‘Somos pioneiros’, afirmam donos da Fribal sobre carnes nobres
Pai e filho, o sócio-fundador Carlos Francisco de Oliveira, 72 anos, e o CEO Luiz Gustavo de Oliveira, 46, comandam o grupo
Como o senhor começou um negócio bilionário em um estado brasileiro marcado pela pobreza, como é o Maranhão? Carlos Francisco: Fui um pioneiro. No começo dos anos 1980, eu trabalhava como zootecnista em Goiás, para uma entidade de criadores de gado. Naquela época, me chamavam de palpiteiro e, por isso, me mandaram embora. Fui então conhecer o Maranhão e vi que os açougues só vendiam carne in natura, que logo estragava. Em 1985, levei o primeiro carregamento de carne resfriada para o estado. Logo depois, abri meu primeiro açougue, em São Luís. Depois de muita luta, todos passaram a preferir a carne resfriada.
A Fribal tem planos para abrir capital, como já fez o Grupo Mateus, seu concorrente no Maranhão? Carlos Francisco: Não. Eu quero que a minha empresa continue tendo dono, que sou eu. Gosto de fazer uma empresa ao nosso feitio, com cuidado nos detalhes, ágil. A listagem na bolsa torna a companhia escrava de resultados que o mercado dita. Aqui trabalhamos com carinho para entregar o melhor ao cliente final.
Como é a relação da Fribal com o Grupo Mateus? Carlos Francisco: O pessoal do Mateus vem buscando gente do nosso time para saber como fazemos, é irritante.
Como o senhor enxerga os grandes grupos nacionais de proteína animal que se tornaram potências globais, como JBS, Marfrig e Minerva? Carlos Francisco: É preciso haver diversificação. Nós temos o nosso próprio modelo, que consiste em não depender de ninguém.
Qual será o próximo passo da operação? Luiz Gustavo: Vamos aumentar o foco no varejo. Crescemos acima de dois dígitos nos últimos dois anos e vamos repetir isso neste ano. Criamos o Atelier Gourmet, dentro dos nossos empórios, para oferecer cursos de gastronomia, vinhos e outros. A ideia é fidelizar e agregar qualidades aos nossos produtos, além de abrir lojas novas.
Carlos Francisco: Quero montar uma churrascaria top de linha em São Luís, uma verdadeira steak house. A cidade tem público para isso.
Publicado em VEJA, janeiro de 2026, edição VEJA Negócios nº 22





