrentes, como a americana Boeing, com seu modelo F/A-18 Super Hornet, e a francesa Dassault Aviation, com o Rafale, foram descartadas. O contrato com o Brasil é de 4,5 bilhões de dólares. Na ocasião, as ações da Saab chegaram a subir mais de 30% com o mercado repercutindo a notícia.

Analistas alertam para o efeito que a notícia poderá ter nas contas da Saab. Para Mats Liss, analista do Swedbank AB, o contrato com o Brasil é mais importante do que o com a Suíça, o que poderia ter pesado na decisão dos cidadãos. “Os votos podem significar que haverá um período de incerteza até que a encomenda do Brasil seja concluída”, afirmou ele.

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